Artigo de Pesquisa
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Artículo de Investigación
Tavares DMS, Côrtes RM, Dias FA
QUALIDADE DE VIDA E COMORBIDADES ENTRE OS IDOSOS DIABÉTICOS
QUALITY OF LIFE AND CO-MORBIDITIES AMONG ELDERLY DIABETIC
CALIDAD DE VIDA Y COMORBILIDADES ENTRE LOS ANCIANOS DIABÉTICOS
Darlene Mara dos Santos TavaresI
Renata Maciel CôrtesII
Flavia Aparecida DiasIII
RESUMO
RESUMO: Os objetivos deste estudo foram descrever e comparar os escores de qualidade de vida de idosos diabéticos
entre: sexo, faixa etária e comorbidades. Foram entrevistados 358 idosos no município de Uberaba, MG, no período de
agosto a novembro de 2008, utilizando-se os instrumentos WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD. Utilizaram-se medidas
descritivas e o teste ANOVA-F Tukey (p<0,05). A maioria é do sexo feminino e tem de 60 a 69 anos de idade. Os maiores
escores de qualidade de vida foram para relações sociais e habilidade sensorial, enquanto os menores foram para físico e
autonomia. Os homens apresentaram maiores escores em relação às mulheres. Os idosos com 80 anos e mais revelaram
menor escore na participação social. O maior número de comorbidades relacionou-se ao menor escore psicológico. Fazse necessário buscar alternativas para melhoria da qualidade de vida, principalmente entre as mulheres, os idosos mais
velhos e com maior número de morbidades.
Palavras-Chave: Qualidade de vida; idoso; enfermagem geriátrica; Diabetes Mellitus.
ABSTRACT
ABSTRACT: The objectives of this study were to describe and compare the scores of quality of life of elderly diabetics between
sex, age and comorbidities. We interviewed 358 elderly in the municipality of Uberaba, Brazil, the period August to November
of 2008, using the WHOQOL-BREF and WHOQOL-OLD. Measurements of descriptive and ANOVA-F Tukey (p<0.05). Most
are female and have 60-70 years. The highest scores of quality of life were for social and sensory ability, while the lowest were
for physical and autonomy. Men had higher scores in relation to women. The elderly aged 80 and over have lower scores in
social participation. The greater number of comorbidities was associated with the lowest score psychological. It is necessary
to seek alternatives to improve the quality of life, mainly among women, the elderly and older with more comorbidities.
Keywords: Quality of life; aged; geriatric nursing; Diabetes Mellitus.
RESUMEN
RESUMEN: Los objetivos de este estudio fueron describir y comparar las puntuaciones de calidad de vida de ancianos
diabéticos entre sexo, franja etaria y comorbilidades. Fueron entrevistados 358 ancianos en el municipio de Uberaba-MGBrasil, en el período de agosto a noviembre de 2008, utilizandose los instrumentos WHOQOL-BREF y WHOQOL-OLD.
Las mediciones de descriptivo y el test ANOVA-FTukey (p<0,05). La mayoría son mujeres y tienen de 60 a 69 años de edad.
Los puntajes más altos de calidad de vida fueron para relaciones sociales y habilidad sensorial, mientras que los más bajos
fueron para físico y autonomía. Los hombres tuvieron las puntuaciones más altas en relación a las mujeres. Los ancianos con
80 años y más revelaron puntuación más baja en la participación social. El mayor número de comorbilidades se asoció con
la puntuación más baja psicológica. Es necesario buscar alternativas para mejorar la calidad de vida, principalmente de las
mujeres, los ancianos y mayores con más morbilidades.
Palabras Clave: Calidad de vida; anciano; enfermería geriátrica; Diabetes Mellitus.
INTRODUÇÃO
O mundo tem
apresentado mudanças na sua
composição etária em decorrência da interação dinâmica das taxas de mortalidade e fecundidade1. No Brasil, o envelhecimento populacional tem ocorrido de
forma desigual, pois, aproximadamente, 45% dos idosos residem nos Estados de São Paulo (23%), Rio de
Janeiro (11,5%) e Minas Gerais (11,2%)2. O local de
realização desta pesquisa, município de Uberaba, situado no Estado de Minas Gerais, apresenta população idosa de 12,1%3. Estes dados evidenciam a necessidade de se desenvolver pesquisas na referida localidade visando compreender a dinâmica do seu envelhecimento populacional, para a reorganização da
atenção aos idosos4.
I
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem em Educação e Saúde Comunitária do Curso de Graduação
em Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
II
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Bolsista de Iniciação Científica financiada pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Uberaba, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
III
Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Atenção à Saúde da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba, Minas
Gerais, Brasil. E-mail: [email protected].
Recebido em: 29.10.2009 – Aprovado em: 11.01.2010
Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):97-103.
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Qualidade de vida de idosos diabéticos
Com o processo de envelhecimento ocorrem alterações peculiares que não são consideradas doenças,
entretanto, a vulnerabilidade a processos patológicos
aumenta com a idade. Dessa forma, observa-se maior
ocorrência nos idosos de doenças cardiovasculares, respiratórias, neoplásicas, cerebrovasculares, osteoarticulares e endócrinas5. O Diabetes Mellitus (DM), objeto
de estudo desta pesquisa, é uma doença de relevância
mundial devido às altas taxas de morbimortalidade e
perda da qualidade de vida6.
Nesse sentido, os objetivos deste estudo foram
descrever a qualidade de vida dos idosos com Diabetes Mellitus segundo os seus domínios e facetas e comparar os escores de qualidade de vida entre os sexo,
faixa etária e comorbidades.
REFERENCIAL TEÓRICO
O Diabetes Mellitus está associado a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e
vasos sanguíneos7.
Em 1995, estimou-se que essa doença atingia 4%
da população adulta mundial com perspectiva de chegar
a 5,4%, no ano de 2025, e a literatura científica apresenta maior ocorrência na faixa etária de 60 a 69 anos6,7.
A doença é decorrente de defeitos de secreção e/
ou ação da insulina envolvendo processos patogê-nicos
específicos7. Seu tratamento deve enfatizar a manutenção dos níveis glicêmicos em taxas consideradas
normais e as ações preventivas, de forma a postergar as
complicações7. Assim, adaptando seu cotidiano, o idoso
poderá manter vida saudável e digna.
Ademais, o aumento da expectativa de vida deve
estar acompanhado da qualidade de vida, assim como
da manutenção da inserção social e de boas condições
de saúde. Nesse contexto, pesquisas que investigam
quais as condições que favorecem boa qualidade de vida
entre os idosos com Diabetes Mellitus contribuem para
ampliar a compreensão do processo de envelhecimento, limites e alcances do desenvolvimento humano e
subsidiam os serviços de saúde no desenvolvimento
da atenção à saúde desta população8.
A introdução do conceito de qualidade de vida na
área da saúde encontra constructos afins, cujos limites
não são claros. Alguns enfatizam uma visão biológica e
funcional, como status de saúde, funcional e incapacidade/deficiência; outros são eminentemente sociais e psicológicos, como bem-estar, satisfação e felicidade; uma terceira vertente é de origem econômica9.
O grupo de estudiosos em qualidade de vida da
Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs um conceito subjetivo, multidimensional, com aspectos positivos e negativos, ou seja, “percepção do indivíduo de sua
posição na vida no contexto da cultura e sistema de
p.98 •
Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):97-103.
valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”10:1405.
Não se observa diferença significativa na qualidade de vida do idoso em relação aos sexos, porém
diminui conforme aumenta a faixa etária 11 .
Concernente às morbidades, a enfermagem e ciências afins têm investigado situações de saúde/doença
que comprometem a qualidade de vida do idoso e que
apresentam repercussões e interlocuções para a prática profissional12.
Assim, esta investigação tem a finalidade de
contribuir para ampliar o conhecimento sobre essa
temática, de maneira a subsidiar a formulação de ações
e políticas públicas para os idosos com Diabetes
Mellitus, fortalecendo a gestão, os serviços e melhorando as condições de saúde e de vida desta população. Ademais, estudos regionais favorecem a construção do conhecimento sobre determinado território, que se somam aos outros e possibilitam ampliar a
visão sobre determinado objeto de investigação, uma
vez que o Brasil, os Estados e os Municípios apresentam diversidades regionais.
METODOLOGIA
Esta pesquisa faz parte de um estudo maior, tipo
inquérito domiciliar, transversal e observacional,
desenvolvida na zona urbana do município de
Uberaba-MG, em que se avaliou a qualidade de vida
de 2.183 idosos. Os dados foram coletados no período de agosto a novembro de 2008.
Para a definição da população, desse estudo maior, foi
utilizada a técnica de amostra sistemática realizada em estudo anterior pelo Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva.
Para tanto, considerou-se 95% de confiança, 80% de poder
de teste, margem de erro de 4% para as estimativas
intervalares e uma proporção estimada de π = 0,5 para as
proporções de interesse.
Para a condução da presente investigação, foram
incluídos os idosos que atenderam aos critérios: ter
idade de 60 anos ou mais; autorreferir ter o diagnóstico de Diabetes Mellitus; ter obtido pontuação mínima
de 13 pontos na avaliação cognitiva realizada no estudo anterior; sexo masculino ou feminino; residir na
zona urbana de Uberaba; e aceitar participar da pesquisa. Dessa forma, partiu-se de uma amostra de 418
idosos com Diabetes Mellitus, entre os quais 358 foram
entrevistados, visto que 18 faleceram, 16 recusaram e
26 não se encontravam no domicílio após três visitas.
Para a caracterização da população, utilizou-se
instrumento semiestruturado e a qualidade de vida
foi mensurada por meio do WHOQOL-BREF e
WHOQOL-OLD validados no Brasil13,14.
Optou-se pela entrevista direta na aplicação dos
referidos instrumentos, que pode ser auto-aplicável,
Recebido em: 29.10.2009 – Aprovado em: 11.01.2010
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em razão da possível dificuldade de leitura, problemas visuais e analfabetismos entre os idosos.
A população foi caracterizada de acordo com as
variáveis sociodemográficas e de saúde: sexo, faixa etária,
estado conjugal, escolaridade, renda individual, tipo e
número de morbidade e capacidade funcional.
O WHOQOL-BREF é composto por 26 questões, das quais duas referem-se à percepção individual da qualidade de vida e as demais (24) estão subdivididas em quatro domínios, a saber: físico; psicológico; relações sociais; e meio ambiente13.
O módulo WHOQOL-OLD possuí 24 itens contendo seis facetas: funcionamento do sensório; autonomia; atividades passadas, presentes e futuras; participação social; morte e morrer e intimidade. Os escores
da qualidade de vida podem variar de 0 a 100. Os maiores escores correspondem à melhor qualidade de vida14.
Os dados sociodemográficos e de saúde foram
analisados por meio de distribuição de frequência simples, para as variáveis categóricas e, média e desvio
padrão para as numéricas. Para comparar a qualidade
de vida com o sexo, faixa etária e número de
comorbidades foi utilizado ANOVA-F e teste de Tukey
(p<0,05). Cada domínio do WHOQOL-BREF e faceta
do WHOQOL-OLD foram analisados isoladamente,
no software SPSS, com as respectivas sintaxes.
O projeto, desta pesquisa, foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da
Universidade Federal do Triângulo Mineiro, protocolo no 897. Os idosos foram contactados em seus
domicílios, aos quais foram apresentados os objetivos, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
e oferecidas as informações pertinentes. Somente após
a anuência do entrevistado e assinatura do referido
Termo foi conduzida a entrevista.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Verifica-se que a
maioria é do sexo feminino
(69,8%), está na faixa etária de 60 a menos de 70 (44,1%)
e 70 a menos de 80 anos (40,2%), conforme mostra a
Tabela 1. O predomínio do sexo feminino tem sido observado em estudos realizados com idosos diabéticos no
Brasil4,6,15-17. Este fato pode estar relacionado à maior
preocupação das mulheres com sua saúde, favorecendo
maior acesso ao diagnóstico da doença4.
A maior ocorrência de idosos na faixa etária de
60 a menos de 70 anos corrobora investigação conduzida em um centro de reabilitação de Araraquara-SP
(48%)17 e com idosos que participam de um grupo da
terceira idade (48,5%), em Erechim-RS18.
Observou-se predomínio de idosos casados ou
que moram com companheiro (50,6%), de acordo com
a Tabela 1. Percentuais acima (60%) dos obtidos neste
estudo foram encontrados em pesquisas realizadas com
Recebido em: 29.10.2009 – Aprovado em: 11.01.2010
Tavares DMS, Côrtes RM, Dias FA
TABELA 1: Distribuição de frequência das variáveis
sociodemográficas dos idosos
Variáveis
Sexo
Feminino
Masculino
Faixa etária 60 - 70
70 - 80
80 e mais
Estado
Casado ou mora com
conjugal
companheiro
Separado/Desquitado/
Divorciado
Viúvo
Solteiro
Escolaridade Sem escolaridade
(em anos de
estudo)
1-4
4-8
8
9 e mais
Renda
individual Sem renda
(em salário
mínimo)
<1
1
1-3
3-5
>5
N
%
250
108
158
144
56
69,8
30,2
44,1
40,2
15,6
181 50,6
25
7
135 37,7
17 4,7
65 18,2
133 37,2
95 26,5
17 4,7
46 12,8
38
10,6
5
1,4
197 55
96 26,8
15 4,2
5
1,4
idosos diabéticos e não diabéticos, em relação ao estado conjugal19. Entretanto, esses dados denotam a possibilidade do estabelecimento de corresponsabilidade
familiar no cuidado ao idoso.
Referente à escolaridade, 37,2% possuem de 1 a
menos de 4 anos de estudo, como mostra a Tabela 1.
Percentuais superiores foram encontrados em estudo
com indivíduos diabéticos no qual 65,6% possuíam
de 1 a 5 anos de estudo e 18,4% eram analfabetos6. A
baixa escolaridade pode dificultar o acesso a informações, trazer menos chances de aprendizado sobre
o autocuidado, além de dificuldades no entendimento das condutas terapêuticas6. Nesse sentido, a enfermagem deve criar estratégias que facilitem o aprendizado e troca de informações.
Observa-se que a maioria tem renda mensal individual de um salário mínimo (55%), conforme a
Tabela 1. A renda obtida está abaixo da encontrada
entre idosos moradores da periferia, que recebia de 1
a 2 salários mínimos (66,2%)20. A baixa renda é um
fator que pode comprometer a adesão ao tratamento
medicamentoso e dieta alimentar do idoso diabético4. Nessa perspectiva, as ações em saúde devem ser
consoantes com as possibilidades econômicas dos
idosos, visando o tratamento efetivo.
As morbidades mais frequentes foram hipertensão arterial (83,5%), má circulação (66,6%) e problemas cardíacos (56,8%). Destaca-se que 81% dos idosos apresentaram seis ou mais, 13,4% de quatro a cinRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):97-103.
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Qualidade de vida de idosos diabéticos
co e 5,6%, uma a três comorbidades. A hipertensão
arterial é duas vezes mais frequente em pessoas com
diabetes, quando comparado à população em geral6.
Percentuais menores foram obtidos em investigação
conduzida no mesmo município do presente estudo
(43,8%)15 e em São Paulo (54%)17.
O Diabetes Mellitus e a hipertensão arterial são
os principais fatores de risco para as doenças
cardiovasculares. Dessa forma, faz-se necessário
implementar o rastreamento das duas doenças entre
os idosos. É mister a realização de ações preventivas
de doenças e promocionais de saúde entre os idosos
com diabetes com a finalidade de postergar as complicações crônicas.
Na avaliação dos idosos, a qualidade de vida foi
classificada como boa (67%), destacando-se, também,
os que estão satisfeitos com a própria saúde (57%). O
escore total foi de 64,46.
Observa-se que os domínios da qualidade de vida
com maiores escores, segundo o WHOQOL-BREF,
foram: relações sociais (67,15); psicológico (64,92) e
meio ambiente (62,27), enquanto o menor foi o físico (54,38).
Esses dados corroboram estudo realizado que observou menor escore no domínio físico na população
com diabetes (64,5)19. Esse fato pode ser devido à
cronicidade do diabetes que requer tratamento continuo, além das complicações crônicas que também exigem continuidade assistencial. Tal situação pode fazer
com que os idosos se sintam fisicamente afetados19.
As facetas do WHOQOL-OLD que apresentaram maiores escores para a qualidade de vida foram:
habilidade sensorial (77,58), morte e morrer (76,08) e
intimidade (69,46), enquanto que os menores foram
para atividades passadas, presentes e futuras (64,04),
participação social (61,78) e autonomia (58,69).
Observaram-se resultados diferentes em outros
estudos nos quais a faceta com maior escore médio
foi para a participação social18,21. Em outra pesquisa,
os idosos diabéticos apresentaram maior escore na
faceta morte e morrer, resultado diferente do encontrado no presente estudo20. O comprometimento da
autonomia e da participação social denota a necessidade de desenvolver estratégias que estimulem a independência e a articulação de ações junto à sociedade que contribuam para a implementação de atividades sociais que contemplem essa população.
O maior escore da qualidade de vida está no domínio relações sociais tanto para o sexo masculino (69,21)
como para o feminino (66,27) e o menor, no físico, conforme a Tabela 2. A comparação entre os sexos mostrou
que os homens apresentam maior escore nos domínios
psicológico (t=2,301; p=0,022), social (t=2,110;
p=0,036) e meio ambiente (t=2,691; p=0,008).
A qualidade de vida avaliada pelo WHOQOL-OLD
evidenciou maior escore entre os homens na faceta morte e morrer (80,96) e para as mulheres na habilidade sensorial (76,65), de acordo com a Tabela 2. Já o menor escore, para ambos os sexos, relaciona-se à autonomia. Verificou-se que o sexo masculino apresenta maiores escores
nas facetas morte e morrer (t=2,535; p=0,012) e intimidade (t=3,267; p=0,001) e na qualidade de vida geral
(t=2,549 p=0,011) quando comparado ao feminino.
Os escores obtidos pelas mulheres idosas (72,2),
participantes de grupo da terceira idade, foram superiores aos dos homens (70,4)18, ao contrário do encontrado
nesta investigação — que observou menores escores
em todos os domínios e facetas da qualidade de vida.
TABELA 2: Escores de qualidade de vida WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD, segundo sexo
e faixa etária dos idosos diabéticos de Uberaba, 2009.
Variáveis
p.100 •
Sexo
Faixa etária
Feminino Masculino 60-70
70-80 80 e mais
WHOQOL-BREF
Físico
Psicológico
Relações sociais
Meio ambiente
Geral
53,36
63,98
66,27
61,23
63,35
56,75
67,11
69,21
64,7
67,01
53,34
64,13
67,59
60,9
60,83
56,6
65,66
67,42
63,04
67,62
51,59
65,25
65,25
64,17
66,52
WHOQOL-OLD
Habilidade sensorial
Autonomia
Ativ. passadas, presentes e futuras
Participação social
Morte e morrer
Intimidade
Geral
76,65
58,1
63,52
61,34
73,97
67,97
66,98
79,74
60,06
65,21
62,78
80,96
72,9
70,28
78,75
57,75
62,34
61,66
74,44
68,47
67,43
77,21
60,59
64,93
63,75
76,69
70,39
68,93
75,22
56,47
66,51
57,03
79,2
69,46
67,1
Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):97-103.
Recebido em: 29.10.2009 – Aprovado em: 11.01.2010
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Tavares DMS, Côrtes RM, Dias FA
A enfermagem juntamente com a equipe
multidisciplinar deve incentivar o apoio familiar, a
fim de promover a socialização dos idosos, bem como
o desenvolvimento de atividades de inclusão social.
Concernente à diferença entre os sexos no domínio intimidade ressalta-se que os idosos que são
acolhidos e respeitados no seio familiar sentem-se
mais felizes e valorizados. O companheirismo, o sentimento de amar e ser amado possui um valor significativo nessa fase da vida18.
A comparação entre as faixas etárias e os domínios do WHOQOL-BREF não apresentou diferença
significativa nos domínios: físico (F=2,612;
p=0,075), psicológico (F=0,651; p=0,522), social
(F=0,816; p=0,443) e ambiental (F=2,068;
p=0,128). Porém, a qualidade de vida geral apresentou menor escore entre os idosos no grupo de 60 a 69
anos (60,83) comparado aos com faixa etária de 70 a
79 anos (67,62) (F=7,202; p=0,001). Ver Tabela 2.
Nas facetas do WHOQOL-OLD, as faixas
etárias de 60 a 69 (78,75) e 70 a 79 anos (77,21)
apresentaram maiores escores na habilidade sensorial enquanto entre os idosos com 80 anos e mais
na morte e morrer (79,20). No que concerne ao
menor escore, para as três faixas etárias está localizado na autonomia. Verificou-se que aqueles com
idade entre 70 e 79 anos possuem maior escore na
faceta participação social em relação aos que estão
com 80 anos e mais (p=0,021). Ver Tabela 2.
Não se observou consenso na literatura científica sobre o aumento da idade e menor qualidade de
vida. Investigação conduzida com uma população
octogenária e nonagenária constatou que o escore de
qualidade de vida de todos os domínios diminui con-
forme a aumenta a faixa etária11. Outro estudo, realizado com um grupo da terceira idade de Porto Alegre-RS, não apresentou diferença significativa entre
as facetas do WHOQOL-OLD e as faixas etárias18.
Resultados diferentes do encontrado nesta investigação, em que a participação social apresentou menores
escores entre os idosos de 80 anos e mais, a qualidade
de vida geral mensurada pelo WHOQOL-BREF foi
menor entre aqueles no grupo de 60 a 69 anos.
O aumento da faixa etária pode levar ao
declínio do estado de saúde e renda, e à alteração do
estado conjugal, causando redução na qualidade de
vida dos idosos11. Estes fatores associados ao Diabetes Mellitus podem contribuir com o aparecimento
de complicações, causando redução do estado de
saúde e funcionamento físico, diminuindo, assim, a
qualidade de vida.
O maior escore de qualidade de vida, WHOQOLBREF, foi para o domínio físico entre os que possuem
de um a três comorbidades, já para os demais foram
para o relações sociais. O menor escore esteve relacionado ao domínio meio ambiente para os que possuem
de um a três (61,09) e de quatro a cinco (62,17)
comorbidades, enquanto para aqueles que possuem seis
ou mais (51,95) foi para o físico. Os idosos com seis
comorbidades apresentam pior escore de qualidade de
vida referente ao domínio psicológico comparado aos
demais (F=21,646; p=0,000). Ver Tabela 3.
No WHOQOL-OLD, o maior escore foi para a
faceta habilidade sensorial e o menor para a autonomia, independente do número de comorbidade. A comparação entre o número de comorbidade não apresentou diferença significativa: funcionamento sensório
(F=0,730; p=0,483), autonomia (F=1,077; p=0,342),
atividades passadas, presentes e futuras (F=0,755;
TABELA 3
3: Escores de qualidade de vida WHOQOL-BREF e WHOQOL-OLD , segundo
número de comorbidades dos idosos diabéticos de Uberaba, 2009.
V ariáveis
Comorbidades
1 - 3
3 - 5
6 e mais
WHOQOL-BREF
Físico
Psicológico
Relações sociais
Meio ambiente
Geral
70,18
68,54
63,75
61,09
71,25
62,5
66,92
69,27
62,17
67,19
51,95
64,34
67,04
62,37
63,53
WHOQOL-OLD
Habilidade sensorial
Autonomia
Ativ. passadas, presentes e futuras
Participação social
Morte e morrer
Intimidade
Geral
83,12
62,81
65,62
63,43
80
63,43
69,74
77,73
59,11
65,75
61,58
74,34
68,48
67,84
77,17
58,34
63,64
61,69
76,1
70,04
67,89
Recebido em: 29.10.2009 – Aprovado em: 11.01.2010
Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):97-103.
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Qualidade de vida de idosos diabéticos
p=0,471), participação social (F=0,113; p=0,893),
morte e morrer (F=0,387; p=0,680), intimidade
(F=1,799; p=0,167) e total (F=0,254; p=0,776). Ver
Tabela 3.
O impacto no aspecto psicológico dos idosos
pode ter relação com a preocupação referente à saúde e
ao acompanhamento das doenças, devido ao uso de
medicações e às mudanças nos hábitos de vida. É relevante considerar os aspectos psicológicos, sociais e
culturais das pessoas com Diabetes Mellitus para que se
possa obter uma melhor convivência com a doença6.
A enfermagem deve desenvolver trabalho com a equipe multiprofissional visando identificar as dificuldades enfrentadas pelos idosos, de modo a obter melhor
adaptação e controle das doenças, minimi-zando a interferência na qualidade de vida.
A troca de experiências entre os profissionais
de saúde revela que o trabalho em equipe multidisciplinar pode se efetivar quando os trabalhadores têm
o objetivo de assistir adequadamente o cliente diabético, e por meio da aprendizagem promover o
autocuidado e melhoria da qualidade de vida22.
O processo de envelhecimento associado ao
Diabetes Mellitus pode gerar insegurança, em decorrência das suas complicações, que causam danos físicos, dependências, fragilidade e diminuição da autonomia19. Faz-se necessário que a enfermagem atue no
planejamento de ações preventivas das complicações
crônicas e na promoção à saúde, contribuindo para a
manutenção da autonomia e dos aspectos físicos dessa população.
CONCLUSÃO
Neste estudo verificou-se que a maioria é do sexo
feminino, na faixa etária de 60 a 69 anos, casado ou
mora com companheiro, com 1 a 3 anos de estudo e
renda de 1 salário mínimo. As comorbidades mais
frequentes foram: hipertensão arterial, má circulação e problemas cardíacos. A maioria apresentou seis
e mais comorbidades.
A análise da qualidade de vida evidenciou maior
escore no domínio relações sociais e menor no domínio físico, WHOQOL-BREF. A mensuração através
do WHOQOL-OLD apresentou maior escore na faceta
habilidade sensorial e menor na autonomia.
A comparação entre os sexos demonstrou que
os homens apresentaram melhores escores de qualidade de vida. Entre as faixas etárias, observou-se que
os idosos com 60 a 69 anos apresentam menor escore
geral e os com 80 anos e mais, menor escore na participação social.
Observou-se menor escore no componente
psicológico relacionado ao maior número de
comorbidades.
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Diante desses achados, faz-se necessário considerar os aspectos físicos e autonomia como fatores de
impacto na vida do idoso, interferindo principalmente na manutenção de suas atividades junto à comunidade, bem como buscar alternativas para melhoria da
qualidade de vida, principalmente entre as mulheres,
os idosos mais velhos e com maior número de
morbidades.
A enfermagem, juntamente com a equipe
multidisciplinar, pode promover ações que visem à
manutenção da autonomia dessa população, além de
atividades direcionadas para o cuidado com a saúde.
Visa-se potencializar os aspectos físicos, por vezes
minimizados pelos efeitos decorrentes do processo de
envelhecimento. A atenção à saúde dos idosos deve
ser estruturada de modo a incentivar o apoio familiar
na realização dessas atividades e contribuir para a participação social e melhoria dos aspectos psicológicos.
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