Universidade Federal do Rio de Janeiro Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de Estruturas MODELAGEM DOS SISTEMAS ESTRUTURAIS Aula 07: Modelagem de Arcos Profa. Dra. Maria Betânia de Oliveira [email protected] mboufrj.weebly.com http://lattes.cnpq.br/4788291761473700 Modelagem dos Sistemas Estruturais Aula 7 Modelagem de Arcos. Objetivos Entendimento dos conteúdos apresentados na aula. Metodologia Apresentação e discussões sobre o tema da aula. Atividade Discente Participar da aula e estudar os assuntos abordados. Elaborar os modelos propostos. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Leonardo Da Vinci (1452-1519) Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais O único documento da Idade Média que registra a tecnologia dos arcos é o caderno de viagens de Villard de Honnecourt (Livre de portraiture) escrito entre 1220 e 1240. Três das 250 ilustrações de Villard de Honnecourt . Biblioteca Nacional de Paris. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Desenho da Catedral de Reims, Villard de Honnecourt. Catedral de Notre-Dame de Reims, França. Provavelmente iniciada em 1211, sua construção durou três séculos. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cabos – portanto submetidos à tração simples. Estruturas submetidas à compressão simples. Se a forma funicular do cabo for invertida, usando uma barra rígida e mantendo o mesmo carregamento - tem-se estrutura submetida apenas à compressão simples. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Para se ter apenas esforços de compressão, a forma do arco deverá ser o inverso do funicular das forças a ele aplicadas. Esses arcos são chamados de arcos funiculares. Mantida a forma - qualquer modificação no carregamento provoca esforços de flexão - além da compressão axial. Esforço de compressão axial é mais “econômico” que o de flexão, portanto é econômico evitar a flexão no arco. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A forma ideal para conduzir uma força concentrada aos apoios é o triângulo, o funicular da força. Este arco obriga o carregamento a descrever um caminho mais longo, afastado da trajetória ideal. A diferença entre o caminho ideal e o fornecido pelo arco faz surgir esforço de flexão - o qual para ser Arco parabólico sustentando absorvido exige uma seção mais uma carga concentrada no meio do vão. robusta. O arco torna-se uma estrutura econômica quando ele é o funicular das forças aplicadas. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arco falso Os primeiros arcos eram executados com blocos que se apoiavam com um pequeno balanço em relação ao anterior. É o chamado arco falso, não permitiam vencer grandes vãos. O arco verdadeiro é resultado do empilhamento de diversos blocos, de maneira que o comprimento resultante seja maior que o vão a ser vencido. Desta maneira qualquer bloco para se dirigir ao solo sob a ação da gravidade deve provocar um “apertamento” nos dois blocos vizinhos. Arco verdadeiro Modelagem dos Sistemas Estruturais O bloco situado no vértice do arco, o fecho ou chave, é o último elemento a ser colocado, é o que permite que a estrutura se trave e a forma se mantenha. Até a colocação deste último elemento é usada uma estrutura provisória em madeira ou metal, o cimbre, que serve de forma, apresentando o que será a curva interior do arco e que permite que as aduelas tenham apoio até a consolidação final com a chave. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Ponte Romana de Alcántara, Espanha. Foi construída por volta do ano 106. Reconstrução de um dos arcos da Ponte de Alcántara em 1831. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arcos são barras curvas submetidas predominantemente à compressão simples. Podem estar submetidos à flexão. Dependo da situação em que são usados ou do processo construtivo escolhido os arcos podem apresentar vínculos articulados ou engastados. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais ARCOS ENGASTADOS São usados apenas em casos especiais, pois introduzem esforços de flexão. São estáveis e, por isso, são utilizados para arcos isolados. Os arcos biengastados são raros em estruturas de aço e de madeira. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais ARCO BIARTICULADO Esse tipo de arco apresenta articulações apenas nos apoios. Não tem a mesma versatilidade de acomodação às mudanças de forma do triarticulado, portanto está mais sujeito ao aparecimento de esforços de flexão indesejados. É hiperestático, portanto admite menores dimensões de seção, resultando em menor consumo de material. Os arcos biarticulados são mais usados em concreto armado. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais ARCOS TRIARTICULADOS Apresentam vantagem construtiva, pois cada trecho entre as articulações pode vir pronto para montagem no canteiro. Possuem boa adaptação a mudanças de forma devido às deformações, pois as articulações permitem melhor acomodação das peças. São isostáticos, possuem seção mais robusta. Os arcos triarticulados são os mais usados em estruturas metálicas e de madeira. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Praça Marechal Cordeiro de Farias ou Praça dos Arcos, região central de São Paulo. Escultura denominada Arcos ou Caminho, também chamada de Arco-Iris metálico, de autoria da artista plástica Lilian Amaral e do arquiteto Jorge Bassani. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A questão dos empuxos Um arco só é estável se seus apoios forem indeslocáveis, ou seja, articulados fixos. Se um dos apoios for móvel, o arco se transforma em uma viga parabólica, onde predomina flexão. Carga vertical provoca empuxo nas bases Todos os arcos, quaisquer que sejam suas formas, apresentam nos apoios a tendência de se deslocarem na horizontal, aplicando a eles forças horizontais, denominadas empuxos horizontais. A intensidade dos empuxos é inversamente proporcional à flecha do arco. Denomina-se flecha do arco à sua altura no meio do vão. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A questão dos empuxos Sempre que possível os empuxos não devem ser transmitidos aos apoios. Empuxos em pilares provocam grandes flexões, que também são transmitidas às fundações, encarecendo a solução. Os empuxos horizontais nos arcos podem ser absorvidos por tirantes, descarregando nos apoios apenas forças verticais, resultando em pilares e fundações de menores dimensões. Por outro lado, o tirante pode ser um elemento indesejável no espaço interno da edificação, como, por exemplo, em quadras esportivas. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A questão dos empuxos Quando os empuxos forem transmitidos aos pilares pode-se buscar novas formas para os arcos ou para a estrutura de suporte. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A questão geométrica arco gótico arco romano arco arábico arco gótico inglês Arco Romano possui altura, flecha ou raio iguais a metade do vão ou diâmetro. Arco Gótico é um arco ogival constituído pela concordância de quatro arcos de circunferência, portanto possui quatro centros. Arco Arábico ou Mourisco, chamado de arco ferradura - é o arco cuja altura é maior do que a metade do vão ou abertura. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Edifício na Avenida da Liberdade em Lisboa Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Ponte em Arco Ponte de Arcádico, na Grécia 1 600-1 050 a.C. Partenon, Atenas 432 a.C. Possui diversos pilares - não tinha arcos. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arco Egípcio. Armazéns de Ramesseum, templo mortuário erguido por Ramsés II (1320 – 1232 a. C.) Localizado na margem ocidental do Nilo, em frente à cidade de Luxor, Egito. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Reconstrução da Porta de Ishtar no Museu Pergamon, em Berlim, Alemanha. Oitavo portal da cidade mesopotâmia da Babilônia, 575 a.C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Portão da Antioquia Ruías Apameia, Síria, Asia Apameia é uma antiga cidade síria, situada a 50 Km da atual Hama. Foi construída no ano de 300 a.C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arco etrusco em Volterra Toscana, Itália Séculos III-II a. C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arch of Germanicus Arco romano em Saintes, na França. Dedicado ao imperador Tibério e seu filhos adotivos Druso César e Germanicus 20 d.C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arch of Germanicus & medieval bridge at Saintes Estrada romana de Lyon para Saintes 20 d.C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Coliseu Romano, Roma 70 d.C. Foram os Romanos que atingiram a máxima utilização dos arcos. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Arco de Constantino, um arco do triunfo de Roma. Vista do Coliseu em 2014. 315. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Aqueduto de Segóvia, Espanha Séculos I e II d.C. Império Romano Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Ponte Romana de Chaves ou Ponte de Trajano. Sobre o rio Tâmega, na cidade de Chaves, Portugal. Erguida nos séculos I-II d.C. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Modelagem dos Sistemas Estruturais Sé Velha de Coimbra, Portugal. Constitui-se em um dos edifícios em estilo românico mais importantes do país. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Sé Velha de Coimbra. A sua construção começou depois da Batalha de Ourique (1139), quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Convento da Ordem do Carmo de Lisboa, Praça de D. Pedro IV, na colina fronteira à do Castelo de São Jorge, em Lisboa, em Portugal. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Ruínas da igreja do Convento do Carmo. O Convento do Carmo foi fundado por D. Nuno Álvares Pereira em 1389. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais A igreja do Convento do Carmo já foi a principal igreja gótica de Lisboa. As edificações foram atingidas pelo terremoto de 1755. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Colégio das Artes, construído em 1542 Departamento de Arquitetura Universidade de Coimbra Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Colégio das Artes Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra Fotos de 2012 Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Aqueduto da Carioca ou Arcos da Lapa Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Igreja de São Miguel Arcanjo, século XVIII, São Miguel das Missões, RS. Ruínas jesuítas. Foram declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1983. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arco do Triunfo, Paris. Construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte. Inaugurado em 1836. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Maquete funicular da Capela Güell Antoni Gaudi 1852 – 1926 Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cripta da Colónia Güell, Barcelona 1898 – 1917 Antoni Gaudi Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cripta da Colónia Güell, Barcelona 1898 – 1917 Antoni Gaudi Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cripta da Colónia Güell, Barcelona Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cripta da Colónia Güell, Barcelona Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Cripta da Colónia Güell, Barcelona Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Palácio Güell, Barcelona, Espanha Construído entre 1885 e 1890 Antoni Gaudí Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Praça da Apoteose, Rio de Janeiro Foi projetada por Oscar Niemeyer em 1983 Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Arco Gateway em St. Louis, Missouri Eero Saarinen Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais L'Hemisfèric Cidade das Artes e das Ciências, Valência, Espanha. Santiago Calatrava e Félix Candela 1996-1998. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais L'Umbracle Cidade das Artes e das Ciências, Valência, Espanha. Santiago Calatrava e Félix Candela 1996-1998. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Exercícios de Modelagem de Arcos Nos casos que seguem, explicar o comportamento estrutural através da análise qualitativa dos seus modelos físicos. 1. Arcos triarticulados, biapoiados, biengastados e atirantados. 2. Arcos do Coliseu Romano, Roma. 3. Arcos do Departamento de Arquitetura, Universidade de Coimbra. 4. Arcos da Lapa. 5. Arco da Praça da Apoteose. Construir os modelos físicos e descrever os fenômenos estruturais pertinentes às questões que seguem. 1. O comportamento do arco falso e o arco verdadeiro. 2. Comportamento da estrutura composta por três barras, uma na forma do funicular poligonal e outra na forma do funicular poligonal invertido. Estas estruturas devem estar submetidas a duas forças gravitacionais concentradas de mesma intensidade. 3. A diferença de comportamento entre uma viga, um arco e dois arcos, os quais vencem um mesmo vão livre. 4. O comportamento do Arco Gateway em St. Louis, de Eero Saarinen. 5. A afirmação de que o fecho ou chave é o último elemento a ser colocado em um arco, o que permite que a estrutura se trave e a forma se mantenha. Maria Betânia de Oliveira 2014.2 Modelagem dos Sistemas Estruturais Bibliografia da Aula 7 REBELLO, Y.C.P. A Concepção Estrutural e a Arquitetura. Zigurate Editora, 2001. RODRIGUES, P.F.N. Modelagem dos Sistemas Estruturais: notas de aula. DE/FAU/UFRJ, 2008. SÁLES, J.J. et al . Sistemas Estruturais: teoria e exemplos. São Carlos: SET/EESC/USP, 2005. ISBN: 85-85205-54-7. SALVADORI, M. Por que os edifícios ficam de pé. Ed. Martins Fontes, 2006. ISBN: 97-88533622-97-5. Maria Betânia de Oliveira 2014.2