I Simpósio Internacional sobre Gerenciamento de Resíduos de Animais
Uso dos Resíduos da Produção Animal como Fertilizante
11 a 13 de Março de 2009 – Florianópolis, SC – Brasil
PRODUTIVIDADE DE MASSA SECA DA PARTE AÉREA E DE
RAÍZES DE MILHO ADUBADO COM CAMA DE FRANGO
Silva, T.R.*1; Menezes, J.F.S. 2; Simon, G.A. 3; Santos, C.J.L. 4; Silva, A. 5;
Gonçalves, M.E.M.P. 6
1
Mestranda da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa Postal 104, CEP
75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
2
Doutora, Professora titular da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa
Postal 104, CEP 75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
3
Doutor, Professor titular da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa
Postal 104, CEP 75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
4
Mestranda da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa Postal 104, CEP
75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
5
Graduando da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa Postal 104, CEP
75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
6
Mestranda da Fesurv, Universidade de Rio Verde, Faculdade de Agronomia, Caixa Postal 104, CEP
75901-970 Rio Verde, GO, [email protected]
Resumo
Os resíduos produzidos pelo desenvolvimento das explorações avícolas
poderiam ser utilizados para melhorar as propriedades físicas e químicas do solo e,
conseqüentemente, a produtividade de algumas culturas, como o milho. O objetivo
deste trabalho foi avaliar a produtividade de biomassa seca de folhas e colmos e
biomassa seca das raízes de milho adubado com cama de frango. O estudo foi
realizado de novembro/2007 a janeiro/2008, em casa-de-vegetação, na Fesurv,
Universidade de Rio Verde. Foi utilizado o delineamento de blocos casualizados
completos, em esquema fatorial 5 x 4, com quatro repetições, sendo os tratamentos:
doses de cama de frango (15,22; 30,44; 60,88; 91,32 e 121,76 g/vaso,
correspondendo a 4,0; 7,0; 14,0; 21,0 e 28,0 t/ha, respectivamente) e épocas de
incubação (0, 7, 15 e 30 dias). Foram avaliadas a biomassa seca das folhas e
colmos e das raízes (g/vaso). O comportamento de biomassa seca de folhas e
colmos e biomassa seca das raízes nas diferentes doses de cama de frango
seguiram o modelo de regressão quadrático, atingindo o ponto máximo em 25 e 14,4
t/ha, respectivamente. Em relação à biomassa seca de folhas e colmos e biomassa
seca das raízes verifica-se que houve resposta quadrática com o aumento dos dias
de incubação de cama de frangos, alcançando a máxima eficiência aos 30 dias de
incubação, para os dois parâmetros avaliados. A dose recomendada para o
adequado crescimento de plantas de milho é 14,4 t/ha de cama de frango e sugerese a aplicação antecipada desde resíduo por pelo menos 30 dias.
Palavras-chave: dejetos de aves, resíduos orgânicos, Zea mays.
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SHOOT AND ROOT DRY MATTER PRODUCTION OF CORN FERTILIZATED
WITH CHICHEN MANURE
Abstract
The residues produced by poultry exploration might be used to improve the
physical and chemical features of the soil and consequently increase the production
of some crops, such as corn crop. The objective of this study was to evaluate the
productivity of leaves and stalks dry matter, as well as roots dry matter of corn crop
using chicken manure as fertilizer. The experiment was carried out in a greenhouse,
located at Rio Verde University, from November/2007 to January/2008. The
experimental design was set as completely randomized-block design in a factorial
with one additional, 5 x 4, with four replications. The treatments consisted on five
rates of chicken manure (15.22; 30.44; 60.88; 91.32 and 121,76 g/pot, equivalent to
4.0; 7.0; 14.0; 21.0 and 28.0 t/ha, respectively) and four incubation periods of the
residue in soil (30, 15, 7 e 0 days before the seedling). The corn was used as a
testing plant. The value for leaves and stalks dry matter and roots dry matter of corn
crop were higher using 25 and 14.4 t/ha of chicken manure, respectively. According
to the incubation periods of the chicken manure in soil, the leaves and stalk dry
matter and roots dry matter production increased until 25 days of incubation, to both
parameters. The recommended dose of chicken manure for the appropriate growth of
corn crop is 14 t/ha applied previously in the soil (at least 30 days).
Key-words: organic residues, poultry manure, Zea may.
Introdução
A cama de frango é uma mistura de substrato (maravalha, casca de arroz), de
fezes, de penas e restos de ração usada para a forração de galpões de criação de
aves de corte. A cama é produzida após cada ciclo de produção (lote), sendo
normalmente reutilizada por até três ou quatro vezes, após processo de redução de
carga microbiana.
O desenvolvimento das explorações avícolas trouxe a possibilidade de
aproveitamento de cama de frango como adubo para agricultura.
Os resíduos poderiam ser utilizados para melhorar as propriedades físicas e
químicas do solo e, conseqüentemente, a produtividade de algumas culturas, como
o milho.
A maioria dos agentes de decomposição, da matéria orgânica é benéfica às
plantas, exercendo importantes funções, como a decomposição de resíduos
orgânicos e transformações em nutrientes assimiláveis pelas plantas. Portanto, o
objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de doses e épocas de incubação de cama
de frango no desenvolvimento de plantas de milho.
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Material e Métodos
O estudo foi realizado de novembro/2007 a janeiro/2008, em casa-devegetação, na Fesurv, Universidade de Rio Verde.
Em cada vaso foi adicionado 8,7 kg de um Latossolo Vermelho distroférrico O
solo foi amostrado para análise físico-química cujos resultados foram os seguintes:
pH (CaCl2) = 5,1, Ca = 0,42 cmolc/dm3, Mg = 0,20 cmolc/dm3, Al = 0,01 cmolc/dm3,
P (Mel) = 0,03 mg/dm3, K = 19 mg/dm3, H + Al = 2,6 cmolc/dm3, CTC = 3,22
cmolc/dm3, M.O. = 8,95 g/kg, argila = 460 g/kg, silte = 70 g/kg, areia = 470 g/kg, V =
20,58%, m = 1,49%. Pela análise do solo realizou-se a calagem com calcário
dolomítico, 5,7 g/vaso.
Foi utilizado o delineamento de blocos casualizados completos, em esquema
fatorial 5 x 4, com quatro repetições, sendo os tratamentos: doses de cama de
frango (15,22; 30,44; 60,88; 91,32 e 121,76 g/vaso, correspondendo a 4,0; 7,0; 14,0;
21,0 e 28,0 t/ha, respectivamente) e épocas de incubação (0, 7, 15 e 30 dias).
A análise química de cama de frango apresentou as seguintes características:
N = 4,73 dag/kg, P = 1,30 dag/kg, K = 1,69 dag/kg, Ca = 1,76 dag/kg, Mg = 0,48
dag/kg.
Após aplicação de cama de frango, o solo ficou incubado conforme as
diferentes épocas (0, 7, 15 e 30 dias), mantendo-se a umidade próxima a
capacidade de campo.
Precedendo o plantio foi realizada a adubação mineral em todos os vasos
com 0,29 g/vaso de uréia e 0,62 g/vaso de cloreto de potássio (Sousa & Lobato,
2002).
Foi utilizado o milho como planta indicadora, sendo utilizadas oito sementes
por vaso e após sete dias da germinação realizou-se o desbaste, deixando cinco
plantas por vaso.
Após dez dias de germinação foi realizada a adubação de cobertura com 0,68
g/vaso de uréia e 0,22 g/vaso de cloreto de potássio (Sousa & Lobato, 2002).
A colheita foi realizada aos 45 dias após o plantio, tendo sido avaliadas a
biomassa seca das folhas e colmos e das raízes (g/vaso).
As médias dos resultados foram submetidas a análises estatísticas,
realizadas com o aplicativo software SISVAR (Ferreira, 2000).
Resultados e Discussão
O comportamento de biomassa seca de folhas e colmos nas diferentes doses
de cama de frango seguiu o modelo de regressão quadrático (Tabela 1). De acordo
com a equação obtêm-se um ponto de inflexão na dose de 25 t/ha, obtendo-se a
biomassa seca de folhas e colmos máxima de 96,33 g/vaso.
Este resultado corrobora com os obtidos por Oliveira et al. (2003), ao
observarem que doses crescentes de cama de galinha (0, 12, 24 e 36 Mg/ha)
acarretaram respostas proporcionais às doses aplicadas, favorecendo
significativamente o desenvolvimento de plantas de repolho.
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Com relação à biomassa seca de folhas e colmos verifica-se que houve
resposta quadrática com o aumento dos dias de incubação de cama de frangos
(Tabela 1). O máximo valor de biomassa seca de colmos pode ser obtido aos 30
dias de incubação de cama de frango. Esses resultados suportam a hipótese de que
a incorporação de esterco pode limitar o desenvolvimento vegetal no período inicial
do ciclo do cultivo (Silva & Menezes, 2007).
Para a variável biomassa seca das raízes houve resposta quadrática, tanto
em função das doses de cama de frango (Tabela 2), quanto às épocas de incubação
de cama de frango (Tabela 2). Para a produção de biomassa seca das raízes a
máxima eficiência é alcançada com a dose de 14,4 t/ha para uma máxima produção
de biomassa de 6,04 g/vaso aos 30 dias de incubação de cama de frango.
Estes resultados podem ser relacionados à otimização do esterco de aves em
elevar a capacidade de troca de cátions e a disponibilidade de nutrientes para as
plantas (Scherer et al., 1986). A cama de frango pode, também atuar como
condicionador de solo e melhorar as propriedades físicas (Epstein et al., 1976),
resultando em qualidade estrutural favorável à emergência de plântulas,
desenvolvimento radicular, aeração, infiltração e movimento de água no perfil do
solo (Kiehl, 1985).
Conclusões
A dose recomendada para o adequado crescimento de plantas de milho é
14,4 t/ha de cama de frango e sugere-se a aplicação antecipada desde resíduo por
pelo menos 30 dias.
É importante a promoção de pesquisas que desenvolvam uma tecnologia
ecológica em que os resíduos utilizados na produção aviária possam ser
descartados de forma ambientalmente correta, podendo ainda contribuir com a
conservação e manejo adequado dos solos.
Literatura Citada
EPSTEIN, E.; TAYLOR, J.M.; CHANEY, R.L. Effects of sewage sludge and sludge
compost applied to soil physical and chemical properties. Journal of Environmental
Quality, Madison, v.5, p.422-426, 1976.
FERREIRA, D.F. Análises estatísticas por meio do Sisvar para Windows versão 4.0.
In...45a Reunião Anual da Região Brasileira da Sociedade Internacional de
Biometria. UFSCar, São Carlos, SP, Julho de 2000. p.255-258.
KIEHL, E.J. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: Ceres, 1985, 492p.
OLIVEIRA, F.L.; RIBAS, R.G.T.; JUNQUEIRA, R.M.; PADOVAN, M.P.; GUERRA,
J.G.M.; ALMEIDA, D.J.; RIBEIRO, R.L.D. Uso do pré-cultivo de Crotalarea juncea e
doses crescentes de cama de aviário na produção de repolho sob manejo orgânico.
Agronomia, v.37, n.2, p.60-63, 2003.
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SCHERER, E.E.; NADAL, R.; CASTILHOS, E.G. Utilização de esterco de aves e
adubo fosfatado na cultura do milho. Florianópolis: EMPASC, 1986, 36p. Boletim
Técnico, 35.
SILVA, T.O.; MENEZES, R.S.C. Adubação orgânica da batata com esterco e, ou
Crotalaria juncea. II- Disponibilidade de N, P e K no solo ao longo do ciclo de cultivo.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.31, p.51-61, 2007.
SOUSA, D.M.G.; LOBATO, E. Cerrado: Correção do solo e adubação. Planaltina,
DF: Embrapa Cerrados, 2002. 416 p.
2
2
Tabela 1. Coeficientes da equação de regressão Y= y0 + ax + bx , coeficiente de determinação (R ) e
coeficiente de variação (CV) para a biomassa seca de folhas e colmos, em diferentes
doses de cama de frango e diferentes épocas de incubação de cama de frango.
Biomassa seca de folhas e
colmos (g/vaso)
Coeficientes
R
2
y0
a
b
Dose
3,8855
0,9981
-0,0238
0,94*
Época
11,6000
-0,2607
0,0115
0,71*
CV (%)
4,78
(*) Significativo ao nível de 1%.
Tabela 2. Coeficientes da equação de regressão Y= y0 + ax + bx2, coeficiente de determinação (R2)
e coeficiente de variação (CV) para a biomassa seca das raízes, em diferentes doses de
cama de frango e diferentes épocas de incubação de cama de frango.
Biomassa seca das raízes
(g/vaso)
Coeficientes
R
2
y0
a
b
Dose
5,8224
0,0319
-0,0017
0,10**
Época
5,8011
-0,0477
0,0020
0,38*
(*), (**) Significativo ao nível de 1 e 5%, respectivamente.
294
CV (%)
11,80
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