Trabalho:
SITUAÇÃO ATUAL DAS
LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO,
NO ESTADO DE SERGIPE –
BRASIL
Autores:
Prof. José Daltro Filho (DEC/UFS)*1
Jedson Freire Passos (DEC/UFS)
Rosiana Marques dos Santos (DEQ/UFS)
1
*Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe
Campus Universitário – Aracaju-Sergipe
Resumo:
O presente trabalho faz uma abordagem sobre as condições de
funcionamento das Lagoas de Estabilização no Estado de Sergipe. Segundo o levantamento
realizado, existem 17 sistemas de Lagoas de Estabilização, o que perfaz um total de 50
lagoas de estabilização. Infelizmente, somente 64,7% dos sistemas estão em operação e
29,4% deles encontram-se em completo abandono ou desativado.
Palavras-chave: Bactéria, Alga, Facultativa, Maturação, Anaeróbia, Biodegradação.
Resumo Curricular:
José Daltro Filho* – Engenheiro Civil, pela UFBA/1975. Mestre em Engenharia
(CCT/UFBA/1975),
Doutor
em
Hidráulica/Saneamento
(EESC/USP/1988) e Professor Adjunto Doutor do Departamento
de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Jedson Freire Passos – Engenheiro Civil, pela UFS/1997, na época, bolsista de Iniciação
Científica do PIBIC/CNPq/UFS.
Rosiana Marques dos Santos – Química Industrial, pela UFS/1997, na época, bolsista de
Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UFS.
Endereço*: Rua AD, 91, Jardim Japiaçu, Bairro Luzia.
49.045.000 Aracaju-Sergipe
Fone (079) 231-4322
1. Introdução
Diante da necessidade de água de boa qualidade e da escassez de reservas
naturais de água doce no mundo, tem havido um maior interesse do ser humano no sentido
de racionar, preservar e estudar meios de melhor gerenciamento das fontes de águas
naturais potencialmente exploráveis. Também devido à nova maneira de pensar e da
conscientização de se preservar o meio ambiente, adotou-se meios para o controle
permanente da poluição das águas, através do tratamento das águas residuárias. A
necessidade desse tratamento proporcionou o estabelecimento de estudos de processos
biológicos, e, dentre estes, os das lagoas de estabilização que, a cada dia e principalmente
em países tropicais, estão sendo mais difundidas.
No presente trabalho, apresenta-se um diagnóstico das condições de
funcionamento das lagoas de estabilização no Estado de Sergipe. Faz-se um levantamento
minucioso das condições de operação e manutenção dos Sistemas de Lagoas existentes em
Sergipe, partindo-se desde o início, de um cadastramento dos sistemas e identificando a
instituição responsável, assim como apontando falhas ou danos observados durante o
levantamento.
2. Aspectos gerais sobre as Lagoas de Estabilização
As lagoas para estabilização de esgotos sanitários vêm sido utilizadas há
muito tempo pela humanidade. Na Ásia, há séculos, emprega-se o princípio de tanques,
semeados com fezes, visando a produção de peixes.
Nos Estados Unidos a influência da retenção dos esgotos domésticos em
lagoas, trazendo melhoria para o efluente foi descoberta de maneira acidental. Smllhorst
julga que o pioneirismo no emprego de lagoas de esgotos nos Estados Unidos se deu ao
Texas, quando na cidade de Santo Antônio construiu-se uma com a finalidade de utilizá-la
em irrigação na primeira década deste século. Esse lago artificial conhecido como o lago
Mitchell, tem cerca de 280 hectares de área superficial, sendo utilizada até hoje.
A primeira instalação construída especialmente para depuração de esgotos
foi efetuada em 1948, na cidade de Maddok, em North Dakota.
Na Austrália, eram utilizadas lagoas, há muito tempo, com a finalidade de
melhorar as condições dos efluentes de estações convencionais de tratamento. Por volta de
1940, pesquisas foram iniciadas para depuração do esgoto bruto de Melbourne, através de
lagoas de estabilização. Foram feitas observações e análises, procurando determinar
capacidades de cargas de tais lagoas e rendimento no tratamento, com os primeiros
resultados divulgados apenas em 1950, por Parker e colaboradores.
Nos Estados Unidos, os pesquisadores Oswald e Gotaas vinham publicando
resultados obtidos sobre crescimento de determinadas espécies de algas cultivadas em
esgotos, tendo como objetivo determinar as relações fundamentais entre algas e bactérias
desenvolvidas em esgotos, e seus efeitos na oxigenação do esgoto o processo de retenção.
Com isso, a partir de 1950, passaram as chamadas lagoas de esgotos a
merecer a atenção dos técnicos em Engenharia Sanitária, que começaram a sentir, nesse
processo natural de tratamento, solução altamente satisfatória para o destino dos esgotos
domésticos. Ensaios em laboratório, instalações-piloto, estudos os mais diversos sobre
produção de algas, influência da insolação, temperatura começaram a tomar lugar nas mais
variadas regiões, sob as condições climáticas as mais diversas.
Entre nós a literatura informa que as primeiras lagoas foram testadas em São
Paulo (São José dos Campos). Desde a década de 70 que o Nordeste brasileiro tem
experimentado a aplicação dessa tecnologia, a partir do estudo realizado pelo grupo do
professor Salomão Anselmo da Silva da UFPB, através da EXTRABES (Estação
Experimental do Tratamento Biológico dos Esgotos Sanitários). E em Sergipe, a primeira
foi instalada no Distrito Industrial de Aracaju (D.I.A), na capital do Estado, também na
década de 70.
Pela definição de Oswald, lagoa de estabilização é todo corpo de água
artificial criado ou empregado para reter esgotos ou resíduos líquidos orgânicos, até que as
águas se tornem estáveis, através de decomposição biológica e sejam adequadas para uma
disposição final não objetável.
Em função da topografia local a lagoa de estabilização poderá surgir pela
simples construção de uma barragem ou então poderá surgir em um terreno plano com o
trabalho de máquinas, cálculos de taludes, áreas, diques, estrutura de concreto, etc.
Nas lagoas de estabilização a oxidação da matéria orgânica é feita com o
oxigênio proveniente de uma vida em comum entre algas e bactérias. Estabelece-se no
interior das águas de uma lagoa, um ciclo vicioso, em que as algas sintetizam matéria
orgânica, liberando o oxigênio no meio ambiente e, as bactérias, alimentando-se da matéria
orgânica dos esgotos.
As lagoas de estabilização podem ser utilizadas de quaisquer tipos de águas
residuárias possíveis de serem biodegradadas, sejam elas produzidas por atividades
domésticas ou agro-industriais, desde que estas não contenham substâncias tóxicas aos
microrganismos envolvidos nos processos.
As principais vantagens dos sistemas de lagoas de estabilização são:
•
Simplicidade – a movimentação de terra e a construção do tratamento
preliminar representam o maior volume de obras na construção de
sistemas de lagoas. A proteção de taludes e estruturas de entrada e saída
podem ser consideradas como pequenas obras de Engenharia.
•
Baixo custo – a remoção da matéria orgânica e patogênicos é feita com o
menor custo de capital e menor custo operacional do que os métodos
convencionais.
•
Alta eficiência – as elevadas porcentagens de remoção de DBO e
organismos fecais, tornam o uso das lagoas de estabilização muito
vantajoso nos países em desenvolvimento, onde as doenças de
veiculação hídrica representam um sério problema de saúde pública. Um
sistema de lagoas bem dimensionado e operado pode alcançar mais de
90% de remoção de matéria orgânica e até 99,99% de remoção de
organismos fecais.
As desvantagens das lagoas de estabilização estão relacionadas com:
–
Terreno - o longo tempo requerido para que os processos de
estabilização atuem sobre os esgotos introduzidos, faz com que grandes
áreas de terra sejam necessárias na construção de sistemas de lagoas.
–
Sólidos suspensos – a remoção dos sólidos suspensos é baixa devido à
presença de algas no efluente final.
–
As muitas vantagens das lagoas de estabilização superam as duas únicas
desvantagens citadas.
3. Diagnóstico das Condições de funcionamento das lagoas
de estabilização de Sergipe
3.1 Cadastramento das Lagoas de Estabilização existentes
no Estado de Sergipe.
O cadastramento das lagoas de estabilização em Sergipe, foi realizado
através do levantamento dos arquivos de projetos técnicos, junto a instituições sergipanas
responsáveis pela execução, operação e/ou controle do lançamento de despejos líquidos em
corpos de água. Entre as instituições fez-se o levantamento junto a DESO, ADEMA,
CEHOP, CODISE e PREFCAMP/UFS.
A seguir, apresenta-se as informações gerais das características dos sistemas
cadastrados em Sergipe (veja tabela 1).
3.2 Análise do Levantamento e do Monitoramento Realizados
3.2.1 Discussão Geral Sobre os Sistemas de Lagoas de
Estabilização em Sergipe.
As lagoas de estabilização em Sergipe, notabilizaram-se pela sua aplicação
desde a década de 70, quando da implantação da lagoa do Distrito Industrial de Aracaju.
Segundo o levantamento aqui realizado, o Estado de Sergipe conta atualmente com 17
(dezessete) sistemas de lagoas de estabilização.
A situação dos 17 sistemas implantados, varia do pleno funcionamento, ao
abandonado, à situação de desativação ou mesmo da inexistência, muito embora haja
registro oficial do mesmo, como é o caso do sistema previsto para o matadouro da cidade
de Riachuelo. No Quadro 1, apresenta-se a situação geral dos sistemas, onde se tem 11
deles em operação, 4 em completo abandono, 1 desativado e 1 inexistente.
Tabela 1 – Cadastro e características gerais dos Sistemas de Lagoas de estabilização, existentes em
Sergipe
Características Físicas do
Sistema
Nº por Tipo de Lagoa
Item
Sistema de Lagoas
Número de
Lagoas
ANAE
FAC
MAT
Vazão
(m3/dia)
TDH
(dias)
Área
(há)
Volume
(m3)
Previsões Técnicas do
Coportados sistemas
h (m)
DBO
aflu
(mg/l)
DBO
efl
(mg/l)
%rem.
CFefl
CF/100ml)
01
Siri (ERQ-Norte)
13
–
07
6
20822
33
42,6068 693.102
1,5
*
*
*
*
02
Conj. Jardim III
03
–
01
02
1066
14
1,1832
17.748
1,5
310
14
95,5
4x103
03
Conj. Das Domésticas
01
–
01
–
286
15
0,268
4.290
1,5
346
58
83,2
59
04
D.I.A.
01
–
01
–
*
*
*
*
*
*
8
*
*
05
Conj. Eduardo Gomes (Rosa Elze)
05
01
01
03
3313
16,5
3,5544
54.974
1,5
245
5,7
97
1
06
Campus da UFS
02
–
01
01
*
*
*
*
8
*
*
*
*
07
Distrito Industrial de Propriá
01
–
01
–
*
*
*
*
8
*
*
*
*
08
Matadouro São Cristóvão
02
01
01
–
30
42
0,0787
3.143,5
3 e 1,5
2000
61,3
96
–
09
Laticínio Betânia
01
–
01
–
75
65
0,489
4.890
1,0
2150
96
96
–
10
Lagarto
01
–
01
–
665
57
1,900
38.000
2,0
360
90
75
–
11
Matadouoro de Cedro de São João
02
01
01
–
75
38
0,1952
3.143,5
3 e 1,5
2000
62
96
–
12
Conj. Irmã Dulce
05
–
01
04
*
*
*
*
*
*
*
*
*
13
Conj, Luís da Conceição
05
–
01
04
*
*
*
*
*
*
*
*
*
14
Matadouro de Estância
02
01
01
–
60
42
0,1565
2,518
3 e 1,5
2000
62
96
–
15
Matadouro de Riachuelo
01
01
01
–
9,8
5
0,00245
49
2,0
1500
*
*
–
16
Suinocultura
01
–
01
–
21,44
112
0,200
2.400
1,20
3760,8
112,82
97
–
17
Coimbra-Frutesp
04
–
03
01
65
125
0,6973
8.133
1,5 e 1
2142
415
80,6
–
*Refere-se a dados não disponíveis durante o levantamento.
Quadro 01 – Situação dos Sistemas de Lagoas.
Nº de sistemas
11
4
1
1
Tipo de situação
Operando
Abandonado
Desativado
Inexistente
Inferência (%)
64,7
23,5
5,9
5,9
Total 17
100
Dos sistemas visitados, 23,5% pertencem à Companhia de Saneamento de Sergipe, igual
cifra é pertencente a Prefeituras Municipais e 17,6% são de instituições particulares. No Quadro 02,
mostra-se o resumo dessas informações.
Quadro 02 – Distribuição dos sistemas por instituição.
Instituição
DESO
COHAB/DESO
CODISE/DESO
UFS
CODISE
CEHOP (COHAB)
Particulares
Prefeituras Municipais
Total
Nº de sistemas
04
01
01
01
01
02
03
04
17
Inferência (%)
23,5
5,9
5,9
5,9
5,9
11,8
17,6
23,5
100
Os 17 sistemas de lagoas em Sergipe, englobam um total de 50 lagoas, sendo 5 anaeróbios,
24 facultativos e 21 de maturação, como se apresenta no Quadro 03.
Quadro 03 – Distribuição dos Sistemas por tipo de lagoa.
Tipo de lagoa
Anaeróbia
Facultativa
Maturação
Total
Nº de lagoas
05
24
21
50
Inferência (%)
10
48
42
100
Com referência ao tipo de despejo, observou-se que dos 17 sistemas, 08 (oito) tratam
Esgotos Domésticos, 03 (três) são utilizados para o tratamento de Esgoto Industrial, 04 (quatro) sistemas
utilizam despejo de matadouro e 01 (um) respectivamente para o tratamento de despejo de Laticínio e
Suinocultura (Pocilga). No Quadro 04, tem-se o resumo daqueles valores. Ainda com relação ao tipo de
despejo, verificou-se que, para o esgoto doméstico estão sendo utilizadas 35 lagoas, sendo 01 (uma)
anaeróbia, 14 (quatorze) facultativa e 20 (vinte) de maturação. Já com o Esgoto Industrial, fez-se uso
somente de 5 (cinco) lagoas Facultativa e de 01 (uma) de maturação.
Quadro 04 – Situação dos sistemas por tipo de despejo.
Tipo de despejo
Esgoto doméstico
Nº de sistemas
08
Inferência (%)
47,00
Esgoto industrial
Matadouro
03
04
17,70
23,50
Laticínios
Suinocultura (Pocilga)
Total
01
01
17
5,90
5,90
100
Para o despejo de matadouro, existem 04 (quatro) lagoas anaeróbia e 03 (três) facultativa.
E para os despejos de laticínios e de pocilga, existe 01 (uma) lagoa facultativa para cada (ver Quadro 05).
Quadro 05 – Número de lagoas por tipo de despejo.
TIPO DE DESPEJO
TIPO DE LAGOA
Anaeróbia Facultativo
1 (20%)
14 (58,3%)
5 (20,8%)
Doméstico
Industrial
Nº DE LAGOAS
Maturação
20 (95,2%)
1 (4,8%)
35
06
Matadouro
Laticínios
4 (80%)
-
3 (12,5%)
1 (4,2%)
-
07
01
Suinocultura (Pocilga)
TOTAL
05
1 (4,2%)
24
21
01
50
Em termos de localização os sistemas de lagoas estão em sua maioria localizados no
Interior do Estado e na grande Aracaju. Dos 17 sistemas, em Aracaju está localizado apenas 01 (uma),
correspondente à lagoa do D.I.A. Na grande Aracaju, tem os maiores sistemas (26 lagoas) onde se
incluem o sistema Siri (ERQ-Norte) e mais outros 05 (cinco) sistemas. No interior, estão localizados 10
(dez) sistemas 23 (lagoas), onde são considerados os sistemas dos matadouros municipais e dois sistemas
que estão desativados, ou sejam, o de Itabaiana e do Tobias Barreto, além do de Lagarto e o inexistente de
Riachuelo (veja-se nos Quadros 6 e 7).
Quadro 06 – Localização dos Sistemas de Lagoas.
Região
Aracaju
Grande Aracaju
Interior
Nº de Sistemas
01
06
10
Inferência (%)
59%
35,3%
58,8%
Nº de Lagoas
01
26
23
Inferência (%)
2%
52%
46%
Quadro 07 – Localização por tipo de lagoas
Região
Aracaju
Grande Aracaju
Interior
Tipo de Lagoa
Facultativa
01 (4,2%)
12 (50%)
11 (45,8%)
24 (100%)
Anaeróbia
–
02 (40%)
03 (60%)
5 (100%)
Maturação
–
12 (57%)
09 (42,9%)
21 (100%)
3.2.2. O Aspectos gerais sobre o monitoramento de alguns sistemas.
Para o presente estudo, fez-se o monitoramento, por um período de quatro meses dos
sistemas de lagoas que estavam com uma certa regularidade, em termos de operação e com produção de
efluente. Dos 17 (dezessete) sistemas cadastrados, somente os sistemas: Siri, Rosa Elze, Conjunto Jardim
e de Lagarto, é que tiveram, durante o trabalho, regularidade na eliminação de efluente. Os quatros meses
em que foram feitos as coletas de amostras levou-se em consideração os dois períodos climáticos
dominantes em Sergipe, que são: período de chuvas e de estiagem. Trabalhou-se com dois meses por
período. Praticamente no primeiro mês do monitoramento, o sistema Sirí, encontrava-se com problemas
de recepção do esgoto bruto, que impediu o seu levantamento e análise.
Como já salientado em item anterior o estudo do monitoramento, permitiu avaliar os
sistemas de lagoas, em termos de: DQO, pH, Alcalinidade, SST e Sólidos sedimentáveis, devido a própria
limitação laboratorial, para a análise de outras variáveis. Para que se tenha uma idéia dos dados
levantados apresenta-se na Tabela 02, os resultados dos quatro meses de monitoramento.
De um modo geral, os quatro sistemas controlados, apresentaram eficiência de remoção de
DQO total na faixa dos 79% a 89%, havendo um certo destaque para o sistema do Rosa Elze, como se
apresenta na Figura 1.
Tabela 2 - Resultados dos quatro meses de monitoramento, dos sistemas Siri,
Rosa Elze, Conjunto Jardim e Lagarto
Sistema Monitorado
Alcalinidade
(mg/CaCO3/l)
pH
Parâmetro de
Qualidade
Período de
Inferência
Siri
Rosa Elze
Conj. Jardim
Lagarto
AFL
ELF
AFL
EFL
AFL
EFL
AFL
EFL
Dezembro/96
–
–
7,65
8,98
7,43
8,39
6,60
6,98
Março
7,31
8,61
7,08
9,25
7,30
7,65
6,95
7,36
Maio
7,47
8,28
7,08
8,90
7,40
8,25
6,70
7,44
Junho
8,16
8,70
8,29
8,91
8,30
8,60
–
–
Média
7,65
8,53
7,52
9,01
7,61
8,22
6,75
7,26
Dezembro/96
–
–
726
294
732
99
545
577
Março
285
314
566
292
560
151
177
335
Maio
346
230
315
210
378
115
220
168
Junho
497
290
550
251
180
90
–
–
Média
376
278
539
262
462
114
314
360
DQO (mg/l)
Sólidos Sedimentáveis
(ml/l)
Sólidos Suspensos Totais
(mg/l)
Dezembro/96
–
–
–
–
–
–
1100
150
Março
900
200
1099
99
690
50
–
110
Maio
120
50
1000
88
–
200
95
40
Junho
710
110
400
90
350
20
–
–
Média
577
120
833
90
520
90
610
100
% remoção
–
79,2
–
89,2
–
82,6
–
83,6
Dezembro/96
–
–
3,0
–
2,0
-
10
0,1
Março
6,0
0,1
4,5
0,1
6,5
0,1
0,1
0,5
Maio
1,2
0,1
3,0
0,1
0,9
0,1
0,3
01
Junho
10,5
0,4
1,8
0,2
2,0
0,1
–
–
Média
5,9
0,2
3,10
0,13
2,85
0,1
3,50
0,23
% remoção
–
96,6
–
96,10
–
96,50
–
93,40
Dezembro/96
–
–
–
–
360
36
373
57
Março
346
111
314
52
399
57
16
43
Maio
83
34
314
32
94
20
27
34
Junho
368
47
380
8
282
30
–
–
Média
266
64
336
31
284
36
139
45
% remoção
–
75,90
–
90,80
–
87,30
–
67,60
A DQO total média do efluente, de qualquer um dos sistemas, não passou dos 120mg/l,
atendendo de algum modo, a legislação de lançamento de efluentes em cursos de água.
A variação do tamponamento químico, dos sistemas, mostrou-se dentro da normalidade de
esgoto doméstico, da própria atividade microbiológica e climática da área onde estão localizadas as
lagoas. Neste contexto, o pH médio do efluente variou de 7,26 a 9,01 enquanto a alcalinidade efluente não
passou dos 560mg de CaCo3 /l como valor médio máximo, isso para o sistema de Lagarto, que teve a
influência da presença de jacinto aquático (Baronesa). Já o valor médio mínimo chegou aos 114mg de
CaCo3 /l para o sistema Jardim, como mostram as Figuras 2 e 3.
O comportamento dos quatro sistemas no que se refere a remoção de sólidos
sedimentáveis, foi de plena confirmação da alta capacidade das lagoas de estabilização de atuarem como
bons decantadores. Essa situação é mais palpável para sistema com maior número de lagoas, conforme
comprovação dos resultados dos sistemas Siri e Rosa Elze (veja Figura 4). Os mesmos foram
responsáveis, respectivamente, por 96,6% e 96,5% de remoção dos sólidos sedimentáveis que adentram
aos mesmos.
A presença dos sólidos suspensos totais nos efluentes das lagoas pesquisadas, foi devido
mais às algas existentes nas lagoas de maturação. Executa-se, neste contexto, o sistema de Lagarto, que
em determinadas ocasiões, apresentou no efluente placas de lodo, desgrudadas das raízes do Jacinto
Aquáticos. Isso propiciou a menor eficiência média dos sistemas analisados (67,6%), muito embora não
tivesse sido, no global das lagoas analisadas, a maior concentração do efluente final. Na variação dos
outros sistemas, as lagoas do Rosa Elze permitiram o melhor desempenho 90,8% de remoção comparados
aos outros, porque apresentou menor concentração no seu efluente (31mg/l), mesmo tendo a maior
concentração média do afluente (336mg/l) (veja Figura 5).
4. Considerações Finais
A simplicidade que as lagoas de estabilização representam, como uma opção para o
tratamento de esgotos, tanto em termo de investimentos como de operação/manutenção, não conduz com
a realidade que foi constatada para os sistemas de lagoas existentes no estado de Sergipe. Todos os
sistemas têm problemas de operação e manutenção, quando não foram complemente abandonados, como
os de Tobias Barreto, Itabaiana, UFS, D.I.A., dentre outros. Urge que se tome as providências necessárias
a fim de tornarem aqueles sistemas úteis e adequados aos propósitos pelos quais foram projetados e
especificados, evitando desse modo, maiores problemas para os corpos de água e o próprio homem. Além
do mais, deve-se criar junto às instituições proprietárias a cultura, de que a simplicidade de
operação/manutenção não seja sinônimo de abandono ou de deixar ao “deus dará”. As Lagoas de
Estabilização necessitam de acompanhamento e manutenção regulares, mesmo havendo suficiente
disponibilidade de luz solar e área como ocorre nos exemplos aqui apresentados.
5. Agradecimentos
Os autores agradecem ao CNPq, pelo apoio, na concessão de duas bolsas de Iniciação
Científica à Universidade Federal de Sergipe e à Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO pelo
apoio logístico, principalmente, nas pessoas dos Engos. Gilberto Santana e Frederico M.S. Santos e da
técnica Luciene, assim como às instituições: PREFCAMP, ADEMA, CEHOP e CODISE, pela
colaboração no fornecimento das informações.
6. Bibliografia Consultada
APHA (1992). Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 18 th edition.
Washington: American Public Health Association.
BEZERRA, José Flávio M. et ali. (1990). Avaliação de Desempenho de Lagoas de Estabilização.
CETESB. São Paulo.
BEZERRA, José Flávio M. et ali. (1993). Lagoa de Estabilização de Samambaia: Novas Tecnologias no
Processo de Tratamento de esgotos Domésticos por Lagoas de Estabilização. Trabalho publicado
nos anais do 17º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. p-p. 458-465. Natal. 19
a 23 de setembro.
DALTRO FILHO, José. (1978). Clarificação de Efluentes de Lagoas de Estabilização. Dissertação de
Mestrado – CCT/UFPB. Campina Grande.
MARA. D. Ducan (1995). Waste Stabilization Ponds: Efluent quality Requirement and Implications for
Process Design. 3 IAWQ – International Specialist Conference and Workshop. João Pessoa-PB.
OLIVEIRA. Rui Eduardo de (1995). Remoção de Coliformes Fecais e Matéria Orgânica numa Série de
Dez lagoas de Estabilização, em Escala Piloto, trando Esgotos Domésticos em Região de Clima
Tropical. Dissertação de mestrado. CCT/UFPB Campina Grande-PB.
PESCOD, M. B. and SAQQAR, Muwaffaq M. (1995). Perfomance Evolution Pond Sustem. 3 IAWQ –
International Especialist Conference and Workshop. João Pessoa–PB.
SILVA, Manoel O. Senra Alvares. (1977). Análises Físico-químicas para Controle de Estações de
Tratamento de Esgotos. Companhia de tecnologia de Saneamento Ambiental. São Paulo.
SPERLING. Marcos von. (1995). Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos.
Volume I. Princípio do Tratamento Biológico de Águas Residuais. DESA/UFMG.
VICTORETTI, Benoit Almeida. (1973). Contribuição ao Emprego de Lagoas de Estabilização como
Processo para Depuração de esgotos Domésticos. CETESB. São Paulo.
UEHARA. Michele Yukie. Et ali. (1989). Operação e Manutenção de lagoas Anaeróbias e Facultativas.
CETESB. São Paulo.
Figura 1: Variação da DQO total.
DQO total (mg/l).
Siri(Afluente)
1200
Siri(Efluente)
1000
R.Elze(Aflu.)
R.Elze(Eflu.
800
Conj.Jar.(afl.)
600
Conj. Jar.(efl.)
400
Lagarto(afl.)
200
Lagarto(efl.)
0
Dez/96
Março
Maio
Junho
Período de operação(mês).
Figura 2: Variação do pH.
Siri(Afluente)
Siri(Efluente)
10
R.Elze(Aflu.)
pH
8
R.Elze(Eflu.
6
Conj.Jar.(afl.)
4
Conj. Jar.(efl.)
Lagarto(afl.)
2
0
Dez/96
Lagarto(efl.)
Março
Maio
Período de operação(mês).
Junho
Figura 3: Variação da Alcalinidade.
Siri(Afluente)
Siri(Efluente)
Alcalinidade, mg/l.
800
700
600
500
400
300
200
100
0
Dez/96
R.Elze(Aflu.)
R.Elze(Eflu.
Conj.Jar.(afl.)
Conj. Jar.(efl.)
Lagarto(afl.)
Lagarto(efl.)
Março
Maio
Junho
Período de operação(mês).
Figura 4: Variação dos Sólidos Sedimentáveis.
Sólidos Sed. Ml/l.
12
Siri(Afluente)
10
Siri(Efluente)
8
R.Elze(Aflu.)
6
R.Elze(Eflu.
4
Conj.Jar.(afl.)
2
Conj. Jar.(efl.)
0
Dez/96
Lagarto(afl.)
Março
Maio
Período de operação(mês).
Junho
Lagarto(efl.)
Figura 5: Variação dos Sólidos Totais.
Siri(Afluente)
Siri(Efluente)
Sólidos Totais, mg/l.
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
Dez/96
R.Elze(Aflu.)
R.Elze(Eflu.
Conj.Jar.(afl.)
Conj. Jar.(efl.)
Lagarto(afl.)
Lagarto(efl.)
Março
Maio
Período de operação(mês).
Junho
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situação atual das lagoas de estabilização, no estado de sergipe