UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ECONOMIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL LINDOIRDI FLÁVIA SANTANA DE MEDEIROS AVALIAÇÃO DA ENERGIA CONTIDA NOS PRINCIPAIS SISTEMAS AGRÍCOLAS E INDUSTRIAIS DA REGIÃO MÉDIO NORTE DO ESTADO DE MATO GROSSO - 2010 CUIABÁ/ MT 2011 ii LINDOIRDI FLÁVIA SANTANA DE MEDEIROS AVALIAÇÃO DA ENERGIA CONTIDA NOS PRINCIPAIS SISTEMAS AGRÍCOLAS E INDUSTRIAIS DA REGIÃO MÉDIO NORTE DO ESTADO DE MATO GROSSO - 2010 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal de Mato Grosso, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Economia, sob a orientação do Prof. Dr. José Manuel Carvalho Marta. CUIABÁ/ MT 2011 iii Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) M488a Medeiros, Lindoirdi Flávia Santana de. Avaliação da energia contida nos principais sistemas agrícolas e industriais da região médio norte do Estado de Mato Grosso – 2010 / Lindoirdi Flávia Santana de Medeiros. Cuiabá – MT: UFMT, 2011. 149 f.: il. ; 30 cm Orientador: José Manuel Carvalho Marta. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso. Programa de Pós-Graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, 2011. Inclui bibliografia 1. Energia. 2. Eficiência energética. produtivos. 4. Pecuária. 5. Agricultura. I. Título. 3. Sistemas CDU: 537-7:63 Bibliotecária responsável: Andréia Pereira de Souza - CRB1/2225 iv LINDOIRDI FLÁVIA SANTANA DE MEDEIROS AVALIAÇÃO DA ENERGIA NOS SISTEMAS AGRÍCOLAS E INDUSTRIAIS DA REGIÃO MÉDIO NORTE DO ESTADO DE MATO GROSSO - 2010 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal de Mato Grosso, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Economia, sob a orientação do Prof. Dr. José Manuel Carvalho Marta. Aprovada, em 15 de dezembro de 2011. BANCA EXAMINADORA ______________________________________ PROF. DR. JOSÉ MANUEL CARVALHO MARTA Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT- FE) (Presidente) ________________________________ PROF. DR. ARTUR DE SOUZA MORET Universidade Federal de Rondônia (UFRO - RO) (Examinador Externo) ___________________________________________ PROF. DR. ADRIANO MARCOS RODRIGUES FIGUEIREDO Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT- FE) (Presidente) v AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela dadiva da vida que mesmo no momentos de tribulações permitiu "produzir a preserverança, e a preserverança, a experiencia, e a experiencia, a esperança" (Rm 5: 3 e 4). Ào meu esposo Imad Saleh pelo apoio incondicional, pela paciência, por compreender os longos periodos de ausência longe de casa, pelo companheirismo, pelo incentivo e pela ajuda nas pesquisas de campo. A minha familia pelo apoio incondicional, aos meus pais por suas orações, a minha familia de Goias por tudo, a minha cunhada Rosangela e meu irmão por todo apoio. Aos amigos do mestrado pela convivência, em especial aos amigos, Danielle, Camili, Thyago e a Elizandra por tudo, principalmente por compartilharmos dos mesmos anseios . Ào Dr. Flávio Gatti pelo incentivo e auxílio principalmente nos momentos de desanimos, demonstrando que a amizade e o carinho não dependem do tempo de convivência. Ào meu orientador Prof. Dr. José Manuel C. Marta por compartilhar de seus conhecimentos, por todo auxilio durante o mestrado e a dissertação e principalmente por continuar nesta função mesmo após sua aposentadoria. À Universidade Federal de Mato Grosso e aos Programas de Pós-graduação "Agronegocio e Desenvolvimento Regional" e ao "Ambiente e Desenvolvimento Regional". Em especial a coordenação do mestrado, pela atenção e apoio nos momentos que precisei. À Maria Enildes, uma amiga sincera, muito querida , que trabalha com dedicação e respeito a todos, a qual tenho muita admiração. As empresas e empresários que colaboraram fornecendo seus dados. À CAPES, pelo incentivo a pesquisa. vi SUMÁRIO RESUMO..................................................................................................................VIII ABSTRACT................................................................................................................IX LISTA DE FIGURAS....................................................................................................X LISTA DE TABELAS..................................................................................................XI INTRODUÇÃO...........................................................................................................13 JUSTIFICATIVA.........................................................................................................20 A IMPORTÂNCIA DO PROBLEMA E A HIPÓTESE................................................21 OBJETIVO GERAL....................................................................................................22 OBJETIVO ESPECÍFICO..........................................................................................22 ESTRUTURA DO TRABALHO..................................................................................23 1. ENERGIA: CONCEITOS E SUAS PRINCIPAIS FONTES ...................................25 1.1 Energia dos alimentos: base da evolução da espécie humana...........................31 1.2 A participação das fontes de energia na evolução social ...................................33 1.3 As principais fontes de energia fóssil utilizada pelo ser humano.........................36 1.4 O uso da energia fóssil empregado na produção agricola ..................................41 1.5 Eficiência Energética ...........................................................................................45 2. SISTEMAS PRODUTIVOS DE BASE ENERGÉTICA .........................................47 2.1 O ser humano e os sistemas................................................................................47 2.2 Saída e entrada de energia nos sistemas............................................................51 2.3 Uma visão dos sistemas da fase agrícola a industrial: o caso da soja................54 2.4 A diversificação da produção na região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso........................................................................................................................58 2.4.1 Principais empreendimentos indústrias da região Médio Norte do Estado de Mato Grosso...............................................................................................................65 2.5 Produção do biodiesel de soja: uma breve descrição do processo.....................72 2.5.1 Extração do óleo................................................................................................72 2.5.2 Esmagamento da soja.......................................................................................78 2.5.3 Processo de conversão do óleo degomado em biodiesel.................................79 2.6 Produção da ração animal destinada à alimentação animal................................82 vii 2.6.1 Energia Consumida na Nutrição de Aves e Suínos..........................................85 2.7 Distribuição da Produção via transporte rodoviário..............................................86 3. METODOLOGIA....................................................................................................91 3.1 Balanço Energético .............................................................................................92 3.1.2 Coeficientes energéticos da produção agrícola................................................95 3.1.3 Fatores de produção agrícola...........................................................................95 3.2 Coeficientes energéticos de produção da etapa industrial.................................100 3.2.1 Fatores de produção da etapa industrial.........................................................100 3.2.3 Saídas energéticas / energia produzida..........................................................102 3.2.4 Coeficiente energético da atividade pecuária.................................................103 3.2.4.1 Fatores de produção da ração.....................................................................104 3.2.4.2 Coeficiente energético dos fatores de produção de aves............................105 3.2.4.3 Coeficientes energéticos dos fatores de produção dos suínos...................106 3.3.5 Transportes rodoviário.....................................................................................108 4 ANÁLISES DOS RESULTADOS .........................................................................111 4.1 Fase Agrícola ....................................................................................................111 4.1.1 Indicadores de Eficiência Energética.............................................................111 4.2 Entrada e saída de energia na produção de soja..............................................112 4.3 Entrada e saída de energia na produção de milho............................................115 4.4 Fase industrial....................................................................................................118 4.5 Entrada e saída de energia na produção do biodiesel.......................................118 4.6 Energia consumida na produção da ração.........................................................122 4.7 Entrada e saída de energia produção de aves..................................................124 4.8 Entrada e saída de energia na produção de suínos..........................................125 4.9 Entrada de energia requerida distribuição da produção de grãos e carnes.......126 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................129 REFERÊNCIAS .......................................................................................................131 APÊNDICE...............................................................................................................143 ANEXO.....................................................................................................................148 viii RESUMO O objetivo desta dissertação é avaliar os rendimentos energéticos, sobretudo analisando a eficiência dos sistemas produtivos estabelecidos nos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, estado de Mato Grosso. Compara-se o balanceamento entre a energia produzida e consumida no decorrer dos processos produtivos. Avalia-se à energia contida nos produtos agro-alimentares e agrocombustíveis da produção agrícola e industrial. Para tal contabilização da produção consideraram-se dados primários e secundários. A análise de eficiência energética dos sistemas produtivos agrícolas e agroindustriais que incluem as principais matérias-primas regionais como a soja e milho associada a produção de outros produtos - farelo, frango e suino - ocorrida por meio da transformação produtiva, revelada através dos coeficientes físicos em equivalentes energéticos obtendo desta forma as matrizes contendo os respectivos valores de energia produzida e consumida em determinado sistema. Computaram-se as entradas e saídas da energia em MegaJoule (MJ) para as culturas de soja, milho e biodiesel. A eficiência energética da fase agrícolas da eficiência foi 12,18 MJ.ha para soja, 19,46 MJ.ha para o milho. Na fase industrial a eficiência energética encontrada para o biodiesel foi de 1,17 MJ.ha produzido. Na produção da ração os índices variaram sendo 1,29 para ração de aves, e 1,21 para ração dos suínos. Na atividade pecuária o índice encontrado para produção de aves foi de 0,34 por lote, na produção de suínos foi de 0,39 por lotes. na distribuição da produção o consumo energético foi de 0,041 MJ km-1.t-1 para produção agrícola e 0,043 MJ km-1.t-1 para carnes congeladas. Palavras-chave: Energia, eficiência energética, sistemas produtivos, pecuária. ix ABSTRACT The objective of this dissertation is to assess the energy performance, especially considering the efficiency of production systems established in the municipalyties of Lucas do Rio Verde, Nova Mutum and Sorriso, Mato Grosso of states . Compares the balance between energy produced and consumed during the production process.Evaluates to the energy contained in agri-food and agro-fuels from agricultural and industrial production. Accounting for such production were considered primary and secondary data. The analysis of energy efficiency of agricultural and agro-industrial production systems that include major regional raw materials such as soybeans and corn associated with the production of other products - bran, chicken and pork - which occurred through changes in production, revealed using the coefficients in physicalequivalent energy thus obtaining the matrices containing the respective amounts of energy produced and consumed in a given system. Compute the inputs and outputs of energy in megajoules (MJ) for the soybean, corn and biodiesel. The energy efficiency of the agricultural phase of the efficiency was 12.18 MJ.ha for soybean, maize 19.46 MJ.ha. . In phase industrial energy efficiency found for the biodiesel produced was 1.17 MJ.ha. In the production of feed rates are varied from 1.29 for poultry feed and pig feed 1.21. For livestock production for the content found was 0.34 birds per batch, the production of pigs was 0.39 per lot. distribution of production in energy consumption was 0.041 MJ km-1.t-1 for agricultural production and 0.043 MJ km-1.t-1 for frozen meat. Keywords: Energy, energy efficiency, production systems and livestock. x LISTA DE FIGURAS Figura 01: Diagrama Ennio - Fontes de Energia........................................................29 Figura 02: Oferta Interna de Energia (mundo 2008)..................................................37 Figura 03: Gráfico com as principais materias primas utilizadas na produção do biodiesel.....................................................................................................................57 Figura 04: Fluxograma da cadeia agroindustrial da soja e milho...............................71 Figura 05: Fluxograma geral do processo de extração do óleo de soja....................75 Figura 06: Capacidade de produção de oleo de soja e farelo dia............................. 76 Figura 07: Fluxograma do processo de degomagem e neutralização do óleo de soja.............................................................................................................................77 Figura 8: Fluxograma do processo de transesterificação do óleo degomado de soja.............................................................................................................................81 Figura 09: Participação das matérias-primas.............................................................83 Figura 10: Consumo de ração por espécie em 2010.................................................84 xi LISTA DE TABELAS Tabela 01: Produção de carne suínos nos principais estados produtores de 2004 a 2010 em toneladas.....................................................................................................64 Tabela 02: Capacidade de esmagamento de soja no Estado de Mato Grosso por região (toneladas/dias)...............................................................................................66 Tabela 03: Usinas de biodiesel instaladas na região médio norte do Estado de Mato Grosso........................................................................................................................67 Tabela 04: Produção de soja por região e safras no Estado de Mato Grosso...........67 Tabela 05: Produção de milho por regiao no Estado de Mato Grosso por safras 2007 a 2011.........................................................................................................................68 Tabela 06: Resumo dos principais insumos/produtos estimados para produção do óleo de soja degomado por tonelada de soja ...........................................................79 Tabela 07: Resumo dos principais insumos/produtos para a transesterificação do óleo degomado de soja pela rota metílica, para a produção de 1 tonelada de biodiesel .................................................................................................................... 82 Tabela 08: Principais componentes da ração para o processo de crescimento e terminação de animais .............................................................................................. 85 Tabela 09: Matriz de entradas e saídas de energia na produção de soja, por tipo, fonte e forma, em MJ.ha-1........................................................................................114 Tabela 10: Matriz de entradas e saídas de energia na produção de milho por tipo, fonte e forma, em MJ.ha-1........................................................................................117 Tabela 11: Matriz de entradas e saídas de energia na produção de biodiesel por hectare de soja produzido. ......................................................................................121 Tabela 12: Matriz de entradas e saídas de energia na produção por tonelada de ração para aves e suínos.........................................................................................123 Tabela 13: Matriz de entradas e saída de energia na produção de aves por lote produzido................................................................................................................. 125 Tabela 14: Matriz de entradas e saída de energia na produção de suínos por lote............................................................................................................................126 xii Tabela 15: Matriz de entradas de energia para o transporte da produção de grãos e carnes de aves e suínos ao Porto de Paranaguá em MJ e participações percentuais...............................................................................................................128 13 INTRODUÇÃO A relação energia e sociedade regional apresentam aspectos que devem ser enfatizados para uma discussão de desenvolvimento. Nessa discussão se apresenta o estudo no qual se avalia o processo de produção de insumos e matérias-primas destinados à cadeia produtiva da agricultura moderna. Tal processo, no âmbito chamada Revolução Verde mudou os sistemas monoculturais, caracterizando-os pelas sementes selecionadas, inserção dos agrotóxicos, fertilizantes químicos, mecanização, melhoramento genético que promoveram uma série de mudanças tanto na agricultura quanto no setor de produção de insumos1. Isto gerou grandes transformações na história da agricultura, e que atualmente predomina na região do Médio Norte de Mato Grosso, no modo de produzir caracterizado de agricultura moderna. Assim, ao se avaliar o desenvolvimento industrial e da expansão urbana daquela região, alguns fatores condicionaram de maneira indelével o papel fundamental da agricultura como transformadora e consumidora de energia 2, sobretudo na medida em que buscam atender as necessidades da sociedade considerando os confortos da energia (MARTA, 2002). Nesse conjunto estão a alimentação, o transporte e a produção de matérias-primas para a indústria. Como se sabe, desde a antiguidade, com o desenvolvimento da agricultura no período neolítico, a sociedade humana passou a utilizar no seu processo de produção, não somente as energias encontradas na natureza como a humana, a solar, do ar, e da água. Incorporava nesse processo, além dos nutrientes orgânicos e minerais do solo, mas principalmente, com as mais complexas combinações desses elementos que auxiliaram a transformar a sociedade humana, em função da intensidade com que a humanidade passou a usar as diversas fontes de energia e os alimentos. Nessa perspectiva ampliou-se a eficiência de fertilizantes, combustíveis e agrotóxicos. 1 Brasil. Ministério da Cultura, Instituto Socioambiental. 2008 - Science - 551 páginas. Realça-se nessa perspectiva como limites do desenvolvimento regional do Cerrado o solo ácido e o clima inconstante que ocorre na região e que só pode ser superado após os anos setenta do século XX. 2 14 Logo, a energia como fator de produção no setor agropecuário pode ser considerado como um insumo essencial para o sistema produtivo. Desse modo, entende-se a agricultura moderna como um processo desenvolvido com base na utilização intensiva de combustíveis pelas máquinas agrícolas e as diferentes etapas de uso do solo, nas quais enfatiza-se aquela destinação, ou seja: derrubadas, enleiramento e preparo da terra, numa etapa pioneira e depois nas etapas subsequentes a mecanização participando como insumo do plantio a colheita, bem como na logística que sucede essa etapa para o transporte, armazenamento e distribuição da produção. Em todas as etapas ocorre o uso intenso de energia, especialmente de combustíveis fósseis para seu funcionamento3. O consumo de energia usada na produção agrícola, considerando a intensidade de combustíveis e eletricidade, deriva das suas demandas tecnológicas. Nesse aspecto, na região do Cerrado, o uso pioneiro de combustíveis ocorre quando se deve fazer à neutralização da terra, com a utilização de calcário e, depois, a fertilização das áreas de plantio e os tratos culturais nas lavouras, com derivados do petróleo, especialmente com óleo Diesel. Nesse sentido, reconhece-se que a mecanização tem como objetivo aumentar a produtividade do capital, da terra e do trabalho, de maneira a rever o paradoxal limite imposto à produção agrícola regional ao longo de séculos na ocupação da região de Mato Grosso. Considerando as demandas tecnológicas de maior eficiência no processo industrial no pré-processamento das matérias-primas agrícolas, ressalta-se o uso da eletricidade, dos combustíveis de origem fóssil, ambos usados na geração de calor e vapor necessário no processo de secagem e no transporte dos grãos em esteiras desde as moegas até os secadores. Onde os grãos são submetidos a um processo de secagem para perca do excesso de umidade natural, antes de tornar matériaprima industrial ou ser encaminhada a comercialização. No aspecto produtivo, fica evidente, a ampliação do uso de fontes de energia nos processo produtivo ocorrem em função da elevação mundial da demanda por alimentos, devido ao crescimento populacional. Acarretando na ampliação produtiva 3 Isso levou Mato Grosso ser um dos maiores consumidores de óleo Diesel do país, conforme Balanço Energético Nacional de 2010. 15 dos alimentos e conseqüentemente levando a ocupação de novas e maiores áreas de terras4. Assim, tem-se a continuidade de um sistema produtivo agrícola capitalista modernizado, resultando em um modelo social brasileiro baseado na permanência da concentração da terra, no êxodo rural, levando ao aumento do processo de assalariamento do homem rural, expulsando-os para as capitais isto em função do processo de industrialização da agricultura, que tem sua produção direcionada a atender as demandas do capital nacional e internacional (MENEZES NETO,1997). Esse modelo produtivo concentrador, expulsa a população das áreas rurais para as cidades em detrimento do uso de tecnologias mais eficientes apresenta melhores índices de produtividade. Na continuidade pela busca incessante de acumulação de capital, observa-se um processo de dinamização na economia regional devido a “penetração do capitalismo na agricultura e a subordinação dessa a agroindústria” conforme abordou Menezes Neto (1997). Nesse contexto, a agricultura passou a ser vinculada diretamente com o processo de acumulação de capital, ao substituir as culturas alimentares pelas culturas voltadas para o mercado externo. Esta mudança no perfil produtivo agrícola brasileiro teve conseqüências, como a industrialização do campo principalmente envolvendo a mão-de-obra com a multiplicação do trabalho temporário, refletindo mudanças nas relações sociais mediante a concentração dos meios de produção e causando o assalariamento do homem do campo (MENEZES NETO, 1997). Nos primeiros anos dos anos setenta do século XX, baseado na ocupação regional do centro-oeste, principalmente com vistas o Cerrado, ocorreu um movimento que substituía a “agricultura tradicional” pela “agricultura comercial moderna” que utiliza tecnologia avançada e consegue alta produtividade, enquanto a agricultura tradicional é tecnologicamente atrasada e de baixa produtividade. 4 A formação de metrópoles é decorrente do processo produtivo e do processo de acumulação em pontos estratégicos do território e que comanda o processo de produção, através da divisão do trabalho entre espaços hierarquizados do território e da apropriação do excedente gerado nesses espaços. No modo de produção capitalista, a indústria assume o papel dirigente da economia, subordinando, criando e redefinindo outras atividades, tornando agricultura um ramo seu. ROSSINI, R. E. . Natureza e Sociedade. In: VI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 1989, Águas de São Pedro. Anais do VI Encontro Nacional de Estudos Populacionais. São Paulo, 1989. v. 3. p. 17431756. Disponível em: http://www.abep.nepo.unicamp.br. Acesso em: 18 out. 2010. 16 Agricultura moderna dispõe de capital, terras, insumos agrícolas e capacidade administrativa, em quantidades e qualidades suficientes para desenvolver e aplicar uma tecnologia rentável, estando plenamente integrada à economia nacional. Já na agricultura tradicional não conta com todos e, às vezes, até nenhum destes meios e, com freqüência, quando deles dispõe, não tem a quantidade e a qualidade suficientes (Araujo, 1982, 9p.). Neste sentido, a implantação da agricultura moderna ampliava-se, a intensidade energética considerando as diversas etapas do processo. O desmatamento e a preparação do solo exigiam uma atividade preparadora, uma vez que a acidez da terra exigia calcareamento e aplicação de fertilizantes para se tornar produtiva. Mas alterna-se também, a natureza de energia produtiva de cereais: substituía a energia ecológica, de natureza renovável - solar e hídrica - pela energia fóssil – dos fertilizantes – apresentadas como combustíveis não-renováveis, buscando ganhos de produtividade. Desse modo, entende-se que a energia fóssil compõe o arranjo tecnológico do processo produtivo para gerar o alimento, cujas matérias-primas e outros insumos na base rural passam a participar no processo produtivo ao mesmo tempo em que atendem as necessidades alimentares e outras necessidades de matérias primas, insumos e bem-estar da população. De acordo com Campos & Campos (2004, p. 1977) a energia fóssil tem uma função essencial nos sistemas de produção agrícola, de modo, o preço afeta todos os custos da cadeia produtiva. Assim a “energia e produção de alimentos estão interligadas de tal forma, que qualquer impacto nos custos do petróleo transmite-se e ampliam a cadeia alimentar”. Pois, parte dos insumos necessários à produção agrícola contém derivados de petróleo ou gás natural no seu processo produtivo. Objetivamente, dentre os produtos que contém energia primária na sua composição de maneira importante estão os adubos químicos sua produção, geração e a fixação dos agrotóxicos. As relações sobre o desempenho da energia na atividade produtiva agrícola podem ser interpretadas a partir do processo de produção. Isso pode ser avaliado 17 através dos fluxos que incorporam a energia como fator, através de entrada e saída, também conhecidas como matrizes5. Essas ferramentas analíticas permite que o insumo seja avaliado ao longo do processo nas diferentes etapas. Também é possível avaliar processos de produção de energia além dos insumos utilizados, através da avaliação das cadeias produtivas. Desse modo a produtividade e a evolução da sociedade podem ser reveladas a partir de métodos de tecnologia e de conversão, tornando-se necessário que esse processo identifique gargalos e necessidades humanas de fontes e uso de energia. As crises de energia após a década de 1973 são normalmente identificadas quando o barril de petróleo ultrapassa os US$40.00. A partir de então os governos de diversos países iniciam processo de pesquisa procurando identificar as energias renováveis como alternativas ao uso de energia fóssil não-renovável, como ocorreu no Brasil ao longo dos primeiros anos do século XXI. Criava-se naquela conjuntura uma demanda por energia renovável, baseada em oleaginosas que pudessem ser identificadas como substitutas de energia fóssil, com características históricas do pró-óleo6. Buscando substituir o diesel, “vários testes foram realizados com diferentes proporções de mistura de biodiesel no diesel combustível mostraram resultados técnicos viáveis” (OSAKI &BATALHA, 2008). Entretanto, apesar da capacidade de produzir o biodiesel nacionalmente, reduzindo assim à dependência externa do petróleo, dois fatores paralisaram o avanço do uso comercial do biodiesel: a redução do preço do petróleo e o elevado custo de produção em comparação ao diesel. Com as discussões ligadas as disponibilidade do petróleo com preços acessíveis e os impactos que seu uso excessivo causa no meio ambiente, a discussão retomou em todo mundo. O Brasil, um país tropical produtor de diversas espécies de oleaginosas, ou seja, biomassa, com potencial de serem utilizadas para produzir o biodiesel e substituir o óleo diesel de petróleo. 5 Instrumento analítico-descritivo que apresentam matrizes e balanços energéticos. O Programa de substituição de fontes de energia adotado nos anos setenta apresentava o Proálcool (substituído a gasolina, o pró-óleo substituindo ao Diesel e o pro-madeira para gerar carvão, substituto do carvão importado. 6 18 Em 2004, o governo criou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel – PNPB, para estimular a produção do biodiesel, um tipo de óleo vegetal derivado de biomassa renovável designado para o uso em motores a combustão interna com ignição por compressão. Ainda de acordo com o regulamento, a produção desse biocombustível é para a geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou total os combustíveis de origem fóssil (Ministério de Ciência e Tecnologia, 2005). De acordo com Parente (2003), são diversas as matérias-primas que podem ser empregada na produção do biodiesel: gorduras animais (sebo bovino e óleos de peixes), óleos e gorduras residuais resultantes do processamento doméstico, comercial e industrial podem ser utilizados para produção industrial do biodiesel. Além de algumas espécies que se extrai o óleo vegetal como: baga de mamona, polpa de dendê (palma), amêndoa de coco de babaçu, girassol caroço de algodão, amendoim, canola, polpa de abacate, soja, nabo forrageiro, muitas outras espécies de vegetais em forma de sementes, amêndoas ou polpas. Apesar da ampla diversidade de opções de matérias-primas que possibilita a produção do biodiesel, a soja atualmente é a principal matéria-prima utilizada na produção nacional do biocombustível, devido à disponibilidade desse insumo principalmente nos estados da região centro-oeste, sul e sudeste. Nos últimos anos – após da decretação da lei Kandir em 1996 e a crise da soja, em 2006 – tem ocorrido ampliação da produção e exportação da soja “in natura”, destinados à exportação. Nessa perspectiva em alguns municípios das regiões de Mato Grosso, como Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, na região Médio Norte, novos projetos passaram a ser gestados procurando incorporar os ganhos de produtividade e acúmulo de margens em um processo que pode ser denominados de nova logística. Assim, o fluxo da produção primária realizado desde as unidades produtoras até os portos, por via rodoviária, ou eventualmente ferroviária, passaria a ser feito por rodovias vicinais até as moegas da indústria de esmagamento de grãos naqueles municípios. Para tanto, seriam realizados novos investimentos na atividade industrial, na indústria processadora de grãos, produtora de farelo e óleo degomado, mas especialmente produtora de carne de aves e suínos, de maneira que se 19 ampliava a demanda local por grãos. Por outro lado, também se criava uma oferta de produtos e co-produtos derivados da soja, alterando e ampliando a estrutura produtiva dos municípios situados ao longo da BR-163 (BERNARDES, 2010). Esses municípios – Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, configuramse desde a década de oitenta, como uma única região integrada, produtora de grãos de soja e milho. Após a instalação das indústrias transformadoras de alimento em função da implantação dos segmentos de beneficiamento de grãos passou-se a produzir farelo e óleo degomado. Portanto, criava-se uma dualidade produtiva no segmento óleo que permitiu, com a incorporação de tecnologias apropriadas produzirem na mesma unidade industrial óleo alimentar e biodiesel. Enquanto o farelo é o insumo da indústria na produção de ração destinado para a produção de carne de aves e suínos regionalmente, com seu excedente exportado para Europa7. Assim, como o óleo degomado, ao ser transformado em óleo refinado para alimento ou fonte de energia, como um éster destinado a mistura no óleo Diesel ou combustível substituto de óleo Diesel, passou a ter condições de ampliar preço tanto do primeiro produto, como do segundo em função do crescimento da demanda agregada e estabelecimento da oferta. Nesse contexto, a região recebeu investimentos com foco na produção de carnes de aves, suínos, óleo vegetal para consumo e biodiesel, além da ração animal como insumo básico de alimentação animal. Dessa forma a industrialização que se apresenta agrega valor aos produtos e consequentemente uma nova logística produtiva nos municípios regionais (BERNARDES, 2010). Deste modo, vão se estabelecendo circuitos produtivos decorrente da implantação e articulação de atividades modernas, com destaque a industrialização de grãos. Isso dinamiza a reprodução do capital, sobretudo, pela nova logística, que intercala o transporte rodoviário e futuramente a ferrovia e hidrovia, aliado ao sistema de energia e comunicação. Assim, levando a uma nova estruturação do espaço voltando para o escoamento de produtos e commodities produzidas na região (BERNARDES, 2006). 7 Informação obtida em aula de campo junto a empresa AMMAGI, 2010. 20 Houve nesse percurso um longo trajeto de mudanças para atender agricultores de propriedades produtoras de soja que necessitavam alterar suas margens. Por outro lado, foi necessário criar condições para a produção de agricultura de subsistência, na atividade agrícola predominante. Em essência passa a ocorrer uma operação comercial, na maioria das vezes com a produção voltada para atender o mercado, e cada vez menos ao sistema de produção: consumo de alimentos. Portanto, o agricultor atual passou a ser um especialista que se dedica a operações de cultivo e criação. As demais atividades relativas à produção como “armazenagem, processamento e distribuição de alimentos e fibra’’ vão se transferindo, em larga escala, para organizações fora da fazenda; em empresas industriais e prestadoras de serviços (Araújo, Wedekin, Pinazza ,1990). Para o desenvolvimento desta pesquisa recorre-se a caracterização da estrutura produtiva na região. Destacam as principais atividades de transformação que estão sendo estabelecidas, como aquelas relativas à produção agropecuária, indústria e comercio exterior. Destaca-se o uso da energia como insumo essencial para o desempenho dos sistemas produtivos. Busca-se assim, sobretudo, contabilizar, o modelo atual de produção que privilegia o uso de insumos energéticos ou sua substituição, principalmente de origem fóssil, suprindo a dependência energética de regiões distantes. (SANTOS, 2006). Justificativa A escala da produção dos grãos soja e milho, a partir dos anos noventa (1996), com o advento das idéias neoliberais, ao exigir mais e maiores volumes de investimento publico em infra-estrutura, considerando especialmente o transporte, educação e saúde da população que migrava do campo para as cidades, nos limites proporcionados pelas contraditórias políticas que de um lado se justificavam na busca de maior eficiência competitiva e por outro eram estimuladas a exportação sem maior geração de empregos através da lei Kandir. 21 Nessa situação, estabelecia-se uma equação na economia regional na qual se discutia a opção de agregar valor como forma de transformar proteína vegetal em proteína animal, de tal maneira que se reduziria o frete. Havia uma evidência empírica considerando que nessa perspectiva alteravam-se as fontes e usos de energia utilizada no processo produtivo agrícola e industrial como insumo presente em todas as etapas do processo produtivo, a saber: derrubadas, correção do solo, erradicação de pragas, fungos e ervas, transportes, armazenagem, mas especialmente no plantio e colheita, além dos tratos culturais. Da mesma forma no beneficiamento dos grãos, na produção de outros produtos como e óleos. Associados a criação de suínos e frangos e sua conseqüente industrialização. Também se justifica pela notável relação entre a energia consumida e produzida decorrente do processo produtivo. Nesse sentido para que ocorreram mudanças nos processos produtivos e necessário que se saiba o que, quando e onde se deseja produzir. Observava-se anteriormente que o consumo de energia – elétrica e combustível – especialmente óleo Diesel, insumo essencial na produção, havia tido o maior consumo “per capita” dentre os estados brasileiros no Balanço Energético Nacional, não havendo qualquer refinaria regional. Assim havia necessidade de se mensurar no processo a participação da energia nas diversas etapas de produção, agrícola e industrial, e avaliar a importância dessas transformações dentro de uma lógica que levasse em conta a energia. Também se poderia, com o mesmo método, avaliar a substituição de energia produzida no local em face da importada, substituindo o óleo Diesel pelo óleo vegetal. A importância do problema e a hipótese As históricas discussões relacionadas aos processos produtivos de Mato Grosso, considerando a qualidade da terra e sua logística, parecem ser superadas por dois eventos: a neutralização do solo e a agregação das matérias-primas de 22 origem agrícola. O primeiro deles, ao ser introduzido nos anos setenta e oitenta, permitiu criar uma nova perspectiva para a agropecuária regional. O segundo, todavia, diz respeito aos movimentos e mercados que, em geral, foram preteridos de capitais e iniciativas empresariais até o final da primeira década do século XXI e são decorrentes das transformações havidas no evento anterior, sempre discutido na perspectiva de transporte “in natura”. Para tanto, seja qual for à solução, é necessário considerar que a presença da energia é fundamental para que o processo se realize. O presente trabalho propõe-se a discutir a seguinte problemática: Existe um equilíbrio entre a energia consumida e produzida nos sistemas produtivo agrícola e industrial? Para tanto, considera-se a seguinte hipótese a ser averiguada: Ocorre uma eficiência energética dos sistemas produtivos de tal modo que o equilíbrio energético dos diversos sistemas produtivos no confronto é positivo. Objetivo Geral: Avaliar no conjunto das eficiências energéticas dos sistemas produtivos agrícolas e industriais estudados os resultados produtivos a partir dos fluxos energéticos de “entradas” e “saídas” de energia. Objetivos específicos: Conhecer as dimensões das relações de entrada (input) e saída (output) de energia nos sistemas de produção agrícola a industrial. Identificar os insumos energéticos que serão contabilizados em cada sistema de produção. Apresentar os coeficientes energéticos utilizados para contabilizar as entradas e saídas de energia de cada sistema produtivo. Quantificar e analisar o insumo energia, utilizado nos sistemas produtivos a partir da definição das entradas e saídas de energia. Avaliar a eficiência energética de cada sistema produtivo. 23 Estrutura do trabalho Este trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos, juntamente com a Introdução. O primeiro capítulo aborda os conceitos que definem energia e suas principais fontes que se prestam de base para evolução social dos seres humanos. Assim como a descrição das principais fontes de energia fóssil utilizada pelos seres humanos que permitiram a revolução industrial. Nessa perspectiva discutem-se as relações que envolvem a energia, a natureza e a sociedade, na qual a energia é um insumo essencial em diversas atividades produtivas, sobretudo na produção agrícola moderna, cujo uso de energia fóssil é constante. No segundo capitulo, esta trata dos agrossistemas fazendo uma descrição da relação dos seres humanos e sua capacidade de manipulá-los, abordando a entrada e saída de energia que ocorre nos agro-sistemas. Contempla, sobretudo, também uma abordagem sobre a região do médio norte do Estado de Mato Grosso e as atividades produtivas que ali ocorrem em função da abundancia dos grãos de soja e milho. Considerando ainda a instalação de empresas industriais ligada diretamente ao uso dessas commodities como matéria-prima para a produção de biodiesel, a produção de ração, criação em sistemas de aves, suínos. Como derradeiro ponto do capitulo abordar a questão relacionada ao transporte da produção regional para outras regiões do país. No terceiro capitulo apresenta-se a metodologia. Para tanto, descreveramse as unidades de medidas de energia presente nas diferentes referencias, os coeficientes energéticos necessários para se computar a energia que sai e entra em cada sistema, estabelecendo indicadores relativos a cada coeficiente. No quarto capitulo a analise dos resultados, refere-se à eficiência energética de cada sistema produtivo, a partir dos índices obtidos da diferença entre a energia produzida e consumida em cada sistema produtivo. 24 1. ENERGIA: CONCEITOS E SUAS PRINCIPAIS FONTES A definição de energia tem diversos significados, dependendo de sua compreensão por quem a define. A palavra energia se origina da ciência aristotélica da terminologia grega “energueia” que significa ato (no dicionário clássico grega expresso força, algo que atua, que transforma, que movimenta). Nesta definição efetuada por Aristoteles, a “força não pode ser dissociada da ação de puxar e empurrar, pois ela não pode ser separada do elemento que a produz”, esse pensamento sugere que esta noção esta relacionada ao que se move e o que causa o movimento estão conectados de modo que a ação de um depende do outro para que o movimento aconteça8 (ORNELLAS, 2006). Segundo o dicionário Houaiss & Villar (2001) a partir de 1563 que a língua portuguesa adotou o conceito atual de energia. Assim, entendeu-se que esse substantivo refere-se capacidade que um corpo, uma substância, um sistema físico tem de realizar trabalho9. Mas, reconhecido pelo seu aspecto filosófico por Aristóteles tinha como significado a ação de um motor (físico ou metafísico) que permitiria a atualização de uma potencialidade. No seu sentido figurado significa o vigor ou a potência moral de um ser. Em definição sobre energia Calabi (1993), a energia está diretamente relacionada com a capacidade de realizar trabalho, reafirmando o conceito da física. E através desse trabalho é possível que ocorram mudanças em relações físicas relacionada à forma, tempo e lugar. Assim, a noção de energia é uma construção intelectual, teórica, criada por cientistas, e se fundamenta no pressuposto de que existe uma equivalência entre fenômenos com os quais se pode observar empiricamente, calor e movimento. Assim, sua origem é difusa e de certa maneira subjetiva. Neste estudo, ao procurar compreendê-la, trata-se a mesma de um ponto de vista material produzida socialmente, como pode ser reconhecida nos conceitos que se seguem. Desse 8 Assim, segundo Aristóteles, "tudo que se move é movido por alguma outra coisa". Além do que, o que move e o que é movido devem estar em contato. Daí deduz-se que aquele que causa o movimento também se move. Tabata et al. Energia Elemento Transformador da Sociedade. Parte II. Disponível em: http://www2.fc.unesp.br/gsmdnm/pdf/Energia-II.pdf. Acesso em: 05 jan. 2011. 9 Esta idéia remonta a Aristóteles. 25 modo, a energia é um elemento criado pelo ser humano. Tal capacidade humana ficou estabelecida quando se revelou como ser pensante, que lhe permitiu, a partir da observação da natureza, controlá-la, transformando os recursos naturais disponíveis para seu uso. A partir desse momento tornou-se o ser humano capaz de inventar e reinventar seus processos de produção para assegurar as condições de sobrevivência. Para tanto, fizeram-se necessários o uso da energia da força humana e posteriormente, com o aperfeiçoamento das ferramentas como arado complementado pela força animal (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993) Nesse estágio de desenvolvimento social do ser humano, a energia foi o elemento essencial da sobrevivência, não somente como fonte de alimento, mas também como fator propício à própria evolução social. Isto significa que a partir do momento no qual se realiza a produção dos meios de subsistência com o uso da energia amplia-se a produção e reprodução para a sociedade humana. Portanto, a energia foi fundamental para evolução social e seu aperfeiçoamento na medida em que o ser humana a criava, controlava e a utilizava nas formas de energias disponíveis. Esse progresso ocorreu com o domínio dos elementos da natureza (água, vento, ar, fogo, terra), que permitiram o avanço da vida primitiva na antiguidade clássica. Na visão de Marx (1984), a relação do ser humano com a natureza está intermediada pela energia. Dessa forma, ela pode ser definida como fator fundamental para as atividades humanas como um processo de natureza social. Assim, toda a produção e serviços executados pelo ser humano dependem de alguma fonte, forma ou conversor de energia para realizar suas atividades produtivas. Sendo assim, o autor sintetiza a noção de produção da seguinte forma: “toda produção é uma apropriação da natureza pelo indivíduo no interior de uma forma social determinada por esta”. Assim, ao se apropriar da natureza, como uma apropriação material, tanto dos recursos naturais quanto dos bens produzidos pelo trabalho humano, humaniza a natureza, criando o que seria conhecido posteriormente como entropia social. A apropriação da natureza com as diferentes fontes de energia veio ocorrendo na medida em que o ser humano encontrava a natureza disponível e 26 descobria as diferentes maneiras de transformá-la e utilizá-la para atender as suas necessidades de produção (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993) Nessa evolução de natureza social ampliou cada vez mais o uso da energia e permitiu que se criassem as máquinas ferramentas, que dependeram da evolução das fontes de energia e de seus conversores que geram a força motriz para movimentá-las e realizar a produção. Marx, a tratar desse aspecto, aborda o desenvolvimento da maquinaria pelos elementos que a constitui da seguinte forma: Toda maquinaria desenvolvida constitui-se de três partes essencialmente distintas: a máquina motriz, o mecanismo de transmissão, finalmente a máquina-ferramenta ou máquina de trabalho. A máquina motriz atua como força motora de todo o mecanismo. Ela produz a sua própria força motriz, como a máquina a vapor, a máquina calórica, a máquina eletromagnética, etc; ou recebe o impulso de uma força natural já pronta fora dela, como a roda d’água, o da queda d’água, as pás do moinho, o vento, etc. O mecanismo de transmissão, composto de volantes, eixos, rodas dentadas, rodas piões, barras, cabos, correias, dispositivos intermediários e caixas de mudanças das mais variadas espécies, regula o movimento, modifica, onde necessário, sua forma, por exemplo, de perpendicular em circular, o distribui e transmite para a máquina ferramenta. Essas duas partes do mecanismo só existem para transmitir o movimento à máquina-ferramenta, por meio da qual ela se apodera do objeto do trabalho e modifica-o de acordo com a finalidade. É dessa parte da maquinaria, a máquina-ferramenta, que se origina a revolução industrial no século XVIII. (MARX, 1982, p. 425). Todo processo descrito pelo autor d’O capital, permite interpretar a evolução dos meios de produção com uso das máquinas ao longo da Revolução Industrial. Isso revela que a necessidade de criar novas máquinas para aumentar a eficiência produtiva, elevou a demandas por fontes de energia, gerando-se além de novos negócios com a própria energia, novas mercadorias, decorrentes do aperfeiçoamento da máquina ferramenta, então mais eficientes. Assim, ampliava-se o uso de energia hidráulica, do carvão e mais tarde de outras fontes de energia. Também se criava, com os novos teares, novos tecidos, disponibilizados pelo mercado. A transmissão - volantes, eixos, rodas dentadas, correias, rodas-piões, cabos, correias -, por exemplo, ao ser incorporada como parte 27 essencial da maquinaria, permitiria fazer acontecer novos negócios para realizar a otimização dos conversores de energia que passavam a ser introduzidos nos processos fabris. De acordo com Hemery, Debier e Deléage (1993) a relação energia e sua mobilização organizam-se no interior do sistema, cujas dimensões são ao mesmo, tempo, sociais, técnicas, políticas, mentais etc., mas, sobretudo sociais. Portanto, no contexto social a energia é um elemento de transformação da estrutura social, pois as descobertas das diferentes formas de energia e seu uso permitiram o processo de desenvolvimento sócio-econômico. Impulsionado pelas invenções e aperfeiçoamentos de novas máquinas, à medida que foram surgindo e adequandose as novas formas de energia, que se revelavam mais eficientes, e, portanto, possibilitavam maiores índices de produtividade. O processo histórico de desenvolvimento sócio-econômico, contou diversas fontes de energia disponíveis ao ser humano, e estas se destacaram por permitir o desenvolvimento técnico de suprimentos energéticos que atendesse a sociedade ocidental e suas demandas. Deste modo, todos os anseios da sociedade capitalista passam a ser suprido por algo que tem o poder de transformar e modificar “o trabalho”. Assim, como a capacidade de criar produtos que suprem suas necessidades ligadas à prática da agricultura, a extração dos recursos naturais, através do uso de técnicas, ferramentas e máquinas inventadas e aperfeiçoadas a partir do uso de energia, e que utilizam energia no decorrer de seu funcionamento. Desta forma, o ser humano torna-se menos submisso a natureza, a partir do momento que passa a ter condições de produzir seu próprio espaço (ROSSINI, 1989). Apesar do ser humano ser capaz de produzir seu próprio espaço, a existência de uma relação entre a sociedade e a natureza, é considerado por Marx e Engels com uma relação indissociável, que se justifica pelo modo como a natureza tornou-se um objeto dos processos de trabalho a ser transformado pelos meios inventados pelo ser homem. Como a máquina-ferramenta, que é movida por um sistema energético que une fontes de energia em um ato produtivo que tem por objetivo atender as demandas das diversas classes (HEMERY, DEBIER e DELÉAGE1993) 28 A energia também é um insumo utilizado durante o processo de produção, para movimentar máquinas, motores; incandescer lâmpada e iluminar ambientes; provocar a combustão de motores de veículos que transportam bens, mercadorias e pessoas. Com ela, é possível satisfazer as necessidades de força motriz, de iluminação, de cocção, de climatização e de produção de alimentos entre outras. A energia tem a capacidade de tomar as mais variadas formas: energia mecânica, calorífica, gravitacional, elétrica, química, magnética, radiante, nuclear e etc., que são denominados de sistemas energéticos. Os sistemas energéticos são constituídos por diversas fontes e formas de energia encontrados na natureza, criado e transformado pelo homem, e dividido entre fontes renováveis: energia solar, eólica, hidráulica e geotérmica que darão origem a diversas formas de energia secundária de uso social. As fontes de energias não renováveis compreendem os combustíveis fósseis que demoram milhões de anos para se formarem e não podem ser produzidos em pouco tempo como a energia nuclear. No quadro 1, apresenta-se o Diagrama Ennio que descreve as fontes de energia renováveis e não-renováveis. 29 Figura 1: Diagrama Ennio – Fontes de energia Fonte: Ignacio (2007) O Quadro 1 diagrama Ennio – Fontes de energia esquematiza as fontes renováveis e não-renováveis de energia. Dentre as fontes renováveis são apresentadas como primárias: a solar, eólica gravitacional, geotérmica. E as secundárias apresentada pelo movimento dos oceanos, dos ventos (eólica), das águas (hídricas). Há nessa categoria ainda a biomassa. A primeira fonte de energia, a solar, deriva das emissões solares que se reproduzem no processo de produção da biomassa que se caracteriza como fonte secundária de materiais. Nesse conjunto de fontes secundárias está à chamada biomassa, constituída por energia produzida pelo processamento da madeira, canade-açúcar, arroz, milho e soja e seus resíduos (bagaço, palha), cuja eficiência depende da tecnologia. Também como fontes renováveis oriundas da biomassa estão o carvão vegetal, óleos vegetais e o biogás (IGNÁCIO, 2007). 30 As demais fontes de energia renovável são as energias geradas nos oceanos, do vento chamada de eólica, a hidráulica oriunda do deslocamento e/ou quedas das águas que para seu aproveitamento utilizam as centrais hidrelétricas como conversores. A energia hidráulica se destaca pela intensa utilização nas regiões onde há grandes bacias hídricas formadas por grandes, médios e pequenos rios, além da queda d’água (IGNÁCIO, 2007). Dentre as fontes de primárias de energia, o uso da energia nuclear destacase como uma descoberta importante e marcante no século XX. A energia nuclear uma fonte de energia que produz calor por meio de reatores atômicos alimentados por elementos radioativos e processados como urânio, plutônio e outros, porém nãorenovável. As demais fontes de energia secundárias não-renováveis, de origem fóssil são compostas pelo petróleo e seus derivados, o gás natural, o carvão mineral, o xisto e a turfa. De acordo com Ignácio (2007) este grupo é proveniente de biomassa fóssil10 que ser armazenou e se transformou no subsolo terrestre, todos encontrados em reservas minerais, descritos no diagrama de Ennio. Entretanto, o petróleo e seus derivados, o carvão mineral e o gás natural necessitam ser transformada em energia secundária por meio de processos físicos e químicos – portanto industriais – para serem utilizadas. Assim, o petróleo necessita ser refinado para transformar-se em produtos industriais, como: gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), querosene, asfalto entre outros (JANNUZZI, 1997). Ao queimarem as fontes de energia como derivados fosseis, carvão mineral e gás natural têm como conseqüência o efeito estufa causados principalmente pela emissão de CO² (gás carbônico) que provoca o alto grau de poluição ambiental 11. (TOLMASQUIM, 1992). 10 Formados de materiais de origem de animais – protozoários – vegetais – madeira – que foram depositados e transformados pela natureza por milhões de anos e alterando suas naturezas de seres vivos em minerais do subsolo terrestre para fontes de energia. 11 aumentando a temperatura dos oceanos e os níveis de água. em aproximadamente 2mm por ano, ameaçando as maiores concentrações humanas ( Bangladesh, Países-Baixos, Nova Orleans, deltas do Nilo, Do Mekong, do Indus) essas populações seriam diretamente atingidas 31 1.1 Energia dos alimentos: base da evolução da espécie humana Da mesma forma que diversas as máquinas como: carros, caminhões, ônibus funcionam com o consumo de combustível necessário para mantê-los funcionando, a partir da energia liberada através do processo de combustão. O ser humano semelhantemente também necessita de combustível para “funcionar” e aproveita a energia no decorrer do processo de combustão dos alimentos, de maneira similar ao que acontece nos carros, através de reação com oxigênio e produção de substâncias mais simples, geralmente gás carbônico e água (FRANCISCO, 2002). O principal combustível dos seres humanos são os alimentos compostos basicamente de carboidratos, proteínas e gorduras. A energia dos alimentos é expressa em calorias e a obtenção dos alimentos pelos primeiros habitantes do planeta Terra, iniciou-se com a caça e a coletas de frutos, desta forma conseguiam a energia necessária a sua sobrevivência. Mas, à medida que foram descobrindo na natureza meio que os ajudassem na sua sobrevivência, seja por intuição ou erros e acertos, a descoberta de objetos, como agarrá-los e arremessá-los, possibilitou a mudança na natureza dos humanos, pois a partir do uso desses objetos: como uma pedra, pedaço de pau, um longo osso que pudessem ser utilizados em suas atividades, “o ser humano utilizou a energia disponível no meio ambiente na forma em que ela apresentava na natureza” (BURATTINI, 2008). De acordo com Landini (1998) com o equipamento de defesa situado fora do seu corpo, e o conhecimento do mesmo, tornou possível uma variedade ilimitada de movimentos, possibilitando ao homem primitivo uma mudança em seu comportamento a partir da agilidade adquirida que permitiam executar determinadas atividades com maior êxito. Essas vantagens obtidas pelos seres humanos garantiram alimentos com regularidade seja como caçadores ou coletores, domesticação de animais e na agricultura. Possibilitariam desses estágios mais avançados de conhecimentos da 32 natureza, a ponto do ser humano dominá-la, por meio do aprimoramento de suas técnicas, dando origem ao processo evolutivo denominado de Revolução Agrícola. A partir desse momento os seres humanos dão inicio a produção de seu próprio alimento, o cultivo dos mantimentos permitiu que aos seres humanos que praticavam a agricultura acumulassem alimentos, representando um avanço para humanidade (AGUIAR, 2006). A cultura de produzir seu próprio alimento ocorreu devido ao favorecimento de algumas espécies vegetais e animais, que se adaptaram a reprodução, passiveis de seres domesticados como porcos, ovelhas e cabras, e essas descobertas vieram a complementar ou ate mesmo substituir à tarefa de caça e coleta de alimentos. O domínio desse novo modelo de sobrevivência dos seres humanos primitivos levou a mudança de comportamento por partes de determinadas populações, principalmente porque o cultivo de determinada espécies de alimentos permitiu período de tempos livre após grandes colheitas. Mas também impôs necessidade de disciplina coletiva, ao desempenho das rudimentares atividades produtivas, desde planear o solo, “a colheita dos alimentos, armazenagem, transporte, preparo e a partilha”. Nesse contexto Burattini (2008) descreve algumas das vantagens que a descoberta da agricultura trouxe: O surgimento e desenvolvimento das primeiras civilizações agrícolas levaram ao primeiro grande aumento populacional. Assim entre 10.000 e 6.000 a.C., a população mundial passa de 5 milhões para quase 90 milhões de habitantes. É nessa época que surgem também técnica da metalurgia, a arte de trabalhar com metais. O uso do metal trouxe muitas vantagens: fabricar utensílios mais afiados, resistentes e que adaptassem melhor ao manuseio (BURATTINI, 2008, p.30). Durante o processo de evolução o ser humano adquiriu a capacidade de adaptarem-se as transformações e mudanças ocorridas em suas atividades cotidianas. Tal capacidade é recorrente da organização e da mobilização inertes a sua condição de vida, levando-o a distanciar-se cada vez mais do seu ambiente natural primitivo, dando lugar, portanto, as condições (re)criadas por si e seus pares. 33 Desta forma, a espécie humana foi evoluindo seu modo de viver, e de alguma maneira está sempre (re)criando e se reinventando, e estabelecendo relações sociais entre si, que demandam cada vez mais de fontes de energia. 1.2 A participação das fontes de energia na evolução social O alimento é a fonte de energia do ser humano consome e esta lhe dá disposição para realizar suas atividades básicas, como andar, correr, pensar e etc. Porém, com a descoberta e o controle do fogo, diversas foram as utilidades incorporadas por este elemento, como: a iluminação, o aquecimento, cozimentos dos alimentos, este último facilitou trabalho do aparelho digestivo, provendo o ser humano de mais energia para suas atividades. Além da força humana, a utilização da força animal em determinadas atividade representou uma fonte de energia importante, para a produção considerando as ferramentas do campo. Sobretudo considerando que a força muscular fornecida pelo animal considerado no mínimo quatro vezes maior que a força humana, para execução de trabalho pesado, como o arado (TESSMER, 2002). Outras fontes como a água e o vento estariam disponíveis em determinados territórios e favoreciam a navegação em rios e mares, desempenhando importante papel no progresso das civilizações. Sobretudo, pela sua constante presença destaca-se a água que ao ser represada propiciou ocorrer à revolução agrícola, nas grandes civilizações da antiguidade, as margens de grandes rios, como, os Egípcios as margens do rio Nilo, os sumérios e assírios na Mesopotâmia entre os rios Tigres e Eufrates e os Chineses ao longo do rio Amarelo e Yang-Tsé (BURATTINI, 2008) A utilização dos recursos naturais disponíveis levou ao aperfeiçoamento de técnicas, conforme as necessidades humanas. Para estas civilizações baseadas na agricultura a água era de vital importância. Assim, ali foram desenvolvidos sistemas de irrigação, utilização de diques, monjolos, roda d’água. Sem ter consciência disso, o homem antigo fazia uso de um dos processos de transformação de energia presentes na natureza. Nestes dois últimos casos, a energia potencial gravitacional da água represada era transformada em movimento e aproveitada para moagem de grãos (BURATTINI, 2008, p.33). 34 O domínio dessas formas de energia tornou possível grande realizações da humanidade como cidades e monumentos antigos que foram construídas com base no uso destes tipos de energia. Exemplo, a construção das pirâmides do Egito, que ocorreu mediante o uso da força muscular dos trabalhadores envolvidos na construção fornecendo energia necessária, além da força muscular, utilizava a navegação como meio de transporte, estabelecendo assim a ligação entre sistemas sociais e formas de apropriação de energia por determinadas civilizações (MORAES, 2005). O registro mais antigo conhecido sobre a utilização do vento e da água como fonte de energia refere-se ao domínio dos movimentos das correntezas, permitindo aos seres humanos viajarem além de seu próprio continente fazendo novas descobertas em outras partes do mundo. Assim, a utilização do vento lhe permitiu poupar sua própria energia durante suas navegações, feita em embarcações à vela. Neste aspecto, as energias proporcionadas pelas fontes energéticas disponíveis na natureza foram importantes ao desenvolvimento inicial dos meios de transporte que viera possibilitando o deslocamento das pessoas. Através da navegação, estabeleceu-se a realização do comércio entre diferentes povos, assim como o conhecimento entre diferentes culturas e seu modo de viver, expandindo a área de influência das cidades e civilizações. Ainda de acordo com Macedo (2006) “o domínio dos sistemas energéticos hidráulicos e eólicos (fizeram aumentar à produção agrícola, o crescimento demográfico, a expansão das cidades e a produção metalúrgica)”. O período compreendido entre os séculos XI e XV registrou lentas transformações decorrentes de esforços deliberados de substituição da energia humana por outras energias observáveis na natureza. Mas, entretanto, com o domínio da tecnologia mecânica, substituíram os sistemas energéticos de tração animal por máquinas movidas pelo vento e pela água, estes mais eficientes em termos produtivos e energéticos (MACEDO, 2006). Na história da humanidade essas fontes de energia estabeleceram um paradigma inicial em relação consumo energético, que perduraria durante o auge do Império Grego e Romano até a inovação seguinte precedido com a concepção dos 35 moinhos baseados em três tipos de força: animal (cavalo e mula), humano e hidráulico. Para Hemery, Debier e Deléage (1993) a demora no surgimento dos moinhos e da força mecânica esta atrelada ao sistema de escravidão que canalizou as necessidades energéticas da sociedade, retardando o surgimento dessas inovações na Europa. Entretanto, essa tecnologia era conhecida pelos chineses e persas por volta de 200 a.C para a moagem de grãos, conforme demonstraram vestígios rústicos encontrados nesses países. De acordo com Hemery, Debier e Deléage (1993), o moinho de vento difundiu-se no século XVI, na Europa Ocidental, porém, era uma técnica antiga e conhecida pelos árabes nos primeiros séculos da nossa era. E foi introduzido na Europa pelos mercadores e soldados que retornavam do Oriente, vindos das Cruzadas há 900 anos. A propagação do uso dos moinhos na Europa ocorreu principalmente nos Países Baixos, com destaque a Holanda onde seu uso disseminou-se após aprimoramentos, foram destinados a diversas atividades cotidianas, como bombear água de seus terrenos alagados pelas marés para a produção agrícola, beneficiamento de cereais – descascamento quebra e moagem, fabricação de óleos vegetais para acionar foles em forjas, marteletes no preparo de couros, apisoar tecidos e malhar peças de ferro, preparo de tanino para curtumes, fabricação de papel e etc (BURATTINI, 2008, TESSMER, 2002). Essa tecnologia se propagou de tal forma no século XVIII, que somente na Holanda havia mais de 10.000 unidades, no Sul da Inglaterra um total de 5.624 moinhos da em funcionamento, esse total representava 01 moinho para mais ou menos 50 famílias, duplicando o volume de energia mecânica disponível (MARTIN, 1992). O uso dos moinhos como ferramentas fornecedoras de energia necessária à produção de diversos produtos representaram uma protoindustrialização e um caminho irreversível na utilização de recursos técnicos que melhoraram os rendimentos produtivos do ser humano. Marcando o início dos empreendimentos capitalistas energéticos, que impulsionou no avanço da infraestrutura energética 36 com a participação da energia mecânica colaborando com o desenvolvimento econômico da Europa Ocidental. Impulsionando o crescimento demográfico, “o aumento da produção agrícola, a multiplicação das trocas, a emergência das manufaturas e, de forma mais geral, a expansão do capitalismo” (MARTIN, 1992). Com relação ao aumento da produtividade agrícola em função da rotatividade de culturas, as técnicas adotadas eram a alternância no cultivo de cereais junto com forragens no mesmo terreno, assim como a substituição dos rústicos arados de madeira pelos arados de ferro como aiveca no século XIII, trocando bois por cavalos no processo de aragem. A expansão da fronteira agrícola e das melhores técnicas de cultivo e da produção agropecuária favoreceu a partir do século IX, o inicio de um forte crescimento populacional, renovando as áreas urbanas, desta forma mudando os antigos quadros sociais12. Principalmente com a revolução industrial e o surgimento das máquinas a vapor, levando ao declínio a determinados modos de obtenção de energia por outros mais modernos e potentes que pudessem satisfazer as necessidades dos seres humanos no novo modelo de produção e modo de vida. 1.3 As principais fontes de energia fóssil utilizada pelo ser humano Atualmente as necessidades energéticas mundiais estão baseadas na exploração de combustível fóssil, de origem mineral constituído por um grupo de substâncias formado de composto de carbono, o carvão mineral, o petróleo e o gás natural geralmente empregado para alimentar a combustão. A figura 02 mostra todas as fontes de energia ofertada no mundo para os diversos setores da sociedade, conforme demonstrado no Balanço Energético Nacional 2011- BEN. 12 Os avanços aumentaram a produtividade liberou mão de obra para trabalhar nas fábricas localizada nas cidades. 37 Figura 2: Oferta Interna de Energia (Mundo 2008)13 Fonte: Empresa de Pesquisa Energética - EPE (2011) O crescimento e a expansão das economias capitalistas estão baseados no intenso na apropriação da energia, no uso das fontes de energia de origem fóssil, de modo que petróleo e seus derivados representam 33,1% da oferta de energia consumida no mundo, o carvão mineral e seus derivados abundantes em algumas regiões do planeta. Com preços menores a oferta cerca de 27,0% da energia disponível a ser consumidas nos parques industriais espalhados pelo planeta e o gás natural representa 21,1% (BEN, 2011). Somando as fontes de energia que são ofertadas no mundo, de acordo com o BEN (2011) 80,5% são de origem fóssil, enquanto apenas 12,7% são oriundas de fontes renováveis como a energia das biomassas e hidrelétricas, os 5,9% provindos da energia nuclear. À medida que as nações desenvolvidas e as demais em via de desenvolvimento vão expandindo suas economias, por meio da produção de determinados bens, novas necessidades de energia são requeridas e para atender a 13 *Inclui combustíveis renováveis, resíduos sólidos urbanos, energias solar, eólica e geotérmica, e etc. 38 demanda desse novo cenário econômico em via de expansão, intensifica-se a demanda energética. Assim como aconteceu na Europa Ocidental na descoberta do carvão mineral que se tornou a principal fonte de energia utilizada nos motores a vapor nas primeiras industriais da Inglaterra, e posteriormente passou a ser usado nos meios de transportes como trens e barcos a vapor e seu uso disseminou-se. Todavia, a energia provinda do carvão mineral usadas nos motores a vapor foram uma das grandes inovações que levou a Revolução Industrial. Possibilitando uma significativa melhora na produtividade das indústrias devido à intensidade do trabalho, porém a produção limitava somente ao período diurno. Buscando prolongar o tempo de trabalho e a assim a exploração dos trabalhadores mediante a utilização das novas máquinas, o ser humano desenvolveu formas de energia que permitiam a iluminação artificial, por meio da iluminação a gás que possibilitou a organização de uma estrutura que permitia o controle técnico, espacial e financeiro no centro produtivo. Desse modo, obtinha-se a regulação e a gestão dos recursos produtivos para a efetivação de uma economia de escala que maximizasse a utilização do seu capital produtivo (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993), Esse modo de organização da produção aliado aos meios de transportes já estabelecidos, constituiu um importante sistema oriundo de três fatores: da renda energética, da técnica e do domínio espacial, alcançados por meio da transformação da energia primária em secundária. A segunda fonte de energia fóssil – o petróleo14, inicialmente era usado exclusivamente para iluminação, para obtenção do querosene e para alimentar pequenos aquecedores durante o período de inverno. E sua utilização disseminou- 14 O conhecimento da utilização do petróleo pelos registros históricos que remontam a 4000 a.C. sendo utilizado pelos povos do Oriente Médio. Nabucodonosor usou o betume como material de liga na construção dos célebres Jardins Suspensos da Babilônia. Os egípcios o usaram para embalsamar os mortos e na construção de pirâmides, enquanto gregos e romanos dele lançaram mão para fins bélicos. Só no século 18, porém, é que o petróleo começou a ser usado comercialmente, na indústria farmacêutica e na iluminação. Disponível em: http://www.petroleoetc.com.br/fique-sabendo/o-que-epetroleo/ 39 se primeiramente nos campos, com o uso das lâmpadas de querosene aliados aos baixos preços, possibilitando novas perspectivas ao homem do campo15. A primeira etapa relativa a historia do desenvolvimento do mercado petroleiro deve-se a substituição dos óleos vegetais e de origem animal como o óleo de baleia por querosene em função do crescimento constante da necessidade de iluminação, o preço e a facilidade no uso. Firmando sua superioridade técnica e econômica em relação aos demais produtos destinados a iluminação (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993), Posteriormente, com a instalação de sistema um energético denominado eletricidade desenvolvido no século XIX, iniciou-se a comercialização da iluminação elétrica por volta de 1870, primeiramente com objetivo de atender a demanda por iluminação residencial, e em seguida se estendeu a iluminação pública e a outras funções, passando então a concorrer com os custos da iluminação a gás. Segundo Hemery, Debier e Deléage (1993), no final do século XIX, a eletricidade se expandiram na Europa, juntamente com a introdução do motor elétrico que transformou a usina tornando possível acoplar diretamente um motor à ferramenta, dispensando-o da necessidade de ligá-lo a um conversor central – máquina a vapor ou turbina. Este avanço libertou as usinas do transporte e manipulação do carvão, das variações de vazão do curso d’água. Mas, sobretudo, a mudança da fonte energética como fonte de energia ao motor das maquinas favorecendo a ganhos no rendimento do trabalho humano. Devido ao beneficio conferidos a eletricidade passou a dominar a cena na atividade relacionada à energia por se tornar mais barata e eficiente que o carvão. Passando a ser utilizada para o funcionamento dos motores elétricos e sua distribuição por redes passíveis de ser transportada da energia por linhas de transmissão, complementando-se o seu rendimento econômico aliado a maior eficiência dos conversores. Em 1930 a energia domina o novo regime de regulagem do sistema capitalista, “pelo abandono das formas energéticas herdadas dos séculos anteriores, como navegação a vela, lenha, a tração animal e mesmo a maquina a vapor” (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993, 187p.). 15 Permitindo-lhe atividades como ler e escrever a noite, dando-lhe um aproveitamento melhor do seu tempo e diversificar suas atividades diárias popularizou a querosene no campo ao invés de ocorrerem nas cidades dos países industrializados. 40 Posteriormente, com a descoberta de poço de petróleo ocorrido em 1859 por Edwin L. Drake no estado da Pensilvânia nos Estados Unidos, a exploração desse poço de petróleo caracterizou-se desde o iniciou por uma tendência de superprodução, acarretando saturação no mercado e ocasionando uma baixa do preço do petróleo16. O ramo da exploração de petróleo se popularizou cinco anos após a descoberta de Drake, e os Estados Unidos já contava com nada menos que 543 companhias entregues a nova e rendosa atividade. Apesar de haver muitas empresas no ramo da exploração do petróleo, o consumo desta fonte de energia elevou-se somente após a invenção do motor de explosão, no final do século XIX, ocorreu à ampliação no consumo de energia fóssil. Com motor mais leve que a maquina a vapor17, os transportes terrestres passaram a ter rendimento superior a maquina a vapor18. Após a invenção do motor em 1893 por RUDOLF DIESEL um alemão, engenheiro, que inventou o tipo de motor que hoje leva seu nome: motor diesel. A invenção do motor a explosão, elevou a um novo patamar, aumentando a utilização da energia fóssil. A partir dessa descoberta a indústria do petróleo a incorporou e passou a produzir o combustível necessário para o funcionamento do motor, neste caso o “óleo diesel” derivado do petróleo (HEMERY, DEBIER E DELÉAGE, 1993). Assim, seguiu-se o desenvolvimento da indústria automobilística, a expansão do uso do automóvel e conseqüentemente a demanda por derivados de petróleo impulsionando o mercado petrolífero devido à elevação dos preços de seus derivados, principalmente a gasolina. Esse desenvolvimento possibilitou a “mais valia” da energia associado ao petróleo, apoiada no sistema técnico do motor de combustão interna. Desde então, o 16 Nesse período o barril que valia US$ 2,00 dólares em 1859 caiu para US$ 0,10 centavo de dólares em 1862, mostrando um cenário de total desvalorização do produto. 17 O motor de combustão interna desenvolvido por Diesel 18 Por ser um combustível que permitia melhor aproveitamento energético quando comparado ao poder calorífico do carvão mineral. 41 consumo de derivados de petróleo por automóveis19, caminhões, máquinas agrícolas entre outros, acarretou uma forte expansão nas vendas e nos preços. Logo no século XX, a utilização do petróleo como fonte energética tornou-se preponderante em escala mundial, principalmente devido às condições de armazenamento e transporte a longas distâncias, aliado ty A popularização do petróleo se deve as suas características peculiares que a tornaram a principal fonte de matéria-prima da sociedade moderna, a ponto de gerar disputas econômicas e políticas entre diferentes nações. Cottrell (1955) acreditava que a condição maior de uma determinada fonte energética era a energia adicional que essa fonte seria capaz de produzir e integrar ao sistema maior. Porque, à medida que as sociedades adotavam uma nova tecnologia geradora de energia, isto ocorria em função da capacidade de produzir excedente de energia mais elevado que o anterior, e, então, este potencial excedente de energia passa a ser empregado na produção de bens e serviços para sociedade. Aliado a este fato, a Revolução Industrial promoveu uma transformação social e econômica ao produzir uma expansão econômica e social sem precedentes e em grande parte incorporado ao excedente energético liberado pelos combustíveis fosseis que já havia superado tudo que foi produzido pelas fontes renováveis de energia usadas anteriormente à Revolução (COMAR, 1998). 1.4 O uso da energia fóssil empregado na produção agrícola Compreender o papel da agricultura no modo como se seguiu a formação social favorecendo aos agrupamentos e a organização social, é entender que a produção de alimentos e seus excedentes. Essa categoria de abastecimento está intrinsecamente ligada à capacidade adquirida pelo ser humano para desenvolver técnicas de cultivo agrícola e as condições de armazená-los, portanto, de estruturar a logística. 19 A venda de gasolina tornou o principal produto derivado do petróleo, deixando em segundo plano os demais produtos. 42 O desenvolvimento desses conhecimentos reduziu os deslocamentos dos grupos em busca de alimentos, proporcionou a esses grupos fixarem por mais tempo em determinada região. Sendo essa alteração social registrada na historia da evolução da espécie humana, como a grande transformação do Homo sapiens, na qual o ser humano deixa de ser um parasita da natureza e passa ter maior controle sobre plantas e animais, enquanto fontes de alimentos. Assim, foi possível estabelecer estruturas de sociedades mais complexas, principalmente ao considerar que dentro dos limites essenciais da necessidade humana e da natureza como um todo, o abastecimento alimentar é um fator necessário à sobrevivência do homem, assim como da sociedade por ele formada, a partir das novas descobertas que permitiu novas formas de organização. Essa poderia ser considerada a primeira revolução social: a Revolução do Neolítico, a mais de 10.000 anos. Nas sociedades primitivas, os alimentos desempenhavam diversas funções, eram usados como bem de troca, antes da criação da moeda. A troca dos excedentes produzidos entre os seres humanos permitiram a melhoria da sua dieta, como também contribuía para que os grupos pudessem estabelecer relações uns com os outros. (Pimentel et al, 1990). A alimentação e a energia eram consideradas recursos críticos, porque dependiam da limitada quantia de energia solar fixada e convertida em biomassa vegetal pelas plantas. A quantidade de energia absorvida pelos seres vivos: seres humanos e animais, ambos dividiam entre si a pequena porção de energia capturada pelas plantas e transformada em alimentos/energia. Assim após ingerir certa quantidade de energia por meio dos alimentos, obtinha a energia necessária para continuar a realizar suas atividades. A principal fonte de energia nas sociedades antigas era o alimento, e conseguir esse bem despendia uma determinada quantidade de energia e trabalho para que o homem conseguisse obter alimento. Segundo Pimentel et al (1990) nos tempos pré-históricos, cerca de 95% do total de energia gasta, era empregada na produção de alimentos, incluído caça, a coleta, o transporte para o acampamento e a preparação para o consumo. Hoje, grande parte da população mundial está em condições de recorrer aos combustíveis fosseis, porém, muitas pessoas, que vivem 43 nos países em desenvolvimento não dispõem de fonte de energia para suas necessidades básicas, devendo contentar-se com a utilização da força animal, a força humana e do combustível lenhoso. Após séculos, da descoberta da agricultura em que a produção de alimentos passou a ser realizada em grande escala, graças ao uso de fontes de energia externa ao processo produtivo. Ainda existem países em via de desenvolvimento, onde a produção agrícola domina a economia, de modo que, o consumo de energia que varia de 60 a 80% despendida por essa população é empregada em seu sistema alimentar (Pimentel et al. 1990). Já nos países desenvolvidos gastam-se menos energia para produzir alimentos, gastando-se em torno de 15 a 35%. E países como os “Estados Unidos e Reino Unido se gasta na produção alimentar em torno de 16% da energia total consumida por essas nações.” FEA (197520,LEACH, 197621 apud Pimentel et al.,1990). Atualmente, a produção agrícola nos países desenvolvidos, tem características semelhantes porque são cultivados em grandes territórios, em larga escala de produção, realizada por meio do consumo de grandes quantidades de derivados de petróleo, assim como as grandes produções agropecuárias todas tem como objetivo o fornecimento de alimento as populações de grandes cidades e de outras nações. Em um estudo em que buscava analisar a história da participação da energia de origem fóssil na produção alimentar Borgstrom (1958) identificou que há 100 anos, a energia fóssil se concentrava em determinados processos: a transformação e distribuição, no século XX, tornaram-se cada vez mais importante para produção agrícola, principalmente com a revolução verde. A revolução verde ou agricultura moderna, caracterizado pelos melhoramentos genéticos de plantas conduziram à obtenção de variedades vegetais geneticamente melhoradas que garantiam maiores índices de produtividade e resistência às doenças (PUIGDOMÈNECH, 2008) 20 FEA. Energy Consumption in the Food System. Federal Energy Administration, Rept. nº 13392007-001, prepared for FEA industrial Technology Office By Booz, Allen and Hamilton, Inc., Bethesda, Dec. 1 21 LEACH, G. Energy and food production. London: International Institute for Environment and Development, 1976. 192 p. 44 Com os avanços técnicos o cultivo de determinadas culturas aumentou nos países em desenvolvimento aliado a novas técnicas agronômicas que inclui o uso de adubos, pesticidas, inseticidas permitiram um ampliação significativo na produção mundial de cereais, que na década de 1950, correspondia a um total de 680 milhões de toneladas, e 2000 milhões de toneladas na década de 1990 (ROSSEL, 2008). Essas inovações juntamente com o uso da mecanização nos sistemas produtivos aumentaram a produção dos alimentos e elevaram a participação de energia nos sistemas agrícolas. Principalmente com a disseminação de novas sementes melhoradas geneticamente aliado a praticas agrícola sustentada pelo uso de insumos industriais e mecanização que levou a produção em larga escala, aliado a isso se têm a elevação do consumo de combustível fóssil nas maquinas agrícolas: tratores colheitadeiras (PUIGDOMÈNECH, 2008) Estudos feitos por Cipolla (1975) estimou que em 1840 a participação da energia fóssil representava apenas 20% da produção agrícola, porém com um novo padrão de produção estabelecido, esse índice eleva-se para 80%, isto porque a industrialização desenvolveu-se com base na disponibilidade crescente de energia mecânica (oriundos de energia fóssil), por unidade de trabalho. Neste sentido, diversos estudos foram realizados com objetivo de mensurar o consumo de energia para a produção agrícola Steinhart & Steinhart 22 (1974 apud Castanho Filho e Chabaribery, 1982), ao estudarem e aprofundarem as conclusões de Pimentel sobre o assunto, concluíram que o “consumo de calorias para obtenção da caloria final no prato do consumidor”, apontou que nos Estados Unidos na década de 1970 eram necessárias nove calorias fósseis para produzir uma caloria final. O consumo de energia na indústria da carne apresenta índices elevados, justificado principalmente pela produção de ração que exige consumo de energia, isto porque o processo da produção agrícola que inclui (fertilizar cultivar os campos; colher e transportar a colheita) e posteriormente o funcionamentos das industriais que transforma toda energia dos grãos em carnes. 22 STEINHART, J. S. & STEINHART, C. E.; Energy use in the U. S. food system. Science, Lancert, 1974b, 306-16. 45 Segundo Guerra (2009) a produção de 1 caloria de proteína de soja consome 2 calorias de combustível fóssil. Na produção de carne são consumidas 78 calorias de combustível fóssil para se produzir 1 caloria de proteína de carne. Logo, a produção de proteína de carne requer 39 vezes mais energia que a soja, demonstrando que a cadeia alimentar do ser humano é depende de recursos energéticos como os combustíveis fósseis e seus derivados. 1.5 - Eficiência Energética O termo “eficiência” descreve, segundo Hordeski (2005), a capacidade de equipamentos que operam em ciclos ou processos produzirem os resultados esperados. Na visão da física, o conceito de “eficiência” limita-se aos processos em que ocorrem conversões de energia e em que a forma inicial e final, são visíveis e perceptíveis através da – energia cinética, potencial, elétrica (EPE, 2010). A International Energy agency (IEA, 2007), apresenta o conceito de que a eficiência energética é a obtenção de serviços energéticos, como produção, transporte e calor, por unidade de energia utilizada, como gás natural, carvão ou eletricidade. Aqui, será adotada uma definição onde a “eficiência energética é a relação entre a energia contida na produção e a energia desprendida no processo produtivo” (BEBER, 1989). A partir dessa conceituação, a eficiência esta associada à quantidade efetiva da de energia produzida e consumida no decorrer de um processo produtivo. E não a quantidade mínima teoricamente necessária a realizar um serviço, conceito que se aproximaria do potencial de eficiência definido pela física23. 23 Para Petterson, 1996 apud EPE, 2010) o entendimento de “eficiência energética” como um processo associado a um menor uso de energia por cada unidade de produção. Assim, mais relevante é a apuração de indicadores que expressem a variação na eficiência energética. Esses indicadores são em geral agrupados em quatro categorias principais, a saber: Termodinâmicos; Físicos-termodinâmicos; Econômicos-termodinâmicos e Econômicos. PATTERSON, M. What is Energy Efficiency? - Concepts, Indicators and Methodological Issues. Energy Policy v. 24, n.5, p. 377390, 1996. 46 O método eficiência energética pode ser definida através da relação produção/consumo de energia nas atividades agrícolas e pecuárias. A partir da energia contida nos produtos e das relações adicionadas pelo homem desprezando a energia solar (BEBER, 1989). Desse modo, a energia é um insumo a ser utilizada nos sistemas de produção, paralelamente a energia contida na produção agrícola pode ser classificada em três categorias: aproveitada na alimentação de homens e animais, para fins industriais e a energia reciclada ou perdida. 47 2. SISTEMAS PRODUTIVOS DE BASE ENERGÉTICA A energia é o insumo presente nos diversos sistemas produtivos, como produtos denominados de insumos energéticos. Ao serem utilizados na produção agrícola tem como função melhorar os índices de produtividade e rentabilidades das culturas cultivadas. Com o avanço dos modos de se produzir, os novos modelos produtivos à medida que foram re-criando e re-inventados novas formas de se produzir, iam se descobrindo novos insumos este de base energética e introduzindo nos sistemas produtivos, com o claro propósitos de aumentar sua produtividade. Assim têm-se então nos dias atuais sistemas produtivos de base energética, por terem uma forte dependência de insumos produtivos que são oriundos de derivados de petróleo, de minerais, de biomassa entre outros. A partir do momento que os processos produtivos introduziram em seu sistema produtivos insumos oriundos de formas de energia, à medida que aumenta a produção relativamente eleva-se a demanda por maiores quantidade de energia. Portanto, denominam-se sistemas produtivos de base energética por serem dependentes de formas de energia no decorrer da produção. 2.1 O ser humano e os sistemas A relação do ser humano com os sistemas produtivos conhecimento como agropecuário que consiste na produção de culturas e criação de animais, depende da articulação de técnicas produtivas elaboradas para garantir êxito nos sistemas produtivos. As técnicas que o ser humano dispõe para manipular esses agrossistemas agropecuários são dependentes de alguma forma de energia natural ou transformada. O desenvolvimento de ferramentas, máquinas-técnicas intensivas em energia, associado a descobertas de novas fontes, como a energia fóssil e a energia atômica, permitiram ao ser humano exercer um domínio extremo sobre o seu ambiente e semelhante. Nesta visão perspectiva com relação ao domínio do ser humano frente 48 as suas invenções, Forbes (1968) ressalta que a ciência e a tecnologia são produto da “interação entre homem e ambiente, baseada na ampla série de necessidades reais ou imaginárias que guiou o homem na sua conquista a natureza”. Em última analise um produto social, criado e moldado pelos seres humanos conforme suas necessidades (Pimentel, et al., 1990). Essa conquista da natureza pelo ser humano implicou num processo de alteração do ecossistema natural, por meio da utilização irrestrita de energia da terra, da água e de outros recursos vitais. Este processo de transformação que o ser humano submete os ecossistemas naturais esta diretamente relacionada com sua necessidade de produzir mais alimentos e atender a demanda da sobrepopulação que espalhou pelo planeta. Todavia, um ecossistema é definido por Hart (1980) com as seguintes características. Um ecossistema é um sistema de organismos vivos e do meio com o qual trocam matéria e energia. Um ecossistema contém componentes bióticos (plantas, animais, microorganismos) e abióticos (água, solo, etc.) que interagem para formar uma estrutura com uma função. Os limites de um ecossistema são mais comumente difusos e, portanto arbitrariamente definidos, como uma área de floresta ou de campo. Estrutura é definida pela interação e arranjo dos componentes do sistema. Função é definida pelo processo de receber entradas e produzir saídas. As entradas e saídas de um sistema são os fluxos que entram e saem do sistema. (HART, 1980, 20p.). Portanto, à medida que o ser humano interfere no ecossistema, de acordo com Pimentel (1990), esse processo de alteração na qual acontecem mudanças via introdução de um sistema produtivo, vai aos poucos acumulando espécies adicionais e evoluindo para um novo ecossistema produtivo. As intervenções humanas caracterizam uma mudança do ecossistema de simples para um ecossistema complexo. Pimentel (1990) aborda essa transição baseado na comparação da quantidade de energia solar a ser captada e que vai se fluindo através do sistema produtivo. Diferentemente de um ecossistema simples, as alterações necessárias em um ecossistema complexo consome mais energia, do que para alterar um ecossistema simples. Porém o gasto de energia na alteração de um ecossistema está relacionado à dimensão das alterações a serem feitas. 49 Na produção agrícola, por exemplo, a entrada de energia necessária para a manipulação do sistema depende do grau de alteração do ecossistema em que vai produzir. E assim utilizado em diferentes etapas formas de energia para a correção do solo, semeadura, máquinas agrícolas consomem combustíveis na contenção de ervas daninha, pragas e fungos (doenças que atacam a plantação). O controle das ervas daninhas, insetos e fungos que atacam a monocultura exige a entrada de alguma forma de energia para controlá-los, seja por métodos culturais, ambientais ou químicos. Em geral, o método empregado nas contenções dessas anomalias é por meio químico, via agrotóxicos, aplicada com uso de implementos agrícola, que podem: Alterar ou mudar a estrutura das espécies de um ecossistema especialmente se com o fito de transformá-lo em monocultura, requer dispêndios energéticos relativamente grandes. O montante do investimento energético depende da cultura, do período cultural e da situação ambiental. (PIMENTEL, 1990, 51p.) O uso dos insumos energéticos tem seus reflexos no que diz respeito à segunda lei da termodinâmica, conhecida como a lei da entropia que revela que a passagem de energia de uma forma a outra implica em perdas colaterais, justificando-se pelo fato de que parte da energia empregada no processo produtivo sempre se transforma em energia térmica não-renovavel. Contudo, a viabilidade da agricultura industrial24 é necessárias quantidades crescentes de insumos de origem fóssil e químicos. Entretanto, as entradas desses insumos nos sistemas produtivos assim como sua fabricação geram desordem ou entropia a partir da dispersão, paralelamente causam impactos no entorno ou em ecossistemas distantes, que participam do processo produtivo ao subsidiar a necessária tentativa de ordem do agroecossistema artificial da agricultura industrial (CAPORAL et al., 2006). 24 Denominada por algum estudioso como agricultura “moderna”, em alguns estudos voltadas para analise da revolução agrícola ocorrida após a 2ª Guerra Mundial é chamada de Agricultura “Industrial”. (CAPORAL et al., 2006, MENDES, 2002). 50 Segundos Mendes (2002) agricultura “industrial” foi à resposta que as sociedades denominadas “desenvolvidas” construíram para responder as seguintes questões: Para utilizar mais intensivamente a terra disponível inventaram os fertilizantes químicos; buscando aumentar a produtividade animal inventaram os alimentos compostos a base de cereais forrageiros (milho principalmente), de proteaginosas (bagaço de soja principalmente) e até de produtos animais; para aumentar a produtividade do material biológico selecionaram sementes e animais reprodutores; reduzir os riscos de perdas de produção por problemas sanitários inventaram-se produtos de tratamento agroquímicos; aumentar a produtividade do trabalho inventaram-se equipamentos mecânicos e motorizados. E a 2ª Revolução Industrial forneceu a ciência e a capacidade tecnológica necessária para a produção, baseado nos nestes novos fatores de produção agrícola. O novo modo de produzir baseando na produção agrícola intensiva é resultado da busca da acumulação de capital, de acordo Bresser-Pereira (1991) é “comandado por administradores profissionais, que usam cada vez mais o conhecimento técnico de especialista para aumentar a produtividade e a competitividade”. Deste modo, o sistema produtivo capitalista preza a acumulação de capital e o lucro, organizam-se em um processo continuo e circular de auto-esforço, onde o objetivo principal é acumular capital e assim aumentar o volume de lucros e reinvestindo-os, para aumentar a acumulação25. 25 Essa definição feita por Bresser-Pereira, de modo que o considera possível distinguir acumulação de capital de investimento, limitando-se este ao aumento do capital reprodutível; neste caso, o autor considera os dois termos como sinônimos. 51 Toda a dinâmica do sistema capitalista está na dependência do volume e direção dos investimentos realizados cada ano. O aumento da produtividade, ou seja, o aumento da produção por homem empregado depende fundamentalmente da acumulação de capital. Se temos três fatores de produção capital, trabalho e recursos naturais -, para que aumente a produtividade do segundo, considerando-se a qualidade dos fatores constante, o único meio de que dispomos é aumentar a quantidade de capital. Se permitimos que a qualidade dos fatores, ou seja, a tecnologia latu senso, incluindo-se a educação e capacidade empresarial varie, então teremos também o desenvolvimento tecnológico como fator essencial para o desenvolvimento. Entretanto, se, por sua vez, considerarmos o desenvolvimento tecnológico como fundamentalmente dependente da acumulação de capital, na medida em que quase todo progresso técnico vem incorporado em novas máquinas e edifícios, e que as próprias descobertas científicas estão na dependência de grandes investimentos em capital fixo - neste caso a acumulação de capital volta a ter sua posição central e única dentro do processo de desenvolvimento. (BRESSER-PEREIRA, 1991, 02p.). Assim tem-se um processo de desenvolvimento capitalista baseado na acumulação de capital, que direcionam os investimentos de acordo com as perspectivas de mercado, portanto, o papel da acumulação no desenvolvimento e no aumento da produtividade, isto em função do uso da tecnologia difundida, especificamente para atender as necessidades produtivas dos sistemas produtivos. Deste modo, o conhecimento técnico e a tecnologia produtiva que são meios de produção atuam como insumos que auxiliam no processo de acumulação de capital, e que também são introduzidas nos sistemas produtivos por meio de investimento de capital. 2.2 Saída e entrada de energia nos sistemas A avaliação do sistema no qual ocorrem as relações de saída e entrada de energia, geralmente contém informações sobre todas as fontes de energia disponível aos seres humanos para transformá-la. Estão incluídas: a energia do petróleo, hidráulica, eólica, nuclear, química entre outras que necessitam ser equalizadas. E o balanço energético tem como objetivo estabelecer os fluxos de 52 energia, identificando a demanda total e a eficiência, representada pelo ganho líquido e através da relação saída/entrada (ALBURQUERQUE, et al, 2007). O balanço energético mede a eficiência do uso da energia nos sistemas produtivos seja: agrícola, pecuário, industrial, comercial avaliando as relações de saída e entrada de energia, na qual é conduzida, determinando-se a quantidade de energia obtida na forma de produto em relação à energia utilizada no sistema para produzi-la (HEITSCHIMDT, et al, 1996). Devido às variações da quantidade de energia que entra e sai de um determinado processo, o output é a energia contida no produto final e nos coprodutos ou resíduos do processo, sendo calculada com base no seu uso final alimentação, adubo e combustível (ALMEIDA NETO et al., 2004). A conversão direta do rendimento de produtos seja em quilograma de grãos, carne, leite, óleo entre outros na forma de quilocaloria, kilojoule ou tonelada equivalente de petróleo, essas medidas de conversões são baseadas no conteúdo de energia bruta de cada unidade de produto. O input de energia é mais complexo porque requer mais entradas de energias, nessa etapa do processo diversos tipos de energias inseridas na produção: a mão de obra, transporte dos produtos, assim como a energia consumida na manufatura das máquinas, implementos agrícolas, armazenagem, industrialização dos produtos, entre outros (ALBURQUERQUE, et al, 2007). A produção agrícola nesse sentido configura como grande consumidora de diversas formas de energia que são introduzidas no processo de produção para adequá-la aos padrões produtivos desejados, para isso a entrada de insumos energéticos torna-se indispensável. BOWMAN (198026 apud Kozioski 2000) realizou estudo que apresentou dados relativos ao output e input em sistemas de produção agrícolas, e esses resultados mostraram que nos sistemas produtivos de subsistência o balanço de energia apresentou valores positivo superiores de eficiência quando comparação com os sistemas de padrão de produção intensivo, voltados para produção comercial, a diferencia entre os sistemas de cerca de 14 versus 1,5. Demonstrando 26 BOWMAN, J.C. Animais úteis ao homem (Trad. VEIGA, M.F.S.). São Paulo : Universidade de São Paulo, 1980. V. 20, 74p. Coleção Temas de Biologia 53 que o sistema de produção de subsistência é 14 vezes mais eficiente em termos do quanto de energia utiliza para produzi-lo em relação a energia obtida após a produção, enquanto essa relação nos sistemas intensivos de energia apontou um total de 1,5, que em comparação é muito menor, devido ao alto consumo de energia. Outros estudos feitos com objetivo de avaliar a eficiência dos sistemas. Neste sentido, uma comparação feita com diferentes sistemas de produção: arroz e milho demonstraram que sistemas onde o input é maior, o rendimento de grãos por área também era maior, entretanto ao avaliar o balanço energético, apresentam valores positivos baixos quando comparado com os sistemas com menor input (FAO, 1980; HEITSCHMIDT et al., 1996). Na década de 1970, um balanço energético elaborado para avaliar a cultura de milho pela Universidade de Cornell nos Estados Unidos com o objetivo de verificar a quantidade de energia consumida durante a produção dessa cultura (ALIER, 1996), mostrou que os avanços tecnológicos culminaram na Revolução Verde, trouxe um aumento na produtividade de 2,4 vezes no período entre 1945 a 1970. No entanto, em contrapartida, o gasto de combustíveis fósseis necessário aumentou 3,1 vezes nesse período de registro do aumento da produtividade. Logicamente, o uso intensivo de combustíveis fósseis na produção, levou a uma redução na eficiência energética ao considerar que a relação output/input de energia reduziu de 3,7 em 1945 para 2,82 em 1970 PIMENTEL et al., (197327 apud KOZIOSKI & CIOCCA, 2000). Os resultados apurados de 1945 a 1970 apontaram que o input de energia despendida para obter uma caloria na forma de alimento humano aumentou consideravelmente, e que, em 1970, a energia gasta na produção, representava somente cerca de ¼ do total de energia consumida em todo sistema. STEINHART & STEINHART( 197428 apud KOZIOSKI & CIOCCA, 2000 ). Na produção animal o dispêndio energético começa com o tipo de alimentação consumida pelos animais. E neste caso dos animais criado em sistema 27 PIMENTEL, D., HURD, L.E., BELLOTTI, A.C., et al.. Food production and me energy crisis. Science, Stanford, v. 182, p. 443-449, 1973. 28 STEINHART, J.S., STEINHART, C.E. Energy use in me U.S. food systems. Science, Stanford, v. 184, p. 307-316, 1974. 54 produtivo intensivos, mede-se a eficiência que podem variar de acordo com que convertem e a energia e a proteína das plantas em alimentos protéicos. Estima-se que 1/6 da energia consumida pelas criações animais do mundo, provém dos grãos e grande parte desses grãos é consumida por aves e suínos após serem processados (KOZIOSKI & CIOCCA, 2000). A alimentação animal é um setor que depende da indústria processadora de grãos. O setor de produção de ração animal consome aproximadamente 65% da produção de milho e 45% da oferta de farelo de soja, sendo este os principais consumidores da produção agrícola nacional (BUTOLO, 2002). Desta forma, as principais entradas de energia em sistema de produção intensivo de animais, para produzir carne destinado ao consumo humano ocorrem via dieta alimentar baseada em proteína vegetal e a participação de outras fontes de energia que participaram de processos anteriores e somam na contabilização final da energia consumida versus a energia produzida ao avaliar todo sistema produtivo. 2.3 Uma visão dos sistemas da fase agrícola a industrial: o caso da soja Historicamente, o grande desenvolvimento da cultura da soja no Brasil se deu inicialmente nos Estados do Sul a partir de 1900, em função das condições climáticas se assemelharam com as do Sul do EUA de onde vieram as sementes. Segundo Miyasaka & Medina (1981), no ano de 1914 o estado do Rio Grande do Sul já exportava cerca de 18 mil toneladas de oleaginosa. Entretanto desde 1892, realizavam pesquisas com o produto no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) sendo o Estado de São Paulo o pioneiro ao desenvolver experimentos com a espécie. As melhoras no rendimento produtivo relacionado ao cultivo da soja: A partir de 1908, melhores resultados técnicos de produção vieram através dos imigrantes japoneses, agricultores mais experientes no trato dessa cultura. Mais tarde, em 1923 com a introdução de variedades trazidas dos EUA, foi possível melhorar seu cultivo e aumentar sua produtividade (COMITRE, 1993, p.23). 55 À medida que o cultivo desta cultura foi desenvolvendo sua produção na região sul do país, e na década de 1950 com o estabelecimento de incentivos fiscais à produção do trigo no Rio Grande do Sul, a soja foi implantada para fins comerciais passando a ser cultivado em regime de rotação sazonal de cultura (EMBRAPA SOJA, 2004). Em 1958 a soja passou a integrar o Plano Nacional de Abastecimento, uma medida importante que deu a inicio à consolidação do cultivo, passando a receber incentivos financeiros e tecnológicos, tornando-a uma importante cultura economicamente para o Brasil, a julgar pelos expressivos índices relacionados ao aumento da área plantada, paralelo a elevação da produtividade já na metade da década de 1960. Segundo Brum (1988) na década seguinte de 1970 a soja atingiu maiores cifras de produção e se consolidou como a principal lavoura do agronegócio brasileiro. Comitre (1993) ressalta que nesse período entre (1970-78), a produção de soja chegou a uma taxa de crescimento anual de 30%, esse aumento expressivo transcorreu em função de diversos fatores estruturais e conjecturais. Um dos principais fatores que incentivaram a produção foi o cultivo sucessivo ao trigo, utilizando o mesmo capital fixo (terra e maquinário), o produtor podia produzir duas safras anuais ao intercalá-las. A expansão da produção da cultura da soja ocorreu em detrimento dos fatores que possibilitaram esse processo, estão: Possibilidade de mecanização em todas as fases da produção; a disponibilidade de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa; políticas de assistência técnica e extensão rural; programa de credito rural à produção e comercialização, com a participação ativa das cooperativas; crescimento da demanda nacional e mundial de subprodutos; aumento do parque moageiro do Brasil; e o aproveitamento de áreas do cerrado. (COMITRE, 1993, p.28). A disseminação e o desenvolvimento da cultura de soja no Estado de Mato Grosso29, assim como nas demais regiões brasileiras, foram protagonizados, predominantemente, por agricultores que migraram da região Sul do país 29 Estabeleceu inicialmente, apoiada por um forte aparato estatal. Pois antes mesmo da implantação de um programa de apoio da soja, desenvolveu-se na região de Rondonópolis e Diamantino o Polocentro, criado em 1974, cujo objetivo era implementar ações de modernização do campo. 56 (principalmente dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná). O deslocamento dessas famílias para outras regiões do Brasil, como o Estado de Mato Grosso na década de 1970, apoiado por programas oficiais de colonização a lugares despovoados, seguiu nos anos de 1980 em projetos de colonizações privadas, nos últimos anos a migração se deram atraídos pela rentabilidade da lavoura (FERNÁNDES, 2007). Entretanto a cultura da soja em Mato Grosso tornou-se rentável, á medida que a Embrapa Soja desenvolveu sementes, que foram alteradas para adaptarem as características físicas do solo e do clima do cerrado. Os investimentos realizados no sentido de incentivar e desenvolver tecnologias que adaptassem as características da produção agrícola da soja no centro-oeste favoreceu aos Estados situados nessa região e, principalmente o Estado de Mato Grosso ser um dos grandes produtores do grão de soja30 no panorama nacional quanto internacional (MARTA & FIGUEIREDO, 2009) Mundialmente, a soja é o principal grão oleaginoso cultivado e um dos parâmetros que demonstra isso foi sua participação em 2006/07, com cerca de 60% do total de 385 milhões de toneladas de grãos produzidos em nível global frente aos principais grãos oleaginosos cultivados: soja, girassol, amendoim, algodão e mamona (DALL’AGNOL, et al 2007) O grande destaque recebido pela soja refere ao volume produtivo na respectiva safra, e projeções futuras esta aliada ao seu elevado teor em proteínas cerca de 40%, isto a torna a principal matéria prima utilizada na produção de rações para alimentação de animais (aves, suínos e bovinos entre outros) e apesar do baixo teor de óleo com cerca de 19% sendo uma das principais matéria-prima utilizada na produção de óleo vegetal. O uso de derivados de soja ocorre principalmente para suprir a necessidade de farelo protéico, utilizado como principal fonte calórica na composição das rações de animais, para produzir carne um produto cada vez mais consumido, em função do crescimento da renda per capita dessas populações. Paralelo a essa demanda por alimentos, há também uma demanda por óleos vegetais, crescente 30 Anexo A, Tabela 1, mostra a distribuição da produção de soja no estado, e uma série histórica da produção em Mato Grosso até o ano de 2010. 57 principalmente em função do crescimento per capita dos países emergente, como biocombustível (DALL’AGNOL, et al, 2007) Na produção de biocombustíveis, a soja tem-se destacado como uma das matérias prima mais utilizada na produção de biodiesel. Entretanto, trata-se de oleaginosa com aproximadamente menor 400 rendimento litros/ha se de óleo cuja produtividade comparado com outras é de oleaginosas31. Dados da Agencia Nacional de Petróleo – ANP (2010) apontam a soja como a principal matéria-prima da produção nacional de biodiesel, chegando a um percentual de 78%, enquanto o sebo bovino participa como insumo em apenas 16% da produção total, o algodão 4% e outras materiais graxos representam 2%, ou seja, as duas ultimas materiais primas utilizada não apresenta valores representativo quando comparado a soja. A figura 5 mostra um gráfico com as principais oleaginosas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil. Figura 3: Gráfico com as principais materias-primas utilizadas na produção do biodiesel Fonte: Agencia Nacional de Petróleo (2010) 31 Como babaçu que rende 1.600 l/ha, o dendê, 5.950 l/ha, o pequi, 3.100 l/ha e a macaúba 4.000 l/há. Certamente a razão é a soja ser produzida em grande escala e a preferência pela extração de seu óleo esta relacionada ao valor de seus subprodutos que lhe agregam valor. Assim, o quilo do farelo de soja é mais caro que o próprio grão da soja, assim como as proteínas do óleo que tem um alto valor no mercado (PETROBIO, 2003). 58 Deste modo, a soja representa para o setor agroindustrial uma matéria-prima de natureza energética, pois ao ser processada dela originam o farelo e o óleo vegetal que pode ser transformado em biodiesel ou óleo comestível e outros coprodutos, a partir do processo de transformação e beneficiamento, como: a lecitina, glicerina entre outros (CARVALHO, et al., 2007) Considerando o processo de desenvolvimento regional do médio Norte de Mato Grosso pode ser considerada a cultura da soja como parte do desenvolvimento exógeno “decorrente de iniciativa e atuações propostas a partir do exterior para conseguir um desenvolvimento interior”. Assim, tal modelo observado, depende de investimentos realizados por empresas instaladas na região em função da grande oferta de grãos (DALL’ACQUIA, 2003). Além, dos investimentos, ocorre uma produção dependente da importação de tecnologias (máquinas e equipamentos), mão de obra qualificada e nãoqualificada e insumos utilizados desde o processo agrícola, passando pela logística e depois, pela industrialização dos produtos do setor primário. 2.4 A diversificação da produção da região do médio norte do estado de Mato Grosso A diversificação da produção na região Médio Norte do estado de Mato Grosso, esta aliada a consolidação da agricultura moderna que se destaca pela produção concentrada de soja e milho nos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso, Tapurah, Nova Ubiratã e Diamantino, conforme Bernardes (2005). Entretanto neste estudo concentrara-se nas atividades produtivas dos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso, especificamente considerando as instalações das principais e grandes industriais da região, em função da abundância de matérias-primas. A principal atividade da região – a agricultura de grãos - estabelecida no Médio norte do Estado, cujos produtores eram oriundos da região sul do Brasil, buscaram investimentos que pudessem diversificar, verticalizar e agregar valor a 59 produção agrícola da região, sobretudo com a crise ocorrida no ano de 1989 (Frigorífico Excelência, 2011). A atividade que viria a propiciar a diversificação da produção na região iniciou-se com a criação de animais em sistemas de confinamentos, inicialmente a diversificação produtiva começou com a suinocultura, atividade esta a qual os produtores contavam com conhecimentos específicos sobre as etapas produtivas dessa atividade ao praticaram no sul do país. A partir da necessidade vista pelos produtores da região em diversificar e agregar valor a sua produção agrícola começa na região a atividade produtiva de criação de suínos; a suinocultura. Norteados, principalmente pela abundância de matéria prima com baixos preços, as boas condições climáticas que reduziram os investimentos em instalações, tradição dos agricultores em suinocultura e ser uma região livre de doenças (FRIGORÍFICO EXCELÊNCIA, 2011). A atividade da criação de suínos desenvolveu a partir de uma organização dos produtores em sistema integrados, em cooperativas nos municípios de Lucas do Rio Verde de Nova Mutum. Mas, em 1990 foi fundado no município de Lucas do Rio Verde a Cooperativa Agropecuária e Industrial Luverdense – COOAGRIL, cujos cooperados participavam da cooperativa com objetivo implantar no Centro Oeste uma atividade até então somente desenvolvida no sul e sudeste do Brasil: o programa integrado de criação de suínos (suinocultura). A partir dessa estruturação, criava-se no município de Nova Mutum no ano de 1991, a Cooperativa Agropecuária Mista Nova Mutum LTDA - COPERMUTUM que também tinha como objetivo participar do sistema integrado regional da suinocultura. Os desafios inerentes ao desenvolvimento da suinocultura em Mato Grosso, estava relacionado ao clima quente e seco e em alguns meses do ano de que seria impossível criar suínos nesta região, porém as dificuldades referentes à questão climática foram superadas pelas modernas técnicas de alojamento dos animais. Entretanto com investimentos efetuados pelos produtores associados às cooperativas que participavam do projeto, as dificuldades inerentes ao desenvolvimento da pecuária suína, foram amenizadas, sobretudo, pela intensidade de capital aplicada em tecnologia produtiva, gestão, insumos, assim investiu-se em 60 da genética à nutrição; do manejo à sanidade; das instalações aos equipamentos utilizados, estabeleceu-se parcerias com especialista em Nutrição: a Vitagri, empresa associada à Cooperativa Européia INVIVO e a Genetiporc – empresa canadense especializada em genética de suínos que trouxe para a suinocultura dos cooperados COOAGRIL e COOPERMUTUM grande avanços na atividade. Tornava-se possível aumentar o rendimento das carcaças, aliado a melhor conversão alimentar, possibilitando aperfeiçoamento genético e ganhos aos produtores cooperados (COOAGRIL, 2011) Entretanto a logística mantinha-se como grande obstáculo imposto ao abate e industrialização da carne de suíno. No primeiro momento a atividade desenvolveuse com o abate dos animais sendo levados vivos para serem abatidos em Santa Catarina e principalmente em Minas Gerais, devido à ausência de frigoríficos disponíveis para o abate dos animais na região. Do ponto de vista logístico, o transporte de animais a longa distância para serem abatidos, representava ônus à produção. Com o objetivo de reduzir essa deficiência do sistema produtivo e encontrar uma alternativa que viabilizasse a continuidade da criação de suínos na região as cooperativas COOAGRIL E COOPERMUTUM juntaram-se no ano de 1997 e criaram a Integração das Cooperativas do Médio Norte do Estado de Mato Grosso Ltda – INTERCOOP, construindo no município de Nova Mutum o Frigorífico “Excelência”. Nele iria-se abater os suínos produzidos pelos Integrados das cooperativas COOAGRIL e COOPERMUTUM nos municípios de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tapurah e Diamantino (COOAGRIL, 2011). Posteriormente, quando com a instalação do abatedouro Mary Loise no município de Nova Mutum com capacidade de abater 40 mil aves/dia, ampliando-se as oportunidades dos produtores e demais empresários da região em diversificar sua produção e não somente ater-se a atividade de produção agrícola (FRANCO, 2007). Esses investimentos de pequeno e médio porte demonstraram o potencial produtivo à região quanto à diversificação de sua produção. Assim os animais criados no cerrado com clima mais quente, comparado à região sudeste, ampliavam a produtividade considerando os avanços tecnológicos relacionados à genética, as 61 instalações de abrigo dos animais e comprovaram que era possível produzir animais no norte do estado de Mato Grosso. Diante do cenário que se mostrava desfavorável aos agricultores em consequências das quedas do preço domésticos da saca de soja, em 2005 chegou a registrar um preço médio de R$ 30,00 a saca depois de ter atingindo R$ 42,00 em meados de 2004. A queda dos preços fora acarretada pela forte retração das taxas de câmbio, e também pela perda de produtividade, ocasionando uma redução na oferta do grão no mercado após consecutivas safras de crescimento da produção (ROCHA, 2010 apud IMEA, FAMATO). No entanto, no mercado internacional não estava diferente, o preço da saca de soja havia caído de US$ 14, 42 em 2004 para US$ 12,28 em meados de 2005. Além disso, nesse período foi registrado um aumento nos custos de produção em 38% quando seus valores são comparados com os anos de 2003-2004 e 2004– 2005. Diante da crise que se anunciava com a desvalorização do preço da saca de soja, o cenário econômico desfavorável que tendia a acentuar-se de modo a limitar os ganhos dos agricultores, os levaram a buscar uma solução, que nesse caso, apontava para a verticalização de suas principais produções agrícola. A esse processo de verticalização que pode ser denominado 2º ciclo econômico, se constituiu em ações encadeadas voltadas, como um plano regional de natureza privada, para verticalização da economia. Mesmo com todos os estímulos fiscais. Tinha o intuito de transformar os municípios considerados grandes produtores da região do médio norte do Estado de Mato Grosso em produtores de bens primários para exportador de bens industrializados (ROCHA, 2010) Para a produção agrícola dos municípios a verticalização caracteriza-se pelas formas com a qual os agentes econômicos envolvidos nas atividades de processamento da matéria- prima para transformá-la em diversos produtos. Isto colaborou para incrementar, valorizar e melhorar vários aspectos socioeconômicos no meio rural, sobretudo pelos benéficos que isto acarreta, tais como, a geração de emprego e renda, agregação de valor à produção, diversificação do sistema produtivo, assim como a redução de perdas, etc. (Lazzarini e Machado Filho, 1997). 62 Desta forma, agroindústria instalada na propicia agregação de valor aos produtos primários, com base nas atividades desenvolvidas na região que se complementam para o desenvolvimento que segue através: da “produção da matéria prima + o processamento e/ou industrialização + comercialização” (ROCHA, 2010). Segundo Bernardes (2010), os primeiros investimentos na região feitos a partir da criação de empresas cooperativas em conjunto seus cooperados – os integrados (produção suína) atraíram o interesse de empresas com capacidade de escala em produção pela proximidade de matéria-prima: soja e milho, ingredientes essenciais para produzir ração a baixo custo. A partir dos investimentos efetuados na região, mostrando que era possível a produção de suínos e aves nessa parte de Mato Grosso, juntamente com as vantagens e benefícios para atrair empresas de grande porte do ramo de produção agroindustrial a instalarem na região do médio norte do Estado. Outras condições atraentes se expressavam na existência de um substancial nível de concentração técnica já existente, na concessão de substanciais vantagens, como oferta de grandes áreas para as novas futuras instalações, infra-estrutura e isenção de impostos durantes alguns anos. Além disso, as novas estruturas estariam favorecidas por determinadas condições naturais da região, como temperatura e a altitude (Bernardes, 2010 p.16 e 17). Neste sentido, grandes empresas do ramo agroindustrial foram atraídas a região, sobretudo pela oportunidade de ampliação de seus negócios instalando em território cuja dinâmica regional é cercada de certas vantagens competitivas, que lhes possibilita um aprofundamento das especializações produtivas. Este novo processo mostra a nova realidade desta parte do cerrado que emerge ao desenvolvimento regional aliado a interação das novas tecnologias dinamizadas pela flexibilização da economia, que permite a troca de informações entre os agentes que participam dos processos produtivos dos setores de produção agrícola, industrial e distribuição. De maneira, que esses agentes pudessem trabalhar em diferentes atividades, a partir da apropriação e incorporação de modernas tecnologias que tornassem possíveis a introdução de mudanças fundamentais, em amplos setores do processo e como resultando atingindo ao um desenvolvimento da região. Ao 63 considerar as importantes mudanças sustentadas pelo processo de transformação da produção no interesse de atender as demandas nacionais e principalmente internacionais este último caracterizado “como mercados segmentados, diferenciados e altamente exigentes em qualidade, com ênfase especial na segurança alimentar” (MAZZALI, 2000, p.72). Diante do cenário promissor relegado ao setor industrial, a região do médio norte do Estado de Mato Grosso tornou-se atrativa as grandes empresas nacionais e as transnacionais do setor, conseqüentemente a região foi dotada de novas funções e associada a novas estruturas, demonstrando desta forma mudanças na divisão do trabalho no setor de transformação dos produtos denominados agrícolas. Bernardes (2010) define que a divisão do trabalho introduzida em diferentes unidades produtivas, de maneira que o produto final de cada unidade produtora é a mercadoria para a seguinte: deste modo, a soja constitui a matéria-prima para a esmagadora, e o farelo juntamente com o milho para as fábricas de rações, que alimentara as criações de suínos e aves para os abatedouros, enquanto o óleo será utilizado como matéria prima para a indústria do biodiesel. São várias as atividades econômicas que fazem parte da industrial da soja juntamente com a matéria prima milho, com destaque ao complexo agroalimentar que recebeu grandes investimentos na região. Atualmente o complexo da soja, compreende em: grão, farelo e óleo sendo estas as mais importantes commodities nacionais. Paralelo, a esse processo de industrialização do grão, diversos empreendimentos de grandes empresas nacionais do ramo de produção de carne estão presentes nos municípios Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum como: a Sadia S.A produz de carne de aves e suínos industrializada, Excelência carne suínos e industrializada e Anhambi Alimentos e Perdigão ambas na produção de carne de aves. Ressaltando no texto, estes empreendimentos se devem a competitividade final da soja, do milho e seus respectivos derivados, elementos essenciais no desenvolvimento de determinadas atividades econômicas nos diversos setores da agroindústria, desde o esmagamento dos grãos, extração de óleo, produção de farelo, ração animal e produção de carne de suínos e aves e a produção do biodiesel. 64 Essa diversificação ocorrida em função da abundância do grão de soja e do baixo preço do milho em comparação aos preços da região Sul formado pelos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná, grandes produtores de carne suína no Brasil, conforme apontam os dados da tabela 01. Tabela 01: Produção de carne de suínos nos principais estados produtores do Brasil, 2004 – 2010 em toneladas ESTADOS/ANO Rio Grande do Sul Santa Catarina Paraná São Paulo Minas Gerais Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás SUBTOTAL 2004 383,3 586,9 376,1 171,2 213,1 2005 2006 2007 2008 2009 Produção Industrial (Mil toneladas) 416,7 465,6 481,4 528,4 585,9 619 732,6 754,3 724,3 751,7 389,6 430,8 437,2 444,3 487,9 168,1 170 176,6 147 147,4 251,8 314,9 335,5 348,1 375 2010 588,7 746,9 478,4 156 397,1 67,4 71,7 68,5 70,2 70,9 80,5 102,1 79,1 97,2 104,7 108,7 111,5 115,1 116,2 121,1 140 127 152,3 137,6 156,1 147,7 1.974,30 2.130,40 2.408,80 2.492,40 2.529,90 2.718,30 2.772,90 Fonte: Abipecs, Sips, Sindicatos RS e PR, Embrapa (2010). Evidentemente, como mostra a tabela 1, os estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná dominaram a produção de carne suína, em 2004 a soma de sua produção foram 1346,3 mil toneladas correspondendo a 68,18% da produção nacional considerando os principais produtores, em 2010 foram 1,814 mil toneladas correspondendo a 65,44% da produção nacional. Apesar, produção ter aumentado e a haver uma pequena redução na participação total, justificado pelo considerável aumento da produção de carne suína nas demais regiões do país, como por exemplo, na região do Centro que nos últimos anos elevou-se sua produção em 66%, com destaque ao Estado de Mato Grosso que elevou sua produção em 97% entre os anos de 2004 a 2010. Aliado a produção da carne suína tem-se o aproveitamento dos dejetos dos suínos, na região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso, há um programa que visa o aproveitamento dos efluentes (dejetos) de suínos para a produção de biogás e biofertilizantes, como verifica no município de Nova Mutum, onde a COOPERMUTUM e frigorífico associado a (INTERCOOP), que atuam na produção 65 de carnes suínas da marca “Excelência” estão transformando dejetos considerados potencialmente poluidores ambientais em energia limpa e renovável (GONCALVES, 2010). A transformação dos efluentes através de sua captação das polcigas e conduzindo-os a um sistema de biodigestores, de onde produzira o gás metano, principal o composto do biogás, posteriormente os efluentes tratados saem do sistema em forma de biofertilizantes podendo ser utilizando para fertilizar plantações. Esse processo de aproveitamento dos dejetos reduz a emissão de gases do efeito estuda e propicia a comercialização de credito de carbono, através do Mecanismo de Desenvolvimento limpo (MDL) previsto no protocolo de Kyoto. O aproveitamento dos dejetos gerando-se outros produtos: biogás e biofertilizantes, assim como benefícios comerciais ao serem comercializados como credito de carbono, condizem com a afirmação de Santos & Lucas Júnior (2004), que todo processo de produção gera resíduos e todo resíduo armazena alguma forma de energia, e esse processo pode ser revertido ao transformar esse resíduo em energia, barateando seu cisto de produção e ainda funcionar de forma energeticamente equilibrada. 2.4.1 Principais empreendimentos industriais da região do Médio Norte do estado de Mato Grosso A produção de carne suína é um exemplo do crescimento da atividade agroindustrial no Estado de Mato Grosso, principalmente onde as condições econômicas, estruturais são favoráveis ao desempenho desta atividade. Alguns destes empreendimentos merecem destaque na região, sobretudo porque estão diretamente relacionados com a produção crescente situado na região do médio norte do Estado. No caso do processamento de soja, atualmente a região conta com três importantes esmagadoras, que são Amaggi, Bunge e Aprosoja que aumentou a capacidade de esmagamento de 3300 ton. em 2008, para 6700 ton. ao dia para os anos 2009/10 estimaram que a capacidade instalada de esmagamento de soja ao 66 dia. A tabela 02 esta especificando as regiões, assim como os municípios onde ocorrem o esmagamento da soja e a produção de farelo. Tabela 02: Capacidade de esmagamento de soja no Estado de Mato Grosso por região (toneladas/dia) Região Unidades Sudeste 5 Médio-Norte 3 Centro-Sul 4 do Quant. de Unidades 2 2 1 Rio 1 Municípios Rondonópolis Alto Araguaia Primavera Leste Lucas do Verde Nova Mutum Sorriso Cuiabá Capacidade instalada 2008 2009/2010* 17.900 20.900 1 1 3.300 6.700 4 6.370 6.370 Fonte: IMEA (2009) Unidades/toneladas dia / *Previsão IMEA Regionalmente, observa-se que essa industrialização dos grãos de soja, da origem a dois produtos o óleo degomado que representa 18% dos grãos esmagado e destinado as industriais de biodiesel e o farelo que representa 82% e é destinado composição das rações para produção de carnes, tendo seu excedente exportado para Europa. O óleo degomado por sua vez permite produzir outros produtos: biodiesel e óleo alimentar (comestível). A produção de biodiesel conta as diversas planta industriais na região fazem o processo de transesterificação do óleo degomado após recebê-lo da indústria esmagadora: Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Luverdenses - Cooperbio Verde e Fiagril em Lucas do Rio Verde, Agrosoja, Grupal Agroindustrial S/A e Cooperativa Mercantil e Industrial dos Produtores de Sorriso – COOAMI no município de Sorriso, Tauá Biodiesel e mais recentemente a Bunge consegui autorização da Agencia Nacional de Petróleo para construir uma planta industrial destinada a produzir biodiesel no município de Nova Mutum . Na tabela 03, estão às industriais de biodiesel e sua capacidade de produção de em m3 de biodiesel, enfatizando que foram relacionadas apenas as tem autorização da Agencia Nacional de Petróleo para produzir e comercializar com a Petrobrás. 67 Tabela 03: Usinas de biodiesel instaladas na região médio norte do Estado de Mato Grosso Unidade produtora Município Agrosoja Cooami Cooperbio Verde Fiagril Grupal Agroindustrial Tauá Biodiesel Sorriso Sorriso Lucas do Rio Verde Lucas do Rio Verde Sorriso Nova Mutum Capacidade Nominal de biodiesel em (m3/ano) 28.800 3.600 1.440 147.586 65.000 36.000 Fonte: ANP (2010). Apesar das plantas produtivas dessas usinas processarem diversas fontes de matéria prima como: óleo de caroço de algodão, girassol, sebo bovino e óleo de soja este último é a principal matéria-prima usada na produção do biodiesel, pela abundância do grão de soja na região. Conforme mostra a tabela 04, a produção das safras 2008/09 a 2010/11 indica o potencial produtivo da região do médio norte do Estado de Mato Grosso que detêm maior e crescente em volume de produção do grão de soja dentre as demais regiões do estado. Tabela 04: Produção de soja por região e safras no Estado de Mato Grosso Regiões Noroeste Norte Nordeste Médio Norte Oeste Centro-Sul Sudeste Mato Grosso 2007/2008 800.866 96.996 1.352.508 7.346.670 2.714.522 1.279.635 4.070.626 17.661.823 2008/2009 712.500 96.642 1.322.349 6.962.370 2.669.880 1.116.600 4.013.871 16.894.212 2009/2010 757.070 131.614 1.901.640 7.714.740 2.711.064 1.178.119 4.420.446 18.814.693 2010/2011 806.328 124.062 2.225.445 8.584.226 2.808.546 1.305.906 4.712.268 20.566.781 Fonte: Adaptado de Famato (2009) e Imea (2011) Unidade: produção em toneladas Os dados da tabela 04 mostram a capacidade de produção da região Médio Norte, e a estabilidade de sua produção no decorrer dos anos em suas respectivas safras, aponta uma tendência de aumento na produção. Isto colabora como uma garantia para a expansão de empreendimentos relacionados ao complexo soja: grão 68 – farelo - óleo, que tem estimulado a economia regional a diversificar-se. Sobretudo, porque a produção da região é responsável por cerca de 41% da soja produzida no Estado de Mato Grosso nos decorrer dos anos. Além da soja, outra importante commodity produzida na região, denominado de produção de 2ª safra, o milho safrinha é cultivado após a colheita dos grãos de soja em sistema de plantio direto, isto significa que os produtores colhem duas safras no decorrer do período de um ano, sendo a primeira de soja e a segunda de milho. Ampliando-se a renda em função dos resultados. Ambas as culturas tornam Mato Grosso um grande produtor nacional destes grãos. A tabela 05 mostra a produção estadual das safras de 2007/08 a 2010/11, com destaque a região do médio norte do Estado de Mato Grosso que detém maior volume de produção de milho safrinha dentre as demais regiões do estado. Tabela 05: Produção de milho por região no Estado de Mato Grosso por safras 2007 a 2011. Regiões Noroeste Norte Nordeste Médio-Norte Oeste Centro-Sul Sudeste Mato Grosso 2007/08 210.690 27.714 125.820 3.708.270 1.330.725 457.239 1.896.924 7.757.382 2008/09 285.732 21.000 173.136 4.126.920 1.526.370 455.568 1.918.572 8.507.298 2009/10 268.230 54.968 264.340 4.333.140 1.210.498 419.774 1.863.671 8.414.621 2010/11¨* 221.238 47.180 303.111 3.287.799 852.723 376.023 1.650.312 6.738.385 Fonte: Adaptado de Imea (2011) *Estimativa Imea A produção de milho da região do Médio Norte é responsável por cerca de 48% da produção estadual do Estado, a abundância desses grãos garante preços bastante competitivos em relação às demais regiões do país. Principalmente por ser um importante insumo para as agroindustriais que produzem carnes de aves e suínos, além de ser um insumo que participam ativamente da pauta de exportação do Estado de Mato Grosso, juntamente com o complexo da soja. O potencial produtivo de grãos aliado as características dos produtores locais experientes na produção pecuária de aves e suínos, experiência adquirida nos estados da região sul do país. A disponibilidade dos produtores em produzir carnes 69 atraiu empresas de grande porte para região: a Sadia S/A no município de Lucas do Rio Verde atuando na produção de carne de aves e suínos, a Perdigão S/A na produção de carne de aves e a Excelência Ltda, atuam na produção de carne suína no município de Nova Mutum, Anhambi Agroindústria Oeste Ltda, no município de Sorriso, além das espécies animais criadas em larga escala para atender ao mercado interno e externo. A criação de peixes tem no município de Sorriso duas grandes empresas Nativ Pescados e a Delicious Fish, ambas com frigorifico próprio e industrialização de pescados é mais um segmento da produção de potencialidades na região. Entretanto a atividade de piscicultura não será trabalhada nesta pesquisa, mas apenas citada como um exemplo da diversificação em face às vantagens produtivas que a região oferece. Empresas como Sadia e Perdigão instalaram-se na região com a incorporação de empresas de porte médio que até então existiam na região. O caso da Sadia, no ano de 2005, comprou a COOAGRIL suínos, incluindo as granjas produtoras de leitões com 7,5 mil matrizes, a central de inseminação, produção de matrizes, creches, unidades produtoras de leitores e de terminação de suínos. A compra fez parte das estratégias da Sadia para instalar-se na região e construir seu maior parque industrial de abate de aves, suínos e embutidos da America Latina em sistema integrado, com capacidade para abater 500 mil aves e 5000 suínos/dia (COOAGRIL, 2011). A Perdigão comprou por aproximadamente R$ 40 milhões o frigorifico de aves Mary Loise Indústria de Alimentos, a Mary Loise Indústria e o Comércio de Rações Ltda, sendo este o primeiro investimento de implantação de avicultura na região. O frigorifico tinha capacidade instalada para abater 120 mil aves/dia, sendo composto de granja de matrizes, incubatório, fábrica de ração, armazém de grãos e unidade desativadora de soja (UDHE, 2005). O interesse da Perdigão em adquirir o frigorífico de aves em Mato Grosso, esta relacionado à localização regional, além disso, essa aquisição elevou em 6% a capacidade de abate da empresa, posteriormente a planta industrial foi ampliada para 230 mil aves/dia, com a produção de frangos inteiros e cortes destinados ao mercado interno e externo (FOGAÇA, 2005). 70 Todos esses investimentos efetuados na região contaram com o incentivo fiscal do Programa de Desenvolvimento da Indústria - PRODEI e do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial – PRODEIC, ambos com objetivo: PRODEIC [...] contribuir para a expansão, modernização e diversificação das atividades econômicas, estimulando a realização de investimentos, a inovação tecnológica das estruturas produtivas e o aumento da competitividade estadual, com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais e regionais, através da redução do ICMS. Os benefícios fiscais variam de 50% a 100% do montante do ICMS devido, por um período de 10 anos. PRODEI [...] o programa contempla projetos industriais de implantação de capacidade produtiva ou reativação de empreendimentos paralisados há mais de dois anos, com prazo de ate 10 anos de incentivo, nas seguintes condições especiais: o limite aplicável será de até 70% no período de 10 anos, independentemente do valor do investimento, com um prazo de mais 10 anos para carência. (DIÁRIO DE CUIABÁ, 2011). Esses dois dos programas de incentivos fiscais, consolidados por meio do decreto 7.119/06, que permite a concessão de regime especial para apuração mensal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às empresas enquadradas na legislação que vigora no Estado de Mato Grosso. Esses programas representam um incentivam empresas a instalarem-se em nas regiões produtoras de grãos, transformando-as em principais pólos produtivos do estado agro - industriais do estado. Contando com os incentivos dos programas governamentais, os empreendimentos que relacionado à produção agrícola da cultura de soja e milho que são processados e transformados em diversos subprodutos, esse processo de industrialização dos produtos primários, desse modo, vem ocorrendo o processo de verticalização do agronegócio na região. A Figura 4 mostra através do fluxograma a cadeia agroindustrial da soja e do milho. 71 Figura 4: Fluxograma da cadeia agroindustrial da soja e milho Fonte: Elaboração da autora. A figura do fluxograma permite uma visualização da diversificação produtiva que tem ocorrido na região do médio norte após o estabelecimento de diversas plantas industriais, dando origem ao inicio de um complexo agroindustrial em sistemas organizados através da integração lavoura - pecuária – agroindústria, por meio dos grãos produzidos e seus subprodutos. As variáveis que impulsionaram o planejamento das industriais a se instalarem e assim estabelecer um novo espaço econômico, advém da produção da matéria-prima, infraestrutura e da proximidade com os produtores, com os armazéns de grãos que garantem a entrega dessa matéria-prima a um custo menor de transporte, para fomentar a produção das empresas instaladas nos municípios. Além destas vantagens, a produção em larga escala de carnes de aves e suínos, ração, esmagamento de soja, biodiesel, óleo vegetal comestível, estão baseados na forma de produção empresarial, o que impulsionara a diversificação e integração de um complexo industrial. 72 Esses fatores permitem a expansão da produção e a decisão no momento da ampliação dos negócios, está fortemente relacionada em função da natureza locacional e não somente do investimento. 2.5 Produção do biodiesel da soja: uma breve descrição do processo Em geral o processo de industrialização da soja para obtenção do óleo bruto, ocorreu através de processo mecânicos com a prensagem contínua, hidráulica e/ou a extração por meio de solventes. A prensagem geralmente é utilizada para matérias-primas com mais de 30% de óleo. Para matérias-primas com menor teor de óleo, então, utiliza-se a extração por solvente. Segundo Mourad (2008), quando a extração é feita em “processo industriais, com matérias-primas ricas em óleo são prensadas ate o teor residual de óleo de ordem de 20% sendo o restante extraído por meio do uso de solvente.” Por isso, as esmagadoras adotam na pratica a extração do óleo de soja somente por meio de solventes. 2.5.1 Extração do óleo Antes a extração do óleo a soja passa por varias etapas que se inicia na limpeza para retirar as impurezas do grão. Após a limpeza ocorre o processo de descascamento, onde a casca32 deve ser retirada antes do processo de extração do óleo, isto porque possui baixo teor de óleo e alto de teor de fibra, mas também por ser abrasiva e causar danos aos equipamentos. Decorrido o processo de descascamento, ou decortificação, procedimento que quebra as sementes e as separa o grão da casca. O processo seguinte é a extração do óleo presente nas células das sementes é feita por meio de moinhos desintregadores, as sementes são umidificadas e aquecidas para serem esmagadas. 32 A casca representa cerca de 7 e 8% do peso do grão. 73 Durante o processamento da semente já laminada, esta pode ser extrudada ou expandida, e depois resfriada, ou pode ir direto para o extrato em forma de lamina. Para diminuir a viscosidade do óleo e principalmente eliminar fatores antinutricionais do material, é feita o cozimento etapa que visa o rompimento das paredes celulares para facilitar a saída do óleo. Deste modo, se completa as etapas necessárias para a extrusão33, e extrai o óleo com solvente, sendo este um processo que garante maior eficácia no momento da extração do material. Que a ser comprimido e aquecido libera água existente na massa, devido à umidade das sementes evaporadas, rompendo as células que contém o óleo. (MOURAD, 2008). Após a obtenção do óleo, o subproduto da semente esmagada é a torta, esta após deixar a prensa é submetida à ação do solvente orgânico 34, que terá a função de dissolver o óleo residual da torta e extraí-lo, deixando a praticamente sem óleo. O solvente utilizado para extração do óleo que havia na torta é recuperado ao ser separado do óleo. E o óleo livre do solvente será misturado ao óleo bruto que foi retirado na prensagem35 (EMBRAPA, 2001). A torta ou farelo extraído contém menos de 1% de óleo, após a extração de todo resíduo é submetido a uma moagem e em seguida armazenado em silos. De acordo com informações da Embrapa, nos processo mais moderno a extração do óleo ocorre por meio de um processo em que os flocos são inseridos diretamente nos extratores e o óleo é extraído diretamente com auxilio do solvente orgânico. Para extração do óleo, o solvente utilizado geralmente é o hexano, e seu uso se disseminou em razão de sua alta estabilidade, das baixas perdas na evaporação, da baixa corrosão de equipamentos, dos baixos resíduos graxos e melhores sabor e aroma nos produtos (CUSTÓDIO, 2003). E a mistura liquida de solvente hexano com o óleo de soja é denominada de “miscela”, que contém uma concentração de 33 A extrusadora é formada por cilindros de aço e quando o material é empurrado e durante o trajeto em que o material passa pelo cilindro de diâmetros crescentes, esse material é comprimido e aquecido pelo atrito com as paredes do cilindro, chegando a atingir altas temperaturas e pressões. No processo final na saída do material, as sementes passam um ambiente de alta pressão para pressão atmosférica. 34 Hexano é um líquido altamente inflamável destinado à remoção de óleos vegetais. É um hidrocarboneto alcano com a fórmula química CH3(CH2)4CH3. O prefixo "hex" refere-se aos seus seis atómos de carbono, ao passo que a terminação "ano" indica que os seus carbonos estão conectados por ligações simples. Os isómeros de hexano são altamente irreativos, e são freqüentemente usados como solvente inerte em reações orgânicas. São também componentes comuns da gasolina. http://www.aboissa.com.br/produtos/view/121/hexano. 35 Após a mistura o óleo bruto será filtrado para retirar as impurezas. 74 20 a 30% de óleo, segundo Zanetti (198136 apud Paraíso, 2001). É também durante esse processo que a torta ou farelo é separado do óleo. A destilação da miscela envolve um conjunto de operações para a separação do solvente do óleo através do aquecimento da mistura, sendo separado e parcialmente recuperado. O farelo é a parte solida do processo de extração do óleo bruto de soja é aquecido e tostado para retirado do solvente (dessolventização) desencadeando em mais uma etapa de cozimento para a inativação de fatores antinutricionais, principalmente porque o farelo é nutritivo e utilizado na produção de rações destinadas à alimentação de animais (aves, suínos e gado de corte). O processo de industrialização da soja, de maneira geral, divide-se em duas etapas principais: a produção de óleo bruto, tendo como resíduo o farelo, e o refino do óleo bruto produzido (EMBRAPA, 2001). De acordo com Mourad (2008) baseada em informações da Associação Brasileira das Industriais de Óleos Vegetais (ABIOVE), o principal destino de 77,5% de toda soja comercializada é a obtenção de farelo/óleo e 13,0% é utilizada como alimento e sementes. Em geral da soja processada obtém-se em média 77% de farelo comum e 20% de óleo (AMAGGI, 2010). A figura 7 mostra o esquema geral da preparação dos grãos para a extração do óleo de soja. 36 ZANETTI, E. L. S. Industrialização da Soja. In: MIYASAKA, S. & MEDINA, C., ed. A Soja no Brasil. Campinas, ITAL, 1981. 75 Figura 05: Fluxograma geral do processo de extração do óleo de soja Fonte: Mourad (2008) Estas são as etapas de processamento necessário para esmagamento da soja e extração do óleo bruto de soja que podem ser destinados tanto a produção de biodiesel quanto de óleo comestível, assim como a obtenção do farelo destinado a alimentação animal. Uma esmagadora com capacidade de processar 3.000 toneladas de soja/dia. Tem como resultado desse processamento de 464 a 480 toneladas de óleo 2.100 toneladas de farelo hipro ou 2.400 de farelo comum. A figura 8 mostra o esquema de obtenção desses produtos da soja – farelo/óleo. 76 Figura 06: Capacidade de produção de oleo de soja e farelo dia Fonte: Amaggi – (2010) Em Lucas do Rio Verde, assim como em grande parte das usinas de biodiesel instalada na região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso o processo de degomagem da soja ocorre em plantas industriais diferentes, de modo que a indústria que esmaga a soja, não é a mesma que produz o biodiesel. Um exemplo é o que ocorre no município de Lucas do Rio Verde onde esta instalada a maior usina de biodiesel da região, a produção do biodiesel é feita a partir do óleo degomado fornecido por uma indústria esmagadora instalada próxima a usina de beneficiamento do óleo bruto. Após a extração do óleo bruto, faz-se necessário que o material passe por um tratamento de refinamento que deve incluir a degomagem, a neutralização, o branqueamento e a desodorização, nesse processo é preciso à remoção dos ácidos graxos37 livres e fosfatídios, ambos afetam a estabilidade do produto (CUSTÓDIO, 37 São os glicerídeos que compõem a maior parte do óleo bruto, cujo valor percentual esta na faixa de 95 a 97% em peso do óleo. 77 2003). Ácidos graxos livres são formas de hidrolisadas de gorduras que não convertem em biodiesel no processo de transesterificação e por isso devem ser removidos antes da produção do biodiesel. Nesta etapa do processo o rendimento mais importante é dos glicerídeos, a partir deste material produzirá o biocombustível. De acordo com Mourad (2008) o processo de degomagem consiste em remover os fosfatídeos (gomas) e as matérias não saponificáveis do óleo, esta etapa é realizada através da adição de água quente sob agitação. Desse processo obtémse a lecitina de soja, produto utilizado principalmente na indústria alimentícia. A neutralização na interfase do óleo e da solução alcalina de hidróxido de sódio. Este processo é semelhante à degomagem com a diferença sendo que o óleo condicionado com ácido é tratado com soda cáustica para neutralizar completamente (saponificar) os ácidos graxos livres no óleo, assim como remover as gomas e outras impurezas. A figura 8 mostra o fluxograma do processo de degomagem e neutralização do óleo de soja. Figura 07: Fluxograma do processo de degomagem e neutralização do óleo de soja Fonte: Mourad (2008) 78 2.5.2 Esmagamento da soja Neste estudo optou-se por utilizar dados de fontes secundários referentes à etapa de esmagamento do grão de soja e dados primários e secundários para o processo de transesterificação do biodiesel, estas informações são importantes para determinar o resultado do balanço energético. A escolha de usar dados primários e secundários e para elaborar o balanço energético do biodiesel, justifica-se primeiramente pela dificuldade de acessar aos dados diretamente junto às empresas que processam a soja e seus subprodutos; e segundo porque “os dados que serão usados são de uma pesquisa recente, feita a partir de dados de instituições e estudos sobre o assunto” (MOURAD, 2008). Parte dos dados relativos aos insumos sobre a produção do biodiesel dados foram levantados por Mourad (2008) a partir de estimativas setoriais da ABIOVE, de empresas fabricante dos equipamentos utilizados nas plantas industriais, do estudo feito pelo National Renewable Energy Laboratory, nos EUA, publicado em 1998 e de dados de estudos elaborados por pesquisadores. A tabela 6, onde estão descritos os principais insumos de entradas (input) e saída (outup) referentes ao processamento por toneladas de grão de soja, quantidade necessária para se produzir uma tonelada de óleo degomado. 79 Tabela 06: Resumo dos principais insumos/produtos estimados para produção do óleo de soja degomado por tonelada de soja Parâmetro Unidades Entradas Saídas Grãos de soja secos (13% umidade) kg 1000 - Óleo de soja degomado Farelo de soja Cascas Hexano Energia Elétrica Óleo combustível Lenha Vapor kg kg kg kg MJ kg kg 0,7 (e) 250 (d) 51 (d,e) 64,68 (f) 264 (g) 190 771 34,3 (e) - (a) - Abiove, 2008 (média entre 2000 e 2007), (b) HAMMOND et al, 2005, (c) empresa fabricante de equipamentos de extração,(d) SHEEHAN et al,1998 (e) estimado por balanço de massa, (f) 38 LACERDA, E. (2008); (g) JONGENEELEN (1976 apud LUZ et al, 2006); Fonte: Mourad (2008) e dados de pesquisa (2011) 2.5.3 Processo de conversão do óleo degomado em biodiesel O processo que transformação em que o óleo bruto é convertido para a forma de éster é realizada para reduzir a viscosidade do óleo e eliminar os problemas que afetam os motores a diesel, após o refinamento torna-se uma fonte de energia, destinado a ser misturado no óleo Diesel ou combustível substituto de óleo Diesel. O craqueamento térmico ou pirólise é uma parte do processo que ajuda a melhorar as propriedades dos óleos vegetais brutos. Durante essa etapa do processamento do óleo a pirólise é realizada com o uso do calor para provocar o quebra de moléculas através do aquecimento a altas temperaturas. O aquecimento da substancia na ausência de ar ou oxigênio, a temperatura superiores a 450º graus centigrados, formando uma mistura de composto químico que tem propriedades parecidas com as do diesel de petróleo. 38 JONGENEELEN, H. P. J. Energy Conservation in Solvent Extration Plants, JAOCS Journal of the American Oil Chemists Society, vol.53, p. 291, June, 1976. 80 A Transesterificação é a etapa do processo de conversão do óleo vegetal ou gordura animal, em ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos, que constitui o biodiesel. De acordo com Khalil (2006) após a transesterificação ocorrera à conversão da matéria graxa em ésteres (biodiesel), a massa reacional final é formada por duas fases chamadas de separáveis pelo processo de decantação e ou por centrifugação. O resultado desse processo tem na fase mais pesada a glicerina bruta, obtida a partir do álcool, da água e das impurezas da matéria prima utilizada. A fase menos densa é composta de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos, dependendo do material utilizado. Mourad (2008), os principais alcoóis utilizados durante o processo de transesterificação são os alcoóis etílico e metílico. Ressaltando um grande interesse nacional em se produzir biodiesel pela rota etílica pelo fato do etanol ser produzido no país e ser um insumo renovável. Mas, a utilização do etanol para o processo de separação da glicerina é mais difícil, implicando em maiores custo ao processo de purificação do biodiesel. Por isso, a rota metílica, tem sido a mais utilizada, por permitir melhor separação da glicerina. Entretanto, optando-se por esta técnica de purificação utiliza-se um produto toxico e que necessita ser importado. No decorrer do processo de transesterificação usa-se também a soda cáustica como catalisador, assim ocorrera à separação da glicerina do biodiesel e também a remoção do álcool (matéria prima do processo). E as etapas seguintes serão de finalização do processo de produção do biodiesel, a figura 7 um fluxograma do processo de transesterificação do óleo degomado da soja. 81 Figura 08: Fluxograma do processo de transesterificação do óleo degomado de soja. Fonte: Mourad (2008) O processamento do óleo degomado exige a entradas de alguns insumos para o processo de transesterificação, além dos que já foram descritos na figura 4.3, como: o metanol e água. Fontes de energia como a energia elétrica, a lenha e o óleo combustível são fundamentais para movimentação das máquinas que farão processo de separação da glicerina, à remoção do álcool e destilação. A lavagem do biodiesel além de neutralizar o catalisador alcalino tem o objetivo de remover sais, sabões, metanol ou glicerina livre. Após a lavagem procede-se à secagem do produto para retirar o excesso de água. Todos esses processos demonstram o quanto o processamento do óleo 82 degomado é dependente de fontes de energia durante sua produção. A tabela 07 mostra, quais foram os insumos necessários para a produção por ton. de biodiesel, assim como as saídas oriundas do processo. Tabela 07: Resumo dos principais insumos/produtos para a transesterificação do óleo degomado de soja pela rota metílica, para a produção de 1 tonelada de biodiesel Parâmetro Unidade Entradas Saídas Óleo de soja degomado Kg 1080 (b) - Ésteres metílicos do óleo de soja Kg - 1000 Metanol Kg 140 (a) - KW/h 35 (a) - Óleo combustível kg 1,5 (b) - Lenha kg 135 (a) - Vapor Kg/h 450 (a) - Energia elétrica Fonte: (a) Dados de pesquisa de campo (2011); (b) Mourad (2008) Como mostra as tabela 06 e 07 o processamento da soja, que consiste no esmagamento da semente para a extração do óleo degomado e obtenção do farelo, essa etapa da produção é dependente de formas de energia, assim como as demais etapas do processamento como o refinamento do óleo (transesterificação) que resultara em biodiesel e subproduto como a glicerina. As fontes de energia consumida nesse processo de transformação da semente são: metanol, hexano, lenha, energia elétrica, e óleo combustível. 2.6 Produção da ração animal destinada à alimentação animal No Brasil, a base da produção de rações é cereal e as principais matérias primas são milho, soja, sorgo e seus subprodutos. O farelo de soja e o milho são as principais fontes de proteínas na composição da ração animal sendo o fator 83 determinante na competitividade de aves e suínos confinados no Brasil. Dados disponibilizados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal Sindirações mostram a participação da soja e do milho e seus derivados na figura 09. Figura 09: Participação das matérias-primas Fonte: Sindirações (2010) A produção nacional de ração consumiu 27% de soja e derivados e 41% de milho e derivados, sendo estas as principais matérias primas utilizada na composição da ração destinada à dieta nutricional dos animais como aves e suínos porque são os grãos que produzem mais calorias do que a maioria das plantas; são resistentes ao transporte e a anos de estocagem, entre outras vantagens competitivas (CARMELLO, 2010). O modo de criação em forma de confinamento torna as duas espécies consumidoras de ração conforme demonstra a figura 10 a seguir. 84 Figura 10: Consumo de ração por espécie em 2010 Fonte: Sindirações (2010) A demanda por farelo de soja e derivados de milho tem elevado isto porque os países membros da União Européia, não aprovam o uso de proteínas e de gorduras oriundos de animais na produção da ração para alimentar os animais domésticos, em função de possíveis doenças que possam ser transmitidas por meio da alimentação (GOLDFLUS, 2001). Devido às exigências sanitárias, o farelo de soja tem sido demandado como ingrediente que compõe a formulação da ração de animais que fazem parte da pecuária industrial de suínos e aves. O farelo de soja representa mais de 80% do total de energia das fontes proteicas na fabricação de ração para avicultura e suinocultura. É subproduto que contém de 42 a 48% de proteína bruta e 2% de óleo. O grande volume de produção desse subproduto ocorre principalmente devido ao esmagamento da soja para a produção de óleo, gerando então o farelo que é demandado principalmente pela avicultura que chega a consumir cerca de 50% do total produzido. Nas rações especifica para aves, sua composição tem em média 60% a 70% de milho e 25 a 35% do volume total da ração, contribuindo com 60 a 70% de proteína e responsável por 15% da energia metabolizável 39 das rações de frango de corte (KATO, 2005). 39 A energia metabolizável (EM) é a forma mais utilizada para expressar o valor energético dos ingredientes para aves e suínos. Os ingredientes utilizados nas formulações de rações possuem 85 E os principais ingredientes energéticos da ração são: o milho, o farelo de soja e o óleo de soja, contribuindo com um percentual total de proteína aproximadamente entre 20% e 21,89 e (BELLAVER et al, 2003). Pesquisas de campo apontaram que a quantidade de cada um desses insumos presente nas raçoes tem quantidades de cada um dos insumos milho e farelo de soja é semelhante em sua composição conforme está demonstrado na tabela 08, onde está presentes o percentual dos insumos para cada espécie animal. Tabela 08: Principais componentes da ração para o processo de crescimento e terminação de animais Composição Aves (%) Suínos (%) Milho 74,13 74 Farelo de soja 23,26 21 Óleo ácido de soja 2,16 - 3100* 3.300 Energia metabolizável kcal/kg Fonte: Dados de pesquisa de campo (2011) *Varia de acordo com o sexo dos animais. A ração é a principal fonte de alimento durante o processo de criação intensiva de suínos e aves, por isso os ingredientes que a compõe precisam ter boa energia para suprir a exigência animal, apesar de que frequentemente, “busca-se diminuir a energia da dieta para diminuir o custo da mesma, claro sem prejuízo no desempenho dos animais” (BELLAVER et. al, 2003). 2.6.1 Energia Consumida na Nutrição de Aves e Suínos Geralmente a energia presente nos principais ingredientes da ração dos animais (farelo de soja e milho) tem sido expressa em quilocalorias (kcal) ou Joules (J) ou seus múltiplos de 1000 que são a kcal e o kJ. Assim, cada quilograma (kg) de valores de EM e as exigências expressas da mesma forma em kcal/kg de ingrediente. Estes valores, basicamente, representam a diferença entre a energia ingerida por meio das rações e a energia excretada nas fezes e urina, sendo que, para aves, a energia perdida na forma de gases durante o processo de digestão pode ser ignorada (KATO, 2005). 86 milho contém aproximadamente 3300 kcal de energia metabolizável (EM) e o farelo de soja 2400 kcal de EM/kg, essa composição de fonte de energia é a utilizada na dieta das aves e suínos. A dieta à base de ração produzida a partir de alimentos vegetais oportuniza a conversão de proteína vegetal em animal. Segundo demonstram estudos realizados pela Embrapa suínos e aves durante o processo de cria desses animais, a quantidade de energia exigida varia em quantidade diferente de acordo com o sexo do animal, a fase produtiva, a condição ambiental a capacidade digestiva e a quantidade de ração consumida por dia, de acordo com as necessidades de energia em seu metabolismo. A avaliação do desempenho da quantidade de energia consumida pelo animal para a produção de um quilograma de carne calcula-se a taxa de conversão alimentar, que considera a quantidade de ração ingerida em uma determinada quantidade de dias pelo ganho de peso. Este indicador permite avaliar se o índice de conversão alimentar esta ou não sendo eficiente no decorrer de um determinado período de tempo. O quanto de ração fora consumida para que o animal ganhasse o peso considerado o ideal para o abate. Dentre os ingredientes que compõe a dieta nutricional dos suínos estão o farelo de soja que contém em média de 42% a 48% de proteína bruta e o milho moído que tem grande participação na composição da ração e seu valor de energia metabolizável esta acima de 3.000 kcal/kg do alimento, pela quantidade com que podem ser incluídos nas dietas, são também importantes fornecedores de proteína (LUDKE et. al, 2003). 2.7 Distribuição da Produção via transporte rodoviário A região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso esta localizado a 2.200 quilômetros de distancia do Porto de Paranaguá - Paraná e 1971 quilômetros do Porto de Santos – São Paulo. Em termos de localização, os principais municípios 87 onde estão distante dos principais pólos industriais, distribuição e consumo do país, este concentrados nas regiões sul e sudeste40. Devido a suas localizações esses municípios são dependentes de um sistema logístico para escoar suas produções e também para trazer os insumos, maquinas equipamentos, e diversos produtos. Neste sentido, a logística é: O processo de gestão de fluxos de produtos, de serviços e da informação associada, entre fornecedores e clientes (finais ou intermediários) ou vice-versa, levando aos clientes, onde quer que estejam, os produtos e serviços de que necessitam, nas melhores condições (Moura, 2006, 15p.). No caso de Mato Grosso e dos municípios estudados, a maior parte da produção regional é escoada in natura, e são destinado para indústrias em outros estados do país e principalmente para outros países. Porém com a instalação de indústrias de transformação da produção agrícola da região, logisticamente ocorrem mudanças no perfil de produção a ser escoado da região que passa a transportar produtos acabados como: o biodiesel, carnes, presunto, lingüiça, farelo, agregando valor à produção de grãos e ampliando a produção industrial na região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso. A instalação de industriais, especialmente as agro-alimentares estão aliado à localização das matérias-primas que são constante e abundante, assim tem-se uma mudanças no sistema logístico que até então se encarregava de transportar grãos, passa agora a transportar produtos industrializados para abastecer o mercado nacional e internacional, para que isso ocorra o “transporte é um componente essencial de todos os sistemas alimentares” (PIMENTEL et al, 1990) Richardson (1981) aponta que o custo dos transportes como uma característica fundamental para determinar a escolha da localização entre a fonte de matéria-prima e o mercado, assim decide-se que a combinação particular de 40 Nessas regiões estão os principais portos que viabilizam a logística de importação e exportação de insumos e diversos produtos demandados. Assim como estão presente as principais industriais que produzem e vendem insumos utilizados na produção agrícola e industrial, além possuírem pólos de distribuição das mercadorias produzidas para a população concentradas nessas regiões. 88 quantidades de insumo de transportes despendidas com a matéria-prima e com o produto. Enfatizando que essa combinação, poderá permitir um custo nulo ao transporte de insumo, sobretudo, orientando as indústrias a se estabelecerem próximas as matérias-primas que ao serem industrializadas perdem peso durante a transformação em produtos acabados; e a tarifa de transporte sobre matérias-primas excede ou iguala a tarifa sobre o produto final. (RICHARDSON, p.55, 1981) Principalmente ao considerar que determinada produção não depende apenas de um insumo, mas de vários, podendo assim elevar ainda mais o custo do transporte. Nos casos em que o potencial mercado consumidor esta distante da produção, a tarifa de transporte é cobrada por quilômetros, implicando em menor custo para trajetos maiores. Na teoria de localização de Weber a distância da produção do mercado consumidor, será lucrativa, quando a perca de peso da matéria-prima, é igual ao peso do produto mais o peso de todas as transformações. É necessário destacar que em todo esse sistema capitalista, de produção, distribuição de bens, Weber foca sua analise, na localização da matéria-prima e os ganhos que possam ser colhidos se bem aproveitado essa vantagem. Para, Hemery, Debier e Deleage (1993), sua analise sobre as relações do modo de produção capitalista, é dependente do insumo energia, pois: A energia desempenha um papel fundamental nas atividades de troca, porque o modo de produção capitalista (e antes dele o setor mercantil do modo de produção feudal, do qual se originou), fundou toda atividade social que organizava, não sobre um valor de uso intrinsecamente determinado, mas sobre um valor de troca destinado ao mercado. Ora, o comercio, por usa própria natureza, movimenta especialmente os produtos, transporta-os a distâncias maiores ou menores, e a transformação do excedente em mercadoria, que realiza, só é possível através de uma mobilização crescente da energia sob forma de albarda, de rodagem ou de transporte por navios. (HÉMERY, DEBIER e DELEAGE, 1993). A transformação da estrutura social, baseado no modo de produção capitalista está diretamente ligada à disponibilidade de recursos energéticos, influenciando também o desempenho de economias regionais que especializaram no setor agroindustrial, como no caso de Mato Grosso. 89 Dessa maneira foi construído um processo produtivo cujo investimento foca a produção de carnes de aves, suínos, óleo vegetal para consumo e biodiesel, além da ração animal. A industrialização agrega valor aos produtos e consequentemente uma nova logística produtiva do município. Porque a soja in natura passou a ser beneficiada e industrializada. Parte de sua produção – combustível - farelo, gera condições de (re)incorporação ao processo produtivo, com integração e diversificação da produção. Nesse contexto, vão se estabelecendo circuitos produtivos decorrente da implantação e articulação de atividades modernas, com destaque a industrialização de grãos. Isso dinamiza a reprodução do capital, sobretudo, pela nova logística, que intercala o transporte rodovia, e futuramente ferrovia e hidrovia, aliado a sistemas de energia e comunicação. Levando a uma nova estruturação do espaço voltando para o escoamento de produtos e commodities produzidas na região (BERNARDES, 2005). Há nesse percurso um longo trajeto de mudanças que ocorreram para atender aos agricultores e suas propriedades agrícolas produtoras de soja que na busca de alternativa que pudessem diversificar suas atividades econômicas, assim como suas margens de lucro. Por outro lado, foi necessário criar condições para a produção de agricultura de subsistência, na atividade agrícola predominante. Porque o modelo agrícola predominante tem como essência uma operação comercial, na maioria das vezes com produção voltada para atender o mercado e consumindo cada vez menos, aquilo que produzem. E as demais atividades relativo à produção como “armazenagem, processamento e distribuição de alimentos e fibra esta funções vão se transferindo, em larga escala, para organizações fora da fazenda” (ARAÚJO, WEDEKIN, PINAZZA,1990). Todavia, o agricultor é um especialista em produção agrícola, mas, dependem de insumos que são derivados de fontes de energia. Determinando que todo processo produtivo faz-se necessário consumir energia de diversos tipos, fontes e formas nas etapas de adubação, semeadura, na aplicação de fungicida, herbicida e inseticida, colheita e transporte. 90 A fim de conhecer a energia despedida no transporte de materiais-primas e produto industrializado, a outras regiões atendendo assim as demandas dos mercados: nacional e internacional. Portanto, buscando determinar o consumo energético quantificaram-se todos os insumos utilizados na respectiva produção agrícola, para análise energética dos insumos utilizados enquanto fonte de energia, considerando, as exigências físicas dos fatores de produção, insumos e dos grãos produzido e posteriormente transformando-os em unidades de medidas estabelecidas para avaliar a eficiência energética dos respectivos sistemas. 91 3. METODOLOGIA As relações sobre o comportamento da energia no processo de produção pode ser feita através dos fluxos de energia que participam do sistema produtivo como saída/entrada. Geralmente apresentadas em formas de balanços energéticos, ou matriz energética, tornando possível desta forma uma avaliação da energia de uma determinada cultura e a energia dos insumos presente em um determinado sistema produtivo. O balanço energético permite uma avaliação dos processos de produção de energia considerando os insumos utilizados e a energia gerada através da avaliação das cadeias produtivas. Desse modo, a produtividade e a evolução da sociedade podem ser avaliadas a partir de métodos de tecnologia e de conversão, tornando-se necessário que esse processo identifique gargalos e necessidades humanas de fontes e uso de energia. A obtenção dos dados para o cálculo da energia consumida nos sistemas de produção estudados foi obtida da seguinte forma: primeiramente via aplicação de questionários a empresas e produtor de aves e suínos, motoristas que se prontificaram a respondê-las41. Segundo através de dados secundários, encontrados em bibliografias cientificas que abordaram o assunto em questão e citados em cada tópico, em função da negativa de algumas empresas a informarem seus dados. Com relação aos dados dos insumos energéticos da produção agrícola, o questionário foi aplicado a uma empresa que possui mais de 10 fazendas na região estudada, os dados obtidos foram uma média do consumo dos insumos no ano de 2010 para produção de cada hectare de soja e milho. Com relação às fontes dos dados estes não serão divulgados em razão do pedido de sigilos por parte das empresas que os forneceram. 41 Os questionários aplicados estão presentes nos apêndices A, B, C. 92 3.1 Balanço Energético De acordo com Campos & Campos (2004), o balanço energético é um importante instrumento para tomada de decisões relacionadas a adoção de novas técnicas e manejos agropecuários, em particular, aos sistemas produtivos onde há potencial para economizar energia e aumentar a eficiência de insumos, reduzindo custos em sistemas de produção que apresentam uso energético intensivo em suas várias formas. O conhecimento do balanço energético permite a analise energética dos agrossistemas, que tem por objetivo descrever os fluxos de energia, seu funcionamento e determinar o grau de eficiência energética, através de medidas parciais, relacionado apenas a fatores como a terra, o trabalho ou o capital (DE MORI, 1998 apud Santos et al., 2010). Para Comitre (1995), análise do fluxo energético requer a unificação do produto de diferentes fontes e conversores de energia dos diversos insumos, assim como máquinas, equipamentos, trabalho humano e combustível, em uma mesma unidade calórica. Assim, define-se o balanço de energia como atividade ou instrumento a contabilizar a energia disponível e a consumida em determinado sistema de produção (SANTOS et al., 2010). Visando estabelecer os fluxos de energia, podendo identificar sua demanda total, estabelecendo assim, a eficiência energética refletida pelo ganho liquido de energia e pela relação de saída/entrada (energia produzida/energia consumida) determinando consecutivamente a energia necessária para produzir ou processar um quilograma de determinado produto (SIQUEIRA et al., 1999). Em busca de resultado, sua finalidade é traduzir em unidade ou equivalentes energéticos os fatores de produção e os intermediários, permitindo a construção de indicadores comparáveis entre si, que possibilitam a intervenção no sistema produtivo com objetivo de melhorar a eficiência (BUENO et al., 2000). Pois esta forma de analise sobre os modos que os sistemas de produção utilizam técnicas e insumos para produzir são viáveis do ponto de vista de uma avaliação energética, econômica quanto ambiental. 93 Avaliação realizada com sistemas intensivos de produção agrícola considera-os causadores de sérios danos ambientais, o rápido esgotamento de recursos naturais, pela poluição, contaminação do meio ambiente devido à excessiva liberação de componentes residuais (ROMERO et al., 2008; KOSIOSKI & CIOCCA, 2000). Assim, as analises fornecem informações que agregam um referencial ecológico, principalmente em relação aos sistemas que são intensivos em insumos derivados de fontes de energia não-renováveis. Para realizar o balanço energético utilizaram as entradas de insumos, mãode-obra, máquinas utilizados nos sistemas de produção e saídas através dos produtos finais produzido ao final de cada processo produtivo. A eficiência energética da produção foi calculada através da utilização da seguinte equação 1: E= E E produzida , (Eq. 1) consumida Na qual, E produzida = estimativa de energia produzida no processo de produção; E consumida = estimativa de energia consumida no processo de produção; De acordo com Castanho Filho; Chabaribery (1983), a eficiência determinara se o sistema produtivo esta contribuindo com aquilo que é preconizado para um sistema produtivo, considerando que é a energia contida no produto final deverá ser maior que a quantidade de energia que entra para produzi-lo. Neste estudo, o balanço energético será um instrumento analítico que permitira analisar as saídas e entradas de energia nos sistemas produtivos estudados: produção da soja, do milho, do biodiesel, do farelo e das carnes. Com o objetivo computar o consumo e a produção energética dos respectivos sistemas produtivos. Os insumos necessários para determinar o consumo energético nas safras agrícola e na produção de biodiesel e demais produtos como ração, produção de aves, suínos e transporte foram os seguintes: Entradas de energia da produção agrícola - input: mão de obra, sementes (origem biológica); óleo diesel, lubrificante e graxa (origem fóssil). As fontes 94 de origens: biológica e fóssil serão consideradas energia de entrada do tipo direta. As máquinas e equipamentos (na produção agrícola), corretivos de solo, fertilizantes químicos e agrotóxicos serão considerados formas de entrada de energia de origem industrial do tipo indireta. Entradas de energia na produção industrial – input: energia elétrica, lenha, vapor, combustíveis fósseis e demais produtos industrializados como (metanol, hexano e etc) essenciais ao fluxo do sistema a partir de seu poder calorífico. Além de contabilizar os insumos necessários nos sistema de produção da ração, aves, suínos e logística. Nesta parte não serão contabilizadas as entradas de energia relativa às máquinas e equipamentos das industriais, apenas as fontes de energia direta que participaram do processo produtivo. Saídas de energia – energia produzida (output): as energias produzidas através dos grãos de soja colhidos, o biodiesel e demais subprodutos, como ração e carnes. Os cálculos foram realizados com a utilização de coeficientes energéticos que serão apresentados nos tópicos referentes a cada insumo utilizados no processo produtivo referente à fase agrícola e industrial. O método de conversão energética utilizado neste estudo para a conversão energética dos insumos envolvidos na produção foi realizado com bases nas bibliografias cientificas referente ao tema estudado por Campos (2001); Comitre (1993), Pimentel et al.(1973, 1990, 2005); a partir de dados e informações contidas nesses estudos adequará cada fator as características especifica do situação estudada. De acordo com Comitre (1993) “a conversão dessas entradas e saídas de energia em um equivalente energético, seja joule ou calorias, permite o cálculo da eficiência energética do sistema de produção”. Permitindo, a busca de um denominador comum que possibilite comparações entre sistemas, isto torna a conversão de diferentes medida, na mesma unidade calórica de instrumentos e materiais, mesmo sendo diferente entre si como são: as máquinas, os combustíveis, mão de obra, as sementes, os fertilizantes, os agrotóxicos entre outros, podem ser calculados por uma única unidade de medida no processo de conversão energética. 95 Portanto, a quantificação energética dos insumos ocorreu através da multiplicação do produto físico pelos respectivos índices de conversão, computados em MegaJoule (MJ). Para converter quilocarias (kcal) em MJ, considera-se um 1 MJ em 239 kcal. A seguir se determinara os valores dos coeficientes energéticos de cada insumo que participa do processo produtivo do sistema agrícola. E posteriormente se determinara a quantidade de insumos e seus coeficientes energéticos para o sistema de produção industrial. 3.1.2 Coeficientes energéticos da produção agrícola A produção agrícola demanda insumos energéticos, e para calcular o quanto de energia esta presente em cada insumo requerido para se produzir um hectare das culturas de soja e milho, é necessários multiplicar a quantidade de insumo pelo coeficiente energético, então obterá a energia demanda. A seguir os valores dos coeficientes de cada insumo utilizado na produção agrícola. 3.1.3 Fatores de produção agrícola a) Mão de obra O dispêndio de energia no decorrer do trabalho humano nas produções agrícolas tem sido discutido e apresentado valores em diversas pesquisas referentes ao assunto. Mello (1986) cita diversos autores, segundo os quais a energia gasta em trabalhos na agricultura varia de 19 a 1000 Kcal/hora. Revisão a respeito do valor energético da mão de obra adotado por diversos autores, segundo PRACUCHO ( 2006), é possível verificar uma grande variação oscilando entre 0,08 MJ.h-1 (PYKE, 1970) e 2,70 MJ.h-1 citado por (PIMENTEL et al, 1990), estes valores decorre da aplicação de distintas metodologias e analises na sua quantificação. 96 Ainda de acordo com Pracucho (2006) as variações entre as diferentes medidas citadas, ocorrem porque as análises consideram desde a transformação do salário do trabalhador em unidades energéticas, comparando ao dispêndio energético de uma maquina e equipamentos agrícolas substituto do trabalho humano, inclusive atividade agrícolas classificadas como trabalho muito pesados. Apesar de o trabalho utilizar coeficientes secundários para avaliar o valor energético da mão de obra na produção de soja, é importante destacar que os valores referentes ao consumo calórico e os gastos energéticos podem variar desde o mesmo grupo de trabalhadores de uma mesma atividade, como também em diferentes culturas e localidades. Considerando que um trabalhador agrícola consome em media 516, 24 kcal por hora trabalhada segundo metodologia adotada por Serrão (2007). Assim, dividindo o total de kcal consumida por hora trabalhada pelo valor de um MJ em kcal, obter-se-á o coeficiente energético em MJ.h-1 conforme a equação 2. Temo= (VE(Kcal) /EMJ) (Eq. 2) Na qual: Temo= Consumo total de energia por hora trabalhada em MJ.h -1; VE (Kcal) = Valor do energético consumido por hora trabalhada de kcal-h; EMJ= Energia equivalente em kcal presente em MJ; O valor do coeficiente energético será aplicado ao trabalhador rural, computando assim, a quantidade de horas trabalhadas em MJ, empregadas nas culturas de soja e milho. b) Semente da Soja A energia das sementes refere-se à equivalência energética da semente de soja. Considerando os seguintes fatores: proteína, carboidrato e gordura contido na semente, estimam-se que soja contenha 16,8 MJ/kg, isto determinado pelo 97 Departamento de estudos de energia renovável dos Estados Unidos – National Renewable Energy Laboratory - NREL. Em estudos elaborados por Pimentel e Patzek (2005), determinou que a exigência de energia para a semente da soja é o dobro, determinando o coeficiente energético de 33,44 MJ.kg-1, como valor calórico da soja. Este valor será o mesmo adotado para este estudo. c) Semente do Milho Sendo utilizada a semente de milho híbrido na quantidade de 20 kg x ha -1. Para contabilizar o valor energético de semente da semente de milho, adotou-se os coeficientes energéticos do índice proposto por Pimentel et al (1973), este é referência mundial e corresponde ao valor energético de 7.936,65 kcal x kg -1, para semente de milho hibrido, esse cálculo embora equivale as condições do EUA, aproxima do valor de Beber (1989), de 7.750 kcal por quilograma de semente de milho híbrido, levando em consideração uma série de publicações de dados nacionais (BUENO, 2002). Para esta pesquisa o coeficiente energético para a semente, adotou-se o índice de 33,23 MJ.kg-1 utilizado por Bueno (2002), Pimentel et al. (1973) e Beber (1989), correspondendo a 598,1 MJ ha-1. c) Insumos: Corretivo de Solo e Fertilizante químico No Brasil o principal produto utilizado para corrigir o solo é o calcário, principalmente nas regiões como o centro-oeste que possui um solo com alto teor de acidez, a aplicação de calcário ocorre em média de três em três anos. A quantidade de calcário aplicado em cada cultura varia, para cultura da soja aplica-se de 1.5 a 2,0 toneladas por hectare. Essa variação depende das condições de teor de acidez do solo, apontado por teste de analise do solo. Na produção de milho safrinha, devido ao fato de uma correção anterior do solo para produção de soja, a quantidade de calcário demandada por hectare é de 1,0 toneladas por hectare. O 98 índice energético adotado para o calcário é de 0,17 MJ.kg-1 sendo o mesmo aplicado por Comitre (1993), a este insumo. Adubação do solo é um dos elementos essencial para garantir uma boa produtividade. A fórmula do adubo químico contendo nitrogênio (N), fosfato (P 2O5) e potássio (K2O) denominado de NPK geralmente utilizado juntamente com a semeadura. Para produção da soja considerou nesta pesquisa o adubo com a seguinte fórmula 00-30-10 na quantidade de 400 kg.ha-1 conforme experimentos conduzidos no CEFET de Lucas do Rio Verde (2010), que confere ao valor fornecido pela fazenda pesquisada. Esses são os principais nutrientes aplicados na produção agrícola, seguindo os valores adotados por Bueno (2002), os coeficientes energéticos são: 62,51 MJ.kg 1 para nitrogênio; 9,63 MJ.kg-1 para Fósforo (P2O5); e 9,21 MJ.kg1, para Potássio (K2O). Para determinar estes coeficientes os autores acrescentaram 0,50 MJ.kg -1 em 63,45% do fertilizante químico que corresponde ao transporte marítimo da importação (ANDA, 2009). d) Insumos: Agrotóxicos, herbicidas, fungicidas e inseticidas Para determinar às energias dos inseticidas, herbicidas e fungicidas aplicados na produção agrícola da cultura optou-se pelos valores definidos do consumo em litros (L) por Pimentel (1980), comentados por Comitre (1993), de 147,01 MJ.L-1 para herbicidas, 271,70 MJ.L-1 para fungicida e 184,46 MJ.L-1 para inseticidas. e) Insumos: Máquinas e equipamentos Para determinar os coeficientes energéticos das máquinas e equipamentos utilizados nos sistemas de produção agrícola, adotou o mesmo método de Comitre (1993), computou, de acordo com Doering III (1980), para as entradas de energia indireta de origem industrial para maquinas, colheitadeira e implementos agrícola relativo o valor adicionado na fabricação, onde será considerado o valor adicionado de 5% referente aos reparos e mais um acréscimo de 12% para a manutenção. Para 99 trator e colheitadeira utilizou os seguintes coeficientes energéticos 14.628,68 MJ.t-1 e 13.012,57 MJ.t-1 respectivamente, e 85.829,40 MJ.t-1 para pneus. Também se utilizou coeficientes energéticos para implementos e equipamentos agrícolas necessários nas operações de plantio ou semeadura, de acordo com Comitre (1993) adotou o seguinte coeficiente 8.628,99 MJ.t -1 para as demais operações pós-plantio o valor determinado de 8.352,67 MJ.t-1. Para determinar o consumo energético das maquinas utilizadas no sistema de produção de soja e milho, seguiu a metodologia utilizada por Comitre (1993), calculada a partir da equação 3. DE= (a + b + c + d) / vida útil (h) (Eq. 3) Na qual, DE= Depreciação Energética a = peso das máquinas e implementos x coeficientes energéticos correspondentes b = 5% de ‘a’ c = número de pneus x peso x coeficiente energético de referência; d = 12% de (a + b + c). f) Insumos: Combustíveis: óleo diesel, óleo lubrificante e graxa. O combustível é utilizado como fonte de energia para mover as máquinas agrícolas, em mato grosso levantamentos feitos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária - IMEA, os gastos com óleo diesel por hectare é de cerca 50 a 55 litros/hectare para produção de soja. Para quantificar a energia fóssil optou-se pelos coeficientes energéticos que correspondem aos valores de poder calorífico sugerido por Comitre (1993) para o óleo diesel: 43,93 MJ.L-1, lubrificantes 35,94 MJ.L-1 e graxa 49,22 MJ.kg-1. valores serão considerados na produção da cultura de soja. Esses 100 3.2 Coeficientes energéticos de produção da etapa industrial Neste item estão detalhados os coeficientes energéticos usados nos computo da fase industrial dos sistemas produtivos analisados. Deve ressaltar que o resultado de um balanço energético depende dos fatores considerados pelos autores que o elaboram, para as analises que serão feitas, considerando apenas os insumos que estão diretamente ligados ao processo de produção, portanto no caso do biodiesel e demais atividades produtivas não serão analisadas. 3.2.1 Fatores de produção da etapa industrial a) Metanol: O metanol ou álcool metílico é um insumo essencial no processo de transesterificaçao, obtendo-se assim, os ésteres metílicos que constituem o biodiesel e a glicerina. Este produto juntamente com a matéria prima é um dos principais insumos e, em plantas comerciais pode ser parcialmente recuperado. E sua contribuição energética é de 19,7 MJ.kg-1, e será utilizado nesta pesquisa, este foi o coeficiente de um estudo realizado por (ALMEIDA NETO et al, 2004). b) Hexano: Denominado de n-hexano, o “hexano” é um produto químico fabricado a partir de óleo cru (petróleo). É um solvente usado na extração de óleos vegetais a partir da cultura da soja. E sua contribuição energética foi de 44,5 MJ.kg -1, e será utilizado nesta pesquisa, este foi o coeficiente de um estudo realizado nos EUA por (SHEEHAN et al., 1998). c) Lenha: Este é um insumo geralmente utilizado para secagem dos grãos 42 e aquecimento de caldeiras para produção de vapor. Á lenha associou-se uma 42 No estado do Mato Grosso, 100% dos grãos de soja sofrem secagem, devido à elevada incidência de chuvas na época de colheita. Igualmente os grãos de milho sofrem secagem para diminuir a umidade, pelo fato de que a colheita é mecanizada, logo para que isto ocorra os pés de milho devem estar em pé. Como o mês de agosto e setembro venta muito se antecipa a colheita para evitar 101 participação de apenas 2%, como sugeriu Mourad (2008), devido ao pequeno gasto energético na colheita e no transporte relativamente ao poder calorífico da biomassa (13,0 MJ.kg). d) Vapor: O valor a ser considerado é de que para cada tonelada estima-se um que o consumo pode chegar até a 80 kg de vapor no decorrer do processo de secagem do farelo de soja conforme estabeleceu Jongeneelen (1976 apud LUZ et al. 2006). O coeficiente energético que se determina para o vapor é de 2,33 MJ.kg conforme estabelece (ALBÉ, 2001). e) Energia Elétrica: Em geral, o valor do coeficiente energético da energia elétrica de origem hídrica é igual a 3,6 MJ.kWh-1. Para o processo produtivo foram calculados os valores consumidos no decorrer de toda produção do biodiesel que envolve desde o esmagamento da semente de soja à purificação do óleo degomado. f) Óleo combustível: É utilizado na geração de vapor necessário para os processos de esmagamento/extração do óleo e no processo de transesterificação do óleo. Além deste insumo para a geração de vapor, outros combustíveis podem ser empregados no processo como o sebo e outras gorduras animais, a lenha e o carvão, etc. O poder calorífico inferior é de 9.590 kcal.kg, ou 40,15 MJ.kg determinado pelo BEN( 2007 apud MOURAD 2008). No entanto, a contribuição energética de 47,8 MJ.kg, a ser utilizada neste estudo é o mesmo do estudo de clico de vida realizado para diesel no EUA (SHEEHAN et al., 1998, MOURAD, 2008). prejuízos, mas ao final da colheita geral do grão a umidade relativa do grão do milho já diminuiu consideravelmente, mas mesmo assim ainda precisa passar por secagem industrial, para garantir a conservação do produto a ser comercializado. 102 3.2.3 Saídas energéticas / energia produzida A entrada de energia para o processamento da soja resultou em produtos e co-produtos com teor energético, em que se determinaram coeficientes energéticos que medem o poder calorífico de cada um, os valores atribuídos a esses coeficientes inicialmente estão em unidade de medida MegaJoule (MJ). Dentre os principais derivados da soja que se destacam na produção matogrossense do médio norte do estado estão: a) Biodiesel: A matéria prima em analise é o óleo de soja. Para a produção do biodiesel utilizou 1080 kg de óleo de soja degomado. Após o processo químico denominando de transesterificação em que ocorre a transformação do óleo degomado em biodiesel, que depois pode ser utilizado como combustível alternativo ao óleo diesel, misturado ao diesel para motores a diesel, sendo este o método de utilização convencional no Brasil atualmente. O poder calorífico Superior (PCS) teórico do biodiesel calculado a partir da composição do produto é de 39,9 MJ.kg (PERES et al, 2007). b) Glicerina: Este subproduto tem um poder calorifico inferior. Geralmente é refinado, e isto permite ao produto ter outro destino principalmente sendo utilizado no campo quimico, na elaboração de produtos farmaceutico, cosmeticos. E o valor energetico estimado e atribuido a glicerina será 18,05 MJ.kg-1 (ALMEIDA NETO, 2004) e representa geralmente 10% do produto gerado do processo de transesterificação. c) Farelo: Com relação à energia contida no farelo, a informação refere ao poder proteico que contém, por isso é utilizada como alimento de animais. principal destino deste subproduto derivado da soja. Sendo o Neste caso especifico, é interessante saber quanta energia é consumida para produzir alimento com as mesmas características que as proteínas da farinha obtida no processo industrial. 103 Dados da pesquisa de Mourad (2008) e Mendes et al, (2004), apontam que a contribuição energética, a partir da energia digestível como estimativa determinar o poder calorífico inferior em 15,0 MJ.kg-1. O farelo tem uma função importante na produção de carne de suínos e aves por ser um insumo de alto valor proteico, contribuindo como um dos insumos principais na composição da ração da dieta animal. O farelo ou torta de soja tem cerca de 12 MJ/kg-1 de energia metabolizável de massa seca43 conforme estudo elaborado por Cardoso (1996). 3.2.4 Coeficiente energético da atividade pecuária Neste item estão descritos os coeficientes energéticos utilizados no calculo da energia consumida no decorrer da atividade pecuária que inclui a criação de aves e suínos, assim como o valor energético que participam da alimentação diária desses animais: milho moído e farelo de soja. Ressalto que o balanço energético dos sistemas produtivos da pecuária não considerara estrutura como: galpão, máquinas, equipamentos. As determinações de alguns coeficientes energéticos foram feitos a partir valores energéticos determinado em calorias e posteriormente transformados em megajoule, conforme será descrito em cada item. Alguns coeficientes foram calculados primeiramente multiplicando-se as quantidades expressas em unidades de medidas (quilogramas,) versus o valor em kcal e dividido por 1 MJ equivale a 239 kcal, assim obteve o coeficiente energético em MJ. A seguir encontram-se os coeficientes energéticos de cada tipo de energia utilizados nos cálculos para definir a quantidade de energia produzida e consumida na produção de ração, aves e suínos. 43 Matéria Seca – MS refere-se à fração do alimento excluída a umidade natural do grão, ou seja, o grão já fora seco para retirar a umidade após a colheita deixando aos níveis de cerca de 13%. 104 3.2.4.1 Fatores de produção da ração a) Milho: O grão de milho é um dos insumos mais importantes na produção de ração destinados a alimentação de suínos e aves, devido ao alto teor de carboidratos. E o valor energético milho é cerca de 13 MJ/kg de energia metabolizável da matéria seca do de MS, conforme estudo elaborado por Cardoso (1996). É importante ressaltar que o ganho em peso dos animais criados em sistema intensivo se deve a alta concentração energética dos alimentos ingeridos. b) Farelo: O segundo insumo que compõe a ração, seu coeficiente energético foi definido no tópico 3.2.3 com poder calorífico inferior em 15,0 MJ/kg-1. 3.2.4.2 Coeficiente energético dos fatores de produção de aves O sistema produtivo de aves para a indústria de carnes demanda insumos energético tais como: ração, energia elétrica, gás liquefeito GLP e mão de obra. Em pesquisa realizada por Franco (2009), os índices de conversão alimentar para aves variaram de 1,5 a 1,6 kg de ração para indicadores máxima eficiência, enquanto a mínima varia de 1,7 a 1,8 a conversão alimentar por quilograma de carne de frango, isto considerando como alto o fator conversão alimentar. Os dados obtidos em pesquisa de campo (2010) referente ao consumo de ração por aves, mostrou que são necessários 1.560 quilogramas de ração ingeridas por aves para se obter 1 quilograma de carne. De modo que uma ave com peso médio de 2,500 Kg em um período de 45 a 50 dias consumiu em média 2500 quilogramas de ração. a) Ração: O coeficiente energético calculou-se a partir do percentual de cada insumo que compõe um kg de ração para aves, e depois se somou os valores obtidos em MJ, definindo-se assim o coeficiente energético de 17,57 MJ.kg-1. 105 b) Energia elétrica: O consumo de energia elétrica para produzir um determinado lote contendo em média 25.000 aves dentro de uma granja, o consumo médio de energia é de 5.189,19 kWh. Esse consumo é relativo a um sistema climatizado e automatizado de ventilação. E o coeficiente energético para energia elétrica é de 3,6 MJ/kWh-1 (NOGUEIRA, 1987). c) Gás liquefeito: O consumo de gás liquefeito de petróleo (GLP) para aquecimento é cerca um botijão e meio por lote de aves. Em levantamento abordado por Brasil (2003 44 apud Santos & Lucas Júnior, 2004) o valor energético do gás é de 11.100 kcal kg-1. Convertendo esse valor em MJ, o valor será de 46,44 MJ.kg-1. d) Energia contida na carne de frango Para obtenção do coeficiente energético da ave calculou-se a quantidade de calorias de um frango inteiro, com pele e cru, onde 100 gramas equivalente a 226 calorias, valor este definido pela tabela brasileira de composição de alimentos elaborados pela NEPA – UNICAMP (2006). O coeficiente energético para cada quilograma de carne de aves fora obtido a partir da equação, 4. Tef (kg)= ∑ [( KG.G(kcal))/EMJ] (Eq. 4) Na qual, Tef (Kg)= Total de energia presente em um quilograma de frango; KG= valor total de grama presente em um quilograma; G= a quantidade de kcal presente em 100 gramas de frango; EMJ= Energia equivalente em kcal presente em MJ; 44 BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Balanço energético nacional. Brasília, 2007. 192 p. 106 Para transformar esse valor calórico em MJ calculou a valor calórico presente em quilograma de frango e dividiu por um MJ que é igual a 239 calorias, conforme valor definido pela tabela de composição de alimentos do IBGE (1999). Obtendo desta forma o coeficiente energético de 9,45 MJ.kg, equivalente ao valor calórico presente em quilograma de frango inteiro com pele e cru. 3.2.4.3 Coeficientes energéticos dos fatores de produção dos suínos No caso dos suínos, a relação entre dieta alimentar e ganho de peso, os dados obtidos mostraram que são consumidos cerca de 2,400 kg para se obter 1 kg de carne45. No processo de cria, inicia-se com leitos com peso de 24 a 26 kg, que terão um período de engorda de 110 a 120 dias com ganho de peso total de 121,41 kg. Os dados de pesquisa de campo encontraram dois valores diferentes para o consumo de ração para obter-se um quilograma de carne suína. O valor a ser considerado para o consumo de ração varia de 2,190 a 2,170 kg, o ganho diário de peso fica em torno de 0,860 a 0,900 gramas ao dia. Chegando ao consumo médio final de 238 kg de ração por suínos, para um lote contendo 4.371 animais. a) Ração: O coeficiente energético calculou-se a partir do percentual de cada insumo que compõe um kg de ração para aves, multiplicando pelo coeficiente energético em MJ de cada insumo e depois se somou os valores obtidos em MJ, definindo-se assim o coeficiente energético de 15,10 MJ.kg-1. b) Energia Elétrica: Na suinocultura o consumo de energia elétrica em um módulo com 4.500 animais gira em torno de 5.043 kWh, conforme apontou pesquisa de campo 46 (2011). E o coeficiente energético para energia elétrica é de 3,6 MJ/kWh-1 (NOGUEIRA, 1987). 45 46 Pesquisa de campo (2011). Questionário no Apêndice B. 107 c) Energia contida na carne do suíno: Para obtenção do valor energético da carne suína, considerou-se a quantidade de energia contida em 100 gramas de carne suína gorda, que são de 276 calorias conforme pela tabela de composição de alimentos do IBGE (1999). O coeficiente energético para cada quilograma de carne de aves foi obtido a partir da equação, 5. Tes (kg)= ∑[(KG.G(kcal))/EMJ] (Eq. 5) Na qual, Tes (Kg)= Total de energia presente em um quilograma de suíno; KG= Valor total de grama presente em um quilograma; G(kcal) = A quantidade de kcal presente em 100 gramas de suíno; EMJ= Energia equivalente em kcal presente em MJ; A conversão do valor calórico em MJ considerou-se que um MJ é igual a 239 calorias, conforme valor definido pela tabela de composição de alimentos do IBGE (1999). A partir do calculo da energia presente em um quilograma de carne suína gorda, o coeficiente energético é de 11,54 MJ/kg-1. d) Mao de obra: A carga horária de trabalho empregada por lote de suínos e aves foi multiplicado pelo coeficiente energético de 4,39 MJ hora-1 homem-1 PIMENTEL (198047 apud Souza, 2009). 47 PIMENTEL, D. Handbook of energy utilization in agriculture. Boca Raton: CRC Press, 1980. 475 p. 108 3.3.5 Transportes rodoviário A energia despendida nos transporte é de 0,83 kcal kg-1 km-1 valor definido por Pimentel (1990) outros autores consideraram este indicador para calcular o gasto energético do transporte como Moreira (2004); Andreoli &Souza (2007), para este trabalho, multiplicando-se a energia especifica, pela distancia percorrida, que para escoamento dessa produção foi de 2.200 km, obteve-se o coeficiente energético para o transporte do composto, de 7,64 MJ.kg-1. Este valor foi utilizado como coeficiente energético para todos os transportes isto incluindo os grãos de soja e milho, produto industrializado como as carnes de frango e suínos, em função da distancia percorrida ser a mesma. Assim, o consumo de energia no transporte dos insumos, foi definido pela Equação 6: Tetra = ∑ (CEt x C) (Eq. 6) Na qual, Tetra = total energia com transporte (MJ ha-1); CEt = coeficiente energético de transporte (MJ ton-1); C = quantidade de produto transportado (ton ha-1). A distância calculada corresponde ao trecho rodoviário de Lucas do Rio Verde – MT ao Porto de Paranaguá – PR, que corresponde a um percurso de 2.200 quilômetros (km), sendo este o destino escolhido para calculo do escoamento dos produtos grãos de soja e milho e carnes industrializadas. A seguir a descrição a cada tipo de transporte conforme a carga48. a) Transporte de grãos: soja e milho Para o transporte dos grãos, foi utilizado como referencia para o transporte de grãos um bitrem graneleiro tracionado por um cavalo mecânico, 6x2, com dois semi-reboque, com tara total de 19,80 metros. Com vida útil de 10 anos, com consumo médio de 2,00 km.L-1 na rodovia. Utilizando 26 pneus e dois de reservas 48 Dados obtidos a partir de pesquisa com caminhoneiro que fazem o transporte das respectivas cargas, questionário em Apêndice C. 109 com massa aproximada de 58 quilogramas por pneus. Com capacidade de peso bruto total combinado de 57 toneladas, e 37 toneladas de carga liquida. b) Transportes de carnes congeladas Para o transporte dos produtos congelados em geral utiliza-se um caminhão Volvo FH 440 tracionado, com tara total de 18 metros. A vida útil de 10 anos, com consumo médio de 2,30 km.L-1 na rodovia. Utilizando 22 pneus e dois de reservas com massa de aproximadamente 58 quilogramas por pneus. Com capacidade de peso total combinado de 45 toneladas, e 30 toneladas de carga liquida. Para refrigeração o consumo médio de diesel é 2,6 litros por hora de funcionamento, resfriando a -18 graus negativos. E troca de óleo do motor a cada 1.000 horas de funcionamento. Esses dados referentes ao consumo de cada tipo de transporte foram utilizados para o calculo do consumo energético do escoamento das respectivas cargas transportadas. c) Mão de obra: motorista O trabalho de motorista em termos de gasto energético é considerado leve, portanto o calculo baseou-se nas horas trabalhadas, no peso do motorista, gasto energético total por atividade física, sendo de 0,043 kcal/kg minutos para atividade de dirigir, segundo Chamorro (2004). Para obter o valor do dispêndio energético de um motorista em MJ.h-1, a seguir na equação 7. Tect= [(Th.h.P.Geat)/EMJ] Na qual, Tect= Total de energia consumida por horas trabalhadas em (MJ.h -1); Th: Total de horas trabalhadas; P= Peso total do motorista; h= Horas expressas em minutos; Geat= Gasto energético por atividade física de dirigir (0.043 kcal.min) (Eq.7) 110 EMJ = Equivalente a valor de kcal presente em 1 MJ; 111 4 ANÁLISES DOS RESULTADOS Neste capitulo, apresentam-se os balanços de energia via relação de produção/consumo. Assim, a energia produzida e consumida pode ser estimada em cada sistema produtivo, identificando seus respectivos valores. As análises foram divididas em duas fases: agrícola e industrial. Primeiramente serão apresentadas as matrizes relativas à fase agrícola dos sistemas de produção das culturas de soja e milho, contendo os resultados referentes à relação entre a energia produzida e a consumida. Posteriormente serão analisados os fluxos energéticos de processamento dos grãos; sua industrialização e seus gastos energéticos na produção de biodiesel, ração, aves, suínos e transporte, assim como a energia produzida em cada sistema produtivo. Desta maneira, se analisarão os índices de eficiência energética dos processos produtivos: agrícola e industrial da região Médio Norte do Estado de Mato Grosso. 4.1 Fase Agrícola 4.1.1 Indicadores Eficiência Energética A análise energética quantificou a energia diretamente consumida utilizada para obter indicadores que sirvam de referência para o estudo que busca determinar a relação entre a energia produzida e consumida nos sistemas de produção. Os sistemas produtivos de soja e milho ambos classificados como produção agrícola, nas tabelas 09 e 10 apresentam os gastos energéticos para o cultivo de um hectare de cada uma das culturas. E os resultados apresentados nas matrizes representam a energia produzida – saída (output) e energia consumida - entradas (input) nos sistemas produtivos. Na fase industrial do processo produtivo buscou analisar a energia demandada nos processos produtivos. Porém não considerando as máquinas e equipamentos e instalações na contabilização da energia consumida, para analisar e determinar os indicadores de eficiência. 112 A eficiência energética avaliada através dos indicadores, segundo BEBER (1989) e QUESADA et al. (1987) com eles afirmam que quando um coeficiente de eficiência energética (n) são menores que 1, isto significa que o sistema importa grande quantidade a ser consumida no sistema produtivo. Característica essa encontrada principalmente nos sistemas pecuários altamente tecnificados. Sendo este um importante indicador para as análises sobre as saídas e entradas de energia nesses sistemas produtivos. 4.2 Entrada e saída de energia na produção de soja A soja cultivada na região Médio Norte do Estado de Mato Grosso, exige no decorrer de seu processo produtivo diverso tipos de energia para garantir a produtividade desejada. Primeiramente conforme demonstra a tabela 09, estão à energia direta, que corresponde à energia biológica e fóssil com participação de 50,22% do total de energia direta despendida no decorrer do processo agrícola. Desse total, 28,82% refere-se às fontes de origem fóssil: lubrificantes, graxa e óleo diesel, este último combustível utilizado nas máquinas e implementos agrícolas (trator, colheitadeira, pulverizador). Considerando o dispêndio total de energia fóssil, o óleo diesel destaca–se com elevada participação na energia direta com 28,76% enquanto que os lubrificantes e graxas apresentam participação insignificante correspondente à energia fóssil 0.06%. Os gastos com a energia biológica, principalmente as provenientes da semente representa 21,39% dos dispêndios totais. Enquanto o trabalho humano, frente aos valores totais elevados, não apresentou valor significativo com uma participação de 0,26%. Esse resultado é decorrente do alto grau de mecanização e automatização da agricultura de precisão onde o trabalhador apenas controla as máquinas, pois são dotadas de sistema “geo-posicionamento por satélite” que garantem maior eficiência ao trabalho das máquinas direcionando o trabalho e o percurso a serem efetuados, garantindo assim melhor aproveitamento dos insumos. 113 A energia indireta teve uma participação de 49,36% nos gastos totais da energia consumida, apresentando uma distribuição mais equilibrada entre os itens que compõem este tipo de energia. Desse total 45,71% está relacionado aos produtos formulados para melhorar a eficiência produtiva, onde 4,05% referem ao corretivo de solo (calcário), 13,76% ao fósforo, 4,39% ao potássio, os três últimos insumos compõem o fertilizante denominado de (NPK). Para os insumos classificados como agrotóxicos 9,63% refere herbicidas, 5,66% ao inseticida e 8,23% para fungicidas. Com relação às máquinas, implementos agrícolas a participação foi de 3,65% no se refere ao percentual de utilização em um hectare produzido. Saídas Energéticas Considerando a energia consumida para se produzir um hectare de soja, onde se colheu em média 55 sacas equivalente a 3300 quilogramas de grãos, a eficiência energética encontrada foi de 13,18. Isto significa que para cada unidade de energia aplicada na produção desse grão, conseguiu-se um retorno de 12,18 unidades, isto é, deduzindo a unidade investida. A elevada eficiência se justifica pelo alto valor calórico da soja, de modo a contribuir para a elevada taxa de conversão liquida, demonstrando que a diferença entre a quantidade de energia produzida por cada hectare de soja cultivado e a energia consumida em um hectare, é elevada. Entretanto este valor pode ser maior, variando conforme a quantidade de sacas de soja produzidas por hectare cultivado. Tabela 09: Matriz de entradas e saídas de energia na produção de soja, por tipo, fonte e forma, em MJ.ha-1. Entradas TIPO, fonte e forma Unid. Total de energia consumida em MJ Part. dos insumos (%) 114 Energia direta Biológica - 4.253,8 1.832,8 50,22 21,39 kg h L L kg 1811,2 21,6 2.421 2.416,2 1,4 3,4 21,14 0,26 28,82 28,76 0,02 0,04 Energia indireta Industrial Calcário * kg Nitrogênio kg P(P2O5) kg K(K2O) kg Herbicida L Inseticida L Fungicida L Maquinas e equipamentos Trator h Semeadora h Pulverizador h Colheitadeira h Total de entrada de Energia (a) Total de saída de Energia (b) Eficiência energética (b/a) -1** tep consumida por ha -1 tep produzida por ha - 4.146,50 3.839,8 340,0 1.155,6 368,4 808,6 475,5 691,7 49,36 45,71 4,05 13,76 4,39 9,63 5,66 8,23 306,7 119,2 40,3 20,1 127,1 8.567 110.682 13,18 0,20 2,64 3,65 1,42 0,48 0,24 1,51 100 - Sementes Mão de obra Fóssil Óleo Lubrificante Graxa Fonte: Elaboração autora com dados da pesquisa de campo (2011). Notas: *O calcário é insumo que tem sua aplicação intercalada, conforme a necessidade do solo, após analise para verificar a acidez do mesmo, em geral, a aplicação média é realizada de 3 em 3 anos. **tep: tonelada equivalente de petróleo e equivale a 41,868 MJ por ton. 4.3 Entrada e saída de energia na produção de milho 115 A cultura do milho assim como a soja depende de diversos tipos, fonte e forma de energia a ser empregado em seu sistema produtivo para garantir um bom desempenho da plantação. Na tabela 10 estão descritos os dispêndios energéticos com a cultura, de modos que esses gastos variam conforme os tipos empregados na produção agrícola, no caso da energia direta que inclui as fontes biológicas e fósseis representam 39,51% dos gastos totais. Em relação aos combustíveis fosseis representados pelo lubrificante, graxa e óleo diesel este com maior participação entre as fontes de energia com 30,12%, sendo o óleo diesel com uma participação de 30,05% dos gastos em energia fóssil, enquanto lubrificantes e graxas obtiveram valores insignificante quando comparados, com a participação de 0,07%. As formas de energia biológica apresentaram participação pequena com 9,39% do total dos dispêndios, neste caso as entradas das sementes representam dispêndios de 9,09% dos gastos totais de energia biológica consumida. O gasto energético referente à mão de obra foi de apenas 0,30% relativamente baixo, justificado pelo alto grau de mecanização e automização nas lavouras de milho, assim como no sistema produtivo da soja e com pouca utilização da mão de obra. A energia indireta detém a maior participação na lavoura do milho com 60,49% dos gastos totais. Para analise da participação da energia indireta no sistema de produção dividiu-a entre insumos industriais e máquinas e implementos. Neste sistema de produção os insumos industriais estão distribuídos de maneira mais uniforme se comparado com demais as formas de energia direta participante. Assim, os gastos dos insumos industriais ocorreram da seguinte forma, 2,33% relativo ao corretivo de solo (calcário), em relação aos fertilizantes com 12,83% referem ao nitrogênio, 6,59% ao fósforo, 9,45% ao potássio, os três últimos insumos compõe o fertilizantes denominado de (NPK). Com relação aos insumos classificados como agrotóxicos 11,06% refere aos herbicidas principalmente pelo fato de dominar o sistema de plantio direto, 10,22% aos inseticidas e 1,51% para os fungicidas. Analisando os insumos juntos os fertilizantes representam 28,86% do total e os agrotóxicos correspondem a 22,80% do total. Com relação às maquinas, implementos agrícolas a participação foi de 6,51% dos gastos totais. 116 Saídas Energéticas O coeficiente de eficiência energética encontrada na produção do milho foi de 20,46%, este índice demonstra que para uma unidade de energia aplicada na produção de milho, obtiveram-se um retorno de 19,46 unidades, deduzindo a unidade investida. É importante ressaltar que a elevada eficiência, ocorre devido ao elevado poder calórico do milho, assim como na soja. Entretanto, o resultado pode variar conforme a quantidade produzida por hectare cultivado. Conclui-se então que ambos os sistema de produção agrícola é apesar do intenso uso de fontes de energia fóssil não-renovável. São capazes de serem eficientes ao produzir mais energia do que consumiu, por serem produto muito utilizado na alimentação humana e animal, o teor energético é importante ao fornecer a energia necessária ao metabolismo que os ingere como alimentos, seja humano ou animal. Tabela 10: Matriz de entradas e Saídas de energia na produção de milho por tipo, fonte e forma, em MJ.ha-1. Insumos Part. dos insumos Unidade Total em MJ TIPO, fonte e forma (%) 117 Energia direta Biológica Sementes Mão de obra Fóssil Óleo (1) Lubrificante Graxa 2887,6 686,2 664,6 22 2201 2197 1 3 40,42 9,61 9,30 0,31 30,81 30,75 0,01 0,04 Energia indireta 4.256 59,58 Industrial Calcário* kg Nitrogênio kg P(P2O5) kg K(K2O) kg Herbicida L Inseticida L Fungicida L Máquinas e equipamentos Trator h Semeadora h Pulverizador h Espalhador de Uréia h Colheitadeira h Total de entrada de Energia (a) Total de saída de Energia (b) Eficiência energética (b/a) -1 tep consumido por ha ** tep produzida por ha-1 3946 170 938 482 691 809 747 111 55,27 2,38 13,13 6,75 9,67 11,32 10,46 1,55 308 119 32 23 1 133 7.143,60 149.535 20,46 0,17 3,57 4,31 1,67 0,45 0,32 0,01 1,86 100 kg h L L kg Fonte: Elaboração da autora com dados pesquisa de campo (2010), Notas: *O calcário é insumo que tem sua aplicação intercalada, conforme a necessidade do solo, após analise para verificar a acidez do mesmo, em geral, a aplicação média é realizada de 3 em 3 anos. **Tep: tonelada equivalente de petróleo e equivale a 41,868 MJ; 118 4.4 Fase industrial Neste item serão mostrados os resultados referentes à energia produzida e consumida em cada sistema produtivo. Contemplando os insumos que entraram nos sistema e a energia obtida pela produção final. Podendo, assim analisar a eficiência energética dos sistemas da produção de biodiesel, ração, aves, suínos e do transporte de distribuição que faz o escoamento da produção. 4.5 Entrada e saída de energia na produção do biodiesel A primeira fase industrial do processamento da soja, logo após a colheita é o processo de secagem dos grãos para reduzir sua umidade de 18% para 13%. O processo seguinte à secagem é o processamento, onde a soja entra como matériaprima e sai como farelo e óleo degomado. Para se produzir uma tonelada de biodiesel, são necessárias cinco toneladas de grãos, isto considerando que se extrairá desse total 20% resultara em óleo, 78% em farelo e 2% em casca. Como se pode notar na tabela 13, contabilizam-se os dispêndios energéticos consumidos na produção de uma tonelada de biodiesel, incluindo os processos desde a secagem dos grãos, a extração do óleo e o processo de transesterificação. A soma de todos dos insumos energéticos incluídos nessas fases produtivas demonstraram que para se produzir uma tonelada de biodiesel, o dispêndio energético total foi de 18.880,88 MJ/t. Deste total de gastos energéticos somente a fase agrícola para produzir um hectare de soja que equivale a 3.300 kg de grãos requer um dispêndio energéticos de 8.400 MJ/t, gasto energético referente à fase agrícola, incluindo todas as formas de energia empregadas na produção dos grãos. A fase industrial pode ser dividida em duas, a primeira fase é a de secagem e extração dos grãos para obtenção do óleo degomado, para esta fase os gastos energéticos contabilizados foram de 7.052 MJ/t. E a segunda fase do processamento industrial, em que ocorre a transesterificação do óleo degomado para transformá-lo em biodiesel os dispêndios energéticos foram de 3.378,4 MJ/t -1. 119 Saídas Energéticas A produção de biodiesel a partir do grão de soja deve ser compreendida dentro de uma cadeia produtiva, vistos que são gerados outros produtos como: o farelo, a glicerina e as cascas, apesar de não serem usados como combustíveis. Participam como insumo em outros sistemas produtivos como, por exemplo, o farelo e as cascas na alimentação animal, portanto, deve ser avaliado sob outros aspectos, e não somente como fonte de energia. O sistema de produção de biodiesel requer energia para o processo de esmagamento e obtenção do óleo, depois o óleo degomado segue para o processo de transesterificação, onde novamente será fará o uso de insumo energético. A energia produzida pelo biodiesel é de 21.972,5 MJ/t, considerando somente a produção do óleo, tem-se que para cada unidade de energia que entra no sistema de produção da soja nas condições que foram descritas, são produzidas 1,17 unidades de energia de biodiesel. Este resultado indica que produção de biocombustível a partir da soja é favorável: pois para cada unidade de energia total de energia consumida, gera-se 1,17 MJ unidades de biodiesel. Somando-se com a energia contida nos produtos e co-produtos são: biodiesel, farelo, casca de soja e glicerina para cada unidade de energia consumida, gera-se 3,37 MJ unidades de energia. Em comparação com outros estudos abordando a eficiência energética da produção de biodiesel a partir da soja, incluído o ciclo completo do processo de produção, por Hill et al (2006), foi encontrado o seguinte resultado de 1,93 para o sistema produtivo convencional em que avalia apenas o biodiesel como fonte de energia e outro considerando os co-produtos49 com índice de 2,46. Em estudo de Pimentel & Patzer (2005) os resultados encontrados foi de 0,98 no balanço convencional e com os co-produtos foi de 1,32; Andreoli & Souza o resultado foi de 1,32 no sistema convencional e com co-produtos 1,8650. Essa comparação entre os diferentes índices permite concluir que a produção de biodiesel analisada apresentou resultados dentro dos parâmetros comparados, assim como 49 50 Os valores aqui estão considerando as instalações da fabrica e o transporte de grãos e biodiesel. Valores expressos em MJ por litro de biodiesel de soja (MJ/I). 120 os demais estudos, exceto o balanço convencional elaborado por Pimentel & Patzer (2005), que foi e 0,98, abaixo de 1. O resultado positivo da energia contida nos co-produtos mostrou que além de ser favorável a produção de biodiesel em termos energéticos, apesar do baixo teor de óleo nos grãos que proporciona uma baixa produtividade de óleo, entre 18% a 20%. Obtêm desse processo outros produtos que energeticamente são destinados a outros sistemas produtivos, como por exemplo: o farelo, produto não toxico, e muito utilizado na alimentação animal. Além, é claro do aproveitamento da casca tanto na alimentação animal (bovinos) ou como combustível em fornalhas e a glicerina utilizada em produtos farmacêuticos e cosméticos. Tabela 11: Matriz de entradas e saídas de energia na produção de biodiesel por hectare de soja produzido Total em Part. (%) Insumos Unid. Quantidade -1 MJ*.t -1 Produção agrícola soja MJ.ha kg 8.400 44,61 121 Secagem e extração de óleo Lenha kg 473,88 6.160 Hexano kg 0,21 9,34 Energia elétrica Kwh 74,25 267 Vapor kg 264 615,12 Subtotal 7.052 Transesterificacão Metanol Kg 83,16 1.638,3 Lenha 1.042 Kg 80,19 Eletricidade Kw/h 20,79 74,8 Vapor Kg/h 267,3 622,8 Subtotal 3.378,4 Dispêndios totais 18.830,88 Biodiesel kg 550 21.972,5 Eficiência energética 1,17 Total de saídas energética de produtos e co-produtos ** Biodiesel kg 550 21.972,5 Farelo de soja kg 2583,8 38.757 Glicerina kg 59,4 1.072,17 Cascas kg 122,2 1.588,6 Subtotal Eficiência energética total 3,37 -1 tep Consumida no ciclo produtivo do biodiesel por ha ** 0,45 -1 tep produzida pelo biodiesel por ha 0,52 -1 tep Produzida no ciclo produtivo do biodiesel por ha 1,51 32,71 0,05 1,42 3,27 8,70 5,54 0,40 3,31 100 34,66 61,14 1,69 2,51 100 - Fonte: Elaboração da autora Notas: *MJ: Megajoule;’ **Considera-se a energia presente nos produtos principais: biodiesel e farelo e co-produtos produzido paralelo ao esmagamento da soja e transesterificação do óleo degomado. **tep: tonelada equivalente de petróleo e equivale a 41,868 MJ; A avaliação do sistema energético da produção de biodiesel a partir da soja de acordo, com Soares et. al (2007), deve ir além da analise energética da produção do combustível. Assim, fazendo uma segunda avaliação a partir de uma análise ampla de um sistema integrado, incluindo a integração da lavoura e pecuária, que se deve decompor o sistema em duas etapas: uma primeira fase onde se produz alimento na forma de carne, e uma segunda onde se produz uma cultura energética. 122 Neste contexto, a região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso trabalha integrando pecuária e lavoura. Produzindo energia em formas de produtos como os grãos de milho e soja que compõe a ração alimentar destinados principalmente à criação de aves e suínos em sistema de larga escala, produzido com a finalidade de alimentar a população, assim atender suas necessidades de proteínas e energias. 4.6 Energia consumida na produção da ração A produção de ração animal é essencial no sistema de produção intensivo da atividade pecuária. A função da ração é alimentar o animal 24 horas, e deve ser balanceada contendo os nutrientes em quantidades e proporções adequadas às exigências orgânicas desses animais. Por isso, devem ser compostas por alimentos concentrados51 (Cardoso, 1996). Assim, fornecendo a energia necessária ao metabolismo dos animais nas fases de crescimento e ganho de peso. A produção da ração envolve o consumo de insumos energéticos: o farelo de soja, milho triturado e o óleo, lenha para secagem do milho e energia elétrica consumida para mistura da ração. A tabela 12, mostra que na produção da ração a entrada de energia foi de 13.677,65 MJ por tonelada de ração produzida, desse total de energia 66,71% foi de milho, 25,48% de farelo de soja, 6,26% de óleo degomado, com pequenas participações percentuais, 1,38% da lenha e 0,16% de energia elétrica. A energia produzida foi de 17.510 MJ por tonelada produzida. Neste caso, para cada unidade de energia que entrou no sistema de produção obteve-se uma saída de 1,29 unidades de energia contida na ração para aves. Na produção de ração para alimentação dos suínos a entrada de energia foi 12.460,14 MJ por tonelada processada, com a participação de 73,05% de milho, 25,28% de farelo de soja, 1,49% para lenha e 0,18% de energia elétrica. Para cada unidade de energia que entrou no sistema de produção da ração, obteve-se uma saída energética de 1,21 MJ unidades de energia contida na ração de suínos. 51 Alimentos concentrados são aqueles com menos de 18% de fibra bruta na matéria seca e podem ser classificados como protéicos (quando têm mais de 20% de proteína na matéria seca), como é o caso das tortas de algodão, de soja etc., ou energéticos (com menos de 20% de proteína na matéria seca) como é o milho, triguilho, farelo de arroz etc. (Cardoso, 1996). 123 Essas composições alimentares foram elaboradas a partir da mistura do farelo de soja e milho moído e o óleo de soja, esses insumos ricos em fontes de energia tem como objetivo atender as necessidades metabólicas dos animais, garantindo-lhes crescimento e engorda em menor tempo possível. Assim, a proteína vegetal que compõe ração animal. Ao ser ingerido pelos animais converteram-se em proteína animal, com o propósito de produzir grandes quantidades de carne que poderá ser consumida em diretamente ou como matéria-prima para outros produtos. Tabela 12: Matriz de entradas e saídas de energia na produção por tonelada de ração para aves e suínos. Insumos Quant. de insumos Ração para aves Lenha 14,52 Energia Elétrica 6,26 Milho 741,3 Farelo 232,2 Óleo 21,6 Total Energia produzida Eficiência energética Ração para suínos Lenha 14,28 Energia Elétrica 6,25 Milho 740 Farelo 210 Total Energia produzida Eficiência energética Total de energia em MJ/t 188,76 22,54 9.117,99 3.483 855,36 13.677,65 17.510 1,29 185,64 22,50 9102 2352 12.460,14 15.100 1,21 Fonte: Elaboração autora com dados de pesquisa (2011). 4.7 Entrada e saída de energia produção de aves Part. dos insumos (%) 1,38 0,16 66,71 25,48 6,26 100 1,49 0,18 73,05 25,28 100 - 124 A produção de carne requer consumo de insumo energético, listados como os principais, pois estão diretamente ligados ao processo produtivo, tais como: a ração, mão de obra, energia elétrica, gás liquefeito. Na tabela 13, onde estão os valores relativos à energia consumida para se produzir um lote de aves, a atividade produtiva requer um fluxo com alto consumo energético. De modo que a energia total envolvida no processo foi de 1.713.099.078 MJ por lote, isto correspondentes às entradas de energia em forma de insumos. Desse total de energia que entrou no sistema produtivo a ração consumida pelas aves responde pela maior participação entre os demais insumos, calculando sua participação, esta corresponde por 99% das entradas energética no sistema produtivo. Os demais insumos em termos percentuais têm uma participação relativamente muito baixa, praticamente nula. Em relação à energia produzida, presente em cada quilograma de frango vivo, o total foi de 590.625.000 MJ por lote de aves, resultando em um coeficiente de eficiência energética de 0,34. Este resultado demonstrou que para cada unidade de energia importada pelo sistema, obteve 0,34 MJ unidade de energia produzida. De acordo com QUESADA et.al (1987) e BEBER (1989), quando um coeficiente de eficiência energética for menor que “um” isto significa que o sistema produtivo importa praticamente, toda energia consumida no processo produtivo, característica de sistemas altamente tecnificados, como é o caso da produção de frangos de corte no médio norte do Estado de Mato Grosso. Esse resultado mostrou o quanto esse sistema produtivo é dependente da energia que provém da ração, sendo esta a principal fonte consumida, revelando assim a importância da participação dos grãos como matéria-prima para a produção da carne de frango. Tabela 13: Matriz de entradas e saída de energia na produção de aves por lote produzido Unidades Insumos Quant. de Total de energia insumos em MJ por lote 125 Ração kg 97.500.000 1.713.075.000 Mão de obra h 360 1.536,50 kwh 5.189,19 18.681 kg 30 1.393 Total de energia consumida - - 1.713.099.078 Total de energia produzida - - - Energia elétrica Gás Aves kg Eficiência energética 62.500.000 590.625.000 - 0,34 Fonte: Elaboração autora com dados de pesquisa (2011). 4.8 Entrada e saída de energia na produção de suínos A produção de suínos, assim como aves tem como objetivo produzir carne para atender as necessidades da alimentação humana. Assim, a carne suína pode ser comercializada in natura e/ou industrializada em forma de produtos como: linguiças, bacon, presunto, mortadela, salsicha e seus derivados são utilizados frequentemente na indústria alimentícia. Os principais insumos energéticos que participam do sistema produtivo listado na tabela 14, que são: ração, mão de obra, energia elétrica o uso dessas formas de energia ocorre de maneira direta no decorrer da produção dos suínos em sistema intensivo. O sistema de produção de suínos requer alto consumo energético. Assim o consumo total de formas de energia que participam ativamente foi de 15.557.189,480 MJ por lote de suínos. A principal participação energética nesse sistema é da ração que semelhantemente ao sistema de produção de aves corresponde a 99% do consumo de energia na criação dos suínos. Isso se deve ao fato de que no decorrer do processo de crescimento e engorda dos animais, a alimentação por alimentos calóricos é de fundamental para o ganho de peso dos suínos. Em relação à produção de energia oriunda da carne dos animais, o total foi de 6.308.452,25 MJ por lote de suínos, tendo como coeficiente de eficiência 126 energética o valor de 0,39, isto significa que a cada 1 unidade de energia importada pelo sistema, obtêm-se 0,39 MJ de energia produzida. Assim, seguindo o raciocínio de QUESADA et.al (1987) e BEBER (1989), em que o coeficiente de eficiência energética for menor que, representa que os sistema importa grandes quantidade de energia consumida no processo produtivo, característica comum dos sistemas altamente tecnificados, método produtivo aplicado a suinocultura moderna da região Médio Norte do Estado de Mato Grosso. Tabela 14: Matriz de entradas e saída de energia na produção de suínos por lote Insumos Unid. Quant. de Total de energia insumos em MJ/ton. Participação (%) Ração kg 1.028.810 15.535.031 99,85 Mão de obra h 912 4.003,68 0,03 kwh 5.043 18.154,80 0,12 Total - - 15.557.189,480 100 Energia produzida - - - - kg 546.659,640 6.308.452,25 - Energia elétrica Suíno Eficiência energética - - 0,39 Fonte: Elaboração autora com dados de pesquisa (2011) 4.9 Entrada de energia requerida distribuição da produção de grãos e carnes Em relação ao transporte da usado na distribuição da produção de grãos (soja e milho) e carnes com destino ao Porto de Paranaguá-PR, o dispêndio energético relativo a cada tipo de transporte e carga esta descrito na tabela 15. Deste modo, para o transporte de uma carga através de um bitrem com carga liquida de 3.700 toneladas, o dispêndio total de energia foi de 331.160 MJ-t, desse total 14,59% é relativo ao óleo diesel, 84,03% é participação da energia indireta do próprio transporte, em relação à participação energética da mão de obra, lubrificante e graxa os valores percentuais foram insignificantes, com valores baixos. 127 Para operação de transporte de carga de carnes até ao Porto de ParanaguáPR, onde a carga liquida com média de 2.800 toneladas de carga liquida. Consumo total de energia calculado foi de 264.387 MJ-t. com 15,89% da participação do óleo diesel para funcionamento da carreta, 3,11% óleo diesel para funcionamento do motor de refrigeração da câmara frigorífica, 80,91% da energia indireta do próprio transporte, somando os lubrificantes à participação fora apenas de 0,06% e dos demais insumos como mão de obra e graxa apresentou participação insignificantes. Os resultados demonstraram que em termos de dispêndios energéticos, o transporte de grãos consume 20,16% mais energia para transportar grãos em relação ao transporte de carnes industrializadas. É importante destacar, porém, o consumo específico de energia, considerase somente à distância percorrida e a carga transportada. Os resultados obtidos nesta analise, apontaram que o gasto energético efetuado pelo transporte rodoviário foi de (0,041 MJ.km-1.t-1) para o transporte de grãos (soja e milho) e de (0,043 MJ.km-1.t-1) de carnes congeladas. As diferenças dos resultados específico em relação ao consumo de energia MJ.km-1.t-1, são devido a capacidade de carga que cada tipo de transporte tem a capacidade de transporte, neste caso o bitrem possui uma capacidade de carga maior em toneladas de produto quando comparado a uma carreta baú frigorifico. Por isso, o resultado apresentou um consumo menor de energia em relação ao transporte dos produtos congelados. Bonovoleta (2007) analisou o consumo especifico de energia no transporte rodoviário em despende (0,50 MJ.km-1.t-1), para o transporte de grãos. Em comparação com sistema que combinavam sistema de transporte multimodal. O transporte multimodal apresentou um consumo maior de energia, principalmente com relação à capacidade de carga a longas distancias. Enquanto o sistema de transporte unimodal consumiu mais energia se comparado a sistemas de transporte combinados este se mostraram mais eficientes. Tabela 15: Matriz de entradas de energia para o transporte da produção de grãos e carnes de aves e suínos ao Porto de Paranaguá em MJ e participações percentuais. Carga seca (milho/soja) Carga de carnes congeladas Insumos Total de energia Part. Total de energia Part. 128 em MJ-t (%) em MJ (%) Mão de obra 49,22 0,02 37,31 0,03 Óleo Diesel 48.323 14,59 42.019,92 15,89 Lubrificante 100,63 0,03 106,38 0,01 Graxa 13,34 - 31,50 0,01 - - - Motor De Resfriamento Diesel 0,00 - 8.223,70 3,11 Lubrificante 0,00 - 47,80 0,02 282.686 85,36 213.920 80,91 Transporte Kg Km Total de Energia em - consumida em MJ-t 331.160 Consumo especifico de energia (MJ.km-1.t-1) 0,041 264.387 - 0,043 - Fonte: Elaboração autora com dados de pesquisa (2011) O consumo específico de energia foi contemplado da seguinte maneira: considerou-se a demanda de energia consumida pelo trecho, dividida pela distância percorrida, e depois, este valor foi dividido pela quantidade de carga líquida transporta no trecho estudado. CONSIDERAÇÕES FINAIS 129 Diante do objetivo pretendido, pode-se afirmar que se atingiu o objetivo principal da pesquisa que era analisar via balanço energético à eficiência dos sistemas produtivos agrícolas e industriais, a partir dos fluxos energéticos de entradas e saída de energia em cada sistema. Identificando os insumos energéticos que entraram nos sistemas produtivos e o produto final de cada sistema, avaliando a energia consumida (entrada) e a produzida (saída). A análise dos balanços de energia dos sistemas de produção agrícola da região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso revelou eficiente energeticamente. Apresentou índices de conversão energética superiores a unidade investida, de modo que na produção da soja o índice foi e 12,18 unidades de energia em MJ.ha -1, na produção do milho o índice encontrado foi de 19,46 unidades de energia em MJ.ha-1, demonstrando que a energia gerada nos processos foram superiores a energia investida por hectare. Esses resultados provam que apesar das produções agrícolas modernas serem intensivas no uso de energia de origem fóssil e não-renovável, quando produzido em um sistema denominado de agricultura de precisão, altamente tecnificado, em larga escala o retorno energia é consideravelmente superior ao consumo. Na análise da fase industrial dos sistemas de produção, os resultados mostraram que a produção do biodiesel de soja é favorável, apesar do baixo teor de óleo nos grãos. Principalmente porque no decorrer do processo produtivo não se produz apenas o combustível denominado de biodiesel, mas também o farelo e outros co-produtos como cascas e glicerina, este servirão como matéria-prima em outros processos. A segunda etapa de analise energética inclui o processo da interação lavoura-pecuária, onde se a produção agrícola transformou-se em produtos de fontes calóricas que entram como matéria-prima nas etapas seguintes da produção de ração, aves e suínos. Os resultados obtidos a partir dos insumos contabilizados revelaram que para cada unidade de energia que entra no sistema de produção de ração de aves obteve-se um retorno de 1,29 MJ de energia produzida por tonelada, e na ração de suínos um retorno de 1,21 MJ de energia produzida por tonelada. 130 Nos sistemas de produção pecuários os resultados mostraram que esses sistemas importam mais energia do que sua capacidade de produzi-la. Assim, observou-se que as aves produziram apenas 0,34 unidades de energia em MJ, e os suínos produziram 0,39 unidades de energia em MJ para cada unidade consumida no decorrer da fase de crescimento e engorda. Desta forma, conclui-se que são sistemas que importam grandes quantidades de energia em forma de insumos. A distribuição da produção da região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso comparando os meios de transporte, observou-se que o transporte de grãos apresentou índice de consumo de energia de 0,41 MJ.km -1.t-1, enquanto o transporte de carnes congelada o índice obtido foi de 0,43 MJ.km -1.t-1. Essa diferença decorre da capacidade de transportar as cargas em toneladas, pois enquanto um bitrem tem a capacidade máxima de transportar 37 toneladas de grãos, uma carreta frigorifica conta com a capacidade máxima de 30 toneladas de carnes congeladas. Assim, conclui-se que para longas distancias a maneira mais eficiente de transportar a produção da região do Médio Norte do Estado de Mato Grosso, é utilizando transporte que possua capacidades de carga maiores. Em suma, identificou-se que alguns sistemas produtivos como os agrícolas são capazes de produzir energia renovável com índices superiores ao a energia provinda de derivados fóssil consumida no decorrer do processo produtivo. Enquanto sistema produtivo pecuários é importador de energia, porque consome mais energia que sua capacidade de produzi-la, no entanto a energia consumida nesse sistema é de origem renovável. Reconhecendo as limitações do presente trabalho, espera-se ter contribuído com indicadores que demonstram o potencial de produção de energia a partir da biomassa para diversos sistemas produtivos. E que possam motivar a ampliação de estudos sobre a energia em diferentes sistemas energéticos, como estudos detalhados de balanço energéticos incluindo todas as formas de energia direta e indireta para a produção de frango de corte, suinocultura, aproveitamento dos resíduos dessas atividades pecuárias para produzir biogás, venda de credito de carbono e etc. A região apresenta muitos temas a serem estudado. REFERÊNCIAS 131 AGUIAR, W. M. de. O Uso de Fontes Alternativas de Energia Como Fator de Desenvolvimento Social para Segmentos Marginalizados da Sociedade. 2004. 96f. 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Soja Milho Insumos Unidade Óleo L Lubrificante L Graxa kg Mão de obra h Sementes kg Nitrogênio kg P(P2O5) kg K(K2O) kg Herbicida kg Inseticida kg Fungicida kg Trator h Semeadora h Pulverizador h Espalhador de Uréia h Colheitadeira kg Quant. de insumos Quant. de insumos 144 APÊNDICE B Questionário 2- Aplicado à empresa produtora de biodiesel via e-mail a) Percentual de óleo obtido a partir de uma tonelada de soja esmagada? b) Desse total de grão esmagado qual a porcentagem de óleo degomado obtido? c) E qual a porcentagem de farelo obtido? d) Para a produção do biodiesel, de uma determinada quantidade dia de biodiesel, qual a porcentagem de metanol é acrescentada? e) Qual o destino do farelo produzido? f) Há consumo de lenha no processo? Quantidade? Qual o potencial de energia (calor) gerado para o processo a que se destina a utilização dessa lenha? g) Quantidade de glicerina obtida após o processamento de 1 tonelada de biodiesel? 145 APENDICE C Questionário 3- Aplicado à empresa produtora de carne de aves e suínos via e-mail. Composição da ração Percentual de participação de cada insumo para ração de frangos (%) Percentual de participação de cada insumo para ração de suínos (%) Milho Soja Óleo de soja Energia metabolizável a) Quantidade de ração necessária para se obter 1 quilograma de carne frango? b) Desse total de ração necessária para se obter 1quilograma de carne de frango, qual a quantidade de farelo e a milho na ração consumida durante esse ganho de peso? c) Energia elétrica consumida por tonelada de ração processada? 146 APÊNDICE D Questionário 4 – aplicado junto a produtor de aves e suínos. a) Capacidade de alojamento de aves em cada aviário por lote de aves? b) Média de dias para engorda e abate das aves? c) Média de peso dos animais encaminhado para abate por lote? d) Consumo de energia elétrica por lote de aves durante o período de crescimento e engorda? e) Consumo total de ração por lote de animais? f) Qual tipo de sistema utilizado para controle da temperatura do ambiente? 147 APÊNDICE E Questionário 5 – aplicado junto a caminhoneiros que fazem o transporte logístico da produção Transportes de carga seca soja ou milho e carnes industrializadas a) Idade Peso: b) Características do transporte: Marca: c) Capacidade em ton.: Pneus: d) Destinos: e) De: Para: f) Distancia percorrida em km: g) Combustível lubrificante e graxa h) Consumo de diesel por km: i) Consumo de graxa na manutenção: j) Consumo de óleo lubrificante (L): l) Caminhão Baú Frigorífico m) Consumo de óleo diesel para refrigerar a câmara fria por horas? n) Consumo de óleo lubrificante pelo motor que resfria a câmara fria? 148 ANEXO A Tabela 1: Produção de soja em Mato Grosso, 1970 -2010 Ano Área plantada (hectares) 1970 12 1974 50 1975 344 1976 105 1977 1.000 1978 5.566 1979 19.130 1980 56.514 1981 120.089 1982 194.331 1984 538.169 1985 795.438 1986 913.222 1987 1.096.828 1988 1.329.816 1989 1.714.987 1990 1.552.910 1991 1.172.100 1992 1.459.164 1993 1.680.257 1994 2.023.056 1995 2.338.926 1996 1.956.148 1997 2.192.514 1998 2.643.389 1999 2.636.175 2000 2.906.648 2001 3.121.408 2002 3.818.231 2003 4.414.496 2004 5.279.928 2005 6.121.724 2006 5.822.867 2007 5.075.079 2008 5.659.149 2009 2010 5.831.468 6.227.044 Produção em tonelada 10 60 660 125 1.260 7.269 26.503 88.852 224.901 365.501 1.050.095 1.656.039 1.921.053 2.389.033 2.694.718 3.795.435 3.064.715 2.738.410 3.642.743 4.118.726 5.319.793 5.491.426 5.032.921 6.060.882 7.228.052 7.473.028 8.774.470 9.533.286 11.684.885 12.965.983 14.517.912 17.761.444 15.594.221 15.275.087 17.802.976 17.962.819 18.787.783 Fonte: Fonte: IBGE, Produção Municipal Agrícola, 1989; IBGE Produção Agrícola Municipal, 19902010 149 ANEXO B Tabela 2: Capacidade nominal e produção de biodiesel1 (B100), segundo unidades, em 2009 Unidade Produtora2 ADM Agrenco Agrosoja Araguassu Barralcool Beira Rio Bio Óleo Biocamp Biopar CLV Comandolli Cooami Coomisa Cooperbio Cooperbio Cooperfeliz Fiagril KGB SSIL Tauá Biodiesel Transportadora Caibiense Usibio Vermoehlen Total Município (UF) Rondonópolis (MT) Alto Araguaia (MT) Sorriso (MT) Porto Alegre do Norte (MT) Barra do Bugres (MT) Terra Nova do Norte (MT) Cuiabá (MT) Campo Verde (MT) Nova Marilândia (MT) Colider (MT) Rondonópolis (MT) Sorriso (MT) Sapezal (MT) Cuiabá (MT) Lucas do Rio Verde (MT) Feliz Natal (MT) Lucas do Rio Verde (MT) Sinop (MT) Rondonópolis (MT) Nova Mutum (MT) Rondonópolis (MT) Sinop (MT) Rondonópolis (MT) Capacidade Nominal3 m3/ano 343.800 235.294 28.800 36.000 58.824 4.320 3.000 46.200 8.400 36.000 3.600 3.600 4.320 122.400 1.440 2.400 147.586 1.800 1.800 36.000 36.000 7.200 1.800 1.170.584 Produção m3 165.941,2 10.252,0 691,9 19.154,5 1.566,8 26.966,9 4.641,0 15.504,3 6,2 188,8 29.876,0 270,8 88.923,1 312,0 2.713,1 367.008,6 Fonte: ANP/SRP, conforme Resolução ANP no 17/2004. 1 Biodiesel puro ou B100, conforme Resolução ANP n° 07/2008. 2 Unidades produtoras instaladas com autorização da ANP até 31/12/2009. 3 Considerados 360 dias de operação, já incluindo as restrições impostas pelos órgãos ambientais competentes.