XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. ELABORAÇÃO DE UM ROTEIRO DE PESQUISA PARA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO AMBIENTAL EM EMPRESAS INDUSTRIAIS Caio Henrique Zeviani (FCAV-UNESP ) [email protected] Andreia Marize Rodrigues (FCAV-UNESP ) [email protected] Marcelo Giroto Rebelato (FCAV-UNESP ) [email protected] Nas últimas décadas as questões ambientais se tornaram mais relevantes, sendo os impactos ambientais provenientes das atividades produtivas paulatinamente mais presentes no momento da tomada de decisão empresarial. Visando a contemplação daa variável ambiental em suas atividades, as empresas passaram a adotar ações no sentido se mitigar os efeitos negativos de suas atividades sobre o meio ambiente. Porém, como em todas as atividades de uma empresa, as práticas ambientais devem ser monitoradas com o intuito de acompanhar seu comportamento e evolução, tornando-se importantes estudos que contemplem indicadores para a avaliação do desempenho ambiental das operações de uma empresa. Neste sentido, este artigo objetivou a elaboração de um roteiro de pesquisa composto por parâmetros para auxiliar empresas industriais na avaliação de seu desempenho ambiental de forma ampla. Como resultado, o roteiro elaborado apresenta indicadores e métricas a serem utilizadas para a pretendida avaliação, organizados em nove categorias (aspectos) gerais, quais sejam: organizacional, recursos naturais, instalações físicas, meio ambiente de entorno, desenvolvimento social, econômico-financeiro, recursos humanos, produto e mídia. Palavras-chaves: Gestão Ambiental, indicadores de desempenho ambiental, indicadores de desempenho ambiental na industria XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 1. Introdução Na década de 1950, impulsionados pela contaminação das águas da Baía de Minamata no Japão, surgem os primeiros movimentos ambientalistas. Entretanto, é a partir da década de 1970 que se intensificam os debates e questionamentos acerca da relação entre o crescimento econômico global e a manutenção da conservação ambiental (VALLE, 2002). Em 1972 ocorreu a primeira reunião internacional de questionamento à política desenvolvimentista vigente desde o período pós-guerra, intitulada Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo. A partir desta, vários encontros e conferências realizadas por líderes políticos e de organizações do mundo todo ajudaram a formar o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Este termo representa o ideário de uma evolução, ainda em curso, acerca da reflexão sobre a maneira como o homem explora econômica, social e ambientalmente a Terra, vertentes conhecidas como o tripé da sustentabilidade (FGV, 2013). Desta maneira, as questões ambientais vêm se tornando mais relevantes, sendo os impactos ambientais provenientes das atividades produtivas paulatinamente mais presentes no momento da tomada de decisão empresarial. A inclusão da variável ambiental nas organizações de forma estratégica é cada vez mais observada, seja por pressões legais ou por representar oportunidades empresariais (SOUZA, 2010). As empresas tornaram-se protagonistas no processo de Desenvolvimento Sustentável, ao estabelecer políticas de meio ambiente e mecanismos de controle de impactos ambientais de suas operações. Nesse cenário, é indispensável a sistematização de ações que versem sobre a promoção do meio ambiente, como é o caso da adoção de Sistemas de Gestão Ambiental. Porém, como em todas as atividades de uma empresa, as práticas ambientais devem ser monitoradas com o intuito de acompanhar seu comportamento e evolução. Neste sentido, tornam-se importantes estudos que contemplem indicadores para a avaliação do desempenho ambiental das operações de uma empresa. Desta maneira, o objetivo deste trabalho consiste na elaboração de um roteiro de pesquisa composto por parâmetros que possam auxiliar empresas industriais na avaliação de seu desempenho ambiental de forma ampla. 2 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Para cumprir os objetivos propostos, o presente artigo está estruturado em cinco tópicos, a contar com esta introdução. Para embasamento teórico do trabalho, os tópicos dois e três abordam a revisão bibliográfica realizada, contemplando os temas gestão ambiental corporativa e indicadores de desempenho ambiental. O roteiro elaborado encontra-se apresentado no tópico quatro e, por fim, considerações sobre o estudo são traçadas na sessão cinco. 1.1 Metodologia Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa exploratória e de caráter qualitativo, que envolve revisão de bibliografia em busca de adaptar e modificar idéias e conceitos existentes para escopos mais precisos (GIL, 2007). Andrade (2002) destaca algumas finalidades da pesquisa exploratória, dentre elas: proporcionar maiores informações sobre o assunto que se vai investigar; facilitar a delimitação do tema de estudo, orientar a fixação dos objetivos e a formulação de hipóteses, ou descobrir um novo tipo de enfoque sobre o assunto. Para cumprir os objetivos aos quais se propõe o presente trabalho foi dividido em três etapas: i) Levantamento bibliográfico a respeito de Gestão Ambiental Corporativa e indicadores para avaliação de desempenho ambiental; ii) Seleção e adaptação de indicadores e parâmetros relacionados à avaliação de desempenho ambiental inserido no tripé da sustentabilidade; iii) Elaboração de um roteiro qualitativo estruturado com indicadores para levantamento de dados e auditoria ambiental em empresas industriais. 2. Gestão Ambiental Corporativa: definição e conceitos O termo Gestão Ambiental é utilizado para designar iniciativas administrativas e operacionais cujo objetivo centra-se na obtenção de resultados positivos sobre o meio ambiente, tais como a redução ou eliminação de danos causados pelas ações humanas e a utilização de práticas para evitar sua ocorrência. No contexto corporativo, Barbieri (2012) define a Gestão Ambiental Empresarial como as diferentes atividades administrativas e operacionais realizadas pela empresa para lidar com problemas ambientais provenientes da sua produção ou para evitar que tais problemas ocorram no futuro. Normalmente, a Gestão Ambiental Empresarial é implantada por meio de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que atenda às condições de ser viável economicamente, minimizar 3 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. seus impactos ambientais, garantir uma produção mais sustentável, trazer vantagens competitivas à empresa e responder adequadamente às pressões regulatórias, de acionistas e de consumidores. Salienta-se que, para adotar um SGA, a empresa possui uma série de normas ambientais que podem servir como base para sua implementação, como é o caso das normas da série ISO 14000. Além disso, a organização pode ou não optar por sua certificação, já que muitas empresas adotam os critérios de normas ambientais sem, entretanto, realizar as auditorias externas necessárias ao processo de certificação. Dentre as vantagens associadas à implantação de um SGA estão a redução de custos provenientes da menor quantidade de recursos utilizados, a maior facilidade de entrada em mercados internacionais, melhoria da imagem da empresa, cumprimento da legislação ambiental vigente e atração de consumidores preocupados com a questão ambiental (SILVA FILHO e SICSÚ, 2003; SEIFFERT, 2005). Como as demais atividades da empresa, as práticas empresariais voltadas para a mitigação dos impactos ambientais das atividades produtivas devem ser mensuradas e avaliadas objetivando o direcionamento das ações praticadas bem como o conhecimento da evolução da Gestão Ambiental praticada. Para esta finalidade, muitos autores propõem metodologias e ferramentas para a avaliação do desempenho ambiental das empresas. Entre essas, destacamse os trabalhos de Campos e Melo (2008), Delmas e Tofel (2004), Hunt e Auster (1990), Rohrich e Cunha (2004), além de normas ambientais que podem ter seus indicadores utilizados para este fim, como é o caso das normas da série ISO 14000. Neste sentido, a seguir são brevemente descritos os principais conceitos relacionados a indicadores e ferramentas para a avaliação do desempenho ambiental de uma empresa. 3. Indicadores de desempenho ambiental: ferramentas e metodologias de análise A obtenção de informações de uma dada realidade é um processo que engloba a coleta de dados quantitativos e qualitativos diversos que representem determinada realidade. Neste sentido, indicadores são variáveis estabelecidas que representam atributos e fornecem informações importantes sobre sistemas físicos, sociais ou econômicos, permitindo uma análise de relação causa-efeito (VELEVA e ELLENBECKER, 2001). 4 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Os indicadores são variáveis e, como tal, devem conter métricas específicas que permitam sua medição, sendo eles uma forma quantitativa e passível de medição que permitem se atingir as metas e os objetivos traçados. Para a implantação de indicadores como medida de desempenho empresarial são necessárias decisões de nível estratégico intimamente relacionadas com a missão da organização, cabendo a ela identificar fatores críticos de sucesso, a partir de sua estratégia empresarial, que revelarão processos que podem ser melhorados (TACHIZAWA, 2005). O mesmo vale para indicadores de desempenho ambiental em empresas, que devem ser estabelecidos em nível estratégico com apoio da alta administração. A escolha e uso de indicadores ambientais é parte do processo de implantação de um Sistema de Gestão Ambiental, onde as firmas devem estabelecer mecanismos de identificação, mensuração e monitoramento de seus impactos ambientais. Todas as operações devem seguir diretrizes e objetivos constantes de uma política ambiental corporativa criada previamente; responsabilidades devem ser estabelecidas em todas as áreas bem como formas de coordenação e controle das atividades ambientais dentro da organização (GONZÁLEZ-BENITO et al., 2011). Diferentes indicadores ambientais podem transmitir informações a partir de medições diretas, relativas ou índices estabelecidos. Podem se apresentar de forma agregada ou ponderada, de acordo com as informações e o uso que se pretende, sendo conveniente que tais agregações e ponderações sejam realizadas de forma a assegurar a consistência, clareza, verificabilidade e comparabilidade desses indicadores (ISO, 2004). A seguir encontram-se brevemente descritas as abordagens das quais foram selecionados os indicadores utilizados para a elaboração do roteiro metodológico proposto neste trabalho. 3.1 Metodologia de Veleva e Ellenbecker (2001) Veleva e Ellenbecker (2001) propõem uma nova metodologia de medição de desempenho ambiental em empresas focada na produção e operações, e baseada num quadro com seis aspectos de produção sustentável que reúnem ao todo 22 (vinte e dois) indicadores de desempenho aplicáveis a qualquer organização. Os aspectos selecionados pelos autores constituem-se em: i) energia e consumo de materiais; ii) meio ambiente natural; iii) justiça social e desenvolvimento comunitário; iv) desempenho econômico; v) trabalhadores; e vi) produtos. O número de indicadores por aspecto é variável e todos os indicadores apresentam a métrica utilizada em sua medição. 5 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 3.2 A ISO 14031 (2004) Intitulada “Avaliação de desempenho ambiental - Diretrizes”, a ISO 14031 fornece bases para o projeto e uso da avaliação de desempenho ambiental em organizações. São propostas duas categorias de indicadores de desempenho ambiental: i) indicadores de desempenho gerencial (IDG) e ii) indicadores de desempenho operacional (IDO). São fornecidos modelos de 44 IDGs e 63 IDOs que avaliam o desempenho ambiental, econômico, social e operacional de qualquer organização. 3.3 O trabalho de Sellito et al. (2010) Em estudo multicasos, Sellito et al. (2010) testam o método SBP para gerar modelos de medição de desempenho ambiental em operações de manufatura. A escolha, organização e implantação dos indicadores são pautadas em cinco construtos estabelecidos pelos autores conjuntamente com especialistas: i) emissões atmosféricas, ii) efluentes líquidos, iii) resíduos sólidos; iv) uso de recursos; e v) gestão e atendimento à legislação. Este último, de grande importância, pois é considerado como um construto intermediário e necessário para os demais. O modelo foi aplicado em uma empresa avícola produtora de ovos, em uma manufatura de materiais elétricos, em uma manufatura de materiais mecânicos, em uma fábrica de rações para frangos e suínos e em uma operação de estamparia de chapas para montadoras de veículos. 3.4 Os aspectos de Ruzene (2011) Em sua dissertação, Ruzene (2011) realiza uma avaliação comparativa de metodologias de gestão energética e ambiental em edificações entre o Sistema LEED e o Sistema do INMETRO. Foram analisados aspectos do ambiente construído, incluindo instalações, layout, conforto ambiental, incluindo iluminação e ventilação, consumo de água e gerenciamento de resíduos, enquadrando-os de acordo com as condições exigidas nas normas brasileiras. 3.5 Indicadores de Campos e Melo (2008) Campos e Melo (2008) apresentam uma pesquisa teórica baseada na norma ISO 14031, e complementada por outros autores, com os principais tipos de indicadores de desempenho gerencial e operacional. São fornecidos indicadores absolutos e relativos, distribuídos em 12 quadros e totalizando aproximadamente 200 indicadores que podem ser estratégicos para a organização em conformidade com sua política, objetivos e metas. 6 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 4. Resultados e discussão O presente tópico consiste na apresentação e descrição dos aspectos selecionados para avaliação de desempenho ambiental em empresas industriais. Posteriormente, o Quadro 1 apresenta o roteiro de pesquisa qualitativo elaborado. Este roteiro apresenta os indicadores e as métricas a serem utilizadas para as avaliações, organizados em nove categorias (aspectos) gerais, quais sejam: organizacional, recursos naturais, instalações físicas, meio ambiente de entorno, desenvolvimento social, econômico-financeiro, recursos humanos, produto e mídia. Neste mesmo quadro são elencadas as fontes (parâmetros) utilizadas para sua elaboração. A confecção do roteiro proposto por este trabalho foi produto de adaptações da norma ABNT NBR ISO 14.031 de 2004 e o trabalho de Veleva e Ellenbecker (2001). Complementações metodológicas foram feitas com contribuições das publicações de Campos e Melo (2008), Ruzene (2008) e Sellito et al. (2010), principalmente na criação e inclusão de outros aspectos e indicadores. Os estudos de Ruzene (2011) auxiliaram na criação do aspecto “Instalações Físicas” bem como na composição de seus indicadores e métricas, enquanto o trabalho de Sellito et al. (2010) foi adotado para o estabelecimento de indicadores de consumo de recursos naturais e de geração de resíduos. Campos e Melo (2008) trouxeram indicadores relacionados às tecnologias limpas, à extensão da organização em áreas protegidas e ao potencial de aquecimento global. A escolha dos trabalhos utilizados para a elaboração do roteiro justifica-se pela garantia de base teórica adequada, conferindo confiabilidade e credibilidade. Cada um dos nove aspectos estabelecidos compõe-se de cinco indicadores, perfazendo um total de quarenta e cinco indicadores. A seguir são descritos os objetivos de cada aspecto considerado: A) Primeiro Aspecto: Organizacional Fornecer informações relacionadas aos esforços gerenciais para melhorar o desempenho ambiental da empresa. O comprometimento e a participação da alta administração na implantação e monitoramento de ações e Sistemas de Gestão Ambiental são variáveis indispensáveis para seu sucesso dentro do processo de melhoria contínua (ISO, 2004). B) Segundo Aspecto: Recursos Naturais 7 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Mensurar o consumo de matérias-primas, tóxicas ou não tóxicas e energia no processo produtivo e nas suas atividades auxiliares. C) Terceiro Aspecto: Instalações Físicas Monitorar a sustentabilidade das instalações com base em aspectos de desempenho energético e ambiental de edificações. A partir da racionalização do uso de recursos em uma edificação e seu interior é possível evitar desperdícios, reduzir a geração de poluição e os custos indiretos, sem deixar de levar em consideração aspectos de conforto e bem-estar. D) Quarto Aspecto: Meio ambiente de entorno Mensurar a geração de resíduos e rejeitos provenientes dos processos produtivos, os aspectos potenciais de impactos ambientais (Indicador de potencial de aquecimento global) e a sustentabilidade de fornecedores por meio de suas possíveis certificações ambientais. E) Quinto Aspecto: Desenvolvimento Social Avaliar a relação entre a política ambiental e os programas ambientais corporativos e a comunidade, principalmente de entorno. Analisar se a comunidade está sendo respeitada e beneficiada de forma direta e/ou indireta pela empresa e quanto de recurso está sendo destinado para tal finalidade. F) Sexto Aspecto: Econômico financeiro Quantificar os custos associados à implantação e manutenção de um sistema de gestão ambiental e quais os ganhos obtidos com o sistema. G) Sétimo Aspecto: Recursos humanos Avaliar o envolvimento dos funcionários com a política ambiental e o impacto desta na saúde e bem-estar daqueles. H) Oitavo Aspecto: Produto Avaliar a sustentabilidade do produto pela óptica de sua composição, políticas de descarte e ciclo de vida representado pelo indicador de durabilidade do produto. I) Nono Aspecto: Mídia Analisar o desempenho do sistema de gestão ambiental pela óptica de seus stakeholders e auxiliar no levantamento de possíveis alterações a serem implantadas, dentro do processo de 8 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. melhoria contínua. Algumas teorias de Administração estratégica sugerem que o sucesso da organização depende de da sua capacidade de lidar com seus atores chave, criando valor e satisfazendo suas necessidades e expectativas. Alguns dos indicadores selecionados no presente estudo são amplamente utilizados em medições de desempenho ambiental em empresas industriais, com métricas muitas vezes semelhantes ou mesmo idênticas. Tais indicadores são citados por Veleva e Ellenbecker (2001) como indicadores-padrão e mostram uma clara tendência entre investidores e consumidores de implantar indicadores com base na característica de comparabilidade entre o desempenho ambiental de diferentes empresas o que, de acordo com os autores, deve ser uma das principais características dos indicadores de desempenho ambiental. Quadro 1: Indicadores de desempenho ambiental para em empresas industriais Aspectos Indicadores 1.1. Taxa de metas ambientais atingidas 1 – Organizacional Métricas Parâmetros Nº de metas ambientais atingidas/Nº total de metas ambientais 1.2. Grau de implementação de % de objetivos objetivos por Unidade atingidos por Unidade organizacional Organizacional 1.3. Grau de com Nº de níveis gerenciais Responsabilidades Ambientais com responsabilidades Gerenciais ambientais específicas (ISO, 2004) Nº de Legislações 1.4. Taxa de atendimento a Legislações Ambientais (Escala 0-1) ambientais atendidas (Federais, Estaduais e (ISO, 2004; SELLITO et Municipais) / Nº total al. 2010) de Legislações pertinentes 1.5. Taxa de infrações ambientais Nº de infrações, multas e penalidades (ISO, 2004) 9 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. ambientais/ano 2.1. Consumo de água no Litros (total e unidade (ISO, 2004; VELEVA e processo produtivo de produto) ELLENBECKER, 2001) 2.2. Consumo de energia elétrica no processo produtivo 2 - Recursos Naturais 2.3. Consumo médio de combustível da frota de veículos 2.4. Consumo de materiais classificados como tóxicos no processo produtivo (ISO, 2004; SELLITO et kW/h al. 2010; VELEVA e ELLENBECKER, 2001) Litros/veículo (ISO, 2004) kg (total e por unidade VELEVA e de produto) ELLENBECKER, 2001 2.5. Consumo de matérias-primas kg (total e por unidade (ISO, 2004; VELEVA e comuns (não tóxicas) ELLENBECKER, 2001) 3.1. Capacidade produtiva por área de produto) Volume de produção/Área (ISO, 2004) produtiva Nº de dispositivos com acionamento e 3.2. Economia de água interna desligamento (RUZENE, 2011) automático/ Nº total de dispositivos 3 - Instalações Físicas 3.3. Eficiência na iluminação 3.4. Nível de ruído emitido pelas atividades produtivas DPI - Densidade de Potência de iluminação dB (Decibéis) Volume de resíduos 3.5. Taxa de reciclagem (RUZENE, 2011) reciclados/ Volume (ISO, 2004; RUZENE, 2011) total 4.1. Fornecedores e Prestadores de Serviços certificados 4 - Meio ambiente de entorno Nº de fornecedores com alguma certificação ambiental / Nº total 4.2. Resíduos gerados antes da reciclagem (emissões sólidas, (ISO, 2004) kg; L; m ³ líquidas e gasosas) 4.3. Potencial de Aquecimento Ton. de CO2/ Ton. Global produzida (ISO, 2004; VELEVA e ELLENBECKER, 2001 (CAMPOS e MELO, 2008; VELEVA e ELLENBECKER, 2001) 10 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 4.4. Nº de tecnologias limpas utilizadas Nº 4.5. Extensão de áreas da organização em áreas legalmente m² protegidas 5.1. Porcentagem da Receita Total de investimentos em ações % ou projetos sociais 5.2. Número de parcerias com projetos sociais ou comunitários Nº 5.3. Número de colaboradores 5 - Desenvolvimento Social que participam de trabalho Nº voluntário e/ou projetos sociais (CAMPOS e MELO, 2008) (CAMPOS e MELO, 2008) (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) 5.4. Número de iniciativas locais de limpeza ou reciclagem Nº (ISO, 2004) incentivadas ou patrocinadas Nº de pessoas 5.5.Comunidade beneficiada beneficiadas / R$ (ISO, 2004) investido 6.1. Custos associados à manutenção de um sistema de gestão ambiental (formal ou R$ (ISO, 2004) % (ISO, 2004) R$ (ISO, 2004) R$ (ISO, 2004) informal) 6.2. Retorno sobre investimentos em projetos de melhoria ambiental 6 - Econômicofinanceiro 6.3. Economia obtida por meio da redução de consumo de recursos naturais ou reciclagem de resíduos 6.4. Custos com multas ambientais ou ações/procedimentos corretivos 6.5.Taxa de reclamações e retornos 7 - Recursos humanos 7.1. Número de acidentes de trabalho por período estabelecido Nº de reclamações / Retornos por produto vendido Nº de acidentes/ano (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) 11 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 7.2. Treinamentos ambientais Nº Horas de treinamento/funcionário (Nº de colaboradores treinados/Nº de 7.3. Necessidade de Treinamento (ISO, 2004) colaboradores que necessitam de treinamento) x 100 (%) 7.4. Taxa de turnover 7.5. Porcentagem de satisfação no trabalho Taxa (anual) % (Baseado em (VELEVA e questionário de ELLENBECKER, 2001) satisfação) (Nº de materiais 8.1. Porcentagem de materiais biodegradáveis utilizados por produto biodegradáveis utilizados no produto/ Nº de materiais totais utilizados no produto) x 100 (%) (Nº de materiais biodegradáveis 8 – Produto 8.2. Porcentagem de materiais utilizados nas biodegradáveis utilizados nas embalagens / Nº de embalagens materiais totais utilizados nas (VELEVA e ELLENBECKER, 2001) embalagens) x 100 (%) 8.3. Porcentagem de produtos recolhidos a partir de políticas de logística reversa 8.4. Porcentagem de embalagens recolhidas a partir de políticas de logística reversa 8.5. Durabilidade do produto (Quantidade recolhida de produtos / Quantidade total produzida) x 100 (%) (Quantidade recolhida de embalagens / Quantidade total produzida) x 100 (%) Tempo de uso em horas (ISO, 2004) Nº Reportagens /mês (ISO, 2004) 9.1. Número de reportagens na 9 – Mídia mídia sobre o desempenho ambiental da empresa 12 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 9.2. Número de consultas ou comentários relacionados ao desempenho ambiental via canais Nº consultas / mês de comunicação (SAC, dentre outros) 9.3. Índice de aprovação na comunidade (por meio de % pesquisas) 9.4. Índice de aprovação da Política Ambiental pela Diretoria / Acionistas (por meio de % pesquisa de satisfação) 9.5. Nº de premiações e/ou selos ambientais obtidos pela Empresa Nº Fonte: Elaboração própria a partir de Veleva e Ellenbecker (2001), ISO, (2004), Sellito et al. 2010, Campos e Melo (2008) e Ruzene (2011) 5. Considerações finais O presente artigo consistiu na elaboração de um roteiro qualitativo de indicadores para medição de desempenho ambiental de forma abrangente em empresas industriais. Realizou-se uma ampla revisão bibliográfica sobre o assunto e a partir desta foram selecionados 45 indicadores distribuídos entre nove aspectos gerais. Foram selecionados como base para a escolha dos indicadores a norma NBR ISO 14031 e o trabalho de Veleva e Ellenbecker (2001), com o auxílio dos trabalhos de Campos e Melo (2008), Ruzene (2011) e Sellito et al. (2010). Os indicadores descritos neste artigo buscam avaliar o desempenho ambiental corporativo sob a ótica do tripé da sustentabilidade, com ampla abrangência, o que permite sua aplicação em diferentes ramos industriais. No entanto, uma vez definida a empresa objeto de implantação, adequações podem ser feitas nos indicadores e métricas conforme as especificidades de cada processo produtivo, suas matérias-primas, seus resíduos, sua política ambiental dentre outros fatores. As dificuldades encontradas ao longo do trabalho foram principalmente em relação à seleção dos indicadores e posterior alocação dentre os aspectos criados, de forma que representassem os objetivos de cada aspecto, o que motivou a escolha de indicadores mais genéricos. 13 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. A avaliação do desempenho ambiental é vista como um processo, pois sofre constantes mudanças e análises críticas para melhoria constante do Sistema de Gestão Ambiental (ISO, 2004). Portanto, devido ao objetivo do presente trabalho não compreender a aplicação prática do roteiro qualitativo, apresenta-se como sugestão para trabalhos futuros a sua implantação em uma empresa industrial, o que permitirá a sua complementação e aprimoramento constante. Agradecimento: Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo apoio financeiro à pesquisa. REFERÊNCIAS ANDRADE, M. M. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas. São Paulo, Atlas, 5° ed., 165p. 2002. BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2012. 3ed. CAMPOS, L. M. S.; MELO, D. A. Indicadores de desempenho dos sistemas de Gestão Ambiental (SGA): uma pesquisa teórica. Revista Produção, v. 18, n.3, pp. 540-555, 2008. DELMAS, M.; TOFFEL, M. W. Stakeholders and environmental management practices: an institutional framework. Business Strategy and the Environment, n.13, pp. 209-222, 2004. FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV), INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA), VITAE CIVILIS. Radar Rio +20: Por dentro da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. São Paulo, Nov. 2011. 40p. Disponível em: <http://www.radarrio20.org.br/arquivos/files/radarRio20-baixares.pdf > Acessado em 19 fev. 2013. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2007. GONZÁLEZ-BENITO, J.; LANNELONGUE, G.; QUEIRUGA, D. Stakeholders and environmental management systems: a synergistic influence on environmental imbalance. Journal of Cleaner Production, n. 19, pp. 1622-1630, 2011. HUNT, C. B.; AUSTER, E. R. Proactive environmental management: avoiding the toxic trap. Sloan Management Review. EUA: Putnam, Hayes & Bartlett, Winter 1990. ISO. International Organization for Standardization. ISO 14031 – Environmental Management - Environmental performance evaluation – Guidelines, 43p. 2004. ROHRICH, S. S.; CUNHA, J. C. A Proposição de uma taxonomia para análise da gestão ambiental no Brasil. Revista de Administração Contemporânea, v. 8, n. 4, pp. 81-97, 2004. 14 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. RUZENE, J. S. Gestão energética e ambiental de edificações: avaliação de metodologias para certificação. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica). Guaratinguetá: UNESP, 2011. 148p. SELLITO, M. A.; BORCHARDT, M.; PEREIRA, G. M. Modelagem para avaliação de desempenho ambiental em operações de manufatura. Gestão da Produção, v. 17, n. 1, pp. 95-109, 2010. SEIFFERT, M. E. B. ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental. São Paulo: Atlas, 2005. SOUZA, R. S. Evolução e condicionantes da gestão ambiental nas empresas. Revista Eletrônica de Administração. 30. ed, v. 8, n. 6, 2002. SILVA FILHO, J. C. G.; SICSÚ, A. B. Produção Mais Limpa: uma ferramenta da Gestão Ambiental aplicada às empresas nacionais. In: Anais do XXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP). Ouro Preto: UFOP, 2003. TACHIZAWA T. Gestão Ambiental e responsabilidade social corporativa. São Paulo: Atlas, 2005. VALLE, C. E. Qualidade Ambiental. São Paulo: SENAC, 2002. 4.ed. VELEVA, V.; ELLENBECKER, M. Indicators of sustainable production: framework and methodology. Journal of Cleaner Production, n. 9, pp. 519-549, 2001. 15