FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUVERAVA
FACULDADE DE FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS
A EFICIÊNCIA DO MODELO DE GESTÃO DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
EM GUARÁ - SP.
ITUVERAVA
2014
FERNANDA CRISTINA MORTARI
A EFICIÊNCIA DO MODELO DE GESTÃO DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
EM GUARÁ – SP.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Fundação Educacional de
Ituverava, Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras para obtenção do título de Bacharel
em Administração
Orientadora: Professora
Spínpolo Campos
ITUVERAVA
2014
Me.
Luciana
FERNANDA CRISTINA MORTARI
A EFICIÊNCIA DO MODELO DE GESTÃO DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
EM GUARÁ – SP.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Fundação Educacional de
Ituverava, Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras para obtenção do título de Bacharel
em Administração
Ituverava,____de__________ de 2014.
Orientadora: ________________________________
Professora Me. Luciana Spínpolo Campos
Examinador: ______________________________
Examinadora: ________________________________
A EFICIÊNCIA DO MODELO DE GESTÃO DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
EM GUARÁ – SP.
MORTARI, Fernanda Cristina1
CAMPOS, Luciana Spínpolo2
RESUMO: O Programa Saúde da Família (PSF) atua no município de Guará – SP há 11 anos seguindo
exemplo de várias cidades brasileiras que adotaram o programa com o intuito de modificar a prestação de
serviços de saúde tradicional. A implantação do programa é de responsabilidade municipal em busca de
melhorias e maior bem estar da população oferecendo aos seus usuários diversos tipos de serviços em saúde. Os
usuários são atendidos de acordo com suas necessidades, passando por um acompanhamento contínuo em busca
da prevenção e promoção de saúde. A presente pesquisa buscou identificar a percepção do gestor e dos usuários
do programa no município, em relação à eficiência do modelo de gestão do PSF em Guará-SP, avaliando se
existia diferença de opiniões e suas possíveis causas. Por meio de estudo de caso e pesquisa de campo constatouse que a unidade não possui um modelo formal de eficiência, porém existem técnicas para controlar o nível de
prevenção e manutenção em saúde por meio de sistemas de informações adotados. Estes sistemas faz com que o
gestor considere a eficiência do programa satisfatória, enquanto que os usuários continuam com a mente na
medicina tradicional e meramente curativa sem perceber melhorias no sistema de saúde do município e julgando
o programa como ineficiente onde a maioria da população desconhece o significado de PSF.
Palavras – chave: Eficiência; Programa de Saúde da Família; Saúde Pública.
THE EFFICIENCY MODEL OF FAMILY HEALTH PROGRAM MANAGEMENT IN
GUARÁ-SP
SUMMARY: The Family Health Program (FHP) operates in the Guara city for 11 years following example
of several Brazilian cities that have adopted the program in order to modify the provision of traditional health
services. The implementation of the program is the responsibility of the city seeking improvements and greater
welfare of the population offering its users a variety of health services. Users are served according to their needs
through continuous monitoring seeking prevention and health promotion. This survey sought to identify the
perception of managers and users of the program in the city, in relation to efficiency of the management model
of the FHP in Guara - SP, evaluating whether there was a difference of opinions and possible causes. Through
case study and field research it was found that the unit does not have a formal model of efficiency, but there are
techniques to control the level of prevention and maintaining health through information systems adopted. These
systems make the manager to consider the efficiency of program satisfactory while users continue with the mind
in traditional medicine and merely curative and without realizing improvements in the health system of the city
and judging the program as inefficient where most of the population is unaware of the significance of FHP.
Keywords: Efficiency; Family Health Program; Public Health.
1
2
Graduanda do Curso de Administração de Empresas – Habilitação em Gestão de Negócios.
Professora mestre da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ituverava.
INTRODUÇÃO
Em todas as áreas que a administração atua busca-se uma eficiência organizacional
constante. Na saúde não poderia ser diferente, o nível de eficiência está interligado ao maior
nível de resolubilidade do atendimento à população. Procurando esta eficiência ocorreu à
descentralização na prestação de serviços públicos da saúde no Brasil, tornando-se municipal
o modelo organizacional do sistema brasileiro, houve a implantação do Programa Saúde da
Família (PSF), com o propósito de melhoria da saúde e maior bem-estar da população,
oferecendo diversos serviços no âmbito da saúde no país.
Sendo assim, o foco deste estudo está voltado para a análise da eficiência da
Estratégia Saúde da Família. O problema de pesquisa que direcionou a realização deste estudo
foi fundamentado da seguinte forma: qual a visão dos usuários e gestor da saúde pública sobre
a eficiência do PSF em Guará/SP?
O objetivo geral deste trabalho é analisar segundo, a percepção do gestor e dos
usuários do Programa Saúde da Família, a eficiência do modelo de gestão do programa no
município de Guará–SP. Lembrando que, “A percepção é o processo de selecionar, organizar
e interpretar dados em uma representação mental do mundo” (HUFFMAN; VERNOY;
VERNOY, 2003, p. 128). Estabeleceu-se como objetivos específicos à necessidade de:
i. Identificar a percepção do gestor sobre a eficiência do PSF;
ii. Identificar a percepção dos usuários sobre a eficiência do PSF;
iii. Identificar se existe a ocorrência de percepções diferentes entre os envolvidos;
iv. Havendo resposta positiva do item anterior, identificar as possíveis causas desse
conflito de opiniões;
Para entender tais conflitos que possam existir é necessário estudar o Sistema de
Saúde, sua organização, analisar se o serviço está atendendo as necessidades e expectativas da
população de maneira eficiente. E, ainda, verificar os resultados de desempenho obtidos nas
unidades de saúde e confrontar com a opinião dos próprios usuários do sistema, que são os
maiores interessados que o PSF funcione bem.
Para o desenvolvimento deste artigo, foi necessária a autorização da Secretaria de
Saúde do referido Município. Em seguida, utilizaram-se fontes bibliográficas em meios
convencionais e eletrônicos. Tendo em vista os objetivos deste trabalho, definiu-se esta
pesquisa de caráter exploratório-descritivo com estudo de caso e pesquisa de campo. Com
entrevista semi-estruturada direcionada a enfermeira que desempenha a função de gestora da
unidade do PSF, além dos métodos qualitativo e quantitativo para sua análise. A pesquisa de
campo será aplicada aos usuários cadastrados no Programa de Saúde da Família na unidade
"X" situada no município de Guará/SP. O questionário foi elaborado, buscando respostas
sobre quais fatores que indicam se existe ou não eficiência na gestão do PSF, a partir da visão
dos usuários.
Dessa maneira, a formulação deste trabalho ocorreu com: aprovação da Secretaria de
Saúde do Município; revisão bibliográfica; pesquisa exploratório-descritivo com estudo de
caso; pesquisa de campo; coleta de dados e análise de resultados e considerações finais.
O NASCIMENTO DO SUS
Segundo CONASS (2006) e Mendes (1999), o SUS não começou ontem e nem
termina hoje, é um processo em permanentemente construção. Teve suas origens na metade
do século XX, com a crise do modelo médico assistencial privatista. Rosa e Labate (2005)
relatam que nos anos 70 este modelo privatista exaltava a medicina curativa, onde os recursos
para a saúde eram mínimos. De acordo com Silva (1983 apud CONASS, 2006), o modelo
tinha características como: a prática médica individual e o deslocamento da prestação de
serviços médicos a entes lucrativos e não lucrativos.
O CONASS (2006) relata que, a base para a elaboração das doutrinas do sistema
iniciou-se com a reforma sanitária, que seguia os princípios da equidade, universalidade,
integralidade, descentralização e participação da comunidade. Costa (2003) define
universalidade como, acesso garantido a toda população, livre de qualquer tipo de preconceito
ou privilégio aos serviços de saúde. Sobre a equidade o autor afirma que, o governo prestará
assistência à saúde igualitária para a população, seja individual ou coletivo, o fator
determinante ao tipo de atendimento será a intensidade da doença. No que concerne à
integralidade Costa (2003) e Andrade (2001) participam da mesma opinião, que as ações de
saúde devem ser um conjunto de prevenção e promoção considerando o individuo como um
todo, tanto nas situações de vida que enfrenta como de trabalho.
Futuramente, relata o CONASS (2006) e Viana e Dal Poz (2005), em busca da
referência saúde como direito de todos e, em consequência da forte rejeição à centralização
existente, criou-se na Constituição Federal de 1988 o Sistema Único de Saúde (SUS), e pode
ser considerada do tipo big bang, pois aconteceu em um espaço curto de tempo
descentralizando competências e receitas tributárias para estados e municípios. Nos anos
seguintes, foi elaborada no Brasil, a Lei n°. 8.080 de setembro de 1990, que visava à
promoção, proteção e recuperação da saúde. 3
Pesquisas periódicas realizadas pelo IBGE, bem como relatos do CONASS (2006),
apontam que, o SUS além de mostrar resultados quantitativos favoráveis, também tem grande
significado na melhoria de qualidade da vida dos seus usuários. As pesquisas apontam que a
percepção positiva ao SUS é maior para usuários exclusivos do sistema e de baixa renda
salarial. Constata-se também que, as ações preventivas são as que mais chamam a atenção dos
indivíduos, diminuindo assim, ações de reabilitação.
Um dos fatores a ser analisado, na visão do CONASS (2006), é o nível de
conhecimento acerca do SUS entre a população assistida. Em 2003 foi feita uma pesquisa na
qual relata que poucos sabiam realmente o que significava o Sistema Único de Saúde, o que
demonstra uma falta de atenção à informação sobre o sistema para a população. Como já
sabemos o PSF é estruturante do SUS, consequentemente a falta de atenção à informação
também ocorre ao PSF.
ORIGEM E IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
Viana e Dal Poz (2005) consideram que dois programas mudaram o modelo
assistencial operados no SUS - Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e
Programa de Saúde da Família (PSF), que tem a família como foco de ação e não apenas o
indivíduo. Segundo os autores, com a ajuda dos Agentes Comunitários da Saúde (ACS), foi
iniciada uma intervenção na saúde e percebeu-se que os ACS eram peça fundamental para
constituir a proximidade entre profissionais e usuários, se tornando um elo entre ambos, onde
não se esperava a demanda por saúde mas, a busca preventiva integrada à comunidade.
Uga, et. al (2002) relatam que no início dos anos 90 aconteceu a institucionalização
do Sistema Único de Saúde (SUS) onde o modelo organizacional deixou de ser estatal
passando a ser municipal, constituindo no eixo condutor do processo de descentralização do
sistema. Este processo de descentralização já se estruturava na década de 80.
Para Duncan, Scwmift e Giugliani (2005) a descentralização se refere a uma
distribuição do poder, repassando competências e decisões para os municípios que são esferas
mais próximas da população e desconcentrando da União e dos Estados. De acordo com
Souza (2000), o PACS foi apresentando resultados cada vez mais concretos e se fortalecendo
3
O Art. 2º da lei 8.080 diz que: “A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as
condições indispensáveis ao seu pleno exercício”.
em vários municípios, dando origem a ideia em 1994 de implantar o Programa Saúde da
Família, devido à pressão nas unidades de saúde e a necessidade de fortalecer ainda mais o
vínculo com a população, além de que, o modelo antigo tinha baixa resolubilidade e enfoque
curativo.
De acordo com Viana e Dal Poz (2005), o PSF foi concebido pelo MS em dezembro
de 1993. Amorim e Araújo (2004, p. 14) confirmam esse fato dizendo “que o PSF iniciou
oficialmente no Brasil em 1994, a partir de experiências exitosas, especialmente no estado do
Ceará, com o Programa de Agentes de Saúde”. Comprovando Franco e Merhy (1999) que
nesta data de 1994, já existia o programa em alguns municípios como: Niterói (RJ) em 1991 e
Itacarambi (MG) em 1993.
Saúde da Família denomina-se para Rosa e Labate (2005), o englobamento de
práticas de abordagem individual ou comunitária e qualquer intervenção feita pela equipe,
reforçadas pelas visitas domiciliares onde se observa programas pré-estabelecidos como:
hipertensão; diabetes; aleitamento materno; acompanhamentos de crianças com foco em
menores de 2 anos; prevenção de doenças endêmicas na região e etc.
Roda e Labate (2005) acreditam que o PSF tem um grande potencial estratégico para
mudar o modelo assistencial, desde que aconteça uma maior conscientização tanto aos
profissionais de saúde aprimorando seus conhecimentos em abordagem às famílias,
humanização, trabalho em equipe; quanto conscientizar população e gestores, incentivando
sua participação nas ações de planejamento já que, o objetivo é a pareceria entre PSF, família
e comunidade. O PSF tem como objetivo geral: "contribuir para a reorientação do modelo
assistencial a partir da atenção básica em conformidade com os princípios do SUS,
imprimindo uma nova dinâmica de atuação nas unidades básicas de saúde, com definição de
responsabilidades entre os serviços de saúde e a população".
Pode-se definir PSF como "Um modelo de atenção que pressupõe o reconhecimento
de saúde como um direito de cidadania, expresso na melhoria das condições de vida; no que
toca a área de saúde, essa melhoria deve ser traduzida em serviços mais resolutivos, integrais
e principalmente humanizada” (LEVICOVITZ, 1996).
Segundo Souza (2001) o PSF deve ser resolutivo, estabelecendo vínculos de
responsabilidades tanto entre profissionais como a população. Essas são características para
que se construa realmente um novo modelo assistencial eficiente.
Dentre as características cita-se:
Que todas as Unidades Básicas de Saúde sejam responsáveis por um território
geográfico onde vive um determinado número de pessoas; Que todas as famílias
deste território sejam cadastradas pelas Equipes de Saúde da Família; Que a partir
do cadastramento juntamente com as lideranças comunitárias locais, a equipe realize
diagnóstico da comunidade que está sob a responsabilidade da equipe, identificando
quais são as pessoas ou famílias que precisam de atenção especial, seja porque já
existe situação de desequilíbrio ou porque estão sujeitas a situações de maior risco
de adoecer ou morrer; Priorização da equipe pelas ações programáticas (saúde da
mulher, da criança, doenças crônicas – degenerativas etc.) para o enfrentamento dos
problemas identificados; Estabelecer vínculo com a comunidade, proporcionando
espaço privilegiado para trabalhar a incorporação de hábitos saudáveis,
potencializando o enfoque da promoção em todo o processo; Potencializar as
parcerias e articulações intersetoriais, uma vez que identifica problemas cuja
resolução requer ações que transcendem a responsabilidade única do setor saúde
(SOUZA, 2001, p.46).
De acordo com Pires (2011), o Programa Saúde da Família (PSF) abrange um espaço
territorial geográfico delimitado que é de sua responsabilidade, observando características
socioeconômicas; culturais; ambientais e da vida. Servindo como porta de entrada em serviço
de saúde para a população e de fácil alcance, com ou sem a existência de doenças. Segundo
Brasil (2001), dos municípios em que o PSF está implantado, cerca de 85% dos casos de
saúde são resolvidos. Isso é decorrente da disponibilidade de meios e profissionais
capacitados. Apenas 15% são encaminhados para unidades mais sofisticadas, que são casos
raros e excepcionais, pois as equipes de saúde da família além de atender nas unidades,
também quando necessário, atendem no próprio domicílio do usuário.
Atualmente o PSF é definido como Estratégia Saúde da Família (ESF) ao invés de
programa, visto que, o termo programa aponta para uma atividade com início,
desenvolvimento e finalização. O PSF é uma estratégia de reorganização da atenção primária
e não prevê um tempo para finalizar esta reorganização.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) tem como compromisso um trabalho com a
comunidade, criando vínculos entre profissionais e usuários, respondendo pelo nível de
atenção no SUS (SOUZA; COSTA, 2010).
DIFICULDADES ENFRENTADAS PELO PSF
Segundo Andrade, Barreto e Fonseca (2005), a ESF é estruturante do SUS, tendo
como princípios a universalidade; a integridade e a equidade. Responsável pela atenção
primária com grande potencial de resolubilidade, com bases na promoção e prevenção da
saúde, com foco de atenção em que, os indivíduos estão inseridos em uma família e grupo,
consequentemente buscando uma abordagem coletiva sem descartar a individual.
Contrariando a teoria acima Souza e Costa (2010) relatam que, em vários municípios
a ESF não funciona de forma equitativa e integral. Podem-se destacar alguns motivos que
causam esta falha, tais como profissionais sem o perfil para exercer esse nível de atenção e a
ineficiência na administração de gestores que, visando mostrar a sociedade um maior
atendimento do que o real realizam ações meramente curativas, com intuito de apenas
favorecer a política local, prejudicando ações de prevenção e promoção de saúde. Tais
atitudes não deixam que os usuários do SUS percebam o verdadeiro sentido de saúde e as
melhorias ocorridas após a implantação do sistema.
De acordo com Souza (2001), o PSF deve ser composto por um médico; um
enfermeiro; um auxiliar ou técnico de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de
saúde, que devem residir no município. A equipe deve contar com instalações e equipamentos
que garantam um atendimento de qualidade à comunidade que assiste.
O Ministério da Saúde define na portaria 648, de março de 2006 que, cada equipe de
saúde assista de 600 a 1000 famílias, totalizando no máximo 4000 pessoas. Conforme Brasil
(2003), cada Agente Comunitário (ACS) deve acompanhar de 400 a 750 pessoas, com
cobertura de 100% da população existente na área. Ressaltando que a proporção é resultante
do risco de cada região, onde o risco é maior recomenda-se um atendimento menor de
população para uma melhor dedicação dos profissionais.
Sendo assim, cada município deverá analisar a melhor gestão da saúde, levando em
consideração sua cultura, organização social e necessidade dos usuários. E se organizar das
mais diferentes formas, determinadas pelas condições situacionais para alcançar um melhor
nível de eficiência (DUNCAN; SCWMIDT; GIUGLIANI, 2005).
Segundo Viana e Dal Poz (2005), com a ajuda dos Agentes Comunitários da Saúde
(ACS) foram iniciadas uma intervenção na saúde e percebeu-se que, os ACS eram peça
fundamental para constituir a proximidade entre profissionais e usuários, se tornando um elo
entre ambos, onde não se esperava a demanda por saúde, mas a busca preventiva integrada à
comunidade. Em contrapartida Rosa e Labate (2005) citam dois problemas que as visitas
compulsórias podem causar. O primeiro acorre quando os profissionais, os ACS, não sabem
o que fazer no domicílio que será visitado, faltando indicação ou até capacitação. O segundo
problema é que as visitas possam ser vistas como uma intromissão na vida dos indivíduos
e/ou família, limitando a privacidade e liberdade dos cadastrados. Mendes (1999) ressalta que
deve existir uma relação de corresponsabilidade na saúde da família, onde a população deve
reconhecer os serviços de saúde prestados pela equipe e, ao mesmo tempo a equipe deve
reconhecer a população como sua população.
Segundo Neckel (2009), um fator que dificulta a eficiência do PSF é o fato de que os
profissionais de saúde desconsideram as práticas populares da comunidade priorizando os
conhecimentos técnicos que possuem. Para Rocha (2005) outra dificuldade é que o próprio
usuário reconhece apenas à imagem do médico, desvalorizando o restante da equipe, forçando
desta forma a ausência da interdisciplinaridade.
De acordo com CONASS (2007), para os gestores o ponto crítico além da falta de
profissionais e capacitação dos mesmos, também existe as precárias condições de trabalho e
falta de estimulo interferindo de forma negativa para um melhor atendimento a população.
Para Rosa e Labate (2005) este fato também vem de origem política, pois a cada troca de
prefeito pode ocorrer à troca de equipes de trabalho, impossibilitando também a fortificação
do vínculo entre equipe, família e comunidade.
Para Azevedo (2007), alguns serviços são de difícil acesso para os usuários, afetando
a qualidade dos serviços prestados, como, agendamento de consultas; falta de integralidade
nas ações entre os setores e fragilidade na hierarquia. A autora acredita que facilidade ao
acesso de serviços é condição básica para a política pública e de grande importância para
alcançar os objetivos do PSF.
O PSF EM GUARÁ-SP
Segundo Pires (2011), o PSF iniciou-se no município de Guará - SP no ano de 2003,
substituindo o antigo modelo de atenção UBS tradicional que atendia a população. Os
profissionais do programa atual buscam compreender e buscar soluções relacionadas às
necessidades da população assistida seja individual ou comunitária.
Avaliando uma das Unidades de Saúde da cidade de Guará - SP, Pires (2011), relata
que a eficiência dos serviços prestados é mensurada pela resolubilidade dos casos; pelas ações
de promoção; na organização dos serviços; na humanização e no atendimento das
necessidades da população. Entretanto, não existe uma avaliação formal com conceitos sobre
a eficiência nas unidades, existindo apenas indicadores de produtividade do município e um
Sistema de Atenção Básica (SIAB), este sistema é abastecido mensalmente com dados
colhidos nas Unidades de Saúde. Apesar de ter nomeado como PSF, possui características de
PACS, uma vez que o médico contratado para a função de atender a população do PSF
também exerce atividades na UBS.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Segundo Gil (1999), as pesquisas exploratórias objetivam explicitar e proporcionar
ao pesquisador um conhecimento maior sobre um determinado tema. Quanto aos estudos
descritivos Gil (1999), relata que tem por objetivo descrever as características de uma
população, fenômeno ou estabelecimento de relações entre variáveis, tendo como
característica significativa à utilização de técnicas de coleta de dados.
Tendo em vista o objetivo deste trabalho que é analisar a percepção do gestor e de
usuários do PSF e diante de tal classificação acima, definiu-se esta pesquisa de caráter
exploratório-descritivo com estudo de caso, que "é a pesquisa sobre um determinado
indivíduo, família, grupo ou comunidade que seja representativo do ser universo, para
examinar aspectos variados de sua vida" (CERVO; BERVIAN, 2002), e pesquisa de campo
com aplicação de questionário fechado, pois, conforme VERGARA (2005), a pesquisa de
campo é uma investigação empírica, realizada no local em que existem os elementos
necessários para o estudo. A pesquisa de campo será aplicada aos usuários cadastrados no
Programa de Saúde da Família na unidade "X" situada no município de Guará- SP.
Classificou-se exploratória por ser uma pesquisa investigativa em situação de vida real e
descritiva por analisar as características e opiniões de uma população.
Considerando-se a questão definida para este trabalho definiu-se para esta pesquisa
os métodos qualitativo e quantitativo. Quanto à pesquisa qualitativa Ramos; Ramos; Busnello
(2005), diz que trabalham com dados qualitativos. São as informações coletadas pelo
pesquisador, mas que não são expressas em números, sendo associada a coleta e análise de
texto falado e escrito e à observação de comportamento.
Percebe-se que são dados complexos e intrínsecos ao indivíduo. Portanto, para
realizar uma análise sobre os resultados obtidos na pesquisa qualitativa, é possível em um
segundo momento fazer uso também da pesquisa quantitativa, facilitando a visualização dos
resultados.
Com base nestas explicações, para obter as respostas do gestor da unidade optou-se
pela investigação com roteiro de entrevista semi-estruturada de caráter qualitativo,
direcionada a enfermeira que desempenha a função de gestora da unidade do PSF. O
questionário foi elaborado, buscando respostas sobre quais fatores e dados secundários que
indicam se existe ou não eficiência na gestão do PSF. E, ainda houve observações da
pesquisadora.
O PSF estudado possui cerca de 1080 famílias cadastradas, conforme informação
coletada na unidade. Escolheu-se utilizar amostra probabilística, onde a seleção dos
entrevistados será feita de forma aleatória, entrevistando um morador de cada família
cadastrada com erro amostral, ou seja, com diferença entre valor estimado pela pesquisa e o
verdadeiro valor, aceitável.
Para calcular a amostra da quantidade de pessoas a serem
pesquisadas e o erro amostral, foi utilizado à calculadora amostral. Baseando-se que existam
1080 famílias cadastradas, e colocando a margem de erro amostral de 5%, calculou-se um
numero de 284 famílias que o questionário deverá ser aplicado, onde uma pessoa de cada
família será escolhida como respondente.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS
A unidade estudada pode ser considerada como PACS e ocupa a mesma estrutura
física do Centro de Saúde (CSII) onde atende toda a população do município e não apenas os
cadastrados do programa, formando uma equipe com um amplo quadro de funcionários, entre
eles, médicos de diversas especialidades; enfermeiras; técnicas em enfermagem; assistente
social; farmacêutica; auxiliar de farmácia; recepcionistas; auxiliares de serviços gerais; entre
outros, atuando em conjunto com a enfermeira e ACS do PACS. A unidade possui sala de
consulta, de vacina, de coleta de sangue, de curativos, dispensário de medicamentos, sala de
reuniões, buscando melhor atendimento as necessidades da população e maior resolubilidade
dentro do seu campo de atuação.
Por não ter em sua equipe um médico da família, as visitas domiciliares a população
são realizadas pela enfermeira quando necessário e pelos Agentes Comunitários de Saúde
agindo conforme Viana e Dal Poz (2005), que relata a importância do PACS e do PSF na
construção da proximidade entre profissionais e usuários da saúde onde não se espera a
demanda por saúde, mas a busca preventiva e integrada à comunidade. Também demonstra
que o espaço de atuação da Equipe do PSF e PACS não se limita apenas na unidade, esta
multiplicidade dos espaços atuantes é uma das principais características do Programa Saúde
da Família.
A unidade atende aproximadamente 1080 famílias na parte referente ao PACS, o que
equivale em média a 4300 pessoas. Não é possível afirmar a quantidade de pessoas
cadastradas no programa que passam diariamente pela unidade, pois, conforme explicado no
inicio o PACS ocupa a mesma estrutura física do CSII, sendo difícil a separação entre
cadastrados e o restante da população do município. A população procura a unidade para
diversos tipos de serviços como: consultas, coleta de exames, obtenção de medicamentos,
curativos e informações. Mostrando um excedente com o que pede a portaria 648, de 2006,
onde define que cada equipe de saúde assista de 600 a 1000 famílias em seu cadastro,
totalizando no máximo 4000 pessoas.
A gestora da unidade por meio da entrevista realizada citou a importância em obter o
máximo de eficiência no PSF, ela entende e percebe que se houver eficiência haverá sempre
bons indicadores de saúde. Relata que a política de gestão de saúde no município funciona
embasada em legislações e nos princípios e diretrizes do SUS, sendo gerenciada pela
secretária de saúde e sua equipe, estando em acordo com Andrade, Barreto e Fonseca (2005)
que relatam que o PSF é estruturante do SUS, tendo como princípios e diretrizes a
universalidade, a integridade e a equidade, que são responsáveis pela atenção primária com
grande potencial de resolubilidade.
Além da entrevista com a gestora da unidade apresenta-se a seguir a análise do
questionário realizado com usuários do programa que em alguns pontos da discussão de
resultados será comparado com a percepção da gestora na busca de melhor eficiência do PSF.
O perfil dos usuários respondentes do questionário servirá de estudo onde foi verificado se os
princípios do SUS são realmente respeitados no atual sistema de saúde. Os dados serão
expostos, interpretados e desenvolvidos para um melhor entendimento e desenvolvimento do
tema proposto.
Dos cadastrados questionados 100% são maiores de 18 anos o que confirma a
seriedade e envolvimento na pesquisa. Todos são residentes no município e na área delimitada
de cobertura que o PSF atua. A maioria do público entrevistado é do sexo feminino compondo
175 do total; por sua vez o sexo masculino corresponde a 105 dos entrevistados. A pesquisa
foi realizada com cadastrados de diversas faixas etárias, sendo que a média da idade equivale
há 44 anos. Em relação à escolaridade dos respondentes, 30% possuem ensino fundamental,
seguido pelos que tem ensino médio que formam 47% dos entrevistados, 16% com nível
superior, 3% pós-graduação e 4% nenhum dos mencionados, resultando em um público com
certos conhecimentos e consequentemente mais exigente. A maioria dos entrevistados mora
em residência com 1 a 3 pessoas formando um grupo de 62%, seguido pelos que moram com
4 a 5 pessoas correspondendo a 33% dos usuários entrevistados e por fim os que residem com
mais de 5 pessoas formando 5% do restante da pesquisa.
Os respondentes que possuem renda mensal inferior a um salário mínimo formam
um grupo de 5%, os que possuem de 1 a 2 salários mínimos são 56%, entre três e cinco
salários mínimos formaram 31%, e os que sua renda acima de cinco salários mínimos
corresponde a 8% dos entrevistados. Na junção destes dados percebe-se a confirmação da
variação de perfil existente entre os respondentes que confirma a percepção da gestora quando
afirmou que a gestão de saúde no município é embasada nos princípios e diretrizes do SUS,
que de acordo com CONASS (2006) são: a universalidade; a equidade e a integridade, e de
acordo com as definições de Costa (2003) sobre cada um desses princípios.
Em relação ao tempo de residência no município a grande maioria formada por 98%
dos entrevistados residem há mais de 10 anos na cidade e 2% formam a porcentagem total das
alternativas inferiores há 10 anos. O conhecimento sobre o tempo de moradia do usuário na
cidade mostra a capacitação do indivíduo em concluir se houve melhorias na saúde pública do
município que, conforme Pires (2011) a implantação deste novo sistema ocorreu na cidade de
Guará no ano de 2003, dez anos antes do início desta pesquisa.
As questões de número 1 e 2 no questionário serviram de base para averiguar se a
ESF funciona ou não de forma equitativa e integral, conforme definições de Souza e Costa
(2010). A questão 1 questionava se conheciam o que significa Programa Saúde da Família,
dos cadastrados entrevistados 23% responderam que não conhecem o significado de PSF,
41% conhecem mais ou menos e, apenas 36% afirmam que sabem o que significa o programa.
Tais respostas corroboram a pesquisa da CONASS (2006), na qual indicava o
desconhecimento da população sobre o significado de PSF. Na questão de número 2 a
pergunta era se existe algum programa explicativo sobre o significado de PSF, e as respostas
foram: 23% disseram que existem, 21% responderam que não e 56% relatam não saber da
existência de algum programa. O que demonstra que mesmo 10 anos após a entrevista
realizada, a situação sobre o conhecimento do significado do SUS, posteriormente atuando na
formação da base do PSF, continua igual, recebendo a mesma falta de atenção à informação
sobre o sistema. Mendes (1999) ressalta a importância em existir uma relação de
corresponsabilidade na saúde da família, onde a população deve reconhecer os serviços de
saúde prestados pela equipe e, ao mesmo tempo a equipe deve reconhecer a população como
sua população. Pesquisas periódicas realizadas pelo IBGE apontam grandes melhorias na
qualidade de vida dos usuários da saúde pública segundo CONASS (2006), e ainda, mostra
que a percepção positiva pelos usuários é maior para os exclusivos do sistema e os de baixa
renda salarial, dado encontrado no perfil do usuário. Esta teoria será analisada nas questões 3,
4, 6 e 7.
Na questão 3 o entrevistado foi questionado se procura por outro serviço de saúde
pública após a implantação do PSF no município, sendo que, 33% responderam que sim,
48% responderam que ás vezes procuram por outro serviço, equivalente a maioria, enquanto
que 19% responderam que não, que utilizam exclusivamente a unidade de saúde do PSF. Em
complemento a esta questão, na pergunta 4 questionou-se qual serviço de saúde pública o
entrevistado utilizava com maior frequência, 44% responderam a unidade de PSF, enquanto
que 26% utilizam hospitais, 18% consultam em clínicas, seguidos de 8% que recorrem com
mais frequência ao pronto socorro e o restante de 4% responderam que não utiliza nenhum
dos mencionados. Estes dados mostram uma curiosidade que merece ser mencionado, o fato
de o município não possuir uma unidade de pronto socorro, o que mais uma vez confirma a
citação sobre a falta de informação para a população. E, como a maioria da população da
referida área, de acordo com as respostas, tem no PSF o único meio de acesso aos serviços de
saúde, constata-se a necessidade do serviço público de saúde ser eficiente.
Na questão 5 do questionário analisado, verificou-se se realmente conforme
CONASS (2006) as ações preventivas são as que mais chamam a atenção dos indivíduos,
diminuindo assim, ações de reabilitação. Ajudou ainda, na confirmação ou negação da teoria
de Rosa e Labate (2005) de que, nos anos 70 a medicina era de forma curativa, mas que
atualmente, as equipes de PSF prestam atendimento de nível preventivo resolvendo 85% dos
problemas, e também mostra o nível de entendimento da população sobre a intenção do
programa que é o de ensinar a população a prevenir doença e não apenas curá-la.
Quanto ao motivo que leva o cadastrado a procurar atendimento na unidade de saúde,
a grande maioria que corresponde a 61% dos entrevistados responderam que procuram
atendimento para curar uma doença, 27% para prevenir uma doença e, 12% responderam que
procuram atendimento para informar-se de uma doença. Estes dados contradizem o relato de
CONASS (2006) e de Rosa e Labate (2005), mostrando que a medicina preventiva ainda não
chama a atenção dos usuários e continua-se com a preocupação na cura da doença.
A pergunta de número 6 questiona como era o atendimento de saúde antes da
implantação do PSF. O equivalente a 36% de entrevistados não sabem e/ou não lembram,
13% somam as que ficaram entre as respostas ótimo ou bom, 33% responderam que era
razoável, enquanto que 18% consideram que era ruim ou muito ruim. Dados que auxiliam na
percepção de um possível início de ações preventivas confrontando com a teoria de que,
segundo Costa e Silva (2010) nas unidades são realizadas ações meramente curativas, com
intuito de apenas favorecer a política local, prejudicando ações de prevenção e promoção de
saúde.
A questão de número 7 auxilia no complemento a anterior perguntando se o usuário
cadastrado percebeu nos últimos anos alguma melhora na qualidade dos serviços de saúde e
as respostas obtidas foram: 44% responderam um pouco, houve algumas melhorias; em
seguida 22% afirmam que sim, perceberam; e 34% totalizam a resposta de que não
perceberam nenhuma melhora nos serviços prestados. O que remete de volta a percepção dos
usuários em relação à melhoria na saúde do município após o programa ser implantado na
cidade. Se, na questão 3 confirma-se uma maioria de 81% que responderam anteriormente,
quando somadas as respostas, que sim e/ou ás vezes procuram por outros serviços de saúde e,
34% não perceberam melhora nos serviços após a implantação do PSF, os dados então
baseados nas duas situações poderiam confirmar, não com certeza, o relato de CONASS
(2006) na pesquisa realizada pelo IBGE em que diz que os usuários exclusivos da saúde
pública tem uma percepção mais positiva sobre melhorias nos serviços do que os não
exclusivos.
Com relação ao tempo de espera para ser atendido na unidade de saúde desde a
marcação da consulta até o atendimento, obteve-se as seguintes respostas: 33% responderam
que são atendidos no mesmo dia, 22% até uma semana, seguido de 28% pessoas que
relataram uma espera entre uma semana e um mês e 10% relataram mais de um mês de
espera. Esclarecendo que durante a análise dos dados observou-se que a maioria dos
respondentes que alegam esperar entre uma semana e um mês ou até mais de um mês
responderam também que utilizam clínicas particulares como serviços de saúde com maior
frequência do que os que responderam serem usuários exclusivos do PSF. Foi pedida também
uma classificação de tempo de espera no dia do atendimento onde 9% responderam até 30
minutos, 40% relatam esperar entre 30 minutos e uma hora, 37% entre uma hora e 2 horas,
seguido de 13% esperam mais de duas horas e não houve respondente que não é atendido. A
gestora afirma sobre as consultas realizadas na unidade que, gestantes e crianças tem
prioridade no atendimento, sendo possível a consulta realizada no mesmo dia por contar com
um médico obstetra e um médico pediatra todos os dias da semana. Os demais pacientes
dependendo da especialização necessária para a consulta faz uso de agendamento onde pode
ou não ser atendido no mesmo dia da procura. Cita também que o horário para agendamento
muitas vezes é motivo de preocupação na obtenção da eficiência e melhor atendimento aos
cadastrados, pois, por receio de não conseguir a consulta, os usuários chegam durante a
madrugada na unidade enquanto a mesma ainda está fechada causando transtornos e revolta
entre a população necessitada. O que leva a definição de Levicovitz (1996) sobre
humanização da unidade como, um modelo em que a saúde é direito de todo cidadão com
melhorias na qualidade de vida, de forma resolutiva, integrada e humanizada.
Em relação à satisfação com a forma em que é atendido na unidade de saúde, 68%
dos entrevistados sentem-se muito satisfeitos ou satisfeitos, enquanto que 32% sentem-se
insatisfeitos ou muito insatisfeitos. Sobre a satisfação com os profissionais da unidade a
avaliação ficou da seguinte forma: 52% que avalia sua satisfação em muito bom e bom, 31%
responderam regular e 17% se dividiram entre ruim ou muito ruim. De acordo com Souza e
Costa (2010), alguns dos motivos que causam falha na ESF seriam profissionais sem o perfil
para exercer o nível esperado de atenção básica, além da ineficiência na administração de
gestores. A gestora da unidade cita como ponto forte que possui profissionais comprometidos
em tornar o programa eficiente, ressaltando que não possui uma avaliação formal sobre esta
questão, apenas reuniões com a equipe de trabalho e observação diária como formas de
avaliação.
Avaliando a percepção dos usuários e da gestora verifica-se percepções diferentes
quando o assunto é satisfação em busca da eficiência. Rosa e Labate (2005) acreditam que o
PSF tem um grande potencial estratégico, desde que, aconteça uma maior conscientização
tanto aos profissionais de saúde aprimorando seus conhecimentos em abordagens ás famílias,
humanização, trabalho em equipe, quanto conscientiza a população e gestores incentivando
sua participação nas ações de planejamento. Uma vez que, o objetivo é a parceria entre PSF,
família e comunidade, o que demonstra uma solução para a desinformação sobre o que
significa PSF para a população. Para a gestora uma das formas de estabelecer parcerias é
tencionando as gerências de cada unidade em relação à produção, dados consolidados e
resultados de forma paralela, além de promover reuniões com a finalidade de detectar pontos
positivos e negativos melhorando-os.
Ao serem questionados se seu problema de saúde é resolvido na unidade 37%,
responderam que sim, os que responderam às vezes totalizam 59% e apenas 4% responderam
que não. Com relação às dúvidas existentes, 24% relataram que sempre tem suas duvidas
esclarecidas na unidade, o percentual de às vezes é de 68%, enquanto que nunca são
esclarecidas totalizam 3% e o restante com 5% relataram não ter dúvidas.
No inicio da discussão dos resultados foi citado o dispensário de medicamentos que
faz parte de um dos serviços oferecidos na unidade analisada, atendendo a todo o município,
mesmo que não tenha acontecido à consulta dentro da unidade, sendo assim, quanto aos
remédios receitados aos cadastrados relatou-se que 69% referente à maioria dos respondentes
compram alguns medicamentos e outros são fornecidos na unidade, 16% relatam que são
comprados em farmácia, 14% são fornecidos gratuitamente na unidade e apenas 1% não
conseguem a medicação. A gestora por sua vez, comenta sobre um fator considerado um dos
pontos fracos para a percepção da eficiência, relacionado ao dispensário, pois ocorre com
grande frequência atraso na entrega da remessa de alguns medicamentos, pois estes dependem
do repasse federal, estadual e municipal, onde a excessiva burocracia favorece ainda mais na
ocorrência de atrasos.
Apesar de a unidade atender a toda a população do município devido ao CSII, a
cobertura do PACS/PSF é delimitada geograficamente atendendo a um número ideal de
cadastrados sem tornar-se excessivo, ficando ao redor da unidade e de fácil acesso. Na
pesquisa mostra-se a proximidade física dos cadastrados com a unidade quando perguntados
se a mesma fica próxima de sua residência, 86% dos entrevistados responderam que sim, 14%
responderam que não ou que fica mais ou menos próximo. Foi avaliada a instalação física da
organização onde 44% consideram excelente ou bom, 30% relatam ser razoável e 26%
consideram ruim ou muito ruim. Perguntou-se a frequência com que os entrevistados vão até a
unidade, e a maioria de 43% pessoas afirmaram ir uma ou mais vezes a cada seis meses,
seguido por 23% que frequentam a unidade uma ou mais vezes na semana ou no mês e o
restante de 34% vão uma vez ao ano ou mais, mostrando a importância em analisar a distância
e instalações do prédio, além do comprometimento entre os funcionários para um melhor
acolhimento aos cadastrados do PSF. A gestora considera que, a facilidade de acesso à
unidade é fator importante no estabelecimento de um vínculo com a população assistida.
Quanto ao prédio, à parte física da unidade, a gestora aposta em melhorias para uma maior
eficiência na assistência, pois assim como os usuários, também pensa que é razoável, faltando
alguns ajustes para uma melhor realização dos procedimentos dispensados por profissionais
qualificados no local. Para Azevedo (2007), serviços de difícil acesso para os usuários afeta a
qualidade dos serviços prestados, como, agendamento de consultas, falta de integralidade nas
ações entre os setores e fragilidade na hierarquia. Quando perguntado se os entrevistados
faziam tratamento de alguma doença que necessitasse de medicamento e acompanhamento
constante, 64% responderam que não, enquanto que 36% relataram que sim, sendo que entre
as doenças citadas em resposta ao questionário as que tiveram maior frequência de resposta
foram: hipertensão, diabetes, e doenças cardíacas, lembrando que Rosa e Labate (2005)
denominam Saúde da Família como um englobamento de práticas de abordagem onde se
observa programas pré-estabelecidos como: hipertensão, diabetes, aleitamento materno,
acompanhamento de crianças e prevenção de doenças endêmicas na região. Muitos dos
cadastrados e usuários do PSF fazem uso da automedicação, em alguns casos grande parte
deles ainda cogita a eficiência na cultura da medicina de ervas, que não é aceita por alguns
profissionais de saúde, confirmando a teoria de Neckel (2009) que aponta um fator que
dificulta a eficiência do PSF, o fato de que os profissionais de saúde desconsideram as
práticas populares da comunidade priorizando os conhecimentos técnicos que possuem.
Questionados sobre qual a frequência em que recebem visitas domiciliares de algum
membro da equipe de saúde, 41% responderam que recebem a visita todo mês, 29% a cada
dois meses, 21% relatam que faz menos de seis meses, 5% responderam que fazem mais de
seis meses que não recebem a visita e 6% finalizam a totalidade alegando que nunca
receberam. Em pergunta semelhante à gestora da unidade a visita deve ser feita mensalmente
pelos ACS, mas alguns fatores prejudicam que haja eficiência nesta questão como: os ACS
serem convocados para outros serviços, quando ocorrem campanhas atrasando as visitas,
quando ocorre à ausência de algum ACS seja por afastamento temporário ou definitivo, e a
contratação de outro é feita por concurso público, podendo assim, deixar áreas descobertas até
a resolução de alguns destes fatores. O que remete novamente a teoria de Rosa e Labate
(2005) na qual a ESF é reforçada pelas visitas domiciliares.
Ainda discutindo sobre a questão de visitas domiciliares perguntou-se aos
cadastrados qual membro da equipe visitava sua residência podendo se necessário assinalar
mais de uma alternativa. Os Agentes de Saúde obtiveram 90% das respostas, enquanto que
5% não sabe informar quem a visita, 5% relatam não receber nenhuma visita e médico ou
enfermeiro não tiveram nenhuma marcação, lembrando que, a unidade analisada funciona
como PACS não possuindo um médico da família, confirmando a teoria de Viana e Dal Poz
(2005), onde diz que, com a ajuda dos ACS foram iniciadas intervenções na saúde e percebeuse que os agentes eram peças fundamentais para constituir a proximidade entre profissionais e
usuários, se tornando um elo entre ambos. Quanto à resposta da gestora do PACS, a mesma
relata que as visitas são feitas pela equipe inteira da unidade, os ACS fazem visitas
mensalmente enquanto que os demais agem de acordo com as necessidades existentes,
entrando em conflito com a resposta dos cadastrados respondentes que relataram em quase
sua totalidade a visita apenas de Agentes de Saúde, demonstrando outro conflito em se
tratando de percepções.
A gestora ainda relata perante o questionamento, sobre a existência de um
monitoramento e avaliação sobre a eficiência dos serviços prestados na unidade dizendo que,
existe esta avaliação por meio do SIAB, Sistema de Informação Básica, que atualmente está
sendo substituído pelo E-SUS, ainda em caráter experimental e também por meio de
indicadores de produtividade realizados mensalmente. Estes dados demonstram que mesmo a
unidade possuindo um sistema informal de avaliação em se tratando do comprometimento
entre a equipe em seus diversos setores, afetando a eficiência dentro da organização, já
quando se fala eficiência do programa na assistência aos cadastrados, é confirmado o sistema
formal. Estes dados foram comprovados por meio de fichas e documentos que o pesquisador
pode observar durante a pesquisa.
Quando se perguntou aos entrevistados se respondem de forma verdadeira as
perguntas feitas pelos Agentes de Saúde sobre sua saúde e de sua família, a maioria de 79%
respondeu que sim, enquanto que 13% responderam às vezes e 8% ficaram entre não
respondem ou não acho necessário. A gestora ao responder a esta mesma questão acredita que
esses dados sejam reais sim, pois são por meio desses dados que são elaborados planos de
ações, avaliações e formação de indicadores de saúde. Apesar do grande número de pessoas
que responderam de forma afirmativa, não se pode deixar de observar com atenção a segunda
opção mais votada, que diz que, às vezes respondem de forma verdadeira as perguntas, na
teoria de Rosa e Labate (2005), algumas vezes os ACS não sabem nem o que fazer no
domicílio visitado, e as visitas podem ser vistas como uma intromissão na vida dos
indivíduos, limitando a privacidade e liberdade dos cadastrados que podem omitir as
respostas.
A opinião da gestão em como deveria ser a estrutura da organização para alcançar
eficiência em saúde é a de que em sua percepção deveria começar de uma maneira certa desde
a União até o município. E complementando com um alto nível de comprometimento e
honestidade dos gestores em todos os níveis hierárquicos.
Grande parte da população não sabe o que significa Programa Saúde da Família,
mesmo que a maioria relate que seus problemas de saúde são resolvidos na UBS, outra parte
afirma que o modelo de gestão não é eficiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo permitiu a demonstração da percepção do gestor e dos usuários do
Programa Saúde da Família alcançando o objetivo geral e específico da pesquisa na
constatação de percepções diferentes em várias situações que possam prejudicar o nível de
eficiência da unidade. As possíveis causas desta diferença estão na ausência de uma estrutura
formal na organização relacionado ao PSF e a equipe, em busca de maior eficiência, porém há
existência de vários procedimentos informais que influenciam na percepção do gestor da
unidade sobre a eficiência satisfatória nos serviços prestados aos usuários do PSF. Por não
haver nenhum órgão que avalie a forma de gestão operada na unidade, a avaliação é feita pelo
próprio gestor. Em contrapartida em se tratando da eficiência na assistência do programa esta
pode ser feita através de sistema formal encontrados nos relatórios feitos pela unidade e seus
funcionários.
Constatou-se que as técnicas adotadas para controlar os resultados em termos de
prevenção manutenção e promoção de saúde ocorrem por meio de planilhas, em que a
principal e mais relevante denomina-se ficha “SIAB” – Sistema de Informação de Atenção
Básica. Esta planilha é abastecida a partir de dados colhidos mensalmente pelos funcionários
da unidade conhecidos como Agente Comunitários de Saúde.
Quanto à pesquisa realizada com usuários houve dificuldade na devolutiva do
questionário e certo receio por parte dos respondentes de ocorrer alguma discriminação no
atendimento prestado, dependendo da resposta dada, por se tratar de uma pesquisa relacionada
a um serviço público de saúde, sendo necessário o esclarecimento de ser uma pesquisa
acadêmica onde a identidade do respondente seria mantida em sigilo. Apesar das limitações,
conseguiu-se demonstrar que um dos motivos mais relevantes sobre a insatisfação em relação
ao sistema de saúde ocorre pela falta de um programa explicativo no município no qual
potencializa a cultura da medicina tradicional e apenas curativa. Além de demonstrar, na visão
dos usuários, a falta de comprometimento dos funcionários da saúde com o objetivo de buscar
melhorias no âmbito da saúde no município.
Pode-se ressaltar nesta pesquisa, o fato de que neste ano de 2014 ocorre uma nova
mudança no modelo do PSF, onde está sendo implantado o ESUS, que tem por objetivo
melhorias no atual programa, sendo mais eficiente, buscando maior resolubilidade dos casos,
incluindo questionários a serem aplicados à população mais específicos a cada caso de saúde.
Desta forma, deixa-se como proposta para futuros estudos a realização de uma pesquisa tanto
para gestores como para usuários do serviço, para uma nova comparação sobre a eficiência do
modelo de gestão do PSF após a implantação do ESUS.
Conclui-se pois, tendo como base o fato de que, os usuários da saúde pública do
município ainda não adquiriam a cultura de que o PSF tem como objetivo a prevenção e
promoção da saúde e não a cura de doenças, estes continuam a procurar auxílio médico
apenas quando manifestam algum sintoma de doença, e desta maneira não conseguem ter a
percepção de melhorias após a implantação do PSF, criando uma ineficiência do programa
que não é percebida pelos gestores que avaliam a melhora da saúde no município, por meio
dos dados numéricos obtidos mensalmente em relatórios dos funcionários da unidade de
saúde.
O que demonstra a importância na utilização de modelos específicos e a adoção da
integração dos profissionais da unidade a essa estrutura formal na avaliação de resultados,
focando em melhorias no sistema de avaliação. Evitando a continuidade de um gerenciamento
com base operacional causando ineficiência e passando a ser um gerenciamento estratégico
em busca da eficiência.
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FERNANDA CRISTINA MORTARI