Trabalho: SITUAÇÃO ATUAL DAS LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO, NO ESTADO DE SERGIPE – BRASIL Autores: Prof. José Daltro Filho (DEC/UFS)*1 Jedson Freire Passos (DEC/UFS) Rosiana Marques dos Santos (DEQ/UFS) 1 *Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe Campus Universitário – Aracaju-Sergipe Resumo: O presente trabalho faz uma abordagem sobre as condições de funcionamento das Lagoas de Estabilização no Estado de Sergipe. Segundo o levantamento realizado, existem 17 sistemas de Lagoas de Estabilização, o que perfaz um total de 50 lagoas de estabilização. Infelizmente, somente 64,7% dos sistemas estão em operação e 29,4% deles encontram-se em completo abandono ou desativado. Palavras-chave: Bactéria, Alga, Facultativa, Maturação, Anaeróbia, Biodegradação. Resumo Curricular: José Daltro Filho* – Engenheiro Civil, pela UFBA/1975. Mestre em Engenharia (CCT/UFBA/1975), Doutor em Hidráulica/Saneamento (EESC/USP/1988) e Professor Adjunto Doutor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Jedson Freire Passos – Engenheiro Civil, pela UFS/1997, na época, bolsista de Iniciação Científica do PIBIC/CNPq/UFS. Rosiana Marques dos Santos – Química Industrial, pela UFS/1997, na época, bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UFS. Endereço*: Rua AD, 91, Jardim Japiaçu, Bairro Luzia. 49.045.000 Aracaju-Sergipe Fone (079) 231-4322 1. Introdução Diante da necessidade de água de boa qualidade e da escassez de reservas naturais de água doce no mundo, tem havido um maior interesse do ser humano no sentido de racionar, preservar e estudar meios de melhor gerenciamento das fontes de águas naturais potencialmente exploráveis. Também devido à nova maneira de pensar e da conscientização de se preservar o meio ambiente, adotou-se meios para o controle permanente da poluição das águas, através do tratamento das águas residuárias. A necessidade desse tratamento proporcionou o estabelecimento de estudos de processos biológicos, e, dentre estes, os das lagoas de estabilização que, a cada dia e principalmente em países tropicais, estão sendo mais difundidas. No presente trabalho, apresenta-se um diagnóstico das condições de funcionamento das lagoas de estabilização no Estado de Sergipe. Faz-se um levantamento minucioso das condições de operação e manutenção dos Sistemas de Lagoas existentes em Sergipe, partindo-se desde o início, de um cadastramento dos sistemas e identificando a instituição responsável, assim como apontando falhas ou danos observados durante o levantamento. 2. Aspectos gerais sobre as Lagoas de Estabilização As lagoas para estabilização de esgotos sanitários vêm sido utilizadas há muito tempo pela humanidade. Na Ásia, há séculos, emprega-se o princípio de tanques, semeados com fezes, visando a produção de peixes. Nos Estados Unidos a influência da retenção dos esgotos domésticos em lagoas, trazendo melhoria para o efluente foi descoberta de maneira acidental. Smllhorst julga que o pioneirismo no emprego de lagoas de esgotos nos Estados Unidos se deu ao Texas, quando na cidade de Santo Antônio construiu-se uma com a finalidade de utilizá-la em irrigação na primeira década deste século. Esse lago artificial conhecido como o lago Mitchell, tem cerca de 280 hectares de área superficial, sendo utilizada até hoje. A primeira instalação construída especialmente para depuração de esgotos foi efetuada em 1948, na cidade de Maddok, em North Dakota. Na Austrália, eram utilizadas lagoas, há muito tempo, com a finalidade de melhorar as condições dos efluentes de estações convencionais de tratamento. Por volta de 1940, pesquisas foram iniciadas para depuração do esgoto bruto de Melbourne, através de lagoas de estabilização. Foram feitas observações e análises, procurando determinar capacidades de cargas de tais lagoas e rendimento no tratamento, com os primeiros resultados divulgados apenas em 1950, por Parker e colaboradores. Nos Estados Unidos, os pesquisadores Oswald e Gotaas vinham publicando resultados obtidos sobre crescimento de determinadas espécies de algas cultivadas em esgotos, tendo como objetivo determinar as relações fundamentais entre algas e bactérias desenvolvidas em esgotos, e seus efeitos na oxigenação do esgoto o processo de retenção. Com isso, a partir de 1950, passaram as chamadas lagoas de esgotos a merecer a atenção dos técnicos em Engenharia Sanitária, que começaram a sentir, nesse processo natural de tratamento, solução altamente satisfatória para o destino dos esgotos domésticos. Ensaios em laboratório, instalações-piloto, estudos os mais diversos sobre produção de algas, influência da insolação, temperatura começaram a tomar lugar nas mais variadas regiões, sob as condições climáticas as mais diversas. Entre nós a literatura informa que as primeiras lagoas foram testadas em São Paulo (São José dos Campos). Desde a década de 70 que o Nordeste brasileiro tem experimentado a aplicação dessa tecnologia, a partir do estudo realizado pelo grupo do professor Salomão Anselmo da Silva da UFPB, através da EXTRABES (Estação Experimental do Tratamento Biológico dos Esgotos Sanitários). E em Sergipe, a primeira foi instalada no Distrito Industrial de Aracaju (D.I.A), na capital do Estado, também na década de 70. Pela definição de Oswald, lagoa de estabilização é todo corpo de água artificial criado ou empregado para reter esgotos ou resíduos líquidos orgânicos, até que as águas se tornem estáveis, através de decomposição biológica e sejam adequadas para uma disposição final não objetável. Em função da topografia local a lagoa de estabilização poderá surgir pela simples construção de uma barragem ou então poderá surgir em um terreno plano com o trabalho de máquinas, cálculos de taludes, áreas, diques, estrutura de concreto, etc. Nas lagoas de estabilização a oxidação da matéria orgânica é feita com o oxigênio proveniente de uma vida em comum entre algas e bactérias. Estabelece-se no interior das águas de uma lagoa, um ciclo vicioso, em que as algas sintetizam matéria orgânica, liberando o oxigênio no meio ambiente e, as bactérias, alimentando-se da matéria orgânica dos esgotos. As lagoas de estabilização podem ser utilizadas de quaisquer tipos de águas residuárias possíveis de serem biodegradadas, sejam elas produzidas por atividades domésticas ou agro-industriais, desde que estas não contenham substâncias tóxicas aos microrganismos envolvidos nos processos. As principais vantagens dos sistemas de lagoas de estabilização são: • Simplicidade – a movimentação de terra e a construção do tratamento preliminar representam o maior volume de obras na construção de sistemas de lagoas. A proteção de taludes e estruturas de entrada e saída podem ser consideradas como pequenas obras de Engenharia. • Baixo custo – a remoção da matéria orgânica e patogênicos é feita com o menor custo de capital e menor custo operacional do que os métodos convencionais. • Alta eficiência – as elevadas porcentagens de remoção de DBO e organismos fecais, tornam o uso das lagoas de estabilização muito vantajoso nos países em desenvolvimento, onde as doenças de veiculação hídrica representam um sério problema de saúde pública. Um sistema de lagoas bem dimensionado e operado pode alcançar mais de 90% de remoção de matéria orgânica e até 99,99% de remoção de organismos fecais. As desvantagens das lagoas de estabilização estão relacionadas com: – Terreno - o longo tempo requerido para que os processos de estabilização atuem sobre os esgotos introduzidos, faz com que grandes áreas de terra sejam necessárias na construção de sistemas de lagoas. – Sólidos suspensos – a remoção dos sólidos suspensos é baixa devido à presença de algas no efluente final. – As muitas vantagens das lagoas de estabilização superam as duas únicas desvantagens citadas. 3. Diagnóstico das Condições de funcionamento das lagoas de estabilização de Sergipe 3.1 Cadastramento das Lagoas de Estabilização existentes no Estado de Sergipe. O cadastramento das lagoas de estabilização em Sergipe, foi realizado através do levantamento dos arquivos de projetos técnicos, junto a instituições sergipanas responsáveis pela execução, operação e/ou controle do lançamento de despejos líquidos em corpos de água. Entre as instituições fez-se o levantamento junto a DESO, ADEMA, CEHOP, CODISE e PREFCAMP/UFS. A seguir, apresenta-se as informações gerais das características dos sistemas cadastrados em Sergipe (veja tabela 1). 3.2 Análise do Levantamento e do Monitoramento Realizados 3.2.1 Discussão Geral Sobre os Sistemas de Lagoas de Estabilização em Sergipe. As lagoas de estabilização em Sergipe, notabilizaram-se pela sua aplicação desde a década de 70, quando da implantação da lagoa do Distrito Industrial de Aracaju. Segundo o levantamento aqui realizado, o Estado de Sergipe conta atualmente com 17 (dezessete) sistemas de lagoas de estabilização. A situação dos 17 sistemas implantados, varia do pleno funcionamento, ao abandonado, à situação de desativação ou mesmo da inexistência, muito embora haja registro oficial do mesmo, como é o caso do sistema previsto para o matadouro da cidade de Riachuelo. No Quadro 1, apresenta-se a situação geral dos sistemas, onde se tem 11 deles em operação, 4 em completo abandono, 1 desativado e 1 inexistente. Tabela 1 – Cadastro e características gerais dos Sistemas de Lagoas de estabilização, existentes em Sergipe Características Físicas do Sistema Nº por Tipo de Lagoa Item Sistema de Lagoas Número de Lagoas ANAE FAC MAT Vazão (m3/dia) TDH (dias) Área (há) Volume (m3) Previsões Técnicas do Coportados sistemas h (m) DBO aflu (mg/l) DBO efl (mg/l) %rem. CFefl CF/100ml) 01 Siri (ERQ-Norte) 13 – 07 6 20822 33 42,6068 693.102 1,5 * * * * 02 Conj. Jardim III 03 – 01 02 1066 14 1,1832 17.748 1,5 310 14 95,5 4x103 03 Conj. Das Domésticas 01 – 01 – 286 15 0,268 4.290 1,5 346 58 83,2 59 04 D.I.A. 01 – 01 – * * * * * * 8 * * 05 Conj. Eduardo Gomes (Rosa Elze) 05 01 01 03 3313 16,5 3,5544 54.974 1,5 245 5,7 97 1 06 Campus da UFS 02 – 01 01 * * * * 8 * * * * 07 Distrito Industrial de Propriá 01 – 01 – * * * * 8 * * * * 08 Matadouro São Cristóvão 02 01 01 – 30 42 0,0787 3.143,5 3 e 1,5 2000 61,3 96 – 09 Laticínio Betânia 01 – 01 – 75 65 0,489 4.890 1,0 2150 96 96 – 10 Lagarto 01 – 01 – 665 57 1,900 38.000 2,0 360 90 75 – 11 Matadouoro de Cedro de São João 02 01 01 – 75 38 0,1952 3.143,5 3 e 1,5 2000 62 96 – 12 Conj. Irmã Dulce 05 – 01 04 * * * * * * * * * 13 Conj, Luís da Conceição 05 – 01 04 * * * * * * * * * 14 Matadouro de Estância 02 01 01 – 60 42 0,1565 2,518 3 e 1,5 2000 62 96 – 15 Matadouro de Riachuelo 01 01 01 – 9,8 5 0,00245 49 2,0 1500 * * – 16 Suinocultura 01 – 01 – 21,44 112 0,200 2.400 1,20 3760,8 112,82 97 – 17 Coimbra-Frutesp 04 – 03 01 65 125 0,6973 8.133 1,5 e 1 2142 415 80,6 – *Refere-se a dados não disponíveis durante o levantamento. Quadro 01 – Situação dos Sistemas de Lagoas. Nº de sistemas 11 4 1 1 Tipo de situação Operando Abandonado Desativado Inexistente Inferência (%) 64,7 23,5 5,9 5,9 Total 17 100 Dos sistemas visitados, 23,5% pertencem à Companhia de Saneamento de Sergipe, igual cifra é pertencente a Prefeituras Municipais e 17,6% são de instituições particulares. No Quadro 02, mostra-se o resumo dessas informações. Quadro 02 – Distribuição dos sistemas por instituição. Instituição DESO COHAB/DESO CODISE/DESO UFS CODISE CEHOP (COHAB) Particulares Prefeituras Municipais Total Nº de sistemas 04 01 01 01 01 02 03 04 17 Inferência (%) 23,5 5,9 5,9 5,9 5,9 11,8 17,6 23,5 100 Os 17 sistemas de lagoas em Sergipe, englobam um total de 50 lagoas, sendo 5 anaeróbios, 24 facultativos e 21 de maturação, como se apresenta no Quadro 03. Quadro 03 – Distribuição dos Sistemas por tipo de lagoa. Tipo de lagoa Anaeróbia Facultativa Maturação Total Nº de lagoas 05 24 21 50 Inferência (%) 10 48 42 100 Com referência ao tipo de despejo, observou-se que dos 17 sistemas, 08 (oito) tratam Esgotos Domésticos, 03 (três) são utilizados para o tratamento de Esgoto Industrial, 04 (quatro) sistemas utilizam despejo de matadouro e 01 (um) respectivamente para o tratamento de despejo de Laticínio e Suinocultura (Pocilga). No Quadro 04, tem-se o resumo daqueles valores. Ainda com relação ao tipo de despejo, verificou-se que, para o esgoto doméstico estão sendo utilizadas 35 lagoas, sendo 01 (uma) anaeróbia, 14 (quatorze) facultativa e 20 (vinte) de maturação. Já com o Esgoto Industrial, fez-se uso somente de 5 (cinco) lagoas Facultativa e de 01 (uma) de maturação. Quadro 04 – Situação dos sistemas por tipo de despejo. Tipo de despejo Esgoto doméstico Nº de sistemas 08 Inferência (%) 47,00 Esgoto industrial Matadouro 03 04 17,70 23,50 Laticínios Suinocultura (Pocilga) Total 01 01 17 5,90 5,90 100 Para o despejo de matadouro, existem 04 (quatro) lagoas anaeróbia e 03 (três) facultativa. E para os despejos de laticínios e de pocilga, existe 01 (uma) lagoa facultativa para cada (ver Quadro 05). Quadro 05 – Número de lagoas por tipo de despejo. TIPO DE DESPEJO TIPO DE LAGOA Anaeróbia Facultativo 1 (20%) 14 (58,3%) 5 (20,8%) Doméstico Industrial Nº DE LAGOAS Maturação 20 (95,2%) 1 (4,8%) 35 06 Matadouro Laticínios 4 (80%) - 3 (12,5%) 1 (4,2%) - 07 01 Suinocultura (Pocilga) TOTAL 05 1 (4,2%) 24 21 01 50 Em termos de localização os sistemas de lagoas estão em sua maioria localizados no Interior do Estado e na grande Aracaju. Dos 17 sistemas, em Aracaju está localizado apenas 01 (uma), correspondente à lagoa do D.I.A. Na grande Aracaju, tem os maiores sistemas (26 lagoas) onde se incluem o sistema Siri (ERQ-Norte) e mais outros 05 (cinco) sistemas. No interior, estão localizados 10 (dez) sistemas 23 (lagoas), onde são considerados os sistemas dos matadouros municipais e dois sistemas que estão desativados, ou sejam, o de Itabaiana e do Tobias Barreto, além do de Lagarto e o inexistente de Riachuelo (veja-se nos Quadros 6 e 7). Quadro 06 – Localização dos Sistemas de Lagoas. Região Aracaju Grande Aracaju Interior Nº de Sistemas 01 06 10 Inferência (%) 59% 35,3% 58,8% Nº de Lagoas 01 26 23 Inferência (%) 2% 52% 46% Quadro 07 – Localização por tipo de lagoas Região Aracaju Grande Aracaju Interior Tipo de Lagoa Facultativa 01 (4,2%) 12 (50%) 11 (45,8%) 24 (100%) Anaeróbia – 02 (40%) 03 (60%) 5 (100%) Maturação – 12 (57%) 09 (42,9%) 21 (100%) 3.2.2. O Aspectos gerais sobre o monitoramento de alguns sistemas. Para o presente estudo, fez-se o monitoramento, por um período de quatro meses dos sistemas de lagoas que estavam com uma certa regularidade, em termos de operação e com produção de efluente. Dos 17 (dezessete) sistemas cadastrados, somente os sistemas: Siri, Rosa Elze, Conjunto Jardim e de Lagarto, é que tiveram, durante o trabalho, regularidade na eliminação de efluente. Os quatros meses em que foram feitos as coletas de amostras levou-se em consideração os dois períodos climáticos dominantes em Sergipe, que são: período de chuvas e de estiagem. Trabalhou-se com dois meses por período. Praticamente no primeiro mês do monitoramento, o sistema Sirí, encontrava-se com problemas de recepção do esgoto bruto, que impediu o seu levantamento e análise. Como já salientado em item anterior o estudo do monitoramento, permitiu avaliar os sistemas de lagoas, em termos de: DQO, pH, Alcalinidade, SST e Sólidos sedimentáveis, devido a própria limitação laboratorial, para a análise de outras variáveis. Para que se tenha uma idéia dos dados levantados apresenta-se na Tabela 02, os resultados dos quatro meses de monitoramento. De um modo geral, os quatro sistemas controlados, apresentaram eficiência de remoção de DQO total na faixa dos 79% a 89%, havendo um certo destaque para o sistema do Rosa Elze, como se apresenta na Figura 1. Tabela 2 - Resultados dos quatro meses de monitoramento, dos sistemas Siri, Rosa Elze, Conjunto Jardim e Lagarto Sistema Monitorado Alcalinidade (mg/CaCO3/l) pH Parâmetro de Qualidade Período de Inferência Siri Rosa Elze Conj. Jardim Lagarto AFL ELF AFL EFL AFL EFL AFL EFL Dezembro/96 – – 7,65 8,98 7,43 8,39 6,60 6,98 Março 7,31 8,61 7,08 9,25 7,30 7,65 6,95 7,36 Maio 7,47 8,28 7,08 8,90 7,40 8,25 6,70 7,44 Junho 8,16 8,70 8,29 8,91 8,30 8,60 – – Média 7,65 8,53 7,52 9,01 7,61 8,22 6,75 7,26 Dezembro/96 – – 726 294 732 99 545 577 Março 285 314 566 292 560 151 177 335 Maio 346 230 315 210 378 115 220 168 Junho 497 290 550 251 180 90 – – Média 376 278 539 262 462 114 314 360 DQO (mg/l) Sólidos Sedimentáveis (ml/l) Sólidos Suspensos Totais (mg/l) Dezembro/96 – – – – – – 1100 150 Março 900 200 1099 99 690 50 – 110 Maio 120 50 1000 88 – 200 95 40 Junho 710 110 400 90 350 20 – – Média 577 120 833 90 520 90 610 100 % remoção – 79,2 – 89,2 – 82,6 – 83,6 Dezembro/96 – – 3,0 – 2,0 - 10 0,1 Março 6,0 0,1 4,5 0,1 6,5 0,1 0,1 0,5 Maio 1,2 0,1 3,0 0,1 0,9 0,1 0,3 01 Junho 10,5 0,4 1,8 0,2 2,0 0,1 – – Média 5,9 0,2 3,10 0,13 2,85 0,1 3,50 0,23 % remoção – 96,6 – 96,10 – 96,50 – 93,40 Dezembro/96 – – – – 360 36 373 57 Março 346 111 314 52 399 57 16 43 Maio 83 34 314 32 94 20 27 34 Junho 368 47 380 8 282 30 – – Média 266 64 336 31 284 36 139 45 % remoção – 75,90 – 90,80 – 87,30 – 67,60 A DQO total média do efluente, de qualquer um dos sistemas, não passou dos 120mg/l, atendendo de algum modo, a legislação de lançamento de efluentes em cursos de água. A variação do tamponamento químico, dos sistemas, mostrou-se dentro da normalidade de esgoto doméstico, da própria atividade microbiológica e climática da área onde estão localizadas as lagoas. Neste contexto, o pH médio do efluente variou de 7,26 a 9,01 enquanto a alcalinidade efluente não passou dos 560mg de CaCo3 /l como valor médio máximo, isso para o sistema de Lagarto, que teve a influência da presença de jacinto aquático (Baronesa). Já o valor médio mínimo chegou aos 114mg de CaCo3 /l para o sistema Jardim, como mostram as Figuras 2 e 3. O comportamento dos quatro sistemas no que se refere a remoção de sólidos sedimentáveis, foi de plena confirmação da alta capacidade das lagoas de estabilização de atuarem como bons decantadores. Essa situação é mais palpável para sistema com maior número de lagoas, conforme comprovação dos resultados dos sistemas Siri e Rosa Elze (veja Figura 4). Os mesmos foram responsáveis, respectivamente, por 96,6% e 96,5% de remoção dos sólidos sedimentáveis que adentram aos mesmos. A presença dos sólidos suspensos totais nos efluentes das lagoas pesquisadas, foi devido mais às algas existentes nas lagoas de maturação. Executa-se, neste contexto, o sistema de Lagarto, que em determinadas ocasiões, apresentou no efluente placas de lodo, desgrudadas das raízes do Jacinto Aquáticos. Isso propiciou a menor eficiência média dos sistemas analisados (67,6%), muito embora não tivesse sido, no global das lagoas analisadas, a maior concentração do efluente final. Na variação dos outros sistemas, as lagoas do Rosa Elze permitiram o melhor desempenho 90,8% de remoção comparados aos outros, porque apresentou menor concentração no seu efluente (31mg/l), mesmo tendo a maior concentração média do afluente (336mg/l) (veja Figura 5). 4. Considerações Finais A simplicidade que as lagoas de estabilização representam, como uma opção para o tratamento de esgotos, tanto em termo de investimentos como de operação/manutenção, não conduz com a realidade que foi constatada para os sistemas de lagoas existentes no estado de Sergipe. Todos os sistemas têm problemas de operação e manutenção, quando não foram complemente abandonados, como os de Tobias Barreto, Itabaiana, UFS, D.I.A., dentre outros. Urge que se tome as providências necessárias a fim de tornarem aqueles sistemas úteis e adequados aos propósitos pelos quais foram projetados e especificados, evitando desse modo, maiores problemas para os corpos de água e o próprio homem. Além do mais, deve-se criar junto às instituições proprietárias a cultura, de que a simplicidade de operação/manutenção não seja sinônimo de abandono ou de deixar ao “deus dará”. As Lagoas de Estabilização necessitam de acompanhamento e manutenção regulares, mesmo havendo suficiente disponibilidade de luz solar e área como ocorre nos exemplos aqui apresentados. 5. Agradecimentos Os autores agradecem ao CNPq, pelo apoio, na concessão de duas bolsas de Iniciação Científica à Universidade Federal de Sergipe e à Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO pelo apoio logístico, principalmente, nas pessoas dos Engos. Gilberto Santana e Frederico M.S. Santos e da técnica Luciene, assim como às instituições: PREFCAMP, ADEMA, CEHOP e CODISE, pela colaboração no fornecimento das informações. 6. Bibliografia Consultada APHA (1992). Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 18 th edition. Washington: American Public Health Association. BEZERRA, José Flávio M. et ali. (1990). Avaliação de Desempenho de Lagoas de Estabilização. CETESB. São Paulo. BEZERRA, José Flávio M. et ali. (1993). 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SILVA, Manoel O. Senra Alvares. (1977). Análises Físico-químicas para Controle de Estações de Tratamento de Esgotos. Companhia de tecnologia de Saneamento Ambiental. São Paulo. SPERLING. Marcos von. (1995). Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos. Volume I. Princípio do Tratamento Biológico de Águas Residuais. DESA/UFMG. VICTORETTI, Benoit Almeida. (1973). Contribuição ao Emprego de Lagoas de Estabilização como Processo para Depuração de esgotos Domésticos. CETESB. São Paulo. UEHARA. Michele Yukie. Et ali. (1989). Operação e Manutenção de lagoas Anaeróbias e Facultativas. CETESB. São Paulo. Figura 1: Variação da DQO total. DQO total (mg/l). Siri(Afluente) 1200 Siri(Efluente) 1000 R.Elze(Aflu.) R.Elze(Eflu. 800 Conj.Jar.(afl.) 600 Conj. Jar.(efl.) 400 Lagarto(afl.) 200 Lagarto(efl.) 0 Dez/96 Março Maio Junho Período de operação(mês). Figura 2: Variação do pH. Siri(Afluente) Siri(Efluente) 10 R.Elze(Aflu.) pH 8 R.Elze(Eflu. 6 Conj.Jar.(afl.) 4 Conj. Jar.(efl.) Lagarto(afl.) 2 0 Dez/96 Lagarto(efl.) Março Maio Período de operação(mês). Junho Figura 3: Variação da Alcalinidade. Siri(Afluente) Siri(Efluente) Alcalinidade, mg/l. 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Dez/96 R.Elze(Aflu.) R.Elze(Eflu. Conj.Jar.(afl.) Conj. Jar.(efl.) Lagarto(afl.) Lagarto(efl.) Março Maio Junho Período de operação(mês). Figura 4: Variação dos Sólidos Sedimentáveis. Sólidos Sed. Ml/l. 12 Siri(Afluente) 10 Siri(Efluente) 8 R.Elze(Aflu.) 6 R.Elze(Eflu. 4 Conj.Jar.(afl.) 2 Conj. Jar.(efl.) 0 Dez/96 Lagarto(afl.) Março Maio Período de operação(mês). Junho Lagarto(efl.) Figura 5: Variação dos Sólidos Totais. Siri(Afluente) Siri(Efluente) Sólidos Totais, mg/l. 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 Dez/96 R.Elze(Aflu.) R.Elze(Eflu. Conj.Jar.(afl.) Conj. Jar.(efl.) Lagarto(afl.) Lagarto(efl.) Março Maio Período de operação(mês). Junho