General Chefe do Estado-Maior do Exército ALOCUÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O GENERAL CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO Vila Real, 20 de setembro de 2015 General Chefe do Estado-Maior do Exército Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional Digna-se Vossa Excelência presidir a esta cerimónia militar que assinala mais um aniversário do Exército. Encaramos a sua presença como o reconhecimento do insubstituível serviço que homens e mulheres prestam no Exército, cumprindo as missões atribuídas e prestigiando Portugal. Interpretamos também esta sua presença como sinal de confiança no constante empenhamento dos militares e civis do Exército, que servem devotadamente em múltiplas missões, não obstante as acrescidas dificuldades e circunstâncias que a situação do País a todos tem colocado no plano socioeconómico. Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Real A concretização destas comemorações nesta cidade, muito deve à pronta disponibilidade e ao inestimável apoio e empenho que Vossa Excelência manifestou desde o primeiro momento, evidência inequívoca da excelência das relações e da estreita cooperação que, de há longa data, as instituições que aqui representamos, os cidadãos de Vila Real e as demais entidades locais e regionais mantêm entre si. Este é um sentimento que preservamos e de que muito nos orgulhamos. A presença nas diferentes parcelas do território e a proximidade à população são elementos fundamentais da matriz do Exército. Nunca é demais afirmar o apoio e o incentivo que o Exército aqui sempre encontrou e encontra, e ao qual procura retribuir a cada dia. A escolha de Vila Real para estas comemorações é em si também uma forma de o Exército manifestar o seu reconhecimento e agradecimento por este facto. Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real 1 General Chefe do Estado-Maior do Exército Excelentíssima Senhora Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional O Exército entende a presença de Vossa Excelência nestas cerimónias, como um sinal de confiança no nosso constante empenhamento em torno dos objetivos da Defesa Nacional, na defesa dos superiores interesses do Estado. Excelentíssimo Senhor Presidente da União de Freguesias de Vila Real Excelentíssimos Senhores Deputados da Assembleia da República Excelentíssimos Senhores Generais, Antigos Chefes do Estado-Maior do Exército É sempre muito importante para o Exército, e de modo muito particular para o seu Comandante, poder contar com a vossa presença, em tão importante momento da vida da nossa Instituição. É uma presença que nos incentiva a prosseguir na procura de um futuro sempre melhor. Minhas Senhoras e Meus Senhores O Exército a todos saúda e agradece a vossa presença neste dia festivo. Nesta assistência gostaria de realçar, e enviar um agradecimento especial, a todos os cidadãos de Vila Real hoje aqui presentes, sinal claro da ligação do Exército ao povo do qual emana. Estarem aqui connosco é para nós gratificante. Nas Forças em Parada destaco a ausência, pela primeira vez em largos anos, das alunas do Instituto de Odivelas. As alterações impostas por motivo da reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino não Superior determinaram o encerramento desta histórica e secular instituição. Após 115 anos no seio do Exército e com um percurso educativo e cultural de longas tradições e de inquestionável valor e prestígio, durante o qual foi o berço de gerações de portuguesas, filhas de militares e de civis, que se notabilizaram nas mais variadas áreas do saber e lhe conferiram um estatuto de Escola de Excelência, a memória do Instituto de Odivelas é credora do reconhecimento do 2 General Chefe do Estado-Maior do Exército Exército e do País pelos notáveis serviços prestados nas áreas da educação e da cultura. O Comando do Exército continuará decididamente a apoiar um projeto Militar de Ensino não Superior alicerçado nos valores, nas dinâmicas e nos princípios que sempre nortearam esta e as demais instituições que desde sempre têm mantido viva a chama do Exército nesta área. O dia do Exército marca a data da Tomada de Lisboa, em paralelo com a homenagem realizada ao nosso patrono, D. Afonso Henriques, primeiro Rei e primeiro Chefe Militar, a quem se deve a afirmação da Nação Portuguesa. O Exército afirmou-se nesse dia; é uma Instituição Nacional nascida com a Fundação da Nacionalidade, presente em todos os grandes momentos da nossa História, que sendo obra coletiva dos Portugueses, o é de modo destacado dos seus Soldados. Caracterizado pelo patriotismo, o esforço militar tem sido determinante na construção, na preservação e na afirmação da independência, da soberania e dos interesses de Portugal. Revemo-nos na abnegação e no patriotismo dos nossos antepassados e fazemos desses valores os fundamentos da personalidade coletiva do Exército, do carácter individual dos seus Militares e da afirmação dos nossos mais profundos valores castrenses, congregados na Condição Militar. Condição Militar que nos diferencia dos demais servidores do Estado, pela acrescida responsabilização, no quadro de deveres e de renúncia de direitos de cidadania sem paralelo na sociedade nacional, que nos confere a legitimidade para comandar homens e mulheres nas situações de máximo risco e de, em conjunto, assumirmos os maiores sacrifícios, na defesa dos interesses nacionais. Embora bem ciente da ainda frágil situação em que o país se encontra e do imperativo moral de repartição de sacrifícios, o Comando do Exército manifesta a legítima espectativa de que desenvolvimentos positivos se traduzam, logo que possível, na reposição das condições de vida dos seus militares e das suas famílias, após um período de emergência em que foram abaladas as bases da condição militar. O elemento humano constitui, no Exército, o centro de todas as realizações. O reconhecimento desta centralidade evidencia no Exército a sua dimensão abrangente 3 General Chefe do Estado-Maior do Exército que para além dos militares do Ativo, engloba e se revê nos seus militares na Reserva e na Reforma, nos ex-combatentes e em todos quantos connosco cumpriram as suas obrigações militares, ao serviço de Portugal. Presto sentida homenagem à memória de todos os militares que nos antecederam, em particular, aos que ao longo da História tombaram por Portugal, no supremo sacrifício pela Pátria e a todos os Deficientes das Forças Armadas, credores do respeito da Nação e do apoio e solidariedade do Estado. Saúdo hoje em particular o Cabo-Adjunto Comando Horácio Mourão, gravemente ferido em combate no Afeganistão em 2005, que está connosco nesta comemoração do Dia do Exército. Presto igualmente homenagem à Família Militar pelo generoso apoio de retaguarda, nem sempre reconhecido e que constitui indispensável fator moral e psicológico de coesão e disponibilidade do cidadão militar e afirmo também a responsabilidade inalienável do Comando do Exército, no que se refere à defesa do apoio social que lhe é devido e no acompanhamento da efetiva ação nesse domínio. Mas se o Exército celebra e comemora hoje o seu honroso passado, é no presente e no futuro que o Comando do Exército deve concentrar a sua atenção, procurando garantir as condições necessárias ao cumprimento da nossa Missão no presente e preparando o nosso legado para entregar a Missão às gerações que no futuro nos sucederão. Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional Ilustres Convidados Desenvolvimentos recentes demonstram que, na evolução do ambiente estratégico internacional, nada deve ser dado como adquirido. Novas ameaças emergem, velhas ameaças reemergem e novas formas de fazer a guerra são assumidas por entidades não estatais e até por alguns Estados. Novas formas de fazer a guerra que esbatem ainda mais as tradicionais fronteiras entre segurança externa e interna, e que exigem das forças militares enorme flexibilidade na sua estruturação, preparação e emprego. A 4 General Chefe do Estado-Maior do Exército velocidade destes desenvolvimentos recentes demonstra ainda que opiniões públicas, decisores políticos e aparelhos militares convivem mal com a surpresa, dilatando tempos de reação e, assim, aumentando desnecessariamente os riscos para a segurança dos Estados, das suas populações, territórios e interesses. Hoje, como tantas vezes aconteceu ao longo da História nas mais diversas geografias, a impreparação dos Exércitos implica um grau de risco que poderá vir a revelar-se como incomportável. Ao Exército deve, assim, ser proporcionada a necessária estabilidade que lhe permita concentrar-se na sua função principal, o desempenho eficaz das missões que lhe são confiadas no presente e a preparação do Sistema de Forças Terrestre para o desempenho das missões que poderão vir a ser-lhe confiadas no futuro. Esta estabilidade não se compadece com processos de reestruturação sucessivos e sobrepostos, os quais não têm permitido as necessárias validações e têm, até, gerado desperdícios na afetação de recursos. O Exército necessita que, ao processo de reestruturação em curso, seja dado o tempo suficiente para que a sua implementação se faça sem sobressaltos e sem inflexões de rumo geradoras de uma contraproducente instabilidade. Ainda sobre a implementação da reestruturação em curso, gostaria de sublinhar que as revisões legislativas e documentos estruturantes produzidos são relevantes mas não configuram, por si só, a materialização de quaisquer progressos. O presente que vivemos continua marcado pela conjuntura socioeconómica que impõe fortes restrições financeiras e de contenção relativamente a grandes programas de investimento, e os ajustamentos considerados necessários pela tutela incluíram o cancelamento de alguns projetos considerados como estruturantes. Para que os documentos produzidos ultrapassem o plano das intenções, torna-se necessário que a atribuição de recursos se adeque à manutenção e levantamento das capacidades definidas no Sistema de Forças 2014, na totalidade dos respetivos elementos funcionais, para que seja possível caminharmos, sem sobressaltos, para o cumprimento do nível de ambição que se encontra definido. É sabido que o cálculo das necessidades de investimento para modernizar moderadamente o Exército, ascendem a cerca de dois Mil Milhões de Euros. 5 General Chefe do Estado-Maior do Exército Ficamos com uma ideia clara da situação se tivermos em conta os valores considerados até 2026, à distância de mais de uma década, da ordem dos 670 Milhões de Euros, ou seja, cerca de 30% das necessidades do Sistema de Forças Terrestre. Neste contexto, reafirmo hoje que existem quatro projetos estruturantes, aos quais o Exército dá a mais elevada prioridade: O Projeto do Equipamento Individual, de importância para todas as forças, mas especialmente para as forças de Operações Especiais; O Projeto das Viaturas Táticas Ligeiras Blindadas, que visa assegurar mobilidade tática terrestre garantindo também proteção blindada ligeira; O Projeto do Sistema de Informação e Comunicações Tático, que dotará os Comandos das Brigadas e respetivas subunidades, com um sistema de comando e controlo que satisfaça os requisitos NATO e, simultaneamente, permita a ligação a outras organizações nacionais através das estruturas projetáveis dos três comandos de brigada; E, por último, o Projeto da capacidade de Informações, Vigilância, Aquisição de Objetivos e Reconhecimento Terrestre que irá colmatar uma reconhecida lacuna no âmbito dos meios de obtenção, processamento e difusão de Informações para apoio a unidades de escalão Brigada e Batalhão, em operações. Concorrendo para este projeto está planeada a aquisição de Veículos Aéreos Não Tripulados táticos, radares e sensores, meios de guerra eletrónica e de fusão de informações. Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional Ilustres Convidados Centrar-me-ei agora sobre as pessoas, pois são elas que ultrapassam os obstáculos, que encontram respostas para os desafios e que constituem o garante da operacionalidade de qualquer força militar. 6 General Chefe do Estado-Maior do Exército Numa autobiografia publicada recentemente no Reino Unido, o general David Richards comandante das forças da NATO no Afeganistão em 2006 e 2007- não poupa adjetivos nos elogios aos militares do Exército Português que operaram sob o seu comando direto naquela operação da NATO. São dele as seguintes palavras: “Durante o meu tempo à frente da ISAF estive dependente – por vezes de forma exagerada – das tropas portuguesas. Desenvolvi uma ligação emocional muito estreita, porque muitas vezes tive de os mandar para zonas e operações muito complicadas. Não tinha alternativa. Eram eles ou mais ninguém. Mas os portugueses saíram-se sempre de forma brilhante”. E acrescenta: “Os portugueses foram verdadeiros heróis, uma tropa excelente, corajosa e destemida, um exemplo a nível estratégico”. É muito gratificante para todo o Exército, e deveria sê-lo para todo o País, ver desta forma reconhecido o desempenho dos seus militares em operações. A propósito, gostaria de deixar aqui duas reflexões: - A primeira decorre do facto de que nós, militares, temos o dever de reconhecer uma guerra quando a vemos ou combatemos. Sob as politicamente corretas mas por vezes enganadoras designações de “Operações de Resposta a Crises” ou “Operações de Apoio à Paz ou Humanitárias”, militares portugueses têm sido enviados para verdadeiros Teatros de Guerra como o do Afeganistão, na defesa dos interesses do Estado no âmbito da segurança cooperativa. Quem decide o emprego das Forças tem o dever moral de garantir que os militares partem treinados e equipados por forma a que, cumprindo as suas missões, a sua capacidade de sobrevivência seja maximizada. O Comando do Exército tem o dever profissional de garantir que assim seja; - A segunda reflexão prende-se com a mágoa que sentimos quando constatamos que as novas campanhas em que o Exército tem participado não chegam, como deviam, ao conhecimento do grande público, em grande parte pelo desinteresse quase generalizado dos órgãos de comunicação social de projeção nacional, cujos critérios editoriais raras vezes incluem as matérias da defesa e da segurança. 7 General Chefe do Estado-Maior do Exército Neste dia de comemoração para o Exército, saúdo todos os militares em missões no exterior do território nacional, nas Forças Nacionais Destacadas, nos Quartéis-Generais Multinacionais, em missões de observação, de ligação e em ações de cooperação técnico-militar, reconhecendo o seu profissionalismo, dedicação e patriotismo e afirmando-lhes o meu orgulho pela forma como representam o Exército e dignificam Portugal. O Soldado e o Combatente são o garante da eficácia, o valor principal e permanente das forças militares, constituindo o recrutamento e a renovação do capital humano uma preocupação estrutural e permanente do Exército. A captação de recursos humanos para servir nas fileiras não deve ser apenas uma preocupação do Exército ou das Forças Armadas, mas sim de todas as estruturas do Estado que para ela possam contribuir. A prestação de serviço no Exército tem de ser atrativa para as camadas mais jovens da população, atratividade que, num sistema de voluntariado, assenta necessariamente na existência de incentivos adequados e motivadores. Ainda no âmbito dos recursos humanos e da sua obtenção, gostaria de deixar aqui também uma reflexão: num clima social que exalta o individualismo, muitas vezes sinónimo de egoísmo, importa recuperar e potenciar o sentido do coletivo em prol do bem comum, não devendo ser liminarmente afastada a possibilidade, hoje considerada como remota, de ser reequacionada a reintrodução do Serviço Efetivo Normal como resposta a evoluções negativas da situação internacional ou à continuação do enfraquecimento da base de recrutamento nacional. Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa Nacional Ilustres Convidados Militares e Funcionários Civis do Exército O Exército tem hoje como expressão visível a sua componente operacional e como sinal claro de ligação à comunidade nacional, as relações que estabelece com as entidades civis e as ações que desenvolve em proveito das populações. Os nossos militares estão nos Teatros de Operações mais exigentes, sem qualquer tipo de restrições de emprego 8 General Chefe do Estado-Maior do Exército operacional sendo o Exército Português, reconhecidamente, parceiro dos Exércitos tidos como referência. A qualidade do desempenho dos militares do Exército nas missões internacionais que são chamados a cumprir demonstra a qualidade da nossa formação e do nosso treino. O nosso empenho, e desempenho, no cumprimento de missões de apoio ao desenvolvimento e bem-estar das populações é publicamente enaltecido pelos autarcas e é muito gratificante para os nossos militares sentirem, de forma direta no terreno, o reconhecimento das populações destinatárias do nosso apoio. Este empenho, e desempenho, requer e exige militares motivados, disponíveis e imbuídos do espirito de bem-servir. Também por isto é imprescindível garantir ao Exército, neste caso às pessoas que nele servem, um grau de estabilidade que permita salvaguardar a eficácia na atuação e assegurar a tranquilidade do efetivo e da família militar. Ninguém se concentra completamente nas suas tarefas quando são continuadamente reavaliadas as suas condições estatutárias, postas em causa as suas condições socio-económicas ou quando são lançadas dúvidas sobre a evolução de áreas tão importantes como as da saúde e do apoio social complementar. Militares do Exército Apesar das dificuldades que continuam a afetar-nos estamos e estaremos sempre, como militares, ao serviço da Nação, fiéis ao juramento que prestámos perante o Estandarte Nacional, juramento que honramos diariamente e honraremos durante toda a nossa vida, dispostos e disponíveis para, caso seja necessário, fazermos o derradeiro sacrifício de morrer pela nossa Pátria e pelo nosso Povo. A subordinação dos nossos interesses individuais aos interesses da coletividade não deve ser entendida como demonstração de fraqueza, mas sim como expressão da nobreza dos nossos valores e do nosso compromisso para com a Nação. Reafirmo o orgulho do Comando do Exército pelo modo como desempenham as missões que vos são atribuídas, pelas qualidades e valores militares que demonstram, pela vossa dedicação e abnegação. 9 General Chefe do Estado-Maior do Exército A todos os que servem Portugal no Exército, Militares e Funcionários Civis, manifesto o meu reconhecimento público pela forma competente e leal como cumprem as vossas funções. Antes de terminar quero reiterar os agradecimentos à câmara Municipal de Vila Real por todo o apoio disponibilizado e que muito ajudou à realização do Dia do Exército nesta bela cidade. Quero também agradecer, mais uma vez, a todos os cidadãos de Vila Real, que com a sua presença e carinho, constituíram uma prova física da ligação das gentes de Portugal ao seu Exército. Obrigado pela vossa presença. Vila Real, 20 de setembro de 2015 O Chefe do Estado-Maior do Exército CARLOS ANTÓNIO CORBAL HERNANDEZ JERÓNIMO General 10