GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico
e Turístico do Estado - CONDEPHAAT
SESSÃO ORDINÁRIA 1689ª
26/11/2012
Horário – 9:30 hs. – 12:00 hs.
Local – Sede da Secretaria de Estado da Cultura
Rua Mauá nº 51 – 3º Andar
1. Expediente
Justificativa
Moções
Comunicações da Presidência
Comunicação dos Conselheiros
Comunicação do Grupo Técnico
2. Proposições
3. Ordem do dia
9:30 – Prestação de contas pela Presidência e,
Metodologia da lista do Patrimônio em Perigo.
3.1. Processo para deliberação com Parecer de Relator.
10h
3.1 a. Artigas
11h
3.1 b. Igrejas
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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3.1. Processo para deliberação com Parecer de Relator.
3.1 a. Artigas
01. Número do Processo:
24318/1985
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JON TEODORESCO (GINÁSIO DE ITENHAÉM)
Interessado:
CONDEPHAAT
Município:
ITANHAÉM
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que não constam dos autos um
relatório de vistoria
--------------***------------02. Número do Processo:
45951/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO GINÁSIO ESTADUAL DE UTINGA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SANTO ANDRÉ
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que as informações dos autos não
demonstram alterações que comprometam sua qualidade arquitetônica
---------------***--------03. Número do Processo:
45952/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA ESCOLA INDUSTRIAL DE VILA ALPINA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que as informações dos autos não
demonstram alterações que comprometam sua qualidade arquitetônica
----------------***------------------
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SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
04. Número do Processo:
45953/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO CENTRO EDUCACIONAL DE JAÚ
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
JAU
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Necessidade de um relatório de vistoria sobre seu atual estado. Propõe avaliar sua
proteção
-------------***------------05. Número do Processo:
45954/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO COLÉGIO XII DE OUTUBRO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Considera necessária uma avaliação específica da obra para uma decisão com
relação ao seu tombamento. Não pertence à rede pública e apresenta bom estado de conservação
----------------***-----------------06. Número do Processo:
45955/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PRÉ PRIMÁRIA DE VILA
ALPINA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Considera a escola importante e propõe uma avaliação mais profunda e específica
----------------***------------------
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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07. Número do Processo:
45957/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM OITI
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
JALES
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***------------
08. Número do Processo:
45958/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JOAQUIM NABUCO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
----------------***------------------
09. Número do Processo:
45959/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM PAULISTA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
FERNANDÓPOLIS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
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10. Número do Processo:
45960/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO EEPG JARDIM CHAPADÃO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CAMPINAS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Discorda da proposta de arquivamento, ressaltando as características do bem
11. Número do Processo:
45962/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG AGENOR DE CAMPOS
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
MONGAGUÁ
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***-------------
12. Número do Processo:
45963/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG PARQUE BOA ESPERANÇA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***-------------
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
13. Número do Processo:
45964/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG SETE PRAIAS
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***------------14. Número do Processo:
45965/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG LUDOVICO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CARAPICUIBA
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
---------------***--------------15. Número do Processo:
45966/2003
Solicitação:
Tombamento
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM FLOR DO CAMPO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
GUARULHOS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
---------------***---------------
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
16. Número do Processo:
45967/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG VILA MENCK
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CARAPICUIBA
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
3.1. Processo para deliberação com Parecer de Relator.
3.1 a. Igrejas
Pareceres Proposta de Tombamento
17. Número do Processo:
52962/2006
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE UBATUBA.
Interessado:
FUNDART - FUNDAÇÃO DE ARTE E CULTURA DE UBATUBA
Município:
UBATUBA
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
18. Número do Processo:
38970/1999
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE SANTO ANTONIO.
Interessado:
PROF. DR. CARLOS EUGÊNIO MARCONDES DE MOURA
Município:
GUARATINGUETÁ
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
19. Número do Processo:
28397/1991
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO SEMINÁRIO MISSIONÁRIO BOM JESUS E IMAGEM DE NOSSA
SENHORA DE APARECIDA, SEU MANTO E SUA COROA.
Interessado:
ASSOCIAÇÃO CULTURAL APARECIDENSE
Município:
APARECIDA
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
20. Número do Processo:
27095/1989
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE SÃO BENTO.
Interessado:
MARIA VIRGÍNIA SALGADO LOUREIRO
Município:
SÃO BENTO DO SAPUCAÍ
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
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SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
3.1. Processo para deliberação com Parecer de Relator.
3.1 a. Artigas
01. Número do Processo:
24318/1985
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JON TEODORESCO (GINÁSIO DE ITENHAÉM)
Interessado:
CONDEPHAAT
Município:
ITANHAÉM
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que não constam dos autos um
relatório de vistoria
--------------***-------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 24318/1985
BEM: Ginásio de Itanhaém (atual EE Jon Teodoresco)
LOCALIZAÇÃO: Av. Tiradentes, 46 – Jd. Mosteiro
Município: Itanhaém
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1961
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Imagem da maquete. Fonte: VALENTIM, 2003.
Trecho da fachada norte. Fonte: VALENTIM, 2003.
Escola durante a construção. Fonte: VALENTIM, 2003.
Perspectiva acesso principal. Fonte: Acervo FAU USP.
Perspectiva da fachada sul. Fonte: Acervo FAU USP.
Implantação. Fonte: VALENTIM, 2003.
Planta. Fonte: VALENTIM, 2003.
Cortes A, B e C. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fotos de vistoria realizada em janeiro de 2010. Autoria: Alberto Candido e Marcelle de Andrade.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
02. Número do Processo:
45951/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO GINÁSIO ESTADUAL DE UTINGA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SANTO ANDRÉ
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que as informações dos autos não
demonstram alterações que comprometam sua qualidade arquitetônica
---------------***---------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
Processo nº: 45951/2003
Bem: Ginásio Estadual de Utinga (atual EE Adamastor de Carvalho)
LOCALIZAÇÃO:
Santo André
Av. Utinga, 110 - Centro
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1962
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização da escola (2). Fonte: Google Earth, 2008
Implantação. Fonte: Acervo FAUUSP
Plantas do pavimento térreo. Fonte: Acervo FAUUSP
Plantas do primeiro pavimento. Fonte: Acervo FAUUSP.
Cortes. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria realizada em 2008. Autoria: Amanda Caporrino.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
03. Número do Processo:
45952/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA ESCOLA INDUSTRIAL DE VILA ALPINA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Pela avaliação do tombamento, destacando que as informações dos autos não
demonstram alterações que comprometam sua qualidade arquitetônica
----------------***------------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45952/2003
BEM: Escola de educação industrial Vila Alpina (atual SENAI Humberto Reis Costa)
LOCALIZAÇÃO: Rua Aracati-Mirim, 115 – Vila Alpina – São Paulo/SP
MUNICÍPIO: São Paulo
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1969
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização da antiga escola industrial. Fonte: Google Earth, 2008.
Vista da fachada principal. Fonte: XAVIER; LEMOS; CORONA, 1983.
Vista do galpão de ensino. Fonte:
XAVIER; LEMOS; CORONA, 1983.
O galpão de maquinário vazio na
época da construção. Fonte: VALENTIM,
2003.
Vista do galpão de ensino. Fonte:
XAVIER; LEMOS; CORONA, 1983.
Detalhe dos domus da cobertura.
Fonte: VALENTIM, 2003.
Planta do térreo. Fonte: Acervo FAUUSP.
Corte. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria realizada em janeiro de 2010. Autoria: Adda Ungaretti.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
04. Número do Processo:
45953/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO CENTRO EDUCACIONAL DE JAÚ
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
JAU
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Necessidade de um relatório de vistoria sobre seu atual estado. Propõe avaliar sua
proteção
-------------***-------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45953/2003
BEM: Centro Educacional de Jaú (atual EE Prof. Túllio Espíndola de Castro)
LOCALIZAÇÃO: Av. Zezinho Magalhães s/ nº – Centro
Município: Jaú
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1962 / 1977
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Magalhães
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Imagem da maquete. Fonte: VALENTIM, 2003.
Detalhes da construção. Fonte: VALENTIM, 2003.
Escola na época de construção. Fonte: VALENTIM, 2003.
PROJETO ORIGINAL - Implantação. Fonte: Acervo FAU USP.
PROJETO ORIGINAL - Planta pavimento inferior e Corte CC. Fonte: VALENTIM, 2003.
PROJETO ORIGINAL - Planta pavimento superior e Corte BB. Fonte: VALENTIM, 2003.
ORIGINAL - Cortes AA. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fotos de vistoria realizada em fevereiro de 2010. Autoria: Adda Ungaretti.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
05. Número do Processo:
45954/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO COLÉGIO XII DE OUTUBRO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Considera necessária uma avaliação específica da obra para uma decisão com
relação ao seu tombamento. Não pertence à rede pública e apresenta bom estado de conservação
----------------***------------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45954/2003
BEM: Colégio XII de Outubro
LOCALIZAÇÃO: Rua Comendador Elias Zarzur, 301 – Santo Amaro
MUNICÍPIO: São Paulo
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1962
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização da escola. Fonte: Google Earth, 2008.
Vista da fachada principal. Fonte: VALENTIM, 2003.
Vista da fachada principal. Fonte: VALENTIM, 2003.
Planta do primeiro pavimento. Fonte: Acervo FAUUSP.
Planta do segundo pavimento. Fonte: Acervo FAUUSP.
Planta da cobertura, máquinas e caixa d’água. Fonte: Acervo FAUUSP.
Cortes. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria de Dez. 2008. Autoria: Amanda Caporrino
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
06. Número do Processo:
45955/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PRÉ PRIMÁRIA DE VILA
ALPINA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Considera a escola importante e propõe uma avaliação mais profunda e específica
----------------***------------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45955/2003
BEM: Centro Educacional Pré-primária de Vila Alpina (atual EMEIEF Therezinha M. de
Barros Nosé)
LOCALIZAÇÃO: Rua João Fernandes, s/n – Vila Alpina
Santo André
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1971
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização da escola. Fonte: Google Earth, 2010.
Escada e acesso a marquise. Fonte: VALENTIM, 2003.
A marquise e a escadaria. Fonte:
VALENTIM, 2003
Imagens internas. Fonte: VALENTIM, 2003
Imagens da parte externa do prédio. Fonte: VALENTIM, 2003.
Todo o conjunto. Fonte: VALENTIM, 2003.
Planta. Fonte: Acervo FAUUSP.
Planta. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria realizada em 2008. Autoria: Amanda Caporrino.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
07. Número do Processo:
45957/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM OITI
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
JALES
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45957/2003
BEM: EEPG Jd. Oiti (atual EE Juvenal Giraldelli)
LOCALIZAÇÃO: Rua Otávio Graziani, 1074 - Centro
Município: Jales
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Foto logo após a construção. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada lateral. Fonte: VALENTIM, 2003.
Pátio interno. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada. Fonte: VALENTIM, 2003.
Implantação, planta dos pavimentos, elevações e cortes. Fonte: Acervo FAUUSP.
Plantas. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos da escola. Fonte: http://juvenalgiraldelli.blogspot.com
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
08. Número do Processo:
45958/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JOAQUIM NABUCO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
----------------***------------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45958/2003
BEM: EEPG Joaquim Nabuco (atual EM Antônio Teixeira Marques)
LOCALIZAÇÃO: Rua Ararigbóia, 775 – V. Progresso
Município: São José do Rio Preto
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Implantação, plantas dos pavimentos, cortes e elevações. Fonte: Acervo FAUUSP.
Planta. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fachada principal. Fonte: VALENTIM, 2003
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
09. Número do Processo:
45959/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM PAULISTA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
FERNANDÓPOLIS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45959/2003
BEM: EEPG Jardim Paulista (atual EE Dr. Sólon da Silva Varginha)
LOCALIZAÇÃO: Av. Geraldo Roquete, 135 - Centro
Município: Fernandópolis
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
A escola logo após sua construção. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada lateral. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada de acesso à escola. Fonte: VALENTIM, 2003.
Implantação, plantas dos pavimentos, cortes e elevações. Fonte: Acervo FAUUSP.
Imagens existentes memorial do projeto de intervenção. P. 53100/2006 e 62388/2010.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
10. Número do Processo:
45960/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO EEPG JARDIM CHAPADÃO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CAMPINAS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Discorda da proposta de arquivamento, ressaltando as características do bem
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45960/2003
BEM: EEPG Jardim Chapadão (atual EE Marechal Mallet)
LOCALIZAÇÃO: Rua Monte Líbano, 267
- Jd. Chapadão
MUNICÍPIO: Campinas
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Fachada lateral. Fonte: VALENTIM, 2003.
Trecho da fachada nordeste. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada sudoeste. Fonte: VALENTIM, 2003.
Foto interna. Fonte: VALENTIM, 2003.
Implantação, corte e elevações. Fonte: Acervo FAUUSP.
Planta do pavimento térreo. Fonte: Acervo FAUUSP.
Cortes. Fonte: Acervo FAUUSP.
Foto de vistoria realizada em janeiro de 2010. Autoria: Adda Ungaretti.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
11. Número do Processo:
45962/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG AGENOR DE CAMPOS
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
MONGAGUÁ
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***-------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45962/2003
BEM: EEPG Agenor de Campos (atual EE Agenor de Campos)
LOCALIZAÇÃO: R. Aimoré, R. Bororés, R. Coroados
Mongaguá
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Fachada sul. Fonte: VALENTIM, 2003.
Fachada norte. Fonte: VALENTIM, 2003.
Pátio. Fonte: VALENTIM, 2003.
Telhado com estrutura em madeira. Fonte: VALETIM, 2003.
Acesso Principal. Fonte: P. 59667/2009
Corredor das salas. Fonte: P. 59667/2009
Implantação, fachadas e cortes. Fonte: Acervo FAU USP.
Fotos atualização cadastral de 2009. P. 59667/2009.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
12. Número do Processo:
45963/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG PARQUE BOA ESPERANÇA
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***-------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
Processo nº: 45963/2003
Bem: EEPG Parque Boa Esperança (atual EE Sussumu Hirata)
LOCALIZAÇÃO:
Rua Com. Antunes dos Santos, 936 – Capão Redondo
Município: São Paulo
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização do colégio. Fonte: Google Earth, 2008
Implantação. Fonte: Acervo FAUUSP
Planta pavimento térreo. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria realizada em 2008. Autoria: Amanda Caporrino.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
13. Número do Processo:
45964/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG SETE PRAIAS
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
SÃO PAULO
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
--------------***-------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
Processo nº: 45964/2003
Bem: EEPG Sete Praias (atual EE Sete Praias)
LOCALIZAÇÃO:
Estrada do Alvarenga, 5110 – Pedreira
Município: São Paulo
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1976
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização do colégio. Fonte: Google Earth, 2008
Implantação, corte e elevação. Fonte: Acervo FAUUSP
Plantas. Fonte: Acervo FAUUSP.
Fotos de vistoria realizada em 2008. Autoria: Amanda Caporrino.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
14. Número do Processo:
45965/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG LUDOVICO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CARAPICUIBA
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
---------------***---------------
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45965/2003
BEM: EEPG Parque Ludovico (atual EE Prof. Ricardo Antônio Pecchio)
LOCALIZAÇÃO: Estrada do Pequiá, s/n° - V. Silvânia (Tv. Pequiá, 30)
Carapicuiba
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1977
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Implantação. Fonte: Acervo FAU USP.
Planta, cortes e elevações. Fonte: Acervo FAU USP.
Fotos de vistoria realizada em janeiro de 2010. Autoria: Adda A. P. Ungaretti.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
15. Número do Processo:
45966/2003
Solicitação:
Tombamento
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG JARDIM FLOR DO CAMPO
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
GUARULHOS
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
---------------***---------------
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45966/2003
BEM: EEPG Jardim Flor do Campo (atual EE Ver. Elísio de Oliveira Neves)
LOCALIZAÇÃO: R. Cristobal Cláudio Elillo, s/n° - CECAP
Guarulhos
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1978
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Fachada principal. Fonte: VALENTIM, 2003.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Trecho da escola. Fonte: VALENTIM, 2003.
Trecho da escola. Fonte: VALENTIM, 2003.
Implantação. Fonte: Acervo FAU USP.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Planta do pavimento térreo. Fonte: Acervo FAU USP.
Cortes. Fonte: Acervo FAU USP.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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Elevações. Fonte: Acervo FAU USP.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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Fotos de vistoria realizada em janeiro de 2010. Autoria: Adda A. P. Ungaretti.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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16. Número do Processo:
45967/2003
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA EEPG VILA MENCK
Interessado:
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS
Município:
CARAPICUIBA
Parecer do Relator:
EDUARDO CARLOS PEREIRA
Resumo dos encaminhamentos:
Parecer técnico – Proposta de arquivamento
Parecer Relator – Embora considere obra de menor notoriedade, propõe retorno ao GEI para vistoria
técnica e elaboração de relatório
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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IDENTIFICAÇÃO DE BENS PARA TOMBAMENTO
CONJUNTO DE OBRAS DO ARQUITETO VILANOVA ARTIGAS
PROCESSO Nº: 45967/2003
BEM: EEPG Vila Menck (atual EE Odette Algodoal Lanzara)
LOCALIZAÇÃO: Estr. Tambory, 13 – V. Mercês
Carapicuiba
Município:
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1978
PROPOSTA:
Acredita-se que o reconhecimento em publicações e documentações existentes constitua uma
forma de preservação suficiente para evocação da memória e salvaguarda do edifício. Sugerese o arquivamento do processo de estudo de tombamento e envio de cópia dos estudos para o
Centro de Documentação.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Earth, 2010.
Implantação. Fonte: Acervo FAU USP.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Planta pavimento térreo. Fonte: Acervo FAU USP.
Planta níveis inferiores. Fonte: Acervo FAU USP.
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CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Cortes. Fonte: Acervo FAU USP.
Elevações. Fonte: Acervo FAU USP.
Fotos da escola. Fonte: Google, 2010.
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Parecer Técnico UPPH nº GEI-255-2010
•
Interessado: fundação v’
•
Data do Protocolo: 25/5/2009
•
Assunto atual: manifestação técnica
À Diretoria,
Trata-se de uma solicitação de tombamento do conjunto das obras do arquiteto Vilanova Artigas
enviada através da Fundação Vilanova Artigas.
Encaminhamos o estudo realizado por este GEI sobre a carreira do arquiteto Vilanova Artigas e sua
produção arquitetônica.
Encaminhamos ainda uma proposta de preservação de alguns itens do conjunto considerando o grau
de significância de cada um dentro da totalidade.
O estudo foi objeto de reflexões e aprofundamento por parte do Grupo de Estudos e Inventário. Com
algumas interrupções para atendimento de outras demandas do serviço, a proposta geral de
preservação foi delineada pela arquiteta Priscila Miura em 2008 e desenvolvida em 2010 pelas
arquitetas Adda Ungaretti e Priscila Miura com colaboração da arquiteta Silvia Wolff.
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ESTUDO DO CONJUNTO DAS OBRAS DE VILANOVA ARTIGAS
O contexto histórico e o caminho seguido pela Escola Paulista
Desde a sua fundação até meados do século XIX, São Paulo se bastava dentro de um espaço
delimitado pelas ruas São Bento, Direita e da Imperatriz (atual XV de Novembro), formando o que
1
hoje é conhecido como o “triângulo original” .
No final dos anos de 1800, a cidade já era o coração das atividades comerciais. Local de confluência
dos rios, passagem obrigatória dos tropeiros e mais tarde centro da movimentação e exportação a
caminho do porto de Santos, torna-se então capital da província. Novos caminhos foram surgindo e
com eles novos centros de abastecimento, santa casa de misericórdia, cemitérios, bibliotecas; as
chácaras que circundavam o antigo triângulo foram sendo mutiladas para dar origem a novos lotes.
Em meados do século XIX a cidade crescia como nunca anteriormente. O capital adquirido com a
cultura do café possibilitava novos investimentos: indústrias, bancos e ferrovias e a nova tecnologia
permitia construir pontes para vencer os rios que outrora obrigavam os pedestres a subir e descer
íngremes ladeiras.
Efetivamente, a cidade de São Paulo começa a florescer durante a
República, pois, em tempos anteriores, os povoadores pouco puderam fazer
contra a violência metropolitana, no período colonial, ou contra a indiferença em
relação ao seu progresso, durante o período imperial (KATINSKY, 2003, p. 26).
A cidade que antes tinha o caráter homogêneo do contraste entre o vermelho dos telhados e o
branco do céu, agora era iluminada pelos postes; as vitrines se confundiam com as portas dos
teatros em meio aos bondes que faziam o transporte de transeuntes vestidos com seus ternos
completos.
Toda a atmosfera urbana era inspirada em modelos europeus. Sua arquitetura não podia ser
diferente: o ecletismo era declaradamente importado,
a capital do café conheceu um ecletismo pelo menos equivalente ao do Rio,
e ali, mais uma vez, os estilos classicizantes tiveram papel importante nas
primeiras décadas do século. Contudo, o contexto onde se desenvolveram era
totalmente diferente. A tradição neoclássica, solidamente implantada no rio pela
missão francesa de 1816, surgiu com atraso em São Paulo. Até por volta de 1880,
a cidade tinha um aspecto de um burgo colonial e apenas algumas residências
1
Compunham os vértices deste triângulo as Igrejas de São Bento, do Carmo e a Matriz dos Franciscanos.
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dos plantadores de café inspiravam-se nos modelos em voga na capital imperial
(BRUAND, 1981, p. 38).
Com o cultivo de café e a real necessidade de um sistema eficiente de transporte de carga por todo
Estado, dá-se em 1867 o projeto de modernização ferroviária pela Estrada de Ferro Inglesa. Além
disso, neste mesmo contexto, temos a introdução da mão-de-obra qualificada, por meio da
contratação de imigrantes europeus e o início do processo de industrialização. A República
apresentava um ideal positivista que, aliado aos avanços decorridos dos três fatores anteriormente
citados, contribuíram para o avanço tecnológico testemunhado na época (KATINSKY, 2003, p. 29).
O projeto republicano não se esgotou na instrumentalização da pesquisa
tecnológica. A primeira República construiu e equipou um sem números de
escolas de primeiras letras por todo o território estadual e as Escolas Normais,
encarregadas de formar instrutores, os chamados professores primários.
A Escola Politécnica cumpriu seu papel, de núcleo gerador das instituições
voltadas à pesquisa tecnológica que beneficiaram as empresas de capital
intensivo: IDORT – Instituto de Organização e Racionalização do Trabalho, em
1908 (e conseqüente qualificação de mão-de-obra com os estudos e pesquisas de
racionalização do trabalho); Laboratório de Ensaios de Materiais, transformando
no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em 1934; e finalmente a ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas, em 1940 (KATINSKY, 2003, p. 30).
Se no Rio de Janeiro as influências eram francesas, em São Paulo essas características se
misturavam. A produção inicial herdada da capital com típico modelo francês ganhava novas formas
com a vinda dos imigrantes italianos que, trabalhando nas construções, garantiam ares mais
“italianizados” à capital paulista.
Segawa afirma que a arquitetura desta época não era muito “promissora”, gerando um sentimento de
carência artística entre os profissionais envolvidos no processo de ensino. Afirma também que já
existia desde os anos de 1880 a preocupação de algumas correntes em inovar o que estava sendo
construído (SEGAWA, 1997, p. 31).
A necessidade de romper com este estado “estacionário” daria origem a novas tendências
arquitetônicas; cada qual com suas próprias características seguindo a risca todo o individualismo
peculiar de novos tempos. Se por um lado, essa liberdade trouxera uma produção rica; por outro,
trazia muita angústia, pois ninguém sabia ao certo como definir o caminho certo a adotar.
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De certa forma, o ideário que motivou os modernistas surgiu a partir da indefinição identificada
2
acima, situação que aproxima este movimento daquele neocolonial através do rompimento definitivo
das tradições representadas pelo Ecletismo. Além disso, as idéias da Bauhaus e a exposição de
Weimar; de Ernest May em Frankfurt e de Le Corbusier já faziam parte da leitura dos intelectuais que
defendiam essa nova maneira de expressar a arte (SEGAWA, 1997, p. 54).
A sociedade intelectual estava exausta com toda a pobreza artística do período e a ordem principal
era de negar tudo que estava sendo feito até então. A ornamentação era a grande vilã e símbolo de
um passado próximo; devia, por isso, ser a primeira rejeitada. Segawa divide esta primeira etapa,
que ele chama de Modernismo Pragmático, em duas fases: uma que corresponde ao período da
“busca da atualização estética sem orientação de correntes específicas” (de 1917 a 1924) e outra
que possuía um caráter mais “universalizante” (de 1924 a 1929) (SEGAWA, 1997, p. 42).
Assim como evidentemente os estilos históricos não desapareceram de um
momento para o outro, o movimento ‘moderno’ não surgiu repentinamente. Por
mais que assim possa parecer, ele é, no entanto, o resultado da evolução do
pensamento de alguns grupos intelectuais brasileiros, especialmente paulistas,
evolução essa que criou um mínimo de condições favoráveis, sem os quais as
primeiras realizações do gênero não teriam frutificado. É necessário, portanto,
analisar rapidamente esse fenômeno antes de se proceder ao exame das
posições teóricas assumidas pelos arquitetos de vanguarda e das obras pioneiras
do movimento (BRUAND, 1981, p. 61).
Entretanto, havia, de fato, um descompasso entre a arquitetura e as demais formas de arte. Durante
a Semana de Arte Moderna de 1922, não houve nenhuma expressão significativa dos arquitetos,
exceto a apresentação de alguns projetos ainda não construídos que continham apenas um esboço
do que se pretendia. Bruand afirma que ela [a Semana de Arte] “criou um clima novo, revelou um
espírito de luta contra o marasmo intelectual, contra a aceitação incondicional dos valores
estabelecidos” (BRUAND, 1981, p. 63).
O russo de nascimento Gregori Warchavchik fora acolhido e respeitado pelos artistas brasileiros da
Semana de 1922, pela sua modernidade e pelo seu nacionalismo
Conhecia os escritos de Le Corbusier e, deles, tomara emprestado parte de
argumentos utilizados no manifesto de 1925. (...) Warchavchik explorou com
habilidade as vantagens inerentes à sua qualidade de imigrante. Valendo-se do
prestígio de sua formação técnica européia e não estando ligado sentimental ou
2
Entende-se por Neocolonial o movimento que remetia ao passado colonial da nação. Uma das principais vertentes tinha
como principal nome o engenheiro Ricardo Severo que procurava justificar a herança lusitana como a verdadeira raiz da
cultura brasileira. Severo foi o autor do atual edifício-sede da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, considerado por
muitos estudiosos como o exemplo mais explícito do Neocolonial.
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socialmente a terra aonde recém-chegara, era mais livre para propor um
programa revolucionário do que alguém nascido no país; o espírito do pioneiro
que veio para conquistar um mundo novo e está disposto a vencer os obstáculos,
constituía para ele um trunfo considerável, ao qual se associava o fato de estar a
opinião pública naturalmente mais inclinada a respeitar e a perdoar as
inconveniências de um estrangeiro do que a traição (ou aquilo que a maioria
tomasse como tal) de um brasileiro de cepa (BRUAND, 1981, p. 64).
A posição de Warchavchik ficava bem clara em seus artigos. No entanto, a primeira residência
totalmente desprovida de traços de ornamentação, reconhecida também, por alguns, como o primeiro
exemplar moderno da cidade, projetada por ele, possuía contradições com o conteúdo do Manifesto
de 1925 – intitulado Futurismo?, publicado em 14 de junho de 1925 no jornal Il Picollo. A Casa
Modernista da Rua Santa Cruz não representava exatamente os ideais que se buscava na época.
Fora projetada para ser sua própria residência, ato que a distancia da ideologia social européia;
também não inovava na disposição do programa, nem nas soluções estruturais. Xavier, Lemos e
Corona nem chegam a elencá-la em seu roteiro de modelos modernistas.
A vontade de repudiar o passado tomava conta de toda a sociedade que buscava sem saber direito
como chegar à condição moderna. Caminhos diversos foram tomados na tentativa de encontrar
soluções e respostas para as necessidades deste novo tempo. O clima instável gerava preocupações
passageiras que eram perfeitamente satisfeitas por artifícios decorativos influenciados pela doutrina
estrangeira (SEGAWA, 1998, p. 60). A essa estética arquitetônica denominou-se Art Decó. Como
afirmaria Katinsky,
Os estudantes e engenheiros da década de 30, incentivados pelo professor
Anhaia Mello, estudaram apaixonadamente o New Deal do presidente Franklin
Delano Roosevelt, programa para enfrentar a grande depressão ocasionada pelo
crash da Bolsa de Nova York, em 1929. Eles dedicaram-se, especialmente, ao
Tenesse Valley Authority, pelo qual se modificou física e socialmente tida área
limítrofe dói Rio Tenesse, em um tempo incrivelmente rápido, não só em termos
econômicos, mas também em termos sociais, o que popularizou as palavras
“multiuso” e “interdisciplinaridade”. A área, a bacia do Tenesse, abarcava parte de
vários Estados, portanto o planejamento foi global, e rivalizava, em quilômetros
quadrados, com vários países europeus (KATINSKY, 2003, p. 32).
Na segunda metade da década de 1930, o Art Decó era escolhido por muitos profissionais do Brasil.
Muitas tipologias arquitetônicas se utilizavam desta forma de projetar: hotéis, clubes, obras públicas.
Vai conquistando, pouco a pouco, novos adeptos: nas vilas operárias tornava-se cada vez mais
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freqüente as reproduções em menor escala do modismo arquitetônico da época (SEGAWA, 1998, p.
61).
O edifício de A noite, no Rio, muito mais esbelto (seu projeto estrutural foi
realizado por Emílio Baumgart), com as suas linhas sóbrias, já anunciava o Art
Decó da década seguinte. A verticalização ocorreu na mesma década de 30, em
São Paulo e simultaneamente no Rio de Janeiro, mas foi muito mais sensível em
São Paulo, talvez pelo fato de a cidade paulista se desenvolver em grandes
movimentos orográficos e esses primeiros arranha-céus, como seu usava falar
(tradução literal de skyscrapers), se destacarem numa planície de casas térreas
ou assobradadas (KATINSKY, 2003, p. 35).
Mas o Art Decó não se limitou aos prédios altos. Esparramou-se pelos
bairros periféricos em correr de sobradinhos de “renda” para aluguel, em vilas, no
miolo das quadras organizadas com lotes de 30 a 25 metros de profundidade para
atender uma demanda de casas para a classe média e que foram paralisadas
com lotes, como aplicação de pequenas poupanças, pela primeira e as
sucessivas leis de inquilinato (KATINSKY, 2003, p. 36).
Mesmo diante de toda essa imensidão de variantes que compunham o ambiente paulistano, não
houve uma sistematização de tudo que estava sendo produzido. As idéias não ficavam claras entre
os profissionais envolvidos. Todos buscavam o mesmo resultado, porém de maneiras diferentes.
Sobre a carreira de Vilanova
É neste contexto de transformações econômicas, políticas e sociais que fervilhavam durante as
primeiras décadas do século XX em território paulista que João Batista Vilanova Artigas iniciou sua
carreira. Começou o curso universitário na Faculdade de Engenharia do Paraná e transferiu-se para
a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1934 onde graduou-se engenheiro-arquiteto.
Conforme afirma Jucá, tais experiências foram fundamentais para o engajamento político que marca
toda a carreira deste arquiteto, como veremos mais para frente. Suas preocupações já podem ser
3
percebidas neste trecho de entrevista
- Confesso que o conhecimento de orientação política que existia em São
Paulo desse tempo, não era de modo a me atrair, era o paulistismo, a Revolução
de 32, Getúlio Vargas etc., a preparação para 34, os primeiros movimentos
democráticos que levaram à candidatura do Armando Salles de Oliveira, e já
3
Primeira entrevista concedida à Christina Jucá em 7 de junho de 1983.
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preparavam o golpe de 37. Esse o período que eu vivi. Foi o período de 34 até 38,
até eu me formar. O de preparação do golpe de 37. Quando eu terminei o meu
curso de arquitetura, a ditadura do Getúlio começava a tomara proporções. E foi
daí para frente que eu comecei assumir posições políticas. Mas longe da própria
faculdade.
Na realidade, eu reconheci na Universidade nessa época, imagine você, o
Mário Schhenberg4. Não que tivesse intimidade com ele, mas o conhecia como
estudante pernambucano que tinha vindo para cá. Uns dois ou três vieram nas
mesmas condições que eu, e alguns rapazes para te falar a verdade, eram
ligados ao movimento de esquerda. Foi uma salvação para mim, porque a Escola
de Engenharia, nesse tempo, tinha um bom número de integralistas (ARTIGAS,
1983. In: Jucá, 2006, p. 41).
Além da influência que esse ambiente de cunho intenso politicamente causou na constituição de seu
caráter, houve certamente sua aproximação ao Partido Comunista devido à sua ligação ideológica
com os ideais deste último.
Foi no contexto dessas grandes mudanças que Vilanova Artigas ingressou na
Escola Politécnica (1934) e se diplomou engenheiro-arquiteto (1937). Os
acontecimentos desse período provocaram, entre muitos jovens universitários,
indagações e participação da vontade renovadora. No caso de Artigas, pode-se
supor que circunstâncias pessoais e familiares o teriam predisposto a abraçar
pontos de vista voltados para a dimensão do social, assim como a de um fazer
profissional ligado a preocupações mais globais e abrangentes (JUCÀ, 2006, p.
50).
- (...) Estudei na escola de minha mãe, não é? E vim para Curitiba
aperfeiçoar o curso primário entrei no ginásio nessa época, como eu disse para
você, em 1926. Fui um garoto consciente, desde o início, da condição de ser filho
de viúva.
Estive nessa Teixeira Soares até os nove anos de idade quando vim para
Curitiba com minha mãe. Prestei um concurso para poder vir. E acabei de me
preparar no curso primário para entrar no Ginásio Paranaense, que era daqueles
ginásios ligados ao Pedro II do Rio; da mesma raiz, um centro de cultura muito
importante. Muito importantes nestas cidades, principalmente em Curitiba. Entrei
neste ginásio em 1926. Formei em 1932 e entrei para a Escola de Engenharia da
Universidade do Paraná. Cursei o primeiro e o segundo ano na Escola de
4
Mário Schenberg foi um dos mais destacados físicos brasileiros, o introdutor da física moderna entre nós.
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Engenharia. No fim de 1933, vim para São Paulo. Eu tinha uns quantos? Dezoito
ou dezenove anos de idade. No fim de 33.
Isto, dessas origens, eu acho que as coisas ficam assim desta forma
(ARTIGAS, 1983. In: JUCÁ, 2006, p. 51).
A reforma curricular desenhada por Artigas para a FAU-USP definiu uma série de novas
possibilidades de prática e atuação profissional aos novos arquitetos; o profissional deveria participar
ativamente no desenvolvimento de todos os processos industriais requeridos pelo projeto nacionaldesenvolvimentista então em voga no país.
Artigas, nesse sentido, atuou diretamente nesta reformulação estabelecendo
como fundamento básico o conceito de projeto estruturando o curso em torno
do estúdio ou ateliê como espaço de aula e discussão, e organização didáticoadministrativa em departamentos – História, Projetos e Técnicas – com o
departamento de Projetos instituído em seqüencias temáticas de planejamento
urbanístico, do edifício, da comunicação visual e do desenho industrial (SEGAWA,
1998, p. 146).
Tal característica derivava de seu conhecimento pela experiência Bauhauseana de formação de um
profissional completo - bem transparecida no projeto do edifício da FAU-USP na Cidade Universitária
– para Artigas “mais do que apenas um construtor, o conceito de projeto embutido nessa proposta
instauradora atribuía ao arquiteto uma verdadeira tarefa redentora, missionária, de reformulação do
mundo” (SEGAWA, 1998, p. 146).
A clareza e a força ideológica contida em torno dos conceitos de “projeto” e “desenho”, linha mestra
da organização curricular da FAU-USP e convicção prontamente assimilada ou discutida por alunos e
discípulos foram possibilitadas pelas condições políticas da época, pela tecnologia adquirida através
da política nacional-desenvolvimentista – expressa na experiência vivenciada na construção de
Brasília, e finalmente na origem da escola de arquitetura paulista (que teria surgido a partir de uma
escola de engenharia).
Na obra de Artigas, é na FAU-USP que podemos ler a nova “escala
democrática” proposta pelo movimento moderno. Pode-se dizer que os espaços
específicos rodeiam o central do prédio, batizado de Salão Caramelo pelos
alunos, desde as primeiras turmas que o habitaram. Mas ao mesmo tempo em
que este espaço funciona como articulador das atividades da Escola, o conjunto
de rampas que permite, em seu percurso, divisar todas as atividades do edifício –
auditório, administração, cantina, biblioteca, salas de conferência ou estúdios –
também estabelece um desenrolar de “tetos parciais” (as lajes dispostas em
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altura), preparando uma acomodação entre a escala humana e individual da
entrada para o grande espaço coletivo (KATINSKY, 2003, p. 71).
Artigas procura em Lênin a resposta para a sociedade como um todo; uma utopia de concepções
socializantes, com propostas por uma sociedade igualitária e justa, servindo ao “total da humanidade”
sob a égide da industrialização, sendo assim a arquitetura moderna mais uma causa que um estilo,
como colocaria Kopp (SEGAWA, 1998, p. 146).
Em 1969, durante o período da ditadura militar, devido à sua ligação com o Partido Comunista
Brasileiro (PCB), foi afastado da FAU e obrigado a se exilar brevemente no Uruguai. Embora tenha
voltado a residir no Brasil durante a década de 1970, foi impedido pelo regime de atuar plenamente
na Universidade. Neste período, recebeu uma grande encomenda do Prefeito da cidade de Jaú, que
garantiu a continuação dos seus trabalhos, e com a liberdade que lhe foi atribuída, referendou sua
maneira experimental de projetar. Desenvolveu diversos programas, culminando com o projeto da
Rodoviária, importante referência de sua carreira.
Seu retorno à FAU-USP se deu em 1979, fruto do processo de anistia instaurado no país a partir
daquele ano. Em 1985, pouco antes de seu falecimento, foi-lhe atribuído o cargo de professor titular
nesta Escola. Lecionava a disciplina Estudos de Problemas Brasileiros, criada pela ditadura militar e
imposta pelo regime às faculdades brasileiras como instrumento de controle ideológico. Durante o
curso, subverteu o programa clássico da disciplina e levou à FAU-USP diversas personalidades do
mundo artístico, político e cultural, intelectuais de esquerda que também haviam sido perseguidos
pelo regime, como o caso do pintor Aldemir Martins, do ator Juca de Oliveira e do então cardealarcebispo de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns.
Vilanova Artigas, arquiteto
Seguimos a periodização ensaiada por Katinsky na Exposição Vilanova Artigas, de 2003, no Instituto
Tomie Ohtake apenas como forma de organizar metodologicamente a obra do arquiteto. Entendemos
que tal divisão não expressa a essência do desenvolvimento da sua produção arquitetônica: as
referências vão e voltam em sua obra, formando uma bagagem contínua em todos os seus projetos
independentemente da sua localização no tempo.
Aproximação com Frank Lloyd Wright
(...) Deve ter se destacado entre seus colegas, pois nos últimos anos seus
trabalhos como quintanista foram publicações nas revistas da Politécnica e do
Instituto de Engenharia.
Outro sinal de seu destaque é o fato de ter sido, conforme seu depoimento
muito mais tarde, indicado pelo engenheiro Alexandre Albuquerque, estudioso de
Higiene das Construções, para trabalhar no próprio ano de sua formatura no DAE
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– Departamento de Águas e Esgotos, ocupação que não o seduziu pelo
conformismo, ou modéstia de oportunidades de trabalho criador.
(...)
Insatisfeito no serviço público, Artigas montou um escritório com seu colega
de turma, Duílio Marone, de projeto e construção, preferencialmente para
residências, como aliás, era usual na época (KATINSKY, 2003, p. 37).
Durante este primeiro período, após sua graduação na Politécnica até meados da década de 1940,
Artigas dedicou-se especialmente a projetos residenciais que de certa forma atendiam às novas
necessidades da classe média do século XX: a demanda pelo conforto e a busca pelo não
desperdício de terreno, provocado pela oferta de lotes econômicos; procurou satisfazer as diversas
expectativas de seus clientes através da viabilidade técnica e artística.
Devido a sua afinidade às atividades artísticas e seu interesse particular pelo desenho, Artigas
procura na aproximação com os pintores do Grupo Santa Helena uma libertação das posições
conservadoras pregadas na Escola Politécnica (KATINSKY, 2003, p. 43).
Contudo, sua obra não buscou apenas atender à demanda de seus clientes, segundo Jucá,
“percebendo em profundidade os valores da obra de Frank Lloyd Wright, projetou e construiu
propositalmente, algumas residências com influências e experimentações wrightianas” (JUCÁ, 2006,
p. 63).
Nesse tempo, era significativo o prestígio do arquiteto americano Frank Lloyd Wright entre os
arquitetos de São Paulo. Sobretudo quando, no fim dos anos [19]20, o estudo de sua obra foi
introduzido na Escola Politécnica por Victor Dubugras, renovando o ensino tradicional e obsoleto da
5
arquitetura (...) (1986 apud VALENTIM, 2000, p. 93).
Artigas, por sua vez, distinguia-se dos seus colegas ao subsidiar suas “soluções engenhosas” com o
“estudo radical de seus pressupostos teóricos das ‘razões’ que comandavam as soluções, ou seja, as
‘causas’ profundas dos resultados visíveis” (KATINSKY, 2003, p. 46). O projeto da residência Rio
Branco Paranhos vem ratificar este conceito, consagrando-se como a “mais bem sucedida
apropriação do fluxo espacial das residências do começo do século, de [Frank Lloyd] Wright”
(KATINSKY, 2003, p. 47). Outro exemplo é a solução dada à primeira residência do arquiteto
(também conhecida como “Casinha”), que mantém a evidente inspiração orgânica, ao estruturar-se
em espiral a partir de um núcleo central.
A partir disto, que foi a primeira vez que eu fiz, e tive coragem de fazer
porque era pra mim... eu me libertei inteiramente destas formas que vinham vindo.
5
ACAYABA, M. M. 1986. Residências em São Paulo: 1947-1975. São Paulo, Projeto.
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Mas ao mesmo tempo me libertei também da planta6 (1945 apud KATINSKY,
2003, p. 102).
Aproximação com a Escola Carioca
A partir de 1929, as idéias de Le Corbusier são totalmente disseminadas. Com a tentativa de Lúcio
Costa de reformar o ensino da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) o palco modernista mudou-se
de São Paulo, direcionando-se agora para o lugar que viria dar origem à famosa “Escola Carioca”. A
Modernidade Corrente, como denominou Segawa, foi a responsável pela efetiva utilização dos
preceitos de Le Corbusier, baseada em seus cinco pontos - segundo documento de 1926 escrito por
Le Corbusier: 1. Os pilotis; 2. Os teto-jardim; 3. A planta-livre; 4. As janelas que correm de um lado
para outro da fachada e 5. A fachada livre (BENEVOLO, 1998, p. 431-434), e mais tarde consagraria
o Brasil como país referência na história da arquitetura moderna mundial.
A mudança formal em sua produção coincidiu com sua aproximação ao ideário do PCB – Partido
Comunista Brasileiro, ao qual filiou-se desde 1945.
Em sua dissertação, Valentim aponta a hipótese apresentada por Thomaz de que esta aproximação
não fora a única razão para essa mudança de postura. O envolvimento na criação do IAB/SP –
Instituto dos Arquitetos do Brasil de São Paulo provocou em Artigas uma reflexão sobre a inserção
social dos arquitetos e sobre o exercício da profissão. Também coloca como influência a publicação
Brazil Builds em 1943 na qual “já despontava ao mundo uma outra arquitetura reconhecida como
7
brasileira (grifo nosso)” (1997 apud VALENTIM, 2000, p. 93).
Entre 1944 e 1952, a desmoralização das manifestações do fascismo e nazismo é sacramentada
com a finalização da Segunda Guerra Mundial e a emergência dos Estados Unidos e União
Soviética. No Brasil, houve uma “explosão criativa” em Belo Horizonte, precisamente no bairro da
Pampulha, projetada pelo jovem arquiteto Oscar Niemeyer, patrocinada pelo prefeito da cidade,
Juscelino Kubitschek, que viria ser o pai do nacional-desenvolvimentismo. Niemeyer era reconhecido
como o arquiteto mais destacado da já citada “Escola Carioca”.
Em São Paulo,
O primeiro arquiteto a aderir a essa tendência foi, sem dúvida, Rino Levi, cujo
projeto do Edifício Prudência, na Avenida Higienópolis, contrasta singularmente
com sua produção anterior. Sendo àquela altura um mestre consagrado, essa
adesão só poderia abalar as mais sólidas convicções.
Também o arquiteto Bratke se impressionou com os novos eventos de uma
arquitetura que tinha sido tão banida na Alemanha. Mas, pelo menos nesses
6
Depoimento J. B. Vilanova Artigas em 1945.
THOMAZ, D. E. 1997. Um olhar sobre Vilanova Artigas e sua contribuição à Arquitetura Brasileira. Dissertação de Mestrado
FAUUSP.
7
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primeiros anos, ele não parece ter se sensibilizado pelo ideário urbano, ficando
mais aderente ao pensamento de expressão marcadamente exaltada das
estruturas metálicas norte-americanas exploradas pelo arquiteto Mies Van Der
Rohe (KATINSKY, 2003, p. 46).
Absorveu também da “Escola Carioca” a característica de valorizar a estrutura construtiva do espaço,
estudou os sistemas estruturais a fundo, desenhando inúmeras vezes soluções únicas para edifícios
e coberturas. A consagração internacional da arquitetura produzida no Brasil legitimou os caminhos e
garantiu o reconhecimento social desta prática profissional (SEGAWA, 1998, 130).
Na obra de Vila nova podemos destacar como principais exemplares deste diálogo com a Escola
Carioca podemos destacar a Rodoviária de Londrina (hoje abriga o Museu de Arte de Londrina e é
tombada pelo CEPHA – Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná),
considerada a mais evidente referência à Escola Carioca e a segunda residência do arquiteto, que
explicita o intenso grau de experimentação que sua obra emanava (KATINSKY, 2003, p. 111).
Segue esta mesma linha o Edifício Louveira que, com “uma radical proposta de inserção do prédio no
entorno”, seguindo “um sentido de ampliação virtual no espaço”, viria ser amplamente reproduzido
por arquitetos em São Paulo (KATINSKY, 2003, p.49).
Exceção neste período se deu no caso do projeto para o Estádio Cícero Pompeu de Toledo que
“consistia em um grande chapéu com colunas que equilibravam a laje da cobertura como se fosse
um contrapeso” e com suas “arquibancadas sobrepostas”, maravilhou espectadores, garantindo com
este partido o “prazer do espetáculo” e revelava mais uma vez sua vocação pela experimentação.
8
Teria a partir de Niemeyer despertado uma sensibilidade para estrutura como criadora do espaço.
As soluções adotadas para alguns dos projetos deste momento, como os telhados de águas
invertidas e a associação de materiais diversos, “prenunciam os audaciosos experimentos dos anos
[19]70” (KATINSKY, 2003, p. 111).
Aproximação com o Brutalismo
Já nos anos 50, lecionava na recém fundada Faculdade de Arquitetura da Universidade de São
Paulo, uma aula sobre a evolução da cozinha brasileira dos tempos coloniais até o século XX.
(...) A aula era extremamente sugestiva, pois ao lado de mostrar as
intrínsecas relações entre forma e sociedade, tornava também transparente o
absurdo de acreditar que a técnica determina a sociedade: seria impossível crer
que as notáveis transformações sofridas por este humilde espaço de trabalho,
8
Depoimento de Oscar Niemeyer publicado na Revista Módulo de 1958: “Neste sentido, passaram a me interessar as
soluções compactas, simples e geométricas; os problemas de hierarquia e de caráter arquitetônico; as conveniências de
unidade e harmonia entre os edifícios e, ainda, que estes não mais se exprimam por seus elementos secundários, mas pela
própria estrutura, devidamente integrada na concepção plástica original” (In: VALENTIM, 2000, p. 146).
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teriam modificado a sociedade brasileira e não o contrário (KATINSKY, 2003, p.
51).
O ano de 1952 é marcado pela publicação do texto “Caminhos da arquitetura moderna”, no qual
Artigas critica severamente a arquitetura moderna embebido pela “tensão do momento político vivido
pela esquerda, os embates ideológicos do período da Guerra Fria e a conseqüente campanha contra
o imperialismo americano” (KAMITA, 2000, p.22). Neste discurso, o arquiteto reivindica uma posição
mais crítica dos arquitetos brasileiros diante da realidade. Lembremos que neste período Artigas
dedica-se muito mais a uma reflexão intelectual em relação à arquitetura do que a projetos.
As idéias que se desenvolveram durante todos esses anos tiveram papel fundamental nos anos
1960-1970. “A partir de 1957, Artigas iniciou sua revisão crítica” (KATINSKY, 2003, p. 62).
Artigas, quando voltou a projetar, no início de 57, agiu como agira antes em
seus primórdios como arquiteto, convocando todo seu repertório de experiências
realizadas
anteriormente,
procurando
sempre
unir
uma
prática
à
sua
correspondente teoria. Amadurecido, deixou-se conduzir pelas posturas do grupo
inglês, mais de acordo com sua visão de arquitetura como fato coletivo e histórico.
Suas experiências iniciais foram logo associadas ao grupo inglês, sendo a
tendência apelidada de “brutalismo paulista”. Artigas, nessa época, não reagiu
energicamente à aproximação com os ingleses (casal Peter e Allison Smithson,
Lasdum, e o primeiro Stirling), ainda que não concordasse com a comparação
(KATINSKY, 2003, p. 66).
Artigas continua com a característica de buscar sempre a fluidez do espaço e a verdade dos
materiais presentes desde o início de sua carreira. Neste momento, de forma mais contundente, de
maneira que o projeto fosse interlocutor do seu ideário. Tal fluidez é percebida através da leitura dos
seus projetos em corte, que demonstra a “preocupação em desvelar o caminho percorrido no
processo projetual” (COTRIM, 2005) e a procura da unidade através de um espaço contínuo, sem
interrupções, reforçada através do uso de elementos como as rampas e a cobertura única.
É nos projetos desta época que ficam mais evidentes os traços que o tornaram reconhecido no
panorama da arquitetura paulista e brasileira. As características citadas acima, além da exploração
da expressividade da tensão nos pontos de apoio, aparecem nos projetos da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo, nos ginásios de Guarulhos e Itanhaém, na garagem de barcos e na
Rodoviária de Jaú.
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PARECER
Artigas teria sido uma das principais figuras no desenvolvimento de um caminho paulista para os
anseios da sociedade na primeira metade do século XX, como exposto anteriormente. Ratificando o
seu posicionamento – social, político e educacional - garantiu um novo “status” para o profissional de
arquitetura. Extrapolou os limites da época (sujeitando-se com isso às penalidades que lhe foram
impostas pelo governo militar) e garantiu a identidade de uma arquitetura peculiar, com a marca de
São Paulo.
Não se bastou apenas como fabricante de uma produção arquitetônica inovadora; foi além,
preocupou-se na transmissão desse ideal, semeando em cada um de seus alunos a causa pela
arquitetura moderna.
Se para todo o país, o legado deixado pela Escola Carioca é fundamental, há que se considerar que
para São Paulo, o que fora deixado por Artigas é, sem dúvida nenhuma, capítulo significativo para a
compreensão da história da arquitetura paulista.
Nesse sentido, acreditamos ser totalmente pertinente o estudo de sua obra para a concretização do
reconhecimento desta como parte do patrimônio cultural paulista; no entanto, como bem diria Manoel
Brancante em seu relato para a instrução da abertura deste processo de tombamento, seria
inadequado “tombar toda a sua obra”. Como bem sabemos todo escritório de arquitetura não produz
apenas projetos que correspondem aos anseios do arquiteto, muito pelo contrário, às vezes os
projetos precisam seguir padrões pré-estabelecidos; neste caso, não é diferente com o escritório
Artigas, percebe-se em seus projetos realizados tanto para a CONESP (no caso das escolas) quanto
para a EMURB (no caso das passarelas) que apesar da pertinência em relação às soluções
apresentadas e as propostas revolucionárias na concepção de suas obras, às vezes houve
necessidade de acomodá-las a exigências ou padrões pragmáticos das instituições.
Dessa forma, cabe-nos neste momento, analisar quais foram as obras que se sobressaem como
inovadoras e propositivas e portanto que melhor representam o conjunto da obra do arquiteto
Na abertura do estudo de tombamento (Ata nº1236, P. 39844/2000), apenas escolas e passarelas
foram consideradas; acreditamos que a obra de Artigas não deve ser reduzida apenas a estas duas
tipologias arquitetônicas, deve sim ser considerada em um âmbito maior. Além disso, devemos
considerar o pedido, também existente, de abertura de estudo de tombamento de obras de
arquitetura projetadas pelo arquiteto situadas no interior dos bairros Sumaré, Jardim América, Jardim
Europa e Pacaembu (P. 39844/2000, p. 04) que foi desconhecido pelo Egrégio Colegiado.
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Foi esta a orientação que seguimos para definir critérios para a análise e indicação das obras de
maior representatividade dentro deste universo. Tais critérios passamos a elucidar a frente.
Metodologia de análise
Considerando a obra do arquiteto Vilanova Artigas e a sua importância na história da arquitetura
paulista, iniciamos nossos estudos através da leitura de teses, artigos e demais publicações que
utilizam Artigas e sua obra como objeto de análise. Foram consultados:
O catálogo da exposição “Vilanova Artigas”, no Instituto Tomie Ohtake; neste catálogo
além da seleção das principais obras do arquiteto, sob curadoria do professor Júlio
Katinsky, temos os textos “30 anos depois: o olhar para o futuro”, do arquiteto Ruy
Ohtake, “Vilanova Artigas: invenção de uma arquitetura”, do próprio Katinsky e a
“Biografia de Vilanova Artigas”, por Rosa Artigas;
O catálogo da exposição “Vilanova Artigas por Vilanova Artigas”; esta exposição
organizada pela FAU-USP e pela Fundação Vilanova Artigas, seria uma reedição de
uma exposição organizada pelo próprio arquiteto em 1981 para dar suporte a suas
palestras e aulas, seria o reconhecimento do próprio autor do que ele projetou de
melhor;
O livro “Arquitetura Moderna Paulistana”, onde os professores Alberto Xavier, Carlos
Lemos e Eduardo Corona identificam as principais obras de arquitetura moderna na
cidade de São Paulo;
O livro “Caminhos da Arquitetura”, que reúne os principais textos do arquiteto
transparecendo seu posicionamento;
O livro “Arquiteturas no Brasil” de Hugo Segawa, que busca traçar um panorama da
produção arquitetônica em todo o país durante o século XX;
As teses “Artigas: da idéia ao desenho” de Maria Luiza Corrêa, “Um olhar sobre
Vilanova Artigas” de Dalva Elias Thomaz e “João Batista Vilanova Artigas, arquiteto
(1934-1941): a gênese de uma obra” de Cristina Jucá, que subsidiaram o
entendimento para a elaboração dos critérios classificatórios da obra de Artigas.
Num segundo momento, confeccionamos uma planilha contendo todas as obras que possuíam
alguma posição nesta UPPH – sejam guichês, estudos de tombamento ou até se já fossem
tombados – e cruzamos com as informações das obras que aparecem nos materiais consultados e
são colocadas nestas como “obras consagradas” do arquiteto.
A partir disso estabelecemos os seguintes critérios:
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Critério de classificação
Ressaltamos que o reconhecimento por este órgão é de âmbito estadual, e portanto, a análise
restringiu-se aos projetos situados do território paulista.
1.
Conforme mencionado anteriormente, estabelecemos a divisão da obra do arquiteto por período
de tempo: identificamos que como profissional que trabalha com ciências humanas,
principalmente na área de arquitetura, Artigas apresenta características muito distintas ao longo
de sua produção arquitetônica, expressando, assim, todo o processo de maturação de sua obra.
Tal divisão não expressa a essência do desenvolvimento da produção arquitetônica do arquiteto,
tal qual se refere a Profª. Marlene Yurgel em entrevista dada a este GEI em 21 de Janeiro de
2009; representando apenas uma divisão. Por esse motivo, utilizamos a divisão temporal
apresentada pelo Prof. Júlio Katinsky na Exposição “Vilanova Artigas”, do Instituto Tomie Ohtake:
2.
Período entre 1938 e 1944 [equivalente ao período de aproximação com Frank Lloyd
Wright];
5.
3.
Período entre 1945 e 1953 [equivalente ao período de aproximação com a Escola Carioca];
4.
Período entre 1956 e 1985 [equivalente ao período de aproximação com o Brutalismo].
A partir da classificação temporal é possível estabelecer uma classificação por programa
arquitetônico. Em cada um dos períodos citados acima, identificamos uma gama diferente de
programas contemplados – residencial, residencial multifamiliar, educacional, institucional,
esportivo, de lazer, transporte e obras de engenharia; nas quais o arquiteto tem a criatividade
como parte inerente do processo de desenvolvimento de cada projeto. Em nossa classificação
pretendemos selecionar exemplares que melhor representam momentos criativos do arquiteto e
apontam a flexibilidade do trabalho de Artigas demonstrando sua capacidade de adaptabilidade
aos diversos programas e demandas.
6.
Ao estabelecer e classificar as obras em suas devidas programas, procurou-se verificar o
reconhecimento pela crítica destas por meio de três principais referências – 1. o catálogo da
exposição “Vilanova Artigas”, no Instituto Tomie Ohtake, 2. o catálogo da exposição “Vilanova
Artigas por Vilanova Artigas” e o livro “Arquitetura Moderna Paulistana”, de Alberto Xavier, Carlos
Lemos e Eduardo Corona. Esta fase foi necessária para identificar quais as obras do arquiteto
seriam consideradas referência para a disseminação de sua ideologia, seguindo linha
bibliográfica já realizada sobre o autor.
Critério de análise para estabelecimento do valor cultural dos bens arquitetônicos de autoria
de Vilanova Artigas.
1.
As ideologias de Vilanova e seus princípios arquitetônicos são conceitos ensinados desde o
início do curso de graduação da FAU-USP; utilizamo-nos da síntese elaborada pelo arquiteto
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Ruy Ohtake em seu “30 anos depois: um olhar para o futuro”, onde este aponta em pequenos
capítulos os principais pontos desta ideologia. Para o arquiteto Vilanova Artigas, o espaço se
define como conceito tridimensional, ultrapassando os limites da planta-baixa; utiliza-se, dessa
maneira, das colunas e demais elementos estéticos como formas de apropriação e formação do
espaço. Seguindo Ohtake, considerados os períodos anteriormente citados, adotamos alguns
critérios de seleção referentes a cada tipologia que permitiram a identificação das características
de projeto que diferenciam Artigas dos demais arquitetos. São eles:
2.
“Uma virada estética”, segundo Ohtake, numa das fases de sua carreira, Artigas deixa de
resolver o projeto unicamente com a estrutura, e passa a se utilizar de outros meios para
compor o espaço, passa nesta época a utilizar elementos vazados, pintura colorida; enfim, a
poética estrutural é complementada pelas minúcias do acabamento;
3.
“Apoios que cantam”, Artigas foi um dos arquitetos que mais estudou e desenhou pilares
(OHTAKE, 2003) e os utiliza não apenas como parte integrante da estrutura que sustenta o
edifício, vai além, faz com que o desenho peculiar de cada pilar construa um espaço único;
4.
“Espaço que flui”, o espaço, em alguns de seus edifícios, ultrapassa o limite do conceito de
coberto e do descoberto, vai até a rua, até a cidade (OHTAKE, 2003).
5.
“As cores começaram a me impressionar”, Artigas estudou também as cores e tirou partido
de sua “sinfonia” (OHTAKE, 2003) para enriquecer seus projetos;
6.
“Lembranças”, falo uso das palavras de Ohtake para melhor expressar o significado deste
último ponto.
7.
Questões políticas: o momento político do país foi muito ingrato com a trajetória profissional
de Artigas. A perseguição política, a truculência da direita, a partir da década de 50, então
com pouco mais de 30 anos de idade, obrigou-o a interromper inúmeras vezes seu trabalho.
E, em meados da década de 80, quando o processo democrático ensaiava o retorno
paulatino, podendo ter sido o reinício de uma grande fase de trabalho, Artigas, adoentado,
faleceu em 1985. Aos 69 anos. Cedo para quem é artista, para quem é arquiteto. Mesmo
assim, Artigas produziu imenso trabalho e, principalmente, na sua cabeça, os pensamentos
nunca foram interrompidos. Seus projetos não se explicam calmamente, se discutem. Às
vezes gritam (OHTAKE, 2003).
Justificativa Tombamento
O estudo e análise da obra do arquiteto João Batista Vilanova Artigas deu-se em algumas etapas. Foi
realizado a partir de um processo de tombamento (P. Condephaat 39844/03) que tinha
genericamente a solicitação de preservação oficial de edificações diversificadas dentro do conjunto
da “obra de Artigas”.
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Inicialmente, enfrentou-se a fase de definição e até de ampliação do objeto, motivo pelo qual foi
proposta a abertura de alguns guichês. Com base na bibliografia existente e no conhecimento crítico
sobre o autor, o escopo de análise foi acrescido de alguns exemplares em busca de representar
programas e realizações do arquiteto ao longo de sua obra mais recorrentemente valorizadas pela
crítica.
Objetivou-se com o aprofundamento dos estudos a representação de modo sintético da produção do
arquiteto em sua dimensão de paradigma para o desenvolvimento de sua própria obra, ou a de seus
seguidores. Tais construções se tornaram marcos referenciais da história da arquitetura e da
paisagem paulista, sintetizando o conjunto com representantes de programas diferenciados e de
períodos produtivos e momentos criativos de Artigas.
Assim, não seria necessário preservar pelo tombamento de toda a obra, como nos parece seria o
caso se fosse preservados oficialmente os cerca de quarenta bens pré-indicados no início do
processo de estudos.
Após o estabelecimento de uma listagem básica foram realizadas vistorias para reconhecimento das
condições atuais das construções e verificação de grau de integridade e das alterações em relação
aos projetos originais e seu estado de conservação. Analisou-se, além do estado das edificações,
questões de propriedade. Bens de difícil ou onerosa recuperação física ou ainda bens privados de
fruição muito restrita não foram selecionados.
Desse modo foram selecionados do período de sua graduação até 1944 a Residência Rio Branco
Paranhos e a primeira e a segunda casa do arquiteto.
Justifica-se a seleção da Residência Paranhos por sua presença expressiva no bairro do Pacaembu
e a reconhecida influência da arquitetura organicista de Frank Lloyd Wright. A casa é marcante na
paisagem e singular em suas soluções construtivas e espaciais para acomodar-se em terreno de
topografia difícil. Embora a construção já tenha sofrido ampliações, a essência do projeto mantém-se.
A primeira casa do arquiteto também é tida pela crítica como fruto dessa influência de Frank Lloyd
Wright. Nesta casa, o programa da residência essencial, próprio à temática da arquitetura moderna,
está presente. Esta foi uma casa de lazer fora da cidade quando o bairro Campo Belo era bem
distante do centro. Neste momento o arquiteto morava no Edifício Copan, outro ícone da arquitetura
moderna brasileira de autoria de Oscar Niemeyer.
Além disso, esta foi escolhida por ser a primeira casa Artigas, obra que rompe com paradigmas do
racionalismo com muita liberdade projetual, o que foi possível, segundo ele próprio, pois construía
para si. Em conjunto com a segunda casa do arquiteto no Campo Belo, ambas construídas entre
1945 e 1953, elucida o programa da residência mínima, o que as vinculam com propostas
internacionais do movimento moderno e representam momento de proposição no panorama
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brasileiro. O programa da segunda casa, construída no mesmo terreno da primeira, quando ele
passou a morar no local, também propõe um programa básico: espaços privados pequenos, sala
integrada a jardim e estúdio em plano elevado, ligado à sala principal.
Também é importante a coerência entre o que o arquiteto pregava, ensinava e estabelecia como
dogma e o que vivia privadamente, claramente verificado no programa dessas duas casas. São
programas em que o espaço para a individualidade é minimizado em detrimento dos locais de
convívio, em consonância com sua visão política.
Em termos de linguagem, a segunda residência tem fachadas com planos de vidro criando grandes
transparências e integração entre o espaço interno e externo e coberturas com águas invertidas. Tais
elementos e partido se repetiram em variadas residências como as que criou para o cliente fiel
Taques Bittencourt, que o encarregou de vários projetos de residências. Há exemplares deste
percurso bastante documentados na literatura. Inicialmente, pensou-se selecionar uma dessas casas
Taques Bittencourt, mas a seleção final optou por apenas a Rio Branco Paranhos e as do próprio
Artigas pelos motivos acima detalhados.
Fazem parte da pesquisa residencial ainda o Edifício Louveira, já tombado (P. Condephaat
23387/85 - SC 44 18/12/1992), e do mesmo momento em que a pesquisa pela unidade residencial se
aplica ao programa da habitação multifamiliar. O edifício é inteligentemente implantado em dois
blocos interligados por rampas, que são separados e integrados por um jardim comum que se
prolonga visualmente em continuidade com a praça fronteira.
A arquitetura residencial não deixou de fazer parte de sua atuação até o final da carreira. Contudo, a
atuação do arquiteto voltou-se cada vez mais para a esfera a que ideologicamente estava mais
afeito, a proposição do espaço coletivo para uma sociedade mais justa. Assim, a seleção para
tombamento privilegiou a partir dessa data projetos que visaram ao uso público e que,
consequentemente terão também possibilidade de fruição por mais pessoas, outra dimensão
importante para a proposição de bens para preservação oficial.
Desta forma, as residências tiveram sua seleção limitada a uma representação essencial de modo a
não estender excessivamente o tombamento a bens privados ligados tão intimamente à vida de seus
proprietários. A experiência tem indicado que com a legislação atual que não promove qualquer
incentivo aos proprietários privados de bens tombados, o destino destas construções tem sido a
deterioração. E em última instância pesados processos e ônus financeiros ao Condephaat para
promover suas restaurações e desapropriações.
Da segunda metade da década de 1950 até o final da de 1960 foi selecionado o antigo Santa Paula
Iate Clube um projeto que adaptou uma construção já iniciada para as instalações de um clube junto
à Represa de Guarapiranga. Representando assim um programa de lazer que tira partido de uma
construção prévia e da paisagem da qual é indissociável, experimentando formas e ousa estruturas
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inovadoras. A escolha justificou-se por ser este projeto uma expressão máxima da experimentação
estrutural, tão fundamental na obra de Artigas, associada a um programa de uso público e a
presença em paisagem de grande beleza. A possibilidade trazida pelo tombamento de controlar as
futuras adaptações da construção é muito benvinda para as perspectivas da preservação. Ressalvase, contudo que se por um lado, seguramente haverá grandes investimentos para a futura utilização,
no momento propriedade particular e abandonada, o alegado interesse da Prefeitura em utilizar o
local traz esperanças de um desfecho positivo. Aliás, o local já é tombado pelo Conpresp, conselho
municipal da preservação.
Ao longo de sua carreira, Artigas projetou incansavelmente edifícios escolares, sendo que o ícone de
sua própria obra, o edifício da FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP já foi
reconhecido pelo tombamento há vários anos (P 21736/81 – res. SC 26 de 23/07/81). Neste prédio
Artigas propôs um edifício que traduzisse sua proposta de ensino de arquitetura: que tivesse espaços
amplos que integrassem todas as disciplinas e que não se fechasse em nenhum momento para o
exterior. As rampas abertas e salões praças para reuniões democráticas projetadas nesse edifício
monumental se repetem em maior ou menor escala em outros projetos escolares e já estavam
prefigurados no Ginásio de Guarulhos, motivo pelo qual esta obra é indicada para tombamento
neste processo.
Em Guarulhos o painel artístico de Mário Gruber é ilustrativo da atitude de realizar parcerias com
artistas plásticos reveladas em murais na Casa Mendonça do Sumaré, também de Gruber, e no
Ginásio de Itanhaém e numa das Casas Taques Bittencourt, com Francisco Brennand. O Ginásio de
Guarulhos representa os projetos públicos do autor. Mas, representa mais que isso, as concepções
de escolas especificamente, e ainda, a concepção em torno de um espaço central unificador; a
relação com a paisagem e a topografia como na residência Rio Branco Paranhos; a presença de
painéis artísticos, como nas residências Taques Bittencourt e Mendonça, elementos presentes no
desenvolvimento de sua obra.
Ainda no programa escolar, o arquiteto desenvolveu projetos dentro do esforço do poder público em
racionalizar as construções com vistas a solucionar o déficit de prédios adequados e suficientes para
escolas oficiais.
Este trabalho capitaneado pela extinta Conesp, Cia de Edificações Escolares do Governo do Estado
de São Paulo, no intuito de reduzir os investimentos em projeto e custos de obra, criava padrões,
componentes pré-fabricados, estruturas e dimensões pré-determinadas. A EEPG Conceiçãozinha
no Guarujá é exemplar ao demonstrar a capacidade criativa do arquiteto, dentro deste contexto
considerado limitante para muitos profissionais. O projeto busca resolver o programa com
racionalidade e beleza e ilustra também um aspecto essencial da obra de Artigas que são as
constantes experiências com sistemas e técnicas construtivas. Por estas razões optou-se por propor
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seu tombamento. Apesar de o prédio estar com sérios problemas de manutenção, a FDE, fundação
responsável pela manutenção de prédios escolares tem demonstrado rara capacidade de restaurálas adequadamente.
Fecha essa seleção de bens para tombamento que busca sinteticamente representar a trajetória do
arquiteto a Estação Rodoviária de Jaú, obra em que se reafirmam os elementos da poética de
Artigas, as amplas rampas, os espaços integrados e, neste momento, o uso intensivo do concreto
armado que, neste exemplar, cria formas reconhecidas por sua beleza estrutural.
A escolha de bens representativos da obra de Vilanova Artigas para o tombamento foi, como no
recente tombamento da também extensa obra do arquiteto Rino Levi, resumida a elementos
significativos que representem sua trajetória. Diante da dimensão e riqueza desta obra a seleção não
pretende contemplá-la integralmente, e sim expressar sinteticamente uma amostragem dos valores
essenciais da obra do arquiteto.
Há ainda, algumas situações muito particulares:
O Estádio do Morumbi não foi indicado na escolha final por sua própria natureza. O futebol é um
esporte que tem tido seus espaços submetidos a regras internacionais para funcionamento cada vez
mais rígidas e que implicam adaptações espaciais que seriam muito dificultadas pelo tombamento.
O conjunto habitacional CECAP, por sua vez, é de difícil preservação. É um grande aglomerado de
residências particulares que já vem sofrendo muitas alterações e cuja gestão coletiva seria muito
difícil, possuindo dimensões que implicam dificuldades de gestão semelhantes às criadas com
tombamentos de bairros ou núcleos urbanos.
Justificando por sua vez, os arquivamentos, além de o fato de não escolher para tombamento
exemplos cujo caráter já estivesse representado em outro bem indicado, outras situações específicas
– bens cuja recuperação se apresenta potencialmente muito difícil ou onerosa pelo mau estado de
conservação e/ou bens particulares que, em última instância, representariam potenciais ônus para o
poder público.
No caso dos processos das escolas, muitos dos exemplares indicados em grande quantidade para
estudo de tombamento pela própria Fundação Vilanova Artigas não selecionados para preservação
oficial já possuem representação em outros edifícios escolhidos. As escolas produzidas para a
extinta Conesp, por exemplo, apresentam soluções exemplificadas na EEPG Conceiçãozinha,
enquanto que edifícios como os projetados para o Colégio XII de Outubro, Ginásio de Itanhaém e
Escola Industrial de Vila Alpina explicitam características que atingem maior expressividade na FAU
e Ginásio de Guarulhos.
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As passarelas apresentam outro tipo de problemática. Como disse o próprio arquiteto ao comentar o
projeto de um conjunto de passarelas, estas estruturas faziam parte de “... um plano integrado [...]
para uma problemática área.” As passarelas são elementos que não se ligam necessariamente a um
lugar específico, mas sempre a soluções paliativas para o convívio de automóveis e pessoas, como
uma forma de corrigir um sistema viário ineficiente que necessita de um equipamento elevado para
permitir a circulação de pedestres. São ao mesmo tempo, soluções padronizadas para qualquer
lugar, portanto potencialmente passíveis de remoção.
Ora, se a qualquer momento uma destas áreas, parte de uma paisagem urbana em transformação,
sofre intervenções ligadas a planos maiores de revisão urbanística, ou elas deixam de fazer sentido,
ou elas podem atrapalhar os planos, caso haja alargamento de vias. Vide o exemplo do projeto
premiado e executado no concurso do Anhangabaú que eliminou a interessante passarela de
Giancarlo Gasperini sobre o vale, já que esta perdeu sua função. Assim, sempre poderá haver
projetos urbanísticos que alterem as dimensões ou eliminem a pertinência de qualquer passarela,
inclusive as de Vilanova Artigas, daí o tombamento ser um instrumento nada recomendável.
Não interessa nem à preservação, nem ao planejamento urbano que o bem se torne monumento
para a mera contemplação e que, sem função e obsoleto até tenda à deterioração.
Restrições a mudanças que o tombamento de passarelas, um equipamento ligado ao trânsito, pode
significar potencialmente dificuldades para a gestão do sistema viário e de um modo mais amplo para
o planejamento urbano da cidade.
Neste caso, vale lembrar que a salvaguarda da solução arquitetônica e urbanística proposta com o
tombamento das passarelas pode ser muito bem assegurada por outros meios de preservação. Aqui
cabem o registro fotográfico e cinematográfico e a guarda arquivística de fontes documentais tais
como o projeto original.
Em resumo, de um modo geral as indicações se orientaram por evitar tombar estruturas ou
construções ligadas a funções com muito dinamismo e que potencialmente sofrerão alterações
significativas.
Antes de concluir, não se pode deixar de mencionar que o caráter inovador de algumas soluções
construtivas e estruturais empregadas na obra de Artigas podem representar sérios e difíceis
desafios para a preservação da restrita relação de bens selecionados para tombamento.
A FAU, por exemplo, tem sido alvo de intensas polêmicas sobre como solucionar os constantes
problemas de cobertura, de infiltrações e das manchas do concreto aparente. A EEPG
Conceiçãozinha com suas arcadas de alvenaria e captação de água a céu aberto também apresenta
questões difíceis para a preservação. A garagem de Barcos, por sua vez, está em área enorme cujo
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proprietário não está investindo na recuperação que, seguramente terá altos custos quando for feita.
Ainda assim, são edificações que, segundo os critérios de representatividade da obra, caráter
emblemático e/ou potencial de fruição pública desta seleção devem permanecer.
Concluindo, a escolha de bens para tombamento privilegiou alguns projetos essenciais que
documentassem e sintetizassem elementos presentes em toda a obra do autor.
Não se pretendeu fazer o tombamento da obra de um autor, e sim valorizar, através do tombamento
de exemplares bastante específicos, sua contribuição para o patrimônio cultural paulista.
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Proposta de Tombamento
Imagem
Obra
Período
Justificativa
Situação
patrimonial
- presença marcante na
paisagem do bairro
Pacaembu
Residência Rio
Branco
Paranhos
1938 a 1944
(1942)
- representativa da
produção inicial do
arquiteto, que mostra
influências da arquitetura
de Frank Lloyd Wright
Guichê
01031/2010
- relevante para os
critérios deste
tombamento apesar de
alterações de sua
imagem
Residência do
Arquiteto I
(casinha)
- liberdade projetual em
relação aos dogmas do
racionalismo
1938 a 1944
(1942)
- produção inicial do
arquiteto, que mostra
influências da arquitetura
de Frank Lloyd Wright
- pesquisa pela unidade
residencial em um
programa de habitação
multifamiliar
Edifício Louveira
1945 a 1953
(1946)
- relação com a
paisagem (pça.
Vilaboim)
Guichê
01033/2010
Bem
Tombado
Res. SC 44
de 18/12/1992
- presença marcante no
bairro de Higienopolis
Residência do
Arquiteto II
1945 a 1953
(1949)
- liberdade projetual em
relação aos dogmas do
racionalismo
- integração do espaço
interno e externo
Guichê
01033/2010
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Imagem
Obra
Faculdade de
Arquitetura e
Urbanismo da
Universidade de
São Paulo
Ginásio de
Guarulhos (EE
Conselheiro
Crispiniano)
Rodoviária de
Jaú
Período
1956 a 1985
(1961)
Justificativa
- representante máximo
das propostas do
arquiteto enquanto
arquitetura e
metodologia de ensino
- presença marcante na
paisagem da cidade
(universitária)
1956 a 1985
(1961)
1956 a 1985
(1975)
- introduz elementos de
concepção, acabamento
e de linguagem,
presentes no conjunto
de sua obra em projetos
de programa escolar
- introduz a utilização de
iluminação zenital
- o jogo cromático e o
uso de painéis murais
artísticos são marcantes
neste projeto
- sintetiza as propostas
do arquiteto
- reafirma os elementos
da poética de Artigas
Situação
patrimonial
Bem
Tombado
Res. SC 26
de 23/07/1981
Estudo de
Tombamento
P54292/2006
Estudo de
Tombamento
P49925/2004
- proposta inusitada
dentro de padronização
constritiva
EE
Conceiçãozinha
1956 a 1985
(1976)
- solução estrutural
criativa que se apresenta
em papel de destaque
diante de outras obras
sob encomenda da
CONESP
Estudo de
Tombamento
P45961/2003
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Imagem
Obra
Período
Justificativa
Situação
patrimonial
- relação indissociável
com a paisagem da
represa
Garagem de
barcos do Santa
Paula Iate Clube
1956 a 1985
(1976)
- unidade projetual que
permeia intervenções
em construção préexistente
- solução dos pontos de
apoio articulados
Para tanto, sugerimos ao Egrégio Colegiado:
1.
A abertura de estudo de tombamento dos seguintes guichês:
00745/00 - Santa Paula Iate Clube
01031/10 - Residência Rio Branco Paranhos
01033/10 - Residência João Batista Vilanova Artigas I e II
2.
O arquivamento dos processos de estudos de tombamento das seguintes obras:
00891/04 - Fórum de Promissão
01032/10 - Residência José Mário Taques Bittencourt II (Casa dos pórticos)
01034/10 - Balneário de Jaú
24318/85 - EEPG Jon Teodoresco (Ginásio de Itanhaém)
45951/03 - Ginásio Estadual de Utinga
45952/03 - Escola Industrial de Vila Alpina
45953/03 - Centro Educacional de Jaú (Unidade Escolar Especial)
45955/03 - Centro Educacional Pré-primária de Vila Alpina
45954/03 - Colégio XII de Outubro
45957/03 - EEPG Jd. Oiti
45958/03 - EEPG Joaquim Nabuco
45959/03 - EEPG Jd. Paulista
45960/03 - EEPG Jd. Chapadão
45962/03 - EEPG Agenor de Campos
45963/03 - EEPG Pq. Boa Esperança
45964/03 - EEPG Sete Praias
45965/03 - EEPG Pq. Ludovico
45966/03 - EEPG Jd. Flor do Campo
45967/03 - EEPG Vila Menck
Guichê
00745/2000
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45968/03 - Passarela Av. Nove de Julho / INSS
45969/03 - Passarela Av. Rubem Berta / Av. Miruna
45970/03 - Passarela Av. Rubem Berta / Aeroporto de Congonhas
45971/03 - Passarela Av. Nove de Julho / FGV
45972/03 - Passarela Largo Padre Péricles
45973/03 - Passarela Av. Rubem Berta / Av. Aratãs
45974/03 - Passarela Av. Ramiro Colleone / Rua Justino Paixão
45975/03 - Passarela Av. dos Eucaliptos / Rio Tamanduateí / SESI
45976/03 - Passarela Av. Perimetral / Av. Guilherme Marconi
49924/04 - Passarela 1974 / Av. Pereira Barreto / Rua Cayubi
3.
A incorporação dos tombamentos do Edifício Louveira e do edifício-sede da FAU-USP neste
estudo para elaboração de um dossiê que documente a obra do arquiteto a semelhança do que
já foi feito no estudo das obras do arquiteto Rino Levi.
4.
Se acatada a sugestão de tombamento dos itens elencados em 2, solicitamos o retorno dos
autos a este GT para ciência e novo retorno à apreciação do Egrégio Colegiado.
UPPH-GEI, 25 de junho de 2010.
Arq. Priscila Miura
Arq. Adda Ungaretti
Arq. Silvia Wolff
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Paulo: EDUSP, 1997.
____________________. Catálogo da exposição “Vilanova Artigas por Vilanova Artigas”. São Paulo:
FAU-USP, 2007.
____________________. Primeira entrevista em 07 de junho de 1983. In: JUCÁ, Christina Bezerra de
Mello. João Batista Vilanova Artigas, arquiteto: a gênese de uma obra (1934-1941). Brasília: Dissertação
de mestrado – ICH/UnB, 2006. Entrevista concedida a Christina Bezerra de Mello Jucá.
BRUAND, Y. Arquitetura contemporânea brasileira. São Paulo: Perspectiva, 1981.
COTRIM, M. Diálogos imaginários: Marcel Breuer e Vllanova Artigas. Arquitextos – Portal Vitruvius.
São
Paulo,
v.
064,
n.
330,
Set.
2005.
Disponível
em:
<
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp330.asp>. Acesso em: 12 Jan. 2010.
KAMITA, J. M. Vilanova Artigas. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
KATINSKY, J. R. Vilanova Artigas: invenção de uma arquitetura. In: INSTITUTO Tomie Ohtake.
Vilanova Artigas. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2003.
JUCÁ, C. B. M. João Batista Vilanova Artigas, arquiteto: a gênese de uma obra (1934-1941). 2006.
266 f. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas, Universidade de Brasília,
Brasília, 2006.
SANTOS, J. L. T. Cópia da documentação pertencente ao prof. João Batista Vilanova Artigas. São
Paulo: sn, [1980?].
SEGAWA, H. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. São Paulo: EDUSP, 1997.
VALENTIM, F. R. Casas para o ensino: as escolas de Vilanova Artigas. 2003. 375 f. Dissertação
(Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São
Paulo, 2003.
XAVIER, A.; LEMOS, C. A. C.; CORONA, E. Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: PINI, 1983.
FONTES CONSULTADAS
SÃO PAULO (Município). CONPRESP – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico,
Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo. Resolução nº03/CONPRESP/200. Dispõe sobre o
tombamento do Conjunto de edifícios do antigo Santapaula Iate Clube. São Paulo, 2007.
COTRIM, M. A casinha de Artigas: reflexos e transitoriedade. Arquitextos (São Paulo. Online), v. 061,
p. 01, 2005.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
ZEIN, R. V. Brutalismo, sobre sua definição (ou, de como um rótulo superficial é, por isso mesmo,
adequado). Arquitextos (São Paulo. Online), v. 084, p. 084, 2007.
_______________. Um caso exemplar: a Garagem de Barcos do Clube Santapaula. Premissas para
a recuperação de seu valor arquitetônico e ambiental. In: 5º seminário do. co. mo. mo. Brasil:
Arquitetura e Urbanismo Modernos: Projeto e Preservação. São Carlos, 2003.
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ASSUNTO: CONJUNTO DE OBRAS DE VILANOVA ARTIGAS
PARECER DO RELATOR
. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
“ O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste.
Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O
valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o
espiritual.”
Vilanova Artigas
Julho de 1945 *
O relato destes processos, do qual fomos encarregados, é tão longo quanto seu histórico cujo início
remonta ao ano de 1999. Na ocasião, foi solicitada a este Colegiado, pela Fundação Vilanova
Artigas, a salvaguarda, através do tombamento, de 17 escolas projetadas pelo arquiteto Vilanova
Artigas entre 1962 e 1978, além de nove passarelas de pedestres. (Ver listagem das obras à fl. 39 do
Processo nº 45961/2003).
O parecer do então Conselheiro Relator Manoel Brancante, favorável à abertura do processo para
estudo de tombamento dessas edificações - o que se deu em abril de 2000 - influenciou
definitivamente seu resultado ainda que uma década depois, na medida em que expôs seu
descrédito quanto à conveniência de tombar-se a totalidade da obra do arquiteto. De fato imensa,
pois extrapola a casa das cinco centenas.
Desse processo inicial e a essa listagem primeira, outras obras foram acrescidas ao longo do tempo,
resultando nos atuais 36 processos objetos da atual análise. Isto porque o “processo-mãe” (N°
39844/00) acabou por ser, em determinado momento, desmembrado: formou-se, para cada
edificação, um processo específico. De qualquer forma, porém, o assunto foi estudado
conjuntamente pela GEI/UPPH, resultando em parecer único anexado igualmente a todos os
processos, concluído em junho de 2010.
Segundo o texto de encaminhamento, “O estudo foi objeto de reflexões e aprofundamento por parte
do Grupo de Estudos e Inventário” - fato que pudemos constatar - e que versou sobre a carreira do
arquiteto e sua produção arquitetônica, além de apresentar “uma proposta de preservação de alguns
itens do conjunto considerando o grau de significância de cada um dentro da totalidade”.
Não nos propusemos, evidentemente, a refazer um estudo já feito à exaustão, tampouco produzir
uma tese sobre as obras de Artigas; apenas tecer considerações em relação às propostas
apresentadas pela GEI/UPPH, detendo-nos às obras contidas neste conjunto de processos à
excessão de três menções de residências não contempladas neste estudo para uma possível
revisão, e indicação para tombamento.
A metodologia adotada para o referido estudo – da GEI/UPPH - resumida e objetivamente, partiu do
conhecimento da trajetória do arquiteto e do que já foi publicado acerca de suas obras de modo a
identificar, a partir dessa crítica, quais as obras consagradas, quais as mais representativas e
expressivas dentre aquelas em estudo de tombamento.
Como critério de classificação, foi adotada a divisão por período de produção uma vez que posturas
diferenciadas a caracterizaram: os anos entre 1938 a 1944, quando se deu a aproximação com Frank
Lloyd Wright; os anos de 1945 a 1953, quando se deu a aproximação com a Escola Carioca; e os
anos de 1956 a 1985, o da aproximação com o Brutalismo. “Qualquer periodização corre o risco
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da simplificação, sendo aceitável apenas como recurso didático.” 9 mas da classificação
temporal partiu a equipe à classificação por programa arquitetônico: residencial, residencial
multifamiliar, educacional, institucional, esportivo, de lazer, transporte e obras de engenharia. E,
finalmente, da periodização em confronto com as tipologias, selecionou “exemplares que melhor
representam momentos criativos do arquiteto” e verificou o “reconhecimento pela crítica
destas por meio de 3 principais referências - 1. O catálogo da exposição “Vilanova Artigas no
Instituto Tomie Ohtake, 2. O catálogo da exposição “Vilanova Artigas por Vilanova Artigas” e o
livro “Arquitetura Moderna Paulistana”, de Alberto Xavier, Carlos Lemos e Eduardo Corona”
de modo a “identificar quais as obras do arquiteto seriam consideradas referência para a
disseminação de sua ideologia, seguindo linha bibliográfica já realizada sobre o autor.” 10
Várias tipologias arquitetônicas comparecem nestes processos: residencial, institucional e de lazer,
escolar e viária - as passarelas para pedestres. E em relação a todas elas, há que se dizer, Artigas, e
também Carlos Cascaldi - com quem elaborou vários dos projetos aqui em análise -, segundo o
mesmo estudo acima mencionado “Extrapolou os limites da época (...) e garantiu a identidade de
uma arquitetura peculiar, com a marca de São Paulo”. Citando o mesmo texto: “Se para todo o
país, o legado deixado pela Escola Carioca é fundamental, há que se considerar que para São
Paulo, o que fora deixado por Artigas é, sem dúvida nenhuma, capítulo significativo para a
compreensão da história da arquitetura paulista”.
Em uma apreciação inicial, o estudo que objetivou, através de seu aprofundamento “a
representação de modo sintético da produção do arquiteto em sua dimensão de paradigma
para o desenvolvimento de sua própria obra, ou a de seus seguidores”, e concluiu que “não
seria necessário preservar pelo tombamento de (sic) toda a obra, como nos parece seria o
caso se fosse (sic) preservados oficialmente os cerca de 40 bens pré-indicados no início do
processo de estudos” 11, acabou por reduzir excessivamente, no nosso entender, e somente a
obras indiscutivelmente consagradas, magníficas e exponenciais, a salvaguarda pretendida. E se por
um lado as justificativas para as obras selecionadas para tombamento são contundentes, por outro
prescindem de melhor análise as obras excluídas.
Disso resultou que, das 36 obras em estudo, apenas 07 apresentam proposição de tombamento que,
somadas às já tombadas: FAUUSP e Edifício Louveira, na capital; e CE de Paranavaí, em Mauá,
longe de constituir toda a obra do arquiteto, atinge apenas 2% do que foi por ele produzido. Cremos
que muito pouco para quem é considerado, sem dúvida, um dos mais importantes arquitetos
brasileiros e cuja obra influencia até hoje a produção arquitetônica, notadamente a paulista.
Ademais, a maior parte das obras indicadas para tombamento concentra-se na capital e arredores
ficando o restante do estado a descoberto. Segundo trecho do estudo feito “(...) a seleção para
tombamento privilegiou (...) projetos que visaram ao uso público e que, consequentemente
terão também possibilidade de fruição por mais pessoas, outra dimensão importante para a
proposição de bens para preservação oficial (...) as residências tiveram sua seleção limitada a
uma representação essencial de modo a não estender excessivamente o tombamento a bens
privados ligados tão intimamente à vida de seus proprietários (...). A escolha de bens
representativos da obra de Vilanova Artigas para o tombamento foi (...) resumida a elementos
significativos que representem sua trajetória. Diante da dimensão e riqueza desta obra a
seleção não pretende contemplá-la integralmente, e sim expressar sinteticamente uma
amostragem dos valores essenciais da obra do arquiteto.”
9
10
ZEIN, Ruth Verde. A obra do arquiteto. In: Revista Projeto nº 66. São Paulo: 1984.
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova Artigas.
São Paulo: 2010.
11
Idem.
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“Justificando por sua vez, os arquivamentos, além de o fato de não escolher para tombamento
exemplos cujo caráter já estivesse representado em outro bem indicado, outras situações
específicas – bens cuja recuperação se apresenta potencialmente muito difícil ou onerosa
pelo mau estado de conservação e/ou bens particulares que, em última instância,
representariam potenciais ônus para o poder público.” 12
Mapa com indicação das obras em estudo no Estado de São Paulo
Acreditamos que os arquivamentos propostos pela UPPH não poderiam ser aceitos mediante apenas
tais justificativas: Quanto ao “caráter já representado em outro bem indicado” para tombamento,
vale dizer que este, o caráter, é a essência da própria obra do autor, resultante, no caso, das
posturas assumidas durante toda a sua trajetória profissional e também pessoal. Quanto a “bens
cuja recuperação se apresenta potencialmente muito difícil ou onerosa pelo mau estado de
conservação”, também não poderia constituir um parâmetro de objeção, mesmo porque a maioria
das obras excluídas não passou, supõe-se, por uma vistoria, já que relatórios a respeito não constam
dos respectivos processos. A despeito das conhecidas dificuldades de locomoção a postos afastados
da capital, este argumento não poderia constituir uma justificativa. Seria aceitável, sim, a
descaracterização comprometendo irreversivelmente o valor da obra, mas esse dado não está ainda
disponível, assim como quais os “bens particulares que, em última instância, representariam
potenciais ônus para o poder público.”
No caso das construções escolares a questão se agrava na medida em que, das 17 indicadas pela
Fundação Vilanova Artigas, somente duas foram selecionadas para tombamento. Verificam-se
justificativas para tanto que, entendemos, suscitam uma discussão mais aprofundada, conforme
transcrições a seguir:
12
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova
Artigas. São Paulo: 2010.
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“No caso dos processos das escolas, muitos exemplares indicados em grande quantidade
para estudo de tombamento pela própria Fundação Vilanova Artigas não selecionados para
preservação oficial já possuem representação em outros edifícios escolhidos. As escolas
produzidas para a extinta Conesp, por exemplo, apresentam soluções exemplificadas na
EEPG Conceiçãozinha, enquanto que edifícios como os projetados para o Colégio XII de
Outubro, Ginásio de Itanhaém e Escola Industrial de Vila Alpina explicitam características que
atingem maior expressividade na FAU e Ginásio de Guarulhos.”
(...)
“Seria inadequado tombar toda a sua obra (...) percebe-se em seus projetos realizados para a
Conesp (no caso das escolas) quanto para a EMURB (no caso das passarelas) que apesar da
pertinência em relação às soluções apresentadas e as propostas revolucionárias na
concepção de suas obras, às vezes houve necessidade de acomodá-las a exigências ou
padrões pragmáticos das instituições.” 13
A questão da representatividade, quando entendida dentro dos parâmetros adotados, de fato acaba
por reduzir o universo selecionado, pois, neste caso, se restringiu tão somente às questões
arquitetônicas, deixando de lado a perspectiva histórica e a distribuição geográfica. As escolas
projetadas pelo arquiteto, em um total de 32 projetos, cuja série tem início com o Ginásio Itanhaém
(1959), fazem parte do Programa de Renovação do Ensino Público empreendido pelo governo
paulista que convidou, no final da década de 1950, uma equipe de arquitetos para executar a tarefa,
entre os quais o próprio Artigas. Na sequência desse período, segundo Ruth Verde Zein (1984)
“provavelmente o mais fértil em soluções e propostas, adiantando posturas que serão
norteadoras da chamada arquitetura paulista dos anos 60 e 70 e que Artigas continuará
aperfeiçoando após 1967”, sucede-se a fase das escolas Conesp.
O tema construção escolar, a partir dessa primeira experiência com o Ginásio de Itanhaém, “se
tornaria caro ao arquiteto, não só pela crença na influência formativa da escola para a
sociedade, como também pelas experiências plásticas desenvolvidas. A afinidade com essa
tipologia é imediata, a ponto de Artigas ser identificado pelas escolas que constrói – e de fato
o volume de edificações projetadas (32 no total) é realmente significativo.” 14
De fato, os bens selecionados para tombamento, pelo que se depreende dos estudos e da crítica
sobre a obra do arquiteto, são os mais representativos, os mais importantes e os mais significativos
conceitual e plasticamente, ainda que alguns outros devessem ser acrescentados a essa relação.
Tomando emprestado, todavia, uma frase do arquiteto Ruy Ohtake, “seus projetos não se explicam
calmamente, se discutem. Às vezes gritam.”, entendemos que falta, ainda, maior discussão também
quanto às obras escolares excluídas, mesmo porque faltam maiores informações a respeito. E nessa
discussão deveriam ser considerados também os aspectos históricos relativos aos programas
escolares para os quais esses projetos foram concebidos, sua importância ou qualidade espacial
presentes nesses edifícios e a pertinência de viabilizar a preservação desses edifícios – com sua
inegável qualidade sejam eles mais ou menos representativos no conjunto da obra do autor – nos
municípios em que se localizam.
A salvaguarda das escolas dos Arquitetos Paulistas, em especial Artigas, com justificativa patrimonial
garante a distribuição de escolas reconhecidas pelo CONDEPHAAT pelo interior do estado,
mantendo o Patrimônio Cultural em lugares onde sequer se fala sobre tombamento e
reconhecimento Cultural; as direções das escolas nem sempre sabem a História destes edifícios, não
13
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova
Artigas. São Paulo: 2010.
14
KAMITA, João Masao. Vilanova Artigas. Cosac & Naify, São Paulo: 2000.
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contribuindo para o conhecimento do que é “educação patrimonial”.,Marly Rodrigues em 2008
realizou encontro com Conselhos e interessados na educação patrimonial, que divulgava a
necessária idéia de um projeto de Educação Patrimonial.
Neste ano em 21/11/2011 o CONDEPHAAT, fez o encontro “Patrimônio Cultural Caminhos e
Oportunidade” com enorme êxito, promoveu a integração com os CONSELHOS do estado,
Secretarias Municipais de Educação ou Cultura e sociedade civil; estreitou relações de ações de
preservação assim como apresentou os recentes Bens tombados no Estado. Falo isso porque o
trabalho do CONDEPHAAT sobre as Escolas da República, que teve a Arq. Silvia Wolf como
pesquisadora entre outros, identificou política pública para construir o Cidadão e através das
diferentes tipologias dos edifícios classificou-os e possibilitou a divulgação desses importantes
edifícios e suas finalidades. A continuação deste programa estendendo às escolas Modernas
mantém a coerência do CONDEPHAAT, na missão de defender e divulgar o Patrimônio Cultural do
Estado. E nenhum lugar é mais adequado para isso do que o reconhecimento dos edifícios escolares
patrimoniais no interior do Estado.
Prosseguindo com estas considerações iniciais, surge a questão relativa às passarelas. Das 10 préindicadas para tombamento pela Fundação Vilanova Artigas (6 na capital e 4 em Santo André), para
todas foi proposto o arquivamento, segundo as justificativas transcritas a seguir:
“As passarelas apresentam outro tipo de problemática (...) são elementos que não se ligam
necessariamente a um lugar específico, mas sempre a soluções paliativas para o convívio de
automóveis e pessoas, como uma forma de corrigir um sistema viário ineficiente que
necessita de um equipamento elevado para permitir a circulação de pedestres. São ao mesmo
tempo, soluções padronizadas para qualquer lugar, portanto passíveis de remoção. Ora, se a
qualquer momento uma destas áreas, parte de uma paisagem urbana em transformação, sofre
intervenções ligadas a planos maiores de revisão urbanística, ou elas deixam de fazer sentido,
ou elas podem atrapalhar os planos, caso haja alargamento de vias. (...) Assim, sempre poderá
haver projetos urbanísticos que alterem as dimensões ou eliminem a pertinência de qualquer
passarela, inclusive as de Vilanova Artigas, daí o tombamento ser um instrumento nada
recomendável.”
(...)
“Não interessa nem à preservação, nem ao planejamento urbano que o bem se torne
monumento para mera contemplação e que, sem função e obsoleto até tenda à deterioração.
Restrições a mudanças que o tombamento de passarelas, um equipamento ligado ao trânsito,
pode significar potencialmente dificuldades para a gestão do sistema viário e de um modo
mais amplo para o planejamento urbano da cidade.”
(...)
“Em resumo, de um modo geral as indicações que (sic) se orientaram por evitar tombar
estruturas ou construções ligadas a funções com muito dinamismo e que potencialmente
sofrerão alterações significativas” 15
A equipe sugere, assim, a guarda arquivística como instrumento de preservação. Concordamos que
a questão das passarelas constitui assunto problemático, assim como outros tantos componentes
classificados como mobiliário urbano, embora ninguém saiba exatamente o porquê da expressão. No
caso destas passarelas, pertencentes ao conjunto de obras do arquiteto – uma série de 20 na
Grande São Paulo - a impressão de que “não se ligam a lugar nenhum” pode advir do fato de
existir, para todas elas, uma só concepção estrutural na qual os acessos são executados em
concreto e os vãos vencidos por estruturas metálicas. Excluir todas elas de uma eventual proteção
15
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova
Artigas. São Paulo: 2010.
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legal, entretanto, com base nos argumentos acima e que enfatizam potenciais problemas futuros,
consideramos uma decisão, no mínimo precipitada, apesar de decorrida já uma década desde a
abertura dos processos. Os relatórios de vistoria não fornecem elementos suficientes para uma
tomada de decisão, a exemplo de: descaracterizações sofridas, estado de conservação, altura em
relação ao leito viário, largura – que o que poderia indicar potenciais de mudança de uso – e,
principalmente, acessos: por rampas ou escadas e condições de adaptação às atuais normas de
acessibilidade. Cabe ressaltar a importância das passarelas: a passarela sobre a avenida Nove de
Julho, situada em paisagem Histórica Paulistana, que junto com as obras urbanísticas de Prestes
Maia, os túneis e o MASP, com seu desenho integrado na paisagem e função viva, constitui Bem
necessário, s.m.j. para Tombamento.
A Passarela do Aeroporto de Congonhas é referência em inúmeros trabalhos internacionais e já faz
parte do espaço urbanístico onde está situada pelo tempo, pelo uso e pela necessidade de
recuperação do projeto, s.m.j. recomendamos o Tombamento. Outras que precisam ser consideradas
em função das características projetuais que contemplam a acessibilidade como ele mesmo relatou:
“A rampa substituiu as escadarias, quando os técnicos começaram a pensar com mais
cuidado nos carrinhos de bebê e nos deficientes físicos,1973”. (Artigas Rosa, p.177)
E de fato citando Alambert (pg 35 processo nº 45973/2003):
“Nossa obrigação é pensar o passado em direção ao futuro enquanto outros órgãos, como os
de Planejamento, tendem a pensar apenas o presente em direção ao futuro – e contra o
passado. É o que lhes cabe fazer. A nós cabe a função “moderadora’, que pode significar, em
determinados casos, até mesmo introduzir incômodos “engessamentos”.
Dentre todas, para o Município de São Paulo e para o de Santo André, quais seriam passíveis de
tombamento? Pode-se mesmo chegar à conclusão de que, por sua inerente condição de mobiliário,
nenhuma delas.
Porém como referências de Projeto e valor na Paisagem é fundamental a preservação e valorização,
s.m.j. a preservação de algumas. Lembrar pontes que recentemente foram premiadas pela sua
qualidade projetual como a de Calatrava sobre o Grande Canal de Veneza, é oportuno visto que
algumas passarelas tem grande qualidade espacial escala e integração na paisagem como
monumento ( já sugerido em pareceres sobre a qualidade das Passarelas). A recente ponte de
Calatrava tem significado de referência internacional é posterior. Desqualificar o desenho do
mobiliário em questão pode significar sim, preconceito, com razões que são inferiores ao objeto: com
qualidade, beleza, e arte intrínsecos.
Em relação aos processos, especificamente, seguem nossas opiniões frente às proposições de
tombamento ou de arquivamento decorrentes dos estudos elaborados pela GEI/UPPH. Adotamos,
para tanto, a distribuição por tipologia arquitetônica de modo a facilitar a compreensão desse vasto
universo que constitui a obra do arquiteto, ainda que resumida aos projetos aqui analisados.
. QUANTO À TIPOLOGIA RESIDENCIAL
PROCESSO 01033/10: Residência do Arquiteto I –“casinha”, 1942; e Residência do Arquiteto II,
1949, ambas no bairro de Campo Belo, São Paulo.
Somos favoráveis ao tombamento das duas obras.
A primeira, considerada exemplo dos mais importantes da fase wrightiana do arquiteto, introduz
inovações associadas a características presentes em seus projetos anteriores - cabe ressaltar o
emprego de tijolos e o reconhecimento da história paulista da casa do sul-, faz a ligação do uso da
casa paranaense que é o mesmo da história da casa paulista a partir da década de 1860 (Pereira, p
84).
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A segunda é considerada exemplar excepcional da fase de aproximação da arquitetura carioca.
Antecipa em décadas o rompimento com a forma moderna instituída no começo do século XX e faz
com liberdade peculiar um projeto que avança no tempo e com destaque gritante na paisagem
urbana que se consolidava - Casa Czaspki, expressão formal livre que tem significado
idêntico à casa de 1949. Hoje compreensível e facilmente identificada com movimentos
descontrutivistas ou das arquiteturas de ponta internacionais como Frank Gerry.
PROCESSO 01031/10: Residência Rio Branco Paranhos, 1943, Pacaembu, São Paulo.
Proposta da UPPH: tombamento.
Somos favoráveis ao tombamento dentro dos parâmetros explicitados à fl.48 do respectivo
processo, Artigos 1º e 2º, vinculados à preservação da volumetria e fachadas do corpo principal da
residência, portanto de sua integração com a cidade. Esta obra e a “casinha” são consideradas
exemplos dos mais importantes da fase wrightiana do arquiteto.
PROCESSO 01032/10: Residência José Mário Taques Bittencourt II, 1959, Sumaré, São Paulo.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento do processo. Este projeto é considerado um marco de
mudança de direção na trajetória do arquiteto, quando passa da forma entendida como volume
geométrico para a de estrutura, ou seja, é nessa residência que o uso do concreto armado vai definir
o partido, o que se tornará característico na última fase de sua obra.
Entendemos, assim, que deverá ser reconsiderado o tombamento desta casa uma vez que, em
vistoria realizada pela UPPH em abril de 2010, ainda que apenas externamente, o imóvel se
encontrava em bom estado de conservação, assim como mantidas as características que conferem a
importância a ele atribuída. A recente publicação em “Revista Internacional de Arquitetura 2G”,
Editorial Gustavo Gili, em seu número 54 dedicado à obra de João Vilanova Artigas, atualiza e traz
fatos novos na avaliação de seu trabalho e no estado de conservação dos Bens relevantes. É
necessário considerar as obras privadas excepcionais do arquiteto, são extremamente significativas
na História da Arquitetura Contemporânea e considero, s.m.j., uma atitude de Despatrimonialização.
Diante deste nova edição é fundamental analisarmos a casa Rubens Mendonça 1958-1959 e a casa
Baeta 1956-1957
A justificativa para a exclusão de imóveis privados, conforme texto do parecer técnico, cremos não se
aplicar a casos excepcionais como este: “Analisou-se, além do estado das edificações, questões
de propriedade. Bens de difícil ou onerosa recuperação física ou ainda bens privados de
fruição muito restrita não foram selecionados.”
O reconhecimento da importância estética Cultural dessas casas deve sim valorizá-las no mercado,
seguramente as repercussões internacionais dessas casas só podem agregar valor.
. QUANTO À TIPOLOGIA INSTITUCIONAL E A DE LAZER/ESPORTIVA
PROCESSO 00745/00: Garagem de Barcos do Santa Paula Iate Clube, 1961, São Paulo.
Proposta da UPPH: tombamento.
Somos favoráveis ao tombamento. Esta obra faz parte da relação de obras de valor inequívoco do
arquiteto.
PROCESSO 49925/04: Rodoviária de Jaú, 1973, Jaú.
Proposta da UPPH: tombamento.
Somos favoráveis ao tombamento. Esta obra é considerada um dos expoentes máximos do
conjunto de obras do autor e seu valor é inconteste. Nesta obra é visível a máxima de Artigas: “a arte
de fazer cantar o ponto de apoio”.
PROCESSO 01034/10: Balneário de Jaú, 1975, Jaú.
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Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento do processo. Esta obra é considerada uma das
melhores obras de Artigas da década de 1970. Entendemos, assim, que deva ser mais bem avaliada
a proposta com vistas ao tombamento da obra. Isto pressupõe uma vistoria que verifique o estado
em que se encontra a edificação quanto à manutenção das características que conferem a
importância a ela atribuída. Corresponde ao período em que Artigas, fora da FAU, realiza seus
projetos com grande liberdade e inovação e contribui para que Jaú tenha reconhecido esse conjunto
de obras do arquiteto.
PROCESSO 00891/04: Forum de Promissão, 1959, Promissão.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento do processo cujo início se deu a partir de solicitação da
Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Promissão (ASSENAP), em 2004. Não há informações
suficientes no processo para que se decida pelo seu destino. Esta obra não tem destaque na
bibliografia existente, mas deve ser reavaliada uma vez que não consta do processo um relatório de
vistoria.
(É notável as empenas do Edifício que tem o mesmo desenho do Masp, antecipando em 10 anos o
modelo de arquitetura brutalista, tão conhecido).
. QUANTO À TIPOLOGIA ESCOLAR
a) OBRAS COM PROPOSTA DE TOMBAMENTO PELA GEI/UPPH
PROCESSO 54292/06: EE Conselheiro Crispiniano - Ginásio de Guarulhos, 1960, Guarulhos.
Proposta da UPPH: tombamento.
Somos favoráveis ao tombamento. A importância desta obra é consensual e inquestionável. É a
segunda escola projetada pelo arquiteto e a primeira obra onde utiliza o sistema de iluminação
zenital.
PROCESSO 45961/03 : EE Conceiçãozinha, 1976, Guarujá.
Proposta da UPPH: tombamento.
Somos favoráveis ao tombamento. A importância desta obra é consensual e inquestionável.
“Ela não é representativa de todas as outras do período CONESP. Esse não deve ser o argumento
do tombamento porque é errado. Ela deveria ser tombada como exceção dentro da obra do Artigas.
Foi feita integralmente em tijolo, com telhado de madeira e telhas de barro, contra tudo o que ele
tinha feito até então, com uso de concreto etc. É excepcional, mas estáva caindo aos pedaços,
completamente deformada e destruída. Agora, não sei.” Rosa Artigas – Dezembro de 2011.
Essa escola tem uma tipologia que remete a memória da historia da arquitetura e ao milenar uso do
tijolo, em um projeto particular livre e contemporâneo. (em 1994 a escola estava com sua
conservação em bom estado e arquitetura integra).
b) OBRAS COM
NOTORIEDADE
PROPOSTA
DE
ARQUIVAMENTO
PELA
GEI/UPPH
COM
MAIOR
PROCESSO 24318/85: Ginásio de Itanhaém, 1959, Itanhaém.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento cujo processo foi iniciado em 1985. Esta é a primeira
escola projetada por Artigas, consta de toda a bibliografia acerca do arquiteto e tem um valor
inegável. Nesta obra, assim como no Ginásio de Guarulhos, há um mural de autoria de Mario Gruber.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Deverá ser a questão reavaliada com vistas ao tombamento do imóvel acerca do qual há um vasto
material anexado ao processo, mas sem um relatório de vistoria que informe sobre seu atual estado.
Se considerarmos a matéria na revista 2G 2010 constataremos a integridade da obra.
PROCESSO 45951/03: Ginásio Estadual de Utinga, 1962, Santo André.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. A esta escola, em toda a bibliografia sobre a obra do
arquiteto, é atribuído um valor inegável. Deverá, assim, no nosso entender, ser a questão melhor
avaliada a partir de análise específica desta obra. Do ponto de vista conservativo, a partir da vistoria
realizada pela UPPH não se verificam descaracterizações que comprometam suas qualidades
espaciais e construtivas.
PROCESSO 45952/03: Escola Industrial de Vila Alpina, Senai, 1968, São Paulo (com Fabio
Penteado).
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. A esta escola, também, a crítica atribui grande
significado dentro do conjunto de obras do arquiteto. A vistoria, também, não nos aponta problemas
notáveis. Entendemos, assim, deverá ser feita uma análise específica dessa obra. Principalmente em
função da recente morte do arquiteto Fábio Penteado.
PROCESSO 45953/03: Centro Educacional de Jaú - Unidade Escolar Especial, 1972, Jaú.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. Esta escola também é agraciada pela crítica da mesma
forma que as anteriores e prescinde de um relatório de vistoria que informe sobre seu atual estado.
Por outro lado, cremos deveria ser reavaliada sua proteção legal como parte do pequeno conjunto de
obras de Artigas na cidade de Jaú, formado pela rodoviária, o balneário e esta escola. Ao mesmo
tempo considerando sua relevância dentro do Programa de Renovação do Ensino Público
anteriormente mencionado.
PROCESSO 45955/03: Centro Integrado de Educação Pré-Primária de Vila Alpina, 1970, Santo
André.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. Esta obra apresenta características diferenciadas.
Segundo Ruth Verde Zein (1984), “(...) quase uma marquise de forma solta, curva, adequada à
topografia, jogando com a fluidez do que seja piso ou teto, num projeto ímpar, bem
humorado”. É considerada uma das melhores obras da década de 1970. Entendemos, assim, ser o
caso, este, de uma avaliação mais profunda e específica.
PROCESSO 45954/03: Colégio XII de outubro, 1962, Santo Amaro, São Paulo.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. Este edifício constitui outro marco na trajetória do
arquiteto, porém fugindo da tipologia escolar de seus projetos contemporâneos, desta feita um
edifício necessariamente verticalizado pelas limitações do lote urbano frente a um vasto programa de
necessidades. É necessária uma avaliação específica da obra para uma decisão quanto ao seu
tombamento ou arquivamento do processo. Pelo relatório de vistoria feito pela UPPH, a escola, que
não pertence à rede pública, apresenta bom estado de conservação.
PROCESSO 45960/03: EEPG Jardim Chapadão, 1976, Campinas.
Proposta da UPPH: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento. A importância deste edifício escolar é citada e pertence
à fase Conesp. A escola está implantada em lote de grande dimensão. É horizontalizada
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ligada ao sítio de maneira especial, repetindo o perfil do terreno no corte do projeto; a horizontalidade
é quebrada verticalmente por elemento construído para a caixa d’água, sinaliza a escola na
paisagem extremamente horizontal. Os elementos construtivos são os mais convencionais, blocos de
concreto, alguns usados em cobogós desenhando no projeto ventilações necessárias que dão
peculiaridades às empenas. É significativo o projeto pelo bom uso dos materiais convencionais das
construções do final do século XX, constitui exemplo da linguagem da arquitetura deste período e
principalmente o registro dos bons projetos que empregaram esses materais; materiais estes
substituídos gradativamente neste século XXI. A escala humana é extremamente bem considerada
aqui, as alturas das entradas do edifício são muito baixas o que acolhe a criança na simplicidade do
edifício e principalmente com a relação baixa do edifício.
c) OBRAS COM
NOTORIEDADE
PROPOSTA
DE
ARQUIVAMENTO
PELA
GEI/UPPH
COM
MENOR
Os processos abaixo tratam de obras localizadas em municípios diversos do estado de São Paulo e
fazem parte de um período durante o qual Artigas elaborou uma série de 11 escolas para a Conesp,
as quais seguem a tipologia escolar da fase anterior em constante pesquisa das estruturas usadas.
São consideradas também excepcionais as escolas realizadas segundo as normas da Conesp “que
demonstram as qualidades do criador que é Artigas: jamais lhe ocorreria a mimetização de
sua própria tipologia, dada a total transformação dos pressupostos de trabalho. Vai então
realizar projetos empregando o bloco de concreto estrutural, tesouras de madeira (...) em
soluções simples e belas, uma lição de saber fazer arquitetura.” 16
Nesse sentido, é importante levar em conta, e isto vale também para as escolas do item b acima
relacionadas, que o fato de características de uma série de obras estarem presentes em uma das
solucionadas, seja Conceiçãozinha, Guarulhos ou FAUUSP, não exclui a importância das demais,
distribuídas em locais diversos, alguns dos quais dispõem de muito mais que a escola pública como
espaço de convivência, de fruição, de formação ou mesmo como bem cultural. O jovem que
frequenta o Ginásio de Guarulhos se beneficiará da expressão máxima obtida nesse edifício, não no
da FAUUSP; e vice-versa. O de Carapicuíba usufruirá do espaço da escola projetada por Artigas,
não o de Conceiçãozinha no Guarujá. E assim por diante com Jales, Fernandópolis, Campinas, São
José do Rio Preto etc. Porque estas construções escolares terão, sempre, mais qualidade que a da
imensa maioria. Se sua permanência for, de alguma forma, garantida.
O que queremos dizer é que a representatividade estabelecida como parâmetro para a seleção dos
bens, conforme transcrição a seguir, notadamente no caso destas escolas, não atinge um propósito
maior, o de disseminação e distribuição democrática da cultura. Deixar essas obras à mercê de
decisões inimagináveis, requer, no mínimo, no nosso entender, uma discussão mais aprofundada.
“A escolha de bens para tombamento privilegiou alguns projetos essenciais que
documentassem e sintetizassem elementos presentes em toda a obra do autor.” 17
Seguem os processos para os quais é proposto, no parecer técnico da UPPH, o arquivamento, com o
qual discordamos a princípio e para os quais sugerimos a realização de vistoria técnica e relatórios
individualizados uma vez que estes não constam dos respectivos processos.
PROCESSO 45957/03: EEPG Jardim Oiti, 1976, Jales.
16
ZEIN, Ruth Verde. A obra do arquiteto. In: Revista Projeto nº 66. São Paulo: 1984.
17
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova
Artigas. São Paulo: 2010.
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PROCESSO 45958/03: EEPG Joaquim Nabuco, 1976, São José do Rio Preto.
PROCESSO 45959/03: EEPG Jardim Paulista, 1976, Fernandópolis.
Neste processo há uma citação da Arq. Priscila Miura, de abril de 2009, que vale ressaltar: “Abriu-se
então nova possibilidade de estudo para os processos relacionados a Vilanova Artigas: considerando
que a maior parte destes são escolas, e que Artigas configura como um dos principais projetistas
desta tipologia, há que se considerar a hipótese de inseri-lo num trabalho de identificação dos
prédios escolares projetados e construídos no século XX”.
PROCESSO 45962/03: EEPG Agenor de Campos, 1976, Mongaguá.
Neste processo, à fl.08, a arqta Marcia Conforto destaca ser “este edifício escolar exemplar dentre as
obras de Artigas”.
PROCESSO 45963/03: EEPG Pq. Boa Esperança, 1976, Capão Redondo, São Paulo.
Neste processo consta relatório técnico de vistoria.
PROCESSO 45964/03: EEPG Sete Praias, 1976, Pedreira, São Paulo.
Neste processo consta relatório técnico de vistoria.
PROCESSO 45965/03: EEPG Pq. Ludovico, 1976, Carapicuiba.
PROCESSO 45966/03: EEPG Jd. Flor do Campo – Cecap, 1978, Guarulhos
PROCESSO 45967/03: EEPG Vila Menck, 1978, Carapicuiba.
Finalizando a tipologia escolar, transcrevemos dois trechos do estudo da UPPH que nos pareceram
preocupantes e que consideraríamos oportuno um maior esclarecimento. O primeiro trecho refere-se
à FAUUSP, Garagem de Barcos e Conceiçãozinha; o segundo somente a esta última.
“Antes de concluir, não se pode deixar de mencionar que o caráter inovador de algumas
soluções construtivas e estruturais empregadas na obra de Artigas podem representar sérios
e difíceis desafios para a preservação da restrita relação de bens relacionados para
tombamento.”
(...)
“A EEPG Conceiçãozinha no Guarujá (1976) é exemplar ao demonstrar a capacidade criativa
do arquiteto. Apesar de o prédio estar com sérios problemas de manutenção, a FDE, fundação
responsável pela manutenção de prédios escolares, tem demonstrado rara capacidade de
restaurá-las adequadamente.”
A mesma revista citada aqui: 2G 2010 reafirma a afirmação da UPPH.
. QUANTO ÀS PASSARELAS
Proposta da UPPH para todos os processos abaixo relacionados: arquivamento.
Discordamos da proposta de arquivamento dos processos conforme manifestação contida nas
considerações iniciais deste relatório.
NA CIDADE DE SÃO PAULO
PROCESSO 45968/03: Passarela Av. Nove de Julho/ INSS - 1972
PROCESSO 45969/03: Passarela Av. Rubem Berta/ Av. Miruna -1972
PROCESSO 45970/03: Passarela Av. Rubem Berta/ Aeroporto de Congonhas - 1972
PROCESSO 45971/03: Passarela Av. Nove de Julho/ FGV - 1972
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PROCESSO 45972/03: Passarela Lgo Padre Péricles - 1972
PROCESSO 45973/03: Passarela Av. Rubem Berta/ Av. Aratãs - 1972
EM SANTO ANDRÉ
PROCESSO 45974/03: Passarela Av. Ramiro Colleone/ Rua Justino Paixão Sto André - 1974
PROCESSO 45975/03: Passarela Av. dos Eucaliptos/ Rio Tamanduateí/ SESI Sto André - 1974
PROCESSO 45976/03: Passarela Av. Perimetral/ Av. Guilherme Marconi Sto André - 1974
PROCESSO 49924/04: Passarela 1974/ Av. Pereira Barreto/ Rua Cayubi Sto André – 1974
. CONCLUSÃO
Concluímos com três frases que entendemos relevantes: a primeira, para compreensão dos critérios
do estudo realizado pela GEI/UPPH que parabenizamos nesta oportunidade. A segunda, de João
Masao Kamita, que dá a essência da obra de Artigas. A terceira, do próprio Artigas que, pela
pertinência, não poderíamos deixar de incluir.
“Não se pretendeu fazer o tombamento da obra de um autor, e sim valorizar, através do
tombamento de exemplares bastante específicos, sua contribuição para o patrimônio cultural
paulista”. (UPPH, 2010)
“Artigas almeja um ideal que se realiza no presente, que interfira de modo direto no ambiente
da vida. Daí a busca por uma linguagem arquitetônica enfática e contundente para que o
edifício seja percebido como presença concreta e palpável no espaço. Daí, também, a
preocupação em assegurar solidez e perenidade à ordem arquitetônica.” (KAMITA, 2000)
“Hoje, sou conservador. Penso que o simples diálogo casa/edifício é suficiente para perceber
o diálogo cultural de uma época. Creio que o desenho passa a extravasar o edifício, passa a
ser desenho ambiental. E por isso sou conservador: não se deve demolir, mas conservar o
patrimônio arquitetônico que já temos”. (ARTIGAS, 1984).
REFERÊNCIAS
ARTIGAS, Vilanova. A função social do arquiteto. In: Revista Projeto nº66. São Paulo: 1984.
CASA VILANOVA ARTIGAS. Casa Vilanova Artigas Curitiba. Curitiba: Instituto G. Arquitetura,
2004.
INSTITUTO TOMIE OHTAKE. Vilanova Artigas. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2003.
KAMITA, João Masao. Vilanova Artigas. Cosac & Naify, São Paulo: 2000.
PEREIRA, Eduardo Carlos. ”Núcleos Coloniais e Construções Rurais”.RO São Paulo,2008
PROJETO nº 66. Vilanova Artigas: Suplemento especial sobre o grande mestre da arquitetura
paulista. São Paulo: 1984.
UPPH-GEI (Priscila Miura, Adda Ungaretti, Silvia Wolf). Estudo do conjunto das obras de Vilanova
Artigas. São Paulo: 2010.
ZEIN, Ruth Verde. A obra do arquiteto. In: Revista Projeto nº 66. São Paulo: 1984.
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Arq. Eduardo Carlos Pereira
São Paulo, 05 de agosto de 2011
“. O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste.
Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O
valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o
espiritual.”
Vilanova Artigas
Julho de 1945
Trecho de Carta retirada do livro Vilanova Artigas Série Arquitetos Brasileiros, paginas 49, 51 e 52
Revisão de Francisco Carlos Pereira Netto.
“Acho que o Eduardo tem razão.: são de uma pobreza esses argumentos! É como se a preservação
e conservação dos bens não dependessem de outra coisa que não fosse da verba para vistoria.
Quanto aos bens particulares, só o proprietário é penalizado. Não há nenhum incentivo! Não há
potenciais ônus para os poderes públicos! Posso falar como experiência pessoal: pago um imposto
predial imenso para uma casinha de 120 metros quadrados no Campo Belo, tombada pelo
CONPRESP, (R$20 000,00 por ano... é mole?).”
_”No caso da FDE, não é rara. Eles cuidam de edifícios mais antigos do Ramos de Azevedo, Victor
Dubugras e outras jóias da arquitetura paulista no interior e na capital. Acho um esforço cultural e
financeiro enorme. Lembro que o órgão – a FDE – foi resultado daquelas ações citadas, promovidas
pelo IAB nos anos 1960 e tem um profundo apreço pela arquitetura paulista, inclusive
contemporânea. Veja como exemplo as escolas construídas recentemente por jovens arquitetos,
algumas premiadas internacionalmente. Belos exemplares!”
“O temor do tombamento de bens privados é ridículo, no entanto. Acho que isso parte do fato de que
a legislação – estadual e municipal – de tombamento e conservação não dá nenhum incentivo ao
proprietário privado - com exceção dos bens situados na área central da cidade- para manutenção e
preservação do bem. Uma mudança na legislação, uma discussão mais corajosa sobre o verdadeiro
papel cultural e social da propriedade nos eximiriam de termos que usar esse tipo de argumento tolo..
Afinal os bens privados estão na cidade que é pública, ou não?
Lembro aqui de três outras casas emblemáticas que não sei se estão tombadas: A Casa Baeta no
Butantã, a casa Elza Berquó na Chácara Flora (acho que ambas foram tombadas pelo Conpresp) e
a Casa Mendes André que não está tombada. Esta última corre um risco grande porque o
proprietário morreu recentemente e há uma dúzia de herdeiros para uma única casa, numa região –
a Vila Mariana - onde as GAFISAS da vida estão construindo montanhas de espigões. Mas esta casa
não consta deste documento.”
Rosa Artigas - dezembro de 2011.
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UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
São Paulo, 17 de setembro de 2012.
CONDEPHAAT
Pauta da Seção da manhã Obras de Artigas: 14 escolas, fórum, 1 residência e o balneário
de Jaú, também o Centro Educacional de Jaú.
Considerando a importância da obra de Artigas e seu grupo na Cultura Nacional;
Considerando as manifestações dos arquitetos:
Ruy Othake: “Artigas foi o maior arquiteto moderno paulista”;
Wisnik (2012, p. 182) Paulo Mendes de Rocha: “J. B. V. Artigas, um dos maiores arquitetos
do país, Afonso Eduardo Reidy, Oscar Niemeyer e Artigas são os três arquitetos responsáveis
pela formação de nós todos, pelo menos até hoje...”;
Marilena Flynn (In Estado do Paraná, 23/01/1985, p. 14): “É preciso transformar a herança
de Artigas em Patrimônio Universal. Mister se faz divulgar sua obra completa em edições
bilíngüe colocando-a ao alcance da opinião pública em qualquer parte do mundo”;
Ou ainda no catálogo de sua última exposição, Mário Schenberg: “Artigas foi certamente um
dos maiores criadores e Mestres da arquitetura que o Brasil já teve” (edição Especial Módulo
Setembro de 1985).
Sendo assim, considerando as diversas solicitações aqui pautadas peço a provação de todos os
itens no sentido de encaminha (ainda que tardiamente) para o reconhecimento deste conjunto
de obras de importância exaustivamente demonstrada, tanto pelo excepcional trabalho de
Sílvia Wolf e da UPPH, como de extensa bibliografia produzida pelo seu grupo e a
arquitetura paulista.
Eduardo Carlos Pereira
Conselheiro do CONDEPHAAT representante do IAB SP
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3.1. Processo para deliberação com Parecer de Relator.
3.1 b. Igrejas
Pareceres Proposta de Tombamento
17. Número do Processo:
52962/2006
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE UBATUBA.
Interessado:
FUNDART - FUNDAÇÃO DE ARTE E CULTURA DE UBATUBA
Município:
UBATUBA
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
Parecer Técnico UPPH nº GEI-412-2010
•
Interessado: FUNDART - FUNDAÇÃO DE ARTE E CULTURA DE UBATUBA
•
Data do Protocolo: 06/11/2006
•
Assunto atual: Tombamento
I – HISTÓRICO DO PROCESSO
Repertório de despachos
Trata – se do processo 52962/06 que solicita o tombamento da Igreja Matriz de Ubatuba cujo
interessado é a Fundação de Arte e Cultura.
•
A folha 02 consta oficio de pedido de abertura de processo de tombamento e vistoria técnica.
•
Anexo 07 folhas que acompanham Xerox do livro “Ubatuba Documentário” de Washington de
Oliveira, onde consta a história da construção do templo.
•
Anexo 02 folhas que acompanham fotos.
•
À folha 04 Solicita realização de vistoria no prédio da Igreja Matriz de Ubatuba.
•
Às folhas 06 e 08 localizam-se fotos obtidas na vistoria supracitada;
•
À folha 07 e 08 consta ofício GP-1837/03 do então presidente do Condephaat José Roberto F.
Melhem endereçada à Drª Elaine Taboarda de Ávila com informações sobre construção de anexo
junto à Igreja, na área envoltória de bens tombados não sendo aprovada pelo CONDEPHAAT, bem
como, realização de “(...) estudos com vistas à identificação dos atributos de edifício, para futura
deliberação quanto à abertura do respectivo processo de estudo de tombamento (...)”
•
À folha 11 consta carta de Resposta da Promotora de Justiça Elaine Taborda de Ávila
relacionado ao ofício GP 1837/03 onde menciona “(...) acuso o recebimento de vosso ofício GP-
1837/03, visando instruir os autos acima mencionados, sirvo-me do presente para solicitar que
informe a esta Promotoria de Justiça se foram concluídos os estudos relativos ao valor cultural da
igreja Matriz de Ubatuba, e abertura de processo de tombamento (...)”
•
À folha 12 consta solicitação, da então Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do
Litoral Norte, de “(...) informações referente aos estudos sobre a Igreja Matriz de Ubatuba (...)”
•
À folha 15 consta reiteração dos termos do oficio nº 1568/03.
•
À folha 16 consta carta da Promotoria de justiça regional do Meio ambiente endereçada ao
Condephaat solicitando “(...) que informa a esta Promotoria de Justiça se foram concluídos os
estudos relativos ao valor cultural da igreja matriz desta Cidade de Ubatuba, e abertura de processo
de tombamento (...)”
•
À folha 20 consta carta do Ministério Público do Estado de São Paulo endereçada ao então
presidente do Condephaat, José Roberto F. Melhem, onde: “(...) Visando instruir os autos acima
mencionados, sirvo-me do presente para reiterar os termos do oficio nº 1980/03 e 1568/03 (...)”
•
À folha 21 consta carta do Ministério Público do Estado de São Paulo endereçada ao então
presidente do Condephaat, José Roberto F. Melhem, onde solicita que : “(...) Informe a esta
Promotoria de Justiça se foram concluídos os estudos relativos ao valor cultural da igreja matriz desta
Cidade de Ubatuba, e abertura de processo de tombamento (...)”
•
Às folhas 23 e 25, consta um pedido da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do Litoral
Norte de informações sobre a Igreja Matriz de Ubatuba.
•
À folha 24 consta um requerimento de serviços cujo interessado é a Promotoria de justiça
Regional do Meio Ambiente do Litoral Norte solicitando “(...) Ao controle de Processo para registro de
entrada; À AS para juntar ao respectivo guichê; Ao STCR para manifestação (...)”.
•
Às folhas 28 à 30 consta reiteração dos termos do Ofício nº 590/04, 1980/03 e 1568/03.
•
À folha 31 consta informação do ofício nº 1568/03 no qual a Senhora Promotora de Justiça
Elaine Taborda de Ávila solicita informações sobre o término dos estudos relativos ao valor cultural da
igreja matriz e abertura do processo de tombamento.
•
Às folhas 34 e 35 consta reiteração dos termos do Ofício nº 1331/04, 590/04, 1980/03 e
1568/03.
•
(...)”
À folha 39 consta “(...) Solicita realização de vistoria no prédio da Igreja Matriz de Ubatuba
•
À folha 40 em resposta à folha 31, consta informação que os estudos ainda não foram
concluídos, não havendo ainda a deliberação quanto à abertura ou não do processo de tombamento.
•
À folha 41 consta solicitação de realização de vistoria na Igreja Matriz de Ubatuba.
•
À folha 42 consta informação à AS para “(...) xerocopiar a documentação constante do
presente, que deverá ser mantido nos autos; juntar os originais no Guichê 362/92; apensar os
presentes autos ao guichê acima citado (...)”
•
Às folhas 45 e 47, consta ofício onde “(...) visando instruir os autos acima mencionados,
sirvo-me do presente para reiterar os termos do Ofício nº 370/05, 2277/04, 1331/04, 590/04,
1980/03 e 1568/03 (...)”
•
À folha 46 consta informação referente ao recebimento do ofício GP- 1837/03 e ainda “(...)
Que informe a esta Promotoria de Justiça se foram concluídos os estudos relativos ao valor cultural
da igreja matriz desta cidade de Ubatuba, e abertura de processo de tombamento (...)”
•
À folha 48 solicita informações à pedido do presidente do Condephaat, referente a igreja
Matriz de Ubatuba quanto ao “(...) Controle de Processo para registro de entrada; À AS para juntar
ao respectivo guichê; Ao STCR para manifestação (...)”
•
À folha 49 consta carta endereçada a Dra Elaine Taborda de Ávila “(...) Em atenção ao Ofício
nº 370, relativo à Igreja Matriz de Ubatuba, vimos reiterar os termos do nosso Ofício GP-2736/04,
que informou que ainda não foram concluídos os estudos , que deverão nortear a decisão de abertura
ou não do respectivo processo de tombamento. No momento, os autos encontram-se em análise por
uma historiadora (...)”
•
Às folhas 52 e 53, consta oficio onde “(...) visando instruir os autos acima mencionados,
sirvo-me do presente para reiterar os termos do Ofício nº 1215/05, 370/05,2277/04,590/04,1980/03
e 1568/03 (...)”
•
À folha 54 solicita informações à pedido do presidente do Condephaat, referente a igreja
Matriz de Ubatuba quanto ao “(...) Controle de Processo para registro de entrada; À AS para juntar
ao respectivo guichê; Ao STCR para manifestação (...)”
•
Às folhas 55, 56 e 57 consta o parecer da Igreja Matriz realizado pela historiógrafa Marly
Rodrigues onde de acordo com suas palavras: “(...) Deste modo, sou de opinião que este
CONDEPHAAT arquive a presente solicitação e recomende às autoridades municipais o implemento do
conselho local(...)”
•
À folha 59 consta carta endereçada ao Senhor Presidente e Conselheiro deste Condephaat de
autoria do Sr Carlos Degelo propondo o arquivamento do processo da Igreja Matriz de Ubatuba.
•
Em decisão de 28/11/2005, ata 1383, o CONDEPHAAT deliberou aprovar, por maioria de
votos, a abertura do processo de estudo de tombamento da Igreja Matriz conforme Informação na
folha 60 e 61.
•
Em decisão de 05/12/2005, ata 1384, o Egrégio Colegiado deliberou pela “(...) inclusão do
cruzeiro ao estudo de tombamento da Igreja Matriz, no Município de Ubatuba (...)” conforme
informações nas folhas 62 e 63.
•
Publicação no Diário Oficial em 10/12/2005 ata 1383, o CONDEPHAAT deliberou “(...)
aprovar, por maioria do votos, a abertura do processo de estudo de tombamento da Igreja
Matriz(...)” conforme informação na folha 64.
•
Publicação no Diário Oficial em 22/12/2005 ata 1383 e 1384, o CONDEPHAAT deliberou
aprovar inclusão do cruzeiro no estudo de tombamento da Igreja Matriz conforme informação na
folha 65.
•
À folha 66 à 70, consta carta com informações referente à ata 1383 e 1384, onde o Egrégio
Colegiado deliberou “(...) Aprovar por maioria dos votos, a abertura do processo de estudo de
tombamento da Igreja Matriz de Ubatuba, incluindo o Cruzeiro (...)”
•
À folha 71, consta carta do então vereador, Claudinho Gulli, endereçada ao Condephaat,
solicitando “(...) copiada deliberação do Conselho, referente ao processo de Ubatuba (...)”
•
À folha 73, 76 e 77 consta carta do ministério público do litoral norte acusando o recebimento
do oficio GP – 1511/05 que falam sobre ”(...) análise dos danos causados ao prédio da Igreja Matriz
da Cidade de Ubatuba, edificada em meados do século XXVIII (...)” e ainda “(...) reiterar os termos
do Ofício nº 1215/05, 370/05, 2277/04, 1331/04, 590/04, 1980/03 e 1568/03, que solicitou que
informe a esta promotoria de justiça de foram concluídos os estudos relativos ao valor cultural da
igreja matriz desta Cidade de Ubatuba, e abertura de processo de tombamento(...)”
•
À folha 74 consta carta endereçada a Sra Elaine de Àvila “(...) Em decisão de 28/11/2005, ata
1383, o CONDEPHAAT deliberou aprovar, por maioria de votos, a abertura do processo de estudo de
tombamento da Igreja Matriz conforme(...)”
•
Às folhas 78 e 79 constam cartas resposta endereçada à Promotora de Justiça Dra Elaine de
Ávila constatando que o inquérito Civil nº 38/02 foi atendido pelo Condephaat.
•
À folha 83, a Dra Elaine D´Avila questiona o andamento do processo de tombamento da
Igreja Matriz.
•
À folha 85 e 91, a Dra Elaine D´Avila encaminha “(...) cópia do ofício encaminhado pela
Paróquia Exaltação de Santa Cruz a fim de solicitar que informa sobre o procedimento de
tombamento da Igreja Matriz de Ubatuba, bem como se esse órgão foi consultado e tem
conhecimento sobre a reforma noticiada no referido documento(...)”
•
À folha 86 e 92 consta carta da Paróquia Exaltação da Santa Cruz informando sobre o show
do artista Leonardo que tem por objetiva angariar fundos para a reforma do telhado da Igreja.
•
À folha 88 consta reposta em relação ao Ofício nº 01/07 encaminhado pelo Ministério Público
em que “(...) O estudo para tombamento da Igreja Matriz de Ubatuba ainda não foi concluído; A
paróquia Exaltação de Santa Cruz solicitou em 2006 ajuda financeira deste Condephaat para a
reforma da cobertura da Igreja Matriz. O pedido foi acompanhado de cronograma de orçamento,
sendo que o E. colegiado deliberou aprovar os serviços caracterizados como de conservação de
objeto em estudo de tombamento; em anexo, cópias de informação desta área técnica e Ofício GP
813/06 enviado ao Pároco d Igreja Matriz de Ubatuba, constantes do processo nº5306/06(...)”
•
À folha 93 consta um requerimento de serviços onde “(..) Encaminha documentação
referente ao processo nº 52.962/06, sobre a Igreja Matriz de Ubatuba (...)”
•
Autorização para realização de serviços de conservação no telhado da Igreja conforme
informação na folha 94.
•
À folha 95 consta carta da Promotoria de Justiça Regional do meio ambiente, da habitação e
urbanismo do litoral Norte, onde “(...) Sirvo-me do presente para reiterar os termos do ofício nº
1856/07. que, além de ter acusado o recebimento de vosso ofício supra indicado, solicitou
informações acerca do andamento dos estudos visando a determinação ou não do tombamento do
prédio da Igreja Matriz de Ubatuba (...)”
•
À folha 96 consta solicitação da Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente, da
Habitação e Urbanismo do Litoral Norte que pede “(...) Informações sobre o andamento dos estudos
visando a possível determinação do tombamento do prédio da Igreja Matriz de Ubatuba com
reiteração ao NAA/PT pra juntar ao processo 52.962/06; ao GT para informar com trânsito direto para
Dra Eliana de Oliveira (...)”
•
À folha 97 consta informação para Promotora Elaine de Ávila em que “(...) o estudo de
tombamento da referida igreja está em andamento, porém, não se encontrando concluído (...)”
•
Os ARs (Avisos de Recebimento) foram juntados às fls 98,99 e 100.
•
À folha 101 consta solicitação da então Promotora Elaine De Ávila para novas informações
sobre o andamento do estudo de tombamento do referido prédio.
À folha 102 a Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do Litoral Norte “(...) Acusa o
recebimento do ofício GP nº 2890/07 e solicita novas informações acerca do estudo de tombamento
do prédio da Igreja Matriz da Cidade de Ubatuba (...)”
•
•
À folha 103 consta informação “(...)A área de entorno d Igreja Matriz é regulamentada em
comum acordo com o IPHAN, em função da existência dos seguintes bens tombados na sua
vizinhança: Câmara Municipal, Sobrado do Porto e Serra do Mar(...)”
•
À folha 105 consta comunicação à diretoria do GEI sobre “(...) a impossibilidade de dar
continuidade no estudo de tombamento tendo em vista a falta de executar levantamento métrico
arquitetônico da Igreja, não vejo razão para o tombamento do cruzeiro, o entorno da igreja já é
regulamentado em função de outros bens tombados (...)”
À folha 107 e 108, a Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do Litoral Norte “(...)
Acusa o recebimento do ofício GP nº 2152/07 e 765/09, e solicita novas informações acerca do
estudo de tombamento do prédio da Igreja Matriz da Cidade de Ubatuba (...)”
•
•
À folha 109 consta um pedido de manifestação para a historiadora Amanda Caporrino de
manifestação em relação à consulta do Ministério Público.
•
Às folhas 110 e 111 consta informação processual referente ao despacho da diretoria do Gei,
em atendimento ao ofício nº 2981/09 – PJHU/MP.
•
À folha 113 consta informação endereçada ao então promotor Percy José Cleve Küster onde,
•
À folha 114 consta solicitação do retorno dos autos ao Setor de Protocolo.
“(...)Vimos encaminhar cópia do parecer elaborado pelo departamento técnico da Unidade referente
ao andamento do estudo de tombamento do prédio da Igreja Matriz da Cidade de Ubatuba(...)”
•
À folha 116, conta parecer técnico realizado pela historiadora Elisabete Mitiko Watanabe onde
após vistoria técnica constata-se que o imóvel apresenta bom estado de conservação.
•
Às folhas 117 e 118, localizam-se fotos obtidas na vistoria supracitada.
•
À folha 119 consta o despacho 1741-2010 encaminhando os autos para prosseguimento,
apresentando relatório fotográfico obtido em vistoria de março de 2010.
•
À folha 120 o então promotor de justiça da Habitação e Urbanismo de Ubatuba, Percy José
Cleve Küster vem “(...) solicitar informações acerca da Vistoria Técnica que teria sido realizada no
ultimo mês de janeiro de 2010 (...)”
•
À folha 121 consta informações sobre o despacho 1769-2010 com encaminhamento de
informação técnica “(...)Às folhas 116,117e 118, para fundamentar resposta à Promotoria de Justiça
da Habitação e Urbanismo de Ubatuba, adiantando que a vistoria constatou, aparentemente, um bom
estado de conservação da edificação(...)”
•
À folha 122 consta carta endereçada a Promotoria de justiça da Habitação ao Dr Percy José
Cleve Küster em que “(...) Cumprimentando cordialmente Vossa Senhoria, vimos acusar o
recebimento do Ofício nº 0474/10-P-JHU (ref. Inquérito Civil nº 38/02) e na, oportunidade,
encaminhar cópia do Parecer Técnico UPPH-GEI nº 98-2010, conforme solicitado(...)”
•
À folha 123 consta o despacho 1836-2010 onde “(...)Considerando a expedição do Ofício
UPPH-164/2010 que responde ao ofício nº 474/10-PJHU da Promotoria de Justiça da Habitação e
Urbanismo de Ubatuba, solicito o retorno dos autos à diretoria do GEI para prosseguimento na
instrução do estudo de tombamento da Igreja Matriz do Município de Ubatuba(...)”
II – A RETOMADA DOS ESTUDOS
No bojo de uma importante reorganização dos trabalhos desta UPPH – Unidade de Preservação do
Patrimônio Histórico – foram localizados uma série de processos cuja instrução havia sido
interrompida há muito tempo.
Os expedientes relativos ao patrimônio sacro paulista foram objeto de apreciação por profissional
especializado, o professor Doutor Percival Tirapelli, especialista em Patrimônio Sacro, e cuja trajetória
profissional, abaixo resumida, dispensa novas apresentações.
Percival Tirapelli foi vice – presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte) (2006-2009)
e atualmente é professor titular em História da Arte Brasileira do Instituto de Artes da Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Mestre e doutor pela Escola de Comunicações e
Artes da USP, em 2008, realizou pesquisa de pós doutorado pela Universidade Nova de Lisboa em
Portugal. Em 2003, recebeu o Prêmio Sérgio Milliet de melhor pesquisa em arte, outorgado pela
ABCA, pelo livro Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó, Imprensa Oficial / Editora UNESP.
•
É autor de 16 livros sobre arte brasileira e patrimônio cultural, destacando-se:
•
São Paulo: Artes e Etnias pela Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2007;
•
Igrejas Barrocas do Brasil (2008);
•
Patrimônio da Humanidade no Brasil (4 edições desde 2001) e
•
Festas de Fé, pela Editora Metalivros.
•
Pelas mesmas editoras, organizou Arte Sacra Colonial – Barroco Memória Viva, em 2001.
Como curador, dentre outras, fez a exposição Gênese da Fé no Novo Mundo, realizada no Palácio dos
Bandeirantes (2007), em São Paulo, quando da vinda do Papa Bento XVI ao Brasil, cujo catálogo
português/inglês publicado pela Imprensa Oficial. Tem atuado em crítica de arte, história da arte
brasileira, patrimônio artístico e cultural e, como artista plástico, participou de duas Bienais
Internacionais de Arte de São Paulo, tendo recebido prêmio de gravura na bienal de La Paz, Bolívia, e
de exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior, com pinturas, e também aquarelas e
gravuras.
A trajetória profissional de Percival Tirapelli o qualifica amplamente para, como especialista com
experiência em patrimônio, particularmente em patrimônio de caráter religioso, manifestar-se sobre a
proposta de preservação para os bens aqui em análise.
III – UBATUBA
Figura 1 - mapa da Região de São José dos Campos, com destaque para a rota desta
cidade até Ubatuba, pela Rod. dos Tamoios. Fonte: maps.google.com.br
A. Apontamentos sobre a Região Administrativa de São José dos Camposi
A Região Administrativa de São José dos Campos localiza-se no leste do Estado de São Paulo, e é
formada por 39 municípios, distribuídos em cinco regiões de governo: São José dos Campos,
Taubaté, Caraguatatuba, Guaratinguetá e Cruzeiro.
Territorialmente, a região compõe-se de áreas de serra, o Vale do Rio Paraíba do Sul e uma vasta
região litorânea. Longitudinalmente é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, e liga-se ao litoral pela
Rodovia dos Tamoios. Conta com o Porto de São Sebastião, de canal bastante profundo, mas cuja
expansão encontra-se limitada pelas dificuldades ambientais e de acesso terrestre ao planalto. A RA
dispõe, ainda, de aeroporto em São José dos Campos e em Ubatuba.
A história da região está associada ao cultivo do café, a partir do século XIX. Tal cultura proporcionou
o desenvolvimento econômico, o crescimento de vilas e cidades e uma incipiente industrialização.
Com a decadência da cafeicultura, sucedeu-a a pecuária de leite, disponibilizando mão-de-obra e
criando condições para a diferenciação das atividades urbanas e para a industrialização.
Na década de 1950, a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, a construção da Usina Siderúrgica
de Volta Redonda e os demais investimentos federais em núcleos de desenvolvimento tecnológico
(Centro Técnico Aeroespacial – CTA e Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA) e estratégico
(Embraer, Avibrás e Engesa) foram responsáveis pelo surgimento de arranjos produtivos nos setores
aeroespacial e bélico e pelo expressivo crescimento industrial desta RA.
Nesta nova fase, da industrialização, que se fez notar principalmente nos municípios de São José dos
Campos, Jacareí, Guaratinguetá, Cruzeiro, Taubaté e Caçapava, surgiu uma indústria moderna e de
grande escala, voltada para os mercados nacional e internacional e com predomínio dos segmentos
de material de transporte, mecânico, metalúrgico e petroquímico.
Pode-se dizer que a Região Administrativa de São José dos Campos tem significativa importância na
economia do estado de São Paulo, seja pelo pioneirismo do cultivo do café, seja pelas atuais
características industriais.
B. Um pouco de históriaii
O berço da história do Brasil
Marcos de episódios emocionantes da história do Brasil ainda podem ser vistos na costa do Litoral
Norte de São Paulo. Lá, índios, colonos, jesuítas e piratas lutaram pela terra prometida onde os
portugueses vitoriosos lançaram a base da nova nação.
Restam muitos marcos da época colonial na paisagem - canhões, centros históricos como os de
Paraty e São Sebastião, fazendas em ruínas ou restauradas em llhabela e Caraguatatuba, fortes em
Paraty e Bertioga. Igrejas e capelas modestas em Ubatuba. Parte deste passado esconde-se no meio
da mata. Parte sumiu da lembrança, com o passar dos séculos.
Porém hoje pode-se conhecer, com ajuda de empresas especializadas e projetos das prefeituras, este
período heróico. Basta fazer um passeio tranqüilo nas áreas preservadas, ou penetrar nas trilhas
inóspitas para descobrir ruínas ocultas entre árvores centenárias. E procurar, no convívio com os
caiçaras, tradições que sobreviveram, transmitidas de geração a geração. Estudos descrevem
também a vida dos povos nômades que antecederam os índios, no início da era cristã.
Antes da Conquista
Os índios tupinambás eram os habitantes originais da região. Costumavam construir suas casas em
pontos altos, nas margens dos rios, para sua proteção. Alegres, amantes da música e da dança,
usavam instrumentos de sopro e percussão, nas freqüentes festas onde utilizavam o cauim (espécie
de bebida preparada com a mandioca cozida e fermentada). Excelentes canoeiros, construíam
embarcações para o transporte de até 30 pessoas. Viviam em paz com seus vizinhos, os tupiniquins,
até a chegada dos exploradores portugueses e franceses, que lutavam para conseguir trabalho
escravo entre os indígenas.
Na preparação dos alimentos, faziam pequenas fogueiras, armavam moquéns, assavam ou tostavam
a carne sobre brasas. Na pescaria, talvez tenham utilizado o arco e flecha, como faziam muitas tribos
indígenas, seus possíveis descendentes, na época do descobrimento.
A equipe da USP liderada pela arqueóloga Dorath P. Uchoa estudou os sítios do Tenório e ilha do Mar
Virado, ao largo do Saco da Ribeira, e chegou às conclusões acima. No Museu da Fundart, em
Ubatuba, encontram-se utensílios milenares, obtidos nas escavações.
Os remanescentes das populações indígenas ainda aparecem, nas feiras livres e mostras de
artesanato, vendendo seus produtos tradicionais, ao lado de caiçaras de pele morena e, não raro,
olhos azuis, herança dos franceses. Visitar aldeias depende de aprovação da FUNAI.
Brasil português
O Litoral Norte paulista conservou grande parte de sua paisagem primitiva até a abertura da RioSantos em 1975. Os diversos ciclos de ocupação não desfiguraram sua paisagem. Ali há ruínas
coloniais, aldeias indígenas e praias virgens como na época de Martim Afonso de Souza, donatário da
capitania de São Vicente, que incluía grande parte da atual costa paulista, onde se travaram as
batalhas que decidiram o destino futuro do país. Aqui se forjou o Brasil português e católico. Poderia
ter sido francês e protestante, ou indígena, caso o desfecho fosse outro.
Dos índios, derrotados, restaram apenas algumas aldeias dos guaranis em São Sebastião e Ubatuba,
e costumes caiçaras, como o preparo da farinha de mandioca. O índio fazia uí-atã, farinha seca,
comum. De mandioca crua, raspada, espremida com a mão ou no cilindro tipiti, não difere da farinha
caiçara de hoje.
Confederação dos Tamoios
Consolidou-se o domínio português. A capitania de São Vicente foi a maior das dez concedidas por D.
João III, e a primeira a ser povoada, a partir de 1532. As vilas surgiram nas planícies de
sedimentação marinha, onde se encontrava um curso d'água, favorecendo a agricultura e a pecuária.
No litoral fluminense, os franceses procuraram alianças com os índios, para fundar a França Austral.
Em 1556 os tupinambás lideraram a Confederação dos Tamoios, sob o comando de Cunhambebe,
"grande chefe". No cerco a São Vicente os índios capturaram Hans Staden, que serviu como artilheiro
no forte de Bertioga. Em 1554 os portugueses, ou perós, retomaram a fortaleza de São Felipe e,
atravessando o canal de Bertioga, levantaram a fortaleza de Santiago. As duas defendiam os colonos
contra os temíveis antropófagos. O relato mais famoso da vida dos índios foi escrito pelo alemão
Hans Staden, que viveu prisioneiro em Iperoig.
De volta a sua terra, Staden relata a experiência no livro Duas viagens ao Brasil, documento
importantíssimo para a história do país.
Participação Francesa
A partir de 1870, um acontecimento do Velho Mundo passou a influenciar a vida do município. Antes
que deflagrasse a Guerra Franco-Prussiana, dezenas de famílias de nobres franceses transferiram-se
com seus cabedais para Ubatuba, onde compraram grandes extensões de terras e organizaram
fazendas, entregando-se ao cultivo do café, do fumo, da cana-de-açúcar, de frutas tropicais, de
especiarias como a pimenta-do-reino e o cravo-da-índia. Alguns montaram olarias, outros
ingressaram na Marinha Imperial. Em Ubatuba, construíram mansões senhoriais e um teatro.
Tempos difíceis
Durante a primeira metade do século XIX o Litoral Norte conheceu um período de crescimento. No
início do século os tempos foram difíceis devido à investida e constantes ameaças dos piratas que
percorriam a costa, levando o terror às populações, o que só desapareceria a partir de 1830. Além
disso, o litoral ressentia-se da falta de comunicações com o Planalto.
São desse século os caminhos do padre Dória, ligando São Sebastião ao reverso da Serra, atual Rod.
Dos Tamoios, e o de Ubatuba a São Luiz do Paraitinga, atual Rod. Oswaldo Cruz. A abertura desses
caminhos foi estimulada por um novo produto, o café, sobressaindo-se Ubatuba e São Sebastião em
seu cultivo e exportação. A melhoria das estradas só viria com o desenvolvimento turístico, a partir
dos anos sessenta.
Decadência
Tendo tido importância como portos do café, São Sebastião e Ubatuba entraram em declínio quando,
a partir de 1867, inaugurou-se a ferrovia entre São Paulo e Santos, relegando a segundo plano a
antiga estrada da "rota do café" - que do Sul de Minas demandava o Porto de Ubatuba - e,
naturalmente o próprio porto e cidade.
A decadência também é atribuída à ordem do Capitão Bernardo José de Lorena, que, intercedendo a
favor do porto de Santos, determinou que todas as embarcações em demanda do litoral paulista
tocassem em Santos, porto até então abandonado e privado de contados comerciais.
Quando a estrada de ferro D. Pedro II foi construída entre Rio de Janeiro e São Paulo desviando as
exportações do porto de Ubatuba, a cidade entrou em crise novamente. Uma tentativa de construir
uma ferrovia entre Taubaté e Ubatuba foi vista com muita esperança sendo importados trilhos da
Inglaterra, porém o Governo Federal do Presidente Floriano Peixoto suspendeu a garantia de juros
sobre o valor do material importado, provocando a falência do Banco de Taubaté, e, em
conseqüência a da Companhia Construtora. Com o fracasso da estrada de ferro, Ubatuba entrou em
franca decadência.
Além da lavoura de subsistência e pesca, o Litoral Norte desenvolveu o cultivo da banana, cultura
introduzida a partir da Baixada Santista, no século XVIII, e intensificada no século XIX.
Formação Administrativaiii
Distrito criado com a denominação de Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba,
em 1557.
Elevado à categoria com a denominação de Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de
Ubatuba, por provisão de 28 de outubro de 1637.
Constituído do Distrito Sede. sua instalação
verificou-se no dia 28 de outubro de 1635.
Obs.: O Diploma Legal que altera a denominação anterior para atual não foi localizado. Cidade por lei
provincial no 5, de 13 março de 1855.
Em divisão administrativa do Brasil referente ao ano de 1911, o Município de Ubatuba se compunha
de 1 único distrito: Ubatuba, mantendo a denominação de Ubatuba. Assim permanecendo em divisão
administrativa referente ao ano de 1933.
Em divisões territorais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, bem como no quadro anexo ao decreto
lei estadual no 9073, de 31 de março de 1938, o Município de Ubatuba compreende o único têrmo
judiciário da comarca de Ubatuba e figura com 1 distrito, Ubatuba.
No quadro fixado, pelo decreto estadual no 9775, de 30 de novembro de 1938, para 19391943, o
Município de Ubatuba é composto de 1 único distrito: Ubatuba e é têrmo da comarca de Ubatuba,
formada de 1 único têrmo Ubatuba.
Em virtude do decreto-lei estadual no 14334, de 30 de novembro de 1944, que fixou o quadro
territorial para vigorar em 1945-1948, o Município de Ubatuba ficou composto dos Distritos de
Ubatuba e Picinguaba, e constitui o único têrmo judiciário da comarca de Ubatuba, a qual é formada
pelo único Município de Ubatuba.
Aparece nos quadros fixados pelas leis nos 233, de 24-XII-48 e 2456, de 30-XII-53 para vigorar,
respectivamente, nos períodos 1949-53 e 1954-58, composto dos mesmos distritos: Ubatuba e
Picinguaba.
Em divisão territorial datada de 01-VII-1960, o Município de Ubatuba é constituído de 2 Distritos
Sede, Ubatuba e Picinguaba. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15-VII-1997.
IV – O BEM EM ANÁLISE
Igreja Matriz de Ubatubaiv
Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, localizava-se onde hoje se encontra o cruzamento das ruas
Conceição e Salvador Corrêa, correspondendo aos fundos da Câmara Municipal. Como aquele templo
devia ser de reduzidas dimensões e achava-se em mau estado de conservação, providenciou-se a
construção de uma nova Igreja Matriz, a atual, em melhor localização, de maiores dimensões e nova
arquitetura.
Isso se deu na segunda metade do século XVIII (1700). De fato, em ofício de 09 de Março de 1700, o
secretário do governo da então Província de São Paulo, dirigiu-se ao Capitão Mor da Vila de Ubatuba,
autorizando-o “a cobrar subsídios para a construção da nova Matriz” (Apontamento do arquivo do
Estado).
Em 20 de junho de 1834, a Câmara Ubatubense solicitou do governo da Província, providências em
favor daquelas obras. “Novamente em 10 de janeiro de 1835 a Câmara dirigiu-se ao mesmo
solicitando providências para “ereção” ou mesmo a reedificação da Matriz, da qual só existe a Capela
Mor”.
De quanto acima, vê-se que em 1835 a Matriz estava ainda em início de construção, as obras
prosseguindo em moroso andamento, enfrentando as dificuldades da época e a grandiosidade do
templo. Assim, coube a intervenção da população local, que organizou uma loteria beneficente em
prol das obras, fato curioso quando se sabe que loteria caracteriza-se como jogo de azar.
Por tratar-se de única Igreja no territóriov, a relevância no cotidiano dos moradores é imensa. Ali se
realizavam casamentos, batizados e funerais. Esta igreja tem uma característica incomum às do
período: ali se enterrava tanto pessoas ricas quanto pobres e até mesmo escravos, apesar de haver
certa distinção:
“O enterro de ricos e pobres, livres e escravos é feito, comumente, na igreja Matriz. Mas nela, as
distinções sociais se fazem quanto ao local. Os mais ricos deixam em seus testamentos o desejo de
serem enterrados perto ou sob o altar principal. Os mais pobres são enterrados na nave, no átrio ou
ao lado e atrás da igreja. O mesmo ocorre com escravos, sempre enterrados na porta ou fora da
Igreja (...)”vi
Essa característica talvez se deva em retribuição ao grande esforço que a população local fez para
tornar possível a construção da Igreja, tanto com recursos materiais quanto com mão-de-obra
(escrava), como forma de “conciliar os interesses públicos com os privados, em torno de um templo
de arquitetura colonial no litoral paulista.” vii
A igreja também foi palco da resistência escrava. De acordo com João José Reis, em 1831 foi
planejado um ataque revoltoso de escravos durante as festividades de natal na Igreja de Ubatuba:
“Para os escravos rebeldes, a hora de atacar nem sempre combinava com o calendário da grande
política ou seu universo discursivo continha contornos precisos. Com freqüência a melhor hora de
atacar estava marcada no calendário da pequena política do cotidiano. De acordo com esta, a hora
certa era aquela em que o senhor baixava a guarda, por exemplo nos períodos de festas, domingos e
dias santos.” viii
Nesse andamento, em 1866 foi acabada a fachada, como se pode conferir no alto da porta principal,
num gradil de ferro. No princípio deste século somos testemunhas – a nave apresentava acabamento
razoável, enquanto da Capela-Mor só existia o arcabouço: paredes e telhado, sem reboco nas
paredes, sem forro, o piso era chão bruto.
São conhecidas algumas fotografias do fim do século passado nas quais se vê a Igreja totalmente
erguida, mas sem as torres, ostentando apenas um lucernário sobre a Capela-Mor, onde certamente
estariam os sinos. Atualmente a Igreja tem uma torre: uma apenas que lhe dá a característica de
inacabada.
Por informação de pessoa vivida nos fins do século passado, ficamos sabendo que esta torre foi
construída entre os de 1885-90. Na torre havia um relógio de amplas dimensões que por muitos anos
marcou a hora oficial cidade. (Foi há pouco substituído por outro de idênticas dimensões, atualmente
inativo).
Contudo a Matriz continuava necessitando de obras para a sua conclusão. Até 1913 havia muito para
concluir: exteriormente apenas a fachada era rebocada, todo o restante, isto é, toda a nave e a
Capela-Mor permaneciam sem revestimento. A Capela-Mor não era usada por não ser rebocada no
exterior e interiormente; servia apenas para depósito de material bruto por aproveitar.
O Altar-Mor, muito alto, mas muito simples, tinha forma de escada piramidal e estava posto na nave,
junto à parede que a separava da Capela-Mor. Em 1913 o Pe. Paschoal Reale, não podendo restaurar
também a Igreja do Rosário que existia na atual Praça Nossa Senhora da Paz, demoliu-a e com o
material aproveitável e auxílios angariados, fez rebocar, forrar e dotar de piso a Capela-Mor e
transferiu para lá o Altar-Mor.
Em 1915 o Pe. Reale, mais uma vez aproveitando peças dos antigos altares da demolida Igreja do
Rosário, fez construir o Altar-Mor, onde as peças novas se podem ver, colunas e molduras em outro
estilo. Em 1929 se fez o reboco externo da nave.
Em 1940 o Pe. Hans Beil, o padre João como era conhecido, pretendendo substituir o velho assoalho
de madeira por piso de ladrilho, ele mesmo arrancou as largas e pesadas tábuas já apodrecidas,
deixando a nave em pleno areal. Mas o estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha, impôs ao Pe.
João deixar a Paróquia antes de concluir o seu intento. Substituiu-o Pe. Ovídio Simon que realizou a
obra.
A partir de 1954 passaram a tomar conta da Paróquia os Frades Franciscanos Menores Conventuais.
Em 1980 o então pároco Frei Angélico Manenti que corajosamente empreendeu a execução das mais
ousadas obras de restauração do nosso tempo. Assim, foi trocado todo o madeiramento superior
apodrecido, decorando o interior da nave, restaurados os dois corredores laterais, substituído todo o
reboco externo, o calçamento externo até a total pintura externa, só faltando o novo relógio da torre
e um novo conjunto de sinos.
Nos anos 90 mais precisamente no de 1995, com a chegada do Frei Ismael Stangherlin, a Igreja
Matriz foi informatizada, sendo que consta em seu banco de dados registros de Batizados,
Casamentos, alguns de Crisma, Dízimos, dados estes, colhidos nos livros existentes desde 1917.
Em 1998, Frei Gastone envidou esforços para conseguir a reforma da Igreja Matriz, mas por serem
dispendiosas, as obras demoraram a ser executadas, tendo início somente em Setembro de 2001. Em
julho de 2003 deu-se início a restauração dos altares laterais e o Altar-Mor tiveram que ser
totalmente reconstruído. A restauração demorou seis meses para ser concluída, ficando pronta em
janeiro 2004. Em julho do mesmo ano, a Igreja Matriz ganhou a pintura externa das paredes, portas
e janelas, vindo de um benfeitor que preferiu não ser identificado.
Em 2006, houve peticionamento para que o E. Conselho autorizasse reformas no telhado da Igreja,
pois desde 1886 quando foi ali colocado não mais foi trocado. Os recursos, tal como no século XIX
foram arrecadados através de evento: um show de um cantor popular.
______________________
Leonora Portela de Assis
Historiadora
Diretora do Grupo de Estudos de Inventário
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
____________________
Deborah Regina Leal Neves
Historiadora
Executivo Público I
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
____________________
Isabel E. Navarrete Catalán
Estagiária de História
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
V – O PARECER DO ESPECIALISTA
UBATUBA - A IGREJA MATRIZ DA SANTA CRUZ e CRUZEIRO
1- Localização
A igreja matriz encontra-se na praça situada bem no centro da cidade de Ubatuba com as ruas nas
laterais: Dona Maria Alves e Condessa de Vimieiro, atrás a Rua Jordão Homem da Costa e à frente a
Rua Dr. Félix Guisard.
2 – Adro e área envoltória
A área envoltória da igreja apresenta sua maior importância. A praça fronteiriça com os marcos da
história de uma das mais antigas cidades brasileiras com fatos relevantes; uma área arqueológica que
foi apagada por construções posteriores; o cruzeiro e a praia de Iperoig, também plena de história
em especial com o padre beato José de Anchieta.
3- Fachada
Data de 1866, o final desta segunda construção que segue as regras das igrejas coloniais mesmo
tendo sido construída no período imperial.
O corpo central que determina a nave única tem três portas de entrada sendo em granito a do arco
principal e os restantes em madeira. Do mesmo material são as janelas balcões do coro sobre curto
entablamento em friso de argamassa. Acima, o triângulo frontão retilíneo. As duas torres,
construções posteriores, têm a da esquerda inacabada.
Lateralmente, grandes colunas em argamassa acentuam o ritmo das janelas das galerias e acima do
telhado destas, há aberturas para a iluminação interna que adentra pelo forro curvo. A capela mor se
destaca pelo tamanho menor. Os telhados são visíveis ao redor de toda construção.
Internamente a grande nave única se destaca pela altura, forro curvo banhado de luminosidade
advinda das aberturas na parte superior e o arco cruzeiro. Uma larga cimalha percorre toda a
construção na altura do início do forro.
Os altares laterais são em número de três pares, incrustados nas paredes em arcos plenos, de
singelas composições com apliques. O púlpito fica muito alto, entalado em uma das colunas entre
dois altares.
Figura 2
Figura 3
Figura 4
O altar mor é desproporcional ao espaço grandioso da capela mor. Pode-se chamá-lo de altar
peregrino, pois veio da igreja do Rosário, depois da demolição daquela pelo padre Paschoal Reale que
reaproveitou o material e transferiu para lá o retábulo mor da Exaltação à Santa Cruz. Seu
alargamento é evidente pelas laterais que tocam as paredes e o recuo da parede do fundo.
Seu estilo tem linhas neoclássicas, três nichos em arco no corpo e coroamento com um triângulo
frontão reto. Acima, a Santa Cruz.
No final do século XX foi colocado um altar em forma de barco, criativo, evocando a vocação
pesqueira da cidade e as bênçãos de São Pedro pescador.
Figura 5
5- Coro
Sustentado pelas colunetas formando o vestíbulo na entrada. Acima, três portas balcões deixam
entrar luminosidade.
6- Mobiliário
Altares acima descritos e bancos para os fiéis.
I – Significado social
O espaço defronte da matriz tem grande simbologia tanto para a história do Brasil como para a
catequização dos índios pelos padres jesuítas em especial o beato padre Anchieta. A igreja tem um
significado de esforço da população em erigir um templo, por abrigar o altar mor de uma igreja
demolida, do Rosário.
A praça fronteiriça está impregnada de história, como os monumentos evocando efemérides de
Ubatuba, as ruínas da primitiva igreja em parte visível ainda na praça. O pedido de tombamento inclui
o cruzeiro, do outro lado da avenida Iperoig, em cuja praia Anchieta teria escrito parte do primeiro
poema escrito no Brasil De Beata Virginis (1563) e que merece um monumento em uma das praças
com bela escultura da Virgem.
II – Partido arquitetônico
A igreja em si busca uma visualidade das construções coloniais o que foi confirmado pela utilização
de materiais da igreja do Rosário. Mesmo erigida no período imperial, a igreja é fruto do pensamento
colonial refletindo o isolamento daquela localidade devido as poucas atividades do porto. Porém
forma uma bela moldura para aquela espacialidade plena de historicidade que evoca fatos relatados
nos primeiros livros que saíram sobre o Novo Mundo, como os escritos de Hans Staden de 1557. Anos
depois foi a vez de padres jesuítas estarem reféns de índios em 1562.
Os poucos vestígios da primeira construção são testemunhos tanto do cristianismo inicial como do
desprezo que é tratada a história de nossa história. O cruzeiro, presente no brasão da cidade,
certamente tantas vezes já trocado é local de depósito de velhas imagens e velas, seguindo a
tradição e sincretismo de depósito votivo aos pés de cruzeiros e as águas do mar.
Por fim, completando a paisagem imaginária, tanto de seus moradores como dos turistas, a praia
idílica, as ilhotas verdejantes que lá estão como testemunhas da visualidade do período do
descobrimento do Brasil.
Mais que a arquitetura, são as reminiscências, os retalhos da povoação como o casarão do período do
café perto da ponte, o monumento à Virgem, o edifício da prefeitura e um pequeno comércio com
visualidade colonial.
VI – ESTUDO DA ÁREA ENVOLTÓRIA
Nota-se o esforço pela municipalidade de manter ou mesmo criar um clima de cidade colonial. Os
edifícios tombados são valorizados, porém uma série de desvios é muito evidente. A praça está
destratada.
O espaço que vai até o mar tem edificações de péssima qualidade comprometendo toda visualidade
que poderia se tornar mais agradável.
As pedras que são da antiga igreja estão abandonadas e a proximidade com as casas comerciais
tiram qualquer possibilidade de uma melhor fruição e mesmo construção da visualidade a evidenciar
a ancestralidade de Ubatuba.
Do outro lado da avenida, uma barraca provisória ou não, com ferros chumbados na calçada,
obstruem a vista magnífica do mar, destrói qualquer marco de cristianismo e mesmo sincretismo
religioso ao lado de um comércio deficitário de um artesanato sofrível.
A escultura de Anchieta está quebrada.
Resta a beleza da praia e o visual das montanhas ainda virgens.
Inserção urbana
A Igreja destaca-se na praça, porém tem vista obstruída a partir do cruzeiro.
Uma limpeza visual valorizaria a igreja que se vê ameaçada por uma enorme construção que ainda
não havia ultrapassado o gabarito da igreja quando da visita em março de 2010.
O cruzeiro está totalmente apagado pela colocação de uma barraca para venda de artesanato. Os
vestígios da antiga igreja são praticamente imperceptíveis.
Os monumentos comemorativos na praça não são valorizados. A vegetação – arecas – está
destratada. O calçamento em asfalto colocado entre os dois espaços da praça é desnecessário.
Portanto, ao tombamento da igreja e cruzeiro se acrescentaria das quadras fronteiriças
com vista até a praia. Para tanto deve ser revitalizada a praça fechando a rua que a divide,
demolindo as construções lá existentes junto à avenida Iperoig, dar uma continuidade de calçamento
da praça até o cruzeiro e a retirada a grande barraca do outro lado da avenida junto ao calçadão da
praia.
Já existe um projeto de revitalização da orla iniciado junto ao solar do porto (Baltazar Fortes, já
tombado) até o monumento à Virgem. A continuação uniria ainda a praça da igreja até o prédio da
Câmara. Ainda não há nenhum edifício para sombrear as areias da praia onde Anchieta teria escrito o
poema à Virgem.
b. Excepcionalidade
Na igreja nada há de excepcional. O que ainda é louvável é o gabarito dos edifícios ao redor da praça
e a vista magnífica que se tem a partir do cruzeiro.
c. Representatividade
É uma paisagem testemunha de fatos importantes de nossa história nos primórdios de nossa
civilização. As citações no primeiro livro – Hans Staden, 1557 - descrevendo o convívio com índios da
região.
O primeiro poema escrito no Brasil, segundo a tradição, foi escrito nas areias alvas de Iperoig por
Anchieta. Esta homenagem ao taumaturgo e escritor da Gramática da língua mais usada no Brasil
seria justa, pois os lugares nos quais o beato viveu no Estado de São Paulo (colégio de São Vicente e
São Paulo) foram demolidos, restando aqueles em Peruíbe (a cama entre as pedras), em Itanhaém, a
Virgem de Anchieta e seu caminho na subida da Serra do Mar.
_______________________________
Prof. Doutor Percival Tirapeli
VII – A PROPOSTA DE PRESERVAÇÃO
Igreja Matriz de Ubatuba PROPOSTA AO CONDEPHAAT
Tombamento
Da volumetria e fachada da igreja matriz e da
área que compreende a praça até o cruzeiro.
Diante do exposto em meu parecer, proponho ao CONDEPHAAT o tombamento do imóvel da igreja
matriz, do bem móvel do cruzeiro e seu espaço circundante.
Considerandos
1. Ser a Matriz de Ubatuba testemunha de religiosidade e status social de povoação dos períodos
colonial e imperial, com continuidade da tradição luso-brasileira;
2. Sua praça com mobiliário da primeira metade do século XX – coreto, obelisco comemorativo e
muretas neocoloniais;
3. O espaço primordial reservado à religiosidade tendo como testemunho as fundações da primitiva
capela;
4. A visualidade e cenografia ali presente, característica das vilas coloniais que dialogavam a
fachada da igreja com o cruzeiro fronteiriço;
5. Ser o local relevante para a memória nacional e paulista de fatos ocorridos nos primórdios da
civilização brasileira, a saber: a Convenção de Iperoig e local da escrita do primeiro poema redigido
no Brasil, pelo Beato Padre José de Anchieta.
Lista dos elementos a serem preservados
1.
A volumetria da Igreja Matriz;
2.
A praça fronteiriça com mobiliário e ruínas da capela inicial;
3.
O cruzeiro.
_______________________________
Prof. Doutor Percival Tirapeli
VIII – MINUTAS DE RESOLUÇÃO DE TOMBAMENTO
MINUTA - Resolução SC ___, de ___/___/2010
Dispõe sobre o tombamento da Igreja Matriz de
Ubatuba, a praça fronteiriça com mobiliário
e ruínas da capela inicial e o cruzeiro na
cidade de Ubatuba.
O Secretário de Estado da Cultura, nos termos do artigo 1º. Do Decreto Lei no. 149, de 15 de agosto
de 1969, e do Decreto Estadual no. 13.426, de 16 de março de 1979, cujos artigos 134 a 149
permanecem em vigor por força do artigo 158 do Decreto no. 50.941 de 5 de julho de 2006, com
nova redação dada ao Artigo 137, que foi alterada pelo Decreto 48.137, de 7 de outubro de 2003, e
considerando ser:
a Matriz de Ubatuba testemunha de religiosidade e status social de povoação dos períodos colonial e
imperial, com continuidade da tradição luso-brasileira;
sua praça com mobiliário da primeira metade do século XX – coreto, obelisco comemorativo e
muretas neocoloniais;
espaço primordial reservado à religiosidade tendo como testemunho as fundações da primitiva
capela;
a visualidade e cenografia ali presente, característica das vilas coloniais que dialogavam a fachada da
igreja com o cruzeiro fronteiriço;
o local relevante para a memória nacional e paulista de fatos ocorridos nos primórdios da civilização
brasileira, a saber: a Convenção de Iperoig e local da escrita do primeiro poema redigido no Brasil,
pelo Beato Padre José de Anchieta.
RESOLVE:
Artigo 1º - Fica tombado na categoria de bem cultural a Igreja Matriz de Ubatuba situada à Rua Dona
Maria Alves, 125, no Município de Ubatuba, bem como a praça fronteiriça com mobiliário e ruínas da
capela inicial e o cruzeiro.
Parágrafo 1º - Ficam preservadas volumetria e fachadas, considerando seu gabarito e o ritmo das
envasaduras.
Parágrafo 2º - Preserva-se, na Praça o mobiliário da primeira metade do século XX – coreto, obelisco
comemorativo e muretas neocoloniais.
Parágrafo 3º - Preserva-se ainda o cruzeiro e ruínas da capela inicial.
Artigo 2º. Com vistas a preservar a unidade dos bens tombados e sua integração com a cidade,
ficam estabelecidas as seguintes diretrizes para os elementos citados nos parágrafos 1º e 2º, do
Artigo 1º da presente Resolução:
Parágrafo 1º. A proposta de preservação baseia-se no projeto original, em suas características gerais,
materiais e soluções técnicas, mas há flexibilidade para aceitar alterações que visem à continuidade
de uso e melhoria de condições técnicas que estejam prejudicando a manutenção do edifício.
Parágrafo 2º. Serão aceitáveis alterações que visem à manutenção e segurança, mas que respeitem a
essência do projeto. Devem ser respeitadas em suas feições originais, quando ainda estiverem
preservadas, as características externas e volumétricas do prédio, elementos de composição de
fachadas e materiais de vedação, os vãos e envasaduras, acabamento e ornamentação, desde que
justificadas por uma melhor adequação e atualização do espaço ou de materiais, de forma a
assegurar as funções que abrigam.
Parágrafo 3º. De modo a melhor conciliar o novo e o existente será recomendável, em casos de
intervenções, avaliar a possibilidade de restauração de elementos e/ou volumes originais já
descaracterizados.
Artigo 3º. Com vistas a preservar a unidade do elemento tombado e visibilidade enquanto objeto de
interesse cultural, constante nos parágrafos 2º e 3º do Artigo 1º da presente Resolução, ficam
estabelecidas as seguintes diretrizes:
Parágrafo 1º. Eventuais intervenções e reparos na paisagem e seus atributos dos bens supracitados
deverão ser comunicadas ao Conselho, bem como estarão sujeitas à aprovação desse mesmo órgão.
Parágrafo 2º. A exposição deverá ter as condições ideais para sua fruição, seja no tocante às
dimensões espaciais do local de sua exposição, isto é, área em seu entorno proporcionais ao seu
volume e escala. [deverá ser revitalizada a praça, fechando a rua que a divide] Não poderá haver
construções junto à avenida Iperoig entre --------- e --------, bem como quaisquer elementos
estranhos à fruição da paisagem a partir da praça, assegurando visibilidade e segurança adequadas à
visitação pública. A gestão do paisagismo, mobiliário e demais estruturas edificadas já existentes
serão administradas pelo poder municipal.
Parágrafo 3º Novas intervenções deverão ser objeto de análise prévia deste CONDEPHAAT
Artigo 4º - O presente tombamento fica isento de área envoltória, conforme faculta o Decreto n.
48.137, de 07 de outubro de 2003.
Artigo 5º - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do
Estado de São Paulo autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente, o bem em referência,
para os devidos e legais efeitos.
Artigo 6º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
IX FONTES CONSULTADAS e REFERÊNCIAS
DROGUETT, Juan; FONSECA, Jorge Otávio. Ubatuba: espaço, memória, cultura. São Paulo: Arte & Ciência, 2005
MARCÍLIO, Maria Luiza. Caiçara: Terra e População. Estudo de Demografia Histórica e da História Social de
Ubatuba. São Paulo: Edições Paulinas - CEDHAL, 1986
REIS, João José. Quilombos e Revoltas escravas no Brasil, in: REVISTA USP, SÃO PAULO (28),
DEZEMBRO/FEVEREIRO 95/96
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
18. Número do Processo:
38970/1999
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE SANTO ANTONIO.
Interessado:
PROF. DR. CARLOS EUGÊNIO MARCONDES DE MOURA
Município:
GUARATINGUETÁ
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
Parecer Técnico UPPH nº GEI-338-2010
•
Interessado: PROF. DR. CARLOS EUGÊNIO MARCONDES DE MOURA
•
Data do Protocolo: 2/3/2009
•
Assunto atual: Relatório de vistoria – estudo de área envoltória
À Diretoria,
Em
17
de
maio
do
presente
ano
estivemos
no
município
de
Guaratinguetá para realizar vistoria na Igreja Matriz de Santo Antônio a fim de
acompanhar o especialista contratado por este órgão, Sr. Percival Tirapeli, Prof.
Doutor em Artes Plásticas, Mestre em Arquitetura religiosa no contexto urbano do
Vale do Paraíba, e realizar estudo de área envoltória do supracitado bem,
atualmente em estudo de tombamento, como determinado pela diretoria técnica.
A ficha de estudo de área envoltória a seguir contém levantamento de
informações básicas sobre o bem, além do registro fotográfico do entorno da igreja
e constatações realizadas in loco.
Sem mais, era o que tínhamos a relatar.
UPPH, 28 de julho de 2010.
Arq. Adda Ungaretti
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ESTUDO DE ÁREA ENVOLTÓRIA
PROCESSO 38.970/1999
[Ficha elaborada por Adda Ungaretti]
EDIFICAÇÃO: Igreja Matriz de Santo Antônio
LOCALIZAÇÃO: Praça Santo Antônio, 40 – Centro
Município: Guaratinguetá
PROPRIETÁRIO: Arquidiocese de Aparecida
CONTATO: Teresa Maia (dir. Museu Frei Galvão) fax: (12) 3132-7540
FUNÇÃO ORIGINAL: Igreja
FUNÇÃO ATUAL: Igreja
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1632 - 1637
AUTORIA: desconhecida
PRESERVAÇÃO EXISTENTE: estudo de tombamento nesta UPPH
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
A edificação inicial data de 1630, em pau-a-pique, como Capela de Santo Antonio. Foi
ampliada em 1782 e sofreu reformas entre 1830 e 1856 com mudanças principalmente na
fachada e entre 1900 e 1913 com a colocação da torre central. Em seu interior encontra-se
altar em estilo Barroco-Valeparaibano, Rococó Mineiro e misto de Neoclássico e Barroco.
A região onde está localizada Guaratinguetá - e muitas outras cidades do vale do
Paraíba - chamou-se inicialmente “Hepacaré”, nome tupi que, segundo Teodoro
Sampaio quer dizer braço ou seio da lagoa torta, em virtude de um braço do rio
Paraíba ali existente nessa época. Mas, segundo o Relatório da Província de São
Paulo, de Azevedo Marques (1887) “Hepacaré”significa lugar das goiabeiras. Em
1560, verificada a extinção da Vila de Santo André, emigra dos Campos de
Piratininga grande leva de Guaianases mansos, localizando-se para os lados da
região denominada “Hepacaré”, onde se levantaram da região denominada
“Hepacaré”, onde se levantaram, depois Taubaté, Guaratinguetá e Lorena.
Em 1636 dirige-se Jacques Felix, acompanhado de sua família para o local onde
hoje se ergue Guaratinguetá, munido de carta de sesmaria e com amplos poderes
para se estabelecer no local.
É de supor que o lugar escolhido já fosse uma aldeia de índios mesclados e
adventícios que possuía condições essenciais para edificação de povoado.
Estabelecendo-se no local, Jacques Felix fez logo erigir uma igreja, considerada
matriz, constando como seu pároco, de 1632 a 1637, o padre Lourenço de
Mendonça.
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Em 1651 já era vila e foi elevado à categoria de cidade pela Lei nº. 2, de 23 de
janeiro de 1844, passando a comarca pela Lei nº. 61, de 20 de abril de 1866. (IBGE,
1999)
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Maps, 2010.
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Igreja Matriz S. Antônio. Fonte: PORTALVALE, 1999.
Igreja Matriz S. Antônio (interior). Fonte: VALEDOPARAIBA.COM, 1999.
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A fachada da igreja atualmente
Edifícios situados em frente à igreja
Uma das vias cujo eixo liga visualmente a matriz à estação
ferroviária
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Praça e edifícios situados em frente à igreja
Edifícios situados na praça ao lado da igreja
Edifícios de alto gabarito no entorno imediato
Via lateral à igreja, mostrando obras na fachada
Uma das vias cujo eixo alinha-se com a fachada lateral da
igreja matriz
Edifícios situados em frente à igreja
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Via lateral à igreja
Uma das vias cujo eixo alinha-se com a fachada frontal da
igreja matriz
Fotos de vistoria realizada em maio de 2010. Autoria: Adda Ungaretti.
RELAÇÃO COM O ENTORNO:
A Igreja Matriz de Santo Antônio se situa na área central da cidade, a qual possui vários
exemplares verticalizados e bastante consolidados. O uso do solo é misto, havendo
predominância de comércios e serviços. A posição na qual se insere o edifício é privilegiada,
localizando-se no encontro de eixos de ruas de grande fluxo de automóveis e de pedestres.
As praças no entorno da igreja apresentam rara arborização e os passeios de pedestres
possuem escassa quantidade de árvores.
ÁREA ENVOLTÓRIA:
Tendo em vista o exposto acima, consideramos desnecessária a delimitação de área
envoltória.
FONTES CONSULTADAS:
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Documentação Territorial do Brasil.
Guaratinguetá.
São
Paulo:
IBGE,
1999.
Disponível
em:
<http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/saopaulo/guaratingueta.pdf>. Acesso em 19 de
abril de 2010.
IGC – Instituto Geográfico e Cartográfico. Guaratinguetá. Croqui de localização de marco de
coordenadas
geográficas.
São
Paulo:
IGC,
2008.
Disponível
em:
<http://www.igc.sp.gov.br/histarqhist/croquis/croq_guaratingueta.htm>. Acesso em 19 de abril
de 2010.
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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PORTALVALE.
Guaratinguetá.
Catedral
de
Santo
Antônio.
Disponível
em:
<http://www.portalvale.com.br/cidades/guaratingueta/catedral-de-santo-antonio.php>. Acesso
em 19 de abril de 2010.
VALEDOPARAIBA.COM. Guaratinguetá – SP: Atrativos Turísticos. Atrativo Turístico
Religioso: Catedral de Santo Antônio. São Paulo, 1999. Disponível em:
<www.valedoparaiba.com/turismoelazer/fe/guara1.asp>. Acesso em 19 de abril de 2010.
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Parecer Técnico UPPH nº GEI-415-2010
•
Interessado: PROF. DR. CARLOS EUGÊNIO MARCONDES DE MOURA
•
Data do Protocolo: 02/03/2009
•
Assunto atual: Tombamento
I - HISTÓRICO DO PROCESSO
Repertório de despachos
Trata – se do processo 38970/99 que solicita o tombamento da Igreja Matriz de Santo Antônio,
localizada na Praça Santo Antônio em Guaratinguetá. O interessado é o Professor Carlos
Eugênio Marcondes de Moura.
•
À folha 02 consta carta do interessado, o professor Carlos Eugênio Marcondes de
Moura, solicitando o tombamento da Igreja matriz de Santo Antônio, em
Guaratinguetá;
•
Às folhas 03 à 14 consta o abaixo assinado dos interessados no tombamento;
•
Às folhas 15 à 49 consta justificativa e dados históricos para o pedido de tombamento;
•
Às folhas 50 à 57 constam dados históricos do museu Frei Galvão, relatos de Teresa
Regina de Camargo Maia;
•
À folha 58 consta um requerimento do interessado, Professor Dr. Carlos Eugènio
Marcondes de Moura onde “(...) Solicitam o tombamento da Igreja Matriz de Santo
Antônio em Guaratinguetá; a AS para abertura do respectivo guichê, ao STCR para
início dos estudos (...)”;
•
Às folhas 60 à 64 localizam-se fotos enviadas por Teresa Epitácio em maio de 1996;
•
À folha 65 consta a síntese de decisão do Egrégio Colegiado, ata nº 1160,
sessão ordinária de 17 de agosto de 1999 aprovando a abertura do processo
de estudo de tombamento da Igreja Matriz de Santo Antônio;
•
À folha 67 consta publicação no Diário Oficial de 17/09/99 – Seção I –
Pág.42;
•
À folha 68 consta carta do CONDEPHAAT, endereçada ao então prefeito municipal de
Guaratinguetá, Dr. Francisco Carlos Moreira dos Santos, contendo as informações
pertinentes à decisão do Egrégio Colegiado em ata 1160 de agosto de 1999;
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•
À folha 69 consta carta do CONDEPHAAT, endereçada ao então delegado seccional de
Guaratinguetá, Dr. Cléber Milton Oliveira Lemos, contendo as informações pertinentes à
decisão do Egrégio Colegiado em ata 1160 de agosto de 1999;
•
À folha 70 consta carta do CONDEPHAAT, endereçada ao então pároco da Igreja Matriz
de Santo Antônio de Guaratinguetá, Pe. Jalmir Carlos Heréidia, contendo as
informações pertinentes à decisão do Egrégio Colegiado em ata 1160 de agosto de
1999;
•
À folha 71 consta carta do Condephaat, endereçada ao interessado, o professor Carlos
Eugênio Marcondes de Moura, contendo as informações pertinentes à decisão do
Egrégio Colegiado em ata 1160 de agosto de 1999;
•
À folha 72 consta carta do Condephaat, endereçada então promotor de Justiça de
Guaratinguetá, o Dr. João Carlos de Camargo Maia, contendo as informações
pertinentes à decisão do Egrégio Colegiado em ata 1160 de agosto de 1999;
•
À folha 73 consta pedido à STCR para prosseguimento dos estudos da Matriz de Santo
Antônio;
•
Os ARs (Avisos de Recebimento) foram juntados às fls. 74 a 77;
•
À folha 78 consta carta da Paróquia da Catedral de Santo Antônio, endereçada ao
CONDEPHAAT, que contesta o estudo de tombamento proposto por pessoas que não
moram na região da paróquia e solicita que tal estudo seja postergado, a fim de que se
terminem as obras, que já estavam em execução há 3 anos;
•
À folha 79 consta um oficio referente à Igreja Matriz de Santo Antônio onde, “(...) À AS
para juntar ao respectivo processo; Ao STCR para manifestação, com trânsito direto
para Drª Eliana de Oliveira (...)”;
•
À folha 80 e 81 consta cópia de fax solicitando cópia do processo de tombamento,
emitido pelo museu histórico e Pedagógico “Conselheiro Rodrigues Alves”;
•
À folha 82 consta ofício com o pedido de cópia do processo de tombamento da Catedral
de Santo Antônio;
•
À folha 83 e 84 consta carta do Museu Frei Galvão onde solicita a “(...) confirmação da
Matriz de Santo Antônio, hoje Catedral como monumento histórico de Guaratinguetá,
com preservação assegurada pelo Condephaat. Essa informação possibilitará a
liberação de verba para pintura da parte exterior do monumento, de grande
importância para a cidade, pois nessa Matriz, foi batizado, fez sua primeira comunhão e
rezou sua primeira missa, Frei Galvão (...)”;
•
À folha 85 consta carta endereçada à presidência do CONDEPHAAT para que responda
à Diretora do Museu Frei Galvão referente à “(...) Solicita declaração de que a Catedral
de Santo Antonio é monumento histórico de Guaratinguetá (...)”;
•
À folha 86 consta o oficio GP-2513/07 do CONDEPHAAT endereçada à historiadora
Thereza Maia na qual “(...) Vimos informar que abertura do processo de tombamento
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da Catedral de Santo Antonio já assegura, desde a referida data, a preservação do bem
pelo Condephaat (...)”;
•
•
À folha 87 consta comprovante de transmissão de fax à Sra. Thereza Maia;
À folha 88 consta uma comunicação interna do Condephaat onde se encaminha “(...)
Ao GT para prosseguimento da instrução (...)”;
•
À folha 89 consta carta do Museu Frei Galvão onde se encaminha a planta da igreja
Matriz de Santo Antônio;
•
Às folhas 90, 91, 92 e 93, observamos planta da Igreja Matriz pavimento superior,
fachada lateral esquerda, planta baixa – piso e fachada frontal respectivamente;
•
À folha 94, consta uma comunicação interna do CONDEPHAAT sobre as plantas
recebidas da Igreja Matriz de Santo Antonio onde se pede “(...) Ao NAA/PT para juntar
ao respectivo Processo, Ao GT para manifestação (...)”;
•
À folha 96 confirma vistoria técnica à Catedral de Santo Antônio realizada no último dia
17/05/2010;
•
À folha 97 consta um relatório de vistoria sobre a área envoltória da Matriz de Santo
Antonio realizado pela arquiteta Adda Ungaretti;
•
Às folhas 98 à 103 consta estudo de área envoltória, realizada pela arquiteta Adda
Ungaretti, com “(...) levantamento de informações básicas sobre o bem, além do
registro fotográfico do entorno da igreja e constatações realizadas in loco (...)”.
II – A RETOMADA DOS ESTUDOS
O presente processo, aberto em agosto de 1999, foi apreciado pelo o pr ofe s sor Doutor
P erci v al T irap el l i, e s pe c iali st a em P atr im ôni o Sacr o, as si m como pe l a ar qu ite t a
A d da Ung are tti, té cn ic a de sta UPPH.
Percival Tirapelli foi vice – presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de
Arte) (2006-2009) e atualmente é professor titular em História da Arte Brasileira do Instituto de
Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Mestre e Doutor pela
Escola de Comunicações e Artes da USP em 2008, realizou pesquisa de pós-doutorado pela
Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Em 2003, recebeu o Prêmio Sérgio Milliet de melhor
pesquisa em arte, outorgado pela ABCA, pelo livro Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó,
Imprensa Oficial/Editora UNESP.
É autor de 16 livros sobre arte brasileira e patrimônio cultural, destacando-se:
•
•
•
São Paulo: Artes e Etnias pela Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2007;
Igrejas Barrocas do Brasil (2008);
Patrimônio da Humanidade no Brasil (4 edições desde 2001) e
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Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
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•
•
Festas de Fé, pela Editora Metalivros.
Pelas mesmas editoras, organizou Arte Sacra Colonial – Barroco Memória Viva, em
2001.
Como curador, dentre outras, fez a exposição Gênese da Fé no Novo Mundo, realizada no
Palácio dos Bandeirantes (2007), em São Paulo, quando da vinda do Papa Bento XVI ao Brasil,
cujo catálogo português/inglês publicado pela Imprensa Oficial. Tem atuado em crítica de arte,
história da arte brasileira, patrimônio artístico e cultural e, como artista plástico, participou de
duas Bienais Internacionais de Arte de São Paulo, tendo recebido prêmio de gravura na bienal
de La Paz, Bolívia, e de exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior, com pinturas,
e também aquarelas e gravuras.
Isto posto, a trajetória profissional de Percival Tirapelli o qualifica amplamente para, como
especialista com experiência em patrimônio, particularmente em patrimônio de caráter religioso,
manifestar-se sobre a proposta de preservação para os bens aqui em análise.
III – Guaratinguetá
Figura 6 - Região de Guaratinguetá.
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A. Apontamentos sobre a Região Administrativa de São José dos Campos18
A Região Administrativa de São José dos Campos compõe-se de 39 municípios, que ocupam
16.268 km2 ou 6,5% do território paulista.
Sua infra-estrutura de transportes, uma das mais importantes do país, é constituída pela
Rodovia Presidente Dutra (BR-116) e pela malha ferroviária da MRS Logística, que fazem a
ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, a região é servida pelas Rodovias SP-50,
que faz o elo com o sul de Minas Gerais; SP-99 ou Rodovia dos Tamoios, que leva ao litoral
Norte; e Carvalho Pinto, que atende as cidades da Região Metropolitana de São Paulo e do Vale
do Paraíba, com conexão com a Rodovia D. Pedro I, que, por sua vez, faz a ligação com
Campinas e o interior do Estado.
O Vale é cercado pela Serra da Mantiqueira, ao norte, onde se encontram os municípios de
Campos de Jordão, São Bento do Sapucaí e Santo Antonio do Pinhal, e pela Serra do Mar e o
litoral, ao sul, onde se encontram Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião. O
município de São José dos Campos é o centro regional que acabou polarizando o Vale do
Paraíba, o litoral norte e até alguns municípios de Minas Gerais, e onde se instalou uma ampla
estrutura de comércio e de serviços.
O Aglomerado Urbano de Guaratinguetá é formado por Aparecida, Lorena, Guaratinguetá,
Canas e Cachoeira Paulista que, juntos, abrigam mais de 262 mil habitantes. A economia da
Aglomeração Urbana de Guaratinguetá é diversificada. Em Aparecida, por exemplo, a atividade
econômica gira em torno da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, maior centro de peregrinação
religiosa do país. Há grande concentração de serviços pessoais, principalmente de pequenos
hotéis e restaurantes.
Já Guaratinguetá é uma das mais expressivas bacias leiteiras do país. Os rebanhos locais são
compostos por bovinos, suínos, eqüinos, muares, caprinos, ovinos e bubalinos, além da criação
de aves e peixes. No que se refere à produção agrícola é grande a importância da cultura do
arroz, que vem alcançando altos níveis de produtividade, além dos hortifrutigranjeiros.
O parque industrial do município abriga empresas ligadas à fabricação de produtos químicos,
borracha e plástico, alimentos, e produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos).
Guaratinguetá também atua como importante pólo regional, com amplo e diversificado
comércio, que atende as cidades vizinhas e o sul de Minas Gerais.
O principal acesso a Guaratinguetá é a Rodovia Presidente Dutra, que une os dois maiores
centros consumidores do país, São Paulo e Rio de Janeiro. A SP-62, por sua vez, liga
Guaratinguetá a Lorena e a BR-459, à estância hidromineral de Poços de Caldas, no sul de
Minas Gerais.
18
Informação
obtidas
e
http://www.ppa.sp.gov.br/perfis/PerfilRASJCampos.pdf
adaptadas
do
site
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B. Um pouco de história19
Guaratinguetá significa “Terra de Garças Brancas”, originariamente: uirá’tinga'etá
(guará=garça, tinga=branca e eta=muito). Recebeu esse nome porque grande quantidade
dessas garças povoava a região localizada entre as Serras do Mar e Mantiqueira que margeia o
Rio Paraíba.Os índios que aqui estiveram, batizaram esta terra.
O local sempre foi passagem das expedições portuguesas que se dirigiam à Minas Gerais em
busca de ouro e pedras preciosas e iniciaram a passagem branca por essas paisagens, mas
somente a partir de 1628 é que se fixou a povoação branca na região, quando em 1636 dirigese Jacques Felix, acompanhado de sua família para o local onde hoje se ergue Guaratinguetá,
munido de carta de sesmaria e com amplos poderes para se estabelecer no local.
Jacques Felix edificou uma igreja, considerada matriz, constando como seu pároco, de 1632 a
1637, o padre Lourenço de Mendonça.
Há outra hipotese da história de Guaratinguetá que diz haver sido fundada por Domingos Leme,
como representante do donatário D.Diogo Faro, mais ou menos no mesmo ano que Jacques
Felix. Contudo, a data considerada oficial da fundação é a de 1651, pois versões há que
consideram este último ano o da chegada do Capitão Domingos Leme.
Com o correr dos anos foi se transformando em caminho e passagem obrigatória nas viagens
entre São Paulo e Rio de Janeiro. Como todo interior, possuía indústria rudimentar e caseira até
à época do incremento da cultura da cana-de-açúcar e instalação de numerosos engenhos,
quando começa Guaratinguetá a adquirir destaque entre as demais cidade do Vale do Paraíba
pela sua grande prosperidade.
20
Durante as primeiras décadas do século XVIII, a cidade teve importante participação no ciclo
do ouro em Minas Gerais. era ponte de passagem para Minas Gerais e para as vilas de Taubaté
e São Paulo, além de ser ponto de partida para Parati. Foi o principal centro abastecedor
mineiro, e para lá mandou vários bandeirantes, juntamente com os bandeirantes de Taubaté e
Pindamonhangaba. Nessa época a cidade recebeu uma Casa de Fundição de Ouro, que mais
tarde foi transferida para Parati. A economia não era desenvolvida, e estava voltada para o
comércio de beira de estrada.
Ainda no século XVIII, também foi achada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora
Aparecida, hoje Padroeira do Brasil. Em 1739, nasce em Guaratinguetá, Antônio Galvão de
França (Frei Galvão), primeiro santo brasileiro. Neste século, novos templos religiosos se
ergueram na cidade como é o caso da “ Igreja de Nossa Senhora do Rosário”.
No final do século XVIII, Guaratinguetá perde uma grande parte de seu território, com a
emancipação do município de Cunha. Ainda assim a economia da cidade começa a se
desenvolver, junto com o plantio da cana de açucar e produção de açucar, que passa a ser a
principal fonte de renda de Guaratinguetá. Por consequência, Guaratinguetá se tornou uma das
principais vilas da Capitania de São Paulo.
19
Informações obtidas e adaptadas do site www.ibge/cidades.com.br
20
Informações obtidas e adaptadas do site www.wikipedia.com.br
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O prestígio dos canaviais perdura até princípios do século XIX, quando a produção açucareira
do Nordeste do Brasil sufoca totalmente a da região Sul. Contudo um horizonte magnífico se
descortina dentro do desastre açucareiro, pois, vindo das terras fluminenses, o café adapta-se
às terras de São Paulo, trazendo, consigo agricultores afeitos a seu cultivo. Guaratinguetá
investe na cultura do café com todas as suas forças e em alguns lustros vê a cultura atingir o
apogeu.
A opulência e a fartura se alastram no Município: é o período áureo da vida da cidade, sendo a
principal atividade econômica da cidade. Do Vale do Paraíba e Brasil, ocasionando o declínio dos
engenhos de cana de açucar. O desenvolvimento do café atinge em 1886, apenas em
Guaratinguetá, 350 mil arrobas anuais. Junto com o progresso do café, vem o desenvolvimento
econômico, político, social e urbano à vila, que em 1844 era elevada a categoria de cidade, e,
logo depois, no ano de 1852 à categoria de comarca. Com a decadência do café, iniciou-se no
Município uma fase de policultura, em que a cana-de-açúcar e o arroz tiveram a maior
importância.Repercutiu em seu desenvolvimento, como no de outras cidades do Vale do
Paraíba, o grande êxodo em fins do século XIX, da chegada da população rural e urbana,
atraída pelas zonas pioneiras do oeste paulista
A população da cidade aumentou com a vinda de escravos, que traballhavam nas plantações. A
cidade começou a viver um período de embelezamento com a iluminação das ruas através dos
lampiões, e perto da Igreja Matriz, foi instalado um gasômetro para a iluminação do templo.
A partir da segunda metade do século XX, com a chegada de famílias mineiras procedentes da
Mantiqueira, as velhas propriedades rurais se transformaram em fazendas de criação e a
pecuária constitui hoje a principal atividade econômica da população do Município, juntamente
com a industrialização que progressivamente se vai processando das localidades situadas no
vale do Paraíba, ao longo das estradas que ligam o Rio de Janeiro a São Paulo.
Após a abolição dos escravos, os primeiros imigrantes começam a substituir a mão-de-obra. A
colônia do Piagui se instala em 1829 e na última década do século XIX foi inaugurado o Teatro
Carlos Gomes, onde atualmente funciona a Prefeitura Municipal.O primeiro grupo escolar da
cidade passa a funcionar no edifício Flamínio Lessa.
Também nessa época chegam a cidade as primeiras escolas para moças, e em 1858, é
inaugurado o jornal “ O Mosaico”, tornando Guaratinguetá a primeira cidade do Vale do Paraíba
a ter um jornal. O comércio teve grande desenvolvimento, trazendo mercadorias importadas da
Europa para a cidade, mercdorias trazidas através do porto de Parati.
Por duas vezes a cidade foi visitada pela Família Imperial, em 1868 e em 1884. Em 1860 a
cidade envia para a guerra do Paraguai, voluntários da Pátria, Guardas Nacionais e escravos
oferecidos serviço de guerra.
A estrada de Ferro é inaugurada na cidade em 1877, ligando Guaratinguetá à Corte do Rio de
Janeiro e a São Paulo. Data da mesma época a criação de um Clube Republicano, junto à
intensa atividade abolicionista.
Com a abolição da escravatura o município busca a colaboração estrangeira para o cultivo do
solo. Em 1892 ocorre a instalação da “ Colônia do Piagui”, com a integração de mão de obra de
imigrantes italianos, austríacos, alemães, suecos, belgas, franceses e poloneses.
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No século XX, após o esgotamento das terras e o declínio da cultura cafeeira, a agropecuária
extensiva começa a tomar lugar. Guaratinguetá perde parte de seu território com as
emancipações de Aparecida e Roseira. Um novo foco econômico surge com a industrialização e
o fomento comercial.
No início do século XXI, com a canonização de Frei Galvão, em 2007, a atividade turística
começa a aumentar no município.
21
C. Personalidades Locais
Frei Galvão
O primeiro brasileiro elevado às honras dos altares em 500 anos de história. Venerável
Franciscano Fiel Servo de Deus Frei Antônio de Sant´Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá,
Estado de São Paulo, no ano de 1739. Faleceu com fama de santidade em 1822, na cidade de
São Paulo e foi sepultado na Capela-Mor do Mosteiro da Luz.
Em 1997 foi emitido, por unanimidade, a aprovação e a autenticidade do milagre de Frei
Galvão, relativo à menina Daniella, então com 4 anos e em fase terminal, com hepatite
galopante tipo B, 4 infecções hospitalares e complicações, internada na ocasião em São Paulo
no hospital Emílio Ribas.
Após a aprovação do milagre, complementada com o novo Decreto sobre as virtudes heróicas
do venerável Frei Galvão, foi beatificado em ato oficial pelo papa João Paulo II, na Basílica de
São Pedro em Roma. O processo de beatificação de frei Galvão, ocorreu dia 25 de outubro de
1998 e a partir dessa data o povo já passou a considerá-lo como santo.
Presidente Rodrigues Alves
Presidente da república brasileira (1902-1906) nascido em Guaratinguetá, SP, primeiro
político brasileiro a ser duas vezes eleito presidente do país. Estudou no internato do Colégio
Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro (1859-1865) e graduou-se pela Faculdade de Direito de
São Paulo (1870). Filiado ao Partido Conservador, elegeu-se deputado provincial em três
mandatos, deputado-geral em dois mandatos e presidente da província de São Paulo (18871888).
21
Informações obtidas no Processo 38970/1999, assim como obtidas e adaptadas dos
sites:
www.valedoparaiba.com/cidadesdaregiao
www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PBFPRA.html
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Aderiu ao regime a republicano e tornou-se deputado constituinte (1890). Ministro da
Fazenda (1890-1892). Elegeu-se senador (1893) e voltou ao Ministério da Fazenda no governo
de Prudente de Morais.
Novamente senador (1897) e governador do estado de São Paulo (1900), candidatouse e, vitorioso, sucedeu a Campos Sales na Presidência da República (1902), onde desenvolveu
um mandato histórico por importantes empreendimentos:
•
•
•
apoiou a campanha de erradicação e saneamento da febre amarela do Rio de
Janeiro, sob o comando de Osvaldo Cruz,
a remodelação da capital federal, a cargo do prefeito Pereira Passos,
e a construção do porto e da avenida Central, mais tarde avenida Rio Branco,
obras executadas por Lauro Müller.
Na política externa, contou com a atuação destacada do barão do Rio Branco, que
solucionou a questão do Acre com a assinatura do Tratado de Petrópolis (1903). No campo
econômico, procurou disciplinar as finanças e manter o câmbio a taxa fixa e promoveu à
reforma do Banco da República, transformado em Banco do Brasil (1905). Depois de um
afastamento temporário da política assumiu o governo de São Paulo (1912-1916) e se elegeu
novamente para o Senado (1916).
Eleito novamente para a Presidência da República (1918), não chegou a ser
empossado, pois, vítima da gripe espanhola, morreu no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro do
ano seguinte e a presidência foi assumida, então, pelo vice-presidente eleito, Delfim Moreira.
Monsenhor João Felippo
Idealizador e executor de gigantescas obras social e educacional. Construiu o Colégio
do Carmo, com internato para meninas. Para meninos pobres ergueu o Colégio São José,
reformou e ampliou a Igreja do Rosário e a Santa Casa de Misericórdia, deu início à reforma da
Matriz com alteamento de suas torres, o Asilo de Mendicidade Santa Isabel, o Albergue
Noturno, construiu e inaugurou o Orfanato do Puríssimo Coração de Maria para meninas pobres
(que hoje é local de romarias conhecido em todo o território nacional).
Feijó
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A memória de Guaratinguetá do final do século XVIII guarda a presença do menino Diogo
Antônio Feijó, futuro regente do Império, na então colonial vila de Santo Antônio de
Guaratinguetá. Ele nasceu em São Paulo onde foi batizado no dia 17 de agosto de 1784, tendo
como padrinhos o sub-diácono Fernando Lopes Camargo e Dona Maria Gertrudes de Camargo.
A ascendência de Feijó é, até hoje, motivo de polêmica. Sugere Raimundo de Menezes que
Feijó é “o filho incógnito do Vigário Lima, de Cotia e de Maria Joaquina de Camargo”. O fato é
contestado por Monsenhor Paulo Florêncio da Silveira Camargo ao informar que
“Francisco Negrão em sua genealogia Paranaense – título
Carrasco dos reis, afirma por sua conta, ou porque ouviu de
alguém, a paternidade de Feijó atribuída ao referido Manuel da
Cruz Lima. Tal afirmação passou a ser tida como verídica e é
por isso que nos referimos a ela para estranhar tamanha
precipitação em coisa tão séria, Certo que no caderninho do
próprio Feijó ele ali não apareceu e sim Felix Antônio Feijó, no
dizer de quem afirmou ter lido e copiado do original”.
Com onze anos Feijó chegou a Guaratinguetá, fato que vem narrado por Monsenhor Paulo
Florêncio da Silveira Camargo, em seu livro A igreja na História de São Paulo:
“(...)Padre João Gonçalves Lima que esteve em Parnaíba fora
transferido pra Guaratinguetá. Levou consigo um menino
misterioso a quem ensinava s primeiras letras e servia de
padrinho de Crisma – Diogo Antônio Feijó.”
O menino Feijó vai ficar em Guaratinguetá entre os anos de 1795 e 1798, ocasião em que vai
estudar com o Licenciado guaratinguetaense Dr. Manuel Gonçalves Franco, professor e pessoa
ilustre na Vila. Sobre ele, escreve Silva Leme: “nobre cidadão da vila de Guaratinguetá, onde
ocupou os cargos do Governo, sendo Juiz Ordinário de Órfãos. Dotado de um talento robusto e
cultivado foi professor do Padre Feijó e de Muitos outros sacerdotes notáveis de seu tempo”.
Manuel Gonçalves Franco foi ainda compositor sacro, com várias produções que se espalharam
pelo Vale do Paraíba, recentemente levantadas em pesquisas pelo musicólogo Regis Duprat.
Feijó estuda com Manuel Gonçalves Franco em Guaratinguetá até abril de 1798, quando volta a
São Paulo. O fato é comprovado por Monsenhor Florêncio, ao registrar que “eram escreventes
da Cúria Diocesana, entre outros. Diogo Antônio Feijó, desde que voltou de Guaratinguetá, em
1798, até o ano de 1807”.
A partir daí, Diogo Antônio Feijó vai seguir com sucesso sua trajetória eclesiástica e política,
onde alcançou os mais altos postos do Império, como Senador, Ministro da Justiça e Regente.
Falecido em 1843, foi embalsamado pelo sistema egípcio, tendo seu coração sido entregue ao
sobrinho Palhares de Camargo, e os olhos remetidos ao Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar,
segundo informa Raimundo de Menezes.
Sepultado junto ao altar da Ordem Terceira do Carmo, foi transladado em 1852 para a Ordem
Terceira de São Francisco, achando-se hoje na Cripta da Catedral da Sé.
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IV – O BEM EM ANÁLISE
A Igreja Matriz de Santo Antônio de Guaratinguetá22
Segue abaixo relato de Thereza Regina De Camargo Maia, Diretora do Museu Frei Galvão:
“(...) foi a Matriz de Santo Antônio, com suas Irmandades e
Confrarias, o primeiro cemitério do povoado, depois Vila de
Santo Antônio de Guaratinguetá.
A existência de numerosas Irmandades na Matriz e em outras
igrejas da vila, nos séculos passados, traduzia um fato que se
repetia por todo o país, devido à sua importância religiosa e
social na vida e na morte dos católicos. Durante a vida,
pertencer a uma Irmandade religiosa era uma questão de
status social. Após a morte, significava possuir uma sepultura
cristã, e ter missas e orações perpétuas. Eram complexas s
Irmandades, nos seus fins de beneficência, contribuindo para a
construção de igrejas, para o esplendor litúrgico e estético das
festas, procissões, enterros e até exéquias soleníssimas, além
de garantir a cada irmão sepultura, orações e vida eterna.
Exemplo disso, e dedicada ao culto das almas, é a Irmandade
de São Miguel e Almas, erecta em 1727 na Matriz de Santo
Antônio de Guaratinguetá e que tinha entre suas obrigações
“mandar dizer duas capelas de Missas cada ano, um pelas
Almas, e outras pelos Irmãos vivos e defuntos, e no oitavario
dos fiéis defuntos, um orifício de nove lições.”
Sobre os enterramentos na Matriz, cada Irmandade possui suas sepulturas com preços
variados, “da porta para até as travessas das portas travessas até as grades, das grades até os
arcos e arriba dos arcos”, conforme tabela do ano de 1770, escrita no Livro Tombo. Na capelamor da Matriz, entre o arco cruzeiro e o altar-mor estão sepultados os Irmãos do Santíssimo,
dos séculos passados. Dentre eles estão vários irmãos de Frei Galvão e seu próprio pai, ficando
sua sepultura junto à porta esquerda, conforme detalham os documentos da época, informando
ainda que foi “amortalhado com o hábito de São Francisco”. Cada Irmandade possuía o seu
espaço, sua cor e a forma de vestir seus fiéis após a morte.
Os sepultamentos foram feitos no solo da igreja, cujo piso era de madeira com tábuas largas,
facilmente levantadas e numeradas, piso que foi substituído em 1939 pelo atual, de ladrilhos.
Sob ele persistem os restos mortais dos membros das antigas Irmandades, adultos e crianças.
Um levantamento de nomes e idades dessas pessoas pode ser feito através de inventários,
testamentos e livros de atas das Irmandades.
O cemitério da Matriz de Santo Antônio estendeu-se para fora da igreja, à sua direita, onde
eram enterrados os que não pertenciam a nenhuma Irmandade ou eram estranhos à cidade.
22
Galvão.
Arquivo e Memória de Guaratinguetá – Centro social de Guaratinguetá – Museu Frei
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Escravos, índios, libertos e mulatos recebiam sepultura nas igrejas do Rosário de São Gonçalo e
São Benedito, não tendo direito a sepultura na Matriz de Santo Antônio.
Foi com a epidemia de cólera, no ano de 1855, que os sepultamentos dentro das igrejas
passaram ser proibidos pelo Governo. Desta época datam, em Guaratinguetá, o início dos
cemitérios de São Miguel e Almas e de N. S. dos Passos, este pertencente à Irmandade do
mesmo nome. Do começo do séc. XX é o Cemitério Municipal, cujo livro de registro, apresenta
nomes de ex-escravos, ainda procedentes da África.
Com a desativação do cemitério da Matriz e o passar do tempo, foi ficando esquecido o fato de
que em seu solo estão os primeiros habitantes de Guaratinguetá. Da antiga Irmandade de São
Miguel e Almas restaram o altar e a bela imagem barroca de seu patrono e a pintura do forro
da igreja.
Embora tenham desaparecido da Matriz “as caixinhas das almas”, ou seja, os pequenos cofres
decorados com pinturas representando o purgatório e que recolhiam esmolas para a missa das
almas, nas narrativas populares, a presença destas permanece na igreja. São vários os
depoimentos de ontem e de hoje sobre a existência de “procissões e missas das almas”,
presenciadas até por antigo vigário, com a igreja repleta e estranhamente iluminada. Poucos os
sacristãos que ousam dormir atrás do altar-mor ou mesmo na sacristia. Muitos numerosos são
os relatos atuais sobre a presença de paroquianos falecidos, que transitam entre os vivos, nas
missas de sétimo dia, além de vozes que murmuram infindáveis terços e almas que cantam em
noites de Semana Santa.
Tais fatos, para o povo, vêm comprovar a existência de vida após a morte e a permanência das
almas no campo santo da Matriz. Esta permanência está ligada a crença de que quando uma
alma volta ao nosso mundo é porque “está precisada de rezas e missas”, o que certamente,
graças às suas orações, não aconteceria aos irmãos do Anjo São Miguel e Almas do Purgatório
da Matriz de Santo Antônio de Guaratinguetá.
A irmandade de Santo Antônio
A mais Antiga de Guaratinguetá e o Primeiro Livro Tombo da Matriz
O Brasil sempre foi a terra, por excelência, de irmandades, confrarias, ordens terceiras e santas
casas. Essas associações religiosas entraram em pleno florescimento no decorrer de todo o sec.
XVIII. Partindo de modelos portugueses, procuraram elas adaptar-se às circunstâncias locais,
sem perder, entretanto, as características de seus modelos de origem.
Guaratinguetá não fugiu à regra. O primeiro livro tombo na Matriz de Santo Antônio registra, no
mesmo séc. XVIII, a fundação de inúmeras irmandades:
•
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•
•
•
•
A mais antiga delas é a de Santo Antônio e data de 1701.
A Irmandade do Santíssimo Sacramento é de 1714,
a de São Miguel e Almas é de 1727 e
de 1755 é de Nossa Senhora do Carmo.
De 1727 é a Irmandade de N.S. do Rosário dos Pretos e
de 1757, a de São Benedito, ambas de escravos e com igrejas próprias.
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Dessas Irmandades, permanecem hoje em atividade a do Santíssimo Sacramento, na Matriz de
Santo Antônio e a de São Benedito, na igreja do mesmo nome, antiga Igreja de São Gonçalo,
também erguida no século dezoito.
Ainda no ano de 1717, foi encontrada imagem de Nossa Senhora Aparecida, com sua
Irmandade fundada em 25 de maio de 1756.
A Irmandade De Santo Antônio:
“A Irmandade de S. Antônio He a mães antiga desta Freguesia por ser
o santo Padroeira Dell; foi erecta no Anno de 1701, e a confirmação
do seo Compromisso foi dada pello Reverendo Visitador Geral o
Cônego Manoel da Costa Escobar, da Santa Sé de S. Sebastião do Rio
de Janeiro, Visitador Geral das Minas Novas do Nascente, e mães
Villas, Capellas e Oratórios da Repartiçam do sul com jurisdição
ampla...
Faço saber que havendo respeitosamente solicitado o Provedor e
mães Irmãos da Irmandade do Glorioso Santo Antônio desta Villa de
Guaratinguetá hei por bem de lhe aprovar e confirmar, com esta
minha presente provisão, os vinte e quatro capítulos deste seo
compromisso, pra que, na observação delles sirvam ao glorioso Santo
Antônio e lhe concedo as seis covas do Arco da Capella Mor para
dentro para se enterrare os irmãos que houveram sido Provedores, e
querendo acrescentar de novo algum Capítulo deste seo Compromisso
ou a annular algum dos 24 o não poderá fazer sem aprovação ou
licença dos presados Ecclesiasticos, e mando com pena de
Excomunhão Mayor a toda a pessoa de qualquer qualidade não antes
os ajude com suas esmolas para mayor glória de Deus e do Sr. Santo
Antônio, dada em vizita nesta Villa de Guaratinguetá sob meo sinal e
sello aos 3 dias do mês de novembro de 1701. E eu o Padre Antônio
Duarte Rapozo Escrivam da Visita o escrevi – Manoel da Costa
Escobar.
Tem esta Irmandade, por obrigaçam que observa mandar dizer todos
os anos hua Capella de Missas por todos os Irmos vivos, e defuntos, e
por Irmão que falece de entrada seis patacas. Tem seus ornamentos
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próprios e mães alfayas como consta do inventário a f. 175. Esta
Irmandade festaja ao Padroeiro”23.
Na notícia acima, sobre a mais antiga Irmandade de Guaratinguetá notam-se dois objetivos
principais: a festa do padroeiro de Guaratinguetá – Santo Antônio e o local dos sepultamentos
dos Irmãos – primeiros moradores de Guaratinguetá – no primeiro cemitério, o interior da
Matriz de Santo Antônio, além de missas por suas almas.
Outros documentos e informações sobre a Irmandade de Santo Antônio desapareceram como
estragos causados por uma tempestade. É o que nos descreve o próprio livro do tombo da
Matriz, sugerindo inclusive ser a irmandade de Santo Antônio bem anterior a 1701, talvez da
época da construção da primitiva capela, origem da vila de Santo Antônio de Guaratinguetá. Diz
o texto do Livro:
“Nam há mães provizão, nem licença de erecção, nem
livros antigos por onde conste alguã notícia desta Irmandade,
senão huã tradição em alguãs pessoas antigas, que esta
Irmandade reformara o seo Compromisso em tempo do
Sr.Bispo D. Francisco de S. Jerônimo, e que este Novo
Compromisso, e mães Lvros da irmandade, sendo Thezoureiro
ou Procurador hum defunto Miguel de Pontes tinhão perecido
no anno de
1729, porque havendo neste anno huma tempestade muito
grande, que descobrio Igreja toda, e se arruinarão várias
cazas, não estando o Livro bom recado, também pereceu, de
sorte que hoje os livros que servem são rubricados em 1731 e
por essa razão se regem os Irmos pelo Compromisso de 1701,
no qual além de estar muito velho, achão-se faltas”24.O
Primeiro Livro Tombo
23
Trecho transcrito do 1º Livro do Tombo e Inventário da Matriz de Santo Antônio
de Guaratinguetá, iniciado em 2 de agosto de 1757. Biblioteca Francisco de Paula Santos.
Secção de Documentação Brasileira. Documentação Histórica em Original no Arquivo do
Estado de São Paulo. Referência 1757. Cópia manuscrita – Arquivo Memória de Guaratinguetá
do Museu Frei Galvão. Xerox.
Cabe aqui ressaltar que o museu Frei Galvão possui em seu Arquivo Memória de
Guaratinguetá uma cópia manuscrita de parte deste Livro do Tombo, obtida no Arquivo do
Estado de São Paulo. Nele estão registrados as mais valiosas informações sobre a história de
Guaratinguetá e Aparecida, desde as primitivas capelas, igrejas e irmandades, sendo fonte
primária primordial para a pesquisa da história antiga de Santo Antônio de Guaratinguetá. Em
suas páginas iniciais, há relatos sobre a origem e divisas da vila.
24
Idem, p.17
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Foram os problemas havidos com os primeiros livros que levaram à escrita de um novo livro,
hoje conhecido como 1º livro da Matriz de Santo Antônio, um dos principais documentos da
história de Guaratinguetá. Seu termo de abertura, com assinatura de Antônio de Medeiros
Pereira – Visitador –, é datado de 02 de agosto de 1757. Em sua abertura informa que:
“Este livro há de servir até as folhas 89 para nelle se escreverem
os capítulos ds visitas e ordens dos superiores e desde as folhas
89 até o fim para Tombo desta Matriz de Santo Antônio de
Guaratinguetá.
Teve seo princípio esta Freguesia pouco mais ou menos em
1630, sem ser desmembrada de outra freguesia, sendo a
primeira igreja de palha, e parede de mão, no lugar, que hoje hé
o Adro. De prezente tem esta Fregª quinhetos e setenta e seis
fogos (casas), que em hus annos são menos, e noutros maes, e
consta de prezente de tres mil, e trezentas, e tantas pessoas de
Sacramento. Para o Poente parte com as Fregª de Pndam.a. no
Rio Pirapitingui que hé divisa e para o Nascente... parte com a
Fregª da Piedade ( atual Lorena) desmembrada desta... Para o
Sul, parte com a Fregª do Facão (atual Cunha) desmembrada
desta e hé diviza o Rio Paraitinga – Pa. O Norte hé certão e tem
moradores athé Sinco Legoas, dispersos, como por toda a Mães
Freguesia.”25
A Devoção a Santo Antônio Padroeiro de Guaratinguetá26
Um dos mais queridos santos de devoção popular em Portugal, Santo Antônio, chegou cedo ao
Brasil. No vale do Paraíba já em 1630 ganhava uma capelinha “de palha e parede de mão”, ao
redor da qual se desenvolveu o povoado de Santo Antônio do Paraíba que logo seria a vila de
Santo Antônio de Guaratinguetá.
A devoçãoix daqueles primeiros povoadores ao taumaturgo de Lisboa e de Pádua persistiu,
atravessando os séculos. Em 1914, o então vigário de Guaratinguetá, Monsenhor João Felippo
registrava em seu livro Esplendores de Santo Antônio, a existência no arquivo da Igreja Matriz,
de um exemplar de Trezena de Santo Antônio que havia sido composta em 1811, “uma
lembrança preciosa que herdamos de nossos bons antecessores.”
Padroeiro da cidade, Santo Antônio é lembrado anualmente com uma grande festa que se
realiza a 13 de junho, data em que se comemora o aniversário de Guaratinguetá, nascida da
povoação e depois Vila de Santo Antônio a partir da primitiva capela. As festas em louvor do
Santo Padroeiro consistem basicamente de trezena ou novena, da distribuição de pães para os
devotos e de cobertores para os pobres, de missa solene e procissão de encerramento.
25
Idem, abertura do 1º Livro do Tombo
26
Texto da historiadora Thereza Regina de Camargo Maia – A Devoção de Santo
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O costume da distribuição do Pão de Santo Antônio se originou na Itália por volta de 1231. A
esse uso, se acrescentou em Guaratinguetá a doação de cobertores para os pobres, As novenas
ou as trezenas que antecedem o dia da festa se completam com quermesse, parque de
diversões, leilão de gado, repique de sino e alvorada e alvorada festiva, quando, ainda na
madrugada, uma banda musical percorre a cidade em cima de um caminhão, anunciando a
data festiva.
A festa do Padroeiro na Igreja Matriz de Santo Antônio, não é, entretanto, a única no município.
Várias outras tem lugar em capelas de bairro, em fazendas e mesmo em quintais, quando o
santo que inaugura o ciclo junto aparece em companhia de outras devoções. É o caso das
festas de Santo Antônio e São João, na Colônia de Piaguí ou ainda, a de Santo Antônio e Santa
Cruz, no bairro de Paiol, todas no mês de junho. Nelas temos também o mastro, leilão,
quermesse, jogos, gincanas, retreta musical, quadrilha, doces e quentão, além da distribuição
de pães e queima de fogos de artifício.
A devoção ao Santo Antônio se manifesta nas muitas formas da religiosidade popular. É
possível constatar um intenso culto doméstico ao santo, a que se unem usos e costumes
tradicionais. Depois de bento, o pão de Santo Antônio ganha valor especial: conservado com os
mantimentos, garante alimento na casa durante todo o ano. Se comido no dia do santo, é
poderoso auxiliar para a saúde.
Curiosos costumes ligados a imagem do Santo de Lisboa, muitos deles trazidos da Europa para
o Brasil, são encontrados por todo o vale do Paraíba. É o caso das mutilações e judiações em
sua imagem, como se faz para a obtenção de graças difíceis, ou mesmo para se amarrar um
bom casamento, já que Santo Antônio é famoso por ser “o” santo casamenteiro.
Irmandade do Santíssimo Sacramento27
O compromisso da irmandade foi assinado no Rio de Janeiro pelo padre José Ferreira de
Carvalho, escrivão da Câmara Eclesiástica, tendo sido solicitado pelos moradores de Santo
Antônio de Guaratinguetá, através do “Vigário da Parochia da ditta Villa, o PE. Fr. Joam da
Costa de Almeida”. Consta este Compromisso de 24 capítulos que tratam das eleições da
diretoria da Irmandade, do comportamento dos Irmãos, Capelães e Párocos, determinando
ainda os locais para as covas e sepulturas dos Irmãos, dentro da igreja, cujo “rendimento
deverá ser aplicado no ornato do altar mor e paramentos.
Passados vinte anos, renovaram os Irmãos do Santíssimo os seus estatutos, com aprovação
datada de 16 de junho do ano de 1734. No Compromisso, ampliado para 31 capítulos, estava a
“obrigação perpétua de todos os anos fazer uma festa a Santa Margarida, que está colocada no
altar mor da parte da Epístola, com missa cantada e sermão, a qual obrigação tomaram por
permissão do Sr. Bispo D. Fr. Antônio de Guadalupe”, devido ao legado deixado por Margarida
Bicudo para a festa da Santa, hoje desaparecida, juntamente com a imagem. Por essa época já
possuía a Irmandade os “ornamentos e todo o necessário para as funções do culto ao SS
Sacramento”, como consta do Inventário escrito no mesmo Livro Tombo, graças os legados
recebidos, cujos juros foram usados para o azeite da lâmpada do sacrário e ornamentos.
27
1º Livro do Tombo e Inventário da Matriz de Santo Antônio de Guaratinguetá.
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A reconstrução e ampliação da Matriz, no século dezoito, causaram inúmeros problemas para a
Irmandade, que chegou a ser processada pelos administradores da obra. O fato prejudicou
entre os anos de 1722 e 1782, a realização da Semana Santa – responsabilidade da Irmandade
– concluindo os devotos que “não era justo o deixarem de festejar a Deus com a Semana Santa
e dar alegria ao povo”.
Irmandade de brancos e de elite, por esse tempo já eram muito numerosos os Irmãos do
Santíssimo, com o número de irmãos cresceu também o número de sepultamentos, acrescido
dos seus familiares, párocos e vigários, fato que se estendeu até meados do século XIX.
Inventários, testamentos e atas da época detalham as solenidades dos enterros e os locais das
sepulturas. Os restos mortais de antigos Irmãos do Santíssimo e de outras Irmandades da
Matriz foram reunidos na parte central da igreja, durante a substituição do piso de madeira por
ladrilhos, em 1930. Ainda hoje podem ser encontrados por toda a Matriz, como se registrou na
reforma desta década de 1990. Os sepultamentos na Matriz continuaram até a década de 1850,
quando foram inaugurados os cemitérios das Irmandades de N. S. do Passos e de São Miguel
das Almas.
Cronologia da Igreja Matriz de Santo Antônio de Guaratinguetá
•
Aproximadamente em 1630: primitiva capela de pau-a-pique e palha, erguida nas
proximidades da atual Matriz;
•
1701: Nova igreja construída em taipa, e foi instalada a confraria de Santo Antônio de
Guaratinguetá. A igreja possuía três naves, três altares, sendo dois dourados, e o teto
da capela-mor era forrado. Toda a igreja era pintada, com murais e painéis.
•
1770: Visitador Canônico, vendo o lastimável estado da Igreja, convocou o povo e
oficiais da Câmara para uma reunião na Capela-mor e decidiu-se a reforma desta e a
construção de um novo corpo para a Igreja.
•
1817: Aquarela de Thomas Ender mostra a Matriz pronta, mas com uma só torre em
vez das duas previstas no projeto. Tinha a igreja cinco janelas laterais em cima e em
baixo, com a porta principal almofadada, janelas e portas de volta, e com cimalha por
cima, frontispício com janelas com janelas e óculo, beirais de cachorrada. Possuía três
altares: altar-mor, o de N. S. das Dores e (provavelmente) o do Rosário e o arcocruzeiro, que ainda existem. Neste período, conforme atesta o livro tombo, foram
erguidas, no corpo principal da Matriz, junto ao adro, capelas novas de talha e retábulo,
forradas, douradas e mobiliadas, dando-lhes sacrários prédios novos e modificação do
uso da área circunvizinha. Recentemente foi demolida uma antiga casa de taipa ao seu
lado.
______________________
Leonora Portela de Assis
Historiadora
Diretora do Grupo de Estudos de Inventário
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Isabel E. Navarrete Catalán
Estagiária de História
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V – O PARECER DO ESPECIALISTA
Guaratinguetá
Identificação : Catedral de Santo Antônio, Guaratinguetá, Estado de São Paulo.
Endereço – Praça Santo Antônio, Centro.
Descrição
1- Localização – o edifício está na Praça Santo Antônio, sobre a parte elevada do centro
histórico da cidade o que ao templo, posicionamento de destaque no centro inicial do plano
urbanístico. O templo, em taipa de pilão e posteriormente revestido de tijolo, se isolou
lateralmente das construções criando, do lado esquerdo, um segundo espaço sobre o patamar
de similar proporção que o fronteiriço. Do lado direito, o declive do terreno, proporcionou uma
perspectiva de destaque para a torre e de menor visibilidade são a lateral e parte posterior.
Foto 2(2)
2- O entorno – a catedral tem pouco espaço ao seu redor. O pequeno adro foi recortado por
vias públicas na parte fronteiriça deixando a entrada da catedral praticamente no meio fio. Uma
pequena praça improvisada à esquerda serve de ponto de taxi e estacionamento nos fins de
semana para os ônibus de peregrinos do santo Antônio Galvão. Na lateral direita também há
um estacionamento para carros menores. Da praça irregular saem cinco vias. A fronteiriça que
dá visibilidade para a fachada ter grande quantidade de fiação pública aérea, obstruindo a
beleza do frontispício (foto( 11).
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Foto 11
3 – Breve histórico evolutivo do templo - a primitiva capela de pau a pique era de 1630
durando até 1701 quando foi substituída por uma construção em taipa de pilão que recebeu
como ornamento dois altares laterais e um retábulo mor. Em 1714 foi incorporada a ela a
Irmandade do Santíssimo Sacramento que depois de meio século construiu um novo corpo na
igreja com características coloniais como aqueças desenhadas por Thomas Ender (1817): 5
janelas na fachada e uma porta, todas com vergas curvas, apenas uma torre com arremate
atarracado, frontal levemente curvo, igual números de janelas tanto no piso inferior como no
superior e beirais acachorrados. A julgar pelas colunas, o altar mor deve ter sido construído
ante o final do século XVIII. A remodelação da fachada ocorreu entre 1822 a 1847 com a
ereção da torre norte, frontão neoclássico de pedra, colunas e pilastras de ordem toscana nas
laterais 4 portas de acesso para os corredores ampliados a guisa de naves. No início do século
XX até 1913 ocorreu o alteamento das torres, colocação das platibandas, colocação dos nichos
com os quatro evangelistas e escudo e armamento no frontispício; no interior, coloca-se o
púlpito. A capela do Santíssimo foi inaugurada em 1928 e em 1940 o arco cruzeiro foi reforçado
e ocorreu o rebaixamento do forro da nave central.
Durante as restantes décadas do século XX, ocorreram limpezas e pinturas na nave, capela mor
e do Santíssimo, descaracterizando a severidade do templo. O piso de madeira foi primeiro
substituído na nave e depois por granito na capela mor tendo sido esta mais conflitante
reforma.
4- O frontispício – é carregado, complexo, como colagem de elementos sobre um plano de
difícil unidade estilística. A proporção composicional é comum na quantidade de janelas no coro
e torres. A composição do pórtico é de duas colunas toscanas sustentando um entablamento
reto com frontão cimbrado interrompido por volutas e guarnecido com festões pendentes que
descansam sobre o entablamento. No centro do frontão há uma cartela com rolos mostrando o
símbolo eucarístico e uma coroa na altura da balaustrada da janela central do coro. A colocação
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de quatro nichos para os evangelistas na parte inferior reforça o desejo de criar uma modulação
da luz em toda fachada. E, em arco pleno, continuam as molduras em retilíneos coroados por
anjos, criando um espaço que provoca elo de ligação com as janelas do coro com o parapeito
entalado, vergas curvas, encimadas por triângulos retos.
A divisão do frontispício é clara : o corpo da igreja (nave central) e dos corredores laterais
abertos posteriormente em arcos no piso inferior e as galerias no superior, correspondendo aos
tramos das torres. Falsas colunas duplas em argamassa acentuam a verticalidade. O triângulo
frontão é rígido e comprimido no espaço das torres e está assente sobre a cimalha que corre
toda a frente e a lateral da igreja. Dentro do espaço triangular, uma moldura circular destaca o
brasão da cidade e acima está o busto de Santo Antônio com querubins. O tímpano pontiagudo
é achatado pela colocação de um nicho que se abre em quatro arcos plenos, arrematados por
um triângulo que sustenta o acabamento em pequena cúpula. Volutas rampantes se
comprimem para dar espaço às bases de coruchéus em formas piramidais (foto 2(2 e 4 e 5).
A ornamentação interna na nave ocorreu em 1875 com os dois altares do Divino e de São
Miguel, naquela ocasião pode ter sido remodelado o antigo altar mor e postos os ornamentos
barrocos da antiga igreja acima do arco cruzeiro. Em 1890 (aproximadamente) os altares de
Nossa Senhora do Carmo e da Sagrada Família. A grande reforma para melhorar a
luminosidade, reclamada por Saint- Hilaire, ocorreu em 1897 quando foram abertos os arcos
internos e construídas as tribunas dando para a nave. Os altares laterais mais antigos, São
Miguel e do Divino e N. Sra. Aparecida (1875), apresentam talhas rococós e nichos guarnecidos
por quartelões. As mais recentes, de N. Sra. do Carmo e Santa Teresinha do Menino Jesus
(1890) ao gosto do neoclássico, mostram colunas estriadas com capitéis jônicos com folhagens.
O arremate dos arcos são feitos por volutas fitomórficas que se abrem e fecham imprimindo
ritmo. Os altares do transepto, N. Sra. do Rosário e N. Sra. das Dores, tem plantas côncavas
com linhas estilísticas do período barroco. Quatro mísulas sustentam as colunas com enfeites e
entablamento truncado; o coroamento se mostra com volutas em curvas e contra curvas e
sobre o nicho, sanefas curvas com lambrequins.
A capela mor é profunda. O altar-mor tem planta baixa côncava, quatro grandes colunas
adornadas dividem os intervalos espaciais reservados para dois nichos e a abertura para o arco
do trono. Sustentando as colunas de capitéis jônicos invertidos há quatro grandes mísulas
barrocas com enfeites fitomórficos. Sobre o entablamento truncado dos capitéis, o coroamento
enquadra os raios do esplendor da representação do Espírito Santo.
6 - O coro – (foto(2(14)) na parte posterior, já bem recente, é sustentado por arcos plenos e
colunas de fuste quadrangular e capitéis jônicos e forma arredondada como recoberto de
ramagens. Na mureta de coro, a representação dos doze apóstolos com Cristo sedestre
(sentado) ao centro. Para que pudesse suportar um órgão com 800 tubos e 24 registros, o coro
de madeira foi substituído por um de cimento em 1954. Não há organista para tocar o
instrumento.
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Foto 2(14)
Na escada de acesso o coro, a taipa de pilão está visível e com partes desprendidas (foto 2(35).
No lado oposto, a técnica construtiva da torre está exposta e se pode notar o acréscimo do
frontispício com pedras, tijolos e argamassa.
Foto 2(35)
7 – Na parte posterior – no segundo piso, onde atualmente senhoras fazem pílulas do santo
frei Galvão, nota-se uma passagem fechada de porta entre o espaço da galeria da capela mor e
galeria do coro, porém encostada junto à parede no lado externo.(foto 2 (70). Por detrás do
retábulo mor há um acúmulo de objetos da fábrica dos andores, vasos e papelada de fácil
combustão. No piso inferior, de um lado está a sacristia com móveis simples de madeira,
dividida por um arco, talvez ali estivesse a primitiva capela. Do lado oposto, a capela do
Santíssimo com altar em mármore. Na ocasião da visita, o forro em gesso tinha caído, sem
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prejuízo para qualquer fiel (foto 2(96). O que sobrara teve de ser removido perdendo a pintura.
Quadros com pinturas devocionais e já retocados estão nas paredes laterais.
Foto 2(70)
foto 2(96)
8- Mobiliário – o conjunto de talhas é sem dúvida o mais importante do Vale (já descrito). É
composto pelo altar mor, dois altares removidos do arco cruzeiro para as capelas do transepto,
os quatro altares da nave e púlpitos dispostos nas paredes entre os arcos abertos para
luminosidade. Estes trabalhos mostram a evolução da talha no Vale, as influencias barrocas
desde as igrejas de Paraty até as neoclássicas com os modismos da corte. Um para vento bem
elaborado completa o mobiliário trabalhado. Os bancos na nave são de madeira escura.
Vistoria realizada dia 10 de maio de 2010 com a arquiteta Adda Ungareti e
estagiária de história Isabel Eloisa Navarreti Catalán
a
Fomos recebidos por Thereza Maia.
1- Significado social – a catedral de Santo Antônio é da maior importância para o Vale por se
tratar da igreja da cidade de Santo Antônio Galvão, por ter abrigado a imagem de N. Sra.
Aparecida encontrada no rio Paraíba em 1717, e por abrigar das mais antigas irmandades do
Brasil – do Santíssimo Sacramento e São Benedito (mudou-se posteriormente para sua própria
igreja). É o centro religioso devocional da cidade e região e do Brasil, pela insistência na
beatificação de seu filho santo.
2- Partido arquitetônico – a grande massa arquitetônica em taipa de pilão foi desenhada por
Thomas Ender em 1717 (foto Guaratinguetá.DSC 02512(2). e já se destacava sobre o
promontório onde foi construída. Quando Auguste de Saint-Hilaire no século XIX por lá passou,
reclamou da pouco luminosidade do interior. Foram abertos arcos nas paredes dos corredores
de tal maneira a solucionar este problema e embelezar seu interior. O primitivo retábulo mor ,
mesmo com a ampliação da capela mor, se manteve assim como a imagem do padroeiro em
barro do final do século XVII (foto(2(83). Todo edifício foi envolto por alvenaria para mantendo
a estrutura da taipa e acrescentando o frontispício no início do século XX. As grandiosas torres
de sólida construção em pedra receberam posteriormente juntamente com o pórtico de entrada
e triângulo frontão elaborados frisos ornamentais.
Trata-se portanto de uma construção que suportou em sua estrutura as reformas para o culto
religioso, os anseios da sociedade que nela projetou suas conquistas e é chegado o momento
de sua conservação pois tende a uma saturação visual com modismos. A igreja, de capela à
catedral, a vila, de pequeno porto, à cidade universitária, berço de homens ilustrados, sempre
projetando na igreja, o edifício maior.
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Com todas suas reformas, em especial as das últimas duas décadas, a parte externa foi
conservada porém a interna tende para uma saturação visual (foto 2(30). Às pinturas parietais
e ornamentais existentes foram acrescidas outras de péssima qualidade mesmo quando à guisa
de restauro. A capela mor, por ser de maior visibilidade, concentrou em seu forro trabalhado,
pinturas sofríveis alusivas à vida do santo padroeiro (foto2(86). A padronagem ornamental de
grande efeito cênico rouba parte da beleza barroca do grandioso altar mor. A retirada do piso
de toda capela mor (foto 2(68) substituindo a madeira, depois piso frio e agora em granito
polido, é talvez o último alerta para o tombamento deste magnífico templo que poderá
sucumbir aos caprichos inescrupulosos de ornamentos que se multiplicam a todo instante. A
talha de todos os altares, se conserva intacta, apenas com sobrecarga de tintas e brilhos
excessivos de douramento perfeitamente removíveis. O mesmo é válido para todas as pinturas
parietais que são aparecendo nos espaços possíveis. O horror ao vácuo, neste templo de
visualidade barroca, ainda se aplica, colocando em risco sua ornamentação e que se não fosse
posto um basta, apenas um restauro radical devolveria a ele sua dignidade arquitetônica e
beleza artística (foto 2(41).
Foto 2512(2)
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Foto 2(83)
Foto 2(30)
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Foto 2(86)
Foto 2(68)
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Foto 2(41)
3- Políticas públicas – é o mais importante monumento da cidade que tem como bens
tombados, pelo Iphan, a residência do Conselheiro Rodrigues Alves, pelo Condephaat, em
processo o estabelecimento escolar homônimo com museu, antiga residência à rua Frei Galvão,
48. O Museu Frei Galvão tem importante acervo bibliográfico sobre o Vale e a casa do santo,
objetos alusivos a vida do primeiro santo brasileiro. Outros edifícios conservam a história da
cidade como da estação ferroviária recentemente restaurada, outras igrejas e uma dezena de
construções da época do café. Festas religiosas animam a vida espiritual ao redor do templo.
4-Inserção urbana – posta no centro histórico da cidade, aos poucos ficou rodeada de novas
construções que não chegaram a tirar sua visualidade. Seu posicionamento na trama urbana
irregular porém de convergência desde sua fundação, não perdeu sua importância e continua
ser marco visual desde os pontos que foi desenhada por Thomas Ender em 1817. Pallière
deixou um desenho da igreja na trama urbana (Foto Guaratinguetá Pallière).A rua que liga ao
mercado e à estação da estrada de ferro tem um acúmulo de fios elétricos dificultando sua
visão. O aclive do terreno ajuda a ampliar sua volumetria e admiração ao se aproximar da
fachada trabalhada segundo gosto eclético.
5 – Excepcionalidade – a catedral tem em seu interior o mais completo mobiliário barroco
do Vale. Sua unidade estética da talha só é comparável à matriz da N. Sra. da Conceição de
Cunha. O retábulo grandioso de Santo Antônio tem similar daquele da catedral de São Francisco
das Chagas de Taubaté. Nesta cidade conserva-se apenas o retábulo mor e em Guaratinguetá
todo o conjunto de sete retábulos e suas respectivas imagens sendo a mais importante a do
santo padroeiro em barro do século 17. ( fotos 2 ( 49, 50, 90,109,110, 111, 113, 114)
A construção de taipa de pilão conserva sua volumetria e a fachada (já descrita) acrescida é
fruto de acréscimos de modismos neoclássicos a exemplo de todo o Vale. A aplicação dos frisos
teve um cuidado que resultou na harmonia de todo frontispício verticalizado compensando
visualmente o espaço limitado da praça.
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Foto 2(49)
Foto 2 (90)
Foto 2(50)
Foto 2(109)
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Foto 2(110)
Foto 2(111)
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Foto 2(113)
Foto 2(114)
6 – Representatividade Historicamente abrigou a imagem de N. Sra. da Conceição Aparecida em 1717, posteriormente
aclamada Rainha e Padroeira do Brasil; ao seu redor, durante séculos, a cavalaria de São
Benedito, a primeira do Brasil cavalgou ao seu redor e seus membros lá oraram ; e é a matriz
da cidade natal do primeiro santo nascido no Brasil, frei santo Antônio de Galvão. A capela
primitiva tem menção em um livro de tombo como sendo de 1630.
Sua importância foi observada por cientistas viajantes do século 19 como Saint-Hilaire, Daniel
Pedro Muller, Emilio Zaluar e Carl Von Koseritz. Dos artistas viajantes, mereceu desenhos de
Thomas Ender, Debret e seu posicionamento na trama urbana por Pallière.
CATEDRAL DE SANTO ANTÔNIO
Informações Thereza Maia
Primeiras Notícias
1757
Primeiro Livro Tombo
Folha 91
Título da Matriz e Freguesia de Santo Antônio de Guaratinguetá
A Igreja desta Freguezia he da invocação de Santo Antonio, q està no Altar mor da
parte do Evangº. Tem esta Igjª o Altar Mor e dous collateraes. No Altar Mor estâ o Sacrario
dourado por fora e por dentro forrado de seda vermelha, em q se conserva sempre o
Santíssimo Sacramento. O Altar collateral da parte do Evangº he da invocação de Nossa Snrª
do Rozrº com seo retabulo Lizo, e pintado. Outro Altar he de S. Miguel e Almas, q tem Irmande,
com seo retabulo dourado. O Altar mor he de retabulo dourado e pintado: tem tribuna pintada.
A Igreja he toda de taipa de pilão, e o Corpo da Igreja de Naves. A Capella Mor toda he forrada
por cima, e bandas, e pintada com painéis do Arco athe as grades também forrada e pintada.
Tem Sacristia q não esta forrada: tem caza de consistório da Irmande. Do Santisº, e caza de
fabrica.
Tem Lâmpada de prata da Irmande. de S. Antº, q está no Arco actualmente aceza ao
Smº. Tem Pia bautismal de pao com fechadura, e Almario com fechadura dos Santos Óleos.
Tem dous Sinos, hû Meão outro pequeno. Tem Ornamentos, e maes Moveis, q constão do
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inventrº a f165. Tem três Irmandades Ecclª com Comprimisso como no titº dellas se declara.
Teve seo principio esta Freguezia pouco maes ou menos em 1630, sem ser desmembrada de
outra Fregª, sendo a primeira Igreja de palha, e parede mão, no lugar q hoje he o Adro. De
prezente tem esta Fregª quinhentos e setenta e seis fogos, q em hûs annos são menos, e
noutros maes, e consta de presente de três mil, e trezentas, e tantas pessoas de Sacramtº.
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1817
“Guaratinguetá... ornada com uma grande Igreja Matriz dedicada a Santo Antônio,
uma capela de nossa Senhora do Rosário, outra a São Gonçalo”,
in Corografia Brasílica ou Relação Histórico-Geografico do Reino do
Brasil - 1817. Padre Manuel Aires do Casal. São Paulo - 2ª ed. Ed.
Cultura,
1943,
Tomo
I,
p.
168.
1822
“A igreja paroquial é grande e nela se vêem três altares bem ornamentados, mas conta
apenas uma torre, não é forrada e a nave não tem janelas, sendo por conseguinte escura”.
in Segunda Viagem a São Paulo e Quadro Histórico da provincia
de São Paulo. Augusto de Saint Hilaire - 1822. Com. do IV
centenário,
1954.
Vl.
p.
87-9
p.
1838
“Tem na Vila os edifícios públicos da Matriz (orago Santo Antonio), a Casa da
Câmara e as Ermidas do Rosário e São Gonçalo”.
in Ensaio d’um quadro estatístico da Província de São Paulo.
1838 por Daniel Pedro Muller. 2ª ed. S.Paulo, 1923. p. 39-40.
1845
“A igreja matriz desta vila (de Guaratinguetá) é dedicada a Santo Antônio: há além
dela mais duas capelas, uma dedicada a N.Sra. do Rosário, e outra de invocação de São
Gonçalo”.
in Diccionario geográfico, histórico e descriptivo do Império do
Brasil. J.C. R. Milliet de Saint - Adolphe - 1845. Vol. I. p. 429.
1860
“A Matriz, templo de vastas proporções, edificada em um alto, no meio de outras
propriedades sem ter uma praça onde sobressaia a sombria, mas severa arquitetura. Foi ela
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edificada pelos fiéis, e limitadíssimo auxílio tem recebido até hoje dos cofres provinciais. Tem
por padroeiro Santo Antônio. Uma das coisas mais dignas de admiração que ali se observa é a
capela do SS. Sacramento, toda dourada, obra de bastante gosto e arte, mandada construir a
expensas do finado alferes Antônio de Paula e Silva, cidadão distinto por suas virtudes, e que
ainda hoje é chorado pela pobreza, de quem foi sempre protetor. Além da matriz, existem na
cidade as igrejas do Rosário, de São Gonçalo, Santa Rita e a Capela de São Miguel. No
município há mais seis capelas, que, a exceção da consagrada a Nossa Senhora Aparecida,
estão em abandono”.
in Peregrinação pela Província de São Paulo. Augusto
E m íl io Z aluar. S. Pau lo, 2ª e d.. Cultur a. 194 5.
p. 89- 90 .
1876
“Além da igreja matriz dedicada a Santo Antônio, possui dentro da povoação as
igrejas do Rosário, Santa Rita e São Gonçalo, e no município, mais as da Senhora da Aparecida,
e as Capelas da Senhora da Piedade no bairro da Roseira, a do Senhor Bom Jesus no arraial do
Potim, a de Santa Ana no bairro dos Pilões, outra da Senhora da Piedade, no chamado bairro
do rio acima, a de São José no bairro do mesmo nome, e outra de Santa Ana no do Paiolinho”.
in Apontamentos históricos, geográficos, biográficos, estatísticos
e noticiosos da província de São Paulo. Biblioteca Histórica
Paulista. Comissão do IV centenário da cidade de S.Paulo. SP.
1954.
Tomo
I.
p.
306/307.
1884
“... no caminho do trem de ferro para São Paulo... estávamos em Guaratinguetá,
localidade grande e bonita, com duas belas igrejas, elegantes casas e cuidados jardins”.
In Imagens do Brasil. Carl Von Koseritz. 1884. S.Paulo. Martins
Edit.
1943.
p.
243.
1896
“Sua igreja matriz, da invocação de Santo Antônio é um templo de vastas
proporções edificado em um alto. Uma das coisas mais dignas que se observa é a capela do SS.
Sacramento, toda dourada, obra de bastante gosto e arte, mandada construir a expensas do
finado alferes Antonio de Paula e Silva. Além da matriz, existem na cidade as igrejas do
Rosário, Santa Rita e a capela de São Miguel”.
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in Apontamentos para o dicionário geográfico do Brasil. 1896.
Alfredo Moreira Pinto. Rio de Janeiro. Imprensa Nacional. 1896.
F-O.
p.
133.
1954
“... tem boa Igreja Matriz, bem dourada e com ricos lustres, altares laterais, etc. O
exterior também he bonito, pois tem uma só torre. As janelas com grade de ferro”.
In: Um fazendeiro paulista no século XIX. Carlota Pereira de
Queiroz. S.P. Conselho Estadual de Cultura. 1965. p. 96.
Professor Dr Percival Tirapeli
VI – A PROPOSTA DE PRESERVAÇÃO
VIII – Fontes Consultadas
Digitais
•
www. pp a. sp . gov.br
•
www. ib ge/ ci d ade s.c om. br
•
www. wi k i ped i a. com. br
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www. v ale dopar aib a.com/ ci dad esd are gi ao
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www. de c.uf cg. edu . br/b i ogr af i as/PB F P RA.htm l
Impressas
•
Documentos diversos localizados do Processo de tombamento 38970/1999;
•
1º L ivr o d o T omb o da M atr iz d e San to A n t ôn i o de G u arat in guet á.
Ref erên ci a 17 5 7. Ar qui v o d o E s tad o d e São Pau lo;
•
Te xt o d a h i st or i ador a Th ere za Re gin a de Camar go M aia – A De voção de
San t o;
•
TIRAPELI, Percival. Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó. São Paulo: UNESP, Imprensa
Oficial do Estado, 2003.
•
_______________ Igrejas Barrocas do Brasil. São Paulo: Metalivros, 2008
BIBLIOGRAFIA ( adicional)
ETZEL, Eduardo. O barroco no Brasil. Psicologia - Remanescentes. São Paulo : Edições Melhoramentos, 1974. pp.
152-153.
FERREZ, Gilberto. O Brasil de Thomas Ender 1817. Rio de Janeiro : Fundação João Moreira Salles, 1976. pp.270273.
MAIA, Thereza e Tom. O Vale Paulista do Rio Paraíba. Guia Cultural. Aparecida : Editora Santuário, 2000.
REIS, Nestor Goulart. Imagens de vilas e cidades do Brasil Colonial. São Paulo : Imprensa Oficial do Estado/Ed.
Unesp, 2000. P. 207.
TIRAPELI, Percival. Dos altares às praças. In Arte sacra colonial barroco memória viva. São Paulo : Imprensa
Oficial do Estado/Ed. Unesp, 2005. pp. 13-25.
_________. Igrejas paulistas : barroco e rococó. São Paulo : Imprensa Oficial do Estado/Ed. Unesp, 2003. pp.
280-283
Parecer Técnico UPPH nº GEI-495-2010
MINUTA - Resolução SC ___, de ___/___/2010
Dispõe sobre o tombamento da Catedral de
Santo Antônio, altares e respectivas imagens
na cidade de Guaratinguetá.
O Secretário de Estado da Cultura, nos termos do artigo 1º. Do Decreto Lei no. 149, de 15 de agosto
de 1969, e do Decreto Estadual no. 13.426, de 16 de março de 1979, cujos artigos 134 a 149
permanecem em vigor por força do artigo 158 do Decreto no. 50.941 de 5 de julho de 2006, com
nova redação dada ao Artigo 137, que foi alterada pelo Decreto 48.137, de 7 de outubro de 2003, e
considerando:
que a arquitetura é característica das igrejas do Vale submetidas a freqüentes reformas internas e
externas principalmente o embelezamento do frontispício;
que a talha dos sete altares barrocos/rococós/neoclássicos formam um conjunto inigualável no Estado
de São Paulo;
que a imagem de Santo Antônio em argila do século XVII é exemplar inestimável da imaginária
paulista;
que as imagens retabulares barrocas dos respectivos altares – São Miguel, Divino Espírito Santo,
Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Carmo, fazem parte integral
dos altares a serem tombados não podendo ser suprimidas dos mesmos.
RESOLVE:
Artigo 1º - Fica tombado na categoria de bem cultural a Catedral de Santo Antônio situada à Praça
Santo Antônio, 40, no Município de Guaratinguetá.
Parágrafo 1º - Ficam preservadas volumetria e fachadas, considerando seu gabarito e o ritmo das
envasaduras.
Parágrafo 2º - Preserva-se, no interior do edifício, a espacialidade interna da nave, transepto, altares,
capelas, coro e corredores definida pela divisão de ambientes, pés-direitos.
Parágrafo
3º
-
Preservam-se
ainda
no
interior
do
edifício
os
sete
retábulos
barrocos/rococós/neoclássicos que formam o melhor conjunto de talha no gênero do Vale e as cinco
imagens retabulares barrocas – Nossa Senhora do Carmo, a Nossa Senhora do Rosário, a Nossa
Senhora das Dores, o São Miguel e Divino Espírito Santo, além da imagem de Santo Antônio no altar
mor, em argila, do século XVII.
Artigo 2º. Com vistas a preservar a unidade do bem tombado e sua integração com a cidade, ficam
estabelecidas as seguintes diretrizes para os elementos citados nos parágrafos 1º e 2º, do Artigo 1º
da presente Resolução:
Parágrafo 1º. Devem ser respeitadas as características externas e volumétricas do prédio, elementos
de composição de fachadas e materiais de vedação, os vãos e envasaduras, acabamento e
ornamentação.
Parágrafo 2º. Em caso de intervenções, avaliar a possibilidade de restauração de elementos e/ou
volumes originais descaracterizados.
Parágrafo 3º. Devem ser respeitadas as características espaciais internas.
Parágrafo 4º. Serão aceitáveis alterações que visem à manutenção e segurança, mas que respeitem a
essência das características ora descritas, desde que justificadas por uma necessidade de adequação
e/ou atualização de materiais, de forma a assegurar sua manutenção.
Artigo 3º. Com vistas a preservar a unidade dos elementos tombados citados no parágrafo 3º do
Artigo 1º da presente Resolução, bem como sua instalação em local adequado à sua manutenção e
visibilidade, ficam estabelecidas as seguintes diretrizes:
Parágrafo 1º. Eventuais intervenções, traslados e reparos nos altares e nas imagens e seus atributos
estarão sujeitas à aprovação desse mesmo órgão.
Parágrafo 2º. A exposição eventual das imagens ou objetos de retábulos deverá levar em conta as
condições ideais para sua manutenção e fruição, seja no tocante às dimensões espaciais do local de
sua exposição, isto é, pé-direito e área em seu entorno proporcionais a seu volume e escala, assim
como ambiente climatizado, de visibilidade e segurança adequadas à visitação pública.
Artigo 4º - O presente tombamento fica isento de área envoltória, conforme faculta o Decreto n.
48.137, de 07 de outubro de 2003.
Artigo 5º - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do
Estado de São Paulo autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente, o bem em referência,
para os devidos e legais efeitos.
Artigo 6º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
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19. Número do Processo:
28397/1991
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DO SEMINÁRIO MISSIONÁRIO BOM JESUS E IMAGEM DE NOSSA
SENHORA DE APARECIDA, SEU MANTO E SUA COROA.
Interessado:
ASSOCIAÇÃO CULTURAL APARECIDENSE
Município:
APARECIDA
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
Parecer Técnico UPPH nº GEI-370-2010
•
•
•
Interessado: ASSOCIAÇÃO CULTURAL APARECIDENSE
Data do Protocolo: 05/03/2009
Assunto atual: Tombamento
ÍNDICE
I – HISTÓRICO DO PROCESSO
Repertório de despachos
Trata – se do processo 28397/91 que solicita o tombamento do Conjunto de bens do município de
Aparecida, cujo interessado é a Associação Cultural Aparecidense.
•
À folha 02 consta carta, datada de 18 de janeiro de 1991, daquela associação, solicitando
o tombamento;
•
Às folhas 04 à 07 consta justificativa do presente pedido, salientando que, em
decorrência da grande presença de peregrinos e fiéis na “Capital de Fé”, a cidade busca
“adotar os mais variados tipos de medidas para preservar o complexo arquitetônicopaisagístico (...)”;
•
Às folhas 08 à 10 consta memorial descritivo, pormenorizando o Perímetro do Porto
Itaguaçu;
•
À folha 11 observa-se o levantamento planialtimétrico da área do Porto Itaguaçu;
•
À folha 12 observa-se a planta de referência cadastral sob a administração de Claudio
Galvão de Castro, data de 1990;
•
Às folhas 13, 14, 15, 16, 17 e 18 consta um memorial descritivo da área do Santuário
Nacional, localizado à Av. Julio Prestes;
•
À folha 19 observa-se o levantamento planialtimétrico da área do Santuário Nacional;
•
À folha 20 observa-se a planta de referência cadastral sob a administração de Claudio
Galvão de Castro, data de 1990;
•
Às folhas 21 e 22 consta um memorial descritivo da área do Seminário Bom Jesu,
localizado à Rua Barão do Rio Barão do Rio Branco;
•
À folha 23 observa-se o levantamento planimétrico da área do Seminário Bom Jesus;
•
À folha 24 observa-se a planta de referencia cadastral sob a administração de Claudio
Galvão de Castro, data de 1990;
•
Às folhas 25 à 29 consta informações de razões históricas e Culturais.
•
Às folhas 30 à 45 constam cópias das escrituras das propriedades;
•
Às folhas 46 e 47 constam o Relatório do Estado de Conservação do Porto Itaguaçu, do
entorno da Catedral Basílica, assim como do Seminário Bom Jesus;
•
Às folhas 48 à 51 consta o atestado de utilização atual destas edificações;
•
Às folhas 52 à 65 foram juntadas fotos;
•
Às folhas 67, 68 e 69 constam parecer técnico da Arquiteta Teresa E. Pereira realizado
em 1991, no qual a arquiteta se manifesta favoravelmente ao pedido afirmando sua
pertinência “devido ao grande valor que o povo lhe atribui”;
•
A relatoria está à folha 70 (frente e verso) e é assinada pelo conselheiro João Marino
que escreve “Somos de parecer que o processo de tombamento desses bens ligados à
devoção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil pelo seu grande
significado histórico e social deve ser efetuado com toda urgência posspivel”;
•
Em decisão do Egrégio Colegiado, ata 900 de 25/02/1991, “o Colegiado decidiu aprovar o
parecer do Conselheiro João Marino favorável à abertura do processo de tombamento do
conjunto formado pelo Porto Itaguaçu, Seminário Bom Jesus e Catedral Basílica, no
município de Aparecida, (fl. 71);
•
As devidas notificações encontram-se às fls. 72, 73 e 74;
•
Os ARs (Avisos de Recebimento) foram juntados à fls 75;
•
À folha 77 consta solicitação, do então Prefeito Municipal Cláudio Galvão De Castro, de
cópia do processo;
•
Às folhas 78 e 79, há documentos atestando declaração de utilidade pública de terreno,
com benfeitorias, medindo 7.560.83, pertencente às Obras Sociais da Basílica Nacional e
Congregação do Santíssimo Redentor;
•
À folha 80 consta carta do CONDEPHAAT, ao então prefeito de Aparecida, constatando
conhecimento sobre a comunicação (folhas 78 e 79) bem como a informação de que “(...)
os bens representados pelo Porto de Itaguaçu, Seminário Bom Jesus e Catedral Basílica
deverão ser preservados na pretendida desapropriação, não sendo permitidas neles
quaisquer obras, sem a apreciação e aprovação prévias deste órgão (...)” ;
•
Em decisão de 17/02/1992, ata 918, “O Egrégio Colegiado decidiu, por unanimidade, que
os presentes autos retornem ao STCR para indicação de uma Historiadora e uma
Socióloga para conclusão dos estudos”, folha 87;
•
À folha 90, a Arquidiocese de Aparecida, encaminha carta, assinada pelo Arcebispo
Metropolitano de Aparecida, Dom Geraldo Maria de Moraes Penido, no intuito de
“solicitar seus esclarecidos emmpenho e apoio, no sentido de que o referido processo
tenha andamento rápido e o objetivo colimado”;
•
Às folhas 92 à 99 constam informações sobre reunião extraordinária para apresentação
e votação da alteração do estatuto social da Arquidiocese de Aparecida. Naquele
encontro, decidiu-se que todos os bens pertencentes à Catedral Basílica de Nossa
Senhora Aparecida ou a Mitra Arquidiocesana, enumeradas sob quantas denominações
existirem, passarão à Arquidiocese de Aparecida;
•
À folha 102 à 104 observam-se fotos do Seminário Bom Jesus;
•
Às fls 106 à 112, a técnica Naira Morgado, assina nova manifestação, datada de 26 de
junho de 1992, na qual há um convite à reflexão acerca do presente pedido. “Não é a
arquitetura do edifício nem sua história que justificam o tombamento mas, é a questão do
lugar do sagrado e, mais especificamente, do catolicismo popular em nossa cultura. (...).
Ela conclui seu parecer favoravelmente ao tombamento, sugere e a inclusão da imagem
que, “ nesse caso, expressaria o reconhecimento desse culto – nos termos aqui analisados
– agregando aos múltiplos significados já existentes, um novo valor – o do bem cultural.”;
•
Em 10 de maio de 1993, fl. 115, a arquiteta Tereza Epitácio e a historiadora Edna Kamide
informam sobre a realização de viagem à Aparecida com o objetivo de complementar
levantamentos fotográficos e histórico;
•
Somente em 2001, surgem novos andamentos:
à fl. 121 – despacho para prosseguimento de instrução;
à fl. 122 – pedido da Promotoria de Justiça de Aparecida por cópia da deliberação do
CONDEPHAAT que decidiu pela abertura do processo de tombamento, assim como parecer
do conselheiro relator para instrução de ação que a Prefeitura de Aparecida promove face ao
Santuário;
à fl. 124 – ofício encaminhando as cópias à Promotoria
II – A RETOMADA DOS ESTUDOS
No bojo de uma importante reorganização dos trabalhos desta UPPH – Unidade de Preservação
do Patrimônio Histórico – foram localizados uma série de processos cuja instrução havia sido
interrompida há muito tempo. No presente caso, a interrupção data de 17 anos - a contar da
última vistoria e informação técnica juntada nos autos em 10 de maio de 1993, conforme relatado
no repertório de despachos.
Os expedientes relativos ao patrimônio sacro paulista foram objeto de apreciação por
profissional especializado, o professor Doutor Percival Tirapelli, especialista em Patrimônio
Sacro, e cuja trajetória profissional, abaixo resumida, dispensa novas apresentações.
Percival Tirapelli foi vice – presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte)
(2006-2009) e atualmente é professor titular em História da Arte Brasileira do Instituto de
Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Mestre e doutor pela
Escola de Comunicações e Artes da USP, em 2008, realizou pesquisa de pós doutorado pela
Universidade Nova de Lisboa em Portugal. Em 2003, recebeu o Prêmio Sérgio Milliet de melhor
pesquisa em arte, outorgado pela ABCA, pelo livro Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó, Imprensa
Oficial / Editora UNESP.
É autor de 16 livros sobre arte brasileira e patrimônio cultural, destacando-se:
São Paulo: Artes e Etnias pela Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2007;
Igrejas Barrocas do Brasil (2008);
Patrimônio da Humanidade no Brasil (4 edições desde 2001) e
Festas de Fé, pela Editora Metalivros.
Pelas mesmas editoras, organizou Arte Sacra Colonial – Barroco Memória Viva, em 2001.
Como curador, dentre outras, fez a exposição Gênese da Fé no Novo Mundo, realizada no Palácio
dos Bandeirantes (2007), em São Paulo, quando da vinda do Papa Bento XVI ao Brasil, cujo
catálogo port/ingl publicado pela Imprensa Oficial. Tem atuado em crítica de arte, história da
arte brasileira, patrimônio artístico e cultural e, como artista plástico, participou de duas Bienais
Internacionais de Arte de São Paulo, tendo recebido prêmio de gravura na bienal de La Paz,
Bolívia, e de exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior, com pinturas, e também
aquarelas e gravuras.
Isto posto, a trajetória profissional de Percival Tirapelli o qualifica amplamente para, como
especialista com experiência em patrimônio, particularmente em patrimônio de caráter religioso,
manifestar-se sobre a proposta de preservação para os bens aqui em análise.
III – APARECIDA
x
A. Apontamentos sobre a Região Administrativa de São José dos Camposxi
A Região Administrativa de São José dos Campos localiza-se no leste do Estado de São Paulo, e é
formada por 39 municípios, distribuídos em cinco regiões de governo: São José dos Campos,
Taubaté, Caraguatatuba, Guaratinguetá e Cruzeiro.
Territorialmente, a região compõe-se de áreas de serra, o Vale do Rio Paraíba do Sul e uma vasta
região litorânea. Longitudinalmente é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, e liga-se ao litoral
pela Rodovia dos Tamoios. Conta com o Porto de São Sebastião, de canal bastante profundo, mas
cuja expansão encontra-se limitada pelas dificuldades ambientais e de acesso terrestre ao
planalto. A RA dispõe, ainda, de aeroporto em São José dos Campos e em Ubatuba.
A história da região está associada ao cultivo do café, a partir do século XIX. Tal cultura
proporcionou o desenvolvimento econômico, o crescimento de vilas e cidades e uma incipiente
industrialização. Com a decadência da cafeicultura, sucedeu-a a pecuária de leite,
disponibilizando mão-de-obra e criando condições para a diferenciação das atividades urbanas e
para a industrialização.
Na década de 1950, a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, a construção da Usina
Siderúrgica de Volta Redonda e os demais investimentos federais em núcleos de desenvolvimento
tecnológico (Centro Técnico Aeroespacial – CTA e Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA) e
estratégico (Embraer, Avibrás e Engesa) foram responsáveis pelo surgimento de arranjos
produtivos nos setores aeroespacial e bélico e pelo expressivo crescimento industrial desta RA.
Nesta nova fase, da industrialização, que se fez notar principalmente nos municípios de São José
dos Campos, Jacareí, Guaratinguetá, Cruzeiro, Taubaté e Caçapava, surgiu uma indústria moderna
e de grande escala, voltada para os mercados nacional e internacional e com predomínio dos
segmentos de material de transporte, mecânico, metalúrgico e petroquímico.
Pode-se dizer que a Região Administrativa de São José dos Campos tem significativa importância
na economia do estado de São Paulo, seja pelo pioneirismo do cultivo do café, seja pelas atuais
características industriais.
b. De distrito provincial a estância turísticaxii
Distrito criado com a denominação de Aparecida, pela lei provincial nº 19, de 04 de março de
1842, no Município de Guaratinguetá, Aparecida é elevada à categoria de Vila em 17 de dezembro
de 1928. Constitui-se, só então, como Distrito Sede e é instalada no dia 30 de março de 1929.
Na divisão administrativa do Brasil, em 1933, o Município de Aparecida se compõe de um só
Distrito e, de acordo com o Decreto-lei Estadual nº 14334, apenas em 30 de novembro de 1944,
passa a abranger os Distritos de Aparecida e Roseira. Apenas em 18 de fevereiro de 1959, o
Distrito de Roseira é desmembrado de Aparecida.
Aparecida está listada como um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias
turísticas. Tal status garante uma verba estadual para a promoção do turismo regional. O
município também adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Turística,
termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas
referências estaduais.
c. Um pouco de históriaxiii
Deve-se a origem do nome de Aparecida, sede do Santuário Nacional de Nossa Senhora
Aparecida, Padroeira do Brasil e dos brasileiros católicos, ao encontro da imagem da Santa, nas
águas do Rio Paraíba pelos pescadores João Alves e Felipe Pedroso, dois dos primeiros
habitantes deste torrão sagrado. A história do município de Aparecida se confunde com a
história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira e Protetora do Brasil.
Segundo conta a lenda, havia sido jogada às águas do Rio Paraíba, em Jacaréi, uma imagem que
havia de afastar uma serpente que atravessava aquele rio. A serpente podia até, segundo a
crença popular, destruir a cidade que ficava a 200 metros, num planalto, também à margem
direita do referido rio . Deixando parte da lenda de lado, sabe-se que o capitão José Correia
Leite adquire um lote de terras em um rincão selvagem denominado Tetequeras, as margens do
rio Paraíba do Sul, distante apenas alguns quilômetros ao sul da Vila de Santo Antônio de
Guaratinguetá. O lugar passou a ser conhecido como Porto José Correia Leite (atual Porto
Itaguaçu).
Em meados do ano de 1717 correu a notícia na Vila de Guaratinguetá, que o então Governador das
Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, Dom Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos,
conhecido como Conde de Assumar, iria se hospedar na vila, junto com toda a sua comitiva, em
outubro, do referido ano, rumo a Vila Rica (atual Ouro Preto) nas Minas Gerais, através da
estrada real.
Na Vila de Guaratinguetá, o Conde de Assumar aguardaria sua bagagem, que havia sido deixada
no Porto de Paraty, vinda do Rio de Janeiro.
A Câmara Municipal de Guaratinguetá viu-se obrigada a tomar providências urgentes para
abastecer a mesa de tão ilustre convidado e de seu séquito. Para isso incumbiu aos pescadores
Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves a importante tarefa de recolher peixes para
prover a mesa das distintas autoridades. Os designados partiram então para realizar uma
pescaria, com seus barcos percorrendo as margens do rio Paraíba, descendo e subindo pelo seu
leito, porém fracassaram na empreitada, mesmo após inúmeras e infrutíferas tentativas.
Desanimados e exaustos atracaram seus barcos as margens do então Porto José Correia Leite,
onde numa última e derradeira tentativa, o pescador Joâo Alves, lançou sua rede nas águas
escuras do rio Paraíba do Sul. Ao puxá-la de volta percebeu que algo pesado havia se enroscado
nas malhas de sua rede e para sua surpresa e de seus amigos, viram emergir das águas, agarrada
a rede, a figura de uma imagem sacra, porém sem a cabeça, com anjos esculpidos ao redor de
seus pés. Arremessando novamente a rede nas águas do rio, trouxe desta vez à tona a cabeça da
imagem, cujo encaixe se mostrava perfeito em relação ao corpo. Reunido corpo e cabeça notaram
tratar-se de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Animados lançaram mais uma vez suas
redes no rio e, para surpresa e espanto geral de todos, desta vez suas tarrafas vieram
abarrotadas de peixes graúdos. Era tanto peixe que os pequenos barcos ameaçaram adernar e
afundar com tão profícua pescaria.
Exultantes de alegria resolveram contar o milagre presenciado pelos três na Câmara Municipal de
Guaratinguetá, mas antes passaram pela casa de Felipe Pedroso, onde deixaram a imagem
milagrosa sob a proteção e cuidados de Silvana Rocha, mãe de João, esposa de Domingos e irmã
de Felipe.
Depositaram-na dentro de um baú, envolvendo corpo e cabeça, separadamente, com um pano.
Durante nove anos a casa da família de Felipe Pedroso foi o primeiro oratório de adoração, para
onde começaram a correr, primeiramente,vizinhos e parentes e depois os primeiros devotos, a se
reunirem para rezar e adorar a imagem, atraídos pelas histórias de milagres creditados a santa
aparecida do fundo das águas do rio.
Com o falecimento de João Alves e Domingos Garcia, a imagem passou a pertencer em definitivo
a Felipe Pedroso, único sobrevivente da milagrosa pescaria, cuja casa situada perto da Ponte de
Sá (proximidades da atual estação ferroviária de Aparecida) a imagem permaneceu por sete
anos. Mais tarde o local de adoração da Santa passou a ser outro, quando Felipe Pedroso mudouse da casa junto a Ponte de Sá, passando a residir na Ponte Alta.
Em 1739, já idoso, Felipe Pedroso muda-se mais uma vez, agora para o Itaguaçu (o mesmo local
onde a imagem da Santa Aparecida foi encontrado em 1717), e entrega a imagem para seu filho
Atanásio Pedroso.
A casa de Atanásio passa a ser então o novo local de peregrinação e adoração da Santa
Aparecida. Até então a imagem sagrada permanecia guardada dentro de um baú, só sendo
retirada nos momentos de prece quando então era colocada sobre uma mesa. Atanásio constrói o
primeiro altar dedicado a santa dentro de sua casa, feito de madeira e um oratório, também de
madeira, trabalhados de próprio punho.
O número de devotos que buscavam conforto espiritual e milagres, que a santa proporcionava,
não parava de crescer, tanto que acabaram chegando aos ouvidos do vigário da paróquia de
Guaratinguetá, Pe. José Alves Vilela.
Este enviou seu sacristão João Potiguara para observar e presenciar o número de devotos, as
curas e os milagres atribuídos à Santa Aparecida. Baseado nas informações deste e de outras
pessoas, resolveu o Pe. João Alves construir uma capelinha ao lado da casa de Atanásio, a
primeira construção destinada exclusivamente à adoração da santa, no porto Itaguaçu (antigo
Porto José Correia Leite), local onde a imagem foi originalmente encontrada.
Reza a lenda que por três vezes o vigário da paróquia de Guaratinguetá tentou levar, durante a
noite, a imagem da santa para a Vila de Guaratinguetá, mas o povo, às escondidas, trazia-na de
volta. Correu também o boato de que a imagem da santa voltava sozinha para a humilde capela do
Porto Itaguaçu.
No ano de 1743, foi acordado (com a autorização do bispo do Rio de Janeiro) a construção de
uma nova capela no alto do Morro dos Coqueiros, construção terminada dois anos mais tarde, no
dia 26 de junho de 1745 (dia consagrado a Santa Ana) e data na qual foi realizada, também, a
primeira missa em louvor a santa.
A imagem APARECIDA do fundo das águas do rio Paraíba do Sul (daí o nome pela qual a santa
passou a ser conhecida, Nossa Senhora Aparecida) permaneceria na capela do alto do Morro dos
Coqueiros do ano de 1745 até o ano de 1883.
Assim, passados vinte e oito anos, a imagem permaneceria na capela do alto do Morro dos
Coqueiros por 138 anos. Já no inícioxiv do séc. XIX há o testemunho escrito de João Batista Spix
e Carlos Frederico Von Martius (dezembro de 1817) e de Augusto Saint-Hilaire (março-abril de
1822) que falam de romeiros vindos de Minas, Goiás e Bahia.
Em carta de 1895 o redentorista Pe. Lourenço Gahr cita jornal que fala de 150.000 romeiros por
ano. O também redentorista Pe. Valentim Von Riedl em 1897 fala da presença de peregrinos de
todas as classes sociais. Confimando isto, houve peregrinos ilustres, entre os quais podemos citar
Carlos Frederico.
Felipe Von Martius, João Batista Von Spix, o pintor Thomas Ender, Pelier, Debret, Saint-Hilaire
Zaluar (CAMARGO, 1985)xv; por testemunho do Dr. José Vicente de Azevedo e do ex-presidente
da República Wenceslau Braz, D. Pedro I, na viagem de 1822 para São Paulo, subiu a ladeira e
rezou diante da imagem; por ocasião da festa de 08/12/1868, estiveram na Capela Princesa
Isabel, e o Conde d’Eu. A princesa doou à imagem uma coroa de ouro, ornada de diamantes, por
concessão de S. Pio X, com a qual a Imagem foi solenemente coroada em 1904; o Conselheiro
Ferreira Vianna várias vezes esteve na Capela; no início da República, assim como ministros da
justiça, da guerra e das finanças: vindos em cumprimento de promessa ou para cerimônia de
batismo.
Vê-se que o culto à Nossa Senhora Aparecida encontrou profunda ressonância entre os fiéis. Dos
150.000 romeiros de 1895 passou-se a 4.177.200 pessoas em 1987; aproximadamente, em média,
o afluxo de peregrinos dobrou a cada 20 anos.
O município de Aparecida tem sua seiva vital a partir do Santuário e sua realidade extrapola
totalmente as fronteiras sócio-políticas e econômicas de um município. As necessidades do
Santuário, em função dos serviços aos peregrinos, cresceram exponencialmente. Podemos
exemplificar com a solicitação que cresce sem cessar em relação a espaço, higiene, saúde e água.
Quando na década de 50 foram adquiridas as glebas em que se ergueria o Santuário Novo, as
críticas mais acirradas eram contra o “despropósito” das ordens de grandeza; conforme os
críticos os espaços seriam sempre sub-utilizados. A medida que o edifício se serguia e começava
a ser utilizado, os espaços se mostravam insuficientes; quando foi preciso criar um sub-solo não
presvisto no projeto inicial; sub-solo que também já é acanhado para os grandes movimentos. O
estacionamento tornou-se um quebra-cabeças e os espços criados sucessivamente se mostravam
insuficientes. No lado de higiene basta dizer que a Basílica tem atualmente mais de 800
sanitários; na saúde, o atendimento médico 18.928 pessoas; em 89, 15.469.
Com o gigantismo populacional advindo após a inauguração da Basílica, o problema de água é um
dos mais sérios: embora a Basílica tenha caixas d’água que complexivamente podem estocar mais
de 3.000.000 de litros de água, não esporadicamente ocorrem problemas. A Arquidiocese decidiu
comprar uma fazenda próxima e construir em reservatório com cerca de 80.000.000 de litros,
alimentado por um córrego; e construiu uma estação de tratamento para prover às necessidades
das multidões. Simultâneamente começou um grande trabalho de reflorestamento.
No ano de 1984 foi declarada oficialmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) com a denominação de Basílica de Aparecida Santuário Nacional. A Basílica de Nossa
Senhora Aparecida, também conhecida como Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição
Aparecida é o terceiro maior templo católico do mundo. Sua inauguração é anterior à declaração
da CNBB, quando João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez em 4 de julho de 1980. Em outra
de suas visitas, passando por Aparecida, abençoou o Santuário e, em 1984, a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil, elevou a Nova Basílica a Santuário Nacional. Localiza-se no centro
da cidade, tendo como acesso a "Passarela da Fé", que liga a basílica atual com a antiga, ambas
visitadas por romeiros.
Benedito Calixto foi o arquiteto contratado para a elaboração do projeto, solicitado forma de
cruz grega. Somente em 1945, o então cardeal de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconselos
Motta levou ao Vaticano o projeto da Basílica, julgado como brilhante pela comissão examinadora.
IV – OS BENS EM ANÁLISE
a. A Basílica Nova
b. O Porto Itaguaçú
c. O Seminário Missionário Bom Jesus
d. A imagem de Nossa Senhora de Aparecida
a. A Basílica Nova
Em 1980, ainda em construçãoxvi, foi consagrada pelo Papa João Paulo II e recebeu o
título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) declara
oficialmente a Basílica de Aparecida, como Santuário Nacional.
De estilo neo-romântico, foi projetada pelo arqueiteto Benedito Calixto de Jesus Neto.
Ela conta, basicamente, com quatro naves juntando-se em cruz, em cuja interserção ergue-se a
imponente cúpula. Projeto arquitetônico planejadoxvii possui 173 metros de comprimento por 168
de largura. Em sua construção foram utilizados mais de 25 milhões de tijolos e aproximadamente
40.000 m3 de concreto cobrindo uma área total construída de cerca de 23.000 m2 das quais
18.000 m2 são de área coberta.
Suas naves chegam a atingir até 40 metros de altura e a cúpula mede 70 metros de altura com
um diâmetro de até 78 metros. A torre lateral chega a medir 100 metros de altura.
A Basílica Nacional de Aparecida tem capacidade para abrigar até 75 mil pessoas de uma só vez e
chega a receber anualmente até 75 milhões de peregrinos.
b. O Porto Itaguaçú
Em Tupi-Guarani, Itaguaçu significa “Pedra Grande”. Antigo bairro das Pedras, é o local
onde, na curva do Rio Paraíba, foi encontrada a imagem da Santa, e por isso recebe grande
número de visitantes.
O lugar pertence a aquidiocese desde 1951. O Porto Itaguaçu foi transformado em
atraente ponto turístico e a inauguração das novas instalações deu-se em 11 de outubro de 1997.
O monumento Os Três Pescadores”, escultura do renomado artista Chico Santeiro,e sculpida em
1970, foi preservado.
A singela capelaxviii, obtida por recurso de parede de vidro atrás do altar, permite compor
um ambiente ecológico religioso adequado a interiorização e à oração. Completam a estrutura de
recepção turística: iluminação, sanitários, água potável, local para se acender velas e segurança
24 horas.
O Porto foi recentemente remodelado e conta com uma infra-estrutura capaz de atender ao
grande fluxo de romeiros e visitantes que para lá se dirigem. No local há um marco esculpido pelo
artista aparecidense Chico Santeiro.
c. O Seminário Missionário Bom Jesus
A históriaxix do Seminário Missionário Bom Jesus remonta ao século 19, mais precisamente ao ato
de lançamento da “Pedra Fundamental”, fato ocorrido em 6 de agosto de 1894, quando o bispo de
São Paulo, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho a benzeu.
Ela foi colocada no futuro altar-mor da capela do colégio, destinado aos jovens aspirantes ao
estudo eclesiástico. Dom Lino faleceu em 12 de agosto do mesmo ano e, seu sucessor, Dom
Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalvanti determinou ao engenheiro Francisco Carlos da Silva,
que também era arquiteto, que dirigisse a obra.
A forma do prédio seria um “E” com igreja ao centro, fachadas com 200 metros e lados com 86
metros, em estilo “renascença, italiano e francês”, O desenho da fachada foi trazido de Roma
por Dom Macedo, apresenta sua arquitetura no estilo neo-clássico.
O Seminário Bom Jesusxx – Colegião, como é conhecido – é projeto do engenheiro e
arquiteto paulista Dr. Francisco Carlos da Silva, diplomado na França. Segundo alguns, ele se
inspirou no Palácio de Versalhes. O edifício foi concluído ao longo dos anos com modificações, mas
externamente manteve a concepção original do arquiteto. Para a construção do prédio, foi
montada uma olaria própria, fabricaram os tijolos enormes e requeimados, que estão até hoje
desafiando as intempéries. Em cada tijolo está a marca: NSA (Nossa Senhora Aparecida).
Antes de sediar a cúria e o seminário, o prédio foi usado como asilo, hospedaria e recebeu tropas
do exército durante a Revolução Constitucionalista. Em 04 de julho de 1980, o saudoso
Papa João Paulo II, em sua primeira visita apostólica ao Brasil, esteve em Aparecida para sagrar
a Basílica Nacional com o título de Basílica Menor. Na ocasião, o Seminário Bom Jesus teve a
honra de receber Sua Santidade para um almoço com os seminaristas e padres da Arquidiocese,
e hospedá-lo, por uma tarde, no mesmo quarto em que se hospedou o Papa Bento
XVI.
Em 1996, o prédio foi ocupado pelo Seminário Maior da Arquidiocese de Aparecida. No mesmo
ano,
foi
feita
a
transferência
da
Cúria
Metropolitana,
ocupando
o
andar
térreo.
Para receber o Papa Bento XVI, que visitou Aparecida por ocasião da V Conferência Geral dos
Bispos da América Latina e do Caribe, o prédio Seminário passou por uma profunda reforma. A
obra foi custeada por meio de doações de benfeitores, empresários brasileiros e entidades de
ajuda da Igreja na Europa.
xxi
Ao seminário coube a missão de receber grupos de pessoas que se propunham prestar aos
peregrinos os serviços a que ele faziam jus. Não só num período de tempo, mas para tempos
futuros, assim, tornava-se instrumento necessário e indispensável para preparar estes
peregrinos e formá-las.
Hoje em dia, o Seminário abriga as atividades do Seminário Arquidiocesano, além de
desempenhar importante missão de receber autoridades e grupos de pessoas ligadas ao clero em
peregrinação, corroborando para caracterizar esse uso. Há a constatação de que foi nesse
mesmo imóvel que o papa João Paulo II se hospedou durante sua estada em Aparecida.
d. A imagem de Nossa Senhora de Aparecida
A tarefa mais dificil foi determinar o autor da pequena imagem, pois a mesma não estava
assinada. Após longo estudo, resolveu-se atribuir a autoria a Frei Agostinho de Jesus (Monge
Beneditino).
Caracterizam seu estilo: forma sorridente dos lábios, queixo encastoado, tendo no centro
uma covinha, penteado, flores em relevo, broche de três pérolas na testa e porte empinado para
trás.
A imagem foi totalmente reconstituida pela artista plástica Maria Helena Chartuni, que
na época era restauradora do Museu Rosa de Ouro - A Basílica de Aparecida, por duas vezes,
recebeu a Rosa de Ouro, uma das mais antigas e nobres condecorações papais.A primeira, pelo
Papa Paulo VI, em 1967, por ocasião do jubileu de 250 anos do aparecimento da imagem da Nossa
Senhora da Conceição Aparecida, sendo a entrega feita a 15 de agosto daquele ano. A segunda,
foi abençoada pelo Papa Bento XVI, em 18 de março de 2007, Domingo Lætare, e entregue a 12
de maio do mesmo ano, por ocasião de sua visita ao Brasil.
Leonora Portela de Assis
Isabel E. Navarrete Catalán
Historiadora
Diretora do Grupo de Estudos de Inventário
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio
Histórico
Estagiária de História
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio
Histórico
CONJUNTO DE BENS DO MUNICÍPIO DE APARECIDA, SP
PARECER ELABORADO POR PERCIVAL TIRAPELI
2010
Seminário Missionário Bom Jesus
Foto: Ardilhes Moreira/G1
A história do Seminário Missionário Bom Jesus remonta do século 19, mais precisamente ao ato de
lançamento da “Pedra Fundamental”, fato ocorrido em 6 de agosto de 1894, quando o bispo de São
Paulo, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, a benzeu. Ela foi colocada no futuro altar-mor da
capela do colégio, destinado aos jovens que aspirassem ao estudo eclesiástico. Dom Lino faleceu em
12 de agosto do mesmo ano e, seu sucessor, Dom Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalvanti
determinou ao engenheiro Francisco Carlos da Silva, que também era arquiteto, que dirigisse a obra.
A forma do prédio seria um “E” com igreja ao centro, fachadas com 200 metros e lados com 86 metros,
em estilo “renascença,italiano e francês”, O desenho da fachada foi trazido de Roma por Dom Macedo.
A diocese adquiriu a “Fonte do Túmulo de Golias” para levar água para o “Colegião”, cujos primeiros
alicerces foram assentados em 25 de abril de 1895. Na cornija do último andar do imóvel está pintado o
“verdadeiro nome do Colegião”: Casa de Nossa Senhora Aparecida.
Em 1897, Dom Joaquim Arcoverde foi transferido para a arquidiocese do Rio de Janeiro, sendo seu
sucessor Dom Antônio Alvarenga. Houve uma paralisação da obra e só com Dom Duarte Leopoldo da
Silva ela foi retomada, mas sem seguir as características originais.
O prédio ficou por muito tempo meio abandonado, alojando romeiros que chegavam à cidade em carros
de boi ou tropas de burros. Dom Duarte Leopoldo permitiu em 1923 que os padres redentoristas
terminassem a metade dos dois andares da frente e ali fizessem o “asilo dos inválidos”, dirigido pelas
irmãzinhas da Imaculada Conceição.
Em 1930, por razão das festas jubilares da coração de Nossa Senhora Aparecida, com a falta de
acomodações na cidade, o seminário Santo Afonso, na época localizado ao lado da Basílica,foi
transferido para o Colegião e ali permaneceu até 1952. Durante esse período, muita coisa foi feita e
concluída no prédio.
Só em 1952, a arquidiocese de São Paulo fundo ali o Seminário de Nossa Senhora Aparecida, que
funcionou como menor até 1959 e, depois, como filosofado até 1964. As irmãs Missionárias de Jesus
Crucificado responderam pela parte material do prédio de 1952 até 1969, realizando ali retiros, cursos e
hospedagem. De 1969 em diante, o Colegião abrigou o então Instituto Bom Jesus, dirigidos pelos
padres Lazaristas com vistas a formação sacerdotal e vocações adultas.
Com a instalação da Arquidiocese de Aparecida terminou-se o acabamento interno do Colegião, sob a
direção do Cardeal Dom Carlos de Vasconcelos Motta. (ARQUIDIOCESE, 2006)
1. Localização: Rua Barão de Rio Branco, 412 – Aparecida
2. Relação com o entorno: O edifício localiza-se adjacente à Rodovia Presidente Dutra (BR116), em área próxima ao centro da cidade, ao Morro do Cruzeiro e à Basílica Velha.
Seu lote apresenta grande extensão de intensa arborização, incluindo área de cultivo
de vegetais. Há também um acesso às áreas administrativas e residências dos
religiosos, por ser também sede da Cúria metropolitana da arquidiocese de Aparecida.
Todo o terreno que circunda o edifício garante boa visibilidade deste, sendo permitido
o acesso do público.
O Seminário visto do Morro do Cruzeiro
Foto: Adda Ungaretti
Acesso interno ao edifício
Foto: Adda Ungaretti
Vista para o centro da cidade.
Foto: Percival Tirapeli
Ao fundo, a Rodovia Presidente Dutra.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício – a Rodovia e o centro da cidade.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício – acesso veicular.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício. Ao fundo, a cidade.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício. Ao fundo, a Rodovia Pres. Dutra.
Foto: Percival Tirapeli
Entorno do edifício. Ao fundo, a Rodovia Pres. Dutra.
Foto: Percival Tirapeli
Fotos realizadas em vistoria em maio de 2010
3. Excepcionalidade - Arquitetura:
3.1. Fachada: A fachada está alinhada a uma alameda com árvores com portão junto à via
pública (foto 01). Desde a via pública e se destaca à maneira que se aproxima da porta
principal localizada no meio do corpo do edifício que tem duzentos metros (foto 02). O
projeto de 1894 é do arquiteto e engenheiro paulista Francisco Carlos da Silva (foto 03),
que estudou na França (foto 04). O corpo central é saliente, com três tramos (foto 05) e
esta solução se repete nas extremidades, porém menos salientes (foto 06). Na parte
posterior o terreno tem pequeno aclive desaparecendo o piso térreo (foto 07). No térreo a
entrada é simples entre dois janelões e acima se ergue um grandioso pórtico paladiano
acolhido por uma penumbra provocada pela reentrância que destaca na fachada, as
duas colunas lisas e ao fundo o janelão ali disposto como uma tribuna para aparições
especiais. No terceiro piso, esta composição paladiana se repete com menor intensidade
visual, no plano do corpo central. O último piso (apenas para o corpo central) está acima
da cimalha (um entablamento que parece servir de goteira para proteger a parede) que
corre toda a fachada, é diferenciado por três arcos plenos no tramo central e nos laterais,
óculos circulares. O arremate sobre o tramo central é feito por um frontão cimbrado. Este
último piso com as envasaduras, e há outro no corpo lateral da esquerda, servem para
iluminação das escadarias (atualmente modificadas).
Em toda extensão da fachada já restaurada, é de tijolos aparentes. O piso térreo tem
janelas de vergas retas, nos dois superiores, em arcos plenos, dois a dois entre colunas
retas, planas, adossadas e sem capitéis. No último piso, cada uma das janelas, dispostas
no meio dos arcos e rimando com as janelas do piso inferior, formam pequenos frontões
guarnecendo as janelas em arcos plenos. A colocação dos frontões cimbrados garante
uma ondulação por toda extensa fachada. Esta sensação é mais intensa quando se sobe
na cobertura. Garantiu-se assim uma quebra de monotonia visual no alto do edifício e no
centro, pelo destaque do corpo principal. Esta sensação percorre toda volumetria do
edifício.
A fachada posterior é mais ritmada com soluções diferentes para as aberturas dos
corredores em cada um dos pisos (foto 08).
01.
02.
03.
05.
04.
06.
07.
08.
3.2. O Interior: O interior da parte térrea já foi adaptado para abrigar os escritórios da Cúria,
arquivo e biblioteca (foto 09). Os escritórios estão dispostos simetricamente ao longo de
corredores e na parte posterior há um longo corredor em toda forma de L do edifício.
Naqueles corredores posteriores pode-se observar todas as curvaturas abobadadas
feitas em tijolos o que ocorre internamente em apenas alguns ambientes (foto 10).
Algumas destas abóbadas estão sobre quadrados e outras sobre retângulos. Na
realidade teriam acabamentos com massa e a disposição dos tijolos não seria percebida.
A tipologia destas abóbadas, sem nervuras, poderia ser mais de abóbadas de tenda.
As salas de estudos (foto 11), e mesmo com outras funções, foram reformadas ou estão
em vias de serem transformadas em locais de hospedagem. Uma das maiores delas foi
transformada em uma capela. Todos os banheiros foram adaptados (foto 12).
Não mobiliário de época. Há o quarto onde o papa Bento XVI acomodou-se em 2007.
Está aberto para visitas (foto 13).
Há ainda um pequeno museu com peças sacras dos séculos 19 e 20 (foto 14).
O teto é todo em tijolos e em alguns dos ambientes se mostra a solução em abóbadas
de berço. Toda área da cobertura é impermeabilizada (fotos 15 e 16).
09.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
4. Significado social: Este edifício eclético foi concebido em momento de transformação e
profundas mudanças da Igreja em todo mundo. No Brasil a Igreja esteve submissa ao Estado
até o começo da República quando terminou a lei do Padroado. Porém na segunda metade
do século XIX, iniciara não apenas a reforma espiritual, mas também a estilística nos
templos. O imperador tinha a prerrogativa de nomear os bispos quando, ainda na segunda
metade do século XIX, iniciou-se uma reforma na Igreja na qual o poder do papa e a
obediência do clero deveria seguir as normas de Roma. Esta questão da romanização da fé
foi seguida de um novo alento para a religião abalada pelas novas tendências anticlericais
ainda do período da Revolução Francesa do final do século iluminista. A proibição pelo
Estado de formação de novos padres agravara a situação do chamado baixo clero, e a
prática de ideais cristãos em defesa da moral e fé exigia abertura de novos centros de
formação eclesiástica condizente as novas diretrizes inclusive de evangelização para os
imigrantes e seus filhos.
Um novo clero ilustrado devolvia a hierarquia da Igreja sobre as ideologias políticas, contra o
liberalismo, o racionalismo, o protestantismo e a maçonaria crescentes. Às estas renovações
de cunho espiritual se acrescentaram aquelas estéticas – naves romanizadas -, que
encontraram eco na prática historicista de reviver estilos arquitetônicos como o neogótico,
neorromânico e no caso do projeto deste seminário, o ecletismo romano refletindo
literalmente a submissão às leis papais. O novo clero europeu que demorou a aclimatar-se
às culturas do período colonial e do imperial implantou novo gosto arquitetônico, muitas
vezes desfigurando construções do passado.
O ecletismo deve ser visto como uma tendência conciliatória entre as divergências científicas
e as religiosas, portanto acima apenas da arquitetura, mas conjuntamente com as idéias
políticas daquele período que na Província de São Paulo estavam disseminadas as idéias
republicanas no Oeste paulista para onde migrara a cultura do café com as conservadoras
imperiais do Vale. A conciliação também entre a técnica manual e as inovações tecnológicas,
e aproximação entre camadas sociais antes divididas praticamente senhores e escravos e
agora com os imigrantes e burguesia crescente. As novas construções são o espelho destas
transformações e alterações das tendências arquitetônicas dos edifícios sagrados buscando
nova unidade da cristandade depois de querelas com a modernização e ciências positivistas
em especial com a maçonaria que sua prática foi condenada pela Igreja em 1865 com a
encíclica de Leão XIII, Inscutabili Dei Consilio e Libertas de 1908.
Este exemplo arquitetônico de local de formação dos novos padres pode ser considerado
como uma libertação das amarras da Lei do Padroado – onde o rei e imperador eram o chefe
da Igreja em Portugal e Brasil. Com a liberdade da Igreja na República, o historicismo
eclético europeu da tradição da obra sacra chegou à cidade de São Paulo com imigrantes
europeus e arquitetos com estudos na França ou Bélgica como Ramos de Azevedo.
Trouxeram técnicas de construções em tijolos e outras estruturas industriais. Desenvolveram
novo gosto em construções de estilos diversos e bem determinados como a gramática do
ecletismo determina. Para cada edifício, características segundo suas funções: estações de
estradas de ferro, mercados e estabelecimentos de ensino.
As grandes construções dos estabelecimentos de ensino dos jesuítas, dos conventos
franciscanos e outras ordens religiosas, tinham cessado durante todo império. Eram
construções do passado, adaptadas naquele século imperial para seminários que aos
poucos se definhavam ante as leis proibitivas da formação de noviços.
Este Seminário de Bom Jesus, além de exemplar raro em sua volumetria, é símbolo daquela
luta que viria ser travada “contra o espírito da religião colonial”. Sua grandiosidade impediu
seu acabamento ou mesmo o desejo de ser maior do que se apresenta atualmente. Estas
grandes construções da virada do século, Museu do Ipiranga ou mesmo a Pinacoteca do
Estado, ficaram incompletos ante seus projetos grandiosos. Os estabelecimentos de ensino
laico deveriam diferenciar daqueles religiosos e vice-versa. Este seminário compete em
beleza com as construções projetadas no Escritório Ramos de Azevedo na capital.
5. Partido Arquitetônico: É uma construção eclética baseada nos princípios dos tratadistas
como Palladio para o pórtico no corpo central. A sua monumentalidade evoca os edifícios de
formação de religiosas de Roma aliado ao fato do uso quase abusivo dos arcos romanos nas
janelas na fachada principal. O ecletismo se mostra mais nas fachadas posteriores, quase
formando um pátio à maneira jesuítica italiana ou mesmo ibérica. O ritmo dos vazados ao
longo dos corredores nos três pisos é mais animado que a fachada muito austera. Por fim,
pelo fato do arquiteto ter estudado na França, a cidade de Aparecida se orgulha de seu
palácio afrancesado.
No piso inferior, a disposição dos tijolos evoca uma construção alicerçada, à maneira
renascentista, que imitariam pedras horizontalizadas. O piso intermediário tem vazados com
elegantes arcos em ritmos diferentes e acima, no terceiro, os retângulos mais amplos que
iluminam os corredores. A intimidade de tão espaçosos ambientes é dado pela sombra da
tarde em contraposição da intensa luz que banha toda a fachada principal pela tarde. O
último piso tem em toda sua volumetria a mesma solução dos frontões a guarnecer as
janelas de arcos plenos.
Os pisos hidráulicos, de diversos padrões, foram em sua maioria preservados (foto 17).
As grandes janelas têm caixilhos tanto de madeira como esquadrias de ferro sendo a maioria
em vidros transparentes lisos.
As adaptações foram feitas no piso térreo para abrigar os escritórios da Cúria. Algumas salas
adaptadas para receber os arquivos dos registros de batismos e outros documentos
eclesiásticos. Uma grande biblioteca foi montada com o recurso de um mezanino de ferro em
uma das salas da extremidade esquerda.
O primeiro piso foi adaptado para abrigar os senhores bispos de toda América Latina durante
a reunião junto ao papa Bento XVI em maio de 2007. Estes espaços estão sendo
readaptados juntamente com os do segundo piso para abrigar um setor de hotelaria (foto 18).
Os espaços destinados aos aposentos tiveram um banheiro construído em seu interior. Os
pisos são de lâmina de madeira industrializada.
A adaptação de toda ala posterior preservou intatos os corredores, abóbadas e pisos (fotos
19 e 20). Banheiros foram modernizados (foto 21). As salas também (11) assim como foi
criada uma capela (foto 22).
O teto é todo em tijolos e em alguns dos ambientes se mostra a solução em abóbadas de
berço. Toda área da cobertura é impermeabilizada (fotos 15 e 16).
17.
18.
19.
20.
21.
22.
6. Políticas públicas: O seminário, carinhosamente apelidado de Colegião, passou por várias
crises de construção, financiamento e mesmo uso. No final do século XX, com poucos
seminaristas, hospedava pessoas indicadas pelas famílias chegando posteriormente a
abrigar as congadas e romarias nas festas de São Benedito. Atualmente foi reformado, pois
na cidade de Aparecida não há hotéis que pudessem hospedar os senhores bispos de toda
América Latina e sequer suas santidades os papas que lá pernoitaram. Com a visita de João
Paulo II iniciou a primeira adaptação para este fim específico e posteriormente para os
escritórios da Cúria. Sua eminência o senhor bispo tem sua residência dentro dos limites do
seminário e de lá despacha.
Desta maneira o seminário ressurgiu como um monumento com toda sua grandiosidade,
aberto ao público para a visita dos romeiros que do portão espreitam a gigantesca
construção. Seu uso ocasionou as reformas e não caiu no esquecimento. Isto sem alterar
toda sua volumetria, beleza da fachada deste instigante testemunho da técnica construtiva
com tijolos.
7. Inserção Urbana: Edifícios ligados à formação dos religiosos ou leigos formaram um grande
grupo no Vale a partir do início do século XX. São construções de grandes proporções:
conventos, seminários, colégios, educandários e conventos ou recolhimentos de mulheres,
sendo Aparecida o melhor exemplo. Quase todos com limites bem demarcados - muros, ou
separados por um acidente natural, ou ainda, sobre morros. Até então pode se notar que o
edifício está localizado na cidade e se permite entrar e averiguar o espaço interno das
igrejas. Há, porém, os espaços proibidos dos conventos, monastérios que se fecham nos
claustros. Outros aspectos se abrem, interligando os edifícios religiosos com a trama urbana.
São adros, terreiros, largos e circuitos de procissões. Nestes espaços abertos, comuns, há
uma mistura sociocultural que está expressa nas danças religiosas (diante do cruzeiro do
adro); nos terreiros (as congadas, reisados e cavalhadas); representação de autos e
encenações bíblicas, romarias que tomam ruas; estradas propiciam a formação de casas
comerciais que podem ser da igreja ou não; casa dos romeiros, salas de milagres para
depósito de ex-votos ou depósito de imagens danificadas.
PORTO DE ITAGUAÇU
1. Localização: Av. Itaguaçu, s/ nº, bairro de São Geraldo, situado à margem direita do rio
Paraíba do Sul no município de Aparecida. Antigo bairro das Pedras.
2. Relação com o entorno: o rio Paraíba forma uma curva com pequena área envoltória de
pouca vegetação ribeirinha. Á margem esquerda, com vegetação mais intensa, há uma
grande área alagadiça.
3. Praça e melhorias: foi construída em 1997 uma grande praça calçada com uma capela,
melhorias para romeiros, uma rampa e belvedere à beira do rio por onde passam
excursões e procissões fluviais e um cruzeiro que marca o local do encontro da
imagem da Aparecida em 1717.
4. Interior: o local mais destaca pela sua área externa e a pequena capela abriga imagens
de Chico Santeiro alusivas ao fato milagroso da pesca.
BAIRRO DE SÃO GERALDO, APARECIDA
1. Significado social: local de encontro da imagem da Aparecida e local de sua primeira
veneração no oratório de Atanásio Pedroso, por volta de 1732.
2. Partido arquitetônico: no local havia uma capela construída em 1926 que em 1967
recebeu uma escultura do artista cunhense Chico Santeiro representando a pesca
milagrosa. Em 1997 todo conjunto foi remodelado e hoje há uma capela moderna,
envidraçada, com transparência conseguida pelos panos de vidros e o altar que ao
fundo pode-se ver as águas do rio.
3. Políticas públicas: esta área é alagadiça e foi reformada promovendo melhoramentos
tanto para o município, que tem à margem direita constantes problemas de
alagamentos. A área de um alqueire foi adquirida em 1953 pela administração do
Santuário.
4. Inserção urbana: A administração do Santuário promoveu a reurbanização da área
interligando-a ao estacionamento da Basílica Nova por meio da Avenida Itaguaçu.
5. Excepcionalidade: local de encontro da imagem de Aparecida.
6. Representatividade: local sagrado para os devotos.
MORRO DO CRUZEIRO
1. Localização: Travessa José Amador, à margem direita da via Dutra.
2. Relação com o entorno: bairros de Santa Luzia e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O
primeiro bairro não tem urbanização e o segundo foi uma área do Santuário concedida
para se construir um bairro popular com saída pelo Posto do Tigrão à via Dutra e outro
acesso pelo morro do Cruzeiro. A vegetação é formada por eucaliptos plantados nos
anos 50.
3. Monumentos: em 1925 foi levantado um cruzeiro no morro adquirido para se construir
uma nova basílica. O terreno se mostrou impróprio e em 1948 foram construídos os
passos da via sacra pelo padre Antônio Pinto de Andrade, da Congregação do
Santíssimo Redentor. O local foi reflorestado com eucaliptos e se tornou agradável
para passeios e orações. As 14 capelas, como foto acima, foram demolidas e no local
reformulado, incluindo o cruzeiro, foram inauguradas novas esculturas bem
elaboradas em fibra de vidro com 14 passos da paixão no ano 2000, obra do artista
Adélio Sarro. O cruzeiro de madeira, cruz latina, foi substituído por um de ferro em
forma de cruz grega, conflitante com a paisagem e sem nenhuma ligação com a
tradição latina.
4. Significado social: está ligado ao sentido religioso, de tradição luso-brasileira à maneira
de Congonhas em Minas Gerais e Braga em Portugal. Local de peregrinação e lazer de
onde se tem uma vista do Vale (680) metros de altitude.
5. Arte sacra: há 14 esculturas em fibra de vidro com pátina aparentando bronze do artista
Adélio Sarro. São em formas côncavas dispostas ao longo da colina íngreme. As
antigas capelas foram todas retiradas assim como o sepulcro do Cristo e o antigo
cruzeiro. O cruzeiro também inaugurado no ano 2000, portanto nada mais há daquilo
que o processo pedia para preservar a não ser a área verde, é uma obra visualmente
destoante tanto da paisagem como do imaginário de cruz latina impregnada na fé do
povo brasileiro.
6. Políticas públicas: área de lazer pertencente ao Santuário.
7. Inserção urbana: é separado da cidade pela via Dutra. De lá se via a antiga Basílica,
hoje encoberta pelos edifícios. A nova Basílica também podia ser vista em sua
totalidade, agora obstruída em parte. Há dois bairros populares em seus arredores e
na parte posterior são terras de fazendas. Parte do morro está cercado através de
grades.
8. Excepcionalidade: grande área de lazer de onde se avista o Vale. Faz parte de uma
romaria completa subir o morro do Cruzeiro em uma cidade santuário.
9. Representatividade: área verde.
BASÍLICA NOVA
1. Localização: Av. Júlio Prestes, s/ nº - Aparecida
2. Relação com o entorno: a basílica fica isolada por muros nas laterais e frente que tem
acessos aos estacionamentos pagos em área toda impermeabilizada. Na parte
posterior, quase nos limites com a via Dutra, há estacionamentos no plano da igreja,
além de um shopping e um auditório. Nas imediações há uma saída para a via de
acesso à cidade, via federal, sobre a qual passa uma passarela que interliga a cidade
no alto do morro e a basílica. Nos fundos, há morros que foram terraplenados e
construídos mais estacionamentos com todo o solo impermeabilizado.
3. A praça: a praça fronteiriça foi transformada em estacionamento e simbolicamente
subdividida em duas alamedas com palmeiras formando uma cruz. Na concavidade
das duas rampas de acesso há um altar. Na lateral esquerda há escritórios e na direita
o convento dos padres. Na praça posterior há mais estacionamentos, um shopping e
um auditório.
Os elementos arquitetônicos que compõem o conjunto não dialogam entre si tornando
um espaço conflituoso visualmente.
4. A arquitetura: a basílica é projeto do engenheiro-arquiteto Benedito Calixto de Jesus
Neto – 1946-1955). O Departamento de Obras do Estado de São Paulo em 1954
canalizou o córrego da Ponte Alta e as obras foram iniciadas sob supervisão de Dom
Antônio Ferreira de Macedo, superior dos padres Redentoristas em 1945 (Brustoloni,
1998,p. 60).
A planta é em cruz grega com uma cúpula central de 70 metros, destaca-se a torre
(1961) de 100 metros de altura com dezoito andares sendo o último utilizado como
mirante e em outros estão instaladas salas do Museu da Basílica. A imensa massa
arquitetônica tem 23 mil metros quadrados de construção, suas naves atingem 40
metros de altura.
A construção teve sua fachada posterior transformada em local de celebrações que
seriam em sua fachada principal. Uma grande arcada foi construída para abraçar este
novo espaço.
Logo este espaço que foi transformado em estacionamento serviu para a construção
do shopping center (40 mil metros quadrados) inaugurado em 1998 projeto de Tito
Livio Frascino e Vasco de Mello e um auditório (inaugurado em 2007) completamente
diferentes da construção da basílica. As áreas dos estacionamentos chegam aos 272
mil metros quadrados.
Interiormente a ornamentação tomou rumos diferentes daqueles que se poderia prever
a exemplo de mosaicos substituídos por azulejos. O altar sob a cúpula é de mármore e
o nicho de Nossa Senhora decorado de azulejos com desenhos, obra de Cláudio
Pastro. Outras capelas como do Santíssimo e mausoléus de dignatários religiosos vão
se multiplicando sem previsão de uma unidade ornamental. A capacidade da basílica é
de abrigar até 45 mil romeiros.
No subsolo estão a Sala dos Milagres e centro de apoio aos romeiros para
necessidades, banhos e locais para lanchar.
Centro de Apoio ao Romeiro
5. Significado social: representa a religiosidade brasileira, a nova religião liberta das
amarras do Estado e com um direcionamento religioso ditado por Roma. Espaço
inaugural/comercial que incita o uso do objeto sagrado/imagem e idéia de
consumismo imediato da marca esvaziada do símbolo de Nossa Senhora.
6. Partido Arquitetônico: planta centralizada em cruz grega e cúpula central. Quatro
fachadas similares lembram as construções bizantinas. A arcaria lateral, uma
construção romana e a repetição de arcos, o neoromânico. É uma construção eclética
que conforme o comentário de Dom Macedo, “O novo santuário foi construído com o
palpite dos ricos, as críticas dos padres e o dinheiro do povo” (BRUSTOLONI, 1998,
p.62). Esta falta de direcionamento dificulta mesmo a previsão de finalização da massa
arquitetônica.
7. Políticas públicas: o santuário ocupa uma área de 273 mil metros quadrados, só de
estacionamento, tem seu próprio comércio e aluga as lojas do shopping (40 mil metros
quadrados), visualmente é o pólo central da cidade santuário com imensos terrenos
sobre os morros dos fundos que aos poucos estão sendo terraplenados,
transformando por completo a paisagem natural em construída e impermeabilizada.
8. Inserção urbana: não dialoga com a cidade. Está isolado com imensos muros, criando
um espaço religioso/comercial distante do que foi a cidade santuário inicial. A nova
basílica surgiu cercada de racionalismo e vontade de isolar os interesses religiosos, e
de confirmar a administração eclesiástica. Duas massas arquitetônicas distintas
passaram a conviver na cidade. Ambas desequilibradas, sequer se poderia dizer em
unidade visual e menos ainda em termos arquitetônicos. Perdeu-se o sentido de
cidade santuário tirando da primeira colina o perfil das torres da basílica velha perdida
em meio de edifícios que a horizontalizaram. A basílica nova, com imensa praça
fronteiriça, simbolicamente desenhada em cruz, rasgou a cidade até o rio, isolou-se
por detrás dos murros, agigantou-se sobre o Morro das Pitas e criou uma zona
comercial na fachada posterior. O espaço da nova basílica pretende conquistar para si
toda ação do romeiro, direcionando seu tempo em espaços circunscritos ao culto e
aqueles devocionais e comerciais sob a ótica da facilidade. Não se vai à Aparecida, se
vai à basílica nova e de lá de admira a colina onde está a antiga basílica, perdida entre
edifícios apinhados no morro. O conflito é evidente, os espaços não se integram,
apesar da passarela que facilita a visita destes dois pólos distintos que não se
conjuminam sequer na visualidade. O espaço orgânico ao redor da velha basílica, a
subida da colina, convite ao antigo romeiro, perdeu o sentido de vivência de cidade
santuário.
9. Excepcionalidade: o terceiro santuário mariano do mundo e o maior do Brasil em massa
arquitetônica e espaço experimental do comércio religioso.
10. Representatividade: a fé do povo brasileiro em financiar esta gigantesca construção
(Dom Damasceno) para a pequenina imagem da Virgem levada a cabo por uma
congregação de padres que estão apenas a 100 anos no Brasil.
Basílica de Nossa Senhora vista desde o Morro do
Cruzeiro, Aparecida, Brasil.
Ladeira do Monte Carmelo com a basílica velha ao
fundo. Década de 60.
A imagem, tal como se encontra no interior da
Catedral.
Praça Nossa Senhora Aparecida com a basílica velha
Percival Tirapeli
Prof. Doutor em Artes Plásticas, Mestre em Arquitetura
religiosa no contexto urbano do Vale do Paraíba
Bibliografia
Almanaque de Nossa Senhora Aparecida: Ecos Marianos. Aparecida: Editora Santuário, 1999.
ARQUIDIOCESE DE APARECIDA. Seminário Missionário Bom Jesus. História. São Paulo, 2006.
Disponível em: <http://www.arquidioceseaparecida.org.br/index.php?id_canal=23>. Acesso em
22 de abril de 2010.
BARBOSA, Alexandre Lourenço (org). Aparecida - A multiplicidade do olhar. Aparecida: Gráfica
Imagem, 2000.
BRUSTOLONI, Júlio J. História de Nossa Senhora Aparecida. Sua imagem e seu santuário.
Aparecida: Editora Santuário, 1998.
CAMARGO, Paulo Florêncio da Silveira. A Igreja na História de São Paulo. São Paulo, Instituto
Paulista de História e Arte Religiosa, 1953, 9 v.
DUGNANI, Patrícia Maria Garib. A santa vai ao shopping – a questão do comércio religioso no
Santuário de Aparecida. São Paulo: Faculdade de Comunicações da Casper Líbero, 2003.
ETZEL, Eduardo. Imagens Religiosas de São Paulo – Apreciação Histórica. São Paulo:
Melhoramentos/Edusp, 1971.
FABRIS, Annateresa (org). Ecletismo na Arquitetura Brasileira. São Paulo: Nobel/Edusp, 1987.
MAIA, Thereza e Tom. O Vale Paulista do Rio Paraíba Guia Cultural. Aparecida: Editora
Santuário, 2000.
TIRAPELI, Percival. Aparecida, Um Espaço a Ser Vivido. Ângulo, Lorena/Santo André, (12);
no/dez. 1981.
WERNET, Augustin. Os Redentoristas no Brasil. Aparecida: Editora Santuário, 1994. 3 v.
ZAGHENI, Guido. A Idade Contemporânea. Curso de História da Igreja IV. São Paulo: Editora
Paulus, 1999.
Parecer Técnico UPPH nº GEI-339-2010
•
Interessado: ASSOCIAÇÃO CULTURAL APARECIDENSE
•
Data do Protocolo: 5/3/2009
•
Assunto atual: Relatório de vistoria – estudo de área envoltória
À Diretoria,
Em 17 de maio do presente ano estivemos no município de Aparecida para
realizar vistoria nos bens arrolados neste estudo de tombamento (Catedral Basílica,
Seminário Bom Jesus e Porto de Itaguaçu) a fim de acompanhar o especialista
contratado por este órgão, Sr. Percival Tirapeli, Prof. Doutor em Artes Plásticas, Mestre
em Arquitetura religiosa no contexto urbano do Vale do Paraíba, e realizar estudo de
área envoltória dos supracitados bens, atualmente em estudo de tombamento, como
determinado pela diretoria técnica.
A ficha de estudo de área envoltória a seguir contém levantamento de
informações básicas sobre os bens, além do registro fotográfico e constatações
realizadas in loco.
Sem mais, era o que tínhamos a relatar.
UPPH, 28 de julho de 2010.
Arq. Adda Ungaretti
ESTUDO DE ÁREA ENVOLTÓRIA
PROCESSO 28.397/1991
[Ficha elaborada por Adda Ungaretti]
EDIFICAÇÃO: Conjunto de bens da Basílica de Nossa Senhora Aparecida (Catedral Basílica,
Seminário Bom Jesus e Porto Itaguaçu)
LOCALIZAÇÃO: Av. Júlio Prestes, s/ nº (Catedral), R. Barão do Rio Branco, 412 (Seminário), Av.
Itaguaçu, s/ nº (Porto Itaguaçu)
Município: Aparecida
PROPRIETÁRIO: Arquidiocese de Aparecida
CONTATO: Cúria de aparecida (D. Damasceno) (12) 3105-3115 / 2224
FUNÇÃO ORIGINAL: Locais de devoção
FUNÇÃO ATUAL: Locais de devoção
DATA DO PROJETO/ CONSTRUÇÃO: 1983 (Catedral), 1894 (Seminário) e desconhecida (Porto)
AUTORIA: eng. arq. Benedito Calixto de Jesus (Catedral), eng. Arq. Francisco Carlos da Silva
(Seminário) e desconhecida (Porto)
PRESERVAÇÃO EXISTENTE: estudo de tombamento nesta UPPH
CARACTERÍSTICAS GERAIS:
Seminário Bom Jesus
A história do Seminário Missionário Bom Jesus remonta do século 19, mais precisamente
ao ato de lançamento da “Pedra Fundamental”, fato ocorrido em 6 de agosto de 1894,
quando o bispo de São Paulo, dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, a benzeu. Ela foi
colocada no futuro altar-mor da capela do colégio, destinado aos jovens que aspirassem ao
estudo eclesiástico. Dom Lino faleceu em 12 de agosto do mesmo ano e, seu sucessor,
Dom Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalvanti determinou ao engenheiro Francisco
Carlos da Silva, que também era arquiteto, que dirigisse a obra.
A forma do prédio seria um “E” com igreja ao centro, fachadas com 200 metros e lados
com 86 metros, em estilo “renascença,italiano e francês”, O desenho da fachada foi trazido
de Roma por Dom Macedo. A diocese adquiriu a “Fonte do Túmulo de Golias” para levar
água para o “Colegião”, cujos primeiros alicerces foram assentados em 25 de abril de
1895. Na cornija do último andar do imóvel está pintado o “verdadeiro nome do Colegião”:
Casa de Nossa Senhora Aparecida.
Em 1897, Dom Joaquim Arcoverde foi transferido para a arquidiocese do Rio de Janeiro,
sendo seu sucessor Dom Antônio Alvarenga. Houve uma paralisação da obra e só com
Dom Duarte Leopoldo da Silva ela foi retomada, mas sem seguir as características
originais.
O prédio ficou por muito tempo meio abandonado, alojando romeiros que chegavam à
cidade em carros de boi ou tropas de burros. Dom Duarte Leopoldo permitiu em 1923 que
os padres redentoristas terminassem a metade dos dois andares da frente e ali fizessem o
“asilo dos inválidos”, dirigido pelas irmãzinhas da Imaculada Conceição.
Em 1930, por razão das festas jubilares da coração de Nossa Senhora Aparecida, com a
falta de acomodações na cidade, o seminário Santo Afonso, na época localizado ao lado
da Basílica,foi transferido para o Colegião e ali permaneceu até 1952. Durante esse
período, muita coisa foi feita e concluída no prédio.
Só em 1952, a arquidiocese de São Paulo fundo ali o Seminário de Nossa Senhora
Aparecida, que funcionou como menor até 1959 e, depois, como filosofado até 1964. As
irmãs Missionárias de Jesus Crucificado responderam pela parte material do prédio de
1952 até 1969, realizando ali retiros, cursos e hospedagem. De 1969 em diante, o Colegião
abrigou o então Instituto Bom Jesus, dirigidos pelos padres Lazaristas com vistas a
formação sacerdotal e vocações adultas.
Com a instalação da Arquidiocese de Aparecida terminou-se o acabamento interno do
Colegião, sob a direção do Cardeal Dom Carlos de Vasconcelos Motta. (ARQUIDIOCESE,
2006)
Santuário Nacional – Catedral Basílica
Em 1980, a Basílica Nova, foi consagrada pelo Papa João Paulo II, que lhe outorgou o
título de Basílica Menor. Em 1983, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –
declarou, oficialmente, a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional. Faz-se
importante ainda, mencionar as datas de construção do Santuário Nacional de Nossa
Senhora Aparecida, popularmente chamada de Basílica Nova: em 10 de setembro de 1946
deu-se o lançamento da pedra fundamental no local conhecido por Morro das Pitas, onde
hoje se encontra o Santuário. O início do serviço de terraplanagem deu-se em 7 de
setembro de 1952, mas o início efetivo da construção ocorreu em 11 de novembro de
1955, com a concretagem das colunas da ala norte. A primeira missa no local onde se
encontra o Santuário aconteceu no dia 11 de setembro de 1946 e o primeiro atendimento
aos romeiros verificou-se no dia 21 de junho de 1959. As atividades religiosas no
Santuário, em definitivo, passaram a ser realizadas a partir do dia 03 de outubro de 1982,
quando aconteceu a transladação da Imagem da Antiga Basílica para a Nova Basílica.
(SECRETARIA TURISMO, 2010)
Porto Itaguaçu
O local marca o ponto, no Rio Paraíba do Sul, onde a imagem de Nossa Senhora
Aparecida foi encontrada em 1717. (SECRETARIA TURISMO, 2010)
Seminário Bom Jesus
Matriz Basílica
Morro do
Cruzeiro
Catedral Basílica
Porto Itaguaçu
Foto aérea com a localização. Fonte: Google Maps, 2010.
Seminário
Bom
Jesus.
Fonte:
Vista aérea do Porto Itaguaçu. Fonte: SECRETARIA DE
TURISMO, 2010.
ARQUIDIOCESE DE APARECIDA, 2006.
Catedral Basílica vista da passarela. Fonte: CÂMARA MUNICIPAL, 2009.
Vista do Morro do Cruzeiro. Fonte: A12, 2010.
Frontispício da igreja matriz. Fonte: SECRETARIA DE
TURISMO, 2010.
PROPOSTA DE PRESERVAÇÃO (ESPECIALISTA CONTRATADO PERCIVAL TIRAPELI):
Em vistoria ao local, o especialista contratado para produzir pareceres referentes ao patrimônio sacro
paulista Percival Tirapeli, Prof. Doutor em Artes Plásticas, Mestre em Arquitetura religiosa no
contexto urbano do Vale do Paraíba, apontou sua proposta de preservação para o edifício do
Seminário Missionário Bom Jesus e para a imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no Rio
Paraíba em 1717, e seus atributos, o manto e a coroa.
Desse modo, segue abaixo a documentação fotográfica e o estudo de área envoltória referente ao
edifício do Seminário, uma vez que a imagem, sendo um bem móvel, foi isentada de área envoltória.
A fachada do Seminário
O Seminário visto desde o Morro do Cruzeiro. Note-se a
grande massa arbórea ao seu redor.
Via de acesso ao edifício, com intensa arborização
Vista desde a cobertura do Seminário. Note-se ao fundo a
Rodovia Presidente Dutra e alguns edifício da cidade
A Rodovia Presidente Dutra e o muro de divisa do lote com
vegetação
Parte do lote do Seminário e portão de acesso secundário
voltado para a Rodovia Presidente Dutra
Área de plantação frutífera dentro do lote. Note-se ao fundo a
Santa Casa de Aparecida.
Via de acesso ao Seminário.
Área de campo de futebol para os seminaristas. Note-se a
grande extensão do terreno.
Vista da cidade de Aparecida desde a cobertura do edifício.
Fotos de vistoria realizada em maio de 2010. Autoria: Adda Ungaretti.
RELAÇÃO COM O ENTORNO:
O edifício localiza-se adjacente à Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em área próxima ao centro da
cidade, ao Morro do Cruzeiro e à Basílica Velha. Seu lote apresenta grande extensão de intensa
arborização, incluindo área de cultivo de vegetais. Há também um acesso às áreas administrativas e
residências dos religiosos, por ser também sede da Cúria metropolitana da arquidiocese de
Aparecida.
Todo o terreno que circunda o edifício garante boa visibilidade deste, sendo permitido o acesso do
público. Adjacente ao lote, na Av. Barão de Rio Branco, existe ainda a Santa Casa de Aparecida.
ÁREA ENVOLTÓRIA:
Tendo em vista o exposto acima, consideramos desnecessária a delimitação de área envoltória.
FONTES CONSULTADAS:
SECRETARIA DE TURISMO. Aparecida – Brasil. Pontos Turísticos. São Paulo, 2010. Disponível
em: <http://www.aparecida.sp.gov.br/turismo/>. Acesso em 22 de abril de 2010.
A12. Santuário Nacional - Nossa Senhora Aparecida. Morro do Cruzeiro. São Paulo, 2010.
Disponível em: <http://www.a12.com/santuario/pontostur/pontotur.asp?ptu=morro_do_cruzeiro.html>.
Acesso em 22 de abril de 2010.
ARQUIDIOCESE DE APARECIDA. Seminário Missionário Bom Jesus. História. São Paulo, 2006.
Disponível em: <http://www.arquidioceseaparecida.org.br/index.php?id_canal=23>. Acesso em 22 de abril
de 2010.
Pedido de Tombamento de bens imóveis na cidade de Aparecida, em função do
aparecimento da imagem da Aparecida em 1717
Apreciação do processo Nº 28397/1991
Interessado: Associação Cultural Aparecidense.
Data: 23 de janeiro de 1991
Tombamento de bens imóveis: Basílica Velha, Morro do Cruzeiro, Porto de Itaguaçu,
Seminário de Bom Jesus, Basílica Nova e suas áreas envoltórias.
I - Introdução
Os pedidos de tombamentos de bens móveis e imóveis da cidade de Aparecida são
complexos, pois envolvem não apenas cinco bens arrolados, mas principalmente os
símbolos religiosos nacionais, juntamente com a basílica velha tombada, tratada no
processo 22002/1982, devido ao abandono que se encontrava depois de transferida a
imagem da Aparecida para a basílica nova.
Todos os bens imóveis, de maneira direta ou indireta, se referem à devoção religiosa cristã
mais popular do Brasil, materializada na imagem de Nossa Senhora Aparecida, proclamada
padroeira do Brasil em 1930 e assim aclamada na então capital federal, Rio de Janeiro, no
dia 31 de maio de 1931.
Com o aparecimento desta imagem em 1717, retirada do rio Paraíba do Sul, décadas mais
tarde criou-se o patrimônio da capela d’Aparecida em 1745, sobre o Morro dos Coqueiros, e
a atual Basílica Velha de 1844 (bem tombado pela resolução nº II de 18 de abril de
1982).Para a formação dos clérigos que atuariam no culto à Virgem de Aparecida, foi criado
o Seminário Bom Jesus em 1894 (aqui em análise).
No início da década de 20 do século XX foi comprado pela Igreja Católica um grande
terreno no atual Morro do Cruzeiro (pedido de tombamento do Morro do Cruzeiro com as
capelas da via sacra), para se construir uma nova basílica o que na verdade veio a ocorrer
na década de 40 com a compra de outro local, no Morro das Pitas. Ali, a partir de 1955
começam as obras da Nova Basílica projetada entre 1946 e 1955 pelo engenheiro arquiteto
Benedito Calixto de Jesus Neto.
Portanto o presente pedido refere-se a cinco monumentos todos em referencia ao fato
milagroso da imagem aparecida, daí seu nome Nossa Senhora Aparecida: o porto, local do
encontro, a Basílica Velha, que veio a ser o símbolo da cidade santuário nacional, o
seminário para formação dos padres, o Morro do Cruzeiro no qual onde não se pode
construir a basílica nova e que se tornou local de peregrinação seguindo tradição lusa
brasileira, com os passos da paixão. Finalmente, a Basílica Nova, que ainda segue em
construção.
O primeiro pedido, de 1978, é pleno de alusões à imagem da Aparecida que naquele
momento já tinha sido transferida para a Basílica Nova, também motivada pelo crescente
fervor religioso da imagem, símbolo do devoção cristã de todo o Brasil.
Passados praticamente 20 anos do pedido, muito bem documentado, ocorreram ações
positivas como os restauros da Basílica Velha (tombada em 1982 e em processo de
restauro desde 2004), do Seminário de Bom Jesus (restauro iniciado pelas fachadas em
2006 e em fase de adaptação interna para abrigar o seminário, os escritórios da Cúria e
uma casa de hospedagem) e melhorias no porto de Itaguaçu em 1997.
Outras ações não inibiram as transformações, descaracterizando os monumentos pedidos
para serem tombados. A primeira ação é o desaparecimento visual das torres da Basílica
Velha destruindo o sentido de cidade santuário com a visualidade obstruída pelas
construções que ultrapassaram o gabarito da igreja e o sentido ideal de “morro/local de
peregrinação”, horizontalizando o Morro dos Coqueiros. A segunda é a substituição das
capelas antigas por nova via sacra e cruzeiro em ferro no Morro do Cruzeiro. A terceira foi
consequência das melhorias no porto de Itaguaçu em 1997 preservando apenas o
monumento Os três pescadores (1970), de Chico Santeiro. Por fim a Basílica Nova ainda
em construção com projeto alterado tanto interna quanto externamente, área envoltória
impermeabilizada com imensos estacionamentos, construção de um shopping (Centro de
Apoio ao Romeiro, registrado como UCCAR, União do Comércio do Centro de Apoio ao
Romeiro, de 2001) e um auditório em 2007.
II - Entendimento da proposta de preservação
Os pedidos de tombamento dos monumentos diretamente ligados ao culto da imagem da
Aparecida, sem dúvida se devem primeiramente como alerta aos constantes fatos que
envolvem diretamente o imaginário de uma cidade santuário – com a preservação dos
monumentos que rememoram os fatos milagrosos: porto, cruzeiro, a cidade com as igrejas
e o seminário de formação sacerdotal - e a preservação da imagem da Aparecida. Sem ela
nada existiria; com seu eventual desaparecimento, seja qual for o motivo, a cidade santuário
perderia sua função.
Outros
motivos
poderiam
ser
enumerados
como
aqueles
administrativos/políticos/financeiros que envolvem a cidade santuário como um todo. As
posses das terras reduzidas do pequeno município, tanto aquelas da arquidiocese quanto
da municipalidade, o conflito entre política e religião e, por fim, os lucros advindos da
exploração do culto da imagem da Aparecida. Há tais querelas desde a época da instalação
da Capela d’Aparecida (1745) até hoje. Com o tombamento de todos estes monumentos,
dificilmente elas se resolveriam, seja no âmbito governamental com o tombamento de
grande parte das terras em questão, seja no âmbito religioso, com os monumentos
administrados pelo Santuário (duas basílicas e Morro do Cruzeiro, e área do porto de
Itaguaçu), pela Cúria (o seminário) e ainda pela Prefeitura ( plano diretor de todo município).
A cidade santuário com seus monumentos apresenta uma história arquitetônica em
constante mudança. O Morro dos Coqueiros onde se encontra a Basílica Velha também já
foi transformado, mesmo que descrito pelos cientistas viajantes e desenhado pelos artistas
do século XIX - sendo os fatos milagrosos os mais destacados do que os arquitetônicos (em
ambos os processos há estas alusões). A praça fronteiriça e seus edifícios com as lojas e
antigos pousos (hoje hotéis) ao redor do templo, antes apenas contornando-o, suplantou as
torres, reconhecidamente das paisagens urbanas brasileiras mais difundidas entre a
população brasileira. Tombada a Basílica Velha, não foi preservada sua visualidade,
sucumbida irreversivelmente ante a especulação imobiliária.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida ao ser trasladada da antiga para a nova
construção, não foi inclusa como bem móvel da Basílica Velha, o que pode ocorrer agora
mesmo estando na Basílica Nova. Deve-se ler que não é o local que vai determinar sua
inclusão ou não como bem arrolado, mas sim o fato devocional que emana da imagem
objeto/artístico/religioso. Independentemente do local físico, pois sua presença é espiritual,
não há dúvida que os objetos a serem preservados são: imagem de Nossa Senhora
Aparecida encontrada em 1717, no rio Paraíba do Sul, a coroa doada pela Princesa Isabel
em 1888, e seu manto da festa da coroação da Imagem em 1904. Como já está tombada a
Basílica Velha, presente no imaginário devocional do povo brasileiro, configurar-se-ia uma
honra pudesse ela e sua imagem também ser proclamados patrimônios em nível nacional.
Assegurar-se-ia com o tombamento deste conjunto de objetos inestimáveis tão bem
guardado pelos padres Redentoristas do Santuário Mariano de Aparecida, sua preservação.
Desta união de templo/imagem, das mais veneradas no Brasil, temos ainda o exemplo da
imagem da Virgem de Nazaré em Belém do Pará (Secretaria Executiva de Cultura –
Governo do Estado do Pará - Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural –
basílica de Nossa Senhora de Nazaré, incluindo-se a imagem original de Nossa Senhora de
Nazaré, sua coroa e seus mantos – 25/03/1992 – BONNA, 1993.). No Estado de São Paulo
o caso mais peculiar de imagem em veneração tombada, o de Nossa Senhora da Escada
de Barueri (apenas a imagem foi tombada quando se pediu o tombamento de todo o
aldeamento em 1979, tombamento ex-officio, processo do Iphan nº 26849, inscrição 474 de
28/4/1980, Livro Belas Artes Inscrição 538).
III - A Imagem de Nossa Senhora Aparecida a ser preservada e seus guardiões.
Partindo da premissa que todos os monumentos elencados para tombamento estão ligados
à imagem da Aparecida e de alguma maneira sofreram constantes transformações,
demolições e reconstruções, devido o crescimento popular de sua devoção e em
conseqüência ao volume de romeiros que acorrem à cidade, além da Basílica Velha e
Seminário Bom Jesus, a imagem tem sido preservada o mais perto de seu original em um
esforço contínuo dos padres redentoristas que a custodiam desde 1894.
Na realidade a imagem em argila seiscentista atribuída ao primeiro escultor brasileiro, frei
Agostinho de Jesus, tem sofrido interferências drásticas sendo a maior o fato de sua
permanência (não se sabe ao certo
por quanto tempo) nas águas lamacentas do rio
Paraíba. Ao ser encontrada estava sem a cabeça, que de imediato foi adaptada ao corpo
com cera de mandassaia. Guardada na casa dos pescadores que a encontraram em 1717 –
João Alves, Domingos Martins Garcia e Felipe Pedroso - posteriormente passou a ser
propriedade de outro pescador, Atanásio Pedroso. Os fiéis a retiravam de um baú para
cantar e rezar o terço aos sábados. Na antiga capela (1745), construída pelo padre José
Alves Vilela, passou a ser venerada e lá ainda sofreu a ação da fuligem das velas,
candeeiros e do passar das mãos dos fiéis (RIBEIRO, 1998, pp.16-25). (Colocada no altar
da Basílica Velha, construção de Frei Joaquim do Monte Carmelo (1888), lá permaneceu
sem ser molestada durante noventa anos, guardada pelos padres redentoristas desde 1894.
Viajou por um ano pelo Brasil (1965), antes de seu maior desastre (1978) quando foi
retirada do nicho por um jovem protestante que ao ouvir o alarme e ser cercado, deixou-a
cair no chão o que a fez desfazer em aproximadamente cento e sessenta pedaços
(BRUSTOLONI, 1998, pp.45-47). Pietro Maria Bardi, então diretor do MASP, indicou para o
restauro a restauradora Maria Helena Chartuni que até a data cuida da imagem da
Aparecida, exposta em um nicho na Basílica Nova desde então.
IV- O valor artístico da imagem.
A imagem foi encontrada no rio Paraíba em 1717 no porto de Itaguaçu por três pescadores
na então vila de Guaratinguetá. Posteriormente foram erigidas capelas e por doação de um
patrimônio religioso, se constitui a Capela d’Aparecida em 1745.
É de argila paulista, mede 36 cm de altura, com mais 3 cm de base, enegrecida pela ação
da água lamacenta e a fuligem de velas votivas. Apresentava mínima policromia visível,
pois ficou nas águas, diferente, portanto, das imagens similares de oratório dos meados do
século XVII que são policromadas e encarnadas. Quando encontrado o corpo e logo em
seguida sua cabeça, foram unidas as partes com cera de abelha mandassaia.
Sua denominação deve-se ao milagre, de ter sido pescada em duas partes. Daí o nome de
Virgem Aparecida; por suas características iconográficas, representa a Imaculada
Conceição.
Historiadores de arte sacra como o Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos
do Mosteiro de São Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom Paulo Lachenmayer
e o pesquisador e colecionador João Marino, ex-diretor do Museu de Arte Sacra de São
Paulo, afirmam ser a argila proveniente da região de Santana do Parnaíba e com
características das imagens paulistas (BRUSTOLONI, 1981 e MARINO, 1996, p. 42). São
indícios para atribuir a imagem ao primeiro escultor brasileiro, o carioca beneditino frei
Agostinho de Jesus (1610-1654), que viveu e trabalhou por muitos anos nas vilas de
Santana do Parnaíba, São Paulo e Santos nas quais seu estilo disseminou-se. O certo é
que se trata de uma imagem de oratório com características estilísticas tendendo mais para
o popular que para a erudição maneirista do português frei Agostinho da Piedade, mestre
de Agostinho de Jesus.
A partir de 1707, muitas famílias que habitavam o Vale
tinham migrado da cidade de Santana do Parnaíba, onde um monge
beneditino, frei Agostinho de Jesus, se ocupava em moldar na argila
piedosas imagens da Imaculada Conceição. Eram pequenas e se
destinavam a oratórios domésticos. O monge imprimiu nesta que foi
pescada em 1717, além das características próprias, sua própria
piedade e confiança em Maria. Moldou sua face serena e sorridente
expressando
nela
o
olhar
(BRUSTOLONI, 1998, p 21).
compassivo
da
mãe
de
Deus
Os historiadores acima apresentam as seguintes características para a
atribuição:
•
forma sorridente dos lábios
•
queixo encastoado, tendo, ao centro, uma covinha;
•
penteado e flores nos cabelos em relevo;
•
broche de três pérolas na testa e
•
porte corporal empinado para trás.
Medidas – 36 centímetros e mais três do pedestal
Material – argila paulista
Data provável da feitura – primeira metade do século XV I.
Procedência – Santana do Parnaíba. Encontrada no rio Paraíba, em Guaratinguetá em 1717,
atualmente Aparecida, no porto de Itaguaçu.
Autor – atribuição a frei Agostinho de Jesus ( 1610-1654)
O pesquisador de imaginária paulista, Eduardo Etzel, em Imagens Religiosas
de São Paulo – Apreciação Histórica, assim descreve a imagem:
A imagem no seu aspecto original é da Nossa Senhora da Conceição, em barro, com 36 cm
de altura e de grande beleza.
À uma visão do conjunto tem uma silhueta uniforme numa quase linha convexa alongada,
partindo da cabeça, bem grande, até a peanha. A semelhança desta linha em ambos os
lados dá-lhe um aspecto todo peculiar, diferente do que é habitualmente representado na
imagem de Nossa Senhora da Conceição, onde há dessemelhança do perfil direito e
esquerdo, pela posição do manto, sempre mais saliente à esquerda. Ve-se um caprichado
trabalho de escultura na cabeça, com o rosto proporcionado e rechonchudo, e os cabelos
caindo sobre os ombros, formando caracóis a lembrar rosas. O panejamento é rico em
movimentos, embora com sobriedade, predominando as linhas retas. A peanha não é bem
separada das vestes; há uma certa continuidade destas com a linha da peanha, que tem na
frente um só anjo ladeado com caprichados sulcos e relevos laterais até as luas que os
limitam. Estas luas, grossas e espessas, saem da base da imagem e alcançam pouco acima
da linha das vestes, o suficiente para realçar e revelar sua presença. (ETZEL, 1971, p.78.)
Iconografia – tem os atributos da Virgem da Conceição, rosto jovem, mãos postas
em oração, e seu manto recai sobre nuvens; uma cabeça de anjinho está a seus
pés na peanha delineada pelas duas extremidades da lua.
V – Cronologia dos restauros da imagem
1717 - ao ser encontrada, foi colada a cabeça com cera de mandassaia e faltavam
as partes laterais da cabeleira, segundo foto de 1924.
1946 – o padre Alfredo Morgado retirou-a do nicho no dia 29 de maio e com um dia
de trabalho no convento dos padres redentoristas, ao lado da Basílica Velha, colou
a cabeça ao tronco e acrescentou as partes laterais da cabeleira, usando uma
massa feita com raspa de peroba e cola. O padre Luís Lovato fotografou a imagem.
1950 – o calor das lâmpadas do nicho fez com que a cola expandisse. Foi proposto
novo restauro, feito pelo padre Humberto Pieroni utilizando massa de cimento e
reforçando a cabeça com um pino de alumínio unindo-a ao tronco (BRUSTOLONI,
1998, PP. 45-47).
1979 – a imagem foi retirada de seu nicho (na Basílica Velha) e quebrada, ao cair
das mãos de um agressor. Ficou desfeita em mais de 160 pedaços:
A imagem, que possui 39 centímetros, partiu em quase 200 pedaços, sendo que 165 foram
recompostos, e o restante quase em pó, foi juntado com a cola à base de epóxi, usada na
restauração e colocada no interior da imagem para ter o máximo possível de matéria original.
A maior dificuldade foi reconstituir a cabeça, pois estava destruída e quase não se podia
identificar os pedaços, disse a restauradora Maria Helena Chartuni.
(...) A maior dificuldade foi a reconstrução da cabeça da santa, que estava destruída e quase
não se podiam identificar os pedaços. Atualmente Maria Helena faz a limpeza da imagem,
uma vez por ano. Ela é a única pessoa autorizada pela igreja para fazer a limpeza na santa.
(MENDES, Luciana. Obra da fé. Atentado à santa completa 24 anos. Jornal
Valeparaibano, 27 de outubro de 2002.
O caso está documentado no CDM (Centro de Documentação e Memória), que
funciona na torre da Basílica. O documentarista fotógrafo foi Luis Hossaka do
Museu de Arte de São Paulo junto ao então diretor Pietro Maria Bardi.
VI – Citações sobre a imagem no processo resolução nº II de 18 de abril de 1982
Interessado : Instituto de Estudos Valeparaibanos
Repercussão da devoção da imagem:
•
No texto referente ao pedido de tombamento pela população da Basílica
Velha de Aparecida, feita pelo Prof. José Luiz Pasin, Presidente do Instituto
de Estudos Valeparaibanos, em 1981, há citações sobre o aparecimento da
imagem no vale do Rio Paraíba (Porto Itaguaçu) em outubro de 1717, sendo
venerada em vários locais até a construção, em 1733 de um oratório à beira
da então Estrada Real.
•
Após visita de um padre de Guaratinguetá, é feita uma capela de pau-apique que se transforma em um centro de peregrinações. Em 1743 é pedida
permissão para ereção de uma igreja, em taipa de pilão, no terreno do “Morro
dos Coqueiros”, sendo inaugurada em 1745 com a colocação da imagem em
um nicho desta nova construção.
•
“Trata-se de uma imagem pequena e artística, com 36 centímetros de altura,
feita com barro paulista” (P. 22002/1982, f. 5)
•
“De 1760 a 1770 a igreja foi reformada em ampliada. A fachada recebeu duas
torres e parte da taipa foi substituída por alvenaria. O culto a Nossa Senhora
Aparecida se expandia e houve o início de grupos de devotos que de longas
distâncias, vinham em tropas e em carros de bois, visitar a Santa” (P.
22002/1982, f. 5)
•
“1822 – em março e abril, o naturalista francês Augusto de Saint-Hilaire em
sua obra ‘Segunda Viagem à Província de São Paulo’ registra ‘passamos em
frente à Capela de Nossa Senhora de Aparecida. A imagem que ali se adora,
passa por milagrosa e goza de grande reputação. (...)’” (P. 22002/1982, f. 5)
•
“1860 – em junho, o poeta e escritor português Augusto Emilio Zaluar,...
admira o precioso manto de veludo azul ricamente bordado a ouro, que
envolvia a Senhora.” (P. 22002/1982, f. 6)
•
“Em 1884, no dia 6 de novembro, a Princesa Isabel visita a Capela pela
segunda vez e oferece a Nossa Senhora Aparecida, em 1888, uma preciosa
coroa de ouro e diamantes e um manto azul anil. Foi com esta coroa que a
Imagem foi coroada no dia 8 de setembro de 1904.” (P. 22002/1982, f. 6)
•
Em 1878 reiniciou-se a construção do novo templo – cujo projeto era de 1864
- e em 1888 foi inaugurada a nova igreja em estilo barroco.
•
No ano de 1930 Nossa Senhora Aparecida é proclamada a padroeira da
Nação brasileira e, em 1931 a imagem é levada até a cidade do Rio de
Janeiro onde foi “solenemente consagrada” padroeira do Brasil.
•
“Em 1965, dando início ao ciclo das grandes romarias, a imagem parte em
peregrinação por todo o Brasil” (P. 22002/1982, f. 8).
Tombamento da basílica velha já concedido em 1982, sem contemplar a imagem de
Nossa Senhora Aparecida, pois a mesma já se encontrava instalada na Nova
Basílica.
VI – A coroa de Nossa Senhora
Descrição - diadema gravado com motivos fitomórficos, folhas de acanto, aplicados
sobre o diadema duplo. As folhagens são presas nos elementos em forma de U
intercalados por outros da mesma forma com bolas nas extremidades. Estes
desenhos se repetem no diadema, na parte inferior. Rosas aplicadas entremeiam os
Us e também estão sobre as folhagens que se afilam no topo sustentando um globo
encimado por uma cruz latina.
Material – ouro 24 quilates, 24 diamantes maiores e 16 menores. As pedras
preciosas estão presas às pequenas flores. Peso – 300 gramas/ Data - 1888
A Coroa de Ouro foi presente da Princesa Isabel e Conde d’EU.
Excepcionalidade: ex-voto da Princesa Isabel, a Redentora dos escravos para a imagem da
Aparecida, que pela sua coloração também é aclamada libertadora dos escravos
VII - O Manto
O manto é símbolo da realeza. Na Bíblia, é a extensão da pessoa que o toca, tal como no
Antigo Testamento desde David a Saul. No Novo Testamento, uma mulher é curada ao
tocar a túnica de Jesus. Na Virgem Maria, representa proteção celeste, pois é reconhecida
como rainha do céu. Na Virgem de Aparecida, ela é a Rainha do Brasil, coroada com seu
manto em 08/09/1904.
Iconograficamente, as imagens da Conceição tem seu manto colado ao corpo, repuxado em
um dos lados ladeando as mãos postas em oração. Esta iconografia é retirada da visão
apocalíptica de São João, 12,1 – Um sinal grandioso apareceu no céu, uma mulher vestida
com o sol tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida (obra de frei Agostinho de Jesus com seu manto (de
coroação da Imagem em 1904) e coroa doada pela princesa Isabel em 1888.
Segundo Eduardo Etzel, o manto de Nossa Senhora Aparecida aparece pela
primeira vez em uma gravura do século XIX, impressa no Rio de Janeiro pela
Importadora Lithográfica de P. Braga. Nesta litografia sua cútis é branca, tem coroa
e um manto que a cobre desde o alto da cabeça até a altura da barra do vestido, o
que começa a configurar sua silhueta característica (ETZEL, 1971, P.78).
Em 1904 foi coroada com a coroa ofertada pela Princesa Isabel e foi-lhe
confeccionado manto com tecido de veludo, bordado com franjas de fios de ouro,
assim como as folhas, flores e as bandeiras brasileira e do Vaticano, atributos que
ostenta até o presente ( uma nova coroa foi posta a partir de 2004, e guardada a
antiga, muito pesada para a frágil imagem)
Excepcionalidade –a imagem no século XIX
influenciou toda uma produção de
imaginária denominada de paulistinhas - característica da zona cafeeira do Vale
paulista. A partir da configuração triangular com o manto e coroa, passou a
influenciar uma imaginária de gosto popular que sem dúvida é a mais difundida no
país.
O manto está presente também no Hino da Cidade de Aparecida
Aparecida é do Brasil
Recanto doce e primoroso.
Sobre ele estende a Virgem bela
Seu manto santo e poderoso.
(Letra de Pe. Oscar Chagas, CSsR. Música de Maria Annunciação Lorena Barbosa. 1929.)
Prof. Dr. Percival Tirapeli
BONNA, Mízar. Dois séculos de fé. Belém : Edições CEJUP, 1993.
BRUSTOLONI, Júlio J. A Senhora da Conceição Aparecida: História da Imagem da Capela de
Romarias. Aparecida, Santuário, 1981.
_________. História de Nossa Senhora Aparecida Sua Imagem e seu Santuário. Aparecida :
Editora Santuário, 1998.
DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil: Aquarelas e Desenhos que não
foram Reproduzidos na Edição de Firmin Didot – 1834. Paris, R. de Castro Maya Editor, 1944.
ETZEL, Eduardo. Imagens Religiosas de São Paulo – Apreciação Histórica. São Paulo :
Melhoramentos/Edusp, 1971.
_________. Arte Sacra Popular Brasileira. São Paulo : Melhoramentos/Edusp,1979.
FERREZ, Gilberto. O Brasil de Thomas Ender 1817. Rio de Janeiro, Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro; Fundação João Moreira Salles, 1976.
LEMOS, Carlos A. C. A Imaginária Paulista. São Paulo : Pinacoteca do Estado, 1999/2000.
MARINO, João. Iconofrafia de Nossa Senhora e dos Santos. São Paulo : Projeto Cultural Banco
Safra, 1996.
RIBEIRO, Zilda Augusta. História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e de seus
escolhidos. Aparecida : Editora Santuário, 1998.
SAINT-HILAIRE, Auguste de. Segunda Viagem a São Paulo e Quadro Histórico da Província de
São Paulo. São Paulo, Martins Fontes, 1953.
WERNET, Augustin. Os Redentoristas no Brasil. Aparecida: Editora Santuário, 1994. 3 v.
ZALUAR, Augusto Emílio. Peregrinação pela Província de São Paulo (1860-1861). São Paulo,
Itatiaia; EDUSP, 1975.
Aparecida - PROPOSTA AO CONDEPHAAT
Conjunto de bens da Basílica de Nossa Senhora de Aparecida – proc.
28397/91 - 1991
Tombamento
1. Imagem de Nossa Senhora
Aparecida encontrada no rio Paraíba
em 1717, coroa doada pela princesa
Isabel, e manto – todos expostos na
Basílica Nova.
2. Volumetria externa e área
envoltória do Seminário do Bom
Jesus.
6. Diante do exposto em meu parecer, proponho o tombamento ao
CONDEPHAAT de três bens móveis da Basílica Nova: Imagem de Nossa
Senhora Aparecida, sua coroa e manto;
7. Proponho também o tombamento do imóvel do Seminário de Bom Jesus,
sua volumetria externa e área envoltória.
Considerandos
Considerando que:
1. A imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no rio Paraíba em 1717, sua
coroa doada pela princesa Isabel e o manto – expostos na Basílica Nova, são a
razão de ser de toda essa cidade santuário ( excetuando-se assim as basílicas
velha – já tombada - e a nova - ainda em construção - , e o porto de Itaguaçu, que
foi totalmente remodelado). Seus atributos – coroa e manto – tal como se apresenta
desde 1904, compõem o maior símbolo devocional popular do Brasil. Com esta
configuração, mais do que a de Nossa Senhora da Conceição, protetora do reino de
Portugal, a de Nossa Senhora Aparecida com seus atributos, aclamada rainha do
Brasil, é a imagem mais reproduzida em todos os tempos pela imaginária popular
brasileira.
2. A volumetria externa e área envoltória do Seminário do Bom Jesus são de
excepcional relevância pela sua monumentalidade arquitetônica representativa do
ecletismo, e também pelo destaque de sua espacialidade no contexto das
construções educacionais religiosas na trama urbana da cidade santuário de
Aparecida.
3. Os pedidos de tombamento dos monumentos diretamente ligados ao culto da
imagem da Aparecida, sem dúvida são devidos primeiramente como alerta aos
constantes fatos que envolvem diretamente o imaginário de uma cidade santuário –
com a preservação dos monumentos que rememoram os fatos milagrosos: porto,
cruzeiro, a cidade com as igrejas e o seminário de formação sacerdotal - e a
preservação da imagem da Aparecida. Sem ela nada existiria; com seu eventual
desaparecimento, seja qual fosse o motivo, a cidade santuário perderia sua função.
A imagem de Nossa Senhora Aparecida ao ser trasladada da antiga para a nova
construção, não foi inclusa como bem móvel da Basílica Velha, o que pode ocorrer
agora mesmo estando na Basílica Nova. Deve-se ler que não é o local que vai
determinar sua inclusão, ou não, como bem arrolado, mas sim o fato devocional
que emana da imagem objeto/artístico/religioso.
4. A imagem em argila seiscentista é atribuída ao primeiro escultor brasileiro, frei
Agostinho de Jesus, e tem sofrido interferências drásticas sendo das maiores o fato
de sua permanência nas águas lamacentas do rio Paraíba. Ao ser encontrada
estava sem a cabeça, que de imediato foi adaptada ao corpo com cera de abelha
mandassaia. Guardada na casa dos pescadores que a encontraram em 1717, os
fiéis a retiravam de um baú para cantar e rezar o terço aos sábados. Na antiga
capela (1745), construída pelo padre José Alves Vilela, passou a ser venerada e lá
ainda sofreu a ação da fuligem das velas e candeeiros. Foi colocada no altar da
Basílica Velha, lá permaneceu sem ser molestada durante noventa anos. Viajou por
um ano pelo Brasil (1965), antes de seu maior desastre (1978) quando foi retirada
do nicho por um jovem que a deixou cair no chão, o que a fez desfazer-se em
aproximadamente cento e sessenta pedaços. Foi então restaurada no MASP por
Maria Helena Chartuni, que até a data cuida da imagem da Aparecida, exposta em
um nicho na Basílica Nova desde então.
5. O valor artístico da imagem analisada pelos historiadores de arte sacra como o
Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do Mosteiro de São Salvador,
na Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom Paulo Lachenmayer, e o pesquisador e
colecionador João Marino, ex-diretor do Museu de Arte Sacra de São Paulo, é de
grande reelvãncia e afirmam eles ainda ser a argila proveniente da região de
Santana do Parnaíba, com características das imagens paulistas, atribuindo-a ao
primeiro escultor brasileiro, o carioca beneditino frei Agostinho de Jesus.
6. A imagem da Virgem de Aparecida constitui-se referencial para toda uma
produção de arte popular no século XIX denominada paulistinhas segundo Eduardo
Etzel, e no século XX, em 1904 quando foi coroada com a coroa ofertada pela
Princesa Isabel, foi-lhe confeccionado manto com tecido de veludo, bordado com
franjas de fios de ouro. A partir dessa configuração triangular com o manto e coroa,
passou a influenciar uma imaginária de gosto popular que sem dúvida é a mais
difundida no país.
O SEMINÁRIO DO BOM JESUS
1 – Considerando que é uma construção eclética baseada nos princípios dos tratadistas
como o arquiteto da região italiana do Vêneto Andrea Palladio para o pórtico no corpo
central, sua monumentalidade evoca os edifícios de formação de religiosas de Roma aliado ao
uso quase abusivo dos arcos romanos nas janelas da fachada principal. O ecletismo se mostra
mais nas fachadas posteriores, quase formando um pátio à maneira jesuítica italiana ou
mesmo ibérica. O ritmo dos vazados ao longo dos corredores nos três pisos é mais animado
que a fachada muito austera. Por fim, pelo fato de o arquiteto ter estudado na França, a cidade
de Aparecida se orgulha de seu palácio afrancesado.
No piso inferior, a disposição dos tijolos evoca uma construção alicerçada, à maneira
renascentista, que imitariam pedras horizontalizadas. O piso intermediário tem vazados com
elegantes arcos em ritmos diferentes e acima, no terceiro, os retângulos mais amplos que
iluminam os corredores. A intimidade de tão espaçosos ambientes é dada pela sombra da
tarde em contraposição à intensa luz que banha toda a fachada principal pela tarde. O último
piso tem em toda sua volumetria a mesma solução dos frontões a guarnecer as janelas de
arcos plenos.
2 – Considerando que o valor social deste seminário de Bom Jesus, além de
exemplar raro em sua volumetria, é símbolo daquela luta que viria a ser travada
“contra o espírito da religião colonial”. Sua grandiosidade - ou mesmo o desejo de
ser maior do que se apresenta atualmente - impediram seu acabamento e pintura
externa. Estas grandes construções da virada do século, do XIX para o XX, como o
Museu do Ipiranga ou mesmo a Pinacoteca do Estado, ficaram incompletas ante
seus projetos grandiosos. Os estabelecimentos de ensino laico deveriam
diferenciar-se daqueles religiosos e vice-versa. Este seminário compete em beleza
com as construções projetadas pelo Escritório Ramos de Azevedo na capital.
lista
dos
elementos
a
serem
preservados ***
4. A imagem de Nossa Senhora Aparecida com seus atributos o manto e a
coroa.
5. A volumetria arquitetônica externa do Seminário do Bom Jesus e sua área
envoltória.
Prof. Dr Percival Tirapeli.
Minuta Seminário Bom Jesus
MINUTA - Resolução SC ___, de ___/___/2010
Dispõe sobre o tombamento do Seminário
Missionário Bom Jesus na cidade de
Aparecida.
O Secretário de Estado da Cultura, nos termos do artigo 1º. Do Decreto Lei no. 149, de
15 de agosto de 1969, e do Decreto Estadual no. 13.426, de 16 de março de 1979, cujos
artigos 134 a 149 permanecem em vigor por força do artigo 158 do Decreto no. 50.941
de 5 de julho de 2006, com nova redação dada ao Artigo 137, que foi alterada pelo
Decreto 48.137, de 7 de outubro de 2003, e considerando:
que a volumetria externa e área envoltória do Seminário do Bom Jesus são de
excepcional relevância pela sua monumentalidade arquitetônica representativa do
ecletismo, e também pelo destaque de sua espacialidade no contexto das construções
educacionais religiosas na trama urbana da cidade santuário de Aparecida.
que é uma construção eclética baseada nos princípios dos tratadistas como o arquiteto
da região italiana do Vêneto Andrea Palladio para o pórtico no corpo central, sua
monumentalidade evoca os edifícios de formação de religiosas de Roma aliado ao uso
quase abusivo dos arcos romanos nas janelas da fachada principal. O ecletismo se
mostra mais nas fachadas posteriores, quase formando um pátio à maneira jesuítica
italiana ou mesmo ibérica. O ritmo dos vazados ao longo dos corredores nos três pisos é
mais animado que a fachada muito austera. Por fim, pelo fato de o arquiteto ter
estudado na França, a cidade de Aparecida se orgulha de seu palácio afrancesado.
No piso inferior, a disposição dos tijolos evoca uma construção alicerçada, à maneira
renascentista, que imitariam pedras horizontalizadas. O piso intermediário tem vazados
com elegantes arcos em ritmos diferentes e acima, no terceiro, os retângulos mais
amplos que iluminam os corredores. A intimidade de tão espaçosos ambientes é dada
pela sombra da tarde em contraposição à intensa luz que banha toda a fachada principal
pela tarde. O último piso tem em toda sua volumetria a mesma solução dos frontões a
guarnecer as janelas de arcos plenos.
que o valor social deste seminário de Bom Jesus, além de exemplar raro em sua
volumetria, é símbolo daquela luta que viria a ser travada “contra o espírito da religião
colonial”. Sua grandiosidade - ou mesmo o desejo de ser maior do que se apresenta
atualmente - impediram seu acabamento e pintura externa. Estas grandes construções
da virada do século, do XIX para o XX, como o Museu do Ipiranga ou mesmo a
Pinacoteca
do
Estado,
ficaram
incompletas
ante
seus
projetos
grandiosos.
Os
estabelecimentos de ensino laico deveriam diferenciar-se daqueles religiosos e viceversa. Este seminário compete em beleza com as construções projetadas pelo Escritório
Ramos de Azevedo na capital
RESOLVE:
Artigo 1º - Fica tombado na categoria de bem cultural o Seminário Missionário Bom
Jesus situado à Rua Barão do Rio Branco, 412, no Município de Aparecida.
Parágrafo 1º - Ficam preservadas volumetria e fachadas, considerando seu gabarito e o
ritmo das envasaduras.
Parágrafo 2º - Preservam-se ainda no interior do edifício, os corredores voltados para a
orientação Sul, incluindo seus tetos em abóbadas de alvenaria.
Artigo 2º. Com vistas a preservar a unidade do bem tombado e sua integração com a
cidade, ficam estabelecidas as seguintes diretrizes:
Parágrafo 1º. Devem ser respeitadas as características externas e volumétricas do
prédio, elementos de composição de fachadas e materiais de vedação como alvenarias
de tijolos aparentes e caixilharia em madeira, os vãos e envasaduras, acabamento e
ornamentação, desde que justificadas por uma melhor adequação e atualização do
espaço ou de materiais, de forma a assegurar as funções que abrigam. Serão aceitáveis
alterações que visem à manutenção e segurança, mas que respeitem a essência das
características ora descritas.
Parágrafo 2º. De modo a preservar as relações do edifício com seu entorno, demolições
ou construções de novos edifícios dentro do perímetro tombado (áreas livres) devem ser
objeto de aprovação prévia pelo Conselho. Os projetos apresentados para aprovação
devem expressar com clareza as relações entre as novas construções e as destacadas
neste tombamento.
Parágrafo 3º. Em casos de intervenções, avaliar a possibilidade de restauração de
elementos e/ou volumes originais descaracterizados.
Artigo 3º - O presente tombamento fica isento de área envoltória, conforme faculta o
Decreto n. 48.137, de 07 de outubro de 2003.
Artigo 4º - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e
Turístico do Estado de São Paulo autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente,
o bem em referência, para os devidos e legais efeitos.
Artigo 5º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Minuta Imagem
MINUTA - Resolução SC ___, de ___/___/2010
Dispõe sobre o tombamento da Imagem de
Nossa Senhora Aparecida, seu manto e
sua coroa na cidade de Aparecida.
O Secretário de Estado da Cultura, nos termos do artigo 1º. Do Decreto Lei no. 149, de
15 de agosto de 1969, e do Decreto Estadual no. 13.426, de 16 de março de 1979, cujos
artigos 134 a 149 permanecem em vigor por força do artigo 158 do Decreto no. 50.941
de 5 de julho de 2006, com nova redação dada ao Artigo 137, que foi alterada pelo
Decreto 48.137, de 7 de outubro de 2003, e considerando:
que a imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no rio Paraíba em 1717, sua
coroa doada pela princesa Isabel e o manto – expostos na Basílica Nova, são a razão de
ser de toda essa cidade santuário (excetuando-se assim as basílicas velha – já tombada
- e a nova - ainda em construção - , e o porto de Itaguaçu, que foi totalmente
remodelado). Seus atributos – coroa e manto – tal como se apresenta desde 1904,
compõem o maior símbolo devocional popular do Brasil. Com esta configuração, mais do
que a de Nossa Senhora da Conceição, protetora do reino de Portugal, a de Nossa
Senhora Aparecida com seus atributos, aclamada rainha do Brasil, é a imagem mais
reproduzida em todos os tempos pela imaginária popular brasileira.
que os pedidos de tombamento dos monumentos diretamente ligados ao culto da
imagem da Aparecida, sem dúvida são devidos primeiramente como alerta aos
constantes fatos que envolvem diretamente o imaginário de uma cidade santuário – com
a preservação dos monumentos que rememoram os fatos milagrosos: porto, cruzeiro, a
cidade com as igrejas e o seminário de formação sacerdotal - e a preservação da
imagem da Aparecida. Sem ela nada existiria; com seu eventual desaparecimento, seja
qual fosse o motivo, a cidade santuário perderia sua função. A imagem de Nossa
Senhora Aparecida ao ser trasladada da antiga para a nova construção, não foi inclusa
como bem móvel da Basílica Velha, o que pode ocorrer agora mesmo estando na Basílica
Nova. Deve-se ler que não é o local que vai determinar sua inclusão, ou não, como bem
arrolado, mas sim o fato devocional que emana da imagem objeto/artístico/religioso
que a imagem em argila seiscentista é atribuída ao primeiro escultor brasileiro, frei
Agostinho de Jesus, e tem sofrido interferências drásticas sendo das maiores o fato de
sua permanência nas águas lamacentas do rio Paraíba. Ao ser encontrada estava sem a
cabeça, que de imediato foi adaptada ao corpo com cera de abelha mandassaia.
Guardada na casa dos pescadores que a encontraram em 1717, os fiéis a retiravam de
um baú para cantar e rezar o terço aos sábados. Na antiga capela (1745), construída
pelo padre José Alves Vilela, passou a ser venerada e lá ainda sofreu a ação da fuligem
das velas e candeeiros. Foi colocada no altar da Basílica Velha, lá permaneceu sem ser
molestada durante noventa anos. Viajou por um ano pelo Brasil (1965), antes de seu
maior desastre (1978) quando foi retirada do nicho por um jovem que a deixou cair no
chão, o que a fez desfazer-se em aproximadamente cento e sessenta pedaços. Foi então
restaurada no MASP por Maria Helena Chartuni, que até a data cuida da imagem da
Aparecida, exposta em um nicho na Basílica Nova desde então.
que o valor artístico da imagem analisada pelos historiadores de arte sacra como o Dr.
Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do Mosteiro de São Salvador, na
Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom Paulo Lachenmayer, e o pesquisador e
colecionador João Marino, ex-diretor do Museu de Arte Sacra de São Paulo, é de grande
reelvãncia e afirmam eles ainda ser a argila proveniente da região de Santana do
Parnaíba, com características das imagens paulistas, atribuindo-a ao primeiro escultor
brasileiro, o carioca beneditino frei Agostinho de Jesus.
que a imagem da Virgem de Aparecida constitui-se referencial para toda uma produção
de arte popular no século XIX denominada paulistinhas segundo Eduardo Etzel, e no
século XX, em 1904 quando foi coroada com a coroa ofertada pela Princesa Isabel, foilhe confeccionado manto com tecido de veludo, bordado com franjas de fios de ouro. A
partir dessa configuração triangular com o manto e coroa, passou a influenciar uma
imaginária de gosto popular que sem dúvida é a mais difundida no país.
RESOLVE:
Artigo 1º - Fica tombado na categoria de bem cultural a imagem em argila de Nossa
Senhora Aparecida encontrada às margens do rio Paraíba em 1717, incluindo seus
atributos, a coroa ofertada pela Princesa Isabel e seu manto da festa da coroação da
Imagem em 1904, no Município de Aparecida.
Artigo 2º. Com vistas a preservar a unidade do bem tombado, bem como sua instalação
em local adequado à sua manutenção e visibilidade, ficam estabelecidas as seguintes
diretrizes:
Parágrafo 1º. Eventuais intervenções, traslados e reparos na imagem e seus atributos
supracitados estarão sujeitas à aprovação desse mesmo órgão.
Parágrafo 2º. Sua exposição deverá levar em conta as condições ideais para sua
manutenção e fruição, seja no tocante às dimensões espaciais do local de sua exposição,
isto é, pé-direito e área em seu entorno proporcionais a seu volume e escala, assim
como ambiente climatizado, de visibilidade e segurança adequadas à visitação pública.
Artigo 3º - O presente tombamento fica isento de área envoltória, conforme faculta o
Decreto n. 48.137, de 07 de outubro de 2003.
Artigo 4º - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e
Turístico do Estado de São Paulo autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente,
o bem em referência, para os devidos e legais efeitos.
Artigo 5º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
UPPH – Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
20. Número do Processo:
27095/1989
Solicitação:
ESTUDO DE TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ DE SÃO BENTO.
Interessado:
MARIA VIRGÍNIA SALGADO LOUREIRO
Município:
SÃO BENTO DO SAPUCAÍ
Parecer do Relator:
FRANCISCO ALAMBERT
PROCESSO CONDEPHAAT
27095
1989
Página 127
Parecer Técnico UPPH nº GEI-411-2010
•
Interessado: MARIA VIRGÍNIA SALGADO LOUREIRO
•
Data do Protocolo: 17/ 07/ 1986
•
Assunto atual: Tombamento
I – HISTÓRICO DO PROCESSO
Repertório de despachos
Trata – se do processo 27095/89 que solicita o tombamento da Igreja Matriz de São Bento do
Sapucai, localizada na cidade de São Bento do Sapucai, cuja interessada é a Sra. Maria Vigínia
Salgado Loureiro do Departamento de Patrimônio Histórico – PMSP.
• À folha 03 consta informação da interessada referente ao pedido de tombamento.
• À folha 06, o Sr. Chefe da seção de Projetos, Bernardo José Castello Branco, posiciona-se
pela abertura de Processo de Tombamento “(...) com a finalidade inicial de estudos,
levantamento arquitetônico e documentação fotográfica”. Onde relata também a técnica
construtiva, taipa, e breve descrição da configuração da edificação.
• À folha 08 consta solicitação do CONDEPHAAT, à interessada, para o envio de material
fotográfico do bem a ser tombado.
• Às folhas 10,11,12,13,14,15,16,17 e 18 acompanham fotos encaminhadas pela
interessada, datadas de agosto de 1988.
• À folha 20 há um parecer dos técnicos Tereza Pielez e Mauro.
• Em decisão do Egrégio Colegiado, ata 842 de 17/07/1989, “(...)o Colegiado deliberou
aprovar por unanimidade o encaminhamento do Conselheiro João Sebastião Witer, favorável
a abertura do estudo de tombamento da Igreja Matriz De São Bento do Sapucai(...)” fl. 21.
• Em decisão de 24/07/1989, ata 842, deliberou aprovar por unanimidade à abertura do
processo de estudo de tombamento da Igreja Matriz de São Bento do Sapucai conforme
informação nas folhas 22, 23, 24, 25.
• À folha 27, o Sr. Deputado Estadual Campos Machado, encaminha carta dirigida ao
Presidente do CONDEPHAAT, no intuito de “ (...) solicitar a Vossa Senhoria as dignas
providências, no sentido de que sejam fornecidas informações sobre o Tombamento da Igreja
Matriz de São Bento do Sapucai (...)”
• À Folha 28, a Paróquia de São Bento do Sapucai, encaminha carta assinada pelo então
pároco D. José Judas Tadeu Rebelato, no intuito de comunicar que receberam o oficio
tratando do processo de tombamento e ainda, “(...) queríamos informar que tanto esta
paróquia como a comunidade de nossa cidade, há algum tempo, vem angariando fundos para
início das obras. Portanto, vimos pedir ao CONDEPHAAT a devida autorização para iniciar a
obra e solicitar um técnico para que, junto com o engenheiro, possa dar a assessoria
necessária à restauração e à obra (...)”!
• À Folha 29, o Partido Trabalhista Brasileiro, encaminha carta assinada pelo Eng. Boanesio
Cardoso Ribeiro, no intuito de, “(...) pedir informações e agilizar o pedido feito aquela
entidade (...)”
• Às Folhas 32 e 34, a Câmara Municipal de São Bento do Sapucai, encaminha carta
assinada pelo Vereador Ildefonso Mendes Neto, pedindo orientação técnica, “(...) para que
possamos proceder a restauração da secular Igreja Matriz de nossa cidade que hoje corre o
risco de desabamento e sendo uma construção antiga, em taipa, requer orientação de
pessoal especializado (...)”
• À folha 36, o Ofício 326/87, solicita ao SCTR a indicação de um técnico para o
acompanhamento da obra de restauro.
• Às folhas 39, 40 e 41 tratam de um pedido do pároco da igreja ao CONDEPHAAT
solicitando autorização para iniciar a obra e a indicação de um técnico para que junto com o
engenheiro possa dar assessoria à restauração da obra.
• À folha 42 constam informações sobre as vistorias realizadas na Igreja Matriz onde se
constata a necessidade de intervenções e restaurações em caráter de urgência. Contudo o
“(...) CONDEPHAAT, através do STCR não poderá autorizar nenhuma obra sem a realização
prévia de resenha histórica, levantamento arquitetônico, documentação de seu acervo de
bens móveis e projeção de restauração.”
• À Folha 43, a Prefeitura Municipal de São Bento do Sapucai, encaminha carta assinada
pelo então prefeito Bel. Bento Nunes Duarte, no intuito de pedir ao CONDEPHAAT “(...) para
que forneça a posição atual do processo de tombamento da igreja Matriz e, também solicitar
o envio de um técnico para que proceda urgente vistoria do imóvel referido (...)”
• Às folhas 44 e 45 constam informações sobre a reunião com o Senhor Prefeito de São
Bento do Sapucai – DR. Bento Nunes Duarte na qual foi decidido que: “(...) A prefeitura
providenciará, em caráter de urgência, as obras de escoramento da parede lateral direita dos
fundos da Igreja, contando com o acompanhamento do CONDEPHAAT, a elaboração do
projeto de restauração será efetuado por engenheiro ou arquiteto da Prefeitura local, com
assessoria dos técnicos do CONDEPHAAT, quanto a execução dos serviços, a Prefeitura entra
com a mão de obra, o CONDEPHAAT com o acompanhamento técnico, a comunidade,
liderada pelo Padre José Tadeu, estará financiando o projeto.”
• À folha 46, localiza-se foto da vista parcial da Estância de São Bento do Sapucaí datada de
1980.
• À folha 47, localiza-se foto da Igreja Matriz da década de 40.
• Às folhas 48 à 61 constam informações sobre os dados históricos da cidade.
• Às folhas 62 à 65, localizam-se fotos da antiga da Igreja Matriz e fotos de personalidades
importantes para a igreja.
• Às folhas 66 à 108, localizam-se dados e documentos históricos sobre a igreja matriz.
• À folha 109 consta planta de São Bento do Sapucai.
• À folha 110 consta foto com vista do antigo pátio da igreja.
• À folha 111 consta um breve histórico de curiosidades sobre a cidade.
• À folha 113 e 114 trata de carta ao Sr Governador, em março de 1996, solicitando
recursos para reforma da praça da Matriz.
• Às folhas 115,116,117,118 e 119 consta resposta da carta endereçada ao Sr Governador,
mencionada no item acima em que “(...) não havendo menção, nos ofícios que dão ciência d
abertura do processo de estudo de tombamento encaminhados às autoridades daquele
município, da inclusão da Praça propriamente dita no processo (...)”.
• Às folhas 120 e 121, o gabinete do Prefeito de São Bento do Sapucai encaminha carta à
Assessoria da Presidência do Condephaat solicitando informações sobre quais bens estão em
processo de tombamento e a resposta do Condephaat ao presente e-mail.
• Anexas quatro plantas da Igreja, sendo a de número 01, planta, a de número 02 cortem
transversal, a de número 03 corte longitudinal e a de número 04 de elevação principal.
II – A RETOMADA DOS ESTUDOS
No bojo de uma importante reorganização dos trabalhos desta UPPH – Unidade de Preservação do
Patrimônio Histórico – foram localizados uma série de processos cuja instrução havia sido
interrompida há muito tempo. No presente caso, a interrupção data de 21 anos conforme relatado no
repertório de despachos.
Os expedientes relativos ao Patrimônio Sacro paulista foram objeto de apreciação por profissional
especializado, o professor Doutor Percival Tirapeli, especialista em Patrimônio Sacro, e cuja trajetória
profissional, abaixo resumida, dispensa novas apresentações.
Percival Tirapeli foi vice – presidente da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte) (2006-2009)
e atualmente é professor titular em História da Arte Brasileira do Instituto de Artes da Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Mestre e doutor pela Escola de Comunicações e
Artes da USP, em 2008, realizou pesquisa de pós doutorado pela Universidade Nova de Lisboa em
Portugal. Em 2003, recebeu o Prêmio Sérgio Milliet de melhor pesquisa em arte, outorgado pela
ABCA, pelo livro Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó, Imprensa Oficial / Editora UNESP.
É autor de 16 livros sobre arte brasileira e patrimônio cultural, destacando-se:
•
•
•
•
•
2001.
São Paulo: Artes e Etnias pela Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2007;
Igrejas Barrocas do Brasil (2008);
Patrimônio da Humanidade no Brasil (4 edições desde 2001) e
Festas de Fé, pela Editora Metalivros.
Pelas mesmas editoras, organizou Arte Sacra Colonial – Barroco Memória Viva, em
Como curador, dentre outras, fez a exposição Gênese da Fé no Novo Mundo, realizada no Palácio dos
Bandeirantes (2007), em São Paulo, quando da vinda do Papa Bento XVI ao Brasil, cujo catálogo
port/ingl publicado pela Imprensa Oficial. Tem atuado em crítica de arte, história da arte brasileira,
patrimônio artístico e cultural e, como artista plástico, participou de duas Bienais Internacionais de
Arte de São Paulo, tendo recebido prêmio de gravura na bienal de La Paz, Bolívia, e de exposições
coletivas e individuais, no Brasil e no exterior, com pinturas, e também aquarelas e gravuras.
Isto posto, a trajetória profissional de Percival Tirapeli o qualifica amplamente para, como especialista
com experiência em patrimônio, particularmente em patrimônio de caráter religioso, manifestar-se
sobre a proposta de preservação para os bens aqui em análise.
III – São Bento do Sapucaixxii
a. Apontamentos sobre a Região Administrativa de São José dos Camposxxiii
A Região Administrativa de São José dos Campos localiza-se no leste do Estado de São Paulo, e é
formada por 39 municípios, distribuída em cinco regiões de governo: São José dos Campos, Taubaté,
Caraguatatuba, Guaratinguetá e Cruzeiro.
Territorialmente, a região compõe-se de áreas de serra, o Vale do Rio Paraíba do Sul e uma vasta
região litorânea. Longitudinalmente é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, e liga-se ao litoral pela
Rodovia dos Tamoios. Conta com o Porto de São Sebastião, de canal bastante profundo, mas cuja
expansão encontra-se limitada pelas dificuldades ambientais e de acesso terrestre ao planalto. A RA
dispõe, ainda, de aeroporto em São José dos Campos e em Ubatuba.
A história da região está associada ao cultivo do café, a partir do século XIX. Tal cultura proporcionou
o desenvolvimento econômico, o crescimento de vilas e cidades e uma incipiente industrialização.
Com a decadência da cafeicultura, sucedeu-a a pecuária de leite, disponibilizando mão-de-obra e
criando condições para a diferenciação das atividades urbanas e para a industrialização.
Na década de 1950, a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, a construção da Usina Siderúrgica
de Volta Redonda e os demais investimentos federais em núcleos de desenvolvimento tecnológico
(Centro Técnico Aeroespacial – CTA e Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA) e estratégico
(Embraer, Avibrás e Engesa) foram responsáveis pelo surgimento de arranjos produtivos nos setores
aeroespacial e bélico e pelo expressivo crescimento industrial desta RA.
Nesta nova fase, da industrialização, que se fez notar principalmente nos municípios de São José dos
Campos, Jacareí, Guaratinguetá, Cruzeiro, Taubaté e Caçapava, surgiu uma indústria moderna e de
grande escala, voltada para os mercados nacional e internacional e com predomínio dos segmentos
de material de transporte, mecânico, metalúrgico e petroquímico.
Pode-se dizer que a Região Administrativa de São José dos Campos tem significativa importância na
economia do estado de São Paulo, seja pelo pioneirismo do cultivo do café, seja pelas atuais
características industriais.
b. São Bento de Sapucai – breve histórico
O Município da Estância Climática de São Bento do Sapucaixxiv situa-se ao leste do Estado de São
Paulo, nos contrafortes da Serra da Mantiqueira, Região Vale do Paraíba, mais especificamente no
Alto Sapucai.
A história de São Bento do Sapucai remontaxxv ao tempo do bandeirantismo, quando os paulistas de
Taubaté galgavam a Serra da Mantiqueira e, pelo caminho velho do sertão, seguindo o curso do Rio
Sapucai, alcançavam as regiões auríferas das Minas Gerais.
Gaspar Vaz da Cunha, o Oyaguara, foi um dos primeiros a se fixar no Vale do Sapucai e após ele
muitos subiram a Serra e aqui se estabeleceram em vastas fazendas, onde desenvolveram a criação e
o comércio de gado na região, apesar das acirradas disputas pelo domínio da terra conquistada pelos
paulistas com os moradores da capitania de Minas Gerais.
Dentre esses fazendeiros destacou-se José Pereira Alves, o fundador da cidade. Era natural do Rio de
Janeiro e morador de Pindamonhangaba. Adquiriu terras da região do Sapucai-Mirim e se instalou
com os familiares e escravos.
Contando já o povoado com cerca de 270 pessoas divididos em grupos, fazia-se sentir a necessidade
de um padre que lhes ministrasse os sacramentos e de uma igreja para se reunirem na celebração a
religião. José Pereira Alves, interpretando o sentimento dos sertanias, doou terras para construir uma
capela e trouxe de Pindamonhangaba o Padre Júlio Velho Columbreiro, que benzeu o local onde se
acha hoje a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, colocando ali a cruz da Redenção e uma bandeira
com os dizeres: “Nossa Senhora Mãe dos Homens comovei os maus corações”. Mas o vigário de
Pouso Alegre, Padre José Bento de Melo, frustou-lhe os intentos, arrancando a cruz e a bandeira e
levando preso o padre Columbreiro. Pereira Alves não se deu por vencido e mandou que se iniciasse
a construção da capela, mas teve que sustar o trabalho para manter a paz e o sossego com os
conflitantes mineiros.
Serenados os ânimos, ele e sua esposa, Dona Ignez Leite de Toledo, doaram uma grande extensão
de terras para ser erguida uma capela em louvor a São Bento, cuja imagem achava-se na capela da
Guarda Velha, um pouco distante do povoado.
No dia 03 de fevereiro de 1832, o padre Manuel Alves Coelho, de Pindamonhangaba, aqui chegou e
tomou posse de seu rebanho, fazendo o primeiro batizado numa casa particular, enquanto se
construía a igrejinha para a qual foi transladada definitivamente a imagem de São Bento, vinda da
Guarda Velha. A atual matriz só foi construída por volta de 1853.
Começavam a aglomerar-se as casas nas “ruas de cima”, para evitar as cheias do Sapucaixxvi. Em
1858, quando São Bento passou à categoria de Vila, as condições já eram bem melhores, pois
refletiam os progressos da economia brasileira, especialmente a do vale do Paraíba, então no apogeu
do ciclo do café. Em 1876, quando a vila foi elevada a cidade, a população era de 4.272 habitantes,
dos quais 564 eram escravos; grande parte da população rural passou a viver na cidade, construindo
assim uma sociedade urbana.
O povoado cresceu célebre sendo elevado a freguesia em 1832, a vila em 1858, e a cidade em 1876,
substituindo-se seu nome então de São Bento do Sapucai Mirim para São Bento do Sapucai somente,
ficando a data de Fundação da cidade como 16 de agosto. Foi criada a Estância Climática de São
Bento do Sapucai em 1967. No aspecto judiciário pertenceu, de 1832 a 1833, à Comarca da Capital
de São Paulo; de 1833 a 1858, à de Taubaté; depois sucessivamente a Guaratinguetá; Taubaté;
Pindamonhangaba. Finalmente, em 1890 foi instalada a nova comarca paulista de São Bento do
Sapucai.
O patrimônio de São Bento, já se encontrava parcialmente desmembrado, sobretudo nas regiões mais
altas, livre de inundações. Constroem-se casas, residências senhoriais que abrigavam familiares dos
fazendeiros. O pátio da Igreja Matriz toma forma com o templo levantado e coberto.
Os donos de terras e grandes comerciantes constituíam a elite da época “os homens de bem”, entre
os quais eram escolhidos os vereadores da Câmara Municipal, responsável pelo destino político da
pequena comunidade nascente.
O atual cemitério de São Bento do Sapucai foi inaugurado em 1879. Conta-se que o primeiro
cemitério existente ficava nos arredores na capela de N.Sra. do Rosário, hoje Praça Gal. Marcondes
Salgado.
Em 1885 a Igreja Matriz sofre a primeira reforma, e em 1906 a torre central foi erguida, pelo Padre
Francisco Reale. Em 1916, foram construídas as torres laterais, e os altares e decoração. A Igreja
Matriz é a única construção em “taipa de pilão” existente no Município.
Em 1887, verificou-se um crescimento significativo do Município, comprovado no Relatório da
Comissão Central de Estatística, apresentado à Província de São Paulo, relativa aquele ano: a
população era de 13.099 habitantes, na paróquia de São Bento do Sapucai.
Apesar da enorme distância que separa São Bento dos municípios vizinhos e mais adiantados, e da
inexistência de caminhos, os sambentistas viajavam muito, a negócios, passeio ou por necessidade, o
que os mantinha em contato com as demais regiões. O contato com a região fazia-se através do Vale
do Paraíba. Os homens viajavam a cavalo, mulheres e crianças de carro de boi; por um roteiro que
evitava deliberadamente o território mineiro.
Durante muito tempo teve-se como data de fundação o dia 3 de fevereiro de 1828, sendo seu
centenário comemorado solenemente no ano de 1928. Posteriormente, adotou-se a data de 16 de
agosto, data da elevação a categoria de Freguesia, no ano de 1832. Tempos depois a Freguesia
passou a Vila, em 16 de abril de 1858, e quase uma década posterior, mais precisamente em 30 de
março de 1876, tornou-se Cidade pela Lei nº 48, transformando-se em Estância Climática pela Lei
Estadual de 26 de janeiro de 1976. O nome da cidade e do município está ligado ao Rio Sapucai,
que, na linguagem indígena, significa “rio que grita”. Logo foi escolhido o santo padroeiro do
município, São Bento, fundador da ordem dos Beneditinos, em franca expansão no Brasil na época
da fundação da cidade.
Há também a versão tradicional e popular que diz ter sido São Bento, o santo escolhido como
padroeiro do lugar em virtude da proliferação de cobras venenosas na região, por sugestão dos
escravos e colonos. A festa do padroeiro é celebrada no dia 11 de julho a e cada ano ganha maior
brilhantismo. A Emancipação Política / Aniversário de São Bento do Sapucai é comemorada todo 16
de agosto.
c. Sobre a atualidade
A população sambentista é tradicionalmente católica e herdou dos antepassados a celebração de
muitas festas religiosas, destacando-se as festas de N.Sra. dos Remédios e São Benedito como as
mais antigas ainda celebradas na cidade, introduzidas no século passado. Ao lado delas destacam-se
a festa de Santo Antônio, Santo Expedito e Semana Santa.
Apesar de toda religiosidade, o povo é um tanto quanto místico, mantendo suas crenças, costumes e
lendas que formam o folclore da região. Essas manifestações folclóricas se traduzem em danças,
cantigas e artesanato, destacando-se a Catira, a Dança de São Gonçalo, os cantos de mutirão e a
Encomendação das Almas. Das lendas são as mais comuns: as do Saci, Mula sem cabeça,
Assombração, Corpo
Seco e as da Pedra do Baú.
Parte importante do folclore da cidade é o Carnaval. Documentos antigos nos dizem que era
denominado “Sarau à fantasia”, logo no início do povoado. Por volta de 1890, já existiam os grupos
carnavalescos, sujeitos à rigorosa legislação da Câmara Municipal da Intendência, que os obrigavam a
portarem cartão de identificação e lhes proibia qualquer abuso, usando a justificativa de se acharem
mascarados.
Sabe-se ainda que eram usados carros de bois para o carnaval de rua em épocas passadas. Os
mesmos eram decorados em forma de castelos, pirâmides e navios, sendo que este último levava a
banda de música, com seus componentes vestidos de marinheiros.
Há mais de um século, surgiram as figuras do Zé Pereira e da Maria Pereira, bonecos gigantes
inspirados no folclore nordestino. Sua introdução no carnaval sambentista se deve à família Cortêz,
João e Antônio Cortêz principalmente. Até hoje esses bonecos fazem a alegria das crianças e
visitantes, no período carnavalesco, sambando e desfilando pelas ruas da cidade. Já está se
tornando tradicional o carnaval de rua, com desfile de blocos e conjuntos de músicas carnavalescas
que fazem o baile de carnaval na praça.
A comunicação com o Sul de Minas, Vale do Paraíba e Capital, é feita por meio de estradas de
rodagem asfaltadas, onde trafegam linhas regulares de ônibus- Expresso da Mantiqueira e Viação
Gardência. Hoje a cidade tem acesso direto a Campos do Jordão pela Estrada Vicinal do Toldi.
A Assistência Social, comandada pela Prefeitura Municipal, engloba as crianças e idosos e os menos
favorecidos, com a ajuda da população e outras associações religiosas, como os Vicentinos, que atua
principalmente nos bairros.
Orgulho de seus filhos ilustres entre eles: Plínio Salgado, Miguel Reale, Abade Pedrosa,
Desembargador Affonso José de Carvalho, Eugênia Sereno, e tantos outros que sempre souberam
elevar o nome de sua terra natal, terra esta que por suas belezas naturais fala de perto aos que a
visitam, transmitindo-lhes uma mensagem de paz e tranqüilidade.
E foi neste ambiente que Lamartine Babo se inspirou para compor a canção “No Rancho Fundo”,
quando aqui se achava para tratamento de saúde, usufruindo das propriedades curativas do nosso
clima.
Suas igrejas e casas antigas são ao mesmo tempo simples, aconchegantes e bonitas. A
principal igreja do município é datada de 1906.
IV – O BEM EM ANÁLISE
a. A Igreja Matriz
Pelos anos de 1821 a 1822 mais ou menosxxvii o Padre Luiz Justino Velho Columbreiro, vigário
de Pindamonhangaba, veio a estas paragens em companhia do tenente José Pereira Alves, natural de
Província do Rio de Janeiro, a Antônio Monteiro de Gouveia, natural de Cunha, e a pedidos destes
benzeu o lugar onde se acha a igreja de N. Sª do Rosário, doado a mesma Senhora pelo sobredito
tenente, sr. José Pereira Alves, para aí se levantar uma igreja, apesar da oposição do padre Bento
Leite de Mello, vigário de Pouso Alegre, depois Senador do Império. A pedido deste, o Cadete João
Theodoro ( que fazia a guarda do Registro de Sapucai-mirim, também conhecida como Guarda Velha)
tentou prender o padre Columbreiro. Os opositores arrancaram a cruz e a bandeira de N. Sª Mãe dos
homens e hastearam no lugar da benção a bandeira do vigário José Bento, a qual trazia o dístico:
“Nossa Senhora mãe dos homens comovei os maus corações.”
Passado alguns anos, os moradores, em abaixo assinado, pediram licença para levantar uma
capela a São Bento, fazendo o Tenente José Pereira Alves e sua mulher, dona Ignez, a doação das
terras, cuja escritura se acha no tabelionato de Pindamonhanga, a qual obtida, levantaram a capela
no lugar da atual Igreja Matriz. Transladaram para aí a imagem de São Bento da antiga Guarda
Velha, próximo a Santana do Sapucai-mirim.
Antes de ser elevada à freguesia, foi seu primeiro capelão o Padre Bento de tal, pago pelos
moradores.O patrimônio da Matriz limitava-se pelo Rio Sapucai- Mirim onde faz barra com o ribeirão
do Paiol Grande, pelo mesmo ribeirão até defronte o espigão em cujo cume se acha o Cruzeiro; pelo
espigão acima até o alto; descendo o mesmo até o córrego que atravessa a rua do Alegre; por este,
até atingir o rio Sapucai-mirim e por este rio até atingir o ponto de partida, estando incluido o
patrimônio de N. Sª. Do Rosário.
A Nova Igreja Matriz - Em dias do mês de Agosto do 1840, São Bento recebeu a visita dos
frades capuchinhos: Frei Francisco, Frei Arcanjo e Frei Eugênio Maria de Gênova, que enfrentando
com a calma audácia apostólica dos missionários intrépidos, a aspereza abrubta das estradas más,
vieram pregar a palavra do Senhor neste risonho vale verdejante e ameno do poético Sapucí-mirim.
A Freguesia, por este tempo, não contava mais do que um alegre punhado de casas brancas
e simples que, descendo o lugar outrora chamado Palmeira, orlava a encosta do monte da Glória,
procurando confluência com o Ribeirão, alvejando num mar esmeraldino de selva e desenrolando
pelo ares plúmbeos pendões espiralados das negras chaminés, era o entusiasmo da vida que
desabrochava no meio dos azulejados contrafortes bizarros.
Erguia-se a primitiva capela branca, também obra modesta dos afastados tempos coloniais,
em cujo telahdo negro, pelas claras manhãs calmosas do estio chilreavam as adorinhas bandoleiras
na mais doce alacridade expansiva, enquanto o sino, num doce bimbalhar sonoro e místico,
expandindo uma clara alegria matinal, acordava os crentes e piedosos paroquianos do Padre Pedro
Nolasco César, anunacinado a missa.
Já gosando talvez a faculdade mágica de atrair e prender os pergrinos, São Bento, na
primeira fase dulçorosa da sua formação, agradou, seduziu e encantou os missionários capuchinhos e
Frei Eugênio Maria de Gênova se lembrou de edificar um grande templo magestoso, para perpetuar
sua humilde passagem por aqui, e falou ao povo, revelando sua intenção. Ao povo também começava
a preocupar a pequenez da sua matriz e a idéia do frade foi entusiasticamente acatada.
Manoel Esteves de Jesus Júnior, homem abastado que com o padre e o dr. João Rennó de
França formava o núcleo intelectual da Freguesia, elaborou os estatutos que deveriam nortear a
comissão encarregada de levantamento do templo.
Esses estatutos eram longos e se compunham de 17 artigos, principiando pelo teor seguinte:
“Os abaixo-assinados, cônscios da necessidade de se
edificar um novo templo em honra e glória do Glorioso Santo São
Bento, a conselho do Revdmo. Frei Eugênio Maria de Gênova,
missionário apostólico Capuchinho, depois de serem apresentadas ao
povo pelo mesmo reverendo e apregoados pelo Vigário Padre Pedro
Nolasco César na igreja Matriz, no lugar denominado Palmeira, da
maneira seguinte: “ Aqui se seguem os 17 artigos em que se
determina o número de indivíduos de que se compos a comissão”.
Deveriam edificar a igreja a todo custo, ainda que, durante a edificação morresse ou se
retirasse metade ou mais da metade da comissão ( Nossos antepassados erma inabaláveis como a
Pedra do Baú). Os estatutos jamais poderiam ser revogado se as modificações viessem prejudicar a
arquitetura da obra. Subscreveram os Estatutos: Padre Pedro Nolasco César, Frei Eugênio Maria de
Gênova, Benedito Salgado César, Manoel Esteves de Jesus Junior, Custódio Hoeme Azeredo, Antônio
Modesto Dias, Domingos dos Santos César e Francisco da Silva.
Desde aquele memorável dia, afluiram donativos de todos os recantos dos mais remotos
bairros.O primeiro dia de trabalho foi festivo e extraordinário. Os nossos antepassados, vestidos a
rigor, com seus chapéus de pelo, enfiados nas suas primitivas casacas respeitáveis, agarraram os
macetes e bateram taipas.
Somente em 16 de maio de 1853 a construção foi começada. A igreja foi construída de
taipas, trabalho esse feito por mãos de escravos. As paredes laterais do corpo da igreja de abrem em
galerias de cinco arcos cada um e com uma elevação que além de dispensar tribunas e dar elegância
a essa parte dp edifício, tornava mais arejado, espaçoso e cômodo o dagrado recinto do templo. Era
toda assoalhada de madeira de boa qualidade, bem como o forro, também em madeira de lei, de
foram semi-circular, o qual foi feito no paroquiato do Cônego Bento Antônio de Souza Almeida, por
volta de 1871, mediante suvenção do Governo Provincial e produto de loteria. O forro foi pintado de
branco e a óleo.
A capela-mór forrada de madeira e cujo teto era côncavo, abrigava o altar-mór, com alguns
relevos sem nenhum douramento, apenas pintado de branco e a óleo. O retábulo consistia apenas
em um biombo ou parede semi-circular. Era liso, de tábuas, também pintado de branco, não a óleo,
mas com gesso dissolvido em cola, que com o tempo se despregou da madeira, ficando o mesmo
deformizado. Foi então revestido de papel pintado e próprio para forro, em falta de melhor
oranementação. (dados de 1879).
O Sacrário era colocado em separado, por detrás como de costume, um pouco acima da
banqueta do altar-mór. Também não tinha relevos nem frisos decorados e era forrado de damasco
branco.
A Pia Batismal era colocada em capela própria, no pavimento térreo, ao lado direito do coro,
era de madeira oleada de branco, contendo uma bacia de cobre estanhada onde se depositava a
água batismal. A concha era de prata de lei, bem como os vasos dos santos óleos.
Além do altar-mór, haviam mais três altares, a saber: o de Nosso Senhor dos Passos, ao lado
direito do templo, o da Senhora das Dores, à esquerda e o do Santíssimo Sacramento no fundo do
corredor, do lado esquerdo d capela-mór.
A sacristia ficava do lado direito da capela-mór e era separada do resto do corredor por uma
parede, com porta que abria comunicação entre essas duas paredes do templo. Era forrada de papel
pintado,assoalhada e com o teto forrado de madeira oleada de branco, do mesmo que a capela-mór
e que conservava com luz dia e noite, em frente do tabernáculo, pendiam do teto do corpo da igreja
três lustres de cristal: um maior que ficava no centro e outros dois menores. O maior foi doado por
Cândido Ribeiro da Luz, de São Bento do Sapucai e pos pitrps dois, um pelo Sr. Bento da Rosa Goes e
outro pelo Capitão Antonio José Renno de França da Freguesia de Itajubá.
As paredes laterais da Igreja Matriz foram construídas por fora da antiga capela, de modo
que esta só foi demolida depois de coberta a nova (dados de 1879). Primeira reforma ordenada por
Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo da diocese de São Paulo, sendo pároco o padre
Joaquim Antônio de Siqueira. Dom Lino foi o segundo bispo a visitar São Bento do Sapucai e aqui
esteve no ano de 1879, para tratar da saúde neste clima privilegiado.
Tendo aqui se demorado, verificou todo o estado da Igreja e seus pertences, bem como de
toda a Freguesia. Os únicos documentos sobre a origem e formação da cidade foram escritos por ele,
baseados em alguns documentos existentes e no depoimento de pessoas idôneas, pois o primeiro
livro do Tombo, onde deveria constar a origem da cidade, bem como da paróquia e de sua instalação
na freguesia não foi encontrado em parte alguma, deduzindo-se daí que o mesmo tenha sido retirado
da igreja e não tenha sido devolvido. Autorizou ao Padre Siqueira a abertura de um outro livro do
Tombo que passou a ser considerado o Primeiro, neste livro, Dom Lino deixou escrita a história do
início da cidade, da paróquia e também as instruções para o pároco, no sentido de consertar a Igreja
matriz e fazer algumas modificações, planos estes em que já vinha se empenhando p pe. Siqueira.
Entretanto, só conseguiu das início às obras em 1885.
No dia 21 de outrubro de 1887, Dom Lino nomeou uma comissão para tratar das obras. A
comissão foi composta pelas seguintes pessoas: Tenente Francisco das Chagas Esteves Salgado;
Capitão-mór José Maria Gomes; Capitão-mór Claro Homem de Azeredo e Capitão-mór José Antônio
de Freitas Guimarães. A presidência da comissão coube o Vigário, Padre Siqueira.
As principais obras realizadas foram: concerto do reboco do telhado; uma rampa de pedra e
cal na base da parede externa do lado esquerdo; seguido de reboco e branqueamento, o que mais
tarde se extendeu às outras paredes laterais; embelezamento da frente da igreja com abertura de
janela no coro, mais duas portas laterais de igual altura e menores que a principal; abertura de mais
uma porta lateral na parede externa dos corredores, para facilitar a entrada e saída de proporcionar
ao povo uma “válvula de salvação” em caso de desastres de até de um pânico de conseguências
fatais.
Para essa reforma a Assembléia Legislativa liberou verbas, o total das obras ficou em mais de
dois mil contos de réis. Por volta de 1890, sendo vigário o padre Felipe Gavetosa, foi dado início à
construção da torre central. Forma também colocadas as vidraças. Procedeu-se a construção do altarmór, que estava em banquetas, transformando-o em capela, cuja imagem principal era do Padroeiro
São Bento.
Em relação à imagem de São Bento, haviam duas: a menor, trazida da Capela da Guarda
Velha, foi colocada na Sacristia, em nicho próprio e uma maior que ficou no altar-mór, adquirida pelo
pdre Bartholomeu Tadei, em 1889. O sacrário deveria ser colocado no fundo, atrás do altar-mór e foi
feito um nicho para exposição do SS Sacramento.
Durante a construção da torre central, a pia batismal foi colocada em outro ângulo, em baixo
do coro, foi aberta uma porta na capela do Batistério, onde deve ficar a pia, separada por grade de
madeira. Foi também adquirida uma pia de mármore com divisão para o depósito de água benta para
o batismo e para o escoamento da referida água usada em cada batizado. O trabalho foi concluído
em 23 de Fevereiro de 1897.
Sendo vigário o padre Francisco Reale, em 1909, foi construído o altar de mármore na capela
do S.S. Sacramento e a igreja matriz foi dividida com grades, conforme determinação dos Bispos do
Sul do país. De todas as reformas que sofreu a Igreja Matriz, a maior delas aconteceu com a
presença dos padres Carmelitas em nossa cidade, Dentre eles destacam-se: Frei Mauro de São José e
Frei Serafim D’Arpino. A comissão encarregada das obras foi formada por Frei Serafim, João Miranda,
Salviano Souz e Bertolino Ferreira dos Santos. Os trabalho executados foram: Altares artísticos de
estuque: altar-mór, altar da capela do Coração de Jesus e altar de N. Sª das Dores, altar artísticos de
madeira envernizadas e marmorizadas, duas pinturas a óleo de tamanho grande, uma representando
a Transverbação de Santa Tereza e outra, N Sª do Carmo; pintura de todo o corpo da igreja; um
púlpito artístico, uma escada de madeira em caracol, que leva à torre; novas inatalações elétricas em
toda a igreja. O trabalho de pintura ficou a cargo do pintor mineiro Luiz Teixeira; o arquiteto foi o Sr.
Marino del Vavero, escultor italiano residente em São Paulo; o construtor foi o Sr. Francisco D’Arace,
artista italiano, também residente em São Paulo.
Os trabalhos foram inaugurados dia 16 de julho de 1917. Durante esse período os serviços
religiosos foram transferidos para a igreja de São Benedito, que funcionou como matriz. Nessa
mesma época foi feito todo o ladrilhamento da matriz, adquiridos bancos novos, quatro
confessionários artísticos e colocados sete anjos decorativos, com 1,10 m de altura, no altar-mór, do
escultor Carton Piérre.
Voltando de Roma, Frei Serafim trouxe quatro imagens maravilhosas e grandes: Nossa
Senhora do Carmo, Nossa Senhora das Dores, Santa Tereza e São João da Cruz. (Essas imagens
bentas no dia 12 de março de 1916). Houve grande solenidade neste dia, com a presença de
autoridades civis e militares e grande número de fieis.
Ainda devemos aos carmelitas as obras externas como as duas torres laterais e o pátio da
frente da matriz. Também, foi construída por Frei Mauro, auxiliado por Frei Felix Marano, o altar da
gruta de Nossa Senhora de Lourdes, todo feito de cimento. Esse altar foi inaugurado no dis 18 de
abril de 1920.
Em 1939, sendo vigário Pe. Pedro do Vale Monteiro, a igreja Matriz
sofreu uma pintura
externa e, em 1956, foi trocado o telhado, sendo nessa ocasião colocadas telhas francesas, sendo
também pintada por fora.
A última reforma aconteceu em 1971, quando foi construido o novo forro e feita a pintura
interna, modificando a anterior, ou seja as pinturas a óleo nas colunas, representando alguns papas
da Igreja, em forma de medalhas. Na mesma ocasião foi colocado o brasão do município no arco da
nave central. Foi reformado o assoalho da torre até o sino e a escada de madeira em caracol,
também construida por Frei Mauro, foi demolida e feira outra de cimento. Mudou-se a grade de
madeira ( mesa de Comunhão) do altar-mór para baixo dos três degraus e posteriormente foi retirada
de vez. Foi também modificado o pátio da Igreja para a forma que se encontra hoje.
______________________
Leonora Portela de Assis
Historiadora
Diretora do Grupo de Estudos de Inventário
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
______________________
Deborah Regina Leal Neves
Historiadora
Executivo Público I
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
____________________
Isabel E. Navarrete Catalán
Estagiária de História
UPPH - Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico
V – O PARECER DO ESPECIALISTA
São Bento do Sapucai - Igreja Matriz
Identificação: Igreja matriz, São Bento do Sapucai, Estado de São Paulo.
Endereço: Praça Cônego Bento de Almeida
Tel – (12) 39711101
Descrição
1- Localização – trata-se de imponente edifício implantado na encosta do morro, em uma grande
praça fronteiriça circundada pelas casas térreas, que a emolduram. A vista da fachada é privilegiada
por uma rua reta de suave aclive, que lhe confere monumentalidade. Vista de longe, a lateral direita
se destaca do verde da vegetação do morro. Quando se chega pela parte posterior, o que se nota é
volumetria portentosa da massa arquitetônica construída em taipa de pilão a partir de 1853.
2 - Área envoltória – o corpo do edifício é livre de qualquer obstáculo, mesmo visual. Nas laterais
apenas a calçada, com a porta lateral; uma rampa de acessibilidade foi construída na lateral direita. O
adro tem mureta que segue o declive do terreno, escalonada e baixa, feita de balaustres e rampa
desde a via com paralelepípedos. A praça sobre o platô é retangular, com quatro canteiros de pouca
vegetação, palmeiras e piso de pedra. As casas ao longo das quatro vias são térreas, o que confere
ao templo uma proporção grandiosa. Não há espaços vazios ao seu redor e há uma escadaria no
canto esquerdo olhando para a praça, ligando com a rua abaixo junto ao edifício da Prefeitura. Assim,
o visitante ao adentrar a praça tem a surpresa da visão das torres. Pelos fundos, à direita, ligando a
mesma rua da prefeitura, se encontra o Centro Cultural Miguel Reale.
3 - Fachada – causa curiosidade à primeira vista, pois é visível toda massa arquitetônica à grande
distância. O contraste daquele volume branco contra o verde do morro aguça a curiosidade a partir
das torres, visualidade inédita na região. À tradicional fachada lisa, com triângulo frontão das igrejas
coloniais construídas pela técnica da taipa de pilão, foram aplicadas três torres de linhas neogóticas.
A central, mais alta, tem no piso inferior um pequeno vestíbulo aberto nas três faces com arcos
ogivais entre pilastras retas, lisas e outras cilíndricas - adossadas com capitéis jônicos. Os arcos se
repetem na altura do coro em forma de veneziana entre colunas cilíndricas (foto 1641). Na altura do
vértice do antigo triângulo frontão, sobre base quadrada, ergue-se um torreão octogonal com
arremate multifacetado. Abaixo do relógio está a data da construção das torres, AD 1906.
As torres laterais são mais baixas, sem a volumetria da central e arremates simplificados. Nos cimos
das três torres há imagens de santos. Na torre central está São Bento, o padroeiro; à direita São
Paulo - com espada como atributo - e à esquerda outro apóstolo com um livro na mão (não
identificado).
Nas laterais há janelas com vitrais e uma porta de cada lado, debaixo de janelas. Na parte posterior
há uma janela através da qual entra a luminosidade por detrás do retábulo mor. Por detrás do altar
mor há um local de preparo de vasos de flores com uma pia.
4 – Interior – na igreja de uma nave apenas foram abertos cinco arcos plenos de cada lado, nas
paredes dos corredores, formando um espaço que atualmente corresponde a três naves. Os arcos
são solenes, altos e severos, com argamassa nas quinas para proteger a taipa sem sobrecarregá-la. O
desejo de transformar a igreja em três naves está explicitado também na abertura de duas portas
menores no corpo das torres laterais. Estas portas só se comunicam com pequenas capelas no local
onde certamente anteriormente era reservado à pia batismal de um lado e escada do coro do outro.
O forro é curvo, quase junto ao grande arco cruzeiro, o que conferiu maior dignidade à capela mor.
Os corredores laterais, transformados em naves, têm ao fundo altares banhados de luz. Nas janelas
há vidros coloridos. O coro é sustentado por colunas multifacetadas em madeira marmorizada. Os
arcos plenos rimam tanto com aqueles da nave como com os das duas capelas laterais com acesso
pelas portas da frente.
A capela mor, antes profunda, agora é menor por conta da colocação do retábulo mor, distanciado da
parede do fundo. Porém mesmo assim é ampla, praticamente da mesma largura da nave central. O
retábulo mor tem linhas ecléticas e é feito em alvenaria ao molde neo-românico, e apresenta
cenografia barroca quanto à utilização da luz natural proveniente da parte posterior -- criando uma
aura na configuração recortada. A complementação barroca é obtida por meio de uma imensa pintura
com falsas colunas na parede do fundo, da qual o altar está deslocado.
Esta pintura continua em toda parede, um trompe l’oeil de um cortinado de cores quentes povoado
por anjos. Esta cenografia dá proporção ao retábulo mor ornado com nichos de arcos plenos e o
arremate tem frontões neo renascentistas. (Este posicionamento diferenciado do altar mor tem um
exemplar similar na matriz de Ubatuba, cidade do litoral ligada ao Vale por meio de Taubaté). No
fundo das naves laterais (corredores abertos posteriormente) há dois retábulos ecléticos com
elementos barrocos nos coroamentos. A incidência da luz lateral aumenta o jogo dos claros e escuros
que revelam em parte as formas caprichosas deste barroco reinventado e sobrecarregado.
5 - Mobiliário – há dois pequenos altares nas capelas com portas na fachada e com aberturas por
debaixo do coro e outros dois acima descritos no fundo dos corredores laterais, além do da capela
mor. Os banco tomam os espaços centrais e laterais. Um púlpito com baixos relevos em argamassa
situa-se do lado esquerdo entre o arco cruzeiro e capela lateral. As imagens são em gesso. Há duas
pinturas sobre telas na capela mor. Uma representa o Êxtase de Santa Teresa e a segundo a Virgem
do Carmo entregando os escapulários a São Simão Stock, assinadas por L. Teixeira e datados de
1917. As pinturas decorativas que cobrem todas as paredes internas tem unidade visual porém, são
sofríveis quando vistas individualizadas.
AVALIAÇÃO
1- Significado social
A matriz tem significados sociais de independência através da doação do Local, conforme já
explicitado, segurança das enchentes ao redor da qual foram construídas as novas casas e por fim, o
religioso, ao aceitarem a opinião dos padres capuchinhos em missões por aquela localidade, de
construírem um templo grandioso. Com a chegada dos imigrantes, em especial dos italianos,
puderam completar àquela visualidade colonial, uma que lembrasse as igrejas de suas terras
distantes, sem destruírem o que lá estava como monumento daqueles que os antecederam.
2- Partido arquitetônico
No caminho para Minas Gerais, na serra da Mantiqueira, para os lados de Campos de Jordão, o
ecletismo se mostrou aplicável. Houve reformas no período imperial, e outras posteriores trouxeram
alterações feitas por mestres de obras no início do período republicano. Na matriz de São Bento do
Sapucai, iniciada com paredes sólidas em taipa (1853), foram os frades carmelitas, que lá chegaram
em 1914, que concluíram a obra. Ali, em 1919, atuou o engenheiro arquiteto italiano Marino del
Fávero e os altares foram construídos por Francesco d’Arce, ambos de São Paulo. As linhas de
transformação desta matriz resultaram em três naves (dois corredores abertos) e fachadas
destacadas da estrutura de taipa com torres neogóticas.
A intensidade da luz de todo o Vale é propícia para as fachadas planas.
Quando postas torres centrais, ganha volumetria sem ter que comprometer as estruturas compactas
das taipas de pilão. As naves reformadas receberam luz através da abertura de galerias superiores,
janelas laterais. O eixo longitudinal requerido pela contra-reforma como símbolo do caminho de povo
de Deus, tendo o retábulo mor como centro visual, ainda permanece. Externamente se busca
verticalidade em torres mais altas à maneira neogótica.
3- A excepcionalidade
A matriz apresenta como excepcionalidade a união das técnicas construtivas e suas reformas acima
descritas. Primeiro, a fachada respeita o corpo e a técnica construtiva de todo o resto da volumetria.
Segundo, internamente, o trabalho de abertura dos arcos na taipa, tanto para conseguir luminosidade
como maior espacialidade, confere a aquele espaço uma monumentalidade interior que conjuga com
a grandiosidade exterior. A colocação dos três retábulos remete ao espírito barroco, que certamente
foram buscar nas regiões próximas mineiras, conferindo ao templo o terceiro momento de
excepcionalidade que é o da atmosfera barroco já perdida no início do século XX.
4 – Políticas públicas
A cidade estância climática tem lutado pelos bens naturais e culturais de seu município. Não apenas a
Pedra do Baú, que aparece nos postais de Campos de Jordão, e que foi revindicado que se colocasse
pertencente ao município de São Bento do Sapucai, mas também a matriz é símbolo cultural e
arquitetônico emoldurado por artigos casarões. As festas religiosas animam o espaço circundante e a
praça é local de afluência de outras manifestações populares como o carnaval.
5 - Inserção urbana
A grande massa arquitetônica é a visualidade máxima da cidade. Sua posição é privilegiada e
nenhuma outra construção a sombreia. Na encosta do morro, assim foi determinado quando da nova
povoação, hoje assegura sua visualidade acima das ruas da cidade que se expandiu também para a
parte plana junto à rodovia. Esta evocação dos templos coloniais, a alvura da cal destacando-se do
verdejante da paisagem circundante, tem assegurada a visualidade que tanto aponta à espiritualidade
como para o bucolismo da paisagem colonial brasileira.
6 – Representatividade
A matriz é sem dúvida um eco de influências culturais aplicadas à arquitetura da região limítrofe com
as culturas paulista e mineira. Mesmo assim se destaca como paulista tanto na técnica da taipa de
pilão – no Império a zona de Minas Gerais empregava pedras, característica já da segunda fase da
arquitetura mineira – e mineira como revival de um barroco brasileiro amalgamado com idéias
ecléticas trazidas por imigrantes. Este elo entre os espíritos de culturas regionais a torna
representativa, digno de conservação.
__________________________________
Prof. Doutor Percival Tirapeli
VI – A PROPOSTA DE PRESERVAÇÃO
São Bento do Sapucai- PROPOSTA AO CONDEPHAAT
Igreja Matriz de São Bento – São Bento do Sapucai – proc. 27095/89 – 1989
Tombamento
Volumetria externa e interna da Igreja
Matriz de São Bento
Diante do exposto em meu parecer, proponho ao CONDEPHAAT o tombamento do imóvel da Igreja
de São Bento do Sapucai.
Considerandos
1. Considerando a excepcional visibilidade do bem, devido a sua volumetria e implantação, pois se
trata de imponente edifício implantado na encosta do morro, em uma grande praça fronteiriça
circundada pelas casas térreas, que a emolduram. A volumetria da igreja destaca-se na paisagem
urbana tanto à distância como de perto, e sua área envoltória é harmoniosa sem nada interferir ao
seu redor. A vista da fachada é privilegiada por uma rua reta de suave aclive, o que lhe confere
monumentalidade. Vista de longe, a lateral direita se destaca do verde da vegetação do morro.
Quando se chega pela parte posterior, o que se nota é volumetria portentosa da massa arquitetônica
construída em taipa de pilão a partir de 1853. O contraste daquele volume branco contra o verde do
morro aguça a curiosidade a partir das torres, visualidade inédita na região. À tradicional fachada lisa,
com triângulo frontão das igrejas coloniais construídas pela técnica da taipa de pilão, foram aplicadas
três torres de linhas neogóticas.
2. Considerando características inovadoras singulares, note-se que internamente na igreja em taipa
de pilão de uma nave apenas foram abertos cinco arcos plenos (solenes, altos e severos) de cada
lado, nas paredes dos corredores, formando um espaço que atualmente corresponde a três naves. A
capela mor, antes profunda, agora é menor devido à colocação do retábulo-mor de linhas ecléticas
apresentando cenografia barroca quanto à utilização da luz natural proveniente da parte posterior. A
complementação barroca é obtida por meio de uma imensa pintura com falsas colunas na parede do
fundo, da qual o altar está deslocado. No fundo das naves laterais (corredores abertos
posteriormente) há dois retábulos ecléticos com elementos barrocos nos coroamentos. A incidência
da luz lateral aumenta o jogo dos claros e escuros que revelam em parte as formas caprichosas deste
barroco reinventado e sobrecarregado.
3- Considerando seu significado social, pois a matriz é símbolo de independência devido a doação
original do local, à segurança contra as enchentes ao redor da qual foram construídas as novas casas
e por fim, quanto ao aspecto religioso, pois a população aceitou a opinião dos padres capuchinhos em
missões por aquela localidade, de construir um templo grandioso. Com a chegada dos imigrantes, em
especial dos italianos, puderam completar essa visualidade colonial, que lembrasse as igrejas de suas
terras distantes, sem destruírem o que lá estava como monumento daqueles que os antecederam.
lista dos elementos a serem preservados
1.
A volumetria externa e interna
__________________________________
Prof. Doutor Percival Tirapeli
VII – MINUTA DE RESOLUÇÃO DE TOMBAMENTO
MINUTA - Resolução SC ___, de ___/___/2010
Dispõe sobre o tombamento da Igreja Matriz de
São Bento na cidade de São Bento do Sapucai.
O Secretário de Estado da Cultura, nos termos do artigo 1º. Do Decreto Lei no. 149, de 15 de agosto
de 1969, e do Decreto Estadual no. 13.426, de 16 de março de 1979, cujos artigos 134 a 149
permanecem em vigor por força do artigo 158 do Decreto no. 50.941 de 5 de julho de 2006, com
nova redação dada ao Artigo 137, que foi alterada pelo Decreto 48.137, de 7 de outubro de 2003, e
considerando:
a excepcional visibilidade do bem, devido a sua volumetria e implantação, pois se trata de imponente
edifício implantado na encosta do morro, em uma grande praça fronteiriça circundada pelas casas
térreas, que a emolduram;
as características inovadoras singulares - note-se que internamente na igreja em taipa de pilão de
uma nave apenas foram abertos cinco arcos plenos (solenes, altos e severos) de cada lado, nas
paredes dos corredores, formando um espaço que atualmente corresponde a três naves;
seu significado social, pois a matriz é símbolo de independência devido a doação original do local, à
segurança contra as enchentes ao redor da qual foram construídas as novas casas e por fim, quanto
ao aspecto religioso, pois a população aceitou a opinião dos padres capuchinhos em missões por
aquela localidade, de construir um templo grandioso. Com a chegada dos imigrantes, em especial dos
italianos, puderam completar essa visualidade colonial, que lembrasse as igrejas de suas terras
distantes, sem destruírem o que lá estava como monumento daqueles que os antecederam.
RESOLVE:
Artigo 1º - Fica tombado na categoria de bem cultural a Igreja Matriz de São Bento situada à
Praça Cônego Bento de Almeida, no Município de São Bento do Sapucai.
Parágrafo 1º - Ficam preservadas volumetria e fachadas, considerando seu gabarito e o ritmo das
envasaduras.
Parágrafo 2º - Preserva-se, no interior do edifício, a espacialidade interna, configurada pelos
elementos construídos.
Artigo 2º - Com vistas a preservar a unidade do bem tombado e sua integração com a cidade, ficam
estabelecidas as seguintes diretrizes para os elementos citados nos parágrafos 1º e 2º, do Artigo 1º
da presente Resolução:
Parágrafo 1º. A proposta de preservação baseia-se no projeto original, em suas características gerais,
materiais e soluções técnicas, mas há flexibilidade para aceitar alterações que visem à continuidade
de uso e melhoria de condições técnicas que estejam prejudicando a manutenção do edifício.
Parágrafo 2º. Serão aceitáveis alterações que visem à manutenção e segurança, mas que respeitem a
essência do projeto. Devem ser respeitadas em suas feições originais, quando ainda estiverem
preservadas, as características externas e volumétricas do prédio, elementos de composição de
fachadas e materiais de vedação, os vãos e envasaduras, acabamento e ornamentação, desde que
justificadas por uma melhor adequação e atualização do espaço ou de materiais, de forma a
assegurar as funções que abrigam.
Parágrafo 3º. De modo a melhor conciliar o novo e o existente será recomendável, em casos de
intervenções, avaliar a possibilidade de restauração de elementos e/ou volumes originais já
descaracterizados.
Artigo 3º - Com vistas a preservar a unidade do elemento tombado, constante no parágrafo 3º do
Artigo 1º da presente Resolução, bem como sua instalação em local adequado à sua manutenção e
visibilidade enquanto objeto de interesse cultural, ficam estabelecidas as seguintes diretrizes:
Parágrafo 1º. Eventuais intervenções e reparos na imagem e seus atributos supracitados deverão ser
comunicadas ao Conselho, bem como estarão sujeitas à aprovação desse mesmo órgão.
Parágrafo 2º. Sua exposição deverá levar em conta as condições ideais para sua manutenção e
fruição, seja no tocante às dimensões espaciais do local de sua exposição, isto é, pé-direito e área em
seu entorno proporcionais a seu volume e escala, assim como ambiente climatizado, de visibilidade e
segurança adequadas à visitação pública.
Artigo 4º - O presente tombamento fica isento de área envoltória, conforme faculta o Decreto n.
48.137, de 07 de outubro de 2003.
Artigo 5º - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do
Estado de São Paulo autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente, o bem em referência,
para os devidos e legais efeitos.
Artigo 6º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
i
Adaptação de texto desenvolvido pela Assessoria de Gestão Estratégica da Secretaria de Economia e
Planejamento, a partir de trabalho sobre a economia regional paulista, elaborado pela Unidade de Assessoria
Econômica, com a colaboração dos Escritórios Regionais de Planejamento, da Coordenadoria de Planejamento e
Avaliação e do Instituto Geográfico e Cartográfico. Atualização em abril de 2009, no site
http://www.planejamento.sp.gov.br/des/textos8/SJCampos.pdf
ii
Informações obtidas no site www.wikipedia.com.br
iii
Informações obtidas no site www.ibge/cidades.com.br
iv
Resumo elaborado por Sr. Washington de Oliveira (o seu Filhinho como era conhecido) que no passado foi
prefeito da cidade de Ubatuba por duas vezes (dados obtidos do processo 52962/06). Há inserções neste resumo
feitas a partir de pesquisas em outras fontes, que estão citadas em notas de rodapé, além de edições feitas para
adaptar o texto às necessidades do UPPH.
v
MARCÍLIO, M. L. Caiçara: Terra e População. Estudo de Demografia Histórica e da História Social de Ubatuba.
São Paulo: Edições Paulinas - CEDHAL, 1986, p.4.
vi
Idem, p.227.
vi
DROGUETT, Juan; FONSECA, Jorge Otávio. Ubatuba: espaço, memória, cultura. São Paulo: Arte & Ciência,
2005, p.69.REIS, João José. Quilombos e Revoltas escravas no Brasil, in: REVISTA USP, SÃO PAULO (28),
DEZEMBRO/FEVEREIRO 95/96, p.31
viii
REIS, João José. Quilombos e Revoltas escravas no Brasil, in: REVISTA USP, SÃO PAULO (28),
DEZEMBRO/FEVEREIRO 95/96, p.31
x
xi
Imagem obtida no Google Maps
Adaptação de texto desenvolvido pela Assessoria de Gestão Estratégica da Secretaria de
Economia e Planejamento, a partir de trabalho sobre a economia regional paulista, elaborado pela Unidade
de Assessoria Econômica, com a colaboração dos Escritórios Regionais de Planejamento, da Coordenadoria
de Planejamento e Avaliação e do Instituto Geográfico e Cartográfico. Atualização em abril de 2009, no
site http://www.planejamento.sp.gov.br/des/textos8/SJCampos.pdf
xii
Texto
adaptado
de
informações
obtidas
nos
sites
www.wikipedia.com.br,
www.ibge/cidades.com.br
xiii
Idem
xiv
Dados obtidos no presente processo 28397/1991 e enviados pela
Associação Cultural
Aparecidense.
xv
CAMARGO, Conceição Borges Ribeiro, In: Revista Ecos Marianos, editora Santuário, 1985, pp 68-74.
http://www.jornalolince.com.br/galeria/escritores/conceicao/cronistas_pintores_viajantes_jornalolince.pd
f
xvi
Informações obtidas no site www.ibge/ciddes.com.br
xvii
Informações obtidas no site www.wikipedia.com.br
xviii
Informações obtidas no site www.ibge/cidades.com.br
xix
Informações obtidas no site http://www.santuarionacional.com/arraiasolidario
xx
Informações obtidas no site
http://www.portalvale.com.br/cidades/aparecida/seminario-
bom-jesus.php
xxi
Dados contidos no presente processo 28397/1991
Outras fontes consultadas
•
www.valedoparaiba.com
•
Arquivo e memória de Guaratinguetá – Museu Frei Galvão
•
Livro do Tombo da Matriz de Santo Antonio de Guaratinguetá
•
Texto da historiadora Thereza Regina de Camargo Maia, juntado ao processo 38970/1999 fls 50 à 57. Centro Social de Guaratinguetá, Museu Frei Galvão
xxii
Imagem obtida no Google maps
xxiii
Adaptação de texto desenvolvido pela Assessoria de Gestão Estratégica da Secretaria de
Economia e Planejamento, a partir de trabalho sobre a economia regional paulista, elaborado pela Unidade
de Assessoria Econômica, com a colaboração dos Escritórios Regionais de Planejamento, da Coordenadoria
de Planejamento e Avaliação e do Instituto Geográfico e Cartográfico. Atualização em abril de 2009, no
site http://www.planejamento.sp.gov.br/des/textos8/SJCampos.pdf
xxiv
Pesquisa – Maria de Fátima Machado - Texto Adaptado por Paulo de Tarso Moreira Marques, contido no
processo
xxv
Informações obtidas no site www.saobentodosapucai.sp.gov.br
xxvi
xxvii
Informações obtidas em www.explorevale.com.br/cidades/saobentodosapucai/historia.htm
Informações colhidas dos livros do Tombo, de Jornais antigos e do Almanach de São Bento,
ano de 1915/1916 obtidos no presente processo 27095/89
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