1 O JOVEM E A EDUCAÇÃO SEXUAL Resumo Este estudo se propõe a refletir sobre a prática da sexualidade entre os jovens e o papel da educação sexual no ambiente escolar. Partindo da abordagem da experiência do “ficar” entre os alunos de uma instituição da rede pública de ensino, pretende discorrer sobre a forma do jovem vivenciar sua sexualidade. Demonstra através de pesquisa, a forma do jovem manifestar a sua sexualidade ao se relacionar com o outro através da prática do “ficar”, por ser o relacionamento afetivo predominante entre eles. Participaram da enquête, alunos de ambos os sexos, que se situam na faixa etária entre 13 e 25 anos, a maioria pertencente à zona rural; o resultado aponta para a necessidade da educação sexual na escola. Dialogar é o caminho viável através de uma ação preventiva constante. Palavras-chave: “ficar”, jovens, educação sexual, relacionamento. Résumé Cette étude il se propose à refléter sur la pratique de la sexualité entre les jeunes et le rôle de l’éducation sexuelle dans l’environnement scolaire. En partant de l’abordage de l’expérience « rester » entre les élèves d’une institution du filet public d’enseignement, il prétend discourir sur la forme le jeune vivre intensément sa sexualité. Il démontre à travers recherche, la forme le jeune manifester sa sexualité se rapporter avec l’autre à travers la pratique « rester », être les relations affectives prédominantes entre elles. Ils ont participé de enquête, élèves des tous les deux les sexes, qui se placent dans la bande étaire entre 13 et 25 ans, à la majorité appartenant à la zone agricole ; le résultat indique pour la nécessité de l’education sexuelle dans l’école. Dialoguer est le chemin viable à travers une action préventive constante. Mots-clé: « rester », jeunes, éducation sexuelle, relations. 2 Introdução Este trabalho propõe-se a uma reflexão sobre a prática da sexualidade entre os jovens, tomando como base a prática do “ficar” por se constituir em um relacionamento afetivo e sexual da preferência dos jovens. Aliada à manifestação da sua sexualidade pretende-se discorrer sobre o papel da educação sexual no ambiente escolar. O que representa e de que forma ocorre a educação para o sexo na escola. Participaram do estudo os alunos de uma instituição da rede pública de ensino os quais relataram as suas experiências sobre a prática do “ficar”, sabe-se que este relacionamento afetivo foi escolhido pelos jovens dos grandes centros, será que os jovens oriundos da zona rural que constituem grande parte da clientela desta escola, também vêem o “ficar” sob esta ótica? Qual a experiência do aluno desta instituição em relação a esta prática sexual? A partir de dados obtidos através de levantamento realizado com aqueles que se encontravam na faixa etária entre 13 a 25 anos, verificou-se que o “ficar” configura-se como a forma de relacionamento afetivo e sexual mais praticada pelos alunos de ambos os sexos. O fato de grande parte deles, serem oriundos do meio rural, não se constituiu em um diferencial quanto à preferência por esta prática. O resultado do estudo veio comprovar o que se observava no cotidiano escolar, quando jovens eram vistos a trocar carinhos, nas galerias , no pátio, nos intervalos das aulas, envolvidos na manifestação da sua sexualidade. Observando os resultados deste estudo, questiona-se: deverá a educação sexual ser implementada no meio escolar, ou ao contrário, será melhor o silêncio, não fazer menção sobre questões referentes à sexualidade, deixar que o aluno por si mesmo busque as respostas para as suas dúvidas? Com efeito, não é fácil trabalhar a sexualidade na educação; o tema é delicado, frágil e permeado por sutilezas que levam muitas vezes a ignorálo ou a fazer uso de pretextos e subterfúgios para não abordá-lo. Indaga-se então: enquanto educador /a se estaria exercendo o seu papel a contento? Grande parte dos alunos pesquisados encontram-se na faixa etária denominada como adolescência, período de transição entre a infância e a idade adulta, que se inicia entre os 12 a 13 anos e termina por volta dos 20 anos; entretanto, o final deste período não é algo que possa ser considerado com rigor, mas, como um período de duração indefinida (BOCK, 1999); pois, em nossa sociedade, observa-se às vezes, um adolescente de 15 anos com um comportamento de adulto e um jovem adulto de 25 anos, comportando-se como um típico adolescente. 3 De acordo com Palácios (1995), o que faz com que este período seja assim analisado, é o fato de que a adolescência não tem um caráter universal, e, diferentemente da puberdade, é compreendida como uma fase artificial, construída culturalmente. Desta forma fez-se a opção pela designação do vocábulo jovem, para referirse ao adolescente ou adulto jovem, indistintamente. A adolescência nem sempre foi compreendida como fase psicológica necessária. Quer seja através do tempo ou da cultura. Mesmo nas civilizações ocidentais a fase da adolescência veio a ser distinguida, reconhecida e diferenciada a partir do século XIX e sobretudo no início do século XX, quando sob a influência do positivismo ganhou destaque ao fazer parte do discurso dos médicos e dos pedagogos, tornando-se hegemônico. O que sempre existiu foi o adolescente e não necessariamente, a adolescência. Porém, o fundamental, é que este período possa ser compreendido em sua importância, mas também, que seja abordado como qualquer outro período da vida (PALÁCIOS, 1995). Durante a adolescência o jovem realiza a passagem de um núcleo básico e restrito que é a família, para um outro mais amplo e secundário, o grupo de iguais ou de parceria e em seguida, para alguém do sexo oposto. É com o intuito de apreender a respeito do relacionamento afetivo e sexual, na experiência dos alunos de uma instituição da rede pública de ensino e oriundos em sua maior parte da zona rural, que buscou-se realizar algumas reflexões em torno da prática do “ficar”. A prática do “ficar” entre os jovens De acordo com Louro (2007, p. 11), muitos ainda acreditam que a sexualidade é algo que naturalmente existe em cada um de nós, é inerente ao ser humano, entretanto, a sexualidade compreende uma dimensão social e política: “envolve rituais, linguagens, fantasias, representações, símbolos, convenções... Processos profundamente culturais e plurais”. A sexualidade humana distingue-se das demais espécies, por sua vinculação com a cultura. Está presente em todos os aspectos da vida humana. Ao ser influenciada pela cultura, é cerceada por mitos, tabus e preconceitos os quais estão sujeitos a mudanças de valor no decorrer do tempo e de acordo com a sociedade. 4 Afirma ainda Louro (ibid. p. 11), que a própria concepção de corpo é definida através de “processos culturais e ganha sentido socialmente[...] As identidades de gênero e sexuais são, portanto, compostas e definidas por relações sociais, elas são moldadas pelas redes de poder de uma sociedade”. Na passagem do natural ou biológico para o cultural, o corpo também passa a ser percebido sob a perspectiva da cultura, do social e por sua vez, subordinado às estratégias das relações de poder. O “ficar” caracteriza-se como um aprendizado para o amadurecimento afetivo e sexual do/a jovem e a escola é o espaço onde permanece a maior parte do seu tempo, convivendo, interagindo e compartilhando experiências entre si, em contínuo inter- relacionamento, favorecendo a proximidade afetiva e corporal. A prática do “ficar” relaciona-se a um novo modo de ser. Surgiu no final do século XX, especificamente nos anos 80 e apesar de ser exercida também por adultos, tornou-se conhecida como uma forma de relacionamento adotada preferencialmente pelos jovens. É um relacionamento onde rapaz e moça ficam juntos, porém, sem assumir compromisso. Neste contato pode ocorrer uma troca afetiva ou amorosa que acompanham os toques corporais. Ocorrem os contatos físicos, beijos e carícias. O jovem, busca o contato íntimo ou a relação sexual. Por vezes, “ficar”, significa apenas estar junto, podendo acontecer ou não troca de carícias (VITIELLO, 1997). Apesar de se caracterizar como efêmero, volátil e imediatista, no processo de desenvolvimento da sexualidade, por meio desta prática o jovem vive a experiência de como lidar com o outro e com o próprio corpo. Atualmente, sabe-se que os jovens iniciam sua vida sexual cada vez mais cedo e esta iniciação é quase sempre realizada entre eles, raramente recorrendo-se a prostitutas. O “ficar”, como um aprendizado afetivo e sexual, assume um papel importante no momento em que, sobretudo, buscam a experiência corporal. É uma prática que a nada obriga e os jovens “ficantes” de uma noite, podem, até mesmo, nem mais se cumprimentarem a partir do dia seguinte (VITIELLO, 1997). Ao analisar o exercício da sexualidade em diferentes momentos da história, vê- se que no século XX, após a década de 60, houve uma reação no sentido de uma maior abertura, que no entanto, com a AIDS, foi contida e o sexo continuou a ser tabu, objeto de preconceitos e de desinformação ou até mesmo de informações distorcidas (BOCK, 1999). Nos dias de hoje, aos jovens já é permitido expressarem-se através da prática do 5 “ficar”, embora ainda vivam em um meio social que observa essa forma de comportamento por vezes, com reserva e preconceito. Apesar da preocupação dos adultos, o jovem, no seu cotidiano, continua a relacionar-se ocasionalmente, de forma passageira e sem envolvimentos profundos. Mesmo no século XXI ainda é possível citar a sexualidade como este paradoxo: algo tão próximo a cada um e ao mesmo tempo tão desconhecido. Porém, apesar dos jovens ainda estarem aparentemente desinformados sobre questões que envolvem a sexualidade, vive-se numa cultura onde o erotismo e a sensualidade são estimulados e utilizados como técnicas de incentivo ao consumo. Apesar da moral sexual repressiva que caracteriza a sexualidade em nossa sociedade, observa-se atualmente todo um empenho em transformar as relações sociais num produto onde os relacionamentos se caracterizem pela quantidade em detrimento da qualidade, vivendo-se uma ilusão de maior liberdade em relação ao sexo (CHAUÍ, 2007). A mídia vende uma imagem de como ser um jovem em dia com a moda, com os costumes de uma maneira geral e com a sexualidade. Veicula um discurso liberal, estimula o culto ao corpo. Assim, pode-se constatar que o corpo está sendo investido de poder e que a ênfase do discurso da sexualidade se prende ao corpo. Afirma Foucault (2007, p. 33), que “[...] entre o Estado e o indivíduo o sexo tornouse objeto de disputa, e disputa pública; toda uma teia de discursos, de saberes, de análise e de injunções o investiram”. O discurso contemporâneo com relação ao exercício da sexualidade, se faz acompanhar por uma supervalorização da atividade sexual aliado a uma superexposição do corpo. Fala-se muito sobre sexo na nossa sociedade. O jovem relaciona-se com essa cultura erotizada, que utiliza o corpo como bem de consumo, onde se valoriza o descartável, o fortuito, o passageiro. O “ficar”, nesta perspectiva, está intimamente relacionado aos valores culturais da atualidade e em perfeita sintonia com as expectativas sexuais dos jovens. No texto “A Ordem do Discurso”, Foucault refere-se à sexualidade, como o lugar das interdições por excelência. O discurso sobre sexualidade é um discurso interdito, onde desejo e poder encontram-se associados (FOUCAULT, 2008). Em meio ao discurso hegemônico da atualidade, qual o lugar do discurso da família e da escola, sobre sexualidade? 6 A família, a escola e a sexualidade do jovem A família passou por mudanças a fim de fazer frente às exigências desse novo tempo. Já não existe apenas um único modelo de família e a sua estrutura ou organização já não é a mesma. A entrada da mulher no mundo do trabalho, também contribuiu para mudanças no interior da família. Embora boa parte dos pais não disponha de muito tempo para os filhos, são eles os educadores naturais e os responsáveis pela transmissão dos valores. Porém, a maioria dos pais não se sente à vontade para conversar sobre sexo com os seus filhos, alguns, devido à educação recebida por seus pais, outros, por não saberem como abordar o tema. Em conseqüência, os filhos, na maioria das vezes, ficam sem respostas para as suas dúvidas e vão em busca de informações que lhes são prejudiciais porque procedem de fontes impróprias. A escola desde as mudanças tecnológicas ocorridas no século XIX, vem assumindo aos poucos, tarefas que anteriormente eram atribuídas à família, assim ocorre também em relação à sexualidade; a qual, no passado, era ignorada por ambas: família e escola. Cabe à família, a informação e o diálogo sobre sexualidade com os seus filhos, ou seja, a transmissão do conhecimento informal que é adquirido ao longo da vida sobre sexualidade e à escola, a educação sexual destes jovens. A sexualidade como lugar das interdições, portadora de um discurso onde desejo e poder se encontram associados, está presente em nosso dia a dia, e encontra-se na escola de forma explícita ou dissimulada. Seja através dos contatos, das brincadeiras, das relações interpessoais, do dito e do não dito (FOUCAULT, 2008). Falar sobre sexualidade na escola continua ainda a ser visto como algo de uma certa complexidade. É necessário não apenas recursos materiais, capacitar-se ou ampliar a compreensão sobre o tema, mas, que haja sensibilidade e abertura suficiente para abordá-lo de forma dialogada com os jovens. De acordo com Beraldo (2003), a escola é um local onde o jovem passa muito do seu tempo. É no ambiente escolar que ele vai interagir com o mundo ao seu redor. Depois do ambiente familiar, é a escola que complementa a educação dada pela família e que se responsabiliza pela formação afetiva e emocional dos seus alunos. Se a escola se compromete com a formação integral do aluno, significa que esta instituição de ensino não terá como objetivo apenas transmitir conteúdos relativos ao conhecimento, mas, que irá além em seu propósito de educar, procurando formar 7 indivíduos capazes de lidar adequadamente com o ambiente no qual se encontram inseridos. Se a escola se preocupa com a formação integral do aluno, então a educação sexual deveria ser considerada como parte integrante de sua missão. O “ficar” parece ser uma forma de comportamento peculiar à sociedade contemporânea, voltado para a satisfação imediata dos desejos, do descompromisso e emblematizado pelo jovem a significar o novo também, em termos de comportamento. Entretanto, se o jovem representa o novo, a escola representa o conservadorismo, o tradicional, e é vista como a portadora do discurso hegemônico; há quem afirme que a escola não conseguiu acompanhar as mudanças sociais e tornou-se austera e preocupada, apenas, com a transmissão do conhecimento. Costuma-se dizer, que o jovem ao adentrar a escola, distancia-se da realidade social, do mundo real. De acordo com Bock (1999, p. 264), “a clausura escolar é ilusória, pois a realidade social entra pela porta dos fundos, invade as salas de aula, podendo ser encontrada nos livros, nos valores ensinados e nas atividades desenvolvidas”. O ambiente escolar em si mesmo, exige do jovem uma postura e o reconhecimento do que se é permitido ou não em termos de sexualidade, gênero, classe, raça, etnia, reproduzindo as relações de poder do meio social. A escola, de acordo com Louro (2008, p. 57), “produz as diferenças, as distinções e as desigualdades desde o seu início”. Por esta ótica, atua no sentido de disciplinar os corpos e restringir a liberdade dos indivíduos para, finalmente, transformá-los em indivíduos dóceis. Observa-se que existem diferentes posições, as quais são ilustradas por meio dos diferentes discursos; alguns, conservadores, retratam a educação sexual como um tema a ser desenvolvido no cotidiano escolar sem levar em consideração problemas de ordem estrutural ou pedagógica, por exemplo. Outros, assumem as suas reservas, questionam, e entre estes, há os que são frontalmente contra a educação sexual na escola, pois, não desejam a continuidade de escolhas morais e religiosas próprias deste meio. Não estão de acordo sobre a abordagem das questões sexuais na escola, sendo favoráveis a que os assuntos que envolvam sexualidade, fiquem a cargo da família e pressionam no sentido do silenciamento; mesmo assim, as questões sexuais entram na escola, pois elas estão presentes nos gestos, nas conversas, nos relacionamentos, nas diversas atividades, enfim, até mesmo no silêncio (LOURO, 2008). Aqueles que não concordam que a educação sexual seja um propósito da escola e são favoráveis a que não se mencione questões que envolvam o tema no ambiente 8 escolar, vêem-se talvez, diante de silêncios, gestos, atitudes e de toda uma forma de comunicação que independe da palavra para assumir significados no que se refere ao sexo, no ambiente escolar. Diz Louro (passim p. 131) ainda: As questões referentes à sexualidade estão, queirase ou não, na escola. Elas fazem parte das conversas dos/as estudantes, elas estão nos grafites dos banheiros, nas piadas e brincadeiras, nas aproximações afetivas, nos namoros; e não apenas aí, elas estão também de fato nas salas de aula – assumidamente ou não – nas falas e atitudes das professoras, dos professores e dos estudantes. Com o propósito de refletir sobre escola e sexualidade foi realizada uma enquête em que constam questões referentes a dados pessoais: gênero, faixa etária, situação familiar e questões envolvendo a sexualidade dos jovens. Metodologia A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Campus Sousa, em maio de 2008, com alunos de ambos os sexos, na faixa etária entre 13 a 25 anos e regularmente matriculados no Ensino Médio concomitante aos Cursos Técnicos de Agropecuária e Agroindústria, das 1ª, 2ª e 3ª séries. De um universo de 363 alunos à época, tomou-se como amostra, 214; em termos percentuais, significa que se trabalhou com um contingente de 58,9 % dos alunos, o que representa uma amostra significativa; a margem de erro considerada foi 5% e o nível de confiança, 95% (RICHARDSON, 1999). Foram aplicados questionários com perguntas estruturadas acerca de dados pessoais do aluno, da profissão dos pais, e sobre questões referentes ao relacionamento afetivo entre os jovens do Instituto. 9 Resultados e Discussão 1. DADOS PESSOAIS DOS ALUNOS 13 0 12 0 11 0 10 0 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1.2. GÊNERO 18 0 16 0 Nº DE ALUNOS /% Nº DE ALUNOS / % 1.1. IDADE 14 0 12 0 10 0 8 0 MASC. FEM. RESP. SEX O NÃO 6 0 4 0 13 a 17 18 a 22 23 a 25 Não resp. FAIXA ETÁRIA 2 0 0 Nº RESPOSTAS / % 2. PAIS 2.1. SITUAÇÃO CONJUGAL 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 EST PAI MÃ VIV ÃO FAE EM SEP LEC FA JUN AIDO LETOS RA DO PAIS S 120 10 110 2.2. PROFISSÃO DO PAI 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 A G RI C UL T O R CA MI N H O- AU TÔ NO MO P E D R EI R O PROFISSÃO FU NC. PÚBLI CO Nº DE RESPOSTAS / % Nº DE RESPOSTAS / % 2.3. PROFISSÃO DA MÃE O U T R 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 D O M É ST I- AG RI CU LTO RA PR OFE SSO RA OP ERÁ RIA AU O TÔ U NO TR MA PROFISSÃO 11 3. SEXUALIDADE Nº DE RESPOSTAS / % 3.1. O "FICAR" ENTRE OS JOVENS 12 0 11 0 10 0 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 “FIC APE APE NU N AR” NAS NAS NC Ã E “FIC NA A O NA- AR” MO- NA R MO RAR M. ES RAR OU P O N COSTUMA "FICAR" OU NAMORAR Nº DE RESPOSTAS / % 3.3. NAMORO C/ORIGEM NO "FICAR" 12 0 11 0 10 0 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 SIM NÃO N Ã 3.2. O "FICAR" NAS BALADAS 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 APE NAS CO M UM( A) C/DO IS(DU AS) OU MAIS NÃO GOST A DE “FICA R” N Ã O RE S- FREQUÊNCIA O R E S O NAMORO A PARTIR DO "FICAR" 12 20 10 0 Nº DE RESPOSTAS / % 3.4. RELAÇÃO SEXUAL NO "FICAR" 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 SIM NÃO N Ã O RE SOCORRÊNCIA DE RELAÇÃO SEXUAL As Tabelas apresentadas no Apêndice contêm os resultados da pesquisa realizada e deram origem aos gráficos acima elaborados, os quais apresentam no eixo vertical os dados originais a que se referem e também a relação percentual entre as variáveis consideradas De acordo com os resultados obtidos, a clientela do IFPB Campus Sousa, é formada em grande parte por jovens cuja idade situa-se entre 13 a 17 anos que corresponde a 57%, conforme demonstra o gráfico 1.1. Os seus pais são pessoas de origem humilde, a maioria, agricultores, (55,6%, gráfico 2.2), portanto, representando o percentual dos alunos oriundos da zona rural. As mães, também humildes, cuidam do serviço doméstico ou labutam juntamente com o marido na agricultura (58,1%, gráfico 2.3). 77,6% dos casais coabitam, apenas 16,4% são separados, constituindo-se como famílias de hábitos conservadores (gráfico 2.1). Apesar de grande parte dos jovens pertencerem ao meio rural, o seu comportamento em relação à prática do “ficar” demonstra a disseminação desta prática 13 entre os jovens de uma maneira geral. Assim como aqueles das grandes cidades, eles buscam também através desta prática a experiência afetiva e corporal. Acredita-se que os Cursos oferecidos por esta instituição de ensino, corroboram no sentido de um maior demanda por parte dos rapazes que chegam a 78,5% da população pesquisada, enquanto que as moças, representam apenas 20,6% (gráfico 1.2). Assim, tem-se uma predominância do sexo masculino no ambiente escolar. Com relação à sexualidade, o fato de não viverem nas grandes cidades não contribuiu para que divergissem quanto à forma como vivenciam os seus relacionamentos afetivos. Gostam de “ficar” e também de namorar (53,7%), entretanto, em termos comparativos, prevalece o “ficar” (28,5%) ao namorar, pois apenas 14,5% destes jovens preferem o namoro como relacionamento afetivo (gráfico 3.1). Quanto à intensidade com que mudam de parceiros, os resultados (gráfico 3.2) demonstram que ao saírem para as baladas, preferem ficar apenas com um(a) do que com vários(as). Segundo eles, inicia-se com o “ficar” e a partir de então, esta experiência poderá na maioria das vezes se encaminhar para o namoro (55,6%). Então, o era apenas brevidade e descompromisso que poderá se transformar num relacionamento afetivo mais duradouro. Sobre a ocorrência de relação sexual durante um “fica”, não ocorre com a maioria. 58,9% relatam que não praticaram sexo nas ocasiões em que “ficaram” com alguém, porém, é algo que pode acontecer e não é tão raro, pois 37,9% destes jovens já viveram esta experiência (gráfico 3.4). Conclusão A sexualidade não poderia deixar de estar presente no meio escolar, manifestando-se das mais diversas formas, inclusive em meio ao silêncio, nas atitudes, no comportamento. O “ficar” não ocorre apenas como manifestação de comportamento dos jovens das grandes cidades. Com a globalização, não há como o jovem deixar de estar sintonizado com os seus pares, onde quer que viva; seja nos grandes centros urbanos ou na zona rural. Os jovens nas sociedades ocidentais fazem parte de um grupo social com características peculiares. A sua identidade adolescente é expressa por meio de valores, hábitos e posicionamentos que os diferenciem do mundo adulto: assim constituem a 14 cultura adolescente. A adolescência forjada culturalmente, leva-os em parte a esta forma de comportamento. O relacionamento afetivo entre os jovens é análogo à forma como se processam as relações sociais e os vínculos nos dias atuais. Contatos passageiros, superficiais, são a tônica do nosso tempo e refletem as mudanças ocorridas na sociedade no decorrer do século XX. Neste contexto, por meio do “ficar” enquanto relacionamento afetivo, o jovem expressa de forma paradigmática os relacionamentos exercidos de uma forma mais ampla e geral no meio social. A relação sexual que ocorre por vezes, durante o “ficar”, pode ser o indicativo, ou um alerta de que é necessário haver a educação sexual na escola. Entretanto, tal tarefa representa um grande desafio para quem trabalha em educação. Em princípio, convém questionar: Por quê? Para quê? Com que propósito? Mesmo diante dos riscos da AIDS, da DST, deve-se buscar os motivos que conduzem o educador nesta direção. Sabe-se que a educação sexual não pode ser dissociada da educação como um todo, que deve ser abordada enquanto processo e não como algo estanque, e o trabalho a ser realizado pelo/a educador/a sexual deve ser inovador, alguém comprometido com o políticosocial; mesmo assim, a escola enquanto instituição deve ser repensada. Pois, na área educacional, os discursos são apropriados, transmutados e trazem consigo os saberes e os poderes inerentes a eles. Para se trabalhar conteúdos ligados ao sexo e ao prazer é necessário que haja por parte da escola, o compromisso com o social. Conclui-se, afirmando que se reconhece a necessidade e a importância da educação sexual enquanto atividade educativa, de cunho eminentemente político a ser exercida no sentido do questionamento, da reivindicação, do desvendamento dos mitos e preconceitos sobre significativamente para sexualidade. Nesta perspectiva, poderá contribuir a educação de crianças e adolescentes, especialmente aos que estudam em escolas públicas. 15 Referências Bibliográficas BERALDO, F. N. M. Sexualidade e escola: Um espaço de intervenção.. Psicologia Escolar Educativa, Campinas, v. 7, junho de 2003. Disponível em: <http:/pepsic.bvspsi.org.br/scielo>. Acessado em:30 jun. 2008. BOCK, A. M. B., FURTADO, O., TEIXEIRA,M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed., São Paulo: Editora Saraiva, 1999. CESAR, M. R. de A. A invenção da “adolescência” no discurso psicopedagógico. Campinas, 1998. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas. CHAUÍ, M. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2007. COOL, C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. (orgs) Desenvolvimento psicológico e educação. Trad. Marcos A. G. Domingues. Porto Alegre: Artes Médicas, v. 1, 1995. FIGUEIRÓ, M. N. D. Educação sexual: retomando uma proposta, um desafio. 2. ed. Londrina: Ed. UEL, 2001. FOUCAULT, M. A ordem do discurso. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. 17. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2008. FOUCAULT, M. História da sexualidade I: A vontade de saber. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 18. ed. São Paulo: Edições Graal, 2007. GUIMARÃES, I. Educação sexual na escola: mito e realidade. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1995. LOURO, G. L. O corpo educado: Pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. Gênero, sexualidade e educação: estruturalista. 10. ed.. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. uma perspectiva pós- RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007. VITIELLO, N. Sexualidade: quem educa o educador. Um manual para jovens, pais e educadores.São Paulo: Iglu Editora Ltda.,1996. 16 APÊNDICES 1 – DADOS PESSOAIS DO ALUNO: 1.1. Idade( Faixa etária) Faixa etária (anos) 13 a 17 18 a 22 23 a 25 Não respondeu TOTAL Nº de alunos 122 78 10 04 214 % 57,0 36,4 4,7 1,9 100,0 1.2. Gênero Sexo Masculino Feminino Não respondeu TOTAL Nº de alunos 168 44 02 214 % 78,5 20,6 0,9 100,0 2 – PAIS: 2.1. Situação Conjugal: Pais Vivem juntos Estão separados Pai falecido Mãe falecida TOTAL Nº de respostas 166 35 09 04 214 % 77,6 16,4 4,2 1,8 100,0 17 2.2. Profissão do pai: Profissão Agricultor Caminhoneiro Autônomo Pedreiro Func. Público Desempregado Vigilante Comerciário Advogado Mecânico Cabeleireiro Não sabe Comerciante Agropecuarista Outras Nº de respostas 115 13 13 09 08 05 04 04 03 03 03 03 02 02 20 TOTAL 207 Obs: Não registrou-se a profissão dos pais já falecidos (07). % 55,6 6,3 6,3 4,3 3,9 2,4 1,9 1,9 1,5 1,5 1,5 1,5 0,9 0,9 9,7 100,0 2.3. Profissão da mãe: Profissão Doméstica Agricultora Professora Operária Autônoma Comerciante Aux. Serv. Gerais Func. Pública Cozinheira Contadora Aux. de ensino Enfermeira Secretária escolar Outras Nº de respostas 66 56 28 18 08 05 05 04 04 02 02 02 02 08 TOTAL 210 Obs: Não registrou-se a profissão das mães já falecidas (04). % 31,4 26,7 13,3 8,6 3,8 2,4 2,4 1,9 1,9 0,9 0,9 0,9 0,9 3,8 100,0 18 3 – SEXUALIDADE: 3.1. O relacionamento entre os jovens: Costuma“ficar”ou namorar “Ficar” e namorar Apenas “ficar” Apenas namorar Nuncanamorou,somente”fica” Somente namora Nunca namorou ou ficou Não respondeu TOTAL Nº de respostas 115 38 29 23 02 02 05 214 % 53,7 17,8 13,6 10,7 0,9 0,9 2,3 100,0 3.2. Frequência do “fica” nas baladas: Frequência Apenas com um (a) Com dois (duas) ou mais Não gosto de “ficar” Não respondeu TOTAL Nº de Respostas 100 84 10 20 % 46,7 39,3 4,7 9,3 214 100,0 Nº de respostas 119 86 9 % 55,6 40,2 4,2 214 100,0 Nº de respostas 81 126 07 % 37,8 58,9 3,3 3.3. O “ficar” originando namoro: O namoro a partir do “ficar” Sim Não Não respondeu TOTAL 3.4. Relação sexual durante um “fica”: Ocorrência de relação sexual Sim Não Não respondeu TOTAL 214 100,0 19 QUESTIONÁRIO 1. DADOS PESSOAIS: Data de Nasc.: Idade: Local onde reside: Sítio ( Escolaridade: / / Sexo: ( ) M ( ) Cidade ( ) Onde estuda: )F 2. SOBRE OS PAIS: Qual a profissão do seu pai? Qual a profissão da sua mãe? 3. SOBRE RELACIONAMENTOS: Falando um pouco sobre relacionamento entre jovens, você costuma “ficar”? a) Sim ( ) b) Não ( ) 3.1. Entre “ficar” e namorar, o que prefere? a) Apenas “ficar” ( ) b) Apenas namorar ( c) Nenhum dos dois ( ) ) 3.2. Quando vai a baladas,costuma “ficar” apenas com um(a) ou com mais de um(a)? a) apenas com um(a) ( ) b) Com dois/ duas ou mais ( ) c) Não gosto de “ficar” ( ) 3.3. Já aconteceu de namorar alguém depois de ter “ficado” com ele/ ela? a) Sim ( ) b) Não ( ) Já ocorreu relação sexual durante um “fica”? a) Sim ( ) b) Não ( ) São Gonçalo, maio de 2008.