Evolução do Emprego
Industrial no Ceará
INSTITUTO DE
DESENVOLVIMENTO
DO TRABALHO
Correspondência para:
Instituto de Desenvolvimento do Trabalho - IDT
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INSTITUTO DE
DESENVOLVIMENTO
DO TRABALHO
Sistema Nacional de Emprego - SINE/CE
Ministro do Trabalho e Emprego
Carlos Lupi
Secretário de Políticas Públicas de Emprego - SPPE
Antonio Ségio Alves Vidigal
Diretor do Departamento de Emprego e Salário - DES
Rodolfo Peres Torelly
Coordenadora-Geral de Emprego e Renda - CGER
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Governador do Estado do Ceará
Cid Ferreira Gomes
Secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social (em Exercício)
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Coordenador de Geração de Emprego e Renda
José Ednart Almeida Carvalho
Coordenador do SINE/CE
Ari Célio Reges Mendes
Instituto de Desenvolvimento do Trabalho - IDT
Francisco de Assis Diniz
Presidente
Sônia Maria de Melo Viana
Diretora Administrativo-Financeiro
Mardônio de Oliveira Costa
Diretor de Estudos e Pesquisas
Antônio Gilvan Mendes de Oliveira
Diretor de Promoção do Trabalho
Análise e Redação
Erle Cavalcante Mesquita
Mardônio de Oliveira Costa
Colaboração Técnica
Jonathan Ocinaí Bezerra Lima
Capa, Design e Diagramação
Antônio Ricardo Amâncio Lima
Raquel Marques Almeida Rodrigues
Revisão
Regina Helena Moreira Campelo
INTRODUÇÃO
9
1
A RECENTE EVOLUÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL
11
2
A DINÂMICA DO EMPREGO FORMAL NO NORDESTE E A
PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA
17
3
O EMPREGO INDUSTRIAL NO CEARÁ
26
4
PERFIL DO TRABALHADOR DA INDÚSTRIA CEARENSE
49
CONSIDERAÇÕES FINAIS
55
ANEXO
57
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
64
NTRODUÇÃO
A finalidade de estudar o emprego na indústria cearense deve-se ao fato da importância que
tem este subsetor de atividade na dinâmica e tamanho do mercado de trabalho local. Ancorada
na política de incentivos fiscais, diversas indústrias instalaram-se no estado gerando oportunidades de trabalho, desempenho este que é apresentado ao longo desse estudo.
Para essa avaliação, foram utilizadas diversas fontes de informações, tais como: a Relação Anual
de Informações Sociais – RAIS, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, e a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD. Destaque-se que a centralidade deste
trabalho deu-se no emprego assalariado com carteira na indústria, englobando as indústrias de
transformação (99,01%) e extrativa mineral (0,99%). Nessa perspectiva, utilizaram-se predominantemente os registros administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, especialmente a RAIS, cuja fonte de informação tem fundamental importância para a caracterização do
mercado de trabalho formal. As outras fontes de informações foram utilizadas nas seções
iniciais dos capítulos como forma de propiciar uma avaliação mais ampla do mercado de
trabalho, principalmente com relação à flutuação do emprego, mediante o CAGED.
O recorte temporal estabelecido neste estudo marca o período de maior ênfase da política de
atração de indústrias para o Ceará, de 1997 a 2005, uma vez que o estado ocupava a segunda
colocação, em termos de estoque de empregos industriais no Nordeste, em 1997, ultrapassando o Estado de Pernambuco, no final dos anos 1990, e consolidando-se, nos anos seguintes,
como o estado nordestino com maior estoque de emprego na indústria. Tal resultado mostra o
desempenho favorável, o que justifica mais ainda a realização deste estudo.
Sabe-se que apesar de a indústria ter sido um dos subsetores de atividade que mais sofreu com
a abertura da economia nacional, na década passada, esse subsetor buscou constituir novas
áreas industriais em regiões “menos desenvolvidas”, buscando mão-de-obra mais barata, maior
proximidade com os mercados consumidores, dentre outras iniciativas, assegurando maior
competitividade.
A guerra fiscal praticada por alguns estados da federação facilitou o processo de formação de
novas áreas industriais no País, especialmente pela melhoria da infra-estrutura dos estados
(rodovias e portos, por exemplo) e os incentivos fiscais, como a redução (ou isenção) do Imposto
de Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Por outro lado, sabe-se que essa política de
atração de investimentos não se constituiu claramente, em muitos casos, em uma política
evidentemente industrial, uma vez que os próprios recursos financeiros, que foram utilizados
para a melhoria da infra-estrutura dos estados nordestinos, foram captados por meio do
programa de Desenvolvimento do Turismo – PRODETUR, que tinha como objetivo privilegiar
prioritariamente outra cadeia produtiva1.
Entretanto, em alguns estados do Nordeste, como o caso do Ceará, foram realizadas discussões
técnicas sobre a política de incentivos fiscais, o que promoveu a avaliação e a reformulação de
suas ações sobre essa temática no final dos anos 1990, haja vista que os resultados de levar a
atividade econômica para os municípios interioranos não funcionara a contento, dada a
concentração econômica na Região Metropolitana de Fortaleza, sinalizando que a estrutura
econômica em transformação, em nível estadual, não é atendida por uma transformação
demográfica e socioeconômica do interior (Bar-el, 2005).
Todavia, as mudanças na política de incentivos fiscais, associada a melhor conjuntura do
mercado de trabalho dos últimos anos, têm refletido na geração de oportunidades no interior
do estado. A constatação dessa realidade deve-se à diminuição da participação da mesorregião
metropolitana de Fortaleza, tanto no estoque de emprego total, como no industrial, para outras
mesorregiões.
Vale a pena constatar qual tem sido a distribuição espacial da indústria cearense tanto por ramo
de atividade, como por mesorregiões. Para aonde se deslocaram as indústrias, os empregos e a
renda gerada pelo setor secundário? A realização dessa investigação, associada ao levantamento do perfil do trabalhador da indústria cearense, é importante subsídio em benefício de
execução de políticas públicas do trabalho.
Nesse sentido, o presente estudo explora um dos temas mais instigantes do mercado de
trabalho cearense, o emprego industrial. As informações contidas neste documento representam importantes diretrizes para os formuladores de políticas públicas (decision makers),
pesquisadores, empresários, dentre outros interessados por este tema.
______________________________
1
O PRODETUR foi financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, tendo o Banco do Nordeste – BNB, como órgão
executor.
10
1
A RECENTE EVOLUÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL
Desde o início dos anos 2000, o mercado de trabalho brasileiro vem demonstrando importantes
resultados de expansão do emprego, especialmente entre os assalariados com carteira. Esse
quadro favorável advém de um ambiente político e econômico mais estável, dado que estes são
bastante diferenciados dos constatados em décadas anteriores, marcadas pela instabilidade
política e pela hiperinflação2. Categoricamente, pode-se afirmar que o cenário desfavorável de
outrora contribuiu tanto para a elevação da informalidade, como para a diminuição do emprego
formal no País.
Por outro lado, a literatura tem destacado também que as alterações na política
macroeconômica, sobretudo a cambial, em 1999, associadas ao maior rigor fiscal do Ministério
do Trabalho e Emprego – MTE, no combate à informalidade, tem favorecido o crescimento do
emprego com carteira no Brasil (IDT, 2006a; Macambira, 2006; Prado, 2006).
As informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, mostram
claramente essa evolução do mercado de trabalho, uma vez que os números apresentados por
essa base de dados deixaram de ser deficitários para ter um superávit médio anual de 951,7 mil
novos postos de trabalho nos anos 20003. Em 1999, por exemplo, ano em que ainda estavam
sendo implementadas as mudanças na política econômica, constatou-se que ocorreu a extinção
de, aproximadamente, 200 mil vagas no País, o que ilustra o comportamento desfavorável da
década de 1990, marcada pela diminuição do emprego com carteira assinada4.
Outra fonte de informação que ratifica essa conjuntura mais favorável do mercado de trabalho
nesses últimos anos é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, que investiga
tanto o setor formal, como o informal, uma vez que a taxa de desocupação recuou de 13,82%
(1997) para 9,31%, em 2005. Adicionalmente, vale destacar também que o patamar da taxa de
ocupação subiu nesse mesmo interstício, de 55,43% para 57,02%, confirmando essa recente
melhoria do mercado de trabalho (Gráficos 1 e 2).
______________________________
2
A hiperinflação era uma realidade brasileira até o advento do Plano Real, em 1994. A inflação acumulada do ano de 1993, por
exemplo, foi de 2.780,6%. Fonte: BACEN.
3
O período avaliado foi de janeiro de 2000 a dezembro de 2006. Fonte: MTE – CAGED.
4
Um outro exemplo de desempenho desfavorável do mercado de trabalho foi o ano de 1998, influenciado pelas crises asiática
(out/1997) e russa (ago/1998), cujo balanço do CAGED, nesse ano, apresentou um déficit de 581.744 postos de trabalho com carteira.
11
Gráfico 1
População desocupada e taxa de desocupação
Brasil
1997 / 2005
10,00
15,00
13,82
9,63
11,12
9,73
12,00
9,31
9,00
7,64
5,00
9,35
7,85
8,64
8,94
6,00
3,00
0,00
Taxa de desocupação (%)
Número de desocupados
(em milhões)
15,00
0,00
1997
1999
2001
2003
2005
Número de des ocupa dos (em mi l hões )
Ta xa de des ocupa ção (%)
Fonte: IBGE - PNAD (Elaboração própria)
Gráfico 2
População ocupada e taxa de ocupação
Brasil
1997/2005
100,00
58,50
69,33
71,68
76,10
80,16
57,00
57,02
60,00
55,50
40,00
55,43
55,42
Taxa de ocupação (%)
Número de ocupados (em milhões)
87,10
80,00
55,09
54,8
54,00
20,00
0,00
52,50
1997
1999
2001
2003
2005
Número de ocupa dos (em mi l hões )
Ta xa de ocupa ção (%)
Fonte: IBGE - PNAD (Elaboração própria)
Fazendo um paralelo com as populações estimadas pela PNAD dos Gráficos 1 (desocupadas) e 2
(ocupadas), observa-se que, para cada desocupado em 1997, havia 4,98 ocupados. Em 2005,
essa mesma relação passou de um para 6,38, corroborando a conjuntura mais favorável descrita
inicialmente.
Por outro lado, essa conjuntura favoreceu também a intensificação da procura por trabalho,
haja vista que a relação “ocupado/desocupado” foi decrescente nos períodos intermediários
12
dessa série histórica. Apesar da diferença temporal, o próprio CAGED ratifica essa
desaceleração do mercado de trabalho, uma vez que o balanço dos últimos três anos foi
também decrescente, respectivamente, com 1.523.276 (2004), 1.253.981 (2005) e 1.228.686
(2006) novos postos de trabalho com carteira assinada.
A constatação dessa realidade sinaliza que a economia brasileira precisa de números mais
significativos de crescimento econômico para que essa década continue tendo resultados
positivos de oportunidades de trabalho, dado que “a performance geral da economia de um
país repercute direta e indiretamente no volume total do emprego da mão-de-obra ...”
(Pochmann, 2000, p.72).
Os setores de atividade econômica
Além desse breve relato sobre a evolução do mercado de trabalho recente, interessa analisar o
desempenho dos setores de atividade a fim de mensurar o desempenho de cada um. A Tabela 1
mostra que todos os setores de atividade econômica tiveram resultados positivos ao longo dos
anos 2000. Em termos absolutos, destaca-se que os serviços foi o subsetor que teve o maior
incremento médio anual, com 386.097 novas oportunidades, seguido do comércio (289.285),
indústria de transformação (217.006), agropecuária (23.488), administração pública (9.209),
extrativismo mineral (7.181), construção civil (15.572) e serviços industriais de utilidade pública
(2.877).
Tabela 1
Saldo anual do emprego formal, por nível setorial
Brasil
2000 - 2006
Anos
Serviços
Comércio
Ind. Transf
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Acumulado 2000-2006
Média Anual
283.928
310.962
286.067
260.285
470.123
569.705
521.609
2.702.679
386.097
175.472
209.805
283.261
225.908
403.940
389.815
336.794
2.024.995
289.285
192.863
103.822
161.170
128.791
504.610
177.548
250.239
1.519.043
217.006
Fonte: MTE – CAGED (Elaboração própria).
13
Serv.Ind/
Util. Pub
-15.290
1.540
5.277
3.147
4.566
13.533
7.369
20.142
2.877
Const.
Civil
-1.627
-33.404
-29.425
-48.155
50.763
85.053
85.796
109.001
15.572
Extrat
Mineral
3.709
2.451
5.583
6.605
10.337
9.530
12.052
50.267
7.181
Adm/Púb
Agropec
3.182
11.774
10.204
9.830
-382
21.599
8.253
64.460
9.209
9.795
-17.128
40.579
58.198
79.274
-12.878
6.574
164.414
23.488
Esses dados são importantes, pois, entre janeiro de 1997 e dezembro de 1999, todos os grandes
setores de atividade econômica apresentaram resultados negativos, em termos de
formalização de empregos, com a exceção do comércio, que gerou 22.252 vagas nesse
interstício. Adicionalmente, 51,50% dos postos de trabalho eliminados nesse período
ocorreram na indústria de transformação, com a extinção de 418.927 vagas5.
Apesar desses resultados, os dados expostos na Tabela 1 apresentam uma evolução favorável
de todos os setores de atividade nos últimos anos. Observa-se que os serviços, o comércio e a
indústria de transformação foram os setores que destacadamente geraram o maior número de
vagas ao longo dos anos 2000, respondendo conjuntamente por 6,25 milhões de novos postos
de trabalho, o que representou 93,76% das vagas geradas entre janeiro de 2000 e dezembro de
2006 (Gráfico 3).
Gráfico 3
Saldo do emprego formal por nível setorial
Brasil
2000-2006
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
0
-100.000
Serviço s
2000
2001
Co mércio
Ind.Transf
2002
2003
Serv.Ind.Util.P ub
2004
Co nst. Civil
2005
Extr. M iner
2006
A dm.P úb
A gro pec
Fonte: MTE – CAGED (Elaboração própria).
Com este comportamento diferenciado do acumulado do emprego formal nos serviços,
comércio e indústria de transformação, verificou-se o ritmo de crescimento destes setores de
atividade. As informações do CAGED apontam que a indústria de transformação teve um ritmo
de crescimento médio anual quase três vezes mais elevado do que os serviços (14,31%) e o
comércio (16,01%), com 42,82%. Apesar dos setores serviços e comércio terem aberto o maior
número de vagas nos últimos anos, os números da indústria de transformação revelam
resultados bastante interessantes que justificam a análise mais detalhada desse setor de
atividade.
______________________________
5
Entre janeiro de 1997 e dezembro de 1999 foram extintas 813.480 vagas.
14
Desempenho regional
Todas as regiões geográficas brasileiras tiveram saldos positivos com relação à criação de novos
postos de trabalho assalariados formais entre janeiro de 2000 e dezembro de 2006. A Região
Sudeste foi responsável por 56,22% do total de empregos gerados nesse interstício, com
3.745.417 novas vagas, seguida do Sul (1.266.484), Nordeste (929.031), Centro-Oeste (433.677)
e Norte (287.856), totalizando 6.662.465 novos postos de trabalho com carteira assinada
(Gráfico 4).
Gráfico 4
Participação regional na geração de empregos formais
Brasil
2001-2006
4,10
7,70
4,48
8,99
15,59
3,75
9,62
10,23
17,11
13,03
16,99
26,39
19,77
24,13
54,74
50,01
51,32
49,38
53,62
2000
2001
2003
2004
5,41
7,27
2002
SUDESTE
SUL
Fonte: MTE - CAGED (Elaboração própria).
NORDESTE
5,08
7,31
12,32
21,68
3,89
4,45
15,71
3,57
3,67
13,58
12,94
16,26
63,01
62,92
2005
CENTRO-OESTE
2006
NORTE
O Gráfico 4 apresenta a evolução das estatísticas do CAGED quanto aos empregos gerados,
segundo as cinco regiões geográficas brasileiras. Conforme já mencionado, a Região Sudeste
concentrou a maior parcela dos empregos gerados no País nos últimos anos, respondendo no
mínimo por 49% das vagas criadas anualmente, alcançado a parcela de 63%, no biênio
2005/20066, absorvendo frações crescentes dos novos empregos que surgiram na economia.
Por outro lado, as Regiões Norte e Centro-Oeste tiveram uma menor participação e
responderam conjuntamente por apenas 10,83% do total de empregos gerados nesses últimos
sete anos, com a perda de participação nos últimos dois anos chegando a 7%. Adicionalmente,
vale mencionar que essas regiões foram as únicas (mesmo não apresentando números
______________________________
6
Segundo dados da PNAD, a Região Sudeste concentra a maior parcela da população economicamente ativa - PEA nacional, com
27,08%. Em 2005, a PEA dessa região era composta por 41.364.821 pessoas. Fonte: IBGE.
15
expressivos) que não fecharam o período de janeiro de 1997 a dezembro de 1999 com déficit na
geração de vagas, com a criação de 712 e 7.855 novos postos de trabalho com carteira assinada.
Os números apresentados ao longo desse capítulo são bastante claros no que concerne ao
crescimento do emprego formal nos anos 2000, cujos resultados são bastante diferenciados da
década anterior, especialmente marcada pela diminuição do emprego com carteira e elevação
da informalidade. Apesar disso, observa-se que a recente criação de postos de trabalho no Brasil
está bastante concentrada nas Regiões Sul e Sudeste, cujos níveis geográficos foram
responsáveis por ¾ do total de empregos gerados nesse período. Em termos absolutos, essas
duas regiões foram, conjuntamente, responsáveis por cinco das 6,6 milhões de vagas geradas
nesse período.
Verifica-se, portanto, uma forte concentração da geração dos empregos com carteira nessas
duas regiões, todavia, vale salientar a importância da região Nordeste, que foi a terceira região
mais representativa nesse período, com 929.031 novos empregos assalariados. Esse montante
foi mais expressivo do que as 721.533 vagas geradas conjuntamente nas Regiões Norte e
Centro-Oeste, fato que demonstra a relevância do Nordeste nesse processo de expansão do
emprego formal, cabendo-lhe 13,58% dos empregos gerados, em 2006, contra 15,59%, em
2000.
Além disso, observa-se que a amplitude do nível de participação dessa região, comparada ao do
Sul e Sudeste, foi inferior, demostrando que apesar de ser a terceira maior força regional na
geração de novos postos de trabalho formalizados, esta região não apresentou grandes
distorções com relação a sua participação anual, haja vista que sua menor participação foi em
2001, com 10,23%, e a maior com 17,11%, em 2005, representando uma amplitude de 6,88
pontos percentuais. Nesse sentido, verifica-se que a amplitude das regiões Sul e Sudeste
ultrapassaram os dez pontos percentuais, sinalizando maior variabilidade com relação a fatores
exógenos, como a própria sazonalidade dos setores de atividade, por exemplo.
Dessa forma, o próximo capítulo avalia o desempenho da Região Nordeste, cuja participação no
emprego industrial tem representatividade, visto que a guerra fiscal, os salários mais baixos,
dentre outros fatores, contribuíram para instalação de estabelecimentos industriais nessa
região.
16
2
A DINÂMICA DO EMPREGO FORMAL NO NORDESTE E A
PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA
Após apresentação da recente dinâmica do mercado de trabalho no Brasil, este capítulo avalia o
desempenho da Região Nordeste, nível geográfico em que a indústria contribuiu no processo de
expansão do emprego formal.
Conforme visto anteriormente, a retomada dos empregos com carteira está associada a
diversos fatores, tais como: mudanças na política econômica, cenários político e econômico
mais estáveis, dentre outros. Além disso, deve-se mencionar que a “guerra fiscal” praticada
pelos estados nordestinos, em meados dos anos 1990, também contribuiu para a expansão dos
empregos com carteira no Nordeste7.
Sabe-se que um dos principais instrumentos utilizados na guerra fiscal foi a redução ou isenção
das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, pelos estados da
federação8. Esse conflito entre os entes federados para atração de investimentos é apresentado
por boa parte da literatura como um processo maléfico, haja vista que, a longo prazo, tanto
empresas, como estados federativos, perdem com a renúncia fiscal.
Apesar disso, a política de atração de investimentos foi um mecanismo bastante utilizado pelos
estados nordestinos ao longo dos anos 1990, o que favoreceu um melhor desempenho dessa
região relativo à geração de postos de trabalho. Assim sendo, o ritmo de crescimento médio
anual do estoque de emprego no Nordeste, mensurado por meio da Relação Anual de
Informações Sociais – RAIS, foi 43,97% mais elevado do que o desempenho nacional,
sinalizando que, apesar do baixo dinamismo da economia nacional e da destruição líquida de
postos de trabalho ao longo da década de 1990, a Região Nordeste apresentou um desempenho
mais satisfatório ao longo desse período.
______________________________
7
A guerra fiscal tem sido utilizada pelos entes federativos (estados e municípios) desde a década de 1960, sendo regulamentada pela
Lei Complementar Federal nº 24/1975. Todavia, essa legislação não vem sendo cumprida desde esse período e a briga por atração de
investimentos mediante a renúncia fiscal foi mais difundida nos anos 1990. Recentemente, o Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social – CDES vem discutindo propostas que viabilizem o desenvolvimento da economia nacional sem que seja
necessário esse processo predatório da guerra fiscal.
8
Além das reduções ou isenções tributárias, a política de atração de investimento utilizada na guerra fiscal fornece também, em
muitos casos, crédito e infra-estrutura para instalação de grandes empresas.
17
Uma hipótese explicativa para justificar esse desempenho diferenciado da Região Nordeste
deve-se exatamente à política de atração de investimentos realizada pelos estados nordestinos,
visto que a redução ou isenção do ICMS, melhoria da infra-estrutura local, salários mais baixos,
dentre outros fatores, foram decisivos para a transferência dos empregos das regiões Sul e
Sudeste para outras regiões brasileiras, conforme Gráfico 59.
Gráfico 5
Variação do emprego formal por regiões geográficas (em %)
Brasil
1997/2005
60
54,99
51,75
50
40
25,53
30
14,05 16,2417,48
20
10
4,97
3,96
7,24
8,26
17,55
17,55
7,61
0
-0,04
-5,89
-10
Norte
Centro-Oeste
Nordeste
Sul
1997
Fonte: MTE - RAIS (Elaboração própria).
Sudeste
2005
Va r (%)
Constata-se que, apesar do desempenho das regiões Norte e Centro-Oeste no aumento de suas
participações no estoque de empregos do País, com variações de 25,53% e 14,05%,
respectivamente, destaca-se a evolução da Região Nordeste, cujo estoque de emprego é mais
expressivo do que o observado nessas duas regiões conjuntamente, apesar do crescimento
inferior (7,61%).
Por conta disso, a Tabela 2 traz o crescimento do estoque de emprego tanto no Brasil, como no
Nordeste, entre 1997 e 2005. Observa-se que, ao longo desse interstício, o estoque do emprego
nacional cresceu 37,89%, de 24.104.428 para 33.238.617 postos de trabalho, enquanto o
Nordeste teve um ritmo de crescimento mais expressivo, com 48,35%. Em termos absolutos,
observa-se que o estoque de emprego nesse período, no Nordeste, passou de 3.915.451 para
5.808.590 vagas.
______________________________
9
O contraste das informações estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, sobre a flutuação do emprego (CAGED) e o
estoque (RAIS) mostra que, não obstante a geração de oportunidades do trabalho ter um peso mais relevante nas regiões Sul e
Sudeste, as demais regiões brasileiras têm crescido mais rapidamente, dado o próprio aumento da participação dessas regiões no
estoque do emprego nacional.
18
Tabela 2
Estoque de emprego formal, por nível geográfico
Brasil/Nordeste
1997 - 2005
Nível geográfico/ Estoque
Ano
Brasil
Nordeste
1997
24.104.428
3.915.451
1998
24.491.635
4.059.894
1999
24.993.265
4.181.752
2000
26.228.629
4.374.850
2001
27.189.614
4.555.019
2002
28.683.913
4.859.397
2003
29.544.927
5.095.390
2004
31.407.576
5.394.730
2005
33.238.617
5.808.590
Fonte: MTE - RAIS.
O crescimento mais expressivo do empregos no Nordeste, em comparação ao plano nacional,
melhorou a participação dessa região no estoque de emprego do País, visto que para cada 5,72
postos de trabalho existentes no Brasil, em 2005, um localizava-se no Nordeste, mostrando uma
melhoria do desempenho dessa região, uma vez que, em 1997, essa relação era de 6,16 para
um.
Adicionalmente, constatou-se que, ao longo desse período, foram, em média, 1,14 milhão de
novos empregos a cada ano, no Brasil, sendo que o Nordeste foi responsável anualmente por
236,6 mil vagas.
A participação do emprego industrial
A literatura tem apresentado que a indústria foi um dos subsetores de atividade mais atingidos
nos anos 1990, uma vez que a abertura comercial da economia brasileira, ao longo desse
período, promoveu um verdadeiro choque tecnológico e organizacional na indústria nacional
(Sabóia, 2001a; 2004).
O resultado desse processo foi a destruição líquida de postos de trabalho ao longo dos anos
noventa. Entre janeiro de 1997 e dezembro de 1999, por exemplo, a indústria de transformação
foi responsável pela extinção de 51,30% dos postos de trabalho nesse interstício, com a eliminação de 418.927 vagas10. Tais impactos afetaram consideravelmente o desempenho do emprego
industrial, pois, mesmo nesse recente período de expansão do emprego formal no País,
______________________________
10
A escolha desse período como exemplo deve-se aos anos pertencentes tanto a década de 1990, quanto ao recorte temporal desse
estudo de caso.
19
“conseguir um emprego na indústria em termos atuais é ainda mais difícil que em décadas
passadas, sendo que é virtualmente impossível obter uma vaga na época do ajuste produtivo
decorrente da abertura comercial” (Chahad apud Macambira, 2006, p.52).
Observa-se, assim que, mesmo com a dinâmica favorável dos anos 2000, especialmente pelo
desempenho da indústria em 200411, o emprego industrial diminuiu discretamente sua participação no estoque de emprego total entre 1997 e 2005, significando dizer que, em 1997, de cada
cinco empregos existentes no país, um era industrial, ao passo que, em 2005, essa relação era de
5,3 para um. Esse mesmo comportamento foi observado na Região Nordeste, uma vez que essa
relação oscilou de 7,05 para 7,25. Apesar disso, verifica-se que enquanto a participação do
emprego industrial no estoque de emprego total recuou 6,00% no Brasil, essa regressão no
Nordeste foi de 2,80%, sinalizando menores perdas do emprego industrial nessa região.
Apesar dessa realidade, a Tabela 3 mostra o processo de recuperação do estoque do emprego na
indústria, haja vista que esse contingente, entre 1997 e 2005, cresceu 30,59%, com o acréscimo
de 1,47 milhão de novos postos de trabalho no Brasil, sendo 512 mil na Região Sudeste, seguido
das regiões Sul (489 mil), Nordeste (246 mil), Centro-Oeste (120 mil) e Norte (105 mil).
Tabela 3
Estoque de emprego formal da indústria, por unidades da federação da Região Nordeste
Brasil
1997-2005
Variáveis/Ano
Unidades da federação
Estoque
%
Variação %
1997/2005
1997
4.809.586
2005
6.281.021
1997
100,00
2005
100,00
Nordeste
555.245
800.905
11,54
12,75
44,24
Norte
135.257
240.684
2,81
3,83
77,95
Centro-Oeste
173.197
293.099
3,60
4,67
69,23
Sudeste
2.823.770
3.335.811
58,72
53,11
18,13
Sul
1.122.012
1.610.522
23,33
25,64
43,54
Brasil
30,59
Estados da Região Nordeste
Alagoas
64.337
96.538
1,34
1,54
50,05
Bahia
93.770
163.783
1,95
2,61
74,66
Ceará
116.970
183.081
2,43
2,91
56,52
Maranhão
20.788
24.864
0,43
0,40
19,61
Paraíba
41.502
56.636
0,86
0,90
36,47
Pernambuco
138.820
162.056
2,89
2,58
16,74
Piauí
17.181
22.041
0,36
0,35
28,29
Rio Grande do Norte
40.018
58.579
0,83
0,93
46,38
Sergipe
21.859
33.327
0,45
0,53
52,46
Fonte: MTE - RAIS.
Nota: Foram excluídos 105 casos referentes aos ignorados do ano de 1997.
______________________________
11
Somente em 2004, a indústria de transformação foi responsável pela geração de 504.610 novos postos de trabalho com carteira,
seguida dos serviços (470.123 vagas) e do comércio (403.940 vagas), dentre outros. Fonte: MTE - CAGED.
20
A parte superior da Tabela 3 mostra que, entre 1997 e 2005, ocorreu a transferência de parte do
emprego industrial da Região Sudeste para outras regiões brasileiras, conforme o ritmo de
crescimento do emprego na indústria em cada uma delas, como conseqüência da elevação da
participação das regiões Sul (de 23,33% para 25,64%), Nordeste (de 11,54% para 12,75%),
Centro-Oeste (de 3,60% para 4,67%) e Norte (de 2,81% para 3,83%) no estoque do emprego
industrial do país ao longo desse período. Constata-se, assim, que a participação da Região
Sudeste no estoque do emprego industrial, nesse interstício, caiu de 58,72% para 53,11%,
apesar dessa região concentrar ainda mais da metade dos empregos da indústria nacional.
Cabe mencionar que o ritmo de crescimento do emprego industrial foi mais expressivo nas
regiões Norte (77,95%) e Centro-Oeste (69,23%) do que o observado nas regiões Nordeste
(44,24%) e Sul (43,54%), não obstante as duas primeiras terem um menor estoque de emprego
(total e industrial), uma vez que a instalação de qualquer grande investimento eleva
consideravelmente o crescimento relativo. Ademais, isso significa dizer que se uma Região “A”
tem um estoque de 100 empregos e cresce 20%, ela passa a contabilizar 120 vagas. No entanto,
se uma Região “B” possui um estoque de 10 empregos e cresce 30%, por exemplo, contabiliza-se
um montante de 13 postos de trabalho. Dessa forma, verifica-se que, comparativamente aos
valores absolutos e relativos, destaca-se o desempenho das regiões Nordeste e Sul que
superaram também o desempenho nacional (30,59%).
Já a parte inferior da Tabela 3 mostra o desempenho dos estados nordestinos com relação ao
crescimento do emprego industrial, em que o Estado da Bahia teve o melhor desempenho, por
ter aumentado em 74,66% o seu estoque de emprego, entre 1997 e 2005, seguido dos estados
do Ceará (56,52%),
Sergipe (52,46%),
Alagoas (50,05%),
Rio Grande do
Norte (46,38%),
Paraíba (36,47%),
Piauí (28,29%),
Maranhão (19,61%)
e Pernambuco
(16,74%), conforme
Gráfico 6.
Fonte: MTE – RAIS (Elaboração própria).
21
Apesar do desempenho da Bahia, observa-se que o Estado do Ceará possui o maior estoque de
emprego industrial no Nordeste, com 183.081 postos de trabalho, em 2005. Ressalte-se
também o baixo desempenho de Pernambuco, estado que ocupava o primeiro lugar no
Nordeste, em 1997, e foi ultrapassado pelo Ceará e Bahia12. Estes três estados respondem por
63,54% do emprego industrial da região13.
Dessa forma, verifica-se um ligeiro aumento na concentração do emprego industrial do
Nordeste nos estados do Ceará, Bahia e Pernambuco, haja vista que em 1997 estes estados
detinham 62,96% dos empregos da indústria nordestina. Verifica-se, assim, que, apesar do
desempenho dos demais estados, o emprego industrial no Nordeste é bastante concentrado
nestes três estados.
Todavia, não obstante essa concentração, observa-se que enquanto o estoque de emprego
industrial dos três estados mais representativos cresceu 45,59% (de 349.560 para 508.920
vagas), os demais cresceram conjuntamente praticamente no mesmo ritmo, com 41,96% (de
205.685 para 291.985 vagas)14, sinalizando que a indústria nacional continua buscando formar
novas áreas industriais.
A constatação dessa realidade no País sinaliza a necessidade de parcerias entre as mais diversas
instituições governamentais, associações empresariais e de classe, dentre outras, para
implementação tanto de políticas industriais, que fomentem a criação de mais empregos no
setor, como de capacitação e treinamento da força de trabalho local.
Estabelecimentos versus estoque de emprego industrial
Outro aspecto observado neste estudo foi o crescimento do número de estabelecimentos
industriais. Entre 1997 e 2005, o contingente de estabelecimentos na indústria brasileira
aumentou 24,86%, de 230.680 para 288.038 empresas, representando um adicional de 57.358
novos empreendimentos. Observa-se que o número de estabelecimentos no Nordeste cresceu
41,21%, de 23.711 para 33.460 estabelecimentos, mostrando um ritmo de acréscimo mais
acelerado do que o desempenho nacional, conforme Tabela 4.
______________________________
12
No final dos anos 1990, o Estado do Ceará já assumia a primeira colocação no Nordeste. Ver Sabóia (2001a).
13
Em 2005, esses três estados respondiam por 8,10% do emprego industrial do País. Fonte: MTE – RAIS.
14
Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
22
Tabela 4
Estoque de emprego formal da indústria, por nível geográfico, segundo o tamanho do
estabelecimento, remuneração média e escolaridade
Brasil/Nordeste
1997 / 2005
Nível geográfico/ Estoque
Variáveis
Estoque
Estoque (%)
Brasil
1997
4.809.586
Nordeste
2005
6.281.021
1997
555.245
2005
800.905
100,00
100,00
11,54
12,75
230.680
288.038
23.711
33.460
Estabelecimentos (%)
100,00
100,00
10,28
11,62
Tamanho médio
20,85
21,81
23,42
23,94
5,72
3,82
3,36
2,40
100,00
100,00
6,77
8,02
7,11
8,66
5,92
7,47
Estabelecimentos
Remuneração Média
Remuneração (%)
Escolaridade média
Fonte: MTE - RAIS.
Nota: Tamanho médio em número de empregados por estabelecimento
Remuneração média em salários-mínimos
Remuneração percentual, participação da massa salarial da Região Nordeste
Escolaridade média em número de anos de estudo
Verifica-se na Tabela 4 tanto o crescimento do estoque de emprego, como do número de
estabelecimentos. Constata-se, também, que o ritmo de crescimento mais acelerado das
oportunidades de trabalho, em comparação ao número de estabelecimentos, contribuiu para a
elevação do tamanho médio dos estabelecimentos, comportamento notado tanto no Nordeste,
como no plano nacional15. O crescimento do tamanho médio dos estabelecimentos difere do
estudo realizado anteriormente por Sabóia (2001a) que avaliou o período entre 1989 e 1999,
cuja diminuição dos postos de trabalho na indústria brasileira influenciou a redução do
tamanho dos estabelecimentos. Isto posto, observa-se que a atual conjuntura econômica vem
favorecendo a recuperação da indústria nacional, tanto em termos do estoque de empregos,
como em relação ao número de estabelecimentos.
Outro aspecto identificado em ambos os níveis geográficos avaliados foi a queda da
remuneração do trabalhador industrial. No Brasil, a remuneração média desse trabalhador caiu
33,22%, de 5,72 salários-mínimos (SM) em 1997, para 3,82 SM, em 2005. Nesse mesmo
período, o rendimento do trabalhador na indústria nordestina declinou de 3,36 para 2,40 SM,
mostrando que, em ambos os casos, houve queda significativa do nível salarial. Verifica-se que o
declínio mais acentuado do rendimento médio nacional diminuiu o diferencial entre a
remuneração paga aos trabalhadores no Nordeste com relação a média nacional, pois o
rendimento médio nessa região, que eqüivalia a 58,74% da média nacional, em 1997, passou
______________________________
15
Mensurado pela média de trabalhadores por estabelecimento.
23
para 71,24%, em 2005. Apesar desse decréscimo, observa-se que a remuneração do
trabalhador da indústria nordestina ainda está bem abaixo da média nacional, o que representa
um incentivo para as empresas alojarem-se na região, dado o menor custo operacional com
relação à contratação de mão-de-obra.
Outra realidade do mercado de trabalho constatada neste estudo foi que, não obstante a
elevação da escolaridade dos trabalhadores, essa melhoria não tem refletido num melhor
padrão de rendimento, haja vista a contínua queda desse indicador nas mais diversas fontes de
informações. Observa-se que o nível médio de escolaridade dos trabalhadores da indústria
nacional cresceu de 7,11 (1997) para 8,66 anos de estudos, em 2005. Essa melhoria foi notada
também entre os trabalhadores da indústria nordestina, visto que esse indicador passou de
5,92 para 7,47 anos de estudo, no mesmo período. Tais resultados mostram uma melhoria do
perfil educacional do trabalhador brasileiro, todavia, os parâmetros apresentados em torno de
oito anos de estudos ainda são relativamente baixos, haja vista que essa média de escolaridade
só corresponde a conclusão do ensino fundamental, notadamente no Nordeste.
Embora saiba-se que a combinação entre escolaridade e remuneração no emprego industrial
apresenta diversas variações, dependendo da ocupação e do setor de atividade, podendo haver
trabalhadores menos escolarizados com rendimentos tanto baixos, como elevados, como o
caso de alguns trabalhadores qualificados (expertise)16, tais como: pintores, soldadores,
operadores de máquinas, dentre outros. A Figura 1 mostra essas variações a partir do estudo
realizado anteriormente por Sabóia (2001b):
Figura 1
Tipologia dos empregos industriais por nível de escolaridade e nível de rendimento
Brasil
2007
Trabalhadores qualificados (pintores,
chapeadores, operadores de máquinas,
dentre outros),
Níveis de direção (diretores, gerentes e etc);
Técnicos (físicos, químicos, economistas,
d e n t r e
o u t r o s ) ;
Trabalhadores de segmentos modernos
(ajustadores, montadores, eletrônicos e etc);
Área administrativa (contabilidade,
secretariado, dentre outros),
Trabalhadores de produção de setores
tradicionais (alimentos, bebidas, extração
mineral, dentre outros).
Trabalhadores de apoio (motoristas,
seguranças, etc),
Trabalhadores de produção (joalheiros e
ouriveres, por exemplo)
Trabalhadores de apoio (telefonistas,
vendedores, mensageiros e etc),
Fonte: Ver Sabóia (2001b), Elaboração própria.
______________________________
16
Pode ser compreendida como destreza, especialidade, dentre outras.
24
A Figura 1 pode ser compreendida a partir de seus eixos horizontal e vertical. O primeiro está
relacionado ao nível de escolaridade, sendo que os trabalhadores que estão à direita da figura
possuem maior nível educacional, estando acima da média do nível de escolaridade dos
trabalhadores industriais (ensino fundamental). Por conseguinte, os trabalhadores abaixo
desse perfil educacional estão à esquerda da mesma. O segundo eixo, o vertical, está
relacionado ao nível de rendimento do trabalhador industrial, sendo que aqueles que estão na
parte superior possuem um maior nível de renda, o que demonstra que, na indústria (apesar de
ser uma minoria), trabalhadores menos escolarizados (mas que possuem determinada
destreza) podem alcançar também níveis de rendimento mais elevados, independentemente
de sua educação formal.
A constatação dessa realidade sinaliza a necessidade de políticas de qualificação profissional
especializadas para o mercado de trabalho, oferecendo orientação e cursos direcionados a
profissões específicas em cada localidade visando atender às especificidades das empresas.
Dessa forma, o próximo capítulo, além de fazer uma avaliação conjuntural do mercado de
trabalho no Ceará, traça uma radiografia do emprego industrial no estado em suas
mesorregiões e nos municípios mais representativos, em termos de estoque de emprego na
indústria.
25
3
O EMPREGO INDUSTRIAL NO CEARÁ
A retomada do emprego formal no Ceará, nos anos 2000
Segundo estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED, um Registro
Administrativo do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, tal qual o ocorrido em nível
nacional, deu-se uma retomada na geração de emprego com carteira assinada no Ceará a partir
de 2000, significando um novo padrão de geração de emprego no estado, notadamente nos
últimos três anos (2004/2006).
Em 1997-1999, o saldo de emprego cearense, diferença entre o número de empregados
admitidos e desligados, que traduz o total de empregos que são criados na economia, foi de
apenas 2.394, contra 180.011 novos empregos em 2000-2006, dos quais, 64.435 no biênio
2005-2006 (36%). Outro aspecto que reforça a assertiva é que, se no biênio 2000-2001 o
número de novos empregos/ano era de pouco mais de 17.000, em 2004-2005, esse número
saltou para o patamar de 31.000 vagas com carteira assinada/ano, alcançando 33.560
empregos, em 2006, o que dá uma geração média anual de 25.716 empregos, em 2000 – 2006.
Vide Gráfico7.
Gráfico 7
Número de empregos formais gerados
Estado do Ceará
1997 - 2006
35.000
33.560
31.240
30.875
30.831
30.000
25.000
17.77917.081
20.000
18.645
15.000
10.000
5.000
5.823
4.031
0
-5.000
-7.460
-10.000
Sa l do de Emprego
Fo nte: M TE - CA GED (Elabo ração pró pria).
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
26
Essa mudança de padrão nos anos 2000 foi impulsionada pelos empregos criados nos serviços
(75.989), indústria de transformação (46.780) e no comércio (46.438), com participações de
42,21%, 25,99% e 25,80%, respectivamente, responsáveis por 94% das novas oportunidades de
emprego formal no estado, em 2000-2006. Observar que, nesse período, o volume de
empregos gerados na indústria ultrapassou o verificado no comércio, fruto da recuperação do
emprego industrial, notadamente em 2002 e 2004, quando surgiram mais de 12.000 vagas
formais na indústria de transformação cearense.
Em 1997-1999, dos nove setores pesquisados, seis eliminaram postos de trabalho, visto que os
desligamentos superaram as admissões e, em 2000-2006, apenas dois setores tiveram saldo
negativo (serviços industriais de utilidade pública e construção civil), demonstrando que a
recuperação do emprego com carteira no Ceará ocorreu de forma descentralizada,
setorialmente falando (Tabela 5).
Tabela 5
Saldo de emprego formal por setor de atividade
Estado do Ceará
1997 – 2006
Setor de atividade
Extrativa Mineral
Ind. Transformação
Serv. Ind. Útil. Pública
Construção Civil
Comércio
Serviços
Administração Pública
Agropecuária
Outros
Total
1997-1999
253
9.517
-1.686
-2.713
842
-1.488
-1.629
-645
-57
2.394
2000-2006
2000-2002
187
18.958
-674
-4.947
14.485
32.351
543
4.663
125
65.691
2003-2004
-83
16.618
-194
-387
13.465
17.996
12
2.429
29
49.885
2005 -2006
-67
11.204
661
5.165
18.488
25.642
-20
3.362
0
64.435
Total
37
46.780
-207
-169
46.438
75.989
535
10.454
154
180.011
Fonte: MTE - CAGED.
Ao se subdividir esse período em três outros, quais sejam, 2000-2002 e 2003-2004 e 2005-2006,
pode-se observar o processo de recuperação do mercado de trabalho formal do Ceará com mais
detalhes. Inicialmente, essa evolução do emprego formal cearense demonstra que os melhores
anos estão associados a períodos de maior crescimento do PIB, quais sejam, 2000, 2002, 2004 e
2006, quando a economia cearense cresceu a taxas de 4,0%, 2,7%, 4,4% e 4,8%,
respectivamente, segundo o Instituto de Planejamento e Estratégia Econômica - IPECE. Nesses
quatro anos, foi na indústria de transformação em que se detectaram os mais expressivos saldos
de emprego, isto é, o setor com a maior geração líquida de empregos, com saldos de 8.421,
12.046, 12.138 e 6.597 empregos adicionais. Observar ainda que, apesar de positivos, os saldos
27
da indústria de transformação apresentam-se menores, caindo de 18.958 empregos (20002002) para 16.618 (2003 – 2004) e 11.204, em 2005-2006, significando dizer que o setor vem
gerando cada vez menos empregos no Ceará, embora o número de contratações ainda supere
os desligamentos, propiciando saldos positivos.
No tocante ao declínio do emprego industrial, estudo do Instituto de Estudos para o
Desenvolvimento Industrial – IEDI, de São Paulo, concluiu que, no Brasil, “a farra das
importações nos últimos três anos freou o emprego industrial no país. ... Desde 2004, quando
começou a onda de valorização do Real diante do dólar, a importação de matérias-primas,
componentes e produtos industrializados aumentou 45%, empurrada pela desvalorização da
moeda norte-americana. No mesmo período, o emprego ficou estagnado (alta de apenas 0,1%)
na indústria de transformação, apesar do crescimento acumulado de 10,40% do produto interno
bruto (PIB)17.” Edgard Pereira, economista do IEDI, destaca que “os números indicam que boa
parte da expansão da demanda está sendo abastecida por importações, que não criam e até
fecham vagas no mercado de trabalho18.”
Importante também foi a recuperação do emprego na construção civil, que se deu em 20052006, minimizando, sobremaneira, o saldo negativo de 2000 – 2006 (-169 vagas). Construção
civil e serviços industriais de utilidade pública detiveram saldos negativos nos três primeiros
períodos (1997-1999, 2000-2002 e 2003-2004), sendo que, na construção civil, esse saldo foi
mais negativo no segundo período (-4.947 empregos), ao contrário dos serviços industriais de
utilidade pública, cujo saldo, embora ainda negativo, foi bem menor (-674 empregos). Ambos
apresentaram performance positiva em 2005-2006, com o surgimento de nada menos que
5.165 vagas na construção civil e 661, nos serviços industriais de utilidade pública.
Ao contrário da indústria de transformação, comércio, serviços e agropecuária detiveram saldos
crescentes em 2005-2006, sendo, no primeiro caso, 18.488 novos empregos, no segundo,
25.642 e, no último, 3.362. De fato, 2005 e 2006 foram dois dos melhores anos, em termos de
novos empregos nos serviços e no comércio.
Quanto à distribuição espacial dos empregos gerados, atendo-se, inicialmente, ao interior do
estado, este foi contemplado com 33,27% dos novos empregos, em média, no período 2000 –
2006, com parcelas que variaram de um mínimo de 18,67% (2005) a um máximo de 56,06%
______________________________
17
Farra das importações freia emprego industrial no País – Jornal O POVO, 12/03/07.
18
Idem.
28
(2002), conforme Tabela a seguir. De fato, 2001 e 2002 foram os anos em que o interior deteve as
maiores frações do emprego gerado no estado, nas proporções de 39,99% e 56,06%,
respectivamente.
Por outro lado, os piores anos para o emprego formal no interior foram 2003 e 2005, anos não
muito favoráveis para o emprego industrial no Ceará, quando o saldo anual se situou em torno
de 4.500, contra mais de 12.000 empregos, em 2002 e 2004, demonstrando a importância da
performance da indústria cearense para o nível de emprego no interior, principalmente a
indústria de calçados. O ano de 2006 é um exemplo bem recente, posto que foi um momento de
recuperação do emprego, inclusive do industrial, fazendo com que fosse ampliada a fração de
empregos para o interior (34,54%), a maior dos últimos quatro anos (Tabela 6).
Tabela 6
Empregos gerados por região
Estado do Ceará
2000 - 2006
Ano
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Estado do Ceará
17.779
17.081
30.831
18.645
31.240
30.875
33.560
Interior do estado
6.275
6.830
17.284
3.872
8.604
5.765
11.591
Interior/estado
35,29%
39,99%
56,06%
20,77%
27,54%
18,67%
34,54%
Fonte: MTE - CAGED.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, do IBGE, em 2005, o Ceará
detinha uma população economicamente ativa - PEA (ocupados e desocupados), de 4.093.280
trabalhadores, enquanto fora da Região Metropolitana de Fortaleza, entenda-se nas regiões
interioranas, esse contingente populacional foi estimado em 2.434.985 pessoas, ou seja, a PEA
do interior do estado correspondia a 59,49% da PEA estadual. Sob esse prisma, a destinação de
33% dos empregos formais para o interior mostra-se baixa, devendo serem implementadas
ações que ampliem esse percentual, de forma a se elevarem as oportunidades de trabalho no
interior e, acima de tudo, a sua qualidade, reduzindo os altos níveis de informalidade do
mercado de trabalho nessa região.
Enfim, os números citados ilustram que houve uma ruptura no ritmo de ampliação do emprego
formal no estado, entre 1997-1999 e 2000-2006, e este ocorreu de forma descentralizada,
29
sendo gestado em diversos setores de atividade, cabendo ao interior do estado, em média, a
parcela de 1/3 dos empregos formais, que surgiram na economia cearense, parcela esta que
precisa ser elevada para reduzir os níveis de informalidade do mercado de trabalho no interior.
Evolução e distribuição espacial do emprego formal no Ceará: 1997 - 2005
Trabalha-se, agora, com a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, outro Registro
Administrativo do MTE, de periodicidade anual, com informações sobre o estoque de empregos
existentes em 31 de dezembro, englobando celetistas e estatutários. A RAIS trabalha com o
conceito de vínculos empregatícios, que são relações de emprego estabelecidas sempre que
ocorre trabalho remunerado. Dessa forma, o número de empregos corresponde ao total de
vínculos empregatícios efetivados, o que difere do número de pessoas empregadas, posto que
uma mesma pessoa pode ocupar mais de um posto de trabalho, tendo, portanto, mais de um
vínculo empregatício.
Inicialmente, constata-se que o estoque estadual, além de passar de 626.455 para 920.161
empregos, em 1997 – 2005, um incremento de 46,88%, o equivalente a uma geração média de
36.713 empregos/ano, esse crescimento vem se dando de forma continuada, ano após ano.
Essa mesma tendência foi observada tanto na Região Metropolitana de Fortaleza – RMF, como
no interior do estado, em que os respectivos estoques variaram de 471.962 para 622.026
empregos, uma média anual de 18.758 empregos, na RMF, e de 154.493 para 298.135
empregos, com 17.955 novos empregos/ano, em média, no interior – Tabela 7.
Tabela 7
Estoque de emprego formal, por nível geográfico
Estado do Ceará
1997 - 2005
Nível geográfico/ Estoque
1997
626.455
Região
Metropolitana de
Fortaleza
471.962
1998
645.492
475.271
170.221
1999
2000
667.032
484.951
182.081
691.093
495.382
195.711
2001
724.954
512.446
212.508
2002
793.312
825.062
542.354
552.513
250.958
272.549
860.435
574.236
286.199
920.161
622.026
298.135
Ano
2003
2004
2005
Estado do Ceará
Fonte: MTE – RAIS.
30
Interior
154.493
Independente do espaço geográfico, é verificado que a taxa de crescimento anual do estoque de
emprego é mais elevada de 2001 em diante, retratando a recuperação do emprego nos anos
2000. Por exemplo, no Estado do Ceará, se essa variação dava-se em torno de 3,5%, no biênio
1999 – 2000, ela registrou taxas acima de 4% nos anos seguintes, tais como: 4,9% em
2000/2001; 9,43%, em 2001/2002 e 6,94%, em 2004/2005. Outro aspecto é que esse estoque
cresceu mais rapidamente no interior do estado, o que fez com que a participação dessa área,
no estoque estadual, passasse de 24,66%, em 1997, para 32,40%, em 2005, ratificando
afirmação anterior dos 33% dos empregos destinados ao interior. De fato, enquanto o
incremento na RMF foi de 31,80%, chegou-se a 92,98%, no interior, ou seja, a recuperação do
emprego contemplou sobremaneira as regiões fora da RMF, com o citado estoque quase
duplicando.
A análise em nível das mesorregiões cearenses confirma essa realidade, posto que a parcela do
estoque da Mesorregião Metropolitana de Fortaleza declinou de 74,86% para 67,16% do
estoque estadual, apesar do seu crescimento, em valores absolutos, de 468.942 (1997) para
617.968 empregos (2005), uma variação de 31,78%. Mesmo assim, a Mesorregião
Metropolitana de Fortaleza ainda continua a concentrar expressiva parcela do estoque de
emprego formal do estado (67,16%), em 2005. Em outras palavras, de cada três empregos
criados no Ceará, dois localizam-se na citada mesorregião (Tabela 8).
Tabela 8
Estoque de emprego formal, por mesorregião
Estado do Ceará
1997 / 2005
Ano
Mesorregião
Noroeste Cearense
1997
%
6,24
2005
Absoluto
39.094
%
9,11
Absoluto
83.782
Norte Cearense
4,42
27.680
6,52
59.984
Metropolitana de Fortaleza
74,86
468.942
67,16
617.968
Sertões Cearenses
Jaguaribe
3,36
3,22
21.052
20.162
3,99
4,60
36.737
42.307
Centro-Sul Cearense
2,07
12.978
2,20
20.286
Sul Cearense
5,83
36.547
6,42
59.097
100,00
626.455
100,00
920.161
Total
Fonte: MTE – RAIS.
Na segunda colocação está a Mesorregião Noroeste Cearense, posição mantida no período, e,
na terceira posição, a Mesorregião Norte Cearense, a qual sobrepujou a Sul Cearense, que
31
assumiu a quarta posição no ranking do estoque de emprego formal cearense. Deve-se destacar
que, não obstante a queda observada na Mesorregião Metropolitana de Fortaleza, o emprego
industrial do estado ainda se encontra muito concentrado nessas três mesorregiões, apesar do
discreto declínio de 89,84% (1997) para 86,78% (2005), mas abrangendo ainda 81% dos
estabelecimentos industriais, dos quais 71% na Mesorregião Metropolitana de Fortaleza.
Segundo o Gráfico 8, as mesorregiões Norte Cearense, Noroeste Cearense e Jaguaribe foram as
de maior crescimento, com variações de, no mínimo, 109%, notadamente as duas primeiras,
fazendo com que suas frações, no estoque estadual, fossem ampliadas de 4,42% para 6,52%, de
6,24% para 9,11% e de 3,22% para 4,60%, respectivamente, o que se conclui que a transferência
de parte do estoque de emprego formal da RMF deu-se basicamente para essas três
mesorregiões. Na Mesorregião Norte Cearense, o total de empregos chegou a 59.984, na
Noroeste Cearense, 83.782, e na de Jaguaribe, 42.307, em 2005.
Gráfico 8
Taxa de crescimento do estoque de emprego, segundo as mesorregiões
Estado do Ceará
1997/2005
61,70%
Sul cearense
56,31%
Centro-Sul cearense
109,84%
Jaguaribe
74,51%
Sertões cearenses
31,78%
Metropolitana de Fortaleza
116,71%
114,30%
0,00%
20,00%
40,00%
60,00%
80,00%
100,00%
Norte cearense
Noroeste cearense
120,00%
Fonte: MTE - RAIS (Elaboração Própria).
As demais mesorregiões detiveram oscilações residuais, como no caso dos Sertões Cearenses,
cujo percentual passou de 3,36% (1997) para 3,99% (2005), com um estoque de 36.737
empregos, em dez/2005. Na Centro-Sul Cearense, a oscilação foi de 2,07% para 2,20% e, na Sul
Cearense, de 5,83% para 6,42%, com estoques de 20.286 e 59.097 empregos, respectivamente.
Atendo-se à evolução do estoque de emprego industrial no Estado do Ceará, ou mais
simplesmente, o total de trabalhadores da indústria, considerando apenas as indústrias
32
extrativa e de transformação, nos anos de 1997 e 2005, ele passou de 116.970 para 183.081
empregos, sendo ampliado em 56,52%, com o total de estabelecimentos industriais
apresentando um incremento da ordem de 45%, crescendo de 5.044 (1997) para 7.303
estabelecimentos (2005), o que fez com que a parcela do emprego industrial no Ceará passasse
de 18,67% (1997) para 19,90% (2005), do total de empregos formais do estado (Tabela 9).
Tabela 9
Estoque de emprego formal da indústria, por mesorregião
Estado do Ceará
1997 / 2005
Ano
Mesorregião
Noroeste Cearense
1997
%
8,32
2005
Absoluto
9.729
%
11,76
Absoluto
21.531
Norte Cearense
4,76
5.571
7,75
14.193
Metropolitana de Fortaleza
76,76
89.786
67,27
123.167
Sertões Cearenses
0,99
1.157
0,93
1.706
Jaguaribe
2,15
2.516
4,28
7.828
Centro-Sul Cearense
1,30
1.522
1,36
2.484
Sul Cearense
5,72
6.689
6,65
12.172
100,00
116.970
100,00
183.081
Total
Fonte: MTE – RAIS.
Complementarmente, no Ceará, o tamanho médio dos estabelecimentos industriais passou de
23,20 para 25,07 empregos, sendo acompanhado pela redução da remuneração média, de 2,49
para 1,81 salário-mínimo (-27,31%), apesar de a escolaridade média do trabalhador da indústria
de transformação cearense ter passado de 6,38 para 8,33 anos de estudo, de 1997 a 2005,
sinalizando que a ampliação do tamanho dos estabelecimentos deu-se às custas de menores
salários. Mesmo assim, no citado período, a massa salarial do setor no estado cresceu 14,15%
no período, passando de R$ 290.737,03 para R$ 331.886,03, com 7.303 estabelecimentos
industriais (Tabela 10).
33
34
4,74
40,71
1,61
5,40
6,04
Estabelecimentos (%)
Tamanho médio
Remuneração Média
Remuneração (%)
Escolaridade média
7,92
10,01
1,54
53,56
5,50
402
11,76
2005
21.531
4,32
3,05
1,59
32,21
3,43
173
4,76
1997
5.571
7,60
7,04
1,65
46,84
4,15
303
7,75
2005
14.193
Norte Cearense
6,60
84,49
2,74
24,20
73,59
3.712
76,76
1997
89.786
8,61
72,66
1,96
23,77
70,95
5.181
67,27
2005
123.167
4,91
0,57
1,44
8,03
2,85
144
0,99
1997
1.157
7,41
0,84
1,64
9,07
2,57
188
0,93
2005
1.706
4,95
1,62
1,87
10,15
4,92
248
2,15
1997
2.516
7,25
3,36
1,42
22,11
4,85
354
4,28
2005
7.828
Jaguaribe
Mesorregião / Estoque
Sertões Cearenses
Fonte: MTE – RAIS.
Nota: Tamanho médio em número de empregados por estabelecimento
Remuneração média em salários mínimos
Remuneração percentual, participação da mesorregião na massa salarial do estado.
Escolaridade média em número de anos estudo
239
8,32
Estoque (%)
Estabelecimentos
1997
9.729
Noroeste Cearense
Estoque
Variáveis
Metropolitana de
Fortaleza
6,43
0,77
1,48
13,23
2,28
115
1,30
1997
1.522
7,86
0,93
1,24
13,65
2,49
182
1,36
2005
2.484
Centro-Sul
Cearense
6,48
4,10
1,78
16,19
8,19
413
5,72
1997
6.689
8,08
5,16
1,41
17,56
9,49
693
6,65
2005
12.172
Sul Cearense
Tabela 10
Estoque de emprego formal da indústria, por mesorregião, segundo o tamanho do estabelecimento, a
remuneração média, e a escolaridade
Estado do Ceará
1997 / 2005
6,38
100,00
2,49
23,20
100,00
5.044
100,00
1997
116.970
8,33
100,00
1,81
25,07
100,00
7.303
100,00
2005
183.081
Estado do Ceará
Segundo as mesorregiões, a realidade não difere do diagnóstico do estoque global do estado,
feito anteriormente. O emprego industrial encontra-se ainda muito concentrado na
Mesorregião Metropolitana de Fortaleza, sendo seguida pelas mesorregiões Noroeste
Cearense e Norte Cearense, as quais assumiram a segunda e terceira posições,
respectivamente, em 2005. Ressalte-se que a Mesorregião Norte Cearense sobrepujou a Sul
Cearense, que assumiu a quarta posição no ranking do estoque de emprego industrial cearense.
Tal qual a evolução do estoque total, o número de empregos na indústria foi crescente em todas
as mesorregiões do estado, porém, com intensidades diferenciadas. Aquelas nas quais o
emprego industrial mais cresceu foram: Jaguaribe (211,13%), Norte Cearense (154,77%) e
Noroeste Cearense (121,31%), com um total de empregos industriais da ordem de 7.828,
14.193 e 21.531 postos de trabalho, respectivamente, em 2005.
Isto fez com que a composição espacial do emprego nesse setor de atividade sofresse
alterações. Houve participações crescentes basicamente nas mesorregiões de Jaguaribe, de
2,15% para 4,28%, Norte Cearense, de 4,76% para 7,75%, e Noroeste Cearense, de 8,32% para
11,76%, e uma queda substancial na Mesorregião Metropolitana de Fortaleza, de 76,76% para
67,27%, o que se conclui que o emprego industrial migrou para as três primeiras mesorregiões,
pelo menos em boa parte, delineando um perfil mais terciarizado para o emprego da área
metropolitana de Fortaleza.
Nesse aspecto, a análise da distribuição espacial do número de estabelecimentos industriais é
muito esclarecedora. Inicialmente, o número de estabelecimentos industriais cresceu em todas
as mesorregiões, com diferenciais na velocidade dessa expansão. Enquanto o crescimento no
estado, entre 1997 e 2005, foi de quase 45%, nas mesorregiões Noroeste Cearense (68,20%),
Norte Cearense (75,14%), Sul (67,80%) e Centro Sul (58,26%) foram constatadas ampliações
mais expressivas que a estadual, o que fez com que estas passassem a deter 5,50%, 4,15%,
9,49% e 2,49% dos estabelecimentos industriais cearenses. Dessa forma, se 9,65% de tais
estabelecimentos localizam-se nas mesorregiões Norte e Noroeste Cearense, nas mesorregiões
mais ao sul do estado (Centro Sul e Sul), estão 11,98% dos mesmos.
Por outro lado, os menores incrementos ocorreram nas mesorregiões dos Sertões Cearenses
(30,55%), Metropolitana de Fortaleza (39,57%) e Jaguaribe (42,74%), fazendo com que todas
perdessem participação relativa, como no caso da Mesorregião Metropolitana de Fortaleza,
35
cuja fração de estabelecimentos industriais declinou de 73,59% (1997) para 70,95% (2005),
ratificando a menor concentração do emprego industrial na área metropolitana de Fortaleza.
Um aspecto relevante é que nas mesorregiões Noroeste Cearense e Norte Cearense, além de
maiores incrementos no número de estabelecimentos industriais, ocorreram também
ampliações mais significativas no tamanho médio desses estabelecimentos, o que deve ser
interpretado como uma maior oferta de empregos industriais nessas mesorregiões. No caso da
Mesorregião Norte Cearense, esse tamanho médio passou de 32,21 para 46,84 empregos,
45,42% maior e, no Noroeste Cearense, de 40,71 para 53,56 empregos (31,56%).
Quanto às demais mesorregiões, somente a de Jaguaribe apresentou elevação expressiva no
tamanho dos estabelecimentos, com o número de empregos variando de 10,15 (1997) para
22,11 (2005). As restantes detiveram flutuações residuais, inclusive com redução, como na
Mesorregião Metropolitana de Fortaleza, cujo número médio de empregos declinou de 24,20
para 23,77.
Independente da mesorregião, e com raras exceções, o crescimento do tamanho dos
estabelecimentos industriais fez-se acompanhar de menores salários no setor industrial, não
obstante a elevação da escolaridade média do trabalhador da indústria cearense em todas as
regiões do estado. Das sete mesorregiões, em três delas a escolaridade média passou de,
aproximadamente, seis para oito anos de estudo (Noroeste Cearense, Centro-Sul e Sul), na
Metropolitana de Fortaleza chegou-se a 8,6 anos e, nas três restantes, de mais de quatro para
algo em torno de 7,5 anos, resultando na elevação estadual de 6,38 para 8,33 anos de estudo.
Somente na Mesorregião Norte é que se verificou incremento na remuneração média do
emprego industrial, o qual evoluiu de 1,59 para 1,65 salário (3,77%). A redução mais forte foi
observada na Mesorregião Metropolitana de Fortaleza (28,47%), seguida da mesorregião
Jaguaribe (24,06%) e Sul (20,79%), fazendo com que o decréscimo estadual alcançasse 27,31%,
caindo de 2,49 para 1,81 salário, nos anos de 1997 e 2005.
Portanto, no período em apreço, a evolução do emprego e renda da indústria cearense
contemplou sobremaneira as mesorregiões Norte e Noroeste Cearenses, com maiores
incrementos no número de estabelecimentos, no seu tamanho médio e na remuneração média
do setor. Por outro lado, a Mesorregião Metropolitana de Fortaleza foi a mais penalizada, com
menores participações no emprego industrial, redução do tamanho médio dos
36
estabelecimentos, além de uma queda expressiva na remuneração média, propiciando uma
certa desconcentração do emprego industrial do estado para além das fronteiras da área
metropolitana.
Na análise segundo os ramos de atividade, constata-se que a indústria têxtil, do vestuário e
artefatos de tecidos, a indústria de calçados e a de produtos alimentícios, bebidas e álcool
etílico, que respondiam por 69,71% dos empregos industriais do estado, em 1997, passaram a
deter um percentual de 72,30%, em 2005, ou seja, são as que mais empregam no Ceará e
concentram expressiva parcela do emprego industrial cearense. Enquanto a participação da
indústria têxtil, do vestuário e artefatos de tecidos oscilou de 29,86% (1997) para 28,65%
(2005), e a de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico passou 27,50% para 19,47%, a
indústria de calçados duplicou sua fatia no estoque de emprego industrial cearense de 12,35%
para 24,18%. Em 2005, seus estoques eram de 52.449, 35.641 e 44.268 empregos,
respectivamente, destacando-se que a indústria de calçados superou a indústria de alimentos e
bebidas, assumindo a segunda colocação, posto que seu estoque de emprego cresceu 206,37%,
no período em apreço.
Não se poderia deixar de enfatizar a evolução do emprego na indústria de borracha, fumo,
couros, peles e similares e na indústria química de produtos farmacêuticos, veterinários e
perfumaria, apesar de não terem estoques de maior grandeza. No primeiro caso, o total de
empregos passou de 2.266 (1997) para 6.009 (2005), o equivalente a um incremento de nada
menos que 165,18% e, no segundo, de 6.199 para 9.284 (49,77%), respectivamente.
Adicionalmente, quanto à sua distribuição espacial, se o emprego nas indústrias têxtil, do
vestuário e artefatos de tecidos e de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico é muito
centralizado na Mesorregião Metropolitana de Fortaleza, com parcelas de 93,13% e 71,82%, na
indústria de calçados há uma distribuição mais eqüitativa do mesmo nas mesorregiões
Noroeste Cearense (35,41%), Norte Cearense (12,91%), Metropolitana de Fortaleza (29,57%),
Jaguaribe (7,84%) e Sul Cearense (11,27%), ou seja, essa atividade industrial tem significativa
influência na dinâmica do mercado de trabalho do interior do estado.
Avaliando o ritmo de crescimento do emprego segundo os ramos industriais, enquanto apenas
um apresentou redução, com uma queda de 37,96%, no caso, a indústria extrativa mineral, dois
destacaram-se por apresentar taxas de crescimento bem superiores aos demais: indústria de
37
calçados (206,37%) e de borracha, fumo, couros, peles e similares (165,18%), com estoques
passando de 14.449 para 44.268 e de 2.266 para 6.009 empregos, respectivamente, nos anos de
1997 e 2005.
Considerando-se apenas os três ramos industriais que mais empregos geraram, destacam-se: na
Mesoregião Noroeste Cearense, calçados, alimentos e bebidas e madeira e mobiliário; no Norte
Cearense, calçados, alimentos e bebidas e borracha, fumo e couro; na Metropolitana de Fortaleza
e nos Sertões Cearenses, têxtil, alimentos e bebidas e calçados; na Mesorregião Jaguaribe,
calçados, alimentos e bebidas e produtos minerais não-metálicos; Centro-Sul Cearense, calçados,
madeira e mobiliário e produtos minerais não-metálicos; e na Mesorregião Sul, calçados,
borracha, fumo e couro e alimentos e bebidas. Para maiores detalhes, ver Tabela 11.
Tabela 11
Estoque de emprego formal da indústria, por mesorregião, segundo o ramo de atividade
Estado do Ceará
1997 - 2005
...Continuação Tabela 11
Fonte: MTE – RAIS.
38
Os municípios com maior estoque de emprego industrial
Abordando a evolução do emprego na indústria do Ceará segundo alguns municípios principais,
a já citada desconcentração é ratificada uma vez mais, posto que a participação de Fortaleza no
estoque de emprego industrial do estado declina substancialmente de 51,05% (1997) para
36,06% (2005), com um total de 66.028 empregos19. No que se refere ao número de
estabelecimentos industriais, há também uma queda relativa, em que o seu peso é reduzido de
64,25% para 57,36% (4.190 estabelecimentos), o que fez com que o tamanho médio dos
mesmos também fosse reduzido de 18,43 (1997) para 15,76 empregos, em 2005, além de perda
substancial da fatia dos salários pagos pelo setor industrial, que passou de 54,61% para 36,57%.
De outra forma, a massa salarial da indústria paga aos trabalhadores de Fortaleza caiu de R$
158.766,21 (1997) para R$ 121.385,88 (2005), uma queda de 23,55%, a única entre os onze
municípios estudados - Tabelas 12 e 13.
Tabela 12
Estoque de emprego formal da indústria, por municípios
Estado do Ceará
1997 / 2005
Ano
Municípios
1997
2005
Fortaleza
Maracanaú
%
51,05
10,87
Absoluto
59.703
12.720
%
36,06
10,82
Absoluto
66.028
19.808
Sobral
6,99
8.172
9,63
17.634
Horizonte
2,76
3.225
5,76
10.543
Eusébio
Juazeiro do Norte
Caucaia
3,18
2,39
3,59
3.719
2.793
4.205
4,28
3,22
2,98
7.834
5.888
5.463
Maranguape
Crato
Russas
Cascavel
2,67
1,79
0,17
1,68
3.124
2.096
194
1.965
2,76
2,06
1,80
1,75
5.062
3.774
3.296
3.202
Fonte: MTE – RAIS.
______________________________
19
Desempenho dos demais municípios ver em anexo.
39
40
3.241
64,25
18,43
2,66
54,61
6,60
Estoque (%)
Estabelecimentos
Estabelecimentos (%)
Tamanho médio
Remuneração Média
Remuneração (%)
Escolaridade média
116
2,30
36,26
1,73
2,50
4,99
Estoque (%)
Estabelecimentos
Estabelecimentos (%)
Tamanho médio
Remuneração Média
Remuneração (%)
Escolaridade média
7,43
2,51
1,53
22,95
3,26
238
2,98
6,55
4,93
1,75
68,10
2,38
120
6,99
6,98
2,02
1,88
72,65
0,85
43
2,67
1997
3.124
8,75
2,27
1,49
79,09
0,88
64
2,76
2005
5.062
Maranguape
8,95
14,53
2,43
63,49
4,27
312
10,82
1997
8.172
6,99
2,84
2,56
111,21
0,57
29
2,76
1997
3.225
7,84
1,39
1,92
24,37
1,70
86
1,79
1997
2.096
Crato
8,42
1,76
1,55
34,94
1,48
108
2,06
2005
3.774
Municípios
8,11
8,43
1,59
98,51
2,45
179
9,63
2005
17.634
4,20
0,07
1,05
3,73
1,03
52
0,17
1997
194
7,52
1,32
1,33
33,63
1,34
98
1,80
2005
3.296
7,53
5,39
4,22
80,85
0,91
46
3,18
1,68
1997
1.965
4,58
0,93
1,38
89,32
0,44
22
6,36
1,36
1,42
11,49
4,82
243
2,39
1997
2.793
7,78
1,65
1,71
62,78
0,70
51
1,75
2005
3.202
8,00
2,27
1,28
13,38
6,02
440
3,22
2005
5.888
Juazeiro do Norte
Cascavel
9,21
6,36
2,69
48,66
2,20
161
4,28
2005
7.834
Eusébio
1997
3.719
Russas
8,25
5,33
1,68
257,15
0,56
41
5,76
2005
10.543
Horizonte
Municípios / Ano
Sobral
Fonte: MTE - RAIS.
Nota: Tamanho médio em número de empregados por estabelecimento
Remuneração média em salários mínimos
Remuneração percentual, participação na massa salarial do Estado do Ceará
Escolaridade média em número de anos estudo
3,59
Estoque
2005
5.463
6,86
14,18
3,24
82,69
3,05
154
10,87
2005
19.808
Maracanaú
1997
12.720
Caucaia
8,57
36,57
1,84
15,76
57,36
4.190
36,06
1997
4.205
Variáveis
...Continuação da Tabela 13
51,05
Estoque
2005
66.028
Fortaleza
1997
59.703
Variáveis
Tabela 13
Estoque de emprego formal da indústria, por municípios, segundo o tamanho do estabelecimento, remuneração média e escolaridade
Estado do Ceará
1997 - 2005
Por outro lado, Horizonte tem sua contribuição duplicada de 2,76% para 5,76%, posto que seu
estoque foi triplicado, de 3.225 para 10.543 empregados; no caso do Eusébio, a participação
passa de 3,18% para 4,28%, com 7.834 empregos industriais, com 2,20% dos
estabelecimentos, embora o tamanho médio seja reduzido a metade, de 80,85 para 48,66
empregos. Maracanaú apresenta uma participação estável, de 10,82% dos empregos, com
19.808 empregos no setor, mas amplia a fração de estabelecimentos de 3,05% para 4,27%,
também com redução do tamanho destes, de 82,69 para 63,49 empregos.
Importante destacar ainda o incremento substantivo dos estoques de Sobral, de 8.172 para
17.634, Juazeiro do Norte, de 2.793 para 5.888 empregos e com 6,02% dos estabelecimentos,
Maranguape, de 3.124 para 5.062 empregos e, notadamente Russas, com crescimento de 194
para 3.296 empregos industriais. Além do mais, Sobral, Horizonte, Juazeiro do Norte, Russas e
Cascavel tiveram suas participações na renda dos empregos industriais do estado quase
duplicadas, no período supra citado.
Em síntese, de acordo com as evoluções do tamanho médio e da remuneração média dos
estabelecimentos industriais, entre 1997 e 2005, pode-se classificar os onze municípios
selecionados em três grupos principais. No grupo 1, composto pelos municípios que
apresentaram variações negativas nas duas variáveis em apreço, têm-se Fortaleza,
Maracanaú, Eusébio e Caucaia; no grupo 2, municípios com o tamanho médio em alta,
associado à remuneração em queda, listam-se Sobral, Horizonte, Juazeiro do Norte,
Maranguape e Crato e, por fim, o terceiro grupo, composto por Russas e Cascavel, municípios
com remuneração em alta, destacando-se Russas, que deteve também acréscimo no tamanho
dos estabelecimentos.
Apesar de Fortaleza e Maracanaú ainda deterem as maiores massas salariais da indústria
cearense, em valores absolutos, mesmo porque empregam maior número de trabalhadores,
ao se avaliar a velocidade de crescimento delas, destacam quatro municípios, quais sejam:
Horizonte (114,60%), com uma massa de salário industrial de R$ 17.696,06, em 2005, Cascavel
(102,39%), totalizando R$ 5.470,14 de salário na indústria local, Sobral, com variação de
95,44% e uma massa salarial de R$ 27.989,38 e Juazeiro do Norte, com os valores de 89,98% e
R$ 7.533,33. Na realidade, a ampliação mais rápida deu-se em Russas (2.043%), apesar deste
município deter a menor massa salarial dentre os citados, com R$ 4.373,17.
41
Atendo-se ainda aos onze municípios, ocorreram algumas alterações na composição do
emprego industrial, de 1997 a 2005. Considerando-se os ramos mais relevantes, em Fortaleza,
elevou-se a concentração do emprego na indústria têxtil, do vestuário e artefatos de tecidos, de
38,07% para 47,09%, e as indústrias metalúrgica e de produtos alimentícios, bebidas e álcool
etílico perderam algum espaço, com predominância dos ramos têxtil e de alimentos. Em
Maracanaú, a indústria metalúrgica triplica sua fração no emprego industrial do estado, de
4,20% para 12,65%, em detrimento das indústrias têxtil e de produtos alimentícios. No caso de
Sobral, destaca-se a relevância do emprego no ramo de calçados, que flutuou de 79,67% para
83,89%, houve uma evolução favorável do emprego no ramo de borracha, fumo, couros, peles
e similares, com oscilação de 0,44% para 1,25%, mas foi registrada queda do emprego na
indústria têxtil de 1,97%, em 2005.
No município de Horizonte, o destaque ficou por conta da expressiva presença do emprego na
indústria de calçados, com o substancial incremento de 43,40% para 75,97%, em detrimento
das fortes reduções do emprego nas indústrias química, de produtos farmacêuticos,
veterinários e perfumaria, com apenas 1,66%, e têxtil, que passou a responder por 14,81% do
emprego industrial, em 2005, contra 39,29%, em 1997. No Eusébio, a indústria de produtos
alimentícios e bebidas perde espaço para as indústrias química, de produtos farmacêuticos,
veterinários e perfumaria, mecânica, têxtil e metalúrgica. Em Juazeiro do Norte, a estabilidade
do emprego na indústria de produtos alimentícios e bebidas, quase 12%, fez-se acompanhar
por mais empregos nas indústrias de borracha, fumo, couros e peles e de calçados. Para
maiores detalhes, vide Tabela 14.
42
43
1,88
1,74
3,98
5,63
2,23
6,29
38,07
3,53
24,72
100,00
Indústria do material de transporte
Indústria da madeira e do mobiliário
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica
Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas
Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria
Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos
Indústria de calçados
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico
Total
Indústria metalúrgica
Indústria do material elétrico e de comunicações
7,73
Indústria de produtos minerais não metálicos
1,72
1,39
Extrativa mineral
3.755
1.331
3.362
2.378
1.037
1.121
1.025
4.613
828
Abs.
649
59.703
14.766
2.106
22.732
1997
Indústria mecânica
%
1,09
Ramo de atividade
3.002
1.610
3.820
1.991
963
1.742
819
2.071
897
Abs.
248
66.028
15.046
2.723
31.096
2005
100,00
22,78
4,12
47,09
4,55
2,44
5,78
3,02
1,46
2,64
1,24
3,14
1,36
%
0,38
Fortaleza
100,00
16,51
0,79
55,35
6,16
0,23
0,58
4,06
1,98
1,93
2,65
4,20
4,28
%
1,28
2.100
100
7.041
783
29
74
517
252
245
337
534
545
Abs.
163
1.672
454
372
536
468
273
381
2.505
563
Abs.
68
19.808
2.305
4
10.207
2005
100,00
11,64
0,02
51,53
8,44
2,29
1,88
2,71
2,36
1,38
1,92
12,65
2,84
%
0,34
Maracanaú
12.720
1997
Municípios / Estoque
Tabela 14
Estoque de emprego formal da indústria, por município, segundo o ramo de atividade
Estado do Ceará
1997 / 2005
100,00
5,93
79,67
5,42
0,24
0,44
0,80
0,71
0,00
0,04
0,00
0,35
5,21
%
1,19
1997
8.172
485
6.510
443
20
36
65
58
0
3
0
29
426
Abs.
97
1,97
0,73
1,25
1,48
0,95
0,15
0,03
0,09
0,26
3,37
%
0,40
348
129
221
261
167
26
5
16
46
595
Abs.
71
17.634
958
14.791
2005
100,00
5,43
83,89
Sobral
44
0,00
0,96
0,50
11,60
39,29
43,40
1,46
100,00
Indústria da madeira e do mobiliário
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica
Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas
Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria
Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos
Indústria de calçados
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico
Total
Indústria mecânica
1,27
0,28
Indústria metalúrgica
Indústria do material de transporte
0,00
Indústria de produtos minerais não metálicos
0,12
0,78
Extrativa mineral
1997
Indústria do material elétrico e de comunicações
%
0,34
Ramo de atividade
...Continuação da Tabela 14
3.225
47
1.400
1.267
374
16
31
0
41
4
9
0
25
Abs.
11
135
8.010
1.561
175
19
37
11
420
13
28
8
48
Abs.
78
10.543
2005
100,00
1,28
75,97
14,81
1,66
0,18
0,35
0,10
3,98
0,12
0,27
0,08
0,46
%
0,74
Horizonte
100,00
88,05
0,16
0,86
3,60
1,72
1,37
0,32
0,75
0,00
0,03
0,13
2,07
%
0,94
1997
3.719
3.274
6
32
134
64
51
12
28
0
1
5
77
Abs.
35
2005
100,00
54,84
0,09
4,75
13,35
2,03
3,00
1,28
1,68
0,08
4,65
11,34
1,84
%
1,07
Eusébio
Municípios / Estoque
7.834
4.297
7
372
1.046
159
235
100
132
6
364
888
144
Abs.
84
100,00
11,71
26,02
9,20
4,05
22,06
2,72
6,02
0,68
0,07
5,12
10,42
1,93
%
0,00
2.793
327
727
257
113
616
76
168
19
2
143
291
54
Abs.
0
2005
100,00
11,18
34,86
10,17
4,36
26,79
1,56
1,85
0,22
0,00
0,32
7,08
1,22
%
0,39
Juazeiro do Norte
1997
5.888
658
2.052
599
257
1.577
92
109
13
0
19
417
72
Abs.
23
45
2,64
1,81
1,45
1,57
1,66
0,00
66,94
100,00
Indústria da madeira e do mobiliário
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica
Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas
Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria
Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos
Indústria de calçados
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico
Total
Indústria mecânica
0,00
0,38
Indústria metalúrgica
Indústria do material de transporte
1,69
Indústria de produtos minerais não metálicos
0,93
18,34
Extrativa mineral
1997
Indústria do material elétrico e de comunicações
%
2,59
Ramo de atividade
...Continuação da Tabela 14
4.205
2.815
0
70
66
61
76
111
0
39
16
71
771
Abs.
109
2005
100,00
19,44
0,00
8,53
19,26
2,58
1,83
5,69
1,01
0,04
7,45
17,02
11,29
%
5,86
Caucaia
5.463
1.062
0
466
1.052
141
100
311
55
2
407
930
617
Abs.
320
100,00
8,07
50,57
26,14
1,38
0,00
3,14
0,90
0,00
0,00
7,30
0,13
2,37
%
0,00
1997
3.124
252
1.580
817
43
0
98
28
0
0
228
4
74
Abs.
0
2005
100,00
8,32
46,34
23,90
3,04
0,02
1,22
0,04
0,10
0,00
11,89
3,77
1,36
%
0,00
Maranguape
Municípios / Estoque
5.062
421
2.345
1.210
154
1
62
2
5
0
602
191
69
Abs.
0
100,00
10,97
58,78
1,57
8,59
0,62
1,72
2,10
0,00
0,00
0,00
4,58
9,69
%
1,38
1997
2.096
230
1.232
33
180
13
36
44
0
0
0
96
203
Abs.
29
3,74
4,56
1,30
4,72
0,82
0,08
0,00
0,19
3,97
8,56
%
1,09
2005
100,00
9,29
61,68
Crato
3.774
351
2.328
141
172
49
178
31
3
0
7
150
323
Abs.
41
46
Fonte: MTE – RAIS.
100,00
Total
3,09
Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos
0,00
2,06
Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria
14,95
0,00
Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico
0,00
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica
1997
Indústria de calçados
6,70
Indústria da madeira e do mobiliário
Indústria mecânica
0,00
0,00
Indústria metalúrgica
Indústria do material de transporte
2,06
Indústria de produtos minerais não metálicos
0,00
70,11
Extrativa mineral
Indústria do material elétrico e de comunicações
%
1,03
Ramo de atividade
...Continuação da Tabela 14
194
29
0
6
4
0
0
13
0
0
0
4
136
Abs.
2
3.296
95
2.616
23
7
0
1
17
0
0
2
9
522
Abs.
4
100,00
86,51
0,00
8,30
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,10
5,09
%
0,00
1997
Municípios / Estoque
2005
100,00
2,88
79,37
0,70
0,21
0,00
0,03
0,52
0,00
0,00
0,06
0,27
15,84
%
0,12
Russas
1.965
1.700
0
163
0
0
0
0
0
0
0
2
100
Abs.
0
2005
100,00
28,43
13,30
9,96
0,00
43,51
0,12
0,37
0,00
0,00
0,00
0,09
4,22
%
0,00
Cascavel
3.202
910
426
319
0
1.393
4
12
0
0
0
3
135
Abs.
0
Figura 2
Distribuição espacial do estoque de emprego industrial
Estado do Ceará
1997
CRUZ
BARROQUINHA
CH
JIJOCA DE
JERICOACOARA
CAMOCIM
ACARAÚ
BELA CRUZ
AL
AV
ITAREMA
MARTINÓPOLE
MORRINHOS
MARCO
GRANJA
TRAIRI
AMONTADA
URUOCA SENADOR SÁ
MASSAPÊ
NA DO
SANTA
ALCÂNTARAS
MORAÚJO
AC
PARACURU
MIRAIMA
UR
MERUOCA
VIÇOSA DO CEARÁ
PARAIPABA
ITAPIPOCA
ARAÚ
COREAÚ
SOBRAL
SÃO GONÇALO DO AMARANTE
UB
UR
ITAPAJÉ
FREICHEIRINHA
TURURU
SÃO LUIS DO CURU
ET UMIRIM
AM
A
MUCAMBO
CARNAUBAL
TEJUSSUOCA
CARIRÉ
IBIAPINA
SÃO BENEDITO
GROAÍRAS
PACUJÁ
A DO
IARÉ
S
MARANGUAPE
GENERAL SAMPAIO
GUAIUBA
HORIZONTE
PALMÁCIA
PACAJÚS CASCAVEL
PACOTI RED
EN ACARAPE
GUARAMIRANGA
ÇÃ
O
CHOROZINHO
BATURITÉ
GU
N
U
L
MU
ARACOIABA
CARIDADE
PARAMOTI
E
NORT
PIRES FERREIRA
BEBERIBE
RA
EI
SANTA QUITÉRIA
CANINDÉ
IPÚ
CROATÁ
MARACANAÚ
ITAITINGA
AQUIRAZ
PACATUBA
PINDORETAMA
RR
BA
ACIAB
APU
GRAÇA RERIUTABA
VARJOTA
GUAR
EUSÉBIO
PENTECOSTE
IRAUÇUBA
FORQUILHA
UBAJARA
FORTALEZA
CAUCAIA
TIANGUÁ
FORTIM
ARATUBA
CAPISTRANO
HIDROLÂNDIA
OCARA
ITAPIUNA
IPUEIRAS
ARACATI
ITATIRA
ICAPUÍ
PALHANO
NOVA RUSSAS
CATUNDA
IBARETAMA
PORANGA
ITAIÇABA
RUSSAS
CHORÓ
ARARENDÁ
MADALENA
IPAPORANGA
JAGUARUANA
TAMBORIL
MONSENHOR
TABOSA
QUIXADÁ
IBICUITINGA
QUIXERÉ
BOA VIAGEM
LIMOEIR
O DO NO
RTE
MORADA NOVA
CRATEÚS
QUIXERAMOBIM
BANABUIÚ
TABULEIRO DO NORTE
SÃO JOÃO DO JAGUARIBE
JAGUARETAMA
INDEPENDÊNCIA
ALTO SANTO
PEDRA BRANCA
NOVO ORIENTE
JAGUARIBARA
SENADOR POMPEU
MILHÃ
POTIRETAMA
SOLONÓPOLE
MOMBAÇA
QUITERIANÓPOLES
DEP.
IRAPUAN
PINHEIRO
TAUÁ
JAGUARIBE
PEREIRO
ERERÊ
QUIXELÔ
ACOPIARA
CATARINA
PARAMBU
IRACEMA
PIQUET
CARNEIRO
ORÓS
ARNEIROZ
IGUATU
ICÓ
JUCÁS
SABOEIRO
CEDRO
AIUABA
UMARI
CARIÚS
ANTONINA
DO NORTE
BAIXIO
TARRAFAS
VARZEA
ALEGRE
GRANJEIRO
FARIAS
BRITO
CAMPOS SALES
ASSARÉ
IPAUMIRIM
ALTANEIRA
AURORA
CARIRIAÇU
NOVA
OLINDA
BARRO
POTENGI
SALITRE
LAVRAS DA
MANGABEIRA
JUAZEIRO
DO NORTE
SANTANA DO CAIRIRI
CRATO
MISSÃO
VELHA
ARARIPE
MILAGRES
ABAIARA
BARBALHA
BREJO SANTO
PORTEIRAS
JARDIM
JATI
PENAF
ORTE
Fonte: MTE - RAIS (Elaboração própria)
47
MAURITI
Legenda
1 - 50
51 - 200
201 - 500
501 - 1000
Acima de 1001
Figura 3
Distribuição espacial do estoque de emprego industriail
Estado do Ceará
2005
CRUZ
BARROQUINHA
CH
JIJOCA DE
JERICOACOARA
CAMOCIM
ACARAÚ
BELA CRUZ
AL
AV
ITAREMA
MARTINÓPOLE
MORRINHOS
MARCO
GRANJA
TRAIRI
AMONTADA
URUOCA SENADOR SÁ
MASSAPÊ
ANA
SANT
ALCÂNTARAS
MORAÚJO
DO AC
PARACURU
MIRAIMA
SÃO GONÇALO DO AMARANTE
UR
TURURU
UB
UR
ET UMIRIM
AM
ITAPAJÉ
A
MERUOCA
VIÇOSA DO CEARÁ
PARAIPABA
ITAPIPOCA
ARAÚ
COREAÚ
SOBRAL
FREICHEIRINHA
SÃO LUIS DO CURU
MUCAMBO
CARNAUBAL
TEJUSSUOCA
CARIRÉ
IBIAPINA
SÃO BENEDITO
GROAÍRAS
PACUJÁ
IARÉ
MARANGUAPE
GUAIUBA
HORIZONTE
PALMÁCIA
PACAJÚS CASCAVEL
PACOTI RED
EN ACARAPE
GUARAMIRANGA
ÇÃ
O
CHOROZINHO
BATURITÉ
GU
N
U
L
MU
ARACOIABA
CARIDADE
PARAMOTI
RR
BA
PIRES FERREIRA
BEBERIBE
RA
EI
SANTA QUITÉRIA
CANINDÉ
IPÚ
CROATÁ
MARACANAÚ
ITAITINGA
AQUIRAZ
PACATUBA
PINDORETAMA
S
GENERAL SAMPAIO
VARJOTA
GUAR
APU
GRAÇA RERIUTABA
E
NORT
A DO
ACIAB
EUSÉBIO
PENTECOSTE
IRAUÇUBA
FORQUILHA
UBAJARA
FORTALEZA
CAUCAIA
TIANGUÁ
FORTIM
ARATUBA
CAPISTRANO
HIDROLÂNDIA
OCARA
ITAPIUNA
IPUEIRAS
ARACATI
ITATIRA
ICAPUÍ
PALHANO
NOVA RUSSAS
CATUNDA
IBARETAMA
PORANGA
ITAIÇABA
RUSSAS
CHORÓ
ARARENDÁ
MADALENA
IPAPORANGA
JAGUARUANA
TAMBORIL
MONSENHOR
TABOSA
QUIXADÁ
IBICUITINGA
QUIXERÉ
BOA VIAGEM
LIMOEIR
O D O NO
RTE
MORADA NOVA
CRATEÚS
QUIXERAMOBIM
BANABUIÚ
TABULEIRO DO NORTE
SÃO JOÃO DO JAGUARIBE
JAGUARETAMA
INDEPENDÊNCIA
ALTO SANTO
PEDRA BRANCA
NOVO ORIENTE
JAGUARIBARA
SENADOR POMPEU
MILHÃ
POTIRETAMA
SOLONÓPOLE
MOMBAÇA
QUITERIANÓPOLES
DEP.
IRAPUAN
PINHEIRO
TAUÁ
JAGUARIBE
PEREIRO
ERERÊ
QUIXELÔ
ACOPIARA
CATARINA
PARAMBU
IRACEMA
PIQUET
CARNEIRO
ORÓS
ARNEIROZ
IGUATU
ICÓ
JUCÁS
SABOEIRO
CEDRO
AIUABA
UMARI
CARIÚS
ANTONINA
DO NORTE
BAIXIO
TARRAFAS
VARZEA
ALEGRE
GRANJEIRO
FARIAS
BRITO
CAMPOS SALES
ASSARÉ
IPAUMIRIM
ALTANEIRA
AURORA
CARIRIAÇU
NOVA
OLINDA
BARRO
POTENGI
SALITRE
LAVRAS DA
MANGABEIRA
JUAZEIRO
DO NORTE
SANTANA DO CAIRIRI
CRATO
MISSÃO
VELHA
ARARIPE
MILAGRES
ABAIARA
BARBALHA
BREJO SANTO
PORTEIRAS
JARDIM
JATI
PENA
FORTE
Fonte: MTE - RAIS (Elaboração própria)
48
MAURITI
Legenda
1 - 50
51 - 200
201 - 500
501 - 1000
Acima de 1001
PERFIL DO TRABALHADOR DA INDÚSTRIA CEARENSE
Após a avaliação da conjuntura do mercado de trabalho nos mais diversos níveis geográficos
(Brasil, Nordeste, Ceará, dentre outros), sobretudo com foco na indústria, este capítulo
investiga o perfil do trabalhador cearense nesse subsetor a fim de verificar que tipo de mão-deobra a indústria local vem absorvendo para subsidiar as políticas públicas do trabalho.
Entre 1997 e 2005, observa-se que o perfil da mão-de-obra local não apresentou grandes
diferenças com relação ao gênero e faixa etária, dado o continuísmo do predomínio das
populações masculina e adulta. Em ambos os períodos, verificou-se que havia seis homens em
cada grupo de dez trabalhadores. Além disso, constatou-se que, ao longo desses oito anos,
foram criadas 39.945 vagas para os homens e 26.166, para as mulheres, mostrando que a
indústria local gerou maiores oportunidades para o segmento masculino, haja vista que a cada
duas vagas criadas para as mulheres foram geradas três para os homens. Isto posto, havia
110.296 homens empregados na indústria cearense para 72.785 mulheres, em 2005. Enfim a
participação masculina no estoque de emprego industrial do estado não se alterou, mantendose em 60% nos anos em análise (Tabela 15 e Gráfico 9).
Gráfico 9
Estoque do emprego industrial por gênero
Ceará
1997/2005
120.000
110.296
90.000
72.785
70.351
60.000
46.619
30.000
0
1997
2005
Homens
Fonte: MTE - RAIS (Elaboração própria).
49
Mul heres
50
21.463
10.011
4.339
229
93
25 a 29 anos
30 a 39 anos
40 a 49 anos
50 a 64 anos
65 ou mais
Ignorado
Fonte: MTE – RAIS.
70.351
15.087
18 a 24 anos
Total
18.266
Até 17 anos
110.296
-
249
5.986
15.567
31.938
25.521
30.519
2005
516
Estoque
1997
863
Faixa Etária
100,00
0,13
0,33
6,17
14,23
30,51
21,45
25,96
1997
1,23
Masculino
%
100,00
-
0,23
5,43
14,11
28,96
23,14
27,66
2005
0,47
46.619
1
23
1.151
5.821
15.968
10.822
12.337
1997
496
72.785
-
41
2.676
11.641
23.897
17.216
17.029
100,00
-
0,05
2,47
12,49
34,25
23,21
26,46
1997
1,06
Feminino
2005
285
Estoque
Gênero/Ano
%
100,00
-
0,06
3,68
15,99
32,83
23,65
23,40
2005
0,39
116.970
94
252
5.490
15.832
37.431
25.909
30.603
1997
1.359
Total
183.081
-
290
8.662
27.208
55.835
42.737
47.548
2005
801
Estoque
Tabela 15
Estoque de emprego formal da indústria, por gênero, segundo a faixa etária
Estado do Ceará
1997 / 2005
100,00
0,08
0,22
4,69
13,54
32,00
22,15
26,16
1997
1,16
%
100,00
-
0,16
4,73
14,86
30,50
23,34
25,97
2005
0,44
Chama a atenção o fato de que, apesar da pequena diferença temporal e da utilização de outra
fonte de informação, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, o estudo realizado
pelo IDT (2006b) mostra uma relação inversa, uma vez que as mulheres representavam 55,55%
da população ocupada da indústria cearense, em 200420. Não obstante essa assimetria
informacional, tanto temporal, como da fonte de informação, destaca-se que embora a
indústria seja um dos subsetores de atividade mais formalizado, existe um amplo contingente
de trabalhadores que atuam neste subsetor na informalidade no Ceará, especialmente as
mulheres, visto que a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, mostra um predomínio do
segmento masculino na formalidade. Tais informações sinalizam a necessidade de políticas
públicas com base na questão de gênero, haja vista o expressivo segmento de mulheres que
trabalham informalmente em pequenas “fabriquetas” de confecções, alimentação, materiais
de limpeza, dentre outras.
Os dados sobre faixa etária mostram que a força de trabalho na indústria cearense é constituída
predominantemente por pessoas com idade intermediária, especialmente entre 25 e 39 anos
de idade (53,84%). Diante dessa realidade, há dois resultados que merecem destaque. Em
primeiro lugar, as pessoas com idade entre 30 e 39 anos são aquelas que apresentam maior
participação, tanto entre os homens (28,96%), como entre as mulheres (32,83%). Em segundo
lugar, observa-se um crescimento da participação masculina das pessoas com idade entre 18 e
29 anos, enquanto a feminina está relacionada a partir dos 40 anos, ou seja, as indústrias locais
estão optando por jovens trabalhadores homens, associado às mulheres com mais idade.
Ainda com relação às características etárias, deve-se destacar que a faixa que apresentou maior
crescimento foi a das pessoas entre 40 e 49 anos (71,85%), passando a representar algo em
torno de 15% dos empregados da indústria local, em 2005. Tal realidade, associada a maior
concentração de trabalhadores em faixas etárias intermediárias, sinalizam tanto o
envelhecimento da população ocupada na indústria cearense, como os critérios de seleção dos
empregadores que podem contratar profissionais mais experientes e qualificados, devido ao
excedente de mão-de-obra existente atualmente no mercado de trabalho.
No que concerne à qualificação, os dados sobre escolaridade denotam que o perfil educacional
dos trabalhadores da indústria cearense tem melhorado, especialmente pela maior presença
______________________________
20
Em 2004, foram estimadas 312.622 mulheres ocupadas na indústria cearense para 250.022 homens. Fonte: IBGE – PNAD. Ver IDT
(2006b).
51
dos mais escolarizados, em detrimento da diminuição daqueles com menor grau de instrução.
Apesar disso, verifica-se que, apesar da significativa redução dos trabalhadores com ensino
fundamental (de 72,99% para 51,45%), este segmento ainda é predominante na indústria
local21. Em 2005, 51,45% dos trabalhadores da indústria cearense possuíam o ensino
fundamental, seguido das pessoas com ensino médio (43,40%), ensino superior (4,15%) e
analfabetos (1,00%), conforme Tabela 16.
Tabela 16
Estoque de emprego formal da indústria, por grau de instrução, segundo a
faixa etária
Estado do Ceará
1997 / 2005
Grau de instrução/Ano
Nível
Ensino Médio
Superior
1997
2005
1997 2005
208
479
10
7.287 28.513 391 1.201
1997
6
136
2005
-
1997
1.359
30.603
2005
801
47.548
42.737
55.835
27.208
8.662
Até 17 anos
18 a 24 anos
1997
39
616
2005
3
153
Ensino
Fundamental
1997
2005
1.106
309
22.173 17.681
25 a 29 anos
30 a 39 anos
40 a 49 anos
50 a 64 anos
665
1.487
919
664
273
608
494
278
18.836
27.246
11.716
4.046
20.053
32.791
17.398
5.784
5.665
7.263
2.457
542
20.375
20.001
7.946
2.088
672 2.036
1.276 2.435
685 1.370
213
512
71
159
55
25
-
25.909
37.431
15.832
5.490
65 ou mais
Ignorado
Total
36
3
4.429
17
1.826
180
71
85.374
186
94.202
23
11
23.456
61
79.463
11
26
3
3.251 7.590
2
6
460
-
252
290
94
116.970 183.081
Faixa Etária
Analfabeto
Ignorado
Total
Fonte: MTE – RAIS.
Ao longo do período estudado, saliente-se que enquanto o total de empregos com instrução de
nível fundamental foi ampliado em apenas 10,34%, entre os de nível médio o crescimento foi de
238,77% e, no caso dos detentores de nível superior, 133,46%, ratificando a melhoria do padrão
educacional dos trabalhadores da indústria cearense.
Por sua vez, a Tabela 17 mostra que, não obstante do predomínio dos trabalhadores com ensino
fundamental, há realmente uma parcela crescente de trabalhadores de nível médio, que, no
caso masculino passou de 19,13% para 42,21% e, no feminino, de 21,44% para 45,22%,
sinalizando mudanças no patamar mínimo de instrução exigido pelo setor.
______________________________
21
Conforme visto anteriormente, esse predomínio também foi observado tanto no plano nacional, como no Nordeste.
52
53
2.138
298
Ensino Médio
Nível Superior
Ignorado
Fonte: MTE – RAIS.
70.351
13.460
Ensino Fundamental
Total
51.172
Analfabeto
110.296
-
4.498
46.553
57.746
2005
1.499
Estoque
1997
3.283
Grau de instrução
100,00
0,42
3,04
19,13
72,74
1997
4,67
Masculino
%
100,00
-
4,08
42,21
52,35
2005
1,36
46.619
162
1.113
9.996
34.202
72.785
-
3.092
32.910
36.456
2005
327
Estoque
1997
1.146
100,00
0,35
2,39
21,44
73,36
1997
2,46
Feminino
Gênero/Ano
%
100,02
-
4,25
45,22
50,08
2005
0,45
-
7.590
79.463
94.202
2005
1.826
1997
3,79
100,00
0,39
2,78
20,05
72,99
Total
116.970 183.081
460
3.251
23.456
85.374
1997
4.429
Estoque
Tabela 17
Estoque de emprego formal da indústria, por gênero, segundo o grau de instrução
Estado do Ceará
1997 / 2005
%
100,00
-
4,15
43,40
51,45
2005
1,00
Os dados apresentados mostram que a maior concentração de trabalhadores com ensino
fundamental está entre as pessoas adultas, sinalizando a necessidade da participação das
escolas públicas no processo de Educação de Jovens e Adultos (EJA), experiência já bastante
difundida no Estado do Ceará, que visa a melhoria educacional da população fora de faixa dos
ciclos escolares.
Todavia, um dos grandes desafios das políticas públicas do trabalho atualmente não é somente
o nível educacional da força de trabalho, pois, apesar da expressiva demanda ainda existente,
sabe-se que essa melhoria já vem sendo apontada pelas mais diversas fontes de informações,
mas também tentar amenizar a falha estrutural de mercado com relação à queda do padrão de
rendimento da população ocupada, haja vista a constante queda no nível de salário registrado
nas mais diversas fontes de informações.
Enfim, sobre o atual perfil dos empregados da indústria cearense, chegou-se às seguintes
conclusões: 1. o estoque de emprego industrial no estado é majoritariamente composto por
homens (60%), com tendência de crescimento para os mais jovens; 2. a parcela maior de
trabalhadores está na faixa de 30 a 39 anos de idade; e 3. apesar de mais da metade terem
instrução de nível fundamental, foram detectadas parcela crescentes de empregados com
níveis médio e superior, o que elevou o tempo de escolaridade do industriário cearense.
54
ONSIDERAÇÕES FINAIS
O enfoque especial deste estudo sobre o emprego na indústria cearense é demonstrar a
dinâmica desse subsetor de atividade no mercado de trabalho local e sua distribuição no espaço
cearense. O período analisado possui uma característica marcante que consiste no crescimento
do emprego desse subsetor acima do desempenho regional e nacional. Em função disso, o
Estado do Ceará consolidou-se, nos últimos anos, como o estado nordestino com o maior
estoque de empregos industriais, todavia, o desempenho da Bahia chama atenção por estar se
aproximando rapidamente do montante de empregos da indústria cearense.
Considerando-se que desde o final dos anos 1990 o Ceará encontra-se diante de uma nova
realidade política de atração de investimentos, dado que as áreas fora da Região Metropolitana
de Fortaleza – RMF, receberam maiores incentivos, observa-se uma maior participação do
interior do estado tanto no estoque do emprego total, como no industrial. Em função disso,
verifica-se que enquanto existia um posto de trabalho com carteira no interior para três na RMF,
em 1997, essa mesma relação caiu para dois, em 2005, demonstrando uma descentralização
dos postos de trabalho gerados nos últimos anos. Adicionalmente, a indústria é responsável,
atualmente, por 18% dos empregos com carteira no interior do estado, com 53.524 postos de
trabalho.
Os resultados obtidos nesse estudo são inequívocos quanto a essa descentralização, apesar de a
RMF concentrar ainda o dobro das vagas do interior, tanto no estoque de emprego total, como
no industrial. Esse resultado não chega a surpreender, na medida em que tem havido, nos
últimos anos, aumento da participação econômica e de estoque de empregos de outras
mesorregiões do estado. Apesar disso, constata-se que o emprego industrial ainda está muito
concentrado em três mesorregiões, Metropolitana de Fortaleza, Norte e Noroeste, cujas áreas
concentram, conjuntamente, mais de 80% dos empregos e dos estabelecimentos industriais.
Contudo, sem dúvida, não se pode negar a formação de novas áreas industriais no estado, tal
qual o município de Russas, pertencente à Mesorregião de Jaguaribe, cidade que cresceu
expressivamente sua participação no estoque de emprego industrial cearense, ocupando o 10º
lugar, em 2005.
Em função disso, constata-se que o estoque de emprego industrial cresceu em todas as
mesorregiões do estado, mas com intensidade diferenciada. Aquelas nas quais o emprego
55
aumentou mais expressivamente foram: Jaguaribe, Norte e Noroeste Cearenses.
Conforme é bastante conhecido, a indústria cearense é predominantemente representada pela
indústria têxtil, do vestuário, artefatos de tecidos e de calçados. Tal realidade confirma a
importância de cursos profissionalizantes de preparação dos trabalhadores locais para estes
ramos de atividade, conforme os dados apresentados tanto por mesorregiões, como nos
municípios mais representativos investigados neste estudo.
A identificação do perfil do trabalhador da indústria cearense não teve grandes alterações ao
longo do período avaliado, constituído majoritariamente pelas populações masculina e adulta.
Apesar disso, verificou-se, através do cruzamento de fontes de informações, que, apesar da
diferença temporal, existe um amplo contingente de trabalhadores que atuam nesse subsetor
na informalidade, especialmente as mulheres, que trabalham em pequenas “fabriquetas” de
confecções, alimentação, materiais de limpeza, dentre outros.
Os dados sobre escolaridade demonstram uma melhoria do padrão educacional dos
trabalhadores da indústria cearense, fato que sinaliza também que as indústrias locais vêm
exigindo mudanças no patamar mínimo de instrução, passando a ter como base o ensino médio.
Não obstante essa melhoria, os resultados são unívocos com relação à queda do padrão de
rendimento, comportamento constatado nos mais diferentes níveis geográficos do país. Diante
disso, em nível local, notou-se que o crescimento do tamanho dos estabelecimentos industriais
foi acompanhado pela redução do salário médio, mesmo com a maior escolaridade do
industriário cearense. Tal realidade sinaliza novos desafios para as políticas públicas, exigindo
outras estratégias que não apenas gerem mais postos de trabalho, mas que garantam também
um nível mais elevado de remuneração para os trabalhadores.
56
58
Figura 4
Distribuição espacial por mesorregiões
Estado do Ceará
1997-2005
Legenda
Centro-Sul Cearense
Sertões Cearense
Jaguaribe
Sul Cearense
Norte Cearense
Noroeste Cearense
Metropolitana de Fortaleza
Fonte: MTE - RAIS
59
Estoque de emprego formal da indústria, por municípios
Estado do Ceará
1997 / 2005
Municípios
1997
2005
Abaiara
%
0,01
Estoque
12
%
0,00
Estoque
0
Acarape
Acaraú
0,33
0,03
386
34
0,21
0,05
376
93
Acopiara
Aiuaba
0,07
0,05
86
63
0,07
0,00
134
0
Alto Santo
Amontada
0,04
0,01
47
6
0,05
0,00
92
9
Apuiarés
Aquiraz
0,00
0,49
0
568
0,00
1,57
8
2.877
Aracati
Aracoiaba
0,59
0,01
687
13
0,86
0,08
1.572
139
Ararendá
0,00
0
0,00
3
Araripe
0,00
1
0,00
1
Aratuba
0,00
1
0,00
2
Assaré
Aurora
0,00
0,01
0
15
0,01
0,00
24
6
Banabuiú
0,09
103
0,05
98
Barbalha
1,17
1.364
0,98
1.790
Barreira
Barro
0,03
0,01
35
12
0,08
0,01
147
21
Barroquinha
Baturité
0,01
0,06
11
72
0,00
0,04
1
72
Beberibe
Bela Cruz
0,07
0,04
87
45
0,16
0,06
284
101
Boa Viagem
0,02
29
0,03
64
Brejo Santo
0,07
87
0,06
118
Camocim
Campos Sales
0,52
0,03
605
33
0,35
0,02
643
40
Canindé
0,08
91
0,11
200
Capistrano
0,00
1
0,00
3
Caridade
0,01
6
0,01
10
Cariús
Carnaubal
0,00
0,00
2
0
0,01
0,00
23
7
Cascavel
Caucaia
1,68
3,59
1.965
4.205
1,75
2,98
3.202
5.463
Cedro
Chaval
0,04
0,16
51
187
0,01
0,00
21
4
Chorozinho
Coreaú
0,82
0,01
955
11
0,46
0,01
843
21
Crateús
Crato
0,19
1,79
224
2.096
0,14
2,06
262
3.774
Croatá
Cruz
0,01
0,01
13
9
0,00
0,00
1
4
Eusébio
Farias Brito
3,18
0,01
3.719
7
4,28
0,01
7.834
14
60
...Continuação
Forquilha
%
0,05
1997
Estoque
64
%
0,23
2005
Estoque
421
Fortaleza
Fortim
51,04
0,00
59.703
1
36,06
0,00
66.028
5
Frecheirinha
Granja
0,03
0,01
38
16
0,09
0,00
171
8
Groairas
Guaiúba
0,00
0,09
1
100
0,01
0,09
15
164
Guaraciaba do Norte
Hidrolândia
0,02
0,00
23
3
0,02
0,00
28
5
Horizonte
2,76
3.225
5,76
10.543
Ibaretama
0,00
0
0,00
5
Ibiapina
0,03
34
0,01
19
Icapuí
Icó
0,01
0,03
10
33
0,04
0,03
65
61
Iguatú
1,03
1.207
1,07
1.960
Independência
0,01
11
0,01
17
Ipaumirim
Ipú
0,06
0,08
70
92
0,05
0,05
92
99
Ipueiras
0,00
1
0,00
5
Iracema
0,01
16
0,00
9
Irauçuba
Itaiçaba
0,01
0,01
7
11
0,01
0,01
16
16
Itaitinga
Itapagé
0,23
0,06
273
73
0,27
1,34
496
2.453
Itapipoca
Itapiúna
0,64
0,00
745
3
1,41
0,00
2.585
4
Itarema
Jaguaretama
0,00
0,00
4
0
0,08
0,00
140
3
Jaguaribara
0,00
1
0,00
5
Jaguaribe
Jaguaruana
0,15
0,28
170
328
0,16
0,45
300
827
Jardim
Jijoca de Jericoacoara
0,00
0,00
2
0
0,01
0,01
27
18
Juazeiro do Norte
Jucás
2,39
0,09
2.793
101
3,22
0,08
5.888
144
Lavras da Mangabeira
Limoeiro do Norte
0,01
0,53
6
623
0,00
0,39
1
715
Madalena
Maracanaú
0,00
10,87
0
12.720
0,00
10,82
4
19.808
Maranguape
Marco
2,67
0,01
3.124
15
2,76
0,40
5.062
725
Martinópole
Massapê
0,00
0,04
2
47
0,00
0,02
0
33
Mauriti
Meruoca
0,00
0,00
0
0
0,02
0,00
30
6
Municípios
61
...Continuação
Municípios
1997
Estoque
68
Milagres
Milhã
0,01
6
0,01
21
Missão Velha
0,05
63
0,01
10
Mombaça
Monsenhor Tabosa
0,01
0,00
7
0
0,01
0,01
20
11
Morada Nova
Moraújo
0,15
0,00
179
1
0,30
0,00
545
0
Morrinhos
Mulungu
0,00
0,01
5
9
0,01
0,00
20
0
Nova Olinda
Nova Russas
0,11
0,02
128
24
0,16
0,02
286
37
Ocara
0,00
4
0,01
15
Orós
Pacajús
0,02
1,68
26
1.963
0,02
1,34
42
2.460
Pacatuba
0,16
186
1,33
2.432
Pacoti
0,04
52
0,01
10
Pacujá
Palhano
0,01
0,04
10
52
0,00
0,02
0
31
Palmácia
0,00
2
0,00
1
Paracuru
0,02
29
0,10
181
Paraipaba
Paramoti
0,03
0,04
34
41
0,20
0,01
365
27
Pedra Branca
Pentecoste
0,00
0,02
0
24
0,01
0,18
20
332
Pereiro
Pindoretama
0,01
0,07
9
78
0,00
0,26
6
476
Porteiras
Potengi
0,00
0,00
2
0
0,00
0,00
4
3
Quiterianópolis
0,00
0
0,03
51
Quixadá
Quixêlo
0,19
0,00
225
0
0,14
0,00
257
2
Quixeramobim
Quixeré
0,09
0,01
109
17
0,23
0,04
420
74
Redenção
Reriútaba
0,17
0,00
196
0
0,08
0,00
150
2
Russas
Santana do Acarau
0,17
0,02
194
22
1,80
0,03
3.296
57
Santana do Cariri
Santa Quitéria
0,01
0,14
6
159
0,04
0,16
71
292
São Benedito
São Gonçalo do Amarante
0,01
0,16
8
189
0,03
0,22
57
411
São João do Jaguaribe
0,04
41
0,00
7
São Luís do Curu
0,00
0
0,08
147
Senador Pompeu
Sobral
0,01
6,99
10
8.172
0,13
9,63
245
17.634
62
%
0,04
2005
Estoque
65
%
0,06
...Continuação
Municípios
1997
Estoque
244
Solonópole
Tabuleiro do Norte
Tauá
0,11
0,01
130
16
0,14
0,02
260
33
Tejucuoca
Tianguá
0,00
0,05
0
63
0,01
0,20
17
369
Trairi
Tururu
0,02
0,00
20
2
0,06
0,00
101
7
Ubajara
Umirim
0,02
0,00
24
1
0,20
0,04
367
70
Uruburetama
Varjota
0,39
0,00
451
0
0,84
0,07
1.546
133
Várzea Alegre
0,02
26
0,08
138
0,00
100,00
3
116.970
0,01
100,00
16
183.081
Viçosa do Ceara
Total
%
0,00
2005
Estoque
4
%
0,21
Fonte: MTE/RAIS.
Nota 1: Dos 184 municípios cearenses, 38 não tiveram registro de emprego
formal industrial, no período selecionado.
Nota 2: Participação relativa com arredondamento de duas casas decimais.
63
Referências bibliográficas
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64
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Evolução do emprego industrial no Ceará