LUCIENE ALVES DE OLIVEIRA Tema: A Inclusão dos Surdos no Ensino Regular Inclusão ou Segregação Rio de Janeiro, 2011 LUCIENE ALVES DE OLIVEIRA 2011 Tema: A Inclusão dos Surdos no Ensino Regular Inclusão ou Segregação Rio de Janeiro, 2011 Dedicatória Dedico a memória de minha querida mãe Laura Alves, que não terá a oportunidade de viver comigo este momento Agradecimentos Agradeço primeiro a Deus por ter me concebido a Vida e me dado a oportunidade de alcançar mais um patamar. Aos meus irmãos Heleni, Edenilson,José Hilto e Dalva pelo apoio e ajuda. As minhas amigas e colegas pelo carinho, Companheirismo e ajuda em todos os momentos. Poesia de Mãe Você precisa ser surdo para entender um mundo vazio e tão diferente um olhar solitário em meio à multidão um constante silêncio, quase um castigo gestos que buscam ajuda, quase sempre em vão. Você precisa ser surdo para descobrir que gritar não ajuda que falar não é sinal de inteligência que calar não é atestado de loucura que é apenas ser diferente. Você precisa ser participante deste mundo Onde mãos falam e olhos escutam Onde o corpo dá a nota e o ritmo É um mundo especial para pessoas especiais. Você precisa saber as dificuldades de um vocabulário resumido (Onde muitas palavras não existem) perdoar quando não obtiver resposta (Imaginar que não foi compreendido) vê-los ignorarem os risos (Apenas para fazerem parte do nosso mundo perfeito) Você... ... provavelmente não é deste mundo ... nem pode se tornar parte dele Mas as palavras faladas de suas mãos em movimento... ... podem torná-lo parte do seu mundo. Sim, você precisa ser surdo para entender a alegria de compreender mãos que falam e olhos que escutam os olhos atentos agradecidos às respostas de paz e esperança o amor que, em Jesus, é possível encontrar mas, para isso Você precisa ser ouvinte e fazer. Poesia de Patrícia F. da Silva, 24 anos, mãe de Renam Fernandes da Silva, 7 anos, paciente com deficiência auditiva do Centrinho/USP desde 2001. Moradores de Araraquara (SP). Resumo O presente trabalho tem como objetivo discutir sobre a inclusão dos surdos no ensino regular.Para realizar considerações a pesquisa aqui apresentada baseamos nossas nos estudos de :Sassaki, Aranha e Sá , entre outros que foram citados ao longo da pesquisa, e também em documentos nacionais, tais como: a LDB, 9394/96, a Lei Nº 10.436, de 22 de abril de 2002 e o Decreto Nº 5.626, de 22/12/2005, A pesquisa de cunho bibliográfico qualitativo, foi complementada por uma pesquisa de campo com questionário. As considerações finais apontam que em sua maioria concorda que a escola deva ser um espaço inclusivo, desde que as mesmas se adaptem para recebê-los e que haja também profissionais capacitados para atende-los de uma forma mais complexa. Palavras-chave: Deficiência Auditiva, Educação de Surdos, Inclusão Abstract This paper aims to discuss the inclusion of deaf education in regular.Para conduct the research presented here base our considerations in studies of: Sassaki, Spider and Sá, among others that were cited during the survey, and also in national documents, such as the LDB, 9394/96, Law No. 10436 of 22 april 2002 and Decret No. 5626 of 22/12/2005. The search for stamp bibliography qualitatively, was complemented by field research with a questionnaire. The final point that most of them agree that school should be an inclusive space, provided that they are adapted to receive them and there are also professionals trained to meet them in a way more complex. Keywords - Hearing Impaired, Education of the Deaf, Inclusion INTRODUÇÃO Dos anos de 1990 para cá, vem sendo constatado o aumento de alunos portadores de necessidades especiais nas escolas regulares de nosso país, sendo que infelizmente as nossas autoridades que elaboraram as Leis, esqueceram que não bastava apenas elaborá-las, mas sim colocá-las em prática corretamente. As autoridades os incluíram nas escolas regulares, porém esqueceram que a estrutura dos prédios onde as mesmas funcionam deveriam ser adaptados para melhor atende-los, os professores e funcionários também deveriam ser capacitados para que pudessem vir a atender os portadores de necessidades especiais de uma forma mis contundente. Ao acompanhar a história da Política Nacional de Educação, até os dias de hoje, pode-se perceber o quanto a educação inclusiva tem conseguido conquistar um espaço cada vez maior,porém observamos que a verdadeira inclusão não acontece de uma forma adequada, o que vem acontecendo é somente a integração, sendo que isso não poderia acontecer, pois a educação inclusiva é organizada de modo onde todos possam ser atendidos de uma forma que venham obter bons resultados educacionais. Diz Demo ( 1990 citado por Carvalho , p.37-38) “A escola inclusiva,isto é uma escola para todos, deve estar inserida num mundo mais inclusivo onde as desigualdades que são estruturais nas sociedades não atinjam níveis tão altos como esses com os quais tenho convivido.” A escola para ter uma orientação inclusiva, deve criar meios para que seus alunos venham a estudar em um ambiente bastante favorável a todos que lá estão, sendo ele portador de deficiência ou não. Segundo a Declaração de Salamanca (1994) “...escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso tais escoas provêem uma educação efetiva educacional.” aprimoram a eficiência de todo o sistema O objetivo geral desse estudo é coletar dados sobre a inclusão dos surdos no ensino regular, avaliando como o ensino dos surdos vem sendo promovido no ensino regular. São também objetivos da pesquisa realizar uma pesquisa entre professores para saber a visão deles sobre a inclusão no ensino regular e listar todos os dados que foram coletados,assim comparar como vem sendo dado o ensino dos surdos no ensino regular. Esse projeto de pesquisa será fundamentado através de pesquisa bibliográfica e também uma pesquisa de campo, com professores que estejam atuando em escola regular. A pesquisa bibliográfica terá sua fundamentação teórico metodológica realizada em material científico , que abordam o assunto publicado em livros e sites. E a pesquisa será de campo, com o uso de questionário que segue em anexo. Dessa forma, a monografia encontra-se assim organizada : no capítulo I,”Breve Histórico o atendimento às pessoas com deficiência”, analisamos A história no mundo Ocidental e analisamos o Paradigmas de Atendimento e A história relatada em nosso país. O capítulo II, Definição, abordamos O que é deficiência auditiva e discutimos os Aspectos legais e direitos da pessoa surda E no capítulo III analisamos A educação da pessoa com deficiência auditiva e apresentaremos um projeto de trabalho. E o capítulo IV Um olhar psicopedagógico sobre a inclusão, demonstra a importância da atuação do psicopedagogo numa instituição. Breve Histórico do atendimento às pessoas com deficiência. 1.1- A história no mundo Ocidental 1 Ao Buscar na História da Educação dados sobre o atendimento educacional para pessoa com necessidades educacionais especiais, percebe-se que no decorrer o tempo, essa história foi sempre marcada pela segregação e , consequentemente, uma gradativa exclusão de acordo com o momento histórico. No período da Antiguidade, praticamente não há dados sobre s relações sociais com as pessoas com deficiência, idosos doentes, loucos, dentre outros. A sociedade baseava a sua organização sociopolítica em duas classes; a Nobreza que eram a minoria, porém detinham poder absoluto sobre as decisões sociais, econômicas e política, e o Populacho, que eram trabalhadores de produção agrícola, pecuária, etc. porém continuavam sendo ignoradas e para sobreviver, dependiam da caridade das pessoas.Como na Antiguidade, alguns portadores de deficiência continuavam sendo fonte de diversão, como bobo da corte, material de exposição, etc. Além de não poderem se casar. Somente no século XII é que começaram a surgir instituições para abrigar deficientes mentais, porém o mais importante eram os bens que os deficientes mentais possuíam. No decorrer dos anos a Igreja Católica adquiriu tanto poder que começou a fazer mau uso de seus poderes, colocando em risco o poder econômico e político da mesma.Para que não houvesse maiores manifestações e insatisfações, a Igreja deu início a um dos períodos mais tristes que se pode ouvir na História da 1 1-As informações aqui apresentadas são baseadas em:Aranha, Maria Salete Fábio Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na ranhascola:necessidades educacionais especiais dos alunos/ Maria Salete Fábio AranhaBrasília:Ministério da EducaçãoEspecial, 2005. Humanidade, que foi a da perseguição, caça e extermínio de seus dissidentes,tudo sob o argumento de que eram hereges ou endemoniados: segundo a Santa Inquisição. Segundo Aranha (2005, p. 10) “ Há inclusive, documentos papais determinando os procedimentos a serem adotados pelo Clero para identificarem essas pessoas e junto a elas tomarem providências” Providências essas, que eram feitas através de torturas, punições severas como a morte na fogueira, que incluíam até as pessoas com deficiência. Essa situação causou a divisão dentro da Igreja Católica, originando posteriormente a Reforma Protestante. De acordo com Aranha (2005- p.11) “ Era de se esperar que ,nesse processo, a situação melhorasse para as pessoas com deficiência.” Sendo que não foi que aconteceu, pois as pessoas ainda eram tratadas com intolerância por falta de sua razão. Pode-se então dizer que a pessoa diferente na Antiguidade, não era considerada ser Humano. No Período Medieval era vista como demoníaca, ou seja, o tratamento ou o jeito de vê-las não mudou durante um longo tempo. Somente com a chegada da Revolução Burguesa, que conseguiu derrubar a Monarquia e a hegemonia da Igreja Católica é que pode se dizer que surgiram novas idéias a respeito da deficiência, achando porém que a deficiência era de natureza orgânica, então eles começaram a realizar tratamentos através da alquimia, da magia e também da astrologia.Todos esses métodos eram processos importantes do século XVI e da iniciante Medicina, ampliando então a compreensão da deficiência como processo natural, porém com o passar do tempo, surgiram algumas ações de tratamento médico para as pessoas com deficiência, tudo isso graças ao médico , matemático e astrólogo italiano Gerolamo Cardamo (1510 1576), cujo seu primeiro filho era surdo, e ele passou a realizar pesquisa sobre os surdos e também pelo monge beneditino Pedro Poncede Leon (1510 – 1584) , que viveu em m monastério na Espanha, em 1570, e esse monge usava sinais rudimentares para se comunicar, pois lá eles tinham que manter o Voto do Silêncio. E com esse relato podemos dizer que a privação da comunicação neste mosteiro veio possibilitar a criação de uma forma diferente de comunicação não mui to diferente da que se observava entre os surdos. Com isso, Ponce de Leon deu origem à Língua de Sinais e também provou que a pessoa surda é capaz de aprender. Porém foi em 1620 que o padre espanhol Juan Pablo Bonet (1579 -1633), criou primeiro tratado de ensino de surdos – mudos (como eram chamados na época), ele iniciava uma escrita sistematizada pelo alfabeto e o mesmo foi editado n França com o nome de Redação das Letras de ensinar os Mudos a Falar,pois Bonet achava que seria muito mais fácil para o surdo aprender a ler se cada som da fala fosse substituído por uma forma visível.Já o holandês Van Helmont (1614 1780), propôs a oralização do surdo por meio de do alfabeto da língua hebraica, pois ele achava que as letras hebraicas indicavam a posição da laringe e da língua ao reproduzir cada som, foi ele quem primeiro descreveu a leitura labial e o uso do espelho, que posteriormente foi aperfeiçoado por Johann Conrad Amman ( 1669 – 1724). Amman foi um medico e educador de surdos suíço que aperfiçoou os procedimentos de leitura labial por meio de espelhos e tato, percebendo as vibrações da laringe, método que é usado até hoje em terapias fonoaudiológicas E foi apenas no século XVIII é que lentamente surgiram as ações de ensino como paradigma da institucionalização, que foi o primeiro a caracterizar a relação com a população de pessoas com deficiência, sendo que elas ficavam em instituições como: conventos, asilos e hospitais psiquiátricos, ou seja eles não eram tratados e sim confinados, além de serem completamente retirados do convívio da família e comunidades. 1-As informações aqui apresentadas são baseadas em:Aranha, Honora, Maria Salete Fábio Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola:necessidades educacionais especiais dos alunos/ Maria Salete Fábio Aranha-Brasília: Ministério da Educação Especial, 2005. 1.2- PARADIGMAS DE ATENDIMENTO Como diz Aranha ( 2005- p. 14) “ Somente no Século XX, por volta de 1960 é que o Paradigma de Institucionalização começou a ser criticamente examinado.” Pois a insuficiência desse paradigma era muito grande, sem contar o descaso para com eles. Na década de 1960, a sociedade passou a ter uma certa relação com à pessoa portadora de necessidades educativas especiais dando início ao movimento pela desinstitucionalização no mundo Ocidental, baseado na ideologia de normalização que visava a necessidade de inserir a pessoa com necessidades educativas especiais na sociedade, para que elas viessem a adquirir as condições e os padrões da vida cotidiana, assim o Paradigma de Institucionalização foi afastado e as idéias de Normalização passou a ser adotada, criando então o conceito de Integração com o objetivo de modificar as pessoas com necessidades educacionais especiais, de tal forma que elas viessem a se assemelharas outras pessoas da sociedade, pois só assim é que elas puderam passar a ater um certo convívio na sociedade. Para eles integrar era localizar no sujeito o alvo de mudança, fazendo com que o sujeito mudasse para ser aceito na sociedade, passando a oferecer-lhes serviços e recursos de que necessitassem, para viabilizar as modificações que os tornassem o mais normais possível. Diz Aranha (2005- p.18) “ A esse modelo de atenção à pessoa com deficiência se chamou Paradigma de Serviços.” Esse paradigma é organizado em três etapas: na primeira a pessoa com deficiência era avaliada por uma equipe de profissionais que identificaria o que deveria ser modificado no sujeito e na sua vida, para que ele pudesse vir a se tornar uma pessoa normal, na segunda deveria haver uma intervenção, onde a equipe deveria passar a oferecer-lhe um atendimento sistematizado e tudo de acordo com os resultados obtidos anteriormente e somente na terceira etapa é que eles eram encaminhados para voltar a viver em comunidade. Mais uma vez, surgiram novas críticas da academia científica e até das próprias pessoas com deficiência, que já se encontravam em associações e órgãos de representação. Uma crítica muito importante foi a que se referia à expectativa de que a pessoa com deficiência deveria se tornar igual ao não deficiente, fazendo com que viesse a se intensificar o debate e idéias acerca da deficiência e sua relação com a sociedade. Esse debate,fez que a idéia de normalização começasse a perder força e isso reabre a discussão à respeito da pessoa com necessidades educacionais especiais deve ser um cidadão como todos os outros, passando a ter os mesmos direitos de determinação e até das oportunidades disponíveis na sociedade. Assim as pessoas com deficiência passou a ser vista com outros olhos, lembrando que cabe a sociedade se modificar de tal maneira que a pessoa com deficiência não viesse mais a viver segregada, devendo ser incluída nesse processo bidirecional que é a Inclusão Social. 1.3- A História relatada em nosso país. A trajetória da pessoa com deficiência no Brasil, deu-se da mesma forma que na Europa, ou seja, durante vários anos eles viveram como pobres miseráveis. Segundo Aranha (2005, p. 25) “A menção à pessoa com deficiência aparece várias vezes, embora não como tema central.” Tudo isso aconteceu, porque no passado as pessoas com deficiência ficavam separadas das outras, pois quando elas eram de uma boa origem, passavam a sua vida escondidas em fazendas ou casas de campo, já os menos favorecidos, ficavam com as suas famílias, sendo tratados por curandeiros. Com a chegada dos portugueses, observo-se que entre o povo indígena não havia pessoas com deformidades, e quando eles tinham alguma, a mesma de origem traumática. Já os Africanos, que foram retirados de seu país pelos portugueses, para serem escravos aqui no Brasil, tinham síndromes causadas por carências alimentares, e essas lhe causavam raquitismo, escorbuto e beribéri e as marcas contidas em seus corpos, eram causadas pelos castigos físicos que eles sofriam. Somente no século XVII, pleno período Imperial é que foi importado da Europa a idéia de dar uma determinada atenção às pessoas com deficiência, porém em internatos, a partir de então foram criados de acordo com o Decreto Imperial N° 1.428 de 12/09/1854, por D. Pedro II, dois institutos no Rio de Janeiro, o primeiro foi o Imperial Institutos dos Meninos Cegos e o segundo foi o Instituto dos Surdos Mudos. Os dois funcionam até os dias de hoje , porém seus nomes mudaram, passando então a serem chamados de Instituto Benjamim Constant (I.B.C) e Instituto Nacional de Educação de Surdos ( I.N.E.S). Esses institutos que foram criados no Brasil no modelo assistencialista, sendo que com o passar dos anos, eles acabaram se tornando um lugar destinado ao acolhimento de pessoas incapacitadas. Depois da Proclamação da República é que começou a se modernizar o país, coma chegada de alguns profissionais que foram estudar na Europa e retornaram animados e com muitas idéias para essa empreitada (modernização). Logo em 1906, os alunos com deficiência mental, passaram a ser atendidos pela escola pública do Rio de Janeiro. Durante essa década foram criados o Serviço de Higiene, o Laboratório de Pedagogia Experimental e até mesmo algumas normas foram feitas para que pudessem fazer a seleção de pessoas consideradas anormais, pois nesta época o que prevalecia era uma grande preocupação com a eugenia da raça. Apenas na década de 1920, se deu início a expansão das instituições de educação especial na rede privada, porque como já foi dito anteriormente a rede pública no início só atendia-se apenas às pessoas com deficiência mental, sendo que elas só poderiam serem aceitos se não viessem a atrapalhar o atrapalhar o bom andamento da turma , isso é o que deveria garantir à educadora sanitária. Percebese que a educação especial adquiriu alguns procedimentos da Medicina, buscando através deles a acura e a reabilitação, ao invés de tentar construir o conhecimento de acordo com a especificidade de cada um que lá está. Só na década de 1960 que surgiram centros de reabilitação para o tratamento de todos os deficientes. Porém eles foram criados com o objetivo de integrar o deficiente na sociedade,com a criação da Lei de Diretrizes e Bases em 1961, o poder público do nosso país, passou assumir um compromisso com a Educação Especial. Segundo Aranha (2005 –p.30) “ Em 1971, o MEC criou um Grupo Tarefa para tratar da problemática da Educação Especial, o qual produziu a proposta de criação de um órgão autônomo, para tratar da Educação Especial.” Essa proposta foi muito importante, para que às pessoas com deficiência pudessem vir a ter um tratamento mais especializado. Em 1972, com o Parecer de CFE N° 848/72 mostra como é importante a implementação de técnicas e serviços de forma especializada, para o atendimento de excepcional. Entre os anos de 1972 e 1974, o Plano Setorial de Educação e Cultura, criou um Projeto Prioritário, onde tornaria a Educação Especial, como umas das prioridades educacionais do Brasil, criando então o Centro Nacional de Educação Especial , CENESP, através do Decreto N° 72.425, de 03/07/1973. Durante toda essa história vista até aqui, ainda não havia se falado em realizar um evento no qual as pessoas pudessem vir a discutir sobre a relação da pessoa deficiente em nossa sociedade. Só no ano de 1980, que foi realizado em Bauru, no Estado de São Paulo o 1° Seminário Nacional de Reabilitação Profissional de Bauru, atual UNESP-Bauru, onde discutiu-se de um jeito mais formal as bases filosóficas e teóricas do novo paradigma. Participaram desse evento 300 pessoas que vieram de todo país, que posterior ao mesmo, passaram a fazer parte dos pilares da transformação da relação da pessoa deficiente em nosso país. Capítulo II - Definição 2.1- Você sabe o que é Deficiência Auditiva?2 Deficiência auditiva ou Perca Auditiva, são nomes usados para indicar a perda auditiva ou a diminuição na capacidade de escutar os sons, pois a perda 22 As informações aqui apresentadas são baseadas nas informações dos sites www.wikipedia.htm. Acesso em 21 abril 2009, e www.idmed-saude-deficienciauaditiva.htm. Acesso em 21 abril2009. bilateral,parcial ou total,de quarenta e um decibéis (dB) ou mais aferida por um audiograma nas freqüências de 500 HZ, 1000 HZ, 2000 HZ e 3000 HZ. Considerase em geral, que a audição normal corresponde à habilidade para detecção de sons até 20dB N.A (decibéis, níveis de audição),chamando então de Deficiente Auditivo ( D.A) Aquele que apresenta diferença entre a performance do indivíduo e a habilidade normal para detecção sonora . E uma pessoa para ser considerada ( D.A) se perda auditiva for diagnosticada nos dois ouvidos.³ Pois qualquer problema que ocorra em uma das três partes do ouvido, que são: orelha externa, orelha média e orelha interna. Qualquer uma delas se forem lesionadas, podem comprometer a sensibilidade auditiva e originar desta forma uma deficiência auditiva. Entre as várias deficiências auditivas existentes,há as que podemos classificá-las como Condutiva, Mista, Neurossensorial e disfunção auditiva central ou surdez central. A Condutiva é causada por u problema localizado no ouvido externo e/ou médio, que tem por função conduzir o som até o ouvido interno. Esta deficiência pode ser causada por vários motivos, dentre eles podem ser citados: corpos estranhos no conduto auditivo externo e médio, mal formação congênita do conduto auditivo. Em muito casos esta deficiência auditiva é irreversível e geralmente não precisa de um tratamento com aparelho auditivo e o que pode se fazer é ter alguns cuidados médicos. Quando a lesão ocorre no ouvido interno, há uma deficiência que recebe o nome de Neurossensorial. Nesse caso, não há problema na condução do som, mas acontece uma diminuição na capacidade de receber os sons que passam pelo ouvido médio. A deficiência Neurossensorial faz com que as pessoas escutem menos e também tenham maior dificuldade de perceber as diferenças entre os sons. Esse tipo de deficiência pode ser de origem hereditária, como problemas da mãe no pré-natal, tais como:rubéola, sífilis, herpes, toxoplasmose, alcoolismo,toxemia, diabetes, etc. Também podem ser causadas por traumas físicos, prematuridade, baixo peso ao nascimento, trauma de parto, meningite, encefalite, caxumba, sarampo, etc. Já a deficiência auditiva Mista, ocorre quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. A Disfunção auditiva central ou surdez central: Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de diminuição da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervoso Central). No Brasil, segundo o Decreto 3298, de 20 de dezembro de 1999, em seu Artigo 4o , ficou estabelecido que a deficiência auditiva é a "perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras, variando de graus e níveis na forma seguinte: a) de 25 a 40 decibéis (db) b) de 41 a 55 db c) de 56 a 70 db d) de 71 a 90 db e) acima de 91 db a) de 25 a 40 decibéis (db) Para saber como está a sua audição deve ser realizada uma audiometria, com médicos especializados.Esse exame é realizado com o auxilio de um instrumento chamado audiômetro. Por meio desse instrumento faz-se possível a realização de alguns testes, obtendo-se uma classificação da surdez quanto ao grau de comprometimento (grau e/ou intensidade da perda auditiva), a qual está classificada em níveis, de acordo com a sensibilidade auditiva do indivíduo de acordo com o quadro citado anteriormente. Então sendo a surdez uma privação sensorial que interfere diretamente na comunicação, alternando a qualidade da relação que o indivíduo estabelece com o meio,ela pode ter sérias implicações para o desenvolvimento de uma criança, conforme o grau da perda auditiva que as mesmas apresentem: *Surdez leve: a criança é capaz de perceber os sons da fala; adquire e desenvolve a linguagem oral espontaneamente; o problema geralmente é tardiamente descoberto;dificilmente se coloca aparelho de amplificação porque a audição é muito próxima do normal. *Surdez moderada: a criança pode demorar um pouco para desenvolver a fala e linguagem; apresenta alterações articulatórias ( troca na fala) por não perceber todos os sons com clareza;tem dificuldade em perceber a fala em ambientes ruidosos; são crianças desatentas e com dificuldades no aprendizado da leitura e escrita. *Surdez severa: a criança terá dificuldades em adquirir a fala e linguagem espontaneamente;poderá adquirir vocabulário do contexto familiar; existe a necessidade do uso de aparelho de ampliação e acompanhamento especializado. *Surdez profunda: a criança dificilmente desenvolverá a linguagem oral espontaneamente; só responde auditivamente a sons muito intensos como: bombas, trovão, motor de carro e avião; frequentemente utiliza a leitura oro-facial; necessita fazer uso de aparelho de amplificação e/ ou implante coclear, bem como acompanhamento especializado. 2.2-Aspectos legais e direitos da pessoa surda Tanto no Brasil como no mundo o atendimento educacional especializado, elabora e organiza recursos pedagógicos, para os alunos portadores de necessidades educativas especiais. A educação inclusiva vem adquirindo um espaço cada vez maior na sociedade contemporânea, para que a escola venha superar a lógica da exclusão. Para que isso possa acontecer deverá haver uma mudança estrutural e cultural da escola, e assim ela receberá a todos os alunos sem distinção, além de poder atender as especificidades dos mesmos e promover assim uma qualidade melhor da educação de todos. Diante desses aspectos contamos com políticas públicas para garantir o acesso à escolarização, pois os direitos das pessoas com necessidades especiais estão garantidos pelas Leis e documentos. Dentre esses, contamos com a Lei de Diretrizes e Bases- 9394/963 e a Lei N°10.4364,de 22de abril de 2002, conhecida como Lei de Libras, o Decreto N° 5.626 ,de 22/12/2005 e a LDB 9394/96 em seu capítulo V , da Educação Especial,traz três artigos os tais citados a seguir. Art. 58. Entende-se por educação especial,para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. § 1° Haverá quando necessário serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2° O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que em função das condições específicas dos alunos , não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Como pude perceber esta Lei da realmente a preferência para que os portadores de necessidades especiais passem a estudar em uma escola regular, podendo freqüentar uma classe de apoio se for necessário. Art.59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I-Currículos, métodos,técnicas e recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II-terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III-professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV-educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com 3 Educação Legislação e Normas – Governo do Estado do Rio de Janeiro/ Secretaria de Estado de Educação-1998 4 As informações aqui apresentadas são baseadas no site www.libras.org.br. órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas ares artística intelectual ou psicomotora; V-acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. As pessoas portadoras de necessidades especiais por muitas vezes deixam de matricular na rede regular de ensino por de informação, sendo que todos eles tem o direito a freqüentarem a escola ,além de ter todo o seu direito garantido por Lei. Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independente do apoio às instituições previstas neste artigo. Já a Lei N°10.436 de 24 de abril de 2002, dispõe sobre Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS. Art.1°- É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único- Entende-se como Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visualmotora, com a estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos , oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. A Língua de Sinais é o principal meio de comunicação entre as pessoas com surdez, e ao ser reconhecida dará um suporte bem maior a eles no que diz respeito a sua escolarização. Art. 4°- O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais o do Distrito Federal devem garantir a inserção nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais- PCNs conforme a legislação vigente. Parágrafo único- A Língua Brasileira de Sinais LIBRAS não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa Brasileira de Sinais LIBRAS, porém ainda não vemos isso acontecer em todas as estâncias. Já o Decreto N° 5.626,de 22 de dezembro de 2005 vem para regulamentar a Lei citada anteriormente. Art. 2o Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras. Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Art. 5o A formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada em curso de Pedagogia ou curso normal superior, em que Libras e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngüe. § 1°-. Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de Libras e o ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos, devem ser ministrados em uma perspectiva dialógica, funcional e instrumental, como: I - atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental; e II - áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior. Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais de ensino da educação básica e da educação superior devem incluir, em seus quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação, à informação e à educação de alunos surdos. II nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de ensino. § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação. A criança deverá ter a sua vaga garantida dentro de uma unidade escolar e a sua educação deve se dar da melhor maneira possível e sem discriminação. Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de: I - escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngües, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental; II - escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade lingüística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa. A educação dos surdos deve ser realizada de forma bilíngüe, porém deverá ser em uma escola da rede regular de ensino e com a presença de um intérprete. § 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo. § 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de informação. A escolarização em turno diferenciado, serve para que os alunos possam vir a fazer a sua complementação curricular com pessoas que possam lhes oferecer uma gama maior de informações. De acordo com Aranha (2005- p.31) “O ano de 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, veio motivar uma sociedade que clamava por transformações significativas nessa área, para debater, organiza-se, e estabalecer metas e objetivos que caminham novos desdobramentos importantes.” Porém percebo que a nossa sociedade deveria modoficar-se ainda mais para que possa debater o assunto com maior clareza. Nos anos de 1990, foi realizado pela UNESCO,em Jomtian, Tailandia, uma conferência mundial,onde se deu início a aceitação política de uma proposta de Educação para Todos, pois após ter assumido tal compromisso o país deveria passar por uma grande transformação no seu sistema educacional, passando então a dar uma educação com qualidade e igualdade de condições à todos sem que viesse a ter nenhuma discriminação. Para que esse processo não deixasse de dar continuidade ao mesmo. O Brasil adotou a proposta da Declaração de Salamanca (1994),onde comprometeu-se construir um sistema educacional inclusivo a de acordo com a nossa realidade. Então cabe a rede pública de ensino garantir o acesso das pessoas com deficiência na rede regular de ensino. Capítulo III- A inclusão da pessoa surda no ensino regular – 1° ao 5° Ano. 3.1- A educação da pessoa com deficiência auditiva5 Estudar sobre a educação das pessoas com surdez, mostrou-me várias questões referentes aos seus limites e também possibilidades, como também preconceitos que ainda existem em nossa sociedade para com eles. Pois as pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar, tudo por causa da perda da audição e da forma como as propostas educacionais são estruturadas nas escolas. Por conta disso muitos alunos com surdez são prejudicados por falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio-afetivo, linguístico e político –cultural e ter perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem. A educação da pessoa com deficiência auditiva, na escola regular vem fazendo com que os professores, passem a refletir um pouco mais a respeito das práticas educativas que estão sendo desenvolvidas em diversos espaços educacionais. Pois nos dias de hoje, os sistemas de ensino estão sendo pressionados para que possam então rever seus conceitos. Porém algumas pessoas acham que será difícil, por considerar a participação da comunidade surda , no processo escolar um assunto não viável por alterar a organização e os objetivos da escola e alguns chegam até a negarem a necessidade de incluí-los. A discussão sobre a inclusão de surdos no contexto 5 As informações contidas são baseadas nos livros: Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado. Pessoa com Surdez/Mirlene Ferreira Macedo Damázio- SEESP/SEED/MEC- Brasília/ DF-2007 e Diversidade cultural e educação para todos/ Moacir Gadotti- Rio de Janeiro. Ed. Graal, 1992 educacional, tem sido palco para várias reflexões. Sabemos que não basta somente que o surdo freqüente uma sala de aula, mas que seja atendido nas suas necessidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, nº 9394/1996) estabelece que os sistemas de ensino deverão assegurar, principalmente, professores especializados ou devidamente capacitados, que possam atuar com qualquer pessoa especial na sala de aula. Sabemos que a realidade apresentada esboça um quadro diferente. Pois sabemos que incluir os surdos em uma escola regular não se trata de apenas colocá-los lá mais ter de aceitar uma nova língua que é a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS),e viabilizá-la, pois o trabalho pedagógico deverá considerar a aquisição de uma primeira língua. Há também uma preocupação em relação da comunicação dos surdos com os ditos normais, por que o que vemos no cotidiano é o uso da oralidade. Cabe então à escola encontrar uma maneira de realizar seu trabalho de educar com êxito todas as crianças que nela forem inseridas, incluindo também todas aquelas que possuem desvantagens. Segundo Goffredo (1999-p.49) “Para um educativo baseado nos princípios de\integração/ inclusão, devemos pensar numa renovação pedagógica, que considere as diferenças. Não há dúvida que a qualidade da educação tem importância prioritária para o crescimento econômico, social e político de um país.” Sendo assim os desafios propostos ao sistema de ensino é a construção de uma escola diferente, onde possamos fazer parte da um espaço menos segregativo e mais acolhedor e que ela possa vir a se adaptar às necessidades de seus alunos e não os alunos se adaptarem a ela. Que essa escola posa reconhecer as possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Devemos então integrá-los à cultura vigente e passar a compreender cada vez mais a cultura da diversidade em questionamento e também reconhecer e valorizar as diferenças. Ao elaborar o Projeto Político Pedagógico da escola, devemos fazê-lo de forma que venha a garantir uma educação na e para diversidade e para isso acontecer faz-se necessário6 algumas mudanças como o redirecionamento das estruturas dos sistemas de ensino. Segundo Sá (2006 –p.353) “A escola é um território no qual formas de interpretação heterogêneas se enfrentam, mas nesses embates está sendo construído um marco teórico na educação dos surdos” A atual política nacional de educação preconiza uma educação integradora, ou seja aquela que é organizada de uma forma em que possa atender a todos, incluindo entre eles os portadores de necessidades especiais , essa política é sustentada pela “ Declaração de Salamanca”. Sendo que essas idéias contrapõem-se o movimento de inclusão, que tem a meta de não deixar nenhum aluno fora do ensino regular. De acordo com Goffredo (1999- p. 45)“A escola, para que possa ser considerada um espaço inclusivo,precisa abandonar a condição de instituição burocrática, apenas cumpridora das normas estabelecidas pelos níveis centrais.” Então quando falamos na educação dos surdos, devemos ter sempre como objetivo uma educação bilíngüe, para que a criança surda possa ter um desenvolvimento cognitivo-lingüístico equivalente ao verificado na criança ouvinte, e que possa desenvolver uma relação harmoniosa também com os ouvintes, tendo acesso as duas línguas: a língua de sinais e a língua do grupo majoritário. 3.2- Um projeto de trabalho7 Passamos a seguir a apresentar uma sugestão de projeto de trabalho que pode ser realizados com os deficientes auditivos,nas escolas regulares de nosso país. 4- As informações contidas aqui são do livro: Cultura , poder e educação dos surdos/ Nídia Regina Limeira de Sá.- São Paulo:Paulinas, 2006. 5-As informações contidas são do livro:Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado. Pessoa com Surdez/Mirlene Ferreira Macedo DamázioSEESP/SEED/MEC- Brasília/ DF-2007 6-As informações contidas aqui são do livro: Diversidade cultural e educação para todos/ Moacir Gadotti- Rio de Janeiro. Ed. Graal, 1992. 7 As informações contidas aqui são do livro: Saberes e práticas da inclusão: desenvolvimento competências para o atendimento às necessidades especiais de alunos surdos. [2.ed.]/ coordenação geral SEESP/MEC,Secretaria de Educação Especial,2006. Nesse projeto consta com atividades voltadas para a leitura e a produção da escrita dos mesmos, promovendo assim um momento da socialização e favorecimento de aprendizado, pois trabalhando desse jeito o professor estará disponibilizando recursos onde todos passaram a ganhar com a qualidade do ensino, possibilitando o sucesso de seus alunos e fazendo com que a escola passe a ser realmente um espaço inclusivo. Tema: Todos juntos aprendendo com as diferenças. Esse projeto tem a finalidade de cooperar com o trabalho dos professores que estejam atuando no ensino fundamental das escolas regulares, e também focalizar o olhar sobre a prática educacional que envolvam os sujeitos surdos. Em contrapartida, ao optar pela inserção do aluno na escola regular, isso precisa ser feito com certos cuidados que visem garantir sua possibilidade de acesso aos conhecimentos feitos com certos cuidados, com, considerando as peculiaridades lingüísticas desses sujeitos. Nessa perspectiva, uma possibilidade de inserção do aluno surdo nas classes regulares, ele deve ser acompanhado de um intérprete de língua de sinais. Dessa forma, ao aluno receber as informações escolares na língua de sinais terá um aproveitamento bem melhor. Ao mesmo tempo o professor ouvinte poderá ministrar suas aulas sem se preocupar em passar esta ou aquela informação em sinais. É preciso que haja um conhecimento de que os alunos necessitem de apoio específico, de forma permanente ou temporária, para alcançar os objetivos finais da educação e, então devem ser oferecidos, por exemplo, apoios tecnológicos e humanos e um desses apoios humanos é o intérprete de língua de sinais. O objetivo desse projeto é promover o acesso e a permanência dos alunos com deficiência auditiva no ambiente escolar. Explorando atividades de leitura. 1ª sugestão: *A criança poderá escolher uma história da sua preferência e realizar a leitura individual; *Posteriormente poderá narrar o que compreendeu do texto aos colegas; *O professor poderá verificar quais conhecimentos a criança obteve em relação à leitura que fez, observando alguns aspectos, tais como: título, coleção, autor,editora, ilustração e outros. 2ª sugestão: • O professor poderá selecionar um livro para apresentar às crianças; • Em seguida, com base na leitura do título, incentivá-las a realizarem uma predição a respeito do que será abordado pelo autor no decorrer da história; • Posteriormente, o professor poderá fazer a leitura para os alunos, interpretando os fatos com bastante entusiasmo, buscando, assim, manter a atenção de todos para crianças estão ou não acompanhando a evolução dos fatos, fazendo-lhes perguntas sobre o texto; • O professor poderá propor ao grupo a leitura do texto, explorando os seguintes aspectos: • Adequação do título • Personagens • Sugestões de outro título • Identificação de aspectos mais específicos com relação ao lugar em que se passa a história, fatos principais, ordem dos acontecimentos ( início, meio e final da história), moral,da história. Sugestão de materiais escritos a serem trabalhados 1. Textos jornalísticos: jornais e revistas; 2. Descrições contextualizadas sobre objetos, figuras, animais,pessoas e outros; 3. Narrativas: *Fábulas; *Histórias infantis; *Fatos ocorridos no dia-a-dia; *Contos de literatura infantil; 4. Entretenimento; textos poéticos, revistas em quadrinho, provérbios, parlendas, trava-língua, letras de músicas, anedotas. Explorando atividades de produção escrita O professor poderá: Incentivar os alunos a produzirem diferentes modelos de textos: dissertativos, • descritivos, narrativos, poéticos e outros; Proporcionar aos alunos momentos de escrita que envolvam a elaboração de • cartas , bilhetes, cartões,convites, etc... • Propor atividades de modificação para o final de uma fábula conhecida; • Propor a escrita com continuidade a algum texto anteriormente explorado pelo grupo; • Sugerir a transformação de uma história narrativa em uma história em quadrinhos; • Estimular a reprodução escrita de um à história que tenha sido explorada Pelo grupo, confeccionando um livro; Observação: O professor deverá apresentar alguns exemplos de atividades de leitura e produção escrita, discutindo com os participantes as adaptações necessárias ao trabalho com o aluno surdo no contexto de uma sala inclusiva. 1º Exemplo: O professor de uma turma de 5º Ano de escolaridade (4ª Série) Utiliza a língua de sinais e, alternadamente, a língua portuguesa oral, enquanto registra a língua portuguesa escrita ( resumo no quadro de giz) para exemplificar os conteúdos expressos na história do Descobrimento do Brasil. O professor entrega à turma o texto base (da série dita anteriormente) e também textos das séries anteriores, todos tratando do mesmo assunto,” Descobrimento do Brasil” , para que os alunos possam realizar algumas atividades, tais como: a) Leitura/ interpretação de um texto de séries anteriores que trate do mesmo assunto,porém mais adequado ao nível lingüístico dos alunos; b) Discussão sobre os principais conceitos e informações presentes no texto, registradas por meio de montagem de frases, jogos, procura pela significação das palavras nesse contexto e no dicionário; c) Elaboração de uma síntese do texto; d) Retorno ao texto base da 4ª séria para a leitura e interpretação pelos alunos. 2º Exemplo: Produção de um trabalho de artes plásticas (recorte e colagem, desenho do aluno,pintura, etc) sobre um determinado tema; Levantamento do vocabulário, inclusive de expressões idiomáticas, no quadro de giz , provenientes da produção plástica; Estímulo para produção e elaboração de textos pelo aluno, com base na sua própria produção plástica. Há um certo tempo venho observando com os deficientes vem sendo tratado e por isso resolvi preparar este trabalho onde estarão contidas algumas sugestões de trabalho com os deficientes auditivos dentro das escolas regulares. Espero que as atividades possam vir a auxiliar na educação dos surdos . Algumas coisas que não podemos esquecer quando há um aluno deficiente auditivo em nossa sala de aula. *Aprender LIBRAS é o primeiro passo; • Ter um intérprete em sala de aula; • Falar diretamente com a pessoa, nunca ler atrás dela; • Usar o tom de voz normal, a não ser que peçam para que você fale alto; • Gritar nunca adianta; • Ao conversar mantenha sempre o contato visual, pois se você desviar o olhar a pessoa surda pode achar que a conversa terminou; • Nem sempre a pessoa surda tem boa dicção e caso tenha dificuldades de compreender o que ela diz,peça para que ela repita quantas vezes for necessário; • Quando o surdo estiver acompanhado de um intérprete dirija-se a ele e não ao intérprete; • Dar sempre exemplos de formas seguras para que ele possa entender as regras sociais, pois ele aprende com o que vê e não com o que ele ouve • A integração desses alunos, depende da integração de todos; • Os pais e os professores devem participar de uma escola inclusiva. Assim, podemos perceber a riqueza de materiais que são encontrados, para que possamos vir a realizar um ótimo trabalho na educação dos surdos , basta apenas ter um pouco de vontade, disposição e também de conhecimento didático para transformar uma simples leitura em um momento agradável e favorável para todos, além de provar que um projeto educativo pode ser construído , considerando as diferenças e com uma qualidade de ensino que é importante para todos. 4 – PESQUISA DE CAMPO Participaram deste estudo vinte (20) professores do Ensino Fundamental do CIEP Municipalizado – 071 - Maximiano da Silva, que está localizado no bairro Jardim Iguaçu, no município de Nova Iguaçu. Foram entrevistados professores com idade entre 29 e 48 anos. 4.1 - INSTRUMENTOS Para a realização desta pesquisa de cunho qualitativo, foi elaborado um questionário( anexo) semi-estruturado, composto por cinco (5) itens. Estes itens referem-se à inclusivo,Como você entende questões como: Se a escola é um espaço a inclusão no ensino regular, A escola como um espaço inclusivo,, além de questões relacionadas a escola como um espaço inclusivo e a capacitação de profissionais para a realização destes trabalho. 4.2 - PROCEDIMENTO Foi realizada uma aplicação coletiva, durante a Reunião Pedagógica. A aplicação foi precedida de uma breve explicação sobre os objetivos do estudo, a participação dos professores participação. foi voluntária , num índice que totalizou 45% de 4.3 - RESULTADOS Os dados coletados foram submetidos , a análise estatísticas descritivas, que serão expostas através de gráficos.O primeiro mostrou alguns resultados quanto à escola ser um espaço inclusivo. 1ª. Você concorda que a escola deve ser um espaço inclusivo? Gráfico 1 = Observamos que 8 inclusivo e apenas 1 dos professores concordam que a escola seja um espaço discordou por não se sentir capacitado para atender às diferenças. 2ª. Como você entende a inclusão no ensino regular? Gráfico 2= ] O gráfico 2 refere-se a como você entende a inclusão no ensino regular constatamos que 8 dos entrevistados entendem sobre inclusão no ensino regular, apenas 1 entrevistado considera a inclusão como uma forma de segregação. 3ª. O que a sua escola tem feito para que o portador de deficiência tenha acesso a ela? Gráfico 3= Gráfico 3- Corresponde sobre o que a sua escola tem feito para o portador de deficiência tenha acesso a ela. Observa-se que 7 dos professores responderam que a escola tem investido em cursos de capacitação para os professores, e os outros 2 responderam que a escola tem investido em recursos humanos habilitados. 4ª. A Escola que você trabalha, possui estrutura para atender os alunos portadores de deficiência? Gráfico 4 = recursos 5ª. humanos. Você se acha preparado (a) para trabalhar com alunos portadores de deficiência? Gráfico 5 = Gráfico-5 Corresponde a pergunta se você se acha preparado para trabalhar com alunos portadores de deficiência, e 7 responderam que não se consideram preparadas , porque necessitam de curso de capacitação e os 2 responderam que se sentem capacitados por já terem participados de cursos . Constatamos de maneira geral que os professos concordam que a escola seja um espaço inclusivo e que a inclusão no ensino regular é uma forma de incluir o aluno e não uma forma de segregação porém, para que ela venha realmente a acontecer a escola precisa se adequar em alguns pontos como: investir mais em cursos de possam vir serem atendidos de uma forma mais adequada. portador de deficiência capacitação pois os professores ainda não se acham capacitados para realizar o atendimento aos portadores de necessidades educativas especiais e preparar a parte física de seus prédios para que os alunos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os alunos portadores de necessidades especiais estão sendo colocados nas classes regulares junto com os “ditos normais”, e são deixados de lado, porque os professores dizem que não têm condições para atendê-los. Com isso quem perde são os alunos, pois eles deixam de abstrair alguns conceitos por conta desses professores descompromissados, que por muitas vezes nem tentam se atualizar para que possam atender, não só os alunos especiais. Mais sim, atender melhor a todos que lá estão, pois acredito que a partir do momento em que a verdadeira inclusão é feita todos passam a ganhar. Pois os professores até concordam que a escola deva ser um espaço inclusivo, sendo que a maioria deles ainda não se acham capacitados para atende as diferenças e que as escolas deveriam passar por mudanças para que os atendimentos possam ser feitos, porque as escolas não possuem estruturas físicas e até humanas para que os deficientes possam vir a serem atendidos de uma forma bastante digna. Para que a inclusão venha a acontecer devemos ter condições de trabalhar a unidade na diversidade e nunca esquecer que os portadores de necessidades especiais são dotados de um grande potencial , e que deveria ser estimulado para que no futuro venham participar ativamente na sociedade sem que haja nenhuma exclusão. Sendo assim o mundo precisa ser mais inclusivo, quebrar as barreiras das desigualdades e tentar fazer com que a nossa sociedade passe a ser mais participativa no que diz respeito à inclusão, passando então a olhar os portadores de deficiência com outros olhos. A escola para ter uma orientação inclusiva, deve sempre criar meios para que seus alunos venham a estudar em um ambiente bastante favorável a todos que lá estão, sendo ele portador de necessidades especiais ou não. Além de capacitar os seus professores e funcionários, para que possam realizar da melhor maneira possível o seu trabalho visando proporcionar aos seus alunos novos caminhos para a vida em coletividade dentro e fora da escola. Referências Bibliográficas: SASSAKI, Romeu Kazumi, Inclusão Construindo uma Sociedade Para Todos. Rio de Janeiro WVA, 1997. Declaração de Salamanca- Espanha, 1997 SÁ, Nídia Regina Limeira de , Cultura, Poder e Educação de Surdos- São Paulo: Paulinas, 2006. ( Coleção Pedagogia da Educação) Salto para o futuro: Educação Especial: Tendências Atuais/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério de Educação, SEED, 1999 DAMAZIO, Mirlene Ferreira Macedo, Atendimento Educacional Especializado- Pessoa com Surdez- SEESP/SEED/MEC-Brasília, 2007 Educação Legislação e Normas- Governo do Estado do Rio de Janeiro/ Secretaria de Estado de Educação- 1998 Revista Nova Escola- abril de 2009 ARANHA, Maria Salete Fábio,Projeto Escola Viva: garantindo acesso e permanência de todos os alunos na escola: necessidades educacionais especiais dos alunos/ Maria Salete Fábio Aranha.- Brasília:Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005 POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA, Brasília- Janeiro de 2008 EDLER Carvalho, Rosita, 1937- A Nova LDB e a Educação Especial- Rosita Edler Carvalho.- Rio de Janeiro: WVA, 1997. Rio de Janeiro RAMOS, Rosana, Um passo para a inclusão-São Paulo: Cortez, 2006 MANTOAN,Maria Teresa Égler., GAVIOLI, Valéria Rosângela., Inclusão Escolar: Pontos e Contrapontos.-São Paulo: Summus, 2006.- ( Pontos e Contrapontos). BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994. HONORA, Márcia- Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: Desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez/ Márcia Honora, Mary Lopes Esteves Frizanco São Paulo: Ciranda Cultural,2009. Saberes e práticas da inclusão: desenvolvimento competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos surdos.[2.ed] / coordenação geral SEESP /MEC. – Brasília:MEC,Secretaria de Educação Especial, 2006 Sites visitados: WWW.portal.mec.gov.br WWW.wikipedia-mht