UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE NÚCLEO DE TECNOLOGIA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL PEDRO RENATO SOBRAL RODRIGUES ANÁLISE DE CONCRETOS COM AGREGADOS GRAÚDOS RECICLADOS EM RELAÇÃO AOS PARÂMETROS DE RESISTÊNCIA ESPECIFICADOS PARA PLACAS DE PAVIMENTO RÍGIDO Caruaru, 2011 PEDRO RENATO SOBRAL RODRIGUES ANÁLISE DE CONCRETOS COM AGREGADOS GRAÚDOS RECICLADOS EM RELAÇÃO AOS PARÂMETROS DE RESISTÊNCIA ESPECIFICADOS PARA PLACAS DE PAVIMENTO RÍGIDO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil do Centro Acadêmico do Agreste - CAA, da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil. Área de concentração: Engenharia/Engenharia Civil/Materiais de construção para pavimentos Orientador: Prof. M.Sc. Maurício Oliveira de Andrade ii iii Catalogação na fonte Bibliotecária Simone Xavier CRB4 - 1424 R696a Rodrigues, Pedro Renato Sobral Análise de concretos com agregados graúdos reciclados em relação aos parâmetros de resistência especificados para placas de pavimento rígido / Pedro Renato Sobral Rodrigues. - Caruaru : O autor, 2011. 53p. : il. ; 30 cm. Orientador: Maurício oliveira de Andrade Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Universidade Federal de Pernambuco, CAA. Engenharia Civil, 2011. Inclui bibliografia. 1. Concreto. 2. Pavimento. 3. Agregado graúdo. I. Andrade, Mauricio Oliveira de. iv Dedicatória Dedico este trabalho a todos que me auxiliaram nesta luta, sempre ao meu lado, me passando toda fé, amor, alegria, paciência, e coragem, que foram o combustível que me levou até o fim. Aos meus pais, Pedro Luiz e Maria do Carmo, ao meu irmão, Eduardo. Motivos da minha existência. v Agradecimentos A Deus, que esteve comigo durante todos os momentos, dos menos difíceis aos que pareciam impossíveis de se superar. Aos meus pais, Pedro Luiz e Maria do Carmo, cuja instrução, carinho e exemplo me deram o rumo e as armas com as quais lutar contra todos os desafios. Aos meus avós, Arlindo e Edite, pelo apoio no começo do curso e sem os quais teria sido muito mais difícil o começar. A todos os meus tios, primos e amigos, que sempre me deram apoio e incentivo a vencer os desafios, cujos nomes não caberiam aqui e cuja citação parcial não seria justa, visto a equidade da importância de todos, para mim. A todos os colegas que fiz, ao longo destes anos, sem os quais a caminhada seria mais difícil e menos alegre. A Marcos, o primeiro a me dar a mão quando entrei no meio deste grupo, Martina, também das primeiras que conheci e cuja determinação (e cópias dos cadernos), foram exemplos de como prosseguir sempre. A Antoniel, que já trilha seu caminho fora da universidade, mas com quem nunca perdi o contato e a amizade. Arthur, Anderson, Heverton, Carla e tantos outros, que também sempre estiveram por perto, dividindo trabalhos, angústias, risadas, planos e sonhos. Também a Marília, que me deu um grande direcionamento, em um momento decisivo deste trabalho. Aos professores, Maurício, Renato, Ana Cecília, Flávio, Kênia, Sávia, Simone, Sylvana, Washington, Humberto, Érika, Igor, Moura, Paulo, Saulo, Leonardo, entre tantos outros, que também sempre acompanharam a minha jornada, me alimentando com mais que aulas mas, também, conselhos, puxões de orelha, exemplos e injeções de ânimo. Ao professor Arnaldo, que gentilmente cedeu o espaço do laboratório de estruturas do CTG, na UFPE em Recife e à usina Ciclo Ambiental, em nome do senhor Flávio Burgos, que ofereceu o agregado graúdo para os experimentos. vi RESUMO Análise de Concretos com Agregados Graúdos Reciclados em Relação aos Parâmetros de Resistência Especificados para Placas de Pavimento Rígido Quando placas de pavimento rígido quebram e perdem sua serventia, normalmente têm seus materiais destinados a utilizações menos nobres, como composição granulométrica para bases e sub-bases dos pavimentos, quando não são completamente descartadas. Apesar de ainda ser pouco estudado no Brasil, países da Europa e da América do Norte já experimentam a reutilização de agregados reciclados em pavimentos de concreto há décadas. Por conta do potencial demonstrado nestas aplicações, e dos ganhos ambientais e econômicos obtidos, ressalta-se a relevância do tema da reciclagem de pavimentos de concreto. O presente trabalho vislumbra a possibilidade de reciclar os agregados graúdos das placas de concreto descartadas, reutilizando-os na confecção de novas placas de concreto para pavimento rígido. Através de uma análise da resistência à tração na flexão e à compressão de corpos de prova de concretos produzidos substituindo-se, parcial e totalmente, o agregado graúdo virgem por agregado graúdo reciclado, pretende-se verificar se é possível obter as resistências preconizadas nas especificações do DNIT, comparando os resultados com os de um traço de concreto convencional. Apesar de não terem sido alcançadas as resistências especificadas, o objetivo de procurar equivalência na resistência, entre um traço de substituição de agregados e o traço de referência, atingiu êxito. Embora o número limitado de amostras não permite dar um parecer definitivo, dentro das limitações, confirma o potencial da reciclagem de agregados graúdos de pavimentos rígidos. Palavras-Chave: Reciclagem, Concreto, Agregado Graúdo, Pavimento de Concreto. vii ABSTRACT Analysis of Concrete with Coarse Recycled Aggregates for the Parameters of Resistance Specified to Slab for Concrete Pavement When slabs of rigid pavement break and lose their usefulness, usually have their materials directed to less noble uses, such as particle size distribution for sub-bases and bases of the floors, when they are not completely discarded. Although still little studied in Brazil, countries in Europe and North America are already experiencing the reuse of recycled aggregates in concrete pavements for decades. Because of the potential shown in these applications, and to the environmental and economic gains obtained, it emphasize the relevance of the theme from recycling concrete pavements. This paper envisions the possibility of recycling the discarded coarse aggregate of concrete slabs, reusing them in the manufacture of new concrete slabs for rigid pavement. Through an analysis of the tensile strength in bending and compressive strength of test specimens of concrete produced replacing, partially and fully, the virgin coarse aggregate by recycled coarse aggregate, intended to verify that you can get the recommended resistance from the DNIT specifications, comparing the results with those of a conventional concrete mix. Although none of specified resistance was met, the objective being to find an equivalent resistance between a trace of recycled aggregates and the referrence concrete, achieved success. Although the limited number of samples does not permit a definitive opinion, within the limitations, confirms the potential of recycling coarse aggregate of rigid pavements. Keywords: Recycling, Concrete, Coarse Aggregate, Concrete Pavement. viii LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Pavimento flexível 7 Figura 2 – Camadas e tensões solicitantes do pavimento flexível 7 Figura 3 – Pavimento rígido 8 Figura 4 – Camadas e tensões solicitantes do pavimento rígido 9 Figura 5 a,b e c - Máquinas de processamento no processo de reciclagem de agregados 18 Figura 6 – gráfico do coeficiente de inchamento 29 Figura 7 - Curva de Abrams 34 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Teores dos componentes do cimento Tabela 2 – Exigências químicas (% em massa) Tabela 3 – Exigências físicas e mecânicas Tabela 4 – Granulometria do agregado miúdo Tabela 5 - granulometria do agregado graúdo virgem Tabela 6 - granulometria do agregado graúdo reciclado Tabela 7 – Coeficientes medidos pelo gráfico de inchamento Tabela 8 – Valores de A% 35 Tabela 9 – Valores da porcentagem de agregado miúdo em relação ao graúdo Tabela 10 – Traço 1 – Traço de referência Tabela 11 – Traço 2 – Traço com 50% de substituição do agregado graúdo virgem por agregado graúdo reciclado Tabela 12 – Traço 3 – Traço com 100% de substituição do agregado graúdo virgem por agregado graúdo reciclado Tabela 13 – Consumo de materiais para corpos de prova cilíndricos Tabela 14 – Consumo de materiais para corpos de prova prismáticos Tabela 15 – Consumo total de materiais Tabela 16 – Resistência dos corpos de prova cilíndricos em MPa Tabela 17 – Valores para ψ6 Tabela 18 – resultados de fckest Tabela 19 – valores das resistências médias, fctm Tabela 20 – valores das resistências de tração à flexão, fctm Tabela 21 – valores das resistências características, fckest Tabela 22 – valores das resistências médias, fctm x 19 19 20 25 26 26 29 35 35 36 36 36 37 37 38 39 39 39 40 40 41 41 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1 1.1 Justificativa 1 1.2 Motivação 2 1.3 Objetivos 2 1.3.1 Gerais 2 1.3.2 Específicos 2 1.4 Metodologia 2 2 PAVIMENTOS: FUNÇÕES, COMPORTAMENTOS E MATERIAIS 3 2.1 Tipos e Comportamento Mecânico 3 2.1.1 Pavimento Flexível 3 2.1.2 Pavimento Rígido 5 2.2 Materiais Recicláveis com Potencial Uso na Pavimentação 6 2.2.1 Pneus de Borracha 6 2.2.2 Bagaço de Cana-de-Açúcar 8 2.2.3 Resíduos de Construção e Demolição (RCD) 9 2.3 Constituintes do Pavimento Rígido 15 2.3.1 Cimento 15 2.3.2 Agregados 17 2.3.3 Água 19 2.3.4 Aditivos 19 2.3.5 Selantes De Juntas 20 2.3.6 Concreto 20 3 – METODOLOGIA DA PESQUISA 21 3.1 Caracterização dos Agregados 22 3.1.1 Granulometria 22 3.1.1.1 Granulometria do Agregado Miúdo 22 3.1.1.2 Granulometria do Agregado Graúdo Virgem 23 3.1.1.3 Granulometria do Agregado Graúdo Reciclado 23 3.1.2 Dimensão Máxima Característica 23 3.1.2.1 Dimensão Máxima Característica do Agregado Graúdo Virgem 23 3.1.2.2 Dimensão Máxima Característica do Agregado Graúdo Reciclado 24 3.1.2.3 Dimensão Máxima Característica do Agregado Miúdo 24 3.1.3 Umidade do Agregado Miúdo 24 3.1.4 Inchamento do Agregado Miúdo 24 3.1.5 Massa Específica 26 3.1.5.1 Massa Específica do Cimento 27 3.1.5.2 Massa Específica do Agregado Miúdo 27 3.1.5.3 Massa Específica do Agregado Graúdo Virgem 27 3.1.5.4 Massa Específica do Agregado Graúdo Reciclado 28 3.1.6 Massa Unitária 28 3.1.6.1 Massa Unitária do Agregado Miúdo 28 3.1.6.2 Massa Unitária do Agregado Graúdo Virgem 3.1.6.3 Massa Unitária do Agregado Graúdo Reciclado 3.2 Cálculo do Traço 3.2.1 Cálculo da Tensão de Dosagem 3.2.2 Relação água/cimento 3.2.3 Determinação do Consumo dos Materiais 3.2.3.1 Relação Água/Materiais Secos 3.2.3.2 Determinação da Quantidade de Agregados Graúdos e Miúdos 3.2.3.3 Determinação do Traço em Massa Por kg de Cimento 4 – ETAPA EXPERIMENTAL 4.1 Concretagem e Moldagem 4.2 Ruptura dos Corpos de Prova 5 – RESULTADOS 5.1 Ensaio De Compressão 5.2 Ensaio de Tração à Flexão 6 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 7 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 29 29 30 30 30 31 31 32 32 33 33 35 35 35 37 38 39 1 INTRODUÇÃO 1.1 Justificativa Os altos níveis de consumo, os quais a humanidade tem atingido, vem acompanhados de um efeito colateral, que são os resíduos resultantes, seja nas embalagens (plásticas, de isopor, metálicas etc.), seja no descarte dos produtos (após o fim de sua vida útil). A quantidade de materiais descartados acumulados justifica uma busca por sua reciclagem visto que, em alguns casos, é mais barato reincorporá-los ao processo produtivo do que adquirir matériaprima nunca utilizada, além do que, a quantidade de material descartado chegou a um volume, principalmente nas últimas décadas, que tem tornado escassos os espaços para deposição adequada, o que, junto à falta de saneamento, educação e consciência ambiental e deficiência na coleta, fazem com que muito deste descarte ocupe espaços como: terrenos baldios (onde proliferam animais peçonhentos e vetores de diversas doenças), rios e lagos (podendo aumentar o nível normal da água, podendo causar enchentes) e valetas (entupindo os canais de escoamento e causando alagamentos, durante chuvas). Alguns produtos, porém, não podem ser reciclados, de forma a voltar à cadeia produtiva que os gerou (como os pneus de borracha, alguns tipos de plástico etc.), o que cria a necessidade de encontrar outro lugar para realocá-los. No pavimento de concreto, dependendo do tempo e condições de uso, há o rompimento e perda de funcionalidade das placas que o compõe, sendo necessárias suas substituições. O material descartado, quando reutilizado na pavimentação, normalmente se torna parte da base ou da sub-base, como agregado, sendo esta uma utilização não tão nobre quanto a reincorporação destes agregados no concreto das novas placas do pavimento. Por conta disto, o presente trabalho pretende analisar alguns parâmetros de resistência de concretos produzidos com substituições dos agregados graúdos virgens por agregados reciclados de placas de concreto. 1 1.2 Motivação Os diversos ramos da engenharia têm procurado formas de incorporar os materiais recicláveis em suas práticas diárias, de forma a agregar o máximo de valor possível aos descartados sem perder as características do produto final e, se possível, incrementar algumas destas características, com a adição. A escolha da reciclagem de agregados de pavimento vem da grande quantidade de pavimentos existente e que eventualmente necessita ser substituída, tendo materiais nobres descartados e utilizados, quando muito, como composição de base ou sub-base dos pavimentos rígidos, quando poderia voltar a fazer parte da placa de concreto. 1.3 Objetivos 1.3.1 Gerais Analisar a resistência, à tração na flexão, de concretos compostos com agregados graúdos reciclados, gerados a partir de resíduos de pavimentos rígidos, com o propósito de utilizá-los novamente, na confecção de placas de concreto para pavimentação, ante as especificações recomendadas pelo DNIT (2005). 1.3.2 Específicos Construir traços de concreto com substituição em volume, de agregado graúdo comum virgem (brita nunca antes utilizada) por agregado comum reciclado (vindo de placas de concreto descartadas), para a análise da resistência à tração na flexão e à compressão, e comparar com o desempenho de um concreto composto apenas com materiais convencionais, além de fazer uma breve análise do custo da substituição. 1.4 Metodologia Em uma primeira etapa foi escolhida a fonte de origem do agregado, gerado pela usina Ciclo Ambiental, localizada na Avenida Pernambuco S/N, Centro, Camaragibe, Pernambuco. Estas amostras foram caracterizadas e, em seguida, foram realizados os cálculos para a obtenção de traços, baseados nas características recomendadas pelo Manual de Pavimentos Rígidos, do DNIT (2005) e normas pertinentes. Após isto, foram moldados corpos de prova 2 que atendessem à especificação da NBR 5738 (2008), para serem realizados ensaios de ruptura por compressão, de acordo com a NBR 5739 (2007), e à norma NBR 12142 (2010), para determinar a resistência à tração à flexão de corpos de prova prismáticos, que são os ensaios que determinam as resistências relevantes para a construção de placas de concreto para pavimentos rígidos. 2 PAVIMENTOS: FUNÇÕES, COMPORTAMENTOS E MATERIAIS Os tipos mais simples de vias são as de terra, quando só é feita a desobstrução, com a retirada de possíveis obstáculos aos veículos (árvores, pedras entre outros). Este tipo de via não tem uma boa resistência às intempéries nem à passagem dos veículos, que carreiam as partículas do solo e, com o tempo, formam panelas (buracos) e acabam por comprometer o tráfego nos fatores: conforto, segurança e economia. Os pavimentos são estruturas que servem para compensar as deficiências do subleito (a camada formada pelo solo natural ou por aterro, no caso do solo natural não ser resistente o suficiente), transmitindo as tensões causadas pelo peso dos veículos de forma atenuada ao solo, impermeabilizá-lo, a fim de evitar a desagregação dos grãos e atender às exigências de conforto e segurança. São formadas por várias camadas, sendo a superior, que dá nome ao pavimento, a responsável pelas características de conforto, segurança, impermeabilização e transmissão de cargas, e as inferiores, que variam conforme o tipo de pavimento, responsáveis pela atenuação e trasmissão das cargas aos níveis mais inferiores do solo, até chegar no solo natural. 2.1 Tipos e Comportamento Mecânico Os tipos mais comuns em estradas são: o pavimento rígido, em concreto e o pavimento flexível, de asfalto betuminoso. 2.1.1 Pavimento Flexível Na figura 1.a tem-se o corte da estrutura de um pavimento flexível, onde a camada superior é composta por revestimento asfáltico e agregados. Há diversas formas de construir a camada de asfalto, dependendo da disponibilidade de material e mesmo de necessidades 3 especiais da pista, como drenagem e aderência. Uma das formas mais comuns é composta por várias camadas de asfalto, sendo a superior denominada camada de rolamento e as inferiores por camadas de ligação ou binder. Figura 1 – Pavimento flexível Fonte: BERNUCCI et al., 2006 O pavimento flexível tem este nome porque sua camada superior é bastante deformável e transmite as cargas quase pontualmente, às camadas inferiores, como pode-se ver na figura 1.b. Figura 2 – Camadas e tensões solicitantes do pavimento flexível Fonte: Autor 4 Os problemas relativos a este tipo de pavimento, relacionam-se ao trincamento por fadiga ou por envelhecimento do ligante, problemas com ações climáticas etc. É necessário, então, estudar o comportamento das camadas e dimensionar suas espessuras, de forma a "limitar as tensões e deformações na estrutura do pavimento" (BERNUCCI et al., 2006). 2.1.2 Pavimento Rígido No pavimento rígido os elementos constituintes são, segundo o MANUAL DE PAVIMENTOS RÍGIDOS DO DNIT (2005): "cimento portland, agregados graúdos, agregados miúdos, água, aditivos e materiais selantes de junta". Na figura 1.c tem-se um corte da estrutura de um pavimento rígido, no qual a camada de rolamento é constituída por uma placa de concreto. Segundo BERNUCCI et al. (2006) "é usual designar-se a subcamada desse pavimento como sub-base, uma vez que a qualidade do material dessa camada equivale à subbase de pavimentos asfálticos". Figura 3 – Pavimento rígido Fonte: BERNUCCI et al., 2006. As placas de concreto distribuem as tensões mais uniformemente, diminuindo a necessidade de camadas abaixo da placa, para aliviar estas tensões, conforme ilustrado na figura 1.d. 5 Figura 4 – Camadas e tensões solicitantes do pavimento rígido Fonte: Autor O pavimento rígido tem maior resistência a ataques químicos (óleos, gasolina etc.) que o pavimento flexível, porém, é sensível aos elementos que podem atacar o concreto como: ácidos, soluções de sais e álcalis entre outras substâncias. Temperatura ou chuva excessivos também não causam tantos problemas quanto no pavimento flexível, que é muito mais sensível a estas intempéries. Seu desgaste, normalmente, se dá por fadiga do concreto, quando este atinge o limite de eixos passantes calculados no projeto e por erosão, quando há infiltração de água abaixo da placa e, quando há a passagem dos eixos, a placa comprime e expulsa esta água, que carreia o material da sub-base. Como a maioria das placas não é armada, o excesso de flexão causa o rompimento da placa (DNIT, 2005). 2.2 Materiais Recicláveis com Potencial Uso na Pavimentação 2.2.1 Pneus de Borracha A frota brasileira atingiu, no final de 2009, quase 30 milhões de veículos1 em circulação. Estes veículos acabam utilizando diversos elementos de substituição ou alimentação rotineira (combustível, fluidos, elementos filtrantes, pneus etc.) que, após seu uso, normalmente se tornam inservíveis (elementos que não podem ser reutilizados em sua forma original) e dentre estes, um dos que tem maior poder poluente e baixo controle na reutilização é o pneu. Segundo a Anip (associação nacional da indústria de pneumáticos)2, só em 2009 foram produzidos 53,8 milhões de pneus (dos quais, pouco mais de 13 milhões foram exportados3) e 1 http://www.sindipecas.org.br/paginas_NETCDM/modelo_detalhe_generico.asp?ID_CANAL=17&id =567 (em 16-7-2010) 2 http://www.anip.com.br/?cont=conteudo&area=32&titulo_pagina=Produ%E7%E3o (em 16-7-2010) 6 mais 4,7 milhões foram importados (das diversas categorias), em um total de 45,5 milhões de pneus novos nas estradas brasileiras. Segundo o instituto Akatu4, estima-se que 30 milhões de pneus sejam jogados fora todos os anos e, de acordo com a ABR5 (associação brasileira do segmento de reforma de pneus), quase 18 milhões de pneus são reformados por ano, entre pneus para carros, motos, caminhões e ônibus, gerando um déficit aproximado de 12 milhões de pneus abandonados por ano, número que só aumenta, ao longo dos anos. Em 2007, segundo o Anuário Estatístico dos Transportes Terrestres6, a malha rodoviária brasileira chegava a 1.765.278 de km, sendo que, destes, apenas 211.678 de km7 eram pavimentados (entre rodovias federais, estaduais e municipais). Contabilizando o grande número de pneus jogados fora e o grande número de estradas pavimentadas, ampliadas e reconstruídas todos os anos, o asfalto borracha, que incorpora pneus triturados ao revestimento, vem se tornando um elemento oportuno para destinar os pneus inservíveis, principalmente após a aprovação da resolução n° 416 (2009) do CONAMA (conselho nacional do meio ambiente) que, no seu artigo 3°, obriga a destinação a um pneu inservível para cada pneu novo comercializado. De acordo com Regina Coeli, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), coordenadora de um projeto sobre utilização de bagaço de cana-de-açúcar como componente de asfalto SMA (Stone Matrix Asphalt, ou asfalto de matriz pétrea, em tradução livre), apoiada pela FAPERJ8, para cada quilômetro de asfalto borracha consomemse, aproximadamente, 3 mil pneus, o que ajuda bastante a destinar estes que, em outras situações, são utilizados como geradores de calor em fornos de cimenteiras, laminados (para utilização na indústria moveleira, fazer solados de calçados, dutos de águas pluviais etc), além de: tapetes para automóveis, pisos industriais, artigos para jardinagem etc.9. 3 http://www.anip.com.br/?cont=conteudo&area=33&titulo_pagina=Com%E9rcio%20Exterior (em 167-2010) 4 http://www.akatu.org.br/central/noticias/2007/brasil-obtem-autorizacao-para-proibir-importacao-depneu-usado/ (em 16-7-2010) 5 http://www.abr.org.br/dados.html (em 16-7-2010) 6 http://201.57.54.6/InformacoesTecnicas/aett/aett_2008/1.1.3.asp (em 16-7-2010) 7 http://201.57.54.6/InformacoesTecnicas/aett/aett_2008/1.1.1.asp (em 16-7-2010) 8 http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=6081 (em 19-7-2010) 9 http://www.reciclanip.com.br/?cont=formas_de_destinacao_principaisdestinacoes (em 19-7-2010) 7 As vantagens da utilização do asfalto borracha vão, desde o aumento da durabilidade, em torno de 40% maior, segundo Hilton Gonzaga, gerente geral da Reciclanip, (setor da Anip associação nacional da indústria de pneumáticos que se preocupa com a destinação dos pneus inservíveis)10, além de maior conforto, por produzir menos ruído e maior segurança, aumentar a aderência e diminuir o efeito de spray em dias de chuva, segundo Paulo Rosa, coordenador técnico da Ecovias, que é a concessionária responsável pelo sistema Anchieta-Imigrantes, em entrevista ao Diário do Grande ABC10. A ecovias começou a utilizar esse sistema em 2005, chegando ao final de 2007 com aproximados 70 km de pistas recuperadas, o que consumiu em torno de 130 mil toneladas de asfalto borracha. A previsão é que, nos próximo 10 anos, eles utilizaram em torno de um milhão e meio de pneus inservíveis11. Ainda é pouco, mas, segundo Hilton Gonzaga, ainda há poucas empresas que beneficiam os pneus, o que encarece o produto. Outro aspecto, destacado por Manoel Rossito, diretor do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)10, "(...) é que, embora o asfalto comum tenha sido beneficiado por integrar a lista de materiais de construção desonerados pelo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), os demais asfaltos, como o de borracha, polímero (espécie de plástico duro) e concreto não foram incluídos no benefício". 2.2.2 Bagaço de Cana-de-Açúcar Outro elemento que tem certa presença no Brasil, por conta do alto índice de utilização, é o bagaço da cana-de-açúcar. No período de 2008 para 2009, o Brasil produziu pouco mais de 569 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, para produção de açúcar e etanol (anidro e hidratado)12. De acordo com Regina Coeli9, cada tonelada de cana-de-açúcar utilizada para produzir álcool gera em torno de 270 kg de bagaço e que, 80% deste bagaço é queimado nas próprias usinas, para produzir calor nas caldeiras. Isto deixa uma quantidade de aproximadamente 31 milhões de toneladas de bagaço que podem se destinar a servir de fibra para o SMA, bastando, para isso, que esteja seco e passe pela peneira de 1,2mm. 10 http://www.dgabc.com.br/News/5753513/asfalto-de-borracha-dura-40-mais.aspx (em 19-7-2010) http://www.ecovias.com.br/SiteEcoVias/Institucional/Sustentabilidade/Meio_Ambiente/Default.aspx (em 19-7-2010) 9 http://www.reciclanip.com.br/?cont=formas_de_destinacao_principaisdestinacoes (em 19-7-2010) 12 http://www.unica.com.br/dadosCotacao/estatistica/ (em 18-7-2010) 11 8 Ainda segundo dados colhidos no site da FAPERJ, o SMA é muito utilizado em países de primeiro mundo, por ter alta durabilidade e resistência até 50% maior (principalmente com veículos de carga), que um asfalto convencional. Além disso, sua textura é mais rugosa, o que aumenta a aderência dos pneus e melhora a drenagem superficial, diminuindo, assim, a incidência de aquaplanagens. O maior poder de compra, melhores prazos e mais facilidade de crédito, além de alguns incentivos fiscais (como redução de ipi) deram, nos últimos anos, um grande impulso à construção civil, no Brasil, tanto para construções novas como para reformas, como provam os aumentos sucessivos do Índice da Construção Civil13 (valorização do valor do m² construído), medidos pelo IBGE, em parceria com a Caixa Econômica. Porém, a característica artesanal e a falta de instrução sobre sustentabilidade, das quais padecem a construção brasileira, fazem com que haja um grande desperdício que é proporcional à quantidade de construções. 2.2.3 Resíduos de Construção e Demolição (RCD) Os RCD, de acordo com a resolução n° 307 (2002) do CONAMA, são divididos em 4 classes (A, B, C e D), sendo que apenas os elementos classificados como A ou B podem ser reciclados (os do tipo A como agregados e os tipo B em outras aplicações, como plásticos, vidros etc.), os da classe C (como os oriundos do gesso) são considerados como ainda não recicláveis (por limitações tecnológicas ou econômicas) e os da classe D são tidos como danosos à saúde humana (tintas, solventes, óleos e outros). Não há registros recentes sobre a quantidade de material descartado na construção civil, porém Angulo et al. (2002) estimaram, com base em Pinto (1999), que a quantidade gerada de RCD per capita, no Brasil, era de, aproximadamente, 500kg/hab.ano. Com uma população de aproximadamente 184 milhões de habitantes (IBGE – 2007), teríamos em torno de 920 milhões de toneladas de RCD gerado por ano, no Brasil. Ainda de acordo com Angulo et al. (2002), com base em um levantamento do RCD colhido do antigo aterro Itatinga, na cidade de São Paulo, 95% do agregado seria de classe A, embora ressalte que frações de amianto, gesso 13 ftp://ftp.ibge.gov.br/Precos_Custos_e_Indices_da_Construcao_Civil/Fasciculo_Indicadores_IBGE/si napi_201006caderno.zip (em 19-7-2010) 9 e aço provavelmente foram inclusos neste total, o que vai contra o preconizado na resolução n° 307 (2002) do CONAMA. Os RCD são produzidos quando há excesso de material (acarretado por falta de dimensionamento correto, quando da solicitação/preparo), materiais quebrados por causa de retrabalhos (falhas ou mudanças de projetos), sequência construtiva inapropriada, onde, no caso de edifíceis residenciais, há a construção e posterior demolição para instalação de dutos de água, esgoto e eletricidade, por solicitações de modificação, por exemplo. Porém, quando se fala em concreto, há ainda um outro elemento a ser considerado. A sua vida útil. Embora a NBR – 6118 (2007) defina a vida útil como “o período de tempo durante o qual se mantêm as características das estruturas de concreto, desde que atendidos os requisitos de uso e manutenção prescritos pelo projetista e pelo construtor”, sem determinar qualquer índice numérico fixo, ficando a critério do projetista e das corretas execução e manutenção da estrutura, sabe-se que, na maioria dos casos, este período não ultrapassa os 50 ou 60 anos, tendo ainda, como é o caso dos pavimentos rígidos entre outras obras de construção, vida útil em torno dos 20 anos. As primeiras construções em concreto no Brasil datam da primeira metade do século XX, o que nos leva a crer que a maioria delas já teve o seu período de vida útil alcançado. Assim, há uma grande quantidade de material que precisa de destinação, conforme perde sua utilidade, como é o caso das placas de pavimento rígido. . Os elementos de classe A (como o concreto), quando reutilizados nos pavimentos, na maioria das vezes, servem de aterro, nas camadas de base ou sub-base (ficam abaixo dos revestimentos (flexíveis ou rígidos) absorvendo parte dos esforços aplicados (o peso dos veículos) e transmitem a camadas inferiores, até que chegam quase totalmente amortecidos ao solo natural). Quanto a este aspecto, Balbo (2009) cita a Green Road Initiative, um projeto da Universidade de Washington (EUA) que visa criar padrões para construção e identificar as rodovias construídas de forma sustentável, assim como também o fez o U.S. States Green Building Councils (SÖDERLUND et al., 2008 apud BALBO, 2009) e um dos aspectos considerados é a reincorporação de agregados reciclados na camada de rolamento (a camada mais externa do pavimento, que tem contato com os pneus) asfáltica ou de concreto, não pontuando os casos onde a incorporação seja na base ou sub-base. Assim, estabelece-se uma diferença entre reaproveitamento e reciclagem. 10 Ainda segundo Balbo (2009), no Brasil a questão da reciclagem dos pavimentos de concreto ainda não é amplamente discutida, embora esta seja feita em outros países há quase quatro décadas. Na Europa, por exemplo, os pavimentos rígidos existem há mais de cem anos. Na década de 1980, uma boa parte destes encontrava-se sem condições de uso e levantou questionamentos sobre o que fazer com aqueles materiais. Hoje em dia, muitas agências rodoviárias procuram uma solução de reciclagem para os pavimentos de concreto, visto o custo financeiro e ambiental para obtenção de novos materiais, além do que, ao se jogar fora ou dar sub-usos a estes materiais, se está desperdiçando um material nobre, no setor de pavimentação. Na década de 1970, os EUA começaram a utilizar agregados de pavimentos antigos em concretos novos mas, por não alcançarem os níveis desejados fizeram com que algumas das agências rodoviárias desistissem do seu uso, pelo menos até que novos estudos começaram a solucionar os problemas e as deficiências do uso destes materiais. Cuttel et al. (1994, apud BALBO, 2009) desenvolveram um trabalho em nove rodovias, com dezesseis seções de testes, obtendo ótimos parâmetros de desempenho. Eles fizeram diversas observações, após executar diversos testes de carga, extrações de amostra etc., dentre as quais: concretos reciclados que apresentavam menor quantidade de argamassa – ou seja, durante o processo de reciclagem (britagem e classificação) houve efetica exclusão de argamassa dos agregados originais – apresentaram melhor desempenho em novos pavimentos; os dados de controle tecnológico das obras revelaram clara queda na trabalhabilidade das misturas recicladas, o que foi atribuído a fatores como a angularidade dos grãos reciclados, sua superfície rugosa e porosa. As formas naturais que têm diso sugeridas para inverter essa tendência são medidas de limitação na porcentagem de finos reciclados (não superior a 25%), uso de plastificantes e incorporação de cinzas volantes nas misturas; os valores de módulo de elasticidade dinâmico (ultrassom) dos concretos com agregados reciclados de concretos diminuíram, o que é atribuído à maior porosidade dos concretos reciclados.(...) Ricci e Balbo (2008) apresentaram resultados bastante semelhantes para CCR com 10% a 50% de agregados graúdos reciclados e 50% de agregados miúdos reciclados. Concretos com 100% de agregados graúdos reciclados de um antigo pavimento 11 de concreto tiveram seus módulos de elasticidade reduzidos em 50%, em relação a um concreto de controle na pesquisa. Por esta pesquisa, conclui-se que os concretos com agregados reciclados obtiveram desempenho próximo ao de agregados virgens, no caso de remover ao máximo a argamassa antiga dos agregados reciclados. Faz, porém, ressalvas quanto aos coeficiente de expansão térmica e de retração por secagem, mais altos que no concreto com agregados virgens, o que gera necessidade de maior controle tecnológico na confecção das placas. Este estudo ainda foi reavaliado por Sturtevant, Gress e Snyder (2008, apud BALBO, 2009) onde, mais de uma década depois da execução, analisaram efeitos de patologia e padrões de conforto, reforçando a conclusão de que os pavimentos com menor índice de argamassas nos agregados reciclados tiveram desempenho semelhante aos concretos de controle, embora ressaltem que, deste modo, a reciclagem não se dá por completo. Ainda citam que, em agregados com até 25mm o aproveitamento fica em torno de 55 a 65% e, nos de 38mm, chega a 80%. Uma das rodovias analisadas, onde não houve cuidados com a eliminação da argamassa, obteve os piores resultados de desempenho, tendo queda em serventia no período avaliado. Balbo (2009) ainda ressalta que, nos EUA, são produzidos, aproximadamente, dois bilhões de toneladas de agregados por ano, tendo expectativa de crescimento de 25%, até 2020, segundo o U.S. Department of Transportation (2004, apud BALBO, 2009). Com uma produção de 123 milhões de toneladas de entulho de concreto, caso fosse reciclado, haveria uma diminuição na demanda por agregados, além de resolver o problema de realocação de uma grande quantidade de material que seria descartado. O U.S. Department of Transportation (2004, apud BALBO, 2009) ainda cita que, quanto aos finos, até 30% do volume pode ser empregado como agregado miúdo reciclado, embora tenham surgido problemas quanto a trabalhabilidade, por conta de maior absorção de água dos materiais reciclados, além dos problema de retração e fluência já indicados por outros estudos. Um estudo europeu, porém, indica um caso em uma rodovia na Suíça onde 100% do concreto foi reaproveitado e que não houve alteração no desempenho, segundo Werner (1994, 12 apud BALBO, 2009). Testes em laboratório, onde se utilizou cina volante no lugar de parte do cimento, além da redução do fator água/cimento, dimiuíram os problemas com retração e fluência (KOU;POON;CHAN, 2007 apud BALBO, 2009). Balbo (2009) cita também casos como os estados da Virgínia (EUA) e Michigan (EUA), onde há incentivos do governo para empresas que usem técnicas de reciclagem na confecção de pavimentos. Na Alemanha, segundo Hall (2007, apud BALBO, 2009), a partir da década de 1980 "teve início grande parte das reconstruções das autobahen construídas na década de 1930". A Alemanha apresentava em torno de 40% das vias em pavimento rígido, na década de 1990, segundo Balbo (2009). Assim, foi natural a decisão por reciclar, além de fatores como escassez de matéria-prima virgem, restrições da legislação ambiental e o custo de bota-fora (WOLF;FLEISCHER, 2007 apud BALDO, 2009). Um outro caso, ocorrido entre os anos de 1989 e 1990, a rodovia A1, que liga Viena a Salzburg, na Áustria, teve 50% do seu pavimento reaproveitado e reconstruído com agregados reciclados com dimensões entre 4 e 32mm, sendo, em alguns casos, utilizado agregado de pavimento asfáltico que recobria alguns trechos do pavimento de concreto original. Neste caso, foi utilizado agregado miúdo virgem. Como resultado, Krenn e Stinglhammer (1994, apud BALBO 2009) afirmam que só houve diminuição na resistência nos concretos com utilização do agregado vindo de mistura asfáltica, embora os valores não fossem consideráveis mesmo quando se utilizou 33% deste agregado, do total de agregado graúdo. Ressaltam, ainda, que nos demais casos houve ganho, em relação a um concreto de controle que utilizou pedregulho quartzoso, justificando pelo uso de areia virgem. Outro benefício foi a "economia de cerca de 205 mil toneladas de pedregulho virgem e também por evitar-se qualquer ocorrência de bota-fora na obra", além da diminuição dos custos com transporte, gerando uma economia de 10%, sem contar outras economias, relativas aos aspectos ambientais. Balbo (2009) correlaciona todos estes estudos quanto aos finos (material com granulometria entre 0 e 4mm) reciclados, já que ambos correlacionam-nos à argamassa do concreto original e como o elo fraco do agregado reciclado. 13 Para o presente trabalho, houve uma triagem das possíveis fontes para a reciclagem dos agregados graúdos, entre: resíduos de corpos de prova de controle tecnológico de concreteiras da região de Caruaru, Pernambuco, agregados reciclados da usina de reciclagem da prefeitura de Campina Grande, Paraíba, e do material produzido pela usina de reciclagem Ciclo Ambiental, tendo sido esta última a escolhida, com o material vindo de placas de pavimento rígido retiradas da Avenida Boa Viagem. A empresa, cujo intuito é o tratamento do RCC (Resíduos de Construção Civil), tem potencial operacional de até 40 toneladas por hora, e apresenta as seguintes etapas14, para o processo de reciclagem: Recepção e pesagem: Os veículos transportadores são inspecionados, classificados pela tipologia dos resíduos transportados e pesados. Para a pesagem é utilizada uma balança rodoviária com capacidade para 60 toneladas, instalada na recepção da unidade de tratamento. O peso, além de se constituir numa unidade de medida para cobrança, também é utilizado para controle estatístico de produção e estoque"; Pátio de estocagem e triagem: os resíduos são descarregados no pátio de estocagem e triagem, onde funcionários retiram manualmente resíduos estranhos ao processo, classificando-os e estocando conforme sua tipologia. Estes resíduos, considerados rejeitos serão encaminhados a aterros classe I ou II, conforme classificação; Preparação dos resíduos a serem tratados: ainda no pátio de estocagem e triagem, os RCC são agrupados conforme tipologia, a fim de obter-se um agregado reciclado de qualidade definida. Também nessa etapa, são reduzidas as dimensões dos blocos de concreto para adequação a boca do triturador. Também nessa etapa outros materiais recicláveis como madeiras, gesso, metais, dentre outros, são coletados e estocados em local apropriado; Britagem : Os RCC são britados , tendo seus componentes desagregados e suas partículas diminuídas; Peneiramento: Os resíduos britados são transportados através de correia transportadora até o sistema de peneiramento mecânico. Neste processo os RCC são classificados de acordo com sua granulometria. Nesta etapa os metais, presente no concreto armado, são removidos por um sistema de eletroímã; 14 http://cicloambientalrcc.com.br/servicos.php (em 10-11-2011) 14 Estocagem dos agregados: Pátio onde são estocados os agregados provenientes do processo de reciclagem ficando a disposição do mercado; Outros serviços: beneficiamento dos materiais recicláveis, removidos antes do processo de britagem. Figura 5 a, b e c - Máquinas de processamento no processo de reciclagem de agregados a) b) c) Fonte: http://cicloambientalrcc.com.br/servicos.php em: 06-09-2011 2.3 Constituintes do Pavimento Rígido 2.3.1 Cimento De acordo com o manual do DNIT (2005), pode-se adotar qualquer dos tipos de cimento portland para produzir o concreto das placas porém, recomendam-se os seguintes tipos: cimento portland normal, composto, de alto forno e o pozolânico. Para os casos em que o agregado seja reativo com os álcalis do cimento, recomenda-se utlizar "50% de escória e 30% de material pozolânico" (DNIT, 2005), no mínimo, para conter a reação. Mesmo podendo-se utilizar qualquer tipo de cimento, há exigências quanto aos teores dos componentes, exigências químicas, físicas e mecânicas, para cada classe, que se encontram nas tabelas 1, 2 e 3, do manual do DNIT (2005), transcritas a seguir. 15 Tabela 1 – Teores dos componentes do cimento TIPO CIMENTO PORTLAND COMUM SIGLA CLÍNQUER CLASSE DE +SULFATO RESISTÊNC DE IA CÁLCIO (GESSO) ESCÓRIA GRANULADA DE ALTOFORNO MATERIAL POZOLÂNICO MATERIAL CARBONÁTICO CPI CP-IS 25-32-40 25-32-40 100 99 - 95 - - 1-5 CPII E 25-32-40 94-56 6-34 - 0-10 CPII Z 25-32-40 94-76 - 6-14 0-10 CPII F 25-32-40 94-90 - - 0-10 CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL CPV ARI - 100-95 - - 0-5 CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO CPIII 25-32-40 65-25 35-70 - 0-5 CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO CPIV 25-32 85-45 - 15-50 0-5 CIMENTO PORTLAND COMPOSTO Fonte: DNIT (2005) Tabela 2 – Exigências químicas (% em massa) TIPO DE CIMENTO PORTLAND RESÍDUO INSOLÚVEL PERDA AO FOGO CPI ≤ 1,0 ≤ 2,0 ≤ 4,5 CPI-S ≤ 5,0 CPII-E ≤ 2,5 CPII-Z ≤ 16,0 CPII-F ≤ 2,5 CPIII MgO ≤ 4,0 SO3 CO2 S ≤ 1,0 ≤ 1,0 - ≤ 3,0 ≤ 3,0 - ≤ 6,5 ≤ 4,0 ≤ 5,0 ≤ 5,0 - ≤ 1,5 ≤ 4,5 ≤ 4,0 ≤ 3,0 ≤ 3,0 ≤ 1,0 CPIV -1 ≤ 4,5 ≤ 4,0 ≤ 3,0 ≤ 3,0 - CPV-ARI ≤ 1,0 ≤ 4,5 ≤ 3,5 (2) ≤ 4,5 (2) ≤ 3,0 ≤ 3,0 - - 1 O teor de material pozolânico no cimento pode ser avaliado pelo ensaio de resíduo insolúvel. 2 O teor de SO3 igual a 3,5 aplica-se quando C3A ≤ 8,0%. O teor de 4,5% quando C3A > 8,0% Nota: As exigências químicas do cimento Portland resistentes aos sulfatos e do cimento Portland de baixo calor de hidratação constam das normas NBR 5737 e NBR 13116, respectivamente. Fonte: DNIT (2005) 16 Tabela 3 – Exigências físicas e mecânicas Tempos de pega (h) Finura Tipo de Ciment o Portlan d Classe de Resist ência CPI CPI-S Expansibilidad e (mm) Resistência à compressão (MPa) Resídu o na peneir a 75µ (%) Área específic a (m²/kg) Iní cio Fim A frio A quente 1 dia 3 dias 7 dias 28 dias 91 dias 25 32 40 ≤ 12,0 ≤ 12,0 ≤ 10,0 ≥ 240 ≥260 ≥280 ≥1 ≤ 10,0 (1) ≤ 5,0 (1) ≤ 5,0 - ≥ 8,0 ≥10,0 ≥15,0 ≥ 15,0 ≥ 20,0 ≥ 25,0 ≥ 25,0 ≥ 32,0 ≥ 40,0 - CPII-E CPII-Z CPII-F 25 32 40 ≤ 12,0 ≤ 12,0 ≤ 10,0 ≥ 240 ≥260 ≥280 ≥1 ≤ 10,0 (1) ≤ 5,0 (1) ≤ 5,0 - ≥ 8,0 ≥10,0 ≥15,0 ≥ 15,0 ≥ 20,0 ≥ 25,0 ≥ 25,0 ≥ 32,0 ≥ 40,0 - CPIII 25 32 40 ≥ 15,0 ≥ 20,0 ≥ 23,0 ≥ 25,0 ≥ 32,0 ≥ 40,0 CPIV CPV-ARI ≤ 5,0 (1) ≤ 5,0 - ≥ 8,0 ≥10,0 ≥12,0 ≤ 12,0 (1) ≤ 5,0 (1) ≤ 5,0 - ≥ 8,0 ≥10,0 ≥ 15,0 ≥ 20,0 ≥ 25,0 ≥ 32,0 ≤ 10,0 (1) ≤ 5,0 (1) ≤ 5,0 ≥ 140 ≥ 24,0 ≥ 34,0 - ≤ 8,0 - ≤ ≥ 1 12,0 (1) ≤ 8,0 - ≥1 ≤ 6,0 ≥300 ≥1 ≥ 32,0 ≥ 40,0 ≥ 48,0 ≥ 32,0 ≥ 40,0 - 1 Ensaio facultativo Outras características podem ser exigidas, como a inibição da expansão devida à reação álcaliagregado, tempo máximo de início de pega. Fonte: DNIT (2005) O manual cita, ainda, que pode-se calcular o traço do concreto de diversas formas, atendendo "aos requisitos de resistência, durabilidade, trabalhabilidade e economia". Consideram-se, nestes cálculos, os meios de "transporte, lançamento, adensamento e cura do concreto". Como há variação entre os materiais utilizados, dependendo de cada região, o traço também sofre variações. Para fazer as devidas correções, é necessário experiência do profissional responsável. 2.3.2 Agregados Quanto à pavimentação com placas de concreto, o manual (DNIT, 2005) ressalta que "são produzidos agregados para diversos fins, cada um deles exigindo características tecnológicas específicas". Os agregados utilizados na fabricação de concreto para pavimentação têm alguns critérios mais rígidos, na sua seleção, em relação ao concreto utilizado em obras civis, por ter 17 que atender a características especiais como: "maior resistência à tração, menores variações volumétricas, menor suscetibilidade à fissuração, resistência à fadiga e elevada durabilidade à ação do meio ambiente e à ação abrasiva do tráfego" (DNIT, 2005). As características dos agregados estão intrinsecamente ligadas à formação do agregado. Areias e pedregulhos, normalmente são de origem transportada, através de agentes naturais, podendo também ser oriundas de solos residuais. As melhores jazidas para agregados graúdos, voltados à pavimentação, são os advindos de "rochas ígneas intrusivas, como por exemplo, o granito" (DNIT, 2005). As rochas de origem sedimentar normalmente não têm uma boa homogeneidade ao longo da pedreira, sendo que os melhores deste tipo são os calcários, "mais coerentes e resistentes a ações mecânicas" (DNIT, 2005). Das metamórficas, as que apresentam melhor resultado são os gnaisses "desde que sua foliação não seja exagerada" (DNIT, 2005). Neste estudo, como os agregados graúdos utilizados são reciclados de placas de concreto, conclui-se que o estudo dos agregados básicos é desnecessário, sendo objeto de avaliação o 'novo agregado', formado pelo concreto aderido ao agregado original das placas. O manual do DNIT resume todos os procedimentos e ensaios adotados ao longo do processo de extração dos agregados, desde a caracterização da jazida até a sua utilização. Após a caracterização, através de levantamentos expeditos e ensaios de laboratório, e do registro de ocorrências, há uma pré-seleção das melhores jazidas, que passarão por ensaios de sondagem, que avaliarão o volume e a qualidade do material. A norma NBR 6491 (1985) dá os parâmetros para caracterizar os pedregulhos e areias. Durante a etapa de anteprojeto serão definidas as jazidas a serem utilizadas, quando são analisadas mais características dos agregados, segundo as normas da ABNT, DNER e DNIT. Um ensaio comum a todos os tipos de materiais vindos de jazidas é o que analisa a existência de materiais deletérios, segundo as NBR 7389-1 (2009) e NBR 7389-2 (2009). Outros ensaios são realizados conforme o tipo de material extraído, entre materiais rochosos, pedregulhos e agregados miúdos. 18 Quando há diversos tipos de materiais disponíveis, a fase de projeto compreende a avaliação dos concretos formados pelas combinações entre agregados graúdos e miúdos. Neste estudo, a areia e o agregado utilizados serão de um só tipo, dispensando estas análises. Ainda na fase de projeto, os agregados devem ser avaliados pela NBR 7211 (2009), que define o agregado miúdo e o graúdo como sendo de origem natural, resultantes de britamento de rochas estáveis ou mistura de ambos, onde o miúdo deve passar pela peneira 4,8mm e ficar retido na 0,075mm, enquanto o graúdo deve passar pela 152mm e ficar retido na de 4,8mm. Porém, há uma ressalva para materiais ainda não utilizados ou para os quais não haja ensaios de desempenho anteriores, e que difiram dos citados na norma (que é o caso do agregado graúdo gerado para este estudo), casos nos quais se permite a utilização, "desde que se comprove, mediante parecer baseado em estudo experimental, que com os agregados disponíveis pode-se produzir concreto de qualidade satisfatória". Os parâmetros de granulometria do agregado graúdo deverão atender ao disposto na NBR 7211 (2009). A granulometria adotada será decidida no processo de aquisição da mesma e da brita reciclada. 2.3.3 Água Neste estudo será utilizada água para abastecimento humano que, em vias gerais, é satisfatória para utilização no concreto, não havendo necessidade de caracterização (DNIT, 2005). 2.3.4 Aditivos Os aditivos são compostos adicionados ao concreto para melhorar características como: trabalhabilidade, tempo de pega, resistência entre outros, conforme a necessidade. Em cada região a ser aplicado o pavimento devem-se estudar os fatores ambientais (temperatura, umidade do ar, agentes químicos ou biológicos que possam atacar o concreto etc.), além das características de projeto, que definam características do concreto que precisem ser modificadas pelos aditivos. No caso deste estudo, não será utilizado nenhum aditivo, por conta de o concreto ser simples e por seu uso não agregar características importantes ao elemento estudado (agregado graúdo gerado a partir de RCD). 19 2.3.5 Selantes De Juntas As placas de concreto são montadas de forma a haver sempre um espaço entre as placas adjacentes, pois, com o aumento da temperatura, as placas tendem a se expandir e, caso haja contato entre elas, surgirão solicitações compressivas que não foram calculadas e que podem levar ao rompimento das placas. O espaço que permite a expansão das placas sem que se toquem é denominado junta. Este espaço não pode ficar vazio, pois permitiria a entrada de água e de elementos físicos, que prejudicariam o sistema. A água carreia o material da sub-base, retirando o apoio da placa de concreto que, se não for armada com barras de aço, como na maioria dos casos, romperá à flexão, quando da passagem de algum veículo. Elementos físicos, como areias e pedriscos, podem se acumular de forma a ligar as placas e, como são rígidos, transmitirão as tensões geradas pela expansão de cada placa, de forma a anular o efeito da junta. Selantes de juntas são elementos flexíveis que ficam no espaço entre as placas, permitindo que as mesmas se expandam e funcionando como barreira para água e para os elementos rígidos. Como este trabalho se resume à constituição da placa de concreto, o estudo aprofundado dos selantes de juntas se faz desnecessário. 2.3.6 Concreto De acordo com o manual do DNIT (2005), para o dimensionamento das placas de concreto são considerados: - o tipo de acostamento e adoção ou não de barras de transferência; - resistência à tração na flexão aos 28 dias; - coeficiente de recalque; - fator de segurança; - tráfego esperado para cada nível de carga e de acordo com a vida de projeto do pavimento. As tensões causadas pelo tráfego e a resistência à tração na flexão são ligadas diretamente à espessura da placa. Recomenda-se que a resistência aos 28 dias fique entre 4,0 e 5,0 MPa, tendo em mente que os concretos abaixo de 4,0 MPa são mais porosos e menos resistentes, 20 exigindo espessuras maiores enquanto que os concretos com resistência acima de 5,0 MPa exigem maior controle na produção, além de terem custo mais elevado, sendo o bom senso a dar a medida ideal para cada pavimento. Abaixo seguem as recomendações para os concretos (DNIT, 2005). -Resistência à tração na flexão de 4,5 MPa; -Resistência característica à compressão (fck) aos 28 dias de 30 MPa; -Baixa variação volumétrica; -Trabalhabilidade compatível com a forma de espalhamento; -Consumo de cimento igual ou superior a 320 kg/m³ de concreto. Como não há uma correspondência exata conhecida entre a tração à flexão e a compressão e o método de cálculo do traço será o método da ABCP (por conta da agilidade dos cálculos, em relação a outros métodos que necessitam de concretagens prévias, e do pouco tempo para realização deste trabalho), cujo parâmetro de base para os cálculos é 9a resistência à compressão, esta será a diretriz para o cálculo do traço e demais características do concreto, neste trabalho. 3 – METODOLOGIA DA PESQUISA Por conta de limitações de tempo, de custos do projeto, transporte, entre outros, foi calculado apenas um traço de concreto, baseados no método da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e em cima deste foram feitas duas modificações sendo: um traço convencional, calculado para atingir resistência característica de 30 MPa aos 28 dias, um traço com substituição em volume de 50% do agregado graúdo virgem (nunca antes utilizado) por agregado reciclado de placas de concreto e um traço com substituição de 100% do agregado virgem pelo agregado reciclado. Após a caracterização dos agregados, foram realizados os cálculos do traço de referência e com as substituições. Para cada traço foram produzidos quatro corpos de prova cilíndricos (com 10 cm de diâmetro e 20 cm de altura) para o ensaio de compressão e quatro corpos de prova prismáticos (com dimensões de 15 cm de altura e profundidade e 50 cm de comprimento) para o ensaio de tração à flexão, em um total de 12 corpos de prova de cada tipo. Após a concretagem e cura de 28 dias por imersão, os corpos de prova foram rompidos e foram feitas as análises dos resultados. 21 3.1 Caracterização dos Agregados O método da ABCP preconiza a caracterização dos materiais constituintes do concreto em cima dos seguintes parâmetros: Granulometria dos agregados miúdo e graúdos; Dimensão máxima característica dos agregados graúdos. Umidade do agregado miúdo; Inchamento do agregado miúdo; Massa específica do cimento, e dos agregados, miúdo e graúdos; Massa unitária em estado solto dos agregados, miúdo e graúdos; 3.1.1 Granulometria No estudo da granulometria definimos, através de peneiramento, qual a porcentagem do total amostrado corresponde a cada um dos diâmetros pré-estabelecidos. 3.1.1.1 Granulometria do Agregado Miúdo Os procedimentos e cálculos, para a determinação da granulometria do agregado miúdo, seguiram o preconizado na NBR NM 248 (2003), através da qual se chegou aos seguintes resultados: Tabela 4 – Granulometria do agregado miúdo Peneiras (mm) 4,75 2,36 1,18 0,6 0,3 0,15 <0,15 Total MF = % Retida % Acum. 1,3% 2,6% 10,1% 29,7% 47,3% 8,1% 0,7% 100% - 1% 4% 14% 44% 91% 99% 100% 253% 2,53 Fonte: Autor O módulo de finura (MF) é encontrado dividindo-se a soma das porcentagens acumuladas e dividindo esta soma por 100. No material analisado equivale a 2,53. 22 3.1.1.2 Granulometria do Agregado Graúdo Virgem Os procedimentos e cálculos, para a determinação da granulometria do agregado graúdo virgem, seguiram o preconizado na NBR NM 248 (2003), através da qual se chegou aos seguintes resultados: Tabela 5 - granulometria do agregado graúdo virgem Peneiras % % Retida (mm) Acum. 19 4,6% 5% 12,5 46,0% 51% 9,5 25,5% 76% 6,3 19,5% 96% <6,3 4,0% 100% Fonte: Autor 3.1.1.3 Granulometria do Agregado Graúdo Reciclado Os procedimentos e cálculos, para a determinação da granulometria do agregado graúdo reciclado, seguiram o preconizado na NBR NM 248 (2003), através da qual se chegou aos resultados apresentados na tabela 6: Tabela 6 - granulometria do agregado graúdo reciclado Peneiras (mm) 19 12,5 9,5 6,3 <6,3 % Retida % Acum. 4,6% 50,9% 23,8% 13,0% 7,1% 5% 56% 79% 92% 99% Fonte: Autor 3.1.2 Dimensão Máxima Característica 3.1.2.1 Dimensão Máxima Característica do Agregado Graúdo Virgem A dimensão máxima característica é o diâmetro onde a porcentagem retida acumulada é igual ou imediatamente inferior a 5%, no caso do material utilizado neste trabalho, 19mm. 23 3.1.2.2 Dimensão Máxima Característica do Agregado Graúdo Reciclado A dimensão máxima característica é o diâmetro onde a porcentagem retida acumulada é igual ou imediatamente inferior a 5%, no caso do material utilizado neste trabalho, 19mm. 3.1.2.3 Dimensão Máxima Característica do Agregado Miúdo A dimensão máxima característica é o diâmetro onde a porcentagem retiga acumulada é igual ou imediatamente inferior a 5%, no caso do material utilizado neste trabalho, 2,36mm. 3.1.3 Umidade do Agregado Miúdo O cálculo da umidade do agregado miúdo serve para determinar o grau de inchamento a que o agregado é submetido, de acordo com a umidade natural. O método adotado, neste trabalho, foi o da estufa, de acordo com o anexo da NBR 6457 (1986), cujo valor é obtido pela fórmula: h= M1 − M 2 X 100 M2−M3 Onde: h – teor de umidade, em % M1 – massa do solo com umidade natural mais a massa do recipiente, em g M2 – massa do solo seco mais a massa do recipiente, em g M3 – massa do recipiente, em Seguindo os procedimentos da norma e fazendo a média entre as três aferições, chega-se ao valor de: h = 3,88% 3.1.4 Inchamento do Agregado Miúdo É um fenômeno que acarreta na variação de volume aparente do agregado miúdo, por conta da interação de água livre absorvida pelos grãos, alterando sua massa unitária. Com 24 base na NBR 6467 (2009), é adicionada água nas proporções de: 0,5%, 1%, 2%, 3%, 4%, 5%, 7%, 9% e 12%. Logo após, calcula-se o teor de umidade de cada porcentagem adicionada, pela fórmula: h= Mi − Mf X 100 Mf − Mc Onde: h = teor de umidade do agregado, em %; Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio, em g; Mf = massa final da cápsula com o material coletado após secagem em estufa, em g; Mc = massa da cápsula, em g. Na próxima etapa, calcula-se o coeficiente de inchamento, para cada teor de umidade, pela fórmula: Vh γ s (100 + h) = . Vo γ h 100 Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade, em dm³; V0 = volume do agregado seco em estufa, em dm³; Vh/V0 = coeficiente de inchamento; γs = massa unitária do agregado seco em estufa, em kg/dm³; γh = massa unitária do agregado com h% de umidade, em kg/dm³; h = teor de umidade do agregado, em %. Com estes valores, e seguindo o preconizado na norma, monta-se o gráfico abaixo (Figura 4), em cima do qual se deduzem os valores de umidade crítica e máxima. Fazendo-se a média entre o coeficiente de umidade máxima e o coeficiente relativo ao de umidade crítica, chega-se ao coeficiente de inchamento médio. Os valores seguem na tabela 7. 25 Tabela 7 – Coeficientes medidos pelo gráfico de inchamento Coeficiente de inchamento máximo 1,34 Coeficiente de Umidade inchamento crítica para umidade (%) crítica 1,29 3,08 Umidade medida do agregado (%) Coeficiente de inchamento para a umidade medida do agregado 3,88 1,315 Fonte: Autor Figura 6 – gráfico do coeficiente de inchamento Fonte: Autor 3.1.5 Massa Específica A massa específica é utilizada para transformações entre massa e volume. Ela é medida através da densidade real, que é definida pela razão entre a massa de um dado volume 26 de uma substância dividido pelo mesmo volume de água. A densidade real é um fator adimensional e é definida pela fórmula: D= γ γa Onde: D – Densidade real do material analisado γ – Massa específica do material analisado γa – Massa específica da água (1 g/cm³ a 25° C) Assim, calculando a densidade real e multiplicando pela massa específica da água chega-se à massa específica do material. 3.1.5.1 Massa Específica do Cimento A Massa específica do cimento utilizado, de marca Cimpor, é informada na embalagem e foi a utilizada, baseando-se no princípio de que os cimentos têm um controle tecnológico rigoroso, em sua fabricação e, por isso, são considerados confiáveis. O valor adotado para a massa específica do cimento é de: Dc = 3150 kg/m³. 3.1.5.2 Massa Específica do Agregado Miúdo Para a determinação da massa específica do agregado miúdo utilizou-se o método do picnômetro (DNER-ME 084/95). Da = 2655 kg/m³ 3.1.5.3 Massa Específica do Agregado Graúdo Virgem A determinação da massa específica do agregado graúdo virgem se deu através do preconizado na NBR NM 53 (2009). 27 Db = 2702 kg/m³ 3.1.5.4 Massa Específica do Agregado Graúdo Reciclado A determinação da massa específica do agregado graúdo reciclado se deu através do preconizado na NBR NM 53 (2009). Db = 2381 kg/m³ 3.1.6 Massa Unitária A massa unitária é uma relação entre a massa de um agregado contido em um recipiente normatizado e o volume deste recipiente. Utilzou-se o método C, da norma NM 45, que é relativo ao material no estado solto. O lançamento do material deve-se dar de forma homogênea e sem adensamento proposital, para simular o carregamento de padiolas no canteiro de obras. Utilzou-se um recipiente metálico com volume igual a 15 dm³, que fica acima do mínimo necessário, indicado pela norma, segundo faixas granulométricas, para os agregados miúdo e graúdos. 3.1.6.1 Massa Unitária do Agregado Miúdo Utilizando-se a fórmula: ρ ap = mar − mr V Onde: ρap = massa unitária, em kg/m³; mar = massa do recipiente mais o agregado miúdo, em kg; mr = massa do recipiente vazio, em kg; V = volume do recipiente, em m³. Chega-se ao resultado de massa unitária do agregado miúdo de: ρagregado miúdo = 1316,33 kg/m³ 28 3.1.6.2 Massa Unitária do Agregado Graúdo Virgem Utilizando-se a fórmula: ρ ap = mar − mr V Onde: ρap = massa unitária, em kg/m³; mar = massa do recipiente mais o agregado graúdo virgem, em kg; mr = massa do recipiente vazio, em kg; V = volume do recipiente, em m³. Chega-se ao resultado de massa unitária do agregado graúdo virgem de: ρagregado graúdo virgem= 1488,33 kg/m³ 3.1.6.3 Massa Unitária do Agregado Graúdo Reciclado Utilizando-se a fórmula: ρ ap = mar − mr V Onde: ρap = massa unitária, em kg/m³; mar = massa do recipiente mais o agregado graúdo reciclado, em kg; mr = massa do recipiente vazio, em kg; V = volume do recipiente, em m³. Chega-se a um resultado de massa unitária para o agregado graúdo reciclado de: ρagregado graúdo reciclado = 1524,67 kg/m³ 29 3.2 Cálculo do Traço 3.2.1 Cálculo da Tensão de Dosagem É o valor de resistência, em MPa, relativo à resistência definida pelo cálculo estrutural, em relação ao desvio padrão adotado, que depende do método de execução do concreto. O valor final da resistência de dosagem é dado pela fórmula: f cc 28 = f cck + 1,65.S d Onde: fcck – resistência característica do concreto, à compressão, aos 28 dias de idade; fcc28 – resistência média de dosagem do concreto aos 28 dias de idade; Sd – desvio padrão adotado de acordo com a NBR 12655 (2006). Para um controle de qualidade excelente, considera-se o valor de Sd=4,0 MPa, para um controle considerado bom, Sd=5,5 MPa e, para um controle de qualidade considerado razoável, Sd=7,0 MPa. Neste trabalho, a resistência característica de projeto é 30 MPa e o método de controle de qualidade é considerado excelente, logo fcc28 é: fcc28 = 30 + 1,65.4 = 36,6 MPa 3.2.2 Relação água/cimento Através da curva de Abrams (figura 3), que relaciona a resistência do concreto aos 28 dias com a relação entre a quantidade de água e a quantidade de cimento. Utilizando cimento de classificação CPII F-32 e utilizando o gráfico da curva de Abrams (Figura 3), para uma resistência de 36,6 MPa, chegamos à relação a/c de: a/c = 0,47 30 Figura 7 - Curva de Abrams Fonte: CURTI, 2009. 3.2.3 Determinação do Consumo dos Materiais 3.2.3.1 Relação Água/Materiais Secos A% = Pag Pc + Pm Sendo: A% - relação água/materiais secos; Pag – peso de água Pc – peso do cimento Pm – peso de agregados (miúdo+graúdo) Os valores de A% relacionam-se à trabalhabilidade e encontram-se na Tabela 8. Eles dependem do tipo de agregado graúdo e do método de adensamento. No caso deste estudo, como o material utilizado é a brita e o adensamento foi por vibrador de imersão, o valor a ser adotado é de 8%. Quando da utilização da brita reciclada, como não há nada preconizado em norma, utilizou-se o mesmo valor da brita comum. 31 Tabela 8 – Valores de A% Agregado Adensamento Manual Vibratório 8% 7% Seixo 9% 8% Brita *Valores da tabela para: -agregado graúdo = brita 1 + brita 2; -agregado miúdo = areia natural. **Se: -brita 1 – somar 0,5% -brita 2 – diminuir 0,5% -areia artificial – somar 1% Fonte: RODRIGUES, 2003 Observações * ** 3.2.3.2 Determinação da Quantidade de Agregados Graúdos e Miúdos Relaciona, através de tabela 9, as porcentagens de agregado miúdo de acordo com o tipo de agregado miúdo e graúdo. Para este trabalho, como o agregado miúdo tem dimensão máxima característica de 2,36mm, de acordo com a NBR 7211 (2009), é definido como uma areia grossa. Com este valor, e utilizando a tabela 9, encontra-se a proporção de 50% do peso de agregados para agregado miúdo, ficando os outros 50% com o agregado graúdo. Tabela 9 – Valores da porcentagem de agregado miúdo em relação ao graúdo % de areia Agregado Graúdo Observação Fina Média Grossa Seixo 30 35 40 * Brita 40 45 50 ** *Os valores constantes da tabela referem-se a adensamento vibratório. **Para adensamento manual, somar 4%. Fonte: RODRIGUES, 2003 3.2.3.3 Determinação do Traço em Massa por kg de Cimento Como o método da ABCP faz a composição em massa para depois fazer as correlações com o traço em volume, para a composição dos traços com a brita reciclada, foi feito uma relação entre as massas unitárias do agregado graúdo virgem e reciclado. Assim, apesar de os traços serem calculados em massa, o volume da brita reciclada foi levado em consideração, para que a composição da mistura não sofresse variação volumétrica. Dividindo-se a massa unitária do agregado reciclado pela do agregado virgem, chegamos à relação: ρ agregado graúdo reciclado = 1,0244 ρ agregado graúdo virgem 32 Assim, para o valor encontrado de massa de agregado graúdo virgem deve-se multiplicar este fator, para encontrar o valor em massa de agregado graúdo reciclado. Abaixo, seguem as tabelas com os traços em massa utilizados neste trabalho: Tabela 10 – Traço 1 – Traço de referência Cimento (kg) Água (kg) 1 0,47 Fonte: Autor Agregado Agregado Agregado graúdo graúdo reciclado virgem (kg) miúdo (kg) (kg) 2,44 2,44 - Tabela 11 – Traço 2 – Traço com 50% de substituição do agregado graúdo virgem por agregado graúdo reciclado Cimento (kg) Água (kg) 1 0,47 Fonte: Autor Agregado Agregado Agregado graúdo graúdo reciclado miúdo (kg) virgem (kg) (kg) 2,44 1,22 1,25 Tabela 12 – Traço 3 – Traço com 100% de substituição do agregado graúdo virgem por agregado graúdo reciclado Cimento (kg) Água (kg) 1 0,47 Fonte: Autor Agregado Agregado Agregado graúdo graúdo reciclado virgem (kg) miúdo (kg) (kg) 2,44 - 2,5 4 – ETAPA EXPERIMENTAL 4.1 Concretagem e Moldagem Para prosseguir, com a concretagem, foi necessário definir a quantidade de concreto a ser produzido, calculando-se o volume dos corpos de prova a ser ensaiados. Como já foi dito anteriormente, este trabalho tem dois tipos de corpos de prova: os cilíndricos, para o ensaio de compressão, e os prismáticos, para o ensaio de tração à flexão. O volume do corpo de prova cilíndrico de 10 cm de diâmetro e 20 cm de altura é de 1,5708 dm³. O volume do corpo de prova cilíndrico com 15 cm de profundidade e de altura por 50 cm de comprimento é de 11,25 dm³. 33 Com o cálculo do consumo de cimento, que utiliza os fatores de massa específica, encontram-se os valores volumétricos dos componentes do concreto. Segue, abaixo, a fórmula utilizada. C= 1000 1 ar b + + + ag Dc Dar Db Para a qual: C – Consumo de cimento por m³ de concreto; Dc, Da e Dp – massa específica real do cimento, da areia e da brita; ar – kg de areia por kg de cimento; b – kg de brita por kg de cimento; ag – kg de água por kg de cimento. Com o valor do consumo aproximado de 370kg de cimento por m³ de concreto para cada traço, e conhecendo os volumes necessários de concreto para cada traço, por regra de três simples chega-se aos valores efetivos dos consumos de cimento, agregados e água para cada traço, descritos nas tabelas abaixo. Tabela 13 – Consumo de materiais para corpos de prova cilíndricos Material Cimento (kg) Areia (kg) Brita (kg) Agregado reciclado (kg) Água (kg) Fonte: Autor Traço padrão Substituição Substituição de 50% de 100% 2,41 5,87 5,87 0,90 2,41 5,87 2,94 3,01 0,90 2,41 5,87 0,00 6,02 0,90 Tabela 14 – Consumo de materiais para corpos de prova prismáticos Material Cimento (kg) Areia (kg) Brita (kg) Agregado reciclado (kg) Água (kg) Fonte: Autor Traço padrão 17,26 42,06 42,06 6,48 Substituição Substituição de 50% de 100% 17,26 17,26 42,06 42,06 21,03 21,55 43,09 6,48 6,48 34 Fazendo o somatório de todos os elementos, encontra-se o valor para o consumo total de material, que segue na Tabela 15. Tabela 15 – Consumo total de materiais Consumo total Material Cimento (kg) Areia (kg) Brita (kg) Agregado reciclado (kg) Água (kg) Fonte: Autor 59,00 143,81 71,91 73,66 22,15 Com os valores a serem consumidos, foi realizada a concretagem, no laboratório de estruturas da Universidade Federal de Pernambuco – Centro Acadêmico do Agreste, que utilizou uma betoneira, corpos de prova cilíndricos metálicos do laboratório, corpos de prova prismáticos de madeira, confeccionados pelo autor da pesquisa e um motor vibrador com agulha de imersão. 24 horas após concretados, os corpos de prova foram desmoldados e colocados em um tanque cheio com água, para efetuar a cura. 4.2 Ruptura dos Corpos de Prova Após 28 dias de cura, a ruptura dos corpos de prova se deu no laboratório de estruturas do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, conforme preconizado pela NBR 12142 (2010), em uma prensa AMSLER com capacidade para 200 toneladas. 5 – RESULTADOS 5.1 Ensaio De Compressão Realizado seguindo-se o que determina a NBR 5739 (2007), consistiu na ruptura dos corpos de prova e anotação dos resultados indicados pela máquina, em toneladas-força. A seguir, foi realizado o cálculo de resistência dos corpos de prova, que consiste em dividir o valor obtido na ruptura, pela área da seção transversal do corpo de prova, segundo a NBR 5739 (2007). Na Tabela 16 encontram-se os resultados para os ensaios de compressão. 35 Tabela 16 – Resistência dos corpos de prova cilíndricos em MPa N° do corpo de prova Traço Padrão (MPa) 1 2 3 4 25,2 26,5 31,0 27,8 50% de 100% de substituição substituição (MPa) (MPa) 28,1 26,5 25,5 29,0 23,7 23,6 21,2 21,1 Fonte: Autor A partir destes resultados, calculam-se os valores estimados da resistência característica à compressão (fckest). A forma de obtenção destes valores varia conforme o número de amostras. Para o caso deste trabalho, adota-se o critério de casos excepcionais onde: f ckest = ψ 6 . f1 Onde: fckest – resistência característica, aos 28 dias, estimada; ψ6 – é dado pela Tabela 17, de acordo com o número de exemplares; f1 – é o menor valor dentre os resultados, organizados em ordem crescente. Tabela 17 – Valores para ψ6 Fonte: NBR 12655, 2006 Com estas informações, obtem-se os valores característicos para cada traço adotado no estudo, demonstrados na Tabela 18. Tabela 18 – resultados de fckest Traço Padrão ψ6 fckest (MPa) Fonte: Autor 50% de 100% de substituição substituição 0,89 0,89 0,89 22,4 22,7 18,8 Também pode-se inferir os valores médios de resistência, conforme tabela 19. 36 Tabela 19 – valores das resistências médias, fctm fctm (MPa) Traço Padrão 50% de substituição 100% de substituição 27,6 27,3 22,4 Fonte: Autor 5.2 Ensaio de Tração à Flexão Realizado seguindo-se o que determina a NBR 12142 (2010), consistiu na ruptura dos corpos de prova e anotação dos resultados indicados pela máquina, em toneladas-força. A seguir, foi realizado o cálculo de resistência dos corpos de prova, observando-se a posição de ruptura. Neste trabalho, todos os casos apresentaram ruptura no terço médio, caso no qual calcula-se segundo a fórmula de fctM: f ctM = pl bd 2 Onde: fctM – resistência à tração na flexão, em MPa; p – carga máxima, aplicada em N; l – distância entre cutelos de suporte, em mm; b – largura média do corpo de prova na seção de ruptura, em mm; d – altura média do corpo de prova, na seção de ruptura, em mm. Com esta fórmula, chega-se aos valores da Tabela 20. Tabela 20 – valores das resistências de tração à flexão, fctM N° do corpo de prova 1 2 3 4 Fonte: Autor Traço Padrão 50% de 100% de substituição substituição 3,4 3,2 3,9 3,1 3,6 3,3 3,0 3,0 37 2,9 3,1 2,9 3,2 Seguindo os mesmos princípios do ensaio à compressão, para o cálculo da resistência característica, fckest, obtemos os valores da tabela 21. Tabela 21 – valores das resistências características, fckest Traço Padrão ψ6 fckest (MPa) Fonte: Autor 50% de 100% de substituição substituição 0,89 0,89 0,89 2,8 2,7 2,6 Calculando, em seguida, as resistências médias, fctm atingiram-se os valores da tabela 22. Tabela 22 – valores das resistências médias, fctm Traço Padrão fctm (MPa) Fonte: Autor 3,4 50% de 100% de substituição substituição 3,2 3,0 6 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Pelos resultados apresentados, nota-se que não se chegou aos resultados de resistência desejados, que eram de 30 MPa para os resultados de compressão e 4,5 MPa, para os de tração à flexão. Ao mesmo tempo, comparando-se os valores de resistências atingidas entre os traços, principalmente entre o traço com 50% de substituição de agregado graúdo e o traço de referência, percebe-se que são muito próximos, chegando o traço com material reciclado até a superar, pontualmente, o traço convencional, no valor de fckest, demonstrado na tabela 18. Pode-se supor, visto que o traço de referência também não atingiu a resistência adequada, que, por produzir-se apenas um traço, pelo método da ABCP (que se encontra desatualizado e deveria servir apenas como uma primeira referência, sendo necessário desenvolver outros traços de correção, empíricos, até atingir os valores almejados), e em cima do qual derivaram os outros traços, contar com apenas 4 corpos de prova de cada tipo/traço, o que é considerado um número bastante pequeno (o mínimo adequado seriam 6 e, o ideal para tornar as amostras representativas, acima de 20 corpos de prova), não fazer considerações/correções sobre os materiais pulverulentos, tanto do agregado miúdo quanto do agregado reciclado, principalmente, utilizar processo de vibração dos corpos de prova por vibrador com agulha de imersão, não dimensionado adequadamente e que pode ter criado uma 38 zona de exsudação no concreto, além de outros problemas que não foram observados, concluise que o controle tecnológico não foi o suficiente para garantir a obtenção da resistência esperada. Sabe-se ser possível atingir resistências até mais altas que as objetivadas neste trabalho, com o cimento e agregados utilizados no traço convencional, o que permite supor que, com o traço adequado, é possível atingir as resistências almejadas, com concretos preparados com os agregados reciclados, suposição esta apoiada pelos diversos trabalhos em vários países do mundo, onde este tipo de reciclagem já acontece há décadas. Porém, sem os resultados adequados, estas premissas ficam presas no campo das hipóteses. 7 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Uma questão pertinente, quando se procura o desenvolvimento de técnicas de reciclagem, é quanto aos custos. Em valores médios, o agregado convencional com granulometria de 19mm, chega a ser mais de 50% mais caro que o agregado reciclado de mesma granulometria (em valores de outubro de 2011, o agregado convencional custava R$60,00/m³, enquanto o agregado reciclado era vendido a R$28,00/m³). Caso seja adotada a reciclagem in loco, como na rodovia austríaca citada por Krenn e Stinglhammer (1994, apud BALBO 2009), os valores para o material reciclado podem cair ainda mais, por conta da diminuição de custos de movimentação de carga, visto que o pavimento antigo serviria de jazida de agregado graúdo para a nova pavimentação. Os resultados promissores do presente trabalho devem servir como estímulo da continuidade dos estudos de técnicas de reciclagem dos agregados graúdos de pavimentos rígidos, ficando como sugestão, para estudos posteriores, o aprimoramento do cálculo dos traços de concreto, ensaios de caracterização relativos aos materiais pulverulentos, maior controle na produção do concreto, além de um número maior de corpos de prova, para poderse ter algum resultado conclusivo sobre a eficácia do material reciclado em detrimento do agregado convencional. Outros motivadores à continuidade de estudos do tema são as necessidades futuras de destinação de materiais descartados de concreto e da necessidade do crescimento e manutenção da infra-estrutura terrestre, de forma cada vez mais barata, prática e ambientalmente correta. 39 REFERÊNCIAS ANGULO, Sérgio Cirelli; ULSEN, Carina; JOHN Vanderley M; KAHN, Henrique DESENVOLVIMENTO DE NOVOS MERCADOS PARA A RECICLAGEM MASSIVA DE RCD – V Seminário Desenvolvimento sustentável e a reciclagem na construção civil. CT 206 – IBRACON - São Paulo 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9781: Peças de concreto para pavimentação - documentação. Rio de Janeiro, 1987. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12142: Concreto – determinação da resistência à tração na flexão em corpos de prova prismáticos documentação. Rio de Janeiro, 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6491: Reconhecimento e amostragem para fins de caracterização de pedregulho e areia - documentação. Rio de Janeiro, 1985. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7211: Agregados para concreto – especificação - documentação. Rio de Janeiro, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15115: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – execução de camadas de pavimentação – procedimentos. Rio de Janeiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15116: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural - requisitos. Rio de Janeiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 53: Agregado graúdo – determinação de massa específica, massa específica aparente e absorção de água – Rio de Janeiro, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6457: Amostras de solo – preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização – método de ensaio. Rio de Janeiro, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6467: Agregados – determinação do inchamento de agregado miúdo – método de ensaio. Rio de Janeiro, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 248: Agregados – determinação de composição granulométrica. Rio de Janeiro, 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655: Concreto – preparo, controle e recebimento. Rio de Janeiro, 2006. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto - procedimento. Rio de Janeiro, 2007. 40 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7389-1: Agregados – análise petrográfica de agregado para concreto parte 1: agregado miúdo. Rio de Janeiro, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7389-2: Agregados – análise petrográfica de agregado para concreto parte 2: agregado graúdo. Rio de Janeiro, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5739: Concreo – ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos – método de ensaio. Rio de Janeiro, 2007. 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