Mestrado em Saúde Coletiva Epidemiologia e Saúde Mental: uma parceria necessária Epidemiology and Mental Health: a necessary partnership Mariana Fernandes Ramos dos Santos1 RESUMO São inúmeros os fatores que contribuem para produção da saúde coletiva, e entre elas está epidemiologia como forma de estudar as doenças em seu âmbito social, levantando a causa, início e fatores que desencadeiam tais quadros. O objetivo deste artigo é chamar a atenção para um avanço da epidemiologia no que se refere a Saúde Mental, como forma de analizar os fatores que estão propiciando o século XXI de adoecer. Conclui-se que se faz necessária o investimento neste âmbito dentro da realidade brasileira, pois é preciso intervenções que acoplam a saúde coletiva no que se refere a saúde mental e a epidemiologia é uma intervenção necessária. PALAVRAS CHAVES: Epidemiologia, Saúde Mental, Saúde Coletiva. ABSTRACT There are countless factors that contribute to the production of public health, epidemiology and among them is as a way of studying the disease in its social context, raising the question, and risk factors that trigger such frameworks. The purpose of this article is to draw attention to an advancement of epidemiology in relation to Mental Health as a way to analyze the factors that are providing the XXI century of falling ill. It follows that investment is needed in this area within the Brazilian reality, because it is necessary interventions that engage the public health in relation to mental health and epidemiology is a necessary intervention. KEYWORDS: Epidemiology, Mental Health, Public Health ______________________________________________________________________________________________________ 1 Autor. Psicóloga. Terapeuta Cognitivo Comportamental. Neuropsicóloga. Especialista em Saúde Mental. Especialista em Psiquiatria com ênfase em Saúde Mental. Pós Graduanda em Reabilitação Neuropsicológica. Mestranda em Saúde Coletiva. INTRODUÇÃO: Dentro das atuações no âmbito da Saúde Coletiva podemos cita a epidemiologia. A epidemiologia é o estudo da freqüência e da distribuição das doenças e suas causas na população, ou seja, estuda as possíveis causas dos quadros que se apresentam. Onde conta com recursos que possibilitem diagnosticar as principais doenças da comunidade, permitindo também possíveis intervenções, ou seja, a partir deste diagnóstico há um mapeamento da situação atual daquela população. Em outras palavras, podemos dizer que epidemiologia é uma ciência voltada para a compreensão do processo saúdedoença, e, amplia isso para o espaço de saúde coletiva, ou seja, no âmbito de populações, aspecto que a diferencia da clínica, que tem por objetivo o estudo desse mesmo processo, mas em termos individuais. A epidemiologia leva a discussão para um âmbito coletivo, uma discussão macro, onde se é possível analisar o processo do adoecimento de maneira mais ampla. Dentro dos males do século, podemos levantar a maior questão de todos os tempos, a saúde mental. Levando em consideração o paradigma de doença como aquele que enxerga o homem biopsicosocial e não aquele que se concentra na ausência de doença, se faz necessária levantar as situações gatilho que desencadeiam na doença mental, por este motivo se faz necessário o diálogo com a epidemiologia. Epidemiologia e Saúde Mental Para Last (1995): "Epidemiologia é o estudo da freqüência, da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados à saúde em específicas populações e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde." O que nos permite avaliar bem como identificar fatores que influenciam no estado do adoecer, na tentativa de levantar possibilidades de atuação com maior fidedignidade. Diante desta forma de atuar, ou seja, saúde coletiva, num âmbito mais social, No entanto, no que se refere a epidemiologia: “Todos reconhecem a importância de que políticas, intervenções ou programas sejam baseados em informação derivada de estudos em saúde mental realizados principalmente no próprio país, permitindo colaborações proveitosas entre pesquisadores e os envolvidos na tomada de decisão.”( Mello ET AL 2007) Através do que se é levantado dentro da realidade da epidemiologia, se é possível traçar formas de atuação através da formação de políticas, intervenções ou programas que atuem de forma fidedigna nas demandas levantadas. Diante disso, podemos dizer que a epidemiologia pode ser: ´Como ciência, a epidemiologia fundamenta-se no raciocínio causal; já como disciplina da saúde pública, preocupa-se com o desenvolvimento de estratégias para as ações voltadas para a proteção e promoção da saúde da comunidade. A epidemiologia constitui também instrumento para o desenvolvimento de políticas no setor da saúde.´(Brasil, 2004) Seria de suma importância que estes conhecimentos gerados a partir das peculiaridades da epidemiologia, que leva em consideração a realidade da comunidade ou território em que está se inserido, fossem associados a grandes questões do século XXI como por exemplo as doenças mentais. Doenças essas que acometem grande parte da população e que cada dia mais incapacita pessoas e provocam holocaustos sociais, onde nos deparamos com cidades, países e populações acometidas pela doença mental. No que se refere a realidade da doença mental, Regina Marsiglia (2007) e colaboradores caracterizam a realidade social brasileira demonstrando indicadores de importância dentro da realidade brasileira: “ de emprego, renda, pobreza e desigualdade, abordam a questão das políticas públicas e das disparidades regionais, ficando com o Nordeste o pior índice nacional de desenvolvimento humano. Sendo que as condições de vida repercutem nos indicadores de saúde mental, esta nos pareceu a razão para a inclusão deste primeiro tópico.”(Marsiglia, 2007) O que implica alguns fatores determinantes dentro do processo do adoecer, elementos estes sociais que tem correlação com o índice da doença mental no como citado acima na região do nordeste como por exemplo, a falta de emprego, a renda comprometida, a pobreza, a desigualdade são elementos importantes que implicam nas condições psíquicas do nordeste, nos abrindo um leque para os maiores fatores de adoecimento dentro do âmbito macro, dentro do âmbito social. Dentre o século XXI, as doenças mentais são qualificadas como as doenças do século, onde as pessoas adoecem em massa, trazendo para a sociedade um paradigma de improdutividade e de paralização, onde cada dia mais pessoas são “encostadas” no INSS com a justificativa de ser acometido por uma doença mental, doença mental esta que traz consigo um rotulo incapacitante. No que se refere a doenças incapacitantes é podido dizer que: “Sabe-se que, embora os transtornos mentais causem pouco mais de 1% das mortes, são responsáveis por mais de 12%das incapacitações por doenças em geral. Esse número cresce para 23% em países desenvolvidos. No mundo, das 10 principais causas de incapacitação.” Estudos epidemiológicos atuais focalizam o aumento da prevalência de demência , particularmente nos países de baixo e média renda, uma vez que estimativas feitas por 10 em 66 grupos de pesquisadores mostram que a prevalência de demência é muito maior do que se havia demonstrado previamente usando os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais [ 4a edição ](DSM-IV). Existe atualmente [2008] mais de 24 milhões de pessoas vivendo no mundo todo com demência. E se estima que a prevalência vai aumentar aproximadamente 82 milhões de pessoas em 2040. A carga atingirá predominantemente os países de média renda. A taxa de aumento na prevalência é estimada em 300% na Índia,China, áreas do Sul da Ásia e Pacífico Oeste. E 100% nos países de alta renda. No que se refere por exemplo, a emergência Psíquiátrica, Galvão e Col. (2001) no que se refere ao perfil de pessoas que chegam a emergência psiquiátrica, em relação ao gênero, incidem igualmente em homens e mulheres, em relação ao estado civil, pessoas solteiras ou casadas; cerca de 20% dos pacientes que procuram o hospital por condição psiquiátrica de emergência são suicidas e 10% são violentos, afirmando que os diagnósticos mais comuns envolvem depressão e mania, esquizofrenia, dependência de álcool e mais atualmente, dependência de crack e ressalta que cerca de 40% dos pacientes atendidos em emergências psiquiátricas necessitam de internação. O que chama a nossa atenção para a importância de um trabalho de qualidade na emergência psiquiátrica, onde o acolhimento é indispensável. Já Castro (1997) aponta em sua amostra que os principais diagnósticos seguidos de Porcentagem são: Transtorno de humor (25,7%), Transtornos psicóticos (21,4%), Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas (20,8%), Transtornos somatoformes (16,3%), Retardo mental (4,7%), Outros diagnósticos (10,8%) e Diagnóstico desconhecido (3,3%). Brasil (2004) aponta que os Transtornos Mentais constituem grave problema de saúde pública mundial, o que se agrava pelo fato de que muitos dos transtornos ocorridos nestas fases do desenvolvimento humano podem continuar se manifestando durante a idade adulta, em um comprometimento global de estimativa complexa e difícil; geram grande carga agregada de doenças, sendo freqüentemente o reflexo de acometimento maior, em um contexto sócio-familiar. O que se faz de suma importância trabalhar não só o chegar das emergências e o cuidado a partir do tratamento, mas também levar em consideração as causas que consequenciaram os possíveis quadros, o que é o objeto de estudo da epidemiologia. CONCLUSÃO: Cada vez mais pessoas adoecem e a dúvida gira em torno da veracidade das estimativas, com a epidemiologia em lógica com a saúde mental, pode-se chegar bem perto do real dentro da realidade das doenças mentais na comunidade, Por isso se faz necessária mais investimento nesta área,lembrando que, com a profundidade deste estudo se é possível estruturar e fomentar novas formas de se intervir dentro da saúde mental, sobretudo no que se refere a uma atuação preventiva, pois através da epidemiologia o “diagnóstico social” seria feito, e em cima desse diagnóstico haveria atuações mais assertivas, no entanto na realidade brasileira há a necessidade de se estimular ações como esta. Ações que conferem a saúde coletiva, e sobretudo que se utilizem de ações que tragam para a intervenção a realidade do território, ação esta que se é possível pelo investimento na epidemiologia. O Brasil precisa de intervenções que se envolvam em atuações no âmbito coletivo, e entre elas está a epidemiologia que possibilita atuações mais fidedignas no que se refere a atuação em saúde, sobretudo a atuação em saúde mental. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e Col. DIRETRIZES PARA UM MODELO DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL EM SAÚDE MENTAL NO BRASIL, 2006 BARROS, Régis Eric Maia; TUNG, Teng Chei and MARI, Jair de Jesus. Serviços de emergência psiquiátrica e suas relações com a rede de saúde mental Brasileira. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2010, vol.32, suppl.2 [cited 2013-05-14], pp. S71-S77 . BAPTISTA, Celeste Corral Tacaci Neves. Emergências Psiquiátricas. Rev. Bras. Psiquiatr. 2008, vol.30, n.1 [cited 2013-05-14], pp. 92-92. BRASIL.Ministério da Saúde. 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