Livro de Resumos XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Índice 1 Sr. Dr. dói‐me o coração 2 “EnSegurança”: um caso de aplicação prática da Avaliação Familiar 3 “Faltava uma peça no puzzle ”‐ A propósito de um caso clínico 4 “QUANDO TRATAR DEMAIS SE ASSOCIA A MALEFÍCIOS” – Prevenção Primária com Estatinas nos Muito Idosos 5 “Um tabú para muitos” 6 A excelência da Medicina Geral e Familiar 7 Anemia no Idoso: estudo transversal numa Unidade de Cuidados Primários 8 Apenas mais um acidente de Trabalho? 9 Avaliação do Desenvolvimento Psicomotor – Utilização da Escala de Mary Sheridan Modificada nos Cuidados de Saúde Primários 10 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO ESCOLAR DO CONCELHO DE BOTICAS 11 Avaliação e melhoria contínua da qualidade no cumprimento do calendário de exames da gravidez 12 BenZoPrev ‐ Prevalência de consumo de Benzodiazepinas numa USF 13 CANCRO COLO‐RETAL: RELATO DE CASO 14 Cancro da mama depois da idade do rastreio 15 Caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente 16 Ciclo de melhoria da qualidade das citologias cervico‐vaginais efectuadas numa Unidade de Saúde Familiar 17 Como agir perante a pessoa em luto? – A propósito de um caso clínico 18 Consumo de Álcool e Tabaco nos Adolescentes: Uma Avaliação da Qualidade www.encontro.aimgfzonanorte.pt XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos 19 Diabetes Mellitus tipo 2 – Estudo transversal de uma lista de utentes 20 Diagnóstico de cancro da mama: Mamografia de rastreio ou sinais e sintomas? 21 Eficácia do uso de corticóides tópicos no tratamento da fimose primária em crianças e adolescentes 22 Erradicação do Helicobacter Pylori ‐ Fim de linha para a terapêutica tripla standard? 23 Estudo EXPO 2010: Excesso de peso e Obesidade Infantil ‐ reavaliação 24 Estudo GaLes ‐ Caracterização das atitudes de profissionais de Cuidados de Saúde Primários perante lésbicas e gays 25 Fibrilhação Auricular: quando hipocoagular? 26 Fimose ‐ Como abordar e orientar 27 Herpes Zóster nos cuidados primários – Estudo descritivo de uma série de casos 28 Hipertensão Arterial secundária – a propósito de um caso de Síndrome de Junção pieloureteral 29 Hipertensão no Grande Idoso: Tratar ou não Tratar? 30 IECA ou ARA ‐ qual a evidência na mortalidade em diabéticos hipertensos? 31 IMPLANTE SUBCUTÂNEO: A EXPERIÊNCIA DE UMA UNIDADE 32 Levotiroxina no tratamento da patologia nodular benigna da tiroide – uma revisão baseada na evidência 33 Líquen Plano Oral ‐ a propósito de um caso 34 Liraglutido no tratamento da obesidade e do excesso de peso em não diabéticos – o futuro? 35 Mais do que uma demência... 36 Melatonina em idade pediátrica: que evidência? 37 Melhoria da qualidade da prescrição de anti‐inflamatórios não‐esteroides sistémicos no adulto 38 Nódulo da tiroide www.encontro.aimgfzonanorte.pt XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos 39 O doente depois da "cura" 40 O Nascimento de um Ciclo de Melhoria Contínua da Satisfação dos Cuidados Prestados aos Utentes 41 O papel do cigarro eletrónico na cessação tabágica – uma revisão baseada na evidência 42 Perturbação Orgânica da Personalidade ‐ um caso de integração de cuidados 43 Prevalência da prescrição de IBP ( Inibidores da bomba de protões) numa unidade de saúde 44 Prever para agir na Diabetes 45 PROJECTO TIRO’LISSO 46 Projeto de intervenção na comunidade sobre alimentação saudável 47 Projeto MetDiab: Avaliação e Garantia da Qualidade da Prescrição de Metformina em Doentes Diabéticos com Declínio da Função Renal 48 Propranolol no tratamento do Hemangioma Infantil: revisão baseada na evidência 49 Recomendação do uso de sal iodado na prática familiar – qual a evidência dos benefícios? 50 Referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários: melhoria contínua da qualidade 51 Requisição de G‐GT em consulta de Saúde de Adultos 52 Será apenas síndrome do cubital? 53 Um Entardecer Complicado 54 USF dos Pequenitos 55 Uso de benzodiazepinas e os efeitos nos diferentes domínios da cognição 56 Uso de Flavonoides na Sintomatologia Hemorroidária: uma revisão baseada na evidência 57 Uso de Probióticos na prevenção da diarreia associada a antibioterapia em idade pediátrica – qual a evidência? www.encontro.aimgfzonanorte.pt XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade "Sr. Dr. dói-me o coração" Comunicação na consulta,Entrevista centrada no doente Enquadramento: A entrevista centrada no doente é um dos pilares fundamentais da consulta em Medicina Geral e Familiar. No entanto, o interno que dá os primeiros passos na condução da consulta pode frequentemente tender a priorizar a entrevista centrada no médico, como forma de se tranquilizar relativamente à gravidade do quadro. O relato que trago é de uma consulta que teve duas conduções distintas com resultados bem diferentes. Descrição do Caso: VM, sexo feminino, 65 anos, Graffar classe IV, família nuclear em estadio VII de Duvall. Vem a consulta programada de HTA. Antes de chamar, vejo o SOAP e percebo tratar-se de uma utente muito frequentadora, com múltiplas queixas em cada consulta. Vejo que faltou à primeira consulta de ortopedia, para onde tinha sido referenciada no contexto de coxartrose com dor refractária ao tratamento instituído. Após ter recebido a doente, apresentando-me e garantindo confidencialidade, pergunto abertamente como tem passado. A resposta não me surpreende: “Não tenho passado nada bem Dr”. Devolvi “Nada Bem?”. Respira fundo, faz um silêncio curto, e inicia uma dissertação de queixas que iam desde dor na anca, passando pela tiróide, até dor intensa no coração. Esta última queixa foi uma campainha ensurdecedora para os ouvidos inexperientes de um interno do 1ºano. Iniciei imediatamente uma anamnese detalhada da dor, tendo obtido respostas incongruentes. Ela tinha expectativas relativamente àquela queixa que ultrapassavam o âmbito biológico. Decidi parar e voltar à estrutura de entrevista que tinha aprendido no curso de comunicação. Perguntei “A que acha que se deve essa dor no coração?”. O silêncio foi mais longo, e as revelações que se seguiram deram sentido a meses de queixumes... Já no final da consulta lembrei-me de um assunto pendente: “Faltou à consulta de ortopedia, quer que a referencie?” Já preparando-se para sair, respondeu “Não Dr, não me dói assim tanto. Obrigada por me ouvir.”. Discussão: Se é verdade que ter competências semiológicas é essencial para uma correcta abordagem da doença, não é menos verdade que integrar esses conhecimentos nas emoções e crenças do indivíduo, pode ser o segredo para uma prática médica que satisfaz todas as necessidades do doente, como ser humano inserido num contexto familiar, social e cultural. Com esta doente aprendi que ser bom médico não é só saber excluir uma angina instável. É perceber que a dor no coração pode ser, para o doente, a amargura de uma vivência que feriu o seu mundo, e que não consegue curar se a guardar só para si. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Catarina Rodrigues Local de Trabalho Email USF Casa dos Pescadores [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 1 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade “EnSegurança”: um caso de aplicação prática da Avaliação Familiar Família, Avaliação Familiar, Personalidade Narcísica, Vinculação Insegura Enquadramento: Segundo a definição da WONCA, pertence às competências do médico de família centrar a sua abordagem na pessoa. Para tal, deve tomar em consideração os contextos que a envolvem. O contexto familiar pode condicionar fatores de proteção ou de risco, para o bem-estar de cada elemento. A avaliação familiar pode ser um instrumento de trabalho valioso para o médico de família. Apesar de o MF trabalhar com as famílias na sua consulta, a entrevista com recurso a alguns instrumentos pode facilitar a clarificação dos motivos de uma disfunção. Descrição do Caso: RC, sexo masculino, tem 24 anos, pertence a família nuclear, na Fase VI de Duvall, e é estudante universitário. Apresenta crises de ansiedade recorrentes desde há 3 anos, com várias idas ao Serviço de Urgência Hospitalar, e necessidade de instituição de psicofármacos pela Médica de Família. Como antecedentes pessoais tem perturbação refrativa corrigida, e excesso de peso na infância. O quadro clínico motivou a realização de uma Avaliação Familiar. RC vive, desde a infância, uma grande ligação emocional à mãe, que descreve como muito protetora. Socialmente refere evicção na interação com os pares, por sensação de não saber como abordar. Não manteve um grupo de amigos, até à atualidade, mas tem “melhor amigo” e namorada. Na aproximação do final da licenciatura hesita na sua prossecução, e a partir daí começa a desenvolver sintomatologia ansiosa, com crises agudas e recurso ao SU Hospitalar. Ingressa em outro curso, mas mantém crises de ansiedade, que precedem as avaliações. Está sob acompanhamento Psicológico nos CSP, e medicado com fluvoxamina 50 mg id, alprazolam 0,5 mg lp, e alprazolam 0,25 mg SOS. Discussão: RC é inseguro quanto à interação social. Parece também estar inseguro perante o ingresso na vida profissional, condicionando o avanço na sua autonomização. A Avaliação Familiar realizada aponta para uma dificuldade em arriscar, por insegurança, em contexto de vinculação insegura. A avaliação da Psicóloga conclui haver uma Perturbação de Personalidade Narcísica, que o faz não conseguir arriscar, por almejar a perfeição que não sabe se vai obter. RC quer autonomizar-se, mas quer permanecer “em segurança”. A interna reconhece as dificuldades na intervenção pelo MF. A utilização de técnicas adequadas de comunicação, o encaminhamento para Psicologia e eventual Psiquiatria, e a farmacoterapia adequada, são as atitudes propostas. RC mantém-se sob consulta de Psicologia e sob farmacoterapia. Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Ana Esperança Local de Trabalho Email USF Nova Via [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 2 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade “Faltava uma peça no puzzle ”- A propósito de um caso clínico Enurese Noturna Enquadramento: : A abordagem centrada no utente representa uma competência do Médico de Família (MF) fundamental na prestação de cuidados de saúde. A Enurese Noturna (EN) caracteriza-se pela incapacidade de controlar o esfíncter vesical após os 5 anos de idade. Atinge cerca de 15% das crianças e geralmente tem tendência para resolução espontânea. Sabe-se que exerce uma influência negativa na criança/adolescente e na sua família, gerando dificuldades de relacionamento entre pais e filhos. Descrição do Caso: Adolescente do sexo feminino, 13 anos, pertencente a uma família nuclear, na fase 5 do ciclo de Duvall e classe III de Graffar. Recorreu à Consulta de Saúde Infantil em abril de 2012, acompanhada pela mãe. Apresenta como antecedentes patológicos: EN diagnosticada e medicada desde 2007, sem sucesso terapêutico. Durante a avaliação foram ainda identificados outros problemas como o excesso de peso e a dislipidemia. Perante esta situação foi adoptada a técnica de escuta terapêutica no decorrer da consulta. A adolescente juntamente com a MF efetuou uma análise sobre qual a razão que a levou a perder o controlo de esfíncter vesical aos 8 anos de idade e qual o impato que esta doença exercia no relacionamento com a família e grupo de amigos. A MF e a mãe permitiram “espaço” para que adolescente exteriorizasse o motivo que despoletou a EN. Segundo esta, a doença tinha como fator precipitante um acidente que a sua mãe sofrera provocado acidentalmente pela adolescente. Todos os dias refere que olha com tristeza para a cicatriz que marcou para sempre a sua mãe. Após um pedido de desculpas mútuo entre mãe e filha, comprometeram-se a discutir o assunto que guardaram durante 5 anos, pois até àquele momento era considerado um tabu familiar, não tendo permitido à criança ultrapassar o trauma reativo ao episódio. Após 6 meses, a adolescente deixa de necessitar de tratamento farmacológico e apresenta 100% de noites secas. Discussão: A Saúde Infantil é uma área exigente para o MF. Apenas dando espaço para ouvir, a adolescente partilhou o motivo que despoletou a EN, completando-se assim, a última peça do puzzle que iria permitir a resolução deste problema. Porque a Medicina Geral e Familiar é muito mais que a descoberta de um diagnóstico, é sim um médico que enfatiza e cria relações interpessoais com intuito de beneficiar o próprio doente. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Marisa Loureiro Local de Trabalho UCSP Vila Nova de Cerveira Email [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 3 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade “QUANDO TRATAR DEMAIS SE ASSOCIA A MALEFÍCIOS” – Prevenção Primária com Estatinas nos Muito Idosos Muito idosos; estatinas; prevenção primária. Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) continuam a ser a principal causa de mortalidade na população portuguesa, apesar da tendência constante de decréscimo verificada nos últimos anos. Com o envelhecimento da população e o facto das DCV permanecerem como a principal causa de morte entre os idosos, a prevenção nestes doentes tem uma importância crescente. A dislipidemia é um fator de risco bem estabelecido para estas doenças; apesar da sua elevada prevalência entre os idosos e os muito idosos (idade superior a 80 anos), persiste a controvérsia dos benefícios do seu tratamento com estatinas entre estes últimos. Objetivos: Analisar a evidência existente quanto ao uso de estatinas, como prevenção primária, nos indivíduos muito idosos, tendo em conta a diminuição da morbi-mortalidade. Metodologia: Pesquisa de artigos na Pubmed, sítios de Medicina Baseada na Evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos selecionados, publicados entre janeiro de 2004 e junho de 2014, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, utilizando os termos MeSH: “aged, 80 and over", "primary prevention" e "hydroxymethylglutaryl-CoA reductase inhibitors". Para avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação foi utilizada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician. Resultados: Foram encontrados 41 artigos, dos quais apenas 4 cumpriam os critérios de inclusão. Todos os estudos são concordantes em relação ao uso de estatinas como prevenção primária nos muito idosos: embora não existam dúvidas que o tratamento com estes fármacos deve ser usado para reduzir o risco de DCV entre os indivíduos idosos e na prevenção secundária, os estudos mostram que o mesmo não se verifica para os indivíduos muito idosos e no que respeita à prevenção primária (SORT 3). Discussão: Uma vez que se desconhece a eficácia do tratamento com estatinas nos doentes muito idosos, torna-se urgente a realização de estudos para a avaliação do uso destes fármacos nesta faixa etária. A decisão da sua utilização como prevenção primária deve basear-se num bom juízo clínico e considerando as comorbilidades, polifarmácia, possíveis efeitos adversos, esperança de vida, qualidade de vida e riscos versus benefícios (Força de Recomendação C). Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Albina Oliveira Local de Trabalho Email Outros Autores USF Oceanos [email protected] Inês Bento (USF Garcia de Orta ) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 4 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade “Um tabú para muitos” Disfunção eréctil ; ansiedade Enquadramento: O desempenho sexual é um aspeto de grande influência no bem-estar psicológico do ser humano,já que a sexualidade é um importante pólo estruturante da identidade e da personalidade dos indivíduos.Casos de disfunção sexual podem tanto originar como serem originados por estados emocionais como ansiedade e depressão.Assim,as disfunções sexuais são um grande inimigo na saúde,sendo ainda um grande tabú para muitos,dificultando o seu diagnóstico e tratamento. Descrição do Caso: A.F.M.,48 anos,sexo masculino,residente em Valbom.Casado, reside com a mulher de 45 anos e os dois filhos.Trabalha como camionista, presente em casa apenas ao fim de semana. No dia 26/06/2014 recorreu a uma consulta aberta à USF Valbom, acompanhado pela mulher, com queixas de ansiedade e entristecimento com um mês de evolução. Referia maior “pressão no trabalho”. Sem antecedentes de depressão ou qualquer outra patologia de relevo. Sem medicação habitual. Fumador de 30 UMA,sem hábitos etílicos. Mostrava-se ansioso, reticente no discurso. Acabou por expressar o problema que mais o atormentava ,a disfunção eréctil, desde há cerca de um mês,altura coincidente com maior stress laboral. Sentia-se oprimido a falar do assunto e referia que o seu desejo sexual também diminuído começou a pôr em causa a sua relação com a mulher. Ao exame objetivo apresentava valores TA normais, pulsos pediosos e tibiais posteriores palpáveis, e restante exame normal. Últimas análises registadas (2012) ECG e Rx tórax normal. Foi medicado com Tadalafil 5 mg, 2cp até 12h antes do ato sexual. Dois meses depois o utente referiu bastante melhoria na ansiedade que referia anteriormente e sem qualquer disfunção eréctil,já não necessitando da medicação prescrita. Discussão: Este quadro reflete a necessidade de perceber e tentar esclarecer,como médico de família,o que está por trás dum quadro de início recente de disfunção erétil. A ansiedade é identificada como um importante estado subjetivo de homens com disfunção sexual bem como um fator de manutenção da disfunção. A identidade masculina fica normalmente afetada e emocionalmente esta perseguição a si mesmo traduz-se por mais ansiedade, baixa auto-estima e depressão, o que protela ainda mais a sua disfunção além do impacto negativo no relacionamento interpessoal. Assim, a disfunção erétil é muitas vezes sintoma de outros problemas de saúde. Por este motivo, é importante fazer o diagnóstico precoce desta condição, despistando outras condições patológicas e obtendo os melhores benefícios a longo prazo. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Filipa Frias Local de Trabalho Email USF Valbom [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 5 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade A excelência da Medicina Geral e Familiar Médico de Família,Relação Médico-doente,Avaliação familiar Enquadramento: As competências nucleares do Médico de Família distinguem-no pela proximidade e continuidade de serviços, essenciais na abordagem nos Cuidados de Saúde Primários. O estabelecimento de uma relação médico-doente terapêutica é muitas vezes o melhor medicamento que temos para oferecer e deve ser trabalhada continuamente com vista à capacitação do paciente e à melhoria do seu estado de saúde. Descrição do Caso: Trata-se de uma mulher de 51 anos, caucasiana, desempregada, casada, de uma família nuclear, fase VII do ciclo de vida de Duvall, com disfunção familiar moderada de acordo com o APGAR Familiar de Smilkstein e classe social de Graffar média-alta. Como antecedentes de relevo, apresenta síndrome depressivo, fibromialgia, cervicobraquialgia e lombalgia em contexto de discopatia vertebral, obesidade, asma brônquica e hipotiroidismo. Estas co-morbilidades, na sua maioria de difícil gestão, geram incapacidade funcional em termos da realização das atividades quotidianas, nas relações interpessoais e interferem negativamente na qualidade de vida da doente. É uma utente frequentadora, com uma consulta mensal em virtude da incapacidade temporária para o trabalho e com vários processos de invalidez recusados. Em todas as consultas salientam-se as queixas álgicas constantes e depressivas flutuantes, aliadas a outras queixas inespecíficas e de difícil contextualização. A avaliação familiar constituiu um momento crucial no estabelecimento de uma relação médico-doente eficaz e permitiu compreender o papel da família na génese dos problemas médicos e da própria relação da doente com a doença. Atendendo à sua complexidade, optou-se por uma abordagem multidisciplinar, com envolvimento de várias especialidades, mas garantido sempre a continuidade de cuidados. Consulta a consulta, mais do que abordar e orientar as doenças, procurou-se reforçar a relação médico-doente, através de técnicas simples de psicoterapia e de mecanismos de coping. Discussão: Este caso ilustra o “modelo” de doente que nos faz explorar todas as competências inerentes à Medicina Geral e Familiar, sendo, portanto um exemplo da excelência desta especialidade. De facto, a abordagem abrangente e holística, centrada na pessoa, juntamente com a capacidade de gestão e resolução de problemas específicos aliam-se de forma a proporcionar a melhor prestação de cuidados em saúde. Além disso, mostra o papel da avaliação familiar e a sua posterior integração na abordagem dos problemas dos doentes. Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Célia Gomes Silva Local de Trabalho Email Outros Autores USF Famílias [email protected] Ana Margarida Pinho (USF Famílias) Carla Almeida (CS Arouca) Carlos Pedro Mendes (USF Salvador Machado) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 6 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Anemia no Idoso: estudo transversal numa Unidade de Cuidados Primários Anemia, Idoso, Prevalência Introdução: A anemia é comum no idoso e sua prevalência aumenta com a idade. Esta condição não é consequência do processo de envelhecimento e associa-se com um aumento da morbimortalidade. Porém, são escassos os estudos que caracterizam a anemia na população idosa no contexto dos cuidados de saúde primários. Objetivos: Estimar a prevalência da anemia em idosos numa unidade de cuidados primários e caracterizar a população em estudo. Metodologia: Estudo transversal de uma população idosa de 1283 indivíduos. Definiu-se uma amostra representativa constituída por 302 idosos. A recolha dos dados foi efetuada com recurso à ficha individual do utente. Por anemia definiu-se um valor de hemoglobina inferior a 13 g/dl no homem e 12 g/dl na mulher. Resultados: Da amostra com idade média de 74.8±7,4 anos, 54,6% eram mulheres. Foi encontrada uma prevalência de anemia no idoso de 14.9% (16.8% no homem e 13.3% na mulher), sendo superior a 20% acima dos 75 anos de idade. Apenas 11.8% dos idosos apresentou valor de hemoglobina inferior a 11g/dl. As causas de anemia mais comuns foram a inflamação crónica e a doença renal crónica (DRC). Em 31.3% dos casos não foi identificada a causa. Aproximadamente um terço dos idosos efetuou tratamento com ferro oral, apesar da ausência de ferropenia comprovada. Verificou-se associação significativa entre a anemia e idade superior a 75 anos, baixa escolaridade e diminuição da taxa de filtração glomerular. Género e comorbilidades como DPOC ou etilismo crónico não mostraram associação com anemia. Discussão: A prevalência de anemia no idoso foi similar à observada em estudos internacionais, com um aumento da prevalência em função da idade e um ligeiro predomínio do género masculino. A inflamação crónica e DRC são consideradas causas comuns de anemia no idoso, o que foi corroborado pelos resultados. Porém o doseamento laboratorial dos nutrientes eritropoéticos foi apenas realizado em 18% dos casos, o que limita as conclusões relativas à etiologia da anemia. Ainda, dada a extensão das comorbilidades no idoso, a identificação da causa de anemia pode ser dificultada, sendo muitas vezes multifatorial. Na anemia sem causa identificada alguns casos podem se dever a síndroma mielodisplásica, cuja frequência aumenta com o envelhecimento. O baixo nível educacional e a disfunção renal aumentam o risco para anemia, o que explica a associação observada. Conclusão: A anemia no idoso é comum. A melhor compreensão da sua epidemiologia e causa pode contribuir para melhorar a abordagem da doença. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Albino Martins Local de Trabalho Email Outros Autores USF São Lourenço [email protected] Marta Ferreira (USF São Lourenço) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 7 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Apenas mais um acidente de Trabalho? Doença de Huntington,movimentos involuntários anormais,doença neurodegenerativa,coreia,acidente de trabalho,doença hereditária,família Enquadramento: As patologias que cursam com movimentos involuntários anormais são clínica e patologicamente heterogéneas, com manifestações como tremor, coreia (movimentos involuntários espontâneos, rápidos e abruptos, sem padrão de previsibilidade), mioclonia, asterixis, espasticidade, distonia ou tiques. A Doença de Huntington é a causa mais comum de coreia hereditária (autossómica dominante). Os primeiros sintomas ocorrem tipicamente entre os 30 e os 50 anos de idade, progredindo com deterioração motora e cognitiva, com morte precoce geralmente ao fim de 10 a 25 anos. Descrição do Caso: Utente do sexo masculino, 41 anos de idade, raça caucasiana, casado. Desempregado (armador de ferro na construção civil até há 1 ano). Inserido numa família nuclear, com Graffar classe III (classe média). Sem antecedentes pessoais de relevo. História familiar de pai falecido aos 56 anos com condição descrita pelos familiares como “Parkinson”(sic). 2 filhos gémeos, de 5 anos de idade, saudáveis até à data. Um familiar do doente recorreu ao médico de família em Janeiro de 2014, referindo que o utente apresentava quadro com 3 anos de evolução de “movimentos descoordenados e desajeitados” (sic) dos membros, alterações de memória e disartria, alterações essas semelhantes às que o pai do utente apresentava. Concomitantemente destacou ainda a história de acidentes laborais na construção civil, sendo o último o mais grave em 2012 (corte na mão direita com rebarbadora, com sequelas funcionais definitivas). Confrontado com a preocupação dos familiares, o utente recorre ao seu médico de família 1 mês mais tarde, sendo referenciado à consulta de Neurologia, que confirmou o quadro de coreia, por provável Doença de Huntington. Aguarda actualmente pelo estudo genético. Discussão: Os primeiros sinais de coreia são frequentemente notados pelos familiares/ conviventes próximos. Como nas restantes doenças do movimento, a história clínica e o exame físico (neurológico) são o principal método de diagnóstico. As alterações motoras típicas da coreia podem ser verificadas clinicamente (entre outras) pela impersistência da língua na protrusão ou, no quotidiano, pela incapacidade de manutenção de um movimento numa dada tarefa, podendo, como neste caso, predispor para acidentes. O papel do médico de família no acompanhamento dos seus utentes ao longo das várias fases da vida e na integração destes no seu contexto familiar e social concede-lhe uma posição privilegiada na identificação e orientação destes doentes. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Hugo Taveira da Cunha Local de Trabalho Email Outros Autores USF Arquis Nova - ULS Alto Minho [email protected] Filipa Borges Lopes (USF Arquis Nova - ULS Alto Minho) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 8 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Avaliação do Desenvolvimento Psicomotor – Utilização da Escala de Mary Sheridan Modificada nos Cuidados de Saúde Primários Saúde Infantil,Desenvolvimento psicomotor,Escala de Mary Sheridan modificada Introdução: Estima-se que cerca de um milhão de portugueses padeça de algum défice psicomotor. Os Médicos de Família desempenham um papel fundamental no diagnóstico atempado destas alterações. O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil actualmente em vigor enfatiza a importância da avaliação do desenvolvimento psicomotor (DPM). Objetivos: Compreender a realidade da avaliação do DPM no âmbito das consultas de vigilância de Saúde Infantil e Juvenil nas unidades de cuidados de saúde primários dos ACES Gaia e Espinho/Gaia. Metodologia: Conduziu-se um estudo observacional, transversal e descritivo que consistiu na aplicação de um questionário de auto-preenchimento aos Médicos de Família dos ACES Gaia e Espinho/Gaia. A recolha de respostas decorreu entre Maio e Setembro de 2014. Os resultados foram analisados com recurso ao programa Microsoft Excel 2010. Resultados: Participaram no estudo 108 dos 193 médicos dos ACES Gaia e Espinho/Gaia. 99% dos inquiridos executam a avaliação do DPM dos seus utentes e 85% despendem mais de 5 minutos nessa avaliação. 97% utilizam a Escala de Mary Sheridan modificada e 72% referem que o material necessário não é disponibilizado pelas respectivas unidades. 50% sentem dúvidas relativamente à referenciação; 83% baseiam-se na percepção clínica e sinais de alarme; 86% consideram útil o estabelecimento de um "score" quantitativo. 51% dos inquiridos afirmam ter recebido formação sobre a aplicação da Escala de Mary Sheridan modificada e 71% julgam necessitar de formação a este nível. 77% consideram a falta de tempo e 66% a falta de material como sendo as principais dificuldades na avaliação do DPM. Discussão: A maioria dos inquiridos realiza a avaliação do DPM dos seus utentes, utilizando uma porção significativa do tempo da consulta para esse efeito. A escala de Mary Sheridan modificada é a mais empregue; tendencialmente, o material necessário não é disponibilizado pelas unidades de saúde. A referenciação levanta dúvidas aos inquiridos, considerando a maioria que seria útil o estabelecimento de um "score" quantitativo. A falta de tempo e a falta de material são consideradas os principais entraves à avaliação do DPM. Conclusão: Tendo em conta o papel fulcral dos Médicos de Família na avaliação do DPM de lactentes e crianças, torna-se essencial proporcionar a estes profissionais condições de tempo, formação e material adequadas para o cabal desempenho desta tarefa. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Mariana Fidalgo Leite Local de Trabalho Email Outros Autores USF Saúde no Futuro, ACES Grande Porto VII (Gaia) [email protected] Ana Rita Maia (USF S. Miguel, ACES Grande Porto VIII (Espinho/Gaia)) João Fernandes (USF Arco do Prado, ACES Grande Porto VII (Gaia)) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 9 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO ESCOLAR DO CONCELHO DE BOTICAS Excesso de Peso,Obesidade Infantil,Índice de Massa Corporal,Perímetro da Cintura Introdução: A avaliação estatoponderal é uma actividade essencial das consultas de saúde infanto-juvenil, considerando-se que o crescimento é um importante indicador do bem-estar de uma criança ou adolescente. Recentemente, o combate ao excesso de peso e obesidade tem sido uma preocupação crescente de todos os profissionais que trabalham com as crianças e suas famílias. A obesidade é já considerada a pandemia do século XXI, sendo Portugal um dos países europeus onde este problema é mais evidente. Estão disponíveis intervenções com efeitos comprovados na prevenção e no tratamento da obesidade infantil e juvenil. Sabe-se também que tais intervenções podem reduzir ou até reverter o impacto deste problema. Com este estudo pretendeu-se fazer a avaliação do estado nutricional da população escolar do Concelho de Boticas, com determinação da prevalência de baixo peso, excesso de peso e obesidade, nos alunos do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro que frequentaram entre o 1º e o 9º ano de escolaridade durante o ano lectivo de 2012-2013. Objetivos: Avaliar o estado nutricional da população escolar do Concelho de Boticas, com determinação da prevalência de baixo peso, excesso de peso, obesidade, risco de obesidade abdominal e obesidade abdominal estabelecida. Metodologia: Determinação do peso, da estatura e do índice de massa corporal dos alunos e sua comparação com as curvas de crescimento preconizadas pela Direcção Geral da Saúde; determinação do perímetro da cintura e sua comparação com a tabela de Fernandez e col., como proposto também pela Direcção Geral da Saúde. Tipo de estudo: Estudo observacional, transversal. Local: Estabelecimentos escolares do Concelho de Boticas. População: A totalidade dos alunos do Concelho de Boticas frequentando entre o 1º e o 9º ano de escolaridade, durante o ano lectivo de 2012-2013. Resultados: No ano lectivo de 2012-2013 frequentaram o Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, em Boticas, 372 alunos. Verificou-se excesso de peso em 19,7% dos alunos, com predomínio do sexo masculino, e obesidade em 12,1% dos alunos, com predomínio do sexo feminino. Verificou-se risco de obesidade abdominal e obesidade abdominal estabelecida em 45,1% dos alunos, com predomínio do sexo feminino. Discussão: A obesidade infantil representa um problema de saúde importante no Concelho de Boticas, com uma prevalência semelhante à descrita na literatura científica. O estudo poderá ser o ponto de partida para o desenvolvimento de programas de intervenção na obesidade infantil. Conclusão: . Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Marta Sousa Santos Local de Trabalho Email UCSP Boticas [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 10 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Avaliação e melhoria contínua da qualidade no cumprimento do calendário de exames da gravidez gravidez; ecografias obstétricas; análises trimestrais Introdução: A gravidez é um período-chave no desenvolvimento fetal, envolvendo um risco dinâmico em toda a sua extensão. De modo a rastrear, prevenir e tratar situações passíveis de colocar em risco a saúde materna, fetal e/ou perinatal, existem exames laboratoriais e ecográficos recomendados, com uma cronologia estabelecida, que no caso de não ser cumprida pode comprometer os resultados e interpretação dos mesmos. Objetivos: Avaliar e contribuir para a melhoria continua da qualidade na realização dos exames laboratoriais e ecográficos nos períodos de gestação recomendados pela DGS, na gravidez de baixo risco. Metodologia: Dimensão estudada: qualidade técnico-científica; Unidade de estudo: grávidas vigiadas nas Unidades de Saúde, nos períodos temporais de 1/05/2012 a 30/04/2013 (1ªavaliação) e 1/11/2013 e 31/03/2014 (2ªavaliação); Critérios avaliados: semanas de gestação aquando da realização das análises e ecografias dos 1º, 2º e 3º Trimestres; Indicadores: de acordo com a norma nº 037/2011 e Nº007/2011 da DGS.; Fonte dos dados: processo informático SAM, comando "mcdt"; Registo e Tratamento de dados: Excel 2007; Tipo de avaliação: interna, interpares e retrospetiva; Data de recolha de dados: Junho/2013 (1ªavaliação) e Maio/2014 (2ªavaliação); Intervenção prevista: educacional. Resultados: Foram analisados os registos de exames de 365 grávidas na 1ª avaliação e de 263 grávidas na reavaliação. Na 1ª avaliação, as análises/ecografias do 1º trimestre (T) foram registadas dentro do calendário recomendado em 79%/70%, do 2ºT em 35%/52% e do 3ºT em 32%/42% dos casos. Na reavaliação, ocorreu uma melhoria nos resultados, com registo das análises/ecografias nas datas preconizadas no 1ºT em 76%/78%, no 2ºT em 44%/62% e no 3ºT em 53%/63% das grávidas. Ao longo dos trimestres, assinalou-se uma diminuição do registo dos exames no processo clinico, com melhoria na reavaliação. Discussão: Constatou-se uma evolução positiva na realização e registo adequados dos exames de vigilância da gravidez. Na reavaliação ocorreu uma melhoria global, o que reflete o sucesso da adesão da equipa às medidas corretoras. Pretende-se a instituição de novas medidas corretoras e reavaliações periódicas, mantendo um ciclo contínuo de melhoria da qualidade. Medidas Corretoras: Apresentação e discussão dos resultados da primeira avaliação; instalação em todos os computadores das unidades de saúde, da calculadora (em Excel) do calendário da gravidez; afixação na sala de espera de um poster educativo. Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Cláudia Leite Local de Trabalho Email Outros Autores USF Esposende Norte [email protected] Cátia Silva (USF Bracara Augusta) Isabel Santos (UCSP Infias) Mariana Reis (UCSP Ruães) Sara Furtado (USF Minho) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 11 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade BenZoPrev - Prevalência de consumo de Benzodiazepinas numa USF Benzodiazepinas; Estudo Prevalência Introdução: As Benzodiazepinas (BZD) são eficazes como ansiolíticos e hipnóticos, podendo induzir tolerância, dependência física e psíquica. A prevalência do consumo de BZD em estudos de base populacional varia de 2-10% na população adulta. O consumo aumenta com a idade e é mais frequente nas mulheres. Do total de consumidores de BZD, 15 a 30% são utilizadores crónicos. A existência de estudos neste âmbito assume um papel fulcral para o conhecimento dos hábitos de prescrição e sensibilização dos médicos para a utilização racional de BZD. Objetivos: Determinar a prevalência do consumo de BZD na população inscrita numa USF. Caracterizar a prescrição segundo o princípio ativo e a duração da prescrição. Explorar a associação do consumo de BZD com género, idade, escolaridade, situação profissional, tipo de família, consumo de álcool, tabaco e drogas, consumo de consultas e patologia psiquiátrica ou neurológica concomitante. Metodologia: Estudo transversal analítico, realizado entre março e outubro de 2014, de uma amostra, estratificada por sexo e idade, de 1360 utentes. As variáveis estudadas foram: consumo de BZD; BZD prescritas; tipo de consumo; género; idade; escolaridade; situação profissional; tipo de família; consumo de álcool, tabaco e drogas; consumo de consultas; patologia associada. Adotou-se um nível de significância estatística de p≤0,05. Resultados: A prevalência de consumo a 3 anos foi de 22,9%. Dos consumidores, 46,3% apresentavam consumo crónico. 25% consumiam mais que uma BZD. Verificou-se uma associação positiva significativa com o género feminino, a idade avançada, a baixa escolaridade, o desemprego ou a reforma, a patologia ansiosa ou depressiva associada e o maior consumo de consultas. Verificou-se uma associação negativa significativa com o consumo de álcool e tabaco. Discussão: A prevalência de consumo encontrada é elevada, com um consumo crónico superior ao da literatura (46,3%). Para além disso, observou-se que um quarto dos doentes consome mais do que uma BZD. A salientar, o aumento do consumo de BZD com a idade, com todas as consequências de aumento de morbilidade associadas. De comentar o facto de o consumo de álcool e tabaco se associarem negativamente com o consumo de BZD, não se verificando uma sobreposição de dependências. Conclusão: Revela-se importante conhecer os fatores relacionados com o consumo de BZD para a sensibilização dos profissionais para a utilização de estratégias alternativas e para a evicção dos efeitos deletérios do seu consumo. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Tânia Dias Local de Trabalho Email Outros Autores USF Famílias [email protected] Adriana Relvas (USF Famílias) Ana Delgado (USF Famílias) Ana Margarida Pinho (USF Famílias) Célia Gomes Silva (USF Famílias) Jacinta Vaz (USF Famílias - ACES Feira/Arouca) Maria Miguel Lopes (USF Famílias) Nádia Correia (USF Famílias - ACES Feira/Arouca) Sara Almeida (USF Famílias) Sofia Azenha (USF Famílias) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 12 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade CANCRO COLO-RETAL: RELATO DE CASO Cancro colo-retal Enquadramento: O cancro colo-retal (CCR) representa a segunda causa mais frequente de mortalidade por cancro, e está associado a uma elevada incidência e sobrevida global aos 5 anos de 50%. O risco de CCR está aumentado em pessoas com história familiar de CCR, estimando-se que cerca de 5% a 30% dos casos de CCR sejam atribuíveis a causas hereditárias. Neste contexto, o rastreio populacional é fundamental para um diagnóstico precoce e consequente aumento da sobrevida e diminuição da mortalidade. Descrição do Caso: Relata-se o caso de J.F.M.C. sexo feminino, 33 anos, caucasiana, emigrante em França até há 1 ano, pertencente a uma família nuclear no estadio III de Duvall e a uma classe social média-alta. Sem antecedentes pessoais de relevo. Vários familiares (1º e 2º graus) com história de pólipos do cólon, tia materna com diagnóstico de CCR e primo falecido por CCR. Em novembro de 2013 recorre a uma consulta programada no Médico de Família por queixas esporádicas de dor abdominal tipo cólica e tenesmo, sem perdas hemáticas visíveis, com vários anos de evolução, queixas estas que a utente desvaloriza atendendo ao caráter esporádico e tempo de evolução. Em 2007 terá realizado colonoscopia em França que revelou pólipos intestinais. Neste contexto, é solicitada colonoscopia que revelou a presença de múltiplos pólipos adenomatosos ao longo de todo o trajeto intestinal. A doente foi orientada para consulta de gantroenterologia no Centro Hospitalar do Alto Ave, onde realizou nova colonoscopia (janeiro de 2014). Esta demonstrou múltiplos pólipos cólicos e ainda pólipo volumoso no cólon ascendente (pólipo adenomatoso com displasia de alto grau) não passível de remoção endoscópica, pelo que realizou hemicolectomia direita laparoscópica, cujo exame anátomo-patológico revelou foco de adenocarcinoma intramucoso. Realizou pesquisa de mutações do gene APC que foi negativa. A doente mantém estudo e vigilância em consulta de cirurgia oncológica e gastroenterologia. Discussão: Segundo a American College of Gastroenterology, perante indivíduos com risco aumentado para CCR, o rastreio deverá iniciar-se aos 40 anos ou 10 anos antes da idade mais jovem de diagnóstico do CCR. Reconhecendo a importância do diagnóstico precoce do CCR, seguindo exclusivamente estas guidelines poderíamos atrasar um diagnóstico. Assim, este caso clínico mostra que apesar das guidelines serem um auxiliar importante na nossa prática clínica, estas não deverão ser determinantes na nossa decisão clínica. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Maria João Abreu Local de Trabalho Email Outros Autores USF Duovida [email protected] Fernanda Rodrigues (USF Duovida, Guimarães) Luísa Ferraz (USF Duovida) Nuno Namora (USF Duovida) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 13 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Cancro da mama depois da idade do rastreio Cancro da mama; rastreio; mulheres idosas Enquadramento: O cancro da mama (CM) é a neoplasia maligna mais frequentemente diagnosticada nas mulheres. A sua prevalência tem vindo a aumentar na população geriátrica, sendo que cerca de 35 a 50% dos casos ocorrem em mulheres com idade superior a 65 anos. Descrição do Caso: Mulher, 83 anos, reformada e divorciada. Inserida numa família alargada e classe social IV (Graffar). Autónoma nas atividades da vida diárias, tendo um bom estado geral. Antecedentes pessoais de obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial e gonartrose bilateral. Medicada com metformina, sinvastatina, telmisartan + hidroclorotiazida, ácido acetilsalicílico e glucosamina. Apresenta hábitos tabágicos (55,5 UMA) e alcoólicos (54g álcool/dia). Antecedentes familiares desconhecidos, nomeadamente, história de doença oncológica. Numa consulta programada referiu ter detetado, há cerca de 4 meses, massa no autoexame mamário. Apresentava no quadrante superior externo da mama esquerda retração cutânea, palpando-se massa indolor, de aproximadamente 5 cm, dura e aderente aos tecidos adjacentes. A mama direita e regiões axilares não apresentavam alterações. Realizou mamografia revelou caraterísticas suspeitas de processo neoformativo com indicação para realização de biópsia. Após discussão do caso com a utente e filha efetuou-se referenciação prioritária para consulta de senologia no hospital de referência. Realizou hormonoterapia neoadjuvante com anastrazol seguida de mastectomia radical modificada à esquerda. O diagnóstico histológico revelou carcinoma ductal invasor multifocal grau III de Bloom e Richardson modificado (ypT2N0M0) e o estudo imunocitoquímico foi positivo para recetores de estrogénio. Realizou radioterapia e hormonoterapia com tamoxifeno. Verificou-se uma evolução favorável, com boa tolerância clínica e hematológica aos tratamentos. Atualmente mantém reabilitação do membro superior esquerdo. Discussão: As recomendações nacionais e internacionais não são consensuais quanto ao rastreio do CM em mulheres com idade superior a 70 anos. A idade limite a partir da qual a realização de mamografia é descontinuada deverá ser uma decisão partilhada e individualizada, com base na informação e gestão das expectativas da doente. É essencial atender ao estado geral de saúde e sobrevida estimada, tal como ponderar os potenciais benefícios versus riscos da realização deste exame. Assim, no âmbito da prevenção secundária cabe ao Médico de Família estar atento a esta temática. Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Daniela Cruz Pinto Local de Trabalho Email Outros Autores USF Maxisaúde [email protected] Pedro Castro (USF Modivas) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 14 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente consmo,Drogas,Álcool,Tabaco,Adolescência Introdução: O consumo de álcool, tabaco e drogas pelos adolescentes tem vindo a aumentar, expondo-os a elevados riscos e comprometendo o processo de desenvolvimento nesta etapa da vida. O diagnóstico clínico do consumo destas substâncias revela-se da maior importância, tendo como objectivo uma intervenção precoce para a redução ou paragem de substância psicoactivas. Objetivos: Caracterizar o consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente. Metodologia: Aplicação de um questionário estruturado sobre o consumo de tabaco, álcool e drogas. População: adolescentes estudantes de 1 escola da proximidade da USF. Amostra: aleatória. Colheita de dados: Junho de 2014. Processamento de dados: Microsoft Excel®2010 e SPSS®20.0. Resultados: Foram analisados 80 questionários, sendo que 63,4% (52 questionários) foram preenchidos por adolescentes do género feminino, com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos. Relativamente ao consumo de tabaco, 13,4% dos adolescentes afirmou fumar, sendo que destes 63,4% eram raparigas. O consumo diário de tabaco foi referido por 7,3% dos adolescentes. Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, 43,9% dos adolescentes afirmou consumir álcool, sendo 61,1% raparigas. O consumo de álcool apenas no fim-de-semana e ocasionalmente foi referido pela maioria dos adolescentes e a bebida mais ingerida foi a cerveja. A maioria dos consumidores de bebidas alcoólicas indicaram ingerir cerca de 1 a 2 bebidas (37,8%). As drogas foram experimentadas por 12,2% dos adolescentes inquiridos, com igual proporção entre géneros. As drogas mais frequentemente referidas foram a cannabis e a marijuana. Apenas 1 adolescente afirmou consumir drogas diariamente, a maioria dos consumidores de droga afirmou faze-lo ocasionalmente. A curiosidade foi o motivo mais frequentemente referido para início do consumo. Quando questionados acerca da abordagem do consumo de álcool, tabaco e drogas, cerca de 80% dos adolescentes afirmou que estes temas foram abordados pelos professores e/ou pais. Discussão: a caracterização do consumo de tabaco, álcool e drogas na população adolescente é fulcral para ajudar a definir estratégias preventivas com vista a prevenção de novos consumos e intervenção precoce para a redução ou paragem do uso de substâncias psicoactivas. Conclusão: O padrão de consumo de tabaco, álcool e drogas nestes adolescentes é preocupante e com características semelhantes às descritas noutros estudos europeus. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Ana Catarina Candeias Local de Trabalho Email Outros Autores USF Sudoeste [email protected] Marta Fernandes (USF Sudoeste) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 15 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Ciclo de melhoria da qualidade das citologias cervico-vaginais efectuadas numa Unidade de Saúde Familiar Citologia,Cancro do colo do utero,ualidade~,Qualidade Introdução: O cancro do colo do útero é o segundo cancro mais frequente em mulheres e a terceira causa de morte, em Portugal. A citologia cervico-vaginal (CCV) tem como objectivo a detecção de lesões cervicais precursoras. O valor diagnóstico depende da técnica e do material usado. Amostras insatisfatórias contribuem para a existência de falsos positivos e de falsos negativos, que comprometem a qualidade do rastreio. Objetivos: Caracterizar a qualidade da CCV efectuada em meio líquido e em meio convencional. Metodologia: Dimensão estudada: Qualidade técnico-cientifica. Unidade de estudo: Mulheres em idade fértil, inscritas e vigiadas na USF. Amostra: aleatória, estratificada, proporcional de cada ficheiro médico. Período de tempo: 01.01.2012 a 31.12.2013. Tipo de dados: Processo clínico. Fonte de dados: Processo clínico. Tipo de avaliação: interna. Colheita de dados: 1/2013 e 1/2014. Critério avaliados: 1-qualidade da CCV e classificada como satisfatória ou não satisfatória; 2 – presença de células metaplásicas/endocervicais (TZ). Padrão de qualidade: Bom ≥ 95%; Suficiente – 81-94%; Insuficiente < 80%. Tipo de intervenção: educacional. Resultados: No total foram analisados os resultados de 1389 CCV, 590 efectuadas em 2012 e 799 efectuadas em 2013. Apenas 2 CCV (ambas de 2012) foram classificadas como Não satisfatórias (padrão de qualidade BOM). No que respeita à presença de TZ, em 2012, 84% das CCV efectuadas tinham TZ (PQ – suficiente). Na segunda avaliação (ano 2013), a presença de TZ foi detectada em 90,6% das CCV efectuadas (PQ bom). Comparativamente à 1ª avaliação verificou-se uma melhoria da qualidade das CCV, estatisticamente significativa (p< 0,005). Discussão: Verifica-se que o padrão de qualidade CCV foi bom, no que respeita à qualidade para interpretação, independentemente do método de colheita. Verificou-se uma melhoria na qualidade das CCV no que respeita à presença de ZT no ano de 2013 face ao ano de 2012. Será efectuada nova reavaliação no início de 2015. Medidas Corretoras: Colocação nos gabinetes médicos e de planeamento familiar de um esquema de consulta rápida acerca do método colheita de CCV em meio convencional e em meio líquido. Discussao dos resultados com cada um dos médicos. Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Ana Catarina Candeias Local de Trabalho Email Outros Autores USF Sudoeste [email protected] Marta Fernandes (USF Sudoeste) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 16 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Como agir perante a pessoa em luto? – A propósito de um caso clínico luto Enquadramento: O luto consiste numa resposta de adaptação normal a uma perda significativa. É fundamental a pessoa ter capacidade de expressar a dor e investir em novos vínculos. Os profissionais de saúde devem atender as pessoas em luto com empatia e encorajarem a expressão emocional. É importante conhecerem as fases de luto normal e estarem atentos a fatores de risco e/ou sinais de luto complicado ou psicopatológico e, se necessário, referenciarem para uma intervenção mais especializada. Descrição do Caso: Doente do sexo feminino, 48 anos, viúva, caucasiana, 4ª classe, empregada fabril. Antecedentes pessoais de enxaqueca e bronquite crónica. Em Abril de 2014 ocorreu o falecimento do marido, no contexto de naufrágio e sem aparecimento do corpo. Em Agosto de 2014, a doente foi observada em consulta do Médico de Família, encontrando-se muito focada e revoltada por não poder ver o corpo do marido, com sintomatologia depressiva major e dificuldade em avançar no processo de luto. Nesta consulta foi realizada uma avaliação familiar para percebermos melhor qual o suporte social e familiar da doente. Segundo o genograma, a doente está inserida numa família monoparental de dois elementos (mãe e filho de 20 anos). Tem mais uma filha de 28 anos casada, com 2 filhas, a residirem em Aveiro, que mantém contacto regular. Relacionamento distante/hostil com os pais desde jovem adulta. Até ao falecimento do marido, com o qual tinha uma ótima relação. Apresentava um Apgar familiar de 8, Graffar de IV e um total de 162 pontos na escala de readaptação social de Holmes e Rahe, o que corresponde a um aumento da incidência de doença psicossomática. O círculo familiar de Thrower revelou um bom suporte familiar e social, com o qual a doente sentia-se satisfeita. Discussão: O processo de luto normal apresenta cinco fases: choque e negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. A maioria das pessoas passa por um processo de luto normal, no entanto, cerca de 10 a 20% podem desenvolver um luto complicado, o qual está associado a risco aumentado de patologia psiquiátrica. Perante a pessoa em luto, é importante realizar uma avaliação sistemática de possíveis fatores de risco, nomeadamente: as circunstâncias da perda (súbita ou esperada); a vulnerabilidade pessoal; a natureza da relação com o falecido; o apoio familiar e social; e a própria insatisfação com os cuidados de saúde. O desaparecimento do corpo impossibilita a realização de rituais religiosos, dificultando a elaboração do processo de luto. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal [email protected] Local de Trabalho Email USF Casa dos Pescadores [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 17 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Consumo de Álcool e Tabaco nos Adolescentes: Uma Avaliação da Qualidade Álcool; Tabaco; Adolescência Introdução: O consumo de álcool e tabaco geralmente inicia-se na adolescência. Dada a elevada prevalência do consumo destas substancias nesta faixa etária, o Médico de Família tem um papel fulcral na avaliação dos riscos associado ao seu consumo. De acordo com o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil 2013, deve ser avaliado o consumo de álcool e tabaco no adolescente, dos 10 aos 18 anos. Deste modo, torna-se crucial um adequado registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual do utente. Objetivos: Avaliar e garantir a melhoria contínua do registo médico do consumo de álcool e tabaco na Ficha Individual dos adolescentes com idade ≥ a 14 anos até aos 18 anos, numa Unidade de Saúde Familiar. Metodologia: Dimensão Estudada: Qualidade técnico-científica; Avaliação: Interna; Retrospetiva; Unidade de Estudo: utentes com idade ≥ 14 anos até aos 18 anos, inscritos na USF com consulta entre 01/03/13-30/06/13 (avaliação inicial) e entre 01/09/13-31/12/13 (avaliação final); Amostra do estudo: de base institucional, não aleatória. Tipo de dados: processo; Fonte de Dados: Sistema de Apoio ao Médico (SAM) e MIMUF; Tipo de avaliação: interna e retrospetiva; Critérios de exclusão: contactos indiretos, consulta aberta e consultas repetidas. Tratamento dos dados: Excel 2010; Padrão de Qualidade: Insuficiente: < 44%; Suficiente:≥ 44-55%; Bom:56- 80 %; Muito Bom:> 80%. Resultados: Na avaliação inicial (N= 157, 57 % do género feminino) 71 % apresentavam o registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual do adolescente nos últimos 36 meses. Na avaliação final (N=115, 61 % do género feminino), 65 % dos adolescentes apresentavam registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual. Discussão: Os resultados do estudo indicam que a avaliação foi de Bom na avaliação inicial e final. Os resultados do estudo sugerem que após a intervenção não ocorreu um aumento estatisticamente significativo (p=0,282) do registo médico dos hábitos alcoólicos e tabágicos.Destacam-se como limitações do estudo o facto da eventual ausência de registo do consumo de álcool e tabaco na ficha individual não indicar que o Médico de Família não tenha avaliado o consumo destas substâncias. Medidas Corretoras: Intervenção efetuada: educacional e estrutural. Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Ana Maia Local de Trabalho Email USF do Mar [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 18 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Diabetes Mellitus tipo 2 – Estudo transversal de uma lista de utentes Diabetes,Complicações da diabetes,Controlo glicémico Introdução: A Diabetes afeta 12,9% dos portugueses entre os 20 e os 79 anos, sendo uma doença crónica de prevalência crescente. O tratamento do doente com Diabetes Mellitus 2 (DM2) passa pelo bom controlo glicémico e pelo controlo de outros fatores de risco cardiovasculares (FRCV). A prevenção e o reconhecimento precoce das complicações da DM2 são importantes no seguimento dos doentes, pois constituem a principal causa de morbi-mortalidade da doença. Objetivos: Caraterizar os doentes diabéticos de uma lista de utentes e testar a associação entre a HbA1c e o género, idade, índice de massa corporal (IMC), perímetro abdominal (PA), anos após o diagnóstico e albuminúria. Metodologia: Tipo de estudo: observacional, transversal. População: Doentes com diagnóstico de DM2 de uma lista de utentes. Variáveis: género, idade, anos após diagnóstico, HbA1c, FRCV, albuminúria, antidiabéticos orais (ADO), insulina e complicações da DM2. Recolha dos dados: consulta do processo clínico no SAM® em janeiro de 2014. Tratamento de dados: EpiInfo 7.0® e SPSS 20.0®. Estatística descritiva e inferencial. Significância estatística se p<0,05. Resultados: Estudaram-se 92 utentes, 65,2% do sexo masculino, com idade média de 67+13 anos. A HbA1c média é de 6,8+1,3% não havendo diferenças significativas entre os sexos. 72,8% dos doentes têm IMC superior a 25kg/m2, 78,3% têm HTA, 68,5% têm dislipidémia e 10,9% fumam. A complicação mais prevalente é a nefropatia (37%), seguida da fibrilhação auricular (6,5%) e da retinopatia (4,3%). A metformina é o ADO mais prescrito (70,7%), seguido dos iDPP4 (43,5%) e das sulfunilureias (26,1%). Existe uma tendência para se aumentar o número de ADO à medida que aumentam os anos de doença (p<0,001). A associação mais utilizada é a metformina com iDPP4 (64%). A HbA1c não apresenta associação com a idade, IMC e PA, aumentando à medida que aumentam os anos após diagnóstico (p=0,001). Os doentes com HbA1c inferiores a 7% têm albuminúria inferior (p=0,033). Discussão: Como limitações deste trabalho salienta-se o facto de ser um estudo transversal, baseado numa única medição, sem considerar a variação no tempo das variáveis analisadas. Não são avaliados fatores de confundimento como a atividade física ou a adesão terapêutica. Conclusão: A maioria dos doentes apresenta outros FRCV que se devem ter em conta na abordagem dos diabéticos. Os resultados atestam o caráter progressivo da DM2, pois quantos mais anos passam após o diagnóstico, mais difícil é o controlo glicémico. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Luís Sousa Local de Trabalho Email Outros Autores USF +Carandá [email protected] Adriana Miranda (USF PróSaúde) Tânia Gomes (USF +Carandá) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 19 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Diagnóstico de cancro da mama: Mamografia de rastreio ou sinais e sintomas? Cancro da mama,Mamografia rastreio Introdução: Em Portugal a incidência de cancro da mama é 73/100.000.A diminuição da mortalidade Deve-se a dois factores: maior precocidade no diagnóstico e melhor qualidade do tratamento.A DGS recomenda a realização de mamografia entre os 50 e 69 anos de 2 em 2 anos como forma de deteção precoce desta patologia.Recentemente alguns estudos têm alertado para os potenciais riscos do rastreio de cancro da mama assim como para o aumento do número de sobrediagnósticos desta patologia. Objetivos: Comparar a incidência de cancro da mama na USF com a nacional;Avaliar o número de diagnóstico de cancro da mama codificado segundo ICPC2 cujo diagnóstico foi por mamografia de rastreio versus mamografia realizada após sinais/sintomas. Metodologia: Recolha da listagem de mulheres com diagnostico de cancro, ICPC2 X76 Neoplasias malignas da mama inscritas na USF através do recurso ao MIM-UF;Análise dos seguintes parâmetros:ano de diagnóstico,idade da mulher à data do diagnóstico,presença de sintomas,realização de mamografia de rastreio,diagnóstico histológico do carcinoma através do recurso ao SAM e PDS.Análise dos dados através MExcelTM. Resultados: O estudo realizado baseou-se na população inscrita na USF.Através do recurso ao MIM-Uf identificaram-se 85 mulheres com registro de cancro da mama na sua lista de problemas.Dentro dessas 85 mulheres 2 mulheres não possuíam registos clínicos associados a esta patologia e 26 só possuíam disponível o ano de diagnóstico quer no SAM quer na PDS.A incidência de cancro da mama segundo os dados registados entre 2009 e 2013 é 70,58/100000.38% das mulheres tinham idade ao diagnóstico de cancro da mama <50 anos.48 % das mulheres tiveram o diagnóstico em idade compreendida na idade recomendada para rastreio e pelo menos 49% destas pacientes tiveram o seu diagnóstico feito por mamografia de rastreio.19 das 28 mulheres, em que o diagnóstico foi feito após sintomas, não tinham idade de rastreio. Discussão: A incidência nacional e da USF de cancro é semelhante.1/3 dos casos não tinham disponíveis os dados necessários para saber se o diagnóstico tinha sido feito por mamografia de rastreio ou após manifestação de sintomas.Em 51% das mulheres o diagnóstico fez-se após sintomas e 49% após rastreio.Nas mulheres com idade de rastreio o diagnóstico por mamografia foi 2x superior ao por sintomas.Uma das principais limitações foi o fato de não considerar a mortalidade associada ao cancro,Nao se puderam obter dados sobre sobredianostico. Conclusão: A mamografia em idade de rastreio continua a ser um valioso exame de diagnóstico. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Mafalda Henriques Local de Trabalho Email USF Emílio Peres [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 20 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Eficácia do uso de corticóides tópicos no tratamento da fimose primária em crianças e adolescentes fimose,corticóides tópicos,crianças,adolescentes Introdução: A fimose primária é uma preocupação frequente na consulta de saúde infantil, sendo descrita uma prevalência de aproximadamente 11% aos 3 anos de idade. A plastia do prepúcio ou circuncisão são as opções terapêuticas clássicas a discutir com os pais, crianças e adolescentes na presença de indicação médica. Todavia, recentemente, o uso de corticóides tópicos (CCT) tem sido apontado como eficaz e seguro e advogado como uma boa alternativa à cirúrgica, dado o menor custo e menor morbilidade associada a eventuais complicações cirúrgicas. Objetivos: O objetivo desta revisão é avaliar a evidência da eficácia do uso de CCT na redução da limitação da retratilidade do prepúcio em crianças e adolescentes. Metodologia: Pesquisa efetuada nas bases de dados National Guideline Clearing House, Canadian Medical Association Pratice Guidelines Infobase, Cochrane Library, DARE, Bandolier, Evidence Based Medicine Online, Trip Database Online e Pubmed, utilizando os termos MeSH “Phimosis and steroids”. Pesquisaram-se normas de orientação clínica (NOC), meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS) e ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola entre Janeiro de 2004 e Junho de 2014. Para classificar o nível de evidência dos estudos foi utilizada a escala Levels of Evidence da Oxford Centre for Evidence-based Medicine. Resultados: Foram encontrados 148 artigos, dos quais 6 cumpriram os critérios de inclusão: 1 NOC e 5 ECAC. A NOC da Sociedade Europeia de Urologia Pediátrica publicada em 2013 recomenda o uso de CCT na fimose primária. Os ECAC incluíram no total 624 crianças e adolescentes entre os zero e os 15 anos. Foram testados diferentes CCT e esquemas terapêuticos. Verificou-se de forma consensual melhoria estatisticamente significativa da retratilidade do prepúcio comparativamente com placebo, com uma eficácia terapêutica dos CCT descrita entre os 66% e os 90%. Discussão: Os estudos suportam a eficácia dos CCT no tratamento da fimose primária em crianças e adolescentes. Contudo, a maioria dos ECAC recomenda exercícios de retração prepucial concomitantes com o uso do CCT, o que dificulta a atribuição exclusiva do resultado terapêutico ao fármaco. No futuro torna-se também pertinente clarificar qual o melhor CCT e esquema terapêutico a utilizar sendo para tal necessário o desenho de estudos metodologicamente homogéneos e de maior dimensão. Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Flávio Gomes Guimarães Local de Trabalho Email Outros Autores USF Santa Clara [email protected] Albino Martins (USF São Lourenço) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 21 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Erradicação do Helicobacter Pylori - Fim de linha para a terapêutica tripla standard? "Helicobacter Pylori","Triple Therapy","Sequential Therapy" Introdução: A infeção por Helicobacter Pylori (HP) está presente em metade da população mundial. A sua erradicação completa é primordial para evitar a eventual progressão para gastrite crónica, úlcera péptica, adenocarcinoma gástrico ou linfoma MALT. A terapêutica tripla (TT) standard tem vindo a diminuir a sua eficácia, e a terapêutica sequencial (TS) tem demonstrado uma maior taxa de erradicação do HP em vários estudos realizados em diversos países. Objetivos: Rever a evidência sobre a eficácia da TT standard e da TS na erradicação da infeção por HP. Metodologia: Pesquisa realizada nas bases de dados da National Guideline Clearing House, Guidelines Finder do NHS, CMA Infobase, Cochrane Library, DARE, Bandolier, Evidence Based Medicine Online, TRIP database e Pubmed, utilizando os termos MeSH “Helicobacter Pylori”, “Triple Therapy” e “Sequential Therapy”. Para estratificar o nível de evidência (NE) dos estudos e a força de recomendação, foi utilizada a escala Strenght of Recomendation Taxonomy (SORT) da American Academy of Family Physicians. Resultados: Foram encontrados 154 artigos, dos quais foram selecionados 14: 9 Meta-Análises (MA), 2 Revisões Sistemáticas (RS), 2 Ensaios Clínicos Aleatorizado Controlados (ECAC) e uma guideline. A guideline americana remete a TS para terapêutica alternativa. No entanto, todas as MA e as duas RS concluíram que a TS apresenta uma taxa de erradicação do HP mais elevada (variando entre 81-95,6%) comparativamente à TT (consistentemente < 80%). Nas crianças e nos doentes com estirpes resistentes à claritromicina e/ou Metronidazol a TS também se revelou mais eficaz, embora em menor amplitude. Os dois ECAC obtiveram dados sobreponíveis às MA e RS incluídas no estudo. Em nenhum dos artigos se relatou diferenças significativas de efeitos adversos entre os dois regimes terapêuticos. Discussão: A TS apresenta uma eficácia superior comparativamente com a TT, sendo igualmente tolerada. Desta forma, a TS deve ser considerada como terapêutica de 1ª linha na erradicação da infeção por HP (SORT A). Todavia, a taxa de erradicação permanece subótima tendo em conta o pretendido para uma doença infeciosa (>95%). A procura constante por regimes terapêuticos mais efetivos ou por novos agentes para erradicar HP deve continuar. Nenhum regime terapêutico é realmente efetivo em todas as regiões do mundo e a sua escolha deve ser baseada no padrão de resistências locais, o qual necessita de ser periodicamente monitorizado. Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal António Silva Local de Trabalho Email Outros Autores USF MaxiSaúde [email protected] Adriana Miranda (USF PróSaúde) Dina Fernandes (USF +Carandá) Luís Sousa (USF +Carandá) Pedro Costa (USF MaxiSaúde) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 22 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Estudo EXPO 2010: Excesso de peso e Obesidade Infantil - reavaliação Obesidade,Excesso de Peso,Infantil,Pediátrica Introdução: A epidemia do Excesso de Peso (EP) e Obesidade Infantis mantém-se em crescimento (prevalência de 30% em Portugal). Acarreta risco de comorbilidades na infância/jovem adulto, prejudicando a saúde e qualidade de vida. O Médico de Família é responsável pela sua identificação precoce, acompanhamento e orientação, sendo os Exames Globais de Saúde oportunidades-chave nesse processo. Objetivos: Garantir a qualidade técnico-científica dos registos de EP e Obesidade na lista de problemas, do pedido de exames complementares de diagnóstico (ECD) mínimos e do registo de aconselhamento terapêutico. Metodologia: Avaliação: interna, retrospetiva. Dimensão: qualidade técnico-científica dos registos. Unidade de estudo: crianças vigiadas numa Unidade de Saúde com pelo menos uma consulta médica de vigilância, respetivamente, aos 5-6 anos e aos 11-13 anos, com percentil de IMC ≥85. Profissionais avaliados: todos os médicos. Amostra: base institucional, não aleatória. Tipo de dados: processo. Fonte de dados: SINUS® e SAM®. Colheita de dados: 05/2010 e 05/2014. Critérios dos grupos com EP e Obesidade, respetivamente: I e II) Registo na lista de problemas; III e IV) Registo do pedido de ECD mínimos; V e VI) Registo do aconselhamento terapêutico. Tipo de Intervenção: educacional e estrutural. Resultados: Em 05/2010, incluíram-se 58 crianças: 60,3% com EP e 39,7% com obesidade. Aos 5-6 anos, todos os critérios foram “Insatisfatórios”. Nos pré-adolescentes, os resultados foram “Bom” no critério III, “Satisfatório” nos II, IV e VI e “Insatisfatório” nos restantes. Após implementação de medidas corretoras, foi feita uma reavaliação em 05/2014: incluíram-se 86 crianças, 55,8% com EP e 44,2% com obesidade. Aos 5-6 anos, os resultados foram “Satisfatório” nos critérios II, V e VI e “Insatisfatório” nos restantes. Nos pré-adolescentes, os resultados foram “Bom” no critério II, “Satisfatório” nos III, IV, V e VI e “Insatisfatório” no I. Discussão: Uma maior sensibilização para a obesidade, em detrimento do EP, terá contribuído para a melhoria da codificação desse problema em ambos os grupos etários. A atualização do SAM® terá potenciado esse resultado e também o registo do aconselhamento terapêutico. Permanece, contudo, potencial de melhoria, sobretudo no pedido dos ECD protocolados. Medidas Corretoras: Apresentação dos resultados e de guidelines atualizadas quanto aos ECD recomendados; reforço da importância do registo correto; distribuição de memorando por gabinete. Comunicação Oral Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Marta Faria Ferreira Local de Trabalho Email Outros Autores USF Nova Via [email protected] Filomena Sá (USF Nova Via) Flipa Duarte (USF Nova Via) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 23 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Estudo GaLes - Caracterização das atitudes de profissionais de Cuidados de Saúde Primários perante lésbicas e gays Palavras-Chave orientação sexual,homossexualidade,cuidados de saúde primários,profissionais de saúde,discriminação,homofobia,preconceito Resumo Modalidade Introdução: A discriminação com base na orientação sexual ainda é comum atualmente. Estudos realizados na União Europeia incluindo Portugal, demonstram que a discriminação em função da orientação sexual na área da saúde existe, assim como um parco conhecimento relativo aos problemas de saúde das pessoas lésbicas e gays. A escassez de dados e de investigação sobre este tema é a regra em muitos países e Portugal não é exceção. Objetivos: Caracterizar as atitudes de profissionais dos Cuidados de Saúde Primários perante lésbicas e gays no geral e de acordo com as variáveis seleccionadas. Metodologia: Realizámos um estudo observacional analítico que incluiu médicos, enfermeiros e secretários clínicos dos Agrupamentos dos Centros de Saúde de Matosinhos, Póvoa/Vila do Conde e Porto Oriental. Foi aplicado um questionário que incluiu a “Escala Multidimensional de Atitudes Face a Lésbicas e Gays” e questões de caracterização sociodemográfica. Resultados: Dos 397 questionários recolhidos, 357 foram considerados válidos. 81% dos participantes eram do sexo feminino e a idade média foi de 39 anos. Quanto à profissão, 20% eram administrativos, 30% enfermeiros e 50% médicos. A maioria (61%) não teve contacto com informação científica sobre a homossexualidade. Numa escala de 1 a 6 (6 correspondendo a atitudes mais negativas face a gays e lésbicas), a pontuação média global foi de 2,25 (DP±0,70). Porém, analisando as subescalas, constataram-se diferenças entre elas: a pontuação média para a rejeição de proximidade foi de 1,61 (DP±0,66) e de 3,25 (DP±1,02) para a de heterossexismo moderno. Os secretários clínicos mostraram atitudes menos negativas comparativamente aos enfermeiros e médicos (p<0,05). Houve diferença estatisticamente significativa nos resultados em função do género somente numa subescala. Verificou-se a existência de uma correlação linear positiva entre a idade e as atitudes negativas. Discussão: Alguns dos resultados foram inesperados, nomeadamente a ausência de diferença nas atitudes negativas em função do género e existência de divergências significativas no nível de preconceito entre os grupos profissionais. Em oposição, o nível superior de heterossexismo moderno e a maior discriminação por parte dos inquiridos mais velhos está de acordo com a bibliografia consultada. Conclusão: No global, as atitudes dos profissionais de saúde não são negativas. Contudo, aspetos mais contemporâneos do preconceito merecem atenção e intervenção com o objetivo de reduzir a discriminação em função da orientação sexual nos serviços de saúde. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Maria Meneses Local de Trabalho Email Outros Autores UCSP São Mamede [email protected] Camila Mota Neves (UCSP São Mamede) Diogo Santos Costa (UCSP Barão Nova Sintra) Francisco Pinto da Costa (USF das Ondas) Maria Cortês Ferreira (UCSP São Mamede) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 24 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Fibrilhação Auricular: quando hipocoagular? Fibrilhação Auricular,Hipocoagulação oral,Índice CHADS2,Índice de CHA2DS2-VASc Introdução: A Fibrilhação Auricular (FA) é a arritmia cardíaca mais frequente na população com mais de 65 anos. Sabe-se que aumenta em 5-6 vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e que é responsável por cerca de 30% das hospitalizações por arritmias cardíacas. A anticoagulação oral é terapêutica mais adequada na prevenção dos AVC nos indivíduos com FA. No entanto, estima-se que em Portugal apenas 46,5% dos doentes com FA e risco tromboembólico elevado estão hipocoagulados. Objetivos: A prevenção de tromboembolismo é uma das metas mais importantes no tratamento da FA. Torna-se necessário estratificar os doentes com FA mediante o risco de eventos tromboembólicos, para assim instituir a terapêutica mais indicada em cada caso: antiagregação plaquetária ou anticoagulação oral. Metodologia: Vários esquemas de classificação do risco de AVC em doentes com FA tem sido proposto. Os mais utilizados atualmente são os Índices de CHADS2 e de CHA2DS2-VASc. Resultados: O doente que apresente pontuação igual ou superior a 2 no Índice de CHADS2, tem indicação para iniciar anticogulação oral. Quando a pontuação neste índice é 0 ou 1, utiliza-se o índice de CHA2DS2-VASc. No índice de CHA2DS2-VASc, pontuação de 0: iniciar antiagregação plaquetária ou nenhuma terapêutica; pontuação de 1: iniciar anticoagulação oral ou antiagregação plaquetária e pontuação igual ou superior a 2: inicia anticoagulação oral. Discussão: A FA é uma patologia de alta incidência na população idosa do nosso país. É uma patologia muitas vezes assintomática e, por isso mesmo, subdiagnosticada e subtratada. Os Médicos de Família devem saber como estratificar o risco de AVC nestes doentes de forma a instituir a terapêutica mais adequada em cada caso e a reduzir as complicações hemorrágicas. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Susana Gonçalves Reis Local de Trabalho Email UCSP de Vinhais [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 25 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Fimose - Como abordar e orientar Palavras-Chave Fimose,Corticoterapia,Circuncisão Resumo Modalidade Introdução: Entende-se por Fimose a incapacidade de retrair o prepúcio para exteriorização da glande. Cerca de 96% dos recém-nascidos apresentam esta condição, diminuindo para 10% aos 3 anos por resolução espontânea. As fimoses não resolvidas e as de novo podem cursar com várias complicações. A abordagem desta patologia passa pelos Cuidados de Saúde Primários (CSP), sendo importante conhecer a história natural, como e quando diagnosticar, qual o melhor tratamento e quais os critérios de referenciação. Objetivos: Pretendeu-se analisar a evidência existente sobre Fimose, de forma a dar resposta a questões levantadas nos CSP, com vista a melhorar a abordagem desta patologia clínica. Metodologia: Pesquisa de artigos de revisão, meta-análises e guidelines na Medline, sites MBE e de sociedades/associações de Pediatria e Urologia nacionais e internacionais, utilizando os termos MeSH “phimosis”, “phimosis therapy” e “circumcision, male”, nos últimos 10 anos e ainda referências bibliográficas dos artigos selecionados. Resultados: Fimose classifica-se como primária ou secundária, consoante existam ou não alterações cicatriciais macroscópicas. A Parafimose constitui uma urgência urológica e entende-se como complicação de fimose não resolvida. O diagnóstico é baseado no exame objetivo. As principais complicações são: infeções do trato urinário, balanopostites de repetição e ereções dolorosas. Nas parafimoses o comprometimento da circulação pode levar a necrose e a autoamputação peniana. Não havendo intercorrências nem forçando a retração, a fimose resolve espontaneamente na maioria dos casos. Até aos 2-3anos sugere-se vigilância. Após esta idade recomenda-se aplicação de corticosteróide tópico (betametasona ou mometasona,0,05-0,1%,sobre o anel fibrótico do prepúcio,2 a 3 vezes/dia, durante 30 dias) com resolução de 90% dos casos. A cirurgia reserva-se para casos de falha do tratamento médico, complicações associadas, fimose secundária ou na parafimose (quando a compressão manual do tecido edematoso não resolve). Discussão: A fimose fisiológica apresenta-se desde o nascimento e tem grande taxa de resolução espontânea. Deve contudo ser diagnosticada e vigiada pois caso persista pode ser instituído tratamento médico (corticoterapia que poderá ir até 6-8 semanas e repetir até 3 ciclos) e/ou cirúrgico após os 2-3 anos de idade,sendo que a DGS recomenda a cirurgia a partir dos 5 anos. A fimose secundária pode ocorrer em qualquer idade e tem indicação absoluta para cirurgia. A parafimose exige tratamento urgente. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Jonathan Santos Local de Trabalho Email Outros Autores USF Terras de Souza [email protected] Isabel Santos Solha (USF Terras de Souza) Svetlana Golicov (USF Terras de Souza) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 26 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Herpes Zóster nos cuidados primários – Estudo descritivo de uma série de casos Herpes Zóster,Cuidados Primários,Nevralgia Pós-herpética Introdução: O Herpes Zóster (HZ) é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ), cuja primoinfeção se manifesta como varicela. Cerca de 90% da população adulta está infetada. A nevralgia pós-herpética (NPH) é uma complicação grave da doença, com grande impacto na qualidade de vida. Identificar os fatores de risco associados ao seu desenvolvimento é fundamental para melhor prever e gerir os cuidados médicos. Objetivos: Descrever fatores associados à infeção provocada pelo VVZ e determinar quais os fatores de risco para a NPH. Metodologia: Estudo observacional descritivo e analítico dos episódios de HZ decorridos em 2012 e 2013 em 5 unidades dos cuidados primários da região norte. Foram recolhidas através do SAM® variáveis para caracterização socioeconómica, dos consumos, sintomatologia, tratamento, antecedentes pessoais e ocorrência de NPH. Foi realizada análise descritiva uni e bivariada. Foi criado um modelo de regressão logística para identificar potenciais preditores de desenvolvimento de NPH. Resultados: Dos 265 casos de HZ, com idade média de 56,5±20,2 anos, 56,2% eram homens. A população com 75 ou mais anos correspondeu a 18,1% dos casos. Na maioria, as erupções cutâneas localizaram-se em dermátomos do tronco anterior e dorso. Foi descrita dor ou prurido em 64,5% dos casos e 84% receberam tratamento com antivírico. Verificou-se NPH em 9,8% dos casos, existindo associação significativa entre a sua ocorrência e idade superior a 75 anos (p=0,02). Somente a idade mostrou aumentar a probabilidade de NPH (OR 1,03), enquanto a ocorrência de sintomas mostrou ter efeito protetor (OR 0,22). Discussão: É consensual que o HZ é comum nos idosos. Todavia observou-se uma idade média dos casos de HZ inferior à descrita na literatura. O género masculino desenvolve mais frequentemente a doença, o que não sendo consensual, está em concordância com a maioria dos estudos. A frequência de NPH foi similar a outros estudos. Segundo o estado da arte, os fatores de risco para o seu desenvolvimento são a idade, a gravidade da apresentação clínica e a imunossupressão. Neste trabalho, apenas a idade avançada mostrou ser fator de risco para o desenvolvimento de NPH. Contrariamente, a ocorrência de sintomas mostrou diminuir o risco. Conclusão: Conhecer a apresentação do HZ na população dos cuidados primários, e quais os fatores associados ao desenvolvimento de NPH, é fundamental para direcionar estratégias preventivas da doença e suas complicações, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Albino Martins Local de Trabalho Email Outros Autores USF São Lourenço [email protected] Ana Filipa Vilaça (USF Manuel Rocha Peixoto) Ana Maria Carvalho (USF São João de Braga) Andreia Ramôa (USF Gualtar) Pedro Costa (USF MaxiSaúde) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 27 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Hipertensão Arterial secundária – a propósito de um caso de Síndrome de Junção pieloureteral Hipertensão arterial,Junção pieloureteral,Hidronefrose Enquadramento: De acordo com as últimas recomendações da European Society of Cardiology (ESH) 30 a 45% da população europeia é hipertensa, com uma a prevalência em Portugal a rondar os 42%. Em mais de 90% dos casos, não se consegue identificar uma causa específica responsável pela elevação da TA. A patologia renal, nomeadamente a estenose da artéria renal e as doenças parenquimatosas são as principais causas de HTA secundária. O presente caso clínico relata o caso de uma paciente de 18 anos, com valores de TA elevada identificados no Centro de Saúde, na qual o estudo da HTA revelou a presença de uma síndrome de junção pieloureteral (SJPU). Descrição do Caso: Paciente, sexo feminino, 18 anos, estudante. Reside com 2 irmãs e uma sobrinha. Apgar Familiar de 7, Classe IV da classificação de Graffard, pertencente a uma família de médio risco (escala de risco de Segovia-Dreyer). Antecedentes perinatais de gravidez de risco (idade materna 42 anos), vigiada, com ecografias obstétricas/estudo analítico normais. Recorreu ao Centro de Saúde em contexto de consulta de apoio por um quadro de ansiedade sem fator desencadeante identificado. Ao exame objetivo detetou-se apenas valores de TA elevados (TAs de 159mmHg e TAd de 89mmHg) e taquicardia (frequência cardíaca de 110bpm). Por suspeita de perturbação de ansiedade generalizada: medicada com diazepam 5mg id e alprazolam 0.25mg (SOS), aconselhada a medir a TA em ambulatório e marcada nova consulta com 2 semanas de intervalo para nova avaliação médica. Os valores TA medidos em ambulatório continuavam elevados tendo-se optado por iniciar medicação com amlodipina 5mg id e iniciar estudo da HTA. Do estudo, apenas se destacou a presença à ecografia reno-vesical de um SJPU e hidronefrose a esquerda. Referenciada aos cuidados de saúde hospitalares, realizou renograma com prova diurética que comprovou o padrão obstrutivo do rim esquerdo, encontrando-se de momento a aguardar cirurgia urológica. Discussão: A incidência da obstrução da junção pieloureteral não é tão bem definida nos adultos em comparação com a idade pediátrica. Nas crianças e nos jovens é a principal causa de dilatação do trato urinário superior diagnosticada à ecografia obstétrica. Na sua forma adquirida as principais causas são as infeções urinárias de repetição, a litíase renal e o traumatismo renal. A dor abdominal, a infeção urinária e a hematúria são as formas mais frequentes de apresentação da SJPU, sendo a HTA um sinal menos frequente que pode ocorrer em apenas 3 a 11% dos casos. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Antony Nogueira Local de Trabalho Email Outros Autores USF Pevidém [email protected] Catarina Marques Pinho (USF Pevidém) Joana Teixeira (USF Pevidém - Aces Alto Ave/Ave) Joana Vidal Teixeira (USF Pevidém) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 28 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Hipertensão no Grande Idoso: Tratar ou não Tratar? Hypertension Therapy;,Aged,80 and over Introdução: As doenças cardiovasculares (DCV) são, em Portugal, a principal causa de morte, sendo a hipertensão arterial o fator de risco cardiovascular mais prevalente. A diminuição da pressão arterial (PA) em hipertensos com idade ≤ 65 anos reduz a ocorrência de eventos cardiovasculares e morte. No que diz respeito ao grande idoso (≥ 80 anos) esta temática gera controvérsia. Objetivos: Rever a evidência existente quanto ao benefício do tratamento anti-hipertensor na diminuição de eventos cardiovasculares major e mortalidade no grande idoso. Metodologia: Pesquisa na Medline e em sites de medicina baseada na evidência (National Guideline Clearinghouse, Guideline Finder, Canadian Medical Association, The Cochrane Database, DARE, Bandolier, Medline/Pubmed e Índex de Revistas Médicas Portuguesas) por artigos publicados entre Janeiro de 2004 e Agosto de 2014 nas línguas inglesa, espanhola ou portuguesa, com as palavras-chave "Hypertension/therapy" AND "Aged, 80 and over". Recurso adicional às referências bibliográficas dos artigos consultados. Para avaliação dos níveis de evidência (NE) e atribuição de forças de recomendação (FR) foi usada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician. Resultados: Dos 225 artigos encontrados, 8 cumpriam os critérios de inclusão, de entre os quais se destacam 2 normas de orientação clínica (NOCs), 2 meta-análises (MAs) e 4 ensaios clínicos (ECs). Segundo as NOCs, o tratamento anti-hipertensor reduz a incidência de acidente vascular cerebral (AVC) e morbilidade cardiovascular e aumenta a mortalidade por outras causas (FR 1A). No utente com boa condição física e psicológica os valores de PA devem rondar os 150-140 mmHg (FR IB), caso contrário, o tratamento deve ser individualizado e monitorizado pela clínica (FR IC). A MA corrobora a redução do risco de AVC, eventos cardiovasculares e insuficiência cardíaca (IC) (FR1). Os ECs revelam benefício no controlo da PA até valores de 150/80 mmHg por diminuir o risco de morte cerebrovascular e IC (NE 1). Valores inferiores associam-se a maior risco destes eventos (NE 2). Os resultados relativamente à mortalidade total são heterogéneos (FR 1). Discussão: O benefício global do tratamento anti-hipertensor no grande idoso é questionável. A redução da mortalidade é conseguida nos ensaios com menor redução da PA e terapêutica menos intensiva. Não há necessidade de suspender um tratamento bem tolerado quando o utente atinge 80 anos. Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Teresa Moura Bastos Local de Trabalho Email Outros Autores UCSP Sul [email protected] Sofia Azenha (USF Famílias) Tânia Dias (USF Famílias) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 29 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade IECA ou ARA - qual a evidência na mortalidade em diabéticos hipertensos? Diabetes Mellitus,Hipertensão Arterial,Inibidores da enzima conversora da angiotensina,Antagonistas de receptores da angiotensina. Introdução: A Diabetes Mellitus e a Hipertensão arterial são fatores de risco sinérgicos para a doença cardiovascular. Os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA) têm sido utilizados nestes doentes. Porém, os resultados dos estudos foram contraditórios quanto ao efeito destes na prevenção de complicações cardiovasculares. Objetivos: Rever a evidência do efeito dos IECA ou ARA quanto à mortalidade ou ocorrência de eventos cardiovasculares major nos diabéticos hipertensos. Metodologia: Pesquisaram-se meta-análises (MA), revisões sistemáticas, ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e normas de orientação clínica (NOC), nas fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder, Canadian Medical Association Practice Guidelines, Cochrane, DARE, Bandolier, Medline, DGS e Índex RMP, publicados entre 31/08/2009 e 31/08/2014, nas línguas portuguesa, espanhola, inglesa e francesa. Utilizaram-se os termos MeSH: “Diabetes Mellitus” AND “Hypertension” AND “Angiotensin-Converting Enzyme Inhibitors” OR “Angiotensin Receptor Antagonists”. Foi utilizada a escala Strength Of Recommendation Taxonomy para atribuição dos níveis de evidência (NE) e forças de recomendação (FR). Resultados: Dos 478 artigos obtidos foram incluídos 5 MA e 8 NOC. A MA da Cochrane demonstrou que os IECA diminuíam significativamente a mortalidade por todas as causas em 16% (NE 1) e a MA de Nakao concluiu que esta classe diminuía o risco de enfarte do miocárdio (NE 1). Recentemente, a MA de Cheng verificou que os IECA diminuíam significativamente a mortalidade por todas as causas em 13%, a mortalidade cardiovascular em 17%, o enfarte do miocárdio em 21% e a insuficiência cardíaca em 19% (NE 1). Pelo contrário, os ARA apenas diminuíram o risco de insuficiência cardíaca (30%) e dois ECAC demonstraram um aumento da mortalidade cardiovascular com olmesartan. Não houve consenso entre as NOC, apesar de a maioria recomendar os IECA ou ARA como primeira linha. Discussão: Nos diabéticos, os efeitos dos IECA ou ARA parecem ser diferentes relativamente à mortalidade e eventos cardiovasculares, apesar de existirem escassos estudos a avaliar estas classes frente-a-frente. A evidência encontrada foi robusta e consistentemente favoreceu o uso de IECA como primeira opção na prevenção da morbi-mortalidade nesta população (FR A). Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Paula Mendes Local de Trabalho Email Outros Autores USF Maxisaúde [email protected] Vítor Cardoso (USF Gualtar) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 30 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade IMPLANTE SUBCUTÂNEO: A EXPERIÊNCIA DE UMA UNIDADE Implante Subcutâneo,Planeamento Familiar;,Cuidados de Saúde Primários; Introdução: Após 5 anos de experiência e de algumas reformulações no procedimento do implante subcutâneo, a equipa profissional responsável, deparou-se com a questão de que muitas mulheres retiravam o implante antes do prazo de validade. Objetivos: Como tal, decidiu-se proceder ao presente estudo de forma a averiguar os motivos de colocação e exérese de todas as mulheres que retiraram o Implante subcutâneo na unidade. Metodologia: Estudo observacional, retrospetivo com recolha de informação através da base de dados em papel, já existente, da unidade (tabela com o respetivo número de utente, data da colocação e de remoção, profissional que colocou e removeu o Implante, motivo que levou à remoção) com complemento de informação através do programa informático SAM® e de um questionário voluntário e confidencial elaborado pelas autoras com um texto introdutório e aplicado via telefone, a todos a utentes que aceitaram integrar o estudo. As variáveis estudadas foram: idade, contraceção anterior ao implante, antecedentes pessoais incluindo ginecológicos e obstétricos, presença de explicação anterior do procedimento e efeitos laterais inerentes ao método, motivo pelo qual optou pela colocação e exérese do implante. Os dados recolhidos foram codificados e registados em base de dados informática – Microsoft Excel®. Resultados: Das 34 mulheres, três foram excluídas, pela impossibilidade de contata-las. A média de idade foi de 34,3 anos e o método contracetivo anterior à colocação do Implante mais frequente foi a contraceção hormonal combinada oral (35.5%). Apenas 48% das mulheres afirma que lhe foi explicada de forma explícita os efeitos laterais. O principal motivo de colocação foi a comodidade (51.6%) e o esquecimento de outros métodos (35.5%). Vinte e nove por cento das mulheres retiraram o implante antes do término de validade, tendo sido o aumento ponderal a causa mais frequente (24%). Discussão: As mulheres que retiraram o implante subcutâneo antes do fim de validade têm como “custo perdido” inerente, estimado, em cerca de 1000 euros. O aumento ponderal variou entre 3.2Kg a 14.8 Kg. Conclusão: Após este estudo a equipa implementará formas de diminuir os gastos com a exérese antecipada do implante, como registo de peso inicial no cartão de identificação do implante, obrigatoriedade da assinatura na própria folha de explicação do procedimento e efeitos laterais no dia da decisão e no dia da colocação, entre outras. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Liliana Teixeira Local de Trabalho Email Outros Autores USF Nascente [email protected] Rubina Maciel dos Santos (USF Nascente) Silvia Carvalho (USF Nascente) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 31 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Levotiroxina no tratamento da patologia nodular benigna da tiroide – uma revisão baseada na evidência levotiroxina,nódulo tiroideu,bócio nodular Introdução: As doenças nodulares da tiroide estão entre as patologias endócrinas mais comuns. Estima-se que 3-7% da população geral tenha um nódulo tiroideu palpável e a prevalência aumenta com avaliação ecográfica. A grande maioria dos nódulos identificados são benignos após avaliação citológica. Foi proposto que a terapêutica com levotiroxina (LT) poderia levar à redução/estabilização do tamanho dos nódulos benignos por suprimir os níveis de TSH (fator de crescimento para o tecido tiroideu). No entanto, a sua eficácia continua a ser controversa. Objetivos: Rever o efeito do tratamento com levotiroxina na patologia nodular benigna da tiroide. Metodologia: Pesquisa de artigos publicados nos últimos 10 anos na base de dados Medline, sítios eletrónicos de Medicina Baseada na Evidência e Índex de Revistas Médicas Portuguesas, utilizando os termos MeSH “thyroxine”, “goiter, nodular” e ”thyroid nodule”. Os estudos incluídos foram analisados pelos dois autores de forma independente, que utilizaram as escalas Jadad para avaliar para a qualidade dos estudos e The Oxford 2011 Levels of Evidence, para atribuir o nível de evidência (NE). Resultados: Da pesquisa efetuada obtiveram-se 614 artigos dos quais foram selecionados 9: 2 guidelines de consenso (NE=1), 3 metanálises de estudos randomizados (NE=1) e 1 ensaio clínico randomizado (NE=2), 2 ensaios clínicos não randomizados (NE=3) e 1 ensaio clínico não controlado (NE=4). As guidelines analisadas desaconselharam o uso por rotina de LT supressiva em todos os doentes com patologia nodular benigna eutiroideia (força de recomendação B e F, respetivamente). No entanto, a Thyroid Nodule Guideline de 2010 considera a sua utilização em doente selecionados, (força de recomendação B). As metanálises demostraram uma redução estatisticamente significativa dos nódulos tiroideus Vs não tratamento/placebo. Todos os ensaios clínicos mostraram redução significativa do volume nodular. O tratamento com LT não supressiva aparentou ser não-inferior à terapêutica supressiva. Discussão: A evidência disponível parece demonstrar eficácia da LT na redução do volume dos nódulos tiroideus. No entanto, este efeito não se correlaciona necessariamente com o outcome clínico. Assim, a sua utilização por rotina não é recomendada, podendo ser considerada no tratamento médico da patologia nodular benigna eutiroideia em doentes cuidadosamente selecionados. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Ana Rita M. Figueiredo Local de Trabalho Email Outros Autores USF Alto da Maia [email protected] Ana Filipa S. Lima (USF Alto da Maia) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 32 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Líquen Plano Oral - a propósito de um caso oral lichen planus Enquadramento: O Líquen Plano (LP) é uma doença muco cutânea auto-imune que afeta a mucosa oral podendo também afetar pele, mucosa genital e unhas. O diagnóstico do LP é efetuado através do exame clínico apenas ou com confirmação histopatológica. Com a apresentação deste caso clínico, pretendemos evidenciar a importância do conhecimento das manifestações orais e sistémicas do LP de forma a contribuir para o seu correto diagnóstico e seguimento. Descrição do Caso: RS, 65 anos de idade, reformada (agricultora); Graffar: Média-Baixa; Ciclo de Duvall: VIII. Antecedentes pessoais: HTA e Hipotiroidismo, medicada habitualmente com olmesartan 20mg, amlodipina 5mg e levotiroxina sódica 50 microgramas. Em 28/02/2014 recorre a Consulta Aberta por manchas esbranquiçadas bucais com uma semana de evolução. À observação apresentava lesões erosivas com margens brancas estriadas na mucosa jugal direita e esquerda e língua. Foi medicada com Deflazacorte 30mg 1 cp/dia durante 10 dias e Fluconazol 150mg 1 cp. Em 10/03/2014 recorreu a consulta com o seu médico assistente por manutenção das lesões esbranquiçadas na cavidade oral, dolorosas e aparecimento de manchas na região sagrada, ombros e extremidades dos membros inferiores. Ao exame clínico apresentava pápulas purpúricas pigmentadas na região sagrada, ombros e extremidades dos membros inferiores e na cavidade oral verificavam-se finas estrias brancas entrelaçadas- estrias de Wickham- mostrando um padrão reticulado de hiperqueratose branca e rendilhada na mucosa oral. Foi referenciada à consulta de Dermatologia para despiste de neoplasia. Foi confirmado o diagnóstico de Líquen Plano Oral (LPO) e foi medicada com Deflazacorte 30 mg (1/2 cp durante 10 dias), diclofenac a 0,074% solução bucal para bochechar 30 minutos antes das três principais refeições e propionato de fluticasona 50 microgramas/dose, suspensão para pulverização duas vezes ao dia. Mantém seguimento em consulta com melhoria parcial da sintomatologia até à data desta avaliação. Discussão: O LPO apresenta-se classicamente como lesões brancas, que podem ser corretamente diagnosticadas se existirem outras lesões na pele ou outras lesões extraorais típicas desta patologia. Contudo, uma biópsia oral é recomendada, tanto para confirmar o diagnóstico clínico, como para excluir a displasia ou malignidade. Como o LPO é uma doença crónica, os doentes deverão ser informados que existe um risco de malignização e a monitorização a longo prazo é aconselhada. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Alexandra Dinis de Freitas Local de Trabalho Email Outros Autores USF Hygeia - ACeS Tâmega III [email protected] Manuela Leal (USF Hygeia - ACeS Tâmega III) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 33 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Liraglutido no tratamento da obesidade e do excesso de peso em não diabéticos – o futuro? liraglutido; obesidade; excesso de peso; perda de peso Introdução: A obesidade é uma doença associada a elevada morbilidade e mortalidade. A Organização Mundial da Saúde considera-a a epidemia global do século XXI, uma vez que a sua prevalência praticamente duplicou nas últimas três décadas em todo o mundo. As terapêuticas farmacológicas disponíveis (orlistat, fentermina com topiramato e lorcaserina) têm uma eficácia limitada na redução do peso e apresentam efeitos laterais indesejáveis, pelo que novas opções terapêuticas são ambicionadas. O liraglutido, um análogo sintético do GLP-1 (Glucagon-like peptide-1), está aprovado apenas para o tratamento da diabetes mellitus tipo 2. No entanto, o seu interesse como potencial tratamento da obesidade e do excesso de peso em não diabéticos tem aumentado. Objetivos: Rever a evidência disponível sobre a eficácia do liraglutido na redução do peso, em adultos não diabéticos, com obesidade ou excesso de peso. Metodologia: Pesquisaram-se meta-análises, revisões sistemáticas, ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e normas de orientação clínica, publicados entre janeiro de 2009 e agosto de 2014, na base de dados PubMed e sítios de Medicina Baseada na Evidência. Foram utilizados os termos MeSH: “liraglutide”, “obesity”, “overweight” e “weight loss”. Aplicaram-se as escalas Jadad, para avaliação crítica dos estudos, e The 2011 Oxford CEBM Levels of Evidence, para atribuição do nível de evidência. Resultados: Dos 138 artigos encontrados, 4 ECAC cumpriam os critérios de inclusão. Os ECAC analisados pontuaram 4/5 na escala Jadad. Foi atribuído o nível de evidência 2 a todos os ensaios. Os estudos mostraram que o liraglutido, associado a dieta hipocalórica e a exercício físico, leva a uma redução de peso significativamente superior ao placebo. Esta redução foi clinicamente relevante e dose-dependente. O fármaco foi geralmente bem tolerado. Discussão: A evidência disponível suporta a eficácia do liraglutido, associado a modificações do estilo de vida, na redução do peso em adultos, não diabéticos, com obesidade ou excesso de peso. Este fármaco poderá constituir uma alternativa válida no tratamento destes doentes, mas são necessários mais estudos, com qualidade e metodologia consistentes, que clarifiquem a eficácia e a segurança do mesmo a longo prazo. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Joana Filipa Barreira Local de Trabalho Email Outros Autores USF Viver Mais, ACES Maia/Valongo [email protected] Ana Rita Figueiredo (USF Alto da Maia, ACES Maia/Valongo) Vânia Guedes (USF Faria Guimarães, ACES Porto Oriental) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 34 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Mais do que uma demência... Demência;,Abordagem;,Cuidados de Saúde Primários;,Diagnóstico Diferencial; Enquadramento: A demência define-se pelo compromisso da memória recente associado a, pelo menos, mais uma perturbação cognitiva, com repercussão funcional face ao nível prévio. Dada a elevada frequência de queixas mnésicas em Cuidados de Saúde Primários (CSP) e a importante prevalência da demência em Portugal, a sua correta abordagem pelo Médico de Família (MF) é fundamental. Descrição do Caso: EDS, sexo masculino, 74 anos, reformado, casado, membro de família na fase VIII de Duval, classe IV de Graffar, com antecedentes pessoais de hipertensão arterial e dislipidemia e antecedentes familiares de demência (mãe e irmão mais velho). Em consulta com o seu MF apresentava alteração da memória recente com um ano de evolução, associada a alteração do comportamento com agressividade, agitação e desorientação espacial, que o levou a deixar de conduzir. Ao Exame Neurológico encontrava-se desorientado no espaço, com dificuldades na compreensão das instruções e questões colocadas e desorganização das tarefas propostas, sem sinais neurológicos focais, pontuando 21/30 no Mini-Mental State Examination (MMSE) e 1/10 no Teste do Relógio. Fez estudo analítico com hemograma, glicemia, calcemia, ionograma, função hepática, renal, tiroideia, vitamina B12, ácido fólico, marcadores virais e teste sorológico da sífilis que estavam normais e TC cerebral que revelou Leucoencefalopatia isquémica. Foi referenciado para Neurologia, que confirmou défice cognitivo, medicou com Donepezilo 5 mg e pediu RM funcional que revelou leucoencefalopatia de provável origem isquémica que envolve a substância branca periventricular supratentorial e a região fronto-parietal sub e justacortical, com extensão cortical parietal bilateral e atrofia cerebral cortical difusa. Dados os antecedentes familiares, realizou estudo genético, que revelou existência da mutação NOTCH3, compatível com o diagnóstico de CADASIL (arteriopatia cerebral autossómica dominante com enfartes subcorticais e leucoencefalopatia). Discussão: Quando o MF suspeita de síndrome demencial, deve efetuar uma história clínica completa com avaliação do estado cognitivo e funcional, alterações psicológicas, co-morbilidades, medicação habitual, antecedentes pessoais e familiares, exame físico e neurológico completo, estudo analítico e imagiológico, para excluir causas secundárias. No presente caso clínico, é de destacar a importância dos antecedentes familiares, que devem motivar a suspeita de síndrome demencial de causa genética e o respetivo estudo. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Margarida de Sousa Carvalho Local de Trabalho Email Outros Autores USF Anta [email protected] Duarte Figueiredo Pinto (USF Torrão) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 35 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Melatonina em idade pediátrica: que evidência? Melatonin,Sleep initiation and maintenance disorders,child,adolescent Introdução: As perturbações primárias do sono são muito comuns em idade pediátrica sendo uma preocupação frequentemente apresentada na consulta em Medicina Geral e Familiar. Para além da promoção da higiene do sono, a terapêutica farmacológica pode ter um papel importante na abordagem destas perturbações. O tratamento farmacológico com melatonina acelera o início do sono, facilita a sua manutenção e atua na regulação do ciclo vigília/sono. Esta revisão surgiu do facto de os autores verificarem o recurso relativamente frequente a esta terapêutica na prática clínica. Objetivos: Rever a evidência disponível sobre a eficácia da melatonina no tratamento das perturbações primárias do sono em crianças e adolescentes. Metodologia: Pesquisa bibliográfica nas Bases de dados Pubmed e sítios de Medicina Baseada na Evidência (Cochrane Library, National Guideline Clearinghouse, DARE, Bandolier, NHS Evidence) e Index das Revistas Médicas Portuguesas, utilizando os termos MeSH Melatonin, Sleep initiation and maintenance disorders, Child e Adolescent, publicados entre Janeiro de 2004 e Agosto de 2014 nas línguas Inglesa, Portuguesa e Espanhola. Para atribuição de níveis de evidência e forças de recomendação foi utilizada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician. Resultados: Foram encontrados 151 artigos, dos quais 3 cumpriram os critérios de inclusão: 2 ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e 1 estudo de coorte retrospetivo (ECR). Um ECAC e o ECR avaliaram a eficácia do tratamento da insónia inicial crónica em crianças e concluíram que houve melhoria significativa relativamente ao início do sono, início de libertação de melatonina endógena e redução do tempo de latência até ao adormecer. O outro ECAC demonstrou que, em adolescentes, pequenas doses de melatonina aumentam a duração do sono, facilitam o seu início, diminuem a sensação de sono não reparador, fadiga ao acordar e sonolência diurna. Discussão: À luz da evidência atual os autores consideram que a melatonina se revela eficaz no tratamento da insónia inicial em crianças e adolescentes (Força de Recomendação C), contribuindo para uma diminuição significativa da hora de início do sono e tempo de latência até ao adormecer, assim como diminuição da sensação de fadiga e sonolência diurna. Os resultados obtidos foram escassos e com evidência limitada, no entanto consistentes nos estudos analisados. Este facto sugere a necessidade e pertinência de realizar mais investigação nesta área. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Hugo Ribeiro Local de Trabalho UCSP Barão do Corvo Email [email protected] Outros Autores Mariana Fonseca (USF Anta) Sara Anjo (UCSP Barão do Corvo) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 36 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Melhoria da qualidade da prescrição de anti-inflamatórios não-esteroides sistémicos no adulto_ Palavras-Chave Antiinflamatórios não esteróides; Garantia de qualidade (cuidados de saúde); Adultos. Resumo Introdução: Os anti-inflamatórios não-esteroides (AINE) estão indicados na abordagem terapêutica de diversas situações quer dolorosas quer inflamatórias. Os inibidores da COX-2 foram lançados para o mercado na tentativa de diminuir os efeitos a nível gastrointestinal (GI), nomeadamente a hemorragias GI. No entanto, foi demonstrado que estão associados a aumento de risco cardiovascular (CV) e por tal, o seu uso deve ser reservado a um grupo específico de doentes. Objetivos: O objetivo deste trabalho foi avaliar e garantir a qualidade da prescrição de anti-inflamatórios não-esteroides sistémicos no adulto tendo como base as premissas presentes na norma da Direção Geral de Saúde sobre o tema. Metodologia: Foi realizada uma avaliação interna, retrospetiva, de qualidade técnico-científica e base institucional aos adultos que recorreram à consulta presencial em dois períodos destintos de avaliação. Foi realizada uma sessão clínica com apresentação da norma em questão entre as duas avaliações. Foram colhidos dados do processo clínico referentes ao AINE escolhido e presença de fatores de risco CV e hemorragia GI para cada prescrição de AINE realizada no período estabelecido. Resultados: Foram avaliadas um total de 218 prescrições. Verificamos uma melhoria de 1% na qualidade das prescrições na segunda avaliação e que o principal fator de prescrição em desacordo com as premissas de qualidade foi “idade ≥ 65 anos”, representando 70% do total de causas de prescrição incorreta. Discussão: Ao analisar os resultados podemos concluir que o fator “idade ≥ 65” (FRGI aquando da toma de AINE) é o principal aspeto descurado aquando da prescrição desta classe de fármacos, sendo necessário sensibilizar os médicos para futuramente melhorar a qualidade das prescrições. Medidas Corretoras: Foi realizada uma sessão clínica nas unidades onde decorreu o estudo de modo a informar os médicos sobre o resultado, salientando a necessidade de maior cuidado na prescrição de AINE na população idosa (com idade superior a 65 anos). Modalidade Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Miguel Martins da Cunha Local de Trabalho Email Outros Autores USF Monte Crasto [email protected] Ana Alves (USF Espaço Saúde) Catarina Sousa Monteiro (USF Monte Crasto) Diogo Durais (USF Monte Crasto) Diogo Durais (USF Monte Crasto) Henrique Sottomayor (USF Espaço Saúde) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 37 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Nódulo da tiroide nódulo da tiroide,thyroid nodules guidelines Introdução: Os nódulos da tiroide representam um achado clínico comum com uma prevalência estimada de 3 a 7% na população em geral, sendo a prevalência de nódulos não palpáveis diagnosticados por ecografia de 20 a 70%. Mais comuns nos idosos, nas mulheres, nas pessoas com deficiência de iodo ou com antecedentes de exposição a radiação. Apesar da maioria dos nódulos serem benignos existe a possibilidade de 3,5 a 10% dos casos serem malignos. Por este facto, torna-se importante efectuar um estudo adequado a cada situação clínica. Objetivos: Sistematizar a norma da Direcção Geral de Saúde (DGS) e as recomendações da Associação Americana (AACE) e Europeia (ETA) de Endocrinologia relativamente à abordagem dos nódulos tiroideus. Metodologia: Revisão clássica com base nas recomendações da AAEC e ETA e norma de orientação clínica 019/2013 da DGS. Resultados: Perante um nódulo da tiroide a história clínica tem extrema importância para determinar um risco aumentado de malignidade, nomeadamente: utentes com idade inferior a 14 ou superior a 70 anos, sexo masculino, história familiar de patologia tiroideia, antecedentes pessoais de irradiação da cabeça e/ou pescoço, presença de disfonia, dispneia ou disfagia, consumo de fármacos que contêm iodo, velocidade de crescimento da massa cervical e sintomas de hiper ou hipotiroidismo. A investigação clínica deve incluir em todos os casos doseamento da função tiroideia e ecografia da tiroide. Alguns nódulos devido a características ecográficas suspeitas, risco clínico aumentado ou pela sua dimensão devem ser avaliados por citologia aspirativa com agulha fina guiada por ecografia (se possível), para avaliar a existência de malignidade. A cintigrafia da tiroide deve ser efectuada nos casos de nódulo tiroideu único ou bócio multinodular (principalmente se for mergulhante) com TSH suprimida, e nos casos de diagnóstico citológico de tumor folicular. Deve-se considerar o dosemanto de calcitonina se houver suspeita clínica/citológica ou antecedentes familiares de carcinoma medular da tiroide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Não deve ser efectuada por rotina a pesquisa de anticorpos anti-tiroideus, doseamento de tireoglobulina, cálcio, PTH, ressonância magnética ou tomografia computorizada. Discussão: Os nódulos tiroideus são uma patologia muito comum na prática clínica do Médico de Família, pelo que é de extrema importância que o mesmo esteja familiarizado e actualizado com o seu diagnóstico e investigação adequada. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Fátima Costa Local de Trabalho USF O Basto Email Outros Autores [email protected] Cecília Oliveira (USF São João de Braga) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 38 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade O doente depois da "cura" Papel de doente; comportamento de doente. Enquadramento: A Medicina Geral e Familiar centra-se na pessoa, considerando-a em todas as suas dimensões. Como tal, lida com uma multiplicidade de patologias, algumas das quais crónicas, e com as dificuldades que lhes estão inerentes. Cada vez mais, o Médico de Família está familiarizado com os desafios da doença crónica e das suas consequências na vida da pessoa. Contudo, a verdadeira dificuldade prende-se com a gestão do comportamento de “doente” e do papel que este assume na doença. O caso clínico que se segue pretende, portanto, a exemplificação deste aspeto. Descrição do Caso: PCSP, sexo feminino, 47 anos, raça caucasiana, divorciada. Inclui-se numa família monoparental, no estádio V de Duvall. Apresenta um relacionamento conflituoso com a sua filha e distante relativamente aos restantes familiares, pelo que neste momento tem como único apoio o seu namorado. História pessoal de esclerose múltipla, diagnosticada em 1989, motivo pelo qual lhe foi concedida a invalidez. Outros antecedentes incluem patologia depressiva, rinite alérgica e refluxo gastroesofágico. Mantém-se autónoma, embora polissintomática. Trata-se de uma utilizadora regular dos Cuidados de Saúde Primários (para além dos Secundários), sendo comum a apresentação em consulta de múltiplas queixas, problemas e dúvidas. Apesar de adaptada à sua patologia, viu-se recentemente confrontada com uma nova realidade, que condicionará a sua vida daqui em diante. Discussão: Algumas doenças, em particular as crónicas, têm um impacto negativo na vida da pessoa, obrigando a um processo de adaptação. A doença determina igualmente a forma como a pessoa doente é vista pela família e pela sociedade, justificando determinado tipo de comportamentos e atitudes. Mas, nem sempre a doença faz o doente. Por vezes, é o doente que faz a doença. Uma vez que ser doente é diferente de se comportar como tal, que abordagem se espera do Médico de Família perante a pessoa que assume o papel de “doente”? Como fica o “doente” sem a doença? Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Sofia Azenha Local de Trabalho USF Famílias Email [email protected] Outros Autores www.encontro.aimgfzonanorte.pt 39 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade O Nascimento de um Ciclo de Melhoria Contínua da Satisfação dos Cuidados Prestados aos Utentes Melhoria da Qualidade,Satisfação dos Utentes,Cuidados de Saúde Primários Introdução: Ao nível dos cuidados de saúde primários (CSP) em Portugal, as mudanças organizacionais são notórias, conduzindo a novas formas de gestão e organização, com a implementação das unidades de saúde familiar (USF). Estas organizações realçam a importância de ouvir os utentes, pois são estes que melhor conhecem qual o resultado de saúde desejável, sendo encarados como parceiros nos cuidados e nas tomadas de decisão. Objetivos: Avaliar e garantir a satisfação da qualidade dos serviços prestados dos utentes da USF X. Metodologia: Dimensão estudada: acessibilidade Unidade de estudo: Utentes inscritos na USF X, nos 12 meses anteriores; 9 médicos, 9 enfermeiros e 6 secretários clínicos Amostra: aleatória, seletiva, de base institucional Tipo de dados: resultados Fonte de dados: Questionário Europep Colheita de dados: Em 2012 e 2013, aos utentes presentes na sala de espera da USF. Tipo de avaliação: interna e retrospetiva Critérios de inclusão: idade ≥ 18 anos; compreensão da língua portuguesa; pelo menos uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses ou filho como idade < a 18 anos com, pelo menos, uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses ou familiar dependente com, pelo menos, uma consulta com o MF/EF nos últimos 12 meses. Padrão de qualidade: Foi definido como critério de Bom Desempenho a existência de 60% ou mais de respostas Muito Bom/Excelente em pelo menos 80% das questões. Tratamento dos Dados: Microsoft Excel 2007 Tipo de intervenção: Educacional e estrutural. Resultados: A maioria dos utentes parece estar satisfeita com a USF X. A rapidez com que os problemas urgentes de saúde foram resolvidos foi a área de pior desempenho em 2012, tendo melhorado significativamente em 2013 (44% em 2012 e 71% em 2013). A marcação de consulta pela internet foi a área de pior desempenho em 2013 (33%).A facilidade em falar pelo telefone com a USF ou com o MF, o tempo de espera na sala e os serviços ao domicílio apresentam os piores resultados consecutivamente. Discussão: Serão necessários empreender mais esforços pela equipa da USF X para a melhoria dos setores que causam maior insatisfação dos utentes, nomeadamente marcação de consulta pela internet, possibilidade de contactar a unidade pelo telefone e tempo de espera. Medidas Corretoras: Apresentação e discussão dos resultados na reunião de Conselho Geral; maior divulgação junto dos utentes dos serviços de domicílio e possibilidade de marcação de consulta pela internet; melhorar a possibilidade de contactar a unidade/MF pelo telefone; formação em gestão de tempo. Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Joana Araújo Local de Trabalho Email Outros Autores USF Terras de Souza [email protected] Joana Andrade Barros (USF Terras de Souza) Lisete Aires Silva (USF Terras de Souza) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 40 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade O papel do cigarro eletrónico na cessação tabágica – uma revisão baseada na evidência cessação tabágica,cigarro electrónico Introdução: Os cigarros eletrónicos (CE) são dispositivos elétricos que libertam nicotina através de uma mistura de vapor inalado, simulando o ato de fumar. A sua popularidade está a aumentar em todo o mundo devido às vantagens anunciadas pelas empresas que os produzem como a menor toxicidade, a possibilidade de fumar em zonas restritas e o baixo preço. Contudo, a maioria usa-os com o objetivo de deixar de fumar. Objetivos: Determinar se a utilização de CE constitui uma alternativa no apoio à cessação tabágica (CT). Metodologia: Foi realizada uma revisão baseada na evidência com pesquisa de artigos publicados entre 1/07/2004 e 30/06/2014 na base de dados Medline, sítios eletrónicos de Medicina Baseada na Evidência e Índex de Revistas Médicas Portuguesas, utilizando o termo MeSH “smoking cessation”; os termos "electronic cigarette", "e-cigarette", "e-cig", "electronic cigarettes", "e-cigarettes" e "e-cigs"; e os termos Portugueses “cessação tabágica”, “cigarros eletrónicos” e “cigarros electrónicos”. Foram incluídos artigos referentes a populações de fumadores, que comparavam grupo exposto e não exposto ao cigarro eletrónico. O resultado medido foi a CT. Foram utilizadas as escalas “Strength-of-Recommendation Taxonomy”, “Jadad” e “Newcastle-Ottawa” para a avaliação da qualidade dos estudos e da força de recomendação. Resultados: Da pesquisa realizada resultaram 2076 entradas, sendo que 6 artigos cumpriram os critérios de inclusão. Uma revisão sistemática, que incluiu 9 trabalhos, demonstrou uma conclusão desfavorável à utilização dos CE (Nível de Evidência [NE] 2). Da mesma forma, uma revisão clássica, um artigo de opinião e duas normas de orientação clínica não são favoráveis, dada a evidência insuficiente para aconselhar esta opção (todos com NE 3). Apenas um estudo transversal apresenta uma conclusão favorável e demonstra que, entre aqueles que se encontravam em CT, havia uma maior proporção de utilização de CE em relação a outras terapêuticas (NE 2). Discussão: Os CE são vistos pelos seus utilizadores como uma forma de deixar de fumar, no entanto a maioria dos trabalhos, apesar do baixo nível de evidência, não encontrou associação entre o seu uso e a CT. Ainda que possam apresentar potencial benéfico no combate aos malefícios do tabaco, os autores consideram que o uso de CE não parece desempenhar um papel benéfico na CT (Força de Recomendação B). Dada a rápida expansão deste fenómeno em todo o mundo e a sua crescente popularidade, estudos de melhor qualidade são urgentemente necessários. Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Pedro Couto Local de Trabalho USF Valongo Email Outros Autores [email protected] Elisabete Almeida (USF Valongo) Joana de Oliveira e Silva (USF Valongo) Lígia Silva (USF Valongo) Pedro Mendes (USF Valongo) Rosa Barreira (USF Valongo) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 41 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Perturbação Orgânica da Personalidade - um caso de integração de cuidados Perturbação Orgânica da Personalidade,Integração de cuidados Enquadramento: As Perturbações Orgânicas da Personalidade englobam as alterações do comportamento, nomeadamente a expressão de emoções, necessidades e impulsos. Os delírios paranóides são frequentes neste contexto, sendo o ciúme patológico a perturbação delirante mais comum, causa de auto e heteroagressividade. O reconhecimento desta patologia surge do “confronto” de relatos entre a pessoa e seus conviventes, na distinção (por vezes difícil) do real e imaginário. Este caso clínico evidencia as vantagens de uma relação próxima com o doente e agregado familiar, ao especial alcance do Médico de Família (MF), e o seu papel-chave como mediador com os cuidados hospitalares. Descrição do Caso: Mulher, 53 anos, casada, desempregada. AVC em 2005, seguida desde então em psiquiatria por Perturbação Orgânica da Personalidade. Em 06/2014, exibe na consulta comportamento pouco comunicativo, desinteressado. Em resposta a uma questão aberta, refere “o meu marido tem outra”. Avaliação familiar: família nuclear, fase VI de Duvall, Apgar 4. Analisando os registos colocou-se a hipótese de descompensação da doença psiquiátrica – ideias recorrentes de infidelidade nos períodos de psicose, episódio de agressão ao marido (08/2008), mandato de condução ao SU de psiquiatria pelo Ministério Público a pedido da filha (hipersexualidade e agressividade no trabalho) (11/2008) e o facto de ter sido suspenso o tratamento injetável (12/2013), por aparente estabilização da doença. Após contacto com filha e marido, foi possível objetivar a conduta recente: sair das lojas sem pagar; mexer no lixo da rua; levantar quantias avultadas de dinheiro sem propósito. Estes factos foram comunicados à psiquiatra, por carta da MF, levada em mãos pela filha, de modo a haver integração da informação dos familiares, visto a doente não ter sentido crítico e deslocar-se muitas vezes sozinha à consulta. Estes acontecimentos motivaram o reinício do tratamento injetável. Discussão: A proximidade médico-doente-família, característica da MGF, permite o acompanhamento longitudinal de doenças tão complexas como a doença psiquiátrica. A perceção familiar, embora não absoluta, é de extrema importância. Fatos como a confirmação da adesão terapêutica e o comportamento testemunhado fora do consultório ultrapassam o poder observatório do clínico. A comunicação entre os CSP e os cuidados hospitalares deve ser uma via aberta e facilitada, pois é uma arma diagnóstica e terapêutica fundamental, não podendo nunca ser subestimada. Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Flipa Duarte Local de Trabalho Email Outros Autores USF Nova Via [email protected] Ângela M. Teixeira (USF Nova Via) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 42 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Prevalência da prescrição de IBP ( Inibidores da bomba de protões) numa unidade de saúde Inibidores da bomba de protões,Prevalência,Uso crónico Introdução: Os IBP são os mais usados supressores da secreção ácida em doentes com refluxo gastroesofágico não erosivo e esofagite erosiva. O uso excessivo destes medicamentos tem requerido atenção especial nos últimos anos, quer pelo impacto económico quer pelos seus potenciais efeitos adversos. Estes últimos podem agrupar-se genericamente em 3 categorias: o efeito direto da supressão ácida gástrica, a resposta fisiológica à supressão do ácido e a interação farmacodinâmica com o metabolismo de outros fármacos. Objetivos: Determinar a prevalência de consumo crónico de IBP numa Unidade de Saúde Familiar. Metodologia: Estudo observacional, descritivo e transversal, com uma amostra de 1255 utentes (10% da população da unidade de sáude), aleatorizada por sexo e idade, com pelo menos uma consulta nos últimos 3 anos. Foram analisados os dados referentes a prescrição de IBP entre 01 Janeiro de 2012 a 31 Dezembro de 2012, nos utentes com mais de 18 anos, e com consumo de IBP. Estabelecemos com critério de cronicicade o consumo há mais de 2 meses. Resultados: A prevalência de prescrição de IBP obtida foi de 13%, tendo 73% prescrição de IBP há mais de 2 meses o que perfaz uma prevalência de prescrição crónica de inibidores de 10.6%. Dos utentes que tomam inibidor cronicamente mais de 50% fá-lo continuamente à mais de 2 anos. A percentagem de prescrição de IBP aumenta com a idade chegando aos 30% na oitava década de vida, com uma taxa de cronicidade superior a 90%. A avaliação dos registos mostrou que apenas 50% dos utentes tinha atribuido um diagnóstico associado ao IBP prescrito. Discussão: A prevalência de prescrição de IBP encontrada neste estudo é semelhante ao encontrado na literatura. No entanto, verifica-se que a partir dos 60 anos a prescrição de IBP é feita por longos periodos de tempo, sem que haja um motivo claro registado que justifique esta prescrição. Tal pode dever-se por um lado à subjectividade das queixas dos utentes, dificultando a descontinuação, e por outro à noção dos utentes que se trata de uma medicação sem efeitos laterais importantes. Conclusão: Os resultados deste estudo reforçam a importância da monitorização e descontinuação deste tipo de terapêuticas nesta unidade de saúde, uma vez que, estudos recentes apontam para as complicações associadas ao consumo crónico deste tipo de medicação. Comunicação Oral Área Temática Investigação Autor Principal Ana Pinheiro Torres Local de Trabalho Email Outros Autores USF Salvador Machado [email protected] Ana Luís Pereira (USF Salvador Machado) Beatriz Soares (USF Salvador Machado) Carlos Pedro Mendes (USF Salvador Machado) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 43 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Prever para agir na Diabetes Diabetes; Risco; Prevenção; Promoção Introdução: A Diabetes é uma doença crónica, cuja prevalência continua a aumentar. Os principais factores de risco para o seu aparecimento são, entre outros: idade ≥45 anos, IMC>25kg/m2, perímetro abdominal elevado, hipertensão arterial e antecedentes familiares. Objetivos: Caracterizar os utentes do ACeS onde exercem os autores, quanto ao risco de desenvolver Diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos. Metodologia: Realizou-se um estudo descritivo, aplicado a uma amostra de conveniência constituída por 377 utentes deste ACeS, que recorreram às respectivas Unidades Funcionais entre 24 de Março e 4 de Abril de 2014. Critérios de exclusão: utentes menores de 18 anos, utentes com diagnóstico de Diabetes e utentes grávidas. Foi aplicado o questionário “Ficha de avaliação de risco de Diabetes Tipo 2” (DGS). Os resultados do questionário foram discutidos, individualmente, envolvendo uma breve abordagem de estratégias preventivas. Resultados: Foram recolhidos 377 questionários: 67.4% de indivíduos do sexo feminino, 32.6% do sexo masculino, 43.5% com menos de 45 anos e 15.4% com mais de 64 anos. Dos parâmetros avaliados: 64.3% dos homens apresentava perímetro abdominal superior a 94cm e 80% das mulheres superior a 80cm, 34.7% dos indivíduos praticava actividade física diariamente, 79% consumia frutas e/ou vegetais todos os dias, 31% encontrava-se sob terapêutica anti-hipertensora, 13.3% referiu valores anteriores de glicemia elevados e 59.9% referiu antecedentes familiares de Diabetes. Relativamente ao risco de desenvolver Diabetes nos próximos 10 anos, 22% dos inquiridos apresentaram baixo risco, 30.8% risco sensivelmente elevado, 22% risco moderado, 22% risco alto e 2.4% risco muito alto. Discussão: Pelo facto de este ser um estudo descritivo, aplicado a uma amostra de conveniência, composta por utentes dos serviços de saúde, incorre no risco de não ser representativo da real situação da população geral, relativamente ao risco de desenvolver Diabetes tipo 2 nos próximos 10 anos. Conclusão: A realização deste trabalho permitiu caracterizar os utentes do ACeS em estudo quanto ao risco de desenvolver Diabetes tipo 2 e, também, alertar a população quanto à importância da prevenção, sensibilizando-a para os comportamentos de risco modificáveis e reforçando a necessidade de mudança, no sentido de adquirir hábitos saudáveis. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Filipa Grade Local de Trabalho Email Outros Autores USF Freamunde [email protected] Francisco Pavão (U.Saúde Pública ACeS Tamega III) Joana Silva Couto (USF Freamunde) Miguel Moreira (U.Saúde Pública ACeS Tamega III) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 44 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade PROJECTO TIRO’LISSO Pequena Cirurgia,Cuidados de Saúde Primários Introdução: A pequena cirurgia é um procedimento cirúrgico de relativa baixa complexidade, com fins terapêuticos ou diagnósticos e que geralmente não requer internamento hospitalar. Com o objectivo de trazer maior comodidade ao utente, de poupar recursos de saúde e dar uma resposta mais rápida a determinados problemas, uma Unidade de Saúde Familiar (USF) propôs-se à realização de uma consulta de pequena cirurgia, à qual designou Projecto Tiro’lisso. Objetivos: Demonstrar o processo de organização e os resultados obtidos na consulta de pequena cirurgia de uma unidade de saúde familiar, um ano após o início da referida actividade. Metodologia: Antes de implementarem este projeto na USF, os responsáveis pela sua realização, tiveram um período de formação, participando ativamente em horário pós-laboral, na cirurgia de ambulatório de um serviço hospitalar. Esta formação teve uma duração de 2 meses, sendo realizada por períodos de 4 horas semanais (total de 32 horas). O período de formação teve aprovação do respetivo diretor de serviço e foi orientado por internos de formação específica em cirurgia. O Projecto Tiro’lisso teve início em Julho de 2013. Após seleção prévia, os utentes são encaminhados para a consulta de pequena cirurgia pelo próprio médico de família. Na primeira consulta é realizada uma segunda avaliação. Se o utente for elegível para o procedimento, assina o respetivo consentimento informado, agendando-se o dia da intervenção. Após exérese da lesão, esta é habitualmente orientada para avaliação histológica e registada posteriormente no processo clínico do paciente. Resultados: Durante o primeiro ano foram realizadas 174 intervenções. Entre as lesões mais frequentemente observadas encontram-se respetivamente os fibropapilomas, os nevos melânicos e os quistos epidermóides/sebáceos. A maioria destas intervenções foram realizadas sob anestesia local e enviadas para estudo anatomo-patológico, sendo dado posteriormente a conhecer ao respetivo médico de família. Até à data não foram registadas quaisquer complicações. Discussão: Com o desenvolvimento deste projeto, a USF consegue dar resposta com tempo de espera máximo de 15 dias, aumentando assim a satisfação da população perante os cuidados de saúde prestados. Por outro lado, esta iniciativa evita ainda o processo de referenciação hospitalar, gerando menores níveis de stress nos utentes, diminuindo também os custos que lhe são inerentes. Conclusão: Com esta iniciativa a USF espera melhorias significativas na saúde dos doentes, das populações e dos sistemas de saúde. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Sílvia Sacramento Local de Trabalho Email Outros Autores USF Canelas [email protected] Guerra da Rocha (USF Canelas) Joana Relva (USF Canelas) Jorge Godinho (USF Canelas) Rui Caramelo (USF Canelas) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 45 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Projeto de intervenção na comunidade sobre alimentação saudável Alimentação saudável,Obesidade,Excesso de peso Introdução: A obesidade é considerada uma epidemia do século XXI, cuja prevalência tem vindo a aumentar nas idades pediátricas, acarretando complicações físicas, psicológicas e sociais, a curto, médio e longo prazo. Objetivos: Determinar a prevalência da obesidade e o impacto da implementação de medidas promotoras de uma alimentação saudável num grupo de adolescentes. Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, descritivo e analítico, aos alunos que nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014 frequentavam o 7º e 8º anos de escolaridade respetivamente, num total de 67 participantes. O estudo teve a duração de 1 ano. Numa primeira fase, após o consentimento dos encarregados de educação, foi efetuado a medição dos parâmetros antropométricos (peso/altura), nas aulas de Educação Física dos respetivos alunos, e aplicado um inquérito relativo aos hábitos alimentares. Posteriormente, foi realizada uma apresentação expositiva dialogada com participação ativa dos formandos, com uma duração aproximada de 45minutos. Numa segunda fase, que decorreu no ano letivo 2013/2014, ou seja, 1 ano depois, foram reavaliados aos mesmos alunos os parâmetros antropométricos e aplicado o mesmo questionário. Para análise dos parâmetros antropométricos, nomeadamente o índice de massa corporal (IMC), foram usadas as novas curvas da Organização Mundial de Saúde aprovadas no novo Plano Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Resultados: Da análise dos resultados, verificou-se que uma percentagem elevada dos alunos, aproximadamente 38,8%, apresentava excesso de peso (IMC no P85-97) ou obesidade (IMC superior ao P97) no 7º ano, sendo que este valor reduziu para 35,8% no 8º ano (p=0.721). A análise dos questionários permitiu constatar, de um modo geral, uma melhoria nos hábitos alimentares dos alunos. Discussão: A diminuição verificada do excesso de peso e obesidade após a intervenção dos autores vem demonstrar a importância de intervenções de educação para a saúde na comunidade. A ausência de conclusões estatisticamente significativas relativas ao impacto da educação nutricional nos adolescentes pode dever-se, não só a alguns vieses, mas também a uma amostra pequena. Conclusão: Com esta sessão de educação para a saúde pretendeu-se alertar os alunos para os problemas futuros que o excesso de peso e a obesidade acarretam e da intervenção do Médico de Família na comunidade. Estudos com amostras de maiores dimensões serão necessários para avaliar com maior precisão o impacto destas medidas dietéticas. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Nuno Namora Local de Trabalho Email Outros Autores USF Duovida [email protected] Fernanda Rodrigues (USF Duovida) Luísa Ferraz (USF Duovida) Maria João Abreu (USF Duovida) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 46 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Projeto MetDiab: Avaliação e Garantia da Qualidade da Prescrição de Metformina em Doentes Diabéticos com Declínio da Função Renal Diabetes Mellitus; Metformina; Melhoria da Qualidade. Introdução: A Diabetes Mellitus é uma doença crónica requerendo cuidados médicos contínuos. Cerca de 87% dos diabéticos em Portugal tomam antidiabéticos orais, sendo que 74,6% estão medicados com metformina. Contudo, a Norma nº001/2011(NOC) da Direção Geral de Saúde (DGS), recomenda a descontinuação da metformina com uma taxa de filtração glomerular (TFG)<60ml/min/1,73m2. Objetivos: Avaliar e garantir a qualidade da descontinuação do tratamento com metformina em diabéticos com TFG<60ml/min/1,73m2, vigiados na USF A e USF B, do ACES X. Metodologia: Dimensão estudada: qualidade técnico-científica. Unidade de estudo: utentes inscritos, diagnosticados e vigiados na USF A e USF B, com a codificação ICPC-2 T89 “Diabetes insulinodependente” ou T90 “Diabetes não insulinodependente” nos problemas ativos, medicados com metformina. Foram avaliados retrospetivamente os registos clínicos entre 01/01 e 31/03/2013. Após aplicação das medidas de intervenção, o critério proposto foi reavaliado retrospetivamente no período entre 01/01 e 31/01/2014. Tipo de dados: de processo. Fonte de dados: SAM e MIMUF®. Tipo de avaliação: interna e retrospetiva. Critérios: manutenção do tratamento com metformina apesar de TFG<60ml/min/m2. Padrão de Qualidade: após reunião em equipa, meta de descontinuação de metformina com TFG<60ml/min/m2 em 5%.Tipo de intervenção: educacional e estrutural. Resultados: A primeira avaliação incluiu 688 processos, correspondendo 52,2% a diabéticos do género feminino. A idade média foi de 64,1 anos. A TFG estava registada em 71,8%, sendo que 11,5% estavam a fazer metformina apesar de TFG<60ml/min/1,73m2. Na reavaliação, foram incluídos 799 processos, correspondendo 60,8% ao género feminino. A idade média foi de 64,8 anos. A TFG estava registada em 79,7% dos processos, sendo que 8,3% estavam a fazer metformina apesar de TFG<60ml/min/1,73m2. Discussão: Em 2013, a proporção de diabéticos medicados com metformina com TFG<60ml/min/1,73m2 foi superior a 2014 (11,5%vs8,3%), sendo esta diferença estatisticamente significativa (testes Binomial, p=0,009). Assim, apesar de não atingirem a padrão de qualidade proposto, as USF avaliadas aderiram à prática clínica proposta, de acordo com os parâmetros preconizados pelas NOC. Contudo,as medidas corretoras implementadas não foram suficientes na abordagem do problema, propondo-se assim a aplicação de novas medidas. Medidas Corretoras: Solicitação de creatinina sérica, registo do peso, cálculo anual de TFG e revisão terapêutica frequente. Comunicação Oral Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Francisca Mateus Local de Trabalho Email Outros Autores USF S.Martinho - Penafiel [email protected] Joana Araújo (USF Terras de Souza) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 47 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Propranolol no tratamento do Hemangioma Infantil: revisão baseada na evidência Hemangioma Infantil; Propranolol; Tratamento Introdução: Os hemangiomas infantis (HI) são o tumor vascular mais frequente na infância. Apesar da elevada prevalência, a maioria não requer tratamento, pois ocorre uma regressão espontânea e completa da lesão. Em 2008 foi descoberto que o propranolol tinha o efeito de acelerar ou provocar a involução dos HI. Desde então vários estudos foram realizados para avaliar a eficácia do propranolol no tratamento dos HI. Sendo uma indicação terapêutica recente de um fármaco já utilizado para outras patologias, e tendo alguns doentes da nossa consulta iniciado este tratamento para regressão de HI, é de grande importância examinar a evidência existente sobre o tratamento com propranolol dos HI sem ulceração ou compromisso funcional importante. Objetivos: Rever a evidência sobre o tratamento do hemangioma infantil não complicado com propranolol (oral ou tópico). Metodologia: Fonte de dados: Pubmed, UptoDate, sítios de medicina baseada na evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos selecionados. Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões sistemáticas, meta-análises, ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), publicados entre Janeiro/2004 e Junho/2014, utilizando os termos MeSH: Hemangioma, Capillary/therapy e Propranolol. Foi utilizada a escala Strength Of Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação. Resultados: Foram encontrados 98 artigos, dos quais foram selecionados 2 de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Os artigos selecionados referem-se a 2 ensaios clínicos aleatorizados e controlados (nível de evidência 2). Os resultados encontrados nestes estudos são consistentes e indicam uma redução do tamanho e melhoria do aspeto dos HI após tratamento com propranolol em relação a grupo tratado com placebo ou sem tratamento, esta melhoria apresenta significância estatística (p <0.05) em todos os estudos selecionados. Discussão: A evidência revela que o propranolol é eficaz no tratamento dos HI (SOR 2 B). Os estudos indicam também que o tratamento é seguro desde que seja aplicado um protocolo de seleção e vigilância adequada dos pacientes. Dado ser um tratamento recente para os HI, são ainda necessários ECAC com amostras maiores, com uniformização dos instrumentos de avaliação dos resultados e com análise de subgrupos de modo a destrinçar quais os pacientes, características e localização das lesões que mais beneficiam com este tratamento e qual a dosagem e duração do tratamento mais apropriadas. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Miguel Martins da Cunha Local de Trabalho Email Outros Autores USF Monte Crasto [email protected] Diogo Durais (USF Monte Crasto) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 48 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Recomendação do uso de sal iodado na prática familiar – qual a evidência dos benefícios? Sal iodado,Bócio,Tiróide,Desenvolvimento infantil Introdução: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 13% da população Mundial é afetada por doenças associadas à carência de iodo e 30% encontra-se em risco. Relativamente a Portugal, os dados existentes são escassos. O iodo é um oligoelemento vital necessário na síntese de hormonas tiroideias, constituindo a alimentação a sua principal fonte. A dose diária recomendada varia entre 90 ug/dia nas crianças, 150 ug para os adultos e 250 ug nas grávidas. Objetivos: Rever a evidência existente para recomendar o uso de sal iodado na melhoria do desenvolvimento cognitivo das crianças e na prevenção de patologia tiroideia. Metodologia: Foi efetuada uma pesquisa bibliográfica de guidelines, meta-análises e revisões sistemáticas, utilizando os termos Mesh “iodized salt”, “goiter”, “thyroid” e “child development” nas bases de dados National Guidelines Clearinghouse, Guidelinefinder, CMA-Infobase, Cochrane Lybrary, Clinicalevidence, DARE, Bandolier e Pubmed, tendo sido pesquisados artigos publicados nos últimos 6 anos em inglês e português. Para avaliar os níveis de evidência e atribuir as forças de recomendação foi usada a escala Strenght of Recomendation Taxonomy (SORT). Resultados: Dos 96 artigos encontrados, foram selecionados 6 - 3 revisões sistemáticas e 3 meta-análises. Três estudos, que englobaram como população alvo grávidas e crianças, sugerem que a suplementação com iodo é importante no desenvolvimento cognitivo das crianças, associando-se a Quociente de Inteligência superior (1A). Os restantes estudos abrangeram a população geral e demonstraram que a suplementação com iodo reduz a prevalência de bócio e cretinismo, melhorando o desenvolvimento cognitivo das crianças e diminuindo a disfunção tiroideia nomeadamente nas grávidas. Destes estudos dois apresentam nível de evidência 2, sendo o outro de evidência 1, com uma força de recomendação A/B. O estudo de Peter N.Taylor et al. focou-se em populações com carência apenas moderada em iodo, provando o benefício do uso de sal iodado nas mesmas (1A). Discussão: A evidência disponível defende o uso de sal iodado (SORT A/B) como uma medida custo-efetiva na redução de bócio e na melhoria do desenvolvimento cognitivo. Não implicando aumento no consumo de sal, esta recomendação não interfere com o risco cardiovascular. Contudo, mais estudos deverão ser desenvolvidos a fim de determinar os níveis de iodo da população portuguesa e as consequências do seu consumo excessivo. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Bela Alice Costa Local de Trabalho Email Outros Autores USF Nuno Grande [email protected] Claudia Junqueira (UCSP de Mateus) Sara Tavares (USF Nuno Grande) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 49 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários: melhoria contínua da qualidade Referenciação Introdução: A importância da disponibilização de informação clínica de boa qualidade aquando da referenciação aos Cuidados de Saúde Secundários (CSS) é reconhecida, podendo uma comunicação insatisfatória trazer consequências deletérias para o doente. Não se conhecem critérios validados para a avaliação da qualidade desta informação. Objetivos: Avaliar a qualidade da informação contida nos pedidos de referenciação para os CSS, realizados em duas Unidades de Saúde Familiar (USF). Metodologia: Trata-se de um trabalho de garantia e melhoria da qualidade, em que a dimensão estudada foi a qualidade técnico-científica. A unidade de estudo incluiu os utentes referenciados para os CSS, pelos médicos das duas USF, durante um período de um mês (1ª avaliação em maio de 2013; 2ª avaliação em outubro de 2013 e 3ª avaliação em maio de 2014). Avaliou-se uma amostra de base institucional, de conveniência. Usaram-se dados de processo, colhidos pelas autoras a partir do programa Alert® P1 e tratados no Excel® e SPSS®. Realizou-se uma avaliação interna e retrospetiva. A intervenção foi de tipo educacional. Utilizaram-se 7 critérios de qualidade (registo do motivo da referenciação, história clínica, exame objetivo, antecedentes pessoais, resultados dos exames complementares de diagnóstico, medicação e hipótese de diagnóstico) e um padrão de qualidade com 3 categorias (boa qualidade, se os pedidos cumprissem pelo menos 5 critérios, sendo obrigatório o registo do motivo, história e exame objetivo; qualidade razoável, se cumprissem pelo menos os critérios obrigatórios; má qualidade, quando estes não fossem cumpridos). Resultados: Na 1ª avaliação, 83.4% dos pedidos foram classificados como sendo de má qualidade e 13.2% de boa qualidade. Na 2ª avaliação, a percentagem de cumprimento de cada um dos critérios aumentou, tendo as referenciações de boa, razoável e má qualidade correspondido a 29.6%, 9.3% e 61.1% dos casos, respetivamente. Na 3ª avaliação, observou-se a diminuição dos pedidos de boa qualidade (25.8%) e de qualidade razoável (7.2%). Discussão: Apesar da melhoria da qualidade da informação de referenciação entre a 1ª e a 2ª avaliação, verificou-se um retrocesso entre a 2ª e a 3ª avaliação, o que constituiu motivo de reflexão. Apesar de se reconhecem as limitações inerentes ao instrumento de avaliação utilizado, as autoras entendem ser necessário e importante promover o processo de melhoria contínua nesta área. Medidas Corretoras: Análise e discussão dos resultados em equipa. Comunicação Oral Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Diana Pinho Cruz Local de Trabalho Email Outros Autores USF Terras de Santa Maria [email protected] Sofia Azenha (USF Famílias) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 50 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Requisição de G-GT em consulta de Saúde de Adultos G-GT; requisição; registo(s); qualidade Introdução: A gama-glutamiltransferase (G-GT) é uma enzima de colestase, mas, devido à localização difusa no organismo, o seu aumento no sangue é pouco específico. Atualmente são poucas as indicações que reúnem consenso para a sua requisição, no entanto esta continua a ser um dos MCDTs mais prescritos nas USFs dos autores. Objetivos: Avaliar a qualidade técnico-científica das requisições de G-GT aos utentes que recorrem à consulta de Saúde de Adultos dos médicos das suas USFs. Metodologia: Obteve-se a lista de utentes que frequentaram a consulta de Saúde de Adultos no período entre março e abril de 2014 e calculou-se uma amostra representativa da lista de cada médico envolvido no estudo. Abriu-se a ficha de cada utente no programa SAM® para encontrar aqueles a quem foi pedida G-GT e posteriormente procurou-se na ficha de consulta e antecedentes a justificação clínica para esse pedido. As justificações aceites são as presentes na Norma de Orientação Clínica da DGS nº69/2011. Estabeleceu-se um padrão de qualidade tendo em conta os resultados da 1ª avaliação e elaborou-se um plano de intervenção baseado principalmente em sessões educacionais breves com o objetivo de melhorar os resultados obtidos. Resultados: Foram analisados no total 4953 registos de consulta e em 636 destas consultas foi requisitada G-GT. Apenas 3,4% a 10,9% destas requisições, consoante a USF em causa, tinham registado uma justificação clínica válida, o que corresponde a um padrão de qualidade mau (≤20%). Das justificações aceites, o abuso do álcool é a mais frequente. Discussão: Os resultados obtidos ficaram aquém do expectável, mas existem várias razões que os podem explicar. Uma delas relaciona-se com o facto das justificações clínicas para a requisição de G-GT, baseadas na norma da DGS nº69/2011 poderem ser demasiado restritas. Outra explicação diz respeito à análise através de registos que, apesar de ser a forma possível de inferir sobre a prática médica, implica muitas vezes a sua subvalorização. Uma limitação importante deste estudo prende-se com o facto de apenas serem avaliados os registos de um número limitado de utentes e apenas em dois meses do ano, o que poderá não refletir a realidade de toda a lista de utentes, durante todo o ano. Medidas Corretoras: Os autores irão propor e discutir com as equipas médicas um plano intervencional que assenta maioritariamente em sessões e debates educacionais, com o objetivo de melhorar os padrões de qualidade encontrados na primeira avaliação. Comunicação em Poster Área Temática Avaliação e Melhoria Contínua da Qualidade Autor Principal Patrícia Borges Fernandes Local de Trabalho Email Outros Autores USF S. Bento [email protected] Pedro Teixeira (USF Renascer) Rita Mendes (USF São João) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 51 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Será apenas síndrome do cubital? Palavras-Chave síndrome do desfiladeiro torácico Resumo Modalidade Enquadramento: A síndrome do desfiladeiro torácico ocorre na maioria das vezes na sua forma neurogénica. É mais comum em mulheres e surge entre os 20-50 anos de idade. Habitualmente existe uma história prolongada de dor e incapacidade, sendo que os sintomas clássicos incluem omalgia, cefaleias, parestesias e/ou perda de força do membro superior. Descrição do Caso: Doente do sexo feminino, 41 anos, operária fabril - costureira, pertencente a uma família nuclear, ciclo de Duvall V, classe III de Graffar, com antecedentes de depressão, distúrbio ansioso, doença fibroquística da mama e fibromioma do útero. Em 08/2012 recorre ao Médico de Família (MF) por atrofia muscular da região tenar direita, por vezes com diminuição da força dos dedos, desde há vários anos. Prescrita eletromiografia (EMG) que a doente não realizou por não ser comparticipada. Em 02/2013 recorre a consulta aberta (CA) por omalgia esquerda, com sensação de peso e diminuição da força no membro superior esquerdo, sem limitação funcional e com contratura do trapézio desse lado. Em 11/02/2014 recorre a CA por omalgia direita, com 2 meses de evolução, e apresentava dor à palpação na região anterior da articulação, sem limitação significativa na mobilização. Pedida radiografia e ecografia do ombro que revelaram “rutura incompleta da porção anterior do tendão do supra-espinhoso”. Passado CIT por doença profissional e prescrita MFR. Em 10/03 recorre novamente ao MF para renovação de CIT e com informação do Médico Fisiatra para estudo de possível síndrome cubital, no entanto ao exame físico apresentava diminuição da força e sensibilidade à picada na região cubital anterior e também atrofia da região tenar, hipotenar e interósseos da mão direita. Foi novamente prescrita EMG e explicada a importância da realização deste exame. A EMG apresentava “achados compatíveis com lesão de longa data do plexo braquial direito”. Pedida TAC de tórax que revelou “apêndice costiforme à esquerda em C7 e megapófise transversa à direita em C7, com provável compromisso radicular”. Referenciada para consulta hospitalar de Ortopedia com posterior encaminhamento para Cirurgia Torácica. Aguarda cirurgia. Discussão: Este caso clínico realça a importância da relação estreita entre o MF e o seu doente, não só no diagnóstico precoce bem como no acompanhamento da evolução da doença após referenciação hospitalar. Adicionalmente, alerta para a importância da valorização das queixas do doente mesmo quando os próprios as desvalorizam e não realizam os exames pedidos. Comunicação em Poster Área Temática Relato de Caso Autor Principal Sofia Velho Rua Local de Trabalho Email Outros Autores USF Ribeirão [email protected] Catarina Lopes Moreira (USF Ribeirão) Susana Rebelo (USF S. Miguel-o-Anjo) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 52 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Um Entardecer Complicado Síndrome de Sundown Enquadramento: Síndrome de Sundown é o termo que descreve o aparecimento ou agravamento de um conjunto de sintomas neuropsiquiátricos ao entardecer. Tipicamente, ocorre em doentes com alterações cognitivas ou demenciados. Os sintomas podem variar entre agitação, confusão mental, desorientação, ansiedade ou agressividade. Representam manifestações que se enquadram no estado confusional ou delirium. A sua frequência em doentes com síndromes demenciais pode variar entre 2,4 e 66%. Descrição do Caso: ECB, género feminino, 87 anos, família monoparental, fase VIII (Duvall). Antecedentes pessoais de hipertensão arterial, bradiarritmia, portadora de pacemaker, síndrome demencial com alterações do comportamento desde 2012, totalmente dependente nas atividades de vida diária, alectuada. Medicada com digoxina 0,125mg, furosemida 40mg, lorazepam 2.5mg, perindopril/indapamida 5mg/1.25mg, amlodipina 5mg. A cuidadora contacta telefonicamente o médico de família, referindo episódios recorrentes de alterações do comportamento que surgem ao final do dia, perturbando o ambiente familiar, sobretudo no período noturno. Destacavam-se maior agitação, confusão mental e apelos sucessivos à cuidadora. Estes episódios não ocorriam durante outros períodos do dia. Cinco dias depois, é efetuada visita domiciliária multidisciplinar durante a tarde, não se tendo verificado aumento da agitação, nem deterioração do estado geral. O exame físico não sugere a existência de intercorrências. Procede-se à revisão terapêutica, inicia trazodona 100mg e faz-se e ensino sobre medidas preventivas de síndrome de Sundown, tais como, aumento da exposição à luz, medidas de higiene do sono, redução do barulho e criação de rotinas. Nova visita domiciliária demonstrou a eficácia da aplicação destas medidas com melhoria significativa da frequência e gravidade dos episódios, e da fadiga da cuidadora. Discussão: As alterações do comportamento no demenciado são frequentes e podem representar um agravamento da doença de base ou outras intercorrências. O reconhecimento da Síndrome de Sundown através de uma maior atenção à relação temporal da sintomatologia é importante para que possam ser tomadas estratégias terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas atempadamente. Apesar de ainda pouco estudado, sabe-se que medidas simples como aumento da exposição à luz e regularização dos ciclos de sono podem prevenir o seu desenvolvimento. A demora na intervenção sobre este problema pode precipitar a exaustão da cuidadora ou mesmo a institucionalização da doente. Comunicação Oral Área Temática Relato de Caso Autor Principal Tiago Eusébio Local de Trabalho Email Outros Autores USF Amaresaude [email protected] Ana Filipa Vilaça (USF Manuel Rocha Peixoto) Luísa Terroso (USF Amaresaude) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 53 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade USF dos Pequenitos Dia da Criança,Promoção da Saúde,Unidade de Saúde Familiar,Circuito do Utente Introdução: “Se te portares mal, vais ao médico, e o senhor doutor dá-te uma pica” era uma “ameaça” comum feita pelos pais quando as crianças não queriam comer a sopa ou não faziam os trabalhos de casa. Hoje a psicologia infantil aconselha abordagens que não incluam o medo às batas brancas. Assim, no âmbito do Dia Mundial da Criança, realizou-se na USF X uma atividade para crianças em idade pré-escolar, a 4 de junho de 2014, promovida pelos IFE da USF X, com a colaboração do Departamento de Saúde Escolar do ACeS Y e Município de Z. As crianças foram convidadas a dirigir-se à USF acompanhadas dos seus bonecos, para estes serem observados e tratados. No sentido de tentar que as consultas fossem o mais reais possíveis, para vencer possíveis medos, foram envolvidos todos os grupos profissionais, por forma à criança percorrer o circuito de utente. Objetivos: Desmistificar a ida das crianças à USF X. Metodologia: 11 profissionais (Secretário, Enfermeiro, Médico), elaboraram diversos documentos (cartas convite, folhetos e cartazes de divulgação, senhas, colantes para identificação da criança, boletim saúde do boneco, registo clínico SOAP, folha prescrição médica e diploma de participação). Foram convidadas 26 crianças da turma dos 3 anos da Creche W. A sessão teve duração de 150 minutos. Resultados: Participaram 23 crianças (2 - 4 anos), verificando-se que os motivos de consulta mais frequentes foram: feridas (9), dor de barriga (6), quedas (6) e dor de garganta (4). No plano terapêutico, as medidas não farmacológicas foram as mais prescritas: miminhos (14), água (12), sonecas (10) e beijinhos (10). Discussão: Ao participar nesta atividade e aproveitando um período de não doença, as crianças acabaram por transferir para os bonecos os seus próprios medos, associando o tratamento do boneco à forma como serão tratadas numa futura visita à USF. É um projeto que visa elaboração de novas edições, tendo por objetivo futuro, divulgação nos media e participantes de uma faixa etária entre os 4-5 anos, dada a limitação da faixa etária escolhida na perceção de ideias/ensinamentos e comportamentos inerentes a este tipo de iniciativa. Conclusão: Este evento foi útil em termos formativos, pois permitiu a possibilidade de interação dos diferentes profissionais de saúde com as crianças num momento descontraído e divertido, permitindo-lhes a assimilação de conhecimentos de maneira informal, reforçando ainda mais o trabalho em equipa que se inspira nesta USF. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Joana Araújo Local de Trabalho Email Outros Autores USF Terras de Souza [email protected] Isabel Santos Solha (USF Terras de Souza) Joana Andrade Barros (USF Terras de Souza) Jonathan Santos (USF Terras de Souza) Lisete Aires Silva (USF Terras de Souza) Svetlana Golicov (USF Terras de Souza) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 54 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Uso de benzodiazepinas e os efeitos nos diferentes domínios da cognição Cognition Disorders,Benzodiazepines Introdução: As benzodiazepinas (BZD) estão entre os medicamentos mais prescritos mundialmente. Portugal apresenta um consumo de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos muito superior ao de outros países da Europa. É consensual que estes fármacos causam dependência física, psicológica e síndrome de privação. No entanto, o efeito na função cognitiva e a sua reversibilidade gera controvérsia o que suscitou a realização deste trabalho. Objetivos: Este estudo pretende rever a evidência científica disponível sobre a associação entre o uso de BDZ e deterioração cognitiva e a reversibilidade desta. Metodologia: Pesquisa bibliográfica de meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS), ensaios clínicos controlados e normas de orientação clínica nas fontes: National Guideline Clearinghouse, British Medical Journal Clinical Evidence, Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, Cochrane, DARE, Bandolier e Medline, publicados entre Janeiro de 2004 até Junho de 2014, utilizando os termos MeSH: Cognition Disorders; Benzodiazepines. Foram selecionados os artigos nas línguas inglesa, francesa, espanhola, portuguesa e italiana. Para atribuição do nível de evidência foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Academy of Family Physicians. Resultados: Obtiveram-se 194 artigos, dos quais 10 satisfizeram os critérios de elegibilidade: 2 MA, 2 estudos experimentais (EE), 5 estudos de coorte e 1 estudo caso-controlo. Associações estatisticamente significativas entre o uso de BZD e alterações em alguns dos domínios da cognição foram descritas nas MA, nos EE e em 2 estudos de coorte, nomeadamente: memória verbal e não-verbal, atenção/concentração, velocidade psicomotora, memória de trabalho e controlo motor. Os restantes estudos não encontraram associação entre o uso de BZD e deterioração cognitiva. Em dois dos estudos demonstrou-se que após interrupção da terapêutica houve recuperação parcial da função cognitiva. Discussão: A evidência atual disponível indica que o uso de BDZ tem um impacto negativo nos vários domínios cognitivos (SORT B). Os dados suportam que os défices podem ser de médio/longo prazo, apoiando o benefício da interrupção desta terapêutica (SORT A). A heterogeneidade verificada na metodologia dos estudos dificulta a comparação de resultados, pelo que são necessários mais estudos nesta área com maior uniformidade metodológica. Comunicação Oral Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Sara Anjo Local de Trabalho UCSP Barão do Corvo Email [email protected] Outros Autores Liliana Coelho (USF St. André de Canidelo) Maria Filipa Malheiro (USF Espinho) Maria João F. Silva (UCSP Barão do Corvo) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 55 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Uso de Flavonoides na Sintomatologia Hemorroidária: uma revisão baseada na evidência Hemorroidas,Flavonoides Introdução: As hemorroidas são dilatações venosas do plexo hemorroidário, que estão geralmente associadas a dor, prurido, hemorragia e sensação de massa perianal. A sua etiologia é multifatorial sendo a dieta, os cuidados de higiene e a genética os fatores mais comummente implicados. São vários os agentes terapêuticos usados no alívio de sintomas hemorroidários, por vezes sem indicação formal. Recentemente, vários autores reportaram bons resultados no alívio sintomático com o uso de flavonoides. Objetivos: O objetivo deste trabalho foi rever a evidência disponível sobre a eficácia dos flavonoides no alívio dos sintomas hemorroidários. Metodologia: Pesquisa de meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS), ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), e normas de orientação clínica (NOC), utilizando as palavras-chave: hemorrhoids, flavonoids e flavones. Foi utilizada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician para classificar os artigos. Fontes de dados: Medline, sítios de medicina baseada na evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos selecionados. Resultados: Foram encontrados 31 artigos, dos quais foram selecionados 2: uma revisão sistemática e uma meta-análise, que concluem favoravelmente sobre o uso de flavonoides na sintomatologia hemorroidária (nível evidência 2). Discussão: Existem erros metodológicos em vários estudos, sobretudo no referente ao método de aleatorização e de ocultação. Identificou-se heterogeneidade em alguns resultados, e há igualmente dados que apontam para possível viés de publicação (SOR B). Conclusão: A evidência disponível indica que o uso de flavonoides na sintomatologia hemorroidária é eficaz e acarreta baixo risco de efeitos laterais (SOR 2B). Contudo, dada a ausência de avaliação do seu uso em hemorroidas trombosadas, em quadros hemorroidários mais severos e em pacientes grávidas, o seu uso não pode ser recomendado nestes grupos específicos de doentes. Recomenda-se que no futuro sejam realizados ensaios clínicos com metodologia pormenorizada, nomeadamente ao nível da aleatorização e ocultação. Os instrumentos de avaliação de resultados devem ser uniformizados para que os dados possam ser comparáveis. Comunicação em Poster Área Temática Investigação Autor Principal Diogo Durais Local de Trabalho Email Outros Autores USF Monte Crasto [email protected] Miguel Martins da Cunha (USF Monte Crasto) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 56 XXI Encontro do Internato de Medicina Geral e Familiar da Zona Norte - Lista de Resumos Título Palavras-Chave Resumo Modalidade Uso de Probióticos na prevenção da diarreia associada a antibioterapia em idade pediátrica – qual a evidência? probiotic, diarrhea, antibiotic, child Introdução: O médico de família está na primeira linha de contato dos utentes com os serviços de saúde e, por isso, a maioria das infeções bacterianas são tratadas pelo mesmo. Os efeitos secundários gastrointestinais causados pelos antibióticos são frequentes e são causa de abandono do tratamento. Diarreia Associada a Antibióticos (DAA) é a diarreia inexplicável que ocorre entre 2 horas até 2 meses após o início da toma de antibióticos. Objetivos: Encontrar evidência científica para o uso de Probióticos como prevenção da DAA. Metodologia: Foi feita uma pesquisa nas bases de dados da MEDLINE e em sítios de medicina baseada na evidência procurando normas de orientação clínica (NOC),revisões sistemáticas (RS), meta-análises, revisões e ensaios clínicos aleatorizados e controlados (EACC), publicados entre 1 de Janeiro de 2005 e 30 de Setembro de 2013. Para a avaliação da qualidade dos estudos e posterior atribuição de força de recomendação (FR) e nível de evidência (NE) foi utilizada a Escala Strenghtof Recommendation Taxonomy da American Family Physician. Resultados: Foram obtidos um total de 220 artigos, tendo sido seleccionados 8. Destes artigos, 3 eram RS, 2 meta-análises e 3 NOC. As RS suportam o uso de probióticos na prevenção DAA, tendo sido atribuída uma força de recomendação 2. As meta-análises mostram que há evidência de que o uso de probióticos reduz a DAA (com força de recomendação 2) mas são necessários mais estudos para saber quais probióticos usar e em que população utilizar. As NOC demonstram também o benefício dos próbióticos na prevenção da DAA, tendo sido atribuída uma força de recomendação 3. Discussão: Os artigos incluídos nesta revisão apresentam heterogeneidade em relação ao probiotico utilizado (diferentes espécies, diferentes posologias), e não foi tido em conta o tipo de antibiótico utilizado e as várias patologias onde foram prescritos; no entanto, existe homogeneidade estatística em relação à prevenção dos episódios de DAA. Um outro aspeto a referir é o facto de não existirem estudos que mostrem a existência de custo-benefício no uso dos probióticos na prevenção de DDA. Comunicação em Poster Área Temática Revisão de Tema Autor Principal Severina Nicora Local de Trabalho Email Outros Autores UCSP Marco de Canaveses [email protected] Daniela Pedrosa (USF Torrão) Sonia Moreira (USF Torrão) www.encontro.aimgfzonanorte.pt 57