HETEROPOÉTICAS E SABERES DIVERSOS EM PROCESSOS DE ENSINO E
APRENDIZAGEM UNIVERSITÁRIA
Jefté Moraes Souza
Faculdade Governador Ozanam Coelho – Ubá, Brasil
Luiz Claudio Ferreira Alves
Faculdade Governador Ozanam Coelho – Ubá, Brasil
RESUMO:
A partir da presença da Psicologia em um evento voltado para os trabalhadores e trabalhadoras rurais
baseados numa metodologia participativa de construção de conhecimento em uma Instituição de
Ensino Superior, este texto propõe-se a discutir a urgência e a importância da poesia e do poema num
processo educativo horizontal que não desvencilha teoria e prática.
Palavras-chave:
Poesia; Poema; Troca.
ABSTRACT:
From the presence of psychology at an event geared toward rural workers based on a participatory
methodology of construction of knowledge in an institution of higher education, this paper proposes to
discuss the urgency and the importance of poetry and poem in a process horizontal education that does
not disengages theory and practice.
Keywords:
Poetry; Poem; Exchange.
HETEROPOÉTICAS E SABERES DIVERSOS EM PROCESSOS DE ENSINO E
APRENDIZAGEM UNIVERSITÁRIA
I
No início de O arco e a lira Octávio Paz (2012) faz a diferenciação entre poesia e
poema. Para o autor “de fato: nem todo poema – ou, para ser exato, nem toda obra construída
de acordo como leis do metro – contém poesia” (p.22).
O que seriam então poema e poesia? A esta pergunta se dedica todo o resto da obra.
No entanto, sabemos que Octávio não quer responder de forma redutiva em uma única frase
que poesia é... e poema é..., por esse motivo todo o ensaio é repleto de pistas do que seja, ou
do que possa vir a ser, poesia e poema.
As pistas têm sua função. Há uma diferença, por exemplo, na objetividade de delimitar
algo que a resposta a pergunta “o que é” engendra. Não é esta a proposta. Um olhar mais
atento ao texto de O arco e a lira deixa claro que mais do que dizer e afirmar que poesia e
II SIfpe, outubro de 2015
poema são isto e aquilo, deve se estar atento a importância da poesia e do poema: qual a
importância da poesia? Qual a importância do poema? Qual a urgência de ambas? Para isto as
pistas nos são apresentadas: para abrir todas as portas por onde podemos entrar e sair e não
para esgotá-las.
II
Se aceitamos, como quer Octávio, que há uma urgência e uma importância na poesia e
no poema, temos agora que lidar com duas questões: Qual seria esta urgência? Como agir
diante dela?
A nenhuma das duas perguntas nos deixa sem pistas. A resposta que nos dá,
entretanto, é desafiadora tanto para uma quanto para outra questão: poesia e poema estão
intrinsecamente ligadas a vida.
A elaboração teórica e a ação prática não encontram cisão nesta proposta. Teoria e
prática e poesia e poema e a vida do poeta são uma única e mesma produção que habitam o
mundo como produto/obra/artifício. A forma, o estilo, o modo de produção, e o sentido, estes
sim, mudam a todo instante em cada corpo.
III
Não foi Octávio Paz (2012) o primeiro a dizer “(...) há poesia sem poemas; paisagens,
pessoas e fatos muitas vezes são poéticos: são poesia sem ser poemas” (p.22). Em sua carta de
31 de julho de 1956 dirigida ao próprio Octávio Paz, Júlio Cortázar menciona que identificou
as influências “(as que estão por baixo, as águas profundas)” (PAZ, 2012, p. 9) contidas no
ensaio de Octávio. O leitor atento poderá identificar entre estas influências que emergem das
águas profundas Walt Whitman.
O poeta Americano, assim como Octávio, concebia que poesia e poema não são
apenas tintas no papel: “os Estados Unidos são essencialmente o maior de todos os poemas”
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heteropoéticas e saberes diversos em processos de ensino e aprendizagem universitária
(WHITMAN, 2005, p. 11), afirma na introdução da primeira edição de Folhas de Relva. Diz
ainda:
“Outros estados se revelam em seus representantes .... mas o gênio dos Estado
Unidos não está nem no melhor ou na maioria de seus executivos e
legisladores, nem nos seus embaixadores ou autores ou faculdades ou igrejas
ou gabinetes, nem mesmo nos seus jornais ou inventores ... mas sobretudo e
sempre nas pessoas comuns. Seus modos jeitos de falar de se vestir fazer
amigos – na frescura e na candura de suas fisionomias – a descontração
pitoresca de seus jeitos de andar ... seu amor imortal pela liberdade – sua
aversão a qualquer coisa indecorosa ou mole ou maliciosa – o reconhecimento
prático dos cidadãos de um estado pelos dos outros estados – a ferocidade
crescente de seu ressentimento – sua curiosidade e receptividade ao novo –
sua autoestima e maravilhosa simpatia – sua suscetibilidade a qualquer
desrespeito – seu jeito de quem nunca soube como se comportar na presença
de superiores – a fluência de suas falas – seu gosto pela música, sintoma claro
de ternura masculina e de elegância natural da alma ... seu bom humor e
generosidade – o significado terrível de suas eleições – o presidente tirando o
chapéu para eles e não o contrário – essas coisas também são poesia sem
rima. E esperam o tratamento gigantesco e generoso que merecem”
(WHITMAN, 2005, p.13)
IV
Explicitamente nas suas entrelinhas Whitman defende que toda essa matéria que é a
vida é poesia e poema. Mas, não é qualquer vida a matéria de poesia e de poema. Esta vida é
orientada, mas orientada para onde? Orientada pelo que?
É no mesmo prefácio de Folhas de Relva que ele polvilha suas pistas. Para Whitman é
a ação o centro da vida que é poesia e poema. Esta ação se localiza num ponto complexo,
entre o passado e o futuro e é orientado por essas duas forças: “A América não rejeita seu
passado” (2005, p.11), diz Whitman no contexto em que escreve.
Há ainda neste mesmo parágrafo uma passagem curiosa, a América não rejeita seu
passado, ele diz, mas “sua ação descende do herdeiro robusto e de boa forma que está
chegando ... e que será o mais adequado para seu tempo” (WHITMAN, 2005, p.11).
Para Whitman a vida, que é ação, está implicada numa relação temporal que aceita o
passado no instante que se orienta para o futuro. A escolha do substantivo “herdeiro” é
particularmente interessante, a ação do presente descende de um herdeiro que virá, ora, o que
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descende, descende de antepassados e não de herdeiros que ainda não nasceram. Whitman
II SIfpe, outubro de 2015
queria mostrar que a ação que se dá no presente não é baseada numa história linear, mas num
presente que atualiza o passado e o futuro neste instante.
Para Whitman, toda aquela vida que é poesia e poema se baseia neste pressuposto.
Mas, Whitman propõe isto de forma impune? Não. As bases materiais e concretas de
seu tempo é que o levam a isso. Os estados Unidos acabavam de se tornar independentes
quando Whitman escreve. Era necessário uma vida-poesia-poema que justificasse a
construção fora de todo julgo e de toda a culpa da independência e do rompimento com a
aristocracia, também que afirmasse que as ações da Revolução Americana seriam propositivas
por sua prática. A culpa foi expiada no gozo de uma vida feliz. Era um contexto de liberação
de um modelo coercitivo de fluxos. Whitman celebra a vida e o corpo e a vida e o corpo são
poesias e poemas.
Quase 100 anos depois, numa Paris prestes a ser ocupada pelos alemães, angustiado e
perseguido, Walter Benjamin escreve suas teses sobre o conceito de história, onde revisita e
atualiza as proposições de Whitman.
V
Judeu-alemão perseguido e morto durante a ocupação nazista na França, Walter
Benjamin deixa como seu último texto suas concepções sobre o conceito da história. As teses
vêm propor uma história que não é homogênea, vazia e nem linear, mas que se atualiza no
instante, num tempo de agora. Para Benjamin, também é a ação situada no presente que é
capaz de transformar e produzir, e não em um conceito abstrato de progresso.
Mas, também são as bases materiais e concretas que definem esta possibilidade. Na
tese IV Benjamin (2013) diz “A luta de classes, que um historiador formado em Marx tem
sempre diante dos olhos, é uma luta pelas coisas duras e materiais” (p.10).
Para Benjamin não é necessário estar apenas atento ao passado. Assim como Whitman
ele afirma que é o “herdeiro” futuro que nos dá os despojos com os quais lidaremos. Na tese
XII afirma que a classe lutadora e oprimida que vislumbra a revolução não deve se ater aos
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antepassados escravizados, deve antes se voltar para os futuros descendentes livres, é daí que
vêm os elementos
de sua ação
no presente.
heteropoéticas
e saberes
diversos em processos de ensino e aprendizagem universitária
São essas bases materiais e concretas de hoje que dão substância a vida e a vida é
substância para a poesia e para o poema.
VI
Marx (1996) afirma que as bases econômicas da produção, que ele chama de
infraestrutura, são as responsáveis por determinar as elaborações mais refinadas da cultura.
Assim, os produtos da cultura têm suas bases econômicas. A produção destes produtos,
entretanto, não é determinada livremente, ela é, antes, determinada pelas trocas estabelecidas.
O que Marx quer nos dizer é que as mercadorias em suas trocas é que estabelecem a
produção dessas próprias mercadorias. Em nosso contexto é o dinheiro que define a troca, o
dinheiro com todos os seus componentes e nuances.
O dinheiro é, no entanto, um crédito, que ao final de seu trabalho o trabalhador recebe.
Esta moeda, este papel, não correspondem ao seu valor, mas garantem que as instituições
financeiras “dão fé” de que o possuidor daquele papel ou moeda tem crédito resguardado. Por
isso efetuamos transações entregando o papel-moeda que temos a outros, e estas transações é
que orientam a produção numa escala capitalista onde os meios duros e concretos da produção
pertencem a poucos.
Já que acatamos a ideia de que o material da poesia e do poema é a vida no instante,
poderíamos nos apoiar em outras propostas de trocas que se estabelecem para discutir a
matéria poética que é a vida?
VII
Nos escritos sobre Baudelaire, Benjamin (2010) mostra como a produção da obra
literária está articulada com as forças do capital que mobilizam as forças produtivas do
trabalho do escritor. É possível também vislumbrar como a articulação entre produção da obra
literária, o capital, e as forças produtivas se estabelecem. Por exemplo, no surgimento da
literatura de folhetim na França os maiores beneficiários foram os jornais, que devido a este
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tipo de literatura aumentaram consideravelmente sua receita. Ao mesmo tempo o aumento de
assinaturas destes jornais aumentava as rendas provenientes dos réclames, e o escritor
ganhava mais visibilidade. Alguns escritores adentravam a carreira política, “a carreira
II SIfpe, outubro de 2015
política abria-se-lhe quase por si mesma” (BENJAMIN, 2010, p.27). Escritores de renome
conseguiam assentos no parlamento francês do século XIX. Os folhetins estavam em alta.
Quem não podia pagar por uma assinatura se reunia nos cafés com os amigos em torno de um
único exemplar.
Na França os escritores criaram para si um público leitor que estava comprometido
com o modo de produção capitalista do século XIX, enquanto, ao mesmo tempo, se
comprometia e se identificava com ideias socialistas da literatura de folhetim. Um paradoxo.
Pois é aqui que Benjamin aplica, com maestria, um golpe certeiro à pretensão do escritor de
formar para si uma figura de intelectual engajado. Segundo ele, foi Baudelaire quem viu com
precisão que, um pouco devasso um pouco prostituído, o escritor se vendia no mercado, seu
trabalho, para citarmos Marx, está dentro da divisão social do trabalho (ou mesmo na divisão
do trabalho da manufatura), em um caso ou outro,
“a divisão social do trabalho confronta produtores independentes de
mercadorias, que não reconhecem nenhuma outra autoridade senão a da
concorrência, a coerção exercida sobre eles pela pressão de seus interesses
recíprocos, do mesmo modo que no reino animal o bellum omnium contra
omnis preserva mais ou menos as condições de existência de todas as
espécies” (MARX, 1996, p. 471).
Não é um paradoxo que se estabelece, ele é apenas aparente. Olhando com mais
atenção vemos que Benjamin, observando o posicionamento de Baudelaire entre a literatura e
os literatos, afirma que “Baudelaire sabia como se situava, em verdade, o literato: como
flâneur ele se dirige à feira; pensa que é para olhar, mas, na verdade, já é para procurar um
comprador” (BENJAMIN, 2010, p. 30).
VIII
Com outras trocas e outras formas de produção, outra vida-poesia-poema é possível?
Emergido de dentro de uma quase centenária atividade universitária que se mantém aos dias
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atuais como acontecimento de compra e venda, a Troca de Saberes quer romper com essa
lógica ou mesmo instaurar uma outra. Marginal à octogenária Semana do Fazendeiro,
promovida pela Universidade Federal de Viçosa, a Troca está em sua sétima versão como um
incômodo institucional diante dos negócios pretendidos ali, nos dias dedicados a oferta e
procura do produto e do comprador. Em um desenho de vislumbre aos herdeiros a Troca de
heteropoéticas e saberes diversos em processos de ensino e aprendizagem universitária
Saberes quer definir seu presente histórico no destoar do passado perene e quase inabalável da
semana em que se adentra e provoca. Nos dizeres de um de seus idealizadores “a Troca de
Saberes tem se constituído enquanto uma inovação educativa... Ela atua junto ao público
tradicional da Semana do Fazendeiro, mas carrea junto, trabalhadores e trabalhadoras rurais
organizados a partir de movimentos sociais e outras organizações da sociedade que
historicamente encontravam dificuldades de acesso à universidade” (BARBOSA, 2011, p.
11). Reverter por dentro um processo engessado e paulatinamente repetido e a se repetir ao
longo dos anos na sustentação de um modo de produzir conhecimentos que seja oferecido
como um produto final.
A Troca de Saberes propõe-se pedagogicamente processos diferenciados de produção
de conhecimentos. Ao possibilitar que os saberes populares dialoguem com as pesquisas
universitárias nos modos de cuidar e produzir da terra, ela dá voz, permite questionar o saber
científico inquestionável, estabelece diálogos impensados para se pensar e fazer uma vida em
cores, sons e formas que diferem e compõem. Uma vida-poema-poesia.
A labuta cotidiana do pequeno produtor rural envolve os enfrentamentos do fazer
produzir a terra em produtos diversos, angaria ainda, em presença, as festas populares dos
cancioneiros e violeiros, os festejos históricos do Congado ou da Folia de Reis. Assim
compõe um mosaico que ultrapassa o trabalho de sol a sol.
Articula-se a Agroecologia como sistema produtivo nos propósitos transgressores dos
trabalhadores e trabalhadoras rurais convidadas a trocarem seus saberes sobre os modos de
fazerem brotar da terra seus produtos diversificados. Envoltos com uma produção que
diversifica abrigando a composição dos diferentes produtos como maneira de fazer brotar
articuladamente em cada pedaço de chão múltiplas possibilidades na sazonalidade que a
região oferece nos cultivos e os modos de obtê-los. Ali no campus universitário, a
apresentação dos modos de cultivo em que os diálogos nas trocas tidas evidenciam o que
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Serres (1991, p. 33) nos aponta que “por definição e em seu funcionamento real, a ciência é
uma relação continua entre o contrato, que une os cientistas e o mundo das coisas”. A
retomada desse contrato estudado por Serres na aproximação entre a universidade e sua
produção de conhecimentos que por vezes difere e fere a produtividade dos produtos
estudados e que os saberes populares apontam a eficiência produtiva ‘agroecologicamente’
reclamada
e postadeem
prática.
II SIfpe, outubro
2015
Nesses diálogos tidos e em que a Troca de Saberes quer e tem conseguido evidenciar,
a diversidade extrapola os modos de produção apontados pelo trabalhador e trabalhadora rural
em seus modos de produção. Há uma diversidade dos saberes universitários que se
aproximam e formam diálogos das diferentes áreas. Dialogam estudantes e docentes em um
modo de produzir conhecimento via uma metodologia que se intensifica numa
‘Ecopedagogia’. É colocado em pratica as Instalações Artístico Pedagógicas. Propostas de
relações entre o ensino e a aprendizagem em que as pessoas se expressem mediadas tão
somente pelo meio do qual o produto pensado emergirá: a terra, o som, o computador, as
cores, o ritmo corporal.
Há uma intensificação dos processos educacionais democráticos levados a extremos
em que se perdem os lugares de poder instituído a dizer do mestre em detrimento do
estudante, desconstrução tão insistentemente proposta e estudada por Paulo Freire (1988, p.
54) ao diferir uma “educação bancária” de uma “educação libertadora”. Libertadora aqui
como possibilidade da ação prática de modos de interagir na tomada de decisão em que a
impulsividade quase que inconsequente do estudante universitário é a força produtiva capaz
de impulsionar e fazer funcionar uma mobilização popular de pessoas em uma vasta região.
Sujeitos a trabalharem no campo, a comporem movimentos sociais no campo e na cidade e
que se permitem mobilizar para talvez empreenderem uma entrada triunfal e revolucionária
nos modos de diálogos ao transporem o pórtico das Quatro Pilastras que divisa as vidas no
campus da UFV e a realidade do lado de cá.
IX
Intensifica-se um processo pedagógico educacional fora das paredes da sala de aulas,
em encontros semanais abertos aos que atendem o convite feito para construírem ao longo dos
meses a Troca de Saberes. Processo paralelo, marginal e de embates institucionais a
engendrar a Troca adentrada na Semana do Fazendeiro. Parceira incomoda e a incomodar, a
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Troca agrega os que aparecem vindos dos cursos das áreas que se fundem em saberes
colocados em processo. Diálogos intensos, falas diversas, poderes desfeitos, contratos
firmados. Na profusão de possibilidades apresentadas possíveis, decisões precisam delinear a
cada ano os modos propostos de troca de saberes entre os cientistas e os produtores das coisas
heteropoéticas e saberes diversos em processos de ensino e aprendizagem universitária
dos campos estudadas na universidade.
O protagonismo estudantil tem dado a vitalidade a cada versão da Troca já em sua
sétima edição. Em suas dúvidas postas, nas ideias expressas vão se apresentando decisões,
vão se formatando lideranças, vão se forjando ações potentes a fazerem funcionar um evento
educacional de vida-poema-poética. O novo emergente, há a musicalidade presente, existe a
composição dos desiguais a formatarem o necessário. As falas divergem para uma
potencialização composicional na heterogeneidade. Se busca o diverso insistentemente para
que não se repita os padrões discursivos e dos modos de cursar a matéria questionada.
A cada ano novos e diferenciados estudantes, professores e cursos se agregam na
construção e efetivação da Troca. Em diálogos transdisciplinares efetivados nos modos
metodológicos a se comporem vão se delineando aprendizagens diversas. Tem-se no processo
vívido e vivido a possibilidade da experiência na constituição dos sujeitos no campus
universitário. A universidade produz modos de invenção que ela própria desconhece. O
instituído que abriga com a Troca tem se esquivado de capturas a engessar os modos em que
ela vem se constituindo nesses anos.
Que invenções terão que ser produzidas para que a Troca se permita existir e ser
produzida sem os padrões ditados dos processos de ensino e aprendizado naturalizados pela
universidade centenária?
Bibliografia
BARBOSA, Willer Araújo. Colhendo flores e frutos ecopedagógicos. IN: ALVES, Luiz
Claudio Ferreira e outros (orgs) Troca de Saberes: flores das sombras da agroecologia.
Viçosa: Pró Reitoria de Extensão e Cultura, 2011.
BENJAMIN, W. Charles Baudelaire Um Lírico no Auge do Capitalismo. São Paulo:
Brasiliense, 2010.
BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
FREIRE, Paulo. Educação “bancária” e educação libertadora. IN: PATTO, Maria Helena
Souza. Introdução a Psicologia Escolar. 2ª ed. São Paulo : T.A.Queiroz, 1988.
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MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
PAZ, Octavio. O arco e a lira. São Paulo, Cosac Naify, 2012.
SERRES, Michel. O contrato natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
WHITMAN, Walt. Folhas de Relva. São Paulo: Iliminuras, 2005.
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Jefté Moraes Souza -Luiz Claudio Ferreira Alves