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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Joana d’Arc Araújo Silva
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
Ouro Preto – MG
Abril - 2012
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
Joana d’Arc Araújo Silva
Ouro Preto – MG
Abril - 2012
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
Trabalho final do curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero
apresentado a banca examinadora da Universidade Aberta do Brasil, Programa de Educação
para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para
obtenção do titulo de Especialista.
Joana d’Arc Araújo Silva
Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira
Ouro Preto – MG
Abril - 2012
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Joana d’Arc Araújo Silva
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
Ouro Preto - 2012
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
___________________________
Joana d’Arc Araújo Silva
Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira
As opiniões expressas neste
trabalho são de exclusiva
responsabilidade do autor.
Ouro Preto – 2012
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO
Formação Continuada:
Um Percurso Importante
Para o Profissional da Educação
Trabalho final do curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero
apresentado a banca examinadora da Universidade Aberta do Brasil, Programa de Educação
para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para
obtenção do titulo de Especialista.
Joana d’Arc Araújo Silva
Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira
BANCA EXAMINADORA
____________________________________
Prof.
____________________________________
Prof.
Ouro Preto – MG
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DEDICATÓRIA
À minha mãe que com certeza é a pessoa que mais me incentiva a seguir em frente
para alcançar esta e outras realizações pessoais e profissionais.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pelo dom da vida, pela força e coragem concedidas para trilhar o
caminho; por tudo que tem feito por mim e pelas pessoas que eu amo e por mais que tente,
jamais conseguirei retribuir tantas bênçãos.
Agradeço ao meu esposo Geraldo Caetano de Souza que, pacientemente, permaneceu
ao meu lado, estimulando-me a ir mais além.
Agradeço às pessoas que me ajudaram neste percurso, e que não foram poucas, cuja
paciência, disposição, humildade, prontidão, ânimo, otimismo e discernimento contribuíram
para minha vitória nessa longa caminhada.
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RESUMO
Todos os profissionais precisam da formação continuada cuja necessidade se
fundamenta na condição de que o mundo está em constante evolução. Assunto que sempre é
uma questão determinante na qualidade da Educação oferecida pelos sistemas de ensino
porque educadores bem formados são profissionais melhores, possuem embasamento teórico
adequado. No entendimento da formação dos educadores, a análise se torna abrangente, sendo
de suma importância que eles possam ser orientados a conhecer e lidar com assuntos e temas
relacionados à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero melhorando sua
formação profissional. Os desafios são amplos competindo ao educador ter postura de
pesquisador para utilizar estes recursos no processo de sua formação, no seu desenvolvimento
profissional e na implementação de novos recursos metodológicos para fortalecer o processo
de ensino e aprendizagem dos educandos proporcionando a eles condições de adquirir
competências e habilidades para estar inserido na sociedade altamente competitiva. O foco do
trabalho é contribuir na reflexão para as futuras práticas de formação continuada de
professores, conceituando o termo, expondo como a legislação educacional favorece este
processo e reforçando a importância dela para a vida profissional. Estará sendo proposto um
estudo bibliográfico do assunto relacionado à formação continuada e a Gestão de Políticas
Públicas com foco em Raça e Gênero delineando-se o perfil do cidadão participativo.
Pretendendo-se relatar que conhecer e implementar a Gestão de Políticas Públicas com foco
em Raça e Gênero é pré-requisito básico para entender que na educação é preciso ter ousadia e
quebrar paradigmas inserindo o assunto nas grades curriculares de todas as modalidades de
ensino.
Palavras-chaves: Formação continuada, Políticas Públicas, Raça, Gênero e educadores.
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SUMÁRIO
1-
Introdução ....................................................................................................................... 11
1.1 - Objetivos ................................................................................................................... 13
1.2 - Justificativa ............................................................................................................... 14
1.3 - Formulação do Problema .......................................................................................... 15
1.4 - Metodologia de Coleta de Dados ............................................................................. 16
2-
Fundamentação Teórica ................................................................................................. 18
2.1 – A importância do educador no combate ao racismo nas escolas ............................. 18
2.2 - Formação continuada: um aprimoramento periódico ............................................... 24
2.3 - Características do educador do século XXI ............................................................. 29
2.4 - Planejamento para inovações da prática pedagógica ................................................ 31
2.5 – A Formação Continuada dos Profissionais da educação em Timóteo/MG ............
3-
35
Considerações Finais ...................................................................................................... 40
Referências Bibliográficas ................................................................................................ 43
11
01 – Introdução
Neste presente trabalho, pretendemos chamar a atenção para um assunto de suma
importância para a educação no Brasil, que é formação continuada dos educadores. Partimos
do pressuposto de que a formação continuada é um dos pilares da educação, pois a partir dela
os professores encontram-se em condições de desempenhar melhor as suas atividades no diaa-dia, além de preparem-se melhor para os percalços e as dificuldades a serem enfrentada no
âmbito escolar, no nosso caso, a diversidade social, de raça e gênero.
Após a promulgação da Constituição Federal Brasileira em 1988 regimentando uma
educação para todos, dever do Estado, percebe-se que um maior acesso à educação tem
significado, por conseguinte, uma maior diversidade de alunos na escola. Porém, conforme
apontado por Guijarro (2005: p. 07), as instituições de ensino tendem a ofertar respostas
únicas que não mais satisfazem as exigências da sociedade e as necessidades dos educandos,
com características de homogeneidade e não voltadas para a diversidade.
Desse modo,
podemos perceber o mesmo modelo homogeinizador de norte a sul do país, em detrimento
das especificidades locais e sociais dos educandos.
As transformações políticas, econômicas e sociais as quais o país sofreu ao longo das
últimas décadas (revolução industrial, início e fim da ditadura militar, surgimento do real,
aparecimento do real finalizando uma época de grandes juros, congelamento de preços,
eleição de uma presidenta do sexo feminino), obrigaram os sistemas de ensino a se adequarem
de forma a preparar a sociedade para o novo panorama que se apresentava de forma evolutiva
e constante. Mas todos os esforços empreendidos por movimentos sociais, instituições,
estabelecimentos de ensino e os atores envolvidos não têm conseguido alcançar com
satisfação os índices capazes de caracterizar uma educação de qualidade dentro dos padrões
exigidos por algumas organizações, como a UNESCO, cátedra da ONU para a educação, e
voltados, especialmente, para valorização do ser humano e para a minimização dos problemas
que são gerados pela discriminação e o preconceito racial.
A comunidade escolar é o segundo grupo ao qual o indivíduo passa a fazer parte, o
primeiro é a família. Nesse sentido, os especialistas em educação desempenham um papel
fundamental nesse aprendizado coletivo. Assim, a família, bem como a escola têm um
12
objetivo comum, que é o de preparar os jovens para o convívio social, transformando-os em
cidadãos autônomos e independentes.
Assim, a idéia de ensino na escola brasileira hoje propõe a reconstrução social na
medida em que professores e alunos aos poucos vão aliando-se com movimentos sociais, no
seio das forças sociais existentes para que os educadores assumam um compromisso na
elaboração das respostas às exigências da comunidade. Diante do momento histórico em que
vivemos, com muitas informações que rediscutem a função social da escola e oferecem
políticas públicas que valorizam o ser humano para alcançar direitos que são respaldados
pelos Direitos Humanos e a Constituição Federal, é sensível e importante fazer uma reflexão,
um questionamento, sobre o papel que cada um dos envolvidos tem a desempenhar nesse
processo. Dentre tantas inquietações vivenciadas atualmente no âmbito escolar, optamos por
trabalhar com a questão do preconceito na escola porque a diversidade cultural existente no
ambiente escolar é vasta e requer estudos e análises específicas, e para que educador e
educando possam interagir com a realidade se auto descobrindo e descobrindo coisas novas.
Frente a isso e fundamentado pelos módulos oferecidos pelo curso de especialização
em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero da Universidade de Ouro Preto
UFOP / MG, o trabalho pretende analisar e discutir a questão da diversidade na escola, bem
como a formação continuada de professores nessa temática.
Desse modo, a intenção será divulgar os resultados da pesquisa à equipe pedagógica
da Secretaria Municipal de Educação de Timóteo, no intuito de oferecer um panorama sobre a
importância da formação continuada para o desenvolvimento de suas atividades. Pois,
pensamos que oferecer uma formação continuada de qualidade contribui na valorização do
profissional enquanto professor e ser humano, o se refletirá de maneira positiva na relação
entre educando e educador. O município de Timóteo está situado na região Leste de Minas
Gerais. A cidade tem cerca de 81.000 habitantes e atende na sua rede municipal de ensino
8.000 alunos com 1232 funcionários de segmentos variados (Educação Infantil, Ensino
Fundamental Regular e EJA).
Nessa direção, conhecimento, informação e uma fundamentação adequada sobre os
benefícios da formação continuada torna-se necessário para promovermos uma reflexão e um
debate acerca do tema, buscando orientações teóricas que facilitarão a intervenção dos
profissionais de educação na discussão de temas e assuntos relacionados a discriminação
racial e diversidade.
Informações que foram adquiridas a partir do momento que se percebe que participar
de um curso de especialização contribui participar de um curso de especialização contribui
13
sobremaneira para o desenvolvimento profissional e pessoal, aperfeiçoando as habilidades e
competências adquiridas na graduação. O curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em
Raça e Gênero vem oferecendo oportunidades para o cursista ter novos e vários olhares tais
como mudança de paradigmas, conceitos e inovações com fundamentação que buscam
contribuir para o fortalecimento dos valores relacionados ao assunto norteando as
possibilidades de modificar e aprimorar práticas tradicionais. Os desafios a serem superados
são muitos: realizar leituras variadas, buscar textos pertinentes, escrever e reescrever. Todo o
processo que está sendo vivenciado no curso supera as expectativas iniciais porque é
dinâmico, encorajador e desafiador. Assim sendo, o projeto aqui elaborado possibilitará a
vários profissionais da educação obter informações necessárias para conhecer e saber
desenvolver práticas educativas que incorporem o assunto com seus educandos e na sua
convivência social porque estará conceituando, caracterizando e divulgando a amplitude da
gestão de políticas públicas com foco em raça e gênero, que já está sendo incorporada aos
currículos educacionais e propostas pedagógicas de ensino de todas as modalidades
educativas no intuito de proporcionar um ambiente escolar inclusivo.
Uma inovação metodológica acontece quando as informações estão sendo analisadas
e pesquisadas. O ensino e a aprendizagem acontecerão satisfatoriamente quando novas
alternativas forem utilizadas. Neste contexto, a gestão de políticas públicas com foco em raça
e gênero através de projetos é uma alternativa de inovação metodológica. Através dela o
profissional da educação estará ajudando a promover uma cultura de respeito à diversidade, o
que, por sua vez, será responsável por mudanças de comportamentos e quebra de paradigmas.
A proliferação desta cultura, mudança de comportamento e atitude, colocará o professor que
conhecer o projeto num patamar de competitividade e progresso através do estabelecimento de
metas e objetivos viáveis e de possível alcance. Ao desenvolver o trabalho com a gestão de
políticas públicas com foco em raça e gênero a escola estaria por sua vez cumprindo de fato o
papel de preparar o indivíduo para a cidadania, praticando a função social de educar,
despertando na comunidade escolar e nos estudantes, futuros cidadãos, a busca por novas
possibilidades e por inovação que contribuam para o ensino e a aprendizagem de qualidade e
ainda, na melhoria nas condições de vida de todos.
1.1 – Objetivos
1.1.1 - Objetivo Geral:
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Apresentar uma fundamentação teórica que possibilite aos profissionais da educação
compreender a necessidade da formação continuada, visando oferecer informações, discussões
e compreensão de assuntos e temas relacionados à superação da discriminação e preconceito
racial para melhora a qualidade do processo de ensino-aprendizagem oferecida aos educandos.
1.1.2 - Objetivos Específicos
- Incentivar os educadores a buscar constantemente a formação continuada para
inovar seus conhecimentos e as práticas pedagógicas.
- Apresentar subsídios que respaldem o uso das informações referentes à Gestão de
Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero como recurso metodológico para inovar o
processo de ensino-aprendizagem dos educandos.
1.2 – Justificativa
Vários documentos nacionais e internacionais dos quais o Brasil assina ou
subscreve tais como: a Constituição Federal em seus artigos 1º, 3°, 4º e 5º; a Política
Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica (Decreto n. 6755,
de 29 de janeiro de 2009); a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial do ano de
2003; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei 9.294, de 20 de
dezembro de 1996), em específico seu artigo 26-A, que determina a obrigatoriedade do
ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos da Educação Básica
(Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003); o Plano Nacional de Política para as Mulheres; o
Programa Brasil sem Homofobia; o Programa de Combate à Violência e à Discriminação
contra GLTTB e Promoção da Cidadania Homossexual, de março de 2004; dentre outros são
exemplos dos esforços empreendidos entre a sociedade civil e o Estado no sentido da criação
de uma sociedade mais equânime e de respeito à diversidade.
Nesse sentido, a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério
dentre outros, contribuem para o conhecimento e estudo destas leis e conquistas, pois formam
multiplicadores de novos conceitos relacionados à diversidade em prol de uma sociedade
menos preconceituosa e mais igualitária.
Valendo-se desta fundamentação o projeto aqui apresentado se justifica na medida
em que visa contribuir com os educadores na discussão e abordagem de temas relacionados à
15
diversidade, temática esta que cada dia mais se faz presente no ambiente escolar. O racismo
acontece a todo o momento através de apelidos pejorativos, exclusão e rejeição dos colegas do
trabalho em grupo e demais atividades propostas. Estas atitudes criam constrangimentos
variados no ambiente educacional provocando transtorno e sofrimento, e em alguns casos a
evasão escolar. Por outro lado, é possível perceber que já existe uma literatura específica que
aborda tais assuntos e orientam o educador para saber desenvolver projetos para discussões
que abordam assuntos relacionados à discriminação e preconceito racial. A escola é um espaço
em que os educandos precisam ter oportunidades iguais, com aulas diferenciadas e dinâmicas.
Ciente desse quadro sócio-cultural de preconceito e discriminação percebe-se a necessidade de
realizar com os alunos de anos de escolaridades diferentes do ensino fundamental um trabalho
diferenciado intitulado Projetos de Ensino Incentivam a Aprendizagem, com o objetivo de
oferecer aos educandos condições de discutir, buscar informações, entre outros, fazendo com
que reflitam sobre suas atitudes como possíveis mudanças de comportamento. Valorizando
todas as culturas e etnias, conscientizando de que os valores de cada um precisam e devem ser
respeitado.
1.3 – Formulação do Problema
Este trabalho pretende mostrar aos profissionais da educação que a formação
continuada é uma exigência atual e que através dela poderão adquirir informações para
compreenderem melhor o mundo em que vivem, no sentido de conhecer novas conceituações
acerca do próprio trabalho e da diversidade. Pois, o processo de ensino aprendizagem do
educador e educando ocorre, também, a partir novas alternativas vislumbradas e aprendidas.
Aqui, privilegiaremos as informações relacionadas a Gestão de Políticas Públicas com foco
em Raça e Gênero que podem ser favoráveis à vida do cidadão.
A hipótese levantada para este trabalho é de que de que a formação continuada de
educadores, especialmente, relacionada à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e
Gênero podem contribuir com a aprendizagem significativa do educador e educando para a
inovação de metodologias de ensino aprendizagem. A partir dos estudos dos módulos do
curso de especialização em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero foi
possível constatar que existem várias informações que podem auxiliar os educadores a
discutirem temáticas relativas À diversidade no ambiente escolar favorecendo, assim, a
aquisição de conhecimentos variados que possam fundamentar uma discussão e busca de
conquistas de direitos. Vale ressaltar, entretanto, que a postura do educador tem que ser
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reelaborada, pois não adianta nada abordar o assunto em sala de aula, sem atualização dos
conhecimentos e buscando constantemente a formação continuada.
1.4 – Metodologia da Coleta de Dados
O presente trabalho foi desenvolvido através da pesquisa bibliográfica, descrevendo e
analisando uma literatura específica referendada pelas disciplinas do curso de especialização
em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero, que justifique o uso do assunto
como recurso inovador para a prática de trabalho do educador. Para compreender melhor a
necessidade do educador em investir na formação continuada constantemente serão analisadas
informações que respaldem a continuidade de estudos e pesquisas.
Inicialmente selecionamos obras que discutem ou se aproximam do tema de
interesse, consultando-se arquivos de bibliotecas, índices ou catálogos bibliográficos,
periódicos e revistas especializadas, bancos de dissertações e teses, bem como a seleção das
contribuições culturais e científicas já existentes sobre o tema em questão.
Após esta etapa o material coletado foi analisado e interpretado permitindo, dessa
maneira, uma conclusão dos resultados obtidos, considerando as três etapas da leitura
analítica: textual, temática e interpretativa.
Na última etapa do trabalho, buscamos apresentar o tema e as contribuições
bibliográficas feitas por diversos autores especialistas na área, de modo a compreender e
mostrar a importância da formação continuada entre os profissionais da educação, em
especial, os professores da rede pública municipal de Timóteo. Cabe relembrar aqui, que a
rede municipal conta com oito mil alunos e 1232 funcionários das mais diversas
especificidades.
Assim sendo, pensamos que o trabalho que viemos desenvolvendo pode contribuir
sobremaneira na melhoria da educação, chamando a atenção para um tema novo ainda na
área, que é a formação continuada com foco em raça e gênero. Nessa perspectiva, a
contribuição que pretendemos dar não é de cunho conteudista, mas sim uma humanização das
relações sociais, pois, o intuito deste trabalho é mostrar que a partir do conhecimento e da
informação construiremos seres humanos conscientes de seus direitos e deveres, o que, por
vez, é parte integrante na quebra de preconceitos infundados e enraizados na nossa sociedade.
Portanto, compreender que os preconceitos e a forma como as pessoas se relacionam é
culturalmente construído, isto é, não é inerente ao ser humano é fundamental. Por isso,
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podemos desconstruir os preconceitos e os paradigmas que sustentam o desrespeito à
diversidade e criar novos que contemplem a todos, e não apenas uma minoria.
Sendo do agrado da equipe, o projeto poderá ser apresentado para os pedagogos e
gestores das escolas que decidirão como será a utilização do mesmo junto aos professores das
15 escolas municipais.
18
Capítulo II
Fundamentação Teórica
2.1 - A Importância do Educador no Combate ao Racismo nas Escolas.
O aperfeiçoamento do processo de reflexão sobre a construção de novos paradigmas
educacionais, as questões relativas ao currículo, grade, calendário escolar e suas estruturas, a
construção do conhecimento, os processos de aprendizagem e seus sujeitos ocuparam e
ocupam nos últimos anos o centro dos debates e atenção especial de estudiosos (as)
pesquisadores / as e movimentos sociais brasileiros. Há exemplo disto é possível verificar que
novas políticas públicas estão sendo pensadas e consolidadas. Várias propostas e estratégias
estão sendo concebidas à luz de novos estudos e reflexões. Paralelo a esta ação já é possível
convivermos com o avanço da escola brasileira no que se refere às possibilidades de acesso da
criança e jovens à instituição escolar. Aspectos que para serem consolidados devem vencer
desafios variados: discriminação, pré conceito, exclusão social, etc.
O afrodescendentes e as pessoas que estão fora dos padrões socialmente definidos
por uma minoria excludente, têm vivenciado um ambiente escolar inibidor e desfavorável ao
sucesso do seu desenvolvimento integral de suas potencialidades. Lançar um novo olhar de
contemporaneidade, para que se construam na escola posicionamentos mais democráticos,
garantindo o respeito às diferenças, é fator básico para a construção do sucesso escolar para os
educandos. Fundamentar a prática escolar diária direcionando-a para uma educação antiracista é um longo e árduo caminho que se tem a percorrer. Nesse caminhar é possível
identificar alguns pontos básicos que poderão fazer parte das reflexões e ações no cotidiano
escolar, no sentido de tratar pedagogicamente a diversidade racial, visualizando com
dignidade o povo negro e excluído de toda a sociedade brasileira. O assunto não pode ser
reduzido a estudos esporádicos, unidades didáticas isoladas ou a momentos espontâneos. Pois,
quando dedicamos apenas um período específico para tratar a questão ou direcioná-la para
uma disciplina ou área de estudo, corre-se o risco de considerá-la uma questão excêntrica a
ser estudada, sem relação com a realidade vivida e o contexto social.
Conforme argumenta Marise de Santana os currículos escolares teimam em reforçar
os
Valores de uma ciência que negou e silenciou nos currículos escolares
narrativas de grupos considerados minoritários como, por exemplo, o
19
africano e seus descendentes. Essa educação de exclusão levou os
afrobrasileiros a desconhecerem e negarem suas pertenças africanas.
(SANTANA; 2006, p 37.)
Portanto, é de suma importância que a questão racial e várias outras mobilizações
sociais sejam temas que devam ser explorados em todas as propostas de trabalho, projetos e
unidades de estudo ao longo do ano letivo.
Ao estudar a cultura afro-brasileira, atentar para visualizá-la com consciência e
dignidade. Neste contexto, é aconselhável enfatizar suas contribuições sociais, políticas,
intelectuais, econômicas, culturais, experiências, estratégias e valores. Generalizar a cultura
negra, estudando tão somente aspectos relativos a seus costumes, vestimenta, alimentação ou
rituais festivos sem contextualizá-la, é um procedimento que deve poupado para que não
cometamos erros de desvalorização.
Tratar as questões raciais no ambiente escolar de forma simplificada em algumas
áreas, ou em uma disciplina, etapa determinada, data ou dia escolhido, não é a melhor
estratégia para proporcionar aos educandos condições de se posicionarem frente a uma ação
reflexiva e crítica da realidade em que estão inseridos. Na contextualização das situações, os
educandos aprenderão novos e vastos conceitos, analisarão fatos e poderão se capacitar para
intervir na sua realidade para transformá-la. As atividades propostas nas diferentes áreas
podem sempre considerar alguns princípios que demandem uma determinada visão de mundo
valorizando o coletivo e não somente o individual, que assinalem na direção da
problematização de uma memória local, nacional e ao mesmo tempo ancestral. Os conteúdos
das variadas disciplinas poderão ser fortes aliados na efetivação de uma metodologia
inovadora. A aprendizagem de conceitos constitui elemento fundamental de aprendizagem das
ciências para que o indivíduo possa por meio e a partir deles interpretar e interagir com as
realidades que estão em seu entorno em vários âmbitos. Essa ação sobre as realidades a serem
interpretadas e transformadas encaminha o ser humano, sujeito de fato e transformador a rever
constantemente seus conceitos, adequando-se às novas circunstâncias que se são delineadas
no percurso que hora se apresenta.
Nessa perspectiva, o conhecimento científico junto com o fazer pedagógico pode
valorizar a fomentação de uma problematização das práticas sociais para sensibilização de um
olhar mais crítico diante da realidade, indicando para ações que redefinam prioridades e
utilizem a contribuição de todos os povos no desenvolvimento curricular.
A história do negro e de outros grupos sociais oprimidos e toda a trajetória de luta,
opressão e marginalização sofrida por eles, deverão constar como conteúdo escolar. Os
educandos compreenderão melhor os porquês das condições de vida dessas populações e a
20
correlação entre estas e o racismo presente na sociedade escrita e construída a partir de vários
cenários. As situações de desigualdades deverão ser ponto de reflexão e análise para todos e
não somente para o grupo discriminado, condição básica para o estabelecimento de relações
humanas fraternas, solidárias e coniventes.
A escola que deseja pautar sua prática escolar no reconhecimento, aceitação e
respeito à diversidade racial organiza estratégias para o fortalecimento da auto-estima e do
orgulho ao pertencimento racial dos educandos que freqüentam seus ambientes. É possível
perceber que o preconceito é construído, que não é inerente ao ser humano, e que em virtude
disso, o combate sistemático ao racismo de maneira a compreender como essas relações
humanas são construídas e que é possível criar novos “conceitos” sobre este assunto. Desse
modo, pensando o preconceito como algo construído torna-se possível desconstruí-lo e
atribuir novas perspectivas à realidade.
O estabelecimento de ensino deveria ter como meta promover o nível de reflexão de
seus educados, instrumentalizando-os (as) no sentido de fazer uma leitura crítica do material
didático, paradidático ou qualquer produção escolar. Empreitada árdua para a comunidade
escolar e instituições educacionais. Algumas ações devem ser empreendidas nessa construção:
a disponibilização de recursos didáticos acessíveis aos educandos (recursos midiáticos), a
construção de materiais pedagógicos eficientes, o aumento de acervo de livros e materiais da
multimídia (CDs, DVDs, programas de computadores) da biblioteca sobre o assunto, a oferta
de variedade de brinquedos contemplando as dimensões multiculturais.
Os profissionais dos diversos segmentos educacionais devem aprender a utilizar de
forma adequada o material didático, transformando-o em instrumento gerador de consciência
crítica. A desconstrução da ideologia que exclui e discrimina pode contribuir para o processo
de reconstrução da identidade étnico-racial e auto-estima dos afro-descendentes, percurso
fundamental para a aquisição dos direitos de cidadania. A desconstrução da ideologia caminha
em direção a possibilidade do reconhecimento e aceitação dos valores culturais próprios,
incluindo a sua aceitação por indivíduos e grupos sociais pertencentes a outras etnias,
facilitando as trocas interculturais na escola e nos diferentes ambientes sociais.
Corrigir a cicatriz da desigualdade atribuída às diferenças constitui-se em tarefa de
todos e já são vários os sujeitos que de fato contribuem para atingir esse objetivo. A presença
dos movimentos negros, nessa tarefa, recontando a história do negro na África e no Brasil,
desde a formação de grupos organizados há séculos, reivindicando educação para os negros
por meio de manifestos, música, teatro e ação sistemática junto aos órgãos de ensino, tem que
ser lembrada constantemente.
21
A aproximação das escolas com as reivindicações dos movimentos negros
possibilitou a inclusão da contribuição dos afrodescendentes nos currículos escolares,
reconhecendo, assim, a participação dos negros não somente na formação de um povo
mestiço e tradições culturais. Mas, como participantes de diferentes aspectos que constituem
nossa história, como nos âmbitos político e econômico, aspectos estes que anteriormente eram
reservados à elite branca. Portanto, torna-se mais necessária agora, que o tema transversal
Pluralidade Cultural seja introduzido nos currículos para educadores que, em sua maioria, não
receberam uma formação adequada para desenvolvê-lo. Com a certeza de que, por sua
importância, esse tema, bem como os demais temas transversais (saúde, meio ambiente,
orientação sexual, ética, temas locais) tornar-se-ão constituintes dos currículos escolares e
possibilitarão em breve a participação de todos na tarefa de promover o respeito entre si.
A intenção neste momento é chamar a atenção pra importância dos educadores nesse
processo de construção de novos paradigmas educacionais. Aprimorando o processo de
reflexão sobre a construção de novos paradigmas educacionais, as questões relacionadas ao
currículo e suas estruturas, a construção do conhecimento, os processos de aprendizagem e
seus sujeitos ocupam nos últimos anos o centro de debates a atenção especial de estudiosos
(as) pesquisadores, movimentos sociais brasileiros e governos.
Novas propostas e estratégias estão sendo e deverão ser concebidas, porque o
momento atual demonstra que a escola brasileira está avançando para oferecer ao educando
possibilidades de acesso, equidade, permanência e sucesso no estabelecimento de ensino. Os
avanços são considerados grandes desafios porque criança, adolescente e jovem, negro e
negra, tem vivenciado um ambiente escolar inibidor e desfavorável ao seu sucesso, ao
desenvolvimento
pleno
de
suas
potencialidades.
Lançar
um
novo
olhar
de
contemporaneidade, para que se criem na escola posicionamentos mais democráticos,
garantindo o respeito às diferenças, é condição básica para a construção do sucesso escolar
para os educandos e toda a comunidade escolar. Fundamentar a prática escolar diária
direcionando-a para uma educação anti-racista é um caminho que se tem a percorrer. Nesse
caminhar, será possível identificar alguns pontos básicos (respeito, valorização, dignidade,
etc.) que poderão fazer parte das reflexões e ações no cotidiano escolar, no sentido de tratar
pedagogicamente a diversidade racial visualizando com dignidade o povo negro e toda a
sociedade brasileira.
O movimento social dos negros no Brasil vem mostrando que o conhecimento
propicia abertura para o respeito e valorização das diferenças étnicas, culturais e religiosas
ultrapassarem a discriminação e o preconceito caminhando na direção de uma sociedade
22
democrática que é tarefa primordial do trabalho educativo voltado para a cidadania e sua
plenitude. Todas as disciplinas enquanto componentes curriculares da escola possibilitam a
reflexão crítica sobre a realidade, ajudando os educandos no desenvolvimento de uma posição
crítica diante dela e de uma vivência fundamentada na solidariedade, nos direitos humanos, na
justiça, na ética e na defesa da dignidade do ser humano, para que possam assumir função
ativa na sociedade num compromisso de se envolver na transformação das causas injustas. Se
o desejo do educar é ter uma educação de qualidade que reconheça as diferenças individuais e
atinja a compreensão dos conteúdos trabalhados é possível dar-se enormes passos com os
recursos variados (pesquisas na internet, uso de redes de relacionamentos, entrevistas com
membros de instituições, etc).
Pois, como viemos percebendo ao longo deste trabalho, a construção do
conhecimento é dar sentido de forma agradável ao assunto que se ensina, pois o trabalho em
equipe e a união de um grupo é que faz a diferença. Afinal, quando o ser humano passa por
algum lugar ele deixa um pouco dele e levamos um pouco do outro, dividindo os
conhecimentos, somando as experiências e ressignificando os conceitos. Existem muitos
caminhos a percorrer, muitos conhecimentos para adquirir. Sendo assim, esse trabalho foi um
pequeno esboço de pesquisas, leituras e de práticas realizadas para proporcionar
conhecimentos os quais se almeja alcançar cada vez mais, sempre ressignificando a prática
pedagógica.
De acordo com Simone Santos:
é urgente, portanto, a tomada de consciência por parte desses profissionais
sobre os valores socioculturais trazidos pelas/os educandas/os e instituir um
currículo que seja capaz de recriar suas histórias, incorporando-as ao saber
acadêmico e, dessa forma, interagir na formação de cidadãos conscientes e
capazes de enfrentar as desigualdades, romper as armadilhas dos
preconceitos, garantindo o espaço participativo e a conquista de direitos no
combate às exclusões. (SANTOS: 2006, p.5)
Mapear as características, habilidades, valores, ritmos e desejos desses jovens, que
são muito adiantados no processo de aquisição do conhecimento, é uma tarefa complexa e
necessária para um constante e significativo processo de transformação de aprendizagem.
Utilizar as chamadas informações atualizadas na educação significa, essencialmente,
sugerir desafios que possibilitem tanto ao educando como aos educadores rever os
conhecimentos já edificados e construir novos saberes. Nesse novo cenário, o papel do
educador é o de construir uma rota, mediar as descobertas, estabelecer link a partir de teias de
informações que são edificadas com o uso de recursos variados. Os projetos desenvolvidos e
23
planejados favorecem a construção de conhecimentos significativos e auxiliando o educador a
dialogar com os educandos fazendo-os se sentirem parte da construção de seu saber. Conforme
reforça os Parâmetros, a escola é um espaço privilegiado para a promoção da igualdade e a
eliminação de toda forma de discriminação e racismo, por possibilitar em seu espaço físico a
convivência de pessoas com diferentes origens étnico-raciais, culturais e religiosos. Além
disso, sua atuação é intencional, sistemática, constante e obrigatória.
Ensinar e aprender exige hoje muito mais flexibilidade, tanto pessoal como de grupo,
tempo, espaço, poucos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e comunicação já
que uma das várias dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das
fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos,
menos fixos. Visto que na sociedade as informações são muitas, gerando dificuldades para
escolher quais são significativas e conseguir integrá-las dentro do seu cotidiano. Portanto, a
aquisição da informação dos dados dependerá cada vez menos do educador cujo papel
principal é ajudar o educando a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los.
Para fundamentar a necessidade do educador em investir na formação continuada
constantemente serão analisadas informações que respaldem a continuidade de estudos e
pesquisas. O Plano Nacional de Educação (doravante PNE, 2000) é um exemplo claro de que
o Brasil vem tomando consciência de que valorizar o magistério é um dos primeiros passos
para se ter uma educação de qualidade.
Eugênia Marques em seus estudos salienta que
é importante, portanto, repensar o papel da escola e do currículo enquanto
mecanismos de reprodução do conhecimento da cultura, ou seja, perceber
como são produzidos os conceitos de pertencimento, exclusão e os discursos
entre os diferentes grupos sociais e redefinir a situação dos professores
(MARQUES: p.13).
Nas Diretrizes do Parâmetro, no item que trata da Formação dos Professores e
Valorização do Magistério, o teor do texto dá ênfase à importância da formação continuada
dos professores ou na capacitação em serviço, como condição e meio para o desenvolvimento
do país reforça que é a formação continuada o foco para a melhoria permanente da qualidade
da educação proporcionando novos caminhos para o profissional da educação.
Nesta perspectiva investir em formação continuada é uma ação importante e
necessária uma vez que as normatizações governamentais que tratam deste assunto amparam
as iniciativas dos profissionais que aderem a esta opção.
24
2.2 – Formação Continuada: Um Aprimoramento Periódico e Aliada da Escola na
Sociedade da Informação
Educar é mostrar vários caminhos, tornando-se importante oferecer ao ser humano
condições de tomar consciência de si mesmo, dos outros e da sociedade para que ele possa
absorver-se como pessoa e saber aceitar os outros. Assim é possível entender que a educação
proporciona múltiplas ferramentas para que o ser humano possa escolher entre muitos
percursos, aquele que lhe convier, a partir de seus valores, e com as diversas situações que virá
a se deparar. Enfim, educar implica preparar o educando para os desafios do cotidiano.
Com essa mudança de postura, o educador passa a exigir intensas alterações nas
atitudes pedagógicas, independentemente das condições que o estabelecimento de ensino e o
sistema educacional proporcionam à sua prática docente. É de única responsabilidade do
educador a forma de se estruturar em sua prática cotidiana, lançando mão de vários recursos
metodológicos para tornar as suas aulas significativas, prazerosas e atrativas, possibilitando
que o educando desenvolva-se enquanto sujeito crítico e atuante no meio em que vive, sendo
necessário adquirir novas posturas e ações melhorando a prática pedagógica porque a
diversidade é de uma magnitude enorme.
Santos, fazendo análise do que tem mudando na educação nos últimos anos diz que
os cursos de licenciatura têm recebido inúmeras críticas, especialmente no
que se refere à sua ineficiência quanto à formação dos profissionais de
educação. Já é questão de consenso que os egressos dos cursos de graduação
não estão preparados para atender as necessidades das escolas,
principalmente no que se refere à compreensão da criança como ser históricosocial, capaz de construir seu próprio conhecimento. Na visão de muitos
ainda há a separação do saber popular e do saber acadêmico. (SANTOS:
1998, p.12)
A grande maioria das instituições educacionais ainda é pautada numa prática que
considera a idéia do conhecimento – repetição sob uma ótica comportamentalista, tornando o
conhecimento cristalizado e / ou espontaneista e não como um saber historicamente produzido
visto sob a ótica do conhecimento-construção. Quadro que só se tornará diferente quando a
escola realizar transformações nos currículos de formação dos educadores e quando o
educador perceber que a ele está destinada a responsabilidade de investir na sua formação
continuada de qualidade, formação que estará auxiliando o educando a valorizar os saberes
acumulados que os educandos têm, incorporando outros a partir das suas relações adquiridas
no seu cotidiano.
25
É, também, da responsabilidade do educador a melhoria da qualidade do processo de
ensino / aprendizagem, cabendo a ele desenvolver novas práticas didáticas que permitam aos
educandos adquirir aprendizagem contextualizada e significativa. Sendo importante que a
intervenção ocorra no momento certo, estimulando o educando para a reflexão, a caminho da
estruturação do conhecimento.
Na prática do trabalho desenvolvido com o educando a diversidade de desafios sejam
sociais, culturais, emocionais e afetivos é relevante. Para trabalhar com estas diversidades o
educador necessita de uma boa formação profissional. Santos sugere três pilares que
sustentariam uma boa formação profissional: a formação teórica, a formação pedagógica e
como inovação a formação lúdica. Temas que auxiliarão a incorporar os conteúdos do
cotidiano, assuntos que beneficiarão a comunidade escolar.
Este tipo de formação não existe nos currículos oficiais dos cursos de formação do
educador e tem se tornado uma necessidade imediata.
Compete ao educador ter uma formação ampla, integral, baseada no humanismo,
valorizando o ser humano como absoluto, único e pertencente a uma sociedade, fundamentada
nos princípios do conhecer, do ser e do agir integralmente em prol de uma educação mais
apropriada.
Uma das competências que o educador deve ter, defende Perrenoud,
é o de saber conduzir sua formação contínua, explicitando as próprias
práticas, constituindo seu próprio balanço de competências e seu programa
pessoal de formação contínua. Assim ele poderá realizar uma análise das
habilidades que possui, refletir sobre suas potencialidades e tentar preencher
suas necessidades de atuação da realidade onde está inserido. O balanço
destas competências que o educador tem, deveria ser uma prática espontânea
e constante para se contrair a autonomia do profissional em vista de uma
renovação de conhecimentos. (PERRENOUD: 2000, p.32)
Para adquirir estas habilidades, segundo o autor, é necessário elaborar um projeto de
formação individual do educador. Através deste trabalho cada docente poderá realizar uma
auto-avaliação, percebendo suas próprias falhas e diminuindo a distância entre o que faz e o
que gostaria de fazer. Se os profissionais souberem administrar a sua formação contínua têm
maiores chances de se atualizarem e desenvolverem outras competências necessárias ao bom
desempenho de sua função. Por conseguinte, os recursos cognitivos utilizados para construir
as competências devem ser estimulados, adaptados às novas condições de trabalho e
atualizados, por isso, vê-se a necessidade de uma formação contínua.
Para conseguir administrar a sua formação contínua, o profissional deve saber
explicitar as próprias práticas base para uma autoformação que acontece por diversos meios,
26
entre eles a leitura, o trabalho em equipe, a discussão com outros profissionais, a
experimentação, a inovação, e a reflexão pessoal regular. Entenda-se por prática reflexiva,
uma reflexão metódica e conseqüentemente aprendizado e mudança de atitude a partir dessa
reflexão constante.
Adquirir uma formação plena, o educador deve desenvolver habilidades e
competências distintas que possibilitem trabalhar em equipe, utilizar novas tecnologias e
administrar sua própria formação contínua refletir sobre a sua prática, de discutir com os
colegas de trabalho prováveis soluções para as problemáticas vividas e estimular a pesquisa
constante para a melhoria do seu trabalho.
O Plano Nacional de Educação (doravante PNL, 2000) é um exemplo claro de que o
Brasil vem tomando consciência de que valorizar o magistério é um dos primeiros passos para
se ter uma educação de qualidade. Em seu bojo são realizadas referências significativas em
relação à formação profissional inicial, as condições de trabalho, salário e carreira e a
formação continuada dos educadores que se colocadas em prática e reivindicada farão
mudanças significativas para educador e educandos.
Nas citações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da
Educação Básica, no item que trata da Formação dos Professores e Valorização do Magistério,
o teor do texto reforça a importância da formação continuada dos professores ou na
capacitação em serviço, como condição e meio para o desenvolvimento do país, pois a
produção e criação de novos conhecimentos e tecnologias dependem do nível cultural das
pessoas; reforça, que é a formação continuada o foco para a melhoria permanente da qualidade
da educação proporcionando novos caminhos para o profissional da educação.
Já na LDB/96, Título VI, que trata Dos Profissionais da Educação, o artigo 61
assegura a formação continuada dos professores, através da associação entre teoria e prática,
ação e reflexão. Esta ação é reforçada no artigo 67 da mesma lei, quando esclarece que o
aperfeiçoamento profissional continuado é uma das condições de valorização do magistério,
devendo ser realizado periodicamente inclusive com licenciamento periódico remunerado.
No Brasil já é possível perceber que algumas ações já estão sendo organizadas como
forma de valorizar o profissional da educação (formação continuada dentro da jornada de
trabalho, oferecimento de cursos on-line via Plataforma Freire1, etc). Aos poucos, com muita
esperança e reivindicações, os resultados de melhorias para o quadro de formação do educador
tenderão a apresentar resultados significativos, ou seja, são as novas tecnologias influenciando
1
Ver: www.plataformafreire.com.br
27
a sociedade, alterando valores, atitudes, pensamentos, formas de pensar, agir, vestir, estudar,
trabalhar entre outros.
O educador deve antecipar-se aos acontecimentos, informando-se e formando-se para
presumir as mudanças da sociedade; não pode ficar neutro diante dos acontecimentos e
transformações da sociedade, pois a educação é o primeiro local onde as mudanças são
percebidas de uma maneira muito veloz. Devido à influência da tecnologia no ambiente
educacional, os educadores comprometidos precisam prever o estabelecimento do ensino do
amanhã, o seu público e seus programas através de uma observação cultural, sociológica,
pedagógica, e didática do mundo que os cercam.
Assim conforme reforça Perrenoud, uma das dez novas competências que o educador
deve desenvolver e aprimorar para ensinar é a utilização das novas tecnologias (sendo as
outras: organizar e dirigir situações de aprendizagem, administrar a progressão das
aprendizagens, conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação, envolver os alunos
em suas aprendizagens e em seu trabalho, trabalhar em equipe, participar da administração da
escola, informar e envolver os pais, enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão).
Sob esta ótica, pensamos que é importante estar atento aos benefícios que as novas
tecnologias podem trazer, pois o uso correto das tecnologias para tornar as aulas mais
interessantes e bem ilustradas, poderá sim mudar o paradigma, de um estabelecimento de
ensino voltado para o educando, para uma instituição centrada na criação, gestão e regulação
das situações de aprendizagem.
O educador, portanto, precisa estar a par das descobertas científicas e dos
acontecimentos históricos atuais, a fim de obter embasamento que aprimore a qualidade ao seu
trabalho educativo; deve instigar os educandos a conhecerem a conjuntura dos fatos mundiais
e a perceberem a influência desses acontecimentos no seu cotidiano, no seu entorno.
Na opinião de Vieira,
o aperfeiçoamento profissional, igualmente, um projeto pessoal, que implica
uma relação do professor consigo mesmo, seja em termos de tempo, espaço e
realização de tarefas, mesmo que feitas ou pensadas em função de outro.
Estudar, escrever, fazer pesquisas na Internet são formas pessoais de
aperfeiçoamento. (VIEIRA: 2004, p.56)
Ao longo da história a formação do profissional da educação se preocupava em
evidenciar que ele deveria transmitir conteúdos, ou que ele deveria ensinar preocupado com a
didática e por último acreditava-se que o educador deveria ensinar com qualidade focado na
formação integral do indivíduo, envolvendo o saber do educador, a satisfação e o significado
28
inseridos na aprendizagem, porque aprender também é sentir o prazer de entender e conhecer
sempre mais.
Não e possível desconsiderar este cenário, mas atualmente é importante considerar
que educador deve estar capacitado para aprender sempre, de forma contínua, tornando-se
capaz de entender e refletir as mudanças ocorridas na sociedade, aprimorando a sua prática
pedagógica para promover aprendizagens mais significativas e se auto-motivar, motivando os
educandos na busca e construção de conhecimentos em um ambiente virtual.
A intenção da formação continuada é despertar, sensibilizar e provocar os aprendizes
a repensar sua prática, atribuindo a ela algumas mudanças necessárias ao momento atual. Este
momento requer profissionais que dominem as novas tecnologias a seu favor e realizem
inovações que possam realmente marcar na vida dos educandos.
Para habilitar os profissionais da educação no desenvolvimento de propostas que
incorporem as mídias é fundamental que os utilizem em atividades educacionais. Neste
sentido, a preparação profissional tem papel importante para possibilitar que possam
experimentar em seu próprio processo de aprendizagem a qual deve ser orientada pelo
princípio metodológico geral que pode ser traduzido pela ação-reflexão-ação e que aponta a
resolução de situações-problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas, incluindo o
replanejamento constante.
No contexto atual é importante atrair os profissionais envolvidos com a educação a
uma (re)análise do cotidiano pedagógico, tendo em vista a modificação do olhar para a
realidade do entorno e modificada pela evolução tecnológica. Tornando-se importante investir
formação continuada e insistir no que dá sentido ao trabalho da docência buscando coerência
de princípios entre o que se pretende fazer, a ação e a avaliação, tornando-se importante que a
formação seja pautada em mudanças de avanços significativos e qualitativos.
A formação do profissional capaz de propagar mudanças na sua prática demanda
especificidades que podem ser a formação teórica, a formação pedagógica e como inovação a
formação tecnológica. Este tipo de formação não está contemplado no currículo do educador e
tem se tornado uma necessidade imediata para a prática pedagógica. No entanto, elas só se
tornam presentes quando o educador, durante e após o término de um curso de capacitação,
recontextualizar na sua prática pedagógica aquilo que aprendeu.
A aprendizagem significativa do educador nunca está encerrada, e nunca poderia
estar, pois são muitas as questões com os quais ele se depara todos os dias em sua sala de aula
e postas pela sociedade contemporânea, as quais geram expectativas e necessidades
diferenciadas em função do mundo que está em constante transformação em todos os âmbitos.
29
Neste sentindo Moran2 reforça este entendimento quando diz que se o educador
quiser expandir o seu olhar para outros horizontes, é importante que ele esteja engajado em
programas de formação continuada, cujo grupo em formação reflete em conjunto sobre as
práticas em realização e tem chances de encontrar diferentes alternativas para avançar nesse
trabalho de integração entre mídias e conhecimento, propiciando as interconexões entre
aprendizagem e construção de conhecimento, cognição e contexto, bem como o
redimensionamento do papel da escola como uma organização produtora de conhecimento.
2.3 – Características do Educador do Século XXI
Para a nova conjuntura é importante a presença do educador inovador que tem
coragem de ousar, mudar sem se distanciar de sua missão de educar para um novo mundo,
para um espaço mais plural, significando que na sala de aula, esse profissional desta nova “Era
do conhecimento" deve contextualizar o ensino, organizar o tempo e os processos educativos,
trabalhar pautado na realidade e na sociedade existente, promovendo o trabalho em grupo e
com projeto, valorizando a pesquisa, a investigação e fomentando a criatividade, integrado nas
mudanças tecnológicas, para poder orientar seu educando interagindo e motivando-os na busca
de vários conhecimentos de diferentes áreas. Ser um mediador entre o conhecimento
sistematizado e as necessidades dos educandos, na possibilidade de ampliar e diversificar as
formas de interagir e compartilhar experiências em novos tempos e espaços.
É possível citar outros aspectos de considerável relevância das características do
educador: buscar atualização em diversas áreas; estimular e utilizar as tecnologias disponíveis
ao seu alcance; conhecer a cultura do estabelecimento de ensino; ser participativo e
comprometido; fundamentar suas ações a partir do Projeto Político Pedagógico da escola em
que está inserido e de acordo com a realidade do estabelecimento de ensino; inovar usando as
novas tecnologias para ministrar suas aulas; planejar, desenvolvendo atividades, a partir, do
conhecimento que possui sobre o conteúdo e dos conhecimentos que os alunos já trazem
consigo; ser dinâmico; motivar os educandos na construção do conhecimento e potencializar
sua ação pedagógica fazendo-os atuarem como sujeitos de seu conhecimento. Esta mudança
de perspectiva deixa bem clara que hoje, espera-se que o professor ensine segundo a lógica da
inclusão e que seja um agente potecializador deste processo juntos aos educandos.
2
Ver: http://www.eca.usp.br/prof/moran/integracao.htm
30
A postura assumida de um educador inovador é aquele profissional que tem a
humildade de buscar compreender o lugar de onde o educando fala, como: idade, classe social,
etnia, gênero, e outros aspectos mais interagindo e trocando as informações necessárias para a
construção do conhecimento, estando comprometido com o caminho das oportunidades que
incentivarão habilidades e competências para a gestão de mudanças e processos.
O educador será um introdutor de novidades na sua atuação pedagógica, proferindo o
conhecimento de maneira dinâmica, com responsabilidade e segurança, motivando seus
educandos a debates, expressando suas idéias na construção do conhecimento com as
seguintes características: pesquisador, observador, inovador; atento as novidades tecnológicas,
dinâmico, criativo, motivando os educandos a posicionarem-se frente aos conhecimentos,
compreender o estabelecimento de ensino como espaço de reelaboração de crítica, percebendo
a aprendizagem como
não
conclusiva,
ajustando-se às novas características do
estabelecimento de ensino, preparando-se para decifrar e abranger imagem, analisando e
arquitetando novas mensagens, integrando os múltiplos recursos tecnológicos.
O educador inovador tem a curiosidade para saber utilizar as informações com
capacidade de realizar uma interação dos conteúdos dos trabalhos e fundamentar sua atuação
de modo que os conteúdos não fiquem segmentados e desconexos e sim, desenvolvam uma
rede complexa e dinâmica formando um elo contemplador de todas as disciplinas,
possibilitando ao educando a oportunidade de ir à busca do conhecimento que lhe é mais
motivador.
É possível perceber que o trabalho docente coloca o educador num terrível duelo: se
por um lado, fortes tendências obrigam-no a ensinar valores e atitudes que contribuem apenas
para manutenção do quadro social, por outro, o apelo da sua própria razão de ser: formar
pessoas para transformar e melhorar tudo a nossa volta. Na sala de aula, com os educandos o
trabalho do educador realiza-se por meio de uma prática social específica que envolve a
relação “educador-aducando-conhecimento”. Situação que precisa ser vista de uma forma
mais humana e tolerante, proporcionando ao educando condições de analisar, construir,
participar, interagir, desenvolvendo uma idéia de que uma concepção de ensino surge e se
estabelece em meio à fertilidade proporcionada pelo contexto histórico, pelas relações sociais
e pela produção científica disponível. Assim sendo, o sucesso pedagógico de qualquer trabalho
vai depender da postura do educador durante as atividades didático-pedagógicas. O seu papel
como mediador do processo vai contribuir ou não para uma aprendizagem rica e significativa.
Cada vez mais torna-se imprescindível a presença de educadores sensíveis para o
aprofundamento de reflexões e o desenvolvimento de novas posturas ou ações diante da
31
realidade para a superação da opressão na sociedade, ou seja, a informação em tempo real
constitui-ser uma base que alicerça a construção de sentidos por parte do sujeito em processo
de aprendizagem e de uma interação com uma sociedade em constante movimentação.
A prática empreendedora está ligada à novos desafios, ao comprometimento com as
próprias escolhas, a uma constante busca de qualidade e à essencial vontade de inovar, de
fazer coisas que ninguém faz, de ser real, de ir além. Quando o educador adquire essa postura
com a sua própria vida e na sua ação profissional, passa a servir de modelo para seus
educandos. Quando demonstra seu prazer em conviver com jovens criativos, inovadores que
buscam desafios e que desejam criar seus próprios futuros, tornando-se um agente que incita e
provoca a postura empreendedora.
Para estimular a pró-atividade do educando e a sua vontade de aprender mas
evitando-se o abandono escolar a evasão, ampliando a experiência e aprendizagem do
educando motivado-o para o desejo de aprender, o educador deve desenvolver seus trabalho
gerando uma aprendizagem com o uso de dinâmicas, processos de criação, práticas iniciais de
negócios e entendimento da realidade socioeconômica, utilizando-se do princípio “aprender
fazendo”, isso parte-se do princípio que formação continuada é importante e necessário
porque sem dúvida isso exige abertura e disposição.
2.4 – Planejamento para Inovação da Prática Pedagógica
Independente do nível de atuação é possível perceber a dificuldade que os educandos
vivenciam no cotidiano para a apropriação de informações em função de currículos
desatualizados, profissionais da educação que não participam de formação continuada, dentre
outros fatores. Isto se constitui numa situação contraditória, tendo em vista a velocidade das
transformações, cada vez mais aceleradas e bruscas - e os problemas educativos são
enfrentados, com pouco sucesso. Com a tecnologia da informação, consegue-se alcançar
inúmeros pontos do globo, encurtando-se as barreiras culturais e físicas. Os educandos já
demonstram estar aguardando uma proposta nesta direção, contrário à escola acoplada aos
espaços e tempos fechados dentro de quatro paredes, do livro didático, dos conteúdos
curriculares extensivos e dos exercícios repetitivos. Surgem novas perspectivas de considerar a
investigação como fonte geradora de novas propostas para a sala de aula.
O progresso dos meios tecnológicos, o crescimento e o desenvolvimento de todos os
segmentos da informática e da informação, vêm propiciando um avanço na criação e evolução
de novos dispositivos voltados para a educação Visto que a expansão dos meios tecnológicos
32
tem atingido diferentes instâncias da vida do indivíduo, como a pessoal, a profissional, e, no
nosso caso, a formação educacional.
O educador, por sua vez, convive com inúmeros problemas, mas não dá a devida
atenção a eles e pouco faz pela sua solução com sucesso. É importante reverter o processo,
desafiando, criando alternativa, pesquisando e investindo na formação continuada. Neste
sentido, é necessário o educador conscientizar-se da importância de unir esforços em equipes
interdisciplinares, diminuindo a distância entre os profissionais da Educação e da Informática.
Sendo que este entendimento pode mobilizar os educadores, a fim de não perder espaço e
poder de decisão sobre assuntos de sua área de desempenho.
Diante de vários desafios que o educador enfrenta torna-se importante rever os
processos pedagógicos que ainda instigam o trabalho individual, competitivo e mecanicista.
Por seu lado, o educando precisa estar apto a buscar suas próprias interpretações, a aprender a
fazer as suas próprias perguntas para se adequar ao mundo globalizado e competitivo.
Entender que sua formação deve estar baseada no questionamento e não na aceitação
incondicional de resposta pré-fabricada de um ensino tradicionalmente estagnado; a
capacidade de permanente questionamento, de pesquisa e de descobertas se opõe à monotonia
do conhecimento como um valor estático e absoluto parado no tempo.
Essa potencialidade é constituída em um sujeito histórico, capaz de construir um
posicionamento criativo, renovador e crítico. Entretanto, a qualidade de aprender a aprender
engloba uma manifestação lúdica, motivada pela curiosidade crítica e que pode ser apoiada
pelo uso amadurecido da tecnologia. Não podendo desconsiderar que faz parte da curiosidade
e da autonomia do educando a segurança em si mesmo. Isto é fundamental para a firmeza com
que atua, com que decide, possibilitando discutir suas próprias posições e aceitar revê-las.
Curiosidade que nos move, que inquieta, que insere o educador na busca de novos
conhecimentos e recursos. Por isso, também as informações relacionadas a Gestão de Políticas
Públicas com foco em Raça e Gênero se justificam, pois permitem dinamicidade no processo,
possibilitando ao educador levantar vários questionamentos
Várias indagações podem auxiliar o educador a avaliar a qualidade do seu trabalho
com os educandos e algumas seqüências devem ser respeitadas, para que possam determinar
os conteúdos prévios que cada educando tem em relação aos novos conteúdos de
aprendizagem; estabelecer conteúdos de forma que seja significativos e funcionais para os
educandos; organizar conteúdos que são adequados ao nível de desenvolvimento de cada
educando e da turma; estabelecer conteúdos que representem um desafio alcançável para o
educandos, que levem em conta suas competências atuais, que permitam criar zonas de
33
desenvolvimento proximal e intervir, conteúdos que provoquem um conflito cognitivo e
promovam a atividade mental necessária para que se estabeleçam relações entre os novos
conteúdos e os conhecimentos prévios, conteúdos que promovam uma atitude favorável, que
sejam motivadoras em relação à aprendizagem de novos conteúdos, conteúdos que estimulem
a auto-estima e o auto conceito em relação às aprendizagens que propõem que o educando
possa sentir que certo grau aprendeu, que seu esforço valeu a pena, conteúdos que ajudem o
educando a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, que lhe permitam ser
cada vez mais autônomo em suas aprendizagens.
O fluxo das informações que circulam na sociedade contemporânea é muito grande,
devido à alta disponibilidade proporcionada pelas facilidades de manuseio oferecidas pela
informação, existindo a necessidade de aplicar estratégias de modo que os alunos possam
refletir, (des) (re) construir conhecimentos de forma pessoal e coletiva, aplicando as noções de
autonomia e de coletividade.
Aliada a todos as metodologias inovadoras a utilização de informações relacionadas à
educação empreendedora no ambiente escolar poderá auxiliar e motivação à prática
pedagógica, um instrumento modificador do processo ensino-aprendizagem. Conforme reforça
Gasparetii,
segundo várias pesquisas realizadas nos anos 60 nos Estados Unidos
(Brunner), a atenção dos estudantes tem uma duração média de vinte
minutos. Porém, se os alunos são estimulados a participar ativamente da aula,
essa média duplica. O aprendizado é fundamentalmente um processo
personalizado e interativo, isto quer dizer que o aluno participa ativamente da
construção de sua própria consciência. Diz um velho ditado: devagar se vai
ao longe. (GASPARETII: 2001, p.17),
Assim sendo é possível constar que o educador, precisa da formação continuada para
auxiliá-lo a buscar soluções inteligentes para o gerenciamento e a qualidade do seu trabalho
no estabelecimento de ensino. É neste ambiente que está o foco e a razão do seu trabalho de
educador - o educando. Para desenvolver um trabalho de qualidade precisa conhecer a turma,
aquilo que ele quer ensinar e como vai fazer isso na prática, sabendo que, na sala de aula,
ninguém aprende da mesma maneira. Os cursos, capacitações a serem oferecidas ao educador
tem que atendendo suas necessidades desejos e anseios, propondo o estudo de assuntos temas
que possam viabilizar condições ao educador de realizar intervenções no seu ambiente
escolar.
Neste contexto educacional o planejamento entra como componente fundamental.
A formação contínua (2) é (Nóvoa 1991, Freire 1991 e Mello 1994) saída
possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto
34
educacional contemporâneo. Nova o bastante para não dispor ainda de mais
teorias nutrientes, provavelmente, ainda em gestação. É uma tentativa de
resgatar a figura do mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão,
tão desgastada em nossos dias. "Ninguém nasce educador ou marcado para
ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador,
permanentemente, na prática e na reflexão da prática". (FREIRE, 1991: 58
citado por HYPOLITTO).
Um plano de trabalho e uma série de atividades bem organizadas são marcos
essencial para a elaboração de projetos de aprendizagem que favoreçam a construção da
autonomia do educando para poder intervir numa atividade de grupo. A metodologia de
trabalho será mais dinâmica, envolvendo criatividade que favorecerão a construção de
conhecimentos significativos. O projeto envolve o educando em uma situação de interação
com conhecimentos, pelo viés da construção e da reconstrução de conceitos, de idéias,
permitirá o indivíduo transitar mais naturalmente e seguro de seus saberes individuais para os
saberes coletivos e vice-versa. Os projetos remetem os envolvidos a uma reflexão, passando
por quatro estágios da aprendizagem: parte da experiência concreta, passa pela observação
reflexiva, pela conceituação abstrata e chega a experimentação ativa, recomeçando o processo
logo em seguida e a tomada de consciência.
O tempo e o espaço da sala de aula podem ser direcionados, a rigidez, os horários
estabelecidos, o currículo pré-determinado com as seqüências didáticas estabelecidas pelos
programas escolares, os pré-requisito, as hierarquias pela proposta serão reestruturados para
que a relação educativa obtenha verticalização oferecendo ao educador e educando interações
que farão a diferença no processo de ensino aprendizagem causando uma verdadeira
transformação na aprendizagem significativa.
Quando se concebe um projeto ele deve ter um objetivo compartilhado por todos os
envolvidos, que se expressa num produto final em função do quais todos trabalham e que terá
destinação, divulgação e circulação social, então o tempo passa a ser flexível para conquistar
os objetivos estabelecidos, permitindo que os alunos se envolvam no planejamento das
atividades, dividindo e redimensionando as tarefas, avaliando os resultados em função do
plano inicial.
Diante dos problemas do contexto sócio-cultural que aparecerão os educandos
procuram construir respostas pessoais e originais; um problema é fonte geradora de um
projeto, assim ações são planejadas para resolver as complexidades existentes para resolver o
problema; - durante a elaboração do Plano de Ação várias fases devem ser consideradas:
objetivo principal, elaboração dos problemas, planejamento, cronograma, avaliação e
divulgação das informações.
35
Estas e outras características que aparecem no percurso da execução podem situar os
projetos como uma proposta de intervenção pedagógica proporcionar á atividade de
aprendizagem um significado novo, onde as necessidades de aprendizagem nascem nas
tentativas de se solucionar situações problemáticas. Um projeto gera condições de
aprendizagem, ao mesmo tempo, reais e diversificadas, oferecendo possibilidades para os
educandos decidirem, debaterem, opinarem, construírem sua autonomia e seu compromisso
com o social, capacitando-se como sujeitos culturais.
Os projetos são processos contínuos, inseridos numa proposta de renovação
atividades, tornando-se mais criativos, com mudança de postura, o que exige um repensar da
prática pedagógica, visto tratar-se de uma postura que reflete uma concepção de
conhecimentos como construção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural
sistematizada se entrelaçam oferecendo significado às aprendizagens construídas as quais
servem para a resolução de problemas para um determinado projeto específico e que são
utilizadas em outras situações, mostrando que os educandos são capazes de estabelecer
relações e utilizar conhecimentos construídos sempre que necessário.
2.5 - A Formação Continuada dos profissionais da educação em Timóteo/MG
Em Abril de 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentado
pelo Ministério da Educação 3(MEC), colocou à disposição dos estados, municípios e Distrito
Federal, instrumentos eficazes de avaliação e de implementação de políticas de melhoria da
qualidade da educação, sobretudo da educação básica pública.
O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, um programa estratégico do
PDE, instituído pelo Decreto 6.094 de 24 de abril de 2007, inaugurou um novo regime de
colaboração, conciliando a atuação dos entes federados sem lhes ferir a autonomia,
envolvendo primordialmente a decisão política, a ação técnica e atendimento da demanda
educacional, visando à melhoria dos indicadores educacionais. Sendo um compromisso
fundado em vinte e oito diretrizes e consubstanciado em um plano de metas concretas e
efetivas, compartilham competências políticas, técnicas e financeiras para a execução de
programas de manutenção e desenvolvimento da educação básica.
A partir da adesão ao Plano de Metas, os estados, os municípios e o Distrito Federal
passaram à elaboração de seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR). A partir de
2011, os entes federados poderão fazer um novo diagnóstico da situação educacional local e
3
Ver: http://portal.mec.gov.br
36
elaborar o planejamento para uma nova etapa (2011 a 2014), com base no Índice de
Desenvolvimento da Educação (Ideb) dos últimos anos (2005, 2007 e 2009).
Para a elaboração do PAR, o Ministério da Educação oferece um ambiente virtual – o
Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação
(Simec).
Para a elaboração do PAR no período de 2007 a 2011, foi utilizado o módulo PAR –
Plano de Metas. Nesse módulo, os entes federados também realizam o monitoramento das
ações planejadas e aprovadas. Para a realização do novo diagnóstico e proposição de novas
ações (PAR 2011 – 2014) será utilizado o módulo PAR 2010.
Estão previstas nesta plataforma metas que os estados, municípios e Distrito Federal
alcançarem. Elas são monitoradas por um profissional que possui uma senha de acesso.
Algumas delas: Formação inicial de profissionais de Serviço e Apoio Escolar; Incentivar os
professores que atuam nas creches da rede a cadastrarem seu currículo e manterem os seus
dados atualizados na Plataforma Freire4 (http://freire.mec.gov.br/); Habilitação dos
professores que atuam na pré-escola; Habilitação dos professores que atuam nos anos/séries
iniciais do ensino fundamental, incluindo professores da educação de jovens e adultos (EJA);
Habilitação dos professores que atuam nos anos/séries finais do ensino fundamental,
incluindo professores da educação de jovens e adultos (EJA); Formação continuada de
professores da educação básica.
Baseando-se nestas informações de que existe a preocupação de oferecer para os
profissionais do município informações referentes à formação continuada. Os professores da
rede municipal de ensino de Timóteo / MG têm elevado nível profissional porque todos
possuem graduação e já cursaram pós graduação e / ou estão cursando, o que contribui para
facilitar o trabalho pedagógico que desenvolvem.
A Prefeitura investe na capacitação e atualização constantes de seu quadro. Os
professores estão sempre participando de cursos e especializações organizadas pela Secretaria
Municipal de Educação e / ou oferecidos por instituições parceiras. No ano de 2010 ofereceu
um teste seletivo para contratar funcionários que estariam substituindo educadores em faze de
aposentadoria. Neste contexto e incentivados pelas exigências governamentais a formação
continuada em vários aspectos passou a ser meta prioritária para Prefeitura.
O município tem 15 escolas situadas na rede urbana. Todas elas têm laboratório de
informática disponibilizados pelo Ministério da Educação em convênio com o Eproinfo. Os
4
Ver: http://portal.mec.gov.br
37
professores são constantemente capacitados para sabem utilizar os programas disponíveis. O
laboratório de informática tem monitores que trabalham com os alunos 02 (duas) vezes por
semana respeitando um cronograma para atender a demanda escolar.
A oferta de vagas, pelo menos na rede pública municipal de Timóteo, aumentou, e
atende a demanda. Em todas as já chegou a tecnologia: TV, vídeo, computador. A
burocratização cede um pouco e os gestores têm autonomia para dirigir suas escolas. Estas
recebem verbas e podem aplicá-las conforme suas necessidades.
Entretanto, apesar dessas melhorias, muitas dessas conquistas do educador, a escola
não avança, o nível de ensino continua precário, a desmotivação de professores e alunos
precisa sempre ser incentivada.
A oportunidade de dedicar-se ao tema de mostrar a importância da formação
continuada surgiu quando foi possível verificar que no curso de Gestão de Políticas Públicas
com foco em Raça e Gênero, oferecido no pólo da Universidade Aberta (UAB) de Timóteo,
poucos funcionários da Secretaria Municipal de Educação estavam freqüentando (numa turma
de 50 cursistas, 10(dez) eram funcionários da Prefeitura). Devido à importância do curso e
sendo ele parte fundamental da proposta de formação continuada foi possível escolher a defesa
do assunto para apresentar à Secretaria Municipal de Educação um projeto que abordasse o
tema do curso e a importância da formação continuada para o profissional da educação.
O público a ser selecionado num primeiro momento seria os profissionais da
Secretaria Municipal de Educação de Timóteo que atualmente totalizam 23 pessoas
representando diferentes segmentos (Educação Infantil (creches), Ensino Fundamental regular
e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Posteriormente, sendo a proposta de capacitação aceita
o assunto seria discutido com os gestores e pedagogos da rede municipal, 50 profissionais que
representam os diversos segmentos educacionais da rede de ensino.
Assim acredita-se que neste contexto relatado a formação continuada é saída possível
para a melhoria da qualidade do ensino do município de Timóteo que apresenta um 6,2% de
índice no IDEB de 2009. Oferecer informações para o profissional consciente reforça que sua
formação não termina na Universidade.
A formação contínua segundo citação de HYPOLITTO: 2004 de acordo Nóvoa
1991, Freire 1991 e Mello 1994, é saída possível para a melhoria da qualidade do ensino,
dentro do contexto educacional contemporâneo. Nova o bastante para não dispor ainda de
mais teorias nutrientes, muitas vezes em gestação. É uma tentativa de resgatar a figura do
mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão, tão desgastada em nossos dias.
38
A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. Quem
não se moderniza fica para trás. A parceria, a globalização, a informática, toda a tecnologia
moderna é um desafio para quem realiza estudos e pesquisas.
O educador que freqüentou a Universidade constata que ela não é um centro de
criação do conhecimento, de pesquisa e questionamento.
Vasconcellos (1995: p19) lembrado por HYPOLITTO confirma:
Formação deficitária; dificuldade em articular teoria e prática: a teoria
de que dispõe, de modo geral, é abstrata, desvinculada da prática e,
por sua vez a abordagem que faz da prática é superficial, imediatista
não crítica.
Assim quando o educador quando sai de um curso universitário deve ter bastante
inteligência, tempo e decisão para superar algumas deficiências (currículo defasado, distante
da realidade social...): procurar atualizar-se, embasar-se teoricamente, observar a prática e
tirar lições melhorar seu desempenho.
Um professor destituído de pesquisa, incapaz de elaboração própria é figura
ultrapassada, uma espécie de sobra que reproduz sobras. Uma instituição
universitária que não sinaliza, desenha e provoca o futuro encalhou no
passado (DEMO: 1994, p. 27 apud TORRES ).
O educador repete o mesmo currículo de seus antecessores e, assim, a escola
continua parada no tempo com educandos indisciplinados e desmotivados, passando
conhecimentos que em nada servem para a vida social, profissional e pessoal.
Conforme reforça Nóvoa (1992: p.27 citado por HYPOLITTO ), "importa valorizar
paradigmas de formação que promovam a preparação de professores reflexivos, que assumam
a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e que participem como
protagonista na implementação das políticas educativas".
O educador atual terá como principal tarefa aprender para ser criativo, imaginativo e
inovador frente aos desafios que encontra. Pensando assim é possível ter uma escola com
eqüidade, que ofereça bom ensino, que prepare o indivíduo para os desafios da modernidade.
Para o educador é necessário uma justa remuneração paralela ao seu envolvimento com outros
setores sociais e de modo global e profundo. A escola está à margem da sociedade, não dispõe
dos atrativos da mídia: esportes, brinquedos, diversões. O professor, sem base sólida cultural
e específica, não tem descortino e firmeza para construir com o educando o conhecimento
sem ficar parado no tempo.
Alonso desenha o perfil do novo profissional:
39
Torna-se um profissional efetivo, em contraposição ao tarefeiro ou
funcionário burocrático; Esse profissional terá que ser visto como alguém
que não está pronto, acabado, mas em constante formação; Um profissional
independente com autonomia para decidir sobre o seu trabalho e suas
necessidades; Alguém que está sempre em busca de novas respostas, novos
encaminhamentos para seu trabalho e não simplesmente um cumpridor de
tarefas e executor mecânico de ordens superiores e, finalmente, alguém que
tem seus olhos para o futuro e não para o passado. (ALONSO: 1994, p.6
apud HYPOLITTO ).
Para formar (ou reformar) o formador para a modernidade é preciso da formação
continuada, que, além de reforçar ou proporcionar os fundamentos e conhecimentos de sua
disciplina, o mantenha constantemente a par dos progressos, inovações e exigências dos
tempos modernos.
Esteves aponta algumas características da formação continuada:
Uma ruptura com o individualismo pedagógico, ou seja, em que o trabalho e
a reflexão em equipe se tornam necessários; uma análise científica da
prática, permitindo desenvolver, com uma formação de nível elevado, um
estatuto profissional; um profissionalismo aberto, isto é, em que o ato de
ensino é precedido de uma pesquisa de informações e de um diálogo entre os
parceiros interessados. (ESTEVES: 1993, p. 66 apud HYPOLITTO ).
É preciso investir no educador, em sua formação, atualização e satisfação pessoal e
profissional para o estabelecimento de ensino avançar e obter novas posturas e valorização
das pessoas que nele estão envolvidos.
40
Capítulo III
Considerações Finais
Avaliando os passos seguidos para constituição deste trabalho de final de curso é
possível perceber que existe uma literatura ampla e vasta para reforçar a importância da
formação continuada e a utilização de assuntos relacionados a Gestão de Políticas Públicas
com foco em Raça e Gênero como forma de vencer obstáculos de relacionamento entre as
pessoas. Torna-se imprescindível selecionar materiais que possam se adequar às diversas
realidades existentes, porque na ânsia de inovar, corre-se o risco de lançar mão de recursos
que não são convenientes ao ambiente escolar. Não por desinteresse dos educadores e
educandos, mas porque o ambiente escolar ainda está preso a uma cultura tradicional que aos
poucos vem desabrochando para inovações, o projeto político pedagógico do estabelecimento
de ensino não está adaptado aos projetos, alguns profissionais ainda não se predispõem a
desenvolver um trabalho que abordem discussões relacionadas à Gestão de Políticas Públicas
com foco em Raça e Gênero por que consideram o assunto como modismo.
Neste percurso verificado e estudado, ficou evidente que existe uma necessidade de
ampliar os estudos para investir mais na capacitação continuada, oferecendo aos educadores
subsídios para lidar com os desafios propostos que vão surgindo na sociedade, e/ou já
existiam, mas não eram discutidos.
Através do conteúdo elucidado pretende-se a curto, médio e longo prazo oferecer
uma nova visão da importância da formação continuada incluindo informações e recursos que
possam proporcionar a construção de projetos de aprendizagem inovadores e significativos
para explorar a imensidão de informações provenientes da educação empreendedora. "Não há
ensino de qualidade, nem reforma educativa, nem inovação pedagógica, sem uma adequada
formação de professores". (Nóvoa, 1992, p.9, exemplificado por HYPOLITTO).
Fez-se a opção de incentivar o trabalho com projetos como recurso metodológico
porque estes poderão ser adequados às realidades diferenciadas e implementados em qualquer
ano de escolaridade do ensino fundamental, fazendo interdisciplinaridade com várias áreas de
conhecimento: português, matemática, história, geografia, ciências, dentre outras. Como o
currículo escolar apresenta vários conteúdos possíveis de discussões pertinentes, entende-se
que trabalhar com projetos oferece ao educador possibilidades de ampliar os recursos
metodológicos utilizados em sala de aula, atraindo o interesse dos educandos e fugindo do
41
trabalho comum principalmente quando estes estarão contribuindo com aprendizagem
significativa dos educandos e melhoria do seu currículo escolar. Além disso, a principal
característica do projeto político pedagógico é adequar-se a comunidade à qual será aplicado.
Desse modo, a identificação dos agentes com as temáticas abordadas são o ponto alto deste
tipo de metodologia.
Busca-se neste trabalho, portanto, chamar a atenção para a atualização constante por
parte do profissional da educação, apresentando os benefícios que o uso dos novos meios de
comunicação proporciona à educação, especialmente, ao incentivar os educadores à busca
constante da formação continuada para a construção de seus conhecimentos renovando a
prática pedagógica.
Foram descritas várias informações que evidenciam a abordagem de temas e assuntos
em questão como condição inovadora para a prática pedagógica colaborativa do educador
através da incentivação do trabalho com projetos como instrumento pedagógico eficiente e
inovador que assegurem um trabalho do cotidiano escolar; o conteúdo do trabalho elucidou
discussões, beneficiando as mudanças da inserção de assuntos variados.
O trabalho, em suma, procurou chamar a atenção para formação continuada dos
profissionais da educação, neste caso, os profissionais da rede pública municipal de Timóteo
como ponto central na melhoria da educação ofertada na cidade, pensando sempre no fator
humano, nas relações entre professores e alunos e nas relações entre os próprios alunos.
Um educador consciente sabe que sua formação não termina na Universidade. Esta
lhe aponta caminhos, fornece conceitos e idéias, a matéria-prima de sua especialidade. O resto
é por sua conta. Muitos educadores mesmo tendo sido assíduos, estudiosos e brilhantes,
tiveram de aprender na prática até chegarem ao profissional competente que hoje são. O
educador comprometido com seu trabalho deve investir em sua formação, continuá-la para
não frustrar-se profissionalmente, obtendo respeito e melhorias salariais.
Desejar uma escola com eqüidade, que ofereça bom ensino, que prepare para os
desafios da modernidade serão neste contexto de busca da qualidade de ensino um percurso
eterno. Compete aos profissionais da educação receber uma justa remuneração e buscar
constantemente a formação continuada. Para Esteves (1993, p. 98, conforme referencia
HYPOLITTO), a formação continuada exige profissionais "conhecedores da realidade da
escola, capazes de trabalhar em equipe e de proporcionar meios para a troca de experiências,
dotados de atitudes próprias de profissionais cujo trabalho implica a relação com o outro...".
E mesmo pensando que o educador tenha recebido adequada formação, a atualização
é uma exigência da modernidade. Paradigmas caem, métodos são questionados, conceitos são
42
supridos e o mundo caminha velozmente para mudanças de padrões e exigências. Um
certificado tem a possibilidade de abrir as portas do mercado de trabalho, Mas não garante a
permanência nele.
43
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