1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – GESTÃO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO MARTA DIAS WOOD’S BAR DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE Balneário Camboriú 2010 2 MARTA DIAS WOOD’S BAR DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DE ESTOQUE Esta Monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de Bacharel em Administração e aprovada pelo Curso de Administração – Gestão Empreendedora da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação de Balneário Camboriú. Área de Concentração: Administração Balneário Camboriú, 14 de junho de 2010. ______________________________ Prof. MSc. Manuel Carlos Pinheiro da Gama Orientador ______________________________ Prof. MSc. Márcio Daniel Kiesel Avaliador _______________________________ Prof. MSc. Roberto Hering Avaliador 3 EQUIPE TÉCNICA Estagiária: Marta Dias Área de Estágio: Administrativa Professor Responsável pelos Estágios: Lorena Schröder Supervisor da Empresa: Edwino Vonborstel Neto Professor orientador: Manuel Pinheiro da Gama 4 DADOS DA EMPRESA Razão Social: WB PROMOÇOES PROMOÇÕES E EVENTOS – WOOD’S BAR BALNEÁRIO CAMBORIÚ Endereço: AV ALTÂNTICA 4450 BARRA SUL – CEP 88330-027 – BALNEÁRIO CAMBORIÚ. Setor de Desenvolvimento do Estágio: ADMINISTRATIVO Duração do Estágio: 240 horas Nome e Cargo do Supervisor da Empresa: Edwino Vonborstel Neto Carimbo do CNPJ da Empresa: 08428718/0001-95 5 AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA Balneário Camboriú, 14 de junho de 2010. A Empresa Wood’s Bar, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, a divulgar os dados do Relatório de Conclusão de Estágio executado durante o Estágio Curricular Obrigatório, pela acadêmica Marta Dias. EDWINO VONBORSTEL NETO Responsável pela Empresa 6 "Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu." Luís Fernando Veríssimo 7 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a Rafael Pierozan, esposo dedicado, que esteve presente em todos os momentos dessa jornada. Com toda sua compreensão, paciência e verdadeiro amor tornaram possível a conclusão desse curso. 8 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por todas as oportunidades, pela garra e determinação para a realização dessa etapa da minha vida. Agradeço imensamente ao meu amado e dedicado esposo, por me apoiar sempre, confiar na minha capacidade e tornar possível a realização desse sonho. Agradeço aos meus familiares, que torceram por essa conquista, mesmo aqueles que por algum motivo estiveram longe, no entanto, acreditando na minha capacidade. Aos mestres e professores pelo aprendizado que me proporcionaram em especial ao meu orientador, Professor Manuel Carlos Pinheiro da Gama, que sempre esteve disposto a me ajudar, agradeço sua orientação, confiança e dedicação na elaboração deste trabalho. À Coordenação, funcionários e professores do Curso de Administração, pelo apoio recebido ao longo do curso Aos amigos e amigas que souberam entender minha ausência e afastamento em diversos momentos e que ouviram pacientemente meus desabafos sempre trazendo palavras de otimismo e confiança. As pessoas que conheci nesses quatros anos de faculdade, que mais que colegas de aula se transformaram em amigos para a vida, e finalmente, a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para eu ter força para terminar o curso. Agradeço também a Wood’s – Bar, pela oportunidade de realizar este trabalho e por fornecer informações e condições necessárias para sua execução. 9 RESUMO O presente trabalho de conclusão de curso apresenta por objetivo avaliar a área de gestão dos estoques da empresa Wood’s Bar de Balneário Camboriú, uma vez que, os indicadores apresentem-se como positivos de maneira a transformar essa percepção como o fator motivador da pesquisa a constatação de que isso ocorra de fato. Para tanto descreve o processo de gerenciamento de estoque e de compras mapeando os processos de armazenamento e distribuição, conferencia e reposição de produtos através dos dois bares da empresa. Apresenta a perspectiva dos gestores quanto aos procedimentos administrativos gerenciais, pontuando o gerenciamento da administração de materiais, considerando aspectos positivos, bem como anomalias encontradas. A metodologia utilizada no presente trabalho é uma pesquisa exploratória descritiva, com abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando como instrumentos de coletas a entrevista semi-estruturada, observação participante e pesquisa documental. Os resultados apontam a importância da venda de produtos no movimento financeiro da empresa, e ainda o reconhecimento de políticas de gerenciamento empíricos, mas com eficientes resultados alcançados; identificam aspectos que podem ser melhorados no processo de armazenamento e movimento de estoques. O trabalho conclui apresentando sugestões de formas de gerenciamento de estoques para melhorar a rentabilidade da empresa, bem como torná-la ainda mais competitiva. Palavras-chave: Administração, administração de materiais, gestão de estoques 10 ABSTRACT This work of completion presented to evaluate the area of inventory management company's Wood's Bar Camboriú, since the indicators have as positive a way as to transform this perception as the motivating factor of the research findings that this in fact occurs. For that describes the process of inventory management and purchasing processes mapping the storage and distribution conference and replacement products through two bars of the company. Presents the perspective of managers and administrative management procedures, scoring the management of materials management, considering the positive aspects and deficiencies found. The methodology used in this study is a descriptive exploratory study with qualitative and quantitative approach, using as instruments for collecting the semi-structured interviews, participant observation and documentary research. The results show the importance of selling products on the financial turnover of the company, and finally the recognition of empirical management policies, but with effective results; identify aspects that can be improved in the process of storage and movement of inventory. The paper concludes with suggestions for ways to improve inventory management for the company's profitability and make it even more competitive. Keyword’s: management, materials management, inventory management 11 LISTA DE FIGURAS, GRÁFICOS E QUADROS Figura 1 ..............................................................................…………………… 48 Figura 2 ……………………………………………………………………………… 49 Figura 3........................................................................................................... 53 Figura 4........................................................................................................... 54 Figura 5........................................................................................................... 55 Quadro 1......................................................................................................... 25 Quadro 2......................................................................................................... 50 Gráfico 1......................................................................................................... 52 12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO............................................................................................. 14 1.1 Justificativa…………………….................................................................... 15 1.2 Problema de Pesquisa………………………………………………………… 15 1.3 Objetivo Geral............................................................................................. 16 1.4 Objetivo Específico ……............................................................................. 16 1.5 Contexto do Ambiente de Estágio ……...................................................... 16 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................... 19 2.1. Administração Contexto e Definições...................................................... 19 2.2. Administração de Materiais............................................................... 21 2.3. Gestão de Estoques e Conservação....................................................... 22 2.3.1. Classificação ABC.......................................................................... 28 2.4. Gerenciamento de Compras e Suprimentos........................................ 29 2.4.1. A Função de Compras........................................................................ 29 2.4.2. O Modelo de Lote Econômico de Compras....................................... 35 2.4.2.1. Lote Econômico de Compras (sem faltas)................................... 37 2.4.2.2. Lote Econômico de Compras (admitindo faltas)........................... 37 2.4.2.3. Lote Econômico com Desconto de Quantidades.......................... 37 2.5. O Modelo Just-in-time...................................................................... 38 2.6. O Modelo Kanban…………………………………………………………….. 39 2.7. O Modelo 5S………………………………………………………………….. 40 2.7.1. Seiri (utilização)……………………………………………………………... 41 2.7.2. Seiton (arrumação, ordenamento).................................................... 41 2.7.3. Seiso (limpeza)………………………………………………………………. 42 2.7.4. Seiketsu (padronização)……………………………………………………. 42 2.7.5. Shitzuke (disciplina)…………………………………………………………. 43 3. METODOLOGIA........................................................................................... 44 3.1 Tipologia da pesquisa …………………………………………………………. 44 3.2 Sujeito do estudo……………………………………………………………….. 45 3.3 Instrumentos de pesquisa……………………………………………………... 45 13 3.4 Análise e apresentação .....................……………………………………….. 46 3.5 Limitações da pesquisa ……………………………………………………….. 46 4. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS……………………………………... 47 4.1. A Caracterização da Operação de Materiais.................……………... 47 4.2. Procedimentos da Operação dos Estoques….....…………………….. 53 5. CONCLUSÕES DA PESQUISA...…………………………………………… 58 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 61 7. SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS.…………………………. 62 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...…………………………………....... 63 14 1 INTRODUÇÃO O atual momento econômico vivenciado pelas organizações se compõe de três fases evolutivas: o aperfeiçoamento das técnicas de gestão e controle de produção em massa, a consolidação da larga utilização de ferramentas de gestão estratégica e mercadológica e o estudo, aprimorando e disseminação do conceito de empreendedorismo. Dessa forma, o processo de administração apresenta como característica dominante o fato de que as organizações direcionaram suas preocupações com suas operações e problemas internos, proporcionando a evolução alcançada na administração das empresas atual. Diante desse contexto, novos instrumentos, formas e técnicas de gestão foram desenvolvidos, tornando as empresas mais competitivas. Percebe-se que o planejamento e a boa gestão dos recursos tornaram-se importantes condições para sua sobrevivência, de forma a traçar antecipadamente os possíveis caminhos a serem percorridos para alcançar os objetivos propostos. Dentre os processos de gerenciamento, vem ganhando destaque a administração de materiais. Assim sendo, gerenciar todos os processos de aquisição e conservação de materiais de forma eficiente e eficaz é essencial para a consolidação de qualquer empresa. O gerenciamento de materiais compreende a gestão de todos os fluxos de produtos, de informações, incluindo os aspectos dos recursos financeiros, distribuídos entre toda a cadeia de fornecedores culminando com o consumidor final (Ballou e Gilbert, 2000). Dessa forma o gerenciamento de materiais e logística tem como missão, além da minimização do custo total da operação, o dever de determinar o nível de serviço no processo para viabilizá-los de forma eficiente e eficaz. Para que a gestão de materiais assuma papel relevante na criação de vantagem competitiva, suas principais decisões devem ser norteadas de modo a criar e 15 desenvolver padrões coerentes visando o desenvolvimento de posições competitivas sustentáveis, sob todos os aspectos da empresa. Neste contexto, alinhar as proposições de gestão de recursos materiais de forma a sustentar o planejamento das empresas é um fator crítico de sucesso para a boa gestão empresarial. Sabe-se que grande parte das pequenas empresas é gerenciada de forma empírica, ou seja, não estão habituadas a desenvolver, determinar e implementar os conceitos de administração, deixando de aproveitar todos os benefícios proporcionados. 1.1 Justificativa A proposição do presente trabalho se justifica pelo atendimento da necessidade da organização na busca de melhorias no seu processo gerencial/operacional em virtude das condições competitivas atuais do mercado. Sob o ponto de visto científico, embora haja consideráveis trabalhos sobre o tema, a diversificação de empresas em termos de porte, cultura e escopo de negócio, não esgota as questões de planejamento estratégico e logístico, mantendo em grande conta o interesse no seu desenvolvimento. O presente estudo também se justifica pelo fato da empresa apresentar preocupação com sua atuação a nível de competitividade, fazendo-se necessário a sua organização de forma mais adequada para atuar, bem como definir quais estratégias e políticas deverão ser adotadas para que atinja o sucesso. Para a acadêmica, o presente trabalho se impõe como um desafio no que tange aos estudos dos conceitos de logística, administração de materiais e gestão de estoques estudados durante a sua formação acadêmica. 1.2 Problema de pesquisa O objetivo principal do presente trabalho de conclusão de curso é avaliar a gestão de estoques do Wood’s Bar de Balneário Camboriu, e descobrir quais os problemas 16 existentes no seu processo suprimento e armazenagem de materiais. Portanto a questão problema a ser respondida é: Como o Wood’s Bar de Balneário Camboriú opera a sua gestão de estoques? 1.3 Objetivo Geral Diante do problema proposto o objetivo geral do presente trabalho é: Analisar a estrutura operacional e estratégica da gestão de materiais do Wood’s Bar de Balneário Camboriú. 1.4 Objetivos específicos Para se alcançar o objetivo geral são propostos os seguintes objetivos específicos: Descrever o work flow de abastecimento e processo gerencial de estoque; Levantar a composição do estoque dos produtos da empresa; Propor melhorias através da comparação dos resultados obtidos com a literatura sobre o tema. 1.5 Contexto do Ambiente de Estágio Inaugurada em agosto de 2005, Wood’s bar, popularmente denominada como balada, começou de brincadeira em um churrasco entre amigos na faixa dos 20 anos que queriam opção de divertimento sertaneja que fosse a cara deles. Em 2006 o Wood’s consolidou sua posição como a melhor casa noturna de Curitiba no segmento Country, e uma das melhores opções de entretenimento na noite Curitibana. Um dos pontos chave para esse sucesso é a ousadia para inovar. Do primeiro momento até agora o Wood’s traz como diferencial a busca pela qualidade e inovação constantes. Em 2007 o Wood’s começou o ano com uma grande renovação mantendo-se fiel à sua proposta, com novo visual e decoração mais refinada, modernização dos sistemas de climatização e renovação de ar, camarotes mais confortáveis e melhor 17 estruturados são algumas das novidades muito bem recebidas pelo público, fazendo do Wood’s cada vez mais a primeira opção quando se trata de diversão com qualidade. Em setembro de 2007 a família Wood’s cresceu e a Wood’s Bar Curitiba ganhou um irmão mais novo: o Wood’s Pub. Localizado na Rua Coronel Dulcídio, no coração do Batel, o Wood´s Pub tem uma proposta diferente da Wood’s Bar. O Wood’s Pub é uma casa para 150 pessoas, com proposta de música acústica, conforto e qualidade no atendimento. Além disso, serve almoço diário com pratos típicos da culinária regional brasileira em sistema de buffet, além da tradicional feijoada aos sábados e deliciosos pratos e petiscos na parte da noite. Em fevereiro de 2008, a família Wood´s recebeu o prêmio de “Balada” mais lembrada pelo Top Of Mind Universitário 2007. Com isso, a marca se fortalece a cada ano, sempre pensando na qualidade oferecida aos seus clientes. No dia 29 de dezembro de 2008, o Wood´s Bar rompeu barreiras e abriu suas portas em Balneário Camboriú, Santa Catarina e confirmou o sucesso absoluto da marca Wood’s. Instalada no espaço deixado pela Mein Beir, famosa cervejaria da cidade, a casa foi totalmente reformada e preparada para agradar o seleto público freqüentador da casa. Hoje, mais do que uma balada, o Wood’s tornou-se um negócio e um estilo que nasceu em Curitiba (PR), veio para Balneário Camboriu (SC) e até o final do ano estará em Brasília (DF) e São Paulo (SP). Prova que quando uma marca tem uma função na vida das pessoas, merece fidelidade, pode romper limites geográficos, culturais, de valores, preconceitos e, mais do que consumidores, ela ganha adeptos, defensores e apaixonados. A marca Wood´s é lembrança absoluta na cabeça dos universitários e dos mais antenados formadores de opinião em Curitiba, interior do Paraná e Santa Catarina. O Grupo Wood´s hoje é sinônimo de ousadia, diversão e gente bonita. As casas do Grupo são freqüentadas por um público seleto, que se encanta com as inovações e 18 tendências, tanto na arquitetura, quanto na excelência dos serviços oferecidos. Wood’s Bar está situado na Avenida Atlântica 4450, Barra Sul, Balneário Camboriú. 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo são apresentados os conceitos academicamente aceitos sob três linhas principais: Administração, Logística e Administração de Materiais, que servem de base para a pesquisa e desenvolvimento do presente trabalho. 2.1 Administração Contexto e Definições Desde os primórdios da sociedade humana existem idéias e práticas de administração, entretanto, somente após as grandes transformações sociais dos séculos XV e XVI, com o nascimento do capitalismo e a Revolução Industrial no século XVIII, que o conceito de eficiência se firmou como um objetivo básico da administração. A Revolução Industrial tornou o trabalho mais eficiente, com princípios que nortearam a evolução das sociedades através dos tempos. Neste sentido, Stoner (1985) afirma que, com a Revolução Industrial no final do século XVIII, o avanço tecnológico e a substituição do trabalho humano pelo trabalho das máquinas geraram severas mudanças, fazendo com que as fábricas necessitassem de profissionais capacitados para administrá-las, dando origem à perspectiva clássica da administração. Segundo Lodi (1993) as origens do pensamento administrativo são encontradas nos economistas clássicos do início do século XIX e nos pioneiros dos estudos da administração, estes que são Adam Smith dando ênfase à divisão do trabalho e seus benefícios; Robert Owen que chamou a atenção quanto aos problemas humanos da industrialização; Charles Babbage recomendou à fixação de um tempo padrão para operações repetitivas, a importância da especialização e da divisão do trabalho, estudo corporativo das praticas administrativas, entre outros estudos. O administrador é o profissional capacitado para tomar as decisões dentro de uma organização, ele deve estar preparado para orientar, controlar e liderar os indivíduos que fazem parte desta, visando atingir as metas e objetivos pré-estabelecidos. 20 Podemos conceituar administração sob diversas óticas diferentes. Corroborando com a ótica da gestão de materiais, Stoner (1985. p. 18), descreve que “administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais.” Com enfoque na gestão de pessoas, Lacombe e Heilborn (2006, p. 48) colocam que “A administração é definida como um conjunto de princípios e normas que tem por objetivo planejar, organizar, dirigir, coordenar e controlar os esforços de um grupo de indivíduos que se associam para atingir um resultado comum”. Os autores acima não deixam de lado o aspecto material, posteriormente descrevem que a administração, quando aplicada a uma empresa, deve tirar o melhor proveito dos recursos que estejam à sua disposição, de forma a aproveitar todas as oportunidades existentes e que possam, futuramente, surgir. Robbins e Decenzo (2004, p. 06) seguem a linha pessoal e contextualizam que “o termo administração se refere ao processo de fazer com que as coisas sejam executadas, com eficácia e eficiência, por meio de outras pessoas e com elas”. A administração pode ser compreendida sob outros aspectos, como relatam Andrade e Amboni (2007), observando-se o conceito de forma ampla, não se limitando a execução, mas tendo como determinantes quatro grandes fatores, quais sejam: o planejamento, a organização, a direção e controle de forma interconectada. A partir destes estudos é possível determinar que o conceito de administração esteja intimamente relacionado com a eficiência, sendo esta imprescindível para o bom exercício daquela. Nesta perspectiva, Cury (2000) descreve que a eficiência é alcançada quando o executivo manipula, de forma adequada, os insumos de que necessita para atingir os resultados almejados. Segundo Chiavenato (2004) a eficiência significa fazer bem e corretamente as coisas. Relaciona-se com os meios. Um administrador eficiente é aquele cuja 21 unidade de trabalho opera diariamente com um custo mínimo de materiais e trabalho, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis. Lacombe e Heilborn (2006) definem eficiência como fazer bem feito, no sentido mais amplo, se refere àquilo que está sendo feito da maneira certa. Por outro lado definem eficácia como fazer aquilo que efetivamente precisa ser feito para atingir resultados válidos, isto é, fazer a coisa certa. Diante dos conceitos expostos entende-se que a definição de administração mais adequada à proposta do presente trabalho é a de Robbins e Decenzo (2004), uma vez que os autores contextualizam o termo administração se referindo a um processo de fazer com que as decisões sejam executadas de forma bem feita e correta, utilizando-se das pessoas engajadas nesse processo. 2.2 Administração de Materiais A Administração de materiais é definida como sendo um conjunto de atividades desenvolvidas em uma empresa, de forma centralizada ou não, destinada a suprir as diversas unidades com os materiais necessários ao desempenho normal das respectivas atribuições. Tais atividades abrangem: compras, recebimento, armazenamento, fornecimento às áreas requisitantes e as operações gerais de controle de estoque, Chiavenato (1991). Dessa forma a administração de materiais tem como objetivo a garantia da existência contínua de um estoque, organizado, de forma a nunca faltar nenhum dos itens que o compõe, sem tornar excessivos os investimentos e custos operacionais. A administração de materiais moderna é conceituada como um sistema integrado em que diversos subsistemas próprios interagem para constituir um todo organizado. Destina-se a empregar os meios necessários ao suprimento de materiais imprescindíveis ao funcionamento da organização, no tempo oportuno, na quantidade necessária, na qualidade requerida e no menor custo. 22 A oportunidade, no momento certo para o suprimento de materiais, influi no tamanho dos estoques. Assim sendo, suprir antes do momento oportuno poderá acarretar em estoques altos, acima das necessidades imediatas da organização. Por outro lado, a providência do suprimento após esse momento, poderá levar a falta do material necessário ao atendimento da administração, Pozo, (2001). Uma das maiores dificuldades da administração de materiais reside na distância entre o processo produtivo e os sistemas de apoio, fato que se repete na administração de recursos humanos e outros sistemas atuantes nas unidades. Neste sentido, os materiais permeiam e se movimentam por toda a empresa dentro de um fluxo incessante e contínuo para alimentar as atividades. No fundo, o fluxo de materiais guarda semelhanças com o fluxo sanguíneo nas artérias humanas, alimentando os tecidos e órgãos (CHIAVENATO, 1991, p.91). Estes eventos, tempo oportuno e quantidade necessária, acarretam, se mal planejados, custos financeiros indesejáveis. 2.3 Gestão de Estoques e Conservação Na perspectiva de otimização de recursos, Dias, (2009) acredita que a meta principal de uma empresa é, sem dúvida, maximizar o lucro sobre o capital investido nos processos de operação da organização, abrangendo desde as instalações de planta, equipamentos, processos administração e gerenciais abrangendo as áreas financeiras e de vendas, bem como os recursos alocados em reserva de caixa e em estoques de materiais e matérias primas. Ainda segundo o autor o objetivo, portanto, é otimizar o investimento em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios internos da empresa, minimizando as necessidades de capital investido na operação. O controle de estoques exerce uma influencia muito grande na rentabilidade da empresa. Os estoques absorvem capital que poderia estar sendo investido de outras maneiras, desviam fundos de outros usos potenciais e tem o mesmo custo de capital que qualquer outro projeto de investimento da empresa, para isso é necessário que 23 haja planejamento. A gestão de estoque constitui uma serie de ações que podem permitir ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados. Nesse contexto, Moura (2004) define estoques como um conjunto de bens armazenados, com características próprias, que atendem aos objetivos e necessidades da empresa. Portanto todo item armazenado em um depósito, almoxarifado, prateleira, gaveta ou armário para ser utilizado pela empresa em suas atividades tanto de produção, como de administração é considerado um item do estoque da organização. Pode-se citar alguns exemplos, de acordo com sua natureza: • Administrativo: lápis, caneta, papéis, clipes, etc.; • Manutenção ou reposição: ferramentas, parafusos, óleos etc.; • Matérias-primas: itens relacionados às atividades da empresa, utilizados em seu processo produtivo; geralmente, os mais caros e os mais estocados, devido a sua influência no ciclo. Segundo Ching (1999), a gestão de estoque era vista como meio de reduzir os custos associados a aquisição e a gestão de materiais. Ampliando o contexto, Wanke, (2008) destaca que uma empresa em destaque, pronta para enfrentar fortemente a concorrência do mercado deve trazer à tona os problemas de todo o ciclo produtivo, de forma a possibilitar ajustes eficazes em seu processo, resultante em redução de custo e economia nas aquisições. O estoque tem administrado traz grande impacto positivo na empresa em virtude do alto volume de dinheiro empregado. Por outro lado Ching (1999) descreve que o planejamento, na perspectiva da gestão de estoque, consiste na determinação dos valores que o estoque terá com o correr do tempo, bem como na determinação das datas de entrada e saída dos materiais do estoque e na determinação dos pontos de pedido de material. 24 Ainda segundo o autor, para o efetivo gerenciamento do controle de estoques, descreve os princípios, ou funções principais, básicos, para sua efetivação, quais sejam: Numero de itens. Determinar o que deve permanecer em estoque.; Periodicidade. Determinar quando se devem reabastecer os estoques. Determinar quanto de estoque será necessário para um período predeterminado; Acionar o departamento de compras para executar a aquisição de estoques; Receber, armazenar e atender os materiais estocados de acordo com as necessidades; Controlar os estoques em termos de quantidade e valor e fornecer informações sobre a posição sobre a posição do estoque; Manter inventários periódicos em termos de quantidade e estados dos materiais estocados; e Identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e danificados. O autor ainda acredita que dois outros fatores devem ser observados quais sejam: 1. Custo de armazenagem 2. O processo de desenvolvimento industrial, intensificando a concorrência das empresas em todas as áreas, faz com que o empresário ataque a decididamente o problema da minimização de custos. Entre os tipos de custos que afetam de perto a rentabilidade da empresa, o custo da estocagem ou armazenamento dos matérias é, sem dúvida nenhuma, o que está merecendo uma grande atenção do empresário. Na visão da classificação dos materiais, Viana (2005) propõe que estes podem ser classificados por tipo de demanda. Este tipo de classificação é utilizado para identificar quais itens terão controle de estoque e quais itens não terão. Sua 25 importância refere-se no sentido de só armazenar em estoque os produtos realmente necessários. Materiais de estoque: são os materiais que terão controle de estoque, ou seja, normalmente terão quantidades em estoque. O ressuprimento destes materiais é controlado com base na previsão de demanda e na sua importância para empresa. Materiais não de estoque: são os materiais com demanda imprevisível e para estes não é definido ressuprimento automático. A aquisição destes materiais é efetuada somente após feita uma solicitação direta do usuário, ou seja, estes materiais serão comprados somente para atender uma demanda específica e pontual. Para Ching (1999), os materiais para serem classificados devem seguir as determinantes de três características básicas, conforme descrito no quadro Nº 1. PERECIBILIDADE PERICULOSIDADE DIFICULDADE DE AQUISIÇÃO Refere-se ao desaparecimento das propriedades físicoquímicas do material e também ao fator tempo, ou seja, o material é adquirido para ser utilizado em data oportuna, e se não for consumido dentro deste período poderá não ter mais utilidade. Este tipo de classificação permite algumas medidas: lotes de compras mais racionais, revisões periódicas de estoque e seleção adequada de locais de estocagem. São os materiais cujas características físico-químicas possuem incompatibilidade com outros materiais do estoque, oferecendo riscos à segurança do ambiente onde estão localizados. Esta classificação terá muita utilidade para questões de manuseio, transporte e armazenagem destes materiais. Refere-se a alguns tipos de dificuldades de aquisição: fabricação especial; escassez no mercado; sazonalidade; monopólio ou tecnologia exclusiva;logística sofisticada e importações. Quadro1: Classificação de materiais. Fonte: Adaptado de Ching (1999) Segundo Martins (2000, p.141), a necessidade de manter estoques gera uma série de custos. Basicamente, estes custos podem ser classificados em três grandes categorias: Custos diretamente proporcionais, que ocorrem quando os custos aumentam à medida que o estoque aumenta ou vice-versa; Custos inversamente proporcionais ocorrem quando os custos diminuem à medida que o estoque 26 aumenta ou vice-versa; e por fim, Custos independentes, são os custos que independem da quantidade estocada. O custo de armazenagem é a soma de diversos custos: custos de capital, seguro, transportes, obsolescência e despesas diversas (DIAS, 1997-b, p.48). Ocorre que não apenas o excesso de materiais gera custos, existem também os custos gerados pela falta destes em estoque. Sobre isso, Moreira (1998, p.466), na obra Administração da Produção e Operações, coloca que os custos da falta de estoque são as conseqüências econômicas sofridas pela empresa quando um material falta em estoque. Por exemplo: perda de vendas, perda da imagem da empresa, entre outros. Para Dias (1997, p.51), os custos por falta de estoque não podem ser calculados com grande precisão, mas podem ser determinados das seguintes maneiras: Por meio de lucros cessantes, ou seja, perdas de receitas por cancelamentos de pedidos e parada de produção; Por custeios adicionais, substituição no fornecimento de determinados produtos por material de terceiros; Por custeios de não cumprimento de contratos, são as multas contratuais por não cumprimento de prazos; Por quebra da imagem da empresa, principalmente em relação a atrasos, o que beneficia a concorrência. Ainda de acordo com Dias (1997, p.51), considerando-se fixo o preço de um determinado produto, o cálculo do custo total é o somatório do custo de armazenagem e do custo de pedido. Infere-se através das afirmações acima que o ideal é que exista uma otimização do controle e gestão de estoque para que este seja sempre suficiente, ou seja, nunca haja sobras muito grandes, gerando custos adicionais e também não haja falta de materiais, ocasionando as despesas supracitadas, neste ponto, Viana (2000, p.149), afirma que o estoque pode ser otimizado através de parâmetros, os quais têm por finalidade manter permanentemente os níveis de estoque ajustados em função do consumo, prazo de reposição, importância operacional e valor. 27 De acordo com Viana (2000, p.155), o tempo de reposição é o intervalo de tempo desde a emissão do pedido de compra para o fornecedor até o recebimento do material. Dias (1997, p. 59), o estoque disponível deve considerar o estoque físico, os fornecimentos em atraso e os fornecimentos em aberto ainda dentro do prazo. A prática normal consiste em agrupar o saldo em fornecedores como um saldo único. O estoque disponível também é conhecido por estoque virtual. Estoque Disponível = Estoque Físico + Saldo em Fornecedor. Para que não ocorra a falta de matérias em estoque, gerando as conseqüências já discutidas, é necessário que se estipule uma quantidade mínima de estoque, acerca disto, (1997, p.63) coloca que, a definição do estoque mínimo é uma das mais importantes informações da gestão de estoques. Esta importância deve-se à relação direta do estoque mínimo com o grau de imobilização financeira da empresa. A definição do estoque mínimo tem influência direta na determinação do ponto de pedido. Para Chiavenato (1991, p.83), o ponto de pedido é a quantidade ou nível de estoque que, quando atingido, deverá gerar um novo pedido de compra. Arnold (1999, p. 319), traz um conceito de ponto de pedido que engloba diversas outras definições já tratadas no trabalho, segundo ele: o ponto de pedido é o nível de estoque pré-determinado que quando atingido emite-se um novo pedido de compra do material. Neste sistema, um pedido deve ser feito quando ainda há quantidade suficiente em estoque para satisfazer à demanda durante o tempo de reposição. Segundo Viana (2000, p.149), o estoque máximo é a quantidade máxima em estoque permitida para o material. Uma de suas finalidades é indicar a quantidade a ser comprada, pois quando o ponto de pedido for atingido deve-se fazer um novo pedido com base no lote econômico de compra para se atingir o estoque máximo. 28 2.3.1 Classificação ABC A origem da Classificação ABC vem da Curva de Pareto desenvolvida pelo economista, sociólogo e engenheiro italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), que em 1897 estudou a distribuição de renda entre a população do sistema econômico em que vivia e descobriu uma regularidade na distribuição de renda, estabelecendo a partir de então o princípio de que a maior parte da renda nacional concentrava-se em uma pequena parte da população e que qualquer medida que atingisse duas ou três classes majoritárias estaria englobando a maior parte da população (VIANA, 2000, p.64). Segundo Arnold (1999, p.283), a classificação ABC determina a importância dos itens do estoque permitindo assim diferentes níveis de controles de acordo com esta importância. Normalmente a classificação ABC baseia-se no consumo anual em valores monetários. De acordo com Chiavenato (1991, p.78), a Curva ABC pode ser dividida em três classes: Classe A: constituída de poucos itens. De 15 a 20% do total dos itens que representam em torno de 80% do valor do estoque. Classe B: constituída de uma quantidade média de itens. De 35 a 40% do total dos itens que representam em torno de 15% do valor do estoque. Classe C: constituída de uma quantidade enorme de itens. De 40 a 50% do total dos itens do estoque, que representam em torno de 5 a 10% do valor do estoque. Para Martins (2000, p.162), não existe um padrão totalmente aceito quanto ao percentual do total dos itens de cada classe da Classificação ABC. A classe A representa os itens mais significativos, algo entre 35% a 70% do valor consumido do estoque, os itens da classe B representam entre 10% e 45%, e os itens da classe C o restante. Conforme Moreira (1998, p.325), na obra Introdução à Administração de 29 Produção e Operações, deve-se ir pelo bom senso, tendo como base a importância de cada classe em relação ao investimento em estoque. A Classificação ABC pode ser transformada em uma Curva ABC ou Curva de Pareto. Para isso, devem-se colocar os itens de estoque em uma tabela ordenados de forma decrescente com base na coluna valor do estoque acumulado ou valor do consumo anual (CHIAVENATO, 1991, p.78). 2.4 Gerenciamento de compras e suprimentos 2.4.1 A Função de Compras Ao longo do tempo, a função compras passou a ser imprescindível para a administração de recursos materiais de uma empresa. Hoje saber comprar de forma a beneficiar a organização é determinante não somente para a competitividade, como para a própria permanência da empresa no mercado. Segundo Ballou (2001), Baily et al (2000), Arnould (1999), a função compras tem por finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento certo com as quantidades necessárias, conferindo o que foi recebido com o que efetivamente foi comprado e providenciar armazenamento. Algumas pesquisas indicam que o total gasto pelas empresas com compras varia de 50% a 80% da receita bruta. Portanto, pequenas reduções no custo das aquisições podem repercutir de maneira altamente positiva no lucro da empresa. Ballou (2001) comenta que as atividades relacionadas a compras envolvem uma série de fatores como seleção de fornecedores, qualificação dos serviços, determinação de prazos de vendas, previsão de preços, serviços e mudanças na demanda, entre outros. 30 No âmbito operacional, Gaither; Frazier (2001), conceituam que o departamento de compras desempenha um papel fundamental na realização dos objetivos da empresa. Sua missão é perceber as necessidades dos produtos e serviços, tornando-se responsável pela entrega no tempo certo, pelos custos, qualidade e outros elementos na estratégia de operações. Para isso é fundamental manter um banco de dados de fornecedores atualizado, ter poder de negociação e estabelecer um relacionamento baseado na confiança mútua com o fornecedor. Confirmando o conceito, Moraes (2005) descreve que é necessário também que as pessoas que trabalham nesta área estarem muito bem informadas e atualizadas, além de terem habilidades interpessoais como poder de negociação, facilidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de gestão de conflitos. A importância das pessoas no processo de compras é reforçada por Baily et al. (2000, p.71), que definem o perfil ideal do comprador moderno da seguinte forma: (...) Vê a função como geradora potencial de lucro: acredita que deve contribuir para os planos a longo prazo como parceiro em igualdade de condições. Possui MBA; forte base financeira e tecnológica; assume que a área de compras é vital para o bem-estar da empresa, que necessita de contribuição criativa para os planos e as políticas corporativas. Aspira assumir uma diretoria; ansioso para eliminar as deficiências da administração de recursos humanos e proporcionar melhores condições de trabalho. Possui metas bem definidas para atingir objetivos, com o uso de melhor planejamento, criatividade e colaboração de outros executivos da empresa. Decorrente das mudanças ocorridas nas organizações, a função compras não é mais vista como uma atividade rotineira e sim como parte do processo de logística das empresas. Isso porque mais do que simplesmente adquirir produtos, o setor de compras atualmente se inter-relaciona com todos os outros setores da empresa, influenciando e sendo influenciado. Segundo Moraes (2005) o departamento de compras também pode assumir vários outros papéis. Um deles está relacionado com a negociação de preços com os fornecedores, dessa forma, essa negociação determinará o preço final dos produtos e, portanto, a competitividade da empresa. 31 Normalmente a função compras tem quatro objetivos principais: obter mercadorias e serviços na quantidade certa, com qualidade e a um menor custo; garantir que a entrega seja feita de maneira correta; e, desenvolver e manter boas relações com os fornecedores. Martins; Alt (2001) a esse respeito comentam que: Os objetivos de compras devem estar alinhados aos objetivos estratégicos da empresa como um todo, visando o melhor atendimento ao cliente externo e interno. Essa preocupação tem tornado a função compras extremamente dinâmica, utilizando-se de tecnologias cada vez mais sofisticadas e atuais como o EDI e a Internet. (MARTINS; ALT, 2001, p. 67) O setor de compras está também inter-relacionado com os níveis de estoque. A ele compete a tarefa de equilibrar a quantidade de materiais a serem comprados para que os demais departamentos da empresa encontrem-se satisfeitos continuamente. Dessa forma, é importante que se consiga otimizar o investimento, aumentando o uso eficiente dos meios financeiros, minimizando as necessidades de capital investido em estoques. (DIAS, 2007) A função compras trás a pauta sobre uma questão delicada e que está diretamente ligada à gestão de compras, os níveis de estoque, que apesar de significarem uma segurança de que a produção não precisará sofrer interrupções, ao mesmo tempo demanda custos na maioria das vezes altos para a empresa, pois tem que ser armazenados e controlados constantemente. Para Arnold (1999) a função compra é um processo muito amplo que acaba por envolver a todos na organização. O setor específico, geralmente, em face da competitividade empresarial, precisa da ajuda de outros setores da organização, como o de desenvolvimento de produtos, área financeira, para que as aquisições realmente tragam benefícios para a organização. Segundo Dias (1997-b) a evolução da função compras nas organizações mostra que é fundamental a atenção a ser dada a este setor. 32 Atualmente as empresas se preocupam muito com o processo de compras, pois este sendo executado com sucesso pode ser motivo de redução de custos para a empresa. Neste sentido cabe aos responsáveis por tal processo estarem atentos a preço, prazo, volume e qualidade para se beneficiarem da execução eficaz deste processo. (DIAS, 1997, p.45) Baily et al. (2000) comentam que o processo de compras cada vez mais está se envolvendo na tomada de decisões estratégicas das empresas, pois compras são vistas como uma área de agregação de valor, não simplesmente de redução de custos e também a maior consciência do crescimento do gasto em materiais e do potencial de lucro de compras. Os autores ainda descrevem que os objetivos básicos de uma seção de compras são: Obter um fluxo contínuo de suprimentos a fim de atender aos programas de produção coordenar esse fluxo de maneira que seja aplicado um mínimo de investimento que afete a operacionalidade da empresa comprar materiais e insumos aos menores preços, obedecendo padrões de quantidade e qualidade definidos procurar sempre dentro de uma negociação justa e honesta as melhores condições para a empresa, principalmente em condições de pagamento. Um dos parâmetros importantes para o bom funcionamento da seção de compras é a previsão das necessidades de suprimento. Assim, a informação das quantidades, qualidades e prazos que são necessários para a empresa operar. Estas informações que fornecem os meios eficientes para o comprador executar o seu trabalho. A busca de informações pode ser caracterizada como pesquisa de compras, que trata de suprir com informações e orientação analítica os departamentos interessados. Segundo Gaither; Frazier (2001), as pesquisas em compras pode ser dividido em áreas onde se aplicam as atividades. 1- Estudo dos materiais - avaliação das necessidades da empresa para períodos que variam de um a dez anos, tendência a curto e a longo prazo das ofertas e 33 demandas, tendências dos preços, melhorias tecnológicas, perspectivas para possíveis substitutos, desenvolvimento de padrões e especificações 2- Análise econômica - efeito dos ciclos econômicos sobre os materiais comprados em função das necessidades, tendências de preços gerais, influência das variações econômicas sobre fornecedores e concorrentes 3- Análise de fornecedores - qualificações de fornecedores ativos e em potencial, estudo das instalações dos fornecedores, avaliação do seu desempenho, análise da condição financeira. 4- Análise do custo e do preço – razões subjacentes às variações dos preços, estudo comparativo de peças semelhantes, análise dos custos e margens de lucro de um fornecedor, investigações a métodos alternativos de fabricação e de especificações de materiais. 5- Análise das embalagens e transportes – Efeito das localizações dos fornecedores sobre os custos, métodos alternativos de despachos, reclassificação dos artigos, introdução das melhorias nas embalagens, métodos melhorados de manipulação dos materiais. 6- Análise administrativa – Controle de formulários, simplificação do trabalho, emprego de processamento eletrônico de dados, preparação de relatórios. Um sistema adequado de compras pode apresentar variações em função da estrutura da empresa e em função da sua política adotada. A área de compras em sua sistemática podem ser introduzidas alterações com várias características básicas para poder comprar melhor e encorajar novos e eficientes fornecedores. Segundo, Moreira, (2005) de tempos em tempos os sistema de operação da área de compras vêm sendo aperfeiçoados, acompanhando a evolução e o progresso do mundo dos negócios, mas os elementos básicos permanecem, basicamente, os mesmos. Entre essas características pode-se destacar: a) Sistema de compras a três cotações: tem por finalidade partir de um número mínimo de cotações para encorajar novos competidores. A pré-seleção dos concorrentes qualificados evita o dispêndio de tempo com um grande número de fornecedores, dos quais boa parte não teria condição para fazer um bom negócio. 34 b) Sistema de preço objetivo: o conhecimento prévio do preço justo, além de ajudar nas decisões do comprador, proporciona uma verificação dupla no sistema de cotações. Pode ainda ajudar os fornecedores a serem competitivos mostrando-lhes que suas bases comerciais não são reais e que seus preços estão fora de concorrência. E garante ao comprador uma base para as argumentações nas discussões de aumentos de preço e nas negociações da porcentagem. c) Duas ou mais aprovações: no mínimo duas pessoas estão envolvidas em cada decisão da escolha do fornecedor. Isto estabelece uma defesa dos interesses da empresa pela garantia de um julgamento, protegendo o comprador ao possibilitar revisão de uma decisão individual. Não fosse só esta razão, poder-se-ia acrescentar mais uma: o sistema de duas aprovações permite que os mesmos estejam envolvidos pelo processamento da compra, uma vez que a sua decisão está sujeita a um assessoramento ou supervisão. d) Documentação escrita: a presença de muito papel parece desnecessária, porém fica evidente que a documentação escrita anexa ao pedido, além de possibilitar, no ato da Segunda assinatura, o exame de cada fase de negociação, permite a revisão e estará sempre disponível junto ao processo de compra para esclarecer qualquer dúvida posterior. A partir do atendimento das etapas acima descritas, o passo subseqüente é o do pedido de compra, que segundo Baily et all (2000) é um contrato formal entre a empresa e o fornecedor, devendo representar fielmente todas as condições e características da compra aí estabelecidas, razão pela qual o fornecedor deve estar ciente de todas as cláusulas e pré-requisitos constantes do impresso, dos procedimentos que regem o recebimento das peças ou produtos, dos controles e das exigências de qualidade, para que o pedido possa legalmente ser considerado em vigor. Deste modo, percebe-se que a gestão de compras eficaz pode contribuir significativamente para o alcance dos objetivos estratégicos e das metas das organizações. 35 A Administração de Materiais é composta de ferramentas e técnicas administrativas que visam garantir a compra e reposição de mercadorias e produtos em tempo hábil de modo que tanto a quantidade como a qualidade e os preços dos materiais sejam adequados às necessidades da organização, Dias, (1997). Administração de Recursos Materiais engloba uma seqüência de operações, quais sejam: identificação do fornecedor, compra do bem ou serviço, seu recebimento, transporte interno, acondicionamento (armazenagem), movimentação durante o processo produtivo, sua armazenagem como produto acabado e, finalmente, sua distribuição ao consumidor final. O ciclo de Administração de Materiais é composto de: Necessidade do cliente; Análise; Reposição do material; Recebimento; Armazenamento; Logística (distribuição e entrega). Segundo Martins e Laugeni, (1999) as necessidades dos clientes, tanto internos como externos, devem ser analisadas para que a empresa avalie se poderá atendêla a partir dos estoques existentes ou se terá que iniciar processo de reposição de material através de compra, em se tratando de produtos fornecidos por terceiros, ou de produção, no caso de produtos fabricados internamente pela empresa. 2.4.2 Modelo de lote econômico de compra Segundo Martins (2000, p.173), a solução do lote econômico de compra leva ao valor de Q que minimiza o custo total do estoque de um determinado item. Isso porque existe uma relação entre o tamanho do lote de compra, os custos de armazenamento, os custos de pedido e o custo total. O aumento do LEC faz os 36 custos de armazenamento aumentarem, os custos de pedidos diminuírem e o custo total diminui até atingir o valor mínimo, no ponto onde é obtido o lote econômico de compra, e depois começa a aumentar. De acordo com Moura (2004), os modelos de Lote Econômico de Compra (LEC) podem se transformar numa poderosa ferramenta para o controle de custos envolvidos no estoque e sua manutenção. Obtendo-se certos dados, como por exemplo demanda e custos de pedir e de manutenção, pode-se chegar à quantidade de compra ideal. Gaither; Frazier (2002) acrescenta que a capacidade de armazenagem que a empresa possui pode limitar a quantidade pedida de um material. Além disso, outro limitador que pode estar presente é a capacidade de produção e os programas de produção. Isto fica mais evidente caso as matérias-primas possuam prazos de validade menos estendidos. A partir disto fica evidente uma grande falha deste modelo LEC, apesar de apresentar a quantidade ideal de compras, muitas vezes este número é incompatível com a realidade empresarial, inviabilizando a adoção deste. O autor ainda descreve que na montagem de um modelo mais adequado à realidade de cada organização, cita aspectos que podem ser considerados: Política de estoques; Número de itens; Fluxo de material; Horizonte de planejamento; Demanda; Taxa de suprimento; Lead Time; Atendimento da demanda; Formas de definição de custos; Situações especiais (mudança de preço, suprimento sazonal, limites de armazenagem). 37 Analisando-se estes pontos é possível fazer a opção do modelo de lote econômico de compra mais adequado à sua organização. 2.4.2.1 Lote econômico de compra (sem faltas) Dias (1997, p.98), afirma que este é um dos modelos mais simples, e para tanto, devemos partir de algumas condições: • O consumo mensal é determinístico e com uma taxa constante. • A reposição é instantânea quando os estoques chegam à zero. 2.4.2.2 Lote econômico de compra (admitindo faltas) Este modelo segue os mesmos princípios do modelo anterior, com uma diferença, este modelo admite a falta de estoque. Esta diferença significa, na prática, a adição do custo de falta (DIAS, 1997, p.104). 2.4.2.3 Lote econômico com descontos por quantidade Segundo Moreira (1998, p.484), na obra Administração da Produção e Operações, é comum acontecer dos fornecedores oferecerem materiais com variações de preço de acordo com a quantidade comprada pela empresa. Normalmente, quanto maior a quantidade de compra menor é o valor de custo unitário. Para a empresa que está comprando, comprar em maiores quantidades significa: • Menor custo de pedido, isso porque diminui o número anual de pedidos junto ao fornecedor. • Maior custo de armazenamento anual, já que aumenta o estoque médio. • Menor custo de aquisição de materiais necessária durante o ano. 38 Para analisar uma situação de compra com desconto por quantidade, é necessário considerar todos os custos da oferta de diferentes quantidades e preços. Isso é feito através da comparação do custo total do sistema. 2.5 O modelo Just-inTime O Just In Time (JIT) surgiu no Japão na década de 50, período pós Segunda Guerra Mundial. A economia japonesa estava devastada pela guerra, e as empresas não dispunham de capital de giro para suportar suas despesas financeiras. A solução encontrada pela indústria foi desenvolver um sistema de administração da produção altamente flexível, que atendesse a demanda de grande diferenciação e baixo volume daquele mercado, com o mínimo de capital, ou seja, com o mínimo de estoque. O Just In Time é um conjunto de princípios, ferramentas e técnicas que permitem que a empresa produza e entregue produtos em pequenas quantidades, com lead time curtos, para atender às necessidades especificas do cliente, (CHING, 2006). Ou seja, o JIT entrega os itens corretos na quantidade certa na hora certa. O autor ainda descreve que o grande propósito do JIT visa entender a demanda instantaneamente, com qualidade e sem desperdícios, dessa forma, possibilita a produção eficaz em termos de custos, assim como fornecimento da quantidade necessária de insumos, no momento e em locais exatos utilizando o mínimo de recursos. Concluindo, Ching (2006) descreve que o JIT é uma derivação do sistema japonês Kanban. Os cartões Kanban de processo de produção especificam quanto será feito, refere-se a quantidade de reabastecimento, e quando será necessário, refere-se ao momento da necessidade do reabastecimento. Dessa forma os cartões Kanban além de requisição especificam quanto será retirado do estoque do fornecedor. JIT requer os seguintes princípios; Qualidade: deve ser alta porque distúrbios na produção por erros de qualidade reduzirão o fluxo de materiais; 39 Velocidade: essencial em caso de se pretender atender a demanda dos clientes diretamente conectados som a produção, em vez de por meios de estoque: Confiabilidade: pré requisito para se ter um fluxo rápido de produção; Flexibilidade: importante para que se consiga produzir em lotes pequenos, atingir fluxo rápido e lead time curtos; Compromisso: essencial comprometimento entre fornecedor e comprador de modo que cliente receba a mercadoria no prazo e local determinado sem que haja qualquer tipo de problema em seu processo de entrada de mercadorias para a venda. Portanto, Ching (2006) acredita que o JIT seja uma atividade de valor agregado para a organização a medida que esta consegue, através do bom gerenciamento de materiais: Identificar e atacar os problemas fundamentais e gargalos; Eliminar perda e desperdícios; Eliminar processos complexos; Implementar sistemas e procedimentos que configurem a boa gestão de materiais. 2.6 O Modelo Kanban: O modelo Kanban surgiu a partir do Sistema Toyota de Produção, porém, é importante não confundi-los. Ohno (1997) coloca que o Sistema Toyota de Produção é sustentado pelo sistema Just In Time e pela autonomação e o método Kanban é o meio pelo qual o Sistema Toyota de Produção flui suavemente”. Portanto o Kanban é uma ferramenta para que se coloque em pratica o inovador Sistema Toyota de Produção. O Kanban é um sistema de informação que é capaz de controlar a produção dos produtos necessários, nas quantidades necessárias e no tempo certo, em cada processo de uma fábrica e também entre empresas. 40 Conforme Tubino (1997), o Sistema Kanban visa tornar simples e rápidas as atividades de programação, controle e acompanhamento de sistemas de produção em lotes. Severiano Filho (1999) coloca que sob o prisma da abordagem gerencial dos sistemas de produção, o termo kanban designa um sistema que autoriza a operacionalização da produção, assim como a redução dos estoques intermediários e final, através da utilização de sinais que informam, por exemplo, que o posto de trabalho “B” está pronto para receber o trabalho processado no posto “A”. Segundo Moura (1989) a função do Kanban pode ser resumida em seis pontos: 1. O Kanban estimula a iniciativa por parte dos empregados da área; 2. O Kanban é um meio de controle de informações; 3. O Kanban controla o estoque; 4. O Kanban ressalta o senso de propriedade entre os empregados; 5. O Kanban simplifica os mecanismos de administração do trabalho, através do controle de informações e estoque; 6. O controle de informações e estoque também permite a administração visual do trabalho na área. 2.7 O Modelo 5S Sobre o surgimento do modelo 5S, Osada (1992) coloca que o programa foi desenvolvido no Japão no inicio dos anos 50 por Kaoru Ishikawa após a Segunda Guerra Mundial e atualmente e praticado e reconhecido mundialmente, por empresas, sociedades, famílias que buscam a pratica de bons hábitos. A grande virtude do programa, além de ser uma introdução para outros programas de qualidade, está na mudança de comportamento dos funcionários envolvidos e a busca de um ambiente de trabalho agradável. Sendo assim, as empresas têm visto no programa uma forma de integração dos funcionários e padronização das atividades, por isso ele tem sido amplamente difundido. 41 O 5S é um modelo que objetiva a melhora das condições no ambiente de trabalho, dessa forma incentivando os trabalhadores a produzirem mais, melhorando, portanto, a eficiência deste. Campos (1992) esclarece a importância do 5S na implantação de controle de qualidade, afirmando que o programa cinco sensos, mais conhecido como 5S, é considerado o passo inicial para a implantação de programas de qualidade. Cada um dos S’s tem um significado, estes serão expostos abaixo: 2.7.1 Seiri (utilização) Segundo Ribeiro (1994) “Organizar é separar as coisas necessárias das que são desnecessárias, dando um destino para aquelas coisas que deixarem de ser úteis para aquele ambiente.” Este processo evita o excesso de material que não será utilizado, o desperdício de tempo procurando ferramentas de trabalho, e também previne acidentes em certos ambientes. 2.7.2 Seiton (arrumação, ordenamento) Ainda citando Ribeiro (1994), “Ordenar é guardar as coisas necessárias, de acordo com a facilidade de acessá-las, levando em conta a freqüência de utilização, o tipo e o peso do objeto, como também uma seqüência lógica já praticada, ou fácil assimilação. Quando se tenta ordenar as coisas, necessariamente o ambiente fica mais arrumado, mais agradável para o trabalho e, conseqüentemente, mais produtivo.” Isto posto, gera um ambiente mais agradável, proporcionando um trabalho com conforto, economia de materiais e também facilita a comunicação entre processos e até mesmo pessoas. 2.7.3 Seiso (limpeza) 42 Conforme o mesmo autor, Ribeiro (1994), “Limpar é eliminar a sujeira, inspecionando para descobrir e atacar as fontes de problemas. A limpeza deve ser encarada como uma oportunidade de inspeção e de reconhecimento do ambiente. Para tanto, é fundamental importância que a limpeza seja feita pelo próprio usuário do ambiente, ou pelo operador da máquina ou equipamento.” Esta característica preserva a saúde dos trabalhadores, melhora muito o ambiente de trabalho, afinal ninguém gosta de exercer sua função em um ambiente sujo e desorganizado 2.7.4 Seiketsu (padronização) Seguindo o raciocínio de Ribeiro (1994), “Manter o asseio é conservar a higiene, tendo o cuidado para que os estágios de organização, ordem e limpeza, já alcançados, não retrocedam. Isto é executado através da padronização de hábitos, normas e procedimentos.” Este ponto é basicamente a manutenção de tudo que já foi dito neste capítulo, afinal de nada adiantaria aplicar este método se na semana seguinte tudo estiver no estado anterior. É possível também a elaboração de material visual demonstrando e evolução do ambiente, buscando motivar os trabalhadores à manter este nível de organização. 2.7.5 Shitsuke (disciplina) Por fim Ribeiro (1994) define Shitsuke como “Ser disciplinado e cumprir rigorosamente as normas e tudo o que for estabelecido pelo grupo. A disciplina é um sinal de respeito ao próximo.” Sendo assim, conclui-se que as referências apresentadas tem como propósito dar base ao contexto da pesquisa do presente trabalho. O escopo dos autores citados se apresenta como uma abordagem de forma multifacetada e complementar da Administração de materiais de forma geral. 43 3 METODOLOGIA O presente capítulo tem por objetivo descrever os aspetos da metodologia empregada na elaboração da presente pesquisa. Metodologia, segundo Roesch (1999), descreve como o trabalho será realizado, partindo dos objetivos para verificar que tipo de projeto é mais apropriado para sua elaboração. O método, ou forma de procedimento, trata dos procedimentos a serem utilizados para descrever e explicar o tema da pesquisa efetuada. Esses procedimentos são comparados aos utilizados nas pesquisas científicas que, com base em teorias já existentes, procuram delimitar um problema, realizar observações e interpretá-las, fundamentadas nas relações encontradas. (RICHARDSON, 1989). 3.1 Tipologia de pesquisa: Quanto a sua tipologia e considerando os objetivos do presente trabalho, defini-se a tipologia como uma pesquisa exploratória com abordagem predominantemente qualitativa, mas que indica, também, aporte quantitativo. Dessa forma, Gil (1999) conceitua que as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos. Normalmente envolvem levantamentos bibliográficos e documentais, entrevistas não padronizadas e estudos de caso. De acordo com Malhotra (2001), a pesquisa exploratória é aquela que visa prover o pesquisador de um maior conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa. É utilizada quando pouco se conhece sobre o tema, ou quando se tem uma noção vaga do problema de pesquisa, pois poderá ajudar no estabelecimento das 44 prioridades a pesquisar, a partir do momento em que uma variável ou hipótese explicativa destaca-se dentre as outras. Portanto, as pesquisas quantitativas possibilitam, segundo Staw (1977 apud ROESCH, 1999, p.131) que: “a pesquisa quantitativa é apropriada para avaliar mudanças em grandes organizações”. Além disso, as pesquisas exploratórias permitem um maior grau de flexibilidade, o que exige do entrevistador uma boa dose de criatividade. Mattar (2000) destaca alguns métodos que podem ser usados na pesquisa exploratória, como: levantamento em fontes secundárias, levantamentos bibliográficos, documentais, estatísticos e de pesquisas já realizadas. O autor ainda acredita que os estudo de caso, por envolver exame de registros existentes, observação da ocorrência do fato, entrevistas não-estruturadas e observação informal, são normalmente direcionados por pesquisas exploratórias, que podem responder positivamente aos fatos de interesse para o problema em estudo. Para a pesquisa quantitativa descritiva será utilizado o método de coleta de índices e relatórios escritos, que para ROESCH (1999) podem-se utilizar dados secundários que foram coletados por entidades representativas do setor produtivo para outros propósitos que não os do presente projeto, que no caso serão obtidos junto aos documentos da organização que terão por objetivo complementar a entrevista, bem como identificar os processos gerenciais dos estoques 3.2 Sujeito de estudo: Para se obter os resultados propostos nos objetivos da presente pesquisa e pelas características do estudo, a população e amostra é definida como a própria organização. Assim sendo a população se encerra na própria organização e não se considera amostra. 3.3 Instrumentos de pesquisa: 45 Para o desenvolvimento do presente trabalho utiliza-se da técnica de instrumentos de pesquisa a entrevista informal que, segundo GIL (1999, P.115) descreve que “esse tipo de entrevista é o menos estruturado possível e só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta de dados”. Assim sendo, utiliza-se um grupo de questões abertas permitindo ao entrevistador captar a perspectiva do entrevistado. Quanto à perspectiva quantitativa, será utilizada a pesquisa documental que Vergara, (2004) conceitua como: a investigação documental é realizada em documentos de ordem pública ou privada, de qualquer natureza, ou com pessoas, em ofícios, memorandos, balancetes, etc. 3.4 Análise e apresentação: O processamento e análise dos dados da pesquisa documental são representados através de gráficos e textos, na busca de apresentar as informações que possam ser utilizados na tomada de decisão, bem como texto corrido na apresentação dos dados obtidos na entrevista informal e na observação participante. A tabulação pode ser simples quando envolve contagem do numero de casos que ocorrem em cada uma das variáveis do estudo. Neste caso se utilizara a tabulação eletrônica, com a ajuda do Software Excel, na apresentação dos gráficos. 3.5 Limitações da pesquisa: A presente pesquisa tem como seu limitador, considerando-se um corte de abrangência, a própria organização em pauta, cidade de Balneário Camboriu, o que poderá não indicar similaridade com outras empresas, mesmo que sejam similares. 46 4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados os resultados das pesquisas desenvolvidas junto à empresa, através de entrevista informal, observação participante e ainda pesquisa documental realizada, principalmente, nos registros de controles do programa de gestão em operação na empresa, bem como em planilhas eletrônicas em uso pela área de controle de estoques. A captura e levantamento dos dados se deram de forma concomitante, uma vez que ao se processar a entrevista informal, foram levantados os dados da pesquisa documental. 4.1 A caracterização da operação de materiais. O processo de pesquisa iniciou-se com a entrevista semi-estruturada realizada em 04/05/2010, com uma reunião em que participaram, num primeiro momento, respondendo pela empresa, a Sra. Patrícia, e posteriormente, foi entrevistado Sr. Renato. Juntamente com o Sr. Renato foi elaborada a pesquisa documental mencionada. A Sra. Patrícia responde pela área administrativo/financeiro, e o Sr. Renato é, efetivamente, o responsável pela área de materiais, respondendo desde a gestão de estoques como o levantamento das necessidades e pré-pedido de compras. Responde também pelo recebimento de mercadorias, já que os pedidos aos fornecedores são fetos pelo Sr. Neto, um dos sócios da empresa, que se incumbe das negociações de preço, condições de pagamento e programação de entrega. A empresa conta atualmente com cento e dez colaboradores, sendo oitenta considerados diretos nos processos de administração e operação, e trinta colaboradores indiretos nos processos de manutenção, conservação e limpeza. 47 Com relação às questões administrativas e financeiras, a entrevista identificou que a distribuição das receitas da empresa se dá em duas frentes distintas: a primeira com a venda de ingressos, e a segunda com a venda de produtos de consumo. Do montante total das receitas, a venda de produtos de consumo responde por 90% desse movimento. Um número expressivo, que indica a relevância da eficiência e eficácia da gestão de materiais no resultado da operação da empresa. Essa informação foi obtida através da analise do resultado operacional do mês de março de 2010, que indicou esse percentual. Atualmente a casa tem sua operação pontuada nas quartas-feiras, sextas-feiras e sábados. Portanto seus estoques são dimensionados para uma semana e as compras são processadas e distribuídas dentro dessa perspectiva. A reposição de mercadorias é definida em dois momentos no período e um ano, considerando-se a alta temporada e a baixa temporada. Na baixa temporada o abastecimento é feito, no primeiro depósito, de dez em dez dias, mantendo cinco dias como estoque de segurança. Já no segundo depósito, é feito em todos os dias seguintes ao movimento da casa Com relação a totalização de itens que compõem os estoques, a empresa conta com cerca de setenta e oito itens, distribuídos em dois depósitos centralizadores. O primeiro depósito é composto pelos materiais de consumo e reposição freqüente, possui aproximadamente 25 metros quadrados. Dentre os matérias estocados neste depósito os de menor dimensão são estocados em prateleiras de madeiras, e os maiores são empilhados em paletes. No segundo depósito, composto por itens de consumo sem fracionamento, o estoque é dimensionado para ter seu giro para 7 dias, sendo formado por produtos com embalagens em latas, cervejas e refrigerantes. No primeiro depósito se encontram os seguintes itens: 48 1 Smirnoff Ice (Red e Black) 2 Tequila (ouro e prata); 3 Vodka (Smirnoff, Grey Goose, Ciroc, Absolut); 4 Whisky (Red Label, Black Label, Jack Daniels); 5 Espumantes (Veuve Clicqot, Fontana Freda, Chandon Brut, Chandon Passion, Terra Nova e Chateau Trevier); 6 Halls; 7 Chocolates; 8 Cigarros. Os itens vendidos fracionados, o estoque é dimensionado para ter seu giro em 15 dias, na figura nº 1 é apresentada a área e forma de organização do primeiro depósito. Figura 01 estoque de destilados Fonte: Pesquisa aplicada (2010) 49 No segundo depósito, com uma área aproximada de 50 metros quadrados, são armazenados os itens com unidade única de consumo, sendo predominantes as cervejas, refrigerantes, sucos e energéticos. Este depósito não apresenta prateleiras, sendo toda a estocagem feita em paletes e os materiais empilhados. Neste depósito são armazenados os seguintes itens: 1 Cervejas (Skol e Bohemia); 2 Refrigerantes (Pepsi, Guaraná Antártica, Soda Limonada, Sukita e Citrus); 3 Água (com gás e sem gás); 4 Água de coco; 5 Sucos em lata; 6 Energéticos (Red Bull e Nitrix). Na figura 02 é apresentado o estoque e a forma de estocagem dos produtos de consumo não fracionado. Figura 02: Estoque de produtos não fracionados – latas de refrigerantes e cervejas Fonte: Pesquisa aplicada (2010) 50 A empresa conta ainda com um depósito refrigerado para armazenamento de gelo, que, embora tenha custos de aquisição, não é vendido aos clientes, por ser complementar, principalmente, para o consumo de produtos destilados. Segundo dados levantados pelo sistema de gestão, no mês de maio de 2010, foram comercializados os seguintes volumes de produtos na operação total da empresa: DESCRIÇÃO DO PRODUTO UNIDADES Skol 7.447 Bohemia 4.206 Água sem gás 2.744 Água com gás 266 Água tônica Água de côco Soda limonada Soda limonada diet Pepsi Cola Pepsi Cola light Guaraná Antarctica 3 242 1.140 23 337 30 1.639 Guaraná Antarctica diet 81 Sukita 41 Citrus 1.849 Suco em lata 1.369 Energético Red Bull 5.719 Energético Nitrix 2.723 Smirnoff Ice Red 1.748 Smirnoff Ice Black 150 Tequila prata 1 litro 6 Tequila ouro 1 litro 10 Vodka Smirnoff Red 1 litro 720 Vodka Smirnoff Black 1 litro 20 Vodka Absolut 1 litro Vodka Grey Goose 1 litro 175 8 51 Vodka Ciroc 1 litro 3 Johnnie Walker red label 1 litro 398 Johnnie Walker black label 1 litro 27 Johnnie Walker green label 1 litro 9 Johnnie Walker gold label 750 ml. 1 Jack Daniels 1 litro 5 Espumante Terra Nova 127 Espumante chandon passion 117 Espumante chandon brut 84 Espumante Fontana fred 29 Espumante Vueve Clicqot 8 Espumante Chateau Trevier 2 BEBIDAS FRACIONADAS EM DOSES Vodka Smirnoff Red 2.060 Johnnie Walker red label 1.051 Tequila ouro 333 Tequila prata 106 PRODUTOS DIVERSOS Drops Halls 67 Chiclet trident 494 Cigarros 191 Chocolates 4 Quadro n° 02 – Movimento de materiais no mês de maio/2010 Fonte: Pesquisa documental (2010) O levantamento apresentado no quadro nº 02 confirma a expressiva participação dos produtos na receita total da empresa, bem como os volumes nas mais diversas formas de serem categorizados. Demonstrando a totalização dos itens, e as dimensões de consumo: em unidades não fracionadas, litros, latas etc. e unidades fracionadas, doses. Para a compreensão da dimensão e distribuição de consumo, os dados do quadro foram compilados no gráfico nº 1. 52 Gráfico nº 1 - Classificação de matérias e consumo Fonte: Pesquisa aplicada (2010) 4.2 Procedimentos da operação dos estoques Atualmente a gestão de estoques da empresa é desenvolvida com base no conhecimento empírico dos gestores; o estoque é conferido integralmente toda vez que há um dia de operação, verificando-se o saldo real com aquele informado pelo sistema operacional da empresa. Todo material que é retirado dos estoques é marcado em relatórios, planilhas de controle de consumo de material, que são posteriormente transferidos para o sistema informatizado. Assim, havendo divergências, é possível verificar os lançamentos que apontarão os responsáveis. Uma vez atualizados e confirmados os saldos no sistema, define-se, através dessa informação, o volume de compras necessário para as operações seguintes. O atual sistema tem resultados positivos, permitindo o controle de entradas e saídas de material, reduzindo seu consumo e inibindo, de forma superficial, eventuais furtos e desperdícios de material. 53 Conforme descrito na entrevista realizada com os gestores que, segundo registros do movimento da empresa, a operação de atendimento configura-se com o seu funcionamento somente nas quartas e sextas-feiras e aos sábados, no horário noturno. A casa recebe um fluxo médio, aproximado, de 800 (oitocentos) clientes nas quartas-feiras, perto de 1000 (mil) nas sextas-feiras e aos sábados chega a 1500 (um mil e quinhentos) clientes. Pelas características físicas de sua planta de construção, a instalação é formada por dois pavimentos, o que visa facilitar o atendimento e o fluxo de materiais. Com isso existem dois bares independentes, um em cada pavimento, por onde são atendidos os clientes, dando escoamento aos produtos. Figura n° 03 Bar pavimento superior Fonte: Pesquisa aplicada (2010) O processo de abastecimento ocorre de forma independente para cada um dos bares. Embora compartilhem um ambiente único existem variações nas vendas dos produtos, ficando o bar inferior responsável pelo maior volume de cervejas e doses e 54 o superior, que atende a maior quantidade de mesas e camarotes, com maior demanda na venda de garrafas de bebidas destiladas. Figura n°04 Bar pavimento térreo. Fonte: Pesquisa aplicada (2010) Em termos operacionais, cada um dos bares conta com um depósito de apoio, onde é estocada uma quantidade determinada de produtos, estes são totalmente abastecidos antes do início de cada noite de operação. Ali fica disponibilizado todo o volume de produtos para essa operação, bem como, serve de inventário e fechamento de caixa, realizado ao fim de cada funcionamento, indica o volume de re-suprimento para a operação seguinte. Esse procedimento serve ainda de indicador de controle da quantidade vendida de cada item em cada bar, fechando a informação de estoque com o movimento do caixa do dia. Para melhor compreensão, o processo de operação é demonstrado através de um fluxograma, conforme figura nº 1. 55 Figura n° 05 Fluxograma de abastecimento Fonte: Pesquisa aplicada (2010) Com relação aos procedimentos de armazenagem, foi possível perceber, em ambos os depósitos, que os procedimentos, de forma geral, estão bem operabilizados. O controle de entrada de mercadorias respeita, pontualmente, a ordem de o primeiro produto que entra é o último que sai, dessa forma não há registros ocorrências de produtos com prazo de validade vencido pela não aplicação dessa técnica de gestão do estoque. Outro procedimento percebido na entrevista com o Sr. Renato é que o sistema operacional da empresa, ERP, também prevê e controla os estoques, desde do recebimento e conferencia dos materiais comprados, seu armazenamento, a distribuição para os depósitos de ressuprimento, e o inventário no final da operação para registro no sistema ERP. Assim o módulo do ERP denominado software de gestão de estoque é alimentado com o conjunto de informações macro, onde consta detalhamento de fornecedores, preços e condições de fornecimento. Já a operação 56 de contagem de estoque, feita todos os dias em que a empresa faz sua operação, se procede através de planilhas impressas onde é registrado o ponto de inventário, ou ponto de reposição de cada operação. Este procedimento inicia, deduzindo-se a entrada da saída, gerando assim, a necessidade de ressuprimento para a operação seguinte. O processo é realizado todos os dias em que a casa funciona, tornando, desse modo, remota possibilidade de falta de produtos para serem comercializados. Como toda operação manual, neste processo pode haver falhas. Neste sentido, quando ocorrem divergências na contagem dos estoques com os relatórios de venda é adotado um percentual, de forma aleatória, como padrão de desconto para possíveis quebras. Com relação a quantificar as perdas e furtos ocorridos na gestão de materiais, embora haja controle numérico no sistema de abastecimento, não se registro em que momento o fato ocorre. A variável, conforme apurado na entrevista, considerada como normal de 5% de perdas, na perspectiva de quebras na movimentação, e falhas no registro de venda, apresenta-se como um índice alto. Assim, não foi possível quantificar o volume de perdas, como também não se pode averiguar os valores desembolsados em ressuprimentos feitas às pressas. 57 5 CONCLUSÕES DA PESQUISA. Ainda que tenha apresentado resultados gerais positivos na maioria dos indicadores de gestão analisados, percebe-se que, dentre esses, alguns que merecem a análise mais acurada dos gestores, uma vez que se poderá aprimorar ainda mais a eficiência e eficácia, portanto os pontos que merecem maior atenção são: a) Processo de operação de armazenamento O modelo de empilhamento de produtos sob paletes, aplicado em ambos os depósitos, dificulta a movimentação de materiais considerando o princípio primeiro que entra primeiro que sai. Com esse procedimento a gestão consegue manter o giro dos estoques de forma a não permanecer com produtos antigos, bem como a valorização dos estoques pelos preços mais recentes de aquisição. b) Ressuprimento automático Percebe-se que a gestão de materiais da empresa é predominado por apresentar baixa complexidade, bem como, a constante de aquisição/consumo, idealmente, se aproxima de um sistema just in time de gestão. Definindo-se fornecedores parceiros com autoridade de acesso ao sistema gerencial da empresa, obtendo as informações de volumes em estoques e providenciando o suprimento. Cabendo ao gestor dos estoques o recebimento e comparação dos necessidades de estoque com volumes recebidos. c) Falta de aplicação de análise na base dados. Pode-se também considerar como perca de oportunidade a inexistência de utilização estratégica das informações como base na tomada de decisão. Portanto, o planejamento para o desenvolvimento de um modelo de previsão de demanda, levantado através dos históricos de venda dos produtos, poderá trazer maior confiabilidade e controle dos estoques dos produtos classificados como item A, de grande valor e de grande consumo. e) Classificação A, B e C Embora o sistema de gestão disponibilize a apuração da classificação A B C dos estoques, a utilização sistemática não foi percebida durante a pesquisa. A utilização 58 do critério de estoques mínimos para a classificação dos estoques pode-se considerar como imperativo, pela relevância que os materiais impactam diretamente no faturamento da empresa. f) Condições dos pré estoques. A reforma e reorganização dos espaços denominados de pré-estoques ou estoques de apoio aos bares poderá ser priorizado pelos gestores, uma vez que no desenvolvimento da pesquisa percebeu-se condições físicas de acondicionamento e conservação dos produtos, um tanto precárias, no que se refere a estrutura, planejamento, manutenção e limpeza dessas áreas. g) Área de compras É executada pelo sócio-gerente Sr. Neto. A partir da análise dos dados que são levantados, em toda operação de funcionamento da empresa, pelo sistema e também pela contagem manual realizada pelos funcionários obtém-se a quantidade de produtos que deve ser comprada para que se mantenha o abastecimento. As compras são realizadas semanalmente. Este modelo foi herdado da matriz em Curitiba, não sendo possível a obtenção de maiores informações sobre o tema, o que se considera um limitador da presente pesquisa. h) Adoção do sistema 5’S A pesquisa não observou nenhum modelo efetivo de controle de controle de qualidade, embora perceba-se a aplicação empírica de conceitos pelos gestores, tanto administrativo financeiro como de materiais, acredita-se que a adoção do sistema 5’S, conforme fundamentação teórica, seria de grande utilidade para a empresa alcançar um processo dinâmico e moderno de operações, e ainda proporcionará motivação aos colaboradores na busca da melhoria contínua. Sabe-se que esse sistema apresenta como vantagens o custo e a simplicidade de aplicação. Vale ressaltar a importância de se avaliar o grau de complexidade exigida no desenvolvimento e a avaliação de novos modelos de previsão e gestão de demanda, levando-se em consideração os investimentos, em termos de tempo e de capital, possam compensar os ganhos com as alterações e melhorias do sistema. 59 A principal conclusão da presente pesquisa é a importância da utilização de um sistema formal de gestão dos estoques, abrangendo previsão, gestão da demanda e compras de materiais de forma integrada. 60 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O tema da presente pesquisa foi escolhido em virtude da necessidade da organização em conhecer de forma pontual o processo de administração de materiais, bem como a perspectiva dos gestores envolvidos nessa operação. Para tanto, buscou-se a base na fundamentação teórica de autores que abordando os temas que se apresentam como linhas mestre da pesquisa, abrangendo, principalmente, Administração, administração de materiais e gestão de estoques. Assim sendo, acredita-se que foi possível embasar a presente pesquisa. Na realização da pesquisa não se percebeu qualquer reserva por parte dos pesquisados na obtenção dos dados Através dos dados obtidos, foi possível alcançar os objetivos específicos traçados como: a identificação do perfil do consumidor da Jomafe Materiais de Construção que possibilitou a empresa conhecer melhor seu cliente, onde moram e há quanto tempo compram o que facilita no momento de ações buscando novas oportunidades. O indicador obtido pela pesquisa na visão dos clientes quanto ao atual processo de atendimento, conveniências e produtos impressiona pelo positivismo percebido na sua grande maioria. Pode-se ainda afirmar que a empresa, na visão dos gestores, e pelos resultados alcançados não apresenta nenhum indicador que a desqualifique, porém é determinante a busca de processos gerenciais de forma a profissionalizar a empresa. Por fim, este trabalho é de grande valia e muito gratificante, pois, possibilitou a Wood’s Bar um conhecimento maior de suas idiossincrasias sobre a percepção, dificuldades e pontos positivos. Esta experiência possibilitou a expansão dos conhecimentos adquiridos pela acadêmica, e também apresentar sugestões que podem melhorar os processos da empresa. 61 6.1 Sugestões para futuros trabalhos Em virtude do vivenciado durante a execução da pesquisa na empresa alguns temas podem ser utilizados em futuras estudos, tais como: Desenvolver trabalhos de pesquisa com clientes para melhor compreender seu comportamento e colher indicativos para a área de marketing; A área de recursos humanos ou gestão de pessoas, também deveria ser estudado uma vez que a quantidade de colaboradores é expressiva, e ainda devido às características dos serviços da empresa requerem um planejamento de forma profissionalizada. 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Rui Otávio B.; AMBONI, Nério. 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