AVALIAÇÃO DA INTERELAÇÃO ENTRE OS PADRÕES DE ESCOAMENTO E O PROCESSO DE CORROSÃO EM ELETRODOS CILINDRICOS ROTATÓRIOS (ECR) David Barbosa Lacerda [Bolsista PIBIC/CNPq] , Renato do Nascimento Siqueira [Orientador] Coord. de ENGENHARIA MECÂNICA Campus SÃO MATEUS Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes [email protected], [email protected] Resumo – Este trabalho apresenta um estudo dos parâmetros envolvidos no processo de corrosão de eletrodos cilíndricos rotatórios utilizando simulação numérica. Foram selecionados para análise parâmetros como velocidade, energia cinética turbulenta (TKE) e tensão de cisalhamento, a fim de determinar seus valores absolutos e seus valores médios. Palavras-chave: corrosão, energia cinética turbulenta, tensão de cisalhamento, eletrodo cilíndrico rotatório. Abstract - This paper shows a study of the parameters related to the corrosion process on rotating cylinder electrodes using numerical simulation. Parameters like velocity, turbulent kinetic energy (TKE) and shear stress were selected for the analysis, aiming to determine their absolute and main values. Key-words: corrosion, turbulent kinetic energy, shear stress, rotating cylinder electrode. INTRODUÇÃO O eletrodo cilindro rotatório (ECR) é uma das ferramentas aplicadas com sucesso para o estudo de taxas de corrosão. Os sistemas convencionais de ECR são projetados de forma que o eletrodo gire e crie um escoamento turbulento no fluido [1]. O uso de ECR vem se tornando popular nos estudos de corrosão por apresentar características como condições hidrodinâmicas bem definidas, facilidade de montagem e desmontagem, pequena quantidade de volume de fluido utilizado,fácil escoamento e controle de temperatura. No entanto, o uso do ECR tem sido questionado por alguns pesquisadores, devido as diferenças encontradas entre os valores de taxas de corrosão medidas em eletrodos de escoamento em tubos e no ECR. A razão para esta diferença ainda não está bem compreendida. Porém, alguns trabalhos tem fornecido ideias para explicar esta diferença aparente [2]. Este trabalho tem por finalidade avaliar a influencia dos parâmetros de escoamento no processo de corrosão em ECR utilizando o software de simulação ANSYS-CFD. Os valores utilizados para esta simulação foram obtidos na literatura [3]. Neste projeto são analisados parâmetros como velocidade, energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento, bem como seus valores médios. METODOLOGIA Para avaliar os parâmetros que estão relacionados à taxa de corrosão no ECR, utilizouse o software ANSYS para realizar a simulação. Foram simulados 5 casos, onde a única variável alterada foi a velocidade de rotação do ECR. O aparato utilizado na simulação consiste de dois cilindros concêntricos, no qual o cilindro interno (ECR) é mantido em rotação e o cilindro externo mantido fixo. Inicialmente foi gerada a geometria do ECR com diâmetro interno de 2,7cm, diâmetro externo de 10,1cm e comprimento de 2,7cm. Posteriormente foi gerada uma malha com 332469 elementos e 66609 nós. Além disso, foi utilizado uma geometria tetraédrica para o elemento da malha. Após esta etapa, foram definidos os parâmetros para realizar a simulação. Dessa forma, foi escolhido como fluido água a 25°C. O modelo de turbulência utilizado foi o Shear Stress Trasport. Adotou-se a condição de não deslizamento. Para cada caso foi definida uma velocidade de rotação. As velocidades de rotação utilizadas para o 1°, 2°, 3°, 4° e 5° caso foram 25rad/s, 56rad/s, 100rad/s, 157rad/s e 226rad/s, respectivamente. Assim, cada caso foi simulado e foram escolhidos 10 pontos na parede do eletrodo para análise. Para cada caso foram gerados gráficos de velocidade, energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento. Além disso, foi calculado para cada caso o valores médios de cada variável. A partir de todos os valores médios obtidos, foram criados mais dois gráficos, um relacionando os valores médios da energia cinética turbulenta com os valores médios de velocidade e o outro relacionando os valores médios de tensão de cisalhamento com os valores médios de velocidade. Por fim, foi escolhido o 3° caso para apresentar os resultados e realizar as discussões do trabalho. Velocidade (m/s) 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 0 5 10 15 20 25 30 Posição axial (mm) Figura 1. Variação da velocidade ao longo do eixo do cilindro. Energia cinética turbulenta (m²/s²) RESULTADOS Nesta seção serão apresentados os resultados que foram obtidos após a simulação para uma velocidade de rotação de 100rad/s. A variação da velocidade ao longo do eixo do cilindro é mostrada na Figura 1 e a Variação da energia cinética turbulenta na Figura 2. 0,015 0,010 0,005 0,000 0 5 10 15 20 25 30 Posição axial (mm) Figura 2. Variação da energia cinética turbulenta ao longo do eixo do cilindro. A variação da tensão de cisalhamento ao longo do eixo do cilindro é apresentado na Figura 3. O perfil de velocidade no plano axial ao cilindro é mostrado na Figura 4. O gráfico da variação dos valores médios de energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento em função dos valores médios de velocidade são mostrados nas Figuras 5 e 6, respectivamente. Tensão de cisalhamento (Pa) 5 4 3 2 1 0 0 5 10 15 20 25 30 Posição axial (mm) Figura 3. Variação da tensão de cisalhamento ao longo do eixo do cilindro. 0,06 Tensão de cisalhamento (Pa) Energia cinética turbulenta (m²/s²) Figura 4. Perfil de velocidade no plano axial ao cilindro. 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 0,00 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 Velocidade (m/s) 20 16 12 8 4 0 0 1 2 3 4 Velocidade (m/s) Figura 5. Variação do valor médio de energia Figura 6. Variação do valor médio de tensão cinética turbulenta em função do valor médio de cisalhamento em função do valor médio de de velocidade. velocidade. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES Para a velocidade de 100 rad/s imposta ao eletrodo durante a simulação, foram obtidos gráficos de velocidade, energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento variando ao longo do eixo do cilindro (Figuras 1, 2 e 3). O valor médio de velocidade obtido foi de 1,33m/s (Figura 1). A variação máxima de velocidade em relação a este valor médio foi, em termos percentuais, de 0,87%. Para todas as outras velocidades analisadas esta variação foi menor do que 1%. Para as outras variáveis avaliadas (TKE e tensão de cisalhamento), os valores médios obtidos foram de 0,0108m²/s² e 4,04Pa, com variação máxima de 2,54% e 5,65%, respectivamente (Figuras 2 e 3). Para velocidades de rotação menores (25 e 56 rad/s), a variação máxima dos valores de TKE e tensão de cisalhamento em relação aos seus valores médios foram grandes (da ordem de 20%), pois os valores absolutos dessas variáveis são muito pequenos. Porém, para velocidades superiores a 100 rad/s, as variações máximas de TKE e tensão de cisalhamento em relação aos seus valores médios foram inferiores aos valores das variações apresentados para esta velocidade. O cálculo dos valores médios das variáveis foi realizado descartando os pontos pertencentes a extremidade do cilindro, uma vez que nessas regiões os valores dos parâmetros analisados neste trabalho sofreram uma diminuição sensível devido ao efeito das paredes (Figuras 1, 2 e 3). De acordo com a Figura 1, o valor médio de velocidade não sofreu variação significativa. Em contrapartida, o valor médio de energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento apresentou valor menor na região mediana do eixo do cilindro. Isto pode ser explicado pela formação de correntes secundárias nessas regiões (Figura 4). Dessa forma, é necessário um certo cuidado para escolha do ponto a ser correlacionado com o escoamento em um duto, pois nessas regiões que apresentam valores menores de energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento a corrosão seria muito menos pronunciada. Como pode ser visto pelas Figuras 5 e 6, os valores médios de energia cinética turbulenta e tensão de cisalhamento aumentam a medida que o valor médio da velocidade aumenta, pois o aumento da velocidade tende a aumentar o nível de turbulência. Sendo a corrosão acelerada por fluxo dependente do coeficiente de transferência de massa, o qual relaciona velocidade e tensão de cisalhamento, um aumento no valor médio destes parâmetros aumenta o coeficiente de transferência de massa e consequentemente as taxas de corrosão. AGRADECIMENTOS . Agradeço ao CNPq pela bolsa concedida para realização deste estudo. REFERÊNCIAS [1] PRENTICE, G. Electrochemical Engineering Principles. Prentice-Hall International Editions, EUA, 1991. [2] GALVAN-MARTINEZ, R.; MENDOZA-FLORES, J.; DURAN-ROMERO, R.; GENESCA, J. Effect of turbulent flow on the anodic and cathodic kinetics of API X52 steel corrosion in H2S containing solutions. Material and Corrosion, v. 58, n° 7, p.514521, 2007. [3] MACIEL, J.M.; AGOSTINHO S.M.L. Contruction and charactarization of a cylinder electrode for different tchnological applications. Journal of Appied Electrochemistry, v. 29, p. 741-745,1991.