Informe Dívida Retomada das Emissões Externas da República e Sucesso nos Leilões de Títulos da Dívida Interna A agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevou a perspectiva dos ratings de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira e em moeda local do Brasil de negativa para estável. O rating de crédito soberano de longo prazo em moeda local foi mantido inalterado em BB e o de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira foi mantido em B+. Os ratings de crédito soberano de curto prazo em moeda local e em moeda estrangeira também foram mantidos inalterados em B. Abril de 2003 NOVOS SINAIS DA SOLIDEZ DA POLÍTICA FISCAL DO GOVERNO ATUAL Nestes primeiros quatro meses, o Governo Federal tem se mostrado firme no compromisso com um ajuste definitivo das contas públicas, por meio de uma política fiscal sólida. A sustentabilidade deste ajuste está vinculada a medidas que assegurem o equilíbrio de longo prazo do orçamento público e permitam a retomada do investimento do governo em infraestrutura e expansão dos gastos sociais. Buscando equacionar problemas estruturais das contas públicas, o governo deu início à discussão de projetos de reformas, como a tributária e a previdenciária, que darão condições para que o setor público focalize questões de extrema relevância, tais com as políticas sociais. A atuação da política do novo governo não tem se restringido, porém, às medidas de longo prazo. A elevação da meta de superávit primário para 4,25% do PIB revela o esforço empregado na busca do equilíbrio fiscal. A manutenção desta meta de superávit para os próximos três anos, como consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para o exercício de 2004, sinaliza a firmeza dos propósitos do Governo Federal na área das finanças públicas e o seu compromisso com a redução do endividamento como proporção do PIB. Relacionamento Institucional Dívida Pública Equipe técnica: Gerente: Aline Dieguez B.M. Silva Adjunta: Danielle Ayres Delduque Andrey Goldner Baptista Silva Carlos dos Santos Pinto Lena Oliveira de Carvalho Jeferson Luis Bittencourt e-mail: [email protected] fax: ++ 55 61 412-1565 O reconhecimento pelo mercado, interno e externo, da solidez destas intenções do Governo fez com que estas políticas já tivessem resultados. Dentre estes, destaca-se no mercado interno, a expressiva emissão líquida de títulos públicos federais nos primeiros meses deste ano, acompanhada de contínua e significativa diminuição dos prêmios pagos nos leilões primários de títulos públicos federais, bem como alongamento dos prazos das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e das Letras do Tesouro Nacional (LTN). No âmbito externo, o C-bond, título brasileiro mais líquido no mercado internacional, foi negociado no final do mês abril (dia Informe Dívida – Retomada das Emissões Externas da República e Sucesso nos Leilões de Títulos da Dívida Interna Abril de 2003 30), por 87,82% do seu valor de face, o percentual mais alto já observado historicamente. Adicionalmente, observou-se forte redução do prêmio de risco (Embi Brasil) sobre a dívida soberana, que passou de mais de 2.400 pontos base no final de setembro de 2002, para aproximadamente 820 pontos no final de abril de 2003, como mostra o gráfico a seguir. EMBI Brasil Setembro/2002 a Abril/2003 2500 2300 2100 1900 1700 1500 1300 1100 900 25-abr 11-abr 28-mar 14-mar 28-fev 14-fev 31-jan 17-jan 3-jan 20-dez 6-dez 22-nov 8-nov 25-out 11-out 27-set 700 RETORNO DA REPÚBLICA AO MERCADO INTERNACIONAL DE TÍTULOS A maior confiança dos investidores externos na economia brasileira, refletida na forte redução do prêmio de risco, permitiu que a República retomasse as emissões no mercado internacional. Estas emissões não aconteciam desde abril de 2002, quando foi emitido US$ 1 bilhão em bônus globais. Nesse sentido, o Banco Central, na qualidade de agente do Tesouro Nacional, anunciou no último dia 29 de abril nova emissão externa. Esta operação foi liderada pelos bancos UBS Warburg e Merrill Lynch, no montante de US$ 1 bilhão, obtendo demanda significativamente superior à oferta inicial. As características desta emissão são descritas na tabela a seguir. Características da Emissão Soberana Prazo 3 anos e 8 meses (vencimento em 16 de janeiro de 2007) Cupom de juros 10% a.a. Yield 10,70% a.a.(com New Issue Premium de 0,24% a.a.) Spread 783 bps sobre os Treasuries de 5 anos Comissão de colocação 0,30% Pagamento do principal em parcela única no vencimento Pagamento dos juros em parcelas semestrais Informe Dívida – Retomada das Emissões Externas da República e Sucesso nos Leilões de Títulos da Dívida Interna Abril de 2003 Cabe ressaltar que o título foi emitido com Cláusula de Ação Coletiva (CAC), que é uma provisão contratual destinada a facilitar reestruturação ordenada de débitos que necessitem de renegociação. Essa cláusula permite que o país repactue sua dívida, caso 85% dos detentores dos bônus concordem. Além disso, ela facilita a renegociação, caso necessária, e ajuda os emissores a evitarem as cláusulas de antecipação de pagamento e os investidores a acelerarem a reestruturação, evitando que um único agente possa obstruir as negociações. Ainda, segundo analistas de mercado, esta emissão tem potencial para favorecer o desbloqueio de financiamento externo de médio e longo prazos, inclusive do setor privado. Apesar de já se observar algumas captações de prazos mais dilatados por bancos privados, estas ainda estão abaixo do que se espera após o êxito da emissão da República. Na visão destes analistas, este desbloqueio praticamente assegura a estabilidade cambial, uma vez que os fluxos voluntários tendem a se restabelecer de forma regular. Garantido o desbloqueio do financiamento externo, deverá haver ganhos perceptíveis na trajetória declinante da inflação – devido à ausência de pressões cambiais – e na estabilidade, com gradual declínio da relação dívida/PIB. SUCESSO NOS LEILÕES DE TÍTULOS DA DÍVIDA INTERNA O sucesso na condução da política econômica do governo tem possibilitado resultados bastante positivos também nos leilões do Tesouro Nacional, como pode ser confirmado nos leilões de LTN, LFT e NTN-C, ocorrido no dia 29/04/2003. Conforme gráfico abaixo, as taxas dos leilões de LTN continuaram com tendência decrescente ao longo do mês de abril. A taxa média passou de 26,81% a.a. no primeiro leilão, para 24,16% a.a. no final do período. Taxa Média (LTN - jan/04) - Abril de 2003 27,0 26,5 26,0 25,5 25,0 24,5 24,0 23,5 1/4/2003 8/4/2003 15/4/2003 Informe Dívida – Retomada das Emissões Externas da República e Sucesso nos Leilões de Títulos da Dívida Interna 22/4/2003 29/4/2003 Abril de 2003 As LFT também apresentaram redução nas taxas médias aceitas, tendo as taxas dos títulos com vencimento em junho de 2004 caído para 0,43% a.a. no leilão do dia 29/04, contra 0,45% a.a no leilão de 24/04. Adicionalmente, verificou-se o alongamento dos prazos dos títulos emitidos por meio de oferta pública (LTN, LFT e NTN-C), o que já vinha sendo observado para as LFT nos primeiros meses de 2003. As LTN e as LFT tiveram seus prazos de emissão alongados para até 14 e 26 meses, respectivamente. Além disso, as NTN-C com vencimento em 2031 foram novamente ofertadas no leilão do dia 29/03, o que não acontecia desde janeiro de 2001, apresentando taxas menores (10,12% a.a., contra 10,64% a.a.). Os eventos acima descritos demonstram claramente que a política econômica tem permitido ao Tesouro Nacional implementar com sucesso os objetivos anunciados no Plano Anual de Financiamento. De forma prudente e gradual, tem-se avançado na direção da redução do risco de refinanciamento, da revitalização do mercado de títulos públicos e da queda do custo da dívida pública. Informe Dívida – Retomada das Emissões Externas da República e Sucesso nos Leilões de Títulos da Dívida Interna Abril de 2003