Resposta Questão 8 Na reciclagem de plásticos, uma das primeiras etapas é a separação dos diferentes tipos de materiais. Essa separação pode ser feita colocando-se a mistura de plásticos em líquidos de densidades apropriadas e usando-se o princípio do “bóia, não bóia”. Suponha que um lote de plásticos seja constituído de polipropileno (PP), polietileno de alta densidade (PEAD), poliestireno (PS) e cloreto de polivinila (PVC), cujas densidades são dadas na tabela. Material Densidade (g/cm3 ) PP 0,90 – 0,91 PEAD 0,94 – 0,96 PS 1,04 – 1,08 PVC 1,22 – 1,30 a) Cálculo da massa de etanol na mistura: 0,78 kg etanol 1 000 l etanol ⋅ = 780 kg etanol 1 l etanol 1442443 densidade Cálculo da massa de água na mistura: 1 kg água 1 000 l água ⋅ = 1 000 kg água 1 l água 14243 densidade Portanto, a massa da mistura é de 1 780 kg. Podemos calcular sua densidade da seguinte forma: 1 780 kg m d = ⇒d = ⇒ d = 0,89 kg/ l V 2 000 l ou d = 0,89 g/cm 3 Portanto, a mistura não é adequada. Como tanto o PP como o PEAD possuem densidades superiores à da mistura, os dois irão se depositar, não podendo ser separados. b) A estrutura que se repete no PVC é representada por: O esquema de separação desses materiais é: A presença do átomo de cloro faz com que o polímero possua forças intermoleculares mais intensas e, portanto, uma maior densidade. Outro fator que contribui para a maior densidade do PVC é que o cloro possui massa molar maior que a do carbono e do hidrogênio. Questão 9 a) Para a separação PP – PEAD, foi preparada uma solução misturando-se 1000 L de etanol com 1000 L de água. Ela é adequada para esta separação? Explique, calculando a densidade da solução. Suponha que os volumes são aditivos. Dados de densidade: água = 1,00 kg/L e etanol = 0,78 kg/L. b) Desenhe um pedaço da estrutura do PVC e explique um fator que justifique a sua densidade maior em relação aos outros plásticos da tabela. Íons bário, Ba2 + , são altamente tóxicos ao organismo humano. Entretanto, uma suspensão aquosa de BaSO4 é utilizada como contraste em exames radiológicos, pois a baixa solubilidade desse sal torna-o inócuo. Em um episódio recente, várias pessoas faleceram devido à ingestão de BaSO4 contaminado com BaCO 3 . Apesar do BaCO 3 ser também pouco solúvel em água, ele é tóxico, pois reage com o ácido clorídrico do estômago, liberando Ba2 + . química 2 Suponha que BaSO4 tenha sido preparado a partir de BaCO 3 , fazendo-se a sua reação com solução aquosa de H2 SO4 , em duas combinações diferentes: I. 2,0 mol de BaCO 3 e 500 mL de solução aquosa de H2 SO4 de densidade 1,30 g/mL e com porcentagem em massa de 40%. II. 2,0 mol de BaCO 3 e 500 mL de solução 3,0 mol/L de H2 SO4 . a) Explique, utilizando cálculos estequiométricos, se alguma das combinações produzirá BaSO4 contaminado com BaCO 3 . b) Calcule a massa máxima de BaSO4 que pode se formar na combinação II. gráfico mostra os dados obtidos para duas concentrações diferentes de ácido: curva A para HCl, 2 mol/L, e B para HCl, 1 mol/L. Em ambos os casos, foi usada a mesma massa de magnésio. Resposta A equação que representa o preparo de BaSO4 : BaCO3(s) + H 2 SO4(aq) → → BaSO4(s) + H 2O( l) + CO2(g) Análise das combinações: ~ ~ ⋅ 1,3 g soluçao ⋅ nI = 500 mL soluçao ~ 1 mL soluçao 1442443 densidade 40 g H 2 SO4 1 mol H 2 SO4 ⋅ ~ ⋅ 98 g H SO ≅ 2,65 mol H 2 SO4 100 g soluçao 4 1442443 14422443 % em massa m. molar ~ ⋅ 3 mol H 2 SO4 = nII = 0,5 L soluçao ~ 1 L soluçao 1442443 ~ concentraçao = 1,5 mol H 2 SO4 a) Analisando a proporção estequiométrica dada pela equação (1 : 1), na combinação I sobrará aproximadamente 0,65 mol de H 2 SO4 , logo o BaSO4 produzido não estará contaminado com BaCO3 . Entretanto, na combinação II, sobrará 0,5 mol de BaCO3 contaminando o BaSO4 produzido. b) Cálculo da massa de BaSO4 formada na combinação II: 1 mol BaSO4 233 g BaSO4 ⋅ = 1,5 mol H 2 SO4 ⋅ 1 H SO4 1 mol BaSO4 144 42444 3 1mol 4422443 1442443 nII m. molar eq. química = 349,5 g BaSO4 Questão 10 Foi feito um estudo cinético da reação Mg + 2H + → Mg2 + + H2 , medindo-se o volume de H2 desprendido em função do tempo. O a) Usando o gráfico, explique como varia a velocidade da reação com o tempo. Por que as duas curvas tendem a um mesmo valor? b) Deduza a ordem da reação com relação à concentração do ácido, usando os dados de velocidade média no primeiro minuto da reação. Resposta a) O gráfico mostra o volume produzido de gás hidrogênio em função do tempo de reação transcorrido. As inclinações das curvas (∆VH 2 /∆t) fornecem as velocidades das reações que são proporcionais às [H + ] nas soluções. Ambas as inclinações decrescem no decorrer do tempo indicando, assim, que as velocidades diminuem à medida que as reações se processam. O volume de gás hidrogênio tende a um mesmo valor, pois ambas as experiências partem da mesma massa inicial de magnésio que pode constituir o reagente limitante. b) Cálculo das velocidades médias no primeiro minuto: ∆VH 2 Curva A: v = = 30 cm 3 /min ∆t ∆VH 2 Curva B: v = = 15 cm 3 /min ∆t Considerando uma lei de velocidade genérica como v = k [H + ] x , podemos comparar as curvas A e B da seguinte forma: v A k[H + ] Ax = v B k[H + ]Bx Sabendo que [H + ] = [HCl], 30 k(2) x = ⇒ 2 =2x ⇒ x = 1 15 k(1) x Logo, a reação é de primeira ordem com relação a [H + ]. química 3 Questão 11 As vitaminas C e E, cujas formas estruturais são apresentadas a seguir, são consideradas antioxidantes, pois impedem que outras substâncias sofram destruição oxidativa, oxidando-se em seu lugar. Por isso, são muito utilizadas na preservação de alimentos. na-se pouco solúvel. Desse modo, a sua ação antioxidante perde eficiência. b) No processo de regeneração da vitamina E ocorrem as seguintes semi-reações: Vit. E (oxidada) + n e − red . Vit. E (regenerada) Vit. C Vit. C (oxidada) + n e − Assim sendo, o melhor antioxidante (redutor) é a vitamina C, pois é aquela que sofre oxidação no processo de regeneração. Numa reação de oxidorredução espontânea, como a de regeneração da vitamina E, a espécie que sofre redução terá maior potencial de redução. Neste caso, a semi-reação II terá o maior E redução. oxi . Questão 12 A vitamina E impede que as moléculas de lipídios sofram oxidação dentro das membranas da célula, oxidando-se em seu lugar. A sua forma oxidada, por sua vez, é reduzida na superfície da membrana por outros agentes redutores, como a vitamina C, a qual apresenta, portanto, a capacidade de regenerar a vitamina E. a) Explique, considerando as fórmulas estruturais, por que a vitamina E é um antioxidante adequado na preservação de óleos e gorduras (por exemplo, a margarina), mas não o é para sucos concentrados de frutas. b) Com base no texto, responda e justifique: – qual das duas semi-reações seguintes, I ou II, deve apresentar maior potencial de redução? I. Vit. C (oxidada) + ne − Vit. C II. Vit. E (oxidada) + ne − Vit. E – qual vitamina, C ou E, é melhor antioxidante (redutor)? Resposta a) A vitamina E é um antioxidante adequado na preservação de óleos e gorduras devido à sua solubilidade nestes lipídeos. Essa característica da vitamina E decorre da existência de longas cadeias apolares constituídas somente de átomos de C e H, de modo que entre as moléculas de vitamina E e as moléculas dos óleos e gorduras estabelecem-se as forças de Van der Waals. Essas interações intermoleculares tornam a vitamina E solúvel em um meio como a margarina e assim permitem a sua ação antioxidante adequada. No caso dos sucos concentrados de frutas, como o solvente (água) é muito polar, a vitamina E tor- Ácido maléico e ácido fumárico são, respectivamente, os isômeros geométricos cis e trans, de fórmula molecular C4 H4O4. Ambos apresentam dois grupos carboxila e seus pontos de fusão são, respectivamente, 130o C e 287o C . a) Sabendo que C, H e O apresentam as suas valências mais comuns, deduza as fórmulas estruturais dos isômeros cis e trans, identificando-os e explicando o raciocínio utilizado. b) Com relação aos pontos de fusão dos isômeros, responda qual tipo de interação é rompida na mudança de estado, explicitando se é do tipo inter ou intramolecular. Por que o ponto de fusão do isômero cis é bem mais baixo do que o do isômero trans? Resposta a) Levando-se em conta: • as valências dos átomos presentes; • • a fórmula molecular C4 H4O4 ; a existência de isomeria espacial geométrica. Temos: química 4 b) Durante a fusão somente ocorrem rupturas das interações intermoleculares, que no caso em questão são denominadas ligações (pontes) de hidrogênio. A explicação para a diferença de PF entre os isômeros é: • No isômero cis do ácido butenodióico (maléico) a proximidade das hidroxilas (— OH) das carboxilas permite também a ocorrência de ligações (pontes de hidrogênio) intramoleculares. Assim, o número de interações intermoleculares é menor. Como somente as intermoleculares são rompidas durante a fusão, a energia necessária é menor e, em conseqüência, temos um menor PF. • No outro isômero as posições das ligações muito polares (— OH) levam à ocorrência de ligações de hidrogênio exclusivamente intermoleculares. Na fusão, essas interações devem ser rompidas levando a uma maior necessidade de energia, isto é, maior PF. Questão 13 Ácido acético e etanol reagem reversivelmente, dando acetato de etila e água. Ácido acético (l) + etanol (l) acetato de etila (l) + água (l) A 100o C, a constante de equilíbrio vale 4. a) Calcule a quantidade, em mol, de ácido acético que deve existir no equilíbrio, a 100o C, para uma mistura inicial contendo 2 mol de acetato de etila e 2 mol de água. b) Partindo-se de 1,0 mol de etanol, para que 90% dele se transformem em acetato de etila, a 100o C, calcule a quantidade de ácido acético, em mol, que deve existir no equilíbrio. Justifique sua resposta com cálculos. Resposta a) Com os dados do problema, podemos construir uma tabela: CH 3 COOH ( l) + CH 3 CH 2 OH (l) CH 3 COOCH 2 CH 3( l) + H 2 O ( l) i: − − 2 mols r: + x mol + x mol −x mol −x mol e: x mol x mol (2 − x) mol (2 − x) mol 2 mols Podemos calcular o valor de x pela equação da constante de equilíbrio, lembrando que neste caso o K c independe do volume: Kc = 4 = [CH 3COOCH 2CH 3 ] ⋅ [H 2O] [CH 3COOH] ⋅ [CH 3CH 2OH] (2 − x) 2 ⇒ x2 ⇒ 3x 2 + 4x − 4 = 0 de onde vem x = −2 (não convém) ou x ≅ 0,67 . Portanto, temos, aproximadamente, 0,67 mol de ácido acético no equilíbrio. b) Novamente, podemos construir uma tabela: CH 3 COOH ( l) + CH 3 CH 2 OH (l) CH 3 COOCH 2 CH 3( l) + H 2 O ( l) i: y mol 1 mol − − r: 0,9 mol 0,9 mol 0,9 mol 0,9 mol e: (y − 0,9) mol 0,1 mol 0,9 mol 0,9 mol Podemos calcular o valor de y pela equação da constante de equilíbrio (neste caso, K c independe do volume): [CH 3COOCH 2CH 3 ] ⋅ [H 2O] Kc = [CH 3COOH] ⋅ [CH 3CH 2OH] 4 = 0,9 2 ⇒ (y − 0,9) ⋅ 0,1 ⇒ 0,81 = 0,4y − 0,36 ⇒ ⇒ y = 2,925 Portanto, há 2,925 − 0,9 = 2,025 mol de ácido acético no equilíbrio.