UNIVALI – UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE EDUCAÇÃO – BIGUAÇU
CURSO DE PSICOLOGIA
MAURICY FRANCISCO DA SILVA
UMA ANÁLISE SOBRE IMAGEM CORPORAL E ESQUEMA CORPORAL
BIGUAÇU
2009
MAURICY FRANCISCO DA SILVA
UMA ANÁLISE SOBRE IMAGEM CORPORAL E ESQUEMA CORPORAL
Projeto apresentado para a realização do
Trabalho de Conclusão de Curso no curso de
Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí
– Univali.
Professor Orientador: Mauro José da Rosa
BIGUAÇU
2009
IDENTIFICAÇÃO
ÁREA DE PESQUISA
Psicanálise e Psicomotricidade
TEMA
Imagem Corporal e Esquema Corporal
TÍTULO DO PROJETO
Uma Análise Sobre Imagem Corporal e Esquema Corporal
ACADÊMICO
Nome: Mauricy Francisco da Silva
Código de Matrícula: 4.2.0518
Centro de Educação da UNIVALI – Biguaçu
ORIENTADOR
Nome: Mauro José da Rosa
Categoria Profissional: Psicólogo
Titulação: Mestre em Psicologia
Curso: Psicologia
Centro: CE Biguaçu
Curso de Psicologia 9°semestre
SUMÁRIO
1 JUSTIFICATIVA............................................................................................................4
2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA.......................................................................................6
3 OBJETIVOS..................................................................................................................7
3.1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................7
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...................................................................................7
4 PRESSUPOSTOS OU HIPÓTESES .............................................................................8
5 REVISÃO BIBLIOGRAFICA.........................................................................................9
7 METODOLOGIA .........................................................................................................15
8 CRONOGRAMA .........................................................................................................16
REFERENCIAS..............................................................................................................17
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1 JUSTIFICATIVA
O esquema corporal e a imagem corporal têm como definição os conceitos apropriados do
trabalho de Françoise Dolto em “A imagem inconsciente do corpo” com uma abordagem
psicanalítica e a tentativa de relacionar de uma maneira singular com alguns poucos conceitos da
sociologia e a valoração da estética na vida moderna para os sujeitos.
O esquema corporal e a imagem corporal na atual concepção social, fundamentado por um
processo de consumo e seus aspectos narcísicos produzem nos sujeitos uma procura inconsciente
por uma representação de um modelo de corpo. A funcionalidade do esquema corporal para o
sujeito consciente resulta em uma forma estereotipada; determinada e induzida por uma
sociedade contemporânea e que resulta no paradoxo da procura narcísica.
Segundo Dolto (1984) o esquema corporal pode ser saudável, entretanto seu funcionamento
fica onerado por imagens patogênicas do corpo, e cita exemplos de crianças onde o corpo
(utensílio), o mediador organizado entre o sujeito e o mundo fica inibido por uma não adaptação
ao consciente do sujeito.
O esquema corporal resulta do processo de estruturação da imagem do corpo que para Dolto
(1984, p.14) “a imagem do corpo é a síntese viva de nossas experiências emocionais”. A imagem
do corpo é a inconsciência com sua memória dos vividos relacionais. A construção do esquema
corporal e a relação com a imagem do corpo advêm do resultado do sujeito e o convívio na
alteridade.
A alteridade e a construção psíquica do sujeito influenciam na formação do esquema
corporal. A criação da imagem corporal estereotipada composta pelo mercantilismo do corpo e
um processo social transgeracional. A influência sobre o esquema corporal é produzido pela
semiótica e as funções simbólicas. As representações do mundo externo se tornam uma procura e
frente à construção da ferida narcísica uma contrapartida, gerando um conflito psíquico.
As imagens patogênicas do corpo provocado por um conflito psíquico tornam sintomático o
esquema corporal. O contraste psíquico cria um evento de inicio de um processo neurótico e/ou
psicótico; onde o sujeito tem a impressão do principio de uma despersonalização que segundo
Schilder (1981, p.124) “é o quadro característico que ocorre quando um individuo não ousa
colocar sua libido nem no mundo externo nem em seu próprio corpo.”
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Neste trabalho há um a tentativa de demonstrar a alteração do esquema corporal sadio
influenciado por uma distorção da imagem corporal por influencia da estrutura familiar e social
dos tempos atuais.
Para Schilder (1981 p.171):
“... todo desejo e toda tendência libidinal alteram imediatamente a estrutura da imagem
corporal, e buscam seu verdadeiro significado nesta modificação do modelo postural do
corpo... em qualquer atitude, desejamos modificar a relação espacial do modelo postural
ou o esquema do corpo.”
A estética para intervir no processo de esquema corporal tem ser conceituada conforme a
concepção Kantiana, como uma critica ao gosto onde o principio determinante só pode ser
subjetivo. Para Kant “O juízo do gosto não é um juízo do conhecimento; por conseguinte, não é
lógico, mas estético”. Uma razão de definir a estética como uma construção subjetiva é sua
estruturação no sujeito conforme sua estrutura familiar e social (JAPIASSÚ & MARCONDES;
2001 p.91).
Valorizando o individualismo e a sua imagem corporal sendo definida no social em função
do mercado do corpo e suas definições de sujeito moderno. Na sociologia o individuo aprende os
padrões estabelecidos sem perceber (papeis) e que são determinados pela estrutura social
(organização social). A construção e o desempenho dos papeis ficam ligados a uma expectativa e
que supere as adversidades. A estruturação da imagem do corpo de determinada maneira é
vinculada ao papel definido na organização social.
O papel estereotipado em função da imagem de corpo pré- definida tende a provocar após
algum tempo de convivência com o papel um conflito pessoa-papel. As expectativas e
habilidades do sujeito podem tender a outro papel e criar um conflito de origem psíquica e social.
Entretanto uma grande maioria se adapta aos papeis; e outra parte nega o papel social e formula
uma atitude critica. Em Charon (2002) a sociologia investiga os fenômenos da influencia por
interações, padrões sociais e socialização e seus consequentes problemas.
O esquema corporal influenciado pela imagem psíquica que tende ao equilíbrio dinâmico de
suas forças e sua ações sintomáticas; as influencias sociais na determinação dos papeis
proveniente de sua organização e a estética com sua origem subjetiva, mas com suas raízes
fundamentadas em padrões de beleza social. Conduzem o sujeito moderno a estabelecer ações
inconscientes e conscientes em seu esquema corporal em variações constantes que prejudicam
sua saúde psíquica.
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2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA
Psicopatologias (conflitos psíquicos) referentes ao esquema corporal e a imagem corporal
na abordagem psicanalítica possuem nas tendências estéticas contemporâneas influencias social e
cultural?
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3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
Pesquisar conceitos referentes à imagem corporal e esquema corporal através de pesquisa
bibliográfica dentro da perspectiva psicanalítica que possibilitem determinar psicopatologias
influenciadas pelo social e cultural.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
_ Demonstrar como a imagem corporal tem influência no esquema corporal.
_Identificar as possíveis influências das tendências estéticas e sociais contemporâneas na imagem
e no esquema corporal.
_A permanência do narcisismo como construtor das modificações da imagem e o esquema
corporal.
8
4 PRESSUPOSTOS OU HIPÓTESES
A partir dos estudos realizados sobre a imagem corporal e sua influência sobre o esquema
corporal pressupõe-se que esta relação possa ter uma conseqüência psicopatológica ou interferir
de forma contundente na efetivação das potencialidades do sujeito. O resultado das
conseqüências podendo ter origem nos valores impostos pela cultura.
9
5 REVISÃO BIBLIOGRAFICA
O conceito de imagem segundo Dolto e Nasio (2008, p.12) não se faz através do sentido
corrente da palavra, “ela é um substrato relacional de linguagem”. O significado de imagem tem
relação com aspectos da identidade, da identificação do sujeito. Existe um sentido de dor na
imagem, um lugar sensível “onde o sujeito pode aprender com seu eu, até mesmo seu corpo”.
Dolto (2008, p.13) afirma que esta imagem é constituída por uma identidade com a mãe e seu
corpo (terra =base); influenciando nos termos de sua segurança (amor) e sua identificação. A
construção desta imagem segundo Dolto (2008, p.12) que desaparece com a imagem especular (a
imagem do espelho) na realidade não existe; mais está presente “em afecções psicossomáticas,
ou até mesmo onipresente em psicóticos ou doentes comatosos.”
A origem do processo de construção da imagem corporal tem sua base fundamentada no
narcisismo (imagens arcaicas do corpo) fundamental, primário e secundário. O narcisismo
fundamental (a imagem básica na qual o sujeito se agarra ao seu eu) fragilizado promove a
dissociação da imagem corporal e do esquema corporal permitindo o surgimento de estados
fóbicos e psicoses. Dolto, (2008, p.14) sinaliza:
É como sugerisse que o estado fóbico é o estado de ameaça sobre a imagem do corpo
no momento em que ela é o único refugio diante da aflição. Como se o mais substancial
do sujeito, a imagem do corpo mais arcaica, pudesse se divorciar do sujeito. Quando
você dá a entender isso, ficamos tentados a aproximar ainda mais fobia e psicose. [...]
sim, da dissociação da imagem corporal e do esquema corporal, entidades que
normalmente se cruzam e constituem o narcisismo fundamental.
A relação do esquema corporal com a imagem do corpo é resultado de multiplicidades de
intricações pulsionais, funcionando como um relé elétrico, um objeto de permite a passagem das
pulsões em variadas situações na estruturação das fases libidinais. A entrada do sujeito na cultura,
a compreensão na alteridade, com “uma imagem de corpo espaço-temporalizada na relação com
a mãe.” (DOLTO, 2008, p.19).
Em seu trabalho psicanalítico Dolto ressalva que a imagem do corpo é o “Isso” já relacional
com um corpo situado no espaço; o esquema corporal fonte das pulsões é o lugar das
representações desta imagem corporal. No produto da relação da imagem corporal e o esquema
corporal regulam no sujeito o amálgama das fantasias, desejos, realidades e as necessidades da
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estrutura biológica. A formação do psiquismo se estrutura das distorções entre o imaginário e a
realidade. Compreendendo as diversas estruturas clinicas existentes.
A função dos símbolos segundo Augras (1998, p.10) é uma relação irreal permitindo uma
adaptação do sujeito à realidade; conduzindo uma compreensão do mundo através do universo
simbólico: “é o aspecto abstrato da relação do homem ao mundo.” As culturas com suas origens
e diversificações envolvidas no mundo dos símbolos, permitem a criação de identidades dentro
das suas variações. A antropologia para MULLER (apud Augras, 1998; p.14) pode conectar a
linguagem e o mito; onde a ambigüidade da linguagem esta a serviço das criações e elaborações
dos mitos. Para o antropólogo, “a mitologia é o poder exercido pela linguagem sobre o
pensamento.” A mitologia estética de um corpo considerado perfeito e belo advém de processos
culturais ocidentais; principalmente da cultura helênica e suas representações mitológicas. A
distorção mitológica proveniente do tempo e as mudanças de pensamentos desvincularam o Belo
e a Verdade, a estética da beleza ficou determinada por símbolos produzidos intencionalmente.
No mundo grego a estética libertaria sem separar as raízes míticas; purificando os conteúdos
inconscientes. As mudanças encontradas na estética provem de um processo de interpretação dos
símbolos. Augres (1998, p.21) relata que:
“não necessita recorrer a dicionários de símbolos para entender o comportamento do
vizinho, que se move num universo de símbolos com referencias sociais idênticas as
referencias do meu próprio universo.”
O ocidental adotou o racionalismo como processo de interpretação do mundo simbólico; e a
psicanálise introduziu um modelo original. O desenvolvimento individual determinado por uma
energia vital, um motor do dinamismo interno (libido), onde o conflito desta energia esta entre a
“necessidade de permanência e o desejo do nada” (AUGRAS, 1998, p.45).
O desenvolvimento individual estruturado por instancias pulsionais. O “Isso” (Id) pulsão
funcionando determinada ao principio de prazer, o Eu (ego) a confluência entre o mundo do
“Isso” e a relação com o mundo externo (realidade).
A teoria psicanalítica remete ao Eu (ego) a instancia de confluência do mundo interno
(psiquismo) e o mundo exterior com sua capacidade de se adaptar. A adaptação do Eu existe a
imposição do Supereu que é o canal de identificação dos pais e os valores e normas do grupo
social. Nas etapas de evolução do individuo o processo entre as instancias psíquicas é resultado
das relações intersubjetivas.
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O surgimento de sintomas somáticos não teria uma origem biológica e sim de uma
perturbação psíquica de origem passada; com uma gênese simbólica proveniente das relações
familiares. O entendimento da evolução psíquica, da imagem corporal e o esquema corporal
remetem ao conceito de narcisismo. O mito de Narciso da cultura Helênica usado para
entendimento da evolução da libido, “a energia sexual que parte do corpo e investe em objetos”.
(NASIO, 1997, p.48.)
Freud em 1914 apud (Nasio, 1997, p.49) escreveu sobre o narcisismo primário onde o mesmo
é uma reprodução do narcisismo dos pais, “que atribuem ao filho todas as perfeições e projetam
nele todos os sonhos a que eles mesmos tiveram de renunciar”. Esta passagem é um indicativo de
formulações dos desejos de perfeições físicas, simbólicas e imaginarias dos pais aos filhos.
O sujeito entra no narcisismo secundário quando sente a necessidade de confrontar com um
ideal que vem de fora. Em Nasio (1997, p.51) a saída do narcisismo primário para o secundário
é o complexo de castração; é “através dele que se opera o reconhecimento de uma incompletude
que desperta o desejo de recuperar da perfeição narcísica.”
Freud em 1920 apud (Nasio, 1997, p.55) indica que o narcisismo do Ego é o secundário onde
investe sua libido nos objetos e nas identificações. A representação do Eu se constitui de
“diferentes camadas de identificações com o outro”. O narcisismo primário é “o amor dos pais
pelo filho equivale a seu narcisismo recém-renascido” (NASIO, 1997, p.51) e o narcisismo
secundário é o ideal do Eu; “as representações culturais e sociais, os imperativos éticos tal como
são transmitidos pelos pais”. (NASIO, 1997, p.51).
A interligação entre o psiquismo e a sociedade é fundamental para a compreensão da
contemporaneidade. Após as experiências das fases libidinais onde o narcisismo indica a
evolução da energia libidinal; o sujeito encontra o social.
O período da puberdade é o encontro do processo de construção do sujeito e a estrutura da
sociedade; que na psicanálise praticamente é paralelo à saída da fase de latência. Onde o sujeito
encontra uma identidade em construção se relacionando com a sociedade. Thiers (1998, p.55)
relacionando aspectos das transformações do corpo com o emocional esclarece que a puberdade é
um desenvolvimento biológico, entretanto a libido não possui um trajeto pré-determinado
existindo uma troca dinâmica e Thiers ressalta: “entre o determinismo biológico e individuação,
na formação do esquema corporal e da imagem corporal”.
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O entendimento da relação entre imagem corporal e esquema corporal contendo processos
estereotipados, “que são defesas primitivas” cruzam por uma inserção social, na estruturação do
narcisismo secundário. Em Thiers (1998, p.23) “a construção do sujeito social passa pela
criança, pelo adolescente e pelo seu desenvolvimento psíquico, pelas questões sociológicas e
antropológicas.” O sujeito se percebe conforme a sociedade em que vive e se identifica.
Os componentes de uma sociedade: cultura (tradição, regras e símbolos) se refere a
comportamentos em oposição à natureza e/ou biológica; linguagem (um sistema de símbolos
verbais humanos que comunicam idéias, sensações e experiências); valores (idéias que as pessoas
compartilham sobre o bem e o mal, o desejável e o indesejável); normas (regras comportamentais
ou padrões de interação social).
A formação de uma estética corporal percorre um caminho de imagens culturais valorativas,
criando uma disciplina corporal produzida pela linguagem, valores e normas. O imediato é a
criação de um objeto (corpo) de prazer universal incluído em uma racionalidade de entendimento;
internalizado por um sistema hegemônico social e econômico. Fontanella (2009) em estudo sobre
a corporalidade fala da estética Kantiana como um valor subjetivo sensível devido às percepções
do sujeito sobre si e a relação com a sociedade.
A potencialidade do sujeito esta ligada a sua estruturação psíquica que fica vinculada a
valores de inspiração pré- definidas pela racionalidade estética; a subjetividade sem uma
originalidade própria que constrói e define a imagem corporal e o esquema corporal. O
narcisismo secundário é o ponto fundamental na instalação da imagem corporal (imagem
inconsciente do corpo). O corpo somático (biológico) funciona de maneira como se estrutura o
corpo erógeno: o das pulsões teorizadas por Freud, uma verdadeira revolução na concepção de
corpo.
Em Lazzarini e Viana (2009) após estudo sobre o corpo e a psicanálise revelam o mesmo na
relação com o outro.
O corpo é, portanto, lugar da passagem do outro, lugar de onde nasce o sujeito. Sendo
assim pode-se dizer que a grande inovação freudiana foi, precisamente, considerar essa
dupla racionalidade como estando articulada pelo desejo inconsciente, mas cuja leitura
se dá no corpo.
Dolto (2004, p.10) fala do corpo como utensílio organizador do sujeito e o mundo; e sua
utilização mesmo em estado saudável pode haver impedimento de adaptação ao consciente;
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inibição do esquema corporal pela libido associada a uma imagem corporal inapropriada. O
esquema corporal especifica o individuo enquanto representante da espécie e à imagem do corpo
ligado ao sujeito e a sua historia (inconsciente); síntese de nossas experiências emocionais. O
esquema corporal é em parte inconsciente, pré-consciente e consciente.
Dolto (2004, p.15) ressalta a interligação funcional do esquema e imagem corporal:
É graças à nossa imagem corporal sustentada por- e que se cruza com – nosso esquema
corporal que podemos entrar em comunicação com outrem. Todo o contato com o
outro, quer o contato seja de comunicação ou para evitá-lo,é subtendido pela imagem
do corpo;pois é na imagem do corpo ,suporte do narcisismo ,que o tempo cruza no
espaço,e que o passado inconsciente ressoa na relação presente...A libido é mobilizada
na relação atual ,mas pode encontrar-se ali,desperta,re-suscitada,uma imagem relacional
arcaica ,que permanecera reprimida e que retorna,então.
A imagem do corpo processa a manifestação do desejo; e a realização deste são as pulsões de
vida e morte. As distorções da imagem inclinam as manifestações das pulsões de forma
psicopatológicas. O corpo passa por uma hostilidade cultural derivado do poder das “idéias
culturais” (beleza, limpeza, ordem) acerca de uma pretensa perfeição.
Gerez-Amberim (2003, p.156) sobre a influencia da Cultura no sujeito e suas conseqüências
clinicas fala da inscrição do Supereu:
A partir do exterior, a cultura incrusta na subjetividade uma inscrição erótica que enoda
as pulsões de vida e de morte. No interior, deixa como saldo uma marca erótica e outra
hostil; o ideal do ego e Supereu.
O ideal do Eu designando uma subestrutura intrapsíquica serve de parâmetro ao Eu para as
realizações efetivas é um processo oriundo do Supereu que funciona conforme Laplanche (2004,
p.222) que: “Esse processo está na base da constituição do grupo humano, o ideal coletivo retira
sua eficácia de uma convergência dos ‘ideais do ego’ individuais”. A formação do Supereu
permite a absorção dos valores culturais vinculado ao perfeccionismo corporal; induzindo
padrões de beleza estereotipados.
A resposta do esquema corporal em sua porção pré-consciente e consciente pode ser onerada
em uma idealização impossível da imagem corporal. O processo primário em suas relações de
prazer em uma das regências do funcionamento mental independe do valor atribuído nas
interpretações da realidade pelo principio de realidade e suas adaptações.
14
Schilder (1981, p.124) fala da enorme importância do elemento visual na construção da
imagem corporal nos seus estudos sobre a despersonalização e a influencia no esquema corporal;
afirma que: “... o significado de todas estas modificações da aparência nem sempre é conscientehá também um significado simbólico”, e conclui: “que as imagens corporais não são entidades
isoladas, e que a comunidade de imagens corporais está na base de toda função social”
(SCHILDER, 1981, p. 176 e 179). Significando que a imagem corporal sobrevive fora dos limites
do corpo. Aonde as tendências libidinais possuem processos inseparáveis entre as emoções e a
percepção.
As emoções básicas expressam suas características sempre através do corpo. Os movimentos
estão conectados a imagem corporal que é expressão de emoções do sujeito; que em Schilder
(1981, p.215): “as emoções são, por si sós, conectadas com expressões que se ligam a emoções
dos outros”.
No mundo intrapsíquico a realidade e a representação não se afastam realizando processos de
simbolização (representação mental de semelhança acidental ou convencional), condensações
(cadeias associativas de representações de elementos latentes) e transposição (lugar de exceder e
ultrapassar).
Os mecanismos de identificação (construção de base emocional) tendem a ficar conflituosos
(patogênicos) frente à personificação imposta esteticamente. A imagem corporal construída
socialmente (imagem alheia) fica de encontro a uma imagem edificada na primeira infância. O
conflito do ideal de beleza absoluta como centro da vida e a realização dos objetivos da
personalidade.
O argumento deste trabalho é uma analise teórica da interferência da imagem corporal em
manifestação conflituosa e/ou psicotagenica com o esquema corporal na abordagem psicanalítica.
15
7 METODOLOGIA
O presente trabalho propõe-se a investigar a relação da imagem corporal com o esquema
corporal influenciado por fenômenos sociais e culturais e a bibliográfica. Segundo Marconi e
Lakatos (1999), este tipo de investigação consiste em pesquisar o tema de estudo a partir de um
levantamento de materiais já publicados acerca do assunto. A principal finalidade da pesquisa
bibliográfica, segundo os autores, é a de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que
foi publicado sobre o tema, propiciando assim, um novo enfoque em relação ao assunto e à
chegada de possíveis conclusões e um maior conhecimento sobre o tema.
Na primeira etapa será realizado um levantamento dos trabalhos já publicados sobre o
tema. Para tanto, a pesquisa bibliográfica será realizada em diversos bancos de dados com as
palavras-chave: “imagem corporal”, “esquema corporal”, “psicanálise”, “cultura”, “padrões de
beleza”.
A segunda etapa acontecerá após esse levantamento. Os trabalhos encontrados serão
selecionados de acordo com a relevância em relação ao assunto. A partir da consulta às fontes
bibliográficas selecionadas, as informações encontradas serão descritas de maneira de evidenciar
a relação entre imagem corporal e esquema corporal influenciado pela cultura contemporânea.
Em seguida, o material encontrado e posteriormente explorado terá utilização na elaboração desta
pesquisa bibliográfica de maneira a se evidenciar a importância dos trabalhos publicados sobre o
tema, objetivando promover uma discussão sobre o assunto e torná-los disponíveis ao acesso da
comunidade acadêmica.
Como material para a revisão bibliográfica serão utilizados artigos científicos, teses e
livros relacionados ao tema. A pesquisa terá ênfase em materiais publicados na abordagem
psicanalítica.
16
8 CRONOGRAMA
PREVISÃO DO CRONOGRAMA-ANO 2009
MÊS
ATIVIDADE
AGOSTO
Seleção e leitura do X
SETEMBRO
OUTUBRO
X
X
X
X
X
Redação do projeto X
X
X
NOVEMBRO
X
material bibliográfico
Articulação do
conteúdo teórico
dos diferentes
autores
X
de pesquisa
Apresentação da
monografia para
banca
X
17
REFERENCIAS
AUGRAS, M. A Dimensão Simbólica. O simbolismo nos testes psicológicos. 3ª Edição.
Petrópolis: Editora Vozes, 1998.
CHARON, J. M. Sociologia. 5º Edição. São Paulo: Editora Saraiva 1999.
DOLTO, F. NASIO, J.D. A criança do Espelho. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
DOLTO, F.A imagem inconsciente do corpo. 2º Edição, São Paulo: Ed. Perspectiva, 2004.
FONTANELLA, F. Os cânones corporais e o corpo grotesco. [2003]. 3p. Dissertação de
Mestrado.
Universidade
Federal
de
Pernambuco,
[2003].
Disponível
em:
http://www.ppgcomufpe.com.br/arquivos/PUBLICACAO_DISCENTE/fernandofontanella.doc.
15/05/2009.
Acesso
em
GEREZ-AMBERTIM, M. As vozes do Supereu. São Paulo: Cultura Editores Associados,
Caxias do Sul: EDUSC,2003.
JAPIASSÚ, H. MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. 3º Edição, Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editor, 2001.
LAPLANCHE, J. Vocabulário da Psicanálise / Laplanche e Pontales. 4º Edição. São Paulo:
Martins Fontes, 2004.
LAZZARINI, E.R. VIANA, T.C. O conceito psicanalítico de corpo ou, de que corpo trata a
psicanálise?[2004].http://www.estadosgerais.org/encontro/IV/PT/trabalhos/Eliana_Rigotto_Lazz
arini _%20eTerezinha_de_Camargo_Viana.pdf. Acesso em: 20/05/09
NASIO, J.D. Lições sobre os 7 conceitos básicos da Psicanálise.Rio de Janeiro:Jorge Zahar
Editora,1997.
SCHILDER, P.A imagem do corpo. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1981.
THIERS, S. Sociopsicomotricidade. 2º Edição. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998.
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