1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ INAJARA CARLA OLIVEIRA INTEGRALIDADE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE ITAJAÍ – SC 2013 2 INAJARA CARLA OLIVEIRA INTEGRALIDADE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho – Área de Concentração em Saúde da Família, da Universidade do Vale do Itajaí, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre. Orientador: Prof. Luiz Roberto Agea Cutolo Itajaí – SC 2013 3 INAJARA CARLA OLIVEIRA INTEGRALIDADE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA ÁREA DA SAÚDE Esta Dissertação foi julgada adequada para obtenção do Título de Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho e aprovada pelo Programa de Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências da Saúde- CCS. Área de Concentração: Saúde da Família Itajaí, 30 de julho de 2013. Prof. Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo UNIVALI – CCS Orientador Prof. Dra. Stela Maris Brum Lopes UNIVALI – CCS Membro Prof. Msc. Marcos Aurélio Maeyama UNIVALI – CCS Membro Prof. Dr. Fúlvio Borges Nedel UFSC – CCS Membro Externo 4 “Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.” Charles Chaplin, O último discurso de “O grande ditador” 1940. 5 AGRADECIMENTOS A conclusão deste trabalho suscita em mim sentimentos de alegria e satisfação de mais uma etapa concluída, mas também um sentimento de saudade dos momentos até aqui vivenciados, os quais ficarão sempre em minhas lembranças. Em primeiro lugar quero agradecer a Deus pela vida e por tudo o que me tem concedido, pois Ele foi e é Aquele que tem nos sustentado. Agradeço aos meus pais, por todo o empenho e dedicação que tiveram para que eu alcançasse esse sonho, que tão somente sei que não era só meu. Sou grata ao meu irmão, que com seu senso crítico e vasto conhecimento histórico político me permitiu (em nossas conversas por vezes cansativas) consolidar e expandir meus conhecimentos a respeito do SUS e a continuar a sonhar com uma sociedade mais justa. À minha irmã, que sempre acreditou em mim e me motivou a alçar sonhos por vezes maiores que eu mesma ou que minhas condições. Ao meu noivo, agradeço todo o carinho, amor, motivação, encorajamento e, principalmente a paciência e auxílio nestes últimos meses dedicados à construção deste trabalho. Ao meu querido e admirável professor Cutolo. Agradeço por acreditar em mim e ter aceitado me orientar, por ter sido não só meu orientador, mas também um pai... Pelas diversas oportunidades de aprendizagem, trocas e compartilhamento de saberes, angustias e sonhos. Obrigada por me tornar mais apaixonada e comprometida com o SUS e, sobretudo sua amizade. Ao professor Marquinhos. Agradeço de coração suas colocações e contribuições neste trabalho, às quais são incontáveis. Além de todo o apoio e vivencias que me oportunizastes, agradeço a sua confiança e amizade. És um referencial para mim! Professora Stela, muito obrigada por me ouvir e me orientar quanto às minhas escolhas profissionais. Sem dúvidas, fostes determinante nesta etapa da minha vida... Sem seus conselhos certamente não teria chego até aqui. Agradeço sua amizade, disponibilidade e paciência. Ao professor Marcão, quero dizer que sou grata pelo privilégio de tê-lo conhecido e compartilhado momentos tão preciosos de aprendizagem. Muito obrigada por todas as contribuições teóricas e de valores para vida, bem como sua amizade. A minha mãe, amiga, gêmea siamesa, irmã Kátia. Obrigada por seu companheirismo, sua compreensão... Não tenho palavras para agradecer sua amizade e dedicação nestes dois anos. Admiro sua força, sua vontade, e, sobretudo quem és! 6 Professora Renata Mancopes, por todas as experiências que me proporcionastes na graduação às quais me influenciaram a aprofundar meus conhecimentos na saúde coletiva e integralidade. Além de todo o apoio em decidir e prosseguir neste caminho de lutas para consolidação do SUS. Agradeço a todos aqueles que de alguma forma, seja por acreditar, torcer, motivar...contribuíram para conclusão deste trabalho, sem dúvidas foram fundamentais nesta etapa de minha vida. 7 OLIVEIRA, Inajara Carla. Integralidade na formação acadêmica dos cursos da área da saúde. Programa de Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho. Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí, 2013. Orientador: Prof. Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo. RESUMO A Integralidade e seus sentidos tem conquistado espaço cada vez maior nas rodas de conversas e discussões na área da saúde. No que se refere à formação acadêmica vê-se a necessidade desta se tornar um eixo transversal e orientador dos currículos dos cursos da área da saúde, bem como, se consolidar como práticas em saúde. A pesquisa, deste modo, teve por objetivo discutir as práticas atuais de educação comparando com as desejáveis pautadas pela integralidade a fim de salientar a necessidade de formação de profissionais de saúde comprometidos com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde; Discutir a amplitude dos sentidos da integralidade em base conceitual e sua relação com a Humanização; Identificar e analisar as concepções de integralidade dos discentes formandos dos cursos de que compõe o Centro de Ciências da Saúde- CCS da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI. Pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, realizada em três fases: 1) Discussão de práticas de educação comparando-as com as desejáveis baseadas na integralidade; 2) Discussão dos sentidos de integralidade e sua relação com humanização; 3) Realização de Oficina pedagógica baseada no método do Arco de Maguerez com a finalidade de identificação das concepções dos discentes acerca da integralidade. Foi realizada a análise do processo das oficinas centrada nos diversos sujeitos a partir das unidades de registro que atendem a temática do estudo baseado em categorias. Resultados: 1) Muitas são as mudanças necessárias para se alcançar o objetivo de formar profissionais comprometidos com os princípios do Sistema Único de Saúde vigente e interessados na saúde da população. Mudanças curriculares, nas práticas pedagógicas, no processo de trabalho e principalmente nas formas de entender e conceber saúde se tornam imprescindíveis neste processo de construção da Integralidade como eixo da formação. 2) A realidade atual tem evidenciado: atitudes e ações fragmentadas; redução do humano à condição estritamente biológica; total desarranjo e desarticulação dos serviços e atendimentos em saúde; perda das noções e entendimento sobre o cuidado em saúde e, até mesmo, sobre a essência humana. A transformação dessa realidade depende de atitudes humanizadas, que, por sua vez, só serão desencadeadas a partir de uma visão integral. Portanto, a humanização é intrínseca à integralidade. Ou seja, só se produzem ações humanizadas em saúde a partir de uma concepção ampliada e integral do processo saúde-doença, pois toda ação em saúde parte de uma concepção de saúde. 3) Considerando o objetivo deste estudo, a maior parte das concepções de integralidade por parte dos discentes diz respeito a sentidos que necessitam ser desmistificados ou até mesmo desconstruídos frente à superficialidade dos 8 mesmos. Nesta lógica, é desejável que os cursos da área da saúde deem tratamento teórico sobre a integralidade, e aqueles que trabalham com o Pró-Saúde em seu primeiro eixo o qual propõem mudanças do modelo teórico espera-se um ensino sistemático e utilização da integralidade como tema transversal. Entretanto, também pode-se encontrar sentidos que são potencializadores de mudanças na área da saúde. Algumas mudanças no ensino na área da saúde são necessárias para cristalizar conhecimentos acerca da integralidade, bem como, oportunizar aos alunos experiências práticas para consolidação de seus sentidos. Nesta perspectiva, estratégias podem ser utilizadas como dispositivos para transformação do ensino e ampliação dos sentidos de integralidade. Portanto, o modelo de ensino precisa ser repensado e reformulado, pois a formação profissional não será adequada se não trabalhar práticas de integralidade que só podem ser produzidas a partir de uma concepção integral. Para isto, torna-se imprescindível evidenciar a integralidade como eixo transversal de todo ensino na área da saúde e compreendê-la também como processo e não como produto, no qual os acadêmicos devem deixar de serem passivos para se tornarem ativos no processo do cuidado centrado no usuário. Palavras-chave: Práticas Curriculares, Atenção Integral, Educação Superior. 9 OLIVEIRA, Inajara Carla. Comprehensiveness in academic training of courses in the area of health. Master’s Degree Program in Health and Work management. University of Vale do Itajaí. Itajaí, 2013. ABSTRACT Comprehensiveness and its meanings have increasingly been the subject of conversations and discussions in the area of health. In terms of academic training, we see a need for comprehensiveness to become a cross-cutting axis that guides the curricula of courses in the area of health, as well as becoming consolidated as a practice in health care. This research discusses current practices of education, comparing these with what is desirable, based on comprehensiveness, in order to emphasize the need to train health professionals who are committed to the principles and guidelines of the Sistema Único de Saúde (Brazilian national health system) – SUS. It discusses the scope of the meanings of comprehensiveness from a conceptual perspective, and its relationship with Humanization. It identifies and analyzes the concept of comprehensiveness among graduate students of the courses that make up the Center for Health Sciences (CCS) of the University of Vale do Itajaí - UNIVALI. This is an exploratory, qualitative approach, carried out in three phases: 1) Discussion of educational practices, comparing them with the most desirable ones, based on comprehensiveness; 2) Discussion of the meanings of comprehensiveness, compared with humanization; and 3) A pedagogical workshop based on the Maguerez’s Arch method, to identify students' concept of comprehensiveness. We performed an analysis of the process of the workshops, focusing on the various topics of the recording units that are part of theme of the study, based on categories. Results: 1) Many changes are needed to achieve the goal of training professionals who are committed to the principles of the Health System, and interested in the health of the population. Curricular changes in teaching practices, the work process, and in particular, ways of understanding and conceiving health, are Essential in the process of building comprehensiveness as a training axis. 2) The current reality shows: fragmented attitudes and actions, a reduction of the human being to a strictly biological condition; complete disarray and lack of coordination of the health services; loss of notions and understanding of health care, and even of the human essence. Transforming this reality depends on humane attitudes, which, in turn, will only be possible within an integral vision. Therefore, humanization is intrinsic to comprehensiveness. In other words, humanized actions in health can only be produced based on a wider, integral concept of the process of health-disease, as every health action starts from a concept of health. 3) Considering the purpose of this study, most concepts of comprehensiveness held by the students relate to meanings that need to be demystified or even deconstructed, in view of their superficiality. Following this logic, it is desirable that healthcare courses give theoretical Training in comprehensiveness, and that those who 10 work with Pro-Health in its first axis (which proposes changes to the theoretical model) are expected to receive systematic teaching and use comprehensiveness as a cross-cutting theme. However, one can also find elements that promote changes in healthcare. Some changes in the teaching of health are necessary, to clarify knowledge about comprehensiveness, and create opportunities for students to gain practical experiences that will consolidate these meanings. From this perspective, strategies can be used as devices for transforming teaching as well, and for extending the meanings of comprehensiveness. The teaching model therefore needs to be re-thought and re-formulated, because the professional training will be inadequate unless it includes practices of comprehensiveness, which can only be produced based on an integral concept. For this, it is essential to demonstrate comprehensiveness as a cross-cutting axis of all teaching in the area of health, and to understand it as a process, and not as a product. Furthermore, students must stop being passive and become more active in the process of user-centered care. Keywords: Curriculum, Comprehensive Care, Higher Education. 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 12 2 SISTEMA CONCEITUAL ....................................................................................... 15 3 METODOLOGIA.......................................................................................................19 4 ARTIGO CIENTIFICO I.......................................................................................... 22 5 ARTIGO CIENTÍFICO II.........................................................................................29 6 ARTIGO CIENTÍFICO III........................................................................................37 7 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................56 8 ANEXOS......................................................................................................................58 12 1 INTRODUÇÃO Os sentidos da Integralidade no contexto da formação acadêmica sempre me chamou a atenção durante minha graduação. Tive o privilégio de vivenciar desde os anos iniciais do curso de Fonoaudiologia experiências das quais me permitiram questionar como este princípio tem sido evidenciado nas disciplinas e práticas acadêmicas. Decepcionada com as incoerências dos discursos e práticas docentes, e por acreditar que se fazem necessárias mudanças nas práticas curriculares para a transformação das concepções e no fazer em saúde, aprofundei meus estudos na temática em questão. Estas razões me instigaram a estudar, conhecer e analisar as concepções e práticas de integralidade dos discentes dos cursos da área da saúde com vistas a propor mudanças curriculares para uma formação coerente com as necessidades humanas construídas sócio historicamente e principalmente que venha fortalecer o Sistema Único de Saúde. Segundo González e Almeida (2010), apesar de no Brasil termos um sistema de saúde universal, a citar o Sistema Único de Saúde- SUS, muitos são os obstáculos para sua consolidação. Destaca-se que seus princípios democráticos trabalham diretrizes, conceitos e práticas ainda contra hegemônicas e a substituição deste sistema para o universal, que busca modelos de atenção que valorizam a integralidade, a promoção de saúde e a humanização depende do perfil de formação e da prática dos profissionais de saúde (FEUERWERKER, 1998; ALMEIDA et al, 2007). Fato é que a Integralidade na formação acadêmica além de uma necessidade é a resposta para a construção de uma sociedade solidária e humanizada, que resgata valores e gera práticas de saúde usuário-centradas. Mesmo com caráter polissêmico, a Integralidade é almejada como imagem objetivo na organização do Sistema de Saúde, bem como, orientadora das práticas sanitárias e consolidada como Estilo de Pensamento em saúde. Ceccim e Pinheiro (2006) referem que a formação com base na Integralidade, identifica-se com a implicação da produção de conhecimento, com a construção de práticas de cuidado criando uma lógica entre saúde, educação e trabalho. Além disso, os autores afirmam que a Integralidade em saúde como base de produção e formação de práticas e saberes possui potencial de superação do modelo de ensino “Flexneriano”. O modelo de ensino denominado Flexneriano, teve sua origem com a reforma do ensino médico no início do século XX a partir do trabalho (conhecido também como Relatório Flexner) de Abrahan Flexner. Desde este relatório as organizações do ensino na área da saúde em sua maior parte propõe uma 13 educação marcada por uma ciência das doenças, da hegemonia da atenção hospitalar com ênfase nas especialidades e também uma clínica voltada para a recuperação da normalidade da saúde dos órgãos. Segundo Ceccim e Carvalho (2006) neste modelo de ensino muito dos cursos passam a maior parte do tempo apresentando e formando a partir de um olhar fixo, focado num corpo inerte, anistórico e descontextualizado da vida. Destacando que em muitos processos de formação em saúde, somente ao final dos cursos o estudante vai contatar o corpo vivo, cujas consequências resultam numa formação distante ou pouco atenta à construção de práticas cuidadoras. Em oposição a esta organização, a intervenção profissional em saúde, ocorre fundamentalmente pela perspectiva do cuidado e, por conseguinte, na dimensão do corpo vivo. A superação da realidade atual fruto da formação em saúde, a qual evidencia: atitudes e ações fragmentadas, redução do ser humano a condição estritamente biológica, desarranjo e desarticulações dos serviços e atendimentos em saúde frente às necessidades da população e sistema de saúde, perda do entendimento sobre cuidado e até mesmo sobre a essência humana depende de atitudes e mudanças curriculares a partir de uma visão da integralidade. Nesta perspectiva, este estudo propôs a compreensão e o conhecimento acerca dos sentidos de integralidade por parte dos discentes dos Centros de Ciências da saúde da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI. Destacando que este conhecimento permite-nos identificar potencialidades e fragilidades na formação acadêmica, com vistas a superar os obstáculos que ainda se opõem a ao modelo de ensino voltado para integralidade que por sua vez estão voltados para as necessidades da população e também de acordo com o Sistema de Saúde vigente. Têm-se como premissas que as práticas sanitárias dominantes não estão baseadas na integralidade uma vez que hegemonicamente a formação dos profissionais de saúde está pautada no modelo biomédico, que privilegia a doença e não considera o sujeito acometido pela mesma. Embora se observe discursos baseados na integralidade (decorrentes dos movimentos de mudanças na formação), as práticas ainda são incipientes. Portanto, como pergunta orientadora do estudo têm-se: 1) Quais as concepções e práticas de integralidade percebidas pelos alunos de graduação do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Itajaí-UNIVALI? Partindo dos seguintes pressupostos: - Existe uma contradição entre um modelo de atenção proposto pelo Movimento de Reforma Sanitária voltado à Integralidade e o modelo de formação Biomédico; - As Políticas de formação foram desenvolvidas para diminuir esta contradição; - Os efeitos dessas políticas nos docentes e discentes precisam ser avaliados; - Práticas curriculares potencializadas da integralidade devem ser estimuladas. 14 Portanto, o objetivo desta dissertação é discutir as práticas atuais de educação comparando com as desejáveis pautadas pela integralidade a fim de salientar a necessidade de formação de profissionais de saúde comprometidos com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde, bem como a amplitude dos sentidos da integralidade em base conceitual e sua relação com a Humanização além de identificar as concepções e sentidos de integralidade dos discentes do último período de graduação. 15 3 SISTEMA CONCEITUAL No Brasil, destaca-se a necessidade de formação de profissionais para o Sistema Único de SaúdeSUS, a fim de atender às demandas dos seus usuários. Feuewerker (2001) afirma que um dos elementos críticos para construção e consolidação do SUS tem sido a inadequação da formação inicial de seus profissionais frente às necessidades sociais de saúde. Segundo Carvalho e Ceccim (2013), no âmbito das políticas educacionais, a graduação na área da saúde não tem tido uma orientação integradora entre ensino e trabalho, que esteja voltada para uma formação teórico-conceitual e metodológica que potencialize competências para integralidade, onde inclui o enfrentamento das necessidades de saúde da população e de desenvolvimento do sistema de saúde. Nesta perspectiva, a integralidade na área da saúde tem sido almejada como base na formação e educação dos profissionais da saúde. Com seu caráter polissêmico, e por se encontrar em contínua construção, em um dos sentidos apresenta-se como um modelo de ensino que propõe práticas sanitárias condizentes com a realidade social. De acordo com Mattos (2001) em primeira ordem, o termo integralidade faz relação com os movimentos de medicina integral e medicina preventiva originados nos Estados Unidos. De maneira geral, este movimento propunha reformas curriculares, com o objetivo de que as escolas médicas formassem profissionais com capacidade de relacionamento e respeito às necessidades populacionais. Estes movimentos em específico criticavam as ações reducionistas e fragmentadas dos médicos frente aos seus pacientes, bem como, recriminavam os currículos das escolas médicas que tinham como base o Relatório Flexner. Este relatório foi elaborado por Abraham Flexner em 1910 com vistas à proposição de uma reforma no ensino médico nas escolas da época nos Estados Unidos e Canadá. De acordo com Carvalho e Ceccim (2013), o Relatório Flexner referia que uma educação científica das profissões de saúde teria base biológica, orientada pela especialização e pela pesquisa experimental e estaria centrada no hospital. Essa educação científica influenciou as escolas de todo o mundo e foi adquirindo um caráter instrumental e de habilitação para fazeres profissionais recortados em ocupações, fragmentados em especialidades e centrados nas evidencias de adoecimento diante do processo saúde-doença, em especial nas intervenções por procedimentos e com uso de equipamentos, em que a saúde ficou compreendida como ausência de doença. Embora este relatório tenha sido escrito em 1910, atualmente pode-se observar nas propostas de educação dos profissionais de saúde influencias deste modelo. De acordo com Araújo et al (2007) 16 destaca-se como influencia do modelo a organização dos currículos, uma vez que, neste a visão acerca do corpo humano é relacionado como uma máquina composta de partes inter-relacionadas e por sua vez a doença é entendida como o “desarranjo” ocorrido em uma ou mais destas partes. Sendo assim, o conhecimento torna-se necessariamente fragmentado e se materializa sob forma de disciplinas estanques. Ceccim & Feuerweker (2004), enfatizam que o ensino nesta lógica centra-se em conteúdos, organizados de maneira compartimentada, fragmentando os indivíduos em especialidades clínicas, dissociando conhecimentos das áreas básicas e conhecimentos das áreas clínicas, adotando um sistema de avaliação cognitiva por acumulação de informação técnico-científica em detrimento dos de ordem psíquica e histórica dos acadêmicos, perpetuando assim este modelo tradicional. De acordo com Pinheiro e Ceccim (2006) a integralidade em saúde como base de produção e formação de práticas e saberes possui potencial de superação do modelo de ensino flexneriano. A integralidade neste contexto significa rever o conceito de saúde, conhecer a realidade local com a qual irá interagir e inventar a aproximação entre as profissões e dessas com o SUS, com intuito de ampliar a capacidade de percepção e intervenção sobre a saúde (CARVALHO e CECCIM, 2013). De acordo com Mattos (2004) a integralidade pode ser definida como uma imagem-objetivo, com características de práticas desejáveis ao sistema de saúde. Refere-se ainda a um conjunto de valores que se relacionam a um ideal de uma sociedade mais justa e solidária. Esta imagem-objetivo parte de um pensamento crítico que se recusa a reduzir a realidade, que se indigna com algumas características do que existe, e almeja superá-las. Este autor refere ainda como sentidos da integralidade: A integralidade como um valor a ser sustentado e defendido nas práticas dos profissionais de saúde, valor esse que se expressa na forma como os profissionais respondem aos pacientes que os procuram no qual nesta perspectiva a integralidade não implica deixar de lado conhecimentos sobre as doenças, mas o uso prudente desse conhecimento sobre a doença, sobretudo um uso guiado por uma visão abrangente das necessidades dos sujeitos. Surgindo assim como crítica ao fato do profissional de saúde adotar uma atitude cada vez mais fragmentária diante de seus pacientes, enfatizando as dimensões biológicas, em detrimento das condições psicológicas e sociais. Abrangendo também o processo de ensino das escolas médicas, implementado através de um currículo que privilegia o laboratório e o hospital como locus privilegiado de aprendizagem. Outro sentido de integralidade referido pelo autor é que a mesma pode ser entendida como princípio de organização contínua do processo de trabalho nos serviços de saúde, que se caracterizaria pela busca da ampliação das possibilidades de apreensão das necessidades de saúde de um grupo populacional. Extrapolando os sentidos evidenciados pelo autor acima citado, destaca-se também o modelo de clínica ampliada elaborado por Cunha(2005) o qual refere uma clínica que assume uma responsabilidade 17 maior do que tratar a doença e o doente, mas de reconhecer o compromisso com o sujeito e sua capacidade de produção de vida. Uma clínica que se abre para perceber o sujeito doente e construir sua percepção sobre a vida e o adoecimento. Como se observa, a clinica ampliada como descrito por Cunha, só ocorre a partir de uma concepção do processo saúde e doença a partir da integralidade. Além destes sentidos, vale destacar também a integralidade como: necessidade do outro, em seu sentido primordial; respostas às necessidades dos sujeitos; concepção ampliada de saúde; concepção de sujeito; concepção de mundo; ações integradas de saúde; cuidado humanizado; cuidado interdisciplinar; cuidado intersetorial; boa prática clínica; modo de organização das práticas em saúde; ordenadora de práticas nas políticas especiais; ruptura de dicotomias e Integralidade como articulação de políticas públicas sociais e econômicas de intervenção na Determinação Social do processo saúde-doença. Estes sentidos referidos evidenciam a necessidade de reflexão acerca da formação acadêmica dos profissionais de saúde frente às organizações de currículos, metodologias empregadas para disseminação de conhecimento, cenários de práticas e, sobretudo os modelos de ensino que ainda sofrem influencias de um modelo fragmentado gerador de um distanciamento entre a realidade social e o ideal de uma prática profissional. Para isso, a constituição Federal de 1988 indica que o Sistema Único de Saúde - SUS deve ordenar o processo de formação profissional na área da saúde, para estimular as mudanças na formação de acordo com seus interesses e necessidades. Nesta perspectiva, o objetivo é que os cursos de graduação possam deslocar o eixo da formação centrada na assistência individual prestada em unidades hospitalares para um processo de formação mais contextualizado, que leva em conta as dimensões sociais, econômicas e culturais da população, instrumentalizando os profissionais para enfrentar os problemas do processo saúde/doença desta (CAMPOS et al, 2001). No entanto, segundo Araújo, Miranda e Brasil (2007) na formulação de políticas do SUS, uma das áreas menos problematizadas até hoje é a da formação. Segundo Cutolo (2001) formar profissionais para dar conta dessa abordagem integral do processo saúde doença, constitui prioridade e um desafio que envolve todos os níveis do ensino profissionalizante uma vez que a simples mudança de uma grade curricular não implica necessariamente na mudança de Estilo de Pensamento da parte de quem a ela “aderiu”. Para o autor ensinar é introduzir alguém em um estilo de pensamento, empreendimento este que não se dá de forma neutra. Há valores, concepção de vida, experiências pregressas, crenças e um arcabouço teórico que o sustenta. É inegável que a integralidade continua sendo um conceito em construção, sendo necessário um exercício teórico de formulação de uma definição operatória e temporal de integralidade como modo de atuar democrático, do saber fazer integrado, em um cuidar que está alicerçado numa relação de 18 compromisso ético-político, de sinceridade, responsabilidade e confiança (PINHEIRO e MATTOS, 2001, 2003). Frente ao seu caráter polissêmico e sua potencialidade para mudanças, se faz necessário a identificação das concepções de integralidade dos discentes a fim de repensar a formação acadêmica atual. 19 3 METODOLOGIA Este estudo foirealizado sob a linha de pesquisa “Formação de pessoas para a saúde” do Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho da Universidade do Vale do Itajaí. O projeto foi avaliado pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí e os dados só foram coletados apenas mediante liberação do Comitê referido sob o parecer nº 115.155. Visando um aprofundamento teórico acerca das práticas de educação atuais comparando-as com as desejáveis baseadas na integralidade, bem como dos sentidos da Integralidade e sua relação com a humanização, foram elaborados dois artigos de discussão dos temas acimas propostos, os quais compreendem o 1º e 2º artigos expostos neste trabalho. O terceiro artigo teve como finalidade a identificação das concepções dos discentes dos Cursos de Ciências da Saúde da UNIVALI acerca da integralidade, as quais foram coletadas por meio de Oficinas Pedagógicas. Trata-se de uma pesquisa social em saúde, de cunho qualitativo que teve por objetivo identificar e analisar as concepções acerca da integralidade dos discentes formandos dos cursos de graduação da área da saúde. 3.1 Amostra das Oficinas Pedagógicas A indicação dos acadêmicos deu-se conforme critérios adotados por cada coordenador de curso. Observando um único crivo proposto pelos pesquisadores para participação do ensaio: interesse e disponibilidade para participar da pesquisa, além da aceitação e assinatura do TCLE. Inicialmente, esperava-se a participação de no mínimo cinco alunos formandos de cada curso do CCS, a saber: Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Psicologia, com exceção do curso de Biomedicina por não apresentar turma de formandos. Dentre os cursos convidados, obteve-se a participação de: 10 acadêmicos do Curso de Enfermagem, 7 do Curso de Farmácia, 10 do Curso de Fonoaudiologia e 4 do Curso de Nutrição, totalizando assim uma amostra de 31 sujeitos. Os esclarecimentos acerca dos objetivos e benefícios advindos desta pesquisa, bem como o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) foram apresentados verbalmente e por escrito (correio eletrônico) a todos os coordenadores dos cursos que compõe o Centro de Ciências da Saúde (CCS) com três meses de antecedência à realização das Oficinas Pedagógicas (Oficinas). 20 Uma semana antes da realização das mesmas os coordenadores supracitados, foram novamente informados das referidas Oficinas, de forma pessoal e via correio eletrônico, com o objetivo de reforçar o convite bem como solicitar retorno dos TCLEs assinados. 3.2 Instrumento As oficinas tiveram a duração de 4 horas, com data e local definidos mediante disponibilidade de todos os participantes. Vale enfatizar que as Oficinas foram ofertadas em dois períodos: matutino e noturno, a fim de possibilitar máxima participação dos acadêmicos tendo em vista os distintos horários de aula. Como instrumento de coleta de dados obteve-se os registros escritos pelos acadêmicos participantes a respeito do seu entendimento e compreensão do que é Integralidade. Incialmente, a oficina consistiu em uma breve apresentação da pesquisadora e objetivos da pesquisa, bem como solicitação da assinatura dos termos de consentimento livre esclarecido. Em sequencia, realizou-se uma apresentação dos alunos participantes, os quais se apresentavam falando seus nomes e como ficaram sabendo da Oficina Pedagógica. Em seguida, deu-se inicio a Oficina a qual foi constituída por cinco momentos: 1) Observação da realidade: proposta a participação ativa dos sujeitos em discussão sobre o tema Integralidade e seus sentidos, partindo das concepções dos participantes acerca da temática levantada. Nesta etapa, foi entregue para todos os acadêmicos uma folha de papel em branco e uma caneta. Em seguida solicitou-se que cada um escreve-se em seu respectivo pedaço de papel o que entendia pelo tema integralidade, não havendo necessidade de identificação com nome ou curso. Assim que finalizavam a tarefa solicitada, entregavam o papel a pesquisadora para então dar sequencia a proposta da oficina. 2) Problematização: a partir das concepções e entendimentos evidenciados uma das orientadoras da pesquisa (mediadora) , por meio da leitura em voz alta dos sentidos e significados apontados pelos acadêmicos, foram levantados os enfrentamentos e dificuldades acerca do tema para a identificação dos pontos-chaves a serem discutidos e teorizados. Conforme a leitura de cada sentido atribuído, teorizavase a respeito e dava-se início a categorização dos sentidos a partir da descrição no quadro, em conjunto com os acadêmicos. 3) Teorização: esse momento foi destinado a realização da revisão literária e marcos teóricos afim de promover a percepção dos participantes acerca do tema Integralidade e por vezes desmistificar alguns sentidos atribuídos pelos mesmos. Vale ressaltar que a teorização não ocorreu em um momento 21 estanque, uma vez que, ela foi desenvolvida a partir da leitura das unidades de registros com os sentidos de integralidade escritos pelos acadêmicos e apresentando uma sequencia durante a dinâmica de discussões. 4) Identificação de Hipóteses de Solução: este momento se refere ao resultado obtido quando se confronta a realidade do tema com sua teorização, na qual os participantes poderão discorrer sobre seu entendimento acerca do tema e relatar suas vivências práticas durante a graduação. Esta etapa por si oportunizou uma troca de experiências, bem como reflexão acerca da formação acadêmica nos diferentes cursos, causando por vezes certo estranhamento no que se refere a oportunidade de vivências práticas da integralidade. 5) Aplicação a realidade: elaboração de uma síntese propositiva com o objetivo desenvolver propostas para problemas reais. Ao término da oficina, teve-se como objetivo a elaboração de uma síntese coletiva para reunir os pontos elencados durante as fases da pesquisa, descrever a percepção do grupo quanto à necessidade e relevância da temática abordada, bem como, elencar as possibilidades de mudanças e transformações para formação. Silva e Sena (2008) referem que é preciso estimular a reflexão crítica dos discentes e docentes, conhecer realidades e a partir delas, elaborar sínteses críticas, questionar, criar e agregar conhecimentos e experiências para atuar nas propostas de mudanças. Esta etapa foi concluída apenas na Oficina Pedagógica realizada no período matutino, devido ao pouco tempo calculado para concretização da proposta. Vale destacar que o produto construído nesta etapa, não estará incluso os resultados deste projeto, entretanto, será publicado posteriormente. Em suma, a proposta da oficina se baseou na lógica do Arco de Charles de Maguerez. 3.3 Análise A análise foi realizada a partir de escolhas das unidades de registros dos sujeitos participantes. Procuraram-se palavras e/ou expressões que davam indicativos de sentidos relacionados ao eixo temático do estudo, contribuindo assim para construção de categorias. Teve-se a preocupação com os sentidos explícitos e subliminares dos conteúdos das unidades de registros dos sujeitos. 22 4 ARTIGO CIENTÍFICO I Este artigo foi publicado em 27/01/2013 na Revista Saúde & Transformação Social/ Helth & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, v.4, n.1 (2013). Formação Profissional em saúde: Integralidade em perspectiva Professional Formation in Health: Comprehensiveness in Perspective OLIVEIRA, I. C. 1 BALARD, C. R. 2 CUTOLO, L. R. A. 3 1 Mestranda em Saúde e Gestão do Trabalho, Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, SC - Brasil 2 Docente , Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava, PR – Brasil 3Professor Doutor do Mestrado em Saúde daUNIVALI, Itajaí, SC - Brasil RESUMO A formação acadêmica na área da saúde tem sido o foco de discussões em congressos e rodas de conversas. Sabe-se que o Sistema Único de Saúde do Brasil precisa reordenar a formação de recursos humanos nesta área, entretanto, tal tarefa ainda se constitui como um grande desafio a ser superado, uma vez que se busca a formação de profissionais sobre a perspectiva da integralidade e não mais fundamentados pelo modelo hegemônico de formação. Este artigo tem como objetivo discutir as práticas atuais de educação comparando com as desejáveis pautadas pela integralidade a fim de salientar a necessidade de formação de profissionais de saúde comprometidos com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde. Palavras-chave: Sistema Único de Saúde; Educação em saúde; Ensino; Aprendizagem. ABSTRACT The academic education in health care area has been the focus of discussions at conferences and conversations rings. It's known that the Unified Health System in Brazil have to reorder the formation of human resources in this area, however, this task is still a major challenge to bedefeated, since it seeks the formation of professionals about the prospect of comprehensiveness and no longer justified by the hegemonic model of formation. This article aims to discuss the current practices of education compared 23 with desirable based on comprehensiveness in order to point the necessity for education of health professionals committed to the principles and guidelines of the Unified Health System. Keywords: Unified Health System; Health Education; Teaching; Learning. 1 INTRODUÇÃO São evidentes as discussões acerca da necessidade de formação de profissionais para atuarem no Sistema Único de Saúde – SUS. Discussões estas enfatizam os nós críticos e estratégias para o alcance resolução de tal problemática. Embora se tenha um consenso e entendimento desta necessidade, as ações e movimentos de mudanças ainda são incipientes, mostrando-se por muitas vezes alheios aos princípios e diretrizes do SUS. Fato é que existe descompasso entre a formação dos novos profissionais de saúde e os princípios e diretrizes do SUS, que nada mais são que as necessidades dos usuários do sistema1. Este descompasso centra-se no modelo tradicional de formação profissional, o qual é pautado nos agentes biológicos, tendo como foco a doença, desconsiderando e descontextualizando assim o sujeito acometido pela doença. Nesse sentido, a formação e o desenvolvimento dos trabalhadores de saúde têm como desafio não dicotomizar a atenção individual da atenção coletiva, as doenças e adoecimentos da vigilância da saúde; a qualidade de vida do andar da vida; não fragmentar os grupos de trabalhadores; não perder o conceito de atenção integral á saúde e realizar o trabalho educativo junto à população e finalmente, aceitar que há incerteza na definição dos papéis profissionais, onde há alternância de saberes e práticas de cada núcleo constituído das profissões de saúde e do campo da atenção integral a saúde2. Tais ações requerem a superação do modelo tradicional de educação em saúde, e a internalização de um modelo que contemple a atenção integral em saúde, sendo assim a integralidade torna-se um eixo fundamental nas práticas e ensino na saúde. Podemos entender a integralidade como uma critica a uma atitude médica fragmentária, baseada na especialização e que reduz o sofrimento do paciente apenas a aspectos biológicos e limita-se as práticas dos profissionais de saúde à atenção individual curativa3. Neste sentido, o processo de formação deve buscar a integralidade como estratégia fundamental para o resgate da dimensão cuidadora em saúde, apontando na direção da valorização da criação de espaços “agradáveis” de ensino/aprendizagem4. Desta forma, algumas mudanças são necessárias, mudanças essas que favoreçam a articulação entre os diversos atores que atuam no cenário da saúde, e que permita a abertura para diálogo entre as diferentes disciplinas e com os usuários do sistema, condição primordial para integralidade do cuidado5. 24 Embora a tarefa do SUS de ordenação da formação de recursos humanos na área da saúde, se constitui ainda um desafio, devido às características das instituições de ensino e seu grande distanciamento do sistema público de saúde6, os movimentos de mudanças são possíveis. Entretanto, vale destacar que estes não se caracterizam como ações estanques, mas se constituem como um exercício contínuo dentro do processo de ensino e aprendizagem. 2 MODELO BIOMÉDICO E MODELO DA INTEGRALIDADE Sabe-se que toda ação em saúde deriva de uma concepção de saúde e doença7, ou seja, a prática profissional é resultante do entendimento acerca do estado de saúde e doença do sujeito que se atende. Pensando neste contexto, é importante inferir que a concepção de saúde e doença, como também as práticas resultantes destas são fundamentadas a partir da formação acadêmica e aqui entra a importância da formação profissional. As concepções de saúde e doença derivam de um modelo de ensino, no qual se destacam dois: o hegemônico também conhecido como tradicional Flexneriano e ou biomédico e o modelo que se deseja e está em construção denominado Integralidade. O primeiro traz consigo uma visão voltada para os agentes biológicos, voltados para a doença dissociado do sujeito e suas singularidades e que por si se obtém ações limitadas a este aspecto. Este modelo Flexneriano de ensino distanciou a prática em saúde do ser humano limitando a visão acerca da saúde. Além disso, este privilegia o hospital e o laboratório como locais para aprendizagem, e consequentemente afasta o acadêmico da sociedade, permitindo que as condições sociais sejam ignoradas no processo saúde-doença8. Já o modelo da Integralidade requer uma concepção integral e esta por sua vez não exclui a visão biológica, ela considera os agentes biológicos, como também considera as condições psicológicas, ambientais e sociais envolvidas. Portanto, sua prática é ampliada, pois não se limita a um aspecto apenas que constitui o sujeito. O surgimento deste modelo faz relação com os movimentos de medicina integral e medicina preventiva originados nos Estados Unidos. Estes movimentos em específico criticavam as ações reducionistas e fragmentadas dos médicos e se opunham e recriminavam as escolas de medicina que tinham currículos com base no Relatório Flexner. Atualmente, é inegável o fato de que os novos problemas e necessidades na área da saúde geraram contradições, entre o modelo dominante, que observa a saúde por um olhar biologicista, centrado na doença, na hegemonia médica, na atenção individual e na utilização intensiva de tecnologia e o paradigma da construção social da saúde, construção essa apoiada no fortalecimento do cuidado e da promoção à saúde, na ação intersetorial e na crescente autonomia das pessoas e populações em relação à saúde, visando reorientação das relações entre profissionais de saúde e população9. 25 E neste sentido o Sistema Único de Saúde assume papel ativo na reorientação das estratégias de cuidado, tratamento e acompanhamento da saúde individual e coletiva, e nesta perspectiva se apresenta a necessidade de rever os modos de formação para se atuar neste sistema de saúde10. 3 MODELO DA INTEGRALIDADE E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Embora haja consenso acerca de que a formação de profissionais de saúde deveria ser orientada para formar profissionais para o SUS, ela tem se mostrado alheia à necessidade de se promover uma educação baseada nos seus princípios e diretrizes11. O SUS busca modelos de atenção que valorizem a integralidade, o cuidado humanizado e a promoção de saúde, entendendo que estes dependem do perfil de formação e da prática dos profissionais de saúde12. Como determinante deste quadro encontra-se o modelo hegemônico e a sua visão biológica restrita. Entretanto, opondo-se a este modelo e propondo novas formas de atuação em saúde, têm-se a Integralidade. Autores afirmam que torna-se urgente uma reforma de educação que possibilite aproximação entre ensino e o trabalho em saúde. Além de enfatizar que a formação profissional necessita se estruturar com base na problematização do processo de trabalho e da sua capacidade de atender adequadamente às necessidades de saúde das pessoas e das populações11. É inegável o fato de que profissionais formados com inserções na rede de atenção e que conhecem o SUS e as políticas de saúde, frequentemente adquirem uma postura na sua atuação de compromisso diante das necessidades do SUS6. Porém o modelo tradicional de ensino ainda mostra suas influencias na formação acadêmica. Estas influências evidenciam-se de várias formas, dentre elas destaca-se a ocorrência de que na graduação cada vez mais os conteúdos especializados permeiam os currículos, multiplicando-se disciplinas. Perdendo-se o conhecimento generalista das ações em saúde e substituiu-se cada vez mais o subjetivismo da relação profissional da saúde-paciente pela objetividade tecnológica das ciências da saúde13. Frente a isto, fica eminente que o Modelo da Integralidade de “objeto” de desejo passa a ser “objeto” de Necessidade, uma vez que somente a partir deste a formação profissional atenderá a realidade de saúde da população. Contudo, é imprescindível repensar as maneiras como se estruturam os processos de formação dos profissionais de saúde de hoje, do futuro, a forma como se organizam e operam, devendo ser incorporados como estratégias de mudanças pelas diferentes experiências de mudanças, de conteúdo, de práticas pedagógicas, de cenário de aprendizagem, independente do estágio de suas transformações14, 26 bem como é preciso construir práticas pedagógicas que permitam a compreensão da integralidade como um pressuposto que precisa ser construído durante toda formação5. Além disso, é válido referir que as mudanças relacionadas aos currículos dos cursos da área da saúde devem considerar conceitos e práticas relacionados ao planejamento, á promoção de saúde e à prevenção de doenças com a utilização de tecnologias eficazes e de metodologias de ensinoaprendizagem que vão além dos espaços acadêmicos e cheguem às realidades da população15. Ainda em relação a currículo, é importante relatar que a diversificação dos cenários é compreendida como uma das estratégias que aproxima estudantes da vida cotidiana da população e desenvolve um olhar crítico, possibilitando cuidar dos reais problemas da sociedade10. No que se referem aos alunos, alguns autores apontam alguns atributos que devem ser desenvolvidos e ou adquiridos durante a formação acadêmica. Como produto final, espera-se que a formação gere um profissional capaz de conduzir de forma autônoma seu processo de aprendizagem ao longo da vida profissional; capaz de se adaptar às mudanças, raciocinando criticamente e tomando decisões fundamentadas em sua própria avaliação; e com uma formação humanística que valorize a relação médico-paciente e o dever ético da profissão16. Todas as mudanças necessárias, sendo elas no âmbito do currículo, dos docentes e discentes e do processo de trabalho devem ocorrer a partir do eixo da Integralidade, pois somente ela dá suporte para ações e práticas em saúde humanizadas e ampliadas. Nesta lógica, defender a integralidade não implica em deixar de lado todos os conhecimentos técnicos sobre as doenças, uma vez que ela não existe sem conhecimento técnico. O que se busca é um uso prudente desse conhecimento sobre a doença, mas acima de tudo, um uso guiado por uma visão abrangente das necessidades dos sujeitos o quais tratamos17. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo como foco o ensino em saúde próximo das necessidades sócio-históricas, e com a tentativa de romper com o modelo tradicional de formação a Integralidade se apresenta como eixo norteador da formação profissional. Muitas são as mudanças necessárias para se alcançar o objetivo de formar profissionais comprometidos com os princípios do Sistema Único de Saúde vigente e interessados na saúde da população. Mudanças curriculares, nas práticas pedagógicas, no processo de trabalho e principalmente nas formas de entender e conceber saúde se tornam imprescindíveis neste processo de construção da Integralidade como eixo da formação. 27 Formar profissionais sob a perspectiva da integralidade constitui uma proposta desafiadora, uma vez que significa a ruptura não só com um modelo tradicional de formação como também implica na reorganização dos serviços e na análise crítica do processo de trabalho3. Embora desafiadora a proposta é possível de ser executada, e com isso a Integralidade sai do escopo conceitual e torna-se uma prática concreta capaz de modificar realidades e promover a saúde da população. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Merhy EE, Feuerweker LCM, Ceccim RB. Educacion Permanente em Salud – uma estratégia para intervenir em la micropolítica del trabajo em salud. Salud colect 2006; 2(2): 147-60. 2. Ceccim RB, Ferla AA. Residência integrada em saúde: uma proposta à formação e desenvolvimento profissional para a montagem do projeto de integralidade da atenção a saúde. In: Pinheiro R, Mattos RA (orgs.). Construção da integralidade: cotidiano saberes e práticas em saúde. Rio de Janeiro: IMSUERJ/ABRASCO; 2003. 3. Araújo D, Miranda MCG, Brasil SL. Formação de profissionais de saúde na perspectiva da integralidade. Rev Bras Saúde Púb 2007; 31(1): 20-31. 4. Oliveira GS, Koifman L, Marins JNM. A busca da integralidade nas práticas de saúde e a diversificação dos cenários de aprendizagem: o direcionamento do curso de medicina da UFF. In: Pinheiro R, Mattos RA (orgs.). Cuidado as fronteiras da integralidade. Rio de Janeiro: CEPESC/UERJ, ABRASCO; 2006. p. 143-164. 5. Lima MM, Reibnitz KS, Kloh D, et al. integralidade na atenção à saúde e na formação do enfermeiro: análise da literatura. Rev Sau &Transf Soc 2011, 1(2): 155-62. 6. Guizardi FL, Stelet BP, Pinheiro R, et al. A formação de profissionais orientada para a integralidade e as relações político-institucionais na saúde: uma discussão sobre a interação ensino-trabalho. In: Pinheiro R, Ceccim RB, Mattos RA. Ensinar saúde: a integralidade e o SUS nos cursos de graduação na área da saúde. Rio de Janeiro: IMS/UERJ- CEPESC- ABRASCO, 2006. p.153-77. 7. Cutulo LRA, Verdi MIM, Ros MAD. Atenção Primária da Saúde, Atenção Básica da Saúde e a Estratégia Saúde da Família. 2011. http://repositorio.unasus.ufsc.br/handle/unasus/125. <Acesso em 22.02.2012>. 8. Pinheiro R, Mattos RA. Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. 6ªed. Rio de Janeiro: IMS/UERJ - CEPESC – ABRASCO; 2006. 9. Brasil. Ministério da Saúde. Política de recursos humanos em saúde/ Brasil. Brasília: Ministério da Saúde; 2002. 28 10. Ferreira RC, Fiorini VML, Crivelaro E. Formação profissional no SUS: O papel da atenção básica em saúde na perspectiva docente. Rev Bras Educ Méd 2010; 34(2): 207-15. 11. Ceccim RB, Feuerwrker LCM. O quadrilátero da formação para a área de saúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Physis: Rev Saúde Col 2004; 14(1): 41-65. 12. Feuerweker LCM. Mudanças na educação médica e residência médica no Brasil. São Paulo: Hucitec/Rede Unida; 1998. 13. Feuerwerker LCM. Além do discurso de mudança na educação médica: processos e resultados. São Paulo: Hucitec; 2002. 14. Henriques RLM, Pinheiros R. Integralidade na produção de serviços de saúde e as políticas de educação. Rev Bras Enferm 2004; 3(1): 8. 15. Piancastelli CH. Saúde da família e a formação de profissionais de saúde. In: Arruda BKG (org.). A educação profissional em saúde e a realidade social. Recife: Instituto Materno Infantil de Pernambuco: MS; 2001. p.121-40. 16. Costa NMSC. Docência no ensino médico: por que é tão difícil mudar. Rev Bras Educ Méd 2007; 31(1): 21-30. 17. Mattos RA. Os sentidos da integralidade: algumas reflexões acerca de valores que merecem ser defendidos. In: Pinheiro R, Mattos RA (orgs.). Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio de Janeiro: IMS/UERJ/ABRASCO; 2001. 29 5 ARTIGO CIENTÍFICO II Este artigo foi publicado em 22/05/2012 na Revista O Mundo da Saúde, ISSN 0104-7908 e 19803990, Florianópolis, São Paulo, Brasil, ano 36, v.36, n.3 (2012). Humanização como expressão de Integralidade Humanization as expression of Comprehensiveness OLIVEIRA, I. C. 1 CUTOLO, L. R. A. 2 Mestranda em Saúde e Gestão do Trabalho – UNIVALI. Itajaí-SC, Brasil. Pediatra. Doutor em Educação. Professor da UFSC e da UNIVALI. Florianópolis-SC, Itajaí- SC, Brasil. Resumo O artigo abre com a discussão da amplitude dos sentidos da integralidade em base conceitual. Na sequência, a humanização é caracterizada na forma expressa na literatura contemporânea. Entendidas a multiplicidade de sentidos de ambas, discute-se a relação entre elas, bem como a relação com a concepção saúde-doença que as encerram. Finalmente, as potenciais aproximações são discutidas e sugere-se que a humanização é uma expressão prática de construção de integralidade. Palavras-chave: Assistência Integral à Saúde. Humanização da Assistência. Saúde Holística. Abstract The article opens with the discussion of the amplitude of the senses of integrality in conceptual terms. In the sequence, humanization is characterized in the way defined in contemporary literature. Once the multiplicity of senses of both is understood, we discuss the relationship between them, as well as the relationship they have with the conception health- disease that are implied within them. Finally, their potential similarities are discussed and we suggest that humanization is a practical expression of the construction of integrality. Keywords: Comprehensive Health Care. Humanization of Assistance. Holistic Health. 30 1 INTRODUÇÃO Integralidade e Humanização são temas atuais e recorrentes nos artigos acadêmicos na área da saúde. O caráter polissêmico de ambos os termos traz consigo variações de interpretações e aplicabilidade, de acordo com as motivações e contexto aos quais são subordinados. Sabe-se que, assim como tal abertura traz consigo dificuldades para a concretização de ambas na prática, também potencializa a sua utilização a partir de seus diversos sentidos. Existe uma relação muito próxima entre os termos, e essa proximidade suscita os seguintes questionamentos: São as práticas “humanizadas” que produzem integralidade? Ou práticas de integralidade resultam em ações humanizadas? O que define, ou pelo menos desencadeia, práticas de integralidade e de humanização? Qual a relação entre elas? Para chegarmos a um melhor entendimento, faz-se necessário, em primeiro lugar, retomar parte dos sentidos dados por alguns autores a respeito de ambos os termos, destacando-se, no entanto, que a intenção deste artigo não está em fazer uma leitura e análise minuciosa dos sentidos dados, mas procurar explicitar a relação entre integralidade e humanização. * 2 INTEGRALIDADE O que é de fato a integralidade? Provavelmente, muitos fizeram essa pergunta esperando por uma resposta palpável e concreta, uma verdade absoluta a respeito do termo. Talvez, muitos se frustrem ou, ainda, utilizem dessa característica polissêmica do termo para criticar os autores que pesquisam acerca dessa questão. O fato é que a integralidade é mais concreta do que qualquer “verdade absoluta”, e, por incrível que pareça, não é passível de abstração, como vários críticos insistem em afirmar. Ela pode ter, e tem muitos sentidos possíveis, e é justamente essa gama de sentidos que a fortalece como princípio, imagemobjetivo, bandeira de luta, práticas. As tentativas de se produzirem definições para o conceito de Integralidade se dão sob o risco de se reduzir sua potência de transformação das práticas em saúde1. A integralidade fala de um conjunto de valores pelos quais vale a pena lutar, pois se relaciona com um ideal de sociedade mais justa e solidária. E ainda alerta sobre os cuidados no que diz respeito à banalização do uso dessa expressão2. Como exemplo de banalização, tem-se o jargão mais famoso e utilizado na área acadêmica quando se busca saber o que é a integralidade: “a integralidade é ver o indivíduo como um todo”. Dificilmente alguém, seja docente ou discente de um curso da área da saúde, não tenha ouvido tal sentido. 31 Sabe-se que a integralidade não significa totalidade, e o termo parte do pressuposto da complexidade do entendimento de saúde-doença. Sendo assim, é ingenuidade pensar que todos os anseios e necessidades do usuário possam ser saciados na sua totalidade3. Uma das consequências da confusão de integralidade com totalidade é o risco de um grau de controle sem precedentes, uma medicalização integral4. Toda e qualquer categoria profissional é limitada em dar conta de todas as necessidades evidenciadas nas situações de adoecimento. Refere-se a todas as profissões, uma vez que a integralidade é atributo de todas2. Nessa lógica, a integralidade ocorre a partir dos profissionais de saúde frente aos usuários e se evidencia nas práticas. O entendimento da integralidade como valores coemergentes às práticas cotidianas, enfatizando que as práticas em saúde podem, ou não, apontar para integralidade, dependendo dos valores assumidos pelos profissionais1. A integralidade surge como a “capacidade de profissionais e serviços de saúde interagir com os usuários, produzindo um território comum”, que possibilita o diálogo entre esses sujeitos5. A integralidade é um valor a ser sustentado e defendido nas práticas dos profissionais de saúde. Esse valor é expresso na forma como os profissionais respondem aos pacientes que os procuram. Nesse sentido, a integralidade não implica deixar de lado conhecimentos sobre as doenças, mas o uso prudente desse conhecimento sobre a doença, sobretudo guiado por uma visão abrangente das necessidades dos sujeitos6. Outro sentido de integralidade referido pelo autor supracitado6 é que os serviços devem estar organizados para realizar uma apreensão amplia da das necessidades da população à qual atende. Aqui o termo é um princípio de organização contínua do processo de trabalho nos serviços de saúde, que se caracterizaria pela busca da ampliação das possibilidades de apreensão das necessidades de saúde de um grupo populacional. Ainda destaca-se o sentido de integralidade como recusa, por parte dos que se engajam na formulação de uma política, em reduzir o objeto de suas políticas, ou melhor, de reduzir a objetos descontextualizados os sujeitos sobre os quais as políticas incidem. Nessa perspectiva, a integralidade talvez só se realize quando se procura estabelecer uma relação sujeito-sujeito nas práticas e nos serviços de saúde, nos debates sobre a organização dos serviços e nas discussões sobre as políticas6. É inegável que a integralidade continua sendo um conceito em construção, sendo necessário um exercício teórico de formulação de uma definição operativa e temporal de integralidade, entendendo-a como modo de atuar democrático, de um saber fazer integrado, em um cuidar que está alicerçado numa relação de compromisso ético-político, de sinceridade, responsabilidade e confiança7. 32 3 HUMANIZAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A INTEGRALIDADE A humanização é um crescente movimento que aparece, à primeira vista, como busca de um ideal, uma vez que surge com distintas frentes de atividades. Com significados variados, tem representado uma síntese de aspirações genéricas por uma perfeição moral das ações e relações entre sujeitos8. A humanização, como valor, aponta para a dimensão em que o cuidar da saúde implica encontros entre subjetividades que, progressiva e simultaneamente, esclarecem e (re) constroem as necessidades de saúde, o que se entende por vida com qualidade e o modo moralmente aceitável de buscá-la9. Em todas as décadas, muitos aspectos considerados “desumanizantes” relacionados a falhas no atendimento e nas condições de trabalho são apontados na literatura. Entre esses se encontram: as longas esperas e adiamentos de consultas e exames; ausência de regulamentos; normas e rotinas; deficiência de instalações e equipamentos; falhas na estrutura física. No que diz respeito à relação com o doente, encontram-se o anonimato; a despersonalização; a falta de privacidade; a aglomeração; a falta de preparo psicológico e de informação; a falta de ética por parte de alguns profissionais. Em relação às condições de trabalho, apontam: os baixos salários; dificuldade na conciliação da vida familiar e profissional; jornada dupla ou tripla, ocasionando sobrecarga de atividades e cansaço; o contato constante com pessoas sob tensão, que gera um ambiente de trabalho desfavorável10. A humanização emerge como necessidade no contexto da civilização, uma vez que o desenvolvimento tecnológico na sociedade atual vem dificultando as relações humanas, tornando-as frias, individualistas, calculistas e objetivas10. Todos os sentidos de humanização supracitados possuem sua importância e significado. Esses aspectos multidimensionais da humanização requerem atenção e devem ser alinhados a princípios claramente estabelecidos e viáveis de serem concretizados na prática11. Neste artigo, interessa-nos aprofundar a discussão da relação entre integralidade e humanização, mas, para isso, é importante retomar o sentido de humanização. Nessa perspectiva, é interessante citar o sentido de humanização elaborado por Zeni e Cutolo12, os quais utilizaram fontes e definições aplicadas isoladamente umas das outras, constituindo assim: Atitudes menos reducionistas e fragmentárias, respeitando a integralidade que constitui um ser, recusando-se em reduzi-lo a um sistema ou estrutura biológica (...). A capacidade de responder ao sofrimento humano, que, nem sempre, será o sofrimento atribuído a uma doença (...). Postura de comprometimento – tudo aquilo que se faz a mais, ser colaborativo ao outro, alguém que se “sabe que pode contar” – e de responsabilização – saber o que tem que fazer, e fazer! Respeitando os que estão a sua volta, tornar-se responsável pelas suas ações e as consequências destas (...). Uma ação transversal, que rompa com fronteiras, não 33 seja associada a um momento específico da ação, e sim, permeie entre todas as ações em saúde (...). Seja construída sobre a base de trocas de saberes, do diálogo (incluindo os dos paciente e seus familiares), respeitando e valorizando as necessidades sociais, os desejos e interesses de todos12. Nessa definição, fica claro que a humanização se caracteriza por atitudes, por ações a serem desenvolvidas na relação com o outro e que, a partir dessas, garante-se uma abordagem mais integral. Mas o que gera e garante atitudes e ações humanizadas? Para se chegar a essa resposta, é imprescindível dar início retomando pressuposto referido por 3 Cutolo : toda ação em saúde baseia-se em uma concepção de saúde-doença. Por exemplo, uma concepção saúde-doença Biologicista (voltada para o biológico – unicausal) desencadeia ações voltadas para os determinantes biológicos, que, por sua vez, serão limitadas a esse aspecto. Por outro lado, ao se pensar em uma concepção de saúde-doença a partir da Integralidade, todos os aspectos que influem sobre esse processo são considerados, ou seja, reconhece-se a determinação social, o condicionante ecológico- ambiental e o desencadeador biológico. Frente a isso, por centrar-se na pessoa enquanto biopsicossocial, considerando e respeitando as necessidades, geram-se e determinam-se ações humanizadas simplesmente. Colocando essa temática em perspectiva, podem-se exemplificar ambas as visões a partir de um caso: ao pensar numa criança com febre devido a um quadro de amigdalite purulenta causado pela bactéria Streptococcus aureus. O profissional de saúde com a concepção biológica considerará que essa bactéria é sensível à penicilina e, como seu foco está no agente causador, sua conduta se baseará em receitar um antibiótico à base de penicilina. Tendo em vista a mesma situação, mas considerando um profissional com a concepção a partir da integralidade, não haverá a exclusão da visão biológica, mas serão acrescidas as condições psicológicas, ambientais e sociais envolvidas. Dessa forma, a ação do profissional frente ao quadro não se limitará a receitar uma medicação, mas se ampliará no acolhimento, na escuta, no vínculo e na relação estabelecida. A grande diferença entre uma concepção e outra não está no diagnóstico e tratamento em si, pois no caso em questão trata-se de uma amigdalite purulenta, sendo o fator patogênico combatido por meio de penicilina, mas nas atitudes do profissional frente aos fatores que não são biológicos. Ao analisar mais profundamente esse atendimento, pode-se descrever o profissional da concepção biológica abordando, a fim de fechar o diagnóstico, os seguintes fatores: fator patogênico – identificando a bactéria; tratamento – selecionando a medicação (resistência da bactéria, fatores alérgicos do paciente, disponibilidade da medicação no serviço). 34 Já o profissional com a concepção da integralidade, destacaria os seguintes fatores: fator patogênico – identificando a bactéria; tratamento – selecionando a medicação (resistência da bactéria, fatores alérgicos do paciente, disponibilidade da medicação no serviço); fatores psicológicos – estado emocional do paciente e seus familiares; fatores sociais – acesso à medicação e a serviços de saúde, saneamento básico e condições de vida; fatores ambientais – manejo da situação frente ao estar doente. Como se pode notar, a segunda concepção não exclui a primeira, mas a complementa com os outros fatores e gera atitudes humanizadas. Ao contrário, na primeira concepção, a redução do humano à condição biológica inviabiliza a produção de uma atitude humanizada e, por sua vez, a garantia da integralidade. Essa redução do humano à condição biológica é quase que programaticamente oposta às ideias que podem ser agregadas aos saberes e práticas de integralidade4. No que diz respeito à integralidade, seu sentido parte de uma concepção ampliada de saúde, com a compreensão do indivíduo biopsicossocial, que é dispositivo de oferta integrada de serviços de promoção, proteção de saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação da saúde. Porém, o mesmo autor enfatiza que o sentido nuclear e primordial desse termo são o reconhecimento da necessidade do outro3. Sendo assim, o reconhecimento da necessidade do outro a partir da integralidade desencadeia atitudes e ações humanizadas. Portanto, pode-se inferir que a humanização é consequência da aplicação do princípio da integralidade. Integralidade implica dotar o sistema de condições relacionadas às diversas fases da atenção à saúde, ao processo do cuidar, ao relacionamento do profissional de saúde com os pacientes. Indivíduos e coletividade devem dispor de um atendimento organizado, diversificado e humano13. Cabe dizer que as atitudes humanizadas são intrínsecas à integralidade. Tendo em vista a integralidade como um processo, as ações e atitudes humanizadas entram como um produto gerado neste e pelo processo. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A integralidade e humanização são temas atuais e têm ocupado espaço nas discussões e publicações na área da saúde. O objetivo desse artigo não foi analisar minuciosamente os diversos sentidos atribuídos aos termos, ou até mesmo julgar quais são mais aplicáveis. Procurou-se apontar para uma relação íntima entre os termos, tanto em um nível semântico quanto no que se refere às práticas em saúde. Em linhas gerais, sabe-se que a integralidade, como imagem-objetivo, traz consigo um grande número de possibilidades de realidades futuras, que têm em comum a superação da realidade atual, que, por sua vez, desejamos transformar6. 35 Nesse contexto, a realidade atual tem evidenciado: atitudes e ações fragmentadas; redução do humano à condição estritamente biológica; total desarranjo e desarticulação dos serviços e atendimentos em saúde; perda das noções e entendimento sobre o cuidado em saúde e, até mesmo, sobre a essência humana. A transformação dessa realidade depende de atitudes humanizadas, que, por sua vez, só serão desencadeadas a partir de uma visão integral. Portanto, a humanização é intrínseca à integralidade. Ou seja, só se produzem ações humanizadas em saúde a partir de uma concepção ampliada e integral do processo saúde-doença, pois toda ação em saúde parte de uma concepção de saúde. Dessa forma, o grande desafio está em mudar a forma de ver e pensar a saúde e a doença, sem perder de vista a imagem-objetivo, pela qual, sem dúvida, vale a pena lutar. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Bonaldi C, Gomes RF, Louzada APF, Pinheiro R. O trabalho em equipe como dispositivo de integralidade: experiências cotidianas em quatro localidades brasileiras. In: Pinheiro R, Mattos RA, Barros MEB, organizadores. Trabalho em equipe sob o eixo da integralidade: valores, saberes e práticas. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social (IMS), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); 2007. p. 53-72. 2. Mattos RA, Pinheiro R, organizadores. Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio de Janeiro: UERJ-IMS / ABRASCO; 2006. 3. Cutulo LRA, Verdi MIM, Ros MAD. Atenção Primária da Saúde, Atenção Básica da Saúde e a Estratégia Saúde da Família. 2011 [acesso 22 Fev 2012]. Disponível em: http://repositorio.unasus.ufsc.br/handle/unasus/125 4. Camargo Jr KR. 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Ciênc Saúde Colet. 2003;8(2):569-584. 37 6 ARTIGO CIENTÍFICO III Este artigo será encaminhado para Revista de Educação Médica, ISSN 0100-5502, Rio de Janeiro, Associação Brasileira de Educação Médica. PERCEPCAO DOS ALUNOS DOS CURSOS DE GRADUACAO NA SAUDE SOBRE PRATICAS CURRICULARES DE INTEGRALIDADE Inajara Carla Oliveira1, Luiz Roberto Agea Cutolo2 1) Especialista em Saúde da Família, Fonoaudióloga formada pelo curso de Fonoaudiologia da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI: E-mail: [email protected] 2) Doutor em Educação, Pediatra, professor da Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC e da UNIVALI. E-mail: [email protected] 38 PERCEPCAO DOS ALUNOS DOS CURSOS DE GRADUACAO NA SAUDE SOBRE INTEGRALIDADE Resumo: A integralidade e seus sentidos tem sido objeto de discussões na área da saúde e principalmente no que se refere a graduação. Esta pesquisa teve por objeto de investigação as concepções dos discentes formandos dos cursos de graduação da área da saúde da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI. O objetivo foi de analisar e compreender as concepções e sentidos atribuídos pelos discentes acerca da integralidade. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, tendo como técnica de coleta de dados Oficinas pedagógicas baseadas na metodologia do Arco de Maguerez e como instrumento de análise obteve-se os registros escritos. Este estudo contou com a participação total de 31 discentes dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia e Nutrição. A análise foi realizada a partir da escolha das unidades de registro que traduzem o eixo temático do estudo por meio de palavras e expressões categorizadas. Resultados: Com a análise das concepções a partir dos registros escritos foi possível elaborar categorizações as quais foram: Integralidade como princípio do Sistema Único de Saúde- SUS; Integralidade como totalidade; Integralidade como visão holística; Integralidade como a necessidade do sujeito; Integralidade como interdisciplinaridade; Integralidade como biopsico-social; Integralidade como cuidado; Integralidade como níveis de complexidade; Integralidade como resposta a necessidade do sujeito; Integralidade como modo de organizar as práticas. Além disso, a maior parte das concepções de integralidade por parte dos discentes diz respeito a sentidos que necessitam ser desmistificados ou até mesmo desconstruídos frente à superficialidade dos mesmos, bem como sentidos potencializadores de mudança. Assim, torna-se importante a reflexão acerca das práticas curriculares de integralidade nos cursos de graduação em na área da saúde. Palavras-chaves: Assistência Integral à Saúde; Educação; Currículo; 39 PERCEPTIONS OF UNDERGRADUATE IN HEALTH SCIENCE COURSES ABOUT COMPREHENSIVENESS Abstract: The comprehensiveness and senses have been the subject of discussions on health and particularly in respect to graduation. This research was the subject of investigation conceptions of graduated students of undergraduate health care at the University of Vale do Itajaí-UNIVALI. The objective was to analyze and understand the concepts and meanings attributed by students concerning completeness. Methodology: This is a survey of a qualitative approach to data collection technique workshops teaching methodology based on the Arch of Maguerez and as an instrument of analysis obtained the written records. This study included a total participation of 31 students from Nursing, Pharmacy, Speech Therapy and Nutrition. The analysis was conducted from the choice of recording units that reflect the main theme of the study by means of words and phrases categorized. Results: With the analysis of concepts from written records was possible to prepare 11 categorizations which were: Completeness as a principle of the Unified Health System, and integrity as a whole, and integrity as multiple causality, and integrity as a holistic vision, and integrity as the need of subject, and integrity as interdisciplinarity, and integrity as a biopsychosocial social, and integrity and care, and integrity as levels of complexity, and integrity as a response to the need of the subject, and integrity as a way of organizing practices. Furthermore, most designs completeness by students with respect to directions that need to be deconstructed demystified or even opposite to the shallowness thereof, as well as potentiators change directions. Thus, it is important to reflect on the practices of integral curriculum in undergraduate courses in the area of health. Keywords: Comprehensiveness Health Care; Education; Curriculum. 40 1 Introdução A manutenção e desenvolvimento de um sistema de saúde dependem da formação dos profissionais, uma vez que o trabalho em saúde se baseia necessariamente, no elemento humano, ou seja, em sua capacidade de reflexão, ação, entendimento sobre os determinantes do processo saúde e doença em sua complexidade dinâmica1. Sendo assim, a formação acadêmica deve ser condizente e estar estruturada de acordo com a realidade e necessidades do sistema de saúde vigente. Diversos movimentos em busca de melhorias na atuação e orientações na organização dos cursos de graduação na área da saúde ocorreram para tornar o ensino em saúde mais próximo das necessidades em saúde, entre eles destacam-se: o Relatório Dawson na Inglaterra (1920); no Brasil a Reforma Carlos Chagas (também na década de 20); Movimento Preventivista (décadas 50 e 60); Movimento pela Reforma Sanitária (década de 80), as Redes de Integração Docente-Assistencial (década de 90) e os Projetos UNI e CINAEM (Comissão Interinstitucional de Avaliação do Ensino Médico) posteriormente. Estas ações culminaram em 2001 com a aprovação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN)2. Autores afirmam que as DCN foram um importante passo para assinalar, como política, a necessidade de produzir mudanças no processo de formação, uma vez que, as mesmas indicam um caminho, flexibilizam as regras para organização de cursos e favorecem a construção de maiores compromissos das universidades com o Sistema Único de Saúde – SUS3. Com este entendimento, desde o ano de 2004, o Ministério da Saúde propõe a reorientação dos cursos na área da saúde, idealizando um trabalho articulado com a gestão, com os serviços do SUS e a população, tendo como objetivo formar profissionais com competência geral e capacidade de resolubilidade, para a garantia de Atenção Integral e de qualidade à saúde. Nesta perspectiva, as diretrizes do SUS, bem como as Diretrizes Curriculares Nacionais apontam como perspectiva a existência de escolas capazes de formar para integralidade, formar de acordo com as necessidades de saúde e comprometidas com a construção do SUS, entretanto, a graduação na área da Saúde não tem tido uma orientação integradora voltada para uma formação teórico conceitual e metodológica que potencialize competências para integralidade, nas quais se incluem o enfrentamento das necessidades de saúde da população e o desenvolvimento do sistema de saúde4. Entende-se por Integralidade da Atenção, a ampliação e o desenvolvimento da dimensão cuidadora na prática dos profissionais de saúde, o que lhes possibilita tornarem-se mais responsáveis pelos resultados das ações de atenção a saúde, e mais capazes de acolher, estabelecer vínculos e dialogar com outras dimensões do processo saúde-doença não inscritos na epidemiologia e clínica tradicional5,6. A integralidade também pode ser entendida como: 41 “[...] um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema7”. Enfatiza-se que a integralidade não pode ser confundida com totalidade, presumindo-se a formação de generalistas capazes de assumir todas as funções da clínica, sem levar em conta a complexidade do processo saúde/doença e a necessidade de constituição de equipes multiprofissionais8. No que se refere à formação baseada na integralidade, identifica-se esta com a implicação com a produção do conhecimento e construção de práticas de cuidado criando assim uma lógica entre saúde, educação e trabalho4. A integralidade então pressupõe práticas de inovação em todos os espaços de atenção à saúde, práticas de análise crítica a fim de problematizar saberes e desenvolvimento profissional no âmbito das competências especificas de cada profissão9. O fato é que a integralidade é mais concreta do que qualquer “verdade absoluta”, e, por incrível que pareça, não é passível de abstração, como vários críticos insistem em afirmar. Ela pode ter, e tem muitos sentidos possíveis, e é justamente essa gama de sentidos que a fortalece como princípio, imagemobjetivo, bandeira de luta, práticas10. Neste artigo, procuramos analisar as concepções de integralidade dos acadêmicos formandos dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia e Nutrição, levando em consideração que todos os cursos possuem suas matrizes curriculares baseadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais as quais apontam a integralidade na formação. Salienta-se a importância da discussão do tema de pesquisa, considerando que a formação profissional baseada na integralidade como um desafio para consolidação do Sistema Único de SaúdeSUS. 2 Considerações Metodológicas e Éticas Esta pesquisa foi orientada pelos preceitos da resolução 196∕96 do Conselho Nacional de Saúde e avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí sob o parecer nº 115.155. Os dados foram coletados mediante a liberação do Comitê referido. Trata-se de uma pesquisa social em saúde, de cunho qualitativo que teve por objetivo identificar e analisar as concepções acerca da integralidade dos discentes formandos dos cursos de graduação da área da saúde. 2.1 Amostra 42 Os esclarecimentos acerca dos objetivos e benefícios advindos desta pesquisa, bem como o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) foram apresentados verbalmente e por escrito (correio eletrônico) a todos os coordenadores dos cursos que compõe o Centro de Ciências da Saúde (CCS) com três meses de antecedência à realização das Oficinas Pedagógicas (Oficinas). Uma semana antes da realização das mesmas os coordenadores supracitados, foram novamente informados das referidas Oficinas, de forma pessoal e via correio eletrônico, com o objetivo de reforçar o convite bem como solicitar retorno dos TCLEs assinados. Inicialmente, esperava-se a participação de no mínimo cinco alunos formandos de cada curso do CCS, a saber: Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Psicologia, com exceção do curso de Biomedicina por não apresentar turma de formandos. A indicação dos acadêmicos deu-se conforme critérios adotados por cada coordenador de curso. Observando um único crivo proposto pelos pesquisadores para participação do ensaio: interesse e disponibilidade para participar da pesquisa, além da aceitação e assinatura do TCLE. Dentre os cursos convidados, obteve-se a participação de: 10 acadêmicos do Curso de Enfermagem, 7 do Curso de Farmácia, 10 do Curso de Fonoaudiologia e 4 do Curso de Nutrição, totalizando assim uma amostra de 31 sujeitos. Em relação aos cursos não participantes da Oficina, o curso de Educação Física e Odontologia não justificaram a ausência dos alunos, como também não retornaram o correio eletrônico confirmando sua participação na pesquisa. Já o Curso de Psicologia, embora confirmada pela coordenadoria, não houve participação dos acadêmicos. Obteve-se justificativa do não comparecimento dos acadêmicos nas oficinas por dois cursos, a citar Fisioterapia e Medicina. Em relação a esse, informaram haver dificuldades na liberação dos acadêmicos, devido a não inclusão da oficina na programação curricular. Quanto ao curso de Medicina, embora notado grande interesse por parte dos acadêmicos e da própria coordenação em participar da pesquisa. Coube ao professor responsável pelo internato médico a liberação dos mesmos. Não sendo possível devido uma prova. Cabe aqui ressaltar o pedido dos acadêmicos, na pessoa do representante de turma, em agendar outra data para a realização da Oficina. Pedido esse não atendido devido à indisponibilidade de datas posteriores. 2. 2 Instrumento Quanto à coleta de dados, estes foram obtidos por meio das Oficinas. Estas tiveram duração de 4 horas, com data e local previamente informados nos convites às Coordenarias. 43 Vale enfatizar que as Oficinas foram ofertadas em dois períodos: matutino e noturno, a fim de possibilitar máxima participação dos acadêmicos tendo em vista os distintos horários de aula. Como instrumento de coleta de dados obteve-se os registros escritos pelos acadêmicos participantes a respeito do seu entendimento e compreensão do que é Integralidade. No que se refere a metodologia empregada para realização das Oficinas, estas se basearam na lógica do Arco de Charles de Maguerez11, sendo constituídas então de 5 etapas: 1) Observação da realidade: proposta a participação ativa dos sujeitos em discussão sobre o tema Integralidade e seus sentidos, partindo das concepções dos participantes acerca da temática levantada; 2) Problematização: a partir das concepções e entendimentos evidenciados o pesquisador (mediador) levantou os enfrentamentos e dificuldades acerca do tema para a identificação dos pontoschaves; 3) Teorização: momento destinado para realização da revisão literária e marcos teóricos afim de promover a percepção dos participantes acerca do tema Integralidade; 4) Identificação de Hipóteses de Solução: momento referente ao resultado obtido onde se confrontou a realidade do tema com sua teorização, na qual os participantes puderam discorrer sobre seu entendimento acerca do tema. 5) Aplicação a realidade: elaboração de uma síntese propositiva com o objetivo desenvolver propostas para problemas reais. Embora a metodologia empregada prever a etapa de aplicação na realidade. A qual pressupõe a construção de uma síntese propositiva. Somente no período matutino conseguiu-se chegar a esta etapa. Os participantes da Oficina noturna, a turma de Fonoaudiologia, devido indisponibilidade de tempo para o termino da atividade, ocasionado por ultrapassar a carga hora/aula, não concluíram a 5ª etapa da atividade Oficina. Vale ressaltar ainda que para maior aproveitamento e aprofundamento das questões levantadas faz-se necessário uma maior carga horária para realização da oficina, considerando que quatro horas é pouco para discutir um tema com caráter polissêmico, na qual se tem o objetivo de construção de uma síntese propositiva. 2.3 Análise A análise foi realizada a partir de escolhas das unidades de registros dos sujeitos participantes. Procuraram-se palavras e/ou expressões que davam indicativos de sentidos relacionados ao eixo temático do estudo, contribuindo assim para construção de categorias. Teve-se a preocupação com os sentidos explícitos e subliminares dos conteúdos das unidades de registros dos sujeitos. 44 3 Resultados No presente artigo, analisaremos somente as questões referentes à concepção de integralidade pelos discentes formandos dos Cursos de Enfermagem, Farmácia, Nutrição e Fonoaudiologia. Os demais achados da pesquisa serão analisados futuramente, em novos artigos. Os resultados e discussão serão apresentados a seguir divididos conforme a realização das Oficinas: A Oficina do período da manhã contou com a participação de 21 acadêmicos, sendo que dentre estes, dois eram do sexo masculino e os demais do sexo feminino. Em relação à participação de acadêmicos por curso, obteve-se a seguinte amostra: Enfermagem (10), Farmácia (7) e Nutrição (4). Já em relação à oficina do período noturno contou com uma amostra de 10 acadêmicos do curso de Fonoaudiologia, sendo estes todos do sexo feminino. Vale ressaltar que todos os sujeitos eram formandos do primeiro semestre de 2013. Após a apresentação da pesquisadora e explanação acerca dos objetivos da Oficina deu-se início a oficina baseada na metodologia do Arco de Charles Maguerez. Os participantes receberam apelidos, sendo: Enf 1; Enf 2; Enf 3; Enf 4; Enf 5; Enf 6; Enf 7; Enf 8; Enf 9; Enf 10; Farm 1; Farm 2; Farm 3; Farm 4; Farm 5; Farm 6; Farm 7; Fono 1; Fono 2; Fono 3; Fono 4; Fono 5; Fono 6; Fono 7; Fono 8; Fono 9; Fono 10; Nutri 1; Nutri 2; Nutri 3 e Nutri 4. Das unidades de registro que foram selecionadas sobre as concepções de humanização dos acadêmicos, são expostos alguns trechos: “É um principio do SUS, com conceito bastante ampliado, pois a palavra integralidade nos dá a idéia de um todo, porém pouco temos visto este conceito sendo utilizado coerentemente na prática e com certeza é preciso olhar cada vez mais as pessoas-paciente como um conjunto de fatores e necessidades associados” (Enf 1). “É o ato de interação entre áreas que tem um mesmo objetivo como o caso de nossa área promover a saúde, onde se possa trocar informações e até mesmo auxiliar um ao outro para se obter melhores resultados”. (Farm 1). “Integralidade em saúde é ofertar ao cliente um atendimento holístico tratando o ser na sua totalidade biopsicossocial e espiritualmente” ( Nutri 1). “Integralidade, integrar todos os assuntos á prática teórico-prática. Integrar todos os profissionais da área da saúde. Integrar o paciente no que se diz promoção da saúde. Acredito que o curso de fonoaudiologia integra muito bem seus alunos e suas vivencias na prática. Procurando sempre pensar na relação paciente- terapeuta- saúde- doença” (Fono 1). 45 A partir dos registros escritos dos diversos sujeitos foi possível realizar a categorização dos sentidos de integralidade atribuídos pelos participantes, expressos a citar: Integralidade como princípio do Sistema Único de Saúde- SUS; Integralidade como totalidade; Integralidade como identificação do contexto do sujeito; Integralidade como visão holística; Integralidade como a necessidade do sujeito; Integralidade como interdisciplinaridade; Integralidade como biopsico-social; Integralidade como cuidado; Integralidade como níveis de complexidade; Integralidade como resposta a necessidade do sujeito e Integralidade como modo de organizar as práticas. 4 Discussão 4.1 Categoria Integralidade como princípio do Sistema Único de Saúde Como principio do Sistema Único de Saúde- SUS, a integralidade é entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, preconizando o respeito à autonomia das pessoas e assistência sem privilégios. Nesse sentido, ainda pressupõe uma atenção ampliada garantindo acesso às ações integradas com foco voltado para sujeito e não a doença. Os conhecimentos acerca do Sistema Único de Saúde - SUS e seus princípios doutrinários e organizacionais fazem parte dos conteúdos abordados durante a graduação na área da saúde, sendo assim, se constituem por vezes, como a primeira aproximação dos acadêmicos com o termo integralidade. Desta forma, é previsível que os acadêmicos formandos demonstrem a compreensão de integralidade como um dos princípios do SUS, como pode se observar abaixo: “É um principio do SUS [...]” (Enf 1) “É um dos princípios doutrinários do SUS [...]” (Enf 7) “[...] principio do SUS [...]” ( Fono 2) “[...] uma ação ou principio do SUS [...]” (Fono 4) Embora a referencia da integralidade como principio, questiona-se a compreensão dos acadêmicos quanto ao real significado do termo nesta perspectiva. Sabe-se que por vezes as aulas e conteúdos ministrados a respeito da Constituição do SUS não são valorizados, e o desgosto pela saúde pública/saúde coletiva e o preconceito em relação ao campo de atuação ganham fôlego com as formas de apresentação deste campo por meio das disciplinas estritamente teóricas e expositivas as quais permitem um acúmulo de conhecimento de forma decorada e não problematizadora. A perspectiva tradicional do ensino na educação superior acaba por não operar com estratégias didático-pedagógicas, com modos de ensinar problematizadores, construtivistas ou com atuação ativa dos estudantes, resultando neste nó crítico para a formação do profissional de saúde12. 46 Contudo, deve-se atentar para o fato de que o sentido de integralidade como principio do SUS (e também seus outros sentidos) não pode ser ligado a apenas uma disciplina, mas compartilhado por todos os docentes e ser um tema transversal nos currículos na área da saúde. 4.2 Categoria Integralidade como totalidade A compreensão da integralidade como totalidade foi identificada como um dos sentidos mais frequentes nos registros escritos dos sujeitos, como pode ser observado nos trechos a seguir: “[...] dá a idéia de um todo [...]” (Enf 1). “É atender o individuo como um todo” (Enf 4). “É o ser humano ser visto como um todo [...]” (Enf 6). “[...] cuidar do paciente como um todo [...]” (Enf 7). “[...] ver o individuo como um todo [...]” ( Enf 8). “Conhecer o ser humano como um todo [...]” (Enf 10). “É o alcance total [...]” ( Farm 2). “[...] visão do todo [...]” (Farm 7). “A integralidade na saúde é olha o sujeito como um todo [...]” (Fono 3). “Visando olhar a pessoa como um todo” (Fono 9). “[...]tratando o ser na sua totalidade [...]” (Nutri 1). “É assistir o individuo e ou a comunidade na sua integralidade como um todo” (Nutri 3). Na graduação, a frase “ver o individuo como todo” por vezes é utilizada pelos docentes como tentativa de conceituar a integralidade. Entretanto ao refletir acerca do referido, questiona-se aqui o todo, entendida também como totalidade. Neste sentido a totalidade almejada se materializa como as necessidades, anseios, vivências dos sujeitos, as quais são dinâmicas. É preciso então questionar: Como alcançar o todo do sujeito? Como suprir todas as necessidades e anseios deste? O máximo que podemos chegar é “ver” o indivíduo naquela circunstância, identificar aquela necessidade, naquele momento, ou seja, a totalidade não pode ser alcançada. Mesmo com todo o preparo técnico-cientifico seria possível tamanha façanha. Além disso, a confusão do entendimento de integralidade como totalidade pode inferir também uma formação de generalistas com competência para atuarem tecnicamente, sem auxílio de uma equipe e desconsiderando as complexidades dos sujeitos e do processo saúde-doença13. Há de se considerar então que tal sentido necessita ser problematizado a começar pelos docentes, uma vez que, estas formas de uso acabam por banalizar a expressão e limitar a sua potência. Além disso, frente ao fato de todos os cursos terem seus currículos baseados nas Diretrizes Curriculares Nacionais às 47 quais apontam para integralidade, o conhecimento e aprofundamento sobre os seus sentidos torna-se indispensável por correr o risco de promover discursos e práticas limitadas e superficiais. 4.3 Integralidade como visão holística Ao se investigar as concepções a respeito do termo integralidade, observou-se que para alguns acadêmicos a integralidade compreende o sujeito de maneira holística. Estas concepções ficam explicitas a seguir: “[...] . Cuidado Holístico, sem fragmentar.” ( Enf 7) “[...] ofertar ao cliente um atendimento holístico [...]” (Nutri 1) Segundo alguns autores a visão holística do cuidado em saúde anula uma prática fragmentada, promovendo o cuidado único, individualizado, uma vez que o sujeito não pode ser compreendido como partes distintas, mas deve se considerar todas suas dimensões14. A concepção aqui é contrária ao que se propõe o modelo tradicional de ensino também conhecido como Flexneriano, o qual pressupõe uma ênfase nos aspectos biológicos em detrimentos dos demais, bem como, práticas fragmentadas e hierarquização de saberes. Este modelo de ensino ainda é hegemônico no ensino da saúde e são opostos aos saberes e práticas de integralidade. O desafio da aplicação do cuidado e atendimento “holístico” (entende-se aqui por integralidade) se inicia na própria graduação, pois diferentes disciplinas apresentadas de forma fragmentada e produtoras de conhecimentos descontextualizados limitam o acadêmico e sua capacidade de associar conhecimentos e apreensão de necessidades distintas daquelas que lhe foram ensinadas. Observa-se que muitos currículos ainda estão estruturados a esses moldes, que acaba por separar os processos integrativos das disciplinas. Entretanto, faz parte da função da academia e dos docentes, repensarem um novo modelo de ensino, que proporcione uma ampliação da visão critica das realidades e potencialize práticas de integralidade. 4.4 Integralidade como a necessidade do sujeito “[...] preciso olhar cada vez mais as pessoas-paciente como um conjunto de fatores e necessidades associados” (Enf 1). “[...] relacionando as suas necessidades [...]” (Enf 6 ) As concepções acima expostas se referem à integralidade como necessidade do sujeito. Para apreensão deste sentido, um profissional (ou futuro) deve constantemente em sua prática fazer a seguinte pergunta: Qual a necessidade do sujeito que está em minha frente? 48 Este questionamento quando incorporado à todas as práticas em saúde produzem integralidade, simplesmente pelo fato de que a necessidade do paciente/ população é o sentido primordial da integralidade. Ao contrário da integralidade como “todo”, neste sentido não há a ilusão de que o sujeito será atendido em sua totalidade, nele há um pensamento desprovido de alcançar tal objetivo, justamente pela compreensão de que a ação a ser desencadeada pode apenas suprir a necessidade ali evidenciada, a qual se modifica com o próprio desenrolar da vida. Este sentido sim deve permear o processo de ensino da saúde na graduação, por ter a potencialidade de gerar práticas de integralidade que vai ao encontro do sujeito e seus anseios. 4.5 Integralidade como interdisciplinaridade Mais do que uma prática, a interdisciplinaridade é uma necessidade atual. Ela pode ser compreendida como a relação articulada entre as diferentes profissões da área da saúde15. No entanto, faz-necessária à compreensão de que essa relação articulada só ocorre se houver um processo de legitimação, a partir do entendimento do quanto os distintos saberes contribuem para uma ação em saúde conjunta. Desta forma, a integralidade nesta concepção se expressa nas práticas produzidas por meio das relações. A identificação da integralidade como ação interdisciplinar foi destaca como concepções dos acadêmicos dos registros escritos, os quais podem ser observados abaixo: “ Trabalho conjunto, multiprofissional que atende uma população em geral” (Enf 2) “ É quando há uma junção de profissionais dispostos [...] Todos trabalham com um mesmo propósito e cada um mostrando aspectos da sua área de formação [...]” (Enf 3) “É a atuação da equipe multidisciplinar, trabalhando para um atendimento integral da população” (Enf 5). “Troca de experiências, informações, discussões sobre determinado caso entre diferentes profissionais” (Enf 9) “É o ato de interação entre áreas que tem um mesmo objetivo como o caso de nossa área promover a saúde, onde se possa trocar informações e até mesmo auxiliar um ao outro para se obter melhores resultados” (Farm 1) “[...] envolvendo multidisciplinaridade, integração entre as áreas” (Farm 2) “É a interação entre os profissionais de saúde, como uma equipe multidisciplinar [...]” (Farm 3) “Comunicação direta entre as pessoas” (Farm 4) “Diminuir as distancias entre os profissionais da área da saúde, trocando experiências e aproveitando o que cada um tem de melhor para oferecer” (Farm 5) “ Discussão, debate, troca de experiência, multidisciplinar, equipe, interdisciplinar, comunicação [...]” (Farm 6) “Integrar todos os profissionais da área da saúde [...]” (Fono 1) “Integração dos profissionais da saúde [...]” (Fono 5) “ [...] profissionais de saúde trabalhar de forma integrada com as pessoas. Isto é para todas as pessoas, os profissionais trabalhando em equipe” (Fono 6). “ [...] trabalhar o matriciamento [...]” (Fono 7) 49 “Compartilhar diferentes idéias sobre o mesmo assunto. Integrar diversas áreas em torno de um tema em comum” (Fono 8) “É a ação realizada entre os profissionais da saúde [...]” (Fono 9). “É a interação entre acadêmicos de cursos diferentes” (Nutri 2) “Pode ser definida como sendo a junção e relação de informações [...]” (Nutri 4) Nota-se que esta concepção de integralidade foi uma das mais apontadas pelos acadêmicos, podendo associar tal fato a própria vivencia do último período de graduação que sem exceção permite maior interação entre as diversas profissões nos estágios curriculares. Para além da vivencia, destaca-se a necessidade desta relação ocorrer para que os conhecimentos até então adquiridos (isoladamente) se deparem com um universo de possibilidades. Embora a interdisciplinaridade seja apontada como uma necessidade e como produto da integralidade, ela se constitui ainda como um desafio, pois o pensar e viver a integralidade requer uma ruptura de valores tradicionais construídos historicamente, como: hierarquia, distribuição de categorias profissionais e compartimentalização de saber/ fazer destas16. Esse sentido da integralidade evidenciado na graduação é de suma importância, por ser um campo de preparo para atuação profissional o qual pressupõe um trabalho integrado a outras profissões da área da saúde e até mesmo outros setores. No que se refere à formação acadêmica, é fundamental a criação de espaços de interlocução entre os diversos cursos da saúde e demais áreas, a fim de propiciar experiências práticas interdisciplinares e não somente discursivas como produção de integralidade, pois o futuro profissional deve estar apto para o trabalho interdisciplinar. Vale ressaltar ainda que o quanto mais cedo estes espaços forem ofertados, maiores são as chances de se consolidar as tão desejadas práticas interdisciplinares não mais como desafios, mas sim como realidade. 4.6 Integralidade como biopsicio-social Um dos sentidos da integralidade confere a compreensão dos sujeitos enquanto seres sociais, biológicos, familiares, emocionais o que requer uma visão ampliada por parte dos profissionais de saúde. Este sentido foi atribuído por alguns acadêmicos, conforme os seguintes expostos: “[...] visto como um todo no seu contexto social [...]” (Enf 6) “[...] como um todo, sua saúde física, mental, espiritual” (Enf 10) “[...] visão do todo no contexto social, emocional e físico” ( Farm 7) “[...] sujeito como um todo, tanto no corporal, psicológico e em sua área de lazer. [...]” (Fono 3) “[...] na melhoria e bem estar social e físico do paciente” (Fono 7) “[...]tratando o ser na sua totalidade biopsicossocial e espiritualmente” (Nutri 1) Nas concepções acimas expressas, destaca-se que o sujeito não pode ser visto a partir de uma abordagem individualista, descontextualizada e com enfoque estritamente biológico. Entretanto, vale 50 problematizar tais concepções se estas não trouxerem consigo práticas condizentes com a integralidade, que ultrapassem os discursos. Sabe-se que toda concepção de saúde e doença gera práticas condizentes a esta concepção, ou seja, a forma de conceber determina em si uma ação. A relevância de entender tal pressuposto se concentra ao fato de que a integralidade também se configura como uma forma de conceber saúde. Sendo assim, no que diz respeito ao seu sentido, este permite a compreensão dos aspectos que não excluem o biológico, como muitos insistem em afirmar e sim complementa com outros aspectos e fatores que influenciam no processo saúde e doença do sujeito. Esta forma de conceber saúde ainda não é uma realidade concreta na formação acadêmica, frente ao fato de termos um modelo de ensino pautado em uma visão biológica. Porém, vale destacar que a centralidade na integralidade como uma noção constitutiva e constituinte de saberes e práticas tem potencia para superar a modelagem de ensino centrado no biológico. Para esta superação, no âmbito acadêmico é preciso uma expansão da resposta técnica profissional, criação de espaços concretos de discussão, análise e reflexão de práticas pedagógicas no cotidiano do trabalho docente, bem como dos referenciais que orientam estas prática4. 4.7 Integralidade como cuidado O cuidado na saúde se apresenta como um desafio para mudanças na organização do processo de trabalho, bem como no âmbito da formação em saúde. Em produções cientifica na área da saúde, ele tem sido apontado como um dos sentidos da integralidade. Neste estudo, dois acadêmicos referiram o cuidado como sentido de integralidade os quais podem ser observados nos trechos abaixo: “ [...] onde visa cuidar do paciente [...]” (Enf 7) “ É o cuidado integral [...]” (Enf 8) Alguns autores qualificam o cuidado como dispositivo da integralidade, em que essa se cumpre por meio de práticas e relações entre os sujeitos e da interação cotidiana de suas ações e saberes17. A integralidade como sentido de cuidado envolve ofertas de serviços que garantam aos sujeitos o atendimento às suas necessidades, criticando assim práticas assistenciais dissociadas e descontextualizadas da realidade. 4.8 Integralidade como níveis de complexidade Uma das concepções de integralidade referida por um dos sujeitos da pesquisa liga a mesma à garantia de acesso do indivíduo aos níveis de atenção, conforme dispõe o trecho a seguir: “[...] cuidar do paciente como um todo e em todos os níveis de complexidade [...]” (Enf 7) 51 A integralidade nesta perspectiva se expressa como um conjunto de serviços e ações de saúde ofertada em todos os níveis de complexidade. Porém, faz necessário um breve esclarecimento a respeito da “complexidade” aqui referida. A ideia de que os níveis de complexidade se relacionam a graus de especialização reforça a imagem de que a atenção básica/ primária exige um menor conhecimento o que não pode ser considerado como verdade, uma vez que neste campo há necessidade de conhecimentos mais amplos e diversificados18. Além disso, errônea é também a compreensão de que a integralidade só pode ser praticada na atenção primária, uma vez que ela independe do lócus (embora alguns locais apresentem condições mais propicias à sua produção), e se configura para além da prática, mas como forma de pensar saúde, como um estilo de Pensamento. Neste sentido, ela pode ser entendida como uma atenção voltada para o uso de todas as tecnologias possíveis para produção do cuidado por meio de um trabalho interdisciplinar. Sendo assim, o reconhecimento de que independente do campo de atuação a integralidade pode e deve ser pratica, tem grande relevância, principalmente no contexto da formação acadêmica. Questiona-se somente o fato de apenas um acadêmico evidenciar tal sentido. Pensamentos contrários a esta lógica precisam ser desmistificados com o objetivo de romper com os limites por estes impostos. 4.9 Integralidade como ações integradas de saúde “[...] forma atuar na prevenção, promoção e recuperação da saúde” (Enf 8) A concepção referida acima se destina ao sentido da integralidade como oferta das ações integradas em saúde, destacando que esse sentido pode ser considerado como o mais pragmático da integralidade, por ofertar ações articuladas entre promoção da saúde, prevenção, proteção e reabilitação. Vale ressaltar que por vezes estas ofertas de serviços não ficam centrados em apenas uma profissão, ou até mesmo na área da saúde, por haver a necessidade de relação intersetoriais para atender uma demanda em saúde. Destaca-se que estas relações, interdisciplinares e ou intersetoriais requerem uma disposição e um engajamento entre os profissionais que não é comum de ser encontrada. As universidades neste sentido devem rever seus papéis e criar oportunidades para os acadêmicos vivenciarem tal experiência, como também identificarem esta relação como uma produção de integralidade. 52 O futuro profissional de saúde deve estar apto para garantir aos usuários o acesso às ações de saúde de acordo com as necessidades por eles apresentadas, sendo que esta garantia e oferta como resposta à necessidade evidenciada se materializam como integralidade. 4.10 Integralidade como resposta dos sujeitos “[...] para melhor atender aquele público” (Enf 3) “[...] transpor um atendimento e ou tratamento de maior qualidade para o paciente” (Farm 3) “[...] eficiência em saúde [...]” (Farm 6) “[...] Dando ao sujeito uma qualidade de forma integral. [...]” (Fono 3) “[...] intuito de melhor atender os pacientes” (Fono 9) Um atendimento de qualidade e eficiente pressupõe uma ação que vá ao encontro das necessidades evidenciadas, entendo que as necessidades se relacionam há um tempo, lugar, condições, situações que são dinâmicas e não estáticas. Nesta proposta, os trechos acima destacados se relacionam ao sentido primordial de integralidade, a qual se apresenta como resposta às necessidades dos sujeitos. Mas então, que resposta é essa? A reposta neste contexto é toda e qualquer ação em saúde que venha ao encontro da necessidade do sujeito que se atende. Portanto, a ação de receitar uma medicação para um sujeito doente, é considerada uma prática de integralidade se esta for uma necessidade evidenciada no encontro do profissional com o paciente. No entanto, é de suma importância enfatizar que o ato de receitar medicações indiscriminadamente, não pode se considerar como produção de integralidade. Há de se considerar que problematizações quanto a estes tipos de práticas profissionais são necessárias na graduação, para esclarecimento e fortalecimento do sentido primordial da integralidade no contexto acadêmico e profissional. 4.11 Integralidade como modo de organizar as práticas “[...] organização [...]” (Farm 6) O sentido de integralidade como organização, neste estudo foi apontado por apenas um acadêmico, o que leva-nos a questionar como este sentido foi construído pelo mesmo. A integralidade como organização pode ser atribuída no contexto acadêmico e do processo de trabalho nos serviços de saúde. No primeiro, ela pode ser considerada como eixo estruturante dos currículos e desta forma organizar os conteúdos e metodologias de ensino em conformidade às suas propostas. Sabe-se que atualmente a graduação não tem tido uma organização integradora voltada para uma formação teórico-conceitual e metodológica que potencialize competências para integralidade, onde se 53 incluem o enfrentamento das necessidades de saúde da população e o desenvolvimento do sistema de saúde4. Quanto ao processo de trabalho, sabe-se que neste campo a organização a partir da integralidade se caracteriza como um processo contínuo de busca da apreensão das necessidades de saúde da população. Lembrando que em ambos os contextos, o acadêmico pode e deve vivenciar este sentido. Considerações Finais Considerando o objetivo deste estudo, a maior parte das concepções de integralidade por parte dos discentes diz respeito a sentidos que necessitam ser desmistificados ou até mesmo desconstruídos frente à superficialidade dos mesmos. Nesta lógica, é desejável que os cursos da área da saúde deem tratamento teórico sobre a integralidade, e aqueles que trabalham com o Pró-Saúde em seu primeiro eixo o qual propõem mudanças do modelo teórico espera-se um ensino sistemático e utilização da integralidade como tema transversal. Entretanto, também pode-se encontrar sentidos que são potencializadores de mudanças na área da saúde. Algumas mudanças no ensino na área da saúde são necessárias para cristalizar conhecimentos acerca da integralidade, bem como, oportunizar aos alunos experiências práticas para consolidação de seus sentidos. Nesta perspectiva, estratégias podem ser utilizadas como dispositivos para transformação do ensino e ampliação dos sentidos de integralidade. Para atender o sentido da integralidade como necessidade do sujeito e resposta a esta necessidade, têm-se a clinica ampliada, que deve ser mais do que uma construção teórica, mas uma vivencia a começar pelos docentes. No que se refere à interdisciplinaridade, faz-se necessário à produção e priorização de espaços interdisciplinares, cenários de práticas diversificados que permitam a troca e construção de conhecimento a partir da relação e diálogo com as outras profissões. Destacando que os projetos de extensão universitária são os que mais possibilitam tais resultados. Quanto ao sentido de integralidade como visão biopsico-social, torna-se imprescindível o fortalecimento dos campos de estágios e vivencias na atenção primária à saúde, devido à experiência do território, pois só é possível ter uma visão do social tendo o conhecimento do contexto em que o sujeito está inserido. Além disso, sabe-se que a vivencia dentro da clinica não é suficiente para conhecer este contexto e ou entender os problemas de saúde, principalmente pelo fato de que os problemas que os sujeitos apresentam na clinica não são deslocados de uma realidade social. Em relação aos níveis de complexidade, é importante o conhecimento das Redes de Atenção para melhor compreensão da organização sistema de saúde, bem como propiciar nestes cenários de prática a vivencia da relação de comunicação entre os serviços de referência e contra-referência. 54 Já em relação ao sentido da integralidade como ações integradas de saúde, é de suma importância refletir e oportunizar aos acadêmicos, práticas de proteção, prevenção, promoção e reabilitação, com vistas garantir ao sujeito ações que atendam as suas necessidades. Frente aos expostos, questionam-se então como os sentidos de integralidade têm sido abordados durante a graduação, e até mesmo a compreensão dos docentes acerca do mesmo. Entendendo que as mudanças necessárias, extrapolam os cenários de práticas, pois exige-se um novo modelo de formação em saúde no Brasil que precisa considerar: foco no trabalho em equipe multiprofissional, respeitando-se as especificidades de cada profissão e incentivando a interação entre elas; uso de metodologias pedagógicas inovadoras e centradas no estudante; atenção aos problemas de maior prevalência e relevâncias nos serviços de saúde locais; reorientação das pesquisas acadêmicas, de forma a responder ás necessidades locais, regionais ou nacionais; valorização das atividades de extensão; diversificação dos cenários de ensino-aprendizagem; maior ênfase na atenção primária, em promoção da saúde e na determinação multifatorial do processo saúde-doença; articulação constante com o sistema local de saúde; valorização de atitudes éticas e humanistas3, ou seja, consolidar a integralidade em meio a todos os seus sentido. Portanto, o modelo de ensino precisa ser repensado e reformulado, pois a formação profissional não será adequada se não trabalhar práticas de integralidade que só podem ser produzidas a partir de uma concepção integral. Para isto, torna-se imprescindível evidenciar a integralidade como eixo transversal de todo ensino na área da saúde e compreendê-la também como processo e não como produto, no qual os acadêmicos devem deixar de serem passivos para se tornarem ativos no processo do cuidado centrado no usuário. 5 REFERÊNCIAS 1. CAMPOS, F. E. de.; AGUIAR, R. A. T. de.; BELISÁRIO, S. A. A formação superior dos profissionais de saúde. In: GIOVANELLA, L. et al (Org).Políticas e sistemas de saúde no Brasil. 2ed. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2012. 2. CECCIM, R. B.; CARVALHO, Y. M. de. Ensino da Saúde como projeto da integralidade: a educação dos profissionais da saúde no SUS. In: PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B.; MATTOS, R. A. Ensinar Saúde: a integralidade e o SIS nos cursos de graduação na área da Saúde. 2 ed. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. 3. CECCIM, R. B.; FEUERWEKER, L. C. M. Mudanças na graduação das profissões se saúde sob o eixo da integralidade. Cad. Saúde Pública: Rio de Janeiro, 2004. 4 PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B. Experenciação, formação, cuidado e conhecimento em saúde: articulando concepções, percepções e sensações para efetivar o ensino da integralidade. In: PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B.; MATTOS, R. A. Ensinar Saúde: a integralidade e o SIS nos cursos de graduação na área da Saúde. 2 ed. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. 55 5 CAMPOS, G. W.S. Considerações sobre a arte e ciência da mudança: revolução e reforma. O caso da saúde. In: CECÍLIO, L. C. (Org.). Inventando a mudança na saúde. São Paulo: Hucitec, 1994. 6 MEHRY, E. E. A perda da dimensão cuidadora na produção da saúde- uma discussão do modelo assistencial e da intervenção no seu modo de trabalhar assistência. In: CAMPOS, C. R.; MALTA, D. C.; REIS, A. T.; SANTOS, A. F.; MERHY, E.E. (Org). Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte: reescrevendo o público. São Paulo: Xamã, 1998. 7 BRASIL. Lei Nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Extraído de:<http://www.cff.org.br/legislacao>. Acesso em: 23 de mar. de 2013. 8 ARAÚJO, D.; MIRANDA, M. C. G.; BRASIL, S. L. Formação de profissionais de saúde na perspectiva da integralidade. Revista Baiana de Saúde Pública. Salvador. v.31, Supl.1, p.20-31, jun. 2007 9 . CECCIM, R. B.; CARVALHO, Y. M. de. Ensino da saúde como projeto da integralidade: a educação dos profissionais de saúde no SUS. In: Pinheiro, R.; Ceccim, R. B.; Mattos, R. A.(Org). Ensinar Saúde:a integralidade e o SUS nos cursos de graduação na área da saúde. 2 ed. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. 10 OLIVEIRA, I. C.; CUTOLO, L. R. A. Humanização como expressão de integralidade. Revista O Mundo da Saúde. São Paulo. v.36, n.3. p.502-506, jul-set, 2012. 11 BERBEL, N. A. N. Metodologia da problematização: fundamentos e aplicações. Londrina: Ed. UEL, 1999. 12 FEUERWERKER, L. C. M. Além do discurso da mudança na educação médica: processos e resultados. São Paulo: Hucitec; Londrina: Rede Unida; Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Educação Médica; 2002. 13 ARAÚJO, D.; MIRANDA, M. C. G. de.; BRASIL, S. L. Formação de profissionais de saúde na perspectiva da integralidade. Revista Baiana de Saúde Pública, v.31, Supl.1, p.20-31. jun. 2007 14 LINARD, A. G; CASTRO, M. M.; CRUZ, A. K.L. Integralidade da assistência na compreensão dos profissionais da Estratégia Saúde da Família. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2011 set;32(3):546-53. 15 CUTOLO, L. R. A. Bases epistemológicas da interdisciplinaridade. In: SAUPE, R.; WENDHAUSEN, A. L. P.(Orgs). Interdisciplinaridade e saúde. 1 ed. Itajaí: UNIVALI, 2007. 16 BONALDI, C.; GOMES, R. da S.; LOUZADA, A. P. F.; PINHEIRO, R. O trabalho em equipe como dispositivo de integralidade: experiências cotidianas em quatro localidades brasileiras. In: PINHEIRO, R. BARROS, M. E. B. de.; MATTOS, R. A. Trabalho em equipe sob o eixo da integralidade: valores, saberes e práticas. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. 17 PINHEIRO, R.; GUIZARDI, F.L. Cuidado e Integralidade: por uma genealogia de saberes e práticas no cotidiano. IN: PINHEIRO, R.; Mattos, R. A. (org) Cuidado as fronteiras da Integralidade. Rio de Janeiro: Hucitec: ABRASCO, 2004. 18 CAMPOS, C. E. A. O desafio da integralidade segundo as perspectivas da vigilância da saúde e da saúde da família. Cência e saúde coletiva, v. 8, n. 2, p. 569-a 584 , Abr, 2003 . 56 6 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. J; PEREIRA, L. A; TURINI, B; NICOLETTO, S. C. S; CAMPOS, J. B.; REZENDE, L. R.; MELLO, P. L. Formação dos profissionais da saúde do Paraná e a implantação das diretrizes curriculares nacionais. Rev . bras . educ . méd 2007; vol.31; n.2. p: 156-165. ARAÚJO, D.; MIRANDA, M. C. G.; BRASIL, S. L. Formação de profissionais de saúde na perspectiva da integralidade. Revista Baiana de Saúde Pública. Salvador. v.31, Supl.1, p.20-31, jun. 2007 BRASIL. Lei Nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Extraído de:<http://www.cff.org.br/legislacao>. Acesso em: 23 de mar. de 2011. CAMPOS, F. E. et al. Caminhos para aproximar a formação de profissionais de saúde das necessidades da atenção básica. Rev. Bras. Educ. Med. n. 25, p. 53-59, 2001. CARVALHO, Y. ; CECCIM, R. B. Formação e educação em saúde: aprendizados com a saúde coletiva. In: CAMPOS, G. W. de S. et al (Org). Tratado de Saúde Coletiva. 2 ed. São Paulo: HUCITEC, 2013. CECCIM, R. B.; FEUERWEKER, L. C. M. Mudanças na graduação das profissões se saúde sob o eixo da integralidade. Cad. Saúde Pública: Rio de Janeiro, 2004. CECCIM, R. B.; CARVALHO, Y. M. de. Ensino da Saúde como projeto da integralidade: a educação dos profissionais da saúde no SUS. In: PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B.; MATTOS, R. A. Ensinar Saúde: a integralidade e o SIS nos cursos de graduação na área da Saúde. 2 ed. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. CUNHA,G. T. A clínica ampliada na atenção primária. São Paulo: Hucitec; 2005. CUTOLO, L. R. A. Estilo de pensamento em educação médica: Um estudo do currículo do curso de graduação em medicina da UFSC. Tese de Doutorado (Programa de Pós-Graduação em Educação – CED/UFSC). Florianópolis (SC), 2001. FEUERWERKER, L. C. M. Mudanças na educação médica e residência médica no Brasil. São Paulo: Hucitec/ Rede Unida; 1998. 57 FEUERWERKER, L. C. M. Estratégias para mudança na formação dos profissionais de saúde. Caderno de Currículo e Ensino, 2001. GONZALEZ, A. D.; ALMEIDA, M. J. Integralidade da saúde: norteando mudanças na graduação dos novos profissionais. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 3, Mai 2010. MATTOS R. A. A integralidade na prática (ou sobre a prática da integralidade). Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.20, n.5, p.1411-16, 2004. PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Rio de Janeiro: IMS-UERJ, 2001 PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. Construção da integralidade: cotidiano, saberes e práticas em saúde. Rio de Janeiro: IMS-UERJ, 2003. PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B. Experienciação, formação, cuidado e conhecimento em saúde: articulando concepções, percepções e sensações para efetivar o ensino da integralidade. In: PINHEIRO, R.; CECCIM, R. B.; MATTOS, R. A. Ensinar Saúde: a integralidade e o SIS nos cursos de graduação na área da Saúde. 2 ed. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006. 58 ANEXOS 59 Anexo A – Termo de anuência de instituição para coleta de dados de pesquisas envolvendo seres humanos Declaro que conheço e cumprirei os requisitos da Res. CNS 196/96 e suas complementares e como esta instituição tem condições para o desenvolvimento do projeto de pesquisa intitulada Integralidade na Formação Acadêmica dos Cursos da Área de Saúde do Programa de Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI, que tem por objetivo Construir com os docentes e discentes dos cursos da área da saúde uma Síntese Propositiva acerca da temática em questão partir dos resultados obtidos nas oficinas. Autorizo sua execução pelos pesquisadores Inajara Carla Oliveira e Kátia Christine Teichmann, sob orientação do professor Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo. Nome da instituição: Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI Nome completo do responsável legal: Arlete Terezinha Besen Soprano Cargo: Diretora do Centro de Ciências da Saúde - UNIVALI Assinatura: Data: 60 Anexo B – Termo de consentimento livre e esclarecido para discentes dos cursos de graduação da área da saúde TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) Você está sendo convidado(a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido(a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, rubrique todas as folhas e assine ao final deste documento, com as folhas rubricadas pelo pesquisador, e assinadas pelo mesmo, na última página. Este documento está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado(a) de forma alguma. A pesquisa referida intitula-se:” INTEGRALIDADE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA ÁREA DA SAÚDE”. Pretende realizar uma Oficina com os acadêmicos dos cursos da área da saúde da Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI, que estejam no último período da graduação, a respeito de sua compreensão do tema “Integralidade” e como este tema é abordado ao longo do seu curso de graduação, em atividades práticas ou teóricas, permeando as ações acadêmicas. Caso você aceite participar desta pesquisa, os pesquisadores comprometem-se em mantê-lo informado das etapas e resultados da mesma, através de encontros previamente agendados e por contatos via endereço eletrônico. Todos os participantes voluntários receberão via correio eletrônico uma cópia do artigo resultante desta pesquisa. A metodologia inclui as seguintes etapas: análise exploratória dos documentos e materiais que regem o ensino superior na área da saúde (Projetos Políticos Pedagógico do curso, relatórios Pró-Saúde e PET- Saúde), oficinas com cinquenta acadêmicos do último período dos cursos de graduação da área da saúde (cinco acadêmicos por curso): Educação Física (Bacharelado e licenciatura), enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, odontologia, e psicologia (NESTA VOCÊ FARÁ PARTE). E oficina temática com os docentes envolvidos nos projetos Pró e PET-Saúde dos cursos referenciados. Ao término da terceira etapa será construído um Relatório de Intenções com o qual pretende-se propor algumas metodologias para mudanças na formação durante a academia. Aos voluntários que participarem da pesquisa informamos que qualquer desconforto que possa ser gerado o isenta da participação da pesquisa, a qualquer tempo da mesma sem prejuízo pessoal. O benefício deste estudo é proporcionar uma reflexão do corpo discente e docente acerca da integralidade na formação acadêmica. Deste modo, reforçamos a importância da participação durante a construção da mesma. Os dados coletados serão utilizados para fins acadêmicos de pesquisa e de divulgação do tema estudado. A oficina, da qual você está prestes a participar, tem duração de até quatro horas. A sua participação será mantida em anonimato. Reforçamos que a qualquer tempo você poderá retirar seu consentimento. A pesquisa não oferece qualquer tipo de remuneração aos participantes voluntários. Nome das Pesquisadoras: Inajara Carla Oliveira e Kátia Christine Teichmann Assinatura das Pesquisadoras: ______________________________ Inajara Carla Oliveira ______________ _____________________ Kátia Christine Teichmann 61 CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO SUJEITO Eu, _____________________________________, RG_____________, CPF ____________ abaixo assinado, concordo em participar do presente estudo como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve à qualquer penalidade ou interrupção de meu acompanhamento/assistência/tratamento. Local e data: _____________________________________________________________________ Nome: _____________________________________________________________________ Assinatura do Sujeito ou Responsável: _____________________________________________________________________ Telefone para contato: _____________________________________________________________________ Endereço eletrônico: __________________________________________________ INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título do Projeto: Integralidade na formação acadêmica nos cursos do Centro de Ciências da Saúde - UNIVALI. Pesquisadoras Responsáveis: Inajara Carla Oliveira e Kátia Christine Teichmann Telefone para contato: (47) 99584689 (48) 99601000 Endereço eletrônico: [email protected] Orientador: Prof. Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo Telefone para contato: (47) 3341-7932 (UNIVALI) 62 Anexo C – Termo de consentimento livre e esclarecido para docentes - coordenadores dos cursos de graduação da área da saúde Aos Docentes dos Cursos de Graduação da Área da Saúde TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, rubrique todas as folhas e assine ao final deste documento, com as folhas rubricadas pelo pesquisador, e assinadas pelo mesmo, na última página. Este documento está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado (a) de forma alguma. “A pesquisa referida intitula-se:” INTEGRALIDADE NA FORMAÇÃO ACADÊMICA NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA ÁREA DA SAÚDE”. Pretende realizar uma Oficina com os docentes dos cursos da área da saúde (5 de cada curso) que estejam envolvidos com os projetos Pró e PET-Saúde, a respeito de sua compreensão do tema “Integralidade” e como este tema se materializa nas práticas acadêmicas. Caso você aceite participar desta pesquisa, os pesquisadores comprometem-se em mantê-lo informado das etapas e resultados da mesma, através de encontros previamente agendados e por contatos via endereço eletrônico. Todos os participantes voluntários receberão via correio eletrônico uma cópia do artigo resultante desta pesquisa. A metodologia inclui as seguintes etapas: análise exploratória dos documentos e materiais que regem o ensino superior na área da saúde (Projetos Políticos Pedagógico do curso, relatórios Pró-Saúde e PET- Saúde); oficinas com cinquenta acadêmicos do último período dos cursos de graduação da área da saúde (cinco acadêmicos por curso): fisioterapia, medicina, odontologia, fonoaudiologia, farmácia, enfermagem, nutrição, educação física (bacharelado e licenciatura) e psicologia; e oficina temática com 5 docentes de cada curso de graduação do Centro de Ciências da Saúde (cursos acima citados) que estejam envolvidos com os projetos Pró e PET-Saúde , (NESTE VOCÊ FARÁ PARTE). Ao término da terceira etapa será construído um Relatório de Intenções com o qual pretende-se propor algumas metodologias para mudanças na formação durante a academia. Aos voluntários que participarem da pesquisa informamos que qualquer desconforto que possa ser gerado o isenta da participação da pesquisa, a qualquer tempo da mesma sem prejuízo pessoal. O benefício deste estudo é proporcionar uma reflexão do corpo discente e docente acerca da integralidade na formação acadêmica. Deste modo, reforçamos a importância da participação durante a construção da mesma. Os dados coletados serão utilizados para fins acadêmicos de pesquisa e de divulgação do tema estudado. A oficina, da qual você está prestes a participar, tem duração de até quatro horas. A sua participação será mantida em anonimato. Reforçamos que a qualquer tempo você poderá retirar seu consentimento. A pesquisa não oferece qualquer tipo de remuneração aos participantes voluntários. Nome das Pesquisadoras: Inajara Carla Oliveira e Kátia Christine Teichmann Assinatura das Pesquisadoras: ______________________________ Inajara Carla Oliveira ______________ _____________________ Kátia Christine Teichmann CONSENTIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO SUJEITO 63 Eu, _____________________________________, RG_____________, CPF ____________ abaixo assinado, concordo em participar do presente estudo como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve à qualquer penalidade ou interrupção de meu acompanhamento/assistência/tratamento. Local e data: _____________________________________________________________________ Nome: _____________________________________________________________________ Assinatura do Sujeito ou Responsável: _____________________________________________________________________ Telefone para contato: _____________________________________________________________________ Endereço eletrônico: __________________________________________________ INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título do Projeto: Integralidade na formação acadêmica nos cursos do Centro de Ciências da Saúde - UNIVALI. Pesquisadoras Responsáveis: Inajara Carla Oliveira e Kátia Christine Teichmann Telefone para contato: (47) 99584689 (48) 99601000 Endereço eletrônico: [email protected] Orientador: Prof. Dr. Luiz Roberto Agea Cutolo Telefone para contato: (47) 3341-7932 (UNIVALI) 64 Anexo D – Normas para Publicação – ARTIGO CIENTÍFICO I Instruções aos colaboradores ORIENTAÇÕES GERAIS A Revista “Saúde & Transformação Social / Health & Social Change” (S&TS/H&SC) prima pela originalidade dos manuscritos publicados, exigindo-se, por questões éticas, que sejam originais e inéditos, não sendo permitida a submissão simultânea do manuscrito a outro periódico, condição declarada já no início do processo de submissão. Traduções de trabalhos que versem sobre o escopo poderão ser divulgadas, desde que a convite dos Editores, em casos específicos e para temáticas cuja literatura em português apresenta exiquidade. Pela missão e escopo, S&TS/H&SC é um instrumento crítico-reflexivo e comprometido com a divulgação científica de estudos que mostrem engajamento com a transformação social. Outra característica importante é que S&TS/H&SC tem como proposta a publicação de artigos que utilizem métodos e técnicas qualitativas. A publicação de artigos que utilizem métodos quantitativos poderá ocorrer nos casos de Estudos de Validação transcultural e métodos mistos (quanti-qualitativos) em que métodos qualitativos sejam utilizados claramente e de maneira importante no cômputo do manuscrito. PROCESSO DE AVALIAÇÃO Todos os critérios de editoração adotados pela Revista objetivam garantir a qualidade científica das publicações. Os manuscritos submetidos à Revista somente serão encaminhados ao Editor Chefe para considerações de mérito científico, após avaliação pela Secretaria da Editoria sobre o atendimento a todos os aspectos contidos no presente documento. Após aprovação nesta fase, os manuscritos serão encaminhados a membros do Corpo Editorial e pareceristas “ad hoc” de reconhecida competência na temática abordada, sempre preservando o caráter de anonimato durante o processo de avaliação. Os manuscritos serão enviados à pelo menos dois avaliadores de instituições diferentes, selecionados pelo Editor Chefe ou Editores Associados. Os avaliadores têm prazo de 20 dias para exararem seus pareceres. A partir da emissão dos pareceres, o Editor Chefe tomará ciência e os analisará para deliberação final junto com os Editores Associados, nas seguintes modalidades: aprovação; aprovação com 65 alterações; reformulação e re-submissão; ou recusa do manuscrito. Em caso de existir discordância entre os pareceristas, o trabalho será enviado a um terceiro consultor, que exarará seu parecer. A decisão final de aceitação/recusa ficará a cargo do Conselho Editorial. Os pareceres e considerações dos Editores serão encaminhados aos autores, com a avaliação na íntegra e demais documentos que por ventura os pareceristas possam encaminhar com justificativas para cada uma das modalidades de avaliação sobre o mérito. A decisão final sobre aceitação do manuscrito para publicação como artigo é realizada pelo Conselho Editorial. Os manuscritos que cujas decisões finais forem reformulação/re-submissão ou recusa, se reapresentados, seguirão todo o processo de avaliação, desde seu início. CATEGORIA DOS ARTIGOS Ao submeter um manuscrito, os autores deverão observar sua adequação a uma das categorias de artigos publicadas na S&TS/H&SC, conforme se seguem. Pesquisa Qualitativa, Teoria e Metodologia: artigos a convite dos Editores, que tem por objetivo debater aspectos teóricos sobre saúde e sociedade ou a aplicação da pesquisa qualitativa no campo da saúde (máximo de 8.000 palavras e 5 ilustrações). Artigos originais: produtos de pesquisa empírica e que não tenha sido apresentado concomitantemente/publicado em outro meio de divulgação científica (máximo de 8.000 palavras e 5 ilustrações Meta-síntese e revisões integrativas: revisões de literatura qualitativa (máximo de 6.000 palavras e 5 ilustrações). Experiências transformadoras: descrições de experiências acadêmicas no campo da saúde, sejam assistenciais ou de extensão (máximo de 8.000 palavras). Em casos específicos, justificados claramente aos Editores, serão aceitos artigos com número de palavras maiores que o recomendado para cada uma das categorias. ESTRUTURA E FORMATAÇÃO DO MANUSCRITO PARA SUBMISSÃO Os arquivos dos manuscritos deverão apresentar a estrutura que se segue. Os autores não devem inserir dados pessoais ou credenciais no corpo do texto, o que será avaliado pela Secretaria da S&TS/H&SC. A primeira etapa da avaliação dos manuscritos não versará sobre o mérito do mesmo, mas sim sobre a adequação de todas as normas de formatação. Somente serão aceitos para avaliação manuscritos que se adequarem perfeitamente a todas as normas contidas no presente documento. 66 Página inicial do manuscrito das palavras-chave em cada idioma, conforme normas que se seguem referentes a este item. -chave, oriundas de descritores da base da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), disponíveis em: http://regional.bvsalud.org/php/decsws.php, no idioma original e em inglês. aceitas traduções eletrônicas. r a profissionais indicados pela revista para a revisão de ortografia nos idiomas empregados no trabalho, assim como a tradução para o inglês. Texto -síntese, sugerem-se estruturá-los em ”Introdução”, “Objetivos”, “Percurso Metodológico”, “Resultados”, “Discussão”, “Limitações do Estudo”, “Considerações Finais” e “Referências Bibliográficas”. s), negritado, em letras maiúsculas e minúsculas, tamanho 12. Deve ser sintético e conciso, retratando os aspectos mais relevantes do conteúdo do manuscrito; , imediatamente abaixo do título principal; -se que os manuscritos não devem conter qualquer informação que possibilite a identificação da autoria do manuscrito. As informações sobre autores e instituições deverão preenchidas exclusivamente no sistema de submissão, em campo específico. do manuscrito deverão ter seus títulos em caixa altos e numerados na ordem de aparecimento, em negrito. exemplo, se os Resultados apresentam a seguinte forma “3. RESULTADOS” e os autores desejarem destacar sub-itens, devem fazê-lo da seguinte forma: “3.1 O homem...”; “3.2 O contexto...”. -itens deverão estar formatados em letras maiúsculas e minúsculas, e empregar negrito. 67 os com mais de um autor devem ser especificadas já no processo de submissão, obedecendo às deliberações do International Committee of Medical Journal Editors, disponíveis em www.icmje.org. to e/ou pessoas que colaboraram com o estudo, mas que não se enquadrem nos critérios de autoria referidos no item anterior. “Referências Bibliográficas”. tas de rodapé”, se pertinentes devem ser numeradas com algarismos romanos (ex: i, ii, iii ...) e serão incluídas entre as “Considerações Finais” e as “Referências Bibliográficas”. o de redação de cada autor, desde que contemplem essencialmente os itens anteriormente mencionados. -se a mesma estrutura, com certa liberdade de variação, respeitando-se o estilo de redação empregado pelos autores; -se que o texto deve apresentar a característica reflexiva e um potencial para produzir mudanças sociais, não sendo interessantes à S&TS/H&SC manuscritos que apenas apresentem resultados e os confrontem com a literatura científica existente. Os manuscritos enviados devem ser redigidos obedecendo-se as normas gramaticais e ortográficas do idioma de origem (Português, Inglês, Espanhol ou Francês). NORMAS PARA SUBMISSÃO Os manuscritos deverão ser submetidos eletronicamente pelo sistema SEER, na página da revista. Outras formas de submissão não serão aceitas. As instruções para submissão são as que se seguem. Tutorial de Submissão de artigos no SEER, disponível em: http://seer.ibict.br/images/stories/file/tutoriais/tutorial_de_submissao_de_artigos.pdf 1. Deverão constar os dados referentes ao manuscrito: título completo (em português, espanhol, francês ou inglês); área de concentração; palavras-chave; informações sobre fomento; conflitos de interesses; resumos (em português, espanhol ou francês; e inglês); e agradecimentos. 2. Todos os autores deverão ser incluídos na submissão, com nomes completos, respectivas instituições por extenso, endereços institucionais, telefone e email, assim como a contribuição individual no manuscrito. 3. A ordem dos autores na submissão será a utilizada para a publicação do artigo, caso seja aprovado. 4. O autor que realizar a submissão do manuscrito será automaticamente incluído como autor correspondente e seu endereço será apresentado no artigo publicado. 68 5. O acompanhamento da avaliação e contato com a Secretaria Editorial deverá ser feito preferencialmente pelo e-mail [email protected], com o responsável Wemylinn Giovana Andrade. 6. Para contagem de palavras em cada categoria de artigos, deve-se incluir apenas o corpo do texto e as referências bibliográficas. 7. Caso a pesquisa tenha apoio financeiro de alguma agência de fomento ou iniciativa privada, os autores devem registrar todas as informações (Agência de fomento, Edital e número do processo), que serão divulgadas no cômputo dos artigos publicados. 8. Havendo investigação que envolva seres humanos, devem ser explicitados claramente os aspectos éticos e a aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa, informando o número do protocolo desta aprovação. 9. Deve ser inserida cópia digitalizada do parecer ético no sistema, na área para transferência de documentos suplementares durante a submissão dos manuscritos. 10. É imprescindível que haja declaração de conflito de interesses, seja potencial ou manifesto, incluindo aspectos políticos e/ou financeiros. NORMAS PARA FORMATAÇÃO DO MANUSCRITO 1. A primeira etapa da avaliação dos manuscritos não versará sobre o mérito do mesmo, mas sim sobre a adequação de todas as normas de formatação. Somente serão aceitos para avaliação manuscritos que se adequarem perfeitamente a todas as normas. 2. O arquivo deverá estar em formato '.doc' (Microsoft Word para Windows 97-2003), sem qualquer identificação que remeta a autoria. 3. O texto deverá estar formatado em tamanho A4, com espaçamento de 1,5 cm, fonte Arial, tamanho 12, margens de 2,0 cm. 4. Parágrafos em branco não deverão ser utilizados entre os demais do texto. 5. O uso de negrito e itálico no manuscrito será respeitado de acordo com o uso do autor. 6. Todas as páginas deverão estar numeradas, no canto superior direito. 7. No caso de manuscritos que apresentem citações literais com mais de três linhas e/ou depoimentos de entrevistados, estas deverão apresentar recuo 2 cm, em letra 8, espaço simples, destacadas do restante do texto que se seguem. 8. No uso de legitimação de depoimentos, é imprescindível a codificação dos sujeitos e/ou grupos focais dos quais se originaram os dados, excetuando os manuscritos cujos resultados forem oriundos de um 69 sujeito – como no caso de histórias de vida ou estudos de caso – ou apenas um grupo focal, desde que sustentável em termos metodológicos. 9. Sugere-se que não haja modificações na estrutura original do depoimento, inclusive no que se refere à ortografia, preservando a natureza do dado; 10. As tabelas, quadros, diagramas e/ou ilustrações (fotografias, fluxogramas, mapas, gráficos e tabelas) deverão ser inseridas e referidas no corpo do texto, numeradas conforme o aparecimento no texto. 11. Imediatamente superior a imagem, deverá ser inserido seu título, numeração seqüencial e descrição. Caso existam legendas ou citação da fonte de dados, deverão aparecer imediatamente abaixo. 12. Deve-se evitar o uso de ilustrações, quadros ou tabelas muito extensas, que prejudiquem a avaliação e a leitura do manuscrito; 13. As tabelas e quadros terão o limite de 17 cm de largura, em letra Arial, letra tamanho 8, espaçamento simples. 14. Não deverão ser incluídas como figuras no texto, mas sim em formato do Word. 15. As tabelas, quadros e/ou ilustrações não devem estar fragmentadas entre as páginas do manuscrito. 16. Gráficos, diagramas e ilustrações deverão apresentar-se por arquivos do tipo jpeg. 17. Serão aceitas, no máximo, cinco tabelas, quadros e/ou ilustrações por manuscrito. 18. As tabelas e quadros deverão estar em preto e branco, enquanto as ilustrações podem estar nesta formatação ou coloridas. 19. Todas as tabelas, quadros e/ou ilustrações deverão apresentar títulos acima e legendas abaixo (quando necessário). NORMAS DAS REFERÊNCIAS 1. S&TS/H&SC adota o estilo "Vancouver". 2. As referências deverão ser numeradas de forma consecutiva, de acordo com a ordem de aparecimento no corpo do manuscrito, identificadas por números arábicos sobrescritos, imediatamente ao término do parágrafo ou nome do autor, antes do ponto final ou vírgula nos casos que se aplicam, sem a utilização de espaços entre o autor e numeração, parênteses, colchetes e similares. (Ex.: "Pinho2 afirma que...", "O complexo origina-se do emaranhado de eventos, interações, retro-ações, incidentes, que constituem o mundo dos fenômenos1." ou "... segundo Corradi-Webster12."). 3. No corpo do texto, deverão ser citados até dois autores por referência. Caso a publicação citada tenha número superior a dois autores, citam-se os dois primeiros separados por 'ponto e vírgula' seguindo-se a 70 expressão latina "et al". (Ex.: "um profissional de saúde deve tanto se articular aos demais como promover articulação intersetorial, segundo Schraiber; Peduzzi; et al9") 4. Todas as referências citadas em tabelas, quadros e ilustrações deverão estar numeradas a partir do número da última referência citada no texto. 5. Todas as referências citadas deverão estar listadas no final do artigo, em ordem numérica, seguindo as recomendações dos Requisitos Uniformes para Manuscritos apresentados a Periódicos biomédicos, disponíveis em http://www.nlm.nih.gov/citingmedicine, e adaptados conforme as particularidades da revista. 6. Em caso de artigos, somente a 1ª letra do título do periódico ou do livro deve estar em maiúscula. 7. Os títulos dos periódicos devem ser abreviados pela lista de abreviaturas de periódicos do Index Medicus (base de dados Medline), que pode ser consultado no arquivo disponível no endereço: ftp://nlmpubs.nlm.nih.gov/online/journals/ljiweb.pdf sem pontos entre o título e o ano. 8. Para abreviatura dos títulos de periódicos nacionais e latino-americanos, consulte o site: http://portal.revistas.bvs.br sem os pontos da abreviatura. 9. Quando as páginas do artigo consultado apresentarem números coincidentes, eliminar os dígitos iguais. Ex: p. 1520-1529, usar 1520-9; p. 121-131, usar 121-31. 10. Denominamos número (fascículo) a identificação da seqüência do volume, sendo que o algarismo fica entre parênteses. Ex.: 347(4), sendo 347, o algarismo relativo ao volume e 4 relativo ao algarismo do número ou fascículo. Faz-se ressalva a possíveis números especiais, por exemplo: 347(esp.). 11. Todos os links citados deverão estar ativos na submissão, devendo estar descritos ao final seguidos da data de acesso, em forma ISO. Ex.: http://whqlibdoc.who.int/publications/2004. Acesso em: 23.02.2010. 12. Todas as referências devem ser apresentadas em perfeita correção e completude, quesito verificado pela Secretaria Editorial e Assistentes da Editoria na pré-avaliação do manuscrito. 13. Somente sanadas eventuais irregularidades é que o processo de avaliação de mérito será iniciado. 14. A veracidade das informações contidas na lista de referências é de exclusiva responsabilidade dos autores. 15. No caso de publicações até de três autores, todos deverão ser citados nas referências. 16. Quando a publicação tiver mais de três autores, cita-se o primeiro, seguido da expressão latina "et al". 17. Comunicação pessoal não é considerada como referência na Revista S&TS/H&SC, mas sim como 71 depoimento a ser legitimado pela fala do comunicante. EXEMPLOS Teses, Dissertações ou Monografias Autor(es). (Tese/Dissertação/Monografia). Título. Departamento, Instituição, Cidade. Ano. Moretti-Pires RO. (Dissertação). A mercantilização da Saúde: o trabalho dos Cirurgiões Dentistas em um contexto de mudanças. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, Ribeirão Preto. 2005. Corradi-Webster CM. (Tese). Consumo problemático de bebidas alcoólicas por mulheres: discursos e histórias. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras/USP, Ribeirão Preto. 2009. Waltrick CR. (Monografia). Concepções de saúde e promoção à saúde dos estudantes de medicina da UFSC. Trabalho de Conclusão do Curso de Medicina, Departamento de Saúde Pública, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2001. Artigos científicos Autor(es) do artigo ou Instituição. Título do artigo. Título do periódico abreviado (sem pontuação) Ano de publicação; Volume (Número ou Fascículo): página inicial-final do artigo. Atkson S. Political cultures, health systems and health policy. Soc Scienc Med 2002; 55(2): 113-24. Rastan S, Hough T, Kierman A, et al. Towards a mutant map of the mouse - new models of neurological, behavioural, deafness, bone, renal and blood disorders. Genetica 2004; 122(1): 47-9. Minayo MCS. Abordagem antropológica para avaliação de políticas sociais. Rev Saúde Públ 1991; 25(3): 233-8. Institute of Medical Illustrators. Photography of cleft audit patients. J Audiov Media Med 2004; 27(4): 170-4. Brasil. Ministério da Saúde. Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violência. Rev Saúde Públ 2000; 34(4): 427-430. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102000000400020&lng=pt. Acesso em 28.08.2012. Artigo não publicado (no prelo) Autor(es) do artigo ou Instituição. Título do artigo. Título do periódico abreviado seguido do ano provável de publicação. Indicar no prelo. Tian D, Araki H, Stahl E, Bergelson J, Kreitman M. Signature of balancing selection in Arabidopsis. Proc Natl Acad Sci U S A 2002. No prelo. Livros e publicações Autor(es) do livro ou Instituição. Título do livro. Edição. Volume. Cidade de publicação: Editora; Ano de publicação. Páginas. 72 Crotty M. The foundations of Social Research - meaning perspective in the research process. London: Sage Publications; 2003. Iverson C, Flanagin A, Fontanarosa PB, et al. American Medical Association manual of style. 9ª ed. Baltimore (MD): Williams & Wilkins; 1998. Mills MB, Huberman MA. Qualitative data analysis: an expanded sourcebook. Thousand Oaks: Sage Publications; 1994. Foucault M. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. 2ª ed. Motta MB (org.); Barbosa IAD (trad.). Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2009. p. 411-22. Bosch F, Klomp R. Running: biomechanics and exercise physiology applied in practice. Bosch F (org.); Boer-Stallman DW (trad.). Edinburgh (Scotland): Elsevier Churchill Livingstone; 2005. 413 p. Voet D, Voet JG. Biochemistry. 3rd ed. Vol. 2, The expression and transmission of genetic information. New York: J. Wiley & Sons; 2004. p. 1107-560. Autor(es) do capítulo. Título do capítulo. In: nome(s) do(s) autor(es) ou editor(es) seguido de (org.). Título do livro. Edição. Cidade de publicação: Editora; Ano de publicação. Página inicial-página final do capítulo. Pessini L. humanização da dor e do sofrimento humano na área da saúde. In: Pessini L, Bertachini L (org.) Humanização e cuidados paliativos. São Paulo: Loyola; 2004. p. 12-30. Documentos oficiais País, Estado ou cidade. Departamento, órgão ou instituição. Título do documento. Cidade: Editora/Departamento, órgão ou instituição; ano. Brasil. Ministério da Saúde. Equipe de Saúde bucal: projeto, programas e relatórios. Brasília: Ministério da Saúde; 2002. Documentos online Autor do artigo ou Instituição. Título da página de internet (com Endereço/Link). <data do acesso, seguida da expressão “Acesso em”> World Health Organization. Global Status Report on Alcohol. http://whqlibdoc.who.int/publications/2004. <Acesso em 23.02.2010> Brasil. Ministério da Saúde. Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violência. Rev Saúde Públ 2000; 34(4): 427-30. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102000000400020&lng=pt. <Acesso em 28.08.2012> Carey B. Psychiatrists revise the book of human troubles. New York Times. 2008; Health: 3. http://www.nytimes.com/2008/12/18/health/18psych.html?_r=1&em <Acesso em 28.08.2012> Artigo de jornal Autor do artigo. Título do artigo. Nome do jornal. Ano de Publicação; Seção: página (coluna). 73 Tynan T. Medical improvements lower homicide rate: study sees drop in assault rate. The Washington Post. 2002; Sect. A: 2 (col. 4). Documento Legal Jurisdição. Identificação e Número do documento, data de Publicação. Disposições. Cidade: Editora ou Meio de publicação. Seção/Volume(Fascículo); Ano de Publicação. Brasil. Decreto n. 89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Brasília, DF. 48(4); 1984. Apresentação em Congresso Autor(es) do trabalho. Título do trabalho apresentado. Expressão “In”: Título do evento; ano da realização do evento. Local do evento. Cidade de publicação: Editora; Ano de publicação. Página inicialfinal do trabalho. Christensen S, Oppacher F. An analysis of Koza's computational effort statistic for genetic programming. In: Proceedings of the 5th European Conference on Genetic Programming; 2002. Kinsdale, Ireland. Berlin: Springer; 2002. p. 182-91. NORMAS PARA PESQUISAS ENVOLVENDO COLETA DE INFORMAÇÕES DE SERES HUMANOS (DIRETAMENTE OU POR PRONTUÁRIOS DE PESSOAS VIVAS) 1. Os manuscritos oriundos de resultados de pesquisas envolvendo seres humanos estão condicionados ao cumprimento dos princípios éticos contidos na Declaração de Helsinki, conforme a World Medical Association, devendo ser observados os procedimentos e autorizações legais do país em que a pesquisa foi realizada. 2. Da submissão no sistema, os autores deverão encaminhar cópia digitalizada do documento legal que autoriza a pesquisa, por algum Comitê ou Órgão responsável por estas questões no país em que foi realizada a pesquisa, incluindo-o nos documentos suplementares. 3. Em pesquisas realizadas no Brasil, será exigida autorização de Comitê de Ética envolvendo pesquisas com Seres Humanos, credenciado junto ao Conselho Nacional de Pesquisa com Seres Humanos, em conformidade com o que estabelece o Conselho Nacional de Saúde. 4. Os documentos comprobatórios da autorização deverão ser inseridos no processo de submissão, nos documentos suplementares. 5. Ressalta-se que todos os procedimentos éticos deverão estar claros na metodologia do manuscrito, assim como número do protocolo que aprova a realização da pesquisa. 74 6. Entende-se que pesquisas que utilizam material público de internet (como blogs e similares) e metodologias que empreguem a percepção do próprio pesquisador – como no caso da etnografia – dispensam apresentação de aprovação ética, tendo em vista a legislação vigente no Brasil. ITENS DE VERIFICAÇÃO PARA SUBMISSÃO Como parte do processo de submissão, os autores obrigatoriamente deverão verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores. 1. A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista; caso contrário, deve-se justificar em "Comentários ao Editor". 2. Os arquivos para submissão estão em formato Microsoft Word, OpenOffice ou RTF (desde que não ultrapassem 2MB) 3. URLs para as referências foram informadas quando necessário. 4. O texto deverá estar formatado em tamanho A4, com espaçamento de 1,5 cm, fonte Arial, tamanho 12, margens de 2,0 cm. As figuras e tabelas estão inseridas no texto, não no final do documento, como anexos. 5. O texto segue os padrões de estilo e requisitos bibliográficos descritos em Diretrizes para Autores, na seção Sobre a Revista. 6. A identificação de autoria do trabalho foi removida do arquivo e da opção Propriedades no Word, garantindo desta forma o critério de sigilo da revista, caso submetido para avaliação por pares (ex.: artigos), conforme instruções disponíveis em Assegurando a Avaliação Cega por Pares. 7. Os dados empíricos foram coletados a partir de projeto que empregou metodologia qualitativa. Em caso de manuscrito oriundo de projeto que utilizou métodos mistos (quantitativo e qualitativo), a contribuição de metodologia qualitativa é robusta. VERSÃO DE PROVA Os artigos serão enviados aos autores após a diagramação para revisão final antes da publicação, os mesmos terão o prazo de 72 horas para retornarem com possíveis alterações, caso contrário será considerado como pronto para publicaç 75 Anexo E – Normas para Publicação – ARTIGO CIENTÍFICO II Instruções aos Autores Seções Serão aceitos manuscritos relacionados às seguintes seções: • artigo original — produção resultante de pesquisa de natureza experimental, observacional ou documental; incluem-se, também, ensaios teóricos relevantes, que apresentam tema e/ou abordagem originais. Deve conter: introdução (apresentação de justificativa, objetivos e referenciais teóricos), metodologia (casuística e procedimentos), resultados, discussão e conclusão. • artigo de revisão — produção resultante de estudo aprofundado sobre determinado tema com o propósito de identificar diferentes marcos teóricos e posições entre os autores; pressupõe a formulação precisa de objeto científico para análise, argumentação teóricocrítica dos trabalhos consultados e síntese conclusiva. • relato de experiência — apresentação sucinta que apresenta integral ou parcialmente dados específicos oriundos de experiência científica. • estudo de caso — produção decorrente de uma estratégia de pesquisa de natureza exploratória ou descritiva com o propósito de caracterizar um contexto da vida real no qual ocorreu um processo de intervenção. • comunicação — texto compacto que apresenta descrição, discussão e/ou correlação de tópicos significativos que contemplem um aspecto relacionado a uma determinada temática. • documenta — conjunto de documentos/dispositivos legais da atualidade que preconizam um tema específico. Informações Complementares • artigos originais e artigos de revisão — devem ter até 30.000 caracteres com espaços, excluindo resumo, tabelas, gráficos, ilustrações e referências. • relatos de experiência, estudos de caso, comunicações — devem ter até 20.000 caracteres com espaços, excluindo resumo, tabelas, gráficos, ilustrações e referências. • referências — devem limitar-se a 25 (vinte e cinco), salvaguardadas as devidas exceções. 76 Preparo dos manuscritos As normas para a apresentação de manuscritos para a revista O Mundo da Saúde baseiam-se no documento "Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos e declarações suplementares do Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos". O manuscrito a ser submetido à apreciação para publicação deverá apresentar as seguintes características técnicas: Formato • Texto gravado em extensão doc ou docx, em fonte times new roman, corpo 12, espaçamento 1,5 e folha tamanho A4, com todas as margens de 2,0 cm. Idioma • Serão aceitos textos redigidos nos idiomas português, inglês e espanhol. Tópicos do manuscrito • Os tópicos a compor o manuscrito devem ser apresentados cada um deles em página própria, obedecendo à seguinte sequência: página de identificação, resumo e descritores, texto, tabelas, gráficos e quadros, agradecimentos, referências. • As páginas devem ser numeradas. Página de identificação a) título do artigo – completo, incorporando, se necessário, título complementar ou subtítulo, e conciso. Limite de 95 caracteres incluindo espaços. b) nome de cada autor por extenso, sem abreviações. c) qualificação de cada autor: graduação e titulação acadêmica (começando pela mais elevada). d) vínculo institucional, incluindo o departamento/setor, cidade, estado e país. e) endereço para correspondência e endereço eletrônico do autor responsável pelo manuscrito. f) no caso de o pesquisador ter recebido auxílio, mencionar o nome da agência financiadora e o respectivo número do processo. g) no caso de o manuscrito resultar de tese, indicar o nome do autor, título, ano e instituição onde foi apresentada. Conflitos de Interesse Todos os participantes no processo de publicação e avaliação por pares devem revelar as relações que possam ser consideradas potenciais conflitos de interesses. Os conflitos de interesse existem quando um autor (ou sua instituição), o parecerista ou editor tem vínculos de ordem financeira ou pessoal que influencia impropriamente suas ações. Resumos e palavras-chave Resumo — estruturado em português e inglês (abstract) com no máximo 250 palavras, enunciando introdução, objetivo do estudo ou investigação, metodologia, resultados e discussão, conclusões mais importantes. Texto escrito sequencialmente sem a menção dos subtítulos. (vide modelo no Anexo A). Palavras-chave — citação de três a cinco palavras-chave tendo como referência o 77 Vocabulário Controlado em Ciências da Saúde — DeCS da BIREME ou, se em inglês, do Medical Subject Headings (MeSH). Corpo do texto Texto — A estrutura do manuscrito variará conforme a natureza do trabalho, se artigo original, artigo de revisão, relato de experiência, estudo de caso ou comunicação. (sobre a estrutura do manuscrito, consulte o Item “Instruções aos autores/Seções”). Tabelas, gráficos — devem ser incorporados ao manuscrito desde que com as citações de: título, fonte, ano e dados complementares, se houver, e numerados consecutivamente, com algarismos arábicos, segundo a ordem de citação no texto. Ilustrações — devem estar em alta resolução, com no mínimo 300 dpi. a) se houver ilustração extraída de outro trabalho, previamente publicado, o autor deve solicitar autorização, por escrito, para sua reprodução. b) caso sejam utilizadas imagens de pessoas, só serão veiculadas se acompanhadas de permissão por escrito para divulgação. Abreviaturas e Símbolos — se houver, devem ser incorporados ao manuscrito de forma padronizada, seguidos das respectivas legendas. Agradecimentos Ao final do manuscrito, podem ser mencionados os agradecimentos, destacando: as contribuições de profissionais por orientações técnicas e/ou apoio financeiro ou material, especificando a sua natureza. Os citados nos agradecimentos devem autorizar expressamente sua menção. Os autores devem se responsabilizar, mediante assinatura de termo específico, por essa autorização. Referências a) cada citação no texto deve ser indicada com um número sobrescrito. b) as referências devem ser apresentadas segundo as “Orientações para publicação de referências em artigos científicos na área da saúde”, conforme a normalização de Vancouver. Exemplos segundo Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos e declarações suplementares do Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos (Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals: writing and editing for Medical Publication): Como citar periódicos 1. Artigo de periódico Escreva os seis primeiros autores seguidos por et al. (Recomendamos que sejam escritos todos os autores) Neves-Arruda E, Bittencourt MS, Gonçalves FA. Atributos profissionais dos cuidadores da pessoa com câncer: perspectiva de enfermeiras. Cogitare Enferm. 1996 Jun 30;1(1):85-90. Como opção, se o periódico tiver sua paginação continuada durante todo o volume 78 (como muitos periódicos médicos fazem), o mês e o dia podem ser omitidos: Neves-Arruda E, Bittencourt MS, Gonçalves FA. Atributos profissionais dos cuidadores da pessoa com câncer: perspectiva de enfermeiras. Cogitare Enferm. 1996;1(1):85-90. Mais de seis autores: Martins LC, Latorre MRDO, Cardoso MRA, Gonçalves FLT, Saldiva PHN, Braga ALF, et al. Poluição atmosférica e atendimentos por pneumonia e gripe na cidade de São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública. 2002;36(1):88-94. Como opção, uma única base de dados pode ser citada: Neves-Arruda E, Bittencourt MS, Gonçalves FA. Atributos profissionais dos cuidadores da pessoa com câncer: perspectiva de enfermeiras. Cogitare Enferm. 1996;1(1):85-90. LILACS Id: 265203. 2. Volume com suplemento Mendonça MHM. O desafio da política de atendimento à infância e à adolescência na construção de políticas equitativas. Cad Saúde Pública. 2002;18 Supl 1:S113-20. 3. Número com suplemento Glauser TA. Integrating clinical trial data into clinical practice. Neurology. 2002;58(12 Suppl 7):S6-12. 4. Paginação em numerais romanos Chadwick R, Schuklenk U. The politics of ethical consensus finding. Bioethics. 2002;16(2):iii-v. Como citar livros e monografias 5. Autor(es) pessoal(ais) Murray PR, Rosenthal KS, Kobayashi GS, Pfaller MA. Medical microbiology. 4th ed. St. Louis: Mosby; 2002. 6. Editor(es), compilador(es) como autor(es) Gilstrap LC 3rd, Cunningham FG, VanDorsten JP, editors. Operative obstetrics. 2nd ed. New York: McGraw-Hill; 2002. 7. Capítulo de livro Meltzer PS, Kallioniemi A, Trent JM. Chromosome alterations in human solid tumors. In: Vogelstein B, Kinzler KW, editors. The genetic basis of human cancer. New York: McGraw-Hill; 2002. p. 93-113. 8. Anais de congresso Harnden P, Joffe JK, Jones WG, editors. Germ cell tumours V. Proceedings of the 5th Germ Cell Tumour Conference; 2001 Sep 13-15; Leeds, UK. New York: Springer; 2002. 9. Apresentação em congresso Christensen S, Oppacher F. An analysis of Koza's computational effort statistic for genetic programming. In: Foster JA, Lutton E, Miller J, Ryan C, Tettamanzi AG, editors. Genetic programming. EuroGP 2002: Proceedings of the 5th European Conference on Genetic 79 Programming; 2002 Apr 3-5; Kinsdale, Ireland. Berlin: Springer; 2002. p. 182-91. 10. Dissertação Borkowski MM. Infant sleep and feeding: a telephone survey of Hispanic Americans [dissertation]. Mount Pleasant (MI): Central Michigan University; 2002. Como citar outros trabalhos publicados 11. Artigo de jornal Tynan T. Medical improvements lower homicide rate: study sees drop in assault rate. The Washington Post. 2002 Aug 12;Sect. A:2 (col. 4). 12. Material audiovisual Chason KW, Sallustio S. Hospital preparedness for bioterrorism [videocassette]. Secaucus (NJ): Network for Continuing Medical Education; 2002. 13. Legislação Lei: Veterans Hearing Loss Compensation Act of 2002, Pub. L. No. 107-9, 115 Stat. 11 (May 24, 2001). 14. Dicionários e referências similares Dorland's illustrated medical dictionary. 29th ed. Philadelphia: W.B. Saunders; 2000. Filamin; p. 675. Material eletrônico 15. CD-ROM Anderson SC, Poulsen KB. Anderson's electronic atlas of hematology [CD-ROM]. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2002. 16. Artigo de periódico na Internet Abood S. Quality improvement initiative in nursing homes: the ANA acts in an advisory role. Am J Nurs [Internet]. 2002 Jun [cited 2002 Aug 12];102(6):[about 1 p.]. Available from:http://www.nursingworld.org/AJN/2002/june/Wawatch.htmArticle 17. Monografia na Internet Foley KM, Gelband H, editors. Improving palliative care for cancer [Internet]. Washington: National Academy Press; 2001 [cited 2002 Jul 9]. Available from: http://www.nap.edu/books/0309074029/html/ 18. Homepage Cancer-Pain.org [Internet]. New York: Association of Cancer Online Resources, Inc.; c2000-01 [updated 2002 May 16; cited 2002 Jul 9]. Available from: http://www.cancerpain.org/ 80 Anexo F – Normas para Publicação – ARTIGO CIENTÍFICO III Escopo e política A Revista Brasileira de Educação Médica é a publicação ABEM oficial da , de periodicidade trimestral, e tem como Missão publicar debates, análises e resultados de investigações sobre temas considerados relevantes para a Educação Médica. Serão aceitos trabalhos em português, inglês ou espanhol Envio de manuscritos Submissão on line Os manuscritos serão submetidos à apreciação do Conselho Científico apenas por meio eletrônico através do sítio da Revista (http://www.educacaomedica.org.br). O arquivo a ser anexado deve estar digitado em um processador de textos MS Word, página padrão A4, letra padrão Arial 11, espaço 1,5 e margens de 2,0 cm a Direita, Esquerda, Superior e Inferior com numeração seqüencial de todas as páginas. Não serão aceitas Notas de Rodapé. As tabelas e quadros devem ser de compreensão independente do texto e devem ser encaminhadas em arquivos individuais. Não serão publicados questionários e outros instrumentos de pesquisa Avaliação dos originais Todo original recebido é avaliado por dois pareceristas cadastrados pela RBEM para avaliação da pertinência temática, observação do cumprimento das normas gerais de encaminhamento de originais e avaliação da qualidade científica do trabalho. Os conselheiros 81 têm um prazo de 20 dias para emitir o parecer. Os pareceres sempre apresentarão uma das seguintes conclusões: aprovado como está; favorável a publicação, mas solicitando alterações;não favorável a publicação.Todo Parecer incluirá sua fundamentação. No caso de solicitação de alterações no artigo, estes poderão ser encaminhados em até 120 dias. Após esse prazo e não havendo qualquer manifestação dos autores o artigo será considerado como retirado. Após aprovação o artigo é revisado ortográfica e gramaticalmente. As alterações eventualmente realizadas são encaminhadas para aprovação formal dos autores antes de serem encaminhados para publicação. Será realizada revisão ortográfica e gramatical dos resumos e títulos em língua inglesa, por revisor especializado. Forma e preparação de manuscritos 1. Artigos originais: (limite de até 6.000 palavras, incluindo texto e referências e excluindo tabelas, gráficos, folha de rosto, resumos e palavras-chave). 1.1. Pesquisa - artigos apresentando resultados finais de pesquisas científicas; 1.2. Ensaios - artigos com análise crítica sobre um tema específico relacionado com a Educação Médica; 1.3. Revisão - artigos com a revisão crítica da literatura sobre um tema específico. 2. Comunicações: informes prévios de pesquisas em andamento - Extensão do texto de 1.700 palavras, máximo de 1 tabela e 5 referências. 3. Documentos: documentos sobre política educacional (documentos oficiais de colegiados oficiais) - Limite máximo de 2.000 palavras. 4. Relato de experiência: artigo apresentando experiência inovadora no ensino médico acompanhada por reflexão teórica pertinente - Limite máximo de 6.000 palavras. 5. Cartas ao Editor: cartas contendo comentários sobre material publicado - Limite máximo de 1.200 palavras e 3 referências. 6. Teses: resumos de dissertações de mestrado ou teses de doutoramento/livre-docência 82 defendidas e aprovadas em Universidades brasileiras ou não (máximo de 300 palavras). Os resumos deverão ser encaminhados com o Título oficial da Tese, informando o título conquistado, o dia e o local da defesa. Deve ser informado igualmente o nome do Orientador e o local onde a tese está disponível para consulta e as palavras-chave e keywords. 7. Resenha de livros: poderão ser encaminhadas resenhas de livros publicados no Brasil ou no exterior - Limite máximo de 1.200 palavras 8. Editorial: o editorial é de responsabilidade do Editor da Revista, podendo ser redigido a convite - Limite máximo de 1.000 palavras. Estrutura: - Título do trabalho (evitar títulos longos) máximo de 80 caracteres, incluindo espaços deve ser apresentada a versão do título para o idioma inglês. Apresentar um título resumido para constar no alto da página quando da publicação (máximo de 40 caracteres, incluindo espaços) - Nome dos autores: A Revista publicará o nome dos autores segundo a ordem encaminhada no arquivo. - Endereço completo de referência do(s) autor(es), titulação, local de trabalho e e-mail. Apenas os dados do autor principal serão incluídos na publicação. - Resumo de no máximo 180 palavras em português e versão em inglês. Quando o trabalho for escrito em espanhol, deve ser acrescido um resumo nesse idioma. - Palavras chave: mínimo de 3 e máximo de 8, extraídos do vocabulário DECS Descritores em Ciências da Saúde para os resumos em português (disponível em http://decs.bvs.br/) e do MESH - Medical Subject Headings, para os resumos em inglês (disponível emhttp://www.nlm.nih.gov/mesh/meshhome.html). Os autores deverão informar que organizações de fomento à pesquisa apoiaram os seus trabalhos, fornecendo inclusive o número de cadastro do projeto. 83 No caso de pesquisas que tenham envolvido direta ou indiretamente seres humanos, nos termos da Resolução nº 196/96 do CNS os autores deverão informar o número de registro do projeto no SISNEP. Referências As referências, cuja exatidão é de responsabilidade dos autores, deverão ser apresentadas de modo correto e completo e limitadas às citações do texto, devendo ser numeradas segundo a ordem de entrada no texto, seguindo as regras propostas pelo Comitê Internacional de Revistas Médicas (International Committee of Medical Journal Editors). Requisitos uniformes para manuscritos apresentados a periódicos biomédicos. Disponível em: http://www.icmje.org Toda citação deve incluir, após o número de referência, a página(s). Ex: xxxxxx1 (p.32). Recomendamos que os autores realizem uma pesquisa na Base Scielo com as palavraschave de seu trabalho buscano prestigiar, quando pertinente a pesquisa nacional Exemplos: Artigo de Periódico Ricas J, Barbieri MA, Dias LS, Viana MRA, Fagundes EDL, Viotti AGA, et al. Deficiências e necessidades em Educação Médica Continuada de Pediatras em Minas Gerais. Rev Bras Educ Méd 1998;22(2/3)58-66. Artigo de Periódico em formato eletrônico Ronzani TM. A Reforma Curricular nos Cursos de Saúde: qual o papel das crenças?. Rev Bras Educ Med [on line].2007. 31(1) [capturado 29 jan. 2009]; 38-43. Disponível em:http://www.educacaomedica.org.br/UserFiles/File/reforma_curricular.pdf Livro Batista NA, Silva SHA. O professor de medicina. São Paulo: Loyola, 1998. 84 Capítulo de livro Rezende CHA. Medicina: conceitos e preconceitos, alcances e limitações. In: Gomes DCRG, org. Equipe de saúde: o desafio da integração. Uberlândia:Edufu;1997. p.163-7. Teses, dissertações e monografias Cauduro L. Hospitais universitários e fatores ambientais na implementação das políticas de saúde e educação: o caso do Hospital Universitário de Santa Maria. Rio de Janeiro; 1990. Mestrado [Dissertação] - Escola Brasileira de Administração Pública. Trabalhos Apresentados em Eventos Carmargo J. Ética nas relações do ensino médico. Anais do 33. Congresso Brasileiro de Educação Médica. 4º Fórum Nacional de Avaliação do Ensino Médico; 1995 out. 22-27; Porto Alegre, Brasil. Porto Alegre:ABEM; 1995. p.204-7. Relatórios Campos MHR. A Universidade não será mais a mesma. Belo Horizonte: Conselho de Extensão da UFMG; 1984. (Relatório) Referência legislativa Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº4 de 7 de novembro de 2001. Institui diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Medicina. Diário Oficial da União. Brasília, 9 nov. 2001; Seção 1, p.38. A bibliotecária da ABEM promove a revisão e adaptação dos termos fornecidos pelos autores aos índices aos quais a Revista está inscrito. As contribuições serão publicadas obedecendo a ordem de aprovação do Conselho Editorial. Declaração de Autoria e de Responsabilidade 85 Todas as pessoas designadas como autores devem responder pela autoria dos manuscritos e ter participado suficientemente do trabalho para assumir responsabilidade pública pelo seu conteúdo. Para tal, deverão encaminhar, após a aprovação do artigo, a seguinte Declaração de autoria e de Responsabilidade: "Declaro que participei de forma suficiente na concepção e desenho deste estudo ou da análise e interpretação dos dados assim como da redação deste texto, para assumir a autoria e a responsabilidade pública pelo conteúdo deste artigo. Revi a versão final deste artigo e o aprovei para ser encaminhado a publicação. Declaro que nem o presente trabalho nem outro com conteúdo substancialmente semelhante de minha autoria foi publicado ou submetido a apreciação do Conselho Editorial de outra revista". Artigos com mais de um autor deverão conter uma exposição sobre a contribuição específica de cada um no trabalho. Ética em Pesquisa No caso de pesquisas iniciadas após janeiro de 1997 e que envolvam seres humanos nos termos do inciso II.2 da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde ("pesquisa que, individual ou coletivamente, envolva o ser humano de forma direta ou indireta, em sua totalidade ou partes dele, incluindo o manejo de informações ou materiais") deverá encaminhar, após a aprovação, documento de aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição onde ela foi realizada. No caso de instituições que não disponham de Comitês de Ética em Pesquisa, deverá apresentar a aprovação pelo CEP onde ela foi aprovada. Conflitos de Interesse Todo trabalho deverá conter a informação sobre a existência ou não de algum tipo de conflito de interesses de qualquer dos autores. Destaque-se que os conflitos de interesse financeiros, por exemplo, não estão relacionados apenas com o financiamento direto da pesquisa, incluindo também o próprio vínculo empregatício. (Para maiores informações consulte o site do International Editors http://www.icmje.org/#conflicts) Committee of Medical Journal