ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS NOS ANOS 60; MOVIMENTOS DE EDUCAÇÃO
POPULAR E O MÉTODO PAULO FREIRE.
RISSO, SUZANA APARECIDA
SILVA, MARILEI APARECIDA VIDAL1
Introdução:
O Brasil passa por uma crise política, social, econômica e educacional na década de
60. Analfabetismo era responsabilizado pela crise. Na tentativa de modificar essa realidade,
os Movimentos de Educação Popular, os intelectuais, professores e estudante e
principalmente o Método Paulo Freire; colocam-se em uma cruzada contra o Analfabetismo.
Prova-se na prática que o analfabetismo e a pauperização são conseqüências dessa crise e não
a causa dela. Esses Movimentos utilizava-se de vários recursos para atingir a conscientização
das massas populares, entre eles o próprio processo de alfabetizar adultos. O Governo tinha
interesses em aumentar o número de eleitores, sendo que nesse contexto, analfabeto não tinha
direito a voto. Eis aqui a motivação para investir nas campanhas alfabetizadoras. Os
movimentos de Educação Popular assim como Paulo Freire; visavam à conscientização dos
populares através da educação e cultura. Com dois objetivos distintos e camuflados deram
inicio e continuidade a inúmeros projetos para erradicar o analfabetismo, porem esse trabalho
foi contido e censurado devido à ocupação do poder pelos militares e a instalação da ditadura
militar no Brasil.
2. OS MOVIMENTOS DE CULTURA POPULAR
É no clima de “euforia desenvolvimentista de J.K.”, que surgem as novas condições
para a criação cultural brasileira. Foi um período de efervescência, onde se projetou a música,
o teatro, o cinema, a poesia, etc., surge a Bossa Nova e surgem também os grupos culturais
que vinculam o termo “Cultura Popular” à política.
O Movimento de Cultura Popular abriu espaço para o pensamento renovador e
conseguiu aliados dos mais variados segmentos da sociedade: intelectuais, artistas,
professores, estudantes, padres, operários, etc. A educação acontecia pela cultura popular.
Partia-se do senso-comum para um trabalho instrumental de alfabetização e mais do que isso,
de educação popular. Era uma ação educativa que partia da realidade concreta existente, ou
seja, partia-se de como os indivíduos viviam no campo e na cidade, de como eles entendiam
essas realidades e, de posse desse conhecimento, a educação era voltada para fornecer-lhes às
1
Acadêmicas do 3º ano noturno de Pedagogia- CECA- UNIOESTE-Pr- 2007 - [email protected]@hotmail.com
ferramentas necessárias para a conscientização social e política,
e assim,
buscar a
transformação.
Nos anos de 1960 e 1961, surge no Recife, o M.C.P. - Movimento de Cultura Popular;
em Natal surge a Campanha De Pé No Chão Também se Aprende a Ler; na Igreja Católica,
surge o M.E.B. - Movimento de Educação de Base e surge na UNE União Nacional dos
Estudantes o CPC - Centro Popular Cultura.O M.C.P.2, estruturou-se como uma sociedade
civil, em Recife na administração do Prefeito Miguel Arraes, sendo o primeiro dos
Movimentos na ordem cronológica. É no M.C.P. que surge Paulo Freire, com o sistema de
alfabetização de Adultos, que ele começa a fazer em Recife e posteriormente ele sistematiza e
aplica em Angicos.
O M.C.P. objetivava:
(...) a) promover e incentivar, com a ajuda de particulares e do poder público, a
educação de crianças e adultos. b) atender ao objetivo fundamental da educação que
é o de desenvolver plenamente todas as virtualidades do ser humano, através da
educação integral de base comunitária, que a assegure, também, de acordo com a
constituição, o ensino religioso facultativo; c) proporcionar a elevação do nível
cultural do povo, preparando-o para a vida e para o trabalho; d) colaborar para a
melhoria do nível material do povo, através da educação especializada; e) formar
quadros destinados a interpretar, sistematizar e transmitir os múltiplos aspectos da
cultura popular. (CUNHA, GÓES, 1999, p.17)
O intuito era realizar uma produção cultural voltada para as massas, para elevar do
nível de consciência social das forças que a compõe ou podem vir a compor. Uma consciência
voltada para o “real” e para sua transformação
(...) O movimento popular não gera um movimento cultural qualquer. Gera,
precisamente, um movimento de cultura popular. Os interesses culturais do
movimento popular têm, portanto, um caráter específico: exprimem a necessidade de
uma produção cultural, a um só tempo voltada para as massas e destinada a elevar o
nível de consciência social das forças que integram, ou podem vir a integrar, o
movimento popular. (CUNHA, GOES, 1999, p.19).
Organizou-se em três departamentos: o DFC - de Formação e Cultura; o DDI - de
Documentação e Informação e o DDC - de Difusão da Cultura, que teve um crescimento mais
acentuado e dividiu-se em dez: pesquisa (cujo diretor, era Paulo Freire); ensino de artes
plásticas e artesanato; música; dança e canto; cinema, rádio, televisão e imprensa; teatro;
cultura brasileira; bem-estar coletivo; saúde; esportes.
Até o mês setembro de 1962, o M.C.P. havia organização e concretizado:
(...) 201 escolas com 626 turmas; 19.646 alunos; rede de escolas radiofônicas; um
centro de artes plásticas e artesanato; 452 professores e 174 monitores, ministrando o
2
Doravante o Movimento de Cultura Popular, será tratado no texto por sua sigla correspondente: M.C.P.
ensino que correspondia ao 1º grau, supletivo e educação de base artística; uma
escola para motoristas e mecânicos; centro de cultura D. Olegarinha; galeria de arte;
conjunto teatral; cinco praças de cultura, estas praças levavam ao local: biblioteca,
teatro, cinema, tele-clube; música, orientação pedagógica; jogos infantis; educação
física. (CUNHA, GOES, 1999, p.17).
A proposta do M.C.P. era que o povo não somente participasse dos projetos de cultura,
mas que fosse além, que participasse da elaboração dos mesmos, para tanto, subsidiava o
processo de criação desses projetos, oferecendo assessoria, incentivando, instigando e
apresentando mecanismos para que eles ocorressem.
O M.C.P. concebia que o movimento popular gera o movimento de cultura popular.
Inúmeros foram os instrumentos de trabalho criados pelo MCP. Dois, porém se destacam: a
edição de uma cartilha (Livro de Leitura), produzida por Norma Porto Carreiro Coelho e
Josina Lopes Godoy, que objetivava alfabetizar adultos, respeitando o seu universo cultural e,
também, que é no MCP que vai ocorrer a primeira gestão do Sistema Paulo Freire.
O segundo movimento de cultura popular, na ordem cronológica foi desenvolvido
diretamente pela Secretaria Municipal de Natal, no Rio Grande do Norte, na administração do
Prefeito Djalma Maranhão, sob a denominação de “A Campanha De Pé No Chão Também Se
Aprende A Ler”.
Essa Campanha foi resultante dos compromissos eleitorais, foi organizada nos
“Comitês Nacionalistas” ou “Comitês Populares” ou “de Rua”, que eram suprapartidários, e
foi estruturada pelas forças progressistas, nacionalistas, de esquerda, era um leque político
amplo: conservadores modernos, jovens cristãos radicais e comunistas.
Numa população de 160 mil habitantes, foram organizados 160 Comitês, onde eram
debatidas as questões sob a perspectiva de Município e Estado, Nacional e Internacional.
Mobilizavam-se politicamente, listavam os problemas mais urgentes e as reivindicações mais
veementes da população. De posse desses dados, realizaram a convenção Municipal, onde
aparece a “escola para todos” e a “erradicação do analfabetismo”, como sendo as prioridades
reivindicadas nas reuniões dos bairros. Djalma Maranhão utilizou essa demanda como base
para sua campanha e programa do seu governo.
Foi eleito com 66% dos votos. Iniciou sua administração repetindo a experiência de
sua gestão anterior (1956/59): adequava às salas disponíveis para o funcionamento de uma
classe de aula. A prefeitura pagava um pró-labore a um monitor e cedia as carteiras, o
material didático e a merenda. As demais despesas eram pagas pela comunidade. Segundo
CUNHA, GÓES (1999) As “escolinhas”, em meados de 1963, chegavam a 271, porém, essa
ação não era de todo eficaz: não conseguia abranger o analfabetismo e a miséria que se
localizavam na periferia da cidade, porque a abertura dessas classes dependia da comunidade
e não da vontade do poder político.
A prefeitura não tinha recursos para a construção de escolas. Essa questão foi discutida
com o Comitê Nacionalista do Bairro das Rocas, onde fica decidido que se não havia dinheiro
para construir escolas de alvenaria, que fossem construídas escola de palha, mas que fossem
feitas escolas!
Nasce, assim, o Acampamento Escolar das Rocas: aulas num conjunto de classes,
cobertas com palha de coqueiros e chão batido. Um Acampamento compunha-se de vários
galpões de 30 m x 8 m, divididos em quatro partes (classes), com pranchas de madeira que
serviam como quadro e como mural e funcionava em três turnos. Em 1961, construíram-se
dois Acampamentos e em 1962, mais nove, atingindo assim, toda a periferia da cidade.
Estava, ao menos temporariamente, resolvido o problema do espaço físico para o
funcionamento das classes de alfabetização e primeiras séries primárias. “De Pé No Chão”
partiu então, para uma série de projetos: ensino mútuo; praças de cultura; centro de formação
de professores; Campanha “De Pé No chão Também Se Aprende Uma Profissão”;
interiorização da Campanha; aplicação do Método Paulo Freire; Escola Brasileira Construída
Com Dinheiro Brasileiro (este projeto representou a primeira ajuda do Governo Federal Ministro Paulo de Tarso - que tornou possível a construção de pequenas salas de aula de
alvenaria, somando aos Acampamentos. Enquanto isso, o Governo Estadual, ampliava a rede
escolar com financiamento norte-americano da Aliança para o Progresso. O nome do projeto é
uma referência ao conflito ideológico entre esses dois governos: Municipal e Estadual).
(CUNHA, GÓES, 1999, p.24).
O “De Pé No Chão” agora necessitava a qualificar os docentes. Como somente em
Natal havia uma Escola Normal e a universidade estava em processo de implantação, criaram
os cursos emergenciais para docentes leigos, através da formação intensiva:
(...) a criatividade se manifestou no esquema de acompanhamento do desempenho
profissional desses docentes: 20 monitores trabalhavam sob a orientação/supervisão
de um docente diplomado por Escola Normal ou Faculdade de Filosofia. Aliou-se,
então, o pensamento acadêmico à prática popular, isto é, somou-se a técnica dos
docentes diplomados à criatividade dos monitores, estes verdadeiros “doutores” em
superar dificuldades sociais. (...) o conhecimento passou a ser construído como
resultante de duas vertentes, a acadêmica e a popular, e cada nascente oferecia uma
contribuição valiosa para o processo de educação. (CUNHA, GÓES, 1999, p. 27)
Outro grande desafio foi o material didático. No início, o movimento distribuía
acríticamente, as cartilhas tradicionais, Segundo CUNHA, GÓES, (1999, p.26) crianças que
não tinham em casa, feijão e arroz, eram alfabetizadas na escola com a silabação de “ovos de
páscoa” e esse procedimento não era condizia com a proposta da Campanha. No início de
1963, “De Pé No Chão” passou à produzir seu material, “unidades de trabalho”.
A orientadora/supervisora, que se reunia semanalmente com os 20 monitores, passou
também, a coletar e discutir sugestões para os conteúdos que deveriam ser ministrados. Os
dados eram analisados quinzenalmente, num encontro com a direção e a equipe técnica do
Centro de Formação de Professores. Estudavam-se e compatibilizavam-se as sugestões e
definia-se o norte da aprendizagem. As sugestões eram transformadas em conteúdos
introdutórios definidos em níveis de alfabetização, 1.º, 2.º e 3.º séries primárias, os quais eram
mimeografados e voltavam às salas de aula.
Ainda segundo os autores CUNHA, GÓES, (1999, P. 26), “De Pé No Chão, instigou o
“pensar por si próprio”, o não confundir escola com prédio escolar “e desmistificou na prática
a teoria da classe dominante que se considerava a única “responsável, detentora e doadora de
cultura, conteúdos e métodos de educar”. Provou também
a capacidade das classes
subordinadas para propor e executar uma política e uma prática de educação”.
O terceiro movimento na ordem cronológica é criado no governo de Jânio Quadros.
Através de um acordo firmado entre o Governo e a Igreja Católica, surge pelo decreto 50370,
o M.E.B. - Movimento de Educação de Base3. (CUNHA,GÓES,1999.p. 29)
A Igreja sempre foi parceira do Estado em várias ações e estava preocupada: muitos
foram trabalhar na construção de Brasília e não voltaram mais desfazendo, assim, suas
famílias. Estava preocupada também, com a presença do comunismo no campo, que estava
montando base e fortalecendo os sindicatos rurais, particularmente o P.C. - Partido
Comunista. Na época, Dom Hélder Câmara era um dos bispos mais atuantes e, juntamente
com Dom Távora, propõe retomar o SIRENA - Sistema de Rádio Educativa Nacional. Uma
experiência do Ministério da Educação dos anos 50, que propunha a erradicação do
analfabetismo. (FAVERO, 1998)
A proposta era fazer uma educação de base montando as emissoras católicas em todo o
Brasil. Seu principal veículo de comunicação foi o rádio. Atuava na área de
subdesenvolvimento brasileiro - Norte, Nordeste e Centro-Oeste - por intermédio de um
Conselho Diretor Nacional, equipe estadual e equipes locais. Através da escola radiofônica:
médicos que davam aula sobre micróbios e assim por diante. O material didático era muito
pobre, ainda da época dos anos 50, e inteligível para a população rural. O SIRENE acaba
criando uma cartilha, bonita e colorida, mas que usa o “á-é-i-ó-u”. E no final de 1962, o
projeto passa por uma revisão e o M.E.B. se redefine como Movimento de Educação Popular,
3
Na seqüência do texto, trataremos o Movimento de Educação de Base, por sua sigla correspondente: M.E.B.
aproxima-se de Paulo Freire e assume o compromisso com a conscientização, a politização,
para que o indivíduo pudesse compreender a realidade e através dessa compreensão,
transformá-la. As primeiras lições eram sobre povo, voto, pão. Criou um livro de leitura para
pós-alfabetizados, chamado Viver a Luta - que foi apreendido pela polícia de Lacerda, o
Governador do Rio, logo após o golpe de 64. (FAVERO, 1998)
O M.E.B. denominava-se um movimento “engajado com o povo neste trabalho de
mudança social, comprometido com este povo e nunca com qualquer tipo de estrutura social
ou qualquer instituição que pretenda substituir o povo” (CUNHA, GÓES, 1999, p. 28)
Foi o único movimento de cultura popular que não foi exterminado pelo golpe Militar
de 64, devido ao Convênio firmado com a União, que delimitava as datas-base de 1961/65.
Entretanto, a Igreja recuou ante as novas condições políticas e, em 1966, o M.E.B., perde sua
característica de Movimento de Educação Popular e torna-se Educação Fundamental.
(CUNHA, GÓES, 1999, p. 28)
O CPC da UNE- Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes,4 foi o
quarto movimento na ordem cronológica a emergir na década de 60.
Órgão cultural da U.N.E., com regimento interno próprio e autônomo, tanto na
perspectiva administrativa quanto na financeira. O CPC da Une, concebia que o artista era
alguém que participa das limitações, dos ideais, das responsabilidades comuns, conquistas e
derrotas. O diferencial, é que com a arte, podia ir muito além. Comunicar diretamente ao
povo, por mil maneiras diferentes, a idéia de que as forças esmagadoras do sistema, eram na
verdade, produto humano e poderiam ser modificadas.
A UNE cedeu uma sala e também o uso do auditório para o funcionamento. Surge,
no dia 08 de março de 1962, o CPC da UNE: órgão cultural da União Nacional dos
Estudantes. Possuía autonomia administrativa e financeira. Sua direção era eleita pela
Assembléia Geral e era passível de dissolução.
Os recursos financeiros eram escassos,
(...) no início, sobreviveu graças a contribuições individuais até conseguir sua
primeira verba do Governo, um auxílio de Cr$ 3.000,00 em 1961, e em 1962,
recebeu mais Cr$ 5.800,00 - para a construção do teatro - com o qual foram
financiadas partes do filme Cinco Vezes Favela e a gravação do “long-playing” O
povo canta. (BERLINCK, 1984, p. 25)
A existência do CPC estava vinculada ao trabalho voluntário – e entusiasmado – das
pessoas que se dedicavam ao Movimento De cultura, seja por questões de ideologia ou por
4
Doravante, trataremos o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, somente por sua sigla
correspondente C.P.C.
crerem nas metas propostas. Eram elas que faziam o CPC acontecer e expandir-se. Desse
trabalho coletivo, surgiram os departamentos: de teatro - convencional e de rua; de cinema; de
música; de arquitetura; de artes plásticas; de administração; de alfabetização de adultos; de
literatura.
Através desses departamentos desenvolvia variadas e inúmeras atividades:
promovendo peças teatrais e shows musicais nos bairros e nas praças públicas do Rio de
Janeiro; cursos de cinema, de teatro, de artes visuais, de filosofia, de formação profissional;
realizou uma excursão durante três meses, por todo o país, onde eram apresentados em praças
públicas e pontos de concentração, shows musicais, encenadas peças de teatro, exposições
gráficas e fotográficas: sobre reforma agrária, remessa de lucros, voto do analfabeto;
Torna-se relevante, elencar algumas das atividades do CPC da UNE, com a
finalidade de explicitar um pouco mais o que foi este Movimento: no teatro montaram as
peças “Eles não usam black-tie” de Gianfrancesco Guarnieri, e “ A vez da recusa” de Carlos
Esteves; a peça “Auto do tutu ta no fim” que foi apresentada em praça pública, nos comícios,
foi severamente repreendida pela polícia e deu origem a outra peça “Auto dos cassetetes”, que
também foi apresentada nas praças. Essas duas peças deram início ao chamado teatro de
agitação:
(...) teatro de agitação baseava-se num fato político qualquer como, por exemplo,
uma conferência da organização dos Estados Americanos ou o aumento de preços de
algum gênero alimentício que causasse problemas maiores. Sobre o fato uma peça
era imediatamente feita e levada prá rua, em qualquer lugar: em praça pública, em
cima de caminhão, em cima de caixas d’água de favelas. Era um tipo de teatro
imediatista, de resposta direta aos acontecimentos. (NEVES, 1978)
No cinema, realizam o filme “Cinco vezes favela", que representa “uma área
política de pensamento”. Era dividido em cinco episódios: 1) Um favelado; 2) Zé da
Cachorra; 3) Couro de gato; 4) Escola de samba, alegria de viver; 5) Pedreira de S. Diogo. No
filme “Cinco vezes favela”:
(...) o ladrão da favela não é ladrão porque não queira trabalhar, mas porque não
encontra serviço e precisa comer, é a sociedade que o faz ladrão (Um favelado). Se o
favelado não tem onde dormir é porque até os barracos da favela pertencem a um
rico proprietário que dispõe de seus bens a seu bel prazer (Zé da Cachorra). Se o
favelado preocupa-se mais em organizar as festas da escola de samba do que em
participar da vida sindical para alterar a sociedade, tudo ficará na mesma (Escola de
samba alegria de viver). (BERLINCK, 1984, p. 33)
O CPC também publicou 24 números dos Cadernos do Povo Brasileiro e várias
outras publicações de cordel, além de produzir documentários; realizou o “I Festival de
Cultura Popular, que apresentou ao público obras de escritores e poetas brasileiros”
(BERLINCK, 1984, p. 40).
O intuito dessas atividades era levar ao público, informações sobre a sua própria
condição social:
(...) salientando que as más condições de vida decorrem de uma estrutura social
dominada pela burguesia. Tarefa de conscientização: deve-se ir além da descrição e
da análise da realidade, a fim de levar o público a atuar; a situação não mudará se
ele não agir para transformá-la e só ele pode ser o motor dessa transformação.
(BERLINCK, 1984, p. 33)
Em suma, o Movimento de Cultura Popular, objetivava estabelecer um contato direto
com o povo, trazê-lo para dentro da discussão e da reflexão acerca de sua própria condição de
exploração social. Seu intuito maior era a politização do sujeito como via de transformação
social.
2 - ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL
Toda a história das idéias em torno da alfabetização no Brasil acompanha a história
da educação como um todo, que por sua vez acompanha a dos modelos econômicos e
políticos assim como toda a história das relações de poder e dos grupos que estão no poder.
Diferente da alfabetização infantil que ocorre definida por lei como tarefa obrigatória do
Estado, a alfabetização de adultos tem sido alvo de lutas de interesses intensos, e movimentos
intensos na história da educação. Em cada período se identificam grupos econômicos,
partidários, de educadores e intelectuais assim como de grupos, ligados a diversos
movimentos sociais.
Todos na verdade buscam uma definição de políticas e ações para a área de educação,
da mesma forma as discussões e definições em torno de propostas teóricas e de concepções de
alfabetização acompanham a as lutas ideológicas e políticas de cada período.
A educação
básica de adultos começou na verdade, a delimitar seu lugar na história no Brasil a partir da
década de 30, quando finalmente, forma-se um sistema público de educação. Neste período a
sociedade passava por grandes mudanças rumo industrialização e urbanização dos grandes
centros.
Ampliação da educação elementar foi impulsionada pelo Governo Federal principalmente nos anos 40 - que traçava as diretrizes educacionais para todo o país. Deu
ênfase ao ensino elementar para adultos, impulsionado pelas mudanças nacionais (fim da
ditadura de Vargas, 1945) e internacionais, (a segunda guerra que acabara) e a influenciado
pela ONU, que orientava para que se buscasse entre os povos paz e democracia. Esses
resultados, porém, só seriam alcançados através de uma nova cultura e muitos defendiam que
só poderia ser executada através da educação.
No Brasil, era urgente a necessidade de aumentar as bases eleitorais para a sustentação
do governo central. Assim como também se visava integrar as massas populacionais de
imigração. É nesse período que a educação para adultos formula sua identidade. É iniciada
uma campanha de massa nacional, a Campanha de Educação de Adultos, lançada em 1947.
Pretendia-se assim, em uma primeira fase: em extensão alfabetizar em três meses, e mais uma
complementação com o curso primário em dois períodos de sete meses, e depois vinha à
capacitação profissional. O desenvolvimento comunitário nos primeiros anos, sob a direção
de Loirinho Filho, teve resultados significativos, foram criadas várias escolas supletivas e
contavam com o auxilio de profissionais e voluntários.
Porém na década de 50, começou a diminuir se o entusiasmo. As atividades executadas
em zonas rurais não tiveram êxito, ainda assim, sobreviveu à rede de ensino supletivo, que foi
assumida pelos estados e municípios. O fracasso da Campanha de Educação para Adultos, se
explica através das duras críticas que sofreu, tanto na sua área administrativa quanto na
pedagógica, pois o aprendizado dava-se em tempo muito breve. Levado - se em conta também
que faltava um método direcionado a idade adulta e às diferenças das regiões do país. É nesse
momento que começam as discussões para formular um modo de acabar com analfabetismo,
de forma eficaz.
Tantas preocupações se instauravam devido ao analfabetismo ser concebido como causa
e não efeito da situação econômica, social e cultural do Brasil, o adulto analfabeto tinha uma
imagem, de incapaz e marginal, alguém que deveria ser deixado de lado, já que esta
devidamente, incapacitada para determinadas tarefas. No final da década de 50, uma nova
visão sobre o problema do analfabetismo começa a
surgir, assim como também, um novo
modelo pedagógico para a educação de adultos. A referencia principal foi o educador Paulo
Freire.
O êxito de suas atividades alfabetizadoras na região nordeste do país, fez com que o
presidente João Goulart o convidasse por meio do então secretario da educação, Paulo de
Tarso Santos; para coordenar o Plano Nacional de Alfabetização do MEC, que foi aprovado
em janeiro de 1964, e que previa a disseminação por todo o Brasil, de programas orientados
pela proposta de Paulo Freire e de seu Método de Alfabetização. A elaboração do plano
contava com o forte engajamento de
estudantes, sindicatos e diversos grupos sociais,
estimulados pela efervescência política da época.
Foi como autor do Relatório da Comissão Regional de Pernambuco, intitulado “A
Educação de Adultos e as Populações Marginais – O Problema dos Mocambos”, apresentado
no II Congresso Nacional de Educação, realizado no Rio de Janeiro em julho de 1958, “que
Paulo Freire firmou-se como educador progressista”. As discussões e os planejamentos
deram origem à realização do I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, que
aconteceu em Recife, entre 15 e 21 de setembro de 1963: onde se formou uma comissão para
elaborar, um relatório5 a respeito da real situação de analfabetismo no país.
Um movimento de alfabetização deve estar consciente de que o problema do
analfabetismo, não pode ser resolvido em si mesmo, sem que haja em conjunto,
uma
modificação das estruturas da sociedade, essa transformação só poderá ser alcançada quando
o povo tiver consciência crítica. Ou seja, a alfabetização e consciência crítica, estão
entrelaçadas. Exigindo-se a assim uma posição do método a favor do povo e de
sua
conscientização, estas exigências forma contempladas no Método de Alfabetização Paulo
Freire. Dando inicio a uma nova fase na educação para adultos e em geral em toda educação
no país.
(...) Uma das condições desta libertação é que o povo tenha consciência da
dominação a que está submetido e das tarefas históricas que lhes são requeridas para
liquidar está dominação; por isso mesmo alfabetizar não pode ser distinto de
conscientizar (FÁVERO. p239 -1983).
O advento dos anos 60 encontrou Paulo Freire com todo o delineamento de um
pensamento político-pedagógico dialógico e libertador, condescende a atitudes indicativas da
autonomia e do intercâmbio dos saberes entre o aprendiz e o educador. O Movimento de
Cultura Popular (MCP), o Serviço de Extensão Cultural (SEC), da Universidade do Recife, a
experiência de Angicos e o Programa Nacional de Alfabetização, do MEC, foram, então, os
campos de exercício da criatividade e das atividades pedagógicas de Paulo Freire, sempre
objetos de novas reflexões.
3- MÉTODO PAULO FREIRE
Surge no Movimento de Cultura Popular, um dos mais importantes instrumentos,
utilizado pelos jovens Católicos Radicais: O Método Paulo Freire, ele surgiu no centro
D.Olegarinha, situada na periferia de Recife. Esse centro foi organizado com a colaboração da
Paróquia de Casa Forte, que cedeu sua casa para instalações. Ali se realizou a primeira
experiência de alfabetização de adultos, seguindo as orientações da proposta de Paulo Freire.
Participaram da experiência alfabetizadora, uma mulher e quatro homens, foram
5
Relatório da Comissão de Estudos sobre Alfabetização – elaborado no I Encontro Nacional de Alfabetização
e Cultura Popular, realizado em Recife, 15 a 21 de setembro de 1963.
utilizados meios visuais, com exposição de figuras e vocábulos, assim como os recursos orais.
Em dois meses, com aproximadamente trinta horas, um dos alunos já lia trechos
relativamente difíceis. A partir desta foram realizadas outras mais amplas em Angicos,
interior do Rio Grande do Norte.
Nas experiências de Angicos, lavradores tiveram a oportunidade de serem os primeiros
a presenciar a experiência do “Centro de Cultura”. A serem alfabetizados através do próprio
trabalho. Posteriormente o projeto parte rumo à cidade, o Método foi levado ao Rio de
Janeiro, São Paulo e Brasília, numa ação conjunta com os Movimentos Populares de Cultura.
Os resultados obtidos são bastante relevantes: trezentos trabalhadores alfabetizados em
quarenta e cinco dias impressionaram a opinião pública impulsionando o Método a ser
ampliado por todo o território nacional, contando com o apoio do Governo Federal. Dessa
ação - de junho de 1963 a março de 1964 - ocorreram os cursos de Formação de
Coordenadores na maior parte das capitais brasileiras, em Guanabara se inscreveram mais de
600 pessoas, e assim números similares de participação nos ocorreram demais centros.
O Plano de Ação de 1964 previa a instalação de vinte mil círculos de cultura capazes de
formar, no mesmo ano dois milhões de alunos, todos os círculos educavam em dois meses,
trinta alunos.
A proposta de Alfabetização de Adultos de Paulo Freire, era baseada na
conscientização e partia do pressuposto de que “a leitura do mundo precede a leitura da
palavra”. Ele propunha a Alfabetização e a Educação de Base para Adultos sempre partindo
de um exame crítico da realidade existencial dos educados, devia-se buscar e identificar as
origens e a possibilidade de superar as problemáticas ali levantadas.
(...)A Alfabetização no Sistema Paulo Freire é uma conseqüência da
conscientização. Uma vez introduzido no “ circulo de cultura” e iniciado nas
atividades pela discussão do que é cultura e mais adiante dialogando a respeito de
problemas vitais e sociais, sente-se o analfabeto, além de profundamente motivado,
desinibido, inclusive pela dimensão nova que adquire de ser capaz de criar.
Torna-se autoconfiante e comporta-se já diferentemente. (FÁVERO, p.168-1983).
Não houve tempo para dar continuidade a este amplo projeto com alfabetização de
adultos, pois o Golpe Militar interrompeu o processo. Nos primeiros dias de abril a Campanha
Nacional de Alfabetização idealizada e sob a direção de Paulo Freire foi “transformada em
perigosa e subversiva. E em tempo de baioneta a cartilha que se cale”( BRANDÃO,p191985) .
4.2 - COMO FUNCIONA NA PRÁTICA O MÉTODO PAULO FREIRE
Sem utilizar-se de cartilhas, desenvolveu um conjunto de procedimentos pedagógicos;
onde previa uma etapa de preparação, na qual o educador deveria estar contextualizado com a
realidade existencial do grupo, junto ao qual atuaria.Promoviam reuniões informais entre os
educadores e as pessoas da comunidade que desejavam ser alfabetizadas, onde iniciava o
levantamento do universo de vocábulos do grupo.
Desse universo, o educador selecionava os vocábulos, nos quais os analfabetos se
fixavam com maior densidade, ou seja, que expressavam as situações existenciais de maior
importância no seu contexto social.
(...) A partir do levantamento da palavra a pesquisa, descobre as pistas de um
mundo imediato, configurando pelo repertório dos símbolos através dos quais os
educados passam para as etapas seguintes do aprendizado coletivo e solidário de
uma dupla leitura; a da realidade social que se vive e a da palavra escrita que a
retraduz (BRANDÃO, p.26-1985)
De posse desse material, iniciavam-se discussões, utilizando uma série de ilustrações e
cartazes, nos quais, era evidenciado o papel ativo dos homens, como sendo; gerador de
cultura, assim como as diferentes formas de cultura (a cultura letrada e a não-letrada, o
trabalho, a arte, a religião, os diferentes padrões de comportamento e a sociabilidade). O
intuito dessa ação era levar o educando a assumir–se como capaz, responsável e sujeito de
sua aprendizagem.
A próxima etapa se iniciava com o estudo das palavras geradoras. Cada palavra era
apresentada, junto a cartazes que continham imagens referentes ao seu sentido ou
representação. Cada gravura iniciava uma discussão em torno de si mesma, e só depois é que
se iniciava
a análise da palavra escrita e suas partes componentes, as sílabas, eram
apresentadas, assim como o quadro com as famílias silábicas derivadas da palavra geradora.
Com os quais o alfabetizando montava novas palavras. Com um elenco de dez a vinte
palavras geradoras, acreditava-se conseguir alfabetizar o educando - ainda que no nível
rudimentar - no tempo de três meses. A etapa seguinte era substituir as palavras geradoras,
aprofundando nos alfabetizados, a análise de seus problemas, determinando um engajamento
nas atividades comunitárias ou associativas. Diversos materiais de Alfabetização foram
elaborados nesse período, orientados por esses princípios. Normalmente eram elaborados
regionalmente, evidenciando a realidade imediata dos alunos
e problematizando essa
realidade.
5. CONCLUSÃO
O M.C.P., nas suas mais variadas formas de ação, fez parte da história do Brasil.
buscava alternativas para levar a alfabetização, o conhecimento, a educação e principalmente
a politização do povo. Suas propostas opunham-se ao tradicional e conservador e através
delas, o M.C.P. tornava-se um instrumento de conscientização na luta contra a miséria e a
desigualdade social, que eram – e ainda são – as responsáveis pelo analfabetismo.
Com o intuito de que o sujeito não apenas aprendesse a ler decodificando, mas que
fosse muito além e através da leitura – em suas mais variadas formas: teatro, cinema, música,
fotografias, festivais, etc. – esse sujeito fosse levado a tomar posições e situar-se
historicamente, de forma crítica e atuante, o M.C.P. instigava e usava a arte para conscientizar
através dela. Dessa forma, socializava a cultura para emancipar o sujeito.
As dificuldades encontradas na prática geravam reflexões e respostas e viam na
alfabetização, um processo que visava uma continuidade. Era a constatação de que o
analfabetismo e a deficiência nas vagas nas Universidades, não estavam desligados da
condição de miséria, ao contrário eram conseqüências diretas dessas condições sociais.
A intenção de Paulo Freire, era estimular a consciência social e dar condições ao povo
para que se transformasse de objeto em sujeito da ação social. Estava implícito na sua
sistematização, que a alfabetização não deveria ser “mecânica”, mas que deveria proporcionar
ao homem também, condições de emergir um homem politizado e consciente de si mesmo,
apto a fazer escolhas próprias. Os objetivos governamentais, no entanto, eram eleitorais
somente.
Paulo Freire necessitou de verbas estatais, pois, um projeto de tamanha grandeza, não
poderia se realizar sem ela e, posteriormente foi acusado de ser demagogo, oportunista e
subversivo. É exilado do país por ocasião do Golpe Militar em 1964. Com a implantação do
novo regime político de cunho ditatorial, cuja principal preocupação era estancar e conter as
mobilizações sociais e as Reformas de Base, a repressão não só atingiu e exterminou os
Movimentos de Educação e Cultura, como transformou a Educação e a Cultura do país numa
tentativa bem sucedida de alienação. Foi à classe dominante que se sentiu ameaçada e reagiu.
Reorganizou-se para manter-se no poder.
Os quatro movimentos pioneiros da Educação e Cultura Popular
dos anos 60,
somados ao Sistema Paulo Freire, fizeram parte da história brasileira, na qual o país buscava
caminhos alternativos as propostas tradicionais e conservadoras; buscava conscientização, a
politização e a educação, para através delas, erradicar a miséria e a desigualdade social, as
quais eram as legítimas causas do analfabetismo.
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ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS NOS ANOS 60