XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.
ELABORAÇÃO DE UM ROTEIRO DE
PESQUISA PARA AVALIAÇÃO DO
DESEMPENHO AMBIENTAL EM
EMPRESAS INDUSTRIAIS
Caio Henrique Zeviani (FCAV-UNESP )
[email protected]
Andreia Marize Rodrigues (FCAV-UNESP )
[email protected]
Marcelo Giroto Rebelato (FCAV-UNESP )
[email protected]
Nas últimas décadas as questões ambientais se tornaram mais
relevantes, sendo os impactos ambientais provenientes das atividades
produtivas paulatinamente mais presentes no momento da tomada de
decisão empresarial. Visando a contemplação daa variável ambiental
em suas atividades, as empresas passaram a adotar ações no sentido se
mitigar os efeitos negativos de suas atividades sobre o meio ambiente.
Porém, como em todas as atividades de uma empresa, as práticas
ambientais devem ser monitoradas com o intuito de acompanhar seu
comportamento e evolução, tornando-se importantes estudos que
contemplem indicadores para a avaliação do desempenho ambiental
das operações de uma empresa. Neste sentido, este artigo objetivou a
elaboração de um roteiro de pesquisa composto por parâmetros para
auxiliar empresas industriais na avaliação de seu desempenho
ambiental de forma ampla. Como resultado, o roteiro elaborado
apresenta indicadores e métricas a serem utilizadas para a pretendida
avaliação, organizados em nove categorias (aspectos) gerais, quais
sejam: organizacional, recursos naturais, instalações físicas, meio
ambiente de entorno, desenvolvimento social, econômico-financeiro,
recursos humanos, produto e mídia.
Palavras-chaves: Gestão Ambiental, indicadores de desempenho
ambiental, indicadores de desempenho ambiental na industria
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A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
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1. Introdução
Na década de 1950, impulsionados pela contaminação das águas da Baía de Minamata no
Japão, surgem os primeiros movimentos ambientalistas. Entretanto, é a partir da década de
1970 que se intensificam os debates e questionamentos acerca da relação entre o crescimento
econômico global e a manutenção da conservação ambiental (VALLE, 2002).
Em 1972 ocorreu a primeira reunião internacional de questionamento à política
desenvolvimentista vigente desde o período pós-guerra, intitulada Conferência das Nações
Unidas sobre o Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo. A
partir desta, vários encontros e conferências realizadas por líderes políticos e de organizações
do mundo todo ajudaram a formar o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Este termo
representa o ideário de uma evolução, ainda em curso, acerca da reflexão sobre a maneira
como o homem explora econômica, social e ambientalmente a Terra, vertentes conhecidas
como o tripé da sustentabilidade (FGV, 2013).
Desta maneira, as questões ambientais vêm se tornando mais relevantes, sendo os impactos
ambientais provenientes das atividades produtivas paulatinamente mais presentes no momento
da tomada de decisão empresarial. A inclusão da variável ambiental nas organizações de
forma estratégica é cada vez mais observada, seja por pressões legais ou por representar
oportunidades empresariais (SOUZA, 2010).
As empresas tornaram-se protagonistas no processo de Desenvolvimento Sustentável, ao
estabelecer políticas de meio ambiente e mecanismos de controle de impactos ambientais de
suas operações. Nesse cenário, é indispensável a sistematização de ações que versem sobre a
promoção do meio ambiente, como é o caso da adoção de Sistemas de Gestão Ambiental.
Porém, como em todas as atividades de uma empresa, as práticas ambientais devem ser
monitoradas com o intuito de acompanhar seu comportamento e evolução. Neste sentido,
tornam-se importantes estudos que contemplem indicadores para a avaliação do desempenho
ambiental das operações de uma empresa.
Desta maneira, o objetivo deste trabalho consiste na elaboração de um roteiro de pesquisa
composto por parâmetros que possam auxiliar empresas industriais na avaliação de seu
desempenho ambiental de forma ampla.
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Para cumprir os objetivos propostos, o presente artigo está estruturado em cinco tópicos, a
contar com esta introdução. Para embasamento teórico do trabalho, os tópicos dois e três
abordam a revisão bibliográfica realizada, contemplando os temas gestão ambiental
corporativa e indicadores de desempenho ambiental. O roteiro elaborado encontra-se
apresentado no tópico quatro e, por fim, considerações sobre o estudo são traçadas na sessão
cinco.
1.1 Metodologia
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa exploratória e de caráter qualitativo, que
envolve revisão de bibliografia em busca de adaptar e modificar idéias e conceitos existentes
para escopos mais precisos (GIL, 2007). Andrade (2002) destaca algumas finalidades da
pesquisa exploratória, dentre elas: proporcionar maiores informações sobre o assunto que se
vai investigar; facilitar a delimitação do tema de estudo, orientar a fixação dos objetivos e a
formulação de hipóteses, ou descobrir um novo tipo de enfoque sobre o assunto.
Para cumprir os objetivos aos quais se propõe o presente trabalho foi dividido em três etapas:
i) Levantamento bibliográfico a respeito de Gestão Ambiental Corporativa e indicadores
para avaliação de desempenho ambiental;
ii) Seleção e adaptação de indicadores e parâmetros relacionados à avaliação de desempenho
ambiental inserido no tripé da sustentabilidade;
iii) Elaboração de um roteiro qualitativo estruturado com indicadores para levantamento de
dados e auditoria ambiental em empresas industriais.
2. Gestão Ambiental Corporativa: definição e conceitos
O termo Gestão Ambiental é utilizado para designar iniciativas administrativas e operacionais
cujo objetivo centra-se na obtenção de resultados positivos sobre o meio ambiente, tais como
a redução ou eliminação de danos causados pelas ações humanas e a utilização de práticas
para evitar sua ocorrência. No contexto corporativo, Barbieri (2012) define a Gestão
Ambiental Empresarial como as diferentes atividades administrativas e operacionais
realizadas pela empresa para lidar com problemas ambientais provenientes da sua produção
ou para evitar que tais problemas ocorram no futuro.
Normalmente, a Gestão Ambiental Empresarial é implantada por meio de um Sistema de
Gestão Ambiental (SGA) que atenda às condições de ser viável economicamente, minimizar
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seus impactos ambientais, garantir uma produção mais sustentável, trazer vantagens
competitivas à empresa e responder adequadamente às pressões regulatórias, de acionistas e
de consumidores. Salienta-se que, para adotar um SGA, a empresa possui uma série de
normas ambientais que podem servir como base para sua implementação, como é o caso das
normas da série ISO 14000. Além disso, a organização pode ou não optar por sua certificação,
já que muitas empresas adotam os critérios de normas ambientais sem, entretanto, realizar as
auditorias externas necessárias ao processo de certificação.
Dentre as vantagens associadas à implantação de um SGA estão a redução de custos
provenientes da menor quantidade de recursos utilizados, a maior facilidade de entrada em
mercados internacionais, melhoria da imagem da empresa, cumprimento da legislação
ambiental vigente e atração de consumidores preocupados com a questão ambiental (SILVA
FILHO e SICSÚ, 2003; SEIFFERT, 2005).
Como as demais atividades da empresa, as práticas empresariais voltadas para a mitigação dos
impactos ambientais das atividades produtivas devem ser mensuradas e avaliadas objetivando
o direcionamento das ações praticadas bem como o conhecimento da evolução da Gestão
Ambiental praticada. Para esta finalidade, muitos autores propõem metodologias e
ferramentas para a avaliação do desempenho ambiental das empresas. Entre essas, destacamse os trabalhos de Campos e Melo (2008), Delmas e Tofel (2004), Hunt e Auster (1990),
Rohrich e Cunha (2004), além de normas ambientais que podem ter seus indicadores
utilizados para este fim, como é o caso das normas da série ISO 14000.
Neste sentido, a seguir são brevemente descritos os principais conceitos relacionados a
indicadores e ferramentas para a avaliação do desempenho ambiental de uma empresa.
3. Indicadores de desempenho ambiental: ferramentas e metodologias de análise
A obtenção de informações de uma dada realidade é um processo que engloba a coleta de
dados quantitativos e qualitativos diversos que representem determinada realidade. Neste
sentido, indicadores são variáveis estabelecidas que representam atributos e fornecem
informações importantes sobre sistemas físicos, sociais ou econômicos, permitindo uma
análise de relação causa-efeito (VELEVA e ELLENBECKER, 2001).
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Os indicadores são variáveis e, como tal, devem conter métricas específicas que permitam sua
medição, sendo eles uma forma quantitativa e passível de medição que permitem se atingir as
metas e os objetivos traçados.
Para a implantação de indicadores como medida de desempenho empresarial são necessárias
decisões de nível estratégico intimamente relacionadas com a missão da organização, cabendo
a ela identificar fatores críticos de sucesso, a partir de sua estratégia empresarial, que
revelarão processos que podem ser melhorados (TACHIZAWA, 2005). O mesmo vale para
indicadores de desempenho ambiental em empresas, que devem ser estabelecidos em nível
estratégico com apoio da alta administração. A escolha e uso de indicadores ambientais é
parte do processo de implantação de um Sistema de Gestão Ambiental, onde as firmas devem
estabelecer mecanismos de identificação, mensuração e monitoramento de seus impactos
ambientais. Todas as operações devem seguir diretrizes e objetivos constantes de uma política
ambiental corporativa criada previamente; responsabilidades devem ser estabelecidas em
todas as áreas bem como formas de coordenação e controle das atividades ambientais dentro
da organização (GONZÁLEZ-BENITO et al., 2011).
Diferentes indicadores ambientais podem transmitir informações a partir de medições diretas,
relativas ou índices estabelecidos. Podem se apresentar de forma agregada ou ponderada, de
acordo com as informações e o uso que se pretende, sendo conveniente que tais agregações e
ponderações sejam realizadas de forma a assegurar a consistência, clareza, verificabilidade e
comparabilidade desses indicadores (ISO, 2004).
A seguir encontram-se brevemente descritas as abordagens das quais foram selecionados os
indicadores utilizados para a elaboração do roteiro metodológico proposto neste trabalho.
3.1 Metodologia de Veleva e Ellenbecker (2001)
Veleva e Ellenbecker (2001) propõem uma nova metodologia de medição de desempenho
ambiental em empresas focada na produção e operações, e baseada num quadro com seis
aspectos de produção sustentável que reúnem ao todo 22 (vinte e dois) indicadores de
desempenho aplicáveis a qualquer organização. Os aspectos selecionados pelos autores
constituem-se em: i) energia e consumo de materiais; ii) meio ambiente natural; iii) justiça
social e desenvolvimento comunitário; iv) desempenho econômico; v) trabalhadores; e vi)
produtos. O número de indicadores por aspecto é variável e todos os indicadores apresentam a
métrica utilizada em sua medição.
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3.2 A ISO 14031 (2004)
Intitulada “Avaliação de desempenho ambiental - Diretrizes”, a ISO 14031 fornece bases para
o projeto e uso da avaliação de desempenho ambiental em organizações. São propostas duas
categorias de indicadores de desempenho ambiental: i) indicadores de desempenho gerencial
(IDG) e ii) indicadores de desempenho operacional (IDO). São fornecidos modelos de 44
IDGs e 63 IDOs que avaliam o desempenho ambiental, econômico, social e operacional de
qualquer organização.
3.3 O trabalho de Sellito et al. (2010)
Em estudo multicasos, Sellito et al. (2010) testam o método SBP para gerar modelos de
medição de desempenho ambiental em operações de manufatura. A escolha, organização e
implantação dos indicadores são pautadas em cinco construtos estabelecidos pelos autores
conjuntamente com especialistas: i) emissões atmosféricas, ii) efluentes líquidos, iii) resíduos
sólidos; iv) uso de recursos; e v) gestão e atendimento à legislação. Este último, de grande
importância, pois é considerado como um construto intermediário e necessário para os
demais. O modelo foi aplicado em uma empresa avícola produtora de ovos, em uma
manufatura de materiais elétricos, em uma manufatura de materiais mecânicos, em uma
fábrica de rações para frangos e suínos e em uma operação de estamparia de chapas para
montadoras de veículos.
3.4 Os aspectos de Ruzene (2011)
Em sua dissertação, Ruzene (2011) realiza uma avaliação comparativa de metodologias de
gestão energética e ambiental em edificações entre o Sistema LEED e o Sistema do
INMETRO. Foram analisados aspectos do ambiente construído, incluindo instalações, layout,
conforto ambiental, incluindo iluminação e ventilação, consumo de água e gerenciamento de
resíduos, enquadrando-os de acordo com as condições exigidas nas normas brasileiras.
3.5 Indicadores de Campos e Melo (2008)
Campos e Melo (2008) apresentam uma pesquisa teórica baseada na norma ISO 14031, e
complementada por outros autores, com os principais tipos de indicadores de desempenho
gerencial e operacional. São fornecidos indicadores absolutos e relativos, distribuídos em 12
quadros e totalizando aproximadamente 200 indicadores que podem ser estratégicos para a
organização em conformidade com sua política, objetivos e metas.
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4. Resultados e discussão
O presente tópico consiste na apresentação e descrição dos aspectos selecionados para
avaliação de desempenho ambiental em empresas industriais. Posteriormente, o Quadro 1
apresenta o roteiro de pesquisa qualitativo elaborado. Este roteiro apresenta os indicadores e
as métricas a serem utilizadas para as avaliações, organizados em nove categorias (aspectos)
gerais, quais sejam: organizacional, recursos naturais, instalações físicas, meio ambiente de
entorno, desenvolvimento social, econômico-financeiro, recursos humanos, produto e mídia.
Neste mesmo quadro são elencadas as fontes (parâmetros) utilizadas para sua elaboração.
A confecção do roteiro proposto por este trabalho foi produto de adaptações da norma ABNT
NBR ISO 14.031 de 2004 e o trabalho de Veleva e Ellenbecker (2001). Complementações
metodológicas foram feitas com contribuições das publicações de Campos e Melo (2008),
Ruzene (2008) e Sellito et al. (2010), principalmente na criação e inclusão de outros aspectos
e indicadores.
Os estudos de Ruzene (2011) auxiliaram na criação do aspecto “Instalações Físicas” bem
como na composição de seus indicadores e métricas, enquanto o trabalho de Sellito et al.
(2010) foi adotado para o estabelecimento de indicadores de consumo de recursos naturais e
de geração de resíduos. Campos e Melo (2008) trouxeram indicadores relacionados às
tecnologias limpas, à extensão da organização em áreas protegidas e ao potencial de
aquecimento global.
A escolha dos trabalhos utilizados para a elaboração do roteiro justifica-se pela garantia de
base teórica adequada, conferindo confiabilidade e credibilidade. Cada um dos nove aspectos
estabelecidos compõe-se de cinco indicadores, perfazendo um total de quarenta e cinco
indicadores. A seguir são descritos os objetivos de cada aspecto considerado:
A) Primeiro Aspecto: Organizacional
Fornecer informações relacionadas aos esforços gerenciais para melhorar o desempenho
ambiental da empresa. O comprometimento e a participação da alta administração na
implantação e monitoramento de ações e Sistemas de Gestão Ambiental são variáveis
indispensáveis para seu sucesso dentro do processo de melhoria contínua (ISO, 2004).
B) Segundo Aspecto: Recursos Naturais
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Mensurar o consumo de matérias-primas, tóxicas ou não tóxicas e energia no processo
produtivo e nas suas atividades auxiliares.
C) Terceiro Aspecto: Instalações Físicas
Monitorar a sustentabilidade das instalações com base em aspectos de desempenho energético
e ambiental de edificações. A partir da racionalização do uso de recursos em uma edificação e
seu interior é possível evitar desperdícios, reduzir a geração de poluição e os custos indiretos,
sem deixar de levar em consideração aspectos de conforto e bem-estar.
D) Quarto Aspecto: Meio ambiente de entorno
Mensurar a geração de resíduos e rejeitos provenientes dos processos produtivos, os aspectos
potenciais de impactos ambientais (Indicador de potencial de aquecimento global) e a
sustentabilidade de fornecedores por meio de suas possíveis certificações ambientais.
E) Quinto Aspecto: Desenvolvimento Social
Avaliar a relação entre a política ambiental e os programas ambientais corporativos e a
comunidade, principalmente de entorno. Analisar se a comunidade está sendo respeitada e
beneficiada de forma direta e/ou indireta pela empresa e quanto de recurso está sendo
destinado para tal finalidade.
F) Sexto Aspecto: Econômico financeiro
Quantificar os custos associados à implantação e manutenção de um sistema de gestão
ambiental e quais os ganhos obtidos com o sistema.
G) Sétimo Aspecto: Recursos humanos
Avaliar o envolvimento dos funcionários com a política ambiental e o impacto desta na saúde
e bem-estar daqueles.
H) Oitavo Aspecto: Produto
Avaliar a sustentabilidade do produto pela óptica de sua composição, políticas de descarte e
ciclo de vida representado pelo indicador de durabilidade do produto.
I) Nono Aspecto: Mídia
Analisar o desempenho do sistema de gestão ambiental pela óptica de seus stakeholders e
auxiliar no levantamento de possíveis alterações a serem implantadas, dentro do processo de
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melhoria contínua. Algumas teorias de Administração estratégica sugerem que o sucesso da
organização depende de da sua capacidade de lidar com seus atores chave, criando valor e
satisfazendo suas necessidades e expectativas.
Alguns dos indicadores selecionados no presente estudo são amplamente utilizados em
medições de desempenho ambiental em empresas industriais, com métricas muitas vezes
semelhantes ou mesmo idênticas. Tais indicadores são citados por Veleva e Ellenbecker
(2001) como indicadores-padrão e mostram uma clara tendência entre investidores e
consumidores de implantar indicadores com base na característica de comparabilidade entre o
desempenho ambiental de diferentes empresas o que, de acordo com os autores, deve ser uma
das principais características dos indicadores de desempenho ambiental.
Quadro 1: Indicadores de desempenho ambiental para em empresas industriais
Aspectos
Indicadores
1.1. Taxa de metas ambientais
atingidas
1 – Organizacional
Métricas
Parâmetros
Nº de metas ambientais
atingidas/Nº total de
metas ambientais
1.2. Grau de implementação de
% de objetivos
objetivos por Unidade
atingidos por Unidade
organizacional
Organizacional
1.3. Grau de com
Nº de níveis gerenciais
Responsabilidades Ambientais
com responsabilidades
Gerenciais
ambientais específicas
(ISO, 2004)
Nº de Legislações
1.4. Taxa de atendimento a
Legislações Ambientais (Escala
0-1)
ambientais atendidas
(Federais, Estaduais e
(ISO, 2004; SELLITO et
Municipais) / Nº total
al. 2010)
de Legislações
pertinentes
1.5. Taxa de infrações ambientais
Nº de infrações, multas
e penalidades
(ISO, 2004)
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ambientais/ano
2.1. Consumo de água no
Litros (total e unidade
(ISO, 2004; VELEVA e
processo produtivo
de produto)
ELLENBECKER, 2001)
2.2. Consumo de energia elétrica
no processo produtivo
2 - Recursos Naturais
2.3. Consumo médio de
combustível da frota de veículos
2.4. Consumo de materiais
classificados como tóxicos no
processo produtivo
(ISO, 2004; SELLITO et
kW/h
al. 2010; VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
Litros/veículo
(ISO, 2004)
kg (total e por unidade
VELEVA e
de produto)
ELLENBECKER, 2001
2.5. Consumo de matérias-primas kg (total e por unidade
(ISO, 2004; VELEVA e
comuns (não tóxicas)
ELLENBECKER, 2001)
3.1. Capacidade produtiva por
área
de produto)
Volume de
produção/Área
(ISO, 2004)
produtiva
Nº de dispositivos com
acionamento e
3.2. Economia de água interna
desligamento
(RUZENE, 2011)
automático/ Nº total de
dispositivos
3 - Instalações Físicas
3.3. Eficiência na iluminação
3.4. Nível de ruído emitido pelas
atividades produtivas
DPI - Densidade de
Potência de iluminação
dB (Decibéis)
Volume de resíduos
3.5. Taxa de reciclagem
(RUZENE, 2011)
reciclados/ Volume
(ISO, 2004; RUZENE,
2011)
total
4.1. Fornecedores e Prestadores
de Serviços certificados
4 - Meio ambiente de
entorno
Nº de fornecedores com
alguma certificação
ambiental / Nº total
4.2. Resíduos gerados antes da
reciclagem (emissões sólidas,
(ISO, 2004)
kg; L; m ³
líquidas e gasosas)
4.3. Potencial de Aquecimento
Ton. de CO2/ Ton.
Global
produzida
(ISO, 2004; VELEVA e
ELLENBECKER, 2001
(CAMPOS e MELO,
2008; VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
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4.4. Nº de tecnologias limpas
utilizadas
Nº
4.5. Extensão de áreas da
organização em áreas legalmente
m²
protegidas
5.1. Porcentagem da Receita
Total de investimentos em ações
%
ou projetos sociais
5.2. Número de parcerias com
projetos sociais ou comunitários
Nº
5.3. Número de colaboradores
5 - Desenvolvimento
Social
que participam de trabalho
Nº
voluntário e/ou projetos sociais
(CAMPOS e MELO,
2008)
(CAMPOS e MELO,
2008)
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
5.4. Número de iniciativas locais
de limpeza ou reciclagem
Nº
(ISO, 2004)
incentivadas ou patrocinadas
Nº de pessoas
5.5.Comunidade beneficiada
beneficiadas / R$
(ISO, 2004)
investido
6.1. Custos associados à
manutenção de um sistema de
gestão ambiental (formal ou
R$
(ISO, 2004)
%
(ISO, 2004)
R$
(ISO, 2004)
R$
(ISO, 2004)
informal)
6.2. Retorno sobre investimentos
em projetos de melhoria
ambiental
6 - Econômicofinanceiro
6.3. Economia obtida por meio da
redução de consumo de recursos
naturais ou reciclagem de
resíduos
6.4. Custos com multas
ambientais ou
ações/procedimentos corretivos
6.5.Taxa de reclamações e
retornos
7 - Recursos humanos
7.1. Número de acidentes de
trabalho por período estabelecido
Nº de reclamações /
Retornos por produto
vendido
Nº de acidentes/ano
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
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7.2. Treinamentos ambientais
Nº Horas de
treinamento/funcionário
(Nº de colaboradores
treinados/Nº de
7.3. Necessidade de Treinamento
(ISO, 2004)
colaboradores que
necessitam de
treinamento) x 100 (%)
7.4. Taxa de turnover
7.5. Porcentagem de satisfação no
trabalho
Taxa (anual)
% (Baseado em
(VELEVA e
questionário de
ELLENBECKER, 2001)
satisfação)
(Nº de materiais
8.1. Porcentagem de materiais
biodegradáveis utilizados por
produto
biodegradáveis
utilizados no produto/
Nº de materiais totais
utilizados no produto) x
100 (%)
(Nº de materiais
biodegradáveis
8 – Produto
8.2. Porcentagem de materiais
utilizados nas
biodegradáveis utilizados nas
embalagens / Nº de
embalagens
materiais totais
utilizados nas
(VELEVA e
ELLENBECKER, 2001)
embalagens) x 100 (%)
8.3. Porcentagem de produtos
recolhidos a partir de políticas de
logística reversa
8.4. Porcentagem de embalagens
recolhidas a partir de políticas de
logística reversa
8.5. Durabilidade do produto
(Quantidade recolhida
de produtos /
Quantidade total
produzida) x 100 (%)
(Quantidade recolhida
de embalagens /
Quantidade total
produzida) x 100 (%)
Tempo de uso em horas
(ISO, 2004)
Nº Reportagens /mês
(ISO, 2004)
9.1. Número de reportagens na
9 – Mídia
mídia sobre o desempenho
ambiental da empresa
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9.2. Número de consultas ou
comentários relacionados ao
desempenho ambiental via canais
Nº consultas / mês
de comunicação (SAC, dentre
outros)
9.3. Índice de aprovação na
comunidade (por meio de
%
pesquisas)
9.4. Índice de aprovação da
Política Ambiental pela Diretoria
/ Acionistas (por meio de
%
pesquisa de satisfação)
9.5. Nº de premiações e/ou selos
ambientais obtidos pela Empresa
Nº
Fonte: Elaboração própria a partir de Veleva e Ellenbecker (2001), ISO, (2004), Sellito et al. 2010, Campos e
Melo (2008) e Ruzene (2011)
5. Considerações finais
O presente artigo consistiu na elaboração de um roteiro qualitativo de indicadores para medição
de desempenho ambiental de forma abrangente em empresas industriais. Realizou-se uma ampla
revisão bibliográfica sobre o assunto e a partir desta foram selecionados 45 indicadores
distribuídos entre nove aspectos gerais.
Foram selecionados como base para a escolha dos indicadores a norma NBR ISO 14031 e o
trabalho de Veleva e Ellenbecker (2001), com o auxílio dos trabalhos de Campos e Melo
(2008), Ruzene (2011) e Sellito et al. (2010).
Os indicadores descritos neste artigo buscam avaliar o desempenho ambiental corporativo sob
a ótica do tripé da sustentabilidade, com ampla abrangência, o que permite sua aplicação em
diferentes ramos industriais. No entanto, uma vez definida a empresa objeto de implantação,
adequações podem ser feitas nos indicadores e métricas conforme as especificidades de cada
processo produtivo, suas matérias-primas, seus resíduos, sua política ambiental dentre outros
fatores.
As dificuldades encontradas ao longo do trabalho foram principalmente em relação à seleção
dos indicadores e posterior alocação dentre os aspectos criados, de forma que representassem
os objetivos de cada aspecto, o que motivou a escolha de indicadores mais genéricos.
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A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
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A avaliação do desempenho ambiental é vista como um processo, pois sofre constantes
mudanças e análises críticas para melhoria constante do Sistema de Gestão Ambiental (ISO,
2004). Portanto, devido ao objetivo do presente trabalho não compreender a aplicação prática
do roteiro qualitativo, apresenta-se como sugestão para trabalhos futuros a sua implantação
em uma empresa industrial, o que permitirá a sua complementação e aprimoramento
constante.
Agradecimento:
Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)
pelo apoio financeiro à pesquisa.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. M. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas. São Paulo,
Atlas, 5° ed., 165p. 2002.
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elaboração de um roteiro de pesquisa para avaliação do