Instruções auto-normalizantes para o Ensino à Distância Autor: Junia Magalhães Rocha 1 , Orientador: Antônio Eduardo Costa Pereira1 1 Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação Universidade Federal do Uberlândia (UFU) Uberlândia – MG – Brasil [email protected], [email protected] Nı́vel: Mestrado Ano de ingresso no programa: 2007 Época esperada de conclusão: Março / 2009 Resumo. A Educação à distância apesar de todas as crı́ticas é utilizada para levar conhecimento às pessoas que estão em uma região geograficamente desfavorável, ou que, por algum motivo não podem utilizar o ensino presencial. Atualmente o material utilizado nesses cursos não permitem um aprendizado efetivo. A utilização de uma metodologia que previlegie a criação de material auto-normalizante é uma proposta que cria uma nova perspectiva de credibilidade para o ensino a distância. Palavras-Chave. Educação à Distância, tutoriais online, material auto-normalizante 1. Introdução e Motivação Biólogos evolutivos, como Dawkins, introduziram o conceito de memes replicantes para explicar como a informação passa do professor para o estudante sem corrupção significativa. De fato, há conhecimento complexo que vai intato de uma geração para outra, como por exemplo, em métodos de restauração de templos de madeira japoneses, princı́pios de origami, e a gramática de Sânscrito. Se as pessoas pudessem descobrir as propriedades que impedem o conhecimento de ser degradado, elas poderiam projetar lições mais eficientes para tutoriais online. [Dawkins, 2007]. Os projetistas de sistemas, por exemplo, combatem ruı́dos com códigos de correção de erro que acrescentam informação extra a um sinal transmitido, aumentando a probabilidade de recuperação de dados corretos no receptor. Projetistas de sistemas online deveriam imitar esta metodologia. Experiências cuidadosas e observações devem ser levadas em consideração para descobrir informações auxiliares que serão importantes na preservação do conhecimento. Atualmente o ensino à distância é visto por grande parte da sociedade como falho e sem credibilidade. Para exigir presença na graduação, existem dois argumentos principais, porém os mesmos são enfraquecidos pelo uso de novas tecnologias. O primeiro dos argumentos é que o estudante deve obter informações e apoio de seus professores, do grupo escolar e de bibliotecas. Todavia este argumento não resiste a um exame cuidadoso, já que há poucas bibliotecas fı́sicas que conseguem ser tão boas quanto as modernas bibliotecas virtuais. Além do mais, a comunicação aluno/professor pode ser realizada através de chats, web cams e fóruns. O outro argumento contra a educação à distância é que os estudantes precisam de prática, trabalho de laboratório e ensaios. Além disso, em dança, educação fı́sica e artes marciais os alunos precisam do contato fı́sico. Esses trabalhos de laboratório podem ser feitos utilizando computadores. Um exemplo é a utilização de sistemas de aquisição de dados, que obtêm medidas de observações feitas por alunos e as transmite para o professor. O intuito deste artigo é mostrar o que deve ser mudado na forma de se fazer educação à distância, para obtermos um respaldo maior junto à sociedade cientı́fica, utilizando de materiais auto-normalizantes. 2. Fundamentação Teórica 2.1. Classificação do Erro Dentro de um ambiente de aprendizagem, os erros podem ser: • Uma instrução que transfere informação errada; • Estudante que não consegue compreender a mensagem; • Divergências no processo de aprendizagem. Neste artigo veremos alguns métodos para detectar os erros que poderão ser utilizados durante o processo de aprendizagem online. Quando o assunto apresentado trata de fenômenos naturais, a forma adequada de detecção de erros é elaborar bons kits de laboratório, que permitarão ao estudante: • Preencher as lacunas existentes em tutoriais online; • Descobrir erros em informações; • Estabelecer pontos de verificação do objetivo onde se quer chegar. Uma pessoa, por exemplo, não aprende a cozinhar se não tenta recriar as receitas aprendidas em programas de televisão, ou vı́deos online. A mesma coisa acontece no ensino à distância: A medida que os alunos fazem seus trabalhos eles conseguem aprender e se desenvolver. Outra forma de detecção de erro é através da realimentação. Neste caso, mecanismos para avaliar a evolução do processo de aprendizagem podem prover informações para o sistema, a fim de corrigir erros, reforçar conceitos, localizar formas alternativas para aquisição de conhecimento e recondicionar comportamentos que divergem dos objetivos propostos. A realimentação não precisa vir de um único estudante; a pessoa também pode adquirir uma realimentação útil correlacionando a evolução de um estudante com outro. Uma baixa correlação indica que o tutorial é ineficaz. Uma ferramenta bem projetada sobre mecanismos lingüı́sticos pode sinalizar se o conhecimento foi corrompido ou se o estudante esqueceu de uma informação. Por exemplo, um estudante pode apresentar uma lição como uma sucessão de passos em uma prova associada a um sistema formal. A partir de então, consegue-se provar teoremas e, caso o conhecimento transmitido estiver corrompido, o estudante descobrirá [Dawkins, 2000]. Veja um exemplo de tutorial em trigonometria em que os estudantes desejam aprender as seguintes fórmulas: sin(α + β) = sin(α)cos(β) + sin(β)cos(α) sin(α − β) = sin(α)cos(β) − sin(β)cos(α) cos(α + β) = cos(α)cos(β) − sin(α)sin(β) cos(α − β) = cos(α)cos(β) + sin(α)sin(β) Figura 1. Cosseno O estudante pode aprender a demonstrar estas fórmulas, porém a demonstração é um pouco complexa e gasta-se muito tempo. Uma alternativa é selecionar alguns teoremas para representar e achar uma prova alternativa e rápida para um caso particular, por exemplo, uma prova que não requer o uso de uma das fórmulas acima [Costa b]. Uma forma de detectar o erro é comparar uma prova que usa essa fórmula com outra que não usa. Por exemplo, a figura 1 mostra que cos(−β) = cos(β). Suponha que o estudante acredite que a fórmula para cos(α − β) é dada da seguinte forma: cos(α − β) = sin(α)cos(β) − sin(β)cos(α) O estudante poderá usar a fórmula acima para provar que cos(−β) = cos(β), como pode ser visto a seguir. cos(−β) = cos(0 − β) = sin(0)cos(β) − sin(β)cos(0) = −sin(β) Com esse exemplo, percebe-se que um erro foi detectado pelo aluno no momento em que o resultado obtido divergia do resultado correto. O aluno verifica que a fórmula está incorreta então faz a correção. 3. Trabalhos Relacionados Em um ambiente de aprendizagem, a detecção de erro é muito comum na relação professor/estudante. Os antigos Gregos inventaram um método inteligente de detecção de erro chamado dialética. Os diálogos de Platão [Platão, 1925] mostram como funciona. Um dos truques dialéticos mais comuns é a redução por absurdo (reduction ad absurdum), em que o estudante tenta derivar um resultado absurdo do que ele aprendeu. Em caso de sucesso, o conhecimento é marcado como corrompido. Outro método de detecção de erro comum entre os Gregos é verificar o conhecimento contra fatos conhecidos. Depois de completamente desenvolvida, a Lógica também possibilitou a criação de um método para detectar informações incorretas. Aristóteles e outros filósofos classificaram e analisaram falácias para filtrar argumentos errados. Uma falácia é um argumento que pode ser demonstrado como falho em sua forma, o que o torna inválido no todo [Tindale, 2007]. Há dois fatos importantes sobre falácias. O primeiro é que a maioria das pessoas que cometem falácias é desavisado que o argumento deles/delas está defeituoso [Cohen, 1982], mas como os padrões de muitas falácias é percebido facilmente, o estudante poderá usar e descobrir falhas em lições de educação à distância. O segundo fato sobre falácias é que elas freqüentemente dificultam a transmissão do conhecimento. O estudante pode não entender um fato correto porque a lição tem um padrão enganador, padrão este que é encontrado freqüentemente em tutoriais, entretanto um estudante treinado conseguirá detectar esses erros. Em uma pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Inteligência Artificial da Faculdade de Engenharia Elétrica juntamente com o Laboratório de Redes de Computadores da Faculdade de Computação, ambos da Universidade Federal de Uberlândia, foi feito um sistema de coleta de dados que juntamente com um software permitiu a comunicação/transferência de informação entre o professor e o aluno. Com esse sistema de aquisição de dados foi possı́vel transmitir os resultados de trabalhos feitos por alunos para o professor em tempo real [Costa a]. Para demonstrar essa teoria foram necessários: • Construção de um hardware para coletar a temperatura do ambiente. • Construção de um software para transmitir os dados do local onde encontra-se o hardware para o computador do professor. O equipamento é facilmente construı́do e o seu preço é baixo. Para utilização conecta o equipamento no computador do estudante e as informações coletadas serão enviadas para a máquina do professor. A figura 2 mostra o circuito desse equipamento. Com esse simples hardware é possı́vel a coleta de temperatura de vários pontos em uma grande cidade a fim de se obter, por exemplo, um mapa de calor. Uma outra pesquisa relacionada tem sido desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Catarina, que possui um Laboratório de Experimentação Remota, como pode ser visto em [Bosco, 1999]. Figura 2. Circuito do hardware Assim como, o exemplo desenvolvido pelos Laboratórios da UFU, outros tipos de informação também poderão ser transmitidos para uma máquina qualquer, representando assim, uma comunicação entre aluno e professor. 4. Metodologia da Pesquisa Esta pesquisa está sendo conduzida através das seguintes etapas: • Etapa 1: Levantamento bibliográfico dos principais temas relacionados a educação à distância, tutoriais online e instruções auto-normalizantes, com o objetivo de levantar o cenário atual do EAD para a partir deste propor melhorias. • Etapa 2: Elaboração de Experimentos com software para aplicar os conhecimentos teóricos levantados na Etapa 1. • Etapa 3: Publicação de Artigo com os resultados parciais da pesquisa até o momento. • Etapa 4: Realização de novos experimentos com o objetivo de validar a proposta da pesquisa. Essa etapa tem por objetivo construir tutoriais online seguindo o conceito proposto, aplicando instruções auto-normalizantes no ensino à distância. • Etapa 5: Validar a proposta da pesquisa através da utilização do material construı́do em um grupo de estudantes. Atualmente a pesquisa encontra-se na fase de experimentos e no levantamento bibliográfico. Espera-se concluir todas as etapas até o final do ano de 2008. 5. Resultados Esperados Apesar das crı́ticas negativas que recebem a educação à distância, a mesma é de fundamental importância principalmente para as pessoas que não podem cumprir exigências de residência para graduação ou outros cursos. A autora acredita que os pesquisadores poderão eliminar todas as negligências causadas pela falta de contato entre o estudante e o professor, especialmente a dificuldade de prover realimentação para o professor, conforme foi discutido neste artigo. Foi visto ainda que a educação à distância permite recuperar problemas causados por erros apresentados durante a transmissão da informação, como também nos conteúdos das lições. Um programa de educação à distância bem projetado pode ter mais êxito descobrindo e corrigindo erros do que o contato ı́ntimo entre professor e estudante, mas para isso é necessário que os tutoriais online reservem um papel ativo para esses estudantes. Espera-se conseguir construir um software que permita a realização da educação à distância com eficiência e qualidade utilizando materiais auto-normalizantes. Referências Bosco, J. Laboratório de Experimentação Remota. Disponı́vel http://www.inf.ufsc.br/ jbosco/lexrem1i.htm. Última Atualização: 12 set. 1999. em: Cohen, L. Jonathan. Are People Programmed to Commit Fallacies? Further Thoughts about the Interpretation of Experimental Data on Probability Judgment. Journal for the Theory of Social Behaviour, 68, 251-274. 1982. Costa, Eduardo; Barbar, J. S.; Cury, Reny. (no prelo). Participation of Distance Learning Students in Scientific Experiments and Observations. Encyclopedia of Distance Learning. Idea Group Inc. Costa, Eduardo, Cury, Reny , Magellan, Junia . (no prelo). Self-normalizing Distance Learning Tools. Encyclopedia of Distance Learning. Idea Group Inc. Dawkins, Richard . Desvendando o Arco-Íris. Cia das Letras. 2000.424p. Dawkins, Richard . O Gene Egoı́sta. Cia das letras, 2007. 544p. Platão. Aristocles aka Plato. Harvard University Press 1925. Tindale, Christopher W. Fallacies and Argument Appraisal. Cambridge University Press. 2007