UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE SAÚDE PÚBLICA Projeto “Avaliação das Organizações Sociais de Saúde OSS/São Paulo” (Convênio SES – SP/USP-FSP) RELATÓRIO ESTUDO DA TERCEIRIZAÇÃO DO CORPO CLÍNICO NAS OSS/ITAPECERICA DA SERRA E PEDREIRA SÃO PAULO – NOVEMBRO/2001 EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL Nélson Ibañez Olímpio José Nogueira Viana Bittar COORDENAÇÃO GERAL Evelin Naked de Castro Sá Márcio Cidade Gomes ÍNDICE APRESENTAÇÃO i 1- INTRODUÇÃO 1 2 -OBJETIVO 6 3- MÉTODOS 3.1 Definição das OSS/SUS de estudo 3.2 Período de estudo 3.3 Fontes dos dados 3.4 Definição das variáveis de análise 3.4.1 Estrutura 3.4.2 Processos 3.4.3 Resultados 6 6 6 6 7 7 7 8 4- RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Caracterização das OSS/SUS estudadas e contexto loco-regional 10 4.2 Parâmetros relativos à estrutura 12 4.2.1 Organograma formal 12 4.2.2 Tipo de vínculo dos profissionais e estrutura legal das 13 empresas 13 4.2.3 Análise dos contratos: formas de remuneração e regimes de trabalho 14 4.2.4 Regime de trabalho dos médicos/honorários 16 4.2.5 Plano de cargos, carreira, salários e benefícios 17 4.2.6 Bases do contrato 4.2.7 Especialidades médicas e serviços complementares 18 4.2.8 Especialidades difíceis de encontrar no mercado 20 4.2.9 Cadastro dos médicos 21 4.3 Parâmetros Relativos aos Processos 21 4.3.1 Aspectos relacionados à administração do corpo clínico 21 4.3.2 Participação do corpo clínico no processo de qualidade 28 4.3.3 Aspectos relativos ao desenvolvimento de recursos humanos 35 4.4 Parâmetros Relativos aos Resultados 37 4.4.1 Itens de controle 4.4.2 Capacidade instalada, número e relação profissionais/leito 38 9 17 37 4.4.3 Indicadores financeiros 4.5 Vantagens e desvantagens da terceirização do corpo clínico 47 5 CONCLUSÕES 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS 43 48 51 ÍNDICE DE TABELAS Tab. 1 Caracterização dos hospitais Tab. 2 Valores médios mensais dos indicadores de produção, segundo hospitais, no primeiro semestre de 2001 Tab. 3 Características de organização formal do corpo clínico quanto a denominação, subordinação e competência das OSS/SUS Tab. 4 Tipo de vínculo dos médicos com os hospitais Tab. 5 Formas contratuais com as equipes médicas, segundo hospitais Tab. 6 Valor da hora/médico para diaristas e plantonistas, segundo hospitais, agosto 2001 Tab. 7 Especialidades médicas por forma de contratação, segundo hospitais Tab. 8 Serviços complementares de diagnóstico e terapêutica por forma de contrato, segundo hospitais Tab. 9 Comissões com a participação do corpo clínico em atividades nos hospitais Tab. 10 Avaliação e indicadores do grau de atuação das comissões e dos prontuários estudados, segundo OSS/SUS Tab. 11 Cursos de reciclagem em urgência/emergência, segundo hospitais Tab. 12 Atividades de ensino médico e não médico, segundo hospitais Tab. 13 Leitos/camas, funcionários e médicos/leito e/ou cama em agosto de 2001 Tab. 14 Indicadores de relação profissionais por leito do mês de agosto de 2001 Tab. 15. Dados selecionados de produção, segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Tab. 16 Indicadores de resultados, segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Tab. 17 Indicadores de qualidade segundo hospitais, no primeiro semestre de 2001 Tab. 18 Percentual de internações por clínica e morbidade clínico-cirúrgica por hospital, no primeiro trimestre de 2001 Tab.19 Despesas totais, em Reais (R$) com médicos, funcionários e algumas proporções, em agosto 2001 Tab. 20 Gastos em Reais (R$) com serviços clínico-cirúrgicos de médicos terceirizados, segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Tab. 21 Gastos em Reais (R$) com serviços complementares terceirizados, no mês de agosto de 2001 Tab. 22 Percentual de terceirização, em valores, de serviços médicos e SADT sobre o total de despesas com médicos, segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Tab. 23 Vantagens e desvantagens da terceirização dos serviços médicos 10 11 12 13 15 16 18 19 29 30 35 36 39 39 40 40 41 42 43 45 46 46 47 APRESENTAÇÃO O processo de avaliação das OSS/SUS, objeto do termo aditivo do convênio assinado entre a Faculdade de Saúde Pública – USP e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, desencadeia-se desde 27 de agosto de 2001. Neste espaço de tempo foram desenvolvidos projetos tendo como escopo a avaliação da produção, dos resultados financeiros, da morbidade hospitalar, gerenciamento de medicamentos, análise da demanda e gestão de pacientes, aportando ao grupo Gestor da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo dados e informações para decisões no planejamento, organização e coordenação/direção das unidades. Foi durante este período de desenvolvimento dos sub-projetos que a equipe responsável pelas informações e relatórios hospitalares deparou-se com um aspecto novo, o da terceirização total do corpo clínico no Hospital de Pedreira. A continuidade da análise mostrou que outra unidade, o Hospital de Itapecerica, também havia optado por esta modalidade em alguns serviços médicos, clínicos e cirúrgicos. Tradicionalmente a área médica, principalmente em hospitais, adotava a terceirização nos serviços complementares de diagnóstico e terapêutica, sendo, assim, esta nova modalidade, a terceirização de atividades fins, uma inovação que mereceria um estudo mais aprofundado. O estudo desta nova situação foi efetuado, com o apoio das gerências SES e FSP, onde os resultados, vantagens e desvantagens foram levantados e comparados. Participaram do estudo dois outros hospitais que serviram de base para ampliação da análise comparativa, já que as OSS/SUS são entidades que guardam similaridades, como: estarem situadas na periferia, terem o mesmo contrato de gestão, atenderem a demandas de perfis semelhantes e terem iniciado atividades na mesma época. A pesquisa foi desenvolvida no período de julho a setembro de 2001 focada nas OSS/SUS de Pedreira, Itapecerica, Pirajuçara e Itaim. Ainda, no que diz respeito aos valores de remuneração, uma primeira análise dos contratos, mostra que estes têm permitido estabelecer, em algumas áreas, valores fixos e adicionais por produtividade acima do praticado por outras unidades, dada a ausência de pagamento de obrigações sociais, como férias, décimo terceiro, FGTS e outras. Algumas OSS/SUS identificaram dificuldades na contratação de especialistas, como endocrinologistas, intensivistas, neonatologistas, ecocardiografistas, reforçando a demanda por terceirização de serviços clínicos e cirúrgicos, favorecendo a organização, no mercado, de grupos médicos que ofereçam esse tipo de serviço. 1 - INTRODUÇÃO Em pesquisa realizada com 1.185 hospitais nos Estados Unidos, Taylor (1993) mostrou que 55% deles tinham, no mínimo, pelo menos, uma firma contratada para gerir um departamento. Entre as causas da existência de serviços contratados estão a especialização da firma, a redução de custos, dificuldades de encontrar o profissional no mercado, recrutamento/retenção médicos, diminuição do índice de funcionários/leito, eliminação de custos com equipamentos, vantagens sobre o poder de compra da firma, aumento do lucro, melhora na imagem do hospital, promoção dos cuidados contínuos, estabelecimento de um novo serviço e melhora nas condições do paciente. A definição de terceirização segundo Brasil (1993), é o processo de transferência, dentro da firma, de funções que podem ser executadas por outras empresas. Em nosso meio o modelo de terceirização adotado pelos serviços de saúde pode ser caracterizado em três grupos, a saber: os relacionados aos serviços de apoio técnico/administrativo; os relacionados aos serviços de apoio diagnóstico e terapêutica e os relativos a serviços clínicos e cirúrgicos propriamente ditos. a) O primeiro grupo de serviços de apoio técnico/administrativo (lavanderia, alimentação, limpeza, manutenção, segurança, transporte) tem sido terceirizado pela maioria dos hospitais públicos e é realizado através de contratos com parâmetros e mensurações relativamente bem definidas. Em relação à subárea de compras, esta se encontra, embora lentamente, em processo de terceirização parcial através de empresas privadas, ligadas a sindicatos e associações, objetivando atender a um grupo de hospitais. b) O segundo grupo de apoio diagnóstico e terapêutica (imagem, banco de sangue, laboratório clínico, anatomia patológica, anestesia) é mais freqüentemente terceirizado nos hospitais privados, é realizado através de arrendamento dessas áreas a profissionais ou empresas, de acordo com o volume de serviço, estabelecendo contratos variados, incluindo ressarcimento por produção, remuneração global envolvendo ou não a cessão de equipamentos, reagentes, manutenção, etc. c) Terceiro grupo, serviços clínicos e cirúrgicos, a experiência dos hospitais privados, sejam eles filantrópicos ou lucrativos, utiliza-se de mecanismos como o modelo de pagamentos de serviços profissionais estabelecido pelo antigo INAMPS –Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social -(código 7 e código 4), contratos baseados na tabela da AMB- Associação Médica Brasileira- e estabelecimento de contratos com empresas ou cooperativas médicas, com diferentes bases de negociação. O estabelecimento de contrato com grupos médicos especializados para a prestação da assistência na administração pública direta e autárquica tem sido coibido pelas interpretações da legislação atual e pelos pareceres das auditorias dos Tribunais de Contas. O modelo de parceria para serviço público não estatal – como é o caso das Organizações Sociais de Saúde (OSS/SUS/SP), regulado por contrato de gestão adotado oficialmente e que, vem sendo acompanhado pelo convênio FSP/SES, não sofre esse tipo de restrições legais. Quanto à experiência do setor privado, poucos são os estudos sistemáticos que avaliam a relação da terceirização com qualidade, produtividade e custos. Recente estudo de Girardi e cols., do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Minas Gerais (2001)- sobre as formas institucionais de terceirização de serviços em 604 hospitais da região sudeste aponta os seguintes dados: a) em relação à terceirização de especialidades médicas, a forma cooperativa representa 30% e a empresa de profissional liberal representa 57% em média; b) em relação à terceirização de outras categorias profissionais, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, farmacêuticos e dentistas, predominam empresas de profissionais liberais, com um percentual em torno de 60%, enquanto que para as enfermeiras e auxiliares de enfermagem, predomina a forma cooperativa; c) em relação aos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, a forma predominante é a contratação de empresa médica, em torno de 60%. A opinião de dirigentes sobre o impacto sobre custos, produtividade, qualidade e conflitos trabalhistas, a referida pesquisa aponta os seguintes resultados: a) em relação aos custos, 30% declaram que não houve diminuição, 32% que se mantêm inalterado ou ocorre crescimento e 38% não têm opinião formada; b) em relação à produtividade 43% referem crescimento, 20% que se mantêm inalterado, 3% que houve diminuição e 34% não têm opinião formada; c) em relação à qualidade, 47% referem crescimento, 18% que se manteve inalterado, 3% que houve diminuição e 32% não têm opinião formada; d) em relação a conflitos, 67% não têm opinião formada, 20% acreditam que se mantêm inalterado,11% acreditam que houve diminuição e para 3% houve crescimento dos conflitos. As OSS/SUS se assemelham aos padrões e objetivos dos serviços prestados pela administração direta e/ou autárquica quanto à exclusividade de atendimento ao SUS, com clientela diferenciada a partir de demandas sociais. As experiências de terceirização do corpo clínico, quanto aos serviços clínicos e cirúrgicos, nas OSS/SUS de Pedreira e Itapecerica, motivam o acompanhamento com mais ênfase, pois sugere que a partir dos parâmetros obtidos, permitiria a flexibilização necessária à administração de recursos humanos, principalmente na área médica, na administração direta e/ou autárquica. Atualmente, os contratos diretos estabelecidos entre administração pública e médicos não têm sido satisfatórios, devido a forma de seleção, remuneração treinamento e envolvimento do profissional com a instituição. Através dos Subprojetos de Análise de Demanda, Gestão de Pacientes, Medicamentos e de Atividades Hospitalares, complementados com entrevistas com os dirigentes das OSS/SUS de Pedreira e Itapecerica sobre a terceirização de todo o corpo clínico, foi relatado que, em princípio, esta política tem trazido inúmeras vantagens, entre as quais o recrutamento e seleção mantidos a partir de critérios da unidade; escalas de serviço e coberturas de plantão rigidamente seguidas com substituições automáticas pela empresa quando de ausências eventuais; desligamento por solicitação da OSS/SUS de profissionais que não tenham condutas técnicas e éticas apropriadas e a participação obrigatória dos coordenadores de área nas comissões do corpo clínico. Ainda, no que diz respeito aos valores de remuneração, uma primeira análise dos contratos, mostra que estes têm permitido estabelecer, em algumas áreas, valores fixos e adicionais por produtividade acima do praticado por outras unidades, dada a ausência de pagamento de obrigações sociais, como férias, décimo terceiro, FGTS e outras. Algumas OSS/SUS identificaram dificuldades na contratação de especialistas, como endocrinologistas, intensivistas, neonatologistas, ecocardiografistas, reforçando a demanda por terceirização de serviços clínicos e cirúrgicos, favorecendo a organização, no mercado, de grupos médicos que ofereçam esse tipo de serviço. Segundo Mintzberb (1979), as instituições apresentam sete diferentes tipos de estrutura organizacional sendo que na saúde a burocrática e profissional convivem juntas. A autonomia dos profissionais, especificamente do médico, constrói nexos simbólicos, mais pelos valores culturais externos à instituição (associações, conselhos, comissões) do que pela própria missão institucional, favorecendo a geração de conflitos. Esse aspecto sofre influência pela fragmentação cada vez maior de competências estabelecidas pelas especialidades médicas (atualmente 66 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina) e a introdução de tecnologias com avaliações ainda insuficientes do ponto de vista de custo/benefício mais largamente utilizada pelos serviços médicos. O contraponto entre as demandas exigidas nos serviços das OSS/SUS e parâmetros estabelecidos pela categoria médica é um aspecto relevante na avaliação de resultados. Neste sentido, o estudo apresenta dois enfoques: um relacionado à definição, no contrato de gestão, de indicadores de processos e resultados que permitam a medição das categorias relativas ao produto hospitalar em termos de qualidade, eficiência e custos, e o outro, passando pela relação estabelecida entre direção técnico/administrativa e o corpo clínico que devem gerenciar os sistemas de informação e de decisões. Pesquisa de Piola (2001), com 105 formadores de opinião na área da saúde, 84,4% deles, entre os quais lideranças políticas, gestores federais, estaduais e municipais, diretores da rede pública de serviços, empresários e executivos privados, dirigentes da rede privada, pesquisadores e docentes, profissionais da saúde e membros de organizações da sociedade civil concluíram que haverá no setor público uma redução gradual do regime estatutário, substituído por formas alternativas de contratação de mão-de-obra, como o regime celetista, terceirizações e contratos com cooperativas. Foram formuladas duas hipóteses para a política de terceirização das OSS/SUS: H1: a relação contratual de terceirização de corpo clínico contribui de forma mais positiva com a administração, melhorando o desempenho da gestão clínica assistencial do ponto de vista da qualidade, custo e produtividade. H2: a relação contratual da terceirização do corpo clínico pode favorecer distorções quanto à vocação pública dos hospitais, devido a descaracterização tanto da oferta de serviços clínicos e cirúrgicos como da clientela, sugerindo uma privatização do público.. As conseqüências das duas hipóteses iniciais poderiam ser assim resumidas: 1. melhoria do desempenho com diminuição do custo médio desses serviços e/ou o inverso; 2. falta de coordenação desses hospitais com a rede pública, levando à baixa inserção ao sistema de referência e de contra-referência, pela fragmentação de equipes e comandos; 3. distorção da oferta de serviços de saúde, em decorrência dos diferentes interesses das equipes terceirizadas, respondendo inadequadamente a demanda loco-regional. 2- OBJETIVO Apresentar vantagens e desvantagens e analisar as diferenças resultantes dos distintos modelos de contratação comparando-se as OSS/SUS Pedreira e Itapecerica com as OSS/SUS de Pirajuçara e Itaim. 3- MÉTODOS 3. 1 Definição das OSS/SUS de estudo As unidades propostas para o estudo foram as OSS de Pedreira e Itapecerica da Serra onde a terceirização do corpo clínico foi desenvolvido em quase todas as áreas e nas OSS/SUS de Pirajuçara e de Itaim, onde o funcionamento dos serviços médicos é feito por contratação própria, sendo que estas duas últimas serviram como base para construção de parâmetros para avaliação. 3. 2 Período do estudo O estudo teve início em julho de 2001, com dados coletados nos meses de julho, agosto e setembro. 3. 3 Fontes dos dados Foram feitas entrevistas com diretores dos hospitais, do corpo clínico e médicos responsáveis por equipes, perfazendo, em média, nove entrevistas por hospital. Os dados primários foram levantados a partir de instrumento semi-estruturado, tendo como critério para estudo da terceirização a identificação de parâmetros relativos à estrutura, aos processos e aos resultados (descritos abaixo), bem como a caracterização no contexto loco/regional dos fatores intervenientes para a sua inserção no sistema de saúde. Foram utilizados os dados dos documentos oficiais dos hospitais como organograma, relatórios estatísticos, entre outros. Os dados secundários foram provenientes de documentos produzidos pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo e pela Faculdade de Saúde Pública –USP, dos Subprojetos: Análise de Demanda, Gestão do Paciente, Medicamentos e de Atividades Hospitalares. 3. 4 Definição das variáveis de análise 3. 4.1 Estrutura Neste item foram observadas as seguintes variáveis: • organograma formal: forma de relação direção geral/administrativa, técnica e médica; • forma de organização, se empresa, cooperativa médica, ou outra, bem como as implicações introduzidas pelas mesmas na gestão. Descrição contratual identificando o modo e valor como estas entidades remuneram os profissionais; • existência de seguro para finalidades diversas, apoio a profissionais afastados, novas contratações, cobertura de férias, 1/3 de férias e décimo terceiro; salários dos profissionais; impostos e, encargos e relações trabalhistas; • regime de trabalho, diário, turnos (12 x 36 horas), plantões, ou outros; • documentos relativos à normalização, como regimento do corpo clínico, rotinas, protocolos e ordens de serviço e prontuários médicos. 3. 4.2 Processos Foram examinados os seguintes processos: • recrutamento e seleção (exigência de residência médica, pós-graduação lato e strictu sensu, título de especialista), plano de cargos e salários, política de benefícios, cursos, participações em eventos médicos, integração e avaliação dos profissionais; • treinamento e reciclagem, participação em eventos científicos; • inter-relacionamento com as outras áreas do hospital; • reuniões do corpo clínico, participação em comissões técnicas e administrativas, elaboração de atas e divulgação das resoluções; • uso de estatísticas técnicas e administrativas pelos componentes do corpo clínico para avaliação da participação dos mesmos na administração do hospital; • aspectos sociais e legais da relação médico/paciente; • aspectos sociais e legais da relação médico/instituição (ações judiciais, absenteísmo, rotatividade, penalidades, valorização profissional); • avaliação do prontuário médico quanto ao preenchimento legível, volume de dados e informações, procedimentos executados e principais causas de internação e de mortalidade; • comissões atuantes e suas abrangências. 3.4.3 Resultados 3.4.3.1 Indicadores específicos para o hospital e por clínica 1. produção: número de internações, atendimento ambulatorial e de emergência, exames complementares, cirurgias e partos; 2. relação de médicos/leito e cama, funcionários/leito e cama; 3. produtividade: média de permanência; 4. qualidade: taxa de mortalidade geral e institucional, taxa de infecção hospitalar, taxa de cesárea; 5. ensino e a pesquisa: áreas; 6. resultados financeiros: 7. número de pacientes encaminhados a outros serviços. 8. valores despendidos pelas OSS/SUS com pagamento ao corpo clínico, terceirizado e não terceirizado. Nas variáveis acima listadas estão os indicadores constantes do contrato de gestão (plano operacional/metas),a saber: indicadores de produção ambulatorial e de internação, taxa de ocupação, média de permanência, taxa de cesárea, taxa de infecção hospitalar, taxa de letalidade e indicadores de qualidade da informação, comissões. (Anexos IV e V). A descrição do contexto loco/regional de saúde foi feita a partir dos dados demográficos, de morbi-mortalidade, capacidade instalada na área de atuação, retirados de documentos da própria Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo ( SES/SP); da Fundação Sistema Estadual de análise de Dados (FSEADE); da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (FIBGE) e também do Subprojeto Análise da Demanda. 4- RESULTADOS E DISCUSSÃO O desenvolvimento do estudo se deu sem dificuldades, contando com a atenção e colaboração de todos os profissionais envolvidos. Todas as questões levantadas pelos consultores foram respondidas a contento, possibilitando concluir sobre as vantagens e desvantagens da terceirização do corpo clínico. Alguns contratos, dos hospitais de Pedreira e Pirajuçara, não foram providenciados a tempo pelas diretorias dos hospitais (Anexo I). Acredita-se, contudo, que as bases existentes nos contratos enviados sejam similares e suficientes, possibilitando assim as generalizações do presente estudo. Algumas informações complementares sobre os contratos foram obtidas de por meio das entrevistas e dos relatórios de atividades. 4.1 Caracterização das OSS/SUS estudadas e contexto loco-regional A tabela 1, abaixo, descreve as características dos quatro hospitais e a relação dos prontosocorros e ambulatórios segundo demanda referenciada ou livre. Das quatro entidades - mãe, duas são ligadas a ordens religiosas, com experiência em administração de hospitais, uma, ligada a construção civil e outra ligada a pesquisa e ensino. Os hospitais de Itapecerica e Pirajuçara tanto no ambulatório como no pronto socorro somente recebem pacientes referenciados da rede básica Tab. 1 Caracterização dos hospitais Hospitais/ Características 1. Entidademãe* 2. Pronto Socorro 3. Ambulatório Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim ACSC SECONCI UNIFESP CSM livre demanda Referenciado Referenciado livre demanda em implantação (referenciado) Referenciado Referenciado em implantação (referenciado) Fonte: Subprojeto: Gestão do Paciente *ACSC= Associação C. Santa Catarina, SECONCI= Sindicato da Construção Civil, UNIFESP= Universidade Federal de São Paulo, CSM= Congregação Santa Marcelina. ou de hospitais. Nos hospitais de Pedreira e do Itaim a demanda para pronto socorro é livre e o atendimento ambulatorial será de referenciados. No hospital de Pedreira está sendo feita reforma de uma área física fora do hospital, para atendimento ambulatorial e de exames complementares de diagnóstico e terapêutico. No hospital do Itaim já foram feitas reformas para o atendimento ambulatorial. Estas adaptações foram necessárias pois, quando estes hospitais foram planejados, conforme o Programa Metropolitano de Saúde (PMS), não estava previsto o funcionamento do ambulatório .Acreditava-se que a rede básica seria suficiente para cumprir esta tarefa. Tab. 2 Valores médios mensais dos indicadores de produção segundo hospitais, no primeiro semestre de 2001 Hospital/Indicadores Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Número de leitos 242 189 282 246 Número de internações 1.059 1.078 1.218 1.531 Taxa de ocupação (%) 77 84 96 90 Número de consultas 2.181 4.435 12.416 1.378 ambulatoriais Número de consultas no 24.665 3.026 2.425 24.061 Pronto Socorro Número total de consultas 26.846 7.461 14.841 25.439 Número de cirurgias 235 576 419 441 - ATÉ 60’ 50 311 88 116 - Entre 60’ – 180’ 157 191 256 324 - Mais 180’ 28 74 75 1 Fonte: Subprojeto Atividades Hospitalares 2001 De acordo com a tabela 2, que apresenta os valores médios mensais de produção correspondentes ao primeiro semestre de 2001, observa-se que todos os hospitais são de grande porte, possuindo o hospital de Itapecerica o menor número de leitos, em comparação aos demais. Em relação aos indicadores de produção observa-se que o hospital de Itaim apresenta maior número de internações.Os hospitais de Pedreira e do Itaim têm, comprovadamente, os maiores números de consultas, coerentes com o atendimento de livre demanda no Pronto Socorro. Verifica-se que, no hospital de Pirajuçara, o movimento ambulatorial é, expressivamente, superior aos dos demais hospitais, decorrência dos atendimentos referenciados para as várias clínicas existentes. Quanto às cirurgias, o hospital de Pedreira é o que menos realiza. Os hospitais de Pirajuçara e de Itapecerica destacam-se pelo número de cirurgias com duração acima de 180 minutos No Hospital de Pirajuçara, contribui para caracteriza-lo como hospital tendendo ao nível terciário. Todos os outros mantêm características de nível secundário. A demanda ambulatorial existe para todos os hospitais conseqüência da não efetividade da rede básica.Os hospitais de Pirajuçara e de Itapecerica atendem pacientes referenciados, conforme visto anteriormente, contudo, existe pressão da população para que os atendimentos ambulatoriais sejam de livre demanda. 4. 2 Parâmetros Relativos à Estrutura 4.2.1 Organograma formal As OSS/SUS apresentam formalmente três possibilidades de caracterização: denominação, subordinação e competência, apresentadas na tabela 3. Tab. 3 Características de organização formal do corpo clínico quanto a denominação, subordinação e competência das OSS/SUS PEDREIRA ITAPECERIC PIRAJUÇAR ITAIM A A denominação a)Corpo clínico Coordenação a)Diretoria Coordenação b)Diretoria Assistencial Clínica Médica Técnica b)Divisão de Atenção ao paciente subordinação a)Autônomo terceirizado b)Subordinado diretoria geral Gerência hospitalar a)Staff da Administrador superintendênci hospitalar a b) Linha subordinada a superintendênci a competências a) Assistencial b) subordina a seção de treinamento e o serviço de infecção hospitalar coordena as comissões de óbitos e prontuários e mantêm controle dos serviços diagnósticos. Coordena os departamentos médicos de apoio diagnóstico terapêutico o serviço de controle de infecção hospitalar e SAME. a)Diretoria Clínica subordina centro cirúrgico e centro obstétrico e coordena as comissões b)A divisão subordina o SADT, Unidades de internação, ambulatório e pronto-socorro Subordina aos serviços de saúde do adulto, da criança, da mulher, mental, urgência e emergência, clínicas cirúrgicas, centros de estudos e as comissões de prontuário, óbito e infecção hospitalar Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades Conforme visto acima, as denominações encontradas variam de hospital para hospital. Quanto à subordinação ocorrem diferentes modalidades, algumas vezes dividindo com a diretoria geral algumas subáreas como o SADT e algumas comissões, decorrente da influência das organizações - mãe, o que parece ser o aspecto decisivo para as distintas conformações. A composição do corpo clínico dos quatro hospitais, no que diz respeito a organização são semelhantes, isto é, existe um diretor clínico empregado da instituição, selecionado pela organização mãe e os coordenadores ou chefes de equipes. Informalmente, estes profissionais e o diretor técnico do hospital formam um conselho, responsável pelas decisões necessárias ao desenvolvimento da parte médico assistencial. Embora a eleição do diretor clínico seja normalizada por uma resolução do Conselho Federal de Medicina, é fato sabido que, em sendo nos hospitais públicos um cargo de confiança do Diretor da unidade, existe uma composição para a eleição do mesmo, o que também ocorre nas OSS/SUS, com características diferenciadas. No hospital de Pedreira apesar de no organograma o corpo clínico estar como órgão autônomo, na prática os líderes de cada grupo de especialistas respondem ao diretor técnico; nos casos de Itaim e Itapecerica é expandida a competência do gerente médico ao SADT e à coordenação de comissões e SAME. No hospital de Pirajuçara há duas estruturas, uma em staff e outra em linha, subordinando, respectivamente, comissões e centro cirúrgico e obstétrico e as unidades de ambulatório, internação, pronto socorro e SADT. Resulta disto a fragmentação do corpo clínico exigindo maior ou menor poder de negociação do diretor, na tentativa de conseguir estabelecer padrões e metas de qualidade. 4.2.2 Tipo de vínculo dos profissionais e estrutura legal das empresas Existem vários vínculos dos profissionais com os hospitais, sendo que cada um deles possui dois ou mais tipos, como pode ser visto na tabela abaixo. Tab. 4 Tipo de vínculo dos médicos com os hospitais Vínculo/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Contratados* S S S S Grupo médico** S S S S Cooperados S Consultores*** S S S Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades *empregados **a maioria dos SADT é desenvolvida por empresas /grupos médicos *** médicos que não fazem parte do corpo clínico mas são chamados para atender demandas específicas. Existem nos quatro hospitais várias formas jurídicas de organização das equipes médicas, predominando a forma de médicos contratados (CLT) nos hospitais de Pirajuçara e Itaim. No hospital Itaim os contratos com grupos médicos são referentes aos SADT. A forma de cooperativa é predominante em Pedreira, com exceção de três profissionais contratados diretamente pelo hospital: o infectologista, o auditor e o diretor clínico. Em Itapecerica, existem três formas, ou seja, grupos médicos, médicos diretamente contratados pelo hospital e consultores. Três dos hospitais contam com consultores, isto é autônomos cujo pagamento do trabalho realizado pode ser por unidade de trabalho prestada (procedimento) ou por paciente atendido, detalhes que estão descritos no item análise de contratos, forma esta praticamente incipiente. Esta modalidade de contrato se dá justamente com especialidades em que a demanda de pacientes ou incidência de doenças não exige a presença de um profissional com uma carga horária efetiva. Esta diversidade, à primeira vista, tem implicações importantes na área de coordenação e gestão dos serviços médicos repercutindo no desempenho clínico traduzido por normalizações, protocolos, participação em comissões, reuniões e no sistema de referência e contra-referência. 4. 2.3 Análise dos contratos: formas de remuneração e regimes de trabalho Para a análise dos contratos foram observados os seguintes aspectos: formas de pagamento (quantia fixa, por produção e por produtividade), responsabilidade por manutenção de equipamentos, formas de contrato de pessoal. Tab. 5 Formas contratuais com as equipes médicas segundo hospitais Formas contratuais e Pedreira* Itapecerica Pirajuçara* especialidades / hospitais ** Remuneração fixa Anestesio Clín. Nefro méd./ortopedi a/ endoscopia digestiva/ UTI(adulto/pe diátrica) R. fixa + % tabela SUS Cardio Ped. R. fixa + número procedimento H. Trab. + Tab. AMB Broncoscopia Anestesio Quantia fixa por exame Percentual tabela SUS Itaim Cardiologia/ci r. adulto COPIMED** Oftalmologia/ Gastro/ imagem endoscopia digestiva Cardiologia diagnóstico/ endoscopia/ laboratório e radiologia Quantia fixa + Cir. pediátrica produtividade Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades * Não foram enviados os contratos de oftalmologia, cirurgia vascular, cirurgia pediátrica, endoscopia digestiva e ecocardiografia, hemoterapia e radiologia. ** Especialidades da COPIMED: cuidados intermediários, terapia intensiva(adulto/infantil), clínica médica, clínica cirúrgica(adulto), clínica obstétrica, ortopedia, neurologia. *** Não foram enviados contratos de anestesiologia, citopatologia, hemoterapia, oftalmologia, patologia e radiologia, medicina do trabalho . A diversidade das formas de remuneração identificadas reproduzem o mercado que está sendo criado em função dos diferentes grupos de especialidades organizados. De maneira geral pode-se dizer que a forma de cooperativa com remuneração fixa por horas trabalhadas e procedimentos, tem sido tradicionalmente utilizada pelos anestesistas, sendo que no Hospital de Pedreira esta forma foi disseminada para outros especialistas, cirúrgica, clínica, pediátrica, obstetrícia e terapia intensiva. As formas de contrato cuja remuneração é baseada na produção e/ou produtividade, com valores fixados em tabelas (AMB e SUS) são mais características dos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico. Face à localização periférica dos hospitais, tipo de clientela, expectativa de demanda e qualificação do corpo clínico surgiram estratégias diversificadas de atração de médicos. No padrão semelhante ao mercado privado, com ênfase em vantagens financeiras, são identificados os hospitais de Pedreira e Itapecerica; já os hospitais de Pirajuçara e do Itaim, sob influência das instituições-mãe, UNIFESP e Hospital Santa Marcelina, têm incentivos de outra natureza como o ensino, a pesquisa, os programas de ação comunitária, a valorização profissional e a estabilidade. 4. 2.4 Regime de trabalho dos médicos/honorários Vários são os regimes de trabalho dos médicos, tanto nos serviços próprios como nos terceirizados. Dividem-se em diaristas e plantonistas, sendo os segundos maioria absoluta, principalmente devido a localização dessas unidades. Os plantões são de 12 e 24 horas, e o regime diário varia de 4, 6 e 8 horas, dependendo das necessidades do hospital. Existem profissionais que comparecem a alguns dos hospitais somente 2 ou 3 vezes por semana, de acordo com a demanda de pacientes para sua especialidade. Alguns especialistas, como os consultores, ficam à distância, sendo chamados quando de urgências/emergências. As conseqüências destes regimes são as dificuldades no seguimento dos pacientes, organização de comissões e deficiências no processo de comunicação interna das unidades. A tabela 6 apresenta os valores percebidos pelos profissionais. Tab. 6 Valor da hora/médico para diaristas e plantonistas,segundo hospitais, em agosto 2001 Salários/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Hora/médico 28,00 21,46 18,18 15,39* Hora/med./plantão 28,00 19,15 18,18 18,06 Rendimento 2.800,00 ... 2.000,00 2.100,00 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades * deve ser acrescida de adicional OSS de R$ 5,71 para enfermaria e R$ 3,37 para ambulatório Com os valores praticados pelas quatro unidades os valores dos rendimentos variam de R$ 2.000,00 no Hospital de Pirajuçara a R$ 2.800,00 no Hospital de Pedreira. Pesquisa salarial realizada em setembro de 2001, pelo IMES – Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano do Sul, mostra que o valor médio da hora/médico pago por entidades privadas é de R$ 25,08. Considerando-se que no hospital do Itaim há adicional para os que trabalham na enfermaria e no ambulatório, os valores das horas/médicos dos quatro hospitais estão dentro da amplitude de variação de mercado. Diretores, supervisores e chefes possuem salários maiores, nos quatro hospitais. 4.2.5 Plano de cargos, carreira, salários e benefícios Não existente em nenhum dos hospitais estudados. O Hospital de Itaim pretende elaborá-lo a curto prazo. Este hospital atualmente conta com um adicional de salário denominado de “adicional OSS”, que representa algo em torno de 10% do salário. 4. 2.6 Bases do contrato O contrato estipula os deveres, obrigações e condições econômicas entre o médico e a Instituição ou hospital e a empresa/cooperativa médica, quando terceirizada. 4. 2.7 Especialidades médicas e serviços complementares As tabelas 7 e 8 enumeram as especialidades médicas e os serviços complementares diagnóstico e terapêutica segundo as formas de contratação. Tab. 7 Especialidades médicas por forma de contratação segundo hospitais Especialidades/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara 1. Alergia/Imunologia P 2. Anestesiologia T T T 3. Angiologia P 4. Broncoesofagologia T P 5. Cardiologia T T P 6. Cirurgia Cardiovascular T 7. Cirurgia cabeça/pescoço T T P 8. Cirurgia de mão T T P 9. Cirurgia geral T T P 10. Cirurgia pediátrica T T P 11. Cirurgia plástica P 12. Cirurgia torácica T P 13. Cirurgia vascular T T P 14. Citopatologia T P T 15. Dermatologia P 16. Eletroencefalografia T P 17. Endocrinologia/metabologia T P 18. Endoscopia Digestiva T T 19. Gastroenterologia T P 23.Ginecologia/obstetrícia T P P 25. Hemoterapia T T 26. Infectologia P P P 27.Medicina do trabalho P P T 28. Medicina int./clín. Médica T T P 29. Nefrologia T T 30. Neurocirurgia P 31. Neurofisiologia clínica 32. Neurologia T T P 33.Neurologia pediátrica P 34. Nutrologia P 35.Oftalmologia T T T 36. Ortopedia/traumatologia T T P 37. Otorrinolaringologia T P 38. Patologia T P T 39.Patologia clínica T P P 40. Pneumologia T P 41. Pediatria T P P 42.Psiquiatria P Itaim P T P P P P T T P P P P P P P P P T T P P P 43.Radiologia T T T 44.Reumatologia T P 45.Terapia Intensiva T T P 46.Urologia T T P Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades T P P Aqui, pode-se constatar as tendências gerais apresentadas no item anterior para os hospitais de Pedreira e Itapecerica (terceirização mais acentuada) e Itaim e Pirajuçara (serviços próprios). Tab. 8 Serviços complementares de diagnóstico e terapêutica por forma de contrato, segundo hospitais SADT/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Análises clínicas T P P T Anatomia patológica T T T T Angiografia/Hemodinâmica T Betaterapia Cardiotocografia T P P P Cinecoronarioriografia T Dermatologia T Diálise peritoneal T P T P Ecocardiografia T T P P Endoscopia T T T T Eletrocardiografia T T P P Eletroencefalografia T T P Eletromiografia P Ergometria T T P P Fisioterapia P P P Fonoaudiologia P P Hemodiálise T T T Holter T T P Litotripsia Medicina Nuclear T Neurofisiologia Ortóptica Pneumologia (Provas) T Potencial evocado Quimioterapia T P P Radiologia T T T T Radioterapia Reabilitação T P Ressonância Magnética T Terapia Ocupacional P P Tomografia T T T T Ultra-sonografia T T T Urodinamica Videolaparoscopia T T P Banco de sangue T T P Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades T P P Quanto às especialidades chama a atenção o número de 30 para o Hospital de Pedreira, 23 para o Hospital de Itapecerica, 25 para o Hospital de Itaim e os 41 para o Hospital de Pirajuçara. Este número maior justifica-se pela inclusão de especialidades de nível terciário de atendimento, definidas com a entidade-mãe que utiliza o hospital de Pirajuçara como unidade de treinamento, sendo, inclusive, política da direção.A questão levantada por estas evidências se refere ao dimensionamento e a necessidade destas especialidades de acordo com proposta de atenção secundária a ser implementada por estes hospitais periféricos. Este ponto requer uma discussão para redirecionar o modelo, visto que o nível de resolubilidade dado pelos especialistas do corpo clínico tende a distorcer a oferta de serviços e a demandar maior número de apoios diagnósticos e terapêuticos, com sérios reflexos na inserção destes hospitais no sistema de saúde e nos seus custos. Como comentário complementar, especialidades como acupuntura, tisiologia, mastologia, proctologia, auditoria, fisiatria, medicina geral comunitária, estão presentes, de forma ainda incipiente, em fase de implantação, ou estão sendo desenvolvidas por uma especialidade maior: cirurgia geral, ginecologia ou ortopedia. Quanto a subdivisão dos serviços complementares e terapêutica dos hospitais e o regime de contratação, verifica-se que o comportamento dos quatro hospitais não são homogêneos frente à terceirização. Embora os hospitais de Pedreira, Itapecerica e Itaim possuam o mesmo número de serviços(18),a terceirização plena(100%) se dá apenas no hospital de Pedreira .No de Itapecerica e no do Itaim representam 72% e 39% de serviços terceirizados, respectivamente. No hospital de Pirajuçara dos 26 serviços complementares e de terapêutica existentes 46% são terceirizados. Depreende-se, portanto, que a terceirização dos serviços complementares já é um fato consumado no mercado. 4. 2.8 Especialidades difíceis de encontrar no mercado Além da dificuldade da fixação de médicos diaristas por estas unidades, algumas especialidades foram destacadas como mais difíceis de serem contratadas: Hospital de Pedreira- não apresenta dificuldades para contratação possivelmente devido a: 1- localização mais próxima do centro de São Paulo; 2- terceirização total do corpo clínico ficando a responsabilidade pela contratação dos médicos com a cooperativa e empresas médicas; 3- melhor remuneração dos serviços prestados. Hospital de Itapecerica- tem dificuldade para contratar anestesiologia. Dentre as especialidades médicas a anestesiologia é uma das mais difíceis de relacionamento, face à força política da sua Associação, fazendo com que os profissionais se tornem exigentes quanto a remuneração e condições de trabalho. Hospital de Pirajuçara - anestesiologia, endocrinologia e terapia intensiva em pediatria. Hospital do Itaim- clinica geral e pediatria. Embora os hospitais de Pirajuçara e Itaim sejam ligados a entidades formadoras de mão-deobra médica, apresentam dificuldades nas especialidades citadas acima, fato que pode ser explicado pela distância do centro de São Paulo e pela remuneração, abaixo da expectativa dos profissionais. 4. 2.9 Cadastro dos médicos Existente em todos os hospitais, contendo dados demográficos, educacionais, profissionais local e ano de formatura, residência médica, pós graduação, cursos de especialização, entre outros dados. 4. 3 Parâmetros Relativos aos Processos 4.3.1 Aspectos relacionados à administração do corpo clínico Mesmo comparando quatro hospitais situados em diferentes locais da Região Metropolitana de São Paulo, cujos corpos clínicos são constituídos por profissionais de diversas origens, os itens discutidos a seguir não apresentam discrepâncias entre eles, o que pode ser definido por uma cultura médica uniforme, marcante, traduzida por uma preocupação com aspectos técnicos e de sobrevivência econômico-financeira, sem ênfase em questões administrativas e comportamentais. 4.3.1.1 Funções na administração do hospital De maneira geral, todos os diretores clínicos desempenham funções junto a administração do hospital, como na elaboração de relatórios, organização dos serviços médicos, relacionamento com o plantão controlador, estabelecendo referência e contra-referência. Quanto a estes dois últimos itens, nota-se uma certa dificuldade de relacionamento nos hospitais de Pedreira e Pirajuçara, que usam da informalidade, isto é, do relacionamento com colegas de outras unidades, especialmente, do Hospital das Clínicas e do Hospital São Paulo para transferência de pacientes, o que leva a distorções no sistema. 4.3.1.2 Horas diárias dedicadas a essa função Os diretores dedicam um mínimo de 6 horas diárias a essa função. 4.3.1.3 Pronunciamento do diretor clínico sobre a admissão de médicos Existe uma participação efetiva do diretor clínico na seleção dos médicos, em todas as unidades, embora o recrutamento possa sofrer influências das organizações –mães, como são os casos de Itaim e Pirajuçara. 4.3.1.4 Critérios para admissão de médicos Os critérios estabelecidos que obedecem à política de terceirização referida nos itens anteriores nos hospitais de Pedreira e Itapecerica são de maior complexidade e exigência (abaixo identificados) do que os realizados pelos hospitais de opção por regime próprio, com retaguarda das organizações- mães, onde predominam formas de pré -seleção pelas mesmas. Hospital de Pedreira • Edital de convocação anunciando vagas para médicos/equipes em jornais de grande circulação • Propostas encaminhadas a profissionais ligados a serviços universitários como USP, UNIFESP, Santa Casa de Misericórdia de São Paulo • Seleção através de análise dos currículos dos componentes das equipes • Valorização dos seguintes itens: especialização médica formal, pós-graduação, registro no CREMESP, residência médica completa em programas reconhecidos pelo MEC, titulo de especialista, mestrado/doutorado, bem como espírito humanitário, disciplina e experiência com o SUS • Após seleção das três melhores equipes submissão das mesmas a entrevista, onde procurava-se discutir: importância do projeto das OSS/SUS, diretrizes filosóficas da ACSC, necessidades da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para a região sul do município de São Paulo • Votação dos resultados por um triunvirato composto pelos diretores do hospital Segundo informações obtidas, para a seleção das equipes, o fator menor preço não foi decisivo. Não houve realização de concurso público, mas sim uma modalidade comparada à licitação pública. Hospital de Itapecerica • Divulgação informal no mercado • Desenvolvimento de um projeto de atendimento • Análise de currículo (documento básico para autorização de trabalho) • Residência médica completa • Obediência às normas internas do hospital e das comissões • Participação nas comissões do hospital • Compromisso da chefia em participar das reuniões semanais (de chefes) • Ciência de que qualquer membro pode ser demitido a qualquer momento • Entrevista Hospital de Pirajuçara • Entrevista • Residência médica • Título de especialista • Divulgação no mercado, principalmente na Escola Paulista de Medicina Hospital de Itaim • Residência médica • Titulo de especialista • Experiência • Formação médica, cultural e ideológica • Entrevista com análise do currículo 4. 3.1.5 Integração do médico ao hospital A integração do médico ao hospital se dá através dos coordenadores de equipe, que, além de serem levados aos seus respectivos locais de trabalho são informados dos objetivos e das realizações da instituição. No hospital de Itaim, a direção relata a ideologia da Instituição, apresenta um filme institucional e está preparando um documento com a normalização de cada clínica para ser entregue ao novo membro. Dada a importância deste ritual, novamente deve-se reforçar a necessidade de entrosamento entre as OSS/SUS para troca de informações a respeito de ações que venham a favorecer a integração do profissional ao hospital e a região. 4. 3.1.6 Ações trabalhistas Em todos os quatro hospitais, o número de ações trabalhistas não chega a ser expressivo, até porque o número de anos em funcionamento ainda é pequeno, no máximo de três anos. Em todos, porém, existe um ou dois casos resultantes de demissões por justa ou sem justa causa de médicos que cometeram alguma infração, sendo que as mais comuns são a falta ou atraso em plantões e horas de descanso não gozadas. 4. 3.1.7 Absenteísmo dos médicos Não chega a ser um problema nos quatro hospitais. 4. 3.1.8 Rotatividade dos médicos (discriminado por diaristas e plantonistas) Não chega a ser um problema nos quatro hospitais. No hospital de Itapecerica a equipe de neonatal foi trocada por apresentar resistências a humanização do parto, pela não aceitação da realização do VDRL somente da criança e pela resistência a aceitação da entrada de familiares na terapia intensiva, demonstrando uma coerência da direção com a política implantada. 4. 3.1.9 Penalidades aplicadas aos médicos e equipes Ocorrem demissões por infrações éticas, técnicas ou administrativas. Os contratos estipulam multas contra as empresas, fato que ocorreu uma dezena de vezes no Hospital de Itapecerica, neste período, em virtude de atrasos e falta a plantões. No hospital de Pirajuçara já ocorreram duas demissões de médicos por estarem dormindo no conforto médico quando deveriam estar atendendo no ambulatório. 4.3.1.10 Substituições dos profissionais em férias ou com problemas de saúde Nas equipes terceirizadas corre por conta dos coordenadores ou dos próprios médicos, com a aquiescência dos coordenadores. Algumas equipes montam um fundo para estas eventualidades. Nos hospitais, ou nas equipes próprias dos hospitais, existe um planejamento para substituições, e em alguns, há médicos cadastrados, avaliados pela direção clínica, que podem ser chamados em caso de necessidade. 4.3.1.11 Ações na justiça contra médicos Alguns hospitais tem este tipo de problema, que na maioria das vezes está ligado ao relacionamento médico paciente e não a erro médico. Não chega a ser um problema até o momento estando localizado na especialidade obstétrica. 4. 3.1.12 Reclamações dos pacientes contra os médicos Quando do surgimento de reclamações contra médicos, elas são recebidas pela direção do hospital, pelo diretor clínico ou pelo serviço de atendimento ao cliente (ouvidoria).As providências são tomadas ouvindo-se as partes. Nos SACs existem impressos próprios para as reclamações além da presença de um relações públicas para atendimento. No Hospital de Pirajuçara é realizada uma avaliação pós alta médica, utilizando-se de formulário próprio, além de, por amostragem, ser realizado uma pesquisa por telefone, sobre o atendimento prestado aos pacientes. Todas as reclamações são dirigidas à diretoria clínica. 4. 3.1.13 Relacionamento com o paciente Informações aos paciente quanto a doença, rotinas do hospital, recomendações pós alta médica,geralmente, são prestadas pelo médico ou pelo coordenador da equipe. 4.3.1.14 Relacionamento dos médicos e a respectiva equipe, dos médicos e a direção, dos médicos e a enfermagem Segundo opinião dos entrevistados, os relacionamentos ocorrem de modo tranqüilo em todas as unidades, fato este que de acordo com outros tipos de observações constantes deste documento, apontam para dificuldades deste processo. 4.3.1.15 Relacionamento com o Plantão Controlador Metropolitano Os hospitais de Pedreira e Pirajuçara relatam dificuldades de relacionamento como o Plantão Controlador, o que os faz utilizarem-se da informalidade para transferência de pacientes. 4.3.1.16 Avaliação dos profissionais médicos Os profissionais são avaliados quanto a aspectos técnicos, administrativos e comportamentais, com diferenças entre os hospitais, embora a avaliação careça de formalidade quanto a periodicidade e parâmetros. Exemplos mais comuns, são os aspectos técnicos, encontrados no contrato de gestão, como a taxa de cesáreas. Nos aspectos comportamentais a avaliação é superficial, limitando-se a cumprimento de horário, e na não ocorrência de eventos mais graves. 4.3.1.17 Valorização do médico Somente no Hospital do Itaim, pode ser constatado um trabalho efetivo quanto a valorização do médico, com as seguintes atividades: • Reuniões científicas do corpo clínico e sociais como café da manhã, com divulgação de informações sobre atividades planejadas e em andamento; • Ajuda de custo para cursos e congressos; • Oportunidade de crescer profissionalmente, na instituição; • Delegação de tarefas; • Direção aberta ao diálogo; • Criação de um plano de cargos, carreira e salários; • Estímulo a decisão em grupo, processo participativo. O Hospital de Pirajuçara oferece boas condições de trabalho e reconhecimento profissional. 4.3.2 Participação do corpo clínico no processo de qualidade A participação do corpo clínico no processo de qualidade se dá de diversas formas, tanto no aspecto técnico como administrativo, envolvendo atuação em comissões interdisciplinares e participação em estudos multicentricos. 4.3.2.1 Comissões com participação do corpo clínico Com exceção do Hospital de Pedreira que possui 6 comissões, os outros apresentam 10 comissões em sua estrutura organizacional. De todas elas, somente quatro são comuns a todos eles: ética, infecção hospitalar, óbito e prontuário médico. Ao todo, são 17 diferentes comissões atuantes no conjunto dos quatro hospitais. Cabe destacar que as comissões de anátomo-clínica, de licitações e de medicamentos embora freqüentes no meio hospitalar não foram apresentadas, podendo, porém , as atribuições das duas últimas estarem sendo exercidas por outras. Recentemente, a utilização de materiais de uso único, com o surgimento de técnicas de esterilização vem requerendo a formação da comissão de reprocessamento material de uso único, que, no entanto, não foi apresentada por nenhum deles. A complexidade das atividades desenvolvidas pelos hospitais, requer que muitas das decisões envolvendo várias subáreas sejam tomadas a partir de comissões, recomendandose a criação e atuação das mesmas, como órgãos auxiliares da administração. Tab. 9 Comissões com participação do corpo clínico em atividade nos hospitais Comissões/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Prontuário Médico S S S S Infecção hospitalar S S S S Ética S S S S Óbito S S S S Curativo S S Enteral e parenteral S Humanização S S Intra- hosp. Transplante S S Material/medicamentos S S S Mortalidade materna S S Padronização de dietas S Perinatologia S S Planejamento familiar S Pronto socorro/P. atend. S Qualidade S Suprimentos S Terapia nutricional S Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades A seguir analisou-se as comissões de prontuários e de infecção hospitalar, consideradas essenciais para manutenção de padrões de qualidade hospitalar. 4.3.2.2 Comissão de prontuários A tabela 10 apresenta o resultado do estudo de Gestão de Pacientes elaborado sobre o funcionamento das comissões, quanto a normalização e funcionamento, a partir de uma amostra de prontuários, visando identificar os resultados decorrentes das formas de organização dos referidos hospitais. Tab. 10 Avaliação e indicadores do grau de atuação das comissões e dos prontuários estudados, segundo OSS/SUS Hospitais Indicadores Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim 1. Comissões / Grau de Atuação CCIH Normaliza S S S S ção Funcionam Ótimo Muito bom Regular Muito ento bom Prontuários e óbitos 2. Prontuários Normaliza S S ção Funcionam Em Atuação ento implantaçã evidente o* S Formal S Atuação evidente Pastas Apresentaç novas ão Identificad as Pastas novas Pastas velhas Envelopes ** Ótimo Organizaçã o Check-list Muito bom Bom Muito bom - Conteúdo Adequado Adequado Adequado Adequado Identificadas Impressos não próprios Encaminha mento (doc. Ref. Presente Presente em Presente em Presente e contraem 100% 79% em referência) 55% 20%*** Fonte: Estudo “ Gestão do Paciente” * documentos de análise de óbitos e prontuários consistentes e existentes antes da implantação da Comissão ** um prontuário novo para cada atendimento *** documento de alta muito bem preenchido À exceção do hospital do Itaim, nos hospitais de Pedreira, Itapecerica e Pirajuçara há a função do médico auditor, com as seguintes atribuições: • responsabilizar pela atuação da comissão de prontuário médico; • zelar pela qualidade do prontuário médico (verificar a coerência das informações contidas no prontuário); • conferir a documentação constante do prontuário através de um lista de checagem existente para este fim; • revisar o preenchimento de AIH e SIA (evitar erros na cobrança da conta); • realizar auditorias nos casos de óbitos; • analisar os indicadores hospitalares tradicionais como: média de permanência, taxa de mortalidade geral, taxa de mortalidade institucional, taxa de infecção hospitalar, • avaliar a qualidade da assistência prestada. A equipe de ortopedia do Hospital de Pedreira conta com um médico clínico geral para manter a qualidade do prontuário médico. 4.3.2.3 Comissão de Infecção Hospitalar (CCIH) A comissão de infecção hospitalar, em todos os hospitais, recebe o apoio do corpo clínico, sendo importante na decisão sobre a padronização e uso de antimicrobianos. Atua na coleta de dados, busca ativa diária, notificações, preenchimento de impresso próprio para determinados antibióticos, participação nos consensos de condutas. No Hospital de Pirajuçara a farmácia não libera o antibiótico se a CCIH não referendar. 4.3.2.4 Reuniões do corpo clínico As pautas das reuniões do corpo clinico devem tratar invariavelmente de assuntos técnicos e administrativos, privilegiando aspectos gerais e específicos, a saber: a) problemas médico-administrativos inerentes ao corpo clínico (produção, produtividade, questões éticas); b) revisão de casos clínicos; c) análise das estatísticas técnicas e administrativas do hospital com recomendações para melhoria do trabalho profissional do hospital e cumprimento do contrato de gestão; d) apreciação de relatórios das diferentes comissões (óbitos, infecção, ética e prontuário); e) revisão dos processos, procedimentos e resultados; f) atualização da padronização de medicamentos, materiais de consumo, orteses e próteses; g) elaboração de protocolos clínicos e cirúrgicos; h) política local; i) relacionamento com outros profissionais. O estudo específico dos processos relativos ao corpo clínico evidencia que, em todos os hospitais, independente da forma de contratação, os mecanismos de relacionamento através das comissões, reuniões de coordenação entre outras, estão aquém de uma proposta inovadora na gestão da qualidade dos serviços hospitalares. A falta de registro sistemático das deliberações é uma constante em todas as unidades. A informalidade encontra-se presente, haja vista que embora aconteçam reuniões para a elaboração de protocolos clínicos, o resultado é incipiente. A discussão sobre referência e contra-referência de pacientes não ocupa espaço na agenda das unidades, assim como outros assuntos de interesse não são formalmente discutidos. Somente o Hospital de Pedreira conta com um programa de qualidade, em fase inicial, quando autoridades de saúde estão preocupadas com a acreditação dos hospitais Brasileiros. 4.3.2.5 Protocolos clínicos, rotinas e normas Todos os dirigentes manifestam intenção de estabelecer padrões mínimos, normas, rotinas e desenvolver protocolos Atualmente, o hospital de Itaim possui normas e rotinas para todas as áreas médicas, protocolos clínicos para ginecologia/obstetrícia, pediatria, clínica médica e neonatologia. O hospital de Pedreira possui protocolos para terapia intensiva pediátrica e adulto, para parada cardíaca, neurologia e psiquiatria. Nos hospitais de Itapecerica e de Pirajuçara não foram mencionados. Como pode ser visto, não é uniforme a existência de normalização nos quatro hospitais, o que prejudica a busca da qualidade, redução de custos e maior produtividade. Nota-se ausência de motivação para o desenvolvimento destas tarefas. 4.3.2.6 Atividades científicas De uma maneira geral todos os hospitais se dedicam a atividades científicas, relacionadas à elaboração de artigos para publicações científicas, cursos de reciclagem, aulas e palestras em outras instituições, estímulo a participação em congressos, seminários e jornadas. Alguns apresentam pesquisas em andamento e inclusive há participação em estudos multicêntricos com entidades no exterior, como é o caso do Hospital de Itaim. 4.3.2.7 Padronização de medicamentos A padronização de medicamentos é realizada de maneira informal, isto é, existe uma preocupação em manter um número não muito alto de itens e apresentações, o que pode ser constatado no Relatório do Subprojeto “Avaliação de Medicamentos”, porém, não há um esforço sistematizado, planejado, para esta finalidade. O mesmo ocorre com a prescrição de genéricos, que é realizada, mas sem uma meta que permita quantificar e qualificar a evolução da mesma. 4.3.2.8 Desperdícios Em alguns hospitais, como o do Itaim, a luta contra o desperdício já é uma tradição na organização-mãe, sendo que materiais de consumo, fios cirúrgicos, cateteres, e outros itens para determinados procedimentos são montados em forma de kits. Neste mesmo hospital o número e o tipo de exames complementares são normalizados por meio de protocolos. Estuda-se, a implementação do sistema de informatização, visando o bloqueio de determinados exames num período de tempo a ser estipulado, de acordo com a suspeita ou a doença em tratamento. Para medicamentos, os protocolos são efetivos evitando prescrição em excesso. Quanto a equipamentos a atenção é dada por um engenheiro clínico por meio de manutenção preventiva, evitando-se perda de tempo e gastos com a quebra e posterior parada dos mesmos. No Hospital de Pedreira, medidas como a segunda opinião frente a solicitação de exame complementar são tomadas pelos colegas, inclusive com opinião dos radiologistas, no caso de diagnóstico por imagem. As mudanças de antibióticos são realizadas junto com os membros da comissão de infecção hospitalar. No hospital de Pirajuçara, em relação a antibióticos quaternários, é utilizada a dose diluída, elaborada pela central de diluição da farmácia. Os materiais consignados têm controle rígido, sendo que o uso deve ser autorizado pelo diretor clínico e o controle em sala feito pela circulante. No Hospital de Itapecerica existe a preocupação de acabar com os sub-estoques, realizar compras pela qualidade do produto, discussão sobre compra e utilização e órteses e próteses, entre outras medidas. Não há uniformidade entre as quatro unidades, o que poderia ocorrer se sistematicamente houvesse um intercâmbio de assuntos técnicos e administrativos referentes aos assuntos comuns as OSS/SUS. 4.3.2.9 Centro cirúrgico Em relação a racionalização da utilização das salas cirúrgicas e pontualidade no horário dos procedimentos, os hospitais tem orientado as equipes cirúrgicas para realização de cirurgias eletivas no período vespertino, ofertando treinamento administrativo ao responsável pela unidade, realizando adequações na área física e elaborando estatística de ocupação e produção. No Hospital de Pirajuçara existe uma desproporção entre o número de salas e o número de especialidades médicas, gerando atrasos nas cirurgias. Outros motivos relacionados aos médicos como a falta de avaliação de exames pré-operatórios e mais recentemente por problemas com a equipe de anestesia, que foi substituída. Outra razão para problemas deste tipo diz respeito ao planejamento destas unidades prever o atendimento a nível secundário e muitos deles estarem atuando a nível terciário, realizando cirurgias mais longas e mais complexas. 4.3.2.10 Acreditação hospitalar Em nenhum dos hospitais há um programa de acreditação hospitalar, embora no Hospital de Pedreira já exista uma comissão de qualidade formalmente implantada, sem, contudo, contar com a participação efetiva dos médicos. O Hospital de Pirajuçara está participando do Programa do CQH da Associação Paulista de Medicina. A participação do corpo clínico é tímida. 4.3.3 Aspectos relativos ao desenvolvimento de recursos humanos 4.3.3.1 Ensino & treinamento Existe um calendário de treinamento voltado para o gerenciamento de urgências/emergências oferecido aos médicos dos hospitais estudados, entre eles, os seguintes constantes tabela 11: Tab. 11 Cursos de reciclagem em urgência/emergência, segundo hospitais Treinamento/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim ACLS* S S S S ATLS** S S S S FCCS*** S N N N BLS**** S N N N PALS***** S S N S Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades *Suporte avançado de vida em cardiologia **Suporte avançado de vida em trauma ***Suportes fundamentais de cuidados críticos ****Suporte básico de vida *****Suporte avançado de vida em obstetrícia obs. N= não, S= sim A tabela 12 revela outras atividades de ensino como residência médica, estágio, internato e inclusive participação do corpo clínico no treinamento de profissionais não médicos. Tab. 12 Atividades de ensino médico e não médico, segundo hospitais Atividades/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Residência S N S S Estágio N N S N Internato N N S N Não médicos N N S S Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades obs. N= não, S= sim O Hospital de Pirajuçara recebe os residentes da Escola Paulista de Medicina nas seguintes especialidades: ortopedia, cirurgia plástica, cirurgia geral, otorrinolaringologia, ginecologia/obstetrícia, pediatria, patologia clínica, e psiquiatria, servindo também como campo de estágio para otorrinolaringologia e ortopedia e também para o aprimoramento em enfermagem. Recebe também internos desta entidade nas especialidades de gastroenterologia, obstetrícia e cirurgia cardiovascular. Utiliza-se no hospital o regulamento da referida entidade. No hospital de Pedreira existe residência médica em cirurgia geral, sendo que os médicos residentes adquirem experiência em casos terciários em outros hospitais. O regulamento da residência é baseado no Colégio Brasileiro de Cirurgia. Os residentes recebem um salário baseado no piso salarial dos médicos. O Hospital de Itaim possui residência em Medicina Comunitária, com 3 médicos residentes e estágio em enfermagem e psicologia. Verifica-se uma preocupação em todos eles com a regulamentação das atividades de ensino, principalmente quanto a residência em especialidades médicas. O hospital de Itapecerica é o único que não tem atividades de ensino, quer de médicos ou de outros profissionais. 4.3.3.2 Participação em atividades educativas para outros profissionais Em todos os quatro hospitais existe a participação do corpo clínico no treinamento de outros profissionais, principalmente os de enfermagem, embora não caracterizando atividade regular e formal. 4.4 Parâmetros Relativos aos Resultados 4.4.1 Itens de controle A maioria dos hospitais trabalha com indicadores gerais como média de permanência, taxa de infecção hospitalar, ocorrências com pacientes e funcionários e, específicos, como o APACHE que é uma avaliação para conhecimento do prognóstico do paciente em estado grave. Existe a utilização de indicadores de resultados, porém não dispõem de indicadores de estrutura, processos e de meio ambiente, que permitiriam uma visão global e específica voltada para a coordenação do cuidado ao paciente quer na instituição ou fora dela. De acordo com o contrato de gestão são obrigatórios os seguintes indicadores: taxa de infecção hospitalar, mortalidade hospitalar, cesárea, funcionamento das comissões, média de permanência e taxa de ocupação, além de grau de satisfação da clientela. Os indicadores utilizados podem ser considerados como de resultados em termos de eficiência, efetividade, qualidade e eficácia. Alguns deles podem ser vistos como resultantes de vários dos aspectos mencionados, e também não diretamente relacionados à maneira de organização dos serviços médicos, mas ao conjunto de determinantes encontrados nas OSS/SUS. A comparabilidade dos hospitais com terceirização de áreas clínico-cirúrgicas com aqueles onde os serviços médicos mantêm um padrão de contratação própria, parte de pontos comuns como inserção na rede de serviços da capital e da Grande São Paulo, tipo de demanda, localização periférica, planta física e proposta de trabalho regulada pelo contrato de gestão, que permitem uma generalização das observações, porém, os aspectos abordados devem servir como referência a diretrizes mais gerais para a Secretaria em relação revisão de novos contratos de gestão. Duas foram as fontes de dados analisadas neste item, o relatório de atividades hospitalares do mês de agosto de 2001 e informações obtidas a partir de um levantamento de dados do primeiro semestre de 2001, coletados pelo Estudo Gestão de Pacientes, o que pode levar a algumas diferenças em valores, porém sem perda da qualidade da análise. 4.4.2 Capacidade instalada, número e relação profissionais/leito As tabelas 13 e 14 trazem indicadores relativos ao dimensionamento de recursos humanos nos hospitais estudados. O hospital de Pedreira apresenta um maior número de médicos em comparação aos demais e, predominantemente terceirizados (97,9%), enquanto que no hospital de Itapecerica, do total de médicos, 66,5% estão nesta categoria. Nos dois outros hospitais, como era esperado, predominam os médicos próprios. Também é no hospital de Pedreira que se encontram as maiores relações funcionários/leito e de médicos/leito, respectivamente 5,19 e 1,38, em comparação às médias de 4,20 e 1,00 das respectivas relações para os demais hospitais. Visto que não foram informadas as horas médicas efetivamente trabalhadas pelo Hospital de Pedreira, a interpretação apenas numérica, pode levar a distorções. Sua relação enfermeiro e auxiliares de enfermagem respectivamente 0,26 e 1,40 mantêm os padrões encontrados nos demais hospitais. Tab. 13 Leitos/camas, funcionários e médicos/leito e/ou cama, segundo hospitais, em agosto de 2001 Itens/hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Leitos/camas 242 189 282 246 Médicos próprios 7 52 267** 224 Médicos terceiros 328 103 35 17 Médicos total 335 155 302 241 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades **existem mais 14 médicos cuja carga horária semanal é pequena. Foram contabilizados com o fim de medir a relação médicos/leitos e camas. As diferenças encontradas nestes dados sobre número de médicos referem-se a tipologia dos hospitais que pode ser caracterizada pelo ensino em Pirajuçara, pela terceirização do corpo clínico em Pedreira, e pelo caráter mais assistencial em Itapecerica e Itaim. Além dos comentários acima, convém lembrar que justifica-se a maior relação médico/leito no hospital de Pedreira, em decorrência do maior movimento de consultas ,em comparação aos demais hospitais. Tab. 14 Indicadores de relação profissionais por leito do mês de agosto de 2001 Dimensionamento Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Médico/leito 1,38 0,82 1,07 0,97 Médicos/funcionário 0,26 0,19 0,26 0,21 Funcionários/leitos 5,19 4,11 4,03 4,48 Enfermeiro/leito 0,26 0,27* 0,25 0,20 Téc./Aux./leito 1,40 1,42 1,20 1,43 Fonte: Estudo “ Gestão do Paciente” • 25 funcionários contratados através de cooperativa para cobertura de licenças e férias 4.4.2.1 Dados de produção e morbidade Os dados da Tabela 15 , correspondentes ao mês de agosto de 2001 guardam relação com os da Tabela 2, referentes a média mensal do primeiro semestre. Chama a atenção a mudança quantitativa das cirurgias realizadas. Embora todos os hospitais afirmem fazê-las, na prática são procedimentos realizados em ambulatório, de baixa complexidade, em sua maioria, drenagens de abscessos e suturas. Tab. 15 Dados selecionados de produção, segundo hospitais,no mês de agosto de 2001 Produção/Hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Total de consultas 31.238 8.899 16.373 Internações 955 1.247 1312 SADT* 86.612 56.986 102.692 Partos 307 434 401 Cirurgias 695 623 566 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades *Soma de todos os diferentes exames realizados Itaim 24.089 1397 76.074 459 485 O grande número de exames complementares de diagnóstico e terapêutica no Hospital de Pirajuçara pode ser explicado, em parte, pelo número de especialidades existentes no hospital, maior, também, do que nos outros três. Os dados da Tabela 16 referentes ao mês de agosto de 2001 e os da Tabela 17, correspondentes ao primeiro semestre de 2001 permitem melhor caracterizar os hospitais estudados, em que pese serem bases temporais distintas. Tab. 16 Indicadores de resultados , segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Indicadores/Hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Leitos 242 189 282 246 Taxa ocupação ( %) 72,00 87,75 97,00 91,65 M. permanência (dias) 4,88 4,43 5,38 4,76 Infecção hospitalar (%) 3,70 3,43 5,17 1,54 Taxa de cesárea (%) 18,56 26,03 26,43 16,77 Taxa mortalidade (%) 3,46 3,65 3,29 6,20 Fonte: relatórios de atividades hospitalares A taxa de ocupação apresenta-se excessivamente elevada nos hospitais de Pirajuçara e do Itaim, o que merece uma análise mais aprofundada. A média de permanência geral é mais elevada no hospital de Pirajuçara, enquanto que nos demais hospitais a média observada foi de 4,6 dias, quer se observe a tabela 16 ou 17. Verifica-se maior variabilidade desta medida quando se analisa por tipo de internação (tab. 17). Para a obstetrícia, a menor média de permanência foi encontrada no hospital Itaim que, coincidentemente, teve a menor taxa de cesárea. Os hospitais de Pedreira e Itapecerica têm comportamento semelhante, com média de permanência abaixo de 3 dias, diferenciando do hospital Pirajuçara que apresentou 3,41 dias de média de permanência na obstetrícia, justificada por sua direção pela normalização emanada da Escola Paulista de Medicina. Observa-se que, à exceção do hospital de Itapecerica que apresentou taxa de cesárea de 31% ,os demais hospitais estão coerentes com a meta fixada de taxa de cesárea inferior a 30% (tab. 17). O hospital de Itapecerica atende gestantes de alto risco. . Tab. 17 Indicadores de qualidade segundo hospital, no primeiro semestre de 2001 Indicadores/Hospit PEDREIR ITAPECERIC PIRAJUÇARA ITAIM ais A A Inserção no sistema Existe Rede básica Pront. e agendas Existe esforço, de Saúde esforço, mas estruturada para na UBS mas não está não está referência e Entrada de pctes articulada articulada contra-referência fora da área de abrangência Média de Permanência (dias) - Geral 4,64 4,66 4,79 4,61 - Obstetrícia 2,65 2,80 3,41 2,30 - Clínica 6,76 8,35 11,22 6,58 - Cirúrgica 5,42 5,45 5,78 4,00 Taxa de Infecção Hospitalar (%) Mortalidade (%) - Clín. Médica - Clín. Cirúrgica 3,0 5,0 5,0 1,89 6,53 0,55 12,32 1,26 12,27 2,18 12,78 4,77 31,0 28,33 18,53 Taxa de cesáreas 25,95 (%) Fonte: Estudo ” Gestão do Paciente” Obs. UBS= unidade básica de saúde A média de permanência clínica apresenta maior variabilidade entre os hospitais. O hospital de Pirajuçara e o de Itapecerica apresentam valores de 11,22 dias e 8,35 dias respectivamente, bem superiores aos de Pedreira ( 6,76 dias) e do Itaim (6,58 dias). Também quanto a média permanência cirúrgica o hospital Pirajuçara apresentou maior valor comparativamente aos demais hospitais, em decorrência de procedimentos de nível terciário. Levando-se em consideração apenas a referência dos três principais diagnósticos, excetuando parto, ( broncopneumonia, acidente vascular cerebral,insuficiência cardíaca congestiva - infarto do miocárdio) não se justifica esta variação, a não ser que a gravidade e a situação social dos pacientes dêem sustentação ao indicador. O valor da média de permanência mais elevado para o padrão de hospitais gerais de atendimento secundário talvez seja justificado por problemas sociais relacionados às regiões em que se encontram as unidades. As taxas de infecção hospitalar nos hospitais de Itapecerica e Pirajuçara estão no limite do estabelecido no contrato de gestão. As taxas de mortalidade geral e especificadas mostram-se elevadas nos hospitais analisados, com destaque para o hospital Itaim , que apresentou maior taxa quer na clínica médica quer na cirúrgica. Devem estar relacionadas com as condições sociais da região, com o processo de desativação do PAS da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, bem como com a grande demanda de causas externas que é significativa na composição dos óbitos cirúrgicos. Em relação ao primeiro indicador, a inserção no Sistema de Saúde (tab.18), apesar dos esforços relatados, as OSS/SUS estudadas, têm baixa articulação com a rede básica estadual e municipal. Deve-se destacar que estas articulações são da competência das instâncias territoriais das secretarias de saúde estadual e municipal, cabendo as OSS/SUS o cumprimento dos acordos estabelecidos visando melhoria do atendimento integrado da população assistida. O hospital de Itapecerica apresenta melhor estrutura para referência e contra-referência com a rede básica, certamente por uma tradição decorrente do Projeto do Hospital de Cotia, que também formou profissionais hoje trabalhando no referido hospital. Tab. 18 Percentual de internações por clínica e morbidade clínico-cirúrgica por hospital, no primeiro trimestre de 2001 Indicadores/Hospitais Internações - Obstétricas - Clínica Médica - Pediátrica + Psiquiatria* - Cirúrgicas Morbidade ** - Clínica - Cirúrgica Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim 40,31 32,14 37,68 24,90 39,83 29,14 41,18 36,07 27,55 37,42 31,03 18,05 BCP/ AVC/ BCP/ AVC/ ICC IAM Hemorróidas Hérnias/ / Colecistite/ HDA/ Apendicite Hérnias BCP/ AVC/ AVC/ BCP/ ICC ICC Varizes/ Apendicite/ TCE / Colelitíase/ Hérnia/ Hérnias Abdome Agudo *incluídas na clínica médica **causas ordenadas Fonte: Estudo “ Gestão do Paciente” por ordem de freqüência Obs. BCP= broncopneumonia, AVC= acidente vascular cerebral, ICC= insuficiência cardíaca congestiva, IAM= infarto agudo do miocárdio, HDA= Hemorragia digestiva alta, TCE= traumatismo crâneo-encefálico Em relação ao percentual de internações obstétricas, clínicas e cirúrgicas os hospitais apresentam dois comportamentos distintos: 1- as internações obstétricas mantém um percentual médio de 40,00%, ocupando nos quatro hospitais a primeira causa de internação,como era esperado. 2- internações clínicas com maior freqüência nos hospitais de Pedreira e Itaim. 3- as internações cirúrgicas apresentam maior freqüência nos hospitais de Itapecerica e Pirajuçara, sendo que neste último incluem-se procedimentos de alta complexidade; 4- quanto a morbidade clínica os quatro hospitais apresentam pequenas variações de posição de três doenças básicas: broncopneumonia, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca – infarto agudo do miocárdio. 4.4.3 Indicadores financeiros 4.4.3.1 Valores dispendidos para os serviços médicos Tab. 19 Despesas totais em reais (R$), com médicos, funcionários e algumas proporções agosto 2001 Gastos/hospitais Pedreira % Itapecerica Pirajuçara Itaim % % % Total despesas 3.039.334 2.635.597 2.800.156 2.489.738 Despesa Funcionários 1.081.537 989.161 922.707 1.135.511 Despesa Total 780.470 646.573 774.683 458.216 médicos Desp. Méd. próprio 9.864 233.952 670.793 458.216 Desp. Méd. 770.606 412.621 103.890 terceiro* SADT terceirizado 484.253 183.272 117.824 365.339 Despesa func./leito 4.469 5.233 3.272 4.615 35,6 37,5 32,9 45,6 Despesa méd./leito 3.225 3.421 2.747 1.863 25,7 24,5 27,7 18,4 Despesa SADT/leito 2.001 969 417 1.485 15,9 7,0 4,2 14,7 Despesas outras/leito 2.864 4.331 3.493 2.157 22,8 31,0 35,2 21,3 Despesa total/leito 12.559 13.944 9.929 10.120 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Subprojeto Atividades Hospitalares 2001 Obs. os gastos em alguns serviços complementares são acrescidos de salários de outros profissionais e materiais. * médicos das subáreas clínico-cirúrgicas Verifica-se na Tab. 19 que o hospital Pedreira apresenta o maior valor de total de despesas. Esta constatação era de se esperar por apresentar maiores indicadores de médico/leito, funcionário/leito entre todos os hospitais (tab. 14). É também neste hospital que se verifica a maior despesa total com médicos onde predominam os gastos com médicos clínicos e cirúrgicos terceirizados que representam 99% deste total de despesas. A soma das despesas com funcionários, médicos e SADT terceirizados, em relação à despesa total, mostra uma despesa em torno de 78% nos hospitais de Pedreira e do Itaim, enquanto que no de Pirajuçara corresponde a 65% e no de Itapecerica 69%, demonstrando o alto percentual de despesas com pessoal. Nos quatro hospitais o maior valor de despesa/leito em relação a despesa total/leito é de funcionários, em torno de 33-38% nos hospitais de Pedreira, de Itapecerica e de Pirajuçara, e de 46% no de Itaim. Analisando-se a despesa médico/leito verifica-se no hospital de Itaim a menor participação 18,4%, exclusivamente devido às despesas com os médicos próprios. É no hospital de Pirajuçara que se constata maior percentual de despesa médico/leito em relação a despesa total/leito, de 27,7%. Esta mais elevada proporção está diretamente relacionada ao pagamento de médicos próprios 86,6% e médicos terceirizados 13,4%. Observa-se ainda que nos hospitais de Pedreira e de Itapecerica as despesas com médicos terceirizados em relação ao total de despesas com médicos, representam 99% e 64%, respectivamente. Conforme visto anteriormente, (tab.7), as especialidades clínicas terceirizadas têm proporções bastante diferenciadas nos hospitais. No hospital de Pedreira das 30 especialidades 28 (93%) são terceirizadas, em Itapecerica das 23, 16 (70%); no Pirajuçara das 41 existentes somente 10 (24%) e no de Itaim das 25 especialidades, apenas 6 (24%), confirmando assim a terceirização do corpo clínico e serviços clínicos cirúrgicos nos dois primeiros hospitais.Chama a atenção a elevada despesa total com médicos clínicos e cirúrgicos, próprios e terceirizados, do hospital de Itapecerica quando comparada com a dos outros hospitais, considerando-se que possui o menor número de leitos e de médicos. Este fato é explicado pelo modo de pagamento, parte fixa e parte por produtividade, o que não acontece nos outros, cujos pagamentos somente obedecem a uma parcela fixa. Seria desejável a comparação das despesas com médicos próprios e terceirizados entre os quatro hospitais. A impossibilidade se deve ao desconhecimento do número de médicos discriminados atuando nos serviços clínicos, cirúrgicos e nos SADT. Para melhor apreensão da realidade, em termos das despesas/médicos sugere-se o detalhamento das mesmas pelo número de profissionais e respectivas horas trabalhadas, segundo a distribuição nestas subáreas. Verifica-se que o valor médio de despesa total/leito gira em torno de R$ 11.638,00 com uma amplitude de R$ 9.929,00 no Hospital de Pirajuçara a R$ 13.944,00 no de Itapecerica A tabela 20 apresenta a distribuição dos gastos com serviços clínico- cirúrgicos terceirizados. Os dados confirmam a terceirização do corpo clínico- cirúrgico nos hospitais de Pedreira e Itapecerica. Excetuando o hospital de Itaim que tem todos os serviços clínico- cirúrgicos próprios, apenas dois serviços médicos: anestesia e oftalmologia, são igualmente terceirizados nos hospitais de Pedreira, Itapecerica e Pirajuçara. Tab. 20 Gastos em Reais (R$) com serviços clínico-cirúrgicos de médicos terceirizados segundo hospitais, no mês de agosto de 2001 Serviços/Hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Anestesiologia 72.800 68.566 67.500 Cardiologia 4.935 Card. Pediátrica 2.770 Clinica Médica 57.500 Cirurgia Cardíaca 8.500 Cirurgia Geral 94.954 Cirurgia Pediátrica 17.000 Cirurgia Vascular 9.493 COOPMED* 574.184 Nefrologia 13.000 Oftalmologia 20.464 16.273 10.790 Otorrinolaringologia 4.100 Ortopedia 90.895 88.500 Pronto socorro 4.893 UTI adulto 30.000 UTI pediátrica 30.000 TOTAL 770.606 412.621 103.890 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades *ginecologia/obstetrícia, pediatria, cirurgia geral adulto/infantil, clínica médica, UTI adulto e infantil Com relação aos serviços complementares terceirizados (Tab. 21) confirma-se ser prática comum nos hospitais estudados. Tab. 21 Gastos em Reais (R$) com serviços complementares terceirizados no mês de agosto de 2001 SADT/Hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim Infecção hospitalar 4.099 Anat. Patológica 4.152 1.100 11.808 6.437 Broncoscopia 2.500 Ecocardiografia 16.457 2.042 Endoscopia 16.458 8.174 17.062 Ergometria 7.565 Hemoterapia 33.835 1.400 Imagem 141.207 123.616 90.343 141.489 Pat. Clínica 302.559 18.076 196.909 Med. do trabalho 3.400 TOTAL 484.253 183.272 117.824 365.339 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades obs. nos serviços complementares de diagnóstico e terapêutica constam honorários de profissionais técnicos, materiais de consumo e manutenção de equipamentos. Apesar de não se ter dados comparativos com os demais hospitais, chama a atenção o alto valor do serviço de hemoterapia no hospital de Pedreira. Analisando-se a terceirização em valores gastos, em Reais (R$) , verifica-se que Pedreira apresenta 99%, Itapecerica 72%, Pirajuçara 25% e Itaim 44%, sendo este último às custas unicamente dos serviços complementares de diagnóstico e terapêutico. Tab. 22 Percentual de terceirização, em valores, de serviços médicos e SADT, sobre o total de despesas com médicos, segundo OSS/SUS Terceirização/Hospitais Pedreira Itapecerica Pirajuçara Itaim % Terceirização 99,21 71,80 24,84 44,36 % Serviços médicos 60,93 49,72 11,64 % SADT 38,29 22,08 13,20 44,36 TOTAL despesas médicos 1.264.723 829.845 892.507 823.555 Fonte: levantamento realizado nas entrevistas e nos documentos das unidades 4.5 Vantagens e Desvantagens da Terceirização do Corpo Clínico A análise das respostas dos entrevistados nas diferentes unidades, (tab. 23 e Anexo II) leva ao entendimento de que as vantagens sobrepõem-se às desvantagens, quando da terceirização de especialidades clínicas e cirúrgicas, embora o tempo decorrido entre o inicio das mesmas e o momento atual seja pequeno para a ocorrência de eventos favoráveis e desfavoráveis que permitiriam uma visão mais aprofundada do processo. Tab. 23 Vantagens e desvantagens da terceirização dos serviços médicos Vantagens e desvantagens Vantagens • Enfoque administrativo • • • • • Desvantagens Facilidade de reposição Menor absenteísmo Menor rotatividade Flexibilização da jornada Admissão sem burocracia Facilidade na gestão • • • Enfoque financeiro • • • Menores encargos Menor custo adm. Pessoal Melhor remuneração médico Enfoque resultados • • Maior produtividade • Diminuição suspensão procedimentos Diminuição quebra equipamentos Maior qualidade atendimento • • • Diminuição de conflitos. • • Regulação auto regulada • Homogeneização das relações • Mudança comportamental Fonte: entrevistas com dirigentes das OSS/SUS Enfoque mudança relação adm/Corpo clinico Solidariedade em ações trabalhistas Diminuição do controle na seleção de pessoal Solidariedade em ações trabalhistas Em especialidades clínicas Menor compromisso Chama a atenção, como já foi comentado, que as unidades que optaram pela forma de terceirização não contavam por parte da entidade mãe com uma estrutura de recrutamento e seleção que permitisse a fixação de equipes nestes hospitais. Não obstante, o Hospital de Itaim, que mantém as atividades clínico-cirúrgicas com pessoal próprio defende essa posição citando vantagens como: maior comprometimento do profissional com a administração, valorização do profissional médico, maior vínculo do médico com a comunidade, humanização pela oportunidade de seleção adequada do profissional para o local, entre outras. 5 CONCLUSÕES a) Os resultados de qualidade e quantidade na produção de serviços não diferem de maneira significativa com relação ao tipo de vínculo (terceirizados ou não), contrariando a primeira hipótese formulada (H1: A relação contratual de terceirização de corpo clínico contribui de forma mais positiva com a administração, melhorando o desempenho da gestão clínica assistencial do ponto de vista da qualidade, custo e produtividade); b) Não ficou evidente a possibilidade da terceirização do corpo clínico favorecer distorções quanto a vocação pública dos hospitais ( H2: A relação contratual da terceirização do corpo clínico pode favorecer distorções quanto a vocação pública dos hospitais, devido a descaracterização tanto da oferta de serviços clínicos e cirúrgicos como da clientela, sugerindo uma privatização do público). A descaracterização da oferta ocorre apenas no Hospital de Pirajuçara, onde existe uma nítida oferta de serviços de nível terciário; c) A terceirização do Hospital de Itapecerica revela um elevado gasto com o corpo clínico, comparando-se o número de médicos com o dos demais hospitais. Porém, o maior gasto com corpo clínico é do Hospital de Pedreira, devido ao maior número de médicos, sendo estes melhor remunerados, sem incidência de valor maior na folha de pagamento devido à redução dos encargos sociais. Em comparação com o mercado privado, os rendimentos são competitivos, porém, superiores aos oferecidos pela rede pública; d) A dificuldade de entrosamento com a rede básica se deve à inoperância da mesma, não evidenciando relação com o vínculo do corpo clínico. O sistema de referência e contrareferência em alguns hospitais é baseado na informalidade; e) Nos hospitais Pedreira e Itapecerica que têm seu corpo clínico predominantemente terceirizado, os critérios estabelecidos para admissão de médicos são de maior complexidade e exigência, dos que os realizados pelos hospitais de opção por regime próprio com retaguarda das organizações-mãe; f) Não há uniformidade nos assuntos técnicos e administrativos discutidos pelos corpos clínicos das diferentes OSS/SUS. Há necessidade de maior entrosamento entre as OSS/SUS para intercâmbio destes assuntos. Isto é evidenciado nas diferentes comissões com participação do corpo clínico, onde, somente, aquelas obrigatórias são comuns, existindo uma série de outras diferentes de acordo com o foco dado pela administração do hospital. O modelo instalado restringe-se à assistência médica, ao relacionamento médico-paciente, deixando-se de lado a questão administrativa do corpo clínico, onde ações importantes como a normalização, protocolos clínicos, a execução de programas de qualidade e a intenção de uma acreditação hospitalar não são discutidas; g) A avaliação dos profissionais médicos nos quatro hospitais é feita de modo informal e sem definição de periodicidade e parâmetros claramente definidos. h) A obtenção de bons resultados, o preenchimento correto do prontuário, a boa qualidade da informação são exigências constantes do contrato de gestão. Esta modalidade de relacionamento legal entre entidades públicas e privadas traz benefícios na prestação de serviços públicos. A presença do médico auditor, com suas funções claramente estabelecidas, favorece a melhor qualidade da informação, como ocorre nos Hospitais de Pedreira, Itapecerica e Pirajuçara. Deve ser incentivada a utilização de indicadores de processos e resultados; i) Nos Hospitais de Pedreira e Itapecerica a terceirização está ligada às condições de fixação de profissionais de boa qualidade para atendimento em regiões periféricas. A comparação com Pirajuçara e Itaim parece não refletir a situação geral dos hospitais de atendimento público nas regiões periféricas, no que diz respeito à fixação e qualidade dos profissionais médicos, visto que as duas instituições possuem dentro das entidadesmãe um aparelho formador capaz de facilitar o suprimento destes profissionais. j) Importância de nos próximos contratos de gestão apresentarem cláusulas relativas à análise e acompanhamento dos contratos de terceirização, que contemplem especificações quanto às modalidades de pagamento, cobertura, abrangência, produção, produtividade e principalmente qualidade dos programas e serviços. 6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1- A vantagem de ser parceiro. Rev. Exame 1992/abr 29; p. AI-A8 2- Bittar OJNV, Ibañez N, Avaliação das organizações sociais de saúde: subprojetoAtividades hospitalares Relatório final. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP/Secretaria de Estado da Saúde 2001. 3- Brasil HG. A empresa e a estratégia da terceirização. Rev Adm Emp 1993; 33(2):6-11. 4- Castro CGJ, Almeida MF. Avaliação das organizações sociais de saúde: subprojeto Estudo do perfil da demanda do Serviço de Pronto Socorro do Hospital Geral de Itapecerica da Serra: análise da demanda..Relatório final /. São Paulo, Faculdade de Saúde Pública da USP/ Secretaria de Estado da Saúde2001. 5- Taylor KS Contracting gains ground. Hospitals. 1993; 20: 316- Sá AJC Jr, Farah S Avaliação das organizações sociais de saúde: subprojeto Política de medicamentos..Relatório final. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP/ Secretaria de Estado da Saúde 2001 7- Mintzberg H. The structuring of organizations. Englewood Cliffs: Prentice Hall; 1979. 8- Girardi SN, Carvalho CL, Girardi Jr.JB. Formas institucionais da terceirização de serviços em hospitais da Região Sudeste do Brasil.: um estudo exploratório. Belo Horizonte: Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado e NESCON- FM- UFMG;2000. 9- Piola FP, Vianna SM, Consuelo DV. Tendências do sistema de saúde brasileiro – Estudo Delphi, IPEA, Brasília, 2001. 10- Ibañez N, Bittar OJNV, Perez MBV, Silva GM,Silva R. Avaliação das organizações sociais de saúde: estudo da Gestão de pacientes nos hospitais de Pedreira,Itapecerica, Pirajuçara e Itaim. Relatório preliminar. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP/Secretaria de Estado da Saúde 2001. ANEXO I Análise dos controles Hospital de Pedreira Anestesiologia - quantia fixa, 24horas/dia, 7 dias/semana (falta o anexo que diz o número de profissionais) Oftalmologia – não enviado Cardiologia pediátrica - quantia fixa mais 90% do valor pago pelo SUS - ambulatório e internação, 24 horas/dia, 7 dias na semana bip Cirurgia vascular –não enviado Cirurgia pediátrica – não enviado SADT Bronscocopia - quantia fixa (12.000,00) para uma média de 12 exames/mês Endoscopia digestiva – não enviado Ecocardiografia – não enviado Hemoterapia – não enviado Radiologia – não enviado Especialidades da cooperativa médica (cuidados intermediários, terapia intensiva adulto e infantil, clínica médica, clínica cirúrgica adulto, clínica obstétrica, clínica ortopédica, neurologia) - pelo número de horas trabalhadas e/ou procedimentos realizados, baseados na tabela de honorários médicos da AMB - 3% de taxa de administração Análise dos controles ( cont.) Hospital de Itapecerica Anestesiologia - cobertura total, quantia fixa (40.000,00) mais R$ 45,00 por cada procedimento realizado 13 médicos Cardiologia - quantia fixa (4.935,00) para 30 horas semanais de ambulatório e interconsulta - 100% do valor pago pelo SUS para testes ergométricos e ecodoppercardiogramas Clínica médica - quantia fixa (R$ 57.500,00) mensal 4 médicos e1 técnico em eletroencefalografia Cirurgia adulto (atendimento no pronto socorro, 24 horas, enfermaria e ambulatórios 13 médicos - quantia fixa (R$ 50.000,00) Cirurgia adulto (emergências e eletivas nas áreas de cirurgia geral, gastroenterologia, cabeça e pescoço, torácica, urologia, vascular) 8 médicos - 80% do valor médio da AIH calculado a partir de maio/00 até o mês da vigência da prestação do serviço, contendo no máximo 12 meses, desprezando-se os meses em que foram apurados o maior e o menor valor médio da AIH. Cirurgia pediátrica - quantia fixa (9.000,00) até atingir 40 cirurgias/mês. O que exceder este número, será pago R$ 2.000,00) a cada 10 cirurgias, as quais não realizadas na totalidade ou em quantidade inferior a múltiplos de 10 não serão pagas ou acumuladas para os períodos subsequentes. Ortopedia - quantia fixa mensal ( R$ 49.000,00) 10 médicos Oftalmologia - 70% do valor pago pelo SUS SADT Citopatologia - quantia fixa de R$ 3,75 por exame efetuado Endoscopia digestiva - quantia fixa mensal (R$ 16.457,85) 5 médicos Análise dos controles ( cont. ) Pronto-socorro - 4 horas diárias mais cobertura ininterrupta à distância no valor de R$ 4.893,00 mensais Imagem: Radiologia, ultra-sonografia, tomografia e mamografia - 100% do valor pago pelo SUS Terapia intensiva adulto - quantia fixa mensal (30.000,00) 14 médicos Terapia intensiva pediátrica 12 médicos - quantia fixa mensal (30.000,00) Hospital de Pirajuçara Anestesiologia – não enviado Cirurgia cardiovascular - quantia fixa de R$ 8.500,00 para realização de no mínimo 10 cirurgias/mês, incluindo auxiliares e perfusionista, para o ato cirúrgico e acompanhamento do paciente (avaliação, interconsulta, discussão de caso, reoperação e visitas) Citopatologia – não enviado Gastroenterologia e endoscopia digestiva - 50% do valor do SUS para os exames realizados Hemoterapia – não enviado Medicina do trabalho – não enviado Nefrologia clínica, biópsias renais, hemodiálises, diálises peritoniais (intermitentes, automáticas, ambulatoriais e continuas ) - quantia fixa igual a R$ 13.000,00 mensais, reajustados de acordo com os reajustes do SUS Oftalmologia – não enviado Patologia – não enviado Radiologia _ não enviado Análise dos controles ( cont.) Hospital do Itaim Diagnósticos em cardiologia 80% da receita mensal Endoscopia digestiva 80% da receita mensal Laboratório de analises clínicas 78% e 90% da receita mensal, respectivamente para pacientes externos e internados Radiologia 80% do valor da receita total, mensal, do serviço ANEXO II VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO, RESPOSTAS POR HOSPITAL Vantagens Hospital de Pedreira • liberdade de trabalho levando a um melhor resultado • diminuição do retrabalho • diminuição de conflitos • diminuição de problemas com a realização de concurso público • liberdade com o estabelecimento da jornada de trabalho • cria outra mentalidade no profissional • favorece estimulo a produtividade • “regulação auto regulada” • a corporação médica tem de ser autoregulada • não tem o estatuto da estabilidade • menor carga financeira tributária, que é menor para pessoa jurídica ou cooperativa, em relação ao regime CLT, diminuindo gastos com encargos que são repassados aos médicos • “acomodação nas viradas de plantão” • relação com a administração faz com que as equipes diferentes se tornem homogêneas • agilização administrativa • melhor qualidade no atendimento • substituição de equipes quando metas preestabelecidas não são atingidas ou desempenho é inadequado • rescisão contratual não determina passivos trabalhistas a serem quitados pela instituição Hospital de Itapecerica • • • • • • • • • • • homogeneidade do grupo facilidade de reposição de profissionais facilidade para trazer profissionais mais qualificados hospital não tem problema com férias, ausências e licenças maior interesse do grupo médico melhor remuneração para o profissional áreas como a cirurgia são mais fáceis de terceirizar, o contrário da pediatria menor absenteísmo e rotatividade dos profissionais menor custo na administração de pessoal gestão mais fácil facilidade de trazer bons profissionais Hospital de Pirajuçara • • • • não tem de controlar ponto de médico especialidades que tem por tradição trabalhar por produtividade é mais vantagem devido a facilidades na cobrança nos serviços complementares diminuem a quebra de aparelhos médicos diminuição da suspensão de cirurgias Hospital do Itaim Vantagens do corpo clínico próprio • • • • • • • • • Valorização do médico, principalmente pela proteção social Maior vínculo com a instituição Maior contato direto da direção com médico Maior facilidade para implantação de normas e padronização Maior vínculo do médico com a comunidade Comprometimento maior do médico com a instituição Humanização mais fácil pela oportunidade de seleção do profissional adequado Maior tranqüilidade do profissional para gozar seus benefícios, como por exemplo as férias anuais Menor preocupação do médico com o binômio produtividade versus financiamento Desvantagens Hospital de Pedreira • • • • • Sensação de que a inexistência de vínculo trabalhista formal pode gerar menor compromisso com o serviço e com a filosofia assistencial da instituição. Profissional, no caso da cooperativa, é considerado autônomo e independente impossibilitando a aplicação de punições administrativas Impossibilidade de cobrar horários, mas apenas desempenho, de acordo com o contrato de prestação de serviços Possibilidade da instituição ser considerada solidária em ações de reclamações trabalhistas impetradas contra a empresa terceirizada que presta serviço ao hospital Possibilidade de surpresas como gestão fraudulenta nas empresas médicas, levando a desgaste da imagem para a instituição e para a Secretaria de Estado da Saúde, além de possíveis prejuízos financeiros. Hospital de Pirajuçara • Não tem controle na seleção de profissionais • • Desconhecimento técnico e comportamental do médico Não vê vantagem em especialidades clínicas Hospital de Itapecerica • • • Terceirizado tem que fazer aprovisionamento para férias, licenças e ausências Não é panacéia Não é instrumento de contenção de custo. ANEXO III VARIÁVEIS INSTITUCIONAIS E DE RESULTADOS IDENTIFICADAS NO ESTUDO DE GESTÃO DO PACIENTE Hospital Pedreira 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. corpo clinico de alto nível (cooperativa) ambiente de trabalho muito bom limpeza e conservação relatório de óbito check-list de prontuários CCIH muito visível ações voltadas para a comunidade (QUALIS, Pastoral da Saúde) Hospital Itapecerica da Serra 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. corpo clínico misto (empresas e CLT) alto nível de exigência da diretoria para corpo clinico comissões atuantes problemas com contratação de enfermagem (fixação) parto humanizado humanização do atendimento articulação com rede básica Hospital Pirajussara 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. corpo clínico ligado à escola residentes impressos da EPM discussão de casos clínicos na EPM reuniões e protocolos para a rede básica muitos casos de nível terciário casos de outras regiões comissões presentes, mas não tão visíveis Hospital Itaim Paulista 1. 2. 3. 4. 5. 6. corpo clínico ligado ao Santa Marcelina comissões organizadas auditoria de prontuário sistemática, voltada para qualidade prontuário eletrônico parto humanizado ações voltadas para a comunidade (home-care, Pastoral da Saúde) Fonte: Estudo “Gestão do Paciente” ANEXO IV Plano Operacional/Metas, anexo à minuta de contrato de gestão Resolução SS 106, de 10.06.1998: I - Indicadores de produção de serviços a) Atendimento ambulatorial e de pronto-socorro 1. No prazo máximo de 06(seis) meses deverá ser atingida a meta de 15.000 atendimentos/mês de Ambulatórios e Pronto-Socorro. Os atendimentos não poderão ter restrições referentes ao tipo de patologia; 2. Após 1 (um) ano de atividade, o hospital deverá manter média mensal mínima de 15.000 (quinze) mil atendimentos no Ambulatório e Pronto Socorro. b) Atendimento hospitalar 1. No prazo máximo de 06 (seis) meses deverá ser atingida a meta de 800 (oitocentas) saídas/mês; 2. Após 01 (hum) ano de atividade o hospital deverá apresentar: • • • • Média mensal mínima de 1000 (mil) saídas/mês; Taxa de ocupação de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento); Média de permanência mínima de 3,5 (três e meio) dias; Após 01 (um) ano de atividade o valor médio da AIH deverá ser de no mínimo R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais). II – Indicadores de qualidade dos serviços a) Taxa de cesárea inferior a 30% (trinta por cento) b) Taxa de infecção hospitalar inferior a 5% (cinco por cento) c) Taxa de letalidade hospitalar inferior a 10% (dez por cento) III – Indicadores de satisfação da clientela a) A partir de 01 ano de funcionamento, a OSS deverá realizar pesquisas com freqüência anual entre os usuários do hospital, internação, (atendimento de pronto socorro e ambulatorial) onde no mínimo 80% (oitenta por cento) das pessoas atendidas considerem o nível de atendimento prestado, igual, ou melhor, àquele recebido em outros serviços públicos ou privados dos quais se utilizaram nos últimos 2 anos. ANEXO V 1 2 3 4 5 INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DA PARTE VARIÁVEL DOS CONTRATOS DE GESTÃO - 2001 DISTRIBUIÇÃO DA PARTE VARIÁVEL DO CONTRATO INDICADOR 1O TRIM 2O TRIM 3O TRIM 4O TRIM Qualidade da informação 100% 50% 20% 20% Média de Permanência Depurada 50% 20% 20% Atenção ao usuário 20% 30% Comissões 40% Farmácia 30% COMPOSIÇÃO DOS INDICADORES NA AVALIAÇÃO TRIMESTRAL INDICADOR COMPOSIÇÃO PESO RELATIVO 1.Qualidade da informação 1.1 Diagnóstico Principal das 30% Cesarianas 1.2 Diagnósticos Secundários 1.2a Clínica Médica 1.2b Clínica Cirúrgica 1.2c Obstetrícia 1.2d Pediatria 40% 10% 10% 10% 10% 1.3 Código de Residência 1.3a CEP 1.3b IBGE 2. Média de Permanência 2.1 Parto Normal sem Diagnóstico Depurada Secundário 2.2 Cesarianas 20% 2.3 Acidente Vascular Cerebral Agudo 20% 2.4 Insuficiência Adultos 20% Cardíaca 2.5 Apendicectomia 3. Atenção ao usuário 4. Comissões 30% 15% 15% 20% em 20% 100% 4.1 Comissão de Prontuário 40% 4.2 Comissão de óbitos 30% 4.3 Comissão de Infecção Hospitalar 4. Farmácia 30% 100% Obs: O acompanhamento das atividades realizadas pela Contratada são efetuados através dos dados registrados no SIH - Sistema de Informações Hospitalares, no SAI – Sistema de Informações Ambulatoriais, bem como através de formulários e instrumentos para registro de dados de produção que integram o contrato, denominados ANEXO A (produção mensal de serviços), ANEXO B (fatura mensal), ANEXO C (fatura trimestral), ANEXO D (fatura de ajuste), ANEXO E (comunicado de ocorrências no faturamento), informação econômico-financeira e indicadores para avaliação da parte variável dos contratos de gestão.