APOSTILA VESTIBULAR
APOSTILA VESTIBULAR VOLUME COMPLETO
VESTIBULAR - VOLUME IV
VESTIBULAR - VOLUME III
VESTIBULAR - VOLUME II
VESTIBULAR - VOLUME I
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SIMULADOS DE VESTIBULAR
Questão 1
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
Todas as alternativas apresentam elementos representativos de avanços da capital mineira
apontados no livro, EXCETO:
a) o conjunto Archangelo Maletta com seus bares e inferninhos.
b) os prodígios cirúrgicos do Dr. Rabelo.
c) a exposição de Arte Moderna.
d) o conjunto arquitetônico da Pampulha.
e) o filme "O homem do Pau-Brasil", de Joaquim Pedro de Andrade.
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Questão 2
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO ABAIXO DE ACORDO COM O TEXTO A
SEGUIR.
REDE
Gustavo Bernardo
O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões. Mas não se pode
conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo
interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica
claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: "presença da falta". Porém, precisa. A falta que todo
homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser
mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus
amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos
apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo
todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha
a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da auto-afirmação. Mas não nos falta
apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer todos e tudo. Logo, não se escrevem única e
exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos
públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí
se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte
do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no
visual, no estilo, na seqüência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de
um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros,
desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser
de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples
fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta - cobrando que a coisa se
escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos
de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores,
pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no
artigo, no livro teórico, no romance - cobrando que a coisa se escreva de modo a que se
entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido
dito, para valer a pena.
Por exemplo: não vou escrever este livro à moda de diário (ninguém deve estar muito
interessado se tomei café com leite ou não de manhã cedo, nem se eu consegui acordar
cedo). Também não vou escrevê-lo à moda de uma carta (o que eu sinto e penso de pessoas
muito especiais não será da conta de outras tantas que eu quero ver lendo este livro).
Entretanto, se eu souber bem que isto daqui é nem diário nem carta, posso, por breves
parágrafos, fingir que estou falando comigo mesmo, ou fingir que estou falando com aquele
leitor (leitora...) como se fosse o único (única). Será uma técnica esperta, e perfeitamente
legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um best-seller
às avessas). Mas, no momento em que lêem, são eles (vocês) unicamente que me lêem, e eu
devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto com o
particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (a você).
Portanto, a diferença de quantidade (no caso, de leitores) gera diferença na qualidade (no
caso, no modo de dispor palavras e idéias). [....]
Atenção: uma teoria, uma dissertação, não é diametralmente oposta a um diário ou a uma
carta. Ao contrário, traz consigo as funções do diário (autoconhecimento e auto-afirmação)
e as funções da carta (procura de alguém, procura de ouvido, espelho e reflexo).
Acrescenta-lhes outras na soma que transforma o texto. Escrever para o outro, ou para
outros, continua representando o ato de afirmar-se, firmando no papel as próprias idéias.
Além disso, implica considerar atentamente a existência alheia. E a consideração da
existência alheia passa pelo esforço de facilitar o acesso geral às idéias próprias em
questão.
Com licença: quem sabe, sabe se explicar. Todo mundo que escreve deve deixar para o
leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter
dito - este é o ponto.
Enfatizo, no entanto, uma coisa: preocupar-se com o leitor representa preocupar-se com o
seu entendimento preciso, mas não equivale a subordinar-se humilhantemente, não equivale
a escrever apenas o que o outro quer ver escrito. Escritor e leitor não são o mesmo sujeito,
são sujeitos diferentes e a diferença deve ser, além de respeitada, ainda defendida com
unhas, dentes e verbos.
A necessidade da preocupação com o outro anda junto com a necessidade da autoafirmação. As duas necessidades não se podem negar, sob pena de não se atender nem a
uma nem à outra. O outro precisa de mim e eu preciso do outro, porque ambos precisamos
da diferença. A diferença é o referencial único para sabermos que somos únicos, originais,
e talvez especiais para alguém. O outro não precisa que eu fale o que ele quer ouvir, pois
isto ele mesmo já se disse. Ele não precisa somente do seu espelho. Precisa, sim, muito de
um reflexo - do reflexo inesperado que estabelece a diferença entre os diferentes. Precisa se
reconhecer diferente, para acalmar a angústia daquela pergunta primeira: "quem sou eu?".
Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando idéias e estilos
pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem - mas precisa demais.
Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por
este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será red-ação: ação de tecer a
rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal
das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas
pelas palavras daqueles que falam e se falam.
(BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1991, p. 15-17)
O autor apresenta a produção escrita como um dos lugares de manifestação da falta. De
acordo com o texto, todas as alternativas trazem exemplo dessa falta, EXCETO:
a) outro(s)
b) autoconhecimento
c) conhecimento
d) reconhecimento
e) palavra
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Questão 3
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO ABAIXO DE ACORDO COM O TEXTO A
SEGUIR.
REDE
Gustavo Bernardo
O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões. Mas não se pode
conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo
interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica
claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: "presença da falta". Porém, precisa. A falta que todo
homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser
mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus
amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos
apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo
todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha
a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da auto-afirmação. Mas não nos falta
apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer todos e tudo. Logo, não se escrevem única e
exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos
públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí
se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte
do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no
visual, no estilo, na seqüência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de
um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros,
desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser
de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples
fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta - cobrando que a coisa se
escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos
de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores,
pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no
artigo, no livro teórico, no romance - cobrando que a coisa se escreva de modo a que se
entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido
dito, para valer a pena.
Por exemplo: não vou escrever este livro à moda de diário (ninguém deve estar muito
interessado se tomei café com leite ou não de manhã cedo, nem se eu consegui acordar
cedo). Também não vou escrevê-lo à moda de uma carta (o que eu sinto e penso de pessoas
muito especiais não será da conta de outras tantas que eu quero ver lendo este livro).
Entretanto, se eu souber bem que isto daqui é nem diário nem carta, posso, por breves
parágrafos, fingir que estou falando comigo mesmo, ou fingir que estou falando com aquele
leitor (leitora...) como se fosse o único (única). Será uma técnica esperta, e perfeitamente
legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um best-seller
às avessas). Mas, no momento em que lêem, são eles (vocês) unicamente que me lêem, e eu
devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto com o
particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (a você).
Portanto, a diferença de quantidade (no caso, de leitores) gera diferença na qualidade (no
caso, no modo de dispor palavras e idéias). [....]
Atenção: uma teoria, uma dissertação, não é diametralmente oposta a um diário ou a uma
carta. Ao contrário, traz consigo as funções do diário (autoconhecimento e auto-afirmação)
e as funções da carta (procura de alguém, procura de ouvido, espelho e reflexo).
Acrescenta-lhes outras na soma que transforma o texto. Escrever para o outro, ou para
outros, continua representando o ato de afirmar-se, firmando no papel as próprias idéias.
Além disso, implica considerar atentamente a existência alheia. E a consideração da
existência alheia passa pelo esforço de facilitar o acesso geral às idéias próprias em
questão.
Com licença: quem sabe, sabe se explicar. Todo mundo que escreve deve deixar para o
leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter
dito - este é o ponto.
Enfatizo, no entanto, uma coisa: preocupar-se com o leitor representa preocupar-se com o
seu entendimento preciso, mas não equivale a subordinar-se humilhantemente, não equivale
a escrever apenas o que o outro quer ver escrito. Escritor e leitor não são o mesmo sujeito,
são sujeitos diferentes e a diferença deve ser, além de respeitada, ainda defendida com
unhas, dentes e verbos.
A necessidade da preocupação com o outro anda junto com a necessidade da autoafirmação. As duas necessidades não se podem negar, sob pena de não se atender nem a
uma nem à outra. O outro precisa de mim e eu preciso do outro, porque ambos precisamos
da diferença. A diferença é o referencial único para sabermos que somos únicos, originais,
e talvez especiais para alguém. O outro não precisa que eu fale o que ele quer ouvir, pois
isto ele mesmo já se disse. Ele não precisa somente do seu espelho. Precisa, sim, muito de
um reflexo - do reflexo inesperado que estabelece a diferença entre os diferentes. Precisa se
reconhecer diferente, para acalmar a angústia daquela pergunta primeira: "quem sou eu?".
Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando idéias e estilos
pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem - mas precisa demais.
Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por
este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será red-ação: ação de tecer a
rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal
das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas
pelas palavras daqueles que falam e se falam.
(BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1991, p. 15-17)
Com relação aos cinco primeiros parágrafos do texto "Rede", só se pode afirmar que:
a) A palavra ou, mais especificamente, o uso da linguagem verbal oral e/ou escrita indica
uma característica essencial do ser humano: a falta. De um lado, pode-se dizer que ele não
tem um conhecimento completo de si mesmo e que essa ausência o incomoda; de outro,
pode- se afirmar que ele conhece apenas parcialmente o mundo que o cerca.
b) Segundo o autor, o ato de escrever representa a falta que caracteriza todo ser humano,
justamente porque se escreve para que se possa conhecer aquilo que ainda não se sabe; por
esse motivo é que foram criados os bilhetes, as cartas, os artigos de jornal e os livros.
c) O ato de falar, que, segundo o autor, corresponde ao diário, pode ser considerado como
um ato que indica a falta, pois, para preencher o vazio que todos possuímos, temos a
necessidade de dialogar, sobretudo com os próprios botões.
d) Conforme o raciocínio do autor, tanto as crianças como os adultos sentem a falta, mas,
enquanto a criança a manifesta por meio de jogos com amigos imaginários, o adulto
procura resolvê-la apenas nos sonhos e na solidão da noite.
e) A produção de um diário pode ser considerada como a marca mais explícita de uma
característica humana - a falta - , já que ele corresponde, na escrita, à fala. Assim, se
falamos com os outros para nos conhecermos melhor, com o diário procuramos autoafirmação.
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Questão 4
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO ABAIXO DE ACORDO COM O TEXTO A
SEGUIR.
REDE
Gustavo Bernardo
O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões. Mas não se pode
conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo
interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica
claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: "presença da falta". Porém, precisa. A falta que todo
homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser
mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus
amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos
apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo
todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha
a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da auto-afirmação. Mas não nos falta
apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer todos e tudo. Logo, não se escrevem única e
exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos
públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí
se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte
do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no
visual, no estilo, na seqüência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de
um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros,
desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser
de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples
fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta - cobrando que a coisa se
escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos
de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores,
pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no
artigo, no livro teórico, no romance - cobrando que a coisa se escreva de modo a que se
entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido
dito, para valer a pena.
Por exemplo: não vou escrever este livro à moda de diário (ninguém deve estar muito
interessado se tomei café com leite ou não de manhã cedo, nem se eu consegui acordar
cedo). Também não vou escrevê-lo à moda de uma carta (o que eu sinto e penso de pessoas
muito especiais não será da conta de outras tantas que eu quero ver lendo este livro).
Entretanto, se eu souber bem que isto daqui é nem diário nem carta, posso, por breves
parágrafos, fingir que estou falando comigo mesmo, ou fingir que estou falando com aquele
leitor (leitora...) como se fosse o único (única). Será uma técnica esperta, e perfeitamente
legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um best-seller
às avessas). Mas, no momento em que lêem, são eles (vocês) unicamente que me lêem, e eu
devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto com o
particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (a você).
Portanto, a diferença de quantidade (no caso, de leitores) gera diferença na qualidade (no
caso, no modo de dispor palavras e idéias). [....]
Atenção: uma teoria, uma dissertação, não é diametralmente oposta a um diário ou a uma
carta. Ao contrário, traz consigo as funções do diário (autoconhecimento e auto-afirmação)
e as funções da carta (procura de alguém, procura de ouvido, espelho e reflexo).
Acrescenta-lhes outras na soma que transforma o texto. Escrever para o outro, ou para
outros, continua representando o ato de afirmar-se, firmando no papel as próprias idéias.
Além disso, implica considerar atentamente a existência alheia. E a consideração da
existência alheia passa pelo esforço de facilitar o acesso geral às idéias próprias em
questão.
Com licença: quem sabe, sabe se explicar. Todo mundo que escreve deve deixar para o
leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter
dito - este é o ponto.
Enfatizo, no entanto, uma coisa: preocupar-se com o leitor representa preocupar-se com o
seu entendimento preciso, mas não equivale a subordinar-se humilhantemente, não equivale
a escrever apenas o que o outro quer ver escrito. Escritor e leitor não são o mesmo sujeito,
são sujeitos diferentes e a diferença deve ser, além de respeitada, ainda defendida com
unhas, dentes e verbos.
A necessidade da preocupação com o outro anda junto com a necessidade da autoafirmação. As duas necessidades não se podem negar, sob pena de não se atender nem a
uma nem à outra. O outro precisa de mim e eu preciso do outro, porque ambos precisamos
da diferença. A diferença é o referencial único para sabermos que somos únicos, originais,
e talvez especiais para alguém. O outro não precisa que eu fale o que ele quer ouvir, pois
isto ele mesmo já se disse. Ele não precisa somente do seu espelho. Precisa, sim, muito de
um reflexo - do reflexo inesperado que estabelece a diferença entre os diferentes. Precisa se
reconhecer diferente, para acalmar a angústia daquela pergunta primeira: "quem sou eu?".
Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando idéias e estilos
pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem - mas precisa demais.
Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por
este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será red-ação: ação de tecer a
rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal
das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas
pelas palavras daqueles que falam e se falam.
(BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1991, p. 15-17)
Assinale a alternativa que apresente idéias verdadeiras sobre o texto:
a) O texto nos leva a crer que, no diário, o outro é o próprio autor; há, portanto, uma
contradição entre o que se diz aí e a afirmação subseqüente de que "o outro, ao adentrar o
espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto".
b) O autor de um texto, segundo Gustavo Bernardo, deve levar em conta o leitor ao
elaborar sua produção escrita; é exatamente por esse motivo que se pode concluir que o
leitor intervém já no momento da produção textual.
c) O raciocínio do autor de que o outro está presente na estrutura de qualquer texto que
produzimos leva obrigatoriamente à conclusão de que a dificuldade de se escreverem
artigos de jornais deve ser explicada pelo fato de que nos jornais há muitos outros aos quais
o autor deve se dirigir.
d) Segundo o autor, os diários não são de interesse público porque tratam de assuntos
banais, que dizem respeito às atividades cotidianas, enquanto as cartas não devem ser
impressas em livros porque não teriam leitores interessados.
e) Embora a dissertação seja considerada pelo autor como o texto apropriado para que
sejam veiculadas as teorias, essa guardaria com a carta e o diário algumas similaridades,
pois todas as suas funções recobririam as características desses outros textos.
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Questão 5
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO ABAIXO DE ACORDO COM O TEXTO A
SEGUIR.
REDE
Gustavo Bernardo
O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões. Mas não se pode
conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo
interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica
claramente a presença da falta.
Um tanto paradoxal esta expressão: "presença da falta". Porém, precisa. A falta que todo
homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser
mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus
amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos
apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo
todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.
Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha
a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da auto-afirmação. Mas não nos falta
apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer todos e tudo. Logo, não se escrevem única e
exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos
públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí
se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte
do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no
visual, no estilo, na seqüência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de
um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros,
desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser
de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples
fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta - cobrando que a coisa se
escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos
de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores,
pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no
artigo, no livro teórico, no romance - cobrando que a coisa se escreva de modo a que se
entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido
dito, para valer a pena.
Por exemplo: não vou escrever este livro à moda de diário (ninguém deve estar muito
interessado se tomei café com leite ou não de manhã cedo, nem se eu consegui acordar
cedo). Também não vou escrevê-lo à moda de uma carta (o que eu sinto e penso de pessoas
muito especiais não será da conta de outras tantas que eu quero ver lendo este livro).
Entretanto, se eu souber bem que isto daqui é nem diário nem carta, posso, por breves
parágrafos, fingir que estou falando comigo mesmo, ou fingir que estou falando com aquele
leitor (leitora...) como se fosse o único (única). Será uma técnica esperta, e perfeitamente
legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um best-seller
às avessas). Mas, no momento em que lêem, são eles (vocês) unicamente que me lêem, e eu
devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto com o
particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (a você).
Portanto, a diferença de quantidade (no caso, de leitores) gera diferença na qualidade (no
caso, no modo de dispor palavras e idéias). [....]
Atenção: uma teoria, uma dissertação, não é diametralmente oposta a um diário ou a uma
carta. Ao contrário, traz consigo as funções do diário (autoconhecimento e auto-afirmação)
e as funções da carta (procura de alguém, procura de ouvido, espelho e reflexo).
Acrescenta-lhes outras na soma que transforma o texto. Escrever para o outro, ou para
outros, continua representando o ato de afirmar-se, firmando no papel as próprias idéias.
Além disso, implica considerar atentamente a existência alheia. E a consideração da
existência alheia passa pelo esforço de facilitar o acesso geral às idéias próprias em
questão.
Com licença: quem sabe, sabe se explicar. Todo mundo que escreve deve deixar para o
leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter
dito - este é o ponto.
Enfatizo, no entanto, uma coisa: preocupar-se com o leitor representa preocupar-se com o
seu entendimento preciso, mas não equivale a subordinar-se humilhantemente, não equivale
a escrever apenas o que o outro quer ver escrito. Escritor e leitor não são o mesmo sujeito,
são sujeitos diferentes e a diferença deve ser, além de respeitada, ainda defendida com
unhas, dentes e verbos.
A necessidade da preocupação com o outro anda junto com a necessidade da autoafirmação. As duas necessidades não se podem negar, sob pena de não se atender nem a
uma nem à outra. O outro precisa de mim e eu preciso do outro, porque ambos precisamos
da diferença. A diferença é o referencial único para sabermos que somos únicos, originais,
e talvez especiais para alguém. O outro não precisa que eu fale o que ele quer ouvir, pois
isto ele mesmo já se disse. Ele não precisa somente do seu espelho. Precisa, sim, muito de
um reflexo - do reflexo inesperado que estabelece a diferença entre os diferentes. Precisa se
reconhecer diferente, para acalmar a angústia daquela pergunta primeira: "quem sou eu?".
Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando idéias e estilos
pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem - mas precisa demais.
Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por
este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será red-ação: ação de tecer a
rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal
das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas
pelas palavras daqueles que falam e se falam.
(BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1991, p. 15-17)
Leia o trecho abaixo e observe o que se diz sobre os momentos de produção e de recepção
do discurso. Todas as informações contidas entre parênteses estão de acordo com o(s)
momento(s) a que se refere o trecho transcrito do texto "Rede", EXCETO:
[....] não se pode distinguir estritamente entre condições de produção e condições de recepção
do discurso. Isto é, embora, de fato, o momento da escrita de um texto e o momento de sua
leitura sejam distintos, na escrita já está inscrito o leitor e, na leitura, o leitor interage com o
autor do texto.
(ORLANDI, Eni Pulcinelli. A linguagem e seu funcionamento. São Paulo: Brasiliense, 1983. p.
167)
a) O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no
visual, no estilo, na seqüência, nas informações. (produção e recepção)
b) Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto,
na carta [....] (produção e recepção)
c) [....] e eu devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos,
quanto particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (você). (produção)
d) Escritor e leitor não são o mesmo sujeito, são sujeitos diferentes e a diferença deve ser,
além de respeitada, ainda defendida com unhas, dentes e verbos. (produção e recepção)
e) Todo mundo que escreve deve deixar para o leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e
não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter dito – este é o ponto. (recepção)
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Questão 6
(PUC-MG) Leia com atenção o primeiro significado atribuído ao verbo tomar no NOVO
DICIONÁRIO AURÉLIO DA LÍNGUA PORTUGUESA.
Tomar. V. t. d. 1. Pegar ou segurar em; empunhar: A Nação tomou as armas em defesa de sua
soberania; "Tomai as rédeas vós do Reino vosso." (Luís de Camões, Os Lusíadas, I, 18).
I. Arlene tomou as moedas que estavam nas mãos de Carminha e entregou-as ao fiscal.
II. Chico tomou a sopa que o garçom havia colocado sobre o balcão e foi juntar-se aos
outros.
III. Há dias em que meu cachorro toma-se de tristeza.
IV. Juca tomou rapidamente a receita que o médico havia prescrito e foi direto à farmácia.
V. Tão logo encontrou o marido, Jane lhe disse: "Toma, que o filho é teu".
A substituição de tomar por pegar e segurar, simultaneamente, sem que haja possibilidade
de mudança de sentido:
a) é possível em todos os períodos
b) não é possível em nenhum dos períodos
c) só é possível em I e V
d) só é possível em II
e) só é possível em IV
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Questão 7
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE O
ENCONTRO MARCADO, DE FERNANDO SABINO.
A alternativa que apresenta o sentido correto para a passagem de O encontro marcado —
"Conversavam insensivelmente por citações." — no contexto em que ocorre, é:
a) A roda de literatos que integra em momentos diversos a narrativa mostrava-se insensível
à questão da imitação como um problema ético.
b) As personagens "romancistas" da história, incorporando o plágio como um recurso
legítimo, abusavam das citações em seus escritos.
c) O protagonista e seus colegas de jornal escreviam seus artigos, citando-se uns aos outros,
numa espécie de plágio consciente e voluntário.
d) Os escritores do passado, valendo-se da intertextualidade, refletiam em seus livros obras
de autores consagrados de seu tempo.
e) Os três amigos de juventude, leitores vorazes, sem perceber, inseriam em seus diálogos
trechos de leituras guardados na memória.
Questão 8
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE O
ENCONTRO MARCADO, DE FERNANDO SABINO.
Em todas as passagens, de O encontro marcado, ocorrem reflexões metalingüísticas,
EXCETO:
a) "A linguagem do homem é difícil, retorcida, suja, atormentada. Tudo que se escreve é
apenas uma paranóia do que já está escrito e ninguém é capaz de escrever."
b) "A poesia é uma série contínua e ascendente de intelecções. Formulação de uma visão,
fusão de intelecção, linguagem verbal, experiência orgânica."
c) "E assim eram todos — escritores sem livros, poetas sem versos, pintores sem quadros,
arraia miúda da arte que vicejava ao seu lado, tirando-lhe o que lhe restava de melhor (...)"
d) "Poesia não é a notícia de determinada emoção poética ou da coisa que a provocou. A
linguagem diz de uma visão especial das coisas (...)"
e) "Regressou à ficção: aprender com os que sabiam, se preciso plagiar, mas plagiar com
sabedoria, com verdadeiro aproveitamento das idéias, desenvolvendo-as noutras idéias (...)"
Questão 9
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE O
ENCONTRO MARCADO, DE FERNANDO SABINO.
O trecho de O encontro marcado, relativo ao protagonista, que funciona como um
prenúncio de acontecimentos mais tarde confirmados na narrativa, é:
a) "Agora, todas as noites, era aquilo: não conseguia dormir. Um tiro no peito. No coração,
portanto. E o amigo morto, lenço amarrado no peito. Durante o dia andava triste, abatido,
pelos cantos, já pensando em outras coisas, não pensando em nada (...)"
b) "Cansado desta vida. Vontade de me mudar do Rio, ir para um lugar sossegado, ter um
filho, criá-lo longe daqui, constituir uma família, compreende? Levar uma vida decente.
Não nasci para isso. Só você, que me conhece melhor, pode me compreender."
c) "De noite fico quieto aqui no meu canto, não há luz, desligaram tudo, breve começam a
demolir. Vejo até morcegos nos beirais do telhado, onde antigamente moravam pombas. O
prédio estala e geme de velhice, parece que vai morrer..."
d) "De nós três, o de mais sorte, o escolhido, nosso amparo, nossa esperança. E de nós três,
talvez, o mais miserável, talvez o mais desgraçado, porque condenado à incapacidade de
amar, pelo orgulho, ou à solidão, pela renúncia."
e) "Leu os romancistas brasileiros, alguns franceses, esqueceu tudo em favor de
Dostoievski. Sentia-se encarnado em Raskolnikoff, chegou a pensar em cometer o crime
perfeito. Aos poucos se evidenciava para ele a superioridade do ser perseguido sobre o ser
perseguidor."
Questão 10
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE O
ENCONTRO MARCADO, DE FERNANDO SABINO.
Todas as alternativas, sobre o último capítulo de O encontro marcado, "A viagem", estão
corretas, EXCETO:
a) Conta a viagem de Eduardo a Juiz de Fora, onde, na estação de trem, revê a antiga
namorada da adolescência.
b) Fala da visita de Eduardo à sua terra e do reencontro com antigas paisagens e amigos da
juventude.
c) Indica uma nova fase na vida de Eduardo, com o rompimento com pessoas e hábitos de
seu cotidiano.
d) Narra os acontecimentos que precipitaram a ida do protagonista para outra cidade, onde
se casou em seguida.
e) Termina com um diálogo do protagonista com o amigo Frei Domingos, no convento,
onde pretende passar um ou dois dias.
Questão 11
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE O
ENCONTRO MARCADO, DE FERNANDO SABINO.
Todas as alternativas expressam corretamente a correspondência apelido/personagem,
presente em O encontro marcado, EXCETO:
a) Barbusse — o delegado amigo, pequeno e de cavanhaque.
b) Besta-Fera — o estudante de medicina Mauro, cheio de sensualidade.
c) Lord Byron — o velho diplomata aposentado, Germano.
d) Príncipe de Gales — o bem-apessoado Eduardo Marciano.
e) Radiguet — o amigo Hugo, companheiro das trocas literárias.
Questão 12
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE HILDA
FURACÃO, DE ROBERTO DRUMMOND:
Todas as alternativas apresentam trechos de Hilda Furacão em que ocorrem exemplos de
intertextualidade, EXCETO:
a) "Começou a cantar: ‘De pé, oh vítimas da fome’, enfiou o boticão em minha boca, ‘de
pé, famélicos da terra’, pegou meu dente com o boticão, ‘bem unidos, marchemos, nessa
luta final’..."
b) "Ê, ê, Maria / tá na hora de ir pra rua da Bahia..."
c) "Entrementes, palavra tão amada pelos escritores clássicos e banida do meu dicionário,
colocada no meu índice de copidesque..."
d) "No conto O rio é um deus castanho fiz um relato inspirado em sua agonia..."
e) "O turco Nazim Hikmet: ‘Dormir hoje e acordar daqui a 10 anos...’ "
Questão 13
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE HILDA
FURACÃO, DE ROBERTO DRUMMOND:
Todos os trechos, de Hilda Furacão, exemplificam a sobreposição do painel históricocultural à trama ficcional, EXCETO:
a) "A fotografia que Cocenza disparou na hora fez furor: mostrava-me, com uma calça
preta e um paletó de linho branco, examinando os nordestinos em fila, a cerca do curral ao
fundo – eu examinava suas mãos (...)"
b) "(...) como foi contado, deixei a Folha de Minas e fui trabalhar no semanário Binômio.
No começo, quando Euro Arantes e José Maria Rabelo o fundaram, parecia uma
brincadeira de estudantes (...)"
c) "Uma fila de caminhões do Exército carregando soldados seguia para a BR-3 em direção
ao Rio de Janeiro; os boatos aumentaram no correr do dia, o Governador Magalhães Pinto
colocou no ar a Rede da Liberdade (...)"
d) "Era o tempo da revolução jornalística, iniciada no Jornal do Brasil por Odylo Costa
Filho, no Rio de Janeiro (...) A imprensa brasileira ganhava um mito: o copidesque do
Jornal do Brasil (...)"
e) "Então, no que ia cantando e desfilando pela rua, foi seguido, primeiro pelas ovelhas
negras das famílias: mães solteiras; candidatos a suicidas; um suicida arrependido (...) uns
fantasiados, outros não, mas descobrindo que podiam ser alegres (...)"
Questão 14
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE HILDA
FURACÃO, DE ROBERTO DRUMMOND:
A alternativa em que ocorre o estilo jornalístico, de tom sensacionalista, típico da profissão
do narrador-protagonista de Hilda Furacão, é:
a) "Eu era um repórter de sucesso. De muito sucesso. Minha vida de jornalista tinha
mudado e a de Manuel e Francisca também."
b) "Sabe-se que a vidente Madame Janete, a mesma que previu que Getúlio Vargas ia dar
um tiro no peito quando só os gatos estavam acordados no Palácio do Catete (...)"
c) "Quando cheguei da revista Alterosa hoje à noite encontrei os dois aqui em casa.
Estavam muito assustados (...)"
d) "Saímos dali com a euforia e a consciência de que tínhamos conseguido uma reportagem
de repercussão internacional."
e) "Suas crônicas na Rádio Inconfidência, no entanto, tornaram-no famoso e alvo do
interesse das mulheres, que lhe enviavam apaixonadas cartas (...) "
Questão 15
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO ROMANCE HILDA
FURACÃO, DE ROBERTO DRUMMOND:
A alternativa que justifica a coincidência entre as datas da saída de Hilda da Zona Boêmia e
da ocupação militar de Belo Horizonte – 1o de abril – é:
a) a caracterização paródica do golpe militar, que o torna tão ficcional quanto a história de
Hilda.
b) a confusão causada na memória do narrador, que soubera dos fatos apenas por ouvir
contar.
c) a necessidade da prisão de Malthus, que assim faltaria ao encontro marcado com Hilda.
d) a necessidade de dar um tom dramático a um momento importante na vida da
protagonista.
e) a previsão do futuro de Hilda Furacão feita pela vidente Madame Janete.
Questão 16
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
Todas as afirmativas, sobre O desatino da rapaziada, estão corretas, EXCETO:
a) Acompanhando o trajeto dos escritores, traça um painel que relaciona literatura e
jornalismo.
b) Descrevendo as atividades dos escritores, reconta a história do Modernismo em Minas.
c) Esboçando um percurso da cultura mineira, mostra sua relação com a política.
d) Pretendendo ser um testemunho histórico, só registra fatos comprovados da vida dos
escritores mineiros.
e) Relatando as atitudes dos jovens, evidencia as mudanças ocorridas na cultura mineira.
Questão 17
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
Todas as alternativas comprovam o provincianismo de Belo Horizonte na época dos fatos
relatados em O desatino da rapaziada, EXCETO:
a) "Andava por Minas, ainda, o romancista Cyro dos Anjos, que em 1946 se transplantaria
para o Rio de Janeiro, depois viveria um interregno brasiliense e voltaria em definitivo para
Copacabana."
b) "Ouriçou-se a família mineira. No dia da estréia, bandos de moços piedosos investiram
contra a fachada do cinema, dispostos a rasgar os cartazes do filme (...)"
c) "Pedro Nava dá notícia de cavalheiros disfarçando a cachacinha em xícaras de café,
quando bebiam nas mesas próximas à entrada do Bar do Ponto, à vista dos passantes."
d) "Precisávamos fazer barulho, quebrar a pasmaceira ambiente ou, antes, sacudir a
indiferença literária de Belo Horizonte, cidade sem editores, sem revistas, sem jornais (...)"
e) "Só se marcavam encontros no Bar do Ponto. Homens de negócios, estudantes,
advogados, namorados, tinham de encontrar-se lá. Era ali que os agiotas emprestavam
dinheiro e onde os devedores iam levar-lhes os juros mensais de 10 por cento."
Questão 18
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
Em relação ao assunto do último capítulo do livro de Werneck, todas as afirmativas podem
ser feitas, EXCETO:
a) A diáspora de intelectuais se deu em busca da amplidão de horizontes.
b) A escrita é uma forma de voltar a Minas.
c) O autor faz parte do grupo de escritores que saiu da cidade.
d) O desamor à cidade provoca a deserção dos habitantes letrados.
e) O êxodo dos artistas mineiros facilitava sua projeção nacional.
Questão 19
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
Todas as alternativas apresentam passagens do livro O desatino da rapaziada, relativas a
Carlos Drummond de Andrade, EXCETO:
a) "(...) o líder de um grupo de jovens escritores ‘futuristas’, cujos desmandos poéticos
vinham perturbar a parnasiana harmonia da paisagem literária de Minas Gerais."
b) "Sua rigidez corporal, por exemplo, faz pensar numa sensualidade domada de
seminarista."
c) "Tem dezoito anos e, não faz muito, foi expulso do Colégio Anchieta, (...), por
insubordinação mental."
d) "(...) um adolescente magrinho, de óculos, entra numa redação da rua da Bahia, em Belo
Horizonte."
e) "(...) um talentoso jornalista de oposição (...) – por ironia um dos fundadores do Diário
de Minas, mais tarde homenageado com um busto na praça da Liberdade."
Questão 20
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
A QUESTÃO ABAIXO REFERE-SE A UM FRAGMENTO DO POEMA INTITULADO
"EDIFÍCIO ESPLENDOR", DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE CITADO EM
O DESATINO DA RAPAZIADA:
Oh que saudades não tenho/ de minha casa paterna./ Era lenta, calma, branca,/ tinha
vastos corredores/ e nas suas trinta portas/ trinta crioulas sorrindo,/ talvez nuas, não me
lembro./ (...)/ Chora, retrato, chora./ Vai crescer a tua barba, neste medonho edifício/ de
onde surge tua infância/ como um copo de veneno./ (...) / Os tapetes envelheciam/ pisados
por outros pés./ (...)/ Meu pai, meu avô, Alberto.../ Todos os mortos presentes./ (...)/ — Que
século, meu Deus!/ diziam os ratos./ E começavam a roer o edifício.
Todas as alternativas, relativas ao fragmento do poema "Edifício Esplendor", estão corretas,
EXCETO:
a) A expectativa de dias melhores encerra o fragmento.
b) A evocação do passado recupera figuras familiares.
c) A recordação da infância é dolorosa e nem sempre exata.
d) O título do poema contrasta com o conteúdo do trecho.
e) Uma atmosfera de decadência e morte predomina no texto.
Questão 21
(PUC-MG) A QUESTÃO ABAIXO ESTÁ RELACIONADA AO LIVRO O DESATINO
DA RAPAZIADA, DE HUMBERTO WERNECK
A QUESTÃO ABAIXO REFERE-SE A UM FRAGMENTO DO POEMA INTITULADO
"EDIFÍCIO ESPLENDOR", DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE CITADO EM
O DESATINO DA RAPAZIADA:
Oh que saudades não tenho/ de minha casa paterna./ Era lenta, calma, branca,/ tinha
vastos corredores/ e nas suas trinta portas/ trinta crioulas sorrindo,/ talvez nuas, não me
lembro./ (...)/ Chora, retrato, chora./ Vai crescer a tua barba, neste medonho edifício/ de
onde surge tua infância/ como um copo de veneno./ (...) / Os tapetes envelheciam/ pisados
por outros pés./ (...)/ Meu pai, meu avô, Alberto.../ Todos os mortos presentes./ (...)/ — Que
século, meu Deus!/ diziam os ratos./ E começavam a roer o edifício.
Todas as alternativas indicam traços presentes no texto e freqüentes na literatura do
modernismo, EXCETO:
a) a presença de metáforas inusitadas, herméticas.
b) a recorrência a termos eruditos, raros.
c) a subversão da lógica objetiva, corrente.
d) a transmissão de uma experiência particular.
e) a utilização irreverente de textos consagrados.
Questão 22
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
O poema que se lê
a) é um soneto, porque contém rima: vaga/alaga; lento/vento
b) é um soneto, porque cada verso contém dez sílabas poéticas.Veja:
vi/vo há /pou/co, de/ púr/pu/ra/ san/gren/to
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
c) é um soneto, porque as pausas se fazem na 6a e 10 a sílabas.Veja:
Um / si/lên/cio / tris/tís/si/mo por/ tu/do
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
d) é um soneto, porque contém catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois
tercetos
e) não é um soneto
Questão 23
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Neste poema de Bilac predomina
a) a descrição
b) a narração
c) a dissertação
d) o estilo epistolar
e) a prosa romântica
Questão 24
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Pobre é a rima que se processa com palavras de mesma classe gramatical, como
a) vaga / alaga
b) lento / vento
c) sangrento / firmamento
d) tudo / mudo
e) embebido / adormecido
Questão 25
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Ocaso, no texto, é
a) pôr-do-sol
b) eventualidade
c) tempo
d) vida
e) estrela matutina
Questão 26
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Releia os dois últimos tercetos
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo;
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Fímbria, no texto, é
a) pano, saia
b) fio, corda
c) arame, aço
d) franja, orla
e) sombra, penumbra
Questão 27
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
"mas a lua..."a oração inicia-se com a conjunção adversativa mas, portanto,
coordenada sindética adversativa. Adversativa porque nega parcialmente alguma
idéia contida na oração anterior. As idéias em oposição são
a) o silêncio e a lentidão da lua
b) a tristeza e a fímbria do horizonte
c) o verbo espalhar e o horizonte mudo
d) o silêncio da paisagem e a mudez da lua
e) a tristeza do ambiente e a alegria que a lua traz
Questão 28
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Gládio, no texto, é
a) metal, objeto de valor
b) espada, punhal
c) que tem a cor da prata
d) espelho, vidro
e) folha branca e cintilante
Questão 29
(FMU) Rio Abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga,
Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
Olavo Bilac
Assinale a alternativa que melhor se coaduna com o estilo do poeta
a) Poesia popular
b) Impassividade, afastamento
c) Poema confidencial
d) Culto do eu
e) Subjetivismo, fantasia
Questão 30
(FMU) Leia o texto abaixo e, com base nele, responda a questão:
De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-o e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o
flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo
candente que irradia do Ceará.
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às
calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o
peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.
Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua
vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a estóico. Apesar das
dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta
a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.
De "Os Sertões" Euclides da Cunha
O texto é fruto das reportagens escritas para "O Estado de São Paulo" no término da
a) Guerra do Paraguai
b) Revolução do Forte de Copacabana
c) Campanha de Canudos
d) Revolução de 1930
e) Campanha Civilista de Rui Barbosa
Questão 31
(FMU) Leia o texto abaixo e, com base nele, responda a questão:
De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-o e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o
flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo
candente que irradia do Ceará.
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às
calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o
peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.
Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua
vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a estóico. Apesar das
dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta
a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.
De "Os Sertões" Euclides da Cunha
Sobre "Os Sertões" é incorreto afirmar que
a) a obra divide-se em três partes: A Terra, O Homem e A Luta
b) "A Terra" consta de um apanhado geral da zona das secas e de suas causas possíveis
c) "O Homem" estuda a gênese do jagunço e, principalmente, de Antônio Conselheiro,
chefe carismático de uma multidão de fanáticos
d) "A Luta" narra os sucessivos combates que levaram ao extermínio as tropas federais
pelos jagunços
e) A obra foi publicada, pela primeira vez, na Rio de Janeiro, no início deste século
Questão 32
(FMU) Leia o texto abaixo e, com base nele, responda a questão:
De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-o e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o
flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo
candente que irradia do Ceará.
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às
calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o
peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.
Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua
vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a estóico. Apesar das
dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta
a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.
De "Os Sertões" Euclides da Cunha
Em "Os Sertões" patenteia-se o poder de expressão e o vasto saber de Euclides da
Cunha. O autor só não se revela nesta obra um
a) geólogo
b) etnólogo
c) místico
d) historiador
e) sociólogo
Questão 33
(FMU) Leia o texto abaixo e, com base nele, responda a questão:
De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-o e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o
flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo
candente que irradia do Ceará.
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às
calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o
peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.
Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua
vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a estóico. Apesar das
dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta
a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.
De "Os Sertões" Euclides da Cunha
"Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo
candente que irradia do Ceará"
Limbo no texto é
a) lugar onde se atiram coisas inúteis
b) lugar em que se encontram as crianças mortas sem o batismo
c) orla, borda
d) pétalas ardentes
e) limite, divisa
Questão 34
(PUC-PR)
Assinale a alternativa correta que identifica as velhas e suas características no romance As
Velhas, de Adonias Filho.
a) Tari Berê é mãe do protagonista; Zonga de Todos é uma mulher autoritária e esperta;
Zefa Cinco foi a responsável pela traição de Tonho Berê; Marimari, a mais violenta de
todos, foi responsável por vários assassinatos.
b) Lina de Todos personifica a mulher que tinha vários amantes; Zefa Januária é a rainha
carismática do grupo africano; Tari, a índia pataxó que auxilia com poções a Tonho Berê;
Uirá é a índia xavante que tem dez filhos.
c) Tari Januária tem o marido assassinado por Zefa Cinco, uma mulher valente que já havia
assassinado cinco homens; Zonga é a rainha de um grupo de africanos que vivem isolados
numa região da Bahia; Lina de Todos tiranizava filhos e noras.
d) Lina de Todos é a mulher que tem vários amantes; Zefa Januária é a rainha carismática
do grupo de africanos; Tari Cinco é responsável pela morte de cinco homens; Zonga é a
rainha africana.
e) Januária Berê, índia xavante, obrigou o filho, Tonho Berê, a ir buscar os ossos de pai
assassinado por Zefa Cinco. Lina de Todos, mãe de família atacada pela peste bubônica;
Zonga Cinco, africana valente que matou cinco inimigos e Lina de Todos é a mulher que
havia sido prostituta na adolescência.
Questão 35
(PUC-PR) Considere as afirmações abaixo e depois assinale a alternativa correta:
I. A poesia de Helena Kolody tem como foco temático a busca do amor divino, a
banalidade das boas ações, a crença no futuro tecnológico, bem como o tempo em
suas manifestações: a memória, a efemeridade e o aproveitamento do presente.
II. A escritora conclui que a poesia é uma forma de divulgação do pensamento, de
procura do efeito de conscientização estética do leitor, do desperdício das horas
dedicadas à guarda dos rancores, da necessidade de participação direta nos
movimentos sociais da história humana.
III. Os poemas marcam a ascensão espiritual do pensamento humano, instaurando
imagens de vôos e escaladas, visando a delinear a presença divina no mundo e a
crença na singularidade do produto poético.
a) São verdadeiras I, II e III.
b) É verdadeira apenas I.
c) É verdadeira apenas II.
d) É verdadeira apenas III.
e) São verdadeiras apenas I e III.
Questão 36
(PUC-PR)
Entrevistado sobre a escrita de Sagarana, Guimarães Rosa afirmou:
(...) naquela ocasião eu achava que, não podendo compor fábulas só com animais, que são
"retilíneos", talvez valesse mais a pena pôr palco para os personagens capiaus, menos
uniformizados, mais sem "pose", mais inconvencionais que a gente do asfalto. Com eles, no
seu habitat, pode-se deixar solta a poesia, sem prejuízo do realismo.
Assinale a alternativa INCORRETA:
a) Guimarães Rosa escreveu narrativas realistas sob a forma de fábulas que contêm lições
de vida e reflexões sobre o destino, a sorte e o azar.
b) A convivência com animais reforça o caráter "inconvencional" das personagens em
Sagarana, a tal ponto que, em algumas narrativas, como "Burrinho pedrês", "Conversa de
Bois" e "São Marcos", animais são convertidos em protagonistas.
c) Ao buscar a liberdade poética que considerava incompatível com o ambiente urbano,
Guimarães Rosa elegeu o sertão de Minas Gerais como espaço preferencial de suas
narrativas.
d) Augusto Matraga, de "A hora e vez de Augusto Matraga", e Manuel Fulô, de "Corpo
fechado", exemplificam o "capiau inconvencional" a que Guimarães Rosa fez referência na
entrevista citada.
e) A temática da paixão colabora para a atmosfera poética em "Minha gente" e "Sarapalha";
em "Duelo", o triângulo amoroso, que envolve Turíbio Todo, Dona Silivana e Cassiano
Gomes, vive um enredo de traições, perseguições e vingança.
Questão 37
(PUC-PR) Assinale a alternativa que contém as características definidoras do romance As
Velhas, de Adonias Filho.
a) Nele, o regionalismo tem o objetivo de dar ênfase ao mito, a violência é uma constante e
a personagem Uirá é apresentada com refinada observação psicológica.
b) Observa-se na obra a narrativa mítica da busca do passado, o estilo narrativo enxuto, a
descrição do mundo primitivo das paixões e da violência e o regionalismo tem perspectiva
fantástica e sobrenatural.
c) Trata-se de um romance de aventuras na selva da região cacaueira do sul da Bahia; há
predominância de personagens míticas e a intenção de construir uma genealogia de heróis.
d) Reflete os conflitos raciais entre negros, índios e brancos no sul da Bahia; contém
denúncia do poder dos fazendeiros de cacau e a linguagem é simbólica e sombria.
e) Relata a vida de quatro velhas matriarcas, movidas por paixões e violência que
reproduzem a história da colonização da região cacaueira da Bahia numa linguagem
narrativa de elevada poesia, tensão psicológica e regionalismo crítico.
Questão 38
(PUC-PR) "Nada mais diferente (...) entre o biscoito de Proust e o embrulho do pai. A
madeleine trouxe o gosto que leva ao passado geral, ao passado anterior ao passado, ao
passado depois do passado, o passado 'ao lado' do passado.
O biscoito abriu as portas do tempo do tempo perdido. Ora, o meu caso, ou melhor, o 'meu'
embrulho não me abre nada, muito menos o tempo. Se abria alguma coisa era o espaço até
então, nunca pensara organizadamente na única pessoa, no único personagem, no único
tempo de um homem que, não sendo eu, era o tempo do qual eu mais participara."
Assinale a alternativa que identifica e explica a referência feita ao episódio da "madeleine"
na obra de Proust, criando uma relação com Quase memória, de Carlos Heitor Cony:
a) É uma similaridade e provoca a percepção de que tempo e espaço são valores diferentes.
b) É uma comparação que demonstra as leituras do autor.
c) É um caso de intertextualidade e serve para estabelecer relações na cadeia de leituras e
de escrita literária.
d) É um caso de referencialidade porque faz referência a um livro do passado.
e) É um caso de associação de idéias, pois a noção de passado é a mesma nos dois autores.
Questão 39
(UFPB)
À custa de muitos trabalhos, de muitas fadigas, e sobretudo de muita paciência, conseguiu o
compadre que o menino freqüentasse a escola durante dois anos e que aprendesse a ler
muito mal e escrever ainda pior. Em todo este tempo não se passou um só dia em que ele
não levasse uma remessa maior ou menor de bolos; e apesar da fama que gozava o seu
pedagogo de muito cruel e injusto, é preciso confessar que poucas vezes o fora para com
ele: o menino tinha a bossa da desenvoltura, e isto, junto com as vontades que lhe fazia o
padrinho, dava em resultado a mais refinada má-criação que se pode imaginar. Achava ele
um prazer suavíssimo em desobedecer a tudo quanto se lhe ordenava; se se queria que
estivesse sério, desatava a rir como um perdido com o maior gosto do mundo; se se queria
que estivesse quieto, parece que uma mola oculta o impelia e fazia com que desse uma
idéia pouco mais ou menos aproximada do moto-contínuo. Nunca uma pasta, um tinteiro,
uma lousa lhe durou mais de 15 dias: era tido na escola pelo mais refinado velhaco; vendia
aos colegas tudo que podia ter algum valor, fosse seu ou alheio, contanto que lhe caísse nas
mãos: um lápis, uma pena, um registo, tudo lhe fazia conta; o dinheiro que apurava
empregava sempre do pior modo que podia. Logo no fim dos primeiros cinco dias de escola
declarou ao padrinho que já sabia as ruas, e não precisava mais de que ele o acompanhasse;
no primeiro dia em que o padrinho anuiu a que ele fosse sozinho fez uma tremenda gazeta;
tomou depois gosto a esse hábito, e em pouco tempo adquiriu entre os companheiros o
apelido de gazeta-mor da escola, o que também queria dizer apanha-bolos-mor. Um dos
principais pontos em que ele passava alegremente as manhãs e tardes em que fugia à escola
era a igreja da Sé. O leitor compreende bem que isto não era de modo algum inclinação
religiosa; na Sé à missa, e mesmo fora disso, reunia-se gente, sobretudo mulheres de
mantilha, de quem tomara particular zanguinha por causa da semelhança com a madrinha
(...).
Este uso da mantilha era um arremedo do uso espanhol; porém a mantilha espanhola, temos
ouvido dizer, é uma coisa poética que reveste as mulheres de um certo mistério, e que lhes
realça a beleza; a mantilha das nossas mulheres, não; era a coisa mais prosaica que se pode
imaginar, especialmente quando as que as traziam eram baixas e gordas como a comadre. A
mais brilhante festa religiosa (que eram as mais freqüentadas então) tomava um aspecto
lúgubre logo que a igreja se enchia daqueles vultos negros, que se uniam uns aos outros,
que
se inclinavam cochichando a cada momento.
Mas a mantilha era o traje mais conveniente aos costumes da época; sendo as ações dos
outros o principal cuidado de quase todos, era muito necessário ver sem ser visto. A
mantilha para as mulheres estava na razão das rótulas para as casas; eram o observatório da
vida alheia.
(ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. 16. ed., São
Paulo: Ática, 1989, p. 26-41).
O menino a que o narrador se refere é Leonardo, personagem principal do romance. De
acordo com o texto, o pedagogo
a) usava de um rigor excessivo com Leonardo.
b) justificava a sua fama ao lidar com o menino.
c) conseguia de Leonardo um satisfatório rendimento intelectual.
d) evitava castigar fisicamente o menino.
e) era relativamente justo com Leonardo.
Questão 40
(UFPB)
À custa de muitos trabalhos, de muitas fadigas, e sobretudo de muita paciência, conseguiu o
compadre que o menino freqüentasse a escola durante dois anos e que aprendesse a ler
muito mal e escrever ainda pior. Em todo este tempo não se passou um só dia em que ele
não levasse uma remessa maior ou menor de bolos; e apesar da fama que gozava o seu
pedagogo de muito cruel e injusto, é preciso confessar que poucas vezes o fora para com
ele: o menino tinha a bossa da desenvoltura, e isto, junto com as vontades que lhe fazia o
padrinho, dava em resultado a mais refinada má-criação que se pode imaginar. Achava ele
um prazer suavíssimo em desobedecer a tudo quanto se lhe ordenava; se se queria que
estivesse sério, desatava a rir como um perdido com o maior gosto do mundo; se se queria
que estivesse quieto, parece que uma mola oculta o impelia e fazia com que desse uma
idéia pouco mais ou menos aproximada do moto-contínuo. Nunca uma pasta, um tinteiro,
uma lousa lhe durou mais de 15 dias: era tido na escola pelo mais refinado velhaco; vendia
aos colegas tudo que podia ter algum valor, fosse seu ou alheio, contanto que lhe caísse nas
mãos: um lápis, uma pena, um registo, tudo lhe fazia conta; o dinheiro que apurava
empregava sempre do pior modo que podia. Logo no fim dos primeiros cinco dias de escola
declarou ao padrinho que já sabia as ruas, e não precisava mais de que ele o acompanhasse;
no primeiro dia em que o padrinho anuiu a que ele fosse sozinho fez uma tremenda gazeta;
tomou depois gosto a esse hábito, e em pouco tempo adquiriu entre os companheiros o
apelido de gazeta-mor da escola, o que também queria dizer apanha-bolos-mor. Um dos
principais pontos em que ele passava alegremente as manhãs e tardes em que fugia à escola
era a igreja da Sé. O leitor compreende bem que isto não era de modo algum inclinação
religiosa; na Sé à missa, e mesmo fora disso, reunia-se gente, sobretudo mulheres de
mantilha, de quem tomara particular zanguinha por causa da semelhança com a madrinha
(...).
Este uso da mantilha era um arremedo do uso espanhol; porém a mantilha espanhola, temos
ouvido dizer, é uma coisa poética que reveste as mulheres de um certo mistério, e que lhes
realça a beleza; a mantilha das nossas mulheres, não; era a coisa mais prosaica que se pode
imaginar, especialmente quando as que as traziam eram baixas e gordas como a comadre. A
mais brilhante festa religiosa (que eram as mais freqüentadas então) tomava um aspecto
lúgubre logo que a igreja se enchia daqueles vultos negros, que se uniam uns aos outros,
que
se inclinavam cochichando a cada momento.
Mas a mantilha era o traje mais conveniente aos costumes da época; sendo as ações dos
outros o principal cuidado de quase todos, era muito necessário ver sem ser visto. A
mantilha para as mulheres estava na razão das rótulas para as casas; eram o observatório da
vida alheia.
(ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. 16. ed., São
Paulo: Ática, 1989, p. 26-41).
No estilo de Manuel Antônio de Almeida, à intenção crítica, irônica, associa-se o apelo ao
registro coloquial. Considerando-se os fragmentos abaixo:
I."fez uma tremenda gazeta..."
II."na Sé à missa (...), reunia-se gente, ..."
III."era tido na escola pelo mais refinado velhaco..."
IV."A mais brilhante festa religiosa (...) tomava um aspecto lúgubre..."
verifica-se o tom coloquial em
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I e IV.
Questão 41
(UFPA)
E O BICHO BICHOU
A Mocidade Independente de Padre Miguel desfila portentosa no Sambódromo. Em meio
ao foguetório e à bateria, desfralda-se nas arquibancadas a enorme faixa: "O Senhor é meu
Castor, nada me pode faltar". De seu camarote, o benfeitor da escola, o bicheiro Castor de
Andrade, sorri e saúda a multidão com seu chapéu panamá. Corria o carnaval de 1993, o
último ano de ouro vivido por esse bicheiro elegante, contraventor há três gerações.
Passados dois meses de sua morte, o jogo do bicho enfrenta uma crise sem precedentes.
Seus líderes perdem dinheiro sem parar. As Mercedes e os BMW continuam a rodar, mas
os impérios encolhem e perdem súditos.
Os sorrisos fenecem nos lábios dos contraventores. Eles sabem, mais do que ninguém, que
o bicho está anêmico. Já vai longe o tempo em que a contravenção empregava tanta gente
quanto a indústria naval do Rio de Janeiro.
( Revista Veja, n º 23 , 11.06.97)
Sobre o texto E O BICHO BICHOU, somente está correta a afirmativa
a) é um texto em que predomina a função fática
b) o foco informativo do texto é a morte do conhecido bicheiro Castor de Andrade
c) as aspas assinalam a presença de discurso direto em "O Senhor é meu Castor, nada me
pode faltar"
d) na construção do título, o autor fez uso de palavras cognatas: bicho e bichou
e) a frase "O Senhor é meu Castor, nada me pode faltar", referida no texto, é uma paráfrase
de "O Senhor é o meu pastor, nada me pode faltar"
Questão 42
(UFPA)
E O BICHO BICHOU
A Mocidade Independente de Padre Miguel desfila portentosa no Sambódromo. Em meio
ao foguetório e à bateria, desfralda-se nas arquibancadas a enorme faixa: "O Senhor é meu
Castor, nada me pode faltar". De seu camarote, o benfeitor da escola, o bicheiro Castor de
Andrade, sorri e saúda a multidão com seu chapéu panamá. Corria o carnaval de 1993, o
último ano de ouro vivido por esse bicheiro elegante, contraventor há três gerações.
Passados dois meses de sua morte, o jogo do bicho enfrenta uma crise sem precedentes.
Seus líderes perdem dinheiro sem parar. As Mercedes e os BMW continuam a rodar, mas
os impérios encolhem e perdem súditos.
Os sorrisos fenecem nos lábios dos contraventores. Eles sabem, mais do que ninguém, que
o bicho está anêmico. Já vai longe o tempo em que a contravenção empregava tanta gente
quanto a indústria naval do Rio de Janeiro.
( Revista Veja, n º 23 , 11.06.97)
O trecho em que a decadência do jogo do bicho está expressa por metáfora é
a) "Corria o carnaval de 1993, o último ano de ouro vivido por esse bicheiro elegante."
b) "Passados dois meses de sua morte, o jogo do bicho enfrenta uma crise sem
precedentes."
c) " Seus líderes perdem dinheiro sem parar."
d) "Os sorrisos fenecem nos lábios dos contraventores. Eles sabem, mais do que ninguém,
que o bicho está anêmico."
e) "Já vai longe o tempo em que a contravenção empregava tanta gente quanto a indústria
naval do Rio de Janeiro."
Questão 43
(UFPA)
E O BICHO BICHOU
A Mocidade Independente de Padre Miguel desfila portentosa no Sambódromo. Em meio
ao foguetório e à bateria, desfralda-se nas arquibancadas a enorme faixa: "O Senhor é meu
Castor, nada me pode faltar". De seu camarote, o benfeitor da escola, o bicheiro Castor de
Andrade, sorri e saúda a multidão com seu chapéu panamá. Corria o carnaval de 1993, o
último ano de ouro vivido por esse bicheiro elegante, contraventor há três gerações.
Passados dois meses de sua morte, o jogo do bicho enfrenta uma crise sem precedentes.
Seus líderes perdem dinheiro sem parar. As Mercedes e os BMW continuam a rodar, mas
os impérios encolhem e perdem súditos.
Os sorrisos fenecem nos lábios dos contraventores. Eles sabem, mais do que ninguém, que
o bicho está anêmico. Já vai longe o tempo em que a contravenção empregava tanta gente
quanto a indústria naval do Rio de Janeiro.
( Revista Veja, n º 23 , 11.06.97)
O tempo do presente do indicativo, que é predominante no texto, está empregado com valor
semântico de tempo passado na alternativa
a) "A Mocidade Independente de Padre Miguel desfila portentosa no Sambódromo."
b) "Passados dois meses de sua morte, o jogo do bicho enfrenta uma crise sem
precedentes."
c) "Seus líderes perdem dinheiro sem parar."
d) "As Mercedes e os BMW continuam a rodar, mas os impérios encolhem e perdem
súditos"
e) "Os sorrisos fenecem nos lábios dos contraventores, que sabem, mais do ninguém, que o
bicho está anêmico."
Questão 44
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
O título que melhor sintetiza o texto é:
a) Reforma ortográfica: necessidade recorrente.
b) Reforma ortográfica: alterações no tempo e no espaço.
c) Reforma ortográfica: obsessão dos gramáticos.
d) Reforma ortográfica: ação inútil e frívola.
Questão 45
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
Uma função dos dois primeiros parágrafos do texto é
a) reproduzir o conteúdo do terceiro parágrafo.
b) fornecer o contexto para o terceiro parágrafo.
c) sintetizar as informações presentes no terceiro parágrafo.
d) explicar as idéias do terceiro parágrafo.
Questão 46
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
O objetivo da reforma ortográfica aprovada pelo Senado Federal é
a) fazer coincidir a fala com a escrita.
b) dinamizar o ensino do Português.
c) simplificar a Língua Portuguesa.
d) aproximar as grafias do Português do Brasil e de Portugal.
Questão 47
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
Em todas as alternativas, as palavras destacadas estão corretamente interpretadas,
EXCETO em
a) O último argumento dos propugnadores da reforma (...)
propugnadores = defensores
b) (...) ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume (...)
incólume = ilesa
c) (...) quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto menos interferências
arbitrárias sofrer.
arbitrárias = injustas
d) (...) e a comparação não é fortuita.
fortuita = acidental
Questão 48
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
Todas as alternativas contêm afirmações que podem ser confirmadas pelo texto, EXCETO
a) O uso da língua é que define o certo e o errado.
b) A língua é uma herança sócio-cultural.
c) O autor apresenta argumentos lingüísticos e não-lingüísticos.
d) A coincidência completa entre a fala e a escrita é viável.
Questão 49
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
Em todas as alternativas, as afirmações que acompanham as frases do texto são pertinentes,
EXCETO em
a) Querer que a grafia coincida sempre com a pronúncia é como correr atrás do arco-íris,
e a comparação não é fortuita, pois uma língua é uma coisa bela, mutável e misteriosa
como um arco-íris.
O articulador "pois" e a vírgula que o precede podem ser substituídos por dois pontos, sem
que se altere a relação entre as idéias.
b) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro?
A frase utiliza recursos da linguagem coloquial.
c) (...) seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou "receção" (que ele só conhece, e
bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da economia).
O articulador "que" remete a dois termos antecedentes.
d) E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a largura
das gravatas?
O paralelismo entre elementos não afins cria uma enumeração inusitada.
Questão 50
(UFMG) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos
juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto
de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa
da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a
largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher,
mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco
Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de
destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta
mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a
capital federal, o número de estados, o número de municípios e até o nome do país, que já
foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
"Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos.
Querem mexer na pátria. Quando mexem no modo de escrever o idioma, põem a mão num
espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão
que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa.
É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971- muita reforma, para pouco
tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou
para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever
"ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro,
porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à
lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e
não "egício", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque,
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o
caso das reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia
muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode
dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder"
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com
a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua
é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma
violência fazer um português escrever "fato" quando fala "facto", ou "recepção" quando
fala "receção", da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever "facto" ou
"receção" (que ele só conhece, e bem, com dois ss, no sentido de inferno astral da
economia). Deixou-se, então, que cada um continuasse a escrever como está acostumado,
no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la?
Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que
adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é
que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600, entre as cerca de 110.000 palavras da
Língua Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que
fazê-la?
Fala-se que a reforma simplifica o idioma e, assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
representação escrita da língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à
outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto
menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95.
Texto adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da
COPEVE/UFMG.
Todas as alternativas contêm trechos que, no texto, apresentam imprecisão do agente da
ação verbal, EXCETO
a) Já não basta os prefeitos, como imperadores, tentarem mudar o nome de
avenidas cruciais (...)?
b) Já não basta mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que
emagrece?
c) Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma.
d) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro?
Questão 51
(UFMG) Com relação à religiosidade popular, a atitude presente no livro Novos poemas, de
Jorge Lima, é de
a) irreverência impiedosa.
b) crítica ideológica.
c) tolerância condescendente.
d) adesão afetuosa.
Questão 52
(PUC-PR) Apesar de morar nos Estados Unidos há dezessete anos, ser casado com uma
americana e ter dois filhos nascidos em San Diego, Califórnia, Joaquim Cruz preserva o
cordão umbilical com o seu Brasil. Não com o andar de cima de Brasília, às voltas com
grampos e contas misteriosas no exterior, mas com o andar de baixo da cidade-satélite de
Taguatinga, onde seu pai, carpinteiro, foi tentar a vida nos anos 60, vindo do Piauí. Ali, a
garotada cresce descalça ainda hoje. Joaquim está com 35 anos de idade, tem lugar cativo
na história do esporte mundial, além de uma medalha de ouro olímpico (com quebra de
recorde) e outra de prata na gaveta. Mas não esquece o quanto um par de tênis na hora
certa, com o incentivo correto, pode tirar da rua um menino como o que ele foi. Ele se
lembra do primeiro tênis Conga, que ganhou do técnico Luís Alberto de Oliveira, como
muitos se lembram da primeira namorada.
(Dorrit Harazim. "O tênis do Joaquim", Veja, 2 dez.1998)
Tomando como base o mesmo texto, assinale a alternativa que identifica a característica
que aproxima essa reportagem do discurso literário:
a) A transformação do atleta real, Joaquim Cruz, em herói, uma espécie de protetor dos
desvalidos.
b) O uso freqüente de metáforas e imagens como, por exemplo, "andar de cima/andar de
baixo", "primeira namorada".
c) O conflito existente entre o passado de miséria e o presente de riqueza e fama.
d) O jogo temporal entre presente e passado, visando a mostrar a vida como surpreendente.
e) A atitude do narrador que toma o partido do protagonista e mostra nos adjetivos e nas
comparações o quanto Joaquim Cruz é diferente dos atletas em geral.
Questão 53
(PUC-PR) A respeito do livro Bagagem, é possível afirmar:
I - Os poemas têm uma acentuada tendência confessional em que estão inseridos os temas
da condição feminina, da presença de divindade e realidade percebida por intermédio dos
sentidos.
II - A poesia de Adélia Prado mostra, neste primeiro livro, sua inter-relação com a
simplicidade e a cotidiani-dade da poesia de Manuel Bandeira, e com a mineiridade e a
reflexão existencial de Carlos Drummond de Andrade.
III - Os poemas a respeito da mulher têm acentuado caráter feminista, isto é, defendem com
veemência a participação social e política da mulher na conservadora sociedade mineira,
espaço privilegiado da poesia de Adélia Prado.
IV - A poética da escritora é resultado da admirável fusão das vanguardas européias fragmentação do verso e das palavras, temática do inconsciente, visualidade e rapidez com
a tradição da poesia mineira o barroco, o apego ao doméstico e a idealização do feminino.
São corretas:
a) I, II, III e IV.
b) apenas I e II.
c) apenas III e IV.
d) apenas II, III e IV.
e) apenas I, II e IV.
Questão 54
(PUC-PR) (1) Servidores recebem salário de dezembro em dois pagamentos. (2) O
Ministério da Administração informou ontem, através de nota oficial, que o pagamento do
salário dos servidores públicos referente a dezembro será feito neste ano em duas parcelas.
(3) A primeira, equivalente a 30% da remuneração, será depositada no dia 18 de dezembro
próximo. (4) A segunda, de 70%, no dia 5 de janeiro de 1999. (5) A nota informa que o
parcelamento está sendo feito em caráter excepcional e amparado em orientação da
Secretaria do Tesouro Nacional. (Gazeta do Povo, 24.11.98)
Sem contar com a data da edição do jornal, sabe-se que a nota oficial foi escrita em mês
anterior a dezembro, assim que se ler a frase:
a) 1.
b) 2.
c) 3.
d) 4.
e) 5.
Questão 55
(PUC-PR) (1) Servidores recebem salário de dezembro em dois pagamentos. (2) O
Ministério da Administração informou ontem, através de nota oficial, que o pagamento do
salário dos servidores públicos referente a dezembro será feito neste ano em duas parcelas.
(3) A primeira, equivalente a 30% da remuneração, será depositada no dia 18 de dezembro
próximo. (4) A segunda, de 70%, no dia 5 de janeiro de 1999. (5) A nota informa que o
parcelamento está sendo feito em caráter excepcional e amparado em orientação da
Secretaria do Tesouro Nacional. (Gazeta do Povo, 24.11.98)
Sabe-se claramente que o parcelamento não será estendido a outros meses do ano, pelo que
consta na frase:
a) 1.
b) 2.
c) 3.
d) 4.
e) 5.
Questão 56
(PUC-PR) (1) Servidores recebem salário de dezembro em dois pagamentos. (2) O
Ministério da Administração informou ontem, através de nota oficial, que o pagamento do
salário dos servidores públicos referente a dezembro será feito neste ano em duas parcelas.
(3) A primeira, equivalente a 30% da remuneração, será depositada no dia 18 de dezembro
próximo. (4) A segunda, de 70%, no dia 5 de janeiro de 1999. (5) A nota informa que o
parcelamento está sendo feito em caráter excepcional e amparado em orientação da
Secretaria do Tesouro Nacional. (Gazeta do Povo, 24.11.98)
Ainda que, com outras palavras, este texto apresenta duas vezes a mesma informação, nas
frases:
a) 1 e 2.
b) 2 e 3.
c) 3 e 4.
d) 4 e 5.
e) 5 e 2.
Questão 57
(PUC-PR) (1) Servidores recebem salário de dezembro em dois pagamentos. (2) O
Ministério da Administração informou ontem, através de nota oficial, que o pagamento do
salário dos servidores públicos referente a dezembro será feito neste ano em duas parcelas.
(3) A primeira, equivalente a 30% da remuneração, será depositada no dia 18 de dezembro
próximo. (4) A segunda, de 70%, no dia 5 de janeiro de 1999. (5) A nota informa que o
parcelamento está sendo feito em caráter excepcional e amparado em orientação da
Secretaria do Tesouro Nacional. (Gazeta do Povo, 24.11.98)
O pagamento do salário dos servidores será feito por banco, conforme se conclui da frase:
a) 1.
b) 2.
c) 3.
d) 4.
e) 5.
Questão 58
(PUC-PR) (1) Servidores recebem salário de dezembro em dois pagamentos. (2) O
Ministério da Administração informou ontem, através de nota oficial, que o pagamento do
salário dos servidores públicos referente a dezembro será feito neste ano em duas parcelas.
(3) A primeira, equivalente a 30% da remuneração, será depositada no dia 18 de dezembro
próximo. (4) A segunda, de 70%, no dia 5 de janeiro de 1999. (5) A nota informa que o
parcelamento está sendo feito em caráter excepcional e amparado em orientação da
Secretaria do Tesouro Nacional. (Gazeta do Povo, 24.11.98)
Pode-se constatar no texto um erro:
a) de ortografia.
b) de acentuação.
c) de pontuação.
d) de concordância.
e) de sintaxe.
Questão 59
(PUC-RS)
01Todo mundo tem (ou conhece
02alguém que tem) um Tamagotchi. O
03animal de estimação eletrônico virou
04mania. Habitante de um miniaparelho,
05misto de chaveiro e computador, o bicho é
06na verdade um ser inexistente. Só o que
07 se tem dele são sinais: de fome, sono,
08carência afetiva. Apertando botõezinhos, é
09possível saciar-lhe as necessidades e os
10 desejos. Na tela minúscula, surge então
11um sorriso, indicando que o mascote está
12 feliz. O dono, sempre uma criança (de
13qualquer idade), sente-se grandioso,
14provedor de carinho e cuidado. Pensa que
15 cuida do bicho – mas é o bicho quem
16cuida dele (e de suas ansiedades).
17O novo brinquedo é a síntese da
18 nossa era, que é mediada e ordenada por
19 telas luminosas. Não apenas a microtela
20do bichinho, mas a tela do computador, do
21painel eletrônico do automóvel, das linhas
22verdes de monitoramento cardíaco. Tudo
23 se organiza como um complexo indivisível,
24um Tamagotchi planetário. O caixa
25 eletrônico avisa que a conta está no
26vermelho: é preciso um depósito para que ela
27fique contente. A televisão não pára
28de insistir: é Dia dos Pais, ai de quem se
29esquecer do presente. A tela do telefone
30celular dá conta de que a pilha está fraca.
31No monitor do micro, pisca a mensagem
32não lida.
33Do outro lado das telas que
34 comandam o dia-a-dia de qualquer um,
35outros milhões de uns quaisquer. Um
36parente, um chefe, um amigo, um cliente,
37um desconhecido... a(s) namorada(s).
38Todos virtualizados. Além das contas a
39pagar e dos recados inúteis, também as
40demandas emocionais navegam pela teia
41 eletrônica. E a isto se reduz o
42relacionamento humano: a uma troca de
43estímulos digitalizados e respostas idem.
(Adaptado de: BUCCI, Eugênio. Veja, 13 de agosto de 1997, p.16.)
A expressão que não reapresenta diretamente "um Tamagotchi" (linha 02) ao longo do
texto é:
a) "O animal de estimação eletrônico" (linhas 02 e 03).
b) "lhe" (linha 09).
c) "o mascote" (linha 11).
d) "o bicho" (linha 15).
e) "um Tamagotchi planetário" (linha 24).
Questão 60
(PUC-RS)
01Todo mundo tem (ou conhece
02alguém que tem) um Tamagotchi. O
03animal de estimação eletrônico virou
04mania. Habitante de um miniaparelho,
05misto de chaveiro e computador, o bicho é
06na verdade um ser inexistente. Só o que
07 se tem dele são sinais: de fome, sono,
08carência afetiva. Apertando botõezinhos, é
09possível saciar-lhe as necessidades e os
10 desejos. Na tela minúscula, surge então
11um sorriso, indicando que o mascote está
12 feliz. O dono, sempre uma criança (de
13qualquer idade), sente-se grandioso,
14provedor de carinho e cuidado. Pensa que
15 cuida do bicho – mas é o bicho quem
16cuida dele (e de suas ansiedades).
17O novo brinquedo é a síntese da
18 nossa era, que é mediada e ordenada por
19 telas luminosas. Não apenas a microtela
20do bichinho, mas a tela do computador, do
21painel eletrônico do automóvel, das linhas
22verdes de monitoramento cardíaco. Tudo
23 se organiza como um complexo indivisível,
24um Tamagotchi planetário. O caixa
25 eletrônico avisa que a conta está no
26vermelho: é preciso um depósito para que ela
27fique contente. A televisão não pára
28de insistir: é Dia dos Pais, ai de quem se
29esquecer do presente. A tela do telefone
30celular dá conta de que a pilha está fraca.
31No monitor do micro, pisca a mensagem
32não lida.
33Do outro lado das telas que
34 comandam o dia-a-dia de qualquer um,
35outros milhões de uns quaisquer. Um
36parente, um chefe, um amigo, um cliente,
37um desconhecido... a(s) namorada(s).
38Todos virtualizados. Além das contas a
39pagar e dos recados inúteis, também as
40demandas emocionais navegam pela teia
41 eletrônica. E a isto se reduz o
42relacionamento humano: a uma troca de
43estímulos digitalizados e respostas idem.
(Adaptado de: BUCCI, Eugênio. Veja, 13 de agosto de 1997, p.16.)
Para responder à questão , considere as afirmativas que as antecedem.
I. Palavras como "miniaparelho" (linha 04), "botõezinhos" (linha 08) e "criança" (linha 12)
ressaltam a insignificância da máquina diante da onipotência do homem.
II. A palavra "Só" (linha 06) atenua a força do comentário sobre a relação das crianças com
o Tamagotchi.
III. A tendência a interagir com a máquina como ser humano é evidenciada pelas
expressões "carência afetiva" (linha 08) e "para que ela fique contente" (linhas 26 e 27).
IV. A expressão "uns quaisquer" (linha 35) remete à impessoalidade da comunicação
eletrônica.
De acordo com as afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:
a) I e II
b) II e III
c) III e IV
d) I, II e III
e) II, III e IV
Questão 61
(PUC-RS)
TEXTO 01
01Num país como o Brasil, onde a
02pobreza faz com que a televisão seja a
03principal fonte de informação e
04entretenimento, ela desempenha um papel
05fundamental na vida de milhões e milhões
06de pessoas. A televisão não é um espelho
07neutro, objetivo, do que se passa na
08sociedade. Ela também contribui para
09divulgar modelos de comportamento,
10orientar atitudes e impor padrões de
11moralidade. Novelas, noticiários, filmes,
12programas humorísticos entram nas casas
13e seus personagens, conflitos e problemas
14passam a fazer parte da vida das pessoas.
15É um poder formidável que, exercido com
16sabedoria, além de divertir e entreter,
17serviria para melhorar o país.
18passado já ensinou que a censura
19não é, nem de longe, a maneira mais
20adequada de se ter uma programação
21melhor. A censura serviu tão-somente para
22desinformar a população, acobertar crimes
23e manter no poder políticos que chegaram
24a ele sem ter sido eleitos. A boa televisão
25só pode existir com liberdade. Entretanto,
26nos últimos tempos, diversas vozes vêm
27protestando contra os excessos cometidos
28pelas emissoras de televisão. Não é
29preciso ser um extremista puritano para
30perceber que, muitas vezes, cenas de
31violência gratuita, erotismo e grotesca
32vulgaridade são mostradas em profusão,
33bem cedo na noite. A alternativa do
34telespectador pode ser a de mudar de
35canal, mas quando a concorrência entre as
36emissoras se acirra, o nível mais baixo
37costuma se tornar norma. Se a censura
38não é o caminho, o que fazer diante
39da apelação?
(Veja, Carta ao leitor, 10 de fevereiro de 1993, p.17.)
TEXTO 02
01Todo mundo tem (ou conhece
02alguém que tem) um Tamagotchi. O
03animal de estimação eletrônico virou
04mania. Habitante de um miniaparelho,
05misto de chaveiro e computador, o bicho é
06na verdade um ser inexistente. Só o que
07 se tem dele são sinais: de fome, sono,
08carência afetiva. Apertando botõezinhos, é
09possível saciar-lhe as necessidades e os
10 desejos. Na tela minúscula, surge então
11um sorriso, indicando que o mascote está
12 feliz. O dono, sempre uma criança (de
13qualquer idade), sente-se grandioso,
14provedor de carinho e cuidado. Pensa que
15 cuida do bicho – mas é o bicho quem
16cuida dele (e de suas ansiedades).
17O novo brinquedo é a síntese da
18 nossa era, que é mediada e ordenada por
19 telas luminosas. Não apenas a microtela
20do bichinho, mas a tela do computador, do
21painel eletrônico do automóvel, das linhas
22verdes de monitoramento cardíaco. Tudo
23 se organiza como um complexo indivisível,
24um Tamagotchi planetário. O caixa
25 eletrônico avisa que a conta está no
26vermelho: é preciso um depósito para que ela
27fique contente. A televisão não pára
28de insistir: é Dia dos Pais, ai de quem se
29esquecer do presente. A tela do telefone
30celular dá conta de que a pilha está fraca.
31No monitor do micro, pisca a mensagem
32não lida.
33Do outro lado das telas que
34 comandam o dia-a-dia de qualquer um,
35outros milhões de uns quaisquer. Um
36parente, um chefe, um amigo, um cliente,
37um desconhecido... a(s) namorada(s).
38Todos virtualizados. Além das contas a
39pagar e dos recados inúteis, também as
40demandas emocionais navegam pela teia
41 eletrônica. E a isto se reduz o
42relacionamento humano: a uma troca de
43estímulos digitalizados e respostas idem.
(Adaptado de: BUCCI, Eugênio. Veja, 13 de agosto de 1997, p.16.)
Ambos os textos procuram demonstrar que o homem
a) evoluiu excessivamente, sem compar-tilhar os bens conquistados.
b) sente nostalgia do passado, quando a vida era mais simples.
c) protesta veementemente contra os excessos cometidos contra a sua dignidade
d) não sabe usar os recursos de que dispõe para melhorar o país.
e) nem sempre tem condições de controlar a tecnologia que ele mesmo criou.
Questão 62
(PUC-RS) Vila Rica
"O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como brasão.
[...]
Como uma procissão espectral que se move ...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu ...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove."
Para responder à questão analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.
I. Revela uma preocupação com as marcas deixadas pela exploração do ouro.
II. Despreza o recurso de rimas.
III. Mostra a cidade de Ouro Preto de forma idealizada.
IV. Apresenta predomínio de versos construídos de forma direta.
Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa
a) I
b) II
c) I e II
d) II e IV
e) III e IV
Questão 63
(UFPE) O atum é um peixe que se move com agilidade. Ao observarem essa qualidade do
animal marinho, cientistas do laboratório de Draper, em Massachusetts (EUA), resolveram
desenvolver um atum-robô. O equipamento fará o trabalho de um submarino espião no
fundo do mar, levantando dados sobre as defesas inimigas. O robô também deverá ajudar
nas pesquisas sobre biologia marinha. O protótipo tem 2,5 metros e move- se com a rapidez
do atum. Os pesquisadores acreditam que em cinco anos ele poderá substituir os
submarinos convencionais.
Isto É, 2 a 8 de agosto de 1998.
Baseados no texto 1, podemos afirmar que:
1) o atum-robô foi criado pelos cientistas para desempenhar apenas uma função.
2) a observação da agilidade do atum resultou na invenção de um novo equipamento
submarino.
3) em um prazo relativamente curto, os submarinos convencionais deverão contribuir para
as investigações sobre a vida dos seres vivos no mar.
4) pesquisas científicas prevêem alterações nos equipamentos de espionagem marinha.
Está(ão) correta(s):
a) 1,2,3 e 4
b) 2 e 4 apenas
c) 1e 3 apenas
d) 2,3 e 4 apenas
e) 2 apenas
Questão 64
(UFPE) O atum é um peixe que se move com agilidade. Ao observarem essa qualidade do
animal marinho, cientistas do laboratório de Draper, em Massachusetts (EUA), resolveram
desenvolver um atum-robô. O equipamento fará o trabalho de um submarino espião no
fundo do mar, levantando dados sobre as defesas inimigas. O robô também deverá ajudar
nas pesquisas sobre biologia marinha. O protótipo tem 2,5 metros e move- se com a rapidez
do atum. Os pesquisadores acreditam que em cinco anos ele poderá substituir os
submarinos convencionais.
Isto É, 2 a 8 de agosto de 1998.
Ainda em relação ao texto anterior, podemos afirmar que:
1) os vocábulos "agilidade" e "rapidez" estão em relação de sinonímia.
2) as expressões "o equipamento" e "o protótipo" substituem a expressão anterior "atumrobô".
3) o pronome "ele", no final do texto, substitui a expressão inicial "o atum".
4) as formas verbais "observarem" e "resolveram desenvolver" têm sujeitos diferentes.
5) a expressão "animal marinho" substitui a expressão inicial "atum".
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 1,2,3 e 4
b) 1,2 e 3
c) 1 e 2
d) 1,2 e 5
e) 5
Questão 65
(UFPE) OSSOS DO OFÍCIO DO ÓCIO
Férias e períodos extensos de relaxamento fazem a inteligência diminuir em até um quinto.
A afirmação é do pesquisador alemão Siegfried Lehrl, da Universi- dade de Erlangen. Ele
mediu a atividade intelectual de turistas e descobriu que a falta de exercício mental faz com
que as células do lóbulo frontal do cérebro comecem a se atrofiar. "Em cinco dias, o Q.I.
cai 5%. Em três semanas, 20%", avisa Lehrl. O pesquisador talvez tenha passado muito
tempo em férias e sem fazer nada para criar tal teoria.
(Isto É, 19 a 25 de abril de 1998.)
A propósito desse texto, a única alternativa INCORRETA é:
a) a expressão "ossos do ofício" significa "encargos ou dificuldades inerentes ao exercício
de uma tarefa, emprego ou profissão."
b) o comentário do jornalista, no final do texto, sugere descrença e até uma certa ironia
quanto à informação dada.
c) a informação central desse texto poderia ser resumida assim: pesquisador admite que a
carência de exercício mental debilita a inteligência.
d) a julgar pelo comentário final do jornalista, o resul-tado da pesquisa merece inteira
credibilidade.
e) "Em cinco dias, o Q.I. cai 5%. Em três semanas, 20%." A segunda vírgula desse
fragmento indica a supressão de um termo.
Questão 66
(UFPE) "A globalização financeira se acentuou a partir da década de 70, impulsionada
pelo computador e pelas telecomunicações. Ainda mais interligados, os mercados reagem
de forma sincronizada."
A partir desse enunciado, podemos concluir que:
1) a informática e a comunicação a distância fortaleceram a globalização financeira, desde
os anos 70.
2) a informática e a comunicação a distância atenuaram a globalização financeira.
3) a interligação entre os mercados provoca reações simultâneas.
4) os mercados financeiros reagem sincronicamente contra a globalização.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 3 e 4
b) 1 e 3
c) 1,2 e 3
d) 3
e) 2 e 4
Questão 67
(UFPE) Quais dos versos abaixo repetem a idéia dos quadrinhos de Garfield?
1) Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
......................................................................
Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles)
2) Sorri quando a dor te torturar
Quando nada mais restar de teus dias risonhos,
Sorri, quando tudo terminar
......................................................
todo mundo irá supor que és feliz.
(Smile - versão de João de Barros)
3) Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face.
(Raimundo Correia)
4) Pierrot, onde está teu amor?
O veludo negro de tua fantasia traduz a tua dor.
(Frevo canção – Nelson Ferreira
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 1,2 e 3
b) 1,3 e 4
c) 2 e 3
d) 2,3 e 4
e) 1
Questão 68
(PUC-MG) AS PRÁTICAS ESCOLARES DE LEITURA
Na escola, tal como a conhecemos, a leitura de textos nunca deixou de estar presente, em
qualquer das disciplinas que nela se ministram (técnicas ou não). Mas é no interior daquela
disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos (as aulas de língua e
literatura) que esta prática é mais surpreendente. Nas aulas de português, a presença da
leitura tem tido um objetivo muito particular: o da transformação do texto que se lê em
modelo, isto por diferentes caminhos:
a) O texto transformado em objeto de uma leitura vozeada (ou da oralização do texto
escrito), em que se lê para "provar" que se sabe ler. Recomendava-se, em geral, que o
próprio professor fizesse uma leitura em voz alta do texto, e depois solicitasse que seus
alunos lessem o texto: aluno por aluno (às vezes sadicamente, aquele aluno que o professor
percebe estar com a alma vagando longe da sala de aula) vão lendo partes do texto. Lê
melhor aquele que melhor se aproxima do modelo de leitura dado: a leitura do professor.
Evidentemente, trata-se hoje de uma prática felizmente já ausente das aulas
contemporâneas;
b) O texto transformado em objeto de uma imitação. A leitura nada mais é do que a
motivação para a produção de outros textos pelo aluno. Com ela, dois resultados podem ser
perseguidos: ou que o aluno escreva outro texto tratando do mesmo tema (ainda que tal
tema lhe seja distante) ou que o aluno tome o texto como modelo formal para escrever,
sobre outro tema, mas na forma do texto lido (e os alunos então escrevem poesias, crônicas,
contos, fábulas, etc., sempre de acordo com o modelo a ser seguido);
c) O texto transformado em objeto de uma fixação de sentidos. Os sentidos que o professor
ou algum outro leitor privilegiado tenha dado ao texto passam a ser os sentidos do texto. Ao
aluno, em sua leitura do texto, cabe descobrir tais sentidos previamente definidos. Lê
melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto. Não se trata de
o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe fornece associadas
à experiência vivida por ele próprio, mas se trata de o aluno "redescobrir" a leitura
desejada, num exercício de adivinhações que não mobiliza a história de vida do leitor (que
inclui também outras leituras), mas mobiliza apenas sua experiência escolar, que sempre
lhe disse que deve "aproximar-se" do já dado para melhor se safar da tarefa.
Em resumo, estes três tipos de práticas não respondem a qualquer interesse do próprio
leitor: são exercícios de leitura cujos objetivos são para ele incompreensíveis. Afinal, para
que aprender a ler em voz alta, se pretendo ser torneiro mecânico, eletricista, projetista, ou
o que seja? Para que escrever sobre este tema, se sobre ele já escreveu o autor que acabo de
ler e nada tenho de diferente para dizer? Para que aprender a escrever poesias, crônicas,
contos, se não farei nada disso depois? Para que ler o texto que estou lendo, se não
houvesse estas perguntas de interpretação que tenho que responder para me ver "aprovado"
em português?
Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas. O que poderia
ser uma oportunidade de encontros de sujeitos torna-se um meio de estimular operações
mentais (especialmente da memória), e não um meio de, operando mentalmente, produzir
sentidos e, conseqüentemente, construir categorias de compreensão da realidade vivida a
partir das informações e opiniões dadas pelo autor do texto lido.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.
Campinas, SP: Mercado de Letras - ALB, 1996, p. 118-120.
Assinale a alternativa em que a frase abaixo tenha sido reformulada de conformidade com
seu sentido no texto.
"Mas é no interior daquela disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos
(as aulas de língua e literatura) que esta prática é mais surpreendente."
a) É nas próprias aulas de língua e literatura que a leitura mais nos apanha de surpresa.
b) No interior da disciplina cujo objeto de estudos é a própria leitura (as aulas de língua e
literatura) esta prática é mais admirável.
c) O mais surpreendente é que haja prática de leitura na própria disciplina que a teria como
objeto, isto é, nas aulas de língua e literatura.
d) É espantoso o modo como se põe em prática a leitura nas aulas de língua e literatura justamente aquelas que a têm como seu objeto.
e) Mas é no interior daquela matéria que teria a própria leitura como seu objeto de estudos
(as aulas de língua e literatura) que esta prática produz mais surpresas.
Questão 69
(PUC-MG) AS PRÁTICAS ESCOLARES DE LEITURA
Na escola, tal como a conhecemos, a leitura de textos nunca deixou de estar presente, em
qualquer das disciplinas que nela se ministram (técnicas ou não). Mas é no interior daquela
disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos (as aulas de língua e
literatura) que esta prática é mais surpreendente. Nas aulas de português, a presença da
leitura tem tido um objetivo muito particular: o da transformação do texto que se lê em
modelo, isto por diferentes caminhos:
a) O texto transformado em objeto de uma leitura vozeada (ou da oralização do texto
escrito), em que se lê para "provar" que se sabe ler. Recomendava-se, em geral, que o
próprio professor fizesse uma leitura em voz alta do texto, e depois solicitasse que seus
alunos lessem o texto: aluno por aluno (às vezes sadicamente, aquele aluno que o professor
percebe estar com a alma vagando longe da sala de aula) vão lendo partes do texto. Lê
melhor aquele que melhor se aproxima do modelo de leitura dado: a leitura do professor.
Evidentemente, trata-se hoje de uma prática felizmente já ausente das aulas
contemporâneas;
b) O texto transformado em objeto de uma imitação. A leitura nada mais é do que a
motivação para a produção de outros textos pelo aluno. Com ela, dois resultados podem ser
perseguidos: ou que o aluno escreva outro texto tratando do mesmo tema (ainda que tal
tema lhe seja distante) ou que o aluno tome o texto como modelo formal para escrever,
sobre outro tema, mas na forma do texto lido (e os alunos então escrevem poesias, crônicas,
contos, fábulas, etc., sempre de acordo com o modelo a ser seguido);
c) O texto transformado em objeto de uma fixação de sentidos. Os sentidos que o professor
ou algum outro leitor privilegiado tenha dado ao texto passam a ser os sentidos do texto. Ao
aluno, em sua leitura do texto, cabe descobrir tais sentidos previamente definidos. Lê
melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto. Não se trata de
o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe fornece associadas
à experiência vivida por ele próprio, mas se trata de o aluno "redescobrir" a leitura
desejada, num exercício de adivinhações que não mobiliza a história de vida do leitor (que
inclui também outras leituras), mas mobiliza apenas sua experiência escolar, que sempre
lhe disse que deve "aproximar-se" do já dado para melhor se safar da tarefa.
Em resumo, estes três tipos de práticas não respondem a qualquer interesse do próprio
leitor: são exercícios de leitura cujos objetivos são para ele incompreensíveis. Afinal, para
que aprender a ler em voz alta, se pretendo ser torneiro mecânico, eletricista, projetista, ou
o que seja? Para que escrever sobre este tema, se sobre ele já escreveu o autor que acabo de
ler e nada tenho de diferente para dizer? Para que aprender a escrever poesias, crônicas,
contos, se não farei nada disso depois? Para que ler o texto que estou lendo, se não
houvesse estas perguntas de interpretação que tenho que responder para me ver "aprovado"
em português?
Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas. O que poderia
ser uma oportunidade de encontros de sujeitos torna-se um meio de estimular operações
mentais (especialmente da memória), e não um meio de, operando mentalmente, produzir
sentidos e, conseqüentemente, construir categorias de compreensão da realidade vivida a
partir das informações e opiniões dadas pelo autor do texto lido.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.
Campinas, SP: Mercado de Letras - ALB, 1996, p. 118-120.
Todas as alternativas trazem idéias que podem ser inferidas ou confirmadas a partir da
leitura do texto de Geraldi, EXCETO:
a) Não existe um único sentido para o texto.
b) O sentido do texto deve ser construído e não descoberto.
c) A escola não encoraja o aluno a interagir com os textos.
d) As leituras anteriores do aluno interferem nas atuais.
e) O leitor privilegiado é aquele que segue bem os modelos.
Questão 70
(PUC-MG) AS PRÁTICAS ESCOLARES DE LEITURA
Na escola, tal como a conhecemos, a leitura de textos nunca deixou de estar presente, em
qualquer das disciplinas que nela se ministram (técnicas ou não). Mas é no interior daquela
disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos (as aulas de língua e
literatura) que esta prática é mais surpreendente. Nas aulas de português, a presença da
leitura tem tido um objetivo muito particular: o da transformação do texto que se lê em
modelo, isto por diferentes caminhos:
a) O texto transformado em objeto de uma leitura vozeada (ou da oralização do texto
escrito), em que se lê para "provar" que se sabe ler. Recomendava-se, em geral, que o
próprio professor fizesse uma leitura em voz alta do texto, e depois solicitasse que seus
alunos lessem o texto: aluno por aluno (às vezes sadicamente, aquele aluno que o professor
percebe estar com a alma vagando longe da sala de aula) vão lendo partes do texto. Lê
melhor aquele que melhor se aproxima do modelo de leitura dado: a leitura do professor.
Evidentemente, trata-se hoje de uma prática felizmente já ausente das aulas
contemporâneas;
b) O texto transformado em objeto de uma imitação. A leitura nada mais é do que a
motivação para a produção de outros textos pelo aluno. Com ela, dois resultados podem ser
perseguidos: ou que o aluno escreva outro texto tratando do mesmo tema (ainda que tal
tema lhe seja distante) ou que o aluno tome o texto como modelo formal para escrever,
sobre outro tema, mas na forma do texto lido (e os alunos então escrevem poesias, crônicas,
contos, fábulas, etc., sempre de acordo com o modelo a ser seguido);
c) O texto transformado em objeto de uma fixação de sentidos. Os sentidos que o professor
ou algum outro leitor privilegiado tenha dado ao texto passam a ser os sentidos do texto. Ao
aluno, em sua leitura do texto, cabe descobrir tais sentidos previamente definidos. Lê
melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto. Não se trata de
o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe fornece associadas
à experiência vivida por ele próprio, mas se trata de o aluno "redescobrir" a leitura
desejada, num exercício de adivinhações que não mobiliza a história de vida do leitor (que
inclui também outras leituras), mas mobiliza apenas sua experiência escolar, que sempre
lhe disse que deve "aproximar-se" do já dado para melhor se safar da tarefa.
Em resumo, estes três tipos de práticas não respondem a qualquer interesse do próprio
leitor: são exercícios de leitura cujos objetivos são para ele incompreensíveis. Afinal, para
que aprender a ler em voz alta, se pretendo ser torneiro mecânico, eletricista, projetista, ou
o que seja? Para que escrever sobre este tema, se sobre ele já escreveu o autor que acabo de
ler e nada tenho de diferente para dizer? Para que aprender a escrever poesias, crônicas,
contos, se não farei nada disso depois? Para que ler o texto que estou lendo, se não
houvesse estas perguntas de interpretação que tenho que responder para me ver "aprovado"
em português?
Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas. O que poderia
ser uma oportunidade de encontros de sujeitos torna-se um meio de estimular operações
mentais (especialmente da memória), e não um meio de, operando mentalmente, produzir
sentidos e, conseqüentemente, construir categorias de compreensão da realidade vivida a
partir das informações e opiniões dadas pelo autor do texto lido.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.
Campinas, SP: Mercado de Letras - ALB, 1996, p. 118-120.
Indique a alternativa que, de acordo com as idéias expostas no texto de Geraldi, deve ser
considerada a pior conseqüência da modelização com que se pratica a leitura nas aulas de
língua e literatura.
a) A exclusão do aluno e de suas vivências.
b) A supervalorização do professor.
c) A repetição mecânica.
d) A desvalorização do texto.
e) A desatualização da escola.
Questão 71
(PUC-MG) AS PRÁTICAS ESCOLARES DE LEITURA
Na escola, tal como a conhecemos, a leitura de textos nunca deixou de estar presente, em
qualquer das disciplinas que nela se ministram (técnicas ou não). Mas é no interior daquela
disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos (as aulas de língua e
literatura) que esta prática é mais surpreendente. Nas aulas de português, a presença da
leitura tem tido um objetivo muito particular: o da transformação do texto que se lê em
modelo, isto por diferentes caminhos:
a) O texto transformado em objeto de uma leitura vozeada (ou da oralização do texto
escrito), em que se lê para "provar" que se sabe ler. Recomendava-se, em geral, que o
próprio professor fizesse uma leitura em voz alta do texto, e depois solicitasse que seus
alunos lessem o texto: aluno por aluno (às vezes sadicamente, aquele aluno que o professor
percebe estar com a alma vagando longe da sala de aula) vão lendo partes do texto. Lê
melhor aquele que melhor se aproxima do modelo de leitura dado: a leitura do professor.
Evidentemente, trata-se hoje de uma prática felizmente já ausente das aulas
contemporâneas;
b) O texto transformado em objeto de uma imitação. A leitura nada mais é do que a
motivação para a produção de outros textos pelo aluno. Com ela, dois resultados podem ser
perseguidos: ou que o aluno escreva outro texto tratando do mesmo tema (ainda que tal
tema lhe seja distante) ou que o aluno tome o texto como modelo formal para escrever,
sobre outro tema, mas na forma do texto lido (e os alunos então escrevem poesias, crônicas,
contos, fábulas, etc., sempre de acordo com o modelo a ser seguido);
c) O texto transformado em objeto de uma fixação de sentidos. Os sentidos que o professor
ou algum outro leitor privilegiado tenha dado ao texto passam a ser os sentidos do texto. Ao
aluno, em sua leitura do texto, cabe descobrir tais sentidos previamente definidos. Lê
melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto. Não se trata de
o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe fornece associadas
à experiência vivida por ele próprio, mas se trata de o aluno "redescobrir" a leitura
desejada, num exercício de adivinhações que não mobiliza a história de vida do leitor (que
inclui também outras leituras), mas mobiliza apenas sua experiência escolar, que sempre
lhe disse que deve "aproximar-se" do já dado para melhor se safar da tarefa.
Em resumo, estes três tipos de práticas não respondem a qualquer interesse do próprio
leitor: são exercícios de leitura cujos objetivos são para ele incompreensíveis. Afinal, para
que aprender a ler em voz alta, se pretendo ser torneiro mecânico, eletricista, projetista, ou
o que seja? Para que escrever sobre este tema, se sobre ele já escreveu o autor que acabo de
ler e nada tenho de diferente para dizer? Para que aprender a escrever poesias, crônicas,
contos, se não farei nada disso depois? Para que ler o texto que estou lendo, se não
houvesse estas perguntas de interpretação que tenho que responder para me ver "aprovado"
em português?
Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas. O que poderia
ser uma oportunidade de encontros de sujeitos torna-se um meio de estimular operações
mentais (especialmente da memória), e não um meio de, operando mentalmente, produzir
sentidos e, conseqüentemente, construir categorias de compreensão da realidade vivida a
partir das informações e opiniões dadas pelo autor do texto lido.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.
Campinas, SP: Mercado de Letras - ALB, 1996, p. 118-120.
Em todos os trechos a seguir, retirados do texto lido, o autor revela aspectos desejáveis para
a prática da leitura na escola, EXCETO:
a) Não se trata de o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe
fornece associadas à experiência vivida por ele próprio.
b) O que poderia ser uma oportunidade de encontro de sujeitos
c) Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas.
d) e não um meio de, operando mentalmente, produzir sentidos e, conseqüentemente,
construir categorias de compreensão da realidade vivida a partir das informações e opiniões
dadas pelo autor do texto lido.
e) Lê melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto.
Questão 72
(PUC-MG) AS PRÁTICAS ESCOLARES DE LEITURA
Na escola, tal como a conhecemos, a leitura de textos nunca deixou de estar presente, em
qualquer das disciplinas que nela se ministram (técnicas ou não). Mas é no interior daquela
disciplina que teria a própria leitura como seu objeto de estudos (as aulas de língua e
literatura) que esta prática é mais surpreendente. Nas aulas de português, a presença da
leitura tem tido um objetivo muito particular: o da transformação do texto que se lê em
modelo, isto por diferentes caminhos:
a) O texto transformado em objeto de uma leitura vozeada (ou da oralização do texto
escrito), em que se lê para "provar" que se sabe ler. Recomendava-se, em geral, que o
próprio professor fizesse uma leitura em voz alta do texto, e depois solicitasse que seus
alunos lessem o texto: aluno por aluno (às vezes sadicamente, aquele aluno que o professor
percebe estar com a alma vagando longe da sala de aula) vão lendo partes do texto. Lê
melhor aquele que melhor se aproxima do modelo de leitura dado: a leitura do professor.
Evidentemente, trata-se hoje de uma prática felizmente já ausente das aulas
contemporâneas;
b) O texto transformado em objeto de uma imitação. A leitura nada mais é do que a
motivação para a produção de outros textos pelo aluno. Com ela, dois resultados podem ser
perseguidos: ou que o aluno escreva outro texto tratando do mesmo tema (ainda que tal
tema lhe seja distante) ou que o aluno tome o texto como modelo formal para escrever,
sobre outro tema, mas na forma do texto lido (e os alunos então escrevem poesias, crônicas,
contos, fábulas, etc., sempre de acordo com o modelo a ser seguido);
c) O texto transformado em objeto de uma fixação de sentidos. Os sentidos que o professor
ou algum outro leitor privilegiado tenha dado ao texto passam a ser os sentidos do texto. Ao
aluno, em sua leitura do texto, cabe descobrir tais sentidos previamente definidos. Lê
melhor quem mais se aproximar dos sentidos que já se atribuíram ao texto. Não se trata de
o aluno (leitor) construir sentidos do texto a partir das pistas que este lhe fornece associadas
à experiência vivida por ele próprio, mas se trata de o aluno "redescobrir" a leitura
desejada, num exercício de adivinhações que não mobiliza a história de vida do leitor (que
inclui também outras leituras), mas mobiliza apenas sua experiência escolar, que sempre
lhe disse que deve "aproximar-se" do já dado para melhor se safar da tarefa.
Em resumo, estes três tipos de práticas não respondem a qualquer interesse do próprio
leitor: são exercícios de leitura cujos objetivos são para ele incompreensíveis. Afinal, para
que aprender a ler em voz alta, se pretendo ser torneiro mecânico, eletricista, projetista, ou
o que seja? Para que escrever sobre este tema, se sobre ele já escreveu o autor que acabo de
ler e nada tenho de diferente para dizer? Para que aprender a escrever poesias, crônicas,
contos, se não farei nada disso depois? Para que ler o texto que estou lendo, se não
houvesse estas perguntas de interpretação que tenho que responder para me ver "aprovado"
em português?
Não se trata de leituras de sujeitos que, querendo aprender, vão em busca de textos e,
cheios de perguntas próprias, sobre eles se debruçam em busca de respostas. O que poderia
ser uma oportunidade de encontros de sujeitos torna-se um meio de estimular operações
mentais (especialmente da memória), e não um meio de, operando mentalmente, produzir
sentidos e, conseqüentemente, construir categorias de compreensão da realidade vivida a
partir das informações e opiniões dadas pelo autor do texto lido.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação.
Campinas, SP: Mercado de Letras - ALB, 1996, p. 118-120.
No penúltimo parágrafo do texto, encontram-se algumas perguntas supostamente
formuladas por alunos sujeitos à prática de leitura condenada pelo autor. A esse respeito, só
NÃO é possível afirmar que Geraldi julgue que:
a) a escola, muitas vezes, está distante das reais necessidades de seus alunos.
b) a prática de leitura em sala de aula pode ser substituída por outras atividades.
c) as práticas de leitura efetuadas na escola pouco contribuem para o posterior desempenho
profissional dos alunos.
d) os alunos não conseguem vislumbrar as finalidades da prática de leitura a eles imposta.
e) a escrita produzida à sombra de textos lidos muitas vezes se torna uma prática gratuita.
Questão 73
(PUC-MG) Todas as alternativas abaixo apresentam trechos da obra Brás, Bexiga e
Barrafunda, que trazem em destaque expressões que se relacionam a características das
personagens, EXCETO:
a) fazem parte do dia-a-dia paulistano:
"- Diga a ela que eu a espero amanhã de noite, às oito horas, na rua... atrás da Igreja de
Santa Cecília. Mas que ela vá sozinha, hein? Sem você. O barbeirinho também pode ficar
em casa.
Barbeirinho nada! Entregador da Casa Clark!"
b) são nomeados de forma a expressar a relação ítalo-brasileira:
"Depois que os seus olhos cheios de estrabismo e despeito vêem a lanterninha traseira do
Buick desaparecer, Bianca resolve dar um giro pelo bairro. Imaginando cousas. Roendo as
unhas. Nervosíssima.
Logo encontra a Ernestina. Conta tudo à Ernestina."
c) expressam a influência italiana através de estrangeirismo:
"O capital acendeu um charuto. O conselheiro coçou os joelhos disfarçando a emoção. A
negra de broche serviu o café.
Dopo o doutor me dá a resposta. Io só digo isto: penso bem."
d) são parte de um contexto urbano:
"Dem-dem! O bonde deu um solavanco, sacudiu os passageiros, deslizou, rolou, seguiu.
Dem-dem!"
e) inserem-se em uma sociedade violenta:
"A entrada de Lisetta em casa marcou época na história dramática da família Garbone.
Logo na porta um safanão. Depois um tabefe. Outro no corredor. Intervalo de dois minutos.
Foi então a vez das chineladas. Para remate. Que não acabava mais.
resto da gurizada (...) reunido na sala de jantar sapeava de longe."
Questão 74
(PUC-MG) Considere as relações entre os trechos em destaque (A, B, C) e as afirmativas
propostas (I, II, III).
"A"
"Trata-se de um movimento que tenta traduzir lingüisticamente uma nova maneira de
sentir. Baseado na fluidez das intuições, sensações e estados de consciência individuais,
tenta ultrapassar os limites conhecidos da linguagem poética usando para isso os símbolos!"
"B"
"Cróton selvagem, tinhorão lascivo,
planta mortal, carnívora, sangrenta,
da tua carne báquica rebenta
a vermelha explosão de um sangue vivo.
Nesse lábio mordente e convulsivo,
ri, ri risadas de expressão violenta
o amor, trágico e triste, e passa, lenta,
a morte, o espasmo gélido, aflitivo..."
"C"
"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frontes da carnaúba;
Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando
as alvas parais ensombradas de coqueiros;
Serenais, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro
manso resvale à flor das águas."
I. O texto C exemplifica o texto A.
II. O texto C assemelha-se esteticamente ao B.
III. O texto B exemplifica o texto A.
Assinale:
a) se as afirmativas I, II e III estão corretas.
b) se somente a afirmativa I está correta.
c) se somente a afirmativa II está correta.
d) se somente a afirmativa III está correta.
e) se somente as afirmativas I e II estão corretas.
Questão 75
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO DE ACORDO COM O TEXTO
ABAIXO.VOLTE AO TEXTO SEMPRE QUE NECESSÁRIO.
NÃO EXISTEM LÍNGUAS IMUTÁVEIS
Uma das coisas que aprendemos na escola é que o português veio do latim. Ou seja, que o
português é uma língua que não foi sempre o português, não foi sempre como é. Se
estudássemos um pouco mais esse tipo de assunto, aprenderíamos que também o latim é
uma língua que veio de outras línguas, e que o latim provavelmente não foi a língua falada
pelos primeiros seres humanos. Isto é: a) o latim não é uma língua totalmente pura; b) o
latim também é uma língua que não permaneceu sempre igual a si mesma, qualquer que
seja o estágio escolhido para análise; c) as coisas não terminam com um exemplo em latim.
Os fatos, grosseiramente, são da seguinte ordem: 1) o latim nem sempre foi o latim de
Cícero, César, Virgílio, etc. Antes de sê-lo, foi uma língua "pouco cultivada". Em primeiro
lugar, apenas falada; em segundo, falada principalmente por pessoas não cultas, pois não
havia "no início" do latim tais pessoas cultas, como ocorreu mais tarde; 2) depois de ter
sido língua de César, Cícero, etc., o latim mudou tanto que, entre outras coisas, veio a ser o
francês, o italiano, o espanhol, o português, etc.
Ora, o que ocorreu com o latim não ocorreu por castigo ou por azar. Ocorreu com outras
línguas, como o alemão, o inglês, o grego, o português. Na verdade, com todas as línguas.
E continua ocorrendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam.
Esta é uma das poucas verdades indiscutíveis em relação às línguas, sobre a qual não pode
haver nenhuma dúvida.
[....] não há razão de ordem científica para exigir que alunos - ou outras pessoas - conheçam
formas arcaicas, que nunca ouvem e que são raras mesmo nos textos escritos mais
correntes. Dito de outro modo: se temos claro que as línguas mudam, fica claro também por
que os falantes não conhecem certas formas lingüísticas: é que elas não são mais usadas na
época em que os falantes se tornam falantes. Se não são usadas, não são ouvidas. Se não
são ouvidas (e ouvidas muitas vezes), não podem ser aprendidas.
Nós nos acostumamos a pensar que há formas da língua que não são mais usadas, que só os
dicionários registram e, por isso, são chamadas de arcaísmos. Mas nos acostumamos
também a pensar que os arcaísmos são sempre formas realmente antigas. Ora, isso é um
engano. Há arcaísmos mais arcaicos do que outros. Há muitas formas que nós
eventualmente pensamos que ainda são vivas, porque são ensinadas na escola e por isso são
utilizadas eventualmente, mas, na verdade, já estão mortas, ou quase, porque não são mais
usadas regularmente. Por exemplo, quem é que encontra falantes reais que utilizam sempre
as regências de verbos como assistir, visar, preferir, etc. como as gramáticas mandam? O
que estou sugerindo é que, de fato, devemos considerar formas como "assistir ao jogo"
como arcaísmos e, conseqüentemente, formas como assistir o jogo como padrões,
"corretas". Simplesmente por uma razão: no português de hoje, ‘ser espectador de’ se diz
assistir, e não assistir a.
[....] A questão não é, entretanto, saber se há ou não alguém com autoridade (um gramático,
por exemplo) dizendo que agora se pode dizer assim ou assado. Que agora falar assim ou
assado está certo. O argumento interessante é de outra natureza, não o de autoridade. O que
estou afirmando é que os fatos lingüísticos são esses. E que contra tais fatos não adianta
espernear. Se nós espernearmos contra esses fatos, deveríamos espernear contra todas as
formas de mudança, inclusive as que ocorreram nos séculos III, X, XII, XVII, etc. Por que
só os fatos de hoje são ruins e devem ser desprezados? E tem mais: tais fatos podem ser
explicados. Além de poderem ser explicados, eles explicam, por sua vez, por que nossos
alunos (ou nossos vizinhos) falam como falam. Além de, evidentemente, explicarem
também por que nós mesmos falamos assim... Ou seja, explicam por que falar assim não é
errado, mas é simplesmente falar segundo as regras da língua de hoje, do português vivo.
Se pensássemos dessa forma em relação às línguas, sem defender, explícita ou
implicitamente, que as formas antigas são as únicas corretas ou, pelo menos, que são
melhores que as atuais, nossa pedagogia das línguas mudaria. Por exemplo, todos
perceberíamos que gastar um tempo enorme com regências e colocações inusitadas é, a
rigor, inútil. A prova é que a maioria dos que as estudam não aprende tais formas, ou, pelo
menos, não as usa.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: ALB,
Mercado de Letras, 1996, p. 37-40.
Assinale a alternativa em desacordo com o texto.
a) O português, de certo modo, é o resultado de alterações do latim.
b) Mudar é da própria natureza das línguas.
c) Os falantes incultos são responsáveis pela maior parte das mudanças lingüísticas.
d) Encarar a instabilidade das línguas como fato leva-nos a rever o conceito de "certo" e
"errado".
e) Só podem ser espontaneamente aprendidas as formas lingüísticas vivas.
Questão 76
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO DE ACORDO COM O TEXTO ABAIXO.VOLTE
AO TEXTO SEMPRE QUE NECESSÁRIO.
NÃO EXISTEM LÍNGUAS IMUTÁVEIS
Uma das coisas que aprendemos na escola é que o português veio do latim. Ou seja, que o
português é uma língua que não foi sempre o português, não foi sempre como é. Se
estudássemos um pouco mais esse tipo de assunto, aprenderíamos que também o latim é
uma língua que veio de outras línguas, e que o latim provavelmente não foi a língua falada
pelos primeiros seres humanos. Isto é: a) o latim não é uma língua totalmente pura; b) o
latim também é uma língua que não permaneceu sempre igual a si mesma, qualquer que
seja o estágio escolhido para análise; c) as coisas não terminam com um exemplo em latim.
Os fatos, grosseiramente, são da seguinte ordem: 1) o latim nem sempre foi o latim de
Cícero, César, Virgílio, etc. Antes de sê-lo, foi uma língua "pouco cultivada". Em primeiro
lugar, apenas falada; em segundo, falada principalmente por pessoas não cultas, pois não
havia "no início" do latim tais pessoas cultas, como ocorreu mais tarde; 2) depois de ter
sido língua de César, Cícero, etc., o latim mudou tanto que, entre outras coisas, veio a ser o
francês, o italiano, o espanhol, o português, etc.
Ora, o que ocorreu com o latim não ocorreu por castigo ou por azar. Ocorreu com outras
línguas, como o alemão, o inglês, o grego, o português. Na verdade, com todas as línguas.
E continua ocorrendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam.
Esta é uma das poucas verdades indiscutíveis em relação às línguas, sobre a qual não pode
haver nenhuma dúvida.
[....] não há razão de ordem científica para exigir que alunos - ou outras pessoas - conheçam
formas arcaicas, que nunca ouvem e que são raras mesmo nos textos escritos mais
correntes. Dito de outro modo: se temos claro que as línguas mudam, fica claro também por
que os falantes não conhecem certas formas lingüísticas: é que elas não são mais usadas na
época em que os falantes se tornam falantes. Se não são usadas, não são ouvidas. Se não
são ouvidas (e ouvidas muitas vezes), não podem ser aprendidas.
Nós nos acostumamos a pensar que há formas da língua que não são mais usadas, que só os
dicionários registram e, por isso, são chamadas de arcaísmos. Mas nos acostumamos
também a pensar que os arcaísmos são sempre formas realmente antigas. Ora, isso é um
engano. Há arcaísmos mais arcaicos do que outros. Há muitas formas que nós
eventualmente pensamos que ainda são vivas, porque são ensinadas na escola e por isso são
utilizadas eventualmente, mas, na verdade, já estão mortas, ou quase, porque não são mais
usadas regularmente. Por exemplo, quem é que encontra falantes reais que utilizam sempre
as regências de verbos como assistir, visar, preferir, etc. como as gramáticas mandam? O
que estou sugerindo é que, de fato, devemos considerar formas como "assistir ao jogo"
como arcaísmos e, conseqüentemente, formas como assistir o jogo como padrões,
"corretas". Simplesmente por uma razão: no português de hoje, ‘ser espectador de’ se diz
assistir, e não assistir a.
[....] A questão não é, entretanto, saber se há ou não alguém com autoridade (um gramático,
por exemplo) dizendo que agora se pode dizer assim ou assado. Que agora falar assim ou
assado está certo. O argumento interessante é de outra natureza, não o de autoridade. O que
estou afirmando é que os fatos lingüísticos são esses. E que contra tais fatos não adianta
espernear. Se nós espernearmos contra esses fatos, deveríamos espernear contra todas as
formas de mudança, inclusive as que ocorreram nos séculos III, X, XII, XVII, etc. Por que
só os fatos de hoje são ruins e devem ser desprezados? E tem mais: tais fatos podem ser
explicados. Além de poderem ser explicados, eles explicam, por sua vez, por que nossos
alunos (ou nossos vizinhos) falam como falam. Além de, evidentemente, explicarem
também por que nós mesmos falamos assim... Ou seja, explicam por que falar assim não é
errado, mas é simplesmente falar segundo as regras da língua de hoje, do português vivo.
Se pensássemos dessa forma em relação às línguas, sem defender, explícita ou
implicitamente, que as formas antigas são as únicas corretas ou, pelo menos, que são
melhores que as atuais, nossa pedagogia das línguas mudaria. Por exemplo, todos
perceberíamos que gastar um tempo enorme com regências e colocações inusitadas é, a
rigor, inútil. A prova é que a maioria dos que as estudam não aprende tais formas, ou, pelo
menos, não as usa.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: ALB,
Mercado de Letras, 1996, p. 37-40.
Com relação aos arcaísmos, somente está em consonância com o ponto de vista do autor,
no texto, a alternativa:
a) É arcaísmo a forma lingüística que deixou de ser usada regularmente.
b) É arcaísmo a maioria das formas prescritas pela gramática tradicional.
c) É verdadeiramente arcaica apenas a forma dicionarizada como tal.
d) Arcaísmos são as formas a que os falantes cultos deixaram de recorrer.
e) tudo o que é arcaísmo na língua deve ser ensinado como incorreto.
Questão 77
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO DE ACORDO COM O TEXTO ABAIXO.VOLTE
AO TEXTO SEMPRE QUE NECESSÁRIO.
NÃO EXISTEM LÍNGUAS IMUTÁVEIS
Uma das coisas que aprendemos na escola é que o português veio do latim. Ou seja, que o
português é uma língua que não foi sempre o português, não foi sempre como é. Se
estudássemos um pouco mais esse tipo de assunto, aprenderíamos que também o latim é
uma língua que veio de outras línguas, e que o latim provavelmente não foi a língua falada
pelos primeiros seres humanos. Isto é: a) o latim não é uma língua totalmente pura; b) o
latim também é uma língua que não permaneceu sempre igual a si mesma, qualquer que
seja o estágio escolhido para análise; c) as coisas não terminam com um exemplo em latim.
Os fatos, grosseiramente, são da seguinte ordem: 1) o latim nem sempre foi o latim de
Cícero, César, Virgílio, etc. Antes de sê-lo, foi uma língua "pouco cultivada". Em primeiro
lugar, apenas falada; em segundo, falada principalmente por pessoas não cultas, pois não
havia "no início" do latim tais pessoas cultas, como ocorreu mais tarde; 2) depois de ter
sido língua de César, Cícero, etc., o latim mudou tanto que, entre outras coisas, veio a ser o
francês, o italiano, o espanhol, o português, etc.
Ora, o que ocorreu com o latim não ocorreu por castigo ou por azar. Ocorreu com outras
línguas, como o alemão, o inglês, o grego, o português. Na verdade, com todas as línguas.
E continua ocorrendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam.
Esta é uma das poucas verdades indiscutíveis em relação às línguas, sobre a qual não pode
haver nenhuma dúvida.
[....] não há razão de ordem científica para exigir que alunos - ou outras pessoas - conheçam
formas arcaicas, que nunca ouvem e que são raras mesmo nos textos escritos mais
correntes. Dito de outro modo: se temos claro que as línguas mudam, fica claro também por
que os falantes não conhecem certas formas lingüísticas: é que elas não são mais usadas na
época em que os falantes se tornam falantes. Se não são usadas, não são ouvidas. Se não
são ouvidas (e ouvidas muitas vezes), não podem ser aprendidas.
Nós nos acostumamos a pensar que há formas da língua que não são mais usadas, que só os
dicionários registram e, por isso, são chamadas de arcaísmos. Mas nos acostumamos
também a pensar que os arcaísmos são sempre formas realmente antigas. Ora, isso é um
engano. Há arcaísmos mais arcaicos do que outros. Há muitas formas que nós
eventualmente pensamos que ainda são vivas, porque são ensinadas na escola e por isso são
utilizadas eventualmente, mas, na verdade, já estão mortas, ou quase, porque não são mais
usadas regularmente. Por exemplo, quem é que encontra falantes reais que utilizam sempre
as regências de verbos como assistir, visar, preferir, etc. como as gramáticas mandam? O
que estou sugerindo é que, de fato, devemos considerar formas como "assistir ao jogo"
como arcaísmos e, conseqüentemente, formas como assistir o jogo como padrões,
"corretas". Simplesmente por uma razão: no português de hoje, ‘ser espectador de’ se diz
assistir, e não assistir a.
[....] A questão não é, entretanto, saber se há ou não alguém com autoridade (um gramático,
por exemplo) dizendo que agora se pode dizer assim ou assado. Que agora falar assim ou
assado está certo. O argumento interessante é de outra natureza, não o de autoridade. O que
estou afirmando é que os fatos lingüísticos são esses. E que contra tais fatos não adianta
espernear. Se nós espernearmos contra esses fatos, deveríamos espernear contra todas as
formas de mudança, inclusive as que ocorreram nos séculos III, X, XII, XVII, etc. Por que
só os fatos de hoje são ruins e devem ser desprezados? E tem mais: tais fatos podem ser
explicados. Além de poderem ser explicados, eles explicam, por sua vez, por que nossos
alunos (ou nossos vizinhos) falam como falam. Além de, evidentemente, explicarem
também por que nós mesmos falamos assim... Ou seja, explicam por que falar assim não é
errado, mas é simplesmente falar segundo as regras da língua de hoje, do português vivo.
Se pensássemos dessa forma em relação às línguas, sem defender, explícita ou
implicitamente, que as formas antigas são as únicas corretas ou, pelo menos, que são
melhores que as atuais, nossa pedagogia das línguas mudaria. Por exemplo, todos
perceberíamos que gastar um tempo enorme com regências e colocações inusitadas é, a
rigor, inútil. A prova é que a maioria dos que as estudam não aprende tais formas, ou, pelo
menos, não as usa.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: ALB,
Mercado de Letras, 1996, p. 37-40.
Atentando para as idéias defendidas no texto e, também, para a realidade lingüística do
português contemporâneo usado no Brasil, assinale a alternativa que NÃO poderia ser
considerada arcaísmo:
a) a mesóclise.
b) a concordância entre verbo e sujeito.
c) a 2ª pessoa do plural.
d) o verbo VISAR como transitivo indireto.
e) a forma seriíssimo.
Questão 78
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO DE ACORDO COM O TEXTO
ABAIXO.VOLTE AO TEXTO SEMPRE QUE NECESSÁRIO.
NÃO EXISTEM LÍNGUAS IMUTÁVEIS
Uma das coisas que aprendemos na escola é que o português veio do latim. Ou seja, que o
português é uma língua que não foi sempre o português, não foi sempre como é. Se
estudássemos um pouco mais esse tipo de assunto, aprenderíamos que também o latim é
uma língua que veio de outras línguas, e que o latim provavelmente não foi a língua falada
pelos primeiros seres humanos. Isto é: a) o latim não é uma língua totalmente pura; b) o
latim também é uma língua que não permaneceu sempre igual a si mesma, qualquer que
seja o estágio escolhido para análise; c) as coisas não terminam com um exemplo em latim.
Os fatos, grosseiramente, são da seguinte ordem: 1) o latim nem sempre foi o latim de
Cícero, César, Virgílio, etc. Antes de sê-lo, foi uma língua "pouco cultivada". Em primeiro
lugar, apenas falada; em segundo, falada principalmente por pessoas não cultas, pois não
havia "no início" do latim tais pessoas cultas, como ocorreu mais tarde; 2) depois de ter
sido língua de César, Cícero, etc., o latim mudou tanto que, entre outras coisas, veio a ser o
francês, o italiano, o espanhol, o português, etc.
Ora, o que ocorreu com o latim não ocorreu por castigo ou por azar. Ocorreu com outras
línguas, como o alemão, o inglês, o grego, o português. Na verdade, com todas as línguas.
E continua ocorrendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam.
Esta é uma das poucas verdades indiscutíveis em relação às línguas, sobre a qual não pode
haver nenhuma dúvida.
[....] não há razão de ordem científica para exigir que alunos - ou outras pessoas - conheçam
formas arcaicas, que nunca ouvem e que são raras mesmo nos textos escritos mais
correntes. Dito de outro modo: se temos claro que as línguas mudam, fica claro também por
que os falantes não conhecem certas formas lingüísticas: é que elas não são mais usadas na
época em que os falantes se tornam falantes. Se não são usadas, não são ouvidas. Se não
são ouvidas (e ouvidas muitas vezes), não podem ser aprendidas.
Nós nos acostumamos a pensar que há formas da língua que não são mais usadas, que só os
dicionários registram e, por isso, são chamadas de arcaísmos. Mas nos acostumamos
também a pensar que os arcaísmos são sempre formas realmente antigas. Ora, isso é um
engano. Há arcaísmos mais arcaicos do que outros. Há muitas formas que nós
eventualmente pensamos que ainda são vivas, porque são ensinadas na escola e por isso são
utilizadas eventualmente, mas, na verdade, já estão mortas, ou quase, porque não são mais
usadas regularmente. Por exemplo, quem é que encontra falantes reais que utilizam sempre
as regências de verbos como assistir, visar, preferir, etc. como as gramáticas mandam? O
que estou sugerindo é que, de fato, devemos considerar formas como "assistir ao jogo"
como arcaísmos e, conseqüentemente, formas como assistir o jogo como padrões,
"corretas". Simplesmente por uma razão: no português de hoje, ‘ser espectador de’ se diz
assistir, e não assistir a.
[....] A questão não é, entretanto, saber se há ou não alguém com autoridade (um gramático,
por exemplo) dizendo que agora se pode dizer assim ou assado. Que agora falar assim ou
assado está certo. O argumento interessante é de outra natureza, não o de autoridade. O que
estou afirmando é que os fatos lingüísticos são esses. E que contra tais fatos não adianta
espernear. Se nós espernearmos contra esses fatos, deveríamos espernear contra todas as
formas de mudança, inclusive as que ocorreram nos séculos III, X, XII, XVII, etc. Por que
só os fatos de hoje são ruins e devem ser desprezados? E tem mais: tais fatos podem ser
explicados. Além de poderem ser explicados, eles explicam, por sua vez, por que nossos
alunos (ou nossos vizinhos) falam como falam. Além de, evidentemente, explicarem
também por que nós mesmos falamos assim... Ou seja, explicam por que falar assim não é
errado, mas é simplesmente falar segundo as regras da língua de hoje, do português vivo.
Se pensássemos dessa forma em relação às línguas, sem defender, explícita ou
implicitamente, que as formas antigas são as únicas corretas ou, pelo menos, que são
melhores que as atuais, nossa pedagogia das línguas mudaria. Por exemplo, todos
perceberíamos que gastar um tempo enorme com regências e colocações inusitadas é, a
rigor, inútil. A prova é que a maioria dos que as estudam não aprende tais formas, ou, pelo
menos, não as usa.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: ALB,
Mercado de Letras, 1996, p. 37-40.
O que o autor do texto propõe, essencialmente, é:
a) a revisão do conceito de arcaísmo.
b) a atualização dos dicionários de língua portuguesa.
c) a mutabilidade das línguas.
d) o ensino da língua orientado pelos fatos língüísticos.
e) o fim do autoritarismo no estudo do português.
Questão 79
(PUC-MG) RESPONDA À QUESTÃO DE ACORDO COM O TEXTO ABAIXO.VOLTE
AO TEXTO SEMPRE QUE NECESSÁRIO.
NÃO EXISTEM LÍNGUAS IMUTÁVEIS
Uma das coisas que aprendemos na escola é que o português veio do latim. Ou seja, que o
português é uma língua que não foi sempre o português, não foi sempre como é. Se
estudássemos um pouco mais esse tipo de assunto, aprenderíamos que também o latim é
uma língua que veio de outras línguas, e que o latim provavelmente não foi a língua falada
pelos primeiros seres humanos. Isto é: a) o latim não é uma língua totalmente pura; b) o
latim também é uma língua que não permaneceu sempre igual a si mesma, qualquer que
seja o estágio escolhido para análise; c) as coisas não terminam com um exemplo em latim.
Os fatos, grosseiramente, são da seguinte ordem: 1) o latim nem sempre foi o latim de
Cícero, César, Virgílio, etc. Antes de sê-lo, foi uma língua "pouco cultivada". Em primeiro
lugar, apenas falada; em segundo, falada principalmente por pessoas não cultas, pois não
havia "no início" do latim tais pessoas cultas, como ocorreu mais tarde; 2) depois de ter
sido língua de César, Cícero, etc., o latim mudou tanto que, entre outras coisas, veio a ser o
francês, o italiano, o espanhol, o português, etc.
Ora, o que ocorreu com o latim não ocorreu por castigo ou por azar. Ocorreu com outras
línguas, como o alemão, o inglês, o grego, o português. Na verdade, com todas as línguas.
E continua ocorrendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam.
Esta é uma das poucas verdades indiscutíveis em relação às línguas, sobre a qual não pode
haver nenhuma dúvida.
[....] não há razão de ordem científica para exigir que alunos - ou outras pessoas - conheçam
formas arcaicas, que nunca ouvem e que são raras mesmo nos textos escritos mais
correntes. Dito de outro modo: se temos claro que as línguas mudam, fica claro também por
que os falantes não conhecem certas formas lingüísticas: é que elas não são mais usadas na
época em que os falantes se tornam falantes. Se não são usadas, não são ouvidas. Se não
são ouvidas (e ouvidas muitas vezes), não podem ser aprendidas.
Nós nos acostumamos a pensar que há formas da língua que não são mais usadas, que só os
dicionários registram e, por isso, são chamadas de arcaísmos. Mas nos acostumamos
também a pensar que os arcaísmos são sempre formas realmente antigas. Ora, isso é um
engano. Há arcaísmos mais arcaicos do que outros. Há muitas formas que nós
eventualmente pensamos que ainda são vivas, porque são ensinadas na escola e por isso são
utilizadas eventualmente, mas, na verdade, já estão mortas, ou quase, porque não são mais
usadas regularmente. Por exemplo, quem é que encontra falantes reais que utilizam sempre
as regências de verbos como assistir, visar, preferir, etc. como as gramáticas mandam? O
que estou sugerindo é que, de fato, devemos considerar formas como "assistir ao jogo"
como arcaísmos e, conseqüentemente, formas como assistir o jogo como padrões,
"corretas". Simplesmente por uma razão: no português de hoje, ‘ser espectador de’ se diz
assistir, e não assistir a.
[....] A questão não é, entretanto, saber se há ou não alguém com autoridade (um gramático,
por exemplo) dizendo que agora se pode dizer assim ou assado. Que agora falar assim ou
assado está certo. O argumento interessante é de outra natureza, não o de autoridade. O que
estou afirmando é que os fatos lingüísticos são esses. E que contra tais fatos não adianta
espernear. Se nós espernearmos contra esses fatos, deveríamos espernear contra todas as
formas de mudança, inclusive as que ocorreram nos séculos III, X, XII, XVII, etc. Por que
só os fatos de hoje são ruins e devem ser desprezados? E tem mais: tais fatos podem ser
explicados. Além de poderem ser explicados, eles explicam, por sua vez, por que nossos
alunos (ou nossos vizinhos) falam como falam. Além de, evidentemente, explicarem
também por que nós mesmos falamos assim... Ou seja, explicam por que falar assim não é
errado, mas é simplesmente falar segundo as regras da língua de hoje, do português vivo.
Se pensássemos dessa forma em relação às línguas, sem defender, explícita ou
implicitamente, que as formas antigas são as únicas corretas ou, pelo menos, que são
melhores que as atuais, nossa pedagogia das línguas mudaria. Por exemplo, todos
perceberíamos que gastar um tempo enorme com regências e colocações inusitadas é, a
rigor, inútil. A prova é que a maioria dos que as estudam não aprende tais formas, ou, pelo
menos, não as usa.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: ALB,
Mercado de Letras, 1996, p. 37-40.
Possenti apresenta um novo conceito de forma lingüística "correta". A esse respeito, a
alternativa que melhor se ajusta à visão do autor no texto é:
a) Só é correta a forma lingüística aceita pelas autoridades em língua.
b) É correta a forma lingüística efetivamente usada pelos falantes de hoje.
c) É correto apenas o português usado pelos falantes cultos.
d) Só é correto o português ensinado na rede escolar.
e) são verdadeiramente corretas as formas lingüísticas que se mantêm inalteradas.
Questão 80
(UFCE) FIDELIDADE
01Altas horas já são. O aracati passou.
02Já vai rumo ao sertão. E em mim ficou
03a lembrança sutil de seus desvelos
04afagando-me os olhos e os cabelos.
05Os cabelos que em vão envelheceram
06ou, pobres folhas ao vento, se perderam.
07Mas, nas idades todas, fui fiel
08a esse mar belíssimo e revel
09que vejo em devoção
10qual destino, estigma ou canção.
11E refaço mil vezes minha viagem,
12marinheiro que fui sem marinhagem,
13sendo, a cada instante,
14do mar de Mucuripe um tripulante.
(BENEVIDES, Artur Eduardo. Noturnos de Mucuripe epoemas de êxtase e abismo.
Fortaleza: UFC, 1992.)
Com base no texto Fidelidade, pode-se afirmar que:
a) o poeta perdeu todos os cabelos.
b) as alegrias do presente contrastam com as tristezas do passado.
c) o poeta refere-se ao mar como algo sereno e manso.
d) um amor do passado traz ao poeta ternas recordações.
e) a velhice física não combina com o espírito criador do poeta.
Questão 81
(UFF) TEXTO I
O "brasil" com b minúsculo é apenas um
objeto sem vida, autoconsciência ou pulsação
interior, pedaço de coisa que morre e não tem a
menor condição de se reproduzir como sistema;
como, aliás, queriam alguns teóricos sociais do
século XIX, que viam na terra - um pedaço perdido de
Portugal e da Europa - um conjunto doentio e
condenado de raças que, misturando-se ao sabor
de uma natureza exuberante e de um clima tropical,
estariam fadadas à degeneração e à morte
biológica, psicológica e social. Mas o Brasil com B
maiúsculo é algo muito mais complexo. É país,
cultura, local geográfico, fronteira e território
reconhecidos internacionalmente, e também casa,
pedaço de chão calçado com o calor de nossos
corpos, lar, memória e consciência de um lugar
com o qual se tem uma ligação especial, única,
totalmente sagrada. É igualmente um tempo
singular cujos eventos são exclusivamente seus, e
também temporalidade que pode ser acelerada na
festa do carnaval; que pode ser detida na morte e
na memória e que pode ser trazida de volta na boa
recordação da saudade. Tempo e temporalidade de
ritmos localizados e, assim, insubstituíveis.
Sociedade onde pessoas seguem certos valores e
julgam as ações humanas dentro de um padrão
somente seu. Não se trata mais de algo inerte, mas
de uma entidade viva, cheia de auto-reflexão e
consciência: algo que se soma e se alarga para o
futuro e para o passado, num movimento próprio
que se chama História. Aqui, o Brasil é um ser parte
conhecido e parte misterioso, como um grande e
poderoso espírito. Como um Deus que está em
todos os lugares e em nenhum, mas que também
precisa dos homens para que possa se saber
superior e onipotente. Onde quer que haja um
brasileiro adulto, existe com ele o Brasil e, no
entanto - tal como acontece com as divindades será preciso produzir e provocar a sua
manifestação para que se possa sentir sua
concretude e seu poder. Caso contrário, sua
presença é tão inefável como a do ar que se respira
e dela não se teria consciência a não ser pela
comparação, pelo contraste e pela percepção de
algumas de suas manifestações mais contundentes.
DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?
Rio de Janeiro: Rocco, 1986, p. 11-12
Na sua distinção entre "brasil" e "Brasil", o autor do texto I estabelece contraste entre
ambos.
O contraste que corresponde ao texto é:
a) brasil – um pedaço perdido de Portugal e da Europa / Brasil – um conjunto doentio e
condenado de raças
b) brasil – sociedade onde as pessoas seguem certos valores / Brasil – entidade viva, cheia
de auto-reflexão e consciência
c) brasil – país com fronteira e território reconhecidos internacionalmente / Brasil – local
com que os brasileiros têm uma ligação especial
d) brasil – objeto sem autoconsciência ou pulsação interior / Brasil – memória e
consciência de um lugar especial para os brasileiros
e) brasil – um processo histórico contínuo / Brasil – uma forma sem vida
Questão 82
(UERJ) TEXTO I
01 Falo a ti – doce virgem dos meus sonhos,
02 Visão dourada dum cismar tão puro,
03 Que sorrias por noites de vigília
04 Entre as rosas gentis do meu futuro.
05 Tu m’inspiraste, oh musa do silêncio,
06 Mimosa flor da lânguida saudade!
07 Por ti correu meu estro ardente e louco
08 Nos verdores febris da mocidade.
09 Tu, que foste a vestal dos sonhos d’ouro,
10 O anjo-tutelar dos meus anelos,
11 Estende sobre mim as asas brancas...
12 Desenrola os anéis dos teus cabelos!
(20/08/1859)
(ABREU, Casimiro. Obras. Rio de Janeiro: MEC, 1955, p. 49-50.)
TEXTO II
01 Sempre que se agita esta questão das reivindicações femininas, escovam-se os velhos
02 chavões, e, com um grande ar de importância, os filósofos decidem sem apelação que a
mulher
03 não pode ser mais do que o anjo do lar, a vestal encarregada de vigiar o fogo sagrado, a
04 depositária das tradições da família... e das chaves da despensa. Todo esse dispêndio de
palavras
05 inúteis serve apenas para encobrir a fealdade da única razão séria que podemos
apresentar
06 contra as pretensões das mulheres: o nosso egoísmo, o receio que temos de que nos
despojem
07 das nossas prerrogativas seculares – o medo de perder as posições, as regalias, as honras
que o
08 preconceito bárbaro confiou exclusivamente ao nosso século. Compreende-se: quem se
habituou
09 a empunhar o bastão do comando não se resigna facilmente a passá-lo a outras mãos: é
mais
10 fácil deixar a vida do que deixar o poder.
(18/08/1901)
(BILAC, Olavo. Vossa Insolência. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, p. 313)
TEXTO III
01 O mal de Isaías é ser ambíguo. Ser e não-ser. Não é índio, nem cristão. Não é homem,
02 nem deixa de ser, coitado. Ser dois é não ser nenhum. Mas está acima de suas forças. Ele
não
03 pode deixar de participar de um nós comigo que é excludente dos mairuns e que quase
me
04 ofende. Também não pode sentir consigo mesmo que ele é apenas um mairum entre os
outros. O
05 pobre não pára de escarafunchar a cuca, se aclarando e se confundindo cada vez mais.
Este
06 casamento com Inimá. Será que ele gosta dela? (...)
07 Outro dia fiquei muito tempo atrás dele, no pátio, confundida com toda gente que se
junta
08 ali, na hora do pôr do sol, para comer e conversar. Vi bem que ele não falava com
ninguém e que
09 ninguém falava com ele. Nem Inimá. Ouvi depois, ouvi bem que ele murmurava
sozinho. Cheguei
10 mais perto e ouvi melhor; era uma ladainha em latim, como as de meu pai:
11 Tra-lá-lá, ora pro nobis
12 Tre-lé-lé, ora pro nobis
13 Vamos ver se, agora de noite, nesse balanço de rede, eu me esqueço dos outros para
14 pensar em mim. Preciso me concentrar no meu problema. Tentei pensar o dia inteiro,
sem
15 conseguir. Há dias que é assim. Até parece que já não sou capaz. Será a gravidez que me
deixa
16 lânguida? De onde virá essa lassidão? Estou grávida e não sei de quem. Vou parir aqui
entre os
17 mairuns, este é o problema. Se problema existe, porque isto bem pode ser uma solução.
Com
18 um filho crescendo mairum eu não me integraria mais nesse mundo que eu quero fazer
meu? Ser
19 a mãe de fulaninho não será para mim como para um homem ser o pai de fulano? Os
homens
20 aqui mudam de nome quando têm um filho homem. Maxihú é o pai de Maxi. Teró por
muito
21 tempo foi Jaguarhú. Eu seria Iuicuihí se minha filha se chamasse Iuicui? Ou Mairahú se
meu filho
22 pudesse chamar-se Maíra? Será que pode? Melhor é que seja menina: Iuicui.
(RIBEIRO, Darcy. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 372-3.)
A partir da comparação do tratamento dado à mulher nos textos I, II, e III, é possível fazer a
seguinte afirmação:
a) No texto I ocorrem elementos do ultra-romantismo caracterizando a personagem
feminina.
b) No texto II existem características barrocas na definição da mulher idealizada pela
sociedade.
c) No texto II há a substituição do modo parnasiano pelo romântico na representação da
mulher.
d) Nos textos I e III aparece a intenção simbolista de criar uma personagem feminina
conservadora.
Questão 83
(UERJ) TEXTO II
01 Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este
tempo
02 tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha
embora Lisboa os
03 seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há
que valha a
04 terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um
momento
05 fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao
coração as
06 lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos
campos de sua
07 terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr
dos seus
08 rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer,
mas cedo
09 pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio,
prefiro a
10 Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a
planta dos
11 trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos
tormentos da
12 saudade.
(Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.)
TEXTO III
LADAINHA I
01 Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome
02 de ilha de Vera Cruz.
03 Ilha cheia de graça
04 Ilha cheia de pássaros
05 Ilha cheia de luz.
06 Ilha verde onde havia
07 mulheres morenas e nuas
08 anhangás a sonhar com histórias de luas
09 e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés.
10 Depois mudaram-lhe o nome
11 pra terra de Santa Cruz.
12 Terra cheia de graça
13 Terra cheia de pássaros
14 Terra cheia de luz.
15 A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas deitadas à sombra
das árvores mosqueadas de sol.
16 Mas como houvesse, em abundância,
17 certa madeira cor de sangue cor de brasa
18 e como o fogo da manhã selvagem
19 fosse um brasido no carvão noturno da paisagem,
20 e como a Terra fosse de árvores vermelhas
21 e se houvesse mostrado assaz gentil,
22 deram-lhe o nome de Brasil.
23 Brasil cheio de graça
24 Brasil cheio de pássaros
25 Brasil cheio de luz.
(Ricardo, Cassiano. Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.)
Observe a tira abaixo, que também se refere, como os textos II e III, a determinados tipos
de relação com o nosso país.
(Veríssimo, Luiz Fernando. As Cobras. O Estado de São Paulo, 03/08/98.)
O humor de L. F. Veríssimo nesta tira é construído a partir do seguinte recurso gramatical:
a) sintático, pelo uso do verbo "ter" em lugar de "haver"
b) morfossintático, pelo emprego da locução verbal "estão loando"
c) fonético-ortográfico, pela omissão de sílaba da palavra "leiloando"
d) morfológico, pela criação por derivação regressiva do verbo "loar"
Questão 84
(UFRRJ) TEXTO
Ano Novo, uma vida nova
01 Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do
02 início do terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
03 Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do
04 Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que
resta na
05 memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os
06 propósitos altruístas. Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num país tão
caro; os
07 filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança
que
08 ainda existe em nós.
09 Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e
10 causas. Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se
11 meninos de rua fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico
que
12 segrega a maioria pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o
13 seqüestro e brada contra os bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
14 Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se
15 de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do
forno e
16 a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto
litúrgico,
17 uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.
18 No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto
19 tantos celebram a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas : uma
oração
20 em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a
dor de
21 Um enfermo. Reencontrar, o ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do
lobo
22 voraz que na arena competitiva do mercado nos faz estranhos a nós mesmos. Por que
23 acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao
24 patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa
25 disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em
26 busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o
27 próximo?
28 Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas
29 trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de
30 saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as
ruas
31 são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O
32 político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu
mandato?
33 Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na
34 verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações
35 diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
36 Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de
37 comemorar 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez
anos,
38 em janeiro, da ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
39 Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir
40 espaço à presença do Inefável. Braços e coracões abertos também ao semelhante.
Recriar41 nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica
na
42 mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma
janela
43 da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de
uma
44 telenovela.
45 Feliz homem novo. Feliz mulher nova.
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p.7.
Tendo em vista o contexto que envolve a frase "Olhemos a cidade"( l.28), pode-se afirmar
que o uso da forma verbal destacada expressa uma
a) ordem.
b) reflexão.
c) sugestão.
d) certeza.
e) solicitação.
Questão 85
(UFRRJ) TEXTO
Ano Novo, uma vida nova
01 Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do
02 início do terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
03 Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do
04 Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que
resta na
05 memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os
06 propósitos altruístas. Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num país tão
caro; os
07 filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança
que
08 ainda existe em nós.
09 Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e
10 causas. Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se
11 meninos de rua fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico
que
12 segrega a maioria pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o
13 seqüestro e brada contra os bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
14 Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se
15 de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do
forno e
16 a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto
litúrgico,
17 uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.
18 No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto
19 tantos celebram a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas : uma
oração
20 em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a
dor de
21 Um enfermo. Reencontrar, o ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do
lobo
22 voraz que na arena competitiva do mercado nos faz estranhos a nós mesmos. Por que
23 acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao
24 patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa
25 disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em
26 busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o
27 próximo?
28 Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas
29 trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de
30 saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as
ruas
31 são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O
32 político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu
mandato?
33 Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na
34 verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações
35 diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
36 Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de
37 comemorar 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez
anos,
38 em janeiro, da ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
39 Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir
40 espaço à presença do Inefável. Braços e coracões abertos também ao semelhante.
Recriar41 nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica
na
42 mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma
janela
43 da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de
uma
44 telenovela.
45 Feliz homem novo. Feliz mulher nova.
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p.7.
A conjunção "ou"( l.16 ) estabelece entre as duas últimas frases uma relação semântica de
a) exclusão.
b) adição.
c) explicação.
d) oposição.
e) conclusão.
Questão 86
(UFRRJ) TEXTO
Ano Novo, uma vida nova
01 Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do
02 início do terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
03 Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do
04 Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que
resta na
05 memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os
06 propósitos altruístas. Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num país tão
caro; os
07 filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança
que
08 ainda existe em nós.
09 Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e
10 causas. Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se
11 meninos de rua fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico
que
12 segrega a maioria pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o
13 seqüestro e brada contra os bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
14 Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se
15 de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do
forno e
16 a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto
litúrgico,
17 uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.
18 No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto
19 tantos celebram a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas : uma
oração
20 em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a
dor de
21 Um enfermo. Reencontrar, o ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do
lobo
22 voraz que na arena competitiva do mercado nos faz estranhos a nós mesmos. Por que
23 acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao
24 patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa
25 disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em
26 busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o
27 próximo?
28 Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas
29 trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de
30 saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as
ruas
31 são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O
32 político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu
mandato?
33 Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na
34 verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações
35 diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
36 Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de
37 comemorar 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez
anos,
38 em janeiro, da ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
39 Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir
40 espaço à presença do Inefável. Braços e coracões abertos também ao semelhante.
Recriar41 nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica
na
42 mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma
janela
43 da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de
uma
44 telenovela.
45 Feliz homem novo. Feliz mulher nova.
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p.7.
Pode-se afirmar que o autor do texto "Ano Novo, uma vida nova" propõe à sociedade uma
renovação
a) política e material.
b) social e econômica.
c) existencial e política.
d) pessoal e financeira.
e) política e econômica.
Questão 87
(UFRRJ) TEXTO
Ano Novo, uma vida nova
01 Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do
02 início do terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
03 Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do
04 Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que
resta na
05 memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os
06 propósitos altruístas. Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num país tão
caro; os
07 filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança
que
08 ainda existe em nós.
09 Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e
10 causas. Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se
11 meninos de rua fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico
que
12 segrega a maioria pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o
13 seqüestro e brada contra os bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
14 Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se
15 de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do
forno e
16 a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto
litúrgico,
17 uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.
18 No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto
19 tantos celebram a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas : uma
oração
20 em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a
dor de
21 Um enfermo. Reencontrar, o ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do
lobo
22 voraz que na arena competitiva do mercado nos faz estranhos a nós mesmos. Por que
23 acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao
24 patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa
25 disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em
26 busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o
27 próximo?
28 Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas
29 trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de
30 saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as
ruas
31 são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O
32 político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu
mandato?
33 Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na
34 verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações
35 diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
36 Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de
37 comemorar 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez
anos,
38 em janeiro, da ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
39 Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir
40 espaço à presença do Inefável. Braços e coracões abertos também ao semelhante.
Recriar41 nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica
na
42 mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma
janela
43 da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de
uma
44 telenovela.
45 Feliz homem novo. Feliz mulher nova.
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p.7.
O TEXTO é uma dissertação argumentativa que parte da tese de que
a) o homem busca o progresso espiritual, mas se esquece do material.
b) a sociedade tem buscado a espiritualidade no fim do segundo milênio.
c) a sociedade deveria procurar "nascer de novo" num plano espiritual.
d) o homem tem buscado a renovação política com base na democracia.
e) o homem busca a plenitude, mas está condicionado às limitações materiais.
Questão 88
(UFRRJ) TEXTO
Ano Novo, uma vida nova
01 Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do
02 início do terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
03 Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do
04 Absoluto e a consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que
resta na
05 memória com sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os
06 propósitos altruístas. Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num país tão
caro; os
07 filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança
que
08 ainda existe em nós.
09 Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e
10 causas. Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se
11 meninos de rua fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico
que
12 segrega a maioria pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o
13 seqüestro e brada contra os bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
14 Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se
15 de carnes e doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do
forno e
16 a felicidade viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto
litúrgico,
17 uma oração, a efusão de espíritos em abraços afetuosos.
18 No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto
19 tantos celebram a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas : uma
oração
20 em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a
dor de
21 Um enfermo. Reencontrar, o ano que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do
lobo
22 voraz que na arena competitiva do mercado nos faz estranhos a nós mesmos. Por que
23 acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao
24 patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa
25 disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em
26 busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o
27 próximo?
28 Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas
29 trazem proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de
30 saúde, a rede educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as
ruas
31 são limpas, há áreas de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O
32 político em quem votamos teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu
mandato?
33 Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na
34 verdadeira democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações
35 diretas junto ao poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
36 Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de
37 comemorar 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez
anos,
38 em janeiro, da ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
39 Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir
40 espaço à presença do Inefável. Braços e coracões abertos também ao semelhante.
Recriar41 nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica
na
42 mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma
janela
43 da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de
uma
44 telenovela.
45 Feliz homem novo. Feliz mulher nova.
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p.7.
Fica evidente a proposta de sermos sujeitos do nosso tempo em
a) "Recriar-nos e reapropriar-nos da realidade circundante (...)."( l. 40-41)
b) "Há o jeito velho de empanturrar-se de carnes e doces (...) ."( l.14-15)
c) "Olhamos para trás: a infância que resta na memória (...)."( l. 4-5)
d) "Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias."( l. 33)
e) "Chegamos mais perto do fim do século XX e do início do terceiro milênio."( l. 1-2)
Questão 89
(UFRRJ) TEXTO
FAVELÁRIO NACIONAL
Desfavelado
01 Me tiraram do meu morro
02 me tiraram do meu cômodo
03 me tiraram do meu ar
04 me botaram neste quarto
05 multiplicado por mil
06 quartos de casas iguais.
07 Me fizeram tudo isso
08 para meu bem. E meu bem
09 ficou lá no chão queimado
10 onde eu tinha o sentimento
11 de viver como queria
12 no lugar onde queria
13 não onde querem que eu viva
14 aporrinhado devendo
15 prestação mais prestação
16 da casa que não comprei
17 mas compraram para mim.
18 Me firmo, triste e chateado
19 Desfavelado.
Indagação
01 Antes que me urbanizem a régua, compasso,
02 computador, cogito, pergunto, reclamo:
03 Por que não urbanizam antes
04 a cidade?
05 Era tão bom que houvesse uma cidade
06 na cidade lá embaixo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1985.p.118-119;
120-121.
.
Tendo em vista o conteúdo do texto e o sentido do prefixo des-, o neologismo
"desfavelado" significa pessoa que
a) mora próximo à favela.
b) é contrária à favela.
c) nunca morou na favela.
d) deixou de ser favelado.
e) trabalha em prol da favela.
Questão 90
(UFRRJ) TEXTO
FAVELÁRIO NACIONAL
Desfavelado
01 Me tiraram do meu morro
02 me tiraram do meu cômodo
03 me tiraram do meu ar
04 me botaram neste quarto
05 multiplicado por mil
06 quartos de casas iguais.
07 Me fizeram tudo isso
08 para meu bem. E meu bem
09 ficou lá no chão queimado
10 onde eu tinha o sentimento
11 de viver como queria
12 no lugar onde queria
13 não onde querem que eu viva
14 aporrinhado devendo
15 prestação mais prestação
16 da casa que não comprei
17 mas compraram para mim.
18 Me firmo, triste e chateado
19 Desfavelado.
Indagação
01 Antes que me urbanizem a régua, compasso,
02 computador, cogito, pergunto, reclamo:
03 Por que não urbanizam antes
04 a cidade?
05 Era tão bom que houvesse uma cidade
06 na cidade lá embaixo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1985.p.118-119;
120-121.
.
"Me tiraram do meu morro"( v.1),
"me botaram neste quarto"(v.4),
"mas compraram para mim" (v.17).
Nos três versos destacados, o poeta empregou sujeito indeterminado. O uso dessa estrutura
demonstra, em relação ao eu lírico,
a) sua impotência.
b) sua alienação.
c) sua inquietação.
d) sua insatisfação.
e) seu conformismo.
Questão 91
(UFRRJ) TEXTO
FAVELÁRIO NACIONAL
Desfavelado
01 Me tiraram do meu morro
02 me tiraram do meu cômodo
03 me tiraram do meu ar
04 me botaram neste quarto
05 multiplicado por mil
06 quartos de casas iguais.
07 Me fizeram tudo isso
08 para meu bem. E meu bem
09 ficou lá no chão queimado
10 onde eu tinha o sentimento
11 de viver como queria
12 no lugar onde queria
13 não onde querem que eu viva
14 aporrinhado devendo
15 prestação mais prestação
16 da casa que não comprei
17 mas compraram para mim.
18 Me firmo, triste e chateado
19 Desfavelado.
Indagação
01 Antes que me urbanizem a régua, compasso,
02 computador, cogito, pergunto, reclamo:
03 Por que não urbanizam antes
04 a cidade?
05 Era tão bom que houvesse uma cidade
06 na cidade lá embaixo.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1985.p.118-119;
120-121.
.
No segundo poema, os versos "Era tão bom que houvesse uma cidade / na cidade lá
embaixo." (v.5 e v.6) encerram uma crítica
a) à violência das favelas.
b) ao tráfico de drogas.
c) à civilização moderna.
d) ao crescimento das favelas.
e) à atuação das Forças Armadas.
Questão 92
(UFRRJ) TEXTO
CORRIDINHO
01 O amor quer abraçar e não pode.
02 A multidão em volta,
03 com seus olhos cediços,
04 põe caco de vidro no muro
05 para o amor desistir.
06 O amor usa o correio,
07 o correio trapaceia,
08 a carta não chega,
09 o amor fica sem saber se é ou não é.
10 O amor pega o cavalo,
11 desembarca do trem,
12 chega na porta cansado
13 de tanto caminhar a pé.
14 Fala a palavra açucena,
15 pede água, bebe café,
16 dorme na sua presença,
17 chupa bala de hortelã.
18 Tudo manha, truque, engenho:
19 É descuidar, o amor te pega,
20 te come, te molha todo.
21 Mas água o amor não é.
PRADO, Adélia. O coração disparado. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1977.
No verso "o amor fica sem saber se é ou não é", é utilizada a elipse de um termo oracional,
o que sugere que a pessoa
a) deixa de amar devido à distância.
b) que ama não sabe se o(a) amado(a) recebeu a carta.
c) amada compreende os sentimentos do amante.
d) que ama não sabe se é ou não amada.
e) amada não procura a pessoa que a ama.
Questão 93
(UFRRJ) TEXTO
CORRIDINHO
01 O amor quer abraçar e não pode.
02 A multidão em volta,
03 com seus olhos cediços,
04 põe caco de vidro no muro
05 para o amor desistir.
06 O amor usa o correio,
07 o correio trapaceia,
08 a carta não chega,
09 o amor fica sem saber se é ou não é.
10 O amor pega o cavalo,
11 desembarca do trem,
12 chega na porta cansado
13 de tanto caminhar a pé.
14 Fala a palavra açucena,
15 pede água, bebe café,
16 dorme na sua presença,
17 chupa bala de hortelã.
18 Tudo manha, truque, engenho:
19 É descuidar, o amor te pega,
20 te come, te molha todo.
21 Mas água o amor não é.
PRADO, Adélia. O coração disparado. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1977.
Nos versos "dorme na sua presença," (v.16) "É descuidar, o amor te pega," (v.19) "te come,
te molha todo." (v.20), os pronomes sua e te remetem ao
a) emissor da mensagem.
b) canal da mensagem.
c) receptor da mensagem.
d) código da mensagem.
e) referente da mensagem.
Questão 94
(UFRRJ) TEXTO
01 Há seis ou sete dias que eu não ia ao Flamengo. Agora à tarde lembrou-me lá passar
antes de vir
02 para casa. Fui a pé; achei aberta a porta do jardim, entrei e parei logo.
03 "Lá estão eles", disse comigo.
04 Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o
outro.
05 Aguiar estava encostado ao portal direito, com as mãos sobre os joelhos. D. Carmo, à
esquerda, tinha
06 os braços cruzados à cinta. Hesitei entre ir adiante ou desandar o caminho; continuei
parado alguns
07 segundos até que recuei pé ante pé. Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na
atitude uma
08 expressão a que não acho nome certo ou claro: digo o que me pareceu. Queriam ser
risonhos e mal se
09 podiam consolar. Consolava-os a saudade de si mesmos.
ASSIS, Machado. Memorial de Aires. In: Obra Completa. Rio de Janeiro, Aguilar,
1989.
No texto IV o narrador descreve o quadro formado pelo casal de velhos com
a) impaciente ironia.
b) suavidade e melancolia.
c) desgosto e censura.
d) velado humorismo.
e) ceticismo e desesperança.
Questão 95
(UFRRJ) TEXTO
Falando em leitura...
1 Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o
mais comum é
02 pensarmos em leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, "vive
lendo", talvez seja rato de
03 biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. (...) Sem
dúvida, o ato de ler é
04 usualmente relacionado com a escrita, e o leitor visto como decodificador da letra.
Bastará porém decifrar
05 palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente
"fazer a leitura"de um
06 gesto, de uma situação; "ler o olhar de alguém", "ler o tempo"; "ler o espaço", indicando
que o ato de ler vai
07 além da escrita?
08 Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante
de uma batida
09 casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a esse
incidente revela meu modo
10 de lê-lo. Outra coisa: às vezes passamos anos vendo objetos comuns, um vaso, um
cinzeiro, sem jamais tê-los de
11 fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa ou utilitária. Um dia, por motivos
os mais diversos, nos
12 encontramos diante de um deles como se fosse algo totalmente novo. O formato, a cor, a
figura que representa,
13 seu conteúdo passam a ter sentido, melhor, a fazer sentido para nós.
14 Só então se estabeleceu uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua
beleza ou feiúra, o
15 ridículo ou adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as partes que o
compõem. (...)
16 (...) Será assim também que acontece com a leitura de um texto escrito?
17 Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficilamente,
"passar os olhos",
18 como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico
de decifrar os sinais.
19 Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma fantasia,
uma necessidade nossa.
20 Reagimos assim ao que não nos interessa no momento. Um discurso político, uma
conversa, uma língua
21 estrangeira, uma aula expositiva, um quadro, uma peça musical, um livro. Sentimo-nos
isolados do processo de
22 comunicação que essas mensagens instauram – desligados. E a tendência natural é
ignorá-las ou rejeitá-las como
23 nada tendo a ver com a gente. Se o texto é visual, ficamos cegos a ele, ainda que nossos
olhos continuem a fixar
24 os sinais gráficos, as imagens. Se é sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não o
compreendemos, impossível
25 dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.
26 Por essas razões, ao começarmos a pensar a questão da leitura, fica um mote que
agradeço a Paulo Freire:
27 "a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a
continuidade da leitura daquele".
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo, Ática. p.7 - 10.
Partindo-se das reflexões da autora, pode-se concluir que o ato de ler é, em última análise,
um
a) gesto mecânico de decifrar sinais.
b) gesto rotineiro de "passar os olhos".
c) ato de construir sentido para aquilo que se lê.
d) ato prazeroso de decodificar romances, fotonovelas e histórias em quadrinhos.
e) modo de perceber as relações sintáticas que constroem o texto.
Questão 96
(UFRRJ) TEXTO
Falando em leitura...
1 Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o
mais comum é
02 pensarmos em leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, "vive
lendo", talvez seja rato de
03 biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. (...) Sem
dúvida, o ato de ler é
04 usualmente relacionado com a escrita, e o leitor visto como decodificador da letra.
Bastará porém decifrar
05 palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente
"fazer a leitura"de um
06 gesto, de uma situação; "ler o olhar de alguém", "ler o tempo"; "ler o espaço", indicando
que o ato de ler vai
07 além da escrita?
08 Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante
de uma batida
09 casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a esse
incidente revela meu modo
10 de lê-lo. Outra coisa: às vezes passamos anos vendo objetos comuns, um vaso, um
cinzeiro, sem jamais tê-los de
11 fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa ou utilitária. Um dia, por motivos
os mais diversos, nos
12 encontramos diante de um deles como se fosse algo totalmente novo. O formato, a cor, a
figura que representa,
13 seu conteúdo passam a ter sentido, melhor, a fazer sentido para nós.
14 Só então se estabeleceu uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua
beleza ou feiúra, o
15 ridículo ou adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as partes que o
compõem. (...)
16 (...) Será assim também que acontece com a leitura de um texto escrito?
17 Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficilamente,
"passar os olhos",
18 como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico
de decifrar os sinais.
19 Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma fantasia,
uma necessidade nossa.
20 Reagimos assim ao que não nos interessa no momento. Um discurso político, uma
conversa, uma língua
21 estrangeira, uma aula expositiva, um quadro, uma peça musical, um livro. Sentimo-nos
isolados do processo de
22 comunicação que essas mensagens instauram – desligados. E a tendência natural é
ignorá-las ou rejeitá-las como
23 nada tendo a ver com a gente. Se o texto é visual, ficamos cegos a ele, ainda que nossos
olhos continuem a fixar
24 os sinais gráficos, as imagens. Se é sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não o
compreendemos, impossível
25 dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.
26 Por essas razões, ao começarmos a pensar a questão da leitura, fica um mote que
agradeço a Paulo Freire:
27 "a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a
continuidade da leitura daquele".
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo, Ática. p.7 - 10.
Ler não é uma atividade restrita ao ato de decifrar um código escrito. Ler é interpretar.
Neste sentido, a leitura é uma atividade que se constrói através de um diálogo entre quem lê
e o que é lido.
Pode-se dizer que a afirmativa acima, em relação ao TEXTO , está
a) certa, pois a autora afirma que o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita.
b) errada, pois, para a autora, basta que se decifrem as palavras para acontecer a leitura.
c) certa, pois, para a autora, o leitor é visto como um decifrador da letra que se contenta em
ler
superficialmente.
d) errada, pois, para a autora, só podemos ler textos escritos e esses textos precisam ter uma
relação direta
com a nossa realidade.
e) certa, pois, para a autora, ainda que o indivíduo não saiba decodificar a escrita, ele pode
ser considerado
leitor, na medida em que interpreta o que observa.
Questão 97
(UFRRJ) TEXTO
Falando em leitura...
1 Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o
mais comum é
02 pensarmos em leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, "vive
lendo", talvez seja rato de
03 biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. (...) Sem
dúvida, o ato de ler é
04 usualmente relacionado com a escrita, e o leitor visto como decodificador da letra.
Bastará porém decifrar
05 palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente
"fazer a leitura"de um
06 gesto, de uma situação; "ler o olhar de alguém", "ler o tempo"; "ler o espaço", indicando
que o ato de ler vai
07 além da escrita?
08 Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante
de uma batida
09 casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a esse
incidente revela meu modo
10 de lê-lo. Outra coisa: às vezes passamos anos vendo objetos comuns, um vaso, um
cinzeiro, sem jamais tê-los de
11 fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa ou utilitária. Um dia, por motivos
os mais diversos, nos
12 encontramos diante de um deles como se fosse algo totalmente novo. O formato, a cor, a
figura que representa,
13 seu conteúdo passam a ter sentido, melhor, a fazer sentido para nós.
14 Só então se estabeleceu uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua
beleza ou feiúra, o
15 ridículo ou adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as partes que o
compõem. (...)
16 (...) Será assim também que acontece com a leitura de um texto escrito?
17 Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficilamente,
"passar os olhos",
18 como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico
de decifrar os sinais.
19 Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma fantasia,
uma necessidade nossa.
20 Reagimos assim ao que não nos interessa no momento. Um discurso político, uma
conversa, uma língua
21 estrangeira, uma aula expositiva, um quadro, uma peça musical, um livro. Sentimo-nos
isolados do processo de
22 comunicação que essas mensagens instauram – desligados. E a tendência natural é
ignorá-las ou rejeitá-las como
23 nada tendo a ver com a gente. Se o texto é visual, ficamos cegos a ele, ainda que nossos
olhos continuem a fixar
24 os sinais gráficos, as imagens. Se é sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não o
compreendemos, impossível
25 dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.
26 Por essas razões, ao começarmos a pensar a questão da leitura, fica um mote que
agradeço a Paulo Freire:
27 "a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a
continuidade da leitura daquele".
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo, Ática. p.7 - 10.
Paulo Freire, ao afirmar que "a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e que
a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele", nos diz que
a) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o mundo, pois a leitura da
palavra depende da
leitura do mundo.
b) quando se começa a ler o mundo não se pode deixar de ler a palavra, pois a leitura do
mundo depende da
leitura da palavra.
c) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o texto, pois a leitura do texto
depende da leitura da palavra.
d) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o mundo, pois a leitura da
palavra não depende da leitura do mundo.
e) quando se começa a ler o texto não se pode deixar de ler cada palavra, pois a leitura de
cada palavra depende da leitura do texto.
Questão 98
(UFRRJ) TEXTO
BIBLIOTECA VERDE
01 Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
02 São só 24 volumes encadernados
03 em percalina verde.
04 Meu filho, é livro demais para uma criança.
05 Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
06 Quando crescer eu compro. Agora não.
07 Papai, me compra agora. É em percalina verde,
08 só 24 volumes. Compra, compra, compra.
09 Fica quieto, menino, eu vou comprar.
...............................................................................................
10 Chega cheirando a papel novo, mata
11 de pinheiros toda verde. Sou
12 o mais rico menino destas redondezas.
13 ( Orgulho, não; inveja de mim mesmo. )
14 Ninguém mais aqui possui a coleção
15 das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
16 Antes de ler, que bom passar a mão
17 no som da percalina, esse cristal
18 de fluida transparência: verde, verde.
19 Amanhã começo a ler. Agora não.
...............................................................................................
20 Mas leio, leio. Em filosofias
21 tropeço e caio, cavalgo de novo
22 meu verde livro, em cavalarias
23 me perco, medievo; em contos, poemas
24 me vejo viver. Como te devoro,
25 verde pastagem. Ou antes carruagem
26 de fugir de mim e me trazer de volta
27 à casa a qualquer hora num fechar
28 de páginas?
29 Tudo que sei é que ela que me ensina.
30 O que saberei, o que não saberei
31 nunca,
32 está na Biblioteca em verde murmúrio
33 de flauta-percalina eternamente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião . Rio de Janeiro, José Olympio, 1983.
p.672-673.
No texto deparamo-nos com um leitor que "devora" os livros que lê. Mas se a biblioteca é
para esse eu-lírico um manancial de saber, por outro lado, decifrar o que nela está escrito
não assegura a seu leitor um conhecimento de tudo o que ela traduz. A leitura não está
unicamente inscrita no texto, pois ela depende da capacidade do leitor de atribuir sentidos
ao que lê. O (s) verso (s) que melhor traduz (em) esta afirmação é (são)
a) "Meu filho, é livro demais para uma criança
Compra assim mesmo, pai eu cresço logo." (v. 4-5)
b) "Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal". (v. 6-7)
c) Tudo que sei é que ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei
nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio."(v. 29 -32)
d) "(...) Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta". (v.25-26)
e) "Amanhã começo a ler. Agora não". (v.19)
Questão 99
(UFRRJ) Esparadrapo
Há palavras que parecem exatamente o que querem dizer. "Esparadrapo", por exemplo.
Quem quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto, há outras, aliás de
nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo, "incunábulo* ".
QUINTANA, Mário. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro, Globo.
1987. p. 83.
*Incunábulo: [do lat. Incunabulu; berço]. Adj. 1- Diz-se do livro impresso até o ano de
1500./ S.m. 2 – Começo, origem.
As observações feitas pelo autor acerca dos significados atribuídos a determinadas palavras
revela
a) a subjetividade do leitor ao realizar uma leitura.
b) a necessidade de se consultar sempre um dicionário.
c) a preocupação do escritor com a desinformação do leitor.
d) uma leitura determinada pela tradição cultural.
e) uma leitura que valoriza apenas o som das palavras.
Questão 100
(UFSCAR) O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas
recordações de minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás de casa. Agora vem
uma carta dizendo que ele caiu.
Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo. Eu me
lembro dos pés de pinha, do cajá-manga, da grande touceira de espadas-de-são-jorge (que
nós chamávamos simplesmente "tala") e da alta saboneteira que era nossa alegria e a
cobiça de toda a meninada do bairro, porque fornecia centenas de bolas pretas para o
jogo de gude. Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas,
lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes,
"beijos", violetas. Tudo sumira; mas o grande pé de fruta- pão ao lado de casa e o imenso
cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas protegendo a família. Cada menino que ia
crescendo ia aprendendo o jeito de seu tronco, a cica de seu fruto, o lugar melhor para
apoiar o pé e subir pelo cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro lado e os
morros além, sentir o leve balanceio na brisa da tarde.
(Rubem Braga: Cajueiro. In: O Verão e as Mulheres. 5ª ed. Rio de Janeiro:
Record, 1991, p. 84-5.)
Há, no trecho, um período que, situando os fatos no passado, sintetiza a oposição que
permeia o texto inteiro na caracterização da mutabilidade das coisas. Assinale a alternativa
que contém esse período.
a) Ele vive nas mais antigas recordações de minha infância: belo, imenso, no alto do
morro, atrás de casa.
b) Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo.
c) Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá-manga, da grande touceira de espadas-de-sãojorge (que nós chamávamos simplesmente "tala") e da alta saboneteira que era nossa
alegria e a cobiça de toda a meninada do bairro, porque fornecia centenas de bolas pretas
para o jogo de gude.
d) Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas, lembro-me da
parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes, "beijos", violetas.
e) Tudo sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado de casa e o imenso cajueiro lá no
alto eram como árvores sagradas protegendo a família.
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Gabarito:
1-e 2-e 3-a 4-b 5-e 6-b 7-e 8-c 9-d 10-d 11-c 12-c 13-e 14-b 15-a 16-d 17-a 18-d 19-e 20-a
21-b 22-d 23-a 24-e 25-a 26-d 27-e 28-b 29-b 30-c 31-d 32-c 33-c 34-c 35-d 36-b 37-b 38-c
39-e 40-b 41-d 42-d 43-a 44-d 45-b 46-d 47-c 48-d 49-c 50-a 51-d 52-b 53-b 54-c 55-e 56-a
57-c 58-a 59-e 60-c 61-e 62-a 63-b 64-d 65-d 66-b 67-c 68-d 69-e 70-a 71-e 72-b 73-e 74-d
75-c 76-a 77-b 78-d 79-b 80-e 81-d 82-a 83-c 84-c 85-a 86-c 87-e 88-a 89-d 90-a 91-c 92-d
93-c 94-b 95-c 96-e 97-a 98-c 99-a 100-e
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