Uma nova EJA: reorganização curricular dos municípios mineiros de Itabira e São Gonçalo do Rio Abaixo A área de Educação da Fundação Vale busca contribuir para a melhoria da educação básica, com foco na promoção de uma prática docente pautada nos princípios da pluralidade Fundação Vale cultural e do respeito às diferenças. Ação Educativa Conselho Curador Presidente Vania Somavila Conselheiros Luiz Eduardo Lopes Marconi Vianna Zenaldo Oliveira Antonio Padovezi Alberto Ninio Ricardo Mendes Luiz Fernando Landeiro Luiz Mello Diretoria Maria Machado Malta Campos Luciana Guimarães Michele Prazeres Coordenação Geral Vera Masagão Ribeiro Coordenação da Unidade de EJA Roberto Catelli Jr. Concepção e texto Ednéia Gonçalves Conselho Fiscal Michele Escoura Presidente Murilo Muller Roberto Catelli Jr. Conselheiros Cleber Santiago Benjamin Moro Felipe Peres Lino Barbosa Vera Schneider Fernanda Bottallo Conselho Consultivo Presidente Murilo Ferreira (CEO Vale) Conselheiros Danilo Santos da Miranda (Diretor do SESC SP) Dom Flávio Giovenale (Bispo de Abaetetuba) Luis Phelipe Andrés (Conselheiro do IPHAN) Paula Porta Santos (Historiadora e Doutora pela USP) Paulo Niemeyer Filho (Chefe do Centro de Neurologia Paulo Niemeyer) Silvio Meira (Presidente do Conselho Administrativo do Porto Digital) Diretora Presidente Isis Pagy Diretor Executivo Luiz Gustavo Gouveia Gerência Geral de Relações Intersetoriais Andreia Rabetim Gerência de Educação Maria Alice Santos Andreia Prestes Anna Cláudia D´Andrea Carla Vimercate Mariana Pedroza Produção Editorial Projeto gráfico e diagramação Aeroestúdio A Fundação Vale tem a Educação como um dos principais pilares de sua atuação social, com base na premissa de que o ensino gratuito e de qualidade é um direito de todos os cidadãos. No âmbito da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o Brasil passou nas últimas décadas por um processo de amadurecimento que provocou uma transformação na compreensão sobre as questões centrais que envolvem essa modalidade de ensino. Dentre elas, estão na linha de frente das ações a defesa do direito de todos à educação ao longo da vida e a construção das identidades de jovens e adultos como sujeitos de conhecimentos e aprendizagens. Por isso, a Fundação Vale considera fundamental contribuir para a estruturação da Educação de Jovens e Adultos nos municípios localizados nas áreas próximas às operações da Vale. Com isso, aumentam-se as chances de retorno aos estudos de pessoas que, por diversas questões sociais, evadiram da escola regular. Além disso, educar para o fortalecimento do Estado Democrático de Direito e para a construção de uma sociedade mais justa, equitativa e democrática fazem parte dos objetivos da Fundação. Esse material, fruto de um projeto desenvolvido nos municípios de Itabira e São Gonçalo do Rio Abaixo em 2013 e 2014, construído em parceria com a Ação Educativa, integra os esforços para o fortalecimento da EJA e se propõe a oferecer subsídios aos professores e gestores na estruturação dessa modalidade de ensino. A memória de todo o projeto, estruturada nessa publicação, contribui para a reflexão dos profissionais de educação acerca das estratégias para a superação dos desafios da EJA e, em consequência, para a construção de uma escola mais democrática e aberta a todos os alunos. Esperamos que o conteúdo aqui apresentado contribua para a ampliação do entendimento sobre as especificidades da Educação de Jovens e Adultos e, consequentemente, ajude no processo de fortalecimento dessa modalidade de ensino em nosso país. Desejamos também que este material seja fonte de apoio e inspiração para gestores e educadores na busca por novas estratégias que levem à redução da evasão escolar e à desconstrução de estereótipos, por meio de metodologias que valorizem sempre os saberes e as trajetórias pessoais desses alunos. Fundação Vale 2 Sumário De início 5 Chegando a Minas Gerais 9 Vozes locais 15 Mapeando as demandas 27 Unindo esforços 41 Diálogo pelo Moodle 53 Publicações 57 Uma outra EJA é possível? 59 Fotos: Michele Escoura Itabira. Set. 2013. Estátua do Padre João em São Gonçalo do Rio Abaixo (ao lado). Set. 2013. De início Construir uma organização curricular de forma participativa, em parceria com professores e gestores de redes, que atenda à demanda de jovens e adultos em dois municípios mineiros: este foi o principal objetivo do projeto, sobre o qual registramos aqui o processo construído. A Fundação Vale e a Ação Educativa assumiram o compromisso de conduzir o trabalho no segundo segmento do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Itabira e São Gonçalo do rio Abaixo, acreditando na necessidade de ouvir, conhecer, dialogar e criar conjuntamente uma proposta para a modalidade adequada aos sujeitos específicos das redes municipais. O ponto de partida de nosso trabalho foi a necessidade de criação de uma política educacional específica para as demandas de pessoas jovens e adultas, considerando suas experiências de vida e no mundo do trabalho. Acreditamos que pessoas jovens e adultas que têm trajetórias já construídas não aprendem do mesmo modo que uma criança e, assim, a escola de EJA deve estar preparada para colocar em prática um currículo específico para as necessidades de aprendizagens de seus sujeitos, tornando-se cada vez mais autônoma em relação aos modelos definidos para crianças e adolescentes. Por isso, propomos criar uma escola nova, criativa e, principalmente, adequada aos tempos e condições de vida de jovens e adultos. O material didático, o espaço da sala de aula, a estratégia, as propostas de trabalho, nada deve ser igual ao que se faz com as crianças. Precisamos nos colocar o desafio de criar uma outra escola em que jovens e adultos sintam-se protagonistas de sua aprendizagem e não pessoas envergonhadas e acusadas de estarem estudando fora da chamada “idade própria”. Não podemos esquecer que estudar é um direito do sujeito em qualquer momento da vida. Levamos esses pressupostos para as ações realizadas no projeto e trabalhamos a partir das seguintes estratégias: •• realização de diagnóstico da realidade e das demandas educacionais dos municípios (socioeconômico e de aprendizagem) para, com base nesses dados, dialogar sobre um modelo de educação de adultos para o município; •• caracterização do cenário e trajetória dos sujeitos envolvidos na ação educativa: investigar quem são os alunos da EJA, quais são suas experiências de vida e seus saberes prévios; •• realização de encontros de formações presenciais mensais com educadores e gestores para construir a proposta curricular de EJA, ao mesmo tempo em que 5 Fotos: Michele Escoura Antiga casa de Carlos Drummond de Andrade em Itabira. Set. 2013. Itabira. Set. 2013. 6 aprofundamos o nosso conhecimento sobre temas ligados à modalidade. Embora tais processos de formação estivessem, em princípio, voltados aos profissionais da educação de jovens e adultos de segundo segmento do Ensino Fundamental, os profissionais de primeiro segmento e alfabetização e suas demandas específicas foram também acolhidos no decorrer do projeto; •• ampliação das ações educativas, via plataforma moodle, e criação de uma rede de comunicação; •• elaboração de sequências didáticas desenvolvidas pelos educadores, adequadas ao público de cada município para aplicação em sala de aula. O convite maior que fizemos a todos os professores e gestores municipais foi em defesa do direito à educação como um direito humano, privilegiando a busca por uma educação de qualidade, que possibilite a todos avançar na realização de seus objetivos e considerando a EJA como espaço de afirmação de direitos em meio à diversidade de sujeitos. Esta publicação é o registro dos dois anos do projeto em Minas Gerais e busca, a partir da sistematização de todo o processo de ação educativa, consolidar-se como uma fonte de inspiração para outras instituições ou redes de ensino. Nossa expectativa é que, com este registro, nossa experiência em Minas Gerais na criação de uma política pública participativa de EJA possa ser replicada em muitos outros lugares e por muitos outros sujeitos comprometidos com o direito à educação de pessoas jovens e adultas. 7 Itabira. Set. 2013. Foto: Michele Escoura Chegando a Minas Gerais Nossa chegada em Minas Gerais deu-se pela articulação entre a Fundação Vale, sua equipe de Educação e as representantes comunitárias da Vale nos municípios de atuação. O primeiro passo tomado foi o de aproximação das equipes de trabalho com as gestões municipais de ensino e, nessas conversas iniciais, a ausência de uma rede municipal de EJA de segundo segmento impossibilitou a participação de Santa Bárbara no projeto de reorganização curricular. Em seguida, a partir das conversas com as gestoras municipais de educação de Itabira e de São Gonçalo do Rio Abaixo sobre as propostas de trabalho e as expectativas de reorganização curricular, iniciamos as atividades com os professores e gestores de EJA das duas redes. A primeira etapa foi a realização de diagnósticos sobre as realidades locais. Era necessário, primeiramente, compreender os contextos sociais e educacionais dos dois municípios para, então, orientar nossas atividades pedagógicas. Nessa etapa de levantamento diagnóstico, contamos com duas ações fundamentais: o levantamento de dados estatísticos e uma rodada de entrevistas com a comunidade escolar de EJA. Levantamento dos dados estatísticos Os dados populacionais produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no Censo 2010, os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho compuseram essa etapa de diagnóstico estatístico. Dados do Censo 2010 puderam nos oferecer um panorama sobre a população geral dos municípios; a escolaridade da população com 15 anos ou mais; a população que frequentava a escola; o número de moradores que sabiam ler e escrever; a faixa etária da população e as divisões populacionais por cor e raça. Já os dados da RAIS e do CAGED puderam nos apresentar o cenário profissional de Itabira e de São Gonçalo do Rio Abaixo: a flutuação de empregos formais nas diferentes áreas de trabalho, as principais ocupações profissionais e os salários médios. Esses dados serviram de base para a interlocução com as gestões locais e foram o primeiro estímulo para a compreensão das demandas locais. A seguir, apontamos alguns dos cenários encontrados. 9 Itabira Conforme o Censo IBGE, Itabira tinha 109.783 habitantes em 2010. Desses, 85.892 tinham 15 anos ou mais. No que se refere à escolaridade da população, 49.946 (58%) tinham completado o Ensino Fundamental e 35.946 pessoas (42%) com 15 anos ou mais não completaram essa etapa de ensino. Ademais, desse conjunto de habitantes que não concluíram o ensino fundamental, apenas 1.717 estão hoje estudando, ou seja, apenas 2%. A demanda potencial de Itabira para o Ensino Fundamental (42%) é muito próxima da média nacional (43%), ou seja, Itabira tem o mesmo desafio que o resto do país de aumentar as oportunidades educacionais de jovens e adultos para que estes possam ampliar suas oportunidades pessoais e profissionais enquanto cidadãos que têm a educação como um direito garantido pela Constituição brasileira. Gráfico 1. Demanda potencial de EJA em Itabira 120.000 109.783 100.000 85.892 80.000 60.000 49.946 35.946 40.000 20.000 1.717 0 População 15 anos ou mais Concluíram o Ensino Fundamental Não concluíram o Ensino Fundamental Estão estudando Fonte: IBGE, Censo 2010 Gráfico 2. População com mais de 15 anos e Ensino Fundamental em Itabira ■ Concluiu o Ensino Fundamental 42% 58% Fonte: IBGE, Censo 2010 10 ■ Não concluiu o Ensino Fundamental Gráfico 3. Demanda para a EJA no Ensino Fundamental em Itabira 2% ■ População com Ensino Fundamental completo ■ Demanda potencial 40% ■ População matriculada na EJA de Ensino Fundamental 58% Fonte: IBGE, Censo 2010 Sobre o percentual de empregos formais na época do levantamento, o que encontramos foi o seguinte cenário: Gráfico 4. Percentual de empregos formais em Itabira em 2011 45,1% ■ Masculino 39,8% ■ Feminino 17,6% 8,9% Extr. Mineral 15,1% 15,0% 10,6% 5,4% 6,7% 4,0% 2,6%3,0% Ind. Transf. Constr. Civil Serv. Ind. UP 2,2% Comércio Serviços Adm. Pública 1,6% 0,5% Agropecuária Fonte: Ministério do Trabalho, RAIS 2011 Gráfico 5. Admissões de emprego formal em Itabira em 2011 ■ Extração Mineral 16% ■ Indústria de Transformação 23% ■ Construção Civil 2% 42% 10% 7% ■ Comércio ■ Serviços ■ Agropecuária Adm. Pública Serv. Ind. UP Fonte: Ministério do Trabalho, CAGED 2011 11 Foto: Michele Escoura Escultura em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. 12 São Gonçalo do Rio Abaixo São Gonçalo do Rio Abaixo tinha 9.777 habitantes em 2010, conforme o Censo. Desses, 7.442 tinham 15 anos ou mais. No que se refere à escolaridade da população, 4.496 habitantes com 15 anos, ou seja, 61% da população, não havia completado o Ensino Fundamental até 2010. Do conjunto de habitantes que não concluíram o Ensino Fundamental, apenas 1381 estavam matriculados na EJA do município na época de coleta de dados, ou seja, apenas 3%. Isso significa que 58% da população com 15 anos ou mais de São Gonçalo do Rio Abaixo poderiam estar na escola e não estão, representando uma demanda potencial muito acima da média nacional (43%). Tal quadro coloca um desafio ainda maior no município em relação ao resto do país para garantir o direito à educação de pessoas jovens e adultas. Gráfico 6. Público da EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo 12.000 10.000 9.777 8.000 7.427 6.000 4.496 4.000 2.931 2.000 0 População total 15 anos ou mais Concluíram o EF Não concluíram o EF 208 138 Estudam na EJA Matriculados na Escola Integral Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2010 Gráfico 7. População com mais de 15 anos e Ensino Fundamental em São Gonçalo do Rio Abaixo ■ Concluiu o Ensino Fundamental ■ Não concluiu o Ensino Fundamental 39% 61% Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2010 1 Número de matrículas fornecido pela Escola Integral (E.I.) no momento da coleta de dados da pesquisa. 13 Gráfico 8. Demanda para a EJA no Ensino Fundamental em SGRA 3% ■ População com Ensino Fundamental completo ■ Demanda potencial 39% ■ População matriculada na EJA de Ensino Fundamental 58% Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2010 E sobre o número de empregos formais na época do levantamento, o que encontramos foi o seguinte cenário: Gráfico 9. Números de empregos formais em SGRA 65,19% ■ Masculino ■ Feminino 32,7% 29,5% 15,10% 4,6% 0,48% Extr. Mineral 3,8% 6,35% 3,94% Ind. Transf. Constr. Civil 6,1% 5,19% Comércio 13,9% 9,5% Serviços 3,75% Adm. Pública Fonte: Ministério do Trabalho, RAIS 2011 Gráfico 10. Admissões de emprego formal em SGRA em 2011 7% ■ Extração Mineral 13% ■ Indústria de Transformação ■ Comércio 8% 64% 3% 5% ■ Serviços ■ Agropecuária ■ Construção Civil Adm. Pública Serv. Ind. UP Fonte: Ministério do Trabalho, CAGED 2011 14 Agropecuária Vozes locais Durante o período de uma semana, uma pesquisadora ficou responsável por percorrer os dois municípios, coletando fotos, relatos e vídeos que pudessem compor o levantamento inicial de dados de maneira mais qualitativa e privilegiando as vozes locais. Ao todo, foram realizadas 13 entrevistas com secretárias municipais de educação, gestoras escolares, professores e uma estudante. Além das entrevistas, foram realizados dois grupos de diálogo com estudantes da EJA de segundo segmento. Todos os sujeitos participantes foram informados que o teor da entrevista seria sobre a EJA no município e suas relações com o ensino. Além disso, estavam informados que as conversas estavam sendo gravadas e seriam transcritas posteriormente para manter a precisão de suas falas. As entrevistas e os grupos focais, nessa etapa do projeto, cumpriram com o papel de uma aproximação ainda maior com os sujeitos da EJA nos dois municípios e trouxeram mais elementos para a equipe de formação orientar os trabalhos. Em Itabira, a entrada recente de uma grande quantidade de estudantes jovens apareceu como uma das principais questões levantadas, enquanto em São Gonçalo do Rio Abaixo, as dificuldades econômicas e a necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho apareceram como pontos mais destacados para explicar os dados de evasão na EJA municipal. Em São Gonçalo do Rio Abaixo, a necessidade de um concurso para professores efetivos da EJA e a experiência de um trabalho curricular organizado por projetos interdisciplinares também foram temas muito evidenciados nas falas. As conversas guiaram-se também pelas trajetórias pessoais, as experiências em sala de aula e as expectativas para a educação de jovens e adultos. A seguir, trazemos as vozes locais a partir de trechos selecionados das entrevistas e conversas que subsidiaram nosso trabalho. Questões da EJA nos municípios: A gente estava falando sobre essa questão do jovem e o quanto, de certa forma, esses jovens estão indo para EJA porque eles foram meio que afastados do ensino regular. A gente ficou pensando nisso. Se a gente for pensar numa reorganização para EJA (e aí a gente pensar na particularidade de Itabira, e quantos jovens tem na EJA de Itabira), talvez a gente precisasse pensar também no quanto precisaria uma organização articulada para o ensino regular também. (Gustavo Martins, Chefe do Departamento Técnico Pedagógico de Itabira). 15 Fotos: Michele Escoura Aula de matemática em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. Ao lado, estudantes chegando para mais uma noite de aula em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. 16 [Dificuldade na escola] Para mim é que tem muitas regras que eu acho que não era necessário ter. (Estudante de EJA em Itabira). Os alunos daqui são muito carinhosos, são de zonas rurais, sofridos, carentes mesmo de atenção da gente. Então, eu não me sinto uma professora, eu me sinto, assim, uma ajudadora deles, tipo como você fosse uma coordenadora. Quando eu vejo quem tá fora digo ‘Por que você não está vindo à aula’, eu fico preocupada de verdade. Porque aqui o índice de analfabetismo é muito alto, então eu vejo que eles perdem muita oportunidade. Então, eu falo com eles: ‘Estudem para vocês poderem competir com os de fora, vocês terem suas vagas aqui, conquistar os seus espaços, eu torço por vocês’. (Edilene Antônia Gomes, professora em São Gonçalo do Rio Abaixo). Aqui, na cidade, o índice de analfabetismo é muito grande. Como eu já falei para você, eu cresci junto com eles quando eu vinha de férias, brincava com eles. Eram os avós, os pais, os tios e eu não entendia, porque na época eu era muito nova, porque eles não estudavam. Aí, depois, eu entendi porque Deus me mandou para cá. Aí, quando eu comecei a visitar a família e conversar com as famílias, eu comecei a ver a grandeza dos problemas que tinham. [...] quando eu cheguei, em 2005, eu me assustei muito, uma coisa que me assustou muito foi que eu andava aqui na cidade e via muito jovem à noite nos botecos, nas ruas. Falava: ‘Por que esses jovens estão todos na rua? Eles não estudam?’. Abandonaram a escola, não deu certo com a escola regular pelo estado. Aí eu montei a proposta da EJA. Eu lembro que, logo no primeiro ano da EJA, tinha 600 alunos, no primeiro ano. Na época, eu concentrei aqui no recreio, onde ficava o Ensino Fundamental e tinha um galpão enorme, eu fiz divisória. (Gloria de Fátima Pessoa, Secretária de Educação de São Gonçalo do Rio Abaixo). Não tem um quadro fixo de professores, então o que acontece? Por não ter concurso, porque há muito tempo não tem concurso, o quadro de professores da EJA, pelo que eu percebi no ano passado, pelo relato da vice-diretora que estava aqui, e nesse ano o quadro está sempre mudando. Por exemplo, tem dois professores efetivos aqui na escola. Então, o que acontece? Com a mudança desse quadro não tem condições de a gente fazer um trabalho efetivo, um trabalho disciplinar, um trabalho, vamos dizer assim, mais integrado. E o nosso medo é que o ano que vem mude o quadro de professores. Então, o que começou a ser, vamos dizer assim, trabalhado agora, a gente começou a dar formação agora, ano que vem pode não ter ‘valor nenhum’ para os professores, porque eles vão estar totalmente perdidos se mudar o quadro. (Leize Leão, Coordenadora Pedagógica em São Gonçalo do Rio Abaixo). EJA e trajetórias pessoais Eu morava próximo e, até os 15 anos, permaneci no colégio. Aí, comecei a trabalhar, comecei a namorar, desempolguei da escola e virei a mente somente para o trabalho. Agora, depois dos 35, decidi retomar. Fiquei um ano, afastei de novo, agora, graças a Deus, eu estou disponível até o fim. Até porque também a empresa, na qual eu presto serviço hoje, exige um 17 pouco de escolaridade, aí eu estou tentando recuperar o tempo perdido. (Estudante da EJA em Itabira) A Educação de Jovens e Adultos me deu uma perspectiva da Educação, me ensinou coisas na Educação que são muito particulares. Primeiro, porque, quando nós assumimos a Educação de Jovens e Adultos lá atrás, na década de 90 no município, a gente tinha um determinado público, que era o público mais adulto do que jovem. Era aquele público que tinha vindo do processo de exclusão da escola anteriormente construído no Brasil e que chegou na vida adulta: às vezes com a família construída, com experiência profissional, mas sem processo de escolarização. E ele retorna para a escola pela necessidade e pelo sentimento que a escolarização traz para a pessoa [...] Então, o que eu percebia naquela época, eram profissionais que às vezes trabalhavam na Vale, donas de casa, pessoas que tinham uma vida profissional e que retornavam à escola a noite, porque sentiam que a escola era uma oportunidade de ficar um pouco mais completo com esse sentimento social, entende? Eles se reconheciam sujeitos capazes, cidadãos bem resolvidos, mas ficavam com esse hiato, essa situação que não estava bem resolvida. [...] Então, essa percepção e essa separação [entre rigor científico e aplicação do conteúdo a uma vida social] eu construí lá na Educação de Jovens e Adultos, foi a perspectiva daqueles alunos que me ajudou a construí-los. (Luciane Maria Ribeiro da Cruz Santos, Secretária de Educação de Itabira). Minha dificuldade é porque eu casei muito cedo, aí criei família, formei meus filhos, ajudei a criar um neto e agora vou tentando realizar esse sonho meu. Eu fiz tudo, mas como eu tinha na época 12 anos, eles não me deram diploma. Aí eu conheci o marido com 14 anos, casei e aí foi. A história é essa aí, fui embora e agora voltei por incentivo do neto. (Estudante de EJA em Itabira). Eu não parei de estudar. Tô aqui porque na outra escola estava com muita bagunça. E os professores ficaram muito irritados, aí mudei da escola. (Estudante de EJA em Itabira). Então os mais novos trazem para escola muita revolta, muita frustação, muita coisa a questionar e a escola, a gente... [...] Então é no meio dessa guerra que a gente tenta abrir um espaço para trabalhar e trabalhar com coisa significativa. E eu acho que projeto é muito significativo para o aluno, e para nós também. (Joelma das Graças Pereira, professora de EJA em Itabira). [Parei de estudar] por causa de trabalho mesmo. Eu sempre gostei de ser independente, sempre gostei de ter as minhas coisas do meu jeito. Aí eu queria as minhas coisas, nós somos nove filhos e para a minha mãe dar para todo mundo não tinha condições. Ela criou a gente sozinha. Teve ajuda, assim, porque ela sempre foi uma mulher muito disposta, então ela não tinha vergonha de pedir, já pediu esmola. Mas eu sempre queria as minhas coisas do meu jeito. Aí parei de estudar para trabalhar. Aí trabalhava e o horário não coincidia com a escola. Às vezes, eu chegava muito cansada, às vezes eu trabalhava à noite, por esse motivo eu parei. (Patrícia Cruz, estudante de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). 18 Foto: Michele Escoura São Gonçalo do Rio Abaixo, com estátua do padre ao fundo. Set. 2013. 19 Pensar currículo na EJA Na Educação de Jovens e Adultos o que nós estamos fazendo é a base, nós estamos fazendo é a inserção do sujeito no mundo em que ele vive. Então, lá [na EJA] isso é pauta mínima obrigatória. Quer dizer, o professor da Educação de Jovens e Adultos que se preocupa com muito formalismo e que não traduz aquilo que se estuda, e que não traz aquilo que se estuda para o contexto social do aluno, para a compreensão profunda daquilo e para a melhoria da compreensão dele como sujeito no mundo, não está cumprindo a sua ação. (Luciane Maria Ribeiro da Cruz Santos, Secretária de Educação de Itabira). No caso do adulto, essa abstração já não interessa tanto mais. Ele precisa de algo concreto, de onde esse ensino dele vai se materializar. Então, acho que por aí passavam grandes preocupações, são esses três pontos: Unidades da Rede, conteúdo e a utilização do aprendido na vida prática. (Gustavo Martins, Chefe do Departamento Técnico Pedagógico de Itabira). Eu vejo que o nosso currículo está voltado para o ensino regular, totalmente voltado. Eu acho que precisa mexer nisso aí e adaptar para a EJA. Tem que ser pensada uma metodologia diferente, tem que ser pensado em, vamos dizer assim, conteúdos voltados realmente para atender os alunos da EJA. Porque, às vezes, eu percebo que são coisas, assim, que eles não vão ter interesse. Muitos aqui não almejam uma graduação, uma faculdade, então aquilo para eles não vai fazer sentido e, às vezes, está deixando de ser trabalhado algo para o dia a dia que ele vai usar. (Leize Leão, Coordenadora Pedagógica em São Gonçalo do Rio Abaixo). Eu adoro trabalhar com projetos, eu sei que dá muito trabalho. Dá sim. Nossa, dá muito trabalho, mas eu acho, no caminhar do projeto, naquelas duas, três semanas, ou até mais. A gente vê muita coisa bacana e o grupo de mais idade percebe que o trabalho dele tem valor, porque é valorizado. (Joelma das Graças Pereira, professora de EJA em Itabira). Minha sala começou, se eu não me engano, com 40 pessoas. O que passou foi 5. Todo mundo desanimou com a escola, foi indo e foi desanimando. Não com a matéria, nem nada, os professores, graças a Deus, ensinaram muito bem. Mas é porque fica aquela coisa, assim: ia, estudava, não tinha nada diferente, nada que inovasse na escola. Esse ano não, esse ano tem o festival de inglês, tem esse negócio de talentos, coisas assim que estão animando a gente a ir. As pessoas mais velhas vão e tudo mais. Mas os jovens, na realidade, os jovens não querem só estudar, querem uma coisa diferente. (Patrícia Cruz, estudante de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). Eles estão acostumados, a partir desse ano é que eles estão vendo que projeto também é um modo de aprender. Até o ano passado eles não tinham essa visão não, eles achavam que aula era quadro e giz. Mudou isso. (Josiane Fonseca Moreira Luz, professora em São Gonçalo do Rio Abaixo). 20 Fotos: Michele Escoura Apresentação de dança de estudante da EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo. Nov. 2013. Professora Josiane ensaia com estudantes a apresentação musical do projeto de língua inglesa. Em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. 21 Eu sei que na EJA a clientela é diferente. Eles precisam disso, eles precisam de projetos, eles precisam do currículo voltado para temas. (Márcia de Castro Bicalho de Araujo, coordenadora da área de projetos de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). Uma EJA que se quer E eu acho que tudo muda devagarinho. Nada muda de uma vez. Eu falo que, primeiro, as pessoas têm que ficar sensibilizadas. Quando ela fica sensibilizada, ela vai conscientizando. Aí, da conscientização para a tomada de decisão para mudar, é difícil. Eu penso que é isso que é o papel seu. Os professores da EJA já estão sensibilizados, já estão conscientizados que esse currículo que eles têm não pode continuar, que não está levando ninguém a nada. Agora vem a fase melhor, mas a mais difícil, que é sair da zona de conforto. (Gloria de Fátima Pessoa, Secretária de Educação de São Gonçalo do Rio Abaixo). [Uma educação] muito mais comprometida com o processo de transformação social dessas pessoas, muito mais comprometida com o crescimento dessas pessoas, com a inclusão dessas pessoas, com a perspectiva de que a sociedade melhora quando ela oferece educação para todos. Mas, educação mesmo, e não simplesmente um processo de escolarização formal que se cumpre minimamente com um conjunto de atividades e um conjunto de avaliações e uma nota. Como algo muito mais reflexivo, muito mais profundo, muito mais focado no desenvolvimento do sujeito, do indivíduo, que a pessoa humana seja considerada ali e o profissional da educação é que tem esse papel. Então, a minha perspectiva é que a formação dê elementos para essa significação. (Luciane Maria Ribeiro da Cruz Santos, Secretária de Educação de Itabira). Não tem quadra para poder fazer Educação Física. Isso aí é horrível... A gente faz Educação Física num cubículo. É perigoso até a gente se machucar naquele lugar. Precisa ter espaço lá. Uma estrutura melhor, pelo menos. (Estudante de EJA em Itabira). Eu acho que deveria ter pessoas indo na escola dar entrevista, saber da profissão delas. Porque a gente quer ser uma coisa, vamos supor, ‘ah, eu quero ser veterinário’, mas eu não sei o que é ser um veterinário. Ter um profissional da área que vá lá falar ‘ser veterinário é isso’. Isso incentiva a gente. Aí você vai ter certeza se é isso mesmo que você quer. ‘Ah, eu quero ser um advogado’, vai lá um profissional que já está advogando, essas coisas assim. É muito importante, isso incentiva muito. Eu acho que esses projetos aqui na escola têm capacidade de continuar e até melhorar, incentivando muito os meninos a ficarem na escola por causa dos projetos. Eu gosto muito desses projetos. Podia ter cursos. Eu sei que tem o ano letivo, mas podia, uma vez no mês, vamos supor, na quinta: vou tirar essa quinta para fazer tal curso, ter vários cursos, cada sala vai ter o seu curso... Vai incentivar muito as pessoas a irem, mais gente ir para a escola. Porque tem muita gente que não quer ir porque tem o SENAI à noite, aí não dá para estudar, trabalhar e fazer SENAI. Mas, se tem um cursinho na escola que vai dar um certificado, a pessoa vai estar estudando e fazendo um curso, mas não precisa parar, deixar de fazer um para fazer o outro. (Patrícia Cruz, estudante de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). 22 Foto: Michele Escoura Itabira. Set. 2013. 23 Fotos: Michele Escoura São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. Fachada do histórico Hotel Itabira. Set. 2013. 24 A maioria ainda pensa que aula de matemática é assim: o professor ensina uma vez lá no quadro, faz um exercício, um desafio, uma coisa para chamar a atenção. Os alunos prestam atenção, e todo mundo faz atividade. Não era assim na nossa época? Eu acho que ensinar matemática não é isso. É além disso. Porque se o aluno não sabe questionar, não sabe cooperar com o colega, ensinar, falar, ele não vai aprender. Então, quem passa no corredor fala: ‘espera aí, é aula de matemática, mas está parecendo de música? Porque está conversando?’. Mas está conversando sobre a aula, sobre o conteúdo. Está ensinando um ao outro. [...] Hoje o desenvolvimento, a mudança de postura da pessoa é ir ao quadro e fazer exercício, mesmo quando não está sabendo, quando tem dificuldade. Vai lá, tenta fazer, sabe conversar com os colegas... Mudou totalmente o jeito de ser a vida, entendeu? Escola é isso, eu acho. Não é só conteúdo, é transformar essas pessoas. Era uma pessoa tímida, agora é uma pessoa que pode buscar um emprego melhor, então ele ganhou mais ainda. (Edilene Antônia Gomes, professora de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). Projeto de vida da Patrícia, uma estudante da EJA Foto: Michele Escoura Ah, eu quero estar casada, na minha casa, assim, quero ter um filho só ou dois no máximo. Não quero mais não, dá muito trabalho. Já casada, assim, eu quero continuar trabalhando porque eu gosto. Eu acho que não vou conseguir parar de trabalhar quando estiver mais velha. Trabalhando ainda, com minha casa, minhas coisas do meu jeito e estar passando o que eu pude aprender para frente. (Patrícia Cruz, estudante de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo). Patrícia, de 19 anos, estudante da EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. 25 Foto: Michele Escoura Fachadas históricas de Itabira. Set. 2013. Mapeando as demandas Depois de levantar os dados estatísticos disponíveis e conversar diretamente com gestoras, professoras e estudantes da EJA nas duas redes municipais, conseguimos ter um panorama sobre alguns desafios que precisaríamos enfrentar na reorganização curricular. Entretanto, era preciso ainda mais elementos para conseguir mapear as demandas específicas dos sujeitos da EJA em cada localidade. Como estratégias para o mapeamento, realizamos duas atividades: uma pesquisa de perfil dos estudantes da EJA e um evento público com toda a comunidade local para discussão sobre a modalidade nos municípios. Pesquisa: perfil de estudantes da EJA nos municípios Partimos da ideia de que era essencial conhecer a realidade local para construir um trabalho mais significativo para os sujeitos envolvidos no projeto. Acreditamos também que todo processo de aprendizagem se enriquece quando seus sujeitos são conhecidos e suas demandas, valorizadas. Desse modo, como uma das atividades desenvolvidas nas formações de Fundamentos da EJA, propusemos aos professores a adoção da prática de pesquisa sobre o perfil de sua turma como um passo inicial para orientar suas atividades. Então, como parte do processo formativo, criamos um instrumento de pesquisa para mapear o perfil dos estudantes da rede de EJA em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo. Assim, toda a equipe de trabalho, tanto externa como local, pôde conhecer o cenário atual da modalidade nos municípios e identificar as demandas concretas de seus estudantes. O instrumento de pesquisa constituiu-se de um questionário com questões abertas e fechadas (múltipla escolha) voltadas para coletar as informações pessoais sobre os estudantes: sexo; cor/raça; faixa etária; se mora na zona rural ou urbana; estado civil; se tem filhos; se trabalha; quando começou a trabalhar; quantos dias e horas trabalha por semana; ocupação; qual profissão gostaria de seguir; escolaridade dos pais; até quando estudou; por que parou de estudar; quais as dificuldades para estar na escola e quais motivos para retornar aos estudos; além de suas percepções e práticas sobre a leitura e a escrita. Os questionários em Itabira foram aplicados por uma representante da equipe do projeto em parceria com a gestão e os professores e, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a equipe interna da Escola Integral fez toda a aplicação. Seguem alguns exemplos de resultados que encontramos. 27 Itabira Gráfico 11. Alunos da EJA em Itabira por sexo e faixa etária, 2013 70,0% 59,1% 60,0% ■ Masculino ■ Feminino 47,6% ■ % Faixa Etária 50,0% 40,0% 34,5% 25,9% 30,0% 16,7% 12,1% 20,0% 6,9% 10,0% 24,1% 14,5% 14,5% 6,1% 4,5% 5,2% 3,0% 4,0% 0,0% 12-19 20-29 30-39 40-49 10,6% 6,5% 1,7% 50-59 1,7% NR 0,8% vazio Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em Itabira/MG, 2013 Gráfico 12. Alunos da EJA em Itabira por raça/cor e sexo, 2013 35,0% 30,0% 31,5% 29,0% ■ Masculino ■ Feminino 25,0% 20,0% 15,0% 12,9% 11,3% 10,0% 4,0% 4,8% 5,0% 2,4% 0,0% Parda Preta Branca NR 1,6% 0,8% 0,8% 0,8% Indígena Amarela Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em Itabira/MG, 2013 Gráfico 13. Alunos da EJA em Itabira por idade de início de trabalho e sexo 50,0% 30,0% ■ Masculino 40,0% 40,0% 27,0% ■ Feminino 32,0% 29,0% 20,0% 20,0% 14,0% 10,0% 7,0% 6,0% 0,0% Antes dos 14 14-16 17-18 18+ Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em Itabira/MG, 2013 28 Gráfico 14. Motivos para voltar a estudar em Itabira, 2013 10,4% Por expectativas familiares 44,3% Para adquirir mais conhecimentos 75% Para ter melhores oportunidades profissionais Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em Itabira/MG, 2013 Gráfico 15. Principais dificuldades para estudar em Itabira, 2013 ■ Falta de tempo 18,5% ■ Dificuldade em conciliar trabalho e família 24,2% ■ Falta de transporte escolar 5,6% ■ Falta de estímulo 29,8% Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em Itabira/MG, 2013 São Gonçalo do Rio Abaixo Gráfico 16. Alunos da EJA em SGRA por sexo e faixa etária, 2013 35,0% 30,0% 25,0% 25,0% 20,0% 19,0% ■ Feminino 26,0% 21,0% 20,0% 3,0% 15,0% 10,0% ■ Masculino 29,0% 15,0% 13,0% 5,0% 6,0% 6,0% 2,0% 0,0% 15-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60+ Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG, 2013 29 Gráfico 17. Alunos da EJA em SGRA por raça/cor e sexo, 2013 35,0% 30,0% ■ Masculino 31,5% 29,0% ■ Feminino 25,0% 20,0% 15,0% 12,9% 11,3% 10,0% 4,0% 4,8% 5,0% 2,4% 0,0% Parda Preta Branca NR 1,6% 0,8% 0,8% 0,8% Indígena Amarela Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG, 2013 Gráfico 18. Alunos da EJA em SGRA por idade de início de trabalho e sexo 50,0% 40,0% 50,0% ■ Masculino 38,0% ■ Feminino 29,0% 28,0% 30,0% 20,0% 8,0% 10,0% 10,0% 13,0% 6,0% 6,0% 10,0% 0,0% Antes dos 14 14-16 17-18 18+ NR Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG, 2013 Gráfico 19. Motivos para voltar a estudar em SGRA, 2013 7,6% Por expectativas familiares 42,8% Para ter melhores oportunidades profissionais 49,7% Para adquirir mais conhecimentos Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG, 2013 30 Gráfico 20. Principais dificuldades para estudar em SGRA, 2013 ■ Falta de tempo ■ Falta de estímulo 36,0% 57,0% ■ Dificuldade em conciliar trabalho e família 7,0% Fonte: Pesquisa de Perfil da EJA – Ação Educativa, Fundação Vale e equipe de EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo/MG, 2013 E o que fazer com esses dados? Em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo a pesquisa identificou uma EJA predominantemente formada por pessoas negras (auto identificadas como pardas ou pretas) e trabalhadoras. Em Itabira a presença de homens muito jovens é uma característica marcante da EJA no segundo segmento: quase 60% dos estudantes do sexo masculino têm até 19 anos de idade. Já em São Gonçalo do Rio Abaixo, o dado mais marcante é o grande número de mulheres entre os estudantes das faixas etárias mais avançadas. Das mulheres na EJA do município, 67% delas têm mais de 30 anos. Esses dados sobre faixa etária indicaram dificuldades um pouco diferentes entre os estudantes dos dois municípios. Em Itabira, destacou-se um cenário de grande presença de jovens na EJA, sendo que isso ocorre por um processo de exclusão dos jovens do ensino regular. O desafio, então, é a necessidade de uma maior problematização do tema da juventude e o acolhimento das demandas dos jovens na reorganização curricular. Já em São Gonçalo do Rio Abaixo, o fato de a maior parte das mulheres retomarem os estudos em idades mais avançadas se ligava muito com as falas ouvidas nas entrevistas locais de mulheres que justificaram sua saída da escola para cuidar da família. Muitas, tendo sido mães muito jovens, afastaram-se da escola e tiveram que esperar seus filhos crescer e adquirir maior autonomia para poder retornar à escola. Tendo em vista ainda que as turmas de EJA são oferecidas apenas em período noturno, quando nenhuma escola infantil está aberta, muitas delas têm dificuldade em conciliar seus estudos com o cuidado da família e, por isso, uma das recomendações levantadas pela pesquisa foi de ofertar EJA também no período diurno, caso haja demanda de jovens mães em estudar no mesmo turno que seus filhos. Com esses dados, nos dois municípios, os cálculos de faixa etária revelaram uma necessidade de reflexão sobre a temática de gênero: fosse para problematizar a expulsão sistemática dos meninos do ensino regular e seu acolhimento na EJA, ou para levantar as demandas específicas para as mulheres que, socialmente consideradas responsáveis 31 PESQUISA COM ALUNOS Perfil da demanda pela Educação de Jovens e Adultos Perfil da demanda pela Educação de Jovens e Adultos – Pesquisa com alunos VIDA PROFISSIONAL PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA P.07) QUAL A SUA SITUAÇÃO ATUAL DE TRABALHO? P.22) DE MANEIRA GERAL, COMO VOCÊ AVALIA A SUA (Marque apenas uma resposta) Orientações: • Os estudantes devem responder às questões. Se for necessário o professor ou um colega podem ajudar a preencher da melhor maneira possível. É fundamental que as respostas sejam o mais fidedignas possível. • Antes de começar a preencher, faça uma explicação cuidadosa do questionário. Se for necessário, leia as questões coletivamente e deixe um tempo para os alunos irem respondendo. • Deve-se prestar atenção quando é permitido inserir mais de uma resposta (Múltipla escolha) ou quando se deve incluir uma única resposta. • • • Não é necessário nem indicado inserir o nome do entrevistado no questionário. Este trabalho de pesquisa pode ser considerado uma atividade pedagógica relacionada à Língua Portuguesa e também às áreas de Ciências Humanas e Matemática. Trata-se de um trabalho de utilização da língua escrita e também de pesquisa social. Este é um trabalho de todos (professores, alunos, gestão e comunidade) na busca da construção de uma escola de EJA para todos. Escola: Município: PERFIL CAPACIDADE DE LEITURA? VOCÊ DIRIA QUE: 01 Estou trabalhando (contratado por empresa). 02 Sou autônomo/trabalho por conta própria. 01 Não sabe ler 03 Estou desempregado. 02 Lê com grande dificuldade 04 Estou aposentado. 03 Lê com alguma dificuldade 05 Sou dona de casa. 04 Não tem nenhuma dificuldade para ler 06 Trabalho em atividade extrativista. 05 Não sabe avaliar 07 Sou produtor rural. 08 Outra situação (vive de renda, recebe pensão, é inválido etc.). 09 Estou procurando emprego. (Marque apenas uma resposta) 10 Não trabalho e não estou procurando emprego. 01 Não sabe escrever 02 Escreve com grande dificuldade 03 Escreve com alguma dificuldade 04 Não tem nenhuma dificuldade para escrever 05 Não sabe avaliar (Marque apenas uma resposta) P.23) DE MANEIRA GERAL, COMO VOCÊ AVALIA A SUA CAPACIDADE DE ESCRITA? VOCÊ DIRIA QUE: P.08) QUANTAS HORAS POR DIA VOCÊ TRABALHA? (Marque apenas uma resposta) P.01) SEXO (Marque apenas uma resposta) 01 Masculino 02 01 Feminino 01 Branca 03 Parda Preta 04 Amarela 05 horas por dia 01 Zona rural 03 Comunidade indígena 02 Zona urbana 04 Comunidade quilombola P.24) DE MANEIRA GERAL, COMO VOCÊ AVALIA A SUA CAPACIDADE DE FAZER CONTAS? VOCÊ DIRIA QUE : (Marque apenas uma resposta) P.10) SE VOCÊ TRABALHA OU JÁ TRABALHOU, COM QUE IDADE P.04) SUA CASA ESTÁ LOCALIZADA EM: (Marque apenas uma resposta) P.05) ESTADO CIVIL VOCÊ COMEÇOU? (Marque apenas uma resposta) 01 Não sabe fazer contas 01 Antes dos 14 anos 02 Faz contas com grande dificuldade 02 Entre 14 e 16 anos 03 Faz contas com alguma dificuldade 03 Entre 17 e 18 anos 04 Não tem nenhuma dificuldade para fazer contas 04 Após 18 anos 05 Não sabe avaliar P.25) UTILIZA O COMPUTADOR, AINDA QUE DE VEZ EM P.11) QUAL CARGO/PROFISSÃO/ATIVIDADE PROFISSIONAL 01 Casado 03 Divorciado/separado VOCÊ EXERCE ATUALMENTE? QUANDO (INCLUSIVE NO CELULAR)? (Marque apenas uma resposta) 02 Solteiro 04 Viúvo 01 Não trabalho atualmente 01 Sim 02 Que tipo de trabalho você faz? 02 Não P.06) FILHOS? 01 Não tenho filhos. 02 » PULE PARA PERGUNTA 29 Tenho filhos. Quantos? 1 32 Trabalho dia(s) Indígena P.03) IDADE |___|___| anos. 13051-questionario_alunos_AF3.indd 1 02 P.09) QUANTOS DIAS POR SEMANA VOCÊ TRABALHA? P.02) RAÇA/COR (Marque apenas uma resposta) 02 Não trabalho 6 2 Partes do instrumento de pesquisa. 6/7/13 9:41 AM 13051-questionario_alunos_AF3.indd 2 6/7/13 9:41 AM 13051-questionario_alunos_AF3.indd 6 6/7/13 9:41 AM Fotos: Michele Escoura Aplicação da pesquisa de perfil em Itabira. Set. 2013. 33 pelo cuidado da família, se afastaram gradualmente da escola. Dados tais contextos locais, os resultados da pesquisa puderam também ser incorporados às discussões que, posteriormente, foram feitas na formação referente a relações de gênero. Outro dado muito importante levantado pela pesquisa foi a constatação de que os estudantes da EJA nos dois municípios são pessoas envolvidas no mundo do trabalho. Dos estudantes da EJA em Itabira, 69% das mulheres e 59% dos homens começaram a trabalhar antes mesmo dos 16 anos; em São Gonçalo do Rio Abaixo, foram 66% delas e 79% deles. Tais dados reforçaram ainda mais a orientação do projeto em garantir ao tema do mundo do trabalho grande presença na reorganização curricular. A sugestão foi que os professores aproveitassem os conhecimentos de seus alunos no universo do trabalho para a organização de suas aulas. Além dos dados sobre o perfil geral, levantamos também questões sobre as motivações e dificuldades dos estudantes. Nosso objetivo era identificar quais elementos na implementação da política de EJA nos municípios poderiam ser ainda mais aprimorados para se combater os recorrentes índices de evasão na modalidade. Das motivações e das dificuldades dos estudantes da EJA para estar na escola, indicamos a cada gestora municipal um conjunto de recomendações não só de alterações curriculares (pedagógicas e de organização escolar), mas também de investimentos em infraestrutura e ações articuladas com outros serviços públicos (como serviços de transporte e de inserção profissional). Por fim, dada a preponderância da população negra nas duas redes de ensino, apresentou-se como primordial um cuidado especial com os temas relacionados à diversidade e à desigualdade racial. Com a possibilidade de se apoiar ainda mais na Lei que estabelece o ensino obrigatório da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da educação (Lei 10.639/03), intensificamos o trabalho nessa área e apoiamos as redes de ensino com uma formação específica sobre relações raciais. Ao final de todas as tabulações e análises dos dados, os resultados e as recomendações foram levados para reuniões com a secretaria municipal de educação de cada um dos municípios e fundamentou conversas também com gestores e professores nas formações. Evento público: “Diálogos com a EJA” A segunda estratégia de levantamento de demandas foi a realização de um evento público em cada município. Os estudantes, professores, gestores escolares, secretárias de educação, prefeitos e toda a população foram mobilizados para participar de um debate público sobre a EJA no município: as questões, as dificuldades e as demandas. Cada município ficou responsável pela ampla divulgação do evento e a Fundação Vale, em articulação com as operações locais da Vale, organizou o ambiente do debate. Em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo, os eventos ocorreram em anfiteatros abertos ao público e contaram com apresentação das instituições que compunham o projeto; exposição de dados levantados na fase de mapeamento estatístico nos municípios e na pesquisa de perfil dos estudantes; apresentação de atividades pedagógicas e atrações 34 Foto: Michele Escoura artísticas dos estudantes da EJA e, principalmente, com uma conversa entre o público e a equipe do projeto sobre os contornos da EJA atual e as demandas necessárias para aprimorá-la. A maior parte do público em Itabira foi composto pelos próprios estudantes da EJA. Por isso, a interlocução sobre as demandas locais ficou restrita ao olhar daqueles que já estão na rede de ensino, e pudemos levantar poucas questões sobre como aumentar o interesse dos 40% da população que poderia estar na EJA e não está. Já em São Gonçalo do Rio Abaixo, o evento atingiu um público mais diversificado e conseguiu trazer questões importantes sobre as necessidades de quem poderia estar na EJA. Além disso, o evento ganhou bastante evidência local ao trazer para o debate o prefeito e o vice-prefeito do município. Entre todos os ganhos importantes para o projeto de reorganização curricular, destacamos o papel político do evento público: para além do aprofundamento das discussões sobre as necessidades locais para a EJA, o evento possibilitou que a modalidade fosse colocada em foco, que se assumisse publicamente nos municípios o compromisso com a educação de adultos e, principalmente, que a população local pudesse ter voz e participação nas escolhas políticas dali decorrentes. Foi o momento da EJA e seus sujeitos (ou potenciais sujeitos) ganharem centralidade frente aos gestores públicos municipais e reivindicarem seu espaço. Evento público “Diálogos com a EJA” em Itabira. Nov. 2013. 35 Fotos: Michele Escoura Evento público “Diálogos com a EJA” em Itabira. Nov. 2013. 36 Fotos: Michele Escoura Evento público “Diálogos com a EJA” em São Gonçalo do Rio Abaixo. Nov. 2013. 37 Fotos: Michele Escoura Evento público “Diálogos com a EJA” em São Gonçalo do Rio Abaixo. Nov. 2013. 38 Evento público “Diálogos com a EJA” em São Gonçalo do Rio Abaixo. Nov. 2013. 39 Unindo esforços Trabalho em conjunto Desde o início das atividades, cada passo tomado na execução do projeto foi realizado a partir de muita interlocução e negociação. Sendo realizado por diferentes instituições e redes de ensino, e ainda contando com uma extensa equipe interna, o projeto demandou um trabalho conjunto e articulado para que as diferentes perspectivas e interesses pudessem se alinhar em busca do objetivo comum: a reorganização curricular. Ao todo, envolvemos uma equipe externa aos municípios com a participação de: •• coordenações das instituições parceiras; •• coordenações pedagógicas; •• formadoras de temas e áreas; •• elaboradores de conteúdo para as publicações; •• especialista e EAD para Moodle; •• assessoria financeira; •• equipe editorial (revisora, diagramadora e gráfica); •• consultoria em estatística para análise de dados; •• especialista em avaliação de letramento e numeramento; •• pesquisadora de campo; •• aplicadores de questionários. Formações presenciais por temas e áreas de conhecimentos Ao longo dos dois anos de projeto, contamos com uma equipe de profissionais que acompanharam o processo formativo dos professores, tanto de forma presencial quanto a distância. Como acontece na grande maioria dos municípios brasileiros, os professores que atuavam na educação de jovens e adultos nos dois municípios do projeto não eram docentes exclusivos da modalidade e não contavam com formação inicial específica para EJA. Assim, uma estratégia utilizada para mobilizar o corpo docente dos municípios na reorganização curricular foi criar um processo de formação de temas e áreas de conhecimentos conectados à EJA. No primeiro ano e início do segundo ano, o ciclo básico de formações envolveu todos os professores de EJA das redes de ensino. Todos juntos, independentemente de suas 41 áreas específicas de atuação, os educadores discutiram e aprofundaram os conhecimentos sobre os fundamentos de uma educação específica para sujeitos jovens e adultos; o letramento e o numeramento, como perspectivas de um aprendizado de linguagens e de matemática baseado nas práticas sociais dos sujeitos; as Ciências Naturais, vistas a partir de uma perspectiva do letramento científico e sua relação com experiências concretas, e as Ciências Humanas como um campo de afirmação dos direitos dos jovens e adultos à educação. Ao final de cada módulo de formação de área, os docentes também desenvolveram atividades propostas pelos formadores, de modo que a conexão entre as discussões temáticas eram transpostas para atividades práticas, acompanhadas a distância por meio da plataforma Moodle. Além disso, o grupo formado pelos docentes compôs também as formações sobre os temas de diversidade de sujeitos da EJA: o mundo do trabalho foi destacado pela formação de Educação Profissional; a diversidade geracional na formação de Juventude na EJA e as desigualdades de gênero e raça, nas formações de Relações de Gênero e de Relações Étnico-Raciais. No segundo ano de trabalho, os professores se dividiram em cinco grupos a partir de suas áreas específicas de conhecimento (linguagens, matemática, ciências naturais e ciências humanas) e alfabetização. Nessa etapa do projeto, a cada ida da equipe de formadores à Itabira e a São Gonçalo do Rio Abaixo, os cinco grupos desenvolviam a pauta a partir dos prismas específicos das áreas. Os objetivos do trabalho desenvolvido foram: •• estabelecer os fundamentos gerais de EJA para cada uma das áreas; •• identificar, nas práticas dos docentes, os princípios firmados e, ao mesmo tempo; •• propor novas práticas para sua atuação em sala de aula. Desse ciclo específico de formações, um conjunto de materiais e sequências didáticas foram produzidos pelos próprios professores que, com o acompanhamento dos formadores, iniciaram a reorganização curricular a partir de suas práticas cotidianas. A seguir, listamos os principais pontos de discussão trazidos pelas diferentes formações. Fundamentos da EJA •• O que são Necessidades Básicas de Aprendizagem? •• Propostas para a educação de pessoas jovens e adultas a partir de diagnósticos de necessidades básicas de aprendizagem singulares •• Compreendendo as necessidades específicas de grupos e realidades locais •• Relação entre a escola e a comunidade •• Gestão escolar que inclui a EJA •• Relação entre professor e aluno como base para o processo pedagógico •• Processo de ensino e aprendizagem voltado ao direito à educação dos sujeitos da EJA •• Currículo específico para pessoas jovens e adultas •• Formação de um corpo docente específico para EJA •• Repensando processos de avaliação 42 Fotos: Carolina Moraes Formação em Fundamentos da EJA em Itabira. Jul. 2013. Material de formação em Letramento. Jul. 2013. 43 Letramento •• Multiletramentos e multiculturalismo na sala de EJA •• As práticas sociais de leitura/escrita e o conceito de letramento: por que leitura Fotos: Michele Escoura e escrita devem ser compromisso de todas as áreas? •• Gêneros do discurso relacionados a seus contextos de produção •• Gêneros de texto e letramento •• Desenvolvendo capacidades de leitura Formação em Letramento em Itabira. Maio. 2014. 44 Numeramento •• Ensinar e aprender matemática •• Quem tem medo de matemática? •• Lembranças das aulas de matemática •• Mundo atual – exigências educativas •• Instrumentos de pesquisa para produzir conhecimento •• Desenvolvimento do pensamento e do raciocínio lógico •• Numeramento e convergências entre as diferentes áreas •• A matemática nas práticas sociais cotidianas de pessoas jovens e adultas Ciências Naturais •• A área de ciências e o letramento •• Alfabetização ou letramento científico •• Reorganização curricular das Ciências Naturais na EJA •• Natureza da ciência •• Linguagem científica •• Aspectos sociocientíficos •• Investigação e sistematização Ciências Humanas •• EJA e direitos humanos •• O significado dos direitos humanos para os sujeitos da EJA •• Sujeitos da EJA e seus lugares sociais •• O ensino da área de ciências humanas a partir dos sujeitos •• Articulação entre os fundamentos da EJA e as ciências humanas •• Processos históricos e geográficos locais no currículo de EJA •• Contextualização, seleção de conteúdos e avaliação em ciências humanas Educação profissional •• Reflexão acerca da concepção de formação profissional •• O que entendemos sobre Educação Profissional Social e como podemos viabilizá-la? •• Como articular a EJA e a educação profissional? •• Análise do catálogo de Educação Profissional de Ensino Técnico e GUIA FIC •• O que é um Catálogo de Educação Profissional Social e suas possibilidades de execução •• Indicação por parte do grupo de eixos tecnológicos que possam ser abordados para uma proposta de formação dos sujeitos da EJA 45 Fotos: Michele Escoura Formação em Ciências Naturais em Itabira. Fev. 2014. Formação em Numeramento em São Gonçalo do Rio Abaixo. Ago. 2013. 46 Fotos: Michele Escoura Formação em Ciências Humanas em Itabira. Maio. 2014. Formação em Numeramento em Itabira. Fev. 2014. 47 Foto: Carolina Moraes Formação em Numeramento em São Gonçalo do Rio Abaixo. Ago. 2013. Foto: Michele Escoura Foto: Michele Escoura Formação do grupo de 1o Segmento em Itabira. Maio. 2014. Formação em Numeramento em Itabira. Fev. 2014. 48 Juventude •• Juventude e Juventudes: levantamento das percepções dos professores acerca da presença dos/das jovens na EJA •• Exposição dialogada sobre a condição juvenil e a situação dos/as jovens brasileiros/as (e da localidade) •• Problematizando as representações sobre os jovens •• Problematizando os sinais que os jovens, por meio de suas expressões, particularmente culturais, narram e relatam sobre um cotidiano e uma experiência marcados por contradições e desigualdades •• Discussão: “Por que os jovens incomodam?”: os descompassos e desafios que permeiam a relação dos/das jovens estudantes com a escola Relações de Gênero •• Diferenças e diferenciações •• O que é gênero? •• Variedade humana •• Feminização do magistério •• Diferenças e desigualdades •• Desigualdades em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo •• Violência de gênero •• Gênero e educação •• Gênero e EJA •• Como podemos ajudar? Relações Étnico-raciais •• Relações raciais no Brasil: o fio da memória •• Raça, etnia, racismo... do que se trata? •• Racismo, preconceito e discriminação racial •• Eu quero ver quando Zumbi chegar •• Quilombos, quilombolas... Valeu Zumbi! •• Quilombos em Minas Gerais •• Fim da escravidão oficial... ou Pra que discutir com madame? •• Relações raciais no Brasil após 1888 •• Educação e relações raciais •• Diversidade e Direito à Educação •• Mas o que são ações afirmativas? •• EJA e Relações raciais •• Fundamentos da EJA e pedagogia antirracista •• A Juventude negra em Itabira ... as mulheres negras em São Gonçalo do Rio Abaixo •• Enfrentando o racismo na EJA em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo •• Novos campos: laicidade e intolerância religiosa 49 Fotos: Michele Escoura Formação em Letramento em São Gonçalo do Rio Abaixo. Fev. 2014. 50 Formações específicas por áreas de conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ciências Naturais e Alfabetização) •• Estabelecendo os pressupostos por área •• Identificar o grau de apropriação dos pressupostos da EJA por parte dos professores, suas práticas e desafios frente ao processo de ensino e aprendizagem dos jovens e adultos •• Acompanhamento presencial nas salas de aulas •• Organização dos eixos temáticos por área de conhecimento, considerando os fundamentos trabalhados nas formações anteriores •• Transposição dos pressupostos para a ação educativa: produção de sequências didáticas e acompanhamento pedagógico Paralelamente às formações com professores da EJA, um processo formativo específico foi firmado com a equipe gestora de ambos os municípios do projeto. Questões relativas à organização da estrutura e do espaço escolar, à inclusão da EJA no Projeto Político Pedagógico e às novas abordagens pedagógicas específicas para a EJA foram fundamentais para a pactuação de que a educação de jovens e adultos precisa ganhar novos fôlegos que possam emancipá-la da relação direta com a educação regular. Os principais temas apontados pelas formações com gestores são descritos a seguir. Gestão •• Diagnóstico (socioeconômico e de aprendizagem) •• Caracterização do cenário e da trajetória dos sujeitos envolvidos na ação educativa •• Princípios e bases da gestão democrática •• Em que as experiências e discussões poderiam inspirar seu trabalho na escola? •• Premissas para inclusão da EJA no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola •• Temas para formação dos professores da EJA •• Adequação de espaço e rotina da unidade escolar •• Participação da comunidade •• Abordagem curricular da EJA •• Demandas e papéis dos gestores na inclusão da EJA no PPP (direção/vice, coordenação pedagógica e de projetos – se houver) •• Valorização e divulgação dos conhecimentos dos alunos da EJA 51 E, por fim, embora tivéssemos a garantia de encontros mensais entre os profissionais das redes de ensino e os formadores do projeto, a plataforma Moodle foi acionada também para a interlocução a distância. Assim, no início de nosso processo formativo, uma conversa específica sobre o ambiente virtual e o funcionamento da plataforma foi feita, tanto com professores como gestores locais. Nessa formação sobre a plataforma Moodle, a profissional especializada no ensino a distância proporcionou o suporte inicial para a utilização do ambiente virtual. Moodle •• Apresentação do ambiente Moodle •• Navegando pelas pastas e cursos de áreas •• Bate-papo com o formador •• Espaços de discussões temáticas •• Materiais de referência para as formações 52 Diálogo pelo Moodle A plataforma em ambiente Moodle foi criada com o objetivo de servir como um canal de comunicação entre os formadores e os professores e gestores escolares. A ideia era fazer do ambiente virtual uma extensão do espaço formativo, onde atividades, experiências, dúvidas ou sugestões pudessem ser trocadas. Como o acesso à plataforma não era obrigatório, a tentativa dos formadores foi em fazer do ambiente virtual um espaço continuado das formações presenciais. Assim, durante as formações presenciais, as atividades eram apresentadas aos professores e nas reuniões se estabeleciam os combinados de que as devolutivas deveriam ser socializadas pela plataforma. Além disso, a cada nova postagem no Moodle, todos os professores, gestores e formadores cadastrados recebiam notificações em seus e-mails pessoais, de modo a se inteirarem das novidades e se motivarem a participar da discussão on-line. No primeiro ano de atividades, após uma oficina específica para os educadores experimentarem a ferramenta virtual, a plataforma atingiu seu maior nível de utilização após a atividade de “Mapeamento das Experiências”, proposta pela formadora de Fundamentos da EJA. Imagem: aparência do ambiente virtual. 53 Com a proposta de que cada professor revelasse uma experiência de interação da sua história com a geografia da cidade, a atividade provocou grande mobilização e uma imensa quantidade de relatos. O mapa da cidade foi coberto de experiências pessoais dos professores e gestores e, ao mesmo tempo, todo o grupo de formação experimentou um momento de muito envolvimento pessoal. Dos relatos, montamos um mapa interativos dos dois municípios onde todos podiam navegar pelas histórias uns dos outros2. Embora no primeiro ano, a utilização da plataforma tenha sido intensa durante a realização da atividade de mapeamento de experiências, no segundo ano de atividades, o envolvimento no ambiente virtual se arrefeceu e o Moodle não conseguiu mais se firmar como um meio de interação entre os professores e os formadores. Por mais que os formadores continuassem levando atividades para o ambiente virtual, foram poucas as respostas dos professores. Desse cenário, duas considerações podem ser levantadas para explicar a queda de interação a distância. Em primeiro lugar, percebemos que o envolvimento dos educadores com o ambiente virtual estava muito relacionado ao conteúdo específico da atividade proposta: enquanto eles se engajaram nas atividades que estavam baseadas em relatos de experiências pessoais, as atividades em que era sugerida a produção de conteúdos para as áreas de conhecimento das formações pareceram menos atrativas. Os comentários das postagens na atividade de “memórias” indicavam um clima de interatividade pessoal tal qual encontramos em redes sociais e, talvez por isso, a plataforma Moodle tenha se tornado mais interessante. Em contrapartida, as atividades que exigiam um esforço maior de reflexão e trabalho sobre os conteúdos das formações, propostas a partir do segundo ano de trabalho, não criaram o engajamento que esperávamos. Em segundo lugar, a virada de ano letivo e a entrada de novos professores e gestores no grupo de formações quebrou parte do vínculo estabelecido pelo grupo no ano anterior. A ruptura pode ter sido ainda agravada devido a dificuldades técnicas da plataforma, que, no segundo ano, passou por reconfigurações de servidores e suspensões temporárias. As dificuldades de operacionalização, as mudanças no grupo e as atividades menos voltadas aos relatos pessoais, em nossa avaliação, podem ter sido as principais causas, assim, para a dificuldade de comunicação pelo ambiente virtual no segundo ano. Em algumas escolas havia também um acesso limitado à internet. Dessa experiência com o uso de ferramentas virtuais para a comunicação a distância, tivemos os seguintes aprendizados: oficinas específicas para o aprendizado sobre a ferramenta são importantes para facilitar o uso de plataformas; quanto mais próximas as atividades a distância estiverem da lógica de interação de redes sociais, mais chances há de engajamento dos interlocutores; em casos de plataformas de formação em que o acesso não é obrigatório, é mais seguro priorizar a produção de conteúdos e atividades que demandam maior esforço de reflexão e criação em encontros presenciais e fazer do Moodle um espaço mais de divulgação dos resultados. 2 O mapa pode ser acessado no endereço: http://goo.gl/0257xs. 54 Mapeamento de experiências em Itabira. Mapeamento de experiências em São Gonçalo do Rio Abaixo. 55 Fotos: Michele Escoura Aplicação da pesquisa de perfil da EJA em Itabira. Set. 2013. Jovens estudantes da EJA em aula, São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. Publicações Muito esforço de produção de materiais foi dispendido nesse processo, acreditando que toda a produção de conhecimento pode ser potencializada caso seja registrada e possibilitada a sua ampla divulgação. Assim, as atividades de execução do projeto contaram sempre com um apoio editorial e equipes responsáveis em produzir materiais de apoio: cadernos de formações com textos introdutórios, textos de referências e propostas de atividades; análises sobre as pesquisas e avaliações realizadas no processo e as publicações finais de culminância da reorganização curricular em cada município, além deste volume de registro das memórias. Abaixo, o conjunto final de publicações: •• Caderno Didático – Fundamentos da EJA •• Caderno Didático – Letramento •• Caderno Didático – Numeramento •• Caderno Didático – Ciências Naturais •• Caderno Didático – Ciências Humanas •• Caderno Didático – Educação profissional •• Caderno Didático – Juventude •• Caderno Didático – Relações de Gênero •• Caderno Didático – Relações Étnico Raciais •• Pesquisa com perfil da EJA em Itabira •• Pesquisa com perfil da EJA em São Gonçalo do Rio Abaixo •• Reorganização Curricular Itabira com Avaliação de Aprendizagens e sequências didáticas produzidas pelos professores •• Reorganização Curricular São Gonçalo do Rio Abaixo com Avaliação de Aprendizagens e sequências didáticas produzidas pelos professores •• Livro de memórias 57 Fotos: Michele Escoura São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. Interior de igreja em São Gonçalo do Rio Abaixo. Set. 2013. Uma outra EJA é possível? Princípios curriculares Construir uma proposta de Educação de Jovens e Adultos à altura dos desafios atuais da modalidade exige das redes municipais de ensino o aprofundamento do conhecimento acerca das características de cada localidade, dos grupos que ali residem e das relações estabelecidas entre a comunidade, a escola, a cultura, a oferta e a demanda de EJA. Exige também que os pressupostos dessa nova proposta estejam em consonância com os princípios que inspiraram a política pública da EJA no Brasil. Assim, para construir o processo de reorganização curricular de EJA em Itabira e em São Gonçalo do Rio abaixo, foi necessário também desenvolver junto à comunidade escolar das localidades um processo de diálogo entre as práticas instituídas, os marcos conceituais e legais da EJA no país e as especificidades locais. Desse modo, após todo o processo de trabalho de levantamento de dados, mapeamento de demandas e formações temáticas e de áreas, cada município elegeu os fundamentos que, a partir de então, seriam os pilares de sustentação da Educação de Jovens e Adultos. A seguir, estão elencados os princípios eleitos para fundamentar a EJA nos municípios. Assegurar a equidade educativa: •• considerar a diversidade de percursos escolares dos jovens e adultos; •• identificar jovens, adultos e idosos como sujeitos de aprendizagem e portadores de conhecimentos válidos; •• adotar uma perspectiva contextualizada para a organização do ensino e seleção de conteúdos; •• abordar temas relevantes para as pessoas jovens e adultas das comunidades atendidas; •• identificar a EJA como espaço de relações intergeracionais e de diálogo entre saberes, preparando-se para acolher estudantes jovens, adultos e idosos. Considerar o mundo do trabalho como temática prioritária: •• aprofundar o conhecimento relativo ao universo e às relações de trabalho na história da humanidade e suas peculiaridades locais; 59 •• acolher as biografias e o histórico profissional na organização dos conteúdos curriculares; •• ampliar as oportunidades de realização de vocações e projetos profissionais dos alunos e alunas; •• ampliar o conhecimento acerca do mercado de trabalho, sua dinâmica e funcionamento. Garantir a qualidade da aprendizagem dos adultos: •• satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem dos alunos e alunas; •• construir processo de formação inicial e continuada específico para educadores e gestores da EJA; •• considerar os diferentes procedimentos adotados pelos estudantes na solução de situações-problema; •• elaborar e adotar materiais didáticos específicos para jovens e adultos; •• construir processos contínuos de avaliação de aprendizagem e de atendimento a demandas por apoio individual; •• adequar equipamentos, espaço físico e rotina escolar às necessidades dos jovens e adultos. Abordar temas significativos para o universo juvenil e adulto: •• meio ambiente, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável; •• tendências atuais do mundo do trabalho; •• cidadania e participação; •• relações étnico-raciais; •• relações de gênero e direitos da mulher; •• meios de informação e comunicação; •• cidadania e participação. Considerar o direito humano à educação: •• oferecer educação a pessoas privadas de liberdade; •• eliminar as barreiras físicas, atitudinais e pedagógicas para atendimento a alunos com deficiências físicas ou transtornos globais do desenvolvimento; •• promover aprendizagens que permitam aos jovens e adultos a participação plena na sociedade. A EJA no Projeto Político Pedagógico da escola Tendo claros os princípios norteadores da EJA, o passo seguinte foi a inclusão da modalidade e suas especificidades nos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) das unidades escolares de cada município. 60 O PPP é uma ferramenta gerencial que auxilia a escola na definição de prioridades estratégicas para alcançar as metas de aprendizagem e orienta a organização da unidade escolar. Mas, para além de um instrumento de gestão escolar, a revisão (ou construção) de um Projeto Político Pedagógico pode se transformar em um espaço de ampla discussão e participação de toda a comunidade escolar para que a identidade e as metas de uma escola sejam definidas. Iniciar um processo de construção de PPP a partir de uma gestão democrática significa incluir toda a comunidade escolar no processo de decisão das metas, estratégias e avaliações sobre a unidade escolar. Professores, funcionários, gestores, estudantes e comunidade podem se tornar parceiros nesse momento criativo e qualificar ainda mais as estratégias que uma escola poderá adotar para suprir suas demandas. Assim, partindo-se de uma experiência participativa de construção de PPP, cada comunidade escolar pode se apropriar também das vozes e demandas específicas dos seus estudantes jovens e adultos e garantir que a EJA seja assumida como modalidade constituidora da escola. Retirar a EJA da sua condição comum de “inquilina” das escolas é uma das grandes lutas que pode ser travada na produção de um Projeto Político Pedagógico para se garantir à modalidade a especificidade que seus sujeitos impõem ao processo de aprendizagem. Desse modo, ao incluir a EJA em seu Projeto Politico Pedagógico, a escola acolhe a diversidade etária, de sujeitos, vivências, culturas, histórias de vida, percursos e experiências escolares como expressões de sua identidade e a equidade como realidade. Dentre as discussões sobre a inclusão da EJA nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo, alguns compromissos de modificações na estrutura foram assumidos pela comunidade escolar e outros desafios foram levantados como necessidades de implementação de novas políticas públicas. Se, por um lado, a demanda por concursos de profissionais efetivos e exclusivos para a EJA pode ser destacada como uma necessidade que extrapola os muros da escola, por outro lado, ações dentro do ambiente escolar surgiram como metas para garantir qualidade à educação de pessoas jovens e adultas, como: •• continuidade de formações específicas para os professores da EJA. •• realização e atualização de pesquisas e estudos sobre a modalidade para acompanhamento da demanda; •• definição das bases teóricas do processo, com revisão e dinamização contínua da pratica pedagógica à luz dos fundamentos e das diretrizes do currículo, da metodologia, da avaliação, dos conteúdos, das bases da organização escolar, do regimento, dos mecanismos de participação, do ambiente e do clima institucional, das relações humanas, dos cronogramas de estudos e de reuniões etc; •• atualização constante do pessoal docente e técnico (funcionários de todos os setores: secretaria, biblioteca, merenda), inserida num processo de formação continuada; •• valorização e centralização dos conhecimentos dos sujeitos da EJA no processo de aprendizagem; •• garantir e desenvolver materiais específicos para a modalidade; 61 •• ampliar a oferta de textos e acervo da biblioteca condizentes com o universo juvenil e adulto; •• oferecer mobiliário escolar específico e adequado para a educação de jovens e adultos; •• maior oferta de transporte escolar; •• flexibilização dos horários de entrada e saída da escola. Sequências didáticas E, finalmente, após todo o processo de reorganização curricular da EJA, um novo conjunto de materiais foi produzido pelos próprios professores a partir das formações nas diferentes áreas de conhecimento. Ao todo, oito sequências didáticas tornaram-se a materialização do processo de aprendizagem que os professores trilharam nos dois anos de atividades em Minas Gerais e, a partir de agora, poderão subsidiar as ações educativas em cada uma das salas de aula pelas quais passamos em Itabira e em São Gonçalo do Rio Abaixo. Elas fazem parte do caderno de proposta de organização curricular para os municípios de Itabira e de São Gonçalo do Rio Abaixo e foram produzidas como síntese do trabalho realizado ao longo de dois anos. 62 A área de Educação da Fundação Vale busca contribuir para a melhoria da educação básica, com foco na promoção de uma prática docente pautada nos princípios da pluralidade Fundação Vale cultural e do respeito às diferenças. Ação Educativa Conselho Curador Presidente Vania Somavila Conselheiros Luiz Eduardo Lopes Marconi Vianna Zenaldo Oliveira Antonio Padovezi Alberto Ninio Ricardo Mendes Luiz Fernando Landeiro Luiz Mello Diretoria Maria Machado Malta Campos Luciana Guimarães Michele Prazeres Coordenação Geral Vera Masagão Ribeiro Coordenação da Unidade de EJA Roberto Catelli Jr. Concepção e texto Ednéia Gonçalves Conselho Fiscal Michele Escoura Presidente Murilo Muller Roberto Catelli Jr. Conselheiros Cleber Santiago Benjamin Moro Felipe Peres Lino Barbosa Vera Schneider Fernanda Bottallo Conselho Consultivo Presidente Murilo Ferreira (CEO Vale) Conselheiros Danilo Santos da Miranda (Diretor do SESC SP) Dom Flávio Giovenale (Bispo de Abaetetuba) Luis Phelipe Andrés (Conselheiro do IPHAN) Paula Porta Santos (Historiadora e Doutora pela USP) Paulo Niemeyer Filho (Chefe do Centro de Neurologia Paulo Niemeyer) Silvio Meira (Presidente do Conselho Administrativo do Porto Digital) Diretora Presidente Isis Pagy Diretor Executivo Luiz Gustavo Gouveia Gerência Geral de Relações Intersetoriais Andreia Rabetim Gerência de Educação Maria Alice Santos Andreia Prestes Anna Cláudia D´Andrea Carla Vimercate Mariana Pedroza Produção Editorial Projeto gráfico e diagramação Aeroestúdio