“Aços sob Condições Extremas” ou “Desenvolvimento de Aços para Operação em Temperaturas Elevadas e Previsão de Vida Útil em Serviço” Luiz Henrique de Almeida CBMM - VILLARES TUBOS ENGEMASA UFRJ - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro PEMM/COPPE/UFRJ - Programa de Eng. Metalúrgica e de Materiais “Aços sob condições extremas” = Aços para trabalhar em temperaturas elevadas , em regime contínuo e sob carregamento elevado. São aços tipicamente utilizado em refinarias, petroquímicas, na indústria química e em usinas termoelétricas. A lógica desses aços é ter uma “microestrutura” o mais estável possível em temperaturas elevadas para manter a resistência projetada. A “microestrutura” é quem determina as propriedades desses aços: tamanho de grão, fases presentes e, principalmente neste caso, a rede de precipitados (intermetálicos ou carbonetos). Em temperaturas elevadas, onde a difusão é o vilão principal, a microestrutura tende a degradar: crescimento de grão, aparecimento de segundas fases deletérias e coalescimento dos precipitados, resultando em uma perda de resistência e podendo levar a uma fragilização. Por que o engenheiro quer então usar um microscópio eletrônico de transmissão CBMM - VILLARES TUBOS ENGEMASA O principal mecanismo que leva a falha dos materiais nessas condições é a “fluência”. No “desenvolvimento” desses aços procura-se produzir microestruturas mais estáveis e que levem a um aumento de resistência, particularmente à fluência. Na “previsão de vida útil” em serviço procura-se estudar a evolução da microestrutura, neste caso particularmente na evolução dos precipitados, de forma a prever em quanto tempo, mantidas as condições de operação, o material terá a sua resistência degradada suficiente para comprometer a estrutura como um todo. Nas duas situações o engenheiro tem que analisar a composição química dos precipitados, sua morfologia, distribuição, tamanho e localização. Trabalha com um grande número de amostras pois as variáveis são muitas: composição química, temperatura, tensão e tempo de serviço. Sempre que possível prefere trabalhar com réplicas de extração e usar um MET com configuração analítica, necessita de aumentos baixos e intermediários e é dependente de EDS e difração. “Desenvolvimento de nova geração de aços centrifugados resistentes ao calor com adição de ítrio para fornos de reforma” Fornos de reforma CH4 + H2O Æ CO + 3H2 (reação endotérmica) • Fluência (altas temperaturas – 1000 oC) • Temperatura não-uniforme Tubos Centrifugados – Aço HP Composição química básica (% em peso) 0,42%C – 33%Ni – 25%Cr – 1,8%Si – 1%Mn Adição de Nb Controle de teor de Si Adição combinada de Nb e Ti Adição de Y Atenção para o sentido de “desenvolvimento” nesse contexto Microestrutura básica Matriz austenítica com carbonetos de cromo do tipo M7C3 nos espaços interdendríticos. Modificações Microestruturais durante o envelhecimento Precipitação Secundária M23 C6 Carbonetos Primários M7 C3 M23 C6 Evolução dos aços Hp modificados Efeito Efeito de de adição adição de de NB NB Cr C Cr77C C33 ⇒ ⇒ Cr Cr23 23C66 Efeito Efeito de de Teor Teor de de Si Si Fragmentação Fragmentação da da Rede Rede de de Carbonetos Carbonetos -- Chineses Chineses Script Script NbC NbC NbC Nb Si ) NbC ⇒ ⇒G G (Ni (Ni16 16Nb66Si77) Curva Curva Tempo Tempo -Temperatura -Temperatura -- Transformação Transformação “Controle “Controle da da fração fração volumétrica volumétrica de de fase fase G” G” Evolução dos aços Hp modificados Adição Adição Combinada Combinada Nb Nb -- Ti Ti Transformações Transformações de de Fase Fase G GX X %Ti %Ti Efeito Efeito na na precipitação precipitação Secundária Secundária Adição Adição de de Y Y Efeito Efeito na na camada camada de de óxido óxido Fases Fases Ricas Ricas em em Y Y “Menores “Menores teores teores de de S” S” Fragmentação C Fragmentação M M23 23 C66 Efeito de adição de Nb Nb 20 µm Cr 1,97 % de Nb Precipitados com Morfologia Escrita Chinesa Observação em MEV – elétrons retroespalhados. Efeito de adição de Nb Microestrutura após envelhecimento Carbonetos primários M7C3 NbC M23C6 NiNbSi Efeito de adição de Nb Com a exposição a temperaturas elevadas ocorre a transformação in situ NbC Æ fase G (Ni16Nb6Si7) Secondary precipitation A fase G é deletéria, pois sua interface com a matriz é um sítio de nucleação de vazios de fluência Precipitação secundária devido ao carbono expulso na transformação NbC Æ fase G Efeito de adição de Si Efeito de adição combinada de Nb e Ti Após exposição a altas temperaturas, a liga modificada com Ti apresenta precipitação fina mais uniforme e com menor quantidade de precipitados aciculares 1,34% Nb 0,78% Nb e 0,04% Ti Amostras envelhecidas a 900oC por 1000h Rede primária composta de M23C6 e (NbTi)C Efeito de adição combinada de Nb e Ti Campo escuro Carboneto de Ti Campo claro Carboneto de Nb e Ti Fase G - A transformação da Fase G é retardada durante o envelhecimento - Carbeto de Ti Efeito de adição combinada de Nb e Ti A formação da fase G é retardada A transformação (NbTi)C Æ fase G é controlada pela saída de átomos de Ti, que não é solúvel na fase G. O Ti expulso na transformação forma carbonetos TiC em volta desta fase . Fase G em volta de uma partícula de (NbTi)C. Precipitado não transformado completamente Carbonetos de Ti formados em função do Ti expulso durante a transformação (NbTi)C Æ fase G Padrões de Identificação das fases por EDS Padrões de Identificação das fases por EDS Padrões de Identificação das fases por EDS Padrões de Identificação das fases por EDS Padrões de Identificação das fases por EDS Padrões de Identificação das fases por EDS Adição de Ítrio Adição Adição de de Y Y Efeito Efeito na na camada camada de de óxido óxido Fases Fases Ricas Ricas em em Y Y “Menores “Menores teores teores de de S” S” Ítrio? Fragmentação C Fragmentação M M23 23 C66 • Efeito dessulfurante e desoxidante • Refino de grão ou redução das zonas interdendríticas (pela formação de sulfetos, que agem como sítios de nucleação heterogênea) • Diminuição do intervalo solidus-liquidus em aços carbono • Efeito de estabilização da camada passivadora (pela formação de óxidos mistos de Y e Cr, mais estáveis) Adição de Ítrio Fase Y/Ni/Si - YNi8.84Si2.68 (tetragonal, a = 0.821nm and c = 0.467nm) Adição de ítrio fundição por centrifugação Adição de ítrio Na região junto à parede interna os carbonetos de cromo encontram-se mais fragmentados. Parede externa Parede interna Devido à força centrífuga, há um maior teor de Y junto à parede interna dos tubos. Adição de ítrio Microestrutura fragmentada Carboneto de Cr Carboneto de Cr Por que o Y agiu como agente fragmentador? Adição de ítrio Microscopia eletrônica de transmissão Partícula rica em Y (NbTi)C Partículas ricas em Y associadas a carbonetos mistos (Nb,Ti)C Adição de ítrio Microscopia eletrônica de transmissão Fe Cr23C6 Cr Y Partícula rica em Y Partícula rica em Y associada a carboneto de Cr Adição de ítrio Microscopia eletrônica de transmissão – réplica de extração Partículas ricas em Y associadas a partículas não arrancadas durante o processo de réplica de extração (morfologia dos carbonetos de Cr) Adição de ítrio Microscopia eletrônica de transmissão – réplica de extração Y3C Y3C a0 = 5,169Å Partículas ricas em Y identificadas como carbetos com a estequiometria Y3C Considerações Finais A adição de Nb promove a fragmentação da rede de precipitados e a substituição de parte dos carbonetos de Cr primários por carbonetos de Nb, mais estáveis ao coalescimento. Entretanto com a exposição a altas temperaturas os carbonetos de Nb se transformam em fase G (Ni16Nb6Si7), deletéria à resistência à fluência. A adição combinada de Nb e Ti é benéfica, visto que o Ti também causa o refino da microestrutura, além de permitir uma precipitação secundária mais uniforme, com menos precipitados aciculares. Da mesma forma, o Ti retarda a transformação (NbTi)C Æ Fase G. Menor teor de Si também retarda a transformação da fase G. A adição de Y promove modificações microestruturais, como a fragmentação tanto dos carbonetos de Cr e Nb primários, em especial junto à parede interna dos tubos centrifugados (onde o teor desse elemento é maior). A identificação de carbonetos de estequiometria Y3C associados a carbonetos de Cr e carbonetos mistos de Nb e Ti mostra que os carbonetos de ítrio agem como sítios de nucleação heterogênea, sendo estes responsáveis pela fragmentação dos carbonetos primários. A adição de Y também mostrou-se benéfica à resistência à fluência devido à redução de enxofre na matriz. Aço HP-modificado ao Nb-Ti-Y de baixo Si Rede primária de carbonetos de Cr23C6 e mistos (NbTi)C fragmentada e mais resistente ao coalescimento, menor fração volumétrica de fase G transformada durante o envelhecimento, precipitação secundária mais fina e mais uniformemente distribuída e com menor incidência de precipitados aciculares, menor teor de enxofre. “Previsão de Vida Útil em Serviço” OS AÇOS FERRÍTICOS Cr-Mo Resistência à fluência: adição de Mo e Cr Resistência a corrosão: adição de Cr Plantas mais eficientes Mais altas temperaturas e pressões Adição de V, Nb, Ti, Co e W (histórico) Relacionar a freqüência de ocorrência de precipitados do tipo M6C e M23C6 com a tensão aplicada, tempo e temperatura de envelhecimento em serviço. Contribuir para o estudo da previsão da vida útil residual de componentes de aços Cr-Mo. DEGRADAÇÃO ¾ As propriedades mecânicas dos aços Cr-Mo se degradam ao longo do tempo em decorrência da temperatura e tensão a que são submetidos em serviço. ¾ O principal mecanismo de degradação desses aços em altas temperaturas é a fluência. Tempo + Temperatura Diminuição do tempo de operação do componente Degradação Microestrutural • Coalescimento e evolução dos carbonetos precipitados • Retirada de Mo de solução sólida • Vazios e microtrincas ¾ Estimar a vida residual dos componentes que operam sob condições de fluência é uma tarefa importante por questões econômicas e de segurança. EVOLUÇÃO DOS PRECIPITADOS Envelhecimento Degradação Na literatura: Presença predominante de M6C e M23C6 Transformação e precipitação dos carbetos a partir da microestrutura original Coalescimento e evolução dos precipitados para estequiometrias mais ricas em elementos de liga Indicação de fim de vida útil de componente em fluência METODOLOGIA 1. Preparação de réplicas de extração dos corpos de prova ensaiados 2. Observação de campos das réplicas em Microscópio Eletrônico de Varredura (MET) e identificação dos precipitados nele contidos através de EDS 3. Registro dos campos através de fotos 4. Tratamento de imagem no Programa Adobe Photoshop CS2 das fotos já digitalizadas e atribuição de uma cor para cada tipo de precipitado 5. Contagem da área total (em pixel) de cada precipitado, através do programa Image Pro 4.5, no campo observado 6. Cálculo da fração volumétrica relativa de cada tipo de precipitado RESULTADOS Pp08 VC M6C M7C3 METODOLOGIA Espectro de EDS típico do precipitado do tipo M6C Espectro de EDS típico do precipitado do tipo M7C3 Espectro de EDS típico do precipitado do tipo VC METODOLOGIA Pp09 Contorno de grão Interior do grão 200nm 1µm 200nm RESULTADOS M6C M7C3 200nm M23C6 RESULTADOS M7C3 M23C6 200nm RESULTADOS Fator de Transformação por Precipitação (FTP): FTP(M C + M 6 23C6) = (%M6C + %M23C6) (%M7C3 + %M6C + %M23C6 + %Mo2C) Baker e Nutting [9] Carbonetos-ε Cr7C3 Fe3C Fe3C + M2C M23C6 M 2C M6C M 6C RESULTADOS E DISCUSSÃO Lembrança O primeiro método paramétrico, desenvolvido por Larson e Miller, ainda é o mais utilizado atualmente. O parâmetro de Larson-Miller relaciona os parâmetros de carregamento (Tensão, Temperatura) com a vida (tempo) T(C1+ lntr) = PLM 25,0 20,0 FTP(M23C6+M6C) contra PLM para amostras envelhecidas do aço temperado e revenido 9Cr-1Mo. FTP(M 6C+M 23C6) y = 30,335x - 984,95 15,0 10,0 5,0 Tensão (MPa) 250 0,0 32,4 32,6 32,8 33,0 33,2 PLM = T(35,73+lntr ) 200 150 0 5 10 15 FTP (M 6C + M 23C6) 20 25 30 Tensão contra FTP para os dados do presente trabalho para aço 9Cr1Mo. 33,4 QUANTITATIVE OBSERVATIONS OF PRECIPITATION IN 2.25Cr-1Mo STEEL EXPOSED TO DIFFERENT CREEP CONDITIONS IN A POWER STATION Análise quantitativa dos precipitados em amostras de tubos retiradas de usina de geração de energia desde a condição nova até 227000h. Os precipitados foram identificados e quantificados nas suas diferentes composições estequiométricas, M7C3, M6C, (NbTi)C, Mo2C e (CrMo)2CN. Concluiu-se que os precipitados nos contornos de grão apresentavam uma relação de interdependência que pode ser utilizada como um método complementar para a previsão de vida útil dessa classe de aço envelhecida em condições de fluência. 1µm TEM image of sample 1, new material. Selected areas (A, B, C, D, E) for precipitate identification. Figure 6: (a) Magnified view of Area D in Figure 1: (b) Carbides identified by colours; grey – M7C3; black – M6C; light grey – VC Figure 5: (a) Magnified view of Area C in Figure 1: (b) Carbides identified by colours; grey – M7C3; black – M6C; light grey – VC TEM image of sample 3, 145,000 h at 555°C. Selected areas (A, B) for precipitate identification. Figure 10: (a) Magnified view of Area B in Figure 7: (b) Carbides identified by colours; grey – M7C3; black – M6C; light grey– VC; hachured– (CrMo)2CN. Figure 9: (a) Magnified view of Area A in Figure 7: (b) Carbides identified by colours; grey– M7C3; black – M6C; light grey – VC; hachured – (CrMo)2CN. QUANTITATIVE OBSERVATIONS OF PRECIPITATION IN 2.25Cr-1Mo STEEL EXPOSED TO DIFFERENT CREEP CONDITIONS IN A POWER STATION Figure 11: The extent of the total precipitation of carbides observed as a function of time in service. Figure 12: The extent of grain boundary precipitation of carbides observed as a function of time in service.