Política O Estado do Maranhão - São Luís, 24 de janeiro de 2013 - quinta-feira Prefeitura tentará revogar lei que reduziu alíquota de ISS para empresas de ônibus Projeto tramitou na Câmara de forma obscura e nem os vereadores lembram mais em que circunstância foi votado; procuradoria solicitou documentos Biaman Prado Gilberto Léda Da editoria de Política A Prefeitura de São Luís ainda estuda formas de tentar revogar a Lei Complementar n° 4, de 26 de dezembro de 2012, que reduz de 5% para apenas 1% a alíquota do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), relativo aos serviços realizados pelas empresas de transporte coletivo de passageiros da capital. Segundo revelou reportagem de O Estado publicada no domingo, dia 20, o projeto tramitou de forma obscura. Nem mesmo os vereadores lembram de ter discutido e votado a matéria, que foi também publicada no Diário Oficial do Município (DOM) a cinco dias do fim do ano passado. Para apurar se houve irregularidades na tramitação, a Procuradoria Geral do Município (PGM) já solicitou da Câmara Municipal cópia do processo legislativo que deu origem ao novo dispositivo legal. De acordo com o procurador-geral Marcos Braid, se for confirmada a suspeita de que houve irregularidades na sua aprovação, a lei ainda pode ser questionada e, por fim, revogada. "Estamos analisando todas as questões que envolvem a aprovação desse processo para darmos um encaminhamento. Inicialmente, pedimos cópia do processo legislativo para a Câmara Municipal para verificar se foi observado todo o rito legal. Se forem encontrados vícios, ainda se pode anular a validade da lei", declarou. A publicação da lei, sancionada pelo ex-prefeito João Castelo (PSDB), ocorreu na edição do dia 26 de dezembro do Diário Oficial do Município (DOM). Ela entrou em vigor no dia 1° de janeiro. A Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz) e a própria PGM só tomaram conhecimento de sua existência na semana passada, após uma revisão geral de processos nas duas pastas. Ainda de acordo com o que apurou O Estado, nem os pró- Procurador do Município Marcos Braid vai buscar formas de revogar lei que modificou cobrança de ISS Os números do PIB do Maranhão 5% era a alíquota de ISS até 31 de dezembro de 2012 1% é para quanto baixou a mesma alíquota, este ano prios vereadores têm certeza de como a matéria tramitou na Câmara, o que fez o Município suspeitar de que, ou ele foi aprovado de afogadilho - juntamente com outros projetos na pauta -, ou sequer tramitou. Ivaldo Rodrigues (PDT) disse não lembrar de ter discutido ou votado projeto com esse escopo. "É claro que esse é um assunto importante, que geraria muito debate. Mas eu não recordo de ter discutido esse assunto na Câmara", declarou. Segundo ele, projeto que tratava de ISS debatido em profundidade pelos parlamentares foi o que concedeu anistia de débitos anteriores que as empresas de ônibus tinham com o Município. "Lembro perfeitamente que aprovamos esse projeto. Houve muita discussão, muito debate. Mas era um projeto que tinha efeitos para trás, nada para frente. Esse de redução de alíquota realmente não recordo", completou. Anistia - O projeto que concedeu anistia de débitos de ISS anteriores aos empresários do ramo de transporte coletivo também é o único que o ex-vereador e atual secretário municipal de Assuntos Políticos Osmar Filho (PMDB) diz recordar-se de ter aprovado em plenário. Para ele, se foi aprovada a redução de alíquota, houve pouca discussão. "Não posso afirmar com certeza se não aprovamos essa redução de alíquota de ISS. Mas, que eu me lembre, o que aprovamos, com certeza, foi um projeto que concedeu anistia de débitos dessa natureza. Mas era um projeto para isentar os empresá- Mais O assunto transporte público gerou desgaste ao prefeito Edivaldo Júnior (PTC) antes mesmo de ele assumir a Prefeitura de São Luís. No fim de novembro, quando ainda comandava a falida Comissão de Transição, o vice-prefeito Roberto Rocha (PSB) admitiu o caos no sistema e a possibilidade de aumentar as tarifas. Agora, com a notícia de que há uma lei que diminui as despesas dos empresários, mas aumenta as perdas em arrecadação do Município, há a suspeita de que o projeto tenha tramitado de afogadilho para criar ainda mais dificuldades financeiras à atual gestão. rios de pagar débitos anteriores", comentou. Apenas após conseguir a cópia do processo legislativo, a PGM deve decidir oficialmente que medidas serão tomadas. "Precisamos disso para definir que caminhos tomar", concluiu Marcos Braid. Fotos/Ag. Assembleia MP irá investigar implantação do VLT em São Luís Graça Paz defende manutenção de aliança com PSDB de Neto Evangelista Carla Lima Da Editoria de Política A comissão especial do Ministério Público Estadual (MP), designada para investigar atos de improbidade administrativa na Prefeitura de São Luís, começou a buscar informações sobre a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A manifestação do MP é resultado de uma provocação do Ministério Público Federal que enviou documentos aos promotores sugerindo a investigação devido à falta de transparência no processo licitatório do VLT. O presidente da comissão especial, promotor Justino Guimarães, encaminhou a Prefeitura de São Luís requerimento solicitando a disponibilização do contrato e do processo licitatório do VLT, obra que iniciou na administração de João Castelo (PSDB). a administração municipal tem 15 dias para responder a solicitação do MP. Esses documentos servirão para que os promotores analisem o contrato e o processo licitatório fazendo a comparação com os do- cumentos enviados pelo Ministério Público Federal. Caso sejam identificados irregularidades ou vícios, uma investigação será aberta e, em seguida, uma ação civil pública, caso seja constatado ato de improbidade administrativa. A obra do VLT teve início durante a campanha eleitoral de 2012. Assim que a eleição terminou, todo o trabalho que vinha sendo realizado no Aterro do Bacanga foi paralisado. Além dessa investigação, a comissão especial vai realizar uma força-tarefa para apurar outros atos de improbidade administrativa em áreas como Educação, Saúde e setor de Obras. "São vários fatos a serem investigados na gestão anterior, e para isso já começamos a solicitar informações da Prefeitura de São Luís para analisar e posteriormente verificar se houve crime de improbidade", disse o presidente da comissão. Sobre a disponibilidade para o envio imediato das solicitações do MP, o procurador-geral do Município, Marcos Braid, garantiu que todas as informações serão repassadas dentro dos prazo. Estado maior Portas abertas A recusa da proposta de parceria na área de saúde não levou o Governo do Estado a fechar portas para a Prefeitura de São Luís. A governadora Roseana Sarney orientou sua equipe a receber e avaliar qualquer proposta originada no Palácio La Ravardière, incluindo a área de saúde. Na avaliação do Palácio dos Leões, o prefeito Edivaldo Júnior (PTC) não examinou bem a proposta de parceria feita pelo Governo do Estado para a área de saúde: assumir a gestão do Socorrão II e o atendimento a pacientes do interior e repasse à Secretaria de Estado da Saúde R$ 77 milhões. Tanto que na nota que divulgou confirmando a recusa o prefeito apela no sentido de que as negociações continuem. O fato é que a situação continua caótica no Sistema Municipal de Saúde, depois que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) devolveu o controle das Casas de saúde da Prefeitura. Os dois Socorrões voltaram a viver um cotidiano de superlotação, precariedade no atendimento e, pelo menos até aqui, sem uma linha de gestão que indique mudanças em curso. No entendimento do Governo do Estado, dificilmente a Prefeitura vai melhorar o funcionamento dos seus hospitais sem o suporte de uma parceria bem definida. Os problemas vão desde a falta de uma organização interna eficiente até a precariedade em parte dos equipamentos disponíveis. O secretário Ricardo Murad não abre mão do argumento segundo o qual a parceria proposta pelo Governo do Estado seria o melhor caminho para o governo municipal. Primeiro porque não haveria nenhuma ilegalidade e depois porque desobrigaria a Prefeitura de arcar com o atendimento a pacientes do interior. Dentro do governo, há até quem acredite que depois de pesar a situação voltará atrás na recusa. Bem menos Cerca de 20 empresas dividiram R$ 35 milhões dos cofres municipais no apagar das luzes da gestão do prefeito João Castelo (PSDB). Foram beneficiadas com notas de empenho assinadas pelo prefeito antes do fim do mandato. O valor desmente a propaganda do prefeito Edivaldo Júnior (PTC), que garantia terem sido usados R$ 200 milhões para pagar fornecedores. Líder Por ironia do destino, o líder do Governo na Câmara Municipal poderá sair do grupo que o derrotou na eleição da Mesa. O experiente Chico Carvalho (PSL) foi indicado pelo grupo na reunião com o prefeito, segundafeira, e tem a simpatia de alguns figurões do governo. Mas há uma banda que defende a nomeação de Helena Duailibe (PMDB), exatamente por ela ter sido derrotada após receber o apoio do prefeito. Conciliador O vereador Francisco Carvalho (PSL) nega que tenha recebido convite do prefeito Edivaldo Júnior (PTC) para ser o líder do Governo na Câmara Municipal. O parlamentar garante ainda que não está trabalhando para ser líder. E que não soube que teve o nome cogitado e que isso provavelmente se deve ao trabalho de conciliador que desempenha no Legislativo municipal. Oposiçãozinha Promotores vão estudar documentos que foram encaminhados, primeiramente, ao Ministério Público Federal no Maranhão PSDB e PDT deverão manter bloco na Assembleia Legislativa Deputados das duas legendas resistem à composição com outros partidos de oposição Ronaldo Rocha Da editoria de Política Apesar do constante assédio do PPS, PSB e PCdoB para ampliar e fortalecer a oposição na Assembleia Legislativa, o bloco parlamentar PSDB - PDT, composto por cinco parlamentares, deve permanecer com o mesmo formato em 2013. É o que afirma a deputada estadual Graça Paz (PDT), que rejeita a proposta de união com outras siglas. Ela afirma que mesmo que haja novas negociações entre os partidos até o fim do recesso parlamentar, não mudará o seu posicionamento. A deputada acredita que mantendo a composição com o PSDB, o seu partido terá mais liberdade na Assembleia. "Somos um bloco hoje que não está a reboque de nenhum outro. Temos liberdade para votar as matérias que interessam ao povo, inclusive as enviadas pelo governo, sem provocar nenhum tipo de embaraço”, justificou. A fusão entre os blocos foi primeiramente sugerida pela deputada Eliziane Gama e pelo deputado Marcelo Tavares (PSB), logo no início do recesso parlamentar. Como não houve avanço, Eliziane tentou, em seguida, articular a saída do PPS do Bloco de Oposição, que também é composto pelo PCdoB e PSB. 3 O prefeito Edivaldo Júnior trabalha com a perspectiva de uma bancada oposicionista formada por, no máximo, 12 vereadores. É que muitos dos que formaram o grupo que o derrotou na eleição da Mesa farão parte da bancada governista. Devem figurar como oposicionistas incontestes apenas Fábio Câmara (PMDB) e Gutemberg Araújo (PSDB). Liderança A governadora Roseana Sarney já reafirmou sua liderança na Assembleia Legislativa. O deputado César Pires (DEM) deverá continuar à frente da bancada, que tem 32 deputados, divididos em três blocos. O próprio Pires deverá escolher o seu colégio de vice-líderes. Vai passar O prefeito Edivaldo Júnior (PTC) disse ontem - em entrevis- ta à Rádio Mirante AM - que o exprefeito João Castelo (PSDB) não repassou R$ 11 milhões, oriundos do SUS, à Santa Casa. - Iremos quitar todo o débito deixado pelo meu antecessor à Santa Casa, e já estamos nesse momento disponibilizando o valor de R$ 1 milhão para aquela unidade de saúde - informou. Em tempo: a Santa Casa é uma entidade filantrópica. Denúncia O Ministério Público Estadual está averiguando documentos encaminhados pelo Ministério Público Federal com denúncias de irregularidades na implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). À primeira vista, o problema estaria no processo de licitação. Mas uma posição definitiva sobre a investigação só será tomada depois que todos os documentos forem analisados. Via rede A Corregedoria Geral da Justiça atendeu a pedido da OAB e bateu martelo: custas processuais e do preparo de recursos já podem ser recolhidas via internet. O pagamento havia sido proibido diante da constatação de fraudes e impossibilidade de verificação do pagamento. A decisão de apostar no sistema virtual foi comunicada à magistratura em circular assinada pelo corregedor-geral, desembargador Cleones Cunha. Pancada O Tribunal de Contas do Estado (TCE) condenou ontem o exprefeito de Sucupira do Norte, Benedito Sá, a devolver aos cofres públicos R$ 263 mil e pagar multa de R$ 95 mil. Benedito Sá teve julgadas irregulares as suas prestações de contas referentes à administração direta e ao Fundo Municipal de Saúde. O TCE também julgou irregulares as contas do ex-prefeito de Santa Luzia do Paruá, José Nilton Ferraz, relativas ao exercício financeiro de 2008. Desafio Mergulhado em crise profunda, o Moto Clube vai eleger hoje sua nova diretoria. É quase certo que o radialista Roberto Fernandes (Mirante AM) será eleito presidente para o desafio de comandar uma mudança radical na vida do Papão. Profissional competente e correto, Fernandes está disposto a jogar o peso do seu prestígio que é enorme - para salvar o clube. Que assim seja. E MAIS • Uma equipe do Governo do Estado integrada por vários secretários e assessores discutiu ontem uma série de medidas para garantir o sucesso do Carnaval. • A governadoraRoseana Sarney conversou com seus líderes na Assembleia Legislativa para estimular a unidade da base governista naquela Casa. • São fortes os rumores segundo os quais um pequeno grupo hoje no PT do Maranhão poderá migrar para o partido a ser criado pela ex-senadora Marina Silva. • Cada vez mais afinado com a linha de ação do Palácio dos Leões, o deputa- do Roberto Costa (PMDB) vai continuar na linha de frente no debate com a oposição. • A julgar pelo discurso da presidente Dilma Rousseff, o ministro Edison Lobão está cada vez mais firme no cargo.