Formação de professores em ambiente virtual de aprendizagem: ética na educação inclusiva Formation des enseignants dans une plateforme d’apprentissage en ligne : éthique dans le cadre de l’éducation pour l’inclusion Neide Tsukamoto (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) Patrícia Lupion Torres (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) Resumo Esta investigação refere-se à formação continuada realizada no Ambiente Virtual de Aprendizagem, o Eureka, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, no Brasil, com a participação de vinte e nove professores de uma Escola de Educação Especial para surdos, no município de Curitiba – Paraná, na consideração dos paradigmas da Educação Inclusiva. O processo inclusivo solicita do professor da Educação Especial e do Ensino Regular a incorporação as novas formas de educar os alunos surdos, antes realizados separadamente, baseado em referencial científico e teórico-metodológico imprescindíveis na adequação do projeto político pedagógico. Os resultados da pesquisa apontam para a intenção de prosseguir os estudos entre os professores, como respostas à demanda da educação contemporânea. Também, a solicitação formal de aperfeiçoar no domínio da tecnologia para assegurar a participação de outras formações continuada em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, no reconhecimento de constituir um meio inovador na efetivação de conhecimentos que procede a uma prática pedagógica de qualidade vinculada aos princípios democráticos e éticos, necessários a inclusão social de todos os alunos. Palavras-chave: Ambiente Virtual de Aprendizagem; Formação Continuada; Educação Inclusiva; Formação de Professores Résumé Cette recherche est le résultat d’un travail de formation continue réalisée par la médiation de la plateforme d’apprentissage en ligne, Eureka, utilisée et développée par la Pontifícia Universidade Católica do Paraná au Brésil. Ont participé à l’étude vingt neuf professeurs spécialistes du domaine de l’Education spécialisée des Sourds de la municipalité de Curitiba dans l’Etat du Paraná. Dans le cadre de cette formation continue a été considéré le paradigme de l’Education pour l’Inclusion qui, du point de vue conceptuel, se réfère à une éducation de qualité offerte à l’ensemble des élèves d’une classe suivant un enseignement en commun et d’une école régulière. Ceci présuppose une éducation pour tous, indépendamment du talent, de l’handicap (sensoriel, physique ou cognitif), de l’origine socio-économique, ethnique ou culturelle, dans un exercice d’éthique et de citoyenneté. Dans ce contexte, le rôle de l’enseignant de l’Education spécialisée et de l’Education régulière est d’accompagner l’évolution, tout en gardant une posture éthique face aux nouvelles formes d’éduquer ces élèves qui auparavant étaient réalisées dans des écoles séparées, en se basant sur un référentiel scientifique et technico-méthodologique sans compromis face à la logique déterministe des politiques publiques. Par ce biais, lors de cette étude de cas, a été faite une recherche sur la formation des enseignants, qui travaillent dans l’Education Spécialisée et dans l’Education régulière. Cette formation est essentielle pour un développement adéquat du projet pédagogique ayant comme objectif l’accompagnement des 1082 changements, lui même lié aux fondements, législations, conceptualisations et terminologies utilisées dans l’Education Spécialisée, le tout dans un contexte d’Education pour l’Inclusion. Pour cette raison, les professionnels doivent discerner la société classiste de l'être uniformisé, qui requiert l'identité d'éducateur et d'agent transformateur de la société que constituent les valeurs éthiques. Les résultats de la recherche montrent que les professionnels ont allié l'intention de continuer leurs études dans le but de relier aux expériences de Suivi éducationnel spécialisé les référentiels, encore insuffisants, de l'inclusion, comme réponse à une demande de 1’éducation contemporaine. Et ils ont aussi fait une demande formelle de perfectionnement en technologies de l'éducation, dans le but d'assurer la continuité d'études dans les plateformes d'apprentissage en ligne sous l'allégation qu'elles constituent un moyen innovant pour l'acquisition effective des connaissances tout en offrant une amélioration de la qualité dans les pratiques pédagogiques et en mettant en avant les principes éthiques et démocratiques qui augmentent les possibilités d'inclusion sociale de tous les élèves. Mots-clés : environnement virtuel d’apprentissage, formation continue, éducation inclusive, formation des enseignants Introdução A educação atual explicita a perspectiva democrática na defesa do direito de todos os alunos ao acesso e permanência na escola, expressadas por inúmeros termos legais que regem o sistema educacional brasileiro, que instiga a superação da segregação para todos os que possuem alguma necessidade Educacional Especial. A complexidade em discutir a Educação Inclusiva na atualidade, urge em decorrência da necessidade de garantir a aplicação da Lei de Diretrizes e Bases [LDB] Nº. 9394 de 1996 e o Parecer 17/2001, como normativas fundamentais que vigoram na educação brasileira para a consolidação do paradigma da inclusão. A Educação Inclusiva preconizada nesta lei (LDB 9394/96, conceitualmente, refere-se a educação apropriada e de qualidade dada conjuntamente para todos os alunos nas classes do ensino comum, da escola regular, que pressupõe uma educação direcionada a todos, independentes de talento, de deficiência (sensorial, física ou cognitiva), de origem sócio-econômica, étnica ou cultural, num exercício de ética e cidadania. O que solicita transformações estruturais e culturais das escolas existentes, para ações práticas em cumprimento das políticas públicas de ofertar uma escola à todos e qualidade, o que desafia os meios acadêmicos, de qualidade. Na indagação de que seria qualidade, neste contexto, os últimos documentos educacionais, principalmente no Parecer 17/2001, evidencia a qualidade como o objetivo primordial, uma vez que ela concebe que a escola é aberta a todas, tendo como características principais a oferta de um ambiente colaborativo que valoriza as diferenças; trabalho contextualizado com interesse dos alunos; a adoção da avaliação processual; incentivo às pesquisas e formação de professores; oferta de atendimento especializado às diferenças (Brasil, 2001). Estes elementos apontam para uma escola com os princípios éticos que contrapõe à escola elitista, segregadora, padronizada e homogênea, que tem como modelo, um aluno ideal que não existe. Devidamente oficializadas, os princípios da Educação Inclusiva solicita da escola a tarefa, além da complexa e discutida tarefa de ler e escrever, a de acolher e processar as adaptações curriculares apropriados à realidade multicultural promovendo a educação de qualidade a todos os alunos inclusiva, 1083 sobre a justificativa da necessidade de um novo olhar sobre os alunos e as diversidades surgidas nas escolas. Seguindo o referencial de Glat (2009) a trajetória da educação especial, os fundamentos revelam que os direitos das pessoas com deficiência, avançaram de uma prática de uma educação segregadora realizadas em instituições e classes especiais, ao modelo da integração, para chegar ao conceito de uma sociedade inclusiva. Tais processos resultam em novas exigências docentes, que se tem traduzido em controvérsias, que revelam os paradoxos associados às dificuldades de acompanhar as mudanças paradigmáticas, causando confusões em identificar os princípios funcionais da educação especial no contexto da educação inclusão, exigindo uma unidade de definições e orientações para preencher as lacunas das normativas. A Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que constitui um documento esclarecedor elaborado pelo Grupo de Trabalho formado pelos profissionais de Educação Especial, nomeado pela Portaria nº 555/2007, prorrogada pela Portaria nº 948/2007, que constituiu o Decreto 7561/08, homologado em 02 de outubro de 2009, por meio da Resolução 04, esclarece que o Atendimento Educacional Especializado é indicado para atender as necessidades das específicas dos estudantes com deficiência, na condição de constituir um apoio e um complemento ao processo de escolarização dos alunos com deficiências e não substituir a escolaridade regular (Brasil, 2009). No entanto, as escolas especiais surgiram, no século XIX, no Brasil, para substituir a escola comum, uma vez que a escola comum carecia de recursos materiais e recursos técnicos - científicos e por fragilidade do sistema de ensino, não sendo possível construir o regime de colaboração e de interação do sistema de ensino, reforçando a segregação social dos alunos com deficiências. Sobre este pretexto, as escolas especiais ainda resistem, nesse histórico permeado de interesse que subjuga o sentido democrático e participativo (Glat, 2009). A segregação analisada sobre o aspecto das relações ético-social e as relações de subjetividades, Cordiolli (2009) comenta que são das relações ocorridas entre os sujeitos da educação com as instâncias do poder que se originam as manifestações das linguagens simbólicas, como processos das experiências de classes sociais e culturais. O autor conclui que a passividade e as resistências na aceitação dos alunos com alguma deficiência representam nada mais do que resultado histórico das relações sociais. Corrobora-se com Nóvoa (1995) da necessidade de contextualização histórica da educação especial, pelo fato das pessoas elaborarem suas suposições sobre o deficiente, que influencia as ações dos profissionais no processo de inclusão, que, as vezes, tendem a reproduzir o discurso do senso comum e acabam incorporando no discurso científico. Este cenário mostra que o ideário da escola inclusiva como aquela que se especializa em todos os seus alunos e não apenas no deficiente, ou no aluno ideal, que valoriza as diferenças e trabalha como processo e não com produto acabado, ainda constitui um desafio que se delineia numa longa trajetória. Neste contexto, não se pode culpar somente o professor. A maioria dos professores, durante a sua formação acadêmica, não foi contemplada com nenhuma disciplina que tematizasse a educação especial e, até o advento das determinações legais, a educação de alunos surdos eram realizados em espaços especiais distintos (Glat, 2009). O que significa a urgência em oferecer uma educação completa, multidimensional, politécnica, combinando o trabalho produtivo material com tarefas intelectuais e com possibilidade de construir as bases científicas do conhecimento. Para tal, requer estudos fundamentados nas práticas inovadoras como pressuposto teórico-metodológico nas bases teóricas na formação de docentes comprometidos com a transformação social, dentro de um processo contínuo de formação (BEHRENS (2005). 1084 Tais estudos devem-se considerar as transformações têm ocorridos no campo da tecnologia, o alargamento dos canais de comunicação que, segundo Castells (2003: p.12) tornou “a internet uma rede de informação global, mas seu uso e a sua realidade em evolução são produtos da ação humana” permitindo o aumento nas transmissões de informações, de forma veloz, redimensionando as lógicas de organização e administração do sistema produtivo e que implicam em maior competividade. Para tanto, nessa investigação foi consonante com os autores Behrens (2005) e Torres (2004) que convocam as instituições educacionais para uma formação sólida para a denominada “sociedade do conhecimento”, considerando as novas tecnologias, as novas formatações sociais e novas visões profissionais conectados à realidade digital e à diversidade social. Nessa perspectiva, os paradigmas da Educação Inclusiva e a necessidade de referenciais teóricometodológicos ancoraram a formação continuada de professores frente a realidade inclusiva, viabilizada pela Educação a Distância e realizada em ambiente virtual de aprendizagem [AVA] Eureka. Justificado que a modalidade de Educação à distância tem permitido formar profissionais com competência para desenvolver uma prática pedagógica com mais propriedade e, consequentemente, contribuindo na melhoria da qualidade de ensino nas escolas brasileiras permitida pela interatividade da tecnologia. Nestes desafios, na busca de equilíbrio entre a realidade pedagógica e o otimismo do discurso da inclusão total, de atuar como peça amortecedora, não única, dos impactos das políticas públicas frente à Educação Inclusiva e considerando a educação um campo de resistência aos riscos provenientes do autoritarismo oficial que tendem a reproduzir no espaço escolar, negando o acesso à “educação para a emancipação” (Adorno, 1995), a proposição desta pesquisa: “A formação de professores para a inclusão dos alunos surdos” foi consolidada na ética da preservação do aluno com deficiência como ser humano provido de direitos. Metodologia Esta pesquisa se caracteriza como de estudo de caso de Yin (1996) que constitui um recorte da investigação realizada como requisito do curso de mestrado em educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde a pesquisa se realizou mediado pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem – Eureka dessa Universidade, denominada “A formação de professores para a Educação Inclusiva em ambiente virtual de aprendizagem”. Neste estudo, apresenta-se os resultados dos estudos sobre os fundamentos da Educação Especial até a atual concepção da Educação Inclusiva e suas implicações políticas e sociais. 1085 Figura 1. Ambiente Virtual de Aprendizagem – EUREKA. A primeira autora atuou como moderadora e pesquisadora na formação continuada estruturada no AVA Eureka, onde os estudos se efetivaram. Figura 2 – Texto sobre a Educação Inclusiva O instrumento de análise foi a utilização de questionário semi-estruturado contendo dez perguntas sobre o tema e para a identificação das características dos participantes e os resultados das interações ocorridos na formação continuada no AVA Eureka, atribuída aos seus recursos como: Fórum de Discussão, Chat, Webgrafia (textos complementares), material de apoio (vídeo, slides), correio e arquivos. Figura 3 – Os fundamentos da Educação Especial no Brasil Assim, o público-alvo foi reconhecido como sendo, inicialmente, trinta professores de diversas áreas de estudo, com diferenciado tempo de experiência em Ensino Especial e duas em Ensino Regular, a maioria atuam em uma Escola de Educação Especial, no município de Curitiba-PR, que funciona conforme a orientação da Resolução 03/2009, de constituir Atendimento Educacional Especializado (AEE), de caráter complementar ao processo escolar dos alunos surdos no ensino regular (Brasil, 2009). 1086 No desafio de atender as características do grupo, de pouca familiaridade com os recursos digitais e interessados em atualizar sobre a educação inclusiva e as suas implicações, a proposta de formação continuada se direcionou dentro do formato de curso de extensão, na modalidade de Educação à Distância. A Estrutura da formação continuada denominado “Tópicos em Educação Inclusiva” foi organizada no ambiente de aprendizagem EUREKA em cinco módulos, com 7 h de encontros presenciais e 33 h à distância. Os temas desenvolvidos nos módulos foram: a evolução histórica e filosófica da Educação Especial; a revisão do conceito das necessidades especiais; as terminologias utilizadas na educação inclusiva; a Educação Especial no contexto da sociedade brasileira; as políticas de atendimento às necessidades educacionais especiais frente às políticas de integração e inclusão, a nacional e a estadual; a ética pessoal na educação das pessoas com necessidades educacionais especiais. Análises dos resultados Os resultados das entrevistas inicial constatou que a maioria (84%) dos participantes carecem de referenciais sobre os fundamentos da educação, mesmo para os profissionais atuam na área de Educação Especial há mais de dez anos. Do total, 3% dos professores declaram ter conhecimento parcial dos temas da Educação Inclusiva, com o mesmo porcentual daqueles que declaram ter um conhecimento total e 10 % declaram ter conhecimento razoável sobre a Educação inclusiva, como demonstra no depoimento de um professor que será representadas nesta pesquisa como “P”. P1: “Eu sei que eles sempre sofreram perseguições e rejeição, mas não sei relacionar com datas [...]”. No momento em que a educação discute a respeito da Educação Inclusiva, Mendes (2001) comenta que, as práticas realizadas com deficiência vêm apresentando disparidades crônicas entre a intenção e a realidade, as quais não encaixam nos critérios de elegibilidade adotadas e os interessados diretos (professores e aluno) são apenas comunicados quando oficializado em forma de leis, decretos, pareceres, e similares. Os professores da educação especial vem dentro de um dilema singular, a identidade de professores de alunos especiais, em escola especiais, e espaços especiais, causam incertezas perante a perspectiva do Atendimento Educacional Especializado. Nessa realidade, quem atua, ainda, nas Escolas Especiais, vem sendo criticadas como contribuidores da segregação e educação separatista (Lacerda, 2006). Ferreira (2006) comenta que quanto mais o professor refletir sobre as necessidades educacionais e os que dela fazem parte, maiores serão as chances de promover a participação de cada aluno na atividade de sala de aula, a inclusão e o sucesso escolar de todos. P2: “[...] é necessária uma mudança paradigmática em relação a cultura, prática pedagógica e política educacional, a fim de que se possa atender o aluno com uma abordagem humanística, percebendo-o em sua singularidade.” P3: “A minha incapacidade de não me capacitar, ajustar, compreender e entender que esse aluno pode e deve ter a oportunidade de ingressar no ensino regular sem "tantas complicações". As interações convergiram com Saraiva (2008) que alerta que as necessidades especiais não desaparecem com a mera inserção dos alunos na classe comum, e se os professores do ensino regular 1087 não corresponderem às necessidades de alguns dos seus alunos, seria necessário prover apoios de professores e profissionais especializados a fim de garantir uma inserção bem sucedida. P6: “Sinceramente acho bom, pena que no Brasil não existam sérios investimentos na educação! Os professores ganham mal, não existe nenhum acompanhamento de psicólogos nos colégios, a infra-estrutura nas escolas normalmente é precária. Se um aluno necessita de atendimento especial, o justo é que ele o tenha, coisa que é impossível em uma escola não preparada para oferecer tal tratamento.” P17: “A inclusão deve ser processada no ensino regular sim, mas de forma responsável. Acredito que a verdadeira inclusão é aquela que ao incluir o aluno com necessidades especiais no ensino regular deve em 1º lugar, preparar a escola como um todo, preparar alunos, professores, funcionários e comunidade para receber esse aluno, capacitando professores e funcionários, fazendo as adaptações necessárias e sensibilizando alunos e comunidade Arroyo (2009: p. 64) também comenta que as condições que impedem ou permitem aprendizagens “são materiais, mas também de estrutura, de organização e de clima humano ou de relações sociais, humanas, culturais” e defende os “espaços abertos reinventados” que permitam interações múltiplas, convívio de semelhantes e diversos, comentário compactuado pelas seguintes interações: P28: “Quando se fala em INCLUSÃO, fala em incluir TODOS em uma sociedade, sem distinção, com direitos à igualdade de oportunidades. Penso que, de fato, a educação inclusiva vem acontecendo gradativamente, porque inclusão não é apenas a presença física, mas sim a "aceitação", o "acolhimento", é dar a cada um o necessário, em função de suas características. P8: “Penso que a inclusão é fundamental, a partir da valorização da diversidade social. Pensando nessa perspectiva, deve-se informar as pessoas e professores para que elaborem o conceito e uma visão inclusiva para todos os que querem uma educação como um direito e de qualidade.” Nesse quadro, os alunos apontaram, nas interações, os fatores que impedem o processo inclusivo, 31% dos alunos atribuem à falta de investimento na formação profissional; 46% à falta de envolvimento e vontade política; 13% à sociedade com visão assistencialista e discriminatória e 10% aos professores com as práticas conservadoras para alunos homogêneos. FATORES QUE IMPEDEM O PROCESSO INCLUSIVO FREQUÊNCIA Nº % Falta de envolvimento e vontade política 18 46 A sociedade com visão assistencialista e discriminatória 5 13 Falta de investimento na formação de professores 12 31 Professores com práticas conservadoras para alunos homogêneos 4 10 TOTAL 29 100 NOTA: (29) Número de indivíduos Tabela 1 – Fatores que impedem o processo inclusivo 1088 As demais interações, sem exceções, ponderaram as opiniões, longe da visão otimista, apontaram para: as descrenças processuais da educação inclusiva focalizando os aspectos das Políticas Públicas como condição da inclusão que depara com a falta de investimento na formação de professores, tanto inicial como continuada ante as mudanças impostas; é um processo irreversível, contextualizados no panorama político-cultural internacional; a eterna dicotomia entre o discurso e a realidade, que na prática continua excludente. Mendes (2001: p. 62) ressalta que “uma concepção realista, atualizada e historicamente contextualizada da condição de deficiência é de capital importância para a atuação do profissional na área.” As colocações elaboradas pelos alunos explicitam os referenciais teóricos na organização das idéias. Considerações A proposta metodológica e os recursos mediadores deste trabalho exigiram mudanças para possibilitar a inserção nesses novos espaços de aprender e ensinar, o que demonstra que, entre os participantes, houve reflexão sobre os paradigmas educacionais para as pessoas com deficiência dentro da Educação Especial / Educação Inclusiva e suas implicações no processo de ensino e aprendizagem, nas instituições, no ensino regular e nos atuais serviços especializados. Os estudos demonstraram que os participantes elaboraram as principais concepções, as abordagens e as tendências da Educação Especial. Também, a solicitação formal de aperfeiçoar no domínio da tecnologia para assegurar a participação de outras formações continuada em Ambientes Virtuais de Aprendizagem, no reconhecimento de constituir um meio inovador na efetivação de conhecimentos que procede a uma prática pedagógica de qualidade vinculada aos princípios democráticos e éticos, necessários a inclusão social de todos os alunos. Do ponto de vista da proposição da mediação do ambiente virtual de aprendizagem Eureka, a investigação concluiu que as restrições em relação ao uso de tecnologias foram destituidas e substutidas pelas interações e partilha de informações, para a maioria era por falta de conhecimento, para outros, por preconceito de início, marcada pela dificuldade diante do desconhecido, superadas nas interações e partilha de informações. Dessa forma, foi concebida a autonomia intelectual do professor, necessária para o redimensionamento da sua prática, para a luta e a resistência em defesa da qualidade de ensino e a viabilização no processo inclusivo. Bibliografia BEHRENS, M. A.(2005). O paradigma emergente e a prática pedagógica. 2 ed. Petrópolis, RJ: Vozes. BRASIL, Ministério da Educação – Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009. Disponível em: portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf Acesso em: 31/10/2009. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura (1996). Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394 de 20 de dez de 1996. Disponível em: http://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm. Acesso em 10 set. 2007. ____________________________________(1994) Declaração de Salamanca, 1994. Disponível no www.mec.gov.br /portal. Acesso: 01-05-07. 1089 ________ Secretaria da Educação Especial (2001). Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: CNE/CEB, 2001. CORDIOLLI, M. (2009). Ética, cidadania e formação de valores na sala de aula. Curitiba: A casa de Asterion. CASTELLS, M. (2003). A galáxia da internet. Rio de Janeiro: Zahar. FERREIRA, S. S. (2006). Necessidades Educativas Especiais: uma abordagem funcional. Portugal: Grafinelas – Artes Gráficas. GLAT, R.(org.) (2009). Educação Inclusiva: cultura e cotidiano escolar, pp.15 - 35. Rio de Janeiro: 7 letras. LACERDA, C.B.F. (2006). A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. In: Cadernos CEDES, 69, Educação, surdez e inclusão social. 1ª Edição, maio/ago, pp. 163- 184. LIBÂNEO, J. C. (1986). Democratização da escola pública: a pedagogia crítico social dos conteúdos. 4. ed. São Paulo: Loyola. MENDES, E. G. (2001). Recursos humanos em educação especial em educação especial. In: (org.) ALMEIDA, M. A.; TANAKA, E. D. O.; MARQUEZINI, M. C.; OMOTE, S. Perspectivas multidisciplinares em educação especial. Londrina: Ed. EEL. NÓVOA, A. (1995). Formação de professores e profissão docente. Lisboa: Dom Quixote Ltda., pp. 15-33. RIBEIRO, M. L. S. (2001). História da educação brasileira: a organização escolar. Campinas, SP: autores associados. SARAIVA, M. (2008). Formação do professor: contornos da concepção de deficiência para compreender o processo de inclusão. In: ALMEIDA, M. A.; MENDES, E. G.; HAYASHI, M. C. P. I.(Orgs). Temas em educação especial: conhecimentos para fundamentar a prática, pp. 83-91. Araraquara, SP: Junqueira & Marin; Brasília, DF: CAPES – PROESP. PATTO, M. H.S. (1994). A Crianca Marginalizada Para Os Piagetianos Brasileiros. CADERNOS DE PESQUISA, p. 3-11. TORRES, P. L. (2004).Laboratório on-line de Aprendizagem: uma proposta crítica de aprendizagem colaborativa para a educação. Tubarão, SC: Ed. Unisul. Yin, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos (2a ed.). (D. Grassi,Trad.). Porto Alegre: Bookman. (Obra original publicada em 1984). 1090