O Sítio de Maceira Dão: notas de
investigação
Mariana Pinto da Rocha Jorge Ferreira
(Mestra em Recuperação do Património Arquitetónico e
Paisagístico pela Universidade de Évora e arquiteta pela Faculdade
de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa)
RESUMO
A importância que a Ordem de Cister a todos os níveis assumiu e que, de certa maneira, continua
a assumir é hoje plenamente reconhecida. São várias as inovações que esta Ordem introduziu e
desenvolveu em diversas áreas, como a hidráulica ou a agricultura, e é extensa a obra edificada que nos
deixou, desde o mais singelo apoio agrícola ou moinho até ao mais complexo conjunto monástico.
Neste contexto, é sabida a importância que assume a implantação dos edifícios monásticos, em
especial dos cistercienses, e já existem, em termos de investigação, algumas abordagens importantes à
temática dos sítios monásticos, tanto a nível nacional como internacional. O mosteiro cisterciense de
Santa Maria de Maceira Dão é assumido como caso exemplar no que respeita à sua implantação e é
merecedor, sem dúvida, de investigação mais profunda a este nível. Assim, pretendemos lançar as bases
de uma investigação sobre o seu sítio de implantação, contribuindo para um maior conhecimento
do conjunto monástico e para uma reflexão sobre os sítios cistercienses e a sua conservação. Neste
sentido começaremos por abordar a situação de implantação dos mosteiros cistercienses em geral e de
Maceira Dão em particular. Depois centrar-nos-emos no seu sítio e nos aspectos que o caracterizam.
E, no final, faremos uma pequena reflexão sobre a sua conservação.
PALAVRAS-CHAVE
Ordem de Cister, Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, Implantação, Conservação
ABSTRACT
The importance that the Cistercian Order at all levels took over and that, in a sense, continues to take today is
fully recognized. There are several innovations that this Order introduced and developed in different areas,
such as the works of hydraulic and agriculture, and is very extensive the list of installations that left us, from
the most simple barn or mill to the most complex set monastic. In this context, it is known the importance
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of the implementation of monastic buildings, especially the Cistercians, and there are already, in terms of
research, some important approaches to the theme of monastic constructions, both national and international
level. The Cistercian monastery of Santa Maria de Maceira Dão is assumed to be an exemplary case with
regard to its implementation and is worthy, no doubt, for further research at this level. Thus, we intend to
lay the foundations of a research about its local implantation, contributing to a better understanding of the
monastery complex and a reflection on the Cistercian sites and their conservation. In this sense, we will
start by addressing the deployment of the space of the Cistercian monasteries in general and Maceira Dão in
particular. Then we will focus on its space and the aspects that characterize it. And in the end, we will make
a brief reflection on their conservation.
KEYWORDS
Cistercian Order, Monastery of Santa Maria de Maceira Dão, Monastic Space Conservation
A IMPLANTAÇÃO DOS MOSTEIROS CISTERCIENSES
Em termos genéricos é sabido que a implantação dos edifícios religiosos, nomeadamente das Ordens
Regulares, obedece, normalmente, a preceitos específicos. No caso da Ordem de Cister, a situação
de implantação dos seus mosteiros é motivada pelos estatutos da Ordem na busca pelo ideal de
retorno ao “deserto” e ao “trabalho físico” que inspirou as primeiras fundações (Cister: os documentos
primitivos 1999 e Regra de S. Bento 1992). Assim, o Ora et Labora da Regra de São Bento, que
conhecemos dos beneditinos, associado ao trabalho intelectual, é, em Cister, recuperado, no seu
sentido original de trabalho manual, como elemento primordial na aplicação e no entendimento
da Regra (RODRÍGUEZ 1998: 136-137). Por esta razão, a aproximação a qualquer mosteiro
cisterciense, provoca um sentimento ímpar, onde a paisagem trabalhada durante séculos, mesmo que
em estado profundamente alterado, reflecte sempre um modo de estar e uma vivência particulares.
A importância do mosteiro, entendida como área de influência e de transformação da região de
implantação, não reside somente no edifício monástico e na sua envolvente, mais próxima, mas
também na teia de relações que se gera em torno do trabalho manual e da actividade agrícola
(RODRÍGUEZ 1998: 142-143). Em termos ideais e falando sobre as casas masculinas, o mosteiro
deveria estar suficientemente isolado para permitir o necessário recolhimento espiritual dos monges
mas, ao mesmo tempo, ter na sua proximidade todos os recursos considerados necessários à autosuficiência da comunidade, nomeadamente: a presença da água; a existência de condições para a
prática agrícola; e os recursos de madeira, pedra e outros materiais na envolvente próxima. Na prática
a situação desejada seria a de implantação num terreno de declive pouco acentuado, orientado a sul,
com um curso de água em baixo e com os restantes recursos na sua proximidade (ASTON 2009;
CARVILLE 1982 e MARQUES 2006: 11-30). Esta situação nem sempre se conseguia alcançar
acabando por ser necessário, em certos casos, alterar mesmo a localização dos mosteiros, o que não
era, de todo, invulgar, havendo vários exemplos nacionais e internacionais deste acontecimento.
Numerosas razões justificavam estas mudanças como, por exemplo, a questão dos abastecimentos de
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água, condições climáticas e agrícolas pouco satisfatórias, acanhamento do sítio de implantação e, até,
a ocorrência de inundações do local de implantação (ASTON 2009).
SOBRE A SITUAÇÃO DE IMPLANTAÇÃO DE MACEIRA DÃO
No que respeita a Maceira Dão, a sua origem é, como a de tantos outros mosteiros no nosso país, cheia
de dados inconclusivos e, por vezes, até forjados (COCHERIL 1978 e ALVES 1992). É tida como
certa a existência de uma primitiva comunidade reunida por D. Soeiro Teodoniz, instalada perto
da igreja de Santa Maria de Moimenta. Entretanto, é sabido que D. Soeiro adquire alguns terrenos
em Maceira Dão e, oportunamente, transfere para aí o seu mosteiro. As razões desta mudança não
são conhecidas mas pelo que se pode ver ainda hoje no local de implantação do mosteiro, de facto,
encontram-se ali reunidas todas as condições que anteriormente mencionámos, essenciais à correcta
vivência do convento. Em 1188, a comunidade aparece finalmente referenciada à Ordem de Cister,
sob filiação de Alcobaça. Frei Claude de Bronseval, no seu relato da visitação do abade de Claraval,
D. Edme de Saulieu, a Maceira Dão, em Dezembro de 1532, que traduzimos livremente, refere-nos
que o mosteiro tinha “um bom abade e quinze monges que levavam uma vida mais eremítica que
monástica, neste deserto, e erravam à sua vontade pois o mosteiro não tinha outra clausura que esta
solidão” (BRONSEVAL 1970: 513). Temos, portanto, a imagem de uma casa monástica isolada,
conforme se desejava ao necessário recolhimento dos monges. Por seu lado, Frei Hilário das Chagas,
monge de Alcobaça, na sua memória de 1575, faz o registo da visitação mandada efectuar pelo Rei
D. Manuel I, em 1498, e diz, sobre o mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão:
“este mosteiro está situado no concelho de Azurara [...] contra o nascente e serra que vai a redor
do rio Dão [...]. Este mosteiro é muito fresco. Tem muita fruta de espinho, i.e., laranjas, limões,
cidras. Tem muitas frutas de todas as maneiras. Tem muito azeite, pão, vinho, pescado do rio
Dão. Tem ao redor uma mata muito fresca, de toda a maneira de madeira, principalmente muito
castanho. Tem muita caça de monte e muita criação de gado miúdo, i.e., cabras, ovelhas. Tem
muita água numa horta. Tem duas fontes e outra que vem ao mosteiro por canos e entra na
sacristia e na cozinha (MARQUES 2006: 25-26).
Deste testemunho, temos a confirmação de que a envolvente próxima do mosteiro era rica e bastante
para a vida do mosteiro. Mais tarde, Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo diz-nos o seguinte sobre
Maceira Dão:
“não eram brenhas quando se fundou o Mosteiro mas antes de um grande número de compras
e doações se vê que Maceira era uma vila, ou lugar com muitas herdades cultivadas, rotas e
mui povoadas, com casas, vinhas, soutos, hortas, moinhos e tudo o mais que se acha, onde a
agricultura se pratica com fervor e arte; de que tudo se convence o pouco fundamento dos que
afirmam tantas brenhas neste lugar” (ALVES 1992: 47).
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Apesar de reconhecermos alguma legitimidade neste testemunho e de considerarmos que, de entre
as várias propriedades, que viriam a formar o couto de Maceira Dão, deveriam existir, certamente,
algumas já cultivadas e que, eventualmente, tinham construções, a realidade é que, ainda hoje, o
mosteiro se encontra numa situação ímpar de recolhimento, protegido pelos horizontes limitados do
vale onde se encontra. Contrariamente ao que aconteceu noutros conjuntos monásticos, talvez por
se ter mantido como edifício principal de uma grande propriedade agrícola, o mosteiro de Maceira
Dão não deu origem a um aglomerado populacional e, pelo contrário, alguns lugares vizinhos, aldeias,
que faziam parte da sua jurisdição e que, eventualmente, têm a sua origem em lugares ou granjas de
Maceira Dão, como Vila Garcia e Fagilde, mostram, hoje, um considerável crescimento (ALVES
1992: 39-41 e TERENO 2006: 48-49). Vila Garcia pertencia ao couto do mosteiro enquanto
Fagilde integrava o couto da Granja, também jurisdição de Maceira Dão. Vila Garcia desenvolvese na encosta nascente do vale onde se localiza o conjunto edificado do mosteiro e é perfeitamente
visível para quem está junto do mosteiro. É o aglomerado que mais interfere com o isolamento
do sítio, quer pela sua proximidade, quer pela sua crescente dimensão. De qualquer forma, por
estas breves descrições e pelo que ainda hoje se verifica relativamente à implantação do mosteiro
de Maceira Dão, todas as premissas enunciadas se encontram reunidas na localização do edifício
monástico, justificando plenamente a escolha da sua implantação e, deste modo, podemos afirmar
que a localização de Maceira Dão corresponde à desejável situação de implantação dos mosteiros
cistercienses, sendo, realmente, um caso exemplar (MARQUES 2006: 21 e JORGE 2000-2002).
Fig. 1
Situação de implantação do mosteiro, vista para nordeste,
1966
Fig. 2
Situação de implantação do mosteiro, vista para sudoeste,
2006
SOBRE O SÍTIO DE MACEIRA DÃO
O mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão localiza-se no distrito de Viseu, sensivelmente a 5 km
para oeste da cidade de Mangualde, sede de concelho – Antigo Concelho de Azurara da Beira – e
pertence à freguesia de Fornos de Maceira Dão. O edifício monástico está implantado em situação
de pequeno declive, orientado a sul, num vale protegido a norte pela Serra de Fagilde e situa-se na
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margem direita da chamada ribeira dos Frades, que desagua no rio Dão cerca de 1,5km a jusante
do mosteiro. Insere-se, assim, na área da bacia hidrográfica do rio Dão e no vasto planalto da Beira
Alta. Em termos genéricos de geologia e geografia física, o mosteiro está integrado na unidade
geotectónica denominada Maciço Hespérico (Maciço Antigo), na zona paleogeográfica CentroIbérica (AIRES-BARROS 2001: 67-73).
De acordo com a informação recolhida por Valentim da Silva sobre o Concelho de Mangualde temos
as seguintes referências:
“Apenas, como dispersas, algumas pequenas montanhas de fracos relevos, se notam ainda de
relativa extensão, junto de Santo António dos Cabaços, Tabosa, Roda e ao sul as pedreiras de
Cubos, sem falar já, a caminho do Dão, da alta serra de Fagilde. Pode-se pois afirmar que é
granítica toda a área do concelho cujas formas actuais são consequência da acção erosiva da sua
rede hidrográfica. (...)” (SILVA 1978: 154-155).
No que respeita ao clima existe a seguinte informação sobre o Concelho de Mangualde:
“(...) O clima da região apresenta Invernos relativamente frios mas pouco prolongados e
Verões quentes e secos. A amplitude térmica e a temperatura média anual são moderadas. As
chuvas são bastante irregulares e concentram-se nos meses de Novembro a Março, existindo
igualmente um outro período seco e estival, coincidente com os meses quentes do ano, Julho e
Agosto. O total anual de precipitação é elevado. Trata-se, pois, de um clima temperado de feição
continental muito atenuada. O vento é normalmente do quadrante Oeste. (...) (BIBLIOTECA
DE MANGUALDE 2003).
Fig. 3
Conjunto edificado e envolvente próxima, vista para nordeste,
s.d.
Fig. 4
Conjunto edificado e envolvente próxima, vista para sudeste,
s.d.
UBILETRAS
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SOBRE O COUTO DE MACEIRA DÃO E A GRANDE PROPRIEDADE
MONÁSTICA
A carta de couto de Maceira Dão é dada por D. Afonso Henriques, em 31 de Outubro de 1173 e, já
no século XV, é feita, por ordem do Infante D. Henrique, nova demarcação dos limites do couto, que
se mantêm inalterados até essa altura (ALVES 1992: 37-39). Da análise deste último documento,
é possível registar dezoito elementos de demarcação distintos, referenciados a marcos, padrões,
seixos, pedras, pedras com cruz, elementos físicos ou características particulares do próprio terreno,
associados muitas vezes a lugares que ainda hoje existem, como por exemplo as poldras de Vila Meã,
o cume do outeiro do Crasto ou o marco entre Tibalde e Maceira Dão. Infelizmente, a grande maioria
destes elementos de demarcação não constitui uma indicação precisa e a sua localização concreta é,
naturalmente, difícil de determinar. Ainda assim é possível identificar no terreno alguns elementos
físicos de delimitação do couto e que aqui genericamente designamos por pedras, pedras com cruz
e marcos, agradecendo nós a Maria Emília Amaral que nos levou a conhecer estes elementos e que
nos indicou a localização de vários no terreno. As pedras, conforme nos foi testemunhado e pelo que
vimos de alguns exemplares, são mais abundantes e são pedras simples, com configurações específicas
e que denotam intencionalidade na sua colocação no solo.
Fig. 5
Exemplo de pedra de delimitação do couto, 2003
Fig. 6
Exemplo de pedra de delimitação do couto, 2003
As pedras com cruz são, normalmente, integradas em afloramentos rochosos e têm gravadas uma
cruz. Foi possível identificar no terreno nove exemplares de pedras com cruz.
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Fig. 7
Exemplo de pedra com cruz, 2003
Fig. 8
Exemplo de pedra com cruz,
2003
Fig. 9
Exemplo de pedra com cruz, 2003
Quanto aos marcos, foi possível identificar um exemplar no terreno que pensamos poder corresponder
ao referido marco entre Tibalde e Maceira Dão. Tem cerca de 1,10m de altura e secção quadrada
com cerca de 0,20m de lado e, no topo do marco e nas laterais encontra-se gravada uma cruz latina.
Fig. 10
Fig. 11
Marco de delimitação do couto, Pormenor do marco de delimitação do
2003
couto, 2003
Fig. 12
Pormenor do marco de delimitação do
couto, 2003
Em Maio de 1834, o decreto de extinção das Ordens Religiosas veio pôr termo à existência de
Maceira Dão enquanto casa monástica. Em Junho desse mesmo ano foram feitos os devidos
inventários de bens do mosteiro, cujas actas se encontram nos fundos do Arquivo Histórico do
Ministério das Finanças e que constituem um documento essencial à compreensão e à história
do sítio de Maceira Dão. Na verdade, esses autos compreendem várias referências aos lugares que
compunham a propriedade monástica, às suas ocupações culturais, etc... (ALVES 1992: 83-86). De
entre esses lugares podemos referir alguns cuja toponímia ainda hoje se mantém e consta dos registos
prediais como é o caso da quinta das Alagoas, da quinta do Gorgulhão, dos moinhos da Silveira, das
Quelhas, da Regada da Senhora, da quinta da Granja e dos Vales.
Seguindo as referências existentes nos inventários, podemos indicar também outros lugares que
mantêm a toponímia mas não se encontram registados formalmente, nomeadamente: a Clausura, o
Terreiro do adro da igreja, a Terra da Eira ou da Laje, e ainda a Vinha da Valeira, a Terra da Várzea,
o Vale de Santo António, o Vale da Bica, o Vale da Nogueira, a Terra Nova, a Mezura de Santo
António, o Olival de Frei Francisco, o Olival da Cova, o Olival do Seixo (também conhecido como
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Olival Escuro ou Olival Largo), a Mata Mansa, o Chão da Lavoura, o Lameiro do Assentadinho e
as Costeiras.
Fig. 13
Extracto da Carta Militar de Portugal do Instituto Geográfico do
Exército, folha 189 – Mangualde,
Edição 3, 1999, com indicação
dos lugares de Maceira Dão
Para além disso, são mencionados, nos referidos inventários, o Chão dos Favais, o Pinhal Novo, os
Chãos do Larão e o Chão do Lanteiro cuja localização nos é desconhecida. E existem, ainda, outros
lugares que não encontramos referenciados em qualquer documento mas cuja toponímia é ainda
utilizada localmente, como por exemplo: a Assentada, a Vinha Grande, os Mantões, as Queimadas
e a Cerca. Esta Cerca a que aqui nos referimos e que, na realidade, não abrange o conjunto edificado
do mosteiro, não parece ter relação directa com a chamada “cerca do mosteiro”, enquanto recinto
fechado dentro dos limites couto e de utilização restrita dos monges. Neste aspecto, a chamada
Clausura corresponderia mais a essa noção mas, de facto, não conhecemos referências específicas nem
limites concretos relativos à cerca do mosteiro.
Nos dias de hoje, o mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão encontra-se integrado numa propriedade
agrícola, já desmembrada relativamente à primitiva propriedade monástica, a que se chama localmente
Quinta do Convento e que tem, na sua totalidade, cerca de 180 hectares. Esta propriedade, registada
sob diversos artigos prediais, compreende alguns lugares e quintas que pertenciam ao antigo couto
monástico e que são acima referidos. Os limites da propriedade coincidem, nalguns sítios, com
os limites do primitivo couto, existindo, nas suas estremas, alguns elementos de demarcação que
anteriormente referimos. Dentro desses limites existem, também, vários testemunhos do trabalho
dos monges na paisagem, nomeadamente: a modelação dos terrenos e a organização da actividade
agrícola; os elementos ligados à hidráulica; e as várias construções de apoio ao mosteiro e às suas
actividades.
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SOBRE A MODELAÇÃO DO TERRENO E A ORGANIZAÇÃO DA ACTIVIDADE
AGRÍCOLA
No que respeita à modelação dos terrenos, temos a indicação de que os actuais proprietários
procederam a algumas alterações expressivas relativamente ao que existia aquando da compra da
propriedade, em 1965, por razões que se prendem com a exploração agrícola e com a necessidade
de adaptar o terreno à mecanização e às novas formas de cultivo como nos informou Maria Emília
Amaral. Como exemplo, podemos mencionar a área da Vinha da Valeira e dos Mantões, a sul do
mosteiro, e a própria quinta da Granja que hoje apresentam patamares de grande dimensão totalmente
ocupados com vinha e que, anteriormente, se apresentavam em socalcos, os chamados Mantões,
com diferentes culturas e bordejados com cordões de vinha junto dos muros de suporte. O mesmo
acontecia na quinta do Gorgulhão e na quinta das Alagoas, que hoje se encontram cobertas de mato
e de pinhal bravo e que anteriormente desciam em socalcos até ao Dão, ocupados com diferentes
culturas agrícolas e bordejados com cordões de vinha. As restantes áreas apresentam-se, em termos
de morfologia, relativamente idênticas ao que seriam no passado, ressalvando-se as diferenças nas
ocupações culturais que na maior parte dos sítios se alteraram.
A exploração em socalcos terá sido, com certeza, promovida pela comunidade monástica, como
solução adequada para terrenos de acentuado declive, e subsistiu até ao início da segunda metade do
século XX, estando presente, ainda, em alguns locais.
Podemos, no entanto, afirmar que muitas das culturas que vemos referidas nos documentos sobre o
mosteiro, como a vinha, a horta, o olival, os lameiros, o pinhal, as árvores de fruto, etc..., ainda hoje
se praticam, embora em condições diversas das de então.
Fig.
14
Fig.
15
Fig.
16
Fig.
17
Fig.
18
Fig.
19
Fig. 14 - Vista do mosteiro para nascente, 1982
Fig. 15 - Vista do mosteiro para sudoeste, 1982
Fig. 16 - Vista para nordeste, 1982
Fig. 17 - Vista do mosteiro para nascente, 2000
Fig. 18 - Vista do mosteiro para sudoeste, 2000
Fig. 19 - Vista para norte, 2000
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SOBRE A HIDRÁULICA
Em Maceira Dão, como nos restantes conjuntos monásticos cistercienses, são evidentes os recursos
de hidráulica utilizados. Sem aprofundar o complexo sistema hidráulico deste mosteiro, que
carece também de investigação, iremos apontar, de forma sumária, os elementos que nos parecem
mais relevantes no contexto do sítio (Hidráulica Monástica Medieval e Moderna 1996). A nível da
regularização fluvial, não possuímos qualquer indicação sobre uma efectiva alteração ao curso da
ribeira dos Frades ou sequer do rio Dão mas verificamos que a ribeira dos Frades se encontra murada
a montante do mosteiro até ao limite da quinta do Convento e a jusante do mosteiro até ao rio Dão,
numa extensão de cerca de 1,8km. Os muros não existem, necessariamente, em ambas as margens e o
acesso ao leito da ribeira é feito directamente, caso o terreno o permita, ou resolvido na conformação
dos próprios muros através de escadas ou balcões. Na área imediatamente em frente do mosteiro,
entre as duas pontes de pedra aparelhada que ligam à margem esquerda, a ribeira encontra-se hoje
murada em ambas as margens mas esta situação só existe desde a segunda metade do século XX, já
por responsabilidade dos actuais proprietários. Ao longo de toda a extensão murada, existem vários
pequenos açudes, para retenção de água e encontram-se também, nos próprios muros, diversas saídas
de escoamento de águas. Para além disso, existem também quatro barrocas, muradas em parte da sua
extensão, que atravessam a propriedade. Todas estas situações permitem atestar que os cursos de água
eram e são controlados na área que atravessa a propriedade do mosteiro.
Fig. 20
Ribeira dos Frades, vista para jusante, 2010
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Fig. 21
Ribeira dos Frades, vista para montante, 2010
Revista Online do Departamento de Letras da Universidade da Beira Inteiror
Fig. 22
Barroca da Clausura, vista para montante,
2010
Fig. 23
Barroca da Clausura, vista para jusante,
2010
Fig. 24
Barroca da Clausura, vista para jusante,
2010
Relativamente ao abastecimento de água, sem especificarmos a distinção entre água para rega e água
para consumo, são diversos os elementos que encontramos na proximidade do edifício monástico,
desde nascentes, fontes, poços, minas e tanques. De entre estes destacamos em particular a fonte da
Clausura que é o único elemento de hidráulica que denota cuidado especial na sua composição e que
seria o elemento mais importante do abastecimento do mosteiro. Foi-nos referido por Maria Emília
Amaral que esta fonte, que hoje se encontra obstruída, era alimentada por um tanque em alvenaria
de pedra localizado na Clausura, que por sua vez teria ligação a um outro elemento localizado já na
quinta da Vigia, a caminho de Vila Garcia. Para além disso, referiu-nos, também, que o principal
abastecimento de água ao mosteiro era feito por um tanque em alvenaria de pedra situado na
margem esquerda da ribeira e que hoje funciona apenas para rega. O encaminhamento da água a
partir desse tanque seria feito por um aqueduto, do qual ainda restam os arranques nos muros da
ribeira dos Frades, que levava a água directamente à cozinha do mosteiro. Este aqueduto terá sido
completamente destruído na primeira metade do século XX.
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Fig. 25
Fonte da Clausura, 2010
Fig. 26
Fonte da Clausura, 2010
Sobre o abastecimento de água potável ao mosteiro, a análise dos espaços interiores apenas permite
concluir que a adução ao lavabo do claustro era feita manualmente. Quanto ao escoamento das
águas, são também parcas as informações de que dispomos. No interior do mosteiro o claustro é
pavimentado, apresentando uma saída de escoamento no seu canto sudoeste, e o refeitório tem uma
caleira no pavimento, a meio da largura da sala e estendendo-se em todo o seu comprimento, entrando,
depois, pela cozinha. Esta informação foi-nos prestada por Leonel Barosa que acompanhou uma
limpeza geral do mosteiro feita em 1999. A caleira, por questões de segurança, não se encontra à vista.
Outro aspecto importante prende-se com os recursos à força motriz hidráulica. No caso de Maceira
Dão esses recursos foram aproveitados e disso são testemunho os vários moinhos que se encontram
na propriedade. Na ribeira dos Frades e a cerca de 400m a jusante do mosteiro existe um pequeno
moinho, o moinho das Quelhas, de duas mós, que está desactivado e arruinado; já a chegar ao rio
Dão existe um outro moinho com as mesmas características que é chamado moinho do Regato; e no
rio Dão propriamente dito, encontram-se os chamados Moinhos da Silveira que são dois moinhos
geminados, ambos com três mós e que estiveram até há poucos anos em pleno funcionamento. Estes
moinhos são alimentados por um açude de onde parte um pequeno canal que alimenta o primeiro
moinho e cuja descarga, por sua vez, alimenta o segundo.
CONSTRUÇÕES DE APOIO AO MOSTEIRO E ÀS SUAS ACTIVIDADES
As actividades realizadas pela comunidade monástica centravam-se, maioritariamente, no próprio
edifício do mosteiro ou na sua relativa proximidade mas, considerando que os coutos atingiam,
por vezes, considerável dimensão, existiam naturalmente, dentro dos seus limites, outras estruturas
de suporte, construções complementares ao edifício monástico e essenciais ao funcionamento das
diversas actividades do mosteiro, que caracterizam, também o sítio de implantação. No caso de
Maceira Dão, encontramos, dentro dos limites do couto, diversas estruturas de apoio à actividade
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Revista Online do Departamento de Letras da Universidade da Beira Inteiror
do mosteiro.
Começando por referir a actividade religiosa e a par com o que sucede com outros mosteiros
cistercienses portugueses, o mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão tinha, na sua proximidade,
duas pequenas capelas: a capela de Nossa Senhora da Cabeça e a capela de Santo António da Mata.
Desta última já nada resta e apenas podemos indicar a sua localização aproximada, no Vale de Santo
António. De acordo com a informação recolhida por Alexandre Alves, a capela de Santo António:
“teria sido construída pelo mesmo arquitecto biscainho ( João de Castilho?...) que fez as abóbadas da
Sé de Viseu e reconstruiu a Ponte de Alcafache” (ALVES 1992: 104 nota 11). A capela de Nossa
Senhora da Cabeça, localizada a cerca de 200m a nascente do edifício monástico, a meio caminho da
encosta para Vila Garcia, é uma reconstrução do século XVIII, de linguagem dominantemente rococó
e apresenta planta de nave centralizada, octogonal, e capela rectangular (ALVES 1992: 47, nota 3).
Tem uma romaria importante que se realiza na Quinta-Feira da Ascensão e que traz todos os anos
ao local centenas de romeiros.
Fig. 27
Escadaria de acesso à Capela,
2010
Fig. 28
Vista geral da Capela de Nossa Senhora da Cabeça, 2010
Fig. 29
Pormenor do alçado principal
da Capela, 2010
No que respeita à actividade agrícola, podemos mencionar dois grupos distintos de construções: as
construções de uso específico e as casas associadas a cada quinta ou lugar. Dentro das construções
de uso específico incluímos os moinhos, já mencionados anteriormente, o pombal, a eira e o lagar.
No já mencionado inventário dos bens do mosteiro, vêm referidas outras construções exteriores ao
mosteiro – forno, lagar de alambique, currais, cavalariça, lagar de vinho, currais de ovelhas, palheiras,
etc… – das quais desconhecemos a localização, admitindo que tenham sido destruídas. O pombal
localiza-se a cerca de 25m a noroeste do mosteiro e apresenta planta quadrada – não tem cobertura e
o seu canto sudoeste encontra-se arruinado. A eira localiza-se a cerca de 90m a noroeste do mosteiro,
na Terra da Eira ou da Laje – é construída em grandes lajes de granito e apresenta planta rectangular.
O lagar de azeite, conhecido como Lagar da Regada, situa-se a cerca de 80m a sudeste do mosteiro,
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já na outra margem da ribeira dos Frades. No seu interior não encontrámos nenhum vestígio da sua
primitiva função e, actualmente, funciona como armazém. Maria Emília Amaral disse-nos que este
era um lagar de varas em que a primeira etapa da produção do azeite era feita através de força motriz
hidráulica, alimentada por uma levada canalizada que vinha da barroca que vem de Fornos.
Fig. 30
Pombal, 2010
Fig. 31
Eira, 2007
Fig. 32
Lagar da Regada, 2010
No que respeita às casas associadas a cada quinta ou lugar, podemos referir que todas as grandes
quintas atrás mencionadas apresentam casas em alvenaria de pedra aparelhada, a maioria das quais
se encontra em ruínas, sendo de destacar a casa da quinta das Alagoas que é a única de dois pisos.
A casa dos Mantões, junto às hortas, é, actualmente, a morada dos caseiros da quinta do Convento.
Segundo informação de Madalena Cardoso †, esta casa formava um pequeno pátio junto com outras
casas entretanto destruídas. Localmente, chama-seà casa da quinta da Granja “a cadeia dos monges”
e, na realidade, nos inventários dos bens do mosteiro realizados em 1834 esta casa é descrita como
“Casa da Quinta da Granja, incluindo a da Câmara e Cadeia” (ALVES, 1992: 84).
Fig. 33
Conjunto da casa dos Mantões, 2010
SOBRE A CONSERVAÇÃO DO SÍTIO DE MACEIRA DÃO
De uma forma geral, a extinção das ordens religiosas em 1834 trouxe, para além das consequências
que se conhecem ao nível do edificado monástico, outras consequências para os seus coutos e, numa
escala mais próxima à do edificado, para as suas cercas. A grande propriedade que constituía o couto
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monástico e que funcionava de uma forma coerente passa a ser, muitas vezes, fragmentada, dividida
ou arrendada. No caso de Maceira Dão, depois da extinção das Ordens Religiosas, os edifícios do
mosteiro, incluindo a igreja, o seu recheio, e as propriedades anexas foram vendidos a particulares
(ALVES 1992: 98-101) e, neste período de tempo, cremos que o couto monástico pertencia todo
ou quase todo à mesma família que explorava a propriedade num sistema de rendeiros e de subrendeiros. Segundo testemunho de Maria Emília Amaral, as famílias de sub-rendeiros habitavam
no edifício do mosteiro, que se encontrava dividido em pequenas fracções habitacionais, ou nas
casas espalhadas pela propriedade e a cada família era reservado um lugar para cultivar. A família
dos actuais caseiros da quinta do Convento era uma família de sub-rendeiros que habitavam numa
divisão do primeiro piso da ala Sul do edifício monástico e a parte de terreno que lhes cabia era o
Olival da Cova. O arrendamento era pago por produtos agrícolas e as famílias viviam da terra. A
propriedade foi dividida e, depois da compra da Quinta do Convento pelos actuais proprietários,
em 1965, o sistema de arrendamentos terminou e a propriedade passou novamente a ser gerida
de forma global. Os sub-rendeiros foram deixando as terras que arrendavam e as suas habitações
até, sensivelmente, ao início da década de 80 do século XX, altura em o edifício monástico ficou
completamente “devoluto” de inquilinos.
Entendemos que o que existe hoje no sítio de implantação do mosteiro de Santa Maria de Maceira
Dão terá pouco a ver com a ocupação cisterciense e com o seu entendimento do trabalho e da
actividade agrícola: as vicissitudes pelas quais passou e, enfim, as alterações verificadas na própria
actividade agrícola assim o determinaram. Ainda assim, todos os elementos que atrás descrevemos
nos parecem expressivos na caracterização do sítio de Maceira Dão e, na realidade, verificamos que
a generalidade da paisagem está, apesar de tudo, relativamente preservada. De entre os mosteiros
nacionais que conhecemos, podemos afirmar que Maceira Dão, para além de ser um caso exemplar
no que respeita à sua implantação, se mantém, pelo menos, numa envolvente rural e bucólica, próxima
da que imaginamos que poderia ter sido enquanto casa monástica.
Em conclusão, enfatizamos que a influência do mosteiro se estende muito para além das suas paredes
e que a integração no sítio contribui inequivocamente para a compreensão abrangente do conjunto
monástico. Neste sentido, acreditamos, por um lado, que a investigação sobre os sítios monásticos
é essencial à compreensão dos próprios mosteiros e, por outro lado, entendemos que a conservação
do sítio deve acompanhar, na medida do possível, a conservação dos próprios conjuntos monásticos.
No que respeita a Maceira Dão defendemos, então, para o conjunto monástico, incluindo o seu sítio,
a realização de uma intervenção estratégica baseada na conservação e na valorização dos espaços
(FERREIRA 2010: 82-110). Esta intervenção tem como objectivo primeiro a consolidação do
monumento, garantindo a sua integridade e autenticidade, e como objectivo segundo, sempre dentro
dos princípios enunciados pelas recomendações nacionais e internacionais, a criação das condições
mínimas necessárias para que o monumento e a sua envolvente sejam devidamente fruídos e permitindo
que possam acolher acontecimentos culturais dinamizadores. O enquadramento sumário que fizemos
sobre a situação e sítio de implantação do mosteiro de Maceira Dão permite perceber que muitas
das estruturas de apoio à actividade do mosteiro – como por exemplo: a capela de Nossa Senhora
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da Cabeça, a fonte da Clausura, o pombal, a eira, o edifício do lagar, os moinhos, os elementos de
hidráulica e, enfim, a própria modelação dos terrenos, entre outros – estão relativamente preservadas
e são fundamentais e potencialmente interessantes à valorização do edifício. Assim, qualquer acção
de valorização sobre o conjunto edificado deve obrigatoriamente incluir a valorização da envolvente.
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O Sítio de Maceira Dão: notas de investigação