Universidade de Brasília Instituto de Ciências Exatas Departamento de Ciência da Computação Curso de Especialização em Gestão da Segurança da Informação e Comunicações CESAR MONTENEGRO JUSTO Análise preliminar sobre a adequação da cultura organizacional para Implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, na Organização X. Brasília 2011 Cesar Montenegro Justo Análise preliminar sobre a adequação da cultura organizacional para Implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, na Organização X. Brasília 2011 Cesar Montenegro Justo Análise preliminar sobre a adequação da cultura organizacional para Implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, na Organização X. Monografia apresentada ao Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Ciência da Computação: Gestão da Segurança da Informação e Comunicações. Orientadora: Dra. Claudia Lyrio Canongia Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República Orientadora Brasília Novembro de 2011 Desenvolvido em atendimento ao plano de trabalho do Programa de Formação de Especialistas para a Elaboração da Metodologia Brasileira de Gestão da Segurança da Informação e Comunicações - CEGSIC 2009/2011. © 2011 Cesar Montenegro Justo. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Justo, Cesar Montenegro Análise preliminar sobre a adequação da cultura organizacional para Implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, na Organização X / Cesar Montenegro Justo. – Brasília: O autor, 2011. 88 p.; Ilustrado; 25 cm. Monografia (especialização) – Universidade de Brasília. Instituto de Ciências Exatas. Departamento de Ciência da Computação, 2011. Inclui Bibliografia. 1. Cultura Organizacional. 2. Mentalidade de Segurança da Informação. 3. Segurança da Informação e Comunicações. I. Título. CDU 004.0561 Dedicatória Dedico a minha esposa Martiene, que sempre buscou me apoiar em todas as situações e a minha filha Beatriz. Agradecimentos Agradeço a Deus, o inseparável amparo em todos os momentos, principalmente naqueles onde as dificuldades aparentam ser superiores a nossas condições. A minha família que sempre buscou me apoiar, sendo o indispensável estimulo ao meu progresso. À minha orientadora, Dra. Claudia Canongia, pelo apoio e pela compreensão, fundamentais a conclusão desse trabalho. A equipe do CEGSIC 2010-2011, capitaneada pelo prof. Dr. Jorge Henrique Cabral Fernandes, facilitando o aprendizado necessário para este trabalho. A todos que contribuíram na realização das pesquisas necessárias, com sua disponibilidade, atenção e colaboração. “Conhece-te a ti mesmo.” Sócrates, inscrito na entrada do templo de Delphos. . Lista de Figuras Figura 1: Iceberg [Fontes: Adaptado de Sathe apud Mamede (2004, p. 04) e de Chiavenato (2004, p. 297)]. ....................................................................................... 26 Figura 2: Folha 1 do questionário A (Fonte: Elaboração própria) ............................. 39 Figura 3: Folha 2 do questionário A (Fonte: Elaboração própria) ............................. 40 Figura 4: Folha 3 do questionário A (Fonte: Elaboração própria) ............................. 41 Lista de Tabelas Tabela 1 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 1..............................46 Tabela 2 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 2 Letra A.................46 Tabela 3 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 2 Letra B.................47 Tabela 4 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 2 Letra C.................48 Tabela 5 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 2 Letra D.................48 Tabela 6 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 3 Letra A.................52 Tabela 7 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 3 Letra B.................53 Tabela 8 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 3 Letra C.................54 Tabela 9 – Cálculo dos valores obtidos na Questão 2 Letras “A” a “D.......................62 Sumário Ata de Defesa de Monografia ...................................................................................... 3 Dedicatória ..................................................................................................................4 Agradecimentos .......................................................................................................... 5 Lista de Figuras ........................................................................................................... 7 Lista de Tabelas .......................................................................................................... 8 Sumário .......................................................................................................................9 Resumo ..................................................................................................................... 12 Abstract ..................................................................................................................... 13 1 Introdução .............................................................................................................. 14 1.1 Delimitação do Problema ................................................................................. 14 1.2 Problema de pesquisa ..................................................................................... 17 1.3 Objetivos e escopo .......................................................................................... 17 1.3.1 Objetivo Geral .............................................................................................. 17 1.3.2 Objetivos Específicos ................................................................................... 17 1.3.3 Escopo ......................................................................................................... 17 1.4 Justificativa ...................................................................................................... 18 1.5 Hipótese........................................................................................................... 19 2 Revisão de Literatura e Fundamentos ................................................................... 20 2.1 Processo de transformação do Exército Brasileiro .......................................... 20 2.2 Segurança da Informação................................................................................ 21 2.2.1 Contrainteligência ........................................................................................ 22 2.2.2 Evolução dos meios de Tecnológica da Informação e as medidas de Segurança da Informação ....................................................................................... 23 2.2.3 Papel do Fator Humano na evolução das Medidas de Segurança .............. 24 2.2.4 Necessidade de uma Mentalidade de Segurança da Informação ................ 25 2.3 Cultura Organizacional .................................................................................... 25 2.3.1 Impositivos na mudança da Cultura Organizacional .................................... 29 2.3.2 Dificuldades na mudança da Cultura Organizacional ................................... 31 2.3.3 Ações na mudança da Cultura Organizacional ............................................ 33 3 Metodologia ............................................................................................................ 35 3.1 Estudo de caso ............................................................................................... 35 3.2 Revisão bibliográfica ....................................................................................... 36 3.3 Pesquisa em campo ........................................................................................ 37 3.3.1 Critérios para Coleta, Análise e Interpretação dos dados .......................... 37 3.3.2 Questionário de apoio A............................................................................. 38 3.3.3 Entrevistas e Observações subsequentes ................................................. 42 3.4 Critérios de Análise e Interpretação dos dados .............................................. 42 3.4.1 Análise do Questionário A .......................................................................... 43 3.4.2 Análise das Entrevistas e Observações subsequentes.............................. 43 4 Resultados ............................................................................................................. 45 4.1 Questionário de apoio A .................................................................................. 45 4.1.1 Questão 1 do questionário A ...................................................................... 45 4.1.2 Questão 2 do questionário A ...................................................................... 46 4.1.3 Questão 3 do questionário A ...................................................................... 51 4.2 Entrevistas e Observações subsequentes ..................................................... 55 4.2.1 Pessoal da Organização X ......................................................................... 56 4.2.2 Medidas de segurança existentes na Organização X ................................ 56 4.2.3 Influência de fatores psicológicos e organizacionais na execução das medidas de segurança previstas na Organização X ............................................. 57 4.2.4 Atividades voltadas à viabilização de mudanças na Cultura Organizacional da Organização X. ................................................................................................ 58 5 Discussão ............................................................................................................... 61 5.1 Análise do questionário de apoio A ................................................................. 62 5.2 Análise das entrevistas e observações subsequentes ................................... 66 5.2.1 Pessoal da Organização X ......................................................................... 66 5.2.2 Medidas de segurança existentes na Organização X ................................ 66 5.2.3 Influência de fatores psicológicos e organizacionais na execução das medidas de segurança previstas na Organização X ............................................. 67 5.2.4 Atividades voltadas à viabilização de mudanças na Cultura Organizacional da Organização X ................................................................................................. 67 5.3 Interpretação dos dados ................................................................................. 68 5.3.1 Aspectos da Cultura da Organização X ..................................................... 68 5.3.2 Como os fatores psicológicos e organizacionais dificultam a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação.................................................... 68 5.3.3 Atividades voltadas à conscientização e treinamento do pessoal, que atuem sobre os fatores que dificultam a implantação da Mentalidade de Segurança da Informação ............................................................................................................ 69 6 Conclusões e Trabalhos Futuros............................................................................ 72 6.1 Conclusões ...................................................................................................... 73 6.2 Trabalhos Futuros ............................................................................................ 77 Referências e Fontes Consultadas ........................................................................... 79 Glossário ................................................................................................................... 82 A ............................................................................................................................ 82 C ............................................................................................................................ 83 D ............................................................................................................................ 84 E ............................................................................................................................ 85 M ............................................................................................................................ 86 S ............................................................................................................................ 87 T ............................................................................................................................88 Resumo O trabalho buscou analisar a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X durante o ano de 2010, através do levantamento de como fatores psicológicos e organizacionais que podiam influenciar negativamente o pessoal da Organização X na adequação dos comportamentos existentes na sua atual cultura organizacional com um novo paradigma de comportamento proposto pelo Exército Brasileiro. Objetivou-se identificar atividades que sirvam de ferramentas na neutralização desses fatores adversos, viabilizando uma mudança cultural, com a consequente adoção de uma Consciência de Segurança pelos Militares desta Organização Militar. Pressupunha-se que as medidas de segurança existentes na Organização X não estão atendendo as necessidades existentes. Ressalta-se a importância desse trabalho, por se enquadrar na conjuntura de mudança cultural necessária a condução do processo de Transformação do Exército Brasileiro. Foi utilizada nesse trabalho a metodologia de Estudo de caso para que fossem alcançados os objetivos propostos e a confirmação da hipótese apresentada, concluindo que a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X, no ano de 2010, exigia o entendimento de como conduzir uma mudança comportamental para que a implantação de novas medidas de segurança, através de processos de conscientização e capacitação, obtivessem êxito na quebra de paradigmas imposta pela implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação. Palavras-chave: Mentalidade de Segurança da Informação, Cultura Organizacional, Segurança da Informação e Comunicações, Exército Brasileiro. Abstract This research examined the implementation of an Information Security Mindset in the “X Organization” during 2010, through the analysis of psychological and organizational factors that could negatively influence the staff of the “X Organization” on the adequacy of existing behaviors in its current organizational culture with the new behavior paradigm proposed by the Brazilian Army. The main objective was identify activities that serve as tools for the neutralization of these adverse factors, enabling a cultural change, with the consequent adoption of a Security Awareness by the Military of that Military Organization. It was assumed that the existing security measures in “X Organization” didn’t meet the existing needs. It’s emphasized the importance of this research as a way to achieve a cultural change knowledge necessary to lead the transformation process of the Brazilian Army. The case study methodology was used in this research to get achieved the proposed objectives and to get confirmed the presented hypothesis, concluding that the implementation of a Security Mindset in the “X Organization”, on 2010, required a wider understanding of conducting a behavioral change to the training and awareness processes that were used for the implementation of new security measures were successful in breaking paradigms imposed by the implementation of the Information Security Mindset. Keywords: Security Mindset, Organizational Communications Security, Brazilian Army. Culture, Information and 14 1 Introdução A revolução tecnológica em andamento possibilitou inovações de diversas áreas do conhecimento, possibilitando um crescente acesso a novas tecnologias. Ameaças assimétricas à paz e a segurança internacional ganharam novas capacidades, alterando os cenários até então existentes. Países desenvolvidos inovam no ritmo de sua evolução tecnológica enquanto que os países emergentes, em geral, aplicam à sua realidade as tecnologias já disponíveis no mundo desenvolvido. A Tecnologia da Informação e Comunicação passou a interferir na ordem geopolítica. O Brasil, com crescente visibilidade na conjuntura mundial e detentor de vastos recursos naturais que podem gerar eventuais demandas militares, deve buscar de todas as formas a proteção do conhecimento diante das incertezas globais. O Exército Brasileiro (2009, p. 26), atento a essa conjuntura, busca se adequar, num esforço para assegurar capacidades necessárias ao êxito no cumprimento de suas missões. A busca pela adequação sugere a necessidade de mudanças. É indispensável uma transformação, pois é preciso o desenvolvimento de novas capacidades para atendimento de funções ou missões no futuro. Destaca-se o fato de que a Tecnologia da Informação e Comunicação é um dos novos parâmetros com os quais as forças militares estão se deparando nos conflitos atuais e nos visualizados para o futuro, e a gestão da informação é um dos “pontos que marcam uma transformação” (COVARRUBIAS, 2007, p. 24). Segundo Caruso & Steffen (1999, p. 22), não há organização que não seja altamente dependente da Tecnologia da Informação e Comunicação, em maior ou menor grau. Entende-se que essa dependência, num contexto de mudança, envolve principalmente pessoas, por vezes, com pouco ou nenhum contato anterior com computadores, sem cultura prévia de Segurança. 15 Tal realidade contribui para que os meios da Tecnologia da Informação e Comunicações sejam tratados como se fossem mais um equipamento de escritório que, supostamente, não exigem nenhuma medida especial para sua proteção. Isso implica em riscos crescentes uma vez que os meios de Tecnologia da Informação aumentam em capacidade e processamento. Dentro do paradigma de transformação do Exército Brasileiro em instituição da era da Tecnologia da Informação e Comunicação, imposto pelo Alto Comando do Exército Brasileiro (2009, p. 31), existe a adoção de uma mentalidade proativa na atualização do pessoal, que, na Organização X, a qual compõe o universo do estudo de caso desta pesquisa, são os Militares de suas diversas Seções, em atitudes e comportamentos voltados a uma cultura de segurança. 1.1 Delimitação do Problema A Segurança da Informação, dentro do Exército Brasileiro, pode ser enquadrada dentro da Contrainteligência. Assim, devem ser entendidas como atividades de Contrainteligência as medidas de segurança tomadas a fim de assegurar a Segurança da Informação na Organização X. Segundo Caruso & Steffen (1999, p. 31), as medidas de Segurança devem estar sempre sendo revisadas, em virtude da introdução de novas tecnologias, principalmente as voltadas à tecnologia, que geram, por consequência, novas vulnerabilidades, ou dão novas capacidades, a atores, externos ou internos, de interferir, diretamente, nas atividades ou, indiretamente, na estrutura, pessoal ou material de organizações. O Exército Brasileiro (2009, p. 13) verificou por meio de estudos de caso que o Fator Humano deve ser considerado o recurso mais valioso dentro do Exército, estando na base de quaisquer de suas organizações operacionais. Entende-se que apesar de avanços tecnológicos, o homem não pode ser completamente substituído e por outro lado, precisa ser cada vez mais capacitado. 16 Devido ao fato de não adiantar evoluir apenas as medidas de segurança, se “o elo mais fraco dessa corrente” o ser humano que estiver operando os sistemas, isto é, manipulando diretamente as informações ou mesmo indiretamente, através do uso dos meios de Tecnologia da Informação, não estiver acompanhando essa evolução e se atualizando, por meio da incorporação consciente de novas atitudes de segurança em seu comportamento (MITNICK & SIMON, 2003, p. 03). Diante dessa questão o Exército Brasileiro (2009 p. 34 a 36) visualizou ser indispensável incutir novos comportamentos e atitudes em seu pessoal. Assim é notório que fatores inerentes a percepção, entendimento e aprendizado, além de outros voltados ao comportamento humano, arraigados na cultura organizacional da Organização X irão influir na aceitação e internalizarão dessas novas medidas, provavelmente gerando dificuldades, desconforto e ansiedades, a serem enfrentadas pelos militares, que necessitarão desaprender os conceitos antigos para poder assimilar os novos conceitos expostos (SCHEIN, 1999, p. 117). Ainda, segundo Schein (1999, p. 102) existe a necessidade das lideranças culturais da organização exercerem o exemplo, que servirá de estímulo a internalizarão de um novo paradigma imposto. Um dos impositivos para a mudança é a necessidade de serem alteradas concepções, muitas profundamente arraigadas na Cultura institucional do Exército por parte do pessoal. Pode-se aplicar dentro da Cultura Institucional, os conceitos relativos a Cultura Organizacional, entendido por "conjunto de pressupostos básicos, de valores, inventados ou descobertos por um grupo para resolver problemas tanto de adaptação externa e/ou integração interna" (SCHEIN apud ROSSO, 2000, p. 14). Robbins (2005, p. 379) explica que a cultura organizacional possui características que podem produzir comportamentos funcionais, os quais influenciam ou positivamente ou negativamente, dependendo da adequação dos valores da cultura com as atuais necessidades da Organização. Mamede (2004, p. 06) coloca que a maior consequência negativa da cultura organizacional é o fato dela poder criar barreiras à mudança, principalmente em organizações de cultura forte. 17 1.2 Problema de pesquisa Partiu-se do entendimento de que o atual conjunto de atitudes que formam o comportamento apresentado pelos militares da Organização X, na execução das diversas tarefas que compõe sua rotina operacional e administrativa, voltadas a Segurança da Informação e Comunicações, estava defasado. Essa defasagem entre as necessidades versus capacidades, relativas à Segurança da Informação e Comunicações na Organização X, se deve, em grande medida, ao surgimento constante de novas ameaças, decorrentes da evolução tecnológica. Buscou-se então identificar como e porque alguns fatores influenciam negativamente no processo de adequação da cultura organizacional à nova necessidade: “implantar uma Mentalidade voltada à Segurança da Informação”. A pesquisa procurou identificar “ferramentas” necessárias à mitigação de influências negativas de possíveis fatores psicológicos e organizacionais num processo de adequação Cultura Organizacional na Organização X para implantação dessa mentalidade. 1.3 Objetivos e escopo 1.3.1 Objetivo Geral Identificar aspectos da Cultura da Organização X que expressem um referencial ou padrão inicial relativo à presença de valores afins a uma Mentalidade de Segurança da Informação. 1.3.2 Objetivos Específicos Levantar como os potenciais fatores psicológicos e organizacionais dificultam a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, pela influência negativa na adequação das rotinas, procedimentos e atitudes. Levantar atividades voltadas à conscientização e capacitação do pessoal, que atuem sobre os fatores que dificultam a implantação da Mentalidade de Segurança da Informação. 18 1.3.3 Escopo O escopo da pesquisa é o ambiente da Organização X, incluso sua estrutura física, pessoal e material que contenham informação relacionada ao funcionamento de suas atividades críticas. A Organização X é uma Organização Militar do Exército Brasileiro, o qual está distribuído por todo território nacional em doze Grandes Comandos Administrativos. O Exército Brasileiro possui uma organização hierárquica, na qual Organizações Militares com mesmo nível de subordinação possuem divisão de atribuições e encargos, seguindo o princípio da unidade de comando, em suas áreas de responsabilidades. A Organização X está ligada diretamente a um dos doze Grandes Comandos Administrativos e possui os encargos: Defesa Territorial e Apoio Logístico às Organizações Militares subordinadas. Dentre o pessoal da Organização X, foram alvos da pesquisa os responsáveis pela operação, execução e fiscalização das atividades ligadas aos sistemas de missão crítica. A pesquisa em campo dentro desse ambiente foi também limitada ao período de tempo de março de 2010 a dezembro de 2010. 1.4 Justificativa A evolução tecnológica impõe uma constante revisão e atualização de medidas de segurança, de forma a executar uma eficaz Segurança. Deste modo, conclui-se, através de uma análise introspectiva, que a segurança sempre deve ser tratada como insuficiente, isto é, nunca atingirá o ideal, pois projetando as medidas de segurança, em função do fator tempo, num plano cartesiano, o ideal será projetado no infinito. Assim, de acordo Mitnick & Simon (2003, p. 195 a 203), para se obter segurança, não bastam apenas recursos tecnológicos, pois existe a necessidade do estímulo de uma mentalidade proativa na atualização do pessoal, em atitudes voltadas para segurança, num prazo indeterminado. Dessa maneira, a premissa inicial é de que as medidas de segurança estão deficientes, isto é, podem e devem ser aprimoradas. 19 1.5 Hipótese A pesquisa tem como pressuposto de que as medidas de segurança da Organização X estão defasadas em relação às crescentes possibilidades das ameaças existentes ao Exército Brasileiro. Para solucionar esse problema, já foi exposto que não adianta investir na atualização das medidas de segurança tecnológicas, se não houver no pessoal da organização uma mentalidade voltada à segurança que garanta o correto emprego dessas medidas. A pesquisa parte da hipótese de que existem fatores psicológicos ou organizacionais resultantes da atual cultura organizacional que dificultam a adequação dos integrantes da Organização X às novas medidas de segurança impostas; tanto pela reestruturação da Instituição como pela evolução dos recursos de Tecnologia da Informação e Comunicação. 20 2 Revisão de Literatura e Fundamentos 2.1 Processo de transformação do Exército Brasileiro As mudanças em instituições militares são classificadas, de acordo com seu alcance em: adaptação, modernização e transformação (COVARRUBIAS, 2007, p. 18). O Exército Brasileiro (2009, p. 10) entende que é necessária uma transformação. É necessário o desenvolvimento de novas capacidades para atendimento de funções ou missões no futuro. A adaptação e a modernização não proporcionam todas as respostas para as demandas que se apresentam, pois estas partem do pressuposto que as atuais formas de atuação são adequadas. O Exército Brasileiro (2009, p. 10) entende que a Tecnologia da Informação e Comunicações é um dos novos parâmetros com os quais as forças militares estão se deparando, seja nos conflitos atuais ou nos visualizados para o futuro e que a gestão da informação é “um dos pontos que marcam uma transformação” (COVARRUBIAS apud EXÉRCITO BRASILEIRO, 2009, p. 10). O grande Objetivo é tornar o Exército Brasileiro em uma instituição da era da Informação, isto é, assentada sobre ferramentas de tecnologia da Informação. O Exército Brasileiro (2009, p. 13) verificou que o Fator Humano deve ser considerado o recurso mais valioso, estando na base de quaisquer de suas organizações operacionais. É entendido que apesar de avanços tecnológicos, o homem não pode ser completamente substituído e por outro lado, precisa ser cada vez mais capacitado. A transformação consiste não só na ruptura de valores relativos ao ambiente organizacional, pessoas e atividades, mas também no uso de novas tecnologias que 21 se interagem com novos valores, gerando um contínuo aprender do ser humano (BLATTMANN, 1999, p. 23). Segundo Chiavenato (2004, p. 298) esse conceito de aprendizado deve ser entendido como sinônimo de mudança de comportamento. A necessidade de serem alteradas concepções, muitas dessas profundamente arraigadas na cultura institucional do Exército, é vista como um dos impositivos para a mudança. Dentro dessa cultura institucional será de grande importância a preocupação com uma permanente atualização pessoal, baseada na premissa de que o êxito profissional dependerá do domínio de novas tecnologias (EXÉRCITO BRASILEIRO, 2009, p. 36). 2.2 Segurança da Informação O Gabinete de Segurança Institucional (2008) definiu a Segurança da Informação e Comunicações no âmbito da Administração Pública Federal como “Ações que objetivam viabilizar e assegurar a disponibilidade, a integridade, a confidencialidade e a autenticidade das informações”. O Ministério da Defesa (2007) entende de forma independente os conceitos de Segurança da Informação e de Segurança das Comunicações, empregados nas Forças Armadas. A Segurança da Informação, para o Ministério da Defesa (2007, p. 235) é definida como: Conjunto de conceitos, técnicas e atividades que visem a proporcionar confidencialidade, integridade e disponibilidade às informações, protegendo recursos de informação contra ações deliberadas ou não-autorizadas de aquisição, dano, manipulação, modificação, perda, revelação ou uso desses recursos. O conceito de Segurança das Comunicações, no âmbito das Forças Armadas é: Medidas e controles destinados a negar o acesso de pessoas nãoautorizadas a conteúdos que circulem em meios de telecomunicações e a garantir a autenticidade desse conteúdo. As ações de segurança incluem transmissões, emissões, fluxo, segurança física e criptologia. (MINISTÉRIO DA DEFESA, 2007, p. 235) 22 Verifica-se que dentro do entendimento de Segurança da Informação do Ministério da Defesa (2007) que a Segurança das Comunicações pode ser entendida como inserida dentro da Segurança da Informação, no âmbito das Forças Armadas. Ao serem comparadas as definições de Segurança da Informação e Comunicações do Gabinete de Segurança Institucional, no âmbito da Administração Pública Federal e de Segurança da Informação do Ministério da Defesa (2007) no âmbito das Forças Armadas pode ser entendido que ambas as definições são similares, optando-se por acompanhar o uso do termo “Segurança da Informação” empregado no Exército Brasileiro. Sêmola apud Rocha (2008, p. 24) definiu Segurança da Informação como sendo “uma área do conhecimento dedicada à proteção de ativos da informação contra acessos não autorizados, alterações indevidas ou sua indisponibilidade”. Para Promon apud Rocha (2008, p. 24), o conceito de Segurança da Informação pressupõe a identificação das diversas vulnerabilidades e a gestão dos riscos associados aos diversos ativos da informação de uma corporação, independentemente de sua forma ou meio em que são compartilhados ou armazenados, digitais ou impressos. O objetivo da segurança é garantir a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade desses ativos de informação de uma corporação. Rocha (2008, p. 28) entende que as definições de Sêmola e Promon acerca da Segurança da Informação nos conduzem a compreensão de que o Usuário da Informação é uma peça estratégica, participante do processo interativo com sistemas de informação. 2.2.1 Contrainteligência A Contrainteligência é entendida como: Atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar ações de qualquer natureza que constituam ameaça à salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de interesse da segurança de instituições, da sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os retenham ou em que transitem. (BRASIL, 2002) 23 A Contrainteligência, para o Ministério da Defesa (2007, p. 66), é definida como: Ramo da atividade de inteligência voltado para a detecção, identificação, neutralização, obstrução e prevenção da atuação da Inteligência adversa e das ações de qualquer natureza que constituam ameaças à salvaguarda de dados, conhecimentos e seus suportes (documentos, áreas e instalações, pessoal, material e meios de tecnologia da informação) de interesse da sociedade e do Estado. Pode-se observar que os conceitos de Contrainteligência acima são similares, com ressalva que o Ministério da Defesa (2007), na definição de Contrainteligência no âmbito das Forças Armadas, priorizou como ameaça “a atuação da Inteligência adversa”. Desses conceitos pode ser inferido que as ações voltadas à Segurança da Informação no âmbito do Governo Federal e das Forças Armadas estão inseridas dentro dos conceitos apresentados sobre a Contrainteligência. O entendimento da Contrainteligência no Exército Brasileiro é importante pela aplicabilidade de medidas dessa área no âmbito da Segurança da Informação dentro da Organização X. 2.2.2 Evolução dos meios de Tecnológica da Informação e as medidas de Segurança da Informação “A segurança nunca será um produto acabado, que uma vez implantado permanecerá estável...” (CARUSO & STEFFEN, 1999, p. 31). O mundo atual se caracteriza por um ambiente dinâmico em constante mudança que exige das organizações elevada capacidade de adaptação como condição de sobrevivência (CHIAVENATO, 2004, p. 296). Segundo Caruso & Steffen (1999, p. 31), as medidas de segurança devem estar sempre sendo revisadas, em virtude da introdução de novas tecnologias, principalmente as voltadas à tecnologia da informação, que geram, por consequência, novas vulnerabilidades, ou dão novas capacidades, a atores, externos ou internos, de interferir, diretamente, nas atividades ou, indiretamente, na estrutura, pessoal ou material de organizações. 24 2.2.3 Papel do Fator Humano na evolução das Medidas de Segurança Um ditado popular diz que nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco; da mesma forma nenhuma parede é mais forte que sua porta ou janela mais fraca, de modo que você precisa colocar as trancas mais resistentes possível nas portas e janelas. De forma similar, quando você implementa segurança em um ambiente de informações, o que na realidade você está procurando fazer é eliminar o máximo possível de pontos fracos ou garantir o máximo de segurança para os mesmos. (CARUSO & STEFFEN, 1999, p. 21) Mitnick & Simon (2003, p. 03) apontam o ser humano como “o elo mais fraco” em analogia ao ditado da corrente. Neste mesmo “elo” faz parte o Pessoal responsável por operar diversos sistemas, isto é, manipula as informações, diretamente ou indiretamente, através do uso dos recursos de TIC. O comportamento humano é uma possível fonte de vulnerabilidades. Mitnick ficou famoso por explorar essa vulnerabilidade para “driblar” medidas de segurança implantadas nos recursos de TIC das organizações alvo de seus ataques Hacker. Ele acredita que a única maneira de alcançar uma segurança relativa é possuir o Pessoal capacitado e conscientizado. Ele advoga que além da capacitação deve existir um programa constante de conscientização. Em Caruso & Steffen (1999, p. 31) entende-se que os riscos decorrentes da evolução dos meios de Tecnologia da Informação podem comprometer a sobrevivência da organização, caso seu Pessoal não estiver acompanhando essa evolução e se atualizando. Rezende e Abreu (2000) apud Rocha (2008, p. 26) entendem que as organizações devem procurar dar mais atenção ao ser humano, pois é ele que faz com que as engrenagens empresariais funcionem perfeitas e harmonicamente, buscando um relacionamento cooperativo e satisfatório. Dessa forma, seria importante destacar que o elo mais fraco de um processo de segurança é a pessoa (ou grupos de pessoas), que por sua vez, é a responsável por garantir as propriedades da informação: a disponibilidade, a integridade, a confidencialidade e a autenticidade. 25 2.2.4 Necessidade de uma Mentalidade de Segurança da Informação “É preciso vender cultura da segurança para o corpo da organização” (CARUSO & STEFFEN, 1999, p. 55). Caruso & Steffen (1999, p. 55) defendem que para se implantar uma Política de segurança: “deve-se assumir que não existe nada definido e partir para implantação do novo padrão cultural necessário para segurança”. Segundo o entendimento de Caruso & Steffen (1999 p. 55) a mudança dos padrões culturais não pode ser iniciada diretamente sobre as atividades de Tecnologia da Informação e Comunicações, por mais tentadora que possa parecer essa abordagem. Antes de se começar a implantação da segurança “em informática” é preciso fazer que ela pareça ter sido sempre parte da cultura da organização. A mudança se dá através de um processo de aprendizado e Mitnick & Simon (2003, p. 203) reforçam que o aprendizado, mesmo de questões importantes, tende a desaparecer, a menos que seja reforçado periodicamente. Devido à importância de manter os empregados atualizados sobre o assunto da defesa contra os ataques da engenharia social, um programa constante de conscientização é de importância vital. O Exército Brasileiro (2009) está de acordo com o entendimento de Mitnick & Simon (2003, p. 195) ao aceitar a necessidade de um programa contínuo visando à conscientização e o treinamento do pessoal, ou fator humano, com objetivo de desenvolvimento das atitudes e comportamentos necessários para compor uma mentalidade voltada a Segurança da Informação. 2.3 Cultura Organizacional É importante compreender a cultura organizacional para entender sua influência dentro dos comportamentos e atitudes do pessoal de uma organização. A Cultura Organizacional pode se entendida como: "conjunto de pressupostos básicos, de valores, inventados ou descobertos por um grupo para resolver problemas tanto de adaptação externa e/ou integração interna" (SCHEIN apud ROSSO, 2000, p. 14). 26 A Cultura Organizacional ajuda a formar a compreensão de “como as coisas costumam ser feitas dentro de uma organização.” Ela expressa os valores essenciais compartilhados e aceitos pela maioria dos membros da organização. Esse aspecto dos valores é o que torna a cultura organizacional um importante instrumento para modelar e orientar o comportamento dentro da organização (ROBBINS, 2005, p. 374). Segundo Robbins (2005, p. 378), a cultura ajuda a manter a organização coesa, fornecendo padrões adequados para aquilo que o pessoal vai fazer ou dizer. Ela orienta as atitudes e comportamentos dos funcionários. Chiavenato (2004, p. 296 e 297) explica que a Cultura Organizacional conglomera aspectos formais, facilmente perceptíveis, relacionados com as políticas, diretrizes, procedimentos, objetivos, estruturas e tecnologias existentes, e aspectos informais, relacionados com as percepções, sentimentos, atitudes, valores, interações informais e normas grupais. Os diferentes aspectos, formais e informais, podem ser caracterizados numa analogia a um “iceberg”. Nessa estrutura, os aspectos formais estão associados à parte visível, observável, orientados para aspectos operacionais e de tarefas, enquanto os segundos, invisíveis ou ocultos, estão relacionados com as questões afetivas, emocionais, orientados para aspectos sociais e psicológicos, por vezes difíceis de interpretar e compreender, transformar ou mudar (CHIAVENATO, 2004). Figura 1 Iceberg – [Fontes: Adaptado de Sathe apud Mamede (2004, p. 04) e de Chiavenato (2004, p. 297)]. 27 Senge (2009, p. 33) usou a definição de “Modelos mentais” ao definir “os pressupostos profundamente arraigados, generalizações ou mesmo imagens que influenciam a forma de perceber e agir das pessoas”. Esses modelos agiriam de forma não consciente nas pessoas, mas teriam efeito direto em seu comportamento. Pode se concluir que o entendimento a respeito de Modelos Mentais colocado por Senge (2009) é relacionado aos conceitos de premissas ou pressupostos básicos e valores que compõem a Cultura Organizacional defendidos por Schein e Robbins, além do conceito sobre os aspectos informais que compõem a Cultura Organizacional defendido por Chiavenato, e que estariam situados abaixo da linha d’água na analogia do “Iceberg” na figura 1. Cultura organizacional produz comportamentos funcionais que contribuem para que se alcancem as metas da organização. É também uma fonte de comportamentos desajustados que produzem efeitos adversos ao sucesso da organização. (ROBBINS apud MAMEDE, 2004, p. 06) Ainda, segundo Mamede (2004, p. 06) é identificada como a maior disfunção, consequência negativa, da cultura organizacional é o fato dela criar barreiras à mudança, principalmente em organizações de cultura forte, como pode ser apontada a Organização X. A cultura organizacional é concebida como um conjunto de valores e pressupostos básicos expressos em elementos simbólicos, que em sua capacidade de ordenar, atribuir significações, construir a identidade organizacional, tanto agem como elemento de comunicação e consenso, como ocultam e instrumentalizam as relações de dominação. (FLEURY e FISCHER apud ROCHA, 2008, p. 30) Freitas apud Rocha (2008, p. 30), afirma que a cultura organizacional é o modelo dos pressupostos básicos, que determinado grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna. Uma vez que os pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, são ensinados aos demais membros como a maneira correta para se proceder, se pensar e sentir-se em relação àqueles problemas. 28 Schein (1999) entende a cultura organizacional como propriedade de uma unidade social estável e coesa, formada por pessoas que compartilham uma visão de mundo em função de terem vivenciado e encontrado soluções em conjunto para os problemas de integração interna e adaptação externa, e que tenham admitido novos membros para os quais transmitiram sua forma de pensar. De acordo com Robbins (2005, p. 377), a cultura pode ter uma influência significativa sobre o comportamento e as atitudes de seus membros, dependendo de sua força. Robbins (2005, p. 377) explica que uma cultura forte tem maior impacto sobre o comportamento. Nela os valores essenciais da organização são intensamente acatados e amplamente compartilhados. Quanto mais aceitos esse valores forem pelos membros da organização, mais forte será a Cultura Organizacional. O Ministério da Defesa produziu em 2007 um documento chamado “Glossário das Forças Armadas”, com a definição dos termos usados dentro das Forças Armadas, o qual não possuía definição para a Cultura Organizacional. Na pesquisa do “Glossário das Forças Armadas” verificou-se que o termo com definição mais próxima a de Cultura Organizacional é a de Doutrina, definida como: Conjunto de princípios, conceitos, normas e procedimentos, fundamentadas principalmente na experiência, destinado a estabelecer linhas de pensamentos e a orientar ações, expostos de forma integrada e harmônica. (MINISTÉRIO DA DEFESA, 2007, p. 86) Existem ainda duas definições no do “Glossário das Forças Armadas” decorrentes do conceito de Doutrina: a Doutrina de Segurança e a Doutrina Militar. A Doutrina de Segurança é definida pelo Ministério da Defesa (2007, p. 86) como “Conjunto de conceitos básicos, princípios gerais, processos e normas de comportamento que permitem orientar os estudos, a formulação e o desdobramento de uma política de segurança”. A Doutrina Militar é definida pelo Ministério da Defesa (2007, p. 86) como: Conjunto harmônico de ideias e de entendimentos que define, ordena, distingue e qualifica as atividades de organização, preparo e emprego das Forças Armadas. Englobam, ainda, a administração, a organização e o funcionamento das instituições militares. 29 Verifica-se que os conceitos de Doutrina Militar e de Doutrina são similares, sendo que a Doutrina Militar tem seu universo limitado às Forças Armadas. Já o conceito de Doutrina de Segurança abrange apenas uma parte ou segmento da Doutrina ao ter limitada sua aplicação a “orientar os estudos, a formulação e o desdobramento de uma política de segurança”. Comparando-se a definição de Doutrina do Ministério da Defesa (2007) com a explicação de Cultura Organizacional de Chiavenato (2004), chega-se ao entendimento de que a definição de Doutrina abrange apenas a Cultura manifestada através dos aspectos formais da Cultura Organizacional, que são facilmente perceptíveis por estarem relacionados com: as políticas, diretrizes, procedimentos, objetivos, estruturas e tecnologias existentes, enquanto a Cultura Organizacional abrange também aspectos informais, relacionados com: percepções, sentimentos, atitudes, valores, interações informais e normas grupais. O Exército Brasileiro (2009, p. 37), explicando seu processo de transformação citou o termo “Cultura Institucional”. Pelas definições de Cultura Organizacional de Schein, Robbins, Freitas e Chiavenato, não há diferenciação da definição de “Cultura“ entre organizações ou instituições, entendendo-se que essa diferenciação trata-se apenas de nomenclatura. 2.3.1 Impositivos na mudança da Cultura Organizacional “Consegue-se conscientizar mais facilmente as pessoas acerca da segurança se elas estiverem convencidas de que estão em primeiro lugar...” (CARUSO & STEFFEN, 1999, p. 55). Tapscott & Caston apud Blattmann (1999, p. 20) entendem que “a mudança de paradigma é fundamentalmente uma nova maneira de ver alguma coisa.” Ela é frequentemente exigida em função das inovações que transformam a realidade. Chiavenato (2004, p. 296) coloca que a única maneira viável de mudar uma organização é mudar sua cultura, porque a mudança da estrutura organizacional não é suficiente para mudar a organização. De acordo com Blattmann (1999, p. 23), as organizações são as pessoas que nelas atuam, portanto as organizações só aprendem, se as pessoas aprendem. 30 Blattmann (1999, p. 19) coloca também que o indivíduo interage e sofre pressão do grupo social. A responsabilidade coletiva faz com que um indivíduo seja agente da mudança- coadjuvante. Dessa maneira verifica-se que é necessário agir no pessoal, atuando na mudança das atitudes e comportamentos, através de um processo de aprendizado, para mudar a cultura organizacional, e assim ter condições de mudar a organização como um todo (CHIAVENATO, 2004, p. 298 e 319). A mudança organizacional, segundo Mitroff, Mason e Pearson (1994) apud Blattmann (1999, p. 20) ocorre somente quando o ser humano chega a momentos mais extremos. Isto significa que enquanto o indivíduo estiver conformado com a situação existente não existem mudanças significativas, ou seja, não ocorrem as rupturas de paradigmas. Lewin apud Chiavenato (2004, p. 298) explica o processo de mudança da cultura baseado na ação no pessoal através de um modelo, que envolve três fases: A primeira fase é o “descongelamento do padrão atual de comportamento”: a qual implica no esquecimento e “desaprendizagem” das idéias e práticas nocivas à mudança (CHIAVENATO, 2004, p. 298). A segunda fase é a “mudança”, a qual implica no aprendizado das novas ideias e práticas por parte do pessoal, de modo que as pessoas passem a pensar e agir de uma nova maneira. Nesse caso o aprender significa mudar o comportamento (CHIAVENATO, 2004, p. 298). A última fase é o “recongelamento”, a qual consiste na internalização das novas idéias e práticas, isto é, do novo comportamento, através de mecanismos de reforço e suporte. Significa que tudo que foi aprendido está sendo executado, integrado a prática atual. É a nova maneira como a pessoa conhece e faz o seu trabalho (CHIAVENATO, 2004 p. 298). O conceito mais próximo a aprendizado existente no Glossário das Forças Armadas é o “treinamento”. O treinamento é definido pelo Ministério da Defesa (2007, p. 257) como: Processo de ensinar habilidades específicas a serem executadas sob condições pré-definidas. 2. Conjunto padronizado de procedimentos, orientado para o desenvolvimento de habilidades e práticas que o instruendo deve conhecer e dominar, visando à execução aprimorada de uma ou mais tarefas. 31 Chiavenato (2004, p. 298) coloca que o simples conhecimento, sem a aplicação das novas idéias e práticas não é suficiente para uma mudança efetiva da cultura organizacional. Assim verifica-se que o termo treinamento, em sua definição no Glossário das Forças Armadas atende apenas parcialmente o processo de aprendizagem necessário, por ser direcionado a aprendizagem de práticas e habilidades e não de ideias. Em virtude da limitação do termo “treinamento” em sua definição pelo Ministério da Defesa (2007) adota-se o termo “capacitação” como um conceito mais amplo, para abrigar a aprendizagem necessária das novas ideias e práticas por parte do pessoal dentro de um processo de mudança da Cultura Organizacional. Chiavenato (2004, p. 299) explica que através de uma visão sistêmica da Cultura Organizacional, existem forças atuando em dois sentidos durante um processo e mudança. Normalmente a cultura se encontra com estas forças em equilíbrio, quase estacionário, antes da tentativa de mudança. Quando se inicia uma tentativa de mudança, há a pressão dessas forças, buscando um novo estado de equilíbrio. A resultante dessas forças define o sucesso do processo de mudança. Chiavenato (2004, p. 299) define como “forças positivas” aquelas que agem como apoio e suporte à mudança. Já as “forças negativas” são aquelas que agem como oposição e resistência a mudança. Nesse entendimento visualiza-se que dentro de um processo de mudança bem sucedido deve-se atuar: ou aumentando as forças positivas ou diminuindo as forças de resistência e oposição. 2.3.2 Dificuldades na mudança da Cultura Organizacional Robbins (2005, p. 379) explica que a Cultura Organizacional forte pode possuir vantagens e desvantagens, de acordo com a adequação de seus valores com as necessidades da Organização. Na cultura forte há um alto clima de controle comportamental, fato esse que aumenta a consistência do comportamento. Ela serve de substituto às regras e regulamentações formais. 32 A Cultura Organizacional forte, quando sustentada por regras e regulamentos formais, busca assegurar que todos se comportarão de maneira relativamente uniforme e previsível. Essa cultura melhora o comprometimento e aumenta a consistência do comportamento do pessoal, além de reduzir a ambiguidade, do ponto de vista do pessoal (ROBBINS, 2005, p. 377). Robbins (2005, p. 379) coloca que a cultura forte pode se tornar um grande obstáculo às mudanças. Ela se torna uma barreira quando os valores compartilhados estão em desacordo com aqueles que podem melhorar a eficácia da organização. Nesse caso a consistência do comportamento se torna um fardo e dificultam as reações da organização às necessidades impostas. Blattmann (1999, p. 22) entende que o ser humano apresenta restrições ao novo e moderno, por obrigá-lo a fazer as coisas de maneira diferente, sem aparentemente lhe atribuir vantagens. Isto se dá pela relutância de abandonar uma forma já conhecida e confiável ou mesmo por dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, o processo de mudança provavelmente irá gerar dificuldades, desconforto e ansiedades, a serem enfrentadas pelos membros da organização, que necessitarão desaprender os conceitos antigos para poder assimilar os novos conceitos expostos (SCHEIN, 1999, p. 117). Covey (1997, p. 165) apud Blattmann (1999, p. 19) explica que a mudança de atitudes e comportamentos ocorre em decorrência de um desequilíbrio, que causa um desconforto grande o suficiente que sirva de motivação. A pessoa precisa de um estímulo para perceber a necessidade de mudar, senão ela vai buscar manter sua situação atual. É preciso que exista um incômodo para que o ser humano perceba que algo está errado, isso lembra o mecanismo fisiológico da dor, que também avisa a pessoa sobre algum problema. As pessoas costumam ser mais abertas a um novo comportamento quando estão vivendo essa insatisfação, por projetarem na possível mudança uma solução para seus problemas. 33 2.3.3 Ações para mudança da Cultura Organizacional Chiavenato (2004, p. 264) coloca que o comportamento individual, baseado nas suas motivações, é um instrumento de explicação do comportamento organizacional. De forma inversa, pode-se buscar atuar no comportamento organizacional, a partir do estimulo e motivação de certas atitudes nos comportamentos individuais. É explicado por Chiavenato (2004, p. 260) que as pessoas tomam decisões baseadas pelas vantagens ou desvantagens que estas vão trazer para elas mesmas. Dentro de uma organização, elas têm como objetivo satisfazer suas necessidades, enquanto a organização tem como objetivo manter sua sobrevivência na sociedade. Chiavenato (2004, p. 287) cita a teoria da motivação apresentada por Maslow e Herzberg, nas quais o ser humano age baseado na satisfação e suas necessidades, para explicar que as organizações podem ser um meio de proporcionar recompensas às pessoas (autocrescimento e autodesenvolvimento), consequentemente gerando motivação. O ser humano tem aptidão de aprender, isto é, muda seu comportamento e atitudes de forma a sobreviver, ou seja, satisfazer suas necessidades. O comportamento humano é voltado para objetivos (CHIAVENATO, 2004, p. 260). Desse modo uma organização pode utilizar essa troca de interesses, com consequente satisfação mútua de necessidades para favorecer as mudanças necessárias. Rocha (2008) e Mitnick & Simon (2003) tem uma visão semelhante ao defender a necessidade de capacitação e conscientização constante, para adequar e manter, no pessoal, uma Mentalidade de Segurança da Informação. Caruso & Steffen (1999, p. 56) explicam que se deve buscar convencer e obter apoio antes da implantação das medidas de segurança, podendo utilizar as lideranças existentes dentro dos canais formais e informais a organização. Para que essa conscientização seja ampla, Schein (1999, p. 102), coloca como uma necessidade o fato das lideranças culturais da organização exercerem o exemplo, que servirá de estímulo a internalizarão de um novo paradigma imposto. Na mesma direção, Caruso & Steffen (1999, p. 56) ressaltam a importância de a alta administração dar início a aplicação das medidas de conscientização. 34 De acordo com Mitnick & Simon (2003, p. 195) a capacitação do pessoal é premissa para que se de início ao processo contínuo de conscientização, necessário para a Mentalidade de Segurança da Informação. Caruso & Steffen (1999, p. 55) colocam que é muito importante conseguir convencer, se não todos, pelo menos a grande maioria das pessoas de uma organização dos benefícios de uma Mentalidade de Segurança da Informação. Para isso deve existir uma consciência sobre a existência de ameaças à Segurança da Informação e o conhecimento de suas possibilidades. Através das recomendações de Mitnick & Simon (2003, p. 198), percebe-se que o entendimento dos motivos que levaram à implantação das medidas de segurança requer conhecimento dos riscos que geraram a necessidade de tais medidas, evitando-se, assim, que o pessoal tente se desviar das regras por questões de conveniência. Deve existir uma educação do pessoal para conhecer o que deve ser protegido, e também a forma correta de realizar essa proteção. CARUSO & STEFFEN (1999, p. 55) e MITNICK & SIMON (2003, p. 199) colocam que a pessoas se envolvem e se motivam quando entendem que sua participação não apenas trará benefícios para a organização, mas também para elas mesmas. 35 3 Metodologia 3.1 Estudo de Caso A pesquisa partiu da necessidade de entender o relacionamento entre algumas das muitas variáveis existentes dentro da Organização X, e sua decorrente influência sobre um resultado final, o comportamento organizacional do pessoal da Organização X. Buscou-se associar a verificação da “adequação da cultura organizacional voltada à implementação de uma Mentalidade de Segurança da Informação”, numa relação causal, na Organização X. O método escolhido foi o estudo de caso. A metodologia de estudo de caso, de acordo com Fernandes (2010, p. 01), visa conferir simplicidade, uniformidade e promoção de pesquisas de qualidade. YIN (2010, p. 22 e 49) coloca o estudo de caso como metodologia mais apropriada quando são formuladas questões de estudo do tipo “como “e “porque” semelhantes ao proposto nessa pesquisa e quando não há como controlar todos os eventos dentro da unidade de análise, como na Organização X. Dentro da prescrição de YIN (2010, p. 51 a 56), pode se tipificar o estudo de caso a ser utilizado como estudo de caso único, por abranger apenas a Organização X. A escolha da Organização X como unidade de análise significativa para a análise do problema de pesquisa é justificada pelo fato do estudo da Organização X representar um caso típico dentro da instituição da qual ela faz parte, o Exército Brasileiro. O estudo de caso foi prioritariamente exploratório em seu foco, pela incerteza sobre ou falta de compreensão do tema com a realidade existente. 36 Foi empregada a abordagem qualitativa, que de acordo com Fernandes (2010, p. 07) é usada, sobretudo nas ciências sociais, cujo emprego se dá em situações para quais os fenômenos observados não são precisamente mensuráveis, nem tampouco é simples estabelecer uma relação numérica entre causas e consequências. O contexto de análise escolhido foi o do “Caso Piloto” informado por Yin apud Fernandes (2010, p. 09), com a finalidade de ser o primeiro de um estudo de casos múltiplos. Dentro do planejamento da pesquisa foi dimensionado que o trabalho seria desenvolvido em quatro fases: Revisão Bibliográfica, Pesquisa em Campo, Análise e Interpretação dos dados, Conclusão e Apresentação do Trabalho. A primeira fase ocorreu durante todo o período de Fevereiro de 2010 a dezembro de 2010. De forma praticamente sobreposta ocorreram a segunda fase e terceiras fases, até dezembro de 2010. Após isso houve o prosseguimento da terceira fase, que se encerrou em julho de 2011. A quarta e ultima fase foi prevista no período de agosto de 2011 até a data de apresentação da pesquisa. 3.2 Revisão Bibliográfica Na primeira fase, seria realizada uma pesquisa buscando literaturas sobre temas correlatos e revisando conceitos, principalmente nas áreas da psicologia organizacional voltada para o aprendizado, administração voltada para a cultura organizacional e da Segurança da Informação e Comunicações. Foi verificado que para atender o novo paradigma imposto pelo processo de transformação do Exército Brasileiro, o qual prevê uma mentalidade voltada a Segurança da Informação e Comunicações, é necessário uma mudança cultural. Essa mudança cultural será viabilizada pela adequação da atual cultura institucional a novos valores, necessários dentro do processo de transformação, em um processo de aprendizado do pessoal, que possibilitará a internalização de novos comportamentos e atitudes. 37 3.3 Pesquisa em Campo Na segunda fase da pesquisa, realizada entre março de 2010 a dezembro de 2010, foi executada a realização das pesquisas em campo, ou coleta de dados para o estudo de caso. Seguindo ainda as orientações de Fernandes (2009) buscou-se obter os dados através de entrevistas, documentos e observações do ambiente organizacional. A coleta num primeiro momento através da pesquisa em documentos, normas e regulamentos da Organização X. A primeira necessidade foi buscar identificar aspectos da Cultura da Organização X que expressem um referencial ou padrão inicial relativo à presença de valores afins a uma Mentalidade de Segurança da Informação, atendendo o primeiro objetivo específico. Para atender essa necessidade foram definidas como as seguintes categorias de dados a serem coletados: a. Pessoal da Organização X. b. Medidas de segurança existentes na Organização X. c. Influência de fatores psicológicos e organizacionais na execução das medidas de segurança previstas na Organização X. d. Atividades voltadas à viabilização de mudanças na Cultura Organizacional da Organização X. Para auxiliar o processo de coleta de dados e de entrevistas foram elaborados questionários de apoio. 3.3.1 Critérios para Coleta, Análise e Interpretação dos dados Foram estabelecidos como critérios para a coleta e posterior análise dos dados da pesquisa: 1. Que o universo de entrevistados seria de militares com conhecimento e importância dentro da estrutura da Organização X. 2. Que deveriam ser colhidas entrevistas com mais de uma pessoa para comparação das respostas. 3. Que haveria um questionário impresso com perguntas discursivas que proporcionassem um mesmo entendimento do que foi solicitado. 38 4. Que todos os entrevistados deveriam estar cientes dos objetivos da entrevista. 5. Que deveria haver um contato pessoal com a maioria dos entrevistados, tornando a entrevista por telefone uma opção secundária. 6. Que toda a documentação deveria ser colhida, ou possuísse acesso ,dentro da Organização X, com autenticidade comprovada. 7. Que seriam buscadas observações imparciais, evitando análises baseadas em preconceitos. 3.3.2 Questionário de apoio A O questionário A contém três questões no total. Parte delas era subjetiva e parte de múltipla escolha. A primeira questão objetivava identificar a percepção do pessoal a respeito sobre quais integrantes da Organização X deveriam ser capacitados no emprego de diversas medidas voltadas a segurança. Na segunda questão os quatro primeiros itens: “a”, “b”, “c” e “d”, eram de múltipla escolha. Nesses itens foram oferecidas como opções de resposta diferentes níveis ou escalas de intensidade. Cada resposta possuía atribuição subjetiva de intensidade, correlacionada um valor que podia variar de 1 a 5. Isso se deu com objetivo de favorecer posterior análise através de um correlacionamento com valores entre si, além do estabelecimento de valores médios do grupo de respostas. Os quatro últimos itens da segunda questão: “e”, “f”, “g” e “h”, eram de resposta subjetiva, possibilitando uma posterior comparação entre estas e as repostas dos itens de múltipla escolha. Na terceira questão foram colocadas como opções alguns dos possíveis fatores psicológicos e organizacionais que pudessem ter influência negativa sobre diversas atividades relacionadas à: incorporação, execução e manutenção de medidas de segurança, na rotina do pessoal da Organização X. Nessa questão o objetivo de validar a influência desses ou de outros valores a serem escolhidos pelos entrevistados, dentro de suas rotinas na Organização X. O questionário deveria ser aplicado em pelo menos 10 militares, das diversas seções da Organização X. Esse número mínimo foi estabelecido para que houvesse 39 uma diversidade de militares, incluindo chefes de seção e seus subordinados, necessária a representatividade da amostra. Figura 2: Folha 1 do questionário A (Fonte: Elaboração própria). 40 Figura 3: Folha 2 do questionário A (Fonte: Elaboração própria). 41 Figura 4: Folha 3 do questionário A (Fonte: Elaboração própria). 42 3.3.3 Entrevistas e Observações subsequentes Após a aplicação do questionário A, foram realizadas entrevistas e observações subsequentes focando assuntos ligados à execução da Segurança da Informação dentro da Organização X. Buscou-se identificar dentro da categoria de dados a serem coletados estabelecidos para a pesquisa os seguintes aspectos abaixo, necessários à adequação da Cultura da Organização X a uma mentalidade voltada à segurança: a. Conhecimento sobre os novos conceitos sobre segurança. b. Importância dada à aplicação dos conceitos de segurança. c. Percepção dos riscos existentes na mentalidade antiga. d. Aceitação das novas medidas necessárias. Foram usados como apoio a verificação dos seguintes assuntos específicos à Segurança da Informação, dentro da Organização X. Essas entrevistas e observações que abordaram assuntos específicos à segurança, no contexto da Organização X, foram realizadas para auxiliar na identificação dos objetivos específicos: Levantar como os potenciais fatores psicológicos e organizacionais dificultam a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, pela influência negativa na adequação das rotinas, procedimentos e atitudes. Levantar atividades voltadas à conscientização e treinamento do pessoal, que atuem sobre os fatores que dificultam a implantação da Mentalidade de Segurança da Informação. 3.4 Análise e Interpretação dos dados A terceira fase da pesquisa, realizada entre março de 2010 a dezembro de 2010, é composta da compilação dos dados colhidos e resultantes de análises preliminares realizadas para a análise e interpretação dos dados. 43 3.4.1 Análise do Questionário A As respostas do questionário A serão analisadas de duas formas. A primeira análise será individual das respostas, fazendo referencia a um padrão ideal de comportamento, preconizado pela correta execução das normas e regulamentos da Organização X e do Exército Brasileiro. A Segunda análise será feita em relação aos dados colhidos durante a pesquisa bibliográfica. Serão atribuídos valores de 1 a 5 aos itens de múltipla escolha, dependendo da opção assinalada, o que vai gerar um valor objetivo a cada item. A média simples dos valores obtidos individualmente irá gerar um valor estimado, de referência para a Organização X no auxilio na identificação do padrão atual da cultura de segurança. Além da análise individual haverá uma análise subjetiva, de coerência entre as respostas escolhidas em cada item e a respectiva opção assinalada. Concluído o trabalho de análise dos itens de Múltipla Escolha, será realizada uma síntese dos resultados dos outros itens. Essa síntese será utilizada como referencial numa comparação dos resultados individuais com o universo e do universo com o padrão ideal. Serão feitas observações quanto ao perfil obtido a respeito da convergência entre as respostas dos itens na forma de múltipla escolha com as diferentes impressões colhidas nas respostas subjetivas, servindo de indicador sobre a verossimilhança dos resultados. A repetição de repostas semelhantes vai acusar maior relevância. 3.4.2 Análise das Entrevistas e Observações subsequentes O foco da análise das Entrevistas e Observações subsequentes não residirá num aprofundamento dos assuntos específicos à Segurança da Informação, dentro da Organização X, mas na obtenção de indícios que viabilizem a consecução dos objetivos específicos desta pesquisa. As respostas das Entrevistas e Observações subsequentes serão analisadas inicialmente com referencia a um padrão ideal de comportamento, preconizado pela correta execução das normas e regulamentos da Organização X e do Exército Brasileiro. De acordo com o pressuposto da pesquisa, a Organização X possivelmente regulamentos. atenderá parcialmente a correta execução das normas e 44 Após essa análise haverá uma síntese das respostas, buscando, quando possível, um valor que represente o conjunto. Serão feitas observações quanto ao perfil obtido e a respeito da convergência entre as respostas as diferentes impressões colhidas. Haverá uma comparação dos resultados em relação aos dados colhidos nos questionários e dos dados obtidos através da pesquisa bibliográfica. 45 4 Resultados 4.1 Questionário de apoio A O questionário foi aplicado em 11 (onze) pessoas, incluindo militares responsáveis pelas Seções além de seus assistentes e auxiliares, de seis diferentes Seções da Organização X. Foi buscado atender o número mínimo estabelecido de 10 (dez) entrevistados, além de obter uma diversidade funcional, necessária a representatividade da amostra de pesquisa. A aplicação do questionário foi iniciada com uma breve explanação sobre os objetivos do questionário bem como sobre a intenção da pesquisa. A execução dos questionários foi acompanhada. 4.1.1 Questão 1 do questionário A Na primeira questão as respostas devem ser observadas no contexto dos militares entrevistados, nas diversas Seções da Organização X. No momento da pesquisa não havia outros integrantes dentro das Seções que foram alvo da pesquisa. Todos os militares responderam que tanto os Chefes de Seção e Auxiliares devem estar capacitados no emprego das Medidas de Segurança, conforme Tabela 1 a seguir. 46 Tabela 1 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 1. Quais são os militares que devem estar capacitados no emprego das Medidas de Segurança através de instruções específicas? (Público Alvo) Respostas Quantidade de Quantidade de Porcentagem entrevistados afirmações concordantes. sobre o todo 11 100% 0 0% A Oficiais B Praças C Outros (recrutas, funcionários 11 civis, etc..) 4.1.2 Questão 2 do questionário A A questão dois é dividida entre itens de múltipla escolha e itens de resposta subjetiva. A letra A da questão 2 está relacionada ao sentimento de importância do uso de medidas de segurança pelos próprios militares, em suas rotinas. As respostas estão em sua quase totalidade concentradas na opção “A” que está associada a maior importância ou valor atribuído ao emprego de Medidas de Segurança conforme apresentado, a seguir, na Tabela 2. Tabela 2 – Sumário das respostas do Questionário A Questão 2 Letra A. Você acredita ser importante a utilização de medidas de segurança na sua rotina? Respostas Quantidade de Quantidade de Porcentagem sobre entrevistados afirmações o todo concordantes. A Muito Importantes 10 91% 1 9% 0 0% D Pouco Importantes 0 0% E Dispensáveis 0 0% B Importantes C Necessárias 11 47 Nas respostas a letra B da questão 2, segundo tabela 3, relacionada ao sentimento de valoração coletiva da aplicação das medidas de segurança, observouse que todos os militares concordam sobre a existência de algum tipo valoração coletiva a respeito das medidas de segurança, refutando a opção “E”, associada ao menor nível de importância. Os militares discordaram no valor ou nível de organização dessa valoração coletiva das medidas de segurança dentro da Organização X, distribuindo as respostas nas letras de “A” à “D”. Tabela 3 – Sumário das respostas do Questionário Questão 2 Letra B. Você acredita existir uma consciência sobre a aplicação das medidas de segurança? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade de Porcentagem entrevistados afirmações sobre o todo concordantes. A “Cultura de Segurança” B “Consciência 3 27% da 1 9% da 3 27% 4 36% 0 0 Importância” C “Conhecimento 11 Importância” D “Ideia de que se deve possuir Medidas de Segurança” E “Não existe Ideia da Importância” Nas respostas a letra C da questão 2, conforme Tabela 4, relacionada a capacidade de identificação das medidas de segurança necessárias as atividades de rotina dos militares da Organização X, houve resultado próximo ao que ocorreu nas respostas ao item “A”. As maiorias das respostas ficaram concentradas na opção “A”, e as restantes na opção “B”. 48 Tabela 4 – Sumário das respostas do Questionário Questão 2 Letra C. Você saberia identificar quais medidas de segurança são necessárias as atividades de sua Seção? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade de Porcentagem sobre entrevistados afirmações o todo concordantes. A Todas 7 64% B A Maioria 4 36% C Algumas 0 0% D Poucas 0 0% E Nenhuma 0 0% 11 A letra D da questão 2, relacionada a percepção da existência de medidas de segurança nas atividades de rotina dos militares da Organização X. As maiorias das respostas ficaram concentradas na opção “A”, e as restantes divididas entre as opções “B” e “D”. As opções “C” e “E” foram rejeitadas de acordo com a Tabela 5. Tabela 5 – Sumário das respostas do Questionário Questão 2 Letra D. Como se materializa a importância da medidas de segurança na sua rotina de trabalho? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade de Porcentagem sobre entrevistados afirmações o todo concordantes. A “Sistema integrado de 2 18% B “Medidas Coordenadas” 7 64% C “Medidas fora de um 0 0% 2 18% 0 0% Segurança” 11 grande contexto” D “Poucas Medidas integradas aos processos” E “Não consigo visualizar na minha rotina” 49 Nas respostas a letra E da Questão 2, “Quais medidas de segurança estão sendo completamente executadas em sua rotina?” foi verificado que dez entre os onze militares responderam a questão. Esses dez militares acusaram haver medidas de segurança na rotina de sua seção. Apenas uma fração dos entrevistados (dois entre onze) conseguiu correlacionar a teoria com uma prática executada em sua rotina. A maior parte das respostas foi parcial e incompleta. Um militar não conseguiu responder a pergunta. Dentre as oito respostas parciais, houve uma divisão entre dois grupos: aqueles que demonstraram ter algum conhecimento da teoria e aqueles que conseguiram apontar pelo menos uma medida prática sendo executada. Na síntese das respostas verificou-se que a maioria das medidas de segurança citadas nas respostas esta relacionada a atividades cuja falha pode resultar em graves problemas ou resultar em sanções disciplinares. Nas respostas a letra F da Questão 2, “Quais medidas de segurança estão sendo executadas parcialmente em sua rotina?” foi verificado que apenas sete entre os onze militares responderam a questão. Dessas respostas: Duas entre as sete respostas existentes negaram que existam medidas de segurança sendo parcialmente executadas nas suas rotinas. Cinco entre as sete respostas existentes confirmaram que existem medidas de segurança sendo parcialmente executadas nas suas rotinas. Das cinco respostas que confirmaram a execução parcial das medidas de segurança, três respostas foram especificas e coerentes, e duas foram “genéricas”. Dessas cinco respostas apenas uma das “genéricas” indicava algum conhecimento da teoria a respeito da segurança, dentro da Organização X. Na síntese das três respostas específicas e coerentes, pode-se dizer que são parcialmente executadas medidas de segurança relativas a atividades rotineiras, como o uso de senhas ou a identificação durante contatos telefônicos, que aparentemente não geram grandes consequências quando não aplicadas. 50 Nas respostas a letra G da Questão 2, “Quais medidas estão sendo pouco executadas ou não estão sendo executadas na rotina da sua seção?” foi verificado que apenas sete entre os onze militares responderam a questão. Dessas respostas: Três entre as sete respostas existentes negaram que existam medidas de segurança sendo pouco executadas ou não estão sendo executadas na rotina da sua seção. Quatro entre as sete respostas existentes confirmaram que existem medidas de segurança sendo pouco executadas ou não estão sendo executadas na rotina da sua seção. Das quatro respostas que confirmaram a execução parcial das medidas de segurança, duas respostas foram especificas e coerentes, e duas foram “genéricas”. Dessas quatro respostas apenas uma das “genéricas” indicava algum conhecimento da teoria a respeito da segurança, dentro da Organização X. Na síntese das respostas, pode-se dizer as medidas de segurança que não são executadas ou são pouco executadas na rotina da seção dos entrevistados, aquelas cuja execução atrapalha, dificulta ou atrasa a execução das rotinas nas seções ou aquelas cuja execução depende de material em falta ou não disponível para serem executadas. Nas respostas a letra H da Questão 2, “Você poderia sugerir medidas de segurança que poderiam ser executadas mas que não estão previstas?” foi verificado que apenas sete entre os onze militares responderam a questão. Dessas respostas: Apenas três entre 11 militares conseguiram identificar ou sugerir pelo menos uma medida de segurança. Duas das sete respostas a questão foram genéricas, não se podendo extrair delas uma ideia coerente ao que foi perguntado. Duas das sete respostas a questão foram negativas, de que não haviam sugestões de medidas de segurança. Na síntese das três medidas sugeridas verificou-se que as respostas eram a respeito de medidas de segurança sugeridas que já estavam previstas na documentação geral, mas duas não tinham aplicação prevista na rotina da Seção e não ocorria por falta de meios. 51 4.1.3 Questão 3 do questionário A A letra A da questão três estava relacionada a possíveis fatores que facilitam ou dificultam o aprendizado, entendimento e conscientização. As opções de resposta a esse item foram direcionadas aos fatores que dificultam, ficando a cargo do entrevistado citar outros fatores, entre eles aqueles que facilitassem o aprendizado, entendimento e conscientização. Dentre os possíveis fatores que foram apresentados na letra A da questão 3, a alternativa com os possíveis fatores: Rotina , Falta de fiscalização e pouca importância foi escolhida mais vezes, por sete dentre onze entrevistados, assim apontada como contendo principais fatores (Tabela 6). Também foram apontadas como alternativas que contém fatores que dificultam o aprendizado, entendimento e conscientização, como fatores secundários: a. Falta de tempo, Urgência, Atraso. b. Distrações, Soluções de continuidade, Interrupções na execução das tarefas. c. Entendimento incorreto da importância do trabalho e da aplicação das medidas de segurança, Desconhecimento, Ignorância. Foi apontada, por 02 entre 11 entrevistados, na opção de outros fatores que dificultam o aprendizado, entendimento e conscientização, a falta de uma capacitação prévia para militares recém-designados a seção. 52 Tabela 6 – Sumário das respostas do Questionário Questão 3 Letra A. Quais os psicológicos e organizacionais que favorecem ou dificultam o aprendizado, entendimento e conscientização? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade Porcentagem entrevistados de afirmações sobre o todo concordantes. A “Rotina, Falta de fiscalização e 7 18% 7 64% 0 0% 2 18% 2 18% pouca importância” B “Falta de tempo, Urgência, Atraso” C “Distrações, continuidade, Soluções de Interrupções na 11 execução das tarefas” D “Entendimento incorreto, Desconhecimento, Ignorância” E “Outros fatores” A letra B da questão três estava relacionada a possíveis fatores que facilitam ou dificultam execução ou aplicação das medidas de segurança. As opções de resposta a esse item, assim como no item A, foram direcionadas aos fatores que dificultam, ficando a cargo do entrevistado citar outros fatores, entre eles aqueles que facilitassem execução ou aplicação das medidas de segurança. Dentre os possíveis fatores que foram apresentados na letra B da questão 3, a alternativa com os possíveis fatores: Rotina , Falta de fiscalização e pouca importância foi escolhida mais vezes, por sete dentre onze entrevistados, assim apontada como contendo principais fatores. Também foram apontadas como alternativas que contém fatores que dificultam execução ou aplicação das medidas de segurança, como fatores secundários: a. Entendimento incorreto da importância do trabalho e da aplicação das medidas de segurança, Desconhecimento, Ignorância. b. Falta de tempo, Urgência, Atraso. c. Distrações, Soluções de continuidade, Interrupções na execução das tarefas. 53 Não foram apontados, na opção de outros fatores que favorecem ou dificultam execução ou aplicação das medidas de segurança conforme Tabela 7, a seguir. Tabela 7 – Sumário das respostas do Questionário Questão 3 Letra B. Quais os psicológicos e organizacionais que favorecem ou dificultam execução ou aplicação das medidas de segurança? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade Porcentagem entrevistados de afirmações sobre o todo concordantes. A “Rotina, Falta de fiscalização e 7 64% 4 36% 3 27% 5 45% 0 0% pouca importância” B “Falta de tempo, Urgência, Atraso” C “Distrações, continuidade, Soluções de Interrupções na 11 execução das tarefas” D “Entendimento incorreto, Desconhecimento, Ignorância” E “Outros fatores” A letra C da questão três estava relacionada a possíveis fatores que facilitam ou dificultam fiscalização e o controle da execução das medidas de segurança. As opções de resposta a esse item, assim como nas letras A e B, foram direcionadas aos fatores que dificultam, ficando a cargo do entrevistado citar outros fatores, entre eles aqueles que facilitassem fiscalização e o controle da execução das medidas de segurança. Dentre os possíveis fatores que foram apresentados na letra C da questão 3, a alternativa com os possíveis fatores: Rotina , Falta de fiscalização e pouca importância foi escolhida mais vezes, por sete dentre onze entrevistados, assim apontada como contendo principais fatores. 54 Também foram apontadas como alternativas que contém fatores que dificultam fiscalização e o controle da execução das medidas de segurança, como fatores secundários (ver também Tabela 8): a. Distrações, Soluções de continuidade, Interrupções na execução das tarefas b. Falta de tempo, Urgência, Atraso c. Entendimento incorreto da importância do trabalho e da aplicação das medidas de segurança, Desconhecimento, Ignorância. Não foram apontados, na opção de outros fatores que facilitam ou dificultam a fiscalização e o controle da execução das medidas de segurança conforme Tabela 8 a seguir. Tabela 8 – Sumário das respostas do Questionário Questão 3 Letra C. Quais os psicológicos e organizacionais que favorecem ou dificultam a fiscalização e o controle da execução das medidas de segurança? Respostas (resumidas) Quantidade de Quantidade de Porcentagem entrevistados afirmações sobre o todo concordantes. A “Rotina, Falta de fiscalização e 7 64% 3 27% 6 55% 3 27% 0 0% pouca importância” B “Falta de tempo, Urgência, Atraso” C “Distrações, continuidade, Soluções de Interrupções na 11 execução das tarefas” D “Entendimento incorreto, Desconhecimento, Ignorância” E “Outros fatores” 55 4.2 Entrevistas e Observações subsequentes A Organização X possui diversas estruturas, segmentadas por atividades afins, responsáveis pelo desenvolvimento dessas atividades. Nessas estruturas existe a discriminação das funções de execução e fiscalização, de forma hierarquizada. Umas partes pequenas das atividades dessas estruturas estão ligadas diretamente ao Gestor da Organização e a outra parte, maior, fica ligada a um Grupo de Assessores diretos desse Gestor, respectivamente o Comandante e seu Estado Maior. Existem duas funções importantes afins as atividades de segurança da Organização X desempenhadas: Por um assessor direto do Gestor, que acumula maior parte da fiscalização das atividades voltadas a Segurança, mas este assessor não possui ascendência sobre os demais. Por um Oficial designado como um responsável por gerir um programa, voltado à melhoria contínua da segurança, que não tem poder de dar ordens aos Chefes de Seção sem aprovação do gestor. Existe grande quantidade de normas e regulamentos supra organizacionais a respeito da Segurança da Informação e da sua fiscalização. Destaca-se entre esses documentos uma Política de Segurança Institucional, baseada em diversas Instruções Gerais e Reguladoras, além de um manual de Campanha, abordando temas relacionados a Segurança da Informação. Existem documentos internos a organização, como ordens e normas, que regulam o cumprimento das normas, ordens e regulamentos que regulam o funcionamento da Organização X como parte do Exército Brasileiro. Nem todos os documentos internos da Organização X estão atualizados dentro do período de um mesmo gestor. Nos documentos internos da Organização X há uma ordem, na qual são explicitadas como referências diversos dos documentos supra-organizacionais, determinando o cumprimento diversas rotinas a serem aplicadas na Organização X, de forma sistematizada, para viabilizar a adequação de sua Cultura aos padrões estabelecidos para a Segurança da Informação. 56 Dentre essas medidas está a existência de diversos planos, segmentados por áreas específicas, que fazem parte de um plano de Segurança da Organização X. 4.2.1 Pessoal da Organização X O Pessoal da Organização X é segmentado dentro das diversas estruturas diferentes existentes na Organização X. Esse pessoal que compõe a Organização X é oriundo de diversas outras Organizações Militares do Exército Brasileiro, com diferentes condições de formação, conhecimento e experiência pregressos. Pode ser observado que falta conhecimento sobre os novos conceitos sobre Segurança da Informação. Não foi observada a aplicação desses novos conceitos nas atividades de rotina da maioria dos militares entrevistados. Muitos militares da Organização X afirmaram não ter recebido instrução sobre esses novos conceitos em sua formação ou aperfeiçoamento. Foi observado que a maioria dos entrevistados consegue visualizar possíveis ações de ameaças externas, interessadas em causar danos: ao pessoal e a instalações, além da subtração de armamento ou munição. Poucos dos entrevistados tiveram a capacidade de visualizar ações de possíveis ameaças mais sutis, como ameaças internas ou externas voltadas a Segurança das Informações. Apenas uma parcela dos entrevistados demonstrou conhecimento e preocupação sobre ameaças do tipo de engenharia social. Ainda assim foi observado que o pessoal da Organização X foi bastante simpático a valoração desses novos conceitos, após uma breve introdução que se fez necessária para melhor condução das entrevistas. Muitos militares entrevistados demonstraram estar acomodados, isto é, confortáveis com a situação existente na Organização X. Eles entendem que a transformação do Exército é um processo cuja realização ocorrerá apenas no futuro. 4.2.2 Medidas de segurança existentes na Organização X Os militares destacados a funções específicas na área de Segurança da Informação dentro da Organização X são supervisionados, e há uma política de controle de acessos e segregação de funções entre os mesmos. 57 Os sistemas de proteção física da Organização X são estruturados principalmente para hipóteses de emprego contra ameaças externas ao pessoal do aquartelamento. A prática do Serviço de guarda as instalações, tanto internas como externas é feita seguindo um mesmo padrão conforme ensinado nas escolas de formação e praticado sem mudanças significativas por todo o período no qual os militares cumprem as escalas de serviço. Existe um padrão que deve ser obedecido, principalmente no que tange os postos de guarda, rodízio dos militares, horários, armamento e equipamento a serem utilizados, locais de espera e de descanso. Foi verificado que as regras são rígidas, e embora os chefes do serviço diário, um oficial e um sargento, que são revezados dentro de uma escala de serviço, tenham relativa liberdade para tomar diversas medidas, é difícil existir na rotina da Organização X uma prática diferenciada das atividades durante o serviço. Há o emprego câmeras para monitoramento de áreas específicas para auxiliar o pessoal empregado nos sistemas de proteção física. A maioria dos entrevistados possui algum conhecimento da existência de outros meios eletrônicos, como sensores de presença e alarmes de diversos tipos que podem ser usados em apoio a segurança física, mas grande parte deles não conseguiu explicar com detalhes como esses meios poderiam ser empregados em suas rotinas. 4.2.3 Influência de fatores psicológicos e organizacionais na execução das medidas de segurança previstas na Organização X Muitos dos militares entrevistados responderam que acreditam que já sabem o necessário sobre segurança. Esses mesmos militares demonstraram dificuldades na resposta a perguntas relativas aos novos conceitos sobre Segurança da Informação, por não possuir de conhecimento destes. Muitos desses militares possuem bastante tempo de serviço, encontrando-se em funções intermediárias de chefia dentro de suas Seções. Através das entrevistas e observações realizadas no ambiente da organização X, durante o ano de 2010, pode ser verificado a existência de importante aspecto da atual cultura da Organização X, do qual: o militar deve buscar superar suas limitações através do seu comprometimento, cumprindo suas missões mesmo sem receber os meios, conhecida como "missão a Garcia". 58 Decorrente do aspecto cultural da “missão a Garcia” foi relatado por alguns militares ser comum que próprio militar da Organização X é seja visto como responsável pela sua preparação para novas funções, independentemente de ter havido tempo para uma preparação anterior ou para passagem da função e encargos do antigo ocupante. Foi relatado ainda que durante a implantação do Programa de Excelência Gerencial, imposto pelo Comando do Exército de forma semelhante a atual implantação da mentalidade voltada a Segurança, no sentido de estimular a mudança de comportamento Organizacional, diversas das medidas impostas aumentaram a carga de trabalho e diminuíram os tempos disponíveis para execução das atividades essenciais, sem aparentemente impactar numa melhora de rendimento. Além dos aspectos acima foi observado que a Organização X possui um histórico de limitações financeiras condizente aos constantes contingenciamentos anuais de recursos do Governo Federal ao Exército Brasileiro, nos últimos 4 anos. Essas limitações financeiras foram relatadas por alguns militares como óbices a implantação de medidas voltadas a Segurança da Informação da Organização X. 4.2.4 Atividades voltadas à viabilização de mudanças na Cultura Organizacional da Organização X Verificou-se na documentação da Organização X e nas entrevistas realizadas uma constância no recebimento de ordens do Comando do Exército e do Comando Militar do Nordeste, baseadas em novas práticas ou mesmo em novas legislações ou decretos do Governo Federal, voltados a implantação de práticas e comportamentos alinhados a Segurança da Informação. Essas novas práticas e comportamentos a serem implantados forçam a adaptação das atividades rotineiramente desempenhadas a esses novos paradigmas de trabalho. Inicialmente é realizada a difusão dessas novas práticas pela "Cadeia de Comando" de forma a dar ciência a todos os responsáveis. A difusão, dentro da Organização X, é feita através de documentos e de ordens verbais. Observou-se que em casos de procedimentos isolados, que afetam poucos militares, normalmente na área administrativa, os militares “alvos” dos novos 59 procedimentos ficam encarregados de estudar a documentação de forma a adequar seus procedimentos. De outro modo, quando a mudança é significativa ou atende um grande número e pessoas, são realizadas atividades de instrução e treinamento para o público "que vai ser afetado por essas mudanças". Uma das grandes mudanças que estão sendo desenvolvidas na Organização X é a Implantação de uma política voltada ao desenvolvimento de uma cultura de segurança. Existe na documentação que regula essa mudança a execução de diversos objetivos: A preparação de alguns integrantes da Organização X para o desenvolvimento da cultura de segurança. A criação de um grupo de trabalho responsável pela implantação das mudanças, trabalhando ativamente no processo de “treinamento” do pessoal. A sensibilização do pessoal sobre a importância de serem mudados atitudes e comportamentos dentro da Organização X. Foram observadas na documentação relativa ao desenvolvimento da Mentalidade de Segurança da Informação, as seguintes diretrizes na busca desses objetivos acima: A preparação dos integrantes da Organização Militar independente do nível hierárquico, para a adoção de uma mentalidade. Essa preparação consiste no treinamento e na sensibilização dos quadros. O “treinamento” é voltado ao grupo de trabalho responsável pela implantação das mudanças e pela chefia, de modo a assegurar a governança. O treinamento pode consistir da participação em simpósios, da realização de cursos presenciais ou EAD e da leitura de livros ou artigos. A sensibilização deve buscar a mobilização do pessoal necessária para a execução das ações dos diversos integrantes da organização. Ela possibilita a aceitação das atividades propostas e da necessidade de serem realizadas mudanças. Essa sensibilização deve caracterizar-se pela motivação do pessoal nas formaturas, reuniões, instrução de quadros, e pela realização de palestras, destacando o processo participativo do público interno. Há necessidade de tato para apontar "os pontos fracos" sem responsabilizar ou desmotivar os militares. 60 Nas diversas atividades a serem executadas na Organização X pode ser verificado que a preparação dos integrantes, através do treinamento e da sensibilização, estava planejada, embora não tenha sido concluída. Dentro do treinamento foi previsto apenas uma instrução específica para o desenvolvimento da Mentalidade de Segurança da Informação, no ano de 2010. Essa instrução teve como alvo os Oficiais e Sargentos da Organização X, e previsão de duas horas de duração. A Sensibilização dentro da Organização X no ano de 2010 estava sendo desenvolvida através de inserções de 5 minutos de duração sobre assuntos voltados a adequação dos procedimentos a Mentalidade de Segurança da Informação, focando nos riscos existentes do descumprimento das medidas de segurança impostas. Essas inserções receberam o nome de “Minuto de CI” e eram realizadas antes das instruções que tinham como alvos: Oficiais e Sargentos da Organização X. Não foi verificada a execução de atividades voltadas à identificação e neutralização de ideias da atual cultura organizacional que sejam adversas à implantação da Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X. 61 5 Discussão A Organização X possui distribuição de pessoal e funções de acordo com o padrão existente no Exército Brasileiro. A Organização X busca seguir as diversas normas e regulamentos existentes para o correto funcionamento de suas atividades voltadas a Segurança da Informação e Comunicações. Seguindo o padrão de mudança Cultural imposto pelo Exército Brasileiro, a Organização X iniciou suas atividades através da adequação de suas ordens e normas internas ao previstos na documentação supra organizacional. A implantação da Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X decorre do entendimento que existe uma necessidade de um programa contínuo visando à conscientização e a capacitação do pessoal pelo Exército Brasileiro (2009) alinhado a Caruso & Steffen (1999), Rocha (2008) e Mitnick & Simon (2003), colocando o fator humano, com objetivo de desenvolvimento das atitudes e comportamentos necessários à composição de uma mentalidade voltada a segurança. Seguindo a ótica de Robbins (2005) a Organização X tem uma Cultura Organizacional forte, com valores intensamente acatados e amplamente compartilhados, com influência significativa sobre o comportamento e as atitudes de seus membros. Essa força cultural se tornou um obstáculo às mudanças, pois parte dos valores estão em desacordo com aqueles que podem melhorar a eficácia da Segurança da Informação na Organização X. A Organização X não está alcançando a ruptura de valores antigos relativos ao ambiente organizacional, pessoas e atividades. Existe o uso de novas tecnologias, mas poucos dos militares da Organização X possuem conhecimentos que os permitem interagir com novos valores. 62 5.1 Análise do questionário de apoio A As respostas da Questão 1 do questionário A foram unânimes ao demonstrar que os Militares entrevistados atribuem grandes responsabilidades e importância no trato da capacitação na execução correta de medidas de segurança. Nos itens da questão 02: “A”, “B”, “C” e “D”, houve uma atribuição de valor as respostas de 5 a 1. A alternativa A recebeu cinco pontos e de forma decrescente seguiu-se a atribuição de valores até a alternativa E, que recebeu um ponto. O cálculo dos valores obtidos segue abaixo na Tabela 9: Tabela 9 – Cálculo dos valores obtidos na Questão 2 Letras “A” a “D”. Você saberia identificar quais medidas de segurança são necessárias as atividades de sua Seção? Respostas Valor da resposta Letra A Letra B Letra C Letra D A 5 10 3 7 2 B 4 1 1 4 7 C 3 - 3 - - D 2 - 4 - 2 E 1 - - - - Valor médio - 4,9 3,3 4,6 3,8 (resumidas) A síntese dessas respostas, através da obtenção de um valor médio entre as opções assinaladas gerou as seguintes idéias. A. Os Militares provavelmente acreditam que a utilização de medidas de segurança na sua rotina é muito importante. B. Os Militares possivelmente acreditam que existe o conhecimento da importância de se ter medidas de segurança. C. Os Militares provavelmente acreditam conhecer todas as medidas de segurança que são necessárias às atividades das suas Seções. D. Os Militares possivelmente acreditam que a importância das medidas de segurança na sua rotina de trabalho se materializa em Medidas Coordenadas de segurança. 63 Foi verificado que os militares da amostra da pesquisa estão divididos na definição do sentimento coletivo a respeito da importância das medidas de segurança. Parte dos militares acredita na existência de: uma cultura de segurança, outra parte acredita na Consciência da Importância e outra parte acredita na que haja uma Ideia de que se devem possuir Medidas de Segurança. Nas respostas aos itens E, F G e H da questão 02, compostos por perguntas subjetivas, pode ser afirmado através da síntese das ideias apresentadas pela amostra da pesquisa: E. Os Militares acusaram haver medidas de segurança na rotina de sua seção, mas tiveram dificuldades em exemplificar essas medidas, citando exemplos de forma parcial e incompleta. As medidas de segurança mais lembradas são ligadas a atividades cuja falha pode resultar em graves problemas ou resultar em sanções disciplinares. F. A maioria dos militares acredita que existem medidas de segurança que estão provavelmente sendo executadas parcialmente em sua rotina. As medidas de segurança provavelmente executadas de forma parcial estão relacionadas a atividades rotineiras, que aparentemente não geram grandes consequências quando não aplicadas. G. A maioria dos Militares acredita que existem medidas de segurança sendo possivelmente pouco executadas ou não estão sendo executadas na rotina da sua seção. As medidas de segurança sendo pouco executadas ou não estão sendo executadas são: aquelas cuja execução atrapalha, dificulta ou atrasa a execução das rotinas nas seções ou aquelas cuja execução depende de material em falta ou não disponível para serem executadas. H. A minoria dos Militares acreditam que existem medidas de segurança que poderiam ser executadas, mas que não estão previstas. As medidas de segurança que foram exemplificadas como medidas que poderiam ser executadas, mas que não estão previstas nas rotinas desses militares eram previstas na documentação geral, mas duas não tinham aplicação prevista na rotina da Seção e outra não ocorria por falta de meios. Foi verificado que as respostas dos militares que demonstraram melhor conhecimento relativo às perguntas sobre segurança, também foram as respostas que mais apontaram a existência de procedimentos incorretos em relação a execução das medidas de segurança. 64 Nas respostas aos itens E, F G e H da questão 02, compostos por perguntas subjetivas, pode ser afirmado através da análise das ideias apresentadas: Houve dificuldade em parte dos militares em responder as questões. Muitas foram deixadas em branco ou respondidas de forma genérica. A qualidade das respostas sugere uma relação direta entre a capacidade de identificar possíveis falhas com o conhecimento das medidas previstas na documentação. As medidas de segurança ligadas a atividades cuja falha pode resultar em graves problemas com sanções disciplinares provavelmente são as que têm uma execução constante. As medidas de segurança ligadas a atividades com falta de importância ou com menor fiscalização, ou cuja interrupção não aparentemente não cause danos provavelmente são executadas parcialmente. As medidas de segurança cuja execução atrapalha, dificulta ou atrasa a execução das rotinas nas seções ou cuja execução depende de material em falta ou não disponível provavelmente não são executadas. Através da comparação entre as respostas da Questão 2 verificou-se a falta de coerência entre o conteúdo e qualidade das respostas subjetivas e as afirmações colhidas das respostas de múltipla escolha. Evidenciou-se um contrate entre os procedimentos sobre segurança previstos nos diversos documentos e ordens na Organização X e entre o que provavelmente é executado pelos militares em suas rotinas. A baixa qualidade das respostas e o grande número de respostas em branco indicam que esse contraste é devido a provável falta de conhecimento e capacitação sobre as medidas de segurança, que impactaria diretamente a execução e fiscalização destas. Nas respostas aos itens A, B e C da questão 03, houve uma maior importância dada à opção que continha “Rotina, Falta de fiscalização e pouca importância” como possíveis fatores que atrapalham todo o ciclo de desenvolvimento das medidas de segurança, desde a conscientização e a capacitação do pessoal, passando pela execução das medidas e a fiscalização da execução. 65 Essas três opções estão ligadas a possível falta de investimento ou empenho da chefia do Comando da Organização X na conscientização do seu pessoal. Foram verificados nas respostas aos itens A, B e C da questão 03 como fatores secundários: A. A opção “Falta de tempo, Urgência, Atraso” é colocada como principal entre os prováveis fatores secundários a atrapalhar a conscientização e capacitação dos militares nas medidas de segurança. B. A opção “Entendimento incorreto, Desconhecimento, Ignorância” é colocada como principal entre os prováveis fatores secundários a atrapalhar os militares na execução medidas de segurança. C. A opção “Distrações, Soluções de continuidade, Interrupções na execução das tarefas” é colocada como principal entre os prováveis fatores secundários a atrapalhar os militares na fiscalização das medidas de segurança. Através das respostas afirmativas dos militares pode ser confirmada a influência dos fatores, elencados como possíveis no questionário. Essa confirmação sinaliza um contraste na correta aplicação do que é previsto em documentação sobres medidas de segurança, isto é, uma divergência entre o que é previsto, mas que acaba não executado. Embora os conjuntos de prováveis fatores apontados nas respostas a Questão 3 do questionário A sejam inter-relacionados, eles podem ser entendidos como reflexos de características culturais da organização X, da seguinte forma: “Rotina, Falta de fiscalização e pouca importância” – possível falha na conscientização (desconhecimento dos riscos associados). “Falta de tempo, Urgência, Atraso” – possível falta de importância (pouca prioridade na execução e planejamento). “Entendimento incorreto, Desconhecimento, Ignorância” – possível falha na capacitação (conhecimento parcial e “treinamento” insuficiente). “Distrações, Soluções de continuidade, Interrupções na execução das tarefas” – possível falta de governança (Comando da Organização X possivelmente alienado ao desenvolvimento da Mentalidade de Segurança da Informação). 66 5.2 Análise das entrevistas e observações subsequentes 5.2.1 Pessoal da Organização X Existem indícios de uma provável falta de conhecimento sobre os novos conceitos sobre segurança. Isso é um ônus provavelmente decorrente da falta de investimento anterior na conscientização e capacitação do pessoal, oriundo de diversas outras Organizações Militares do Exército Brasileiro. Embora existam diversos comportamentos voltados à segurança dentro da atual cultura organizacional da Organização X, o conhecimento das medidas de segurança previstas da documentação existente provavelmente é parcial e segmentado dentro do grupo, de forma heterogenia. Possivelmente inexiste um sentimento de inconformidade consolidado que motive o pessoal da Organização X a buscar uma mudança nos seus paradigmas. Há um possível entendimento de que a transformação do Exército está distante de sua realidade, por ser é um processo cuja realização ocorrerá apenas no futuro. 5.2.2 Medidas de segurança existentes na Organização X A Organização X possui uma parte do pessoal, composta por militares destacados a funções específicas na área de Segurança da Informação dentro da Organização X, com melhor capacitação em Segurança da Informação e Comunicações. Há militares com outras funções, cuja rotina não tenha afinidade com a execução das medidas de segurança existentes, que podem ter acesso, de forma direta ou indireta, a informações sensíveis, cujas vulnerabilidades estejam relacionadas a consideráveis impactos. Provavelmente apenas uma parcela do pessoal da Organização X tem conhecimento e preocupação sobre ameaças do tipo de engenharia social. A prática rígida do Serviço de aquartelamento, seguindo um mesmo padrão facilitaria o controle e execução do Serviço, mas também favoreceria que “as rotinas” possam ser de conhecimento das possíveis ameaças a Organização X. 67 Embora exista algum conhecimento de meios eletrônicos usados em apoio à segurança física, há indícios de que possa ser parcial a visão de como esses meios poderiam ser empregados para auxiliar o pessoal empregado nos sistemas de proteção física da Organização X. 5.2.3 Influência de fatores psicológicos e organizacionais na execução das medidas de segurança previstas na Organização X Provavelmente existe uma ideia na Organização X de que os militares já sabem o necessário sobre segurança. Aliada a essa ideia está a possível percepção de que a ideia de Segurança dentro da Organização X é mais associada ao Serviço de guarda a Organização X, de forma semelhante ao que aprenderam quando ingressaram no Exército Brasileiro, em sua formação. Também existe uma ideia de se cumprir as diversas missões, sem muitas vezes possuir os meios ou um período de tempo adequados ao cumprimento destas, conhecida como "missão a Garcia". O histórico de limitações financeiras provavelmente impactou o pensamento do pessoal da Organização X. O pessoal planeja e executa as diversas atividades priorizando a possível limitação de recursos, inclusive na implantação de medidas voltadas a Segurança da Informação da Organização X. Além dessas ideias existe um reflexo da implantação do Programa de Excelência Gerencial (PEG), imposto pelo Comando do Exército de forma semelhante a atual implantação da mentalidade voltada a Segurança. As medidas impostas no PEG possivelmente aumentaram a carga de trabalho e diminuíram o tempo disponível a execução das atividades essenciais, sem aparentemente impactar numa melhora de rendimento. 5.2.4 Atividades voltadas à viabilização de mudanças na Cultura Organizacional da Organização X A implantação de práticas e comportamentos alinhados a Segurança da Informação, segue um padrão na Organização X, sendo impostas pelo Exército Brasileiro de forma decrescente em sua cadeia de comando. Essa implantação pode ser feita de forma centralizada e generalizada ou de forma isolada e descentralizada, de acordo com o “alvo” das novas medidas. 68 O esforço para implantação fica a cargo do Comando da Organização X. Embora tenha havido a seleção de um grupo de trabalho para a implantação das mudanças, não se verificou um apoio externo que fizesse às vezes de “consultoria” do processo de implantação das novas medidas. O processo de implantação da mentalidade possivelmente subestimou as necessidades para a mudança da Cultura Organizacional da Organização X. 5.3 Interpretação dos dados. 5.3.1 Aspectos da Cultura da Organização X A Organização X buscava estar adequada às medidas de segurança impostas pelo Exército Brasileiro. A documentação existente sobre a Segurança da Informação e Comunicações era bastante abrangente, provavelmente atendendo as necessidades da Organização X. Existia uma predisposição do pessoal da Organização X a valorizar as medidas de segurança, que deve se mostrar bastante favorável no desenvolvimento do treinamento e capacitação do pessoal. A maior parte do pessoal da Organização X acreditava já saber o necessário sobre segurança. Essa ideia psicologicamente confortável ao pessoal provavelmente decorre da incapacidade de que seja percebida a necessidade de adequarem suas rotinas aos novos conceitos de Segurança da Informação e Comunicações, pela possível falta de conhecimento destes. Isso pode gerar uma sensação de segurança perigosa, pois militares com outras funções, cuja rotina provavelmente não tenha afinidade com a execução das medidas de segurança existentes, poderiam ter acesso, de forma direta ou indireta, a informações sensíveis, cujas vulnerabilidades estejam relacionadas a consideráveis impactos. 5.3.2 Como os fatores psicológicos e organizacionais dificultam a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação A possível falta de conhecimento a respeito da Segurança da Informação e Comunicações impactaria diretamente a execução das medidas de segurança, pois 69 teria ação direta na “percepção” do pessoal voltada a Segurança da Informação e Comunicações. Como consequência da possível situação confortável haveria uma redução do esforço para quaisquer mudanças na Organização X a um mínimo, possivelmente insuficiente para que sejam mudadas atitudes adversas ao processo, já enraizadas nos comportamentos do pessoal. Isso possibilitaria que militares com a “percepção” possivelmente aquém da necessária a respeito da Segurança da Informação e Comunicações conduzissem o processo de implantação da Mentalidade de Segurança da Informação. O provável resultado disso é a possível aceitação, por parte do Comando da Organização X, de uma sensibilização e capacitação insuficientes para o atendimento das necessidades da Organização X. Como provável consequência haveria um contraste entre a correta aplicação do que é previsto em documentação sobres medidas de segurança e o que possivelmente acaba sendo feito, isto é, uma divergência entre o que é previsto, mas que acaba não executado. 5.3.3 Atividades voltadas à conscientização e treinamento do pessoal, que atuem sobre os fatores que dificultam a implantação da Mentalidade de Segurança da Informação Ao ser encarado o processo de implantação de uma mentalidade voltada a segurança pela ótica da adequação de uma Cultura Organizacional, seguindo o entendimento de Chiavenato (2004), confirmou-se que o simples conhecimento, sem a aplicação das novas ideias e práticas não foi suficiente para uma mudança efetiva da cultura organizacional na Organização X. Apesar de haver algum conhecimento sobre o que deve ser feito para implantação da Mentalidade de Segurança da Informação, há uma provável falta de conhecimento sobre a maneira de conduzir esse processo. Isso pode ser decorrente ao provável entendimento por parte do pessoal da Organização X em se conduzir “treinamento” do pessoal ao invés de capacitação. Num primeiro momento deveria ter sido obtido o engajamento das lideranças culturais da organização nas atividades de conscientização. Esse engajamento decorreria do desenvolvimento da governança voltada a Segurança da Informação. 70 O exemplo destas lideranças provavelmente serviria de estímulo a internalizarão de um novo paradigma conforme Schein (1999, p. 102), facilitando o processo de Sensibilização do pessoal da Organização X. De acordo com Schein (1999) e Chiavenato (2004), provavelmente faltou um processo de “desaprendizagem” das ideias e práticas antigas, nocivas à mudança, necessário antes da condução de quaisquer aprendizados por parte do pessoal na Organização X. Seria importante que as seguintes ideias, possivelmente existentes no pessoal da Organização X, tivessem sido identificadas e trabalhadas para o prosseguimento da implantação da Mentalidade de Segurança da Informação: “Achar que já conhece o suficiente sobre segurança”, “Desconhecer os riscos associados”, “Dar pouca prioridade aos novos conceitos de segurança”, “Não enxergar a necessidade dos novos conceitos segurança em sua própria rotina”, “Estar conformado com a atual situação”, “Missão a Garcia”, “Trauma do PEG”, “Priorizar a limitação de recursos”, “Entender a mudança como um processo alheio ao seu trabalho atual”. Nesse processo inicial, segundo Mitroff, Mason e Pearson apud Blattmann (1999), o indivíduo deveria estar inconformado com a situação existente para que houvessem mudanças significativas. De acordo com Covey apud Blattmann (1999), esta “inconformação” poderia ter sido estimulada através de um desconforto grande o suficiente que servisse de motivação. Caruso & Steffen (1999) e Mitnick & Simon (2003) colocam também que a pessoas se envolvem e se motivam quando entendem que sua participação não apenas trará benefícios para a organização, mas também para elas mesmas. 71 Associado a estes dois entendimentos poderia ainda ser aplicada a Teoria da motivação apresentada por Maslow & Herzberg apud Chiavenato (2004), na qual o ser humano age baseado na satisfação e suas necessidades, para explicar que as organizações podem ser um meio de proporcionar ou recompensas as pessoas que agem de acordo com os novos paradigmas ou de forma inversa incorformação aos que resistem à aplicação deles. Após esse processo de “preparação” da Organização X para a mudança, deveria haver o esforço na aprendizagem, voltado à capacitação e conscientização necessárias a mudança. Esse esforço é colocado como uma segunda fase por Chiavenato (2004), que seria a “mudança”. Blattmann (1999) e Chiavenato (2004) entendem que o aprendizado das novas ideias e práticas por parte do pessoal resultaria num novo de pensar e agir. Nesse caso o aprender significaria mudar o comportamento do pessoal da Organização X. Mitnick & Simon (2003) colocam que a capacitação do pessoal seria a premissa para que se desse início ao processo contínuo de conscientização. Esse processo seria fundamental para conseguir convencer, se não todos, pelo menos a grande maioria das pessoas da Organização X dos benefícios de uma Mentalidade de Segurança da Informação. Nesse processo de capacitação e conscientização seriam apresentados conceitos a respeito da segurança da informação. Para o entendimento desses conceitos, segundo os entendimentos de Mitnick & Simon (2003) e Promon apud Rocha (2008), seria necessária a possível identificação das diversas vulnerabilidades e a gestão dos prováveis riscos associados aos diversos ativos da informação por parte do pessoal, na Organização X. Por último deveria ocorrer a manutenção da conscientização e capacitação do pessoal, que Chiavenato (2004) coloca como última fase. Ela consistiria na internalização das novas ideias e práticas, isto é, do novo comportamento, através de mecanismos de reforço e suporte. Significa que tudo que fosse aprendido estaria sendo executado, de forma integrada a prática atual. A ideia de manutenção reforça o entendimento do Exército Brasileiro (2009), Caruso & Steffen (1999), Rocha (2008) e Mitnick & Simon (2003) de que a capacitação e conscientização devem ocorrer de forma contínua e indeterminada. 72 6 Conclusões e Trabalhos Futuros. A pesquisa teve por finalidade demonstrar como a condução de um processo de implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X, no ano de 2010, pode exigir mais do que a simples implantação de novas medidas de segurança. Verificou-se a existência de diversos indícios apontando a necessidade de um entendimento, por parte do Comando da Organização X, de como conduzir uma mudança comportamental. Isso se faz ainda mais importante se considerado o início de um processo ainda maior, de transformação da instituição da qual a Organização X faz parte, o Exército Brasileiro. Foram apresentados conceitos sobre: o processo de transformação do Exército Brasileiro, segurança da informação e cultura organizacional para um melhor entendimento do trabalho de pesquisa. Colocou-se como uma das limitações da pesquisa: o período estudado, visto que anualmente ocorrem mudanças no pessoal dentro da Organização X que podem impactar a maneira de conduzir o processo de implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação e o caráter sigiloso de diversos documentos relativos à condução de atividades voltadas à segurança da informação, dentro da Contrainteligência. O foco desses conceitos é o pessoal, elo fundamental entre ambos os conceitos apresentados, necessário ao funcionamento de todas as Organizações. O pessoal, no processo de implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação na Organização X, além de objeto das ações de mudança comportamental, tem em seu comportamento uma fonte de problemas de segurança da informação para a Organização X. Verificou-se válido o pressuposto de que as medidas de segurança da Organização X estavam defasadas, em relação a um padrão ideal. 73 6.1 Conclusões A pesquisa atingiu seu objetivo geral, conseguindo identificar aspectos existentes no pessoal da Organização X e na sua documentação que representam ideias consolidadas em sua cultura organizacional. Parte dessas ideias é adversa ao processo de mudança. Verificou-se que Organização X busca estar adequada às medidas de segurança impostas pelo Exército Brasileiro. A documentação existente sobre a Segurança da Informação e Comunicações é bastante abrangente, atendendo as necessidades da Organização X. Existia uma predisposição do pessoal da Organização X a valorizar as medidas de segurança, que deve se mostrar bastante favorável no desenvolvimento do treinamento e capacitação do pessoal. A maior parte do pessoal da Organização X acreditava já saber o necessário sobre segurança. Essa ideia decorria da incapacidade de que seja percebida a necessidade de adequarem suas rotinas aos novos conceitos de segurança da informação. A provável causa disso é o fato da maior parte do pessoal não possuir conhecimento suficiente destes novos conceitos. Verificou-se que é provável que essa percepção inadequada em relação a Segurança da Informação pelo Pessoal da Organização X provavelmente recaiu numa situação confortável, isto é: conhecida, aceita e executada de forma rotineira, na qual os comportamentos dos militares tendiam a se manter inalterados. Isso decorria da provável incapacidade de entender dos riscos associados, diretamente relacionada à falta de conhecimento, pelo pessoal da Organização X. A ignorância relativa à segurança da informação na Organização X provavelmente gerava uma sensação de segurança equivocada, o que seria perigoso, pois militares com outras funções, cuja rotina não possuísse afinidade com a execução das medidas de segurança existentes, poderiam ter acesso, de forma direta ou indireta, a informações sensíveis, cujas vulnerabilidades estejam relacionadas a consideráveis impactos. 74 A análise do comportamento de alguns dos Militares da Organização X possibilitou o alcance do primeiro objetivo específico, com o estabelecimento de relações a respeito de “como” potenciais fatores psicológicos e organizacionais dificultam a implantação de uma Mentalidade de Segurança da Informação, pela influência negativa na adequação das rotinas, procedimentos e atitudes. Verificou-se que a falta de conhecimento a respeito da segurança da informação por parte do pessoal da Organização X seria um fator inicial, que impactaria negativamente a execução das medidas de segurança. Esse desconhecimento teria ação direta na “percepção” do pessoal da Organização X sobre a Segurança da Informação e reforçaria a manutenção de ideias existentes adversas ao processo de implantação da Mentalidade de Segurança da Informação nesse pessoal. O assessoramento ao Comando da Organização X relativo à segurança da informação também ficaria impactado pela falta de conhecimento e de percepção, afetando a governança. A provável consequência da ignorância e do apego às ideias adversas a mudança, ficaria estabelecida por uma situação psicologicamente confortável ao pessoal da Organização X, na qual tudo continuaria sendo feito como “antigamente”. A provável situação de conforto reduz a um mínimo a motivação do pessoal para quaisquer mudanças, afetando os esforços para que as mudanças na Organização X fossem efetivadas. O esforço resultante tornar-se-ia insuficiente para que fossem mudadas as atitudes adversas ao processo enraizadas nos comportamentos do pessoal. Ainda verificou-se, como provável efeito negativo, a possibilidade de que militares próprios da Organização X, com uma “percepção” aquém da ideal a respeito da Segurança da Informação, iniciarem a condução do processo de implantação da Mentalidade de Segurança da Informação. Os indícios apontam como resultado final uma possível aceitação, pela falta de conhecimento, por parte do Comando da Organização X, de uma sensibilização e capacitação insuficientes para o atendimento das necessidades da Organização X. 75 O produto do processo de implantação da Mentalidade de Segurança da Informação teria sido um contraste entre a correta aplicação do que é previsto em documentação sobres medidas de segurança e o que provavelmente acabou sendo executado pelo pessoal da Organização X, isto é, uma divergência entre o que era previsto, mas que ocasionalmente não teria sido executado corretamente. Essa análise cultural, aliada aos conceitos de como conduzir uma mudança culturais obtidos através da pesquisa bibliográfica e do acompanhamento do processo de implantação da mentalidade voltada à segurança na Organização X, permitiram o alcance do segundo objetivo específico, com o esclarecimento de atividades que atuam na influência dos fatores que dificultam a implantação da Mentalidade de Segurança da Informação. Essas atividades podem ser usadas como ferramentas para mitigar as influências negativas desses fatores na capacitação e conscientização do pessoal da Organização X. Verificou-se através da análise do processo de implantação de uma mentalidade voltada à segurança na Organização X que provavelmente era necessário algo além da simples implantação de novas medidas de segurança. Foram identificados indícios de que o conhecimento dos novos conceitos associados às medidas de segurança era parcial, pois a maioria do pessoal da Organização X provavelmente não possuía um entendimento dos riscos existentes associados às vulnerabilidades que essas medidas deviam mitigar. Essa falta de conhecimento possivelmente sofre influencia do entendimento por parte do pessoal da Organização X em se conduzir um “treinamento” do pessoal ao invés uma capacitação do seu pessoal. Apesar de ter sido verificado a existência de conhecimento sobre o que deve ser feito para implantação das medidas de segurança como parte de implantação da Mentalidade de Segurança da Informação, não foram encontrados indícios da existência de conhecimento sobre a maneira de conduzir um processo de mudança da cultura organizacional necessário à obtenção dessa mentalidade. 76 Para que fosse iniciada uma mudança cultural, era fundamental que houvesse um processo de preparação da Organização X, antes da aplicação de novas ideias e práticas. Foram identificadas algumas ideias provavelmente adversas à mudança do pessoal: • “Achar que já conhece o suficiente sobre segurança” • “Desconhecer os riscos associados” • “Dar pouca prioridade aos novos conceitos de segurança” • “Não perceber as necessidades de segurança “ • “Estar conformado com a atual situação” • “Missão a Garcia” • “Medo que as medidas gerem apenas novos encargos” • “Priorizar a limitação de recursos” • “Entender-se alheio ao processo de mudança” Essa preparação consistiria na neutralização de ideias e práticas antigas, provavelmente consolidadas no comportamento do pessoal, que fossem nocivas ao processo de mudança e da obtenção do apoio do pessoal da Organização X, através do engajamento das lideranças culturais. A preparação deveria desenvolver atividades voltadas à sensibilização do pessoal, que precisariam ser continuadas de forma indeterminada. Após isso deveria ser iniciado um esforço na aprendizagem das novas ideias e práticas, num processo de capacitação e conscientização do pessoal da Organização X. O aprendizado possibilitaria a incorporação destas novas ideias e praticas ao comportamento individual dos Militares da Organização X. A mudança dos comportamentos individuais provavelmente provocaria a “mudança” do comportamento coletivo do pessoal da Organização X, consequentemente da sua cultura organizacional. Serviriam como possíveis fatores facilitadores a motivação para mudança do pessoal: O exemplo de lideranças culturais. Apoio do Comando. A insatisfação do pessoal decorrente do conhecimento dos riscos existentes. Ideia de que as mudanças trarão benefícios pessoais. 77 Como última fase, deveria ocorrer a consolidação dos comportamentos obtidos, através da continuidade das atividades voltadas à conscientização e capacitação do pessoal. Através desse provável processo contínuo de aprendizagem, poderiam ser desenvolvidas futuras adequações dos comportamentos existentes na Organização X a novas necessidades, mantendo a Mentalidade de Segurança da Informação, conforme objetivo do Exército Brasileiro. 6.2 Trabalhos Futuros e Sugestões O presente trabalho de pesquisa, por se tratar de um estudo de caso exploratório, possui limitações devido à complexidade dos temas tratados. O alcance do estudo de caso apenas possibilita inferir a partir dos: dados coletados na amostra do pessoal, ambiente organizacional e documentação, projeções baseadas nos indícios obtidos. Não foi objetivo do mesmo o levantamento de todos os aspectos da cultura organizacional de Organização X. A ratificação das conclusões existentes também fugia as possibilidades da pesquisa, demandando novos estudos. Considera-se esse estudo um ponto de partida para que sejam desenvolvidos outros trabalhos que possam utiliza-lo como referencia no aprofundamento do estudo da implantação de uma mentalidade voltada a Segurança da Informação ou de outras mudanças culturais em Organizações Militares, aproveitando-se a conjuntura de transformação institucional do Exército Brasileiro, ou mesmo em órgãos da Administração Pública Federal. Considera-se ainda que os entendimentos a respeito de mudanças culturais existentes nesse trabalho podem auxiliar a condução de atividades que demandem de mudanças culturais como auxílio a sua execução pelo Exército Brasileiro. Verificou-se durante a pesquisa a possibilidade de adequação de conceitos existentes no Glossário das Forças Armadas, devido à ausência de conceitos importantes no entendimento e condução de mudanças culturais nas Organizações Militares. É sugerida a inclusão de definições a respeito da Cultura Organizacional como: capacitação, conscientização, Cultura Organizacional e sensibilização. 78 Acredita-se que é interessante um posterior aprofundamento do estudo, buscando relacionar as conclusões obtidas com a variável decorrente da execução de instruções e outras medidas de aprendizado previstas na Instrução Militar do Exército Brasileiro, como prováveis ferramentas na modificação de atitudes e comportamentos dos militares. Dessa forma seria possível estabelecer relações entre aspectos existentes nos padrões culturais estudados com as instruções e outras atividades realizadas, de forma a identificar uma possível adequação das atividades previstas no Programa de Instrução Militar com as prováveis necessidades existentes. 79 Referências e Fontes Consultadas ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Apresentação de relatórios técnico-científicos: NBR 10719. ABNT: Rio de Janeiro, 1989. 9 p. BLATTMANN, Úrsula. 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Consiste em adaptar as estruturas existentes para continuar cumprindo com as tarefas previstas, reorganizando os meios existentes e reajustando as capacidades. (Referência:. Os Três Pilares de uma Transformação Militar Edição Brasileira da revista Military Review, p. 16-24, nov-dez 2007) Ameaça: Atores, internos ou externos, com capacidade ou motivação para explorar as vulnerabilidades de uma Organização, objetivando causar danos. Ameaça assimétrica: Ameaça decorrente da possibilidade de serem empregados meios ou métodos não ortodoxos, que incluem terrorismo, ataques cibernéticos, armas convencionais avançadas e armas de destruição em massa para anular ou neutralizar os pontos fortes de um adversário, exploran do suas fraquezas, a fim de obter um resultado desproporcional. (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). 83 Ativos de Informação. Os meios de armazenamento, transmissão e processamento, os sistemas de informação, bem como os locais onde se encontram esses meios e as pessoas que a eles têm acesso. (Referência: Norma Complementar nº 04 do Gabinete de Segurança Institucional). Atores. Pessoas, grupos, organizações que atuem como agentes causadores de danos. Autenticidade. Propriedade de que a informação foi produzida, expedida, modificada ou destruída por uma determinada pessoa física, ou por um determinado sistema, órgão ou entidade. (Referência: Instrução Normativa nº 1 do Gabinete de Segurança Institucional). C Capacitação. Processo de ensinar novas ideias e práticas específicas a serem executadas por parte do pessoal. Decorre do conhecimento das novas ideias e praticas, mas não de sua aceitação. Cultura Organizacional. Conjunto de pressupostos básicos, de valores, inventados ou descobertos, compartilhados por um grupo, para resolver problemas tanto de adaptação externa e/ou integração interna. Tem origem em comportamentos consolidados por terem sido bem sucedidos na solução de problemas. Expressa os valores essenciais compartilhados e aceitos pela maioria dos membros da organização. (Referências: Livros: “Comportamento Organizacional” de Stephen P. Robbins - Editora Pearson Prentice Hall, 11ª Ed; “Cultura Organizacional: Uma proposta metodológica com Estudo de Caso” de Maria J. U Rosso- Editora Lorena: Stiliano, 1ª Ed e “Guia de Sobrevivência da Cultura Corporativa” de Edgar H. Schein- Editora José Olímpio, 1ª Ed). Confidencialidade. Propriedade de que a informação não esteja disponível ou revelada a pessoa física, sistema, órgão ou entidade não autorizado e credenciado. 84 Conscientização. Processo de esclarecimento sobre determinado assunto ou ideia, necessário para o aprendizado e mudança de comportamentos. Decorre da aceitação do assunto ou ideias por parte do pessoal, refletindo no seu comportamento. Contrainteligência. A atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar ações de qualquer natureza que constituam ameaça à salvaguarda de dados, informações e conhecimentos de interesse da segurança de instituições, da sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os retenham ou em que transitem. (Referência: Decreto-Lei nº 4376, de 13 de Setembro de 2002 - Dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência l). D Disponibilidade. Propriedade de que a informação esteja acessível e utilizável sob demanda por uma pessoa física ou determinado sistema, órgão ou entidade. (Referência: Instrução Normativa nº 1 do Gabinete de Segurança Institucional). Doutrina: Conjunto de princípios, conceitos, normas e procedimentos, fundamentadas principalmente na experiência, destinado a estabelecer linhas de pensamentos e a orientar ações, expostos de forma integrada e harmônica. (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). Doutrina de Segurança. Conjunto de conceitos básicos, princípios gerais, processos e normas de comportamento que permitem orientar os estudos, a formulação e o desdobramento de uma política de segurança (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). Doutrina de Militar. Conjunto harmônico de ideias e de entendimentos que define, ordena, distingue e qualifica as atividades de organização, preparo e emprego das Forças Armadas. Englobam, ainda, a administração, a organização e o funcionamento das instituições militares (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). 85 E Estudo de caso. Método de investigação empírica que e investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. (Referência: Livro “Estudo de Caso - Planejamento e Métodos” de Robert K. Yin - Editora BOOKMAN, 4ª Ed.) F Ferramenta. Conjunto composto por ações, medidas e práticas que sirvam de instrumento facilitador a consecução de um objetivo específico. G Governança. Capacidade de assegurar apoio necessário dentro do processo decisório, na articulação ou desenvolvimento de determinado tema por parte da Organização, através da agregação de valor e envolvimento dos gestores. I Iceberg. Objeto formado por grande massa de gelo, flutuante no mar ou oceano. Possui característica de aparentar ser menor do que realmente é, pois a maior parte sua massa fica encoberta abaixo da água. Informação: Termo que engloba dados e conhecimentos, armazenados em qualquer meio ou, ainda, de posse exclusiva do cérebro humano, hierarquizados de acordo com o valor agregado. Integridade. Propriedade de que a informação não alterada de maneira não autorizada ou acidental. 86 M Medidas de Segurança. Ações que objetivam viabilizar e assegurar as propriedades da Informação, ao mitigar os riscos associados as vulnerabilidades existentes. (Referência: Instrução Normativa nº 1 do Gabinete de Segurança Institucional). Mentalidade. Conjunto de modelos mentais, valores implícitos e de premissas básicas que influenciam a maneira de uma pessoa perceber o mundo e tirar suas conclusões, formando uma maneira de pensar. Influencia as atitudes e reações das pessoas, compondo seu comportamento. Mentalidade de Segurança da Informação. Maneira de pensar alinhada aos conceitos da Segurança da Informação. Modelos mentais. Pressupostos profundamente arraigados, generalizações ou mesmo imagens que influenciam a forma ver o mundo e agir. (Referência: Livro “A quinta disciplina – Arte e prática da organização que aprende” de Peter M. Senge - Editora BESTSELLER, 25ª Ed.) Missão a Garcia. Estória na qual Garcia cumpre uma missão difícil, usando sua iniciativa, sem receber apoio ou orientação. É valorizada dentro da cultura militar como exemplo de superação e comprometimento. Modernização. Otimização das capacidades para cumprir a missão de uma melhor forma. Implica numa mudança menos radical, pois envolve melhorias nas capacidades. (Referência: Os Três Pilares de uma Transformação Militar Edição Brasileira da revista Military Review, p. 16-24, nov-dez 2007). 87 S Segurança da Informação. Conjunto de conceitos, técnicas e atividades que visem a proporcionar confidencialidade, integridade e disponibilidade às informações, protegendo recursos de informação contra ações deliberadas ou nãoautorizadas de aquisição, dano, manipulação, modificação, perda, revelação ou uso desses recursos. (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). Segurança da Informação e Comunicações. Ações que objetivam viabilizar e assegurar a disponibilidade, a integridade, a confidencialidade e a autenticidade das informações (Referência: Instrução Normativa nº 1 de 2008 do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República). Sensibilização. Processo de valorização de determinado assunto que torne favorável a aceitação do mesmo. Sensação de segurança. Percepção subjetiva, que pode ser pessoal ou coletiva, na qual se tira uma conclusão sobre a aceitação de riscos. É resultante do conhecimento acerca dos riscos existentes ou hipotéticos. Influi na tomada de decisão e no comportamento. P Programa de Excelência Gerencial (PEG). Programa composto de atividades voltadas à sensibilização e capacitação de Militares, objetivando a obtenção de uma mentalidade de gestão alinhada ao Planejamento Estratégico Organizacional do Exército Brasileiro. (Referência: Sítio eletrônico PEG do Exército Brasileiro - http://www.portalpeg.eb.mil.br/). 88 T Transformação. Desenvolvimento das novas capacidades para cumprir novas missões ou desempenhar novas funções em combate. Implica numa mudança muito mais radical, pois envolve mudanças nas missões, além de possuir uma alcance não somente técnico, mas também político. (Referência:. Os Três Pilares de uma Transformação Militar - Edição Brasileira da revista Military Review, p. 16-24, nov-dez 2007). Treinamento: 1. Processo de ensinar habilidades específicas a serem executadas sob condições pré-definidas. 2. Conjunto padronizado de procedimentos, orientado para o desenvolvimento de habilidades e práticas que o instruendo deve conhecer e dominar, visando à execução aprimorada de uma ou mais tarefas. (Referência: Glossário das Forças Armadas do Ministério da Defesa). U Usuário da Informação. Todo aquele que produz, acessa, classifica, manuseia, transporta, transmite ou guarda informações organizacionais que possam ser alvo de ameaças. V Vulnerabilidade. É uma deficiência presente ou fragilidade, que pode ser associada a pessoas, áreas e instalações e/ou material, bem como os suportes que manipulam, armazenam e/ou processam informações.