CENTRO UNIVERSITÁRIO FEEVALE JOÃO CARLOS DA ROCHA JÚNIOR COMUNICAÇÃO INTERNA NAS ORGANIZAÇÕES: ESTUDO DE CASO DE UM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE LOCALIZADO EM NOVO HAMBURGO-RS Novo Hamburgo 2009 JOÃO CARLOS DA ROCHA JÚNIOR COMUNICAÇÃO INTERNA NAS ORGANIZAÇÕES: ESTUDO DE CASO DE UM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE LOCALIZADO EM NOVO HAMBURGO-RS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Relações Públicas pelo Centro Universitário Feevale Professor Orientador: Dr. Humberto Ivan Keske Novo Hamburgo 2009 JOÃO CARLOS DA ROCHA JÚNIOR Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Relações Públicas, com o título: COMUNICAÇÃO INTERNA NAS ORGANIZAÇÕES: ESTUDO DE CASO DE UM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE LOCALIZADO EM NOVO HAMBURGO-RS, submetido ao corpo docente do Centro Universitário Feevale, como requisito necessário para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Relações Públicas. Aprovado por: __________________________ Professor Orientador: Dr. Humberto Ivan Keske __________________________ Profª. Ms. Adriana Stürmer (Banca Examinadora) __________________________ Profª. Esp. Letícia Vieira Braga (Banca Examinadora) Novo Hamburgo, dezembro de 2009. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus e a minha Santa Terezinha, a qual sou devoto, pela oportunidade de conviver com pessoas maravilhosas que me apoiam e me dão força nos momentos mais necessários. Agradeço especialmente pelo apoio de minha mãe, de minhas irmãs e tias que sempre acreditaram e cultivaram os meus sonhos. Aproveito o ensejo para agradecer pela atenção e carinho de minha namorada, Cássia Franciele Rosa da Silva, que nestes últimos meses auxiliou-me na subida de mais este degrau de minha vida. Gostaria de saudar também o meu orientador Humberto Ivan Keske pela atenção e divisão de seu conhecimento. “A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a que garante as outras". Aristóteles RESUMO Este trabalho estuda as ferramentas necessárias à manutenção da comunicação interna das organizações. A metodologia adotada foi a técnica de pesquisa bibliográfica e para a análise de dados foi realizada uma pesquisa de caráter quantitativo, com o intuito de compreender a opinião dos médicos plantonistas, referente à comunicação interna da referida organização, bem como analisar a importância que estes profissionais dão às atividades já desenvolvidas pela empresa. Foi realizado um estudo de caso com uma empresa de saúde de médio porte localizada na cidade de Novo Hamburgo - RS. Este estudo visa responder ao seguinte questionamento: quais ferramentas de comunicação são mais adequadas para estabelecer uma comunicação entre a Empresa de Saúde e seus plantonistas? O objetivo geral deste trabalho é identificar a satisfação dos médicos plantonistas no que diz respeito às ferramentas de comunicação utilizadas no relacionamento empresa/plantonista. Constata-se com os resultados obtidos que os médicos estão satisfeitos quanto à comunicação interna, porém há várias readaptações a serem realizadas, sendo que a principal delas é a elaboração de um planejamento estratégico de comunicação. Palavras-chave: Comunicação – Comunicação Interna – Relações Públicas – Ferramentas de Comunicação – Médicos Plantonistas ABSTRACT This paper studies the communication methods when it comes to the maintenance of enterprises’ internal communication. The methodology used was a bibliographic research and a quantitative poll to analyze all data, with the purpose of understanding the doctors’ opinions when it comes to internal communication inside the referred corporation, as well as analyze the value these professionals give to the activities already organized by the company. A case was studied in an average sized health corporation, located in the city of Novo Hamburgo – RS. This study aims to answer to the following questioning: which communication methods are most adequate do stablish a communication between the health corporation and its doctors? The general goal of this essay is to identify the satisfaction of doctors on duty when it comes to communication methods used in the company/doctor correlation. With the results, it was discovered that the doctors are satisfied with the internal communication. However, there are many alterations to be done, the main one being the elaboration of a communicational strategic plan. Key words: Communication – Internal communication – Public relations – Communication methods – Doctors on duty LISTA QUADROS Quadro 1: Os períodos da industrialização Clássica e Neoclássica e da Era da Informação ................................................................................................................19 Quadro 2: as organizações e seus indicadores.........................................................20 Quadro 3: Terceiro quadro comparativo dos conceitos tradicionais de públicos.......31 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Organograma fornecido pela Empresa de Saúde a partir do seu quadro geral de funções........................................................................................................25 Figura 2: Comunicação descendente – em uma organização/empresa....................33 Figura 3: Comunicação ascendente – em uma organização/empresa......................34 Figura 4: Comunicação horizontal – em uma organização/empresa.........................35 Figura 5: Áreas de desenvolvimento e relacionamento.............................................53 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Sexo..........................................................................................................58 Gráfico 2: Idade.........................................................................................................59 Gráfico 3: Tempo de Empresa ..................................................................................59 Gráfico 4: Estado Civil...............................................................................................60 Gráfico 5: Conhecimento do setor de Desenvolvimento Humano .............................60 Gráfico 6: Satisfação quanto ao trabalho desenvolvido pelo setor de D.H................61 Gráfico 7: Satisfação quanto ao envio de informações feito pelo setor de D.H.........61 Gráfico 8: Satisfação quanto ao envio de informações feito pela Diretoria Geral......62 Gráfico 9: Satisfação quanto ao envio de informações feito pela Diretoria Técnica..63 Gráfico 10: Ferramentas de comunicação mais utilizadas pelos plantonistas ..........64 Gráfico 11: Grau de importância das ferramentas.....................................................65 Gráfico 12: Avaliação das características das mensagens enviadas ........................65 Gráfico 13: Grau de importância das ferramentas.....................................................66 Gráfico 14: Sugestão de melhorias na comunicação interna ....................................67 Gráfico 15: Sugestão de melhorias na comunicação interna ....................................67 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................11 1 CONHECENDO AS ORGANIZAÇÕES: UM BREVE ESTUDO DAS SUAS ESTRUTURAÇÕES ..................................................................................................16 1.1 ESTRUTURA DOS RELACIONAMENTOS E DIVISÃO DE TAREFAS NAS ORGANIZAÇÕES..................................................................................................21 2 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL..........................................................................26 2.1 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL NO BRASIL: BREVE HISTÓRICO E CONCEITUAÇÃO..................................................................................................26 2.2 CLASSIFICAÇÃO DE PÚBLICOS DE UMA ORGANIZAÇÃO.........................29 2.3 FLUXOS E REDES DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL .............................33 3 COMUNICAÇÃO INTERNA: FERRAMENTAS, CONCEITO E AGENTES ............37 3.1 FERRAMENTAS E CANAIS DE COMUNICAÇÃO INTERNA .........................37 3.2 CONCEITOS E PECULIARIDADES DA COMUNICAÇÃO INTERNA .............39 3.2.1 Diferenças básicas entre Comunicação Interna e Endomarketing............44 3.3 RELAÇÕES PÚBLICAS NAS ORGANIZAÇÕES ............................................45 4 ESTRUTURA DA COMUNICAÇÃO INTERNA DA EMPRESA DE SAÚDE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA..........................................52 4.1 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA ................................58 4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS E AÇÕES SUGERIDAS PARA A MELHORIA DA COMUNICAÇÃO INTERNA DA EMPRESA DE SAÚDE .................................68 CONCLUSÃO............................................................................................................75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................80 ANEXOS ...................................................................................................................82 INTRODUÇÃO Este estudo originou-se do desejo de analisar as ferramentas utilizadas por um estabelecimento de saúde para comunicar-se e relacionar-se com um de seus principais agentes, o médico. A partir desta definição e da escolha do público a ser tratado, serão abordadas neste trabalho as complexidades e estruturas que envolvem o relacionamento entre a organização e o seu público interno, tendo interesse em identificar as estratégias comunicacionais envolvidas e a possibilidade de propor melhorias no processo interno como um todo. Tem como tema a comunicação voltada para o público específico de uma organização. Fica determinado, por decisão da empresa pesquisada, que o seu nome será preservado, bem como quaisquer informações que possam indicar ou identificar a origem das informações que estarão sendo apresentadas neste trabalho. A realização deste trabalho, além de expor possíveis vertentes de ocupação no mercado de trabalho na área de comunicação, oportunizará também que a empresa pesquisada, a partir de agora denominada Empresa de Saúde, possua em seus arquivos um material para análise e reflexão no relacionamento com seu públicochave, uma vez que ela mesma reconhece a possibilidade de um atendimento parcial das expectativas e uma necessidade de mudanças. O motivo pelo qual o trabalho será abordado com a Empresa de Saúde, se deu pelo interesse em compreender como se dá a relação entre empresa e público interno, sendo estes, médicos plantonistas de uma das unidades da organização. O estímulo em realizar esta proposta se fortaleceu a partir do momento em que a própria empresa manifestou apoio na realização deste, tendo em vista que os resultados obtidos podem vir a propor soluções para problemas já diagnosticados em comunicação pela própria empresa. Este trabalho visa levantar discussões conceituais referente ao papel que a profissão de Relações Públicas cumpre no desenvolvimento e manutenção da comunicação interna de uma empresa. No entanto, não serão abordados neste trabalho assuntos tradicionalmente analisados como a história da profissão, legitimação e outros assuntos que frequentemente são levantados nos trabalhos de 12 conclusão. Os conceitos referentes à profissão serão representados por teóricos, cujos argumentos servirão como apoio para a relevância da participação do profissional de Relações Públicas, bem como de outras áreas da comunicação, na construção e manutenção de uma comunicação interna adequada. A técnica escolhida para a captação dos dados foi a de amostragem, na qual quinze por cento dos 92 médicos plantonistas, de um pronto-atendimento de saúde localizada em Novo Hamburgo, foram entrevistados a partir de um questionário com 13 perguntas fechadas. Ou seja, 14 foram os médicos plantonistas que manifestaram suas opiniões acerca das questões expostas no questionário. Julgouse para a amostragem, que o número de 15 % foi suficiente para que os resultados parciais pudessem ser obtidos, a partir dos questionários aplicados. Trata-se da aplicação de uma técnica não probabilística por acessibilidade. Segundo Prodanov (2009), a técnica de amostragem consiste em uma seleção de parte de um universo, na qual o pesquisador estabelece a partir de algum acordo com uma regra ou um plano. “Refere-se ao subconjunto do universo ou da população, por meio do qual estabelecemos ou estimamos as características deste universo ou dessa população.”. (PRODANOV, 2009, p. 109). A decisão em estabelecer uma média de quinze por cento do total dos plantonistas, partiu do argumento de Margarida Kunsch (2006, p. 209), que diz que uma amostragem torna-se suficiente de 10% a 15% do universo ou da população a ser pesquisada. Esta amostragem servirá de base para uma projeção do relacionamento da Empresa de Saúde com os seus demais plantonistas. A autora traz também que o papel do entrevistador é de suma importância, pois este necessita ser imparcial e não-opinativo, porém pode estabelecer um clima de cumplicidade. “Isso não significa falar mal do chefe do entrevistado, e sim mostrar que ambos têm um objetivo comum [...]” (KUNSCH, 2006, p. 209). O posicionamento de Kunsch retrata que o entrevistador necessita deixar o entrevistado à vontade e informado das questões abordadas no questionário, para que nenhuma informação fique incompleta e sem resposta. 13 A característica da amostragem será não-probabilística, que segundo Prodanov (2009), é uma das mais utilizadas em estudos como este, que visam quantificar as opiniões de um determinado grupo por acessibilidade ou conveniência. Neto (2002), define que neste tipo de pesquisa existem dois tipos de públicos: a população objeto e a população amostra. No caso deste trabalho, a população objeto seriam todos os médicos plantonistas do pronto-atendimento pesquisado. Já a população amostra é caracterizada pelos médicos entrevistados. A pesquisa será de natureza quantitativa, a partir da elaboração de um questionário e de sua análise e interpretação, com qual visa-se somar os dados coletados em decorrência das respostas que serão apontadas. As questões apresentam questionamentos pontuais, o que torna mais fácil a organização e tabulação dos dados coletados. O questionário é composto por 13 perguntas, que visam compreender quais as ferramentas de comunicação mais adequadas para que se estabeleça a comunicação entre uma Empresa de Saúde e seus plantonistas, bem como a averiguação dos efeitos gerados pelos instrumentos utilizados. A partir disto, será verificada a possibilidade de propor alternativas para o sistema de comunicação interna. As entrevistas ocorreram durante quatro dias, (de 21 a 24 de outubro de 2009), através de um questionário impresso de duas páginas contendo as referidas questões. As entrevistas ocorriam de acordo com a disponibilidade e interesse dos médicos, conforme definição da direção da empresa. Neste sentido, teve-se uma rejeição de cinco médicos e a aceitação e participação de quatorze. Os questionários respondidos seguem em anexo. Ainda ocorreu uma entrevista com a Empresa de Saúde, para o conhecimento de sua estrutura e ferramentas de comunicação. O setor entrevistado foi o de Desenvolvimento Humano, que no decorrer do trabalho será explicada a sua função. Além disto, esta monografia utilizará a técnica de pesquisa documental, tendo por base a análise de documentos, seguida da técnica de pesquisa bibliográfica, através de livros, artigos científicos e materiais da própria empresa. 14 Tais instrumentos de pesquisa serão utilizados para buscar respostas ao seguinte questionamento: Quais as ferramentas de comunicação são mais adequadas para estabelecer uma comunicação entre a Empresa de Saúde e seus plantonistas? Tendo por base a pergunta acima, tem-se como objetivo geral identificar a satisfação dos médicos plantonistas quanto às ferramentas de comunicação utilizadas no relacionamento empresa/plantonista. Adotou-se como objetivos específicos, caracterizar os instrumentos de comunicação utilizados; identificar a necessidade de um profissional de Relações Públicas mediando a comunicação interna; averiguar os efeitos gerados pelos instrumentos utilizados pelos setores responsáveis pela comunicação interna; propor melhorias no sistema de comunicação interna, se houver necessidade, a partir dos estudos realizados. Este estudo apresenta em seu referencial teórico autores como Idalberto Chiavenato, Philip Lesly, Fábio França, Margarida Kunsch, Maurício Tavares e entre outros. Isto se deve a uma série de transformações acarretadas pelos fenômenos proporcionados pela globalização, que exige que as empresas posicionem-se de maneira a alcançar graus cada vez maiores de excelência, pois apenas desta forma elas conseguem se tornar competitivas. Entende-se que a competitividade se inicia dentro da própria empresa, com a colaboração e empenho dos funcionários e alta administração. Desta forma, busca-se compreender como se dá esta comunicação entre o público interno, e quais as possíveis melhorias. A comunicação interna constitui uma frente de batalha que envolve o desempenho competitivo da empresa e suas constantes mudanças no ambiente empresarial. (MEDEIROS, 2007, p. 58) Para tanto, o primeiro capítulo deste trabalho tratará sobre a estrutura de uma organização, na qual se compreenderá como ela está estruturada, bem como as fases que perpassou durante o século XX, e vem passando neste início de século XXI, e dentro destas fases se compreenderá em que momento a comunicação insere-se no contexto tratado. A partir do segundo capítulo busca-se identificar a inserção da comunicação empresarial, sua importância, histórico, conceito e interligações com o processo de evolução das empresas, assunto este que será tratado ainda no primeiro capítulo. 15 Nesta segunda parte serão apresentados conceitos de públicos, fluxos e redes da comunicação empresarial, sendo que o enfoque será ao público interno da organização. No terceiro capítulo serão apresentados os conceitos e as ferramentas da comunicação interna, bem como os seus agentes transmissores, incluindo a profissão de Relações Públicas e sua contribuição para com a comunicação interna de uma organização. Já na parte final do trabalho, quarto capítulo, será apresentada a estrutura de comunicação interna da Empresa de Saúde e far-se-á a análise propriamente dita, a partir dos aportes teóricos e do material coletado mediante questionário. Portanto, acredita-se que este trabalho possui um cunho social, pois se constituirá em uma oportunidade do levantamento de interesses dos estudantes, empresas e profissionais de Relações Públicas, servindo como base para pesquisas futuras de outros acadêmicos, bem como pode se tornar um instrumento a ser utilizado pela própria Empresa de Saúde, na busca de novas opções em sua comunicação interna. 1 CONHECENDO AS ORGANIZAÇÕES: UM BREVE ESTUDO DAS SUAS ESTRUTURAÇÕES O presente capítulo aborda a estrutura de uma organização, conceitos, fluxos, bem como a importância da participação dos indivíduos para o seu desenvolvimento. A partir deste primeiro capítulo será possível compreender as origens das organizações, além de perceber como elas se organizam no decorrer do tempo. Para que fique clara a questão referente ao significado da palavra “estrutura”, que aparecerá diversas vezes neste capítulo, tomou-se como base a definição de Kil Hyiang Park ,(1997) Numa organização, a estrutura é delineada inicialmente pela disposição dos seus componentes e depois pelo estabelecimento dos padrões relações entre eles. Essa diferenciação e padronização interna de relações, ao adquirir certo grau de permanência no tempo, é denominada estrutura. (PARK, 1997, p. 118). Segundo Park (1997), a estrutura organizacional cumpre três funções básicas em uma organização, entre elas estão: “[...] servir como instrumento para a organização atingir seus objetivos; tornar previsível o comportamento de seus membros e mapear relações de mando e subordinação existentes na organização”. (PARK, 1997, p 119) Já a condição de uma organização existir perpassa por alguma necessidade existente na sociedade, seja ela educacional, lucrativa, religiosa, política etc. A sua constituição se dá por pessoas que visam realizar seus objetivos, e que por muitas vezes acabam disponibilizando a maior parte de seu tempo vivendo e trabalhando dentro das organizações. Neste sentido, segundo Idalberto Chiavenato “Uma organização pode ser pequena e simples ou grande e extremamente complexa. O termo organização serve para abrigar uma enorme variedade de tamanhos, estruturas, interações e objetivos etc.” (CHIAVENATO, 2006, p. 41) A Empresa de Saúde é uma organização de porte médio, que possui uma função social importante, haja vista o ramo em que atua. Para Antônio Cury (2000), as organizações fazem parte da vida diária das pessoas, uma vez que passam muito tempo inseridas nelas. 17 Hoje, podemos dizer que vivemos numa sociedade eminentemente organizacional. Nas sociedades complexas, o homem, em todas as etapas de sua vida, desde o nascimento até a morte, depende das organizações, é controlado por organizações e nelas passa a maior parte de seu tempo. (CURY, 2000, p. 103) Chiavenato (2006), possui um pensamento parecido com o de Cury (2000): Vivemos em um mundo de organizações, porque é nelas que o homem moderno busca a satisfação de quase todas as suas necessidades pessoais: trabalho, divertimento, comida, compras, instrução e capacitação pessoal, roupas, dinheiro, saúde, religião, informação, gasolina etc. Dificilmente o homem moderno escapa dos tentáculos e do envolvimento das organizações. (CHIAVENATO, 2006, p. 22) Por serem constituídas por pessoas, as organizações acabam cumprindo um papel de extrema relevância na vida destas, sendo que a partir de uma Empresa de Saúde, ou seja, qual for o ramo, os usuários, funcionários etc. conseguem de alguma forma realizar seus objetivos. As organizações são constituídas de pessoas. Por outro lado, as organizações constituem para as pessoas um meio pela qual podem alcançar seus objetivos pessoais com um mínimo de custo, de tempo, de esforço e de conflito, os quais não poderiam ser alcançados apenas através de um esforço. (CHIAVENATO, 2006, p. 13) Para Cury (2000, p. 116), cada participante possui um papel dentro da organização, sendo este um dos requisitos para que se tenha um sistema planejado de esforço cooperativo. Ou seja, “(...) a organização é um sistema planejado de esforço cooperativo, no qual cada participante tem um papel definido a desempenhar e deveres e tarefas a executar.” (CURY, 2000, p.116) Segundo Chiavenato (2006, p. 21), uma organização somente existe quando: a) Há pessoas capazes de se comunicarem e que; b) Estão dispostas a contribuir com ação; c) A fim de cumprirem um propósito comum. 18 Atualmente, as organizações investem em tecnologia e realizam mudanças em sua estrutura para competir e seguir a tendência de mercado. Estas modificações com o passar do tempo acabam gerando impactos na sociedade e na vida das pessoas. Chiavenato (2006, p. 25), divide em um quadro, conforme segue abaixo, as três diferentes eras da evolução que as organizações sofreram durante o século XX: Industrialização Clássica; Industrialização Neoclássica; Era da Informação. Industrialização Industrialização Era da Clássica Neoclássica informação 1900-1950 1950-1990 Após 1990 Estrutura Organizacional Predominante Funcional, burocrática, piramidal, centralizadora, rígida e inflexível. Ênfase nos órgãos. Matricial enfatizando departamentalização por produtos/serviços ou unidades estratégicas. Fluída e flexível, totalmente descentralizada, redes de equipes multifuncionais. Cultura Organizacional Teoria X. Foco no passado, nas tradições e nos valores . Ênfase na manutenção do statu quo. Valor à experiência anterior. Transição. Foco no presente e no atual. Ênfase na adaptação ao ambiente. Teoria Y. Foco no futuro destino. Ênfase na mudança e na inovação. Valor ao conhecimento e à criatividade. Ambiente Organizacional Estático, previsível, poucas e gradativas mudanças. Poucos desafios ambientais. Intensificação das mudanças e com maior velocidade. Mutável, imprevisível, turbulento, com grandes e imensas mudanças. Modo de lidar com as pessoas Pessoas como fatores de produção inertes e estáticos sujeitos a regras e a regulamentos rígidos para serem controlados. Pessoas como recursos organizacionais que precisam ser administrados. Pessoas como seres humanos proativos dotados de inteligência e habilidades e que devem ser impulsionados. Período 19 Denominação Administração de Recursos Humanos. Relações Industriais. Administração de pessoas. Quadro 1: Os períodos da industrialização Clássica e Neoclássica e da Era da Informação Fonte: Chiavenato, 2006, p. 25 A partir da exposição das informações acima, é possível compreender que muitas mudanças ocorreram com o tempo, e isso se baseia na ampliação do mercado e na industrialização da sociedade, pois como o próprio autor contempla no início do seu livro (CHIAVENATO, 2006, p. 13), “Quanto mais industrializada for a sociedade, tanto mais numerosas e complexas se tornam as organizações.” Neste sentido compreende-se o motivo de terem ocorrido as evoluções durante o século XX, pois a competitividade e a globalização exigem cada vez mais das empresas um posicionamento de interação com as pessoas que as constituem. É dentro desse mundo em contínua mudança e transformação que tentaremos abordar o intercâmbio entre pessoas e organizações. Assim, a gestão de pessoas representa a maneira pela qual as organizações procuram lidar com as pessoas trabalhando em plena era da informação. (CHIAVENATO, 2006, p. 26) Deste modo, Cury (2000, p. 151), compreende a evolução das organizações, no século XX, em três momentos também, mas com nomenclaturas diferentes. Inicia seu pensamento com a característica que lhe é própria: Tradicional - utilizada no início do século, até 1940, que seria comparada à Industrialização Clássica de Chiavenato, uma visão burocrática, hierárquica, vertical e autoritária. Em um segundo momento Cury define a Organização Moderna - esta posterior à Tradicional utilizada até meados de 1980, compreende uma estrutura comportamental sendo fortemente influenciada pelas ciências do comportamento. Finalizando, o autor revela que a Organização Contemporânea, como próprio nome já introduz, se aplica às características dos dias de hoje, compreendendo a influência da globalização como fator determinante para investimentos nas relações humanas, e desenvolvimento da sociedade em geral. O autor também exemplifica, conforme quadro 2, o processo evolutivo das organizações: 20 Organizações Indicadores Tradicional Moderna Contemporânea 1. Enfoque básico - Análise das atividades das empresas - Comportamento humano - Clientes e nãoclientes 2. Ambiência da empresa - Autoritária - Consultiva - Participativa - Empowerment; 3. Essência da administração - Princípios de administração - Conceito de cultura - Gerência participativa; - Processos 4. Visão de mundo - Sistema fechado - Sistema aberto - Projeto; - Linear; 5. Estrutura organizacional - Staff-and-line; - Função - Funcional; - Divisional - Matricial; - Colateral; - Equipes; - Colegiada 6. Tomada de decisão - Individual e centralizada - Holística - Processos - Processo decisório - Processo decisório com informação e negociação Quadro 2: as organizações e seus indicadores Fonte: Cury (2000, p. 157) Com o diálogo entre os dois autores, é possível identificar algumas semelhanças quanto à evolução das organizações, principalmente no que se diz respeito ao relacionamento com seus stakeholders. É possível identificar uma maior participação de colaboradores e comunidade nas organizações, sendo a opinião destes muitas das vezes de suma importância para sanar algumas necessidades básicas. Desta forma, é possível compreender que manter uma comunicação clara com os públicos, principalmente o interno, é primordial para que nesta era da informação as organizações possam impulsionar as pessoas cada vez mais para dar o seu melhor. 21 1.1 ESTRUTURA DOS RELACIONAMENTOS E DIVISÃO DE TAREFAS NAS ORGANIZAÇÕES Neste item serão abordadas as duas diferentes estruturas de uma organização na questão de relacionamento: a formal e a informal, sendo estas presentes em qualquer ambiente organizacional, uma vez que uma depende da outra. É possível identificar a distinção entre estas duas estruturas, a partir de Cury (2000, p.117)l: (...) a distinção que geralmente se faz entre uma organização formal e a informal é que, enquanto a primeira é uma organização planejada, a segunda constitui o resultado da interação espontânea dos membros da organização, o impacto das personalidades dos atores sobre os papéis que lhes foram destinados. Portanto, não existe organização formal sem sua informal contrapartida, pois o plano administrativo formal não pode nunca refletir, adequada ou completamente, a organização concreta a qual se refere, pela razão óbvia de que nenhum plano abstrato pode – ou deve, se pretender ser eficiente – descrever exaustivamente uma totalidade empírica. (CURY, 2000, p. 117) Segundo Djalma de Oliveira (2001, p. 82), “Qualquer empresa possui dois tipos de estrutura: a formal e a informal”. A partir da definição do autor, sobre estrutura formal, é possível afirmar que a Empresa de Saúde caracteriza-se como uma organização formal, pois é deliberadamente organizada nestes moldes. A “Estrutura formal, objeto de grande parte de estudo das organizações empresariais, é aquela deliberadamente planejada e formalmente representada, em alguns de seus aspectos, pelo organograma. – A Estrutura informal é a rede de relações sociais e pessoais que não é estabelecida ou requerida pela estrutura formal. Surge da interação social das pessoas, o que significa que se desenvolve espontaneamente quando as pessoas se reúnem. Portanto, apresenta relações que usualmente não aparecem no organograma.” (OLIVEIRA, 2001, p. 82) Com base nas definições acima, entende-se que a estrutura formal compreende os organogramas e regras, sendo que a informal contempla um ou mais grupos, pertencentes a uma organização, que espontaneamente e sem o real conhecimento desta teoria, acabam relacionando-se entre si e por consequência criam suas regras, cultura e meios de comunicação. Porém a estrutura informal acaba por se limitar ao seu tamanho, como explica Oliveira (2001, p. 83): 22 Como resultado das diferenças entre as duas formas de autoridade, a estrutura formal pode crescer a um tamanho imenso, mas as estruturas informais, pelo menos as mais consolidadas, tendem a ficar menores, a fim de permanecer dentro dos limites das relações pessoais. (OLIVEIRA, 2001, p. 83). As estruturas são indissociáveis, pois sempre haverá líderes e representantes nos grupos informais de uma organização. A situação positiva é quando estas estão em sintonia em termos de objetivos, pois caso contrário pode passar a ser negativa no momento em que vai de encontro às ordens formais. Embora os objetivos de uma organização formal sejam mais explícitos, sua estrutura seja o resultado de decisões conscientemente tomadas e muito de seus processos internos sejam também conscientemente planejados, algumas vezes pode ocorrer que a estrutura informal tenha uma influência tão penetrante que leve a uma redefinição da estrutura formal. Destarte, não se deve esquecer, a estrutura informal pode tornar-se um competidor em vez de um complemento da estrutura formal. (CURY, 2000, p. 117) Tendo por base o conteúdo abordado, fica claro que a organização formal necessita ter uma boa comunicação interna, uma vez que precisa manter um relacionamento coeso e estreito com os seus colaboradores, tendo em vista a necessidade em traçar objetivos e estes serem seguidos na mesma uniformidade. Este conteúdo referente à comunicação interna será tratado mais profundamente no próximo capítulo. Para completar este item destaca-se um trecho referente a vantagens e desvantagens, proposta por Oliveira (2001, p. 84): Analisando as principais vantagens da estrutura informal, podem-se relacionar as seguintes: Proporciona maior rapidez no processo; Reduz distorções existentes; Complementa a estrutura formal; Reduz a carga de comunicação dos chefes; e Motiva e integra as pessoas da empresa. 23 As principais desvantagens da estrutura informal são: Desconhecimento das chefias; Dificuldade de controle; e Possibilidade de atritos entre pessoas. Tendo este embasamento considera-se então de suma importância reconhecer as estruturas de relacionamentos informais dentro da organização, para que se possa trabalhar da melhor maneira possível com estes públicos, fazendo com que estejam engajados nos objetivos organizacionais. Com o conhecimento dos aspectos até aqui tratados, pode-se neste momento explorar como as organizações estruturam-se em relação às hierarquias que nelas existem. As organizações podem ser representadas pelo organograma que é o instrumento de distribuição dos órgãos que o compõem, na qual visa um controle dos níveis administrativos e às relações de interdependência entre eles. Trata-se agora do organograma, tendo em vista o seu papel na funcionalidade de uma organização e as análises que podem ser feitas a partir dele. Segundo Cury (2000, p. 219), o organograma tem como finalidade representar: Os órgãos competentes da empresa; Tanto quanto possível, de forma genérica, as funções desenvolvidas pelos órgãos; As vinculações e/ou relações de interdependência entre os órgãos; Os níveis administrativos que compõem a organização; A via hierárquica. 24 Já Park (1997), defende que o papel do organograma é um plano de divisão de trabalho, bem como um instrumento que visa demonstrar a hierarquia de autoridade e coordenação, sendo que este “[...] mostra diversos aspectos essenciais de organização, tais como: cadeia de comando, unidade de comando, canais de comunicação, departamentalização, níveis de hierarquia [...] e divisão de trabalho.” (PARK, 1997, p. 118). Entende-se que o organograma, conforme exposto acima, é um instrumento simples e que absorve informações de modo a orientar os participantes de uma organização sobre os órgãos de maior influência, bem como os órgãos competentes para resolver determinadas situações. O organograma é um instrumento que visa hierarquizar um sistema, como explica a autora Park (1997): Todo sistema compõe-se de subsistemas de ordem inferior, que, por sua vez, fazem parte de um sistema de ordem superior. Desse modo, há uma hierarquia entre os componentes do sistema. A noção de hierarquia não está apenas relacionada com os níveis de subsistemas, fundamentando-se na necessidade de um abarcamento mais amplo ou de um conjunto de subsistemas que componha um sistema mais amplo, visando a coordenação das atividades e processos. (PARK, 1997, p. 150) A partir da exposição da autora acima, é possível compreender que a organização formal necessita do organograma para delegar tarefas e demonstrar a todos como funciona aquela organização e com quais setores se deve tratar dependendo do assunto. Como uma forma de ilustração para este trabalho, a Empresa de Saúde liberou o acesso ao seu organograma, o qual pode ser consultado na próxima página: 25 PRESIDÊNCIA Secretaria Executiva Administrativo Financeiro Mercado Administrativo Controladoria Auditoria Interna Pessoas Faturamento Auditoria de Contas Logística Financeiro Clientes Unidades Contabilidade Cadastro Desenvolvimento Conselho Fiscal Planejamento Ouvidoria Comercial Comunicação Desenvolvimento Humano Serviços Saúde Ocupacional Processos e Organização Saúde Ocupacional Estratégico Operacional Diretor Farmácia UTI Neo‐Natal Projetos Nutrição UTI Adulto Tecnologia da Informação Enfermagem Oncologia Endoscopia SCIH Pronto Atendimento Centro de Diagnóstico Legenda: Fiscalizador Gerência Administração Coordenação Coord. Médica Encarregado Atendimento Móvel Figura 1: Organograma fornecido pela Empresa de Saúde a partir do seu quadro geral de funções. Med.Preventiva/ Domiciliar 26 2 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Nesta segunda etapa do trabalho serão abordados aspectos relevantes para a compreensão da eficiência e eficácia da comunicação organizacional, focando principalmente no público interno, tendo em vista os objetivos inicialmente propostos. Deste modo, trata-se da organização como empresa, verificando-se temas relacionados ao universo empresarial. 2.1 COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL NO BRASIL: BREVE HISTÓRICO E CONCEITUAÇÃO O processo de comunicação em uma empresa se dá quando ocorre a transferência de informação entre uma ou mais pessoas, sendo a mensagem compreendida adequadamente, entre ambas as partes envolvidas no processo. O autor Gaudêncio Torquato (1986), explica também que: Levado o conceito para o âmbito da empresa, podemos dizer que a informação empresarial constitui uma atividade reguladora, compreendendo tudo aquilo que a empresa recebe ou emite com o objetivo de padronizar comportamentos: regulamentos, normas, portarias, avisos etc. (TORQUATO, 1986, p. 59) No desenvolvimento de seu conceito, o autor ainda salienta que o objetivo da comunicação empresarial é “provocar atitudes involuntárias por parte dos públicos para os quais a empresa se dirige.” (TORQUATO, 1986, p. 59). Nota-se uma mudança no comportamento das empresas, conforme abordado anteriormente, em relação à importância dada à área de comunicação no contexto empresarial. Segundo Wilson da Costa Bueno (2003), “As empresas passaram, nos últimos anos, por um processo drástico e acelerado de mudanças, em virtude, sobretudo, da convergência de um conjunto formidável de fatores de natureza econômica, geopolítica e sociocultural.” (BUENO, 2003, p. 3) Esta aceleração leva a tentar compreender as origens e teorias aplicadas à Comunicação Empresarial. Conforme Bueno (2003): 27 A comunicação empresarial, enquanto conceito abrangente, tem menos de 25 anos no Brasil. Na década de 1970, as empresas e associações, evidentemente, já se comunicavam: muitas delas editavam house-organs de prestígio; a publicidade brasileira , embora não tivesse, talvez, a expressão e o reconhecimento internacional de que desfruta nos dias atuais, era, como sempre foi, criativa; e havia trabalhos competentes de relacionamento com a mídia. Mas seria prematuro imaginar que se tivesse verdadeiramente uma Comunicação Empresarial, no sentido amplo com que é conceituada hoje em dia. (BUENO, 2003, p. 3) Desta forma, pode-se compreender que a Comunicação Empresarial não iniciou na década de 70, mas começou a ser tratada com mais atenção pelas grandes empresas, possivelmente devido às mudanças que já estavam ocorrendo a partir daquele período. O progresso das técnicas de comunicação, que segundo Torquato (1986), teve seu início também na década de 70, foi um fator importante para a sociedade, tendo em vista a difusão do conhecimento, representando assim uma conquista e um desafio para a humanidade. “(...) Conquista, na medida em que propicia possibilidades de difusão de conhecimentos e de informações numa escala antes inimaginável. Desafio, na medida em que o avanço tecnológico impõe uma séria revisão e reestruturação dos pressupostos teóricos de tudo que se entende por comunicação.” (TORQUATO, 1986, p. 5). Com a exposição destes dois teóricos é possível identificar que a necessidade das empresas se readequarem a uma nova estrutura, perpassa justamente pela evolução dos meios de comunicação, no qual se está inserido, como visto no capítulo anterior, na Era da Informação1. Esta readequação nas posturas das empresas e indiretamente dos indivíduos gera o “Desafio”, proposto por Torquato, uma vez que muitos ainda não estão habituados com computadores e troca rápida de informações. A relevância da comunicação empresarial pode ser baseada conforme Amauri Marchesi (2005): [...] a comunicação é fundamental para gerar credibilidade e confiança, mostrar claramente o foco dos negócios, estimular posturas interativas, comprometimento e mobilização para as metas, criar um espírito de pertencer e um clima favorável para o crescimento e desenvolvimento das empresas. (MARCHESI, 2005, p. 47) 1 Entendida aqui, em linhas gerais, como um período em que as sociedades estão voltadas para a dinamização de seu processo comunicacional, momento em que a informação ágil e rápida ganha destaque. 28 No decorrer de sua explanação, o autor ainda reconhece a comunicação como um diferencial competitivo, tendo como base a comunicação interna, sendo ela a responsável pelos fluxos de informação. Os fluxos de informação, no entanto, são as formas de comunicação entre a organização e colaboradores. Sendo este recurso bem utilizado, evidencia uma postura organizacional mais aberta às idéias, motivando a participação e a interação. Nos próximos subtítulos será possível aprofundar-se mais neste assunto. Para Paulo Clemen (2005), uma organização necessita ter uma comunicação integrada, sendo que esta suporta a comunicação interna, como base na elaboração e manutenção da marca da empresa. Após, cita as demais: comunicação institucional (objetiva consolidar a marca perante aos diversos públicos); comunicação mercadológica (área voltada apenas ao público externo). Tendo por base os argumentos do autor, é possível diferenciar as diversas nomenclaturas, bem como compreender a importância da comunicação interna para as organizações. Já Maurício Tavares (2009), compreende a comunicação integrada de uma forma parecida com a exposição de Clemen (2005), tendo em vista que a única mudança está na troca de comunicação mercadológica por comunicação de marketing, que acabam tendo sentidos distintos. “A comunicação integrada significa todo o esforço de trabalhar toda a comunicação da organização (interna, institucional e de marketing), de forma planejada e integrada.” (TAVARES, 2009, p. 13). Segundo o autor, toda e qualquer ação da organização deve ser pensada de forma desfragmentada, sendo que todos os públicos não estejam apenas bem informados, mas que contribuam neste processo de comunicação. “É mais ou menos o seguinte: o público interno fica sabendo de ações institucionais e de marketing; os clientes ficam sabendo das ações internas e institucionais; a sociedade em geral fica sabendo de ações internas; institucionais e de marketing da organização”. (TAVARES, 2009, p. 13) 29 2.2 CLASSIFICAÇÃO DE PÚBLICOS DE UMA ORGANIZAÇÃO Com a exposição de assuntos como públicos de uma organização, conforme acima, este trabalho trará a partir deste momento alguns conceitos e teorias sobre o tema levantado, uma vez que possui uma importância significativa para o processo de desenvolvimento do que será tratado, apresentando alguns conceitos, bem como a designação de onde os funcionários, clientes e comunidade encaixam-se na organização. Uma maior atenção será dada ao público interno, tendo em vista os objetivos deste trabalho. A classificação dos públicos é apontada por Waldir Fortes (2003), como ponto de partida para qualquer elaboração de ação na área de comunicação, pois é ela que designa o grau de aproximação que determinados públicos possuem com a organização, desta forma, este grau acaba por ser “[...] o somatório do trato financeiro e social, da conformação jurídica, do objetivo do negócio para o sucesso dos grupos atraídos, e da maior ou menor interferência nos destinos da organização” (FORTES, 2003, p. 70). O autor complementa que a comunicação é importante neste elo empresa/públicos, pois os grupos acabam se formando através de interesses comuns, podendo ser um transtorno para a organização se houver discordâncias. Segundo Fábio França (2004), conceituar os diferentes públicos é algo que precisa ser revisto com frequência, pois cada pesquisador da área possui um ponto de vista diferenciando, desta forma não se tem uma padronização referente aos públicos: interno; externo e misto. Interno: pessoas que convivem na organização, trabalham e possuem uma ligação sócio-econômica e jurídica com a organização. Os funcionários, bem como conselheiros, vendedores e acionistas fazem parte deste público, variando de acordo com cada autor, no caso de França (2004), fica assim estipulado. Externo: este público não possui uma ligação direta com a empresa. No entanto, caracteriza-se por também estabelecer contato com esta, pois possui objetivos políticos, mercadológicos e sociológicos. Neste quesito, segundo o autor, 30 há uma variação constante entre o que os teóricos denominam como público externo, sendo que de uma maneira geral estes são classificados como: consumidores, governos e a imprensa. No entanto, alguns pesquisadores inserem os acionistas e a concorrência nesse contexto. Misto: neste caso, o público em questão não está fisicamente presente na organização, ou de alguma maneira trabalhando ativamente dia-a-dia. Possuem laços jurídicos e socioeconômicos. Este público é compreendido por acionistas, revendedores, fornecedores e familiares de funcionários. Nesta lista, França (2004), acrescenta também uma outra nomenclatura para os tipos de públicos, os chamados stakeholders2, que de uma forma geral inclui os funcionários, acionistas e consumidores; pessoas que de uma forma ou outra estão diretamente ligadas à empresa e que são afetadas pelas decisões tomadas por ela. Com base em outros autores, França (2004), conclui que os stakeholders são indivíduos que possuem poder ou legitimidade perante uma organização. A questão da heterogeneidade é levantada por Fortes (2003), pois mesmo classificando os públicos, cada pessoa possui sua forma de agir ou pensar, desta forma uma mensagem pode ser compreendida por completo por determinadas pessoas, mas pode vir a ser interpretada de uma maneira contrária. Segundo o autor, estas questões são normais na medida em que a organização planeje ações que visem satisfazer a maioria ou grande parte de um determinado grupo específico. Ainda em relação aos conceitos de públicos, França (2004), nos traz três quadros que comparam os diversos conceitos de públicos, por parte dos pesquisadores e/ou teóricos. No quadro 3, expõe-se um dos quadros apresentados: Autor J. R. W PENTEADO 2 Público Interno Público Externo Donos de empresa Fornecedores Intermediários Consumidores Acionistas Concorrentes Público Misto O termo stakeholder (parte interessada) é um trocadilho em língua inglesa com stockholder (acionista). (FORTES, 2003, p. 82) 31 Empregados Entidades patronais Comunidade Sindicatos profissionais Revendedores Órgãos de informação Governo Público em geral P.E.M DE AZEVEDO Alta administração Imprensa Corpo discente Autoridades Corpo docente Fornecedores Servidores Entidades sociais Administradores Comunidade Familiares de empregados SCOTT M. CUTILIP Diretoria Igrejas Professores Alunos Alunos Sindicatos Empregados Legisladores Pais Autoridades governamentais Vizinhança de escola H. L. CHILDS Administração Clientes Empregados Acionistas Concorrentes Público em geral M.A.D’AZEVEDO Empregados Concorrentes Fornecedores Devedores Comunidade Vendedores Diretores Clientes Credores Empregados Público em geral Fornecedores Diretores Mídia Distribuidores Acionistas Organismos oficiais Clientes Funcionários AMADO J. ANDRÉS Ass. de consumidores Quadro 3: Terceiro quadro comparativo dos conceitos tradicionais de públicos Fonte: FRANÇA, 2004, p. 75 Compreende-se, a partir da exposição do quadro acima, que não existe uma padronização entre os teóricos e pesquisadores, sobre a definição dos públicos, pois 32 existem visões diversificadas, tendo em vista a diferença de negócio que cada um pode vir a abordar. No entanto, é possível identificar que os empregados, diretores e alta-administração de uma organização fazem parte de uma mesma definição: o público interno, sendo que, ao analisar a tabela acima, todos aparecem de alguma forma inseridos neste contexto. Este público precisa ser trabalhado, pois segundo Analisa de Medeiros Brum (1994), é necessário que o público interno esteja apto para transferir ao público externo, tudo aquilo que a empresa possui de mais valioso. “Não adianta uma organização tentar passar uma boa imagem3 para seus públicos externos, se o público interno não compreende, não tem acesso ou simplesmente não acredita nessas boas ações.” (TAVARES, 2009, p. 47). Para que o público interno chegue a este patamar de conhecimento, evidenciando os pontos positivos da empresa, é necessário segundo Clemen (2005), avaliar quais instrumentos de comunicação são os mais adequados para cada setor da empresa, sendo que o fator principal para esta tomada de decisão baseia-se na variação do nível sócio-ecônomico-cultural de cada pessoa. O autor coloca que devido a esta grande variação que as empresas possuem, as mensagens devem ser elaboradas de forma objetiva e clara para que os devidos objetivos institucionais sejam alcançados. Segundo Tavares (2009), um dos problemas atuais é a maneira como o fluxo de informações ocorre nas organizações, pois o autor defende que ainda existem empresas que são do seguinte pensamento “manda quem pode, obedece quem tem juízo” (TAVARES, 2009, p. 48). O autor defende uma única movimentação em algumas organizações, a de cima para baixo. Infelizmente, a comunicação na classificação hierárquica das organizações tem um sentido único. De cima para baixo. Dos cargos mais altos para os mais baixos. Às vezes em forma de imposição, sem direito a questionamentos e, muito menos, sem retorno. (TAVARES, 2009, p. 48) Para uma compreensão mais clara sobre os fluxos de comunicação, será tratado no próximo subitem este assunto, bem como a exposição das redes formal e informal na comunicação. Desta forma, já que se compreendeu quem é o público 3 [...] pode ser empregado para significar o conceito (ideia, opinião, juízo de valor) que se estabeleceu sobre algo ou alguém. (BALDISSERA, 2003, p. 5). 33 interno, serão acompanhados a partir de agora, assuntos relevantes para a elaboração e manutenção de uma comunicação interna eficaz, nos seus diferentes fluxos e redes. 2.3 FLUXOS E REDES DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL A Comunicação Empresarial se movimenta, segundo Torquato (1986), em três fluxos e duas direções: a comunicação descendente, ascendente e horizontal, sendo a primeira o encaminhamento de uma mensagem que parte da altoadministração até a base. Estas possuem a função de repassar instruções, procedimentos e práticas organizacionais. “Qualquer planejamento em comunicação deve levar em consideração as demandas e características destes três fluxos, de modo a permitir vazão nas áreas e limpeza nos canais formais”. (TORQUATO, 1986, p. 54) Segundo Torquato (1986, p. 54), a comunicação descendente serve para repassar “Instruções, diretivas, procedimentos e práticas organizacionais, bem como doutrinação sobre metas. São alguns tipos de mensagens desse fluxo, cujo objetivo é o de assegurar o desempenho correto de cada papel em todas as posições na organização.”. A comunicação descendente é praticada formalmente, podendo ser estabelecida oralmente ou de forma descritiva, na qual a última estabelece-se a partir de manuais e assuntos de maior relevância que necessitam ficar registrados de alguma forma. Alta Administração Comunicação Interna Setores | Colaboradores Figura 2: Comunicação descendente – em uma organização/empresa Fonte: Elaboração do acadêmico 34 A comunicação ascendente caracteriza-se, segundo o autor, pelo encaminhamento da mensagem partindo da base empresarial até a altaadministração, através de sugestões oriundas de expectativas, estágios de programas e anseios. Nota-se neste fluxo a possibilidade dos colaboradores expressarem possíveis necessidades existentes no ambiente empresarial, tornando desta forma um clima mais propício para a prática de seu próprio trabalho. Entendese que com auxílio da comunicação ascendente as sugestões do público interno podem resultar em respostas a questões problemáticas de uma empresa. Desta forma, a partir daqui pode-se compreender a relevância da pesquisa que será aplicada com os plantonistas da EMPRESA DE SAÚDE, uma vez que se busca a compreensão de que os meios de comunicação utilizados estão sendo úteis. As informações coletadas neste trabalho serão repassadas a alto-administração para analise. Alta Administração Comunicação Interna Setores | Colaboradores Figura 3: Comunicação ascendente – em uma organização/empresa Fonte: Elaboração do acadêmico A comunicação horizontal baseia-se na troca de informações entre o próprio e os diversos setores, na qual permite um “[...] grande entrosamento nos grupos de pares e de mesmo nível funcional; contribui para aperfeiçoamento da coordenação” (TORQUATO, 1986, p. 54). Comentando o ponto de vista do autor, percebe-se que este canal ou fluxo, pode contribuir significativamente para que não haja distorções e “ruídos” na comunicação, sendo que possíveis problemas podem ser evitados, tendo em vista a troca de informações. No caso da EMPRESA DE SAÚDE, pode-se exemplificar que ao demandar alguma falta de equipamentos ou produtos químicos, o médico tem o acesso ao setor de compras para que possa 35 especificar a real necessidade. A forma como muitas vezes se dá esta comunicação é informal. Alta Administração Comunicação Interna Setores | Colaboradores Figura 4: Comunicação horizontal – em uma organização/empresa Fonte: Elaboração do acadêmico Após exposição das diferenças entre os tipos de fluxos, é preciso ainda fazer uma breve explicação sobre as redes de comunicação. Segundo Torquato (1986), elas são duas: Formal; Informal. Existem algumas semelhanças que serão tratadas aqui, juntamente com o que foi exposto no capítulo anterior, pois é compreensível que as tipologias dos públicos sejam similares. Porém essas últimas redes estão inseridas no contexto da estrutura organizacional. Com isso, busca-se apenas compreender como este processo se dá. A partir da exposição de Torquato (1986), é possível compreender que: Duas redes de comunicação permeiam o sistema organizacional. A rede formal e a rede informal. A rede formal comporta todas as manifestações oficialmente enquadradas na estrutura da organização e legitimadas pelo poder burocrático. A rede informal abriga as manifestações espontâneas da coletividade, incluindo-se aí a famosa rede de boatos, estruturada a partir da chamada cadeia sociológica dos grupinhos. (TORQUATO, 1986, p. 55) 36 Por outro lado, Oliveira (2001), compreende da mesma forma, mas com uma visão menos agressiva, quanto à rede informal: De maneira genérica, existem dois tipos diferentes de formação de esquemas de comunicação numa empresa. São eles: o formal, que é conscientemente planejado, facilitado e controlado. Ele segue a corrente de comando numa escala hierárquica; e o informal, que surge espontaneamente na empresa, em reação às necessidades de seus membros. (OLIVEIRA, 2001, p. 80) Com as tratativas das redes e fluxos, é possível compreender que a comunicação em uma organização não se resume em trocas de e-mail, memorandos, telefonemas etc. Muitos aspectos são levados em consideração para a realização da comunicação empresarial adequando as ferramentas para cada tipo de público. Após a análise destas informações, passa-se a discutir as ferramentas de comunicação interna. Este assunto torna-se adequado, pois após a compreensão da estrutura e comunicação organizacional foca-se, então, para o segmento que permeia os fluxos e redes de comunicação de uma empresa. 37 3 COMUNICAÇÃO INTERNA: FERRAMENTAS, CONCEITO E AGENTES Como visto no primeiro capítulo, a visão das empresas está cada vez mais evoluída quanto ao pensamento de investimentos em comunicação, principalmente no que diz respeito ao seu público interno, pelo o bom andamento das atividades empresariais. Neste sentido a comunicação interna vem a contribuir para que a organização possa informar e satisfazer este público. O presente capítulo trará também a contribuição dos profissionais de Relações Públicas na elaboração e manutenção de estratégias para o intermédio entre os interesses dos públicos. A seguir serão vistas as ferramentas e conceitos que envolvem este segmento, além de trazer outros tipos de públicos que a organização possui, bem como a distinção entre o endomarkenting e a comunicação interna. 3.1 FERRAMENTAS E CANAIS DE COMUNICAÇÃO INTERNA Para que se possa realizar a comunicação dentro de uma empresa, se faz necessário conhecer as ferramentas e os canais para estabelecer o contato com o público. A seguir serão apresentados fundamentos e tipos de técnicas a serem utilizadas com o público interno de uma organização. As principais ferramentas e canais utilizados pela Empresa de Saúde são: E-mail; Reuniões; Mural; Torpedos SMS; Jornal Interno; Intranet; Eventos; e Cursos. A comunicação interna é divida por Tavares (2009), em: Publicações internas (house organs - boletins, jornais, revistas etc.); Memorando; Rádio interna; Circular; Relatório; Correio Eletrônico; Newsletters; Murais; Intranet; Entrevistas; Eventos (esportivos, sociais, culturais, congressos, palestras e workshops); Reuniões; Mala direta; Cartões; Cartas; Telefonemas. Entende-se que estes canais e ferramentas são diversos. Dependendo da evolução tecnológica em que o mundo se encontra, muitos autores vão ficando ultrapassados ao fechar suas ideias em relação a este tema, pois a tecnologia e as ferramentas que os colaboradores utilizam para receber melhor as informações é uma questão variável, e que deve ser analisada com atenção. 38 França (1999), engloba as ferramentas em quatro segmentos: auxiliar, oral, escrita e aproximativa. A primeira contempla os recursos tecnológicos existentes para que possam auxiliar em diversas formas de interação com o público interno. Dentre os elementos citados por Tavares (2009), podemos citar: Intranet; Reuniões (via videoconferência); Materiais de apoio multimídia para eventos; Newsletters; House organs virtuais. Todos os tipos de materiais que visem à comunicação virtual podem ser encaixados na comunicação dirigida auxiliar. Na comunicação dirigida oral, a autora caracteriza como o processo mais rápido e eficaz de se transmitir uma informação aos colaboradores, mas alerta para uma atenção especial na sua utilização, tendo em vista o público-alvo (qual setor), que se quer atingir. A dirigida oral pode ser realizada através de telefonemas, eventos, reuniões, rádio interna e, principalmente conversa face a face. Segundo França (1999), a comunicação dirigida escrita pode ser representada por memorandos, murais, cartas, cartões e publicações internas. E por último, a comunicação dirigida aproximativa comporta todos os veículos que "permitem qualquer aproximação física entre os públicos e a instituição" (FRANÇA, 1999, p. 74), sendo representadas pelos eventos, reuniões, visitas, patrocínio, doação de brindes e donativos, conversas discursos, entrevistas, treinamentos etc. Com esta divisão, compreende-se a importância em saber escolher a ferramenta e os canais mais apropriados de comunicação para se atingir o público interno, escolhendo a linguagem mais adequada, bem como técnicas que serão utilizadas. Desta forma, começa-se a compreender a comunicação dirigida com mais afinco, pois é nela que o "profissional de Relações Públicas sempre apostou para a formação e orientação de seus diferentes públicos - objeto da sua atividade.” (FRANÇA, 1999, p. 75). Com as análises dos instrumentos, canais, redes, fluxos, públicos e compreensão de uma estrutura de comunicação empresarial, foca-se, neste momento, na comunicação interna, reforçando argumentos anteriores e futuros. 39 3.2 CONCEITOS E PECULIARIDADES DA COMUNICAÇÃO INTERNA Antes de iniciar este subitem é importante esclarecer que no contexto da comunicação interna, contempla-se também a mensagem dirigida a determinados públicos, ou seja, a comunicação dirigida, que conforme Margarida Kunsch (2006), “À comunicação dirigida cabe a elaboração da mensagem eficiente, eficaz e apta a produzir os efeitos desejados no público receptor” (KUNSCH, 2006, p. 93). Com a exposição da autora compreende-se que não se pode utilizar os mesmos meios de comunicação para os diversos públicos, sem antes analisar se objetivo da mensagem será cumprido, tendo em vista as diferenças de acesso pelos receptores. Segundo Kunsch (2006), um dos primeiros passos de Relações Públicas, quando se aplica a comunicação dirigida é a determinação dos grupos e identificação dos públicos. “Nessas condições, a comunicação dirigida dispõe de mecanismos mais aptos, mais diretos e mais econômicos para alcançar os públicos identificados.” (KUNSCH, 2006, p. 93). Com isto pode-se compreender que a comunicação dirigida, depois de uma categorização dos grupos, é imprescindível para que se obtenha êxito na comunicação interna de uma organização. A comunicação interna, segundo Clemen (2005), ocorre quando a empresa mantém trocas de mensagens com o seu público interno. No entanto, o autor diferencia o objetivo deste processo em relação à comunicação administrativa, sendo que esta última é utilizada apenas para ordenar, solicitar e informar decisões. A comunicação interna não pode ser algo isolado do composto comunicação integrada e dos conjuntos das demais atividades organização. Sua eficácia irá depender de um trabalho de equipe entre áreas de comunicação e recursos humanos, a diretoria e todos empregados envolvidos. (KUNSCH, 2003, p. 160) da da as os Na visão de Tavares (2009, p. 14), a comunicação interna abrange: A comunicação entre departamentos, órgãos, unidades etc; A comunicação entre pessoas dos mesmos departamentos, órgãos, unidades etc; 40 A comunicação entre chefias; A comunicação entre funcionários e chefia direta, como supervisores e gerentes, e chefia indireta, como diretores e presidentes. Com esta condição, entende-se que a comunicação interna também pode ser caracterizada pelo fluxo horizontal, conforme visto anteriormente. Aí, os setores trocam informações entre si, em busca de soluções administrativas. Kunsch (2006), relembra a questão da evolução no se pensar comunicação organizacional, sendo que este desenvolvimento também alterou os programas de comunicação interna. Algumas décadas passaram-se desde o apogeu dos programas de comunicação interna, quando eram vistos como a última palavra em geração de entusiasmo e motivação. De lá para cá, as organizações mudaram, o perfil dos executivos mudou, a força de trabalho tem novas preocupações, interesses e objetivos. (KUNSCH, 2006, p. 205) Em termos estratégicos de marketing, o autor Chinem (2006), defende que a boa comunicação de uma empresa é um dos únicos diferenciais no mercado atual frente aos seus concorrentes: A ferramenta das empresas da nova era é a comunicação. Vivemos em um tempo em que os quatro P’s do marketing (preço, produto, ponto-de-venda e promoção) podem ser rapidamente igualados pela concorrência. Comunicar-se bem é a última vantagem competitiva. (Chinem, 2006, p. 17) Com a explanação de Chinem (2006), busca-se agora compreender como adquirir esta vantagem, e da mesma forma adaptar-se a este novo conceito em se fazer comunicação interna, proposto por Kunsch (2006). Segundo Clemen (2005), esta vantagem só pode ser conquistada com a valorização do ser humano. As empresas precisam compreender que trabalham com pessoas, com as suas complexidades e necessidades. Desta forma, o autor coloca que é importante analisar as fontes e os receptores, sendo que o primeiro precisa estar instruído a transmitir a mensagem correta, conforme os objetivos da empresa, bem como qual o impacto que esta pode ocasionar no público interno. É necessária 41 até uma compreensão, se o que estiver relacionado ao conteúdo não vá comprometer a imagem da empresa frente ao público externo. Referente a este assunto Tavares (2009), compreende que “É importante considerar pertencentes a este grupo tanto os funcionários da empresa quanto seus familiares, pois as decisões tomadas a respeito de um funcionário têm consequência direta na sua família” (TAVARES, 2009, p. 15) Contrariando em parte o argumento de Kunsch (2006), o pensamento de Clemen (2005), afirma que existe a possibilidade de gerar motivação no público interno a partir da comunicação interna, pois o autor entende que com o apoio das ferramentas adequadas, com a análise dos receptores e um bom relacionamento dos líderes com os funcionários é possível trazer o público interno para dentro dos objetivos da empresa, tornando-o parte imprescindível do processo de evolução daquela organização. Assim, de maneira geral valorizando o trabalho de todos. Pode-se analisar, a partir da visão de França (1999), o novo perfil do público interno, que segundo ela, compreende empregados mais conscientes, responsáveis, inquiridores e atentos à cobranças das empresas em todos os setores. O público interno “Dentro desse novo contexto, falam exatamente sobre os seus interesses e os da empresa. Estão conscientes da importância de seu trabalho e de sua influência na produtividade e lucratividade da organização.” (FRANÇA, 1999, p. 7) A comunicação interna, para Tavares (2009), é a base dos processos administrativos, se esta for planejada de forma adequada, possui uma “[...] fantástica capacidade de resultar em vários fatores positivos na organização” (TAVARES, 2009, p. 14). Estes resultados são apresentados em diferentes tópicos, dentre os quais encontramos a agilidade em tomadas de decisão; o incentivo à proatividade; colaboração para a descentralização organizacional nos departamentos; tornar conhecido, através de campanhas internas, novos produtos ou novos serviços; desenvolvimento de um clima favorável entre funcionários, funcionários e chefias, e funcionários e empresa. O público interno é o “[...] porta voz da organização, de forma positiva ou negativa. Tudo dependerá do seu engajamento na empresa, da credibilidade que 42 esta desperta nele e da confiança que ele tem em seus produtos e serviços.” (KUNSCH, 2003, p. 159). Como a falta de conhecimento é apontada, pelos autores, como um dos problemas principais para a estruturação de um setor de comunicação interna, busca-se neste momento compreender quais os profissionais competentes, bem como as suas funções dentro de um departamento nesta área. Segundo Tavares (2009, p. 16 e 17), cinco pessoas das seguintes áreas se fazem necessário para a composição de setor de comunicação interna: um profissional de Relações Públicas, um de Jornalismo, um de Publicidade e Propaganda, uma secretária e um estagiário cursando Comunicação Social ou Marketing. Este tipo de trabalho muitas vezes é chamado de assessoria em comunicação, pois visa a integralizar as funções de jornalistas, publicitários e Relações Públicas em prol de uma organização ou cliente. Dentro destas áreas o autor destaca o papel de cada um, sendo que o profissional de Relações Públicas é responsável, resumidamente, a função de planejar, organizar, dirigir, controlar e avaliar: Todos os veículos de comunicação interna; Todos os tipos de eventos; Desenvolvimento de pesquisas; O gerenciamento de crises entre empresa e o público interno e ouvidoria. O profissional de publicidade e propaganda ou propaganda e marketing é responsável pelas seguintes funções básicas: Criar material institucional interno, como: folders, cartazes, logomarcas de eventos etc; Criar material promocional interno, com o propósito de divulgar para o público interno as campanhas externas; 43 Elaborar o plano de comunicação interna; Desenvolver de layout de intranet e site da empresa; Desenvolver ou acompanhar junto à agência todo material desenvolvido para peças e campanhas publicitárias etc. Já o profissional de jornalismo é responsável pelas seguintes funções básicas: Assessoria de imprensa; Jornalismo empresarial; Textos jornalísticos para veículos impressos e eletrônicos; Desenvolvimento e análise de clipping de mídia impressa e eletrônica; House organ; Etc. As funções da secretária e estagiário cumprem uma atividade de apoio, porém o papel que cada um cumpre é distinto, na qual a secretária cumpriria funções como: organização de reuniões; contatos em geral; visitas; agendas; viagens etc. No caso do estagiário, faz-se necessário que este apoie de forma técnica, seja qual for a área dele e que a empresa esteja necessitando. Após o desenvolvimento deste subitem passa-se a compreender melhor o papel que as Relações Públicas cumprem em uma organização. Em seguida, será tratado melhor sobre a função deste profissional. Neste momento, é importante destacar algumas diferenças entre comunicação interna e Endomarketing. 44 3.2.1 Diferenças básicas entre Comunicação Interna e Endomarketing Quando se fala de comunicação interna é preciso de cuidar para não confundir com o termo endomarketing. Muitos teóricos acabam por atribuir um mesmo conceito para estas duas áreas que possuem objetivos distintos, porém a seguir, perceber-se-á que a fusão entre as duas pode gerar bons benefícios para uma organização. Segundo Brum (1998), o Endomarketing percebe o público interno como cliente, há uma visão mercadológica por trás das ações. Vislumbra-se uma sedução do público interno, tornado o ambiente de trabalho mais agradável e propício para o desempenho e rendimento dos colaboradores. Segundo a autora, a definição da palavra Endo, de origem grega, quer dizer “ação interior ou movimento para dentro”, desta forma entende-se que na composição da palavra Endomarketing a sua definição seria o marketing para dentro (da empresa neste caso). Sendo assim, segundo Bekin (2004), o endomarketing são ações de marketing eticamente dirigidas ao público interno (funcionários), das organizações e empresas focadas no lucro; das organizações não lucrativas e governamentais; e das do terceiro setor, observando condutas de responsabilidade comunitária e ambiental. (2004, XVII apud TAVARES, 2009, p. 17) Como visto anteriormente a comunicação interna aborda um estilo parecido com a do endomarketing, porém com uma ideia de respeito mútuo entre empresa e público interno, gerando satisfação profissional a partir da harmonia adquirida em virtude das ações de relacionamento. O público aqui não é visto como cliente, e sim como uma parte da composição da organização. Com isto, compreende-se que o endomarketing gera no público interno uma fidelidade, enquanto a comunicação interna gera lealdade. No entanto, é possível a partir de Tavares (2009), compreender que “É praticamente impossível falar sobre comunicação interna sem falar em endomarketing. Os dois conceitos andam praticamente juntos.” (TAVARES, 2009, p. 17). 45 Assim como a comunicação interna, o endomarketing também é apresentado por Brum (1998), como um investimento ainda não explorado pelos empresários, em alguns casos por falta de conhecimento da direção, truculência por parte dos líderes, que em alguns casos não se abrem para ações e projetos informativos e, principalmente por não assimilarem como o fluxo ocorreria dentro de sua organização. Finalizando, Tavares (2009), explica que “A comunicação dentro de uma empresa existirá sempre, independentemente de um programa de endomarketing. O que diferencia esta questão está na qualidade da comunicação” (TAVARES, 2009, p. 18). Desta forma, compreende-se que as diferenças entre estas duas áreas são baseadas nos detalhes e que juntas podem fortalecer uma organização. Entende-se a partir do exposto, que o endomarketing é uma ferramenta que se torna essencial quando uma organização não possui uma comunicação interna eficiente e planejada, pois o seu objetivo está na motivação e melhoria nas trocas de informação entre empresa e público interno. 3.3 RELAÇÕES PÚBLICAS NAS ORGANIZAÇÕES No decorrer deste subitem serão expostas algumas das especificidades desta profissão, como as funções de Relações Públicas e seu papel na prestação de serviços às organizações, sendo que será dado um enfoque especial para a área de comunicação interna organizacional. Como conceito pode-se entender que “A finalidade última (ou primeira), das Relações Públicas é a de através da legitimação de sua autoridade de poder de decisão, preparar os mercados para iniciar, expandir e manter as trocas com a organização.”, (SIMÕES, 1984, p. 120). Segundo Philip Lesly (1999), o papel das Relações Públicas é de suma importância para estabelecer uma harmonia entre públicos e organização: “É papel preponderante das Relações Públicas lidar com o clima humano – sentir seus direcionamentos, analisá-lo, ajustar-se a ele, ajudar a dirigi-lo.” (LESLY, 1999, p. 3) Durante sua explanação, Lesly (1999), coloca a questão da evolução como a justificativa do crescimento das Relações Públicas no mercado de trabalho, sendo 46 que “O primeiro terço do século XX foi dominado pelas invenções. O segundo terço, foi dominado pela administração. A última porção está sendo dominada pelo clima humano – as atitudes das pessoas que determinam como todos os segmentos da sociedade vão funcionar” (LESLY, 1999, p. 2). Este argumento do autor nos faz lembrar Chiavenato (2006), que em seu quadro no qual discriminava o processo evolutivo das organizações, coloca que a maneira de lidar com as pessoas mudou durante o século XX, sendo esta modificação no comportamento, um dos fatores para a manutenção e surgimento das Relações Públicas. Dentro desta mesma linha de pensamento encontra-se França (1999), que acredita que a mudança deste pensamento gerou mudanças na maneira de se relacionar com os públicos: Essas mudanças afetam todos os relacionamentos das empresas com os seus fornecedores, clientes, governo, imprensa e com seus empregados, que passam a ser selecionados com maior rigor e a receber maior treinamento para se adaptar às novas condições de trabalho nas quais têm maior responsabilidade. (FRANÇA, 1999, p. 5) Com um olhar sobre a evolução do relacionamento com todos os públicos, o autor destaca que o interno assume uma condição diferenciada. [...] nasceu também a consciência de que os empregados fazem parte do composto mercadológico da empresa, assumindo papéis ora de “fornecedor”, ora de “cliente interno”, tendo, consequentemente, maior comprometimento na execução de suas tarefas e passando ter mais valor para a organização. (FRANÇA, 1999, p. 6) Para Lesly (1999), os motivos para se ter diferentes tipos de definições para Relações Públicas encontra-se por ela estar inserida quase em todas as facetas da sociedade, mas “para o benefício da simplicidade e da amplitude, Relações Públicas pode ser definida como ajudar uma organização e seus públicos a mutuamente se adaptar uns aos outros.” (LESLY, 1999, p. 3) Segundo Torquato (2002), a profissão de Relações Públicas tornou-se mais valorizada, após as novas transformações e exigências estabelecidas pelas atitudes públicas, quebrando o conceito de que o profissional da área categoriza-se como um “organizador de festinhas” (TORQUATO, 2002, p. 73). O autor ainda defende que a 47 área precisa focar-se na elaboração de programas e criação de canais para o relacionamento com os seus diversos públicos, entre eles o interno, visando uma maior proximidade com a organização, pois desta forma é possível atender as exigências e desvendar as necessidades e princípios destes. Em uma visão mais ampla Lesly (1999, p. 10), define os processos de Relações Públicas em oito fases, sendo estes responsáveis por influenciar “as atitudes das pessoas em relação a uma organização” (LESLY, 1999, p. 10). 1. Analisar o clima geral de atitudes e a relação da organização com o seu universo. Neste primeiro quesito o autor coloca que o profissional necessita compreender tudo o que ocorre dentro do sistema organizacional. É vital compreender tanto quanto possível as tendências dentro desse sistema e como a organização pode ser afetada por elas. Aqui, inclui-se tomar o pulso das atitudes em relação à organização e em relação ao campo dentro do qual ele atua – entre os seus diversos públicos com os quais pode manter relacionamentos. (LESLY, 1999, p.10) 2. Determinar a atitude de qualquer grupo em relação à organização. Nesta fase Lesly (1999), argumenta que é necessário estar por dentro das trocas de conversa pelos corredores, bem como analisar as repercussões de algumas decisões. “Quando as atitudes são conhecidas, é possível perceber onde a organização é mal compreendida e onde suas políticas e ações estão criando opiniões desfavoráveis.” (LESLY, 1999, p. 11) 3. Analisar o estado das opiniões. O autor defende que a qualquer momento a organização pode sofrer represálias quanto a sua postura, neste sentido é importante detectar, antes de tomar qualquer decisão, os estados de opiniões para evitar possíveis constrangimentos organizacionais, desde uma manifestação da comunidade a uma greve por parte dos empregados. “A análise ajudará a fazer planos para melhorar a opinião de vários grupos a respeito dos quais a empresa está tendo preocupações.” (LESLY, 1999, p. 11). Um exemplo sobre este quesito é que este trabalho de conclusão 48 servirá para a Empresa de Saúde, a partir da realização da pesquisa quantitativa, como um material de análise do estado de opiniões de seus médicos quanto à comunicação interna. 4. Antecipar problemas potenciais, necessidades e oportunidades. Neste momento o autor alerta para a elaboração de planos contendo possíveis ações, no sentido de minimizar o impacto ou aproveitar as atitudes dos diversos grupos. “Assim, planos e ações podem ser recomendados para se ir de encontro a essas circunstâncias, no momento mais vantajoso e dentro das condições mais favoráveis.” (LESLY, 1999. P. 11) 5. Formular políticas. A partir do cumprimento das fases acima e com a análise elaborada, é possível indicar possíveis modificações nas políticas, visando um aprimoramento nas atitudes de determinados grupos. “Frequentemente a mudança resulta na eliminação das causas de mausentendimentos e más-interpretações.” (LESLY, 1999. P. 11) 6. Planejar os meios de melhorar a atitude de um grupo. Após as modificações nas políticas e a compreensão do que as pessoas pensam da organização, é necessário que o profissional de Relações Públicas inicie um planejamento de ações aos públicos. Com a compreensão daquilo que as pessoas pensam da organização e uma clarificação das políticas a respeito daquilo que afeta a opinião pública, o trabalho básico está estabelecido. Posteriormente, vem a programação de atividades que explicarão a empresa e seus produtos – o que resolverá malentendidos e promoverá a boa vontade. (LESLY, 1999. P. 11) 7. Executar atividades planejadas. A utilização de ferramentas de comunicação, conforme visto anteriormente, fazem parte do dia-a-dia do profissional de Relações Públicas, mas elas devem ser utilizadas sempre de uma forma planejada. “Com planejamento prévio apropriado e boa assessoria, estas atividades tornam-se a fase mais tangível das Relações Públicas e de uma empresa.” (LESLY, 1999. P. 11) 49 8. Respostas, avaliações e ajustes. Finalizando, o autor coloca o processo de avaliação e respostas como um fator que contribui para a captação de anseios dos diversos públicos, podendo desta maneira fazer modificações e ajustes na políticas organizacionais. Essas avaliações auxiliam no estabelecimento dos resultados e desenvolvimentos, assim como ajustam o programa de Relações Públicas – e, frequentemente, a ajustar, de maneira integral, as políticas da organização – em consonância com o programa. (LESLY, 1999. P. 11) Analisando os argumentos de Lesly (1999), pode-se entender que as oito fases acima interessam à comunicação interna, pois a partir delas é possível mudar uma postura organizacional, reformular políticas, planejar ações em comunicação, avaliar e perceber os resultados das mudanças propostas, evitando desta forma possíveis descontentamentos com a organização. No entanto, o destaque dentre as oito fases está no reconhecimento do público e suas possíveis atitudes. Análise esta que envolve um olhar crítico de Relações Públicas, na qual a percepção e o apoio de pesquisas auxiliam em sua construção. O planejamento contribui de forma relevante, pois é a partir dele que se inicia um processo de modificação nas atitudes de um determinado grupo. Convém lembrar que no Brasil, a relação comunicação/eficácia/produtividade sempre esteve muito relacionada ao lucro. Comunicação, na visão da maior parte dos empresários, deve dar lucro, deve trazer resultados imediatos. Muitos empresários ainda confundem trabalho a longo prazo com uma simples venda em balcão, o toma-lá-dá-cá. (CHINEM, 2006, p. 29). Compreende-se assim que a organização que pretende adotar estas fases, além de contar com o apoio do profissional de Relações Públicas, necessita também estar aberta para novas ideias, possuir um caráter administrativo inovador, lembrando sempre que os resultados obtidos com o processo lhe renderá algo mais precioso que a questão financeira, pois esta pode ser momentânea. O investimento nesta área de comunicação gera credibilidade, confiança, transparência e principalmente motivação, tanto para aquisição de algum serviço por parte do cliente, como a satisfação do funcionário em trabalhar na empresa em questão. 50 A autora Kunsch (2003), acredita que para haver um adequado trabalho de comunicação interna de Relações Públicas é necessário que todos os setores da empresa estejam envolvidos, propiciando desta forma um “ [...] diálogo e a troca de informações entre a gestão executiva e a base operacional”. (KUNSCH, 2003, p. 159). Desta forma entende-se que a comunicação horizontal, sendo ela utilizada com as devidas formalidades, quando necessário, é a base para que se tenha “[...] uma verdadeira comunhão de ideias e atitudes, por intermédio da comunicação.” (ANDRADE, 1993, p. 178). No decorrer deste processo Torquato (2002, p. 132), explana quais são os objetivos de Relações Públicas na comunicação interna: Planejar formas e meios que estimulem o encaminhamento de ideias, sugestões e contribuições da comunidade; Planejar e coordenar eventos institucionais internos; Planejar e coordenar formas de integração interna, com a finalidade de propiciar climas saudáveis ao bom desempenho das atividades funcionais; Realizar pesquisas sistemáticas de clima organizacional com a finalidade de medir os níveis de expectativa, anseios e necessidades da comunidade interna. Fazendo uma comparação entre os objetivos das Relações Públicas na comunicação interna, proposta por Torquato (2002), e as oito fases do processo de mudança de atitudes dos públicos exposto por Lesly (1999), compreende-se a ligação entre estes dois pensamentos, sendo que o primeiro autor foca na comunicação interna, ou seja, um trabalho voltado para o público interno; já o segundo aborda os procedimentos gerais que a organização deve realizar com os diversos públicos. Com a exposição destes assuntos, concluí-se o terceiro capítulo deste trabalho com a clareza de que o profissional de Relações Públicas contribui 51 consideravelmente para a adaptação das empresas aos processos evolutivos das organizações, sendo uma peça importante para que conquistem credibilidade e empatia por parte de seus públicos, principalmente no que se refere à comunicação interna, tendo em vista a importância de se ter um clima institucional favorável. Tendo por base a discussão destes três capítulos, acredita-se que é possível compreender como se dá o funcionamento da comunicação interna em uma empresa, desde as influências do seu surgimento, aspectos e peculiaridades até chegar aos responsáveis por ela; características estas que a tornam objeto de um estudo tão importante. Com este amparo, bem como a identificação dos públicos, conhecimento da estrutura de uma organização em geral e a caracterização das ferramentas utilizadas para se estabelecer a comunicação interna, parte-se para a última parte deste trabalho que visa, a partir de um questionário, identificar os pontos fortes e fracos existentes dos meios utilizados pela Empresa de Saúde, para com o público interno – plantonistas – bem como a análise de suas expectativas. E, com o aporte teórico, já desenvolvido, e demais que serão trabalhados, apresentar-se-ão propostas de melhorias no sistema de comunicação interna da empresa, se houver necessidade. 52 4 ESTRUTURA DA COMUNICAÇÃO INTERNA DA EMPRESA DE SAÚDE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA Neste capítulo será possível compreender como atualmente se dá a comunicação interna dentro da Empresa de Saúde, perpassando pelos setores responsáveis, ferramentas utilizadas e seu sistema organizacional geral. Após a exposição da estrutura passar-se-á para a apresentação dos resultados da pesquisa realizada com os médicos plantonistas de um dos estabelecimentos da empresa. Com as análises da pesquisa será possível então identificar se há ou não a necessidade em propor melhorias na comunicação interna. As informações aqui apresentadas sobre a empresa de saúde foram disponibilizadas pelo setor de Desenvolvimento Humano (D.H.). O funcionamento da comunicação interna da Empresa de Saúde se dá em três formas diferenciadas, na qual o setor de D.H. fica responsável pelo contato com os médicos,. Já a área de Marketing possui a atribuição de relacionar-se com os colaboradores em geral. Outra forma de comunicação que se estabelece é a partir das diretorias (geral e técnica), sendo que há uma centralização no D.H. para o envio das informações. Foca-se, neste primeiro momento, no setor de D.H., pois este é o responsável pelo público que este trabalho está analisando. Desta forma é possível compreender que este setor é composto pelos seguintes cargos: Coordenadora; Analista de Desenvolvimento; Analista de Relacionamento. O cargo de Coordenadora é ocupado por um profissional da área de Administração de Empresas; o cargo de Analista de Desenvolvimento, por uma Pedagoga; e finalmente o cargo de Analista de Relacionamento, por um Relações Públicas. Com esta formação o setor é responsável pela gestão dos médicos, envolvendo o atendimento das suas necessidades nas mais diversas formas; auxílio na admissão e integração de novos médicos; organização de treinamentos; eventos voltados ao desenvolvimento e relacionamento dos médicos; e na elaboração e organização de projetos de responsabilidade social. 53 As áreas de desenvolvimento e relacionamento são assim compreendidas pelo setor de D.H.: Área Desenvolvimento Objetivo Promover a valorização dos médicos através da qualificação. Gestão dos Médicos Relacionamento Melhorar o relacionamento através de ações de integração e atendimento dos médicos. Figura 5: Áreas de desenvolvimento e relacionamento O setor de D.H. é responsável pelo envio de todas as informações aos médicos, bem como organização de eventos e atividades de integração entre eles. O envio destas informações e a realização destas atividades funcionam da seguinte maneira: Torpedo: utiliza-se um sistema via internet para comunicar eventos, reuniões, mensagem de aniversário etc; E-mail: o endereço eletrônico é utilizado para o envio de definições; divulgação de cursos internos e externos; cartão de aniversário; convites para a participação em palestras; reuniões; almoços; e eventos de entidades como o CREMERS; Intranet: área na qual são divulgados cursos e palestras; Mural: Todos os estabelecimentos da Empresa de Saúde possuem uma área, restrita, para o descanso dos médicos plantonistas, nestas salas há dois murais que são utilizados como um reforço do que foi enviado por e-mail e intranet; 54 Jornal dos médicos: neste meio são vinculadas notícias da empresa, novas definições da diretoria, divulgação de cursos e eventos. Esta ferramenta é elaborada por um jornalista da empresa, sendo que este fica responsável pela elaboração das matérias. A pauta é construída de comum acordo com o setor de D.H., Diretoria e demais setores. A diagramação desta ferramenta é realizada através de um serviço terceirizado; Reuniões: é realizada uma reunião mensal, para fins de discussão de novas estratégias da empresa, bem como a divulgação das atividades a serem desenvolvidas e apresentação de propostas; Memorando e Circular: estas ferramentas são entendidas pela empresa como uma só, na qual são repassadas em anexo, por e-mail, decisões da diretoria geral, como por exemplo, um aumento no valor da hora do médico; Eventos: são realizados eventos comemorativos, um almoço por mês aos aniversariantes, há também uma comemoração anual alusiva ao dia do médico, bem como festa de final de ano. A empresa realiza eventos mensais como palestra de educação médica continuada, assuntos voltados aos plantonistas, como por exemplo, a ética médica. A Diretoria Geral é formada por sete cargos, sendo eles distribuídos e com as seguintes atribuições abaixo: Presidente Representação da Empresa em todas as instâncias; Supervisionar a administração geral e as atividades da Empresa; Assinar, juntamente com o Diretor Financeiro, os documentos oficiais da empresa (cheques, contratos etc.); 55 Convocar e presidir as reuniões de diretoria e acionistas; Delegar poderes e atribuições a Diretoria e colaboradores. Diretor de Planejamento Definir, em conjunto com a diretoria, rumos e estratégias para a empresa; Acumula a função de vice-presidente; Substituir o presidente e quaisquer dos diretores nos seus impedimentos temporários e permanentes; Coordenar o programa de gestão por processos e qualidade; Analisar e dar parecer sobre contratos, em conformidade com a Diretoria. Diretor Administrativo Organizar e supervisionar as atividades administrativas; Organizar e fiscalizar a área de Gestão de Pessoas; Selecionar e supervisionar os serviços terceirizados; Substituir o vice-presidente nos seus impedimentos temporários ou permanentes. Diretor Financeiro Organizar e supervisionar as atividades financeiras da empresa; 56 Assinar, juntamente com o Presidente, todo o expediente financeiro e documentos oficiais (cheques, contratos etc.). Diretor de Mercado Coordenar, promover e supervisionar as vendas de contratos de planos de saúde a pessoas físicas e jurídicas; Acompanhar a execução dos contratos junto aos clientes; Coordenar e promover a publicidade e a consolidação da imagem da empresa, interna e externamente. Diretor de Desenvolvimento Coordenar os programas de educação e promoção de saúde; Organizar e coordenar o D.H. Diretor de Serviço Organizar e supervisionar os serviços próprios; Supervisionar e zelar pelo patrimônio da empresa; Coordenar os processos de aquisição de móveis, equipamentos e veículos, materiais e medicamentos para os serviços próprios; Pesquisar e analisar a aquisição de imóveis; Coordenar a implantação e localização de novas unidades. A Diretoria Técnica é responsável por coordenar as atividades médicas no pronto-atendimento, visando o bom funcionamento, compreendendo escalas de 57 plantão, tratamento de reclamação de clientes, identificação de necessidade de infra-estrutura e de novos recursos. Este setor se utiliza mais da comunicação oral para relacionar-se com os médicos plantonistas, pois se encontra diretamente ligado a estes colaboradores. A necessidade em manter os colaboradores munidos de informação, diariamente, é um ponto em que Lara (2003), defende como crucial, pois a transparência nas informações transmitidas, bem como a sua adequação para o público que irá recebê-la, é essencial para evitar ruídos na comunicação, ou exemplificando, as negativas fofocas. O autor afirma que ter uma boa comunicação na empresa é reflexo de um bom desenvolvimento do trabalho da altaadministração. Os públicos são formados por sujeitos, e estes, segundo Rudimar Baldissera (2005), resultam “[...] de um processo dialético entre sua herança genética e sua existência psico-sócio-cultural. Mediante esse processo, ele se constrói, constrói sua história de vida, sua identidade.” Segundo o autor é a partir dessa construção que o indivíduo avalia e opina sobre o entorno. Neste sentido é possível compreender que a maneira de ver o mundo varia de acordo com os lugares que o sujeito freqüenta, e das pessoas que dividem os mesmos espaços. Isto leva a compreender que os públicos formados por classes profissionais podem ter maneiras distintas de comportamento. Neste caso, analisar-se-ão apenas os médicos plantonistas, a partir das informações obtidas mediante aplicação do questionário. É importante salientar que o público que é tratado neste trabalho é de fundamental importância para a empresa, pois além de serem peças fundamentais na prestação de serviço, possuem também poder nas tomadas de decisões. Desta forma, identifica-se que este público necessita de uma atenção especial, pois não se caracteriza e identifica-se como colaboradores. No entanto, pode-se compreender que a relação alta-administração e público interno continuam as mesmas, não sendo alterados os rumos deste trabalho. Todavia, surge a possibilidade e a necessidade de se saber o que os médicos plantonistas pensam a respeito das ações e métodos de comunicação 58 interna realizadas pelo setor de D.H. e as diretorias, uma vez que esta é a questão que norteia este trabalho. Estas opiniões foram captadas a partir da aplicação de questionários, sendo que os resultados e análises serão apresentados a seguir. 4.1 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA Após a exposição dos assuntos pertinentes à comunicação interna e apresentação dos setores responsáveis pela comunicação com os médicos plantonistas, inicia-se neste momento a exposição dos resultados da pesquisa aplicada, bem como uma análise crítica baseada nos argumentos teóricos tratados nos capítulos anteriores. Inicia-se a apresentação com dados básicos, que formam o perfil do público que está sendo estudado, como sexo, idade, estado civil e quantos anos de empresa, conforme os gráficos a seguir: 21% Masculino Feminino 79% Gráfico 1: Sexo Fonte: Elaboração do acadêmico O primeiro gráfico nos traz a predominância do sexo masculino atuando no pronto-atendimento onde ocorreu a pesquisa. Desta forma 79% dos colaboradores é do sexo masculino, com variações em todas as faixas etárias, uma média etária de 44 anos. As mulheres representam 21% dos colaboradores, e encontram-se na faixa etária entre 47 a 57 anos. Vale lembrar que após a Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, gradualmente, o sexo feminino vem se posicionando no mercado de 59 trabalho, sendo que este público dentro de alguns anos ocupe esta área gradualmente. 14% 14% 2 De 25 a 35 anos 2 De 36 a 46 anos 2 De 47 a 57 anos 36% 36% 2 Acima de 58 anos Gráfico 2: Idade Fonte: Elaboração do acadêmico Com relação ao tempo de empresa percebe-se que 86% dos profissionais possuem mais de 11 anos de vínculo. Sabe-se que profissionais após um determinado tempo de vínculo podem vir a se acomodar com sistemas ultrapassados, criando certas resistências as novas propostas. Este dado torna-se importante na questão da comunicação, pois acaba limitando certos públicos ao acesso de alguns canais de comunicação interna. 14% 21% 0% De 1 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 20 anos Acima de 20 anos 65% Gráfico 3: Tempo de Empresa Fonte: Elaboração do acadêmico Tendo por base o perfil masculino como público predominante, com uma média de idade de 44 anos, é também a maioria de casados, correspondendo a 82%; 9% solteiros; e 9% divorciados. Foi possível constatar também que 67% das mulheres são divorciadas, e 33% casadas. Desta forma pode-se entender da seguinte maneira o estado civil dos colaboradores: 60 21% 0% Casado Solteiro Divorciado 7% Viuvo 72% União Estável Gráfico 4: Estado Civil Fonte: Elaboração do acadêmico Após esta exposição do perfil do público pesquisado parte-se para questões mais específicas que visam identificar primeiramente o conhecimento dos participantes em relação ao setor responsável pelo envio de informações, o Desenvolvimento Humano. Referente a esta questão, 93% responderam que sabem da existência do setor. Esta questão tornou-se necessária tendo em vista algumas adaptações na nomenclatura do setor, que a partir de agora seguirá com este nome. 7% Sim Não 93% Gráfico 5: Conhecimento do setor de Desenvolvimento Humano Fonte: Elaboração do acadêmico Após a verificação do conhecimento por grande parte dos entrevistados sobre a existência do setor de Desenvolvimento Humano, busca-se agora compreender como este setor é avaliado pelas atividades que a ele competem. Conforme mostra o gráfico abaixo, 50% dos participantes avaliam como “Muito bom” o trabalho desenvolvido pelo setor; ainda como aspecto positivo, identifica-se que 36% o consideram “Satisfatório”. Não se teve nenhuma opinião negativa quanto ao setor, porém 14% apontam que não sabem quais realmente são as funções 61 desenvolvidas; sendo que destes, 7% não possuem conhecimento nem da existência do setor. 0% 14% Muito bom Satisfatório 50% 36% Parcialmente Satisfeito Insatisfeito Não sei / não se aplica Gráfico 6: Satisfação quanto ao trabalho desenvolvido pelo setor de D.H. Fonte: Elaboração do acadêmico Tendo em vista que a questão anterior abordava o contexto geral de como o setor de D.H. era avaliado, parte-se agora para a avaliação dos participantes quanto ao envio de informações por parte deste departamento. Como se pode visualizar abaixo há uma melhora, pois 57% o considera “Muito bom” neste quesito; e 29%, “Satisfatório”. A porcentagem de 14% se manteve dentre aqueles que não possuem opinião formada. 0% 14% Muito bom Satisfatório Parcialmente Satisfeito 29% 57% Insatisfeito Não sei / não se aplica Gráfico 7: Satisfação quanto ao envio de informações feito pelo setor de D.H. Fonte: Elaboração do acadêmico Buscou-se também identificar qual o grau de satisfação em relação ao envio de informações por parte das diretorias geral e técnica. Mesmo que se centralize o envio das informações no setor de D.H., é necessário ressaltar que existem diferenças na forma como os setores utilizam o recurso. Neste sentido se fez 62 necessário compreender como se é avaliado este quesito. Desta forma, com o apoio dos gráficos abaixo se constata que ambos possuem uma variação na satisfação, indo de um extremo ao outro, variações estas que acabam sendo negativas. A amostra apresenta que a Diretoria Geral possui a mesma porcentagem nos quesitos “Muito bom” e “Parcialmente Satisfatório” – 23% cada. Dos entrevistados, 15% não recebem nenhum tipo de informação; 8% estão insatisfeitos; e 31% consideram que o envio de informações por parte da Diretoria Geral é “Satisfatório”. 15% 23% 8% Muito bom Satisfatório Parcialmente Satisfeito 23% Insatisfeito 31% Não sei / não se aplica Gráfico 8: Satisfação quanto ao envio de informações feito pela Diretoria Geral Fonte: Elaboração do acadêmico A Diretoria Técnica possui uma divisão ainda maior, sendo que as opiniões igualam-se nos quesitos “Muito bom” e “Satisfatório” – ambos com 22% cada; além de “Insatisfeito” e “Não sei” – ambos com 21%; apenas 14% consideram-se “Parcialmente satisfeitos” com relação ao envio de informações realizado por parte deste setor. Por outro lado, segundo Kunsch, a comunicação interna não pode ser um fator isolado, é necessário haver uma harmonia nas “engrenagens” da organização, considerando que esta deve estar inserida no contexto da comunicação integrada, e esta por sua vez às demais atividades da organização. Os setores precisam ser vistos de forma linear na comunicação interna, ambos com um mesmo índice de satisfação. Abaixo é possível identificar, a partir do gráfico, a divisão de opiniões. 63 21% Muito bom 22% Satisfatório Parcialmente Satisfeito 21% 22% 14% Insatisfeito Não sei / não se aplica Gráfico 9: Satisfação quanto ao envio de informações feito pela Diretoria Técnica Fonte: Elaboração do acadêmico Após analisar a satisfação quanto aos setores que ficam responsáveis por enviar informações, busca-se neste segundo momento identificar quais as ferramentas mais utilizadas por este público para receber informações. A partir do gráfico abaixo pode-se perceber que existe uma divisão considerável, porém devese levar em consideração que os entrevistados tiveram a oportunidade de escolher mais de uma opção. De toda a forma é possível constatar que a maioria já está aderindo às novas tecnologias para manter-se informado, como o caso do e-mail (29%); e o torpedo SMS (26%); porém a Intranet não tem a mesma receptividade, sendo apontada por apenas 5%. As reuniões mensais foram citadas por 11%; outro meio também tradicional, o mural, é acessado por 18%; no caso do jornal interno, 5%. As ferramentas mais formais como memorando e circular foram pouco citadas, havendo apenas 3% de aderência à última citada. No caso do memorando e circular, são ferramentas que aos poucos estão sendo adaptadas com o advento dos endereços eletrônicos, porém são ferramentas que muitas organizações ainda utilizam, por este motivo foi trazida para identificar a sua usabilidade. Os resultados citados neste parágrafo podem ser consultados abaixo: 64 5% E-mail 3% 0% Mural 11% 3% 29% Torpedo Jornal Interno 5% Memorando Circular 26% 18% Intranet Reuniões Pasta do Plantonista Gráfico 10: Ferramentas de comunicação mais utilizadas pelos plantonistas Fonte: Elaboração do acadêmico Depois de identificar quais ferramentas de comunicação são mais utilizadas pelos médicos plantonistas pretende-se agora identificar o grau de importância de cada ferramenta. Com base na mostra percebe-se que o E-mail, mesmo sendo utilizado por 29% dos entrevistados, é considerado por 62% deles como “Muito importante”, sendo que apenas 8% consideram “Pouco importante”. Já na questão do torpedo SMS, apenas 33% consideram “Muito importante”; a maioria, representada por 42%, consideram a ferramenta “Relativamente importante”. O mural é visto por 30% dos entrevistados como “Relativamente importante”; três quesitos – “Muito importante”; “Importante”; “Pouco importante” – obtiveram a mesma porcentagem de 21%. A reunião foi o segundo item mais apontado como “Muito importante”, correspondendo a 44% dos entrevistados que a avaliaram. Mais detalhes sobre as demais ferramentas podem ser conferidos na tabela abaixo: 65 100% 90% 80% 70% Muito importante 60% Importante 50% Relativamente importante 40% Pouco importante Desnecessário 30% 20% 10% 0% E-mail Mural Torpedo Jornal Interno Memorando Circular Intranet Reuniões Pasta do Plantonista Gráfico 11: Grau de importância das ferramentas Fonte: Elaboração do acadêmico Após a constatação que o e-mail, como se imaginava, é um dos instrumentos mais utilizados e importantes dentre os demais, passa-se agora para a verificação da avaliação dos plantonistas frente a três características pertencentes às informações recebidas via empresa: Clareza; Objetividade; Tempo hábil. Com o auxílio do gráfico abaixo se constata que há picos negativos quanto ao tempo hábil de envio de informações, sendo que 15% dos entrevistados sentem-se “Parcialmente satisfeitos” quanto a este item; logo se verifica que 6,5% consideramse insatisfeitos, mesmo índice dos que avaliam o quesito “Muito bom”. A clareza é considerada satisfatória, sendo que 17,3% a consideram “Satisfatório”; e 10,8% a tem como “Muito bom”. Em termos de objetividade os entrevistados a avaliam como satisfatória, sendo que 15,2% a consideram “Satisfatório”; e 8,6% “Muito bom”. 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% Clareza 8,00% Objetividade 6,00% Tempo Hábil 4,00% 2,00% 0,00% Muito bom Satisfatório Parcialmente Satisfeito Insatisfeito Não sei / não se aplica Gráfico 12: Avaliação das características das mensagens enviadas Fonte: Elaboração do acadêmico 66 Após identificar que existe deficiência no tempo hábil do envio de informações, busca-se agora a opinião dos médicos plantonistas quanto ao seu interesse e opinião quanto aos eventos realizados que visam a integração desta classe, bem como a realização de suas reuniões mensais. Dentro deste cenário foi possível constatar que 36% acreditam que estas atividades são importantes; com este mesmo índice acreditam que sejam necessárias; de outro lado 14% avaliam como muito importante e, 7% desnecessárias. Apenas 7% não souberam opinar. 7% 7% Importante 36% Muito importante Necessário Desnecessário 36% 14% Não sei / Não se aplica Gráfico 13: Grau de importância das ferramentas Fonte: Elaboração do acadêmico Após se expor os resultados quanto à opinião dos entrevistados referente às ações pré-definidas no questionário que melhorariam a comunicação interna. Há uma divisão nas demandas apresentadas, porém foi possível constatar que 36% acreditam que devem haver mudanças nas estratégias de comunicação; após, 24% pensam que deve se ter uma ampla divulgação das ações; ainda neste cenário, 24% gostariam de possuir profissionais mais qualificados na gestão das informações que a eles são enviadas; e 12 % opinaram que dever-se-ia ter uma maior integração entre os médicos; apenas 4% não deram nenhuma opinião a respeito. A partir destas constatações, surgiu a ideia de propor um plano de comunicação, já que há uma constatação de necessidade de mudança. Este assunto será discutido logo a seguir. 67 Uma ampla divulgação das ações 12% 4% 24% Inovação nas estratégias de comunicação Capacitação dos colaboradores 24% 36% Mais atividades que integrem os setores Não há sugestões Gráfico 14: Sugestão de melhorias na comunicação interna Fonte: Elaboração do acadêmico Concluindo, apresenta-se o índice de satisfação quanto à comunicação interna no geral. Percebe-se que 72% estão satisfeitos; 7% avaliam como “Muito bom”; outros 7% estão parcialmente satisfeitos, e 14% insatisfeitos. Como visto no terceiro capítulo, segundo Chinem (2006), a comunicação tornou-se mais do que um diferencial, é uma vantagem competitiva. Neste sentido deve-se investir cada vez mais nesta área. 14% 0% 7% Muito bom 7% Satisfatório Parcialmente Satisfeito Insatisfeito 72% Não sei / não se aplica Gráfico 15: Sugestão de melhorias na comunicação interna Fonte: Elaboração do acadêmico Após a exposição dos resultados da amostra, passa-se agora para análise destes dados coletados e para a explanação de ações sugeridas para o desenvolvimento da comunicação interna na Empresa de Saúde. 68 4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS E AÇÕES SUGERIDAS PARA A MELHORIA DA COMUNICAÇÃO INTERNA DA EMPRESA DE SAÚDE Com a apresentação dos resultados da pesquisa observa-se que a comunicação interna está satisfatória na Empresa de Saúde, segundo a opinião dos entrevistados. No entanto, é importante ressaltar que muitos pontos precisam ser revistos e novas estratégias precisam ser adotadas para que se busque a excelência na comunicação interna. Neste capítulo propõe-se uma análise com base no levantamento dos resultados obtidos a partir da pesquisa, bem como um apanhado da abordagem teórica para que se tragam soluções para que a comunicação interna na empresa possa evoluir constantemente. Um dos aspectos que inicialmente pode-se levar em consideração é tempo de empresa que a maioria dos colaboradores possui, sendo que 65% já possuem mais de 10 anos de vínculo com a Empresa de Saúde. Com isto constata-se que estes já vivenciaram diversas trocas de diretoria, uma vez que a cada três anos há trocas gestores. Um aspecto positivo é que mesmo tendo uma rotatividade dos gestores há uma satisfação na comunicação interna, fruto de uma continuação e propostas de novas estratégias. De toda forma, é necessário que se elabore um documento formal de comunicação estratégica que se trace objetivos, metas, estratégias, planos de ação, controle e avaliação válidos por mais de quatro anos, como pode-se identificar em Tavares (2009, p. 124). Com isto será dada continuidade aos trabalhos de comunicação, mesmo que haja substituição no setor de D.H. ou Diretoria. Com isto as ferramentas de comunicação seriam apenas um dos quesitos a serem planejados. Para a realização deste plano podem-se levar em conta as análises a seguir. Ao analisar os dados obtidos com a pesquisa identifica-se uma baixa utilização do e-mail, sendo utilizado por apenas 29% dos colaboradores; uma porcentagem baixa, considerando que todos possuem poder aquisitivo para obter acesso, bem como possuem acesso a esta ferramenta em seus postos de trabalho. Constata-se ainda que a Intranet é pouco utilizada, porém esta ferramenta é de extrema importância e deve-se motivar a sua utilização, assim como investir em recursos visuais e de conteúdo para deixar a página atrativa e informativa. 69 Como visto anteriormente o e-mail é uma ferramenta cujo segmento é a escrita, com isto considera-se que pelo fato de registrar as informações em um determinado espaço virtual de uso pessoal, torna-se acessível ao público plantonista. Deve-se contudo cuidar com a poluição eletrônica, evitando o envio de quaisquer informações, priorizando o que for de mais valia a ser informado. Um fator que pode ser negativo é a faixa etária dos colaboradores que por ventura podem resistir ao uso, porém é de fundamental importância a sua utilização, tendo por base a velocidade em que as informações circulam nos dias atuais. Na linha dos meios eletrônicos identifica-se que 26% priorizam a utilização do torpedo SMS para receber informações. Vale lembrar todavia que esta ferramenta deve ser utilizada para cancelamentos, adiamentos e lembretes. Muitos dos entrevistados aguardam pela mensagem para participar de uma reunião ou atividade proposta. Torna-se necessário inverter esta cultura, pois em muitos casos pode vir a se tornar inviável a participação de alguns colaboradores, pois a instantaneidade pode conflitar com outros compromissos pré-agendados. O torpedo SMS é uma ótima alternativa, porém deve ser utilizado com cautela e não pode ser caracterizado como a ferramenta principal de comunicação entre a empresa e seus médicos plantonistas. Identifica-se também que a utilização do mural ainda é muito significativa. Mesmo com o passar do tempo esta ferramenta ainda perdura como base para acesso de informações; na amostra percebe-se que 18% dos entrevistados utilizamno, havendo uma variação no que diz respeito a sua importância. Contudo, esta ferramenta é de acesso fácil e necessita ser mantida, porém sugere-se que se faça um pequeno investimento na aquisição de murais mais atrativos e maiores, mantendo-os sempre atualizados com informações da empresa e até mesmo recortes de notícias referentes à área da saúde. Segundo França (1999, p. 74), os murais são veículos auxiliares e possuem um papel de suma importância, por ser um recurso visual e de fácil acesso. É válido ressaltar que o tempo hábil do envio das informações foi avaliado pelos entrevistados de uma maneira negativa. Poucos são os satisfeitos com a maneira de divulgação instantânea. Os quesitos como clareza e objetividade estão 70 dentro de um padrão normal, considerando apenas uma verificação no segundo, o qual aponta índices de baixa satisfação. Outra observação que se pode extrair da pesquisa é a pouca usabilidade e importância do jornal interno, sendo este considerado relativamente importante, e utilizado por apenas 5% dos entrevistados para obter informações. Com isto constata-se que este instrumento não está sendo interativo. Segundo Bueno (2003, p. 249), as empresas não se preocupam com as sugestões e informações que os colaboradores gostariam de incluir nesta ferramenta. Neste sentido ela acaba perdendo seu valor. Nesta mesma linha Tavares (2009, p. 25), acredita que jornais internos devem ser produzidos pelo próprio setor de comunicação da empresa, porém o autor considera que devido à diminuição do número de empregados, principalmente nesta área, os jornais internos acabam sendo produzidos por empresas terceirizadas, assessorias e agências que pouco sabem da cultura organizacional da organização. A Empresa de Saúde como se viu, na apresentação de suas ferramentas, conta com a colaboração de um jornalista para a elaboração de seu jornal interno, no entanto levando em consideração os argumentos dos autores é necessário que o responsável pela produção deste material busque mais interatividade e conviva com a situação. Neste sentido compreende-se que uma das melhores alternativas seria a inserção deste profissional no setor de D.H., para que juntos analisem as reais necessidades de pauta. As ferramentas como memorando e circular foram apontadas ambas como a primeira e segunda dentre as ferramentas com maior índice de rejeição para este público, sendo que foram indicadas pela maioria dos entrevistados como pouco importantes e desnecessárias. Estas opiniões são consideradas normais na medida em que se percebe que este público obtém as informações estando nas reuniões que são realizadas mensalmente. Desta forma estas ferramentas de comunicação vêm se tornado obsoletas por suas características físicas no mercado de trabalho, sendo que os meios digitais possuem uma maior aplicabilidade no envio destas informações. É importante considerar que estas ferramentas cumprem um papel relevante, e o papel segundo Tavares (2009), do memorando “[...] passar 71 informações, sugestões, solicitações de providências, notificações etc.” (TAVARES, 2009, p. 26). Já a circular, segundo o autor, é uma ferramenta dirigida por mais de uma via, que visa atingir vários destinatários. Referente aos eventos promovidos pela empresa, como atividades de integração e reuniões mensais, constata-se uma divisão de opiniões, porém é possível considerar que a maioria compreende que estas ações são importantes. No entanto, é necessário identificar os 36% que consideram as atividades como apenas necessárias, e 7% desnecessárias, pois em algum momento as atividades propostas podem não estar cumprindo o seu objetivo. No caso das reuniões, uma ferramenta aproximativa segundo França (1999), deve seguir um planejamento conforme proposto por Tavares (2009, p. 36), na qual se faz necessário seguir alguns passos: saber se há necessidade para convocar a reunião; definir local e horário; fazer uma lista de tópicos internos e externos; definir o número de participantes, objetivo e local; convocar ou convidar os participantes informando o objetivo, quem solicitou, data, local e hora (início e fim); confirmar a presença dos participantes com antecedência; o líder deve indicar o redator que fará a ata; o que estiver na ata deverá ser repassado aos responsáveis indicados a realizarem as ações (quem deve fazer, o quê e em que prazo). Maria Giacaglia (2003, p. 131 apud Tavares, 2009, p. 37), compreende que as regras gerais para a organização de eventos perpassam por: definir o objetivo do evento; analisar orçamento; definir o tema, data, local, horário, disposição da sala, promoções, atrações e mecanismos de divulgação; preparar o sistema de cadastro dos convidados; elaborar o programa e o conteúdo das palestras; contratar serviços de terceiros; reunir os envolvidos; preparar formulários e questionários de avaliação. Com o embasamento do segundo capítulo, quando se tratou sobre os fluxos de comunicação, pode-se compreender que a empresa realiza um fluxo descendente, no que se trata do relacionamento com os seus plantonistas no dia-adia. Uma das únicas ferramentas que permitem uma maior interação com a empresa são as reuniões, sendo assim se caracteriza como horizontal. Mas, também é possível identificar que o fluxo ascendente é pouco estimulado na empresa de saúde 72 já que nenhum instrumento é utilizado para que o médico possa manter contato direto com a diretoria. Desta forma, entende-se que seria importante a elaboração de um canal de comunicação médico/diretoria, algo como “Fale com a Diretoria” – meio este que poderia ser implementado na Intranet da própria empresa, sendo esta ferramenta gerenciada pelo setor de D.H.. Com isto acredita-se que estimularia o uso desta ferramenta já que se é pouco utilizada. Depois de discutida a questão das ferramentas passa-se a analisar os resultados obtidos que correspondem aos setores envolvidos na comunicação interna da Empresa de Saúde. Considerando os resultados observa-se que o setor D.H., conforme já argumentado na apresentação dos dados, desenvolve um trabalho satisfatório atendendo às necessidades dos médicos plantonistas. Com base no que fora exposto no terceiro capítulo a comunicação interna compreende os objetivos do setor de D.H., no que tange à valorização dos médicos e, principalmente o relacionamento com este público. Partindo desta premissa constata-se que com as especialidades (Administração, Relações Públicas e Pedagogia), já condicionadas a este setor poderiam vincular-se as áreas de Publicidade e Jornalismo, sendo que estas novas atenderiam a outras demandas além das existentes no D.H. Esta ação supriria uma necessidade do setor em contar com profissionais que estimulariam a criatividade na divulgação das ações, bem como a produção de materiais informativos voltados às necessidades dos médicos. As diretorias tiveram uma avaliação inferior ao setor de D.H. Com destaque negativo à Diretoria Técnica, na qual os entrevistados julgaram, em sua média, o envio de informações como parcialmente satisfeitos, esta é uma observação importante a se considerar, pois o papel deste setor, como visto anteriormente, é de extrema importância. Com esta situação entende-se que existe a necessidade de se promover capacitações a estes profissionais, a fim de que possam usufruir mais dos serviços prestados pelo D.H. Com este cenário e o fim das análises é possível afirmar que realizar um plano de comunicação estratégica voltada aos médicos plantonistas torna-se viável, pois a empresa encontra-se diante de um público com alto grau de instrução, com 73 característica tradicional – considerando que 72% são casados - que busca ser compreendido. Porém possui poucas motivações para compreender as mudanças que estão ao seu entorno. Considerando que um plano de comunicação envolve anseios institucionais e investimentos, seria inviável propor esta ferramenta completa neste trabalho, entretanto com base em autores já trabalhados podem-se indicar algumas sugestões de como elaborar este plano de forma adequada. Inicialmente identifica-se que com base no terceiro capítulo, o profissional de Relações Públicas possui oito funções, conforme Lesly (1999), o que permite elaborar, diagnosticar, executar, analisar, antecipar, planejar, ajustar e avaliar ações em comunicação,. Tendo por base este argumento, considera-se que o profissional de Relações Públicas deve ser o responsável pela a elaboração, acompanhamento e manutenção deste plano. Segundo Tavares (2009, p. 149), o plano deve partir e seguir a coerência do briefing. Este documento pode ser elaborado com base nos resultados e análises da pesquisa realizada neste trabalho, bem como as demais necessidades da empresa, analisando os pontos fortes e fracos, assim como as ameaças e oportunidades da organização, para que a partir disto seja feito um diagnóstico geral. Após, é necessário estabelecer objetivos e metas a serem alcançados. Do levantamento destes dados parte-se - segundo Oliveira (1992) - a observações pertinentes à infra-estrutura, recursos humanos, sistema de comunicação, área administrativa etc. Também se faz necessário fazer um prognóstico da situação futura, evitando possíveis transtornos. A avaliação das ações deve ser realizada frequentemente, e não só no fim do plano. A importância da elaboração deste plano justifica-se a partir do argumento de Oliveira (1992): [...] dessa forma, constitui-se na melhor arma de que pode dispor uma empresa para otimizar o uso de seus recursos, tornando-se altamente competitiva, superar a concorrência, reduzir seus problemas e otimizar a exploração das possíveis oportunidades. (OLIVEIRA, 1992, p.166). Com a participação de todos os agentes do setor de D.H., bem como a sua integralização com as áreas de Publicidade e Jornalismo, considera-se que com base nos assuntos que foram tratados durante este trabalho, a comunicação interna planejada atenderá os objetivos e metas estabelecidas pela empresa. Portanto, 74 sugere-se, que inicialmente este plano poderia ser realizado na unidade localizada em Novo Hamburgo, como forma de um projeto piloto, para que depois seja verificada a possibilidade de implementar em outros estabelecimentos da empresa. 75 CONCLUSÃO Considerando os assuntos abordados no capítulo inicial deste trabalho, notase que uma organização cumpre um papel importante na vida das pessoas que a constituem, assim como ela necessita destas para atingir seus objetivos, ou seja, trata-se de uma troca constante. Em meio a isto e a atual “Era da Informação” está a comunicação interna como mediadora das relações entre empresa e colaboradores. O conceito de organização admite um esforço cooperativo, na qual o sistema planejado define as funções determinadas para cada participante, sendo que este seja capaz de se comunicar, contribuir e atender as demandas a partir de um propósito. A cultura organizacional está voltada para o valor do conhecimento e da criatividade, sendo estes quesitos a porta de entrada para as mudanças e inovações cobradas pelo mercado cada vez mais competitivo. Os agentes das organizações, colaboradores ou funcionários, devem ser vistos como seres humanos inteligentes, com habilidades e pró-atividade, que devem ser estimulados a aprimorar seus pontos fortes para o desenvolvimento organizacional. Estes agentes são distribuídos a partir do organograma empresarial que auxilia na divisão dos níveis administrativos que compõe a organização, esta ferramenta visa de uma maneira formal, estabelecer a hierarquia existente. Porém, se faz necessário que as organizações detectem as estruturas informais existentes, fazendo com que a interação entre as pessoas resulte em bom ambiente de trabalho, evitando intrigas, boatos etc. Este novo posicionamento das empresas se dá com base na opinião dos públicos externos, que se tornaram cada vez mais importantes para as empresas, uma vez que estas desenvolvem ações e atividades para transparecer um conceito positivo à sociedade. No entanto, não basta investir em questões sociais se os colaboradores não compartilham disto. Desta forma considera-se a importância de informar o público interno das atividades, bem como de envolvê-los nos objetivos institucionais. 76 As organizações chegaram a estas características devido à evolução que ocorreu durante o século XX, passando de autoritárias a participativas, onde os processos de tomadas de decisão perpassam pela informação e a negociação. Desta forma surge com esta evolução, por volta da década de 70, a comunicação empresarial em seu conceito evoluído e aplicado como se vê nos dias de hoje. A partir disto a comunicação empresarial passou de uma necessidade para um diferencial competitivo, a qual traz suas ramificações como a comunicação interna, institucional, mercadológica ou de marketing. Estas ramificações acabaram sendo necessárias devido aos diferentes públicos que uma organização possui. Assim sendo, a organização acaba utilizando diferentes meios e ferramentas para informálos, levando em consideração o interesse e a cultura destes para divulgar, adaptando linguagens, fluxos e redes de comunicação. Analisando a comunicação interna, foco deste trabalho, identifica-se, ainda no segundo capítulo, a relevância em uma organização abrir-se para uma comunicação mais interativa, como a horizontal e a ascendente, na qual os colaboradores possuem a oportunidade de expor as suas ideias e sugestões de melhorias à empresa. Porém, a rede de comunicação descendente também é importante, pois é nela que são repassadas as informações da empresa para o público interno. Portanto, é necessário que haja uma harmonia na utilização destas redes, fazendo com que o público interno seja informado e que ele possua a possibilidade de opinar e sugerir mudanças, a partir dos assuntos que circundam o seu ambiente de trabalho. Já no terceiro capítulo é possível identificar, em seu início, quais as formas possíveis de se remeter e receber uma informação, a partir dos canais, ferramentas ou meios de comunicação. Ainda foram tratados os diferentes segmentos da utilização de ferramentas e canais: auxiliar, oral, escrita e aproximativa; Todos estes segmentos são importantes, porém devem ser utilizados de acordo com o objetivo da mensagem a ser enviada, observando que alguns meios e assuntos podem não servir para mais de um tipo de público. Por este motivo deve-se considerar a especificidade de cada um, realizando assim uma comunicação dirigida, especial para um determinado público. Diferentemente da comunicação administrativa, que visa informar todos os colaboradores sobre ordens, solicitações e novas regras, esta 77 deve se valer de uma linguagem formal, porém compreensível e de fácil acesso a todos. É possível compreender também que a partir da utilização bem feita das ferramentas e canais de comunicação, busca-se deixar o público interno informado, valorizando-o e demonstrando que ele faz parte daquela organização, levando-o a participar com mais afinco, buscando juntamente com a empresa os objetivos traçados, com a motivação de sentir-se parte da construção de seus próprios sonhos e os anseios institucionais. Porém, para isto não basta fazer uma festa de final de ano ou promover palestras motivacionais, é preciso ter uma comunicação interna planejada, estudada, analisada e re-planejada, depois de determinado tempo. Deve-se considerar que o público interno é o porta- voz da organização, sendo de forma positiva ou negativa. A partir disto apontam-se os resultados alcançados com a comunicação interna, pois como visto, os empresários possuem um vício de obter como denominador a questão financeira. Todavia a obtenção de credibilidade, confiança, transparência e a motivação por parte dos colaboradores, acaba, a longo prazo, por estimular a produção refletindo na qualidade dos serviços prestados e na participação ativa dos funcionários, gerando indiretamente uma imagem de satisfação do público interno ao externo. Ainda cabe levantar a questão entre as diferenças da área do Endomarketing e da comunicação interna. Conforme já verificado, a distinção baseia-se na forma como o público interno é visto, sendo que a comunicação interna o trata como parte da organização; já o Endomarketing tenta vender a empresa, considerando-o como cliente. Porém, as duas áreas possuem objetivos parecidos que visam à motivação e à melhoria nas trocas de informação entre a empresa e o público interno. O Endomarketing passa a ser uma alternativa, em situações que a comunicação interna é ineficiente. Percebe-se que com o surgimento da comunicação empresarial necessitavase de um profissional capacitado a lidar com clima humano, ajustando-se a ele, para que pudesse iniciar expandir e manter as trocas com a organização. Um profissional que estivesse preparado para administrar os relacionamentos, ajudando a 78 organização e os públicos a adaptarem-se uns aos outros, buscando alternativas a partir de criação de programas e canais de comunicação. Este profissional, como mostrado durante o decorrer deste trabalho, é o Relações Públicas. Assim foi possível atender um dos objetivos deste trabalho, com base em teóricos, que era compreender a necessidade de um profissional desta área mediando a comunicação interna. O profissional de Relações Públicas integrado com profissionais da área de Jornalismo e Publicidade contribuem, a partir de estratégias e pesquisas, nos processos da comunicação empresarial como um todo, principalmente na área de comunicação interna. No entanto, a comunicação interna, conforme visto, deve contar com o apoio de todos os setores da organização, desde a base operacional até a gestão executiva ou alta administração. No quarto capítulo, foi apresentado um estudo de caso, sendo que a empresa não autorizou a divulgação de seu nome. No entanto foi possível identificar, a partir de sua estrutura como é realizada a comunicação interna. Após, foi realizada a apresentação dos resultados da pesquisa, em forma de questionário, realizada com médicos plantonistas de um pronto atendimento, localizado no centro da cidade de Novo Hamburgo, com a finalidade de coletar as suas opiniões referentes à comunicação interna da empresa, bem como a avaliação dos instrumentos utilizados até os setores que estão envolvidos no processo. A partir do que se verificou sobre os argumentos dos autores, nos primeiros três capítulos, comparando com a estrutura da Empresa de Saúde, abordada no quarto capítulo, nota-se uma estrutura empresarial eficiente, que possui uma distribuição de cargos e setores que permitem um bom desenvolvimento do trabalho desta organização. A empresa atende satisfatoriamente às expectativas dos colaboradores médicos na área de comunicação interna, porém percebe-se que algumas ferramentas de comunicação estão sendo mal utilizadas e pouco motivadas a serem usadas, dificultando assim a comunicação entre a empresa e os médicos. A questão da falta de tempo hábil para o recebimento de informações faz com que se perceba uma falha no planejamento de médio e longo prazo, das ações que são realizadas. Neste sentido se faz necessário que a empresa reveja conceitos 79 estruturais e suas políticas de comunicação interna, investindo na comunicação integrada, para que desta forma possa captar e suprir as necessidades do público médico, a partir de um plano de comunicação que seja renovado a cada quatro anos. Com isto, é possível compreender que a resposta para o problema proposto neste trabalho, que buscava compreender quais ferramentas são mais adequadas para estabelecer uma comunicação entre a Empresa de Saúde e seus plantonistas, caracteriza-se por analisar o ambiente e cultura organizacional, a partir da aplicação de uma pesquisa elaborada neste trabalho. Porém não é possível considerar que uma outra empresa, com características distintas, usufrua destes resultados para embasar suas futuras estratégias, tendo em vista que há variações na forma como público interno vê a empresa. No entanto, é possível extrair deste trabalho a questão teórica e conciliar com uma análise própria de uma outra organização. Deste modo, foi possível destacar que as ferramentas mais adequadas para o público estudado neste trabalho, concentram-se nos e-mails, torpedos SMS, mural e reuniões. Havendo um pequeno acesso a meios como jornal interno, intranet, circular e pasta do plantonista. A utilização destas ferramentas deve ser revista pela Empresa de Saúde de modo que não tenha apenas uma comunicação descendente. Portanto, quanto aos objetivos propostos neste trabalho, foi possível atendêlos de forma adequada, sendo que se caracterizaram os instrumentos de comunicação em suas categorias, além de identificar as ferramentas utilizadas e a satisfação dos médicos plantonistas a respeitos destas, a partir da realização de uma pesquisa. Desta forma, considera-se relevante manter sempre uma atualização nos estudos que envolvem a comunicação interna, pois assim como a tecnologia, a sua evolução deve acompanhar as expectativas do público e não apenas da empresa em si. 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Para entender Relações Públicas. 4. Ed. São Paulo: Loyola, 1993. BALDISSERA, Rudimar. Imagem-conceito: a indomável orgia dos significados. [Anais...], Belo Horizonte, MG 26. : 2003 BRUM, Analisa de Medeiros. 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São Paulo, 2002. 82 ANEXOS Modelo do questionário aplicado para a realização da amostragem: Pesquisa de Clima com Médicos Plantonistas de uma Empresa de Saúde de NH 1. Sexo Masculino ( ) Casado ( ) Solteiro Divorciado Viúvo União estável ( ( ( ( ) ) ) ) Feminino ( ) 2. Estado Civíl 3. Idade 4. Há quantos anos você trabalha na Empresa de Saúde? 5. Você tem conhecimento do setor de Desenvolvimento Humano? Sim ( ) Não ( ) 6. Como você avalia o trabalho do setor de Desenvolvimento Humano? Muito bom ( ) Satisfatório ( ) Parcialmente Satisfeito ( ) Insatisfeito ( ) Não sei / não se aplica ( ) 7. Como você avalia o envio de informações por parte dos seguintes setores? Desenvolvimento Humano Muito bom Satisfatório Parcialmente Satisfeito Insatisfeito Não sei / não se aplica ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Diretoria ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Diretor Técnico ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) 8. Quais as ferramentas de comunicação interna, conforme listados abaixo, você mais acessa para obter informações de sua empresa para o seu agendamento? E-mail ( ) Mural ( ) Torpedo ( ) Jornal interno ( ) Memorando ( ) Circular ( ) Intranet ( ) Reuniões ( ) House Organs / Jornais internos ( ) Pasta do plantonista ( ) 84 9. Dentre as ferramentas que você utiliza para receber informações da ES classifique de 1 a 5, sendo que 1 é menos importante e 5 mais importante, o grau de importância destes meios de comunicação interna? 1 2 3 4 5 E-mail Mural Torpedo Jornal interno Memorando Circular Intranet Reuniões House Organs / Jornais internos Pasta do plantonista 10. Quanto aos requisitos abaixo avalie qual seu grau de satisfação em relação ao envio de informações feito pela sua empresa? Clareza Objetividade Tempo Hábil Muito bom ( ) ( ) ( ) Satisfatório Parcialmente Satisfeito ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Insatisfeito ( ) ( ) ( ) Não sei / não se aplica ( ) ( ) ( ) 11. Qual a sua opinião em relação aos eventos realizados pela sua empresa, que visam à integração dos funcionários, bem como as reuniões mensais realizadas com os plantonistas? Importante ( ) Muito importante ( ) Necessário ( ) Desnecessário ( ) Não sei / não se aplica ( ) 12. Qual a sua avaliação a respeito da comunicação interna da sua empresa? Muito bom ( ) Satisfatório Parcialmente Satisfeito ( ) ( ) Insatisfeito ( ) Não sei / não se aplica ( ) 13. Quais destas ações você sugere para melhoraria da comunicação interna de sua empresa? Uma ampla divulgação das ações ( ) Inovação nas estratégias de comunicação ( ) Capacitação dos colaboradores ( ) Mais atividades que integrem os setores ( ) Não há sugestões ( ) 85 Questionários respondidos: 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112