FA CU LD A D E SETE D E SETEM B R O – FA SETE
O rganização Sete de Setem bro de C ultura e Ensino Ltda.
Curso de Licenciatura em Letras Habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa
Iraneide Oliveira Ferreira Santos
A FOR M AÇ Ã O E A PRÁ TIC A PED A GÓGIC A D O
PR OFESSOR D E PORTU GU ÊS EM TUR M A S D E
ED U CA Ç Ã O D E JOVEN S E A DU LTOS
Paulo Afonso-BA
Junho/2008
Iraneide Oliveira Ferreira
A FOR M AÇ Ã O E A PRÁ TIC A PED A GÓGIC A D O
PR OFESSOR D E PORTU GU ÊS EM TUR M A S D E
ED U CA Ç Ã O D E JOVEN S E A DU LTOS
Paulo Afonso - BA
Junho/2008
Iraneide Oliveira Ferreira Santos
A FOR M AÇ Ã O E A PRÁ TIC A PED A GÓGIC A D O
PR OFESSOR D E EDU C AÇ Ã O D E JOVEN S E A DU LTOS
_______________________________________________________________
Profª MSc. Luciana Cordeiro Cavalcanti
_______________________________________________________________
Prof.MSc Luiz José da Silva
_______________________________________________________________
Profª Kátia Rejane Barros
Paulo Afonso - BA
Junho/2008
A educação gera conhecim ento,
conhecim ento gera sabedoria, e,
só um povo sábio pode m udar seu
destino.
Sam uel Lima
AG R AD EC IM EN TO S
A Deus, que na minha jornada deu -me força e coragem para continuar.
A minha família, amigos que me apoiaram nas horas em que pensei em desistir
dessa árdua tarefa.
A minha orientadora Luciana Cordeiro que me incentivou fazendo -me ver o quanto
era grande a minha capacidade de concretizar mais esse desafio na minha vida.
Aos professores do curso de Letras que lecionam nesta instituição, por passarem
seus conhecimentos e por acreditarem em todos nós.
Enfim, a todos que direta ou indiretamente me ajudaram.
R ESU M O
O presente trabalho pretende m ostrar a trajetória da Educação de
Jovens e Adultos - EJA - no seu desenvolvim ento ao longo das
décadas, até o período atual, a partir do referencial de que a educação
vai além do saber ler e escrever, m ais se torna ponto fundam ental
para inserção no m ercado de trabalho e consequentem ente, na
m elhoria da qualidade de vida do discente. Buscou-se tam bém
com preender a im portância da form ação do profissional da Língua
Portuguesa e seu papel na EJA, dem onstrando que a m esm a deve ser
ensinada de form a contextualizada, buscando am enizar as
dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem da
Língua Portuguesa.
PALVRAS -CHAVES : Educação de Jovens e Adultos, Língua Portuguesa,
form ação docente.
A B STR AC T
A B STR AC T
This work aims to show the trajectory of education of young people and adults in
their development over the decades, until the current period, from the r eference
that education is beyond to knowing how to read and write, becoming the focal
point for inclusion in the labour market and thus improving the quality of life of
student. The aim was also to understand the importance of professional of the
Portuguese language and its role in EJA, demonstrating that it should be taught in
a contextualized, seeking alleviate the difficulties encountered in the process of
teaching and learning of Portuguese language.
Key words: Education of young people and adults, P ortuguese language, Training
of teachers.
KEY -W ORDS:
SU M Á R IO
IN TR OD UÇ ÃO ........................................................................................
09
1 U M A VISÃO R ETRO SPEC TIVA D A ED UC AÇ ÃO D E JO VEN S E
AD U LTO S
NO
BR ASIL...........................................................................11
2 A FO R M AÇ ÃO D O PR O FESSO R D E LÍN G U A PO R TU GU ESA
PAR A ATU AR EM TU R M AS D A EDU C AÇ ÃO JO VENS AD U LTO S:
UMA
PR O PO STA
PAR A
AU TO -
C O N SC IÊN C IA............................................18
2.1
O
ENSINO
DA
LÍNGUA
PORTUG UESA
NAS
EJA.......................24
3 EJA: U M A PO SSIBILID AD E D E M U D AN Ç A D E
VID A.......................26
C O N SID ER AÇ Õ ES
FIN AIS....................................................................31
R EFER ÊN C IAS
.....................................................................................33
IN TR OD UÇ Ã O
TURMAS
DA
Pode-se dizer que custa caro formar um bom professor, errado,
um mau professor é que sai caro, por ser ineficiente e ineficaz.
Um mau professor ajuda a provocar repetência (...), não segura
o aluno na escola, não prepara aluno para a vida profissional.
(PINSKJ, apud ANTUNES, 2003.p, 167).
É sabido que a Educação de Jovens e Adultos - EJA é o meio pelo qual, pessoas
que por motivos diversos não tiveram a oportunidade de freqüentar a escola no
período
regular de ensino, voltam
conhecimentos,
destarte,
essa
à
escola
clientela
da
em
rede
busca
da aquisição
educacional,
de
apresenta
características peculiares, que por sua vez tornam a EJA uma modalid ade de
ensino que requer um maior preparo dos profissionais envolvidos nesse processo.
Diante disso surgiu o interesse de conhecer melhor o profissional da Língua
Portuguesa que atua na EJA, buscando responder o seguinte questionamento: A
formação e a prática pedagógica dos professores de Português nas turmas de
Educação de Jovens e Adultos têm sido adequadas para a realidade do seu
alunado? Pois acreditamos que somente por meio da formação continuada dos
docentes, poderá ser oferecida aos jovens e adultos um ensino apropriado e com
qualidade.
A Lei n. 9.394 de 20 de dezembro de 1996, respaldada pela Constituição Federal
de 1988, artigo 208 diz que: “o ensino fundamental obrigatória e gratuito é um
direito do cidadão e dever do estado, valendo isso também para os que não
tiveram acesso a ele na idade própria”, ou seja, a EJA tem respaldo legal, que
proporciona também o direito de freqüentar a escola, para os jovens e adultos. No
entanto, sabe-se que não basta proporcionar o acesso, outro aspecto relevante e
por que não dizer extremamente importante é a capacitação do profissional, que
deve ser diferenciada, de maneira que vá além da que é dada para os outros
profissionais que trabalham com as demais modalidades de ensino. Sabemos que
os alunos da EJA formam uma clientela desfavorecida da população brasileira e
que a sociedade precisa compreender que a maioria enfrenta problemas como o
preconceito, vergonha, discriminação por estar cursando uma série inferior a sua
idade, criticas entre outros, vivendo isso n o seu cotidiano, no seu seio familiar, no
seu circulo de amizade e na vida em comunidade, é oportuno lembrar que é a
educação que pode mudar a vida de uma pessoa.
O primeiro capitulo descreve o histórico da EJA, o seu desenvolvimento, as
mudanças de programas no decorrer das décadas mediante os avanços
tecnológicos e econômicos. Logo em seguida, relatamos alguns aspectos da
formação docente, bem como, os princípios que o professor deve considerar
para poder atender a necessidade e respeitar a pluralidade c ultural dos seus
alunos.
No terceiro e último capítulo mostra a importância da contextualização Língua
Portuguesa, e a sua relação com a busca pela melhoria do ensino na EJA, de
modo que a EJA não deve ser vista como um sonho, mas sim como uma
realidade ao alcance de todos.
1 U m a Visão R etrospectiva da Educação de Jovens e A dultos no
B rasil
A Educação de Jovens e Adultos tem seu histórico, amplamente, relacionado com
as variações vividas pela sociedade brasileira no contexto soc ial, político e
econômico ao longo dos tempos, pelo fato da necessidade de qualificação pessoal
e profissional exigidas por essas transformações, especialmente no setor industrial
e tecnológico.
Tentaremos de forma sintetizada reconstruir a trajetória das transformações e
avanços ocorridos nas últimas décadas na educação de jovens e adultos no
Brasil, baseando este histórico no trabalho realizado por Souza et al. (2007).
No período colonial a alfabetização de adultos, tinha como objetivo ensinar a
população a ler e a escrever, de modo que os colonos pudessem ler o catecismo e
por último para poder cumprir as ordens e instruções da corte, e mais tarde, para
que os trabalhadores conseguissem cumprir as tarefas exigidas pelo Estado.
Nesta época os Jesuítas trou xeram à moral, os costumes, a religiosidade européia
juntos com os seus métodos pedagógicos, constituindo uma educação bem
diferente – rígida (SOUZA et al. 2007). Após 210 anos de educação ocorreu a
expulsão dos Jesuítas para Portugal, ocorrida no século X VIII, desorganizou o
ensino até então estabelecido (ibid), ou seja, com a expulsão dos jesuítas e as
Reformas Pombalinas, em Portugal, assistimos ao desmantelamento completo da
educação brasileira (ZOTTI, 2004).
Pela primeira vez o estado passa a assumir os rumos da educação, objetivando
substituir a escola que servia aos interesses da fé, pela escola útil aos fins do
estado. Ocorre literalmente a extinção do sistema educacional do ensino jesuítico,
sem que nada fosse colocado no seu lugar, limitando -se a reforma a definições de
orientações gerais e a instituir poucas aulas régias ( ibid).
Com a expulsão dos jesuítas e transposição da Corte portuguesa para o Brasil em
1808, há uma lacuna de quase meio século na educação brasileira caracterizada
pela precariedade e decadência do ensino colonial. Somente em 1827, ainda
durante o Império, entrou em vigor o decreto Imperial de 15 de outubro, sendo
este a primeira lei de instrução elementar, no Brasil, perdurando até 1946, o que
nos dar a nítida idéia do descaso com que foi tratada a educação elementar
(idem ).
Antes da alteração deste decreto, durante a Revolução de 1930, as mudanças
políticas e econômicas permitiram o início da consolidação de um sistema público
de educação elementar no país. Nesta época o Brasil estava passando por
grandes transformações entrando no mundo do capitalismo, o mesmo, estava
investindo no mercado interno e nas indústrias, ou seja, com tantas mudanças o
mercado passou a exigir uma mão -de-obra mais qualificada, sendo que chegou a
hora de investir na educação para poder obter o objetivo desejado (SOUZA,
2007).
Neste
mesmo
período, ocorreu
à
criação
do
Ministério da Educação, a
implantação do programa de Saúde Pública, o estabelecimento do Ensino
Secundário e das Universidades brasileiras ainda inexistentes, nesta mesma
época também estava acontecendo à ampliação da educação elementar em todo
o País, Neste momento o País promovia uma educação para as elites e as classes
populares eram excluídas da educação (ibid).
A Constituição de 1934 e stabeleceu a criação de um Plano Nacional de Educação,
que indicava pela primeira vez a implantação da educação de adultos como dever
do Estado, com esta, foram regulamentadas todas as normas o ensino primário
gratuito, com freqüência obrigatória, para os jovens e adultos.
Em seguida, na década de 40, dois movimentos influenciam a organização da
educação no Brasil, a ditadura militar que eclodiu numa grande mobilização social
com vistas à redemocratização política no Brasil e o término da Segunda Guerra
M undial. Estes fatos contribuíram para a tomada de inúmeras providências na
área da Educação de Jovens e Adultos (EJA), devido o destaque e a preocupação
geral com a educação elementar comum e a necessidade de aumentar as bases
eleitorais com o objetivo de segurar o governo central.
Dentre as ações que resultaram deste movimento iniciou -se a implantação de
programas novos educacionais: a ampliação no atendimento a Adolescentes e
adultos, a criação e a regulamentação do Fundo Nacional do Ensino Primário
(FNE P); a criação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP); o
surgimento das primeiras obras dedicadas ao ensino supletivo; o lançamento da
Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), e outros. Esta série
de iniciativas buscou promover maior segurança para os indivíduos que jovens e
adultos não tinham ainda assegurados este direito nacional. Também em âmbito
internacional foi marcado por movimentos e organizações como a UNESCO, o
qual estimulou um grande número de programas nacionais para esta esfera
educacional. Segundo Ribeiro (et al. 1997), todos esses programas possibilitaram
uma influência positiva ao valorizar as ações realizadas no país para este fim.
No ano de 1946, com a instalação do Estado Nacional Desenvolvimentista,
aconteceram algumas transformações na política do Brasil, o modelo agrícola e
rural foi direcionado para um modelo industrial e urbano, que necessitou uma de
mão-de-obra qualificada e alfabetizada.
Em 1947, o MEC promoveu a Campanha de Educação de Adolescentes e Ad ultos
(CEAA). Esta campanha tinha como objetivo alfabetizar uma grande parte da
população e capacitar estes alunos profissionalmente para o campo de trabalho
na sociedade em que viviam servindo para o meio rural e urbano de maneira
diferente, mas com o mesmo interesse comum, sendo que no meio rural era fixar
o homem no campo, já no urbano visava uma preparação melhor da mão -de-obra.
Apesar de, no fundo, ter o objetivo de aumentar a base eleitoral (o
analfabeto não tinha direito ao voto) e elevar a produtiv idade da
população, a CEAA contribuiu para a diminuição dos índices de
analfabetismo no Brasil (VIEIRA, 2004, P.19 e 20, apud, SOUZA et
al., 2007).
Durante a década de 50, foi realizada a Campanha Nacional de Erradicação do
Analfabetismo (CNEA), que marcou uma nova etapa nas discussões sobre a
educação dos adultos. Seus organizadores compreendiam que a simples ação
alfabetizadora era insuficiente, devendo dar prioridade à educação de crianças e
jovens, por entender que a educação ainda poderia significar al teração em suas
condições de vida. De acordo com Vieira (2004, p. 21 -22, apud, SOUZA et al., 2007)
"(...) a CNEA, em 1961, passou por dificuldades financeiras, diminuindo suas
atividades. Em 1963 foi extinta, juntamente com as outras campanhas até então
existentes”.
Nesta mesma década em 1958, foi realizado o segundo Congresso Nacional de
Educação de Adultos, com o objetivo de avaliar as ações realizadas na área e
tentar procurar soluções adequadas para a questão. Houve muitas críticas na
época as condições das escolas, o impróprio material didático e a falta de
preparação do professor. A delegação de Pernambuco, da qual Paulo Freire fazia
parte,
propôs
uma
educação
baseada
no
diálogo, que
considerasse
as
características socioculturais das classes populares, estimulando sua participação
consciente na realidade social. Nesse congresso se discutiu, também, a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional e, em decorrência, foi elaborada em
1962 o Plano Nacional de Educação.
No inicio dos anos 60, foram introduz idos os principais programas de alfabetização
e educação popular no país. Estes programas foram tentados por intelectuais,
estudantes e católicos juntos aos grupos populares. Nesta época o Estado se
associou com a Igreja Católica, e uma nova força foi dada às campanhas de
alfabetização de adultos. No entanto, em 1964, com o golpe militar, foram
interrompidos todos os movimentos de alfabetização que se vinculavam à idéia de
fortalecimento de uma cultura popular. O Movimento de Educação de Bases
(MEB) sobreviveu por estar ligado ao MEC e à igreja Católica. Todavia, devido às
pressões e à escassez de recursos financeiros, grande parte do sistema encerrou
suas atividades em 1966.
Na década de 70, ainda sob a ditadura militar, deu -se início ao Movimento
Brasileiro de Alfabetização – o MOBRAL, que tinha com objetivo acabar com o
analfabetismo em apenas dez anos. No Mobral propunha a alfabetizar os alunos,
a partir do uso de palavras -chave, nesta mesma década, o Censo divulgado pelo
IBGE registrou 25,5% de pessoas analfabetas na população de 15 anos ou mais.
Diante disso o programa passou por diversas transformações nos seus objetivos,
ampliando sua área de atuação para campos como a educação comunitária e a
educação de crianças.
Logo após o Mobral entrou o ensino s upletivo, implantado em 1971, foi um marco
importante na história da educação de jovens e adultos do Brasil.
Durante o período militar, a educação de adultos adquiriu pela
primeira vez na sua história um estatuto legal, sendo organizado
em capítulo exclusivo da Lei nº 5.692/71, intitulado ensino
supletivo. O artigo 24 desta legislação estabelecia como função do
supletivo suprir a escolarização regular para adolescentes e
adultos que não a tenham conseguido ou concluído na idade
própria. (VIEIRA, 2004, p.40, apud, SOUZA et al., 2007).
Mediante esta legalização, o ensino supletivo foi criado em todo o País, com
sonho de ser um modelo de uma educação do futuro para poder atender as
necessidades da sociedade em crescimento e modernização, ou seja, dar
escolarização a um grande número de pessoas que não conseguiram estudar na
idade certa e também para satisfazer um mercado de trabalho competitivo que
exige cada vez mais da população.
Nesta época o sistema não exigia a freqüência obrigatória e sua avaliação era
feita de duas maneiras, uma interna e a outra pelos sistemas educacionais. Com
toda esta metodologia o programa gerou alguns problemas, como o fato de não
exigir a presença do aluno, o número de evasão aumentou muito, não existia a
socialização dos alunos que eram atendidos individualmente, o interesse maior
era ter uma formação rápida para poder ingressar no mercado de trabalho, com
isto o aluno não se preocupava com sua aprendizagem.
Segundo Haddad (1991, apud, SOUZA et al. 2007), os Centros de Estudos
Supletivos não atingiram seus objetivos verdadeiros, pois, não receberam o apoio
político nem os recursos financeiros suficientes para sua plena realização. Além
disso, seus objetivos estavam voltados para os interesses das empresas privadas
de educação.
A sociedade brasileira passou por grandes transformações no início da década de
80, na política, com o fim dos governos militares e a volta da democratização. O
fim do MOBRAL foi em 1985 e passou a ser substituído pela Fundação EDUCAR.
A nova Constituição de 1988 trouxe importantes avanços para a EJA: o ensino
fundamental, obrigatório e gratuito, passou a ser garantia constitucional também
para aqueles que não tiveram oportunidade de estudar na idade apropriada.
No início dos anos 90, no recinto das políticas edu cacionais, não muito favoráveis,
porque com o fim da Fundação Educar, criou -se um enorme vazio em termos de
políticas no setor, perdendo espaço nas ações governamentais. Alguns estados e
municípios começaram a oferecer programas na área.
Em janeiro de 2003, o MEC anunciou que a alfabetização de jovens e adultos
seria uma prioridade do Governo Federal. Para isso, foi criada a Secretaria
Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, com a meta de acabar com o
analfabetismo durante o mandato de quatro anos do governo Lula. Para tentar
cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de
ensino superior e organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de
alfabetização. Com o direcionamento para Alfabetização de jovens e adultos e
formação de alfabetizadores. Sendo que, tudo isto ainda está em andamento, por
isso não é possível, saber se os seus objetivos foram alcançados.
A Educação de Jovens e A dultos deve ser tratada juntamente com outras políticas
públicas e não isoladamente. Segundo Vieira (2004, p.85 – 86, apud, SOUZA et
al, 2007):
Mesmo reconhecendo a disposição do governo em estabelecer
uma
política
ampla
para
EJA,
especialista
apontam
desarticulação entre as ações de alfabetização e de
a
EJA,
questionando o tempo destinado à alfabetização e à questão da
formação do educador. A prioridade concedida ao programa
recoloca a educação de jovens e adultos no debate da agenda das
políticas públicas, reafirmando, portanto, o direito constitucional ao
ensino fundamental, independente da idade. Todavia, o direito à
educação não se reduz à alfabetização. A experiência acumulada
pela história da EJA nos permite reafirmar que intervenções breves
e pontuais não garantem um domínio suficiente da leitura e da
escrita. Além da necessária continuidade no ensino básico, é
preciso articular as políticas de EJA a outras políticas. Afinal, o
mito de que a alfabetização por si só promove o desenvolvimento
social e pessoal há muito foi desfeito. Isolado, o processo de
alfabetização não gera emprego, renda e saúde.
De modo que se torna notório a necessidade da realização de maiores
investimentos nesta modalidade de ensino, estes por sua vez devem ser da ordem
de projetos voltados para a contextualização do ensino e a realidade do aluno,
mais acima de tudo com a devida formação do profissional que irá atuar na EJA.
2 A FO R M AÇ ÃO D O PR O FESSO R D E LÍN G U A PO R TU GU ESA
PAR A ATU AR EM TU R M AS D A EDU C AÇ ÃO JO VENS AD U LTO S:
U M A PR O PO STA PAR A AU TO -C O N SC IÊNC IA
As instituições de ensino, públicas e particulares, têm se preocupado muito com a
formação de seu corpo docente, pois se sabe que a qualidade do ensino depende
muito da relação professor-aluno.
Segundo Paiva (apud, SOUZA et al., 2007) conceitua a educação de jovens e
adultos
como
“(...)
toda
educação
destinada
àqueles
que
não
tiveram
oportunidades educacionais em idade própria ou que a tiveram de forma
insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se e obter os conhecimentos básic os
necessários”. Neste sentido, o professor deve ter uma preparação adequada para
que possa chegar às turmas da EJA e não se surpreenda com as dificuldades e
anseios dessas pessoas que certamente irão aparecer, por ser uma clientela tão
especial. É preciso que o professor abrace toda oportunidade de formação que lhe
aparecer em sua vida profissional, sendo assim o mesmo poderá ter bons
resultados e ficará cada vez mais distante a evasão de suas turmas que é o um
dos grandes problemas enfrentados nas turmas da EJA hoje.
No início as turmas da EJA recebiam professores sem capacitação, muitos desses
professores só tinham experiência em educação infantil e no ensino fundamental.
Felizmente, com apoio dos estudos de Paulo Freire muitas contribuições e
melhorias puderam ser realizadas no atendimento a essa clientela tão especial.
Lembramos que não só o referido autor possibilitou a EJA contribuições
importantes, outras pessoas também têm feito um trabalho muito significativo. Mas
fala-se em Paulo Freire pela eficác ia da sua proposta, que também vislumbrava a
valorização do conhecimento prévio do aluno.
O método Paulo Freire propôs uma grande mudança no paradigma teórico pedagógico sobre a EJA. Durante muitos séculos, se utilizava o método silábico,
ou seja, conhecem as sílabas, depois junta às mesmas para formar as palavras,
por isso as escolas só recebiam cartilhas com as sílabas, os alunos começavam
juntar as palavras liam e depois partiam para as pequenas frases soltas que na
maioria das vezes os alunos apenas me morizavam e repetiam como se já
soubesse ler, com isto não era desenvolvido o pensamento crítico, o professor não
se importava se o aluno estava entendendo o que estava escrito, porque o
importante era dominar o código (SOUZA et al., 2007).
Para não continuar com este método o educador e educando devem interagir,
como também criar novos métodos de aprendizagem, no qual o educador trabalhe
os seus conteúdos a ser ensinado, procurando ter um cuidado maior com a nossa
língua escrita vendo se realmente se seus alunos estão aprendendo, sempre
partindo de temas e palavras geradoras e o mais importante ligando às suas
experiências de vida.
Nessa nova concepção de alfabetização, a língua escrita vem acompanhada por
um processo de construção do conhecimento, que se dá por meio de diálogos de
interação entre educador e educando. A proposta de Paulo Freire baseia -se na
realidade do educando, levando em conta suas experiências, suas opiniões e sua
história de vida. Esses dados devem ser organizados pelo educador, a fim de que
as informações fornecidas por ele, o conteúdo preparado para as aulas, a
metodologia e o material utilizado sejam compatíveis e adequados às realidades
presentes. Educador e educando devem caminhar juntos, interagindo durante todo
o processo de alfa betização. É importante que o adulto que está sendo
alfabetizado compreenda o que está sendo ensinado e que saiba aplicar em sua
vida o conteúdo aprendido na escola.
Segundo (Freire, 2002, p. 58) a relação professor-aluno deve ser:
Um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos
demanda, entre educadores e educandos, uma relação de
autêntico diálogo. Aquela em que os sujeitos do ato de conhecer
(educador - educando; educando - educador) se encontram
midiatizados pelo objeto a ser conhecido. Nesta perspectiva,
portanto, os alfabetizados assumem, desde o começo mesmo da
ação, o papel de sujeitos criadores. Aprender a ler e escrever já
não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir
criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o
profundo significado da linguagem.
Neste sentido, tomando as considerações feitas por Souza et al. (2006) sobre
"método” Paulo Freire tem como objetivo alfabetizar visando à libertação social do
indivíduo. Essa libertação não se dá some nte no campo cognitivo, mas deve
acontecer, essencialmente, nos campos sócio -cultural e político, pois o ato de
conhecer não é apenas cognitivo, mas político, e se realiza no seio da cultura.
O educador precisa ter uma relação verdadeira com seu aluno, par a que se
conheçam um ao outro, daí em diante o educador assume uma posição de ser um
sujeito criador, importante também que cada professor liste suas situações dentro
da sala de aula e que fique para trás aquele método de palavras, frases soltas
sem o domínio do que esta se lendo e passe a ser um sujeito pensante, crítico
sobre a sua própria leitura.
Diante de todas essas questões, atualmente há muitas discussões sobre a
formação dos professores de jovens, pois o educador deve ter consciência de sua
força no desenvolvimento do educando. Segundo Arbache:
A
educação
de
jovens
e
adultos
requer
do
educador
conhecimentos específicos no que diz respeito ao conteúdo,
metodologia, avaliação, atendimento, entre outros, para trabalhar
com essa clientela heterogênea e tão diversificada culturalmente
(apud, SO UZA et al, 2007, p.19).
O professor que vai lecionar nessas turmas deve estar preparado para o que vai
enfrentar, deve compreender a necessidade e respeitar a pluralidade cultural,
questões de diferentes realidade s existentes na sala de aula, como também saber
lidar com a linguagem de seu alunado. Diante disso, a necessidade de um
educador, ficar mais informado, capacitado para que não haja uma repetição de
seu trabalho de anos anteriores, porque cada turma tem um perfil diferente. Sendo
importante também que o professor liste as situação ou atividades de acordo com
as necessidades de sua turma isto deve ser feito diariamente, semanalmente para
ter sucesso com a sua turma. No final de tudo, a educação de jovens e ad ultos
tem como objetivo dar oportunidade igual para todos.
A educação está dando um novo enfoque ao ensino de jovens e adultos.
É necessário superar a idéia de que a EJA se esgota na
alfabetização, desligada da escolarização básica de qualidade. É
também necessário superar a descontinuidade das ações
institucionais e o surgimento de medidas isoladas e pontuais,
fragmentando e impedindo a compreensão da problemática. É
preciso desafiar o encaminhamento de possíveis resoluções que
levem à simplificação do fenômeno do analfabetismo e do processo
de alfabetização, reduzindo o problema a uma mera exposição de
números e indicadores descritivos. Visualizar a educação de jovens
e adultos levando em conta a especificidade e a diversidade cultural
dos sujeitos que a ela recorrem torna -se, pois, um caminho
renovado e transformador nessa área educacional ( ibid).
O ensino da EJA hoje não está apenas se restringido à ações que levem ao ler e
ao escrever vai muito mais além da alfabetização, no qual o educador terá que
tomar consciência dessas mudanças e procurar superar as expectativas dos seus
alunos. Se o professor não procurar melhorar suas aulas para atender essa
diversidade, o mesmo irá contribuir para a desmotivação da sua turma, e o ensino
realizado pode ficar restrito apenas a ensinar a ler e escrever, de uma maneira
bem mecânica. Também é de responsabilidade do governo realizar e consolidar
sua parte, motivando os educadores a participarem de cursos para que possa se
consolidar uma educação de qualidade e compl eta aos alunos da EJA.
Diante disso, é importante que o educador esteja consciente de que trabalhar com
EJA não é apenas diminuir o índice de analfabetos, mas preocupar -se com a
preparação desses alunos para o futuro, para o mercado de trabalho e para o
exercício da cidadania plena.
Destarte, observa-se que muitos projetos começam e na primeira dificuldade são
deixados para trás. Por isso todos os anos milhares de jovens e adultos só
aprendem a ler e a escrever textos básicos como seu nome, textos curtos, placas
nas ruas, letreiros de ônibus e rótulos. Esta é uma boa notícia, entretanto as
apesar de saberem ler, este nível de leitura ainda é insuficiente, pois infelizmente
a maior parte dessas pessoas não chega a ver na leitura algo que possa mudar a
sua vida.
Toda ação do ler fica restrita apenas leitura dos livros didáticos não sendo
possibilitado ao aluno o acesso a outros veículos textuais utilizados comumente
pela sociedade.
O docente deve ocupar-se de fato com a cultura do educando,
com sua preparação para o mercado de trabalho, e sua inserção ativa nesta
sociedade, esta, como previsto nas diretrizes curriculares da EJA, a sua função
deve ser a de buscar a qualificação do ensino. Segundo Pinto (p.113 apud,
SOUZA et al.2007).
Neste segundo sentido compete ao professor, além de incrementar
seus conhecimentos e atualizá-los, esforçar-se por praticar os
métodos mais adequados em seu ensino, proceder a uma análise
de sua própria realidade pessoal como educador, examinar com
autoconsciência crítica sua conduta e seu desempenho, com a
intenção de ver se está cumprindo aquilo que sua consciência
crítica da realidade nacional lhe assinala como sua correta
atividade.
Seja a tentativa do professor em afastar-se das situações tradicionais de ensino,
acham voltados a elas. Mas isso não justifica que o professor deve se acomodar
em não procurar suas melhoras para sua sala de aula, a maioria se justifica em
faltas de materiais didáticos, um número grande de alunos em uma turma, livros
que não batem com a realidade dos alunos.
Quanto à formação de alfabetizadores compreende a formação inicial e a
formação continuada, que na maioria das vezes fica em segundo plano tanto pelo
governo como também pelo os próprios educadores. Para Souza ( et al., 2007) um
dos maiores problemas na formação docente é a auto -suficiência, julgar que
sabem tudo é o grande erro dos docentes, muitos acham que não é preciso
estudar mais, por terem te rminado a graduação, se acham preparados para
enfrentar qualquer problema que surgir em s ua turma, e não levam em conta a
necessidade da busca por aperfeiçoamento, estacionando no caminho de sua
formação profissional.
Guidelli
(1996)
defende
que
julgar-se
sabedor
de
tudo,
ainda
que
inconscientemente, é considerar que seu papel na educação na da mais exige
deles, é uma noção que paralisa a consciência do educador e o torna incapaz de
progredir, que não significa apenas adquirir novos conhecimentos, e sim abrir a
própria consciência para as inovações que surgem diariamente e repensar a
própria m etodologia de ensino como também tentar mudar a sua didática dentro
da sua sala de aula, o mesmo vai se sentir realizado com sua função cumprida.
Ainda segundo o mesmo autor:
Conhecer a prática docente do professor que atua no campo
específico da educaçã o de jovens e adultos torna-se necessário
também à compreensão específica deste tipo de ensino quanto à
possibilidade de intervenções que objetivem uma educação de
qualidade do acesso, permanência e aquisição de conhecimentos
básicos à vida e ao trabalho.
Para Perrenoud(2001) o professor que realmente pretende progredir, deve estar
sempre atualizado, deve procurar debater com seus colegas a sua didática com o
objetivo de mudanças para sua sala, no entanto, jamais deve cometer o erro de
repetir o que deu e m anos anteriores (mesma metodologia), pois, ao cometer esse
erro, que muitos acham que é uma besteira, isto poderá provocará muitas
desistências e prejuízos que são difíceis de recuperar, pois o professor deve
sempre lembrar que sua clientela muda a cada ano, devendo o professor dar
espaços para mudanças, o mesmo estará contribuindo para que o aluno tenha
mais oportunidades no seu dia -a-dia.
Outra questão importante que o professor precisa estar ciente é que, os alunos da
EJA procuram ansiosos, recuperar o seu tempo perdido, para acelerar esse
processo. O educador deve perceber que este aluno é um ser pensante, cheio de
conhecimento de vida, e este por sua vez, deve ser explorado da melhor maneira,
para se conquistar tudo isso é necessário que o docente ga nhe a confiança do
aluno, de modo que o mesmo se sinta seguro para expressar seus conhecimentos
e possam crescer dentro da comunidade escolar, do seio familiar e na sociedade.
Para alcançar esse sucesso nas turmas da EJA é preciso que o professor faça
parte do saber do aluno, porque quando este perceber que está sendo valorizado,
tido como um ser ativo isto contribuirá para sua aprendizagem e a permanência na
escola. A responsabilidade é tão superior nessa concepção que o aluno
compreende que está mudando sua sociedade, sua realidade e a essência de seu
país pelo fato de estar mudando a si mesmo e que a educação que recebe não é
favor ou caridade e sim um direito instituído conforme parecer 11/2000 que trata
das Diretrizes curriculares para Educação de Jove ns e Adultos.
Neste sentido, é importante e necessário que o alfabetizador, antes de começar o
seu
estudo se familiarize com
o grupo com o
qual irá
trabalhar. Esse
conhecimento prévio pode ser pelo cadastro dos alunos e pelo diagnóstico inicial
que deve servir de base para o planejamento das atividades. Com isto torna o
processo de alfabetização participativo e democrático.
2.1 O ENSINO DA LÍN GUA PO RTUGUESA NAS TURMAS DA EJA
Vivemos em uma sociedade letrada, na qual aqueles que não se enquadram no
m undo da leitura e da escrita ficam marginalizados nas relações sociais. Os
jovens e adultos que não tiveram oportunidades de ir à escola na idade certa,
portanto não tiveram o prazer de conhecer o mundo mágico da leitura ficando
limitados na leitura do seu cotidiano, no qual sempre precisam da ajuda de outras
pessoas para ler uma carta, conhecer o preço de mercadoria, saber para que
serve alguns produtos entre outra coisas que vão precisando no dia a dia , onde
um grande número procuram voltar as escolas.
Ainda
hoje
as escolas vêm
ensinando
a
língua
portuguesa
de
maneira
descontextualiza, através da repetição das sílabas, começam com palavras soltas,
depois entra as frases e por último pequenos textos, de forma bem mecânica sem
se preocupar com a incorporaçã o dos assuntos ou até mesmo com a realidade
dos alunos, no qual o professor deveria aproveitar o conhecimento que cada aluno
trás de sua longa jornada da vida, mas o professor faz é o co ntrario, em sua
maioria os conteúdos abordados pelos os professores qu e atuam nas turmas da
EJA são isolados, no qual os objetivos previstos não são alcançados, onde os
fantasmas começam aparecer muitos passam a acreditar que não vão conseguir,
ai vem à desistência de muitos que passam a ver que a língua portuguesa como
algo muito difícil e que nunca vão aprender.
Destacando o trabalho de Ferreiro (1983, p.31), “ na aprendizagem da leitura e da
escrita reforçam -se os argumentos críticos às cartilhas de alfabetização que
contêm palavras e frases isoladas, fora de contextos sig nificativos que auxiliem
sua compreensão”.
Pode-se perceber a importância da língua na vida do aluno, o professor deve levar
conhecimentos do seu interesse para que possa ajudá -los a sobreviver neste
mundo letrado e internalizado para que também possam atingir a esperada
autonomia e a compreensão da nossa língua.
Antunes pontua que:
O professor de português precisa conquistar sua autonomia didática,
assumir-se como especialista da área, comprometer-se com a causa da
educação lingüista dos alunos. Não pode ficar, repito, à devida, ao saber
das opiniões de todo o mundo, como se não tivesse condições e
estabelecer seus rumos. (2005, p.170)
Portanto, não diferente do que pontua Perrenoud (2001), An tunes também
defende que o professor de português tem que ter sempre o estudo permanente
no seu cotidiano, procurando também está sempre informado para resolver as
particularidades de cada situação que lhe aparecerá. Dessa forma, o professor
deixa de ser um mero repetidor de conteúdos, sempre procurando mudar a cada
ano, em qualquer lugar ou situação que encontra na sua carreira profissional.
Sendo assim, o professor de língua portuguesa tem que antes de tudo traçar seus
objetivos, sempre procurar ler para melhorar o seu desenvolvimento dentro da
sala de aula e também para poder melhor atender os seus alunos.
3 EJA: U M A PO SSIBILID AD E D E M U D AN Ç A D E VID A
Vivemos num País muito desigual. Enquanto uns têm casas confortáveis, muitos
moram em péssimas condições. Se uma minoria ganha muito bem, outros
recebem apenas salários mínimos e uma boa parte não tem nem o salário mínimo,
vivem de ajuda que o governo oferece como: bolsa escola, vale gás, e para ajudar
ainda mais existem programas para as crianças estarem em horário oposto a sua
escola, alguns freqüe ntam boas escolas, outros enfrentam muitas dificuldades
para estudar, a cada ano que passa a população vem lutando para garantir o
acesso à moradia, ao trabalho, à saúde, à educação e a justiça para que
possamos ter um País mais justo.
O contexto mundial das tecnologias vem exigindo cada vez mais, a qualidade da
mão-de-obra. Não é de hoje que vemos a ocorrência do êxodo rural, como fuga
para as dificuldades que são encontradas no campo, este fato, n o entanto, tem
gerado a superpopulação das regiões urbanas , de forma que ocorreu o aumento
das atividades comercias e industriais, e porque não dizer, das desigualdades
sociais.
Diante dessa realidade e dessas transformações o analfabetismo começou
aparecer como um problema, antes o fato de não saber ler e escre ver, não
impedia o homem de realizar seus trabalhos no setor da agricultura, as pessoas
passaram a sentir a necessidade de buscar a escolarização, para assim,
conseguir um emprego e melhorar sua qualidade de vida, como também,
minimizar a diferença existen te entre as pessoas do seu novo meio social.
Com tantos avanços, o mercado de trabalho vem exigindo mais conhecimento e
habilidades das pessoas, assim, as mesmas a buscarem um grau de escolaridade
maior, por esse motivo, muitos jovens e adultos estão voltando às escolas, com o
objetivo de conseguir um diploma como também aprender a ler e a escrever, na
esperança que terem suas chances aumentadas no mercado de trabalho, que é
tão competitivo, sendo que, muitos alunos tomam consciência da importância da
educação e ainda contribuem e incentivam seus filhos permanecerem na escola.
Por outro lado, a educação tem contribuído para o crescimento social, porque à
medida que as pessoas vão ficando mais escolarizadas, o seu nível de vida, como
também as condições de higiene, alimentação, à saúde, à segurança e a
satisfação pessoal, tendem a aumentar. Sendo assim, a educação é o caminho
para o desenvolvimento de cada indivíduo.
Segundo Souza et al. (2006) a educação é o instrumento que vai permitir às
pessoas buscarem uma melhoria de vida, como também possibilitar e capacitar as
pessoas para competir com outras no mercado de trabalho, ao mesmo tempo o
indivíduo vai conhecendo seus direitos e deveres com a sociedade. A educação
de adultos é uma necessidade tanto na comunidade como nos locais de trabalho.
À medida que a sociedade se desenvolve novas possibilidades de crescimento
profissional surgem. De acordo com Pinto (apud, SOUZA et al. 2006,p.37)
Para que aumentem as possibilidades individuais de edu cação, e
para que se tornem universais, é necessário que mude o ponto de
vista dominante sobre o valor do homem na sociedade, o que só
ocorrerá pela mudança de valoração atribuída ao trabalho. Q uando
o trabalho manual deixar de ser um estigma e se converte r em
simples
diferenciação
do
trabalho
social geral,
a
educação
institucionalizada perderá o caráter de privilégio e será um direito
concretamente igual para todos.
É muito comum, ainda hoje ouvir um aluno da EJA dizer: “ professora, macaco
velho não aprende a falar, já estamos muito velhos para aprender mais do que
escrever o próprio nome da gente”, mais o educador tem que mostrar a esses
alunos e fazer perceber que eles são capazes e tem muitas coisas para passar,
com a sua vivência e o seu conhecimento de vida , ler história de pessoa que
acreditaram e conseguiram ter uma formatura mesmo depois de ter começado
seus estudos tão tarde,o educador que trabalha com essa clientela tem que ter
essa auto-estima bastante elevada para poder sair com sucesso dian te dessas
situações. Para isso é necessário que o educador passe um ensino de qualidade
para que eles acreditem que vão ter várias oportunidades e que certamente novas
janelas serão abertas em suas vidas. Klingl (apud, SOUZA et al. 2006) divulgou no
Correio Brasiliense a história do professor de Letras Manoel Celso Lopes, 47
anos, que se iniciou recentemente no magistério da EJA.
O professor Lopes, que até os 18 anos era incapaz de ler e
escrever qualquer coisa nascera no interior de Santa Catarina e
passou a infância e a adolescência trabalhando na lavoura
juntamente com seus pais. Sua família é, ainda hoje, quase toda
analfabeta. O pai morreu há dois anos sem nunca ter aprendido a
ler. A mãe e cinco irmãos também são analfabetos. Apenas duas
irmãs sabem ler e escrever. Aos 18 anos, o jovem Manoel Lopes, à
procura de novas oportunidades, foi morar em Florianópolis, capital
de seu Estado. Trabalhando como servente de pedreiro, começou a
cursar, à noite, o ensino fundamental. [1° segmento] da 1ª à 4ª
série, fez um curso integrado. Da 5ª à 8ª série, o supletivo [2°
segmento]. O ensino médio [3° segmento] foi cursado regularmente.
Ele estudava com a intenção de garantir seu sustento na capital.
Manoel Lopes formou-se em Letras, fez dois cursos de pós graduação e foi aluno ouvinte no mestrado de Engenharia de
Produção. O depoimento desse jovem professor mostra o papel
relevante da EJA: “Aprendi mais do que ler e escrever descobri que
isso faz parte da dignidade humana e que ajuda a dar longevidade
ao cérebro e à vida”.
Esse exemplo mostra que a educação é um instrumento que permite mudança na
vida de todas as pessoas, independentemente da idade ou classe social. Estudar
pode não resolver todos os problemas sociais, nem acabar com a injustiça social,
mas é o meio pelo qual a pessoa pode reescrever sua própria história.
Outra história que deve ser contada várias vezes pelos os educadores é a de
Francisca, uma mulher de 33 anos. Há quinze anos, ela saiu de uma pequena
cidade do interior do Piauí e foi para São Paul o, onde passou a morar com seu
irmão, também vindo de lá. Algumas semanas de procura, e Francisca conseguiu
um emprego: foi trabalhar como babá na casa de uma família de classe média no
centro de São Paulo. Ela passava a semana no trabalho e, aos domingos, ia para
casa de seu irmão ou de uma tia. Algum tempo depois, Francisca conheceu
W illiam, que trabalhava no mesmo prédio que ela. Namoraram, ela engravidou e
eles decidiram se casar. Desde que teve o filho, Francisca não mais conseguiu
emprego. Depois de m uito conversar com o marido, ela decidiu voltar para a
escola, para concluir o ensino fundamental que havia parado na terceira série
primária, lá no
Piauí. O
tempo
na
escola trouxe
para Francisca outras
experiências: pela primeira vez ela foi ao teatro, te ve que acompanhar alguns
acontecimentos do Brasil e do mundo pelos jornais e estabelecer novas amizades.
Fazia trabalhos em grupo em sua casa ou na de seus colegas e iam juntos ao
cinema assistir aos filmes indicados pelos professores. Hoje, é comum que, n os
finais de semana, Francisca se encontre com seus amigos: comemoram
aniversários, despedidas e a finalização de mais um semestre/série, entre outras
coisas (BRASIL, 2006).
São muitos exemplos diferente que os educadores podem mostrar para a sua
turma de jovens que conseguiram se forma e trabalhar com sua formatura de
pessoas que tinham a vida parada sem objetivo nenhum e passarem a ter uma
vida movimentada cheia de alegria e surpresa que vão aparecendo no seu dia -adia, em outras palavras acordando para viver melhor neste mundo que é feita de
tanta injustiça, mais que tem muito para crescer.
Temos ressaltado várias vezes o caráter ideológico da educação. Aqui desejamos
apenas deixar explícito que esse caráter, sendo dado pela consciência social, traz
a marca de sua origem, isto é, em termos concretos, refere -se à consciência de
alguém. É um dos modos do pensar social, porém se expressa pela consciência
dos indivíduos que se ocupam desta questão, que são indivíduos vivos, dotados
de condições materiais e intelectuais, com interesses confessados e implícitos,
com desejos e intenções, etc. (Pinto, 2002, p. 50).
Não podemos nos esquecer das inúmeras outras histórias de vida que não são
mostradas nos jornais, mas que mudaram para melhor, g raças a EJA. Embora
haja, ainda, muito preconceito em relação à EJA é inegável o benefício que essa
modalidade de ensino tem prestado às pessoas que não puderam estudar na
época apropriada.
C O N SID ER AÇ Õ ES FIN A IS
Ao longo dos anos, o avanço da tecnologia e da economia tem feito com que as
pessoas sintam necessidade de retornar à sala de aula para aprimorar seus
conhecimentos ou conseguir um diploma atestando uma escolarização mais
elevada.
Diante do exposto foi possível rever alguns aspectos da educação de jovens e
adultos, tais como o histórico da EJA e sua evolução, a formação do professor e
suas práticas de ensino na EJA, além de constatar que a EJA é uma educação
possível. Apesar de tratar-se de uma classe especial, faz -se necessário que a EJA
receba professores preparados para lecionar nessas turmas.
Esta preparação dos docentes poderá facilitar o trabalho e melhorar a sua
prática na sala de aula. Acredita -se que toda essa preparação, trará mais
confiança para as pessoas que sente e tem a necessidades de voltar à escola
para adquirir um certificado, bem como conseguir um grau de escolaridade mais
elevada, sendo que alguns não retornam aos estudos por vontade própria, mas
por exigência do mercado de trabalho e pela busca de melhores condiçõ es de
vida e também melhorar seus conhecimentos.
O professor é um suporte na sala de aula e muitos têm seu professor como o
espelho. Enfim, pode -se compreender que o professor que atua com jovens e
adultos deve ter uma competência específica para lidar co m esses alunos, tal
medida favorecerá o processo de aprendizagem possibilitando ao professor
influenciar
nas
disponibilidades
de
aprendizagem
dos
alunos
e,
conseqüentemente, poderá diminuirá a evasão escolar. Percebemos também
que
a
EJA
é
indiscutivelmente
uma
educação
possível.
Ou
melhor,
imprescindível. E que o fato do atraso para o ingresso na educação formal não é
motivo para o não ingresso mesmo tardiamente, uma vez que a educação é um
processo continuado.
É
importante
ressaltar
que
todos
podem
ajud ar
e
contribuir
para
o
desenvolvimento da EJA, principalmente, os detentores do poder - governantes
- que devem proporcionar projetos específicos para esta modalidade de ensino.
Também a escola deve fazer projetos adequados para esses alunos e não
utilizar o que já estão prontos ou pegar projetos que são utilizados com crianças
de faixa etária diferente, os professores devem atualizar -se para ampliar e
melhorar seus conhecimentos como também mudar seus métodos. A sociedade
também tem muito que contribuir co m a EJA, não discriminando, pelo contrário,
devem procurar incentivar a procura por esta modalidade de ensino.
No tocante ao ensino da Língua Portuguesa, é importante que o docente esteja
preparado para valorizar e trabalhar nossa Língua potencializando, sabendo que
é indispensável que os mesmos trabalhem os conteúdos abordando os aspectos
do cotidiano do docente e as experiências vivenciadas pelos mesmos, pois eles
não chegam à escola sem saber de nada possuem conhecimentos anteriores e
muito importantes para o melhoramento da aula.
Como dizia Paulo Freire (2005) “Ai de nós, educadores, se deixarm os de sonhar
sonhos possíveis. Os profetas são aqueles que se molham de tal forma nas águas
da cultura e da sua história, da cultura e da história de seu povo, q ue conhecem o
seu aqui e o seu agora e por isso, podem prever o amanhã que eles, mais do que
adivinham, realizam”.
Diante de todas essas mudanças de não haver continuidade nos programas aos
longos desses anos, a educação de jovens e adultos esta sempre co rrendo atrás
dando acesso a todos que querem estudar independentemente da idade que o
individuo tenha. Aqui fica claro o quanto a EJA tem traçado um longo caminho
para chegar até os dias de hoje, muitas tentativas foram feitas, mais ainda há
muita coisa para ser feita em prol da educação o que não pode acontecer é a
acomodação com todos esses avanços já conquistados, pois, a educação é direito
de todos.
R EFER ÊN C IA S
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Acesso em: 10 de Junho de 2008.
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