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ESTADO ATUAL DA QUALIDADE DO LEITE NO RIO GRANDE DO SUL
João Walter Dürr1, Darlene Veturini Moro2, Vilson Rheinheimer3, Tiago Tomazi4
Serviço de Análise de Rebanhos Leiteiros/UPF - Passo Fundo, RS
RESUMO
O monitoramento da qualidade do leite cru previsto na Instrução Normativa no 51, de 2002,
do MAPA, é realizado no Rio Grande do Sul pelo Serviço de Análise de Rebanhos Leiteiros,
da UPF, laboratório que presta serviços de análise à cadeia produtiva desde 1997. Com o
intuito de se avaliar a qualidade do leite produzido no Rio Grande do Sul no primeiro ano de
vigência dos novos regulamentos (julho de 2005 a junho de 2006), os resultados analíticos de
488.359 amostras de tanque refrigerador foram reunidos no presente estudo, onde se apresenta
as médias aritméticas e desvios padrão para os principais componentes do leite, as médias
geométricas para contagem bacteriana total e para contagem de células somáticas, além da
proporção de amostras fora dos limites estabelecidos como mínimos ou máximos pela
legislação. Os principais problemas observados foram os baixos teores de sólidos não
gordurosos e as altas contagens bacterianas, indicando a necessidade de se investir em
alimentação animal, higiene, refrigeração e nas estratégias de coleta do leite cru.
PALAVRAS-CHAVE
Gordura, proteína, sólidos não gordurosos, contagem de células somáticas, contagem
bacteriana total
INTRODUÇÃO
O Serviço de Análise de Rebanhos Leiteiros (SARLE) foi criado pela UPF em 1995,
quando a entidade logrou êxito em captar recursos da Fundação Banco do Brasil, a fundo
perdido, para a aquisição da primeira linha de equipamentos de análise para composição
centesimal e para contagem de células somáticas (CCS). A iniciativa pioneira da APCBRH
serviu de referência para a UPF, sendo o SARLE o segundo laboratório do gênero implantado
no Brasil. O foco principal do projeto que fundamentou a busca de recursos financeiros foi a
implantação de um programa abrangente de controle leiteiro nos rebanhos gaúchos. Em
outubro de 1997, contudo, os serviços do SARLE passaram a ser prioritariamente utilizados
pelas indústrias e cooperativas do estado para fins de controle de qualidade da matéria-prima
adquirida por estas empresas. Já em 1998, a UPF adquiriu, com recursos próprios, a segunda
linha de equipamentos de análise para composição e CCS, visto que o número de amostras
recebido pelo SARLE já havia ultrapassado a casa das 40 mil unidades mensais, demanda que
não podia ser atendida com apenas uma linha de equipamentos. Desde 1998 também, o
1
Eng.-Agr., Ph.D., Professor da UPF, [email protected]
Quim., Gerente Técnica do SARLE/UPF, [email protected]
3
Acadêmico de Medicina Veterinária na UPF, [email protected]
4
Acadêmico de Medicina Veterinária na UPF, [email protected]
2
Como citar este capítulo:
DURR, J.W., MORO, D.V., RHEINHEIMER, V., TOMAZI, T. Estado atual da qualidade do leite no Rio Grande do Sul. In:
MESQUITA, A.J., DURR, J.W., COELHO, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia:
Talento, 2006, v.1, p. 83-94.
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SARLE vem participando do grupo de trabalho que assessorou o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA) na criação e estruturação da Rede Brasileira de
Laboratórios de Controle de Qualidade do Leite (RBQL), responsável pelos serviços de
monitoramento da qualidade do leite conforme previsto na Instrução Normativa no 51, de
2002. Devido à necessidade de se realizar também o controle da qualidade microbiológica do
leite cru recebido pelas indústrias, o MAPA realizou um investimento nos laboratórios
credenciados à RBQL, cabendo ao SARLE uma contadora eletrônica de bactérias que entrou
em operação efetiva a partir de 2004. Após o início da vigência da IN51/2002, em julho de
2005, o SARLE não tem sido capaz de atender a demanda regional para contagem bacteriana
total (CBT), levando a UPF a novamente investir recursos próprios na aquisição de mais um
equipamento para tal finalidade, o qual deverá entrar em operação já em novembro de 2006.
O mês de setembro de 2006 representou um recorde no número de amostras processadas do
SARLE, ultrapassando as 100 mil unidades somando-se amostras de controle leiteiro e
amostras para controle de qualidade (composição e CCS + CBT). No que se refere ao volume
de amostras, o SARLE é o maior laboratório do gênero no país desde 1998.
O Programa de Gerenciamento de Rebanhos é um programa não oficial de controle
leiteiro, o qual depende fundamentalmente da existência de parcerias que o incorporem como
parte de sua estratégia de assistência técnica aos produtores rurais. Neste sentido, o momento
mais próspero vivido pelo programa ocorreu entre 1998 e 2002, quando um grupo
significativo de cooperativas criaram grupos de assistência, no qual cada técnico extensionista
ficava ligado a um grupo de aproximadamente 25 produtores, e adotava o controle leiteiro do
SARLE como seu principal instrumento de diagnóstico e acompanhamento do gerenciamento
dos rebanhos assistidos. Após algumas mudanças conjunturais que levaram ao afastamento
das cooperativas da captação direta do leite de seus associados, as parcerias perderam força e
muitos rebanhos deixaram de realizar o controle. Persistem ainda em torno de 450 rebanhos
ativos, e tem-se convicção de que este número somente será mais representativo se novas
parcerias forem estabelecidas, pois a universidade deve limitar-se à prestação de serviços
laboratoriais e ao fornecimento de relatórios de manejo, enquanto a assistência técnica deve
ficar a cargo de outros atores da cadeia.
O Programa de Controle de Qualidade do Leite do SARLE, hoje a serviço do MAPA
para o cumprimento da IN51/2002, possui características próprias em relação aos demais
estados da federação. Ao passo que no resto do país a adesão ao controle de qualidade por
parte das empresas somente ocorreu de forma significativa após a entrada em vigor da
IN51/2002, no Rio Grande do Sul esse tipo de monitoramento vem sendo realizado em grande
escala desde 1997. Com isso, a amostragem mensal dos tanques refrigeradores já foi
incorporada na cultura do setor leiteiro gaúcho, tendo havido apenas uma adesão de novas
empresas ao sistema com a vigência dos novos regulamentos. Tal hábito não significa que os
programas de melhoria da qualidade do leite de todas as empresas tenham avançado conforme
a expectativa neste período. Ainda há muito o que fazer para que a cultura da qualidade do
leite seja incorporada tanto por indústrias quanto por produtores rurais. O Rio Grande do Sul é
um estado onde a produção leiteira é realizada tipicamente por micro-produtores, com escala
diária média em torno de 60 L. Sendo o terceiro maior produtor de leite da federação, estima-
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se a existência de 70 mil produtores de leite formais no estado, o que dificulta sobremaneira a
implantação de programas de melhoria da qualidade do leite. O anúncio recente de que três
novos e grandes investimentos em plantas processadoras serão realizados no estado até 2008,
indica que a tendência de redução no número de produtores verificada na maior parte dos
estados grandes produtores não ocorrerá no Rio Grande do Sul no curto prazo. Dentre as
dificuldades hoje enfrentadas para a melhoria da qualidade do leite no estado, destaca-se a
falta de profissionalismo do serviço de transporte do leite das propriedades para a indústria.
Enquanto as indústrias não quebrarem os laços diretos entre os transportadores e os
produtores de leite através de uma logística de coleta que sirva aos interesses da indústria
(roteirização), dificilmente as políticas de melhoria da qualidade do leite prosperarão de fato.
Cabe ainda observar que o SARLE tem atendido uma demanda crescente de laticínios
catarinenses, além de empresas de inspeção estadual e municipal, o que explica a diferença
entre o número de amostras incluídas no presente estudo e o volume total de amostras
processadas pelo laboratório.
Este trabalho se propõe a apresentar os indicadores de qualidade da matéria prima
recebida pela indústria de laticínios gaúcha no primeiro ano de vigência da IN51/2002, ou
seja, de julho de 2005 a junho de 2006, servindo de subsídio para que se discuta as ações
futuras a serem adotadas no Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNQL).
MATERIAL E MÉTODOS
A Tabela 1 mostra que, a partir do investimento recente realizado pela UPF em um
contador eletrônico de bactérias, a capacidade instalada do SARLE passou a ser compatível
com a demanda estimada para atender o previsto na IN51/2002 em número de amostras
mensais, desde que sejam implementados três turnos diários de operação para CBT. Os dados
de CBT apresentados no presente estudo são ainda oriundos de apenas um equipamento de
análise.
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Tabela 1 – Capacidade instalada no SARLE e demanda gerada no Rio Grande do Sul pela
IN51/2002 em outubro de 2006.
REFERÊNCIA
COMPOSIÇÃO
CCS
CBT
Equipamentos
2
2
2
Marca/Modelo
Bentley
Bentley
Bentley
Bactocount IBC
Modelo
Bentley 2000
Somacount 300
150
Espectroscopia no Citometria de
Citometria de
Tecnologia
infravermelho
fluxo
fluxo
Amostras/hora/equipamento
300
300
150
Capacidade (amostras/hora)
600
600
300
Horas efetivas/dia
8
8
10
Dias efetivos/mês
22
22
22
Capacidade Mensal
(amostras/mês)
105.600
105.600
66.000
Demanda Mensal Estimada para
atender a IN51/2002
(amostra/mês)1
70.000
70.000
70.000
a
Cabe ressaltar que o SARLE ainda atende alguns laticínios catarinenses e rebanhos em
controle leiteiro.
A equipe de funcionários do SARLE é constituída de um professor coordenador, uma
química que acumula a responsabilidade técnica e a gerência da qualidade, uma química
recém-contratada para dividir a responsabilidade técnica, oito auxiliares de laboratório (três
recém-contratados), um auxiliar administrativo para operações de campo, dois auxiliares
administrativos para digitação e confecção de laudos e dois estagiários (um no laboratório e
outro na secretaria). Com exceção do professor, todos as despesas com recursos humanos
devem ser necessariamente viabilizadas pelos serviços de análise, não havendo aporte de
recursos do caixa da UPF para tal fim.
A Figura 1 apresenta o número de amostras cujos resultados de ensaio analítico foram
incluídos no presente estudo. Os dados incluídos foram aqueles relativos a tanques
refrigeradores de propriedades leiteiras situadas no estado do Rio Grande do Sul, processadas
no SARLE entre 1º de julho de 2005 e 30 de junho de 2006. Pelos critérios de edição
adotados, manteve-se apenas os resultados analíticos de amostras com teor de gordura entre 2
e 5,5%, teor de proteína entre 2 e 5%, teor de lactose entre 3 e 6,5% e teor de sólidos não
gordurosos acima de 6,5%. Amostras destinadas a análise microbiológica que chegaram ao
laboratório a temperaturas acima de 10º C não foram analisadas.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Composição centesimal
A Figura 2 mostra as médias aritméticas mensais para os teores de gordura, proteína,
lactose e SNG. Apesar de tratar-se de apenas um ano completo de análises, os resultados
indicam uma variação sazonal dos resultados que é coerente com observações de anos
passados no Rio Grande do Sul (Dürr, 2003; NORO et al., 2006). Dentre os componentes, a
gordura é a que apresenta a maior variabilidade sazonal, o que é atestado pela Tabela 2. Em
linhas gerais, observou-se uma depressão dos teores de gordura e proteína nos meses de
primavera e verão e um aumento destes componentes no outono (abril e maio). As principais
causas para essa variabilidade parecem estar nas condições ambientais a que estão submetidos
os rebanhos, principalmente ao que se refere a temperatura, umidade e tipo de forrageiras
disponíveis. Outro fator que está relacionado com o aumento dos percentuais de gordura e
proteína no outono é a queda na produção de leite normalmente verificada nesta época devido
ao chamado “vazio outonal” do Rio Grande do Sul (época do ano em que as pastagens de
verão já encerraram seu ciclo e as pastagens de inverno ainda não apresentam condições
adequadas de pastoreio). A queda na produção provoca um efeito de “concentração” do leite,
oposto ao que ocorre em épocas de alta produção, onde os componentes do leite reduzem seus
teores por “diluição” do leite. A lactose apresentou a menor variabilidade entre os
componentes principais do leite e uma tendência oposta à da gordura e proteína, sendo
reduzida nos meses de outono. Já os sólidos não gordurosos apresentaram uma forte queda no
verão (janeiro), o que provavelmente está relacionado à qualidade da dieta disponível aos
animais nessa época do ano.
Tabela 2 – Desvios padrão observados para os componentes do leite nos meses analisados.
Mês/Ano
Gordura (%)
Proteína (%)
Lactose (%)
SNG (%)
julho/2005
0,5690
0,2577
0,2085
0,4029
agosto/2005
0,5627
0,2501
0,1991
0,3957
setembro/2005
0,5815
0,2695
0,2110
0,4034
outubro/2005
0,5617
0,2578
0,2087
0,3965
novembro/2005
0,5724
0,2540
0,2049
0,3949
dezembro/2005
0,5694
0,2426
0,2089
0,3922
janeiro/2006
0,5577
0,2145
0,2023
0,3652
fevereiro/2006
0,5783
0,2238
0,2090
0,3840
março/2006
0,5848
0,2428
0,2165
0,3973
abril/2006
0,5846
0,2489
0,2216
0,4144
maio/2006
0,5971
0,2557
0,2374
0,4236
junho/2006
0,5943
0,2426
0,2180
0,4109
Em termos absolutos, as médias dos componentes do leite revelaram que há muito a
ser feito nos rebanhos gaúchos, principalmente no que concerne à lactose e aos sólidos não
gordurosos (SNG). Os teores médios de lactose têm se apresentado extremamente reduzidos
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(entre 4,28 e 4,43%) em relação às médias observadas em outros países que giram em torno
de 4,7%. As razões para tal discrepância ainda são desconhecidas, mas a conseqüência
imediata é a redução proporcional dos SNG, cujo teor médio chegou a 8,22% no mês de
janeiro. Considerando que a exigência mínima na IN51/2002 é de 8,4%, os produtores
gaúchos estão tendo grandes dificuldades para se adequarem a este item da legislação. A
Figura 3 dá uma idéia do tamanho do problema através da proporção de amostras em não
conformidade com a IN51/2002 para gordura, proteína e SNG. O problema foi mais grave no
verão, quando o percentual de amostras não conformes chegou a 71,23% (janeiro) somente no
item SNG. Mais do que a preocupação com a adequação aos padrões exigidos pela
IN51/2002, o setor leiteiro gaúcho deve preocupar-se com as perdas econômicas que esses
baixos teores de sólidos no leite representam em termos de rendimento industrial para
produtos como leite em pó, leite condensado e queijos.
Tal diagnóstico requer ações urgentes da extensão rural e das empresas captadoras
para que seja revertido. As entidades que realizam assistência técnica e promovem formação
de recursos humanos no meio rural devem estabelecer o aumento no teor de sólidos como
prioridade em seus programas, e as empresas compradoras de leite devem estabelecer
políticas de valorização dos sólidos no leite que realmente estimulem os produtores rurais a
investirem nisso. Qualquer simulação sobre o impacto econômico do aumento nos teores de
sólidos no leite a ser processado mostrará o quanto essas medidas valem a pena.
Qualidade microbiológica e contagem de células somáticas
A Figura 4 mostra as médias geométricas mensais de CCS e CBT nos rebanhos
gaúchos. Considerando-se os limites máximos vigentes na IN51/2002 para esses dois critérios
analíticos - 1 milhão de células/mL e 1 milhão de UFC/mL - logo salta aos olhos que a CCS
não se constitui um entrave imediato, e que o maior problema na qualidade do leite produzido
no Rio Grande do Sul hoje é a sua alta carga microbiana. Uma vez que a média geométrica da
CBT no estado ficou acima do máximo estabelecido em sete dos doze meses analisados,
torna-se urgente um trabalho de conscientização dos produtores rurais gaúchos de que o
problema existe e deve ser resolvido.
A Figura 5 mostra detalhadamente a proporção de amostras em não conformidade com
a IN51/2002, discriminando-se não apenas o critério atual, mas os já previstos até a fase final
de implantação dos novos regulamentos técnicos na Região Sul, em 2011. Variando entre
31,9% (junho) e 64,4% (janeiro), o total de amostras acima de 1 milhão de UFC/mL mostra
que o desafio posto é a promoção de uma profunda mudança cultural na cadeia produtiva do
leite. Sabe-se que altas CBT no leite cru são frutos da falta de higiene na ordenha, de
deficiências no sistema de refrigeração do leite e da permanência do leite na propriedade por
períodos demasiadamente longos. Ou seja, para resolver o problema da baixa qualidade
microbiológica do leite, precisa-se mudar a maneira de se produzir o leite, revisar as
tecnologias de refrigeração utilizadas e aumentar a freqüência de recolhimento do leite. Todas
estas mudanças requerem decisões estratégicas não apenas dos proutores rurais, mas também
das indústrias de laticínios. Novamente cabe o comentário de que o cumprimento dos critérios
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legais estabelecidos na IN51/2002 não é o principal motivo de preocupação para a cadeia, mas
sim os prejuízos associados à baixa qualidade microbiológica do leite, a qual aumenta os
riscos para a saúde dos consumidores de produtos lácteos, além comprometer a vida de
prateleira e as características organolépticas do leite pasteurizado e de outros produtos frescos.
Investimentos na melhoria da qualidade do leite certamente geram retornos financeiros à
cadeia produtiva.
A Figura 6 apresenta a proporção de amostras não conformes aos valores máximos de
referência estabelecidos para cada etapa da implantação da IN51/2002. Enquanto entre 10,6 e
18,0% das amostras apresentaram-se acima de 1 milhão de células/mL (limite atualmente
vigente), apenas entre 38,9 e 52,3% das amostras estariam de acordo com o padrão a ser
exigido a partir de 2011 (400.000 células/mL). Como CCS reflete a saúde das glândulas
mamárias nos rebanhos amostrados, qualquer esforço para sua redução envolve o controle e a
prevenção da mastite, doença presente em todos os rebanhos e de difícil manejo. O grande
prejuízo causado pela mastite aos produtores é a redução significativa na produção de leite,
enquanto para a indústria a doença significa alteração na composição do leite, perdas em
rendimento industrial e comprometimento da qualidade dos produtos derivados. Prevê-se,
portanto, que apesar da prioridade do momento ser a redução da CBT, produtores já devem
iniciar o esforço na prevenção da mastite para não se colocarem fora dos limites legais nas
próximas fases da IN51/2002.
CONCLUSÕES
Os dois maiores problemas na qualidade do leite cru dos rebanhos gaúchos são os
baixos teores de SNG e as altas CBT. Os esforços da cadeia produtiva devem se concentrar
em estratégias de alimentação das vacas leiteiras, na adoção de práticas de ordenha mais
higiênicas, no estabelecimento adequado da cadeia do frio e na revisão das estratégias de
coleta do leite nas propriedades. O primeiro ano de monitoramento oficial da qualidade do
leite mostra as deficiências claramente, o que serve de subsídio para o estabelecimento de
políticas públicas e de estratégias empresariais que garantam alimentos mais seguros e
saborosos aos consumidores brasileiros, bem como viabilizem a conquista de novos
mercados.
REFERÊNCIAS
DÜRR, J. W. Panorama da qualidade do leite na Região Sul (RS) In: Diagnóstico da
qualidade do leite, impacto para a indústria e a questão dos resíduos de antibióticos..1
ed.Juiz de Fora : Embrapa Gado de Leite; Epamig/CT/ILCT, 2003, p. 9-17.
NORO, Giovani, GONZÁLEZ, Félix H D, CAMPOS, Romulo, DÜRR, J. W. Fatores
ambientais que afetam a produção e a composição do leite em rebanhos assistidos por
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cooperativas no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Zootecnia-Brazilian Journal of
Animal Science. , v.35, p.1129 - 1135, 2006.
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9
35000
30324
29302
30000
28837
27248
26763
25470
25181
Amostras
25000
24103
23777
20000
23775
23136
23358
18364
16895
17166
16731
15213
14974
13512
15000
12206
11339
14324
14324
abr/06
mai/06
12037
10000
5000
0
jul/05
ago/05
set/05
out/05
nov/05
dez/05
jan/06
fev/06
Composição e CCS
CBT
mar/06
jun/06
5,0
8,6
4,8
8,4
4,6
8,2
4,4
8,0
4,2
7,8
4,0
7,6
3,8
7,4
3,6
7,2
3,4
7,0
3,2
6,8
3,0
6,6
%
%
Figura 1 – Número de amostras cujos resultados analíticos foram incluídos no estudo,
discriminadas por mês e por tipo de amostra.
jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06
Gordura 3,7554 3,6707 3,7115 3,5497 3,5322 3,4883 3,4878 3,5928 3,7479 3,8687 3,9267 3,8136
Proteína 3,1847 3,1328 3,1391 3,0628 3,0280 3,0135 3,0235 3,0970 3,1472 3,2008 3,2333 3,1718
Lactose 4,3913 4,4294 4,4242 4,4098 4,3518 4,3592 4,3372 4,3368 4,3008 4,2795 4,2833 4,3336
8,5558 8,5461 8,5589 8,4314 8,3317 8,3134 8,2172 8,3165 8,3564 8,3950 8,4399 8,4210
SNG
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Figura 2 – Médias aritméticas mensais para componentes do leite em amostras de tanque
refrigerador de propriedades leiteiras localizadas no Rio Grande do Sul analisada pelo
SARLE entre julho de 2005 e junho de 2006.
100,0%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0%
10,0%
0,0%
Gordura
jul/05
ago/05
set/05
out/05
nov/05 dez/05
jan/06
fev/06
mar/06 abr/06
7,33%
8,95%
8,63% 12,93% 13,49% 16,03% 16,44% 11,85% 8,06%
5,63%
mai/06
jun/06
5,42%
7,26%
Proteína 10,76% 15,03% 16,38% 24,61% 29,83% 31,29% 28,64% 16,36% 12,91% 8,90% 7,53% 10,88%
31,95% 33,02% 31,42% 44,77% 57,41% 59,28% 71,63% 59,33% 54,05% 49,18% 44,23% 45,42%
SNG
Figura 3 – Proporção de amostras de tanque refrigerador de propriedades leiteiras localizadas
no Rio Grande do Sul analisadas pelo SARLE entre julho de 2005 e junho de 2006, que
apresentaram percentuais de gordura, proteína ou sólidos não gordurosos abaixo dos teores
mínimos estabelecidos pela Instrução Normativa no 51, 2002, do MAPA (3,0% de gordura,
2,9% de proteína e 8,4% de SNG).
Como citar este capítulo:
DURR, J.W., MORO, D.V., RHEINHEIMER, V., TOMAZI, T. Estado atual da qualidade do leite no Rio Grande do Sul. In:
MESQUITA, A.J., DURR, J.W., COELHO, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia:
Talento, 2006, v.1, p. 83-94.
11
900
1600
1433,59
1400
800
1257,94
1214,42
1155,42
1149,47 1157,32
1200
1051,69
987,78
1000
600
800
692,53
577,64 572,55
600
500
454,58 464,75 459,71
394,01
426,04
438,19 436,97
422,67
1000 UFC/mL
1000 células/mL
700
400
397,72
400
367,90
345,36 353,77
200
319,59
0
300
jul/05 ago/05 set/05 out/05 nov/05 dez/05 jan/06 fev/06 mar/06 abr/06 mai/06 jun/06
CCS
CBT
Figura 4 - Médias geométicas mensais para contagem de células somáticas e para contagem
bacteriana total no leite em amostras de tanque refrigerador de propriedades leiteiras
localizadas no Rio Grande do Sul analisadas pelo SARLE entre julho de 2005 e junho de
2006.
Como citar este capítulo:
DURR, J.W., MORO, D.V., RHEINHEIMER, V., TOMAZI, T. Estado atual da qualidade do leite no Rio Grande do Sul. In:
MESQUITA, A.J., DURR, J.W., COELHO, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia:
Talento, 2006, v.1, p. 83-94.
12
60,5%
54,9%
56,6%
59,0%
59,8%
64,4%
58,4%
6,0%
6,0%
6,2%
6,5%
7,6%
7,4%
26,1%
7,2%
4,4%
30,2%
6,7%
6,9%
30,2%
6,9%
27,9%
6,5%
27,8%
6,2%
6,4%
25,0%
6,5%
10,7%
28,3%
13,8%
ago/05
set/05
out/05
nov/05
dez/05
jan/06
fev/06
mar/06
abr/06
mai/06
jun/06
0%
jul/05
6,1%
12,6%
10%
20,5%
20%
26,4%
7,8%
7,6%
35,3%
30%
39,3%
40%
40,4%
50%
36,6%
7,7%
60%
7,2%
70%
61,2%
46,4%
41,8%
80%
40,4%
90%
31,9%
100%
0-100
101-750
751-1000
>1000
Figura 5 – Proporção de amostras de tanque refrigerador de propriedades leiteiras localizadas
no Rio Grande do Sul analisadas pelo SARLE entre julho de 2005 e junho de 2006, que
apresentaram CBT acima das contagens máximas estabelecidas para as diversas fases da
Instrução Normativa no 51, 2002, do MAPA.
Como citar este capítulo:
DURR, J.W., MORO, D.V., RHEINHEIMER, V., TOMAZI, T. Estado atual da qualidade do leite no Rio Grande do Sul. In:
MESQUITA, A.J., DURR, J.W., COELHO, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia:
Talento, 2006, v.1, p. 83-94.
10,2% 14,5%
31,7%
9,7% 13,1%
31,4%
15,1%
10,7%
31,4%
15,3%
10,6%
31,9%
17,2%
11,1%
31,6%
18,0%
11,1%
10,5%
31,3%
50%
32,0%
16,8%
14,7%
9,8%
8,5% 12,2%
8,0% 10,6%
8,1% 11,7%
31,3%
60%
29,2%
70%
28,9%
80%
29,1%
90%
29,3%
100%
8,7% 12,5%
13
42,2%
42,8%
45,8%
43,6%
out/05
40,0%
set/05
38,9%
ago/05
41,0%
51,0%
jul/05
44,2%
50,3%
20%
52,3%
30%
49,5%
40%
nov/05
dez/05
jan/06
fev/06
mar/06
abr/06
mai/06
jun/06
10%
0%
0 a 400
401 a 750
751 a 1000
> 1000
Figura 6 – Proporção de amostras de tanque refrigerador de propriedades leiteiras localizadas
no Rio Grande do Sul analisadas pelo SARLE entre julho de 2005 e junho de 2006, que
apresentaram CCS acima das contagens máximas estabelecidas para as diversas fases da
Instrução Normativa no 51, 2002, do MAPA.
Como citar este capítulo:
DURR, J.W., MORO, D.V., RHEINHEIMER, V., TOMAZI, T. Estado atual da qualidade do leite no Rio Grande do Sul. In:
MESQUITA, A.J., DURR, J.W., COELHO, K.O. Perspectivas e avanços da qualidade do leite no Brasil. Goiânia:
Talento, 2006, v.1, p. 83-94.
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1 ESTADO ATUAL DA QUALIDADE DO LEITE NO RIO