1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS GILIARDE PACHECO BARNI ANÁLISE DO PERFIL DOS CLIENTES E DAS NEGOCIAÇÕES REALIZADAS EM UMA REVENDA DE VEÍCULOS USADOS NA CIDADE DE JOINVILLE - SC JOINVILLE – SC – BRASIL 2014 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS GILIARDE PACHECO BARNI ANÁLISE DO PERFIL DOS CLIENTES E DAS NEGOCIAÇÕES REALIZADAS EM UMA REVENDA DE VEÍCULOS USADOS NA CIDADE DE JOINVILLE - SC Trabalho de Graduação apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro de Produção e Sistemas. Orientador: Professor Valdésio Benevenutti JOINVILLE – SC – BRASIL 2014 3 GILIARDE PACHECO BARNI ANÁLISE DO PERFIL DOS CLIENTES E DAS NEGOCIAÇÕES REALIZADAS EM UMA REVENDA DE VEÍCULOS USADOS NA CIDADE DE JOINVILLE - SC Trabalho de Graduação apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro do curso de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade do Estado de Santa Catarina. Banca Examinadora: Orientador: ______________________________________ Professor Valdésio Benevenutti, MSc. Membro: ______________________________________ Professor Evandro Bittencourt, Dr. Membro: ______________________________________ Professor Lírio Nesi Filho, Dr. Joinville (SC), 29 de setembro de 2014 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente à Deus, por toda a proteção que me foi dada, sempre me conduzindo com sabedoria e tranquilidade nas horas difíceis, pois mesmo sabendo das dificuldades do caminho, com ele ao meu lado sabia que tudo daria certo. Agradeço aos meus pais, Maria Helena Pacheco e Edésio Barni, por todo amor, educação, dedicação, carinho, proteção e suporte que me deram ao longo de todos esses anos, não há palavras que descrevam todo o meu amor e gratidão e que sem eles, a trajetória até aqui seria praticamente impossível. Agradeço em especial ao meu pai e seus colegas de trabalho, Anderson da Rosa, Márcio Alexandre Tomasi, Jefferson Roberto Alves e Vilmar Millnitz, por todo esforço e dedicação, pois sempre se mostraram muito prestativos para explicar e me ajudar em qualquer dúvida que eu viesse a ter ao longo do desenvolvimento desse trabalho. Uma das coisas mais importantes que aprendi ao longo desses quase 7 anos, foi que ninguém se forma sozinho na UDESC, é quase uma tarefa coletiva, pois só ajudando uns aos outros é que conseguimos estar apto à colação. Por isso, agradeço aos velhos amigos e aos novos que conquistei ao longo de todos esses anos aqui na universidade, pois todos eles de uma forma ou de outra foram importantes durante essa árdua jornada, seja pelas trocas de ideias e experiências, por dividir os momentos tristes e alegres, ou até mesmo pelos materiais emprestados, assim agradeço em especial aos meus grandes amigos e companheiros Anderson Cardoso da Rocha, César Augusto da Silva, Guilherme Henrique de Oliveira, Heron Guilherme de Andrade Pereira, Lucas Fernandes, Ricardo Francisco dos Santos e Rodrigo Alexandre de Souza por todo apoio. A minha namorada Silvia May por ter me ajudado em partes do desenvolvimento, por todo apoio e por tantas vezes ter compreendido a minha ausência nos períodos de estudo dedicados a realização deste trabalho. Ao professor Valdésio Benevenutti, que me ajudou na elaboração das ideias e escolha do tema, me orientando no desenvolvimento desse trabalho. Aos demais professores da Universidade do Estado de Santa Catarina por todo conhecimento e dedicação indispensáveis em minha formação, tanto acadêmica quanto pessoal. A todos o meu muito obrigado! 5 “Ama-se mais o que se conquista com esforço.” Benjamin Disraeli 6 GILIARDE PACHECO BARNI ANÁLISE DO PERFIL DOS CLIENTES E DAS NEGOCIAÇÕES REALIZADAS EM UMA REVENDA DE VEÍCULOS USADOS NA CIDADE DE JOINVILLE - SC RESUMO Analisar um mercado que trabalha com um produto de alta liquidez e que oscila tão rapidamente devido a sua dependência direta ao preço do zero quilômetro, não é tarefa fácil. O objetivo deste estudo é analisar o perfil dos clientes e das negociações de veículos usados de uma revenda localizada na região sul da cidade de Joinville visando tornar mais assertiva a escolha dos veículos a serem revendidos. Para tanto, foi desenvolvido primeiramente uma pesquisa bibliográfica a fim de verificar o panorama desse setor e em seguida, realizou-se uma pesquisa exploratória, onde foram coletados dados secundários a respeito de 675 negociações ao longo de três anos, 2011, 2012 e 2013. A partir daí, analisou-se os dados tabulados para obter informações a respeito do perfil dos clientes, bem como suas preferências na hora de efetuar a compra de um veículo usado. Com os resultados evidenciouse que 66% dos consumidores dessa revendedora residem na zona sul do município de Joinville e que em sua maioria são homens com idade entre 25 e 50 anos. Além disso, esse público tem preferência por veículos com valores de até no máximo R$30.000,00 e optam por fazer a aquisição desse carro dando uma parte em dinheiro ou um veículo quitado como entrada e financiando o restante, de preferência, utilizando planos de 48 meses com parcelas de no máximo R$750,00. Outro aspecto evidenciado é que mesmo com o grande peso que a aquisição de um veículo tem para o consumidor brasileiro, fazendo-o realizar a troca após períodos muito longos, muitas vezes após anos, viu-se a necessidade de se fidelizar o cliente. PALAVRAS-CHAVE: Clientes. Joinville. Negociações. Veículos Usados. 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Etapas do Desenvolvimento do Estudo .................................................................. 21 Figura 2 – Gênero dos Clientes ................................................................................................ 24 Figura 3 – Faixa Etária dos Clientes ........................................................................................ 25 Figura 4 – Clientes por Região de Joinville ............................................................................. 26 Figura 5 – Quantidade de Clientes por Bairros de Joinville .................................................... 27 Figura 6 – Quantidade de Vendas por Marcas .......................................................................... 29 Figura 7 – Dez Modelos Mais Vendidos em Quantidade ......................................................... 30 Figura 8 – Quantidade de Negociações por Ano. ..................................................................... 31 Figura 9 – Média Mensal Anual de Negociações ..................................................................... 33 Figura 10 – Quantidade Mensal de Negociações ..................................................................... 34 Figura 11 – Negociações por Semana ...................................................................................... 35 Figura 12 – Negociações por Dias da Semana ......................................................................... 36 Figura 13 – Valores das Negociações ....................................................................................... 38 Figura 14 – Modalidade de Pagamento .................................................................................... 39 Figura 15 – Negociações por Meio de Troca ........................................................................... 41 Figura 16 – Prazo dos Financiamentos .................................................................................... 43 Figura 17 – Valores das Parcelas .............................................................................................. 43 Figura 18 – Taxas de Juros Mensais ......................................................................................... 44 8 LISTA DE ABREVIATURAS ANEF Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras ANFAVEA Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores BCB Banco Central do Brasil DENATRAN Departamento Nacional de Trânsito FENAUTO Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos FIPE Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas GM General Motors IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPI Imposto sobre Produtos Industrializados IPPUJ Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville PIB Produto Interno Bruto SC Santa Catarina SFN Sistema Financeiro Nacional SIM Sistema de Informação de Marketing UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 10 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...................................................................................... 13 2.1 MARKETING .................................................................................................................... 13 2.2 PESQUISA DE MARKETING ......................................................................................... 13 2.3 SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING - SIM ............................................... 14 2.4 MERCADO DE VEÍCULOS ............................................................................................. 17 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ..................................................................... 20 3.1 MÉTODO DE PESQUISA ................................................................................................ 20 3.2 COLETA E PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DOS DADOS................................. 20 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................... 23 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA ESTUDADA............................................................ 23 4.2 PERFIL DOS CLIENTES .................................................................................................. 23 4.2.1 Gênero e Faixa Etária dos Clientes ................................................................................. 23 4.2.2 Clientes por Região e por Bairro de Joinville ................................................................. 25 4.3 PERFIL DAS NEGOCIAÇÕES ........................................................................................ 28 4.3.1 Principais Marcas e Modelos .......................................................................................... 28 4.3.2 Análise das Negociações ................................................................................................. 30 4.3.3 Elaboração dos Preços de Venda .................................................................................... 36 4.3.4 Valor das Negociações e Modalidade de Pagamento...................................................... 37 4.3.5 Financiamento e Taxas de Juros...................................................................................... 42 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 47 10 1 INTRODUÇÃO A concorrência cada vez mais acirrada é um fato concreto e visível no mercado de automóveis usados, tendo em vista a facilidade do acesso ao crédito e a abundância de veículos que entram nesse tipo de negócio diariamente para serem comercializados. Esse fato é evidenciado pelos dados apresentados pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF, 2013), onde, para cada zero quilômetro emplacado, são vendidos quase três automóveis usados e mesmo com uma participação significativa que esse mercado tem para a economia brasileira, há pouco incentivo por parte do governo que beneficie esse segmento como ocorre com os veículos novos, como por exemplo, a política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos (FENAUTO), também confirma a importância desse segmento, salientando que o mercado de veículos usados movimentou 2,6 vezes mais que o de veículos novos só em 2012, superando a marca de 12 milhões de negócios realizados em mais de 45,5 mil empreendimentos comerciais, empregando, direta e indiretamente, 650 mil profissionais (FINANCEIRO, 2012). A relevância do segmento para economia e a grande disponibilidade de crédito para o mercado de veículos não inibe as restrições no processo de aprovação dos financiamentos por parte das instituições financeiras, dificultando assim muitas negociações. Pode-se constatar isso pelos dados apresentados pela ANEF (2013), que mostram uma queda de 12,75% do saldo do crédito para aquisição de veículos por pessoas físicas e jurídicas que correspondia a 5,5% do PIB em 2012 e passou para 4,8% em 2013, passando a representar 8,4% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional e 15,2% do total das operações de crédito. Uma situação muito comum no mercado de veículos, principalmente no segmento de usados, é que por ser um bem cujo preço é elevado para o consumidor brasileiro, mesmo tendo como referência que o veículo nacional mais barato (Fiat Uno Mille 1.0 Fire Flex Economy 2 portas), com preço de tabela de R$22.797,00, segundo a Fipe (2014), representa 12,3 vezes a renda média do brasileiro, que segundo o IBGE (2013) atingiu R$1.851,15 por mês no ano de 2013 considerando o 13º salário. A aquisição de um novo veículo só ocorre, muitas vezes, somente após vários anos, por isso, não há uma preocupação de se fidelizar o cliente tendo uma visão de continuidade, o que acontece hoje é uma transação pura e simples, cliente a cliente, ou melhor, veículo a veículo. 11 Outro aspecto desse segmento é a forte concorrência juntamente com a alta fluidez do tipo de produto negociado, tornando-se de extrema importância buscar uma alternativa para se manter nesse mercado tão competitivo. Artigos, dissertações e publicações voltadas ao mercado de veículos novos são encontrados com certa facilidade, mas quanto ao mercado de usados, pesquisas e publicações a respeito desse segmento são muito escassas, o que abre portas para que novos estudos sejam realizadas sobre o tema. Sendo assim, os principais problemas encontrados nesse ramo de atividade são: Falta de políticas de incentivo por parte do governo ao mercado de veículos usados, como por exemplo, o IPI que beneficia somente os veículos novos; Dificuldade de aprovação de crédito por parte das instituições financeiras; Falta de critérios na escolha assertiva do produto a ser revendido (qual o perfil ideal do estoque para manter na loja); Desconhecimento do perfil dos clientes de veículos usados e seu ciclo de compra; Ausência de programas de fidelidade do cliente com a loja; Escassez de estudos científicos voltados a esse segmento de mercado. Portanto, para tornar-se uma empresa mais competitiva diante desse mercado, esse trabalho, diferente de uma pesquisa de intenção de compra com os potencias consumidores, tem como objetivo geral analisar o perfil dos clientes e das negociações de veículos usados de uma revenda localizada na região sul da cidade de Joinville visando tornar mais assertiva a escolha dos veículos a serem revendidos. Para realizar esse estudo, foi feita uma coleta de dados, seguida de sua tabulação tendo como base os registros das negociações que a empresa vem armazenando ao longo dos três últimos anos, 2011, 2012 e 2013. A partir desse objetivo geral é possível identificar os objetivos específicos a seguir: Estabelecer o perfil dos clientes dessa revendedora; Traçar o perfil das negociações ocorridas dentro dessa revendedora entre os anos de 2011 e 2013; Levantar as oportunidades de melhorias. Com isso, esse estudo permitirá detalhar vários aspectos a respeito desse segmento bem como o perfil do seu consumidor, levantando aspectos como gênero, faixa etária, região onde reside, tipo de negociação (com ou sem entrada), forma de pagamento entre outros e assim esse trabalho pretende demonstrar que esse tipo de negócio também pode se beneficiar de estudos científicos para que consigam ter uma melhor atuação perante a concorrência, pois 12 conhecendo o perfil do cliente desse mercado e sabendo o que ele busca tornará mais assertiva a compra dos produtos a serem revendidos nesta loja. O presente trabalho é dividido em cinco capítulos, sendo o primeiro deles a introdução que tem como objetivo apresentar o tema de forma ampla, definindo o problema, o objetivo geral e os objetivos específicos. O segundo capítulo apresenta a fundamentação teórica necessária para realizar o desenvolvimento desse trabalho embasando a proposta discernindo o ponto de vista de diversos autores. O terceiro capítulo é dedicado à apresentação dos procedimentos metodológicos onde se mostra os passos seguidos, materiais e métodos adotados para o desenvolvimento do estudo. O quarto capítulo é destinado à apresentação e análise dos resultados, onde se contempla a apresentação da empresa objeto de estudo, seguida da descrição da situação atual da mesma, a problemática envolvida, a discussão dos resultados obtidos e as propostas de melhorias. Por fim, o último capítulo dedica-se às considerações finais do trabalho, discutindo o alcance dos objetivos propostos. 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta fundamentação teórica é constituída pelos tópicos Marketing, Pesquisa de Marketing, Sistema de Informação de Marketing (SIM) e Mercado de Veículos. 2.1 MARKETING Kotler (2000) define Marketing como sendo um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros. Além disso, complementa que Marketing é o processo de planejar e executar a concepção, a determinação do preço, a promoção e a distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais. Já Drucker (2001) apud Basta et al. (2006), resume que a meta de marketing é tornar a venda supérflua, é conhecer e entender tão bem o consumidor que o produto ou o serviço se adapte a ele e se venda sozinho. 2.2 PESQUISA DE MARKETING O conceito de marketing exige que a satisfação do cliente, mais que a maximização dos lucros, seja a meta de uma organização. A organização deve estar voltada para o cliente, buscando entender as necessidades dele e sua satisfação rápida e eficaz, de maneira que seja benéfica tanto para o consumidor como para a empresa. Isso significa dizer que toda organização deve procurar obter informações sobre as necessidades dos consumidores e reunir as inteligências de marketing de forma que a empresa satisfaça tais necessidades eficazmente (AAKER, KUMAR e DAY, 2010). Para Kotler (2000), pesquisa de marketing corresponde à elaboração, à coleta, à análise e à edição de relatórios sistemáticos de dados e descobertas relevantes sobre uma situação específica de marketing enfrentada por uma empresa. Malhotra (2012) complementa afirmando que pesquisa de marketing é a identificação, coleta, análise, disseminação e uso de informações de forma sistemática e objetiva para melhorar a tomada de decisões relacionadas com a identificação e solução de problemas e oportunidades de marketing. 14 Basta et al. (2006), resumem o objetivo da pesquisa de marketing como sendo uma forma de minimizar os riscos envolvidos nos processos decisórios, quando o profissional de marketing não dispõe de informações suficientes para esclarecer certas questões. Conforme Aaker, Kumar e Day (2010), a pesquisa de marketing ajuda a melhorar as decisões empresariais, proporcionando informação relevante, acurada e em tempo hábil. Cada decisão precisa de informações específicas e únicas, e estratégias relevantes podem ser elaboradas tendo por base as informações colhidas pela pesquisa de marketing. Portanto, a principal responsabilidade da função da pesquisa de marketing consiste em oferecer informações que ajudem a detectar problemas e oportunidades para, se necessário, descobrir o suficiente para tomar decisões, como qual programa de marketing apresentará um melhor resultado diante de uma determinada situação. Segundo Basta et al. (2006) normalmente essas pesquisas permitem embasar estudos sobre segmentação de mercado, podendo igualmente antecipar mudanças no mercado consumidor e no setor econômico em que o produto está inserido, ou mesmo fornecer informações valiosas para reduzir os custos do produto. Aaker, Kumar e Day (2010), apontam que a essência da pesquisa de marketing se resume a entender os consumidores, quem são eles, como se comportam, por que se comportam dessa ou daquela maneira e quais são suas possíveis reações no futuro. Com a realização da Pesquisa de Marketing geram-se informações que contribuem para diminuir as incertezas e assim auxiliar na tomada de decisões pelas empresas. 2.3 SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING - SIM A informação é uma ferramenta-chave para a tomada de decisão em marketing. Investir em informação é obter conhecimento. E o conhecimento é a base para o sucesso no mundo dos negócios (COBRA, 2009). Basta et al. (2006) explicam que um sistema de informações é um conjunto de componentes inter-relacionados, desenvolvido para coletar, organizar, armazenar e processar dados e distribuir as informações daí resultantes, de modo a facilitar o processo decisório. Já Cobra (2009) faz uma síntese dos principais autores que publicaram sobre o tema resumindo o sistema de informações em marketing como uma estrutura da interação entre pessoas, equipamentos, métodos e controles, estabelecidos para criar um fluxo de informações capaz de prover as bases para a tomada de decisão em marketing. A informação em si não 15 leva à decisão, e é preciso escolher um curso de ação que ajude a identificar problemas e oportunidades e que indique caminhos que reduzam a incerteza. Para Basta et al. (2006), a finalidade do sistema de informação de marketing é possibilitar aos gestores de marketing o diagnóstico e a compreensão de problemas mercadológicos, auxiliando-os nos processos de tomada de decisão para assegurar a sobrevivência da organização num ambiente externo em contínua e célebre transformação. Ainda segundo Basta et al. (2006), as atividades básicas do sistema de informação de marketing são entrada, processamento e saída, onde os dados procedentes dos macro e microambientes, assim como do ambiente interno da organização, entram no sistema e são transformados em informações. Um sistema de informação de marketing é constituído de pessoas, equipamentos e procedimentos para a coleta, classificação, análise, avaliação e distribuição de informações necessárias de maneira precisa e oportuna para os que tomam decisões de marketing (KOTLER, 2000). É através de uma coletânea de informações pertinentes com o seu ramo de negócios, que uma empresa pode montar um sistema básico de coleta de dados, também chamado sistema básico de pesquisa de informações. Esse sistema, baseado em uma metodologia de colher, analisar e armazenar informações, precisa ser organizado sob medida às necessidades e aos objetivos de cada empresa (COBRA, 2009). Com base nisso, Cobra (2009), afirma que os dados coletados só depois de analisados é que se transformam em informações. Ou seja, o dado em si, expresso em números, ainda não é uma informação e que a interpretação, a análise do significado e a associação desse número a um conceito é que irá constituir-se em uma informação que, devidamente processada, gera conhecimento de mercado. De acordo com Kotler (2000), é por meio da análise das informações obtidas em registros internos da empresa (pedidos, vendas, preços, custos, níveis de estoque, contas a receber, contas a pagar, etc.), atividades de inteligência, pesquisa de marketing e análise de suporte à decisão de marketing, que os gerentes de marketing podem identificar oportunidades. Aaker, Kumar e Day (2010) explicam que todos os sistemas de informação baseiamse, inicialmente, em dados internos coletados rotineiramente, e então, expandem-se por meio da inclusão de dados provenientes de outras fontes. Kotler (2000) elucida que o pesquisador pode reunir dados secundários, dados primários ou ambos. 16 O exame dos dados secundários disponíveis é um pré-requisito para a coleta de dados primários, pois ele ajuda a definir o problema e formular hipóteses para sua solução. Quase sempre, esse exame traz um novo entendimento sobre o problema, e seu contexto frequentemente acaba sugerindo soluções que não haviam sido consideradas anteriormente (AAKER, KUMAR e DAY, 2010). Para Kotler (2000) os dados primários são aqueles que foram reunidos para uma finalidade específica ou para um projeto específico de pesquisa. Basta et al. (2006) complementam que os dados primários são exclusivos e específicos, pois são obtidos por encomendas, além de serem de posse e uso de quem os levantou. Já os dados secundários são definidos como sendo aqueles que foram coletados no passado para outra finalidade que não a pesquisa atual e que podem ser encontrados em algum lugar (KOTLER, 2000; AAKER, KUMAR e DAY, 2010). Os dados secundários constituem os meios mais baratos e fáceis de acesso às informações. Portanto, a primeira etapa da pesquisa é verificar a disponibilidade de dados secundários sobre o assunto de seu estudo. Como os dados secundários já estão disponíveis na organização, estes já podem ser suficientes para embasar muitos dos estudos mercadológicos. A preocupação está em saber aonde encontrá-los. Entre as fontes desses dados, são citados os relatórios que informam as vendas em valor e unidade por região, atividades de marketing, informações sobre custos, relatórios e avaliação dos distribuidores, avaliação dos consumidores, entre outros (BASTA et al. 2006; AAKER, KUMAR e DAY, 2010). Kotler (2000); Aaker, Kumar e Day (2010) resumem de forma simples e direta os benefícios obtidos com os dados secundários, entre eles, economia de tempo e dinheiro, pois apresentam baixo custo e imediata disponibilidade, além da alta relevância para a situação da organização, servindo para diagnosticar os problemas específicos a serem investigados e como fazer isto. Mesmo com todos os benefícios apresentados, os dados secundários nem sempre são suficientes para satisfazer às necessidades de informação, e nesses casos, os pesquisadores terão que fazer uma pesquisa primária (AAKER, KUMAR e DAY, 2010). Malhotra (2012) classifica os dados secundários em internos ou externos. Dados internos são aqueles gerados na organização para a qual está sendo realizada a pesquisa. Essas informações muitas vezes estão em formato pronto para uso, como as informações fornecidas rotineiramente pelo sistema de apoio às decisões gerenciais. Por outro lado, esses dados podem existir dentro da organização, mas exigir um processamento considerável antes de terem utilidade para o pesquisador, como por exemplo, as várias informações que podem ser 17 encontradas nas faturas de vendas. Já os dados externos são aqueles gerados fora da organização, e podem existir na forma de publicações, banco de dados on-line ou informações disponíveis em serviços personalizados por assinatura. A respeito das fontes dos dados secundários, Malhotra (2012) aponta que as fontes internas é que devem ser o ponto de partida na busca desses dados. Como a maior parte das organizações possui muitas informações internas, alguns dados podem estar facilmente disponíveis e fornecer informações úteis, como por exemplo, os dados sobre vendas e custos que são compilados no processo contábil de rotina. Além desses, também é possível processar dados sobre vendas coletadas rotineiramente para gerar uma variedade de informações úteis. Os dados secundários internos têm duas vantagens significativas: eles estão facilmente disponíveis e não são dispendiosos. As fontes secundárias internas costumam ser as menos dispendiosas de todas as fontes de informações para pesquisas de marketing, no entanto, muitas vezes esses dados não são plenamente explorados (MALHOTRA, 2012). Frente aos benefícios apresentados pela pesquisa de marketing, Aaker, Kumar e Day (2010) apontam que, a partir de fontes secundárias internas, muitas empresas estão montando seus próprios bancos de dados sobre os consumidores. Sendo estes constituídos de dados básicos sobre os clientes, que podem ser utilizados para produzir informação útil. Mantêm-se registros dos clientes mais frequentes e de suas transações, e estes dados são usados para descobrir o que eles têm em comum, além de servirem para determinar as preferências sobre produtos ou formas de pagamento. 2.4 MERCADO DE VEÍCULOS Por volta das décadas de 70 e 80 o mercado brasileiro tinha a sua disposição apenas quatro marcas de fabricantes nacionais de automóveis, inclusive com pouca variedade entre os modelos, limitando as opções para o comprador. Porém, com a abertura comercial brasileira à concorrência internacional em 1991 atrelada às políticas públicas de fomento ao setor e maciços investimentos foi possível à indústria automotiva nacional superar o descompasso em comparação a outros mercados mais desenvolvidos (CARDOSO, 2012). Porém, de acordo com o Anuário da Indústria Automobilística brasileira divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA, 2013), esse número passou para quinze montadoras de automóveis e veículos comerciais leves no mercado, que numa perspectiva financeira, gerou um faturamento em 2012 de aproximadamente US$84 bilhões o que representa 18,7% do PIB industrial do país. 18 Com a evolução da economia, a elevação da renda dos brasileiros, a facilidade de acesso ao crédito para financiamento, além do aumento do número de montadoras e com isso um maior número de modelos disponíveis no mercado brasileiro nos últimos anos, tem sido alguns dos responsáveis pelo aumento expressivo da frota de veículos em nosso país (ZAMBERLAN et al., 2012). De acordo com o IBGE (2010) e o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN, 2013), em 2000, o Brasil tinha uma população de aproximadamente 170 milhões de habitantes e uma frota de 29,5 milhões de veículos, em média, um veículo para cada seis pessoas. No final do ano de 2010, esta proporção passou a ser de um veículo para em média três habitantes. Isso se dá ao aumento considerável da frota de veículos que nessa última década, atingiu um total de 81,6 milhões, ou seja, um aumento de mais de 176% apenas em 10 anos. Mesmo com esse crescimento da frota nacional e a elevação da renda dos brasileiros, ela ainda é baixa quando comparada às economias centrais. Somando isso aos altos preços dos veículos, em grande parte devido ao óbice tributário, a compra de um veículo continua sendo um peso elevado na cesta de consumo do brasileiro. Assim, a demanda se torna bastante elástica com relação à renda e à oferta de crédito, sendo ainda que, por não ser um bem de primeira necessidade, a compra de um automóvel representa uma decisão mais complexa e bastante determinada pela disponibilidade de crédito (CARDOSO, 2012). Diante disso, Cardoso (2012) explica que o consumidor “padrão” busca racionalizar sua compra com base em critérios que pesem o custo benefício, sendo também bastante influenciado por características subjetivas e emocionais como status conferido pelo automóvel e apego à marca. Por isso, dada à baixa frequência da compra (característica de bens de consumo duráveis) e o elevado custo de arrependimento nas aquisições deste mercado, essas características são bastante representativas. Dentre elas, Cardoso (2012) cita qualidade e resistência, preço, respaldo da marca, conforto, durabilidade, segurança, estilo (design), nível de acabamento, tecnologia e opcionais, assistência técnica, garantia estendida, preço do seguro e sinistralidade, facilidade de pagamento, consumo e tipo de combustível, motorização e desempenho, dirigibilidade, espaço para passageiros e bagagem, facilidade e valor de revenda como sendo as principais características envolvidas no processo de compra. De acordo com o estudo realizado por Zamberlan et al. (2012), a maioria das pessoas avaliam a procedência e o estado de conservação do veículo, levando em conta as características como marca, modelo, cor, potência e autonomia antes de realizarem a compra. Esses mesmos consumidores procuram por lojas que tenham uma variedade de marcas e 19 modelos, além disso, para boa parte deles (75,5%), as negociações só são realizadas quando o veículo que possui é aceito como entrada de pagamento e caso isso não ocorra, esse cliente estará propenso a procurar um concorrente. Já 87,2% dos entrevistados, afirmam que voltam a comprar na mesma loja se forem bem atendidos e fizerem uma boa compra, principalmente pela confiança que possuem e pela garantia oferecida (ZAMBERLAN et al., 2012). Kotler e Armstrong (2003) salientam que é importante satisfazer um cliente devido ao fato de as vendas originarem-se de dois grupos básicos: novos clientes, e clientes mantidos e complementam que o custo de adquirir novos clientes é mais caro do que o custo para manter os que já se possui, portanto para não perdê-los é preciso deixá-los satisfeitos, pois a probabilidade de eles voltarem a comprar é maior, além de elogiarem e assim divulgarem a loja para outros. Diante disso, o estudo apresentado por Zamberlan et al. (2012) só vem a reforçar o que disse Kotler e Armstrong (2003), pois segundo os entrevistados, 80,2% já recomendaram a loja para outras pessoas, portanto o boca a boca positivo pode ser um dos maiores ativos do profissional de marketing, enquanto o oposto pode ser verdadeiro quando o conteúdo é negativo. Por fim, Zamberlan et al. (2012) concluem que o setor de veículos usados está em um momento de grande crescimento, onde a cada dia mais consumidores potenciais se tornam um novo cliente em alguma empresa desse ramo. Por sua vez, na busca pelo veículo que mais lhes interessam, esses clientes passam pelas fases do processo decisório de compra, onde levam em conta muitas variáveis até chegar ao momento da decisão efetivamente. Portanto esse processo de compra deve ser visto pelas empresas como sendo o caminho na busca por potenciais clientes ou na retenção dos que já possui. 20 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS As metodologias determinam um conjunto de especificações para a realização de procedimentos que têm como objetivo principal desenvolver novos conhecimentos, conjunto de especificações ao qual dá-se o nome de pesquisa (PINHEIRO, 2010). Neste capítulo serão apresentados os métodos que foram utilizados na pesquisa, assim como os respectivos procedimentos que ajudarão o desenvolvimento do trabalho. 3.1 MÉTODO DE PESQUISA Para Pinheiro (2010), método é o caminho a ser percorrido, são as etapas que devem ser cumpridas para alcançar os objetivos propostos e técnicas dizem respeito aos instrumentos e as estratégias utilizadas para a aplicação do método. O presente trabalho pode ser classificado como pesquisa exploratória, pois de acordo com Pinheiro (2010) este tipo de pesquisa possibilita aumentar a experiência em torno de determinado problema, encontrando então elementos necessários que permitam, em contato com certa população específica, obter resultados desejados alcançando então os objetivos específicos. Com o objetivo de atender ao tema proposto que é traçar o perfil do consumidor de uma loja de veículos usados da região sul de Joinville, inicialmente para elaboração da fundamentação teórica, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com base em material já publicado, que segundo Gil (2010) tem como finalidade fornecer ao pesquisador mais informações e uma maior familiaridade com o tema proposto. Gil (2010) complementa que a pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema. 3.2 COLETA E PROCEDIMENTOS PARA ANÁLISE DOS DADOS A pesquisa é desenvolvida ao longo de um processo que envolve diversas fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados e através do método científico é possível ordenar as etapas a serem executadas na investigação do problema ou fenômeno sob investigação (PINHEIRO, 2010; GIL, 2010). 21 Com base nisso, o desenvolvimento do estudo, conforme apresentado na Figura 1, foi elaborado em três etapas. A primeira etapa consiste em dois passos, coleta dos dados e a tabulação dos mesmos, a segunda etapa tem o objetivo de traçar o perfil dos clientes e das negociações e a terceira e última tem a função de apresentar e analisar os resultados obtidos, além das sugestões de melhorias. Figura 1 – Etapas do Desenvolvimento do Estudo Fonte: O autor Para este trabalho, foi considerado como universo de estudo uma loja de veículos usados localizada na zona sul da cidade de Joinville, Santa Catarina, fundada e estabelecida nessa região a mais de 8 anos. Essa revendedora comercializa em sua maioria veículos de passeio e comerciais leves. Segundo Cardoso (2012) têm-se como veículos de passeio os automóveis e como comerciais leves os utilitários esportivos, pick-ups e mesmo alguns furgões. Apesar das diferentes propostas dos veículos das duas categorias, pick-ups e utilitários são na maioria das vezes vistos pelos consumidores como substitutos perfeitos aos automóveis sendo pouco submetidos às reais condições de carga para que foram projetados e além das similaridades técnico produtivas, possuem também um perfil de consumo bastante semelhante. A primeira etapa da pesquisa consiste em levantar os dados secundários internos obtidos através de um levantamento feito em um banco de cadastros da loja objeto de estudo 22 referente aos anos de 2011, 2012 e 2013. A cada negociação, um dos funcionários da revenda faz um registro da transação realizada utilizando uma ficha cadastral onde nela são inseridas as informações pessoais relativas ao cliente, além das informações da negociação. A partir da coleta de dados, foi realizada a tabulação dos mesmos com o auxílio do software Microsoft Excel. Na segunda parte, com base nos dados tabulados, geraram-se informações que foram divididas em dois grupos, sendo o primeiro grupo referente ao perfil dos clientes considerando informações como gênero, faixa etária e região da cidade onde o cliente reside e o segundo e último grupo relativo à caracterização das negociações realizadas abrangendo informações como total de negociações ao longo do período analisado, média mensal de negociações, faixa de valores das negociações, número de parcelas de financiamentos, marcas mais vendidas e vendas por dia da semana. Na quarta parte deste trabalho são apresentados e analisados os resultados obtidos com a realização da pesquisa bem como sugestões de melhorias. 23 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados e analisados os resultados obtidos com a coleta de dados realizada no banco de cadastros da loja objeto de estudo referente a 675 negociações que ocorreram durante os anos de 2011, 2012 e 2013. 4.1 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA ESTUDADA Este trabalho apresenta um estudo de caso de uma revenda de veículos usados localizada na região sul do município de Joinville-SC. Fundada em outubro de 2004 por três sócios com mais de cinco anos de experiência no ramo. Atualmente é administrada somente por um deles e conta com um vendedor e mais um lavador de automóveis. Conta ainda com cinco pessoas que trabalham de forma autônoma, ou seja, elas mantêm seus carros destinados à venda na loja, se venderem pagam uma comissão sobre a negociação e se venderem carros que não sejam deles, ganham comissão do dono do veículo. A empresa é classificada como micro atendendo seus clientes de segunda à sexta das 08:00 às 19:00 sem fechar para o almoço e aos sábados das 08:00 às 13:00. 4.2 PERFIL DOS CLIENTES Nas seções seguintes serão apresentados itens a respeito do perfil dos clientes da revendedora estudada, entre eles, o gênero e a faixa etária dos mesmos, bem como a análise dos clientes por região e por bairro de Joinville. 4.2.1 Gênero e Faixa Etária dos Clientes Analisando o gênero dos clientes dessa revendedora, a Figura 2 revela que a maior parte das compras de veículos são realizadas por homens (76%). O proprietário relata que muitas vezes a venda só é fechada após o carro ser visto pela esposa do comprador e a mesma aprovar a negociação. Essa situação só tem a reafirmar o que já havia sido levantado por Chiusoli et al. (2004), que salientam que as mulheres são responsáveis por 85% da tomada de decisão nos pontos de venda. Quanto à faixa etária dos clientes, de acordo com o IBGE (2010), jovens entre 20 e 24 anos correspondem a 8,9% da população brasileira, número esse muito próximo ao 24 encontrado nessa revendedora, pois do total de negociações realizadas durante o período estudado, somente 14% delas foram efetuadas por consumidores dentro dessa faixa etária (Figura 3). O tamanho reduzido dessa parcela do total de negociações tem como explicação o fato de os integrantes dessa faixa etária trabalharem a pouco tempo com carteira assinada no emprego atual e/ou a renda é muito baixa, o que faz com que o banco na maioria dos casos exija um avalista para que o financiamento seja aprovado, diminuindo assim o número de negociações realizadas com clientes desse grupo. Figura 2 – Gênero dos Clientes Fonte: O autor A mesma situação se repete, até de forma mais acentuada, com clientes entre 18 e 19 anos de idade, pois essa faixa etária também sofre com a dificuldade de aprovação de crédito por parte das instituições financeiras, por isso, esse grupo corresponde a somente 3% do total dos clientes, caracterizando esse grupo como sendo o com menor atuação. Os indivíduos com idade entre 25 aos 50 anos são considerados os mais ativos dentre os demais, pois correspondem a 63% de todos os clientes dessa revendedora. Clientes entre 51 e 60 anos de idade ainda se mostram bastante ativos economicamente e são responsáveis por 12% de toda carteira de clientes da empresa. 25 Figura 3 – Faixa Etária dos Clientes Fonte: O autor Os consumidores com idade entre 61 e 77 anos, sendo essa a última faixa etária encontrada nesse estabelecimento, correspondem a 5% do total das vendas. O item “Não Informado” da Figura 3, que representa 3% das 675 negociações, deve-se ao fato de que, muitas vezes para compras realizadas de forma à vista, esse dado não era informado no ato da compra, pois não havia a necessidade de preenchimento de um formulário com os dados do cliente para requisitar o financiamento ao banco. 4.2.2 Clientes por região e por bairro de Joinville A respeito da localização dos clientes, pelo fato da revendedora estar localizada na zona sul de Joinville, mais precisamente no bairro Guanabara, boa parte deles residem nessa região, já que dos 38 bairros de Joinville contabilizados ao longo da coleta de dados, 19 pertencem à zona sul, correspondendo juntos a um total de 67% das vendas realizadas dentro do período analisado, como pode ser visto na Figura 4. 26 Figura 4 – Clientes por Região de Joinville Fonte: O autor A também expressiva participação da região Leste deve-se ao fato da proximidade e facilidade de acesso à zona Sul, por isso o número elevado de vendas, 115 negociações, o que resulta em 19% do total das negociações realizadas durante o período estudado. Já as regiões com menor expressão foram a Norte e a Oeste, onde representaram 9% e 5% respectivamente, tendo como principal motivo para os baixos números apresentados, a distância entre essas duas regiões e a loja, o que dificulta muitas vezes aos clientes se deslocarem até o estabelecimento para realizarem as compras, pois os mesmos acabam optando por negociar dentro do seu próprio bairro devido à oferta ali disponibilizada. Com relação aos bairros com maior número de clientes (Figura 5), destacam-se o Paranaguamirim com 71, seguido pelo Itaum com 41 e o Guanabara com 40 clientes, como sendo os três primeiros e todos eles pertencentes à zona sul de Joinville. Muitas das vendas foram realizadas com clientes que residiam na época fora do município de Joinvile, das 675 negociações, 77 delas, cerca de 12%, ocorreram com indíviduos que não moravam na cidade, dando destaque para São Francisco do Sul com 18 negociações e Araquari com 6. Dentre as negociações que ocorreram fora de Joinville, muitas 27 delas avançaram os limites do estado de Santa Catarina, sendo 8 no Paraná, 6 no Rio Grande do Sul, 1 em Minas Gerais e 1 em São Paulo. Figura 5 – Quantidade de Clientes por Bairros de Joinville Fonte: O autor 28 4.3 PERFIL DAS NEGOCIAÇÕES Nas seções seguintes serão apresentados itens a respeito do perfil das negociações realizadas nessa revendedora estudada, entre eles, as principais marcas e modelos vendidos, análise dessas negociações, como é feita a elaboração dos preços dos veículos, as faixas de valores das negociações e a modalidade de pagamento mais comum, além dos prazos dos financiamentos, valores das parcelas e principais taxas de juros aplicadas. 4.3.1 Principais marcas e modelos De acordo com Cardoso (2012), o setor automotivo brasileiro (tal como em outros mercados) mais se assemelha à estrutura de mercado oligopolista, em que doze marcas, Volkswagen, General Motors (GM), Fiat, Ford, Renault, Peugeot, Citroën, Nissan, Honda, Toyota, Mitsubishi e Hyundai, dominam o mercado a partir de produtos que, mesmo tendo sensíveis variações, enquadram-se em categorias muito próximas (nichos de mercado contendo produtos substituíveis). Dessas doze marcas, as quatro primeiras, Volkswagen, General Motors, Fiat e Ford detêm historicamente mais de 75% do market share. Frente a isso, o presente estudo levantou um cenário muito parecido, onde a Volkswagen ocupa o primeiro lugar com 166 vendas de veículos dessa montadora, o que corresponde a um quarto de todas as vendas realizadas na loja entre 2011 e 2013. Na segunda colocação com 146 vendas aparece a GM, em terceiro a Fiat com 90 seguida pela marca francesa Renault com 81 negociações ocupando o quarto lugar o que tira a Ford do grupo dos quatro marcas mais vendidas na revendedora objeto de estudo (Figura 6). O fato da marca francesa Renault ocupar o quarto lugar entre os mais vendidos, se dá ao grande número de modelos Clio (hatch e sedan), Picasso e Scénic negociados pela loja durante os anos de 2011, 2012 e 2013. Pode-se observar que esses modelos ocupam o terceiro, quinto e oitavo lugar, respectivamente, entre os dez modelos mais vendidos (Figura 7). De acordo com o proprietário da loja, a procura por esses modelos da marca Renault é muito grande devido ao modelo Clio ser considerado um veículo popular mais confortável em relação aos seus concorrentes diretos e tanto o Picasso quanto a Scénic por serem uma opção mais em conta para quem precisa de um carro maior para atender uma família grande. 29 Figura 6 – Quantidade de Vendas por Marcas Fonte: O autor 30 Figura 7 – Dez Modelos Mais Vendidos em Quantidade Fonte: O autor 4.3.2 Análise das Negociações Durante o período de 2011 à 2013, a revendedora que foi objeto desse estudo realizou 675 negociações de veículos. Essas vendas foram distribuídas ao longo desses três anos conforme apresentado na Figura 8. 31 Figura 8 – Quantidade de Negociações por Ano. Fonte: O autor Mesmo com o aumento da oferta de crédito nos últimos 10 anos, devido à expansão do emprego e da renda; da inclusão financeira da população; da redução das taxas de juros; e da ampliação das operações de crédito imobiliário e consignado, que resultaram num aumento da razão “crédito a pessoas físicas/PIB”, onde de 9,3% em janeiro de 2004, passou para 26,1% em janeiro de 2014, ainda assim, a dificuldade de aprovação dos financiamentos é alta. Um dos motivos dessa baixa aprovação para pessoas físicas por parte das operadoras de crédito é justificada pelo aumento expressivo da taxa de inadimplência apresentada em 2011, já que nos contratos de financiamentos de veículos para pessoa física (com mais de 90 dias de atraso) essa taxa chegou a 6% do saldo da carteira de financiamento de veículos, mais que o dobro apresentado no ano anterior que foi de 2,6%. Por isso, para conter esse processo de aumento da taxa de inadimplência, o Banco Central do Brasil adotou medidas macroprudenciais em dezembro de 2010, resultando na adoção de critérios mais restritivos, pelas instituições financeiras para a concessão de crédito (ANEF, 2012 e BCB, 2014). Essa situação também é evidenciada na loja objeto de estudo, pois entre as justificativas apresentadas pelo proprietário da loja para explicar a quedas nas vendas, é exatamente a mesma descrita acima, ou seja, a dificuldade de aprovação de financiamentos por parte das operadoras de crédito. Entre os critérios restritivos, em geral, elas exigem de 20 32 a 30% do valor do veículo como entrada e como citado anteriormente, a pouca idade do cliente e assim o pouco tempo de carteira assinada, quase sempre menor que 3 anos, além da exigência de um avalista, acaba sendo outras barreiras impostas pelos bancos e com isso, a cada dez propostas encaminhas as empresas de crédito, em média, apenas de duas a três delas são aprovadas. A Figura 8 comprova essa situação, pois é possível verificar com a ajuda dele uma queda considerável nas vendas no ano de 2012 em relação a 2011, uma redução de aproximadamente 35%. Como já assinalado, devido à alta representatividade do valor de um veículo no orçamento familiar, a demanda é bastante elástica com relação à renda e à oferta de crédito, sendo ainda que, por não ser um bem de primeira necessidade (havendo ainda opções mais econômicas de transporte público ou mesmo no mercado de usados), o consumo é fortemente influenciado pelo bem estar macroeconômico (CARDOSO, 2012). Essa sensibilidade da demanda com relação às variações nos preços é comprovada perante as respostas positivas após a redução do IPI. A política de redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) foi iniciada em 2008, no auge da crise financeira mundial deflagrada coma bolha originada na especulação imobiliária norte americana. Segundo pesquisa realizada pelo IPEA entre janeiro e novembro de 2009, dos 2,93 milhões de veículos vendidos, apenas 607 mil deixaram os pátios das montadoras por contarem com redução tributária repassada ao consumidor. Diante desse cenário, uma redução de até 7% na tributação (no caso de veículos 1.0, com impacto menos que proporcional no preço final) foi responsável por um incremento de 20,7% nas vendas neste período, assinalando para uma elevada elasticidade-preço. Portanto, como essa redução do IPI diminuiu o valor do carro novo e assim aumentaram as suas vendas, logo, o usado que muitas vezes foi dado como entrada na aquisição do veículo zeroquilômetro, também foi avaliado por um preço menor e com isso os valores dos usados caíram drasticamente. Essa alta desvalorização dos veículos usados ao longo desse período é outro motivo que explica a queda das vendas no ano de 2012. Segundo dados do estudo realizado pela AutoInforme/Molicar (2012), onde analisou-se o comportamento dos carros usados de 2003 a 2011, desde a crise de 2008 os carros usados vêm tendo fortes quedas. Em 2008 foi de 7%, em 2009 houve uma retração de 6,5%, no ano seguinte o preço caiu 5,5%, em 2011 a desvalorização foi de 6,2% e em 2012 a queda média no mercado de usados foi quase o dobro dos anos anteriores, fechando em 10,7%. 33 Esse estudo também apresentou as marcas que mais desvalorizaram durante o ano de 2012, entre elas, a que apresentou maior queda foi a Audi com 18,3%, seguida em ordem decrescente pela Citroën (14,8%), Chevrolet (13,5%), Peugeot (13,3%), Volkswagen (12,4%), Mitsubishi (11,5%), Renault (10,9%), Fiat (10,6%), Ford (10,6%) e em décimo lugar ficou a Honda com 10,6% de queda. Essa desvalorização dos preços dos usados foi mais do que sentida na loja objeto de estudo, pois como já citado anteriormente, em 2012 houve uma redução nas vendas de aproximadamente 35% comparadas a 2011. A Figura 9 mostra essa queda de negociações nesse período, pois conforme pode ser observado, em 2011 a média das vendas era de 22,3 veículos vendidos por mês e no ano seguinte essa média foi reduzida para apenas 14,5. Figura 9 – Média Mensal Anual de Negociações Fonte: O autor Nos três anos estudados, a média mensal de negociações foi de 18,8 carros e ao longo do ano de 2011, somente os meses de fevereiro e abril ficaram abaixo dessa média (Figura 10). Em 2012, somente fevereiro e agosto superaram a média e em 2013 a situação volta a melhorar com seis meses (janeiro, março, maio, junho, julho e agosto) sobressaindo os 18,8 carros vendidos por mês. 34 Figura 10 – Quantidade Mensal de Negociações Fonte: O autor 35 Outra informação relevante que também pode ser observada na Figura 10, é que em 2012, tanto em março, quanto em maio e julho as vendas foram menores que 10 carros por mês, sendo que nesse último, foi contabilizada a menor quantidade vendida durante os três anos de estudo, apenas sete carros negociados. Fazendo uma análise de forma semanal, diferente do que se esperava do comportamento do consumidor, em sua maioria não realizou a compra entre a primeira e segunda semana, época que geralmente as empresas efetuam o pagamento aos seus funcionários, mas sim o oposto, pois a maioria das vendas, 226 ao todo (33%), ocorrem na última semana do mês, a partir do dia 21 até o fim do mês (Figura 11). Figura 11 – Negociações por Semana Fonte: O Autor Analisando as negociações de forma diária, o que surpreendeu em relação ao comportamento do consumidor ao longo da semana, foi que 6% de todas as vendas ocorreram aos domingos. A explicação para isso se dá ao fato de que durante o ano de 2011 ocorriam no munícipio de Joinville feiras de automóveis usados todos os finais de semana, por tanto, vários clientes deixavam para negociar nesse dia pela facilidade de levar a família para fazer parte da negociação ajudando na escolha do veículo, visto que é um dia de folga para maioria das pessoas (Figura 12). 36 Figura 12 – Negociações por Dias da Semana Fonte: O autor Pode-se observar também que, excluindo-se sábado e domingo, as vendas são distribuídas quase que igualmente entre os demais dias da semana, variando entre 15% e 18%, destacando a segunda-feira com o maior número de vendas durante os dias úteis, pois muitas delas eram fruto de negociações não finalizadas nos finais de semana nas feiras. 4.3.3 Elaboração dos Preços de Venda A maioria das negociações que ocorrem no mercado de veículos usados na região de Joinville, assim como no resto do Brasil, referencia o valor de seus produtos com base na tabela de preços de veículos novos e usados gerada mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Essa pesquisa de preços é produzida pela Fipe desde 2000, sendo considerada o estudo mais completo no gênero no país, e de acesso público. Os valores dessa tabela são obtidos a partir de visitas em lojas de usados e concessionárias autorizadas, tradicionais feiras de 37 veículos usados, principais jornais e revistas de todo o Brasil especializadas em classificados de veículos e contatos por telefone em todo o território nacional. Além da pesquisa de campo, que somam aproximadamente 35 mil cotações, são coletados mensalmente em torno de 90 mil preços de todo o Brasil na mídia eletrônica. As cotações referem-se a carros, utilitários pequenos, motos e caminhões. Antes da tabela Fipe ser produzida, cada um fazia seu preço no mercado de usados sem nenhum parâmetro definido, portanto, essa tabela tem como objetivo ser uma base de referência para se estabelecer os valores de compra e venda de veículos usados e faz isso expressando os preços médios dos carros, motos e caminhões que são praticados no mercado nacional. Esses valores são expressos em reais e a partir das informações como ano, modelo e marca dos veículos a tabela faz uma média regional de preços, assim, é possível chegar a um preço médio, mas por ser uma base de referência, as transações podem ocorrer baixo ou acima dessa tabela (TABELA FIPE CARROS, 2014). Como a Fipe é feita com base numa média de preços dos veículos usados do Brasil, se houver uma queda nas vendas, a tendência muitas vezes dos vendedores de usados é baixarem seus preços e assim a tabela Fipe acaba, por consequência, tendo seus valores reduzidos também. Essa redução dos valores na tabela Fipe, acaba influenciando outros vendedores a reduzirem também os preços de seus veículos para acompanhar a média do mercado. Com essas quedas constantes, vendas foram realizadas com prejuízo, pois muitas vezes a redução dos valores é tão grande que acaba sendo maior do que a margem de lucro que os veículos possuíam anteriormente. Com isso, muitos vendedores acabavam, por medo de um prejuízo ainda maior, vendendo seus carros com margens de lucro muito baixas para poder renovar suas frotas com preços atualizados, mas para isso, muitas vezes nas trocas, tinham que pagar valores menores pra quem quisesse dar um carro de entrada. Essa oferta baixa fazia os consumidores buscarem carros novos, pois além do desconto do imposto sobre produto industrializado, as taxas de juros eram melhores para veículos zero-quilômetro, além do fator emocional da compra de um carro novo, compensavam também, a baixa oferta no seu veículo na hora da negociação. 4.3.4 Valor das Negociações e Modalidade de Pagamento A loja oferece uma grande diversidade de preços dos veículos destinados à revenda, trabalhando com veículos mais simples com valores a partir de R$1.500,00 até carros considerados de luxo com preços superando a casa dos cem mil reais (Figura 13). 38 Figura 13 – Valores das Negociações Fonte: O autor Para a realização das vendas, a loja separa as negociações em dois grandes grupos, vendas sem troca e vendas com troca. As vendas com trocas são consideradas aquelas em que a revendedora aceita o veículo do cliente como parte do pagamento, já as vendas sem troca o cliente não oferece nenhum veículo para realizar a compra. Para tanto, cada um desses dois grandes grupos é subdividido em três modalidades diferentes de pagamento (Figura 14). 39 Figura 14 – Modalidade de Pagamento Fonte: O autor As vendas consideradas sem troca são subdivididas da seguinte maneira: 100% à Vista: O carro é vendido sem nenhuma troca, ou seja, durante a negociação, não é dado como entrada nenhum veículo, seja moto, carro ou qualquer outra coisa como parte do pagamento. O pagamento é realizado em sua grande maioria por transferência bancária e poucos casos em dinheiro vivo. 100% Financiado: o carro também é vendido sem nenhuma troca, mas diferente do que acontece na situação descrita acima, para realizar a compra, o cliente precisa adquirir a quantia total referente ao valor do carro por meio de um financiamento junto a um banco de crédito. Entrada à Vista / Restante Financiado: A entrada é feita conforme o primeiro item, ela é efetuada por meio de uma transferência bancária ou às vezes em dinheiro vivo, já o saldo é pago por meio de financiamento realizado com algum banco de crédito conforme descrito no segundo item. 40 Já as vendas realizadas por meio de troca são subdivididas da seguinte maneira: Entrada Veículo Financiado / Restante Financiado: Como parte do pagamento (entrada) o cliente oferece um veículo que possui, nesse caso, esse veículo já está financiado, ou seja, ele já possui algum tipo de alienação com o banco. A avaliação do valor que entrará na negociação é feita da seguinte maneira, verifica-se o valor da quitação do veículo que estará sendo dado como entrada e esse montante é descontado do valor de mercado do veículo, o saldo será usado como valor de entrada, conforme é descrito na fórmula abaixo: Valor de mercado – valor da quitação = valor que entrará como entrada. Entrada Veículo Quitado / Restante à Vista: Similar à apresentada acima, essa modalidade de pagamento é feita da seguinte maneira, o cliente dá como parte do pagamento (entrada) um veículo quitado, ou seja, sem alienação alguma com qualquer banco de crédito e o saldo ele efetua à vista por meio de dinheiro vivo ou transferência bancária. Entrada Veículo Quitado / Restante Financiado: Praticamente a mesma descrita acima, com a diferença de que o saldo é pago por meio de financiamento. Entrada Veículo Financiado / Restante à Vista: é uma combinação de modalidades, onde o cliente dá como parte do pagamento (entrada) um veículo financiado, onde o valor efetivo da entrada que será contabilizado segue a mesma fórmula apresentada na primeira modalidade das negociações com troca e o restante é pago por meio ou de transferência bancária ou à vista em dinheiro vivo. Essa é uma modalidade de pagamento que, apesar de não ser impossível, é muito difícil de ocorrer, tanto é que dentro do período estudado, não houve nenhuma ocorrência desse tipo. Indiferente de qualquer situação apresentada acima, a loja sempre receberá o montante de forma à vista, pois mesmo se o cliente financiar uma parte ou até mesmo todo o valor do veículo, a revendedora receberá essa quantia do banco em poucos dias ou até mesmo no próprio dia em que foi efetuada a compra. Por isso, para a revendedora, 55% das negociações realizadas dentro do período de 2011 a 2013 são consideradas como realizadas à vista, mesmo que uma parte ou até mesmo toda a compra tenha sido financiada. Já o restante das negociações (45%) é considerado como vendas realizadas por meio de trocas, onde o pagamento da entrada foi efetuado com um veículo quitado ou financiado. 41 Dentre essas negociações que ocorreram por meio de troca, 23% delas os veículos dados como entrada na aquisição de outros automóveis eram financiados e os 77% restantes eram veículos quitados (Figura 15). Figura 15 – Negociações por Meio de Troca Fonte: O autor Esses números justificam o fato de 42% dos veículos estarem na faixa de preço entre R$1.500,00 e R$15.000,00, pois como citado acima, geralmente o comportamento do cliente é trocar seu carro por um veículo de maior valor, logo esses carros dentro dessa faixa de preço têm como origem as trocas realizadas. A partir de R$15.000,00 chegando a valores por volta de R$30.000,00 são carros que fazem parte dos veículos alvo da loja. Esses são adquiridos, em sua grande maioria, para a venda, ou seja, são produtos que não foram frutos de nenhuma negociação com troca e sim comprados exclusivamente para a venda. Veículos acima de R$30.000,00 e chegando a casos raros de carros com valores passando dos cem mil reais são tratados como casos esporádicos e não fazem parte do alvo da loja, pois segundo o próprio dono da revendedora, veículos com preços a partir dos R$30.000,00, possuem praticamente a mesma margem de lucro de veículos de menor valor, o que inviabiliza muitas vezes a aquisição para venda, já que o valor despendido é maior e a margem de lucro não é proporcional a esse aumento. 42 4.3.5 Financiamento e Taxas de Juros Com a facilidade de acesso ao crédito e a mudança do comportamento do consumidor brasileiro preferindo, ao longo dos últimos anos, realizar suas compras de forma parcelada, além do peso da compra de um automóvel na cesta de consumo do brasileiro frente aos baixos salários, faz com que cada vez mais se procure financiar a compra de um carro ou qualquer outro veículo no maior número de parcelas possíveis. De acordo com o Boletim Anual divulgado pela ANEF em 2013, a frota brasileira de veículos e comerciais leves é de aproximadamente 39,7 milhões, sendo que destes, cerca de 23,3 milhões (58,7%), possuem algum tipo de Gravame (alienação fiduciária, leasing, penhor mercantil, entre outros). Além disso, de acordo com a média dos anos de 2011, 2012 e 2013, na venda de veículos desse mesmo segmento, dentre as modalidades de pagamento utilizadas, 38% foram feitas à vista, 3% utilizando o Leasing, 51,33% por meio de financiamento e por fim 7,67% realizadas utilizando o consórcio como forma de pagamento. Também segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF, 2013), o prazo médio dos financiamentos nacionais de veículos, foi de 46 meses em 2011, 43 em 2012 e por fim 42 em 2013, resultando numa média entre os três anos de 43,7 meses bem aquém da média de dez anos atrás que era de 34 meses. Essa situação se repete na loja objeto de estudo, pois 64,1% das vendas que foram realizadas utilizando algum tipo de financiamento, também foram feitas com prazos superiores a 42 meses (Figura 16). Em geral, de todas as negociações feitas com algum tipo de financiamento, 91% delas o número de parcelas é superior a 36 vezes, ou seja, as compras levam mais de três anos para serem quitadas. Com relação às parcelas (Figura 17), foi evidenciado que 48% ficaram com valores entre R$200,00 e R$500,00 e 39% entre R$500,00 e R$750,00, ou seja, 87% das parcelas ficaram com valores por volta de no máximo de um salário mínimo, sendo que a menor parcela registrada foi de R$211,08 e a mais alta foi de R$1.648,00. Com o aumento da disponibilidade do crédito e a redução dos juros a oferta de financiamento hoje é dez vezes maior do que era em 2000. No entanto as taxas de juros para o mercado de usados é bem mais alta do que a aplicada ao mercado de novos, segundo dados do Boletim Anual publicado pela ANEF. Em 2013 as taxas mensais médias das instituições financeiras de montadoras membras da ANEF para o mercado de veículos zero quilômetro ficaram em torno de 1,57% a.m. enquanto que para o segmento de usados ficaram em média 43 2,76% a.m., quase o dobro dos juros do carro novo, chegando muitas vezes a quase 7,00% a.m. dependendo do ano do veículo. Figura 16 – Prazo dos Financiamentos Fonte: O autor Figura 17 – Valores das Parcelas Fonte: O Autor 44 Durante o estudo realizado, foram evidenciadas taxas de juros a partir de 1,25% a.m., valor bem próximo do juro do automóvel novo, até taxas muito mais altas chegando a 6,58% a.m., mas em geral, dentre as 456 negociações que utilizaram de financiamento para serem efetuadas, os valores ficaram entre 1% a.m. e 4% a.m. (Figura 18). Figura 18 – Taxas de Juros Mensais Fonte: O Autor Além da disparidade das taxas entre os dois mercados, outros fatores aumentam ainda mais esses valores, pois quanto mais velho for o veículo, maior é a taxa de juros e também menor é o prazo de financiamento disponibilizado pela instituição financeira. 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho buscou avaliar o perfil dos clientes e das negociações realizadas por uma revenda de veículos usados da região sul de Joinville durante os anos de 2011, 2012 e 2013. Para isso, realizou-se uma pesquisa exploratória, coletando dados secundários de uma revendedora de usados dessa região. Os dados são registros de negociações, onde neles constam, entre outros itens, dados do cliente e da negociação em si, como por exemplo, nome, gênero, idade, valor do bem, valor e tipo de entrada, valor financiado e prazo do financiamento escolhido pelo cliente. Foi possível alcançar o objetivo geral e com isso descobrir o perfil desse consumidor, visando através disso, tornar mais assertiva a escolha dos veículos a serem revendidos. Atendendo ao objetivo específico de estabelecer o perfil dos clientes dessa revendedora, descobriu-se que a maioria dos clientes são homens com idade entre 25 e 50 anos e que residem na zona sul da cidade de Joinville. Ainda atendendo aos objetivos específicos, traçou-se o perfil das negociações ocorridas dentro dessa revendedora ao longo desses três anos de estudo e concluiu-se que 84% os clientes buscaram carros com valores de até no máximo R$30.000,00 e dentre os modelos mais procurados destacou-se o Gol da marca Volkswagen com 89 unidades vendidas liderando o ranking dos dez mais vendidos entre 2011 e 2013. Observou-se também que a maioria das vendas ocorreu na última semana do mês e que os principais dias são as segundas e sextas-feiras para se fechar negócio, além disso, observa-se a importância de se continuar abrindo a loja aos sábados, visto que 12% das vendas ocorreram nesse dia da semana. Outro comportamento comum do consumidor dessa revendedora é dar uma entrada em dinheiro ou um carro quitado e financiar o restante e em mais de 90% das vezes, faz isso utilizando planos que duram mais de 36 meses, sendo que o principal plano escolhido é o de 48 meses com parcelas entre R$200,00 e R$750,00. Por fim, pode-se verificar que o mercado de usados é extremamente sensível ao que ocorre com o de automóveis zero quilômetro, a redução da tributação do carro novo acaba sendo uma das causas raízes ou é, no mínimo, a que mais afeta a queda das vendas do mercado de usados, já que gera um efeito cascata no mercado, pois havendo a redução do IPI o preço do zero quilômetro diminui e assim o do usado também. O cliente que compra o carro novo dá o seu usado como parte do pagamento e este, com a redução do novo, é avaliado muito abaixo do atual valor de mercado fazendo com que 46 essa queda seja sentida na tabela FIPE. Com a redução dos valores da tabela FIPE, o comércio de usados começa a reduzir o preço dos seus produtos pra acompanhar o mercado e quem sofre é o comerciante de veículos usados, pois muitas vezes essa mudança acontece de forma tão rápida que não há tempo suficiente para se trocar a frota e atualizar os valores e essa queda é sentida de uma vez só no lucro do estoque atual. Além do IPI, a taxa de inadimplência também afeta esse setor, pois com o aumento dessa taxa faz com que os bancos sejam mais criteriosos na hora de aprovar novos financiamentos, como por exemplo, exigindo porcentagens cada vez mais altas para entrada, além é claro, de avalistas para a aprovação do crédito solicitado. A realização dessa pesquisa identificou pontos importantes que podem diferenciar a loja objeto de estudo das demais, deixando-a mais competitiva perante o mercado, entre eles: A situação ideal é buscar modelos cada vez mais novos e com menores preços; Atentar ao que está se vendendo no mercado de novos e buscar modelos próximos, na condição de seminovos para poder oferecer na loja; Além disso, deve-se estabelecer como padrão, registrar dados básicos do cliente, como nome, telefone, endereço residencial, além de dados referentes à negociação estabelecida, como por exemplo, qual o modelo e valor do carro dado como parte do pagamento, em quantos meses foi feito o financiamento, assim como valor da parcela e quantidade financiada. Dados como esse podem ser utilizados futuramente para fazer um novo contato com o cliente e quem sabe efetuar uma nova venda. Trabalhar com veículos na faixa de valor de até no máximo R$30.000,00 visto a grande procura apresentada pela pesquisa, além de veículos com poucos anos de uso, pois facilita a venda, já que quanto mais novo, menor é a taxa de juros do financiamento e maior é o prazo desse financiamento, chegando ao limite liberado pelo mercado de 60 meses. 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAKER, D. A.; KUMAR, V.; DAY, G. S. Pesquisa de marketing. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2010. ANEF. Inadimplência e taxas de juros no financiamento de veículos. Disponível em <http://www.anef.com.br/press-releases-para-imprensa/97-inadimplencia-e-taxa-de-juros-nofinanciamento-de-veiculos-apresentam-estabilidade-em-julho.html>. Acesso em: 21 maio 2014. ANEF. Boletim Anual 2013. Disponível em <http://www.anef.com.br/dados-estatisticos/118boletim-anual-2013.html>. Acesso em: 23 maio 2014. ANFAVEA. Anuário da Indústria Automobilística Brasileira 2013. Disponível em: <http://www.anfavea.com.br/anuario.html>. 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