Um informativo da Fresenius Medical Care do Brasil Ano III Nº 11 Congresso da ABCDT Gestão em Diálise Página 5 Atualização Clínica Confira estudo que aborda as Terapias de Substituição Renal utilizadas em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica Páginas 10 e 11 Produtos Conheça o lançamento da Fresenius Medical Care: os novos Concentrados Ácidos de 10 litros, capazes de substituir três bombonas de 5 litros Página 12 Editorial Acabam de ser publicados os reajustes dos preços dos medicamen- deste profissional devem estar alinhados de tal forma para garantir tos para 2008. A cada ano a Câmara de Medicamentos (CMED) rea- que seja oferecida uma diálise adequada, utilizando-se dos recur- liza um estudo detalhado para definir o percentual que estes valores sos (medicação, internação, etc.) da forma mais racional possível. podem ser incrementados no balcão da farmácia. Reajuste anual, a partir de um indicador específico, é realidade para medicamentos, O modelo que o Ministério da Saúde de Portugal acaba de imple- planos de saúde e para serviços como telefonia, luz, água, etc. mentar (veja reportagem abaixo) oferta o melhor cuidado médico na unidade de diálise com responsabilidade financeira. Futuramente, O reajuste do preço pago pelo SUS ao procedimento renal substitu- as clínicas de diálise portuguesas receberão um reembolso semanal tivo não segue esta metodologia. É elevado, após longos períodos por paciente, que inclui diálise, medicamentos essenciais e exames sem reajuste, cedendo a pressões políticas ou de outra índole, sem laboratoriais. Para não impactar na qualidade, as clínicas serão mo- se basear em índice algum. Não seria complicado definir um indica- nitoradas e alertadas se os índices de internação forem altos, ou se dor de reajuste para TRS. A falta do reajuste significa desconsiderar metas clínicas não forem atingidas. Tais medidas levam ao aumento que o custo da terapia cresce a cada ano derivada do aumento da da lucratividade, ao uso mais eficiente dos recursos públicos e à despesa de pessoal (mais de 50% do custo total). Prejudicam-se, melhora da qualidade. desta forma, a qualidade do procedimento e a expansão do atendiO modelo português requer o compromisso do Governo de ajus- mento a mais pacientes que requerem esta terapia. tar os valores pagos periodicamente e prover um registro de diálise Dificilmente isso é um resultado aceitável para a Nefrologia e socie- básico. Estes temas também estão em discussão no Brasil. Talvez dade brasileiras. Desvalorizar a diálise e achar que as complicações tenha chegado a hora da Nefrologia brasileira fazer uma proposta dos pacientes renais se resolvem com medicação cada vez mais mais ousada para o Governo, colocando-se no centro do atendi- custosa só elevará o custo total da TRS, causando mais internações. mento do paciente renal. Os colegas portugueses já identificaram Cuidar bem do paciente renal e de forma custo-eficiente requer um esta chance! nefrologista à frente da unidade de diálise, coordenando de forma Armin Karch Presidente da Fresenius Medical Care Brasil responsável todos os elementos do cuidado médico (procedimento renal substitutivo, medicação, outros atendimentos). Os incentivos Fresenius pelo Mundo O Ministério da Saúde de Portugal e a Anadial O conceito do “reembolso integrado” contempla: o pagamento global para os proce- – Associação Nacional de Centros de Diálise dimentos de diálise, independentemente da sua modalidade e do número dentro do Privados – anunciaram a adoção de um novo mo- período de contratação; para um conjunto predefinido de exames laboratoriais de delo de reembolso para custear os cuidados am- diagnóstico e de seguimento; e para a cobertura dos gastos com a administração bulatoriais dos pacientes submetidos à Terapia Re- dos medicamentos necessários ao manuseio da anemia, da doença óssea, do con- nal Substitutiva. O “reembolso integrado” é uma nova trole da pressão arterial e da redução do risco da doença cardiovascular. modalidade de firmar contrato, balizada por indicadores de qualidade pactuados onde, sob a forma de “pacote”, O “reembolso integrado” remunera os centros de diálise por paciente em progra- remuneram-se os procedimentos de substituição de fun- ma por semana e condiciona este pagamento ao se atingir metas de certos indi- ção renal, os medicamentos especiais utilizados e outros cadores de qualidade, tais como adequação, nível de hemoglobina, controle do serviços relacionados. metabolismo cálcio-fósforo, qualidade da água, taxa de mortalidade e dias de internação. Para assegurar o desenvolvimento contínuo do modelo, o Ministé- A implantação deste modelo requererá das clínicas de di- rio de Saúde de Portugal e a Anadial assumiram o compromisso de patrocinar álise e das autoridades de saúde daquele país o aprimora- estudos clínicos que avaliarão a inclusão de outras modalidades de Terapia mento das suas práticas de gestão. Uma visão mais alargada Renal Substitutiva e de outros ítens, tais como a preparação e manutenção do dos cuidados da pessoa com doença renal associada a uma acesso vascular, transporte dos pacientes e hospitalização. maior eficácia na utilização dos recursos dos sistemas de saú- 2 de deverá emergir, resultando numa substancial melhoria da As clínicas operadas pela Fresenius Medical Care em Portugal aderiram qualidade dos serviços prestados à população-alvo. a este novo modelo de cuidados das pessoas com doenças renais naquele país. Em função da crescente demanda global, a A Fresenius Medical Care investirá em tor- “A expansão na capacidade da manufatura Fresenius Medical Care acaba de expandir a no de € 16 milhões para aumentar em 25% em St. Wendel vai ao encontro deste firme capacidade de produção de produtos de di- a capacidade de produção das bolsas de crescimento e assegura que um número álise na planta de St. Wendel, na Alemanha. Diálise Peritoneal. No início de 2007, a com- ainda maior de pacientes em todo mundo Para isso, investirá € 39 milhões em 12 me- panhia já havia anunciado um crescimento poderá receber nossos produtos e terapias ses. Cerca de € 23 milhões serão destinados na produção de dialisadores na planta de que garantem suas vidas”, diz Dr. Ben Lipps, à construção de um novo prédio e duas no- St. Wendel. Duas últimas expansões serão CEO da Fresenius Medical Care. vas linhas de fibras. A capacidade de pro- finalizadas em 2009. O total de investimen- dução dessas fibras, também utilizadas na tos dos projetos realizados na fábrica é da manufatura de dialisadores em outras filiais, ordem de € 100 milhões. crescerá por volta de 30% em St. Wendel. Da esquerda para a direita: Igor Serra (Coordenador técnico FME), Carlos Pinho (Gerente Nacional de Vendas FME), Maria Luiza Araujo (Representante de vendas tratamento de água de ponta e fornecimento de inFME), Armin Karch, Dr. José Antônio Figueira sumos e medicamentos para Hemodiálise e Diálise Perito(Superintendente do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira). neal viabilizarão o atendimento a mais de 120 pacientes com Vinte máquinas de Hemodiálise, sistema para Doença Renal Crônica Terminal, em Recife. A tecnologia avançada, A Fresenius Medical Care também apoiará o IMIP na gestão téc- a credibilidade e a segurança dos produtos e serviços da Fresenius nica e médica da unidade de diálise. “O IMIP é um exemplo de Medical Care, voltados ao tratamento de pacientes renais, também con- participação do setor terciário na área de saúde, voltado 100% tribuíram para que o novo Serviço de Terapia Renal Prof. João Absalão do para o público do SUS, graças à excelente gestão e alto profis- IMIP (Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira) se tornasse um serviço de excelência em Pernambuco. Novas vagas de diálise para pacientes do SUS serão oferecidas. Medical Care no Brasil. Equipe da CDR Botafogo que atuou na certificação (dir. para esq.): Igor Barone (Administrador), Viviane Kipper (Enfermeira de DP), Elizabete Araújo (Médica de DP), Ivone Rodrigues (Nutricionista), Luciene Pereira (Enfermeira Chefe), Cristina Hoette (Psicóloga), Drª. Fátima Bandeira. A enfermeira Fátima Medeiros (Coordenadora Brasil de Enfermagem da Diálise Peritoneal) e o Dr. Francisco Alves (Consultor de Diálise Peritoneal da FME) contribuíram com o projeto na elaboração do Manual das Rotinas em Diálise Peritoneal. A CDR Botafogo acaba de receber a certificação ISO 9001-2000 em Diálise Peritoneal. Trata-se da primeira Clínica Franqueada da Fresenius Medical Care a atingir esta façanha. A razão pela qual se buscou a certificação em DP na CDR Botafogo foi a necessidade da clínica obter o selo ISO em todas as modalidades dialíticas. sionalismo”, comenta Armin Karch, Presidente da Fresenius e atento às expectativas do cliente”, explica Drª. Fátima Bandeira, Dire- Antes, havia sido certificada em hemodiálise. Por um ano o grupo tora Médica da CDR Botafogo. preparou todos os processos. Procedimentos e instruções foram escritos. Funcionários foram treinados e foi aplicada uma pesquisa Eduardo Palkow, Gerente de Qualidade da FME-América Latina e tam- de satisfação do cliente. A equipe estabeleceu os indicadores que bém membro da equipe da certificação em DP, destaca o impacto da medem o desempenho e metas para estes indicadores. certificação na clínica. “A certificação ISO da Diálise Peritoneal na CDR Botafogo é mais uma conquista de profissionais que buscam “Uma organização com sistema de qualidade total a entende não a excelência para os nossos clientes: os pacientes. É importante, como um atributo do serviço, mas como algo que afeta o funcionamen- pois demonstra que a clínica trabalha com um sistema de quali- to de toda a organização em busca da melhoria contínua. O impacto dade que tem uma visão macro dos três pilares da qualidade: para os pacientes se reflete no atendimento mais humanizado, eficiente processos e suas interfaces, resultados e estrutura”. 3 Notícias Fresenius Expandir os conhecimentos acadêmicos com alguns dos princi- Trata-se da quarta edição do Jovem Nefrologista, que proporciona a pais expoentes da Nefrologia internacional, trocar experiências, um especialista nacional a participação em um curso de educação conhecer a fábrica de dialisadores da Fresenius Medical Care, em científica sobre as atuais tendências da hemodiálise e diálise peri- St. Wendel, na Alemanha. Nefrologistas brasileiros, Dr. Fellype de toneal. Para participar, o candidato deve ter até 40 anos, atuar em Carvalho Barreto e Dr. Alexandre Braga Libório conquistaram esta unidade de diálise nos últimos dois anos, ser fluente em inglês. É uma chance ímpar de receber atualização científica no Dialysis Acade- iniciativa única e pioneira no país. Sessenta especialistas participaram my 2007, curso realizado pela Universidade de Gent (Bélgica). do curso Dialysis Academy. Conheça os detalhes da experiência vivida O primeiro foi o vencedor do concurso Jovem Nefrologista, pelos brasileiros eleitos: promovido em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. O segundo foi eleito pelas Clínicas Franqueadas Dr. Fellype Barreto da companhia. Nefrologista do Serviço de Transplante do Hospital Universitário Walter Cantídio (Universidade Federal do Ceará). Doutorando em Nefrologia pela Universidade Dr. Alexandre Braga Libório Federal de São Paulo. Professor e Nefrologista do Departamento de Nefrologia do Hospital Universitário Walter Cantídio (Universidade Federal do Ceará). Doutorando em Nefrologia pela Universidade de São Paulo. Quais foram os principais temas abordados no Dialysis Academy para o senhor e por quê? Fellype Barreto (FB): A maior qualidade do curso foi unir conhecimento científico à aplicação na prática nefrológica. Os principais temas foram hipertensão, qualidade e adequação dialítica, metabolismo cálcio-fósforo e anemia. Por impactarem direto na qualidade de vida e na sobrevida, estão entre as principais preocupações na Doença Renal Crônica (DRC). Alexandre Libório (AL): Grande foco foi atualização e revisão de conceitos de hemodiálise e diálise peritoneal em crônicos e agudos. Foram abordados temas práticos (manejo de aces- Notícias Fresenius so vascular, infecções de cateteres), e novidades disponíveis em alguns meses (capilares Fx, novas soluções de DP). De que forma o curso de atualização científica contribuiu para o aprimoramento do exercício de suas atividades? FB: Foi uma ótima oportunidade de atualização em diversas áreas da Nefrologia, da DRC em estágio inicial ao transplante renal. Contribuiu para sedimentar e agregar conhecimento. Por cursar a pós-graduação na Universidade Federal de São Paulo posso trocar conhecimentos com residentes e pós-graduandos. AL: O contato com novas tecnologias da Fresenius Medical Care e a revisão de condutas práticas auxiliarão o manejo dos pacientes nas clínicas de diálise onde trabalho, fazendo com que este conhecimento se transforme em benefícios no cuidado ao paciente. Temos reuniões mensais do corpo clínico do Grupo Pronefron em Fortaleza e agendamos um dia para repassar as informações do Dialysis Academy para todo o grupo. 4 Houve alguma troca de experiências entre outros médicos-alunos e professores? Poderia relatar esta experiência? FB: Sim. As aulas foram ministradas por profissionais de excelência, como o Prof. Dr. E. Ritz e o Prof. Dr. R Vanholder. Todos foram disponíveis para responder as perguntas, e acessíveis após as aulas. O curso proporcionou o contato com nefrologistas de várias nacionalidades. AL: Sim. É difícil chamar o Dialysis Academy de curso, pois é uma troca de experiência com nefrologistas de quase todas as partes do mundo. Tive muito contato com aspectos da diálise em países da Europa e Índia. Como foi conhecer a fábrica de dialisadores de St. Wendel? FB: A visita foi uma experiência ímpar, muito enriquecedora que me proporcionou um melhor entendimento das características e diferenças entre os capilares. Fator essencial para oferecer sempre ao paciente uma terapia renal substitutiva eficiente e segura, com maior biocompatibilidade. Conheci um pouco da história da evolução dos dialisadores e da importante contribuição da Fresenius Medical Care dentro desse processo. Parabéns à Fresenius Medical Care pelo incentivo dando aos nefrologistas brasileiros através da participação no Dialysis Academy. AL: O médico é de alguma forma alheio a aspectos da produção de material hospitalar, incluindo os usados na diálise. Foi importante saber todo o processo que se tem no avanço do material de diálise e o custo que está em promover mudanças, pois uma pequena alteração no capilar tem que modificar toda uma estrutura de produção. Conheci a logística da empresa na fabricação e distribuição dos seus produtos. Fresenius Notícias O Congresso da ABCDT Gestão em Diálise é uma iniciativa inédita no país 5 - Como poderia qualificar o nível de atendimento médio dos profissionais envolvidos com rotinas administrativas e financeiras de dos pacientes renais assistidos pelas clínicas de diálise clínicas de diálise debaterem as principais questões do segmento. É direcio- brasileiras? nado a proprietários, administradores, médicos, enfermeiros e funcionários Existem unidades que estão participando do programa de das unidades de hemodiálise, além de fornecedores de máquinas e insumos, qualidade da Organização Nacional de Acreditação (ONA). gestores, especialistas nacionais e internacionais. A Fresenius Medical Care é Certificados estão sendo expedidos. Infelizmente, os es- uma das principais patrocinadoras do evento. cassos recursos financeiros alocados na Saúde obrigam as clínicas de hemodiálise a reutilizar ainda muitos insu- Na entrevista a seguir o presidente da ABCDT, Dr. José Aluísio Vieira, tece suas mos médicos, prática abandonada nos países desenvol- impressões sobre as principais conquistas, desafios e objetivos que a ABCDT e vidos. Isso compromete a qualidade e, principalmente, todos os envolvidos com gestão de clínicas de diálise hoje compartilham. a segurança do procedimento de diálise. Novas tecnologias dos países do primeiro mundo, como a máquina de hemodiálise para agudos oferecida pela Fresenius 1 - Quais foram os principais avanços das clínicas de diálise Medical Care, são absorvidas pela comunidade dialíti- brasileiras nos últimos anos? ca. Se os pagamentos fossem mais justos por parte do A diálise que está sendo oferecida atualmente no Brasil está, em Governo, teríamos o melhor tratamento do mundo. muitos aspectos, à altura das melhores práticas do mundo. Isso se reflete nas taxas de mortalidade dentro dos parâmetros inter- 6 - Como vê a participação da Fresenius Medical nacionais. As unidades de hemodiálise estão fazendo a sua parte. Care neste evento e em torno da defesa das clínicas Acredito que isso se deve ao fato de que 90% das unidades sejam da iniciativa de diálise brasileiras? privada, onde o controle administrativo, financeiro e médico é mais direto e mais As entidades de saúde ABCDT, SBN, SOBEN e as As- rígido e, portanto, mais eficaz. O melhor modelo é o que o Governo planeja, fis- sociações de Pacientes aprenderam que a indústria caliza e paga, e a iniciativa privada executa. O avanço se deve a essa parceria do ramo da diálise é uma parceira importante. Criamos inteligente e resolutiva. um Conselho em favor do Paciente Renal Crônico, onde todos participam. Temos nos reunido para discutir os problemas e apresentar propostas para programas de 2 - Quais são as principais dificuldades das clínicas de diálise? Não tenho dúvida em dizer que o pagamento efetuado pelo SUS abaixo do custo prevenção, diagnóstico e tratamento. Houve um tempo do tratamento é a principal dificuldade. Lamentavelmente corremos um grande em que questões ideológicas nos afastavam. Felizmente risco de comprometer o sistema como um todo pela insensibilidade do Governo superamos essa etapa. A Fresenius Medical Care tem se Federal. O custo médio da hemodiálise no Brasil em 2005 era de R$ 170 e o destacado como importante parceira em todas as situa- pagamento ainda hoje é de R$ 130. Muitas unidades têm dificuldades para ções. Não poderia ser diferente no congresso. manter a qualidade dos tratamentos. Há mais um agravante, a irregularidade dos pagamentos e os cortes realizados pelos gestores locais. Muito mais grave é a atitude de muitos deles, que aprovam as guias de autorização de 7 - Qual é a imagem que uma clínica de diálise tem hoje para a sociedade brasileira? A sociedade brasileira tem uma imagem negativa da saúde tratamento (APACS) e se negam a honrar o pagamento depois. como um todo. Ela aplaude boas iniciativas como os programas de prevenção, doação de órgãos e se interessa quan- 3 - Qual a importância do Congresso da ABCDT Gestão em Diálise? do artistas do cinema ou TV necessitam do Tratamento Renal O Congresso da ABCDT abre uma nova fase nas relações entre a entidade e seus associados. Numa conjuntura onde os recursos são escassos, Substitutivo, diálise ou transplante. O precário atendimento há necessidade de aprimorar a gestão. Esse é o primeiro congresso de ambulatorial e tudo que falta no serviço público afetam diretamente o tratamento das clínicas privadas. O difícil é separar uma gestão na área da diálise em nosso país. É um avanço importante. coisa da outra. O sistema com um todo não é bom. A solução é 4 - Está programado algum desdobramento derivado do Congresso? melhorar a assistência médica como um todo. Acredito que os desdobramentos surgirão no próprio congresso. O Ministro da Saúde deverá comparecer na abertura. O diálogo com o MS tem sido muito bom e de alto nível. A ABCDT tem colaborado em tudo ligado aos interesses do pacientes renais. Creio que o Congresso deverá se realizar cada dois anos. 8 - Poderia abordar a relação entre SUS e clínicas de diálise? Concordamos com os técnicos do MS que os problemas principais da assistência médica no Brasil são recurso e gestão. Os recursos não dependem da ABCDT. É uma atribuição constitucional do Governo, responsável pelo financiamento da saúde. Temos contribuído com estudos e discussões nas comissões técnicas do MS para orientar melhor os gastos do governo no que se refere ao tratamento dialítico. Na questão gestão, es- tamos atuando. O Congresso de Gestão é a demonstração máxima da nossa preocupação. 5 Notícias Fresenius Para começar o ano, nada melhor do que falar sobre idéias concretizadas e planos almejados em um futuro de médio alcance. Por isso, convidamos Dr. Jocemir Lugon, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, para na primeira edição do BRA de 2008 expor opiniões sobre a Nefrologia brasileira. No último ano de sua gestão, os nefrologistas nacionais podem esperar pela concretização de diversas iniciativas, que visam agregar ainda mais os especialistas ligados à área, e promover a divulgação em torno da Doença Renal Crônica em todo o país. Confira os detalhes na entrevista a seguir: 1 - Quais são a missão e os objetivos da SBN para 2008? Renal Crônica. O nefrologista deixou a bancada do laboratório para A missão da SBN para 2008 é continuar contribuindo para a melho- falar mais com as pessoas sobre o problema. A produção científica ria contínua do atendimento dos enfermos renais do país. Este ano, nacional e internacional aumentou. Nossos trabalhos têm merecido o Dia Mundial do Rim foi bem mais ativo do que no anterior, em que um índice de qualidade melhor. dei cerca de oito entrevistas à imprensa; este ano, foram mais de 30. Pretendemos submeter novamente o Jornal Brasileiro de Nefrologia 4 - Quais são os principais desafios hoje da Nefrologia prestada ao Scielo (banco eletrônico de revistas científicas latino-america- no país? nas). É muito importante estarmos nele. Passa a ser interessante aos O maior desafio é o financiamento. Enfrentamos um problema gra- cursos de pós-graduação publicarem em uma revista Nacional A na ve, mesmo na diálise, onde o valor do SUS mal cobre os custos. Te- classificação da CAPES. Estamos com boa expectativa de aprova- mos trabalhado com o MS para minorar o problema. Há um projeto ção, já que a revista melhorou consideravelmente. de incentivar a criação de novos centros para aproximar a diálise Pretendemos melhorar o sistema de coleta de dados em diálise no do usuário. Hoje, alguns pacientes viajam horas até chegar à uni- Brasil. Conseguimos um financiamento internacional e reformulamos dade porque os centros estão concentrados nas grandes capitais. os questionários para termos uma informação mais categorizada. A Sobre o transplante de rim, temos orgulho de dizer que há algumas coleta, este ano, será relativa a março, ao invés de janeiro. Na sede unidades de excelência; infelizmente, concentradas em grandes da SBN, haverá um espaço exclusivo para o Registro Brasileiro de centros. Precisamos de um projeto público para tornar o proce- Diálise. dimento rotineiro e mais acessível. O foco deve ser prevenção e Criamos uma comissão de reforma do estatuto da SBN para moderni- diagnóstico precoce da DRC para que menos pessoas alcancem zá-lo e estimular maior participação dos nefrologistas. Os residentes a falência funcional renal. já têm desconto mas, além disso, temos estimulado que os serviços banquem o ingresso dos residentes na SBN. Outro objetivo interes- 5 - As clínicas de diálise se responsabilizam pelo atendimento sante é o projeto de Educação Médica Continuada. Criamos um su- ambulatorial da TRS dos pacientes perante o SUS. Como a SBN plemento no Jornal Brasileiro de Nefrologia chamado JBN Educacio- vê o fato de não haver um programa de atenção global pelo SUS nal, sem caráter muito acadêmico, bastante prático. Nos próximos ao paciente renal? fascículos virão testes que poderão ser respondidos via internet e que Estamos tratando do conceito de transformar unidades de diáli- contarão pontos para obtenção do título de especialista. Haverá um se em centros de Nefrologia. Quem dialisa poderia atender aos DVD com as aulas de cada professor, além do conteúdo escrito. doentes na fase pré-dialítica. Esta visão contempla um dos paradigmas da política do SUS: o atendimento integral ao paciente. 2 - No último ano na presidência da SBN, quais são as metas Sou favorável a essa idéia. Incorreto é o financiamento do sistema. principais? Precisamos ajustar a política de financiamento e de tratamento do O principal legado que gostaria de deixar é a mentalidade de que a paciente na fase conservadora. Só irão para as unidades de diáli- SBN precisa se oxigenar, com um estatuto que permita a renovação se aqueles encaminhados pelas unidades de atendimento básico, do grupo que está à frente, para que os associados se sintam parte ou pelos programas de saúde da família. Os pacientes nas fases da Sociedade e aspirem à ocupação de cargos na diretoria. O maior iniciais da DRC poderiam ser tratados em unidades primárias de legado que queria deixar para as diretorias seguintes é que agregar atendimento. Quando atingem um determinado estágio da DRC, fortalece. deveriam ser encaminhados para algum centro com nefrologista. Poderia ser universitário ou uma unidade de diálise, se existir finan- 3 - Como vê a Nefrologia brasileira atual inserida em um cenário ciamento previsto. Outra idéia interessante é manter com os nefrolo- nacional e internacional? gistas somente os casos em que o doente já precisa de atendimento A iniciativa da Sociedade Internacional de Nefrologia de criar o Dia multiprofissional. Mundial do Rim aumentou a visibilidade da especialidade. Um nú- 6 mero maior de autoridades no Brasil passou a conhecer a Doença 6 – Como as propostas de financiamento estão sendo vistas pelo MS? Só com diálise os EUA gastam US$ 32 bilhões por ano. O orçamento atual de todo o MS do Brasil é de US$ 25 bilhões. Os EUA gastam mais com uma doença do que gastamos com a saúde brasileira. O Não foi só o censo. O Governo fez um levantamento por APAC e che- MS já entende que vivemos numa fase de transição epidemiológi- gou ao número de 4% de crescimento em 2006; o nosso foi de 3,9%. ca. O que mais mata são doenças crônicas não-transmissíveis. O São números idênticos com metodologias diferentes. A explicação Governo precisa disponibilizar verba para elas. Devemos lutar para mais provável é falta de acesso, pois há um número pequeno de aumentar o orçamento do MS, pois são doenças freqüentes e repre- doentes por milhão de habitantes. Não estamos na fase em que o sentam grandes epidemias mundiais. número de pacientes de DRC esteja declinando; o sistema não os absorveu. A SBN fez tudo para conscientizar autoridades de saúde e 7 - O SUS é o maior financiador da assistência nefrológica do país, conversou com a imprensa. Mais do que isto não pode fazer. mas não remunera tratamentos de substituição de função renal fora da Unidade de Diálise. Como a SBN tem atuado para corrigir 10 - O Programa de TRS é orgulho dos nefrologistas, mas vem sen- as distorções? do estrangulado por uma crise de financiamento. Como a SBN pre- As enfermidades de cunho agudo, em geral, não têm uma política de tende atuar para assegurar sua qualidade sem comprometê-lo? financiamento pelo SUS. O grande erro do sistema é que o governo O principal problema dos nefrologistas é que quando o Governo tem usado o valor da diálise ambulatorial para remunerar diálises fei- conversa conosco tem a premissa de que só pensamos em ganhar tas em condições hospitalares, o que gera grande desconforto eco- dinheiro com diálise. É um grande equívoco. Devemos ter orgulho de nômico nos hospitais públicos com equipes de nefrologistas. Expus um programa com custo muito baixo e uma das melhores taxas de essa situação ao MS e estão convencidos da necessidade de um sobrevida mundiais. O nefrologista e o Governo não deveriam abor- preço pelo SUS especial para diálise hospitalar. Agora é cobrar esse dar o problema sob viés econômico. O MS existe para melhorar a compromisso para obtermos um valor que cubra os custos do proce- qualidade de vida e atender aos afligidos pelas enfermidades. Não dimento. O problema é a DRC. A Nefrologia tem uma característica existe para dizer quem pode ser tratado, ou que os tratamentos ca- própria: uma vez que o indivíduo entra em diálise, é transplantado ros não podem ser feitos. É possível tratar um paciente renal na fase ou falece. Como um segmento pequeno é transplantado, o número final da DRC sem diálise ou transplante? Não vejo como o Governo de pessoas em diálise deve crescer. Isso gera um ônus econômico possa manter a qualidade da TRS e atender à população sem mais substancial no orçamento do MS. dinheiro no sistema. Não há outra saída. Outra vertente do problema é a fase conservadora. Grande número de portadores de DRC falece de complicações cardiovasculares. 11 - A questão dos recursos humanos é um problema de todas as Precisa-se organizar um programa de DRC na fase conservadora, Sociedades. Qual é a posição da SBN em relação a isto? melhor estruturado, para diminuir a mortalidade cardiovascular e re- A procura pela especialidade aumentou. A razão maior é a Nefro- tardar ou impedir a progressão da DRC à diálise. É impossível ver um logia ter saído do foco da assistência ao doente com DR avança- cenário futuro da Nefrologia brasileira sem financiamento adequado da para se preocupar com a DR pré-dialítica. Você imagina uma para diálise e transplante. A necessidade desses procedimentos vai pessoa que aprende fisiologia renal, que é maravilhosa, e entra no aumentar até haver um equilíbrio. Existem 385 pacientes/milhão de circuito de tratamento da DRC quando o rim já parou de funcionar. habitantes no Brasil em diálise; número muito baixo para nosso IDH. É um paradoxo frustrante. Todo nefrologista sonha cuidar do pa- Na comparação com países com situação economia parecida com ciente com rim funcionando. Isso aproxima a Nefrologia dos ideais a nossa, estamos bem abaixo. Examinando as cifras internacionais, de quem procurou entender a fisiologia renal e a fisiopatologia das percebe-se que quanto melhor o sistema de saúde, maior o número enfermidades renais. de pacientes em diálise por milhão de habitantes. O Japão tem 1600, os EUA têm 1300, o Uruguai tem 900, o Chile, 800 e nós, 380. Signi- 12 - O tratamento dialítico perde importância no tratamento da fica que um contingente grande de brasileiros não alcança o sistema DRC visto a crescente importância médica e financeira dos medi- e falece antes de ser tratado. camentos específicos? O que se discute é se o percentual de pacientes que recebe medi- 8 - Qual a importância da conscientização da doença renal no País? camentos de alto custo poderia ser menor. O Governo precisa de A SBN tem muita disposição de apoiar qualquer iniciativa que torne mais estudos para lidar com dados mais concretos e regular isso o conhecimento da DRC mais acessível à população. O interesse mais eficientemente. é que essa estratégia seja multifocal; não há necessidade da SBN centralizar o processo nesse momento. Vão surgir muitas iniciativas 13 - Como a parceria junto à Fresenius Medical Care pode contri- no Brasil e quantas mais surgirem, melhor. Quando o sistema estiver buir para aumentar a qualidade da Nefrologia exercida no país? definido, talvez seja mais fácil para a SBN ter um programa nacional. Uma parceria com a Fresenius Medical Care é muito bem-vinda. A Diversas iniciativas poderão se agregar a um programa central da companhia tem um peso muito importante, pois toma para si a res- SBN, ser algo mais uniforme e ter custo-efetividade maior. ponsabilidade assistencial de uma fração considerável dos pacien- 9 - O Censo 2006 da SBN mostra redução no crescimento percen- dústria, respeitando os padrões éticos, pelo menos em minha gestão, tual de pacientes em diálise no país. Que ações a SBN tomou para sempre existiu e sempre existirá. tes com falência renal. A disposição da SBN de trabalhar com a in- solucionar este grave problema? 7 Notícias Fresenius Além de grande parceiro da Fresenius Medical Care, a NefroMG é um dos principais centros de referência no tratamento de doentes renais no Dr. Gustavo Capanema (à país. Sua constante preocupação com a qualidade de seus serviços esq.) e Dr. Milton Campos se reflete no nível de sua equipe multidisciplinar, na atualização e pes- dirigem a NefroMG. quisa científicas realizadas, nos equipamentos modernos e na busca constante em oferecer aos seus pacientes a melhor assistência. Iniciou suas operações em maio de 2002 na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, e passou a concentrar todas as responsabilidades administrativas e financeiras do centro. A NefroMG consistia antes em uma empresa criada pelos coordenadores do serviço, Dr. Milton Hoje há 11 nefrologistas titulados pela SBN (dois doutores e três Soares Campos Neto e Dr. Gustavo Capanema. Foi criada para solu- mestrandos pela UFMG), três cirurgiões especialistas em acesso cionar uma grave crise que o complexo hospitalar sofria que ameaçava vascular disponíveis 24 horas por dia, além do suporte de cardio- sua continuidade. Atua nas áreas de Nefrologia Clínica, Nefropediatria, logia e urologia, principalmente para o preparo do doente renal Nefrointensivismo, Diálise Crônica, Transplante Renal e Pesquisa Clínica. ao transplante. Atuam, ainda, duas nutricionistas, duas psicólogas, duas assistentes sociais, oito enfermeiras, 70 técnicos de “O Grupo Santa Casa representa hoje o maior complexo de saúde do estado enfermagem acrescidos de um amplo quadro administrativo. de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil. É formado por um complexo que Há 14 residentes/especializandos específicos de Nefrologia inclui dois hospitais, sendo um hospital central de mil leitos, dos quais 800 são e cinco residentes de programas de clínica médica do MEC, destinados aos pacientes do SUS, e um outro hospital anexo (Hospital São que tem no serviço sua referência para o estágio obrigatório Lucas), dotados de 160 apartamentos destinados a pacientes conveniados e na área. particulares. O Centro de Especialidades Médicas Metropolitano de Belo Horizonte (CEM) faz parte do Grupo Santa Casa e foi inaugurado em outubro de O programa de residência/especialização está estruturado 2007. É uma unidade ambulatorial criada a partir de um moderno e arrojado segundo um rígido projeto de atividade teórico/prática, com projeto arquitetônico, em uma área de 7500m². Lá estão 80 consultórios de atuação em todas as áreas da nefrologia. Já o programa diversas especialidades médicas e uma estrutura de apóio diagnóstico. Neste teórico está montado em uma intensa grade, com uma ou centro há oito consultórios de Nefrologia, onde já foi implementado o programa duas atividades por dia, de segunda a sexta, com aulas de renoproteção, dispensando atualmente 800 consultas específicas de ne- expositivas, revisão de protocolos, discussão de casos clí- frologia por mês e o compromisso firmado com a prefeitura de Belo Horizonte nicos, clube de revista, sessão anátomo-clínica, além dos de alcançar 1200 consultas até o final do ano, atendendo pacientes de toda Grand Rounds de Nefrologia, a cada dois meses, com a pre- região metropolitana e do estado como um todo. O Hospital São Lucas recém- sença de expressões da nefrologia nacional. inaugurou um moderno CTI com 28 leitos que, somados aos outros 28 leitos do CTI do Hospital Central, mais 18 da urgência cardiológica e 50 leitos de A Fresenius Medical Care teve uma participação considerável CTI pediátrico, totalizam 124 leitos de terapia intensiva, representando uma da história da NefroMG, desde seu surgimento, como relem- intensa demanda de atendimento de pacientes com insuficiência renal agu- bra Dr. Gustavo Capanema: “A primeira empresa que chama- da”, explica o Dr. Gustavo Capanema, diretor da unidade. mos foi a Fresenius Medical Care, onde de imediato acertamos a aquisição de sete máquinas de hemodiálise, sendo que uma Cerca de 430 pacientes em hemodiálise são atendidos mensalmente, em três turnos. delas era 4008S e as demais 4008B. Após a utilização dos equipamentos e dos insumos da companhia não foi difícil constatar sua qualidade e ocorrer uma fidelização. A FME é um parceiro de grande flexibilização. Podemos contar com ela também no fomento de pesquisa e estudos”. A opinião também é endossada também pelo diretor Dr. Milton Campos. “Sempre que tivemos um imprevisto, pudemos contar com a Fresenius Medical Care. Tudo que pedimos tivemos um retorno atencioso e rápido. Podemos contar com essa parceria. É tão boa que pretendemos frutificar para outras áreas, como pesquisa”. 8 A busca pela excelência da qualidade no atendimento aos pacientes renais se reflete na NefroMG, ainda, nos recursos utilizados e pela constante preocupação em discutir e trazer novidades científicas junto à equipe. Atualmente, trinta computadores processam A Diálise Peritoneal é bastante valorizada pela NefroMG. Existem 37 os procedimentos realizados; estes dados permitem uma versati- pacientes assistidos pela terapia de convênio e SUS. A Enfermeira res- lidade na organização e interseção de informações clínicas e ge- ponsável pela DP na clínica, Ilka Martins dos Santos Machado, é grande renciais para estatística e relatórios. O recurso é uma novidade entusiasta do procedimento. “Tenho experiência em hemodiálise e em na área de diálise do país e chama-se Sistema SMART SAP. DP. Nesta, o paciente tem grande responsabilidade pelo tratamento, mas a qualidade e a liberdade são maiores pois não há horário fixo, deslo- Existem 75 estações de diálise e 85 máquinas de hemodiálise, camento. Isso pesa na qualidade de vida e conta como pontos positivos que atendem cerca de 430 pacientes de convênios e SUS ao na escolha. Na NefroMG são encaminhados a mim vindos do ambulatório mês. O Sistema Genius® tem sido utilizado na NefroMG desde pela equipe médica. Ocorre uma entrevista inicial. Passamos esse paciente dezembro de 2007 (veja quadro ao lado). A clínica funciona de para o grupo multidisciplinar e decide-se pela visita domiciliar, onde ha- segunda a sábado, em três turnos. Pacientes de CTI são aten- verá orientações de todas as dúvidas para iniciar o tratamento. A equipe didos 24 horas por dia. É uma das poucas unidades de diálise implanta o cateter e eu treino paciente e família todos os cuidados para o no país que utiliza somente membranas de alto fluxo (super- tratamento em casa”, diz a especialista. fluxo), desde setembro de 2007. “Nós nos convencemos do benefício frente a parâmetros clínicos, como qualidade de vida, morbidade e taxa de mortalidade, melhor controle da anemia e outros marcadores bioquímicos. Estamos avaliando o impacto nos parâmetros nutricionais e inflamatórios (bioquímicos e antropométricos)”, acrescenta Dr. Gustavo Capanema. “Quando a atual administração assumiu o centro de hemodiálise da Santa Casa, adotando a política de transformá-lo em Equipe da NefroMG. referência nacional, percebemos que os investimentos em equipamentos e em profissionais elevaram a confiança e o respeito dos pacientes da NefroMG. A participação dos pacientes nas atividades do centro são bem aceitas e ativas. Ilka Martins dos Santos Machado, Enfermeira responsável pela DP na clínica, é incentivadora da terapia. São realizadas campanhas de nutrição, médica e serviço social, orientando-os na busca de seus direitos. Há distribuição de cartilhas educativas. Datas comemorativas, como Dia das Mães e Páscoa, são comemoradas e elevam a auto-estima do paciente”, afirma Armando Santos, presidente da Associação dos Pacientes Renais da Santa Casa de Belo Horizonte. Rejane Moreira Pena, enfermeira responsável pelo Suporte às Sessões de Hemodiálise em CTIs, destaca o entrosamento entre as equipe nefrológica e do CTI após uso do Sistema Genius®. O Sistema Genius® na NefroMG O Sistema Genius® está funcionando a pleno vapor na NefroMG. Após o treinamento e capacitação de médicos e de enfermeiros, está sendo plenamente usado em quase todos os pacientes do SUS e convênio, que necessitem de suporte hemodialítico, principalmente nos CTIs. “Estamos muito satisfeitos com esse novo sistema. A experiência, apesar de curta, tem sido muito satisfatória pelos resultados clínicos já levantados, onde aferimos a intensidade do clearance, pela segurança e praticidade dentro da dinâmica da Unidade de Terapia Intensiva”, atesta Dr. Gustavo Capanema. O entrosamento entre a equipe nefrológica e do CTI é destaque para a enfermeira Rejane Moreira Pena, responsável pelo Suporte às Sessões de Hemodiálise em CTIs. “Já se percebe uma satisfação nas equipes. Para ambas fica muito clara a segurança para o funcionário e para o paciente, que é controlada por cartão sem pular nenhuma etapa do tratamento. A máquina tem um design próprio para caber no box do CTI”. 9 Atualização Clínica Maria de Fátima Bandeira, Alberto Zagury, Luiz Afonso Mariz. CDR-KA – Rio de Janeiro Recém-nascidos e crianças dere a faixa etária, o peso da criança, o grau de repercussão dos em Unidades de Tratamento distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos e a conseqüente reper- Intensivo apresentam Insu- cussão no agravamento da doença de base. As condições clínicas ficiência Renal Aguda (IRA) quanto à instabilidade hemodinâmica necessidade de ventilação como evento secundário a mecânica, manuseio hídrico, suporte nutricional e controle metabóli- quadros clínicos de diferentes co são também muito importantes. gravidades. Freqüentemente a IRA é um evento secundário Durante muitos anos a Diálise Peritoneal (DP) foi considerada a única à Síndrome da Disfunção Múltipla de Órgãos (DMOS), levando à opção terapêutica para crianças em IRA. Como é um método tecni- necessidade de tratamento dialítico para manter o equilíbrio do meio camente mais fácil, tem uma enorme aceitação. Sua eficiência dialíti- interno. Nos últimos anos houve mudança na epidemiologia da IRA ca é boa, especialmente em recém-nascidos, pela relação superfície em pediatria. Na década de 90 as causas mais freqüentes de IRA peritônio/peso corpóreo. Porém, a alta permeabilidade do peritônio à eram as gastroenterites com desidratação, as glomerulonefrites pós- glicose dificulta uma ultrafiltração eficaz. Em RN de muito baixo peso, infecciosas e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU). Atualmente as asfíxicos, em alguns pós-operatórios de cirurgia cardíaca e naqueles complicações sistêmicas da sepse, os pós-operatórios de cardio- com SHU, a DP torna-se o método de escolha. Entretanto, em caso patia congênita, as doenças hemato-oncológicas e os transplantes de sepse com instabilidade hemodinâmica grave, a DP pode não ser hepáticos e de medula óssea são causas freqüentes de IRA. Na efetiva pelo comprometimento de circulação da membrana peritone- CDR - Clínica de Doenças Renais do Rio de Janeiro as causas mais al. A DP em pacientes graves é sempre realizada de modo contínuo freqüentes de IRA em 305 crianças submetidas à TSR, no período (DPC), isto é 24horas/dia. Em crianças maiores, com estabilidade entre 2002 a 2007, foram sepse em 41%, pós-operatório de cirurgia hemodinâmica e menor necessidade de infusão de volume a Diálise cardíaca em 29,5%, doenças hemato-oncológicas 13%, asfixia 12% Peritoneal Automatizada (DPA) possibilita sessões de 12 horas/dia. O e SHU 6%. (Fig 1). Estas condições clínicas de extrema severidade acesso ao peritônio é feito, preferencialmente, através do cateter de constituem as mais freqüentes indicações de TSR e se associam Tenckhoff. Os cateteres rígidos, colocados por punção, têm sobrevi- à mortalidade elevada. Estas mudanças na epidemiologia da IRA da curta e maiores chances de obstrução por omento. Nas situações refletem também o desenvolvimento tecnológico de países industria- em que o peritônio é inviável como membrana de troca (onfaloce- lizados e o crescente número de unidades de cuidados intensivos le, gastrosquise e enterocolite necrotizante), a hemodiálise contínua neonatais e pediátricos. (HDC) torna-se uma indicação absoluta. Os neonatos e lactentes são submetidos preferencialmente a procedimentos contínuos, pela Fig. 1 - Causas mais frequentes de IRA com TSR CDR: 305 crianças ( 2002- 2007) 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 instabilidade hemodinâmica presente na maioria dos casos e pela necessidade de remoção continuada de volume. 41 A Hemodiálise Contínua é a modalidade mais utilizada. Em crian29.5 ças de baixo peso o principal fator a considerar é a obtenção de 13 um efetivo acesso vascular. Cateteres de dupla-luz de 6,5 Fr e 7 Fr 12 5 podem ser colocados, por via cirúrgica, em veias jugular interna ou femural e a efetividade destes acessos constitui a grande chance Sepse Pos op Neo / Lise Asfixia SHU Nefroweb KMR2 de êxito do tratamento hemodialítico. Uma segunda consideração deve ser colocada em relação à escolha de dialisador e linhas do circuito extracorpóreo para que o “prime” não ultrapasse 10 a 15% Escolha do método de TSR As indicações de TSR e a escolha do método não devem ser vistas de uma forma absoluta, mas dentro de uma perspectiva que consi- 10 da volemia da criança. Naquelas crianças com peso inferior a 3 kg, recomenda-se o preenchimento do circuito com sangue total ou concentrado de hemácias e albumina a 5%. Fluxos de sangue de 5 a 10 ml/Kg/min exigem bombas de sangue com calibração adequada ao diâmetro das linhas neonatais e pediátricas. Na Figura 2 demonstra- mos um esquema do circuito extracorpóreo e o cálculo para pres- Fig. 2 - Escolha do circuito extracorpóreo e volemia crever linhas e dialisadores apropriados na dependência do peso/ volemia de cada criança. A anticoagulação é feita com Enoxiparina Volemia 80 ml x peso corporal Volume de preenchimento do circuito extracorpóreo não deve exceder 10% - 15% da volemia Linha arterial 0,5 -1mg/Kg cada 24h ou heparina inicial 20 U/Kg, seguida de infusão de 5U -10 U/Kg/h. Dialisador Nos procedimentos contínuos, o cálculo da ultrafiltração horária Faixa de peso < 10 kg - F3® e Linhas Ped Baby® Volume total - +50 ml deve ser no mínimo igual ao volume de infusão recebido no mesmo espaço de tempo, para evitar balanços positivos. Por outro lado, um Linha venosa > 10 < 15 kg - F4® e Linhas Pediátricas Volume total + 80 ml balanço negativo da criança igual ou superior a 10% do peso corporal em 24h está associado a alterações hemodinâmicas e piora da hipotensão e choque. A taxa de UF pode ser também ser calculada em 0,1ml/kg/min. Fig. 3 - IRA e TSR - Distribuição por faixa etária HDCs efetivas e seguras partem de duas regras: 1. Não ultrapassar 10% da volemia para preenchimento do circuito extracorpóreo. 2. Evitar balanço negativo total (em 24h) superior a 10% do peso corporal. 45 Distribuição por faixa etária 40,6 36 29,6 27 15 89% 5 a 9 anos 10 a 19 anos 18 A Hemodiálise prolongada (HDP) foi utilizada em crianças com mais de 20 Kg, nos casos de catabolismo exacerbado como na sepse e 9 0 Menor de 1 ano nas doenças hemato-oncológicas com lise tumoral. A duração varia 1 a 4 anos entre 8 a 12 horas diariamente e o volume de ultrafiltração necessário é o principal determinante do tempo. A prescrição da HDP consiste em Qb 40-60ml/min e Qd de 300 ml/min. Com a eficiência da HDC Fig. 4 - Distribuição por faixa etária/peso e por Tipo de Terapia de Substituição Renal e da HDP diária, as concentrações de potássio e fósforo tornam-se abaixo do normal rapidamente e torna-se necessário a adição destas substâncias. A Hemodiálise Intermitente (HDI) tem uma indicação bem menos freqüente sendo reservada para crianças maiores que apresentem estabilidade hemodinâmica e baixo catabolismo, como SHU e necrose tubular aguda. 72 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Nesta casuística da CDR, a grande maioria das crianças (70,2%) 50 40 37 34 34 30 22 16 12 6 <1500g 3 1 1500g - 2500g DPC 11 HDC >2500g Lactentes HDI HDP Crianças PLASMAFERESE Nefroweb KMR2 tem menos de 5 anos (figura 3) e a distribuição das variadas modalidades dialíticas empregadas, de acordo com a faixa etária e o peso, está demonstrada na figura 4. Fig. 5 - Mortalidade por faixa etária e por Tipo de Terapia de Substituição Renal - 2002-2007 As Terapias de Substituição Renal são exeqüíveis em todas as faixas etárias e, portanto, devem fazer parte do tratamento de suporte em todas as crianças internadas em UTIP/N. As várias causas de <1500g 100 1500g - 2500g 89% >2500g 80 IRA exigem diferentes modalidades de tratamento dialítico. A causa mais freqüente de IRA, que levou ao tratamento dialítico em todas as faixas etárias, foi a sepse. Os métodos contínuos foram os mais 63% 60 53% 47% 40 utilizados. A mortalidade total neste grupo foi de 53%, e pareceu estar diretamente relacionada a doença de base e a faixa etária. (Fig. 5). Os fatores de pior prognóstico foram relacionados à sepse, associados ou não à prematuridade. 16% 20 0 RN Lactentes Crianças Total Nefroweb KMR2 11 Produtos A Fresenius Medical Care, líder mundial em produtos e serviços para Qualidade tratamento dos pacientes renais, busca a cada dia formas de otimizar Os concentrados Fresenius Medical Care oferecem o mais alto grau recursos e evoluir na qualidade do tratamento. de pureza e qualidade, dentro do conceito de biocompatibilidade que, ao longo do tempo, tem sido uma preocupação constante de Exemplos disso são o bibag®, os dialisadores de alto fluxo e nossas nossa empresa. máquinas 4008S, produtos revolucionários que vêm oferecendo uma qualidade incomparável ao mercado brasileiro. Acabamos de lançar Sua produção obedece a rigorosos critérios de fabricação da mais uma inovação: os concentrados ácidos para hemodiálise de 10 indústria farmacêutica, tendo obtido diversas certificações nacionais litros para diluição 1:44. e internacionais. O grande diferencial desta apresentação é a sua composição mais Além disso, os concentrados Fresenius Medical Care são os únicos concentrada, que proporciona um custo-benefício nunca visto antes produzidos com água purificada de qualidade injetável (padrão no mercado brasileiro: uma bombona de 10 litros substitui três WFI-USP), contribuindo para uma maior segurança e eficácia da bombonas de 5 litros. terapia renal. Aliado ao bibag®, o concentrado ácido de 10 litros forma o COMBO • A ausência de água no bibag® e o preparo em sistema fechado Fresenius Medical Care, a combinação que potencializa economia e (sem contato com o ar) evitam os riscos de contaminação. praticidade na diálise. Uma bombona ácida de 10 litros e dois bibag® • As diversas apresentações de CPHD permitem um tratamento (700g e 950g) são suficientes para realizar 3 procedimentos¹. individualizado para maior benefício de cada paciente. Para utilizar o COMBO Fresenius Medical Care, basta realizar um Economia simples ajuste na configuração de sua máquina de hemodiálise, que • Economia nunca vista no mercado: saiba mais com o seu pode ser feito por um técnico da Fresenius Medical Care, ou pelo representante de vendas da Fresenius Medical Care. próprio técnico de sua clínica, que poderá contar com o apoio do • Ganho de espaço: redução superior a 50% do estoque utilizado. manual disponível com o seu representante Fresenius Medical Care. Praticidade • Conceito de refil: as novas bombonas de 10 litros dão fim ao trocatroca diário nas salas de diálise: basta repor a bombona ácida à noite. • A utilização do bibag® no dia-a-dia é de fácil manuseio e descarte pela equipe de profissionais de saúde. Sua embalagem é leve. A novidade na composição dos concentrados ácidos de 10 litros são as novas apresentações com cálcio 2,5 e cálcio 3,0². Cada vez mais Composição dos concentrados ácidos de 10 Litros associa-se a oferta de cálcio com balanço positivo (cálcio 3,5) à Na+ K+ Ca++ Glicose (mEq/l) (mEq/l) (mEq/l) (g/L) CPHD 22/44 138 2,0 2,5 - CPHD 22G/44 138 2,0 2,5 1,0 CPHD 23/44 138 2,0 3,0 - CPHD 23G/44 138 2,0 3,0 1,0 Produto 1 2 calcificação vascular e ao aumento da mortalidade cardiovascular. As novas apresentações, além de oferecer uma maior individualização do tratamento, seguem a tendência de ofertar um cálcio mais baixo ao paciente realizando um balanço próximo ao neutro. - Sessões de 4 horas com fluxo de banho de 500ml/min. - Este assunto foi tema da seção Atualização Clínica, “Soluções para Hemodiálise”, da oitava edição do BRA. Fale conosco | Envie sua mensagem para o BRA pelo nosso e-mail: [email protected] SAC.: Web: Rua do Passeio 62, 10º andar Centro, Rio de Janeiro, RJ Brasil - 20.021-290 0800 0123434 www.fmc-ag.com.br BRA é um informativo da Fresenius Medical Care do Brasil Ltda., com periodicidade trimestral. Proibida a reprodução total ou parcial, salvo com autorização expressa da Fresenius Medical Care. Publicação de distribuição interna e gratuita. Editora: Renata Frade Revisão: Ester Gomes Design e Produção Gráfica: Nobrasso.com Fotos: FME Corporativas, Ricardo Gama, Jailson Ramos, Divulgação ABCDT e Renata Frade As matérias contidas neste veículo são de inteira responsabilidade dos seus autores. Maio de 2008 l Tiragem: 5.000 unidades