BOLETIM
CEIDE ACTUAL
Volume 1, Edição 2
Março de 2008
Centro de Estudos, Investigação e Desenvolvimento em Enfermagem
Escola Superior de Enfermagem
S. Francisco das Misericórdias
Editorial
Onde a Investigação acontece
A procura sistemática do
contexto
internamento
deste ano lectivo, a desen-
conhecimento científico na
pediátrico” e o Prof. Manuel
volver uma nova linha de
nossa prática diária, faz parte
Luís Capelas: “Dor total nos
investigação
integrante do nosso modo de
doentes com metastização
com o estudo dos estilos de
estar na enfermagem e na
óssea”. Os resultados obti-
aprendizagem dos estudan-
Escola.
dos merecem ser pensados,
tes e com as questões da
reflectidos e levantam ques-
inteligência
tões com vista a futuros
sentido da melhoria da quali-
aprofundamentos.
dade das práticas pedagógi-
Neste momento, já não faz
Nesta edição:
sentido afirmar-se a necessiEditorial
1
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
2
Elsa Gonçalves
Princípios orientadores e
objectivos do CEIDE
Dor Total nos Doentes com
Metastização Óssea
8
9
12
Nursing Research - A tool for
action - Poster ICN
14
emocional,
no
cas.
A investigação biológica, até
buto que ela traz, interessa
há bem pouco tempo, com
Com o espírito com que ini-
sim analisar e reflectir sobre
pouca
na
ciámos a publicação deste
os resultados concretos que
área de enfermagem, tem-se
Boletim, mantemos um canal
obtemos nos nossos estudos
vindo a revelar como um
aberto ao diálogo e partilha
e suas implicações para a
contributo enriquecedor para
de experiências no âmbito
profissão
as nossas práticas, pelo que
das problemáticas a investi-
deixamos aqui um aponta-
gar.
e
disciplina
de
Por isso, neste novo número
do Boletim do CEIDE vamos
Fernanda Serrano
relacionada
científica, ou realçar o contri-
enfermagem.
Manuel Luís Capelas
Investigação Biológica
dade de fazer investigação
de
dar espaço para divulgação
de resultados de trabalhos
expressividade
mento, pela mão da Prof.
Fernanda Serrano, sobre as
características deste tipo de
investigação .
científicos levados a cabo
O grupo que integra o Centro
por docentes da Escola. A
de Estudos Investigação e
Prof. Elsa Gonçalves estu-
Desenvolvimento em Enfer-
dou o fenómeno: “Brincar em
magem, está desde o início
Teresa Faia
Prof. Coordenadora da ESESFM
2
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico1
Elsa Restier Gonçalves2
1
Dissertação elaborada e defendida (2007) no âmbito do Mestrado em Desenvolvimento da Criança – Variante de Desenvolvimento Motor, Faculdade Motricidade Humana –
Universidade Técnica de Lisboa,
2
Professora Adjunta da Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica
RESUMO
Jogar e brincar é um dos mais poderosos veículos para a criança poder desenvolver ou experimentar novas competências. Brincar ajuda a criança a
desenvolver uma atitude positiva. A doença e internamento hospitalar constituem disfunção na criança e família. A natureza crítica da situação, e a incerteza, provocam stress. Para as crianças doentes, brincar é um mecanismo de coping positivo. Brincar no hospital, promove o bem-estar emocional e físico,
diminuiu o impacte negativo do internamento, prepara para procedimentos dolorosos e alivia a dor.
Finalidade: Contribuir para a compreensão da problemática do jogo e brincadeira, na perspectiva dos enfermeiros em contexto de internamento pediátrico.
Objectivos: Descrever como os enfermeiros valorizam o brincar, como forma de promoção do desenvolvimento global da criança e de estratégia de alívio
do impacte negativo do internamento pediátrico; identificar as perspectivas dos enfermeiros face ao brincar, em duas instituições hospitalares; identificar as
perspectivas dos enfermeiros face ao brincar, nas áreas de pediatria médica e cirurgia pediátrica; demonstrar se o tempo de exercício na área de cuidados
de enfermagem pediátricos está associado às perspectivas dos enfermeiros, e identificar constrangimentos à utilização do jogo/brincadeira.
Desenho do estudo: Estudo transversal de carácter exploratório e descritivo, com recurso a técnicas de análise quantitativa e análise de conteúdo.
Contexto e participantes: Amostra, de conveniência, constituída por 112 enfermeiros, de dois hospitais da região de Lisboa. Recolha de dados com
recurso a questionário de auto-preenchimento, construído para o efeito.
Análise dos dados: Estatística descritiva, verificação da consistência interna do instrumento e análise de conteúdo.
Resultados: Os sujeitos reconhecem a importância do jogo e brincadeira, para o desenvolvimento da criança, enquanto estratégia de diminuição do
impacte negativo do internamento; mecanismo de coping positivo; estratégia de preparação para procedimentos dolorosos e alivio da dor. Não há diferenças significativas nos valores médios totais e das dimensões, entre as instituições hospitalares e áreas de cuidados. Não há correlação entre o tempo de
exercício na área de prestação e a perspectiva dos enfermeiros face ao brincar. Identificados constrangimentos de índole funcional, estrutural e relacionados com a especificidade do jogo e brincadeira, como a motivação e habilidade.
Implicações: O desenvolvimento de investigação com base na reflexão-acção, sobre as práticas de enfermagem na preparação da criança e família, para
PROBLEMÁTICA
Jogar e brincar é um dos mais poderosos veículos para a criança
poder desenvolver ou experimentar novas competências. Brincar
ajuda a criança a desenvolver os conhecimentos de que necessita, para enfrentar os desafios com que se vai deparando durante
o seu crescimento e desenvolvimento. (Payne e Issacs 1995;
Gabbard, 1996; Johnson, Christie e Yawkey, 1999; Neto, 1997 e
2001)
Segundo Cole e Cole (2001), a criança enquanto brinca resolve
situações do foro social, emocional e intelectual, encontrando
para os seus problemas novas soluções e ideias. Brincar ajuda a
Brincar é uma actividade, indubitavelmente associada à infância e fundamental no processo de socialização, sendo esta
influência de duplo sentido, pois o ambiente social influencia
de forma encorajadora e desencorajadora, a forma de brincar,
através do que a criança observa nos adultos de referência e
nos seus pares. Brincando a criança desenvolve competências sociais, tais como receber, partilhar, cooperar e perceber
os
pensamentos, percepções
e emoções, dos
outros.
(Johnson, Christie e Yawkey, 1999)
Segundo McArdle (2001) brincar é fulcral para o normal
desenvolvimento da personalidade, sendo um importante
instrumento de regulação das emoções. Brincar torna-se uma
criança a desenvolver uma atitude positiva perante as aprendiza-
importante forma de a criança, encenando situações já vividas
gens, na medida em que experimenta uma sensação de poder e
ou não, adquirir mecanismos de coping.
controlo sobre as situações vividas.
A doença e a eventual necessidade de internamento hospitaBrincar é essencial no desenvolvimento da criança, na medida
lar constituem sempre, disfunção para o padrão no quotidiano
que ajuda a desenvolver uma grande variedade de habilidades.
da criança e família. A natureza crítica da situação, quer seja
(Payne e Issacs 1995; Gabbard, 1996; Johnson, Christie e Yaw-
doença aguda ou crónica, e a incerteza em relação ao futuro
key, 1999; Neto, 1997 e 2001)
mais próximo, provocam na criança como nos adultos cuida-
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
3
dores relativos níveis de stress. (Mott, James, Spehrac, 1990;
Motta e Enumo (2002) desenvolveram um estudo na área da
Whaley e Wong, 1996; Bowben, Dickey, Greenberg, 1998)
psicologia, a partir de relatos de crianças com doença oncológi-
As intervenções de enfermagem perante estas situações
devem incluir, cuidados apropriados à idade e nível de desenvolvimento, de acordo com as necessidades psicossociais da
criança e família e de modo a facilitar a integração no ambiente
hospitalar, que não deve ser ameaçador.
ca, sobre as estratégias utilizadas para lidarem com situações
adversas durante o internamento hospitalar. Estes autores referem que, brincar constitui uma das possíveis estratégias, utilizadas pelas crianças e pelos técnicos de saúde, para lidarem com
situações stressantes como a hospitalização e os procedimentos técnicos invasivos. Estudo descritivo e de intervenção, em
Para que o anterior se verifique, os cuidados devem ser centra-
que os resultados permitem aos autores afirmar, que ao brincar
dos na família, para que as alterações à rotina da criança e
no hospital a criança tem a possibilidade de alterar o ambiente
família, impostas pelo internamento, sejam o menos sentidas
envolvente, aproximando-o do seu quotidiano; brincar tem um
possível. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong, 1996;
efeito terapêutico, quando se consideram terapêuticas, todas as
Bowben, Dickey, Greenberg, 1998)
actividades que facilitam a promoção do bem-estar da criança;
Outra exigência imposta ao enfermeiro, enquanto prestador de
o recurso à brincadeira pode servir de estratégia de preparação
cuidados em contexto de internamento pediátrico, é o desenvol-
para procedimentos invasivos; em geral não apresentam restri-
vimento de habilidades de comunicação com a criança, tendo
ções para o tipo de brincadeiras sendo que o importante é a
em atenção o seu estádio de desenvolvimento e grau de com-
actividade em si mesma.
preensão.
Brincar, dá a oportunidade à criança internada de fazer esco-
Em termos das diferentes reacções ao internamento hospitalar,
lhas, numa situação naturalmente adversa em que a maioria
estas vão depender da sua idade, temperamento, vivência de
das situações fogem ao seu controlo.
situações similares anteriores e adultos que servem de sistema
de suporte. Os principais stressores são, a ansiedade da separação, a sensação de perda de controlo, a lesão corporal e a
dor. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong, 1996; Bowben, Dickey, Greenberg, 1998)
Johnson, Christie e Yawkey (1999), referem a importância do
recurso ao jogo e brincadeira, em contexto de internamento
pediátrico, não só como fonte de divertimento, mas essencialmente, porque torna a criança participante activo em todo o
processo de internamento. Brincar, neste contexto é essencial
Promover o coping positivo nas crianças, durante o internamen-
e fornece aos prestadores de cuidados, importantes informa-
to, é atributo dos enfermeiros. Essa promoção passa pelo for-
ções sobre o que a criança pensa e sente sobre o internamen-
necimento de informação adequada à criança, sendo importan-
to. (Furtado, Lima, 1999; Bowmer, 2002; Motta, Enumo, 2002;
te que o enfermeiro compreenda o nível de profundidade que
Oliveira, Dias, Roazzi, 2003)
essa informação deve assumir, ou seja, a informação deve dar
resposta às necessidades individuais da criança para que não
se corra o risco de, sendo essa em quantidade ou complexidade exageradas para a criança, ir ser factor precipitador de mais
ansiedade e stress. Algumas estratégias de coping, redutoras
de stress na criança são técnicas de relaxamento e distracção,
o envolvimento dos pais nas actividades e prestação de cuida-
Segundo Johnson, Christie e Yawkey (1999), as salas de brincadeiras, nas enfermarias são indispensáveis. Estas salas
devem ter mobiliário adequado, e devem ser equipadas com
brinquedos e jogos que possam responder às necessidades de
desenvolvimento das diferentes faixas etárias e às preferências
das crianças.
dos, desenhar, ouvir música, comunicar com o exterior, por
Como referem Motta e Enumo (2002), facilitar à criança a
exemplo através do telefone ou computador e brincar ou jogar.
expressão de sentimentos, proporciona que a vivência dos
(Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong, 1996; Bowben,
acontecimentos mais adversos seja feita de forma mais positi-
Dickey, Greenberg, 1998).
va, aumentando o grau de autonomia da criança e direccionan-
De entre as estratégias de coping referidas anteriormente, con-
do as intervenções específicas de forma mais adequada.
cretamente o jogo e brincadeira, são promotores do bem-estar
Quanto ao tipo de brincadeiras, não devem existir restrições, a
da criança, em contexto de internamento pediátrico e redutor do
não ser as que são motivadas pela condição da criança, e tanto
impacte negativo associados a este. (Furtado e Lima, 1999;
quanto possível devem ser o mais aproximado do quotidiano da
Bowmer, 2002; Motta e Enumo, 2002; Oliveira, Dias, Roazzi,
criança. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong, 1996;
2003)
Bowben, Dickey, Greenberg, 1998).
4
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
É também frequente observar-se crianças nas enfermarias
importância do jogo e brincadeira, junto das crianças hospitali-
pediátricas, manipularem e envergarem equipamento médico,
zadas. Os autores identificaram, que brincar em contexto de
ou brinquedos miniatura desse equipamento, havendo uma
enfermaria pediátrica tem repercussões para a criança, para o
troca de papéis na brincadeira, em que são eles os enfermeiros
enfermeiro e para o hospital. Para a criança porque a ajuda a
ou médicos e os bonecos os pacientes. Observar e participar
perceber o que está a acontecer, ajuda a libertar os medos,
neste tipo de brincadeira, torna-se uma oportunidade única
para que os técnicos, de uma forma não intrusiva, questionem
a criança sobre os seus medos e ansiedades com questões
como, “como é que a boneca se sente quando lhe dão uma
injecção”. (Johnson, Christie e Yawkey, 1999, p.184)
tensões, frustrações e ansiedade, além de promover satisfação,
divertimento e estimular a espontaneidade. Para a enfermeira é
um importante meio de comunicação com a criança, permitindo
perceber as suas particularidades. Por fim para o hospital, permite uma mudança da imagem de instituição onde só há lugar
Na mesma linha de investigação, Oliveira, Dias e Roazzi
para a dor e sofrimento. (Furtado e Lima, 1999)
(2003), procuraram verificar se o recurso ao jogo e brincadeira
modifica as estratégias utilizadas por crianças hospitalizadas,
Segundo alguns autores, é importante que sejam consideradas
para lidarem com emoções como a tristeza e raiva. Os resulta-
intervenções de enfermagem, junto de crianças que são sub-
dos mostram que o uso de actividades lúdicas, modifica positi-
metidas a intervenções dolorosas, e que incluem o jogo e brin-
vamente as estratégias de regulação das emoções. Os autores,
cadeira, antes, durante e após o procedimento. Antes do proce-
referem que o estudo mostrou que, o brinquedo se traduz num
dimento, o recurso ao jogo está direccionado ao fornecimento
importante veículo de regulação das emoções. Assim observa-
informação que deve ser especifica e adequada ao estádio de
do, o brinquedo tem um papel mais lato na medida em que
desenvolvimento da criança, esta deve conter elementos sobre
permite e contribui para um desenvolvimento da criança, mas
o material e a técnica propriamente ditos, e sobre o tipo de
também permite aprendizagens e regulação de emoções rela-
sensações que irá experimentar. Durante o procedimento, o
cionadas com situações tão adversas, como pode constituir o
recurso a elementos de distracção têm como objectivo desviar
internamento hospitalar e que em termos impacte no desenvol-
a atenção e preocupação da criança. Após o procedimento, a
vimento global da criança, não têm que ser vistas como negati-
criança e os pais devem ser alvo de intervenções que visem a
vas. (Oliveira, Dias e Roazzi, 2003)
promoção do bem-estar, deve-se rever a experiência clarificando as percepções, reforçando e elogiando comportamentos que
Haiat, Bar-Mor e Shochat (2003) relatam a sua experiência no
Schneider Children’s Medical Center em Israel, fundados no
princípio que o mundo da criança é o mundo da brincadeira,
demonstrem mecanismos de coping positivos. (Mott, James,
Spehrac, 1990; Whaley, Wong, 1996; Bowben, Dickey, Greenberg, 1998)
mesmo quando esta está hospitalizada e que saber brincar é
uma mais-valia para os enfermeiros pediátricos, na aproxima-
Em relação aos jogos e brincadeiras que melhorem as funções
ção à criança e família. Os autores reforçam a ideia, de que o
fisiológicas, estes são importante veículo de recuperação do
enfermeiro que consegue integrar a brincadeira com a criança,
nível de saúde da criança, de uma forma não ameaçadora e
nas suas actividades mais técnicas é aquele que; reconhece a
que como complemento a outras intervenções farmacológicas
brincadeira como fundamental para a criança internada; obser-
ou não, mas mais agressivas e invasivas em relação à integri-
va a criança enquanto esta brinca, com o intuito de perceber
dade da criança. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong,
que tipo de brincadeira lhe dá prazer e o que está a comunicar
1996; Bowben, Dickey, Greenberg, 1998)
através desta; sabe usar o recurso a diferentes brincadeiras em
No que diz respeito ao jogo dramático, pode recorrer-se a acti-
diferentes contextos a que a criança está sujeita; e por último
vidades que promovam a libertação de tensões, distracção e
planeia intervenções de enfermagem específicas, que têm o
relaxamento, da criança aumentando o seu bem-estar. (Mott,
jogo e brincadeira por base. (Haiat, Bar-Mor e Shochat, 2003)
James, Spehrac, 1990; Whaley e Wong, 1996; Bowben, Dickey,
O enfermeiro deve dar oportunidade à criança de manipular o
Greenberg, 1998)
equipamento e material o que fará aumentar o nível de confian-
Vários estudos foram realizados, em que há uma patente conju-
ça e auto-controlo. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley,
gação entre a vivência da dor e a utilização do jogo como estra-
Wong, 1996; Bowben, Dickey, Greenberg, 1998; Zahr, 1998;
tégia de preparação para eventos que a provocam, ou como
McGrath, Huff, 2001)
contribuição para o alívio da mesma.
Furtado e Lima (1999) levaram a cabo um estudo com o objec-
Chambers et al (1996) desenvolveram uma escala de avaliação
tivo de elaborar uma base teórica e prática que desse suporte à
de dor pós-operatória de crianças entre os 7 e 12 anos, para
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
5
pais. A escala foi construída com base num estudo levado a
diminuição do medo, além de promover a proximidade entre a
cabo por Reid et al (1995), citado por Chambers et al (1996),
criança e esses, assim como afasta a atenção da criança do
onde se referem comportamentos identificados por pais de
estímulo doloroso. (Cavender, Goff, Hollon, Guzzeta, 2004)
crianças com dores, tais como o estado de alerta, diminuição
De uma forma indirecta, o estudo referido anteriormente
do apetite, alteração de estado emocional, modificações no
demonstra como actividades de distracção simples e que são
padrão habitual de actividade, padrão de sono, alterações fisio-
vistas pelas crianças e pelos pais como brincadeiras, podem
lógicas, comportamentos de defesa à dor, regressões, pedido e
ser estratégias fáceis de usar, não dispendiosas e complemen-
recusa de medicação, verbalização de dor e desconforto visual
tares a intervenções não-farmacologicas de cuidados stan-
e auditivo. Um dos itens que apresentou forte correlação foi
dards, em procedimentos dolorosos.
“brinca menos do que é habitual”.
Variados estudos tem sido, tal como descrito, realizados com o
Todas as fases relacionadas com intervenções dolorosas são
intuito de perceber e demonstrar que o recurso ao uso do jogo
importantes alvos de atenção, a preparação para o procedi-
e brincadeira, é uma importante via para o aliviar os medos,
mento é fundamental na medida em que se fornecem elemen-
tensões e sensações relacionadas com as experiências menos
tos à criança que farão diminuir o seu medo motivado pelo des-
positivas, vivenciadas pelas crianças em contexto de interna-
conhecimento, durante o procedimento a criança deve ser esti-
mento pediátrico.
mulada por forma a desviar a atenção do processo técnico e no
final o enfermeiro deve assegurar-se de que a criança fica calma e deve junto desta, com o recurso a técnicas de comunica-
MÉTODO
ção especificas e ajuda do jogo, ter como objectivo perceber as
Estudo transversal de carácter exploratório e descritivo, utilizan-
percepções e sentimentos vividos.
do como recurso de análise dos dados, técnicas de análise do
Para um melhor entendimento sobre a complementaridade
tipo quantitativo e análise de conteúdo.
entre a abordagem farmacológica e não farmacológica da dor,
Tanabe, Ferket, Thomas, Paice e Marcantonio (2002), estuda-
COMPOSIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
ram o efeito da recurso à analgesia e a métodos de distracção,
O universo populacional do estudo é constituído por enfermei-
no alivio da dor e satisfação de crianças com traumatismo mus-
ros a exercer funções em serviços de internamento pediátrico.
culo-esquelético. Os resultados apontam para o facto das técni-
A população alvo constituída por enfermeiros, de Serviços de
cas de distracção, serem um importante coadjuvante da anal-
Internamento Pediátrico de departamentos de medicina e cirur-
gesia, no grupo de crianças estudado.
gia, de dois hospitais da região de Lisboa. Universo composto
Dentro da mesma linha, Jordan-March, Hubbard, Watson, Hall,
por 211 enfermeiros, 137 pertencentes ao Hospital A e 74 ao
Miller e Mohan (2004) realizaram um estudo de intervenção,
Hospital B. Amostra não probabilística, de conveniência.
com o objectivo de melhorar a avaliação da dor nas crianças,
Exercem funções na área, em média há 8,87 anos, com um
através da avaliação sistemática e consequente analgesia ade-
mínimo de 0,33 anos (correspondente a 4 meses) e um máximo
quada. Do estudo emergem resultados conducentes ao reforço
de 32 anos.
de estratégias como a avaliação sistemática da dor e recurso
ao jogo e brincadeira, assim como métodos de distracção, para
o acompanhamento de crianças com dor.
Cavender et al (2004) quiseram perceber de que forma é efectiva a ajuda no posicionamento e distracção, por parte dos pais,
INSTRUMENTO DE COLHEITA DE DADOS
Instrumento de colheita de dados constituído por um questionário. A Parte 1 do questionário é constituída por uma escala de
Likert, e a Parte 2 por questões abertas.
à criança submetida a punção venosa. Estudo experimental,
tendo como objectivo perceber se haveriam diferenças entre o
nível de dor e medo relatados pela criança, observação de
A Parte 1, escala de Likert, foi construída com base na revisão
bibliográfica, tendo sido elaboradas 56 asserções, agrupadas
em três dimensões:
medo e comportamentos relacionados com stress em crianças
cujos pais participassem no posicionamento e na distracção,
a. Jogo/brincadeira como factor importante para o desenvolvimento global da criança;
comparando com outro grupo cujos pais não participassem ao
mesmo nível. Segundo os autores, os resultados do estudo
b. Jogo/brincadeira em contexto de internamento pediátrico;
sugerem que a participação activa dos pais, em termos de dis-
c. Jogo/brincadeira como estratégia, de preparação da criança
tracção, durante um procedimento invasivo resultam numa
para procedimentos dolorosos e de alivio da dor.
6
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
A escala de Likert tem quatro opções de posicionamento dos
Quanto à importância atribuída pelos enfermeiros, ao jogo e
indivíduos em relação à temática em estudo, sendo elas
brincadeira, no desenvolvimento global da criança, a análise e
“discordo totalmente”, “discordo”, “concordo” e “concordo total-
discussão dos valores médios da dimensão Jogo/brincadeira
mente”. A validação do questionário foi realizada por validação
como factor importante para o desenvolvimento global da crian-
de conteúdo e por verificação da confiabilidade.
ça, mostram que essa dimensão foi a que apresentou valores
A validação de conteúdo foi realizada por três enfermeiros
especialistas em saúde infantil e pediátrica e dois mestres em
Desenvolvimento da Criança, com objectivo de se confirmar a
mais elevados, acima do ponto 3,00, que na escala corresponde à opinião “concordo”, quer seja no total da amostra, por instituição hospitalar e por área de cuidados.
pertinência e compreensão, das dimensões e asserções conti-
Da análise do conteúdo da categoria Definição de Brincar,
das no instrumento, tendo em conta a problemática em estudo.
emergem duas subcategorias, Conceito de Brincar e Domínios
O pré-teste foi aplicado a 15 indivíduos, com as mesmas carac-
do Brincar, com unidades de registo que demonstram a abran-
terísticas da população alvo, pedindo-se sugestões em relação
gência das opiniões dos enfermeiros, independente da institui-
às asserções, nos mesmos termos dos peritos referidos acima.
ção.No domínio emocional, os sujeitos referem igualmente o
A confiabilidade, foi verificada através do teste de alpha de
Cronbach, a escala apresenta, no caso do pré-teste um valor
alpha superior a 0,9, considerando-se a consistência a um
nível, Muito Bom e no caso do estudo a um nível Bom, por
apresentar um valor entre 0,8 e 0,9. (Pestana e Gageiro, 2003)
brincar como “forma de exprimir sensações, preocupações”,
assim como importante para o crescimento emocional e afectivo e “[favorecimento] confiança face a situações problema”
aumentando a autoconfiança da criança. As respostas dos
sujeitos vão de encontro ao defendido pelos autores quando
afirmam que brincar, regula as emoções e está intimamente
A Parte 2, é constituída por três questões abertas, em que na
relacionado com o desenvolvimento do auto-conceito e da auto-
primeira se pede aos enfermeiros que definam brincar, na
nomia, e ajuda a criança a separar o real do imaginário.
segunda que se refiram à sua experiência relativamente à utili-
(Johnson, Christie e Yawkey, 1999)
zação do jogo/brincadeira enquanto estratégia de aproximação
à criança internada e por último na terceira, se consideram
existir constrangimentos no seu local de trabalho para a utilização do jogo/brincadeira.
O Domínio cognitivo e Domínio Social, são também considerados, sendo que no Domínio cognitivo, surgem unidades de
registo como “imaginar e criar”, “estimular o desenvolvimento
cognitivo”, e “(…) aprender novas competências”. Segundo
Johnson, Christie e Yawkey (1999), brincar tem forte influência
ANÁLISE E PROCESSAMENTO DE DADOS
no domínio cognitivo. No caso do Domínio social, emerge a
Tendo como referência os objectivos específicos do estudo,
“adaptação ao meio envolvente” e a “compreensão e aquisição
optou-se por técnicas de análise de estatística descritiva e infe-
de (…) papéis sociais”, referidas pelos sujeitos e corroborado
rência estatística. Na estatística descritiva descreveram-se os
pelos autores, quando afirmam que brincando a criança desen-
dados através de medidas de localização como a média, valor
volve competências sociais, tais como receber, partilhar, coope-
máximo e valor mínimo e medidas de dispersão como o desvio
rar e perceber os pensamentos, percepções e emoções, dos
padrão. Na inferência estatística através de métodos paramétri-
outros. (Johnson, Christie e Yawkey, 1999)
cos, como o Teste T, para verificação de igualdade de médias
em amostras independentes, e do coeficiente de correlação Ró
de Spearman.
No que diz respeito ao reconhecimento, por parte dos sujeitos,
acerca do brincar em contexto de internamento pediátrico,
como estratégia de diminuição do impacte negativo da hospita-
Para o tratamento e análise dos dados, das respostas às ques-
lização na criança,
pela avaliação da dimensão Jogo/
tões abertas, da Parte II do questionário, optou-se pela técnica
brincadeira em contexto de internamento pediátrico, pode-se
de análise de conteúdo.
perceber que também os valores médios desta dimensão se
encontram acima do ponto 3,00, e que têm o mesmo comportamento, na avaliação por instituição e por área de cuidados.
DISCUSSÃO E RESULTADOS
Em contexto de internamento pediátrico, além dos pais ou
Nesta dimensão foram identificadas duas asserções, com valores médios abaixo de 2,50, apontando para alguma resistência
por parte dos enfermeiros quanto ao facto da hospitalização
outros adultos da esfera afectiva da criança, os enfermeiros são
sem dúvida, quem mais interage com ela, durante as vinte e
quatro horas de cada dia que permanecer no hospital.
puder resultar numa experiência positiva para a criança, e de
não dever haver restrições, no que concerne ao tipos de brincadeiras passíveis de ser realizadas, em contexto de internamen-
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
7
to. Na análise de conteúdo da categoria Experiências da Utili-
ração para os procedimentos” e de “optimizar as intervenções
zação do Jogo em Contexto Hospitalar, as subcategorias
de enfermagem” o que “permite realizar técnicas/tratamentos
Importância da utilização do jogo / brincadeira, enquanto estra-
com menor resistência”.
tégia de aproximação à criança internada e O jogo / brincadeira
enquanto estratégia de coping positivo para criança, ilustram e
reforçam os resultados dos valores médios totais descritos acima, na medida em que os enfermeiros descrevem a sua experiência como positiva e reforçam que o jogo e brincadeira,
enquanto veículo de aproximação e comunicação, para estabelecimento de uma relação de confiança, com o objectivo de
diminuir o impacte negativo do internamento. Assim, o jogo e
brincadeira resultam num mecanismo de coping positivo, diminuindo o medo da criança e promovendo o auto-controlo ao
mesmo tempo que distrai.
Catorze das 25 unidades de enumeração estão centradas no
prestador de cuidados e no sucesso da intervenção, tal posição
por parte dos enfermeiros foi igualmente patente nos valores
médios de algumas asserções da escala. Onze das unidades
de enumeração remetem a atenção na perspectiva da criança,
tal como se pode encontrar nos autores citados, que defendem
que, o principal objectivo do recurso a este tipo de brincadeiras
é explicar à criança o que vai acontecer consigo, diminuindo
assim o desconhecimento e o medo associado a esse desconhecimento, o que fará aumentar o nível de confiança e autocontrolo. (Mott, James, Spehrac, 1990; Whaley, Wong, 1996;
A aproximação à criança internada é importante para que se
Bowben, Dickey, Greenberg, 1998; Zahr, 1998; McGrath, Huff,
estabeleça uma relação de confiança e comunicação eficaz, e
2001)
como tal Bowben, Dickey, Greenberg, (1998) afirmam, uma
exigência imposta ao enfermeiro, enquanto prestador de cuidados em contexto de internamento pediátrico, é o desenvolvimento de habilidades de comunicação com a criança, tendo em
atenção o seu estádio de desenvolvimento e grau de compreensão. A relação que se estabelece depende directamente
da qualidade da experiência e da criança ver no enfermeiro um
companheiro de brincadeiras, então consegue-se diminuir o
impacte negativo do internamento, porque o jogo e brincadeira,
Verificou-se que não há diferenças significativas nos valores
médios totais e por dimensões, quando se consideram as duas
instituições hospitalares, as áreas de cuidados de enfermagem
pediátricos, e a área de cuidados em serviços de medicina nas
duas instituições. Este facto permite sublinhar que na amostra
deste estudo, a proveniência em termos de instituição e a área
de cuidados de enfermagem em serviços de medicina e cirurgia, não resulta em perspectivas diferentes por parte dos sujeitos.
são promotores do bem-estar da criança, em contexto de internamento pediátrico. (Furtado e Lima, 1999; Bowmer, 2002;
Não se encontrou correlação positiva e significativa entre o
Motta e Enumo, 2002; Oliveira, Dias, Roazzi, 2003)
tempo de exercício na área de prestação de cuidados de enfer-
A dimensão Jogo/brincadeira como estratégia de preparação
da criança para procedimentos dolorosos e de alívio da dor
apresentou valores médios, igualmente acima da posição
magem pediátricos e a perspectiva dos enfermeiros face ao
brincar em contexto de internamento hospitalar, quer na totalidade da amostra, quer quando se consideraram as duas instituições hospitalares em separado.
“concordo”, no entanto mais baixos do que os valores totais ou
de qualquer outra dimensão. Nesta dimensão foram identifica-
No que concerne à categoria de análise Constrangimentos à
das três asserções com valores médios, abaixo de 2,50, respei-
utilização do Jogo e Brincadeira em Contexto Hospitalar,
tantes a atitudes e procedimentos de preparação da criança
os sujeitos enfatizam a ausência de constrangimentos. Dos
para intervenções dolorosas, onde na opinião dos enfermeiros
constrangimentos referidos realçam-se nos dois contextos insti-
o mais importante é a preparação prévia para o procedimento,
que a criança acalma sozinha e que o objectivo da preparação
estará centrada, na colaboração e sucesso da intervenção. Nas
afirmações dos enfermeiros inclusas na subcategoria, Utiliza-
tucionais estudados, os de índole funcional e estrutural, como a
falta de tempo e pessoal e a falta de recursos materiais, e relacionados com especificidade do jogo e brincadeira, como a
motivação e habilidade.
ção do jogo / brincadeira enquanto estratégia de preparação
para procedimentos dolorosos e alívio da dor, os sujeitos dos
CONCLUSÔES E IMPLICAÇÕES
dois hospitais, centram as vantagens da preparação, na colaboração da criança e optimização da intervenção, mais do que
nas vantagens para o objecto dos cuidados, em termos da
vivência da situação. Este facto vai de encontro aos valores
Os resultados revelam sensibilidade e conhecimentos acerca
dos benefícios do recurso ao jogo e brincadeira em contexto
hospitalar, por parte dos participantes.
médios das asserções da escala, referidos acima, e fica ilustra-
No entanto, o facto dos indivíduos demonstrarem a atenção
do quando os sujeitos referem a importância de “obter a colabo-
focalizada na técnica, quando se trata de recorrer ao jogo e
8
Brincar em Contexto de Internamento Pediátrico
brincadeira como estratégia de preparação da criança para
procedimentos invasivos e dolorosos, em detrimento da atenção aos benefícios no alvo dos cuidados, indicia a necessidade
de reflexão por parte dos enfermeiros acerca desta prática.
O desenvolvimento de investigação com base na reflexãoacção, sobre as práticas de enfermagem na preparação da
criança e família, para procedimentos dolorosos, poderá constituir uma importante base de estudo.
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Promover a reflexão, o estudo, a prática e o debate
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te científico
9
Dor Total nos Doentes com Metastização Óssea1
Manuel Luís Vila Capelas2
1
Dissertação elaborada e defendida (2006) no âmbito do Mestrado em Cuidados Paliativos, Faculdade de Medicina de Lisboa - Universidade de Lisboa
2
Professor Adjunto da Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias
RESUMO
Dor total é um conceito fulcral em cuidados paliativos, que Cicely Saunders definiu como uma miríade de problemas físicos, sociais, psíquicos e espirituais,
a que se chamou de dor física, dor psíquica, dor social e dor espiritual, fortemente inter-relacionados e produtores de um considerável sofrimento global.
Finalidade: Contribuir para o reconhecimento da míriade de problemas interrelacionados que contribuem para o sofrimento global, nos doentes com
metastização óssea
Objectivos: descrever a dor total nos doentes com metastização óssea, através da identificação da sua miríade de problemas.
Desenho do estudo: estudo descritivo, simples, quantitativo e transversal
Contexto e participantes: amostra acidental com selecção racional, constituída por 53 sujeitos acompanhados num serviço de oncologia. Recolha de
dados com recurso a questionário de auto-preenchimento construído para o efeito, partindo de outros já existentes, e por consulta do processo clínico
Análise dos resultados: Estatística descritiva e verificação da consistência interna
Resultados: A dor óssea é uma dor somática com contornos de neuropática, descrita por enorme diversidade de constructos; mesmo com uma dor ligeira
a moderada, evidenciada pela maioria dos sujeitos, esta interfere significativamente no seu quotidiano, nomeadamente no sono, humor, relacionamento
com outras pessoas, trabalho, na mobilidade e locomoção, e no aproveitamento da vida; os sujeitos evidenciam significativas dificuldades físicas, com
repercussão em actos tão simples como subir escadas, efectuar passeios, curvar, ajoelhar, inclinar; a ansiedade e ou depressão estão presentes em
menos de 20% dos sujeitos, embora na generalidade, estejam mais irritáveis, com dificuldades de memória e pouco ou nada satisfeitos com a sua reacção
à doença, assim como se preocupam ou têm medo da morte; não se encontram sinais indiciadores de delirium; a generalidade dos sujeitos apresenta
sinais e factores indicadores e contributivos para significativo sofrimento social e espiritual; na realidade, a generalidade dos sujeitos, consoante o impacto
que cada um atribui às diversas questões na sua vida, apresenta sofrimento global/dor total em maior ou menor grau.
Implicações: a avaliação holística da pessoa doente, contribuirá para a identificação de factores geradores e resultantes de sofrimento, contribuindo assim
como a mola impulsionadora de um adequado controlo.
INTRODUÇÃO
Esta influência negativa gera um sofrimento total e global a que
Cicely Saunders chamou de Dor Total, definindo-a como uma miríaDor total é um conceito fulcral em cuidados paliativos. Desenvolve-
de de problemas físicos, sociais, psíquicos e espirituais, a que se
mos este estudo no sentido de explorar, identificar as dimensões
chamou de dor física, dor psíquica, dor social e dor espiritual, forte-
práticas deste conceito, na população de doentes oncológicos com
metástases ósseas. É um estudo descritivo, simples, quantitativo e
mente inter-relacionados e produtores de um considerável sofrimento global (4,5).
transversal, com uma amostra acidental com selecção racional,
Neste contexto, para uma adequada intervenção, e como não é
constituída por 53 sujeitos acompanhados num serviço de oncolo-
possível controlar a dor física nem qualquer um dos sintomas sem
gia, cujo objectivo é descrever a dor total nos doentes com metasti-
que se consiga controlar em simultâneo todos os outros factores
zação óssea, através da identificação da sua miríade de problemas.
geradores de sofrimento, é fundamental que os avaliemos, identifi-
Segundo a Associação Internacional para o estudo da dor, esta é
quemos de forma a dar resposta às necessidades e aos problemas
reais dos doentes.
uma experiência individual, sensorial e emocional desagradável
associada a dano tecidual ou potencial, ou descrita em termos de
Mais especificamente, a dor óssea originada por metástases
tal dano (1). Desta forma, poder-se-á dizer que é um acontecimento
ósseas, é considerada como uma das causas mais comuns de dor
ao nível somático e psíquico, influenciado pelo estado psicológico
nas pessoas com doença oncológica avançada e de maior dificul-
do doente, sua postura moral e pelo significado com que essa dor é
dade de controlo, assim como das complicações ósseas geradas
por ele assumida (2,3). É afectada, positiva ou negativamente, por
pelo processo metastático (6,7).
inúmeros factores nas múltiplas dimensões humanas e afecta o
Com este estudo pretendeu-se dar resposta à questão: “Quais as
modo de vida, as relações familiares, a vida social, o sono, o apeti-
manifestações da dor física, psíquica, social e espiritual nos doen-
te, a espiritualidade, a capacidade de executar actividades físicas
tes com metastização óssea?” tendo como objectivo “descrever a
essenciais para o seu auto-cuidado e prazer.
dor total nos doentes com metastização óssea”.
10
Dor Total nos Doentes com Metastização Óssea
METODOLOGIA
nas actividades ou por elas precipitadas (20,21,24,19).
Estudo descritivo, transversal e observacional, cujo fenómeno a
A variedade de constructos que cada sujeito, individualmente, apre-
estudar é a Dor Total, e cujas variáveis descritivas são a dor física,
senta para descrever a sua dor, vem confirmar em absoluto a dor
dor psíquica, dor social e dor espiritual, em que a população alvo
como uma experiência individual e subjectiva com multi-influências
foram os doentes, maiores de 18 anos, com metastização óssea
e gerando muitas interferências (1,2,3).
acompanhados num serviço de oncologia de um hospital central,
em que a sintomatologia fosse predominantemente devida à metastização óssea. O processo de amostragem foi um misto de acidental com selecção racional, num total de 53 doentes, que se deslocaram ao serviço num período de tempo de 2 meses.
Ao nível da componente psicológica da dor total, como demonstrado, não se detectou nenhum caso de delirium, embora a prevalência desta entidade ocorra entre 25-40% dos doentes oncológicos
(22) e em 32% dos com dor óssea (40), o que poderá ser explicado
pelo controlo de alguns factores etiológicos importantes, como a
O instrumento foi construído com base em diversos outros instru-
hipercalcémia (controlo da metastização com bifosfonatos) e outros
mentos de avaliação, usados parcial ou totalmente e dividido em 6
factores metabólicos ou farmacológicos, e simultaneamente ausên-
grupos. O 1º visava caracterizar a população amostral, o 2º e o 4º
cia de factores inerentes ao internamento e permanência no leito
procuravam avaliar a dimensão psicológica em que no 2º se utilizou
(2,23,22) pois estes doentes são observados no serviço em ambu-
o “Mini-Mental State Examination” (8) e algumas questões do
latório.
“Delirium Rating Scale” (9). O grupo 4 consistiu numa adaptação
para o português do “Hospital Anxiety and Depression” (10). Os 3º,
5º e 6º grupos foram construídos com base no “Brief Pain Inventory” (11), “McGill Pain Questionnaire” (12), “Clinical Pain Assessment”
(13), “EORTC-QLQ-C30” (incluindo
“Medical
módulos) (14,15),
Outcomes Study 36 item short form (SF-36)” (14),
“Functional Assessment of Chronic Illness Therapy-Sp-Ex” (14,16),
“Functional Assessment of Cancer Therapy” (geral e módulos) (14)
e o “Stockholm Marital Stress Scale” (17).
Por outro lado, a presença de ansiedade e ou depressão está dentro
das
prevalências
apresentadas
por
diversos
estudos
(23,24,25,26,27). Apesar de não serem dados fora do normal, esta
prevalência vai interferir como o controlo da dor, pois tanto a ansiedade como a depressão estão com ela intimamente relacionadas
de forma biunívoca, sendo que a dor agrava estas duas entidades e
por sua vez o controlo destas contribui só por si para um melhor
controlo da dor (24). A presença de ansiedade e depressão poderá
também justificar algumas dificuldades físicas, pois tanto uma como
A componente maioritária do instrumento foi sob a forma de uma
a outra também incluem no seu quadro clínico, manifestações
escala de Likert (não, um pouco, bastante, muito), onde a consis-
somáticas (23,22). Por outro lado, também a presença de dor irrup-
tência interna obtida pelo “alfa de Crohbach” foi em todas > 0,9.
tiva, como os dados sugerem e outros factores terapêuticos destes
doentes, parecem propiciar o aparecimento destas entidades,
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos na descrição da dor física revelam-nos que a
componente física da dor total é mais que a entidade fisiopatológica
“dor” só por si, pois denota-se um adequado controlo terapêutico
desta entidade, com valores médios máximos de 3,3±3,2/10 e uma
manutenção ou mesmo diminuição do consumo de analgésicos,
assim como um alívio médio desta da ordem dos 77,5±27% e
assim como se poderão considerar como respostas naturais às
perdas com que estes doentes se vão deparando (2), visto 60%
apresentarem uma progressão da sua doença óssea, o que consequentemente aumenta o sinal/sentimento de incurabilidade (20)
originando nestes uma maior irritabilidade, medo ou preocupação
com a morte, desânimo e até alguma insatisfação como estão a
reagir à sua doença.
mediana de 80%, enquanto observadas as interferências da dor na
Socialmente, os problemas encontrados, referidos por estes doen-
vida das pessoas, se denota um aumento considerável do valor
tes, com a classificação de “intensos” surgindo em mais de 1/3 dos
médio para índices superiores a 5±3/10 (à excepção das relações
sujeitos,
interpessoais) o que poderá ser justificado pela forte probabilidade
(insatisfação com o corpo e com a vida sexual), das relações inter-
de presença de dor irruptiva nesta tipologia de doentes (8,24,19),
pessoais (realização de menos tarefas que o desejado), a nível
confirmando que a dor, em si, afecta negativamente várias outras
económico-financeiro, com sentimento de incapacidade para o
dimensões físicas e não físicas do individuo (2,3).
trabalho assim como incapacidade para o desempenho total das
A descrição da dor, leva à sua caracterização como um misto de
dor somática (essencialmente) e de dor neuropática (24), até porque um dos locais de maior afinidade para a metastização são os
corpos vertebrais e aí a forma de apresentação é essencialmente
centram-se
ao
nível
do
relacionamento,
conjugal
suas funções laborais. Por outro lado surgem limitações na ocupação dos tempos livres e de lazer, no desenvolvimento das AVD’s e
insatisfação com a sua qualidade de vida, entre ouras várias e
ramificadas situações de menor prevalência.
neuropática. Da mesma forma parece existir nestes doentes, cerca
Todos estes problemas na dimensão social da dor poderão estar ou
de 1/3 que apresentam características de dor incidental, ao consi-
não relacionados com a dor física, enquanto entidade fisiopatológi-
derarem-na brusca, momentânea, o que aponta para nesses
ca, só por si, (resposta para a qual este estudo não foi dirigido) mas
momentos, uma elevada intensidade da dor e forte interferência
estarão’ com fortes probabilidades, relacionados com todo o impac-
Dor Total nos Doentes com Metastização Óssea
11
to que a doença oncológica tem sobre as diversas esferas da vida
Todos estes factos encontrados e revelados neste estudo, inter-
dos doentes (28,24). De uma forma geral temos diversas esferas
relacionado-se uns com os outros irão contribuir para a presença
com necessidades sociais não adequadamente satisfeitas que vão
do sofrimento global, a que Cicely Saunders apelidou de dor total,
sem dúvida constituem-se parte integrante e influenciador do sofri-
pois na realidade, a generalidade dos sujeitos, consoante o impacto
mento global, ou seja da dor total (2,28,29,30,31,32).
que cada um atribui às diversas questões na sua vida, apresenta
Por último, na dimensão espiritual, apesar de nenhuma componen-
esse sofrimento global/dor total em maior ou menor grau.
te ser referida como afectada intensamente, por mais de 30% dos
sujeitos, surgem algumas ao nível da afectação geral, que pelo seu
peso, considerando que a espiritualidade envolve as relações consigo próprio, com os outros e com algo acima de si e com a natureza (33,34), tais como a não-aceitação da sua doença, a não serenidade, incapacidade de alcançar um estado de auto-conforto, não
sentir paz de espírito nem estar em harmonia consigo próprio, sentir que a sua vida de nada valeu, assim como nesta fase não entender qual o sentido da sua vida, nem por sua vez as suas crenças e
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para um sofrimento espiritual, que mais uma vez não se pode concluir como resposta à dor (como entidade) mas, provavelmente, a
toda a inter-relação entre os diversos factores que constituem o
impacto da doença sobre todas as componentes da vida destes
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doentes. Numa oura perspectiva poderemos ver estes dados como
não indiciadores de intenso sofrimento espiritual mas tendo bem
presente, e como tal esclarecer bem se não serão o reflexo de uma
demonstração de estoicidade e de se revelarem perante os outros
como estando bem, pois nestes casos, poder-se-á estar perante
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O controlo da dor no doente com cancro em fase avançada, como
acontece na metastização óssea, é um objectivo fundamental no
cuidar destes doentes, pois com índices de dor ligeira a moderada
esta interfere significativamente no quotidiano destes doentes.
No entanto, o cuidar estes doentes, deverá ser mais abrangente, ou
seja, deve cuidar-se de outras componentes físicas, da psicológica,
social e espiritual, porque, embora devido à tipologia deste estudo
não se determine uma relação directa da dor com os restantes
problemas evidenciados, estes doentes revelaram significativas
dificuldades físicas em actos tão simples como subir escadas, pas-
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social existem sinais de sofrimento ao nível da esfera familiar, dos
amigos mas menos, do relacionamento interpessoal, financeiro,
papéis e qualidade de vida, assim como a nível espiritual, também
esse sofrimento se manifesta, nomeadamente através da ausência
de serenidade, de harmonia consigo próprio, da não-aceitação, da
ausência de paz de espírito e do próprio sentido da vida. Este sofrimento espiritual parece ser menos intenso que o social.
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Support Care 2003 Mar; 1(1): 15-21
Mestranda Cuidados Paliativos - Faculdade de Medicina de Lisboa - Universidade de Lisboa
Na sequência da 1ª edição deste boletim, em que foi realçada a importância da investigação em ciências de enfermagem como contributo
fundamental para a construção de uma prática baseada na evidência,
surge a necessidade de procurar, aprofundar e promover a reflexão
sobre as diversas formas, ao nosso alcance, de realizar investigação.
Neste sentido, surgiu a oportunidade de assistir a uma conferência
proferida pela Professora de Enfermagem Nancy Stotts, da Universidade da Califórnia, que nos deixou alguns conhecimentos e lançou curiosidade sobre uma vertente da Investigação em Enfermagem pouco abordada entre nós – Investigação Biológica em Enfermagem.
Com este artigo, pretende-se compreender melhor as características
deste tipo de investigação e sobretudo qual o seu contributo para a
construção da ciência de Enfermagem.
Investigação Biológica e Enfermagem
A Enfermagem enquanto ciência, reconhece a influência da dimensão física na saúde e nos comportamentos de saúde, numa lógica
de visão e cuidado multidimensional de cada pessoa sendo que,
muitas das questões resultantes da prática de Enfermagem, são
fundadas na biologia básica. As áreas possíveis de investigar são
várias e muito abrangentes, podendo ser dirigida à biologia molecular e celular, até à prestação de cuidados de saúde.1
Obter e integrar resultados biológicos na investigação em enfermagem, como contributo para a construção do conhecimento em
Escola Superior de Enfermagem
S. Francisco das Misericórdias
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Portuguesa
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Telefone: 217 120 913
Fax: 217 161 076
Enfermagem, é o principal objectivo a que este tipo de investigação
se propõe.
Um aspecto importante e que deve ser realçado, prende-se com o
facto de os resultados obtidos através da investigação biológica em
Enfermagem, contribuírem não só para aumentar o corpo de
conhecimentos da profissão, mas também por serem utilizados por
outras áreas de conhecimento, exteriores à Enfermagem, permitindo a partilha de um conhecimento e investigação de qualidade,2
[email protected]
www.esesfm.pt
contribuindo para a visibilidade da profissão.
Vários
estudos
realizados
com
recurso a resultados biológicas, são
publicados numa revista específica –
Biological Research for Nursing – e
podem ser consultados através do
sítio: www.brn.sagepub.com
Investigação Biológica em Enfermagem
Instrumentos de Medida
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que permitem adquirir vários parâmetros como os imunológicos6, ou
a introdução de implantes de silastic subcutâneos para avaliação
Quando falamos em medidas biológicas, devem estar claras as
da oxigenação tecidular7.
definições adjacentes; por biológico, entende-se tudo o que está
relacionado com organismos vivos ou com as respostas desses
Nota final
organismos; medir, é uma forma de avaliar algo; um padrão a partir
do qual algo pode ser comparado.
Na prestação de cuidados de qualidade, os enfermeiros devem
utilizar práticas baseadas na evidência, resultantes do conhecimen-
A escolha sobre a forma como se vai obter a medida biológica, vai
to obtido através da investigação.
depender essencialmente da questão de investigação, que pode
estar relacionada por exemplo com a dor, balanço hídrico ou hiper-
Podemos assim considerar que, investigar em Enfermagem torna-
tensão. Esta questão vai dar origem a variáveis e métodos, que vão
se o caminho certo a percorrer, quando se pretende avançar na
então conduzir à escolha da forma de colheita de dados para
construção de uma ciência ainda com muito por descobrir, esclare-
obtenção de resultados
cer e confirmar.
Alguns aspectos devem ser tidos em consideração quando se faz
Aproveitar todas as oportunidades para investigar, seja a nível psi-
investigação biológica e se selecciona a medida biológica a obter.
cológico, social ou biológico, exige que se consiga utilizar as dife-
Esses aspectos passam pela competência do investigador na exe-
rentes metodologias que estão ao nosso alcance, seleccionando a
cução técnica de obtenção das medidas, pelo grau de agressão
que melhor se adapta ao tipo de investigação que permite dar res-
(métodos invasivos) que a obtenção de valores pode representar
postas às perguntas de investigação que nos inquietou e impulsio-
para os sujeitos incluídos na investigação, e pela necessidade de
nou para o estudo.
obtenção de consentimento informado dos mesmos sujeitos, que
pode ser um factor de dificuldade, sobretudo se a investigação
métodos invasivos com já referido.
Estudar a dimensão biológica, contribui para ilustrar a perspectiva
holística da Enfermagem perante a Pessoa e a sua saúde. A utilização de medidas biológicas na investigação em Enfermagem está
Características dos instrumentos de Medida
ao nosso alcance e deve ser sempre ponderada enquanto forma
mais adequada de conhecer a realidade que se pretende no
Tal como em investigações direccionadas para áreas psicossociais,
momento.
os instrumentos utilizados na Investigação biológica, devem apresentar como características, Fiabilidade (Reliability) e Validade
(Accuracy).
Desta forma podemos garantir a qualidade dos dados obtidos,
assegurando a consistência da medição e a capacidade do instrumento em medir o que deve ser medido, apresentando o verdadeiro
valor.
Em muitos instrumentos utilizados neste tipo de investigação, como
por exemplo nos termómetros ou sensores de oxigénio, surge a
Bibliografia
1. RUDY E.; Grady P. - Biological Researchers: Building nursing science.;Nursing Outlook 2005; 53; Nº 2, 88-94
2. BURNS S. D. et al – The Impact (factor) of Biological Research for Nursing.
2004; Biological Research Nursing 5; Nº 3, 157-158
3. MENTES J. et al - Use of a Urine Color Chart to Monitor Hydration Status
in Nursing Home Residents - 2006; Biological Research Nursing 7; Nº 3, 197203
4. WOODS D.; DIMOND M. - The Effect of Therapeutic Touch on Agitated
Behavior and Cortisol in Persons with Alzheimer’s Disease - 2002; Biological
Research Nursing 4; Nº 2, 104-114
necessidade de calibração, como forma de garantir a exactidão do
valor obtidos.
5. OKOLI C. T. et al - Measuring Tobacco Smoke Exposure Among Smoking
and Nonsmoking Bar and Restaurant Workers. 2007; Biological Research
Nursing 9; Nº 1, 81-89
Obtenção de medidas biológicas
Para obtenção de medidas biológicas, os enfermeiros investigadores utilizam diversos métodos, que podem ser não invasivos, como
por exemplo, a obtenção de sinais vitais, do índice da massa corporal, medidas antropometricas, análises de urina3, de substâncias
presentes na saliva4 ou em pedaços de cabelo5.
Neste tipo de investigação, é necessário recorrer frequentemente a
métodos mais invasivos que possibilitem dar resposta às questões
levantadas. Como exemplo, podemos referir as colheitas de sangue
6. LENGACHER C. et al - Immune Responses to Guided Imagery During
Breast Cancer Treatment. 2008; Biological Research Nursing 9; Nº 3, 205214
7. WHITNEY J. et al - Tissue and Wound Healing Effects of Short Duration
Postoperative Oxygen Therapy- 2001; Biological Research Nursing 2; Nº 3,
206-215
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Internacional Council of Nurses (ICN - Poster)
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Edição 2 - Março 2008 - Escola Superior de Enfermagem S