Revista Brasileira de Física, Vol. 9, NP 2, 1979 Variações no Fluxo de Eletrons Induzidos nas Experiências de Modificações da lonosfera por Meio de Ondas de Alta Freqüência J. H. A. SOBRAL Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnoiógico (CNPq), São José dos Campos, SP Recebido ern 8 de Agosto de 1979 O 1 6300 8 airglow enhancements caused by n i g h powered HF waves a r e presented. These r e s u l t s were obtained a t Arecibo, Puerto R i o o co (geographic coordinates 18.35 N, 66.75 W) and are compared wi t h equi - v a l e n t measurements performed a t Boulder, Colorado. The observations o f systematically smaller a r t i f i c i a l nightglow Arecibo, as compared t o those a t Boulder, (6300 a) enhancements a t i s b r i e f l y discussed. São apresentados aumentos de luminescência O 1 (63008) decorrentes do aquecimento da ionosfera, o qual é alcançado por ondas de a l t a f requência, em Areci bo, P o r t o Rico. Tais aumentos são comparados com aumentos anál ogos o b t i d o s em Boul der, E .U .A. Di scute- se os aumentos de l umi nescênci a de Areci bo, sistematicamente menores do que os de Boul d e r . As condições ambientes da i o n o s f e r a podem ser consi d e r a v e l - mente a l t e r a d a s p e l a passagem de uma onda de r á d i o de a l t a frequência de intensidade m u i t o e l e ~ a d a l , ~ , ~E. l ê t r o n s são aquecido^^,^,^ e criam-se condições para o estabelecimento de instabi 1 idades paramétricas no p l a s ma i o n o s f é r i c o 7 as quais já se evidenciaram em medidas de radar de p a l hamento incoerente, durante a execução de experiências de es- modi f i ca- ção da ioiiosfera por meio de ondas de a l t a f requência8s9. Seguem-se out r a s experiências de modificação e estudos t e õ r i c o s mai s e s p e c i f i cos sob r e ondas de plasma geradas p e l o campo e l é t r i c o e x c i tador das ondas de a l t a frequência como a t e o r i a não l i n e a r do amortecimento de Landau (Refs. 10 a 14), t e o r i a de ó r b i t a s de e l é t r o n s perturbadas15,16, vações de l i n h a s c i c l o t r Ô n i c a s dos e l é t r o n s 1 7 e previsões do obserf l u x o de e l é t r o n s decorrente do aquecimento18. Paralelamente às experiências do radar de espalhamento incoerente, foram f e i t a s medidas das 1 inhas de emissão 6300 8 e 5577 x i g ê n i o a t Ô m i ~ o l ~ -Esperava-se ~~. uma supressão na emissão mento de onda de 6300 8 no 8 do o- compri- p o i s , o aumento de temperatura ambiente reduzi - r i a a razão de produção de uma das duas reações químicas diretamenteresponsáveis p e l a produção de átomos metaestáveis de o x i g ê n i o . Apareceu, ao c o n t r á r i o , um aumento de emissão que f o i j u s t i f i c a d o como decorrente do aumento de produção de átomos metaestáveis de oxigênio, gerados por co- 1 i s ã o de e l e t r o n s estocasticamente acelerados com átomos de oxigên i o neut r o locais 1 * (Biondi , comunicação pessoal) 6300 8 . Medidas de 1 umi nescênc i a em (daqui por d i a n t e chamado simplesmente de L6300) também foram u- t i 1 i zadas no cá1c u l o do c o e f i c i e n t e de desexci tação dos átomos t ã v e i s de o x i g ê n i o por c o l i s õ e s com o n i t r o g ê n i o molecul a r metaes- e com e l e - t r o n s não termal i z a d o ~ ~ ~ , ~ ~ . No presente trabalho, apresentamos o aumento de intensidade da L6300 o b t i d o em Arecibo, P o r t o Rico, u t i 1 izando uma potência de a1 t a f requência (5.425 MHZ) de 101 Kw. Este r e s u l t a d o 6 comparado com o de Boulder, colorado18 e são comentadas as p o s s í v e i s razões das d i f e r e n ç a s de emissão no comprimento de onda de 6300 8. 2. FLUXO DE ELETRONS Numa t e n t a t i v a de c a l c u l a r o f l u x o J , de e l e t r o n s , decorrent e s das ondas de Langmuir i n s t á v e i s com e l e t r o n s do meio ambiente, instockl8 chegou ao seguinte r e s u l t a d o : We- onde, no = densidade e l e t r ô n i c a -k,w = v e t o r e frequência da onda de plasma, respectivamente ue = velocidade térmica do e l e t r o n ~ ( h =) campo e l é t r i c o e x c i t a d o r na a l t u r a h . [-] % ( h ) = campo e l é t r i c o 1 i m i t e para a i n s t a b i 1 idade na a1 t u r a h. wd /km = velocidade de aprisionamento dos e l é t r o n s . % = energia c i n é t i c a média dos e l é t r o n s . I ( g L ) = densidade e s p e c t r a l de energia da onda I(z/O) = E (& I/) em coordenadas polares com E na 2.L = posição P. O , 1 /2 I . u e u < u i n t e r v a l o de velocidade dos e l e t r o n s no qual o c o e f i c i e n t e de 1 d i f u s ã o é suficientemente a l t o para m o d i f i c a r a funsão de d i s t r i b u i ç ã o dos e l e t r o n s . = frequência e l e t r ô n i c a do plasma. Segundo Weinstock, o v a l o r de tremamente sensível ao v a l o r de tam grandes decréscimos de km' dado p e l a expressão 1 6 ex- Pequenos decréscimos de k < e sugere-se que t a l m acarre- variação s e j a a causa da menor rnodi f i cação da ionosfera, em termos de 1umi nescência, de Are- c i b o , comparado com Boulder. O f l u x o de e l e t r o n s dado p e l a expressão 1 o c o r r e na p a r t e i n f e r i o r da região aquecida, ou seja, cerca de 5 a 6 Km abaixo do n í v e l de reflexão. Este f l u x o 6 responsável p e l o aumento da população de átomos de o x i g ê n i o metaes t á v e i s e x c i tados p o r impacto. 3. RESULTADOS OBTIDOS A f i g u r a 1 mostra o aumento de emissão no comprimento de on- 8 da de 6300 o b t i d o em Arecibo, P o r t o Rico, às 02:45 hs do d i a 5 de ou- t u b r o de 1972. A f i g u r a mostra o r e g i s t r o de dados correspondentes a aproximadamente meio c i c l o da sequência de pulsos de ondas de a l t a f r e - quência de t r ê s minutos de duração, os quais eram seguidos p e l o apaga- mento do transmissor por t r ê s m i nutos também. O t r a j e t o da onda de a l t a frequência é mostrado, f o r a de escala, na Figura 2. A componente o r d i n á r i a da onda de a l t a frequência propaga-se no meio magnetoiônico em d i reção c a r a c t e r i s t i c a m e n t e próxima e perpendicular à 1 inha de f o r ç a do campo magnético. Por i s s o e l a tomaa d i r e ç ã o norte, conforme mostra a F i g u r a 2. Os f o t h e t r o s de 6300 8 apontavam plano m e r i d i o n a l O continuamente para um ângulo de 5 . Nesta posição, 5577 com a v e r t i c a l , ARECIBO, PORTO T O e no esperava-se o máximo de variação de l u - m i nescênci a. H F LIGADO 8 RICO 5 DE OUTUBRO DE 1 9 7 2 . 0 2 :45. HORA LOCAL HF DESLIGA00 60 HF LIGA00 120 TEMPO í SEGUNDOS) FIGURA I BASE FIGURA 2 Não f o i detetado nenhum aumento de emissão no comprimento de onda de 5577 8. I s t o deve-se ao a1 t o n í v e l de energia, do átomo do o x i - gênio, para a sua emissão (4, 17 e v ) . Para assegurar-se de que o aumento de L6300 não e r a uma mera i n t e r f e r g n c i a dos pulsos t r a n s m i t i d o s no s istema de recepção de luminescência, fechava-se a entrada de l u z nos fotômetros, em alguns i n s t a n t e s . Obviamente, se o aumento de s i n a l ocorresse sem entrada de luz, oaument o se deveria gumas vezes. 5 i n t e r f e r ê n c i a do equipamento. De f a t o i s t o ocorreu a l - Da é d i r e t a m e n t e p r o Da = D+ (1 +Te /T+ ) e - V ( D ,D ) , espera- se que na r e g i ã o de Da a + Como o c o e f i c i e n t e de d i f u s ã o a m b i p o l a r porcional temperatura dos e l e t r o n s , Te, ou s e j a : densidade de c o r r e n t e r e,+ = aumentado, h a j a , p a r a f o r a d e l a , uma m i g r a ç ã o de e l e t r o n s . Essa migra- ção a m b i p o l a r é p o s s i v e l m e n t e a causa do decréscimo de l u m i n e s c ê n c i a que o c o r r e após o d e s l igamento do t r a n s m i s s o r de a1 t a f requência21. Parece que, em nosso caso, o decréscimo de emissão não f o i a f e t a d o p e l a d i f u são a m b i p o l a r , p e l o menos d e n t r o da p r e c i s ã o das nossas medidas, p o i s decréscimo de emissão r e g i s t r a d o tendeu ass i n t õ t i c a e monotonicamente para u m c e r t o v a l o r ( p o s s i v e l m e n t e àquele não ~ e r t u r b a d o ) . a m b i p o l a r a c a r r e t a r i a um "buraco" O A difusão nos r e g i s t r o s de L6300, c u j o r e c o b r i Bento se d a r i a p e l o r e t o r n o dos e l e t r o n s emigrados. Esses e l e t r o n s , r e t o r n a r e m se recombinariam com i o n s de o x i g ê n i o m o l e c u l a r , - ao a t r a v é s de uma recomb i nação d i s s o c i a t i va , dando o r i gem a novos átomos metaes t á v e i s de o x i g ê n i o , aumentando desse modo a L6300. Eventualmente, a r e g i ã o que perde e l e t r o n s d u r a n t e o a q u e c i mento pode s o f r e r deslocamentos cons i d e r ã v e i s p o r e f e i t o pos e l é t r i c o s normalmente j á e x i s t e n t e s , ou s e j a , aqueles E x dos cam- criados por e f e i t o dínamo e t r a n s m i t i d o s à r e g i ã o F p e l a s l i n h a s a l t a m e n t e condutor a s de campo magnét i c o Z 4 . Nosso f o t ô m e t r o apontava continuamente numa e levação f i x a . Desse,modo, o c e n t r o de supressão de L6300 deve t e r s a í d o da m i r a d a do f o t ô m e t r o e com i s s o não detetamos o " buraco" da ~ 6 3 0 0 . A v a r i a ç ã o mostrada na F i g u r a 1 é de 7 R a y l e i g h s . Medidas se- melhantes r e a l i z a d a s em Boulder r e v e l a r a m um aumento análogo de 50 Rayleighsl*. T a l d i f e r e n ç a parece um t a n t o grande, considerando- se densidade de p o t ê n c i a t r a n s m i t i d a em A r e c i b o é apenas a metade que a daquela t r a n s m i t i d a em B o u l d e r . Os c ã l c u l o s numérí cos de Wei n s t o c k u t i 1izando a expresszo (1) , mostram que o f l u x o de e l e t r o n s em A r e c i b o é apenas c e r c a de 1/8 d o f l u x o de B o u l d e r . E s t e r e s u l t a d o e s t á compatível com as v a r i a ç õ e s de luminesc ê n c i a de 6300 8 r e g i s t r a d o s em B o u l d e r e em A r e c i b o : 5 0 R a y l e i g h s e 7 Rayleighs, respectivamente. E i n t e r e s s a n t e o b s e r v a r que a v a r i a ç ã o de luminescência em Arecibo ocorreu apenas durante a transmissão dos pulsos de . f requênci a (5.425 mais a1 t a M H ~ ) I s t o t a l v e z s e j a e x p l icado p e l o maior hD (Debye length) em n í v e i s mais próximos ao p i c o da r e g i ã o F, impl icando p o r seu turno, um maior k m e maior J . Não ê muito f á c i l v e r i f i c a r a dependência de L6300, conforme sugeri do por ~ei nstosk18, como causa da grande d i f e r e n ç a de modi f icação da L6300 e n t r e Areci bo e Boulder . Como j u s t i f icariamos uma d i f e r e n ç a sis- temát i c a da razão T/N nos d o i s l o c a i s ? De acordo com a sugestão de instock, T/N é sempre menor em P o r t o Riw. We- E interessante, nesse caso, T , supondo - s e que se fasam medidas simultâneas de T f (deduzindo-se d a í que à n o i t e , = 1) e de N com o radar de espalhamento incoeren- (Ti/T) e t e , durant:e as experiências de modificação. a f i m de f a c i l i t a r a a n ã l i se de t a l dependência. O presente t r a b a l h o f o i patrocinado pelas Universidades de Rice e C o r n e l l , dos Estados unidos e p e l o I n s t i t u t o de Pesquisas Espac i a i s (INPE), B r a s i l . 1. 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