MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 PERFIL DAS MULHERES PARTICIPANTES DO PROJETO ACOLHER 2012. O banco de dados desenvolvido para a execução do Projeto Acolher também atendia ao objetivo de produção de estatísticas. Deste modo, foi desenhado o perfil das mulheres que compareceram ao “Acolher” no decorrer do ano de 2012, conforme os gráficos que se seguem: Gráfico 1 - Idade 60 ou mais 50 a 59 40 a 49 Gráfico 2 - Nível de Escolaridade 30 a 39 19 a 29 0,5% SI* 17,2% Sup. Comp. 15,1% Sup. Inc. 3,7% 37,6% Médio Comp. 8,6% 4,3% Médio Inc. 19,4% 39,8% 18,3% Fund. Comp. 5,9% Fund. Inc. 28,5% 1,1% Analfabeta Os gráficos apresentam a dimensão de que a significativa maioria das mulheres atendidas tem idade inferior a 40 anos (68,3%) e quase 70% possui escolaridade entre ensino médio completo e ensino superior completo. Em relação à nacionalidade, verificou-se que não somente as participantes, mas também a larga maioria das mulheres convidadas possuem nacionalidade brasileira. Gráfico 3 - Nacionalidade 0,6% Gráfico 4 - Raça/Etnia Sem Informação 1,6% Boliviana Brasileira 97,8% Espanhola Preta Parda Branca Amarela 9,1% 5,5% 15,9% 68,3% 1,2% MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 Dos 639 convites emitidos, 27 foram destinados a mulheres de outras nacionalidades, especialmente latino-americanas, dentre as quais se destacam as bolivianas, equatorianas, paraguaias e peruanas. Nenhuma mulher de nacionalidade asiática atendeu ao convite – fato que pode estar relacionado às dificuldades com o idioma. Gráfico 5 - Origem do Domicílio Outros Municípios Norte Os 7,0% 9,1% 15,6% Sul informados no gráfico ao lado evidenciam que, 1,6% Oeste dados Leste 11,3% Sudeste 10,8% embora o desenvolvimento Projeto Acolher tenha do sido responsabilidade do GEVID Central, a 44,6% Central ação abrangeu mulheres residentes em todas as regiões da cidade de São Paulo e, inclusive em outros municípios como Embu, Guarulhos e Itaquaquecetuba1. O vínculo que as mulheres participantes possuíam com o agressor à época do registro da ocorrência também é um dado interessante. Isto porque, em 57% dos casos a violência foi Gráfico 7 - Vínculo com o Agressor Ex-amante 0,5% 12,4% Ex-marido 14,5% Marido 17,7% Ex-namorado Namorado desencadeada em um contexto no Ex-companheiro qual o vínculo entre a vítima e o Companheiro 2,7% 26,3% 25,8% agressor já havia sido rompido. Neste sentido, cabe recorrer à autora Bárbara Soares quando esta aponta para a situação de risco vivenciada pelas mulheres quando decidem romper o relacionamento com os autores de violência: Ressalta-se que o endereço utilizado para a produção da estatística é o do domicílio das mulheres atendidas e não o da ocorrência dos fatos. 1 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 A violência e as ameaças contra a vida da mulher e dos filhos se tornam mais intensas no período da separação. O homem violento percebe que perdeu o controle sobre sua parceira. Exigir que a mulher em situação de violência abandone o agressor, pode ser uma enorme irresponsabilidade, se não pudermos oferecer a ela as condições mínimas de segurança para que possa dar esse passo tão arriscado2. A pesquisa do perfil das mulheres participantes do Projeto Acolher também permite verificar que 80% das mulheres possuíam vínculo com o mercado de trabalho à época do registro da ocorrência. Este fator pode ser considerado um favorecedor do rompimento da relação com o averiguado, posto que pode estar implicado com processos de maior autonomia financeira das mulheres. Por outro lado, quando analisadas as informações sobre as mulheres desempregadas ou que desenvolvem atividades apenas em seu próprio domicílio (identificadas nos boletins de ocorrência como do lar), verifica-se que 70,4% sofreram violência pelos maridos e companheiros ainda no curso do relacionamento conjugal. Dentre as principais manifestações da violência contra as mulheres, as 186 participantes do Projeto Acolher foram vítimas, principalmente, de violência física e psicológica, expressas, respectivamente, nos crimes de lesão corporal e ameaça, conforme aponta gráfico abaixo: Gráfico 7 - Delito 1 35,5% LC* 23,7% 23,1% Ameaça VD** Injúria Vias de fato Pertubação da LCD*** Injúria real Estupro Desobediência Coação no… *lesão corporal 11,3% 1,6% 1,1% 1,1% 1,1% 0,5% 0,5% 0,5% ** violência doméstica *** lesão corporal dolosa SOARES, Bárbara M. Enfrentando a violência contra a mulher. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2005. p. 28. 2 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 Em 173 inquéritos, as mulheres foram identificadas como vítimas de pelo menos dois crimes, e, em 84 casos, de pelo menos, três crimes, com destaque para os de ameaça e injúria: Gráfico 7.1 - Delito 2 Gráfico 7.2 - Delito 3 39,3% VD** 26,6% Ameaça 17,9% Injúria 11,6% LC* Pertubação da Injúria real 0,6% Dano 0,6% Calúnia 0,6% 9,5% LC* Pertubação da tran... Vias de fato 1,7% Vias de fato 16,7% 16,7% Ameaça Injuria real 1,7% 45,2% VD** Injuria Furto Extorsão Difamação Desobediência Aborto provocado... 2,4% 2,4% 1,2% 1,2% 1,2% 1,2% 1,2% 1,2% Vale mencionar que apenas 36% das mulheres que participaram do Projeto solicitaram medidas protetivas na ocasião em que lavraram o boletim de ocorrência e, até a data em que os inquéritos foram analisados pelo Setor Técnico, das solicitações feitas, apenas 39% haviam sido deferidas, conforme ilustram os gráficos: Gráfico 8 - Medidas Protetivas Solicitaram (36%) Não solicitaram (64%) Gráfico 8.1 - Situação das Medidas Protetivas Deferidas (39%) Sem Informação (61%) Ademais, verificou-se que a principal função desempenhada pelo Projeto Acolher foi a de favorecer a aproximação entre as mulheres em situação de violência e o Ministério Público. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 As exposições jurídicas e do setor técnico foram aprimoradas no curso do Projeto e atingiram conteúdo e linguagem apropriados ao público de diferentes níveis de escolaridade e geração. A programação da atividade com a projeção de um vídeo de sensibilização, seguido das palestras e de dois momentos para o esclarecimento de dúvidas (em grupo e individual) também aparenta compatibilidade com o objetivo inicial do Projeto. Não foram encontrados obstáculos institucionais para sua realização: as cartas convite estão sendo enviadas com aviso de recebimento, o que permite verificar se as mulheres mudaram-se ou optaram por não participar da atividade; o auditório do Ministério Público foi agendado com facilidade em todos os meses de execução do Projeto, assim como o data show e os microfones. Houve ainda a colaboração para a disponibilização de água, café e refrigerantes para as mulheres participantes, favorecendo a criação de um ambiente acolhedor. Avaliação do Projeto Acolher pelas mulheres participantes O êxito do Projeto pode ser medido ainda por meio das avaliações realizadas pelas próprias mulheres participantes, conforme os gráficos e considerações que serão apresentados a seguir3. Antes, porém, importa elucidar que as mulheres avaliavam 6 quesitos da atividade (carta enviada, recepção/acolhida, vídeo, palestras, esclarecimento de dúvidas e material entregue) em três níveis: ótimo, bom e precisa melhorar. No formulário ainda era possível redigir sugestões para o aperfeiçoamento da atividade e discriminar qual aspecto se sobressaiu no curso da atividade. Ao final de cada grupo, é entregue um formulário de avaliação no qual as mulheres não precisam se identificar. Os dados são tabulados mensalmente e, as considerações feitas pela população alvo contribuíram para o aprimoramento do Projeto. 3 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 Em relação ao conteúdo da carta convite, em diferentes grupos as mulheres sugeriram que fosse melhor esclarecida a natureza do Projeto, elucidando que se trata de uma atividade exclusiva ao atendimento de mulheres e, portanto, sem a presença dos averiguados. Este cuidado seria fundamental, pois algumas imaginaram que poderiam encontrar os autores de violência no espaço do Ministério Público e teriam cogitado a possibilidade de não comparecer a atividade. Diante da reiteração desta sugestão, o Setor Técnico fará a revisão do conteúdo da carta para a adequação necessária. É importante ressaltar que em maio/12, quando da realização do primeiro grupo, muitas mulheres não conseguiram identificar o local aonde seria desenvolvida a atividade. Assim, a partir de junho, as cartas convites foram emitidas com o endereço do Auditório e com a ressalva de que deveriam acessá-lo pela entrada do Ministério Público. Estas alterações, associadas a placas de identificação nas mesas onde se faz a recepção das mulheres, favoreceram o desenvolvimento do Projeto. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 No que diz respeito à exibição do vídeo Atitude Feminina, muitas avaliações fizeram menção de que as imagens faziam lembrar as experiências vivenciadas no espaço doméstico, como o registrado por duas mulheres no grupo de 21/06/12: “o vídeo relembrou de todas as cenas em casa”; “O vídeo inicial é muito forte, impactante, mas necessário”. A linguagem utilizada nas palestras e conteúdo apresentado foram igualmente bem avaliados. Em todos os grupos foi apontado que a clareza e a objetividade favoreceram a compreensão dos direitos que são assegurados às vítimas de violência doméstica. Muitas mulheres também mencionaram que a possibilidade de estar na presença de Promotoras de Justiça desencadeava o sentimento de confiança. A rede de atendimento foi considerada um motivo de surpresa, uma vez que muitas não conheciam a disponibilidade dos serviços especializados para o atendimento de mulheres e raramente estavam sendo acompanhadas por estes. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO GEVID – Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, Barra Funda – 1º Andar – Rua 6 – Sala 1-528 Fone: 3392 3185 - FAX: 3392 40 32 Setor Técnico: 3392 47 76 Malgrado o alto índice de satisfação em relação ao esclarecimento de dúvidas, este item foi alvo de sugestões das mulheres, em especial, no que diz respeito à forma de atendimento individual. Foi sugerida a disponibilização de mesas e cadeiras para que pudessem expor suas dúvidas e entregar as provas com maior conforto e privacidade. Diante de tal manifestação, foi avaliada a possibilidade de que no decorrer de 2013 o plantão seja realizado em moldes sociojurídicos, ou seja, mediante o estabelecimento de duplas constituídas por um/a analista e um/a assistente social. Assim como, será verificada a possibilidade de instalar mesas no espaço do auditório para o atendimento individual das vítimas. Outras sugestões recorrentemente feitas pelas mulheres dizem respeito: a melhoria do atendimento prestado nas delegacias de polícia, maior divulgação do Projeto e sua extensão para as mulheres que não registram boletim de ocorrência, desenvolver atividades similares ao Projeto Acolher para os homens que cometeram a violência.