UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
NOVAS RURALIDADES E A ROTA DO CAFÉ ESPECIAL, NO
MUNICÍPIO DE CARMO DE MINAS
Patrícia Augusta Amaral Torga
Conselheiro Lafaiete
2011
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
NOVAS RURALIDADES E A ROTA DO CAFE ESPECIAL, NO
MUNICÍPIO DE CARMO DE MINAS
Patrícia Augusta Amaral Torga
Monografia apresentada na Disciplina
Trabalho de Conclusão de Curso I do
Curso de Graduação em Geografia
(bacharelado) à distância da UFMG sob
orientação da Prof. Maria Aparecida dos
Santos Tubaldini.
Conselheiro Lafaiete
2011
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TORGA, Patrícia Augusta Amaral. Novas Ruralidades e a
Rota do Café Especial, no Município de Carmo de Minas.
Patrícia Augusta Amaral Torga, 2011. 87p.
Monografia apresentada na Disciplina Trabalho de
Conclusão de Curso I do Curso de Graduação em
Geografia (bacharelado) à distância da UFMG sob
orientação da Prof. Maria Aparecida dos Santos Tubaldini.
4
Patrícia Augusta Amaral Torga
NOVAS RURALIDADES E A ROTA DO CAFE ESPECIAL, NO
MUNICIPIO DE CARMO DE MINAS
Monografia apresentada na Disciplina Trabalho de Conclusão de Curso I do
Curso de Graduação em Geografia (bacharelado) à distância da UFMG.
Conselheiro Lafaiete, 2011
_____________________________________________
Titulo acadêmico e nome do orientador
Instituição a que pertence
________________________________________________
Titulo acadêmico e o nome do membro da banca examinadora
Instituição a que pertence
___________________________________________________
Titulo acadêmico e o nome do membro da banca examinadora
Instituição a que pertence
5
Dedico este projeto a todos aqueles que de alguma forma
me ajudaram nesta dura empreitada como mulher, mãe,
estudante, pesquisadora... nesta jornada do dia a dia.
Especialmente ao meu marido incansável ao meu lado, e
perdão aos meus filhos pelas horas que não pude estar
com eles em momentos importantes dos últimos quatro
anos pela dedicação à esta jornada.
À Gui, pelo seu exemplo de coragem, sempre a ser
seguido...o meu muito obrigado!!
Neste momento presto as minhas homenagens e os meus
sinceros agradecimentos.
6
Num salão de Paris
a linda moça, de olhar gris,
toma café,
Moça feliz.
Mas a moça não sabe, por quem é,
que há um mar azul, antes da sua xícara de café;
e que há um navio longo antes do mar azul...
E que antes do navio longo há uma terra do sul;
e antes da terra um porto, em contínuo vaivem,
com guindastes roncando na boca do trem
e botando letreiros nas costas do mar...
E antes do porto um trem madrugador
sobe-desce da serra sem gritar, sem parar,
nas carretilhas que zunem de dor...
E antes da serra está o relógio da estação...
Tudo ofegante como num coração
que está sempre chegando, palpitando assim.
e antes dessa estação se estende o cafezal.
E antes do cafezal está o homem, por fim,
que derrubou sozinho a floresta brutal.
O homem sujo de terra, o lavrador
que dorme rico, a plantação branca em flor,
e acorda pobre no outro dia...(não faz mal)
com a geada negra que queimou o cafezal.
A riqueza é uma noiva, que fazer?
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que promete e que falta sem querer...
Chega a vestir-se assim, enfeitada de flor,
na noite branca que é o seu véu nupcial,
mas vem o sol, queima-lhe o véu,
e a conduz loucamente para o céu
arrancando-a das mãos do lavrador.
Quedê o sertão daqui?
lavrador derrubou.
Quedê o lavrador?
está plantando café.
Qudê o café?
Moça bebeu.
Mas a moça, onde está?
está em Paris.
Moça feliz
(Cassiano Ricardo Leite)
CAVALCANTI, Di. Colheita de Café
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RESUMO:
A História do café se confunde com a própria História do Brasil. Trata-se de um
produto tipicamente adaptado e de grande importância econômica para o país desde os seus
primórdios, no cenário nacional e internacional. Aliado ao “Ciclo do Café” o Brasil deu os
primeiros passos para a industrialização e a urbanização. A Oligarquia Rural, os grandes
Barões do Café, foram os responsáveis por inserir o país no cenário econômico nacional e
internacional. O estado de Minas Gerais esteve presente nessa História e é o maior estado
produtor atualmente representando 52% da produção nacional do café. Em busca de
excelência a microrregião da Serra da Mantiqueira face sul de Minas gerais, procura aliar os
aspectos físicos (clima e relevo) aos aspectos sociais e humanos (históricos, responsabilidade
social e sustentabilidade) para o agronegócio dos cafés especiais. A cafeicultura de Altas
Montanhas possui as condições naturais propícias, o manejo específico, agregando valor ao
produto, que já insere no circuito internacional o nome de Carmo de Minas. Aliado ao
agronegócio nasce uma nova forma de conceder maior visibilidade ao produto e desenvolver
o potencial turístico da região como “Rota do Café Especial” ou “cafés gourmets”. O turismo
rural apresenta-se como “novas ruralidades”, no cenário da microrregião.
Ainda em busca da “Denominação Geográfica” do produto da região, o café representa
a consolidação dos municípios envolvidos em celeiro de grãos selecionados, qualidade,
responsabilidade social, e os inscreve definitivamente na rota do agronegócio de “cafés
especiais”.
PALAVRAS CHAVE: café, agronegócio, novas ruralidades, denominação Geográfica.
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ABSTRACT
The History of Coffee is intertwined with the history of Brazil itself. This is a product
typically adapted and of great economic importance to the country since its inception, the
national and international scene. Coupled with the "coffee cycle" Brazil took the first steps
towards industrialization and urbanization. The Oligarchy Rural, large Coffee Barons were
responsible for entering the country at the national and international economic scenario. The
state of Minas Gerais was present in that history and is currently the largest producing state
accounting for 52% of national production of coffee. In search of excellence micro region of
Mantiqueira south side of Minas Gerais, seeks to combine the physical (climate and
topography) to the social and human aspects (historical, social responsibility and
sustainability) for agribusiness specialty coffee. The High Mountains of coffee has favorable
natural conditions, the specific management, adding value to the product, which falls on the
international circuit since the name of Carmo de Minas. Allied to agribusiness comes a new
way of providing greater visibility to the product and develop the tourist potential of the
region as "specialty coffee route" or "gourmet coffees." Rural tourism is presented as "new
countryside", the scene of the microregion.
Still in search of "geographical designation" Product of the region, coffee represents the
consolidation of the municipalities involved in the grain barn selected, quality, social
responsibility, and definitely falls on the route of agribusiness: the "specialty coffee."
KEYWORDS: coffee, agribusiness, specialty coffees, new rural, geographical name.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Mapa da linha sulmineira que encampou três ferrovias: Minas e Rio,
Sapucay e Muzambinho........................................................................................pag. 23
Figura 2: O Titulo da Cidade.................................................................................pag.40
Figura 3, O Produto Regional................................................................................pag.40
Figura 4: O Café do Brasil....................................................................................pag. 40
Figura 5: Circuito Turístico Terras Altas da Mantiqueira....................................pag. 41
Figura 6: Mapa dos municípios que compõem a microrregião e seu detalhe no mapa de
Minas....................................................................................................................pag. 41
Figura 7: Circuito das Águas, do qual faz parte a cidade de São Lourenço.........pag. 42
Figura 8: Divisão Territorial dos Municípios dos Circuitos Turísticos de
MG........................................................................................................................pag. 43
Figura 9: O selo de IP trará vários benefícios para a microrregião, tais como proteção,
reconhecimento,agregação de valor,desenvolvimento sustentável, visando sempre o
lucro coletivo........................................................................................................pag. 48
Figura 10: Municípios que integram a região do IP.............................................pag. 49
Figura 11: O tão almejado selo de IP...................................................................pag. 51
Figura 12: A diversidade de Cafés no Brasil........................................................pag. 52
Figura 13: O Esquema de Rastreabilidade da Família Sertão...............................pag. 53
Figura 14: O cuidado nas “ruas” das lavouras......................................................pag. 54
Figura 15: A derriça manual na plantação............................................................pag. 54
Figuras 16, 17, 18: Saca Padrão de 60 kg do Café premiado da Fazenda Santa
Inês........................................................................................................................pag. 55
Figuras 19, 20: Japoneses e Carmenses em Feiras Internacionais, sempre bons
negócios.................................................................................................................pag. 55
Figura 21: Panorama Geral da Serra da Mantiqueira............................................pag. 57
Figura 22: Cachoeiras e Corredor de Mata Atlântica bem preservado.................pag. 58
Figura 23: Vista da Sede colonial da Fazenda Sertão atualmente descaracterizada por
reformas................................................................................................................pag. 60
Figura 24: Marco da Sede Colonial......................................................................pag. 61
Figura 25: Matriarca que ainda reside no município............................................pag. 61
11
Figuras 26, 27: As faixas de “Grande Campeã”, não deixam dúvidas sobre a qualidade
e o compromisso na produção “Café com Leite”.................................................pag. 62
Figura 28: A moradia dos colonos, a simplicidade das habitações contrasta com o
agronegócio altamente lucrativo que as rodeiam..................................................pag. 63
Figura 29: Escola Rural dentro da propriedade, a responsabilidade social
presente..................................................................................................................pag. 64
Figura 30: A Paisagem Rural, objeto de consumo das novas ruralidades.............pag. 64
Figuras 31, 32: O caminho que conduz a experiências sensoriais na Rota do Café
Especial................................................................................................................pag. 65
Figura 33: Parada no Mirante Central....................................................................pag. 65
Figura 34: “Cafés até onde a vista alcança”..........................................................pag. 65
Figuras 35, 36: Os topos de morros cobertos pela lavoura com a imponência da Serra
da Mantiqueira ao fundo........................................................................................pag. 66
Figura 37: Detalhe da plantação “morro acima”...................................................pag. 67
Figura 38: O movimento do maquinário em plena colheita..................................pag. 67
Figuras 39, 40: Turistas ouvem atentamente as explicações sobre como se tomar
café........................................................................................................................pag. 68
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Participação da produção cafeeira da zona da mata na produção do estado de
Minas Gerais (períodos selecionados)...................................................................pag. 21
Tabela 2: Produção Cafeeira dos municípios que compõem a microrregião de São
Lourenço................................................................................................................pag. 50
12
LISTA DE SIGLAS
ABCE- Associação Brasileira de Cafés Especiais
ABIC- Associação Brasileira da Industria de Café
APROCAM- Associação dos produtores de Carmo de Minas
BSCA- Brazil Speciaaly Coffe American
CAI – Complexo Agroindustriais
CICAFE- Centro de inteligência do Café
COCARIVE- Cooperativa dos Agricultores do vale do Rio Verde
CONAB- Companhia Nacional de Abastecimento
CULTUR – Festival de Cultura e Turismo de Carmo de Minas
DO – Denominação de Origem
FJP – Fundação João Pinheiro
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS- Imposto Circulação sobre Mercadorias
IG – Indicação Geográfica
IMA- Instituto Mineiro Agropecuário
INDI- MG Instituto Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais
INPE – Instituto de Pesquisas Espaciais
IP- Indicação de Procedência
LEADER- Ligações para o Desenvolvimento Rural da União Européia
RSM- Região Sulmineira
SAG – Sistemas Agropecuários
SEBRAE- Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas
UFLA- Universidade Federal de Lavras
USP – Universidade de São Paulo
13
SUMÁRIO:
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 14
1.1 Justificativa ....................................................................................................................... 16
1.2 Objetivos............................................................................................................................ 17
1.3 Aspectos Teóricos e Metodológicos ................................................................................. 18
2. INTRODUÇÃO E EXPANSÃO DO CAFÉ NO SUL DE MINAS ................................20
2.1 As Novas Ruralidades: O Turismo Rural e o Agroturismo .........................................26
2.2 O Território para o Turismo Rural ................................................................................ 32
2.3 O Novo Rural .................................................................................................................... 36
2.4 A Microrregião no Quadro Turístico Sul Mineiro ........................................................41
2.5 Território e a Estratégia da Indicação Geográfica.......................................................45
3. O QUADRO NATURAL DA MICRORREGIÃO .......................................................... 57
4. A ROTA DO CAFÉ ESPECIAL....................................................................................... 60
ANEXOS ................................................................................................................................. 74
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 82
14
1. INTRODUÇÃO
A História do café se confunde com a própria História do Brasil. Trata-se de um
produto tipicamente adaptado e de grande importância econômica para o país desde os seus
primórdios, no cenário nacional e internacional. Aliado ao “Ciclo do Café” o Brasil deu os
primeiros passos para a industrialização e a urbanização. A Oligarquia Rural, os grandes
Barões do Café, foram os responsáveis por inserir o País no cenário econômico nacional e
internacional. O café no Brasil é força matriz cultural e econômica desde a sua aclimatação
ocorrida nos estados do Pará e do Maranhão, sendo em seguida trazida para o Rio de Janeiro
em 1760.
O café ocupou a região sulmineira no início do século XVIII e com os tropeiros se
expandiu por todos os caminhos que levavam às áreas de mineração do estado, tronando-se
assim a mais importante cultura regional. Sua expansão trouxe consigo, as ferrovias, a
eletricidade, o desenvolvimento de cidades, o comércio local e regional, a criação de bancos e
indústrias. A proximidade do estado de São Paulo com o sul de minas propiciou uma rápida
transformação econômica regional e uma influência cada vez maior da cultura paulista nos
municípios do sul de Minas Gerais.
Historicamente a expansão cafeeira ocorreu num segundo período de ocupação,
quando se deu o desbravamento e ocupação das áreas de terras roxa na região oeste do Vale
do Paraíba Paulista, ocupando-se também os planaltos sul mineiro. Entre auges e revezes
políticos e econômicos a região se firmou com alta produtividade, o que pode ser constatado
até hoje, contando com melhorias na qualidade do produto e Especializando-se nos Cafés
Especiais e Café Gourmet. Essa diferenciação na produção e excelência foi um meio
encontrado pela microrregião para se destacar no mercado nacional e internacional.
Minas Gerais, segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (2010), é o
primeiro estado produtor do país contribuindo com 50,8 % da safra brasileira de produção de
café, que no ano de 2010 atingiu em torno de 48,09 milhões de sacas. As principais regiões
produtoras são o Sul de Minas Gerais com 12.616,0 sacas (26,1%), seguidos pelo Cerrado
com 5.652,0 sacas beneficiadas. Trata-se de uma região econômica importante e tradicional
para o estado e para o país. O café lidera as vendas internacionais do agronegócio mineiro
seguido pela exportação do minério de ferro, segundo dados divulgados na imprensa em
dezembro de 2010, pela Secretaria da Agricultura do Estado de Minas Gerais.
.
15
Em busca de excelência e especialização da produção cafeeira a microrregião da Serra
da Mantiqueira face sul de Minas gerais, procura aliar os aspectos físicos (clima e relevo) aos
aspectos sociais e humanos (históricos, responsabilidade social e sustentabilidade) para o
agronegócio dos cafés especiais. A cafeicultura de Altas Montanhas possui as condições
naturais propícias, o manejo específico, agregando valor ao produto, que já insere no circuito
internacional o nome de Carmo de Minas. Aliado ao agronegócio nasce uma nova forma de
conceder maior visibilidade ao produto e desenvolver o potencial turístico da região como
“Rota do Café Especial” . Segundo o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais
(INDI) o consumo de cafés especiais cresce de 10 a 15%, enquanto que o tradicional aumenta
de 1 a 1,5% ao ano. (INDI, 2006).
A expansão das cafeterias e a procura por Cafés Gourmets e Especiais levaram os
produtores a buscarem estratégias, a fim de competirem junto às novas oportunidades do
agronegócio. Os Cafés especiais englobam quatro categorias sensoriais: doçura, amargor,
acidez e aroma - sendo vendidos por preços “prêmios”, pela percepção de sua alta qualidade
e/ou pela denominação geográfica.
A professora Maria Sylvia Saes, do Programa da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – Pensa / USP, em seu trabalho
“Diagnóstico Sobre o Sistema Agroindustrial de Cafés Especiais e Qualidade Superior do
Estado de Minas Gerais”, assim definiu conceito de cafés especiais:
O conceito de cafés especiais está intimamente ligado ao prazer proporcionado pela
bebida. Destacam-se por algum atributo específico associado ao produto, ao
processo de produção ou ao serviço a ele associado. Diferenciam-se por
características como qualidade superior da bebida, aspecto dos grãos, forma de
colheita, tipo de preparo, história, origem dos plantios, variedades raras e
quantidades limitadas, entre outras. Podem também incluir parâmetros de
diferenciação que se relacionam à sustentabilidade econômica, ambiental e social da
produção, de modo a promover maior eqüidade entre os elos da cadeia produtiva.
Mudanças no processo industrial também levam à diferenciação, com adição de
substâncias, como os aromatizados, ou com sua subtração, como os descafeinados.
A rastreabilidade e a incorporação de serviços também são fatores de diferenciação
e, portanto, de agregação de valor . (SAES, 2001 p. 68)
A Busca pela Indicação Geográfica é parte do desejo dos cafeicultores, que reconhecem nos
cafés produzidos na microrregião, a alta qualidade sensorial, que se traduziu na conquista de vários
Prêmios Nacionais e Internacionais. A Indicação Geográfica do produto traz consigo uma série de
vantagens para o produtor e região, pois além de agregar valor ao produto, reconhecimento da
procedência e qualidade, possibilita práticas de agricultura sustentável, valorização do patrimônio
cultural da região e desenvolvimento do turismo rural.
16
Os aspectos fisiográficos da região, sua paisagem exuberante, clima extremamente
agradável, viabiliza a distinção do Parque cafeeiro como um atrativo turístico a mais para a
região já consolidada como roteiro turístico do Circuito da Águas. O turismo rural apresentase como “novas ruralidades”, no cenário da microrregião. Ainda em busca da “Denominação
Geográfica” do produto da região, o café representa a consolidação dos municípios
envolvidos em celeiro de grãos selecionados, qualidade, responsabilidade social, e os inscreve
definitivamente na rota do agronegócio de “cafés especiais”. As novas ruralidades se
estendem ao agronegócio trazendo consigo as possibilidades de valorização do patrimônio
natural e cultural da região, agregando valor ao produto e melhorando a visibilidade do
mesmo.
No primeiro capítulo vamos mostrar a constituição dos fatos históricos que moldaram
a região sul mineira, ou seja, como historicamente o café penetrou e se estabeleceu na região e
os fatores que permitiram o desenvolvimento da cultura cafeeira. No segundo trataremos das
Novas Ruralidades, recente paradigma do desenvolvimento rural, que constitui o eixo central
do tema estabelecido. No terceiro capitulo a importância do Território no Turismo bem como
na participação pela busca da Indicação Geográfica. Por fim a descrição da “Rota dos Café
Especial” particularidade do município de Carmo de Minas que procura dar visibilidade ao
produto regional usada como estratégia de Turismo Rural para agregar ainda mais valores;
social, econômico, ambiental em um produto único: o café Especial!
1.1 Justificativa
No ano de 2010, segundo fontes da CONAB o país produziu 48.094,8 de sacas de café
de 60 Kg, ocupando o posto de maior exportador do produto, seguido pelo Vietnam. O estado
de Minas Gerais participa com 50,8% da produção nacional e a região sul mineira contribuiu
com um total de 26,1% sendo a maior região produtora do estado.
Com o crescimento do consumo de cafés especiais, e cafés gourmet , bem como o
aumento da demanda interna, o país é hoje o segundo maior consumidor, seguindo atrás dos
Estados Unidos, o que vem levando e estimulando os produtores a aprimorar a qualidade do
produto, concedendo uma maior valorização das características sensoriais presente nos cafés
de alta qualidade como aroma, sabor, corpo, acidez e sabor residual.
A Microrregião de São Lourenço, em especial Carmo de Minas, tem conseguido
agregar valor em novas espécies adaptadas do café Arábica (catuaí , Bourbon, dentre outras) e
17
investindo
no
processamento
do
café
cereja
(despolpamento,
desmucilamento,
descascamento) tornando-se excelência em cafés de alta qualidade.
A região da face sul mineira da Serra da Mantiqueira vem, portanto, se consolidando
na Rota do Café Especial, como um importante celeiro de grãos selecionados, valorizando o
patrimônio cultural (fazendas centenárias, sustentabilidade, turismo, responsabilidade social)
e inscreve definitivamente a cultura cafeeira de qualidade na microrregião.
A busca pela “Indicação Geográfica dos Cafés Especiais da face sul da Serra da
Mantiqueira” faz parte de um anseio dos produtores da região que se mobilizaram em torno da
Associação dos Produtores de café da Mantiqueira (APROCAM), com sede em Carmo de
Minas, a fim assegurar qualidade, sustentabilidade, responsabilidade social, valorização e
desenvolvimento para a região produtora, o que já é uma realidade, pois vários produtores
conquistaram prêmios concedidos pela Associação Brasileira de cafés especiais, Cup of
Excellence realizada em parceria com a mesma.
Torna-se, pois de extrema importância conhecer o processo pelo qual passa a maior
região cafeicultora do estado, suas potencialidades, às novas ruralidades, e a expansão da
excelência em cafés especiais, aliando esta commodity de imenso valor econômico, às novas
ruralidades - o turismo rural.
1.2 Objetivos
Este trabalho tem como objetivo geral compreender a ocupação territorial da região sul
mineira com a cafeicultura e os fatores fisiográficos e históricos que a levaram a se tornar a
maior produtora de cafés especiais do Estado de Minas Gerais, em busca de excelência.
Dentre os objetivos específicos destaca-se:
¾ Compreender a ocupação do território com a cultura cafeeira em seus aspectos
históricos e a importância do produto para a região.
¾ Compreender os fatores fisiográficos da região que ajudarão a valorizar o produto,
inserindo-o como excelência no agronegócio nacional e internacional.
¾ Investigar a iniciativa dos produtores na busca pela “Indicação Geográfica” do produto
que irá agregar valor, renda e desenvolvimento para a região.
¾ Investigar as novas ruralidades com o surgimento do turismo rural, que promovendo o
patrimônio cultural e as tradições da região aliado ao agronegócio dos cafés especiais.
18
1.3 Aspectos Teóricos e Metodológicos
O instrumental teórico utilizado para a construção desta monografia parte da leitura de
artigos, livros, dissertações e teses disponibilizadas em sites e bancos de teses das
Universidades na internet. O referencial teórico incluiu o conhecimento e aplicação dos
conceitos das categorias geográficas como Paisagem, Escala, Região, Território, Lugar,
Espaço, tão inerentes à geografia.
A Pesquisa de ordem bibliográfica inclui ainda a leitura, compreensão e “cruzamento
de idéias”, baseada na interdisciplinaridade, pelo qual permeia o objeto desse estudo. Aqui,
particularmente, a interdisciplinaridade com a História será fundamental para a compreensão
da ocupação do território pelo café, dos aspectos regionais e da sua articulação e inserção no
cenário mineiro e nacional.
Para a abordagem dos aspectos geográficos, foram usados dados do IBGE, bases
cartográficas do município e microrregião disponível no Google maps para identificar a
Microrregião e sua posição no estado e o quadro natural da região.
O acesso aos dados de Institutos de Pesquisa, banco de dados, Fundações, Secretarias
Estaduais, Municipais e Ministérios, bem como outros órgãos ligados ao agronegócio irão
embasar os gráficos, tabelas e quadros para melhor identificar o crescimento do agronegócio e
seus valores.
A realização de trabalhos de campo, também é parte fundamental da metodologia,
através dos quais serão realizadas entrevistas, roteiro turístico, visitas técnicas ao
beneficiamento, armazéns e firmas de exportação além das cooperativas. Esta etapa foi um
passo importante para compreender a realidade da região confrontando-a com as bases
teóricas a fim de compreender o desenvolvimento e a sustentabilidade dos processos em voga
no município.
O método de pesquisa utilizada nesta iniciação cientifica a fim de se alcançar os
objetivos propostos foi o estudo de caso em si da “Rota dos Café Especial” em Carmo de
Minas, com visita a sede da APROCAM (1997) e COCARIVE(1992) . As duas entidades
particulares representativas no município são o principal meio de escoamento da produção,
armazenamento, ajuda técnica e financeira aos produtores, bem como a seleção e classificação
e avaliação dos cafés especiais para concursos nacionais e internacionais.
Assim, segundo Yin citado por Dutra (2009, p. 66)
o estudo de caso é “uma
investigação empírica que investiga um fenômeno e o dentro de seu contexto da vida real,
19
especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente
definidos.”
As entrevistas foram realizadas com o gerente comercial da Rota do Café Especial,
turismólogo, o qual será denominado Gerente 1, e gravações em vídeos durante a Rota
propriamente dita na Fazenda Sertão no dia 22.07.2011; objeto de nosso estudo.
Essa
condição será adotada a fim de se preservar a identidade dos mesmos, apesar de não ter sido
imposto como condição na realização da entrevista, mas visa à ética aplicada nas ciências
sociais aplicadas.
20
2. INTRODUÇÃO E EXPANSÃO DO CAFÉ NO SUL DE MINAS
O Café foi introduzido primeiramente no estado do Pará graças a Francisco de Melo
Palheta que em 1727 trouxe as primeiras sementes contrabandeadas da Guiana Francesa. Em
1760 no Rio de Janeiro a planta foi introduzida nos pomares e arredores da cidade, hoje onde
se encontra a Floresta da Tijuca, onde se aclimatou. As montanhas que circundavam a cidade
do Rio de Janeiro e em cujos vales ela hoje se estende, compreende a região onde se fizeram
as primeiras plantações de café, nas matas da Tijuca, onde hoje é um dos mais importantes e
aprazíveis arrabaldes da ex-capital brasileira. (PRADO JUNIOR, 1983, p. 117).
Segundo Filetto e Alencar (2001) a introdução e expansão do Café na região sul de
Minas Gerais, deu-se em três momentos históricos distintos. O primeiro momento, no inicio
do século XIX, tendo o tropeiro como o principal ator na introdução das primeiras mudas de
café na região sul mineira. Estes seriam então os responsáveis pelo carregamento das
primeiras mudas e sementes para o sul de minas através do Caminho Novo que levava as
minas até Paraty, como destacam os autores Filetto e Alencar (2001, p.3) “as primeiras
culturas de café no sul de minas foram estabelecidas em Aiuruoca, Jacuí e Baependi, no Vale
do Sapucaí, em fins do século XVIII, por intermédio dos tropeiros”. Temos suporte também
em Valverde citado por Filetto (2001, p.3) onde:
Diz-se que os tropeiros vindos de Minas Gerais, então em absoluta decadência, e do
vale do Paraíba, deixavam suas mercadorias no Rio e iam carregar as cangalhas de
suas mulas com mudas e sementes de café, no Mendanha, antes de subirem a serra
de volta. (VALVERDE apud FILETTO, 2001, p. 3)
O sul de minas era responsável pelo abastecimento do mercado interno do Estado do
Rio de Janeiro, demanda que aumentaria posteriormente com a decadência das minas, e com a
transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. Caio Prado Jr. nos apresenta a seguir uma
passagem de seu livro Historia Econômica do Brasil se referindo ao Sul de Minas:
Servi-lhes-à sobretudo o Sul de Minas Gerais, onde se desenvolve uma economia
agrária que embora não contando com gêneros exportáveis de alto valor comercial –
como se dera com as regiões açucareiras do litoral alcançara um nível de relativa
prosperidade. (PRADO JÚNIOR, 1983 p. 65)
A mesma situação encontramos nos relatos de Saint Hilaire em sua narrativa de
viagem pelo interior do Brasil, em 1822, após passar pelo entreposto de Estrela no estado do
Rio de Janeiro pelo Caminho Novo que levava às minas, nos conta que “[…] iniciou o cultivo
21
de algodão em Minas Novas (MG), e começou a exportação de café no sul da Província de
Minas, atividades essas que, à época de minha estada no Brasil (1816), tinham sido iniciadas
havia poucos anos.” (HILAIRE, 1975 p.23)
A existência de uma ampla e diversificada estrutura manufatureira na capitania
mineira, e a vocação agropastoril da região já se destacavam incluindo a produção de lingüiça,
queijos, carne seca, toucinhos, doces, carnes salgadas, tabaco, aguardente, demonstrando que
havia um dinamismo e complexidade considerável em Minas Gerais, bem como a existência
de um mercado interno (PAULA, 2000, p.63,64). Ainda segundo Paula (2000), a pecuária sulmineira, experimentou os mais altos níveis de desenvolvimento tecnológico no conjunto da
pecuária colonial brasileira, ocupando a posição de destaque na economia regional.
Inicialmente o café destinava-se ao consumo próprio e modestamente foi se ampliando
para atender a demanda local. Segundo Taunay (1945, p.61) citado por Filetto (2001) a
exportação mineira era de apenas 9.739 arrobas no ano de 1818. Sendo que este valor estava
agregado ao conjunto da produção da zona da mata mineira. A primeira grande expansão da
cultura cafeeira partiu do Estado do Rio de janeiro, alcançando o Vale Paraíba Fluminense, se
especializando na monocultura, escravatura, e no latifúndio. Entretanto com as técnicas
deficientes no manejo do solo, logo cobra o seu preço e o café encontra no Vale do Paraíba
paulista, e a expansão para o oeste o grande momento da produção brasileira. Prado Júnior
(1983) faz referência à esse grande momento da expansão oeste no estado de São Paulo,
considerado o momento em que a cultura cafeeira não obedece os limites geográficos e
alcança o sul do estado de Minas Gerais no inicio do sec. XIX, tendo assim o segundo
momento da expansão na região: “nesta nova região do oeste paulista, de relevo unido, as
culturas se estendem em largas superfícies uniformes de plantações ininterruptas que cobrem
a paisagem a perder de vista. Verdadeiro "mar de café": este nome lhes foi dado e é
merecido!” (PRADO JUNIOR, 1983, p.118).
A expansão cafeeira da Zona da Mata, após a decadência das minas, ocorreu com a
derrubada de matas e florestas em direção ao litoral, processo que não teve início
anteriormente pelo temor do contrabando do ouro para o litoral do Rio de Janeiro. Assim o
desenvolvimento da cultura cafeeira naquela região foi baseado na monocultura de exportação
nas grandes propriedades deixando, em segundo plano, a produção do sul de minas que
rapidamente tornou-se a região mais produtora do estado.
A Zona da Mata Mineira manteve sua expansão diferente do sul de minas, pois esta se
conectou ao estado vizinho do Rio de janeiro, por onde escoava sua produção pelo porto do
22
estado, o principal meio de escoamento para o mercado externo. Temos a situação da Zona da
Mata resumida por citado por Castilho (2009, p. 43) e complementada pela tabela a seguir:
Em meados de XIX, a Mata era responsável por 99% da produção mineira de café.
Principal região cafeicultora do estado até 1920, com uma produção de 81.000
arrobas em 1829/1830, essa região terá um crescimento de produção para
aproximadamente 2,5 milhões de arrobas em 1870/1871. Em 1890, 75% da receita
de todo o estado advinha de suas taxas pela produção cafeeira. Entre 1870 e 1930, o
café vai participar em cerca de 60% do total do valor das exportações de Minas
Gerais. Essa região e o Sul, maiores produtores de café a província desde o final do
século XIX, serão responsáveis por 86% do total da produção de Minas. A região
matense sofreu uma queda em relação ao sul da província no final do século passado
(XIX), quando da expansão da lavoura desse produto para essa região, embora a
Mata continuasse tendo a maior produção até o início desse século (XX), com cerca
de 60% do total do estado. (CASTILHO, 2009 p. 43)
TABELA 2
Participação da produção cafeeira da zona da mata na produção
do estado de Minas Gerais (períodos selecionados)
PERIODO
1847/48
1850/51
1886 *
1888*
1903/04
1926
MINAS GERAIS
745.381
900.264
5.776.866
5.047.600
9.404.136
12.793.977
ZONA DA MATA
743.707
898.184
4.316.067
4.433.800
5.993.425
9.105.543
% TOTAL
99,77%
99,76%
74,71%
87,83%
63,73%
71,17%
Fonte: Transcrito de CASTILHO, Fábio F. A. Entre a locomotiva e o fiel da balança.
Cabe ressaltar que o café inicialmente carecia de um bom beneficiamento pela simples
falta de aparato técnico, conhecimentos agrários necessários e especializações humanas, onde
“o café, o algodão, o milho, o feijão são amontoados sob telheiros úmidos e cobertos por
couros. Metade se estraga e apodrece e o resto fica consideravelmente deteriorado, graças a
uma negligencia que atinge às raias da estupidez”. (ROMERO E ROMERO apud FILETO,
2001 p. 4)
A partir de 1830 o Brasil tornou-se o maior produtor mundial de café e “já no ano de
1832, o café ocupou o primeiro lugar na pauta das exportações brasileiras.” (VALVERDE
apud FILETTO, 2001 p. 5)
O sul de Minas em sua expansão cafeeira evitava as regiões de altitudes da Serra da
Mantiqueira, por possuir um relevo movimentado e com altos índices de pluviométricos.
Assim o café se deslocou lentamente pela região sendo produzido concomitante à
policultura de subsistência e atendendo a demanda local, mas tendo a pecuária como principal
produto do mercado interno, como nos lembra Castilho (2009) em sua dissertação:
23
Inicialmente os fazendeiros do Sul de Minas possuíam atividades econômicas
diversificadas: investiam na lavoura do café, mas continuavam criando gado – um
negócio rendoso e com mercado menos instável, no final do século XIX, a principal
atividade econômica local ainda era a pecuária.(CASTILHO, 2009 p. 21)
As dúvidas para que se iniciassem as produções em ritmo aceleradas seria a falta de
estradas para escoar a produção, a comunicação deficitárias, a enorme distancia entre os
portos, elevando assim os custos da produção. É importante destacar que as ferrovias viriam a
suprir em parte essa indecisão quanto ao inicio da produção efetiva. Os primeiro trilhos da
Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em 1890 atravessaram a região do sul de minas
impulsionando os fazendeiros a investir efetivamente nos cafezais. Segundo os estudos de
Oliveira e Grinberg “[...] terras férteis em abundância e quase a custo zero, mão-de-obra
ociosa, expansão das linhas ferroviárias e, principalmente, um longo período de preços
atraente do café explica a rápida expansão cafeicultora no Sul de Minas”. (OLIVEIRA E
GRINBERG apud CASTILHO 2009, p. 21)
A expansão da malha ferroviária na região sul mineira foi favorecida pelo fator
geográfico e de localização na fronteira entre dois estados, que inicialmente alavancaram a
expansão cafeeira, Rio de janeiro e São Paulo. A importância desse fenômeno é destacada em:
(...) o surto ferroviário alteraria radicalmente as feições da economia cafeeira e sua
estruturação no território nacional. “Tendo como vetores as linhas da estrada de
ferro, surgiria a rede urbana, definindo-se em grande parte em função da ferrovia os
municípios que desempenhariam as funções de centros e pólos regionais.”
(SEMEGHINI, 1991, p. 39)
24
O Plano das Linhas em Tráfego na Rede Sul Mineira - 1910
Figura 1: Mapa da linha sulmineira que encampou três ferrovias: Minas e Rio, Sapucay e Muzambinho
Fonte: SANTOS, Welber Luiz. A Estrada de Ferro Oeste de Minas: São João Del Rei (1877-1898)
25
Interessa nos aqui salientar que a Companhia The Rio and Minas Railway, foi a
primeira a penetrar no sul de minas como um ramal vindo do município de Cruzeiro (SP),e
que teve em seus trilhos incluído o município de Carmo de Minas e região, conforme destaca
Castilho (2009, p. 20) “nos indica o interesse da região em estreitar laços com São Paulo,
direcionando suas estradas de ferro, e conseqüentemente sua produção para aquela
província...reforçavam-se os laços entre Sul de Minas e São Paulo”.
De acordo com os relatos da História de Carmo de Minas, temos uma semelhança com
o trabalho apresentado de Nogueira (2006) em “A construção da Centralidade Urbana de
Sete Lagoas”, em Carmo de Minas também houve a interferência de fortes grupos políticos
da cidade, na época da construção da Ferrovia Minas-Rio, que uniram-se e conseguiram
modificar o traçado da mesma, incluindo a cidade de Carmo de Minas do Rio Verde ( atual
Carmo de Minas). Esta história pode ser lida a seguir:
Segundo anotações do carmense Sr. Fernando Pena (1915-2006), a Estrada de Ferro
Minas-Rio foi construída por uma Companhia Inglesa – a Minas and Rio Railway
Company. Quando alcançou Soledade, os deputados Silvestre Dias Ferraz Júnior,
Cristiano Correia Ribeiro da Luz e Padre Antônio Ribeiro da Luz se uniram e
conseguiram a mudança do itinerário original, visando a passagem da Estrada de
Ferro por Cristina, para benefício da então Carmo de Minas do Rio Verde
(Prefeitura Municipal de Carmo de Minas, acessado em 20.12.2011)
A semelhança da história pode ser confirmada em Sete lagoas no trabalho abaixo:
o projeto de expansão dos trilhos da estrada de ferro, obrigatoriamente passaria pelo
território mineiro, sendo o trajeto escolhido - a planície do rio das Velhas -, muito
distante do sítio urbano de Sete Lagoas. É justamente nesse momento que se pode,
pela primeira vez, identificar-se a manifestação da atuação da elite política setelagoana, a qual estrategicamente conseguiu mudar os planos do traçado da ferrovia,
de tal modo que ela passasse pelo território setelagoano. Ora, ferrovia, no século
XIX, significou progresso e desenvolvimento, enfim, integração econômica, e a elite
local não poderia perder tal oportunidade de cessar de vez com o relativo isolamento
no qual estava mergulhada a cidade. (Nogueira,2006 p.115)
A região por onde a produção cafeeira escoava era conhecida como “Zona de Santos”,
e conforme destaca Filetto (2001, p 9), essa denominação explica a extensa ligação do sul de
minas com o estado de São Paulo, num futuro não muito distante, tratando-se como zona de
desconcentração das indústrias paulistas. Podendo ser verificado no documento Planejamento
de Desenvolvimento do Sul de Minas, feito pela Fundação João Pinheiro em 1980.
(...) infere-se a posição estratégica da região sul de minas no contexto econômico do
Centro-Sul, face às oportunidades que lhe são abertas, tanto no que diz respeito à
desconcentração industrial do eixo Rio-São Paulo, quanto às tendências futuras de
modernização da agropecuária regional (FJP, 1980 p. 37)
26
Interessante notar que a agricultura do sul de minas, com o fim áureo das minas
redirecionou os seus produtos para a corte estabelecida no Rio de Janeiro e nunca esteve
decadente como ocorreu com algumas áreas da mineração e experimentou sim, um grande
avanço para novos mercados. Tratava-se, pois de produção mercantil de gêneros de
subsistência que redirecionou a produção em busca de novos mercados, dando início a uma
economia mercantil que ordenará a formação de cafezais e de uma classe dominante com
grande prestígio econômico e social.
2.1 As Novas Ruralidades: O Turismo Rural e o Agroturismo
O conceito de Turismo Rural é definido no Ministério do turismo como: “conjunto das
atividades turísticas desenvolvidas nos meios rurais, comprometidas com a produção
agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio
cultural e natural da comunidade” (BRASIL, 2008). No entanto, esse conceito não é tão
simples assim. O referencial espacial, epistemológico, em que repousa as novas abordagens
do espaço rural, onde se desenvolve o turismo em questão tem sido construído e reformulado
por diversos autores, podemos citar KAGEYAMA(2008), KAYSER (1990), CARNEIRO
(1998), ABRAMOVAY e FAVARETTO (2007), GRAZIANO (1999), WANDERLEY
(2001), VEIGA (2003) dentre outros.
O caráter das atividades, a questão demográfica, a colonização, a infra-estrutura
agrária, as relações sociais, a pluriatividade, a relação com a natureza, são elementos
fundamentais para a compreensão do rural. Esses múltiplos diálogos enriquecem o
entendimento sobre o espaço rural e evolui para a renovação do mesmo, até atingir o
entendimento das transformações ocorridas neste espaço e associá-lo às novas ruralidades,
então vejamos.
Para Graziano (1997) o mundo rural e os camponeses estavam fadados ao
desaparecimento. O camponês seria o bóia-fria, aquele que vive no urbano e presta serviços
no mundo rural, sendo um cidadão/trabalhador como outro qualquer, decomposto pela
sociedade capitalista avançada sobre o campo, onde já não existe a classe camponesa nem as
sociedades rurais. O mundo rural seria então um continuum do urbano, onde se estabelecem
relações sociais e econômicas avançadas onde o campo praticamente acabou e a agricultura é
uma atividade part- time ou meio horário.
27
Assim a figura do part-time farmer atribuída por Graziano seria:
não somente um agricultor ou pecuarista:ele combina atividades agropecuárias com
outras atividades não-agrícolas, dentro ou fora de seu estabelecimentos, tanto nos
ramos tradicionais urbano-industriais como nas novas atividades que vêm se
desenvolvendo no meio rural, como lazer, turismo, conservação da natureza,
moradias e prestação de serviços pessoais. [...] Essa é a sua característica nova: uma
pluriatividade que combina atividades agrícolas e não agrícolas. (SILVA, 1997 p.
43)
O conceito do continuum rural-urbano ganhou mais força após a industrialização e a
crescente urbanização brasileira e a aproximação das indústrias com o campo, formando os
Complexos Agroindustrais (CAI) somente possível com a Revolução Verde e o avanço do
capitalismo na agricultura.
O urbano transbordou, ou ainda segundo Lefebvre “explode” em si mesmo e invade o
campo colocando de vez um ponto final na dicotomia rural-urbano, já não podemos mais
dizer que o rural é o lugar do atraso, do bucólico, encontramos as duas realidades em ambos
os espaços. A cidade invade o campo e o modifica e ao mesmo tempo encontramos o rural
urbanizado e articulado com as novas atividades econômicas impostas pela globalização, além
da valorização do ambiente natural, e a presença de novos atores sociais no campo, como os
aposentados, a alta classe média, sitiantes de fim de semana, agitam as sociedades rurais
despertando para as “novas ruralidades”.1
Wanderley (2001) percebe a aproximação do urbano com o campo como uma relação
que aproxima dois pólos; continuum rural-urbano, antes distantes, mas que se integram e
valorizam os dois pontos. As relações entre campo e cidade não significam a destruição ou o
fim do rural, mas representam a revalorização do espaço rural e uma profunda ressignificação
das funções sociais atribuídas a este espaço isto se torna claro em:
Entender as relações campo-cidade como uma via de mão dupla, na qual, do ponto
de vista teórico, as assimetrias e descontinuidades não significam necessariamente
desequilíbrios, mas relações de complementaridade pelas quais as funções
recíprocas se alimentam e são intercambiadas. (WANDERLEY, 2009 p. 12)
1
Conceito definido por: LOTTICI KRAHL, Mara Flora. In: Turismo Rural: conceituação e características
básicas. Dissertação de Mestrado. Brasília: GEA/IH/UnB, 2003: 30.: Ruralidade: valor que a sociedade
contemporânea concebe ao rural e que contempla as características mais gerais do meio rural: a produção
territorializada de qualidade, a paisagem, a biodiversidade, a cultura e certo modo de vida, identificados pela
atividade agrícola, a lógica familiar, a cultura comunitária, a identificação com os ciclos da natureza.
28
Em Kageyama (2004) encontramos um longo debate sobre a definição do rural onde:
a definição de rural é praticamente inesgotável, mas parece haver um certo consenso
sobre os seguintes pontos: a) rural não é sinônimo de e nem tem exclusividade sobre
o agrícola; b) o rural é multissetorial (pluriatividade) e multifuncional (funções
produtiva, ambiental, ecológica, social); c) as áreas rurais têm densidade
populacional relativamente baixa (o que pode mesmo constituir sua própria
definição legal); d) não há um isolamento absoluto entre os espaços rurais e as áreas
urbanas. Redes mercantis, sociais e institucionais se estabelecem entre o rural e as
cidades e vilas adjacentes. (KAGEYAMA, 2004 p. 385)
Aqui a pluriatividade aparece juntamente com o multissetorial, o que também é
importante para Carneiro (1998) onde o agricultor pluriativo seria aquele que faz “renascer” o
estilo camponês; capaz da diversificação da produção atenta as potencialidades não mais de
um estabelecimento familiar com suas lógicas produtivistas, mas no âmbito de um território
específico, onde novos atores sociais contribuiriam para a formação de novos mercados (“nichos”)
sustentados na relação entre produtor e consumidor.
Temos, portanto em Carneiro (1998)
o agricultor (pluriativo) teve de reinventar a sua ocupação demonstrando uma
grande capacidade inovadora que lhe permitiu permanecer no campo. Inventar uma
nova lógica de funcionamento do seu estabelecimento e de distribuição da
capacidade de trabalho[...] a preocupação com o meio ambiente, com a qualidade de
vida e com a qualidade dos alimentos aproximou o agricultor pluriativo do modo de
praticar agricultura de seus antepassados – os camponeses- sem, no entanto,deixar
de estar atento à novas tecnologias e à novas inserções econômicas e sociais que a
sociedade contemporânea oferece. (CARNEIRO, 1998 p. 9 )
Encontramos em Veiga (2003) talvez o maior “provocador” de teorias acerca do
conceito rural. Este se baseia primeiramente e principalmente nos dados estatísticos
disponibilizados pelo IBGE, em sua arcaica metodologia definições de urbano/rural, o autor
chega mesmo a chamar de “equívocos” os dados sobre a taxa de urbanização brasileira. Com
as conclusões do autor, que é defensor ferrenho de políticas publicas de desenvolvimento
rural, Tubaldini (2011) nos ajuda a concluir que; uma vez que somente uma pequena parcela
da população habita o campo, ou seja, em áreas essencialmente rurais, não faz sentido investir
em tais políticas, pois para o mesmo o Brasil é Urbano.
No entanto algumas considerações no livro de Veiga, Cidades Imaginárias (2002)
após tantas críticas, fez com que pesquisadores como Ana Fani e Ariovaldo Oliveira (2004)
suscitassem sobre a necessidade, mais uma vez de se trazer à tona a discussão sobre a
relação cidade/campo no mundo globalizado. Neste, os lugares assumem vital importância
para o capital e o Estado impõe as relações de produção enquanto dominação do espaço,
29
imbricando espaços dominados/dominantes para assegurar a reprodução da sociedade.
(OLIVEIRA, 2004 p.56)
Para Kayser, citado por Wanderley (2000) temos;
O “rural” é um modo particular de utilização do espaço e de vida social. Seu estudo
supõe, portanto, a compreensão dos contornos, das especificidades e das
representações deste espaço rural, entendido, ao mesmo tempo, como espaço físico,
lugar onde se vive, e lugar de onde se vê e se vive o mundo. (KAYSER apud
WANDERLEY,2000 p. 143)
O “renascimento do rural” para o autor nos remete às “novas ruralidades”, presente
nas relações sociais como econômicas imbricadas no território onde se desenrolam as
estratégias e iniciativas dos autores locais, que podem gerar conflitos ou manter a ordem de
dominação nos grupos sociais. O desenvolvimento do rural faz parte de um projeto coletivo
integrado, onde a nível local partem demandas e iniciativas locais articulando-se com projetos
nacionais e supranacionais. (KAISER, 1994 p.109)
As “novas ruralidades” impõem ao agricultor essa tomada de decisão, a racionalização
da vida rural no mundo contemporâneo, expressão utilizada por Favareto (2007) quando
contempla que;
As habilidades agora exigidas para a gerencia e boa performance dos
estabelecimentos rurais não podem mais se resumir àqueles conhecimentos
transmitidos de pai para filho. As novas dinâmicas econômicas que condicionam a
atividade agrícola ou outras realizadas nos estabelecimentos rurais impõem um
maior grau de exigência quanto a habilidades gerenciais, de identificação e
conquista de mercados específicos, conversão de produtos e culturas. Aspectos,
enfim, que pressupõem um maior domínio técnico sobre o tradicional trabalho rural.
(FAVARETO, 2006 p. 178-179)
Para a instalação de uma atividade de turismo rural dentro de sua propriedade é
preciso levar em consideração, que se trata de uma prestação de serviços, onde a demanda
depende da oferta, qualidade dos serviços, e de uma avaliação constante do negócio, não
perdendo o foco do seu objetivo principal; a valorização do produto, agregando ainda mais
valor aos novos nichos do mercado.
Assim nos lembra Wanderley (2009) que;
Não menos importante, o acesso a empregos, bens e serviços, no interior das
próprias áreas rurais e nos centros urbanos, expressa uma demanda, particularmente,
das famílias agrícolas. (WANDELEY, 2009 p.77, grifos meus)
30
O estabelecimento do Turismo Rural na propriedade constitui uma nova atividade que
pode levar ao “desmonte” e a especialização das unidades produtivas, o crescimento da
prestação de serviços, a formação de redes dentro dos distintos complexos agroindustriais, o
crescimento do emprego rural não-agrícola e a melhoria das condições de vida e lazer no meio
rural. (SILVA, 1997)
Temos, portanto as profundas transformações que ocorreram no meio rural
principalmente nas relações de produção e trabalho, decorrentes do processo de intensificação
da globalização e da modernização da agricultura, capaz de receber investimentos, de se
inserir numa cadeia global, e transformar o camponês em um agricultor familiar moderno.
As mudanças no espaço e a apropriação do território são “vividas” e sentidas pelos
indivíduos que compõem a sociedade rural. A integração com o “novo”, no sentido de
assimilar a apropriação do espaço, introduzindo técnicas modernas, a regulação capitaltrabalho, e ainda atribuindo outro sentido no trato com a natureza, leva ao “estabelecimento
de estratégias por parte dos indivíduos a enfrentarem a territorialização do espaço” com
atitudes de conservação e transmissão de seus valores sócio-culturais, em “modelo original”
que exerce papel fundamental no modo de funcionamento da agricultura familiar.
(LAMARCHE, 1993). O vínculo ao território compreende uma das particularidades do rural,
estreita laços entre o homem e a terra que ultrapassa o sentido econômico e constitui a
verdadeira dimensão da ruralidade.
O Programa LEADER (Ligações para o Desenvolvimento Rural da União Européia),
criado na União Européia em 1991, fez com que muitos países programassem políticas
públicas de modo a revitalizar os territórios rurais adotando práticas que buscassem o
desenvolvimento da sociabilidade, integração entre os espaços rurais e urbanos além da
transformação socioeconômica com o objetivo de diminuir a pobreza no campo, evitando a
descaracterização das paisagens e da identidade da população local, inserindo, assim, o
turismo rural nos estudos e projetos governamentais (BRASIL, 2010).
Esta nova abordagem de desenvolvimento pode ser constatada em Meyer e Muheim
(1996/97) citado por Wanderley (2000 p. 101) onde esclarecem que os recursos naturais e
culturais locais são explicitamente percebidos como fatores que podem favorecer o
desenvolvimento local, inclusive em sua dimensão econômica, ao se constituir como fonte de
emprego e de renda para parte significativa da população local. É, portanto, nesse ambiente de
renovação e vitalidade do espaço rural que se inserem as novas ruralidades, a partir de uma
abordagem onde os habitantes, a cultura local e as atividades rurais representam
31
oportunidades de valorização dos produtos regionais. Para Campanhola e Graziano da Silva
(1999, p 16) o turismo rural:
(...) constitui-se numa forma de valorização do território, pois ao mesmo tempo em
que depende da gestão do espaço rural para o seu sucesso, contribui para a proteção
do meio ambiente e para a conservação do patrimônio natural, histórico e cultural do
meio rural. Constitui-se, portanto, em um instrumento de estímulo à gestão e ao uso
sustentável do espaço local, que deve beneficiar prioritariamente a população direta
e indiretamente envolvida com as atividades turísticas.
Ainda segundo o Ministério do Turismo, algumas localidades têm adotado esse tipo de
atividade uma vez que:
Turismo Rural propicia o contato direto do consumidor com o produtor rural que,
além de vender produtos serviços de hospedagem, alimentação e entretenimento,
pode comercializar in natura (frutas, ovos, verduras) ou beneficiados (compotas,
queijos artesanato) aos visitantes. Dessa maneira, o produtor incrementa a sua renda
e o turista tem acesso a produtos de qualidade e acessíveis. (BRASIL, 2010).
O Turismo Rural é um exemplo das novas ruralidades em prática no município de
Carmo de Minas, com um duplo caráter, primeiro buscando a atividade turística como forma
de agregar valor e visibilidade ao produto, e segundo valorizando o patrimônio natural e
histórico da região.
Nessa perspectiva há a necessidade de se diferenciar dois conceitos que dialogam
dentro da atividade turística nos espaços rurais, o turismo rural e o agroturismo. Segundo
Graziano o Turismo Rural na Agricultura Familiar consiste em uma:
(...) atividade turística que ocorre no âmbito da unidade de produção dos agricultores
familiares que mantêm as atividades econômicas típicas da agricultura familiar,
dispostos a valorizar, respeitar e compartilhar seu modo de vida, o patrimônio
cultural e natural, ofertando produtos e serviços de qualidade e proporcionando bem
estar aos envolvidos.” (GRAZIANO DA SILVA et al.,1998 p.14)
Ainda segundo este autor, o conceito de Agroturismo seria composto por:
(...) atividades internas à propriedade, que geram ocupações complementares às
atividades agrícolas, as quais continuam a fazer parte e do cotidiano da propriedade,
em menor ou maior intensidade. Devem ser entendidas como parte de um processo
de agregação de serviços e bens não materiais existentes nas propriedades rurais
(paisagem, ar puro, etc.) a partir do “tempo livre” das famílias agrícolas, com
eventuais contratações de mão de obra externa.” (GRAZIANO DA SILVA et al.,
1998 p. 14)
32
A Agricultura Familiar é definida pela Lei 11326, de 24 de julho de 2006 como:
(...) aquela que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos
seguintes requisitos:
I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais;
II – utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades
econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento;
III – tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas
vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento;
IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família (Brasil, 2006)
Temos então, o turismo rural associado à produção familiar que compreende um
espaço próprio da produção agropecuária, com mão de obra estritamente familiar, e a família
detentora dos meios de produção, administrando com sua lógica a propriedade, principal meio
de obtenção de renda com essas atividades econômicas. Já o agroturismo constitui uma
abordagem que também engloba o turismo rural, ou turismo no espaço rural, assim neste
trabalho vamos considerar as duas terminologias como sinônimas, pois englobam em si
características e critérios das ruralidades no campo. Em suma as definições aqui expostas
pressupõem que o “Turismo Rural Agricultura Familiar, pressupõe o Agroturismo, que
pressupõe o Turismo Rural, que pressupõe o Turismo no Espaço Rural” (BRASIL, 2006).
Desse modo, dentro do nosso contexto regional sabemos que o Café possui um caráter
econômico expressivo, e a expansão do Café do Cerrado no noroeste de Minas, cafeicultura
essa mais recente e com alta tecnologia, gera a necessidade de estratégias para sobrevivência
dos agricultores familiares menos modernizados no mercado nacional e internacional.
As condições edafoclimáticas da região, a especialização em novas adaptações do café
arábica, a qualidade dos grãos selecionados, o manejo específico, a preocupação com a forma
responsável e sustentável da produção levou os produtores a considerarem a atividade
turística dentro do espaço rural como alternativa, uma vez que a busca pela indicação
geográfica já fora iniciada, o turismo rural viria somar e dar maior visibilidade ao produto e
valorizando a origem geográfica.
2.2 O Território para o Turismo Rural
O território, categoria geográfica, se refere a linhas de abordagem, social, política,
econômica, cultural, ambiental. Para Haesbaert citado por Souza e Pedon ( 2007, p.131) o
enfoque político constitui um “recorte” espaço-poder, delimitado e gerido jurídico e
politicamente pelas elites rurais. Na abordagem cultural o território é “vivido” pelos agentes
33
sociais, profundamente enraizados de lembranças, memórias, experiências. Na abordagem
econômica a dimensão territorial se baseia na fonte de recursos disponíveis e a capacidade de
realizar trocas, é o espaço onde se expressa a divisão social do trabalho. Há ainda a
abordagem natural, na qual o território é tido como espaço natural de estreita ligação com os
seres humanos que o habitam, uma co-relação de afeto com o ambiente físico. Nos territórios
rurais as características naturais correspondem um grande trunfo particularmente junto ao
turismo.
A dimensão territorial do desenvolvimento desperta, cada vez mais, o interesse de
pesquisadores sociais que vêem no território, uma categoria geográfica, uma organização
complexa de laços que vão além dos atributos naturais e dos custos de transporte e
comunicação. (ABRAMOVAY apud MOREIRA, 2006).
Diferentemente de Veiga (2002), discutido por Ana Fani (2004); onde o território é
apenas um receptáculo das ações do Estado, e não produto concreto da luta de classes travada
pela sociedade no processo de produção de sua existência, sociedade esta, capitalista,
assentada no trinômio:proletariado, burguesia e proprietários de terra.
Oliveira (2004) nos lembra que a construção do território:
é, pois simultaneamente, construção/destruição/manutenção/transformação, a
unidade dialética, portanto contraditória, da espacialidade que a sociedade tem e
desenvolve. Logo, a construção do território é, contraditoriamente, o
desenvolvimento desigual, simultâneo e combinado, o que quer dizer: valorização,
produção e reprodução. (OLIVEIRA, 2004 P. 40)
A própria Fani (2004) em discussão com Veiga (2002) aponta que no plano dos
lugares (cidade ou campo) as transformações impostas pelo capitalismo realizam-se de formas
contraditórias, produzindo enfrentamentos, separações; o caminho das atividades voltadas
para o Turismo no campo, por exemplo, representam as novas relações entre o campo e a
cidade, produzindo novas relações sociais, articuladas à expansão do mundo da mercadoria,
ao conjunto do território. (OLIVEIRA, 2004 p.58)
Interessante notar que à medida que se globaliza a economia e os lugares assumem
importante papel estratégico, a propriedade privada da terra/solo (urbano ou rural) que
delimita, orienta e condiciona a vida privada, produz o espaço da segregação. O espaço
tornado mercadoria pela generalização do processo produtivo generaliza a propriedade
privada, englobando espaços urbanos e rurais em uma nova articulação. (OLIVEIRA, 2004 p.
58)
34
No caso de Carmo de Minas, o Território utilizado como Rota Turística serve de
herança, base histórica dos agentes coletivos que se utilizando características naturais
determinantes (condições endafoclimáticas), ou seja, o meio natural e somando-se à
articulação de uma elite, totalmente preparada para enfrentar à nova realidade econômica
decorrente da globalização, ou seja, inserção produtiva especializada demandada pelo
mercado internacional conseguiu racionalizar o território, com um projeto técnico-econômico
moderno, colhendo assim os melhores frutos na competição internacional promovida pela
competitividade internacional.
O Território também é importante como espaço de vida para os habitantes locais,
possui uma história, uma dinâmica social e, portanto, com a integração deste com a lógica do
capital monopolista, novos atores se inserem na comunidade local onde um projeto maior,
promovido por iniciativas locais, converge para o desenvolvimento, autonomia, integração,
em nova trama territorial.
Assim, Pernet (1990) citado por Wanderley (2000) nos lembra:
o território se constitui como a base espacial da própria atividade agrícola; por um
lado, o desenvolvimento da agricultura supõe, cada vez mais, a capacidade de
explorar as potencialidades de cada local, oferecendo à clientela produtos cuja
qualidade é reconhecida e procurada, precisamente, pela vinculação que possui com
a própria localidade. (WANDERLEY, 2000 p. 104)
Por outro lado regiões/lugares que se tornam altamente funcionais aos ditames do
capital passam a se especializar na produção de determinadas mercadorias, no caso brasileiro
um país agroexportador, a dinâmica das regiões agrícolas especializam e tendem cada vez
mais a produzir e servir aos interesses do mercado internacional. Neste processo as ações
hegemônicas conduzem à competitividade, aprofundam a divisão territorial do trabalho, e o
resultado é a fragmentação do território, desequilíbrios e destruição da ordem preexistente no
local.
E assim temos Pernet (1990) citado por Wanderley (2000) que conclui:
O território, completo e estruturado, é também um lugar da articulação, da
integração desta agricultura ao sistema econômico e social global, ao aparelho
agroindustrial, aos mercados nacionais e internacionais, como ao aparelho do estado,
das instancias que geram regulamentações e distribuições das ajudas às que definem
a política agrícola. É o espaço de reprodução. ( WANDERLEY, 2000 p. 105)
35
Ao inserir o Território nos espaços de produção vinculados ao mercado internacional
estes se tornam mais eficientes (modernização técnico e cientifica) e ao mesmo tempo
dependentes dos “humores” da balança comercial, das graves crises econômicas (vale lembrar
a crise de 1929), e sociais (êxodo rural, estagnação da econômica local) e “usado” seletiva e
corporativamente por grandes empresas multinacionais no circuito espacial da produção
cafeeira.
Santos (2004) já na década de 90 dá força à discussão sobre o conceito de “território usado”;
A essa composição do território tanto técnica como política- quer dizer, fluidez das
rodovias, aeroportos, aparelhamento hoteleiro, mão de obra adequada ao quero
fazer, sindicatos dóceis ou menos dóceis, governos coniventes ou menos coniventesé o que chamo de território usado. (SANTOS, 2004 p. 34)
Este não me parece ser o caso da região sul mineira produtora de café, mas sim do
Sudoeste de Minas Gerais (Café do Cerrado), onde os circuitos espaciais de produção e
cooperação transformaram a região a partir da década de 70 com a chegada de paranaenses e
políticas estatais possibilitaram elevar a região à grande produtora de commodities destinadas
à exportação.
Conforme nos lembra Filetto (2001)
a formação do CAI sul mineiro, imprimindo características de modernidade a
atividade cafeeira, não rompeu com uma característica que atualmente agrega valor
a cadeia: a tradição na produção de cafés de boa qualidade. (FILETTO, 2000 p. 92)
É, pois nesta balança entre o moderno e o tradicional, o arcaico e o dinâmico, que
Filetto (2001) conclui;
O longo período de constituição da cafeicultura sul mineira que culminou, no
período recente, na formação de um CAI cafeeiro, pode ser considerado como um
referencial para sua denominação de tradicional região cafeeira (FILETTO, 2000
p.114)
Durante quase todo o século XIX, a cafeicultura sul mineira manteve-se
internalizada (em bases artesanais) a produção de meios de produção para as
fazendas de café e de parte da força de trabalho (a roça de subsistência do
colono).(FILETTO, 2000 p. 114)
Assim a base do território onde hoje encontra implantada a Rota do Café ESPECIAL,
se configura em “novas ruralidades”, com a contribuição da paisagem (ou quadro natural), a
guarda e a reprodução das tradições culturais (práticas tradicionais dos agricultores), e a
36
modernidade (polivalencia e pluriativos) conferem ao município hoje o titulo de capital
mundial do Café Especial.
Filetto (2000) nos ajuda a concluir com;
Outra característica desta estrutura tradicional é a falta de especialização, ou seja, a
mescla de funções entre as atividades. Embora menos permeada de valores e
costumes, onde apesar da industrialização e do surto de urbanização, a vinculação
rural da população, quer por sua origem, quer por sua cultura, ainda não
desapareceu. [...] A estrutura rural tradicional, paralelamente, reforça essas
características. As formas de uso e distribuição do solo agrícola apresentavam uma
configuração parcelada em minifúndios, pela partilha hereditária, motivada pelo
crescimento demográfico. (FILETTO,2001 p. 118)
2.3 O Novo Rural
O Conceito de “novo rural” emerge das transformações significativas ocorridas no
espaço rural a partir da década de 90, após intensa urbanização, em que o urbano “implode e
explode”, expressão de Lefebrve (1972), abarcando uma extensão que se confunde com o
rural. Nesta visão o campo seria um “continuum do urbano do ponto de vista espacial”.
(GRAZIANO, 1997).
Para Graziano em “O novo rural brasileiro” (1997), o rural hoje:
só pode ser entendido como um continuum do urbano do ponto de vista espacial; e
do ponto de vista da organização da atividade econômica espacial; e, do ponto de
vista da organização econômica, as cidades não podem mais ser identificadas apenas
com a atividade industrial, nem os campos com a agricultura e a pecuária. Em outras
palavras, pode-se dizer que o meio rural brasileiro se urbanizou, nas duas últimas
décadas, como resultado de industrialização da agricultura, de um lado, e, de outro,
do transbordamento do mundo urbano naquele espaço que tradicionalmente era
definido como rural. (GRAZIANO, 1997)
O meio rural não pode ser mais considerado apenas como o lugar da agricultura e da
pecuária, devido a aproximação das agroindustriais com todo o seu complexo de produção e
rede de serviços e transporte somado às relações que se estabelecem com o urbano. Desta
aproximação o rural estaria fadado ao desaparecimento, conforme Graziano (1997) expôs
acima; este se submeteria cada vez mais ao urbano resultando na transformação das formas
rurais e nos antigos modos de vida homogeneizando as organizações sociais e econômicas.
Outra visão dicotômica levava a um contraste entre os dois espaços, sendo o rural o
lugar da realização das atividades primárias apoiadas em uma estreita relação com o ambiente
natural, e o espaço urbano, com uma completa urbanização “hoje virtual, amanhã real”
37
apoiada na produção industrial e na artificialização dos espaços, nos quais se encontra uma
sociedade que nasce na pós-industrialização e que domina e absorve a produção agrícola.
(LEFEBVRE apud VEIGA, 2004 p. 64)
Essa corrente interpreta as relações rurais/urbanas, como espaços diferentes, gestados
por relações sociais e econômicas antagônicas e dinâmicas, onde a completa urbanização
proposta por Lefebvre em A Revolução Urbana (2002) mostrou-se equivocada ao prever o
desaparecimento do rural (re) significando o rural ao agrário.
Entretanto a dialética nos permite compreender que o rural e o urbano possuem suas
especificidades, as quais não se excluem e sim se completam pelas diferenças. Com as
transformações no modo de produzir, a revolução verde, a globalização mais recente, a
modernização agrícola, a importância dada à dimensão ambiental, o processo pela busca do
desenvolvimento sustentável, constituem fatores internos e externos que geram os novos
espaços rurais.
Para Abramovay e Favareto (2007), as novas ruralidades são apoiadas em três
dimensões fundamentais; a dimensão ambiental, as relações com as cidades e nas relações
interpessoais, com diferentes e múltiplas dimensões na vida social dos atores envolvidos
(pluriatividades, vitalidade social).
A importância dada ao meio ambiente após o uso indiscriminado dos recursos
naturais, desmatamento, poluição hídrica, queimadas descontroladas, mau uso do solo, e o
agravamento do efeito estufa, levou a uma valorização da natureza, uma volta ao rural, a
busca do bucólico. A busca por “espaços preservados”, a importância crescente da natureza
valorizam o rural, principalmente em áreas próximas às regiões metropolitanas, ou grandes
centros regionais, associando-os a uma melhor qualidade de vida. A consciência ambiental
trouxe em seu bojo o “renascimento do rural” como parte de um patrimônio a ser preservado,
seja pelo uso predatório do solo e da água, mas como os valores sociais ali reinantes.
Outra dimensão do “novo rural” diz respeito às relações com as cidades, não mais de
uma forma antagônica, mas como um espaço diversificado com especificidades, pois o lugar
assume hoje no mundo globalizado grande importância econômica. Com a descentralização
industrial os lugares assumem certas vantagens locacionais de caráter econômico e social.
Essas vantagens se fazem por meio de facilidades de transporte (encurtando distancias) ou
promovendo atrativos econômicos e fiscais, como isenção de impostos.
É assim que para Boaventura Santos (2002) citado por Moreira ( 2003 p. 118), quando
visualiza as relações do local com o global, parecem apontar para as valorizações
contraditórias de práticas sociais e culturais transnacionais (globalizadas) e nacionais
38
regionais (localizadas). Na ruptura dessas fronteiras as relações sociais adquirem um espaço
de atuação globalizado, ganhando forças, no sentido paradoxal identidades locais, regionais, e
nacionais com demarcações diferenciadas das antigas experiências fazendo emergir novos
localismos, o local globalizado.
Outra dimensão do “novo rural”, para Abramovay e Favareto (2007) se apóia em
relações interpessoais que no “arcaico rural” centrava-se em isolamento e perda populacional.
Agora os espaços rurais mostram-se dinâmicos, com um atrativo populacional, crescente
integração econômica com outros espaços urbanos, ocorrendo o afluxo de múltiplos atores. A
terceira idade em busca de refúgio, a classe média abastada em busca do “ar fresco do campo”
em finais de semana, a classe alta em busca de refúgio contra a violência e caos urbano do
trafego intenso.
Claro que não podemos deixar de mencionar que as “novas ruralidades” e o
“renascimento” do rural não ocorreram em todo o território brasileiro e nem deveria devido à
própria colonização e o processo histórico de ocupação territorial, no qual se observam áreas
deprimidas e estanques, sem condições de experimentar um desenvolvimento baseado nas
suas dimensões ambientais, locacionais e sociais. O que não poderia deixar de ser diferente,
uma vez que o espaço rural brasileiro ainda constitui ruralidades em sociedade com
“modernidade incompleta-periferica” (MOREIRA, 2003 p.117). Com baixo nível de
modernização, baixo nível de escolaridade, saúde e cidadania, além de elevado índice de
desigualdades sociais e exclusão social.
Para Abramovay e Favareto (2007) a produção local agrícola se liga a um sistema de
agribusiness moderno, com utilização de insumos e equipamentos capazes de viabilizar um
importante acréscimo no PIB nacional, mostrando um processo de interação no local com
setores internacionalizados pautados na exportação da produção. A hegemonia do sistema
agribusiness impulsiona processos nacionais de compreensão do espaço agrário como em um
novo mundo rural, passando a ser compreendido não mais como espaço exclusivo das
atividades agrícolas, mas como lugar de uma sociabilidade mais complexa que aciona novas
redes sociais regionais, estaduais, nacionais e transnacionais. (MOREIRA, 2003).
Sendo assim, o processo de revalorização do mundo rural;
Envolve a reconversão produtiva (diversificação da produção), a reconversão
Tecnológica (tecnologias de cunho agroecologico e natural), a democratização. Da
organização produtiva e agrária (fortalecimento da agricultura familiar), bem como o
fortalecimento e a expansão dos turismos rurais, ecológicos e cultural. A
revalorização de festas, rodeios e feiras agropecuárias associa-se à valorização da
39
cultura local [...] bem como a dinamização de agroindústria associativa de
agricultores familiares (MOREIRA, 2003 p. 121)
Esta valorização do mundo rural fez parte de um programa maior que teve inicio nos
Estados Unidos da America intitulado Pós-industrial de desenvolvimento rural: o papel dos
recursos naturais e o meio ambiente (tradução minha)2, e o Programa LEADER, (Ligações
para o Desenvolvimento Rural da União Européia) desenvolvido nos países europeus. Os dois
programas ajudaram a consagrar o consenso básico a respeito das ruralidades avançadas,
datado de meados dos anos 1990, parte das seguintes considerações:
1. As zonas rurais, que englobam os locais de residência de um quarto da população
européia e de mais de um quinto da americana, e mais de 80% dos dois territórios,
caracterizam-se por tecidos culturais, econômicos e sociais singulares, um
extraordinário mosaico de atividades e uma grande variedade de paisagens (florestas
e terras agrícolas, sítios naturais incólumes, aldeias e pequenas cidades, centros
regionais, pequenas indústrias etc.).
2. As zonas rurais, bem como os seus habitantes, formam uma autêntica riqueza para
suas regiões e países e podem ser bem competitivas.
3. As maiores partes dos espaços rurais europeus e norte-americanos são
constituídos por terras agrícolas e florestas que influenciam fortemente o caráter das
paisagens.
4. Dado que a agricultura certamente permanecerá como importantíssima interface
entre sociedade e ambiente, os agricultores deverão cada vez mais desempenhar
funções de gestores de muitos dos recursos naturais dos territórios rurais.
5. Mas a agricultura e as florestas deixaram de desempenhar papel predominante nas
economias nacionais. Com o declínio de seus pesos econômicos relativos, o
desenvolvimento rural, mais do que nunca, deve envolver todos os setores
socioeconômicos das zonas rurais.
6. Como os cidadãos europeus e norte-americanos dão cada vez mais importância à
qualidade de vida em geral, e em particular a questões relativas à saoede, segurança,
ao desenvolvimento pessoal e lazer, as regiões rurais ocuparão posições
privilegiadas para satisfazer tais interesses, oferecendo amplas possibilidades de um
autêntico desenvolvimento, moderno e de qualidade.
7. As políticas agrícolas deverão se adaptar às novas realidades e desafios colocados,
tanto pelos desejos e preferências dos consumidores, como pela evolução do
comércio internacional. Deverá haver, sobretudo, uma adaptação que impulsione a
transição de um regime de sustentação de preços para um regime de apoios diretos.
8. Os subsídios estabelecidos pelas respectivas políticas agrícolas serão
crescentemente contestados. E já é ampla a aceitação de que apoios financeiros
públicos devam ser cada vez mais condicionados a uma adequada gestão dos
recursos naturais, à manutenção e ao reforço da biodiversidade e das paisagens
culturais.
9. As reformas das políticas agrícolas da primeira metade da década de 1990
conservaram inconsistências, duplicações e alta complexidade jurídica, apesar de
inegáveis avanços em termos de transparência e eficácia.
10. Torna-se absolutamente necessário promover a capacidade local de
desenvolvimento sustentável nas zonas rurais e, nomeadamente, iniciativas privadas
e comunitárias bem integradas a mercados globais. (Transcrito de VEIGA, 2004, p.
51).
2
POST INDUSTRIAL RURAL DEVELOPMENT; THE ROLE OF NATURAL RESOURCER AND THE
ENVIRONMENT
40
Vemos que o item 10 aplica-se bem no contexto associado por MOREIRA (2003)
quanto à promoção e desenvolvimento sustentável das zonas rurais e a integração local a
mercados globais, como o agribusiness do café na região sul mineira. A ruralidade avançada
combina elementos das atividades agrícolas bem como a questão do desenvolvimento rural
baseado na visão territorial. Para VEIGA (2004) são dois os elementos básicos da
interpretação da contraditória influencia da globalização sobre os espaços rurais:
a capacidade de certas áreas rurais atraírem os potenciais empreendedores devido às
características ambientais de residência;e um dinamismo empreendedor voltado para
os mercados emergentes, com muita inovação, e que explora as vantagens
competitivas que resultam de condições de vida e de trabalho das mais amenas, além
de mais estabilidade, qualidade e motivação da força de trabalho por menor custo
(KEEBLE E TYLER apud VEIGA, 2000 p. 64)
Para Wanderley (2009) não restam duvidas de que as transformações observadas no
meio rural brasileiro são, antes de tudo, o efeito local, dos processos mais gerais da sociedade.
Em um espaço tradicional como o sul mineiro, que teve nos caminhos a mineração e na
produção diversificada de gêneros alimentícios destinados a suprir a corte portuguesa no
Rio de janeiro, e na intensa atividade mercantil ao longo de suas estradas, trazendo nesses
aspectos os processos de ocupação e uso do espaço fortemente aliados à atividade
agropecuária. Deste modo o desenvolvimento do espaço rural sul mineiro se liga às condições
históricas de ocupação, ao seu quadro natural único, à conservação da paisagem, à valorização
dos recursos naturais (águas minerais, clima, paisagem) e à preservação do patrimônio
cultural.
Outra particularidade das novas ruralidades denomina-se pluriatividades do espaço
rural, visto por Garcia Jr. (1989) citado por Wanderley (2009) como estratégias ascendentes
ou descendentes, de reprodução das unidades de produção familiares. Assim as atividades que
são exercidas servem como complemento à renda total da família criando uma nova dinâmica
rural. A partir das atividades remuneradas não-agrícolas nos múltiplos empreendimentos que
tem surgido nos espaços rurais (exposição, festas religiosas, festa do peão, festa da colheita,
hotel fazenda, pesque e pague) e a associação entre a agricultura familiar e o turismo rural,
proporciona a comercialização da produção e o resgate do patrimônio rural local, além da
agregação de valor ao produto tradicional da região.
41
Figura 2,3,4: O titulo da cidade, o produto regional e o Café do Brasil
Fonte: arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
2.4 A Microrregião no Quadro Turístico Sul Mineiro
A Região do Sul de Minas, particularmente, possui uma beleza natural que se destaca
no estado de Minas Gerais e ainda o Circuito das Águas e as Terras Altas da Mantiqueira.
Ambos os circuitos turísticos fazem parte de um plano maior de desenvolvimento para regiões
do estado apoiado na atividade dinâmica do turismo mundial. Assim é que o meio natural do
território de Carmo de Minas se encontra inserido entre estes dois circuitos, uma vez que o
município faz limites com São Lourenço (tradicional Parque das Águas) e é próximo à Pouso
Alto, que se encontra associado ao Circuito Turístico Terras Altas da Mantiqueira.
O Planejamento Turístico em Minas Gerais surgiu com a seguinte idéia;
de se agrupar municípios em Circuitos Turísticos veio da necessidade de explorar
melhor o potencial do Estado nesse setor, sendo que, no final dos anos de 1990, à
medida que se estimulava as tradicionais cidades e localidades turísticas de Minas a
promover uma revisão de seus posicionamentos e ações em relação ao turismo,
vislumbrava-se a geração de oportunidades também para os municípios vizinhos.
Estes passariam não só a explorar suas respectivas potencialidades, mas também a
contribuir para a diversificação da atratividade e ou da infra-estrutura turística de sua
região. (FARIA, 2008 p. 10)
Ambos “Circuitos Turísticos” fazem parte de um plano maior de desenvolvimento
para regiões do estado apoiado na atividade dinâmica do Turismo Mundial onde;
O turismo pode e deve ser um dos elos da construção de um relacionamento
respeitoso ao meio rural e, ao mesmo tempo, uma atividade que proporcione prazer
ao visitante, visto que o mesmo pode retornar ao passado procurando suas raízes, ou
então, buscar a experiência com intimidade o meio rural. (ROQUE E VIVIAN,
1999 p.6)
42
Figura 5 : Circuito Turístico Terras Altas da Mantiqueira
Fonte: http://www.turismo.mg.gov.br/circuitos-turisticos/mapa/989-circuito-turistico-das-aguas-
Abaixo podemos visualizar o mapa da microrregião de São Lourenço:
Figura 6: Mapa dos municípios que compõem a microrregião e seu detalhe no mapa de Minas
Fonte: Assessoria de Gestão Regional – AGE – SES/MG/2009
Estes dois Circuitos Turísticos centenários são um atrativo a mais para a valorização
do produto de Carmo de Minas, os Cafés Especiais.
43
Figura 7: Circuito das Águas, do qual faz parte a cidade de São Lourenço
Fonte: http://www.turismo.mg.gov.br/circuitos-turisticos/mapa/989-circuito-turistico-das-aguas-
No mapa abaixo temos o Circuito da Estrada Real onde fica mais bem compreendida
a relação do sul mineiro com o estado de São Paulo e a divisão dos Circuitos no Planejamento
Turístico do Estado de Minas Gerais.
Figura 8: Divisão Territorial dos Municípios dos Circuitos Turísticos de MG
Fonte: Transcrito de FARIA, Helena Mendonça.2008
44
Os seguintes pontos fortes, levantados por Roque e Vivian (1999 p. 10) esclarecem as
vantagens da utilização do espaço rural como atividade turística:
1. O espaço rural brasileiro apresenta características ambientais que propiciam a implementação de
atividades turísticas em boa parte do território nacional.
2. O turismo no espaço rural se apresenta como uma atividade que colabora na manutenção do homem
no campo, sendo pertinente com o momento atual, em que o empresário rural está aberto a novas
formas e metodologias de trabalho.
3. A atividade do turismo rural, se bem planejada, pode ser vista como uma estratégia de
suplementação ou complementação dentro da propriedade rural, permitindo a estabilidade da
organização e a integração das atividades tradicionais.
4º. O turismo no espaço rural, apresenta-se como uma das metodologias administrativas que respeita
preceitos ambientais e a nova realidade mundial, que exige do setor empresarial a valorização de uma
consciência ambiental.
5. Este ramo de negócio valoriza a conservação das características naturais e históricas das
propriedades, garantindo a preservação dos valores humanos.
6. A atividade proporciona o culto à tradição regional, podendo-se citar como exemplos a "Rota da
Cachaça de Minas Gerais", "A Rota do Cacau na Bahia" e "A Rota do Chimarrão de desenvolvimento
regional.
7. O turismo rural, visto como estratégia apresenta diversas linhas de atuação, como o agro turismo, o
ecoturismo, hotéis fazendas, entre outros, permitindo assim que o empresário tenha a possibilidade de
optar pela tipologia que mais se enquadra em sua realidade.
8. O turismo no espaço rural permite o aproveitamento de estruturas ociosas, podendo proporcionar o
aumento do lucro real das propriedades.
9. A pluriatividade da empresa rural, especificamente o agro turismo, permite ao empresário a
agregação de valor aos produtos gerados na própria fazenda, eliminando níveis de intermediação.
45
10. Observa-se a possibilidade de maior interação entre o setor rural e urbano, permitindo a interrelação social entre seres de diferentes espaços.
Em outros termos podemos notar que as “novas ruralidades” trazidas com a
implantação do Turismo Rural abrangem uma dimensão setorial conflitiva, que se desdobra
no território rural.
Neste momento a dialética se revela sob o território rural. Em busca de
desenvolvimento local ou regional, o turismo levanta as relações de forças profundamente
assimétrica que são reproduzidas no campo pelos processos históricos de ocupação, nas
formas tradicionais de dominação econômica, social e política dos grandes proprietários em
geral.
O Território pode ser entendido na dialética onde;
Como porção do espaço geográfico apropriado por uma determinada relação social
que o produz e o mantém a partir de uma forma de poder [...] estas relações sociais
produzem continuamente espaços e territórios de forma contraditórias, solidárias e
conflitivas.(FERNANDES, 2005 p. 28)
2.5 Território e a Estratégia da Indicação Geográfica
Como vimos o conceito de Território é importante para a construção de um projeto
maior, partindo de iniciativas locais, permeados por ações do Estado de favorecimento e
controle no campo, ligando o local ao global em estratégia de desenvolvimento e valorização
da imagem do produto, no nosso caso café, para o mercado internacional.
A estratégia de buscar na Indicação Geográfica (IG) a valorização do produto no
município aconteceu a partir da criação da APROCAM em consonância com o Programa
Mineiro de Incentivo à Certificação de origem do Café, CertifiCafé, operacionalizado pelo
governo do estado, em meados da década de 90. (Vide anexo I)
A partir desse momento os produtores começam a se articular politicamente e
regionalmente a fim de se encaixar no programa de certificação, pois vislumbra uma real
potencialidade no produto regional tradicional sul mineiro.
Minas Gerais se tornou um caso emblemático, ao delimitar em 1995, através de
medidas oficiais, quatro regiões produtoras de café: Sul de Minas, Cerrado,
Jequitinhonha e Montanhas de Minas (Zona da Mata). Conferindo a cada uma delas
um “certificado de origem” da produção. (Certicafé)
46
O Programa Mineiro de Incentivo à Certificação de origem do Café (Certicafé)
perdurou até meados de 2002, quando ficou inviabilizado pelas discordâncias políticas entre
as cooperativas e a forma instituída pelo Estado “de cima pra baixo” criando as Portarias do
IMA. (DANTAS, 2009, p.81)
Outra situação é que as regiões instituídas eram demasiadas grandes com atributos
geográficos diferentes e não corresponderiam aos anseios dos agricultores, e o Certicafé não
poderia ser usado como instrumento para concessão do IG,conforme portaria do INDI, a
solução foi que o IMA, então desmembrou- as em Microrregiões, já com articulação de
Cooperativas e Associações de Produtores interessados em instituir as IG’s para valorização
do produto.
Interessa-nos aqui a Criação da Microrregião dos Cafés da Serra da Mantiqueira no
ano de 2006, onde a APROCAM representou os interesses dos produtores da Região, que já
se destacavam no cenário internacional desde 2002 participando ativamente e com méritos
nos concursos dos Cafés Especiais promovidos pela torrefadora italiana Illycafé e a
Associação Brasileira de Cafés Especiais. (Vide Anexo II)
Fundada em 1997, a APROCAM entidade representativa dos fazendeiros da face sul
mineira da Serra da Mantiqueira (circuito das águas), órgão responsável pela “missão” de
levar capacitação técnica aos produtores, instituir trabalhos de marketing focando no mercado
dos cafés certificados e/ou diferenciados, aprimoramento da tecnologia cafeeira regional,
procurando novos cultivares adaptados à região, instalação de infra-estrutura para melhoria da
qualidade do café.
O Plano Estratégico da entidade contava ainda com o apoio do Centro de Inteligência
em Mercados Agropecuários, centro de pesquisa para gestão do circuito espacial da produção
de produtos agropecuários, com atenção especial ao café, em parceria com a UFLA. O
CICAFE (Centro de Inteligência do Café) viabiliza a captação, organização e gestão da
informação, fazendo análises e estudos para definir políticas e ações estratégias para empresas
e governo ligados à produção cafeeira.
Carmo de Minas conta com o apoio da UFLA/CICAFE, atualmente as pesquisas estão
sendo coordenadas pelo Professor Doutor Flávio Meira Borém e sua equipe de mestrandos e
doutorandos da Universidade Federal de Lavras, responsáveis pela coleta de amostras de
solos, análise do micro clima, pesquisas de novas espécies cultivares.
Temos abaixo a importância da Associação dos produtores em torno de um ideal, que
articulados localmente puderam inserir a microrregião no circuito espacial da produção de
café:
47
O movimento da Aprocam para diferenciar o café produzido na serra da Mantiqueira
dos outros iniciou em 2002, com a participação dos produtores da região em
concursos internacionais. A região montanhosa e de clima frio limita o uso de
máquinas nas plantações. A forma encontrada pelos cafeicultores para disputar o
mercado, de acordo com o presidente da Aprocam, Antonio Junqueira Vilela, foi
investir na produção de café de qualidade, no café especial. Atualmente, sete anos
depois do inicio dos investimentos, o Café da Mantiqueira já tem qualidade
reconhecida internacionalmente e obtém os melhores preços nos leilões virtuais.
(AGENCIA BRASILEIRA DE NOTICIAS, 24.07.2009)
Não somente em termos de visibilidade internacional, mas o reconhecimento como
zona diferenciada da produção de cafés finos e únicos no mundo trazem à Serra da
Mantiqueira e microrregião de São Lourenço:
O desenvolvimento da cafeicultura certificada na região, segundo o prefeito de São
Lourenço, Zé Neto, que participou do encontro de Carmo de Minas, é fundamental
para o desenvolvimento das cidades do sul de Minas. Para o prefeito, a parceria dos
municípios produtores com os municípios do Circuito das Águas, que possuem
infraestrutura para oferecer serviços e receber turistas, é uma alternativa eficiente
para impulsionar a economia e a qualidade vida na região. (AGENCIA
BRASILEIRA DE NOTICIAS, 24.07.2009)
Os fatos mais importantes para a concretização “do sonho” em torno de um ideal
podem ser mais bem visualizados na cronologia abaixo:
1997 – CRIAÇÃO DA APROCAM
2000- Elaboração de Plano Estratégico dos Produtores Visando Valorização do produto
da região, capacitação dos produtores, definição de estratégias de mercado.
2001 – Implantação de Novos processos de cafeicultura, gestão empresarial, neste momento
podemos dizer que estava criado o sistema agribusiness.
2002- Primeiras premiações pela qualidade do Café, no Cup of Excellence, dos 28 cafés
finalistas, 12 lotes eram do Sul de Minas, sendo 8 lotes de Carmo de Minas.
2003 – 30% dos cafés finalistas eram de Carmo de Minas do premiado Cup of Excellence.
2004- Sobe para 33% a participação dos finalistas no Concurso Cup of Excellence, dos 36
finalistas, 12 eram do Sul de Minas, sendo 11 da Serra da Mantiqueira e 6 de Carmo de
Minas.
48
2005- Recorde Mundial, considerado o melhor café do mundo 22 sacas produzidos na
Fazenda Santa Inês, atingiram a pontuação de 95,85 dos 100 possíveis, recorde mantido até
hoje.
2006- início do processo de indicação geográfica pela Delimitação da Região pelo Instituto
Mineiro de Agropecuária, conforme portaria 805 de 18/10/2006 e memorial descritivo.
2007- Iniciado o processo de Indicação de Procedência (IP) no INPI.
2008- Constituído grupo de pesquisas junto a UFLA/CICAFE para reconhecimento e estudos
sobre as condições edafoclimáticas da região.
JUNHO 2010 – INPI reconhece a denominação Região da Serra da Mantiqueira Minas
Gerais como IP para o Café.
2011- Segue a consolidação da região como produtora de Cafés Especiais, e iniciada a ação
para a Denominação de Origem (DO) próximo passo para caracterização e reconhecimento
da qualidade do produto da micorregião.
Figura 9: O selo de IP trará varios benefícios para a microrregião, tais como proteção,
reconhecimento,agregação de valor,desenvolvimento sustentável, visando sempre o lucro coletivo
Fonte: http://www.aprocam.com.br/indicacao-proscedencia.php
49
Municípios que compõem a Microrregião beneficiadas com o IP
legenda:
Municípios da Região delimitada
Sul de Minas Gerais
Municipios:
1.
Baependi
2. Brasópolis
3.
Cachoeira de Minas
4. Cambuquira
5.
Campanha
6. Carmo de Minas
7.
Caxambu
8. Conceição das Pedras
9.
Conceição do Rio Verde
10. Cristina
11. Dom Viçoso
12. Heliodora
13. jesuania
14. Lambari
15. Natércia
16. Olimpio Noronha
17. Paraisopolis
18. Pedralva
19. Pouso Alto
20. Santa Rita do Sapucaí
21. São Lourenço
22. Soledade de Minas
Figura 10: Municípios que integram a região do IP
Fonte: http://www.aprocam.com.br/municipios.php
50
Podemos acompanhar pela tabela abaixo a produção cafeeira por municípios que
integram essa região demarcada, em destaque o município de Carmo de Minas:
TABELA 2
Produção Cafeeira dos municípios que compõem a microrregião de São Lourenço.
MUNICIPIO
São Lourenço
Soledade
Sta Rita
Sapucaí
Pouso Alto
Pedralva
Paraisopolis
Olimpio
Noronha
Lambari
Jesuania
Heliodora
Dom Viçoso
Cristina
Conceição do
Rio Verde
Conceição
Pedras
Caxambu
Carmo de
Minas
Campanha
Cambuquira
Cachoeira de
Minas
Brazopolis
Baependi
Natercia
Itamonte
Alagoa
Total
REND.MEDIO PRODUTO/TON VALOR
PRODUÇÃO
1378/kg/hec
80 ton
374 mil
1320/kg/hec
441 ton
1764 mil
840/kg/hec
5775 ton
25312 mil
ÁREA
PLANTADA
58 hec
334 hec
6875 hec
718/kg/hec
1200/kg/hec
900/kg/hec
960/kg/hec
79 ton
3936 ton
144 ton
1056 ton
369 mil
17251 mil
631 mil
4932 mil
110 hec
3820 hec
160 hec
1100 hec
1019/kg/hec
1319/kg/hec
1200/kg/hec
839/kg/hec
900/kg/hec
1260/kg/hec
5875 ton
2072 ton
4044 ton
318 ton
1440 ton
2612 ton
27436 mil
9676 mil
15165 mil
1272 mil
6725 mil
12198 mil
5760 hec
1570 hec
3370 hec
265 hec
1200 hec
3110 hec
900/kg/hec
1494 ton
6548 mil
1660 hec
1260/kg/hec
1260/kg/hec
252 ton
5100 ton
1072 mil
23817 mil
200 hec
1200 hec
852/kg/hec
900/kg/hec
1080/kg/hec
4026ton
4635 ton
1728 ton
16104 mil
18540 mil
7574 mil
4725 hec
5150 hec
1600 hec
1080/kg/hec
1200/kg/hec
1560/kg/hec
1250/kg/hec
1000/kg/hec
26195 kg/hec
1242 ton
1824 ton
3120 ton
10 ton
1 ton
51304 ton
5444 mil
7788 mil
11700 mil
47 mil
4 mil
221743 mil
1150 hec
1520 hec
2000 hec
8 hec
1 hec
46946 hec
Fonte: Dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo Agropecuário, 2009
Tabela elaborada pela autora.
51
O tão almejado Selo da Microrregião Produtora de Cafés Especiais, o IP está dentro do
entorno do Circuito da Águas, compreende 22 municípios mineiros, com cerca de 8 mil
produtores, dos quais 80% são agricultores familiares; cultivam perto de 50 mil hectares de
café, de onde saem por ano, em média, 1 milhão de sacas do produto, proporcionando 150 mil
empregos diretos e indiretos.
Figura 11: O tão almejado selo de IP
Fonte: http://www.aprocam.com.br/indicacao-proscedencia.php
Este selo representa um grande marco para a microrregião que desde 1997, através da
APROCAM, vem se mobilizando para consegui-lo, esta certificação vem agregar uma série
de benefícios aliados a ele.
Cabe aqui uma distinção entre IP e DO, conforme Serviço de Política e
Desenvolvimento Agropecuário (2009)
™ Indicação de Procedência: É o nome geográfico de um país, cidade, região ou
localidade que se tornou conhecido como centro de produção, fabricação ou extração
de certo produto.
™ Denominação de Origem: É o nome geográfico de um país, cidade, ou região ou
uma localidade que produza um produto cujas qualidades se devam exclusivamente ao
meio geográfico.
52
Mas de uma forma geral os objetivos de uma certificação segundo Medaets
(2005) citado por Dantas (2009, p. 51) são:
a) identificar e diferenciar o produto por intermédio de um sinal de qualidade;
b) dar credibilidade ao mercado por intermédio da ação de um organismo certificador
independente;
c) agregar valor ao produto;
d) facilitar o conhecimento e reconhecimento de um produto;
e) ganhar a confiança dos consumidores;
f) beneficiar uma iniciativa coletiva (caso de uma certificação vinculada a uma IG)
Pode-se afirma que estes objetivos foram alcançados com o selo de IP, para a
primeira microrregião do país (face sul da Serra da Mantiqueira) a obter este selo e
não para por aí a Associação e Produtores já deram inicio à obtenção da DO
(Denominação de Origem), processo muito mais lento e custoso onde é preciso o
reconhecimento de vinculação do território com os fatores naturais e humanos.
No texto:
Atualmente, o Brasil possui oito IPs: Pinto Bandeira (RS) (vinho tinto, branco e
espumante); Região do Cerrado Mineiro (café); Vale dos Vinhedos – RS (vinho
tinto, branco e espumante); Pampa Gaúcho da Campanha Meridional – RS (carne
bovina e derivados); Paraty – RJ (cachaça e aguardente composta azulada); Vale do
Submédio São Francisco - BA/PE (manga e uvas de mesa); e Vale do Sinos – RS
(couro acabado). Em 2010, foi concedida a primeira DO para brasileiros: Litoral
Norte Gaúcho, região produtora de arroz. (AGUIAR, 2011)
Mapa dos Principais IP dos Cafés no Brasil
Figura 12: A diversidade de Cafés no Brasil
Fonte: http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php acessado em 22.01.2011
53
A Rastreabilidade presente na Rota do Café ESPECIAL, “do pé à xícara”, também é
preocupação no agronegócio; cujo foco maior é a segurança alimentar e pode atender também
a identificação da origem do produto em uma IG. Neste contexto;
o SAG ganha em qualidade da informação, agregação de valor ao
produto,diminuição do custo de transação com o aumento da confiança gerada pela
informação; por outro lado, o custo agregado ao produto também aumenta. Esta
riqueza de informações proporcionada por sistema rastreado pode ser útil em SAGs
de produtos com alta especificidade, como é o caso dos produtos com IG
reconhecida. (DANTAS, 2009 p.55)
Assim temos no Grupo Sertão responsável pela criação da Rota do Café ESPECIAL
em sua principal propriedade um esquema de rastreabilidade “do pé à xícara” , um sistema
altamente controlado que procura levar ao consumidor um produto diferenciado com alto
valor agregado, e qualidade superior, visando ganhar a confiança dos consumidores e garantir
um mercado em expansão.
Além disso, a rastreabilidade garante a segurança alimentar, o que leva a aumentar a
reputação do produto baseado na cultura e tradição. Apesar de um alto custo para os
produtores garante, sobretudo um diferencial nos leilões internacionais do qual o produto de
Carmo de Minas está sempre entre os grandes finalistas.
A Rastreabilidade do Café proporciona diferenciação do produto no mercado, nada
impede que o mesmo produto tenha rastreabilidade, certificação e IG reconhecida; este parece
ser o caso do Café de Carmo de Minas que procura complementar a cadeia produtiva
agregando ainda mais valor ao produto.
Temos abaixo o esquema da Rastreabilidade dos Cafés Especiais praticados pelo
Grupo Sertão:
Figura 13: O Esquema de Rastreabilidade da Família Sertão
Fonte: http://www.gruposertao.com.br/pt/cafes/pt/rastreabilidade.htm
54
Podemos visualizar abaixo algumas etapas na rastreabilidade do café nas fazendas do
Grupo Sertão, isso só foi possível graças à criação da Rota do Café Especial, onde o
consumidor pode ver e conferir a qualidade e dedicação com o produto. Em um mercado
cada vez mais competitivo a certificação, rastreabilidade, preocupação ambiental,
responsabilidade social, são alternativas e ao mesmo tempo exigências para garantir nichos de
mercado e imprimir desenvolvimento rural.
Figura 14 : O cuidado nas “ruas” das lavouras
Figura 15: A derriça manual na plantação
Fonte: Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011 http://carmocoffees.com.br/flash/index.html
Segundo o Gerente 1 o esquema da rastreabilidade começa com a limpeza do terreno,
capina, varrição e logo depois é estendido um pano onde o café colhido é colocado:
[...] varre, coloca um pano embaixo e feito a derriça, galho a galho ou maquina
derriçadeira elétrica, isso cai num pano vai para a primeira separação arcaica e
vai pro saco de medida 60 litros, duas vezes por dia vai passar um caminhão
recolhendo..
[...]qual talhão quem colheu e assim durante o período de jan/julh, e vai para o
pátio de secagem, quando chega na xícara o cliente lá no Japão (pergunta)eu posso
falar que ele é da fazenda sertão?, talhão XX? tá tudo documentado que esse café é
daqui tudo isso e qualidade com os vinhos também é assim.... todo RG lá do
produto..(Gerente 1)3
A Fazenda Santa Inês (Grupo Sertão) obteve a nota recorde no ano de 2005, de 95,85
pontos (em uma escala de zero a 100) em concorrido concurso promovidos em parceria com
BSCA, que concede o premio “cup of Excellence” aos melhores cafés do país. A região de
Carmo de Minas vem se destacando desde o ano de 2002 quando ingressou na competição
anual onde participam apenas os seletos países produtores de cafés especiais, entre eles Brasil,
3
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
55
Colômbia, Guatemala, Bolívia. A pontuação obtida pela Fazenda Santa Inês até hoje se
mantêm como Recorde mundial, tornando-se um “diamante” na região.
Premiação do Cup of Excellence ano 2005, dos 36 Cafés finalistas, 26 foram do Sul de
Minas e destes 24 da Serra da Mantiqueira, sendo 18 de Carmo de Minas e conquistou o
recorde mundial de 95,85 pontos (numa escala de 0 a 100), 22 sacas foram comercializadas
em leilão virtual e vendidas a U$6 mil cada saca!
Figura 16, 17, 18 - Saca Padrão de 60 kg do Café premiado da Fazenda Santa Inês
Fonte: Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
Japoneses estão entre os melhores compradores dos cafés especiais produzidos em
Carmo de Minas, entre leilões, feiras e concursos as portas vão se abrindo para o agronegócio
da microrregião no sul de minas.
Figura 19, 20 : Japoneses e Carmenses em Feiras Internacionais, sempre bons negócios.
Fonte: Arquivo Pessoal, trabalho de campo julho.2011
56
O resultado do ultimo Concurso Cup of excellence, cujo resultado foi divulgado em
18/11/2011 pela BSCA dentre os 25 finalistas 18 são do sul de minas, sendo 11 da cidade de
Carmo de Minas e entre os 10 melhores colocados 6 são do município.
O grande vencedor foi o Café Especial da fazenda Rainha, da região Alta Mogiana
(SP), que recebeu nota 91,41 dentre o máximo de 100 pontos, ficando, portanto recorde da
fazenda Santa Inês ainda a ser batido!
No site oficial da Associação Brasileira de Cafés Especiais encontramos o seguinte:
O preço médio pago pelos 25 lotes vencedores do 12º Concurso de Qualidade Cafés
do Brasil, oferta dos em leilão via internet, foi de US$7,40 por libra peso. O maior
lance, dado aos cafés da Fazenda Rainha, superou em 927,35% o fechamento do dia
da bolsa nova iorquina. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CAFÉS ESPECIAIS,
2012)
Um consórcio formado pela empresas Kyokuto Fadie Corporation, Times Club for CCOOP, Coffee Libre and Tashiro Coffee Co. Ltda pagou por cada uma das 22 sacas da
Fazenda Rainha, o montante de R$ 5.399,21 ou U$ 3.055,58 em 60 Kg um preço bem
superior ao do commodities praticado no mercado.
Ao todo o lote rendeu um total de
US$ 67.222,66 ( R$ 118.782,44) ao seu vencedor, o que com certeza exemplifica o
“diamante” que os produtores tem em suas mãos, um agronegócio espetacular, que pode
render bons frutos para a região; como
sustentável.
desenvolvimento social, econômico, ambiental
57
3. O QUADRO NATURAL DA MICRORREGIÃO
Como dissemos as condições privilegiadas da microrregião fazem do quadro natural
um fator importante para o desenvolvimento da cultura cafeeira e conseqüentemente do
produto, do turismo, da economia, capaz de modificar toda a estrutura de uma região.
A melhor descrição do quadro natural se encontra no Anexo 2 da Portaria nº 805 IMA
de 18.10.2006, onde reproduziremos aqui alguns trechos interessantes:
Caracterização geomorfológica, hídrica e climática Com latitude média de 22º sul e
altitude entre 850 a 1400 m, a cafeicultura regional está implantada acima de 800
metros, com temperatura média anual de 19ºC. As baixas temperaturas favorecem a
maturação mais demorada dos frutos que resulta em formação de mais açúcares e
acidez característica que melhora a bebida. O relevo é montanhoso com declives
variando de médio a acentuado.As lavouras de café estão implantadas nas encostas
com declividade de 0% a 50% em nível, com boa drenagem de ar frio, menos
ocorrência de geadas. A precipitação pluviométrica anual média é de 2000 mm, com
boa distribuição ao longo do ano, onde o período de maio a agosto tem baixa
pluviosidade, favorecendo a colheita e preparo do café de qualidade. As boas
disponibilidades de água associada à inclinação do solo propiciam um equilíbrio
entre o fornecimento adequado e drenagem do excesso de água. (INSTITUTO
MINEIRO DE AGROPECUÁRIA, 2006)
Figura 21: Panorama Geral da Serra da Mantiqueira
Foto arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
58
Além disso, a região ainda conta com:
a presença de áreas significativas de remanescentes de Mata Atlântica bem como
vegetações ciliares e grandes número de nascentes, garantem ao ambiente,
características únicas e diferenciadas das demais regiões cafeeiras do país. A
incidência desse remanescente de Mata Atlântica cria condições de retenção
Especial de umidade do ar, implicando uma restrição da amplitude térmica durante o
verão, provocando maturação mais lenta nos frutos do café. Este processo permite
melhor formação de açucares, que tem relação direta com a qualidade final da
bebida. O solo predominante é o latossolo vermelho, amarelo com boa textura e
granulométrico, oferecendo condições ideais de armazenamento de água, drenagem
e aeração, necessários ao desenvolvimento do sistema radicular do cafeeiro.
(INSTITUTO MINEIRO DE AGROPECUÁRIA, 2006)
A Associação mostra que:
As medidas de proteção ao meio ambiente incluem a reserva de amplas áreas para
preservação da flora e da fauna nativas. A qualidade da água recebe atenção
especial, uma vez que as nascentes que proliferam na região (Mantiqueira significa
“lugar onde nascem as águas” na língua Tupi) alimentam o tradicional Circuito das
Águas do Sul de Minas. (ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE CAFÉ DA
MANTIQUEIRA, 2011)
Figura 22: Cachoeiras e Corredor de Mata Atlântica bem preservado.
Foto Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
Remetendo o quadro natural para a atividade agropecuária na ocupação do espaço sul
mineiro temos;
As propriedades policulturas, como é o caso do Sul de Minas, se caracterizam pela
baixa taxa de exposição do solo[...] é plausível que a combinação da paisagem
natural com a policultura e a pecuária resultasse em impactos muito menores,
59
passíveis de serem confundidos,à primeira vista, com um maior conhecimento
técnico[...], a fazenda Sul de Minas está assentada em condições de produtividade
mais prolongada, já que os problemas ambientais gerados pelo manejo são muito
menores que os verificados nas áreas de monoculturas tradicionais. (GIOVANINI,
2006, p. 90)
A associação do quadro natural com a ocupação preterida do espaço, visto que havia
poucas atividades mineratórias na microrregião de São Lourenço, podemos afirmar que o Sul
de Minas dedicou-se à intensa atividade agropecuária, um espaço dinâmico, interligado por
“caminhos” que abasteciam o mercado interno com café, queijos, lingüiça, tecidos, gado,
tabaco, como bem nos lembra Saint Hilaire (1975):
várias caravanas vieram sucessivamente aboletar-se no rancho. Vêm umas do Rio de
Janeiro para São João e Barbacena, carregando sal; vão outras destes arredores para
a capital e levam toucinho e queijos. Estes gêneros que constituem dois ramos de
comércio muito importantes para a comarca de São João transportam-se em cestas
de bambu (jacás) achatados e quadrados; cada cesto contém 50 queijos e dois
formam a carga de um burro. Os de toucinho pesam cada um três arrobas, se o burro
que os leva é novo, e quatro, quando já acostumado à carga. O sal é transportado em
sacos. (SAINT HILAIRE, 1975 p.91)
Mas quando se trata das belezas da Serra da Mantiqueira, o mesmo Hilaire (1975),
se mostra encantado com as paisagens naturais.
À nossa frente tínhamos a Serra da Mantiqueira, a cujos cumes, bastante diferentes
pelo formato, veste sombria floresta. Nada melhor lembra os vales da Suíça do que
este de que acabo de fazer a descrição. (SAINT HILAIRE, 1975 p. 125)
quando se atravessa o rio avista-se em conjunto o que acabo de descrever, vê-se
além disso, ao longe, a Serra da Mantiqueira, cortada por imensas florestas e a gente
não pode cansar-se de contemplar uma paisagem que tem, ao mesmo tempo, algo de
risonho e majestoso. (SAINT HILAIRE, 1975 p. 124)
Porém o grande diferencial da região é o fato de se situarem em região montanhosa da
Serra da Mantiqueira, que possui espetacular beleza, as lavouras se distribuem em altitude
médias que vão dos 850m até 1400m estabelecendo diferenças sensoriais a cada patamar de
altitude, podendo ser encontrado cafés de média a alta complexidade em termos de doçura,
aroma, acidez, particularidades que fazem da microrregião candidata a produção de cafés de
qualidade e de personalidades sensoriais estável ao longo dos anos.
Neste quadro natural se inscreve a Rota do Café Especial, como veremos a seguir.
60
4. A ROTA DO CAFÉ ESPECIAL
A Rota do Café Especial é um investimento em turismo rural colocado em prática no
ano de 2008 sob a iniciativa do Grupo Sertão.
O Grupo Sertão é composto por tradicionais agricultores da região sul mineiro, mais
especificamente no município de Carmo de Minas, que há mais de 100 anos vem do ambiente
geográfico favorável para a manutenção e continuidade da tradicional cultura “café com
leite”.
Conforme nos lembra Filetto (2000) em sua tese sobre a expansão da cafeicultura o
atual agronegócio do café sul mineiro apresenta características dinamizadoras que foram
agregadas a partir do surgimento do CAI do café e da modernização da agricultura brasileira
durante a década de 70. (FILETTO, 2000 p.92)
Deste modo o território da Rota do Café ESPECIAL, vem servindo como espaço de
produção agropecuária, permeado por relações sociais contraditórias, e mais recentemente às
relações econômicas que o colocam no topo como expressão máxima de vantagens
locacionais, servindo ao mundo globalizado de produção, como fica claro na “missão”
instituída pelos proprietários do território.
Neste sentido, constitui Missão do Grupo Sertão;
1- Produzir e comercializar cafés de alta qualidade com padrões definidos para
exportação;
2- Desenvolver um gado girolando de referência nacional;
3- Produzir e comercializar milho e soja com alto padrão de qualidade;
4- Rentabilidade, melhoria da qualidade de vida dos colaboradores, respeito à
legislação e ao meio ambiente e contribuição social para uma sociedade mais
igualitária e justa. (GRUPO SERTÃO, 2011)
Suas vastas propriedades, cinco ao todo, divididas entre os filhos, como é comum na
agricultura familiar e tradicional na RGSM, integram os pioneiros fazendeiros no cultivo de
café e criação do gado Girolando.
61
Figura 23: Vista da Sede colonial da Fazenda Sertão atualmente descaracterizada por reformas.
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul 2011
A Matriarca da Fazenda Sertão ainda vive no município e suas glebas de terras
figuram sempre entre os finalistas dos concorridos concursos internacionais de cafés especiais
promovidos pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).
Figura 24, 25: Marco da Sede Colonial e a Matriarca que ainda reside no município
Fonte: Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
A Visão empresarial do Grupo Sertão, pioneiros e únicos a ofertarem o Turismo rural
como prioridade para atingir os objetivos familiares, perpassados por seus valores;
tornar -se uma referência mundial no mercado do agribusiness nos próximos 5 anos
e aumentar significativamente as exportações de cafés arábicas de alta qualidade
com valor agregado. Valorização da Família, Ética, Transparência, Credibilidade,
Profissionalismo, Humildade e Determinação. (GRUPO SERTÃO, 2011)
62
Podemos comprovar no trecho abaixo como a Rota foi pensada e a finalidade, que
pode ser traduzida a principio como educação, ou seja, educar o brasileiro a tomar café, café
especial de preferência, aguçar o paladar, informar que os melhores cafés são realmente do
país, mas que estes são exportados e a regulamentação da ABIC permite um excesso de
“defeitos” nos cafés das mesas dos brasileiros:
o propósito da rota é educação, a pessoa sai informada do que é o café especial... a
gente ate brinca que as pessoas vão tomar café pela primeira vez na vida! na rota
do café especial.. Com as premiações, e tendo essa visibilidade... (Gerente 1)
e a rota do café é um projeto turístico que visa mostrar para o brasileiro que existe
um tipo de café diferenciado e que está próximo da gente e que podemos degustar
este café, porém a gente tem que mostrar, que 95, 5% dos cafés daqui vão pra
fora, japoneses, Estados Unidos, Noruega, Dinamarca, são os nossos maiores
clientes....(Gerente1)
e a rota próximo a São Lourenço que é um pólo turístico..., então por que não
trazer o público de São Lourenço para visitar as fazendas? Mas são (sic) um
público pequeno porque é um roteiro diferenciado de bastante informação,a gente
vai passar pela lavoura e não pensamos em massificar e vamos mostrar aos pouco
do que está acontecendo aqui nesta nossa região. (Gerente 1)4
As propriedades centenárias são hoje administradas pelos herdeiros, filhos, genros e
noras, que compõem um seleto grupo de agropecuaristas com forte visão empresarial, e
presença marcante nas decisões da APROCAM, Carmo Coffee, Unique Café, constituindo
uma elite no município.
[...]turismo só existe na Fazenda Sertão, a rota só na Fazenda Sertão os outros
produtores ainda não se abriram a isso ainda... não entendem o turismo como
atividade econômica, ... estão começando ainda a perceber...porque a gente recebe
400 estrangeiro/ano que vem por causa da rota de turismo criada pelo café....para
"eles" que não viram essa possibilidade ainda..... pois o valor da rota é bem
superior ao passeio do Trem das Águas que vai de S Lourenço a
Soledade...(Gerente1)5
A criação de gado Girolando também é tradição no município e na RSM
aproveitando-se que o café é plantado nos topos de morros, o gado utiliza-se das pastagens
nas encostas dos mesmos, permitindo uma dupla renda para os proprietários. Não raramente
seu rebanho figura entre finalistas e vencedores de concursos nacionais e regionais.
O gado leiteiro ainda tem outra função, a responsabilidade social, é distribuído, sem
cotas diárias para os colonos/empregados da Fazenda, sendo ao todo 40 casas, com construção
do inicio dos anos 1900, que abrigam aproximadamente 120 funcionários e suas famílias.
4
5
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
63
Figura 26,27: As faixas de “Grande Campeã”, não deixam dúvidas sobre a qualidade e o compromisso na
produção “Café com Leite”.
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
A Fazenda Sertão conta com Capela, onde se realizam as tradicionais festas religiosas
e as missas domingueiras, Escola Rural Municipal, com ensino fundamental seriado até o
quinto ano para as crianças que moram na propriedade, e transporte escolar gratuito para os
maiores , a partir do sexto ano, de responsabilidade conjunta com a prefeitura, duas vezes por
dia.
Nas casas dos empregados percebem-se a prática de horta de subsistência, culturas
complementares como mandioca, milho, e ainda a produção de queijo para uso doméstico
com o leite fornecido diariamente, em algumas casas, caracterizando a melhoria na renda das
famílias.
As residências simples, de caráter rural acompanham as modernidades da vida
moderna, com a presença de parabólicas, televisores; mas de um modo geral segue o ritmo do
campo, um modo de vida simples, rústico, enraizado no sopé das montanhas emoldurados
pelos imponentes pés de cafés “subindo os morros” ; filhos de gerações de empregados desde
os primórdios da cafeicultura na Fazenda em 1912 e ajudaram a erguer a Sede Colonial em
1891.
Nas palavras do Gerente 1 :
[...] Há famílias de trabalhadores aqui que estão há 3,4 gerações na Sertão,são
funcionários, tudo registrado, tudo certinho... vivem aqui, moram aqui...apenas na
64
colheita ou adubação a gente contrato pessoal daqui da região para ajudar,
também tudo legalizado...tudo certinho. (Gerente 1)6
Figura 28: A moradia dos colonos, a simplicidade das habitações contrasta com o agronegócio altamente
lucrativo que as rodeiam.
Fonte: Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
Mesmo não sendo permitido descer durante o passeio dentro da propriedade, corremse o risco de se perder, os turistas prestam bastante atenção nas historias contadas pelo guia
que chama sempre a atenção para os aspectos sociais com que o Grupo gerencia o seu
território. Um exemplo está exposto a seguir, a preocupação com a educação, como dito
anteriormente de responsabilidade do município em terras rurais particulares.
Figura 29: Escola Rural dentro da propriedade, a responsabilidade social presente.
Fonte: Arquivo pessoal trabalho de campo jul.2011
6
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
65
Em busca de Paisagens Rurais em ambiente familiar e tranqüilo, turistas se delicia
com a rusticidade e o ritmo lento do campo, ditado pela natureza.
Figura 30: A Paisagem Rural, objeto de consumo das novas ruralidades
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
Os turistas são levados pelo interior da Fazenda, o que contribui para gerar o Cenário
perfeito para a valorização do Produto e prepará-los para
os Sabores do Campo. Esta
estratégia é parte do serviço de comunicação, boca a boca, essencial no turismo rural, onde as
experiências sensoriais, os atrativos, são transmitidas e podem aumentar o numero de
turistas/ano na propriedade.
Figura 31,32: O caminho que conduz a experiências sensoriais na Rota do Café ESPECIAL
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul. 2011
Seguindo pela empoeirada estrada em curvas cada vez mais apertadas e solavancos a
van para no Mirante Central à 1145m, onde grupo de turistas em visita à propriedade ouve
atentamente os detalhes conservacionistas aplicados e se deliciam com a paisagem de “café
até onde a vista alcança”.
66
Parada “técnica” da Rota no Mirante Central da Fazenda, explicações e “tira dúvidas”
sobre a plantação, produção, preparando os turistas para apreciarem um café especial, com
características raras e únicas.
Figura 33, 34: Parada no Mirante Central e “Cafés até onde a vista alcança”
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
O gerente da Rota faz as explicações devidas sobre a sustentabilidade ambiental,
mostra os corredores de Mata Atlântica, aponta as cachoeiras dentro da propriedade e sustenta
que:
pessoal aqui a gente fala um pouco da cafeicultura dentro do meio ambiente,
nossos cafés começam láaaa... os corredores ecológicos...[...]900m, partindo lá da
cidade, 1000m na primeira parada, vamos chegar a 1300 m existem lavouras ate
1500m, uma das diferenças da plantação de montanha, 1 milhão de cafés nesta
fazenda é colhido manualmente, galho a galho , ou grão a grão, tudo isso vai gerar
a qualidade.... (Gerente 1)7
A extensão da propriedade impressiona, bem como o meio ambiente preservado,
cachoeiras, o verde e o ritmo frenético da época da colheita feita basicamente de maneira
tradicional e cuidadosa, o que leva a pensar na importância do produto para a economia
regional.
7
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
67
Figura 35,36: Os topos de morros cobertos pela lavoura com a imponência da Serra da Mantiqueira ao fundo.
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
Detalhe das plantações “morro acima” e os “corredores naturais” de Mata Atlântica
preservados, a dimensão ambiental presente como fator primordial para o desenvolvimento do
Turismo Rural na propriedade.
Figura 37: Detalhe da plantação “morro acima”
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
68
Toda a estrutura do agronegócio do Café Especial pode ser observada pelos turistas,
que visitam o pátio de secagem, a maquinaria, e o trabalho febril na época da colheita que se
estende justamente com o período de inverno abril a setembro.
Figura 38: O movimento do maquinário em plena colheita
Fonte: Arquivo pessoal , trabalho de campo jul.2011
Todo esse trabalho pode ser assim descrito, nas palavras do Gerente da Rota:
no pátio tem cereja, outro de verdes, que estourou depois... o melaço (doce
natural)virou uma casquinha que virou um pergaminho ou par de café.. o café
depois que sai da lavoura tem 4 horas para chegar ate aqui para não perder a
qualidade, aqui ele fica 7 dias sendo virado acompanhando conforme o sol, virado
manualmente... uma produção não tão grande porém com volume e mesmo com 3
pátios a gente não consegue dar conta do café que vem da lavoura, então
aceleramos o processo ele fica três dias aqui porque tem que limpar para colocar
outros café e colocamos na secadora industrial, mais três dias secando depois vai
para o descanso ate ser ensacado, por 60 kg e vai para a cooperativa... aí que vai
ser classificado...se ele vale mais de 80 pontos ou menos.. ou seja se é especial ou
commodities... a seleção por tamanho de grãos define na peneira, amostragem por
sacas... (Gerente 1)8
A tradição da secagem nos terreiros, aproveitando os meses secos e dias ensolarados
do inverno, os secadores mecânicos completam o trabalho. Após a visita ao Pátio, turistas são
levados para a Sede Colonial onde são apresentados ao aroma e sabor indiscutíveis do café
“rastreado do pé à xícara”.
8
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
69
Figura 39,40: Turistas ouvem atentamente as explicações sobre como se tomar café
Fonte: Arquivo pessoal, trabalho de campo jul.2011
Em Palestra na Sede Colonial da Fazenda Sertão (1891) os turistas acompanham
atentamente a explanação da Produção do Café Especial e aprendem a “tomar café pela
primeira vez”, desmitificando o trinômio café preto/forte/quente!
[...] hoje vocês vão tomar café pela primeira vez na vida, pra muita gente o café
tem que ser preto extremamente quente e amargo... o sabor do cafe é o amargor, a
gente vai derrubar isso. Café não é preto não tem amargor excessivo, um café bom
se toma sem açúcar, hoje vocês vão saber como é que se consegue tomar café sem
fazer careta. (Gerente 1)9
Diante do exposto acima pudemos perceber que a “Rota do Café Especial” cumpre os
requisitos para se firmar como Turismo Rural, de acordo com a cartilha do Ministério do
Turismo.
É realizada em pequena escala, pois a van que faz o transporte comporta no máximo
14 pessoas sem aglomeração, e de modo a permitir o contato personalizado, e sem excesso de
veículos no interior da propriedade, o que contribui para o meio ambiente.
A Rota situa-se em local de rara beleza com paisagens tipicamente rurais que vão de
encontro aos anseios dos turistas, em sua grande maioria proveniente de áreas urbanas,
Outra característica é a manutenção das atividades produtivas na propriedade, pois os
turistas não interferem na frenética época da colheita, o melhor período para se fazer a visita à
propriedade, pois o período de estiagem coincide com o inverno e com a colheita propiciando
deslumbrantes dias ensolarados e raras nuvens.
A conservação dos recursos naturais, a preocupação com a manutenção dos
ecossistemas, o manejo do solo, a preservação da fauna, flora e recursos hídricos, bem como a
9
Dados da entrevista. Pesquisa de campo realizada na cidade de Carmo de Minas em 22/07/2011
70
conservação (ainda que descaracterizada por reformas), o Casarão centenário, possui traços
arquitetônicos do inicio do século que harmonizam com o rural.
A manutenção das tradições familiares, pois a quatro gerações a propriedade se
encontra no âmbito familiar, transmitido de pai para filho, e sendo administrados por eles.
As tradições culturais com o tradicional “bolo de fubá” e do “pão de queijo”, coroado
com o “café especial” na velha cozinha de azulejos azuis e brancos, a toalha de renda em
crochê, representa o jeito mineiro de ser, receber e de consolidar bons frutos com esse belo
trabalho.
Neste sentido é que foi pensada e criada a Rota do Café ESPECIAL aproximarem-se
do consumidor final para que este possa reconhecer as percepções sensoriais do Café
Especial, sabor, aroma, blend, qualidade,dedicação com meio ambiente, responsabilidade
social, enfim promover o produto, valorizar o território, garantindo assim o desenvolvimento
da região, e uma fatia do crescente mercado de cafés especiais.
71
CONCLUSÃO
Desde a introdução da cafeicultura na região sul-mineira esclarecido no tópico 2
pode-se afirmar que a região
percorreu um longo caminho até se consolidar como
microrregião produtora de cafés especiais; merecedora de destaques em concursos nacionais e
internacionais, sem contudo perder o caráter tradicional mineiro!
Ao longo do tempo o café se destinava ao consumo interno como subproduto da
região, sobreviveu a crises, levou muitos à ruínas e elevou muitos à condições de grandes
agropecuaristas. O caráter mercantil da região, principal rota de comercio de abastecimento da
corte, a policultura, conviveu pacificamente com as atividades auríferas (mesmo porque foi
pouco expressivo o ouro nesta região), e com pequenas manufaturas (doces, forjas, sabão) e
ainda transição entre o trabalho escravo e o trabalho livre não foi palco de conflitos em terras
sul mineiras.
O café se tornou a mais importante cultura regional, impulsionando o desbravamento
da região, articulando-o às novas regiões permitindo as expansões do comércio, novas
estradas, configurando-se como centro político econômico no inicio do século XX, também
neste momento a região se beneficiou da proximidade com o estado de São Paulo, tornando-se
uma área de desconcentração das indústrias do interior paulista.
Podemos citar na região uma boa infra-estrutura de cidades industriais próximas ao
circuito das águas, como Varginha, Três Corações, Alfenas, Três Pontas, Santa Rita do
Sapucaí, todas que fazem grandes negócios com o país e o mundo.
A indústria de laticínios, tradicionais da política “café com leite” já possuem produção
sofisticada, com mecanização, e instalada em toda a região buscando agregar valor aos
produtos tipo exportação como o queijo de Cruzília e Minduri. No que se refere ao café,
grandes investimentos estão sendo feitos para aumentar a capacidade de torrefação (mercado
em expansão), adaptação de novas espécies de cultivares, e sobretudo o investimento em cafés
especiais que agregam valor ao produto e conferem visibilidade à região.
Estas particularidades forjaram a consolidação da região sulmineira, onde,
conjuntamente com o quadro natural único, permitiram desenvolver um território de extrema
relevância para o desenvolvimento local, mas articulada com o global.
O país possui uma dinâmica comercial de regiões agrícolas exportadoras
especializadas, que desempenham um importante papel na economia, típica de países “em
desenvolvimento”. Assim a função de “especializar” em detrimento do mercado internacional,
e servir cada vez mais aos interesses de um mercado restrito torna as regiões dependentes da
72
demanda desses países compradores (Japão, Estados Unidos, Dinamarca), além dos
“humores” e crises internacionais. Por outro lado, quando o mercado se encontra aquecido, as
condições climáticas favorecem a lavoura, bem como a safra bi-anual do produto, pode-se
esperar a colheita de “bons frutos” no mercado externo, como foi o ano de 2011 para os
cafeicultores da região.
O Território passou a ser o centro da excelência na cadeia do agronegócio, ele é
praticamente controlado por ações “de fora” que determinam e submetem a gestão territorial
de acordo com demandas internacionais. Não que tenham grandes corporações instaladas em
Carmo de Minas, mas a visibilidade do município nos leilões e feiras internacionais, levou os
“gestores” a instrumentalizar para servir, e administrar localmente para a grande empreitada
de elevar o local ao global. Nesse cenário de internacionalização foi pensada a Rota do Café
ESPECIAL em um Território centenário de ambiente tradicional familiar, de cafeicultores da
região.
O território para fins de turismo rural, utilizado para a produção de cafés especiais
partiu de um projeto da elite local, que articulados globalmente pela exportação do produto e
participações
em
leilões
internacionais
“vislumbrou”
uma
articulação
do
território/turismo/desenvolvimento/visibilidade/remuneração o que pode ser verificado no
tópico 2.2.
Ainda incipiente devido principalmente por ser recente (criado no ano de 2008), e,
sobretudo, por não contar com uma infra-estrutura turística (nem sequer possui agencia
bancária!) hotéis, restaurantes, pousadas, o município está bem articulado com o Circuito das
águas e Circuito Terras Altas da Mantiqueira como vimos no tópico 2.4.
A prefeitura estruturou a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura no ano de 2010
para pleitear o ICMS Turístico, novidade da gestão do então governador Aécio Neves, que
desde janeiro de 2011 vem recebendo repasses mensais para investir em infra-estrutura
turística e desenvolvimento do turismo no município. Ao todo o município recebeu, no ano de
2011, segundo dados da Fundação João pinheiro o valor de R$ 176.801,38. Esta iniciativa foi
um passo importante político e econômico para tornar possível a viabilidade do turismo no
município, tanto o Turismo Rural sustentável e social.
Apesar de não contar com uma “rede de colaboração” dos “outros produtores”, aqui
entendidos como aqueles que até fazem parte da APROCAM e jus ao selo de IP conseguido
pela entidade, mas a idéia de não adesão ao Turismo Rural nessas propriedades é sentida
como atividade “custosa”, “trabalhosa” e que requer “tempo” o que para o pequeno/médio
produtor inviabiliza o turismo.
73
No entanto, conforme visto no tópico final, a atividade de produção dos cafés
especiais movimenta o município que já é conhecido internacionalmente, muito mais do que
nacionalmente, e a “Rota dos Café Especial” vem trazendo ainda mais visibilidade para o
produto e região. Creio ser questão de tempo, para articulação política e econômica, pois a
prefeitura junto com a Secretaria de Turismo e Cultura já tomou a iniciativa, e junto com o
Selo da Indicação Procedência (IP) conseguida recentemente pela união dos produtores na
APROCAM viabilizaria ainda mais o crescimento de turistas no município.
O caminho para a inserção do local no global já foi iniciado, definitivamente em 1996
com a criação da APROCAM, iniciativa das elites locais, é verdade, que juntando o café e o
gado girolando, ou seja, a célebre dupla política “café com leite” promete inscrever o
município no prestigioso circulo de leilões agropecuários incorporando benefícios e
desenvolvimento para o município, graças aos seus atributos geográficos e uma pitada de
“exclusivismo colonial”.
74
ANEXOS
ANEXO I
PORTARIA Nº 397, DE 21 DE JULHO DE 2000.
ALTERA A DELIMITAÇÃO DAS REGIÕES PRODUTORAS
DE CAFÉ DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARA A
INSTITUIÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM E
QUALIDADE.
O DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO MINEIRO DE AGROPECUÁRIA-IMA, no uso das
atribuições que lhe confere o artigo 19, incisos I e XI do Decreto nº 33.859, de 21 de agosto
de 1992, para atender o disposto no inciso XLVI do artigos 2º do mesmo diploma legal,
considerando a atual adoção de práticas de irrigação para a cultura do café, em regiões com
déficits hídricos considerando que a delimitação das regiões produtoras de café do Estado de
Minas Gerais, estabelecida pela Portaria nº 165/95, de 27.04.95, não contempla áreas
localizadas em microclimas favoráveis à produção de café; considerando a recomendação do
Comitê Técnico do CERTICAFÉ para alterar as delimitações das regiões produtoras de café
do Estado, endossadas pelo Conselho Executivo do CERTICAFÉ
considerando os levantamentos cadastrais da EMATER-MG, sobre a dispersão
geográfica da produção de café no Estado
RESOLVE:
Art. 1º - Ficam delimitadas as regiões para a produção de Café no Estado de Minas Gerais
em: Região Sul de Minas, Região dos Cerrados de Minas, Região das Montanhas de Minas
e Região das Chapadas de Minas, conforme Anexo Único desta Portaria.
Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação e revoga qualquer
disposição em contrário.
Registre-se, publique-se e cumpra-se.
INSTITUTO MINEIRO DE AGROPECUÁRIA - IMA, em Belo Horizonte, aos 21 (vinte e
um) dias do mês de julho de 2000.
Célio Gomes Floriani
Diretor-Geral
75
ANEXO II
PORTARIA Nº 805, DE 18 DE OUTUBRO DE 2006.
Institui indicação geográfica protegida e marca geográfica na região Sul do Estado de Minas
Gerais, no âmbito do Programa Mineiro de Incentivo à Certificação de Origem e Qualidade
do café - CERTCAFÉ.
O DIRETOR-GERAL do INSTITUTO MINEIRO DE AGROPECUÁRIA - IMA, no uso da
atribuição que lhe confere o artigo 13, inciso X, do Regulamento baixado pelo Decreto nº
43.415, de 04 de julho de 2003, e tendo em vista o disposto nos Decretos nºs 38.559, de
17 de dezembro de 1996 e 41.406 de 30 de novembro de 2000, considerando a importância
dos nomes geográficos como indicadores de preferência no sistema comercial nacional e
internacional;
considerando a necessidade de adequada proteção e publicidade dos nomes geográficos
reconhecidos como centros de produção de matérias primas, bens e serviços no Estado, no
País e no exterior; considerando as características do microclima montanhoso da região para o
cultivo de café; considerando a tradição da região para produção de cafés especiais;
considerando as características sensoriais da bebida com reconhecimento nacional e
internacional.
RESOLVE:
Art. 1º. Fica instituída a Indicação Geográfica Protegida - IGP com a denominação de
REGIÃO DOS CAFÉS DA SERRA DA MANTIQUEIRA DO ESTADO DE MINAS
GERAIS, compreendida entre as coordenadas 44º53’24”W a 45º32’32” W de longitude
delimitada respectivamente pelos municípios de HELIODORA e BAEPENDI, e 21º’50”10”S
a 22º15’16”S de latitude delimitada respectivamente pelos municípios de
DOM VIÇOSO e CAMPANHA, composta de dezessete municípios da região do Sul de
Minas, conforme Anexo I.
Art. 2º. Fica instituída a Marca Geográfica denominada CAFÉ DA SERRA DA
MANTIQUEIRA DE MINAS GERAIS, compreendida entre as coordenadas definidas no
artigo anterior.
Art. 3º. A marca geográfica prevista nesta Portaria compreende as áreas de produção de café
dos associados da APROCAM - Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira, com
sede em Carmo de Minas, cuja região se caracteriza pelas ótimas condições edafo-climáticas
propícias à produção de cafés especiais, conforme memorial descritivo, Anexo II desta
Portaria.
Art. 4º. As propriedades inseridas nessa área geográfica farão jus ao uso da marca geográfica,
desde que se submetam aos controles do Programa Mineiro de Incentivo à Certificação de
Origem e Qualidade do Café - CERTCAFÉ, devendo, para tanto, ser cadastradas, registradas
e certificadas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária -IMA.
76
§ 1º A Certificação far-se-á mediante auditoria ambiental e de
conformidade realizada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária-IMA, para fins de
recebimento do selo de origem e qualidade.
§ 2º A concessão do selo está condicionada aos resultados de avaliação das auditorias
efetuadas.
§ 3º As auditorias far-se-ão de acordo com plano estabelecido entre o produtor e a autoridade
auditora e o previsto na Portaria nº 712, de 17 de junho de 2005, desta Autarquia.
Art. 5º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Belo Horizonte, 18 de outubro de 2006.
Altino Rodrigues Neto
Diretor-Geral
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ANEXO I DA PORTARIA Nº 805, DE 18 DE OUTUBRO DE 2006
MUNICÍPIOS QUE INTEGRAM A INDICAÇÃO GEOGRÁFICA PROTEGIDA
DENOMINADA SERRA DA MANTIQUEIRA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
BAEPENDI
DOM VIÇOSO
CAMBUQUIRA
CAMPANHA
CARMO DE MINAS
CONCEIÇÃO DAS PEDRAS
CONCEIÇÃO DO RIO VERDE
CAXAMBU
CRISTINA
HELIODORA
JESUÂNIA
LAMBARI
OLÍMPIO NORONHA
PEDRALVA
POUSO ALTO
SÃO LOURENÇO
SOLEDADE DE MINAS
78
ANEXO II DA PORTARIA Nº 805, DE 18 DE OUTUBRO DE 2006
MEMORIAL DESCRITIVO
1. Caracterização geomorfológica, hídrica e climática Com latitude média de 22º sul e altitude
entre 850 a 1400 m, a cafeicultura regional está implantada acima de 800 metros, com
temperatura média anual de 19ºC. As baixas temperaturas favorecem a maturação mais
demorada dos frutos que resulta em formação de mais açúcares e acidez característica que
melhora a bebida. O relevo é montanhoso com declives variando de médio a acentuado.As
lavouras de café estão implantadas nas encostas com declividade de 0% a 50% em nível, com
boa drenagem de ar frio, menos ocorrência de geadas. A precipitação pluviométrica anual
média é de 2000 mm, com boa distribuição ao longo do ano, onde o período de maio a agosto
tem baixa pluviosidade, favorecendo a colheita e preparo do café de qualidade. As boas
disponibilidades de água associada à inclinação do solo propiciam um equilíbrio entre o
fornecimento adequado e drenagem do excesso de água.
Além dessas peculiaridades climáticas, a presença de áreas significativas de remanescentes de
Mata Atlântica bem como vegetações ciliares e grandes número de nascentes, garantem ao
ambiente, características únicas e diferenciadas das demais regiões cafeeiras do país. A
incidência desse remanescente de Mata Atlântica cria condições de retenção especial de
umidade do ar, implicando uma restrição da amplitude térmica durante o verão, provocando
maturação mais lenta nos frutos do café. Este processo permite melhor formação de açucares,
que tem relação direta com a qualidade final da bebida. O solo predominante é o latossolo
vermelho, amarelo com boa textura e granulométrico, oferecendo condições ideais de
armazenamento de água, drenagem e aeração, necessários ao desenvolvimento do sistema
radicular do cafeeiro.
2. Influência dos meios edáficos climáticos nas características sensoriais dos cafés
APROCAM As lavouras de café situadas na área de abrangência da APROCAM têm como
particularidade o fato de se situarem em região montanhosa da Serra da Mantiqueira.
Considerando-se o aspecto altitude, uma vez fixada altitude média da região, verifica-se que a
cafeicultura desenvolvida por seus produtores se distribui desde 850 m até 1400 metros acima
do nível do mar. A cada 100 metros além do mar, há um gradiente negativo de temperatura
média da ordem de 0,7ºC, de forma que, para fins de mapeamento das características
sensoriais das bebidas de café da APROCAM constituiu-se dois grupos:
cafés produzidos entre 850 a 1100 metros de altitude e cafés produzidos a partir de 1.100
metros de altitude, estabelecendo uma diferença média de temperatura entre os dois grupos
em torno de 2ºC. O primeiro grupo, cuja produção se concentra em áreas de menor altitude,
apresentam cafés cujas características sensoriais médias se aproximam muito dos cafés
produzidos nas regiões circunvizinhas. Cafés com aroma de média a alta intensidade e acidez
com razoável grau de complexidade, predominância de notas frutadas delicadamente cítricas,
como uvas itálicas e cacau. São bebidas que, uma vez que haja bom preparo dos grãos, detém
excelente qualidade. Já os grãos produzidos em altitudes acima de 1.100 metros na região da
APROCAM, apresentam algumas particularidades especiais como: predominância de
variedades como Catuaí Amarelo 47, Mundo Novo e Bourbon Amarelo e Vermelho; lavouras
plantadas em faces de insolação consideradas altamente favoráveis para o pleno
desenvolvimento dos frutos e temperaturas médias mais baixas em torno de 2ºC. Este
79
conjunto particularidades fez surgir à bebida característica dos cafés da APROCAM, que
permitem uma produção de qualidade e personalidade sensorial estável ao longo dos anos,
como: Aroma intenso, com top-flavor (notas da cabeça) com predominância de notas florais
cítricas adocicadas, lembrando tangerinas e middle-flavor (notas intermediárias) apresentando
toques de frutas, como uva moscatel; acidez de média a alta intensidade, com predominância
da acidez cítrica e por vezes tartárica em menor intensidade; encorpados com elevado grau de
doçura: sabor intenso adocicado, com predominância típicas da frutose e notas frutadas de
uvas moscatel, proporcionando finalização de média duração. Em termos físicos, as altitudes
elevadas, combinadas com as variedades escolhidas pelos produtores da APROCAM,
possibilitam a produção de grãos com espectro concentrado em peneiras altas e formato
alongada; coloração média é verde esmeralda intenso, tanto para os cafés com processamento
de pós-colheita por Cerejas Descascadas, quanto pelo Natural, devido à altitude media de
produção.
80
ANEXO III
81
ANEXO IV
Lote Propriedade Produtor Cidade/Estado Nota Sacas Caixas
1 Fazenda Rainha Roberto Irineu Marinho S. Sebastião. da Grama ‐ 91,41 22 SP 44 2 Fazenda Senhor do Bonfim Benyosef Rosa Soares Piatã ‐ BA 88,82 15 30 3 Sítio Cafezal Jabes Carvalho Junqueira Carmo de Minas ‐ MG 88,68 19 38 4 Fazenda JR – Junqueira Reis José Flávio Ferraz Reis Carmo de Minas ‐ MG 88,41 17 34 5 Granja São Francisco Otaviano Ribeiro Ceglia Carmo de Minas ‐ MG 88,24 20 40 6 Gleba São Francisco Maria José Junqueira Ceglia Carmo de Minas ‐ MG 88,12 17 34 7 Fazenda São Pedro Robson Villela Martins Cristina ‐ MG 88,03 23 46 8 Gleba Flamengo Luis Eduardo Junqueira Ceglia Carmo de Minas ‐ MG 87,88 20 40 9 Sítio Tia Cama José Carlos Santiago Junqueira Carmo de Minas ‐ MG 87,74 18 36 10 Fazenda União João Florentino Barbosa Piatã ‐ BA 86,88 17 34 11 Sítio Serra da Bela Vista Jussara Franqueira Junqueira Carmo de Minas ‐ MG 86,47 19 38 12 Chácara Sagrado Coração de Jesus Álvaro Antônio Pereira Coli Carmo de Minas ‐ MG 86,44 19 38 13 Fazenda Sertãozinho Fazenda Sertãozinho LTDA. Botelhos ‐ MG 85,62 38 76 14 Sítio Brejinho Antônio Gabriel de C Pereira Carmo de Minas ‐ MG 85,44 17 34 15 Sítio Araucária Kleber de Castro Junqueira Carmo de Minas ‐ MG 85,41 21 42 16 Sítio Nascente D’Água Limpa Marianna Carneiro C. Junqueira Virgínia ‐ MG 85,41 23 46 17 Fazenda N Senhora Aparecida Eduardo Vilela Martins Cristina ‐ MG 85,35 28 56 18 Fazenda Divino Espírito Santo Michael Freitas de Alcântara Piatã ‐ BA 85,18 17 34 19 Chácara São Judas Tadeu Antonio Rigno de Oliveira Piatã ‐ BA 84,88 28 56 20 Fazenda Marimbondo José Mauro Pereira Junqueira Soledade de Minas ‐ MG 84,85 18 36 21 Fazenda Moinho Vinícius José Carneiro Pereira Olímpio Noronha ‐ MG 84,82 19 38 22 Sítio Bela Vista Márcio Heleno de C Junqueira Dom Viçoso ‐ MG 84,62 20 40 23 Fazenda Capão Salvador da Paixão Mesquita Piatã ‐ BA 84,62 21 42 24 Fazenda Capoeirinha Ipanema Agrícola SA Alfenas ‐ MG 84,15 19 38 25 Sítio do Pica‐Pau José Isidro Pereira Neto Carmo de Minas ‐ MG 84,12 19 38 82
REFERÊNCIAS
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contemporâneo” in O Futuro das Regiões Rurais pp. 17-56 – Ed. UFRGS, Porto Alegre.
AGUIAR, Cibele. Embrapa Café - Mtb06097/MG Colaboração: FláviaBessa(MTB
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ALMICO, Rita de Cássia da Silva. Fortunas em movimento: um estudo obre as
transformações na riqueza pessoal em Juiz de Fora (1870-1914). Dissertação de Mestrado.
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Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Departamento de Estruturação, Articulação e
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Turismo,2010.Disponível
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http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_publicac
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CAMPANHOLA, Clayton; GRAZIANO da Silva, José. O Agroturismo como Nova Fonte de
Renda para o Pequeno Agricultor Brasileiro. In: ALMEIDA, J. A.; RIEDL, M. (Org).
Turismo Rural: ecologia, lazer e desenvolvimento. São Paulo: Ed. Edusc, 2000: 163.
CARNEIRO, M. J. Pluriatividade da agricultura no Brasil: uma reflexão crítica. In:
SCNEIDER, S. (Coord.). A diversidade da agricultura familiar. Série Estudos Rurais. Porto
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Disponível em http://www.ufjf.br/ppghistoria/files/2009/12/Fabio-Castilho.pdf acesso em 03
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CASTILHO, Fabio Francisco de Almeida. Economia Sul-Mineira: O Abastecimento Interno e
a Expansão Cafeeira (1870-1920). Revista de História Econômica & Economia Regional
Aplicada HERA – Vol. 4 Nª 6 Jan-Jun 2009
DUTRA, Daniel Marcos Resende. Ações publicas e privadas na implantação e
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na visão de seus gestores. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras- UFLA2009.
83
LEFEBVRE, Henri. A Revolução Urbana. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.
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FAVARETO, Arilson da Silva. Paradigmas do Desenvolvimento Rural em Questão - do
Agrário ao Territorial. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência
Ambiental da Universidade de São Paulo como exigência parcial para a obtenção do título de
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