PESQUISA SOBRE A EXPLORAÇÃO SEXUAL
INFANTO-JUVENIL NO
TURISMO DE FORTALEZA
RELATÓRIO FINAL
FORTALEZA/CEARÁ/BRASIL
2008
2
Prefeitura Municipal de Fortaleza
Prefeita de Fortaleza
Luizianne de Oliveira Lins
Secretaria de Turismo de Fortaleza – SETFOR
Secretário de Turismo
Henrique Sérgio Abreu
Coordenadora de Desenvolvimento Turístico
Maria Josenira Pedrosa Cavalcante
Gerente de Estudos e Projetos
Jaciara França de Deus Silva
Gerente de Pesquisa e Informações
Luiziânia da Silva Gonçalves
Primeira Edição
Dezembro/2008
Realização
Zaytec Brasil
Supervisão Administrativa
Norma de Oliveira Silva
Antonio Salim Sales Pinheiro
Coordenação Geral
Paula Fabrícia Brandão A. Mesquita
Elivânia da Silva Moraes
Estatístico
Inácio José Bessa Pires
3
Coordenação da Pesquisa na área de Turismo
Lorena Cunha de Sena
Supervisor de Campo
Márcio Benevides
Pesquisadores
Cláudia Lima Pereira da Silva
Elias Figueiredo Neto
Marcilene Lourenço da Silva
Maria Fabrícia Moura Barros
Maria Rosângela do Nascimento Silva
Ricardo Oliveira de Souza
Vinícius Araújo Pires
Tratamento dos Dados
Paula Fabrícia Brandão A. Mesquita
Elivânia da Silva Moraes
Inácio José Bessa Pires
Lorena Cunha de Sena
Antonio Salim Sales Pinheiro
Organização
Norma de Oliveira Silva
Editoração
Maria de Fátima Chagas Cortez
Produção do Software
Emerson Mendes Portela Costa
Francisco Vinícius da Silva Jr.
4
Tiragem: 3.000 Exemplares
Autorizada a reprodução parcial com menção expressa da fonte
5
Agradecimentos
Às crianças e adolescentes, que se disponibilizaram a participar desta
pesquisa, colaborando com informações fundamentais, por meio de relatos de
suas situações de vida acerca da exploração sexual.
Aos pesquisadores de campo que se aproximaram das crianças e
adolescentes pesquisadas, com delicadeza e firmeza, na busca de informações
e de formação de elos.
Ao Grupo de Trabalho Interinstitucional, que colaborou com a análise parcial do
material de pesquisa produzido.
À Prefeitura Municipal de Fortaleza que permitiu a visita de espaços
institucionais para a coleta de dados documentais.
À toda equipe que participou com todo empenho: responsáveis institucionais,
administrativos,
coordenação
geral,
supervisor
técnico,
pesquisadores,
desenvolvedores do software, funcionários da Zaytec Brasil, enfim, a todos
aqueles que contribuíram para a realização desta pesquisa.
6
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01 - Formação da família das crianças e adolescentes
Gráfico 02 - Pessoas responsáveis pela família das crianças e adolescentes
Gráfico 03 - Avaliação no tocante ao convívio das crianças e adolescentes com
sua família
Gráfico 04 - Características da família apontadas pelas crianças e adolescentes
Gráfico 05 - Série cursada pelas crianças e adolescentes
Gráfico 06 - Crianças e adolescentes que atualmente frequentam a escola
Gráfico 07 - Realização de cursos profissionalizantes ou de qualificação
profissional
Gráfico 08 - Interesse das crianças e adolescentes em participarem de cursos
profissionalizantes e de qualificação profissional
Gráfico 09 - Razão por não terem interesse em participar de cursos
profissionalizantes ou de qualificação profissional
Gráfico 10 - Forma de como aconteceu a primeira relação sexual das crianças
e adolescentes
Gráfico 11 - Crianças e adolescentes que sofreram violência / abuso sexual
Gráfico 12 - Crianças e adolescentes incentivados por alguém a fazer
programa
Gráfico 13 - Pessoas que incentivaram as crianças e adolescentes a fazerem
programas
Gráfico 14 - Clientes que mais atendem
Gráfico 15 - Em média, valor cobrado por programa
Gráfico 16 - Clientes de preferência das crianças e adolescentes
Gráfico 17 - Crianças e adolescentes influenciados para fazer programa com
turistas
Gráfico 18 - Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que
também saem com turistas
Gráfico 19 - Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que
também saem com turistas e frequentam os mesmos locais
Gráfico 20 - Crianças e adolescentes que fazem uso de substâncias químicas
(drogas) para fazer programa
7
Gráfico 21 - Crianças e adolescentes que possuem alguma doença
sexualmente transmissível
Gráfico 22 - Crianças e adolescentes que fazem uso de camisinha, em suas
relações sexuais
Gráfico 23 - Formas de aborto de crianças e adolescentes
Gráfico 24 - Crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de violência dos
clientes
Gráfico 25 - Adolescentes que consideram que houve alguma mudança na sua
vida, depois de começar a fazer programa
Gráfico 26 - Existência de pessoas que fazem contato com aquelas que
desejam fazer programa com as crianças e adolescentes
Gráfico 27 - Práticas sexuais com as pessoas que facilitam a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 28 - Conhecimento da família no tocante às práticas sexuais das
crianças e adolescentes
Gráfico 29 - Crianças e adolescentes convidados a sair do país
Gráfico 30 - Crianças e adolescentes que exercem alguma atividade
Gráfico 31 - Motivos da viagem dos turistas
Gráfico 32 - Obtenção de informações das entidades sobre o enfrentamento à
exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 33 - Conhecimento dos entrevistados de legislações sobre o turismo
e/ou exploração sexual
Gráfico 34 - Opinião sobre a área mais visível de exploração sexual de crianças
e adolescentes
Gráfico 35 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Gráfico 36 - Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 37 - Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Gráfico 38 - Entrevistados que presenciaram a exploração sexual de crianças
e adolescentes
8
Gráfico 39 - Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 40 - Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Gráfico 41 - Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 42 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Gráfico 43 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Gráfico 44 - Opinião dos taxistas sobre se existe uma rede de exploração sexual
de crianças e adolescentes na cidade
Gráfico 45 - Taxistas que presenciaram colegas de profissão facilitando a prática
da exploração sexual
Gráfico 46 - Opinião dos taxistas sobre se a divulgação, no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o
turismo de Fortaleza
Gráfico 47 - Taxistas afetados com as práticas de incentivo à exploração sexual
de crianças e adolescentes
Gráfico 48 - Taxistas que já presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 49 - Opinião dos taxistas no tocante à frequência de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Gráfico 50 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Gráfico 51 - Identificação de aliciadores intermediando a prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 52 - Conhecimento dos taxistas no tocante às formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 53 - Percepção dos ambulantes sobre a exploração sexual de crianças
e adolescentes
Gráfico 54 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Gráfico 55 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 56 - Opinião dos ambulantes sobre se existe uma rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
9
Gráfico 57 - Ambulantes que presenciaram colegas da categoria facilitando a
prática da exploração sexual
Gráfico 58 - Ambulantes que presenciaram momentos de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Gráfico 59 - Opinião dos ambulantes, no tocante à frequência de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 60 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Gráfico 61 - Opinião dos ambulantes sobre a identificação de aliciadores
intermediando a prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 62 - Conhecimento dos ambulantes no tocante às formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 63 - Opinião sobre onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível
Gráfico 64 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Gráfico 65 - Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 66 - Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Gráfico 67 - Opinião de que o turismo local é afetado pela divulgação das
práticas de exploração sexual
Gráfico 68 - Especificação da opinião de que o turismo local é afetado pela
divulgação das práticas de exploração sexual
Gráfico 69 - Estabelecimentos que presenciaram a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Gráfico 70 - Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 71 - Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Gráfico 72 - Aliciadores identificados, quando da intermediação da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
10
Gráfico 73 - Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 74 - Nessas atividades desenvolvidas o que se observa como sendo
motivação dos turistas
Gráfico 75 - Percepção dos guias de turismo sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Gráfico 76 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Gráfico 77 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Gráfico 78 - Opinião dos guias de turismo sobre se existe uma rede de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 79 - Presença dos guias de turismo, quando da participação de colegas
de profissão facilitando a prática da exploração sexual
Gráfico 80 - Opinião dos guias sobre se a divulgação no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes afeta o
turismo de Fortaleza
Gráfico 81 - Opinião dos entrevistados sobre se as práticas de incentivo à
exploração sexual de crianças e adolescentes afetam o turismo
Gráfico 82 - Guias que já presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Gráfico 83 - Opinião dos guias de turismo no tocante à frequência de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 84 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Gráfico 85 - Guias de turismo que identificam aliciadores intermediando a prática
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Gráfico 86 - Opinião dos guias sobre o costume de levar turistas com crianças e
adolescentes para passeios
Gráfico 87 - Conhecimento dos guias de turismo no tocante às formas de
denúncias existentes da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
11
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Tamanho da população-alvo, segundo as localidades e as variáveis
sexo e faixa etária
Tabela 2 - Número de entrevistas aplicadas, segundo as áreas de pesquisa, em
função das variáveis sexo e faixa etária
Tabela 3 - Tamanho das subpopulações, segundo as denominações
específicas
Tabela 4 - Painel amostral da subpopulação atividades diversas e a sua
representação relativa
Tabela 5 - Painel amostral da subpopulação de taxistas e a sua representação
relativa
Tabela 6 - Painel amostral da subpopulação dos ambulantes fixos e itinerantes
Tabela 7 - Sexo
Tabela 8 - Faixa etária
Tabela 9 - Crianças e adolescentes explorados, segundo a faixa etária
Tabela 10 - Estado civil das crianças e adolescentes
Tabela 11 - Crianças e adolescentes nascidos em Fortaleza
Tabela 12 - Crianças e adolescentes residentes em Fortaleza
Tabela 13 - Tempo que reside em Fortaleza
Tabela 14 - Crianças e adolescentes que moram com a família
Tabela 15 - Formação da família das crianças e adolescentes
Tabela 16 - Outros integrantes da família das crianças e adolescentes
Tabela 17 - Número de membros constituintes da família das crianças e
adolescentes
Tabela 18 - Pessoas responsáveis pela família das crianças e adolescentes
Tabela 19 - Outras pessoas responsáveis pela família das crianças e
adolescente
Tabela 20 - Avaliação no tocante ao convívio das crianças e adolescentes com
sua família
Tabela 21 - Características da família apontadas pelas crianças e
adolescentes
12
Tabela 22 - Outras características da família, apontadas pelas crianças e
adolescentes, com sua família
Tabela 23 - Série cursada pelas crianças e adolescentes
Tabela 24 - Crianças e adolescentes que atualmente frequentam a escola
Tabela 25 - Razões apontadas pelas crianças e adolescentes para não
frequentarem a escola
Tabela 26 - Realização de cursos profissionalizantes ou de qualificação
profissional
Tabela 27 - Cursos profissionalizantes ou de qualificação profissional realizados
pelas crianças e adolescentes
Tabela 28 - Razão por não terem feito algum curso profissionalizante ou de
qualificação profissional
Tabela 29 - Interesse das crianças e adolescentes em participarem de cursos
profissionalizantes e de qualificação profissional
Tabela 30 - Cursos profissionalizantes ou de qualificação profissional
demandados pelas crianças e adolescentes
Tabela 31 - Razão por não terem interesse em participar de cursos
profissionalizantes ou de qualificação profissional
Tabela 32 - Idade da criança e adolescente, quando de sua primeira relação
sexual
Tabela 33 - Forma de como aconteceu a primeira relação sexual das crianças e
adolescentes
Tabela 34 - Pessoa que manteve a primeira relação sexual com as crianças e
adolescentes
Tabela 35 - Outra pessoa que manteve a primeira relação sexual com as
crianças e adolescente
Tabela 36 - Crianças e adolescentes que sofreram violência / abuso sexual
Tabela 37 - Pessoa que praticou violência / abuso sexual, com crianças e
adolescentes
Tabela 38 - Outras pessoas que praticaram violência / abuso sexual, com
crianças e adolescentes
Tabela 39 - Orientação sexual das crianças e adolescentes
Tabela 40 - Idade que as crianças e adolescentes começaram a fazer programa
13
Tabela 41 - Razão pela qual as crianças e adolescentes começaram a fazer
programa
Tabela 42 - Crianças e adolescentes incentivados por alguém a fazer programa
Tabela 43 - Pessoas que incentivaram as crianças e adolescentes a fazerem
programas
Tabela 44 - Tempo (em anos) em que as crianças e adolescentes fazem
programas
Tabela 45 - Frequência diária em que as crianças e adolescentes fazem
programa
Tabela 46 - Dias da semana em que as crianças e adolescentes fazem
programas
Tabela 47 - Turnos do dia em que as crianças e adolescentes fazem programas
Tabela 48 - Lugar determinado para fazer programas
Tabela 49 - Descrição do lugar determinado para fazer programas
Tabela 50 - Clientes que mais atendem
Tabela 51 - Outros clientes que mais atendem
Tabela 52 - Em média, valor cobrado por programa
Tabela 53 - Clientes de preferência das crianças e adolescentes
Tabela 54 - Outros clientes de preferência
Tabela 55 - Razões por preferir clientes estrangeiros
Tabela 56 - Razões por preferir clientes nacionais
Tabela 57 - Razões por preferir morador local
Tabela 58 - Crianças e adolescentes influenciados para fazer programa com
turistas
Tabela 59 - Pessoas que influenciaram as crianças e adolescentes a fazerem
programas com turistas
Tabela 60 - Local de origem dos turistas
Tabela 61 - Local onde as crianças e adolescentes conhecem os turistas
Tabela 62 - Maneiras como as crianças e adolescentes conhecem os turistas
Tabela 63 - Local onde, geralmente, as crianças e adolescentes fazem
programas com os turistas
Tabela 64 - Local onde as crianças e adolescentes costumam se encontrar com
os turistas que se relacionam
14
Tabela 65 - Local onde as crianças e adolescentes se sentem mais à vontade
para se encontrar com os turistas que se relacionam
Tabela 66 - Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que
também saem com turistas
Tabela 67 - Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que
também saem com turistas e frequentam os mesmos locais
Tabela 68 - Crianças e adolescentes que fazem uso de substâncias químicas
(drogas) para fazer programa
Tabela 69 - Tipos de substâncias químicas (drogas) que as crianças e
adolescentes utilizam para fazer programa
Tabela 70 - Outras substâncias químicas (drogas) que as crianças e
adolescentes utilizam para fazer programa
Tabela 71 - Crianças e adolescentes que usam algum tipo de anticoncepcional
Tabela 72 - Tipos de anticoncepcionais utilizados pelas crianças e adolescentes
Tabela 73 - Outros tipos de anticoncepcionais utilizados pelas crianças e
adolescentes
Tabela 74 - Crianças e adolescentes que possuem alguma doença sexualmente
transmissível
Tabela 75 - Tipos de doenças sexualmente transmissíveis das crianças e
adolescentes
Tabela 76 - Crianças e adolescentes que fazem uso de camisinha, em suas
relações sexuais
Tabela 77 - Crianças e adolescentes que sofreram algum aborto
Tabela 78 - Formas de aborto de crianças e adolescentes
Tabela 79 - Crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de violência dos
clientes
Tabela 80 - Tipo de violência sofrida pelas crianças e adolescentes
Tabela 81 - Posição das crianças e adolescentes sobre o que acham mais
arriscados na prática sexual
Tabela 82 - Motivos que levaram as crianças e adolescentes a se encontrar
nessas condições
Tabela 83 - Adolescentes que consideram que houve alguma mudança na sua
vida, depois que começaram a fazer programa
15
Tabela 84 - Existência de pessoas que fazem contato com aquelas que
desejam fazer programa com as crianças e adolescentes
Tabela 85 - Pessoas que fazem contato com aquelas que desejam fazer
programa com as crianças e adolescente
Tabela 86 - O que ganham as pessoas que fazem contato com aquelas que
desejam fazer programa com as crianças e adolescentes
Tabela 87 - Práticas sexuais com as pessoas que facilitam a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 88 - Práticas sexuais pagas às pessoas que fazem contato com aquelas
que desejam fazer programa com crianças e adolescentes
Tabela 89 - Conhecimento da família no tocante às práticas sexuais das
crianças e adolescentes
Tabela 90 - Pessoas da família que desenvolvem as mesmas práticas sexuais
das crianças e adolescentes
Tabela 91 - Quantidade de pessoas da família que desenvolvem as mesmas
práticas sexuais das crianças e adolescentes
Tabela 92 - O que motivaria as crianças e adolescentes a deixarem de fazer
programa
Tabela 93 - Crianças e adolescentes convidados a sair do país
Tabela 94 - Motivo do convite feito às crianças e adolescentes para saírem do
país
Tabela 95 - Crianças e adolescentes, segundo o grau de instrução
Tabela 96 - Crianças e adolescentes que exercem alguma atividade
Tabela 97 - Crianças e adolescentes que procuraram trabalho
Tabela 98 - Rendimento mensal das crianças e adolescentes
Tabela 99 - Pessoas da família que têm uma ocupação
Tabela 100 - Pessoas da família que pressionaram o mercado de trabalho
Tabela 101 - Rendimento mensal da família
Tabela 102 - Contribuição das crianças e adolescente para os rendimentos da
família
Tabela 103 - Contribuição das crianças e adolescentes para o rendimento da
família
16
Tabela 104 - Crianças e adolescentes que contribuem para o rendimento da
família, segundo o gênero e a faixa etária
Tabela 105 - Discriminação dos tipos de estabelecimentos
Tabela 106 - Locais de aplicação dos questionários
Tabela 107 - Ocupação das pessoas entrevistadas
Tabela 108 - Público atendido nos vários tipos de estabelecimentos
Tabela 109 - Atividades mais frequentes realizadas pelos turistas
Tabela 110 - Outras atividades mais frequentes realizadas pelos turistas
Tabela 111 - Motivos da viagem dos turistas
Tabela 112 - Outros motivos das viagens dos turistas
Tabela 113 - Necessidade de documentação para se hospedar no
estabelecimento
Tabela 114 - Documentação exigida pelos estabelecimentos quando da
hospedagem dos clientes
Tabela 115 - Estabelecimentos associados a alguma entidade de classe
Tabela 116 - Entidades as quais os meios de hospedagem são associados
Tabela 117 - Obtenção de informações das entidades sobre o enfrentamento à
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 118 - Políticas dos hotéis sobre a questão da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 119 - Conhecimento dos entrevistados de legislações sobre o turismo
e/ou exploração sexual
Tabela 120 - Permissão dos estabelecimentos para hospedagem de crianças e
adolescentes nos estabelecimentos
Tabela 121 - Circunstâncias em que há permissão da entrada de crianças e
adolescentes nos meios de hospedagem
Tabela 122 - Percepção sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes
na cidade
Tabela 123 - Opinião sobre a área mais visível de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 124 - Outras opiniões sobre qual área a exploração sexual de crianças
e adolescentes é mais visível
17
Tabela 125 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Tabela 126 - Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Tabela 127 - Formas como as crianças e adolescentes são afetados com a
prática de incentivos à exploração sexual
Tabela 128 - Opinião sobre as ações que normalmente acontecem no hotel /
pousada / flat
Tabela 129 - Opinião dos entrevistados sobre qual categoria profissional mais
contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 130 - Outras opiniões sobre qual segmento envolvido no turismo mais
contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes
em Fortaleza
Tabela 131 - Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 132 - Composição da rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 133 - Formas de agir dos integrantes da rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 134 - Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Tabela 135 - Atitudes tomadas quando presenciaram colegas de profissão
facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 136 - Como o turismo afeta a prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes na cidade
Tabela 137 - Formas de hotéis / pousadas / flats serem afetados pela prática
de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 138 - Outras formas de hotéis / pousadas / flats serem afetados pela
prática de exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 139 - Estratégias utilizadas para informar sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 140 - Outras estratégias adotadas para informar sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescente
18
Tabela 141 - Opinião dos entrevistados sobre a formação dos grupos de
turistas
Tabela 142 - Outras opiniões dos entrevistados sobre a formação dos grupos
de turistas
Tabela 143 - Principal intermediário / influenciador da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 144 - Outros intermediários / influenciadores da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 145 - Entrevistados que presenciaram a exploração sexual de crianças
e adolescentes
Tabela 146 - Locais onde os entrevistados presenciaram a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 147 - Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 148 - Dia da semana de maior frequência da ocorrência de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 149 - Período do dia em que é mais frequente a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 150 - Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Tabela 151 - Outros locais em que os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Tabela 152 - Locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é
mais frequente
Tabela 153 - Outros locais onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais frequente
Tabela 154 - Locais em que o turista costuma frequentar com crianças e
adolescentes
Tabela 155 - Outros locais em que o turista costuma frequentar com crianças e
adolescentes
Tabela 156 - Opinião no que se refere ao que mais influencia na exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 157 - Outras opiniões no tocante ao que mais influencia na exploração
sexual de crianças e adolescentes
19
Tabela 158 - Ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 159 - Outras ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 160 - Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 161 - Formas de denúncias conhecidas no tocante à prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 162 - Local de aplicação
Tabela 163 - Público que mais utiliza os serviços de táxis da orla marítima e os
bairros da Serrinha e do Lagamar
Tabela 164 - Outros usuários dos serviços de táxis da orla marítima e os
bairros da Serrinha e do Lagamar
Tabela 165 - Percepção dos taxistas sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade
Tabela 166 - Outras percepções dos taxistas sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes na cidade
Tabela 167 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 168 - Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 169 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Tabela 170 - Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Tabela 171 - Formas em que as crianças e adolescentes são afetados com a
prática da exploração sexual
Tabela 172 - Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com a
atividade de taxista
Tabela 173 - Outras relações da exploração sexual de crianças e adolescentes
com a atividade de taxista
Tabela 174 - Opinião dos taxistas sobre se existe uma rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes na cidade
Tabela 175 - Opinião dos taxistas sobre a composição da rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
20
Tabela 176 - Segmento apontado como o principal intermediário/influenciador
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 177 - Outros segmentos apontados como o principal
intermediário/influenciador da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 178 - Formas dos segmentos apontados contribuírem para a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 179 - Taxistas que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Tabela 180 - Atitudes tomadas pelos taxistas, quando da presença de colegas
de profissão facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 181 - Opinião dos taxistas sobre se a divulgação, no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o
turismo de Fortaleza
Tabela 182 - Opinião dos taxistas sobre em que a divulgação, no que se refere
às práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes,
afeta o turismo na cidade
Tabela 183 - Taxistas afetados com as práticas de incentivo à exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 184 - Opinião sobre como os taxistas são afetados com as práticas de
incentivo à exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 185 - Estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 186 - Outras estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a
exploração sexual de crianças em Fortaleza
Tabela 187 - Taxistas que pertencem a alguma entidade de classe/cooperativa
Tabela 188 - Entidade a qual pertencem os taxistas
Tabela 189 - Opinião dos taxistas sobre a formação dos grupos de turistas
Tabela 190 - Outras opiniões dos taxistas sobre a formação dos grupos de
turistas
Tabela 191 - Taxistas que já presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
21
Tabela 192 - Local em que o taxista presenciou a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 193 - Opinião dos taxistas no tocante à frequência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 194 - Opinião dos taxistas sobre qual dia da semana é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 195 - Opinião dos taxistas sobre o período do ano, onde é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 196 - Outras opiniões dos taxistas sobre o período do ano, onde é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 197 - Opinião dos taxistas sobre qual turno do dia é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 198 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Tabela 199 - Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Tabela 200 - Opinião dos taxistas sobre o local onde a exploração sexual de
crianças e adolescentes é mais praticada
Tabela 201 - Outros locais, na opinião dos taxistas, onde a exploração sexual
de crianças e adolescentes é mais praticada
Tabela 202 - Opinião dos taxistas sobre a forma que acontece a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 203 - Identificação de aliciadores intermediando a prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 204 - Aliciadores identificados pelos taxistas intermediando a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 205 - Local mais frequente de permanência de turista, que busca a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 206 - Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que
busca a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 207 - Faz corrida com casais em condição de exploração sexual
Tabela 208 - Trajeto da corrida com casais em condições de exploração sexual
Tabela 209 - Opinião dos taxistas sobre as razões que mais influenciam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
22
Tabela 210 - Outras razões que mais influenciam a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 211 - Opinião dos taxistas sobre o que poderia ser feito para combater
a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 212 - Outras opiniões dos taxistas sobre quais medidas poderiam ser
tomadas para combater a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 213 - Conhecimento se as cooperativas/sindicato dos taxistas têm
alguma política ou ação de enfrentamento da exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 214 - Política ou ação de enfrentamento da exploração sexual de
crianças e adolescentes das cooperativas/sindicato dos taxistas
Tabela 215 - Conhecimento dos taxistas no tocante às formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 216 - Conhecimento dos taxistas sobre as formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 217 - Entidades onde os taxistas fariam as denúncias de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 218 - Outras entidades onde os taxistas fariam denúncias sobre a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 219 - Conhecimento dos taxistas sobre a diferença entre exploração
sexual e prostituição
Tabela 220 - Entendimento dos taxistas no que se refere ao conceito de
exploração sexual e prostituição
Tabela 221 - Atividades desenvolvidas pelos ambulantes
Tabela 222 - Público que mais frequenta a orla marítima e os bairros da
Serrinha e do Lagamar
Tabela 223 - Outras pessoas que mais frequentam a orla marítima e os bairros
da Serrinha e do Lagamar
Tabela 224 - Percepção dos ambulantes sobre a exploração sexual de crianças
e adolescentes
23
Tabela 225 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 226 - Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 227 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 228 - Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 229 - Formas em que as crianças e adolescentes são afetadas com a
prática da exploração sexual
Tabela 230 - Ações relacionadas com a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes que normalmente acontecem
Tabela 231 - Outras ações relacionadas com a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes que normalmente acontecem
Tabela 232 - Opinião dos ambulantes sobre se existe uma rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 233 - Opinião dos ambulantes sobre a composição da rede de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 234 - Opinião dos ambulantes sobre o segmento envolvido no turismo
que mais contribui para a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 235 - Outras opiniões dos ambulantes sobre os segmentos envolvidos
no turismo que mais contribuem para a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 236 - Formas dos ambulantes contribuírem para a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 237 - Ambulantes que presenciaram colegas da categoria facilitando a
prática da exploração sexual
Tabela 238 - Atitudes tomadas pelos ambulantes, quando da presença de
colegas da categoria facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 239 - Opinião dos ambulantes sobre de que forma a exploração sexual
de crianças e adolescentes afeta o turismo
Tabela 240 - Opinião dos ambulantes sobre a formação dos grupos de turistas
Tabela 241 - Ambulantes que presenciaram momentos de exploração sexual
de crianças e adolescentes
24
Tabela 242 - Local em que o ambulante assistiu a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 243 - Opinião dos ambulantes, no tocante à frequência de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 244 - Opinião dos ambulantes sobre qual dia da semana é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 245 - Opinião dos ambulantes sobre o período do ano, em que é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 246 - Opinião dos ambulantes sobre em qual turno do dia é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 247 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Tabela 248 - Opinião dos ambulantes sobre a identificação de aliciadores
intermediando a prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 249 - Aliciadores que intermedeiam a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 250 - Local mais frequente de permanência de turista, que busca a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 251 - Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que
busca a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 252 - Opinião dos ambulantes sobre de que forma acontece a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 253 - Opinião dos ambulantes sobre as razões que mais influenciam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 254 - Opinião dos ambulantes sobre outras razões que mais
influenciam a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 255 - Opinião dos ambulantes sobre o que poderia ser feito para
combater a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 256 - Opinião dos ambulantes sobre outras medidas que poderiam ser
tomadas para combater a exploração sexual de crianças e
adolescentes
25
Tabela 257 - Conhecimento dos ambulantes no tocante às formas de
denúncias existentes da prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes
Tabela 258 - Formas de denúncias existentes da prática da exploração sexual
de crianças e adolescentes, do conhecimento dos ambulantes
Tabela 259 - Outras formas de denúncias existentes da prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes, do conhecimento dos
ambulantes
Tabela 260 - Conhecimento dos ambulantes sobre a diferença entre exploração
sexual e prostituição
Tabela 261 - Entendimento dos ambulantes no que se refere ao conceito de
exploração sexual e prostituição
Tabela 262 - Discriminação dos tipos de estabelecimentos
Tabela 263 - Locais de aplicação dos questionários
Tabela 264 - Ocupação das pessoas entrevistadas
Tabela 265 - Público atendido nos vários tipos de estabelecimentos
Tabela 266 - Outro tipo de pessoas atendidas nos vários tipos de
estabelecimentos
Tabela 267 - Percepção sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 268 - Outras formas de percepção sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 269 - Opinião sobre onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível
Tabela 270 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para nossa cidade
Tabela 271 - Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a nossa cidade
Tabela 272 - Formas de como as crianças e adolescentes são afetadas com a
prática de incentivos à exploração sexual
Tabela 273 - Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com a
atividade das pessoas entrevistadas
Tabela 274 - Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
26
Tabela 275 - Composição da rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 276 - Formas de agir dos integrantes da rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 277 - Principal intermediário / influenciador da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 278 - Outros intermediários / influenciadores da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 279 - Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Tabela 280 - Atitudes tomadas quando presenciaram colegas de profissão
facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 281 - Opinião de que o turismo local é afetado pela divulgação das
práticas de exploração sexual
Tabela 282 - Especificação da opinião de que o turismo local é afetado pela
divulgação das práticas de exploração sexual
Tabela 283 - Formas de bares, restaurantes e boates serem afetados pela
prática de exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 284 - Estratégias utilizadas para evitar a exploração sexual de crianças
e adolescentes
Tabela 285 - Outras estratégias adotadas para evitar a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 286 - Estabelecimentos que pertencem a alguma entidade de classe
Tabela 287 - Entidade de classe que pertencem os estabelecimentos
Tabela 288 - Estabelecimentos que recebem informações no tocante ao
enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 289 - Estabelecimentos que presenciaram a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 290 - Locais dos estabelecimentos que presenciaram a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 291 - Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
27
Tabela 292 - Dia da semana de maior frequência da ocorrência de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 293 - Períodos em que é mais frequente a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 294 - Período do dia em que é mais frequente a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 295 - Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Tabela 296 - Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Tabela 297 - Locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é
mais frequente
Tabela 298 - Outros locais onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais frequente
Tabela 299 - Formas mais praticadas da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 300 - Aliciadores identificados, quando da intermediação da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 301 - Categoria ocupacional dos aliciadores identificados quando da
intermediação da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 302 - Locais mais frequentados pelos turistas acompanhados com
crianças e adolescentes
Tabela 303 - Casos de exploração sexual de crianças e adolescentes,
presenciados em bares, restaurantes e boates
Tabela 304 - Opinião no que se refere ao que mais influencia na exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 305 - Outras opiniões no tocante ao que mais influencia na exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 306 - Ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 307 - Outras ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes
28
Tabela 308 - Conhecimento de que a Associação Brasileira de Bares e
Restaurante – ABRASEL, tem alguma política, ou ação de
enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 309 - Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 310 - Formas de denúncias conhecidas no tocante à prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 311 - Entidades que, inicialmente, receberiam denúncias no tocante à
prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 312 - Outras entidades que, inicialmente, receberiam denúncias no
tocante à prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 313 - Conhecimento sobre a diferença entre exploração sexual e
prostituição
Tabela 314 - Entendimento no que se refere ao conceito de exploração sexual
e prostituição
Tabela 315 - Tipo de vinculação funcional
Tabela 316 - Público que mais utiliza os serviços de guias de turismo
Tabela 317 - Objetivos das atividades desenvolvidas pelos turistas, na opinião
dos guias de turismo
Tabela 318 - Nessas atividades desenvolvidas o que se observa como sendo
motivação dos turistas
Tabela 319 - Outros objetivos dos turistas, quando das atividades
desenvolvidas, na opinião dos guias
Tabela 320 - Percepção dos guias de turismo sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 321 - Outras percepções dos guias de turismo sobre a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 322 - Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 323 - Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
Tabela 324 - Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
29
Tabela 325 - Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes, para a cidade
Tabela 326 - Formas em que as crianças e adolescentes são afetadas com a
prática da exploração sexual
Tabela 327 - Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com a
atividade profissional de guia de turismo
Tabela 328 - Outras relações da exploração sexual de crianças e adolescentes
com a atividade profissional de guia de turismo
Tabela 329 - Opinião dos guias de turismo sobre se existe uma rede de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 330 - Opinião dos guias de turismo sobre a composição da rede de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 331 - Segmento apontado como o principal intermediário/influenciador
da exploração
Tabela 332 - Outros segmentos apontados como o principal
intermediário/influenciador da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 333 - Formas dos segmentos apontados contribuírem para a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 334 - Presença dos guias de turismo, quando da participação de
colegas de profissão facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 335 - Atitudes tomadas pelos guias, quando da presença de colegas de
profissão facilitando a prática da exploração sexual
Tabela 336 - Opinião dos guias sobre se a divulgação no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes afeta o
turismo de Fortaleza
Tabela 337 - Opinião dos guias sobre em que a divulgação, no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o
turismo na cidade
Tabela 338 - Opinião dos entrevistados sobre se as práticas de incentivo à
exploração sexual de crianças e adolescentes afetam o turismo
30
Tabela 339 - Opinião sobre como os guias de turismo são afetados com essas
práticas de incentivo à exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 340 - Estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Tabela 341 - Outras estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 342 - Opinião dos guias de turismo sobre a formação dos grupos de
turistas
Tabela 343 - Guias que já presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 344 - Local em que o guia de turismo presenciou a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 345 - Opinião dos guias de turismo no tocante à frequência de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 346 - Opinião dos guias de turismo sobre qual dia da semana é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 347 - Opinião dos guias de turismo sobre o período do ano em que é
mais frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 348 - Outras opiniões dos guias de turismo sobre o período do ano, em
que é mais frequente a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 349 - Opinião dos guias de turismo sobre qual turno do dia é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 350 - Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Tabela 351 - Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Tabela 352 - Opinião dos guias de turismo sobre o local onde a exploração
sexual de crianças e adolescentes é mais praticada
Tabela 353 - Outros locais, na opinião dos guias de turismo, em que a
exploração sexual de crianças e adolescentes é mais praticada
Tabela 354 - Opinião dos guias de turismo sobre de que forma acontece a
exploração sexual de crianças e adolescentes
31
Tabela 355 - Guias de turismo que identificam aliciadores intermediando a
prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 356 - Aliciadores identificados, pelos guias de turismo, intermediando a
prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 357 - Local mais frequente de permanência de turista, que busca a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 358 - Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que
busca a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 359 - Opinião dos guias sobre o costume de levar turistas com crianças
e adolescentes para passeios
Tabela 360 - Opinião dos guias sobre o local onde costumam levar turistas com
crianças e adolescentes para passeios
Tabela 361 - Opinião dos guias de turismo sobre as razões que mais
influenciam a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 362 - Outras razões que mais influenciam a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 363 - Opinião dos guias de turismo sobre o que poderia ser feito para
combater a exploração sexual de crianças e adolescentes
Tabela 364 - Outras opiniões dos guias de turismo sobre as medidas que
poderiam ser tomadas para combater a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Tabela 365 - Conhecimento de agências de viagem com alguma política ou
ação de enfrentamento da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Tabela 366 - Política ou ação de enfrentamento da exploração sexual de
crianças e adolescentes das agências de viagem
Tabela 367 - Conhecimento dos guias de turismo no tocante às formas de
denúncias existentes da prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes
Tabela 368 - Formas de denúncias existentes da prática da exploração sexual
de crianças e adolescentes, do conhecimento dos guias de
turismo
32
Tabela 369 - Opinião dos guias de turismo sobre para quais entidades
deveriam ser feitas as denúncias da prática de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Tabela 370 - Outros destinatários das denúncias
Tabela 371 - Conhecimento dos guias de turismo sobre a diferença entre
exploração sexual e prostituição
Tabela 372 - Entendimento dos guias de turismo no que se refere ao conceito
de exploração sexual e prostituição
33
SUMÁRIO
1. APRESENTAÇÃO
2. INTRODUÇÃO
3. PERCURSO METODOLÓGICO
4- CENSO
5- ENTREVISTAS
5.1 – Entrevistas com Crianças e Adolescentes Explorados Sexualmente
5.2 – Entrevistas com a cadeia produtiva do turismo
5.3 - GRUPO FOCAL
6.CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
34
1. APRESENTAÇÃO
A ser feita pela Setfor
2. INTRODUÇÃO
As questões sociais que envolvem a situação da infância e da
adolescência têm sido foco constante de análises e reflexões de várias
investigações e ações públicas e civis em diversos países.
Historicamente, o tema vem ganhando relevância desde a aprovação da
Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, a qual consolida os princípios
presentes na Declaração dos Direitos Humanos, aprovada em 1948, pela
Assembléia Geral das Nações Unidas.
Nos anos 2000, um esforço extraordinário de reflexão e sistematização
legal se fez presente através do Protocolo Facultativo para a Convenção sobre
os Direitos da Criança. Este esforço se fundamentou na constatação do
agravamento de práticas relacionadas à comercialização de crianças, abuso e
violência sexual infanto-juvenil, dentre outras práticas abusivas dos direitos
humanos. O Protocolo mencionado expõe com clareza sua fundação, a saber:
“Preocupados com o significativo e crescente tráfico de crianças, com o
propósito de venda de crianças, da prostituição e da pornografia
infantis, a disseminação e a continuidade da prática do turismo sexual,
aos quais as crianças são especialmente vulneráveis, uma vez que
promove diretamente a venda de crianças, a prostituição e a
pornografia infantis” (ONU: 2002).
Em consonância com as sistematizações legais acima mencionadas,
outra normativa internacional, que incide especificamente sobre a prática do
35
turismo, é a sistematização do Código de Ética Mundial do Turismo pela
Organização Mundial do Turismo (OMT), o qual cria um marco de referência
para o desenvolvimento responsável e sustentável do turismo mundial
atendendo à necessidade de estabelecimento de novos parâmetros para tal
atividade nessa nova tessitura social contemporânea. Tal Código expõe a
compreensão que: “(...) por permitir contatos diretos, espontâneos e imediatos
entre homens e mulheres de culturas e modos de vida diferentes, o turismo
representa uma força viva a serviço da paz, bem como um fator de amizade e
compreensão entre os povos do mundo.”.
Seguindo esse pressuposto KRIPPENDORF (2000, p. 138) argumenta:
“Não se pode mais centralizar o turismo exclusivamente nas finalidades
econômicas e técnicas, deve-se respeitar o meio ambiente, e levar em
conta as necessidades de todos. Em outras palavras uma política do
turismo que respeite o ser humano e o meio ambiente deve buscar o
seguinte objetivo principal: assegurar e otimizar a satisfação das
múltiplas necessidades turísticas dos indivíduos de todos as camadas
sociais no âmbito das instalações adequadas e num meio ambiente
intacto, levando em consideração os interesses da população
autóctone.”
Dessa forma, observa-se nas concepções atuais e globais do turismo
uma fundamentação que busca a implementação de uma prática ética e
humana dessa atividade, sendo esta amadurecida e apoiada por conferências
e organismos internacionais, seguindo princípios claros de responsabilidade
social e do desenvolvimento sustentável, respeitando, sobretudo, os direitos
humanos e sociais, a não dilapidação do patrimônio histórico e cultural dos
locais visitados e a preservação de uma atitude política e ecologicamente
correta em relação ao meio ambiente e ao meio social onde se desenvolve a
prática de viajar e conhecer novos mundos.
No entanto, o desvirtuamento dessa concepção de turismo tem sido
praticado de maneira recorrente. A despeito dessas normativas internacionais e
36
das leis brasileiras, que legitimam tais decisões dos organismos mundiais pela
defesa dos direitos humanos e, particularmente, dos direitos de crianças e
adolescentes, a prática do turismo com fins sexuais vem-se consolidando e se
espraiando, apoiada por uma complexa rede de exploração sexual e comercial
de crianças e adolescentes ligadas ao turismo, principalmente em estados e
cidades estratégicas e litorâneas, como bem afirma FALEIROS (1998: p.86).
“O mercado não é, pois, comandado por uma mão invisível. Aí se formam
redes, organizações, agentes de exploração do corpo para se obter lucro
ou dinheiro sobre diferentes formas: compra e venda de crianças, leilões
de virgindade, pornoturismo, bordéis, tráfico, pornografia. Usam-se hotéis,
motéis, agências de turismo, rede de tráfico, internet, “agentes da noite”,
centros de diversão, comércio de saunas e massagens, pontos de bares
e restaurantes, funcionários de empresas, policiais. As redes envolvem
grupos de aficcionados ou viciados, de pedófilos, não raro de várias
camadas sociais.”
O Ceará caracteriza-se como um estado que se encontra com uma
localização geográfica estratégica em relação às rotas aéreas internacionais,
bem como é conhecido pelas suas belezas naturais e humanas. Além disso,
diferencia-se por altos índices de desigualdades sociais e econômicas,
tornando-se por tais fatores, dentre outros, um terreno consolidado da
exploração comercial e sexual de seres humanos.
A Capital do estado, que se sustenta economicamente de parte do fluxo
econômico gerado pelo turismo, oferece uma estrutura de lazer de qualidade e
de variados serviços. No entanto, por “trás das cortinas” de nossa bela
estrutura encontram-se práticas legitimadoras, e por vezes, fomentadoras
desse gênero de atividade turística criminosa, constituindo-se em pólo central
do turismo sexual e de suas variadas formas de violência e afronta aos direitos
humanos.
A responsabilidade social do turismo e seus impactos sociais,
econômicos, ambientais e culturais estão, pelas leis atuais, intimamente
37
vinculados ao desenvolvimento sustentável e socialmente responsável,
gerando postos de trabalhos dignos e movimentando uma economia favorável
à diminuição da miséria e das diferenças sociais, bem como oportunizando
uma melhor qualidade de vida àqueles que se vinculam ao lazer e ao bemestar de tantos visitantes externos e internos.
Diante de tais afirmações e da realidade da exploração sexual praticada
por meio da atividade turística, constata-se que este setor pode estar
invertendo sua lógica, sua fundamentação ética e sua função social. Tal
inversão condiciona-se a posturas que afirmam a negociação de vidas, a
alimentação da criminalidade, dentre outras ações avessas à promoção da
qualidade da vida humana. Como bem afirma FALEIROS:
“A exploração sexual comercial de crianças e adolescentes não se
configura, em geral, como uma relação individual de um agressor ou
explorador. Ela se constitui em rede, na busca de clientes para um
mercado do corpo, sem a opção de quem é usado, na busca do lucro,
com a sedução do prazer. Ela desconstrói e destrói as relações de
proteção, de direito e aprendizagem da autonomia, pela intermediação
do corpo e mercantilização da infância. O corpo da criança e do
adolescente se transforma em valor de uso e em valor de troca em
âmbito nacional ou internacional. (FALEIROS: 1998: p. 85)
Pela gravidade da questão social provocada pela exploração sexual de
crianças e adolescentes, é que os poderes públicos - em suas diversas
instâncias - objetivam o entendimento da realidade atual do turismo
desenvolvido em nosso país e preocupam-se em seguir as orientações
mundiais da humanização do turismo e efetivar uma política de enfrentamento
a todas as formas de violência, exploração e abusos contra os seres humanos.
No que diz respeito à mobilização social e dos poderes públicos, várias
ações têm sido empreendidas no sentido de compreender o fenômeno do
turismo sexual, da comercialização sexual, da violência contra mulheres e
homens, crianças e adolescentes.
38
Nesse sentido, esta pesquisa busca contribuir para o desvelamento da
realidade vivenciada por crianças e adolescentes de Fortaleza, que são
explorados(as)
sexualmente
e,
principalmente,
compreender
qual
o
envolvimento e a responsabilidade do turismo nesta prática de exploração.
A partir do entendimento desta realidade é que os setores envolvidos
com a promoção do turismo e o Poder Público em geral poderão gerar ações
mais significativas, em termos de enfrentamento coletivo da exploração sexual
de crianças e adolescentes pelo turismo em Fortaleza.
Como
primeira
parte
da
pesquisa,
apresenta-se
o
percurso
metodológico, que foi trilhado cuidadosamente, composto por: objetivos e
área de abrangência, sujeitos do estudo, recorte espacial da pesquisa e análise
metodológica.
Na análise metodológica, faz-se uma referência a todos os momentos da
pesquisa, desde a elaboração do projeto, a forma de aprovação deste e a
readequação metodológica. Também se descrevem a seleção e a capacitação
da equipe, a realização da pesquisa bibliográfica e documental e a pesquisa
direta por meio de entrevista e grupo focal.
A análise dos dados compõe a segunda parte da pesquisa. Nesta,
expõe-se os dados coletados no censo, na entrevista com as crianças e
adolescentes e com a cadeia produtiva do turismo, em seus cinco segmentos:
guias de turismo, bares e restaurantes, meios de hospedagem, taxistas e
ambulantes e no grupo focal.
Tais dados são mostrados em tabelas, gráficos, bem como são
referenciadas as falas dos sujeitos desta pesquisa, devidamente registradas
nos diários de campo dos pesquisadores, qualificando assim os dados
quantitativos coletados, seguidas de sua análise. Os momentos que se seguem
à análise são compostos por explanação geral do software - criado
39
exclusivamente para sistematização e exposição dos dados coletados nesta
pesquisa, as considerações finais e recomendações e, por fim, as
referências bibliográficas utilizadas por seus autores para o entendimento
desta problemática e suas incursões específicas.
Com esta pesquisa objetiva-se contribuir com um olhar especializado
sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes, no contexto particular
da cidade de Fortaleza, e entender a contribuição da atividade turística para a
consecução ou agravamento de tal prática. Com isso, acredita-se ser possível
fundamentar a sistematização de políticas públicas específicas, que contribuam
de forma significativa para o enfrentamento da exploração sexual de crianças e
adolescentes em nossa cidade.
40
3. PERCURSO METODOLÓGICO
A pesquisa sociológica é um meio eficaz de conhecimento especializado sobre
determinado fenômeno social. Nesse sentido, ela serve para que se possa
adentrar em universos familiares e\ou desconhecidos e fazer uma reflexão
sobre dada realidade.
A pesquisa ora apresentada teve como objetivo geral a ser perseguido o
levantamento de dados sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes
relacionada à atividade turística de Fortaleza, sobretudo, procurando apoiar
políticas públicas dessa área voltadas para o enfrentamento desse fenômeno.
OBJETIVO GERAL
Dimensionar e contextualizar as causas da exploração sexual de
crianças e adolescentes, ligadas à atividade turística de Fortaleza, de forma a
apoiar políticas de enfrentamento desse fenômeno.COLOCAR IGUAL AO
EDITAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
•
Dimensionar a Rede de Exploração Sexual Comercial de Crianças e
Adolescentes ligadas ao turismo em Fortaleza.
•
Compreender a relação entre exploração sexual de crianças e adolescentes
e o turismo em Fortaleza.
Identificar o perfil do explorado e do explorador e quantificar casos de
exploração sexual de crianças e adolescentes a ingressarem em Redes de
Exploração Sexual. COLOCAR IGUAL AO EDITAL
•
Investigar as causas que levam crianças e adolescentes a ingressarem em
Redes de Exploração Sexual.
•
Contribuir na construção de políticas e ações de enfrentamento à
exploração sexual de crianças e adolescentes, especialmente vinculada ao
turismo.
41
SUJEITOS DO ESTUDO
A proposta levada a cabo nesta pesquisa é, portanto, investigar a situação de
exploração sexual relacionadas ao turismo em que se encontram crianças e
adolescentes de Fortaleza e mapear os atores da cadeia produtiva do turismo,
a saber, barraqueiros, guias de turismo, profissionais de bares, restaurantes e
boites, taxistas e mototaxistas, profissionais dos meios de hospedagem
COLOCAR A FINALIDADE DESSE MAPEAMENTO.
RECORTE ESPACIAL DA PESQUISA: Aspectos Gerais
A constituição da base empírica da pesquisa ocorreu, inicialmente, num
enfoque quantitativo, a partir da realização de um levantamento direto de dados
com a população infanto-juvenil, envolvida na exploração sexual, na cidade de
Fortaleza, tendo como área de abrangência a extensão da orla marítima,
compreendendo desde a Barra do Ceará até a Praia do Futuro, incluindo
também os bairros do Lagamar e Serrinha.
Em seguida, na mesma área de abrangência e sob o mesmo enfoque,
procede-se a um novo levantamento direto, na cadeia produtiva do turismo,
envolvendo as atividades bares, restaurantes, barracas de praia, boates, guias
de turismo, hotéis / pousadas, taxistas e a categoria dos ambulantes fixos e
itinerantes.
Num enfoque qualitativo, adotou-se a técnica da entrevista, com a
elaboração de diários de campo, e a técnica do grupo focal. A entrevista
aplicada teve um roteiro estruturado com questões abertas e fechadas
aplicadas ao grupo de crianças e adolescentes e aos setores da cadeia
produtiva escolhidos para esta pesquisa.
Considerando a inexistência de informações sobre o número de crianças
e adolescentes vítimas da exploração sexual nas áreas da pesquisa, inicia-se o
42
procedimento de formação da base empírica, a partir de um levantamento
censitário, na perspectiva de conhecer as características da população-alvo,
para, em seguida, em função do tamanho da população, determinar uma
amostra que tenha correlação direta com o objeto do estudo. Nesse sentido,
foram implementadas as seguintes etapas:
Reconhecimento da Área
Uma equipe de pesquisadores devidamente treinados, após uma
subdivisão da área de pesquisa, por parte da equipe técnica, permaneceu na
orla marítima, que compreende desde a Barra do Ceará até a Praia do Futuro e
mais os bairros do Lagamar e Serrinha, durante um período de três dias.
Nesse período, além do reconhecimento da área, os pesquisadores
procuraram se familiarizar com a forma de comunicação entre as crianças e
adolescentes vítimas da exploração sexual, com o objetivo de superar alguma
dificuldade de abordagem, quando da aplicação dos questionários.
Além dessas duas atividades, também se procedeu a uma identificação
das áreas ou setores da economia envolvidos com a exploração sexual infantojuvenil, constituindo-se, dessa forma, o tamanho da população-alvo da
pesquisa a ser realizada na cadeia produtiva.
Divisão Espacial da Área de Pesquisa
A equipe técnica da pesquisa, a partir das informações coletadas no
reconhecimento da área, procedeu à divisão espacial de todas as localidades
de abrangência da pesquisa, definindo o número de pesquisadores que deveria
realizar o levantamento censitário, com as crianças e adolescentes. Em
seguida, foi elaborado um questionário contendo as variáveis: nome; apelido;
sexo; idade; grau de instrução; bairro que reside e; a procedência, ou seja, se é
ou não migrante. CORREÇÃO DAS PONTUAÇÕES
43
Levantamento Censitário:
Durante o levantamento censitário, foram cadastradas todas as crianças
e adolescentes suspeitas de exploração sexual, num período mínimo de duas
semanas. Considerando que as pessoas não permanecem num ponto fixo,
previu-se a incidência de registros repetidos de crianças e adolescentes. Para
corrigir essa incidência, a partir do desenvolvimento de um software e tendo
como referência as variáveis mencionadas anteriormente, foram excluídas as
repetições, compondo-se dessa forma o número de elementos da populaçãoalvo, por localidade e segundo as variáveis, sexo e faixa etária, conforme os
números constantes na Tabela a seguir.
Tabela 1
Tamanho da população-alvo, segundo as localidades e as variáveis
sexo e faixa etária
Fortaleza
Janeiro/2008
Faixa etária / sexo
Localidades
< 14 anos
14 |-- 16
16 |-- 18
Não
informou
Total
Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem. Mas. Fem.
Barra do Ceará
__
__
__
01
__
01
__
__
02
Praia
__
02
08
08
13
20
__
02
53
Beira Mar
15
06
07
16
06
09
__
__
59
Praia do Futuro
01
04
__
__
__
01
__
__
06
Lagamar
__
__
__
__
__
__
__
__
__
Serrinha
__
__
03
01
01
__
__
__
05
Castelão
__
__
02
05
__
05
__
__
15
16
12
20
33
21
36
__
02
140
de
Iracema
Total
44
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Formação do Painel Amostral
Após a realização do censo, principiou-se a formação do painel
amostral. Inicialmente, adotou-se um nível de confiança de 95,00%, o que
estabelece um escore de 1,96 sob a curva de Gauss; um erro de amostragem
de 4,00% e uma variância máxima de 0,25.
Nesse contexto, estima-se uma amostra de 114 questionários.
Considerando que foram adicionados ao painel amostral 15 questionários, em
razão da divisão proporcional e espacial do número de questionários entre os
pesquisadores, tem-se como amostra definitiva um total de 129 entrevistas.
Com a expansão do tamanho inicial da referida amostra, mantendo-se os
parâmetros acima mencionados, reduz-se o erro de amostragem para 2,45%,
ampliando-se, dessa forma, o grau de fidedignidade dos estimadores. A Tabela
a seguir apresenta a formação do painel amostral, por localidade e segundo as
variáveis sexo e faixa etária.
Tabela 2
Número de entrevistas aplicadas, segundo as áreas de pesquisa,
em função das variáveis sexo e faixa etária
Fortaleza
Janeiro / 2008
Faixa etária / sexo
Localidades
< 14 anos
14 |-- 16
16 |-- 18
Total
Mas.
Fem.
Mas.
Fem.
Mas.
Fem.
Barra do Ceará
__
__
__
01
__
01
02
Praia de Iracema
01
01
05
10
12
16
45
Beira Mar
10
06
08
14
07
08
53
Praia do Futuro
__
__
__
02
01
01
04
Lagamar
__
__
01
02
02
03
08
Serrinha
__
__
02
01
01
__
04
Castelão
__
01
02
04
03
03
13
45
Total
11
08
18
34
26
32
129
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Pesquisa da Cadeia Produtiva do Turismo
A segunda pesquisa, também realizada nas mesmas áreas de
abrangência citadas no tópico anterior, aconteceu na cadeia produtiva do
turismo, complementando, assim, o acervo de indicadores quantitativos, em
busca de uma melhor compreensão do objeto do estudo.
Nesse contexto, trabalharam-se isoladamente as amostras probabilísticas,
aplicadas em três subpopulações distintas. A primeira, denominada atividades
diversas, incluem-se os bares e restaurantes; barracas da Avenida Beira Mar,
da Praia de Iracema, da Barra do Ceará e da Praia do Futuro; boates
existentes na orla marítima; guias de turismo e mais hotéis / pousadas. A
segunda tem como integrantes os taxistas, especificamente das localidades:
Dragão do Mar, Pirata, Igreja de São Pedro, Tia Nair, Mc´Donalds, Feirinha do
Náutico, Vela Mar Hotel, Peixada do Meio, Barraca Croco Beach, Barraca Vila
Galé, Barraca Chico do Carangueijo, Barraca Atlantidz, Serrinha e Lagamar.
Por último, integram mais uma subpopulação o conjunto dos ambulantes fixos
e itinerantes da orla marítima.
Formação das Populações-Alvo
A formação do número de elementos da subpopulação, denominada de
“atividades diversas”, aconteceu a partir de um levantamento secundário de
informações nas Secretarias do Turismo do Estado do Ceará e a Secretaria de
Turismo de Fortaleza.
46
A subpopulação dos taxistas, considerando a inexistência de um
cadastro, procedeu-se a uma contagem, durante um período de dois dias, em
toda a orla marítima e mais nos bairros da Serrinha e Lagamar. É importante
destacar o fato da identificação do número de táxis ter ocorrido em função das
vagas demarcadas nas várias localidades de abrangência da pesquisa,
mencionadas no tópico anterior.
Especificamente sobre a subpopulação dos ambulantes fixos e
itinerantes de toda a orla marítima, toma-se como referência, para identificar o
seu tamanho, um estudo realizado pela Secretaria de Desenvolvimento
Econômico – SDE, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, no ano de 2006, onde
consta um cadastro de 540 ambulantes fixos e 560 ambulantes itinerantes.
A Tabela a seguir dispõe o número de elementos que integram as três
subpopulações consideradas como de referência para a realização da pesquisa
na cadeia produtiva turismo. Acrescente-se que o item atividades diversas
consta na Tabela 4, de forma desagregada.
Tabela 3
Tamanho das subpopulações, segundo as denominações específicas
Subpopulações
Quantidade de elementos
Atividades diversas
1.128
Táxis
423
Ambulantes fixos
560
Ambulantes itinerantes
540
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Formação do Painel Amostral
Tendo como referência o tamanho das subpopulações, iniciou-se o
processo de formação dos painéis amostrais, estabelecendo-se os parâmetros
determinantes do grau de fidedignidade dos estimadores a serem produzidos, a
partir do tratamento das variáveis arroladas na pesquisa.
47
•
Atividades Diversas:
Tendo como referência as informações constantes na Tabela anterior,
esta subpopulação tem 1.128 elementos. Para o cálculo da amostra, adotou-se
um modelo de amostragem casual proporcional para população finita,
estabelecendo um erro de amostragem de, aproximadamente, 7,40%; um nível
de confiança de 95,00%, o que define um escore sob a curva de Gauss de
1,96, e mais uma variância máxima, decorrente da aplicação de uma proporção
de sucesso da ordem de 50,00%. Com isso, estimou-se uma amostra de 134
questionários.
A Tabela a seguir apresenta a divisão proporcional da amostra, em
função do número de estabelecimentos das atividades que integram esta
subpopulação e a sua representação relativa, demonstrando com isso elevado
nível de representação.
Tabela 4
Painel amostral da subpopulação atividades diversas e a sua
representação relativa
Atividades
Estabelecimentos Amostra
(B/A) x
(A)
(B)
100
Bares e restaurantes
50
06
12,00
Barracas Beira Mar / Praia de Iracema
30
04
13,00
Barracas Barra do Ceará
10
01
10,00
Barracas Praia do Futuro
90
11
12,22
Boates
04
01
25,00
Guias de turismo
800
94
11,75
Hotéis / Pousadas
114
17
14,91
1.128
134
11,88
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
48
•
Taxistas
Após o levantamento realizado em toda a orla marítima, nas áreas
específicas da pesquisa, foram registrados 423 pontos de táxis, compondo-se,
dessa forma, a segunda subpopulação do estudo. No tocante à formação do
painel amostral, trabalhou-se um modelo de amostragem casual proporcional
para população finita e que, para a formação do painel amostral, adotou-se um
erro de amostragem de, aproximadamente, 8,70% e um nível de confiança de
90,00%, o que define um escore sob a curva de Gauss de 1,64. Considerando
a ausência de informações acerca do grau de homogeneidade das
características da subpopulação em questão, utilizou-se como variável
determinante do tamanho da amostra uma proporção de sucesso da ordem de
50,00%, estimando-se com isso um painel de 74 questionários.
A Tabela a seguir apresenta a divisão proporcional da amostra, em
função do número de pontos de táxis de acordo com as localidades e mais a
sua representação relativa, demonstrando com isso elevado nível de
representação.
Tabela 5
Painel amostral da subpopulação de taxistas e a sua
representação relativa
Pontos de
Amostra
(B/A) x
taxis (A)
(B)
100
Dragão do Mar
53
09
16,98
Pirata
45
07
15,56
Igreja de São Pedro
25
04
16,00
Tia Nair
18
03
16,67
Mc´Donalds
28
05
17,86
Feirinha do Náutico
34
06
17,65
Vela Mar Hotel
09
02
22,22
Localidades
49
Samburá Praia Hotel
07
01
14,29
Peixada do Meio
08
01
12,50
Barraca Croco Beach
40
07
17,50
Barraca Vila Galé
14
02
14,29
Barraca Chico do Carangueijo
13
02
15,38
Barraca Atlantidz
16
7
43,75
Barraca Coco Beach
43
07
16,28
Serrinha
25
04
16,00
Lagamar
45
07
15,56
423
74
17,49
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
•
Ambulantes Fixo e Itinerante
Tendo-se como referência a realização de um levantamento censitário,
realizado com a categoria dos ambulantes ocupados na orla marítima, feito
pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico – SDE, da Prefeitura Municipal
de Fortaleza, foram relacionados 540 ambulantes fixos e 560 da categoria de
ambulantes itinerantes.
A partir dessas informações, iniciou-se a definição do painel amostral,
adotando um modelo de amostragem casual proporcional para população finita,
estabelecendo um erro de amostragem de, aproximadamente, 10,00%; um
nível de confiança de 90,00%, o que define um escore sob a curva de Gauss
de 1,96, e mais uma variância máxima, decorrente da aplicação de uma
proporção de sucesso da ordem de 50,00%. Com isso, estimou-se uma
amostra de 51 ambulantes fixos e 57 itinerantes.
A Tabela a seguir apresenta a divisão proporcional da amostra, levando
em consideração o número de ambulantes, segundo a respectiva subcategoria
e mais a representação relativa da amostra.
50
Tabela 6
Painel amostral da subpopulação dos ambulantes fixos e itinerantes
População
Amostra
(B/A) x
(A)
(B)
100
Ambulante Fixo
540
51
9,44
Ambulante Itinerante
560
57
10,18
1.100
108
9,82
Subcategorias
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
ETAPAS METODOLÓGICAS:
A. Elaboração do Projeto, Aprovação do Projeto e Readequação
Metodológica
A equipe de elaboração foi composta pela Coordenação Técnica da
Pesquisa que sistematizou uma proposta em acordo com o edital de tomada de
preços nº03/2007/SETFOR. As partes constituintes do projeto de pesquisa
foram: I. Introdução; II. A Situação da Infância e da Adolescência: Análises e
Reflexões nas Dimensões Geral e Local e a Exploração Sexual Infanto-Juvenil
no Turismo; III. As Políticas Públicas Nacionais, Estaduais e Municipais do
Turismo e os Direitos da Criança e do Adolescente; Análise Quantitativa e
Qualitativa da Exploração Sexual Infanto-Juvenil no Turismo de Fortaleza.
Após essa primeira reformulação, o Projeto foi sendo readequado às
necessidades advindas das demandas do cotidiano da Pesquisa. Dentre as
reformulações realizadas vale mencionar a opção pela realização de um censo
antes da aplicação das entrevistas com crianças e adolescentes. Outra
importante decisão da equipe de pesquisa constituiu-se na opção pela nãoinvestigação das famílias das crianças e adolescentes vítimas da exploração
sexual, tendo em vista a delicadeza da exposição da condição de vida de tais
51
sujeitos pesquisados às suas famílias. Em relação aos setores da cadeia
produtiva do turismo, a equipe optou por investigar os cinco setores mais
representativos desta e que poderiam ter implicações diretas com a exploração
sexual de crianças e adolescentes.
Outro cuidado metodológico na condução da Pesquisa foi a escolha de
um supervisor de campo que entendesse as implicações da questão social
tratada nesta Pesquisa e que tivesse envolvimento com as práticas de
pesquisa sociológica – observação participante, entrevista, formulação de
diário de campo, dentre outras.
Outro fator determinante da qualidade da pesquisa foi a escolha dos
pesquisadores. A estes conferia um importante papel de contato direto com a
realidade e a coleta de dados essenciais a esta. Necessário era, pois, que
esses pesquisadores - além do supervisor de campo - também tivessem
estudos e experiência com pesquisa de tal natureza e com o público a que ela
envolve.
Após essas readequações e escolhas necessárias da Pesquisa, a
Coordenação Técnica desenvolveu de forma concomitante a pesquisa
bibliográfica e documental, para o aprofundamento teórico e as demais etapas
necessárias à pesquisa de campo, quais sejam: seleção e capacitação dos
pesquisadores, elaboração do formulário do censo, formulação do roteiro de
entrevista e realização da pesquisa de campo em suas diversas fases.
B. Seleção e Capacitação da Equipe
A etapa de seleção dos pesquisadores ocorreu mediante seleção pública
divulgada nas principais universidades públicas e privadas, que têm cursos
relacionados às Ciências Humanas (Sociologia, Pedagogia, Serviço Social,
dentre outras) e de instituições do ensino superior, que têm o curso de
Turismo. A divulgação nas instituições de ensino superior foi feita via contato
com as Pró-Reitorias de Políticas Estudantis e, diretamente, mediante contato
52
telefônico com a Coordenação dos cursos indicados para a participação na
pesquisa. Cada universidade e/ou faculdade divulgou a seleção aos seus
estudantes, via contato direto ou por meio dos órgãos de representação
estudantil.
Em seguida, foi feita uma seleção dos currículos enviados, no período
divulgado, à Zaytec ou para o e-mail dos coordenadores da pesquisa. Depois,
foram feitas entrevistas e, assim, selecionados os pesquisadores.
O treinamento dos pesquisadores foi realizado em três (3) momentos, a
saber, um primeiro voltado para a aplicação do censo, o segundo voltado a
entrevistas com as crianças e adolescentes, e o último para a aplicação dos
questionários com a cadeia produtiva do turismo.
C. Pesquisa Bibliográfica e Documental
Segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a pesquisa
documental caracteriza-se como: “Qualquer suporte que mantenha informação
registrada, formando uma unidade que possa servir para consulta, estudo ou
prova. Inclui impressos, manuscritos, registros audiovisuais e sonoros, imagens
sem modificações, independentemente do período decorrido, desde a primeira
publicação” (2002).
São considerados documentos, regulamentos, normas, pareceres, cartas,
memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais, revistas, discursos,
roteiros de programas de rádio e televisão, estatísticas, arquivos escolares.
Com o intuito de realizar um levantamento de dados complementares ao
que já fora sistematizado anteriormente - proposta técnica - a equipe técnica da
pesquisa empreendeu recorrentes esforços de levantamento de dados com as
principais instituições socioassistenciais, que tratam da criança e do
adolescente, quais sejam:
•
COMDICA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente
53
•
CEDECA – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente
•
DECECA- Delegacia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes
•
Conselho Tutelar I
•
Conselho Tutelar II
•
Conselho Tutelar III
•
Conselho Tutelar IV
•
Conselho Tutelar V
•
Conselho Tutelar VI
•
BEMFAM – CE
•
GAPA
•
Núcleo Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra
Crianças e Adolescentes
•
Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual contra
Crianças e Adolescentes
Todos esses órgãos se colocaram como receptores desse tipo de
exploração sexual, entretanto, nenhum possuía dados ou referências
específicas sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes pelo turismo
em Fortaleza, dados que pudessem servir de base para o relatório prédiagnóstico. Todos eles se mostraram sensíveis à problemática e seguramente
interessados na Pesquisa, mas não puderam ir além disso.
Destarte, comprovou-se que existe ainda pouco investimento na
sistematização de informações oficiais, sobretudo aquelas que tratam do
turismo relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes, revelando
a complexidade dessa Pesquisa.
Vale ressaltar que a técnica de levantamento de dados em tais
instituições aconteceu de diferentes formas: via pesquisa eletrônica, contato
direto através de conversas informais e visitas institucionais.
54
Esclarece-se, outrossim, que tal realidade - configurada no silêncio dos
registros – reafirma, para nós pesquisadores, a assertiva da opção
metodológica do Levantamento Censitário no qual foram cadastradas as
crianças e adolescentes encontradas em situação de exploração sexual,
durante um período mínimo de duas semanas. No tocante à cadeia produtiva
do turismo – trade turístico - também foram registradas as atividades
socioculturais e econômicas envolvidas com a área da Pesquisa em questão, o
que possibilitou a formação da base empírica desta.
D- Pesquisa Direta
A entrevista fez parte de um arcabouço metodológico para dar conta dos
objetivos desta Pesquisa. Constituiu-se na terceira fase da pesquisa de coleta
de dados com crianças e adolescentes e com os atores da cadeia produtiva do
turismo.
Compreende-se por entrevista uma forma de coleta de informações
sobre determinado tema. A “Entrevista é acima de tudo uma conversa a dois ou
entre vários interlocutores, realizada por iniciativa do entrevistador, destinada a
construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e abordagem
pelo entrevistador, de temas igualmente pertinentes tendo em vista esse
objeto.” (MINAYO, 2004: p.261)
Essa conversa a dois aconteceu entre uma equipe de pesquisadores
capacitados, no período de maio de 2008, com as crianças e adolescentes
explorados sexualmente, em julho e agosto de 2008, com os atores da cadeia
produtiva do turismo, a saber, garçons, taxistas, guias de turismo, ambulantes
e profissionais dos meios de hospedagem.
Mediante amostragem formada a partir do censo, foi entrevistado um
número de 129 crianças e adolescentes e 134 atores da cadeia produtiva do
turismo. Foram formulados seis (6) questionários diferenciados para os
públicos diversos.
55
E- Análise dos Dados da Pesquisa e Definição das Categorias
Como marcos referenciais para a pesquisa, foram consideradas as leis e
estatutos específicos de crianças e adolescentes, bem como aquelas do
turismo. Para tanto, partiu-se dos seguintes conceitos:
Criança e Adolescente – Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a
pessoa até doze (12) anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre
doze (12) e dezoito (18) anos incompletos. (Estatuto da Criança e Adolescente
– ECA)
Exploração sexual – É a utilização de crianças e adolescentes com fins
comerciais e de lucro. Acontece quando meninos e meninas são induzidos a
manter relações sexuais com adultos ou adolescentes mais velhos, quando são
usados para produção de material pornográfico ou levados para outras
cidades, estados ou países com propósitos sexuais. (Código de Conduta Ética
do Turismo para o Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e
adolescentes).
Abuso sexual – É a utilização de crianças e adolescentes, geralmente por
alguém próximo, podendo ser ou não da família, que se aproveita da relação
de poder e confiança sobre meninos e meninas para obter favores sexuais.
Pode ocorrer com ou sem violência física, mas a violência psicológica está
presente sempre. (Código de Conduta Ética do Turismo para o Enfrentamento
à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes).
Turismo – “compreende todos os processos, especialmente os econômicos,
que se manifestam na chegada, na permanência e na saída do turista de um
determinado município, país ou estado” (Barretto, 2003).
Para a Organização Mundial do Turismo - OMT (1992), o turismo representa a
“soma de relações e de serviços resultantes de um câmbio de residência
56
temporário e voluntário motivado por razões alheias a negócios ou
profissionais.”
Uma das mais recentes definições é de Oscar de La Torre do México: “O
turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e
temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por
motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de
residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade
lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância
social, econômica e cultural.” (De la Torre, 1992).
Cadeia Produtiva do Turismo – surgiu a partir da aplicação da teoria dos
sistemas ao estudo do turismo, quando se entende o turismo como um
“conjunto (um grande conjunto) bem definido de relações, serviços e
instalações, gerados em virtude de certos deslocamentos humanos.” (Cuervo in
Acerenza, 2002). Dentro desse conjunto, foram identificados os seguintes
subconjuntos:
Os transportes, em todas as suas formas.
O alojamento, considerando todas as categorias.
Os serviços de alimentação, em toda sua gama.
Os centros de lazer e diversão.
Os estabelecimentos comerciais relacionados.
Os serviços complementares, tais como: agências de viagens, guias de
turismo, empresas que alugam automóveis, etc.
Com isso, entende-se que a cadeia produtiva do turismo congrega todos
os componentes de prestadores de serviços que se relacionam, direta ou
indiretamente, com a prática da atividade.
4. CENSO
O levantamento censitário teve como objetivo cadastrar todas as
crianças e adolescentes, com idade inferior a 18 anos, envolvidos, direta ou
57
indiretamente, com a exploração sexual, possibilitando, dessa forma,
dimensionar o tamanho da população-alvo do estudo. Considerando as
dificuldades de acesso a essa população, bem como identificar, na área de
pesquisa, os pontos de referência de maior concentração de crianças e
adolescentes, o reconhecimento de área antecedeu a realização do censo, cujo
período de execução foi de 18 a 23 de janeiro de 2008. Após essa etapa,
ocorreu o cadastramento, que foi implementado em dois momentos, sendo o
primeiro, no interstício de 24 a 31 de janeiro de 2008 e, o segundo, nos dias 4 a
11 de fevereiro de 2008, ressaltando-se ainda que, durante esta etapa, os
trabalhos foram realizados em horários alternados, no interstício das 15 às 2h
da manhã, considerados os de maior movimentação. É importante destacar
que o segundo momento do cadastramento foi considerado necessário para
efeito de complementação.
Antecedeu ao reconhecimento de área e ao levantamento censitário um
mapeamento completo da área de pesquisa, identificando o número de
quadras existentes em toda a extensão da orla marítima e mais dos bairros
Lagamar e Serrinha. Esta etapa foi realizada com o objetivo de proceder a uma
distribuição espacial adequada da equipe de pesquisadores, formada por 16
pessoas, devidamente treinadas, para realizar as atividades de campo. Ao
julgar a complexidade do objeto do estudo, foi condição para compor a referida
equipe a formação de um grupo, em que a maioria tem nível superior completo
e alguns estão fazendo cursos de pós-graduação, notadamente nas áreas de
Sociologia e de Ciências Sociais.
Por último, dispõem-se a seguir as áreas de pesquisa, detalhando o
número de pesquisadores responsáveis; os dias de pesquisa, durante uma
semana; os horários e as respectivas localidades.
Áreas de Pesquisa
Área 1: Barra do Ceará
Responsáveis: 2 pesquisadores
58
Dias da semana: quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo.
Horário: 19 às 22h
Localidades: Francisco SÁ - Fábrica Guararapes; trecho do SESI ao Clube
dos Sargentos.
Dia da semana: segunda-feira.
Horário: 20h
Localidade: proximidade do Clube da Polícia Civil.
Área 2: Praia de Iracema
Responsáveis: 2 pesquisadores.
Dias da semana: quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo.
Horário: 21 às 24h
Localidade: Ponte Metálica, Rua dos Tremembés e bares adjacentes.
Dia da semana: segunda-feira.
Horário: 21 às 24h
Localidade: Pirata.
Área 3: Beira Mar
Responsáveis: 2 pesquisadores.
Dias da semana: quinta-feira, sexta-feira, sábado, domingo e segunda-feira.
Horário: 21 às 24h
Localidades: toda a Avenida Beira Mar, dando atenção especial aos bares /
barracas próximos ao Mac Donald´s e feirinha da Beira Mar / Mucuripe e via
expresso, nos bares que vendem camarão.
Área 4: Beira Mar (tarde)
Responsáveis: 2 pesquisadores.
Dias da semana: quinta-feira, sexta-feira, sábado, domingo e segunda-feira.
Horário: 15 às 19h
Localidades: Beira Mar e bares em frente ao Mac Donald´s, nas proximidades
do Hotel Luzeiros, Serviluz.
Área 5: Praia do Futuro
59
Responsáveis: 2 pesquisadores
Dia da semana: quinta-feira.
Horário: 19 às 23h
Localidade: Praia do Futuro, Barracas Crocobeach e Balybeach.
Dias da semana: sábado e domingo.
Horário: 14 às 18h
Localidades: Praia do Futuro, Barracas Crocobeach e Balybeach
Área 6: Lagamar
Responsáveis: 2 pesquisadores
Dias da semana: segunda-feira e quinta-feira.
Horário: 23 às 2h
Localidades: Posto Texaco da Avenida Raul Barbosa e Madereira.
Área 7: Serrinha
Responsáveis: 2 pesquisadores
Dias da semana: segunda-feira e quinta-feira.
Horário: 20 às 24h
Localidades: Terminal da Parangaba até as proximidades do Castelão e Dedé
Brasil – Avenida dos Expedicionários.
Área 8: Castelão
Responsáveis: 2 pesquisadores
Dias da semana: segunda-feira e quinta-feira.
Horário: 20 às 24h
Localidades: Castelão, ruas adjacentes e mais o Parque da PAZ.
60
5- Entrevistas
5.1. Entrevista com Crianças e Adolescentes Explorados
Sexualmente
PERFIL DOS ENTREVISTADOS
Tabela 7
Sexo
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Masculino
42,6
Feminino
57,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As
informações
acima
referidas
demonstram
que
57,4%
dos
entrevistados são do sexo feminino enquanto 42,6% são do sexo masculino.
Apesar de demonstrar a histórica predominância feminina, no que concerne à
atividade de comercialização do sexo, o percentual de meninos envolvidos é
crescente, tendo em vista pesquisas anteriores1.
Vale ressaltar que no desenvolvimento do grupo focal houve a presença
marcadamente masculina, o que demonstra, pelo método de adesão voluntária
utilizado pelos pesquisadores, que os pesquisados se propuseram de forma
mais ativa a participar e expor suas práticas de comercialização do sexo.
Tabela 8
Faixa etária
1
Na Pesquisa Criança Infeliz (1998) o percentual de meninas era de 72,9%, em detrimento aos dos
meninos(27,1%). Outra pesquisa, intitulada Pesquisa sobre exploração sexual comercial de crianças e
adolescentes no Estado do Ceará (2003), o percentual feminino era de 89,4%, enquanto o masculino era
de 10,6%.
61
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação (em anos)
Frequência relativa
10
0,5
11
1,6
12
4,7
13
7,8
14
7,8
15
10,1
16
22,5
17
45,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 09
Crianças e adolescentes explorados, segundo a faixa etária
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
10 a 11 anos
2,1
12 a 17 anos
97,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que se refere à idade dos sujeitos entrevistados, observou-se que
um percentual significativo se encontra na condição de adolescentes: 45% com
17 anos, 22,5% com 16 e 10,1% com 15. Também é relevante o percentual de
sujeitos pesquisados com 13 e 14 anos, igualmente 7,8%. Das pessoas
entrevistadas, apenas 0,5% tem idade de 10 anos, 1,6% com 11 anos e 4,7%
com 12 anos (Tabela 8). Tratando ainda especificamente a variável idade, a
Tabela 9 agrega as informações da Tabela 8, atestando-se que a participação
62
expressiva de 97,9% das crianças e adolescentes deve-se à representação de
77,6% daqueles com idade de 15 a 17 anos.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em seu artigo
2 – “Considera-se criança para os efeitos desta Lei, a pessoa até 12 anos de
idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.”
Se se analisar tais dados, agrupando as idades em duas categorias, crianças e
adolescentes, percebe-se que 2,1% fazem parte do primeiro grupo e 97,9%, do
segundo. Estes dados podem demonstrar que o segmento que se encontra na
faixa etária considerada infantil é uma parcela menor dos explorados
entrevistados. Salienta-se que essas informações foram repassadas pelos
entrevistados em suas falas e não comprovadas documentalmente, o que pode
significar também que podem ter aumentado sua idade considerando que
assim estariam mais protegidos.
Tabela 10
Estado civil das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Casado(a)
3,8
Solteiro(a)
94,6
Separado(a)
1,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre o estado civil das crianças e adolescentes pesquisados 94,6%
são solteiros, enquanto 3,8% se denominam casados e 1,6%, separados.
Apesar da pouca idade, tais crianças e adolescentes têm algumas vivências
muito próprias da idade adulta. Por começarem muito precocemente suas
vidas sexuais, também vivenciam sua afetividade e relacionamentos mais
estáveis ainda cedo.
63
Tabela 11
Crianças e adolescentes nascidos em Fortaleza
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
82,2
Não
17,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto à naturalidade dos entrevistados, 82,2% nasceram em
Fortaleza, enquanto somente 17,8% são provenientes do Interior do estado.
Nesse dado, verificam-se os hábitos urbanos expressos, inclusive nos relatos
orais das crianças e adolescentes, que afirmam abertamente que a prática
sexual por dinheiro é muitas vezes utilizada quando estes sentem vontade de
adquirir algum bem material, principalmente roupas de marca (Tabela 11).
Tabela 12
Crianças e adolescentes residentes em Fortaleza
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
96,1
Não
3,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Das crianças e adolescentes pesquisados, a maioria significativa,
96,1%, reside em Fortaleza, enquanto 3,9% declararam não residir na Capital.
Dos que mencionaram que moravam no Interior, a situação de envolvimento
com as práticas sexuais por dinheiro revelam-se como uma prática comum
também nos seus locais de moradia.
64
Tabela 13
Tempo que reside em Fortaleza
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação (em anos)
Frequência relativa
1
4,7
2
4,8
3
14,3
4
9,5
5
9,5
6
4,8
8
9,5
9
4,8
10
19,0
14
4,8
Não respondeu
14,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando se indaga acerca do tempo que mora em Fortaleza, questionase o tempo em que residem em Fortaleza, observou-se, para àqueles que não
são nascidos na Capital, uma grande variedade de respostas. Dos 23 nascidos
no Interior, 21 responderam essa questão. Do total de respondentes, os
maiores percentuais concentram-se em : 19,0% residem há 10 anos, 14,3% há
3 anos e 9,5 declararam que moram há 4, 5 e 8 anos. Esse dado demonstra
que a situação de envolvimento com a exploração sexual independe do tempo
em que residam na Capital.
65
PERFIL FAMILIAR
Tabela 14
Crianças e adolescentes que moram com a família
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
69,0
Não
31,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os resultados demonstram que 69% das crianças e adolescentes
vítimas de exploração sexual residem com suas famílias. No entanto, pelos
depoimentos nas entrevistas e no grupo focal, percebeu-se que, em sua
maioria, essa prática é mantida em segredo. Quando muito as crianças e
adolescentes confessam tal prática para os irmãos de idade semelhante ou
para a mãe.
Tabela 15
Formação da família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Pai, mãe e irmãos
26,4
Avó, avô e irmãos
10,9
Mãe e irmão
14,0
Mãe, padrasto e irmãos
21,7
Pai e irmãos
1,4
Outros
25,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
66
Gráfico 1
Formação da família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
40,0%
30,0%
26,4%
25,6%
21,7%
14,0%
20,0%
10,9%
10,0%
1,4%
0,0%
Pai, mã e e Avó, avô e
irmão s
irmãos
Mã e e
irmão
Mãe,
pa drasto e
irmão s
Pai e
irmão s
Outros
A pesquisa mostra que 26,4% dos pesquisados têm a sua formação
familiar composta pelo modelo nuclear burguês, a saber, pai, mãe e filhos. No
entanto, constatou-se a presença de novos arranjos familiares, principalmente
aqueles formados por segundos casamentos (21,7%). Dentre estes, é muito
comum as crianças e adolescentes residirem com a mãe, irmãos e padrasto.
Tabela 16
Outros integrantes da família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Amigos/“casa de amigos”
Tios e primos
Avó e irmãos
Mãe
Mãe e filho
Namorado(a)
Irmão com filhos
Madrasta, pai e irmãos
Filhos
Mãe, avó e irmãos
Frequência relativa
21,22
9,09
9,09
6,06
6,06
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
67
Mora com gringo
Avó e pai
Irmãos e filhas
Pai, mãe, avó e tia
Mãe, primos e irmão
Esposo e filho
Padrinho
Mãe e avó
Avó e netos
Mãe, irmãos e amigos
Irmãos, cunhada e sobrinhos
Total
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
3,03
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Pela variedade de arranjos familiares acima apresentados, verificou-se
que um número significativo de crianças e adolescentes, que não residem com
os pais, opta por residir com pessoas com diferentes graus de parentesco ou
vínculo, mas principalmente com amigos (21,22%). Esse dado revela que tal
escolha se fundamenta em uma presença mais forte do conflito de gerações
próprio da idade das crianças e adolescentes pesquisados. Outro percentual
significativo refere-se à formação familiar com tios e primos (9,09%) e em igual
percentual as famílias formadas por avó e irmãos.
Tabela 17
Número de membros constituintes da família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
2
5,4
3
7,0
4
14,0
5
17,8
6
16,3
7
10,9
8
10,1
68
9
3,9
10
5,4
11
1,6
12
3,1
13
0,8
14
0,8
16
0,8
Não respondeu
2,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os dados coletados na entrevista demonstram que a composição
familiar, que dispõe de percentuais mais relevantes, é aquela formada de
quatro (14%) a oito membros (10,1%) sendo que o percentual mais elevado –
17,8% - é conferido àquelas famílias que são formadas por cinco pessoas,
seguido de 16,3% daquelas formadas por seis componentes. Tal dado
demonstra que tais famílias são compostas comumente pela moradia em
comum de pais e irmão e, na maioria das vezes, pelas chamadas famílias
monoparentais, as que são formadas por avós, mães e irmão e também pelas
chamadas famílias reconstituídas, que são compostas por recasamentos.
Tabela 18
Pessoas responsáveis pela família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Pai
27,1
Mãe
33,3
Irmão ou irmã
1,6
Avô ou avó
12,4
Criança e/ou adolescente
entrevistado(a)
Outros
4,7
20,9
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
69
Gráfico 2
Pessoas responsáveis pela família das crianças
e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Mãe
33,3%
Pai
27,1%
Irmão ou irmã
1,6%
Avô ou avó
12,4%
Criança e/ou
adolescente
entrevistado(a)
4,7%
Outros
20,9%
A pesquisa mostra que a maioria das famílias tem como responsável a
mãe (33,3%) e, em segundo lugar, o pai (27,1%). Tal percentual indica que a
mulher está cada vez mais se firmando como chefe de família, o que confirma
a tendência atual de sua maior inserção no mercado de trabalho formal ou
informal. A pesquisa aponta também para um número significativo de avós
responsáveis financeiramente pela família(12,4%), refletindo uma outra
configuração familiar típica sociedade moderna.
Segundo a Fundação Carlos Chagas: “A partir da década de 70 até os
dias de hoje, a participação das mulheres no mercado de trabalho tem
apresentado uma espantosa progressão. Se em 1970 apenas 18% das
mulheres brasileiras trabalhavam, chega-se a 2002 com metade delas em
atividade.” (www.fcc.org.br, 17/11/2008)
Tais dados são confirmados por texto da pesquisadora Marly Alves
Mendes (2002:p.01), que afirma:
“O crescimento freqüente da presença feminina na esfera do
trabalho traz também à tona uma situação cada vez mais constante
70
na atualidade, que é a mudança de gênero na manutenção da
família. No Brasil, segundo dados do censo do IBGE (2000), as
famílias chefiadas por mulheres representam 24,9% dos domicílios
brasileiros. O Nordeste é a região brasileira que apresenta a maior
proporção de domicílios chefiados por mulheres, com 25,9%,
acompanhado da Região Sudeste com 25,6%. (...) A grande
concentração da chefia feminina encontra-se nas camadas pobres
(Castro, 1990, 1982; Goldani, 1994), visto que a própria condição de
pobreza, e muitas vezes a miséria, conduz as mulheres ao mercado
de trabalho em situações que vão desde o compartilhar a
manutenção da casa com o companheiro, até responsabilizar-se
sozinha pelo domicilio”.
Os indicadores sociais mais atuais (2007) do IBGE indicam o aumento
ainda mais significativo da chefia feminina da família, nos últimos anos, tendo
em vista que, entre 1996 e 2006, esse número aumentou 79%, em detrimento
de 25% de crescimento da chefia masculina.
Tabela 19
Outras pessoas responsáveis pela família das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Padrasto
59,28
Tio
7,41
Todos
11,11
A mãe da amiga
3,70
Avó
3,70
Esposo
3,70
Padrinho
3,70
Tia do amigo
3,70
Não respondeu
3,70
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,00
71
Quando os pesquisados são questionados sobre a chefia da família que
em grande percentual aparece no item outros (20,9%), estes discriminam que
59,28% deste percentual é de padrastos que assumem a responsabilidade da
família. Esse dado confirma o que é veiculado em pesquisas e estudos da área
os quais afirmam que a família brasileira, atualmente, é formada por novos
arranjos familiares advindos do recasamento, ocasionado pelo grande número
de separações e divórcios (Tabela 19).
Outro percentual relevante é quanto a responsabilidade de todos os
membros da família (11,11%), o que demonstra a realidade mostrada pelas
crianças e adolescentes participantes do grupo focal, os quais relatam que têm
que dividir as despesas de casa participando no pagamento do aluguel da casa
ou mesmo se automantendo com despesas próprias. No entanto, muitos dos
pesquisados relatam que, mesmo sem ter uma atividade produtiva declarada,
alguns familiares não querem saber de forma explícita da proveniência do
dinheiro posto por essas crianças e adolescentes explorados sexualmente.
Tabela 20
Avaliação no tocante ao convívio das crianças e adolescentes com sua
família
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Ótima
5,4
Boa
42,7
Regular
37,2
Ruim
12,4
Péssima
2,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
72
Gráfico 3
Avaliação no tocante ao convívio das crianças e
adolescentes com sua família
Fortaleza
Maio / 2008
Regular
37,2%
Boa
42,7%
Ótima
5,4% Péssima
2,3%
Ruim
12,4%
A maioria das crianças e adolescentes pesquisados avalia a sua vida
familiar como Boa (42,7%) ou Regular (37,2%). Um percentual significativo dos
entrevistados concebe que a relação familiar é Ruim (12,4%) e somente 5,4%
consideram a vida familiar como Ótima, 5,4% (Tabela 20).
Tabela 21
Características da família apontadas pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Um ponto de apoio
12,8
Repressora
13,5
Indiferente
15,2
Brigam muito entre si
20,2
Espaço de compartilhar experiências
5,0
Compreensiva
15,2
Acolhedora
16,3
73
Outra
1,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 4
Características da família apontadas pelas
crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
12,8%
13,5%
15,2%
Um ponto de apoio
Repressora
Indiferente
20,2%
Brigam muito entre si
Espaço de compartilhar experiências
5,0%
Compreensiva
15,2%
16,3%
Acolhedora
Outra
0,0%
1,8%
10 ,0%
20,0%
30,0%
Quando as crianças e adolescentes foram indagados sobre a situação
de convivência familiar, eles manifestaram o pensamento, de forma
significativa, pois 20,2% relataram que suas famílias brigam muito entre si. Vale
destacar que um percentual relevante de crianças e adolescentes pesquisados
tem uma visão positiva da família, em que 16,3% ressaltaram que a família é
acolhedora, 15,2% relataram que esta é compreensiva a e 5% afirmaram que
esta é o espaço de compartilhar experiências.
No entanto, o destaque para a visão negativa que os sujeitos da
pesquisa fazem sobre suas famílias - que somadas perfazem um total de
48,9% - pode ser elemento que incide diretamente sobre a situação de
exploração sexual, visto que, sem a confiança no espaço familiar, as crianças e
adolescentes cada vez mais se apegam ao que encontram no cotidiano da rua
e o caracterizam como sendo um lugar de liberdade.
74
Tabela 22
Outras características da família apontadas pelas crianças e adolescentes
com sua família
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sei lá, não convivo muito com eles, não
20,0
gosto
Lá em casa é muito ruim, tem muita coisa
20,0
ruim
Preconceituosa
20,0
Não respondeu
40,0
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tal resposta aos questionamentos sobre a vida em família denota mais
ainda a visão negativa que as crianças e adolescentes em situação de
exploração sexual, que foram entrevistados, têm da família.
PERFIL EDUCACIONAL
Tabela 23
Série cursada pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Analfabeto
2,3
Alfabetizado
9,3
Fundamental incompleto
43,4
Fundamental completo
23,3
Médio incompleto
18,6
Médio completo
2,3
75
Não respondeu
0,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 5
Série cursada pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
50,0%
43,4%
40,0%
23,3%
30,0%
18,6%
20,0%
9,3%
10,0%
2,3%
2,3%
0,8%
0,0%
o
to
o
o
u
to
ab eto abetiz ad c omp le l c omple c omplet co mplet esponde
in
r
in
Analf
ta
io
l
Alf
n
d
o
a
io
t
é
ã
e
n
M
N
Méd
am e F undam
Fund
Sobre o grau de instrução dos sujeitos pesquisados constatou-se que a
maioria das crianças e adolescentes – 43,4% - está cursando ou cursou e não
concluiu o ensino fundamental. 23,3% destes concluíram o ensino fundamental
e 18,6% estão com ensino médio incompleto. 9,3% dos jovens são
alfabetizados e somente 2,3% têm o ensino médio completo. Em igual
percentual estão as crianças e os adolescentes analfabetos, um alto índice
tendo em vista a universalização e democratização do acesso à educação
(Tabela 23).
Tabela 24
Crianças e adolescentes que atualmente frequentam a escola
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
76
Sim
41,1
Não
52,7
Não respondeu
6,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 6
Crianças e adolescentes que atualmente
frequentam a escola
Fortaleza
Maio / 2008
Não
52,7%
Sim
41,1%
Não
respondeu
6,2%
Um
número
significativo
(52,7%)
das
crianças
e
adolescentes
investigados afirma abertamente não estar frequentando a escola. Este dado
pode fazer refletir sobre a importância que tais meninos e meninas conferem à
escola, mesmo com a existência de todos os programas sociais de inclusão
educacional e com legislação específica a ser cumprida pelos familiares das
crianças e adolescentes.
Tabela 25
Razões apontadas pelas crianças e adolescentes para não frequentarem a
escola
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Não gosta de estudar
29,4
Desistiu
13,2
77
"Não tenho tempo"
11,8
"Não me matriculei"
4,4
"Tenho preguiça"
4,4
Falta de documentação
4,4
"Cansei de estudar"
2,9
Falta de oportunidade
1,5
"Fico andando na casa dos meus amigos durante
todo o dia"
1,5
"Parei de estudar por causa da minha filha"
1,5
"Não consigo mais estudar"
1,5
"Porque estou na rua"
1,5
"Estou no abrigo"
1,5
Se juntou cedo demais
1,5
Viajou e perdeu o ano letivo
1,5
Por causa da greve
1,5
"Não tenho um local fixo para morar"
1,5
"Fui chamada a atenção pelo professor e todos riram
de mim"
1,5
Ficou grávida e não voltou mais
1,4
Trabalha em casa de família desde cedo
1,4
Falta de interesse da família
1,4
Mudou p/casa da tia em Fortaleza e não arranjou
escola perto
Não respondeu
1,4
7,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O principal motivo elencado pelas crianças e adolescentes para sua
evasão escolar refere-se ao fato de eles não gostarem de estudar (29,4%).
13,2% afirmaram ter desistido e 11,8% disseram não ter tempo. Os demais
elencam os mais variados motivos que vão desde à preguiça ao cansaço,
outros culpam a família ou sua situação instável de moradia. No entanto, todas
78
essas razões demonstradas na Tabela acima relatam a descrença na
educação e a pouca importância que tais sujeitos conferem a esta.
Tabela 26
Realização de cursos profissionalizantes ou de qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
60,5
Não
38,8
Não respondeu
0,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 7
Realização de cursos profissionalizantes ou de
qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
60,5%
Não
38,8%
Não respondeu
0,7%
79
Quando indagados no tocante à qualificação profissional, 60,5% dos
entrevistados responderam que já fizeram cursos profissionalizantes (Tabela
26).
Tabela 27
Cursos profissionalizantes ou de qualificação profissional realizados
pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Informática
19,2
Manicure
9,0
Serigrafia
9,0
Cabeleireira
9,0
Corte e costura
7,7
Reciclagem
5,1
Marketing
3,8
Produto de limpeza
3,8
Pintura em tecidos
2,6
Bijuteria
2,6
Recepcionista
2,6
Arranjos florais
1,3
Fabricação de sabonetes caseiros
1,3
Bordado
1,3
Teatro
1,3
Secretariado
1,3
Percussão
1,3
Designer gráfico
1,3
Salgadeiro
1,3
Culinária
1,3
Confeiteiro
1,3
Auxiliar de escritório
1,3
80
Fotografia
1,3
Maracatu
1,3
Artes marciais
1,3
Pintura em gesso
1,3
Pintura em cerâmica
1,3
Eletrônica - ABC Pirambu
1,2
Desenhista
1,2
Vime e Cipó
1,2
Doceiro
1,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando foi solicitado às crianças e adolescentes elencarem quais os
cursos profissionalizantes frequentados por estes, uma variedade de cursos foi
listada. Destes, 19,2% fizeram curso de informática, 9% profissionalizaram-se
nos cursos de manicure ou cabeleireiro ou serigrafia e 7,7%, em curso de corte
e costura. O alto índice da formação na área de informática mostra, além de
uma crescente oferta de projetos de inclusão digital, por parte dos governos
federal, estadual e municipal para esse público, o interesse dessas crianças e
adolescentes em adentrar nas novas formas de comunicação da sociedade
moderna e não necessariamente uma vinculação com trabalho na área. Assim
como a procura por cursos relacionados à área de beleza e artesanato aponta
uma faceta dessas crianças e adolescentes já constatada em outros momentos
desta Pesquisa, que é a busca de maneiras rápidas e práticas de inserção no
trabalho. Essas formas não inviabilizam necessariamente que eles continuem a
fazer programas, tanto por conta da flexibilidade de horários, como pelo fato de
não garantir uma renda que lhes proporcione autonomia financeira ou mesmo o
acesso aos desejos de consumo, que apontaram no grupo focal.
81
Tabela 28
Razão por não terem feito algum curso profissionalizante ou de
qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nunca sentiu interesse
32,0
Falta de oportunidade
28,0
Nunca buscou se informar onde tem
cursos profissionalizantes
10,0
"Não tenho tempo"
8,0
Muito longe
4,0
"Os cursos que gosto são pagos e
2,0
muito caros"
"Meu pai tinha preconceito"
2,0
"Não conheço nada por aqui"
2,0
Não respondeu
12,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os sujeitos pesquisados (38,8%) que afirmaram não ter feito
nenhum curso profissionalizante, 32% dizem ser por falta de interesse e 28%,
por falta de oportunidade. Um número significativo (10%) dos entrevistados
respondeu que nunca procurou se informar onde teria cursos desta natureza.
Tais dados revelam mais desinformação ou desinteresse que falta de oferta de
tais cursos, sejam vinculados à iniciativa pública, privada ou organizações nãogovernamentais de diferentes naturezas.
Tabela 29
Interesse das crianças e adolescentes em participarem de cursos
profissionalizantes e de qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
82
Discriminação
Frequência relativa
Sim
77,5
Não
21,7
Não respondeu
0,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 8
Interesse das crianças e adolescentes em
participarem de cursos profissionalizantes e de
qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
77,5%
Não
21,7%
Não
respondeu
0,8%
Quando
questionados
profissionalizante,
77,5%
sobre
das
o
interesse
crianças
e
em
fazer
adolescentes
um
curso
pesquisados
responderam que sim, em detrimento a 21,7% daqueles que não têm interesse.
Tal dado demonstra a expressão de uma vontade de capacitação para o
trabalho. Este interesse em capacitação para o trabalho é significativamente
voltada para a informática/computação (25,4%), cabeleireiro (14,3%) e corte e
costura (7,1%) como apontam os dados da tabela abaixo.
Embora essas crianças e adolescentes digam que têm interesse em
uma formação profissional, ainda assim reivindicam aquelas já referidas na
Tabela anterior, que trata de cursos feitos por eles. No entanto, cabe refletir
sobre
a
ausência
de
parâmetros
de
avaliação
dessa
política
de
profissionalização para adolescentes, no que se refere à eficiência, eficácia e
efetividade desta política.
83
Tabela 30
Cursos profissionalizantes ou de qualificação profissional demandados
pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Computação
25,4
Cabeleireiro
14,3
Corte e costura
7,1
Modelo
4,8
Manicure
4,8
Dança
3,2
Turismo
3,2
Telemarketing
3,2
Estilismo
2,4
Grafite
2,4
Desenhista
1,6
Língua estrangeira
1,6
Chefe de cozinha
1,6
Massagista
1,6
Maquiador
1,6
Culinária
1,6
Recepcionista
1,6
Violão
1,6
Serigrafia
0,8
Operador de vendas
0,8
Confeiteiro
0,8
Guia de Turismo
0,8
Web designer
0,8
Consultora de beleza
0,8
Aeromoça
0,8
Artesanato
0,8
84
Telefonista
0,8
Arte gráfica
0,8
Cantora
0,8
Direitos humanos
0,8
Pintura com tecido
0,8
Enfermagem
0,8
Teatro
0,7
Cultura popular
0,7
Capoeira
0,7
Pintura em tela
0,7
Não respondeu
2,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Na análise dos dados acima referidos, percebe-se uma pulverização de
interesses das crianças e adolescentes investigados, no que se refere à sua
qualificação profissional. Diversos cursos são mencionados, muitos deles
manifestos como interesse individual/particular que perpassam pelas mais
diversas práticas profissionais.
Tabela 31
Razão por não terem interesse em participar de cursos
profissionalizantes ou de qualificação profissional
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Não sente interesse
75,0
Não tem tempo
10,7
Porque terminou o curso e não ganhou o
certificado
3,6
"No momento não preciso"
3,6
Não respondeu
7,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
85
Gráfico 9
Razão por não terem interesse em participar de
cursos profissionalizantes ou de qualificação
profissional
Fortaleza
Maio / 2008
75,0%
Não sente interesse
Não tem tempo
Porque terminou o curso e não ganhou o
certificado
"No momento não preciso"
Não respondeu
0,0 %
10,7%
3,6%
3,6%
7,1%
10 ,0 % 2 0,0% 3 0,0% 4 0,0% 50 ,0 % 60 ,0% 70 ,0% 80 ,0% 9 0,0% 10 0,0%
Das crianças e adolescentes que responderam não ter interesse em
cursos profissionalizantes, 75,0% destas afirmaram simplesmente que não
tinham interesse, sem se deter a uma análise mais aprofundada de qual seria a
influência desta formação em suas vidas. 10,7% destes disseram não ter
tempo e 3,6% afirmaram ou que fizeram o curso e não ganharam o certificado
ou que não precisam.
86
PERFIL DA SITUAÇÃO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
A análise dos dados da situação de exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade de Fortaleza mostra-se bastante grave, no que
concerne à alta vulnerabilidade em que se encontram estas. Essas crianças
entrevistadas na pesquisa, de pouca idade, clamam por atenção, pois se
encontram diante de todo tipo de exploração, excluídas do processo escolar,
em situação de risco social, até altas horas da noite em estradas, avenidas,
sujeitas a todo tipo de violência.
Essas crianças e adolescentes de nossa cidade não têm consciência da
exploração que vivenciam e chegam a afirmar que o tolo é o outro, que o
gringo é aquele fácil de ser “enrolado”, como uma artimanha própria daqueles
que não conseguem ver, porque o conscientizar-se é paralisador. Nesta
Pesquisa, teve-se que silenciar a angústia de ver crianças e adolescentes
oferecendo seus corpos, ainda em formação, em troca de dinheiro, celulares e
objetos outros. Muitas vezes, para entrar nessa “batalha”, precisam estar em
outro mundo, anestesiados ou extasiados pelo efeito de drogas de toda a
natureza.
87
Tabela 32
Idade da criança e adolescente, quando de sua primeira relação sexual
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação (em anos)
Frequência relativa
9
3,1
10
7,0
11
13,2
12
27,9
13
27,1
14
15,5
15
3,1
16
1,6
Não respondeu
1,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Pesquisa apontou que as crianças e adolescentes entrevistados tiveram
sua primeira relação sexual no começo da adolescência. 55% responderam ter
sido entre 12 e 13 anos; 15,5% com 14 anos; 13,2%, com 11 anos. Ao analisar
a precocidade da primeira relação sexual, Diógenes (2008) afirma:
“Atualmente, crianças e adolescentes descobrem mais
rapidamente a sua sexualidade, seja no contato físico com
outras crianças e adolescentes, seja por meio da mídia
eletrônica (novelas, internet etc.) ou através dos abusos
sexuais sofridos tanto dentro como fora de casa. No caso
específico da exploração sexual comercial, muitos aspectos
dos direitos da criança e do adolescente são violados, sendo
este ato considerado crime.(p.130)”
88
Portanto, pode-se compreender que o início da atividade sexual acontece
cada vez mais cedo para as crianças e adolescentes, perfazendo um total de
86,8% com idade até 15 anos. Isto ocorre em função dos vários estímulos da
sociedade, bem como pela realidade vivenciada por estas no âmbito familiar ou
fora dele.
Tabela 33
Forma de como aconteceu a primeira relação sexual das crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Espontânea
85,3
Forçada
13,2
Não quis responder
1,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 10
Forma de como aconteceu a primeira relação
sexual das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Espontânea
85,3%
Não quis
responder
1,5%
Forçada
13,2%
89
Segundo os entrevistados, 85,3% afirmaram que a primeira relação
sexual aconteceu de forma espontânea, em detrimento a 13,2% de modo
forçado; e 1,5% preferiu não responder. O começo da vida sexual ocorre do
final da infância para o início da adolescência.
Tabela 34
Pessoa que manteve a primeira relação sexual com as crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Amigo/a
28,7
Padrasto
3,9
Pai
1,6
Vizinho/a
17,1
Namorado/a
30,2
Irmão/ã
0,7
Outros
14,7
Não respondeu
3,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A primeira relação sexual aconteceu de modo espontâneo, com o próprio
namorado(a), para 30,2% dos entrevistados, ou ainda com um(a) amigo(a)
28,7%; e com o vizinho(a) 17,1%. Estes dados apontam que, antes de
começarem a fazer programas, essas crianças e adolescentes, em sua
maioria, descobriram a sexualidade com alguém que gozava de sua confiança.
Tabela 35
Outra pessoa que manteve a primeira relação sexual com as crianças e
adolescente
Fortaleza
90
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desconhecido
57,8
Primo
26,3
Amigo da vizinha
5,3
Italiano
5,3
Tio
5,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 14,7% que responderam ter tido a primeira relação sexual com
outros, 57,8% responderam que aconteceu com um desconhecido, ou ainda,
26,3% com um primo, o que revela uma proximidade de convivência com
aqueles que iniciaram a atividade sexual.
Tabela 36
Crianças e adolescentes que sofreram violência / abuso sexual
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
28,7
Não
70,5
Não respondeu
0,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
91
Gráfico 11
Crianças e adolescentes que sofreram
violência/ abuso sexual
Fortaleza
Maio / 2008
Não
70,5%
Sim
28,7%
Não
respondeu
0,8%
No que se refere à violência ou abuso sexual, 70,5% afirmaram não ter
sofrido. Entretanto, 28,7% ressaltaram que foram abusados. Este dado pode
ser revelador de que, mesmo que tenham sofrido algum tipo de violência
sexual, podem não conferir esse sentido a tal prática, pois, para muitos
pesquisados, a violência é inerente à própria dinâmica familiar.
Tabela 37
Pessoa que praticou violência / abuso sexual, com crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Amigo/a
7,3
Padrasto
12,2
Pai
4,9
Vizinho/a
22,0
Madrasta
0,0
92
Mãe
0,0
Namorado/a
2,4
Irmão/ã
0,0
Outras
51,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As respostas apontam que o principal abusador foi, em 22% das
situações, um vizinho e 12,2% o padrasto, ou ainda, 7,3% um amigo(a),
conforme mostra a Tabela 22. Vale lembrar que tanto a primeira relação sexual
quanto o abuso/violência sexual acontece com pessoas da confiança destes,
pessoas do âmbito privado de suas vidas.
Tabela 38
Outras pessoas que praticaram violência / abuso sexual, com crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desconhecido
52,3
Cliente
14,3
Tio
9,5
"Amigo do meu irmão"
4,8
Traficante
4,8
Primo
4,8
Não respondeu
9,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Daqueles que foram abusados ou violentados sexualmente por outros,
52,3% foram por um desconhecido; 14,3%, com um cliente; 9,3%, com um tio;
4,8%, amigo do irmão; 4,8%, primo; 4,8%, traficante. Constata-se que esse
número elevado do abusador desconhecido revela, mais uma vez, a forte
93
presença da violência que permeia toda a vida cotidiana dessas crianças e
adolescentes, seja na casa, ou nas suas próprias comunidades.
Tabela 39
Orientação sexual das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Heterossexual
47,3
Homossexual
38,8
Bissexual
6,2
Não soube responder
7,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A orientação sexual apontada por eles é: 47,3%, heterossexual; 38,8%,
homossexual, e 6,2%, bissexual. Uma informação relevante, observada no
cotidiano da Pesquisa, foi o relato dos pesquisadores de que muitas crianças e
adolescentes do sexo masculino se encontravam travestidos de mulher para
fazer programa. Alguns relatos falavam de meninos que durante o dia eram
flanelinhas e à noite vestiam-se de mulher para sair com outros homens.
“Na
esquina
da
Rua
Tremembés
fizemos
mais
uma
abordagem a um garoto de 12 anos completamente travestido
de mulher, que havia ingressado no mundo da exploração
sexual para ser aceito no grupo da rua que atualmente
pertencia, tendo como “ritual de iniciação” fazer programa com
um gringo, quando tinha 11 anos de idade. (...) Dizia cobrar
R$ 250,00, afirmando preferir os gringos porque são mais
”idiotas” e fáceis de enrolar. Embora o mundo da rua e do
sexo precoce tenha lhe ensinado artimanhas de um adulto, em
sua essência, percebíamos se tratar de uma criança, que a
princípio não queria responder ao questionário, mas que se
94
rendeu a oferta de um sorvete como qualquer criança o faria”.
(Diário de Campo - Ricardo).
Foram muitos os garotos que se vestiam de mulher, com toda uma
indumentária peculiar, e que saem com exploradores do sexo masculino. Esse
fenômeno deve ser observado com especial atenção, porque até mesmo para
os pesquisadores houve um certo estranhamento inicial.
Tabela 40
Idade que as crianças e adolescentes começaram a fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação (em anos)
Frequência relativa
9
1,6
10
0,8
11
6,2
12
10,9
13
18,6
14
16,3
15
29,6
16
11,6
17
3,1
Não respondeu
1,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A idade que começaram a fazer programa apontou para 15 anos (29,6%),
seguidos de 13 anos (18,6%), 14 anos (16,3%), 16 anos (11,6%), 12 anos
(10,9%), dentre outras idades. Os resultados demonstram que a maioria
começa a fazer programa no começo da adolescência, entretanto, alguns
disseram ter iniciado aos 9 anos.
95
No cotidiano da Pesquisa, encontraram-se várias crianças, ainda muito
pequenas, sendo exploradas sexualmente. Havia uma delas que ainda
segurava numa das mãos a boneca e, embora afirmasse não sair com homens,
permitia que tirassem fotos suas, a colocasse no colo, dentre outras formas
variadas de abuso. 2
Tabela 41
Razão pela qual as crianças e adolescentes começaram a fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Necessidade
22,5
Para conseguir dinheiro
14,0
Influência de amigo(a)
13,2
Queria ganhar dinheiro para comprar suas próprias coisas
6,2
Precisava usar drogas e não tinha dinheiro
4,7
Porque quis
3,9
Saiu de casa, foi morar com amiga e lá conheceu garotas de
programa
2,3
O pai abandonou a família e não tinha alternativa
1,6
Para ajudar no sustento da namorada
1,6
Por vontade e curiosidade
1,6
"Gosto de me divertir"
1,6
"Para sustentar meu filho"
1,6
Queria ganhar dinheiro e ser livre das ordens da família
0,8
Depois que perdeu a virgindade a tia começou a rejeitá-la
0,8
Queria ter seu dinheiro e não achou outro trabalho
0,8
Brigou com a mãe, queria dinheiro para comprar roupas
0,8
Uma outra informação interessante de ser ressaltada é que havia outra criança, notada ao
longo da Pesquisa, sempre em cima de uma árvore e, ao ser indagada o motivo pelo qual
sempre estava na árvore, contou que pelo fato de ser muito pequena não conseguia ver os
turistas chegando na Beira Mar, precisava ficar mais alta para conseguir abordá-lo antes dos
maiores. Essas crianças por vezes têm mais dificuldade em dar entrevistas e de ser localizadas
pelos pesquisadores por encontrarem-se sempre na companhia de adultos e não levantar
suspeitas.
2
96
Porque quis se sentir mais mulher
0,8
"Fugi de casa e fiquei na rua"
0,8
"Porque gosto de me sentir desejada"
0,8
"Minha família falava que eu era puta, então resolvi ser"
0,8
"Namorou um gringo, quando ele foi embora continuou na
pratica"
Foi à praia e um gringo ofereceu dinheiro p/ ficarem juntos
Um turista o chamou p/passar final de semana em Morro
Branco
0,8
0,8
0,8
Tinha vontade de virar travesti
0,8
Deu vontade e a precisão
0,8
“Gostei tanto, aí continuei”
0,8
"Sei lá, me falaram que era bom"
0,8
Para ganhar presente
0,8
Para ajudar em casa
0,8
Conheceu uma turma que faz programa e decidiu sair com
eles
Saiu com amigos e conheceu uns turistas amigos de sua
vizinha
0,8
0,8
"Fiquei triste pelo meu tio ter feito sexo comigo a força"
0,8
"Porque as vezes eu ganhava brinquedo"
0,8
"Uma pessoa prometeu um celular e outras coisas"
0,7
Levou uma surra do pai, foi para rua e um gringo lhe chamou
0,7
Saiu de casa para morar com a tia, e sua prima faz programa
0,7
Contactou um gringo pela internet que estava de férias aqui
0,7
Por acaso, saiu com um cara e ele lhe deu dinheiro
0,7
Por acaso, queria saber como era
0,7
"Porque moro com mais 10 amigas, precisamos dividir"
0,7
Influência e por ser uma forma de ter o próprio dinheiro
0,7
Influência e necessidade
0,7
Necessidade e a droga
0,7
Só pedia, mas percebeu que ganharia mais se prostituindo
0,7
Não respondeu
0,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
97
Os motivos que as levaram a essa atividade: 22,5% dos casos por
necessidade econômica; 14% para conseguir dinheiro; 13,2% influência de
amigos; 6,2% para ganhar dinheiro e comprar coisas; 4,7% para comprar
drogas, dentre outras respostas, que em grande parte, por se constituir em
respostas abertas apontam para a questão socioeconômica, o que denota que
a exploração está diretamente atrelada à situação de pobreza em que vivem as
famílias dessas crianças e adolescentes.
“Eram claras em falar que talvez nada as motivasse a sair
dessa vida, pois trabalho era difícil e exigia muita experiência.
Ali tinha dinheiro, e o que as motivou a entrar naquela vida foi
a necessidade, situação financeira.” (Diário de Campo Cláudia Lima).
Tabela 42
Crianças e adolescentes incentivados por alguém a fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
55,0
Não
43,4
Não respondeu
1,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
98
Gráfico 12
Crianças e adolescentes incentivados por alguém a
fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
55,0%
Não
43,4%
Não
respondeu
1,6%
Observa-se nas respostas que 55% das crianças e adolescentes afirmam
que sofreram influência de alguém para começar a fazer programa, enquanto
43,4% disseram que não, que entraram nessa “batalha” (forma como
simbolizam a exploração) por iniciativa própria.
Tabela 43
Pessoas que incentivaram as crianças e adolescentes a fazerem
programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Amigo/a
86,8
Vizinho/a
5,3
Mãe
1,3
Namorado/a
1,3
Irmão/ã
1,3
99
Outro
4,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 13
Pessoas que incentivaram as crianças e
adolescentes a fazerem programas
Fortaleza
Maio / 2008
100,0%
86,8%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0%
5,3%
10,0%
1,3%
1,3%
1,3%
4,0%
0,0%
Amigo/a
Vizinho/a
Mãe
Namorado/a
Irmão/ã
Outro
O principal incentivador foi, em 86,8% dos casos, um(a) amigo(a),
seguido por 5,3% um vizinho(a). Embora haja predominância desses
influenciadores, houve também 1,3% que disse ter sido a própria mãe; 1,3% o
namorado; dentre outros. Durante a pesquisa, conversando com as crianças e
adolescentes, as razões que as levaram a estar naquela situação foram
evidenciadas, na fala de alguns deles, que a mãe incentivou. Foi também dito
por um adolescente que, numa determinada hora da madrugada, sua mãe vai
receber o dinheiro que ele ganhou.
100
Tabela 44
Tempo (em anos) em que as crianças e adolescentes fazem programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
1 ano
0,8
0,2 ano
2,3
0,5 ano
3,9
0,7 ano
3,9
0,8 ano
2,3
1,0 ano
27,9
1,3 ano
1,6
1,5 ano
3,1
1,7 ano
1,6
1,8 ano
0,8
2,0 anos
31,0
2,5 anos
1,6
3,0 anos
9,3
3,5 anos
0,8
4,0 anos
7,0
5,0 anos
0,8
Não respondeu
1,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Verifica-se nas respostas que 31% das crianças e adolescentes
entrevistados fazem programas há mais de 2 anos; 27,9% há 1 ano, o que
remete a refletir sobre essa prática como algo recente para estes e ao mesmo
tempo, se se comparar com aqueles que responderam 4 anos (7%) e 5 anos
(0,8%), o que estatisticamente é uma minoria, eles não conseguem ficar muito
tempo fazendo programa por uma série de motivos, dentre eles, o fato de essa
atividade ser extremamente desgastante, físico e emocionalmente.
101
Tabela 45
Frequência diária em que as crianças e adolescentes fazem programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
25,6
Não
74,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Um outro dado relevante diz respeito aos dias que fazem programa:
74,4% afirmaram não fazer todos os dias, enquanto 25,6% responderam que
fazem todos os dias. De acordo com as observações da pesquisa, os dias de
maior exploração sexual são aqueles mais próximos aos finais de semana, a
saber: quinta-feira à noite na Praia do Futuro, dia que tradicionalmente as
barracas de praia são abertas à noite para as caranguejadas; sexta-feira,
sábado e domingo em todo o “cinturão do turismo”.
Tabela 46
Dias da semana em que as crianças e adolescentes fazem programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Sexta, sábado e domingo
Não existem dias certos/sai quando
dá certo
Frequência relativa
22,5
12,4
Quinta a domingo
11,6
Todos os dias
11,6
Segunda a domingo
7,8
Quarta, quinta e sábado
3,1
Segunda, quarta, sexta e sábado
3,1
102
Quando precisa de dinheiro
1,6
Início da semana
1,6
Segunda, terça e sábado
1,6
Duas vezes por semana
1,6
Um dia sim, outro não
1,6
Segunda a sexta
1,6
Quatro vezes na semana
1,6
Quarta, quinta e sexta
1,6
Esporadicamente, aos finais de
0,8
semana
Quando a coisa aperta em casa
0,8
Depende, às vezes vai para o colégio
0,8
Quando o marido viaja
0,7
De terça a sábado
0,7
Segunda, sexta e sábado
0,7
Quinta, sexta e sábado
0,7
Quarta a domingo
0,7
Segunda a sábado
0,7
De vez em quando
0,7
Não respondeu
7,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Aqueles que não fazem programa todos os dias apontaram que o fazem
nos dias da semana, de sexta-feira a domingo, dias de maior fluxo de
transeuntes (22,5%); enquanto 12,4% responderam não haver dia certo para
tais atividades, realizando-as apenas quando “dá certo”. Esta última resposta
pôde ser discutida no grupo focal, com exceção de apenas uma pessoa,
todos os outros afirmaram que seus pais não sabem que são explorados,
pois, quando chegam com dinheiro em casa, alegam que fazem algum tipo
de bico, como babá, olhar carro na rua, vender dindim, etc.
Tabela 47
103
Turnos do dia em que as crianças e adolescentes fazem programas
Fortaleza
Maio / 2008
Frequência relativa
Discriminação
Sim
Não
Não
Total
respondeu
Manhã
6,2
93,0
0,8
100,0
Tarde
34,1
65,1
0,8
100,0
Noite
93,8
5,4
0,8
100,0
Madrugada
64,3
34,9
0,8
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que diz respeito ao período do dia em que fazem programa,
responderam: 93,8% fazem programa à noite; 64,3%, na madrugada, 34,1%,
no período da tarde e 6,2%, pela manhã. Isto significa que alguns deles
responderam fazer em dois horários, ou em três. Este dado é elucidativo para
compreender que a exploração acontece durante todo o dia, entretanto é
significativo o percentual do turno da noite.
Tabela 48
Lugar determinado para fazer programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
49,6
Não
50,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando indagados se havia um lugar certo para fazer programas, a
resposta foi dividida. Metade deles (50,4%) respondeu que não tem um local
fixo e 49,6% disseram que sim.
104
Tabela 49
Descrição do lugar determinado para fazer programas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
29,6
Castelão
17,2
Serrinha
4,7
Praia do Futuro
3,1
Na esquina, mas também marca por
telefone
Praia de Iracema
Vai para as boates e fica andando nas
barracas
3,1
23,4
1,6
Motéis
3,2
Em frente ao posto de gasolina
1,6
Barra do Ceará
1,6
Não respondeu
10,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O lugar mais frequentado é o que se estende da Praia de Iracema à Beira
Mar, sendo assim delimitado: 29,6%, Beira Mar; 23,4%, na Praia de Iracema.
Se observados separadamente esses dados, por si só apontam para áreas de
interesses turísticos, lugares visados por turistas nacionais e estrangeiros, que
vêm a Fortaleza em busca de lazer e diversão, pois ali se concentra um grande
pólo de lazer e hospedagem, formado por restaurantes, bares, barracas, boites,
hotéis, pousadas e toda uma infinidade de atividades relacionadas à cadeia
produtiva do turismo. Também foi constatada exploração nas barracas da Praia
do Futuro por turistas nas noites de quinta-feira, dia de grande movimentação
no local, e nos finais de semana.
105
“(...) Em meio às respostas do questionário, ele também
contou muitos “causos” que muito têm a somar no aspecto
qualitativo.
Disse
que
presenciava
muitos
casos
de
prostituição (...) se concentram mais na beira-mar em si, mas
disse também que no trecho em obras, nas imediações da
estátua Iracema Guardiã, ocorrem práticas de sexo ao ar livre.
(...) chamou de ‘corredor do sexo.’” (Diário de Campo Márcio)
Também indica como área de grande exploração sexual as imediações do
Castelão (17,2%); que se refere às proximidades do cemitério Parque da Paz,
Viaduto da Serrinha e áreas próximas ao aeroporto.
“Estivemos nas Avenidas Padaria Espiritual e Paulino Rocha
realizando observação de campo e abordagem às crianças e
adolescentes envolvidas com exploração sexual e com turistas
que transitam de passagem pelo Anel viário do Castelão em
sentido Messejana e posteriormente seguem para as Praias
das Dunas, Prainha, Aquiraz e outras. Segundo informações
soubemos que eles (os turistas) alugam carros e permanecem
de 7 a 15 dias na cidade e que nesse período costumam
frequentar aquela rotatória no intuito de fazer programas com
adolescentes daquela região. (...) nos aproximamos de 03
adolescentes de 12, 13 e 15 anos (...) Na oportunidade uma
menina nos relatou a dificuldade de sua família para manter o
sustento do lar e por este motivo frequentava as ruas para
fazer programa. E que por noite consegue cerca de 60 a 70
reais, que normalmente é dividido entre elas, já que nem todas
saem com os turistas e ficam servindo de apoio para aquelas
que saem”. (Diário de Campo – Elias)
Embora não tenha aparecido como dado quantitativo relevante, o lugar de
exploração nas proximidades da Barra do Ceará (1,6%), no censo, nos diários
106
de campo utilizados pelos pesquisadores e mesmo no grupo focal, essa área é
apontada como sendo importante, pois as crianças e adolescentes afirmaram
que os motéis e pousadas daquela área permitem a entrada de menores de 18
anos. Não obstante essa região, conforme observado, caracteriza-se mais pela
exploração sexual praticada por moradores locais.
“Logo na terceira barraca da Barra do Ceará entrevistei uma
senhora. Ela me relatou que de madrugada sempre tem uns
homens com garotas menores de idade na praia praticando
sexo. Costuma ver moto-taxistas descendo na praia com as
garotas.” (Diário de Campo – Victor)
Tabela 50
Clientes que mais atendem
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turista estrangeiro
50,7
Turista nacional
22,5
Morador local
23,2
Outro
3,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
107
Gráfico 14
Clientes que mais atendem
Fortaleza
Maio / 2008
Turista
nacional
22,5%
Turista
estrangeiro
50,7%
Outro
3,6%
Morador local
23,2%
No recorte metodológico feito por esta Pesquisa, a saber, áreas de maior
incidência de turismo, as crianças e adolescentes, que ali fazem programa,
disseram que o cliente que mais atendem é o turista estrangeiro (50,7%);
23,2% o morador local e 22,5% o turista nacional.
Tabela 51
Outros clientes que mais atendem
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
"O que pagar melhor estou indo"
40,0
Não tem preferência, o que aparecer
20,0
"Qualquer um, só não gosto de
velhos"
Qualquer um que pague o preço
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
20,0
20,0
100,0
108
Outras respostas dadas por 3,6% dos entrevistados refletem aqueles que
saem com quem pagar (40%); semelhante aqueles que dizem sair com quem
aparecer (20%), ou ainda com qualquer um (40%).
Tabela 52
Em média, valor cobrado por programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação (em R$ 1,00)
Frequência relativa
10,00
0,8
15,00
0,7
20,00
6,2
25,00
3,1
30,00
14,0
35,00
8,5
40,00
14,0
50,00
26,4
60,00
7,8
70,00
3,1
80,00
4,7
100,00
9,3
150,00
0,7
250,00
0,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
109
Gráfico 15
Em média, valor cobrado por programa
Fortaleza
Maio / 2008
26,4%
30,0%
20,0%
14,0%
8,5% 14,0%
6,2%
10,0%
0,8%
0,7%
9,3%
7,8%
3,1%
4,7%
3,1%
0,0%
0,7%0,7%
10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 100,00150,00250,00
(em R$ 1,00)
O valor médio cobrado por programa, respondido por 62,9% das crianças
e adolescentes, é de R$ 30,00 a R$ 50,00. No grupo focal, uma das
adolescentes que lá estava garantiu chegar a receber por semana, em torno de
R$ 800,00, não havendo nenhuma contestação da parte dos presentes, o que
serviu como ratificação de sua resposta.
Claro está que as respostas em relação ao valor cobrado por programa
variou de R$ 10,00 a R$ 250,00, o que significa que há preços variados e
também, conforme relatos das crianças e adolescentes, existem valores
cobrados de acordo com os clientes, se é turista estrangeiro, nacional ou
morador local.
Tabela 53
Clientes de preferência das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turista estrangeiro
69,0
Turista nacional
11,6
110
Morador local
15,5
Outros
3,9
TOTAL
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 16
Clientes de preferência das crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
69,0%
Turista estrangeiro
11,6%
Turista nacional
15,5%
Morador local
Outros
0,0%
3,9%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
70,0%
80,0%
Em relação àquele que é preferido por elas, 69% afirmaram ser o turista
estrangeiro; 15,5%, o morador local; e 11,6%, o turista nacional. A origem do
turista estrangeiro é européia, vindo da Itália 34%; e Portugal 16,3%.
Tabela 54
Outros clientes de preferência
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Tanto faz
40,0
Caminhoneiro
20,0
111
Não respondeu
40,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
3,9% das crianças e adolescentes explorados sexualmente deram outras
respostas. Elas argumentaram que não têm preferência por cliente, que tanto
faz, perfazendo 40%. Houve ainda quem afirmou preferir caminhoneiro (20%).
Tabela 55
Razões por preferir clientes estrangeiros
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Estrangeiro porque eles pagam mais
Pagam bem e oferecem presentes, levam para
lugares bacanas
Frequência relativa
58,4
6,7
Não são pão duro, são mais legais e sem vergonha
5,6
Gosta de estrangeiros porque são bonitos e educados
4,5
Mais carinhoso
3,4
"Porque dão o que a gente pede e gosto de passear
de carro"
2,2
Tem mais dinheiro
2,2
Menos exigentes
1,1
“É mongolóide, abestado, pega rápido”
1,1
Porque são mais cheirosos
1,1
"Vou no apartamento dele"
1,1
"Pagam comida para mim"
1,1
Eles passam mais tempo aqui e ficam fixo
1,1
"É mais caro e ainda negociamos o valor"
1,1
Porque são bonitos
1,1
Não respondeu
8,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
112
Elas disseram preferir o estrangeiro porque eles pagam mais (58,4%),
enquanto 6,7% responderam que, além de pagarem bem, ainda oferecem
presentes e as levam para lugares que elas consideram bacanas; 5,6%
afirmaram que eles são mais legais e não têm vergonha; 4,5%, porque são
bonitos e educados, dentre outros motivos.
Daquelas que responderam preferir o morador local, 30%, assim
consideram porque acreditam ser mais seguro.
Tabela 56
Razões por preferir clientes nacionais
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Pagam bem e oferecem presentes, levam para lugares
bacanas
Frequência relativa
13,3
"Pagam comida para mim"
13,3
Nacional, pois eles falam nossa língua
6,7
"Porque dão o que a gente pede e gosto de passear de
carro"
6,7
Tenho medo dos outros turistas
6,7
"Porque me leva para boates"
6,7
"Prefiro as mulheres nacionais"
6,7
Porque são bonitos
6,7
Não respondeu o porquê
33,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Aqueles que optam por turistas nacionais assim o fazem porque pagam
melhor (13,3%), porque pagam comida (13,3%), por falar a mesma língua
(6,7%), porque dão o que pedem e levam para passear de carro(6,7%).
113
Percebe-se que o que essas crianças e adolescentes querem é bem pouco,
um prato de comida, um passeio de carro em mundos em que normalmente se
encontram excluídas socialmente e que só podem frequentar quando
conduzidas por alguém que possui dinheiro e capital simbólico para adentrar
nesses espaços.
Tabela 57
Razões por preferir morador local
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
É difícil aparecer turista, fica com morador local, é mais
seguro
Frequência relativa
30,0
É o que aparece
20,0
"Não gosto de sair com gringos e turistas, tenho medo"
10,0
"Morador local, pois tenho alguns fixos"
5,0
Porque sim
5,0
Tem vários fixos
5,0
Mais frequente
5,0
Mais seguro e se sair no carro a amiga anota a placa
5,0
Não respondeu
15,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Daquelas que responderam preferir o morador local, 30% consideram ser
mais seguro ou afirmam que é o que mais aparece (20%); têm medo de sair
com “gringos” (10%), outros porque se tornam fixos (5%).
Tabela 58
Crianças e adolescentes influenciados para fazer programa com turistas
Fortaleza
Maio / 2008
114
Discriminação
Frequência relativa
Sim
42,3
Não
57,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 17
Crianças e adolescentes influenciados para fazer
programa com turistas
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
42,3%
Não
57,7%
Essa pergunta se propõe a interpelar acerca de saber se os entrevistados
foram influenciados a fazer programa especificamente com turistas. Os dados
revelados assemelham-se com os da Tabela 27 e mostram que: 57,7% não
foram influenciados; e 42,3% disseram ter sido influenciados.
Tabela 59
Pessoas que influenciaram as crianças e adolescentes para fazer
programas com turistas
Fortaleza
Maio / 2008
115
Discriminação
Frequência relativa
Amigo da praça
22,7
Amigos(as)
54,5
Dois amigos da Beira Mar
2,3
Amiga do colégio
2,3
"Meus amigos travestis"
2,3
"A mulher que eu compro drogas"
2,3
"Minha irmã"
2,3
Prima
2,2
Não respondeu
9,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os incentivadores de que fizessem programas com turistas são: amigo da
praça (22,7%); amigos(as) 54,5%; dentro de outras respostas.
Tabela 60
Local de origem dos turistas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turista de Origem Internacional
Itália
34,0
Portugal
16,3
Europa
7,8
Espanha
5,7
França
5,7
Holanda
4,3
Estados Unidos
2,1
Alemanha
2,1
Japão
0,7
Grécia
0,7
Argentina
0,7
116
Subtotal
80,1
Turista de Origem Nacional
São Paulo
7,1
Rio de Janeiro
3,5
Região Sul do Brasil
2,1
Bahia
0,7
Marceió
0,7
Subtotal
14,1
Turista de Outras Origens
De todos os lugares
Subtotal
Não respondeu
2,1
2,1
3,7
Subtotal
3,7
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O turista estrangeiro que mais explora sexualmente as crianças e
adolescentes em Fortaleza é oriundo, em grande parte, da Europa,
representando um total de 69,5%, e foram assim apontados: 34%, Itália;
16,3%, Portugal; 7,8%, países europeus; Espanha, 5,7%; França, 5,7%. Outros
países: Holanda, 4,3%; Estados Unidos, 2,1%, dentre outros de menor
representação.
No que concerne aos turistas nacionais que mais exploram: São Paulo
(7,1%); e Rio de Janeiro (3,5%).
Estes dados denotam que o grande explorador sexual de crianças e
adolescentes, apontado nesta Pesquisa, é o turista, seja ele estrangeiro ou
nacional. Contudo, é um dado revelador que 23,2% se constituem de
moradores locais, pois a Pesquisa foi delimitada no “cinturão do turismo” de
Fortaleza e mesmo nesse espaço fortemente voltado para o público de fora da
cidade, o morador local mostrou-se fortemente presente. Se a pesquisa tivesse
117
sido realizada em bairros periféricos da cidade, esse número poderia ter sido
bem maior.
Observou-se também que os turistas estrangeiros e nacionais estavam
bastante temerosos com a presença do policiamento do Ronda do Quarteirão3.
Segundo algumas meninas abordadas, alguns turistas fugiam delas com medo
de serem presos, existindo ocasiões em que elas tinham que abordar os
turistas.
“Percebemos que as meninas estavam portando toalha de
rosto ou pedaço de pano enrolado nas mãos, e quando
perguntei o motivo daquela toalha surpreendentemente nos
deparamos com riso geral, nos causando grande curiosidade.
(..)”Tio, é que os gringos não levam a gente pra motel não,
eles só gostam de fazer uma rapidinha dentro do carro e uns
gozam na cara da gente, por isso, a gente limpa na toalha.
Antes a gente limpava na roupa e ficava toda imunda, né!”disse Y, 14 anos (...) Elas preferem ir a motel, mas os gringos
têm medo de ser presos e estão preferindo fazer rapidinhas e
assim pagam menos também. “Tio, antes eles davam 50 reais
pra nós. Só que os motéis não aceitam mais a gente entrar
porque ficamos manjadas. Agora os gringos só querem fazer
rapidinha dentro do carro e voltam quase toda noite. Teve um
que queria que a menina engolisse a gala dele todinha e ela
não quis por isso levou um pucharrão de cabelo, é ele que tráz
os outros aqui, parece que tem uma casa na Prainha, esse
véi”(SIC).” (Diário de Campo: Elias - Castelão)
Tabela 61
Local onde as crianças e adolescentes conhecem os turistas
Fortaleza
Maio / 2008
3
Policiamento comunitário da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará.
118
Discriminação
Frequência relativa
Avenida Beira Mar
24,0
Boites
17,4
Barraca de Praia
14,0
Paredão da Praia de Iracema
8,3
Praia do Futuro
5,0
Praia de Iracema
3,3
Rua Tremembés
2,5
"No meu ponto"
2,5
Barraca do Joça
1,7
Crocobeach
1,7
No Ponto do Camarão
1,7
Nas barracas próximo ao Mac Donalds
1,7
"Eles param o carro e chamam a gente"
1,7
Avenida Rui Barbosa
1,7
Nas bancas de peixes
1,7
Bares
0,8
Os taxistas informam quem está a procura
0,8
"No banco onde fico sentada"
0,8
Calçadão
0,8
Na boate em frente à delegacia da Praia de Iracema
0,8
Em frente ao Hotel Luzeiros
0,8
Ponte Rio Ceará"
0,8
Em frente à feirinha de artesanato
0,8
Nas lanchonetes
0,8
Nos restaurantes
0,8
Pela Internet
0,8
Através de amigos
0,8
Na pista
0,8
Não respondeu
0,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
119
As crianças e adolescentes conhecem os turistas em toda a orla
marítima, da Barra do Ceará à Praia do Futuro. Como esta questão foi aberta,
elas referiram os lugares onde os encontram em seus cotidianos permeados
pela exploração. A Avenida Beira Mar foi referenciada em 24% das falas,
seguida pelas boites da Praia de Iracema (17,4%), barracas de praia da Praia
do Futuro (14%), dentre outros.
Tabela 62
Maneiras como as crianças e adolescentes conhecem os turistas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Eles param o carro, combinam o valor e saem
19,2
Eles chamam para conversar
16,3
As amigas que conhecem e apresentam
15,4
Faz a abordagem
7,7
Barraca de praia
3,8
"Chego dançando e pergunto se podem pagar uma bebida”
3,8
Andando pelo calçadão
2,9
Paquerando
2,9
Através dos taxistas da praia
2,9
"Chego e começo a conversar"
2,9
"Eles chamam a gente, quando o negocio tá ruim nós
chegamos"
"Quando estão nas barracas, faço tudo para chamar a
atenção"
1,9
1,9
"Fico observando para depois ir até eles"
1,9
"Vou para a Barraca Crocobeach"
1,9
"Fico me insinuando"
1,9
"Através da apresentação de uns amigos transformistas"
1,0
“Se aproximando e dançando”
1,0
"Eles ficam na mesa e eu fico me exibindo"
1,0
120
"Eu chego e pergunto se eles querem fazer programa"
"Eu sento nas barracas e às vezes os garçons me dão
recado"
"Peço dinheiro e ele pergunta se quero fazer aquelas
coisas"
1,0
1,0
1,0
Internet
1,0
Não respondeu
5,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando perguntadas como conhecem os turistas, ratificam a Tabela
anterior, que trata de onde os conhecem, pois responderam: eles param o
carro, combinam o valor e saem (19,2%), eles chamam para conversar
(16,3%), as amigas conhecem e os apresentam (15,4%), faz abordagem
(7,7%).
“Em conversa com outro guia, ele disse que sempre
observava e conversava com as meninas. Disse que elas, ao
abordarem ou serem abordadas, nunca falam de preço. Tudo
é como se fosse uma paquera, um ‘fica.’ No final do ‘fica,’ os
turistas, principalmente os estrangeiros, perguntam qual o
valor do táxi de volta. Aí elas respondem que é R$ 150,00”
(Diário de Campo – Cláudia).
O que remete que essa exploração é intrinsecamente vinculada a toda a
cadeia produtiva do turismo, acordos com garçons, taxistas e outros atores
do turismo, havendo uma rede fortemente arquitetada de exploração sexual
na Capital cearense. Essas tramas da exploração sexual são discutidas
posteriormente.
Tabela 63
Local onde, geralmente, as crianças e adolescentes fazem programas
com os turistas
121
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Em hotel
19,8
Em pousada
5,7
Em flat
10,9
Em boates
15,8
Apartamento alugado
13,4
Na praia
14,6
Outro
19,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os locais onde fazem programa com os turistas são: hotéis (19,8%),
boites (15,8%), praia (14,6%), apartamento alugado (13,4%), flat (10,9%),
pousada (5,7%). Outros lugares apontam 19,8%.
Tabela 64
Local onde as crianças e adolescentes costumam se encontrar com os
turistas que se relacionam
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Barraca de praia
23,7
Boites
21,5
Hotéis
11,3
Motéis
9,0
Restaurante
5,1
Praia do Futuro
3,4
Bares
2,8
Mc Donalds
2,3
Apartamento alugado
2,3
Canoa Quebrada
1,7
122
Flats
1,7
Barzinhos
1,7
Jericoacoara
1,1
Beira Mar
1,1
Habibs
1,1
Bobs
1,1
Mesinhas no Ponto do Camarão
1,1
Morro Branco
0,6
Pousadas
0,6
Local onde estão hospedados
0,6
Pirata
0,6
Barraca Boa Vida
0,6
Dona Santa
0,6
Centro da Cidade
0,6
Praia da Cofeco
0,6
Praia do Náutico
0,6
Restaurantes
0,6
Praia de Iracema
0,5
"Não gosta de sair do ponto, só
0,5
se o valor for bom"
Music Box
0,5
Não respondeu
0,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Em relação ao local que frequentam com o turista responderam: barracas
de praia 23,7%, boites (21,5%), hotéis (11,3%), motéis (9%), restaurantes
(5,1%), dentre outros.
“Observamos
que
os
restaurantes
e
boites
utilizam
adolescentes com roupas sensuais para chamar atenção dos
clientes. Nas boites elas ficam dançando na porta, em meio à
calçada, e nos restaurantes elas ficam com os cardápios nas
mãos a comando dos gringos.”(Diário de campo – Rosângela)
123
“Feita a sabatina descemos mais um pouco no trajeto e
adentramos a Barraca Ml, (Praia do Futuro)onde um jovem e
forte “gerente” (na verdade o filho da proprietária) estava
sentado com a companheira e nos aproximamos com o
procedimento
que
tivemos
por
padrão
neste
dia.
(...)continuando amistosamente a pesquisa... Disse notar
“muita exploração, brother, tem muito menor que tem renda
familiar muito baixa e até os pais incentivam a exploração, pra
complementar a renda de casa e acabam se viciando em
pedra; há muitas barracas onde isso é normal e em outras
não, vejo até cafetões agindo – e os taxistas são metidos com
isso também, pode sacar.” (Diário de Campo – Márcio)
Tabela 65
Local onde as crianças e adolescentes se sentem mais à vontade para se
encontrar com os turistas que se relacionam
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Boites
19,2
Na Praia
19,2
Todos os lugares
12,5
Motel
10,6
Hotéis
6,7
Restaurante
4,8
Flats
3,8
Bobs
2,9
Não sente diferença
1,9
Praias fora de Fortaleza
1,9
Tanto faz
1,9
Mc Donalds
1,9
Praia do Icaraí
1,9
124
Apartamento alugado
1,9
No local que faz programa, lá tem muitas amigas
1,9
Crocobeach
1,0
No carro
1,0
Habibs
1,0
Praia do Futuro
1,0
Ponto do Camarão
1,0
Não respondeu
2,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como os lugares que frequentam são os mesmos que habitualmente
fazem programas, sentem-se à vontade, conforme mostra a Tabela: nas boites
(19,2%), praia (19,2%), todos eles (12,5%), motel (10,6%), dentre outros.
Tabela 66
Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que também
saem com turistas
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
99,0
Não
1,0
Total
100,0
125
Gráfico 18
Crianças e adolescentes, que têm amigos da
sua idade, que também saem com turistas
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
99,0%
Não
1,0%
As amizades refletem as redes de solidariedade existentes entre crianças
e adolescentes explorados sexualmente. 99% possuem amigos(as) que fazem
programas com turistas. Apenas uma pessoa disse que não. De acordo com o
observado na Pesquisa, elas têm nas amigas(os) uma segurança quando
saem para fazer programa. Muitas delas, inclusive, cobram o dinheiro
adiantado e deixam com as amigas para não correr risco de ficar sem receber.
Outras, ao final da noite, dividem o recebido entre elas.
Tabela 67
Crianças e adolescentes, que têm amigos da sua idade, que também
saem com turistas e frequentam os mesmos locais
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
82,5
Não
14,6
Não respondeu
2,9
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
126
Gráfico 19
Crianças e adolescentes, que têm amigos da
sua idade, que também saem com turistas e
freqüentam os mesmos locais
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
82,5%
Não
respondeu
2,9%
Não
14,6%
Este Gráfico mostra que 82,5% das amigas(os) frequentam os mesmos
locais referidos pelos entrevistados anteriormente (Tabela 48) e 14,6% outros
locais.
Tabela 68
Crianças e adolescentes que fazem uso de substâncias químicas (drogas)
para fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
50,4
Não
49,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
127
Gráfico 20
Crianças e adolescentes que fazem uso de
substâncias químicas (drogas) para fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
50,4%
Não
49,6%
50,4%
dos
entrevistados
afirmaram
fazer
uso
de
substâncias
entorpecentes em detrimento a 49,6% que disseram não fazer uso.
Tabela 69
Tipos de substâncias químicas (drogas) que crianças e adolescentes
utilizam para fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bebida alcoólica
48,5
Maconha
21,4
Cocaína
4,9
Crack
7,8
Cola
3,9
Loló
3,9
128
Êxtase
1,0
Outra
8,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Conforme
os
dados
adquiridos
na
Pesquisa,
as
substâncias
entorpecentes mais utilizadas são: 76,9%, bebida alcoólica; 33,8%, maconha;
12,3%, crack; 7,7%, cocaína, dentre outros. A bebida alcoólica é o maior índice
de consumo pela própria facilidade de encontrar em todos os lugares onde há
exploração
sexual,
bem
como
pela
ausência
de
fiscalização
em
estabelecimentos noturnos, que não pedem identidade para as crianças e
adolescentes, desrespeitando a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a
esse público.
Tabela 70
Outras substâncias químicas (drogas) que as crianças e adolescentes
utilizam para fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Ripinol
11,1
Artame
33,3
Solvente
33,3
Cigarro
22,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
129
Tabela 71
Crianças e adolescentes que utilizam algum tipo de anticoncepcional
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
76,7
Não
23,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ao serem perguntados sobre se faziam uso de anticoncepcionais, 76,7%
afirmaram que sim e outros 23,3% não usam. Tais dados demonstram que
ainda há um percentual significativo de crianças e adolescentes que não se
protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis ou para evitar filhos.
Tabela 72
Tipos de anticoncepcionais utilizados pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Pílula anticoncepcional
29,8
DIU
0,0
Diafragma
0,0
Camisinha
4,3
Pílula do dia seguinte
63,1
Outros
2,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
130
Os métodos contraceptivos utilizados, muitas vezes, são concomitantes,
mas é um dado preocupante que 63,1% tomam a pílula do dia seguinte, tendo
em vista que esse método é usado, em geral, quando há risco de gravidez na
relação sexual mantida no dia anterior sem preservativo. E ainda, 29,8% usam
pílula anticoncepcional; e 4,3%, camisinha; e 2,8%, outros.
Tabela 73
Outros tipos de anticoncepcionais utilizados pelas crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Injetável
50,0
Não respondeu
50,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 74
Crianças e adolescentes que possuem alguma doença sexualmente
transmissível
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
7,8
Não
90,7
Não respondeu
1,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
131
Gráfico 21
Crianças e adolescentes que possuem alguma
doença sexualmente transmissível
Fortaleza
Maio / 2008
Não
90,7%
Sim
7,8%
Não
respondeu
1,5%
Embora na Tabela anterior tenha sido demonstrado o uso abusivo da
pílula do dia seguinte, que denota certo descuido no ato sexual, ao responder
sobre se possuíam alguma doença sexualmente transmissível 90,7% disseram
não possuir e apenas 7,8% responderam que sim, o que reflete,
possivelmente, um certo desconhecimento das doenças por falta de
acompanhamento sistemático de suas condições de saúde, ou mesmo uma
negação das doenças.
Tabela 75
Tipos de doenças sexualmente transmissíveis das crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Coceira
30,0
Inflamação
20,0
Já teve início de cancro duro
10,0
Gonorréia, mas está no fim do
tratamento. Não sente mais nada
Não respondeu
10,0
30,0
132
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As doenças discriminadas foram as seguintes: 30%, coceira; 20%,
inflamação; 10%, cancro duro; 10%, gonorréia; e 30%, não respondeu
Tabela 76
Crianças e adolescentes que fazem uso de camisinha, em suas relações
sexuais
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
95,3
Não
3,9
Não respondeu
0,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 22
Crianças e adolescentes que fazem uso de
camisinha, em suas relações sexuais
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
95,3%
Não
Não
respondeu
3,9%
0,8%
133
Nessa pergunta mais específica sobre o uso da camisinha, 95,3%
afirmaram fazer uso em suas relações sexuais, apenas 3,9% não usam. Vale
recordar que, na Tabela 72, que era de livre resposta, somente 4,3%
lembraram de responder que utilizam camisinha.
Tabela 77
Crianças e adolescentes que sofreram algum aborto
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
19,4
Não
64,3
Não respondeu
16,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
De acordo com os dados levantados 64,3% das meninas entrevistadas
responderam que nunca sofreram aborto e 19,4% disseram que sim, já
sofreram. Destes, 68% foram provocados e 32%, espontâneos. (Tabela 74).
Tabela 78
Formas de aborto de crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Espontâneo
32,0
Provocado
68,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
134
Gráfico 23
Formas de aborto de crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Provocado
68,0%
Espontâneo
32,0%
As crianças e adolescentes que fizeram aborto informaram ter sido
provocado em 68% dos casos, em detrimento de 32% que foram espontâneos.
Isto leva a refletir sobre as situações procuradas por esse público para
provocar o aborto, submentendo-se a práticas de violência do próprio corpo e a
todo tipo de sequela ocasionada pelas más condições em que acontece esse
procedimento.
Tabela 79
Crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de violência dos
clientes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
25,6
Não
74,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
135
Gráfico 24
Crianças e adolescentes que sofreram algum tipo
de violência dos clientes
Fortaleza
Maio / 2008
Não
74,4%
Sim
25,6%
Quando interpeladas acerca das situações de violência vivenciadas,
durante os programas, 74,4% disseram nunca ter sofrido violência, enquanto
25,6% relataram já ter passado por algum tipo de violência.
Tabela 80
Tipo de violência sofrida pelas crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Agressão física
18,2
Agressão no rosto
15,2
Sexo à força (dois ao mesmo tempo) e ainda não
pagaram nada
"Fui espancada"
"Queria que fizesse uma coisa, não quis, ele me deu um
tapa"
6,1
6,1
3,0
136
Levou uns "tapas" na cara, parecia um maluco ele
3,0
"Me bateu e não pagou o programa"
3,0
"Puxou os meus cabelos"
3,0
"Me deixou no meio de uma estrada escura, sozinha"
3,0
"Tirou minha roupa à força"
3,0
Palavrões
3,0
"Depois que transou quis me da uns tapas,ele apanhou
também"
O cara bateu nela porque não quis fazer sexo com os
amigos
3,0
3,0
Tapas no rosto e chutes
3,0
Apanhou porque não queria transar mais de três vezes
3,0
"Me agrediu com palavrões e deu um tapa"
3,0
"Ele me bateu depois que ficou bêbado"
3,0
"Me deixou o dia trancada em um apartamento"
3,0
"Me deu umas palmadas nas pernas"
3,0
Não respondeu
9,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O índice de violência sofrido pelas crianças e adolescentes entrevistadas
é de 25,6%, das quais, 18,2% foram vítimas de agressão física; 15,2%,
agressão no rosto; 6,1%, sexo a força com dois ao mesmo tempo e sem pagar;
6,1%, espancamento, dentre outros.
Tabela 81
Posição das crianças e adolescentes sobre o que acham mais arriscados
na prática sexual
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Doenças
23,3
Sofrer violência
10,1
137
Ser abordado pela Polícia
8,5
As doenças e engravidar
7,8
Nada
6,2
Sair com pessoas que nunca viu
5,4
Tem medo dos marginais
3,9
Estar exposta à violência
3,9
Sair e não voltar mais
3,1
Tudo
3,1
Alguns clientes são violentos, não querem pagar
3,1
"Tenho medo de fazer o programa e o cliente não
pagar "
3,1
Tem medo do SOS
2,3
Ficar grávida
2,3
Ficar na rua
1,6
Ser agredida pelas prostitutas adultas
1,6
Encontrar algum homem violento
0,8
Ficar grávida e o horário às vezes aparece cliente
bêbado
O trabalho fora de hora,ter que voltar pra casa de
madrugada
0,8
0,8
Ter que trabalhar de madrugada
0,8
"Eles não pagarem e eu fazer uma arte com eles"
0,8
É perigoso
0,8
Tudo, principalmente a parte sexual
0,8
"Tenho medo que as outras garotas tomem o meu
dinheiro"
Sair com brasileiros, pois quase sempre eles não
pagam
Existe uma convivência muito grande das outras
garotas
0,8
0,8
0,7
Doenças e marginais
0,7
Doenças e violência
0,7
"As vezes quero sair, mas o traficante me obriga"
0,7
138
Doenças e eles não pagarem
0,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O maior risco que consideram correr na prática é: 23,3%, pegar doenças;
10,1%, sofrer violência; 8,5%, ser abordada pela Polícia; 7,8%, doenças e
engravidar; 6,2% não consideram que nada há de arriscado. As demais
refletem o medo da violência, medo de “sair e não voltar”, trabalho noturno,
perigo, o que denota a situação de grande vulnerabilidade e risco social em
que se encontram essas crianças e adolescentes.
Tabela 82
Motivos que levaram as crianças e adolescentes a se encontrar nessas
condições
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Necessidade
27,9
Falta de dinheiro
15,5
Queria comprar coisas (roupas, etc)
7,8
Viciado(a) em drogas
3,9
Falta de emprego
3,1
As dificuldades em casa
3,1
Ajudar a família
3,1
"Não tenho motivo, estou porque gosto"
1,6
"O emprego da minha mãe"
1,6
"Achei legal"
1,6
Curiosidade e influência das amigas
1,6
O preconceito
1,6
"Gosto de liberdade, me sinto livre dona do meu dinheiro"
1,6
Queria ser independente
1,6
"Preciso juntar dinheiro e comprar uma casa"
0,8
"Minhas amigas todas fazem, resolvi fazer também"
0,8
139
A vontade de ser travesti
0,8
"Para poder sustentar a minha família"
0,8
Motivos financeiros
0,8
Foi por meio de uma brincadeira, com o tempo, se habituou
0,8
"Não gosto de casa, prefiro viver na rua"
0,8
Queria namorar um estrangeiro
0,8
Falta de família
0,8
Porque quis
0,8
No começo pra alimentação, mas agora gosta
0,8
"Fiquei com raiva da vida e resolvi ser puta"
0,8
"Por diversão e gosto de ter meu próprio dinheiro"
0,8
"Gosto de namorar homens bonitos,é por isso que estou
nessa"
0,8
"Faço programa para sustentar minha companheira"
0,8
"Me sinto livre e independente"
0,8
"Venho acompanhar minha namorada e acabo fazendo"
0,8
"Gosto de ser mulher"
0,8
"Fui violentado pelo meu tio e resolvi fazer isso"
0,7
Porque não tinha ninguém por ela em Fortaleza
0,7
Uma filha que o pai não assumiu
0,7
Aventura
0,7
Querer arranjar um namorado pela Internet
0,7
Porque mora com uma tia e ela é pobre
0,7
"Fugi de casa e fiquei morando com amigos"
0,7
Droga
0,7
Necessidade e ajudar sua madrinha a comprar remédios
0,7
Necessidade e porque adora transar
0,7
Necessidade e adora transar
0,7
Não respondeu
2,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
140
Os motivos que as levaram a essa atividade: 27,9% dos casos, por
necessidade econômica; 15,5%, por falta de dinheiro; 7,8%, por que queria
comprar coisas; 3,9%, por ser viciado em drogas; 3,1%, falta de emprego;
3,1%, dificuldades em casa; dentre outras, o que significa que a exploração
tem origens de fundo socioeconômico, atrelada à situação de pobreza em que
vivem as famílias fortalezenses. Como se pode constatar no relato a seguir:
“Eram claras em falar que talvez nada as motivasse a sair
dessa vida, pois trabalho era difícil e exigia muita experiência.
Ali tinha dinheiro, e o que as motivou a entrar naquela vida foi
a necessidade, situação financeira.” (Diário de Campo Cláudia Lima)
Tabela 83
Adolescentes que consideram que houve alguma mudança na sua vida,
depois de começar a fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
69,8
Não
30,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
141
Gráfico 25
Adolescentes que consideram que houve
alguma mudança na sua vida, depois de
começar a fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Sim
69,8%
Não
30,2%
No tocante à pergunta se alguma coisa mudou em suas vidas, após
iniciarem a fazer programas, os resultados demonstram que 69,8% das
crianças e adolescentes, em situação de exploração, acreditam que sim,
outros 30,2% disseram que nada mudou.
Tabela 84
Existência de pessoas que fazem contato com aquelas que desejam fazer
programa com as crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
26,4
Não
73,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
142
Gráfico 26
Existência de pessoas que fazem contato com
aquelas que desejam fazer programa com as
crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Não
73,6%
Sim
26,4%
As respostas com relação se há um mediador entre as crianças e
adolescentes e o explorador apontam que 26,4% responderam que sim, existe
alguém que faz contato com o explorador para fazer o programa com a criança
e/ou adolescentes, enquanto 73,6% afirmaram que não há. Dos que têm
alguém que faz o contato anterior ao programa, 67% são amigas, 14,7%,
taxistas, dentre outros.
Tabela 85
Pessoas que fazem contato com aquelas que desejam fazer programa
com as crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Amiga
67,9
Taxistas
14,7
O pessoal da barraca
2,9
Donos de hotéis
2,9
143
O traficante
2,9
Os garçons
2,9
Um travesti adulto
2,9
Não respondeu
2,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quem faz o papel de mediador entre exploradas e explorador é uma amiga, na
maioria dos casos, perfazendo um total de 67,4%, seguidas de profissionais da
cadeia produtiva do turismo, conforme dados analisados posteriormente.
Tabela 86
O que ganham as pessoas que fazem contato com aquelas que desejam
fazer programa com as crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Não ganham nada
35,4
Dinheiro
32,4
Apenas amizade
5,9
Às vezes os clientes querem sair com mais
de duas amigas
5,9
Amizade
5,9
R$ 30,00 para liberar minha entrada
2,9
Drogas e dinheiro
2,9
As vezes transo com ele
2,9
Presentes (roupas, perfume)
2,9
Usufruem também das saídas
2,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Uma questão relevante na pesquisa é que, em alguns casos, quem faz o
contato com o explorador e oferece crianças e adolescentes é o taxista,
144
garçom, segurança de boite, como disse uma adolescente todos eles entram
no serviço. Afirmaram que o turista acerta a corrida e já pede a faixa etária
preferida, às vezes, o taxista chega mesmo a ir buscá-las em casa:
Tabela 87
Práticas sexuais com as pessoas que facilitam a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
11,8
Não
88,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 27
Práticas sexuais com as pessoas que facilitam
a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Não
88,2%
Sim
11,8%
88,2% das crianças e adolescentes, que têm um intermediário entre elas
e o turista, não mantêm relações sexuais com essa pessoa. Este dado
assinala que, de fato, o interesse em agenciá-las é, prioritariamente, o de
ganhar em troca dinheiro, seja do turista ou um percentual do que elas
recebem.
145
A situação de exploração sexual de crianças e adolescentes traz fincado
em sua natureza uma violência efetiva de pessoas adultas, principalmente
homens, sobre pessoas que, por serem mais frágeis, ficam à mercê de seu
poder e são por eles manipuladas e comandadas. Essa exploração muitas
vezes começa em casa e ganha o rumo da rua.
Tabela 88
Práticas sexuais pagas às pessoas que fazem contato com aquelas que
desejam fazer programa com crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
100,0
Não
__
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre
aqueles
que
disseram
manter relações
sexuais
com
o
intermediário (11,8%), na totalidade das respostas (100%), manifestaram que
essas relações são pagas.
Tabela 89
Conhecimento da família no tocante às práticas sexuais das crianças e
adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
41,9
Não
55,8
Não respondeu
2,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
146
Gráfico 28
Conhecimento da família no tocante às práticas
sexuais das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Não
55,8%
Sim
41,9%
Não
respondeu
2,3%
Uma questão relevante é que 41,9% dos entrevistados aferiram que sua
família é conhecedora da situação de exploração sexual em que se encontram.
Enquanto 55,8% responderam que a família não sabe.
Tabela 90
Pessoas da família que desenvolvem as mesmas práticas sexuais das
crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
7,8
Não
88,4
Não respondeu
3,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
147
De acordo com informações dos entrevistados, apenas 7,8% afirmaram
que outros membros de sua família fazem programa.
Tabela 91
Quantidade de pessoas da família que desenvolvem as mesmas práticas
sexuais das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
1 pessoa
75,0
2 pessoas
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os entrevistados, ao serem questionados se existiam outras pessoas de
sua família que praticavam a troca da prática sexual por dinheiro, 75%
responderam que 1 pessoa também praticava e 25% disseram que seriam 2
pessoas.
Tabela 92
O que motivaria as crianças e adolescentes a deixarem de fazer programa
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Um emprego
34,9
Não pensa em deixar
13,2
Não sabe informar
9,3
"Se eu arranjasse um gringo"
3,9
Um marido rico, lógico
3,1
"Acho que nada"
3,1
Ele gosta da profissão, não deixaria de fazer
3,1
"Minha mãe arranjar um emprego melhor"
2,3
148
"Nada, percebi que fazer programa dá muito lucro"
1,6
"Melhorar o emprego da minha família"
1,6
Ter um salão de beleza
1,6
"Voltar a morar com a família,às vezes sente saudade da mãe"
1,6
Quando ganhar muito dinheiro
1,6
Ir embora com turista e casar
0,8
"Namorar um gringo que me desse as coisas"
0,8
"Se algum gringo me assumisse"
0,8
"Nada, tenho namorado, mas quando ele viaja faço programa"
0,8
"O meu padrasto arranjar outro emprego"
0,8
"Se tivesse alguém que me desse as coisas"
0,8
"Não penso no assunto ainda, por enquanto está bom"
0,8
Ir para um abrigo bom, fazer amigos
0,8
Morte
0,8
Arranjar outra coisa que ganhe mais
0,8
"A minha mãe que sempre vem a minha procura nas noites"
0,8
"Talvez quando mais velha, deixar minhas noitadas de lado"
0,7
Se um dia deixar de usar drogas
0,7
"Pretendo conhecer alguém rico, só assim vou parar"
0,7
"Se um dia minha mãe parar de ter tantas dívidas"
0,7
Conseguir um namorado
0,7
Conseguir dinheiro para abrir um negócio próprio
0,7
"Posso deixar a qualquer momento"
0,7
Morar fora do país
0,7
Não respondeu
4,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que diz respeito ao que os motivaria a sair dessa situação de
exploração sexual, as respostas demonstram que 34,9% afirmaram que é ter
um emprego, seguido de 18,7% que responderam não pensar em deixar; 9,3%
disseram não saber o que os faria deixar de realizar programa; 5,5%, se
arranjasse um gringo; 3,1%, se arranjasse um marido rico, dentre outras.
149
“Muitos, apesar da pouca idade, disseram já ter conseguido
tudo o que queriam na vida e, que por enquanto, não
possuíam qualquer vontade de parar de fazer programa.
”(Diário de campo: Ricardo)
Vale ressaltar que embora existam aqueles que afirmam não querer
deixar de fazer programa, há também uma inconsciência da condição de
explorado. Muitas vezes, o que se deixa explorar para eles sempre é o outro,
como atesta um adolescente do sexo masculino:
“Ser explorado... é mais fácil as garotas. Os homens (a gente)
que procuram, às vezes. Mas no caso que você falou, são
mais as garotas que são exploradas, deveriam conversar com
elas, as garotas que sofrem mais exploração, são obrigadas a
pagar pela mínima quantia.” (Adolescente do sexo masculino
– Grupo Focal).
“Outros guias indicaram que as crianças e adolescentes de
tanto
praticarem
sexo
e
serem
exploradas,
já
estão
“acostumadas”, a ponto de não serem mais afetadas!” (Diário
de campo – Ricardo)
Tabela 93
Crianças e adolescentes convidados a sair do país
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
24,0
Não
76,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
150
Gráfico 29
Crianças e adolescentes convidados a sair do
país
Fortaleza
Maio / 2008
Não
76,0%
Sim
24,0%
Apesar de elas alimentarem o sonho de ir embora com um “gringo”,
apenas 24% foram convidadas a sair do país. Das que foram convidadas a sair
do país, o motivo pelo qual foram convidadas foi: 19,5%, para fazer programa;
25,8%, para se juntar com o gringo; 6,5%, para estudar, dentre outros. (Ver
Tabela 94).
Tabela 94
Motivo do convite feito às crianças e adolescentes para saírem do país
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Fazer programa fora
19,5
"Me juntar"
12,9
Morar com ele/gringo
12,9
Estudar
6,5
Para passear e conhecer lugares bonitos
6,5
Um gringo italiano, mas não deu certo
6,5
"Ele disse que me ajudaria"
3,2
151
Namorar
3,2
Passar as férias em Lisboa
3,2
Quando fizer 18 vai morar fora com um gringo,seu cliente
3,2
Morar na Holanda com um cara que prometeu trabalho
3,2
Quando fizer 18 vai morar na Itália na casa de um amigo
3,2
Casamento
3,2
Passear e fazer amigos
3,2
Conhecer novos lugares
3,2
Uma amiga que está na Itália convidou, mas não deu certo
3,2
Recebeu convite de casamento, mas não acreditou
3,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
MERCADO DE TRABALHO
Perfil das Crianças e Adolescentes
Tabela 95
Crianças e adolescentes, segundo o grau de instrução
Fortaleza
Maio / 2008
Grau de instrução
Frequência relativa
Analfabeto
2,33
Alfabetizado
9,30
Fundamental incompleto
43,41
Fundamental completo
23,26
Médio incompleto
18,60
Médio completo
2,33
Não respondeu
0,77
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,00
152
Especificamente sobre o grau de instrução, a maior representação é no
fundamental incompleto, 43,41%, mas que, agregando a este resultado as
frequências dos níveis de analfabeto e alfabetizado, totaliza-se participação de
55,04%; ou seja, predomina a baixa escolaridade. Fazendo uma relação entre
este resultado e as maiores dificuldades de conseguir um trabalho, conforme
os números da pesquisa, atesta-se que 25,60% das crianças e adolescentes
reconhecem que o baixo nível de escolaridade é uma das razões que mais
dificulta a inserção no mercado de trabalho (Tabela 95).
Ocupação e Desemprego das Crianças e Adolescentes
Tabela 96
Crianças e adolescentes que exercem alguma atividade
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
4,7
Não
95,3
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
153
Gráfico 30
Crianças e adolescentes que exercem alguma
atividade
Fortaleza
Maio / 2008
Não
95,3%
Sim
4,7%
Quando indagados se desenvolve alguma atividade profissional,
constata-se, na Tabela 96, que apenas 4,70% dos entrevistados respondem
afirmativamente, contra 95,30% daqueles que não têm nenhuma ocupação4.
Especificamente para aqueles que têm ocupação, relacionam-se a seguir as
atividades desenvolvidas.
• Lava roupa, 33,30%.
• Manicuro, 50,00%.
• Prostituta profissional, 16,70%.
Ainda sobre os entrevistados que têm alguma ocupação, indagou-se o
motivo que o levou a procurar as atividades mencionadas. Descrevem-se a
seguir as respostas reproduzidas ipsis litteris.
4 4
Define-se ocupação como o exercício de uma atividade econômica, remunerada em espécie.
Excepcionalmente, no caso particular da categoria trabalhador familiar, ou membro da família sem
remuneração, o pagamento da venda da sua força de trabalho se dá em bens ou mercadorias.
154
• “Necessidade”, 50,00%.
• “Falta de apoio da minha mãe, ela nunca tinha dinheiro”, 16,70%.
• “Sempre sonhou em ter muito dinheiro”, 16,70%.
• “Para ajudar a mãe”, 16,70%.
Tabela 97
Crianças e adolescentes que procuraram trabalho
Fortaleza
Maio / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
1,60
Não
96,90
Não respondeu
1,50
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dando continuidade aos aspectos referentes ao mercado de trabalho,
observa-se, na Tabela 97, que apenas 1,60% dos jovens e adolescentes estão
sob a condição de desemprego aberto, ou seja, pessoas desocupadas, mas
que, no entanto, pressionam o mercado de trabalho em busca de uma
ocupação.
A partir da identificação do número de pessoas desempregadas e mais
da população ocupada, estima-se uma taxa de desemprego aberto5 da ordem
de 25,00%, específico para as crianças e os jovens explorados sexualmente,
ou seja, com idade de 10 e menos de 18 anos. É importante destacar o fato
desta taxa de desemprego ser muito próxima daquela referente ao mês de
junho de 2008, publicada pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho – IDT,
para as pessoas residentes em Fortaleza com idade de 10 a 19 anos, cujo
valor é de 29,46%.
5
A taxa de desemprego aberto corresponde ao número de pessoas desocupadas que pressionaram o
mercado de trabalho nos últimos trinta dias, anteriores à data de referência da pesquisa, através de
medidas concreta de procura. O referido indicador é determinado a partir do quociente entre o número de
pessoas que pressionam o mercado de trabalho e a população economicamente ativa; ou seja, a soma das
que pressionam o mercado de trabalho e as que estão ocupadas.
155
Ainda com relação ao desemprego, identifica-se na pesquisa às maiores
dificuldades de conseguir um trabalho. Neste contexto, relacionam-se abaixo
as respostas apontadas, com as respectivas frequências, reproduzindo ipsis
litteris as informações prestadas.
• “Falta de estudo”, 25,60%.
• “A idade / ser menor”, 24,00%.
• “Idade e estudo”, 7,80%.
• “Falta de experiência”, 7,00%.
• “Preconceito”, 6,20%.
• “Preconceito por ser travesti”, 5,40%.
• “Nunca foi atrás”, 3,10%.
• “Preconceito e idade”, 3,10%.
• “Não possuir documento e não estar estudando”, 1,60%.
• “Nunca ter trabalhado”, 0,80%.
• “Falta de oportunidade”, 0,80%.
• “Sair à procura”, 0,80%.
• “Sei lá, tio. Acho que não tem emprego muito bom”, 0,80%.
• “Falta de interesse, estou ganhando bem”, 0,80%.
• “Ninguém confia, porque às vezes uso drogas”, 0,80%.
• “Ninguém dá emprego para adolescente”, 0,80%.
• “Talvez cursos”, 0,70%.
• “É difícil, não acredito que um emprego fixo pagará melhor”, 0,70%.
• “São várias necessidades”, 0,70%.
• “As pessoas não querem assinar minha carteira”, 0,70%.
Identificando-se as pessoas ocupadas, por gênero, 100,00% são
mulheres e, deste conjunto, sob o aspecto da escolaridade, 16,67% são
mulheres analfabetas; 66,66%, com nível fundamental incompleto e, com
mesma representação das pessoas analfabetas, incluem-se as que têm nível
médio incompleto.
156
Considerando a baixa representação de pessoas ocupadas; ou seja,
4,70%, e daquelas que efetivamente procuram trabalho, 1,60% (Tabela 97),
deduz-se que os jovens e adolescentes envolvidos com a exploração sexual,
em decorrência do turismo de Fortaleza, integram, na sua maioria, a população
não economicamente ativa6. Essa afirmação é vista a partir dos números da
Tabela 97, onde 96,90% declararam que não estão em busca de uma
ocupação.
Somente para as crianças e adolescentes que procuram trabalho, todas
são mulheres e 100,00% têm nível fundamental incompleto, segundo as
informações da pesquisa, vistas a partir da relação entre a escolaridade e o
mercado de trabalho.
Rendimento das Crianças e Adolescentes
Neste item, trata-se a variável rendimento mensal das crianças e
adolescentes envolvidas com a exploração sexual. Antes de analisar as
informações constantes na distribuição de probabilidade a seguir, é importante
destacar o fato de a procedência desses rendimentos ser, na maioria, das
atividades relacionadas com o turismo sexual, posto que, segundo informações
prestadas anteriormente, somente 4,70% da população em questão tem uma
ocupação (Tabela 96).
Tabela 98
Rendimento mensal das crianças e adolescentes
Fortaleza
Maio / 2008
Faixas de salário-mínimo
Frequência relativa
Frequência relativa
(1)
simples
acumulada
0,0 --| 0,5
6,98
6,98
0,5 --| 1,0
33,33
40,31
6
Compõem a população não economicamente ativa as pessoas que não têm um trabalho e não estão
pressionando o mercado de trabalho, em busca de uma ocupação.
157
1,0 --| 2,0
23,26
63,57
2,0 --| 3,0
19,38
82,95
> 3,0
10,08
93,03
Não respondeu
6,97
100,00
Total
100,00
__
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Nota (1): O salário-mínimo de referência é o do mês de abril de 2008.
Observando os números constantes na Tabela 98, constata-se que a
maior frequência dos rendimentos situa-se na faixa de 0,5 a 1,0 salário-mínimo
e que, agrupando os valores até 1,0 salário-mínimo, registra-se participação da
ordem de 40,31%. Relacionando esses números com aqueles da Tabela 103,
entende-se melhor o motivo de as contribuições dadas às famílias
concentrarem-se na faixa de 0,0 a 1,0 salário-mínimo, posto que, nesta faixa,
tem-se a maior representação de jovens e adolescentes, no tocante aos
rendimentos auferidos.
Ainda sobre a distribuição dos rendimentos, o valor médio é de 1,51
salário-mínimo (R$ 626,65), o mais frequente alcança 0,86 salário-mínimo (R$
356,90) e 50,00% das crianças e adolescentes têm rendimento, no máximo, da
ordem de 1,29 salário-mínimo, ou seja, em torno de R$ 535,35.
As Famílias das Crianças e Adolescentes e o Mercado de Trabalho
Neste módulo, trata-se das questões relativas ao mercado de trabalho
da família das crianças e adolescentes, envolvidas com a exploração sexual no
turismo de Fortaleza.
158
Tabela 99
Pessoas da família que têm uma ocupação
Fortaleza
Maio / 2008
Pessoas ocupadas na família
Frequência relativa
Nenhuma
2,30
1 |-- 2
48,80
2 |-- 3
27,90
3 |-- 4
13,20
>4
3,10
Não respondeu
4,70
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta-SETFOR
Inicialmente, conforme os números da Tabela 99, afere-se que, em
48,80% das famílias, apenas uma pessoa tem uma ocupação, seguida pela
representação de 27,90% e de 13,20%, respectivamente, daquelas com 2 e 3 e
3 a 4 pessoas que desenvolvem alguma atividade econômica, dentro do núcleo
familiar.
Tabela 100
Pessoas da família que pressionaram o mercado de trabalho
Fortaleza
Maio / 2008
Pessoas que pressionam o mercado
Frequência relativa
de trabalho
Nenhuma
50,40
1 |-- 2
17,80
2 |-- 4
5,50
Não respondeu
26,30
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
159
Dando continuidade à situação no mercado de trabalho das famílias,
identifica-se, na Tabela 100, o número de pessoas que procuraram trabalho
nos últimos 30 dias, possibilitando, dessa forma, determinar a taxa de
desemprego aberto.
Observando os números da Tabela em análise, confere-se que, em
50,40% das famílias, nenhuma pessoa pressiona o mercado de trabalho e que
23,30% correspondem ao registro de 1 a 4 pessoas que declararam estar em
busca de uma ocupação.
Mesmo considerando que a pesquisa não identifica, em nível de família,
as pessoas que procuram trabalho, apesar de ter uma ocupação e se,
efetivamente, a procura por trabalho ocorreu nos últimos 30 dias ao de
referência da pesquisa, determina-se uma proxi da taxa de desemprego aberto,
relacionando os números das Tabelas 99 e 100. A partir dos dados da amostra,
referentes ao número de pessoas ocupadas e mais daquelas que estavam
pressionando o mercado de trabalho, estima-se uma taxa de desemprego
aberto da ordem de 20,00%. A título de comparação, segundo a Pesquisa
Desemprego e Subemprego do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho –
IDT, a taxa de desemprego aberto para todo o município de Fortaleza, no mês
de julho de 2008, é de 11,70%, demonstrando com isso que, no conjunto das
famílias dos jovens e adolescentes, explorados sexualmente, a situação do
desemprego é mais expressiva.
Rendimentos das Famílias
Tabela 101
Rendimento mensal da família
Fortaleza
Maio / 2008
Faixas de salário-mínimo
Frequência relativa
Frequência relativa
(1)
simples
acumulada
0,0 --| 0,5
1,55
1,55
160
0,5 --| 1,0
32,56
34,11
1,0 --| 2,0
45,74
79,85
2,0 --| 3,0
14,73
94,58
Não respondeu
5,42
100,00
Total
100,00
__
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Nota (1): O salário-mínimo de referência é o do mês de abril de 2008.
Dando continuidade à análise concernente às informações das famílias,
de acordo com os números da Tabela 101, 45,74% têm rendimento na faixa de
1 a 2 salários-mínimos e, no acumulado, até a referida faixa, concentra-se um
total de 79,85% das famílias, ou seja, a maioria tem renda de, no máximo, R$
830,00. Este resultado muito se aproxima das informações produzidas
mensalmente pelo IDT, que trata dos rendimentos das famílias, em nível da
cidade de Fortaleza, e aquelas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico –
SDE, da Prefeitura de Fortaleza, que realizou um estudo, em nível de bairros
da cidade de Fortaleza, tendo como referência os meses de agosto de
setembro de 2007.
Para melhor compreender o nível de renda das famílias em questão,
trabalham-se, a seguir, as medidas de posição da distribuição, com o objetivo
de estimar o rendimento per capita, tendo ainda como referência o número
médio de pessoas, por família, identificado a partir dos resultados da pesquisa
em análise. Na Tabela 101, constata-se que o rendimento médio das famílias é
de 1,30 salário-mínimo (R$ 539,50), o mais frequente, também corresponde a
este valor 50,00% das famílias que têm rendimento máximo de 1,35 saláriomínimo (R$560,25). Em média, o número de moradores por família é de 6,0
pessoas; o mais frequente é de 5,61 pessoas, e em 50,00% das famílias,
residem 6,42 pessoas. Ora, relacionando os números em questão, deduz-se
que o valor per capita / família é de R$ 89,92; o valor mais frequente, por
pessoa residente, é de R$ 96,17 e 50,00% das famílias têm um rendimento per
capita mensal da ordem de R$ 87,27. Considerando esses números, admite-se
161
que as famílias das crianças e adolescentes enquadram-se nas classes de
menor perfil socioeconômico.
Tabela 102
Contribuição das crianças e adolescente para os rendimentos da família
Fortaleza
Maio / 2008
Pessoas ocupadas na família
Frequência relativa
Sim
54,30
Não
45,70
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ainda no tocante aos rendimentos das famílias, indagou-se às crianças e
adolescentes acerca de sua contribuição para esses rendimentos. De acordo
com os números da Tabela 102, 54,30% responderam afirmativamente, contra
45,70%, que não contribuem. De certa forma, admite-se a hipótese de que
mais da metade das pessoas envolvidas com exploração sexual infanto-juvenil
têm essa atividade como forma de melhorar os rendimentos da família, posto
que, a partir dos resultados da própria pesquisa, constata-se que 95,30%
dessas pessoas não tem nenhuma ocupação (Tabela 96), ou seja, a
contribuição aos rendimentos da família tem como origem a exploração sexual.
Tabela 103
Contribuição das crianças e adolescentes para o rendimento da família
Fortaleza
Maio / 2008
Faixas de salário-
Frequência relativa
Frequência relativa
mínimo (1)
simples
acumulada
0,0 --| 0,5
60,00
60,00
0,5 --| 1,0
21,43
81,43
1,0 --| 2,0
5,71
87,14
162
> 2,0
2,86
90,00
Não declarou
10,00
100,00
Total
100,00
__
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Trabalhando especificamente as crianças e adolescentes que afirmaram
contribuir para os rendimentos da família, observa-se, na Tabela 103, que
60,00% desta contribuição não ultrapassa 0,5 salário-mínimo e que, no
acumulado de até 1 salário-mínimo, registra-se participação de 81,43%.
À luz das medidas de posição da distribuição em questão, o valor médio
é de 0,48 salário-mínimo (R$ 199,20); o valor mais frequente alcança 0,30
salário-mínimo (R$ 124,50) e 50,00% das contribuições é de até 0,42 saláriomínimo (R$ 174,30).
Confrontando os números das Tabelas 101 e 103, o que se pode
deduzir, no tocante aos rendimentos da família, levando em consideração a
contribuição das crianças e dos adolescentes? Ora, supondo que numa família
exista apenas uma pessoa envolvida com a exploração sexual infanto-juvenil, o
que, em muitos casos, este número é maior, admite-se, segundo os resultados
da pesquisa, que 54,26% das famílias recebem alguma contribuição, tendo
como origem essa atividade. Considerando que o rendimento médio das
famílias é de R$ 539,50 e que a contribuição média é da ordem de R$ 199,20,
aceita-se como hipótese o fato de o rendimento das famílias envolvidas com
esta questão ser inferior em 36,92%, na ausência dessa complementação.
Diante desses números, é possível afirmar que, em algumas situações, a
família aceite, por necessidade de ampliar os rendimentos, o exercício dessa
atividade, por parte de um(a) filho(a), ou parente próximo. Essa assertiva é
verdadeira, posto que 41,90% das pessoas entrevistadas relataram que a sua
família tem conhecimento da prática dessa atividade.
Tabela 104
163
Crianças e adolescentes que contribuem para o rendimento da família,
segundo o gênero e a faixa etária
Fortaleza
Maio / 2008
Faixa etária
Masculino
Feminino
≤ 14
22,22
16,28
14 --| 16
37,04
27,91
16 --| 17
40,74
55,81
Total
100,00
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Procedendo-se a um cruzamento entre o gênero e a faixa etária das
crianças e adolescentes, que contribuem para os rendimentos da família,
contata-se, inicialmente, que se sobressaem as mulheres com representação
de 61,43%. No tocante à faixa etária, conforme os números da Tabela 104,
independentemente do sexo, os que mais colaboram têm idade na faixa de 16
a 17 anos, destacando-se, porém, o fato de os homens, com idade de no
máximo 16 anos, relativamente, concorrem mais do que as mulheres.
Por último, especificamente para os 45,70% das pessoas que não
contribuem para os rendimentos da família, reproduzem-se a seguir, ipsis
litteris, as razões atribuídas.
• “Fica com o dinheiro para a sua própria despesa pessoal”, 28,80%.
• “Porque não quer”, 13,60%.
• “Não mora na casa dos pais”, 11,90%.
• “Não quer levantar suspeitas em casa”, 11,90%.
• “Não precisa”, 8,50%.
• “Não gosto da minha família”, 1,70%,
• “Porque a família não precisa e ele já se sustenta”, 1,70%.
• “Compro o que eu preciso”, 1,70%.
• “Minha família não gosta de mim”, 1,70%.
• “Não gosto”, 1,70%,
164
• “Porque gosta de roupas e calçados”, 1,70%.
• “Às vezes compro presentes para a mãe e irmãos”, 1,70%.
• “O que eu ganho me alimento e compro drogas”, 1,79%.
• “Se sustenta e ajuda na casa da mãe da amiga onde mora”, 1,70%.
• “Não respondeu”, 8,20%
5.2. ENTREVISTA COM A CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO
Considerando os objetivos específicos da pesquisa, que visam:
dimensionar a rede de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes
ligadas ao turismo em Fortaleza; compreender a relação entre exploração
sexual de crianças e adolescentes e o turismo em Fortaleza; identificar o perfil
do explorador e quantificar casos de exploração sexual de crianças e
adolescentes ligados ao turismo, durante o período 2005/2006; foi realizada a
pesquisa em questão.
Após apresentação dos questionários e devida aprovação pela
SETFOR, estes foram aplicados como pré-teste por dois pesquisadores. Em
seguida, nos meses de julho e agosto, procedeu-se à aplicação com a amostra
de 316 componentes da cadeia produtiva, incluindo como principais atores do
segmento os seguintes prestadores de serviços: meios de hospedagem,guias
de turismo, taxistas, ambulantes e bares/restaurantes/boates/barracas de praia.
Para consistência da pesquisa, a distribuição dos questionários da
cadeia produtiva foi utilizada como área a orla turística de Fortaleza e os
bairros da Serrinha, Lagamar e Barra do Ceará, visto que os objetivos
específicos apontavam com relevância a relação da exploração sexual com o
turismo em Fortaleza.
A pesquisa foi conduzida por sete (7) pesquisadores devidamente
treinados, tendo durante todo o período de aplicação dos questionários o
acompanhamento de um supervisor, para proceder ao acompanhamento dos
165
trabalhos de campo, observar a forma de abordagem dos entrevistados, além
de controlar a distribuição logística nos locais de pesquisa.
CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO – MEIOS DE HOSPEDAGEM
PESQUISA EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NO TURISMO DE
FORTALEZA
Tabela 105
Discriminação dos tipos de estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Hotel
64,7
Pousada
23,5
Flat
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os meios de hospedagem entrevistados, 64,7% foram hotéis,
representando a maioria dos empreendimentos, 23,5%, pousadas e 11,8%,
flats, assumindo, dessa forma, a importância em pesquisar diversas categorias
dos meios de hospedagem.
Tabela 106
Locais de aplicação dos questionários
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Barra do Ceara
Frequência relativa
5,9
Beira Mar
41,2
Praia de Iracema
17,6
Praia do Futuro
23,5
Rua Almirante Barroso - Praia de Iracema
11,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
166
Quanto aos locais de aplicação, ocorreu de forma aleatória, respeitando
a concordância em responder o questionário. Ficando distribuído da seguinte
forma: 41,2% dos questionários foram aplicados na Beira Mar; 23,5%, na Praia
do Futuro; 17,6%, na Praia de Iracema, sendo 11,8%, na Rua Almirante Rufino
e ainda 5,9%, na Barra do Ceará.
Tabela 107
Ocupação das pessoas entrevistadas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Assessora do gerente
11,8
Camareira
5,9
Porteiro
5,9
Recepcionista
11,8
Segurança
52,9
Não Respondeu
11,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre
os
respondentes,
52,9%
eram
seguranças
e
11,8%
recepcionistas, os demais ficaram divididos entre: assessora de gerente,
camareira, porteiro e apenas 11,7% empreendimentos não responderam o
cargo que ocupavam na empresa.
Tabela 108
Público atendido nos vários tipos de estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Turistas nacionais
Frequência relativa
47,1
167
Turistas estrangeiros
17,6
Famílias
17,6
Turistas de negócios
11,8
Morador local
5,9
Outro
0,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre o perfil do público que mais frequenta o ambiente, 47,1% dos
hóspedes são turistas nacionais e 17,6%, turistas estrangeiros, o restante
divide-se entre famílias, turistas de negócios e morador local. Tais dados
revelam o significativo fluxo de turistas em Fortaleza.
Tabela 109
Atividades mais frequentes realizadas pelos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Visita a locais históricos ou pontos turísticos da cidade
7,1
Visita as praias da cidade
28,6
Viagem a praias dos municípios próximos
10,7
Frequência a bares, restaurantes e casa de shows
14,3
Participação em seminários, palestras ou cursos
28,6
Efetivação de compras para consumo próprio
3,6
Efetivação de compras para revenda
0,0
Outros
7,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre as atividades mais frequentes dos turistas, foram apontadas, em
igual proporção, visitas às praias da cidade e participação em seminários,
palestras ou cursos, representando cada uma das alternativas 28,6%.
Enquanto 23,5% da amostra costuma frequentar bares, restaurantes a casa de
shows, e 17,6% viajam para conhecer praias em municípios próximos. Os
168
demais visitam locais históricos ou pontos turísticos da cidade e fazem
compras para consumo próprio.
Tabela 110
Outras atividades mais frequentes realizadas pelos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Conhecer o pôr do sol
50,0
7
Turismo sexual
50,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre as atividades apontadas como outras, metade dos respondentes
assinalou o turismo sexual e, em igual percentual, conhecer o pôr do sol como
atividades mais realizadas. Essa referência ao conhecimento do pôr do sol feita
pelos turistas relaciona-se possivelmente ao grande atrativo turístico da cidade
de Fortaleza, que é oferecer sol o ano inteiro, fato este que lhe rendeu o título
de “Terra da Luz”.
Tabela 111
Motivos da viagem dos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Conhecer a cidade e seus pontos
turísticos
Frequência relativa
39,3
Buscar conhecimentos
25,0
Comprar produtos típicos da terra
7,1
Buscar companhia
14,3
Vale destacar a utilização incorreta do termo “turismo sexual”, ficando evidente que os
próprios participantes da cadeia produtiva fazem uma associação direta do turismo com a
exploração sexual.
7
169
Outros
14,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 31
Motivos da viagem dos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Conhe cer a cid ade e
seus ponto s turísticos
39,3%
25,0%
Buscar co nhecimentos
Comp rar produtos
típico s da terra
7,1%
14,3%
Buscar co mpanhia
14,3%
Outros
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
Vale ressaltar que 25% dos entrevistados apontaram, entre as atividades
desenvolvidas como objetivo do turismo, a companhia de crianças e
adolescentes. Fato que alerta a cadeia produtiva do turismo, e quando gestores
públicos precisam pensar nas formas de sensibilizar e conscientizar os
envolvidos a fim de evitar a proliferação desse objetivo.
Tabela 112
Outros motivos das viagens dos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Negócios
25,0
Repousar e passear
25,0
Buscar lazer/entretenimento
50,0
170
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 113
Necessidade de documentação para se hospedar no estabelecimento
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
100,0
Não
__
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os dados acima mostram que os meios de hospedagem respondentes
da pesquisa adotam, entre os procedimentos administrativos para entrada
(check in) do hóspede no empreendimento, a necessidade de apresentação da
documentação, o que demonstra a preocupação desses estabelecimentos em
fazer o registro do hóspede, assim como obter informações para fins de
cadastro no Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR.
Tabela 114
Documentação exigida pelos estabelecimentos quando da hospedagem
dos clientes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
RG, CPF, cadastro do cliente
29,4
RG, CPF, Passaporte
41,2
RG. CPF, Passaporte e Declaração do
responsável pela criança
RG, CPF
5,9
23,5
Total
100,0
171
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando foram questionados sobre a exigência de algum tipo de
documentação para entrar no hotel/pousada/flat, 100% não hesitaram em
responder que sim, e entre os documentos mais apresentados estão o RG,
CPF e Passaporte.
Tabela 115
Estabelecimentos associados a alguma entidade de classe
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
41,2
Não
58,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos estabelecimentos visitados, somente 41,2% são associados a
alguma entidade de classe, enquanto a maior parte (58,8%) não é associada.
Isto evidencia a dificuldade de acompanhamento por parte das entidades de
classes do setor, visto que o trabalho de disseminação das campanhas se
inicia nos empreendimentos associados, através de reuniões, encontros, para
discussão da problemática, entre outras ações.
Tabela 116
Entidades as quais os meios de hospedagem são associados
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
ABIH
57,1
Associação Internacional
28,6
Não respondeu
14,3
Total
100,0
172
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Em sua maioria, com 57,1%, à Associação Brasileira da Indústria de
Hotéis – ABIH, demonstrando sua forte atuação como associação do setor
hoteleiro. A ABIH-CE desenvolve, desde dezembro de 2007, uma campanha
de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes como forma de
inibir a evolução da prática da exploração sexual por turistas. A campanha
surgiu como iniciativa da entidade e conta com o apoio do Ministério do
Turismo.
Tabela 117
Obtenção de informações das entidades sobre o enfrentamento à
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
85,7
Não
14,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 32
Obtenção de informações das entidades sobre
o enfrentamento à exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
85,7%
Não
14,3%
173
O resultado comprova que, dos hotéis associados, 85,7% recebem
informações da entidade sobre o enfretamento à exploração sexual de crianças
e adolescentes. Com o tema “As marcas da exploração sexual são para
sempre”, a campanha utiliza ferramentas itinerantes, com peças publicitárias de
bastante impacto, apresentando fortes motivações para que todos os
cearenses se tornem combatentes desse tipo de turismo que agride a essência
da capacidade humana e rouba a infância de milhares de crianças. “Nós
hoteleiros queremos compartilhar o problema com a opinião pública cearense,
como forma de orientar a sociedade para tornar-se vigilante nesta modalidade
de exploração em um trabalho preventivo e de conscientização”, relata o
presidente da entidade.
As peças publicitárias utilizadas na campanha são vídeos para TV, spot
de rádio, outdoor, jornal, Internet e mídia aeroporto. Como estratégia
complementar de divulgação, a campanha emprega panfletos, cartaz, botton,
folder, jogo americano, calendários, mapa turístico, cartão postal, abanador,
adesivo, tapa sol, banner, take-one, prisma de balcão, camisas e bonés –
distribuídos em Fortaleza e na região metropolitana da Capital cearense.
Tabela 118
Políticas dos hotéis sobre a questão da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Tolerância zero, não aceita entrada de menor de 18 anos
41,2
Rigoroso, tanto para o menor quanto para outros gêneros
5,9
Eleva os valores dos serviços para não estimular a prática
11,8
Cobra R$ 100,00 para quem quiser exibir garota de programa
5,9
Realiza cursos com frequência sobre o assunto
5,9
Não permite a exploração
5,9
É ligado a uma ONG que combate a exploração sexual
5,9
174
Não permite, é crime
5,9
Não respondeu
11,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Tabela acima retrata uma consequência das ações estratégicas
tomadas pelos hotéis, visando inibir a prática da exploração sexual em seus
empreendimentos, a partir do momento em que se admite tolerância zero em
não aceitar entrada de menor de 18 anos, o que representa bom sinal, por
parte dos atores da cadeia produtiva do turismo, em busca da redução da
exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 119
Conhecimento dos entrevistados de legislações sobre o turismo e/ou
exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
47,1
Não
52,9
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
175
Gráfico 33
Conhecimento dos entrevistados de legislações
sobre o turismo e/ou exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
47,1%
Não
52,9%
A pequena diferença apresentada entre as alternativas de resposta, em
que 52,9% disseram não ter conhecimento e 47,1% afirmaram conhecer a
existência de legislações sobre o turismo e exploração sexual, destaca a
necessidade de uma maior divulgação dos documentos regulamentadores
existentes, visto que os pesquisados possuem relação direta com o turismo em
Fortaleza, cidade que apresentou, em 2007, um crescimento de 480% de
denúncias de exploração e abuso sexual contra crianças e adolescentes.
Tabela 120
Permissão dos estabelecimentos para hospedagem de crianças e
adolescentes nos estabelecimento
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
94,1
Não
5,9
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
176
O percentual de 94,1% revela a aceitação plenamente cabível de crianças e
adolescentes nos empreendimentos.
Tabela 121
Circunstâncias em que há permissão da entrada de crianças e
adolescentes nos meios de hospedagem
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Acompanhados dos pais
88,2
Outras
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Mas quando perguntado sobre as circunstâncias em que se permite a
hospedagem de crianças e adolescentes no estabelecimento, 88,2% dos
pesquisados afirmaram que estariam acompanhados dos pais.
Tabela 122
Percepção sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes na
cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Existe como em qualquer outra cidade
Os casos são poucos e não influenciam na imagem
do turismo em Fortaleza
Frequência relativa
5,9
5,9
Vem crescendo nos últimos anos
5,9
Gera uma imagem negativa do turismo na Cidade
35,3
Não respondeu
47,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
177
Os resultados merecem destaque quando 35,3% dos pesquisados
reconhecem que a exploração sexual de crianças e adolescentes gera uma
imagem negativa do turismo na cidade, fato publicamente reconhecido pela
EMBRATUR. Em 1995, o órgão retirou de circulação no exterior propagandas
que apelavam para a sensualidade das mulheres brasileiras para atrair
visitantes. A iniciativa acabou sendo copiada por vários estados, e como a
Região Nordeste é considerada uma das mais problemáticas nessa questão,
no país, vários estados avançaram e produzem hoje peças de caráter
preventivo.
Tabela 123
Opinião sobre a área mais visível de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
20,7
Praia de Iracema
41,4
Praia do Futuro
10,3
Barra do Ceará
3,4
Serrinha
__
Lagamar
__
Outra
24,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
178
Gráfico 34
Opinião sobre a área mais visível de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
100 ,0%
90 ,0%
80 ,0%
70 ,0%
60 ,0%
41,4%
50 ,0%
40 ,0%
30 ,0%
20,7%
24,2%
10,3%
20 ,0%
3,4%
10 ,0%
0,0%
0,0%
0 ,0%
Beira Mar
Praia de
Iracema
Praia do
Futuro
Barra do
Ceará
Serrinha
Lagamar
Outra
O gráfico mostra que a Praia de Iracema se destaca como principal área
onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é mais visível (41,4%),
seguida da Beira Mar, com 20,7%.
Tabela 124
Outras opiniões sobre qual área a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Centro
14,3
Boates
14,3
Calçadão
14,3
Em todas as praias
14,3
BRs
14,3
Não respondeu
28,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
179
No que se refere às áreas onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível, considerando os bairros que mereceram destaque
na pergunta anterior, foi constatado que os estabelecimentos receberam igual
indicação, com 14,3%, entre centro da cidade, boates, calçadão da orla
marítima, praias e BRs. Dentre os respondentes, apenas 28,5% optaram por
não responder essa indagação.
Tabela 125
Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Imagem negativa desta
Frequência relativa
68,2
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
Outros
4,5
18,2
9,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
180
Gráfico 35
Consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
68,2%
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
0,0%
4,5%
18,2%
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
Outros
9,1%
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
80,0%
A imagem negativa da cidade recebeu 68,2% de indicações quando os
entrevistados foram indagados sobre quais as consequências da prática da
exploração sexual para a cidade, além de 18,2% indicarem que a exploração
sexual impede que turistas com outros fins escolham a cidade como roteiro
turístico, impedindo dessa forma o fluxo turístico de Fortaleza. Situação que
dificulta o desenvolvimento econômico da região através do turismo.
Tabela 126
Outras consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
As crianças ficarem sem rumo
50,0
Trazer doenças
50,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
181
O fato de 50% das crianças e adolescentes afirmarem que “ficam sem
rumo” relaciona-se àvivência de situações de um “mundo adulto” (sexualidade
ativa, uso de drogas, trabalho noturno, violência, etc.) e sua condição real de
ser criança ou adolescente. Tais vivências ocasionam frequentemente um
desequilíbrio emocional e uma desestruturação da sua vida societária.
Tabela 127
Formas como as crianças e adolescentes são afetadas com a prática de
incentivos à exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
As crianças são obrigadas e isto afeta a alma
5,9
Não são afetadas, fazem porque querem
5,9
Fazem por dinheiro, depois não se arrependem
17,6
As crianças não têm expectativa de futuro
11,8
Ficam traumatizadas psicologicamente
29,3
São dopadas
5,9
Em todas as formas sociais, são afetadas
5,9
São afetadas pela ambição
5,9
Afeta a moral
5,9
Não respondeu
5,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 128
Opinião sobre as ações que normalmente acontecem no hotel / pousada /
flat
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Nunca sou abordado com essa finalidade
Frequência relativa
11,8
182
Recebo solicitações de clientes sobre a prática da
__
exploração sexual de crianças e adolescentes
Os hóspedes perguntam como ter acesso
23,5
Os hóspedes tentam entrar no hotel acompanhados
11,8
de crianças ou adolescentes
Observo que os hóspedes demonstram interesse
na exploração sexual ,mas perguntam a outros
17,6
segmentos da atividade turística
Não respondeu
35,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O quadro acima retrata que 23,5% perguntam como ter acesso e 17,6%
demonstram interesse na exploração sexual, embora perguntem a outros
segmentos da atividade turística.
Tabela 129
Opinião dos entrevistados sobre qual a categoria profissional que mais
contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Donos de hotéis
Frequência relativa
17,6
Porteiros
__
Taxistas
17,6
Barraqueiros
11,8
Guias de turismo
5,9
Garçons
5,9
Mototaxistas
__
Ambulantes
5,9
Seguranças
__
Recepcionistas dos hotéis
5,9
Outros
17,6
183
Não respondeu
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os taxistas e donos de hotéis foram apontados como categorias
profissionais que mais contribuem para a exploração sexual de crianças e
adolescentes, segundo confirmado durante aplicação dos demais questionários
nas outras categorias participantes da pesquisa.
Tabela 130
Outras opiniões sobre qual segmento envolvido no turismo, que mais
contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes em
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Boates
66,7
Internet
33,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 131
Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
82,4
Não
17,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
184
Gráfico 36
Existência de uma rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Sim
82,4%
Não
17,6%
A pesquisa mostra que 82,4% dos pesquisados acreditam existir uma
rede de exploração sexual de crianças e adolescentes em Fortaleza e somente
17,6% assinalaram a resposta negativa.
Tabela 132
Composição da rede de exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Moradores locais
7,1
Não soube especificar
21,7
Taxistas, barraqueiros e moto taxistas
28,6
Donos de hotéis e pousadas
7,1
Internautas
7,1
Governo
7,1
Por guias de turismo
7,1
Flanelinhas
7,1
Traficantes e policiais
7,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
185
Quando perguntados sobre a composição da rede de exploração, os
principais acusados foram: taxistas, com 28,6%, além de barraqueiros e
mototaxistas; 21,4% não especificaram e os demais componentes citados com
igual percentual de 7,1% entre: moradores locais, donos de hotéis e pousadas,
internautas, governo, guias de turismo, flanelinhas, traficantes e policiais.
Merece citar a fala de uma participante do grupo focal: “Eu tenho amizade com
os caras do Ronda e até pago para eles fazerem vista grossa e não atrapalhar
meu trabalho.”
Tabela 133
Formas de agir dos integrantes da rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Meninas levam os homens para boate, depois
dividem o dinheiro
Frequência relativa
5,9
Atraindo clientes para o turismo sexual
5,9
Indicando o local e levando-as para o encontro
35,3
Facilitando, marcando pela Internet
5,9
O governo influencia porque nunca combate
5,9
Eles (os barraqueiros) têm intercâmbio com as
adolescentes
5,9
Incluindo nos pacotes turísticos, mulheres
5,9
Marcam encontro
5,9
Combinam com as garotas, elas ficam nas
barracas disponíveis
Não respondeu
5,9
17,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Pelas respostas ficou claro que o segmento mais apontado (taxista)
contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes quando fazem
186
papel de intermediário entre as partes, indicando o local e levando as crianças
e adolescentes para o encontro com o turista. Fato este observado e
presenciado durante o grupo focal.
Tabela 134
Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
23,5
Não
76,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 37
Entrevistados que presenciaram colegas de
profissão facilitando a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Não
76,5%
Sim
23,5%
187
Tabela 135
Atitudes tomadas quando presenciaram colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Comentei com outros colegas
50,0
Falei com o (a) colega que praticou esse ato
__
Fiquei quieto, porque acho que não tenho
nenhuma responsabilidade com o que o outro
__
praticou
Fiz a denúncia formal para as autoridades
25,0
competentes
Falei para a chefia sobre a conduta do / da colega
__
Outra
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 23,5% que assumiram já ter presenciado outro colega de profissão
facilitando a prática da exploração sexual, apontaram como atitude principal o
comentário com outros colegas, representando 50% da amostra, o que mostra
a falta de compromisso em denunciar.
Tabela 136
Como o turismo afeta a prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
A exploração sexual afeta o
desenvolvimento do turismo na cidade
Frequência relativa
58,8
Contribui para aumentar a exploração
11,8
Atrai turistas malintencionados
5,9
188
Induz as crianças e adolescentes
11,8
envolvidas
Não respondeu
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando indagados sobre como a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes afeta o desenvolvimento do turismo, 58,8%
responderam que quando tomam conhecimento que no destino existe a prática
da exploração sexual de crianças e adolescente, a imagem da cidade para o
turismo torna-se negativa. Conforme publicado no Anuário da Revista EXAME
(2007-2008), o Governo do Ceará passou a adotar uma política de filtragem do
perfil de estrangeiros trazidos pelos voos fretados. As agências que trabalham
com um público considerado suspeito não recebem nenhum tipo de incentivo.
Em contrapartida, são realizadas parcerias entre a Secretaria de Turismo do
Estado do Ceará – SETUR, e as empresas que vendem pacotes para famílias
e estrangeiros com bom poder aquisitivo.
Tabela 137
Formas de hotéis / pousadas / flats serem afetados pela prática
de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Divulgação do hotel como apoiador da
exploração sexual
Redução da ocupação de hóspedes
com outro objetivo
Outros
Frequência relativa
5,9
47,1
47,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
189
Em relação à forma como o meio de hospedagem é afetado com as
práticas de incentivo a exploração sexual, foi destacada a redução da
ocupação de hóspedes com outro objetivo (47,1%). Indicação que o segmento
utiliza
para
medir
o
movimento
de
hóspedes
no
empreendimento,
representando o fluxo de turistas na cidade.
Tabela 138
Outras formas de hotéis / pousadas / flats serem afetados pela prática de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Constrangimento para os hoteleiros
25,0
Pagando taxas extras
12,5
Não é afetado, porque não aceita
12,5
Má reputação, por alguns funcionários
fazerem parte
12,5
Desrespeito às famílias
12,5
Imagem negativa
12,5
Tem medo que o hotel vire um "puteiro"
12,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os hoteleiros sentem-se constrangidos com a situação, já que sempre
possuem contato com os turistas que buscam essa atividade.
Tabela 139
Estratégias utilizadas para informar sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
190
Não permitir a entrada de crianças e
adolescentes
50,0
Não hospedar turistas com atitudes suspeitas
Solicitar a apresentação de documento de
identificação
Abordar o cliente explicando que não é permitido
__
23,1
11,5
Denunciar através do disque 100
__
Outra
15,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os estabelecimentos hoteleiros utilizam como principal estratégia para
evitar a exploração sexual de crianças e adolescentes a não permissão da
entrada destes (50%). 8 Os dados permitem pontuar que ainda é insuficiente os
mecanismos de enfretamento à prática de exploração sexual, fundamentados
por vezes na falta de orientação e/ou treinamento dos funcionários desses
estabelecimentos ou mesmo pela conivência dessa prática por parte dos seus
dirigentes.
Tabela 140
Outras estratégias adotadas para informar sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Informando aos clientes que não é permitido
25,0
Usando cartazes por toda a pousada
25,0
Cobrando uma taxa alta adicional para
acompanhante
Usando blusas com a frase "Diga não à
25,0
25,0
Um exemplo disso é o trabalho que vem sendo realizado pelo grupo Atlântica Hotels, que
administra 50 estabelecimentos no País. A empresa mantém, desde 2005, um programa de
treinamento de funcionários para coibir a prática da exploração sexual. Entre outras coisas,
eles são orientados a recusar a hospedagem de pessoas acompanhadas de crianças e
adolescentes, sem documentação.
8
191
exploração"
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As alternativas citadas como estratégias para informar sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes evidenciam uma ação dos
gestores dos empreendimentos em divulgar, através de cartazes e material
informativo diversos, que a prática da exploração sexual é crime. Com esta
atitude “politicamente correta” podem, inclusive, fazer uma promoção favorável
do seu estabelecimento. Outros, no entanto, associam também a cobrança de
uma alta taxa adicional para o acompanhante, provocando a intimidação
financeira.
Tabela 141
Opinião dos entrevistados sobre a formação dos grupos de turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Grupos de amigos solteiros viajando
Homens mais velhos acompanhados de meninas mais
novas
Frequência relativa
12,5
6,3
Turistas brasileiros em busca da exploração sexual
3,1
Moradores locais em busca da exploração sexual
__
Estrangeiros em busca de sexo fácil
18,8
Executivos sozinhos, viajando a trabalho
15,6
Casais
6,3
Famílias
28,1
Outros
9,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os resultados mostram o alto índice de estrangeiros em busca de sexo
fácil (18,8%), a presença de executivos sozinhos viajando a trabalho (15,6%) e
192
grupos de amigos solteiros viajando (12,5%). Esses percentuais, somados,
perfazem um total de 61,9%, o que infere uma relação direta dos turistas
estrangeiros ou homens com a exploração sexual. Em detrimento a este
percentual, constatou-se que somente 28,1% dos grupos turísticos são
representados por famílias.
Foi em virtude de Fortaleza ter liderado o número de denúncias, em
2007, que a Capital cearense foi escolhida para o lançamento da Campanha
Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no
carnaval de 2008.
Tabela 142
Outras opiniões dos entrevistados sobre a formação dos grupos de
turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
São vulgares
33,4
Estrangeiros, sozinhos
33,3
Turistas brasileiros com turistas
33,3
estrangeiros
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 143
Principal intermediário / influenciador da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Guias de turismo
5,9
Taxistas
52,9
Mototaxistas
__
193
Porteiros
5,9
Flanelinhas
5,9
Ambulantes
__
Garçons
__
Seguranças
__
Outros
17,6
Não respondeu
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Mais uma vez os taxistas são apontados como principal intermediário ou
influenciador da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes.
Segundo uma reportagem exibida em junho de 2008, por uma televisão local,
foram filmadas adolescentes debruçadas sobre taxis, acenando para os carros
ou provocando turistas nas calçadas, meninas que dividem espaço com
mulheres e travestis na movimentada noite dos bairros da Praia de Iracema e
Meireles. Ao perceberem o carro da equipe de reportagem, elas viram as
esquinas e correm pelas ruas secundárias, escondendo-se rapidamente. Os
possíveis clientes que conversavam com elas se afastam da esquina com
tranquilidade, disfarçando ou encarando a reportagem com olhos de
reprovação de quem acaba de perder um bom negócio.
Tabela 144
Outros intermediários / influenciadores da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bares
33,4
Às vezes começa em casa
33,3
Traficantes das praias
33,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
194
A Tabela apresenta demais intermediários e influenciadores da prática
da exploração sexual, destacando-se os bares e em casa como os principais,
citados pelos respondentes, além dos traficantes das praias.
Tabela 145
Entrevistados que presenciaram a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
52,9
Não
47,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR.
Gráfico 38
Entrevistados que presenciaram a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
52,9%
Não
47,1%
O número apresentado na resposta demonstra como é comum
presenciar a exploração de crianças e adolescentes, já que 52,9% dos
respondentes afirmaram que sim. Com todas as campanhas contra exploração
sexual, ainda é comum ver crianças oferecendo seus corpos nas ruas e
avenidas de Fortaleza. Algumas esquinas do centro da cidade já se tornaram
195
pontos fixos para se insinuarem aos motoristas e pedestres. Nas avenidas
Historiador Raimundo Girão e Abolição, na Praia de Iracema e Meireles,
meninas dividem espaço com mulheres e travestis. Na Avenida Presidente
Costa e Silva, no Jangurussu, entre a estrada do Itaperi e a Avenida Presidente
Juscelino Kubitscheck, dezenas de adolescentes revezam-se para chamar
atenção dos motoristas, que sempre buzinam ou acenam ao passar pelo local.
Tabela 146
Locais onde os entrevistados presenciaram a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praia de Iracema
33,3
Serviluz
11,1
Beira Mar
44,4
Pirata
11,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Mais uma vez os bairros mais apontados são aqueles onde acontece
com maior fluxo a movimentação de turistas: Beira Mar (44,4%) e Praia de
Iracema (33,3%), ambos situados na orla de Fortaleza, local considerado como
corredor turístico da cidade.
Tabela 147
Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diariamente
58,8
Semanalmente
23,5
Mensalmente
5,9
196
Esporadicamente
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 39
Frequência da ocorrência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
10 0,0 %
9 0,0 %
8 0,0 %
7 0,0 %
58,8%
6 0,0 %
5 0,0 %
4 0,0 %
23,5%
3 0,0 %
11,8%
5,9%
2 0,0 %
1 0,0 %
0,0 %
Diariamente
Semanalmente
Mensalmente
Esporadicamente
Os números apresentam que 58,8% dos casos ocorrem diariamente,
índice que denota a prática frequente da exploração sexual de crianças e
adolescentes.
Tabela 148
Dia da semana de maior frequência da ocorrência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Segunda
Frequência relativa
23,5
Terça
__
Quarta
__
Quinta
__
197
Sexta
5,9
Sábado
47,1
Domingo
17,6
Não respondeu
5,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O sábado (47,1%) e a segunda-feira (23,5%) são os dias que
apresentam maior frequência da prática da exploração sexual, no corredor
turístico da Capital cearense. Este percentual elevado justifica-se pelo alto
movimento de turistas e realização de atividades socioculturais concentradas
nestes dias.
Tabela 149
Período do dia em que é mais frequente a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Manhã
__
Tarde
__
Noite
64,7
Madrugada
23,5
Não respondeu
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Referente ao turno mais comum de presenciar a exploração sexual de
crianças e adolescentes foi citado com maior percentual, 64,7%, o período
noturno. Período em que é maior a procura de práticas sexuais em variados
pontos da cidade, o que dificulta a fiscalização das práticas ilegais.
Conforme diário de campo, destaca-se:
198
“Observando ainda o espaço e a dinâmica da Av. Beira Mar é
perceptível o fluxo de grupo de turistas formados por famílias e
casais. No calçadão em detrimento de homens sozinhos,
estrangeiros ou não, sentados nas barracas, é comum e
recorrente observar meninas que se chegam até eles para
pedir ou para se insinuar. Segundo os guias de turismo o
movimento dessas meninas acentua-se por volta das 22h em
diante”. (Diário de Campo - Ricardo Oliveira).
Tabela 150
Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Na Beira Mar
35,3
Na praia
29,4
Em boates
11,8
Restaurantes
__
Outros
23,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
199
Gráfico 40
Locais em que os turistas conhecem as crianças
e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
35,3%
Na Beira Mar
29,4%
Na praia
11,8%
Em boates
Restaurantes
0,0%
23,5%
Outros
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
Com 35,3%, a Beira Mar foi apontada como o local que concentra o
contato inicial entre turista e a criança ou o adolescente, em segundo lugar, a
praia, com 29,4% de indicações.
Tabela 151
Outros locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nas ruas
50,0
Ponte Metálica
25,0
Internet
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os que responderam outros locais, citaram as ruas (conforme
mencionado anteriormente) como ponto onde o turista conhece a criança e o
adolescente. Nessa questão, a Internet foi apontada, representando 25% dos
casos, sendo a Internet também uma forma de exploração sexual.
200
Tabela 152
Locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é mais
frequente
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nos hotéis
__
Nas boates e casas de show
5,9
Nas barracas de praia
47,1
Nos restaurantes
__
Nos flats
__
Na Internet
11,8
Outros
29,3
Não respondeu
5,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As barracas de praia foram apontadas como o local que mais se
encontra a prática de exploração sexual (47,1%), Internet (11,8%) e nas boates
e casas de show (5,9%), enquanto os hotéis não receberam indicação nessa
questão.
Tabela 153
Outros locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é mais
frequente
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nos carros
40,0
Muitos lugares
20,0
Ruas
20,0
Nos bares
20,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
201
A Tabela 153 relaciona os locais onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes se inicia através do primeiro contato com os exploradores, sendo
40% nos carros e os demais apresentaram 20%: lugares diversos, ruas e
bares.
Tabela 154
Locais em que o turista costuma frequentar com crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bares
23,5
Praia
47,1
Boates
17,6
Restaurantes
__
Outros
11,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto aos locais que o turista costuma frequentar com as crianças e
adolescentes, estão: em maior parte, a praia (47,1%), seguida dos bares
(23,5%) e boates (17,6%).
Tabela 155
Outros locais em que o turista costuma frequentar com crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
50,0
Motel
50,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
202
Com um percentual de 11,8% de pesquisados que assinalaram a opção
outros, citaram como local a Beira Mar e motéis.
Tabela 156
Opinião no que se refere ao que mais influencia na exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desemprego
Convivência familiar conflituosa
Trabalho infanto-juvenil
Violência familiar
Turismo com fins sexuais
35,3
__
__
5,9
5,9
Ineficiência de políticas públicas
Desigualdade social
__
5,9
Prostituição adulta
Outros
__
47,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como motivo que mais influencia a exploração sexual em Fortaleza
destacou-se o desemprego, representando 35,3% das respostas. O problema
da exploração sexual de crianças e adolescentes ainda faz parte da rotina da
Capital como problema social de grande complexidade, que, apesar das
diversas campanhas e atividades municipais e estaduais combatendo a prática,
outros fatores adversos impedem que essa mazela social desapareça.
Tabela 157
Outras opiniões no tocante ao que mais influencia na exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
203
Dinheiro
25,0
Falta de educação
12,5
Baixa renda
12,5
Abandono dos pais
25,0
Drogas
12,5
A educação dos pais
12,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Percebe-se, com os resultados, que os problemas apontados como
influenciadores da prática da exploração sexual em Fortaleza são os fatores de
ordem econômico-social, que envolvem ações de educação, econômicas e
estrutura familiar.
Tabela 158
Ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Campanhas de conscientização na mídia
Campanhas de conscientização com a cadeia
produtiva do turismo
Programas de articulação e mobilização da
comunidade para denunciar
Todos os setores do turismo denunciarem
essa prática
Acho que não deve ser combatida
Outros
Frequência relativa
5,6
16,7
5,6
__
__
72,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes estão: campanhas de conscientização com a cadeia produtiva do
204
turismo (16,7%), campanhas de conscientização na mídia (5,6%) e programas
de articulação e mobilização da comunidade para denunciar (5,6%). O Governo
do Estado do Ceará criou, em 2004, o Código de Conduta Ética do Turismo
para o Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes,
instituído pelo Decreto nº 27.391, de 11/3/2004, reafirmando, assim, o
compromisso com a defesa e proteção dos direitos da criança e do
adolescente, vítima de violência sexual, avançando significativamente no
enfrentamento à exploração sexual associada ao turismo.
Tabela 159
Outras ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Colocar fiscais
23,1
Controlar horários e o álcool
7,7
Casa de apoio e educação
7,7
Colocar as crianças na escola
30,7
Fazer blitz 24 horas
7,7
Educar mais as famílias
7,7
Procurar a Polícia
7,7
Serviço social
7,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre outras ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes, foram citadas: com 30,7% a colocação das crianças nas escolas
e com 23,1% desenvolver sistema de fiscalização. Além da implantação de
casas de apoio e educação, efetuar o controle dos horários da venda de álcool,
realizar blitz 24h, educar as famílias, procurar a Polícia e aplicar a assistência
social às famílias como alternativas de combate, representando cada um
destes 7,7% de percentual entre os respondentes.
205
Tabela 160
Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
64,7
Não
35,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 41
Conhecimento das formas de denúncia existentes
da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
64,7%
Não
35,3%
Apesar de 35,3% não terem conhecimento das formas de denúncia
existentes da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes, um
percentual significativo de 64,7% pesquisados afirmou ter conhecimento, o que
reitera a importância da utilização de campanhas para divulgar as formas de
denúncia existentes.
206
Tabela 161
Formas de denúncias conhecidas no tocante à prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Delegacia de proteção ao turismo
18,2
Cartazes
9,1
Disque 100
36,3
0800
18,2
DCA
9,1
Ronda
9,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O Disque 100, serviço da Secretaria Especial de Direitos Humanos
(SEDH), foi apontado como a mais conhecida forma de denunciar a prática da
exploração sexual. Este integra o Programa Turismo Sustentável & Infância9
que visou, com sua implantação, reiterar a decisão de manter o enfrentamento
e o combate a este tipo de crime, muitas vezes, disfarçado.
Segundo pesquisa realizada em 2005 pela SEDH, em parceria com a
Universidade de Brasília (UNB) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância
(UNICEF), a exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prática que
existe em 932 municípios brasileiros. Das regiões do país, 298 (31,8%) dos
casos estão no Nordeste. Dentre as denúncias, pelo menos 1,7 mil referem-se
à exploração sexual infanto-juvenil.
A pesquisa aplicada nos meios de hospedagem, em Fortaleza, permitiu
conhecer muitas informações sobre a prática da exploração sexual. Foi
Este programa foi idealizado para cumprir o compromisso de proteger crianças e
adolescentes contra todas as formas de violência e exploração sexual. Ao Ministério do
Turismo cabem ações relacionadas à cadeia produtiva do turismo, em parceria com a
sociedade civil e com representantes de diversos órgãos e instituições públicas. Essas ações
são realizadas por meio de campanhas de sensibilização em eventos e feiras regionais e
internacionais e seminários para transformar o setor turístico em aliado estratégico dessa
causa. Fonte: http://www.turismo.gov.br/
9
207
comprovado que existe uma relação do turismo com essa prática, a partir do
momento em que as respostas coletadas foram claras em afirmar o perfil e
objetivo / motivo da viagem dos turistas, principalmente os internacionais. Além
disso, os respondentes declararam ser abordados sobre o assunto.
Em
contrapartida,
observou-se
que
esses
empreendimentos
reconhecem a imagem negativa que essa prática gera sobre o destino e, em
função disso, buscam impedir, através da participação em campanhas contra a
exploração sexual de crianças e adolescentes, com a utilização de material
informativo (cartaz, folder, camisa) e ainda denunciando quando presenciam
algum caso.
208
CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO – Taxistas
PESQUISA EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NO TURISMO DE
FORTALEZA
Tabela 162
Local de aplicação
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
AEROPORTO INTERNACIONAL
AEROPORTO INTERNACIONAL PINTO
MARTINS
Frequência relativa
2,7
2,7
AMÉRICA DO SOL
1,3
ATLANTIDIS
9,3
BEIRA MAR
1,3
BEIRA MAR EM FRENTE AO MC DONALDS
2,7
CABUMBA
1,3
CENTRO CULTURAL
12,0
CROCO BEACH
18,7
EM FRENTE AO BOBS
1,3
EM FRENTE AO KAKA LANCHES
1,3
FEIRINHA NÁUTICO
1,3
IGREJA DE SÃO PEDRO
6,7
LAGAMAR - EM FRENTE AO POSTO POLICIAL
1,3
LAGAMAR - LOJA REI DO AÇO
1,3
LAGAMAR - POSTO TEXACO
2,7
LAGAMAR – PRÓXIMO AO PONTO DE
VENDAS DA HAVAIANAS
1,3
LAGAMAR – PRÓXIMO AO VIADUTO DA BR
1,3
LAGAMAR – VIADUTO DA BR
1,3
MC DONALDS
2,7
NÁUTICO
6,7
209
PEIXADA DO MEIO
1,3
PRÓXIMO A TIA NAIR
4,0
PRÓXIMO AO PIRATA
5,3
RESIDENCE SERVICE TABAJARA, PROX. AO
1,3
PIRATA
SAMBURÁ
1,3
VELA MAR
2,7
VILA GALE
2,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Para analisar os taxistas, foram entrevistados profissionais que estavam
localizados em vários pontos da cidade, obedecendo à distribuição definida no
painel amostral.
Dentre os pontos com maior número de respondentes estavam: Barraca
Croco Beach, Centro Cultural Dragão do Mar, Barraca Atlantidiz, Igreja de São
Pedro e Náutico.
Tabela 163
Público que mais utiliza os serviços de táxis da orla marítima e os bairros da
Serrinha e do Lagamar
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turistas nacionais
37,3
Turistas estrangeiros
33,4
Famílias
13,3
Turistas de negócios
__
Morador local
8,0
Outro
8,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
210
Sobre o perfil do público que mais utiliza os serviços de táxi, foram
apontados, com 37,3%, os turistas nacionais e 33,4%, os turistas estrangeiros,
13,3% são famílias e apenas 8%, moradores locais e outros. Apesar dos meios
de hospedagem terem apontado como atividades mais frequentes dos turistas
a participação em seminários, palestras ou cursos, os taxistas consideram que
os turistas de negócios não utilizam seus serviços.
Tabela 164
Outros usuários dos serviços de táxis da orla marítima e os bairros da
Serrinha e do Lagamar
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Pessoas que trabalham no prédio
16,7
comercial
Todos os tipos
50,0
Restaurantes
16,7
Não respondeu
16,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 165
Percepção dos taxistas sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Existe como em qualquer outra cidade
Os casos são poucos e não influenciam
na imagem do turismo em Fortaleza
Frequência relativa
17,3
__
Vem crescendo nos últimos anos
22,7
Gera uma imagem negativa do turismo
30,7
211
na cidade
Outro
29,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que tange à percepção sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes, em Fortaleza, os taxistas afirmaram que gera uma imagem
negativa para a cidade (30,7%), vem crescendo nos últimos anos (22,7%),
existe como em qualquer outra cidade (17,3%). Nenhum taxista assinalou a
alternativa que assume serem poucos os casos e com isso não influenciam na
imagem do turismo em Fortaleza, o que não foi comprovado durante a
realização do grupo focal, visto que os participantes foram taxativos em afirmar
que os taxistas são os maiores influenciadores da prática em questão. Os
taxistas relataram ainda que a exploração sexual de crianças e adolescentes
diminuiu muito com as propagandas e distribuição de camisas, acham
errado/falta de respeito e humanidade, enquanto outros consideram muito alta
e que não vai parar.
Tabela 166
Outras percepções dos taxistas sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Muito alta, não vai parar
Diminuiu muito com as propagandas e distribuição de
camisas
Frequência relativa
13,6
23,0
Existe direto
4,5
Não há exploração, elas vão porque querem
4,5
Absurdo/Está demais
9,1
Há muita exploração, principalmente na periferia
4,5
Acha errado/Falta de respeito e humanidade/Não joga
nesse time
13,6
212
É o que atrai o turista/os gringos só vêm atrás de mulher
9,1
Acha errado as autoridades não tomarem providências
4,5
Não ver exploração/Não tenho contato
9,1
Acha que precisa de leis mais severas
4,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 167
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
23,4
Praia do Futuro
15,1
Serrinha
4,2
Praia de Iracema
32,3
Barra do Ceará
13,0
Lagamar
4,2
Outra
7,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
213
Gráfico 42
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
100 ,0%
90 ,0%
80 ,0%
70 ,0%
60 ,0%
50 ,0%
32,3%
40 ,0%
23,4%
30 ,0%
13,0%
15,1%
20 ,0%
4,2%
4,2%
10 ,0%
7,8%
0 ,0%
Beira Mar
Praia do
Futuro
Serrinha
Praia de
Iracema
Barra do
Ceará
Lagamar
Outra
Em relação às áreas onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível, listaram, em ordem decrescente: Praia de
Iracema, Beira Mar, Praia do Futuro, Barra do Ceará, em menos proporção,
Lagamar e Serrinha, além de BRs e Castelão. Isto comprova a participação de
turistas com o tema, visto que os locais mais citados se encontram no corredor
turístico de Fortaleza. Os dados permitem concluir também que a Barra do
Ceará é um bairro onde os moradores locais favorecem a exploração sexual.
Tabela 168
Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Castelão
13,3
Aldeota
6,7
Periferia
6,7
Bezerra de Menezes
6,7
Coronel Carvalho
6,7
214
Viadutos
6,7
BRs
33,1
Pirambu
6,7
Praia do Náutico
6,7
Não respondeu
6,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 169
Consequências da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Imagem negativa desta
Frequência relativa
48,7
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a cidade
como roteiro turístico
Outro
11,5
15,9
14,2
9,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
215
Gráfico 43
Consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
48,7%
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
11,5%
15,9%
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
14,2%
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
9,7%
Outro
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
80,0%
Aqui foi reiterada, como consequência da prática da exploração sexual,
a imagem negativa da cidade, representando 48,7% dos respondentes.
Tabela 170
Outras consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Gerar desemprego
1,8
DSTs /Drogas/Roubo/Prostituição
1,8
Perder muitos turistas europeus que vinham com a
família
1,8
A prostituição gera marginais
0,9
Acabar com o turismo nacional
0,9
"Afetar nós mesmo taxistas"
0,9
A prostituição não leva a nada
0,9
Ruim para as crianças da cidade
0,7
216
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 171
Formas em que as crianças e adolescentes são afetados com a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Não são afetadas, estão porque querem
12,0
No futuro, não procurarão uma profissão
10,7
São abaladas físicas e psicologicamente
10,7
Acostuma-se com a vida fácil
9,3
Entram nas drogas
9,3
Contraem doenças contagiosas/DST
4,0
Não têm infância
4,0
Induzem outras crianças/amigas a se prostituirem
4,0
Não procuram viver honestamente
4,0
São obrigadas a fazer isso
2,7
Desrespeitam os pais
2,7
Tornam-se pessoas maleducadas
2,7
Pegam gravidez indesejada
2,7
Ainda estão em formação, as consequências vêm
depois
1,3
Não terão estudo
1,3
Vendem o corpo para comprar drogas
1,3
Afeta o lado moral
1,3
Abandonam os estudos
1,3
Não amadurecem
1,3
Moram nas ruas
1,3
Não respondeu
12,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
217
Sobre as formas como as crianças e adolescentes são afetados com as
práticas de incentivo à exploração sexual, tiveram como respostas: não são
afetadas, estão porque querem, quadro que ficou evidente no grupo focal,
quando estes levantaram a bandeira de não se sentir explorados, visto que
recebem pelo serviço e fazem porque querem, embora seja consequência da
necessidade. Ainda como formas: no futuro não procurarão uma profissão, são
abaladas físico e psicologicamente, acostumam-se com a vida fácil, entram nas
drogas.
Tabela 172
Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com a atividade
de taxista
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Nunca sou abordado com essa finalidade
Recebo solicitações de clientes sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Os clientes perguntam como ter acesso
Os clientes entram no táxi acompanhados de
criança ou adolescente
Frequência relativa
24,7
9,3
13,4
12,4
Os clientes demonstram interesse na exploração
sexual, mas perguntam a outros segmentos da
15,5
atividade turística
Outro
24,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando indagados sobre a relação da exploração sexual com crianças e
adolescentes e a atividade exercida, 24,7% dos taxistas disseram que nunca
são abordados com essa finalidade, enquanto 15,5% afirmaram que os clientes
demonstram interesse, mas perguntam a outros segmentos da atividade
218
turística, sendo que 13,4% perguntam como ter acesso e 12,4% entram no táxi
acompanhados de crianças e adolescentes. Já 9% desses taxistas recebem
solicitações de clientes sobre a prática da exploração sexual.
Tabela 173
Outras relações da exploração sexual de crianças e adolescentes com a
atividade de taxista
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
“Os espertos levam as crianças, o taxista de bem leva a
culpa”
Frequência relativa
4,2
“Taxista de hotel não faz coisas erradas, só os de rua”
4,2
Nenhuma
33,3
Pegam os táxis e vão para os motéis
4,2
"Não me interesso com que os outros fazem"
8,3
Alguns taxistas só vivem disso
16,7
Os taxistas não têm nenhuma relação com isso
4,2
Por causa de um, todos pagam
4,2
Não carrega pessoas menor de idade
8,3
Não respondeu
12,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
33,3% dos taxistas declararam não ter alguma relação com a prática da
exploração sexual. No entanto, um elevado percentual de 16,7% evidenciaram
que existem taxistas que têm essa prática como principal atividade, o que
infere a relação direta de alguns componentes deste setor da cadeia produtiva
com a exploração sexual reconhecida pelos seus pares, conforme relato de
diário de campo:
“Abordamos primeiramente os taxistas que nos informaram
bastante a respeito dos locais, horários e fluxo de turistas
acompanhados por adolescentes. Durante nossa conversa
percebi que havia uma discordância entre o discurso e a
219
prática, ou seja, eles são contra a exploração, mas se preciso
for trabalham para manter a rede de exploração, para assim
manter seu emprego. Foi dito pelos mesmos que esta deve ser
uma questão de polícia e não deles próprios intervirem, que
deve ser uma preocupação das autoridades, dos políticos e
não dos trabalhadores comuns que não podem fazer muito”.
(Diário de Campo – Elias Figueiredo).
Enquanto os taxistas justificam que nada podem fazer para combater a
exploração sexual e que é um caso de Polícia, o mesmo pesquisador relata em
seguida:
“Durante o período da pesquisa, observamos muitas situações
que caracterizam a exploração de crianças e adolescentes.
Algumas
acompanhadas
por
homens
mais
velhos
encaminhando-se para os bares, restaurantes e barracas de
praia da orla marítima. Em todas elas havia policiamento e até
educadores sociais do estado (amarelinho), mais nenhuma
interferência acontecia no intuito de proibir tal situação, que,
por vezes chocava-nos, seja pela idade dos adolescentes ou
mesmo pela forma com que acontecia”. (Diário de Campo Elias Figueiredo)
Nesse sentido, a exploração sexual de crianças e adolescentes constituise um verdadeiro caos, em que ninguém parece se responsabilizar e tomar
medidas eficazes no sentido de coibir tal violação dos direitos humanos.
Tabela 174
Opinião dos taxistas sobre se existe uma rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
40,0
Não
60,0
220
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 44
Opinião dos taxistas sobre se existe uma rede
de exploração sexual de crianças e
adolescentes na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
60,0%
Sim
40,0%
Com todas essas informações adquiridas com a pesquisa, 60% dos
taxistas abordados responderam que não existe uma rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes e apenas 40% optaram pela resposta
positiva. Dos taxistas que acreditam existir uma rede de exploração sexual,
afirmam ser constituída por: taxistas (em maior parte), empresários e casas de
massagens (em igual proporção) e por estrangeiros, poderosos e barraqueiros.
Alguns
citaram
ainda
como
responsáveis
pela
rede
hotéis/barracas/boates/bares, cafetões, cartel, prostitutas e Casa da Beth, no
Eusébio.
Tabela 175
Opinião dos taxistas sobre a composição da rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Estrangeiros
6,7
Taxistas
16,7
221
Casa da Beth, no Eusébio
3,3
Poderosos
6,7
Prostitutas
3,3
Empresários
10,0
Casas de massagem
10,0
Cartel
3,3
Barraqueiros
6,7
Cafetões
3,3
Hotéis, barracas, boites e bares
3,3
Não respondeu
26,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 176
Segmento apontado como o principal intermediário/influenciador da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Guia de turismo
5,3
Taxista
12,0
Mototaxista
__
Porteiros
__
Recepcionista dos meios de hospedagem
2,7
Flanelinhas
5,3
Ambulantes
1,3
Garçons
1,3
Seguranças
1,3
Donos de hotéis
2,7
Barraqueiros
22,7
Outro
33,3
Não respondeu
12,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
222
Quando perguntados sobre quem os taxistas apontam como principal
intermediário / influenciador da exploração sexual de crianças e adolescentes,
foram citados os profissionais a seguir: 22,7%, os barraqueiros; 12%, os
taxistas; 5,3%, guias de turismo e flanelinhas; 2,7%; recepcionistas dos meios
de hospedagem; e com 1,3%, ambulantes, garçons e seguranças, sendo que
33,3% assinalaram o item outros e 12,1% não responderam a questão.
Tabela 177
Outros segmentos apontados como o principal intermediário/influenciador
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Aviões dos exploradores
4,0
Cafetões/cafetinas
16,0
Fazem por necessidade
4,0
As boates
20,0
Casas de massagem
16,0
Os próprios amigos
12,0
Turistas
4,0
Agências de turismo
4,0
Hotéis
4,0
Governo
4,0
Os traficantes
4,0
Não existe, vão por vontade própria
4,0
Não respondeu
4,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quem aponta que os taxistas são os principais intermediários da
exploração sexual são as demais categorias da cadeia produtiva do turismo.
223
“O turista, principalmente italiano, já vem certo aonde vai
encontrar. Fala que existe uma rede de tráfico, com
empresários, chefiado por um israelita, fazendo esse link com
estrangeiros, principalmente italianos. Ele freta um avião
fazendo tráfico pelo mesmo e, quando existe barreira para
desembarcar em Fortaleza, eles pousam em Natal fretando
ônibus até Fortaleza”. (Diário de Campo - Rosângela
Nascimento)
Tabela 178
Formas dos segmentos apontados contribuírem para a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Fazendo a conexão
21,3
Deixam elas ficarem nas barracas
8,0
Vendendo bebidas para as crianças
4,0
Aliciando as meninas
4,0
Sai oferecendo as garotas aos turistas
4,0
Levam os clientes para hotéis e todos lucram
4,0
Permitindo que elas acompanhem o turista
2,7
Combinado com elas
2,7
Vendendo os pacotes sexuais
2,7
Oferecendo dinheiro
2,7
Fazendo a comunicação
2,7
Levando para onde eles querem
2,7
Facilitando
1,3
Dando lucro principalmente a moeda estrangeira
1,3
Pela Internet, montam o pacote incluindo mulheres
1,3
Com os assédios dos estrangeiros
1,3
Se viciam em drogas e precisam fazer programa
1,3
Com amizades inadequadas
1,3
Diz que leva sem saber nada
1,3
Indicando os clientes
1,3
224
Convidando p/ sair com os turistas e ganhar muito
1,3
dinheiro
Não respondeu
26,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ao pesquisar de que forma o segmento dos taxistas contribui para a
exploração sexual de crianças e adolescentes, apesar de 26,7% não terem
respondido a indagação, foram apresentados em maior número: fazendo a
conexão, deixando-as ficar nas barracas, vendendo bebidas para as crianças,
aliciando meninas, oferecendo garotas aos turistas, levando os turistas para
hotéis e todos lucram.
Todos os resultados evidenciam que os próprios taxistas, embora alguns
prefiram não se pronunciar sobre o assunto, assumem ser partícipes da
exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 179
Taxistas que presenciaram colegas de profissão facilitando a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
26,7
Não
73,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
225
Gráfico 45
Taxistas que presenciaram colegas de profissão
facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
73,3%
Sim
26,7%
Dos taxistas entrevistados, 26,7% já presenciaram outro colega de
profissão facilitando a prática da exploração sexual, enquanto 73,3% não
perceberam essa situação.
Tabela 180
Atitudes tomadas pelos taxistas, quando da presença de colegas de
profissão facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Comentei com outros colegas
Falei com o(a) colega que praticou esse ato
Fiquei quieto, porque acho que não tenho nenhuma
responsabilidade com o que o outro praticou
Frequência relativa
25,0
__
30,0
Fiz a denúncia formal para as autoridades competentes
__
Falei para a chefia sobre a conduta do/da colega
__
Outra (reclamou)
5,0
226
Nenhuma
40,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
40%
dos
taxistas
afirmaram
não
tomar
atitude
alguma
quando
presenciaram colegas de profissão facilitando a prática da exploração sexual,
enquanto
30%
assumiram
ficar
quietos,
já
que
consideram
não
ter
responsabilidade com o que o outro praticou, e apenas 25% comentaram com
outros colegas.
Tabela 181
Opinião dos taxistas sobre se a divulgação, no que se refere às práticas da
exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o turismo de Fortaleza
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
57,3
Não
42,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 46
Opinião dos taxistas sobre se a divulgação, no
que se refere às práticas da exploração sexual
de crianças e adolescentes, afeta o turismo de
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
57,3%
Não
42,7%
227
Com 57,3%, os taxistas concordam que a divulgação, no que se refere
às práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o turismo
de Fortaleza, mas 42,7% acreditam que o turismo não sofre influência da
divulgação sobre exploração sexual.
Tabela 182
Opinião dos taxistas sobre em que a divulgação, no que se refere às
práticas da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o turismo
na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diminui o turismo legal
2,3
Prejudica o turismo familiar
14,0
A cidade fica conhecida como cidade da
prostituição infantil
A cidade fica com a imagem negativa
4,7
55,8
Atrai turistas que buscam a exploração
4,7
Afeta a economia, como um todo
2,3
Prejudica os turistas que vêm a passeios
4,7
Aumenta a prostituição infantil
2,3
Não respondeu
9,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Nos casos afirmativos, as razões apresentadas foram: a cidade fica com
a imagem negativa, prejudica o turismo familiar, atrai turistas com estes fins.
Tabela 183
Taxistas afetados com as práticas de incentivo à exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
228
Sim
44,0
Não
56,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 47
Taxistas afetados com as práticas de incentivo à
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
44,0%
Não
56,0%
Dentre os taxistas entrevistados, 56% consideram não ser afetados com
as práticas de incentivo à exploração sexual de crianças e adolescentes, contra
44% que acreditam sofrerem influência, visto que os taxistas sérios/honestos
são prejudicados, as pessoas ficam com medo de pegar táxi, as pessoas
acham
que
os
taxistas
são
culpados, ficam
malvisto,
entre
outras
problemáticas, conforme apresentado na tabela.
Tabela 184
Opinião sobre como os taxistas são afetados com as práticas de incentivo à
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
229
As pessoas ficam com medo de pegar táxi
9,1
Os taxistas sérios/honestos são prejudicados
39,4
As pessoas acham que os taxistas são
culpados
9,1
Ficam malvisto
9,1
Ausência de turismo
9,1
Poucos turistas, pouco dinheiro
9,1
Perdem clientes
3,0
Não respondeu
12,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 185
Estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Não fazer corrida com crianças e jovens que estão
sofrendo exploração sexual
Solicitar a apresentação de documento de
identificação
Frequência relativa
59,0
__
Abordar o cliente explicando que não é permitido
7,2
Denunciar através do Disque 100
1,2
Outra
14,5
Não há estratégias
18,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que se refere às estratégias utilizadas para evitar a exploração
sexual de crianças e adolescentes, foram levantadas as seguintes variáveis:
59% não fazem corrida com crianças e adolescentes, que estão sofrendo
exploração sexual, 18,1% disseram não haver estratégia, 7,2% dos taxistas
230
abordam o cliente explicando que não é permitido e apenas 1,2% denuncia
através do Disque 100.
Tabela 186
Outras estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração sexual
de crianças em Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
A moral/ética
8,3
É crime, anda conforme a lei
8,3
Tenta inibi-los
8,3
Conversa com autoridades
8,3
Não se envolve, nem aceita dinheiro
16,7
Tem cuidado com corridas
8,3
Fica bem longe, tem medo de problemas
16,7
Diz que não sabe onde tem
16,7
Não respondeu
8,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 14,5% que marcaram a opção outras, estas foram identificadas
como: não se envolvem e nem aceitam dinheiro, ficam bem longe, pois têm
medo de problemas, dizem não saber nada. Além de considerarem crime,
conversam com autoridades e possuem cuidado com as corridas, quando
acham os passageiros suspeitos.
Tabela 187
Taxistas que pertencem a alguma entidade de classe/cooperativa
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Sim
Frequência relativa
38,7
231
Não
61,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ficou notória a falta de participação em alguma entidade de classe ou
cooperativa, uma vez que 61,3% não são associados.
Tabela 188
Entidade a qual pertencem os taxistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Cooperativa de Taxistas
27,6
Coopert
10,3
Coopertáxi
6,9
Sindicato dos Taxistas
6,9
Coopertur
10,3
Rádio Táxi Cooperativa
13,8
Sindicato dos Taxistas
3,4
Cooperativa Pirata
10,3
Sindicato
6,9
Não respondeu
3,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 38,7% participantes, a maior parte é ligada a cooperativas. Este
número dificulta as ações, por parte do Poder Público, na hora de conscientizar
e sensibilizar esses atores da cadeia produtiva do turismo sobre a problemática
discutida.
Tabela 189
Opinião dos taxistas sobre a formação dos grupos de turistas
232
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Grupos de amigos(as) solteiros viajando
Homens/mulheres mais velhos acompanhados(as)
de meninas(os) mais novas
44,0
1,3
Estrangeiros em busca da exploração sexual
9,3
Turistas brasileiros em busca da exploração sexual
4,0
Moradores locais em busca da exploração sexual
__
Executivos(as) sozinhos(as), viajando a trabalho
2,7
Casais
6,7
Famílias
16,0
Outro
13,3
Não respondeu
2,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Considerando a observação dos taxistas sobre a formação dos grupos
de turistas, ficou evidenciado que 44% são amigos solteiros viajando; 16% são
famílias; 9,3%, estrangeiros em busca de exploração sexual; 6,7%, casais; 4%,
turistas brasileiros em busca de exploração sexual; e 2,7%, executivos
sozinhos viajando a trabalho.
Tabela 190
Outras opiniões dos taxistas sobre a formação dos grupos de turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Viajam só ou com amigos, mas sempre conseguem
companhia
Frequência relativa
10,0
Não pode caracterizar, o turista está escasso
10,0
Estrangeiros
20,0
233
É relativo, depende da época, não dá pra responder
20,0
Turista brasileiro, paulista
10,0
Ver os estrangeiros sozinhos
10,0
Não sabe
20,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os 13,3% de taxistas que opinaram existir outras formações para
grupos de turistas, consideram que esses grupos são compostos por
estrangeiros (20%), é relativo, dependendo da época (20%), 10% viajam só ou
com amigos, mas sempre conseguem companhia, outros preferem não
caracterizar visto que o turista está escasso (10%), enquanto 10% acreditam
que a formação de grupos de turistas seja turistas brasileiros, evidenciando os
paulistas, número que permite levantar duas questões: uma sobre a queda no
fluxo de turistas estrangeiros e outra sobre a importância do destino São Paulo
como emissor de turistas e, ainda, 20% informaram não saber.
Tabela 191
Taxistas que já presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
44,0
Não
56,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
234
Gráfico 48
Taxistas que presenciaram a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
56,0%
Sim
44,0%
Dentre os entrevistados, 44% já presenciaram a exploração sexual e 56%
não viram, sendo os casos ocorridos em: boates da Praia de Iracema, Av. Beira
Mar e Praia do Futuro, em grande parte, mas ainda aconteceu em boates e bares
do Dragão do Mar, Aldeota e Porto.
Tabela 192
Local em que o taxista presenciou a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praia de Iracema / Boates
39,4
Av. Beira Mar
27,3
Boates e bares do Dragão do Mar
3,0
Praia do Futuro
15,2
Na praça (não especificou)
3,0
Aldeota
3,0
No Porto
3,0
Não respondeu
6,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
235
Tabela 193
Opinião dos taxistas no tocante à frequência de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diariamente
70,7
Semanalmente
12,0
Mensalmente
__
Esporadicamente
17,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 49
Opinião dos taxistas no tocante à frequência de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
10 0,0 %
9 0,0 %
8 0,0 %
70,7%
7 0,0 %
6 0,0 %
5 0,0 %
4 0,0 %
3 0,0 %
17,3%
12,0%
2 0,0 %
0,0%
1 0,0 %
0,0 %
Diariamente
Semanalmente
Mensalmente
Esporadicamente
Analisando a frequência em que acontece a exploração sexual, os dados
demonstraram que 70,7% dos taxistas afirmaram ocorrer diariamente; 17,3%,
esporadicamente; e somente 12%, semanalmente.
Tabela 194
236
Opinião dos taxistas sobre qual o dia da semana é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Segunda
28,0
Terça
__
Quarta
1,3
Quinta
2,7
Sexta
9,3
Sábado
52,0
Domingo
6,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Constatou-se que os dias mais freqüentes são: sábado e segunda-feira,
seguidos da sexta-feira e domingo.
Tabela 195
Opinião dos taxistas sobre o período do ano, onde é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Feriados prolongados
12,0
Alta estação
66,7
Baixa estação
13,3
Outras
5,4
Não respondeu
2,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
237
Em qual período é mais praticada, foram apontados: alta estação,
representando a escolha de 66,7% dos respondentes, 13,3%, baixa estação; e
12%, em feriados prolongados. Um dado que ressalta a relação do turismo com
a prática da exploração sexual, considerando que o fluxo de turistas aumenta
em determinados períodos do ano, fenômeno que gera a alta e baixa
estação10, além da presença de turistas na cidade em virtude de feriados
prolongados.
Tabela 196
Outras opiniões dos taxistas sobre o período do ano, onde é mais frequente
a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Durante o ano todo
50,0
Para o turista é mais em alta estação,
para os moradores, todo dia
Total
50,0
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Para os moradores locais, a prática da exploração sexual com crianças e
adolescentes acontece durante o ano todo, já para os turistas, fica mais
evidente durante os períodos de alta estação.
“... o taxista relatou que o mês de julho é o dos turistas
nacionais que geralmente vêm conhecer a cidade, o de agosto
são os turistas internacionais que, na sua maioria, vêm à
procura de sexo, principalmente italianos e portugueses.”
(Diário de Campo - Rosângela Nascimento).
Tabela 197
10
A sazonalidade ocorre em função dos períodos de atividade e inatividade da demanda turística, o que
gera o fenômeno da alta e baixa estação. A primeira é representada pelos períodos de fluxo intenso na
cidade, como nos meses de dezembro, janeiro e julho, enquanto a baixa estação se consideram os demais
meses do ano.
238
Opinião dos taxistas sobre qual turno do dia é mais frequente a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Manhã
8,0
Tarde
6,7
Noite
72,0
Madrugada
12,0
Não respondeu
1,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Já que a problemática é tratada de forma discreta pelos envolvidos, o
turno de maior ocorrência é o da noite.
Tabela 198
Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Na Beira Mar
34,7
Na praia
40,0
Em boates
8,0
Restaurantes
__
Outro
17,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
239
Gráfico 50
Local onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
34,7%
Na Beira Mar
40,0%
Na praia
8,0%
Em boates
Restaurantes
0,0%
17,3%
Outro
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
Ao perguntar sobre onde o turista conhece a criança ou adolescente,
foram obtidas as seguintes alternativas: 40%, na praia; 34,7%, na Beira Mar;
17,3%, outros locais; e 8%, em boates.
Tabela 199
Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nas estradas
15,4
Praia de Iracema
15,4
No calçadão
7,7
Por toda a área
7,7
Bares
7,7
Barracas
7,7
Não respondeu
38,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
240
Mais uma vez, a Praia de Iracema recebe posição de destaque no que
tange ao local onde a criança ou adolescente conhece o turista, com 15,4%,
sendo as estradas também reconhecidas como importante local desse primeiro
contato entre as partes, com igual proporção.
Tabela 200
Opinião dos taxistas sobre o local onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais praticada
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nos hotéis
10,7
Nos restaurantes
5,3
Nas boates e casas de show
21,3
Nos flats
14,7
Nas barracas de praia
28,0
Na Internet
__
Outro
16,0
Não respondeu
4,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto ao local onde a exploração sexual é mais praticada, foram
selecionados: 28%, em barracas de praias; 21,3%, em boates/casas de show;
14,7%, nos flats; 10,7%, em hotéis; e 5,3%, nos restaurantes. Entre os 16%
que assinalaram outras localidades, afirmaram acontecer em apartamentos, no
caso de estrangeiros, e motéis.
Tabela 201
Outros locais, na opinião dos taxistas, onde a exploração sexual de crianças
e adolescentes é mais praticada
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
241
Discriminação
Frequência relativa
Nos seus próprios apartamentos
16,7
Nos bairros afastados
8,3
Nos motéis
16,7
Nas casas de amigos
8,3
Dentro dos carros
8,3
Não respondeu
41,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Entre outras respostas, referentes ao local onde a exploração sexual é
mais praticada, segundo a opinião dos taxistas, foi comprovado que 16,7%
acreditam ser nos seus próprios apartamentos (explorador) e motéis, fato este
que demonstra a facilidade do acesso das crianças e adolescentes nesses
estabelecimentos. 8,3% consideram acontecer em bairros afastados, na casa
de amigos e dentro de carros.
Tabela 202
Opinião dos taxistas sobre a forma que acontece a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Elas que chegam nos gringos
16,0
Elas ficam andando e são chamadas
8,0
Escondido, levando até o próprio carro
6,7
Os recepcionistas deixam
5,3
Alguns taxistas já sabem os motéis que aceitam
4,0
Elas chegam e os donos não expulsam
4,0
Os taxistas aliciam os menores
2,7
Levando pra casa
2,7
Os barraqueiros deixam que elas fiquem porque atraem turista
2,7
242
Qualquer lugar
2,7
Os funcionários marcam o encontro
2,7
Os turistas levam
2,7
Homem mais velho com adolescente bebendo c/ interesse
sexual
Hotéis hospedam vários turistas com garotinhas de programa
Muitas adolescentes entram em boate e se prostituem lá
mesmo
1,3
1,3
1,3
Vão para os hotéis
1,3
Os flanelinhas dão a dica
1,3
Aproveita-se de um prato de comida
1,3
Nas boates
1,3
Convidam para jantar, depois saem
1,3
Ficam buscando as meninas
1,3
Depois das 22h, elas começam a chegar
1,3
São chamadas pelos maiores
1,3
Recebem os casais numa boa, fingem que não veem
1,3
Tendo conhecimentos
1,3
Às vezes eles se conhecem e vão para o paredão de pedra
1,3
Na orla, aliciadores
1,3
As cafetinas apresentam
1,3
Conversando, basta mostrar os euros
1,3
Isto acontece porque é tudo liberado, não há fiscalização
1,3
As meninas aprendem com as outras
1,3
Através de amigos
1,3
Entram com crianças
1,3
Não respondeu
12,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre a questão de como acontece, os resultados foram bem
heterogêneos, demonstrando, de forma decrescente, que elas chegam aos
243
gringos, elas ficam andando e são chamadas, escondem-se e levam até o
carro, os recepcionistas liberam, entre outras. Todas as ações são relatadas de
forma bem natural, conforme descrito nos diários de campo:
“A cadeia produtiva funciona da seguinte maneira: os taxistas
e mototaxistas trazem as garotas, que vão para as boates e lá
acordam programas com turista. Os taxistas levam para um
motel e mesmo hotel, onde o turista se encontra hospedado.
Na boate, a garota tem acesso livre, se comprovar maior idade
ou se usar uma identidade falsa. Na rua, as garotas dão
dinheiro, cigarros e bebidas aos adolescentes que estão ali.”
(Diário de Campo - Antônio Marcos).
Tabela 203
Identificação de aliciadores intermediando a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
24,0
Não
76,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
244
Gráfico 51
Identificação de aliciadores intermediando a
prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
76,0%
Sim
24,0%
Quando questionados sobre a identificação de aliciadores intermediando
a prática da exploração sexual de crianças e adolescentes, os taxistas
apontaram os próprios como o maior influenciador.
Tabela 204
Aliciadores identificados pelos taxistas, intermediando a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
A maioria, estrangeiros que residem em
Fortaleza
Frequência relativa
5,6
Flanelinhas
11,1
Taxistas / mototaxistas
27,8
Não sabe o nome
5,6
Cafetão
11,1
245
Da favela do Baixa Pau
5,6
Mulheres vendendo pacotes sexuais no
5,6
aeroporto
Barraqueiros
16,7
Traficantes
5,6
Não respondeu
5,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os aliciadores identificados pelos taxistas, 27,8% são taxistas /
mototaxistas; 16,7%, barraqueiros; 11,1%, flanelinhas e cafetões, com igual
proporção, entre outros. Os dados da Tabela mostram que, no questionário
aplicado com o segmento dos taxistas, estes se consideram parte importante
na contribuição da prática da exploração sexual.
Tabela 205
Local mais frequente de permanência de turista, que busca a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bares
12,0
Praia
42,7
Boates
10,7
Restaurantes
5,3
Outro
29,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que se refere aos locais onde o turista costuma frequentar com as
crianças e adolescentes exploradas, surgiram: praia, bares, boates e
restaurantes.
246
Tabela 206
Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que busca a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Flats
13,6
Apartamento próprio
13,6
Barracas de praia
13,6
Motéis
18,2
Não conhece
4,5
Calçadão da Beira Mar
9,1
Lugares distantes, até fora da cidade
4,5
Nos paredões de pedra
4,5
Praia do Cumbuco
4,5
Em todos os lugares
4,5
Dentro do próprio carro
4,5
Não respondeu
4,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 207
Faz corrida com casais em condição de exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
24,0
Não
76,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
247
Sobre quem já fez corrida com casais em condição de exploração
sexual, apenas 24% assumem e os demais, que representam 76%, não
realizaram o serviço.
Tabela 208
Trajeto da corrida com casais em condições de exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Do aeroporto para hotéis
5,6
Do hotel para o aeroporto
5,6
Da Varjota para Dragão do Mar ou boate
5,6
Da praia para restaurantes
5,6
Do aeroporto para Praia de Iracema
5,6
Para um hotel na Praia de Iracema
16,7
Motel para hotel
5,6
Do aeroporto para o Beach Park
5,6
Apartamento
5,6
Da praia para o flat
5,6
Para o motel
5,6
Vários
5,6
Para boate e casa de massagem
5,6
Da praia do Náutico para barraca na Praia
do Futuro
Não respondeu
5,6
10,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre o trajeto da corrida realizada, apareceram como mais comuns:
para um hotel da Praia de Iracema, e os demais ficaram divididos em
aeroporto/hotéis, hotel/aeroporto, Varjota para Dragão do Mar ou boate, praia
para restaurantes, motel para hotéis, trechos bem comuns nas áreas turísticas.
248
Tabela 209
Opinião dos taxistas sobre as razões que mais influenciam a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desemprego
52,0
Convivência familiar conflituosa
12,0
Trabalho infanto-juvenil
__
Violência familiar
2,7
Turismo com fins sexuais
__
Ineficiência das políticas públicas
__
Desigualdade social
__
Prostituição
__
Outros
32,0
Não respondeu
1,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Com relação às razões que mais influenciam a exploração sexual de
crianças e adolescentes, foram levantadas, com 52%, o fator de desemprego;
12%, pela convivência familiar conflituosa; e 2,7%, por conta da violência
familiar, sendo que 32% consideram outras razões, entre elas: pobreza,
drogas, dinheiro, necessidade/fome, poder aquisitivo.
Tabela 210
Outras razões que mais influenciam a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
249
Pobreza
33,2
Drogas
12,5
Dinheiro
12,5
Fome/Necessidade
8,3
Governantes
8,3
Poder aquisitivo
4,2
Luxo
4,2
Má companhia
4,2
Falta de educação
4,2
Falta de policiais capacitados
4,2
Pais que não se preocupam
4,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre outras razões que influenciam a prática da exploração sexual,
estão: a pobreza (33,2%), drogas e dinheiro (12,5%), fome/necessidade e
governantes (8,3%), entre outras respostas. Vale ressaltar que a problemática da
desigualdade social, se se considerar o percentual da resposta “pobreza”, é um
grande motivo pelo qual as crianças e adolescentes procuram essa prática como
alternativa de amenizar o problema.
Tabela 211
Opinião dos taxistas sobre o que poderia ser feito para combater a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Campanhas de conscientização na mídia
Campanhas de conscientização com a cadeia
produtiva do turismo
Programas de articulação e mobilização da
comunidade para denunciar
Todos os setores do turismo denunciarem
Frequência relativa
29,0
14,0
6,0
11,0
250
essa prática
Acho que não deve ser combatida
1,0
Outros
39,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Observa-se que, quando perguntados sobre o que poderia ser feito para
combater a exploração sexual de crianças e adolescentes, foram sugeridas
campanhas de conscientização na mídia (29%) e com a cadeia produtiva do
turismo (14%), e ainda que todos os setores do turismo denunciem essa prática
(11%), implantação de programas de articulação e mobilização da comunidade
para denunciar (6%), visando atenuar o problema. Foi identificado que apenas
1% dos taxistas acha que a exploração sexual de crianças e adolescentes não
deve ser combatida.
Tabela 212
Outras opiniões dos taxistas sobre quais medidas poderiam ser tomadas
para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Educando as famílias
7,7
Fiscalizando
5,1
Educando
25,6
Através de leis severas
7,7
Tendo apoio do governo
10,3
Com a Polícia em prontidão, agindo
5,1
Dando emprego
2,6
Prendendo os traficantes
2,6
Dando condições de vida digna
5,1
Através de cursos
5,1
Mais delegacias
2,6
251
Combatendo as drogas
2,6
Política pública
5,1
Através de entidade de privação para
2,6
não ir para as ruas
Fiscalizando os voos estrangeiros
2,6
Abrindo novas escolas
2,6
Projetos sociais
5,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Representando 25,6% das respostas, a educação sempre se apresentando
como solução para o combate à prática da exploração sexual, o que demonstra a
necessidade da construção de políticas públicas com este fim.
Tabela 213
Conhecimento se as cooperativas/sindicato dos taxistas têm alguma política
ou ação de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
12,0
Não
88,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os dados indicaram ainda que a maioria dos entrevistados não tem
conhecimento se as cooperativas/sindicatos dos taxistas têm alguma política
ou ação de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 214
Política ou ação de enfrentamento da exploração sexual de crianças e
adolescentes das cooperativas/sindicato dos taxistas
Fortaleza
252
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Cooperação Patrícia Saboya
11,1
Campanha dos políticos com taxistas
11,1
Palestra e cartazes
55,6
Sindicato táxi
11,1
Não respondeu
11,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Apenas 12% responderam ter conhecimento, citando palestras e
cartazes, além da Cooperação Patrícia Saboya. A senadora Patrícia Saboya
presidiu a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que foi instalada
em maio de 2003, e teve seu relatório final publicado, em julho de 2004. A
comissão visitou 22 estados, ouviu 285 pessoas, recebeu 832 denúncias e
requereu o indiciamento de cerca de 250 pessoas. Com isso, foi constatado
que a exploração sexual ocorre em todo o país, tanto em pequenos
municípios, como em grandes centros urbanos.
Para a senadora, o fenômeno não está ligado apenas a fatores como
pobreza e exclusão social. "É um problema relacionado com questões
culturais, como o machismo e as relações de poder entre adultos e crianças,
brancos e negros, ricos e pobres".
Tabela 215
Conhecimento dos taxistas no tocante às formas de denúncias existentes
da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
38,7
Não
61,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
253
Gráfico 52
Conhecimento dos taxistas no tocante às formas
de denúncias existentes da prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
61,3%
Sim
38,7%
Quanto à forma de denúncia existente sobre a prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes: 38,7% afirmaram conhecer, enquanto
61,3% desconhecem. Desses taxistas que representam os 38,7% de sim,
estavam: Disque 100, Polícia, Juizado de Menores e 0800, Desenvolvendo a
Criança e o Adolescente (DCA) e telefone.
Tabela 216
Conhecimento dos taxistas sobre formas de denúncias existentes da prática
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Disque 100
27,6
DCA
6,9
Polícia
20,7
Juizado da Infância e da Juventude
10,3
Pelo telefone
6,9
Pelos jornais
3,4
Amarelinhos
3,4
254
Delegacia
3,4
0800
10,3
SOS Criança
3,4
Não respondeu
3,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Foram citados pelos taxistas como formas de denúncias existentes: o
Disque 100 (27,6%), Polícia (20,7%) e 0800 (10,3%) – Disque Direitos de
Crianças e Adolescentes, serviço oferecido pela Fundação da Criança e da
Família Cidadã (FUNCI), como programa do município, além do Juizado da
Infância e da Juventude (10,3%).
Tabela 217
Entidades onde os taxistas fariam as denúncias de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Polícia Federal
2,7
Conselho da Criança e do Adolescente
__
Disque 100
10,7
Delegacia mais próxima
21,3
SOS criança
8,0
Juizado da Infância e da Juventude
17,3
Programas de televisão especializados
em apurar denúncias de violência
__
Outros
30,7
Não respondeu
9,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
255
Ao serem interpelados sobre onde denunciariam os casos de exploração
sexual, a referência passa a ser a delegacia, contabilizando 21,3%, seguido do
Juizado da Infância e da Juventude (17,3%), Disque 100 (10,7%).
Tabela 218
Outras entidades onde os taxistas fariam denúncias sobre a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Policia 190
39,1
Ronda do Quarteirão
26,1
Delegacia do Turismo
4,3
DCA
4,3
Número gratuito 0800
4,3
Amarelinho
8,7
Não respondeu
13,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Outros caminhos para a denúncia seriam: Polícia 190 (39,1%), Ronda do
Quarteirão (26,1%), Amarelinho11(8,7%), dentre outros. Ao longo de toda a
pesquisa foi relatado pelas crianças e adolescentes que a presença do Ronda
do Quarteirão veio coibir, de certa forma, a prática de exploração sexual, pois
os turistas têm receio de ser presos.
Tabela 219
Conhecimento dos taxistas sobre a diferença entre exploração sexual e
prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
11
Referência ao Programa Estadual Criança fora da Rua, Dentro da Escola.
256
Discriminação
Frequência relativa
Sim
32,0
Não
68,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos pesquisados, 68% assumiram não conhecer a diferença entre
exploração sexual e prostituição, fato que revela a necessidade da criação de
campanhas para explicação dos temas.
Tabela 220
Entendimento dos taxistas no que se refere ao conceito de exploração
sexual e prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Exploração: começa com crianças e adolescentes
4,2
Prostituição: é profissional. Exploração: não sabe o que faz
12,5
Prostituição: sabe se vender. Exploração: não sabe se defender
8,3
Prostituição: comércio. Exploração: sobrevivência
4,2
Exploração: com menor de idade. Prostituição: com maior
29,2
Prostituição: é quando quer. Exploração: necessidade obriga
12,5
Prostituição: já nasceu para isso. Exploração: por dinheiro
4,2
Prostituição: quando fica com o dinheiro. Exploração: divide
8,3
Prostituição: preço fixo. Exploração: aliciamento
8,3
Exploração: é quando qualquer pessoa é estuprada
4,2
Não respondeu
4,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando os taxistas foram questionados sobre a compreensão do que
seja exploração sexual versus prostituição, 29,2% têm clareza da diferenciação
257
dos termos, respondendo que exploração é “com menor de idade” e
prostituição com maior. 12,5% disseram que a prostituição é profissional,
enquanto a exploração envolve “quem não sabe o que faz”, bem como 8,3%
ainda são mais claros ao afirmar que a exploração ocorre com “quem não sabe
se defender”. Essa maneira de representar a diferença entre essas duas
categorias revela a consciência que eles têm de que essa prática é uma
violação de direitos e acontece devido á relação desigual entre um lado mais
forte, o adulto, que consegue compreender a situação de extrema
vulnerabilidade dessas crianças e adolescentes, e o lado mais fraco, que
sequer tem consciência dessa exploração.
O questionário aplicado aos taxistas retratou a significativa participação
desta categoria como contribuintes da prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes. Embora muitos tenham consciência de que se trata de um ato
considerado crime, outros acreditam que são beneficiados em função da
movimentação de turistas e a prestação de serviço que ofertam.
258
CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO – Ambulantes
PESQUISA EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NO TURISMO DE
FORTALEZA
Tabela 221
Atividades desenvolvidas pelos ambulantes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
AMBULANTE
18,1
BARRAQUEIRO
6,6
VENDEDOR DE AGUA DE CÔCO
4,7
VENDEDOR DE ARTESANATO
4,7
VENDEDOR DE MILHO
4,7
VENDEDOR DE SOVERTE
2,7
AMBULANTE (BOMBONS)
1,9
VENDEDOR DE ARTESANATO BIJUTERIA
1,9
VENDEDOR DE COMIDA TÍPICA
1,9
VENDEDOR DE QUADROS
1,9
VENDEDOR DE SANDUÍCHES/ CHACORRO
QUENTE
1,9
VENDEDOR DE TAPIOCA
1,9
VENDEDOR DE ÁGUA REFRIGERANTE
1,9
AMBULANTE (ARTESANATO)
0,9
AMBULANTE (BIJUTERIAS)
0,9
AMBULANTE (BRINQUEDOS)
0,9
AMBULANTE (VENDE BONECAS)
0,9
AMBULANTE (VENDE PANOS DE PRATO)
0,9
AMBULANTE (VENDE REFRIGERANTE)
0,9
AMBULANTE (VENDEDOR DE ÁGUA)
0,9
AMBULANTE (VENDEDOR DE BRINQUEDOS)
0,9
AMBULANTE (VENDEDOR DE QUADROS)
0,9
259
AMBULANTE (VENDEDORA DE BONECAS)
0,9
ANBULANTE
0,9
ARTESANATO FEIRINHA
0,9
BARRACA DE ROUPA
0,9
BARRAQUEIRO- ARTESANATO
0,9
BARRAQUEIRO - RENDA
0,9
BARRAQUEIRO (BIJUTERIA)
0,9
BARRAQUEIRO DE QUADROS
0,9
BARRAQUEIRO RENDA
0,9
BARRAQUEIRO TRAJES DE PRAIA
0,9
BARRAQUEIRO(GULOSÉIMAS)
0,9
BILHETE DA LOTERIA
0,9
BIJUTERIA
0,9
CARRINHO DE LANCHE
0,9
FEIRANTE ARTESANATO
0,9
FEIRINHA -VENDA DE CAMISAS
0,9
FEIRINHA ARTESANATO
0,9
TAPIOQUEIRO
0,9
VENDA DE ACARAJÉ
0,9
VENDEDOR DE ÁGUA
0,9
VENDEDOR DE BOLSAS
0,9
VENDEDOR DE BOMBONS
0,9
VENDEDOR DE BONECOS
0,9
VENDEDOR DE CHAPÉU
0,9
VENDEDOR DE CHOCOLATE, ÁGUA,
0,9
SORVERTE.
VENDEDOR DE CHURROS
0,9
VENDEDOR DE CIGARROS, BOMBOM,
0,9
CHICLETES.
VENDEDOR DE COCADAS E DOCES
0,9
VENDEDOR DE CÔCO
0,9
VENDEDOR DE DOCES
0,9
VENDEDOR DE LANCHE
0,9
260
VENDEDOR DE LANCHES (SUCOS E
0,9
SALGADOS)
VENDEDOR DE MILHO VERDE
0,9
VENDEDOR DE ÓCULOS
0,9
VENDEDOR DE ÓCULOS, BONÉS, ROUPAS.
0,9
VENDEDOR DE PICOLÉS/ÁGUA MINERAL
0,8
VENDEDOR DE PIPOCA
0,8
VENDEDOR DE PRODUTOS (BONÉ, ÓCULOS,
0,8
BOLSAS)
VENDEDOR DE SANDÁLIAS
0,8
VENDEDOR DE SUCOS NATURAIS
0,8
VENDEDORA DE CAFÉ E CHÁ
0,8
VENDEDORA DE MILHO
0,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
O quadro acima apresenta a diversificação de tipologias de ambulantes
existentes entre os entrevistados.
Tabela 222
Público que mais frequenta a orla marítima e os bairros da Serrinha e do
Lagamar
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turistas nacionais
57,5
Turistas estrangeiros
32,1
Famílias
2,8
Turistas de negócios
__
Morador local
3,8
Outro
3,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
261
Mais uma vez os turistas se apresentam de forma significativa: entre
nacionais (57,5%) e estrangeiros (32,1%), como o público que mais frequenta
este ambiente. Os turistas que desenvolvem a atividade em família (2,8%)
aparecem com um percentual menor que o morador local (3,8%).
Tabela 223
Outras pessoas que mais frequentam a orla marítima e os bairros da
Serrinha e do Lagamar
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Todos
50,0
Camelôs
25,0
Turistas (não especificou)
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos ambulantes que responderam a alternativa “outras”, citaram todas
as classificações, chegando a 50% entre camelôs e turistas.
Tabela 224
Percepção dos ambulantes sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Existe como em qualquer outra cidade
Os casos são poucos e não influenciam na imagem do
turismo em Fortaleza
Vem crescendo nos últimos anos
41,5
1,9
27,4
262
Gera uma imagem negativa do turismo na cidade
21,7
Outro (absurdo/falta de vergonha/muito errado)
3,8
Não respondeu/NS
3,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 53
Percepção dos ambulantes sobre a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
41,5%
Existe como em qualquer outra cidade
Os casos são poucos e não influenciam na imagem
do turismo em Fortaleza
1,9%
27,4%
Vem crescendo nos últimos anos
21,7%
Gera uma imagem negativa do turismo na cidade
3,8%
Outro (absurdo/falta de vergonha/muito errado)
3,7%
Não respondeu/NS
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
Quanto à percepção que os ambulantes possuem sobre a exploração
sexual de crianças e adolescentes, em Fortaleza, estão representadas da
seguinte forma: 41,5%, existe como em qualquer outra cidade; 27,4%, vem
crescendo nos últimos anos; 21,7%, gera uma imagem negativa do turismo na
cidade, fato já comprovado, além de proliferar a imagem do destino turístico em
outros países. Apenas 1,9% assinalou que os casos são poucos e não
influenciam na imagem do turismo em Fortaleza.
Tabela 225
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
263
Beira Mar
29,6
Praia do Futuro
25,4
Serrinha
2,3
Praia de Iracema
28,9
Barra do Ceará
11,6
Lagamar
1,6
Outra
0,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 54
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
100 ,0%
90 ,0%
80 ,0%
70 ,0%
60 ,0%
50 ,0%
40 ,0%
29,6%
30 ,0%
28,9%
25,4%
11,6%
20 ,0%
2,3%
10 ,0%
1,6%
0,6%
0 ,0%
Beira Mar
Praia do
Futuro
Serrinha
Praia de
Iracema
Barra do
Ceará
Lagamar
Outra
Novamente a Beira Mar lidera o ranking entre as áreas onde a
exploração sexual de crianças e adolescentes é mais visível, representando
29,6% da amostra. Em seguida, encontra-se a Praia de Iracema, com 28,9%,
e, entre os locais com maior representatividade, a Praia do Futuro, com 25,4%.
As principais áreas identificadas permaneceram as mesmas, independente da
categoria do setor pesquisado, dado que comprova os pontos de maior
incidência da problemática.
Tabela 226
Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
264
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Av. Abolição
50,0
Centro
50,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Foi também referenciado como locais de exploração sexual de crianças
e adolescentes a Avenida Abolição e o bairro Centro, locais de fácil visibilidade
desse tipo de atividade, conforme mostra relato de Diário de Campo:
“Um ambulante diz, que tem um flat na Avenida Abolição, próximo à Tia
Nair, que é visível essas meninas lá. Todos são flats alugados por
temporada. Tem muito italiano e elas têm acesso livre lá.” (Diário de
Campo - Rosângela).
Tabela 227
Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Imagem negativa desta
Frequência relativa
36,7
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
Outro
15,9
24,6
20,5
2,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
265
Gráfico 55
Consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Julho - agosto / 2008
36,7%
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
15,9%
24,6%
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
20,5%
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
Outro
2,3%
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
Sobre as consequências da prática da exploração sexual para a cidade,
foram apontadas, em sua maioria, a imagem negativa da cidade (36,7%) e a
promoção de incentivar o recebimento de turistas com fins sexuais (24,6%).
Representando 20,5% da amostra, a exploração sexual impede que turistas com
outros fins escolham a cidade como roteiro turístico, o que provoca uma
diminuição no fluxo turístico do destino. 15,9% citaram a geração de mídia
negativa por conta da exploração sexual.
266
Tabela 228
Outras consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desrespeito dos turistas para com as mulheres do
local
16,7
Evasão de turistas
16,7
Insegurança para turistas
16,7
Prejudica o futuro das crianças
16,7
Drogas
16,7
É ruim para todo mundo
16,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 229
Formas em que as crianças e adolescentes são afetadas com a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Perdem a infância/vida
20,8
São afetadas físico e psicologicamente
7,5
Elas que procuram/Elas sabem o que querem
5,7
Deixam de estudar e são excluídas da sociedade
5,7
Estragam qualquer possibilidade de futuro
5,7
São iludidas pela bebida, alimentação, dinheiro
5,7
São afetadas no desenvolvimento moral
3,8
Tornam-se agressivas e marginalizadas
2,8
267
Perdem seu valor
2,8
São exploradas, aliciadas, prostituídas e ameaçadas
2,8
Não sabe, acha que elas buscam uma vida melhor
2,8
Ficam expostas ao perigo, deixam de estudar, abandonam a
família
2,8
Amadurecem rapidamente
2,8
Afundam-se nas drogas
2,8
Prejudicam a vida futura
1,9
Perdem a família
1,9
Vergonha para a família
1,9
Viram prostitutas
1,9
Muitas preferem entrar na prostituição a trabalhar e estudar
1,9
Enfrentam dificuldades e desafios, pois não estão
preparadas
1,9
São afetadas no ambiente familiar
0,9
Sofrem na mão dos exploradores
0,9
Perdem a dignidade
0,9
Pegam doenças
0,9
Falta de defesa
0,9
Cicatrizes pelo resto da vida
0,9
Afetam a vida pessoal
0,9
Envolvem-se com drogas e têm filhos
0,9
Envolvem-se com o tráfico de drogas e atividades criminosas
0,9
Deixam suas casas para entrar na prostituição e drogas
0,9
Viram mães cedo e pegam doenças
0,9
Gera marginalização, são obrigadas a permanecer nessa
vida
0,9
Deixam uma vida correta por uma errada
0,9
Não respondeu/NS
2,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
268
A maioria dos respondentes considera que as crianças e adolescentes
são afetadas com as práticas de exploração sexual, pois perdem a infância
(20,8%),
além
de terem
prejuízos
físicos
e
psicológicos
(7,5%).
E
representando 5,7% da amostra, foram citados os fatores, tais como: deixam
de estudar e são excluídas da sociedade; estragam qualquer possibilidade de
futuro; são iludidas pela bebida, alimentação e dinheiro. As estatísticas
configuram um quadro de vítimas ligadas à desigualdade social e outros fatores
sociais.
Tabela 230
Ações relacionadas com a prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes que normalmente acontecem
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Nunca sou abordado com essa finalidade
18,6
Recebo solicitações de clientes sobre a prática da
23,7
exploração sexual de crianças e adolescentes
Observo que os turistas demonstram interesse na
50,6
exploração sexual
Outro
7,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto às ações relacionadas com a prática da exploração sexual, os
ambulantes assinalaram que 50,6% observam que os turistas demonstram
interesse na exploração sexual; 23,7% recebem solicitações de clientes sobre
a prática da exploração sexual de crianças e adolescentes e 18,6% nunca
foram abordados com essa finalidade, ou seja, de fato, há uma abordagem dos
ambulantes pelos turistas com fins de exploração sexual e certamente eles
fazem parte do grupo de aliciadores, como aponta no relato abaixo:
269
“Uma (ambulante) indicou que alguns turistas, principalmente italianos,
perguntam como ter acesso às meninas, e em alguns casos, chegam a
oferecer dinheiro para que as próprias ambulantes saiam com eles (...)
Insinuaram ainda que certo quiosque que vende artesanato é utilizado, na
verdade, como ponto de apoio para exploração de crianças e adolescentes
onde são divulgadas fotos das crianças e ainda é realizado o contato com as
mesmas.”(Diário de Campo - Ricardo).
.
Tabela 231
Outras ações relacionadas com a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes que normalmente acontecem
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turistas passeando com as garotas
18,2
Avisos que é proibido
9,1
Crianças sendo induzidas por outras crianças
9,1
Envolvimento de estrangeiros
9,1
As meninas que escolhem
9,1
Homossexuais procurando gringos
9,1
Não ver muito
9,1
Meninas começam cedo
9,1
Não respondeu/NS
9,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
De acordo com a Tabela 231, foi mencionado também que 7,1% dos
ambulantes atribuíram como ações relacionadas à prática da exploração
sexual, que normalmente acontecem: turistas passeando com as garotas
(18,2%).
Tabela 232
270
Opinião dos ambulantes sobre se existe uma rede de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
41,5
Não
58,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 56
Opinião dos ambulantes sobre se existe uma
rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
58,5%
Sim
41,5%
Dos ambulantes que participaram da pesquisa, 58,5% apontaram não
existir uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes em
Fortaleza, enquanto 41,5% acreditam que existe a rede.
Tabela 233
Opinião dos ambulantes sobre a composição da rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
271
Discriminação
Frequência
relativa
Taxistas
9,1
Estrangeiros
6,8
Grandes empresários da noite
6,8
Barraqueiros
6,8
Donos de hotéis
4,5
Agenciadores
2,3
Ambulantes
2,3
Donos de motel, taxistas e donos de bares
2,3
Prostitutas mais velhas, aliciando os menores
2,3
Próprios amigos
2,3
Donos de boates
2,3
Porteiro de hotel e taxistas
2,3
Hotéis, agências e estrangeiros influentes
2,3
Taxistas, barraqueiros e motoristas de ônibus
2,3
Taxistas, policiais, hoteleiros, barraqueiros e ambulantes
2,3
Casas de massagem e boates
2,3
Casas de massagem e barraqueiros
2,3
Hotéis, motéis, taxistas, até policiais
2,3
Hotéis, barraqueiros, policiais, estrangeiros e mototaxistas
2,3
Policiais, feirantes, hotéis, taxistas e barraqueiros
2,3
Empresários, policiais e gente de poder
2,3
Não respondeu/NS
29,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 41,5% respondentes que afirmaram existir uma rede de exploração
sexual, 29,2% não responderam por quem é composta, já 9,1% citaram os
taxistas, entretanto, o restante dos componentes mais lembrado foi distribuído
entre os estrangeiros (6,8%); grandes empresários da noite (6,8%);
barraqueiros (6,8%); donos de hotéis (4,5%), em sua maioria.
Tabela 234
272
Opinião dos ambulantes sobre o segmento envolvido no turismo que
mais contribui para a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Hotéis
21,7
Porteiros
1,9
Taxistas
37,7
Barraqueiros
17,9
Guias de turismo
3,8
Garçons
1,9
Seguranças
__
Mototaxistas
0,9
Ambulantes
0,9
Outro
3,8
Não respondeu/NS
9,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os taxistas continuam apresentando maior índice (37,7%), no que tange
ao segmento envolvido no turismo que mais contribui para a exploração sexual
de crianças e adolescentes, seguido dos hotéis (21,7%) e barraqueiros
(17,9%). Os ambulantes foram citados com um percentual insuficiente,
enquanto os guias de turismo receberam apenas 3,8% de marcação. Os dados
denotam exaustivamente a participação dos taxistas como influenciador da
prática da exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 235
Outras opiniões dos ambulantes sobre os segmentos envolvidos no
turismo que mais contribuem para a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
273
Discriminação
Frequência relativa
Governo
25,0
Agências de turismo
25,0
Aliciadores
25,0
A Internet
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Com igual proporção (25%) as agências de turismo, o governo, os
aliciadores e a Internet foram considerados segmentos envolvidos que mais
contribuem para a exploração sexual de crianças e adolescentes, na opinião
dos ambulantes.
Tabela 236
Formas dos ambulantes contribuírem para a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Não contribuem
Alguns informam onde encontrar as meninas, por
dinheiro
A contribuição é feita por outras
pessoas/segmentos
Frequência relativa
34,0
17,0
7,5
Sendo intermediários
4,7
Facilitam a entrada em hotéis
1,9
A maioria é influenciador
1,9
Alguns também pagam as meninas para ficar
com ela
1,9
Ganhando dinheiro para dar recados
0,9
Facilitando o crime
0,9
Dando opinião
0,9
Raramente viu ou nunca viu
20,8
274
Não respondeu/NS
7,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando abordados sobre a forma que os ambulantes contribuem para a
exploração sexual de crianças e adolescentes, estes responderam que: 34%
não contribuem; 17% informam onde encontrar as meninas por dinheiro; 7,5%
admitem que a contribuição é feita por outros segmentos; 4,7% contribuem
como intermediários. Os resultados apontam que, em momento algum, a
categoria exclui-se do problema, entretanto, não declaram com tanta clareza
sua participação real. Fato este comprovado no Diário de Campo:
“É
comum
naquela
região
a
presença
de
turistas
acompanhados por adolescentes, que chegam em grupos de
três ou quatro, e em seguida pedem informações onde
conseguir “meninas”. Ela declarou ainda que procura não se
envolver nessa questão, mas que conhece outros colegas que
fazem a intermediação em troca de dinheiro.” (Diário de
Campo, Elias Figueiredo)
Tabela 237
Ambulantes que presenciaram colegas da categoria facilitando a prática
da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
24,5
Não
75,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
275
Gráfico 57
Ambulantes que presenciaram colegas da
categoria facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
75,5%
Sim
24,5%
Ora as respostas se distorcem aqui, afirmando que não presenciaram
outro colega facilitando a prática da exploração sexual (75,5%), em outro
momento, afirmando que os ambulantes contribuem para a exploração sexual
(17%).
Tabela 238
Atitudes tomadas pelos ambulantes, quando da presença de colegas da
categoria facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Comentei com outros colegas
14,8
Falei com o(a) colega que praticou esse ato
14,8
Fiquei quieto, porque acho que não tenho nenhuma
responsabilidade com o que o outro praticou
Fiz a denúncia formal para as autoridades competentes
Nenhuma
37,0
__
25,9
276
Outro
7,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ao perguntar que atitude tomaram, 37% assumiram ficar quietos, porque
acham que não possuem responsabilidade com o que o outro praticou; 28,9%
não tomaram atitude alguma; 14,8% comentaram com outros colegas e 14,8%
falaram com o colega que praticou o ato. A estatística revela o baixo grau de
denúncias existentes.
Tabela 239
Opinião dos ambulantes sobre de que forma a exploração sexual de
crianças e adolescentes afeta o turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
A cidade fica malvista
17,9
Os turistas vêm atrás de sexo fácil
14,2
Os turistas só vêm para cá por causa do sexo
5,7
O turismo não a afeta, a culpa é do Governo
3,8
A mídia revela "pacotes com meninas"
3,8
Os turistas acham que aqui é terra de droga e mulher
3,8
Não afeta
3,8
A tendência é aumentar a quantidade de turista em busca de
sexo
2,8
Na divulgação imprópria
2,8
O turista que busca a exploração afasta os que vêm a passeio
2,8
Traz para o Ceará estrangeiros aliciadores
2,8
Afasta os turistas
1,9
Hotéis facilitam
1,9
Só afeta se for turismo sexual
1,9
Os turistas acham que, com dinheiro, compram tudo, até
criança
O turista estrangeiro é quem mais contribui
1,9
0,9
277
Quem afeta são as meninas
0,9
Os turistas é que são afetados
0,9
O turismo sexual traz má impressão para a cidade
0,9
Virou um abandono
0,9
Quando não obedece às leis brasileiras
0,9
As meninas é que vão atrás dos turistas
0,9
O turismo não é responsável, mas impulsiona os casos
0,9
Dizem que têm uns pacotes, e o turista já vem sabendo
0,9
O segmento que busca sexo afeta e o Governo fecha os olhos
0,9
Porque fora do Brasil há divulgação do sexo
0,9
Aumenta cada vez mais, porque eles pagam bem as meninas
0,9
Traz pessoas que antes vinham pelas praias e, hoje pelo sexo
0,9
Quanto mais turistas, maior o índice de prostituição
0,9
O turismo não contribui, mas os que lucram com esse fim
0,9
Os pacotes mais vendáveis são para turistas que buscam sexo
0,9
Não respondeu/NS
13,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os itens apresentados na Tabela acima demonstram que a maior parte
dos ambulantes relaciona o turismo com a prática da exploração sexual, visto
que, na maior parte das respostas, o turismo ou turista são considerados
partícipes da prática e possuem um íntimo contato com a prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 240
Opinião dos ambulantes sobre a formação dos grupos de turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Grupos de amigos (as) solteiros (as) viajando
Homens/mulheres mais velhos acompanhados de
meninos ou meninas mais novos (as)
Turistas brasileiros em busca da exploração sexual
Frequência relativa
27,0
19,4
10,4
278
Moradores locais em busca da exploração sexual
1,1
Estrangeiros em busca de sexo fácil
17,8
Executivos (as) sozinhos (as), viajando a trabalho
0,8
Casais
8,5
Famílias
14,7
Outro
0,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
.
Com relação aos grupos de turismo, os mais citados foram amigos
solteiros viajando (27%); homens/mulheres mais velhos acompanhados de
meninos ou meninas mais novos (as) (19,4%), estrangeiros em busca de sexo
fácil (17,8%), famílias (14,7%) e turistas brasileiros em busca da exploração
sexual (10,4%).
Tabela 241
Ambulantes que presenciaram momentos de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
54,7
Não
45,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
279
Gráfico 58
Ambulantes que presenciaram
momentos de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
54,7%
Não
45,3%
A maioria, 54,7% dos ambulantes, afirmou já ter presenciando a
exploração de crianças e adolescentes, enquanto 45,3% disseram não ter
presenciado. Os números evidenciam que a atividade ocorre abertamente na
presença de outras pessoas.
Tabela 242
Local em que o ambulante presenciou a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
43,1
Praia de Iracema
19,0
Barraca na Volta da Jurema
1,7
Barraca na Praia do Futuro
6,9
Ponte Metálica
1,7
Barraca Sol Copacabana
1,7
Bancos da Orla
1,7
Barra do Ceará
1,7
Espigão do Náutico
1,7
280
Barraca do Joça
3,4
Barraca Ula Ula
1,7
Barraca do Ceará
1,7
Canoa Quebrada
1,7
Barracas da Praia de Iracema e Boates no Dragão do
1,7
Mar
Centro
1,7
Beira Mar e Praia de Iracema
3,4
Praia do Futuro, Beira Mar e Praia de Iracema
1,7
Não respondeu/NS
3,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Entre os ambulantes que já presenciaram (54,7%), citaram como os
locais que mais acontecem, a Beira Mar (43,1%), Praia de Iracema (19%) e
barracas da Praia do Futuro (6,9%), resultados que comprovam fortemente a
prática da exploração sexual com crianças e adolescentes, principalmente na
Beira Mar e Praia de Iracema, locais que também foram citados pelos demais
atores da cadeia produtiva do turismo.
Tabela 243
Opinião dos ambulantes, no tocante à frequência de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diariamente
72,6
Semanalmente
13,2
Mensalmente
__
Esporadicamente
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
14,2
100,0
281
Gráfico 59
Opinião dos ambulantes, no tocante à frequência
de exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
10 0,0 %
9 0,0 %
72,6%
8 0,0 %
7 0,0 %
6 0,0 %
5 0,0 %
4 0,0 %
3 0,0 %
14,2%
13,2%
2 0,0 %
0,0%
1 0,0 %
0,0 %
Diariamente
Semanalmente
Mensalmente
Esporadicamente
Com relação à frequência, os casos ocorrem diariamente, sendo os dias de
sábado (41,5%) e sexta-feira (28,3%), além da segunda-feira (12,3%), como os
mais movimentados.
Tabela 244
Opinião dos ambulantes sobre qual dia da semana é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Segunda
Frequência relativa
12,3
Terça
__
Quarta
1,9
Quinta
7,5
Sexta
28,3
Sábado
41,5
Domingo
5,7
282
Outro
2,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A relação dos dias da semana em que mais ocorrem foi explicado
anteriormente quando respondido pelas próprias crianças e adolescentes, em
função do aumento de fluxo de turistas nesses dias.
Tabela 245
Opinião dos ambulantes sobre o período do ano, em que é mais frequente
a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Feriados prolongados
30,8
Alta estação
53,0
Baixa estação
13,5
Outros (todos os dias do ano)
2,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A alta estação merece destaque em virtude do percentual indicado de
53%, o que demonstra a relação do fluxo de turistas com a exploração sexual
de crianças e adolescentes. Fato este comprovado através do relato abaixo:
Julho é o mês dos turistas nacionais, que geralmente vêm
conhecer a cidade, Já em agosto são os turistas internacionais
que, na sua maioria, vêm à procura de sexo, principalmente,
italianos e portugueses. (Diário de Campo - Rosângela
Nascimento)
Tabela 246
Opinião dos ambulantes sobre em qual turno do dia é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
283
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Manhã
3,3
Tarde
12,0
Noite
47,8
Madrugada
36,9
Total
100,0
.
O período da noite geralmente é o mais procurado para a realização da
exploração sexual, representando 47,8% das ocorrências, e a madrugada é
apontada como segundo lugar (36,9%).
“Os menores, quando aparecem, é só no fim de noite, a fim de
pegar um trocado para consumir drogas.”
“De madrugada sempre tem uns homens com garotas
menores na praia praticando sexo. Costumo ver mototaxistas
à noite descendo para a praia com garotas.” (Diário de Campo
- Victor)
Tabela 247
Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Na Beira Mar
42,7
Na praia
42,0
Em boates
13,7
Restaurantes
0,8
Outro
0,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
284
Gráfico 60
Local onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Na Beira Mar
42,7%
Na praia
42,0%
13,7%
Em boates
Restaurantes
0,8%
Outro
0,8%
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
Ao serem entrevistados, 42,7% dos ambulantes apontam a Beira Mar
como principal local onde os turistas conhecem as crianças ou adolescentes;
42%, na praia; e 13,7%, em boates.
Tabela 248
Opinião dos ambulantes sobre a identificação de aliciadores
intermediando a prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
25,5
Não
74,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
285
Gráfico 61
Opinião dos ambulantes sobre a identificação de
aliciadores intermediando a prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
74,5%
Sim
25,5%
A Tabela acima revela que 74,5% dos ambulantes não identificam os
aliciadores e intermediários, enquanto 25,5% já responderam que conseguem
identificar esses sujeitos.
Tabela 249
Aliciadores que intermedeiam a prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Estrangeiros
15,4
Todo mundo
3,8
Policiais, políticos, barraqueiros, ambulantes, jogadores
3,8
Taxistas e policiais
3,8
Barraqueiros e mototaxistas
7,7
Os aviões
3,8
Taxistas e policiais
7,7
Cafetinas
3,8
286
Os garçons
3,8
Flanelinhas
3,8
Algumas prostitutas maiores de idade
3,8
Na Barra do Ceará tinha uma mulher que usava as filhas
3,8
Barraqueiros chamam as meninas para atrair turistas
3,8
Italianos que têm barraca aqui e moram
3,8
Taxistas, guias de turismo e barraqueiros
3,8
Fiscais da Prefeitura e estrangeiros
3,8
Os barraqueiros
3,8
Porteiros, taxistas , mototaxistas, barraqueiros
3,8
Mototaxistas, seguranças, porteiros de hotéis, guias
3,8
turismo
Barraqueiros
3,8
Não respondeu/NS
3,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre os principais aliciadores que praticam a intermediação para a
exploração sexual de crianças e adolescentes, na opinião dos ambulantes,
estão: os estrangeiros (15,4%); taxistas e policiais, barraqueiros e mototaxistas
(7,7%).
Tabela 250
Local mais frequente de permanência de turista, que buscam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nos hotéis
14,2
Nas boates e casas de show
31,1
Nas barracas de praia
46,2
Nos restaurantes
0,9
Nos flats
2,8
Na Internet
0,0
287
Outro
4,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Em relação ao local mais frequentado pelos turistas que buscam
exploração sexual, os resultados apresentaram as barracas de praia (46,2%);
boates e casas de show (31,1%) e hotéis (14,2%).
Tabela 251
Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que buscam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Calçadão da Beira Mar
50,8
Motel
16,4
Orla marítima
16,4
Não respondeu/NS
16,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 252
Opinião dos ambulantes sobre de que forma acontece a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Nas boates, tudo é liberado
9,4
Acontece de toda forma, do aeroporto às barracas de praia
9,4
O turista quer sexo com adolescentes e ninguém faz nada
p/impedir
Elas se oferecem
8,5
5,7
288
Próprias mães levam as filhas para ganhar dinheiro na orla
5,7
Nos bares e barracas sempre tem alguma garota disponível
4,7
Conhecem os adolescentes,os recepcionistas facilitam
entrada
3,8
Os gringos vão tomar cerveja só para perguntar
3,8
Várias formas
2,8
Elas já vêm preparadas p/ abordar os gringos, são
descaradas
Gringos ficam aliciando as adolescentes, oferecendo
dinheiro
2,8
2,8
No contato direto, quando elas estão nesses lugares
1,9
As meninas são inteligentes, elas é que exploram os gringos
1,9
A exploração é muito grande e ninguém faz nada
1,9
Conversando, eles oferecem comida e depois saem
1,9
Através de programas
1,9
Através de abordagem de pessoas necessitadas
0,9
As crianças são indicadas pelos barraqueiros
0,9
Conversando e bebendo
0,9
É só o que se vê, prostituindo-se e usando crack por
mincharia
0,9
Pela Internet
0,9
Elas ficam chamando os turistas e mostram partes do corpo
0,9
Homens atrás de crianças
0,9
Abordagem dos turistas que vêm para cá com essa
finalidade
Através de aliciadores que ficam com a maior parte do
dinheiro
De forma ilegal e cruel
0,9
0,9
0,9
Quando saem da praia vão tomar banho com as
adolescentes
Não respondeu/NS
0,9
21,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
289
As respostas mencionadas acima declaram que a exploração sexual de
crianças e adolescentes acontece de forma visível e descarada, em diversos
locais da cidade, em plena luz do dia, conforme relato do Diário de Campo:
“Tem um flat na Av. Abolição, próximo à Tia Nair, que é visível
essas meninas lá. Alugado por temporada. Tem muito italiano
e ela tem acesso livre lá”. (Diário de Campo - Rosângela
Nascimento)
“Ao entrevistar um barraqueiro, este demonstrou revolta sobre
o absurdo de travestis na Av. Abolição, o pior de tudo são os
“meninos”, aparentando ter 11 anos, fazendo programas com
gringos.
Muitas
vezes
fazem
no local mesmo, como
“pegadinhas” e lances rápidos, como sexo oral, para quem
passar ver, e nem a Polícia inibe...” (Diário de Campo Rosângela Nascimento)
Tabela 253
Opinião dos ambulantes sobre as razões que mais influenciam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desemprego
18,6
Convivência familiar conflituosa
13,8
Trabalho infanto-juvenil
7,5
Violência familiar
14,0
Turismo com fins sexuais
11,2
Ineficiência de políticas públicas
12,4
Desigualdade social
12,4
Prostituição
8,2
Outro
1,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
290
.
Os problemas de ordem social, como desemprego, violência familiar,
convivência familiar conflituosa, ineficiência de políticas públicas, são as
principais razões que mais influenciam na exploração sexual de crianças e
adolescentes.
Tabela 254
Opinião dos ambulantes sobre outras razões que mais influenciam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Algumas fazem porque gostam
44,45
Necessidade
22,22
Começam pedindo, depois percebem que podem
ganhar mais
11,11
Família desestruturada
11,11
Não respondeu/NS
11,11
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os ambulantes afirmaram que 44,45% fazem porque gostam, sendo que
22,22% realmente praticam por conta da necessidade. A formação da família
desestruturada e a possibilidade que as crianças e adolescentes visualizam de
ganhar dinheiro também foram apontadas como razões que influenciam essa
prática.
O depoimento abaixo traduz o contato do ambulante com a realidade de
exploração sexual de crianças e adolescentes e o turismo:
“Alguns turistas, principalmente italianos, perguntam como ter
acesso às meninas e em alguns casos chegam a oferecer
dinheiro para que as próprias ambulantes saiam com eles.
(Diário de Campo, Ricardo Oliveira)
Tabela 255
291
Opinião dos ambulantes sobre o que poderia ser feito para combater a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Campanhas de conscientização na mídia
31,8
Campanhas de conscientização com a cadeia produtiva do
turismo / cadeia produtiva do turismo
Programas de articulação e mobilização da comunidade para
denunciar
19,6
13,7
Todos os setores do turismo denunciarem essa prática
19,6
Acho que não deve ser combatida
3,1
Outro
12,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
.
As campanhas de conscientização na mídia (31,8%) e com a cadeia
produtiva do turismo (19,6%) apresentaram maior percentual como sugestões
dos ambulantes para combater a exploração sexual. A denúncia também
obteve um percentual significativo, embora não seja tão realizada. Esse dado
revela a importância da continuidade e abrangência das campanhas como
efeito positivo para evitar o problema.
Tabela 256
Opinião dos ambulantes sobre outras medidas que poderiam ser tomadas
para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
As autoridades fazerem algo
Frequência relativa
22,55
292
Investir nas famílias
9,68
Incentivar o estudo das crianças
9,68
Aumentar a oferta de trabalho para os jovens
9,68
Educação e controle de natalidade
9,68
Investir em políticas públicas
6,45
Fiscalização rígida do Governo
6,45
Os pais terem mais moral com os filhos
6,45
Melhorar os governantes e os investimentos
3,23
Pais mais responsáveis que coloquem “rédia” nessas
3,23
meninas
Fechar os pontos de prostituição
3,23
Ajudar os mais pobres
3,23
Uma lei para acabar com a exploração
3,23
Fechar todas essas boates
3,23
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 257
Conhecimento dos ambulantes no tocante às formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
66,0
Não
34,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
293
Gráfico 62
Conhecimento dos ambulantes no tocante às
formas de denúncias existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
66,0%
Não
34,0%
Surpreende o fato de 66% dos ambulantes terem conhecimento das
formas de denúncia existentes, o que revela que a maioria dos envolvidos sabe
onde e como denunciar, porém nem sempre o fazem.
Tabela 258
Formas de denúncias existentes da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes, do conhecimento dos ambulantes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Polícia Federal
5,8
Conselho da Criança e do Adolescente
10,9
Disque 100
26,1
Delegacia mais próxima
3,6
SOS Criança
24,6
Juizado da Infância e da Juventude
16,7
Programas de televisão especializados em
2,9
294
apurar denúncias de violência
Outros
6,5
Não respondeu
2,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Tabela acima aponta que os ambulantes, inclusive, citam as formas de
denunciar, descrevendo os locais apropriados para tal ação.
Tabela 259
Outras formas de denúncias existentes da prática da exploração sexual
de crianças e adolescentes, do conhecimento dos ambulantes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Os jovens com bata amarela
77,78
Polícia
22,22
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Conforme citado anteriormente, a resposta “os jovens de bata amarela”
refere-se ao “Programa Criança Fora da Rua Dentro da Escola”, do Governo do
Estado do Ceará.
Tabela 260
Conhecimento dos ambulantes sobre a diferença entre exploração sexual
e prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
47,2
Não
52,8
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
295
Tabela 261
Entendimento dos ambulantes no que se refere ao conceito de exploração
sexual e prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Exploração: menores são aliciados. Prostituição:
maiores/fazem por dinheiro.
Muda o nome, mas acha muito parecido uma coisa com outra.
48,0
10,0
Exploração: acontece com menores, que não são
responsáveis pelos seus atos. Prostituição: acontece com
6,0
adultos.
Exploração: Os turistas procuram-nas.
Prostituição: elas vão porque querem.
Exploração: são obrigadas.
Prostituição: faz por vontade própria.
Prostituição: Na prostituição elas já sabem o que fazem, na
exploração, não.
6,0
4,0
4,0
A diferença é a idade, a partir dos 16 anos é prostituição.
4,0
Prostituição: por profissão. Exploração: por pouco dinheiro.
4,0
A diferença é a idade.
4,0
Exploração: há pessoas por trás. Prostituição: é pelo Governo.
2,0
Exploração é quando a pessoa faz o programa e não recebe o
combinado.
Exploração: as crianças são vítimas. Prostituição: os adultos
são explorados, mas são conscientes.
Exploração: é uma coisa escondida. Prostituição: é algo que
acontece na frente de todo mundo.
São exploradas quando abusadas pelos turistas para ganhar
dinheiro.
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
2,0
2,0
2,0
2,0
100,0
296
No que tange à diferença entre exploração sexual e prostituição, 47,2%
sabem a diferença entre os termos e 52,8% desconhecem. O quadro acima
apresenta as principais diferenças apontadas.
Possivelmente, em virtude de sua exposição para prestação do serviço,
o segmento dos ambulantes apresentou diversos relatos sobre a ocorrência da
exploração sexual de crianças e adolescentes, o que permitiu concluir a
facilidade da forma como acontece essa prática, além de comprovar a falta de
ações que venham a coibir essas ações em pontos turísticos da cidade,
principalmente.
297
CADEIA
PRODUTIVA
DO
TURISMO
–
BARES/RESTAURANTES/
BOATES/BARRACAS
PESQUISA EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NO TURISMO DE
FORTALEZA
Tabela 262
Discriminação dos tipos de estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bar
4,3
Restaurante
26,1
Boate
4,3
Barraca
65,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os dados indicam que 65,3% dos estabelecimentos pesquisados eram
compostos por barracas de praia, caracterizando a maioria do segmento.
Dentre os demais, tiveram 26,1% de restaurantes e 4,3% de bares e boates,
em igual proporção.
Tabela 263
Locais de aplicação dos questionários
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Barra do Ceará
4,4
Beira Mar/Praia de Iracema
47,8
Praia do Futuro
47,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
298
Dentre os locais aplicados destacam-se: Praia do Futuro, Beira Mar e
Praia de Iracema, onde está concentrada a maior parte das barracas da
cidade.
Tabela 264
Ocupação das pessoas entrevistadas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Caixa
4,3
Atendente
13,0
Proprietário(a)
8,7
Garçon
30,4
Garçonete
13,0
Gerente
4,3
Manobrista
4,3
Massagista
4,3
Proprietário
4,3
Vigilante
8,7
Não informado
4,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos
entrevistados,
os
garçons
representaram
30,4%,
13%
de
proprietários, 13% foram classificados como atendentes e garçonetes; 8,7%, de
vigilantes e 4,3%, entre caixa, gerente, manobrista, massagista.
299
Tabela 265
Público atendido nos vários tipos de estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turistas nacionais
39,1
Turistas estrangeiros
17,4
Famílias
13,0
Turistas de negócios
__
Morador local
4,3
Outro
26,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os resultados apontam que 39,1% do público é turista nacional e 17,4%,
turista estrangeiro. Números representativos, que expressam a participação
dos turistas como clientes desses estabelecimentos.
Tabela 266
Outro tipo de pessoas atendidas nos vários tipos de
estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Pessoas da classe média alta e
classe B
Frequência relativa
33,33
Família
33,33
Surfistas
16,67
Todos os tipos de classes sociais
16,67
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
300
Dos 26,2% que responderam ter como outros públicos, acrescentaram:
pessoas da classe média alta e classe B, além de famílias, resultado que
atesta existirem barracas que são frequentadas pela comunidade local.
Tabela 267
Percepção sobre a exploração sexual de crianças
e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Existe como em qualquer outra cidade
13,0
Os casos são poucos e não influenciam na imagem do
__
turismo
Vem crescendo nos últimos anos
13,0
Gera uma imagem negativa do turismo na cidade
13,0
Outro
60,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como nos demais questionários, os itens mais marcados foram: existe
como em qualquer outra cidade, vem crescendo nos últimos anos e gera uma
imagem negativa do turismo na cidade.
Tabela 268
Outras formas de percepção sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Frequência relativa
Discriminação
Falta tomar providências
7,14
Tudo começa dentro de casa
7,14
301
Deve ser combatido
7,14
As mulheres são oferecidas
7,14
As meninas atacam os homens
7,14
Bastante visível
7,14
Vem aumentando
7,14
Nunca vai acabar
7,14
A culpa é dos pais
7,14
Está banalizado
7,14
Não existe nenhuma fiscalização
7,14
Tem que ser mais discutido e
7,14
abordado
Nunca viu nenhum de menor na Beira
7,14
Mar
Não respondeu
7,14
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Diferentemente dos questionários de ambulantes e guias de turismo, em
que a alternativa de outras percepções não foi bem destacada, dentre outras
razões, tiveram quesitos assinalados em igual percentual a falta de
providências, o início ocorre dentro de casa, deve ser combatido, “as mulheres
são oferecidas”, “as meninas atacam os homens”, entre outras.
De acordo com descrição do Diário de Campo:
“...os próprios pais exploram os filhos para essa prática. Há
pais que ficam “pastorando” os filhos durante essa atividade e
existem meninas de 11 anos fazendo programa por incentivo
dos próprios pais, isto acontece próximo à ponte, perto do
antigo Clube de Regatas.” (Diário de Campo, Rosângela
Nascimento)
Tabela 269
302
Opinião sobre onde a exploração sexual de crianças e
adolescentes é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
57,7
Praia do Futuro
7,7
Serrinha
3,8
Praia de Iracema
23,1
Barra do Ceará
3,8
Lagamar
__
Outra
3,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 63
Opinião sobre onde a exploração sexual de
crianças e adolescentes é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
80 ,0%
70 ,0%
57,7%
60 ,0%
50 ,0%
40 ,0%
23,1%
30 ,0%
20 ,0%
7,7%
10 ,0%
3,8%
3,8%
0,0%
3,9%
0 ,0%
Beira Mar
Praia do
Futuro
Serrinha
Praia de
Iracema
Barra do
Ceará
Lagamar
Outra
Como nos resultados apresentados durante os questionários aplicados
com os meios de hospedagem, guias de turismo e ambulantes, as áreas onde
a exploração sexual de crianças e adolescentes é mais visível recebem maior
indicação a Beira Mar e Praia de Iracema. Entretanto, no caso dos
303
respondentes terem sido abordados, em sua maioria, na Praia do Futuro, esta
não foi apontada com tanta ênfase.
De acordo com um barraqueiro:
“Existia uma mulher do Bom Jardim, diz ter esquecido o nome
dela, mas que ela fazia contato com essas jovens e as traziam
para fazer programas nas boates da Praia de Iracema.” (Diário
de Campo, Rosângela Nascimento)
Tabela 270
Consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes para cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a cidade
como roteiro turístico
71,4
10,7
7,1
__
Outra
10,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
304
Gráfico 64
Consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
71,4%
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
10,7%
7,1%
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
0,0%
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
10,8%
Outra
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
80,0%
Com 71,4% de indicação, a maior consequência da prática da exploração
sexual para a cidade foi a imagem negativa desta. Prova disso foi a preocupação
da EMBRATUR, desde 1995, em retirar de circulação do exterior propagandas
que apelavam para a sensualidade das mulheres brasileiras para atrair visitantes.
O trabalho de repressão também está aumentando no País. No exterior, a
EMBRATUR proibiu a veiculação de cartazes promocionais do País que
portassem imagens de mulheres de biquíni ou qualquer conteúdo de apelo erótico.
No Ceará, o governo estadual desestimulou o credenciamento de agências de
turismo responsáveis por voos chartes de baixo custo vindos da Europa. E nos
hotéis comprometidos com a causa, o cliente, ao fazer a reserva, deve informar se
virá acompanhado de criança ou de adolescente e é orientado a trazer todos os
documentos do menor. (Revista EXAME, abril/2007).
Tabela 271
Outras consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a nossa cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
305
Discriminação
Frequência relativa
Diminui a frequência das famílias
33,34
Não terá futuro
33,33
Imagem negativa da cidade
33,33
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ainda assim foram citadas como consequências da exploração sexual a
diminuição da formação de família, as perspectivas de futuro e a imagem
negativa da cidade, apresentadas em igual proporção.
Tabela 272
Formas de como as crianças e adolescentes são afetadas com
a prática de incentivos à exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Podem não se tornar uma pessoa decente
4,3
Usam o corpo para ganhar dinheiro
4,3
Perdem a família
8,7
Prejudicam a saúde
8,7
Podem entrar no caminho das drogas
17,4
Ficam traumatizadas física e psicologicamente
17,4
Não têm chance de trabalho no futuro
8,7
Não são afetados
8,7
Não são pessoas felizes
4,3
Não têm apoio dos pais
4,3
Todos sentidos
4,3
Nunca irão ter uma família equilibrada
4,3
Não respondeu
4,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
306
No que se refere às formas como as crianças e adolescentes são
afetadas com as práticas de incentivo à exploração sexual, foram apontadas
que podem entrar no caminho das drogas (17,4%) e ficam traumatizadas física
e psicologicamente (17,4%). Este resultado é comprovado quando há
entidades públicas e ONGs que possuem iniciativas para manter espaços de
acolhimento e
recuperação
das
vítimas,
onde oferecem atendimento
psicossocial, nutricional e educacional.
Tabela 273
Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com
a atividade das pessoas entrevistadas
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Nunca sou abordado com essa finalidade
Recebo solicitações de clientes sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Os clientes perguntam como ter acesso
Os clientes tentam entrar no bar/ restaurante/ boate
acompanhado de criança ou adolescente
Observo que os clientes demonstram interesse na
exploração sexual, mas perguntam a outros segmentos
da atividade turística
Outra
65,3
13,0
__
4,3
8,7
__
Não respondeu
Total
8,7
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto à relação da exploração sexual e atividade exercida pelos
bares/restaurantes/boates/barracas, os dados coletados na entrevista apontam
que 65,2% dos respondentes nunca foram abordados com essa finalidade e
13% recebem solicitações de clientes sobre a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes.
307
Tabela 274
Existência de uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
60,9
Não
39,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 65
Existência de uma rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Sim
60,9%
Não
39,1%
Mais uma vez os pesquisados admitiram a existência de uma rede de
exploração sexual de crianças e adolescentes, em Fortaleza (60,9%), assim
como apontado nos resultados dos questionários aplicados com os meios de
hospedagem, guias de turismo. Já a opinião dos taxistas e ambulantes revelam
não existir essa rede.
Tabela 275
Composição da rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
308
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Estrangeiros
35,7
Pessoas de poder
14,3
Governo do Estado
7,1
Moto taxista
7,1
Gringos
7,1
Proprietários de bar
7,1
Cafetões
14,3
Bandidos
7,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Mesmo assumindo a existência da rede, os componentes desta são
diferentes dos apontados nos demais questionários dos atores da cadeia
produtiva do turismo, quando aparecem os estrangeiros (35,7%), pessoas do
poder e cafetões, com 17,3%. Nesse caso, os taxistas não são apontados na
rede de exploração.
Tabela 276
Formas de agir dos integrantes da rede de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Dando trocados
7,1
Oferecendo dinheiro
21,4
Os mototaxistas levam as garotas para as barracas
7,1
Informando
7,1
Permitindo o tráfico de menores
7,1
Não sabe
50,0
309
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 277
Principal intermediário / influenciador da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Taxista
26,1
Outros
69,6
Não respondeu
4,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A questão acima revela que os taxistas foram apontados entre os
principais intermediários e influenciador da exploração sexual de crianças e
adolescentes, porém 69,6% dos respondentes assinalaram a alternativa outros,
fazendo o resgate da Tabela 275, que apresenta a composição da rede de
exploração sexual, composta por estrangeiros, pessoas do poder e cafetões,
com maior representatividade.
Tabela 278
Outros intermediários / influenciadores da exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Os pais
12,5
As próprias crianças e adolescentes
12,5
Proprietários de bares
6,25
Proprietários de hotéis
6,25
310
Estrangeiros
12,5
Empresários
6,25
Família (irmãos)
6,25
Ninguém
6,25
"Os amigos da onça"
6,25
Polícia
6,25
Não sabe
18,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os resultados mostram que os taxistas são sempre apontados (26,1%)
quando
se
questiona
sobre
o
principal
intermediário/influenciador
da
exploração sexual de crianças e adolescentes, apesar de 69,6% terem
respondido que existem outros intermediários. Dos citados, merecem destaque
os pais (12,5%), os próprios explorados, e os estrangeiros.
Tabela 279
Entrevistados que presenciaram colegas de profissão facilitando
a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
13,0
Não
82,6
Não respondeu
4,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
311
Gráfico 66
Entrevistados que presenciaram colegas de
profissão facilitando a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Não
82,6%
Sim
13,0%
Não
respondeu
4,4%
Fato interessante aconteceu quando perguntado se já presenciaram
outro colega de profissão facilitando a prática da exploração sexual, em que
82,6% dos respondentes assinalaram não e somente 13% confirmaram. A
descrição encontrada nos Diários de Campo revela que:
“Os restaurantes e boates utilizam jovens meninas com roupas
sensuais para chamar clientes, nas boates, elas ficam
dançando na porta em meio à calçada. Nos restaurantes, elas
ficam com os cardápios nas mãos a comando dos gringos.”
(Diário de Campo, Rosângela Nascimento)
Tabela 280
Atitudes tomadas quando presenciaram colegas de profissão
facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
312
Discriminação
Frequência relativa
Comentei com outros colegas
33,3
Fiquei quieto
33,3
Converso com o colega que facilitou
33,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os números apontam que dos 13% dos pesquisados que afirmaram já
ter presenciado colegas de profissão facilitando a prática da exploração sexual,
tiveram as seguintes atitudes: comentaram com outros colegas, ficaram
quietos, conversaram com o colega que facilitou. Reações que em nenhum
momento apresentaram a intenção de denunciar, contribuindo para diminuir os
casos.
Tabela 281
Opinião de que o turismo local é afetado pela divulgação das
práticas de exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
69,6
Não
30,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
313
Gráfico 67
Opinião de que o turismo local é afetado pela
divulgação das práticas de exploração sexual
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Sim
69,6%
Não
30,4%
No tocante à divulgação feita das práticas da exploração sexual e
adolescentes, se afeta o turismo em Fortaleza, 69,6% afirmaram que sim e um
percentual de 30,4% entende que não afeta.
Tabela 282
Especificação da opinião de que o turismo local é afetado pela
divulgação das práticas de exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Gera imagem negativa da cidade
50,0
A mídia explora demais esse assunto
6,3
Os turistas evitam a cidade
6,3
Prejudica o turismo de família
25,0
Os turistas vem com a finalidade de exploração
12,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
314
Gráfico 68
Especificação da opinião de que o turismo local é
afetado pela divulgação das práticas de exploração
sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
50,0%
Gera imagem negativa da cidade
A mídia explora demais esse assunto
6,3%
Os turistas evitam a cidade
6,3%
25,0%
Prejudica o turismo de família
Os turistas vem com a finalidade de
exploração
12,4%
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
Quanto às formas que afeta o turismo, foram selecionadas por 50% dos
pesquisados a geração de uma imagem negativa da cidade, 25% consideram
prejudicar o turismo de família e 12,4% avaliam que os turistas vêm com a
finalidade de exploração e ainda 6,3% relatam que a mídia explora demais
esse assunto, conforme quantidade de matérias publicadas em revistas e
jornais nacionais e locais; além de perceberem que os turistas evitam a cidade
em razão da problemática.
Tabela 283
Formas de bares, restaurantes e boates serem afetados pela prática de
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Divulgação como apoiador da exploração sexual
20,0
Diminuição de clientes com outro objetivo
52,0
315
Aumenta o movimento do meu bar
8,0
Atrai novos clientes
12,0
Outros
8,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As informações retratadas no quadro acima mostram que 56,5%
apontam a diminuição de clientes com outro objetivo como uma das razões de
como o bar/restaurante/boate/barraca são afetados pela prática de exploração
sexual, assim como 20% acreditam que a divulgação é um apoiador da
exploração sexual.
Tabela 284
Estratégias utilizadas para evitar a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Não permito a entrada de crianças e adolescentes
12,5
Não sirvo bebida alcoólica para crianças e adolescentes
21,9
Solicito a apresentação de documento de identificação
3,1
Abordo o cliente explicando que não é permitido
18,8
Denuncio através do Disque 100
9,4
Outra
21,9
Não há estratégia.
12,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Referente às estratégias utilizadas para evitar a exploração sexual de
crianças e adolescentes, as mais citadas foram: não servir bebida alcoólica
para crianças e adolescentes (21,9%), abordam o cliente explicando que não é
permitido (18,8%) e 12,5% não permitem a entrada de crianças e adolescentes.
Segundo a Revista EXAME (abril/2007): donos de bares e restaurantes
filiados à associação brasileira do setor comprometem-se a não ter relações
316
comerciais com pessoas favorecidas pela exploração sexual infanto-juvenil.
Garçons e atendentes são preparados para denunciar os casos.
Tabela 285
Outras estratégias adotadas para evitar a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Utiliza cartazes de advertência
28,56
Dialoga
14,29
Bota para correr, não aceita
28,57
A fiscalização é rigorosa
14,29
"Digo que o mínimo de consumo é R$ 35 reais"
14,29
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos pesquisados que assinalaram outras opções de estratégias, estão:
a utilização de cartazes de advertência (28,56%), com o mesmo percentual
bota para correr, não aceita, e ainda procuram dialogar (28,57%), consideram a
fiscalização rigorosa (14,3%), e, em alguns casos (14,3%), informam que existe
um consumo mínimo de R$ 35,00 no estabelecimento.
Tabela 286
Estabelecimentos que pertencem a alguma entidade de classe
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
17,4
Não
82,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
317
A Tabela acima apresenta a predominância de estabelecimentos
(82,6%) que não pertencem a alguma entidade de classe, enquanto 17,4% são
associados a alguma entidade.
Tabela 287
Entidade de classe que pertencem os estabelecimentos
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Associação dos Barraqueiros da Praia do Futuro
50,0
Associação dos Empresários da Praia do Futuro
25,0
Associação dos Barraqueiros da Barra do Ceará
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 17,4% estabelecimentos associados a alguma entidade, 50%
pertencem à Associação dos Barraqueiros da Praia do Futuro, o que mostra a
atuação dessa entidade perante os associados. Os demais (25%) são
associados à Associação dos Empresários da Praia do Futuro e Associação
dos Barraqueiros da Barra do Ceará.
Tabela 288
Estabelecimentos que recebem informações no tocante ao
enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
50,0
Não
50,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
318
Nesse caso, as respostas expressaram de forma igualitária (50%), nos
casos de associados a alguma entidade se recebem informações desta sobre o
enfretamento a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 289
Estabelecimentos que presenciaram a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
43,5
Não
56,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 69
Estabelecimentos que presenciaram a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Sim
43,5%
Não
56,5%
319
A
Tabela
acima
mostra
que
56,5%
dos
entrevistados
nunca
presenciaram a exploração sexual de crianças e adolescentes, enquanto
43,5% já perceberam essa situação.
Tabela 290
Locais dos estabelecimentos que presenciaram a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
50,0
Praia do Futuro
30,0
Barra do Ceará (Praça)
10,0
Não respondeu
10,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos que já presenciaram, 50% dos casos foram na Beira Mar, 30%
aconteceram na Praia do Futuro e 10%, na Praça da Barra do Ceará. Os
dados evidenciam que o maior índice de ocorrências se localiza na orla
marítima de Fortaleza, coincidentemente nos corredores de maior fluxo turístico
da cidade.
Tabela 291
Frequência da ocorrência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diariamente
47,8
Semanalmente
30,4
Mensalmente
__
320
Esporadicamente
21,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 70
Frequência da ocorrência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
10 0,0 %
9 0,0 %
8 0,0 %
7 0,0 %
6 0,0 %
47,8%
5 0,0 %
30,4%
4 0,0 %
21,8%
3 0,0 %
2 0,0 %
0,0%
1 0,0 %
0,0 %
Diariamente
Semanalmente
Mensalmente
Esporadicamente
As ocorrências são praticadas diariamente (47,8%), em menor número,
semanalmente (30,4%).
Tabela 292
Dia da semana de maior frequência da ocorrência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Segunda-feira
Frequência relativa
13,0
Terça-feira
__
Quarta-feira
__
Quinta-feira
4,3
Sexta-feira
4,3
321
Sábado
39,2
Domingo
39,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Com relação ao dia da semana que mais ocorre a exploração sexual de
crianças e adolescentes, merecem destaque o sábado e o domingo, com
39,2%, seguidos da segunda-feira, representando 13%, e com 4,3% aparecem
a quinta e sexta-feira.
Tabela 293
Períodos em que é mais frequente a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Feriados prolongados
__
Alta estação
82,6
Baixa estação
13,0
Não respondeu
4,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As informações sobre o período em que a exploração sexual é mais
praticada são muito importantes para a compreensão da relação com o
turismo, visto que 82,6% ocorrem na alta estação.
Tabela 294
Período do dia em que é mais frequente a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
322
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Manhã
__
Tarde
17,4
Noite
82,6
Madrugada
__
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Em relação ao turno, a maioria dos casos acontece durante à noite
(82,6%), a madrugada não recebeu indicação nesse quesito e apenas 17,4%
ocorrem durante a tarde.
Tabela 295
Locais em que os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Na Beira Mar
65,2
Na praia
13,0
Em boates
4,3
Restaurantes
__
Outro
17,5
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
323
Gráfico 71
Locais em que os turistas conhecem as crianças
e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
65,2%
Na Beira-Mar
13,0%
Na praia
Em boates
Restaurantes
4,3%
0,0%
17,5%
Outro
0 ,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60 ,0 % 7 0,0 %
80,0%
Mais uma vez a Beira Mar foi indicada como o local onde o turista
conhece a criança ou adolescente (65,2%), e representando 13% dos
pesquisados surgiu a praia, além de 4,3% citarem as boates. Os dados
revelam que existe um foco de circulação, contatos e prática da exploração na
orla de Fortaleza, principalmente no calçadão da Av. Beira Mar. Conforme a
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, em abril de
2005, para investigar a exploração sexual de crianças e adolescentes no
Estado do Ceará, na Beira Mar, existem casos já identificados pelo domínio
público.
Tabela 296
Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Aeroporto
25,0
Periferia
25,0
Não respondeu
50,0
324
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Ainda no que tange ao local onde o turista conhece a criança ou
adolescente, foram citados o aeroporto (25%), na periferia (25%) e 50% não
responderam.
Tabela 297
Locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é mais
frequente
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Nas boates e casas de show
39,1
Nas barracas de praia
8,7
Nos restaurantes
8,7
Nos flats
4,3
Outro
39,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quanto ao local onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é
mais praticada, foram elencados as boates e casas de show (39,1%), barracas
de praia e restaurantes (8,7%) e flats (4.3%).
Tabela 298
Outros locais onde a exploração sexual de crianças e adolescentes é
mais frequente
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praça dos estressados
11,11
Calçadão
33,34
325
Casa de massagem
11,11
Beira Mar
11,11
Espigão de pedra na Praia do Ideal
11,11
Não respondeu
22,22
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 299
Formas mais praticadas da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Visivelmente/aberta e natural/bem explícito
Eles abordam o turista, alguns inicialmente pedem
trocado
Frequência relativa
21,7
17,4
As pessoas sabem que ali tem garota de programa
13,0
Se mostram para quem passar
8,7
Eles ficam à disposição dos clientes
8,7
Os taxistas levam os adolescentes como
acompanhantes
4,3
As meninas andam como prostitutas
4,3
Com os hóspedes estrangeiros
4,3
O cliente faz a opção da massagem
4,3
Não respondeu
13,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A frequência com que foi apontado o calçadão, representando 13% da
amostra, evidencia a ocorrência de casos na Beira Mar visivelmente /aberta e
natural, bem explícito (21,7%). Dos respondentes, 17,4% declararam que as
crianças ou adolescentes abordam o turista, sendo que alguns, inicialmente,
pedem trocado. 13% afirmaram ser claro que os turistas sabem que ali existem
garotas de programa. Ainda sobre o assunto das formas de como as crianças e
326
adolescentes se expõem, foram citados, com 8,7%, que elas se mostram para
quem passar e ficam à disposição dos clientes. Os hóspedes estrangeiros
aparecem na Tabela com 4,3% de percentual, o que demonstra, em diversas
situações, o envolvimento de turistas.
Tabela 300
Aliciadores identificados, quando da intermediação da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
26,1
Não
73,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 72
Aliciadores identificados, quando da
intermediação da prática da exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Não
73,9%
Sim
26,1%
A questão traduz que 73,9% dos pesquisados não identificaram
aliciadores intermediando a prática da exploração sexual, enquanto 26,1% já
afirmaram ter visto tal situação.
327
Tabela 301
Categoria ocupacional dos aliciadores, identificados quando da
intermediação da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Garçons
33,3
Mototaxistas
50,0
Não respondeu
16,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A categoria de taxistas e mototaxistas enquadram-se entre os maiores
aliciadores que contribuem para facilitar a exploração de crianças e
adolescentes, passando-se por intermediários da relação.
Tabela 302
Locais mais frequentados pelos turistas acompanhados com crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praias
30,4
Boates
17,4
Beira Mar
13,0
Motéis
8,7
Bares
4,3
Centro da cidade
4,3
Hotéis
4,3
Barracas
4,3
Não respondeu
13,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
328
As praias foram citadas como o local mais frequentado pelos turistas
com crianças e adolescentes, com 30,4%, seguido das boates (17,4%) e Beira
Mar (13%).
Tabela 303
Casos de exploração sexual de crianças e adolescentes, presenciados em
bares, restaurantes e boates
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
8,7
Não
91,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Nesse caso, vale ressaltar o baixo percentual de pesquisados (8,7%)
que já presenciou casos de exploração sexual, em seu estabelecimento, contra
91,3% que nunca presenciaram.
Tabela 304
Opinião no que se refere ao que mais influencia na exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desemprego
21,2
Convivência familiar conflituosa
28,8
Trabalho infanto-juvenil
9,6
Violência familiar
5,8
Turismo sexual
1,9
Ausência de políticas públicas
3,8
Desigualdade social
17,3
329
Prostituição adulta
__
Outra
11,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A convivência familiar conflituosa (28,8%), o desemprego (21,2%) e a
desigualdade social (17,3%) foram apontados com maior índice, quanto às razões
que mais influenciam a exploração sexual de crianças e adolescentes, dado que
enfatiza os problemas de ordem social, econômica e familiar como fatores de
influência.
Tabela 305
Outras opiniões no tocante ao que mais influencia na exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Família desestruturada
16,67
Drogas
33,33
Não respondeu
50,0
Total
100,00
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 306
Ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Campanhas de conscientização na mídia
Campanhas de conscientização com a cadeia produtiva do
turismo
Programas de articulação e mobilização da comunidade para
21,2
15,2
6,1
330
denunciar
Todos os setores do turismo denunciarem essa prática
__
Acho que não deve ser combatida
__
Outro
57,5
Total
100,0
Apesar de o Ceará ser reconhecido como um estado com forte
mobilização social para o enfretamento da violência sexual, em abril de 2001, é
que foi elaborado o Plano Estadual de Enfretamento da Violência Sexual contra
Crianças e Adolescentes, inspirado no Plano Nacional de Enfretamento da
Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Mas foi justamente em 2001
que se verificou um grande salto no número de matérias sobre abuso sexual.
Ainda assim, durante a pesquisa ora realizada, identificou-se que 30,4% dos
bares/restaurantes/boates/barraqueiros citam como meio de combater a
exploração sexual a utilização de campanhas na mídia e 21,7%, campanhas de
conscientização com a cadeia produtiva do turismo.
Tabela 307
Outras ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Colocar as crianças na escola
18,1
Retirar as crianças das ruas
12,1
Oportunidade de emprego
9,1
Fortalecer a cultura da família, ela é a base
6,1
Aumentar fiscalização
6,1
Incentivar os pais
3,0
Colocar os adolescentes para fazer cursos
3,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
57,5
331
Com relação às ações que poderiam ser feitas para combater a
exploração sexual, foram lembradas algumas de caráter social, como: colocar
as crianças da escola (18,1%), retirar as crianças da ruas (12,1%), promover a
geração de empregos (9,1%), além de fortalecer a cultura da família como base
(6,1%), situação que ficou evidente quando as crianças e adolescentes foram
pesquisadas, a falta de estruturação familiar.
Tabela 308
Conhecimento de que a Associação Brasileira de Bares e Restaurante –
ABRASEL, tem alguma política, ou ação de enfrentamento da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
__
Não
100,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os entrevistados, representando 100% das respostas, afirmaram não
conhecer políticas ou ações de enfrentamento promovidas pela Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), o que mostra o pouco
relacionamento da entidade com os estabelecimentos visitados.
Tabela 309
Conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
52,2
Não
47,8
Total
100,0
332
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 73
Conhecimento das formas de denúncia existentes
da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
52,2%
Não
47,8%
Como fato positivo, a pesquisa comprovou que 52,2% dos respondentes
possuem conhecimento das formas de denúncia existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 310
Formas de denúncias conhecidas no tocante à prática da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Disque 100
16,7
Disque Denúncia
8,3
Polícia
8,3
333
Delegacia do Turismo
8,3
Delegacia da Criança e do
8,3
Adolescente
Não respondeu
50,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dentre as formas de denúncia mais conhecidas estão: o Disque 100
(16,7%), 50% não responderam e 8,3% descreveram o Disque Denúncia, a
Polícia, a Delegacia de Turismo, Delegacia da Criança e do Adolescente.
Tabela 311
Entidades que, inicialmente, receberiam denúncias no tocante à prática
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Polícia Federal
__
Conselho da Criança e do Adolescente
__
Disque 100
34,8
Delegacia mais próxima
39,1
S.O.S criança
8,7
Juizado da Infância e da Juventude
__
Programas de televisão especializados em apurar
denúncias de violência
__
Outros
13,0
Não respondeu
4,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A delegacia mais próxima foi apontada (39,1%), em seguida, o Disque
100 (34,8%). Este último integra a SEDH e o Programa Turismo Sustentável &
334
Infância, que visam conscientizar e mobilizar os componentes da cadeia
produtiva do turismo, colaborando para o combate ao crime da exploração
sexual de crianças e adolescentes.
Tabela 312
Outras entidades que, inicialmente, receberiam denúncias no tocante à
prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Delegacia do Turismo
4,4
Os guardas da Prefeitura
4,3
Polícia Militar
4,3
Total
13,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Delegacia do Turismo também foi lembrada como alternativa de local
para recebimento de denúncias, embora tenha competência para atender ao
turista e não tratar de crianças e adolescentes. Além desses, existem o Disque
Denúncia Nacional, Conselhos Tutelares e Varas da Infância e da Juventude.
Tabela 313
Conhecimento sobre a diferença entre exploração sexual e prostituição
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
60,9
Não
39,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 314
335
Entendimento no que se refere ao conceito de exploração sexual e
prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Prostituição: maior de idade. Exploração: menor de
idade
Frequência relativa
35,8
Prostituição é quando se vende
7,1
Prostituição: vai porque quer. Exploração: é aliciado
28,6
Prostituição: é individual. Exploração: é comércio
7,1
Prostituição: é consciente. Exploração: é por
necessidade
Prostituição: é emprego. Exploração: coisa de
desocupado
Total
14,3
7,1
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os 60,9% afirmaram saber a diferença entre exploração sexual e
prostituição e 39,1% assumiram não ter conhecimento dessa diferença. A
exploração sexual ocorre quando há a venda de serviços sexuais prestados por
crianças e adolescentes, sejam homens ou mulheres.
O questionário apontou a relação direta da exploração sexual de
crianças e adolescentes com os segmentos da cadeia produtiva do turismo, o
que consequentemente se aplica aos turistas.
336
CADEIA PRODUTIVA DO TURISMO – Guia de Turismo
PESQUISA EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL NO TURISMO DE
FORTALEZA
Tabela 315
Tipo de vinculação funcional
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Vínculo com agência
71,3
Free lancer
28,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Tabela mostra o percentual de guias de turismo que são vinculados a
alguma agência de turismo e os que prestam serviços em várias delas como
free lancer (28,7%).
Para melhor entendimento da função de guia de turismo, seguem as
atribuições do profissional em questão, conforme Lei n.º 8.623/93, de 28 de
janeiro de 1993:
Art. 5º - Constituem atribuições do Guia de Turismo: a) acompanhar, orientar e
transmitir informações às pessoas ou grupos em visitas, excursões urbanas,
municipais. estaduais, interestaduais ou especializadas dentro do território
nacional;
b) acompanhar ao exterior pessoas ou grupos organizados no Brasil;
c) promover e orientar despachos e liberações de passageiros e respectivas
bagagens, em terminais de embarque e desembarque aéreos, marítimos,
fluviais, rodoviários e ferroviários;
d) ter acesso a todos os veículos de transportes, durante o embarque ou
desembarque para orientar as pessoas ou grupos sobre sua responsabilidade,
observadas as normas específicas do respectivo terminal;
e) ter acesso gratuito a museus, galerias de arte, exposições, feiras, bibliotecas
e pontos de interesse turístico, quando estiver conduzindo ou não pessoas ou
337
grupos, observadas as normas de cada estabelecimento, desde que
devidamente credenciado como Guia de Turismo.
Tabela 316
Público que mais utiliza os serviços de guias de turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turistas nacionais
71,3
Turistas estrangeiros
19,1
Famílias
9,6
Turistas de negócios
__
Morador local
__
Outro
__
Total
100,0
Os guias foram entrevistados na orla de Fortaleza, aeroporto e praias.
Quando responderam sobre o perfil do público que mais frequenta a cidade,
foram unânimes em citar o turista nacional, representando 71,3%, enquanto
19,1% atribuíram o movimento de turistas estrangeiros e apenas 9,6%, de
famílias.
Tabela 317
Objetivos das atividades desenvolvidas pelos turistas, na opinião dos
guias de turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Visita a locais históricos ou pontos turísticos da cidade
18,6
Visita às praias da cidade
34,4
Viagem às praias dos municípios próximos
20,4
Frequência a bares, restaurantes e casa de shows
9,5
Participação em seminários, palestras e/ou cursos
0,9
Efetivação de compras para consumo próprio
13,6
338
Efetivação de compras para revenda
1,8
Outro
0,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
.
Em virtude de os guias terem estreito contato com os turistas,
principalmente aqueles que contratam algum serviço de receptivo, sejam direta
ou indiretamente, fica evidente um maior relacionamento entre ambos. Com
isso, algumas respostas retratam fielmente a situação. Para os guias
entrevistados, os turistas preferem visitar às praias da cidade (34,4%), realizam
viagens nas praias dos municípios próximos (20,4%) e visitam locais históricos
ou pontos turísticos da cidade (18,6%).
Tabela 318
Nessas atividades desenvolvidas o que se observa como sendo
motivação dos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Conhecer a cidade e seus pontos turísticos
44,6
Buscar conhecimentos
19,8
Comprar produtos típicos da terra
26,0
Buscar companhia
3,4
Outro
6,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
339
Gráfico 74
Nessas atividades desenvolvidas o que se observa como
sendo motivação dos turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
60,0%
50,0%
44,6%
40,0%
26,0%
30,0%
19,8%
20,0%
3,4%
10,0%
0,0%
Conhecer a
Buscar
Comprar
cidade e seus conhecimentos produtos típicos
pontos turísticos
da terra
Buscar
companhia
6,2%
Outro
Dentre os pesquisados, 44,6% ressaltaram que o turista tem como
objetivo conhecer a cidade e seus pontos turísticos, 26%, comprar produtos
típicos da terra e 19,8%, buscar conhecimentos.
Tabela 319
Outros objetivos dos turistas, quando das atividades desenvolvidas, na
opinião dos guias
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Lazer
27,2
Buscar um lugar tranquilo para descansar
18,2
Conhecer e apreciar as belezas do estado
9,1
Visitar as paisagens do litoral
9,1
Segurança
9,1
Buscar o turismo sexual
9,1
Relação com o povo da Cidade
9,1
340
Negócios
9,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 320
Percepção dos guias de turismo sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Existe como em qualquer outra cidade
20,2
Os casos são poucos e não influenciam na
4,3
imagem do turismo em Fortaleza
Vem crescendo nos últimos anos
20,2
Gera uma imagem negativa do turismo na
42,6
cidade
Outro
12,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 75
Percepção dos guias de turismo sobre a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
20,2%
Existe como em qualquer outra cidade
Os casos são poucos, e não influenciam na imagem
do turismo em Fortaleza
4,3%
20,2%
Vem crescendo nos últimos anos
42,6%
Gera uma imagem negativa do turismo na cidade
12,7%
Outro
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
341
Quanto à percepção sobre a exploração sexual de crianças e
adolescentes em Fortaleza, 42,6% dos guias consideraram que gera uma
imagem negativa do turismo na cidade, fato que já foi apontado anteriormente,
20,2% destacaram que o fenômeno vem crescendo nos últimos anos e ainda
20,2% afirmaram existir como em qualquer outra cidade. Os dados evidenciam
que a cada dia a problemática evolui de forma notória e explícita. Apenas 4,3%
dos pesquisados responderam que os casos são poucos e não influenciam na
imagem do turismo em Fortaleza.
Conforme Diário de Campo:
“Os guias são uma classe unida e segundo muitos, seus focos
de trabalho é com família e casais. Suas opiniões são bem
unificadas vêem que a exploração realmente traz uma imagem
negativa para cidade.” (Diário de Campo - Cláudia Lima)
Tabela 321
Outras percepções dos guias de turismo sobre a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Acredita que reduziu
16,8
Aqui não tem/ Não identifica prostituição na cidade
16,8
Está estável, não houve aumento
8,3
Existe mais isso tem que acabar
8,3
A Polícia já era para ter tomado providências
8,3
O desemprego está grande e as mães incentivam
os filhos a praticarem a atividade
8,3
Falta de apoio dos governantes
8,3
Os brasileiros estão envolvidos
8,3
Os próprios menores se oferecem
8,3
Ns/Nr
8,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
342
“Durante a realização da coleta de dados, os guias, em
momento algum, apresentaram resistência em responder o
questionário,
eram
bastante
receptivos
e
alguns
demonstravam alto grau de indignação diante da problemática,
denunciando a ação de barraqueiros e taxistas aliciando
apresentando crianças e adolescentes aos gringos, e que
estes pagam uma quantia aos taxistas e barraqueiros para ter
acesso às meninas.” (Diário de Campo - Ricardo Oliveira)
Tabela 322
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
37,0
Praia do Futuro
15,1
Serrinha
__
Praia de Iracema
34,9
Barra do Ceará
7,3
Lagamar
1,0
Outra
4,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
343
Gráfico 76
Áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
50,0%
37,0%
40,0%
34,9%
30,0%
15,1%
20,0%
7,3%
10,0%
1,0%
0,0%
4,7%
0,0%
Beira Mar
Praia do
Futuro
Serrinha
Praia de
Iracema
Barra do
Ceará
Lagamar
Outra
Em relação às áreas em que a exploração sexual de crianças e
adolescentes
é
mais
visível,
foram
apresentadas,
com
maior
representatividade, os seguintes locais: Beira Mar (37%), Praia de Iracema
(34,9%) e Praia do Futuro (15%).
Tabela 323
Outras áreas onde a exploração sexual é mais visível
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Aeroporto
33,3
Centro
33,3
BRs
22,2
Canoa
11,2
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
344
33,3 dos guias de turismo citaram o aeroporto como local onde a
exploração sexual é mais visível, fato este declarado mediante o relato abaixo:
“O local que costumam ficar, que é na parte de baixo, no
desembarque, em uma mesa perto de um quiosque.” (Diário
de Campo, Cláudia Lima)
Tabela 324
Consequências da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Imagem negativa desta
Frequência relativa
43,0
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a
cidade como roteiro turístico
Outro
19,2
17,1
18,7
2,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
345
Gráfico 77
Consequências da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
43,0%
Imagem negativa desta
Geração de mídia negativa por conta da exploração
sexual
19,2%
17,1%
Incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais
Impede que turistas com outros fins escolham a cidade
como roteiro turístico
Outro
0,0%
18,7%
2,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
A estatística demonstra ainda que 43% dos guias associaram a prática
da exploração sexual com a imagem negativa da cidade, o que enfatiza o
impacto causado pelo fenômeno em questão, em relação ao turismo.
Representando 19,2% dos guias, afirmam que o fator gera mídia negativa por
conta da exploração sexual. Com 18,7% de respostas a prática impede que
turistas com outros fins escolham a cidade como roteiro turístico, comprovando
fator decisivo na hora da escolha do destino turístico. E ainda 17,1%
consideraram que incentiva o recebimento de turistas com fins sexuais.
Tabela 325
Outras consequências da prática da exploração sexual de crianças e
adolescentes, para a cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Agrava a questão social
25,0
Causa medo de sair na rua
25,0
Não tem consequências
25,0
346
Diminui o desenvolvimento cultural
25,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 326
Formas em que as crianças e adolescentes são afetadas com a prática da
exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Ficam abaladas psicologicamente
18,1
Perdem a adolescência
9,6
Ficam sem acesso à educação, tornam-se usuárias de
drogas
8,5
Prejudicam o futuro
7,4
Perda da inocência, visão deturpada do mundo
6,4
Desestruturam-se totalmente
5,3
Perdem a infância e a perspectiva de futuro
4,3
Crescem com traumas e tornam-se adultos frustrados
4,3
Ocasiona obstrução familiar, implicações de ordem
moral
Em tudo/de todas as formas
Ficam cada vez mais nas ruas, acostumam-se, entram
nas drogas
3,2
3,2
2,1
Ficam vulneráveis às doenças
2,1
São afetadas na vida toda
2,1
Não são afetadas em nada
1,1
Tornam-se desumanas
1,1
A convivência com a família e até rejeitadas na
sociedade
1,1
Engravidam e entram para a marginalidade
1,1
Caráter, personalidade, futuro profissional,entre outras
1,1
Não querem mais um trabalho honesto, nem estudar
1,1
Ns/Nr
16,8
347
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Todos os números fornecidos pela Tabela confirmam formas sociais e
psicológicas de como as crianças e adolescentes são afetadas, destacando o
abalo psicológico, dado relevante para a criação de programas assistenciais de
recuperação, nesse aspecto.
Tabela 327
Relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com a atividade
profissional de guia de turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
Nunca sou abordado com essa finalidade
Recebo solicitações de clientes sobre a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Os clientes perguntam como ter acesso
Os clientes tentam realizar passeios turísticos
acompanhados de criança ou adolescentes
48,9
6,4
14,9
5,3
Observo que os clientes demonstram interesse na
exploração sexual, mas perguntam a outros segmentos da
7,4
atividade turística
Outra
3,3
Nenhuma
13,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos guias que responderam o questionário, 48,9% confirmaram que
nunca são abordados com essa finalidade, 14,9% dizem ser indagados sobre
como ter acesso, enquanto 7,4% observam que os clientes demonstram
interesse na exploração sexual, mas perguntam a outros segmentos da
348
atividade turística. Mas apesar de ser um percentual mínimo em relação à
amostra, vale ressaltar que 6,4% dos guias recebem solicitações de clientes
sobre a prática da exploração sexual de crianças e adolescentes. Outro dado
importante apontado pelos guias é que 5,3% admitiram ter clientes que tentam
realizar passeios turísticos acompanhados de criança ou adolescentes.
Tabela 328
Outras relações da exploração sexual de crianças e adolescentes com a
atividade profissional de guia de turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Turismo sexual, existe relação direta
33,4
Relação direta
33,3
Pouca relação
33,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A relação da exploração sexual de crianças e adolescentes com o
serviço prestado pelo guia de turismo apresenta-se de forma intensa, visto que
a imagem gerada do destino interfere no fluxo de turistas na cidade. Foi
detectada a preocupação do segmento através de um depoimento coletado
durante pesquisa de campo:
“Os turistas que vêm em busca do sexo não utilizam os
serviços
das
agências
de
turismo
credenciadas
pela
EMBRATUR e que caso algum guia de turismo seja flagrado
facilitando a prática da exploração sexual, mesmo que de
adultos, ele é imediatamente denunciado no Sindicato dos
Guias de Turismo, onde é submetido a julgamento pelo
Conselho de Ética e, se condenado, fica impossibilitado de
exercer a profissão.” (Diário e Campo - Ricardo Oliveira)
Tabela 329
349
Opinião dos guias de turismo sobre se existe uma rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
74,5
Não
25,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 78
Opinião dos guias de turismo sobre se existe
uma rede de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho – agosto / 2008
Sim
74,5%
Não
25,5%
Considerando a significativa proporção dos profissionais que acredita
existir uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes em Fortaleza
(74,5%), o que gera uma necessidade de preocupação maior dos órgãos
envolvidos no combate à rede contra 25,5% que afirmam a não existência da
rede. Para reiterar o posicionamento doa guias de turismo perante a existência
de uma rede de exploração segue comentário:
“... os turistas já possuem uma rede de contatos e, quando
vêm a Fortaleza, já sabem os locais onde devem ficar
hospedados e os roteiros turísticos que vão realizar.” (Diário
de Campo - Ricardo Oliveira)
350
Tabela 330
Opinião dos guias de turismo sobre a composição da rede de exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Estrangeiros/"gringos"
São várias pessoas envolvidas (não soube
especificar)
Barraqueiros
Taxistas
Empresários
Cafetões
Italianos
Taxistas e outros
Taxistas e barraqueiros
Turistas
Os próprios pais
Ambulantes
Travestis
17,1
Donos de bares e cassinos
Comerciantes
1,4
1,4
Os amigos
Outras pessoas que já venderam seu corpo
1,4
1,4
Autônomos
Casas de massagem
1,4
1,4
Taxistas, recepcionistas e barraqueiros
Donos de bar, casas de massagem, garçons e
taxistas
Barraqueiros, turistas e porteiros de boates
Barraqueiros e donos de agências de turismo
Empresários internacionais
Ns/Nr
Total
1,4
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
7,1
4,3
4,3
4,3
2,9
2,9
2,9
2,9
1,4
1,4
1,4
1,4
1,4
1,4
1,4
1,4
30,3
100,0
351
Como componentes da rede de exploração sexual existente, foram
citados: estrangeiros (12,8%), várias pessoas são envolvidas (5,3%),
barraqueiros / taxistas / empresários (3,2%). Merece destaque o fato de os
guias de turismo não terem sido citados nessa questão.
Tabela 331
Segmento apontado como o principal intermediário/influenciador da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Donos de hotéis
6,4
Porteiros
1,1
Taxistas
35,1
Barraqueiros
10,6
Guias de turismo
__
Garçons
6,4
Seguranças
1,1
Mototaxistas
__
Ambulantes
9,6
Flanelinhas
2,1
Outro
21,3
Ns/Nr
6,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os taxistas foram indicados como o maior influenciador (35,1%) da
exploração sexual. O número revela a grande participação destes como
contribuintes e facilitadores para a continuação e aumento da problemática
aqui estudada. Em seguida, os barraqueiros (10,6%) e ambulantes (9,6%).
Tabela 332
352
Outros segmentos apontados como o principal intermediário/influenciador
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Estrangeiros
25,0
Todos
10,0
Travestis adultos
10,0
Amigos ("as amizades")
10,0
Elas mesmas
5,0
A mídia
5,0
Internet
5,0
Profissionais liberais
5,0
Empresários
5,0
Cafetões
5,0
Bares/boates
5,0
Prefeitura, governo e os pais
5,0
Não soube especificar
5,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
353
Tabela 333
Formas dos segmentos apontados contribuírem para a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Apresentando os adolescentes aos turistas
Informando/dando dicas/levando onde tem as
crianças
Frequência relativa
17,0
16,0
Não contribui
10,6
Sendo intermediários
6,4
Facilitando o acesso
5,3
Incentivando a prostituição
3,2
Recebendo propostas/ganhando para indicar as
crianças
Usam CNPJ, mas, na verdade, são aliciadores da
exploração
3,2
2,1
Todos os segmentos possuem uma parcela de culpa
2,1
Sendo coniventes
2,1
Os estrangeiros contribuem através de pagamento
1,1
Formando uma rede de articulação
1,1
Não existe nenhuma relação
1,1
Divulgando que na cidade tem prostituição
1,1
Divulgando as fotos das crianças
1,1
Trabalhando de forma ilegal
1,1
De forma articulada para todos os tipos de clientes
1,1
Contratando meninas como mão-de-obra, já está
incentivando
Dando bebidas alcoólicas
Permitindo que nos estabelecimentos, menores fique
se expondo
Apresentando as meninas para os turistas
1,1
1,1
1,1
1,1
354
Burlando as regras do estabelecimento
1,1
Indo buscar os adolescentes nas favelas
1,1
Levando os nomes para os turistas, endereços e
1,1
telefones
Indicando as casas, o menor preço e as meninas
1,1
Mancando encontros
1,1
Facilitando o contato
1,1
Contatando as casas de massagem e passando ao
1,1
turista
Influenciam dizendo que os adolescentes vão ganhar
1,1
dinheiro
Ns/Nr
11,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
No que tange à forma como o segmento contribui, das respostas,
surgiram os seguintes dados: 17% apresentando os adolescentes aos turistas,
16% dando dicas e levando onde tem as crianças e 10% não contribuem,
dentre outras respostas de menor expressão.
Tabela 334
Presença dos guias de turismo, quando da participação de colegas de
profissão facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
5,3
Não
94,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
355
Gráfico 79
Presença dos guias de turismo, quando da
participação de colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
94,7%
Sim
5,3%
Tabela 335
Atitudes tomadas pelos guias, quando da presença de colegas de
profissão facilitando a prática da exploração sexual
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Falei com o(a) colega que praticou esse ato
Frequência relativa
20,0
Fiquei quieto, porque acho que não tenho
nenhuma responsabilidade com o que o outro
40,0
praticou
Fiz a denúncia formal para as autoridades
competentes
Outra
20,0
20,0
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
356
Diferente dos outros segmentos, 20% dos guias fazem a denúncia formal
para as autoridades quando presenciam colegas de profissão facilitando a
prática da exploração sexual.
Tabela 336
Opinião dos guias sobre se a divulgação no que se refere às práticas da
exploração sexual de crianças e adolescentes afeta o turismo de Fortaleza
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
79,8
Não
20,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 80
Opinião dos guias sobre se a divulgação no que
se refere às práticas da exploração sexual de
crianças e adolescentes afeta o turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
79,8%
Não
20,2%
Mais uma vez a prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
apresenta-se de forma negativa perante o turismo, como opinião dos 79,8% dos
guias de turismo. A Tabela a seguir demonstra as formas como a exploração
afeta o turismo, merecendo destaque a imagem negativa de Fortaleza (45,3%) e
o prejuízo no turismo de famílias (25,3%).
357
Tabela 337
Opinião dos guias sobre em que a divulgação, no que se refere às práticas
da exploração sexual de crianças e adolescentes, afeta o turismo na cidade
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Passa uma imagem negativa de Fortaleza
45,3
Prejudica o turismo de famílias
25,3
Os turistas só vêm com o intuito da exploração sexual
5,3
Os turistas deixam de visitar a cidade, passear
4,0
Implica na desvalorização das mulheres
4,0
Os turistas deixam de vir a cidade para fazer compras
2,7
Os turistas não querem presenciar este tipo de coisa
2,7
Afeta gerando violência, insegurança e atraindo o
2,7
tráfico
Causa decepção nos turistas
1,3
Prejudica na escolha da cidade, para os que vêm
1,3
passear
Afeta em tudo
1,3
Os próprios moradores evitam andar na Beira Mar
1,3
Ns/Nr
2,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 338
Opinião dos entrevistados sobre se as práticas de incentivo à exploração
sexual de crianças e adolescentes afetam o turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
37,2
Não
62,8
358
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 81
Opinião dos entrevistados sobre se as práticas de
incentivo à exploração sexual de crianças e
adolescentes afetam o turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
62,8%
Sim
37,2%
Como já evidenciado anteriormente que os taxistas são os maiores
influenciadores da exploração sexual, o dado acima revela a opinião dos guias
de que 62,8% dos taxistas não são afetados com essa prática.
Tabela 339
Opinião sobre como os guias de turismo são afetados com essas práticas
de incentivo à exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Ganham dinheiro para levá-las aos
gringos
Eles facilitam de muitas formas
Frequência relativa
21,2
15,2
359
Intermediando
15,2
Todos ganham de alguma forma
6,1
Muitas vezes, são coniventes
6,1
Alguns procuram, outros são
3,0
prejudicados
Eles perdem com isso
3,0
Ficam mal falados
3,0
Dão orientações
3,0
As gorjetas e as comissões diminuem
3,0
Alguns são aliciadores
3,0
Ns/Nr
18,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre os taxistas que são afetados, 21,2% ganham dinheiro para levá-las
aos “gringos”, dado que comprova novamente a estreita relação do taxista com o
mundo da exploração sexual, principalmente entre crianças / adolescentes e
turistas estrangeiros.
Tabela 340
Estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Recusa em realizar passeios turísticos em situação
de evidente exploração sexual de crianças e
26,3
adolescentes
Solicitar a apresentação de documento de
identificação
Abordar o cliente explicando que não é permitido
realizar o roteiro turístico
Denunciar através do Disque 100
4,5
15,0
21,8
360
Outra
20,3
Não há estratégias
12,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como estratégia dos guias para evitar e/ou combater a exploração sexual
de crianças e adolescentes, apresenta-se com 26,3% a recusa em realizar
passeios turísticos em situação de evidente exploração sexual de crianças e
adolescentes. Além de 21,8% optarem por denunciar através do Disque 100.
Tabela 341
Outras estratégias utilizadas para evitar e/ou combater a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Alerta que é crime
14,8
Evita falar sobre o assunto
14,8
Evita passeios em certos locais de pontos
7,4
Denuncia/liga para a polícia
7,4
Mostra a parte cultural
7,4
Informa sobre a situação da cidade, conforme ética
da empresa
3,7
Não fazendo parte da exploração
3,7
Aconselha a procurarem adultas
3,7
Faz com que eles procurem outras diversões
3,7
Tem medo de falar, tem gente grande envolvida
3,7
Nenhuma
3,7
Faz alerta
3,7
Não dá dinheiro
3,7
Não soube especificar
18,6
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
361
Tabela 342
Opinião dos guias de turismo sobre a formação dos grupos de turistas
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Grupos de amigos(as) solteiros(as) viajando
18,7
Homens/mulheres mais velho(as)
acompanhados(as) de meninas(os) mais
0,4
novas(os)
Turistas brasileiros em busca da exploração
0,9
sexual
Moradores locais em busca da exploração sexual
2,2
Estrangeiros em busca de sexo fácil
8,0
Executivos(as) sozinhos(as), viajando a trabalho
7,1
Casais
29,8
Famílias
32,0
Outro
0,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Comprovando o perfil do cliente atendido pelos serviços dos guias de
turismo, 32% dos turistas são formados por famílias, 29,8% são compostos por
casais e 18,7% são considerados grupos de amigos solteiros, viajando, dado
que fortifica a ação dos guias com turistas desses segmentos.
Tabela 343
Guias que já presenciaram a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Sim
Frequência relativa
51,1
362
Não
48,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 82
Guias que já presenciaram a exploração sexual
de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
51,1%
Não
48,9%
Tabela 344
Local em que o guia de turismo presenciou a exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Beira Mar
50,0
Barracas de praia
6,3
Babagula
2,1
Praia do Futuro
2,1
Pirambu
2,1
Cumbuco
4,2
Praia de Iracema
16,7
Em vários locais
4,2
Aeroporto
2,1
Orla Marítima
2,1
363
Br 116 e Av. José Bastos
2,1
Ns/Nr
6,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Como locais onde o guia de turismo presenciou a exploração sexual de
crianças e adolescentes foram apontados, entre outros: a Beira Mar (50%) e a
Praia de Iracema (16,7%), o que faz concluir que um dos principais corredores
turísticos de Fortaleza continua tendo um alto índice de praticantes deste ato
ilegal.
Tabela 345
Opinião dos guias de turismo no tocante à frequência de exploração sexual
de crianças e adolescentes
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Diariamente
86,2
Semanalmente
6,4
Mensalmente
1,1
Esporadicamente
6,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
364
Gráfico 83
Opinião dos guias de turismo no tocante à
frequência de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
100,0%
86,2%
90,0%
80,0%
70,0%
60,0%
50,0%
40,0%
30,0%
20,0%
6,4%
6,3%
1,1%
10,0%
0,0%
Diariamente
Semanalmente
Mensalmente
Esporadicamente
O gráfico apresenta a frequência da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes em Fortaleza, que apresentou 86,2% de indicações de
que ocorre diariamente, enquanto 6,4% apontaram a prática da exploração
acontecer
semanalmente,
6,3%,
esporadicamente
e
apenas
1,1%,
mensalmente.
Tabela 346
Opinião dos guias de turismo sobre qual dia da semana é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Segunda
15,0
Terça
8,9
Quarta
8,9
Quinta
8,9
Sexta
14,4
365
Sábado
30,6
Domingo
13,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Diante dos números acima, os casos de exploração sexual acontecem
diariamente (86,2%), sendo em maior número as ocorrências durante os
sábados (30,6%).
Tabela 347
Opinião dos guias de turismo sobre o período do ano em que é mais
frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Feriados prolongados
3,2
Alta estação
83,0
Baixa estação
6,4
Outra
7,4
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Tabela acima demonstra a íntima relação da exploração sexual de
crianças e adolescentes com o turismo, visto que a alta estação é o período
apontado em que a frequência de ocorrências se acentua, conforme relato:
“Os guias foram unânimes em afirmar que o período em que
mais ocorre exploração sexual de crianças e adolescentes é o
período da alta estação dos europeus, que se inicia em agosto
e setembro.”
“No período de alta estação dos turistas estrangeiros,
principalmente italianos, espanhóis e portugueses, é que a
exploração é maior.” (Diário de Campo - Ricardo Oliveira)
366
Tabela 348
Outras opiniões dos guias de turismo sobre o período do ano em que é
mais frequente a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Todos os dias
71,4
Não tem período certo
14,3
Não soube especificar
14,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 349
Opinião dos guias de turismo sobre qual turno do dia é mais frequente a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Manhã
1,1
Tarde
1,1
Noite
77,7
Madrugada
16,0
Ns/Nr
4,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As noites apresentam-se como o turno que mais acontece a prática da
exploração sexual, em Fortaleza.
367
Tabela 350
Local onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Na Beira Mar
54,3
Na praia
13,8
Em boates
17,0
Restaurantes
__
Outro
14,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Gráfico 84
Locais onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
54,3%
Na Beira-Mar
13,8%
Na praia
17,0%
Em boates
Restaurantes
0,0%
14,9%
Outro
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
60,0%
A Beira Mar, além de ser o local onde mais são evidente os casos de
exploração sexual de crianças e adolescentes, também foi assinalada pelos
guias como principal local (54,3%) onde os turistas conhecem as crianças e
adolescentes.
Vale
ressaltar
as
declarações
feitas
pelas
crianças
adolescentes, durante a pesquisa de campo, conforme Diário de Campo:
e
368
“... durante o dia freqüentam a Praia do Futuro, conhecem os
“gringos” e à noite marcam com estes para ir à boate, que lá
podem ficar mais à vontade e depois os acompanham até o
local onde estão hospedados (apartamento alugado, flats ou
pousadas).” (Diário de Campo - Elias Figueiredo)
Tabela 351
Outros locais onde os turistas conhecem as crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praia de Iracema
28,6
Sites na Internet
14,3
Casa de massagem
7,1
Nas esquinas do centro
7,1
Orla marítima
7,1
Bares
7,1
Aeroporto
7,1
Nas ruas da cidade
7,1
Não soube especificar
14,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Novamente, a Praia de Iracema em posição de destaque, quando
indagado sobre o local onde as crianças e adolescentes conhecem os turistas,
dado que comprova o forte índice de casos ocorridos no bairro.
Tabela 352
Opinião dos guias de turismo sobre o local onde a exploração sexual de
crianças e adolescentes é mais praticada
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Nos hotéis
Frequência relativa
7,4
369
Nas boates e casas de show
Nas barracas de praia
Nos restaurantes
Nos flats
Na Internet
Outro
Total
29,8
30,9
1,1
10,6
6,4
13,8
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Apesar de contraditório, se se considerarem os resultados dos
questionários aplicados nas barracas de praia, esta foi apontada pelos guias
como o local onde mais ocorre a exploração sexual de crianças e adolescentes,
com 61,5% dos respondentes.
Tabela 353
Outros locais, na opinião dos guias de turismo, em que a exploração
sexual de crianças e adolescentes é mais praticada
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praia de Iracema
61,5
Nas ruas
7,7
Beira Mar
7,7
No apartamento dos turistas
7,7
Beira da praia
7,7
Praia do Futuro
7,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 354
Opinião dos guias de turismo sobre de que forma acontece a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
370
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência
relativa
A entrada em alguns locais é livre, não tem controle
21,3
As meninas vão para as barracas atrás dos gringos
9,6
As meninas abordam o turista
9,6
São apresentadas pelos barraqueiros
4,3
Divulgação de fotos das crianças
4,3
Através da Internet
3,2
São induzidas a entrar nas boates
3,2
São coniventes, não tomam nenhuma atitude contra
3,2
Pegam as crianças e levam para lá, para os hotéis
2,1
São usadas como ponto de apoio para conhecer as
adolescentes
2,1
Dançando
2,1
Geralmente eles pegam nas boates
2,1
Facilitando a prática
2,1
Os estrangeiros levam as garotas para os flats
2,1
Pegam elas para fazer rapidinha nos banheiros (esquinas)
2,1
Os turistas abordam as crianças
2,1
Vão para boates onde tudo é liberado
1,1
Os turistas já chegam acompanhados delas
1,1
Os cafetões indicam
1,1
Quanto mais jovem mais lucro
1,1
Intermediando a exploração
1,1
De forma visível, os turistas conversam com as garotas
1,1
Os turistas pegam a garota e levam para o motel
1,1
São induzidas com promessas
1,1
O barraqueiro apresenta a menina para o turista
1,1
São aliciadas pelos turistas internacionais (barraqueiros)
1,1
Não existe pudor nas boates
1,1
Eles (os barraqueiros) veem e não tomam nenhuma
atitude
1,1
371
Os taxistas levam
1,1
Ns/Nr
10,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A Tabela acima demonstra a facilidade de como acontece a exploração
sexual de crianças e adolescentes, visto que 21,3% afirmaram a entrada nos
estabelecimentos ser livre e não ter controle, perante a diversidade de respostas
com percentuais menos significativos.
Conforme relatado em Diário de Campo:
“...elas, ao abordarem ou serem abordadas, nunca falam seu
preço, tudo é como se fosse uma paquera, um fica, no final do
fica, é que os turistas, principalmente os estrangeiros,
perguntam qual o valor do “taxi” de volta e elas respondem R$
150,00.” (Diário de Campo - Cláudia Lima).
Tabela 355
Guias de turismo que identificam aliciadores intermediando a prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
27,7
Não
72,3
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
372
Gráfico 85
Guias de turismo que identificam aliciadores
intermediando a prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
72,3%
Sim
27,7%
Tabela 356
Aliciadores identificados, pelos guias de turismo, intermediando a prática
da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Discriminação
Barraqueiros
Aliciadores no aeroporto
Cafetões
Garçons e taxistas
Motéis
Não conheço
Pessoa em um estabelecimento na Beira Mar
Estrangeiros nos desembarques dos voos
internacionais
Seguranças
Próprios coroas
Voos internacionais já trazem amigos para isso
A própria mãe
Frequência relativa
19,2
11,5
11,5
3,8
3,8
3,8
3,8
3,8
3,8
3,8
3,8
3,8
373
Um senhor que leva os turistas para determinado local
Garçons
Pirata Bar
Ns/Nr
Total
3,8
3,8
3,8
11,5
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
19,2% dos guias de turismo apontaram os barraqueiros como principais
aliciadores, além de 11,5% de aliciadores agirem no aeroporto e ainda os
cafetões (11,5%).
Tabela 357
Local mais frequente de permanência de turista, que buscam a exploração
sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Bares
20,2
Barracas de Praia
40,4
Boates
23,4
Restaurantes
1,1
Outro
13,8
Ns/Nr
1,1
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 358
Outros locais mais frequentes de permanência de turista, que busca a
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Barracas
30,7
Motéis
23,1
Praia de Iracema
15,4
374
Próprio carro
7,7
Pirata
7,7
Flats
7,7
Motés, Flats, Hotéis
7,7
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Sobre os turistas que buscam a exploração sexual, geralmente
permanecem nas barracas de praia (30,7%), proporção relevante ao se analisar
que as barracas não apresentam com maior índice esse tipo de público como
frequentador de seu estabelecimento.
Tabela 359
Opinião dos guias sobre o costume de levar turistas com crianças e
adolescentes para passeios
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
26,6
Não
73,4
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
375
Gráfico 86
Opinião dos guias sobre o costume de
levar turistas com crianças e adolescentes para
passeios
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Não
73,4%
Sim
26,6%
Tabela 360
Opinião dos guias sobre o local onde costumam levar turistas com
crianças e adolescentes para passeios
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Praias da Cidade
60,0
Boates, restaurantes
__
Shopping
__
Praias fora de Fortaleza
40,0
Outro
__
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
As praias costumam aparecer com frequência como o local onde os
turistas levam as crianças e adolescentes.
Tabela 361
Opinião dos guias de turismo sobre as razões que mais influenciam a
exploração sexual de crianças e adolescentes
376
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Desemprego
34,0
Convivência familiar conflituosa
11,7
Trabalho infanto-juvenil
__
Violência familiar
5,3
Turismo com fins sexuais
1,1
Ineficiência das políticas públicas
14,9
Desigualdade social
21,3
Prostituição
2,1
Outro
9,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Quando indagados sobre as razões que mais influenciam a exploração
sexual de crianças e adolescentes, foram apontados o desemprego (34%), a
desigualdade social (21,3%), a ineficiência das políticas públicas (14,9%) e a
convivência familiar conflituosa (11,7%) como principais fatores.
Em contrapartida, o turismo defende sua tese de atividade de
desenvolvimento local, como uma possibilidade de promover a geração de
emprego e renda onde é praticado.
Como as crianças e adolescentes se constituem, em sua maioria,
população de baixa renda, a facilidade de ter dinheiro através da prática da
exploração sexual se acentua como alternativa.
.
377
Tabela 362
Outras razões que mais influenciam a exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Dinheiro fácil/facilidade de ter dinheiro
33,3
Pais que incentivam
33,3
Falta de oportunidade
22,2
Não soube especificar
11,2
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 363
Opinião dos guias de turismo sobre o que poderia ser feito para combater
a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Campanhas de conscientização na mídia
Frequência relativa
27,7
Campanhas de conscientização com a cadeia
produtiva do turismo / cadeia produtiva do
12,8
turismo
Programas de articulação e mobilização da
comunidade para denunciar
Todos os setores do turismo denunciar essa
prática
Acho que não deve ser combatida
Outro
10,6
12,8
__
36,1
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
378
As campanhas de conscientização na mídia (27,7%) e com a cadeia
produtiva do turismo (12,8%) são apontadas como principais medidas que
poderiam ser tomadas para combater a exploração sexual de crianças e
adolescentes. Os resultados mostram que as campanhas e programas já
existentes ainda possuem um resultado incipiente perante a problemática.
Tabela 364
Outras opiniões dos guias de turismo sobre as medidas poderiam ser
tomadas para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Investimento em escolas, educação
11,8
Investimento em projetos sociais
9,8
Mais fiscalização
7,8
Investimento em profissionalização
7,8
Intensificação do policiamento
7,8
Investimento em políticas públicas
5,9
Leis mais rigorosas para o turismo
3,9
Mais vontade política
3,9
Punição para quem pratica (o turista)
3,9
Controle em relação às praias e famílias
3,9
Planejamento familiar e leis
3,9
Fechando os prostíbulos da Praia de Iracema
2,0
Ocupando a mente das crianças
2,0
Colocando equipe 24 horas para retirar as
crianças
Investir melhor o dinheiro dos políticos
Selecionar os tipos de turistas que chegam a
cidade
2,0
2,0
2,0
Política social
2,0
Dar mais oportunidades às pessoas
2,0
Nada
2,0
379
Denúncia no 190
2,0
Trabalho preventivo
2,0
Melhoria da qualidade de vida
2,0
Combater à fome e à miséria
2,0
Investimento em educação e programa de
2,0
assistência à família
Não soube especificar
3,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 365
Conhecimento de agências de viagem com alguma política ou ação de
enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
19,1
Não
80,9
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 366
Política ou ação de enfrentamento da exploração sexual de crianças e
adolescentes das agências de viagem
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Dão orientação para combater as práticas ilícitas
16,7
Campanhas de conscientização
16,7
Divulgam que turismo sexual é crime
11,1
Não aceitam esta prática
11,1
Orientam a não estimular ou promover o problema
5,6
As que o Governo divulga
5,6
380
Fazem reuniões para combater
5,6
Informam os turistas sobre a infração e o rigor da lei
5,6
Não aceitam que turistas utilizem pacotes para fins
5,6
de exploração sexual
Fazem palestras
5,6
Não soube especificar
10,8
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os guias de turismo afirmaram que 80,9% das agências de viagens não
possuem política ou ação de enfrentamento da exploração sexual e que apenas
divulgam as campanhas de conscientização, conforme Tabela anterior.
Tabela 367
Conhecimento dos guias de turismo no tocante às formas de denúncias
existentes da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
71,3
Não
28,7
Total
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
100,0
381
Gráfico 87
Conhecimento dos guias de turismo no tocante às
formas de denúncias existentes da prática da
exploração sexual de crianças e adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Sim
71,3%
Não
28,7%
Tabela 368
Formas de denúncias existentes da prática da exploração sexual de
crianças e adolescentes, do conhecimento dos guias de turismo
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Disque 100
53,6
Disque Denúncia
13,4
190
9,0
Conselho Tutelar
4,5
SOS
4,5
Internet
3,0
Juizado de Menores
3,0
Polícia Federal
3,0
Cartazes, propagandas na mídia
1,5
382
Ronda do Quarteirão
1,5
Televisão
1,5
Delegacia do Turismo
1,5
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Dos 71,3% guias que disseram ter conhecimento das formas de
denúncias existentes da prática da exploração sexual, destacaram o Disque 100
com maior força (53,6%), seguido do Disque Denúncia (13,4%) e 190 (9%).
Tabela 369
Opinião dos guias de turismo sobre para quais entidades deveriam ser
feitas as denúncias da prática de exploração sexual de crianças e
adolescentes
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Polícia Federal
9,6
Conselho da Criança e do Adolescente
4,3
Disque 100
46,8
Delegacia mais próxima
16,0
S.O.S criança
3,2
Juizado da Infância e da Juventude
3,2
Programas de televisão especializados
em apurar denúncias de violência
__
Outros
10,6
Ns/Nr
6,3
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os guias apontaram como principal entidade para receber denúncias o
Disque 100 (46,8%), na delegacia mais próxima (16%), já 9,6% se reportaram à
Polícia Federal.
383
Tabela 370
Outros destinatários das denúncias
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Policia 190
30,0
Delegacia da Criança e do Adolescente
20,0
Polícia Militar
20,0
Amarelinhos
10,0
Órgão competente
10,0
Delegacia do turismo
10,0
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
A própria Polícia – 190 foi citada com 30% de indicações e, em igual
proporção (20%), a Delegacia da Criança e do Adolescente e a Polícia Militar,
além dos Amarelinhos, órgãos competentes e a Delegacia do Turismo (10%
cada um).
Tabela 371
Conhecimento dos guias de turismo sobre a diferença entre exploração
sexual e prostituição
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Frequência relativa
Sim
73,4
Não
26,6
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Tabela 372
Entendimento dos guias de turismo no que se refere ao conceito de
exploração sexual e prostituição
384
Fortaleza
Julho - agosto / 2008
Discriminação
Prostituição: adulto. Exploração: menor , criança
Frequência relativa
32,6
Prostituição: a pessoa é explorada de forma
consciente. Exploração: é explorada de forma
15,9
inconsciente
Prostituição: maior de idade. Exploração: trabalha
nessa condição por necessidade
Prostituição: vontade própria. Exploração: é forçada
a praticar sexo.
Prostituição: faz por dinheiro. Exploração: faz o que
não quer, é obrigada.
Prostituição: faz por prazer. Exploração: a criança é
induzida
Prostituição: está no ramo há muito tempo.
Exploração: é influenciada por outras pessoas
7,2
7,2
4,3
4,3
4,3
Prostituição: o dinheiro é para a própria pessoa
(prostituta). Exploração: é explorada e repassa o
4,3
dinheiro para outros.
Prostituição: profissional do sexo. Exploração:
aproveita-se da criança
Prostituição: vende-se por dinheiro. Exploração: há
aliciamento
Prostituição: forma de trabalho. Exploração: abuso
da criança
A prostituição inicia a exploração
2,9
2,9
2,9
1,4
Prostituição: não tem intermediário, age por conta
própria. Exploração: é quando utiliza o indivíduo para
1,4
fins financeiros
Prostituição: sabe o que esta fazendo. Exploração: é
induzida.
Prostituição: para quem quer. Exploração: más
1,4
1,4
385
amizades
É perceptível pela idade dos praticantes, pelos locais
e pela clareza com que é praticada
Prostituição: fator financeiro. Exploração: visa
apenas satisfação.
1,4
1,4
Prostituição: quando está pagando. Exploração:
quando a pessoa é convidada para fazer programa
1,4
fora da cidade.
Prostituição: quando a pessoa vai e paga para
praticar. Exploração: Ela está explorando o
1,4
estrangeiro.
Total
100,0
Fonte: Pesquisa direta, SETFOR
Os guias comprovaram ter um maior conhecimento sobre o problema em
questão, além de ter uma preocupação significativa em denunciar, visto que
73,4% afirmaram saber a diferença entre exploração sexual e prostituição e
entender que o turismo afeta diretamente o fato, quando provoca um maior
fluxo de turistas em determinados períodos do ano, que foram apresentados no
decorrer da pesquisa como períodos em que as ocorrências de exploração
sexual de crianças e adolescentes se acentuam.
As informações adquiridas na pesquisa permitem elucidar muitos pontos
ainda obscuros sobre o assunto, porém, ao mesmo tempo em que apresentam
dados relevantes para maior compreensão da situação, também se
contradizem, sobretudo naquelas respostas que dizem respeito aos segmentos
da cadeia produtiva com a exploração sexual. Como os taxistas sempre são
apontados, inclusive pelos colegas de profissão, como elo relevante no
incentivo da exploração sexual, se retraem-se ao responder perguntas mais
evidentes e pontuais do questionário.
As pesquisas e estudos constituem significativos instrumentos para
caracterização e análise do cenário existente em relação a um determinado
386
fenômeno social. A partir dos resultados apresentados podem ser feitas
contribuições e indicações que revertam a gravidade das situações
identificadas.
Um dos principais dados levantados neste estudo aponta que a
exploração sexual de crianças e adolescentes, em Fortaleza, possui uma
íntima relação com o turismo, o que confirma a participação de turistas
nacionais e estrangeiros como clientes da exploração sexual.
387
5.3 - GRUPO FOCAL
A utilização do grupo focal como técnica de investigação teve por
objetivo elucidar ou validar os dados coletados por meio das entrevistas com
crianças e adolescentes explorados(as) sexualmente e com os setores da
cadeia produtiva, bem como estabelecer uma interlocução com o que apontam
as pesquisas e os autores desta área de estudo social.
Configurou-se ainda, num momento de interação grupal entre os
pesquisados, que vivenciam uma mesma realidade e entre estes e os diversos
sujeitos envolvidos na pesquisa: Secretaria de Turismo do Município,
coordenação administrativa, coordenação geral e da área de turismo,
pesquisadores e pesquisados.
Tal momento de interação grupal fornece elementos de pesquisa que
retratam a realidade vivida pelas crianças e adolescentes, de uma maneira
direta, e permite perceber, além do dito, o sentido, o pronunciado através dos
gestos, o silêncio e todas as manifestações que compõem uma visão
complementar e integradora dos fatos e teorias sobre o fenômeno investigado.
O grupo focal foi composto por treze participantes e conduzido por duas
coordenadoras da pesquisa. O grupo de crianças e adolescentes foi escolhido
pelo método de adesão voluntária/estratégias aleatórias e o recrutamento foi
realizado por dois pesquisadores “âncora” que, durante a pesquisa,
desenvolveram uma relação de conhecimento e confiança com tais crianças e
adolescentes. Tal momento de escolha foi orientado pelos coordenadores da
pesquisa.
Tais pesquisadores, após a solicitação de participação no grupo e
explanação sobre este, conduziram as crianças e adolescentes até o local
escolhido para esta etapa da pesquisa. Após a recepção dos participantes, as
duas coordenadoras seguiram na condução do grupo focal, atuando como
moderadoras, auxiliadas por um funcionário da empresa de consultoria, que
388
estava à disposição, para resolução de qualquer problema situacional ou
burocrático.
Na sala de observação, ficaram as coordenadoras da pesquisa, que
estão vinculadas à SETFOR, a coordenadora administrativa, representando a
empresa de consultoria, e os dois pesquisadores, que realizaram o
recrutamento dos participantes do grupo. A fim de evitar perdas nas
informações, o grupo focal foi gravado em vídeo.
O roteiro de temas abordados no grupo focal foi composto pelos
seguintes pontos:
1. Contexto da prática da exploração sexual das crianças e adolescentes;
2. Causas da inserção das crianças e adolescentes na rede de exploração
sexual.
3. Relação das histórias de vida com as determinações/situações que os(as)
levaram àquela forma de vida/trabalho.
4. Participação da família na conformação desta realidade.
5. Relação da atividade turística com a exploração sexual de crianças e
adolescentes.
6. Perfil do explorado.
7. Perfil do explorador.
8. Envolvimento dos diversos setores da cadeia produtiva com a exploração
sexual de crianças e adolescentes.
9. Expectativa de mudança de vida por parte das crianças e adolescentes.
10. Soluções apontadas para mudança de tal realidade.
O grupo foi composto por treze participantes, dentre os quais, nove
eram do sexo masculino e quatro, do sexo feminino. Destes, pode-se
apresentar o perfil que se segue abaixo. Vale ressaltar que todos os nomes
foram modificados para garantir o sigilo da identidade dos sujeitos
pesquisados.
389
Alexandre – 15 anos, estuda no 1º ano, mora no Mucuripe.
Benjamin– 14 anos, não estuda.
Cássio – 16 anos, estuda.
Domênico – 15 anos, , estuda, gosta de praia, jogar futebol, é torcedor do
Fortaleza.
Eufrásio – 14 anos, trabalha com o pai no Mercado dos Peixes da Beira Mar.
Fernão – 15 anos, estuda. O pai não sabe, pois tem a mão pesada.
Gilda – 17 anos, gosta de estudar e farrear.
Heline – 15 anos, não estuda, “vou pra batalha”.
Irvina – 15 anos, não estuda, pois veio do Interior quando já tinha passado o
prazo de transferência, mas pretende voltar a estudar. Mora no Castelo
Encantado e é irmã de Heline.
Jonny – 14 anos, estuda.
Káthia – 16 anos, não estuda, gosta de farrear.
Leopoldo – 17 anos, não estuda é muito tímido, fala pouco, somente quando
era questionado diretamente.
Merthon – 13 anos, não estuda, prefere que seja chamado pelo seu nome
masculino, mas assinalou na ficha de apresentação um nome feminino.
Após a apresentação de todos do grupo, as moderadoras esclareceram
os objetivos daquele momento de pesquisa e expuseram os momentos de
realização do grupo focal, bem como o roteiro geral das perguntas.
Vale mencionar que a adesão das crianças e adolescentes explorados
sexualmente surpreendeu a equipe de pesquisa, pois superou o número
estimado de participantes. Outro fator de reflexão refere-se à quantidade
superior de participantes do sexo masculino. Quanto a este fator, os
pesquisadores relataram que, pelo método escolhido – adesão voluntária – a
atuação deles foi perguntar quem gostaria de participar do grupo, dando
ciência das condições de realização deste e que os adolescentes do sexo
masculino foram mais abertos em participar.
390
A condução do grupo focal foi realizada pelas moderadoras, de forma
flexível, e, mesmo que direcionadas pelo roteiro, foi observada a dinâmica
daquele grupo em abordar alguns aspectos da realidade vivenciada por estes,
dentre os quais, destacam-se a seguir.
Quando os pesquisados foram questionados sobre o contexto da
exploração sexual, muitos ressaltaram as formas de abordagem para conseguir
os “programas”. Um dos participantes destacou que a relação acontece
naturalmente, quando estão caminhando pela Beira Mar, conversam, estipulam
o preço e vão. Ressaltou que ser abordado é diferente de procurar, mas que
acontecem as duas situações, apesar de as meninas serem procuradas com
mais frequência.
Quanto a esse aspecto, as meninas são unânimes em concordar que a
abordagem deve ser feita pelo sexo masculino – possível cliente - e que elas
devem desenvolver técnicas de atração – roupas provocantes, sorrisos, dentre
outros – pois temem “levar um fora”. Essa afirmação grupal leva a inferir a
introjeção do que comumente se entende por papéis masculinos e femininos,
pois, em situações cotidianas de interação, objetivando a realização do sexo,
elas afirmam que a iniciativa deve ser masculina.
Outro aspecto destacado da abordagem é que as crianças e
adolescentes entrevistados se sentem no direito de recusar o contato sexual se
o possível parceiro não lhe agradar, em temos de idade, cheiro, e outros
aspectos que eles veem como impossibilitadores do contato sexual.
No
entanto, contrários a esse discurso de liberdade, outros participantes afirmaram
que alguns ali “topavam tudo”. Alguns concordaram e disseram que esta ação
estava relacionada à necessidade financeira ou mesmo ao desejo de consumo
que eles julgavam importantes e que, por isso, fariam um “sacrifício”. Isto
mostra comportamentos diversificados e com diferentes motivações.
Quanto à periodicidade dos “programas”, uma pesquisada relatou que
chega a fazer 7 (sete) programas por dia. Tal frequência de atos sexuais
391
supera qualquer previsão de periodicidade de sexo por adultos, sendo
realizado por uma adolescente, então, supera toda e qualquer regularidade se
comparada aos seus iguais que têm vida sexual ativa, fundamentada em
relações afetivas que se pretendem duradouras. Assim, percebe-se que os
contatos sexuais têm caráter de prática remunerada e, quanto mais prática
houver, mais dinheiro será recebido, mesmo que se desrespeitem os limites de
um corpo em formação para atender aos desejos de consumo ou de
sobrevivência.
Todos os participantes foram taxativos em afirmar que não existe
EXPLORAÇÃO, visto que eles são recompensados, de forma financeira, pelo
trabalho que desempenham. Alguns declararam que quem está na situação de
explorado é o “cliente”, que paga pelos serviços.
Como bem afirma
DIÓGENES (2008, p.229): “A exploração sexual é comumente expressa como uma
astúcia de sobrevivência, figurando como uma construção imaginária de esperteza
diante de tantas dores, perdas e violações acumuladas”.
Outro aspecto ressaltado foi o uso que eles fazem dos resultados
financeiros e a relação destes com os motivos que os impulsionam a estar
nessas condições. Neste aspecto, verificou-se que os depoimentos das
crianças e adolescentes do grupo focal confirmam os dados que foram
coletados através da entrevista, nos quais os motivos que mais se apresentam
são: por necessidade econômica; por falta de dinheiro; porque queria “comprar
coisas”. No entanto, este último fator é destacado na fala desses atores, que
dizem com muita naturalidade que quando querem comprar um chinelo de
marca ou uma roupa se reportam à prática do sexo pelo dinheiro. Afirmam que
essas práticas estão associadas ao pequeno poder aquisitivo dos pais e aos
desejos de consumo destes, que não caberiam em um orçamento limitado, ou
direcionado a aspectos básicos da sobrevivência. Alguns salientam que mesmo
comprando essas “coisas” ajudam em casa com o custeio do aluguel, da
comida, do pagamento de água e luz.
Analisou-se que tais direcionamentos dos ganhos financeiros estão
associados a uma partilha comum de despesas dentro de uma casa onde
392
várias pessoas têm renda. Ao mesmo tempo também fica evidenciada a
vontade de consumo de adolescentes para aquilo que é moda ou que
representa status entre eles. Alguns mencionaram que, além da necessidade,
também estão nessas condições por prazer.
Quanto às influências para tais práticas, a maioria ressalta a influência
de amigos, dado este que confirma as afirmativas coletadas pela entrevista.
Um dos entrevistados do grupo focal afirmou que foi influenciado para essa
vida por um amigo da mesma idade que, como ele afirma: “também é balde.”
Outra entrevistada disse que conheceu esses caminhos pela inserção de sua
irmã nestes.
Quando questionados sobre o conhecimento que a família tem de suas
práticas, alguns relataram que a família sabe, outros não. Alguns suspeitam do
conhecimento da família em geral, porque eles contribuem com as despesas
de casa, mas não têm certeza. A maioria destacou que confia esse “segredo”
às suas mães e que prefere não comentar com pais ou padrastos. Uma
entrevistada narrou situações de violência física da família, principalmente do
pai, e os conflitos cotidianos que se seguem nas relações familiares por conta
dessa situação de exploração sexual.
Ao serem interrogados sobre o perfil do explorador, foram unânimes em
assumir que a maioria dos exploradores é turista (apesar de também existir
morador local). Todos são unânimes em afirmar que os turistas pagam melhor,
em torno de R$ 50,00 o programa, enquanto o morador local se limita a pagar
R$ 30,00 por programa. Além da diferença de preço, os turistas costumam
oferecer presentes, como: relógios, perfumes, sapatos, às vezes tiram o que
estão usando e entregam às crianças/adolescentes.
Em algumas falas, os (as) adolescentes salientaram os períodos que as
práticas sexuais com turistas acontecem, destacando sua procedência se
nacional ou estrangeiro. Percebeu-se que o que é comum entre esses meninos
e meninas é o conhecimento das características de cada grupo de turistas em
393
relação à nacionalidade. Ressaltaram que os italianos procuram mais pelo sexo
e que são melhores pagantes. Destacaram que os franceses possuem hábitos
de higiene que eles condenam afirmando: “eles fedem muito por isso têm que
usar aqueles perfumes”. Tais relatos demonstram a intimidade com esse
cotidiano de exploração e do conhecimento que têm do explorador.
Tais
afirmativas
apresentam
uma
realidade
já
conhecida
por
pesquisadores e pesquisados. Estes dados presentes na pesquisa apenas
evidenciam e fortalecem o entendimento do impacto do turismo na exploração
sexual de crianças e adolescentes, em nossa cidade, e a necessidade de se
estabelecerem políticas voltadas para o turismo que viabilizem a efetivação de
um novo “olhar” desse setor no que diz respeito ao estabelecimento de novas
práticas diante de crianças, adolescentes, homens e mulheres “nativos(as)” da
pátria em que se hospedam.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
A pesquisa de campo teve como foco de investigação principal perceber a
relação de exploração sexual de crianças e adolescentes com a atividade
turística de Fortaleza. A necessidade de conhecer tal relação coaduna-se com
o objetivo do Poder Público e, particularmente, da Secretaria de Turismo de
Fortaleza, de fundamentar ações e políticas para o enfrentamento desta grave
questão social.
Para tal fim, inicialmente, buscaram-se informações sobre esse fenômeno
em referências bibliográficas e relatórios de pesquisa sobre a temática, bem
como a aproximação do campo real de pesquisa: a realidade da exploração
sexual vivenciada por crianças e adolescentes, em Fortaleza.
A pesquisa de campo teve como referência o ano de 2008 e os
procedimentos metodológicos foram sendo construídos no decorrer da
pesquisa, obedecendo a uma dinâmica própria da investigação, que se
394
desenhou pelas necessidades de apropriação e investigação da realidade
pesquisada e pelo diálogo de uma equipe de pesquisa multidisciplinar.
Foi assim que, ao fazer a ambientação, sentiu-se a necessidade de um
censo que, mais que quantificar os sujeitos da pesquisa, serviria como base
para um levantamento consistente que permitisse dimensionar o elevado grau
da exploração sexual, em Fortaleza. Este processo árduo aconteceu seguido
da fase de aplicação dos questionários, com crianças e adolescentes
explorados sexualmente, e os segmentos da cadeia produtiva do turismo, a
saber, barraqueiros, guias de turismo, profissionais de bares, restaurantes e
boites, taxistas e mototaxistas, profissionais dos meios de hospedagem. Além
das entrevistas feitas com base em seis(6) questionários distintos, foi ainda
realizado um grupo focal com as crianças e adolescentes pesquisadas. O
recorte territorial proposto pela SETFOR foi feito nas seguintes áreas: Barra do
Ceará, Praia de Iracema, Beira Mar, Praia do Futuro, Lagamar, Serrinha e
Castelão.
A pesquisa constatou que 57,4% das crianças e adolescentes explorados
sexualmente, são do sexo feminino, enquanto 42,6% são do sexo masculino. A
idade de 45% é 17 anos; 22,5%, com 16; e 10,1%, com 15 anos. 82%
nasceram em Fortaleza. Esse perfil traz um dado novo no que concerne às
pesquisas feitas anteriormente, que mostravam ser esse tipo de violência
eminentemente de gênero. Crianças e adolescentes de ambos os sexos são
vítimas desse tipo de violação dos direitos humanos. A idade da maioria delas
é entre 15 e 17 anos, mas foram encontradas muitas crianças em idade de 11
e 12 anos, na mesma situação.
Os motivos e os caminhos para a entrada de crianças e adolescentes na
exploração sexual são múltiplos. No entanto, as falas desses atores revelam
que a maioria é influenciada pelos amigos
e que ainda conserva um
pensamento “ilusório” de que são eles - crianças e adolescentes - que fazem
“os clientes” pagarem o que eles querem e que a utilização dessa fonte de
renda é para consumo de bens de consumo desejados, como roupas,
calçados, eletrônicos, etc, que os pais ou responsáveis não podem prover. A
395
submissão então a uma situação de exploração é entendida, nos seus
discursos, como se fosse uma opção pelo prazer de consumir e pelo prazer
sexual, o que denota a falta de entendimento e autoavaliação das suas
condições de explorados.
Concluiu-se então, que a exploração sexual é uma das facetas da
pobreza vivenciadas por essas meninas e meninos, que precisam ultrapassar
os limites de seu corpo infantil e submeter-se a uma lógica do mundo adulto. A
lógica do consumo, do “jeitinho”, da autoresponsabilização pelo seu
provimento, mascarada pela sensação de autonomia.
No entanto, nesse lugar que se encontram de exploração sexual, ficam à
mercê de todos os tipos de agruras e violências cometidas por pessoas que
exercem um poder sobre elas, sejam pela superioridade econômico-social,
cultural, sejam pela diferença de idades entre o adulto e a criança e o
adolescente. Tais situações de violências são praticadas tanto pelos familiares,
quando descobrem a “vida” que levam às escondidas – a exemplo disso têm-se
relatos de espancamentos dos pais ou padrastos, tanto nas entrevistas, quanto
nos grupos focais – quanto pelos “clientes”, que submetem as crianças e
adolescentes a relações degradantes permeadas pelo dinheiro. Muitos são os
relatos que retratam o “nojo” sentido, principalmente pelas crianças e
adolescentes do sexo feminino, em se relacionarem com velhos ou com
turistas com pouca higiene, que “fedem”.
Essa pobreza é apontada por elas como causa primeira para começarem
a fazer programa. Martins (1997), sociólogo brasileiro, ao refletir sobre a
exploração sexual de crianças e adolescentes em Fortaleza, afirma que elas se
encontram incluídas como pessoas que estão no mercado possível de uma
sociedade excludente, que é essa em que vivem. Como estratégia de
sobrevivência, as crianças e adolescentes criam uma sociedade paralela, que
inclui do ponto de vista econômico e exclui social, moral e politicamente:
396
“Elas estão vendendo um serviço, recebendo dinheiro
para sobreviver. Só que se trata de um serviço que lhes
compromete a dignidade e a condição de pessoa. De
fato, na lógica fria do mercado, essas meninas estão
entrando no setor de serviços sexuais do chamado
pornoturismo. É exatamente o caso delas que revela o
lado oculto ou que nós queremos ocultar nessa inclusão:
elas se integram economicamente, mas se desintegram
moral e socialmente.”(MARTINS, 1997:p.33-34)
Essa integração econômica, obviamente, é precária, pois pesquisas
demonstram que o que as crianças e adolescentes ganham fazendo programa
por mês é o equivalente a um salário-mínimo. No entanto, eles têm a visão de
que ganham muito mais do que se estivessem incluídos em algum programa
ou projeto social e que obtêm vantagens financeiras mais fáceis e rapidamente.
Contudo, ao comparar com as responsabilidades assumidas por elas com suas
famílias, no pagamento de contas variadas, como luz, aluguel, alimentação,
etc, esse pouco é representativo no orçamento familiar.
No grupo focal, um dos meninos entrevistados diz que só há essa opção
(fazer programa) para eles quando precisam ajudar a família. Afirmam que
ninguém quer empregá-los porque, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente
– EC, eles só poderiam ser empregados após os dezesseis (16) anos. O ECA
preconiza, em seu artigo 60, que “É proibido qualquer trabalho a menores de
dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz. (a partir de 14 anos)”,
em atenção ao processo pedagógico do adolescente que deverá, nessa idade,
estar voltado para a escola, como também para projetos, de sua faixa etária,
que facilitem a convivência familiar e comunitária.
Tais projetos em geral contam com uma bolsa benefício cujo valor é igual
ou inferior a ¼ do salário mínimo, o que não atende à necessidade desses
jovens e suas famílias. É importante que seja pensada uma política pública
voltada à esse público específico e que se perceba essa demanda em suas
397
peculiaridades já mencionadas. Os programas, projetos e serviços devem ser
feitos para eles/ com eles, conforme novas diretrizes de políticas para a
infância e juventude. Somente permitindo a estes sujeitos se expressarem e
ouvindo-os em suas necessidades mais elementares, é que essas políticas
contemplarão seus reclames e poderão ser levadas a sério por eles.
Importante também é consolidar a rede de atendimento socioassistencial
às crianças e adolescentes em situação de exploração sexual, promovendo a
capacitação sistemática dos profissionais desses serviços, bem como
fomentando os direitos desse público. Além disso, é de suma importância
fortalecer os espaços de discussão e defesa, como o Fórum Estadual de
Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes; Conselho
Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes – COMDICA; como
também os serviços de denúncia já existentes, tanto em nível federal, estadual
e municipal, já mencionados pelos entrevistados como fonte de denúncia, e
promover campanhas de conscientização e esclarecimento para a sociedade
civil, pois esta e outras pesquisas nesta área
apontam que os moradores
locais ocupam espaço significativo na exploração sexual de crianças e
adolescentes.
Quanto ao perfil do explorador, é importante ressaltar que em pesquisa
recente foi divulgado que: “um maior nível de violação de direitos de crianças e
adolescentes tem os “moradores locais” (54,9%) como principais clientes, vindo
em segundo plano, e bem distante do primeiro, os “turistas estrangeiros”, com
24,4% de indicações, ficando o “turista brasileiro” com 12,5% e o
“caminhoneiro” com 2,4% de ocorrências.” (DIOGENES: 2008: p.228).
Observando tais dados, constata-se que as políticas de enfrentamento desta
problemática devem estar focalizadas no morador local, sem, no entanto,
esquecer o turista, que também fortalece a rede de exploração.
No caso específico desta pesquisa, que tem um recorde territorial
concentrado na orla marítima e nos pontos de entrada do turista, certamente
retrata um influxo maior do turismo na exploração sexual de crianças e
398
adolescentes e indica uma rede de exploração onde estão envolvidos setores
produtivos que se movimentam, principalmente, em torno do turismo.
Essa realidade demonstra também a necessidade de ações educativas e
punitivas voltadas especificamente para a cadeia produtiva do turismo, que
comprovadamente exercem um forte papel como atores nessa prática; como
também para os turistas que chegam a Fortaleza, de diferentes origens, os
quais, pela particularidade desta Pesquisa, são os maiores exploradores de
crianças e adolescentes desta cidade. Como afirma DIÓGENES (2008: p.229):
“Qualquer ação institucional que tenha como foco atuar no campo
do enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes
deve não apenas visualizar os sujeitos e suas práticas exclusivas
nesse campo; deve, em contrapartida, ter como foco as várias
tramas e ações que produzem o ato de fazer programa.”
No que tange à relação da exploração sexual de crianças e adolescentes
com o turismo em Fortaleza, a pesquisa possibilitou perceber, de forma clara e
evidente, o íntimo contato entre ambos. Os questionários aplicados aos cinco
segmentos selecionados da cadeia produtiva do turismo, composto por: meios
de hospedagem, taxistas, bares/restaurantes/barracas de praia, ambulantes,
guias de turismo; permitiram identificar situações de como acontece a prática
da exploração, principais intermediadores, facilitadores, existência de uma
rede, e muitas outras respostas até então não reveladas.
Verificou-se
que
os
taxistas
foram
considerados
os
maiores
influenciadores e intermediadores da prática da exploração sexual de crianças
e adolescentes, seguidos dos meios de hospedagem e barracas de praia. Foi
notória a rede de exploração originada no exterior, visto que um grande
percentual desses turistas e estrangeiro, o que comprova ainda que muitos
desses turistas programam suas viagens com todo o roteiro pré-determinado,
em função do motivo do deslocamento.
399
Os resultados evidenciaram o impacto negativo causado na imagem do
destino turístico em função da existência de casos de exploração sexual de
crianças e adolescentes. Entretanto os atores da cadeia produtiva do turismo,
que participaram da pesquisa, assumiram a existência dessa prática, porém
acreditam estar prestando serviços turísticos seja qual for o perfil do turista e
motivo de sua viagem.
Os dados apresentados norteiam, através de fatos concretos, para a
construção de políticas públicas municipais com fins ao combate e erradicação
dessa prática, com fundamentação de dados qualitativos e quantitativos para
melhor criação de programas que visem combater a exploração sexual.
A partir das análises efetuadas, sugerem-se algumas ações importantes a
serem executadas pelos órgãos públicos:
•
Realização de campanha publicitária não só com a cadeia
produtiva do turismo, mas também com a população local.
•
Trabalhar campanhas nos principais destinos emissores de turistas
internacionais para o Brasil.
•
Elaboração de material promocional enfatizando o combate à
exploração sexual.
•
Divulgação das formas de denúncia.
•
Realização de reuniões com membros da cadeia produtiva do
turismo para sensibilizar sobre a problemática e suas formas de
combater.
•
Mobilização de entidades e órgãos públicos para os impactos
negativos gerados pela exploração sexual, entre outras.
Fica clara a estreita influência da exploração sexual de crianças e
adolescentes no turismo, o que provoca uma imagem preconceituosa, por parte
de turistas estrangeiros e nacionais, que possuem outras finalidades.
400
Todos os resultados e análises ora apresentados fundamentam para a
realização de futuras ações de combate à exploração sexual de crianças e
adolescentes.
401
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