ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS Pronunciamento do Doutor Ulices de Andrade Filho, por ocasião da sua posse no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe. Palácio “Governador Albano Franco”, em Aracaju, 04 de novembro de 2010. Saudação aos presentes (ver listagem ou fichas com o Cerimonial do Tribunal de Contas). “O passado é história, o futuro é mistério, e hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de presente!” Partindo desse grande pensamento, oriundo da sabedoria milenar chinesa, quero compartilhar com todos e com cada um a minha felicidade; essa nova fase que ora se inicia em minha vida; essa nova forma de poder continuar a contribuir com Sergipe depois de ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS 20 recompensadores e extraordinários anos de atuação parlamentar e administrativa. Advirto que não é minha intenção cansá-los com um relato sobre minha vida pública, minhas experiências políticas e minha atuação como gestor. Entendo mais importante ressaltar a satisfação em estar aqui, reafirmar compromissos e dizer o que se pode esperar do Conselheiro Ulices Andrade, e, também, agradecer. Quero, então, evidenciar que é uma grande honra pessoal para um sertanejo nascido na ribeirinha Canhoba, tocada pela força do “Velho Chico”, a possibilidade de, a partir de agora, ocupar um lugar nesta Corte. Uma Corte que presta relevantes serviços ao Estado de Sergipe, fiscalizando e orientando aqueles que são responsáveis pela aplicação de recursos públicos, e, eventualmente, punindo aqueles gestores que, de algum modo, não tenham observado 2 3 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS devidamente a legislação, não tenham se portado de forma regular. A instituição Tribunal absolutamente necessária e de Contas, indispensável na organização do Estado brasileiro, tem o papel fundamental de, na sua atuação, assegurar a efetividade de princípios constitucionais que devem nortear a Administração Pública, notadamente os da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, insertos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal, transparência e da sem esquecer razoabilidade, os da logicamente decorrentes daqueles, e expressamente constantes do “caput” do art. 25 da Constituição do Estado de Sergipe. Além disso, essa minha honra segue reforçada por saber que, aqui, compartilharei o dia-adia com homens e mulheres de elevado espírito público e notável experiência, a exemplo dos 4 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS Senhores Conselheiros Reinaldo Moura, Heráclito Rollemberg, Carlos Pinna, Carlos Alberto, Isabel Nabuco, e Clóvis Barbosa. E mais, seria injusto, senão desastroso, deixar de render loas à atuação irrepreensível dos Senhores Auditores, dos Senhores Procuradores e Subprocuradores do Ministério Público Especial junto a esta Corte, e, também, de tantos outros servidores comprometidos com o trabalho e com a elevada missão do Tribunal. Quero, outrossim, dizer que a minha posse nesta Casa não se resume a esse sentimento de honra pessoal, ou a um eventual reconhecimento pela atuação parlamentar e administrativa que tive. Não, não se trata disso. A minha posse como Conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe representa algo de importância muito particular na minha vida. Venho de uma vida política e administrativa que remonta aos idos de 1990. E, muito embora tenha a consciência de ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS que desempenhei cinco mandatos de Deputado Estadual, além dos cargos de Secretário de Estado e de Presidente da Assembléia Legislativa, com a probidade e o decoro exigidos, sei, por outro lado, que a postura que a sociedade espera de um Conselheiro é outra coisa, bem diferente. Na política, assim entendo, temos que ter lado; e durante minha atuação político-partidária, sempre o tive. Mas, a um Conselheiro do Tribunal de Contas, tal qual um Magistrado, não é dado poder ter lado, nesse sentido, a não ser aquele lado que assegure o cumprimento da Constituição e das Leis, em defesa da ética na Administração Pública. A mesma sociedade que, generosamente, me concedeu cinco mandatos sucessivos de Deputado Estadual, esperando de mim, na ocasião, que fosse um bom político, hoje espera e confia na minha condição de possibilidade e capacidade de ser um bom e atento servidor público neste Tribunal. E é este o meu maior 5 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS compromisso com Vossas Excelências e com os sergipanos: procurarei fazer sempre mais e melhor nesta Corte; sempre o que for mais correto, com muita sensatez e responsabilidade. A respeito, quero dizer a meus filhos, aqui presentes, que eles terão sempre mais um motivo para se orgulhar do seu pai. E, talvez, eu mesmo possa perceber, no futuro, que esta Casa também se orgulha do trabalho deste seu novel Conselheiro, e, quiçá, que os sergipanos, de igual forma se orgulhem, o que será uma imensa satisfação para este homem público. Esta Corte e Sergipe tenham a certeza de que podem esperar, deste novo Conselheiro, atitudes firmes em defesa do patrimônio público, fiscalizando e orientando por uma utilização eficiente e correta dos recursos que pertencem a todos. Percebo o exercício deste cargo como um desafio: não somente pela mudança de postura, mas, também, por acreditar fortemente que poderei, com a 6 7 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS minha experiência, ajudar o Tribunal de Contas na execução da sua tão essencial missão. Em outro aspecto, com a mesma intensidade da minha força de vontade em trabalhar pelos sergipanos nesta Casa, aflora a humildade de reconhecer que muito tenho a aprender. Estamos numa Casa repleta de bons professores, atuais e passados, que honram e honraram o cargo de Conselheiro e a confiança neles depositada pela sociedade através de seus representantes no Legislativo, que, afinal, são os responsáveis pela sua aprovação. A partir de hoje, e durante toda a minha permanência aqui, certamente sempre estarei aprendendo, e aprendendo muito. Porém, tenho igual certeza de que, dentro em breve, estarei, também eu, a ensinar algo de bom, de produtivo, para nortear aqueles que aqui chegarão. 8 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS Agora, cabe agradecer. Sou muito grato aos colegas Deputados Estaduais que me indicaram e aprovaram a minha escolha, por unanimidade, para este tão relevante cargo, e faço questão de citá-los: Deputada Angélica Guimarães, agora nova Chefe do Poder Legislativo do Estado, e primeira mulher na história a ocupar tal posição; Deputado André Moura, 1º Secretário; Deputado Adelson Barreto, 2º Secretário; Deputada Conceição Vieira, 3ª Secretária e Presidenta da Comissão Especial que analisou a minha indicação para o Tribunal de Contas; Deputado João da Graças, 4º Secretário; Deputado Garibalde Mendonça, Relator da referida Comissão Especial; Deputada Ana Lúcia; Deputado Antônio Passos; Deputado Arnaldo Bispo; Deputado Augusto Bezerra; Deputada Celinha Franco; Deputado Francisco Gualberto; Deputado Luiz Mitidieri; Deputado Pastor Mardoqueu; Deputado Paulinho da Varzinhas; Deputado Professor Wanderlê; Deputado Rogério Carvalho; Deputado Venâncio Fonseca; Deputado Zeca da Silva; Deputado Antônio dos Santos; e 9 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS Deputada Goretti Reis. Suas Excelências confiaram em mim, no meu trabalho, e por isso estou aqui hoje. Do mesmo modo, quero expressar a minha gratidão ao Excelentíssimo Senhor Governador do Estado, Marcelo Déda Chagas, pelo apoio constante, pela amizade, e pela delicadeza das palavras a meu respeito quando da assinatura do decreto que me nomeou Membro desta Corte de Contas. Também devo agradecer aos muitos amigos que fiz na Assembléia Legislativa e por onde passei. Devo especial atenção àqueles que no último quadriênio, de forma mais próxima, dividiram comigo o cotidiano administrativo no Legislativo e subsidiaram as decisões que tomei. Quero também agradecer à minha família, em especial aos meus quatro filhos: Vinicius, Ana Paula, Ana Rosa, e Jeferson, tendo este último seguido meus passos na política, e, hoje, Deus me dá a ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS alegria de vê-lo Deputado Estadual eleito com expressiva votação. Também quero agradecer aos demais Membros desta Corte, da Auditoria, do Ministério Público Especial, e aos servidores do Tribunal pela calorosa acolhida. Sou, em essência, um homem obstinado. Quem me conhece de perto sabe que costumo ver oportunidade na adversidade; talvez esse viés tenha sido recrudescido pela minha formação acadêmica em Administração. Mas o fato, o que quero enfatizar, é que eu quis estar aqui, no dia de hoje, na presença de Vossas Excelências, para ser empossado no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. Mas não foi simplesmente o “meu querer”, a minha obstinação. Antes de tudo foi a vontade das circunstâncias, dos Representantes do Povo que me 10 11 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS apoiaram e escolheram, e do Governador que fez a nomeação. Ninguém está aqui por acaso; talvez o acaso nem exista. Quem chegou até aqui foi por ter demonstrado ser capaz; por ter inspirado confiança; por ter tido a condição de demonstrar ética, seriedade e probidade; por ter expresso em seu caráter, de forma indelével, que, uma vez neste Tribunal, desempenharia seu papel com independência. Recorro, uma vez mais, à sabedoria chinesa, segundo a qual: “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” Esta é a minha oportunidade – não tenho o direito de perdê-la. No exercício desse elevado cargo, tenho a intenção de não me permitir errar, pelo menos ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS conscientemente. Também, tenho a intenção de, se errar, render-me aos melhores argumentos e corrigir o equívoco. Acredito muito no Brasil, em Sergipe, e no seu Povo, nosso Povo. A força do trabalho desse Povo faz o País e o nosso Estado crescerem e se desenvolverem. E aos Gestores Públicos, numa visão, digamos, simplista, cabe a tarefa de, com muita sensibilidade, fomentar, nortear e assegurar esse crescimento e esse desenvolvimento. Mas, além de obstinado, como antes realcei, sou também um sonhador. Sonho com um País mais justo, mais solidário, mais unido; onde todos tenham acesso à moradia, alimentação, saúde, educação, segurança. E esse País, para nossa felicidade, já começou a nascer; e Sergipe também já dá os passos iniciais. 12 13 ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS A importância de se mencionar esse fato agora é justamente em razão de que, em considerável parcela, este Tribunal tem a responsabilidade de zelar pela utilização racional e eficiente dos recursos públicos, de modo a que sejam atendidas as demandas sociais, e, portanto, a fim de ajudar esse meu sonho – que certamente também é o de todos aqui – a se tornar uma realidade. Sonhar é bom e faz bem a todos nós. O sonho é intrínseco à própria condição humana. Todos nós sonhamos e devemos procurar caminhos para a concretização daquilo de bom que ainda está no campo do abstrato. Assim, convoco todos; vamos sonhar bons sonhos; vamos transformar bons sonhos em boas realizações, no que é eficiente, produtivo e fomentador do desenvolvimento. Vamos sonhar bons sonhos, e construir um futuro cada vez melhor. ESTADO DE SERGIPE TRIBUNAL DE CONTAS Então, desta forma, este Conselheiro, dentro da sua capacidade e da sua competência, irá procurar e percorrer esses caminhos que proporcionem meios e concorram para que seja cada vez mais concretizada a utilização essencialmente justa, proba, racional e eficiente dos recursos públicos; e, ainda, não cessará de sonhar, pois, como dizia o poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare: “Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos”. Muito obrigado! Conselheiro Ulices de Andrade Filho Tribunal de Contas do Estado de Sergipe 14