Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste ISSN: 1517-3852 [email protected] Universidade Federal do Ceará Brasil Freitas Silveira, Caroline; Martins de Melo, Mariana; Resende Rodrigues, Leiner; Miranda Parreira, Bibiane Dias Conhecimento de mulheres de 40 a 60 anos sobre o Papillomavirus Humano Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, vol. 12, núm. 2, abril-junio, 2011, pp. 309-315 Universidade Federal do Ceará Fortaleza, Brasil Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=324027975015 Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto Artigo Original CONHECIMENTO DE MULHERES DE 40 A 60 ANOS SOBRE O PAPILLOMAVIRUS HUMANO THE KNOWLEDGE OF 40-60 YEAR OLD WOMEN ABOUT HUMAN PAPILLOMAVIRUS CONOCIMIENTO SOBRE EL VIRUS DEL PAPILOMA HUMANO EN MUJERES DE 40 A 60 AÑOS DE EDAD Carolíne Freítas Srlvetra", Mariana Martíns de Mel0 2, Leíner Resende Rodrtgues-'. Bibiane Dtas Miranda Parreíra" Este trabalho teve como objetivo identificar o conhecímentc de mulheres, na faixa etárta de 40 a 60 anos, sobre o Papillomavírus Humano (HPV). Trata-se de estudo descrttívo, transversal e quantitatívc, realizado no Centro de Atencáo Integral a Saúde da Mulher; em Uberaba - MG, de outubro de 2009 a janeiro de 2010, com 30 mulheres que aguardavam a realízacác do exame de Papanícclacu. A média de ídade fo¡ de 48,7 anos. Quantc ao exame de Papanícclacu, 96,7% relataram ter realizado o procedímento alguma vez e 40% cttaram que o exame previne o cáncer do colo uterino. Sobre o HPY, 86,71}b das mulheres ccnhecíam a sigla, mas 53,3 110 nao sahiam o que era HPV. Concluíu-se urna defíciéncia do conhecimento dessas mulheres sobre o exame de Papanicolacu e o HPV. Desta forma, é necessárío o desenvclvímentc de estrategias educativas para essa faixa etária específica. Descrltores. Infeccóes por Papillomavírus: Saúde da Mulher: Enfermagem; Mela-ídade: Adulto. Thls study aímed at ídentifyíng the knowledge ofwomen between 40 to 60 years of age, about Human Papillomavtrus (HPV). It ls a descríptive, transversal and quantítatíve study done at the Center of Integral Attention to wcman's Health in the cíty of Uberaba - MG, from October 2009 to [anuary 2010, wíth 30 women waitíng to take the Papanicolau test. The average age "vas of 48.7 years old. Regarding the Papanícclau test, 96.7% reported that they had already taken the test some time and 40Ql¡-, satd that the exam avcíds uteríne cancer; Concemíng HPV, 86.7% ofthe women knew the ínitials. but 53.3% díd not know what HPV stands foro It was so concluded that these women had defícíency cfknowledge abcut Papanicolau test ami HPV. Thus. It is necessary the development of educatíonal strategies for th¡s specífíc range of age. Descrlptors: Papillomavírus Infectíons: Women's Health: Nursing; Míddle Aged; Adult. El estudio planteó determinar el conocimiento de mujeres, de 40 - 60 años, sobre el Virus Papiloma Humano (VPH). Se trata de una investigación descriptiva, transversal y cuantitativa efectuada con 30 mujeres que esperaban la realización de la prueba de Papanícclacu, en el Centro de Atención Integral a la Salud de la Mujer, en Uberaba - MG, entre octubre de 2009 a enero de 2010. La edad promedio fue de 48,7 años. Sobre la prueba de Papanicolacu, un 96,7% informó que realizó el procedimiento alguna vez y 40% mencionó que la prueba previene el cáncer de cuello uterino. Sobre el VPH,86,7% de las mujeres conocía la sigla, pero 53,3% no sabía lo qué era VPH. Se concluyó que el conocimiento que estas mujeres tenían sobre la prueba Papanícclacu y la sigla VPH era insuficiente. Por lo tanto, se recomienda reforzar las campañas de información para ese rango de edad específico. Descriptores: Infecciones por Papillomavírus: Salud de la Mujer; Enfermería; Mediana Edad; Adulto. 1 Enfermeíra graduada pela Uníverstdade Federal do Triángulo Mineiro- UFTM. Brasil. E-mail: carolíne.frettasrahctmaít.com 2 Enferrneíra. Mestranda pela Universidad e Federal do Triángulo Míneíro UFTM. Brasil. Email: marí.rn.melocahctmatl.com 3 Enferrneíra. Dcutcra. Professora adjunta do Curso de Graduacác em Enfermagem da Uníverstdade Federal do Triángulo Minei ro E-mail: leínerrresbol.com.br. 4 Enferrneíra. Mestre. Prcfessora asslstente do curso de graduacño em Enferrnagern da Uníversídade Federal do Triángulo Míneírc E-mail: bíbíanedíasesyahcc.com.br UFTM. Brasil. UFTM. Brasil. Autor correspcndente: Leíner Resende Rodrigues Praca Mancel Terra, 330. Centro. Uberaba-Mü. CEP: 38015-050. Brasil. Ii-mail: leínerrrssbol.com.br: Rev Rene, Fortaleza, 2011 abrjjun; 12(2):309-15. 309 Stlveíra eF, Melo MM, Rodrigues LR, Parreíra BDM INTRODU<:ÁO causadas pelo HPV sao consideradas como as verdadeíras precursoras do o Papillomavírus Humano (HPV) é um DNAvirus, cáncer e, se nao tratadas, em boa proporcáo dos Papovavíridael ll. casos, evoluiráo para o carcinoma invasor do colo do úte- Atualmente, sao conhecidos mais de 100 tipos diferen- ro(2J, Desde 'J 992 a Organizacáo Mundial de Saúde (OMS) tes de HPV e cerca de 20 destes possuem tropismo pelo considera o HPV como o principal fator de risco para o epitelio escamoso do trato genital inferior (colo, vulva, corpo da perineo, regíáo perianal e anal)(2J, desenvolvirnento dessa doen¡;:a(6:J. nao cultivável, pertenceute a família O cáncer de calo uterino (CCU) é urna das neopla- Sao considerados HPV de baixo risco os de núme- sias mais cornuns em mulheres em todo o mundo. No ros 6, 11, 26, 40, 42, 53-SS, 57, 59, 66 e 68 (relacionados Brasil, é a quarta causa de morte por cáncer ern mulhe- principalmente a lesoes benignas, taís corno condilorna, e também a Neoplasia Intra-Epitelial Cervical - res, sendo o tipo mais cornum em algumas áreas menos NIC 1), desenvolvidas do país. Sua ocorréncia se concentra prin- Esses tipos de IIPV sao encontrados na maíoría das ver- cipalmente em mulheres acírna dos 3S anos de ídadcl/I. rugas genitais e parecern nao oferecer nenhum risco de progressao para malígnídade, [á as tipos de HPV de mé- tremamente lenta, o diagnóstico das fases pré-invasrvas Ern que pese o fato da neoplasia mostrar evolucáo ex- dio/ alto risco sao os de números 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45,51, 52, 56 e 59 (relacionados a lesóes de alto grauNIC 11, 111 e cilncer)(2J, acontece em pouco mais de 50% dos casos, com diferen- A maíoría das ínfcccócs causadas pelo HPV re- passívcl de prevencáo. seudo a colpocitologia oncológica, gride de maneira espontánea, passando pela mulher de ou teste Papanícolaou, o método convencional para seu cas significativas quando se cornparam as diferentes regíóes geográficas do Brasi1C7J. Entretanto, urna doenca é maneíra despercebida, As formas de ínteracao com o rastreamento, considerado um método de baixo custo, organismo humano sao: forma latente - simples e de fácil execu¡;:ao(5J. a mulher nao apresenta lesóes clínícas, e a única forma de diagnóstico a molecular; ínfcccáo subclínica - a mulher nao apre- Ainda nao está elucidado como o avancar da idade é influencia na prevalencia do HPV nas distintas po pula- senta lesóes diagnósticáveis a olho nu, e o diagnóstico coes do mundol'il. Foi observado em estudos de base po- pode ser sugerido a partir da citopatologia, colposcopia, pulacional que a infeccáo por HPV tern maior predomínio microcolpohisteroscopia ou histología: forma clínica - entre as jovens, declínío na terceira década e novo pico ao existe urna lesáo visível macroscopícamente, representa- redor de 55 anos ou mais(9-10J. As possíveís explicacóes da pelo condiloma acumínado. com quase nenhuma po- para este segundo pico envolvem a reatívacáo de urna tencialidade de progressáo para o cáncer(2:J. infeccáo latente devido a perda gradual de imunidade Os fato res de risco assocíados para a infeccáo do tipo-específica, ou a mudancas dos padrees de cornpor- HPV sao: atividade sexual com inicio precoce, corn múl- tarnento sexual nas últimas décadas, em ambos os sexos, com aquisícáo de novas ínfeccóesl'", tiplos parceiros e sem protecáo: tabagismo; drogadicáo: baixo nivel sécioeconónuco e educacional: idade: imunossupressáo: anríconcepcáo oral; infeccóes genitais e outras Frente ao exposto, pretende-se com esse estudo identificar o conhccímento de mulheres, na faíxa etária Doencas Sexualmente Transmissíveis (OST) préviasl". de 40 a 60 anos, sobre o HPV. Considera-se que as mu- extremamente indicado lheres na faixa etária proposta no estudo, ainda encon- para prevenir infeccóes pelo HPV, além do Virus da lmu- O uso do preservativo tram-se susceptíveís a infeccáo e manifestacáo pelo HP\T. nodeficiéucia Humana (HIV) e outras OSTs, porérn deve- Acredita-se que identificar o conhecimento das mulheres -se levar em conta que esta medida sobre essa temática contribuirá com o desenvolvimento é é útil, mas nao evita a contaminacáo ern todos os casos, pois qualquer contato de estratégias assistenciais e educativas para essa faixa pele-a-pele pode transmitir o virus HPV(4J, etáría específica. A infeccáo causada pelo HPV corresponde a mais prevalente das doencas sexualmente transmissíveis no METODOLOGIA mundo, principalmente em países em desenvolvünento. Estima-se que 10 a 20% da popula,ao adulta sexualmen- Trata-se de um estudo descritivo, transversal e tc ativa sCJa infcctada pelo IIPV(5J, As les5es de alto grau quantitativo. A pesquisa foi realizada no Centro de Aten- Stlveíra o~ Melo MM, Rodrigues LR, Parreíra BDM cáo Integral a Saúde da Mulher (CAISM),no municípío de Ao identificar a história ginecológica e obstétri- MG, no período de outubro de 2009 él janeiro ca das mulheres entrevistadas, observou-se que a idade de 20l0. Participararn do estudo 30 mullieres na faixa de inicio da relacáo sexual foi de 12 a 49 anos, média de etária de 40 a 60 anos, escolhidas aleatoriamente e que aguardavam para a realizacáo do exarne de Papanicolaou, no referido servíco de saúde e atendiam aos crítéríos de 20,33 anos. anos, media de 20,87 anos. Observamos que 15 (50%) inclusáo, A coleta de dados ocorreu ama vez por semana, mulheres tiveram duas gestacóes, sendo que duas (6,7%) no período da manhá, relataram nao ter engravidado e urna (3,3%) relato u 10 Uberaba - Os critérios de inclusáo foram mulheres que se encontravam na faixa etária de 40 a 60 anos que estavam cm [á a idade da primeira gravidez esteve de 16 a 34 gestacóes. Apenas trés entrevistadas referiram ter sofri- do aborto, representando lO% do grupo. sala de espera para a realizacáo do exarne de Papanicola- Verificamos entre as entrevistadas, que seis (20%) ou. Os critérios de exclusáo foram aquetas mulheres que se afirmaram ser tabagistas, seudo a quantidade de cigarros/ encontravam cm urna faíxa etária diferente da estipulada, día variando entre quatro e quinze, média de 2,07 cigarros. mulheres já diagnosticadas com HPVe que reahzaram/re- No que se refere ao exame de Papanicolacu, Tabe- alizam o tratamento para o HPV OH cáncer de colo uterino. la 1, 96,7% das entrevistadas relataram ter realizado o As mulheres foram entrevistadas mediante a anu- procedimento alguma vez, ao longo da vida. Apenas urna éncía por meío da assínatura do Termo de Consentímen- mulher (3,3%) disse nunca ter realizado o exame, Quanto to Lívre e Esclarecido. ao período de realizacáo, 76,7% afirmaram fazé-lo anual- Os dados foram coletados utilizando-se um instru- mente, 13,3%10 rcalízam a cada deis anos ou mais e 6,7%1 mento estruturado, corn questóes referentes aos dados só- de seis em seis meses. Em relacáo ao grau de conhecimen- cío-epidemiológicos, conhecímento sobre o exarne de Pa- to sobre o objetivo do exame de Papanicolacu, 40% das panicolaou e sobre o HPV. Após a coleta, construiu-se um entrevistadas cítaram que o exame previne o cáncer do banco de dados no programa Excel e posteriormente fo- colo uterino (CCU). [á 30% acreditam que diagnostica vá- ram transportados para o programa Statistical Package for rios tipos de infeccáo que podem acometer o colo uterino, the Social Sciences (SPSS) versan l7.0. Os dados foram ana- 20% disseram que alérn de prevenir o CCU tambérn diag- Iisados e interpretados com base na estatística descritiva, nostica vários tipos de infeccáo que o acometem, Semente O projeto, desta pesquisa, foi aprovado pelo Co- duas mullieres (6,7%) disseram nao saber da funcáo do mité de Ética em Pesquisa corn Seres Humanos da Uní- exame de Papanicolaou. Urna entrevistada (3,3%) relatou versidade Federal do Triángulo Mineíro (CEP - que o exame prevenía doencas, sem especifícá-Ias. UFTM), protocolo nº1383. Tabela 1 - RESULTADOS Distribuicáo de freqüéncía das mulheres, segundo informacóes sobre a realizacáo do exarne de Papanicolaou e conhecimento sobre o preventivo. Uberaba, O grupo foi composto por 30 mullieres com idade MG, Brasil, 20l O entre 40 e 60 anos, média de 48,7 anos. Quanto ao estado civil, 14 mulheres (42%) se declararam casadas/moravam com ccrnpanheiro, sete (21 %) solteiras, cinco (15%) separadas, desquitadas ou divorciadas e quatro (12%) viúvas. En] relacáo a escolaridade, 13 (43,3%) disseram ter o Ensíno Fundamental Incompleto, sete (23,3%) o Ensino Médio Completo, cinco (16,7%) o Ensíno Fundamental Completo, trés (lO%) o Ensino Superior Completo, urna (3,3%) o Ensino Médio Incompleto. Apenas urna entrevistada (3,3%) se declarou analfabeta. No que se refere a ocupacáo, sete mulheres (23,3%) relataram ser do lar, O restante - 23 (76,7%) das entrevistadas - cionaram exercer outras ocupa<;óes. men- Realízacño do exarne Nao 1 3,3 29 96,7 Sim Penodícídade de realtzacñc do exame 6 em 6 meses 2 23,0 Anualmente 6,7 76,7 > 2 anos 4 13,3 Nunca realizo u 1 3,3 Conhectmentc sobre o objetivo do exame Diagnostica varios tipos de infeccáo que pcdem acometer o 9 30.0 colo uterino Previne o CCU 12 40,0 Diagnostica varios tipos de infeccáo que pcdem acometer o 6 20,0 colo uterino e previne o CCU Prevencño de doencas, sem especiñcacñc 1 3,3 Nao sabe 2 6,7 Rev Rene; Fortaleza, 2011 abrjjun; 12(2):309-15. 311 Stlveíra CF, Melo MM, Rodrigues LR, Parreíra BDM Quando questionadas acerca do Papillomavirus D1SCUSSAO Humano, Tabela 2, a sigla HPV era de conhecimento de 86,7% das mullieres. A porcentagem de mullieres que relataram nao saber o que Ao analisarmos a hístóría ginecológica e obstétri- HPV, foi de 53,3%, 13,3% dis- ca das entrevistadas observamos que a média de idade serarn que é um vírus responsável pelo cáncer no colo do de inicio da relacáo sexual foi de 20,33 anos. A literatura útero, 3,3% que é um vírus que causa verrugas genitais e mostra que parece haver urna relacáo entre o início pre- 30% citaram outras definicóes: Síndrome da Irnunodefíciencia Adquirida (AlOS), um cáncer, Ul11a bactéria e feri- coce da atividade sexual e um maior risco de aq uisicáo da ínfeccáo pelo HPVC 3J. De acorde com pesquisa realizada da no útero, ferida que causa CCU, entre outros. com mulheres da populacáo geral de Sao Paulo, Carnpi- Quanto é a transmíssáo, 56,7% das mulheres res- nas e Porto Alegre, na qual a média de ídade da sexarca ponderarn que ela se dá através de relacáo sexual, 40% foi de 18 anos [média menor que a encontrada no pre- nao souberarn responder e apenas urna entrevistada sente estudo), as mulheres com idade de sexarca abaixo (3,3%) disse que, além de ocorrer a transmíssáo atra- da média apresentaram positividade maior para HPV vés de relacáo sexual, tamhém ocorre por contat.o com do que as mulheres com o inicio da atividade sexual em a preven- idade acima da médíai-U. Isso acontece porque o coito cáo, 53,3% disseram ser por meio do uso de preservativo, precoce implica em maior tempo de atividade sexual, o 43,3°¡(j nao souberam responder e 3,3% citou o exame de que acaba gerando um maior número de parceiros. En- Papanicolaou como método preventivo. tretanto em estudo realizado com mulheres selecionadas o sangue de uma pessoa infectada. Em relacáo As principais fontes de informacáo sobre o HPV aleatoriamente, na cidade de Florianópolis, observou-se foram jornal, revista e televisáo (TV), mencionados por que a maior prevalencia foi encontrada entre as mulhe- 46,7% das entrevistadas, seguido de amigas, palestras res que iniciaram mais tardiamente a atividade sexual, e cartazes/panñetos (33,3%), Apenas uma entrevistada com mais de 21 anos de idade (56%)112J, (3,3%) cit.ou a figura do médico como Ionte de informacae e nenhuma delas mencionou o enfermeíro [Tabela 2). Dentre as mulheres incluidas no estudo, seis (20%) relataram ser tabagistas, Esse fato chama atcncáo, pois estudos mosrram que o tabagismo Tabela 2 - Distribuicáo de freqüéncia das mullieres, é fator de risco associado a infcccáo pelo HPV. A nicotina é um facilitador segundo conhecimento do HP\T, formas de transmissáo. para a infeccáo pelo Papillomavirus Humano e para sua prevcncáo e fontes de ínforrnacáo. Uberaba, MG, Brasil, persisténcia, pois apresenta efeito depressor no sistema 2010 imunológico, além de estimular a atívidade mitótica do epitého da cérvice e da vagina(13J. Em trabalho realizado vartável N (Yo Ouvíram talar em HPV Nao Sim Conhectmentc sobre o que no estado do Rio de [aneiro, em 2005, com dois grupos de mulheres, foi observado que, em um dos grupos estu- é 4 13,3 26 86,7 1 3,3 4 r:u Nao sabe Outrcs Conhectmentc sobre a transmíssác do HPV Através de relacác sexual 16 53,3 30,0 Nao sabe 12 Vírus responsével pelo CCU Conhectmentc sobre a prevencáo do HPV Através do exame de Papanícclacu Uso de preservativo Nao sabe Meíos de ínformacác sobre o HPY,citados Médico jornal, Revista; TV Médico e Iornal, Revista, TV [tu-nal. Revista; TV e Outros Outrcs (amigas, palestras e cartazes/panfletas) a infeccáo pelo HPV foi Justa- mente o tabagismo. No grupo II que continha a maior in- HPV Vírus que causa verrugas genttaís dado, um fator relacionado 9 cidéncia de mulheres infectadas, 24,8% eram tabagistas. Dado semelhante ao encontrado no presente trabalho, Entretanto o mesmo estudo diz que é necessario que se quantifique o número de cigarru/dia para estabelecer tal 18 60,0 40,0 rela~aoI14J, É de suma importancia mantel' a populacáo escla1 16 3,3 53,3 I:J 43,3 14 3,3 46,7 recida sobre os Iatores de risco associados ao HPV para diminuir a incidencia da ínfeccáo. Para tanto, é necessáno a irnplantacao, por partes dos governos, de programas 1 :J 3,3 1(\0 10 33,3 com métodos de educacáo em saúde que atinjam toda a populacño. Entretanto, cerca de metade das mulheres entrevistadas (43,3%) tem baixo índice de escolaridad e (ensino fundamental incompleto), um fator que dificul- Stlveíra o~ Melo MM, Rodrigues LR, Parreíra BDM a Observou-se neste estudo que duas (6,7%)) mu- saúde da mulher, limitando o desenvolvimento das acoes lheres nao souberarn informar o objetivo do exame de ta a realizacáo de medidas preventivas e de prornocáo de saúde pela equip e C:L5.1. Cousequéncia disso é que as- papanicolaou, Tal fato mostra que estas nao forarn devi- a populacáo feminina um maíor damentc esclarecidas durante os exames anteriores ou HPV e tambérn a fato res relaciona- nunca haviam realizado, portante, tratando-se murtas dos ao CCU, que possui alto índice de ocorréncia na faixa vezes de hábito social, sern fundamentacao científica(17.1 etária estudada, e que o acesso a meios informativos é essencial para que sim, acaba-se por expor risco a infeccáo pelo Quanto a realizacáo do exame de Papanicolaou a mulher tome consciencia da importancia da realizacáo dado inferior ao deste trabalho (96,7%J foi encontrado deste exame, Considerando que no municipio onde foi cm estudo realizado cm Sao José do MipibujRN (2007), desenvolvida a pesquisa os exames sao realizados pelo com mulheres da área rural e urbana do municipio, na enferrneiro e urn dos papéis essenciaís da Enferrnagern é faixa etária de 15 a 69 anos, no qual85% das entrevista- a educacáo em salute. Seria importante que os prcfissio- das afirmaram ter realizado o procedimento alguma vez nais responsáveis por tal acáo repensassern seu atendí- ao longo da vida. Neste mesmo estudo 15% das mulheres mento, focalizando-o nao somente na rcalízacáo do exa- nunca haviam realizado o exame. dado superior ao en- me em si, mas também ativando seu papel de educador contrado neste estudo [Tabela 1J(16.1. Em estudo realiza- em saúde no momento da consulta. do na cidade de NaviraíjMS com professoras do ensíno No presente estudo algumas entrevistadas (20%) fundamental 53,3% das entrevistadas relataram realizar responderam que além de prevenir o CCU o preventivo o exame preventivo anualmente, índice menor que o en- diagnostica certas infcccócs, mas scm mencionar quais contrado no presente trabalho (76,7%)(17), eram, Em estudo realizado num Centro de Saúde de Aten- Tomando corno parámetro as recomendacóes do cáo Primária na cidade de ParacurujCE (2008), as mu- Instituto Nacional do Cáncer (INCA), no ínícío o exame lheres entrevistadas se referiram ao exame preventivo deve ser realizado anualmente e, após dois exarnes segui- como meio de diagnóstico para determinadas doencas ou dos [corn um intervalo de um ano) apresentando resulta- prevencáo de mitras, como DSTj AIDS, o que demonstra, dos normaís, o preventivo pode passar a ser feíto a cada de forma preocupante, mullieres com desconhecimento tres anosl-", Verificamos que nenhuma das entrevistadas total das práticas de prevcncáo dessas docncas. Neste relatou a periodicidade do exarne exatamente como o contexto o exarne surge sob urna visáo errada do proce- recomendado pelo INCA Tal achado contrasta com estu- dimento, servíndo apenas para detectar ou diagnosticar do já citado, realizada em Sao Jasé do MipibujRN com DSTs, o que nao rnulheres da área rural e urbana do municipio, na faixa é o principal objetivo do exame(15.1. A questáo sobre o conhecimento da sigla HPV nos etária de lS a 69 anos, no qual 64,4°¡(J das mulheres re a- permite urna cornparacáo com estudo já citado realizado lizavam o exame preventivo conforme recornendacáo do Ministérro da Saúde (MS)(16), na cidade de NaviraíjMS no quaI29,9% das entrevistadas revelaram conhecer a sigla, contrastando com dado en- Devernos nos atentar a um fator relacionado á re- contrado neste trabalho (86,7%), Tabela 2(17), Em estu- alízacáo do exame que foi identificado ern outro estudo: do realizado ern FortalezajCE com 60 mulheres de faixas nas mulheres mais maduras observa-se que a procura etárias variadas, 55% das entrevistadas nao souberam pelo preventivo decresce com a ídade, isto é, quanto mais responder o que era HPV, afirmando nunca terem ouvido velhas váo ficando menos procuram realizar o exame, falar nesse tipo de doenca, dado diferente do encontra- fazendo com que essa clientela torne-se um grupo de do enl nosso trabalho, pois apenas 13,3% das mulheres risco para o CCU(15), Estc fato também foi identificado deste estudo nao tinham ouvido falar sobre o vírus[18.1. no presente estudo, visto que, durante a coleta de dados Quando inquiridas sobre o que vem a ser o HPV, apenas foi pequeno o número de mulheres de 40 a 60 anos que 4,4% manifestaram conhecimento especifico do vírus e aguardavam a realiza¡;:ao do exame. Em alguns nwmentos sua rela<;:<1o com o CCU, dado inferior ao encontrado no era inexistente a presen<;:ade mulheres nesta faixa etária. presente estudo (13,3%))(1Tl. Mais uma vez enfatizamos Este fato nos remete á ünportancia da realiza<;ao periódl- que a educa¡;:<1o é fundamental para combater a desinfor- ca do exame para possíveis diagnósticos precoces e 1naio- 1na<;:<10, sendo única em sua condi<;:<1o de esclarecer dúvi- res chances de prognósticos positivos. das e desfazer conceitos erroneos(lB.1. RevRene; Fort.aleza, 2011 abrjjun; 12(2.1:309-15. 313 Stlveíra eF, Melo MM, Rodrigues LR, Parreíra BDM Em estudo realizado com mulheres portadoras de CONSIDERAl;:OES FINAIS HPV no Ceará, revelo u-se que todas as entrevistadas ti- o estudo nharn consciencia sobre a forma de transmissáo da doen~a(19J, dado superior ao que revelou este estudo (600!,,). Em nos permite considerar que apesar de as mulheres realizare m o exame preventivo, elas nao pesquisa semelhante, realizado em Fortaleza/CE ("J 996), tém conhecimento adequado sobre ele. O mesmo acon- observou-se que 53 fl!iJ das mulheres incluidas no estudo nao sabiarn como acorre a transmíssáo do HPV, 5% referí- tece com o virus I-IPV, pois grande parte delas conhece ram se tratar de uma OSTsem especificar o meio de transrnissáo e 42% afirmaram ser através do cantata sexual(18). Dentro da questáo prevencáo do HPV, apenas uma entrevistada mencionou o exame de Papanícolaou. A li- a sigla, mas nao tem inforrnacoes suficientes sobre o Papillornavírus Humano. Díante disso, faz-se necessárío a implernentacáo de programas educativos e assistenciais nessa faixa etária, principalmente pelo fato de a idade se apresentar como fator de risco para o CCU. teratura traz que a colpocitologia oncótica configura-se como método de prevencao sccundáría a ínfeccáo pelo REFERENCIAS Papillornavirus Hmnano(20), representando meio seguro e eficaz de rastreamento para a deteccáo das lesóes pre- 1. colegia Ambulatorial, 2ª ed. Belo Horizonte: Coopa- cursoras do CCU(4). Fica, cntáo, evidenciada a importancia das atividades de educacáo ern saúde, Tais acces devern visar a divulgacáo de inforrnacoes sobre o virus, bem Camargas AF, Mela VIl, Carneíro MM, Reís FM. Ginemed: 200S. 2. Instituto Nacional do CIncel'. Coordenacáo de pre- como a mobilizacáo da populacáo-alvo a buscar os benefí- vencáo e vigilancia [Conprev], Falando sobre cáncer cíes oferecidos pelos programas de rastreamentot'Fl. do colo do útero. Río de [aneiro: MS/INCA; 2002. Ao analisarmos as respostas das mulheres sobre a 3. prevencáo da HPV constatau-se que 16 (53,3%) das entrevistadas citaram o preservativo. Em estudo realizado Boff Ri\, Kavanagh JJ. Ginecologia e mastologia UIn guia prático, Caxias do Sul: EDUCS; 2002. 4. Giatti MJL, Barros RO. Neoplasia intraepitelial cerví- no Ceará evidenciou-se que as mulheres reconhecem o caljcarvinoma "in situ" In: Bastos AC. Ginecología. uso do preservativo corno a melhor estrategia de preven- 11" ed. Sao Paulo: Atheneu; 2006. p. 279-85. cáo, porérn ressalta-sc que, mesmo sabendo dessa ínfor- 5. Linhares AC, Villa LL. Vacínas contra rotavírus e papilo- 6. mavírus humano (HPV). j Pediatr. 2006; 82(3):25-34. Instituto Nacional do Cáncer; Cáncer do colo do úte- rnacáo, a mulher considera o preservativo um elemento incomodo que dificulta a vivencia da sexualidade do casal(19). Lembrando que, apesar de o preservativo ser in- ra [Internet]. Río de [aneíro: INCA; [citado 2010 maí dicado para prevenir ínfeccües causadas por HPV e HIV, 25]. Disponível em: http://www.inca.gov.br/conleu- bem como outras OST's, esta medida nao evita a contaminacáo pelo HPV em todos os casos. Qualquer coritato do view.asp?id=326. 7. pele-a-pele pode transmitir o vírusl"! Focchi L Bovo AC, Speck NMG. Cáncer do colo do úte- ro: rastrcamento, deteccáo e diagnóstico precoce. In: Ao analisarmos as repostas referidas pelas entre- Halbe H\'\T. Tratado de ginecologia. Sao Paulo: Roca; vistadas quando questicnadas sobre como adquíriram informacóes sobre o HPV, 14 (46,7%) resporideram ter 2000. p. 2150-S. S. Floriano MI, Araújo C:SA, Ribeiro MA. Conhecimento sido através de jornal, revista e TVe lO (33,3%) citaram sobre fatores de risco assocíadcs ao cáncer do colo amigas, palestras e cartazes/panfletos. Surpreende o fato uterino em ídosas ern Umuarama-Pk, Arq Ciencias de que nenhuma das entrevistadas tenha citado a figu- Saúde UNIPAR. 2007; 11(3):199-203. ra do enfermeiro como transmissor dessas informacocs, seudo que um dos grandes papéis desse proñssioual 9. Rama CH, Martíns CMR, Derchain SFM, Longatto Fi- a lho A, Gontíjo RC, Sanan LOZ, et al. Prevalencia do Educacáo ern Saúde. Salientamos também que a figura do HPV em mulheres rastreadas para o cáncer cervical. médico foi citada por apenas urna das entrevistadas. Esse Rev Saúde Pública. 200S; 42(1):123-30. fato nos faz refletir sobre o quáo é necessárío que o pro- 10. Herrero R, Híldesheím A, Bratti C, Sherman ME, Hu- nssúmal da saúde detenha mais a prática de educador em lchinson M, Morales j, el al. Population based sludy é saúde, o que é, se nao a sua maior importantes. fun~ao, Ulna das Inais of hpv infection and cervical neoplasia in rural Costa Rica. j Natl Cancer Inst. 2000; 92(6):464-74. 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