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Cómo citar este documento
Neta, Filomena Gonçalves; Martins, Álissan Karine Lima. Fatores relacionados
ao não comparecimento das pessoas com hipertensão a Unidade Básica de
Saúde. Biblioteca Lascasas, 2010; 6(2). Disponible en http://www.indexf.com/lascasas/documentos/lc0540.php
FATORES RELACIONADOS AO NÃO COMPARECIMENTO DAS PESSOAS
COM HIPERTENSÃO À UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE
Filomena Gonçalves Neta*; Álissan Karine Lima Martins**
*Enfermeira do Programa Saúde da Família do Município de Tauá – CE. Especialista
no Programa Saúde da Família pela Universidade Regional do Cariri (URCA). E-mail:
[email protected]
** Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará
(UFC). Mestre em Enfermagem pela UFC. Especialista em Saúde da Família. Membro
do Grupo de Pesquisa de Políticas e Práticas de Saúde (GRUPPS) - UFC. E-mail:
[email protected]
Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Saúde da Família da
Universidade Regional do Cariri (URCA).
Resumo
O estudo objetiva conhecer os fatores relacionados ao não comparecimento de
pacientes hipertensos às consultas médicas e de enfermagem na Unidade Básica de
Saúde. Pesquisa de abordagem quantitativa do tipo descritiva, realizada na unidade
de saúde do distrito Santa Teresa, no Município de Tauá - CE, no período de outubro
a dezembro de 2009, com 46 idosos usuários deste serviço cadastrados no Programa
de Controle de Hipertensão. Os dados colocam que a maioria da clientela é usuária do
SUS, do sexo feminino, aposentada, vivendo com seu cônjuge, em residência própria
e possui nível de escolaridade baixo. Apesar de conviverem a muito tempo com a
hipertensão arterial sistêmica, apresentam irregularidade no acompanhamento na
UBS, em média seis meses. Quase um terço procura o serviço somente quando estão
doentes, outros o fazem quando a pressão arterial está elevada ou na falta de
medicamentos. Justificam relatando a existência de outras patologias, o que nos faz
ponderar sobre as ações da equipe multidisciplinar que compõe o serviço. Os
resultados ainda apontam um alto nível de satisfação dos usuários com o atendimento
que recebem na unidade básica de saúde. Ainda assim é necessário investir na
melhoria do acolhimento na perspectiva de aprimorar a assistência proporcionada
pelos profissionais, através de oficinas e da implementação do HIPERDIA numa
prática dinâmica, onde a prevenção das doenças e dos conflitos tornem-se realidade,
refletindo no bem-estar dos pacientes.
Descritores: Hipertensão; acesso aos serviços de saúde; atenção primária à saúde.
Abstract (Factors related to non appearance of hypertensive patients at Primary
Health Unit)
The study aims to know the factors related to non appearance of hypertensive patients
to the medical and nursing appointments at the Primary Health Unit. Research of
quantitative approach of descriptive type, carried out in the health unit of the district
Santa Teresa, in the Municipal district of Tauá-CE-Brazil, from October to December
2009, with 46 senior users of this service registered in the program of hypertension
control. Data show that most clients are users of SUS, female, retired, living with
partner, in their own residence and have low educational level. In spite of living for a
long time with systemic arterial hypertension, they present irregularity in the follow-up
at the Primary Health Unit, an average of six months. Almost a third of them only seeks
the service when they are sick, others when blood pressure is high or in the lack of
drugs. They justify it telling the existence of other diseases, which make us consider
the actions of the multidisciplinary team that composes the service. The results still
show a high level of users' satisfaction with the assistance that they receive in the
primary health unit. Nevertheless it is necessary to invest in the improvement of the
reception in order of perfecting the assistance provided by the professionals, through
workshops and implementation of HIPERDIA in a dynamic practice, where prevention
of diseases and conflicts become reality, reflecting in the patients’ well-being.
Keywords: Hypertension; Health Services Accessibility; Primary Health Care.
Resumen (Factores relacionados a la no asistencia de las personas con
hipertensión a la Unidad Básica de Salud)
Este estudio pretende conocer los factores relacionados a la no asistencia de los
pacientes hipertensos a las consultas médicas y de enfermería en la Unidad Básica de
Salud. Investigación de abordaje cuantitativa de tipo descriptivo, llevada a cabo en la
unidad de salud del distrito de Santa Teresa en la ciudad de Tauá – CE-Brasil, de
octubre a diciembre de 2009, con 46 ancianos usuarios de los servicios del programa
de control de hipertensión. Los datos señalan que la mayoría de los clientes están
utilizando el SUS, mujeres, jubilados, viviendo con su cónyuge en sus propios hogares
y con bajos niveles de educación. A pesar de padecer desde hace tiempo hipertensión
arterial sistémica, presentan irregularidad en acompañamiento en la UBS, en media
seis meses. Casi un tercio busca el servicio sólo cuando están enfermos, otros lo
hacen cuando la presión arterial es alta o en la falta de medicamentos. Justifican a
través de relatos sobre la existencia de otras enfermedades, lo que nos hace
reflexionar sobre las acciones del equipo multidisciplinario que compone el servicio.
Los resultados también indican un alto nivel de satisfacción de los usuarios con la
atención que reciben en la Unidad Básica de Salud. Todavía es necesario invertir en
la mejora de la atención ofrecida por los profesionales a través de talleres y de la
implementación de un HIPERDIA en una práctica dinámica, donde la prevención de
enfermedades y los conflictos se hacen realidad, lo que refleja en el bienestar de los
pacientes.
Descriptores: Hipertensión; Accesibilidad a los Servicios de Salud; Atención Primaria
de Salud.
1. INTRODUÇÃO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um grave problema de Saúde Pública
no Brasil. Documentos do Ministério da Saúde a define como pressão arterial sistólica
maior ou igual a 140 mmHg e pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg,
que deverão ser realizadas no mínimo duas medidas em indivíduos que não estão
fazendo uso de medicamentos anti-hipertensivos.1
É uma doença crônico-degenerativa que acomete consideravelmente pessoas
em idade adulta e idosos. Caracteriza-se por ser geralmente assintomática, de difícil
controle, precursora de lesões em órgãos-alvo, com morbimortalidade elevada, além
de causar elevados custos socioeconômicos, podendo estar associada a outras
doenças como diabetes mellitus e dislipidemias.
Dados das V Diretrizes Brasileiras de HAS referem taxas de prevalência na
população urbana adulta variando de 22,3% a 43,9% em estudos realizados em várias
cidades brasileiras.2 Brasil ressalta que, na faixa etária dos idosos, são acometidas de
50% a 70% das pessoas.3
As altas taxas de prevalência aliadas ao manejo inadequado da hipertensão
arterial têm levado cada vez mais a enfermidades como acidentes vasculares
cerebrais (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca (IC),
insuficiência renal crônica (IRC), entre outras afecções. Considerando o número de
pessoas acometidas e as diversas complicações que incidem, o cuidar ao paciente
hipertenso vem tornando-se oneroso ao sistema de saúde, além de interferir na
qualidade de vida das pessoas e na de seus familiares. A importância em acompanhar
os pacientes hipertensos reside não somente na extensão dos danos físicos causados
às pessoas acometidas, mas também no impacto social e psicológico que provocam.4
Por ser um problema de grande magnitude e acometer indivíduos em várias
faixas etárias, a HAS torna-se tema de grandes estudos e, constantemente, está
presente na formulação de políticas públicas de saúde. Tais políticas beneficiam os
usuários no momento em que se pratica o acolhimento de forma humanizada na
Unidade Básica de Saúde (UBS), quando o homem adulto é visto como usuário do
serviço e também quando oportunizam o acesso da pessoa idosa ao sistema, seja
através de visitas domiciliares, campanhas de vacina ou ações educativas.
O Programa Saúde da Família (PSF), implementado em 1994, é uma
estratégia efetiva de consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). A filosofia de
implantação do programa considera que todos os cidadãos devam ter acesso aos
serviços de saúde, garantindo o princípio da universalização. O propósito é a
reorientação do modelo assistencial em saúde no nível da Atenção Básica.
Brasil enfatiza que o PSF tem como objetivo substituir ou converter o modelo
tradicional de assistência à saúde, historicamente caracterizado com o atendimento de
demanda espontânea, eminentemente curativo, hospitalocêntrico, de alto custo, sem
instituir redes hierarquizadas por complexidade, com baixa resolutividade e, no qual, a
equipe de saúde não estabelece vínculos de cooperação e corresponsabilidade com a
comunidade.5
Para alcançar tal transformação se faz necessário ofertar ações de saúde de
forma eficaz e eficiente, mas também de forma mais humana; ou seja, é necessário
mudar o processo de trabalho em saúde.6 Esta conjuntura favorece ao indivíduo para
a busca pelo serviço saúde, como também aos profissionais no momento em que
ofertam serviços de excelência e qualidade.
Sabedora de que o PSF está próximo da residência do usuário, ofertando uma
equipe multiprofissional para acompanhá-lo, que os medicamentos são distribuídos
gratuitamente, e mesmo assim há pouco vínculo entre a unidade de saúde e a
clientela, surgiram as seguintes indagações: Quais os fatores relacionados ao não
comparecimento das pessoas com hipertensão a UBS para avaliação do seu estado
de saúde? Quais as características de acesso destes clientes ao serviço de saúde?
Como está o acolhimento dos profissionais de saúde na UBS? No
intuito
de
estabelecer uma rotina na UBS e viabilizar uma avaliação dos pacientes com este
diagnóstico, considerando o número de pacientes hipertensos da área e os riscos a
que estas pessoas estão expostas, é preponderante conhecer os fatores relacionados
ao não comparecimento de pacientes hipertensos às consultas médicas e de
enfermagem na Unidade Básica de Saúde, bem como, traçar o perfil dos pacientes
hipertensos que não comparecem a UBS; listar os fatores que levam o paciente a não
comparecer a consulta periodicamente; verificar se o acesso é fator que impede o
comparecimento dos pacientes com hipertensão à UBS; através de um estudo.
Oportunamente, se evidenciarão elementos que sirvam como base para a
implementação de estratégias ao controle da hipertensão arterial sistêmica dentro do
PSF e que conduzam os profissionais na busca ativa dos pacientes com este
diagnóstico além de contribuir significativamente para a qualidade de vida, auto-estima
das pessoas, aumentando suas expectativas de vida.
2. METODOLOGIA
Estudo de abordagem quantitativa, do tipo descritiva desenvolvido na equipe
do PSF – Santa Teresa, distrito do Município de Tauá – CE, distante 42 quilômetros da
sede, com população aproximada de 6.000 habitantes, dividindo-se em zona rural e
urbana. Haber e LoBiondo-Wood enfatizam que “[...] abordagens quantitativas são
fundamentadas por crenças de que os seres humanos são um complexo de muitos
sistemas corporais que podem ser medidos objetivamente, um de cada vez ou
combinados”.7
A coleta de dados se deu por meio de formulário com perguntas fechadas
contendo questões relacionadas ao comparecimento dos indivíduos na UBS para
avaliação periódica da hipertensão arterial sistêmica, aplicado no período de outubro e
novembro de 2009, incluindo 46 usuários selecionados a partir dos critérios de
inclusão: residirem na zona urbana da área de abrangência da ESF, terem período de
diagnóstico de HAS no mínimo de seis meses e não fazerem acompanhamento
regular na UBS para casos controlados e não controlados de HAS.
Foram obedecidos os princípios da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de
Saúde, que normatiza as regras para estudos envolvendo seres humanos. Assim, foi
enviado projeto ao Comitê de Ética da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte.
Consoante a isto, foi solicitado ao Gestor Municipal de Saúde do Município, através de
ofício, autorização para realizar o estudo no local estabelecido. Os formulários foram
preenchidos após esclarecimento detalhado do estudo e assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes do estudo.
3. RESULTADOS E DISCUSSAO
Previamente foram definidas três categorias: perfil socioeconômico, relação
entre paciente e serviço de saúde e acessibilidade do usuário hipertenso ao serviço.
PERFIL SOCIOECONÔMICO
Entre os participantes a idade esteve no intervalo entre quarenta e cinco e
noventa anos, sendo que 78% (36) estão acima de sessenta anos de idade e 22%
(10), estão entre quarenta e sessenta anos (Tabela 1). Os entrevistados comprovam a
longevidade da população brasileira como também uma incidência maior da
Hipertensão Arterial Sistêmica na população idosa. Brasil (2009), já manifesta
preocupação com este grupo de pessoas, enfatizando que devem receber uma
atenção especial, pois a HAS é o agravo mais frequente em idosos.8
Tabela 1 – Distribuição da idade dos pacientes com diagnóstico de hipertensão,
participantes do estudo, ESF – Santa Teresa. Tauá, 2009.
Idade
N
40-45
1
46-50
4
51-55
3
56-60
2
61-65
6
5
66-70
71-75
6
76-80
5
81-85
5
86-90
5
90 +
4
Total
46
Fonte: Pesquisa de campo, 2009
n = número absoluto
P = porcentagem
P
2%
9%
6%
4%
13%
11%
13%
11%
11%
11%
9%
100%
Quanto ao sexo, 83% (36) são do sexo feminino e 17% (8) do sexo masculino.
Estudos anteriores relatam que as mulheres procuram mais o serviço de saúde,
portanto tem diagnóstico definido mais precocemente. Estima-se que o maior número
de mulheres atendidas nos Programas de Hipertensão Arterial deva-se às
características da mulher como cuidadora e mais atenta aos aspectos de sua saúde.9
Vale ressaltar que mais recentemente, no ano de 2008, foi lançada a Política Nacional
de Atenção Integral à Saúde do Homem, o que vem a contribuir imensamente para a
saúde masculina no campo da Atenção Básica e incremento nos cuidados para
qualidade de vida desse público.
No grupo pesquisado, com prevalência de idosos, 48% (22) convivem com o
seu cônjuge e 43% (20) têm o seu estado civil de viuvez. Com os últimos, 37% (17)
moram com os filhos e 11% (5) estão sozinhos. Configura uma preocupação maior
com estes idosos, pois sua capacidade de autocuidado está comprometida, vindo a
depender dos outros para as necessidades humanas básicas como: alimentação,
higiene, necessidades fisiológicas, deambular, entre outras.
Mais de um terço, 78% (36) são aposentados sendo que, 74% (34) vivem com
um salário mínimo e 70% (32) em famílias com dois ou três indivíduos. Contrapondose, 93% (43) moram em residência própria, sendo este dado favorável à conjuntura
econômica das famílias.
O nível de escolaridade dos sujeitos é considerado baixo, pois 28% (13) são
analfabetos, apenas 2% (1) concluiu o Ensino Fundamental e 63% (29) foram
alfabetizados, entendendo-se por isto, ler e escrever o seu próprio nome. Podemos
associar aos dados o não interesse das pessoas em adquirir hábitos saudáveis de
vida, pois, torna-se difícil apreender os benefícios que a dieta e a atividade física, por
exemplo, trazem ao organismo, quando se tem uma compreensão deficitária acerca
do tratamento da hipertensão.
Reitera-se aqui a necessidade de tornar eficaz a educação em saúde,
objetivando a prevenção, como proposta norteadora da atenção básica. As
informações, conceitos e princípios devem transpor o saber teórico e se efetivar em
ações, estilo de vida diferente, terapêutica inovadora que possa alcançar a todos os
públicos, considerando as diferenças sociais, econômicas e culturais dentro da
Estratégia Saúde da Família.
No estudo, observou-se que 50% (23) têm diagnostico de HAS num intervalo
de tempo entre dois e sete anos, ou seja, convivem com a doença há algum tempo,
confirmando sua característica de doença crônica, com transcurso prolongado; e os
outros 50% (23) convivem com a HAS há mais de uma década. Assim sendo, tem-se a
elevação do custo econômico para políticas públicas de saúde e gestores dos
serviços. Com gastos exorbitantes na compra e distribuição de medicamentos, faltam
recursos para atuar na prevenção.10
RELAÇÃO PACIENTE X SERVIÇO DE SAÚDE
Dos entrevistados, apenas 7% (3) se utilizam de serviços particulares e 93%
(43) são usuários do Sistema Único de Saúde. Pondera-se que o serviço a que os
pacientes se referem é a Estratégia Saúde da Família, implantada há treze anos neste
distrito. A implantação da atenção básica é primordial, pois supre as necessidades da
comunidade de acordo com os princípios de integralidade, acessibilidade e equidade
ora propostos pelo sistema de saúde vigente.11
Entre os sujeitos, todos reconhecem a necessidade de acompanhamento
regular na UBS e têm informações acerca dos benefícios que a avaliação traz ao
paciente hipertenso. Entretanto, 70% (32) procuram o serviço somente quando estão
muito doentes, 15% (7) quando a pressão arterial está elevada e 15% (7) quando os
medicamentos faltam. Considera-se ainda que 100% (46) desconhecem os dias
disponíveis ao atendimento dos pacientes hipertensos no cronograma da Estratégia
Saúde da Família. Os pacientes relatam que ‘no dia que precisam são atendidos’, daí
98% (45) estarem satisfeitos com o atendimento que recebem na UBS.
Apesar da demonstração do nível de satisfação, 28% (13) procuraram o serviço
há mais de seis meses, e 26% (12) há mais de um ano (Tabela 2). Portadores de
HAS devem ser acompanhados regularmente na UBS para aferição da pressão
arterial, realização de exames laboratoriais na perspectiva de melhor avaliação clinica,
mensuração de medidas antropométricas e recebimento da medicação.
Tabela 2 – Distribuição das datas do último atendimento na UBS dos participantes do
estudo, ESF – Santa Teresa. Tauá, 2009.
Tempo
N
2 meses
2
5 meses
5
6 meses
13
7 meses
3
8 meses
3
9 meses
5
10 meses
3
12 meses
12
Total
46
Fonte: Pesquisa de campo, 2010.
n = número absoluto
P = porcentagem
P
4%
11%
28%
6,5%
6,5%
11%
6,5%
26%
100%
Somando-se a estes dados, os medicamentos são recebidos na farmácia por
familiares 67% (31) e apenas 6% (3) pelo próprio paciente. Autores citam como
consequências da adesão ao tratamento anti-hipertensivo a pressão arterial
controlada, redução na incidência ou o retardamento na ocorrência de complicações, e
a melhoria da qualidade de vida do hipertenso.13
O monitoramento da pressão arterial constitui um incentivo para o paciente
comparecer à UBS, daí ser um dos atendimentos mais procurados na ESF e ser o
técnico de Enfermagem segundo 57% (27) dos relatos. a primeira pessoa que o
recebe na unidade, tornando-se variável de relevância no estudo. Instiga-se a
instituição, a ESF, a investir no processo de qualificação do profissional de nível médio
como uma das ferramentas para o aprimoramento e humanização da assistência em
saúde.14
Atendimentos como consulta médica e recebimento de medicação, associados
ao suprimento de medicamentos na farmácia, perfazem um valor de 91% (42),
portanto estão densamente correlacionados. Um estudo sobre acesso a
medicamentos de uso contínuo, em adulto e idoso, nas regiões Sul e Nordeste do
Brasil, já indicava elevada prevalência de acesso aos mesmos para tratar doenças
crónicas.15 Desse modo, a equipe multidisciplinar que integra a ESF deve abordar o
paciente hipertenso em sua totalidade, investigando comorbidades para doenças
cardiovasculares, seja na saúde bucal, na detecção precoce do câncer de mama ou
na prevenção de deformidades causadas pela artrose.
Constatou-se que 100% (46) dos participantes não compreendem a prescrição
médica. Observa-se, na dinâmica de funcionamento da UBS, que o profissional
médico vai até a farmácia, localiza o medicamento e reforça oralmente a prescrição;
subentende-se que os pacientes assim o compreendem melhor. Identifica-se a
necessidade dos pacientes em entender melhor a prescrição dos medicamentos,
portanto, torna-se preponderante nos momentos de educação em saúde enfatizar
orientações quanto ao uso dos medicamentos, a dosagem, os horários, a forma de
acondicionar, entre outros. A proposta da ESF requer uma ampla transformação no
sistema de atenção à saúde, o que implica na dicotomia entre as ações de saúde
coletiva e de atenção médica individual.11 Obstante a isso, os profissionais da saúde
devem planejar o cuidado de maneira integralizada na atenção básica, tornando-se
próximos dos problemas e dos indivíduos, numa proposta de trabalho através de uma
equipe ampliada, incluindo nesta farmacêuticos, nutricionistas, dentre outros.
ACESSIBILIDADE DO USUÁRIO AO SERVIÇO
Quando abordados sobre o modo de chegada até a UBS, 28% (13) chegam a
pé, 24% (11) em transporte da família, 17% (8) em transporte próprio, 9% (4)
transporte alugado, 7% (3) no carro da ESF e 15% (7) não vão ao serviço de saúde.
Pontuam enfaticamente que não comparecem (50%) à UBS por motivo de doença
(Tabela 3). Os usuários têm associado à HAS patologias como AVC, deficiência visual,
fratura de fêmur, depressão, dispnéia aos esforços, artrose, fraqueza muscular e
amputação de membro. Para os idosos, o entendimento sobre a doença está
relacionado a deixar de andar e trabalhar. Esse fato talvez restrinja a disponibilidade
dos pacientes em seguir o tratamento para hipertensão, pois esta doença não
demonstra sinais visíveis, agindo silenciosamente no comprometimento de órgãos
vitais, portanto, não é vista pela população como incapacitante para o trabalho e as
atividades de vida diaria.13 Torna-se evidente a correlação entre a hipertensão e as
outras doenças, como agravantes ao não comparecimento dos pacientes ao serviço
de saúde.
Tabela 3 – Distribuição dos fatores que interferem no comparecimento mensal dos
participantes do estudo, ESF – Santa. Teresa, Tauá, 2009.
Fatores
Trábalo
Doenças
Morar sozinho
Acamado
Recebo medicamentos em casa
Não sinto nada
Faço acompanhamento em outro serviço
Outro motivo
Total
Fonte: Pesquisa de campo, 2010.
n = número absoluto
P = porcentagem
N
9
23
1
1
1
8
1
2
46
P
19,5%
50%
2,17%
2,17%
2,17%
17,3%
2,17%
4,34%
100%
Considerando a faixa etária dos sujeitos ser acima de sessenta anos e 46%
(21) registrarem ser a distância um fator que dificulta o acesso até a UBS, o
acompanhamento e avaliação destes pacientes devem ser repensados na forma de
visita domiciliar, a qual objetiva avaliar as necessidades do paciente, sua composição
familiar, constando de um plano assistencial e orientações, dependendo da
disponibilidade do serviço de saúde, portanto, imprescindible.11
Entre os participantes 91% (42) referem ser incentivados a comparecer ao serviço de
saúde e o principal estímulo vem dos Agentes Comunitários de Saúde 59% (27),
durante visita realizada mensalmente nos domicílios.
4. CONSIDERACOES FINAIS
A ESF, por estar inserida no contexto da comunidade, é um serviço de saúde
expressivo, mas que se torna preponderante por parte dos profissionais a realização
de um trabalho de cunho preventivo, realizado em equipe, chegando até os
incapacitados de ir à Unidade Básica de Saúde. Oportunamente é difícil conciliar
atendimento à demanda espontânea no serviço e realizar assistência domiciliar, daí
uma necessidade de reorganização do serviço.
No estudo, os usuários abordados foram em sua maioria idosos, do sexo
feminino, que vivem com seu cônjuge, aposentados, que têm nível de escolaridade
baixo. Apesar de conviverem a muito tempo com a HAS, apresentam frequência
semestral para acompanhamento na UBS. É apontada a existência de outras
patologias como impeditivos, o que nos faz ponderar sobre as ações da equipe
multidisciplinar que compõe o serviço. Observou-se que a metade do grupo
pesquisado tem diagnóstico de HAS num intervalo de tempo entre dois e sete anos e
os outros convivem com a HAS há mais de uma década. Entretanto, quase um terço
procura o serviço somente quando estão muito doentes, outros quando a pressão
arterial está elevada ou quando os medicamentos faltam. Os participantes mencionam
ser incentivados a comparecer ao serviço de saúde e o principal estímulo vem dos
Agentes Comunitários de Saúde, durante visita realizada mensalmente nos domicílios.
A grande maioria dos entrevistados são usuários do SUS, referindo-se ao
Programa Saúde da Família, implantado há treze anos neste distrito, demonstrando
alto nível de satisfação com o atendimento que recebem na Unidade Básica de Saúde.
Atividades como acolhimento, oficinas com enfoque na educação em saúde
abordando os fatores de risco para as doenças cardiovasculares e a implementação
da rotina do HIPERDIA, devem ser aliadas ao nível de satisfação do usuário em
relação ao serviço de saúde, objetivando uma ampliação da assistência prestada
pelos profissionais de Enfermagem.
Reorganizar o serviço e a assistência aos pacientes hipertensos requer esforço
dos profissionais que compõem o PSF e implica assumir responsabilidades,
preservando a autonomia dos indivíduos em usufruir de um serviço ao qual ele tem
direito. As várias formas em lidar com a saúde dos outros não pode ser uma
imposição, mas uma escolha que reflita no seu bem estar de vida.
Concomitante a todas estas ressalvas é necessário a cogitação de uma prática
mais dinâmica, onde a prevenção das doenças e dos conflitos torne-se realidade, sob
uma ótica que integre o ser humano aos vários contextos da comunidade na proposta
da atenção primária.
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