Livro de
Resumos
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Índice 1 Sr. Dr. dói‐me o coração 2 “EnSegurança”: um caso de aplicação prática da Avaliação Familiar 3 “Faltava uma peça no puzzle ”‐ A propósito de um caso clínico 4 “QUANDO TRATAR DEMAIS SE ASSOCIA A MALEFÍCIOS” – Prevenção Primária com Estatinas nos Muito Idosos 5 “Um tabú para muitos” 6 A excelência da Medicina Geral e Familiar 7 Anemia no Idoso: estudo transversal numa Unidade de Cuidados Primários 8 Apenas mais um acidente de Trabalho? 9 Avaliação do Desenvolvimento Psicomotor – Utilização da Escala de Mary Sheridan Modificada nos Cuidados de Saúde Primários 10 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO ESCOLAR DO CONCELHO DE BOTICAS 11 Avaliação e melhoria contínua da qualidade no cumprimento do calendário de exames da gravidez 12 BenZoPrev ‐ Prevalência de consumo de Benzodiazepinas numa USF 13 CANCRO COLO‐RETAL: RELATO DE CASO 14 Cancro da mama depois da idade do rastreio 15 Caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente 16 Ciclo de melhoria da qualidade das citologias cervico‐vaginais efectuadas numa Unidade de Saúde Familiar 17 Como agir perante a pessoa em luto? – A propósito de um caso clínico 18 Consumo de Álcool e Tabaco nos Adolescentes: Uma Avaliação da Qualidade www.encontro.aimgfzonanorte.pt
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19 Diabetes Mellitus tipo 2 – Estudo transversal de uma lista de utentes 20 Diagnóstico de cancro da mama: Mamografia de rastreio ou sinais e sintomas? 21 Eficácia do uso de corticóides tópicos no tratamento da fimose primária em crianças e adolescentes 22 Erradicação do Helicobacter Pylori ‐ Fim de linha para a terapêutica tripla standard? 23 Estudo EXPO 2010: Excesso de peso e Obesidade Infantil ‐ reavaliação 24 Estudo GaLes ‐ Caracterização das atitudes de profissionais de Cuidados de Saúde Primários perante lésbicas e gays 25 Fibrilhação Auricular: quando hipocoagular? 26 Fimose ‐ Como abordar e orientar 27 Herpes Zóster nos cuidados primários – Estudo descritivo de uma série de casos 28 Hipertensão Arterial secundária – a propósito de um caso de Síndrome de Junção pieloureteral 29 Hipertensão no Grande Idoso: Tratar ou não Tratar? 30 IECA ou ARA ‐ qual a evidência na mortalidade em diabéticos hipertensos? 31 IMPLANTE SUBCUTÂNEO: A EXPERIÊNCIA DE UMA UNIDADE 32 Levotiroxina no tratamento da patologia nodular benigna da tiroide – uma revisão baseada na evidência
33 Líquen Plano Oral ‐ a propósito de um caso 34 Liraglutido no tratamento da obesidade e do excesso de peso em não diabéticos – o futuro? 35 Mais do que uma demência... 36 Melatonina em idade pediátrica: que evidência? 37 Melhoria da qualidade da prescrição de anti‐inflamatórios não‐esteroides sistémicos no adulto 38 Nódulo da tiroide www.encontro.aimgfzonanorte.pt
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39 O doente depois da "cura" 40 O Nascimento de um Ciclo de Melhoria Contínua da Satisfação dos Cuidados Prestados aos Utentes 41 O papel do cigarro eletrónico na cessação tabágica – uma revisão baseada na evidência 42 Perturbação Orgânica da Personalidade ‐ um caso de integração de cuidados 43 Prevalência da prescrição de IBP ( Inibidores da bomba de protões) numa unidade de saúde 44 Prever para agir na Diabetes 45 PROJECTO TIRO’LISSO 46 Projeto de intervenção na comunidade sobre alimentação saudável 47 Projeto MetDiab: Avaliação e Garantia da Qualidade da Prescrição de Metformina em Doentes Diabéticos com Declínio da Função Renal 48 Propranolol no tratamento do Hemangioma Infantil: revisão baseada na evidência 49 Recomendação do uso de sal iodado na prática familiar – qual a evidência dos benefícios? 50 Referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários: melhoria contínua da qualidade 51 Requisição de G‐GT em consulta de Saúde de Adultos 52 Será apenas síndrome do cubital? 53 Um Entardecer Complicado 54 USF dos Pequenitos 55 Uso de benzodiazepinas e os efeitos nos diferentes domínios da cognição 56 Uso de Flavonoides na Sintomatologia Hemorroidária: uma revisão baseada na evidência 57 Uso de Probióticos na prevenção da diarreia associada a antibioterapia em idade pediátrica – qual a evidência? www.encontro.aimgfzonanorte.pt
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
"Sr. Dr. dói-me o coração"
Comunicação na consulta,Entrevista centrada no doente
Enquadramento: A entrevista centrada no doente é um dos pilares fundamentais da
consulta em Medicina Geral e Familiar. No entanto, o interno que dá os primeiros
passos na condução da consulta pode frequentemente tender a priorizar a entrevista
centrada no médico, como forma de se tranquilizar relativamente à gravidade do
quadro. O relato que trago é de uma consulta que teve duas conduções distintas com
resultados bem diferentes.
Descrição do Caso: VM, sexo feminino, 65 anos, Graffar classe IV, família nuclear em
estadio VII de Duvall. Vem a consulta programada de HTA. Antes de chamar, vejo o
SOAP e percebo tratar-se de uma utente muito frequentadora, com múltiplas queixas
em cada consulta. Vejo que faltou à primeira consulta de ortopedia, para onde tinha
sido referenciada no contexto de coxartrose com dor refractária ao tratamento
instituído. Após ter recebido a doente, apresentando-me e garantindo
confidencialidade, pergunto abertamente como tem passado. A resposta não me
surpreende: “Não tenho passado nada bem Dr”. Devolvi “Nada Bem?”. Respira fundo,
faz um silêncio curto, e inicia uma dissertação de queixas que iam desde dor na anca,
passando pela tiróide, até dor intensa no coração. Esta última queixa foi uma
campainha ensurdecedora para os ouvidos inexperientes de um interno do 1ºano.
Iniciei imediatamente uma anamnese detalhada da dor, tendo obtido respostas
incongruentes. Ela tinha expectativas relativamente àquela queixa que ultrapassavam
o âmbito biológico. Decidi parar e voltar à estrutura de entrevista que tinha
aprendido no curso de comunicação. Perguntei “A que acha que se deve essa dor no
coração?”. O silêncio foi mais longo, e as revelações que se seguiram deram sentido
a meses de queixumes...
Já no final da consulta lembrei-me de um assunto pendente: “Faltou à consulta de
ortopedia, quer que a referencie?” Já preparando-se para sair, respondeu “Não Dr,
não me dói assim tanto. Obrigada por me ouvir.”.
Discussão: Se é verdade que ter competências semiológicas é essencial para uma
correcta abordagem da doença, não é menos verdade que integrar esses
conhecimentos nas emoções e crenças do indivíduo, pode ser o segredo para uma
prática médica que satisfaz todas as necessidades do doente, como ser humano
inserido num contexto familiar, social e cultural. Com esta doente aprendi que ser
bom médico não é só saber excluir uma angina instável. É perceber que a dor no
coração pode ser, para o doente, a amargura de uma vivência que feriu o seu
mundo, e que não consegue curar se a guardar só para si.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Catarina Rodrigues
Local de Trabalho
Email
USF Casa dos Pescadores
[email protected]
Outros Autores
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
“EnSegurança”: um caso de aplicação prática da Avaliação Familiar
Família, Avaliação Familiar, Personalidade Narcísica, Vinculação Insegura
Enquadramento: Segundo a definição da WONCA, pertence às competências do
médico de família centrar a sua abordagem na pessoa. Para tal, deve tomar em
consideração os contextos que a envolvem. O contexto familiar pode condicionar
fatores de proteção ou de risco, para o bem-estar de cada elemento. A avaliação
familiar pode ser um instrumento de trabalho valioso para o médico de família.
Apesar de o MF trabalhar com as famílias na sua consulta, a entrevista com recurso a
alguns instrumentos pode facilitar a clarificação dos motivos de uma disfunção.
Descrição do Caso: RC, sexo masculino, tem 24 anos, pertence a família nuclear, na
Fase VI de Duvall, e é estudante universitário. Apresenta crises de ansiedade
recorrentes desde há 3 anos, com várias idas ao Serviço de Urgência Hospitalar, e
necessidade de instituição de psicofármacos pela Médica de Família. Como
antecedentes pessoais tem perturbação refrativa corrigida, e excesso de peso na
infância. O quadro clínico motivou a realização de uma Avaliação Familiar. RC vive,
desde a infância, uma grande ligação emocional à mãe, que descreve como muito
protetora. Socialmente refere evicção na interação com os pares, por sensação de
não saber como abordar. Não manteve um grupo de amigos, até à atualidade, mas
tem “melhor amigo” e namorada. Na aproximação do final da licenciatura hesita na
sua prossecução, e a partir daí começa a desenvolver sintomatologia ansiosa, com
crises agudas e recurso ao SU Hospitalar. Ingressa em outro curso, mas mantém
crises de ansiedade, que precedem as avaliações. Está sob acompanhamento
Psicológico nos CSP, e medicado com fluvoxamina 50 mg id, alprazolam 0,5 mg lp, e
alprazolam 0,25 mg SOS.
Discussão: RC é inseguro quanto à interação social. Parece também estar inseguro
perante o ingresso na vida profissional, condicionando o avanço na sua
autonomização. A Avaliação Familiar realizada aponta para uma dificuldade em
arriscar, por insegurança, em contexto de vinculação insegura. A avaliação da
Psicóloga conclui haver uma Perturbação de Personalidade Narcísica, que o faz não
conseguir arriscar, por almejar a perfeição que não sabe se vai obter. RC quer
autonomizar-se, mas quer permanecer “em segurança”. A interna reconhece as
dificuldades na intervenção pelo MF. A utilização de técnicas adequadas de
comunicação, o encaminhamento para Psicologia e eventual Psiquiatria, e a
farmacoterapia adequada, são as atitudes propostas. RC mantém-se sob consulta de
Psicologia e sob farmacoterapia.
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Ana Esperança
Local de Trabalho
Email
USF Nova Via
[email protected]
Outros Autores
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
“Faltava uma peça no puzzle ”- A propósito de um caso clínico
Enurese Noturna
Enquadramento: : A abordagem centrada no utente representa uma competência do
Médico de Família (MF) fundamental na prestação de cuidados de saúde.
A Enurese Noturna (EN) caracteriza-se pela incapacidade de controlar o esfíncter
vesical após os 5 anos de idade. Atinge cerca de 15% das crianças e geralmente tem
tendência para resolução espontânea. Sabe-se que exerce uma influência negativa na
criança/adolescente e na sua família, gerando dificuldades de relacionamento entre
pais e filhos.
Descrição do Caso: Adolescente do sexo feminino, 13 anos, pertencente a uma
família nuclear, na fase 5 do ciclo de Duvall e classe III de Graffar. Recorreu à
Consulta de Saúde Infantil em abril de 2012, acompanhada pela mãe. Apresenta
como antecedentes patológicos: EN diagnosticada e medicada desde 2007, sem
sucesso terapêutico. Durante a avaliação foram ainda identificados outros problemas
como o excesso de peso e a dislipidemia. Perante esta situação foi adoptada a
técnica de escuta terapêutica no decorrer da consulta. A adolescente juntamente com
a MF efetuou uma análise sobre qual a razão que a levou a perder o controlo de
esfíncter vesical aos 8 anos de idade e qual o impato que esta doença exercia no
relacionamento com a família e grupo de amigos.
A MF e a mãe permitiram “espaço” para que adolescente exteriorizasse o motivo que
despoletou a EN. Segundo esta, a doença tinha como fator precipitante um acidente
que a sua mãe sofrera provocado acidentalmente pela adolescente. Todos os dias
refere que olha com tristeza para a cicatriz que marcou para sempre a sua mãe.
Após um pedido de desculpas mútuo entre mãe e filha, comprometeram-se a discutir
o assunto que guardaram durante 5 anos, pois até àquele momento era considerado
um tabu familiar, não tendo permitido à criança ultrapassar o trauma reativo ao
episódio.
Após 6 meses, a adolescente deixa de necessitar de tratamento farmacológico e
apresenta 100% de noites secas.
Discussão: A Saúde Infantil é uma área exigente para o MF. Apenas dando espaço
para ouvir, a adolescente partilhou o motivo que despoletou a EN, completando-se
assim, a última peça do puzzle que iria permitir a resolução deste problema. Porque a
Medicina Geral e Familiar é muito mais que a descoberta de um diagnóstico, é sim
um médico que enfatiza e cria relações interpessoais com intuito de beneficiar o
próprio doente.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Marisa Loureiro
Local de Trabalho
UCSP Vila Nova de Cerveira
Email
[email protected]
Outros Autores
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
“QUANDO TRATAR DEMAIS SE ASSOCIA A MALEFÍCIOS” – Prevenção Primária com
Estatinas nos Muito Idosos
Muito idosos; estatinas; prevenção primária.
Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) continuam a ser a principal causa de
mortalidade na população portuguesa, apesar da tendência constante de decréscimo
verificada nos últimos anos. Com o envelhecimento da população e o facto das DCV
permanecerem como a principal causa de morte entre os idosos, a prevenção nestes
doentes tem uma importância crescente. A dislipidemia é um fator de risco bem
estabelecido para estas doenças; apesar da sua elevada prevalência entre os idosos e
os muito idosos (idade superior a 80 anos), persiste a controvérsia dos benefícios do
seu tratamento com estatinas entre estes últimos.
Objetivos: Analisar a evidência existente quanto ao uso de estatinas, como prevenção
primária, nos indivíduos muito idosos, tendo em conta a diminuição da
morbi-mortalidade.
Metodologia: Pesquisa de artigos na Pubmed, sítios de Medicina Baseada na
Evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos
artigos selecionados, publicados entre janeiro de 2004 e junho de 2014, nas línguas
portuguesa, inglesa e espanhola, utilizando os termos MeSH: “aged, 80 and over",
"primary prevention" e "hydroxymethylglutaryl-CoA reductase inhibitors". Para
avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação foi utilizada
a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family
Physician.
Resultados: Foram encontrados 41 artigos, dos quais apenas 4 cumpriam os critérios
de inclusão. Todos os estudos são concordantes em relação ao uso de estatinas como
prevenção primária nos muito idosos: embora não existam dúvidas que o tratamento
com estes fármacos deve ser usado para reduzir o risco de DCV entre os indivíduos
idosos e na prevenção secundária, os estudos mostram que o mesmo não se verifica
para os indivíduos muito idosos e no que respeita à prevenção primária (SORT 3).
Discussão: Uma vez que se desconhece a eficácia do tratamento com estatinas nos
doentes muito idosos, torna-se urgente a realização de estudos para a avaliação do
uso destes fármacos nesta faixa etária. A decisão da sua utilização como prevenção
primária deve basear-se num bom juízo clínico e considerando as comorbilidades,
polifarmácia, possíveis efeitos adversos, esperança de vida, qualidade de vida e riscos
versus benefícios (Força de Recomendação C).
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Albina Oliveira
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Oceanos
[email protected]
Inês Bento (USF Garcia de Orta )
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
“Um tabú para muitos”
Disfunção eréctil ; ansiedade
Enquadramento: O desempenho sexual é um aspeto de grande influência no
bem-estar psicológico do ser humano,já que a sexualidade é um importante pólo
estruturante da identidade e da personalidade dos indivíduos.Casos de disfunção
sexual podem tanto originar como serem originados por estados emocionais como
ansiedade e depressão.Assim,as disfunções sexuais são um grande inimigo na
saúde,sendo ainda um grande tabú para muitos,dificultando o seu diagnóstico e
tratamento.
Descrição do Caso: A.F.M.,48 anos,sexo masculino,residente em Valbom.Casado,
reside com a mulher de 45 anos e os dois filhos.Trabalha como camionista, presente
em casa apenas ao fim de semana.
No dia 26/06/2014 recorreu a uma consulta aberta à USF Valbom, acompanhado pela
mulher, com queixas de ansiedade e entristecimento com um mês de evolução.
Referia maior “pressão no trabalho”. Sem antecedentes de depressão ou qualquer
outra patologia de relevo. Sem medicação habitual. Fumador de 30 UMA,sem hábitos
etílicos.
Mostrava-se ansioso, reticente no discurso. Acabou por expressar o problema que
mais o atormentava ,a disfunção eréctil, desde há cerca de um mês,altura
coincidente com maior stress laboral. Sentia-se oprimido a falar do assunto e referia
que o seu desejo sexual também diminuído começou a pôr em causa a sua relação
com a mulher.
Ao exame objetivo apresentava valores TA normais, pulsos pediosos e tibiais
posteriores palpáveis, e restante exame normal. Últimas análises registadas (2012)
ECG e Rx tórax normal.
Foi medicado com Tadalafil 5 mg, 2cp até 12h antes do ato sexual.
Dois meses depois o utente referiu bastante melhoria na ansiedade que referia
anteriormente e sem qualquer disfunção eréctil,já não necessitando da medicação
prescrita.
Discussão: Este quadro reflete a necessidade de perceber e tentar esclarecer,como
médico de família,o que está por trás dum quadro de início recente de disfunção
erétil. A ansiedade é identificada como um importante estado subjetivo de homens
com disfunção sexual bem como um fator de manutenção da disfunção.
A identidade masculina fica normalmente afetada e emocionalmente esta perseguição
a si mesmo traduz-se por mais ansiedade, baixa auto-estima e depressão, o que
protela ainda mais a sua disfunção além do impacto negativo no relacionamento
interpessoal.
Assim, a disfunção erétil é muitas vezes sintoma de outros problemas de saúde. Por
este motivo, é importante fazer o diagnóstico precoce desta condição, despistando
outras condições patológicas e obtendo os melhores benefícios a longo prazo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Filipa Frias
Local de Trabalho
Email
USF Valbom
[email protected]
Outros Autores
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
A excelência da Medicina Geral e Familiar
Médico de Família,Relação Médico-doente,Avaliação familiar
Enquadramento: As competências nucleares do Médico de Família distinguem-no pela
proximidade e continuidade de serviços, essenciais na abordagem nos Cuidados de
Saúde Primários.
O estabelecimento de uma relação médico-doente terapêutica é muitas vezes o
melhor medicamento que temos para oferecer e deve ser trabalhada continuamente
com vista à capacitação do paciente e à melhoria do seu estado de saúde.
Descrição do Caso: Trata-se de uma mulher de 51 anos, caucasiana, desempregada,
casada, de uma família nuclear, fase VII do ciclo de vida de Duvall, com disfunção
familiar moderada de acordo com o APGAR Familiar de Smilkstein e classe social de
Graffar média-alta. Como antecedentes de relevo, apresenta síndrome depressivo,
fibromialgia, cervicobraquialgia e lombalgia em contexto de discopatia vertebral,
obesidade, asma brônquica e hipotiroidismo. Estas co-morbilidades, na sua maioria
de difícil gestão, geram incapacidade funcional em termos da realização das
atividades quotidianas, nas relações interpessoais e interferem negativamente na
qualidade de vida da doente. É uma utente frequentadora, com uma consulta mensal
em virtude da incapacidade temporária para o trabalho e com vários processos de
invalidez recusados. Em todas as consultas salientam-se as queixas álgicas
constantes e depressivas flutuantes, aliadas a outras queixas inespecíficas e de difícil
contextualização. A avaliação familiar constituiu um momento crucial no
estabelecimento de uma relação médico-doente eficaz e permitiu compreender o
papel da família na génese dos problemas médicos e da própria relação da doente
com a doença. Atendendo à sua complexidade, optou-se por uma abordagem
multidisciplinar, com envolvimento de várias especialidades, mas garantido sempre a
continuidade de cuidados. Consulta a consulta, mais do que abordar e orientar as
doenças, procurou-se reforçar a relação médico-doente, através de técnicas simples
de psicoterapia e de mecanismos de coping.
Discussão: Este caso ilustra o “modelo” de doente que nos faz explorar todas as
competências inerentes à Medicina Geral e Familiar, sendo, portanto um exemplo da
excelência desta especialidade. De facto, a abordagem abrangente e holística,
centrada na pessoa, juntamente com a capacidade de gestão e resolução de
problemas específicos aliam-se de forma a proporcionar a melhor prestação de
cuidados em saúde.
Além disso, mostra o papel da avaliação familiar e a sua posterior integração na
abordagem dos problemas dos doentes.
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Célia Gomes Silva
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Famílias
[email protected]
Ana Margarida Pinho (USF Famílias)
Carla Almeida (CS Arouca)
Carlos Pedro Mendes (USF Salvador Machado)
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Anemia no Idoso: estudo transversal numa Unidade de Cuidados Primários
Anemia, Idoso, Prevalência
Introdução: A anemia é comum no idoso e sua prevalência aumenta com a idade.
Esta condição não é consequência do processo de envelhecimento e associa-se com
um aumento da morbimortalidade. Porém, são escassos os estudos que caracterizam
a anemia na população idosa no contexto dos cuidados de saúde primários.
Objetivos: Estimar a prevalência da anemia em idosos numa unidade de cuidados
primários e caracterizar a população em estudo.
Metodologia: Estudo transversal de uma população idosa de 1283 indivíduos.
Definiu-se uma amostra representativa constituída por 302 idosos. A recolha dos
dados foi efetuada com recurso à ficha individual do utente. Por anemia definiu-se
um valor de hemoglobina inferior a 13 g/dl no homem e 12 g/dl na mulher.
Resultados: Da amostra com idade média de 74.8±7,4 anos, 54,6% eram mulheres.
Foi encontrada uma prevalência de anemia no idoso de 14.9% (16.8% no homem e
13.3% na mulher), sendo superior a 20% acima dos 75 anos de idade. Apenas
11.8% dos idosos apresentou valor de hemoglobina inferior a 11g/dl. As causas de
anemia mais comuns foram a inflamação crónica e a doença renal crónica (DRC). Em
31.3% dos casos não foi identificada a causa. Aproximadamente um terço dos idosos
efetuou tratamento com ferro oral, apesar da ausência de ferropenia comprovada.
Verificou-se associação significativa entre a anemia e idade superior a 75 anos, baixa
escolaridade e diminuição da taxa de filtração glomerular. Género e comorbilidades
como DPOC ou etilismo crónico não mostraram associação com anemia.
Discussão: A prevalência de anemia no idoso foi similar à observada em estudos
internacionais, com um aumento da prevalência em função da idade e um ligeiro
predomínio do género masculino. A inflamação crónica e DRC são consideradas
causas comuns de anemia no idoso, o que foi corroborado pelos resultados. Porém o
doseamento laboratorial dos nutrientes eritropoéticos foi apenas realizado em 18%
dos casos, o que limita as conclusões relativas à etiologia da anemia. Ainda, dada a
extensão das comorbilidades no idoso, a identificação da causa de anemia pode ser
dificultada, sendo muitas vezes multifatorial. Na anemia sem causa identificada
alguns casos podem se dever a síndroma mielodisplásica, cuja frequência aumenta
com o envelhecimento. O baixo nível educacional e a disfunção renal aumentam o
risco para anemia, o que explica a associação observada.
Conclusão: A anemia no idoso é comum. A melhor compreensão da sua
epidemiologia e causa pode contribuir para melhorar a abordagem da doença.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Albino Martins
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF São Lourenço
[email protected]
Marta Ferreira (USF São Lourenço)
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Apenas mais um acidente de Trabalho?
Doença de Huntington,movimentos involuntários anormais,doença
neurodegenerativa,coreia,acidente de trabalho,doença hereditária,família
Enquadramento: As patologias que cursam com movimentos involuntários anormais
são clínica e patologicamente heterogéneas, com manifestações como tremor, coreia
(movimentos involuntários espontâneos, rápidos e abruptos, sem padrão de
previsibilidade), mioclonia, asterixis, espasticidade, distonia ou tiques.
A Doença de Huntington é a causa mais comum de coreia hereditária (autossómica
dominante). Os primeiros sintomas ocorrem tipicamente entre os 30 e os 50 anos de
idade, progredindo com deterioração motora e cognitiva, com morte precoce
geralmente ao fim de 10 a 25 anos.
Descrição do Caso: Utente do sexo masculino, 41 anos de idade, raça caucasiana,
casado. Desempregado (armador de ferro na construção civil até há 1 ano). Inserido
numa família nuclear, com Graffar classe III (classe média).
Sem antecedentes pessoais de relevo. História familiar de pai falecido aos 56 anos
com condição descrita pelos familiares como “Parkinson”(sic). 2 filhos gémeos, de 5
anos de idade, saudáveis até à data.
Um familiar do doente recorreu ao médico de família em Janeiro de 2014, referindo
que o utente apresentava quadro com 3 anos de evolução de “movimentos
descoordenados e desajeitados” (sic) dos membros, alterações de memória e
disartria, alterações essas semelhantes às que o pai do utente apresentava.
Concomitantemente destacou ainda a história de acidentes laborais na construção
civil, sendo o último o mais grave em 2012 (corte na mão direita com rebarbadora,
com sequelas funcionais definitivas).
Confrontado com a preocupação dos familiares, o utente recorre ao seu médico de
família 1 mês mais tarde, sendo referenciado à consulta de Neurologia, que
confirmou o quadro de coreia, por provável Doença de Huntington. Aguarda
actualmente pelo estudo genético.
Discussão: Os primeiros sinais de coreia são frequentemente notados pelos
familiares/ conviventes próximos. Como nas restantes doenças do movimento, a
história clínica e o exame físico (neurológico) são o principal método de diagnóstico.
As alterações motoras típicas da coreia podem ser verificadas clinicamente (entre
outras) pela impersistência da língua na protrusão ou, no quotidiano, pela
incapacidade de manutenção de um movimento numa dada tarefa, podendo, como
neste caso, predispor para acidentes.
O papel do médico de família no acompanhamento dos seus utentes ao longo das
várias fases da vida e na integração destes no seu contexto familiar e social
concede-lhe uma posição privilegiada na identificação e orientação destes doentes.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Hugo Taveira da Cunha
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Arquis Nova - ULS Alto Minho
[email protected]
Filipa Borges Lopes (USF Arquis Nova - ULS Alto Minho)
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Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Avaliação do Desenvolvimento Psicomotor – Utilização da Escala de Mary Sheridan
Modificada nos Cuidados de Saúde Primários
Saúde Infantil,Desenvolvimento psicomotor,Escala de Mary Sheridan modificada
Introdução: Estima-se que cerca de um milhão de portugueses padeça de algum
défice psicomotor. Os Médicos de Família desempenham um papel fundamental no
diagnóstico atempado destas alterações. O Programa Nacional de Saúde Infantil e
Juvenil actualmente em vigor enfatiza a importância da avaliação do desenvolvimento
psicomotor (DPM).
Objetivos: Compreender a realidade da avaliação do DPM no âmbito das consultas de
vigilância de Saúde Infantil e Juvenil nas unidades de cuidados de saúde primários
dos ACES Gaia e Espinho/Gaia.
Metodologia: Conduziu-se um estudo observacional, transversal e descritivo que
consistiu na aplicação de um questionário de auto-preenchimento aos Médicos de
Família dos ACES Gaia e Espinho/Gaia. A recolha de respostas decorreu entre Maio e
Setembro de 2014. Os resultados foram analisados com recurso ao programa
Microsoft Excel 2010.
Resultados: Participaram no estudo 108 dos 193 médicos dos ACES Gaia e
Espinho/Gaia. 99% dos inquiridos executam a avaliação do DPM dos seus utentes e
85% despendem mais de 5 minutos nessa avaliação. 97% utilizam a Escala de Mary
Sheridan modificada e 72% referem que o material necessário não é disponibilizado
pelas respectivas unidades. 50% sentem dúvidas relativamente à referenciação; 83%
baseiam-se na percepção clínica e sinais de alarme; 86% consideram útil o
estabelecimento de um "score" quantitativo. 51% dos inquiridos afirmam ter recebido
formação sobre a aplicação da Escala de Mary Sheridan modificada e 71% julgam
necessitar de formação a este nível. 77% consideram a falta de tempo e 66% a falta
de material como sendo as principais dificuldades na avaliação do DPM.
Discussão: A maioria dos inquiridos realiza a avaliação do DPM dos seus utentes,
utilizando uma porção significativa do tempo da consulta para esse efeito. A escala
de Mary Sheridan modificada é a mais empregue; tendencialmente, o material
necessário não é disponibilizado pelas unidades de saúde. A referenciação levanta
dúvidas aos inquiridos, considerando a maioria que seria útil o estabelecimento de
um "score" quantitativo. A falta de tempo e a falta de material são consideradas os
principais entraves à avaliação do DPM.
Conclusão: Tendo em conta o papel fulcral dos Médicos de Família na avaliação do
DPM de lactentes e crianças, torna-se essencial proporcionar a estes profissionais
condições de tempo, formação e material adequadas para o cabal desempenho desta
tarefa.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Mariana Fidalgo Leite
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Saúde no Futuro, ACES Grande Porto VII (Gaia)
[email protected]
Ana Rita Maia (USF S. Miguel, ACES Grande Porto VIII (Espinho/Gaia))
João Fernandes (USF Arco do Prado, ACES Grande Porto VII (Gaia))
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9
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO ESCOLAR DO CONCELHO DE
BOTICAS
Excesso de Peso,Obesidade Infantil,Índice de Massa Corporal,Perímetro da Cintura
Introdução: A avaliação estatoponderal é uma actividade essencial das consultas de
saúde infanto-juvenil, considerando-se que o crescimento é um importante indicador
do bem-estar de uma criança ou adolescente.
Recentemente, o combate ao excesso de peso e obesidade tem sido uma
preocupação crescente de todos os profissionais que trabalham com as crianças e
suas famílias. A obesidade é já considerada a pandemia do século XXI, sendo
Portugal um dos países europeus onde este problema é mais evidente.
Estão disponíveis intervenções com efeitos comprovados na prevenção e no
tratamento da obesidade infantil e juvenil. Sabe-se também que tais intervenções
podem reduzir ou até reverter o impacto deste problema.
Com este estudo pretendeu-se fazer a avaliação do estado nutricional da população
escolar do Concelho de Boticas, com determinação da prevalência de baixo peso,
excesso de peso e obesidade, nos alunos do Agrupamento de Escolas Gomes
Monteiro que frequentaram entre o 1º e o 9º ano de escolaridade durante o ano
lectivo de 2012-2013.
Objetivos: Avaliar o estado nutricional da população escolar do Concelho de Boticas,
com determinação da prevalência de baixo peso, excesso de peso, obesidade, risco
de obesidade abdominal e obesidade abdominal estabelecida.
Metodologia: Determinação do peso, da estatura e do índice de massa corporal dos
alunos e sua comparação com as curvas de crescimento preconizadas pela Direcção
Geral da Saúde; determinação do perímetro da cintura e sua comparação com a
tabela de Fernandez e col., como proposto também pela Direcção Geral da Saúde.
Tipo de estudo: Estudo observacional, transversal.
Local: Estabelecimentos escolares do Concelho de Boticas.
População: A totalidade dos alunos do Concelho de Boticas frequentando entre o 1º e
o 9º ano de escolaridade, durante o ano lectivo de 2012-2013.
Resultados: No ano lectivo de 2012-2013 frequentaram o Agrupamento de Escolas
Gomes Monteiro, em Boticas, 372 alunos. Verificou-se excesso de peso em 19,7%
dos alunos, com predomínio do sexo masculino, e obesidade em 12,1% dos alunos,
com predomínio do sexo feminino. Verificou-se risco de obesidade abdominal e
obesidade abdominal estabelecida em 45,1% dos alunos, com predomínio do sexo
feminino.
Discussão: A obesidade infantil representa um problema de saúde importante no
Concelho de Boticas, com uma prevalência semelhante à descrita na literatura
científica. O estudo poderá ser o ponto de partida para o desenvolvimento de
programas de intervenção na obesidade infantil.
Conclusão: .
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Marta Sousa Santos
Local de Trabalho
Email
UCSP Boticas
[email protected]
Outros Autores
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
10
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Avaliação e melhoria contínua da qualidade no cumprimento do calendário de exames
da gravidez
gravidez; ecografias obstétricas; análises trimestrais
Introdução: A gravidez é um período-chave no desenvolvimento fetal, envolvendo um
risco dinâmico em toda a sua extensão. De modo a rastrear, prevenir e tratar
situações passíveis de colocar em risco a saúde materna, fetal e/ou perinatal, existem
exames laboratoriais e ecográficos recomendados, com uma cronologia estabelecida,
que no caso de não ser cumprida pode comprometer os resultados e interpretação
dos mesmos.
Objetivos: Avaliar e contribuir para a melhoria continua da qualidade na realização
dos exames laboratoriais e ecográficos nos períodos de gestação recomendados pela
DGS, na gravidez de baixo risco.
Metodologia: Dimensão estudada: qualidade técnico-científica; Unidade de estudo:
grávidas vigiadas nas Unidades de Saúde, nos períodos temporais de 1/05/2012 a
30/04/2013 (1ªavaliação) e 1/11/2013 e 31/03/2014 (2ªavaliação); Critérios
avaliados: semanas de gestação aquando da realização das análises e ecografias dos
1º, 2º e 3º Trimestres; Indicadores: de acordo com a norma nº 037/2011 e
Nº007/2011 da DGS.; Fonte dos dados: processo informático SAM, comando "mcdt";
Registo e Tratamento de dados: Excel 2007; Tipo de avaliação: interna, interpares e
retrospetiva; Data de recolha de dados: Junho/2013 (1ªavaliação) e Maio/2014
(2ªavaliação); Intervenção prevista: educacional.
Resultados: Foram analisados os registos de exames de 365 grávidas na 1ª avaliação
e de 263 grávidas na reavaliação. Na 1ª avaliação, as análises/ecografias do 1º
trimestre (T) foram registadas dentro do calendário recomendado em 79%/70%, do
2ºT em 35%/52% e do 3ºT em 32%/42% dos casos. Na reavaliação, ocorreu uma
melhoria nos resultados, com registo das análises/ecografias nas datas preconizadas
no 1ºT em 76%/78%, no 2ºT em 44%/62% e no 3ºT em 53%/63% das grávidas.
Ao longo dos trimestres, assinalou-se uma diminuição do registo dos exames no
processo clinico, com melhoria na reavaliação.
Discussão: Constatou-se uma evolução positiva na realização e registo adequados
dos exames de vigilância da gravidez. Na reavaliação ocorreu uma melhoria global, o
que reflete o sucesso da adesão da equipa às medidas corretoras. Pretende-se a
instituição de novas medidas corretoras e reavaliações periódicas, mantendo um ciclo
contínuo de melhoria da qualidade.
Medidas Corretoras: Apresentação e discussão dos resultados da primeira avaliação;
instalação em todos os computadores das unidades de saúde, da calculadora (em
Excel) do calendário da gravidez; afixação na sala de espera de um poster educativo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Cláudia Leite
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Esposende Norte
[email protected]
Cátia Silva (USF Bracara Augusta)
Isabel Santos (UCSP Infias)
Mariana Reis (UCSP Ruães)
Sara Furtado (USF Minho)
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11
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
BenZoPrev - Prevalência de consumo de Benzodiazepinas numa USF
Benzodiazepinas; Estudo Prevalência
Introdução: As Benzodiazepinas (BZD) são eficazes como ansiolíticos e hipnóticos,
podendo induzir tolerância, dependência física e psíquica. A prevalência do consumo
de BZD em estudos de base populacional varia de 2-10% na população adulta. O
consumo aumenta com a idade e é mais frequente nas mulheres. Do total de
consumidores de BZD, 15 a 30% são utilizadores crónicos. A existência de estudos
neste âmbito assume um papel fulcral para o conhecimento dos hábitos de prescrição
e sensibilização dos médicos para a utilização racional de BZD.
Objetivos: Determinar a prevalência do consumo de BZD na população inscrita numa
USF. Caracterizar a prescrição segundo o princípio ativo e a duração da prescrição.
Explorar a associação do consumo de BZD com género, idade, escolaridade, situação
profissional, tipo de família, consumo de álcool, tabaco e drogas, consumo de
consultas e patologia psiquiátrica ou neurológica concomitante.
Metodologia: Estudo transversal analítico, realizado entre março e outubro de 2014,
de uma amostra, estratificada por sexo e idade, de 1360 utentes. As variáveis
estudadas foram: consumo de BZD; BZD prescritas; tipo de consumo; género; idade;
escolaridade; situação profissional; tipo de família; consumo de álcool, tabaco e
drogas; consumo de consultas; patologia associada. Adotou-se um nível de
significância estatística de p≤0,05.
Resultados: A prevalência de consumo a 3 anos foi de 22,9%. Dos consumidores,
46,3% apresentavam consumo crónico. 25% consumiam mais que uma BZD.
Verificou-se uma associação positiva significativa com o género feminino, a idade
avançada, a baixa escolaridade, o desemprego ou a reforma, a patologia ansiosa ou
depressiva associada e o maior consumo de consultas. Verificou-se uma associação
negativa significativa com o consumo de álcool e tabaco.
Discussão: A prevalência de consumo encontrada é elevada, com um consumo
crónico superior ao da literatura (46,3%). Para além disso, observou-se que um
quarto dos doentes consome mais do que uma BZD. A salientar, o aumento do
consumo de BZD com a idade, com todas as consequências de aumento de
morbilidade associadas. De comentar o facto de o consumo de álcool e tabaco se
associarem negativamente com o consumo de BZD, não se verificando uma
sobreposição de dependências.
Conclusão: Revela-se importante conhecer os fatores relacionados com o consumo de
BZD para a sensibilização dos profissionais para a utilização de estratégias
alternativas e para a evicção dos efeitos deletérios do seu consumo.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Tânia Dias
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Famílias
[email protected]
Adriana Relvas (USF Famílias)
Ana Delgado (USF Famílias)
Ana Margarida Pinho (USF Famílias)
Célia Gomes Silva (USF Famílias)
Jacinta Vaz (USF Famílias - ACES Feira/Arouca)
Maria Miguel Lopes (USF Famílias)
Nádia Correia (USF Famílias - ACES Feira/Arouca)
Sara Almeida (USF Famílias)
Sofia Azenha (USF Famílias)
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12
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
CANCRO COLO-RETAL: RELATO DE CASO
Cancro colo-retal
Enquadramento: O cancro colo-retal (CCR) representa a segunda causa mais
frequente de mortalidade por cancro, e está associado a uma elevada incidência e
sobrevida global aos 5 anos de 50%. O risco de CCR está aumentado em pessoas
com história familiar de CCR, estimando-se que cerca de 5% a 30% dos casos de
CCR sejam atribuíveis a causas hereditárias. Neste contexto, o rastreio populacional é
fundamental para um diagnóstico precoce e consequente aumento da sobrevida e
diminuição da mortalidade.
Descrição do Caso: Relata-se o caso de J.F.M.C. sexo feminino, 33 anos, caucasiana,
emigrante em França até há 1 ano, pertencente a uma família nuclear no estadio III
de Duvall e a uma classe social média-alta. Sem antecedentes pessoais de relevo.
Vários familiares (1º e 2º graus) com história de pólipos do cólon, tia materna com
diagnóstico de CCR e primo falecido por CCR.
Em novembro de 2013 recorre a uma consulta programada no Médico de Família por
queixas esporádicas de dor abdominal tipo cólica e tenesmo, sem perdas hemáticas
visíveis, com vários anos de evolução, queixas estas que a utente desvaloriza
atendendo ao caráter esporádico e tempo de evolução. Em 2007 terá realizado
colonoscopia em França que revelou pólipos intestinais. Neste contexto, é solicitada
colonoscopia que revelou a presença de múltiplos pólipos adenomatosos ao longo de
todo o trajeto intestinal. A doente foi orientada para consulta de gantroenterologia no
Centro Hospitalar do Alto Ave, onde realizou nova colonoscopia (janeiro de 2014).
Esta demonstrou múltiplos pólipos cólicos e ainda pólipo volumoso no cólon
ascendente (pólipo adenomatoso com displasia de alto grau) não passível de
remoção endoscópica, pelo que realizou hemicolectomia direita laparoscópica, cujo
exame anátomo-patológico revelou foco de adenocarcinoma intramucoso. Realizou
pesquisa de mutações do gene APC que foi negativa. A doente mantém estudo e
vigilância em consulta de cirurgia oncológica e gastroenterologia.
Discussão: Segundo a American College of Gastroenterology, perante indivíduos com
risco aumentado para CCR, o rastreio deverá iniciar-se aos 40 anos ou 10 anos antes
da idade mais jovem de diagnóstico do CCR. Reconhecendo a importância do
diagnóstico precoce do CCR, seguindo exclusivamente estas guidelines poderíamos
atrasar um diagnóstico. Assim, este caso clínico mostra que apesar das guidelines
serem um auxiliar importante na nossa prática clínica, estas não deverão ser
determinantes na nossa decisão clínica.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Maria João Abreu
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Duovida
[email protected]
Fernanda Rodrigues (USF Duovida, Guimarães)
Luísa Ferraz (USF Duovida)
Nuno Namora (USF Duovida)
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13
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Cancro da mama depois da idade do rastreio
Cancro da mama; rastreio; mulheres idosas
Enquadramento: O cancro da mama (CM) é a neoplasia maligna mais
frequentemente diagnosticada nas mulheres. A sua prevalência tem vindo a
aumentar na população geriátrica, sendo que cerca de 35 a 50% dos casos ocorrem
em mulheres com idade superior a 65 anos.
Descrição do Caso: Mulher, 83 anos, reformada e divorciada. Inserida numa família
alargada e classe social IV (Graffar). Autónoma nas atividades da vida diárias, tendo
um bom estado geral. Antecedentes pessoais de obesidade, diabetes mellitus tipo 2,
dislipidemia, hipertensão arterial e gonartrose bilateral. Medicada com metformina,
sinvastatina, telmisartan + hidroclorotiazida, ácido acetilsalicílico e glucosamina.
Apresenta hábitos tabágicos (55,5 UMA) e alcoólicos (54g álcool/dia). Antecedentes
familiares desconhecidos, nomeadamente, história de doença oncológica.
Numa consulta programada referiu ter detetado, há cerca de 4 meses, massa no
autoexame mamário. Apresentava no quadrante superior externo da mama esquerda
retração cutânea, palpando-se massa indolor, de aproximadamente 5 cm, dura e
aderente aos tecidos adjacentes. A mama direita e regiões axilares não apresentavam
alterações. Realizou mamografia revelou caraterísticas suspeitas de processo
neoformativo com indicação para realização de biópsia. Após discussão do caso com
a utente e filha efetuou-se referenciação prioritária para consulta de senologia no
hospital de referência. Realizou hormonoterapia neoadjuvante com anastrazol
seguida de mastectomia radical modificada à esquerda. O diagnóstico histológico
revelou carcinoma ductal invasor multifocal grau III de Bloom e Richardson
modificado (ypT2N0M0) e o estudo imunocitoquímico foi positivo para recetores de
estrogénio. Realizou radioterapia e hormonoterapia com tamoxifeno. Verificou-se
uma evolução favorável, com boa tolerância clínica e hematológica aos tratamentos.
Atualmente mantém reabilitação do membro superior esquerdo.
Discussão: As recomendações nacionais e internacionais não são consensuais quanto
ao rastreio do CM em mulheres com idade superior a 70 anos. A idade limite a partir
da qual a realização de mamografia é descontinuada deverá ser uma decisão
partilhada e individualizada, com base na informação e gestão das expectativas da
doente. É essencial atender ao estado geral de saúde e sobrevida estimada, tal como
ponderar os potenciais benefícios versus riscos da realização deste exame. Assim, no
âmbito da prevenção secundária cabe ao Médico de Família estar atento a esta
temática.
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Daniela Cruz Pinto
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Maxisaúde
[email protected]
Pedro Castro (USF Modivas)
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14
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente
consmo,Drogas,Álcool,Tabaco,Adolescência
Introdução: O consumo de álcool, tabaco e drogas pelos adolescentes tem vindo a
aumentar, expondo-os a elevados riscos e comprometendo o processo de
desenvolvimento nesta etapa da vida. O diagnóstico clínico do consumo destas
substâncias revela-se da maior importância, tendo como objectivo uma intervenção
precoce para a redução ou paragem de substância psicoactivas.
Objetivos: Caracterizar o consumo de tabaco, álcool e drogas na população
adolescente.
Metodologia: Aplicação de um questionário estruturado sobre o consumo de tabaco,
álcool e drogas. População: adolescentes estudantes de 1 escola da proximidade da
USF. Amostra: aleatória. Colheita de dados: Junho de 2014. Processamento de
dados: Microsoft Excel®2010 e SPSS®20.0.
Resultados: Foram analisados 80 questionários, sendo que 63,4% (52 questionários)
foram preenchidos por adolescentes do género feminino, com idades compreendidas
entre os 15 e os 20 anos. Relativamente ao consumo de tabaco, 13,4% dos
adolescentes afirmou fumar, sendo que destes 63,4% eram raparigas. O consumo
diário de tabaco foi referido por 7,3% dos adolescentes. Quanto ao consumo de
bebidas alcoólicas, 43,9% dos adolescentes afirmou consumir álcool, sendo 61,1%
raparigas. O consumo de álcool apenas no fim-de-semana e ocasionalmente foi
referido pela maioria dos adolescentes e a bebida mais ingerida foi a cerveja. A
maioria dos consumidores de bebidas alcoólicas indicaram ingerir cerca de 1 a 2
bebidas (37,8%). As drogas foram experimentadas por 12,2% dos adolescentes
inquiridos, com igual proporção entre géneros. As drogas mais frequentemente
referidas foram a cannabis e a marijuana. Apenas 1 adolescente afirmou consumir
drogas diariamente, a maioria dos consumidores de droga afirmou faze-lo
ocasionalmente.
A curiosidade foi o motivo mais frequentemente referido para início do consumo.
Quando questionados acerca da abordagem do consumo de álcool, tabaco e drogas,
cerca de 80% dos adolescentes afirmou que estes temas foram abordados pelos
professores e/ou pais.
Discussão: a caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população
adolescente é fulcral para ajudar a definir estratégias preventivas com vista a
prevenção de novos consumos e intervenção precoce para a redução ou paragem do
uso de substâncias psicoactivas.
Conclusão: O padrão de consumo de tabaco, álcool e drogas nestes adolescentes é
preocupante e com características semelhantes às descritas noutros estudos
europeus.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Ana Catarina Candeias
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Sudoeste
[email protected]
Marta Fernandes (USF Sudoeste)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
15
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Ciclo de melhoria da qualidade das citologias cervico-vaginais efectuadas numa
Unidade de Saúde Familiar
Citologia,Cancro do colo do utero,ualidade~,Qualidade
Introdução: O cancro do colo do útero é o segundo cancro mais frequente em
mulheres e a terceira causa de morte, em Portugal. A citologia cervico-vaginal (CCV)
tem como objectivo a detecção de lesões cervicais precursoras. O valor diagnóstico
depende da técnica e do material usado. Amostras insatisfatórias contribuem para a
existência de falsos positivos e de falsos negativos, que comprometem a qualidade
do rastreio.
Objetivos: Caracterizar a qualidade da CCV efectuada em meio líquido e em meio
convencional.
Metodologia: Dimensão estudada: Qualidade técnico-cientifica. Unidade de estudo:
Mulheres em idade fértil, inscritas e vigiadas na USF. Amostra: aleatória,
estratificada, proporcional de cada ficheiro médico. Período de tempo: 01.01.2012 a
31.12.2013. Tipo de dados: Processo clínico. Fonte de dados: Processo clínico. Tipo
de avaliação: interna. Colheita de dados: 1/2013 e 1/2014. Critério avaliados:
1-qualidade da CCV e classificada como satisfatória ou não satisfatória; 2 – presença
de células metaplásicas/endocervicais (TZ).
Padrão de qualidade: Bom ≥ 95%; Suficiente – 81-94%; Insuficiente < 80%. Tipo de
intervenção: educacional.
Resultados: No total foram analisados os resultados de 1389 CCV, 590 efectuadas em
2012 e 799 efectuadas em 2013. Apenas 2 CCV (ambas de 2012) foram classificadas
como Não satisfatórias (padrão de qualidade BOM).
No que respeita à presença de TZ, em 2012, 84% das CCV efectuadas tinham TZ (PQ
– suficiente). Na segunda avaliação (ano 2013), a presença de TZ foi detectada em
90,6% das CCV efectuadas (PQ bom). Comparativamente à 1ª avaliação verificou-se
uma melhoria da qualidade das CCV, estatisticamente significativa (p< 0,005).
Discussão: Verifica-se que o padrão de qualidade CCV foi bom, no que respeita à
qualidade para interpretação, independentemente do método de colheita.
Verificou-se uma melhoria na qualidade das CCV no que respeita à presença de ZT no
ano de 2013 face ao ano de 2012. Será efectuada nova reavaliação no início de 2015.
Medidas Corretoras: Colocação nos gabinetes médicos e de planeamento familiar de
um esquema de consulta rápida acerca do método colheita de CCV em meio
convencional e em meio líquido. Discussao dos resultados com cada um dos médicos.
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Ana Catarina Candeias
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Sudoeste
[email protected]
Marta Fernandes (USF Sudoeste)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
16
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Como agir perante a pessoa em luto? – A propósito de um caso clínico
luto
Enquadramento: O luto consiste numa resposta de adaptação normal a uma perda
significativa. É fundamental a pessoa ter capacidade de expressar a dor e investir
em novos vínculos. Os profissionais de saúde devem atender as pessoas em luto com
empatia e encorajarem a expressão emocional. É importante conhecerem as fases de
luto normal e estarem atentos a fatores de risco e/ou sinais de luto complicado ou
psicopatológico e, se necessário, referenciarem para uma intervenção mais
especializada.
Descrição do Caso: Doente do sexo feminino, 48 anos, viúva, caucasiana, 4ª classe,
empregada fabril. Antecedentes pessoais de enxaqueca e bronquite crónica. Em Abril
de 2014 ocorreu o falecimento do marido, no contexto de naufrágio e sem
aparecimento do corpo. Em Agosto de 2014, a doente foi observada em consulta do
Médico de Família, encontrando-se muito focada e revoltada por não poder ver o
corpo do marido, com sintomatologia depressiva major e dificuldade em avançar no
processo de luto. Nesta consulta foi realizada uma avaliação familiar para
percebermos melhor qual o suporte social e familiar da doente. Segundo o
genograma, a doente está inserida numa família monoparental de dois elementos
(mãe e filho de 20 anos). Tem mais uma filha de 28 anos casada, com 2 filhas, a
residirem em Aveiro, que mantém contacto regular. Relacionamento distante/hostil
com os pais desde jovem adulta. Até ao falecimento do marido, com o qual tinha
uma ótima relação. Apresentava um Apgar familiar de 8, Graffar de IV e um total de
162 pontos na escala de readaptação social de Holmes e Rahe, o que corresponde a
um aumento da incidência de doença psicossomática. O círculo familiar de Thrower
revelou um bom suporte familiar e social, com o qual a doente sentia-se satisfeita.
Discussão: O processo de luto normal apresenta cinco fases: choque e negação,
raiva, negociação, depressão e aceitação. A maioria das pessoas passa por um
processo de luto normal, no entanto, cerca de 10 a 20% podem desenvolver um luto
complicado, o qual está associado a risco aumentado de patologia psiquiátrica.
Perante a pessoa em luto, é importante realizar uma avaliação sistemática de
possíveis fatores de risco, nomeadamente: as circunstâncias da perda (súbita ou
esperada); a vulnerabilidade pessoal; a natureza da relação com o falecido; o apoio
familiar e social; e a própria insatisfação com os cuidados de saúde.
O desaparecimento do corpo impossibilita a realização de rituais religiosos,
dificultando a elaboração do processo de luto.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
[email protected]
Local de Trabalho
Email
USF Casa dos Pescadores
[email protected]
Outros Autores
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Consumo de Álcool e Tabaco nos Adolescentes: Uma Avaliação da Qualidade
Álcool; Tabaco; Adolescência
Introdução: O consumo de álcool e tabaco geralmente inicia-se na adolescência.
Dada a elevada prevalência do consumo destas substancias nesta faixa etária, o
Médico de Família tem um papel fulcral na avaliação dos riscos associado ao seu
consumo. De acordo com o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil 2013, deve
ser avaliado o consumo de álcool e tabaco no adolescente, dos 10 aos 18 anos. Deste
modo, torna-se crucial um adequado registo do consumo de álcool e tabaco na ficha
individual do utente.
Objetivos: Avaliar e garantir a melhoria contínua do registo médico do consumo de
álcool e tabaco na Ficha Individual dos adolescentes com idade ≥ a 14 anos até aos
18 anos, numa Unidade de Saúde Familiar.
Metodologia: Dimensão Estudada: Qualidade técnico-científica; Avaliação: Interna;
Retrospetiva; Unidade de Estudo: utentes com idade ≥ 14 anos até aos 18 anos,
inscritos na USF com consulta entre 01/03/13-30/06/13 (avaliação inicial) e entre
01/09/13-31/12/13 (avaliação final); Amostra do estudo: de base institucional, não
aleatória. Tipo de dados: processo; Fonte de Dados: Sistema de Apoio ao Médico
(SAM) e MIMUF; Tipo de avaliação: interna e retrospetiva; Critérios de exclusão:
contactos indiretos, consulta aberta e consultas repetidas. Tratamento dos dados:
Excel 2010; Padrão de Qualidade: Insuficiente: < 44%; Suficiente:≥ 44-55%;
Bom:56- 80 %; Muito Bom:> 80%.
Resultados: Na avaliação inicial (N= 157, 57 % do género feminino) 71 %
apresentavam o registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual do
adolescente nos últimos 36 meses. Na avaliação final (N=115, 61 % do género
feminino), 65 % dos adolescentes apresentavam registo do consumo de álcool e
tabaco na ficha individual.
Discussão: Os resultados do estudo indicam que a avaliação foi de Bom na avaliação
inicial e final. Os resultados do estudo sugerem que após a intervenção não ocorreu
um aumento estatisticamente significativo (p=0,282) do registo médico dos hábitos
alcoólicos e tabágicos.Destacam-se como limitações do estudo o facto da eventual
ausência de registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual não indicar que
o Médico de Família não tenha avaliado o consumo destas substâncias.
Medidas Corretoras: Intervenção efetuada: educacional e estrutural.
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Ana Maia
Local de Trabalho
Email
USF do Mar
[email protected]
Outros Autores
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18
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Diabetes Mellitus tipo 2 – Estudo transversal de uma lista de utentes
Diabetes,Complicações da diabetes,Controlo glicémico
Introdução: A Diabetes afeta 12,9% dos portugueses entre os 20 e os 79 anos,
sendo uma doença crónica de prevalência crescente. O tratamento do doente com
Diabetes Mellitus 2 (DM2) passa pelo bom controlo glicémico e pelo controlo de
outros fatores de risco cardiovasculares (FRCV). A prevenção e o reconhecimento
precoce das complicações da DM2 são importantes no seguimento dos doentes, pois
constituem a principal causa de morbi-mortalidade da doença.
Objetivos: Caraterizar os doentes diabéticos de uma lista de utentes e testar a
associação entre a HbA1c e o género, idade, índice de massa corporal (IMC),
perímetro abdominal (PA), anos após o diagnóstico e albuminúria.
Metodologia: Tipo de estudo: observacional, transversal.
População: Doentes com diagnóstico de DM2 de uma lista de utentes.
Variáveis: género, idade, anos após diagnóstico, HbA1c, FRCV, albuminúria,
antidiabéticos orais (ADO), insulina e complicações da DM2.
Recolha dos dados: consulta do processo clínico no SAM® em janeiro de 2014.
Tratamento de dados: EpiInfo 7.0® e SPSS 20.0®. Estatística descritiva e inferencial.
Significância estatística se p<0,05.
Resultados: Estudaram-se 92 utentes, 65,2% do sexo masculino, com idade média de
67+13 anos. A HbA1c média é de 6,8+1,3% não havendo diferenças significativas
entre os sexos.
72,8% dos doentes têm IMC superior a 25kg/m2, 78,3% têm HTA, 68,5% têm
dislipidémia e 10,9% fumam. A complicação mais prevalente é a nefropatia (37%),
seguida da fibrilhação auricular (6,5%) e da retinopatia (4,3%).
A metformina é o ADO mais prescrito (70,7%), seguido dos iDPP4 (43,5%) e das
sulfunilureias (26,1%). Existe uma tendência para se aumentar o número de ADO à
medida que aumentam os anos de doença (p<0,001). A associação mais utilizada é a
metformina com iDPP4 (64%).
A HbA1c não apresenta associação com a idade, IMC e PA, aumentando à medida
que aumentam os anos após diagnóstico (p=0,001). Os doentes com HbA1c
inferiores a 7% têm albuminúria inferior (p=0,033).
Discussão: Como limitações deste trabalho salienta-se o facto de ser um estudo
transversal, baseado numa única medição, sem considerar a variação no tempo das
variáveis analisadas. Não são avaliados fatores de confundimento como a atividade
física ou a adesão terapêutica.
Conclusão: A maioria dos doentes apresenta outros FRCV que se devem ter em conta
na abordagem dos diabéticos. Os resultados atestam o caráter progressivo da DM2,
pois quantos mais anos passam após o diagnóstico, mais difícil é o controlo glicémico.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Luís Sousa
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF +Carandá
[email protected]
Adriana Miranda (USF PróSaúde)
Tânia Gomes (USF +Carandá)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
19
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Diagnóstico de cancro da mama: Mamografia de rastreio ou sinais e sintomas?
Cancro da mama,Mamografia rastreio
Introdução: Em Portugal a incidência de cancro da mama é 73/100.000.A diminuição
da mortalidade Deve-se a dois factores: maior precocidade no diagnóstico e melhor
qualidade do tratamento.A DGS recomenda a realização de mamografia entre os 50 e
69 anos de 2 em 2 anos como forma de deteção precoce desta
patologia.Recentemente alguns estudos têm alertado para os potenciais riscos do
rastreio de cancro da mama assim como para o aumento do número de
sobrediagnósticos desta patologia.
Objetivos: Comparar a incidência de cancro da mama na USF com a nacional;Avaliar
o número de diagnóstico de cancro da mama codificado segundo ICPC2 cujo
diagnóstico foi por mamografia de rastreio versus mamografia realizada após
sinais/sintomas.
Metodologia: Recolha da listagem de mulheres com diagnostico de cancro, ICPC2 X76 Neoplasias malignas da mama inscritas na USF através do recurso ao
MIM-UF;Análise dos seguintes parâmetros:ano de diagnóstico,idade da mulher à data
do diagnóstico,presença de sintomas,realização de mamografia de
rastreio,diagnóstico histológico do carcinoma através do recurso ao SAM e
PDS.Análise dos dados através MExcelTM.
Resultados: O estudo realizado baseou-se na população inscrita na USF.Através do
recurso ao MIM-Uf identificaram-se 85 mulheres com registro de cancro da mama na
sua lista de problemas.Dentro dessas 85 mulheres 2 mulheres não possuíam registos
clínicos associados a esta patologia e 26 só possuíam disponível o ano de diagnóstico
quer no SAM quer na PDS.A incidência de cancro da mama segundo os dados
registados entre 2009 e 2013 é 70,58/100000.38% das mulheres tinham idade ao
diagnóstico de cancro da mama <50 anos.48 % das mulheres tiveram o diagnóstico
em idade compreendida na idade recomendada para rastreio e pelo menos 49%
destas pacientes tiveram o seu diagnóstico feito por mamografia de rastreio.19 das
28 mulheres, em que o diagnóstico foi feito após sintomas, não tinham idade de
rastreio.
Discussão: A incidência nacional e da USF de cancro é semelhante.1/3 dos casos não
tinham disponíveis os dados necessários para saber se o diagnóstico tinha sido feito
por mamografia de rastreio ou após manifestação de sintomas.Em 51% das mulheres
o diagnóstico fez-se após sintomas e 49% após rastreio.Nas mulheres com idade de
rastreio o diagnóstico por mamografia foi 2x superior ao por sintomas.Uma das
principais limitações foi o fato de não considerar a mortalidade associada ao
cancro,Nao se puderam obter dados sobre sobredianostico.
Conclusão: A mamografia em idade de rastreio continua a ser um valioso exame de
diagnóstico.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Mafalda Henriques
Local de Trabalho
Email
USF Emílio Peres
[email protected]
Outros Autores
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
20
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Eficácia do uso de corticóides tópicos no tratamento da fimose primária em crianças e
adolescentes
fimose,corticóides tópicos,crianças,adolescentes
Introdução: A fimose primária é uma preocupação frequente na consulta de saúde
infantil, sendo descrita uma prevalência de aproximadamente 11% aos 3 anos de
idade. A plastia do prepúcio ou circuncisão são as opções terapêuticas clássicas a
discutir com os pais, crianças e adolescentes na presença de indicação médica.
Todavia, recentemente, o uso de corticóides tópicos (CCT) tem sido apontado como
eficaz e seguro e advogado como uma boa alternativa à cirúrgica, dado o menor
custo e menor morbilidade associada a eventuais complicações cirúrgicas.
Objetivos: O objetivo desta revisão é avaliar a evidência da eficácia do uso de CCT na
redução da limitação da retratilidade do prepúcio em crianças e adolescentes.
Metodologia: Pesquisa efetuada nas bases de dados National Guideline Clearing
House, Canadian Medical Association Pratice Guidelines Infobase, Cochrane Library,
DARE, Bandolier, Evidence Based Medicine Online, Trip Database Online e Pubmed,
utilizando os termos MeSH “Phimosis and steroids”. Pesquisaram-se normas de
orientação clínica (NOC), meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS) e ensaios
clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), nas línguas portuguesa, inglesa e
espanhola entre Janeiro de 2004 e Junho de 2014. Para classificar o nível de
evidência dos estudos foi utilizada a escala Levels of Evidence da Oxford Centre for
Evidence-based Medicine.
Resultados: Foram encontrados 148 artigos, dos quais 6 cumpriram os critérios de
inclusão: 1 NOC e 5 ECAC. A NOC da Sociedade Europeia de Urologia Pediátrica
publicada em 2013 recomenda o uso de CCT na fimose primária. Os ECAC incluíram
no total 624 crianças e adolescentes entre os zero e os 15 anos. Foram testados
diferentes CCT e esquemas terapêuticos. Verificou-se de forma consensual melhoria
estatisticamente significativa da retratilidade do prepúcio comparativamente com
placebo, com uma eficácia terapêutica dos CCT descrita entre os 66% e os 90%.
Discussão: Os estudos suportam a eficácia dos CCT no tratamento da fimose primária
em crianças e adolescentes. Contudo, a maioria dos ECAC recomenda exercícios de
retração prepucial concomitantes com o uso do CCT, o que dificulta a atribuição
exclusiva do resultado terapêutico ao fármaco. No futuro torna-se também pertinente
clarificar qual o melhor CCT e esquema terapêutico a utilizar sendo para tal
necessário o desenho de estudos metodologicamente homogéneos e de maior
dimensão.
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Flávio Gomes Guimarães
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Santa Clara
[email protected]
Albino Martins (USF São Lourenço)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
21
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Erradicação do Helicobacter Pylori - Fim de linha para a terapêutica tripla standard?
"Helicobacter Pylori","Triple Therapy","Sequential Therapy"
Introdução: A infeção por Helicobacter Pylori (HP) está presente em metade da
população mundial. A sua erradicação completa é primordial para evitar a eventual
progressão para gastrite crónica, úlcera péptica, adenocarcinoma gástrico ou linfoma
MALT. A terapêutica tripla (TT) standard tem vindo a diminuir a sua eficácia, e a
terapêutica sequencial (TS) tem demonstrado uma maior taxa de erradicação do HP
em vários estudos realizados em diversos países.
Objetivos: Rever a evidência sobre a eficácia da TT standard e da TS na erradicação
da infeção por HP.
Metodologia: Pesquisa realizada nas bases de dados da National Guideline Clearing
House, Guidelines Finder do NHS, CMA Infobase, Cochrane Library, DARE, Bandolier,
Evidence Based Medicine Online, TRIP database e Pubmed, utilizando os termos
MeSH “Helicobacter Pylori”, “Triple Therapy” e “Sequential Therapy”. Para estratificar
o nível de evidência (NE) dos estudos e a força de recomendação, foi utilizada a
escala Strenght of Recomendation Taxonomy (SORT) da American Academy of
Family Physicians.
Resultados: Foram encontrados 154 artigos, dos quais foram selecionados 14: 9
Meta-Análises (MA), 2 Revisões Sistemáticas (RS), 2 Ensaios Clínicos Aleatorizado
Controlados (ECAC) e uma guideline. A guideline americana remete a TS para
terapêutica alternativa. No entanto, todas as MA e as duas RS concluíram que a TS
apresenta uma taxa de erradicação do HP mais elevada (variando entre 81-95,6%)
comparativamente à TT (consistentemente < 80%). Nas crianças e nos doentes com
estirpes resistentes à claritromicina e/ou Metronidazol a TS também se revelou mais
eficaz, embora em menor amplitude. Os dois ECAC obtiveram dados sobreponíveis às
MA e RS incluídas no estudo. Em nenhum dos artigos se relatou diferenças
significativas de efeitos adversos entre os dois regimes terapêuticos.
Discussão: A TS apresenta uma eficácia superior comparativamente com a TT, sendo
igualmente tolerada. Desta forma, a TS deve ser considerada como terapêutica de 1ª
linha na erradicação da infeção por HP (SORT A). Todavia, a taxa de erradicação
permanece subótima tendo em conta o pretendido para uma doença infeciosa
(>95%). A procura constante por regimes terapêuticos mais efetivos ou por novos
agentes para erradicar HP deve continuar. Nenhum regime terapêutico é realmente
efetivo em todas as regiões do mundo e a sua escolha deve ser baseada no padrão
de resistências locais, o qual necessita de ser periodicamente monitorizado.
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
António Silva
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF MaxiSaúde
[email protected]
Adriana Miranda (USF PróSaúde)
Dina Fernandes (USF +Carandá)
Luís Sousa (USF +Carandá)
Pedro Costa (USF MaxiSaúde)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
22
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Estudo EXPO 2010: Excesso de peso e Obesidade Infantil - reavaliação
Obesidade,Excesso de Peso,Infantil,Pediátrica
Introdução: A epidemia do Excesso de Peso (EP) e Obesidade Infantis mantém-se em
crescimento (prevalência de 30% em Portugal). Acarreta risco de comorbilidades na
infância/jovem adulto, prejudicando a saúde e qualidade de vida. O Médico de
Família é responsável pela sua identificação precoce, acompanhamento e orientação,
sendo os Exames Globais de Saúde oportunidades-chave nesse processo.
Objetivos: Garantir a qualidade técnico-científica dos registos de EP e Obesidade na
lista de problemas, do pedido de exames complementares de diagnóstico (ECD)
mínimos e do registo de aconselhamento terapêutico.
Metodologia: Avaliação: interna, retrospetiva. Dimensão: qualidade técnico-científica
dos registos. Unidade de estudo: crianças vigiadas numa Unidade de Saúde com pelo
menos uma consulta médica de vigilância, respetivamente, aos 5-6 anos e aos 11-13
anos, com percentil de IMC ≥85. Profissionais avaliados: todos os médicos. Amostra:
base institucional, não aleatória. Tipo de dados: processo. Fonte de dados: SINUS®
e SAM®. Colheita de dados: 05/2010 e 05/2014. Critérios dos grupos com EP e
Obesidade, respetivamente: I e II) Registo na lista de problemas; III e IV) Registo do
pedido de ECD mínimos; V e VI) Registo do aconselhamento terapêutico. Tipo de
Intervenção: educacional e estrutural.
Resultados: Em 05/2010, incluíram-se 58 crianças: 60,3% com EP e 39,7% com
obesidade. Aos 5-6 anos, todos os critérios foram “Insatisfatórios”. Nos
pré-adolescentes, os resultados foram “Bom” no critério III, “Satisfatório” nos II, IV e
VI e “Insatisfatório” nos restantes. Após implementação de medidas corretoras, foi
feita uma reavaliação em 05/2014: incluíram-se 86 crianças, 55,8% com EP e 44,2%
com obesidade. Aos 5-6 anos, os resultados foram “Satisfatório” nos critérios II, V e
VI e “Insatisfatório” nos restantes. Nos pré-adolescentes, os resultados foram “Bom”
no critério II, “Satisfatório” nos III, IV, V e VI e “Insatisfatório” no I.
Discussão: Uma maior sensibilização para a obesidade, em detrimento do EP, terá
contribuído para a melhoria da codificação desse problema em ambos os grupos
etários. A atualização do SAM® terá potenciado esse resultado e também o registo
do aconselhamento terapêutico. Permanece, contudo, potencial de melhoria,
sobretudo no pedido dos ECD protocolados.
Medidas Corretoras: Apresentação dos resultados e de guidelines atualizadas quanto
aos ECD recomendados; reforço da importância do registo correto; distribuição de
memorando por gabinete.
Comunicação Oral
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Marta Faria Ferreira
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Nova Via
[email protected]
Filomena Sá (USF Nova Via)
Flipa Duarte (USF Nova Via)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
23
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Estudo GaLes - Caracterização das atitudes de profissionais de Cuidados de Saúde
Primários perante lésbicas e gays
Palavras-Chave
orientação sexual,homossexualidade,cuidados de saúde primários,profissionais de
saúde,discriminação,homofobia,preconceito
Resumo
Modalidade
Introdução: A discriminação com base na orientação sexual ainda é comum
atualmente. Estudos realizados na União Europeia incluindo Portugal, demonstram
que a discriminação em função da orientação sexual na área da saúde existe, assim
como um parco conhecimento relativo aos problemas de saúde das pessoas lésbicas
e gays. A escassez de dados e de investigação sobre este tema é a regra em muitos
países e Portugal não é exceção.
Objetivos: Caracterizar as atitudes de profissionais dos Cuidados de Saúde Primários
perante lésbicas e gays no geral e de acordo com as variáveis seleccionadas.
Metodologia: Realizámos um estudo observacional analítico que incluiu médicos,
enfermeiros e secretários clínicos dos Agrupamentos dos Centros de Saúde de
Matosinhos, Póvoa/Vila do Conde e Porto Oriental. Foi aplicado um questionário que
incluiu a “Escala Multidimensional de Atitudes Face a Lésbicas e Gays” e questões de
caracterização sociodemográfica.
Resultados: Dos 397 questionários recolhidos, 357 foram considerados válidos. 81%
dos participantes eram do sexo feminino e a idade média foi de 39 anos. Quanto à
profissão, 20% eram administrativos, 30% enfermeiros e 50% médicos. A maioria
(61%) não teve contacto com informação científica sobre a homossexualidade. Numa
escala de 1 a 6 (6 correspondendo a atitudes mais negativas face a gays e lésbicas),
a pontuação média global foi de 2,25 (DP±0,70). Porém, analisando as subescalas,
constataram-se diferenças entre elas: a pontuação média para a rejeição de
proximidade foi de 1,61 (DP±0,66) e de 3,25 (DP±1,02) para a de heterossexismo
moderno. Os secretários clínicos mostraram atitudes menos negativas
comparativamente aos enfermeiros e médicos (p<0,05). Houve diferença
estatisticamente significativa nos resultados em função do género somente numa
subescala. Verificou-se a existência de uma correlação linear positiva entre a idade e
as atitudes negativas.
Discussão: Alguns dos resultados foram inesperados, nomeadamente a ausência de
diferença nas atitudes negativas em função do género e existência de divergências
significativas no nível de preconceito entre os grupos profissionais. Em oposição, o
nível superior de heterossexismo moderno e a maior discriminação por parte dos
inquiridos mais velhos está de acordo com a bibliografia consultada.
Conclusão: No global, as atitudes dos profissionais de saúde não são negativas.
Contudo, aspetos mais contemporâneos do preconceito merecem atenção e
intervenção com o objetivo de reduzir a discriminação em função da orientação
sexual nos serviços de saúde.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Maria Meneses
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
UCSP São Mamede
[email protected]
Camila Mota Neves (UCSP São Mamede)
Diogo Santos Costa (UCSP Barão Nova Sintra)
Francisco Pinto da Costa (USF das Ondas)
Maria Cortês Ferreira (UCSP São Mamede)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
24
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Fibrilhação Auricular: quando hipocoagular?
Fibrilhação Auricular,Hipocoagulação oral,Índice CHADS2,Índice de CHA2DS2-VASc
Introdução: A Fibrilhação Auricular (FA) é a arritmia cardíaca mais frequente na
população com mais de 65 anos. Sabe-se que aumenta em 5-6 vezes o risco de
Acidente Vascular Cerebral (AVC) e que é responsável por cerca de 30% das
hospitalizações por arritmias cardíacas. A anticoagulação oral é terapêutica mais
adequada na prevenção dos AVC nos indivíduos com FA. No entanto, estima-se que
em Portugal apenas 46,5% dos doentes com FA e risco tromboembólico elevado
estão hipocoagulados.
Objetivos: A prevenção de tromboembolismo é uma das metas mais importantes no
tratamento da FA. Torna-se necessário estratificar os doentes com FA mediante o
risco de eventos tromboembólicos, para assim instituir a terapêutica mais indicada
em cada caso: antiagregação plaquetária ou anticoagulação oral.
Metodologia: Vários esquemas de classificação do risco de AVC em doentes com FA
tem sido proposto. Os mais utilizados atualmente são os Índices de CHADS2 e de
CHA2DS2-VASc.
Resultados: O doente que apresente pontuação igual ou superior a 2 no Índice de
CHADS2, tem indicação para iniciar anticogulação oral. Quando a pontuação neste
índice é 0 ou 1, utiliza-se o índice de CHA2DS2-VASc. No índice de CHA2DS2-VASc,
pontuação de 0: iniciar antiagregação plaquetária ou nenhuma terapêutica;
pontuação de 1: iniciar anticoagulação oral ou antiagregação plaquetária e pontuação
igual ou superior a 2: inicia anticoagulação oral.
Discussão: A FA é uma patologia de alta incidência na população idosa do nosso país.
É uma patologia muitas vezes assintomática e, por isso mesmo, subdiagnosticada e
subtratada. Os Médicos de Família devem saber como estratificar o risco de AVC
nestes doentes de forma a instituir a terapêutica mais adequada em cada caso e a
reduzir as complicações hemorrágicas.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Susana Gonçalves Reis
Local de Trabalho
Email
UCSP de Vinhais
[email protected]
Outros Autores
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
25
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Fimose - Como abordar e orientar
Palavras-Chave
Fimose,Corticoterapia,Circuncisão
Resumo
Modalidade
Introdução: Entende-se por Fimose a incapacidade de retrair o prepúcio para
exteriorização da glande. Cerca de 96% dos recém-nascidos apresentam esta
condição, diminuindo para 10% aos 3 anos por resolução espontânea. As fimoses
não resolvidas e as de novo podem cursar com várias complicações. A abordagem
desta patologia passa pelos Cuidados de Saúde Primários (CSP), sendo importante
conhecer a história natural, como e quando diagnosticar, qual o melhor tratamento e
quais os critérios de referenciação.
Objetivos: Pretendeu-se analisar a evidência existente sobre Fimose, de forma a dar
resposta a questões levantadas nos CSP, com vista a melhorar a abordagem desta
patologia clínica.
Metodologia: Pesquisa de artigos de revisão, meta-análises e guidelines na Medline,
sites MBE e de sociedades/associações de Pediatria e Urologia nacionais e
internacionais, utilizando os termos MeSH “phimosis”, “phimosis therapy” e
“circumcision, male”, nos últimos 10 anos e ainda referências bibliográficas dos
artigos selecionados.
Resultados: Fimose classifica-se como primária ou secundária, consoante existam ou
não alterações cicatriciais macroscópicas. A Parafimose constitui uma urgência
urológica e entende-se como complicação de fimose não resolvida. O diagnóstico é
baseado no exame objetivo. As principais complicações são: infeções do trato
urinário, balanopostites de repetição e ereções dolorosas. Nas parafimoses o
comprometimento da circulação pode levar a necrose e a autoamputação peniana.
Não havendo intercorrências nem forçando a retração, a fimose resolve
espontaneamente na maioria dos casos. Até aos 2-3anos sugere-se vigilância. Após
esta idade recomenda-se aplicação de corticosteróide tópico (betametasona ou
mometasona,0,05-0,1%,sobre o anel fibrótico do prepúcio,2 a 3 vezes/dia, durante
30 dias) com resolução de 90% dos casos. A cirurgia reserva-se para casos de falha
do tratamento médico, complicações associadas, fimose secundária ou na parafimose
(quando a compressão manual do tecido edematoso não resolve).
Discussão: A fimose fisiológica apresenta-se desde o nascimento e tem grande taxa
de resolução espontânea. Deve contudo ser diagnosticada e vigiada pois caso
persista pode ser instituído tratamento médico (corticoterapia que poderá ir até 6-8
semanas e repetir até 3 ciclos) e/ou cirúrgico após os 2-3 anos de idade,sendo que a
DGS recomenda a cirurgia a partir dos 5 anos. A fimose secundária pode ocorrer em
qualquer idade e tem indicação absoluta para cirurgia. A parafimose exige tratamento
urgente.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Jonathan Santos
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Terras de Souza
[email protected]
Isabel Santos Solha (USF Terras de Souza)
Svetlana Golicov (USF Terras de Souza)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
26
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Herpes Zóster nos cuidados primários – Estudo descritivo de uma série de casos
Herpes Zóster,Cuidados Primários,Nevralgia Pós-herpética
Introdução: O Herpes Zóster (HZ) é causado pela reativação do vírus varicela-zóster
(VVZ), cuja primoinfeção se manifesta como varicela. Cerca de 90% da população
adulta está infetada. A nevralgia pós-herpética (NPH) é uma complicação grave da
doença, com grande impacto na qualidade de vida. Identificar os fatores de risco
associados ao seu desenvolvimento é fundamental para melhor prever e gerir os
cuidados médicos.
Objetivos: Descrever fatores associados à infeção provocada pelo VVZ e determinar
quais os fatores de risco para a NPH.
Metodologia: Estudo observacional descritivo e analítico dos episódios de HZ
decorridos em 2012 e 2013 em 5 unidades dos cuidados primários da região norte.
Foram recolhidas através do SAM® variáveis para caracterização socioeconómica,
dos consumos, sintomatologia, tratamento, antecedentes pessoais e ocorrência de
NPH. Foi realizada análise descritiva uni e bivariada. Foi criado um modelo de
regressão logística para identificar potenciais preditores de desenvolvimento de NPH.
Resultados: Dos 265 casos de HZ, com idade média de 56,5±20,2 anos, 56,2% eram
homens. A população com 75 ou mais anos correspondeu a 18,1% dos casos. Na
maioria, as erupções cutâneas localizaram-se em dermátomos do tronco anterior e
dorso. Foi descrita dor ou prurido em 64,5% dos casos e 84% receberam tratamento
com antivírico. Verificou-se NPH em 9,8% dos casos, existindo associação
significativa entre a sua ocorrência e idade superior a 75 anos (p=0,02). Somente a
idade mostrou aumentar a probabilidade de NPH (OR 1,03), enquanto a ocorrência
de sintomas mostrou ter efeito protetor (OR 0,22).
Discussão: É consensual que o HZ é comum nos idosos. Todavia observou-se uma
idade média dos casos de HZ inferior à descrita na literatura. O género masculino
desenvolve mais frequentemente a doença, o que não sendo consensual, está em
concordância com a maioria dos estudos. A frequência de NPH foi similar a outros
estudos. Segundo o estado da arte, os fatores de risco para o seu desenvolvimento
são a idade, a gravidade da apresentação clínica e a imunossupressão. Neste
trabalho, apenas a idade avançada mostrou ser fator de risco para o desenvolvimento
de NPH. Contrariamente, a ocorrência de sintomas mostrou diminuir o risco.
Conclusão: Conhecer a apresentação do HZ na população dos cuidados primários, e
quais os fatores associados ao desenvolvimento de NPH, é fundamental para
direcionar estratégias preventivas da doença e suas complicações, contribuindo para
melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Albino Martins
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF São Lourenço
[email protected]
Ana Filipa Vilaça (USF Manuel Rocha Peixoto)
Ana Maria Carvalho (USF São João de Braga)
Andreia Ramôa (USF Gualtar)
Pedro Costa (USF MaxiSaúde)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
27
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Hipertensão Arterial secundária – a propósito de um caso de Síndrome de Junção
pieloureteral
Hipertensão arterial,Junção pieloureteral,Hidronefrose
Enquadramento: De acordo com as últimas recomendações da European Society of
Cardiology (ESH) 30 a 45% da população europeia é hipertensa, com uma a
prevalência em Portugal a rondar os 42%. Em mais de 90% dos casos, não se
consegue identificar uma causa específica responsável pela elevação da TA. A
patologia renal, nomeadamente a estenose da artéria renal e as doenças
parenquimatosas são as principais causas de HTA secundária. O presente caso clínico
relata o caso de uma paciente de 18 anos, com valores de TA elevada identificados
no Centro de Saúde, na qual o estudo da HTA revelou a presença de uma síndrome
de junção pieloureteral (SJPU).
Descrição do Caso: Paciente, sexo feminino, 18 anos, estudante. Reside com 2 irmãs
e uma sobrinha. Apgar Familiar de 7, Classe IV da classificação de Graffard,
pertencente a uma família de médio risco (escala de risco de Segovia-Dreyer).
Antecedentes perinatais de gravidez de risco (idade materna 42 anos), vigiada, com
ecografias obstétricas/estudo analítico normais. Recorreu ao Centro de Saúde em
contexto de consulta de apoio por um quadro de ansiedade sem fator desencadeante
identificado. Ao exame objetivo detetou-se apenas valores de TA elevados (TAs de
159mmHg e TAd de 89mmHg) e taquicardia (frequência cardíaca de 110bpm). Por
suspeita de perturbação de ansiedade generalizada: medicada com diazepam 5mg id
e alprazolam 0.25mg (SOS), aconselhada a medir a TA em ambulatório e marcada
nova consulta com 2 semanas de intervalo para nova avaliação médica. Os valores
TA medidos em ambulatório continuavam elevados tendo-se optado por iniciar
medicação com amlodipina 5mg id e iniciar estudo da HTA. Do estudo, apenas se
destacou a presença à ecografia reno-vesical de um SJPU e hidronefrose a esquerda.
Referenciada aos cuidados de saúde hospitalares, realizou renograma com prova
diurética que comprovou o padrão obstrutivo do rim esquerdo, encontrando-se de
momento a aguardar cirurgia urológica.
Discussão: A incidência da obstrução da junção pieloureteral não é tão bem definida
nos adultos em comparação com a idade pediátrica. Nas crianças e nos jovens é a
principal causa de dilatação do trato urinário superior diagnosticada à ecografia
obstétrica. Na sua forma adquirida as principais causas são as infeções urinárias de
repetição, a litíase renal e o traumatismo renal. A dor abdominal, a infeção urinária e
a hematúria são as formas mais frequentes de apresentação da SJPU, sendo a HTA
um sinal menos frequente que pode ocorrer em apenas 3 a 11% dos casos.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Antony Nogueira
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Pevidém
[email protected]
Catarina Marques Pinho (USF Pevidém)
Joana Teixeira (USF Pevidém - Aces Alto Ave/Ave)
Joana Vidal Teixeira (USF Pevidém)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
28
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Hipertensão no Grande Idoso: Tratar ou não Tratar?
Hypertension Therapy;,Aged,80 and over
Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são, em Portugal, a principal causa
de morte, sendo a hipertensão arterial o fator de risco cardiovascular mais
prevalente. A diminuição da pressão arterial (PA) em hipertensos com idade ≤ 65
anos reduz a ocorrência de eventos cardiovasculares e morte. No que diz respeito ao
grande idoso (≥ 80 anos) esta temática gera controvérsia.
Objetivos: Rever a evidência existente quanto ao benefício do tratamento
anti-hipertensor na diminuição de eventos cardiovasculares major e mortalidade no
grande idoso.
Metodologia: Pesquisa na Medline e em sites de medicina baseada na evidência
(National Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical Association,
The Cochrane Database, DARE, Bandolier, Medline/Pubmed e Índex de Revistas
Médicas Portuguesas) por artigos publicados entre Janeiro de 2004 e Agosto de 2014
nas línguas inglesa, espanhola ou portuguesa, com as palavras-chave
"Hypertension/therapy" AND "Aged, 80 and over". Recurso adicional às referências
bibliográficas dos artigos consultados.
Para avaliação dos níveis de evidência (NE) e atribuição de forças de recomendação
(FR) foi usada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American
Family Physician.
Resultados: Dos 225 artigos encontrados, 8 cumpriam os critérios de inclusão, de
entre os quais se destacam 2 normas de orientação clínica (NOCs), 2 meta-análises
(MAs) e 4 ensaios clínicos (ECs).
Segundo as NOCs, o tratamento anti-hipertensor reduz a incidência de acidente
vascular cerebral (AVC) e morbilidade cardiovascular e aumenta a mortalidade por
outras causas (FR 1A). No utente com boa condição física e psicológica os valores de
PA devem rondar os 150-140 mmHg (FR IB), caso contrário, o tratamento deve ser
individualizado e monitorizado pela clínica (FR IC).
A MA corrobora a redução do risco de AVC, eventos cardiovasculares e insuficiência
cardíaca (IC) (FR1).
Os ECs revelam benefício no controlo da PA até valores de 150/80 mmHg por
diminuir o risco de morte cerebrovascular e IC (NE 1). Valores inferiores associam-se
a maior risco destes eventos (NE 2). Os resultados relativamente à mortalidade total
são heterogéneos (FR 1).
Discussão: O benefício global do tratamento anti-hipertensor no grande idoso é
questionável. A redução da mortalidade é conseguida nos ensaios com menor
redução da PA e terapêutica menos intensiva. Não há necessidade de suspender um
tratamento bem tolerado quando o utente atinge 80 anos.
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Teresa Moura Bastos
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
UCSP Sul
[email protected]
Sofia Azenha (USF Famílias)
Tânia Dias (USF Famílias)
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29
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
IECA ou ARA - qual a evidência na mortalidade em diabéticos hipertensos?
Diabetes Mellitus,Hipertensão Arterial,Inibidores da enzima conversora da
angiotensina,Antagonistas de receptores da angiotensina.
Introdução: A Diabetes Mellitus e a Hipertensão arterial são fatores de risco
sinérgicos para a doença cardiovascular. Os inibidores da enzima conversora da
angiotensina (IECA) e antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA) têm sido
utilizados nestes doentes. Porém, os resultados dos estudos foram contraditórios
quanto ao efeito destes na prevenção de complicações cardiovasculares.
Objetivos: Rever a evidência do efeito dos IECA ou ARA quanto à mortalidade ou
ocorrência de eventos cardiovasculares major nos diabéticos hipertensos.
Metodologia: Pesquisaram-se meta-análises (MA), revisões sistemáticas, ensaios
clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e normas de orientação clínica (NOC), nas
fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder, Canadian
Medical Association Practice Guidelines, Cochrane, DARE, Bandolier, Medline, DGS e
Índex RMP, publicados entre 31/08/2009 e 31/08/2014, nas línguas portuguesa,
espanhola, inglesa e francesa. Utilizaram-se os termos MeSH: “Diabetes Mellitus”
AND “Hypertension” AND “Angiotensin-Converting Enzyme Inhibitors” OR
“Angiotensin Receptor Antagonists”. Foi utilizada a escala Strength Of
Recommendation Taxonomy para atribuição dos níveis de evidência (NE) e forças de
recomendação (FR).
Resultados: Dos 478 artigos obtidos foram incluídos 5 MA e 8 NOC. A MA da
Cochrane demonstrou que os IECA diminuíam significativamente a mortalidade por
todas as causas em 16% (NE 1) e a MA de Nakao concluiu que esta classe diminuía o
risco de enfarte do miocárdio (NE 1). Recentemente, a MA de Cheng verificou que os
IECA diminuíam significativamente a mortalidade por todas as causas em 13%, a
mortalidade cardiovascular em 17%, o enfarte do miocárdio em 21% e a insuficiência
cardíaca em 19% (NE 1). Pelo contrário, os ARA apenas diminuíram o risco de
insuficiência cardíaca (30%) e dois ECAC demonstraram um aumento da mortalidade
cardiovascular com olmesartan. Não houve consenso entre as NOC, apesar de a
maioria recomendar os IECA ou ARA como primeira linha.
Discussão: Nos diabéticos, os efeitos dos IECA ou ARA parecem ser diferentes
relativamente à mortalidade e eventos cardiovasculares, apesar de existirem escassos
estudos a avaliar estas classes frente-a-frente. A evidência encontrada foi robusta e
consistentemente favoreceu o uso de IECA como primeira opção na prevenção da
morbi-mortalidade nesta população (FR A).
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Paula Mendes
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Maxisaúde
[email protected]
Vítor Cardoso (USF Gualtar)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
30
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
IMPLANTE SUBCUTÂNEO: A EXPERIÊNCIA DE UMA UNIDADE
Implante Subcutâneo,Planeamento Familiar;,Cuidados de Saúde Primários;
Introdução: Após 5 anos de experiência e de algumas reformulações no
procedimento do implante subcutâneo, a equipa profissional responsável, deparou-se
com a questão de que muitas mulheres retiravam o implante antes do prazo de
validade.
Objetivos: Como tal, decidiu-se proceder ao presente estudo de forma a averiguar os
motivos de colocação e exérese de todas as mulheres que retiraram o Implante
subcutâneo na unidade.
Metodologia: Estudo observacional, retrospetivo com recolha de informação através
da base de dados em papel, já existente, da unidade (tabela com o respetivo número
de utente, data da colocação e de remoção, profissional que colocou e removeu o
Implante, motivo que levou à remoção) com complemento de informação através do
programa informático SAM® e de um questionário voluntário e confidencial
elaborado pelas autoras com um texto introdutório e aplicado via telefone, a todos a
utentes que aceitaram integrar o estudo. As variáveis estudadas foram: idade,
contraceção anterior ao implante, antecedentes pessoais incluindo ginecológicos e
obstétricos, presença de explicação anterior do procedimento e efeitos laterais
inerentes ao método, motivo pelo qual optou pela colocação e exérese do implante.
Os dados recolhidos foram codificados e registados em base de dados informática –
Microsoft Excel®.
Resultados: Das 34 mulheres, três foram excluídas, pela impossibilidade de
contata-las. A média de idade foi de 34,3 anos e o método contracetivo anterior à
colocação do Implante mais frequente foi a contraceção hormonal combinada oral
(35.5%). Apenas 48% das mulheres afirma que lhe foi explicada de forma explícita
os efeitos laterais. O principal motivo de colocação foi a comodidade (51.6%) e o
esquecimento de outros métodos (35.5%). Vinte e nove por cento das mulheres
retiraram o implante antes do término de validade, tendo sido o aumento ponderal a
causa mais frequente (24%).
Discussão: As mulheres que retiraram o implante subcutâneo antes do fim de
validade têm como “custo perdido” inerente, estimado, em cerca de 1000 euros. O
aumento ponderal variou entre 3.2Kg a 14.8 Kg.
Conclusão: Após este estudo a equipa implementará formas de diminuir os gastos
com a exérese antecipada do implante, como registo de peso inicial no cartão de
identificação do implante, obrigatoriedade da assinatura na própria folha de
explicação do procedimento e efeitos laterais no dia da decisão e no dia da
colocação, entre outras.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Liliana Teixeira
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Nascente
[email protected]
Rubina Maciel dos Santos (USF Nascente)
Silvia Carvalho (USF Nascente)
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31
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Levotiroxina no tratamento da patologia nodular benigna da tiroide – uma revisão
baseada na evidência
levotiroxina,nódulo tiroideu,bócio nodular
Introdução: As doenças nodulares da tiroide estão entre as patologias endócrinas
mais comuns. Estima-se que 3-7% da população geral tenha um nódulo tiroideu
palpável e a prevalência aumenta com avaliação ecográfica. A grande maioria dos
nódulos identificados são benignos após avaliação citológica. Foi proposto que a
terapêutica com levotiroxina (LT) poderia levar à redução/estabilização do tamanho
dos nódulos benignos por suprimir os níveis de TSH (fator de crescimento para o
tecido tiroideu). No entanto, a sua eficácia continua a ser controversa.
Objetivos: Rever o efeito do tratamento com levotiroxina na patologia nodular
benigna da tiroide.
Metodologia: Pesquisa de artigos publicados nos últimos 10 anos na base de dados
Medline, sítios eletrónicos de Medicina Baseada na Evidência e Índex de Revistas
Médicas Portuguesas, utilizando os termos MeSH “thyroxine”, “goiter, nodular” e
”thyroid nodule”. Os estudos incluídos foram analisados pelos dois autores de forma
independente, que utilizaram as escalas Jadad para avaliar para a qualidade dos
estudos e The Oxford 2011 Levels of Evidence, para atribuir o nível de evidência
(NE).
Resultados: Da pesquisa efetuada obtiveram-se 614 artigos dos quais foram
selecionados 9: 2 guidelines de consenso (NE=1), 3 metanálises de estudos
randomizados (NE=1) e 1 ensaio clínico randomizado (NE=2), 2 ensaios clínicos não
randomizados (NE=3) e 1 ensaio clínico não controlado (NE=4). As guidelines
analisadas desaconselharam o uso por rotina de LT supressiva em todos os doentes
com patologia nodular benigna eutiroideia (força de recomendação B e F,
respetivamente). No entanto, a Thyroid Nodule Guideline de 2010 considera a sua
utilização em doente selecionados, (força de recomendação B). As metanálises
demostraram uma redução estatisticamente significativa dos nódulos tiroideus Vs não
tratamento/placebo. Todos os ensaios clínicos mostraram redução significativa do
volume nodular. O tratamento com LT não supressiva aparentou ser não-inferior à
terapêutica supressiva.
Discussão: A evidência disponível parece demonstrar eficácia da LT na redução do
volume dos nódulos tiroideus. No entanto, este efeito não se correlaciona
necessariamente com o outcome clínico. Assim, a sua utilização por rotina não é
recomendada, podendo ser considerada no tratamento médico da patologia nodular
benigna eutiroideia em doentes cuidadosamente selecionados.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Ana Rita M. Figueiredo
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Alto da Maia
[email protected]
Ana Filipa S. Lima (USF Alto da Maia)
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32
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Líquen Plano Oral - a propósito de um caso
oral lichen planus
Enquadramento: O Líquen Plano (LP) é uma doença muco cutânea auto-imune que
afeta a mucosa oral podendo também afetar pele, mucosa genital e unhas. O
diagnóstico do LP é efetuado através do exame clínico apenas ou com confirmação
histopatológica. Com a apresentação deste caso clínico, pretendemos evidenciar a
importância do conhecimento das manifestações orais e sistémicas do LP de forma a
contribuir para o seu correto diagnóstico e seguimento.
Descrição do Caso: RS, 65 anos de idade, reformada (agricultora); Graffar:
Média-Baixa; Ciclo de Duvall: VIII. Antecedentes pessoais: HTA e Hipotiroidismo,
medicada habitualmente com olmesartan 20mg, amlodipina 5mg e levotiroxina sódica
50 microgramas.
Em 28/02/2014 recorre a Consulta Aberta por manchas esbranquiçadas bucais com
uma semana de evolução. À observação apresentava lesões erosivas com margens
brancas estriadas na mucosa jugal direita e esquerda e língua. Foi medicada com
Deflazacorte 30mg 1 cp/dia durante 10 dias e Fluconazol 150mg 1 cp.
Em 10/03/2014 recorreu a consulta com o seu médico assistente por manutenção
das lesões esbranquiçadas na cavidade oral, dolorosas e aparecimento de manchas
na região sagrada, ombros e extremidades dos membros inferiores. Ao exame clínico
apresentava pápulas purpúricas pigmentadas na região sagrada, ombros e
extremidades dos membros inferiores e na cavidade oral verificavam-se finas estrias
brancas entrelaçadas- estrias de Wickham- mostrando um padrão reticulado de
hiperqueratose branca e rendilhada na mucosa oral.
Foi referenciada à consulta de Dermatologia para despiste de neoplasia. Foi
confirmado o diagnóstico de Líquen Plano Oral (LPO) e foi medicada com
Deflazacorte 30 mg (1/2 cp durante 10 dias), diclofenac a 0,074% solução bucal para
bochechar 30 minutos antes das três principais refeições e propionato de fluticasona
50 microgramas/dose, suspensão para pulverização duas vezes ao dia. Mantém
seguimento em consulta com melhoria parcial da sintomatologia até à data desta
avaliação.
Discussão: O LPO apresenta-se classicamente como lesões brancas, que podem ser
corretamente diagnosticadas se existirem outras lesões na pele ou outras lesões
extraorais típicas desta patologia. Contudo, uma biópsia oral é recomendada, tanto
para confirmar o diagnóstico clínico, como para excluir a displasia ou malignidade.
Como o LPO é uma doença crónica, os doentes deverão ser informados que existe
um risco de malignização e a monitorização a longo prazo é aconselhada.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Alexandra Dinis de Freitas
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Hygeia - ACeS Tâmega III
[email protected]
Manuela Leal (USF Hygeia - ACeS Tâmega III)
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33
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Liraglutido no tratamento da obesidade e do excesso de peso em não diabéticos – o
futuro?
liraglutido; obesidade; excesso de peso; perda de peso
Introdução: A obesidade é uma doença associada a elevada morbilidade e
mortalidade. A Organização Mundial da Saúde considera-a a epidemia global do
século XXI, uma vez que a sua prevalência praticamente duplicou nas últimas três
décadas em todo o mundo. As terapêuticas farmacológicas disponíveis (orlistat,
fentermina com topiramato e lorcaserina) têm uma eficácia limitada na redução do
peso e apresentam efeitos laterais indesejáveis, pelo que novas opções terapêuticas
são ambicionadas. O liraglutido, um análogo sintético do GLP-1 (Glucagon-like
peptide-1), está aprovado apenas para o tratamento da diabetes mellitus tipo 2. No
entanto, o seu interesse como potencial tratamento da obesidade e do excesso de
peso em não diabéticos tem aumentado.
Objetivos: Rever a evidência disponível sobre a eficácia do liraglutido na redução do
peso, em adultos não diabéticos, com obesidade ou excesso de peso.
Metodologia: Pesquisaram-se meta-análises, revisões sistemáticas, ensaios clínicos
aleatorizados e controlados (ECAC) e normas de orientação clínica, publicados entre
janeiro de 2009 e agosto de 2014, na base de dados PubMed e sítios de Medicina
Baseada na Evidência. Foram utilizados os termos MeSH: “liraglutide”, “obesity”,
“overweight” e “weight loss”. Aplicaram-se as escalas Jadad, para avaliação crítica
dos estudos, e The 2011 Oxford CEBM Levels of Evidence, para atribuição do nível de
evidência.
Resultados: Dos 138 artigos encontrados, 4 ECAC cumpriam os critérios de inclusão.
Os ECAC analisados pontuaram 4/5 na escala Jadad. Foi atribuído o nível de
evidência 2 a todos os ensaios. Os estudos mostraram que o liraglutido, associado a
dieta hipocalórica e a exercício físico, leva a uma redução de peso significativamente
superior ao placebo. Esta redução foi clinicamente relevante e dose-dependente. O
fármaco foi geralmente bem tolerado.
Discussão: A evidência disponível suporta a eficácia do liraglutido, associado a
modificações do estilo de vida, na redução do peso em adultos, não diabéticos, com
obesidade ou excesso de peso. Este fármaco poderá constituir uma alternativa válida
no tratamento destes doentes, mas são necessários mais estudos, com qualidade e
metodologia consistentes, que clarifiquem a eficácia e a segurança do mesmo a longo
prazo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Joana Filipa Barreira
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Viver Mais, ACES Maia/Valongo
[email protected]
Ana Rita Figueiredo (USF Alto da Maia, ACES Maia/Valongo)
Vânia Guedes (USF Faria Guimarães, ACES Porto Oriental)
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34
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Mais do que uma demência...
Demência;,Abordagem;,Cuidados de Saúde Primários;,Diagnóstico Diferencial;
Enquadramento: A demência define-se pelo compromisso da memória recente
associado a, pelo menos, mais uma perturbação cognitiva, com repercussão funcional
face ao nível prévio. Dada a elevada frequência de queixas mnésicas em Cuidados de
Saúde Primários (CSP) e a importante prevalência da demência em Portugal, a sua
correta abordagem pelo Médico de Família (MF) é fundamental.
Descrição do Caso: EDS, sexo masculino, 74 anos, reformado, casado, membro de
família na fase VIII de Duval, classe IV de Graffar, com antecedentes pessoais de
hipertensão arterial e dislipidemia e antecedentes familiares de demência (mãe e
irmão mais velho). Em consulta com o seu MF apresentava alteração da memória
recente com um ano de evolução, associada a alteração do comportamento com
agressividade, agitação e desorientação espacial, que o levou a deixar de conduzir.
Ao Exame Neurológico encontrava-se desorientado no espaço, com dificuldades na
compreensão das instruções e questões colocadas e desorganização das tarefas
propostas, sem sinais neurológicos focais, pontuando 21/30 no Mini-Mental State
Examination (MMSE) e 1/10 no Teste do Relógio. Fez estudo analítico com
hemograma, glicemia, calcemia, ionograma, função hepática, renal, tiroideia,
vitamina B12, ácido fólico, marcadores virais e teste sorológico da sífilis que estavam
normais e TC cerebral que revelou Leucoencefalopatia isquémica. Foi referenciado
para Neurologia, que confirmou défice cognitivo, medicou com Donepezilo 5 mg e
pediu RM funcional que revelou leucoencefalopatia de provável origem isquémica que
envolve a substância branca periventricular supratentorial e a região fronto-parietal
sub e justacortical, com extensão cortical parietal bilateral e atrofia cerebral cortical
difusa. Dados os antecedentes familiares, realizou estudo genético, que revelou
existência da mutação NOTCH3, compatível com o diagnóstico de CADASIL
(arteriopatia cerebral autossómica dominante com enfartes subcorticais e
leucoencefalopatia).
Discussão: Quando o MF suspeita de síndrome demencial, deve efetuar uma história
clínica completa com avaliação do estado cognitivo e funcional, alterações
psicológicas, co-morbilidades, medicação habitual, antecedentes pessoais e
familiares, exame físico e neurológico completo, estudo analítico e imagiológico, para
excluir causas secundárias. No presente caso clínico, é de destacar a importância dos
antecedentes familiares, que devem motivar a suspeita de síndrome demencial de
causa genética e o respetivo estudo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Margarida de Sousa Carvalho
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Anta
[email protected]
Duarte Figueiredo Pinto (USF Torrão)
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35
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Melatonina em idade pediátrica: que evidência?
Melatonin,Sleep initiation and maintenance disorders,child,adolescent
Introdução: As perturbações primárias do sono são muito comuns em idade
pediátrica sendo uma preocupação frequentemente apresentada na consulta em
Medicina Geral e Familiar. Para além da promoção da higiene do sono, a terapêutica
farmacológica pode ter um papel importante na abordagem destas perturbações. O
tratamento farmacológico com melatonina acelera o início do sono, facilita a sua
manutenção e atua na regulação do ciclo vigília/sono. Esta revisão surgiu do facto de
os autores verificarem o recurso relativamente frequente a esta terapêutica na
prática clínica.
Objetivos: Rever a evidência disponível sobre a eficácia da melatonina no tratamento
das perturbações primárias do sono em crianças e adolescentes.
Metodologia: Pesquisa bibliográfica nas Bases de dados Pubmed e sítios de Medicina
Baseada na Evidência (Cochrane Library, National Guideline Clearinghouse, DARE,
Bandolier, NHS Evidence) e Index das Revistas Médicas Portuguesas, utilizando os
termos MeSH Melatonin, Sleep initiation and maintenance disorders, Child e
Adolescent, publicados entre Janeiro de 2004 e Agosto de 2014 nas línguas Inglesa,
Portuguesa e Espanhola. Para atribuição de níveis de evidência e forças de
recomendação foi utilizada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT)
da American Family Physician.
Resultados: Foram encontrados 151 artigos, dos quais 3 cumpriram os critérios de
inclusão: 2 ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e 1 estudo de coorte
retrospetivo (ECR). Um ECAC e o ECR avaliaram a eficácia do tratamento da insónia
inicial crónica em crianças e concluíram que houve melhoria significativa
relativamente ao início do sono, início de libertação de melatonina endógena e
redução do tempo de latência até ao adormecer. O outro ECAC demonstrou que, em
adolescentes, pequenas doses de melatonina aumentam a duração do sono, facilitam
o seu início, diminuem a sensação de sono não reparador, fadiga ao acordar e
sonolência diurna.
Discussão: À luz da evidência atual os autores consideram que a melatonina se revela
eficaz no tratamento da insónia inicial em crianças e adolescentes (Força de
Recomendação C), contribuindo para uma diminuição significativa da hora de início
do sono e tempo de latência até ao adormecer, assim como diminuição da sensação
de fadiga e sonolência diurna. Os resultados obtidos foram escassos e com evidência
limitada, no entanto consistentes nos estudos analisados. Este facto sugere a
necessidade e pertinência de realizar mais investigação nesta área.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Hugo Ribeiro
Local de Trabalho
UCSP Barão do Corvo
Email
[email protected]
Outros Autores
Mariana Fonseca (USF Anta)
Sara Anjo (UCSP Barão do Corvo)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Melhoria da qualidade da prescrição de anti-inflamatórios não-esteroides sistémicos
no adulto_
Palavras-Chave
Antiinflamatórios não esteróides; Garantia de qualidade (cuidados de saúde); Adultos.
Resumo
Introdução: Os anti-inflamatórios não-esteroides (AINE) estão indicados na
abordagem terapêutica de diversas situações quer dolorosas quer inflamatórias. Os
inibidores da COX-2 foram lançados para o mercado na tentativa de diminuir os
efeitos a nível gastrointestinal (GI), nomeadamente a hemorragias GI. No entanto, foi
demonstrado que estão associados a aumento de risco cardiovascular (CV) e por tal,
o seu uso deve ser reservado a um grupo específico de doentes.
Objetivos: O objetivo deste trabalho foi avaliar e garantir a qualidade da prescrição
de anti-inflamatórios não-esteroides sistémicos no adulto tendo como base as
premissas presentes na norma da Direção Geral de Saúde sobre o tema.
Metodologia: Foi realizada uma avaliação interna, retrospetiva, de qualidade
técnico-científica e base institucional aos adultos que recorreram à consulta
presencial em dois períodos destintos de avaliação. Foi realizada uma sessão clínica
com apresentação da norma em questão entre as duas avaliações. Foram colhidos
dados do processo clínico referentes ao AINE escolhido e presença de fatores de risco
CV e hemorragia GI para cada prescrição de AINE realizada no período estabelecido.
Resultados: Foram avaliadas um total de 218 prescrições. Verificamos uma melhoria
de 1% na qualidade das prescrições na segunda avaliação e que o principal fator de
prescrição em desacordo com as premissas de qualidade foi “idade ≥ 65 anos”,
representando 70% do total de causas de prescrição incorreta.
Discussão: Ao analisar os resultados podemos concluir que o fator “idade ≥ 65”
(FRGI aquando da toma de AINE) é o principal aspeto descurado aquando da
prescrição desta classe de fármacos, sendo necessário sensibilizar os médicos para
futuramente melhorar a qualidade das prescrições.
Medidas Corretoras: Foi realizada uma sessão clínica nas unidades onde decorreu o
estudo de modo a informar os médicos sobre o resultado, salientando a necessidade
de maior cuidado na prescrição de AINE na população idosa (com idade superior a 65
anos).
Modalidade
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Miguel Martins da Cunha
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Monte Crasto
[email protected]
Ana Alves (USF Espaço Saúde)
Catarina Sousa Monteiro (USF Monte Crasto)
Diogo Durais (USF Monte Crasto)
Diogo Durais (USF Monte Crasto)
Henrique Sottomayor (USF Espaço Saúde)
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37
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Nódulo da tiroide
nódulo da tiroide,thyroid nodules guidelines
Introdução: Os nódulos da tiroide representam um achado clínico comum com uma
prevalência estimada de 3 a 7% na população em geral, sendo a prevalência de
nódulos não palpáveis diagnosticados por ecografia de 20 a 70%. Mais comuns nos
idosos, nas mulheres, nas pessoas com deficiência de iodo ou com antecedentes de
exposição a radiação. Apesar da maioria dos nódulos serem benignos existe a
possibilidade de 3,5 a 10% dos casos serem malignos. Por este facto, torna-se
importante efectuar um estudo adequado a cada situação clínica.
Objetivos: Sistematizar a norma da Direcção Geral de Saúde (DGS) e as
recomendações da Associação Americana (AACE) e Europeia (ETA) de Endocrinologia
relativamente à abordagem dos nódulos tiroideus.
Metodologia: Revisão clássica com base nas recomendações da AAEC e ETA e norma
de orientação clínica 019/2013 da DGS.
Resultados: Perante um nódulo da tiroide a história clínica tem extrema importância
para determinar um risco aumentado de malignidade, nomeadamente: utentes com
idade inferior a 14 ou superior a 70 anos, sexo masculino, história familiar de
patologia tiroideia, antecedentes pessoais de irradiação da cabeça e/ou pescoço,
presença de disfonia, dispneia ou disfagia, consumo de fármacos que contêm iodo,
velocidade de crescimento da massa cervical e sintomas de hiper ou hipotiroidismo.
A investigação clínica deve incluir em todos os casos doseamento da função tiroideia
e ecografia da tiroide.
Alguns nódulos devido a características ecográficas suspeitas, risco clínico aumentado
ou pela sua dimensão devem ser avaliados por citologia aspirativa com agulha fina
guiada por ecografia (se possível), para avaliar a existência de malignidade.
A cintigrafia da tiroide deve ser efectuada nos casos de nódulo tiroideu único ou
bócio multinodular (principalmente se for mergulhante) com TSH suprimida, e nos
casos de diagnóstico citológico de tumor folicular. Deve-se considerar o dosemanto
de calcitonina se houver suspeita clínica/citológica ou antecedentes familiares de
carcinoma medular da tiroide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
Não deve ser efectuada por rotina a pesquisa de anticorpos anti-tiroideus,
doseamento de tireoglobulina, cálcio, PTH, ressonância magnética ou tomografia
computorizada.
Discussão: Os nódulos tiroideus são uma patologia muito comum na prática clínica do
Médico de Família, pelo que é de extrema importância que o mesmo esteja
familiarizado e actualizado com o seu diagnóstico e investigação adequada.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Fátima Costa
Local de Trabalho
USF O Basto
Email
Outros Autores
[email protected]
Cecília Oliveira (USF São João de Braga)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
O doente depois da "cura"
Papel de doente; comportamento de doente.
Enquadramento: A Medicina Geral e Familiar centra-se na pessoa, considerando-a em
todas as suas dimensões. Como tal, lida com uma multiplicidade de patologias,
algumas das quais crónicas, e com as dificuldades que lhes estão inerentes. Cada vez
mais, o Médico de Família está familiarizado com os desafios da doença crónica e das
suas consequências na vida da pessoa. Contudo, a verdadeira dificuldade prende-se
com a gestão do comportamento de “doente” e do papel que este assume na
doença. O caso clínico que se segue pretende, portanto, a exemplificação deste
aspeto.
Descrição do Caso: PCSP, sexo feminino, 47 anos, raça caucasiana, divorciada.
Inclui-se numa família monoparental, no estádio V de Duvall. Apresenta um
relacionamento conflituoso com a sua filha e distante relativamente aos restantes
familiares, pelo que neste momento tem como único apoio o seu namorado. História
pessoal de esclerose múltipla, diagnosticada em 1989, motivo pelo qual lhe foi
concedida a invalidez. Outros antecedentes incluem patologia depressiva, rinite
alérgica e refluxo gastroesofágico. Mantém-se autónoma, embora polissintomática.
Trata-se de uma utilizadora regular dos Cuidados de Saúde Primários (para além dos
Secundários), sendo comum a apresentação em consulta de múltiplas queixas,
problemas e dúvidas. Apesar de adaptada à sua patologia, viu-se recentemente
confrontada com uma nova realidade, que condicionará a sua vida daqui em diante.
Discussão: Algumas doenças, em particular as crónicas, têm um impacto negativo na
vida da pessoa, obrigando a um processo de adaptação. A doença determina
igualmente a forma como a pessoa doente é vista pela família e pela sociedade,
justificando determinado tipo de comportamentos e atitudes. Mas, nem sempre a
doença faz o doente. Por vezes, é o doente que faz a doença. Uma vez que ser
doente é diferente de se comportar como tal, que abordagem se espera do Médico
de Família perante a pessoa que assume o papel de “doente”? Como fica o “doente”
sem a doença?
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Sofia Azenha
Local de Trabalho
USF Famílias
Email
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Outros Autores
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
O Nascimento de um Ciclo de Melhoria Contínua da Satisfação dos Cuidados
Prestados aos Utentes
Melhoria da Qualidade,Satisfação dos Utentes,Cuidados de Saúde Primários
Introdução: Ao nível dos cuidados de saúde primários (CSP) em Portugal, as
mudanças organizacionais são notórias, conduzindo a novas formas de gestão e
organização, com a implementação das unidades de saúde familiar (USF). Estas
organizações realçam a importância de ouvir os utentes, pois são estes que melhor
conhecem qual o resultado de saúde desejável, sendo encarados como parceiros nos
cuidados e nas tomadas de decisão.
Objetivos: Avaliar e garantir a satisfação da qualidade dos serviços prestados dos
utentes da USF X.
Metodologia: Dimensão estudada: acessibilidade
Unidade de estudo: Utentes inscritos na USF X, nos 12 meses anteriores; 9 médicos,
9 enfermeiros e 6 secretários clínicos
Amostra: aleatória, seletiva, de base institucional
Tipo de dados: resultados
Fonte de dados: Questionário Europep
Colheita de dados: Em 2012 e 2013, aos utentes presentes na sala de espera da USF.
Tipo de avaliação: interna e retrospetiva
Critérios de inclusão: idade ≥ 18 anos; compreensão da língua portuguesa; pelo
menos uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses ou filho como idade < a 18
anos com, pelo menos, uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses ou familiar
dependente com, pelo menos, uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses.
Padrão de qualidade: Foi definido como critério de Bom Desempenho a existência de
60% ou mais de respostas Muito Bom/Excelente em pelo menos 80% das questões.
Tratamento dos Dados: Microsoft Excel 2007
Tipo de intervenção: Educacional e estrutural.
Resultados: A maioria dos utentes parece estar satisfeita com a USF X. A rapidez com
que os problemas urgentes de saúde foram resolvidos foi a área de pior desempenho
em 2012, tendo melhorado significativamente em 2013 (44% em 2012 e 71% em
2013). A marcação de consulta pela internet foi a área de pior desempenho em 2013
(33%).A facilidade em falar pelo telefone com a USF ou com o MF, o tempo de
espera na sala e os serviços ao domicílio apresentam os piores resultados
consecutivamente.
Discussão: Serão necessários empreender mais esforços pela equipa da USF X para a
melhoria dos setores que causam maior insatisfação dos utentes, nomeadamente
marcação de consulta pela internet, possibilidade de contactar a unidade pelo
telefone e tempo de espera.
Medidas Corretoras: Apresentação e discussão dos resultados na reunião de Conselho
Geral; maior divulgação junto dos utentes dos serviços de domicílio e possibilidade de
marcação de consulta pela internet; melhorar a possibilidade de contactar a
unidade/MF pelo telefone; formação em gestão de tempo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Joana Araújo
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Terras de Souza
[email protected]
Joana Andrade Barros (USF Terras de Souza)
Lisete Aires Silva (USF Terras de Souza)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
O papel do cigarro eletrónico na cessação tabágica – uma revisão baseada na
evidência
cessação tabágica,cigarro electrónico
Introdução: Os cigarros eletrónicos (CE) são dispositivos elétricos que libertam
nicotina através de uma mistura de vapor inalado, simulando o ato de fumar. A sua
popularidade está a aumentar em todo o mundo devido às vantagens anunciadas
pelas empresas que os produzem como a menor toxicidade, a possibilidade de fumar
em zonas restritas e o baixo preço. Contudo, a maioria usa-os com o objetivo de
deixar de fumar.
Objetivos: Determinar se a utilização de CE constitui uma alternativa no apoio à
cessação tabágica (CT).
Metodologia: Foi realizada uma revisão baseada na evidência com pesquisa de
artigos publicados entre 1/07/2004 e 30/06/2014 na base de dados Medline, sítios
eletrónicos de Medicina Baseada na Evidência e Índex de Revistas Médicas
Portuguesas, utilizando o termo MeSH “smoking cessation”; os termos "electronic
cigarette", "e-cigarette", "e-cig", "electronic cigarettes", "e-cigarettes" e "e-cigs"; e os
termos Portugueses “cessação tabágica”, “cigarros eletrónicos” e “cigarros
electrónicos”. Foram incluídos artigos referentes a populações de fumadores, que
comparavam grupo exposto e não exposto ao cigarro eletrónico. O resultado medido
foi a CT. Foram utilizadas as escalas “Strength-of-Recommendation Taxonomy”,
“Jadad” e “Newcastle-Ottawa” para a avaliação da qualidade dos estudos e da força
de recomendação.
Resultados: Da pesquisa realizada resultaram 2076 entradas, sendo que 6 artigos
cumpriram os critérios de inclusão. Uma revisão sistemática, que incluiu 9 trabalhos,
demonstrou uma conclusão desfavorável à utilização dos CE (Nível de Evidência [NE]
2). Da mesma forma, uma revisão clássica, um artigo de opinião e duas normas de
orientação clínica não são favoráveis, dada a evidência insuficiente para aconselhar
esta opção (todos com NE 3). Apenas um estudo transversal apresenta uma
conclusão favorável e demonstra que, entre aqueles que se encontravam em CT,
havia uma maior proporção de utilização de CE em relação a outras terapêuticas (NE
2).
Discussão: Os CE são vistos pelos seus utilizadores como uma forma de deixar de
fumar, no entanto a maioria dos trabalhos, apesar do baixo nível de evidência, não
encontrou associação entre o seu uso e a CT. Ainda que possam apresentar potencial
benéfico no combate aos malefícios do tabaco, os autores consideram que o uso de
CE não parece desempenhar um papel benéfico na CT (Força de Recomendação B).
Dada a rápida expansão deste fenómeno em todo o mundo e a sua crescente
popularidade, estudos de melhor qualidade são urgentemente necessários.
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Pedro Couto
Local de Trabalho
USF Valongo
Email
Outros Autores
[email protected]
Elisabete Almeida (USF Valongo)
Joana de Oliveira e Silva (USF Valongo)
Lígia Silva (USF Valongo)
Pedro Mendes (USF Valongo)
Rosa Barreira (USF Valongo)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Perturbação Orgânica da Personalidade - um caso de integração de cuidados
Perturbação Orgânica da Personalidade,Integração de cuidados
Enquadramento: As Perturbações Orgânicas da Personalidade englobam as alterações
do comportamento, nomeadamente a expressão de emoções, necessidades e
impulsos. Os delírios paranóides são frequentes neste contexto, sendo o ciúme
patológico a perturbação delirante mais comum, causa de auto e
heteroagressividade. O reconhecimento desta patologia surge do “confronto” de
relatos entre a pessoa e seus conviventes, na distinção (por vezes difícil) do real e
imaginário.
Este caso clínico evidencia as vantagens de uma relação próxima com o doente e
agregado familiar, ao especial alcance do Médico de Família (MF), e o seu
papel-chave como mediador com os cuidados hospitalares.
Descrição do Caso: Mulher, 53 anos, casada, desempregada. AVC em 2005, seguida
desde então em psiquiatria por Perturbação Orgânica da Personalidade. Em 06/2014,
exibe na consulta comportamento pouco comunicativo, desinteressado. Em resposta
a uma questão aberta, refere “o meu marido tem outra”.
Avaliação familiar: família nuclear, fase VI de Duvall, Apgar 4. Analisando os registos
colocou-se a hipótese de descompensação da doença psiquiátrica – ideias recorrentes
de infidelidade nos períodos de psicose, episódio de agressão ao marido (08/2008),
mandato de condução ao SU de psiquiatria pelo Ministério Público a pedido da filha
(hipersexualidade e agressividade no trabalho) (11/2008) e o facto de ter sido
suspenso o tratamento injetável (12/2013), por aparente estabilização da doença.
Após contacto com filha e marido, foi possível objetivar a conduta recente: sair das
lojas sem pagar; mexer no lixo da rua; levantar quantias avultadas de dinheiro sem
propósito.
Estes factos foram comunicados à psiquiatra, por carta da MF, levada em mãos pela
filha, de modo a haver integração da informação dos familiares, visto a doente não
ter sentido crítico e deslocar-se muitas vezes sozinha à consulta. Estes
acontecimentos motivaram o reinício do tratamento injetável.
Discussão: A proximidade médico-doente-família, característica da MGF, permite o
acompanhamento longitudinal de doenças tão complexas como a doença psiquiátrica.
A perceção familiar, embora não absoluta, é de extrema importância. Fatos como a
confirmação da adesão terapêutica e o comportamento testemunhado fora do
consultório ultrapassam o poder observatório do clínico. A comunicação entre os CSP
e os cuidados hospitalares deve ser uma via aberta e facilitada, pois é uma arma
diagnóstica e terapêutica fundamental, não podendo nunca ser subestimada.
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Flipa Duarte
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Nova Via
[email protected]
Ângela M. Teixeira (USF Nova Via)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Prevalência da prescrição de IBP ( Inibidores da bomba de protões) numa unidade
de saúde
Inibidores da bomba de protões,Prevalência,Uso crónico
Introdução: Os IBP são os mais usados supressores da secreção ácida em doentes
com refluxo gastroesofágico não erosivo e esofagite erosiva. O uso excessivo destes
medicamentos tem requerido atenção especial nos últimos anos, quer pelo impacto
económico quer pelos seus potenciais efeitos adversos. Estes últimos podem
agrupar-se genericamente em 3 categorias: o efeito direto da supressão ácida
gástrica, a resposta fisiológica à supressão do ácido e a interação farmacodinâmica
com o metabolismo de outros fármacos.
Objetivos: Determinar a prevalência de consumo crónico de IBP numa Unidade de
Saúde Familiar.
Metodologia: Estudo observacional, descritivo e transversal, com uma amostra de
1255 utentes (10% da população da unidade de sáude), aleatorizada por sexo e
idade, com pelo menos uma consulta nos últimos 3 anos. Foram analisados os dados
referentes a prescrição de IBP entre 01 Janeiro de 2012 a 31 Dezembro de 2012, nos
utentes com mais de 18 anos, e com consumo de IBP. Estabelecemos com critério de
cronicicade o consumo há mais de 2 meses.
Resultados: A prevalência de prescrição de IBP obtida foi de 13%, tendo 73%
prescrição de IBP há mais de 2 meses o que perfaz uma prevalência de prescrição
crónica de inibidores de 10.6%. Dos utentes que tomam inibidor cronicamente mais
de 50% fá-lo continuamente à mais de 2 anos. A percentagem de prescrição de IBP
aumenta com a idade chegando aos 30% na oitava década de vida, com uma taxa de
cronicidade superior a 90%. A avaliação dos registos mostrou que apenas 50% dos
utentes tinha atribuido um diagnóstico associado ao IBP prescrito.
Discussão: A prevalência de prescrição de IBP encontrada neste estudo é semelhante
ao encontrado na literatura. No entanto, verifica-se que a partir dos 60 anos a
prescrição de IBP é feita por longos periodos de tempo, sem que haja um motivo
claro registado que justifique esta prescrição. Tal pode dever-se por um lado à
subjectividade das queixas dos utentes, dificultando a descontinuação, e por outro à
noção dos utentes que se trata de uma medicação sem efeitos laterais importantes.
Conclusão: Os resultados deste estudo reforçam a importância da monitorização e
descontinuação deste tipo de terapêuticas nesta unidade de saúde, uma vez que,
estudos recentes apontam para as complicações associadas ao consumo crónico
deste tipo de medicação.
Comunicação Oral
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Ana Pinheiro Torres
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Salvador Machado
[email protected]
Ana Luís Pereira (USF Salvador Machado)
Beatriz Soares (USF Salvador Machado)
Carlos Pedro Mendes (USF Salvador Machado)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Prever para agir na Diabetes
Diabetes; Risco; Prevenção; Promoção
Introdução: A Diabetes é uma doença crónica, cuja prevalência continua a aumentar.
Os principais factores de risco para o seu aparecimento são, entre outros: idade ≥45
anos, IMC>25kg/m2, perímetro abdominal elevado, hipertensão arterial e
antecedentes familiares.
Objetivos: Caracterizar os utentes do ACeS onde exercem os autores, quanto ao risco
de desenvolver Diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos.
Metodologia: Realizou-se um estudo descritivo, aplicado a uma amostra de
conveniência constituída por 377 utentes deste ACeS, que recorreram às respectivas
Unidades Funcionais entre 24 de Março e 4 de Abril de 2014. Critérios de exclusão:
utentes menores de 18 anos, utentes com diagnóstico de Diabetes e utentes
grávidas.
Foi aplicado o questionário “Ficha de avaliação de risco de Diabetes Tipo 2” (DGS).
Os resultados do questionário foram discutidos, individualmente, envolvendo uma
breve abordagem de estratégias preventivas.
Resultados: Foram recolhidos 377 questionários: 67.4% de indivíduos do sexo
feminino, 32.6% do sexo masculino, 43.5% com menos de 45 anos e 15.4% com
mais de 64 anos.
Dos parâmetros avaliados: 64.3% dos homens apresentava perímetro abdominal
superior a 94cm e 80% das mulheres superior a 80cm, 34.7% dos indivíduos
praticava actividade física diariamente, 79% consumia frutas e/ou vegetais todos os
dias, 31% encontrava-se sob terapêutica anti-hipertensora, 13.3% referiu valores
anteriores de glicemia elevados e 59.9% referiu antecedentes familiares de Diabetes.
Relativamente ao risco de desenvolver Diabetes nos próximos 10 anos, 22% dos
inquiridos apresentaram baixo risco, 30.8% risco sensivelmente elevado, 22% risco
moderado, 22% risco alto e 2.4% risco muito alto.
Discussão: Pelo facto de este ser um estudo descritivo, aplicado a uma amostra de
conveniência, composta por utentes dos serviços de saúde, incorre no risco de não
ser representativo da real situação da população geral, relativamente ao risco de
desenvolver Diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos.
Conclusão: A realização deste trabalho permitiu caracterizar os utentes do ACeS em
estudo quanto ao risco de desenvolver Diabetes tipo 2 e, também, alertar a
população quanto à importância da prevenção, sensibilizando-a para os
comportamentos de risco modificáveis e reforçando a necessidade de mudança, no
sentido de adquirir hábitos saudáveis.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Filipa Grade
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Freamunde
[email protected]
Francisco Pavão (U.Saúde Pública ACeS Tamega III)
Joana Silva Couto (USF Freamunde)
Miguel Moreira (U.Saúde Pública ACeS Tamega III)
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44
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
PROJECTO TIRO’LISSO
Pequena Cirurgia,Cuidados de Saúde Primários
Introdução: A pequena cirurgia é um procedimento cirúrgico de relativa baixa
complexidade, com fins terapêuticos ou diagnósticos e que geralmente não requer
internamento hospitalar. Com o objectivo de trazer maior comodidade ao utente, de
poupar recursos de saúde e dar uma resposta mais rápida a determinados
problemas, uma Unidade de Saúde Familiar (USF) propôs-se à realização de uma
consulta de pequena cirurgia, à qual designou Projecto Tiro’lisso.
Objetivos: Demonstrar o processo de organização e os resultados obtidos na consulta
de pequena cirurgia de uma unidade de saúde familiar, um ano após o início da
referida actividade.
Metodologia: Antes de implementarem este projeto na USF, os responsáveis pela sua
realização, tiveram um período de formação, participando ativamente em horário
pós-laboral, na cirurgia de ambulatório de um serviço hospitalar. Esta formação teve
uma duração de 2 meses, sendo realizada por períodos de 4 horas semanais (total de
32 horas). O período de formação teve aprovação do respetivo diretor de serviço e
foi orientado por internos de formação específica em cirurgia. O Projecto Tiro’lisso
teve início em Julho de 2013. Após seleção prévia, os utentes são encaminhados para
a consulta de pequena cirurgia pelo próprio médico de família. Na primeira consulta é
realizada uma segunda avaliação. Se o utente for elegível para o procedimento,
assina o respetivo consentimento informado, agendando-se o dia da intervenção.
Após exérese da lesão, esta é habitualmente orientada para avaliação histológica e
registada posteriormente no processo clínico do paciente.
Resultados: Durante o primeiro ano foram realizadas 174 intervenções. Entre as
lesões mais frequentemente observadas encontram-se respetivamente os
fibropapilomas, os nevos melânicos e os quistos epidermóides/sebáceos. A maioria
destas intervenções foram realizadas sob anestesia local e enviadas para estudo
anatomo-patológico, sendo dado posteriormente a conhecer ao respetivo médico de
família. Até à data não foram registadas quaisquer complicações.
Discussão: Com o desenvolvimento deste projeto, a USF consegue dar resposta com
tempo de espera máximo de 15 dias, aumentando assim a satisfação da população
perante os cuidados de saúde prestados. Por outro lado, esta iniciativa evita ainda o
processo de referenciação hospitalar, gerando menores níveis de stress nos utentes,
diminuindo também os custos que lhe são inerentes.
Conclusão: Com esta iniciativa a USF espera melhorias significativas na saúde dos
doentes, das populações e dos sistemas de saúde.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Sílvia Sacramento
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Canelas
[email protected]
Guerra da Rocha (USF Canelas)
Joana Relva (USF Canelas)
Jorge Godinho (USF Canelas)
Rui Caramelo (USF Canelas)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Projeto de intervenção na comunidade sobre alimentação saudável
Alimentação saudável,Obesidade,Excesso de peso
Introdução: A obesidade é considerada uma epidemia do século XXI, cuja prevalência
tem vindo a aumentar nas idades pediátricas, acarretando complicações físicas,
psicológicas e sociais, a curto, médio e longo prazo.
Objetivos: Determinar a prevalência da obesidade e o impacto da implementação de
medidas promotoras de uma alimentação saudável num grupo de adolescentes.
Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, descritivo e analítico, aos alunos
que nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014 frequentavam o 7º e 8º anos de
escolaridade respetivamente, num total de 67 participantes. O estudo teve a duração
de 1 ano. Numa primeira fase, após o consentimento dos encarregados de educação,
foi efetuado a medição dos parâmetros antropométricos (peso/altura), nas aulas de
Educação Física dos respetivos alunos, e aplicado um inquérito relativo aos hábitos
alimentares. Posteriormente, foi realizada uma apresentação expositiva dialogada
com participação ativa dos formandos, com uma duração aproximada de 45minutos.
Numa segunda fase, que decorreu no ano letivo 2013/2014, ou seja, 1 ano depois,
foram reavaliados aos mesmos alunos os parâmetros antropométricos e aplicado o
mesmo questionário.
Para análise dos parâmetros antropométricos, nomeadamente o índice de massa
corporal (IMC), foram usadas as novas curvas da Organização Mundial de Saúde
aprovadas no novo Plano Nacional de Saúde Infantil e Juvenil.
Resultados: Da análise dos resultados, verificou-se que uma percentagem elevada
dos alunos, aproximadamente 38,8%, apresentava excesso de peso (IMC no P85-97)
ou obesidade (IMC superior ao P97) no 7º ano, sendo que este valor reduziu para
35,8% no 8º ano (p=0.721).
A análise dos questionários permitiu constatar, de um modo geral, uma melhoria nos
hábitos alimentares dos alunos.
Discussão: A diminuição verificada do excesso de peso e obesidade após a
intervenção dos autores vem demonstrar a importância de intervenções de educação
para a saúde na comunidade. A ausência de conclusões estatisticamente significativas
relativas ao impacto da educação nutricional nos adolescentes pode dever-se, não só
a alguns vieses, mas também a uma amostra pequena.
Conclusão: Com esta sessão de educação para a saúde pretendeu-se alertar os
alunos para os problemas futuros que o excesso de peso e a obesidade acarretam e
da intervenção do Médico de Família na comunidade. Estudos com amostras de
maiores dimensões serão necessários para avaliar com maior precisão o impacto
destas medidas dietéticas.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Nuno Namora
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Duovida
[email protected]
Fernanda Rodrigues (USF Duovida)
Luísa Ferraz (USF Duovida)
Maria João Abreu (USF Duovida)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Projeto MetDiab: Avaliação e Garantia da Qualidade da Prescrição de Metformina em
Doentes Diabéticos com Declínio da Função Renal
Diabetes Mellitus; Metformina; Melhoria da Qualidade.
Introdução: A Diabetes Mellitus é uma doença crónica requerendo cuidados médicos
contínuos. Cerca de 87% dos diabéticos em Portugal tomam antidiabéticos orais,
sendo que 74,6% estão medicados com metformina. Contudo, a Norma
nº001/2011(NOC) da Direção Geral de Saúde (DGS), recomenda a descontinuação da
metformina com uma taxa de filtração glomerular (TFG)<60ml/min/1,73m2.
Objetivos: Avaliar e garantir a qualidade da descontinuação do tratamento com
metformina em diabéticos com TFG<60ml/min/1,73m2, vigiados na USF A e USF B,
do ACES X.
Metodologia: Dimensão estudada: qualidade técnico-científica. Unidade de estudo:
utentes inscritos, diagnosticados e vigiados na USF A e USF B, com a codificação
ICPC-2 T89 “Diabetes insulinodependente” ou T90 “Diabetes não insulinodependente”
nos problemas ativos, medicados com metformina. Foram avaliados
retrospetivamente os registos clínicos entre 01/01 e 31/03/2013. Após aplicação das
medidas de intervenção, o critério proposto foi reavaliado retrospetivamente no
período entre 01/01 e 31/01/2014. Tipo de dados: de processo. Fonte de dados: SAM
e MIMUF®. Tipo de avaliação: interna e retrospetiva. Critérios: manutenção do
tratamento com metformina apesar de TFG<60ml/min/m2. Padrão de Qualidade:
após reunião em equipa, meta de descontinuação de metformina com
TFG<60ml/min/m2 em 5%.Tipo de intervenção: educacional e estrutural.
Resultados: A primeira avaliação incluiu 688 processos, correspondendo 52,2% a
diabéticos do género feminino. A idade média foi de 64,1 anos. A TFG estava
registada em 71,8%, sendo que 11,5% estavam a fazer metformina apesar de
TFG<60ml/min/1,73m2. Na reavaliação, foram incluídos 799 processos,
correspondendo 60,8% ao género feminino. A idade média foi de 64,8 anos. A TFG
estava registada em 79,7% dos processos, sendo que 8,3% estavam a fazer
metformina apesar de TFG<60ml/min/1,73m2.
Discussão: Em 2013, a proporção de diabéticos medicados com metformina com
TFG<60ml/min/1,73m2 foi superior a 2014 (11,5%vs8,3%), sendo esta diferença
estatisticamente significativa (testes Binomial, p=0,009). Assim, apesar de não
atingirem a padrão de qualidade proposto, as USF avaliadas aderiram à prática clínica
proposta, de acordo com os parâmetros preconizados pelas NOC. Contudo,as
medidas corretoras implementadas não foram suficientes na abordagem do
problema, propondo-se assim a aplicação de novas medidas.
Medidas Corretoras: Solicitação de creatinina sérica, registo do peso, cálculo anual de
TFG e revisão terapêutica frequente.
Comunicação Oral
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Francisca Mateus
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF S.Martinho - Penafiel
[email protected]
Joana Araújo (USF Terras de Souza)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Propranolol no tratamento do Hemangioma Infantil: revisão baseada na evidência
Hemangioma Infantil; Propranolol; Tratamento
Introdução: Os hemangiomas infantis (HI) são o tumor vascular mais frequente na
infância. Apesar da elevada prevalência, a maioria não requer tratamento, pois ocorre
uma regressão espontânea e completa da lesão. Em 2008 foi descoberto que o
propranolol tinha o efeito de acelerar ou provocar a involução dos HI. Desde então
vários estudos foram realizados para avaliar a eficácia do propranolol no tratamento
dos HI. Sendo uma indicação terapêutica recente de um fármaco já utilizado para
outras patologias, e tendo alguns doentes da nossa consulta iniciado este tratamento
para regressão de HI, é de grande importância examinar a evidência existente sobre
o tratamento com propranolol dos HI sem ulceração ou compromisso funcional
importante.
Objetivos: Rever a evidência sobre o tratamento do hemangioma infantil não
complicado com propranolol (oral ou tópico).
Metodologia: Fonte de dados: Pubmed, UptoDate, sítios de medicina baseada na
evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos
artigos selecionados. Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões
sistemáticas, meta-análises, ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC),
publicados entre Janeiro/2004 e Junho/2014, utilizando os termos MeSH:
Hemangioma, Capillary/therapy e Propranolol. Foi utilizada a escala Strength Of
Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição dos níveis de evidência e forças
de recomendação.
Resultados: Foram encontrados 98 artigos, dos quais foram selecionados 2 de acordo
com os critérios de inclusão e exclusão. Os artigos selecionados referem-se a 2
ensaios clínicos aleatorizados e controlados (nível de evidência 2). Os resultados
encontrados nestes estudos são consistentes e indicam uma redução do tamanho e
melhoria do aspeto dos HI após tratamento com propranolol em relação a grupo
tratado com placebo ou sem tratamento, esta melhoria apresenta significância
estatística (p <0.05) em todos os estudos selecionados.
Discussão: A evidência revela que o propranolol é eficaz no tratamento dos HI (SOR
2 B). Os estudos indicam também que o tratamento é seguro desde que seja aplicado
um protocolo de seleção e vigilância adequada dos pacientes. Dado ser um
tratamento recente para os HI, são ainda necessários ECAC com amostras maiores,
com uniformização dos instrumentos de avaliação dos resultados e com análise de
subgrupos de modo a destrinçar quais os pacientes, características e localização das
lesões que mais beneficiam com este tratamento e qual a dosagem e duração do
tratamento mais apropriadas.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Miguel Martins da Cunha
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Monte Crasto
[email protected]
Diogo Durais (USF Monte Crasto)
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48
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Recomendação do uso de sal iodado na prática familiar – qual a evidência dos
benefícios?
Sal iodado,Bócio,Tiróide,Desenvolvimento infantil
Introdução: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 13% da
população Mundial é afetada por doenças associadas à carência de iodo e 30%
encontra-se em risco. Relativamente a Portugal, os dados existentes são escassos. O
iodo é um oligoelemento vital necessário na síntese de hormonas tiroideias,
constituindo a alimentação a sua principal fonte. A dose diária recomendada varia
entre 90 ug/dia nas crianças, 150 ug para os adultos e 250 ug nas grávidas.
Objetivos: Rever a evidência existente para recomendar o uso de sal iodado na
melhoria do desenvolvimento cognitivo das crianças e na prevenção de patologia
tiroideia.
Metodologia: Foi efetuada uma pesquisa bibliográfica de guidelines, meta-análises e
revisões sistemáticas, utilizando os termos Mesh “iodized salt”, “goiter”, “thyroid” e
“child development” nas bases de dados National Guidelines Clearinghouse,
Guidelinefinder, CMA-Infobase, Cochrane Lybrary, Clinicalevidence, DARE, Bandolier e
Pubmed, tendo sido pesquisados artigos publicados nos últimos 6 anos em inglês e
português. Para avaliar os níveis de evidência e atribuir as forças de recomendação
foi usada a escala Strenght of Recomendation Taxonomy (SORT).
Resultados: Dos 96 artigos encontrados, foram selecionados 6 - 3 revisões
sistemáticas e 3 meta-análises. Três estudos, que englobaram como população alvo
grávidas e crianças, sugerem que a suplementação com iodo é importante no
desenvolvimento cognitivo das crianças, associando-se a Quociente de Inteligência
superior (1A). Os restantes estudos abrangeram a população geral e demonstraram
que a suplementação com iodo reduz a prevalência de bócio e cretinismo,
melhorando o desenvolvimento cognitivo das crianças e diminuindo a disfunção
tiroideia nomeadamente nas grávidas. Destes estudos dois apresentam nível de
evidência 2, sendo o outro de evidência 1, com uma força de recomendação A/B. O
estudo de Peter N.Taylor et al. focou-se em populações com carência apenas
moderada em iodo, provando o benefício do uso de sal iodado nas mesmas (1A).
Discussão: A evidência disponível defende o uso de sal iodado (SORT A/B) como uma
medida custo-efetiva na redução de bócio e na melhoria do desenvolvimento
cognitivo. Não implicando aumento no consumo de sal, esta recomendação não
interfere com o risco cardiovascular. Contudo, mais estudos deverão ser
desenvolvidos a fim de determinar os níveis de iodo da população portuguesa e as
consequências do seu consumo excessivo.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Bela Alice Costa
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Nuno Grande
[email protected]
Claudia Junqueira (UCSP de Mateus)
Sara Tavares (USF Nuno Grande)
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49
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários: melhoria contínua da qualidade
Referenciação
Introdução: A importância da disponibilização de informação clínica de boa qualidade
aquando da referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários (CSS) é reconhecida,
podendo uma comunicação insatisfatória trazer consequências deletérias para o
doente. Não se conhecem critérios validados para a avaliação da qualidade desta
informação.
Objetivos: Avaliar a qualidade da informação contida nos pedidos de referenciação
para os CSS, realizados em duas Unidades de Saúde Familiar (USF).
Metodologia: Trata-se de um trabalho de garantia e melhoria da qualidade, em que a
dimensão estudada foi a qualidade técnico-científica. A unidade de estudo incluiu os
utentes referenciados para os CSS, pelos médicos das duas USF, durante um período
de um mês (1ª avaliação em maio de 2013; 2ª avaliação em outubro de 2013 e 3ª
avaliação em maio de 2014). Avaliou-se uma amostra de base institucional, de
conveniência. Usaram-se dados de processo, colhidos pelas autoras a partir do
programa Alert® P1 e tratados no Excel® e SPSS®. Realizou-se uma avaliação
interna e retrospetiva. A intervenção foi de tipo educacional. Utilizaram-se 7 critérios
de qualidade (registo do motivo da referenciação, história clínica, exame objetivo,
antecedentes pessoais, resultados dos exames complementares de diagnóstico,
medicação e hipótese de diagnóstico) e um padrão de qualidade com 3 categorias
(boa qualidade, se os pedidos cumprissem pelo menos 5 critérios, sendo obrigatório o
registo do motivo, história e exame objetivo; qualidade razoável, se cumprissem pelo
menos os critérios obrigatórios; má qualidade, quando estes não fossem cumpridos).
Resultados: Na 1ª avaliação, 83.4% dos pedidos foram classificados como sendo de
má qualidade e 13.2% de boa qualidade. Na 2ª avaliação, a percentagem de
cumprimento de cada um dos critérios aumentou, tendo as referenciações de boa,
razoável e má qualidade correspondido a 29.6%, 9.3% e 61.1% dos casos,
respetivamente. Na 3ª avaliação, observou-se a diminuição dos pedidos de boa
qualidade (25.8%) e de qualidade razoável (7.2%).
Discussão: Apesar da melhoria da qualidade da informação de referenciação entre a
1ª e a 2ª avaliação, verificou-se um retrocesso entre a 2ª e a 3ª avaliação, o que
constituiu motivo de reflexão. Apesar de se reconhecem as limitações inerentes ao
instrumento de avaliação utilizado, as autoras entendem ser necessário e importante
promover o processo de melhoria contínua nesta área.
Medidas Corretoras: Análise e discussão dos resultados em equipa.
Comunicação Oral
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Diana Pinho Cruz
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Terras de Santa Maria
[email protected]
Sofia Azenha (USF Famílias)
www.encontro.aimgfzonanorte.pt
50
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Requisição de G-GT em consulta de Saúde de Adultos
G-GT; requisição; registo(s); qualidade
Introdução: A gama-glutamiltransferase (G-GT) é uma enzima de colestase, mas,
devido à localização difusa no organismo, o seu aumento no sangue é pouco
específico. Atualmente são poucas as indicações que reúnem consenso para a sua
requisição, no entanto esta continua a ser um dos MCDTs mais prescritos nas USFs
dos autores.
Objetivos: Avaliar a qualidade técnico-científica das requisições de G-GT aos utentes
que recorrem à consulta de Saúde de Adultos dos médicos das suas USFs.
Metodologia: Obteve-se a lista de utentes que frequentaram a consulta de Saúde de
Adultos no período entre março e abril de 2014 e calculou-se uma amostra
representativa da lista de cada médico envolvido no estudo. Abriu-se a ficha de cada
utente no programa SAM® para encontrar aqueles a quem foi pedida G-GT e
posteriormente procurou-se na ficha de consulta e antecedentes a justificação clínica
para esse pedido. As justificações aceites são as presentes na Norma de Orientação
Clínica da DGS nº69/2011. Estabeleceu-se um padrão de qualidade tendo em conta
os resultados da 1ª avaliação e elaborou-se um plano de intervenção baseado
principalmente em sessões educacionais breves com o objetivo de melhorar os
resultados obtidos.
Resultados: Foram analisados no total 4953 registos de consulta e em 636 destas
consultas foi requisitada G-GT. Apenas 3,4% a 10,9% destas requisições, consoante
a USF em causa, tinham registado uma justificação clínica válida, o que corresponde
a um padrão de qualidade mau (≤20%). Das justificações aceites, o abuso do álcool
é a mais frequente.
Discussão: Os resultados obtidos ficaram aquém do expectável, mas existem várias
razões que os podem explicar. Uma delas relaciona-se com o facto das justificações
clínicas para a requisição de G-GT, baseadas na norma da DGS nº69/2011 poderem
ser demasiado restritas. Outra explicação diz respeito à análise através de registos
que, apesar de ser a forma possível de inferir sobre a prática médica, implica muitas
vezes a sua subvalorização. Uma limitação importante deste estudo prende-se com o
facto de apenas serem avaliados os registos de um número limitado de utentes e
apenas em dois meses do ano, o que poderá não refletir a realidade de toda a lista
de utentes, durante todo o ano.
Medidas Corretoras: Os autores irão propor e discutir com as equipas médicas um
plano intervencional que assenta maioritariamente em sessões e debates
educacionais, com o objetivo de melhorar os padrões de qualidade encontrados na
primeira avaliação.
Comunicação em Poster
Área Temática
Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade
Autor Principal
Patrícia Borges Fernandes
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF S. Bento
[email protected]
Pedro Teixeira (USF Renascer)
Rita Mendes (USF São João)
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51
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Será apenas síndrome do cubital?
Palavras-Chave
síndrome do desfiladeiro torácico
Resumo
Modalidade
Enquadramento: A síndrome do desfiladeiro torácico ocorre na maioria das vezes na
sua forma neurogénica. É mais comum em mulheres e surge entre os 20-50 anos de
idade. Habitualmente existe uma história prolongada de dor e incapacidade, sendo
que os sintomas clássicos incluem omalgia, cefaleias, parestesias e/ou perda de força
do membro superior.
Descrição do Caso: Doente do sexo feminino, 41 anos, operária fabril - costureira,
pertencente a uma família nuclear, ciclo de Duvall V, classe III de Graffar, com
antecedentes de depressão, distúrbio ansioso, doença fibroquística da mama e
fibromioma do útero. Em 08/2012 recorre ao Médico de Família (MF) por atrofia
muscular da região tenar direita, por vezes com diminuição da força dos dedos,
desde há vários anos. Prescrita eletromiografia (EMG) que a doente não realizou por
não ser comparticipada. Em 02/2013 recorre a consulta aberta (CA) por omalgia
esquerda, com sensação de peso e diminuição da força no membro superior
esquerdo, sem limitação funcional e com contratura do trapézio desse lado. Em
11/02/2014 recorre a CA por omalgia direita, com 2 meses de evolução, e
apresentava dor à palpação na região anterior da articulação, sem limitação
significativa na mobilização. Pedida radiografia e ecografia do ombro que revelaram
“rutura incompleta da porção anterior do tendão do supra-espinhoso”. Passado CIT
por doença profissional e prescrita MFR. Em 10/03 recorre novamente ao MF para
renovação de CIT e com informação do Médico Fisiatra para estudo de possível
síndrome cubital, no entanto ao exame físico apresentava diminuição da força e
sensibilidade à picada na região cubital anterior e também atrofia da região tenar,
hipotenar e interósseos da mão direita. Foi novamente prescrita EMG e explicada a
importância da realização deste exame. A EMG apresentava “achados compatíveis
com lesão de longa data do plexo braquial direito”. Pedida TAC de tórax que revelou
“apêndice costiforme à esquerda em C7 e megapófise transversa à direita em C7,
com provável compromisso radicular”. Referenciada para consulta hospitalar de
Ortopedia com posterior encaminhamento para Cirurgia Torácica. Aguarda cirurgia.
Discussão: Este caso clínico realça a importância da relação estreita entre o MF e o
seu doente, não só no diagnóstico precoce bem como no acompanhamento da
evolução da doença após referenciação hospitalar. Adicionalmente, alerta para a
importância da valorização das queixas do doente mesmo quando os próprios as
desvalorizam e não realizam os exames pedidos.
Comunicação em Poster
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Sofia Velho Rua
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Ribeirão
[email protected]
Catarina Lopes Moreira (USF Ribeirão)
Susana Rebelo (USF S. Miguel-o-Anjo)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Um Entardecer Complicado
Síndrome de Sundown
Enquadramento: Síndrome de Sundown é o termo que descreve o aparecimento ou
agravamento de um conjunto de sintomas neuropsiquiátricos ao entardecer.
Tipicamente, ocorre em doentes com alterações cognitivas ou demenciados. Os
sintomas podem variar entre agitação, confusão mental, desorientação, ansiedade ou
agressividade. Representam manifestações que se enquadram no estado confusional
ou delirium. A sua frequência em doentes com síndromes demenciais pode variar
entre 2,4 e 66%.
Descrição do Caso: ECB, género feminino, 87 anos, família monoparental, fase VIII
(Duvall). Antecedentes pessoais de hipertensão arterial, bradiarritmia, portadora de
pacemaker, síndrome demencial com alterações do comportamento desde 2012,
totalmente dependente nas atividades de vida diária, alectuada. Medicada com
digoxina 0,125mg, furosemida 40mg, lorazepam 2.5mg, perindopril/indapamida
5mg/1.25mg, amlodipina 5mg.
A cuidadora contacta telefonicamente o médico de família, referindo episódios
recorrentes de alterações do comportamento que surgem ao final do dia,
perturbando o ambiente familiar, sobretudo no período noturno. Destacavam-se
maior agitação, confusão mental e apelos sucessivos à cuidadora. Estes episódios
não ocorriam durante outros períodos do dia.
Cinco dias depois, é efetuada visita domiciliária multidisciplinar durante a tarde, não
se tendo verificado aumento da agitação, nem deterioração do estado geral. O
exame físico não sugere a existência de intercorrências. Procede-se à revisão
terapêutica, inicia trazodona 100mg e faz-se e ensino sobre medidas preventivas de
síndrome de Sundown, tais como, aumento da exposição à luz, medidas de higiene
do sono, redução do barulho e criação de rotinas.
Nova visita domiciliária demonstrou a eficácia da aplicação destas medidas com
melhoria significativa da frequência e gravidade dos episódios, e da fadiga da
cuidadora.
Discussão: As alterações do comportamento no demenciado são frequentes e podem
representar um agravamento da doença de base ou outras intercorrências. O
reconhecimento da Síndrome de Sundown através de uma maior atenção à relação
temporal da sintomatologia é importante para que possam ser tomadas estratégias
terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas atempadamente. Apesar de ainda
pouco estudado, sabe-se que medidas simples como aumento da exposição à luz e
regularização dos ciclos de sono podem prevenir o seu desenvolvimento. A demora
na intervenção sobre este problema pode precipitar a exaustão da cuidadora ou
mesmo a institucionalização da doente.
Comunicação Oral
Área Temática
Relato de Caso
Autor Principal
Tiago Eusébio
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Amaresaude
[email protected]
Ana Filipa Vilaça (USF Manuel Rocha Peixoto)
Luísa Terroso (USF Amaresaude)
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53
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
USF dos Pequenitos
Dia da Criança,Promoção da Saúde,Unidade de Saúde Familiar,Circuito do Utente
Introdução: “Se te portares mal, vais ao médico, e o senhor doutor dá-te uma pica”
era uma “ameaça” comum feita pelos pais quando as crianças não queriam comer a
sopa ou não faziam os trabalhos de casa. Hoje a psicologia infantil aconselha
abordagens que não incluam o medo às batas brancas. Assim, no âmbito do Dia
Mundial da Criança, realizou-se na USF X uma atividade para crianças em idade
pré-escolar, a 4 de junho de 2014, promovida pelos IFE da USF X, com a colaboração
do Departamento de Saúde Escolar do ACeS Y e Município de Z. As crianças foram
convidadas a dirigir-se à USF acompanhadas dos seus bonecos, para estes serem
observados e tratados. No sentido de tentar que as consultas fossem o mais reais
possíveis, para vencer possíveis medos, foram envolvidos todos os grupos
profissionais, por forma à criança percorrer o circuito de utente.
Objetivos: Desmistificar a ida das crianças à USF X.
Metodologia: 11 profissionais (Secretário, Enfermeiro, Médico), elaboraram diversos
documentos (cartas convite, folhetos e cartazes de divulgação, senhas, colantes para
identificação da criança, boletim saúde do boneco, registo clínico SOAP, folha
prescrição médica e diploma de participação). Foram convidadas 26 crianças da
turma dos 3 anos da Creche W. A sessão teve duração de 150 minutos.
Resultados: Participaram 23 crianças (2 - 4 anos), verificando-se que os motivos de
consulta mais frequentes foram: feridas (9), dor de barriga (6), quedas (6) e dor de
garganta (4). No plano terapêutico, as medidas não farmacológicas foram as mais
prescritas: miminhos (14), água (12), sonecas (10) e beijinhos (10).
Discussão: Ao participar nesta atividade e aproveitando um período de não doença,
as crianças acabaram por transferir para os bonecos os seus próprios medos,
associando o tratamento do boneco à forma como serão tratadas numa futura visita
à USF. É um projeto que visa elaboração de novas edições, tendo por objetivo futuro,
divulgação nos media e participantes de uma faixa etária entre os 4-5 anos, dada a
limitação da faixa etária escolhida na perceção de ideias/ensinamentos e
comportamentos inerentes a este tipo de iniciativa.
Conclusão: Este evento foi útil em termos formativos, pois permitiu a possibilidade de
interação dos diferentes profissionais de saúde com as crianças num momento
descontraído e divertido, permitindo-lhes a assimilação de conhecimentos de maneira
informal, reforçando ainda mais o trabalho em equipa que se inspira nesta USF.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Joana Araújo
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Terras de Souza
[email protected]
Isabel Santos Solha (USF Terras de Souza)
Joana Andrade Barros (USF Terras de Souza)
Jonathan Santos (USF Terras de Souza)
Lisete Aires Silva (USF Terras de Souza)
Svetlana Golicov (USF Terras de Souza)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Uso de benzodiazepinas e os efeitos nos diferentes domínios da cognição
Cognition Disorders,Benzodiazepines
Introdução: As benzodiazepinas (BZD) estão entre os medicamentos mais prescritos
mundialmente. Portugal apresenta um consumo de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos
muito superior ao de outros países da Europa. É consensual que estes fármacos
causam dependência física, psicológica e síndrome de privação. No entanto, o efeito
na função cognitiva e a sua reversibilidade gera controvérsia o que suscitou a
realização deste trabalho.
Objetivos: Este estudo pretende rever a evidência científica disponível sobre a
associação entre o uso de BDZ e deterioração cognitiva e a reversibilidade desta.
Metodologia: Pesquisa bibliográfica de meta-análises (MA), revisões sistemáticas
(RS), ensaios clínicos controlados e normas de orientação clínica nas fontes: National
Guideline Clearinghouse, British Medical Journal Clinical Evidence, Canadian Medical
Association Practice Guidelines Infobase, Cochrane, DARE, Bandolier e Medline,
publicados entre Janeiro de 2004 até Junho de 2014, utilizando os termos MeSH:
Cognition Disorders; Benzodiazepines. Foram selecionados os artigos nas línguas
inglesa, francesa, espanhola, portuguesa e italiana. Para atribuição do nível de
evidência foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da
American Academy of Family Physicians.
Resultados: Obtiveram-se 194 artigos, dos quais 10 satisfizeram os critérios de
elegibilidade: 2 MA, 2 estudos experimentais (EE), 5 estudos de coorte e 1 estudo
caso-controlo. Associações estatisticamente significativas entre o uso de BZD e
alterações em alguns dos domínios da cognição foram descritas nas MA, nos EE e em
2 estudos de coorte, nomeadamente: memória verbal e não-verbal,
atenção/concentração, velocidade psicomotora, memória de trabalho e controlo
motor. Os restantes estudos não encontraram associação entre o uso de BZD e
deterioração cognitiva. Em dois dos estudos demonstrou-se que após interrupção da
terapêutica houve recuperação parcial da função cognitiva.
Discussão: A evidência atual disponível indica que o uso de BDZ tem um impacto
negativo nos vários domínios cognitivos (SORT B). Os dados suportam que os défices
podem ser de médio/longo prazo, apoiando o benefício da interrupção desta
terapêutica (SORT A). A heterogeneidade verificada na metodologia dos estudos
dificulta a comparação de resultados, pelo que são necessários mais estudos nesta
área com maior uniformidade metodológica.
Comunicação Oral
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Sara Anjo
Local de Trabalho
UCSP Barão do Corvo
Email
[email protected]
Outros Autores
Liliana Coelho (USF St. André de Canidelo)
Maria Filipa Malheiro (USF Espinho)
Maria João F. Silva (UCSP Barão do Corvo)
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55
XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Uso de Flavonoides na Sintomatologia Hemorroidária: uma revisão baseada na
evidência
Hemorroidas,Flavonoides
Introdução: As hemorroidas são dilatações venosas do plexo hemorroidário, que
estão geralmente associadas a dor, prurido, hemorragia e sensação de massa
perianal. A sua etiologia é multifatorial sendo a dieta, os cuidados de higiene e a
genética os fatores mais comummente implicados. São vários os agentes terapêuticos
usados no alívio de sintomas hemorroidários, por vezes sem indicação formal.
Recentemente, vários autores reportaram bons resultados no alívio sintomático com
o uso de flavonoides.
Objetivos: O objetivo deste trabalho foi rever a evidência disponível sobre a eficácia
dos flavonoides no alívio dos sintomas hemorroidários.
Metodologia: Pesquisa de meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS), ensaios
clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), e normas de orientação clínica (NOC),
utilizando as palavras-chave: hemorrhoids, flavonoids e flavones. Foi utilizada a
escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician
para classificar os artigos.
Fontes de dados: Medline, sítios de medicina baseada na evidência, Índex de
Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos selecionados.
Resultados: Foram encontrados 31 artigos, dos quais foram selecionados 2: uma
revisão sistemática e uma meta-análise, que concluem favoravelmente sobre o uso
de flavonoides na sintomatologia hemorroidária (nível evidência 2).
Discussão: Existem erros metodológicos em vários estudos, sobretudo no referente
ao método de aleatorização e de ocultação. Identificou-se heterogeneidade em
alguns resultados, e há igualmente dados que apontam para possível viés de
publicação (SOR B).
Conclusão: A evidência disponível indica que o uso de flavonoides na sintomatologia
hemorroidária é eficaz e acarreta baixo risco de efeitos laterais (SOR 2B). Contudo,
dada a ausência de avaliação do seu uso em hemorroidas trombosadas, em quadros
hemorroidários mais severos e em pacientes grávidas, o seu uso não pode ser
recomendado nestes grupos específicos de doentes. Recomenda-se que no futuro
sejam realizados ensaios clínicos com metodologia pormenorizada, nomeadamente ao
nível da aleatorização e ocultação. Os instrumentos de avaliação de resultados devem
ser uniformizados para que os dados possam ser comparáveis.
Comunicação em Poster
Área Temática
Investigação
Autor Principal
Diogo Durais
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
USF Monte Crasto
[email protected]
Miguel Martins da Cunha (USF Monte Crasto)
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XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos
Título
Palavras-Chave
Resumo
Modalidade
Uso de Probióticos na prevenção da diarreia associada a antibioterapia em idade
pediátrica – qual a evidência?
probiotic, diarrhea, antibiotic, child
Introdução: O médico de família está na primeira linha de contato dos utentes com
os serviços de saúde e, por isso, a maioria das infeções bacterianas são tratadas pelo
mesmo. Os efeitos secundários gastrointestinais causados pelos antibióticos são
frequentes e são causa de abandono do tratamento. Diarreia Associada a Antibióticos
(DAA) é a diarreia inexplicável que ocorre entre 2 horas até 2 meses após o início da
toma de antibióticos.
Objetivos: Encontrar evidência científica para o uso de Probióticos como prevenção
da DAA.
Metodologia: Foi feita uma pesquisa nas bases de dados da MEDLINE e em sítios de
medicina baseada na evidência procurando normas de orientação clínica
(NOC),revisões sistemáticas (RS), meta-análises, revisões e ensaios clínicos
aleatorizados e controlados (EACC), publicados entre 1 de Janeiro de 2005 e 30 de
Setembro de 2013.
Para a avaliação da qualidade dos estudos e posterior atribuição de força de
recomendação (FR) e nível de evidência (NE) foi utilizada a Escala Strenghtof
Recommendation Taxonomy da American Family Physician.
Resultados: Foram obtidos um total de 220 artigos, tendo sido seleccionados 8.
Destes artigos, 3 eram RS, 2 meta-análises e 3 NOC. As RS suportam o uso de
probióticos na prevenção DAA, tendo sido atribuída uma força de recomendação 2.
As meta-análises mostram que há evidência de que o uso de probióticos reduz a DAA
(com força de recomendação 2) mas são necessários mais estudos para saber quais
probióticos usar e em que população utilizar. As NOC demonstram também o
benefício dos próbióticos na prevenção da DAA, tendo sido atribuída uma força de
recomendação 3.
Discussão: Os artigos incluídos nesta revisão apresentam heterogeneidade em
relação ao probiotico utilizado (diferentes espécies, diferentes posologias), e não foi
tido em conta o tipo de antibiótico utilizado e as várias patologias onde foram
prescritos; no entanto, existe homogeneidade estatística em relação à prevenção dos
episódios de DAA. Um outro aspeto a referir é o facto de não existirem estudos que
mostrem a existência de custo-benefício no uso dos probióticos na prevenção de
DDA.
Comunicação em Poster
Área Temática
Revisão de Tema
Autor Principal
Severina Nicora
Local de Trabalho
Email
Outros Autores
UCSP Marco de Canaveses
[email protected]
Daniela Pedrosa (USF Torrão)
Sonia Moreira (USF Torrão)
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57
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Índice - XXII Encontro do Internato de MGF da Zona Norte