Cooperação Descentralizada Portugal-África os Municípios Portugueses Realidades e Fantasias; Cooperação e Desenvolvimento. Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto Desenvolvimento Económico-Social e Cooperação Cooperação descentralizada Versão 1.3 Julho 2008 UM POUCO DE HISTÓRIA 1. Este projecto sobre a Cooperação Descentralizada dos Municípios Portugueses nasceu no âmbito da linha de investigação “Desenvolvimento Económico-Social e Cooperação”, conjuntamente com outros projectos. Cremos que o seu surgimento resultou da conjugação de três factores: (1) o facto de alguns dos quadros dessa linha de investigação estarem em termos académicos e profissionais associados à actividade das Câmaras Municipais nas relações com outros países, nomeadamente africanos; (2) a consciência da importância que a Cooperação Descentralizada pode assumir para Portugal e para os países africanos, aliada a uma apreciação espontânea de que se está longe de aproveitar as suas potencialidades; (3) o reconhecimento de que a colaboração entre as instituições académicas e as Câmaras Municipais pode ser mutuamente vantajosa, mas que será necessário ter um conhecimento mais objectivo, mais científico, da sua realidade. 2. Atendendo ao número de investigadores de que dispomos, ao tempo disponível destes, aos recursos financeiros possíveis e à imensidade de tarefas que se nos colocava tivemos que ser muito rigorosos na delimitação do trabalho a desenvolver, e mesmo assim com prejuízo do tempo de lazer dos investigadores e de outros compromissos. Significa isto que deixámos propositadamente de lado uma série de enquadramentos, de dinâmicas, de áreas de estudo, seguindo a máxima de que “o óptimo é inimigo do bom”. Procedeu-se, pois, a três restrições, a saber: a) Embora a cooperação bilateral ou multilateral tenha sempre diversos pólos da relação, havendo no nosso caso sempre alguns situados em Portugal e outros em África, provavelmente nos PALOP, o nosso estudo incidiria apenas sobre a realidade portuguesa. Por isso afirmávamos em documento anterior: A cooperação entre os municípios portugueses e os seus congéneres em África, essencialmente nos PALOP, aconselharia um estudo decomposto em duas vertentes: análise do que se tem passado em Portugal, e o que se tem passado nos PALOP. Não temos condições para encarar estas duas dimensões da cooperação descentralizada, pelo que nos centramos na componente portuguesa 1 , o que passamos a descrever de seguida. 1 Podemos englobar nos inquéritos uma pergunta que permita aos municípios portugueses que tenham cooperação com instituições africanas darem uma opinião sobre o impacto que consideram que teve no destino, mas é preciso perceber que é uma pergunta deslocada do cerne das problemáticas a tratar (ou b) Um estudo do tipo que nos propomos fazer – e que especificaremos mais de seguida – exige uma prévia sensibilização do poder local para o tipo de trabalho a realizar e para as consequências que ele pode ter para as próprias Câmaras Municipais. É muito diferente partir para o lançamento de inquéritos sem uma prévia realização de contactos com a Câmaras, sem a criação de núcleos pilotos que possam servir de modelo para o trabalho futuro, sem a explicitação da grande diferença que pode existir entre o que hoje se realiza e o que é possível fazer, desde que haja o envolvimento da União Europeia e uma outra concepção da cooperação descentralizada. Porque não estávamos em condições de promover esse trabalho prévio centrámo-nos sobre o estudo. Deixámos, assim, de lado contactos prévios com as Câmaras para uma mais correcta percepção das metodologias de estudo a adoptar; a criação de núcleos dinamizadores e a realização de reuniões de trabalhos de lançamento de ideias; acções de formação 2 mostrando as potencialidades existentes. c) Sabemos, e referimos abundantemente nas nossas reuniões, que um estudo científico como o que aqui propomos é uma arma poderosa para a construção de uma cooperação descentralizada dos municípios portugueses mais importante, quantitativa e qualitativamente, mais eficaz em promover o desenvolvimento – atribuindo a este termos um significado preciso –, a melhoria das condições de vida, uma cidadania mundial e intercultural. Por isso englobamos, com alguma ênfase e a divulgação dos resultados do estudo. Contudo esse impacto será certamente maior se houver o trabalho de sensibilização a que nos referimos anteriormente, se for possível encadear os resultados do estudo com acções de formação, com o lançamento de projectos-piloto envolvendo municípios portugueses, ou associações de municípios, e instituições locais africanas. 3. A colaboração entre o CEAUP e o Instituto Marquês de Valle Flor, assim como o eventual envolvimento, desde o primeiro momento, de outras instituições – nomeadamente municípios, como referimos anteriormente –, abrem outras perspectivas de trabalho. Permitem-nos conceber um programa de acção mais vasto, elaborar um todo mais corrente. Por isso é com entusiasmo que estamos disponíveis para participar em todo esse trabalho, colaborando desde a fase de sensibilização, à implementação das consequências resultantes do estudo. Por isso estamos disponíveis para articular os resultados do nosso estudo com os que eventualmente resultem de uma consulta dos organismos locais africanos com os quais os municípios portugueses fizeram cooperação descentralizada. Estamos entusiasmados e disponíveis para todo esse trabalho, mas temos de ter consciência das nossas limitações e não perdermos o essencial de vista. Esse essencial é a realização de um estudo científico com o título em epígrafe e com as metodologias que descrevemos neste documento. complementar para perceber o hiato entre a imagem institucional que se tem e a realidade). Para além disso, a sua validação científica passa pelo confronto com as opiniões e, sobretudo, a observação, na respectiva região africana. 2 Numa fase introdutória é preciso termos algum cuidado com as acções de formação, para “não colocarmos o carro à frente dos bois”, como se diz na gíria popular. Só fazem sentido acções de formação que sirvam para sensibilizar para uma multiplicidade de opções susceptíveis de alterar profundamente o tipo de cooperação descentralizada e o prestígio das Câmaras Municipais nesses processos. Uma nova filosofia da cooperação descentralizada, se assim se pode chamar, exige conhecer o que tem sido feito, as concepções de desenvolvimento subjacentes e as potencialidades e estrangulamentos institucionais. 4. Do ponto de vista organizativo, a integração do nosso projecto (chamemos-lhe “Estudo”) num projecto mais vasto (chamemos-lhe “Futuro da Cooperação Descentralizada”) passa por: – Não sermos nós a assumir a direcção do “Futuro da Cooperação Descentralizada” – Estarmos disponíveis para participar em todas as acções desse projecto, desde que o seu custo de oportunidade não seja o enfraquecimento do “Estudo” – Encararmos com entusiasmo a conjugação de esforços de todos os participantes do “Futuro da Cooperação Descentralizada” – Termos recursos financeiros para realizar o “Estudo” e concentrar aí os nossos recursos humanos, científicos e técnicos. Passa ainda por começarmos a desencadear o processo num momento em que o empenhamento e mobilização dos quadros existem, pelo que se deveria definir o início do projecto “Estudo” até ao fim do presente ano civil. UM “ESTUDO” NECESSÁRIO 1. Data de 1998 a publicação do livro de Maria Manuela Afonso, Cooperação descentralizada. O caso dos municípios portugueses. Trabalhando essencialmente com dados de 1994 a 1996 este estudo teve a enorme vantagem de sistematizar informação legal, diplomática, estatística e sociológica sobre um fenómeno então muito recente em Portugal. Teve simultaneamente a vantagem de criar novos dinamismos nestas acções bilaterais e multilaterais de cooperação para o desenvolvimento, muito centrado no desenvolvimento local e num discurso político de apoio às condições de vida às populações. Entretanto houve importantes mudanças na cooperação descentralizada municipal, na consciência social e política da sua importância e no seu estudo: – Aumentou o número de municípios portugueses envolvidos, diversificando-se o tipo de acções desencadeadas, os resultados obtidos nas regiões dos concelhos portugueses e nos seus parceiros africanos. – Há uma experiência de vários anos que já permite equacionar tendências processuais, evoluções estruturais e conjunturais, fazer balanços de pontos fracos e fortes, de sucessos e insucessos. – Articulou-se e desarticulou-se com a cooperação centralizada e com diferentes estratégias e tácticas da União Europeia e de Portugal na cooperação com África – Houve diversos estudos sobre a cooperação descentralizada, em geral, e dos municípios, em particular, que permitem hoje combinar as análises tradicionais com novas perspectivas e outros enfoques. – Aumentou a compreensão das dinâmicas de desenvolvimento e subdesenvolvimento em África e da sua sensibilidade aos espaços geográficosociais concretos; compreendeu-se as continuidades e as rupturas entre a cooperação e o desenvolvimento. Considera-se, pois, que é importante fazer o balanço actualizado da cooperação descentralizada realizada pelos municípios. Um balanço que hoje exige novas problematizações, novos inventários críticos dos avanços e recuos, dos sucessos e insucessos. 2. Entre as problematizações está a observação, interpretação e quantificação das acções mas também está a observação e interpretação das adequações e desadequações entre essas acções e as concepções, anseios, ideologias e símbolos que lhe serviram de suporte ou justificação. Entre essas problematizações está também perceber se as acções de cooperação se inserem num tempo circular ou num tempo linear de funcionamento das instituições, e nessa medida, observar e interpretar a sua capacidade inovadora 3 . Importa igualmente recentrar a cooperação num dos seus elementos fundamental: ser mutuamente vantajosa, para as populações, para os cidadãos e as instituições das regiões. 3. Como se explicou previamente o “Estudo” restringe a sua análise aos municípios portugueses, nas suas relações via Câmaras Municipais, com parceiros africanos. Contudo um tal estudo só é viável com um conhecimento da realidade africana, com um trabalho de investigação prévio sobre a cooperação para o desenvolvimento, nomeadamente nas relações Europa-África, e sobre a realidade económico-social africana. Esse conhecimento de “contextualização” corresponde ao trabalho de investigação que a totalidade do CEAUP tem vindo a realizar ao longo dos anos. 4. É com muito interesse que constatamos a realização durante os últimos anos de diversas iniciativas de “avaliação” do trabalho realizado (seminários, colóquios, intervenções promovidos por diferentes actores sociais), de estudo da legislação e das directivas internacionais, comunitárias e nacionais, de observação em África dos resultados da acção dos municípios portugueses. As nossas preocupações são ligeiramente diferentes, insistimos: – Centramo-nos nos municípios portugueses, abrangendo todo o território nacional. – Tomamos como objecto de análise o poder local, as Câmaras Municipais. – Inventariamos o trabalho realizado seja pela importância do seu conhecimento seja pelas possibilidades de classificação, relacionamento e interpretação que permite. No caso dos municípios em que essas práticas não existem inventariamos as razões que levaram, deliberada ou espontaneamente, a não as promover. – Equacionamos as informações obtidas com as possibilidades de desenvolvimento local em África, mas também com os impactos sobre a realidade local portuguesa (nas instituições, nos comportamentos sócioeconómicos, nos conhecimentos, na vida das populações, etc.) 3 Como afirmávamos em documento anterior: Os nossos actos ou se inscrevem num tempo circular ou num tempo linear. No primeiro caso os comportamentos de hoje são moldados pelo passado. A sequência de acontecimentos que caracterizam o tempo social são de repetição, de reversibilidade, de transposição para o presente e o futuro o que definiu o passado. No segundo caso os comportamentos de hoje são moldados pelo que queremos atingir no futuro. As sequências de acontecimentos que caracterizam o tempo social são de inovação, de irreversibilidade (o quer não fiz hoje posso fazer amanhã mas já com atraso. um atraso que é irrecuperável se a tarefa faz parte do caminho crítico), de transposição para o presente do que constituirá, com a nossa vontade, o futuro. Neste último caso podemos dizer que os actos se inscrevem numa lógica de projecto. Seria de admitir que a cooperação, em geral, e a cooperação descentralizada, em particular, se insere numa lógica de projecto, mas também temos de admitir estar perante uma daquelas “verdades primeiras” que podem ter de ser destruídas. – Fraccionamos a cooperação descentralizada dos municípios no que são objectivos, processos e resultados, admitindo-se que todos eles se desdobrem em ideologia, símbolos e dinâmicas, oscilando entre a realidade e os mantos diáfanos da fantasia, para utilizar a terminologia queirosiana. O passado e o presente interessa-nos porque ajudará a interpretarmos a cooperação descentralizada municipal portuguesa com uma malha conceptual e interpretativa mais fina do que a que hoje possuímos, permitindo-nos maior lucidez na proposta de continuidades e rupturas nas estratégias futuras a desenvolver. METODOLOGIA E RECURSOS DO “ESTUDO” 1. O “Estudo” é simultaneamente qualitativo e quantitativo. Qualitativo porque uma parte do tipo de preocupações que nos norteia exige uma análise de concepções e contextos, de ideologias, de concordância ou discordância entre as intenções e acções, de adaptabilidade organizativa aos objectivos, etc., o que recomenda metodologias qualitativas. De alguma forma cada caso é um caso. Para não transpormos para os resultados a nossa própria percepção e sermos o mais possível fiéis aos anseios e acções dos inquiridos temos, de alguma forma ter presente as metodologias fenomenológicas e estas exigem o qualitativo. Um quantitativo destas preocupações seria um mau qualitativo. Quantitativo porque muitas das situações são objectivamente quantificáveis e o estudo só beneficia com essa possibilidade, transmitindo-lhe uma precisão das variáveis em jogo. Sempre que possível faremos o tratamento estatístico ou econométrico dos resultados do inquérito, procurando estabelecer relações de simultaneamente que podem ajudar a estabelecer relações de causalidade. Procurando corresponder a esta dupla valência, o “Estudo” tem como principais instrumentos de trabalho: – A realização de dois inquéritos a todas as Câmaras Municipais portuguesas (um aos órgãos de deliberação da Câmara, outro aos serviços que se ocupam, ou poderiam ocupar da sua execução) – A realização de uma sondagem de opinião pública sobre o interesse dos municípios investirem na cooperação descentralizada com África. – A realização de entrevistas a uma amostra de Câmaras Municipais, construída a partir da interpretação das respostas ao inquérito. Obviamente que a concentração nestes instrumentos de trabalho não exclui, antes pelo contrário, toda uma panóplia de outros procedimentos e metodologias inevitáveis em tais estudos. 2. Enfim, podemos sintetizar este projecto do CEAUP da seguinte forma: levantamento, classificação, descrição e interpretação das declarações, práticas, objectivos e resultados locais da cooperação descentralizada com África realizada pela Câmaras Municipais Portuguesas; construção de uma grelha interpretativa facilitadora da constatação da viabilidade e da eficácia das estratégias futuras. 3. Constituem o núcleo duro deste projecto os investigadores do CEAUP que integram a linha de investigação referida em epígrafe, os quais se organizaram da forma considerada mais adequada. Pedro Rodrigues terá a incumbência particular de estabelecer as relações com as Câmaras Municipais, dadas as suas funções na Câmara Municipal da Maia. Este trabalho é irrealizável sem equipes de inquiridores espalhados pelo país que possam fazer o contacto decisivo junto das autarquias. Essas esquipes têm de ser constituídas (creio que há uma rede universitária que permite escolher equipes de alunos para esse trabalho). Uma equipe, obviamente formada. A eles há que acrescentar – a colaboração de um programador em PHP e mySQL – a colaboração de um psicólogo e de um estaticista – um funcionário, com experiência em projectos e conhecedor da realidade africana, que faça a gestão do projecto. – o trabalho de tarefeiros ou estagiários. Acrescente-se, ainda, que em relação à sondagem de opinião público há que estudar na relação qualidade-custo se é de realizar com colaboradores recrutados no meio universitário ou encomenda de estudo a empresa especializada. 4. O “Estudo” “terminaria” com a apresentação pública dos resultados dos estudos, procurando que estes possam ser orientadores do trabalho futuro por parte de todos os organismos de alguma forma relacionados com o processo. Este fim seria um ponto de continuidade de “O Futuro da Cooperação Descentralizada”. 5. O projecto “Estudo” tem a duração de 472 dias de trabalho, o que corresponde a 2 anos aproximadamente. A descrição das tarefas, calendarização e relação entre elas constam do gráfico de Gantt que se apresenta junto. ANEXO 1 TAREFAS DO PROJECTO “ESTUDO” 1. Admitindo que o projecto “Futuro da Cooperação Descentralizada” é de quatro anos, com início em 1 de Setembro de 2008, considerando o tempo de realização do projecto “Estudo” de acordo com o que apresentamos de seguida, a relação entre os dois projectos seria similar, na nossa opinião, ao que se apresenta no seguinte gráfico de Gantt: A “Sensibilização e Formação”, assumindo uma autonomia relativa, teria também a função de preparar o “Estudo”. A “Formação e Acção” é uma continuidade da “Sensibilização e Acção”, mas a conclusão do “Estudo” representa uma mudança qualitativa no tipo de acções a desenvolver nesta fase. 2. Referido este enquadramento, pelas razões apresentadas neste estudo, a nossa atenção centra-se no “Estudo”. Comecemos por apresentar a sua lista das tarefas e o gráfico de Gantt, esclarecendo que, tal como no gráfico anterior, a escala temporal está medida em trimestres e meses: e Explicitemos alguns aspectos das tarefas: a) Do ponto de vista epistemológico os inquéritos e as entrevistas são as tarefas principais. b) A base de dados aparece como a primeira tarefa porque desde o período de sensibilização deve haver um site explicativo e porque os inquéritos tanto podem ser respondidos em papel como directamente na base de dados disponível nesse site. c) Será de admitir que algumas tarefas tenham que ser revistas quanto às relações, tempo de início ou tempo de duração (ex. aqui os dois inquéritos são lançados simultaneamente, o tempo de recolha é de mês e meio, etc.) mas no presente momento parece-nos realista. Refira-se, como eventual condescendência por tempos tão curtos, que essas situações não figuram do caminho crítico. ANEXO 2: ORÇAMENTO O custo estimado deste projecto é de 140.000 (oitenta mil e quinhentos euros), repartido da seguinte forma: Concepção e organização Correios Constituição equipe inquiridores Equipamento informático e de som e imagem portátil Sondagem de opinião pública Formação inquiridores Pagamento a inquiridores Deslocações Continente Deslocações Madeira e Açores Constituição base dados Alimentação da base dados Tratamento estatístico Sistema monitorização Serviços especializados Bibliografia Software Edição Divulgação do trabalho Direcção do projecto profissionalizada 1200 800 6100 4500 7500 10300 30000 7900 2100 1500 3600 1200 3500 2700 500 800 6500 8500 40800 Obviamente que o trabalho dos investigadores do CEAUP, neste orçamento, tem um custo nulo. É certo que continua a não ser a forma mais estimulante de se trabalhar em empreendimentos destes, mas normalmente tem sido essa a regra do jogo.