O PROCESSO SUCESSÓRIO NAS EMPRESAS FAMILIARES DE PALMEIRA DAS MISSÕES. Jaqueline Silinske Acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria Saionara da Silva Acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria Fernando Panno Professor Mestre da Universidade Federal de Santa Maria RESUMO As empresas familiares estão situadas em um contexto muito importante para o desenvolvimento regional, porque geram empregos e renda para a população. Diante disso, viu-se oportuno um estudo mais aprofundado nas empresas familiares de Palmeira das Missões a cerca da sucessão familiar, identificando se nesta transição existe o auxílio de um planejamento estratégico detalhado. Aliado a isso, é necessário ter conhecimento se os gestores participam de cursos na área específica de atuação do empreendimento, bem como os benefícios e as dificuldades encontradas no processo sucessório. Esse estudo possui um caráter investigativo e exploratório, abrangendo uma pesquisa bibliográfica que auxiliou as alunas-pesquisadoras a se situarem no contexto da pesquisa, sendo que foram realizadas, durante o processo, entrevistas semi-estruturadas em 45 (quarenta e cinco) empresas familiares localizadas no município foco do estudo. Percebeu-se, com esse estudo que os gestores e prováveis sucessores são favoráveis a sucessão familiar em seus empreendimentos, pois envolve a continuidade do negócio familiar por um membro da família. Palavras chave: Empresas Familiares, Sucessão Familiar, Planejamento Estratégico ABSTRACT Family businesses are located in a context very much important for regional development, because they generate jobs and income for the population. Therefore, it was seen appropriate further study in family businesses Palmeira das Missões about the family succession, identifying whether this transition exists the help of a detailed strategic planning. Allied to this, is necessary to knowledge if the managers attend courses in the specific area of actuation of the venture, as well as the benefits and difficulties encountered in the process of succession. This study has an exploratory and investigative nature , including a bibliography research that helped the students-researchers to situate the research context, and were performed during the process, semi-structured interviews in 45 (forty five) family business located focus of study in the community. Were perceived, with this study that the managers and provable successors are in favor of family succession in their ventures, because it involves the continuity of the family business by a family member. Keywords: Family Business, Family Succession, Strategic Planning VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 1. INTRODUÇÃO Entende-se por empresa familiar as organizações industriais, comerciais ou prestadoras de serviços que tem sua base administrativa atrelada a membros de uma mesma família, que surgiu de um precursor e os seus descendentes, com o tempo, passaram a assumir os negócios. Atualmente, é muito grande a entropia de empresas familiares, visto que a maioria desses empreendimentos não consegue passar pela quinta geração, por isso a importância de uma análise aprofundada nas organizações, identificando os benefícios e dificuldades enfrentados ao longo do processo da passagem do bastão. Além disso, é fundamental analisar as estratégias que os gestores estão adotando para evitar o término da história de seu empreendimento, visto que isso demonstra o grau de preocupação dos gestores em relação à continuidade dos negócios empresariais. Diante disso, esse artigo dará ênfase as empresas familiares de Palmeira das Missões que passaram, estão passando e irão passar por sucessão na gestão dos seus negócios, demonstrando a importância de desenvolver uma estratégia nas pequenas empresas, preparando os sucessores para o enfrentamento do mercado global. Sendo que, para que isso aconteça da melhor maneira possível, é essencial a participação dos gestores e de seus prováveis sucessores em cursos específicos ao ramo de atuação do empreendimento. Obtendo, assim, a continuidade do empreendimento em um ambiente mutável e amplamente competitivo. A pesquisa apresenta um caráter exploratório e investigativo, através de um estudo qualitativo acerca do pensamento dos entrevistados em relação à sucessão familiar no município de Palmeira das Missões. Inicialmente foi realizado um referencial teórico para situar as pesquisadoras no contexto do estudo, após foram utilizadas entrevistas semiestruturadas direcionadas aos gestores e prováveis sucessores das empresas familiares do município foco do estudo para melhor atender os objetivos propostos pela pesquisa. A importância desse trabalho se dá pelo fato de que uma das particularidades do segmento empresarial do município foco do estudo é o grande número de microempresas familiares oriundas de idéias empreendedoras de seus idealizadores que foram moldando, transformando e ganhando forma ao longo tempo. Além disso, essas empresas contribuem significativamente para o crescimento e desenvolvimento regional, pois proporcionam mais oportunidades de emprego e renda para a população. 2. METODOLOGIA Pelo fato de que existe uma grande entropia nas empresas familiares, nota-se a importância de uma análise aprofundada nas organizações, identificando os benefícios e dificuldades enfrentados ao longo do processo da passagem do bastão. Sendo que o presente projeto apresenta um caráter exploratório e investigativo, tendo sido realizado um estudo qualitativo, cujo foco foi na coleta, apresentação e análise das informações coletadas de forma descritiva e estratificada, apontando de forma clara e objetiva os resultados alcançados. Os dados qualitativos foram apresentados e analisados em forma de texto, com uma linguagem acadêmica, clara e de fácil compreensão. Foi realizado um estudo bibliográfico por parte dos pesquisadores para situá-los no contexto da pesquisa e para que pudessem conhecer as particularidades acerca da empresas familiares, estratégias empresariais e sucessão familiar. Após isso, foi realizado um plano de coleta de dados, os quais foram coletados através de entrevistas semi-estruturadas VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br direcionadas aos gestores e prováveis sucessores das empresas familiares de Palmeira das Missões. Nessa etapa, percebeu-se que empresas familiares passam por três etapas diferenciadas no andamento das atividades empresariais, pois existem empresas que passaram, estão passando e que irão passar por sucessão na gestão de seus negócios. Desse modo, foram estabelecidas três formas de entrevistas semi-estruturadas de acordo com o contexto em que a empresa familiar está vivenciando. Foram visitadas 80 (oitenta) empresas familiares, sendo que dessas 45 (quarenta e cinco) aceitaram colaborar com o estudo, fornecendo as informações necessárias. Para a ocasião foi elaborado um documento de apresentação direcionado a 80 empresas familiares. As entrevistas, em média, tiveram duração de uma hora, visto que, houve uma conversação entre os pesquisadores e os gestores, bem como, com os prováveis sucessores. Após isso, os dados foram analisados, sistematizados e agrupados de maneira clara e objetiva 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 EMPRESAS FAMILIARES A economia de um país se faz através de diversos recursos provenientes, muitas vezes, de empresas que propiciam à União uma gama de capital que, mais tarde, é revestida na Federação. Além disso, a organização trabalha por um objetivo próprio abrangendo a cultura característica de sua atividade empresarial, os seus ambiente interno e externo, principalmente, o fato de produzir bens e serviços aos seus consumidores. As organizações são grupos sociais deliberadamente orientados para a realização de objetivos que, de forma geral, se traduzem no fornecimento de produtos e serviços. Toda organização existe com a finalidade de fornecer alguma combinação de produtos e serviços. (MAXIMIANO, 2004, p.27) Toda organização surge da união de objetivos de seus gestores, que se baseiam na ligação existente entre a tecnologia presente em uma empresa e a capacidade humana de gerir negócios em busca da otimização. Contudo, faz-se necessário que haja coletividade entre os gestores e seus colaboradores, ao passo que o objetivo individual tem de estar em consonância com o objetivo maior para, assim, obter os resultados almejados. No mundo dos negócios existem alguns tipos de empresas, dentre elas, vêm se destacando as empresas familiares, devido as suas características. Trata-se de uma gestão ampla e ao mesmo tempo restrita, pelo fato da própria família desempenhar as funções administrativas na empresa. A empresa familiar pode ser definida como: I – Aquela que nasceu de uma só pessoa, um self made man (empreendedor). Ele a fundou, a desenvolveu, e, com o tempo, a compôs com membros de família a fim de que na sua ausência, a família assumisse o comando. II – a que tem o controle acionário nas mãos de uma família, a qual, em função desse poder, mantém um controle da gestão ou de sua direção estratégica (WERNER, 2004, p. 20). Dessa forma, o surgimento da empresa familiar se dá através de um ato empreendedor, pelo consentimento e ajuda de membros de uma mesma família em prol da consolidação da organização familiar em um determinado ramo empresarial. Há nesse tipo de empresa uma VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br identificação e passagem de pelo menos duas gerações em que resulta em uma influência recíproca. Houve muitos avanços no desenvolvimento das empresas familiares que, com o tempo, tornaram-se o foco das atenções do mundo empresarial, passando a representar maior número e tendo maior espaço em sua atividade. É importante destacar que a gestão familiar deve estar em constante aperfeiçoamento, estando aptas às mudanças freqüentes no mundo dos negócios, sem perder seus princípios e valores característicos de sua gestão. Segundo Gersick et al (2006, p. 02) “as empresas familiares são a forma predominante de empresa em todo o mundo. Elas ocupam uma parte tão grande da nossa paisagem econômica e social que sequer nos damos conta”. Percebe-se que há uma falta de divulgação em relação à presença de empresas com gestão familiar em áreas específicas da atividade empresarial. Todavia, essas empresas contribuem para a geração de novos empregos, mais opções no comércio de bens e serviços e, para aumentar a circulação de capital no mercado, a chamada criação de moeda muito importante para o cenário econômico. Nesse contexto, chega-se à constituição das empresas familiares, cujo início ocorre por meio de idéias empreendedoras e inovadoras, sendo caracterizada pela obtenção do controle por membros da família. Carsud (apud Neubauer e Lank, 1991) faz referência às empresas familiares citando-as como sendo aquelas em que a propriedade e as decisões são controladas pelos membros de um “grupo de afinidade afetiva”. Sendo assim, além de estar vinculada a um ato empreendedor, nota-se a existência de outro tipo de vínculo, a relação familiar. Desse modo, percebe-se a importância da participação da família no capital da empresa, a qual necessita possuir a maior parcela das ações ou quotas, que a família tem direito, para poder tomar decisões relacionadas à atividade empresarial. Outro fator relevante, o qual equivale aos aspectos das organizações familiares, é o de que a família proprietária deve executar as funções executivas na empresa. Essa participação pode ser positiva ou negativa para o desenvolvimento da organização em um mercado amplo e competitivo. Para Gersick (2006), a empresa familiar afeta todos os que participam dela porque, muitas vezes, o empenho da família pode colaborar significativamente para o seu crescimento, entretanto, esta mesma intimidade pode atrapalhar o comportamento empresarial. Dessa maneira, constata-se que a empresa familiar possui suas peculiaridades, sendo necessária uma boa administração para se estabelecer os limites da participação de seus membros e o quanto essa participação colabora com a atividade da organização. Visto que a gestão de uma empresa familiar deve estar em constante aperfeiçoamento, um dos meios para alcançar o sucesso empresarial é a realização de um planejamento estratégico acerca de todas as decisões tomadas no âmbito empresarial, com o objetivo principal de dar continuidade e ascensão a gestão dos negócios. 3.2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Existe a necessidade, em uma empresa, de planejar para por em prática os objetivos pretendidos. Com esse pensamento, chega-se ao planejamento estratégico. Podendo este, ter muitas interpretações. Planejamento estratégico é um processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa, visando ao otimizado grau de interação com os fatores externos – não controláveis – e atuando de forma inovadora e diferenciada (REBOUÇAS, 2007, p.18). VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br O planejamento deve ser feito criteriosamente, visando objetivos a serem alcançados, contudo, é necessário levar em consideração os fatores externos à empresa, também conhecidos como variáveis externas. Além disso, o processo estratégico tem de ser coerente para que as decisões da empresa possam ser executadas, de maneira ordenada, sem trazer prejuízos ao andamento da mesma. Nota-se a importância da inovação e diferenciação das empresas, tanto no planejamento, quanto na execução de seus objetivos. Para se ter um planejamento estratégico de qualidade é preciso partir de uma estratégia, a qual deve ser elaborada visando os objetivos, as metas, as condições da empresa e seu ambiente interno e externo, de forma contextualizada. De acordo com Maximiano (2008, p.329) “planejamento estratégico é o processo de elaborar a estratégia – a relação pretendida da organização com seu ambiente”. Portanto, o processo de planejamento estratégico visa a tomada de decisão em relação às metas da organização. Todo planejamento deve ser elaborado por pessoas aptas a tomar decisões e que saibam fazê-las em função dos padrões da empresa. Rebouças (2007) definiu planejamento estratégico como um processo gerencial que possibilita estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa. Sendo um processo gerencial, todo planejamento deve contemplar os ideais da empresa e seus valores, sem desconsiderar a inovação, a qual deve estar sempre presente em toda atividade empresarial, uma empresa não se faz sem planejamento, não há a possibilidade de improvisação a todo o momento. Sendo assim, é necessário um conhecimento acerca da formulação do planejamento estratégico. Para Mintzberg et al (2000), essa formulação passa por vários estágios, sendo que o primeiro diz respeito à fixação de objetivos, no qual a empresa planeja suas metas. O segundo estágio é a autoria externa com provisões futuras, no terceiro é feita uma análise das forças e fraquezas da organização. É necessário avaliar se a estratégia está adequada ao ambiente externo e interno da empresa que se faz no próximo estágio, em seguida, a estratégia torna-se detalhada, tendo a associação de planejamento ao controle. Por fim, mas não menos importante, chega-se ao sexto estágio em que há a programação das etapas do processo de implantação do planejamento estratégico. O planejamento estratégico é muito importante para as empresas atualmente, visto que o desenvolvimento de estratégias ajuda na tomada de decisão cotidianamente. Também, auxilia para a ocorrência da sucessão familiar, a qual é o objetivo de muitos gestores de empresas familiares, os quais idealizam a continuidade do empreendimento com um membro da sua família. 3.3 SUCESSÃO FAMILIAR Um aspecto existente nas empresas familiares é a sucessão. Uma das questões mais freqüentes no âmbito empresarial, em se tratando desse tipo de empresa, é a possibilidade de escolher, entre os sucessores, o ideal ou mais indicado para dar continuidade às atividades até então praticadas pela empresa. Primeiramente, se estabelece alguns critérios e deveres nesse processo de escolha e transição. Adachi (2006, p.199) cita “Esse processo estará associado a duas disposições de vontade: o sucedido deve ceder sua posição e o sucessor deve assumir o novo posto”. É essencial que o gestor possua o intuito de passar o comando da empresa para o seu sucessor e que este, também, esteja disponível para esta responsabilidade. Torna-se necessário que ambas as partes compreendam o fato de que nesse procedimento há diversos fatores que dificultam o início desse processo. Feita uma análise preliminar deve-se procurar, dentre os possíveis sucessores, o mais preparado e, se não o tiver, há que se efetuar a preparação de um dos familiares, nesse caso o melhor é efetuá-la com antecedência à decisão de passar o cargo pois, assim, consegue-se VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br fazê-lo da melhor maneira possível. Nessa linha de pensamento, Adachi (2006, p. 204) ressalta o fato de que “o sucessor ideal deve ser um indivíduo que contemple todas as habilidades necessárias para assumir um cargo importante para a empresa”. Não há dúvida que uma pessoa bem preparada tende ao sucesso na prática empresarial por ter o conhecimento necessário e por buscar, constantemente, o aperfeiçoamento, assim como adaptar-se aos diferentes ambientes e às diferentes situações que ocorrem nesse meio. É relevante ao gestor a preocupação com as diversidades culturais tanto de seus colaboradores quanto dos seus clientes, satisfazendo ambos para chegar à finalidade da atividade da empresa. Há um grande dilema nas organizações familiares quando se trata da escolha do futuro sucessor, no que se refere às necessidades da empresa. Todavia, a empresa que estiver preparada para comportar os diferentes parâmetros, pessoais e profissionais, terá uma probabilidade maior da sucessão ocorrer da maneira adequada, sonhada e idealizada por ambas as partes. A nomeação do sucessor não é tanto uma decisão pessoal como uma decisão estratégica. Possivelmente é a mais importante que se toma em cada geração, já que, como futuro dirigente principal da empresa familiar, será normalmente o fator determinante do sucesso ou do fracasso da empresa (NEUBAUER e LANK, 1991). Conforme a decisão tomada pela empresa, em relação à nomeação do sucessor, pode levar a decadência do negócio empresarial ou a sua expansão. Elabora-se, portanto, muitas hipóteses para a indicação do futuro gestor, por se tratar de riscos, os quais, muitas empresas não teriam condições de suprir carências ocasionadas pelos mesmos. A sucessão familiar é realizada ao longo de etapas, garantindo, assim, o controle da gestão e a continuidade da família em relação à propriedade da organização. Em cada etapa modificam-se alguns aspectos na gerência da empresa, embora sua essência seja preservada ao longo das gerações. Nesse sentido, Casillas et al (2007, p. 05) comenta que a sucessão familiar é “a intenção de transferir a empresa a futuras gerações e a concretização disso na inclusão de membros dessa nova geração na própria empresa”. Portanto, a sucessão familiar está ligada ao fator hereditário, ocorrendo a passagem do domínio sobre a empresa para o próximo sucessor que, a princípio, é um membro da família. Incluem-se na rotina das empresas familiares diversas tarefas para que haja um melhor aprendizado entre as diferentes gerações e a interação entre família e empresa, as quais não se confundem em um mesmo princípio. Na consolidação da troca de bastão, deve-se ter um planejamento estratégico que vise a empresa, suas necessidades e sua sobrevivência. Indubitavelmente, quanto mais cedo se começa a planejar o processo sucessório, haverá mais chances de passá-lo com maior naturalidade e da melhor maneira possível. Nesse sentido, Lea (1993) mostra claramente, em seus estudos, que os proprietários de 12 empresas familiares obtiveram sucesso na sucessão familiar, sendo que 14 tinham iniciado o planejamento antes de realizar efetivamente a transferência para a geração seguinte, ou seja, 86% tinham realizado a transição com sucesso. A partir desses dados, nota-se que planejamento é a base para a realização da sucessão em empresas familiares. Uma característica importante para possuir um planejamento eficaz é analisar os verdadeiros pontos fracos e fortes do sucessor, propiciando para este, um maior leque de conhecimento sobre o gerenciamento da empresa em questão. Além dos fatos relatados, os sucessores devem se preocupar em estar preparados para administrar a empresa familiar. Essa preparação se dá por meio de muito estudo e treinamento na busca da obtenção de melhores conhecimentos que deverão ser passados para o cotidiano VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br da empresa. Desse modo, Lea (1993) afirma que preparar a próxima geração demanda tempo, reflexão e esforço. E essa preparação – apesar de não garantir que a empresa familiar se transforme em uma dinastia centenária – é ainda um dos melhores investimentos que a empresa e a família podem fazer para o futuro. Então, a preparação do sucessor é essencial para se ter um futuro administrador preparado para enfrentar as dificuldades e ameaças que a organização familiar pode vir a enfrentar. Essa preparação abrange o conhecimento prévio da própria organização familiar e também de outras empresas, para que o sucessor obtenha maior amplitude em relação a como funciona o mundo dos negócios. Preenchidos todos esses requisitos, o futuro sucessor precisa, ainda, ter consciência da que realmente quer participar do convívio diário na empresa familiar. Essa decisão, de fazer parte da gestão da empresa familiar, deve ser tomada, exclusivamente pelo sucessor sem a influência dos familiares. Ayres (aput Casillas, 2007) destaca que nem todos os filhos são iguais, nem todos têm por que querer trabalhar na empresa familiar. Se os sucessores forem pressionados imprudentemente a fazê-lo, mesmo de maneira indireta, corre-se o risco de prejudicar tanto a eles quanto a empresa familiar. Certamente, todas as decisões tomadas pelos dirigentes e sucessores da organização familiar devem visar o melhor futuro para a continuidade da empresa. Por esse motivo, a passagem do bastão pode ser o início de uma boa administração ou o princípio para o final do andamento da organização familiar. 3. RESULTADOS Na aplicação dessa pesquisa notou-se uma grande diferença entre as empresas que passaram, estão passando e irão passar por sucessão na gestão de seus negócios, em relação à sucessão propriamente dita, pois nas organizações em que ocorreu essa passagem a sucessão é algo concretizado, nas que estão passando a mesma é vista como algo que certamente irá ocorrer, enquanto nas empresas que pretendem que ocorra a sucessão, nota-se que a troca de bastão é tida como uma hipótese, onde não se há a certeza de que isso se concretizará. Certamente, as empresas que já passaram pela sucessão familiar adquiriram o conhecimento diário a cerca da troca de bastão na gestão de seus negócios. Diante disso, foi relatado pelos sucessores que, os mesmos, acreditam que a passagem do bastão na gestão dos negócios, em relação a delegar autoridade para outra pessoa é algo positivo e bom porque envolve confiança entre os membros da família, porém, é ressaltado que a pessoa que assumir o empreendimento deve estar preparada para assumir responsabilidades. Além disso, os gestores, que já passaram a empresa para um membro da sua família, sentem-se orgulhosos em delegar o controle da organização para os filhos, mesmo que essa passagem, muitas vezes, torna-se difícil, pois os gestores acabam se desligando da empresa e do laço de afinidade adquirido ao longo do tempo. Contudo, existem casos em que a sucessão familiar é vista como algo complexo, visto que, os membros de uma mesma família possuem pensamentos distintos voltados para uma empresa já consolidada. Aliado a isso, existem empresas em que o provável sucessor não possui interesse em trabalhar no mesmo ramo em que os pais executam as atividades empresariais, dessa maneira, há a possibilidade de surgir uma sociedade com uma pessoa que não pertença à família para que o empreendimento possa continuar no mercado de negócios. Em relação às empresas que estão passando por sucessão na gestão de seus negócios, ao se referir sobre o pensamento de delegação de responsabilidade e autoridade, notou-se que todos os entrevistados são favoráveis à continuidade do empreendimento com um membro da família, desde que haja confiança entre as pessoas. Além disso, é ressaltado que com a troca de gestões podem ocorrer mudanças no empreendimento devendo sempre priorizar a continuidade do andamento das atividades empresariais. VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br É enfatizado, também, pelos entrevistados das empresas familiares, as quais estão passando pela sucessão familiar, que a mesma deve ocorrer lentamente e diariamente, para que o provável sucessor tenha condições de gerir o empreendimento sem problemas. Aliado a isso, o trabalho deve ser em conjunto entre a pessoa que está assumindo o negócio e quem está passando os bens materiais, além do mais, há a transferência de uma história que foi construída ao longo do tempo, com o intuito de manter intacto tudo aquilo que foi conquistado pelos gestores. Em relação às empresas que irão passar por sucessão na gestão de seus negócios, em se tratando delegação de autoridade e responsabilidade para outra pessoa, percebe-se que não existe uma certeza de que futuramente poderá ocorrer a sucessão familiar na gestão dos negócios, pois, em alguns casos, ainda não existem prováveis sucessores para darem andamento às atividades empresariais. Porém, nota-se que os gestores são favoráveis a ocorrência da sucessão familiar na gestão dos negócios, pois os mesmos possuem o intuito de passar seus conhecimentos para seus filhos futuramente gerirem a empresa. É acrescentado, ainda, pelos entrevistados dos empreendimentos que irão passar por sucessão, que esse ato está diretamente ligado a educação que é transferida para outra pessoa no convívio diário. Desse grupo, uma empresa relata que a opção por dar continuidade futuramente a gestão dos negócios dar-se-á caso o filho tenha vontade de gerir o negócio, sendo que essa escolha poderá ser realizada através da disponibilização de uma formação acadêmica para o provável sucessor. Em face da necessidade constante de um melhoramento na gestão dos negócios, visto que o mercado está cada vez mais competitivo e acirrado, as empresas familiares entrevistadas demonstram a importância de participarem de cursos referentes ao ramo de atuação, já que precisam estar sempre atualizadas em vista das constantes mudanças percebidas no ambiente global. Diante disso, na opinião dos entrevistados, é necessário que os mesmos busquem cursos na área de atuação nos empreendimentos, pois isso lhes remete a adquirir novos conhecimentos que só vem a trazer benefícios na gestão dos negócios, tais como, aperfeiçoamento na gerência dos empreendimentos, qualificação dos trabalhadores e, além disso, mostra maneiras de fidelizar clientes. Nas empresas que passaram por sucessão na gestão de seus negócios notou-se que os entrevistados desses empreendimentos não se atem tanto a cursos no ramo de atuação, visto que a maioria dos seus conhecimentos obtidos se deu na prática empresarial. Os mesmos ressaltam, também, que devido à falta desses cursos e ao pouco incentivo pelos órgãos governamentais, os gestores e prováveis sucessores não participam de cursos de aperfeiçoamento. No entanto, alguns gestores relatam que a realização de um curso em uma área específica de seu empreendimento é importante para aperfeiçoar conhecimentos em seus negócios. Nas empresas que estão passando por sucessão na gestão de seus negócios, percebe-se que a maioria participou de cursos referentes ao ramo de atuação, desse modo, demonstrando que isso beneficia tanto os membros da família quanto os clientes. Uma pequena minoria de empresas familiares relatou que não participaram de cursos referentes à área de atuação, visto que, em um empreendimento familiar o curso específico não está disponível na região, já em outro caso, os gestores aprenderam tudo o que sabem com suas “próprias forças”. Nas empresas que irão passar por sucessão na gestão de seus negócios, percebe-se que poucos empreendimentos não realizaram cursos referentes ao ramo de atuação, sendo que não foi explicado o motivo disso. Indubitavelmente, os gestores das empresas familiares que participaram de cursos na área de sua atuação notaram a importância disso, visto que, gera inúmeros benefícios para o andamento das atividades empresariais, tais como, motivação para os membros da família, diferenciação perante a concorrência, acompanhamento a novas VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br tecnologias, qualidade para a área de atuação, melhor atendimento e busca por inovações aos clientes. Aliado a necessidade de realização de cursos na área de atuação dos empreendimentos familiares, existe um fator relevante para que a passagem do bastão ocorra da melhor maneira possível, o qual é a utilização de um planejamento estratégico no inevitável momento do processo sucessório. Nas empresas pesquisadas em que já houve a passagem do bastão, nota-se que grande parte destas não realizou um planejamento estratégico no momento da troca de gestões. Isso ocorreu, pois no momento em que houve a passagem de bastão percebeu-se que em alguns casos a sucessão familiar ocorreu de maneira repentina, inesperada e automática. Porém, algumas empresas familiares utilizaram um planejamento estratégico para a passagem do bastão, sendo que, em um caso, utilizou-se a estratégia do acompanhamento diário da parte do provável sucessor em relação ao empreendimento. Em outra empresa o provável gestor fez um curso superior, além de ter estudado os pontos do empreendimento para sua colocação, realizou reuniões de planejamento em relação à posição da empresa no mercado e elaborou planos para o futuro. Contudo, mesmo com a presença de um planejamento estratégico, neste caso, houve uma fase em que a empresa perdeu o foco, mas logo houve a retomada do controle. Diante disso, nota-se que o auxílio de um planejamento estratégico na passagem do bastão é muito importante para a continuidade do empreendimento, porém, deve-se considerar a vocação do provável sucessor, a cultura organizacional, o ambiente interno e externo, entre outros fatores, já que as empresas familiares estão inseridas em um ambiente inconstante. Em relação às empresas familiares que estão passando por sucessão familiar na gestão dos seus negócios nota-se que a maioria dos empreendimentos realiza estratégias e ações para que a sucessão familiar ocorra da melhor maneira possível. Os entrevistados ressaltam que a convivência entre a gestão atual e a futura, a experiência adquirida no contexto organizacional, o compromisso e a fidelização dos clientes são tidas como estratégias e ações adotadas para que o processo sucessório de resultados positivos. Aliado a isso, tem-se a procura incessante por atualizações no mercado, buscando sempre novas estratégias na organização, além da capacitação dos funcionários e gestores do empreendimento, acarreta no sucesso empresarial procurado pelos gestores dos empreendimentos familiares que pretendem dar continuidade e ascensão aos negócios. Nas empresas que irão passar por sucessão na gestão de seus negócios a realização de estratégias empresariais é amplamente aceita para a ocorrência da sucessão familiar. Por isso, os gestores dão ênfase ao fato de que possuem o desejo de continuidade do empreendimento por parte de um membro da mesma família, de modo que uma estratégia adotada pelos gestores se dá pelo fato de haver um convívio diário pela parte do possível sucessor em relação ao empreendimento. Desse modo, os entrevistados prezam pelo bom atendimento em relação aos clientes e um trabalho adequado para a região, isso demonstra que os gestores estão conscientes de que, para alcançarem seus próprios objetivos, precisam suprir as necessidades do contexto onde estão inseridos. 4. CONCLUSÃO Em face da concorrência e do ambiente amplamente mutável nas empresas familiares de Palmeira das Missões, percebeu-se a tendência de que, para os entrevistados, a sucessão familiar nesses empreendimentos é tida como essencial, pois os gestores possuem o intuito da continuidade e ascensão de seu negócio. Além disso, é priorizado que o membro da família acompanhe as atividades empresariais com a finalidade de gerenciar o empreendimento mantendo a história do negócio construída ao longo do tempo. VII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Visto que a sucessão familiar é fundamental para a continuidade dos empreendimentos familiares, conclui-se que a realização de estratégias para a passagem do bastão é uma fase essencial para que os empreendimentos consigam superar as diferenças existentes entre o atual e antigo gestor, sendo que cada empresa possui um planejamento diferenciado, o qual é constituído através das experiências adquiridas pelos gestores, a cultura da empresa e o interesse do provável sucessor pelo empreendimento. Porém, não quer dizer que se uma empresa familiar não realizar um planejamento estratégico a cerca da sucessão familiar irá à falência, pois, muitas vezes, outros fatores devem ser considerados na troca de gestões, tais como a competência do sucessor em gerir o empreendimento, a maneira com que os funcionários vão reagir a troca de gestões, o fluxo de caixa, a lucratividade e rentabilidade do empreendimento familiar. Certamente as empresas que se valem de estratégias empresariais possuem mais chance de continuar no mercado, o qual exige, cada vez mais, profissionais qualificados. Certamente, para que a sucessão ocorra da melhor maneira possível, existem ferramentas que auxiliam a troca de bastão, sendo que a participação em cursos na área específica de atuação do empreendimento torna-se fundamental para que os prováveis sucessores e gestores adquiram mais profissionalismo e conhecimentos a cerca da gestão de negócios. Porém, é enfatizado por alguns gestores que a falta de cursos específicos na área de atuação do empreendimento torna-se um agravante para a especialização em determinadas áreas de atuação. Portanto, é necessário que haja uma conscientização por parte da região onde essas empresas estão inseridas em prol da disponibilização de cursos que tenham o objetivo de trazer maiores conhecimentos para que os gestores levem um maior desenvolvimento regional através do crescimento individual de cada empreendimento. Percebe-se que a sucessão familiar é uma maneira bem interessante para dar continuidade aos negócios empresariais de uma mesma família e para instigar as novas gerações a fazer parte do mundo empresarial, demonstrando suas habilidades e conhecimentos adquiridos tanto na teoria quanto na prática. O ambiente empresarial é propício para surgir novas idéias e agregar valores aos pensamentos existentes, bem como para abrir caminhos às pessoas que tem mentes empreendedoras. 5. 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