EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UMA ANÁLISE DAS DISSERTAÇÕES E TESES DEFENDIDAS ENTRE 1994 E 2010 NO BRASIL1 Mara Cristina Vieira de Moraes2 GD013 – Educação Matemática e Inclusão RESUMO O presente trabalho encontra-se em fase de desenvolvimento, em nível de mestrado, do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal de Goiás - PPGECM/UFG. Alicerça-se nos pressupostos do Estado da Arte e tem como principal objetivo identificar, catalogar e analisar as pesquisas científicas, apresentadas em dissertações e teses, que aprecie a Educação Matemática e Educação Inclusiva no período de 1994 a 2014. A fonte de pesquisa se centra no acervo da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, que contempla 101 instituições e 371421 documentos. A coleta dos dados será realizada no 2º semestre de 2015 com a utilização de palavras chaves, tais como: inclusão, inclusiva, educação, matemática, dentre outras. A pesquisa será subdividida em quatro momentos distintos, contudo interrelacionados: levantamento das dissertações e teses; ficha de categorização; construção dos subtemas e análise temática destes. De modo que, não visamos unicamente à quantificação, mas também destacar as características comuns entre estas produções científicas, que evidenciam a discussão, avanços e dificuldades referentes à Educação Matemática e Educação Inclusiva, uma vez que, muitas das mudanças atitudinais e inovações didático-pedagógicas reivindicadas pelo processo de inclusão escolar estão evidenciadas por estes trabalhos, contrapondo-se ao fato da pouca divulgação e conhecimento de muitos professores de matemática sobre os avanços e experiências que proporcionam um repensar a educação matemática no processo de inclusão. Palavras-chave: Estado da Arte; Dissertações; Teses; Educação Matemática; Educação Inclusiva; 1 Pesquisaem fase inicial de desenvolvimento, sob a orientação do Dr. Jose Pedro Machado Ribeiro e coorientação do Dr. Juan Bernardino Marques Barrio. 2 Mestranda em Educação em Ciências e Matemática – PPGECM/UFG. Graduada em Matemática pela Universidade Federal de Goiás. Especialista em Metodologia do Ensino e Aprendizagem em Matemática pela Faculdade Apogeu. Professora da Rede Estadual de Ensino de Goiás. 1 1 Processo de inclusão: produto da luta de minorias para uma reconstrução histórica da sociedade A escola tem sua origem remota, entretanto, a estrutura do sistema escolar que está presente em nossas sociedades hoje não é tão antiga como a própria palavra. Podese dizer que os agentes, professores, aluno, conteúdo, séries são inseridos no meio escolar em seu percurso histórico, e com esses, a própria visão de aprendizagem desloca-se do individual para o coletivo, assim o ensino torna-se uma preocupação em propor estratégias em que todos aprendem os todos conteúdos elegidos cientificamente, com estratégias únicas em um no mesmo espaço e tempo. (FREITAS, 2013). Santos e Paulino (2008) salientam que ela representa um ambiente histórico que reproduz as relações sociais construídas além de seu espaço físico. Portanto, adquire sua relevância na própria transformação social ao ser um recinto de convivência das diferenças, demonstrando a banalidade que o poder político, educacional e econômico tratam as minorias, a segregação dos por não se enquadraram no ideal de normalidade, seja qual for a norma elegida para categorizar os diferentes. A ampliação da educação formal se constituiu sob a contraposição entre qualidade e quantidade, quem usufruiria dessa educação, os aptos a progredir, estes, por sua vez, deveriam passar pelo crivo da transmissão única, cada um era responsável por enquadrar-se, portanto, a exclusão e segregação invadem o seio da instituição escolar, expressa pela meritocracia e padrões de homogeneidade no processo de ensino e aprendizagem. Contudo, em um levantamento histórico da educação escolar, encontram-se muitos movimentos que proporcionaram várias mudanças. A educação democrática constituída primeiramente para alguns, visa hoje uma nova roupagem, um novo paradigma, que seja capaz de abandonar a seletividade, exclusão e rigidez, por um respeito às singularidades e desenvolvimento de potencialidades. Esse novo paradigma se traduz na educação inclusiva, escola inclusiva e/ou inclusão escolar, como endossa a Almeida et al (2007), permitindo a matrícula e permanência no sistema regular de ensino de indivíduos antes excluídos e/ou segregados a uma educação paralela. Portanto, a educação inclusiva reivindica a efetivação de uma verdadeira escola democrática, sem exceções, que atenda as necessidades dos alunos, se organizem em função destes, contrapondo a perpetuação de uma escola padrão na qual os alunos deveriam se adaptar. 2 A Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, em seu artigo II expressa a igualdade de todos a usufruir dos direitos constitucionais “[...] sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. Dentre esses direitos, a instrução, em outras palavras, a educação que vise o desenvolvimento individual e formação cidadã. Transcorridos quase quarenta anos desde a referida Declaração, muitos países não conseguiram equalizar as oportunidades educacionais, portanto foi realizada em 1990 em Jomtien-Tailândia, a Conferência Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, que enfoca preferencialmente as questões relacionadas ao direito à educação para revitalizar os objetivos expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), uma vez que, [...] afirma ser consenso dos países signatários à necessidade de concentrar esforços para atender as necessidades educacionais de inúmeras pessoas, pertencentes a grupos historicamente excluídos, privadas de educação escolar básica. Segundo o documento: a pobreza e a miséria são, em grande parte, geradas pela falta de conhecimento a respeito dos direitos e deveres de todos; e a falta de garantia do direito básico de acesso à educação e à informação constituem-se fontes de injustiça. ( MACHADO, PAN, 2012, p. 282) Observa-se que é atribuída a educação uma responsabilidade de preparar os indivíduos a exercerem de forma consciente seu papel de cidadão, bem como as injustiças que geram o não acesso a esta, independentemente das justificativas ambíguas que povoam o ideário de muitas sociedades, e transformam o direito a Educação em algo seletivo e excludente. A aludida declaração ressalta a urgência das escolas em se adaptarem às necessidades especiais de seus alunos, promovendo o desenvolvimento de suas capacidades e a socialização, minimizando barreiras discriminatórias. Mendes (2006) enfatiza que a disseminação dos princípios de inclusão sofreu grande influência das ações e estudos desenvolvidos nos EUA, que por sua grande atuação nas organizações internacionais conseguiu tornar este processo uma ação globalizada. Baseada nos princípios de equidade, a inclusão escolar tem como marco histórico a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, realizada em Salamanca-Espanha em 1994, culminando na Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Práticas na área das Necessidades Educativas Especiais. O enfoque da Declaração de Salamanca foi bem sintetizado por Fogli, Filho e Oliveira (2008, p.109), ressaltando que o: 3 O documento defende que o princípio norteador da escola deve ser o de propiciar a mesma educação a todas as crianças, adaptando-se às necessidades das mesmas, com objetivo de reafirmar o direito de todas as pessoas à educação [...] independente de suas diferenças particulares. [...] O direito de toda criança à educação é o princípio fundamental desta “linha de ação”, ou seja, a de que as escolas devem aceitar todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas e outras. Prevê ainda um novo conceito sobre as pessoas com necessidades especiais e apresenta diretrizes de ação de um plano nacional [...] e termina com diretrizes de ação para planos regionais e internacionais. Não obstante, ater-se à educação inclusiva com base na Declaração de Salamanca sem uma visão crítica do processo de inclusão, poderá originar uma alteração da responsabilidade social, pois ao destacar a necessidade de uma educação inclusiva, que atenda as demandas de cada indivíduo, descarrega sobre a escola a obrigação única de transformação social. Essa visão distorce o princípio de inclusão, pois não se restringe à educação, ma em um movimento social em toda a sua complexidade, a inclusão escolar está subordinada a inclusão social e não a inclusão social subordinada à inclusão escolar. Logo, ao falar de inclusão escola não devemos perder sua inserção ao todo social, ou seja, “para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada com base no entendimento de que é ela que precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros.” (FREITAS, 2006, p. 167) O processo de inclusão reivindica uma nova construção social em todas suas relações, fundamentadas no reconhecimento de que todos têm direitos a uma vida digna, e a educação escolar é parte dessa excelência. (LAPLANE , 2007) Outra questão a ser mais bem especificada e compreendida no que tange à Declaração de Salamanca se refere às necessidades educacionais especiais. Muitas escolas, e consequentemente, muitos professores relacionam a educação inclusiva a inserção de alunos com deficiências físicas, sensoriais e/ou intelectual nas escolas regulares. Entretanto, a referida Declaração vai além desse fator, pois abrange diversas justificativas que conduzem ao processo de exclusão escolar, uma vez que os indivíduos podem ser excluídos do ambiente escolar ou mesmo serem inseridos neste sem atingir o desenvolvimento de suas potencialidades por inúmeros fatores. Portanto, como ressalta Ferreira (2006) os portadores de “necessidades educacionais especiais” englobam todos os indivíduos que por quaisquer motivos foram privados de usufruir da oportunidade de se matricular, permanecer e desenvolver na educação regular. Padilha (2007) considera uma violência contra os seres humanos a não equalização das oportunidades de aprendizado e desenvolvimento que a escola pode 4 fornecer a todos, justificadas por fatores étnicos, de gênero, cultura, religião, deficiência, dentre outros. Bem como, constitui-se uma violência inseri-los nas salas de aula sem um suporte social e uma mudança atitudinal dos agentes, tanto das instituições escolares como da própria sociedade. A escola quando não modifica sua estrutura ou mesmo não fornece suporte adequado aos alunos, suscita uma violência oculta, camuflada em solidariedade ou em cumprimento de leis nacionais e internacionais. Esconde-se atrás de uma visão descontextualizada do que é incluir, respeitar os limites e possibilidades, do seu papel socializante, como também do caráter de instituição que deveria proporcionar ensino e aprendizagem de qualidade a todos. Uma escola que se concretiza como escola inclusiva constrói-se sobre permanente incompletude, pois fundamenta-se na diversidade e singularidade, conscientiza-se de que sua função social não se restringe a transmissão de conteúdos, que nem todos os alunos atingiram objetivos meritocráticos avaliados unicamente pela aquisição de conteúdos socialmente produzidos. Lança-se ao desafio de eleger procedimentos, que, se de um lado não menospreza o conhecimento historicamente sistematizado, não faz deste um fim único de sua constituição como provedora de cidadãos. Portanto, contrapondo-se ao paradigma meritocrático, a inclusão escolar alicerça-se em uma práxis valorativa das diferenças, o desenvolvimento e aprendizagem está presente em todos os indivíduos. Portanto, é apreendida como um processo heterogêneo em seu movimento internacional/nacional, nacional/regional e mesmo escola/escola, não é apenas mais um marketing internacional e/ou uma logomarca de algumas unidades escolares, bem como, “[...] as experiências e pesquisas científicas relativas à inclusão vêm enfatizando que não existem modelos predeterminados para a criação de sistemas de ensino inclusivos, mas eixos norteadores para as escolas estruturarem propostas curriculares [...]. (MAGALHÃES e CARDASO, 2011, p.18). Entre as incontáveis dificuldades que já foram suplantadas e as que ainda fazem parte da realidade da inclusão escolar, a heterogeneidade de sua práxis, a diversidade da própria conjectura da escola, tais como: disciplinas, conteúdos, avaliações, metodologias, didáticas, agentes envolvidos interna e externamente, regulamentos, entre outros; direcionamos o foco ao ensino e aprendizagem matemática como parte dessa realidade. Ou seja, como parte do currículo escolar, muita das vezes reduzida a uma linguagem universal, impregnada de mitos de racionalidade e seletividade perpassa por insondáveis percalços para adaptar-se a esse processo educacional, sejam devido à 5 formação docente, dificuldades de transposição didática, rigorosidade linguística, homogeneidade no ensino, mecanização... 2 O professor de matemática em sua constituição de saber, um eterno aprendiz A educação eclode como ponte entre exclusão social e inclusão social. Compreender as nuances desse vínculo perpassa pelo papel do professor dentro da instituição escolar, bem como da própria educação matemática como elo entre escola e pesquisa. Perante avanços na práxis da educação matemática pontuamos como alicerce a atuação de professores e pesquisadores que se desprenderam das amarras da alienação e passaram a agir de forma crítica em sua prática. Nesse mesmo movimento, pois, , Freitas (2006, p. 162) reitera que " a inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais no ensino regular leva-nos inevitavelmente a repensar a relação entre a formação do professor e as práticas pedagógicas atuais.” Iniciar a discussão entre a educação matemática e educação inclusiva destacando a relevância da pesquisa como meio de aperfeiçoamento do professor é uma forma de trazer à superfície a atitude enviesada de negligenciar a constante carga de informação que está pode oferecer. Uma vez que, muitos profissionais justificam suas práticas excludentes por não possuírem conhecimento sobre o processo de inclusão, as leis que a legitimam, as mudanças e dificuldades, a troca de experiências, escondendo-se atrás de justificativas de comodismo e alienação, aceitando a inserção de alunos com necessidades especiais em suas aulas, sem ao menos buscar entendimento de suas particularidades e as necessárias mudanças de sua prática, concomitantemente, negando que, como salienta Ferreira (2006), a prática da pesquisa e do conhecimento das singularidades dos alunos culmina para o aperfeiçoamento de novas formas de ensino e aprendizagem, suplantando um ensino bancário. Acreditamos que conhecer a diversidade proporciona ações paulatinamente focadas a esta, induzindo a uma variedade no processo de planejamento e execução do trabalho do professor de matemática, ou seja, “o aprendizado de uma pedagogia da diversidade para a superação de práticas pedagógicas excludentes e discriminatórias é tarefa que se impõe a instituições e educadores. (AZEVEDO et al, 2010, p.08) A negação do que vem a ser a educação matemática para inclusão, perpassa pela enraizada concepção de linearidade e universalidade matemática, bem como a necessária abstração para sua aprendizagem, negligenciando os recursos facilitadores 6 para aprendizagem, deparamos com o conformismo de muitos professores de matemática perante o processo de inclusão. Fixar-se na linearidade matemática, gera consequentemente uma hierarquização, que dita condições prévias, conteúdos sequenciais, homogeneidade metodológica, mecanização de procedimentos de resolução. A ambiguidade pode ser observada ao enfatizar que cabe a cada um desenvolver por conta própria sua abstração matemática e esta traduz-se numa universalidade programada, contudo o ensino para atingir esta abstração é homogêneo, para alunos heterogêneos. Entretanto, mesmo que ainda exista no discurso de muitos professores e alunos, divulgados pelas pesquisas em educação matemática, a concepção de uma matemática universal, sistematizada historicamente, deparamos com o despontar do reconhecimento de novas formas de construir o saber matemático, de pensar e trabalhar com o raciocínio matemático. No processo da educação inclusiva o alicerce e ambiguidade da matemática perdem sua camuflagem, sua roupagem de homogeneidade e rigidez, confronta-se com a gritante voz da diversidade e adaptação da escola, em todas as suas particularidades, as singularidades dos alunos que compõem a sala de aula, “uma reorganização estrutural da escola, de todos os elementos da prática pedagógica, considerando o dado do múltiplo, da diversidade, e não mais o padrão, o universal” (MARQUES e MARQUES, 2003, p. 235, apud ALMEIDA, et all 2007, p331). Inevitavelmente, o saber matemático perde sua hegemonia classificatória e seletiva, não sendo ele quem dita as regras da aprendizagem, mas sim as necessidades dos alunos. A importância de se entender a complexidade do trabalho docente, a heterogeneidade da sala de aula, funde-se em identificar também a relevância da matemática em sua diversidade relacional com a contextualização e capacidade dos alunos. Portanto, o aluno é o ponto de partida para a aprendizagem matemática, o professor consequentemente, precisa conhecer esse aluno e a própria instituição escolar, em seu contexto social. Ressalvamos, contudo, que a sobrecarga de conceitos e interpretações do processo de inclusão, vinculada as dificuldades que o professor de matemática encontra em superar sua própria formação e atender as exigências externas são fatores atenuantes promovem atitudes de conformismo e distanciamento do processo de inclusão escolar que realmente valorize na prática a diversidade. A condição de inclusão requer uma mudança de percepção e crítica social, conhecimento histórico e reconhecimento das práticas individuais, que possui na escola um ambiente de aprendizagem e socialização. Instrução sem conscientização, recursos didáticos e pedagógicos sem contextualização 7 ou preocupação com a relação entre estes e os conteúdos, falta de uma visão dialética do processo de desenvolvimento individual, podem conduzir uma mudança superficial da educação em prol da educação inclusiva. Confiamos que a educação para todos germina a consciência social contra a exclusão escolar. Devido aos avanços do processo de inclusão, a sua repercussão mesmo que retórica, acreditamos que muitos professores já estão caminhando frente a uma mudança de atitudes, de forma crítica, tanto em relação a leis que florescem sem medidas políticas que contribuem à sua prática, bem como na visão social de que o paradigma da inclusão não é apenas uma questão legislativa, mas atitudionais de cada pessoa perante a diversidade social e individual. O movimento da inclusão escolar destaca a capacidade humana de ser e se conhecer na diversidade, na interdependência dos vários fatores que compõe o ambiente escolar, sejam disciplinares, estruturais, relacionais. Ao reconhecer a diversidade sugeria pela práxis da inclusão, devemos nos ater às mudanças que estão ocorrendo, às inovações já construídas por muitos educadores matemáticos, à troca de experiências que demonstram uma luz incandescente no final do túnel, buscando assim, uma revitalização contínua em favor da inclusão. Promovendo questionamentos, tais como: os educadores matemáticos conhecem e entendem o que é o processo de educação inclusiva? Como o trabalho destes tem ajudado o processo de inclusão? Como as adaptações têm sido estabelecidas para atender a diversidade das salas de aulas, quais necessidades educacionais especiais estão sendo priorizadas e/ou negligenciadas? As produções se restringem a aspectos didáticopedagógicos ou adaptações de conteúdos? Assim sendo, os questionamentos vindouros podem aprofundar tanto na própria área específica do saber matemático enquanto disciplina escolar, como na própria prática docentes. Em suma, os pesquisadores em Educação Matemática traduzem em suas pesquisas (dissertações e teses) muitas das mudanças atitudinais e inovações didáticopedagógicas reivindicadas pelo processo de inclusão escolar, contrapondo-se ao fato da pouca divulgação e conhecimento de muitos professores referente a essas inovações é que traduz-se neste trabalho a preocupação em selecionar e elencar de forma crítica tais pesquisas, portanto, podemos sintetizar nosso objeto de pesquisa no seguinte problema de pesquisa: “o que os educadores matemáticos têm produzido, em caráter científico, representado pelas dissertações e teses, que evidenciam a discussão, avanços e 8 dificuldades referente à educação matemática e educação inclusiva no período de 1994 à 2014?” 3 Conhecer para mudar: caminhos metodológicos a serem trilhados Tento em vista a grande preocupação dos pesquisadores em educação matemática no que se refere à educação inclusiva, bem como os inúmeros trabalhos a ela destinados, o presente estudo enquadra-se pela rigorosidade científica necessária a sua integridade. Portanto objetivamos identificar, catalogar e analisar as pesquisas científicas, apresentadas nas dissertações e teses, que trazem como tema a educação matemática e o processo de educação inclusiva, ou seja, uma pesquisa históricobibliográfica percebida como, “[...] estudo que se propõe a realizar análises históricas e/ou revisão de estudos ou processos tento como material de análise documentos escritos e/ou produções culturais garimpados a partir de arquivos e acervos.” (FIORENTINI; LORENZATO, 2009, p.70). Caracterizando-se como Estado da Arte, nossa fonte de pesquisa é a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, que contempla 101 instituições e 371 421 documentos, sendo: 132 993 teses e 238428 dissertações. A coleta dos referidos documentos será realizada no 2º semestre de 2015 com a utilização de palavras chaves, tais como: inclusão, inclusiva, educação, matemática, dentre outras. A seleção das teses e dissertações basear-se-á na leitura dos Títulos e Resumos, com o propósito de identificar as que contemplam o objetivo estabelecido pelo presente projeto. Portanto, é um levantamento bibliográfico acerca de um tema num determinado espaço de tempo, a saber, de 1994 a 2014, categorizando e destacando os principais apontamentos contidos nestas, “[...] à luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto” (FERREIRA, 2002, p.258). Propomos o ordenamento de subtemas baseados em categorias elegidas posteriormente, ou seja, após a finalizarmos o levantamento das dissertações e teses. Consequentemente, a pesquisa será subdividida em quatro momentos distintos, contudo inter-relacionados: levantamento das dissertações e teses; ficha de categorização; construção dos subtemas e análise aprofundada desses subtemas, sendo assim, uma Análise Temática que “aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. [...] é a inferência de conhecimento [...] que recorre a 9 indicadores (quantitativos ou não)”. (BARDIN, 2010, p.40), portanto, o trabalho não visa unicamente à quantificação, mas também destacar as características comuns entre essas produções científicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Dulce Barros de. et al. Política educacional e formação docente na perspectiva da inclusão. Educação Santa Maria, v. 32, n. 2, p. 327-342, 2007 Disponível em: <http://www.ufsm.br/ce/revista AZEVEDO, Clovis Jose. Et al. Escola cidadã: políticas e práticas inclusivas. 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