1
O JOVEM E A EDUCAÇÃO SEXUAL
Resumo
Este estudo se propõe a refletir sobre a prática da sexualidade entre os jovens e o papel da
educação sexual no ambiente escolar. Partindo da abordagem da experiência do “ficar”
entre os alunos de uma instituição da rede pública de ensino, pretende discorrer sobre a
forma do jovem vivenciar sua sexualidade. Demonstra através de pesquisa, a forma do jovem
manifestar a sua sexualidade ao se relacionar com o outro através da prática do “ficar”,
por ser o relacionamento afetivo predominante entre eles. Participaram da enquête,
alunos de ambos os sexos, que se situam na faixa etária entre
13 e 25 anos, a maioria pertencente à zona rural; o resultado aponta para a necessidade da
educação sexual na escola. Dialogar é o caminho viável através de uma ação preventiva
constante.
Palavras-chave: “ficar”, jovens, educação sexual, relacionamento.
Résumé
Cette étude il se propose à refléter sur la pratique de la sexualité entre les jeunes et le rôle de
l’éducation sexuelle dans l’environnement scolaire. En partant de l’abordage de l’expérience «
rester » entre les élèves d’une institution du filet public d’enseignement, il prétend discourir
sur la forme le jeune vivre intensément sa sexualité. Il démontre à travers recherche, la forme
le jeune manifester sa sexualité se rapporter avec l’autre à travers la pratique « rester », être
les relations affectives prédominantes entre elles. Ils ont participé de enquête, élèves des tous
les deux les sexes, qui se placent dans la bande étaire entre 13 et 25 ans, à la majorité
appartenant à la zone agricole ; le résultat indique pour la nécessité de l’education sexuelle dans
l’école. Dialoguer est le chemin viable à travers une action préventive constante.
Mots-clé: « rester », jeunes, éducation sexuelle, relations.
2
Introdução
Este trabalho propõe-se a uma reflexão sobre a prática da sexualidade entre os
jovens, tomando como base a prática do “ficar” por se constituir em um relacionamento
afetivo e sexual da preferência dos jovens. Aliada à manifestação da sua sexualidade
pretende-se discorrer sobre o papel da educação sexual no ambiente escolar. O que
representa e de que forma ocorre a educação para o sexo na escola.
Participaram do estudo os alunos de uma instituição da rede pública de ensino os quais
relataram
as
suas
experiências
sobre
a
prática
do
“ficar”,
sabe-se
que
este
relacionamento afetivo foi escolhido pelos jovens dos grandes centros, será que os jovens
oriundos da zona rural que constituem grande parte da clientela desta escola, também vêem
o “ficar” sob esta ótica? Qual a experiência do aluno desta instituição em relação a esta prática
sexual?
A partir de dados obtidos através de levantamento realizado com aqueles que se
encontravam na faixa etária entre 13 a 25 anos, verificou-se que o “ficar” configura-se como a
forma de relacionamento afetivo e sexual mais praticada pelos alunos de ambos os sexos. O
fato de grande parte deles, serem oriundos do meio rural, não se constituiu em um diferencial
quanto à preferência por esta prática. O resultado do estudo veio comprovar o que se
observava no cotidiano escolar, quando jovens eram vistos a trocar carinhos, nas galerias , no
pátio, nos intervalos das aulas, envolvidos na manifestação da sua sexualidade.
Observando os resultados deste estudo, questiona-se: deverá a educação sexual ser
implementada no meio escolar, ou ao contrário, será melhor o silêncio, não fazer menção
sobre questões referentes à sexualidade, deixar que o aluno por si mesmo busque as
respostas para as suas dúvidas? Com efeito, não é fácil trabalhar a sexualidade na
educação; o tema é delicado, frágil e permeado por sutilezas que levam muitas vezes a ignorálo ou a fazer uso de pretextos e subterfúgios para não abordá-lo. Indaga-se então: enquanto
educador /a se estaria exercendo o seu papel a contento?
Grande parte dos alunos pesquisados encontram-se na faixa etária denominada como
adolescência, período de transição entre a infância e a idade adulta, que se inicia entre os 12 a
13 anos e termina por volta dos 20 anos; entretanto, o final deste período não é algo que
possa ser considerado com rigor, mas, como um período de duração indefinida (BOCK,
1999); pois, em nossa sociedade, observa-se às vezes, um adolescente de 15 anos com
um comportamento de adulto e um jovem adulto de 25 anos, comportando-se como um
típico adolescente.
3
De acordo com Palácios (1995), o que faz com que este período seja assim
analisado, é o
fato de que a adolescência não tem um caráter universal, e,
diferentemente da puberdade, é compreendida como uma fase artificial, construída
culturalmente. Desta forma fez-se a opção pela designação do vocábulo jovem, para referirse ao adolescente ou adulto jovem, indistintamente.
A adolescência nem sempre foi compreendida como fase psicológica necessária. Quer
seja através do tempo ou da cultura. Mesmo nas civilizações ocidentais a fase da adolescência
veio a ser distinguida, reconhecida e diferenciada a partir do século XIX e sobretudo no início
do século XX, quando sob a influência do positivismo ganhou destaque ao fazer parte
do discurso dos médicos e dos pedagogos, tornando-se hegemônico.
O que sempre
existiu foi o adolescente e não necessariamente, a adolescência.
Porém, o fundamental, é que este período possa ser compreendido em sua
importância, mas também, que seja abordado como qualquer outro período da vida
(PALÁCIOS, 1995).
Durante a adolescência o jovem realiza a passagem de um núcleo básico e restrito
que é a família, para um outro mais amplo e secundário, o grupo de iguais ou de parceria e em
seguida, para alguém do sexo oposto.
É com o intuito de apreender a respeito do relacionamento afetivo e sexual, na
experiência dos alunos de uma instituição da rede pública de ensino e oriundos em sua maior
parte da zona rural, que buscou-se realizar algumas reflexões em torno da prática do “ficar”.
A prática do “ficar” entre os jovens
De acordo com Louro (2007, p. 11), muitos ainda acreditam que a sexualidade é algo
que naturalmente existe em cada um de nós, é inerente ao ser humano, entretanto, a sexualidade
compreende uma dimensão social e política: “envolve rituais, linguagens, fantasias,
representações, símbolos, convenções... Processos profundamente culturais e plurais”.
A sexualidade humana distingue-se das demais espécies, por sua vinculação com a
cultura. Está presente em todos os aspectos da vida humana. Ao ser influenciada pela cultura,
é cerceada por mitos, tabus e preconceitos os quais estão sujeitos a mudanças de valor no
decorrer do tempo e de acordo com a sociedade.
4
Afirma ainda Louro (ibid. p. 11), que a própria concepção de corpo é definida
através de “processos culturais e ganha sentido socialmente[...] As identidades de gênero
e sexuais são, portanto, compostas e definidas por relações sociais, elas são moldadas pelas
redes de poder de uma sociedade”.
Na passagem do natural ou
biológico para o cultural, o corpo também passa a ser percebido sob a perspectiva da
cultura, do social e por sua vez, subordinado às estratégias das relações de poder.
O “ficar” caracteriza-se como um aprendizado para o amadurecimento afetivo e sexual
do/a jovem e a escola é o espaço onde permanece a maior parte do seu tempo, convivendo,
interagindo e compartilhando experiências entre si, em contínuo inter- relacionamento,
favorecendo a proximidade afetiva e corporal.
A prática do “ficar” relaciona-se a um novo modo de ser. Surgiu no final do século
XX, especificamente nos anos 80 e apesar de ser exercida também por adultos, tornou-se
conhecida como uma forma de relacionamento adotada preferencialmente pelos jovens.
É um relacionamento onde rapaz e moça ficam juntos, porém, sem assumir
compromisso.
Neste contato
pode ocorrer uma troca afetiva ou
amorosa que
acompanham os toques corporais. Ocorrem os contatos físicos, beijos e carícias. O jovem,
busca o contato íntimo ou a relação sexual. Por vezes, “ficar”, significa apenas estar junto,
podendo acontecer ou não troca de carícias (VITIELLO, 1997).
Apesar de se caracterizar como efêmero, volátil e imediatista, no processo de
desenvolvimento da sexualidade, por meio desta prática o jovem vive a experiência de como
lidar com o outro e com o próprio corpo.
Atualmente, sabe-se que os jovens iniciam sua vida sexual cada vez mais cedo e esta
iniciação é quase sempre realizada entre eles, raramente recorrendo-se a prostitutas. O “ficar”,
como um aprendizado afetivo e sexual, assume um papel importante no momento em que,
sobretudo, buscam a experiência corporal. É uma prática que a nada obriga e os jovens
“ficantes” de uma noite, podem, até mesmo, nem mais se cumprimentarem a partir do
dia seguinte (VITIELLO, 1997).
Ao analisar o exercício da sexualidade em diferentes momentos da história, vê- se que
no século XX, após a década de 60, houve uma reação no sentido de uma maior abertura, que
no entanto, com a AIDS, foi contida e o sexo continuou a ser tabu, objeto de preconceitos e
de desinformação ou até mesmo de informações distorcidas (BOCK,
1999).
Nos dias de hoje, aos jovens já é permitido expressarem-se através da prática do
5
“ficar”, embora ainda vivam em um meio social que observa essa forma de
comportamento por vezes, com reserva e preconceito. Apesar da preocupação dos
adultos, o jovem, no seu cotidiano, continua a relacionar-se ocasionalmente, de forma
passageira e sem envolvimentos profundos.
Mesmo no século XXI ainda é possível citar a sexualidade como este paradoxo: algo
tão próximo a cada um e ao mesmo tempo tão desconhecido. Porém, apesar dos jovens
ainda estarem aparentemente desinformados sobre questões que envolvem a sexualidade,
vive-se numa cultura onde o erotismo e a sensualidade são estimulados e utilizados como
técnicas de incentivo ao consumo.
Apesar da moral sexual repressiva que caracteriza a sexualidade em nossa
sociedade, observa-se atualmente todo um empenho em transformar as relações sociais num
produto onde os relacionamentos se caracterizem pela quantidade em detrimento da
qualidade, vivendo-se uma ilusão de maior liberdade em relação ao sexo (CHAUÍ,
2007).
A mídia vende uma imagem de como ser um jovem em dia com a moda, com os
costumes de uma maneira geral e com a sexualidade. Veicula um discurso liberal, estimula
o culto ao corpo. Assim, pode-se constatar que o corpo está sendo investido de poder e que a
ênfase do discurso da sexualidade se prende ao corpo.
Afirma Foucault (2007, p. 33), que “[...] entre o Estado e o indivíduo o sexo tornouse objeto de disputa, e disputa pública; toda uma teia de discursos, de saberes, de análise e de
injunções o investiram”.
O discurso contemporâneo com relação ao exercício da sexualidade, se faz
acompanhar por uma supervalorização da atividade sexual aliado a uma superexposição do
corpo. Fala-se muito sobre sexo na nossa sociedade. O jovem relaciona-se com essa cultura
erotizada, que utiliza o corpo como bem de consumo, onde se valoriza o descartável, o
fortuito, o passageiro.
O “ficar”, nesta perspectiva, está intimamente relacionado aos valores culturais da
atualidade e em perfeita sintonia com as expectativas sexuais dos jovens.
No texto “A Ordem do Discurso”, Foucault refere-se à sexualidade, como o lugar
das interdições por excelência. O discurso sobre sexualidade é um discurso interdito,
onde desejo e poder encontram-se associados (FOUCAULT, 2008). Em meio ao discurso
hegemônico da atualidade, qual o lugar do discurso da família e da escola, sobre sexualidade?
6
A família, a escola e a sexualidade do jovem
A família passou por mudanças a fim de fazer frente às exigências desse novo
tempo. Já não existe apenas um único modelo de família e a sua estrutura ou
organização já não é a mesma. A entrada da mulher no mundo do trabalho, também
contribuiu para mudanças no interior da família.
Embora boa parte dos pais não disponha de muito tempo para os filhos, são eles os
educadores naturais e os responsáveis pela transmissão dos valores. Porém, a maioria dos pais
não se sente à vontade para conversar sobre sexo com os seus filhos, alguns, devido à
educação recebida por seus pais, outros, por não saberem como abordar o tema. Em
conseqüência, os filhos, na maioria das vezes, ficam sem respostas para as suas dúvidas e vão
em busca de informações que lhes são prejudiciais porque procedem de fontes impróprias.
A escola desde as mudanças tecnológicas ocorridas no século XIX, vem
assumindo aos poucos, tarefas que anteriormente eram atribuídas à família, assim ocorre
também em relação à sexualidade; a qual, no passado, era ignorada por ambas: família e escola.
Cabe à família, a informação e o diálogo sobre sexualidade com os seus filhos, ou seja, a
transmissão do conhecimento informal que é adquirido ao longo da vida sobre sexualidade e à
escola, a educação sexual destes jovens.
A sexualidade como lugar das interdições, portadora de um discurso onde desejo e
poder se encontram associados, está presente em nosso dia a dia, e encontra-se na escola de
forma explícita ou dissimulada. Seja através dos contatos, das brincadeiras, das relações
interpessoais, do dito e do não dito (FOUCAULT, 2008).
Falar sobre sexualidade na escola continua ainda a ser visto como algo de uma certa
complexidade. É necessário não apenas recursos materiais, capacitar-se ou ampliar a
compreensão sobre o tema, mas, que haja sensibilidade e abertura suficiente para abordá-lo
de forma dialogada com os jovens.
De acordo com Beraldo (2003), a escola é um local onde o jovem passa muito do
seu tempo. É no ambiente escolar que ele vai interagir com o mundo ao seu redor. Depois
do ambiente familiar, é a escola que complementa a educação dada pela família e que se
responsabiliza pela formação afetiva e emocional dos seus alunos.
Se a escola se compromete com a formação integral do aluno, significa que esta
instituição de ensino não terá como objetivo apenas transmitir conteúdos relativos ao
conhecimento, mas,
que irá além em seu propósito de educar, procurando formar
7
indivíduos capazes de lidar adequadamente com o ambiente no qual
se encontram
inseridos. Se a escola se preocupa com a formação integral do aluno, então a educação sexual
deveria ser considerada como parte integrante de sua missão.
O “ficar” parece ser uma forma de comportamento peculiar à sociedade
contemporânea, voltado para a satisfação imediata dos desejos, do descompromisso e
emblematizado pelo jovem a significar o novo também, em termos de comportamento.
Entretanto, se o jovem representa o novo, a escola representa o conservadorismo, o
tradicional, e é vista como a portadora do discurso hegemônico; há quem afirme que a escola
não conseguiu acompanhar as mudanças sociais e tornou-se austera e preocupada,
apenas, com a transmissão do conhecimento. Costuma-se dizer, que o jovem ao adentrar
a escola, distancia-se da realidade social, do mundo real. De acordo com Bock (1999, p. 264),
“a clausura escolar é ilusória, pois a realidade social entra pela porta dos fundos, invade as
salas de aula, podendo ser encontrada nos livros, nos valores ensinados e nas atividades
desenvolvidas”.
O ambiente escolar em si mesmo, exige do jovem uma postura e o
reconhecimento do que se é permitido ou não em termos de sexualidade, gênero, classe,
raça, etnia, reproduzindo as relações de poder do meio social.
A escola, de acordo com Louro (2008, p. 57), “produz as diferenças, as
distinções e as desigualdades desde o seu início”. Por esta ótica, atua no sentido de
disciplinar
os
corpos e
restringir
a
liberdade
dos
indivíduos
para,
finalmente,
transformá-los em indivíduos dóceis.
Observa-se que existem diferentes posições, as quais são ilustradas por meio dos
diferentes discursos; alguns, conservadores, retratam a educação sexual como um tema a ser
desenvolvido no cotidiano escolar sem levar em consideração problemas de ordem estrutural
ou pedagógica, por exemplo. Outros, assumem as suas reservas, questionam, e entre estes, há
os que são frontalmente contra a educação sexual na escola, pois, não desejam a continuidade
de escolhas morais e religiosas próprias deste meio. Não estão de acordo sobre a abordagem
das questões sexuais na escola, sendo favoráveis a que os assuntos que envolvam sexualidade,
fiquem a cargo da família e pressionam no sentido do silenciamento; mesmo assim, as
questões sexuais entram na escola, pois elas estão presentes nos gestos, nas conversas, nos
relacionamentos, nas diversas atividades, enfim, até mesmo no silêncio (LOURO, 2008).
Aqueles que não concordam que a educação sexual seja um propósito da escola e são
favoráveis a que não se mencione questões que envolvam o tema no ambiente
8
escolar, vêem-se talvez, diante de silêncios, gestos, atitudes e de toda uma forma de
comunicação que independe da palavra para assumir significados no que se refere ao sexo,
no ambiente escolar.
Diz Louro (passim p. 131) ainda: As questões referentes à sexualidade estão, queirase ou não, na escola. Elas fazem parte das conversas dos/as estudantes, elas estão nos grafites
dos banheiros, nas piadas e brincadeiras, nas aproximações afetivas, nos namoros; e não
apenas aí, elas estão também de fato nas salas de aula – assumidamente ou não – nas falas e
atitudes das professoras, dos professores e dos estudantes.
Com o propósito de refletir sobre escola e sexualidade foi realizada uma enquête em
que constam questões referentes a dados pessoais: gênero, faixa etária, situação familiar e
questões envolvendo a sexualidade dos jovens.
Metodologia
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba, Campus Sousa, em maio de 2008, com alunos de ambos os sexos,
na faixa etária entre 13 a 25 anos e regularmente matriculados no Ensino Médio concomitante
aos Cursos Técnicos de Agropecuária e Agroindústria, das 1ª, 2ª e 3ª séries. De um
universo de 363 alunos à época, tomou-se como amostra, 214; em termos percentuais, significa
que se trabalhou com um contingente de 58,9 % dos alunos, o que representa uma amostra
significativa; a margem de erro considerada foi 5% e o nível de confiança, 95%
(RICHARDSON, 1999). Foram aplicados questionários com perguntas estruturadas acerca de
dados pessoais do aluno, da profissão dos pais, e sobre questões referentes ao relacionamento
afetivo entre os jovens do Instituto.
9
Resultados e Discussão
1. DADOS PESSOAIS DOS ALUNOS
13
0
12
0
11
0
10
0
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1.2. GÊNERO
18
0
16
0
Nº DE ALUNOS /%
Nº DE ALUNOS / %
1.1. IDADE
14
0
12
0
10
0
8
0
MASC.
FEM.
RESP.
SEX
O
NÃO
6
0
4
0
13 a 17 18 a 22 23 a 25 Não
resp.
FAIXA
ETÁRIA
2
0
0
Nº RESPOSTAS / %
2. PAIS
2.1. SITUAÇÃO CONJUGAL
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
EST
PAI
MÃ
VIV
ÃO
FAE
EM
SEP
LEC
FA
JUN
AIDO
LETOS
RA
DO PAIS
S
120
10
110 2.2. PROFISSÃO DO PAI
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
A
G
RI
C
UL
T
O
R
CA
MI
N
H
O-
AU
TÔ
NO
MO
P
E
D
R
EI
R
O
PROFISSÃO
FU
NC.
PÚBLI
CO
Nº DE RESPOSTAS / %
Nº DE RESPOSTAS / %
2.3. PROFISSÃO DA MÃE
O
U
T
R
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
D
O
M
É
ST
I-
AG
RI
CU
LTO
RA
PR
OFE
SSO
RA
OP
ERÁ
RIA
AU O
TÔ U
NO TR
MA
PROFISSÃO
11
3. SEXUALIDADE
Nº DE RESPOSTAS / %
3.1. O "FICAR" ENTRE OS JOVENS
12
0
11
0
10
0
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
“FIC APE APE NU
N
AR” NAS NAS NC
Ã
E
“FIC NA A
O
NA- AR” MO- NA
R
MO
RAR M.
ES
RAR
OU
P
O
N
COSTUMA "FICAR" OU
NAMORAR
Nº DE RESPOSTAS / %
3.3. NAMORO C/ORIGEM NO "FICAR"
12
0
11
0
10
0
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
SIM
NÃO
N
Ã
3.2. O "FICAR" NAS BALADAS
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
APE
NAS
CO
M
UM(
A)
C/DO
IS(DU
AS)
OU
MAIS
NÃO
GOST
A DE
“FICA
R”
N
Ã
O
RE
S-
FREQUÊNCIA
O
R
E
S
O NAMORO A PARTIR DO
"FICAR"
12
20
10
0
Nº DE RESPOSTAS / %
3.4. RELAÇÃO SEXUAL NO "FICAR"
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
SIM
NÃO
N
Ã
O
RE
SOCORRÊNCIA DE RELAÇÃO
SEXUAL
As Tabelas apresentadas no Apêndice contêm os resultados da pesquisa
realizada e deram origem aos gráficos acima elaborados, os quais apresentam no eixo vertical
os dados originais a que se referem e também a relação percentual entre as variáveis
consideradas
De acordo com os resultados obtidos, a clientela do IFPB Campus Sousa, é
formada em grande parte por jovens cuja idade situa-se entre 13 a 17 anos que
corresponde a 57%, conforme demonstra o gráfico 1.1. Os seus pais são pessoas de origem
humilde, a maioria, agricultores, (55,6%, gráfico 2.2), portanto, representando o percentual
dos alunos oriundos da zona rural. As mães, também humildes, cuidam do serviço doméstico
ou labutam juntamente com o marido na agricultura (58,1%, gráfico
2.3). 77,6% dos casais coabitam, apenas 16,4% são separados, constituindo-se como famílias
de hábitos conservadores (gráfico 2.1).
Apesar de grande parte dos jovens pertencerem ao meio rural, o seu
comportamento em relação à prática do “ficar” demonstra a disseminação desta prática
13
entre os jovens de uma maneira geral. Assim como aqueles das grandes cidades, eles buscam
também através desta prática a experiência afetiva e corporal.
Acredita-se que os Cursos oferecidos por esta instituição de ensino, corroboram no
sentido de um maior demanda por parte dos rapazes que chegam a 78,5% da
população pesquisada, enquanto que as moças, representam apenas 20,6% (gráfico 1.2). Assim,
tem-se uma predominância do sexo masculino no ambiente escolar.
Com relação à sexualidade, o fato de não viverem nas grandes cidades não
contribuiu
para
que
divergissem
quanto
à forma
como vivenciam
os seus
relacionamentos afetivos. Gostam de “ficar” e também de namorar (53,7%), entretanto, em
termos comparativos, prevalece o “ficar” (28,5%) ao namorar, pois apenas 14,5% destes
jovens preferem o namoro como relacionamento afetivo (gráfico 3.1).
Quanto à intensidade com que mudam de parceiros, os resultados (gráfico 3.2)
demonstram que ao saírem para as baladas, preferem ficar apenas com um(a) do que com
vários(as). Segundo eles, inicia-se com o “ficar” e a partir de então, esta experiência
poderá na maioria das vezes se encaminhar para o namoro (55,6%). Então, o
era
apenas
brevidade
e descompromisso
que
poderá se transformar
num
relacionamento afetivo mais duradouro.
Sobre a ocorrência de relação sexual durante um “fica”, não ocorre com a
maioria. 58,9% relatam que não praticaram sexo nas ocasiões em que “ficaram” com alguém,
porém, é algo que pode acontecer e não é tão raro, pois 37,9% destes jovens já viveram esta
experiência (gráfico 3.4).
Conclusão
A sexualidade
não
poderia
deixar
de
estar
presente
no
meio
escolar,
manifestando-se das mais diversas formas, inclusive em meio ao silêncio, nas atitudes, no
comportamento.
O “ficar” não ocorre apenas como manifestação de comportamento dos jovens das
grandes cidades. Com a globalização, não há como o jovem deixar de estar sintonizado
com os seus pares, onde quer que viva; seja nos grandes centros urbanos ou na zona rural.
Os jovens nas sociedades ocidentais fazem parte de um grupo social com
características peculiares. A sua identidade adolescente é expressa por meio de valores, hábitos
e posicionamentos que os diferenciem do mundo adulto: assim constituem a
14
cultura adolescente.
A adolescência forjada culturalmente, leva-os em parte a esta forma de
comportamento. O relacionamento afetivo entre os jovens é análogo à forma como se
processam as relações sociais e os vínculos nos dias atuais. Contatos passageiros,
superficiais, são a tônica do nosso tempo e refletem as mudanças ocorridas na sociedade no
decorrer do século XX.
Neste contexto, por meio do “ficar” enquanto relacionamento afetivo, o jovem
expressa de forma paradigmática os relacionamentos exercidos de uma forma mais ampla e
geral no meio social. A relação sexual que ocorre por vezes, durante o “ficar”, pode ser o
indicativo, ou um alerta de que é necessário haver a educação sexual na escola. Entretanto,
tal tarefa representa um grande desafio para quem trabalha em educação. Em princípio,
convém questionar: Por quê? Para quê? Com que propósito? Mesmo diante dos riscos da
AIDS, da DST, deve-se buscar os motivos que conduzem o educador nesta direção.
Sabe-se que a educação sexual não pode ser dissociada da educação como um todo,
que deve ser abordada enquanto processo e não como algo estanque, e o trabalho a ser
realizado pelo/a educador/a sexual deve ser inovador, alguém comprometido com o políticosocial; mesmo assim, a escola enquanto instituição deve ser repensada. Pois, na área
educacional, os discursos são apropriados,
transmutados e trazem consigo os
saberes e os poderes inerentes a eles. Para se trabalhar conteúdos ligados ao sexo e ao prazer
é necessário que haja por parte da escola, o compromisso com o social.
Conclui-se, afirmando que se reconhece a necessidade e a importância da
educação sexual enquanto atividade educativa, de cunho eminentemente político a ser
exercida no sentido do questionamento, da reivindicação, do desvendamento dos mitos e
preconceitos
sobre
significativamente para
sexualidade.
Nesta
perspectiva,
poderá
contribuir
a educação de crianças e adolescentes, especialmente aos que
estudam em escolas públicas.
15
Referências Bibliográficas
BERALDO, F. N. M. Sexualidade e escola: Um espaço de intervenção.. Psicologia
Escolar Educativa, Campinas, v. 7, junho de 2003. Disponível em: <http:/pepsic.bvspsi.org.br/scielo>. Acessado em:30 jun. 2008.
BOCK, A. M. B., FURTADO, O., TEIXEIRA,M. L. T. Psicologias: uma introdução ao
estudo de psicologia. 13. ed., São Paulo: Editora Saraiva, 1999.
CESAR, M. R. de A. A invenção da “adolescência” no discurso psicopedagógico.
Campinas, 1998. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade
Estadual de Campinas.
CHAUÍ, M. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 12. ed. São
Paulo: Cortez, 2007.
COOL, C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. (orgs) Desenvolvimento psicológico e
educação. Trad. Marcos A. G. Domingues. Porto Alegre: Artes Médicas, v. 1, 1995.
FIGUEIRÓ, M. N. D. Educação sexual: retomando uma proposta, um desafio. 2. ed.
Londrina: Ed. UEL, 2001.
FOUCAULT, M. A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 17. ed.
São Paulo: Edições Loyola, 2008.
FOUCAULT, M. História da sexualidade I: A vontade de saber. Trad. Maria Thereza da
Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 18. ed. São Paulo: Edições Graal,
2007.
GUIMARÃES, I. Educação sexual na escola: mito e realidade. Campinas, SP:
Mercado de Letras, 1995.
LOURO, G. L. O corpo educado: Pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2007.
Gênero, sexualidade e educação:
estruturalista. 10. ed.. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
uma
perspectiva
pós-
RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo:
Editora Atlas, 2007.
VITIELLO, N. Sexualidade: quem educa o educador. Um manual para jovens, pais e
educadores.São Paulo: Iglu Editora Ltda.,1996.
16
APÊNDICES
1 – DADOS PESSOAIS DO ALUNO:
1.1. Idade( Faixa etária)
Faixa etária (anos)
13 a 17
18 a 22
23 a 25
Não respondeu
TOTAL
Nº de alunos
122
78
10
04
214
%
57,0
36,4
4,7
1,9
100,0
1.2. Gênero
Sexo
Masculino
Feminino
Não respondeu
TOTAL
Nº de alunos
168
44
02
214
%
78,5
20,6
0,9
100,0
2 – PAIS:
2.1. Situação Conjugal:
Pais
Vivem juntos
Estão separados
Pai falecido
Mãe falecida
TOTAL
Nº de respostas
166
35
09
04
214
%
77,6
16,4
4,2
1,8
100,0
17
2.2. Profissão do pai:
Profissão
Agricultor
Caminhoneiro
Autônomo
Pedreiro
Func. Público
Desempregado
Vigilante
Comerciário
Advogado
Mecânico
Cabeleireiro
Não sabe
Comerciante
Agropecuarista
Outras
Nº de respostas
115
13
13
09
08
05
04
04
03
03
03
03
02
02
20
TOTAL
207
Obs: Não registrou-se a profissão dos pais já falecidos (07).
%
55,6
6,3
6,3
4,3
3,9
2,4
1,9
1,9
1,5
1,5
1,5
1,5
0,9
0,9
9,7
100,0
2.3. Profissão da mãe:
Profissão
Doméstica
Agricultora
Professora
Operária
Autônoma
Comerciante
Aux. Serv. Gerais
Func. Pública
Cozinheira
Contadora
Aux. de ensino
Enfermeira
Secretária escolar
Outras
Nº de respostas
66
56
28
18
08
05
05
04
04
02
02
02
02
08
TOTAL
210
Obs: Não registrou-se a profissão das mães já falecidas (04).
%
31,4
26,7
13,3
8,6
3,8
2,4
2,4
1,9
1,9
0,9
0,9
0,9
0,9
3,8
100,0
18
3 – SEXUALIDADE:
3.1. O relacionamento entre os jovens:
Costuma“ficar”ou namorar
“Ficar” e namorar
Apenas “ficar”
Apenas namorar
Nuncanamorou,somente”fica”
Somente namora
Nunca namorou ou ficou
Não respondeu
TOTAL
Nº de respostas
115
38
29
23
02
02
05
214
%
53,7
17,8
13,6
10,7
0,9
0,9
2,3
100,0
3.2. Frequência do “fica” nas baladas:
Frequência
Apenas com um (a)
Com dois (duas) ou mais
Não gosto de “ficar”
Não respondeu
TOTAL
Nº de Respostas
100
84
10
20
%
46,7
39,3
4,7
9,3
214
100,0
Nº de respostas
119
86
9
%
55,6
40,2
4,2
214
100,0
Nº de respostas
81
126
07
%
37,8
58,9
3,3
3.3. O “ficar” originando namoro:
O namoro a partir do “ficar”
Sim
Não
Não respondeu
TOTAL
3.4. Relação sexual durante um “fica”:
Ocorrência de relação sexual
Sim
Não
Não respondeu
TOTAL
214
100,0
19
QUESTIONÁRIO
1. DADOS PESSOAIS:
Data de Nasc.:
Idade:
Local onde reside:
Sítio (
Escolaridade:
/ /
Sexo: ( ) M (
)
Cidade ( )
Onde estuda:
)F
2. SOBRE OS PAIS:
Qual a profissão do seu pai?
Qual a profissão da sua mãe?
3. SOBRE RELACIONAMENTOS:
Falando um pouco sobre relacionamento entre jovens, você costuma “ficar”?
a) Sim ( )
b) Não (
)
3.1. Entre “ficar” e namorar, o que prefere?
a) Apenas “ficar” ( )
b) Apenas namorar (
c) Nenhum dos dois (
)
)
3.2. Quando vai a baladas,costuma “ficar” apenas com um(a) ou com mais de
um(a)?
a) apenas com um(a) (
)
b) Com dois/ duas ou mais (
)
c) Não gosto de “ficar” (
)
3.3. Já aconteceu de namorar alguém depois de ter “ficado” com ele/
ela?
a) Sim ( )
b) Não ( )
Já ocorreu relação sexual durante um “fica”?
a) Sim ( )
b) Não (
)
São Gonçalo, maio de 2008.
Download

1 O JOVEM E A EDUCAÇÃO SEXUAL Resumo Este estudo