Estudo sobre a adoção das práticas de orçamento de capital nas cooperativas agropecuárias
de Santa Catarina
Zanini, M.Q. dos S.; Souza, P. De.; Lunkes, R.J.
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Estudo sobre a adoção das práticas de orçamento de capital nas
cooperativas agropecuárias de Santa Catarina
Recebimento dos originais: 27/09/2013
Aceitação para publicação: 12/03/2015
Manoela Quint dos Santos Zanini
Graduando em Ciências Contábeis pela UFSC
Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina
Endereço: Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima
Bairro: Trindade. Florianópolis/SC.
CEP: 88040-970.
E-mail: [email protected]
Paula de Souza
Mestranda em Contabilidade pela UFSC
Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina
Endereço: Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima
Bairro: Trindade. Florianópolis/SC.
CEP: 88040-970.
E-mail: [email protected]
Rogério João Lunkes
Doutor em Engenharia de Produção pela UFSC
Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina
Endereço: Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima
Bairro: Trindade. Florianópolis/SC.
CEP: 88040-970.
E-mail: [email protected]
Resumo
O orçamento é considerado uma ferramenta de apoio para definição de metas e objetivos,
além de ser artefato útil para a elaboração e execução de estratégias, avaliação de desempenho
e motivação de pessoal. Desta forma, tem-se como objetivo deste artigo identificar e analisar
as práticas de orçamento de capital adotadas pelas cooperativas associadas à Federação das
Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina. A coleta dos dados deu-se por meio
de questionários enviados aos gestores das cooperativas agropecuárias, sendo que a população
foi composta por 11 cooperativas, obtendo-se retorno de 8 (72%). Os resultados revelam a
predominância do Índice de Rentabilidade na avaliação do orçamento e o uso do Custo da
Dívida e do Custo do Capital Próprio na definição da taxa mínima de retorno aceitável. A
definição do projeto e a previsão do fluxo de caixa são consideradas as etapas mais críticas
pelos gestores. Quanto ao grau de previsibilidade do ambiente das cooperativas, o
comportamento dos concorrentes é estimado como parcialmente previsível e o do governo
como totalmente imprevisível. Constatou-se, ainda, que o fluxo de saídas e entradas
projetadas são informações sempre disponíveis, enquanto que a revisão pós-auditoria é uma
informação obtida com pouca frequência pelo sistema de informação.
Palavras-chave: Orçamento de capital. Investimentos. Cooperativas agropecuárias.
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1. Introdução
O cooperativismo no Brasil tem sua influência marcada pela força econômica e social.
Distribuídas em 13 setores, abrangendo 6.587 unidades e 10,4 milhões de cooperados no ano
de 2012, as organizações cooperativistas injetaram R$ 8 bilhões na economia nacional,
oriundos apenas dos salários e benefícios trabalhistas. Adicionalmente, contabilizaram US$ 6
bilhões em exportações, sendo 98% procedentes do setor agropecuário (OCB, 2013).
No Estado de Santa Catarina, a receita total dessas sociedades em 2012 foi de R$ 17
bilhões, com 64% oriundos das cooperativas agropecuárias. Além disso, de acordo com a
OCESC (2013), a projeção econômica para estas organizações sem fins lucrativos
desempenha papel significativo na economia catarinense.
A gestão democrática e livre, característica das cooperativas, postula um
gerenciamento participativo na tomada de decisão. Nesse sentido, o orçamento, ferramenta de
apoio para definição de metas e objetivos, torna-se um artefato útil para a elaboração e
execução de estratégias, avaliação de desempenho e motivação de pessoal (DE WAAL, 2005;
ALMEIDA ET AL., 2009).
Objeto de estudo de vários autores, o orçamento é considerado instrumento
imprescindível de planejamento, controle e avaliação de futuras performances (JACKSON E
SAWYERS, 2001; ABDEL-KADER E LUTHER, 2006; UYAR, 2009; SIVABALAN ET
AL., 2009; LIBBY E LINDSAY, 2010; OSTERGREN E STENSAKER, 2011; UYAR E
BILGIN, 2011).
Nessa toada, o orçamento de capital, que possui alta relevância durante o processo
orçamentário, está dentre as decisões mais importantes a serem tomadas pelos gestores,
inclusive por se tratar de um processo de análise de oportunidades de investimentos de longo
prazo, contribuindo para uma melhor avaliação das decisões (HORNGREN; FOSTER E
DATAR, 2000; WARREN; REEVE E FESS, 2001; PETERSON E FABOZZI, 2002;
HORNGREN; SUNDEM E STRATTON, 2004; GARRISON; NOREEN E BREWER, 2007;
BENNOUNA; MEREDITH E MARCHANT, 2010; KOCH; MAYPER E WILNER, 2010).
Posto isto, são diversas as técnicas utilizadas para a avaliação do orçamento de capital,
compostas, frequentemente, pelo Valor Presente Líquido, Taxa Interna de Retorno, Período de
Payback, Taxa de Retorno Contábil e Índice de Lucratividade (BRIJLAL E QUESADA,
2009).
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Conforme sustentam Kester et al. (1999) e Kierulff (2008), o Valor Presente Líquido e
a Taxa Interna de Retorno tornaram-se os principais métodos de Fluxo de Caixa Descontado
(FCD) na avaliação e na classificação dos investimentos de capital. Semelhantemente, a
técnica de Opções Reais tem sido destacada como facilitadora no entendimento dos impactos
por meio da manipulação direta de incerteza (TYLER E CHIVAKA, 2011).
Diante de várias opções e critérios utilizados para o planejamento orçamentário, o
gestor encontra dificuldade em escolher uma opção predominante em todos os critérios.
Segundo Carmona, Iyer e Reckers (2011), o tomador de decisão deve analisar cada
alternativa, além de considerar a importância equivalente de cada critério ao realizar o parecer
final.
Por conseguinte, vários estudos realizados em países desenvolvidos têm
compreendido as práticas de orçamento de capital com o objetivo de proporcionar uma visão
abrangente sobre esta temática (SCHALL; SUNDEM E JUNIOR GEIJSBEEK, 1978; PIKE,
1982; PIKE, 1985; KWONG, 1986; PIKE E SHARP, 1989; WHITE; MILES E MUNILLA,
1997; PIKE, 1988; PEEL E BRIDGE, 1998; PEEL E BRIDGE, 1999; ARNOLD E
HATZOPOULOS, 2000; GRAHAM E HARVEY, 2001; RYAN E RYAN, 2002; SANDAHL
E SJOGREN, 2003; BLOCK, 2003; BROUNEN; DE JONG E KOEDIJK, 2004;
LAZARIDIS, 2004; TOIT E PIENAAR, 2005; HERMES; SMID E YAO, 2007; LAM;
WANG E LAM, 2007; TRUONG; PARTINGTON E PEAT, 2008; CORREIA E CRAMER,
2008; BRIJLAL E QUESADA, 2009; HOLMÉN E PRAMBORG, 2009; CHAZI; TERRA E
ZANELLA, 2010; BENNOUNA; MEREDITH E MARCHANT, 2010; KHAMEES; ALFAYOUMI E AL-THUNEIBAT, 2010; HALL E MILLARD, 2010; VIVIERS E COHEN,
2011; HARTWIG, 2012; MAQUIEIRA; PREVE E SARRIA-ALLENDE, 2012; SOUZA E
LUNKES, 2013), no entanto, são incomuns estudos relacionados às sociedades cooperativas.
Diante desse contexto, tem-se a pergunta de pesquisa que orienta este artigo: quais são
as práticas de orçamento de capital adotadas pelas cooperativas agropecuárias catarinenses?
Com a finalidade de responder a questão-problema, tem-se como objetivo identificar e
analisar as práticas de orçamento de capital adotadas pelas cooperativas agropecuárias de
Santa Catarina.
Para atingir tal objetivo, obtiveram-se informações dos gestores das cooperativas por
meio da aplicação de questionários acerca das práticas orçamentárias de capital e métodos de
avaliação de investimentos.
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O trabalho apresenta, além dessa introdução, a revisão da literatura sobre o orçamento
de capital na seção 2 e a apresentação dos procedimentos metodológicos utilizados na
pesquisa na seção 3. Na seção 4 encontram-se os resultados e a análise dos dados e, na seção
5, as considerações finais do estudo.
2. Orçamento de Capital
O orçamento de capital frequentemente compreende vários estágios em que as
empresas podem decidir por continuar ou abandonar projetos em andamento (BAIMAN;
HEINLE E SAOUMA, 2013). Assim, decisões de orçamento de capital representam uma
preocupação primordial no negócio, tendo em vista que podem afetar a estrutura de uma
empresa. Isso porque, gestores são constantemente convidados a selecionar um portfólio de
projetos que atendam alguns objetivos específicos da organização, honrando as restrições
impostas pela administração ou por fatores externos (BERALDI ET AL., 2013).
2.1. Análises de investimentos
Existe uma variedade de modelos utilizados para avaliação de investimentos, que vão
desde o mais simples ao mais sofisticado. Nessa sentido, o fluxo de caixa descontado (FCD) é
considerado o instrumento mais comum para analisar e avaliar as oportunidades futuras de
investimentos. O FCD compreende diferentes métodos de análise de investimentos, quais
sejam, Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Taxa Interna de
Retorno Modificada (TIRM) e Índice de Rentabilidade (IR) (BRIGHAM E EHRHARDT,
2002).
Dentre os critérios existentes para a medição financeira dos projetos, o VPL é
determinado como a soma dos valores atuais de renda líquida anual apurada no período da
exploração do projeto (HANAFIZADEH E LATIF, 2011). O referido método é considerado o
mais robusto de análise de investimentos mais conhecido e utilizado (SOUZA; CLEMENTE,
2001).
A TIR é a taxa interna de um projeto ou ativo calculada utilizando o investimento
inicial do projeto e todo o fluxo de caixa durante a vida do projeto (DAMODARAN, 2002).
Caso a TIR seja maior que a taxa de retorno exigida pelos investidores, considera-se que o
investimento é financeiramente atrativo. A TIRM é uma variação da TIR, a qual evita
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problemas deste último, além de proporcionar uma medida financeira de atratividade mais
concisa.
O IR equivale à divisão entre o valor presente dos fluxos de caixa futuros e o seu custo
inicial (ROSS, 2000). Outrossim, ele demonstra a rentabilidade atinente de um projeto ou o
valor presente dos benefícios por custo do dólar (TAYLOR III, 1998).
Existem ainda métodos de análise de orçamento de investimentos que não envolvem
FCD, como, por exemplo, a Taxa de Retorno Contábil (TRC), o Período de Payback (PP) e as
Opções Reais (OR). A TRC expressa a razão entre a medida do contábil do lucro e do
investimento (HORNGREN; FOSTER E DATAR, 2000).
O PP é o espaço de tempo requerido para que os recebimentos do fluxo de caixa de um
investimento se igualem aos desembolsos de caixa requeridos pelo mesmo investimento
(BIERMAN E SMIDT, 1978).
As Opções reais (OR) reconhecem a flexibilidade (opções) intrínseca em alguns
projetos de investimentos (ALKARAAN E NORTHCOTT, 2006). Para Antonik e Assunção
(2005), a teoria das opções reais busca colocar o projeto e as suas aberturas dentro de uma
árvore de decisão, apontando quais são as variadas alternativas motivadas por esses
desdobramentos e pela incerteza.
2.2. Taxas de retorno e tratamento dos investimentos
As taxas de retorno frequentemente envolvem o Custo Médio Ponderado do Capital
(CMPC), Custo da Dívida e Custo do Capital Próprio. O Custo Médio Ponderado de Capital
(CMPC) é aquele que compreende dívidas e ações preferenciais do patrimônio líquido, sendo
apontado como superior para a determinação da base para o custo do capital (BRIGHAM E
EHRHARDT, 2002; RYAN E RYAN, 2002).
Sendo assim, o CMPC representa a taxa de retorno requerida em qualquer proposta de
investimento que sustenta o mesmo nível de risco dos ativos existentes na empresa
(BENNOUNA; MEREDITH E MARCHANT, 2010).
Adicionalmente, Block (2011) afirma que o CMPC é a taxa de retorno exigida em que
o Custo da Dívida e o Custo do Capital Próprio são utilizados em algum percentual prédefinido. O Custo da Dívida é o retorno dos empréstimos adquiridos para o financiamento de
projetos, enquanto o Custo do Capital Próprio é o retorno dos investimentos patrimoniais
esperados pelos investidores (DAMODARAN, 2002).
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Quanto ao tratamento dos investimentos, recomenda-se que a companhia possua um
manual de diretrizes para investimentos de capital (PIKE, 1988), além de manter uma equipe
trabalhando em tempo integral no orçamento de capital (KLAMMER E WALKER, 1984;
PIKE, 1989). Sugere-se, também, que a empresa adote um modelo para a definição do VPL
ou da TIR por meio de sistemas de informações (HO E PIKE, 1996) e, ainda, efetue auditoria
pós-investimento (KLAMMER E WALKER, 1984; PIKE, 1996).
2.3. Métodos de análise de risco
Para ir além de técnicas simples de análise, como taxa de retorno e avaliação de
investimentos, pode-se explorar métodos probabilísticos sofisticados, a exemplo da análise de
sensibilidade, análise de cenários, árvore de decisão e simulação de Monte Carlo,
A técnica de análise de sensibilidade é aplicada em casos onde componentes do fluxo
de caixa estão sujeitos a pequenas variações (SOUZA E CLEMENTE, 2001). Já a análise de
cenários é aplicada para verificar o impacto no retorno da organização, resultante de
modificações simultâneas em inúmeras variáveis (GITMAN, 1997).
A árvore de decisão é útil para identificar os fluxos de caixa incertos (ROSS;
WESTERFIELD; JAFFE, 1995). Essa ferramenta é desenvolvida por um diagrama de
decisões sequenciais que levam a possíveis resultados (BREALEY; MYERS; MARCUS,
2002).
A simulação de Monte Carlo tem aplicação em simulações estocásticas
(HROMKOVIC, 2001). O método analiza a propagação da incerteza, definindo como uma
variação aleatória já conhecida, ou o erro, afetam o desempenho ou a viabilidade do projeto
(MOORE E WEATHERFORD, 2006).
2.4. Estudos Anteriores
Estudos anteriores envolvendo as práticas de orçamento de capital foram realizados
nas últimas décadas por diferentes pesquisadores. Na Figura 1, evidenciam-se os percentuais
de utilização das principais práticas de orçamento de capital em diversas organizações e
países.
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Os referidos estudos abrangem organizações de grande, médio e pequeno porte e de
diferentes setores. Contudo, não foram localizadas pesquisas em cooperativas, sobretudo,
agropecuárias, tratando das práticas de orçamento de capital.
Figura 1: Principais práticas de orçamento de capital em percentual (%)
Fonte: Adaptado de Souza e Lunkes (2013).
Em remate, a carência de estudos anteriores destaca a importância de serem
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desenvolvidas pesquisas acerca das práticas orçamentárias de capital adotadas por
cooperativas agropecuárias.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Nesta seção encontram-se o enquadramento metodológico, os procedimentos para
elaboração do questionário, bem como a caracterização da população e da amostra que
compõem esta pesquisa.
3.1. Enquadramento metodológico
O enquadramento metodológico do presente estudo está fragmentado em quatro
enfoques: natureza da pesquisa; natureza do objetivo; procedimentos da pesquisa; e
abordagem do problema.
Em relação à natureza, a pesquisa é classificada como aplicada, pois busca resolver
problemas concretos ou necessidades concretas e imediatas (APPOLINÁRIO, 2004). No que
tange aos objetivos, é considerada descritiva e exploratória, uma vez que se propõe a
descrever as características das práticas de orçamento de capital das cooperativas
agropecuárias catarinenses (GIL, 2010).
Acerca dos procedimentos, este trabalho emprega a pesquisa de levantamento ou
survey. Quanto à forma de abordagem do problema, a pesquisa é considerada quantitativa,
tendo em vista que se utiliza de medidas quantificáveis e precisas para analisar as práticas de
orçamento de capital adotadas (MORESI, 2003).
3.2. Procedimentos para elaboração do questionário
O questionário foi elaborado conforme as principais características indicadas na
revisão de literatura, adaptado do estudo de Souza e Lunkes (2013), as quais estão presentes
no Quadro 1.
A partir das características constantes do Quadro 1 foram desenvolvidas as questões
do questionário aplicado nesta pesquisa. O questionário é composto por 3 questões gerais
acerca dos gestores das cooperativas e 15 questões sobre o orçamento de capital, sendo 4 com
a utilização da escala Likert de cinco níveis e 11 questões objetivas.
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Quadro 1: Principais características no orçamento de capital
Principais Características do Orçamento de Capital
Período Payback – PP
Valor Presente Líquido – VPL
Métodos de análise de
Taxa Interna de Retorno – TIR
investimentos
Índice de Rentabilidade – IR
Taxa de Retorno Contábil – TRC
Opções Reais
Custo médio ponderado do capital – WACC
Técnica(s) utilizada(s) na definição Custo da dívida
da taxa de mínima de retorno
Custo do capital próprio
aceitável para um investimento
Taxa aleatória
Outra
Análise de cenários
Análise de sensibilidade
Técnica(s) utiliza(s) para fazer
Simulação de Monte Carlo
análise de risco do investimento.
Árvore de decisão
Outra
Comportamento dos fornecedores
Comportamento dos Concorrentes
Gostos e preferências dos clientes
Grau de incerteza ou
Comportamento do Mercado Financeiro
previsibilidade do ambiente
Comportamento do Governo
Comportamento dos Sindicatos
Mudanças tecnológicas
Fluxo de saídas projetadas
Fluxo de entradas projetadas
Informações obtidas pelos sistemas
Custo do capital e taxa mínima de retorno
de informações sobre avaliação de
Expectativa de vida útil
investimentos
Dados macroeconômicos
Revisão pós-auditoria
Fonte: Souza e Lunkes (2013, p. 35).
3.3. População e Amostra
O Estado de Santa Catarina operava no ano de 2012 com 263 cooperativas distribuídas
nos 13 setores. Apenas no referido ano, o número de cooperados passou de 1 milhão e os
empregos mantidos pelo setor cooperativista foram mais de 38 mil, conforme informações
constantes do Quadro 2.
Quadro 2: Dados das cooperativas catarinenses
Santa Catarina
Cooperativas
Cooperados
Empregados
Cooperativas associadas à FECOAGRO
Fonte: OCESC, 2013.
Dados de 2012
263
1.259.240
38.161
11
A população inicial é constituída pelas cooperativas associadas à Federação das
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Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (FECOAGRO). A coleta dos dados
deu-se por meio de questionários enviados aos gestores das cooperativas agropecuárias, sendo
que a população foi composta por 11 cooperativas, obtendo-se retorno de 8 (72%) dos
questionários.
A aplicação dos questionários ocorreu primeiramente via e-mail, resultando, assim, em
3 respostas. Posteriormente, entrou-se em contato telefônico para aumentar o índice de
respostas, perfazendo um total de 72% ou 8 respostas.
Verificou-se que 88% das cooperativas respondentes utilizam orçamento efetivamente
na sua gestão e, que apenas 38% atuam no mercado externo. O faturamento bruto, em 88%
das cooperativas agropecuárias, é acima de R$60 milhões, sendo em 12% entre 10 e 60
milhões de reais. Ademais, notou-se que metade das cooperativas dispõe entre 100 a 500
funcionários, enquanto apenas uma possui acima de 5.000 empregados.
4. Resultados e Análise dos Dados
Para a realização da análise das práticas de orçamento de capital nas cooperativas
agropecuárias catarinenses, faz-se a caracterização dos gestores, a avaliação das taxas de
retorno tal como a análise dos investimentos.
4.1. Práticas de Orçamento de Capital
Os gestores das cooperativas agropecuárias do Estado de Santa Catarina caracterizamse por trabalharem há mais de 9 anos no atual serviço e por possuírem média de idade de 60
anos ou mais. Quanto à formação, metade dos gestores possui graduação, 25% possuem pósgraduação e 25% apenas nível médio.
Quadro 3: Dados dos gestores
Menos de 40 anos
Menos de 4 anos
Idade do Diretor/Presidente
Entre 40 e 49 anos
Entre 50 e 59 anos
13%
25%
Tempo no atual serviço
De 4 a 9 anos
13%
Mestrado e Doutorado
-
13%
Formação
Pós Graduação
Graduação
25%
50%
60 anos ou mais
62%
Acima de 9 anos
75%
Nível médio
25%
Fonte: Dados da pesquisa.
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Por meio dos questionários desenvolvidos com as cooperativas do Estado de Santa
Catarina, 8 gestores disponibilizaram informações sobre os métodos utilizados na avaliação
do orçamento de investimento, conforme dados da Tabela 1.
Tabela 1: Métodos utilizados na avaliação do orçamento de investimentos
Com que frequência a empresa utiliza um destes métodos na avaliação do orçamento de investimentos?
Métodos
Sempre
Quase sempre
Eventualmente
Quase nunca
Nunca
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
3
38
1
13
2
25
1
13
1
13
Taxa Interna de Retorno –TIR
3
38
2
25
1
13
1
13
1
13
Taxa Interna de Retorno –
Modificada – TIRM
1
13
3
38
1
13
-
-
3
38
5
63
1
13
1
13
-
-
1
13
3
38
3
38
1
13
-
-
1
13
2
25
1
13
3
38
-
-
1
13
2
25
-
-
2
25
-
-
1
13
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Valor Presente Líquido – VPL
Índice de Rentabilidade
Período de Payback
Taxa de Retorno Contábil
Opções Reais
Outros
Fonte: Dados da pesquisa.
O método de avaliação predominante, o Índice de Rentabilidade (IR), é utilizado
sempre por 63% das cooperativas. O Período Payback, o Valor Presente Líquido e a Taxa
Interna de Retorno são métodos utilizados com frequência na avaliação de investimentos,
porém com porcentagem menor que o IR. Já a Taxa de Retorno Contábil é eventualmente
utilizada e a Taxa Interna de Retorno Modificada nunca utilizada pelas cooperativas.
Analisando os estudos anteriores, observa-se que, apesar da adoção dos diferentes
métodos de avaliação do orçamento, há predominância do Período Payback nos estudos
realizados nos Estados Unidos (SCHALL; SUNDEM E JUNIOR GEIJSBEEK, 1978;
WHITE; MILES E MUNILLA, 1997), no Reino Unido (PIKE, 1982, 1985, 1988; PEEL E
BRIDGE, 1998; BROUNEN; DE JONG E KOEDIJK, 2004), na Malásia (KWONG, 1986),
no Japão (PEEL E BRIDGE, 1989), na Alemanha (PEEL E BRIDGE, 1989; BROUNEN; DE
JONG E KOEDIJK, 2004), na Suécia (SANDAHL E SJÖGREN, 2003; HOLMÉN E
PRAMBORG, 2009), na França e na Holanda (BROUNEN; DE JONG E KOEDIJK, 2004) e
em Hong Kong (LAM; WANG E LAM, 2007).
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4.2. Técnicas para definição da taxa de retorno
No que tange às técnicas utilizadas na definição da taxa mínima de retorno aceitável,
as cooperativas catarinenses favorecem o uso do Custo da Dívida. Considera-se também o
emprego do Custo do Capital Próprio, atribuído para definição da taxa de investimento por
38% dos gestores.
As cooperativas, em sua maioria, não aplicam a mesma taxa mínima de retorno
aceitável para todos os seus investimentos, conforme demonstrado na Tabela 2.
Tabela 2: Características da taxa mínima de retorno aceitável
Qual(is) as técnica(s) utilizada(s) na definição da taxa de mínima de retorno aceitável para um novo
investimento?
Técnicas
N°
%
Custo médio ponderado do capital – WACC
1
13
Custo da dívida
4
50
Custo do capital próprio
3
38
Uma taxa aleatória
2
25
Outra
A taxa mínima de retorno aceitável é igual para todos os investimentos?
Sim
Não
12%
88%
Fonte: Dados da pesquisa.
Estudos anteriores mostram que o Custo da Dívida é a técnica mais utilizada segundo
Lazaridis (2004) no Chipre, Brijlal e Quesada (2009) na África do Sul, e Maquieira, Preve e
Sarria-Allende (2012) na América Latina.
Divergindo dos resultados encontrados, estudos na América do Norte confirmam o
Custo Médio Ponderado de Capital como a técnica predominante na definição da taxa mínima
de retorno aceitável (SCHALL; SUNDEM E JR. GEIJSBEEK, 1978; GRAHAM E
HARVEY, 2001; RYAN E RYAN, 2002; BLOCK, 2003; BENNOUNA; MEREDITH E
MARCHANT, 2010).
Tendo em consideração a análise de risco dos investimentos, as cooperativas utilizam
predominantemente as técnicas de Análise de Cenários e Análise de Sensibilidade, conforme
expresso na Tabela 3.
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Tabela 3: Análise de risco dos investimentos
Qual(is) a(s) técnica(s) utiliza(s) para fazer análise de risco do investimento?
Sempre
Quase Sempre
Eventualmente Quase Nunca
Técnicas
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
Análise de cenários
6
75
1
13
Análise de sensibilidade
5
63
2
25
Simulação de Monte Carlo
1
13
1
13
Árvore de decisão
2
25
2
25
Outra
Não utiliza técnica formal
1
13
Fonte: Dados da pesquisa.
Nunca
N°
%
4
50
2
25
1
13
-
A Simulação de Monte Carlo não retrata confiabilidade às cooperativas, sendo nunca
utilizada por 50% dos responsáveis. Apenas uma cooperativa não utiliza técnica formal para a
análise de risco dos investimentos, e outra, utiliza uma outra técnica não compreendida na
pesquisa.
4.3. Tratamento dos investimentos
Os gestores das cooperativas catarinenses, em sua maioria, concordam que a etapa
mais crítica do processo de investimento seja a definição do projeto e previsão do fluxo de
caixa. A análise financeira e escolha do projeto também foram julgadas críticas, com 25% da
amostra, conforme evidencia o Gráfico 1.
Gráfico 1: Etapa crítica do processo de investimentos
Fonte: Dados da pesquisa.
No tocante aos investimentos alocados nos últimos 5 anos, os projetos de manutenção
receberam de 0% a 20% , o que caracteriza este tipo de investimento como não significativo
ou nulo para as cooperativas, conforme Tabela 4.
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Tabela 4: Tratamento dos investimentos nas cooperativas
Onde foram alocados seus investimentos nos últimos 5 anos?
0% a 20%
21% a 40%
41% a 60%
61% a 80%
81% a 100%
Projetos de manutenção
6
2
Projetos de expansão existentes
2
3
1
1
1
Novos projetos de Expansão
2
3
2
1
Há pelo menos um membro da alta direção diretamente envolvido na análise e acompanhamento das
decisões de investimento?
Sim
Não
100%
A empresa possui um manual ou diretrizes básicas de investimento?
Sim
Não
50%
50%
A empresa faz auditorias dos gastos com investimentos?
Sim
Não
75%
25%
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação aos novos projetos e os já existentes, visualiza-se que receberam mais
atenção das cooperativas, sendo que foram destinados de 21% a 40% dos investimentos em
sua maioria.
No que diz respeito ao acompanhamento das decisões de investimento, há sempre um
membro da alta direção envolvido diretamente. Em relação às auditorias dos gastos com
investimentos, nota-se que são realizadas em 75% das sociedades respondentes.
Quanto ao grau de previsibilidade do ambiente das cooperativas, o comportamento dos
concorrentes e as mudanças tecnológicas são estimados como parcialmente previsível pela
maioria dos gestores. O comportamento dos fornecedores e do mercado Financeiro, conforme
o Quadro 4, também são avaliados como parcialmente previsíveis, porém por apenas 38% da
amostra.
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Quadro 4: Grau de previsibilidade do ambiente das cooperativas
AMBIENTE
Totalmente
Imprevisível
N°
Comportamento
1
dos fornecedores
Comportamento
dos concorrentes
Gostos e
preferências dos
clientes
Comportamento do
2
mercado financeiro
Comportamento do
3
governo
Comportamento
2
dos sindicatos
Mudanças
1
tecnológicas
Fonte: Dados da pesquisa.
Parcialmente
Imprevisível
Eventualmente
Parcialmente
Previsível
Sempre
Sem
Previsível Resposta
%
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
13
2
25
-
-
3
38
-
-
2
25
-
3
38
-
-
5
63
-
-
-
-
-
4
50
-
-
4
50
-
-
-
-
25
2
25
1
13
3
38
-
-
-
-
38
2
25
1
13
2
25
-
-
-
-
25
4
50
-
-
2
25
-
-
-
-
13
-
-
1
13
5
63
-
-
1
13
Outrossim, percebe-se que os gostos e preferências dos clientes caracterizam-se
igualmente em parcialmente imprevisíveis e parcialmente previsíveis. Ademais, o
comportamento dos sindicatos é estimado como parcialmente imprevisível.
Os gestores foram inquiridos sobre os sistemas de informações desenvolvidos nas
cooperativas. O Quadro 5 demonstra que as informações referentes ao fluxo de saídas e
entradas projetadas são obtidas com frequência, sempre à disposição em 75% dos casos.
Quadro 5: Freqüência em que as informações são obtidas pelos sistemas de informações
INFORMAÇÕES
Fluxo de saídas projetadas
Fluxo de entradas projetadas
Custo do capital e taxa mínima de retorno
Expectativa de vida útil
Dados macroeconômicos
Revisão pós-auditoria
Sempre
Às vezes
Pouco
Quase nunca
Nunca
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
N°
%
6
75
1
13
-
-
1
13
-
-
6
75
1
13
-
-
1
13
-
-
4
50
2
25
-
-
1
13
1
13
4
50
2
25
-
-
2
25
-
-
4
50
2
25
1
13
1
13
-
-
3
38
4
50
-
-
1
13
-
-
Fonte: Dados da pesquisa.
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Em remate, as informações sobre o custo do capital e taxa mínima de retorno são, em
geral, obtidas sempre, e às vezes por 25% das cooperativas. Por outro lado, a revisão pósauditoria é classificada como uma informação obtida com baixa frequência.
5. Considerações Finais
Para responder ao objetivo desta pesquisa, qual seja identificar e analisar as práticas de
orçamento de capital adotadas pelas cooperativas agropecuárias de Santa Catarina, aplicaramse questionários em 11 cooperativas agropecuárias associadas à Federação das Cooperativas
Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (FECOAGRO). Mediante a obtenção das
respostas, puderam-se verificar as práticas de orçamento de capital das cooperativas, bem
como observar questões sobre a avaliação dos investimentos e a taxa mínima de retorno.
No que diz respeito aos gestores das cooperativas, notou-se que a média de idade está
entre 60 anos ou mais e que estes trabalham há mais de 9 anos em serviço da cooperativa.
Adicionalmente, constatou-se que metade dos gestores possui graduação, 25% possuem pósgraduação e 25% apenas nível médio.
Quanto aos métodos de avaliação do orçamento utilizados, vislumbrou-se a
predominância do Índice de Rentabilidade, e a utilização frequente do Período Payback, do
Valor Presente Líquido e da Taxa Interna de Retorno, porém com menor porcentagem.
Em relação às técnicas utilizadas na definição da taxa mínima de retorno aceitável, as
cooperativas catarinenses favorecem o uso do Custo da Dívida e do Custo do Capital Próprio.
Quanto à taxa mínima de retorno aceitável, em 88% da amostra, não é a mesma para todos os
investimentos.
O Custo da Dívida é também abordado em outros estudos como técnica dominante em
outros países: no Chipre, por Lazaridis (2004), na África do Sul, por Brijlal e Quesada (2009)
e na América Latina, por Maquieira, Preve e Allende (2012).
Outrossim, visualizou-se que a definição do projeto e previsão do fluxo de caixa são
consideradas pelas cooperativas as etapas mais críticas do processo de análise de
investimento. Ademais, a alta direção está sempre envolvida nas decisões e análises de
investimentos e a auditoria dos gastos com investimento é realizada em 75% das cooperativas.
No que tange ao grau de previsibilidade do ambiente das cooperativas, o
comportamento dos concorrentes e as mudanças tecnológicas são estimados como
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parcialmente previsível. Por outro lado, o comportamento do governo foi avaliado como
totalmente imprevisível pelos gestores.
Por fim, a revisão de literatura sobre orçamento de capital mostrou que ainda há
dificuldades de encontrar estudos relacionados com o objetivo deste artigo. Sugere-se uma
extensão nas pesquisas, abrangendo um número maior de cooperativas dos diversos setores, a
fim de ampliar as possibilidades de comparação. Recomenda-se, ainda, o desenvolvimento de
questionários aprofundados de orçamento de capital, para maior reflexão do assunto.
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