1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Joana d’Arc Araújo Silva Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação Ouro Preto – MG Abril - 2012 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação Joana d’Arc Araújo Silva Ouro Preto – MG Abril - 2012 3 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação Trabalho final do curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero apresentado a banca examinadora da Universidade Aberta do Brasil, Programa de Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista. Joana d’Arc Araújo Silva Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira Ouro Preto – MG Abril - 2012 4 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Joana d’Arc Araújo Silva Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação Ouro Preto - 2012 5 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação ___________________________ Joana d’Arc Araújo Silva Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira As opiniões expressas neste trabalho são de exclusiva responsabilidade do autor. Ouro Preto – 2012 6 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO Formação Continuada: Um Percurso Importante Para o Profissional da Educação Trabalho final do curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero apresentado a banca examinadora da Universidade Aberta do Brasil, Programa de Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista. Joana d’Arc Araújo Silva Orientadora: Monalisa Pavonne Oliveira BANCA EXAMINADORA ____________________________________ Prof. ____________________________________ Prof. Ouro Preto – MG 7 DEDICATÓRIA À minha mãe que com certeza é a pessoa que mais me incentiva a seguir em frente para alcançar esta e outras realizações pessoais e profissionais. 8 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pelo dom da vida, pela força e coragem concedidas para trilhar o caminho; por tudo que tem feito por mim e pelas pessoas que eu amo e por mais que tente, jamais conseguirei retribuir tantas bênçãos. Agradeço ao meu esposo Geraldo Caetano de Souza que, pacientemente, permaneceu ao meu lado, estimulando-me a ir mais além. Agradeço às pessoas que me ajudaram neste percurso, e que não foram poucas, cuja paciência, disposição, humildade, prontidão, ânimo, otimismo e discernimento contribuíram para minha vitória nessa longa caminhada. 9 RESUMO Todos os profissionais precisam da formação continuada cuja necessidade se fundamenta na condição de que o mundo está em constante evolução. Assunto que sempre é uma questão determinante na qualidade da Educação oferecida pelos sistemas de ensino porque educadores bem formados são profissionais melhores, possuem embasamento teórico adequado. No entendimento da formação dos educadores, a análise se torna abrangente, sendo de suma importância que eles possam ser orientados a conhecer e lidar com assuntos e temas relacionados à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero melhorando sua formação profissional. Os desafios são amplos competindo ao educador ter postura de pesquisador para utilizar estes recursos no processo de sua formação, no seu desenvolvimento profissional e na implementação de novos recursos metodológicos para fortalecer o processo de ensino e aprendizagem dos educandos proporcionando a eles condições de adquirir competências e habilidades para estar inserido na sociedade altamente competitiva. O foco do trabalho é contribuir na reflexão para as futuras práticas de formação continuada de professores, conceituando o termo, expondo como a legislação educacional favorece este processo e reforçando a importância dela para a vida profissional. Estará sendo proposto um estudo bibliográfico do assunto relacionado à formação continuada e a Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero delineando-se o perfil do cidadão participativo. Pretendendo-se relatar que conhecer e implementar a Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero é pré-requisito básico para entender que na educação é preciso ter ousadia e quebrar paradigmas inserindo o assunto nas grades curriculares de todas as modalidades de ensino. Palavras-chaves: Formação continuada, Políticas Públicas, Raça, Gênero e educadores. 10 SUMÁRIO 1- Introdução ....................................................................................................................... 11 1.1 - Objetivos ................................................................................................................... 13 1.2 - Justificativa ............................................................................................................... 14 1.3 - Formulação do Problema .......................................................................................... 15 1.4 - Metodologia de Coleta de Dados ............................................................................. 16 2- Fundamentação Teórica ................................................................................................. 18 2.1 – A importância do educador no combate ao racismo nas escolas ............................. 18 2.2 - Formação continuada: um aprimoramento periódico ............................................... 24 2.3 - Características do educador do século XXI ............................................................. 29 2.4 - Planejamento para inovações da prática pedagógica ................................................ 31 2.5 – A Formação Continuada dos Profissionais da educação em Timóteo/MG ............ 3- 35 Considerações Finais ...................................................................................................... 40 Referências Bibliográficas ................................................................................................ 43 11 01 – Introdução Neste presente trabalho, pretendemos chamar a atenção para um assunto de suma importância para a educação no Brasil, que é formação continuada dos educadores. Partimos do pressuposto de que a formação continuada é um dos pilares da educação, pois a partir dela os professores encontram-se em condições de desempenhar melhor as suas atividades no diaa-dia, além de preparem-se melhor para os percalços e as dificuldades a serem enfrentada no âmbito escolar, no nosso caso, a diversidade social, de raça e gênero. Após a promulgação da Constituição Federal Brasileira em 1988 regimentando uma educação para todos, dever do Estado, percebe-se que um maior acesso à educação tem significado, por conseguinte, uma maior diversidade de alunos na escola. Porém, conforme apontado por Guijarro (2005: p. 07), as instituições de ensino tendem a ofertar respostas únicas que não mais satisfazem as exigências da sociedade e as necessidades dos educandos, com características de homogeneidade e não voltadas para a diversidade. Desse modo, podemos perceber o mesmo modelo homogeinizador de norte a sul do país, em detrimento das especificidades locais e sociais dos educandos. As transformações políticas, econômicas e sociais as quais o país sofreu ao longo das últimas décadas (revolução industrial, início e fim da ditadura militar, surgimento do real, aparecimento do real finalizando uma época de grandes juros, congelamento de preços, eleição de uma presidenta do sexo feminino), obrigaram os sistemas de ensino a se adequarem de forma a preparar a sociedade para o novo panorama que se apresentava de forma evolutiva e constante. Mas todos os esforços empreendidos por movimentos sociais, instituições, estabelecimentos de ensino e os atores envolvidos não têm conseguido alcançar com satisfação os índices capazes de caracterizar uma educação de qualidade dentro dos padrões exigidos por algumas organizações, como a UNESCO, cátedra da ONU para a educação, e voltados, especialmente, para valorização do ser humano e para a minimização dos problemas que são gerados pela discriminação e o preconceito racial. A comunidade escolar é o segundo grupo ao qual o indivíduo passa a fazer parte, o primeiro é a família. Nesse sentido, os especialistas em educação desempenham um papel fundamental nesse aprendizado coletivo. Assim, a família, bem como a escola têm um 12 objetivo comum, que é o de preparar os jovens para o convívio social, transformando-os em cidadãos autônomos e independentes. Assim, a idéia de ensino na escola brasileira hoje propõe a reconstrução social na medida em que professores e alunos aos poucos vão aliando-se com movimentos sociais, no seio das forças sociais existentes para que os educadores assumam um compromisso na elaboração das respostas às exigências da comunidade. Diante do momento histórico em que vivemos, com muitas informações que rediscutem a função social da escola e oferecem políticas públicas que valorizam o ser humano para alcançar direitos que são respaldados pelos Direitos Humanos e a Constituição Federal, é sensível e importante fazer uma reflexão, um questionamento, sobre o papel que cada um dos envolvidos tem a desempenhar nesse processo. Dentre tantas inquietações vivenciadas atualmente no âmbito escolar, optamos por trabalhar com a questão do preconceito na escola porque a diversidade cultural existente no ambiente escolar é vasta e requer estudos e análises específicas, e para que educador e educando possam interagir com a realidade se auto descobrindo e descobrindo coisas novas. Frente a isso e fundamentado pelos módulos oferecidos pelo curso de especialização em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero da Universidade de Ouro Preto UFOP / MG, o trabalho pretende analisar e discutir a questão da diversidade na escola, bem como a formação continuada de professores nessa temática. Desse modo, a intenção será divulgar os resultados da pesquisa à equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Timóteo, no intuito de oferecer um panorama sobre a importância da formação continuada para o desenvolvimento de suas atividades. Pois, pensamos que oferecer uma formação continuada de qualidade contribui na valorização do profissional enquanto professor e ser humano, o se refletirá de maneira positiva na relação entre educando e educador. O município de Timóteo está situado na região Leste de Minas Gerais. A cidade tem cerca de 81.000 habitantes e atende na sua rede municipal de ensino 8.000 alunos com 1232 funcionários de segmentos variados (Educação Infantil, Ensino Fundamental Regular e EJA). Nessa direção, conhecimento, informação e uma fundamentação adequada sobre os benefícios da formação continuada torna-se necessário para promovermos uma reflexão e um debate acerca do tema, buscando orientações teóricas que facilitarão a intervenção dos profissionais de educação na discussão de temas e assuntos relacionados a discriminação racial e diversidade. Informações que foram adquiridas a partir do momento que se percebe que participar de um curso de especialização contribui participar de um curso de especialização contribui 13 sobremaneira para o desenvolvimento profissional e pessoal, aperfeiçoando as habilidades e competências adquiridas na graduação. O curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero vem oferecendo oportunidades para o cursista ter novos e vários olhares tais como mudança de paradigmas, conceitos e inovações com fundamentação que buscam contribuir para o fortalecimento dos valores relacionados ao assunto norteando as possibilidades de modificar e aprimorar práticas tradicionais. Os desafios a serem superados são muitos: realizar leituras variadas, buscar textos pertinentes, escrever e reescrever. Todo o processo que está sendo vivenciado no curso supera as expectativas iniciais porque é dinâmico, encorajador e desafiador. Assim sendo, o projeto aqui elaborado possibilitará a vários profissionais da educação obter informações necessárias para conhecer e saber desenvolver práticas educativas que incorporem o assunto com seus educandos e na sua convivência social porque estará conceituando, caracterizando e divulgando a amplitude da gestão de políticas públicas com foco em raça e gênero, que já está sendo incorporada aos currículos educacionais e propostas pedagógicas de ensino de todas as modalidades educativas no intuito de proporcionar um ambiente escolar inclusivo. Uma inovação metodológica acontece quando as informações estão sendo analisadas e pesquisadas. O ensino e a aprendizagem acontecerão satisfatoriamente quando novas alternativas forem utilizadas. Neste contexto, a gestão de políticas públicas com foco em raça e gênero através de projetos é uma alternativa de inovação metodológica. Através dela o profissional da educação estará ajudando a promover uma cultura de respeito à diversidade, o que, por sua vez, será responsável por mudanças de comportamentos e quebra de paradigmas. A proliferação desta cultura, mudança de comportamento e atitude, colocará o professor que conhecer o projeto num patamar de competitividade e progresso através do estabelecimento de metas e objetivos viáveis e de possível alcance. Ao desenvolver o trabalho com a gestão de políticas públicas com foco em raça e gênero a escola estaria por sua vez cumprindo de fato o papel de preparar o indivíduo para a cidadania, praticando a função social de educar, despertando na comunidade escolar e nos estudantes, futuros cidadãos, a busca por novas possibilidades e por inovação que contribuam para o ensino e a aprendizagem de qualidade e ainda, na melhoria nas condições de vida de todos. 1.1 – Objetivos 1.1.1 - Objetivo Geral: 14 Apresentar uma fundamentação teórica que possibilite aos profissionais da educação compreender a necessidade da formação continuada, visando oferecer informações, discussões e compreensão de assuntos e temas relacionados à superação da discriminação e preconceito racial para melhora a qualidade do processo de ensino-aprendizagem oferecida aos educandos. 1.1.2 - Objetivos Específicos - Incentivar os educadores a buscar constantemente a formação continuada para inovar seus conhecimentos e as práticas pedagógicas. - Apresentar subsídios que respaldem o uso das informações referentes à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero como recurso metodológico para inovar o processo de ensino-aprendizagem dos educandos. 1.2 – Justificativa Vários documentos nacionais e internacionais dos quais o Brasil assina ou subscreve tais como: a Constituição Federal em seus artigos 1º, 3°, 4º e 5º; a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica (Decreto n. 6755, de 29 de janeiro de 2009); a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial do ano de 2003; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei 9.294, de 20 de dezembro de 1996), em específico seu artigo 26-A, que determina a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos da Educação Básica (Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003); o Plano Nacional de Política para as Mulheres; o Programa Brasil sem Homofobia; o Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTTB e Promoção da Cidadania Homossexual, de março de 2004; dentre outros são exemplos dos esforços empreendidos entre a sociedade civil e o Estado no sentido da criação de uma sociedade mais equânime e de respeito à diversidade. Nesse sentido, a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério dentre outros, contribuem para o conhecimento e estudo destas leis e conquistas, pois formam multiplicadores de novos conceitos relacionados à diversidade em prol de uma sociedade menos preconceituosa e mais igualitária. Valendo-se desta fundamentação o projeto aqui apresentado se justifica na medida em que visa contribuir com os educadores na discussão e abordagem de temas relacionados à 15 diversidade, temática esta que cada dia mais se faz presente no ambiente escolar. O racismo acontece a todo o momento através de apelidos pejorativos, exclusão e rejeição dos colegas do trabalho em grupo e demais atividades propostas. Estas atitudes criam constrangimentos variados no ambiente educacional provocando transtorno e sofrimento, e em alguns casos a evasão escolar. Por outro lado, é possível perceber que já existe uma literatura específica que aborda tais assuntos e orientam o educador para saber desenvolver projetos para discussões que abordam assuntos relacionados à discriminação e preconceito racial. A escola é um espaço em que os educandos precisam ter oportunidades iguais, com aulas diferenciadas e dinâmicas. Ciente desse quadro sócio-cultural de preconceito e discriminação percebe-se a necessidade de realizar com os alunos de anos de escolaridades diferentes do ensino fundamental um trabalho diferenciado intitulado Projetos de Ensino Incentivam a Aprendizagem, com o objetivo de oferecer aos educandos condições de discutir, buscar informações, entre outros, fazendo com que reflitam sobre suas atitudes como possíveis mudanças de comportamento. Valorizando todas as culturas e etnias, conscientizando de que os valores de cada um precisam e devem ser respeitado. 1.3 – Formulação do Problema Este trabalho pretende mostrar aos profissionais da educação que a formação continuada é uma exigência atual e que através dela poderão adquirir informações para compreenderem melhor o mundo em que vivem, no sentido de conhecer novas conceituações acerca do próprio trabalho e da diversidade. Pois, o processo de ensino aprendizagem do educador e educando ocorre, também, a partir novas alternativas vislumbradas e aprendidas. Aqui, privilegiaremos as informações relacionadas a Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero que podem ser favoráveis à vida do cidadão. A hipótese levantada para este trabalho é de que de que a formação continuada de educadores, especialmente, relacionada à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero podem contribuir com a aprendizagem significativa do educador e educando para a inovação de metodologias de ensino aprendizagem. A partir dos estudos dos módulos do curso de especialização em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero foi possível constatar que existem várias informações que podem auxiliar os educadores a discutirem temáticas relativas À diversidade no ambiente escolar favorecendo, assim, a aquisição de conhecimentos variados que possam fundamentar uma discussão e busca de conquistas de direitos. Vale ressaltar, entretanto, que a postura do educador tem que ser 16 reelaborada, pois não adianta nada abordar o assunto em sala de aula, sem atualização dos conhecimentos e buscando constantemente a formação continuada. 1.4 – Metodologia da Coleta de Dados O presente trabalho foi desenvolvido através da pesquisa bibliográfica, descrevendo e analisando uma literatura específica referendada pelas disciplinas do curso de especialização em Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero, que justifique o uso do assunto como recurso inovador para a prática de trabalho do educador. Para compreender melhor a necessidade do educador em investir na formação continuada constantemente serão analisadas informações que respaldem a continuidade de estudos e pesquisas. Inicialmente selecionamos obras que discutem ou se aproximam do tema de interesse, consultando-se arquivos de bibliotecas, índices ou catálogos bibliográficos, periódicos e revistas especializadas, bancos de dissertações e teses, bem como a seleção das contribuições culturais e científicas já existentes sobre o tema em questão. Após esta etapa o material coletado foi analisado e interpretado permitindo, dessa maneira, uma conclusão dos resultados obtidos, considerando as três etapas da leitura analítica: textual, temática e interpretativa. Na última etapa do trabalho, buscamos apresentar o tema e as contribuições bibliográficas feitas por diversos autores especialistas na área, de modo a compreender e mostrar a importância da formação continuada entre os profissionais da educação, em especial, os professores da rede pública municipal de Timóteo. Cabe relembrar aqui, que a rede municipal conta com oito mil alunos e 1232 funcionários das mais diversas especificidades. Assim sendo, pensamos que o trabalho que viemos desenvolvendo pode contribuir sobremaneira na melhoria da educação, chamando a atenção para um tema novo ainda na área, que é a formação continuada com foco em raça e gênero. Nessa perspectiva, a contribuição que pretendemos dar não é de cunho conteudista, mas sim uma humanização das relações sociais, pois, o intuito deste trabalho é mostrar que a partir do conhecimento e da informação construiremos seres humanos conscientes de seus direitos e deveres, o que, por vez, é parte integrante na quebra de preconceitos infundados e enraizados na nossa sociedade. Portanto, compreender que os preconceitos e a forma como as pessoas se relacionam é culturalmente construído, isto é, não é inerente ao ser humano é fundamental. Por isso, 17 podemos desconstruir os preconceitos e os paradigmas que sustentam o desrespeito à diversidade e criar novos que contemplem a todos, e não apenas uma minoria. Sendo do agrado da equipe, o projeto poderá ser apresentado para os pedagogos e gestores das escolas que decidirão como será a utilização do mesmo junto aos professores das 15 escolas municipais. 18 Capítulo II Fundamentação Teórica 2.1 - A Importância do Educador no Combate ao Racismo nas Escolas. O aperfeiçoamento do processo de reflexão sobre a construção de novos paradigmas educacionais, as questões relativas ao currículo, grade, calendário escolar e suas estruturas, a construção do conhecimento, os processos de aprendizagem e seus sujeitos ocuparam e ocupam nos últimos anos o centro dos debates e atenção especial de estudiosos (as) pesquisadores / as e movimentos sociais brasileiros. Há exemplo disto é possível verificar que novas políticas públicas estão sendo pensadas e consolidadas. Várias propostas e estratégias estão sendo concebidas à luz de novos estudos e reflexões. Paralelo a esta ação já é possível convivermos com o avanço da escola brasileira no que se refere às possibilidades de acesso da criança e jovens à instituição escolar. Aspectos que para serem consolidados devem vencer desafios variados: discriminação, pré conceito, exclusão social, etc. O afrodescendentes e as pessoas que estão fora dos padrões socialmente definidos por uma minoria excludente, têm vivenciado um ambiente escolar inibidor e desfavorável ao sucesso do seu desenvolvimento integral de suas potencialidades. Lançar um novo olhar de contemporaneidade, para que se construam na escola posicionamentos mais democráticos, garantindo o respeito às diferenças, é fator básico para a construção do sucesso escolar para os educandos. Fundamentar a prática escolar diária direcionando-a para uma educação antiracista é um longo e árduo caminho que se tem a percorrer. Nesse caminhar é possível identificar alguns pontos básicos que poderão fazer parte das reflexões e ações no cotidiano escolar, no sentido de tratar pedagogicamente a diversidade racial, visualizando com dignidade o povo negro e excluído de toda a sociedade brasileira. O assunto não pode ser reduzido a estudos esporádicos, unidades didáticas isoladas ou a momentos espontâneos. Pois, quando dedicamos apenas um período específico para tratar a questão ou direcioná-la para uma disciplina ou área de estudo, corre-se o risco de considerá-la uma questão excêntrica a ser estudada, sem relação com a realidade vivida e o contexto social. Conforme argumenta Marise de Santana os currículos escolares teimam em reforçar os Valores de uma ciência que negou e silenciou nos currículos escolares narrativas de grupos considerados minoritários como, por exemplo, o 19 africano e seus descendentes. Essa educação de exclusão levou os afrobrasileiros a desconhecerem e negarem suas pertenças africanas. (SANTANA; 2006, p 37.) Portanto, é de suma importância que a questão racial e várias outras mobilizações sociais sejam temas que devam ser explorados em todas as propostas de trabalho, projetos e unidades de estudo ao longo do ano letivo. Ao estudar a cultura afro-brasileira, atentar para visualizá-la com consciência e dignidade. Neste contexto, é aconselhável enfatizar suas contribuições sociais, políticas, intelectuais, econômicas, culturais, experiências, estratégias e valores. Generalizar a cultura negra, estudando tão somente aspectos relativos a seus costumes, vestimenta, alimentação ou rituais festivos sem contextualizá-la, é um procedimento que deve poupado para que não cometamos erros de desvalorização. Tratar as questões raciais no ambiente escolar de forma simplificada em algumas áreas, ou em uma disciplina, etapa determinada, data ou dia escolhido, não é a melhor estratégia para proporcionar aos educandos condições de se posicionarem frente a uma ação reflexiva e crítica da realidade em que estão inseridos. Na contextualização das situações, os educandos aprenderão novos e vastos conceitos, analisarão fatos e poderão se capacitar para intervir na sua realidade para transformá-la. As atividades propostas nas diferentes áreas podem sempre considerar alguns princípios que demandem uma determinada visão de mundo valorizando o coletivo e não somente o individual, que assinalem na direção da problematização de uma memória local, nacional e ao mesmo tempo ancestral. Os conteúdos das variadas disciplinas poderão ser fortes aliados na efetivação de uma metodologia inovadora. A aprendizagem de conceitos constitui elemento fundamental de aprendizagem das ciências para que o indivíduo possa por meio e a partir deles interpretar e interagir com as realidades que estão em seu entorno em vários âmbitos. Essa ação sobre as realidades a serem interpretadas e transformadas encaminha o ser humano, sujeito de fato e transformador a rever constantemente seus conceitos, adequando-se às novas circunstâncias que se são delineadas no percurso que hora se apresenta. Nessa perspectiva, o conhecimento científico junto com o fazer pedagógico pode valorizar a fomentação de uma problematização das práticas sociais para sensibilização de um olhar mais crítico diante da realidade, indicando para ações que redefinam prioridades e utilizem a contribuição de todos os povos no desenvolvimento curricular. A história do negro e de outros grupos sociais oprimidos e toda a trajetória de luta, opressão e marginalização sofrida por eles, deverão constar como conteúdo escolar. Os educandos compreenderão melhor os porquês das condições de vida dessas populações e a 20 correlação entre estas e o racismo presente na sociedade escrita e construída a partir de vários cenários. As situações de desigualdades deverão ser ponto de reflexão e análise para todos e não somente para o grupo discriminado, condição básica para o estabelecimento de relações humanas fraternas, solidárias e coniventes. A escola que deseja pautar sua prática escolar no reconhecimento, aceitação e respeito à diversidade racial organiza estratégias para o fortalecimento da auto-estima e do orgulho ao pertencimento racial dos educandos que freqüentam seus ambientes. É possível perceber que o preconceito é construído, que não é inerente ao ser humano, e que em virtude disso, o combate sistemático ao racismo de maneira a compreender como essas relações humanas são construídas e que é possível criar novos “conceitos” sobre este assunto. Desse modo, pensando o preconceito como algo construído torna-se possível desconstruí-lo e atribuir novas perspectivas à realidade. O estabelecimento de ensino deveria ter como meta promover o nível de reflexão de seus educados, instrumentalizando-os (as) no sentido de fazer uma leitura crítica do material didático, paradidático ou qualquer produção escolar. Empreitada árdua para a comunidade escolar e instituições educacionais. Algumas ações devem ser empreendidas nessa construção: a disponibilização de recursos didáticos acessíveis aos educandos (recursos midiáticos), a construção de materiais pedagógicos eficientes, o aumento de acervo de livros e materiais da multimídia (CDs, DVDs, programas de computadores) da biblioteca sobre o assunto, a oferta de variedade de brinquedos contemplando as dimensões multiculturais. Os profissionais dos diversos segmentos educacionais devem aprender a utilizar de forma adequada o material didático, transformando-o em instrumento gerador de consciência crítica. A desconstrução da ideologia que exclui e discrimina pode contribuir para o processo de reconstrução da identidade étnico-racial e auto-estima dos afro-descendentes, percurso fundamental para a aquisição dos direitos de cidadania. A desconstrução da ideologia caminha em direção a possibilidade do reconhecimento e aceitação dos valores culturais próprios, incluindo a sua aceitação por indivíduos e grupos sociais pertencentes a outras etnias, facilitando as trocas interculturais na escola e nos diferentes ambientes sociais. Corrigir a cicatriz da desigualdade atribuída às diferenças constitui-se em tarefa de todos e já são vários os sujeitos que de fato contribuem para atingir esse objetivo. A presença dos movimentos negros, nessa tarefa, recontando a história do negro na África e no Brasil, desde a formação de grupos organizados há séculos, reivindicando educação para os negros por meio de manifestos, música, teatro e ação sistemática junto aos órgãos de ensino, tem que ser lembrada constantemente. 21 A aproximação das escolas com as reivindicações dos movimentos negros possibilitou a inclusão da contribuição dos afrodescendentes nos currículos escolares, reconhecendo, assim, a participação dos negros não somente na formação de um povo mestiço e tradições culturais. Mas, como participantes de diferentes aspectos que constituem nossa história, como nos âmbitos político e econômico, aspectos estes que anteriormente eram reservados à elite branca. Portanto, torna-se mais necessária agora, que o tema transversal Pluralidade Cultural seja introduzido nos currículos para educadores que, em sua maioria, não receberam uma formação adequada para desenvolvê-lo. Com a certeza de que, por sua importância, esse tema, bem como os demais temas transversais (saúde, meio ambiente, orientação sexual, ética, temas locais) tornar-se-ão constituintes dos currículos escolares e possibilitarão em breve a participação de todos na tarefa de promover o respeito entre si. A intenção neste momento é chamar a atenção pra importância dos educadores nesse processo de construção de novos paradigmas educacionais. Aprimorando o processo de reflexão sobre a construção de novos paradigmas educacionais, as questões relacionadas ao currículo e suas estruturas, a construção do conhecimento, os processos de aprendizagem e seus sujeitos ocupam nos últimos anos o centro de debates a atenção especial de estudiosos (as) pesquisadores, movimentos sociais brasileiros e governos. Novas propostas e estratégias estão sendo e deverão ser concebidas, porque o momento atual demonstra que a escola brasileira está avançando para oferecer ao educando possibilidades de acesso, equidade, permanência e sucesso no estabelecimento de ensino. Os avanços são considerados grandes desafios porque criança, adolescente e jovem, negro e negra, tem vivenciado um ambiente escolar inibidor e desfavorável ao seu sucesso, ao desenvolvimento pleno de suas potencialidades. Lançar um novo olhar de contemporaneidade, para que se criem na escola posicionamentos mais democráticos, garantindo o respeito às diferenças, é condição básica para a construção do sucesso escolar para os educandos e toda a comunidade escolar. Fundamentar a prática escolar diária direcionando-a para uma educação anti-racista é um caminho que se tem a percorrer. Nesse caminhar, será possível identificar alguns pontos básicos (respeito, valorização, dignidade, etc.) que poderão fazer parte das reflexões e ações no cotidiano escolar, no sentido de tratar pedagogicamente a diversidade racial visualizando com dignidade o povo negro e toda a sociedade brasileira. O movimento social dos negros no Brasil vem mostrando que o conhecimento propicia abertura para o respeito e valorização das diferenças étnicas, culturais e religiosas ultrapassarem a discriminação e o preconceito caminhando na direção de uma sociedade 22 democrática que é tarefa primordial do trabalho educativo voltado para a cidadania e sua plenitude. Todas as disciplinas enquanto componentes curriculares da escola possibilitam a reflexão crítica sobre a realidade, ajudando os educandos no desenvolvimento de uma posição crítica diante dela e de uma vivência fundamentada na solidariedade, nos direitos humanos, na justiça, na ética e na defesa da dignidade do ser humano, para que possam assumir função ativa na sociedade num compromisso de se envolver na transformação das causas injustas. Se o desejo do educar é ter uma educação de qualidade que reconheça as diferenças individuais e atinja a compreensão dos conteúdos trabalhados é possível dar-se enormes passos com os recursos variados (pesquisas na internet, uso de redes de relacionamentos, entrevistas com membros de instituições, etc). Pois, como viemos percebendo ao longo deste trabalho, a construção do conhecimento é dar sentido de forma agradável ao assunto que se ensina, pois o trabalho em equipe e a união de um grupo é que faz a diferença. Afinal, quando o ser humano passa por algum lugar ele deixa um pouco dele e levamos um pouco do outro, dividindo os conhecimentos, somando as experiências e ressignificando os conceitos. Existem muitos caminhos a percorrer, muitos conhecimentos para adquirir. Sendo assim, esse trabalho foi um pequeno esboço de pesquisas, leituras e de práticas realizadas para proporcionar conhecimentos os quais se almeja alcançar cada vez mais, sempre ressignificando a prática pedagógica. De acordo com Simone Santos: é urgente, portanto, a tomada de consciência por parte desses profissionais sobre os valores socioculturais trazidos pelas/os educandas/os e instituir um currículo que seja capaz de recriar suas histórias, incorporando-as ao saber acadêmico e, dessa forma, interagir na formação de cidadãos conscientes e capazes de enfrentar as desigualdades, romper as armadilhas dos preconceitos, garantindo o espaço participativo e a conquista de direitos no combate às exclusões. (SANTOS: 2006, p.5) Mapear as características, habilidades, valores, ritmos e desejos desses jovens, que são muito adiantados no processo de aquisição do conhecimento, é uma tarefa complexa e necessária para um constante e significativo processo de transformação de aprendizagem. Utilizar as chamadas informações atualizadas na educação significa, essencialmente, sugerir desafios que possibilitem tanto ao educando como aos educadores rever os conhecimentos já edificados e construir novos saberes. Nesse novo cenário, o papel do educador é o de construir uma rota, mediar as descobertas, estabelecer link a partir de teias de informações que são edificadas com o uso de recursos variados. Os projetos desenvolvidos e 23 planejados favorecem a construção de conhecimentos significativos e auxiliando o educador a dialogar com os educandos fazendo-os se sentirem parte da construção de seu saber. Conforme reforça os Parâmetros, a escola é um espaço privilegiado para a promoção da igualdade e a eliminação de toda forma de discriminação e racismo, por possibilitar em seu espaço físico a convivência de pessoas com diferentes origens étnico-raciais, culturais e religiosos. Além disso, sua atuação é intencional, sistemática, constante e obrigatória. Ensinar e aprender exige hoje muito mais flexibilidade, tanto pessoal como de grupo, tempo, espaço, poucos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e comunicação já que uma das várias dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos, menos fixos. Visto que na sociedade as informações são muitas, gerando dificuldades para escolher quais são significativas e conseguir integrá-las dentro do seu cotidiano. Portanto, a aquisição da informação dos dados dependerá cada vez menos do educador cujo papel principal é ajudar o educando a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. Para fundamentar a necessidade do educador em investir na formação continuada constantemente serão analisadas informações que respaldem a continuidade de estudos e pesquisas. O Plano Nacional de Educação (doravante PNE, 2000) é um exemplo claro de que o Brasil vem tomando consciência de que valorizar o magistério é um dos primeiros passos para se ter uma educação de qualidade. Eugênia Marques em seus estudos salienta que é importante, portanto, repensar o papel da escola e do currículo enquanto mecanismos de reprodução do conhecimento da cultura, ou seja, perceber como são produzidos os conceitos de pertencimento, exclusão e os discursos entre os diferentes grupos sociais e redefinir a situação dos professores (MARQUES: p.13). Nas Diretrizes do Parâmetro, no item que trata da Formação dos Professores e Valorização do Magistério, o teor do texto dá ênfase à importância da formação continuada dos professores ou na capacitação em serviço, como condição e meio para o desenvolvimento do país reforça que é a formação continuada o foco para a melhoria permanente da qualidade da educação proporcionando novos caminhos para o profissional da educação. Nesta perspectiva investir em formação continuada é uma ação importante e necessária uma vez que as normatizações governamentais que tratam deste assunto amparam as iniciativas dos profissionais que aderem a esta opção. 24 2.2 – Formação Continuada: Um Aprimoramento Periódico e Aliada da Escola na Sociedade da Informação Educar é mostrar vários caminhos, tornando-se importante oferecer ao ser humano condições de tomar consciência de si mesmo, dos outros e da sociedade para que ele possa absorver-se como pessoa e saber aceitar os outros. Assim é possível entender que a educação proporciona múltiplas ferramentas para que o ser humano possa escolher entre muitos percursos, aquele que lhe convier, a partir de seus valores, e com as diversas situações que virá a se deparar. Enfim, educar implica preparar o educando para os desafios do cotidiano. Com essa mudança de postura, o educador passa a exigir intensas alterações nas atitudes pedagógicas, independentemente das condições que o estabelecimento de ensino e o sistema educacional proporcionam à sua prática docente. É de única responsabilidade do educador a forma de se estruturar em sua prática cotidiana, lançando mão de vários recursos metodológicos para tornar as suas aulas significativas, prazerosas e atrativas, possibilitando que o educando desenvolva-se enquanto sujeito crítico e atuante no meio em que vive, sendo necessário adquirir novas posturas e ações melhorando a prática pedagógica porque a diversidade é de uma magnitude enorme. Santos, fazendo análise do que tem mudando na educação nos últimos anos diz que os cursos de licenciatura têm recebido inúmeras críticas, especialmente no que se refere à sua ineficiência quanto à formação dos profissionais de educação. Já é questão de consenso que os egressos dos cursos de graduação não estão preparados para atender as necessidades das escolas, principalmente no que se refere à compreensão da criança como ser históricosocial, capaz de construir seu próprio conhecimento. Na visão de muitos ainda há a separação do saber popular e do saber acadêmico. (SANTOS: 1998, p.12) A grande maioria das instituições educacionais ainda é pautada numa prática que considera a idéia do conhecimento – repetição sob uma ótica comportamentalista, tornando o conhecimento cristalizado e / ou espontaneista e não como um saber historicamente produzido visto sob a ótica do conhecimento-construção. Quadro que só se tornará diferente quando a escola realizar transformações nos currículos de formação dos educadores e quando o educador perceber que a ele está destinada a responsabilidade de investir na sua formação continuada de qualidade, formação que estará auxiliando o educando a valorizar os saberes acumulados que os educandos têm, incorporando outros a partir das suas relações adquiridas no seu cotidiano. 25 É, também, da responsabilidade do educador a melhoria da qualidade do processo de ensino / aprendizagem, cabendo a ele desenvolver novas práticas didáticas que permitam aos educandos adquirir aprendizagem contextualizada e significativa. Sendo importante que a intervenção ocorra no momento certo, estimulando o educando para a reflexão, a caminho da estruturação do conhecimento. Na prática do trabalho desenvolvido com o educando a diversidade de desafios sejam sociais, culturais, emocionais e afetivos é relevante. Para trabalhar com estas diversidades o educador necessita de uma boa formação profissional. Santos sugere três pilares que sustentariam uma boa formação profissional: a formação teórica, a formação pedagógica e como inovação a formação lúdica. Temas que auxiliarão a incorporar os conteúdos do cotidiano, assuntos que beneficiarão a comunidade escolar. Este tipo de formação não existe nos currículos oficiais dos cursos de formação do educador e tem se tornado uma necessidade imediata. Compete ao educador ter uma formação ampla, integral, baseada no humanismo, valorizando o ser humano como absoluto, único e pertencente a uma sociedade, fundamentada nos princípios do conhecer, do ser e do agir integralmente em prol de uma educação mais apropriada. Uma das competências que o educador deve ter, defende Perrenoud, é o de saber conduzir sua formação contínua, explicitando as próprias práticas, constituindo seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação contínua. Assim ele poderá realizar uma análise das habilidades que possui, refletir sobre suas potencialidades e tentar preencher suas necessidades de atuação da realidade onde está inserido. O balanço destas competências que o educador tem, deveria ser uma prática espontânea e constante para se contrair a autonomia do profissional em vista de uma renovação de conhecimentos. (PERRENOUD: 2000, p.32) Para adquirir estas habilidades, segundo o autor, é necessário elaborar um projeto de formação individual do educador. Através deste trabalho cada docente poderá realizar uma auto-avaliação, percebendo suas próprias falhas e diminuindo a distância entre o que faz e o que gostaria de fazer. Se os profissionais souberem administrar a sua formação contínua têm maiores chances de se atualizarem e desenvolverem outras competências necessárias ao bom desempenho de sua função. Por conseguinte, os recursos cognitivos utilizados para construir as competências devem ser estimulados, adaptados às novas condições de trabalho e atualizados, por isso, vê-se a necessidade de uma formação contínua. Para conseguir administrar a sua formação contínua, o profissional deve saber explicitar as próprias práticas base para uma autoformação que acontece por diversos meios, 26 entre eles a leitura, o trabalho em equipe, a discussão com outros profissionais, a experimentação, a inovação, e a reflexão pessoal regular. Entenda-se por prática reflexiva, uma reflexão metódica e conseqüentemente aprendizado e mudança de atitude a partir dessa reflexão constante. Adquirir uma formação plena, o educador deve desenvolver habilidades e competências distintas que possibilitem trabalhar em equipe, utilizar novas tecnologias e administrar sua própria formação contínua refletir sobre a sua prática, de discutir com os colegas de trabalho prováveis soluções para as problemáticas vividas e estimular a pesquisa constante para a melhoria do seu trabalho. O Plano Nacional de Educação (doravante PNL, 2000) é um exemplo claro de que o Brasil vem tomando consciência de que valorizar o magistério é um dos primeiros passos para se ter uma educação de qualidade. Em seu bojo são realizadas referências significativas em relação à formação profissional inicial, as condições de trabalho, salário e carreira e a formação continuada dos educadores que se colocadas em prática e reivindicada farão mudanças significativas para educador e educandos. Nas citações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, no item que trata da Formação dos Professores e Valorização do Magistério, o teor do texto reforça a importância da formação continuada dos professores ou na capacitação em serviço, como condição e meio para o desenvolvimento do país, pois a produção e criação de novos conhecimentos e tecnologias dependem do nível cultural das pessoas; reforça, que é a formação continuada o foco para a melhoria permanente da qualidade da educação proporcionando novos caminhos para o profissional da educação. Já na LDB/96, Título VI, que trata Dos Profissionais da Educação, o artigo 61 assegura a formação continuada dos professores, através da associação entre teoria e prática, ação e reflexão. Esta ação é reforçada no artigo 67 da mesma lei, quando esclarece que o aperfeiçoamento profissional continuado é uma das condições de valorização do magistério, devendo ser realizado periodicamente inclusive com licenciamento periódico remunerado. No Brasil já é possível perceber que algumas ações já estão sendo organizadas como forma de valorizar o profissional da educação (formação continuada dentro da jornada de trabalho, oferecimento de cursos on-line via Plataforma Freire1, etc). Aos poucos, com muita esperança e reivindicações, os resultados de melhorias para o quadro de formação do educador tenderão a apresentar resultados significativos, ou seja, são as novas tecnologias influenciando 1 Ver: www.plataformafreire.com.br 27 a sociedade, alterando valores, atitudes, pensamentos, formas de pensar, agir, vestir, estudar, trabalhar entre outros. O educador deve antecipar-se aos acontecimentos, informando-se e formando-se para presumir as mudanças da sociedade; não pode ficar neutro diante dos acontecimentos e transformações da sociedade, pois a educação é o primeiro local onde as mudanças são percebidas de uma maneira muito veloz. Devido à influência da tecnologia no ambiente educacional, os educadores comprometidos precisam prever o estabelecimento do ensino do amanhã, o seu público e seus programas através de uma observação cultural, sociológica, pedagógica, e didática do mundo que os cercam. Assim conforme reforça Perrenoud, uma das dez novas competências que o educador deve desenvolver e aprimorar para ensinar é a utilização das novas tecnologias (sendo as outras: organizar e dirigir situações de aprendizagem, administrar a progressão das aprendizagens, conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação, envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho, trabalhar em equipe, participar da administração da escola, informar e envolver os pais, enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão). Sob esta ótica, pensamos que é importante estar atento aos benefícios que as novas tecnologias podem trazer, pois o uso correto das tecnologias para tornar as aulas mais interessantes e bem ilustradas, poderá sim mudar o paradigma, de um estabelecimento de ensino voltado para o educando, para uma instituição centrada na criação, gestão e regulação das situações de aprendizagem. O educador, portanto, precisa estar a par das descobertas científicas e dos acontecimentos históricos atuais, a fim de obter embasamento que aprimore a qualidade ao seu trabalho educativo; deve instigar os educandos a conhecerem a conjuntura dos fatos mundiais e a perceberem a influência desses acontecimentos no seu cotidiano, no seu entorno. Na opinião de Vieira, o aperfeiçoamento profissional, igualmente, um projeto pessoal, que implica uma relação do professor consigo mesmo, seja em termos de tempo, espaço e realização de tarefas, mesmo que feitas ou pensadas em função de outro. Estudar, escrever, fazer pesquisas na Internet são formas pessoais de aperfeiçoamento. (VIEIRA: 2004, p.56) Ao longo da história a formação do profissional da educação se preocupava em evidenciar que ele deveria transmitir conteúdos, ou que ele deveria ensinar preocupado com a didática e por último acreditava-se que o educador deveria ensinar com qualidade focado na formação integral do indivíduo, envolvendo o saber do educador, a satisfação e o significado 28 inseridos na aprendizagem, porque aprender também é sentir o prazer de entender e conhecer sempre mais. Não e possível desconsiderar este cenário, mas atualmente é importante considerar que educador deve estar capacitado para aprender sempre, de forma contínua, tornando-se capaz de entender e refletir as mudanças ocorridas na sociedade, aprimorando a sua prática pedagógica para promover aprendizagens mais significativas e se auto-motivar, motivando os educandos na busca e construção de conhecimentos em um ambiente virtual. A intenção da formação continuada é despertar, sensibilizar e provocar os aprendizes a repensar sua prática, atribuindo a ela algumas mudanças necessárias ao momento atual. Este momento requer profissionais que dominem as novas tecnologias a seu favor e realizem inovações que possam realmente marcar na vida dos educandos. Para habilitar os profissionais da educação no desenvolvimento de propostas que incorporem as mídias é fundamental que os utilizem em atividades educacionais. Neste sentido, a preparação profissional tem papel importante para possibilitar que possam experimentar em seu próprio processo de aprendizagem a qual deve ser orientada pelo princípio metodológico geral que pode ser traduzido pela ação-reflexão-ação e que aponta a resolução de situações-problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas, incluindo o replanejamento constante. No contexto atual é importante atrair os profissionais envolvidos com a educação a uma (re)análise do cotidiano pedagógico, tendo em vista a modificação do olhar para a realidade do entorno e modificada pela evolução tecnológica. Tornando-se importante investir formação continuada e insistir no que dá sentido ao trabalho da docência buscando coerência de princípios entre o que se pretende fazer, a ação e a avaliação, tornando-se importante que a formação seja pautada em mudanças de avanços significativos e qualitativos. A formação do profissional capaz de propagar mudanças na sua prática demanda especificidades que podem ser a formação teórica, a formação pedagógica e como inovação a formação tecnológica. Este tipo de formação não está contemplado no currículo do educador e tem se tornado uma necessidade imediata para a prática pedagógica. No entanto, elas só se tornam presentes quando o educador, durante e após o término de um curso de capacitação, recontextualizar na sua prática pedagógica aquilo que aprendeu. A aprendizagem significativa do educador nunca está encerrada, e nunca poderia estar, pois são muitas as questões com os quais ele se depara todos os dias em sua sala de aula e postas pela sociedade contemporânea, as quais geram expectativas e necessidades diferenciadas em função do mundo que está em constante transformação em todos os âmbitos. 29 Neste sentindo Moran2 reforça este entendimento quando diz que se o educador quiser expandir o seu olhar para outros horizontes, é importante que ele esteja engajado em programas de formação continuada, cujo grupo em formação reflete em conjunto sobre as práticas em realização e tem chances de encontrar diferentes alternativas para avançar nesse trabalho de integração entre mídias e conhecimento, propiciando as interconexões entre aprendizagem e construção de conhecimento, cognição e contexto, bem como o redimensionamento do papel da escola como uma organização produtora de conhecimento. 2.3 – Características do Educador do Século XXI Para a nova conjuntura é importante a presença do educador inovador que tem coragem de ousar, mudar sem se distanciar de sua missão de educar para um novo mundo, para um espaço mais plural, significando que na sala de aula, esse profissional desta nova “Era do conhecimento" deve contextualizar o ensino, organizar o tempo e os processos educativos, trabalhar pautado na realidade e na sociedade existente, promovendo o trabalho em grupo e com projeto, valorizando a pesquisa, a investigação e fomentando a criatividade, integrado nas mudanças tecnológicas, para poder orientar seu educando interagindo e motivando-os na busca de vários conhecimentos de diferentes áreas. Ser um mediador entre o conhecimento sistematizado e as necessidades dos educandos, na possibilidade de ampliar e diversificar as formas de interagir e compartilhar experiências em novos tempos e espaços. É possível citar outros aspectos de considerável relevância das características do educador: buscar atualização em diversas áreas; estimular e utilizar as tecnologias disponíveis ao seu alcance; conhecer a cultura do estabelecimento de ensino; ser participativo e comprometido; fundamentar suas ações a partir do Projeto Político Pedagógico da escola em que está inserido e de acordo com a realidade do estabelecimento de ensino; inovar usando as novas tecnologias para ministrar suas aulas; planejar, desenvolvendo atividades, a partir, do conhecimento que possui sobre o conteúdo e dos conhecimentos que os alunos já trazem consigo; ser dinâmico; motivar os educandos na construção do conhecimento e potencializar sua ação pedagógica fazendo-os atuarem como sujeitos de seu conhecimento. Esta mudança de perspectiva deixa bem clara que hoje, espera-se que o professor ensine segundo a lógica da inclusão e que seja um agente potecializador deste processo juntos aos educandos. 2 Ver: http://www.eca.usp.br/prof/moran/integracao.htm 30 A postura assumida de um educador inovador é aquele profissional que tem a humildade de buscar compreender o lugar de onde o educando fala, como: idade, classe social, etnia, gênero, e outros aspectos mais interagindo e trocando as informações necessárias para a construção do conhecimento, estando comprometido com o caminho das oportunidades que incentivarão habilidades e competências para a gestão de mudanças e processos. O educador será um introdutor de novidades na sua atuação pedagógica, proferindo o conhecimento de maneira dinâmica, com responsabilidade e segurança, motivando seus educandos a debates, expressando suas idéias na construção do conhecimento com as seguintes características: pesquisador, observador, inovador; atento as novidades tecnológicas, dinâmico, criativo, motivando os educandos a posicionarem-se frente aos conhecimentos, compreender o estabelecimento de ensino como espaço de reelaboração de crítica, percebendo a aprendizagem como não conclusiva, ajustando-se às novas características do estabelecimento de ensino, preparando-se para decifrar e abranger imagem, analisando e arquitetando novas mensagens, integrando os múltiplos recursos tecnológicos. O educador inovador tem a curiosidade para saber utilizar as informações com capacidade de realizar uma interação dos conteúdos dos trabalhos e fundamentar sua atuação de modo que os conteúdos não fiquem segmentados e desconexos e sim, desenvolvam uma rede complexa e dinâmica formando um elo contemplador de todas as disciplinas, possibilitando ao educando a oportunidade de ir à busca do conhecimento que lhe é mais motivador. É possível perceber que o trabalho docente coloca o educador num terrível duelo: se por um lado, fortes tendências obrigam-no a ensinar valores e atitudes que contribuem apenas para manutenção do quadro social, por outro, o apelo da sua própria razão de ser: formar pessoas para transformar e melhorar tudo a nossa volta. Na sala de aula, com os educandos o trabalho do educador realiza-se por meio de uma prática social específica que envolve a relação “educador-aducando-conhecimento”. Situação que precisa ser vista de uma forma mais humana e tolerante, proporcionando ao educando condições de analisar, construir, participar, interagir, desenvolvendo uma idéia de que uma concepção de ensino surge e se estabelece em meio à fertilidade proporcionada pelo contexto histórico, pelas relações sociais e pela produção científica disponível. Assim sendo, o sucesso pedagógico de qualquer trabalho vai depender da postura do educador durante as atividades didático-pedagógicas. O seu papel como mediador do processo vai contribuir ou não para uma aprendizagem rica e significativa. Cada vez mais torna-se imprescindível a presença de educadores sensíveis para o aprofundamento de reflexões e o desenvolvimento de novas posturas ou ações diante da 31 realidade para a superação da opressão na sociedade, ou seja, a informação em tempo real constitui-ser uma base que alicerça a construção de sentidos por parte do sujeito em processo de aprendizagem e de uma interação com uma sociedade em constante movimentação. A prática empreendedora está ligada à novos desafios, ao comprometimento com as próprias escolhas, a uma constante busca de qualidade e à essencial vontade de inovar, de fazer coisas que ninguém faz, de ser real, de ir além. Quando o educador adquire essa postura com a sua própria vida e na sua ação profissional, passa a servir de modelo para seus educandos. Quando demonstra seu prazer em conviver com jovens criativos, inovadores que buscam desafios e que desejam criar seus próprios futuros, tornando-se um agente que incita e provoca a postura empreendedora. Para estimular a pró-atividade do educando e a sua vontade de aprender mas evitando-se o abandono escolar a evasão, ampliando a experiência e aprendizagem do educando motivado-o para o desejo de aprender, o educador deve desenvolver seus trabalho gerando uma aprendizagem com o uso de dinâmicas, processos de criação, práticas iniciais de negócios e entendimento da realidade socioeconômica, utilizando-se do princípio “aprender fazendo”, isso parte-se do princípio que formação continuada é importante e necessário porque sem dúvida isso exige abertura e disposição. 2.4 – Planejamento para Inovação da Prática Pedagógica Independente do nível de atuação é possível perceber a dificuldade que os educandos vivenciam no cotidiano para a apropriação de informações em função de currículos desatualizados, profissionais da educação que não participam de formação continuada, dentre outros fatores. Isto se constitui numa situação contraditória, tendo em vista a velocidade das transformações, cada vez mais aceleradas e bruscas - e os problemas educativos são enfrentados, com pouco sucesso. Com a tecnologia da informação, consegue-se alcançar inúmeros pontos do globo, encurtando-se as barreiras culturais e físicas. Os educandos já demonstram estar aguardando uma proposta nesta direção, contrário à escola acoplada aos espaços e tempos fechados dentro de quatro paredes, do livro didático, dos conteúdos curriculares extensivos e dos exercícios repetitivos. Surgem novas perspectivas de considerar a investigação como fonte geradora de novas propostas para a sala de aula. O progresso dos meios tecnológicos, o crescimento e o desenvolvimento de todos os segmentos da informática e da informação, vêm propiciando um avanço na criação e evolução de novos dispositivos voltados para a educação Visto que a expansão dos meios tecnológicos 32 tem atingido diferentes instâncias da vida do indivíduo, como a pessoal, a profissional, e, no nosso caso, a formação educacional. O educador, por sua vez, convive com inúmeros problemas, mas não dá a devida atenção a eles e pouco faz pela sua solução com sucesso. É importante reverter o processo, desafiando, criando alternativa, pesquisando e investindo na formação continuada. Neste sentido, é necessário o educador conscientizar-se da importância de unir esforços em equipes interdisciplinares, diminuindo a distância entre os profissionais da Educação e da Informática. Sendo que este entendimento pode mobilizar os educadores, a fim de não perder espaço e poder de decisão sobre assuntos de sua área de desempenho. Diante de vários desafios que o educador enfrenta torna-se importante rever os processos pedagógicos que ainda instigam o trabalho individual, competitivo e mecanicista. Por seu lado, o educando precisa estar apto a buscar suas próprias interpretações, a aprender a fazer as suas próprias perguntas para se adequar ao mundo globalizado e competitivo. Entender que sua formação deve estar baseada no questionamento e não na aceitação incondicional de resposta pré-fabricada de um ensino tradicionalmente estagnado; a capacidade de permanente questionamento, de pesquisa e de descobertas se opõe à monotonia do conhecimento como um valor estático e absoluto parado no tempo. Essa potencialidade é constituída em um sujeito histórico, capaz de construir um posicionamento criativo, renovador e crítico. Entretanto, a qualidade de aprender a aprender engloba uma manifestação lúdica, motivada pela curiosidade crítica e que pode ser apoiada pelo uso amadurecido da tecnologia. Não podendo desconsiderar que faz parte da curiosidade e da autonomia do educando a segurança em si mesmo. Isto é fundamental para a firmeza com que atua, com que decide, possibilitando discutir suas próprias posições e aceitar revê-las. Curiosidade que nos move, que inquieta, que insere o educador na busca de novos conhecimentos e recursos. Por isso, também as informações relacionadas a Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero se justificam, pois permitem dinamicidade no processo, possibilitando ao educador levantar vários questionamentos Várias indagações podem auxiliar o educador a avaliar a qualidade do seu trabalho com os educandos e algumas seqüências devem ser respeitadas, para que possam determinar os conteúdos prévios que cada educando tem em relação aos novos conteúdos de aprendizagem; estabelecer conteúdos de forma que seja significativos e funcionais para os educandos; organizar conteúdos que são adequados ao nível de desenvolvimento de cada educando e da turma; estabelecer conteúdos que representem um desafio alcançável para o educandos, que levem em conta suas competências atuais, que permitam criar zonas de 33 desenvolvimento proximal e intervir, conteúdos que provoquem um conflito cognitivo e promovam a atividade mental necessária para que se estabeleçam relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios, conteúdos que promovam uma atitude favorável, que sejam motivadoras em relação à aprendizagem de novos conteúdos, conteúdos que estimulem a auto-estima e o auto conceito em relação às aprendizagens que propõem que o educando possa sentir que certo grau aprendeu, que seu esforço valeu a pena, conteúdos que ajudem o educando a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, que lhe permitam ser cada vez mais autônomo em suas aprendizagens. O fluxo das informações que circulam na sociedade contemporânea é muito grande, devido à alta disponibilidade proporcionada pelas facilidades de manuseio oferecidas pela informação, existindo a necessidade de aplicar estratégias de modo que os alunos possam refletir, (des) (re) construir conhecimentos de forma pessoal e coletiva, aplicando as noções de autonomia e de coletividade. Aliada a todos as metodologias inovadoras a utilização de informações relacionadas à educação empreendedora no ambiente escolar poderá auxiliar e motivação à prática pedagógica, um instrumento modificador do processo ensino-aprendizagem. Conforme reforça Gasparetii, segundo várias pesquisas realizadas nos anos 60 nos Estados Unidos (Brunner), a atenção dos estudantes tem uma duração média de vinte minutos. Porém, se os alunos são estimulados a participar ativamente da aula, essa média duplica. O aprendizado é fundamentalmente um processo personalizado e interativo, isto quer dizer que o aluno participa ativamente da construção de sua própria consciência. Diz um velho ditado: devagar se vai ao longe. (GASPARETII: 2001, p.17), Assim sendo é possível constar que o educador, precisa da formação continuada para auxiliá-lo a buscar soluções inteligentes para o gerenciamento e a qualidade do seu trabalho no estabelecimento de ensino. É neste ambiente que está o foco e a razão do seu trabalho de educador - o educando. Para desenvolver um trabalho de qualidade precisa conhecer a turma, aquilo que ele quer ensinar e como vai fazer isso na prática, sabendo que, na sala de aula, ninguém aprende da mesma maneira. Os cursos, capacitações a serem oferecidas ao educador tem que atendendo suas necessidades desejos e anseios, propondo o estudo de assuntos temas que possam viabilizar condições ao educador de realizar intervenções no seu ambiente escolar. Neste contexto educacional o planejamento entra como componente fundamental. A formação contínua (2) é (Nóvoa 1991, Freire 1991 e Mello 1994) saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto 34 educacional contemporâneo. Nova o bastante para não dispor ainda de mais teorias nutrientes, provavelmente, ainda em gestação. É uma tentativa de resgatar a figura do mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão, tão desgastada em nossos dias. "Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática". (FREIRE, 1991: 58 citado por HYPOLITTO). Um plano de trabalho e uma série de atividades bem organizadas são marcos essencial para a elaboração de projetos de aprendizagem que favoreçam a construção da autonomia do educando para poder intervir numa atividade de grupo. A metodologia de trabalho será mais dinâmica, envolvendo criatividade que favorecerão a construção de conhecimentos significativos. O projeto envolve o educando em uma situação de interação com conhecimentos, pelo viés da construção e da reconstrução de conceitos, de idéias, permitirá o indivíduo transitar mais naturalmente e seguro de seus saberes individuais para os saberes coletivos e vice-versa. Os projetos remetem os envolvidos a uma reflexão, passando por quatro estágios da aprendizagem: parte da experiência concreta, passa pela observação reflexiva, pela conceituação abstrata e chega a experimentação ativa, recomeçando o processo logo em seguida e a tomada de consciência. O tempo e o espaço da sala de aula podem ser direcionados, a rigidez, os horários estabelecidos, o currículo pré-determinado com as seqüências didáticas estabelecidas pelos programas escolares, os pré-requisito, as hierarquias pela proposta serão reestruturados para que a relação educativa obtenha verticalização oferecendo ao educador e educando interações que farão a diferença no processo de ensino aprendizagem causando uma verdadeira transformação na aprendizagem significativa. Quando se concebe um projeto ele deve ter um objetivo compartilhado por todos os envolvidos, que se expressa num produto final em função do quais todos trabalham e que terá destinação, divulgação e circulação social, então o tempo passa a ser flexível para conquistar os objetivos estabelecidos, permitindo que os alunos se envolvam no planejamento das atividades, dividindo e redimensionando as tarefas, avaliando os resultados em função do plano inicial. Diante dos problemas do contexto sócio-cultural que aparecerão os educandos procuram construir respostas pessoais e originais; um problema é fonte geradora de um projeto, assim ações são planejadas para resolver as complexidades existentes para resolver o problema; - durante a elaboração do Plano de Ação várias fases devem ser consideradas: objetivo principal, elaboração dos problemas, planejamento, cronograma, avaliação e divulgação das informações. 35 Estas e outras características que aparecem no percurso da execução podem situar os projetos como uma proposta de intervenção pedagógica proporcionar á atividade de aprendizagem um significado novo, onde as necessidades de aprendizagem nascem nas tentativas de se solucionar situações problemáticas. Um projeto gera condições de aprendizagem, ao mesmo tempo, reais e diversificadas, oferecendo possibilidades para os educandos decidirem, debaterem, opinarem, construírem sua autonomia e seu compromisso com o social, capacitando-se como sujeitos culturais. Os projetos são processos contínuos, inseridos numa proposta de renovação atividades, tornando-se mais criativos, com mudança de postura, o que exige um repensar da prática pedagógica, visto tratar-se de uma postura que reflete uma concepção de conhecimentos como construção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural sistematizada se entrelaçam oferecendo significado às aprendizagens construídas as quais servem para a resolução de problemas para um determinado projeto específico e que são utilizadas em outras situações, mostrando que os educandos são capazes de estabelecer relações e utilizar conhecimentos construídos sempre que necessário. 2.5 - A Formação Continuada dos profissionais da educação em Timóteo/MG Em Abril de 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentado pelo Ministério da Educação 3(MEC), colocou à disposição dos estados, municípios e Distrito Federal, instrumentos eficazes de avaliação e de implementação de políticas de melhoria da qualidade da educação, sobretudo da educação básica pública. O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, um programa estratégico do PDE, instituído pelo Decreto 6.094 de 24 de abril de 2007, inaugurou um novo regime de colaboração, conciliando a atuação dos entes federados sem lhes ferir a autonomia, envolvendo primordialmente a decisão política, a ação técnica e atendimento da demanda educacional, visando à melhoria dos indicadores educacionais. Sendo um compromisso fundado em vinte e oito diretrizes e consubstanciado em um plano de metas concretas e efetivas, compartilham competências políticas, técnicas e financeiras para a execução de programas de manutenção e desenvolvimento da educação básica. A partir da adesão ao Plano de Metas, os estados, os municípios e o Distrito Federal passaram à elaboração de seus respectivos Planos de Ações Articuladas (PAR). A partir de 2011, os entes federados poderão fazer um novo diagnóstico da situação educacional local e 3 Ver: http://portal.mec.gov.br 36 elaborar o planejamento para uma nova etapa (2011 a 2014), com base no Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) dos últimos anos (2005, 2007 e 2009). Para a elaboração do PAR, o Ministério da Educação oferece um ambiente virtual – o Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (Simec). Para a elaboração do PAR no período de 2007 a 2011, foi utilizado o módulo PAR – Plano de Metas. Nesse módulo, os entes federados também realizam o monitoramento das ações planejadas e aprovadas. Para a realização do novo diagnóstico e proposição de novas ações (PAR 2011 – 2014) será utilizado o módulo PAR 2010. Estão previstas nesta plataforma metas que os estados, municípios e Distrito Federal alcançarem. Elas são monitoradas por um profissional que possui uma senha de acesso. Algumas delas: Formação inicial de profissionais de Serviço e Apoio Escolar; Incentivar os professores que atuam nas creches da rede a cadastrarem seu currículo e manterem os seus dados atualizados na Plataforma Freire4 (http://freire.mec.gov.br/); Habilitação dos professores que atuam na pré-escola; Habilitação dos professores que atuam nos anos/séries iniciais do ensino fundamental, incluindo professores da educação de jovens e adultos (EJA); Habilitação dos professores que atuam nos anos/séries finais do ensino fundamental, incluindo professores da educação de jovens e adultos (EJA); Formação continuada de professores da educação básica. Baseando-se nestas informações de que existe a preocupação de oferecer para os profissionais do município informações referentes à formação continuada. Os professores da rede municipal de ensino de Timóteo / MG têm elevado nível profissional porque todos possuem graduação e já cursaram pós graduação e / ou estão cursando, o que contribui para facilitar o trabalho pedagógico que desenvolvem. A Prefeitura investe na capacitação e atualização constantes de seu quadro. Os professores estão sempre participando de cursos e especializações organizadas pela Secretaria Municipal de Educação e / ou oferecidos por instituições parceiras. No ano de 2010 ofereceu um teste seletivo para contratar funcionários que estariam substituindo educadores em faze de aposentadoria. Neste contexto e incentivados pelas exigências governamentais a formação continuada em vários aspectos passou a ser meta prioritária para Prefeitura. O município tem 15 escolas situadas na rede urbana. Todas elas têm laboratório de informática disponibilizados pelo Ministério da Educação em convênio com o Eproinfo. Os 4 Ver: http://portal.mec.gov.br 37 professores são constantemente capacitados para sabem utilizar os programas disponíveis. O laboratório de informática tem monitores que trabalham com os alunos 02 (duas) vezes por semana respeitando um cronograma para atender a demanda escolar. A oferta de vagas, pelo menos na rede pública municipal de Timóteo, aumentou, e atende a demanda. Em todas as já chegou a tecnologia: TV, vídeo, computador. A burocratização cede um pouco e os gestores têm autonomia para dirigir suas escolas. Estas recebem verbas e podem aplicá-las conforme suas necessidades. Entretanto, apesar dessas melhorias, muitas dessas conquistas do educador, a escola não avança, o nível de ensino continua precário, a desmotivação de professores e alunos precisa sempre ser incentivada. A oportunidade de dedicar-se ao tema de mostrar a importância da formação continuada surgiu quando foi possível verificar que no curso de Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero, oferecido no pólo da Universidade Aberta (UAB) de Timóteo, poucos funcionários da Secretaria Municipal de Educação estavam freqüentando (numa turma de 50 cursistas, 10(dez) eram funcionários da Prefeitura). Devido à importância do curso e sendo ele parte fundamental da proposta de formação continuada foi possível escolher a defesa do assunto para apresentar à Secretaria Municipal de Educação um projeto que abordasse o tema do curso e a importância da formação continuada para o profissional da educação. O público a ser selecionado num primeiro momento seria os profissionais da Secretaria Municipal de Educação de Timóteo que atualmente totalizam 23 pessoas representando diferentes segmentos (Educação Infantil (creches), Ensino Fundamental regular e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Posteriormente, sendo a proposta de capacitação aceita o assunto seria discutido com os gestores e pedagogos da rede municipal, 50 profissionais que representam os diversos segmentos educacionais da rede de ensino. Assim acredita-se que neste contexto relatado a formação continuada é saída possível para a melhoria da qualidade do ensino do município de Timóteo que apresenta um 6,2% de índice no IDEB de 2009. Oferecer informações para o profissional consciente reforça que sua formação não termina na Universidade. A formação contínua segundo citação de HYPOLITTO: 2004 de acordo Nóvoa 1991, Freire 1991 e Mello 1994, é saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto educacional contemporâneo. Nova o bastante para não dispor ainda de mais teorias nutrientes, muitas vezes em gestação. É uma tentativa de resgatar a figura do mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão, tão desgastada em nossos dias. 38 A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. Quem não se moderniza fica para trás. A parceria, a globalização, a informática, toda a tecnologia moderna é um desafio para quem realiza estudos e pesquisas. O educador que freqüentou a Universidade constata que ela não é um centro de criação do conhecimento, de pesquisa e questionamento. Vasconcellos (1995: p19) lembrado por HYPOLITTO confirma: Formação deficitária; dificuldade em articular teoria e prática: a teoria de que dispõe, de modo geral, é abstrata, desvinculada da prática e, por sua vez a abordagem que faz da prática é superficial, imediatista não crítica. Assim quando o educador quando sai de um curso universitário deve ter bastante inteligência, tempo e decisão para superar algumas deficiências (currículo defasado, distante da realidade social...): procurar atualizar-se, embasar-se teoricamente, observar a prática e tirar lições melhorar seu desempenho. Um professor destituído de pesquisa, incapaz de elaboração própria é figura ultrapassada, uma espécie de sobra que reproduz sobras. Uma instituição universitária que não sinaliza, desenha e provoca o futuro encalhou no passado (DEMO: 1994, p. 27 apud TORRES ). O educador repete o mesmo currículo de seus antecessores e, assim, a escola continua parada no tempo com educandos indisciplinados e desmotivados, passando conhecimentos que em nada servem para a vida social, profissional e pessoal. Conforme reforça Nóvoa (1992: p.27 citado por HYPOLITTO ), "importa valorizar paradigmas de formação que promovam a preparação de professores reflexivos, que assumam a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e que participem como protagonista na implementação das políticas educativas". O educador atual terá como principal tarefa aprender para ser criativo, imaginativo e inovador frente aos desafios que encontra. Pensando assim é possível ter uma escola com eqüidade, que ofereça bom ensino, que prepare o indivíduo para os desafios da modernidade. Para o educador é necessário uma justa remuneração paralela ao seu envolvimento com outros setores sociais e de modo global e profundo. A escola está à margem da sociedade, não dispõe dos atrativos da mídia: esportes, brinquedos, diversões. O professor, sem base sólida cultural e específica, não tem descortino e firmeza para construir com o educando o conhecimento sem ficar parado no tempo. Alonso desenha o perfil do novo profissional: 39 Torna-se um profissional efetivo, em contraposição ao tarefeiro ou funcionário burocrático; Esse profissional terá que ser visto como alguém que não está pronto, acabado, mas em constante formação; Um profissional independente com autonomia para decidir sobre o seu trabalho e suas necessidades; Alguém que está sempre em busca de novas respostas, novos encaminhamentos para seu trabalho e não simplesmente um cumpridor de tarefas e executor mecânico de ordens superiores e, finalmente, alguém que tem seus olhos para o futuro e não para o passado. (ALONSO: 1994, p.6 apud HYPOLITTO ). Para formar (ou reformar) o formador para a modernidade é preciso da formação continuada, que, além de reforçar ou proporcionar os fundamentos e conhecimentos de sua disciplina, o mantenha constantemente a par dos progressos, inovações e exigências dos tempos modernos. Esteves aponta algumas características da formação continuada: Uma ruptura com o individualismo pedagógico, ou seja, em que o trabalho e a reflexão em equipe se tornam necessários; uma análise científica da prática, permitindo desenvolver, com uma formação de nível elevado, um estatuto profissional; um profissionalismo aberto, isto é, em que o ato de ensino é precedido de uma pesquisa de informações e de um diálogo entre os parceiros interessados. (ESTEVES: 1993, p. 66 apud HYPOLITTO ). É preciso investir no educador, em sua formação, atualização e satisfação pessoal e profissional para o estabelecimento de ensino avançar e obter novas posturas e valorização das pessoas que nele estão envolvidos. 40 Capítulo III Considerações Finais Avaliando os passos seguidos para constituição deste trabalho de final de curso é possível perceber que existe uma literatura ampla e vasta para reforçar a importância da formação continuada e a utilização de assuntos relacionados a Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero como forma de vencer obstáculos de relacionamento entre as pessoas. Torna-se imprescindível selecionar materiais que possam se adequar às diversas realidades existentes, porque na ânsia de inovar, corre-se o risco de lançar mão de recursos que não são convenientes ao ambiente escolar. Não por desinteresse dos educadores e educandos, mas porque o ambiente escolar ainda está preso a uma cultura tradicional que aos poucos vem desabrochando para inovações, o projeto político pedagógico do estabelecimento de ensino não está adaptado aos projetos, alguns profissionais ainda não se predispõem a desenvolver um trabalho que abordem discussões relacionadas à Gestão de Políticas Públicas com foco em Raça e Gênero por que consideram o assunto como modismo. Neste percurso verificado e estudado, ficou evidente que existe uma necessidade de ampliar os estudos para investir mais na capacitação continuada, oferecendo aos educadores subsídios para lidar com os desafios propostos que vão surgindo na sociedade, e/ou já existiam, mas não eram discutidos. Através do conteúdo elucidado pretende-se a curto, médio e longo prazo oferecer uma nova visão da importância da formação continuada incluindo informações e recursos que possam proporcionar a construção de projetos de aprendizagem inovadores e significativos para explorar a imensidão de informações provenientes da educação empreendedora. "Não há ensino de qualidade, nem reforma educativa, nem inovação pedagógica, sem uma adequada formação de professores". (Nóvoa, 1992, p.9, exemplificado por HYPOLITTO). Fez-se a opção de incentivar o trabalho com projetos como recurso metodológico porque estes poderão ser adequados às realidades diferenciadas e implementados em qualquer ano de escolaridade do ensino fundamental, fazendo interdisciplinaridade com várias áreas de conhecimento: português, matemática, história, geografia, ciências, dentre outras. Como o currículo escolar apresenta vários conteúdos possíveis de discussões pertinentes, entende-se que trabalhar com projetos oferece ao educador possibilidades de ampliar os recursos metodológicos utilizados em sala de aula, atraindo o interesse dos educandos e fugindo do 41 trabalho comum principalmente quando estes estarão contribuindo com aprendizagem significativa dos educandos e melhoria do seu currículo escolar. Além disso, a principal característica do projeto político pedagógico é adequar-se a comunidade à qual será aplicado. Desse modo, a identificação dos agentes com as temáticas abordadas são o ponto alto deste tipo de metodologia. Busca-se neste trabalho, portanto, chamar a atenção para a atualização constante por parte do profissional da educação, apresentando os benefícios que o uso dos novos meios de comunicação proporciona à educação, especialmente, ao incentivar os educadores à busca constante da formação continuada para a construção de seus conhecimentos renovando a prática pedagógica. Foram descritas várias informações que evidenciam a abordagem de temas e assuntos em questão como condição inovadora para a prática pedagógica colaborativa do educador através da incentivação do trabalho com projetos como instrumento pedagógico eficiente e inovador que assegurem um trabalho do cotidiano escolar; o conteúdo do trabalho elucidou discussões, beneficiando as mudanças da inserção de assuntos variados. O trabalho, em suma, procurou chamar a atenção para formação continuada dos profissionais da educação, neste caso, os profissionais da rede pública municipal de Timóteo como ponto central na melhoria da educação ofertada na cidade, pensando sempre no fator humano, nas relações entre professores e alunos e nas relações entre os próprios alunos. Um educador consciente sabe que sua formação não termina na Universidade. Esta lhe aponta caminhos, fornece conceitos e idéias, a matéria-prima de sua especialidade. O resto é por sua conta. Muitos educadores mesmo tendo sido assíduos, estudiosos e brilhantes, tiveram de aprender na prática até chegarem ao profissional competente que hoje são. O educador comprometido com seu trabalho deve investir em sua formação, continuá-la para não frustrar-se profissionalmente, obtendo respeito e melhorias salariais. Desejar uma escola com eqüidade, que ofereça bom ensino, que prepare para os desafios da modernidade serão neste contexto de busca da qualidade de ensino um percurso eterno. Compete aos profissionais da educação receber uma justa remuneração e buscar constantemente a formação continuada. Para Esteves (1993, p. 98, conforme referencia HYPOLITTO), a formação continuada exige profissionais "conhecedores da realidade da escola, capazes de trabalhar em equipe e de proporcionar meios para a troca de experiências, dotados de atitudes próprias de profissionais cujo trabalho implica a relação com o outro...". E mesmo pensando que o educador tenha recebido adequada formação, a atualização é uma exigência da modernidade. Paradigmas caem, métodos são questionados, conceitos são 42 supridos e o mundo caminha velozmente para mudanças de padrões e exigências. Um certificado tem a possibilidade de abrir as portas do mercado de trabalho, Mas não garante a permanência nele. 43 Referências Bibliográficas Legislações: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Brasília: MEC / SEF, 1997.144p. Parâmetros curriculares nacionais. 2. Língua portuguesa: Ensino de primeira à quarta série. I. Título. CDU: 371.214 Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa / Brasília: MEC/SEF, 1998.106 p. Parâmetros curriculares nacionais. 2. Língua Portuguesa: Ensino de quinta a oitava séries. I. Título. CDU: 371.214 Brasil. Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio - Brasília: Ministério da Educação, 1999. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1997.144p. BRASIL. 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